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Francisco Geoci da Silva, Glícia Azevedo Tinoco

José Romerito Silva e Tamyris Rezende

Práticas de Leitura e Escrita

Volume 1

Universidade Federal do Rio Grande do Norte


Escola de Ciências e Tecnologia
Instituto Metrópole Digital
Natal/RN, 2013
Divisão de Serviços Técnicos

Catalogação da Publicação na Fonte. UFRN / Biblioteca Central Zila Mamede


SUMÁRIO

Apresentação ….............................................................................................................. 05

01 – Escrita como tecnologia e prática social …............................................................. 06

02 – Leitura como processo de semiotização …............................................................ 16

03 – Informações implícitas, figuratividade e processos de inferenciação …................. 26

04 – Gêneros discursivos e sequências textuais ….......................................................... 40

05 – Coesão textual ….................................................................................................... 60

06 – Fatores de coerência discursiva …......................................................................... 76

07 – Progressão discursiva …........................................................................................... 94

08 – Paragrafação …...................................................................................................... 107

09 – Noções de escrita e reescrita …............................................................................ 122

10 – Problemas mais recorrentes no texto escrito ...................................................... 136

Referências …................................................................................................................ 150


A leitura é sempre apropriação […], produção de significados.
[…] o leitor é um caçador que percorre terras alheias.
[…] Toda história da leitura supõe, em seu princípio, essa liberdade do leitor
[…] Mas essa liberdade leitora não é jamais absoluta.
Ela é cercada por limitações derivadas das capacidades, convenções e hábitos que caracterizam,
em suas diferenças, as práticas de leitura.
Os gestos mudam segundo os tempos e os lugares, os objetos lidos e as razões de ler.
[…] Do rolo ao códex medieval, do livro impresso ao texto eletrônico, várias rupturas maiores
dividem a longa história das maneiras de ler. Elas colocam em jogo a relação entre o corpo e o livro,
os possíveis usos da escrita e as categorias intelectuais que asseguram a compreensão.
(CHARTIER, 1999, p. 77)
APRESENTAÇÃO
No mundo globalizado atual, cujo mercado de trabalho torna-se cada vez mais
exigente e seletivo, é de extrema importância para você, estudante de nível superior e
futuro profissional, seja qual for sua área de atuação, o pleno desenvolvimento da
capacidade de leitura, bem como da habilidade de se expressar adequadamente – quer
na modalidade oral ou escrita – nas diversas situações comunicativas de que participa.
De fato, desenvolver essas competências é, certamente, decisivo para o seu
sucesso acadêmico e pode fazer a diferença no momento de concorrer a um emprego
(ou permanecer nele), principalmente aquele que proporcionar uma melhor posição
social. Por isso, faz-se necessário o constante aprimoramento dos usos da linguagem nos
variados contextos de interação social. Afinal, é graças ao aperfeiçoamento das aptidões
de leitura e escrita que o indivíduo tem acesso aos bens culturais que o cercam, amplia
sua visão de mundo e obtém maiores oportunidades de interagir de modo mais
satisfatório e bem-sucedido no ambiente onde vive, sobretudo nas esferas de atividade
social mais prestigiadas.
Conforme você bem sabe, tanto na vida acadêmica quanto no exercício
profissional, somos frequentemente solicitados a ler e a escrever textos de variados
gêneros discursivos. Assim, torna-se imprescindível o domínio das estratégias discursivo-
textuais e linguísticas de situações com maior grau formalidade, pois elas exigem um
desempenho comunicativo mais apurado e bem diferente dos momentos de interação
mais íntimos e descontraídos, aos quais, certamente, você já está acostumado.
Nesse sentido, a disciplina Práticas de Leitura e Escrita-I (PLE-I) se organiza em
torno de um conjunto de saberes relacionados às atividades de leitura e escrita, por meio
de uma articulação dinâmica que parte da prática para chegar à teoria. Desse modo, o
anseio de PLE-I é contribuir para o aprimoramento de competências de leitor e de
escrevente, com vistas a uma melhor formação acadêmica e a uma atuação mais
eficiente e produtiva no mundo do trabalho.
Pensando nisso, este livro está dividido em dez seções temáticas: Escrita como
tecnologia e prática social; Leitura como processo de semiotização; Informações
implícitas, figuratividade e processos de inferenciação; Gêneros discursivos e sequências
textuais; Coesão textual; Fatores de coerência discursiva; Progressão discursiva;
Paragrafação; Noções de escrita e reescrita; Problemas mais recorrentes no texto escrito.
Cada seção apresenta atividades, exemplos e análises que, ao fim relacionados,
“iluminarão” a teoria a partir da qual a área de PLE se constrói.
Esperamos, portanto, que você perceba, através dos temas discutidos e das
atividades realizadas, a importância do desenvolvimento das competências de leitor e de
escrevente para a sua vida pessoal, acadêmica e profissional. Desde já, desejamos-lhe um
aprendizado bastante agradável e proveitoso.
Os autores.
01 – Escrita como tecnologia e prática social
VOCÊ VERÁ POR AQUI...
... por que a escrita se configura como tecnologia e prática social e de que maneira essa prática
está atrelada ao universo da ciência e da tecnologia.

OBJETIVOS
 Compreender o sentido da palavra tecnologia em suas diversas nuances, integrando
saberes de áreas distintas.
 Conceber a escrita como processo tecnológico em contínuo aperfeiçoamento.
 Perceber o papel fundamental da escrita na criação de outras tecnologias.
 Entender a importância da escrita nas práticas do homem como ser social e culturalmente
ativo.
 Relacionar os processos de “leitura” e “escrita”, entendendo-os como indissociáveis.
 Aplicar esse conhecimento teórico nas práticas de leitura e escrita voltadas às áreas de
Ciências e Tecnologia e de Tecnologia da Informação.

INICIANDO NOSSA CONVERSA


Você já parou para se perguntar o que significa tecnologia? Essa é uma das questões a que
responderemos no decorrer desta aula. Veremos, também, possíveis explicações para os
questionamentos abaixo listados.

 O que é tecnologia?
 Como podemos inserir a escrita no campo das tecnologias?
 O que torna a escrita uma prática social?
 De que maneira a escrita contribui para o surgimento e o desenvolvimento de outras
tecnologias?
 Por que a leitura e a escrita são processos inter-relacionados?
Pensemos um pouco sobre o que entendemos a priori por tecnologia...

Figura 1 - O avanço da tecnologia moderna.


Fonte: História interessante (2012).

Que tal adicionarmos ao seu conceito pessoal alguns outros, a começar pelo sentido
sugerido por verbetes de alguns dicionários de língua portuguesa?

TECNOLOGIA, segundo:
a) dicionário Houaiss – 1. teoria geral e/ou estudo sistemático sobre técnicas, processos,
métodos, meios e instrumentos de um ou mais ofícios ou domínios da atividade humana;
b) dicionário Aurélio – s.f. Tratado das artes e ofícios em geral; vocabulário privativo de uma
ciência, de uma arte, de uma indústria;
c) dicionário Aulet Digital – 1. Conjunto das técnicas, processos e métodos específicos de
uma ciência, ofício, indústria; ciência que trata dos métodos e do desenvolvimento das artes
industriais.

Vejamos o que diz a esse respeito o Engenheiro José Ernesto Lima Gonçalves, em artigo
publicado na Revista de Administração de Empresas.

“Para muitos autores e usuários leigos da palavra, tecnologia se refere ao conjunto


particular de dispositivos, máquinas e outros aparelhos empregados na empresa para a produção
de seu resultado [...] a tecnologia é muito mais que apenas equipamentos, máquinas e
computadores. A organização funciona a partir da operação de dois sistemas que dependem um
do outro de maneira variada. Existe um sistema técnico, formado pelas técnicas, ferramentas e
métodos utilizados para realizar cada tarefa. Existe também um sistema social, com suas
necessidades, expectativas e sentimentos sobre o trabalho. Os dois sistemas são
simultaneamente otimizados quando os requisitos da tecnologia e as necessidades das pessoas
são atendidos conjuntamente”.
(Disponível em <http://rae.fgv.br/sites/rae.fgv.br/files/artigos/10.1590_S0034-75901994000100008.pdf>. Acesso em 31/10/12).
Conforme se vê, tecnologia (do grego τεχνη — "técnica, arte, ofício" e λογια — "estudo") é
toda e qualquer técnica, conhecimento, ferramenta utilizada pelo homem para resolver (ou
facilitar a resolução de) problemas. Softwares, chips e robôs são tecnologia; a roda, o arado e o
cinto de segurança também, pois foram igualmente concebidos graças à inteligência do homem.
Essas e outras invenções não só facilitaram a vida do ser humano, como também motivaram o
desenvolvimento de novas atividades.

Figura 2 – Laboratório da Mectron, em São José dos Campos/SP.


Fonte: Odebrecht Defesa e Tecnologia (2012).

O que a escrita tem a ver com isso? É o que veremos no tópico a seguir.

Escrita como tecnologia e prática social


As mudanças sociais requerem que uma geração passe a outra os conhecimentos
desenvolvidos. Nesse sentido, partindo do pressuposto de que a formação da sociedade humana
dependeu, desde sempre, da comunicação, e conhecendo-se as limitações da oralidade para
efeito de registro, por exemplo, podemos compreender a ESCRITA como TECNOLOGIA.
Vale salientar, porém, que o homem é um ser falante, não necessariamente ‘escrevente’.
Isso porque a existência de sociedades ágrafas, em pleno
século XXI, bem como a enorme quantidade de pessoas que
não dominam a escrita, demonstram que essa prática não é
condição de sobrevivência. No entanto, nas sociedades
grafocêntricas, a escrita é essencial para que as pessoas se
tornem atuantes social e culturalmente. Sendo assim, ESCRITA
é PRÁTICA SOCIAL: atravessa o tempo e o espaço, obedece a
uma organização específica que depende da situação
comunicativa a que se vincula, exerce certa "magia" nas
pessoas de todas as épocas.
Com efeito, toda a história da escrita é consequência Figura 3 - Pedra com inscrições
das gradativas exigências da organização social. A necessidade cuneiformes.
Fonte: Klick Educação [20:?].
de fazer marcas em árvores, em pedras, em papiro ou em
outro suporte qualquer com objetivos mnemônicos e
comunicativos, por exemplo, foi um instrumento utilizado para controlar a quantidade de animais
ou de produtos cultivados, especificar tipos de rebanhos, entre outras funções sociais
importantes.
No nono milênio anterior à era cristã, na Mesopotâmia, os antigos sumérios desenvolveram
o sistema de escrita cuneiforme, o mais antigo da história da humanidade. O objetivo era
controlar rebanhos. Por volta do quarto milênio antes
de Cristo, com o desenvolvimento das primeiras
cidades, as formas e marcas da escrita cuneiforme se
diversificaram, certamente por causa do aumento de
objetos e de animais a serem contabilizados e
registrados.
No antigo Egito, a escrita tinha outras funções,
digamos, de cunho místico. Em rituais religiosos de
homenagens aos mortos, por volta de 3000 a. C., os
Figura 4 – Hieróglifos egípcios. Fonte: Carla egípcios depositavam um exemplar do Livro dos Mortos
Coelho, 2010. na tumba do ente querido. Esse livro, considerado o
primeiro da humanidade, continha cânticos, preces e
poemas. Seu propósito era garantir que o falecido conseguisse se orientar na caminhada para o
outro lado da vida.
Outra informação interessante sobre a relação dos egípcios com a escrita diz respeito ao
suporte utilizado para essa atividade. A princípio, eles desenhavam em pedras os sinais que
ficaram conhecidos como “hieróglifos”. Posteriormente, descobriu-se uma planta da qual surgiria
o papiro. A haste do vegetal era cortada em tiras finas que, por sua vez, eram estendidas
sobre uma pedra plana e batidas com uma espécie de martelo, formando uma folha na qual era
possível escrever mais facilmente do que sobre as pedras.
A escrita chinesa, por sua vez, é um caso único. Sofreu pouquíssimas modificações desde
que surgiu, por volta do segundo milênio a. C. No ano 100 d. C., os chineses inventaram o papel e
a tinta, após passarem séculos usando galhos.
Por volta do ano 500 a. C., os gregos desenvolveram o alfabeto, sistema de escrita também
adotado nas línguas portuguesa, espanhola, italiana, inglesa, francesa, alemã, entre outras.
Porém, há de se ter cautela diante da ideia de que o alfabeto seria a etapa de maior evolução na
história do aprimoramento dos sistemas de escrita. O alfabeto grego não suplantou sistemas
existentes ainda hoje, a exemplo das escritas árabe e russa e da escrita iconográfica japonesa. O
fato é que cada povo foi capaz de criar um sistema compatível com as suas necessidades, e cada
um desses sistemas foi aprimorado à medida que as relações sociais, na esteira do
desenvolvimento das cidades, tornavam-se mais complexas.
Na Idade Média, monges copistas foram os grandes responsáveis pela propagação e
manutenção do saber escrito; todavia, eles não podem ser elogiados pela democratização desse
saber, uma vez que as bibliotecas ficavam fechadas nos mosteiros. Além disso, o homem comum
era analfabeto, sendo-lhe vedado o conhecimento da escrita.
Na verdade, o acontecimento considerado um marco para a consolidação da escrita
alfabética foi a invenção da tipografia por Johan Gutenberg, no ano de 1450. Foi com esse
rudimentar equipamento que o ourives alemão imprimiu sua primeira edição da Bíblia em latim.
Enquanto os livros iam sendo impressos pelo método de Gutenberg, as pessoas usavam
pena e tinteiro para se comunicar por escrito. Depois, surgiram a caneta-tinteiro e a esferográfica.
No século XIX, dá-se a invenção da máquina de escrever, que passa por sucessivas
transformações, chegando ao computador pessoal e culminando nos atuais notebooks e em
outros artefatos ainda mais compactos, tais como os tablets.
Hoje, em plena era dos computadores, escrever continua sendo uma realização humana
que, se não é essencial para a sobrevivência, torna nossas experiências no mundo muito mais
ricas. Cabe ressaltar, outrossim, que a escrita consiste na sistematização de um código a ser
compartilhado e seguido por um grupo. Faz-se mister, portanto, compreender que “escrita” e
”leitura” são processos indissociáveis, ou seja, ao passo que o grupo conhece o sistema em que se
baseia determinado material escrito, pode atribuir-lhe possíveis sentidos; a isso chamamos
leitura.
Diante desse texto de apoio teórico, a que conclusão podemos chegar?

A escrita, assim como as demais tecnologias, exige que os usuários dominem seus
mecanismos para, dessa maneira, utilizarem-na em prol do desenvolvimento social.

Vejamos exemplos de escrita a seguir.

Exemplo 1

REMOC ORODA UE
LEM MOC ANANAB
AIEVA E

É possível “ler” o texto acima? Trata-se de um “texto”? Será um texto apenas se for possível
atribuir a ele um sentido. Talvez o conhecimento acerca de algumas informações sobre o sistema
adotado possa ajudar: no hebraico e no
árabe, os textos são escritos e lidos em
linhas horizontais (como na nossa língua), de
cima para baixo (também nisso há
semelhanças entre nós), mas da direita para
a esquerda (o oposto da direção que nós
seguimos). Observe se, com essas dicas, é
Figura 5: A evolução da escrita, do ponto de vista da tecnologia.
possível agora ler o que está escrito. Fonte: Educarede Fundação Telefônica (2003?).
A essa altura, você já deve estar
percebendo que a tecnologia da escrita não consiste apenas no conhecimento de vocábulos; pelo
contrário, dominar o código é conhecer a organização de seus constituintes e o modo como eles
são utilizados (tanto na escrita quanto na leitura). Retornando à discussão sobre a relação entre
leitura e escrita, devemos compreender, pois, que lemos porque antes alguém escreveu e
escrevemos respondendo a textos lidos.
Em muitas ocasiões, falamos a partir de conhecimentos que obtivemos por meio de
práticas de leitura e escrita antes vivenciadas. Ouvimos uma conversa e a associamos a um texto
lido ou, a partir dessa conversa, somos levados a escrever algo. Trata-se de um ciclo sem fim, que
constitui a (e é continuamente constituído pela) sociedade grafocêntrica, ou seja, a sociedade
cujas demandas se pautam pelo uso da escrita. Todos nós vivemos nesse tipo de sociedade, já que
estamos mergulhados em um mundo de escrita impressa e/ou digital.

Exemplo 2
Observe o anúncio de emprego a seguir.

Figura 6 - Outdoor inteligente.


Fonte: Molhando o bico (2009).

O texto do outdoor está escrito em um código específico da área de Programação,


designado Linguagem C. Para que o leitor seja capaz de atribuir sentido a esse enunciado, ele
precisará dominar o sistema de escrita adotado em sua elaboração. A sequência de caracteres
apresentada forma a frase “Now Hiring”, que corresponde a “Estamos contratando” em Língua
Portuguesa. A empresa responsável pelo anúncio deixa clara, portanto, sua preferência por
contratar pessoas que tenham conhecimento da linguagem utilizada e que, por isso mesmo,
sejam capazes de interpretar esse texto, o que pode ser considerado, dessa forma, parte
significativa dos processos de seleção e admissão.

Exemplo 3
Vimos até aqui que as pessoas escrevem com diferentes propósitos comunicativos:
lembrar-se de algo, contratar alguém, estudar. A escrita de si é também um importante exercício.
Nele, o escrevente “imprime” no texto as imagens que deseja projetar de si para o leitor. Partindo
desse pressuposto, leia uma breve biografia de Alberto Manguel. Você sabe quem é ele?

ALBERTO MANGUEL

Nasceu em Buenos Aires, em 1948, e passou a infância em Israel.


Morou na Espanha, na Itália, na França, na Inglaterra e no Taiti. Em 1985,
naturalizou-se canadense. É ensaísta e autor de várias obras de ficção.
Desenvolve uma atividade intensa como editor e tradutor, além de colaborar
com jornais e revistas de vários países. Dele, a Companhia da Letras publicou
Uma história da Leitura, No bosque do espelho - Ensaios sobre a palavra e o
mundo, Lendo imagens, Dicionário de lugares imaginários e Stevenson sob as
Figura 7 – Fotografia
de Alberto Manguel. palmeiras (Coleção Literatura ou Morte).
Fonte: Random House
(2011?).
O gênero discursivo “biografia” tem por função social apresentar ao leitor uma pessoa
ilustre: um pesquisador, um cientista, um estadista, ou seja, alguém que, exercendo determinado
papel social, tenha contribuído, de alguma forma, para a evolução da sociedade. Observe que, no
caso de Alberto Manguel, interessa apresentá-lo como escritor, por isso alguns dados pessoais e
profissionais são salientados e outros ignorados.

Atividade
Observe o enunciado.

766f6365206520756d20626f6d206c6569746f72.

O que está escrito nesse enunciado? Facilitaria se você soubesse qual o código utilizado por
quem o escreveu? O código utilizado foi o Hexadecimal. Veja se, com o quadro de
correspondências a seguir, é possível decifrar o enunciado. Depois, preencha o espaço deixado ao
lado da escrita numérica com a sua descoberta.

o = 6f u = 75 e = 65

v = 76 b = 62 r = 72

t = 74 m = 6d c = 63

l = 6c i = 69 espaço = 20

Escreva, em seu caderno, três outras palavras ou expressões em Hexadecimal, utilizando o


quadro de referência citado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Figura 8 – Jarvis, skin for Windows 7 (Iron man).


Fonte: Blue Software (2011).

Diante de tudo o que foi exposto, devemos salientar dois pontos. O primeiro é que a escrita
deve ser entendida como uma tecnologia que vem sendo desenvolvida há milhões de anos e que
tem um papel fundamental na criação de outras tecnologias. Para compreender melhor essa
ideia, é preciso definir o termo “tecnologia” como processo e/ou produto criado pela inteligência
humana para promover mudanças na natureza.
Ocorre que, ao mudar a natureza devido ao uso de tecnologias, as pessoas acabam por
modificar suas próprias vidas, uma vez que a tecnologia altera não apenas os modos de
representar o mundo e seus processos, mas também a maneira de se relacionar com eles.
Um exemplo disso é a possibilidade de um residente em Natal se comunicar oral e
visualmente, em tempo real, com alguém que está em Tóquio, por exemplo, via Skype. Há poucos
anos, isso seria inimaginável. A tecnologia trouxe-nos essa possibilidade, e os estudos que
culminaram na criação, processamento, comercialização e uso do Skype se devem, em boa parte,
a muitos textos lidos e escritos.
Fundamentados no conteúdo discutido ao longo desta aula, podemos, pois, responder às
questões propostas no tópico “Iniciando nossa conversa”.

 O que é tecnologia?
Tecnologia é um conjunto (sistema) de técnicas, ferramentas, conhecimentos e métodos
criados e aperfeiçoados continuamente pelo homem para atender a suas necessidades pessoais
e sociais.

 Como podemos inserir a escrita no campo das tecnologias?


Em consonância com qualquer outra tecnologia, a escrita exige que seus usuários dominem
um sistema técnico (código, suporte adotado para o registro), visando ao atendimento
satisfatório de suas necessidades e expectativas. Além disso, a escrita também se desenvolve,
aperfeiçoando-se de acordo com as exigências sociais e culturais.
 O que torna a escrita uma prática social?
Nas sociedades grafocêntricas, o cidadão precisa dominar a tecnologia da escrita, com o fim
de atuar social e culturalmente, haja vista a demanda dessa prática nas esferas sociais em que
atua, seja no trabalho (relatórios, mensagens via e-mail, ofícios), seja nas relações pessoais (sms,
conversas online, cartões de Natal), seja nas mais variadas situações comunicativas.

 De que maneira a escrita contribui para o surgimento e o desenvolvimento de outras


tecnologias?
É por meio da escrita que nos comunicamos com as gerações anteriores, acessando uma
gama de conhecimentos desenvolvidos e possibilitando o seu aperfeiçoamento, tal como a
criação de outros novos. Se contássemos apenas com a oralidade, estaríamos limitados ao que a
memória humana é capaz de armazenar (mesmo assim, nem todas as informações seriam
confiáveis). Com base nisso, podemos afirmar que a escrita é essencial para o registro de
experiências, em geral, e para a otimização do desenvolvimento tecnológico, especificamente.
Não é à toa que toda descoberta científica deve ser documentada, patenteada e, depois,
divulgada. Para todas essas fases, a escrita é fundamental.
 Por que a leitura e a escrita são processos inter-relacionados?
Escrevemos utilizando-nos de determinado sistema que, ao ser compartilhado socialmente,
permite a leitura do material escrito. Sendo assim, podemos afirmar que, para lermos, alguém
precisa ter escrito e, ao escrevermos, fazemos uso de informações adquiridas em práticas de
leitura e escrita anteriores. Ademais, os textos são produzidos (escritos) para determinado(s)
leitor(es), com vistas a alcançar um objetivo. Percebe-se, dessa maneira, que não podemos
dissociar os processos de ler e escrever.

PARA SABER MAIS

* Texto
GONÇALVES, José Ernesto Lima. Os impactos das novas tecnologias nas empresas prestadoras de
serviços. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v.34, n.2, p.63-81, jan./fev.1994.
Disponível em: <http://rae.fgv.br/sites/rae.fgv.br/files/artigos/10.1590_S0034-759019940
00100008.pdf>. Acesso em: 31 out. 2012.

* Vídeos
 BOOK: a revolução tecnológica. 1 Vídeo (3m13s). Disponível em: <http://www.youtube.com/w
atch?v=3QMVoHOJ5A0&feature=related>. Acesso em: 31 out. 2012.
 HISTÓRIA da escrita: do papiro ao computador – parte 1. 1 vídeo (8m26s). Disponível em:
<http://www.youtube.com/watch?v=r7yeiRtc1fA>. Acesso em 31 out. 2012.

RESUMO DA AULA
Nesta aula, discutimos a respeito dos conceitos de tecnologia, leitura e escrita, partindo de
concepções diversas, a fim de compreender a escrita como tecnologia, fundamental para a
criação e o desenvolvimento de tantas outras tecnologias.
AVALIAÇÃO
Tomando como base os questionamentos iniciais e os conhecimentos construídos ao longo
da aula, esboce um pequeno comentário que justifique por que a escrita deve ser considerada
tecnologia. Para tanto, acesse o vídeo “Book”, sugerido no tópico “Para saber mais”.
Seu comentário deverá obedecer às seguintes orientações:
- contemplar três aspectos (conceito de tecnologia, funções da tecnologia para o homem e
mecanismos para uso da tecnologia) que relacionem o tema “escrita como tecnologia”, o
conteúdo exposto e o vídeo selecionado;
- apresentar, no mínimo, 10 linhas e, no máximo, 15 (em fonte Times New Roman ou Arial,
tamanho 12).
- postar o comentário no Sigaa, utilizando o menu “atividades” e, em seguida, a ferramenta
“tarefas”.
Obs.: aos textos que não seguirem rigorosamente as orientações explicitadas no comando será
atribuída a nota zero.
02 – Leitura como processo de semiotização
VOCÊ VERÁ POR AQUI...
... alguns conceitos de leitura e a discussão de questões pertinentes a esse tópico. Além disso,
verá que existem modalidades diferentes de leitura (de textos verbais e de textos não verbais) e o
quanto essa habilidade é importante para nossa relação com o mundo.

OBJETIVOS
 Compreender a leitura como processo de semiotização.
 Conceituar leitura.
 Entender a existência de leituras adequadas e inadequadas, tendo em vista a possibilidade
de um enunciado não estar aberto a qualquer interpretação.
 Perceber a leitura como atividade que envolve diversas habilidades e conhecimentos.
 Aplicar o conhecimento teórico às práticas de leitura e escrita.

INICIANDO NOSSA CONVERSA


Na aula anterior, tratamos de escrita como tecnologia. Conforme você deve ter percebido,
embora leitura e escrita sejam atividades diferentes, são indissociáveis e se complementam, ou
seja, é muito difícil pensar em uma sem a outra.
Agora que você já sabe o que é escrita, algumas perguntas sobre leitura parecem
pertinentes.

 O que significa "ler"?


 Quem pode dizer que é "leitor"?
 Existe leitura "certa" e leitura "errada"?
 Para ser leitor, preciso ter lido as obras clássicas da literatura universal?
 É possível “ler” um texto, mas não compreendê-lo?
 O que é “semiotização”?
 Por que a leitura é um processo de semiotização?

Que tal fazermos um pré-teste? Responda a essas perguntas antes de continuar lendo e, ao
final desta aula, veja se você mudaria alguma resposta.
É provável que você já tenha experimentado a sensação de não conseguir atribuir sentido a
um texto, a ponto de achá-lo incompreensível. Não se desespere. Isso pode acontecer com
qualquer um. Ocorre que não basta ser alfabetizado para conseguir ler um texto (ou qualquer
texto), outras competências são necessárias. Da mesma forma, acredite se quiser, é possível ser
analfabeto e conseguir fazer algumas leituras (estranho, né?!).
No senso comum, pensa-se que a leitura está exclusivamente associada ao texto escrito.
Também se imagina que, para saber ler, basta reconhecer o significado das palavras existentes no
texto. No entanto, não é bem assim que acontece.

Exemplo 1

Observe atentamente as imagens a seguir.

Figura 9 – Stick waving. Figura 10 – Digital war.


Fonte: Tomy e Tony Tiras (2011). Fonte: Geekado (2012).

Figura 12 – Emoticons.
Fonte: Baixaki [2012?].

E aí, é possível atribuir a esses textos sentido. Será que é possível lê-los?
Atividade 1
No seu caderno, escreva o sentido atribuído a cada uma das imagens do exemplo 1.

Exemplo 2

FALANDO EM LEITURA
[...]
Sem dúvida, o ato de ler é usualmente relacionado com a escrita, e o leitor, visto como
decodificador da letra. Bastará, porém, decifrar palavras para acontecer a leitura? Como
explicaríamos as expressões de uso corrente "fazer a leitura” de um gesto, de uma situação; “ler o
olhar de alguém”; "ler o tempo”, “ler o espaço”, indicando que o ato de ler vai além da escrita?
Se alguém na rua me dá um encontrão, minha reação pode ser de mero desagrado, diante
de uma batida casual, ou de franca defesa, diante de um empurrão proposital. Minha resposta a
esse incidente revela meu modo de lê-lo. Outras vezes passamos anos vendo objetos comuns, um
vaso, um cinzeiro, sem jamais tê-los de fato enxergado; limitamo-los à sua função decorativa ou
utilitária. Um dia, por motivos diversos, nos encontramos diante de um deles como se fosse algo
totalmente novo. O formato, a cor, a figura que representa, seu conteúdo passam a ter sentido,
ou melhor, passam a fazer sentido para nós.
Estabeleceu-se, então, uma ligação efetiva entre nós e esse objeto. E consideramos sua
beleza ou feiura, o ridículo ou a adequação ao ambiente em que se encontra, o material e as
partes que o compõem. Podemos mesmo pensar a sua história, as circunstâncias da sua criação,
as intenções do autor ou fabricante ao fazê-lo, o trabalho da sua realização, as pessoas que o
manipularam no decorrer de sua produção e, depois de pronto, aquelas ligadas a ele e as que o
ignoram ou a quem desagrada.
[...]
Com frequência nos contentamos, por economia ou por preguiça, em ler superficialmente,
“passar os olhos”, como se diz. Não acrescentamos ao ato de ler algo mais de nós além do gesto
mecânico de decifrar os sinais. Sobretudo se esses sinais não se ligam de imediato a uma
experiência, uma fantasia, uma necessidade nossa. Reagimos assim ao que não nos interessa no
momento. Um discurso político, uma conversa, uma língua estrangeira, uma aula expositiva, uma
quadra, uma peça musical, um livro. Sentimo-nos isolados do processo de comunicação que essas
mensagens instauram - desligados. E a tendência natural é ignorá-las ou rejeitá-las como nada
tendo a ver com a gente. Se o texto é visual, ficamos cegos a ele, ainda que nossos olhos
continuem a fixar os sinais gráficos, as imagens. Se é sonoro, surdos. Quer dizer: não o lemos, não
o compreendemos, impossível dar-lhe sentido porque ele diz muito pouco ou nada para nós.
(Texto adaptado de MARTINS, M. H. Falando em leitura. In: "O que é leitura". SP: Brasiliense, 2006)

Lido o texto de Martins (2006), a que conclusão podemos chegar?

LER É ATRIBUIR SIGNIFICADO(S). Não lemos apenas textos verbais (escritos ou


falados), mas também textos não verbais (gestos, imagens, cores, cheiros). Na verdade, no
nosso mundo, muitos textos são produzidos a partir da integração desses elementos (verbal
e não verbal) e, para lermos, precisamos ENTENDÊ-LOS. Caso contrário, não há leitura.
Exemplo 3
Vamos a uma segunda opinião...

O conhecimento prévio na leitura


A importância do conhecimento prévio do leitor na compreensão de textos é enfatizada no
capítulo 1 de Kleiman (2000). Nele, defende-se que é imprescindível tornar-se ciente da
necessidade de fazer da leitura uma atividade caracterizada pelo engajamento e pelo uso de
diferentes conhecimentos, em vez de pensar que a leitura é uma mera recepção passiva. Leitores
são agentes; recipientes são passivos, não compreendem.
A autora mostra, por meio de exemplos, como o conhecimento adquirido determina,
durante a leitura, as inferências que o leitor fará com base em marcas formais do texto.
O conhecimento linguístico, o conhecimento textual, o conhecimento de mundo devem ser
ativados durante a leitura para que se possa chegar à compreensão.
A compreensão é resultante da união das partes do texto para a composição de uma
unidade de sentido. É nessa perspectiva que Kleiman (2000, p. 27) afirma que:

“O mero passar de olhos pela linha não é leitura, pois leitura implica uma
atividade de procura por parte do leitor, no seu passado, de lembranças e
conhecimentos, daqueles que são relevantes para a compreensão de um texto
que fornece pistas e sugere caminhos, mas que certamente não explicita tudo o
que seria possível explicitar.”

Atividade 2
De acordo com Kleiman (2000), o leitor precisa ativar seu conhecimento de mundo para
atribuir sentido a um texto. Isso significa “ler”. Para comprovar essa afirmação, leia a charge de
Sidney Harris adiante e responda às questões que lhe serão propostas.

Figura 13 – Charge sobre vacina.


