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Aplicação de uma metodologia de avaliação da saúde nos estudos de impactos ambientais: o caso
Aplicação de uma metodologia de avaliação da saúde nos estudos de impactos ambientais: o caso

Aplicação de uma metodologia de avaliação da saúde nos estudos de impactos ambientais: o caso do Pólo Industrial e Tecnológico da Saúde em Eusébio, Ceará.

SILVA a , L.R.C.; PESSOA b , V.M.

a UFC (Instituto de Ciências do Mar, Ciências Ambientais) email: luizronscs@gmail.com

b FIOCRUZ (Fundação Oswaldo Cruz, Fiocruz Ceará).

RESUMO

O objetivo deste manuscrito foi analisar como uma metodologia de análise sobre aspectos

da saúde colabora com um melhor detalhamento desse tema nos Estudos de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA//RIMA) e em outros nessa mesma abordagem como os Estudos de Viabilidade Ambiental (EVA). Espera-se através de uma matriz de análise da inserção da saúde nesses documentos contribuir de forma preventiva

no impacto à saúde humana na implantação de empreendimentos poluidores. Assim, realizou-se uma avaliação dos EIA/RIMA do Polo Industrial e Tecnológico da Saúde (PITS)

e dos Estudos de Viabilidade Ambiental (EVA) da Fiocruz Ceará e Bio-Manguinhos em,-

Eusébio/CE. Apresentam-se como resultados uma matriz consolidada com todos os aspectos da saúde avaliados de acordo com o tipo de empreendimento, que nesse caso são de caráter tecnológico e de inovação. Foram analisados 96 aspectos da saúde através da metodologia em que 31 aspectos (33%) não foram contemplados, 30 (31%) foram parcialmente contemplado e 35 (36%) foram contemplados. O uso da Matriz de Análise das Questões de Saúde dos EIA demonstrou grande eficiência ao avaliar estudos de grandes empreendimentos, mas contém algumas fragilidades como a duplicidade de informações e discernir melhor o que cada aspecto quer analisar. Esta avaliação confirmou a necessidade de aplicar esse tipo de abordagem metodológica para analisar os EIA e contribuir para que cada vez mais esses estudos possam inserir o setor saúde. PALAVRAS-CHAVE: Impactos socioambientais; Saúde Ambiente; Meio Ambiente; Estudos de Impacto Ambiental (EIA).

ABSTRACT The main objective of this manuscript was to analyze how a methodology of analysis on health aspects collaborates with a better detailing of the health theme in the Environmental Impact Studies and Environmental Impact Report (EIA // RIMA) and in others in this same approach as the Environmental Viability Studies (EVA). It is expected through a matrix of analysis of the insertion of health in these documents to contribute in a preventive way to the impact on human health in the implementation of polluting companies. Thus, were realized an assessment of EIA / RIMA of the Industrial and Technological Pole of Health (PITS) and EVA of Fiocruz Ceará and Bio-Manguinhos in, -Eusébio / CE. The results are presented as a consolidated matrix with the aspects of health analyzed according to the type of companies, which in this case are technological and innovative. Were analyzed 96 aspects of health through the methodology in 31 aspects of health (33%) were not contemplated, 30 (31%) were partially contemplated and 35 (36%) were contemplated. The use of methodology has shown great efficiency evaluating environmental studies of large companies, but it has some weaknesses such as duplicity of information and insufficient knowledge about each aspect wants to analyzed. These analysis confirmed the need to apply that type of methodological approach to analyze EIA and contribute to the fact these studies could increasingly enter on health sector. KEYWORDS: Social and environmental impacts; Health Environment; Environment; Environmental Impact Studies (EIA).

INTRODUÇÃO E REFERENCIAL TEÓRICO

Cunha (2005) afirma que “A história mostra que o homem sempre utilizou os recursos naturais
Cunha (2005) afirma que “A história mostra que o homem sempre utilizou os recursos naturais

Cunha (2005) afirma que “A história mostra que o homem sempre utilizou os recursos naturais para o desenvolvimento da tecnologia e da economia e, com isso, garantir uma vida com mais qualidade”. Essa relação fez com que aos poucos o ser humano percebesse sua dependência e intimidade com o meio ambiente e iniciasse medidas para protegê-lo. No Brasil, em 1981 foi instituída a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) a mais relevante norma ambiental e, posteriormente, a Constituição Federal de 1988, pela qual foi recepcionada, visto que traçou toda a sistemática das políticas públicas brasileiras para o meio ambiente (FARIAS, 2006).

