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Gestão pedagógica

Competências de gestão pedagógica

A era da conectividade e informação do tempo atual causou intensas


transformações em todos os aspectos em nossa sociedade. No contexto
educacional, a proposta pedagógica da escola é um documento que passou a
ter um valor crítico quando o tema é uma instituição de ensino bem-sucedida e
alinhada às novas questões sociais.

Atualmente, além das disciplinas e conhecimentos clássicos, conceitos de


tecnologia e acesso à informação, inclusão social, direitos humanos, ética e
cidadania, relação com o meio ambiente, entre outros estão sendo incluídos nos
currículos de muitas escolas, das mais diversas maneiras. O objetivo é a
formação de adultos conscientes de suas responsabilidades, atuantes
socialmente, cientes da realidade onde estão inseridos e ávidos pelos mais
diversos tipos de conhecimentos.

Contudo, de tal modo como em qualquer outra área, na educação também ocorre
períodos do que podemos chamar de “modismos”, com teorias pedagógicas
sendo difundidas sem o devido cuidado ou reflexão crítica. Com obviedade, os
efeitos disso podem ter o efeito inverso ao destinado, trazendo perdas a toda
comunidade escolar.

A proposta pedagógica da escola é prevista na Lei de Diretrizes e Bases da


Educação de 1996 e tem como finalidade principal garantir a autonomia das
instituições de ensino no que se menciona à gestão de suas questões
pedagógicas. Na prática, trata-se de um documento que define a linha
orientadora de todas as ações da escola, desde sua estrutura curricular até suas
práticas de gestão.
Segundo a lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996 no título II dos
princípios e fins da educação nacional no Art. 3º: “o ensino será ministrado com
base nos seguintes princípios: pluralismo de idéias e de concepções
pedagógicas. ” A proposta pedagógica em regra está fundamentada em uma
linha educacional proposta e descrita em determinada teoria pedagógica, como
o Construtivismo, por exemplo, que tem recebido muita força recentemente.
Porém, independentemente da linha teórica que apontada escola aspira seguir,
é imprescindível esclarecer que cada uma delas possui seus próprios valores,
dificuldades, vantagens e desvantagens, que podem ser adaptados a diferentes
realidades escolares.
Mais adiante no Art. 12 onde determina que “Os estabelecimentos de
ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a
incumbência de elaborar e executar sua proposta pedagógica. E no artigo 13
aponta o dever dos docentes de incumbir-se de participar da elaboração da
proposta pedagógica do estabelecimento de ensino e elaborar e cumprir plano
de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino.
Apesar disso, a Lei de Diretrizes e Bases não se estabelece em um
conjunto de normas rígidas, que devem ser adotadas literalmente. Dessa
maneira, essa flexibilidade aceita que cada escola esteja aberta para elaborar
sua proposta pedagógica de acordo com seus interesses, de seus alunos e da
comunidade onde está inserida.
Porém, apesar de poder adaptar os conteúdos e disciplinas com certa
livre-arbítrio, as instituições de ensino precisam estar atentas às orientações
contidas nas diretrizes curriculares elaboradas pelo Conselho Nacional de
Educação e nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Além disso, a Base
Nacional Comum Curricular (BNCC) põe uma série de aprendizagens que devem
ser lecionadas, assim como dez competências gerais que os alunos devem
desenvolver ao longo da Educação Básica.

Qual o principal objetivo da proposta pedagógica?

A resposta mais dialética a esse ponto é a de que os alunos aprendam e


tenham a chance de desenvolver o seu potencial e as habilidades necessárias
para que possam participar ativamente dos contextos sociais de que fazem
parte, tanto aproveitando o seu acervo sociocultural e produtivo, como
contribuindo para a sua expansão. Aprendizagem e formação dos alunos são,
pois, o foco do trabalho escolar.

No capítulo IV da LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990 onde trata-se do


Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer no Art. 53. Cita que a
“criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno
desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e
qualificação para o trabalho, assegurando-se-lhes: Parágrafo único. É direito dos
pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem como participar
da definição das propostas educacionais. ”

A pesquisadora Luck (2008) aponta algumas competências na atuação do diretor


quanto à gestão pedagógica, a saber:

“• Promover a visão abrangente do trabalho educacional e do papel da


escola, norteando suas ações para a promoção da aprendizagem e
formação dos estudantes.
• Liderar na escola a orientação da ação de todos os participantes da
comunidade escolar pelas proposições do Projeto Político-Pedagógico
e do currículo escolar.
• Promover orientação de ações segundo o espírito construtivo de
superação de dificuldades e desafios, com foco na melhoria contínua
dos processos pedagógicos voltados para a aprendizagem e formação
dos estudantes.
• Criar na escola um ambiente estimulante e motivador orientado por
elevadas expectativas de aprendizagem e desenvolvimento, uma
autoimagem positiva e um esforço compatível com a necessária
melhoria dos processos educacionais e seus resultados.
• Promover a elaboração e atualização do currículo escolar, tendo
como parâmetro o referencial curricular da Secretaria de Estado da
Educação do Paraná (Seed-PR), as Diretrizes Curriculares Nacionais,
bem como a evolução da sociedade, ciência, tecnologia e cultura, na
perspectiva nacional e internacional
• Orientar a integração horizontal e vertical de todas as ações
pedagógicas
propostas no projeto pedagógico e a contínua contextualização dos
conteúdos do currículo escolar com a realidade.
• Estabelecer a gestão pedagógica como aspecto de convergência de
todas as
outras dimensões de gestão escolar.
• Identificar e analisar a fundo limitações e dificuldades das práticas
pedagógicas no seu dia a dia, formulando e introduzindo perspectivas
de superação, mediante
estratégias de liderança, supervisão e orientação pedagógica.
• Acompanhar e orientar a melhoria do processo de ensino e
aprendizagem
na sala de aula mediante observação e diálogo de feedback
correspondente.
• Articular as atividades extrassala de aula e orientadas por projetos
educacionais diversos com as áreas de conhecimento e plano
curricular, de modo a estabelecer orientação integrada.
• Orientar, incentivar e viabilizar oportunidades pedagógicas especiais
para estudantes com dificuldades de aprendizagem e necessidades
educacionais especiais.
• Promover e organizar a utilização de tecnologias da informação
computadorizada (TIC) na melhoria do processo ensino
aprendizagem.”
Fonte: LUCK, 2008, p. 93 (Adaptado)

LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990.


http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8069.htm

LUCK, Heloísa. Dimensões de gestão escolar e suas competências. Curitiba:


Editora Positivo, 2008.
______. Concepções e processos democráticos de gestão educacional. 2. ed.
Petrópolis: Vozes, 2007.

Resumidamente esse é o papel da escola, facilmente reconhecido e


indicado por todos. A sua realização, porém, apenas se dá na medida em que
todos e cada um dos profissionais que atuam na escola entendam e assumam
esse papel como seu. Afinal, uma escola é uma organização social constituída
e feita por pessoas. Esse processo, por certo, por sua complexidade, dinâmica
e abrangência, demanda uma gestão específica que envolve a articulação entre
concepções, estratégias, métodos e conteúdos, assim como demanda esforços,
recursos e ações, com foco nos resultados pretendidos. Esse processo de
articulação representa a gestão pedagógica.

É evidentemente lógico que as ações desenvolvidas na escola tenham um


manifesto e intencional sentido pedagógico, isto é, que todas e cada uma delas
constituam-se em um ato direcionado intencionalmente para transformações dos
processos sociais nela praticados e, em última instância, de transformação da
própria prática pedagógica e da escola como um todo, de modo a que os alunos
tirem melhor proveito dela. Daí porque constituir-se a gestão pedagógica em uma
das dimensões mais importantes do trabalho do diretor escolar que, embora
compartilhada com um coordenador ou supervisor pedagógico, quando existir na
escola, nunca é a esses profissionais inteiramente delegada (Lück, 2007). A
responsabilidade pela sua efetividade permanece sempre com o diretor escolar,
cabendo-lhe a liderança, coordenação, orientação, planejamento,
acompanhamento e avaliação do trabalho pedagógico exercidos pelos
professores e praticados na escola como um todo.
A atualidade dos processos pedagógicos, a contextualização de seus conteúdos
em relação à realidade, os métodos de sua efetivação, a utilização de
tecnologias, a dinâmica de sua realização, a sua integração em um currículo
coeso são algumas das responsabilidades da gestão pedagógica observadas
pelo diretor escolar. A diversidade dos aspectos a serem observados pelo diretor
em relação aos aspectos promotores da aprendizagem e formação dos alunos
são, portanto, múltiplos, sendo aqui destacados alguns deles.

A educação escolar configura-se portanto, em ato político e pedagógico na


medida em que requer sempre uma tomada de posição. A ação educativa e,
conseqüentemente, a política educacional em qualquer das suas feições não
possuem apenas uma dimensão política, mas são sempre políticas, já que não
há conhecimento, técnica ou tecnologias neutras, pois todas são expressões e
formas conscientes, ou não, de engajamento das pessoas na sociedade

Para melhorar esse cenário, o governo brasileiro vem adotando a partir de 2003
políticas dirigidas aos trabalhadores da educação e à melhoria dos processos de
gestão, por meio de programas de formação continuada, entre os quais o
Profuncionário é um exemplo. No que tange ao estímulo à participação na gestão
e nos processos pedagógicos no Município e na escola, o Pró-Conselho e o
Programa Nacional de Conselhos Escolares são iniciativas inovadoras.

Essas questões revelam a relação direta entre a situação objetiva dos


trabalhadores em educação e a gestão escolar. Ou seja, pensar a
democratização da gestão implica considerar em que condições se realizam os
processos de trabalho e as ações pedagógicas. Assim, é preciso entender a
gestão como um espaço de construção política para além das questões
meramente administrativas e, portanto, englobar as condições de ensino-
aprendizagem, de democratização da gestão e de escolha dos dirigentes
escolares.

A importância do Projeto Político-Pedagógico e do trabalho coletivo na escola A


LDB estabelece no artigo 2 o as finalidades da educação nacional, que são: o
desenvolvimento pleno do educando, sua preparação para o exercício da
cidadania e sua qualificação para o trabalho. O Projeto Político-Pedagógico tem
como fundamentos esses mesmos objetivos institucionais