Fonte: HARRIS, S. A ciência ri: o melhor de Sidney Harris. São
Paulo: UNESP, 2007.
2.1 – Em que reside o efeito crítico da charge?
(a) O fato de que são ratos discutindo uma questão que afetará, também, a vida dos seres
humanos.
(b) Os papéis soltos em torno da gaiola dos ratos evidencia que eles ficaram sabendo do problema
da vacina através da leitura.
(c) O rato que recebe a notícia aparenta não estar entendendo nada do que o outro diz.
(d) O foco está na discussão acerca do grupo de controle, que será deixado para morrer por mais
que a vacina faça efeito, a fim de comprovar que os outros medicamentos não são eficazes.
(e) Há uma expansão da situação dos ratos à dos seres humanos, ou seja, mesmo com uma vacina
eficaz no combate a determinada doença, nem todos terão acesso ao medicamento.

2.2 – Julgue as assertivas abaixo a respeito dos conhecimentos prévios de que o leitor deve dispor
para compreender o texto e marque a única alternativa correta.
I. Faz-se necessário saber que, algumas vezes, a farmacologia atende mais a fins comerciais,
despreocupando-se com questões éticas.
II. Deve-se atentar para o fato de que o essencial para a compreensão de qualquer situação
comunicativa é sempre o texto verbal.
III. O leitor precisa ter um conhecimento razoável de medicina para entender o texto.
IV. É preciso relacionar o quadrinho ao conhecimento de que os testes laboratoriais são, em geral,
inicialmente, realizados em ratos.

(a) Está correta apenas a afirmação I.


(b) Estão corretas apenas as afirmações II e IV
(c) Estão corretas apenas as afirmações I e IV.
(d) Estão corretas apenas as afirmações II e III.
(e) Está correta apenas a afirmação IV.

2.3 – Harris (2007) aborda temáticas científicas diversas em suas criações. Sendo assim, mais
diretamente, a qual(is) área(s) do conhecimento poderíamos associar o conteúdo da charge?
(a) Saúde e comunicação.
(b) Medicina e matemática.
(c) Ciências biológicas e ciências exatas.
(d) Enfermagem e ciências humanas.
(e) Farmacologia e bioética.
Observe que, na leitura da charge, precisamos
conjugar as pistas dos aspectos verbais às dos não verbais Ser alfabetizado, ou seja, ter a
para, unindo-as, chegarmos à atribuição de sentidos capacidade de decodificar um texto
possíveis. escrito em determinada língua, é
condição mínima, mas não suficiente
No caso dos textos exclusivamente verbais, não é tão para a realização de uma leitura
diferente. O leitor desses textos não precisa apenas unir satisfatória.
letras e formar palavras/sentenças, ele deve COMPREENDER,
também, a decodificação realizada inicialmente e REFLETIR sobre o que foi lido.
Para que isso seja possível, lançamos mão de nossa memória cultural (o conhecimento de
mundo), informações acessíveis no contexto em que nos encontramos, processos de
inferenciação, bem como do acervo linguístico-textual de que dispomos. Essas competências são
ativadas em maior ou menor grau, dependendo das demandas de leitura, que variam conforme a
complexidade do texto.
Vejamos como isso ocorre no exemplo 4.

Exemplo 4

O QU3 51GN1F1C4 “L3R”?

1M4G1N3 QU3 VOC3 PR3C154553 L3R 35T3 73X7O P4R4 54LV4R SU4 PRÓPR14 P3L3 OU
P4R4 53R 4PROV4DO 3M UM CONCUR5O PÚBL1CO F3D3R4L P4R4 O QU4L 357UDOU COM 4F1NCO
NO5 ÚLT1MOS C1NCO 4NO5. O QU3 VOC3 F4R14? D351571R14? P3D1R14 4JUD4 4 4LGU3M OU
3NFR3N74R14 O 73X7O 3 73N74R14 COMPR33ND3-LO?
3573 P3QU3N0 73X7O 53RV3 4P3N45 P4R4 M057R4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3
F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4N735! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO, 4 L317UR4 3574V4 M310
COMPL1C4D4, M45, 4LGUM45 L1NH45 D3PO15, SU4 M3N73 FO1 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453
4U7OM471C4M3N73, S3M PR3C1S4R P3N54R MU17O, C3R7O? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O(4)
D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!
N4 V3RD4D3, VOC3 4C4BOU D3 R34L1Z4R UM4 L317UR4 COMO PROC355O D3
S3M1O71Z4Ç4O.

Conforme observamos, a leitura não se restringe à decodificação do alfabeto. Uma prova


disso é o fato de vocês conseguirem entender um texto em que as palavras são formadas por
números e letras. De fato, para ler, ativamos muitos conhecimentos, o que respalda a afirmação
de que mesmo um analfabeto pode fazer determinadas leituras.
Atividade 3
Ao chegar a uma praia, você se depara com a placa a seguir.

Figura 14 – Placa de perigo.


Fonte: O Globo (2007).

Essa placa poderia ser compreendida como um texto? Em caso afirmativo, qual seria a
função social desse texto?
Perceba que mesmo alguém que não tenha conhecimento da língua inglesa poderia
compreender a placa. Será que ela diz: “venha! Tubarões simpáticos.” ou “faça uma tatuagem
tribal de tubarão.”? A quais perigos um leitor desatento estaria submetido, caso fizesse uma
dessas leituras?

Figura 15 – Ataque de tubarão.


Fonte: Reflexões (2010).

Observe que foram necessárias certas experiências (conhecimento de mundo) para atribuir
sentido à placa com informação verbal e não verbal. Foi esse conhecimento que nos permitiu
compreender a placa “TUBARÃO”.
Atividade 4
A criptografia é uma forma de escrita que tem sido utilizada ao longo da história dos povos
como uma estratégia para evitar que determinadas mensagens possam ser compreendidas por
interlocutores “indesejáveis”. Ela consiste em codificar uma mensagem, de modo que apenas os
destinatários consigam compreendê-la. Isso se dá porque eles possuem a chave para decodificá-
-la. Um exemplo dessa estratégia é o código Morse. A criptografia também é um dos modos mais
antigos de proteção de dados salvos em um computador.
Vejamos como isso pode ocorrer no texto a seguir.

Numa antiga anedota que circulava na, hoje, falecida República Democrática Alemã, um
operário alemão consegue um emprego na Sibéria; sabendo que toda correspondência será lida
pelos censores, ele combina com os amigos: "Vamos combinar um código: se uma carta estiver
escrita em tinta azul, o que ela diz é verdade; se estiver escrita em tinta vermelha, tudo é mentira".
Um mês depois, os amigos recebem uma carta escrita em tinta azul: "Tudo aqui é maravilhoso: as
lojas vivem cheias, a comida é abundante, os apartamentos são grandes e bem aquecidos, os
cinemas exibem filmes do Ocidente, há muitas garotas, sempre prontas para um programa - o único
senão é que não se consegue encontrar tinta vermelha".
(Disponível em http://litura-terra.blogspot.com.br/2012/09/a-tinta-que-falta-slavoj-zizek.html Acesso em 02/12/12)

Para compreender a carta, no entanto, não basta ser alfabetizado na língua em que esse
texto foi escrito, ou seja, decodificar a mensagem é apenas o primeiro passo. Partindo desse
pressuposto, marque a opção que melhor representa o real sentido da carta diante da situação
apresentada.
(a) Devido ao código adotado pelos amigos, tudo o que foi falado é mentira, já que, em nenhum
momento, ele usou a caneta vermelha.
(b) A tinta azul permite compreender, claramente, a intenção do redator da carta de fazer apenas
apontamento verídicos acerca das condições de vida dadas à comunidade, havendo a exceção
com relação à tinta vermelha.
(c) Na falta de tinta vermelha, o amigo precisou escrever em cor azul. Mas, afirmando que não se
consegue encontrar tinta vermelha, ele permite depreender que teria escrito a carta nessa cor
para sinalizar que as afirmações sobre o modo de vida da comunidade são mentirosas.
(d) O amigo pode ter confundido o código a ser utilizado, por isso escreve a carta completamente
em tinta azul para afirmar mentiras. No entanto, o destinatário poderá compreender essa
intenção, pois conhece as reais condições de vida da comunidade em foco.
(e) Diante da ausência de tinta vermelha, o escrevente sinaliza para o fato de que se faz
necessário modificar o código utilizado, pois, caso isso não seja feito, ele apenas poderá escrever
verdades.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para concluir este tópico, devemos enfatizar que o ato de ler não se limita ao texto escrito,
mas inclui tudo a que podemos atribuir sentido(s): um cheiro no ar, um conjunto de nuvens
escuras, uma placa com uma imagem, um monumento no centro de uma praça, um artigo
científico. Para isso, contribuem nossa memória cultural (o conhecimento de mundo) e as demais
informações acessíveis no contexto em que nos encontramos, bem como o acervo linguístico-
-textual de que dispomos. Essas competências do leitor são ativadas em maior ou menor grau
dependendo das demandas de leitura apresentadas, que variam de acordo com a complexidade
do texto.
Convém lembrar também que o sentido não é dado a priori no texto. Na verdade, os textos
norteiam o leitor, oferecendo-lhe um roteiro/mapa com pistas que conduzem à atribuição do(s)
sentido(s) possível(is). Essa atribuição de sentido(s) é tarefa do leitor, que deve formular
hipóteses quanto à interpretação mais adequada do texto na situação em que se encontra,
recorrendo às informações adquiridas por meio de suas experiências sociointeracionais.
Contudo, deve-se esclarecer que o poder do leitor na atribuição de sentido(s) a um texto
não é ilimitado. Isso significa que nem toda interpretação é possível. Logo, existe, sim, a leitura
errada. Por mais simples que o texto possa parecer, é sempre recomendável um trabalho
atencioso de leitura, investigando a(s) possibilidade(s) mais apropriada(s) de compreensão, ou
seja, aquelas autorizadas pelas pistas oferecidas pelo texto.

Agora, já podemos responder às questões levantadas no início desta aula.

 O que significa "ler"?


Ler é atribuir sentido(s) possível(eis) a determinado texto.

 Quem pode dizer que é "leitor"?


Todas as pessoas que vivem em uma sociedade grafocêntrica são leitoras. Mesmo as não
escolarizadas e/ou não alfabetizadas leem para agir no mundo.

 Existe leitura "certa" e leitura "errada"?


Existe. É necessário ficar atento às pistas que os textos nos oferecem para não “viajar na
maionese”.

 Para ser leitor, é preciso ter lido as obras clássicas da literatura universal?
Não. As obras clássicas enriquecem muito nossa cultura geral, mas elas não são o único
parâmetro de leitura existente.
 É possível “ler” um texto, mas não compreendê-lo?
Não. Ler implica compreender. Se não houve compreensão, não houve leitura. Passar os
olhos pelas linhas de um texto não significa lê-lo.
 O que é semiotização?
Desde que nascemos, adquirimos sensações e impressões acerca do mundo que nos
permitem compreendê-lo. Sendo assim, tornamo-nos capazes de criar sentido(s) para as “coisas”
dentro de nosso contexto social. É a essa capacidade que chamamos de semiotização.

 Por que a leitura é um processo de semiotização?


Como a leitura consiste em um conjunto de operações de atribuição de sentido, podemos
dizer que ela é um processo de semiotização.

PARA SABER MAIS

* Filme
The reader (O leitor)

* Artigo
ARAÚJO, R. J. F.; ARAÚJO, E. C. G.; LUCENA, I. T. O processo de semiotização no atelier de leitura
e produção textual. XI Encontro de Iniciação à Docência, 2009.
http://www.prac.ufpb.br/anais/xenex_xienid/xi_enid/prolicen/ANAIS/Area4/4CCHLADLCVPLIC02.
pdf. Acesso em 10/12/12.

RESUMO DA AULA
Nesta aula, discutimos a respeito do conceito de leitura. Aproveitamos ainda para
desconstruirmos alguns “mitos” sobre o ato de ler. Enfatizamos que não lemos apenas textos
verbais (escritos ou falados), mas também imagens, sons, cheiros, cores. Por fim, vimos que ser
leitor é um processo contínuo, depende do constante exercício e de uma série de outras
competências/conhecimentos.

AVALIAÇÃO
Assista ao filme recomendado na seção Para saber mais e escreva um comentário
explicitando quais suas impressões acerca do filme e qual(is) a relação(ões) desse filme com o
conteúdo estudado nesta aula. Sua resposta deverá ser deixada no fórum da turma, intitulado
“The reader”, no Sigaa. Relacione sua resposta a comentários anteriores ao seu.
Nesse fórum, comentaremos essa relação e as impressões levantadas pelo grupo. As
postagens mais relevantes receberão um ponto de participação.
03 – Informações implícitas, figuratividade e processos de inferenciação
VOCÊ VERÁ POR AQUI...
... o que são informações implícitas, figuratividade e processos de inferenciação. Além disso,
observará de que maneira esses processos refletem na atribuição de sentido(s) ao texto.

OBJETIVOS
 Identificar determinadas instruções de sentido que ativam processos de inferenciação.
 Compreender o que é inferenciação.
 Conceituar e distinguir informações implícitas, duplo sentido e figuratividade.
 Perceber que determinados textos produzem informações implícitas e desenvolver algumas
estratégias para percebê-las.
 Diferenciar pressupostos de subentendidos.
 Entrever a criação de duplo sentido (ambiguidade intencional e ambiguidade indesejada).
 Aplicar o conhecimento teórico nas práticas de leitura e escrita.

INICIANDO NOSSA CONVERSA


Na aula anterior, tratamos de leitura como processo de semiotização. Quanto a isso, vimos
que ler é atribuir sentido(s). Para tanto, o leitor conta com determinados recursos que o auxiliam
no processo de significação, quais sejam: repertório cultural (ou conhecimento de mundo),
elementos do contexto sociocomunicativo, domínio linguístico, capacidade de inferenciação, além
das pistas existentes no texto. Esses recursos atuam como “ferramentas” imprescindíveis para
guiar o leitor em seu percurso de compreensão textual.
Situando-se mais particularmente no domínio da escrita, vimos também que, embora o
texto permita leituras variadas, nem todo sentido é possível. Isso significa que pode haver
leitura(s) equivocada(s) ou mesmo indevida(s). Esse problema decorre de falhas relativas a um ou
mais dos recursos antes mencionados. Nesse sentido, a leitura é um processo colaborativo, que
inclui, de um lado, a responsabilidade do leitor em “captar” satisfatoriamente o(s) possível(is)
sentido(s) do texto e, do outro, a do escrevente em fornecer as adequadas sinalizações/instruções
que viabilizem a compreensão.
Sendo assim, fica claro que o texto não é um veículo de transmissão de informações, pois
não podemos afirmar, a priori, que o escrevente consegue sempre verbalizar com exatidão o que
estava pensando, tampouco que o leitor será, invariavelmente, capaz de atribuir ao enunciado o
sentido pretendido por quem o produziu. Portanto, leitura e escrita dependem de constante
aperfeiçoamento e, para isso, existem as releituras e as reescritas.
Dando continuidade a essas questões, no encontro de hoje, focaremos nosso estudo na
relação entre determinadas instruções de sentido (a saber: informações implícitas, duplo sentido
e figuratividade) e processos de inferenciação. Esperamos, com isso, adquirir subsídios para o
aprimoramento não apenas das habilidades de leitura, mas também de escrita.
É importante ao final desta aula, portanto, que você seja capaz de responder às perguntas a
seguir.

 O que são informações implícitas?


 O que é duplo sentido ou ambiguidade?
 O que é figuratividade?
 O que é inferenciação?
 O que são instruções de sentido e para que servem?
 Podemos falar que o texto permite transmissão de informações?

1 INFORMAÇÕES IMPLÍCITAS: PRESSUPOSTOS E SUBENTENDIDOS


Em geral, um texto contém muito mais informação do que se apresenta em sua superfície
perceptível. Em outras palavras, ao conteúdo explícito, subjaz uma gama de informações
implícitas, estando umas minimamente sinalizadas na materialidade textual exposta e outras
apenas insinuadas, não facilmente acessíveis.
Tanto em um caso quanto no outro, o produtor do texto conta, entre outros recursos, com
a capacidade de inferenciação do leitor, a fim de que este proceda à adequada interpretação e,
assim, o propósito comunicativo seja alcançado.
Para examinar isso mais de perto, vejamos os textos que seguem, extraídos da seção
“Cartas” da revista ISTO É, em 08/08/2012, p. 16.

Exemplo 1

Se o atual técnico Mano Menezes não conseguir um bom resultado nos Jogos Olímpicos de
Londres, há grandes chances de Luiz Felipe Scolari voltar a ser o técnico de nossa seleção. Ainda mais
com a disposição que mostrou levando o Palmeiras ao título.
Mariana Brito
São Paulo/SP

Atividade 1
a) Em “técnico”, “seleção” e “título”, a autora apela para o conhecimento de mundo do
leitor. Que conhecimento é esse?
b) Que informações implícitas existem sobre Mano Menezes e Luiz Felipe Scolari? Como
isso é sinalizado?
c) Que inferência pode ser feita com relação à volta de Scolari e o título do Palmeiras?

Exemplo 2

É assustadora a situação da segurança pública em São Paulo. Há mais de vinte anos, o Estado
mais rico do País sofre com a violência. O governo, enfim, admitiu o clima de insegurança, mas será
que realizará alguma medida concreta para tranquilizar os paulistas?
Sílvio de Barros Pinheiro
Santos/ SP
Atividade 2

2.1 – O que está implícito em:


a) “Há mais de vinte anos...”?
b) “O governo, enfim, admitiu...”?
c) “... realizará alguma medida concreta”?
d) “... para tranquilizar os paulistas”?

2.2 – O que o escrevente insinua com:


a) “... o Estado mais rico do País”?
b) “... mas será que [o governo] realizará alguma medida..."?

As informações subjacentes (ou implícitas), a exemplo do que encontramos nos textos que
acabamos de ler, podem ser classificadas em dois tipos: pressupostos e subentendidos. Mas o que
é “pressuposto” e o que é “subentendido”? Qual a diferença entre ambos?

1.1 PRESSUPOSTO
Trata-se de uma informação implícita, indiretamente marcada no enunciado, podendo ser
acessada mediante o estabelecimento da relação entre tal marca e o “cálculo” inferencial.
Voltemos aos textos lidos para verificar isso.

Texto 1 No texto 1, pelo uso do adjetivo “atual”, inferimos


Se o atual técnico Mano Menezes não que, antes, o técnico da seleção não era Mano
conseguir um bom resultado nos Jogos Menezes, mas outro. Com a expressão “se... não
Olímpicos de Londres, há grandes chances de conseguir”, pressupomos que ainda não foi
Luiz Felipe Scolari voltar a ser o técnico de conseguido bom resultado e, com “voltar a ser”,
nossa seleção. Ainda mais com a disposição entendemos que, em momento anterior, Scolari
que mostrou levando o Palmeiras ao título. já foi técnico da seleção.
Mariana Brito
São Paulo/SP

No texto 2, ao se informar que, “há mais de 20


Texto 2
anos”, São Paulo sofre com a violência, podemos
É assustadora a situação da segurança
deduzir que, antes desse período (trinta,
pública em São Paulo. Há mais de vinte anos,
quarenta, cinquenta anos ou mais), os paulistas
o Estado mais rico do País sofre com a
violência. O governo, enfim, admitiu o clima
não sofriam com esse problema.
de insegurança, mas será que realizará
alguma medida concreta para tranquilizar os Também, ao explicitar que o governo “enfim,
paulistas? admitiu”, inferimos que ele ainda não havia
Sílvio de Barros Pinheiro admitido e que isso era desejado/aguardado.
Santos/SP Pela marca de futuro em “realizará”, podemos
pressupor que nenhuma medida concreta foi
realizada e, com base em “para tranquilizar”,
deduzimos que os paulistas estão intranquilos.
Vemos, portanto, que o PRESSUPOSTO é inferível a partir de sinais explícitos no texto,
sendo resultado de uma operação lógica. Assim, pelo fato de ser deduzido logicamente de marcas
na superfície textual, encontrando-se nas “entrelinhas” do discurso, o pressuposto é um conteúdo
que não pode ser negado.

1.2 SUBENTENDIDO
Consiste num conteúdo não marcado no texto; portanto, não há como deduzi-lo
logicamente dos enunciados expressos. Sendo assim, o subentendido constitui uma informação
cuja inferência é de responsabilidade do interlocutor, que toma como base alguma pista textual e
pode variar entre mais ou menos aceitável/autorizada.
Retomemos os textos para examinar essa questão.

No texto 1, podemos inferir as informações que seguem.


* Mano Menezes pode ser demitido caso a seleção decepcione nas Olimpíadas em Londres.(+)
* A seleção só admite técnicos que levem o time à vitória.(+/-)
* Caso a seleção fracasse em Londres, Mano Menezes mostrará ser um incompetente. (-)
* Scolari é um técnico vencedor de campeonatos. (-)

No texto 2, os subentendidos inferíveis podem ser os seguintes.


*Apesar de ser o Estado com mais recursos no Brasil, São Paulo não tem cuidado da segurança
pública. (+)
* O governo paulista demonstra não se importar muito com a segurança pública do Estado. (+/-)
* Os recursos que deveriam ser empregados na segurança pública estão sendo desviados. (-)
* O governo paulista não é confiável. (-)

Por essas amostras, podemos concluir, então, que o SUBENTENDIDO é uma informação
indireta, não necessariamente relacionada ao conteúdo explícito. Por isso, pode ser
negado/questionado pelo locutor.
Exemplo 3

Figura 16 – Charge de Dilma Rousseff sobre a Lei de Cotas.


Fonte: Charge online (2012).

Atividade 3
A leitura da charge depende, em grande parte, de processos inferenciais. Considerando-se que a
leitura pode se dar por meio de “indiretas”, a charge de BOOPO, particularmente, trabalha com o
subentendido. Marque a única opção que não apresenta uma inferência autorizada da charge.
(a) Trata-se de uma crítica à presidenta Dilma Rousseff.
(b) A imagem da planta murcha no vaso em que está escrito “ENSINO MÉDIO” indica o descaso do
governo com esse nível de ensino.
(c) O governo tem se ocupado bastante com a lei de cotas.
(d) O Estado demonstra pouca preocupação com o ensino básico.
(e) A presidenta trata as questões educacionais como se fossem atividades de jardinagem,
regando um vaso por vez.

2 DUPLO SENTIDO: AMBIGUIDADE INTENCIONAL E AMBIGUIDADE INDESEJADA


Devido à fluidez e à opacidade da língua(gem), em que é notória a tendência à polissemia
(isto é, à possibilidade de uma forma servir a mais de um significado), é comum a ocorrência de
DUPLO SENTIDO ou AMBIGUIDADE. Significa que, em um dado texto, é possível atribuir-se mais
de um sentido a uma palavra ou a uma expressão.
Todavia, devemos atentar para o fato de haver casos em que o duplo sentido é produto de
uma elaboração textual com esse fim, ou seja, a ambiguidade pode ser intencional. Por outro
lado, há textos em que a atribuição de sentidos variados ou mesmo a imprecisão/indefinição
semântica pode ser resultante de má sinalização, de construção textual inadequada. Nesse caso,
tem-se a ambiguidade indesejada.
Para comprovar essas afirmações, observemos os textos a seguir.

Exemplo 4

Figura 17 – Notícia da Veja sobre os espiões do governo (outdoor).


Fonte: MORAES, L.Q. [2001].

Exemplo 5

Figura 18 – Propaganda de assistência funerária (outdoor).


Fonte: MORAES, L.Q. (2001).
Atividade 4

4.1 – Em que ponto de cada um dos outdoors lidos podemos identificar o duplo sentido? Como
esse recurso deve ser interpretado em ambos os textos, respectivamente?

4.2 – Nesses casos, trata-se de ambiguidade intencional ou de ambiguidade indesejada?

Agora, analisemos os casos de ambiguidade nas duas amostras textuais a seguir.

Exemplo 6

Figura 19 – Tirinha.
Fonte: É hora de estudar (2012).

Exemplo 7

Figura 20 – Placa de aviso, MBR.


Fonte: Portal do professor (2011).
Atividade 5
5.1 – Em que consiste a ambiguidade dos textos dos exemplos 6 e 7?
5.2 – Em ambos os casos, a ambiguidade é indesejada?
5.3 – Como desfazer a ambiguidade de cada texto?

Respondendo a atividade 4...

4.1 – Em que ponto de cada um dos outdoors podemos identificar o duplo sentido? Como esse
recurso deve ser interpretado em ambos os textos, respectivamente?
No exemplo 4, o duplo sentido encontra-se em “zeros à esquerda”, que aponta tanto para
os zeros antecedentes em “007”, como para a ideia culturalmente estabelecida de “não valer
nada”/“pessoas sem valor”, que é uma metáfora extraída da matemática quanto à posição do
zero antes de um número. Além disso, a sequência de números lembra-nos do agente secreto
James Bond, ou seja, temos a referência aos atos de espionagem promovidos pelo governo
(matéria de capa da revista).
No exemplo 5, o duplo sentido está em “arrumar” e em “coroa”: o primeiro pode ser
“conseguir” ou “organizar”; o segundo pode ser “mulher de certa idade” ou “enfeite de flores
para funeral”.
Portanto, no exemplo 4, a leitura deve ser feita em termos figurados; no 5, a leitura deve
ser feita em termos literais, haja vista tratar-se de uma propaganda de assistência funerária,
veiculada em outdoor.
4.2 – Nesses casos, trata-se de ambiguidade intencional ou de ambiguidade indesejada?
Em ambos os casos, a ambiguidade é intencional, própria de textos publicitários, no caso
outdoors.

Respondendo a atividade 5...

5. 1 – Em que consiste a ambiguidade dos textos dos exemplos 6 e 7?


No exemplo 6 (tirinha), a ambiguidade está na expressão “cadela da tua irmã”, a princípio
entendida com ideia de posse, mas, depois, inferida como um “xingamento”. Já no exemplo 7
(placa), a ambiguidade está no pronome “suas”, que pode remeter tanto às fezes do cachorro
quanto às do leitor da placa.

5.2 – Em ambos os casos, a ambiguidade é indesejada?


Não. No exemplo 6, a ambiguidade é intencional, tendo em vista que serve como efeito de
humor para a tirinha. Já no caso da placa (exemplo 7), provavelmente, o locutor não pretendia
surtir o efeito de sentido que acaba produzindo.
5.3 – Como desfazer a ambiguidade de cada texto?
No exemplo 6, é possível desfazer a ambiguidade de duas formas: “Cadê tua irmã, aquela
cadela?” ou “Cadê a cadela que pertence à tua irmã?”. Já no exemplo 7, apenas uma forma seria
possível para desfazer a ambiguidade: “...e recolha as fezes dele.”.

3 FIGURATIVIDADE
Ainda considerando a natureza polissêmica da língua(gem), é comum, nas situações
comunicativas do dia a dia, desde as mais descontraídas até as mais formais, o recurso à
linguagem figurada. Nesse sentido, umas figuras são mais recorrentes, a ponto de não mais serem
vistas como tal; outras são criadas especificamente para determinados contextos, a fim de
produzirem um efeito de sentido inusitado e chamativo.

A respeito disso, vejamos as amostras textuais 8 e 9, coletadas da seção "Leitor", da revista


Veja (08/08/2012, p. 41).

Exemplo 8

Palco da sentença histórica

Estão em jogo no Supremo Tribunal Federal


não apenas o destino dos 38 réus do mensalão,
mas também que página da história brasileira nossa
geração escreverá neste começo de século XXI –
uma página que pode nos envergonhar ou da qual
nós, nossos filhos e netos vamos nos orgulhar.
Carta ao leitor

Exemplo 9

Considero a política brasileira um lugar onde


não há como entrar sem se sujar de lama.
Elisabeth Silva Miranda
Feira de Santana/BA

Atividade 6
Que figuras podem ser identificadas em ambos os textos? Como devem ser interpretadas?

Atividade 7
Agora, para revisar e resumir o que foi visto nesta aula, vamos ler o texto a seguir, retirado
da revista ISTO É (08/08/2012, p. 16); depois, identificar nele amostras de informações implícitas,
de ambiguidade e de linguagem figurada.
Exemplo 10

Comportamento
A reportagem sobre o déficit de atenção mostra o movimento que contesta a existência da
doença e o uso de um derivado anfetamínico em seu tratamento. Mas é importante lembrar que, por
trás desses diagnósticos, existem os interesses da indústria farmacêutica. O Brasil não pode ficar à
margem dessa discussão.
José Elias Aiex Neto
Foz do Iguaçu/PR

Respondendo à atividade 6...

Que figuras podem ser identificadas em ambos os textos? Como devem ser interpretadas?
No texto “Palco da sentença histórica”, logo no título, encontramos a palavra "palco", que é
uma analogia ao julgamento dos réus envolvidos no mensalão; depois, vemos a expressão “em
jogo”, que significa “em processo de decisão”; mais adiante, há o termo “mensalão”, que remete
ao “pagamento” mensal de enormes quantias de dinheiro a políticos em troca de apoio ao
governo Lula; por fim, “página da história brasileira nossa geração escreverá”, que se refere à
decisão final do STF no julgamento dos acusados.
No texto de Elisabeth Silva, por sua vez, a “política brasileira” é apresentada
figurativamente como um lamaçal, estabelecendo-se uma relação metafórica entre “lama” e a
desonestidade/corrupção que caracteriza nossa política. A outra figura é “se sujar de lama”,
simbolizando o fato de alguém passar a ser desonesto/corrupto ao se tornar político no Brasil.

Respondendo à atividade 7...

No texto, há, entre outras, as informações explicitadas a seguir.


* Pressuposto: há quem defenda a existência do déficit de atenção e o uso de um derivado
anfetamínico em seu tratamento, o que é inferido a partir do termo "contesta". Esse dado nos
leva a concluir que não existe consenso sobre essa questão. Por fim, deduzimos que o Brasil está
à margem da discussão sobre isso pela expressão "não pode ficar".
* Subentendido: a indústria farmacêutica não é confiável e pode estar enganando as pessoas.
Mas isso é discutível, uma vez que o texto não fornece nenhuma pista explícita.
* Figurativização: está na expressão “por trás”, que, nesse contexto, significa “está implícito”, e
em “ficar à margem”, que, nesse caso, quer dizer “não participar”.
* Ambiguidade/vagueza de sentido: está em “desses diagnósticos”. Não se sabe a que esse
termo se refere, já que nada sobre isso foi mencionado antes no texto.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para concluir este estudo, devemos enfatizar que a linguagem não é cristalina, mas opaca.
Em outras palavras, os enunciados não “dizem” ao interlocutor somente aquilo que o
falante/escrevente desejou “transmitir”; tampouco esgotam em si mesmos todos os significados
pretendidos. Disso resulta o fato de eles abrirem/permitirem possibilidades variadas de leitura.
Sendo assim, o leitor não pode ser considerado passivo na interação comunicativa. Mas lembre-
-se de que nem toda leitura é aceitável. Existe a leitura errada.

Agora, já podemos responder às questões levantadas no início da aula.

 O que são informações implícitas?


Informações implícitas são aquelas que subjazem à superfície textual, que não estão dadas
(explicitadas), ou seja, são as “entrelinhas” de um texto.

 O que é duplo sentido ou ambiguidade?


Duplo sentido ou ambiguidade ocorre quando um discurso produz mais de um significado
ao mesmo tempo. Isso pode ser intencional ou não.

 O que é figuratividade?
Figuratividade é a recorrência à linguagem polissêmica.

 O que é inferenciação?
Inferenciação é a capacidade de extrair de um texto as informações que não estão na
superfície, ou seja, depreender aquilo que está implícito. Tome cuidado com isso. Existem
inferências autorizadas (válidas) e não autorizadas (inválidas).

 O que são instruções de sentido e para que servem?


Instruções de sentido são pistas deixadas em um texto para guiar o leitor a fim de garantir
melhor compreensão.

 Podemos falar que o texto permite transmissão de informações?


Não. Devido à fluidez e à opacidade da língua(gem), entre a formulação de um texto e a
compreensão do interlocutor existem alguns fatores que colaboram ou interferem nesse
processo.

PARA SABER MAIS


* Sites
http://exercicios.brasilescola.com/redacao/exercicios-sobre-ambiguidade.htm
http://www.ifono.com.br/ifono.php/chuva-de-sapos-uma-reflexao-sobre-o-filme-magnolia
RESUMO DA AULA
Nesta aula, vimos que os textos não se constituem apenas de uma forma material (aquilo
que está, de fato, escrito), mas que, por vezes, abrem possibilidades para que o leitor faça
inferências, um processo que pode ser bastante produtivo ou gerar equívocos. Vimos, ainda, que
essas inferências servem como instruções de sentido e quais são os tipos que permeiam o
“diálogo textual”.