Um dos Instrumentos advindos da PNMA foi o Licenciamento Ambiental sendo considerado fundamental na busca do desenvolvimento sustentável (BRASIL, 2007), pois pretende a reconciliação entre o desenvolvimento econômico e a ação humana com a natureza. O processo de licenciamento ambiental é constituído por três tipos de licenças ou três atos administrativos (MILARÉ, 2013), sendo: a Licença Prévia (LP), a Licença de Instalação (LI) e a Licença de Operação (LO). Os estudos de impactos ambientais (EIA) são uma etapa fundamental da LP.

Os EIA tem por objetivo fazer uma análise crítica dos processos produtivos que podem afetar o meio ambiente, a saúde e ao bem-estar das populações, devendo considerar não só o meio físico, o meio biológico e os ecossistemas naturais, mas também o meio socioeconômico. Também dependerá de um Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) que refletirá as conclusões do estudo de impacto ambiental (CONAMA 001/86, art. 9).

Em grandes empreendimentos, além dos EIA/RIMA, o órgão ambiental responsável pelo licenciamento pode solicitar a realização de outros estudos de impactos complementares a fim de atingir todas suas magnitudes. Como exemplos, temos os estudos de viabilidade ambiental (EVA), o plano de controle ambiental (PCA) e o estudo ambiental simplificado (EAS). O EVA tem como propósito construir um diagnóstico que indique se o projeto oferece riscos socioambientais, isto é, se é viável ou não no local.

Contudo, a dimensão da saúde das populações atingidas pelos empreendimentos é insuficientemente tratada nos EIA, dificultando, entre outros, a adoção de medidas mitigadoras e a organização do sistema de saúde frente aos impactos à saúde.Uma importante ferramenta para auxiliar na investigação da saúde dentro desses estudos é o método da Matriz de Análise das Questões de Saúde dos EIA. Para Barbosa, Barata e Hacon (2012) a matriz mostrou-se um instrumento metodológico adequado para analisar a inserção da saúde no licenciamento ambiental e orientar a tomada de decisão e intervenções para a gestão socioambiental”.

Frente a esse cenário o estado do Ceará avançou nas últimas décadas na implantação da política de saúde e hoje vivencia a implentação de um Industrial e Tecnólogico de Saúde (PITS) no município de Eusébio, na Região Metropolitana de Fortaleza, onde se encontra atualmente em funcionamento a Fiocruz Ceará e em fase de implantação o empreendimento Bio-Manguinhos. Todo esse valor agregado traz transformações que merecem ser analisadas. Nesse sentido, o objetivo desse estudo foi analisar como a Matriz de Análise de Impactos colabora com um melhor detalhamento dos temas relativos a saúde humana, identificando as potencialidades e fragilidades dessa metodologia, considerando os EIA/RIMA do PITS e os EVA da Fiocruz Ceará e de Bio- Manguinhos.

2. METODOLOGIA

2.1. Análise documental

Foi uma etapa interpretativa a fim de alcançar os resultados que contemplassem a matriz de
Foi uma etapa interpretativa a fim de alcançar os resultados que contemplassem a matriz de

Foi uma etapa interpretativa a fim de alcançar os resultados que contemplassem a matriz de análise das questões de saúde nos EIA. Ocorreu em três fases: 1) pré-análise leitura dos EIA/RIMA e EVAs com um nível mais aprofundado; 2) exploração do material com o intuito de categorizá-los e sistematizá-los; e 3) interpretação que se deu por meio da análise dos aspectos referentes à saúde, contido nos documentos. O principal objetivo foi analisar os aspectos de saúde e temas que envolvessem a saúde do trabalhador, saúde ambiente e das comunidades presente nos estudos. Como a implantação do PITS está sendo realizada de forma gradual espera-se contribuir, com esse estudo para que os próximos estudos nessa temática avancem nos itens referentes à saúde.

2.2.Matriz de análise das questões de saúde dos EIA

A avaliação do componente saúde foi feita através do método da Matriz de análise

das questões de saúde nos Estudos de Impacto Ambiental produzido por Câncio (2008). De acordo com Barbosa, Barata e Hacon (2012) “nessa matriz, Câncio partiu de uma abordagem qualitativa, fundamentada na interpretação de fenômenos e atribuições de significados”, ou seja, ela criou um método que pudesse discutir seu contexto numa perspectiva integrada.

