Você está na página 1de 51

Linux

Autor:
Gabriel Zago Marino

1
GABRIEL ZAGO MARINO

COLATINA, JULHO DE 2007.

2
SUMÁRIO

INTRODUÇÃO.................................................................................................03
- Opções de boot no Kurumin

OPÇÕES DE VÍDEO.........................................................................................17
- Opções para solucionar problemas

RODANDO O KURUMIN COM O DRIVE DE CD LIVRE.......................................22


- Salvando suas configurações

INSTALAÇÃO..................................................................................................24
- As partições no Linux
- Instalando

PARTICIONAMENTO.......................................................................................27
- Particionando com o cfdisk
- Particionando com o gparted

COPIANDO OS ARQUIVOS..............................................................................34

CONCLUINDO A INSTALAÇÃO........................................................................38
- Configurando o Lilo

USANDO UMA PARTIÇÃO SEPARADA PARA O DIRETÓRIO /HOME..................46

3
:. Kurumin: Opções de Boot e Instalação.

Carlos E. Morimoto
26/12/2005.

Embora a instalação do Kurumin seja quase sempre muito simples,


existem várias opções de boot e dicas que permitem solucionar
muitos problemas, além de lhe permitirem personalizar melhor a
configuração do sistema. O próprio instalador inclui algumas opções
"escondidas" que embora úteis, acabam sendo pouco usadas, sem
falar na parte de particionamento e instalação em dual boot com o
windows e outras distribuições. Este guia fala sobre tudo isso, uma
referência completa e atualizada para acabar com suas dúvidas.

• Introdução

A primeira diferença fundamental entre live-CDs, como o Kurumin e o Slax e


distribuições "tradicionais", como o Mandriva, Fedora e Slackware, é a forma como o
sistema é instalado.

Tradicionalmente, os CDs de instalação contém pacotes individuais de instalação dos


programas junto com um programa de instalação. Durante a instalação, você pode
escolher quais pacotes quer instalar e o instalador se encarrega de "montar" o sistema,
instalando individualmente os pacotes marcados, como neste screenshot do instalador
do Mandriva:

4
Esta abordagem permite um controle maior sobre o que será instalado, mas possui
também algumas desvantagens:

-Torna a instalação mais complexa e confunde os usuários iniciantes (e muitas vezes


também os avançados), já que pouca gente conhece a função de cada pacote e não
sabe bem quais instalar. Nem sempre as descrições dos pacotes dão uma visão clara
sobre sua função e importância. Para amenizar isso, os instaladores adotam um "meio
termo", onde você inicialmente escolhe entre algumas categorias, como "Ferramentas
de escritório", "Programação", "Servidores", etc., e acessa a tela de seleção manual de
pacotes apenas se quiser personalizar a instalação.

-Aumenta muito o trabalho dos desenvolvedores0, que precisam se preocupar em


checar as dependências de cada pacote, etc. para manter a instalação consistente,
independentemente do que o usuário escolher.

-Neste caso o sistema pode ser apenas instalado, não roda direto do CD.

Nos live-CDs temos um sistema "base", já configurado que roda diretamente do CD. O
instalador limita-se a copiar este sistema para o HD e fazer as alterações necessárias
para que ele se adapte ao novo ambiente.

A instalação no HD mantém as configurações feitas durante o boot. Por isso, primeiro


teste o sistema rodando a partir do CD e certifique-se que o vídeo está corretamente
configurado, as placas de som e rede estão funcionando, etc. antes de iniciar a
instalação.

5
Se você não tem espaço suficiente no HD para criar várias partições, ou não quer
arriscar seus arquivos mexendo no particionamento do HD (lembre-se: Só Jesus salva,
o homem faz backup! ;), você pode ainda treinar usando o VMware Player, um
virtualizador que permite instalar as distribuições dentro de máquinas virtuais, que
abordo aqui: http://www.guiadohardware.net/tutoriais/116/.

UTILIZANDO O VMWARE PLAYER

Ao começar a usar Linux, a maioria opta por conservar o Windows em dual boot, a fim
de ir se habituando gradualmente ao sistema, sem perder o acesso aos programas e
ao ambiente que está acostumado a usar. Alguns depois de algum sacrifício
conseguem passar a usar apenas Linux, enquanto outros conservam o dual boot,
perdendo tempo entre os resets.

Mas, hoje em dia existe uma opção muito mais interessante que o dual boot, que é a
possibilidade de manter o Windows instalado dentro de uma máquina virtual. Isso
permite rodar o Windows dentro de uma janela, usando simultaneamente os
aplicativos dos dois sistemas.

Todos os arquivos referentes à máquina virtual são salvos dentro de uma pasta, de
forma que você não precisa ter uma partição separada. Também é muito mais fácil
fazer backups e reinstalações já que você só precisa salvar a pasta em outro lugar e
restaurá-la quando qualquer coisa der errado. Usando uma VM você não precisa mais
perder tempo reinstalando o sistema cada vez que o Windows pegar vírus ou começar
a travar.

Além do Windows, é possível rodar outras distribuições Linux ou mesmo outros


sistemas operacionais para micros PC, permitindo que você teste diversos sistemas
sem precisar ficar formatando o HD.

6
Naturalmente, dois sistemas rodando simultaneamente são mais pesados do que um,
por isso você precisa ter um PC relativamente potente (a partir de um Duron de 1.0
GHz) com de preferência 512 MB de memória RAM.

Existem diversas opções de emuladores e virtualizadores, incluindo o Qemu, Xen e até


o Bochs, mas o VMware (pelo menos do ponto de vista de um usuário doméstico) é de
longe o mais prático de usar. Ele está disponível no http://www.vmware.com.

O grande problema do VMware era o fato de ser um software caro. Você pode se
cadastrar no site para obter um trial de 30 dias, mas para usa-lo definitivamente (pelo
menos legalmente), você precisa pagar US$ 199 pela versão completa.

Isso mudou com o lançamento do VMware Player, em Outubro de 2005. O Player é


uma versão gratuita do VMware, cuja grande limitação é o fato de não possuir as
opções que permitem criar e modificar a configuração da máquina virtual. Isso não
impede que ele seja usado no dia a dia, pois você pode usar a versão trial do VMware
Workstation para criar e configurar a máquina virtual e depois ficar usando-a
indefinidamente no Player.

A licença de uso do VMware Player permite explicitamente o uso de máquinas virtuais


distribuídas por outras pessoas ou criadas usando o VMware Workstation, mesmo a
versão trial. Você pode inclusive distribuir máquinas virtuais com distribuições Linux
(ou qualquer outro sistema de livre distribuição) pré-instaladas.

Ao usar o Kurumin, você pode usar o Kurumin-EMU, um conjunto de scripts que


desenvolvi para instalar o VMware Player, além de criar e modificar as máquinas
virtuais, eliminando a necessidade de usar o VMware Workstation. Inicialmente, tinha
desenvolvido o Kurumin-EMU como uma interface para o Qemu, o emulador open-
source, que concorre com o VMware, pois na época ele era melhor solução gratuita.
Depois do lançamento do VMware Player, modifiquei os scripts para utilizá-lo no lugar
do Qemu, dando origem à versão atual, que você encontra nas versões recentes do
Kurumin, a partir do 5.1:

7
Ao usar outras distribuições, você pode baixar o arquivo de instalação do VMware
Player no: http://www.vmware.com/download/player/

Existem duas versões Linux disponíveis, um pacote .rpm e um pacote .tar.gz genérico,
que pode ser instalado em qualquer distribuição. Para instalá-lo, descompacte o
arquivo e execute (como root) o arquivo "vmware-install.pl" dentro da pasta.

Via terminal, os comandos seriam os seguintes:

$ tar -zxvf VMware-player-1.0.0-16981.tar.gz


$ cd vmware-player-distrib/
$ su <senha>
# ./vmware-install.pl

A fim de ser compatível com todas as distribuições, o VMware usa um instalador bem
simples, em modo texto. A instalação é basicamente automática, mas ele confirma as
pastas de instalação de uma série de arquivos. Você pode simplesmente ir
pressionando enter, aceitando as opções padrão.

8
Dependendo da distribuição em uso, ele pergunta num certo ponto sobre a compilação
de um módulo de Kernel. Este módulo é necessário pois ele precisa de acesso direto ao
hardware. No Kurumin a instalação prossegue automaticamente, pois o sistema já vem
com os headers do Kernel e os compiladores necessários, mas em outras distribuições
você pode precisar instalar estes componentes manualmente. Procure pelos pacotes
"kernel-headers", "kernel-source", "gcc" e "g++".

Depois de instalado, você pode executá-lo usando o ícone criado no menu, ou via
terminal, usando o comando "vmplayer". Execute-o usando seu login de usuário, o
root só é necessário para a instalação.

Ao abrir, você só precisa indicar a pasta com a máquina virtual que será usada. Se
tiver memória RAM suficiente, você pode inclusive abrir duas ou mais instâncias
simultaneamente, cada uma rodando um sistema diferente.

9
Aqui chegamos ao primeiro problema, ainda não temos nenhuma máquina virtual
criada :). Você poderia voltar ao vmware.com e preencher o formulário para baixar o
trial do VMware Workstation, instalá-lo, usá-lo para criar as VMs e, depois de 30 dias
voltar a usar o VMplayer. A segunda opção é usar o próprio Kurumin-EMU, que oferece
a mesma opção de forma bem mais descomplicada.

Ao criar uma nova máquina virtual, você deve definir o sistema operacional que será
instalado, a quantidade de memória RAM que será reservada e o tamanho do disco
virtual.

Se você tem 512 MB, por exemplo, pode reservar 256 MB para a máquina virtual. O
sistema dentro da máquina virtual (chamado de guest) fica limitado a usar a
quantidade reservada, sem prejudicar o sistema principal.

Em termos de hardware, a memória RAM é justamente o principal requisito para um


bom desempenho, mais importante que o processador. Quando existe pouca memória
disponível, o VMware começa a usar swap, reduzindo brutalmente o desempenho. Se
as coisas estiverem lentas, experimente antes de mais nada adicionar mais um pente
de memória.