AVALIAÇÃO
Para a devida compreensão de um texto, é importante que o leitor esteja munido de
conhecimentos diversos. Ademais, é preciso ter bastante atenção para perceber as informações
mais sutis. Leia o texto a seguir, retirado da revista “Língua Portuguesa”, a fim de responder às
três primeiras questões levantadas acerca dele.

A netiqueta
Como se comportar corretamente no mundo virtual

1. Maiúsculas: textos em maiúsculas (CAPS LOCK ativado), na maioria


dos casos, dão a entender que você está gritando. Se quiser destacar
algo, sublinhe ou coloque entre aspas. Se o programa utilizado na
comunicação permitir, use o itálico ou o negrito, mas sempre de forma
moderada para não poluir o texto.
2. Erros de grafia: em conversas informais, é normal que a norma
culta da língua seja posta de lado. O que não quer dizer que se possa
escrever de qualquer jeito. Atenção para os erros que podem mudar o
significado do que se quis dizer, como usar “mais” em vez de “mas”,
“e” em vez de “é”, “de” em vez de “dê” e assim por diante.
3. Pontuação: por mais informal que seja, o interlocutor pode não conseguir acompanhar o fluxo
de pensamento do redator. Daí a necessidade de pausas. Por isso atenção à pontuação e à divisão
de parágrafos.
4. Resposta: ao enviar respostas em fóruns, listas de discussão ou debates em redes sociais,
como o Facebook, por exemplo, procure ser claro sobre o que está falando ou a que está se
referindo. Copie e cole um trecho da questão, dê nome ao que você pretende responder e evite
deixar sua réplica solta sem referências às margens prévias nas quais você se baseou.
5. Público x privado: questão cara em tempos de redes sociais, o cuidado com o que se publica é
essencial para evitar mal-entendidos e situações constrangedoras. Como o meio virtual permite
respostas muito rápidas e publicações instantâneas, pense antes de tornar públicos seus
pensamentos. Por isso pense, suas opiniões ficarão registradas e podem ser facilmente associadas
ao seu nome numa busca rápida. Evite também publicar informações que possam lhe causar
problemas, como seu endereço ou críticas ao chefe.
MURANO. E. O texto na era digital. Língua portuguesa, São Paulo, Ano 5, n. 64, p. 31, 2011. Com adaptações.
01 – O primeiro período da subseção Erros na grafia, destacada a seguir, gera uma pressuposição:
“em conversas informais, é normal que a norma culta da língua seja posta de lado”. Qual é o
pressuposto?
(a) Em conversas informais, não se utiliza a norma culta.
(b) Apenas em conversas formais deve-se utilizar a norma culta.
(c) Deixar a norma culta de lado em conversas informais é um erro.
(d) É mais comum utilizar a norma culta em conversas formais.
(e) Em conversas informais, não há normas de uso da língua.

02 – Embora os textos abram possibilidades de leitura daquilo que está “nas entrelinhas”,
algumas inferências são autorizadas e outras não. Na sequência, encontram-se algumas
afirmações a respeito do conteúdo lido; leia-as.
I – Há pessoas que desconhecem a existência de um código de etiqueta para situações de
interação mediadas por computador.
II – Não se deve utilizar as redes sociais para divulgar qualquer tipo de informação.
III – Na internet, não é necessário policiar-se quanto ao uso da norma culta.
IV – Os usuários de redes sociais não reconhecem os limites entre o público e o privado.
V – Crianças são as maiores vítimas de problemas relacionados à divulgação de informações.
VI – Problemas linguísticos podem gerar situações desconfortáveis por gerarem perda do sentido
pretendido.

Marque um “x” na opção que contiver apenas as inferências autorizadas.


(a) II e IV.
(b) IV, V e VI.
(c) I, III e V.
(d) I, II e VI.
(e) III e V.

03 – Com base nos tópicos do texto intitulado “A netiqueta”, marque a opção que apresente duas
ocorrências de figurativização.
(a) “coloque entre aspas” (1); “publicações instantâneas” (5).
(b) “não poluir o texto” (1); “posta de lado” (2).
(c) “fluxo de pensamento” (3); “sua réplica” (4).
(d) “necessidade de pausas” (3); “listas de discussão” (4).
(e) “causar problemas” (5); “escrever de qualquer jeito” (2).
04 – Leia a seguinte propaganda do cartão Credicard.

UNIVERSITÁRIO,
AQUI VOCÊ NÃO PRECISA TER UMA NOTA
ALTA PARA SER APROVADO.

Com relação ao texto da propaganda, só NÃO se pode afirmar que:


(a) “Nota alta” significa muito dinheiro.
(b) “Aqui” se refere a universidade.
(c) O autor do texto faz uma analogia criativa.
(d) “Ser aprovado” quer dizer ser aceito pelo programa Credicard.
(e) Na propaganda lida, recorre-se à polissemia de palavras usadas na esfera acadêmica e na
bancária.
04 – Gêneros discursivos e sequências textuais
VOCÊ VERÁ POR AQUI...
... o que é gênero discursivo e quais são as características que o compõem; quais as funções dos
gêneros discursivos; a diferença entre gênero discursivo e sequência textual; alguns gêneros
utilizados na esfera acadêmica e suas características: função, estrutura, conteúdo e aspectos
estilísticos.

OBJETIVOS
 Compreender o que e qual é a função do gênero discursivo.
 Compreender o que é sequência textual.
 Diferenciar gênero discursivo e sequência textual.
 Reconhecer a importância da adequação do gênero discursivo à situação comunicativa.
 Produzir os gêneros perfil acadêmico e currículo de maneira satisfatória.
 Aplicar o conhecimento teórico nas práticas de leitura e escrita exigidas no/pelo cotidiano
acadêmico e profissional.

INICIANDO NOSSA CONVERSA


Nas aulas anteriores, fizemos uso de diferentes textos, verbais e não verbais, para explanar
conteúdos diversos. Esse uso demonstrou que, no nosso cotidiano, somos constantemente
expostos a uma série de textos (verbete, charge, outdoor, carta de leitor, perfil, biografia, bilhete,
horóscopo, torpedo, blog), o que nos possibilita construir, ao longo do tempo, uma competência
no que concerne ao (re)conhecimento de padrões relativamente estáveis em que se baseia toda e
qualquer produção discursiva, seja escrita seja oral. Esses padrões, construídos a partir de
aspectos como conteúdo, estrutura composicional, estilo, função e esfera de circulação social,
denominam-se gêneros discursivos.

É essa competência [com relação ao (re)conhecimento dos gêneros] que possibilita aos
sujeitos de uma interação não só diferenciar os diversos gêneros [...] como também identificar as
práticas sociais que os solicitam. Além disso, somos capazes de reconhecer se, em um texto,
predominam sequências de caráter narrativo, descritivo, expositivo e/ou argumentativo.
(KOCH, I. V.; ELIAS, V. M. Ler e escrever: estratégias de produção textual. SP: Contexto, 2011.)

Em sua vida acadêmica e profissional, você lidará com inúmeros gêneros e será preciso
dominar a leitura e a escrita de alguns deles, adequando-se às peculiaridades de cada um na
situação em que serão utilizados.
Mas o que é mesmo “gênero discursivo” e o que é “sequência textual”? Com base no senso
comum, às vezes, algumas pessoas tendem a confundir uma categoria com a outra, mas esses
conceitos são distintos.
Nesse sentido, para iniciarmos essa reflexão, esclarecendo o que pode parecer inicialmente
confuso, podemos formular algumas questões relevantes acerca do conteúdo desta aula.

 O que são gêneros discursivos e para que servem?


 Como definimos a que gênero pertence um texto?
 O que são sequências textuais?
 Qual é a principal diferença entre sequência textual e gênero discursivo?
 Por que é importante estudarmos gêneros específicos das esferas acadêmica e
profissional?

Vamos aos fatos...


GÊNERO DISCURSIVO é uma forma relativamente convencionalizada de interação
comunicativa, realizada na/pela linguagem em um dado contexto sociocultural. Cada gênero
discursivo manifesta-se concretamente por meio de um texto verbal e/ou não verbal. Os gêneros
surgem e se modificam de acordo com as exigências sociocomunicativas de seus usuários. Com
base nisso, podemos afirmar que não nos é possível enumerá-los, haja vista sua grande variedade
e seu dinamismo. Essa afirmação decorre do entendimento de que os gêneros discursivos são
práticas comunicativas e, exatamente por isso, estão em constante atualização.
SEQUÊNCIAS TEXTUAIS (ou “tipos textuais”), por sua vez, são segmentos de enunciados
que correspondem à forma como o texto se organiza. De acordo com suas características
específicas, distribuem-se nos seguintes tipos: narrativo, descritivo, injuntivo, argumentativo e
expositivo. Isoladamente, as sequências textuais não servem a um propósito comunicativo, pois
constituem apenas parte de um todo textual, a que chamamos gênero discursivo.
Na educação básica (ensino fundamental e médio), com certeza você estudou textos que se
dividiam em três tipos: narração, descrição e dissertação. Embora essa trilogia seja a
tradicionalmente estudada, na verdade, existem outras. Em PLE-I, interessam-nos,
particularmente, cinco sequências textuais: a narrativa, a descritiva, a injuntiva, a expositiva e a
argumentativa. As duas últimas caracterizam os textos classificados, comumente, como
“dissertativos”, podendo neles aparecerem as duas sequências (uma em complementação à
outra) ou apenas uma delas.
Em geral, um gênero discursivo não apresenta apenas um tipo de sequência textual. É até
possível afirmar que uma é predominante, mas não única. Veremos, mais adiante, como
comprovar essa assertiva em relação ao gênero discursivo “receita culinária”, por exemplo. Agora,
vejamos algumas características de cada uma das cinco sequências textuais citadas.
1 – A sequência narrativa aparece em diferentes gêneros discursivos que precisem “contar
uma história”. Ela se caracteriza, basicamente, pela presença de verbos que expressam ação e, no
texto, aparecem em tempos diferentes (presente, passado e futuro), exatamente para oferecer
ao leitor a ideia de ações iniciais e posteriores. Essas ações encadeiam causas e consequências,
revelando a interação dos personagens para a realização dos momentos que caracterizam a
narrativa, quais sejam: apresentação do cenário e dos principais personagens; criação da
expectativa; aparecimento de um conflito (quebra da expectativa); tentativa de reação; desfecho
da narrativa.
2 – A sequência descritiva tem como marca a não interação de seus elementos. Isso
significa que, nessa sequência, não existe a ideia de causa e consequência, de antes e depois.
Comprovam essa afirmação o fato de os verbos de um texto descritivo estarem sempre no
mesmo tempo, além de os elementos linguísticos mais importantes dessa sequência serem os
substantivos e os adjetivos, não os verbos.
3 – A sequência injuntiva prioriza a presença de verbos no imperativo com o intuito de
orientar o leitor, por meio de comandos (ordens, orientações) para a realização de tarefas.
4 – Já na sequência argumentativa, é necessária a existência de um tema polêmico, para o
qual haja a disposição lógica dos seguintes elementos: uma tese (ponto de vista que se pretende
defender), argumentos que deem sustentação à tese (relação de causa e consequência, dados
estatísticos, exemplificação, fatos históricos) e conclusão que respalde o raciocínio desenvolvido
no decorrer do texto.
5 – A sequência expositiva, por sua vez, não está atrelada a temas polêmicos, o que a
difere da sequência argumentativa. Na sequência expositiva, o autor se restringe a informar o
leitor sobre determinado tema, sem o propósito de convencer nem de obter adesões ao seu
ponto de vista.

Atividade 1
Vejamos, na prática, se você conseguiu entender as especificidades das sequências
textuais, relacionando os textos a seguir à sequência que predomina em cada um. Para tanto, use
o seguinte código: (1) sequência narrativa; (2) sequência descritiva; (3) sequência injuntiva; (4)
sequência argumentativa; (5) sequência expositiva.
( ) O transtorno do comer compulsivo vem sendo reconhecido, nos últimos anos, como uma
síndrome caracterizada por episódios de ingestão exagerada e compulsiva de alimentos. Porém,
diferentemente da bulimia nervosa, as pessoas acometidas por esse transtorno não tentam evitar
ganho de peso com métodos compensatórios. Os episódios vêm acompanhados de uma sensação
de falta de controle sobre o ato de comer, sentimentos de culpa e de vergonha.
Muitas pessoas com essa síndrome são obesas, apresentando uma história de variação de peso,
pois a comida é usada para lidar com problemas psicológicos. O transtorno do comer compulsivo
é encontrado em cerca de 2% da população em geral, mais frequentemente acometendo
mulheres entre 20 e 30 anos de idade. Pesquisas demonstram que 30% das pessoas que
procuram tratamento para obesidade ou para perda de peso são portadoras de transtorno do
comer compulsivo.
Disponível em: <http://www.abcdasaude.com.br>. Acesso em: 1 maio 2009 (adaptado).

( ) Meio ambiente e tecnologia: não há contraste, há soluções


Uma das maiores preocupações do século XXI é a preservação ambiental, fator que envolve o
futuro do planeta e, consequentemente, a sobrevivência humana. Em geral, problemas da
natureza, quando analisados por ambientalistas radicais, são equivocadamente relacionados aos
avanços da tecnologia.
Isso ocorre porque, de certa forma, o avanço tecnológico cobra um preço a se pagar. As
indústrias, por exemplo, costumeiramente ligadas ao progresso, emitem quantidades
exorbitantes de carbono (CO2), responsáveis por prejuízos causado à camada de ozônio e, por
conseguinte, por alguns problemas ambientais que afetam a população.
Todavia, existem soluções para unir meio ambiente e tecnologia no sentido de gerar bem-estar
social. Uma delas é [...].
(Disponível em: <http://centraldasletras.blogspot.com/2009/03>. Acesso em 10 maio 2009. Com adaptações.)
( ) Enquanto a casa pegava fogo, um bebê chorava no quarto dos fundos. O choro alto foi
suficiente para alertar os dois meninos que brincavam de bola na rua em frente. Rapidamente,
eles chamaram os vizinhos e o bebê foi salvo a tempo. Agora, a Rua dos Limoeiros tem dois
heróis.

( ) Enquanto a casa pegava fogo, um bebê chorava no quarto dos fundos e dois garotos
brincavam de bola na rua em frente.

( )

Figura 21 – Anúncio (medicamento e direção).


Fonte: Mundo educação – Terra (2013?).

( ) O sistema presidencial de governo nasceu nos Estados Unidos com a Constituição de 1787, na
Convenção de Filadélfia. Sua formação foi precedida de fato histórico; não sendo, pois, obra de
nenhum arranjo ou convenção teórica. Sustenta-se que o presidencialismo é o poder monárquico
em versão republicana e, ao contrário do parlamentarismo, é demarcado por uma rígida
separação de poderes, assentada na independência orgânica e na especialização funcional.
Disponível em: <http://www.clubjus.com.br/?colunas&colunista=779_&ver=137>. Acesso em: 20 junho 2011. Com adaptações.

( )

Figura 22 – Tirinha (sequências textuais).


Fonte: Dr Pepper (2012?).
( ) O homem que encontrei era alto, magro, parecia estar agitado e pedia por comida. Notei
nele um ar de sofrimento caracterizado pelas roupas sujas e rasgadas e pelas mãos bastante
calejadas quem sabe pelos descaminhos da vida.

( ) Siga rigorosamente estas instruções para um uso adequado do micro-ondas.


 Não tente usar o forno de micro-ondas com a porta aberta, já que isso pode resultar em
exposição perigosa.
 Não coloque qualquer objeto entre a frente do forno e a porta nem permita que resíduos
de produtos de limpeza ou de sujeira se acumulem nas superfícies vedadas.
 Não opere o forno se estiver danificado. É especialmente importante que a porta do
forno fique bem fechada e que não existam danos nas dobradiças nem nas vedações.
 O forno de micro-ondas não deve ser consertado por alguém sem as qualificações
técnicas necessárias.

( ) Um soldado estadunidense que estava na guerra no Iraque recebeu uma carta da namorada
dele, que dizia o seguinte.

Querido John,
Não podemos continuar com nossa relação. A distância que nos
separa é demasiado longa. Tenho de admitir que tenho sido infiel
já por várias vezes desde que tu foste embora. Acredito que nem
tu nem eu merecemos isso. Portanto, penso que seja melhor
acabarmos tudo. Por favor, manda de volta a foto minha que te
enviei.
Com amor,
Mary.

O soldado John, muito magoado, pediu a todos os colegas que lhe emprestassem fotos de suas
namoradas, irmãs, amigas, primas… Depois, juntamente com a foto de Mary, colocou todas as
outras que conseguiu recolher em um envelope. Na carta que enviou a Mary estavam oitenta e
sete fotos e uma nota que dizia:

Querida Mary,
Isso acontece. Não se preocupe. Peço desculpas, mas não consigo
lembrar quem tu és. Por favor, procura a tua foto no envelope e
me envia de volta as restantes.
Com carinho e muito, muito amor…
John.

MORAL DA HISTÓRIA: mesmo derrotado, saiba arrasar o inimigo.


Em suma...

Quando estamos nos referindo a sequências textuais, nossa


preocupação é observar como o texto se organiza internamente. Com os
gêneros discursivos, porém, há outros elementos que entram em foco.

A seguir, veremos seis amostras de gêneros discursivos. Notem que cada um deles tem
especificidades com relação à temática, à estrutura composicional, à configuração linguístico-
textual, à função social e às esferas sociais em que circulam.

Figura 23 – Seis amostras de gêneros discursivos.


Fontes - Tirinha As Cobras: Máquina Mistério [2012]; Carta pessoal: Natascha, Thaís e João (2008); Charge: Jornal do Commercio - UOL (2013);
Diário pessoal: 4shared, Gêneros do cotidiano [20:?]; Placa de estabelecimento [1]: Crônicas do Jair (2012); Propaganda: As melhores
propagandas do mundo (2012).
Cada uma dessas amostras textuais representa um gênero discursivo específico: tirinha,
carta pessoal, charge, diário pessoal, placa de estabelecimento e propaganda de miniaparador de
pelo nasal. Cada um desses seis gêneros discursivos apresenta particularidades bem específicas.
Observar esses aspectos é importante não apenas para se fazer a leitura apropriada de um texto,
mas também para uma produção textual que atenda ao(s) objetivo(s) a que se destina.

Atividade 2
Esclarecidas algumas diferenças entre sequência textual e gênero discursivo, você teria subsídios
suficientes para relacionar um texto ou fragmento textual da atividade 1 ao gênero discursivo a
que ele se refere? Vejamos apenas alguns casos.

(1) Artigo de opinião (3) Campanha publicitária


(2) Tirinha (4) Manual do consumidor
( ) Siga rigorosamente estas instruções para um uso adequado do micro-ondas:
- Não tente usar o forno de micro-ondas com a porta aberta, já que isso pode resultar em exposição
perigosa [...].

( ) Meio ambiente e tecnologia: não há contraste, há soluções


Uma das maiores preocupações do século XXI é a preservação ambiental, fator que envolve o futuro do
planeta e, consequentemente, a sobrevivência humana. Em geral, problemas da natureza, quando
analisados por ambientalistas radicais, são equivocadamente relacionados aos avanços da tecnologia […].

( ) ( )

Figura 22
Figura 21

Outra informação importante sobre os gêneros discursivos se refere a uma consequência


da dinamicidade desse conceito. Com o passar do tempo, alguns gêneros podem se alterar,
outros desaparecem e novos gêneros são criados, dependendo das demandas sociais. Segundo
Koch (2010, p. 113), “[...] a noção de gênero é respaldada em práticas sociais e em saberes
socioculturais”. Essa autora afirma também que “[...] os gêneros não são instrumentos rígidos e
estanques, o que quer dizer que a plasticidade e a dinamicidade não são características
intrínsecas ou inatas dos gêneros, mas decorrem da dinâmica da vida social e cultural e do
trabalho dos autores”.
Um bom exemplo disso é o hipertexto, gênero surgido após o advento da internet e
extremamente difundido na sociedade do século XXI.

Figura 24 – Hipertexto. Fonte: Wikipédia (2013).

Isso significa que cada comunidade lida com os gêneros que são úteis em sua cultura,
conforme suas peculiaridades sócio-históricas. Para compreendermos melhor a dinamicidade dos
gêneros discursivos, vejamos o exemplo a seguir.

Exemplo 7

Figura 24 – Texto do século XIX.


Fonte: Odivelas (2010).

Você consegue identificar apenas com um “passar de olhos” o gênero discursivo a que
pertence o texto do exemplo 7?
Possivelmente, não. Isso porque se trata de um gênero que sofreu várias atualizações até
chegar ao que conhecemos hoje, no século XXI. Primeiramente, sua configuração visual não nos
remete a qualquer gênero discursivo atual. Talvez, alguém o associe a uma “carta”, mas essa ideia
teria de ser descartada por não encontrarmos, no texto em foco, data, vocativo nem assinatura,
que são elementos essenciais do gênero discursivo “carta”. Quem sabe ajude o reconhecimento
do gênero se observarmos a transcrição desse texto.
E agora, ficou mais fácil?

Marmelada branca
Vão-se esbrugando os marmelos e deitando-os em agoa
fria. Põe-se a ferver em lume forte, estando bem cozidos
se passão por peneira. Para 1 Medida de massa, 2
Medidas de Assucar em ponto alto de sorte que deitando
uma pinga na agoa coalhe: tira-se o táxo do lume e se lhe
deita a massa muito bem desfeita com a colher: Torna ao
lume até levantar empôlas tirasse para fóra e se bota até
esfriar, para se pôr em pratos a secar.
Figura 25 – Texto do século XIX.
Fonte: Odivelas (2010).

Trata-se de uma receita de marmelada, escrita no século XIX. Ao observarmos o texto,


notamos mudanças ortográficas e lexicais entre o período em que ele foi escrito e os dias atuais.
Mas não para por aí...
O gênero “receita culinária” passou por outras adaptações para atender às necessidades de
seus usuários, dentre elas: topicalização do texto, separando “ingredientes” e “modo de
preparo”, por exemplo; adição de informações, tais como, imagem da receita pronta, rendimento,
valor calórico, custo. Apesar de todas as diferenças quanto à forma e ao conteúdo, conseguimos
relacionar o texto apresentado ao gênero em questão; afinal, a função comunicativa se mantém:
orientar o preparo de determinado prato. Vejamos, então, um exemplo de receita culinária nos
padrões encontrados atualmente.

Figura 26 – Receita de bolo de abóbora com coco.


Fonte: Cozinha Brasil - Receita de família [2012?].
Atividade 3
Marque a opção que apresenta a sequência textual predominante no gênero discursivo
“receita culinária”.
(a) narrativa (b) descritiva (c) injuntiva
(d)expositiva (e)argumentativa

Atividade 4
É importante salientar, ainda, a relação entre os gêneros discursivos e as esferas de
atividade social: casa, trabalho, escola, universidade, igreja, clube, hospital, comércio. Cada
espaço social requer gêneros específicos. Vejamos se você consegue entender essa relação
completando o quadro a seguir.

Gêneros discursivos

Esferas de atividades sociais

jurídica médica jornalística escolar financeira doméstica

alvará atestado editorial aula cheque lista de compras

Analisadas as especificidades gerais dos gêneros discursivos e das sequências textuais,


passaremos a nos ocupar, agora, de um gênero muito explorado na esfera acadêmica: o PERFIL.
O perfil é uma espécie de autobiografia sintetizada. Nesse gênero, o escrevente é o próprio
perfilado, por isso se chama AUTObiografia. Lembra-se do exemplo de biografia de Alberto
Manguel, utilizado na aula “Escrita como tecnologia e prática social”?.
A leitura do gênero “perfil” deve permitir ao interlocutor a construção de imagens do autor.
Nesse sentido, espera-se que o perfil contenha informações que personalizem, minimamente,
o sujeito retratado. Logo, não é esperado que o autor de um perfil faça afirmações muito
genéricas. A ideia é, ao contrário, escrever um texto sobre si próprio que o caracterize em meio
aos demais.
Na aula 1, você leu um fragmento da biografia de Alberto Manguel. Agora, o gênero que
nos interessa é o perfil acadêmico.
Exemplo 8 – Perfil de graduando do BCT (Sigaa)

Anderson Araújo
E-mail: anderson@ejectufrn.com.br
Função: aluno.

Sou Anderson Araújo, tenho 20 anos, nasci em Natal. Desde criança, adoro computadores e outras
tecnologias digitais. Fiz vestibular para o Bacharelado em Ciências e Tecnologia (BCT) inicialmente porque
não sabia ao certo que profissão na área das engenharias eu preferia seguir. Mas, quando comecei a
entender melhor o curso, percebi que o BCT me oferece oportunidades que outro curso não poderia me
oferecer. Hoje, sei que, ao concluir o BCT, já estarei apto a entrar no mercado de trabalho, especialmente se
eu conseguir desenvolver minha tendência para o empreendedorismo. Essa tendência foi descoberta por
mim enquanto eu cursava os componentes de CTS, daí a razão por que resolvi fazer parte da empresa júnior
da ECT (EJECT) e estou muito satisfeito com as experiências que venho vivenciando desde então. Porém,
mesmo que eu possa atuar profissionalmente formado Bacharel em Ciências e Tecnologia, tenho ainda a
opção de seguir para um dos cursos subsequentes ao BCT. Assim, poderei conseguir um segundo diploma de
nível superior. Isso é um grande diferencial. Minha preferência de adesão aos cursos subsequentes é na área
da informática: serei generalista com ênfase em Informática ou seguirei para a engenharia da computação.
Ainda estou meio indeciso, mas pelo menos já sei com o que desejo trabalhar: tecnologia digital.

O texto de Anderson Araújo é sucinto, mas contempla alguns itens requeridos para um
perfil acadêmico. É por ter consciência da seleção de informações que nesse gênero interessam
que Anderson não focaliza atributos pessoais. Ele salienta o percurso que vem desenvolvendo no
curso superior do qual faz parte e as perspectivas que consegue vislumbrar. Até a escolha da
fotografia é acertada, posto que condiz tanto com a seriedade com que o escrevente enxerga sua
vida acadêmica quanto com as imagens que pretende que seu leitor construa sobre ele.
Nesse gênero discursivo, a seleção da fotografia é, de fato, um passo fundamental.
A fotografia, além de ser um dado imprescindível, pois facilita a identificação do autor, tem
grande influência na construção de sentidos que o leitor poderá fazer do perfilado. Por isso, é
necessário ter muita cautela na escolha da foto.

Exemplo 9

Figura 28 –28 – Foto


Figura Figura 29 –29 – Foto
Figura
Foto inadequada.
inadequada ao perfil. Foto adequada.
inadequada ao perfil.

Fonte: REZENDE, T. Fotografias, 2010.


Além do gênero “perfil acadêmico”, outro de suma importância nas esferas acadêmica e
profissional é o CURRÍCULO (ou curriculum vitae). Trata-se do documento em que se registram
informações acerca da formação acadêmica e da experiência profissional de um indivíduo.
Em geral, o currículo é solicitado por empresas públicas e privadas no momento em que
estão selecionando novos funcionários. Também no caso de processos seletivos para bolsas de
estudo, cursos de especialização, de mestrado e de doutorado ou para concursos públicos a
apresentação do currículo é fundamental.
Segundo a CATHO, agência online de seleção de pessoal, há algumas “regras de ouro” que
devem ser observadas ao se elaborar um bom currículo. Vamos conferir essas regras e
acrescentar mais algum dado que avaliarmos igualmente importante.

1. Gramática e ortografia
Currículos com erros de português dificilmente passam pela triagem dos selecionadores.
Segundo pesquisas realizadas pela Catho Online, um a cada quatro currículos é descartado por
esse motivo.
2. Objetivo profissional
Não é indicado informar pretensões de atuação em mais de um cargo. Quando o currículo
não demonstra foco em uma função específica, o selecionador pode imaginar que o candidato
não tem um objetivo definido.
3. Dados pessoais
Manter informações desatualizadas (tais como telefone e e-mail) pode dificultar ou mesmo
impedir o contato do selecionador com o candidato. Isso pode acarretar a perda de
oportunidades de emprego ou de estágio. É importante salientar também a importância da
escolha de um e-mail profissional que sinalize seriedade. Se, no currículo, uma candidata explicita
que o e-mail dela é <gatinhamanhosa@hotmail.com>, pode ser mal interpretada e até perder
oportunidades. Isso porque a empresa pensa na imagem dela sendo representada por uma tal
“gatinha manhosa”. De fato, nada profissional.
4. Documentos
Não se deve confundir a área de “Seleção de Pessoal” de uma empresa com Departamento
Pessoal. Números de documentos, tais como RG, CPF e Título de Eleitor, são irrelevantes no
momento em que se deve decidir pela contratação ou não de um candidato. Por isso, não é
necessário mencioná-los no currículo.
5. Extensão
Currículos pouco extensos são mais apreciados pelas empresas, pois elas tendem a
interpretar essa característica como sinal de habilidade de síntese e trabalho lógico. Currículos
com mais de duas páginas são, normalmente, considerados extensos.
6. Salário
Informações sobre salário(s) anterior(es) e pretensão salarial devem ser tratadas,
preferencialmente, no momento da entrevista. Candidatos que mencionam valores no currículo
arriscam-se a perder a possibilidade de negociar uma faixa salarial e/ou outros benefícios.
7. Desligamento do empregado
Justificativas para uma possível saída do quadro da empresa atual não são assunto a ser
mencionado no currículo. O ideal é que esse tema seja tratado na entrevista, caso haja uma
oportunidade para isso.

Observe, agora, um exemplo de currículo.

Exemplo 10

Curriculum Vitae

TAMYRIS REZENDE FERREIRA


DADOS PESSOAIS
Data de nascimento: 20/10/1987 Sexo: feminino
Estado civil: solteira
Profissão: Professora
Endereço: Rua do Ipê Roxo, 350 – Candelária – Natal/RN – CEP: 59078-500
Telefone: (84) 3363-3825 Celular: (84) 8677-2636
E-mail: trferreira@gmail.com
FORMAÇÃO
Licenciada em Letras - Língua Portuguesa e Literaturas – UFRN – 2012.

ATUAÇÃO
Atuo nas áreas de educação, de revisão de textos e de pesquisa em Linguística, concentrando meu
interesse na realização de trabalhos de cunho cognitivo-funcional.

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL
 Desde outubro/2012
Instituto Metrópole Digital (UFRN) – Professora substituta da disciplina “Práticas de Leitura e Escrita –
I” (ensino superior)
 Desde agosto/2012
SEEC/RN – Professora efetiva de Língua Portuguesa (ensino fundamental e médio)
 Desde julho/2011
CAP – Centro Acadêmico Presbiteriano – Professora de Língua Portuguesa (ensino médio)
 Agosto/2010 – março/2012
Centro de Ciências Humanas Letras e Artes/UFRN – Bolsista de iniciação científica na área de
Linguística
 Maio/2009 – Julho/2010
Escola de Ciências e Tecnologia/UFRN – Bolsista de iniciação tecnológica na área de Linguística

CONHECIMENTOS EM INFORMÁTICA
 Informática básica em ambiente Windows
 Word Básico
 Excel Básico
 Internet
 Power Point
 BROficce
 Prezi
Natal/RN, 2013.
Fonte: REZENDE, T. Curriculum vitae, 2013.
Conforme se pode notar, o currículo apresentado é sucinto, mas informativo. Trata-se de
uma jovem professora, formada em Letras, com atuação nos três níveis de educação
(fundamental, médio e superior) e experiência com pesquisa acadêmica na área de Linguística.
Além desses dados básicos, explicitar conhecimentos na área de informática é importante devido
a estarmos vivendo a era digital, época em que práticas de leitura e escrita mediadas pelo
computador vêm ganhando cada vez mais espaço. Resultado: candidata promissora a diferentes
oportunidades de emprego e de ascensão na vida acadêmica.
A produção do currículo, nas universidades brasileiras, vem seguindo o modelo proposto
pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Esse modelo é
conhecido como Currículo Lattes, em homenagem ao físico brasileiro César Lattes (1924-2005).
Vejamos o que o próprio site do CNPq diz sobre o Currículo Lattes.