É uma metodologia que explicita os aspectos de saúde a serem observados por

meio de uma abordagem relacional entre desenvolvimento e saúde. A Matriz tem por objetivo aprofundar o conhecimento do processo vigente de elaboração dos EIA, e em particular,

conhecer as questões de saúde contempladas nos mesmos (CÂNCIO, 2008). Para estimar o grau de contemplação foram adotados: 2 (dois) para os conteúdos contemplados em saúde; 1 (um) quando os resultados foram parcialmente contemplados; e 0 (zero) quando os aspectos em saúde não foram considerados nos documentos levando em consideração a saúde da família, saúde e ambiente e saúde das populações.

3.RESULTADOS E DISCUSSÃO

A seguir são apresentados na Tabela 1 a análise da inserção da saúde nos três

estudos. Nessa tabela a saúde foi evidenciada por 7 categorias:

Tabela 1. Checklist de análise dos aspectos de saúde nos EIA/RIMA e EVAs do setor de Indústria e Tecnologia em saúde identificando dimensão dos três estudos.

Dimensão EIA/RIMA/EVA

Não

contemplado

Parcial

Contemplado

Categorias com seus respectivos aspectos de saúde

- Descrição do projeto:

1. Identificação da equipe responsável pela

elaboração do conteúdo de saúde nos estudos e de suas atividades desenvolvidas;

2. Identificação das comunidades envolvidas, na área

de influência direta (AID) e indireta (AII);

3. Identificação das populações sociais segundo o grau de vulnerabilidade e/ou risco a saúde, na AID e AII;

4. Identificação das populações segundo a dinâmica

de uso do território (movimentos migratórios, fluxo

interno, dinâmica populacional, etc);

5. Identificação das populações reassentadas, caso

haja.

- Diagnóstico ambiental:

6. Inventário de substâncias químicas e biológicas, seus potenciais riscos à saúde, relacionado ao empreendimento; 7. Identificação dos riscos a saúde no qual a

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comunidade e os trabalhadores estão expostos; 8. Identificação dos equipamentos, cobertura e situação da saúde,

comunidade e os trabalhadores estão expostos;

8. Identificação dos equipamentos, cobertura e

situação da saúde, na área do empreendimento e nas AID e AII;

9. Identificação da participação pública na tomada de

decisão;

10. Identificação dos recursos ambientais (fauna, flora

e recursos hídricos) na ADA, AID e AII.

- Identificação e avaliação de impactos:

11. Identificação dos potenciais impactos relacionados

aos riscos à saúde, intrínseca ao empreendimento, considerando os diferentes segmentos sociais;

12. Identificação das modificações que os recursos

naturais locais podem sentir com a instalação do

empreendimento;

13. Efeitos na saúde dos diferentes grupos sociais,

considerando os prováveis impactos relevantes sobre

o meio ambiente;*

14. Identificação dos parâmetros ambientais

impactados com significância reconhecida sobre a

saúde;

15. Identificar se a população participou e tomou

conhecimento dos potenciais efeitos na saúde

decorrentes dos impactos ambientais durante a fase de elaboração do estudo;

16. Avaliação dos impactos na saúde sobre a

morbidade;

17. Avaliação da análise de risco identificando a

metodologia e se o risco é aceitável;

- Alternativas locacionais e compatibilidade:

18. Foi considerada uma alternativa de não realização

do empreendimento;

19. Avaliação de alternativas locacionais

20. Avaliação de alternativas tecnológicas;

21. Avaliação se a localização do empreendimento

priorizou o menor impacto negativo local;*

22. Identificação de planos, projetos e programas do

governo relacionados à saúde e ao SUS na área de influência do empreendimento;

23. Avaliação da compatibilidade entre os planos,

programas e projetos governamentais e o empreendimento.

- Medidas mitigadoras

24.Identificação das medidas mitigadoras eficientes

para reduzir os impactos significativos sobre a saúde; 25.Garantia e promoção da saúde diante dos planos e programas existentes nos estudos para os grupos populacionais mais vulneráveis e sujeitos a riscos a saúde na área do empreendimento;

- Monitoramento:

26.Definições de ações e serviços de saúde para monitoramento dos riscos identificados, na população expostas, especialmente a trabalhadora; 27.Monitoramento contínuo dos planos e programas que promovem a saúde para os residentes; 28.Identificação da existência de metodologias em que a população também faça parte do

monitoramento;

- Prognóstico

também faça parte do monitoramento; - Prognóstico 0 0 3 0 3 0 0 0 3

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30.Identificação das condições físicas e sociais da área diretamente afetada antes e depois da implantação
30.Identificação das condições físicas e sociais da área diretamente afetada antes e depois da implantação

30.Identificação das condições físicas e sociais da área diretamente afetada antes e depois da implantação do empreendimento;

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31.Apresenta uma análise comparativa entre os cenários;

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32. Prognóstico pautados em aspectos científicos, incluindo aspectos da saúde da população humana.