No caso dos discos virtuais, o tamanho definido é apenas uma espécie de limite.
Inicialmente, o disco virtual é um arquivo vazio, que ocupa poucos kbytes. Dentro da
máquina virtual, o sistema guest pensa que está formatando e usando um HD de

10
verdade, mas todas as mudanças são mascaradas e feitas dentro do arquivo.
Conforme você instala o sistema e outros programas, o arquivo vai aumentando de
tamanho, até o limite definido. Enquanto ele não é atingido, o arquivo do disco virtual
ocupa um espaço equivalente à quantidade de espaço realmente ocupado.

Se você criou um disco virtual de 20 GB, mas apenas 2 GB estão em uso, você verá
um arquivo de apenas 2 GB dentro da pasta da máquina virtual.

Este é o wizard de criação de uma nova máquina virtual do VMware Workstation:

E este é o script usado pelo Kurumin-EMU. Lembre-se que a máquina virtual é


simplesmente uma pasta criada no HD, de forma que você pode usar o Kurumin-EMU
para criar e modificar suas VMs, mesmo que você pretenda usar outra distribuição.
Basta dar boot pelo CD:

11
Depois de criada a VM, o próximo passo é instalar o sistema. A máquina virtual se
comporta da mesma forma que um PC normal, com setup e tudo mais. A única
diferença é que tudo acontece dentro de uma janela. Como de praxe, a instalação
consiste em dar boot através do CD de instalação do sistema, fazer o procedimento
normal de instalação e depois reiniciar dando boot pelo HD.

Para configurar o "setup" da máquina virtual, pressione a tecla "F2" na tela inicial. Nele
você pode escolher entre dar boot pelo CD-ROM ou pelo HD, e até mesmo acertar a
hora do setup. A máquina virtual tem até mesmo um relógio de CMOS próprio! :-).

Você pode tanto usar um CD-ROM físico, dentro do drive, quanto usar diretamente um
arquivo ISO, útil para testar outras distribuições Linux sem precisar queimar o CD.
Isso é definido dentro da configuração da máquina virtual:

O sistema dentro da VM realmente acha que está sendo instalado dentro de um PC


real. Você particiona e formata o "HD" e tudo mais, porém tudo é feito dentro da
pasta, sem afetar o sistema principal:

12
Espiando dentro da pasta onde foi criada a VM, você verá uma estrutura como esta. O
arquivo .vmdk contém o disco virtual (dependendo da configuração ele pode ser
dividido em vários arquivos), o .nvram contém a configuração do "setup" e o .vmx
contém a configuração da máquina virtual:

O arquivo de configuração possui uma estrutura relativamente simples, permitindo que


você edite algumas opções diretamente no arquivo, sem precisar usar o Kurumin-EMU
ou o VMware Workstation.

13
A quantidade de memória RAM reservada à máquina virtual pode ser ajustada
diretamente pelo VMplayer, em "Player > Troubleshot > Change Memory Allocation".

Depois de instalar o sistema, vem outro passo importante, que é instalar o VMware
Tools, um conjunto de drivers que faz o sistema guest rodar com um melhor
desempenho e de forma mais transparente, sobretudo com relação ao vídeo. Isso é
necessário, pois de dentro da máquina virtual, o sistema guest não enxerga o
hardware real da sua máquina, mas sim um conjunto de dispositivos virtuais criados
por ele. É por isso que você pode usar a mesma VM em vários micros diferentes, sem
precisar ficar instalando drivers nem modificando o sistema guest.

O VMware Tools é especialmente importante se você estiver usando o Windows 98 ou


2000 como guest, pois ambos não possuem drivers para o a placa de vídeo virtual do
VMware, fazendo com que o vídeo fique a 640x480, sem qualquer tipo de aceleração.

Outra grande vantagem em instalar o VMware Tools é que o mouse não fica mais
"preso" dentro da janela da VM (normalmente você clica na janela para usar a VM e
pressiona Ctrl+Alt para liberar o mouse), o cursor passa a movimentar-se livremente,
como se a máquina virtual fosse apenas mais uma janela.

Ao usar o VMware Workstation, você pode instalar o VMware Tools dando um boot na
máquina virtual e usando a opção "Settings > VMware Tools Install". Isso simula a
inserção de um CD-ROM dentro da máquina virtual, o que (no Windows) faz com que o
instalador seja aberto automaticamente. O VMware Tools é simplesmente um conjunto
de drivers, instalado de forma rápida.

14
Naturalmente, também é possível instalar o VMware Tools manualmente. Aqui vai o
caminho das pedras:

Baixe o arquivo de instalação do VMware Workstation. Ao contrário do player, ele inclui


as imagens do VMware Tools. Descompacte o arquivo e, dentro da pasta criada, acesse
a pasta "lib/isoimages/". Ela contém quatro arquivos ISO, contendo o VMware Tools
pra Linux, Windows, Netware e BSD.

15
Para usá-los, você pode tanto queimar um CD-ROM, quanto configurar a máquina
virtual para usar diretamente o arquivo ISO como CD. O importante é que o conteúdo
da imagem esteja acessível dentro da VM.

Para instalar o VMware Tools no Windows, basta dar boot na VM e abrir o programa
de instalação dentro do CD. Ele detecta a versão do Windows em uso e instala os
drivers adequados.

Para instalar o VMware Tools for Linux, copie o arquivo "VMwareTools-5.0.0-


13124.tar.gz" de dentro do CD para uma pasta qualquer do HD, descompacte-o e
execute o arquivo "vmware-install.pl" dentro da pasta.

Será aberto um instalador em modo texto, bem similar ao usado para instalar o
VMware Player. Confirme as pastas de instalação e no final escolha a resolução de
vídeo que deseja usar. Ele oferece instruções para usar um driver de rede alternativo,
mas você não precisa se preocupar com isso, pois a rede virtual do VMware é bem
suportada no Linux. O mais importante é o novo driver de vídeo, que é muito mais
rápido e não prende o cursor do mouse.

Ao instalar o Kurumin como guest dentro da máquina virtual, você pode usar o script
"instalar-vmware-tools", que automatiza o processo.

Uma configuração importante relacionada ao desempenho do vídeo, é sempre


configurar o sistema guest para usar a mesma profundidade de cores que o sistema
host. Se você está usando 16 bits de cor em um, use igual no outro.

Finalmente, temos a questão da configuração da rede, bem simples na verdade, pois a


máquina virtual simplesmente acessa sua rede local como se fosse um PC à parte. Se
você tem um servidor DHCP ativo, o sistema guest vai configurar a rede
automaticamente e até navegar na internet usando a conexão compartilhada. Caso
contrário, você pode configurar a rede manualmente, de forma que o sistema host e o
guest façam parte da mesma rede e até mesmo usar os scripts que compartilham a
conexão.

O VMware Workstation inclui um recurso que permite compartilhar pastas entre o


sistema host e o guest, uma forma simples de trocar arquivos entre os dois. Este

16
recurso não está disponível no VMware Player, mas você pode usar o Samba, NFS ou
mesmo um servidor FTP para compartilhar arquivos entre os dois, usando a rede
virtual.

Ao rodar o Windows dentro da VM, crie um compartilhamento de rede e tente acessá-


lo no Linux usando o SMB4K ou o "smb:/" do Konqueror. Ao rodar outra distribuição
Linux dentro da VM, você pode usar o NFS para compartilhar arquivos, colocando as
pastas compartilhadas dentro do arquivo "/etc/exports". Em caso de problemas, você
pode usar um servidor FTP para acessar os arquivos. Um servidor FTP for Windows
muito fácil de usar é o Filezilla, disponível no: http://filezilla.sourceforge.net/.

Outra idéia é usar um pendrive. Ao conectá-lo na porta USB, aparece um botão na


janela do VMware Player, que permite compartilhá-lo com a máquina virtual. Usando
este recurso, ele pode ser acessado nos dois sistemas, servindo como uma área de
transferência de arquivos.

Este mesmo recurso funciona também com impressoras, scanners, palms e outros
dispositivos USB, que podem ser usados dentro da máquinas virtual, mesmo que não
estejam configurados no Linux. O VMware Player simplesmente permite que o sistema
guest acesse diretamente o dispositivo.

Note que este recurso só funciona com periféricos USB. Não adianta tentar usar o
Windows dentro da VM para ativar seu softmodem que não possui suporte no Linux,
pois o VMware não oferece acesso direto a dispositivos PCI.

Opções de boot no Kurumin

Um dos principais atrativos do Kurumin e outros live-CDs é o fato do sistema rodar


diretamente a partir do CD-ROM, sem necessidade de alterar o que está instalado do
HD e detectar o hardware da máquina no boot, dando-lhe um desktop funcional em
poucos minutos.
Mas, ao contrário do que pode parecer à primeira vista, detectar todo o hardware de
uma máquina atual e configurar o sistema para trabalhar sobre ele sem ficar
perguntando, não é uma tarefa nada fácil.
Algumas placas-mãe mal projetadas podem travar durante o processo de detecção do
ACPI, SCSI ou RAID, pode ser que a placa de vídeo não tenha um driver específico, ou
que use um código de identificação diferente do padrão, pode ser que o mouse tenha
scroll ou outro recurso especial que não seja possível detectar automaticamente e
assim por diante. Além disso, o sistema simplesmente não tem como adivinhar que
resolução de tela e taxa de atualização que você prefere usar, pode no máximo tentar
"adivinhar" baseado nas características do monitor.
Logo no início do boot você verá uma tela gráfica que apresenta algumas opções de
boot. Estas opções permitem alterar o comportamento padrão do sistema, fazendo
com que ele dê boot em placas problemáticas ou que utilize a resolução de vídeo de

17
sua preferência, entre outras configurações, que podem ser usadas em casas onde o
sistema de detecção não dê conta do recado.
O Kurumin é capaz de dar boot diretamente em uns 90% dos micros, enquanto as
opções permitem que ele funcione na maior parte dos 10% restantes. É raro um PC
em que realmente não exista como fazer o Kurumin funcionar. Muitas destas opções
são válidas também no Knoppix e nos outros live-CDs derivados dele, como o Kanotix
e Mephis e também nos live-CDs derivados do Kurumin, como o Kalango e o Kurumin
Games. A única mudança é que neles ao invés das opções começarem com "kurumin",
começam com "knoppix", "kalango", ou o nome da distro.
Existem opções de boot para especificar a configuração do vídeo, para desabilitar a
detecção de determinados componentes, opções para copiar a imagem do Kurumin
para o HD e dar boot com o drive de CD livre, dar boot a partir de um arquivo .ISO
salvo no HD e até algumas opções específicas, que variam de uma distribuição para
outra.
No canto inferior da tela aparece um prompt (boot:) para digitar as opções. Se você
apenas pressionar Enter, ou esperar 30 segundos, o sistema inicializa no modo default,
tentando detectar tudo sozinho. As opções de boot permitem modificar o
comportamento padrão do sistema, desabilitando algum recurso que está fazendo o
micro travar no boot, alterar a resolução do vídeo e assim por diante.