A Plataforma Lattes representa a experiência do CNPq na integração de bases de dados de Currículos, de


Grupos de pesquisa e de Instituições em um único Sistema de Informações. Sua dimensão atual se estende
não só às ações de planejamento, gestão e operacionalização do fomento do CNPq, mas também de
outras agências de fomento federais e estaduais, das fundações estaduais de apoio à ciência e tecnologia,
das instituições de ensino superior e dos institutos de pesquisa. Além disso, se tornou estratégica não só
para as atividades de planejamento e gestão, mas também para a formulação das políticas do Ministério
de Ciência e Tecnologia e de outros órgãos governamentais da área de ciência, tecnologia e inovação.
O Currículo Lattes se tornou um padrão nacional no registro da vida pregressa e atual dos estudantes e
pesquisadores do país, e é hoje adotado pela maioria das instituições de fomento, universidades e
institutos de pesquisa do País. Por sua riqueza de informações e sua crescente confiabilidade e
abrangência, tornou-se elemento indispensável e compulsório à análise de mérito e competência dos
pleitos de financiamentos na área de ciência e tecnologia.

A apresentação do CV Lattes é exigida aos que desejam se candidatar a bolsas (monitoria,


pesquisa, extensão), a vagas em cursos de especialização, mestrado e doutorado e mesmo por
ocasião de concursos públicos (para professor ou servidor técnico-administrativo).
Dada a relevância desse gênero discursivo, dedicaremos uma atenção especial à elaboração
do CV Lattes dos graduandos matriculados em PLE-I. Essa atividade tem uma função social muito
importante para as atividades acadêmicas em geral, além de ser a forma de inserir cada um dos
alunos desta turma, oficialmente, em um banco de dados de acadêmicos brasileiros.
Do ponto de vista composicional, o CV Lattes é, basicamente, composto de um texto inicial,
redigido pelo autor, e de dados objetivos que devem ser inseridos na Plataforma Lattes.
O programa é autoexplicativo, ou seja, as orientações para o preenchimento do currículo estão
contidas no próprio site.
Primeiramente, você deverá acessar o link do site (www.cnpq.br), clicar em “Plataforma
Lattes” e, em seguida, acessar a opção “Cadastrar novo currículo”, conforme podemos visualizar a
seguir.
Passo 1: acesse o site e clique em “Plataforma Lattes”.

Figura 30 – Portal CNPq.


Fonte: CNPq (2013).

Passo 2: clique na opção “Cadastrar novo currículo”.

Figura 31 – Plataforma Lattes.


Fonte: Plataforma Lattes/ CNPq (2013).
Passo 3: preencha os campos vazios com as informações solicitadas.

Figura 32 – Cadastro de currículo Lattes.


Fonte: Plataforma Lattes/ CNPq (2013).
Após efetuar o cadastro, você poderá dar início à inserção dos dados. Observe o CV Lattes
a seguir para darmos andamento às orientações.

Fonte: TINOCO, G. M. A. M. Currículo Lattes, 2013.


Perceba que, no campo superior da página, há um menu que contém as guias: dados gerais,
formação, atuação, produções e eventos. Cada uma dessas opções deve ser preenchida de acordo
com as informações solicitadas no próprio campo. Vejamos como isso ocorre.

Passo 4: insira as informações solicitadas no menu.

Identificação Formação Atuação Participação em eventos,


Endereço acadêmica/ titulação profissional congressos, exposições e feiras
Idiomas Áreas de atuação Organização de eventos,
congressos, exposições e feiras

O que achou? Com as devidas explicações, parece fácil, não?! Agora, é só produzir o seu
próprio currículo assim que lhe for solicitado. Bom trabalho!

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para concluir esta aula, é de suma importância que algumas conexões sejam realizadas.
Vimos que gêneros discursivos e sequências textuais são noções que não podem ser confundidas.
Enquanto o gênero emerge e se modifica por meio das interações comunicativas (e é formado por
textos verbais e/ou não verbais), a sequência é apenas parte desse todo enunciativo que diz
respeito à organização estrutural do texto, podendo ser classificada como narrativa, descritiva,
argumentativa, expositiva ou injuntiva.
Vimos também que cada esfera de atuação exige o conhecimento acerca de alguns gêneros
específicos. Considerando que preparamos graduandos e futuros profissionais para atuarem
satisfatoriamente em suas respectivas áreas, centramos nosso interesse em três dos principais
gêneros exigidos nas esferas acadêmica e profissional: o perfil, o curriculum vitae (profissional) e
o currículo Lattes (acadêmico).
Devido ao caráter sociocomunicativo dos gêneros discursivos, podemos afirmar, por fim,
que se faz necessário dominar aqueles que farão parte de seu cotidiano para que, dessa maneira,
você possa atuar com excelência nas práticas de leitura e escrita a que será exposto.
Vejamos agora se, partindo do estudo sobre os gêneros discursivos e sua relevância nas
práticas discursivas, conseguimos responder aos questionamentos levantados no início desta
aula.

 O que são gêneros discursivos e para que servem?


Os gêneros discursivos são padrões relativamente estáveis, construídos e modificados nas
(pelas) práticas sociocomunicativas a que nos expomos diariamente em contextos diversos.
Servem-nos como meio de interação e prática social, pois neles se baseiam todas as nossas
produções discursivas. Os gêneros são dinâmicos, o que nos impossibilita relacioná-los e
contabilizá-los. Eles estão em constante evolução, sendo atualizados, surgindo, desaparecendo e
modificando-se, sempre que seus usuários necessitam, com vistas a atingir determinados fins.

 Como definimos a que gênero pertence um texto?


O tema, a estrutura composicional e o estilo, além da função social a que se destina o texto,
definem a qual gênero discursivo determinado texto pertence. Em um dos exemplos
apresentados nesta aula (“receita culinária”), fica claro que as mudanças na estrutura
composicional, no conteúdo apresentado e no estilo não nos impedem de identificar o gênero em
questão. O mesmo ocorre quando observamos um texto cujas características fogem ao padrão
que construímos em nossas experiências. Nesse caso, devemos lembrar que fazemos uso do
gênero no intuito de alcançar um objetivo específico. Sendo assim, essa é a informação mais
relevante para reconhecermos o gênero de um texto.

 O que são sequências textuais?


As sequências são segmentos textuais que ajudam a compor os gêneros discursivos.
Dividem-se em: narrativa, descritiva, argumentativa, expositiva e injuntiva. O tipo narrativo, por
exemplo, é um dos principais elementos constituintes do gênero conto.

 Qual é a principal diferença entre sequência textual e gênero discursivo?


Sequência textual (ou tipo textual) se refere à forma com que o texto se organiza
(estrutura), e gênero discursivo, à função, ou seja, ao propósito comunicativo-interacional
objetivado pelo falante/escrevente.

 Por que é importante estudarmos gêneros específicos das esferas acadêmica e


profissional?
Estudar os gêneros mais recorrentes na academia e nas relações profissionais é essencial
para que, ao conhecermos seus elementos e sabermos utilizá-los, possamos nos comunicar com
esmero nos contextos socioculturais comuns a esses ambientes. Isso nos permitirá,
consequentemente, cumprir de modo satisfatório propósitos interacionais variados, agindo
discursivamente por meio desses gêneros, o que corrobora a noção de gênero como prática
comunicativa.
PARA SABER MAIS

* Texto
Disputado, bem pago e à prova de crise. Artigo da revista Veja, disponível em:
<http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx (p. 78-79)>. Autoria: Júlia Carvalho e Carolina
Rangel. Edição 2270 – 23/maio/2012.

RESUMO DA AULA
Nesta aula, discutimos a respeito dos conceitos de gêneros discursivos, concebendo-os
como prática sociocomunicativa, e de sequências textuais, visando à diferenciação devida entre
essas duas noções e à compreensão da importância de adequarmos nosso discurso à finalidade
pretendida. Vimos, também os elementos mais importantes na construção dos gêneros perfil
acadêmico, curriculum vitae e CV Lattes.

AVALIAÇÃO
A partir dos direcionamentos apresentados nesta aula, prossiga com a escrita do gênero
perfil acadêmico. A construção do perfil (ou seja, do autorretrato) representa uma oportunidade
de o autor mostrar sua singularidade em meio às semelhanças que reúnem, em uma mesma
turma de graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), dezenas e até
centenas de graduandos.
Pensando nisso, produza um perfil acadêmico por meio do qual você se apresente,
fornecendo as seguintes informações:
 nome completo, idade, naturalidade;
 hábitos e preferências pessoais (atividades que gosta de desenvolver/praticar em seu tempo
livre);
 formação escolar (quando e onde concluiu o ensino médio, se fez algum curso técnico e/ou
profissionalizante. Caso já tenha formação em nível superior além da graduação que está
cursando, informe esse dado. Também é interessante citar outros cursos, tais como os de idiomas
estrangeiros);
 atuação profissional (se houver, seja como autônomo, estagiário ou efetivado. Caso você
nunca tenha trabalhado, informe isso no perfil).
 fotografia adequada ao gênero discursivo perfil acadêmico.

Observações
a) Extensão mínima de 10 linhas e máxima de 15;
b) postagem do texto no Sigaa: clique na turma virtual de PLE-I; após entrar na turma, clique
em “gerenciar perfil”; em seguida, abrirá um box cujo título é “Gerenciar seu perfil para
esta turma”; então, insira seu texto nesse box e clique em “cadastrar”;
c) aos textos que não seguirem rigorosamente as orientações explicitadas nesse comando
será atribuída a nota zero.
05 – Coesão textual
VOCÊ VERÁ POR AQUI...
… o que é coesão textual; de que modo ela contribui para as práticas de leitura e escrita e qual o
funcionamento da coesão como operador discursivo.

OBJETIVOS
 Compreender o que é e como se constrói a coesão textual.
 Entender como e por que a coesão é necessária à construção de textos.
 Aprender como funcionam alguns elementos coesivos e como utilizá-los.
 Perceber que a coesão se dá por elementos explícitos na superfície textual.

INICIANDO NOSSA CONVERSA


Em aulas anteriores, estudamos que um texto não resulta da simples soma de estruturas
verbais, podendo mesmo ser construído sem elas (na modalidade não verbal) ou resultar da soma
de unidades verbais e não verbais. Vimos ainda que a condição primordial para que determinada
construção possa ser entendida como texto é se configurar como uma unidade de significado(s).
Nesse sentido, há duas propriedades fundamentais para a construção de um texto: a primeira
delas é a coesão (foco da aula de hoje); a segunda é a coerência, cujo aprofundamento será
realizado na próxima aula.
Em geral, para que um texto faça sentido, é necessária a existência de palavras, expressões
e demais componentes textuais que estabeleçam encadeamentos e vínculos entre si, viabilizando,
desse modo, o reconhecimento de nexos semânticos (ou relações de sentido). A esses elementos
damos o nome de recursos de coesão textual. Mas o que significa exatamente "coesão"?
É comum ouvirmos dos técnicos de futebol, por exemplo, que eles querem organizar um time
"coeso". Esse desejo de que a "união" fortaleça o time também é válido na prática de escrita de
textos em diferentes gêneros. Vejamos como e por quê nesta aula. Mas, antes, vamos a algumas
perguntas iniciais.

 O que é coesão textual?


 O que são elementos coesivos?
 Por que a seleção de elementos coesivos é importante?
 Existe texto sem coesão ou sem coerência?

Conforme já mencionamos, um texto deve possuir tanto coesão quanto coerência.


É bastante difícil pensarmos um fenômeno sem o outro, pois ambos são necessários para que se
possa atribuir sentido a uma dada produção discursiva. Por isso, embora o nosso foco seja a
coesão, em determinados momentos, será necessário nos referirmos a coerência.
A coesão é um fator que se manifesta localmente,
ou seja, está presente na superfície textual. Ela é
responsável pela conexão, ligação, relação,
entrelaçamento, enfim, pelo encadeamento significativo
entre palavras, frases, orações, períodos e outras
sequências que compõem um texto. Nesse sentido, é
comum adotarmos a metáfora da “corrente”, para aludir
à ideia de que a coesão assume o papel dos elos.
Figura 33 – Correntes.
Fonte: Eu odeio correntes (2008). Todavia, não basta saber que os elementos
coesivos existem. É importante saber usá-los, pois são
eles que permitem a fluência da leitura, representam o "fio condutor" dessa prática. Antes de nos
aprofundarmos nos principais mecanismos de coesão, veja o trecho a seguir, de um manual de
instrução para uso de um tablet.

Exemplo 1

Primeiras cargas

 Antes de ligar seu tablet pela primeira vez, realize um ciclo de carga de 8h para
condicionamento da bateria.

 Após realizar o primeiro ciclo, ligue o produto e use-o fora da tomada até que a bateria esteja
completamente descarregada.

 Repita o procedimento por mais duas vezes.

 Após essas cargas iniciais, a bateria estará condicionada e o aparelho poderá ser recarregado
normalmente, ou seja, quando estiver abaixo dos 10% e até aparecer a mensagem de que a bateria
está 100% recarregada.

Observe que alguns elementos textuais servem como sequencializadores (“um ciclo” e “o
primeiro ciclo”), evitando, dentre outras coisas, a constante repetição de uma mesma palavra.
Devido ao emprego adequado dos elementos coesivos, é possível identificar o que cada
"substituto" está retomando ou antecipando.

Atividade 1
Releia o texto e, em seguida, marque a única opção correta quanto à associação entre o elemento
coesivo e o que ele está retomando.
(a) O pronome oblíquo o, utilizado em "use-o fora da tomada" (2º tópico) retoma tanto a palavra
“produto” quanto a palavra “tablet”.
(b) O pronome demonstrativo essas, utilizado em "essas cargas iniciais" (4º tópico), refere-se às
duas primeiras recargas de bateria.
(c) A palavra procedimento, utilizada no 3º tópico, faz referência a “ligar seu tablet” (1º tópico).
(d) O aparelho (4º tópico) é utilizado como substituto para retomar “o produto” (2º tópico),
apenas.
(e) A expressão ou seja (4º tópico) serve como elemento coesivo que permite restringir o
significado de normalmente (4º tópico).
Ainda sobre o manual, é interessante atentarmos para o fato de que, mesmo sem termos
lido todo o manual do tablet, conseguimos, por nossa experiência, inferir certa lógica sequencial,
um ordenamento, ou melhor, a coesão entre as seções: se, na seção “Primeiras cargas”, está
escrito "Antes de ligar seu tablet", é possível depreender que ela é anterior àquelas que
explicitarão as funções do tablet, que só podem ser acessadas quando ele estiver ligado; ou,
ainda, que essa seção é posterior a uma outra que demonstre como conectar o aparelho no
carregador e informações a respeito da voltagem suportada.
No caso do manual apresentado, todos os elementos coesivos se manifestaram
explicitamente através de marcas linguísticas (palavras e expressões). Não obstante, há casos em
que a coesão é estabelecida por elementos extralinguísticos, como no caso das histórias em
quadrinhos, das tabelas de preço, das equações.

Exemplo 2

Exemplo 2

Figura 34 – Quadrinhos do Garfield.


Fonte: BiblioBD (2012).
Exemplo 3

Figura 35 - Página do mangá 'Yankee-kun to Megane-chan', tradução feita por


OMG Scans.
Fonte: AniManH! (2012).

Nas histórias em quadrinhos, por exemplo, parte da coesão é constituída pelo


conhecimento de que a história segue uma orientação de leitura determinada, portanto, por
elementos extralinguísticos. Nos gibis e HQs (quadrinhos ocidentais), a história segue as mesmas
regras da escrita ocidental: devem ser lidas da esquerda para a direita e de cima para baixo; já os
mangás (quadrinhos japoneses) devem ser lidos da direita para a esquerda e de cima para baixo,
e a ordem das falas em um mesmo quadrinho é estabelecida de acordo com a altura dos balões
de fala. Compreender esses detalhes nos ajuda a atribuir sentido(s) a esses textos.
Passemos, agora, ao estudo de dois mecanismos de coesão bastante utilizados em nosso
dia a dia.

RECURSOS DE COESÃO TEXTUAL


Conforme você já deve ter percebido, o estudo da coesão é bastante amplo, mas
buscaremos orientá-lo de acordo com um foco específico, o qual contemplará dois dos principais
mecanismos de coesão: a coesão referencial (que se dá pela retomada ou pela antecipação de
termos, expressões ou frases presentes no texto) e a coesão sequencial (que diz respeito a
conexões entre segmentos frasais e interfrasais do texto).
1 Coesão referencial
1.1 Retomada ou antecipação por palavra gramatical (pronomes, verbos, numerais,
advérbios)
O mecanismo de coesão referencial
permite-nos avançar ou retroceder na leitura São anafóricos e/ou catafóricos os pronomes
de um texto sem que nos percamos. Com ele, demonstrativos (este, esse, aquele), os pronomes
é possível antecipar algo que ainda será dito relativos (que, o qual, cujo, onde), certos advérbios e
ou saber a qual elemento já citado uma nova locuções adverbiais (nesse momento, então, lá, etc.) e
informação se refere. Além disso, esse os verbos ser e fazer, o artigo definido, o pronome
pessoal de 3ª pessoa (ele/ela; o/a; lhe).
mecanismo nos ajuda a evitar repetições
desnecessárias, uma vez que possibilita a (FIORIN, José Luiz; SAVIOLI, Francisco Platão. Lições de texto: leitura e
substituição de um vocábulo por outro, ou redação. São Paulo: Ática, 1996.)
seja, por pronomes, verbos, numerais,
advérbios.

Exemplo 4

Figura 36 - Tirinha Níquel Náusea. Fonte: GONZALES, F. 1993.

Perceba que o elemento coesivo “eles” (pronome pessoal da 3ª pessoa do plural), no 3º


quadrinho, retoma a expressão “gatinhos sem rabo”, utilizada no 1º quadrinho. Quando uma
palavra ou expressão é utilizada para retomar algo que já foi explicitado, dizemos que houve
anáfora; o elemento que retoma outro, então, é chamado de anafórico.

Atividade 2
Leia a paráfrase a seguir de uma citação de Antonio Lobo Antunes. Em seguida, marque a
opção que apresenta apenas o(s) elemento(s) anafórico(s) presente(s) no texto.

Há três ou quatro coisas importantes na vida: os livros, os amigos e as mulheres... e Messi... Ah, se
eu pudesse escrever como Messi joga futebol. A bola parece a namorada dele.
Fonte: S.I. Revista Metáfora (2012), n. 5, p.: 7. Com adaptações.

(a) e – se. (b) na - Ah. (c) dele. (d) como. (e) namorada.
Como se pode perceber, na atividade 2, há um elemento coesivo anafórico que se refere ao
substantivo Messi, evitando a repetição do nome próprio. Se reconstruíssemos o período sem
essa anáfora, teríamos "[...] A bola parece a namorada de Messi".
No período que segue, temos um caso diferente. Trata-se de um elemento coesivo que
antecipa aquilo que será enunciado adiante.

Exemplo 5

Os bacharéis em Tecnologia da Informação formados pela UFRN poderão optar por uma destas
ênfases: Ciência da Computação, Engenharia de Software, Sistemas Embarcados, Sistemas de Informação
de Gestão ou Informática Educacional.

O pronome demonstrativo destas (de + estas) está se referindo aos elementos que ainda
serão mencionados. A isso chamamos catáfora. Sendo assim, quando um elemento coesivo
antecipa algo que ainda será dito, é chamado de catafórico. Esse pronome poderia, ainda, ser
substituído pela locução a seguir sem que isso causasse modificação de sentido: continuaríamos
com um elemento coesivo de valor catafórico.
Passemos, agora, a alguns dos casos que mais geram dúvidas em escreventes e leitores.

A) Uso dos pronomes demonstrativos

Os pronomes demonstrativos em ss, Exemplo 6


esse(s) / essa(s) / isso, são utilizados A disciplina de cálculo é considerada uma das mais difíceis
como anafóricos (retomam algo que já foi dos currículos de engenharia e ciências exatas. Por esse
explicitado). motivo, muitos alunos procuram se dedicar bastante a ela.

Os pronomes demonstrativos terminados Exemplo 7


em st, este(s) / esta(s) / isto, são Muitos alunos dos cursos de engenharia e de ciências
utilizados como catafóricos (antecipam exatas procuram se dedicar bastante à disciplina de
algo que será explicitado). cálculo por esta razão: ela é considerada uma das mais
difíceis do currículo desses cursos.

Este(s) / esta(s) também são empregados Exemplo 8


como anafóricos em caso da omissão do Alguns alunos da área de exatas abandonam o curso pelo
substantivo referenciador. fato de este exigir alto raciocínio lógico e muita dedicação
aos estudos.

Por outro lado, quando dois elementos


serão retomados independentemente, Exemplo 9
usaremos este(s) / esta(s) / isto para o Com a revolução tecnológica proporcionada pela internet,
que estiver mais próximo (o último que formaram-se grupos favoráveis e desfavoráveis com
foi mencionado) e aquele(s) / aquela(s) / relação ao uso dessa ferramenta em sala de aula. Estes
insistem no fato de que as várias possibilidades de uso da
aquilo para o mais distante (o primeiro
internet servirão mais como distração para os alunos do
que foi mencionado).
que como subsídios para um aprendizado mais
significativo; aqueles argumentam que não é possível
desprezar as contribuições que essa ferramenta, tão
presente na vida dos alunos, pode dar em sala de aula.
Atividade 3
Marque a opção cujos elementos preenchem as lacunas deixadas no texto abaixo, de modo
a conferir a ele a coesão adequada para que faça sentido.

A versão online da Revista Nacional de Tecnologia da Informação (RNTI) traz em sua 41ª edição
uma matéria intitulada “Pesquisa do Great Place to Work elege as melhores empresas para trabalhar
em TI e Telecom”. ______ matéria, a revista aponta como algumas das melhores empresas para se
trabalhar algumas das afiliadas ______ Assespro-Paraná, dando destaque à Sofhar
Gestão&Tecnologia, ______ foi eleita uma das melhores do Brasil pela segunda vez consecutiva.
______ são alguns dos benefícios dados ______ empresa aos funcionários: massoterapia, horário
destinado ao café da tarde, instalações adequadas ______ atividade exercida ______ liberdade de
acesso a todos os níveis hierárquicos da organização.
Com todos ______ benefícios, além de bons salários e a certeza de estar trabalhando em uma
empresa promissora, será natural que os alunos do Bacharelado em TI da UFRN busquem saber mais a
respeito da empresa Sofhar Gestão&Tecnologia ou sobre as ______ empresas citadas nessa matéria
da RNTI, ou em ______ revistas ligadas à área.

(a) Nesta à que Esses pela a mas esses principais ademais

(b) Nessa à que Estes pela à e esses demais outras

(c) Nessa a ela Aqueles pela a à e estes outras várias

(d) Naquela a a qual Esses por ao mais isso entre dentre

(e) Nesta a qual Estes da às ainda esse outras outras

B) Uso dos elementos coesivos onde e aonde.


Em geral, tem-se utilizado os elementos coesivos onde e aonde como uma espécie de
“coringa” da língua portuguesa, substituindo quase qualquer outro elemento coesivo, a exemplo
do emprego em substituição do que e do quando.
No entanto, esse uso tão diversificado não faz parte da norma e, por vezes, tem levado o
falante/escrevente ao emprego repetitivo e inadequado em certos contextos comunicativos.
De acordo com a norma da língua portuguesa, o pronome relativo onde e aonde devem ser
utilizados apenas para indicar lugar (espaço físico), sendo, o segundo utilizado para indicar apenas
circunstância de deslocamento para um lugar físico.

Exemplo 10

Natal é a cidade onde eu resido.

Ponta negra é a praia aonde eu irei no final de semana.


= para onde”
Atividade 4
Observe que, nos enunciados a seguir, foram deixadas lacunas. Elas devem ser preenchidas
com onde e aonde, observando a norma da língua portuguesa.

Pipa é a praia _______ costumo passar as férias.

A Alemanha é o país _______ pretendo fazer a Pós-graduação.

_______ nós iremos para estudar em paz?

Exemplo 11
Observe abaixo a tentativa de reprodução do discurso de venda produzido por um
ambulante.

Gente, no lugar onde eu morava, eu não


conseguia emprego. Foi aonde eu decidi
vir pra cidade de Natal pra vender estas
jujubas. Aonde você vai encontrar, dentro
do pacotinho, jujubas de vários sabores.
Onde você pode estar comprando para
me ajudar.

Figura 37 - Darth Vader, o vilão do filme Star Wars.


Fonte: Pelo mundo web rádio (2010).

À exceção do primeiro onde, os demais pronomes relativos destacados estão empregados


de maneira inadequada, uma vez que, nos trechos em que se encontram, não há noção de lugar.
Pense um pouco: como poderíamos reescrever o trecho acima de modo a garantir-lhe a devida
coesão?

Proposta de reescrita

Gente, eu não conseguia emprego no lugar onde eu morava. Por isso decidi vir para a cidade de
Natal vender estas jujubas. Dentro do pacotinho, você encontrará jujubas de vários sabores. Você pode
comprá-las para me ajudar.
C) Uso do porquê

Atividade 5
(Banco do Brasil, 2012 – Escriturário)

Os torcedores uniformizados não entenderam o motivo __________ foram impedidos de entrar


no estádio pelos funcionários encarregados da portaria, ___________ disseram apenas tratar-se
de uma questão de segurança.

Assinale a alternativa que apresenta os termos que, respectivamente, preenchem de forma


correta as lacunas acima.
(a) porque – onde.
(b) por que – que.
(c) porquê – os mesmos.
(d) por quê – onde.
(e) porque – que.
D) Uso do acento grave
Em língua portuguesa, usamos o acento grave para marcar a crase do “a” em três casos
específicos. Veja os esquemas de como utilizar o acento grave, a seguir.

1º caso
Preposição + artigo singular ________
s.f.s. (substantivo feminino singular)
a + a =à

Ex.: Estou indo a a universidade. = Estou indo à universidade.

2º caso
Preposição + artigo plural ________
s.f.p. (substantivo feminino plural)
a + as = às

Ex.: Passarei a as próximas questões. = Passarei às próximas questões.

3º caso
Preposição (a) + aquele(s)/aquela(s)/aquilo

Ex.: Direi àquele meu colega que você mandou lembranças.

Atividade 6
6.1 – Foram retiradas das frases a seguir alguns elementos coesivos. Preencha cada espaço
com o elemento mais adequado. Em seguida, marque a opção com a sequência correta de
preenchimento.

Esta noite, convidarei meus amigos _____ jantar comigo.


Disse-me que não vê a hora _____ receber o resultado das provas.
Sou fã de jogos eletrônicos _____ muito tempo.
No dia da inscrição para a faculdade, quase _____ não consigo chegar a tempo.
Irei _____ sala da professora pedir atendimento individualizado antes da prova.
Entregarei esse artigo _____ meu professor orientador.

(a) para de há que à ao


(b) ao para a eu há ao
(c) para o por ha que a para
(d) a de por eu a ao
(e) ao para a que à para
6.2 - Preencha corretamente as lacunas deixadas nas frases a seguir. Para tanto, utilize os
elementos coesivos a(s), à(s) e há. Em seguida, marque a opção com a sequência correta de
preenchimento.

Direi _____ ele que me espere após a aula.


Muitos alunos não dão muita atenção _____ disciplinas da área de humanas.
Não é possível dar crédito _____ pessoas que não honram seus compromissos.
Por problemas no microfone, o professor teve de começar _____ falar mais alto.
Acredito que _____ bons laboratórios na UFRN para praticarmos.
Estou esperando que meu computador chegue _____ dias.

(a) há a às à a há
(b) a às A a há há
(c) à às às há à a
(d) a a a há há a
(e) a há À à há há

1.2 Retomada por palavra lexical (substantivos, verbos, adjetivos)


Esse mecanismo coesivo consiste em retomar uma palavra, substituindo-a por um sinônimo
ou por outra palavra ou expressão que se associa a ela (hipônimo, hiperônimo ou antonomásia).
Observe a capa da revista Veja a seguir.

Exemplo 12

Figura 38 – O gladiador tranquilo.


Fonte: Veja (mar. 2012).
Note que o nome do lutador Anderson Silva é retomado algumas vezes por outras palavras
que, no contexto de publicação, são facilmente associadas a ele: “brasileiro campeão de artes
marciais”, “maior ídolo do esporte que mais cresce no mundo”, “gladiador tranquilo”. O mesmo
ocorre com o esporte do qual o lutador faz parte, o Ultimate Fighting Championship (UFC):
“esporte que mais cresce no mundo”. Esse tipo de retomada também é um recurso interessante
da coesão textual.

Atividade 6
6.1 – Leia a amostra textual abaixo, retirada da seção “Leitor”, de Veja online (19/ dez./
2012, p. 50) e marque a opção que apresenta apenas retomadas por palavra lexical, levando em
consideração os vocábulos destacados no texto.

“No Brasil, notícia é bandido morto pela polícia. O governo não se interessa nem em instalar
bloqueadores de celulares que funcionem nos presídios, de modo que até naqueles de “segurança
máxima” os bandidos podem enviar “ordens” aos seus comparsas em liberdade para que matem policiais.
Os governantes brasileiros não mandam nem condolências aos familiares de policiais assassinados em
serviço e nunca enaltecem o trabalho da polícia”.
Ronaldo Bastos Reis
Natal/RN

(a) seus – governantes.


(b) pela – nos.
(c) de segurança máxima – governantes.
(d) que – familiares.
(e) de segurança máxima – seus.

6.2 – Justifica a marcação da atividade anterior o fato de as retomadas por palavra lexical
fazerem referência aos seguintes vocábulos, respectivamente:
(a) presídios – governo
(b) polícia – familiares
(c) governantes – familiares
(d) presídio – polícia
(e) polícia – governo

2 Coesão sequencial (encadeamento de segmentos textuais)


Esse mecanismo coesivo é composto por elementos que dão fluidez ao discurso,
permitindo a concatenação de ideias e a criação de relações de sentido entre os segmentos do
discurso. Os operadores discursivos que compõem esse mecanismo não são vazios de sentido, por
isso não podem ser substituídos uns pelos outros aleatoriamente.

Exemplo 13

O governo diz injetar cada vez mais dinheiro na educação, porém, os resultados ainda são pouco visíveis.
Atente para o fato de que cada um dos elementos destacados possibilita a conexão entre o
trecho “anterior” e o “posterior” e, além disso, adiciona valor semântico (de sentido) à sequência
discursiva. Cada vez mais aponta para o fato de que os investimentos financeiros em educação
são aumentados periodicamente; e porém enseja contradição entre a expectativa causada pela
ideia inicial e a realidade. Não poderíamos, portanto, substituir os termos destacados por
qualquer outro, conforme comprovam as reescritas abaixo, em que os elementos coesivos são
substituídos por outros aleatoriamente.

1. O governo diz injetar cada vez mais dinheiro na educação, portanto os resultados ainda são
pouco visíveis.
2. O governo diz injetar todavia dinheiro na educação, ainda os resultados são pouco visíveis.
3. O governo diz injetar pouco dinheiro na educação, por isso os resultados são pouco visíveis.

Pense: podemos dizer que o sentido original foi mantido em cada uma dessas reescritas?
Veja, a seguir, alguns operadores discursivos e seus valores semânticos.

 Para indicar oposição/contraste/adversidade: mas, contudo, porém, todavia, entretanto,


apesar de, contrário a.
Ex.: Joaquim não é considerado um aluno estudioso, porém, possui um dos maiores IEA do BCT.

 Para indicar finalidade: para tanto, a fim de, a fim de que, para, para que, com o intuito de.
Ex.: O IMD pretende se tornar um núcleo de referência na área de TI, para tanto investe na
formação de seus alunos.

 Para indicar adição: ademais, em acréscimo, e, mais, além disso, mais também.
Ex.: É claro que ele mereceu passar no vestibular, sempre foi esforçado. Ademais, aumentou a
carga de estudos no ano que antecedeu as provas do concurso.

 Para indicar concessão: mesmo assim, embora, mesmo que, ainda que.
Ex.: Os bacharelados interdisciplinares da UFRN (BCT e BTI), embora sejam cursos novos,
demonstram ser bastante promissores.

 Para indicar causa e consequência: uma vez que, em virtude de, por isso, por causa de, em
decorrência de, em vista de, em razão de.
Ex.: A Petrobrás ainda é considerada uma das melhores empresas para se trabalhar, em virtude
disso, sempre que abre concurso, o número de inscritos é bastante alto.