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Legenda: * aspectos realçados devido sua importância

3.1 Descrição do Projeto Todos os estudos apresentaram a equipe multidisciplinar que participou da elaboração dos documentos, contudo nenhum profissional da saúde participou de sua elaboração, o que pode colcolaborar para que possíveis aspectos relacionados a saúde ou até um aprofundamento no tema seja menos avaliada. Assim, envolver os profissionais do SUS, em especial os que atuam no território diretamente afetado contribui também, para que o setor saúde, que precisa atuar, a partir de uma visão de território, possam se apropriar das transformações que se darão no território e possam incorporar nos processo de trabalho das equipes um novar sobre o território.

Foi evidenciado durante o levantamento que 100% dos documentos apresentam sua área de influência direta e indireta. Tampem merece ser destacado os reassentados. Toda a área onde será implantado o PITS foi desapropriada e de acordo com moradores e imagens de satélites essa área abrigava famílias e residências, respectivamente, mas nada foi dito sobre elas. Levando em consideração a dinâmica de ocupação e uso do solo o EIA/RIMA destacou maiores informações: como cultivo de hortaliças, tipo de vias de acesso, características das residências, relatando, ainda o baixo adensamento populacional. Das quinze análises três não foram contempladas, oito parcialmente e quatro foram contempladas.

3.2.Diagnóstico Ambiental É feita uma boa exposição sobre a cobertura e sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) dessas áreas, por dados primários e secundários. A participação da sociedade nos levantamentos sociais e ambientais, flora e fauna, foi bem expressivo, contudo, não levou em consideração a percepção das pessoas sobre a chegada do empreendimento em nenhum dos três documentos. Considerar a percepção dos moradores acerca das transformações sociais, culturais, ambientais, econômicas, que vão gerar novas necessidade de saúde, novos arranjos e demandas das populações é um fator central para fortalecer a participação socual e integrar as comunidades e populações no desenvolvimento local e sustentável do ponto de vista socioambiental.

No EVA de Bio-Manguinhos e Fiocruz é apresentado a caracterização de todo o empreendimento, com suas demandas e serviços com potenciais impactos. Porém, só Bio- Manguinhos apresentou um relatório sobre análise de risco referente aos processos de fabricação de vacina e uso de substâncias, principalmente de origem biológica. Considerando essa categoria podemos dizer que das dezoito análises, quatro não foram contempladas, oito parcialmente e seis totalmente, como o aspecto a identificação dos recursos ambientais da AID e AII.

3.3.Identificação e Avaliação do Impactos Os três estudos contemplaram parcialmente os impactos mais relevantes sobre a saúde, citando, por exemplo, a poluição sonora por ruídos e vibrações, o desenvolvimento da região, a arrecadação de impostos e a geração de resíduos e efluentes, mas não tratam de impactos mais significativos como a desapropriação. Os efeitos na saúde das pessoas foram abordados superficialmente. Esse aspecto deveria ter uma atenção maior, principalmente, se tratando da saúde do trabalhador e de como o empreendimento pode

afetar outros tipos de trabalho, como os pescadores e marisqueiras existentes no território, que são
afetar outros tipos de trabalho, como os pescadores e marisqueiras existentes no território, que são

afetar outros tipos de trabalho, como os pescadores e marisqueiras existentes no território, que são atividades mais tradicionais da comunidade. Nessa categoria, das dezoito análises, seis não foram contempladas, seis parcilamente e seis contempladas.

3.4.Alternativas Locacionais e Compatibilidade Ambas trouxeram poucas informações tendo a maioria dos seus aspectos não contemplados. De doze análises, quatro foram contempladas, duas parcialmente e oito não contempladas. O destaque se encontra nas alternativas tecnológicas em que todos apresentaram boas práticas. Em contrapartida, nenhum dos estudos apresentaram alternativas e avaliação dessas alternativas de implantação do projeto. O EIA/RIMA destacou a sinergia do Pólo com outros serviços do município mostrando a relação das ações do governo com o empreendimento, mas fez pouca menção ao SUS. Os EVA só destacaram a construção de vias, a CE-010.