No screenshot acima, estou usando como exemplo uma opção bem longa para
configurar vídeo, especificando a resolução, taxa de atualização e o driver de vídeo e
desabilitar o ACPI.

18
Basta digitar a opção desejada e pressionar Enter. Os parâmetros devem ser digitados
exatamente como descritos abaixo, sempre em minúsculas. Todos estes parâmetros
são opcionais, eles foram desenvolvidos para serem usados em casos de problemas.

• Opções de vídeo

As opções mais usadas são as referentes à resolução e taxa de atualização do monitor.


Por default, o Kurumin tenta detectar automaticamente a sua placa de vídeo e utiliza
uma resolução compatível com seu monitor, detectada via DCC.
A configuração do monitor é composta por três parâmetros:
1- O driver de vídeo
2- A resolução e profundidade de cor
3- A taxa de atualização.

O driver de vídeo é o que permite que o sistema se comunique com a placa de vídeo
e, conseqüentemente, envie as imagens para o monitor. Cada placa de vídeo tem um
conjunto próprio de recursos e se comunica numa linguagem diferente. O driver de
vídeo é o "intérprete" que permite que o sistema converse com a sua.

O software responsável por mostrar imagens na tela (o "servidor gráfico" falando em


linguagem mais técnica) é o X.org. É ele quem contém os drivers para todas as placas
de vídeo suportadas pelo sistema. Nas versões atuais do X.org temos um conjunto
relativamente pequeno de drivers, um para cada fabricante (e não um para cada placa
de vídeo como antigamente).

O driver "sis", por exemplo, dá suporte a todas as placas de vídeo da SiS, o driver
"nv" dá suporte a todas as placas da nVidia e assim por diante. Temos ainda dois
drivers genéricos, o "vesa" e o "fbdev" que funcionam com quase todas as placas de
vídeo. Eles podem ser usados, por exemplo, quando você tiver alguma placa de vídeo
muito recente, que ainda não seja suportada.

A resolução determina a quantidade de pontos mostrados na tela. Os monitores


sempre suportam várias resoluções diferentes, permitindo que você use a que achar
mais confortável. Um monitor de 17", por exemplo, geralmente suportará de 640x480
a até 1280x1024.

O que muda ao usar resoluções diferentes é a taxa de atualização , que determina


quantas vezes por segundo a imagem é atualizada no monitor.

O grande problema é que os monitores atuais utilizam células de fósforo para formar a
imagem. Estas células não conservam seu brilho por muito tempo e por isso precisam
ser realimentadas constantemente.

O ideal é usar uma taxa de atualização de 75 Hz (75 atualizações por segundo) ou


mais. Usando menos que isso teremos um fenômeno chamado flicker, onde a tela fica
instável, piscando, parecendo tremer, como se a tela do monitor fosse uma gelatina. É
justamente o flicker que causa a sensação de cansaço ao se olhar para o monitor por
muito tempo, e a médio prazo pode até causar danos à visão.

Outra coisa que ajuda e muito a diminuir o flicker é diminuir o brilho do monitor. O
ideal é usar a tela o mais escura possível, dentro do que for confortável, naturalmente.

19
Uma dica é deixar o controle de brilho no mínimo e ajustar apenas pelo contraste.

Quanto maior for a taxa de atualização e quanto menor for a claridade da imagem
menor será o flicker e menor será o cansaço dos olhos.

As taxas de atualização máximas dependem tanto da placa de vídeo quanto do


monitor. Quanto mais baixa for a resolução de imagem escolhida, maior será a taxa de
atualização suportada pelo monitor. A maioria dos monitores de 15" suportam
800x600 com 85 Hz de taxa de atualização ou 1024x768 a 70 Hz. Os monitores de 17"
geralmente suportam 1024x768 a 85 Hz, enquanto os monitores mais caros, como os
Flatron e Trinitron, de 17" (CRT) chegam a suportar 1600x1200 com 60 Hz.

A placas de vídeo também podem limitar a resolução máxima. Uma placa antiga, uma
Trident 9680 por exemplo, não conseguirá trabalhar com mais de 70 Hz de refresh a
1024 x 768 (independentemente do monitor, é uma limitação da própria placa de
vídeo). Muitas placas onboard são capazes de exibir 1024x768 com 85 Hz, mas apenas
70 Hz se você usar 1280x1024. Geralmente, apenas as placas de vídeo mais caras são
capazes de trabalhar a 1600x1200 com 75 Hz de refresh ou mais, uma possibilidade
que é suportada por alguns monitores de 19".

Tudo o que falei até agora sobre taxa de atualização e flicker se aplica apenas aos
monitores de CRT (os grandões que ainda usam tubo de imagem). Hoje em dia temos
um segundo tipo de monitores, os monitores de LCD, aqueles modelos fininhos e com
tela 100% plana, usados desde sempre nos notebooks.

Nos monitores de LCD, cada ponto na tela é como uma lâmpada acesa, eles não
possuem problemas com flicker, a imagem é sólida, independentemente da taxa de
atualização usada. Em geral, os monitores de LCD suportam várias taxas de
atualização, o mais comum é de 56 a até 75 Hz. Isto é feito para permitir que
funcionem em conjunto com qualquer placa de vídeo e em várias configurações.

Porém, neste caso, a taxa de atualização não afeta a qualidade da imagem.

Se você fica muito tempo na frente do micro ou, principalmente, se trabalha com um,
os monitores de LCD são a opção ideal. Eles são mais caros, mas se você dividir a
diferença de preço por 36 meses (a vida útil média de um monitor) vai ver que o custo
mensal não é tão alto assim. Eles também consomem menos energia (35 watts em
média, contra 100 watts ou mais de um monitor CRT) o que economizará alguns
trocados todo mês na conta de luz, ajudando a amortizar a diferença de preço.

Mas, voltando à configuração do Kurumin, as opções de boot relacionadas com o vídeo


permitem especificar a configuração que deseja usar e resolver os casos em que o
sistema não consegue abrir o modo gráfico.

Basta digitar a opção desejada na tela de boot:


fb1024x768: Esta é uma espécie de opção à prova de falhas, que força a resolução
de 1024x768 usando o driver fbdev (frame buffer). O frame buffer é um recurso
suportado pelo kernel que permite exibir imagens manipulando diretamente o
conteúdo da memória de vídeo. A grande vantagem é que não é preciso um driver de
vídeo; este modo vai funcionar mesmo em placas de vídeo que não sejam oficialmente
suportadas pelo Linux. O modo gráfico é aberto a 1024x768 usando 60 Hz de taxa de
atualização, o que permite usar esta opção na grande maioria dos monitores de 14 e
15 polegadas. Funciona em cerca de 90% das placas de vídeo.

20
fb800x600: É uma variação da opção acima, que utiliza resolução de 800x600.

Algumas placas de vídeo onboard e algumas placas antigas só funcionam usando esta
opção.
kurumin xvrefresh=60: Esta opção força o sistema a utilizar uma taxa de
atualização de apenas 60 Hz para o monitor. Ela é necessária em alguns monitores de
LCD que não suportam taxas de atualização mais altas e em vários monitores antigos.

O "60" pode ser substituído por qualquer outra taxa de atualização desejada, como
em: kurumin xvrefresh=75. Você pode verificar qual é a configuração usada no
Windows (ou no sistema atual) e especificar manualmente aqui.

kurumin xdepth=16: Esta opção complementa as outras, permitindo configurar a


profundidade de cor. O "16" indica a quantidade de cores em bits. Lembre que 16 bits
equivalem a 65 mil cores, 24 equivalem a 16 milhões de cores e 8 equivalem a apenas
256 cores. Em geral o Kurumin dá sempre boot usando 16 ou 24 bits de cor, de acordo
com o suportado pela placa, mas caso você tenha um micro muito antigo, com uma
placa de vídeo com apenas 1 MB, você pode preferir usar 256 cores para que a placa
possa trabalhar a 1024x768.

kurumin desktop=fluxbox: Esta opção faz com que o Kurumin use o fluxbox como
gerenciador de janelas ao invés do KDE. O Fluxbox é bem mais simples e menos
amigável, mas permite usar o Kurumin em máquinas antigas, onde o KDE fica muito
lento. Usando o Fluxbox o consumo de memória durante o boot (ao rodar do CD) cai
quase pela metade, permitindo usar o sistema em micros com 64 MB de RAM.
Algumas remasterizações do Kurumin podem incluir outros gerenciadores de janelas,
como o Gnome, IceWM ou o Blanes. Nestes casos, você pode usar esta opção para
especificar qual gerenciador usar, como em "kurumin desktop=gnome".

kurumin screen=1280x1024: Esta opção é dedicada especialmente para quem usa


monitores grandes, de 17" ou mais. É preciso que o monitor suporte 1280x1024 com
75 Hz de taxa de atualização.

kurumin screen=1024x768: Força o Kurumin a usar resolução de 1024x768. Este


modo é diferente do "fb1024x768" pois neste a sua placa de vídeo é detectada e são
ativados os recursos de aceleração de vídeo suportados por ela. Aqui você está
especificando apenas a resolução e deixando que o sistema detecte o restante.