 Para indicar condição: se, caso, se acaso, contanto que, a não ser que, a menos que.
Ex.: Os graduandos do BTI e os do BCT podem conseguir dupla titulação em cinco anos de vida
acadêmica, contanto que se dediquem aos seus respectivos cursos.
 Para indicar conclusão: assim, afinal, sendo assim, portanto, logo, por isso, em vista de.
Ex.: Os professores de PLE são muito queridos pelos alunos, afinal dedicam-se bastante à
formação destes.

 Para indicar tempo: ao longo de, antes, anteriormente, depois, após, passados, quando,
sempre, nunca.
Ex.: Dentre outras possibilidades, os alunos do BTI poderão, após terminarem o curso, ingressar
no mestrado profissionalizante.

 Para indicar proporção: à medida que, ainda mais se, mais que, ao passo que, tanto menos,
quanto mais.
Ex.: À medida que o aluno do BCT for avançando no curso, será direcionado ao eixo generalista ou
aos cursos subsequentes.

 Para indicar esclarecimento: ou seja, isto é, quer dizer, ou melhor, melhor dizendo.
Ex.: O aluno do BTI terá um currículo bastante aberto, isto é, terá bastante liberdade na hora de
escolher as disciplinas que pagará ao longo do curso.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para encerrarmos este estudo, é necessário enfatizarmos, mais uma vez, que a coesão
textual é fundamental para as práticas de leitura e de escrita. Trata-se de um dos fatores
essenciais à geração/atribuição de sentido, uma vez que promove a conexão harmônica entre os
componentes textuais (palavras, frases, orações, períodos, parágrafos).

 O que é coesão textual?


A coesão é um fator de organização entre os elementos textuais, a qual se apresenta,
normalmente, na superfície textual. A coesão serve para garantir entrelaçamento, conexão,
harmonia entre as unidades discursivas (palavras, frases, orações, períodos, parágrafos e demais
componentes textuais).

 O que são elementos coesivos?


Elementos coesivos são operadores linguísticos (pronomes, advérbios, numerais,
preposições, conjunções) que ajudam a estabelecer a coesão textual, servindo para retomar ou
antecipar palavras, para substituí-las, evitando repetições, ou para encadear sequências de ideias.

 Por que a seleção de elementos coesivos é importante?


Os elementos coesivos colaboram no estabelecimento de conexões entre os componentes
do texto e na atribuição de nexos semânticos ao discurso. Portanto, a ausência ou a má escolha
de algum desses elementos poderá resultar em perda parcial ou total do sentido, ocasionando
problemas de leitura.
 Existe texto sem coesão ou sem coerência?
Não. Considerando que – conforme vimos em outras aulas – o texto deve possuir
sentido(s), tanto a coesão quanto a coerência são necessárias à elaboração dele. A coesão pode
se dar em graus mínimos, mas nunca estará ausente por completo de um texto.

PARA SABER MAIS

* Texto
Artigo: Coesão. [2012 ?]. Disponível em: http://www.brasilescola.com/redacao/ coesao.htm.
Acesso em 26/12/12. Autoria: Marina Cabral.

* Game de PLE
Disponível em: <www.ple.ect.ufrn.br>.

RESUMO DA AULA
Nesta aula, estudamos uma das principais propriedades discursivo-textuais: a coesão.
Vimos que ela serve para conferir unidade ao texto, tendo em vista que, por meio da coesão,
podemos estabelecer conexões entre as unidades textuais. Quanto a isso, estudamos os seguintes
mecanismos coesivos: retomada ou antecipação por palavra gramatical, retomada por palavra
lexical e encadeamento de segmentos textuais.
AVALIAÇÃO
Na sequência, encontram-se duas questões de coesão, retiradas de concursos. A questão 1,
para um cargo de nível médio no Ministério da Fazenda; a questão 2, para um cargo de nível
superior na Secretaria de Economia e Planejamento de São Paulo. Responda a elas.
1. (Assistente Técnico-Administrativo - ESAF/2009) Leia o texto abaixo e depois assinale, no
quadro a seguir, a opção cujos elementos coesivos preenchem corretamente as lacunas do texto.

A chegada da crise financeira mundial ____ pequenos municípios exibe mais uma face perversa do
abalo global que já fez tremer os gigantes do crédito internacional. A população mais pobre dessas
comunidades começa a pagar preço alto ao ____ situar no lado mais fraco das contas públicas brasileiras.
A desaceleração da atividade econômica já seria suficiente ____ provocar uma expressiva perda de
arrecadação em todos os níveis da administração pública. Mas ____ um complicador a mais para os
municípios pequenos. Forçado ____ conceder desonerações tributárias para ajudar a manutenção de
empregos, o governo federal abriu mão de parte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), um dos
principais formadores do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Por causa da excessiva proliferação
de cidades, muitas vezes, emancipadas apenas para atender a interesses de grupos políticos locais, é
imensa a quantidade de orçamentos dessas comunidades em todo o país que dependem quase ____
exclusivamente desse fundo.
(Estado de Minas, 3/3/2009)

(a) nos o ao a em que


(b) por lhe por existe por de
(c) aos se para há a que
(d) a a de é de em
(e) em o ao é por de

2. (Secretaria de Economia e Planejamento/SP - ESAF/2009) Julgue os usos de a/as destacados no


texto abaixo e assinale a opção correta quanto à existência ou não de crase e à necessidade ou
não do acento grave.

A sociedade brasileira, cada vez mais, quer conhecer e debater as políticas, planos e programas de
desenvolvimento, previamente a (1) tomada de decisão pelo Poder Público e a (2) luz dos objetivos da
sustentabilidade e da melhoria dos processos de negociação e de controle social. Essa discussão é
orientada pela busca do melhor juízo sobre a (3) defesa ambiental com vistas a (4) adoção de um processo
de natureza negocial, baseado numa abordagem de gestão pública compartilhada, que não deve estar
restrita as (5) agências ambientais. Visa, também, a (6) definição de espaços adequados e permanentes
para o diálogo de forma a (7) se antecipar aos potenciais conflitos socioambientais associados as (8)
propostas de desenvolvimento e a (9) redução de ações de intervenção que remetam as (10) decisões a
(11) esfera do Judiciário.
(http://www.planejamento.sp.gov.br/PUBLICACOES/Desenv_sustent_ambientais.pdf)

Devem ser acentuados com acento grave os a/as destacados com os números:
(a) 1, 2, 3, 4, 5, 7, 8, 9 (d) 2, 3, 4, 6, 7, 10, 11
(b) 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 10 (e) 1, 2, 5, 6, 8, 9, 10
(c) 1, 2, 4, 5, 6, 8, 9, 11
06 - Fatores de coerência discursiva
VOCÊ VERÁ POR AQUI...
... o que são fatores de coerência discursiva e quais são as implicações deste estudo para as
práticas de leitura e escrita.

OBJETIVOS
 Compreender o que é coerência discursiva.
 Conhecer os fatores de coerência.
 Perceber como a coerência e seus fatores podem contribuir na leitura e na escrita de
textos.
 Aplicar o conhecimento teórico às práticas de leitura e escrita.

INICIANDO NOSSA CONVERSA


No capítulo anterior, tratamos da coesão textual. Conforme apontado na aula anterior,
coesão e coerência são unidades básicas para a composição de um texto, ou seja, são
responsáveis para que a ele se atribua sentido pleno.
Nesta aula, apresentaremos alguns conhecimentos para que você se certifique de como a
busca pela coerência discursiva é um esforço contínuo de cada um de nós. Para que isso seja
alcançado, utilizamos diferentes recursos.
Tendo essa questão em vista, algumas perguntas se apresentam como desafio para nós.
Vejamos quais são.
 O que é coerência discursiva?
 O que é incoerência?
 Quais são os fatores de coerência?
 Como a coerência ajuda na leitura e na escrita de textos?
 A quais estratégias podemos recorrer a fim de manter a coerência discursiva?

Frequentemente, ouvimos dizer: esse texto não está coerente; isso não é um texto; essas
ideias são confusas, sem sentido... O que é, afinal, coerência? Vamos a uma atividade inicial para
ver se isso fica mais claro.

Exemplo 1

NÃO ENTRE APENAS


PESSOAS
AUTORIZADAS
Atividade 1
Utilizando seu conhecimento prévio, é possível afirmar que essa placa de acesso a
determinado ambiente é coerente?
(a) Sim, pois restringe a entrada na sala apenas a pessoas autorizadas.
(b) Não, já que não se pode restringir o direito de ir e vir das pessoas.
(c) Não. A placa é redundante, tendo em vista que fica pressuposto que apenas pessoas
autorizadas devem entrar em uma sala.
(d) Não. Do modo que o texto está escrito, pessoas autorizadas não podem entrar na sala.
(e) Sim. É previsível, para o leitor, que não é necessária nenhuma autorização prévia para permitir
o acesso a qualquer ambiente.

A tentativa de estabelecer um sentido para o que lemos representa o nosso esforço em


perceber se há coerência naquilo que se nos apresenta como texto. Esse requisito indispensável à
existência de um texto é, de fato, um princípio de interpretabilidade muito importante para os
leitores. Assim, quando se fala em coerência, pensa-se na não contradição de sentidos entre
passagens do texto, ou seja, na existência de nexos semânticos (de sentido) entre os
componentes.
Conforme vimos anteriormente, enquanto a coesão se manifesta no nível microtextual,
garantindo a conexão entre palavras, frases, orações, períodos, parágrafos, isto é, permitindo a
continuidade e a concatenação textual para que o leitor não se perca; a coerência está mais para
o nível macrotextual. Coerência é, pois, o resultado da possibilidade de se estabelecer alguma
forma de unidade ou relação de sentido(s) entre os elementos do texto, como um todo. Assim,
podemos afirmar que a coerência é global e fruto da relação autor-texto-leitor.
É importante lembrar que a coesão pode auxiliar no estabelecimento da coerência, embora
nem sempre a coesão se manifeste explicitamente através de marcas linguísticas (palavras,
expressões). Isso nos faz concluir que pode haver textos coerentes mesmo que a coesão se
mostre por mecanismos distintos dos conectivos tradicionalmente utilizados (conjunções,
advérbios, preposições). Por outro lado, podem existir textos que, embora contenham alguma(s)
marca(s) coesiva(s), apresentem graves problemas de coerência; ou textos coerentes com um
nível mínimo (ou pouco aparente) de coesão. Para que você compreenda melhor, vejamos o
exemplo a seguir, que traz uma história nonsense, extraída da oralidade.

Exemplo 2

Em um certo dia, um garoto procura seu pai com lágrimas nos olhos para fazer um pedido.
‘Pai’ – diz o menino – ‘por favor, compre-me uma bicicleta’. A esse apelo o pai olha severamente
para o filho e responde: ‘Não, porque o seu quarto já tem uma janela’. Triste com a resposta do
pai, o garoto decide, desde então, nunca mais comer salgadinhos.

A leitura desse exemplo nos ajuda a compreender que a coesão por si só não garante a
plenitude de sentido. A história possui vários elementos coesivos explícitos (“em um certo dia”,
“para”, “esse”, “seu”, “desde então”, “nunca mais”) que permitem a continuidade discursiva;
entretanto, não é possível fazer as devidas associações semânticas. Isso significa que há
problemas de coerência, embora o texto possua marcas de coesão.
Exemplo 3
Vejamos um fragmento de um “tutorial” escrito por um técnico em informática para os
usuários de um novo ambiente virtual escolar, especificamente desenhado para alunos do ensino
médio.

Ao acessar o sistema pela primeira vez, cadastre seus dados pessoais, mas com o número de
seu próprio RG e dos responsáveis para poder prosseguir. As informações devem ser atualizadas.

Analise com criticidade a sequência lida. Há alguma relação de oposição que justifique o
uso do elemento coesivo “mas” entre as seguintes informações: “seus dados pessoais” e o fato de
que se deve utilizar o número do RG do usuário? Há algum outro uso inadequado?

Atividade 2
Considerando a análise feita, reescreva o fragmento apresentado no exemplo 3 em seu
caderno, proporcionando-lhe melhor qualidade.

Exemplo 4
Conforme você pode observar, quando falamos ou escrevemos, precisamos usar
determinados termos que façam as conexões adequadas para o estabelecimento dos sentidos
que queremos imprimir a nossos textos orais e/ou escritos. Esses termos são justamente os elos
coesivos. No entanto, existe a possibilidade de esses elos não estarem completamente explícitos
e, ainda assim, haver coerência. Analisemos a amostra textual a seguir.

Atividade 3
A que gênero discursivo pertence o texto do exemplo 4? Ele apresenta coerência
discursiva? Você consegue identificar, nesse texto, algum elemento coesivo?
Exemplo 5
A seguir, você lerá algumas manchetes publicadas em jornais cariocas de diferentes épocas,
extraídas do livro “Corrija-se! De A a Z” (SACCONI, 2001).

JORNAL DO BRASIL

a) "A nova terapia traz esperanças a todos os que morrem de câncer a cada ano."
b) "Os sete artistas compõem um trio de talento."

JORNAL O DIA
c) "A vítima foi estrangulada a golpes de facão."
d) "O velho, antes de apertar o pescoço da mulher até a morte, se suicidou."
e) "Prefeito de interior vai dormir bem, e acorda morto.”

Atividade 4
Pense um pouco: a leitura dos enunciados permite afirmar que são coerentes?

Vamos às expectativas de resposta.

Respondendo à atividade 2...


Ao acessar o sistema pela primeira Perceba que, no texto original, além do
vez, cadastre seus dados pessoais, elemento coesivo “mas” ter sido empregado
inclusive o seu próprio RG; insira no inadequadamente, a palavra “responsáveis” necessita
espaço adequado as informações sobre a ser complementada para evitar ambiguidades
pessoa que é responsável por você. As (responsáveis pelo aluno, ou pelo sistema?). Além
informações devem estar atualizadas. disso, ainda não há “informações” cadastradas,
portanto, não faz sentido pedir para atualizá-las. Se
elas estão sendo inseridas, consequentemente, são
atualizadas.

Respondendo à atividade 3...


O gênero discursivo é tabela de preços. A pessoa que confeccionou a placa escreveu
algumas palavras incorretamente, mas podemos afirmar que a coerência foi preservada, pois a
tabela atinge o objetivo pretendido e o leitor consegue atribuir a ela o adequado sentido. Quanto
à coesão, embora esteja minimamente marcada, o cliente sabe que aquilo que está escrito à
esquerda é o nome do produto e que, à direita, encontra-se o valor correspondente a ele.

Respondendo à atividade 4...


Todas as notícias de jornal apresentadas no exemplo 5 possuem algum tipo de incoerência.
Vejamos.
a) Terapias existem para a cura dos seres vivos. Aos que “morreram”, não há, do ponto de
vista médico, mais nada a fazer.
b) Trio quer dizer conjunto com TRÊS componentes. Se há mais de três, não é um trio.
c) Estrangular significa matar alguém por asfixia, e não cortar alguém (a golpes de facão).
d) Como seria possível que “o velho” apertasse o pescoço “da mulher” se ele já estava morto?
e) Acordar é um “privilégio” de quem está vivo; logo, se o prefeito estava morto, como
poderia acordar?

1 FATORES DE COERÊNCIA
Intuitivamente, acionamos diferentes conhecimentos para estabelecer a coerência dos
textos falados e escritos com que temos contato todos os dias. Os fatores de coerência
representam os tipos de acionamento que fazemos na nossa tentativa de atribuir sentido àquilo
que lemos e, também, dos quais dependemos para que aquilo que escrevemos faça sentido. Além
disso, esses fatores possibilitam maior agilidade na comunicação, já que permitem, em alguns
casos, o encurtamento do discurso sem que ele perca o sentido. Nesta aula, ateremo-nos a cinco
fatores de coerência: conhecimento linguístico; conhecimento de mundo; conhecimento
partilhado; inferências; fatores de contextualização.

Exemplo 6

Figura 39 – Tirinha (Turma da Mônica).


Fonte: SOUSA, Mauricio de. 2008.
Atividade 5
Para que a tirinha da turma da Mônica faça sentido e atinja o objetivo humorístico, é
necessário que o leitor ative alguns conhecimentos prévios, como: saber que os gibis devem ser
lidos da esquerda para a direita e de cima para baixo; conhecer os personagens e a relação entre
eles; conhecer o que exprimem alguns sinais gráficos. Feitas essas observações, marque a opção
mais adequada quanto ao efeito humorístico da tirinha.
(a) A tirada humorística do quadrinho está no fato de que Cebolinha acaba encurralado, mesmo
sendo mais rápido que Mônica, considerada gorda por ele e, por isso, mais lenta.
(b) O humor fica subentendido na contradição entre o que Cebolinha afirma no primeiro
quadrinho – que nunca disse que Mônica era gorda – e a atitude dele no último quadrinho,
revelando que ele, de fato, acha Mônica gorda.
(c) O efeito humorístico está nas confusões entre Mônica e Cebolinha, mas é amenizado pelo fato
de sempre brigarem pelo mesmo motivo.
(d) O “ponto máximo” da tirinha está no segundo quadrinho, devido à surpresa de Cebolinha ao
se deparar com um precipício, percebendo que estava encurralado.
(e) A tirinha investe bastante nos sinais gráficos; assim, o efeito humorístico é balanceado pela
expressão contraditória de Mônica no último quadrinho, já que, por não se considerar gorda, ela
deveria continuar com a investida contra Cebolinha.

1.1 Conhecimento linguístico


Ao longo de nossas vidas, desenvolvemos uma gramática “internalizada” que nos permite
identificar as construções linguísticas possíveis em nossa língua materna. O mesmo acontece com
uma língua estrangeira que estudamos com afinco durante anos.
Esse conhecimento, inconsciente para a maioria das pessoas, é fundamental na ativação do
sentido de um texto, pois é no processamento da leitura que vamos reconhecendo as palavras e
seus agrupamentos. Ao relacioná-las com o todo, atribuímos ao texto uma unidade de sentido.
Em outras palavras, nós construímos a coerência que no texto esperamos encontrar.

Exemplo 7

O computador não é a resposta para tudo


Ouvindo-se the majority of people talk about computers nowadays, tem-se a impressão de
que as pessoas que não fazem uso de computador não conseguem fazer mais nada. A adoração
que se tem por esse instrumento é tamanha that a lot of people are buying computers até para
enfeitar a casa.
Afinal, it is the type of thing que está na moda e que parece to offer the answer to all the
problems of modern life. Basta ter um computador e a mágica está feita.
É claro que computers are extremely useful. In fact, eu teria much more difficulty to write
this text if I did not have todos os recursos que essas teclas e essa tela me proporcionam. No
entanto, people seem to forget that the computer only works if there is um ser humano que o
controle, fazendo-o agir de acordo com a vontade humana. O computador não vai resolver nada
se o ser humano não ativá-lo para que realize algum procedimento.
Logo, o computador sozinho não passa de mais uma coisa para atravancar o espaço. In fact,
it is an instrument in our hands.
(MOITA-LOPES, 1999, p. 8)
Alguns leitores possivelmente não conseguirão compreender a totalidade do texto devido a
não terem conhecimento suficiente em inglês. Vejamos, porém, se esse quadro se altera se
dermos a esses leitores as respectivas traduções para que eles façam os encaixes necessários no
texto.

* the majority of people talk about computers nowadays: a maioria das pessoas conversarem
sobre computadores hoje em dia...
* that a lot of people are buying computers: que muitas pessoas estão comprando computadores…
* it is the type of thing: é o tipo da coisa…
* to offer the answer to all the problems of modern life: oferecer a resposta para todos os
problemas da vida moderna…
* computers are extremely useful: computadores são extremamente necessários...
* In fact: de fato...
*much more difficulty to write this text if I did not have: muito mais dificuldade para escrever este
texto se eu não tivesse…
* people seem to forget that the computer only works if there is: as pessoas parecem se esquecer
de que o computador só trabalha se existir...
* it is an instrument in our hands: ele é um instrumento em nossas mãos.

Com o conhecimento linguístico necessário, fica fácil atribuir sentido a esse texto, não é
verdade?

Atividade 6
Após a leitura do texto adaptado de MOITA-LOPES (1999, p. 8), assinale a única opção que
o sintetiza adequadamente.
(a) O computador é uma ferramenta indispensável para o homem moderno.
(b) O funcionamento e a utilidade do computador dependem da vontade humana.
(c) As pessoas, atualmente, têm um apego exagerado ao computador.
(d) O computador independe da ação humana.
(e) O desconhecimento de determinados termos não nos permite chegar a uma síntese.

1.2 Conhecimento de mundo


Ao longo de nossas experiências, acumulamos conhecimentos específicos que nos ajudam a
desfazer ambiguidades e a compreender determinados textos que a outras pessoas podem
parecer obscuros. De fato, há textos que, mesmo estando escritos em nossa língua materna, só
conseguiremos compreender se tivermos conhecimento de mundo na área que ele focaliza.
Vejamos uma amostra interessante.

Exemplo 8

O IMD/UFRN utiliza a MC como um dos critérios para direcionar o aluno egresso aos cursos
subsequentes da área de TI.
Esse texto está escrito em língua materna, mas isso não nos garante atribuição de sentido a
ele. Nesse caso, é imprescindível que tenhamos algum conhecimento de mundo na área da
linguagem acadêmica.
* O que é "IMD/UFRN"? Instituto Metrópole Digital da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte.
* O que é "egresso"? Aluno que conclui determinado nível de ensino. No caso, o
Bacharelado em Tecnologia da Informação.
* O que é "curso subsequente"? É um dos cursos superiores no qual o bacharel em
Tecnologia da Informação pode ingressar para se tornar especialista.
* O que é “MC”? Média de conclusão, ou seja, índice acadêmico utilizado para “medir” o
rendimento escolar final obtido pelos alunos que concluíram determinada graduação.

Atividade 7
Após a leitura do exemplo dado, marque a opção que apresenta uma proposta de reescrita
adequada ao público leigo e que preserve o sentido original.
(a) O Instituto Metrópole Digital (IMD) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(UFRN) adotará o índice média de conclusão (MC) como um dos índices para aprovação de alunos
ingressantes em um curso subsequente da área de Tecnologia da Informação.
(b) O Instituto Metrópole Digital (IMD) utiliza um dos índices de avaliação do estudante
universitário, MC, como critério para que o aluno possa ingressar em outro curso da área de TI.
(c) O Instituto Metrópole Digital (IMD) propõe a adoção do MC como critério para formação
dos alunos egressos dos cursos da área de Tecnologia da Informação.
(d) O Instituto Metrópole Digital (IMD) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(UFRN) utiliza o índice Média de Conclusão (MC) como critério para que os alunos formados no
IMD possam ingressar em cursos subsequentes da área de Tecnologia da Informação.
(e) O Instituto Metrópole Digital da Universidade Federal do Rio Grande do Norte terá o MC
como índice para o ingresso de estudantes na área de Tecnologia da Informação.

Atividade 8
Vamos a outra atividade, adaptada de um exemplo em Marcuschi (2008, p. 124). Leia o
texto a seguir.

Certa vez, uma família inglesa foi passar as férias na cidade de Munique, na Alemanha. No
decorrer de um passeio, as pessoas da família viram uma casa de campo que lhes pareceu boa
para passar as próximas férias de verão. Foram, então, falar com o proprietário da casa, que era
um senhor de idade, alemão e evangélico, mais precisamente o pastor de uma das igrejas da
região. Combinados o período e o valor do aluguel, a família inglesa ficou de voltar no verão
seguinte.
De volta à Inglaterra, a família conversou muito animadamente acerca da casa, dos
cômodos do imóvel e de como seriam boas as próximas férias. De repente, a mãe lembrou-se de
não ter visto o W.C. da casa. Onde seria o W.C. daquela casa? Nenhum dos componentes da
família sabia.
De acordo com o sentido prático dos ingleses, a senhora escreveu imediatamente para o
proprietário da casa que pretendia alugar para perguntar-lhe esse detalhe da planta do imóvel.
Leia a carta encaminhada ao senhor alemão, que aqui aparece traduzida na nossa língua
materna.

Londres, 25 de julho de 2000.

Gentil Pastor Hanz,

Sou membro da família inglesa que o visitou há poucos dias com a finalidade de alugar sua
propriedade no próximo verão. Como esquecemos um detalhe muito importante, escrevo ao senhor e
agradeceria se nos informasse onde se encontra o W.C. Nenhum de nós se lembrou, na oportunidade da
visita, de verificar o local.
Agradeço desde já sua atenção.

Atenciosamente,
Linda McCartney

O Pastor Hanz, não compreendendo o significado da abreviatura W.C., que significa water
closet (e, em português, “banheiro”), mas julgando tratar-se da capela da religião inglesa White
Chapel, da qual a família McCartney possivelmente participaria em Londres, respondeu nos
seguintes termos.

Munique, 31 de julho de 2000.

Gentil Senhora McCartney,

Tenho o prazer de comunicar-lhe que o local de seu interesse fica a 12 km da casa. É muito
cômodo, sobretudo se a senhora e sua família têm o hábito de ir lá frequentemente. Nesse caso, é
preferível levar comida para passar lá o dia inteiro.
Alguns vão a pé, outros de bicicleta. Há lugar para quatrocentas pessoas sentadas e cem em pé.
Recomenda-se chegar cedo para arrumar logo um lugar para sentar. As crianças sentam-se ao lado dos
adultos e todos cantam em coro. Na entrada, é distribuída uma folha de papel para cada um; no entanto,
quem chegar depois da distribuição pode usar o papel do vizinho. Na saída, os papéis são restituídos para
serem usados durante um mês.
Todas as doações lá recolhidas são para as crianças pobres da região. Fotógrafos especiais tiram
fotos para os jornais da cidade, a fim de que todos possam ver seus semelhantes no desempenho de um
dever tão humano.
Espero ter oferecido todo o detalhamento de que a senhora e sua família precisam.

Aguardando-os no próximo verão, atenciosamente, subscrevo-me.


Pastor Hanz

A troca de cartas entre Linda McCartney e o Pastor Hanz ilustra bem a ideia de que a escrita
não é transparente. Na verdade, ela requer do escrevente um cuidado na explicitação de pistas
que favoreçam ao leitor a possibilidade de atribuição de sentido.
1.3 Conhecimento partilhado
Nossas experiências pessoais são responsáveis pelo tipo de conhecimento que
acumulamos. Isso faz de cada um de nós um ser singular. Você e eu não compartilhamos todas as
nossas experiências. Nem entre nós dois nem entre todos os que nos rodeiam. Todavia, também
temos muito em comum com muitas pessoas, mesmo as que não conhecemos pessoalmente.
De fato, quanto mais informações partilhamos, mais possibilidades de reconhecer a
coerência do enunciado do outro, mesmo que esse enunciado seja cheio de informações
implícitas.

Exemplo 9
No ano de 2012, a empresa de automóveis Volkswagen lançou a seguinte propaganda
publicitária.

Figura 40 – Propaganda (automóvel Gol).


Fonte: MKT Esportivo (2012).

Ao elaborar esse anúncio, a empresa publicitária (Almap BBDO) considerou alguns


pressupostos sobre o “público ideal” ao qual a propaganda se destina. Vejamos alguns deles.
 Interesse em possuir um automóvel de qualidade.
 Reconhecimento da figura pública de Neymar e sua relação com o futebol (esporte
considerado “paixão nacional brasileira”).
 Relação entre a qualidade do trabalho do jogador de futebol Neymar e a do engenheiro: fazer
gols.
Atividade 9
Apesar de algumas “pistas” já terem sido dadas, o anúncio lido ainda permite algumas
outras inferências. Releia-o e, em seguida, marque a opção que apresenta uma adequada
associação entre a modalidade verbal do texto e a não verbal.
(a) O jogador de futebol Neymar está usando o uniforme da seleção brasileira, pois confere ao
automóvel a mesma credibilidade de qualquer jogador brasileiro.
(b) Gol assume duplo sentido no anúncio, o que justifica o uso da palavra tanto para o jogador
quanto para o engenheiro.
(c) A propaganda tem como público qualquer fã de futebol, por isso a escolha de duas referências
mundiais do esporte, o jogador Neymar e o estádio do Maracanã.
(d) A disposição do jogador Neymar e a do engenheiro na foto revelam que o primeiro tem
talento inato para fazer gols e que o segundo se empenha bastante para aperfeiçoá-los.
(e) O carro Gol é resultado de aprimoramento técnico semelhante ao do jogador, além de
depender do esforço individual.

1.4 Inferências
Quando lemos ou ouvimos um texto, estabelecemos algumas relações de sentido entre o
que foi escrito ou falado e os conhecimentos que acionamos no processo de compreensão.
A respeito desse fator de coerência, já o tivemos como foco de uma de nossas aulas, mas é bom
relembrarmos alguns conceitos.
As inferências podem ser autorizadas (possíveis) ou não autorizadas (equivocadas). Isso
ocorre porque todo texto é uma espécie de iceberg (KOCH; TRAVAGLIA, 1998). A materialidade
linguística que se nos apresenta é apenas a ponta do iceberg.
Vejamos uma amostra textual.

Exemplo 10
O professor de Práticas de Leitura e Escrita está
pensando em comprar um carro do ano.

Inferências
1 – O professor de Práticas de Leitura e Escrita precisa
comprar um automóvel.
2 – O professor de Práticas de Leitura e Escrita tem
dinheiro para comprar um automóvel.
3 – O professor de Práticas de Leitura e Escrita é rico.
Figura 41 – Automóvel (Lamborghini - Gallardo).
4 – O professor de Práticas de Leitura e Escrita é uma Fonte: e-Reality (2007).
boa companhia para mim.
Atividade 11
Com relação às inferências apresentadas, marque a única opção correta quanto ao
adequado julgamento delas.
(a) Apenas as inferências 1 e 2 parecem adequadas.
(b) As inferências 1 e 3 se apresentam como as mais adequadas.
(c) Apenas a inferência 4 parece inadequada.
(d) As inferências 2 e 4 são autorizadas.
(e) A inferência 2 é a única inquestionável.

Das quatro inferências citadas, podemos observar que nem todas são autorizadas. A não
ser que haja outras informações, além do que foi expresso no exemplo 10, não podemos aceitar a
3 nem a 4 como possíveis.
As inferências podem ser formadas a partir de pressupostos e de subentendidos. No
primeiro caso, o leitor/ouvinte se ancora em elementos linguísticos (palavras e expressões usadas
no texto) para fazer as correlações de sentido. No segundo, é o contexto mais geral que faz surgir
a inferência.
Vejamos se os exemplos 11 e 12 esclarecem ainda mais essa diferença.

1.4.1 Pressupostos

Exemplo 11
Exemplo
Juliana é11
muito inteligente, apesar de ter concluído o ensino médio em escola pública.

Contexto: comentário feito por um colega de trabalho de Juliana.

Exemplo 12

A filha da cantora Madona é moreninha, mas é linda!

Contexto: revista voltada a notícias sobre a vida das celebridades.

Observe, no exemplo 11, o elemento coesivo “apesar de”. Ele traz ao período uma ideia de
oposição entre “ser inteligente” e “ter concluído o ensino médio em escola pública”. Qual é,
portanto, a pressuposição que subjaz dessa afirmativa?
Ter cursado o ensino médio em escola pública implica pressupor que alguém não seja
considerado inteligente? Essa pressuposição é preconceituosa; logo, não pode ser considerada
verdadeira.
No exemplo 12, o uso do elemento coesivo “mas” traz ao período a ideia de adversidade
entre ser “linda” e ser “moreninha”. Em outras palavras, fica pressuposta uma relação direta
entre a beleza feminina e a cor da pele. Essa relação deixa as mulheres morenas em situação de
desigualdade frente às loiras.
Mesmo que não tenha havido a intenção do locutor, temos, nessa amostra, um exemplo de
preconceito em relação à cor morena. Esse caso serve como um alerta do quão atento o
escrevente deve estar ao seu texto a fim de garantir a ele a devida coerência.

1.4.2 Subentendidos

Exemplo 13

Já está melhor?

Contexto: uma pessoa que tem contato constante com outra ficou sabendo que esta esteve doente.

Exemplo 14

Você acredita que Flávio ainda mora com os pais?

Contexto: um homem faz essa afirmação na frente de outro homem sobre um colega em comum,
Flávio, que já é maior de idade.

Exemplo 15

– As encomendas chegaram?
– Os correios estão em greve.
– Melhor adiar a inauguração da loja.

Contexto: duas sócias conversando em uma loja ainda não aberta ao público.