3.5.Medidas Mitigadoras Uma das formas que visa garantir a integridade do trabalhador discutida nas medidas mitigadoras desses estudos foi o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s). Além desse, a construção de ambulatório durante o canteiro de obras, o apoio de uma equipe preparada para prestar primeiros socorros, a adoção de planos e programas previstos na legislação trabalhista também são uma das formas de garantir saúde ao trabalhador sugeridas pelos documentos. Essa dimensão está realcionada aos trabalhadores que desenvolverão atividades na edificação da obra.

Todavia, nas medidas mitigadoras, espera-se a garantia de processes que avaliam as populações vulneráveis, considerando os riscos na saúde dessas pessoas. A construção, por exemplo de novas vias, que altera a dinâmica do território, com o aumento do trânsito, consequentemente de acidentes e poluição são aspectos fundamentais a serem pensados. Do ponto de vista destas populações vulneráveis foi consderado de forma indireta os riscos e possíveis danos. Das seis análises, cinco foram avaliadas de forma parcial e uma foi totalmente contemplada.

3.6.Monitoramento

Nessa categoria o EIA/RIMA do PITS não traz nenhum acompanhamento voltadas para a saúde como forma de controlar os impactos sobre o trabalhador, trabalhadora e sociedade. Entretanto, traz um Programa de Compensação Ambiental que promove saúde por meios de estratégias territoriais, como a implantação de Unidades de Conservação. Os EVA adotaram programas mais direcionados a saúde e a promoção da qualidade de vida, dentre eles está o Programa de Proteção do Trabalhador e Segurança do Ambiente de Trabalho, o Programa de Comunicação Social, Programa de Monitoramento de Ruídos e Vibrações, Plano de Monitoramento da Qualidade do Ar e outros. Das doze análises, três não foram contempladas uma foi parcialmente contemplada e oito foram contempladas com o setor saúde.

3.7.Prognóstico

O EIA/RIMA fez um prognóstico ambiental bem estruturado contemplando todos os aspectos de saúde voltados para essa categoria. Nesse estudo também são apresentado dois cenários um com o empreendimento e outro sem o empreendimento. Além disso, não se tem uma clareza nos EVA a respeito das informações apresentadas sobre os tipos de cenários que vão existir na região com a implantação do PITS. Das nove análises três não foram contempladas, duas parcialmente contempladas e quatro contempladas.

4. CONCLUSÃO

Foram realizadas noventa e seis (96) análises dos aspectos referentes a saúde dentro dos documentos,
Foram realizadas noventa e seis (96) análises dos aspectos referentes a saúde dentro dos documentos,

Foram realizadas noventa e seis (96) análises dos aspectos referentes a saúde dentro dos documentos, 31 aspectos (33%) não foram contemplados, 30 (31%) foram parcialmente contemplado e 35 (36%) foram contemplados. Percebe-se que é bastante significativo o percentual não contemplado e parcialmente contemplado, que caracteriza insuficientes assuntos tratos sobre a saúde nos documentos, gerando, assim, a necessidade de refletir sobre o processo de elaboração dos EIA, a partir da dimensão da saúde humana e da preservação da vida.

Todavia, a matriz colabora como meio de inserir a saúde nos EIA. Além disso, nesse estudo ela foi adaptada para trabalhar com estudos mais simplificados como o EVA. Essa matriz foi uma metodologia usada para impactos de hidroelética, mas foi configurada para ser aplicada a grandes empreendimentos, que apresentem impactos significativos, mas que são mais fácies de serem previnidos, como Pólos Tecnológicos. Assim, estudos de impactos ambientais que focam em polos industriais e tecnológicos precisam cada vez mais destacar o setor saúde desde o princípio, e usar metodologias de análise crítica em seus documentos auxiliando no aperfeiçoamento destes pelos respectivos órgãos. Assim, é fundamental que a saúde seja parte integrante desses documentos, sendo pensada antes mesmo da produção dos estudos para que possa está presente em todo processo de licenciamento.

5. REFERÊNCIAS

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comentários sobre a Lei nº 6.938/81. In: Âmbito Jurídico, Rio Grande, IX, n. 35, dez 2006.

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FARIAS, Talden Queiroz. Aspectos gerais da política nacional do meio ambiente

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