A opção "screen=" pode ser usada para especificar qualquer resolução suportada pelo
monitor, mesmo que fora do padrão. Por exemplo, muitos notebooks usam telas wide,
com resolução de 1280x800 ou 1280x768, por exemplo. Em muitos deles, o sistema
detecta a resolução incorretamente e acaba abrindo sempre a 1024x768. Para que
toda a área útil do monitor seja usada, basta especificar manualmente, como em:
"kurumin screen=1280x800" no boot.

kurumin screen=1024x768 xvrefresh=60: Aqui estamos combinando as duas


opções: resolução de 1024x768 e taxa de atualização de 60 Hz.

Em alguns casos raros, pode ser que o problema seja com a detecção do driver de
vídeo, como, por exemplo, o sistema tentando usar o driver "sis" para uma placa
recente da SiS que ainda não é suportada por ele. Neste caso, você pode usar a opção
"xmodule=vesa" para especificar o driver de vídeo a ser utilizado. Lembre-se de que
o vesa é um curinga, um driver genérico que funciona com praticamente todas as

21
placas de vídeo. Você pode combinar esta opção com as outras que já vimos, como
em: kurumin screen=1024x768 xvrefresh=60 xmodule=vesa

É possível também combinar várias opções no mesmo comando, basta ir colocando-as


em seqüência, sempre começando com "kurumin", como em: kurumin
screen=1280x1024 xvrefresh=60 xmodule=vesa desktop=fluxbox.

A configuração do vídeo pode ser também alterada através da opção "Configurar


Vídeo", que está disponível no "Centro de Controle do Kurumin > Suporte a Hardware
> Configuração do Vídeo, Som, Teclado e Joystick".

Aqui você tem acesso às mesmas opções disponíveis na hora do boot. Se não marcar
nenhuma opção, o vídeo simplesmente é redetectado automaticamente. As opções
permitem forçar o uso das configurações desejadas. O utilitário gera o novo arquivo de
configuração, permite que você teste a configuração, para ter certeza que está
realmente funcionando e, no final, confirma se você quer usá-la.

Opções para solucionar problemas

Além das opções relacionadas ao vídeo, existem as opções que solucionam problemas
durante a detecção de dispositivos, que é a principal causa de problemas durante o
boot do Kurumin. Como disse, muitas placas-mãe problemáticas travam durante a
detecção de alguns periféricos, como as M810 (na detecção do ACPI) e algumas placas
com RAID ou SCSI onboard.

Você pode simplesmente desativar estes recursos (sobretudo o suporte ACPI que é o
mais problemático) no setup da própria placa-mãe. Mas, também é possível fazer isso
na linha de boot do Kurumin:

As opções disponíveis são: acpi=off , noapic , noagp , noscsi , noapm , nodma ,


nopcmcia e nousb.

A opção acpi=off é uma das mais importantes. Muitas placas, especialmente as M810,
M812 e outros modelos do mesmo "famoso" fabricante possuem implementações
problemáticas do ACPI que funcionam de forma errática, fazendo com que a placa

22
trave durante o boot caso o recurso não seja explicitamente desabilitado no setup ou
nas opções de boot.

A opção noapic desabilita o realocamento de endereços de IRQ por parte do BIOS,


deixando o serviço a cargo do sistema operacional. Algumas placas usam BIOS
bugados que não gerenciam corretamente este recurso, fazendo que placas de som,
rede e outros periféricos não sejam detectados no boot, embora perfeitamente
suportados pelo sistema.

A opção noagp não desabilita placas de vídeo AGP, apenas o recurso de acesso à
memória RAM que é quem pode causar problemas em alguns casos. Mesmo usando-o
sua placa de vídeo AGP continuará sendo detectada normalmente. O mesmo se aplica
à opção nousb, que faz com que mouses e teclados USB sejam reconhecidos pelo
sistema como periféricos PS/2.
Você pode combinar várias opções na mesma linha, começando sempre com
"kurumin". Você pode começar com a linha abaixo, que vai desativar a detecção de
quase tudo e depois ir retirando algumas opções até descobrir qual é exatamente o
problema com a sua placa, como em: kurumin noapic acpi=off noagp noscsi
noapm nousb

A partir do Kurumin 4.0, existe uma opção nova, necessária em algumas placas-mãe e
notebooks: kurumin pci=bios. Esta é uma opção de compatibilidade, destinada a
burlar problemas com a controladora PCI da placa. Outras opções menos usadas são:
expert : Esta opção ativa um modo de inicialização alternativa, que vai perguntando
passo a passo o que deve ser detectado ou não pelo sistema durante o boot. Esta
opção permite detectar partes da detecção automática que fazem o sistema travar em
algumas placas-mãe e também configurar manualmente sua placa de vídeo, som,
mouse, teclado e placa SCSI. Esta opção faz com que o boot seja bem mais demorado;
deve ser usada apenas para solução de problemas.
kurumin vga=normal: Desabilita o frame-buffer durante a primeira parte da
inicialização (onde é detectado o hardware, etc.). Algumas placas de vídeo antigas não
suportam o recurso, o que faz com que elas exibam uma mensagem de erro durante o
boot. Isso não é problema, pois basta pressionar Enter ou esperar 30 segundos para
que o boot prossiga normalmente. Mas, de qualquer forma, a opção permite desativar
isso.
kurumin mem=32M: Esta é uma opção obsoleta, que permite especificar
manualmente a quantidade de memória RAM instalada, mas que parece ser necessária
em algumas placas mães antigas. Tive notícias de duas ou três placas para Pentium 1
e também casos de usuários de placas M810 que travavam no boot caso esta opção
não fosse usada. O "32M" deve ser substituído pela quantidade de memória RAM
presente no sistema, em megabytes (64M, 128M, etc.). O "M" deve ser sempre
maiúsculo.

23
• Rodando o Kurumin com o drive de CD livre

Outra limitação dos live-CDs é que depois do boot, o drive de CD-ROM fica ocupado, de forma que
você não pode ouvir um CD de música ou assistir um DVD, por exemplo.

É possível evitar isso copiando os arquivos para uma partição do HD. Neste caso, o drive fica livre
o desempenho do sistema fica melhor, já que passa a rodar a partir do HD, que é muito mais
rápido. Para isso, use a opção:

kurumin tohd=/dev/hda1

Onde o "/dev/hda1" é a partição do HD para onde será feita a cópia dos arquivos. É importante
lembrar que a partição não é formatada, o sistema cria apenas uma pasta "/knoppix" dentro da
partição, com uma cópia do conteúdo do CD. Naturalmente, é preciso existir espaço livre suficiente
para receber a cópia do conteúdo do CD.

Neste caso, o CD é usado apenas na etapa inicial do boot. Depois que o sistema é carregado a
partir dos arquivos na partição, o CD pode ser ejetado. A cópia demora alguns minutos. Mas,
depois de fazê-la pela primeira vez, você pode aproveitá-la nas inicializações seguintes, usando a
opção "fromhd=", como em:

kurumin fromhd=/dev/hda1

Isso fará com que o Kurumin use a cópia já feita, sem precisar ficar copiando de novo a cada boot.

A grande limitação é que por enquanto a imagem de boot do Kurumin suporta apenas partições
Windows formatadas em FAT16 ou FAT32 ou partições Linux, formatadas em EXT2, EXT3 ou
ReiserFS, deixando de fora as partições NTFS do Windows XP, que ainda não possuem um driver
seguro para escrita no Linux. Numa máquina com o Windows instalado, onde existe apenas uma
partição NTFS ocupando todo o HD, ainda existe a opção de redimensionar a partição usando o
gparted, criando uma pequena partição Linux no final do HD para fazer a cópia. Veja mais
detalhes sobre como usar o gparted logo a seguir, no tópico sobre instalação do sistema.

Lembre-se de que você pode ver as partições existentes no seu HD e em qual sistema de arquivos
cada uma está formatada abrindo o gparted ou o cfdisk. Se você tem o Windows instalado, então o
drive C: será sempre a partição "/dev/hda1".

É possível ainda usar a opção "bootfrom=", que permite dar boot diretamente a partir do arquivo
ISO de uma nova (ou a mesma) versão do Kurumin, sem precisar queimar o CD. Esta opção
funciona de forma muito similar à "fromhd", com a diferença de que ao invés de procurar pela pasta
"knoppix/", o sistema procura pelo arquivo ISO dentro da partição.

Ao usar esta opção, é preciso indicar a partição e o nome arquivo ISO dentro dela, como em:

kurumin bootfrom=/dev/hda1/kurumin.iso

Note que esta dica funciona apenas entre versões do Kurumin que utilizam o mesmo Kernel, pois
você está usando o Kernel incluído no CD para inicializar o sistema dentro do ISO. A versões 3.x
usam o Kernel 2.4.25, as versões 4.x usam o Kernel 2.6.8, enquanto o 5.0 e 5.1 usa o 2.6.11. Você
pode usar um CD do Kurumin 5.0 para dar boot usando o ISO do 5.1, por exemplo, mas não vai
funcionar se você tentar usar um CD da série 4.x, por exemplo, que usa um Kernel diferente.

A principal vantagem de usar estas opções é o desempenho do sistema, que melhora realmente
de forma brutal. Num notebook HP nx6110, o boot pelo CD (Kurumin 5.1) demora 2:45 minutos,
enquanto ao dar boot usando um ISO gravado no HD, demora apenas 55 segundos, 3 vezes

24
menos! Outra vantagem é que o sistema não fica dando aquelas "travadinhas", causadas pelo
modo de economia de energia do drive.

Fora isso, o sistema continua se comportando exatamente da mesma forma que ao dar um boot
"normal" a partir do CD, você pode inclusive instalar a partir daí.