Seria estranho fazer a mesma pergunta do exemplo 13 para um estranho. Além disso, o
interlocutor não precisa de mais informações além da pergunta para entender que o produtor do
enunciado está perguntando sobre seu estado de saúde.
O que fica subentendido a respeito de Flávio a partir dessa declaração do exemplo 4? Fica
subentendido que os colegas de Flávio consideram estranho o fato de um homem maior de idade
ainda morar com os pais.
Observe que, no exemplo 15, a sócia não responde exatamente ao que lhe é perguntado.
A declaração que vem da outra mulher, por sua vez, também não se refere diretamente às
encomendas. Ela menciona a greve dos correios. Apesar disso, elas se entendem perfeitamente,
porque compartilham muitas informações e conseguem atribuir sentido(s) ao que dizem.
1.5 Fatores de contextualização
Na produção escrita, em geral, há uma necessidade maior de explicitação das informações,
tendo em vista que os interlocutores não estão um diante do outro para pedir esclarecimentos.
Assim, determinados elementos contextualizadores são imprescindíveis na escrita, embora
possam ser dispensáveis na fala. Vejamos um exemplo disso.

Exemplo 16

Amigo Pedro,

Hoje, o dia aqui está chuvoso. Nem vai dar para ir àquela praia que fica na cidade ao lado,
perto da casa do seu amigo. Amanhã, porém, mesmo chovendo, visitarei a casa de campo da prima
do nosso vizinho de condomínio. Ele me deu o endereço dela. Fica a uns 300 quilômetros daqui.
Pretendo fazer uma surpresa. Você acha que ela vai se aborrecer?

Um abraço.
João.

Obs.: você está se lembrando de seu compromisso comigo, né? Prometeu que, na minha
volta, iria me pegar no aeroporto. Vá mesmo, porque já não tenho dinheiro para táxi. Nem ônibus.

Como podemos constatar, João não usou elementos contextualizadores essenciais nessa
carta: local e data. De fato, a ausência da data torna difícil supor o referente exato do “hoje” e do
“amanhã”. João teria escrito essa carta no mesmo dia em que a colocou nos correios? Essa
hipótese é possível, mas é APENAS uma hipótese.
Da mesma forma, faz falta saber o local onde ele está. “Aqui” só faz sentido se eu estiver na
frente do meu interlocutor ou falando com ele pelo telefone ou ainda pela Internet e
explicitando, antes, o local de onde me comunico. Nesses casos, o “aqui” é compreensível por
causa do conhecimento partilhado entre os interlocutores.
Todavia, no caso da carta de João, além de não sabermos onde é “aqui”, não sabemos onde
fica a praia que ele não pôde visitar por causa da chuva. Isso porque os termos “aquela praia”,
“cidade ao lado” e “perto da casa do seu amigo” não são esclarecedores. Tampouco
esclarecedoras são “a prima do nosso vizinho de condomínio” (que prima? De que vizinho?) e
“300 quilômetros daqui” (daqui onde?).
O pior de tudo é que João corre um grande risco de ter de voltar para casa a pé, porque não
explicitou o dia nem a hora em que estará de volta à sua cidade. Se for uma cidade grande com
mais de um aeroporto, isso também é um sério problema. Imagine, por exemplo, que a distância
entre o aeroporto de Guarulhos e o aeroporto de Congonhas (ambos em São Paulo) representa
mais de uma hora em um trajeto de carro e se não houver congestionamento. Pobre João! Voltar
a pé para casa depois de umas férias, sabe-se lá onde, vai ser cansativo.

Atividade 12
Como poderíamos ajudar João a ser mais explícito e, assim, oferecer mais pistas para a
compreensão de Pedro? Reescreva essa carta, corrigindo todas as falhas existentes e insira-a na
ferramenta “atividade”, “tarefa” da turma virtual do Sigaa.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao fim deste estudo, podemos, então, reforçar a ideia de que a coerência resulta de um
esforço contínuo de manutenção do sentido tanto na produção de textos orais e escritos quanto
no exercício das ações cotidianas. Sendo assim, tenha muita atenção para se mostrar coerente.
Isso será muito importante para sua vida profissional e acadêmica.
Agora, respondamos às questões iniciais.

 O que é coerência discursiva?


A coerência textual é uma das condições essenciais para que um discurso faça sentido.
Diferente da coesão, que é local, a coerência é global e não está marcada na superfície textual. Ela
é construída a partir do discurso na interação autor-texto-leitor. Outrossim, a coerência depende
de uma série de conhecimentos, ou melhor, de competências.

 O que é incoerência?
A incoerência ocorre quando, no decorrer de uma produção discursiva, o sentido – ou parte
dele – se perde, gerando problemas como contradição entre informações.

 Quais são os fatores de coerência?


São vários os fatores de coerência, mas, levando em consideração o foco desta aula,
podemos resumi-los em: conhecimento linguístico, conhecimento de mundo, conhecimento
partilhado, inferências e fatores de contextualização.

 Como a coerência ajuda na leitura e na escrita de textos?


A coerência ajuda-nos a manter o(s) sentido(s) do texto. Ela resulta da nossa necessidade
de atribuir sentido ao “mundo”. A coerência fornece pistas para que os envolvidos na interação
possam se compreender mutuamente.

 A quais estratégias podemos recorrer a fim de manter a coerência discursiva?


Devemos ficar atentos à adequação de nossa produção discursiva em relação ao gênero, ao
leitor, ao contexto e à função comunicativa.

PARA SABER MAIS

* Game de PLE
Disponível em: <www.ple.ect.ufrn.br>.
RESUMO DA AULA
Na aula de hoje, direcionamos nosso foco de atenção para a coerência discursiva e, mais
especificamente, para os fatores de coerência. Vimos que esses elementos são recursos
extremamente necessários para as práticas de leitura e escrita, uma vez que nos ajudam a atribuir
sentido(s) plausível(is) aos textos.

AVALIAÇÃO
Responda às questões seguintes, retiradas de um concurso de nível médio para o cargo de
Escriturário do Banco do Brasil (Fundação CESGRANRIO, 2012).

SORTE: TODO MUNDO MERECE


Afinal, existe sorte e azar?

No fundo, a diferença entre sorte e azar está no jeito como olhamos para o acaso. Um bom
exemplo é o número 13. Nos EUA, a expedição da Apollo 13 foi uma das mais desastrosas de todos os
tempos, e o número levou a culpa. Pelo mundo, existem construtores que fazem prédios que nem têm
o 13o andar, só para fugir do azar. Por outro lado, muita gente acha que o 13 é, na verdade, o número
da sorte. Um exemplo famoso disso foi o então auxiliar técnico do Brasil, Zagallo, que foi para a Copa
do Mundo de (19)94 (a soma dá 13) dizendo que o Mundial ia terminar com o Brasil campeão devido a
uma série de coincidências envolvendo o número. No final, o Brasil foi campeão mesmo, e a Apollo 13
retornou a salvo para o planeta Terra, apesar de problemas gravíssimos.
Até hoje não se sabe quem foi o primeiro sortudo que quis homenagear a sorte com uma
palavra só para ela. Os romanos criaram o verbo sors, do qual deriva a “sorte” de todos nós que
falamos português. Sors designava vários processos do que chamamos hoje de tirar a sorte e originou,
entre outras palavras, a inglesa sorcerer, feiticeiro. O azar veio de um pouco mais longe. A palavra
vem do idioma árabe e deriva do nome de um jogo de dados (no qual o criador provavelmente não era
muito bom). Na verdade, ele poderia até ser bom, já que azar e sorte são sinônimos da mesma
palavra: acaso. Matematicamente, o acaso – a sorte e o azar – é a aleatoriedade. E, pelas leis da
probabilidade, no longo prazo, todos teremos as mesmas chances de nos depararmos com a sorte.
Segundo essas leis, se você quer aumentar as suas chances, só existe uma saída: aposte mais no que
você quer de verdade.
(Revista Conhecer. São Paulo: Duetto. n. 28, out. 2011, p. 49. Adaptado)

01 – De acordo com o texto, a pergunta feita no subtítulo “Afinal, existe sorte e azar?” é
respondida da seguinte maneira:
(a) Sorte e azar são frutos do acaso ou da aleatoriedade.
(b) Como são ocorrências prováveis, pode-se ter mais azar.
(c) A fé de cada um em elementos, como os números, pode dar sorte.
(d) Depende das pessoas, umas têm mais sorte.
(e) A sorte e o azar podem estar, ou não, no número 13.
02 – O período em que a expressão “no fundo” está usada com o mesmo sentido com que é
empregada na primeira linha do texto é:
(a) A horta está no fundo do quintal.
(b) Procure na mala toda, até no fundo.
(c) No fundo do corredor, está a melhor loja.
(d) No fundo, acredito que tudo sairá bem.
(e) No fundo do poço, ninguém vê saída para problemas.

03 – No trecho “Os romanos criaram o verbo sors, do qual deriva a ‘sorte’ de todos nós que
falamos português”, sorte designa
(a) uma ideia (d) o contrário de azar
(b) uma palavra (e) o adjetivo do verbo sortear
(c) um conceito

04 – A oração “envolvendo o número” pode ser substituída, sem prejuízo do sentido original, pela
seguinte oração:
(a) por envolver o número.
(b) que envolviam o número.
(c) se envolvessem o número.
(d) já que envolvem o número.
(e) quando envolveram o número.

05 – A palavra mesmo está sendo empregada com o sentido igual ao que se verifica em “o Brasil
foi campeão mesmo”, na seguinte frase:
(a) O diretor preferiu ele mesmo entregar o relatório ao conselho.
(b) Mesmo sabendo que a proposta não seria aceita, ele a enviou.
(c) Fui atendido pelo mesmo vendedor que o atendeu anteriormente.
(d) Você sabe mesmo falar cinco idiomas fluentemente?
(e) Ele ficou tão feliz com a notícia que pensou mesmo em sair dançando.

06 – O trecho “apesar de problemas gravíssimos” é reescrito de acordo com a norma-padrão,


mantendo o sentido original, se tiver a seguinte forma:
(a) ainda que houvessem problemas gravíssimos.
(b) apesar de que aconteceu problemas gravíssimos.
(c) a despeito de acontecesse problemas gravíssimos.
(d) embora tenham ocorrido problemas gravíssimos.
(e) não obstante os problemas gravíssimos que ocorreu.
07 – No texto, diz-se que “o criador provavelmente não era muito bom [no jogo de dados]”
porque
(a) o jogo deu origem à palavra azar.
(b) o jogo que criou continha imperfeições.
(c) só um árabe sabe jogar dados bem.
(d) em jogos de dados sempre alguém perde.
(e) as pessoas que criam não sabem jogar bem.
07 – Progressão discursiva
VOCÊ VERÁ POR AQUI...
... o que é progressão discursiva, de que maneira ela se constrói. Além disso, verá como ela
contribui para a textualização e, consequentemente, para as práticas de leitura e escrita.

OBJETIVOS
 Compreender o que é progressão discursiva.
 Reconhecer os recursos lexicais e gramaticais que favorecem a construção da progressão
discursiva.
 Entender que a progressão discursiva é um requisito básico para a prática textual.
 Aplicar o conhecimento teórico às práticas de leitura e escrita.

INICIANDO NOSSA CONVERSA


Você já deve ter ouvido alguém dizer que Fulano de Tal pula de um assunto para outro sem
ligar a sinaleira. Embora esse comentário seja engraçado, o que essa pessoa está afirmando é que,
em qualquer texto (seja oral ou escrito), deve haver pistas de continuidade e/ou de retomada,
oferecidas ao interlocutor (ouvinte/leitor), a fim de que fique sinalizado se o assunto se mantém
com o acréscimo de mais uma ideia correlata ou se a interação se encaminha para a abertura de
um novo tópico, ou seja, de um novo segmento informativo vinculado ao assunto principal. “Ligar
a sinaleira” representa, pois, uma forma de fazer o interlocutor acompanhar o raciocínio
desenvolvido. Isso é fundamental.
Paralelamente a essa ideia, vimos, em aulas anteriores, que os recursos de coesão são
importantes para a prática textual de qualidade, uma vez que eles auxiliam na percepção da
coerência do discurso, isto é, na atribuição de sentido(s). De fato, um texto verbal e/ou não verbal
não pode ser visto como um amontoado de palavras e/ou imagens, cores e elementos afins. Ele
precisa oferecer pistas sobre as inter-relações existentes entre seus elementos, e esse composto
precisa fazer sentido.
Nesta aula, veremos que não fornecer informações suficientes e/ou não dispor os
conteúdos de forma ordenada pode(m) resultar em um texto impreciso, vago, e não produzir o
efeito de sentido desejado. É por isso que entendemos que a PROGRESSÃO DISCURSIVA é um
requisito importante na construção textual.
Para iniciarmos nossa reflexão sobre esse tópico, tomemos algumas questões como ponto
de partida.
 Quando você está conversando com alguém, que recurso utiliza para saber se seu interlocutor
se mantém em um assunto?
 De que recurso você lança mão para compreender que ele mudou de assunto?
 Como saber se um texto escrito acrescenta informações novas no decorrer dos parágrafos sem
abandonar o tema original?
 É possível identificar em um texto escrito retomadas de ideias, palavras e expressões?
 Como a observância da progressão discursiva pode ajudar na leitura e na escrita de textos?

Em qualquer texto, o processamento das informações se dá por meio de movimentos de


prospecção, que representam os avanços operados no discurso com o fornecimento de conteúdo
novo, e de retrospecção, isto é, de recuos e de recuperação do já dito. Esses movimentos
ocorrem por meio de recursos lexicais (palavras e expressões) e gramaticais.
Não entendeu? Vejamos se fica mais claro entender como ocorre progressão discursiva na
prática, isto é, a partir da análise de um texto publicado em revista de circulação nacional.

Exemplo 1

As ciladas do e-mail mal escrito


Pega mal, e muito, enviar um e-mail mal escrito. Nos Estados Unidos, uma pesquisa do
Information Mapping revelou que 40% dos entrevistados perdem até meia hora diária lendo
mensagens eletrônicas escritas de forma desleixada e pouco eficiente. Segundo o estudo, 80% dos
que trabalham em escritórios americanos acreditam que a habilidade de escrever com correção é
importantíssima para o desempenho no trabalho. Afinal, pelo menos 63% dos entrevistados
daquele país passam até três horas diárias enviando mensagens pelo computador. […] Houve até
um caso de uma mensagem desrespeitosa ter provocado demissão por justa causa.
Fonte: Revista Língua Portuguesa (2005), n. 2, p. 10. Com adaptações.

Observe, inicialmente, que estratégias você utiliza para assimilar o tema (assunto) do texto
lido e o recorte1 que o autor desse texto focaliza.
Você percebeu que da mesma forma que há acréscimos de ideias correlacionadas à
informação inicial (“Pega mal, e muito, enviar um e-mail mal escrito”), há retomadas de ideias já
expostas? Pois bem, esses movimentos configuram exatamente o que se denomina “prospecção”
e “retrospecção”.
Com as atividades a seguir, verificaremos se você compreendeu o “espírito” da progressão
discursiva, tomando para análise o texto intitulado “As ciladas do e-mail mal escrito”.

Atividade 1
No texto lido, o movimento de prospecção textual, ou seja, a inserção de informação nova,
obedece ao ordenamento expresso na opção:
(a) Informação inicial (Pega mal enviar e-mail mal escrito); segunda informação (pesquisa
realizada nos EUA); terceira (explicitação de um dado percentual da pesquisa); quarta
(demonstração de uma consequência do dado estatístico anterior com a apresentação de um
novo percentual).
(b) Informação inicial (Pega mal enviar e-mail mal escrito); segunda informação (pesquisa
realizada nos EUA); terceira (explicação da pesquisa realizada pelo Information Mapping); quarta
(demonstração de dados estatísticos da pesquisa).
(c) Informação inicial (Pega mal enviar e-mail mal escrito); segunda informação (pesquisa
realizada no Information Mapping); terceira (explicitação de um primeiro dado percentual da

1
O tema é “e-mail mal escrito”; o recorte temático, “ciladas do e-mail mal escrito”.
pesquisa); quarta (demonstração de uma consequência do dado estatístico anterior com a
apresentação de um novo percentual).
(d) Informação inicial (Pega mal enviar e-mail mal escrito); segunda informação (pesquisa
realizada nos EUA); terceira (explicitação de um dado percentual da pesquisa); quarta
(explicitação de um segundo dado percentual que focaliza a importância de se escrever bem no
ambiente de trabalho); quinta (demonstração de uma causa do dado estatístico anterior com a
apresentação de um novo percentual).
(e) Informação inicial (Pega mal enviar e-mail mal escrito); segunda informação (pesquisa
realizada no Information Mapping); terceira (explicitação de um dado percentual da pesquisa);
quarta (explicitação de um segundo dado percentual que focaliza a importância de se escrever
bem no ambiente de trabalho); quinta (demonstração de uma consequência do dado estatístico
anterior com a apresentação de um novo percentual).

Atividade 2
Focalizaremos, agora, o movimento de retrospecção. Observe as correlações sugeridas
entre palavras e expressões.
I – “ciladas” (título) – “Pega mal, e muito” (1º período) – “perdem até meia hora diária” (2º
período).
II – “e-mail” (título) – “e-mail” (1º período) – “mensagens eletrônicas” (2º período) – “mensagens
pelo computador” (4º período).
III – “e-mail mal escrito” (1º período) – “mensagens eletrônicas escritas de forma desleixada e
pouco eficiente” (2º período).
IV – “Estados Unidos” (2º período) – “americanos” (3º período) – “daquele país” (4º período).
V – “uma pesquisa” (2º período) – “o estudo” (3º período) – “trabalho” (3º período).

Marque a opção que apresenta o correto julgamento sobre as correlações explicitadas nos itens
acima.
(a) Estão corretamente correlacionados apenas os itens I, II, III e IV.
(b) Estão corretamente correlacionados apenas os itens II, III e IV.
(c) Estão corretamente correlacionados apenas os itens I, II, III e V.
(d) Estão corretamente correlacionados apenas os itens I, IV e V.
(e) Estão corretamente correlacionados apenas os itens I, II e III.

Observados, na prática, o movimento de prospecção e o de retrospecção, vejamos como a


compreensão do mecanismo de progressão discursiva pode nos auxiliar a acertar uma questão de
concurso público (UEAP, 2009).
Atividade 3
Que fragmento do texto comprova que um e-mail mal escrito pode se tornar “uma arma”
contra seu próprio autor?
(a) “Pega mal, e muito, enviar um e-mail mal escrito.” (1º período).
(b) “[...] 40% dos entrevistados perdem até meia hora diária [...].” (2º período).
(c) “[...] 80% dos que trabalham em escritórios americanos acreditam que a habilidade de
escrever com correção é importantíssima para o desempenho no trabalho.”(3º período).
(d) “[...] 63% dos entrevistados daquele país passam até três horas diárias enviando mensagens
pelo computador [...]” (4º período).
(e) “[...] um caso de uma mensagem desrespeitosa ter provocado demissão por justa causa.” (5º
período).

Conforme vimos até aqui, nos movimentos de progressão do discurso, um fator de


extrema importância é o modo como as informações estão dispostas no texto. Isso tem a ver com
a sequencialidade e o encadeamento dos conteúdos. De fato, a ordem e a articulação dadas aos
enunciados são decisivas para a organização do conteúdo textual e, consequentemente, para a
atribuição de sentido. Informações mal distribuídas, desconectadas e/ou truncadas resultam num
texto de conteúdo disperso e pouco eficaz.

Exemplo 2

Celular pega dentro de caixão?


Devido à divulgação de casos de pessoas acometidas por “mortes súbitas” que retornam à
vida em pleno velório, tem gente por aí com medo de ser enterrada viva. Para aproveitar o temor
dessa galera, já existem empresas funerárias oferecendo serviços antes impensáveis, tais como a
instalação de um aparelho celular dentro do caixão com bateria suficiente para não precisar de
carga durante vários dias. Será que esse serviço funciona mesmo? […]
Fonte: Superinteressante. Edição 313. Dez/2012. Com adaptações.

Observe os movimentos de progressão do texto lido. Você, certamente, consegue


identificar o tema e o recorte temático desse texto. Mas percebe nele completude? Com certeza,
não. A própria marca de supressão […] sinaliza que o texto lido foi recortado. Outra pista para
identificar essa incompletude vem do título, que é uma oração interrogativa. Essa pergunta é
respondida ao longo dos períodos? Não.
Procure, na atividade 4, enumerar os parênteses de forma a garantir a progressão
discursiva do texto adaptado da revista Superinteressante, de dezembro de 2012. É bem possível
que a resposta à pergunta do título esteja nesse bloco textual que você vai organizar agora. Fique
atento a isso.
Atividade 4
Celular pega dentro de caixão?
A divulgação de casos de pessoas acometidas por “mortes súbitas” que retornam à vida em
pleno velório tem feito muita gente ficar com medo de ser enterrada viva. Para aproveitar o
temor dessa galera, já existem empresas funerárias oferecendo serviços antes impensáveis, tais
como a instalação de um aparelho celular dentro do caixão com bateria suficiente para não
precisar de carga durante vários dias. Será que esse serviço funciona mesmo?
( ) Devido a isso, as chances de um celular pegar dentro de um caixão não são boas.
( ) Além de a maioria das covas serem cobertas por muito cimento, as operadoras geralmente
apontam as antenas para locais onde há uma maior concentração de usuários.
( ) Para o celular pegar, depende, principalmente, da distância da antena mais próxima, explica
Marcelo Jimenez, pesquisador do Centro de Estudos em Telecomunicações da PUC-RIO.
( ) E os cemitérios, convenhamos, não são lugares com essa característica.

Marque a opção que apresenta a sequência correta de inserção de períodos.


(a) 2 – 3 – 1 – 4
(b) 1 – 3 – 2 – 4
(c) 3 – 2 – 1 – 4
(d) 4 – 1 – 3 – 2
(e) 2 – 4 – 1 – 3

Feita a atividade 4, é de se esperar que você tenha percebido a importância de abastecer o


texto com dados novos, que estejam relacionados com o tema em foco, e de distribuir
ordenadamente as informações, de modo que se possa acompanhar o fio condutor do
pensamento do informante.
Os textos que não apresentam acréscimos e, portanto, não PROGRIDEM discursivamente
são chamados de circulares. A circularidade textual é um problema que precisa ser evitado.
Vejamos o porquê disso.

Exemplo 3

Estou começando a me sentir vazia, pálida, desesperançada e oca. O vazio


me invade e sinto um tremendo vazio dentro de mim.

O exemplo 3 é um fragmento de redação de vestibular, retirado de Rocco (1982). Esse texto


é circular, ou seja, repete várias vezes a mesma ideia, menciona quatro vezes, em duas linhas,
vazio interior. Em outros termos, não tem progressão.
Já sabemos que para um conjunto de enunciados linguísticos ser um texto é preciso que
tenha coerência. O que garante a unidade de sentido é a relação harmoniosa entre as partes.
Além disso, um bom texto deve ter progressão, isto é, cada segmento que se sucede precisa ir
acrescentando informações novas aos enunciados anteriores.
Em síntese, num texto, cada segmento que ocorre deve acrescentar um novo dado ao
anterior. A própria repetição, quando funcional, faz isso e, portanto, justifica-se. Já as repetições
sem função desqualificam o texto.

Atividade 5
O texto a seguir foi dividido em cinco partes. Cada uma delas apresenta lacunas. Para que
cada parte obtenha coesão, progressão discursiva e coerência, será necessário encaixar alguns
elementos linguísticos (lexicais ou gramaticais) nessas lacunas e, depois, compreender a unidade
de sentido do conjunto das cinco partes. Vejamos a que respostas você consegue chegar.

Parte 1
Ciborgues: o corpo pós-humano.
Disponível em <http://sociologiamelhormateria.blogspot.com.br/2011_11_01_archive.html>
Acesso em 20/dez./2012. Com adaptações.

As máquinas do final do século XX tornaram ambígua a diferença entre o natural e o


artificial, entre a mente e o corpo, _________ aquilo que se autocria e o que é externamente
criado. Pode-se dizer o mesmo de outras distinções que se costumava aplicar aos organismos e
_________ máquinas. Há quem afirme _________ as máquinas são perturbadoramente vivas e
nós _________ assustadoramente inertes.
_________ produto mais evidente dessa "nova ordem do real" baseada na cibernética é,
provavelmente, o ciborgue, que conjuga promessas da biônica _________ perspectivas
anunciadas pela cibernética. _________ mundo que alia corpo e máquina, duas palavras-chave
precisam ser mais bem compreendidas: a primeira é “biônica”; _________, “ciborgue”.

(a) com a que somos No a Nesse depois


(b) entre às isto ficamos Esse com Esse em seguida
(c) entre a o qual estamos O e O a outra
(d) entre às que somos O com Nesse a segunda
(e) com à que somos O das Para o além dela

Parte 2
O _________ bionics foi cunhado em 1960 pelo major Jack Steele, da Força Aérea
Americana, _________ descrever o emergente campo de pesquisas _________ análise do
funcionamento dos sistemas vivos visa à reprodução dos truques da natureza em artefatos
sintéticos. _________ a "biônica" é uma área relacionada com a biomimética. _________ pode
ser definida como a ciência de sistemas que têm alguma função copiada da natureza ou que
representa características de sistemas naturais ou de seus análogos.
Já o termo cyborg nasceu da contração de cybernetics organism e foi apresentado, também
em 1960, por Manfred E. Clynes e Nathan S. Kline em um simpósio sobre aspectos psico-
fisiológicos do voo espacial. Inspirados por uma experiência realizada nos anos 1950 em um rato,
_________ foi acoplada uma bomba osmótica que injetava doses controladas de substâncias
químicas, _________ apresentaram a ideia de se ligar ao ser humano um sistema de
monitoramento e regulagem das funções físico-químicas, a fim de deixá-lo dedicado apenas às
atividades relacionadas com a exploração espacial.
_________ em 1972, Martin Caidin lançou a ficção científica Cyborg, que conta a história de
um piloto de testes da Força Aérea americana, Steve Austin. _________ um grave acidente, Steve
é reconstruído com partes biônicas pelo laboratório cibernético do Dr. Killian.

(a) termo para cuja Em outras palavras, Ela no qual esses pesquisadores Anos depois, Após
(b) termo a fim de de que Entretanto, Nela em que estes pesquisadores Décadas depois, Apois
(c) nome à cuja a Ou seja, Essa no qual eles Em seguida, Depois
(d) adjetivo para a qual Portanto, Esta na qual Elas Logo depois, Antes
(e) vocábulo afim de que Além disso, Aquela nele aqueles pesquisadores Anos antes, Em um

Parte 3
O ciborgue que Caidin nos legou é produto de uma biônica reinventada que, _________ a
inspiração da ideia de Clynes e Kline, não é mais uma simples técnica de mimese da natureza, mas
um meio de reconstruí-la e superá-la. A história do homem biônico Steve Austin tornou-se famosa
com a série de TV intitulada The Six Million Dollar Man ("O homem de seis milhões de dólares"),
_________ na década de 1970. A figura do homem biônico, _________ corpo natural é
melhorado com o acoplamento de máquinas vem, desde então, sendo reproduzida à exaustão.
O ciborgue é _________ uma forma de retomar o sonho de Victor Frankenstein,
disfarçando aquilo que causava horror na sua criatura morta-viva, feita com retalhos de cadáveres
de pessoas e animais esquartejados ainda vivos para aproveitar-_________ o sopro de vida na
recomposição: “Ninguém poderia suportar o horror do seu semblante. Uma múmia saída do
sarcófago não causaria tão horripilante impressão. Quando o contemplara, antes de inocular-lhe
o sopro vital, já era feio. Mas agora, com os nervos e músculos capazes de movimento, converteu-
se em algo que nem mesmo no inferno dantesco se poderia conceber” (SHELLEY, 1998, p. 53-54).
Certamente, os significados do homem pós-humano foram determinados sobremaneira
pelos resultados e promessas da ciência e da tecnologia, _________ o ciborgue não seria sequer
inteligível. O coração _________ é um dos objetos mais emblemáticos – tanto pela sua
importância fisiológica _________ pelo seu valor simbólico – dos esforços científicos em superar
os limites do homem com máquinas. _________ o coração foi um dos primeiros órgãos a receber
o acoplamento definitivo de uma máquina.

(a) sobre vinculada cujo além disso -lo os quais , por um lado, como Portanto,
(b) sob veiculada cujo também -lhe sem os quais , por exemplo, quanto Não por acaso,
(c) sob veiculada cuja também -lhe sem o qual , por exemplo, enquanto Por acaso,
(d) sobre declarada a qual mais para na qual , sem dúvida, quanto Não por acaso,
(e) sob declarada o qual outra -no sem as quais , indubitavelmente, como Logo,
Parte 4
O desenvolvimento de próteses _________ está intimamente ligado _________ superação
de limites. Originalmente, tais limites eram os impostos _________ cuja natureza do corpo fora
mutilada por nascença ou _________ acidente. Mas, hoje, acoplados em próteses de competição,
os para-atletas velocistas agregam muita tecnologia e são capazes de ultrapassar, e muito, a
velocidade das pessoas comuns, chegando próximo à de recordistas mundiais olímpicos.
_________ de uso de próteses em competições é o do para-atleta Tony Volpentest
_________ inspira admiração e, quem sabe, até despeito. _________ Tony tenha vindo ao mundo
sem os pés e sem as mãos, foi Medalha de ouro nos Jogos Paraolímpicos de Atlanta (1996).
Munido de duas pernas mecânicas, esse atleta americano de 26 anos faz 100 metros rasos em
impressionantes 11 segundos e 36 centésimos de segundo: apenas um segundo e meio atrás do
recordista mundial, o canadense Donovan Bailey, que nasceu com todas as “peças” no lugar.
Exibindo próteses de alta tecnologia, desenhadas _________ medida para competições, a
imagem desse para-atleta tem sido explorada em propagandas e desfiles de moda. No discurso da
mídia e da propaganda, _________ exibem ostensivamente o seu corpo híbrido, os para-atletas
corredores materializam hoje as aspirações do futuro do corpo pós-humano: o homem
redesenhado para uma "melhor performance".

(a) além de a aqueles pelo Um caso , quem Apesar de sobre onde


(b) também à para aqueles por Uma maneira , o qual Mesmo que sub no qual
(c) também à àqueles por Um exemplo , que Embora sob em que
(d) Ainda a para quem devido a Um tipo , a qual Embora sob em que
(e) Ainda a àqueles devido a Um exemplo , cujo Ainda que sobre no qual

Parte 5
_________ poderíamos dizer que uma das manifestações da cibercultura é o "culto à
performance". _________ as próteses de alta performance assumem o design dinamizado,
matematizado e geometrizado da máquina: _________ não pretendem mais reproduzir as formas
do corpo humano, são desenhados apenas em função do desempenho.
É bem provável _________ que o corpo ideal do body building – atlético, sexy e clean – tão
em moda atualmente, já seja um reflexo, no nosso cotidiano, desse pensamento cibernético.
Assim sendo, à medida que a máquina se torna, de fato, a unidade de medida do homem, uma
nova postura estética do corpo toma forma frente à valorização da performance: o que é belo
está _________ relacionado ao desempenho desejado (essa noção tão cibernética). Daí a noção
afetada de pureza _________ comer um torresmo ou fumar um cigarro são atos relativamente
mais impuros do que ingerir complementos alimentares sintéticos ou injetar hormônios artificiais.
_________ na perspectiva da estética da performance, as máquinas de musculação, os
programas planejados de modelagem muscular, as próteses estéticas, as técnicas cirúrgicas de
lipoaspiração, a toxina botulínica (Botox), os anabolizantes e os complementos alimentares são
apenas meios que a tecnologia disponibiliza para se atingir a imagem do corpo de alto
desempenho: a imagem do corpo pós-humano.
Extraído de Cibernética, ciborgues e ciberespaço: notas sobre as origens da cibernética e sua reinvenção cultural.
Joon Ho Kim (Universidade de São Paulo)
(a) De certa forma, Com efeito, elas , portanto, , cada vez mais, segundo a qual Em suma,
(b) Todavia, De fato, essas próteses , por tanto, , mais e mais, para a qual Em resumo,
(c) Assim sendo, No entanto, estas próteses , para tanto, , progressivamente, para que Sintetizando,
(d) Portanto, Apesar disso, ela , por conseguinte, , sempre, segundo ela Em síntese,
(e) Nesse sentido, A despeito disso, eles , pois, , cada vez menos, para a qual Não obstante,

Feito esse exercício, releia integralmente o texto “Ciborgues: o corpo pós-humano”.