Salvando suas configurações

A partir do Kurumin 5.1 foram incluídas duas opções que permitem salvar arquivos e
novos programas instalados, mesmo ao rodar o Kurumin do CD. Estas opções são
destinadas principalmente a quem usa pendrives, mas você pode usar uma partição no
HD, complementando a opção de copiar os arquivos do sistema para a partição.

A primeira opção salva os arquivos e configurações armazenados no diretório


"/home/kurumin", enquanto a segunda permite salvar todas as alterações feitas no
sistema (como novos programas instalados usando o UnionFS). Ambas utilizam um
recurso especial do sistema, as famosas imagens de loopback, que são arquivos
especialmente formatados, que podem ser armazenados em qualquer tipo de partição
(mesmo uma partição FAT do Windows), mas são acessados pelo sistema como se
fossem partições separadas.

Para salvar as configurações, criando as imagens de loopback, use as opções


encontradas no Iniciar > Configuração do Sistema:

O utilitário mostra as partições disponíveis (incluindo o pendrive, detectado pelo


sistema como /dev/sda ou /dev/sdb) e o espaço disponível em cada uma, em qual
partição o arquivo será criado e qual será seu tamanho. Ao salvar o home, é criado um
arquivo "kurumin.img" e ao salvar as modificações no sistema é criado o arquivo
"union.img".

Para usá-los no boot, use as opções:

kurumin home=/dev/hda1/kurumin.img
(para o arquivo com o home), ou:

kurumin union=/dev/hda1/union.img
(para o arquivo com a imagem do UnionFS)

Você pode também combinar as duas opções, como em:

kurumin home=/dev/hda1/kurumin.img union=/dev/hda1/union.img

25
Isto fará com que o arquivo seja montado no diretório apropriado, fazendo com que as
configurações e arquivos salvos fiquem disponíveis. Todas as alterações feitas são
salvas diretamente nos arquivos de imagem, permitindo que você instale novos
programas e salve arquivos, de uma forma similar ao que faria com o sistema
instalado no HD.

• Instalação

A opção de instalar o Kurumin está bem visível dentro da tela inicial do Painel de
Controle, você pode também chamar o instalador usando o comando "sudo kurumin-
install" num terminal. No Painel estão organizadas também outras funções que
usamos para configurar o sistema.

O instalador é na verdade um script, localizado dentro da pasta "/usr/local/bin/". Você


pode estuda-lo e até alterá-lo caso necessário, usando um editor de textos qualquer.
Assim como o instalador, muitas ferramentas aparentemente complexas, são na
verdade scripts relativamente simples, que trabalham executando em ordem os
comandos de texto necessários para realizar cada tarefa. Uma característica
importante no Linux é que apesar de todas as ferramentas gráficas, toda configuração
do sistema pode ser feita através do terminal, desde que você saiba os passos
necessários.

Antes de instalar, vamos revisar alguns passos importantes:

As partições no Linux

26
Temos duas interfaces IDE na placa-mãe, onde cada uma permite a conexão de dois
HDs, configurados como master ou slave. O primeiro HD, conectado à interface IDE
primária e configurado como master, é reconhecido pelo Linux como hda, o segundo
HD, slave da IDE primária é reconhecido como hdb, enquanto os dois HDs conectados
à IDE secundária são reconhecidos como hdc e hdd.

Caso você esteja usando um HD Serial ATA, então ele será visto como sda. Caso
sejam dois, um será o sda e o outro sdb. O mesmo acontece ao usar HDs SCSI.

Ao mesmo tempo, cada HD pode ser dividido em várias partições. Podemos ter um
total de 4 partições primárias ou três partições primárias e mais uma partição
extendida, que pode englobar até 255 partições lógicas. É justamente a partição lógica
que permite a nós dividir o HD em mais de 4 partições.

Esta limitação das 4 partições primárias, é uma limitação que existe desde o primeiro
PC, lançado em 1981. Os projetistas que escreveram o BIOS para ele, precisavam
economizar memória e chegaram à conclusão que 2 bits (4 combinações) para o
endereço das partições seriam suficientes, pois na época os HDs mais vendidos tinham
apenas 5 MB e só existia um sistema operacional para PCs, o PC-DOS, de forma que
era raro alguém precisar criar mais de uma partição. As coisas mudaram um pouco de
lá pra cá, mas infelizmente esta limitação continua até os dias de hoje.

Para amenizar o problema, foi criado o recurso da partição estendida e das partições
lógicas. A partição estendida contém uma área extra de endereçamento, que permite
endereçar as 255 partições lógicas. É possível criar até 4 partições extendidas, de
forma que (em teoria) é possível dividir o HD em até 1020 partições :).

A primeira partição primária, do primeiro HD (hda) é chamada de hda1. Caso o HD


seja dividido em várias partições, as demais partições primárias são chamadas de
hda2, hda3 e hda4. Porém, o mais comum ao dividir o HD em várias partições é criar
apenas uma partição primária e criar as demais partições dentro de uma partição
extendida. É isso que o particionador faz por default.

As partições extendidas recebem números de 5 em diante (hda5, hda6, hda7, etc.)


mesmo que as partições hda2 e hda3 não existam:

Neste mapa temos a partição primária, montada no diretório raiz (/) e uma partição
extendida, que engloba tanto a partição swap quanto a partição montada em /home.

Este é o esquema de particionamento mais usado no Linux: três partições, sendo uma
a partição raiz, onde o sistema fica instalado, a partição swap e uma terceira partição
(opcional), montada no diretório /home.

27
A idéia é a mesma de dividir o HD em C:\ e D:\ no Windows: simplesmente manter
seus arquivos pessoais numa partição diferente da dos arquivos do sistema, para
melhorar a segurança e permitir que você possa tranqüilamente reformatar a partição
do sistema quando precisar reinstalá-lo, sem correr o risco de perder junto seus
arquivos pessoais.

Se estiver com dúvidas sobre como o HD está particionado, abra o gparted, que você
encontra no Iniciar > Sistema. Ele mostra um mapa do HD.

Instalando

Ao começar a instalação propriamente dita, o primeiro passo é escolher em qual HD o


sistema será instalado, caso você tenha mais de um:

O particionamento do HD pode ser feito através do cfdisk, um particionador de modo


texto que lembra um pouco o fdisk do Windows 98, ou usando o gparted, um
particionador gráfico com uma interface parecida com o Partition Magic.

O cfdisk é mais prático quando você simplesmente quer formatar o HD todo e criar
novas partições, enquanto o gparted permite que você redimensione partições do
Windows e outras distribuições Linux para liberar espaço para instalar o Kurumin.

28
• Particionamento
Com o cfdisk

O cfdisk é um programa simples, de modo texto. Se você é iniciante, vai se sentir


mais confortável usando o gparted, o Partition Magic (no Windows) ou o particionador
oferecido durante a instalação do Mandriva. Basta dar boot com um CD do Mandriva,
ou do Mandrake 9.0 em diante, seguir até o particionamento do disco e abortar a
instalação depois de fazer o particionamento. Ele é bem fácil de usar e oferece a opção
de redimensionar partições Windows.

Caso o HD já esteja particionado basta selecionar a opção "Quit" na janela do cfdisk,


ou pressionar a tecla "q" para prosseguir com a instalação. Para alternar entre as
opções dentro do cfdisk, use as setas para a esquerda e direita no teclado; para
selecionar uma opção tecle Enter.

29
Dentro do cfdisk, use as setas para cima e para baixo para selecionar uma partição ou
trecho de espaço livre e as setas para a direita e esquerda para navegar entre as
opções, que incluem:

Delete: Deletar uma partição, transformando-a em espaço livre. Use esta opção para
deletar partições já existentes no HD para poder criar novas.

Create: Cria uma partição usando um trecho de espaço livre. O assistente perguntará
sobre o tamanho da partição, em megabytes. Você terá ainda a opção de criar uma
partição primária e uma partição extendida.

Você pode criar no máximo de quatro partições primárias, uma limitação que vem
desde o PC-XT. Mas, por outro lado pode criar até 255 partições extendidas. Todas as
versões do Windows e do DOS exigem que sejam instaladas numa partição primária,
mas no Linux não existe esta limitação.

Você pode criar quantas partições for necessário e instalar o Kurumin em qual delas
preferir.

Maximize: Redimensiona uma partição, para que ela ocupe todo o espaço disponível
no HD. O processo não é destrutivo, pois o sistema simplesmente adiciona o espaço
adicional no final da partição, sem mexer no que está gravado, mas de qualquer forma
é sempre saudável fazer um backup.

Type: Altera o sistema de arquivos da partição (Linux, FAT, Linux Swap, etc.).
Lembre-se de que você deve ter no mínimo uma partição Linux e outra Linux Swap.

Bootable: Esta é mais uma opção necessária para partições do Windows ou DOS, mas
não para o Linux. Mas a regra básica é que ao usar várias partições, a partição onde o
sistema operacional está instalado seja marcada com este atributo.

Write: Salva as alterações.

30
Quit: Depois de fazer as alterações necessárias e salvar, só falta sair do programa ;-).

Basicamente, ao usar o cfdisk, você deve criar duas partições, uma maior para instalar
o sistema e outra menor, de 500 MB ou 1 GB para a memória swap. Ao deletar uma
partição antiga você seleciona o trecho de espaço livre e acessa a opção Create para
criar uma partição Linux para a instalação do sistema. Para criar a partição swap, você
repete o procedimento, criando uma segunda partição Linux, mas em seguida você
acessa a opção Type e pressiona Enter duas vezes para que o cfdisk a transforme
numa partição swap. Criadas as duas partições, é só salvar e sair.

O cfdisk não oferece nenhuma opção para redimensionar partições. Para isso você
deve usar o gparted, ou outro particionador com que tenha familiaridade, como o
Partition Magic ou o particionador usado durante a instalação do Mandrake por
exemplo (basta iniciar a instalação até chegar ao particionamento do disco, alterar o
particionamento, salvar e em seguida abortar a instalação).

Lembre-se de que o cfdisk deve ser usado apenas se você deseja deletar ou criar
partições no HD. Se você quer apenas instalar o Kurumin numa partição que já existe
(mesmo que seja uma partição do Windows ou esteja formatada em outro sistema de
arquivos qualquer), pode dispensar o cfdisk, basta sair sem fazer nada. A formatação
propriamente dita é feita mais adiante durante a instalação.

Alguns programas de particionamento (como o do instalador do Mandrake) criam


tabelas de partição que não são entendidas pelo cfdisk. Neste caso, ao abrir o cfdisk
você receberá uma mensagem de erro sobre a tabela de partição. Isto não significa
necessariamente que exista algo errado com o seu HD, apenas que o cfdisk não
conseguiu entender a tabela de partição atual.

Isto é perfeitamente normal, basta pressionar Enter para fechar o cfdisk e prosseguir
com a instalação. O único problema neste caso é que você terá que recorrer a outro
programa para reparticionar o HD. Como disse acima, você pode usar um CD de
instalação do Mandriva, prosseguir até a parte de particionamento do disco e depois
abortar a instalação.

Se você quer apenas usar o cfdisk para reformatar o HD, sem se preocupar com os
dados, você pode fazer o cfdisk eliminar a tabela de partição do HD, criando uma nova
tabela em branco. Esta opção é perigosa (vai apagar todos os dados), por isso não foi
incluída no instalador. Se você quiser usá-la, abra o Root Shell encontrado em Iniciar
> Configuração do Sistema e chame o comando "cfdisk -z" e particione o disco a seu
gosto. Lembre-se, esta opção vai destruir todos os dados do HD.

Com o gparted

O gparted é um particionador gráfico, bem mais amigável. Ao usá-lo, é importante


observar que todas as partições do HD devem estar desmontadas, ou seja, elas não
devem estar em uso. Ao dar boot com o CD do Kurumin, todas as partições ficam por
padrão desativadas. Elas são montadas quando você clica sobre os ícones das
partições dentro do "Meu Computador" para ver os arquivos. Para desmontá-las, clique
com o botão direito sobre o ícone e acione a opção "Desmontar".

Na tela principal, você verá um "mapa" do HD, com todas as partições disponíveis e
pode criar, deletar e redimensionar partições a partir dele. Neste exemplo, tenho uma
partição Windows de 6 GB, formatada em NTFS, onde apenas 1.4 GB estão usados (a

31
parte que aparece em amarelo no "mapa"). É possível redimensionar a partição
reduzindo seu tamanho para algo próximo do espaço ocupado, 2 ou 3 GB por exemplo.

Você pode usar o gparted para redimensionar a partição do Windows e liberar espaço
para o Kurumin. Ele é capaz de redimensionar tanto partições FAT32 quanto partições
em NTFS. A única exigência é que antes de redimensionar você deve primeiro
desfragmentar a partição alvo (reinicie e use o defrag do próprio Windows). Caso a
partição não esteja desfragmentada ele aborta a operação para evitar qualquer
possibilidade de perda de dados.

Para redimensionar, clique na partição e em seguida sobre a opção


"Redimensionar/Mover", onde você pode ajustar o novo tamanho da partição.

32
As alterações não são feitas automaticamente. Depois de revisar tudo clique no
"Aplicar" para que as modificações sejam aplicadas. O gparted utiliza vários outros
programas para checar as partições e fazer o trabalho pesado. Clique no botão
"Details" para ver os passos que estão sendo executados.

O gparted tem como principal objetivo evitar perda de dados, de forma que sempre
que ele encontra algum problema na partição, a operação é abortada. O problema
mais comum ao redimensionar partições Windows é o fato da partição estar
fragmentada. O gparted não tenta mover arquivos dentro da partição, ele apenas
altera seu tamanho. Se houver arquivos gravados no final da partição, ele se recusará
a tentar redimensioná-la, para evitar que estes arquivos sejam perdidos. Para corrigir
o problema, volte ao Windows e desfragmente a partição.

Depois de concluído, você ficará com um bloco cinza, que representa espaço livre, não
particionado. Para criar uma nova partição, clique com o botão direito sobre ele e em
seguida sobre o botão "Novo". Na tela seguinte você pode escolher o sistema de
arquivos em que a partição será formatada, seu tamanho e também se ela deve ser
criada como uma partição primária, ou uma partição lógica. Lembre-se de que você só
pode criar quatro partições primárias, ou até três primárias e uma extendida, com
várias partições lógicas dentro dela. Ao terminar, clique no "Adicionar" para concluir a
alteração.

Note que as alterações são realmente aplicadas apenas ao clicar sobre o "Aplicar". Se
mudar de idéia, basta usar o botão "Desfazer".

33
Para instalar, você precisa de uma partição Linux, formatada em ReiserFS, EXT2 ou
EXT3, e uma partição swap. A partição swap não é realmente obrigatória, você até
pode passar sem ela se tiver 512 MB de RAM ou mais. Porém, mesmo com bastante
memória RAM, é recomendável usar uma partição swap, pois ela permite que o
sistema remova bibliotecas e arquivos que não estão sendo usados da memória, em
caso de necessidade, deixando mais memória livre para rodar os aplicativos nos
momentos em que você estiver rodando muita coisa ao mesmo tempo e o PC estiver
sofrendo para acompanhá-lo :-).

Muita gente tem uma imagem errada do uso da memória swap por causa da forma
burra como ela é gerenciada no Windows 98. Nele, mesmo com muita memória
disponível, o sistema insiste em fazer swap, prejudicando o desempenho e tornando o
sistema menos responsivo.

No caso do Linux, principalmente ao usar uma distribuição recente, com o Kernel 2.6,
o gerenciamento é feito de forma muito mais inteligente. O sistema leva vários fatores
em conta na hora de decidir se usa swap ou não, usando-a apenas em casos de real
necessidade, ou quando seu uso vai melhorar o desempenho do sistema.

Usar swap para melhorar o desempenho parece paradoxal. Afinal, a swap é centenas
de vezes mais lenta que a memória RAM e tudo que é colocado nela demora muito
tempo para ser reavido. Porém, quando você abre muitos aplicativos e a memória RAM
começa a acabar, mover para a swap arquivos e bibliotecas que possuem pouca
chance de serem usados novamente faz sentido, pois libera memória para uso dos
aplicativos que você realmente está usando.

Outra coisa a levar em consideração é o cache de disco, espaços de memória que são
usados para copiar informações que são freqüentemente lidas no HD, de forma a
agilizar o acesso a elas. Você pode ver isso funcionando na prática: abra uma janela do
OpenOffice ou o Firefox. Da primeira vez demora um pouco para carregar. Feche a
janela e abra novamente. Da segunda vez já demorou bem menos, não é?

Isto acontece justamente porque na segunda abertura o sistema acessou boa parte
das informações a partir do cache, ao invés de ter de ler tudo novamente a partir do
HD ou CD. O cache de disco é um recurso que acelera absurdamente o tempo de

34
carregamento dos programas e arquivos. Com mais memória disponível, o sistema
pode fazer mais cache, melhorando perceptivelmente o desempenho.

A terceira questão é que sem swap o sistema não tem para onde correr em situações
onde você precisa abrir muitos programas ou executar alguma tarefa que realmente
use toda a memória disponível. Sem memória, o sistema vai começar a ficar lento e,
em situações mais extremas, os aplicativos começarão a fechar por falta de memória.

Se você tiver bastante espaço disponível no HD, crie uma partição swap de 1 GB ou 2
GB. Se o espaço estiver racionado, crie uma partição menor, de 300 ou 500 MB. O
ideal é que a partição swap seja maior em micros com pouca RAM e menor em micros
com mais memória.

Para criar a partição swap no gparted, escolha "linux-swap" no campo "Sistema de


Arquivos".

Uma dica é que o gparted também pode ser usado para criar partições FAT32 e NTFS
do Windows. Ou seja, você pode usá-lo também para particionar um HD para a
instalação do Windows ao invés daqueles ultrapassados disquetes de boot do Windows
98. Basta dar um boot com o Kurumin :).

Lembre-se de que o Kurumin ocupa cerca de 1.2 GB ao ser instado, mas você
precisará de espaço para guardar seus arquivos e instalar outros programas. O ideal é
reservar pelo menos 2 GB para o sistema e mais uns 500 MB (ou mais) de espaço para
a partição swap.

Se você tiver mais espaço disponível, aproveite para criar também uma partição extra
para armazenar o diretório /home, que veremos como configurar a seguir. Esta
partição separada permitirá reinstalar o sistema posteriormente sem perder seus
arquivos, que ficarão protegidos numa partição separada.

Em muitos micros é preciso reiniciar depois de modificar o particionamento do HD para


que o sistema seja capaz de perceber as alterações. A limitação neste caso é o BIOS
da placa-mãe, que em muitos casos só é capaz de ler a tabela de partições do HD
durante o boot. Se o instalador reclamar que não existem partições Linux disponíveis,
mesmo que você tenha feito tudo corretamente, é provável que seja este seu caso.

35
Reinicie e comece novamente a instalação, dessa vez passando batido pela parte de
particionamento.

• Copiando os arquivos

Depois de particionar o HD, chegamos à parte mais crucial da instalação, que é a cópia
dos arquivos propriamente dita. O instalador pergunta se você deseja usar uma
partição swap e em qual partição o sistema deve ser instalado. Note que a lista inclui
apenas partições formatadas em sistemas de arquivos do Linux, para evitar o clássico
acidente de formatar por engano a partição do Windows. Lembre-se de que a sua
partição C:\ do Windows é a "/dev/hda1" no Linux.

O Linux suporta vários sistemas de arquivos diferentes. A função do sistema de


arquivos é organizar o espaço disponível no HD, criar estruturas que permitem gravar
e ler arquivos de forma organizada. Os primeiros sistemas de arquivos suportados pelo
Linux, bem no começo do desenvolvimento, eram o Minix e o EXT. Ambos possuíam
limitações graves com relação ao desempenho e o tamanho máximo das partições, de
forma que ambos foram substituídos pelo EXT2, que continua em uso até hoje.