Observe que, embora esse texto tenha sido dividido em cinco partes, uma só unidade de sentido
vai ganhando contornos interessantes em um movimento que tanto adiciona novos aspectos ao
tema em foco quanto estabelece retomadas de elementos centrais desse tema. É esse
movimento que caracteriza a progressão de parágrafos ao texto sem que haja “quebras”.
A presença de “quebras” no texto significa a falta de
progressão discursiva. A essas quebras é dado o nome de
truncamento, o qual se divide em dois tipos: truncamento
sintático e truncamento semântico.
No primeiro, há um problema de construção do período;
no segundo, a quebra é de sentido propriamente.
Figura 42 – Quebrando correntes.
Fonte: Profético (2012).

Exemplo 4

Ontem, fui para a vista de prova de PLE-I. Fiquei muito decepcionado com a nota dessa
prova e quando o professor me disse que eu não me esforcei o suficiente. Preciso me dedicar
mais. É a minha vida acadêmica que está em jogo.

Você consegue perceber quebra nesse texto? O que você sugere para garantir-lhe
progressão discursiva, retirando o truncamento?
Observe que o uso da conjunção coordenativa "e" sinaliza a intenção de unir dois
segmentos: em primeiro lugar, “a nota da prova”; em segundo, “o professor me disse que eu não
me esforcei o suficiente”.
Unir essas duas ideias, porém, implicaria fazer algumas alterações e/ou complementações
no texto. Vejamos duas possibilidades.

1)
Ontem, fui para a vista de prova de PLE-I. Fiquei muito decepcionado com a nota
dessa prova e com o fato de o professor ter me dito que eu não havia me esforçado o
suficiente. Preciso me dedicar mais. É a minha vida acadêmica que está em jogo.

2)
Ontem, fui para a vista de prova de PLE-I. Fiquei muito decepcionado com a nota
dessa prova. Quando o professor me disse que eu não havia me esforçado o suficiente,
eu me senti muito envergonhado. Preciso me dedicar mais. Afinal, é a minha vida
acadêmica que está em jogo.
Outras possibilidades – igualmente adequadas – poderiam ser sugeridas para o exemplo
em foco. Para tanto, é importante notar que a construção de um texto requer a articulação
cuidadosa de seus elementos. É essa a grande lição que os conceitos de coesão, coerência e
progressão discursiva nos proporcionam.
O exemplo 4 contempla um caso muito comum de truncamento sintático. Vejamos.

Exemplo 4

A formação na área de ciências exatas e tecnológicas, por muitos anos, foi ancorada,
basicamente, nos conhecimentos da matemática, da física e da informática. Todavia, já nos
primeiros anos do século XXI, ficou constatada a necessidade de também os profissionais dessa área
desenvolverem competências ligadas à leitura e à escrita, além do pensamento crítico sobre as
implicações socioculturais da tecnologia na vida humana. Isso é um requisito importante para a
atuação do profissional da área de ciências exatas e tecnológicas. De fato, levando em conta o
comentário do Engenheiro Mecânico João Moura, que diz que um dos diferenciais para os
engenheiros que o Brasil precisa é saber defender seus projetos oralmente e por escrito.

Atividade 6
Em que trecho do texto em foco há truncamento? Reescreva-o, em seu caderno, de forma
a assegurar-lhe progressão discursiva.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao fim desta aula, você reuniu subsídios suficientes para perceber que a produção de
textos requer, além do conhecimento das noções de coerência e coesão, a competência de
organizar as informações de modo a explicitar uma linha de raciocínio coerente e compatível com
a situação comunicativa a que cada texto se vincula. A essa disposição ordenada dos conteúdos
em um texto por meio de movimentos que permitam a ele fluidez se dá o nome de PROGRESSÃO
DISCURSIVA.
Dito isso, passemos a responder às questões iniciais.

 Quando você está conversando com alguém, que recurso utiliza para saber se seu
interlocutor se mantém em um assunto?
Para nos certificar de que nosso interlocutor se mantém em um mesmo assunto,
observamos as palavras-chave do que está sendo dito (oralmente ou por escrito) e os
sequenciadores que ele usa para dar continuidade ao assunto, progredindo textualmente.

 De que recurso você lança mão para compreender que ele mudou de assunto?
Existem elementos linguísticos que sinalizam a mudança de assunto. Em geral, o
interlocutor utiliza esses elementos para direcionar a compreensão do que está dizendo. Por
exemplo, dois graduandos da UFRN estão conversando sobre a necessidade de se inscreverem no
cadastro único de oportunidades de bolsa, que fica no Sigaa. Para acrescentar a essa conversa a
necessidade de fazerem inscrição na Biblioteca Central Zila Mamede, um dos interlocutores
sinaliza: “outra ação importante que precisamos realizar é….”.
 Como saber se um texto escrito acrescenta informações novas no decorrer dos parágrafos
sem abandonar o tema original?
Uma leitura atenta é suficiente para verificar se um texto apresenta, ao longo dos
parágrafos, informações novas ou se, ao contrário, está sendo “circular”, ou seja, apenas
repetindo as ideias iniciais. A circularidade textual é um problema que precisa ser corrigido. Esse
problema representa a não progressão.

 É possível identificar em um texto escrito retomadas de ideias, palavras e expressões?


A retomada de ideias, palavras e expressões é facilmente verificada pela análise dos
elementos linguísticos e dos elementos gramaticais que fazem os movimentos de retrospecção
textual, ou seja, recuperam a ideia já mencionada para que possam a ela acrescentar algo a mais.

 Como a observância da progressão discursiva pode ajudar na leitura e na escrita de textos?


Observar a progressão discursiva de um texto pode ajudar o leitor e o escrevente a não
perderem “o fio da meada”. Em outras palavras, a progressão nos subsidia a compreender os
sentidos possíveis que as pistas textuais vão oferecendo ao longo do texto. No caso do
escrevente, oferecer pistas erradas, confusas ou truncadas pode ocasionar-lhe problemas. No
caso do leitor, pode levar a compreensões indevidas.

PARA SABER MAIS

* Concurso público
O tópico “progressão discursiva” é muito recorrente em provas de concurso público,
especialmente as que são elaboradas pela ESAF (ver <www.esaf.gov.br>). Vale a pena testar seus
conhecimentos respondendo às questões de provas desse tipo.

* Game de PLE
Disponível em: <www.ple.ect.ufrn.br>.

RESUMO DA AULA
Nesta aula, direcionamos nosso foco para o estudo da progressão discursiva e vimos o
quanto é importante observar a sequencialidade das ideias para garantir uma adequada
construção sintática e semântica nos textos que lemos e escrevemos.
AVALIAÇÃO

01. Observe o conjunto de enunciados a seguir. Eles estão desordenados. Todavia, o adequado
encadeamento desses enunciados pode transformar esse conjunto disperso em um texto coeso,
coerente e com progressão discursiva (Ministério da Fazenda – ESAF/2009).
( ) A emergência e a multiplicidade desses planos e desses pacotes de estímulo estão
preocupando até mesmo o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique
Strauss-Kahn, para quem essas manifestações desconexas e parciais não representam soluções e,
ao contrário, podem tornar-se parte da crise.
( ) A questão do protecionismo, tema central nos debates sobre o comércio internacional nas
últimas décadas, ganha agora uma renovada atualidade em decorrência das medidas que, nos
países ricos e nas nações em desenvolvimento, os governos têm adotado para enfrentar os
efeitos da crise global.
( ) Exemplos dessas medidas pontuais e restritas são, entre outras, a proposta subordinada ao
slogan buy American, pela qual os consumidores dos Estados Unidos são convocados a comprar
produtos locais, e as que o governo de Buenos Aires está adotando para proteger a indústria
argentina contra a presença de produtos estrangeiros, mesmo do Mercosul. Alguns dos itens
brasileiros só entram na Argentina pagando taxas que vão a 413%.
( ) A ausência de medidas planetárias para enfrentar esse problema que tem dimensão global
estimula soluções parciais e limitadas, que se multiplicam de país para país, que levam à adoção
de pacotes de estímulos distintos e que acabam por dar força a tentativas quase nacionalistas de
defesa de interesses.
( ) Para Strauss-Kahn, esse é o risco de uma política de “empobrecer o vizinho”, que é a que
transparece das decisões de países importantes, a começar pelos da União Europeia, dos Estados
Unidos e do Japão. A globalização que ocorreu nas últimas três décadas, mesmo que agora surja
como um fenômeno em retração por causa da crise, é ainda um elemento fundamental para o
entendimento do inter-relacionamento econômico e financeiro internacional e para avaliar os
efeitos devastadores e abrangentes da atual crise.

Marque a opção que apresenta a sequência correta dos parágrafos.


(a) 2, 3, 5, 1, 4
(b) 3, 4, 2, 5, 1
(c) 4, 1, 3, 2, 5
(d) 1, 5, 4, 3, 2
(e) 5, 2, 1, 4, 3
02. Assinale a opção que apresenta truncamento sintático (Secretaria Geral da Presidência da
República/2005).
(a) Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), divulgada recentemente, mostra que as
políticas sociais e de combate à fome implementadas pelo governo federal começam a apresentar
resultados concretos na melhoria das condições de vida do povo brasileiro.
(b) Esse estudo, intitulado "Miséria em Queda", baseado em dados da Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílio (Pnad), do IBGE, confirmando que a miséria no Brasil caiu em 2004, e
atingiu o nível mais baixo desde 1992.
(c) O número de pessoas que estão abaixo da linha da pobreza passou de 27,26% da população,
em 2003, para 25,08% em 2004. Em 1992, esse percentual era de 35,87%.
(d) É considerado abaixo da linha da pobreza quem pertence a uma família com renda inferior a
R$ 115 mensais, valor considerado o mínimo para garantir a alimentação de uma família.
(e) O estudo da FGV mostrou que o índice de miséria no Brasil caiu 8% de 2003 para 2004,
deixando o país com a menor proporção de miseráveis desde 1992.

03. Analise, a seguir, uma justificativa para solicitação de prova de reposição, escrita por um
graduando do curso de Ciências e Tecnologia que faltou a uma avaliação. Nessa justificativa, há
truncamentos que precisam ser desfeitos, a fim de garantir-lhe qualidade.

Falecimento da avó paterna ocorrido no dia 04/10. Com sepultamento realizado no dia 05/10
na cidade de Acari, interior do RN. Impossibilitando chegada no horário de realização da prova.
Segue em anexo xerox da declaração de óbito.

Marque a opção que pareça ser mais adequada como reescrita do texto em análise,
considerando a situação de comunicação a que ele se vincula.
(a) Devido ao sepultamento da minha avó paterna, no dia 05/10/12, na cidade de Acari, interior
do RN, fiquei impossibilitado de chegar à UFRN no horário de realização da prova: 10h50min do
dia 05. Nesse sentido, solicito o deferimento do meu pedido de reposição de prova e, para
comprovar a justificativa encaminhada, segue em anexo uma cópia da declaração de óbito.
(b) Sepultamento de minha avó paterna = dia 05/10/12, na cidade de Acari, interior do RN. Prova
de Matemática Básica = 05/10/12, de 10:50h. Não deu pra chegar a tempo. Logo, solicito
autorização para fazer prova de reposição. Para comprovar a justificativa encaminhada, segue
anexa uma cópia da declaração de óbito.
(c) Comparecer ao sepultamento de minha avó paterna, no dia 05/10/12, na cidade de Acari,
interior do RN. Fiquei impossibilitado de chegar a UFRN no horário de realização da prova. Por
esse motivo, solicito autorização para fazer reposição de prova. Segue em anexo uma cópia da
declaração de óbito. Comprovando minha justificativa.
(d) Professor, vó morreu. O sepultamento foi em Acari, no dia 05/10/12, no mesmo dia da sua
prova. Não tive como chegar a tempo na UFRN. Conto com a sua compreensão para permitir que
eu faça a prova de reposição de prova, se não eu me lasco. Para comprovar o que eu disse, segue
em anexo uma cópia da declaração de óbito.
(e) Segue em anexo uma cópia da declaração de óbito.
08 – Paragrafação
VOCÊ VERÁ POR AQUI...
... o que é parágrafo, qual a função dele no texto e como se constitui. Verá também os tipos
de parágrafos, considerando modos de organização e de encadeamento.

OBJETIVOS
 Conceituar parágrafo, conhecer a função dele no texto e a estrutura interna.
 Identificar os tipos de parágrafos, atentando para os modos de organização.
 Perceber as estratégias de encadeamento entre os parágrafos no texto.
 Aplicar o conhecimento teórico visto nesta aula às práticas de escrita.

INICIANDO NOSSA CONVERSA


Na aula anterior, tratamos de progressão discursiva.
Conforme você deve ter percebido, existe uma certa relação
entre a continuidade informacional do texto escrito e a
segmentação disso em conjuntos menores de conteúdos, os quais
são denominados parágrafos.
A paragrafação é, nesse sentido, um dos mais importantes
recursos do texto escrito. É por meio dela que dividimos o texto
em pequenas porções informacionais que sinalizam os
subconjuntos de conteúdos que o compõem. Esse procedimento
não apenas auxilia na distribuição organizada das informações,
Figura 43 – O que é parágrafo?
como também facilita a leitura do texto. Fonte: CanStockPhoto (2013).

Nesta aula, portanto, nosso objeto de estudo é o


parágrafo. Em relação a ele, consideraremos os aspectos a seguir.
1. Definição
2. Função
3. Estrutura
4. Tipologia
5. Encadeamento entre parágrafos
Iniciaremos nossa discussão a partir de alguns questionamentos norteadores que serão
respondidos com base no conteúdo abordado.

 O que é parágrafo?
 Por que e para que precisamos dividir o texto escrito em parágrafos? Em outras palavras,
qual a função do parágrafo na escrita de textos?
 Qual é a estrutura básica do parágrafo?
 O parágrafo pode ser formulado de modos diversos?
 Como dividimos o texto em parágrafos e como os encadeamos?

Parágrafos são blocos informacionais do texto escrito;


consistem, pois, em unidades de sentido. Cada um dos blocos
constituintes de um texto deve ser marcado visualmente, ou por
meio do recuo da primeira linha ou pelo espaçamento entre
dois parágrafos distintos.
À semelhança do texto, que é um composto de forma e
função em nível macro, o parágrafo também constitui um todo
em termos formais e funcionais. O parágrafo pode, ainda, do
mesmo modo que o texto, variar em extensão e estrutura. Figura 44 – Parágrafo.
Fonte: CanStockPhoto (2013).
Nesse sentido, pode compreender tão somente uma frase ou se
compor de um período ou de um conjunto de períodos; também
se organiza de variados modos, dependendo da tipologia textual e do que/de como se quer
comunicar.

1 A importância do parágrafo na escrita de textos


Dividimos o texto escrito em parágrafos por alguns motivos. Em primeiro lugar, porque o
texto possui uma estrutura temática que, virtualmente, subdivide-se em porções informacionais
menores, sequenciadas de modo lógico e/ou cronológico. Os parágrafos, portanto, têm a
finalidade de representar essa subdivisão, bem como sua distribuição no texto, orientando
melhor o leitor na apreensão dos conteúdos textuais.
Nessa perspectiva, a paragrafação é um recurso auxiliar, desempenhando um papel crucial
na composição do texto escrito, não apenas por dar-lhe organicidade material, mas também por
facilitar a leitura. Isso se deve ao fato de parcelar o texto em pequenos blocos informativos,
visualmente perceptíveis, permitindo ao leitor guiar-se por esse design formal.
Para ilustrar o que estamos abordando, vejamos o fragmento textual a seguir.

Exemplo 1

Neste tempo de globalização, vivemos uma época de expectativas, de perplexidades, de


crises de concepções e paradigmas. É um momento novo e rico de possibilidades. É uma
perspectiva e uma possibilidade do conhecimento em suas duas modalidades – saber científico e
saber simbólico –, e sua relação com as tecnologias digitais.
Os resultados de estudos e pesquisas comprovam a existência de um saber técnico e
científico, que precisa de um novo tipo de saber simbólico: falar, discutir, identificar o “espírito”
presente no campo das ideias, dos valores e das práticas da Informática, entrelaçados a outros
campos do conhecimento que os perpassam, marcando o passado, caracterizando o presente e
abrindo possibilidades para o futuro. Esse olhar para compreender os diversos saberes humanos
constitui um dos desafios para se discutir ética e tecnociência, intimamente vinculada com a
responsabilidade social.
(F. A. Andrade Filho. Texto adaptado de http://www.orecado.org/2010/07/cibercultura-i-etica-ciencia-e-tecnologia/.
Acesso em 18 jul. 2011)
Observe que o fragmento textual se acha dividido em dois parágrafos. Isso nos faz supor
que, em tal fragmento, existem, pelo menos, dois blocos informacionais distintos. Embora
estejam interligados pela cadeia temática do texto, cada um desses blocos têm uma
especificidade, no sentido de, individualmente, explorarem um ponto bastante restrito em
relação ao tópico geral.
O primeiro parágrafo tem como ponto de partida e de apoio o termo “globalização”, que é
retomado no desenvolvimento do parágrafo por “um momento novo e rico”, “uma perspectiva e
uma possibilidade”. Essa ideia desencadeia e ancora o tópico seguinte, tratado no segundo
parágrafo, que é “saber científico e saber simbólico”.

2 A composição do parágrafo
Há formas variadas de composição do parágrafo. Entretanto, existe uma estrutura básica
(padrão) em que o bloco informacional se organiza, constituindo-se de duas partes essenciais:
tópico frasal e comentário(s).
O tópico frasal é a proposição de abertura do parágrafo e contém a ideia central, isto é, a
informação principal. O(s) comentário(s) constitui(em) conteúdo(s) secundário(s)
semanticamente relacionado(s) a esse tópico nuclear, visando a expandi-lo e a esclarecê-lo. Em
muitos casos, o último período funciona como uma espécie de conclusão ou coda do parágrafo.
Quanto a isso, salientamos, ainda, que o tópico frasal é sustentado por uma palavra ou uma
expressão-chave. Esse termo serve como fio condutor às ideias que são desenvolvidas em todo o
bloco de sentido.
Observemos a seguinte amostra.

Exemplo 2

Muito já se falou sobre a falência do casamento. Não faltam exemplos, mundo afora, de
maridos e esposas brigando como gato e rato e até chegando a extremos. Mas, se casar pode ser
ruim, não casar pode ser pior, sustenta um recente estudo norte-americano, publicado no Journal
of Research in Personality.
(Planeta, set. 2012, p. 62)

Perceba que o parágrafo se inicia com a expressão-chave “falência do casamento”,


presente no tópico frasal (“Muito já se falou sobre a falência do casamento”), e é ela que enseja
as informações satélite (“maridos e esposas brigando”, “casar pode ser ruim”). Observe também
que inclusive a ideia oposta à do tópico (“não casar pode ser pior”), sustentada pelo estudo norte-
-americano, tem esse mote como ancoragem.
Agora, vamos praticar um pouco.
Atividade 1
Leia o texto a seguir e, depois, responda o que se pede sobre ele.

1.1 – No primeiro parágrafo, a ideia central e a palavra ou expressão-chave são,


respectivamente:

SOS Amazônia

“FOGO NA MATA, MATA!” É com esse slogan que grupos ecológicos estão protestando e, ao
mesmo tempo, tentando sensibilizar a população brasileira contra as constantes queimadas que
destroem a rica vegetação e ameaçam a biodiversidade na Amazônia, conhecida como o "pulmão do
mundo". Os defensores da natureza alertam que essa atitude criminosa representa um sério risco ao
ecossistema global, uma vez que a floresta dessa região desempenha um papel relevante na
manutenção da vida no planeta.
Com recursos insuficientes para uma fiscalização rigorosa, o poder público quase nada tem feito
para mudar esse triste quadro. Além disso, interesses econômicos e políticos constituem um grande
obstáculo a medidas enérgicas e realmente eficazes.
(Fonte ignorada)

(a) grupos ecológicos estão protestando / fogo na mata;


(b) queimadas estão destruindo a Amazônia / biodiversidade;
(c) protestos contra queimada na Amazônia / grupos ecológicos;
(d) fogo na mata, mata / queimadas;
(e) a Amazônia é o pulmão do mundo / ecossistema.

1.2 – No segundo parágrafo, a ideia central e a palavra ou expressão-chave são,


respectivamente:
(a) obstáculos a ações de combate à destruição da Amazônia / medidas do poder público;
(b) o poder público quase nada tem feito / fiscalização rigorosa;
(c) os recursos são insuficientes / poder público;
(d) interesses econômicos e políticos são um obstáculo a ações do governo / obstáculo;
(e) faltam recursos para combater as queimadas / recursos insuficientes.

3 A formulação de parágrafos
Conforme já mencionamos, podemos formular o parágrafo de diferentes modos,
dependendo da sequência textual nele predominante e da natureza do conteúdo a ser expresso.
Nesse sentido, a organização do bloco informacional pode se dar a partir de: manutenção
referencial, associação tópica, encadeamento, comprovação, relação motivo-resultado (ou causa-
efeito), enumeração, oposição.
Vejamos as amostras que seguem com alguns desses modos de organização do parágrafo.
3.1 Manutenção referencial

Exemplo 3

O Crea-RN inova na gestão de atendimento ao público. Recentemente adquiriu um utilitário


tipo Van para atuação no campo. A ideia é levar o atendimento nas diversas comunidades do Rio
Grande do Norte.
(CREA-RN, jan/fev/mar, 2011, p. 6)

Observe que o referenciador "Crea-RN" é retomado indiretamente nos períodos seguintes


por meio dos verbos "adquiriu" e "levar". Assim, ele se mantém ativado, orientando todo o
parágrafo.

3.2 Encadeamento

Exemplo 4

Não é exagero afirmar que o Universo é a manifestação física da interação de zilhões de


partículas submetidas às forças fundamentais da natureza. Os modos como matéria e energia
interagem são descritos pelas leis da física. Essas leis são universais.
(Época, 09/07/2012, p. 40).

Veja que o primeiro período do parágrafo tem como núcleo o referenciador "Universo".
O período seguinte apoia-se na ideia de "interação", mencionada no período anterior; o último
retoma "leis", um dos termos referidos na proposição anterior. Nesse tipo de organização,
estabelece-se uma cadeia entre os referenciadores responsáveis pela continuidade do parágrafo,
isto é, o primeiro enseja o segundo, que é retomado e motiva o próximo, e assim por diante.

3.3 Relação motivo-resultado

Exemplo 5

É um grave erro a liberação da maconha. Provocará de imediato violenta elevação do


consumo. O Estado perderá o precário controle que ainda exerce sobre as drogas e nossas
instituições de recuperação de viciados não terão estrutura suficiente para atender à demanda.
(A. Corazza. IstoÉ, 20/12/1995).

Nesse parágrafo, a "liberação da maconha", no primeiro período, é o motivo cujos


resultados são esclarecidos nos períodos seguintes: “violenta elevação do consumo”, “O Estado
perderá o precário controle...”, e “nossas instituições de recuperação de viciados não terão
estrutura suficiente...”. Nesse modo de organização, uma informação é apresentada como motivo
(causa), seguida da(s) consequência(s) ou, mais raramente, o contrário: apresenta-se o resultado
(efeito) e, logo após, o que o motiva(ou).
3.4 Oposição

Exemplo 6

A má educação causa a falta de ambição e é também causada por ela. Nos países que deram
grandes saltos, a educação não foi percebida como um fim, mas como parte de um projeto nacional:
China do século XXI, Coreia da década de 70, Japão do pós-guerra, Estados Unidos dos anos 30. Nesses
e em outros casos, os países perseguiram um sonho de grandeza. Parte do nosso problema é que, ao
não termos um projeto nacional inspirador, a educação deixou de ser uma questão dos brasileiros e
se tornou propriedade dos professores e funcionários.
(G. Ioschpe. In: Veja 2286. 12 /09/2012, p. 70).

Esse parágrafo constrói-se a partir do tópico geral "educação". Nos períodos seguintes, é
feita uma contraposição entre "países que deram grandes saltos" por focalizarem corretamente a
educação e o Brasil ("brasileiros"), onde se tem a "má educação".

Atividade 2
O artigo informativo a seguir encontra-se com os parágrafos desordenados. Para encadeá-
-los corretamente e, assim, recuperar a coerência que deve ser atribuída ao texto, enumere-os,
observando a adequada progressão discursiva entre seus segmentos.

Relatório analisa o problema mundial da água

[ ] O trabalho também foca a água como um sistema ambientalmente complexo. "Todos os sistemas naturais e
humanos são influenciados pela distribuição, abundância, qualidade e acessibilidade da água," afirma o
pesquisador David Skole, geógrafo da Universidade de Michigan, que participou da elaboração do documento.
"Pesquisas relacionadas à água em multiescala, multidisciplinares e integradas serão necessárias para responder a
esse desafio."
[ ] "Agora, mais do que nunca, os cientistas devem buscar combinações de fatores na sua pesquisa, tais como a
interação entre as atividades humanas e o ciclos naturais em diferentes escalas espaciais e temporais," diz o
relatório.
[ ] A Fundação Nacional de Ciências dos Estados Unidos (NSF) acaba de lançar um novo relatório, chamado
Rotas para o Futuro, que analisa de forma global os desafios com que o homem se depara frente às alterações
climáticas promovidas por ele mesmo.
[ ] Em suma, embora o relatório tenha grande preocupação em orientar os futuros investimentos da Fundação
Nacional de Ciências dos Estados Unidos, a análise é global e de grande interesse de cientistas de todo o mundo
que trabalham com o meio ambiente.
[ ] Esse relatório cobre alterações como as rápidas mudanças no clima e em vários ecossistemas, a degradação
da água potável, o alastramento global de doenças e o aumento do perigo das armas químicas e biológicas. Entre
os desafios com que os cientistas deverão se deparar para buscar soluções para esses problemas, está a
necessidade de se entender como e por que essas mudanças estão ocorrendo e como responder a elas.

(a) 4 – 3 – 1 – 5 – 2
(b) 3 – 4 – 1 – 5 – 2
(c) 4 – 3 – 1 – 2 – 5
(d) 5 – 3 – 1 – 2 – 4
(e) 4 – 5 – 1 – 3 – 2
4 Divisão e encadeamento de parágrafos
Divide-se o texto em parágrafos com base nos blocos informacionais nele existentes. Dessa
maneira, constrói-se um novo bloco informacional a cada mudança de foco do conteúdo textual.
Deve-se observar, ainda, que o novo parágrafo precisa dar continuidade às informações do
anterior, por isso deve retomar algo (termo ou expressão) dele, e sinalizar o conteúdo a ser
desenvolvido no parágrafo seguinte. É essa continuidade tópica que evidencia a unidade de
sentido do texto. Com isso, pode-se dizer, então, que há uma estreita relação entre progressão
discursiva e paragrafação.
Outra questão referente à divisão do texto em parágrafos diz respeito ao modo de
organização textual, ou seja, se a sequência textual nele predominante é narrativa, descritiva,
expositiva, argumentativa ou injuntiva. Nesse sentido, a segmentação dos parágrafos obedece
também a essas peculiaridades tipológicas.
Sendo assim, no texto narrativo, os parágrafos se dividem conforme os episódios se
sucedem; no descritivo, a paragrafação será de acordo com os aspectos apresentados sobre o
objeto da descrição; no expositivo, a divisão dos parágrafos é feita com base nos segmentos
explanatórios do texto; no caso argumentativo, os parágrafos são divididos seguindo a sequência
introdução (tema, recorte temático e tese), desenvolvimento (um parágrafo para cada
argumento) e conclusão (ratificação do raciocínio desenvolvido ao longo do texto).
Vejamos duas amostras de textos, produzidos por graduandos do Bacharelado em Ciências
e Tecnologia, em que a divisão de parágrafos deveria ter sido efetuada considerando a sequência
textual neles predominante.
Exemplo 7

Perfil de um graduando do BCT/UFRN

Chamo-me Luiz Januário, tenho 21 anos. Sou natural de Natal que é a cidade que onde moro.
Gosto de estar com a minha família e meus amigos, e sempre que possível pratico alguns esportes
(musculação e futebol) vou às festas para me divertir. E quanto estou de férias viajo para as cidades
que meus pais nasceram. Tenho o ensino médio completo, um curso de informática básico e um
curso de administração geral nível médio. Atualmente estou bacharelando em Ciências e Tecnologia
pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e pretendo me formar em Engenharia Mecânica.
Não tenho nenhuma experiência profissional.

Como se trata do gênero perfil pessoal, de natureza descritiva, a divisão dos parágrafos
deve ser feita com base na focalização de aspectos do objeto da descrição.
Vejamos, então, como fica a paragrafação desse texto.

Perfil de um graduando do BCT/UFRN Perfil de um graduando do BCT/UFRN

Chamo-me Luiz Januário, tenho 21 anos. Sou Chamo-me Luiz Januário, tenho 21 anos e sou natural de
natural de Natal que é a cidade que onde moro. Gosto Natal, que é a cidade onde moro. (dados pessoais)
de estar com a minha família e meus amigos, e Gosto de estar com minha família e meus amigos.
sempre que possível pratico alguns esportes Sempre que possível, pratico alguns esportes (musculação e
(musculação e futebol) vou às festas para me divertir. futebol) e vou às festas para me divertir. Quando estou de
E quanto estou de férias viajo para as cidades que férias, viajo para as cidades em que meus pais nasceram.
meus pais nasceram. Tenho o ensino médio completo, (hábitos e preferências pessoais)
um curso de informática básico e um curso de Tenho o ensino médio completo, um curso de
administração geral nível médio. Atualmente estou informática básico e um curso de Administração Geral, nível
bacharelando em Ciências e Tecnologia pela médio. Atualmente, estou cursando o Bacharelado em Ciências
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, e e Tecnologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte
pretendo me formar em Engenharia Mecânica. Não e pretendo me formar em Engenharia Mecânica. (formação
tenho nenhuma experiência profissional. educacional)
Não tenho nenhuma experiência profissional.
(experiência profissional)

Obs.: todos os parágrafos do texto são construídos no modo da


manutenção referencial.
Exemplo 8

O Vereador deve ou não receber salário?


Marcus Silva
E-mail: msilva@hotmail.com

Na cidade de Natal um vereador ganha 15 mil reais, enquanto a lugares como a Cidade do
México, onde vereadores não ganham nada para exercer seus mandatos. Afinal no Brasil o vereador
deve ou não receber salário. Sim deve receber salário, mas não um valor tão alto como o que se paga
em Natal. Diferente de outros lugares o cargo de vereador no Brasil, exirge dedicação exclusiva, por isso
ele precisa afastar-se da sua profissão para exercer seu mandato, sendo assim ele precisa de um salário
para se sustentar. Se a cargo de vereador não fosse remunerado só os ricos que podem se afastar de
suas ocupações sem comprometer seu sustento é que poderiam se candidatar ao cargo, deixando a
classe trabalhadora sem possibilidade de eleger um representante na câmara. O vereador deve receber
um salário para que possa exercer seu mandato de forma efetiva, mas esse salário não deve pesar no
bolso do contribuinte.

Esse texto é um artigo de opinião. Logo, a paragrafação obedece à sequência informacional


mínima desse gênero, a saber: um parágrafo introdutório, outro(s) para o(s) argumento(s) e o
último de confirmação da tese defendida.
Isso pode ser conferido na divisão de parágrafos desse artigo, conforme feita a seguir.