O EXT2 é um sistema similar à FAT32 do Windows. Os arquivos são organizados de


uma forma simples, com o HD dividido em vários clusters (que no EXT2 chamamos de
blocos), onde cada cluster armazena um arquivo ou um fragmento de arquivo. Um
índice no início do HD guarda uma tabela com os endereços de cada arquivo no HD.

Muita gente gosta desta simplicidade e por isso continua usando o EXT2 até hoje. O
problema é que, assim como o FAT32, o EXT2 tem uma grande tendência a perder
dados quando o micro é desligado incorretamente (o que num desktop é muito
comum). Nestes casos entra em ação o fsck, que vasculha todos os arquivos da
partição, de forma a detectar e corrigir erros, da mesma forma que o scandisk do
Windows. Os dois problemas fundamentais com o fsck são que:

36
1- O teste demora muito.
2- Ele só corrige erros simples. Sempre que um problema mais grave é detectado, o
carregamento do sistema é abortado e você cai num prompt de recuperação (herança
da época em que o Linux era feio, estranho e complicado), onde você precisa conhecer
e saber usar os comandos necessários para reparar os erros manualmente.

Ou seja, a menos que você tenha um nobreak e seu micro nunca seja desligado no
botão, não use o EXT2. Ele é um sistema obsoleto, assim com o FAT32 no Windows.

Temos em seguida o EXT3, uma evolução do EXT2, que inclui um sistema de


journaling. O journal (diário) consiste numa espécie de log, que armazena todas as
alterações que são feitas nos arquivos e quando elas foram concluídas.

Quando o micro é desligado incorretamente, o fsck consulta este jornal para corrigir os
erros, sem precisar executar o teste completo. Isso diminui bastante o problema, mas
não o corrige completamente, pois o journal é na verdade um arquivo, que assim
como os outros pode ser perdido. Quando isso acontece, o fsck precisa realizar o teste
completo e, caso encontre algum problema, te joga novamente no estúpido prompt de
recuperação. Um terceiro problema é que o journal precisa ser atualizado conforme as
alterações são feitas, um trabalho extra que reduz o desempenho de leitura e gravação
de dados em até 30% em relação ao EXT2.

Finalmente, temos o ReiserFS, que está para o EXT2 e o EXT3 da mesma forma que o
NTFS está para o FAT32 no Windows. Ele é um sistema mais moderno, que inclui
muitos recursos para a proteção dos dados e do próprio sistema de arquivos no caso
de problemas diversos e desligamentos incorretos. O ReiserFS também aproveita
melhor o espaço, agrupando arquivos pequenos, de forma que eles sejam gravados de
forma contínua. Isso acaba fazendo uma grande diferença, pois no Linux temos uma
quantidade muito grande de pequenos executáveis, bibliotecas e arquivos de
configuração.

O ReiserFS é um sistema bastante robusto, bem melhor adaptado para suportar os


maus-tratos típicos de um desktop, por isso é o sistema recomendado. Você pode ver
uma descrição técnica dos recursos do sistema e alguns benchmarks no:
http://namesys.com/.

- Corrigindo problemas em partições ReiserFS :

Problemas de corrupção de dados no ReiserFS são bastante raros. Mas, caso chegue ao ponto do sistema não dar boot
por causa de um problema grave, causado por um desligamento no botão, é possível reparar a partição dando boot com um
CD do Kurumin.

Comece (a partir do CD) abrindo um terminal e logando-se como root, usando o comando "sudo su". A partir daí, rode o
comando:

# reiserfsck --check /dev/hda1

Ele exibe um aviso: Do you want to run this program?[N/Yes] (note need to type Yes if you do):

Ou seja, você precisa digitar "Yes" para continuar; caso apenas dê Enter, ele aborta a operação. Ele vai verificar toda a
estrutura do sistema de arquivos e indicar os erros encontrados. O próximo passo é usar a opção " --fix-fixable":

# reiserfsck --fix-fixable /dev/hda1

Este segundo comando efetivamente corrige todos os erros simples, que possam ser corrigidos sem colocar em risco as
demais estruturas do sistema de arquivos. Em 90% dos casos isto é suficiente.

Se for encontrado algum erro grave, ele vai abortar a operação. Estes erros mais graves podem ser corrigidos com o

37
comando:

# reiserfsck --rebuild-tree /dev/hda1

Este comando vai reconstruir do zero todas as estruturas do sistema de arquivos, vasculhando todos os arquivos
armazenados. Esta operação pode demorar bastante, de acordo com o tamanho e quantidade de arquivos na partição.
Nunca interrompa a reconstrução, caso contrário você não vai conseguir acessar nada dentro da partição até que recomece
e realmente termine a operação.

O --rebuild-tree vai realmente corrigir qualquer tipo de erro no sistema de arquivos. Ele só não vai resolver o problema caso
realmente exista algum problema físico, como, por exemplo, um grande número de setores defeituosos no HD.

Outros sistemas "modernos" são o XFS e o JFS, que são otimizados para uso em
servidores. Eles também são relativamente populares, mas não são usados no
instalador para não aumentar muito o número de opções.

Depois de selecionar a partição e o sistema de arquivos, o instalador confirma mais


uma vez se você realmente quer formatar a partição para instalar o sistema. Existe
aqui uma opção de atualização escondida, que foi incluída a partir do Kurumin 4.2. Se
você responder "Não", o instalador vai copiar os arquivos sem formatar a partição,
atualizando uma versão anterior do Kurumin instalada, sem apagar seus arquivos e
configurações.

Assim como no Windows, esta opção de atualização é mais propensa a problemas, pois
é difícil preservar todos os programas instalados e todas as modificações que foram
feitas. Embora a atualização funcione bem na maioria dos casos, alguns programas
podem deixar de funcionar (o que pode ser resolvido simplesmente reinstalando-os).
Os arquivos e configurações, que são o mais importante, são sempre preservados.

38
A cópia dos arquivos propriamente dita é muito rápida, de 4 minutos (num PC atual) a
12 minutos (num Pentium II com 128 MB e um CD-ROM de 32x). Embora o sistema
fique carregado durante a cópia, nada impede que você navegue ou faça alguma outra
coisa enquanto o sistema está sendo instalado. Os dados são copiados diretamente a
partir do CD-ROM (que é somente leitura) para dentro da partição, de forma que a
cópia não é perturbada mesmo que você crie ou modifique alguns arquivos durante a
instalação.

39
• Concluindo a instalação

Depois de copiar o sistema, o instalador faz algumas perguntas, usadas para concluir a
configuração. A primeira é sobre a configuração da rede, onde você pode definir um
nome para a máquina e depois a opção de configurar a rede automaticamente via
DHCP ou especificar manualmente o endereço IP, gateway e servidor DNS.

Uma observação importante é que o nome da máquina não pode conter espaços nem
caracteres especiais. Usar um nome como "Dandão #$@" vai causar sérios problemas,
pois o sistema não conseguirá atualizar o nome da máquina durante o boot e vários
programas deixarão de funcionar corretamente. Use um nome simples, contendo
apenas letras e números, ou mantenha o padrão.

Até o Kurumin 5.0, era perguntado se você queria configurar a rede durante a
instalação. Se você conecta via ADSL com autenticação (Speedy, Velox, etc.) usando o
pppoeconf, você deveria responder "Não" e deixar para configurar depois de concluída
a instalação.

Para simplificar as coisas, a partir do 5.1, a configuração da rede passou a ser feita no
primeiro boot depois da instalação, como parte do assistente de boas-vindas.

Claro, não poderíamos nos esquecer de escolher uma senha para o root e também
para o usuário kurumin, que será usado depois de concluída a instalação. O instalador
não aceita senhas em branco. É importante usar boas senhas ao acessar a internet,
pois a senha é a última linha de proteção caso você mantenha o SSH ou outros
servidores ativos. Senhas fáceis são a principal causa de invasões em sistemas Linux.

40
O usuário kurumin (ou knoppix nas versões antigas) é uma espécie de power-user,
criado com o objetivo de facilitar o uso do sistema para novos usuários. Ele tem acesso
aos utilitários de configuração, permissão para instalar novos programas e configurar
programas como o K3B, de modo que você não precise ficar toda hora fornecendo a
senha de root.

O usuário kurumin possui privilégios suficientes para usar o sistema sem sobressaltos,
mas sem abrir as várias brechas de segurança de usar o usuário root diretamente. É
um meio termo entre segurança e praticidade. O Ubuntu adota um sistema similar,
onde a conta de root é desativada e você usa o comando "sudo" (como no Kurumin)
quando precisa executar comandos como root. A principal diferença é que o Ubuntu
confirma a senha (da conta de usuário, não do root) periodicamente.

Se você é um usuário com mais experiência, pode preferir criar um novo usuário, este
sim um usuário "comum", sem privilégios especiais. Para criar mais usuários depois da
instalação, use o comando "adduser" (como root) como em "adduser joao". Os
novos usuários aparecem automaticamente na tela de login.

Se preferir um utilitário gráfico, você pode usar o "users-admin", que pode ser
executado pelo terminal, ou pelo ícone no "Iniciar > Sistema > Gnome System Tools".
Ele pode ser encontrado também no Fedora (onde se chama "system-config-users") e
no Mandriva (onde se chama "userdrake").

41
Você pode ativar ou desativar o uso do sudo, que é o responsável pelos privilégios
administrativos a qualquer momento, usando as opções dentro do painel dos ícones
mágicos. Estas opções fazem as alterações necessárias no arquivo "/etc/sudoers" e
a alteração passa a valer imediatamente. Não é preciso reiniciar o KDE.

Naturalmente, para ativar o sudo para um novo usuário, é preciso fornecer a senha de
root.

42
Configurando o Lilo

A última etapa da instalação é a configuração do Lilo, o gerenciador de boot usado


para inicializar o sistema, e pode ser configurado para inicializar também o Windows e
outras distribuições Linux instaladas no HD.

Você tem a opção de instalar o Lilo na trilha MBR do HD, fazendo com que o Kurumin
passe a ser o sistema default (respondendo "Sim" à pergunta), ou instalar o Lilo na
partição (respondendo "Não").

43
Quando você liga o micro, o BIOS da placa-mãe detecta o HD, CD-ROM, disquete e
outros periféricos instalados. Depois de terminar seu trabalho, o BIOS procura por
algum sistema operacional para carregar, seja no HD, CD-ROM, disquete ou mesmo
via rede, de acordo com o configurado no setup.

No caso do HD, o BIOS lê apenas os primeiros 512 bytes, que são justamente a trilha
0, ou trilha MBR do HD. Neste pequeno espaço vai a tabela de partição e o gerenciador
de boot.

Cada sistema operacional utiliza um gerenciador de boot próprio. Como o espaço no


MBR é muito reduzido, apenas um pode ser instalado no MBR de cada vez. Quando um
sistema grava seu gerenciador no MBR, automaticamente apaga o do anterior.

Ao ter mais de um sistema instalado, a solução é gravar apenas um deles no MBR e


gravar dos demais no primeiro setor da partição onde cada sistema está instalado.
Com isso, o gravado na MBR pode ser configurado para carregar os demais.

Se o Kurumin for o único sistema instalado, basta responder Sim e seus problemas
acabaram. Se por outro lado você está instalando o Kurumin em dual-boot com o
Windows ou outra distribuição do Linux, siga os seguintes passos para configurar os
dois sistemas em dual-boot:

1) Windows + Kurumin: Se o Windows já está instalado, responda "Sim" para que o


lilo seja gravado na MBR. O Windows grava seu gerenciador de boot tanto na MBR
quanto no primeiro setor da partição, por isso é o mais fácil de configurar. Por ser
gravado na MBR, o lilo será carregado primeiro e oferecerá a opção de escolher entre
carregar o Kurumin ou o Windows a cada boot.

Isso é feito adicionando duas linhas no arquivo de configuração do lilo, que explicam
para ele que existe outro sistema instalado. A partir do Kurumin 5.0 esta configuração

44
é feita automaticamente, nas versões antigas é necessário adicionar as linhas
manualmente:

other = /dev/hda1
label = Windows

2) Kurumin + Outra distribuição Linux: Ao instalar o Kurumin em dual boot com


outra distribuição, é necessário que você configure um para gravar na MBR e o outro
para gravar na partição. Instale a outra distribuição primeiro, responda que não quer
gravar o gerenciador de boot na MBR durante a instalação e, ao instalar o Kurumin,
adicione as mesmas duas linhas na configuração do lilo, dizendo a partição onde a
outra distribuição está instalada e dando um nome para ela, como em:

other = /dev/hda2
label = Mandriva

Uma observação importante: Os nomes não podem ter mais de 14 caracteres e não
podem conter espaços ou caracteres especiais.

O arquivo de configuração do lilo é o "/etc/lilo.conf". O instalador lhe dá a chance de


revisar a configuração do arquivo, onde você pode incluir as linhas caso necessário:

Os comentários no arquivo são auto-explicativos. Tudo o que você precisa fazer é


retirar os comentários (#) das linhas referentes à partição onde está instalado o outro
sistema operacional (caso ele não tenha sido detectado automaticamente pelo
instalador) e salvar o arquivo.

No screenshot abaixo, por exemplo, o Kurumin está sendo instalado em dual-boot com
o Windows XP. O instalador detectou o dual-boot e colocou as linhas referentes ao
Windows automaticamente. O único erro é que o label ficou "WinNT(hda1)", mas, fora

45
a questão estética isso não faz diferença. Você pode mudar o label para "WinXP" ou
qualquer coisa do gênero se quiser:

Depois de salvar o arquivo, basta fechar a janela para continuar a instalação.

A partir daí você tem a opção de escolher qual sistema operacional será carregado
durante o boot. Você pode configurar o lilo do Kurumin para inicializar vários sistemas
diferentes se for o caso, basta ir descomentando os pares de linhas correspondentes.
Para modificar a configuração do lilo depois de concluída a instalação, abra o arquivo
"/etc/lilo.conf" (como root) e, depois de salvar as alterações, execute o comando
"lilo" (novamente como root) para que elas sejam gravadas no HD.

46
Depois de instalado no HD, o desempenho do Kurumin fica melhor, pois o processador
não precisa mais ficar descompactando os dados do CD, além de que um HD sempre
oferece um tempo de busca bem menor.

47
• Usando uma partição separada para o diretório
/home

Desde o Kurumin 2.0, existe a opção de instalar o diretório "/home" numa partição
separada do restante do sistema, opção que é dada no final da instalação.
Naturalmente, para usar este recurso, é preciso que você tenha criada uma partição
adicional ao particionar o HD.

O mais comum neste caso é criar uma partição menor, de 4 a 8 GB para instalar o
sistema (de acordo com a quantidade de programas adicionais que você pretende
instalar), uma partição swap de 1 ou 2 GB e uma partição maior, englobando o
restante do HD, para ser usada como "/home". A partição home deve ser maior, pois é
nela que serão guardados seus arquivos, músicas, e-mails, trabalhos, filmes, etc.,
coisas que normalmente ocupam bem mais espaço que os arquivos do sistema.

Usar uma partição separada permite que você possa reinstalar o sistema sem perder
seus arquivos e configurações, o que é especialmente interessante no caso do
Kurumin, que é atualizado freqüentemente.

Usando um diretório home separado, as reinstalações tornam-se mais transparentes,


você ainda precisa reinstalar os programas (o que não é tão complicado assim se você
usar os ícones mágicos), mas todas as configurações dos aplicativos são preservadas.

Cada programa armazena suas configurações dentro de uma pasta oculta dentro do
seu diretório de usuário, como ".mozilla", ".kde", etc. Mesmo ao reinstalar o sistema,
estas pastas são reconhecidas e as configurações antigas preservadas. Basta tomar o
cuidado de guardar também todos os seus arquivos dentro do diretório home e você
não perderá quase nada ao reinstalar.

48
O primeiro passo é indicar a partição que deseja usar. Como já vimos, no Linux as
partições aparecem como dispositivos dentro do diretório /dev/, como "/dev/hda1"
(para a primeira partição, o C: no Windows) ou "/dev/hda2". Em caso de dúvidas, você
pode ver um mapa mostrando como o HD está formatado dentro do gparted.

Preste atenção quando o instalador perguntar se a partição já está formatada. A


legenda nesse caso é auto-explicativa; responda que "sim" se você tem dados na
partição e quer usá-la da forma como está, ou responda "não" apenas se você acabou
de criar a partição e quer formatá-la para usar.

Caso você esteja usando uma partição home de uma instalação anterior, responda
"sim" e indique em qual sistema de arquivos a partição está formatada. O instalador

49
suporta partições home formatadas em ReiserFS, EXT2 e EXT3. Lembre-se de que o
ReiserFS é a opção recomendada.

Em seguida o instalador abre uma janela do kedit com o arquivo "/etc/fstab", onde vão
as informações sobre todas as partições e outros sistemas de arquivos que são
montados durante o boot. Esta janela é apenas "um extrato para simples conferência";
você não precisa se preocupar em alterar mais nada. As linhas adicionadas pelo
instalador vão no final do arquivo, como em:

# Monta a partição /home, adicionado pelo instalador do Kurumin


/dev/hda2 /home reiserfs notail 0 2

Veja que a sintaxe não é tão complicada assim. Traduzindo para o Português, a linha
diz: "Monte a partição /dev/hda2 no diretório /home. Esta partição está formatada em
ReiserFS e você deve montá-la usando a opção notail (que melhora o desempenho no
acesso à partição)".

Ao reinstalar o sistema, você deve apenas repetir o processo, indicando a partição,


dizendo que ela já está formatada e indicando o sistema de arquivos. O resto é
automático.

Outra opção para usar o diretório home numa partição separada (que muitos acham
mais simples) é simplesmente copiar a pasta home para dentro da outra partição e
criar um link para ela, substituindo a pasta home do sistema.

Imagine que você tem o sistema instalado e algum tempo e agora quer reinstalar sem
perder os arquivos do home. Você tem uma partição livre, a "/dev/hda2" disponível.

O primeiro passo seria montar a partição livre e em seguida copiar o home atual para
ela. É importante fazer isso como root, usando o comando "cp -a", que faz uma cópia
exata, mantendo todas as permissões dos arquivos. Se a sua pasta home é
"/home/joao", o comando seria:

# cp -a /home/joao /mnt/hda2

50
Depois de reinstalar o sistema, crie novamente o usuário "joao" e edite o arquivo
"/etc/fstab", para que a partição "/dev/hda2" (on de está o home) seja montada
automaticamente durante o boot. A linha referente a ela ficará algo como "/dev/hda2
/mnt/hda2 reiserfs notail 0 2".

Monte a partição ou reinicie o micro para verificar se a configuração está correta. Se a


partição estiver montando corretamente, falta apenas o último passo que é criar o link.
Mova o home vazio criado ao cadastrar o usuário no sistema e o substitua por um link
apostando para o home dentro da partição:

# mv /home/joao /home/joao-old
# ln -s /mnt/hda2/joao /home/joao

Embora possa ser um pouco mais trabalhosa, esta segunda receita tem um efeito
similar à primeira. Você escolhe qual prefere usar ;).

Depois de reiniciar o micro, você tem a opção de configurar a conexão com a internet,
atualizar a lista de pacotes do apt-get (apt-get update) e de ativar o firewall. Os dois
passos são opcionais; atualizar a lista de pacotes do apt é necessário para poder
instalar novos programas usando o apt-get ou os ícones mágicos, e ativar o firewall é
sempre uma boa idéia se seu micro está diretamente conectado à internet.

REFERÊNCIA: www.guiadohardware.net/cursos
Com Carlos E. Morimoto

51