O Vereador deve ou não receber salário? O Vereador deve ou não receber salário?
Marcus Silva Marcus Silva
Email: msilva@hotmail.com Email: msilva@hotmail.com

Na cidade de Natal um vereador ganha 15 mil reais, Na cidade de Natal, um vereador ganha 15 mil reais,
enquanto a lugares como a Cidade do México, onde enquanto há lugares, como a Cidade do México, onde
vereadores não ganham nada para exercer seus mandatos. vereadores não ganham nada para exercer seus mandatos.
Afinal no Brasil o vereador deve ou não receber salário. Sim Afinal, no Brasil, o vereador deve ou não receber salário? Sim,
deve receber salário, mas não um valor tão alto como o que deve receber salário, mas não um valor tão alto como o que se
se paga em Natal. Diferente de outros lugares o cargo de paga em Natal. (Introdução – contextualização,
vereador no Brasil, exirge dedicação exclusiva, por isso ele problematização e tese)
precisa afastar-se da sua profissão para exercer seu Diferente de outros países, o cargo de vereador no Brasil
mandato, sendo assim ele precisa de um salário para se exige dedicação exclusiva, por isso ele precisa afastar-se de sua
sustentar. Se a cargo de vereador não fosse remunerado só profissão para exercer o mandato. Sendo assim, ele precisa de
os ricos que podem se afastar de suas ocupações sem um salário para se sustentar. (Argumento 1)
comprometer seu sustento é que poderiam se candidatar ao Se o cargo de vereador não fosse remunerado, só os
cargo, deixando a classe trabalhadora sem possibilidade de ricos, que podem se afastar de suas ocupações sem
eleger um representante na câmara. O vereador deve comprometer seu sustento, é que poderiam se candidatar ao
receber um salário para que possa exercer seu mandato de cargo, deixando a classe trabalhadora sem possibilidade de
forma efetiva, mas esse salário não deve pesar no bolso do eleger um representante na Câmara. (Argumento 2)
contribuinte. O vereador deve receber um salário para que possa
exercer seu mandato de forma efetiva, mas esse salário não
deve pesar no bolso do contribuinte. (Conclusão)
Observe outra amostra. Desta vez, de um texto organizado no modo narrativo.

Exemplo 9
As grandes pedras e o vaso

Um professor de ciências de um colégio queria demonstrar um


conceito aos seus alunos. Ele pegou um vaso de boca larga e colocou
algumas pedras dentro. Então perguntou à classe: Está cheio?
Unanimemente responderam: Sim!
O professor então pegou um balde de pedregulhos e virou
dentro do vaso. Os pequenos pedregulhos se alojaram nos espaços
entre as rochas grandes. Então perguntou aos alunos: E agora, está
cheio? Desta vez alguns estavam hesitantes, mas a maioria respondeu: Sim!
O professor então levantou uma lata de areia e começou a derramar areia dentro do vaso. A
areia então preencheu os espaços entre os pedregulhos. Pela terceira vez o professor perguntou:
Então, está cheio? Agora a maioria dos alunos estava receosa, mas novamente muitos responderam:
Sim!
O professor então mandou buscar um jarro de água e jogou-a dentro do vaso. A água saturou a
areia. Nesse ponto, o professor perguntou para a classe: Qual o objetivo desta demonstração? Um
jovem e brilhante aluno levantou a mão e respondeu: Não importa quanto a 'agenda' da vida de
alguém esteja cheia, ele sempre conseguirá 'espremer' dentro mais coisas!
Não, respondeu o professor, o ponto é o seguinte: a menos que você coloque as pedras grandes
em primeiro lugar dentro do vaso, nunca mais as conseguirá colocar lá dentro. As pedras grandes são
as coisas importantes de sua vida: seu relacionamento com Deus, sua família, seus amigos, seu
crescimento pessoal e profissional. Se você preencher sua vida somente com coisas pequenas, como
demonstrei com os pedregulhos, com a areia e a água, as coisas realmente importantes nunca terão
tempo, nem espaço em suas vidas.
(Texto adaptado de http://lurosanova.blogspot.com.br/2011/02/as-pedras-grandes-e-o-vaso.html. Acesso em 15 jan. 2013)

Perceba que a divisão de parágrafos desse texto constituiu-se de acordo com a sequência
de episódios, os quais se sucederam na seguinte ordem:
1º – início da demonstração do professor, enchendo o vaso com pedras;
2º – prosseguimento da demonstração, colocando pedregulhos no vaso;
3º – continuidade da demonstração, derramando areia no vaso;
4º – última etapa da demonstração, em que jogou água no vaso;
5º – explicação do professor para os alunos acerca do real sentido da experiência que fizera.

Nesse texto, cada parágrafo organiza-se em torno de um evento principal: uma etapa da
demonstração do professor. Esse evento nuclear ancora os demais eventos dele resultantes, que
são a pergunta do professor e a resposta dos alunos. O último parágrafo é reservado ao
fechamento da narrativa, quando o professor, finalmente, esclarece para seus alunos o
simbolismo daquela demonstração.
Considerando o fato de que há diálogos nessa narrativa, outra proposta para a divisão de
seus parágrafos é a que separa a fala das personagens. Nesse caso, a paragrafação do texto pode
se dar conforme a seguinte disposição.

As grandes pedras e o vaso

Um professor de ciências de um colégio queria demonstrar


um conceito aos seus alunos. Ele pegou um vaso de boca larga e
colocou algumas pedras dentro. Então perguntou à classe:
– Está cheio?
Unanimemente responderam:
– Sim!
O professor então pegou um balde de pedregulhos e virou dentro do vaso. Os pequenos
pedregulhos se alojaram nos espaços entre as rochas grandes. Então perguntou aos alunos:
– E agora, está cheio?
Desta vez alguns estavam hesitantes, mas a maioria respondeu:
– Sim!
O professor então levantou uma lata de areia e começou a derramar areia dentro do vaso. A
areia então preencheu os espaços entre os pedregulhos. Pela terceira vez o professor perguntou:
– Então, está cheio?
Agora a maioria dos alunos estava receosa, mas novamente muitos responderam:
– Sim!
O professor então mandou buscar um jarro de água e jogou-a dentro do vaso. A água saturou a
areia. Nesse ponto, o professor perguntou para a classe:
– Qual o objetivo desta demonstração?
Um jovem e brilhante aluno levantou a mão e respondeu:
– Não importa quanto a 'agenda' da vida de alguém esteja cheia, ele sempre conseguirá
'espremer' dentro mais coisas!
– Não, – respondeu o professor – o ponto é o seguinte: a menos que você coloque as pedras
grandes em primeiro lugar dentro do vaso, nunca mais as conseguirá colocar lá dentro. As pedras
grandes são as coisas importantes de sua vida: seu relacionamento com Deus, sua família, seus
amigos, seu crescimento pessoal e profissional. Se você preencher sua vida somente com coisas
pequenas, como demonstrei com os pedregulhos, com a areia e a água, as coisas realmente
importantes nunca terão tempo, nem espaço em suas vidas.
(Texto adaptado de http://lurosanova.blogspot.com.br/2011/02/as-pedras-grandes-e-o-vaso.html. Acesso em 15 jan. 2013)
Atividade 3
Leia o texto que segue e, depois, marque a opção que apresente o modo de organização
em que se encontra cada parágrafo.

Câmera na sala de aula; isso é bom?


Natália Martino e Tamara Menezes
(IstoÉ, 2238, 03/10/2012, p. 64-65).

O ambiente está sendo filmado. As imagens são confidenciais e protegidas nos termos da lei. Foi com essa
informação impressa em pequenas placas que os alunos do terceiro ano do ensino médio do Colégio Rio Branco,
um dos mais conceituados e tradicionais de São Paulo, foram surpreendidos quando entraram na sala de aula na
manhã da segunda-feira 24. Inconformados com a instalação de câmeras para vigiar as classes sem que para isso
houvesse qualquer discussão anterior, e sob o discurso de que estariam com a privacidade tolhida, os
estudantes, em protesto, ocuparam um dos principais pátios do colégio, dificultando a entrada dos demais
alunos, 107 deles foram suspensos por um dia.
Na quarta-feira 26, a diretora do colégio, Esther Carvalho, admitiu que falhou ao não fazer um
comunicado prévio sobre a instalação das câmeras e os motivos que levaram à sua decisão. Ela também explicou
que a punição dada aos alunos não se deveu apenas ao protesto da segunda-feira, mas foi uma resposta da
escola a recorrentes atos de indisciplina que o grupo vinha protagonizando nos últimos meses, desafiando a
direção, questionando notas e métodos de avaliação sem usar os canais adequados para isso.
Justa ou não a punição, o certo é que, durante a semana passada, as câmeras instaladas dentro das salas
de aula do Colégio Rio Branco viraram tema de uma oportuna discussão sobre a necessidade e as consequências
pedagógicas da vigilância eletrônica em salas de aula. Câmeras na entrada, nas quadras e nos corredores de
escolas particulares e públicas são comuns. A novidade, que não é uma exclusividade do Colégio Rio Branco, foi a
instalação das câmeras na sala de aula, o que divide a opinião dos especialistas.

(a) Narrativo – descritivo – argumentativo.


(b) Narrativo – narrativo – argumentativo.
(c) Argumentativo – narrativo – narrativo.
(d) Expositivo – narrativo – argumentativo.
(e) Argumentativo – narrativo – expositivo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Todas as amostras utilizadas nesta aula servem, ao mesmo tempo, como exemplos e como
alerta de que a segmentação de parágrafos do texto deve pautar-se pelo modo como ele se
organiza. Disso se conclui que a paragrafação é motivada por propriedades relativas não apenas à
modalidade verbal do texto, como também à sequência textual nele predominante e à natureza
do conteúdo.
Fica claro, outrossim, que a paragrafação é mais do que um recurso de organização visual,
pois é de suma importância na orientação do leitor no que concerne ao desenvolvimento dos
tópicos abordados no texto. O recurso da paragrafação contribui, dessa maneira, para uma leitura
mais adequada e, consequentemente, para a devida compreensão dos enunciados.
Com base no conteúdo trabalhado nesta aula, podemos, então, responder às questões
propostas.
 O que é parágrafo?
Parágrafo é cada unidade informacional em que um determinado texto escrito se divide.
Essa divisão é marcada visualmente pelo recuo da primeira linha ou pelo espaçamento entre
blocos diferentes.

 Por que e para que precisamos dividir o texto escrito em parágrafos? Em outras palavras,
qual a função do parágrafo na escrita de textos?
A paragrafação serve para organizar o texto escrito e facilitar a leitura, explicitando a
divisão de informações contidas no todo textual, de modo que fique clara a sequência lógica e/ou
cronológica do texto. A distribuição das informações em blocos distintos e continuados auxilia na
compreensão do assunto por parte do leitor.

 Qual é a estrutura básica do parágrafo?


A estrutura básica de um bloco informacional é caracterizada pela existência de um tópico
frasal (proposição de abertura, em que se apresenta a ideia central) e comentário(s) (informações
secundárias ancoradas no tópico nuclear, que representam o seu desenvolvimento). Por fim,
pode haver também um período conclusivo.

 O parágrafo pode ser formulado de modos diversos?


Sim. A organização de um parágrafo varia de acordo com o tipo de texto e a natureza do
conteúdo que ele expressa. Nesse sentido, podemos organizá-lo considerando a manutenção
referencial, a associação tópica, o encadeamento, a relação motivo-resultado, a oposição.

 Como dividimos o texto em parágrafos e como os encadeamos?


Os parágrafos devem ser separados de acordo com os blocos informacionais presentes no
texto. Cada mudança de foco constituirá um parágrafo diferente, que, por sua vez, dará
continuidade ao anterior. Dessa maneira, torna-se explícita a unidade de sentido do todo textual.
O encadeamento entre os parágrafos se faz, portanto, de acordo com a progressão discursiva.
Cabe ressaltar a importância dos elementos coesivos, os quais estabelecem os nexos entre os
parágrafos.

PARA SABER MAIS

* Textos
 MAMIZUKA, R. B. Redações no vestibular: estudos do parágrafo, problemas de organização.
Disponível em http://educa.fcc.org.br/pdf/cp/n23/n23a04.pdf.
 O parágrafo-padrão. Recanto das letras. Disponível em http://www.recantodasletras.com.br/
redacoes/3868044
RESUMO DA AULA
Nesta aula, realizamos um estudo sobre o parágrafo. Nesse estudo, consideraram-se os
seguintes pontos: definição, função, estrutura, tipologia, divisão e encadeamento entre
parágrafos. Na explanação desses tópicos, vimos como podemos organizar os textos em blocos
informacionais e a importância dessa habilidade para fins comunicativo-interacionais.

AVALIAÇÃO
Vamos, agora, testar se você assimilou o que foi explanado até aqui sobre o parágrafo. Para
tanto, leia os textos dados a seguir e, depois, com base no conteúdo e na tipologia de cada um
deles, em seu caderno, proponha uma divisão dos respectivos parágrafos, de modo a se
configurarem os blocos informacionais neles existentes.

Texto 1

A Tecnociência
A palavra tecnociência, a grosso modo, se transparece como um recurso da linguagem para
caracterizar a íntima ligação entre ciência e tecnologia e a desconfiguração de seus limites. O
termo tecnociência não conduz necessariamente a terminar com as distinções entre a ciência
e tecnologia, mas, alerta-nos de que a pesquisa sobre elas e as políticas praticadas em relação
às mesmas sejam implementadas a partir do tipo de afinidade que a palavra tecnociência
deseja sublinhar. Deve-se tomar consciência da natureza tecnocientífica da atividade científica
e tecnológica contemporânea. Não se trata só de insistir nas inter-relações, mas também de
apoiar o polo técnico ou tecnológico como preponderante. Atualmente, são bastantes as vezes
em que a ciência é tida e confundida com a tecnologia. Na verdade, e mesmo apesar da sua
pequena relação, estas são totalmente diferentes. A ciência tem como base um conjunto de
verdades, logicamente articuladas entre sim, de maneira a administrarem um sistema
concordante. Subjetivamente, é um conhecimento exato das coisas devido às suas causas ou
princípios. Remete para um conhecimento mais objetivo da realidade em relação ao Homem;
tal conhecimento pode e deve ser posto em prática para facilitar de uma forma eficiente a
criação da vida material, assim, esta aplicação compõe a tecnologia. Por sua vez, esta vai-se
confrontar com a técnica, que se direciona a outros métodos não informados pelo
conhecimento científico, que são um apoio para o homem solucionar algumas questões
práticas.
(Texto adaptado de http://www.notapositiva.com/trab_estudantes/trab_estudantes/filosofia/11tecnocienciaeetica.htm.
Acesso em 18 jul. 2011)
Texto 2

Assembleia na carpintaria

Contam que, em uma carpintaria houve, certa vez, uma estranha assembleia. Foi uma reunião das
ferramentas para acertar suas diferenças. O martelo exerceu a presidência, mas os participantes lhe
notificaram que teria de renunciar a causa. Fazia demasiado barulho e, além do mais, passava todo o
tempo golpeando. O martelo aceitou a culpa, mas pediu que também fosse expulso o parafuso, que,
segundo ele, dava muitas voltas para conseguir algo. Diante do ataque, o parafuso concordou, mas,
por sua vez, pediu a expulsão da lixa. Dizia que ela era muito áspera no tratamento com os demais,
estando sempre em atrito. A lixa acatou, com a condição de que se expulsasse o metro, que media
sempre os outros segundo a sua medida, como se fora o único perfeito. Nesse momento, entrou o
carpinteiro, juntou o material e começou seu trabalho. Utilizou o martelo, o parafuso, a lixa e o
metro. Finalmente, a madeira rústica se converteu num fino e belíssimo móvel. Quando o carpinteiro
foi para casa, a assembleia reativou a discussão. O serrote tomou a palavra: Senhores, ficou provado
que temos defeitos, mas o carpinteiro trabalhou com nossas qualidades, com nossos pontos valiosos.
Assim, não pensemos em nossos aspectos negativos, e nos concentremos em nossas virtudes, no que
temos de melhor a oferecer. Todos entenderam, então, que o martelo era forte, o parafuso unia, a
lixa afinava com especialidade as partes ásperas e o metro era preciso e exato. Com essa palavra,
aparentemente fora de tempo, sentiram-se então como uma equipe capaz de produzir móveis de
qualidade e passaram a trabalhar, com alegria, em equipe. Isso ilustra o que realmente acontece, em
diversas ocasiões, com os seres humanos: quando uma pessoa busca defeito em outra, a situação
torna-se tensa e negativa. Porém, quando se buscam, com sinceridade, os pontos fortes dos outros,
florescem as melhores conquistas humanas.

(Texto adaptado de http://boamensagem.blogspot.com.br/2008/07/assemblia-na-carpintaria.html. Acesso em


14/01/2013)
09 – Noções de escrita e reescrita
VOCÊ VERÁ POR AQUI...
... o papel da reescrita no desenvolvimento de um texto bem elaborado, algumas sugestões que
ajudarão você a aprimorar as práticas de escrita e reescrita de seus textos, recursos de coesão e como
utilizá-los de modo eficiente, princípios que regem o ato de escrever, uma breve revisão de conceitos
trabalhados anteriormente.

OBJETIVOS
 Compreender a importância do cuidado redobrado na construção de um texto na modalidade
escrita.
 Conceber a importância do processo de revisão de texto para o desenvolvimento da escrita.
 Identificar alguns recursos de coesão textual e utilizá-los na escrita e na reescrita de textos.
 Aplicar o conhecimento adquirido nas práticas de escrita do cotidiano.

INICIANDO NOSSA CONVERSA


Ao longo da vida escolar, vamos
adicionando ao nosso repertório linguístico uma
série de recursos capazes de tornar nossos
discursos mais complexos e estilisticamente mais
elaborados.
Em situações mais informais
(especialmente da oralidade), podemos ser mais
“desleixados” – por assim dizer – com relação à
construção dos nossos textos, mas, na escrita
acadêmica e profissional, precisamos ficar
atentos às normas que regem a produção textual
escrita nessas esferas de atividade.
Conforme já estudamos, essa atenção não
é “um luxo que poucos podem se dar”, nem é
“coisa” de professor de português; é, sim,
condição necessária para garantir o sucesso do
ato comunicativo/interacional e fruto de
aprimoramento contínuo. Lembre-se de que o
texto escrito requer uma elaboração diferenciada
da de um texto oral; afinal, o leitor só tem diante Figura 46 – A prática cotidiana da escrita. Fonte: Boas
de si o que está escrito. Sendo assim, um texto escolhas [20:?].
bem elaborado oferecerá ao leitor mais chances
de entendê-lo e fará com que este coopere muito mais com o “jogo comunicativo”; já um texto
mal escrito pode pôr tudo a perder.
Tendo isso em vista, no decorrer desta aula, trataremos de algumas noções importantes
para o aprimoramento das práticas de escrita (a começar pela reescrita dos textos). Antes disso,
no entanto, vamos às nossas perguntas iniciais.
 O que implica dizer que o texto, na modalidade escrita, deve ter uma elaboração
diferenciada?
 O que significa reescrever um texto?
 De que maneira a prática de reescrita ajuda a escrever textos mais bem elaborados?
 Quais aspectos são essenciais para formular enunciados bem escritos?

Figura 47 – A reescrita como processo de aprimoramento da escrita.


Fonte: Revista Língua Portuguesa – UOL (2012).

A interação por meio da linguagem verbal consiste em selecionar e organizar elementos linguísticos
na superfície textual, com vistas a atingir determinado fim comunicativo. Conforme estudamos na aula
sobre “gêneros discursivos”, para obtermos sucesso nessa atividade, devemos ter em mente o contexto em
que o discurso se insere. Mas não para por aí...
Além dos fatores a que precisamos nos adequar
para atingir nossos propósitos comunicativos, há um
aspecto a considerar, quando se trata da comunicação
escrita, que a diferencia da oralidade: a interação não
ocorre face a face. Quando escrevemos, portanto,
devemos ter um cuidado redobrado no que diz
respeito às informações apresentadas, já que o leitor
não poderá esclarecer possíveis dúvidas, senão por
meio do material escrito. Nesse caso, precisamos
lançar mão, de fato, de todo e qualquer pormenor que
evite alguma ambiguidade ou vagueza informacional.
Sendo assim, é imprescindível que se desenvolva uma
boa competência nesse sentido.
Figura 48 – A prática cotidiana da escrita. Fonte: Radio
Godoy FM 87.7 Mhs [20:?]. Para que consigamos desenvolver nossa escrita
de maneira satisfatória, devemos praticá-la com
frequência; diariamente, se possível. Além disso, fazem-se necessárias atividades constantes de leitura de
gêneros variados para que nosso repertório esteja sempre se atualizando. A prática de reescrita dos textos
construídos também é indispensável, pois só aprendemos a escrever melhor durante o processo de
produção, análise crítica e reconstrução de enunciados. Mesmo escritores/escreventes com bastante
experiência ou “profissionais da escrita” estão em constante aperfeiçoamento. Por exemplo, um livro passa
por uma série de revisões. Consequentemente, quem produz o texto cumpre diversos estágios de escrita e
reescrita.
A prática de revisão não consiste apenas na correção de problemas gramaticais; na verdade, essa
atividade muitas vezes resulta em um texto quase completamente distinto do “original”. Isso ocorre porque
o objetivo dessa reformulação é justamente tornar os enunciados mais claros e eficientes no que diz
respeito à sua finalidade comunicativa e, para tanto, não basta haver correção no nível ortográfico.
Nossa sociedade costuma supervalorizar as normas ortográficas, subjugando, assim, aqueles que não
a dominam por completo. Quem nunca ouviu a frase “Ele não sabe português”, simplesmente por alguém
trocar “s” por “c” (cexta-feira, em vez de sexta-feira), ou empregar “ss” entre vogal e consoante
(inssistência no lugar de insistência)? No entanto, cabe ressaltar que esse é o menor dos problemas quando
se trata de desenvolver uma escrita bem elaborada.
Os problemas ortográficos são fáceis de serem resolvidos, basta que se consulte um dicionário e
qualquer um pode ter acesso a todas as palavras escritas corretamente. Isso significa que correção
ortográfica não depende de capacidade de aprendizagem; pelo contrário, está mais relacionada à memória
(e cuidado) e exige apenas que o falante/escrevente de determinada língua saiba decodificá-la (atividade
muito menos complexa do que interpretar e construir um texto) para, dessa maneira, esclarecer qualquer
dúvida. Claro que, com a prática e a revisão constante dos nossos próprios erros, exercitamos a memória e
estendemos o nosso repertório.
Fica claro, então, que não podemos considerar
alguém incapaz simplesmente porque não se recorda da
escrita de uma palavra, certo? Então, prossigamos...
Em textos da área acadêmica e profissional (nos
quais concentramos nossa atenção), é importante que se
prime pelas normas gramaticais da língua padrão, mas
também pelas normas de textualidade desses contextos
comunicativos. Vale salientar que devemos valorizar
sempre a clareza e a objetividade para fins de construção
de sentido(s).
A boa escrita constitui um diferencial para os
profissionais do século XXI, pois indica (além do domínio
da norma culta da língua) que eles organizam bem suas Figura 49 – A prática de escrita no âmbito
ideias, apresentam um bom nível de formação, além de profissional. Fonte: Boas escolhas [20:?].
serem cuidadosos e atentos a detalhes, características
muito requisitadas atualmente.
Vejamos a seguir algumas sugestões que o ajudarão a aprimorar sua escrita.
1 DICAS PARA ESCREVER BEM
É possível que você até esteja familiarizado com algumas das dicas abaixo, já que parte da
lista de “boas maneiras” que apresentaremos obteve grande popularidade nas redes sociais, mas
vamos lá...

Exemplo 1

Vc deve evitar abrev. etc. pq c vc exgra nls além Frases com apenas uma palavra? Evite!
de chtea o lto pde c q ele n cnhça tds
Use a pontuação corretamente o ponto e a
Desnecessário faz-se empregar estilo de escrita vírgula especialmente será que ninguém sabe
demasiadamente rebuscado. Tal prática advém mais usar o sinal de interrogação
de esmero excessivo que beira o exibicionismo
narcisístico. Conforme recomenda a AGPO, nunca use siglas
desconhecidas.
Anule aliterações altamente abusivas.
Viu?
“não se esqueça das maiúsculas”, como já dizia
dona loreta, minha professora lá no colégio Exagerar é cem bilhões de vezes pior do que a
alexandre de gusmão, no ypiranga, são paulo. moderação.

Evite ¹lugares comuns assim como o diabo foge Não abuse das exclamações! Nunca!! Seu texto
da cruz e fique na santa paz de Deus. fica horrível!!!

Chute o balde no emprego de gírias, mesmo que Evite frases exageradamente longas, pois estas
sejam maneiras, tá ligado? dificultam a compreensão da ideia contida
nelas, e, concomitantemente, por conterem
Palavras de baixo calão podem transformar seu mais de uma ideia central, o que nem sempre
texto numa m... torna o seu conteúdo acessível, forçando, desta
forma, o pobre leitor a separá-la em seus
Nunca generalize. Generalizar, em todas as componentes diversos, de forma a torná-las
situações, sempre é um erro. compreensíveis, o que não deveria ser afinal de
contas, parte do processo da leitura, hábito
que devemos estimular através do uso de
Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra frases mais curtas.
vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da
palavra vai fazer com que a palavra repetida
desqualifique o texto no qual a palavra se Cuidado com a hortografia, para não estrupar a
encontra repetida. línga portuguêza. Não esqueça tumbém das
concordância de número nem dos de gênero.

Não abuse das citações. Como costuma dizer o


meu amigo: “Quem cita os outros não tem Segundo especialistas de vários cursos, é
ideias próprias”. necessário tomar cuidado para não ser vago
sobre isso e, mais ainda, citar explicitamente
suas fontes... só não lembro onde foi que li
Frases incompletas podem causar isso.

Não seja redundante, não é preciso dizer a É recomendável evitar cacofonias (como
mesma coisa de formas diferentes: isto é, basta sofrem os alunos do Bloco H). Não sei se esse
mencionar cada argumento uma só vez. Em exemplo o professor já havia dado na aula
outras palavras, não fique repetindo a mesma passada.
ideia. Seja conciso.
Depois dessas dicas mais gerais, gostaríamos de lembrar-lhe que muitos problemas podem
ser produzidos pelo uso inadequado dos elementos coesivos; em contrapartida, outros podem ser
evitados caso você amplie seu repertório. Recomendamos a releitura da aula sobre coesão para
dar andamento a este estudo. Após relembrar alguns conceitos, podemos prosseguir com nossa
discussão.

 COESÃO
Relembrando: a coesão textual diz respeito ao emprego de um conjunto de recursos que
conferem conexão entre os componentes de um texto.
Atente para as repetições no seguinte trecho. Como você as evitaria?

Exemplo 2

As revendedoras de automóveis não estão mais equipando os automóveis para vender os automóveis
mais caro. O cliente vai à revendedora de automóveis com pouco dinheiro e, se tiver de pagar mais caro
pelo automóvel, desiste de comprar o automóvel e as revendedoras de automóvel têm prejuízo.
Revendedora: concessionária, agência, loja
Automóveis: veículos, carros, mercadoria, produto

Proposta de reescrita
As revendedoras de automóveis não estão mais equipando os carros para vendê-los mais caro. O cliente
vai lá com pouco dinheiro e, se tiver de pagar mais pelo produto, desiste, e as agências têm prejuízo.

Exemplo 3
Observe a amostra textual adiante, adaptada da seção “Ciência”, da versão online da
revista Mundo Estranho.

Quanto tempo vão durar as pegadas do homem na Lua?


por Gabriela Portilho

Em teoria, as pegadas do homem durariam milhões de anos, pois, como não há atmosfera na Lua, pela Lua
não ocorre erosão, seja pelo vento, seja pela chuva. Acontece que, justamente por não ter atmosfera,
a Lua é constantemente bombardeada por meteoritos. Os meteoritos, por sua vez, podem levantar um
monte de poeira no choque com a Lua, provocar tremores na crosta da Lua, ou mesmo cair em cima das
pegadas do homem, o que, obviamente, desfiguraria as pegadas do homem. No entanto, não temos como
saber se isso já ocorreu ou não, já que nenhuma missão retornou ao lugar onde, em 20 de julho de 1969,
os astronautas americanos Neil Armstrong e Edwin Aldrin deixaram a marca de suas pisadas.
Fonte: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quanto-tempo-vao-durar-as-pegadas-do-homem-na-lua. Acesso em 08/01/12. Com
adaptações.

Proposta de reescrita

Quanto tempo vão durar as pegadas do homem na Lua?


Por Gabriela Portilho

Em teoria, as pegadas do homem na Lua durariam milhões de anos, pois, como não há atmosfera nesse
satélite, lá não ocorre erosão, seja pelo vento, seja pela chuva. Acontece que, justamente por não
ter atmosfera, a Lua é constantemente bombardeada por meteoritos. Esses corpos celestes, por sua vez,
podem levantar um monte de poeira no choque com o satélite, provocar tremores na sua crosta, ou mesmo
cair em cima das pegadas feitas pelo homem, o que, obviamente, as desfiguraria. No entanto, não temos
como saber se isso já ocorreu ou não, já que nenhuma missão retornou ao lugar onde, em 20 de julho
de 1969, os astronautas americanos Neil Armstrong e Edwin Aldrin deixaram a marca de suas pisadas.
2.1 Por retomada (anáfora)
Na aula de coesão textual, vimos que, a fim de evitar excessivas repetições de um termo, é
possível retomá-lo através de pronomes, numerais, verbos, advérbios. Com base nisso, responda
à atividade 1.

Atividade 1
Leia a tirinha do Garfield e, em seguida, marque a opção que apresenta o elemento
responsável pela construção do efeito humorístico.

Figura 50 – Tirinha de Garfield.


Fonte: El Cabron (2008).

(a) O pronome demonstrativo “Aquele” (1º quadrinho) não confere precisão, já que pode ser
utilizado para qualquer coisa que esteja distante dos interlocutores.
(b) O artigo indefinido “um” (1º quadrinho) não determina de que biscoito se trata; por isso,
Garfield poderia pegar qualquer um para trazer a Jon.
(c) Há quebra de expectativa do Garfield, pois esperava pegar o rato, conforme claramente
ordenado por Jon, em “vá pegá-lo” (2º quadrinho), mas não conseguiu.
(d) A frieza de Garfield, ao elaborar uma resposta tão curta no último quadrinho (“Peguei!”),
decepciona Jon.
(e) O emprego do pronome “lo” (2º quadrinho) gera ambiguidade e Garfield pode entender como
pegar o biscoito e não o rato, contrariando a expectativa de Jon.

2.2 Por omissão/ apagamento (elipse)


A omissão ou o apagamento de termos também é uma estratégia bastante recorrente no
processo de construção do texto. Serve como elemento coesivo de retomada de algo que já foi
dito no texto e, ao mesmo tempo, sinaliza a manutenção do tópico referencial. Portanto,
relaciona-se à informação dada/conhecida. Voltemos ao texto do exemplo 3, adaptado da revista
Mundo Estranho e escrito por Gabriela Portilho.

Exemplo 5

“Os meteoritos, por sua vez, podem levantar um monte de poeira no choque com a Lua,
Ø provocar tremores na crosta da Lua, ou mesmo Ø cair em cima das pegadas do homem...”

Ø (vazio) = “os meteoritos podem”.


2.3 Por escolha lexical (léxico = vocabulário)
As escolhas lexicais podem, além de substituir termos, revelar características do perfil do
falante/escrevente, bem como sua visão de mundo a respeito do que é informado. Sendo assim,
uma escolha lexical inadequada poderá surtir efeitos indesejáveis não apenas em relação ao
conteúdo enunciado, mas também quanto à imagem do enunciador.
Vejamos as seguintes amostras textuais:

Exemplo 6

Bento XVI esteve na França, onde discursou contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O Papa esteve na França para discursar a uma multidão de fiéis a respeito do casamento homossexual.

O líder da Igreja Católica esteve na França, onde se posicionou contra os direitos dos homossexuais.

Sua Santidade esteve na França, onde discursou em favor da família.

Observe que, embora se noticie o mesmo evento (um discurso do atual Papa na França), a
escolha lexical em cada um dos períodos revela modos distintos de conceitualização/focalização
de Bento XVI. Essas escolhas para referenciar a mesma pessoa (“Bento XVI”, “O Papa”, “O líder da
Igreja Católica”, “Sua Santidade”) produzem efeitos de sentidos diversos.

2.4 Por referência a algo ainda não explicitado (catáfora)


Esse recurso é bastante utilizado para deixar o leitor em suspenso quanto ao tema, ou
sobre o que se está falando/escrevendo. Consiste em utilizar pronomes, numerais, verbos,
advérbios para antecipar algo que ainda será explicitado.
Exemplo 7
Leia a postagem seguinte selecionada de um dos blogs da revista Superinteressante.
77% dos pais americanos culpam o videogame por expor os filhos à violência
Carolina Vilaverde

Esta é uma dúvida que certamente já lhe passou pela


cabeça ao menos uma vez: será que videogames tornam as
crianças mais agressivas? Com certeza, você também já
ouviu essa questão por aí. Afinal, a polêmica existe há muito
tempo. Por enquanto, a ciência não tem uma resposta
definitiva sobre o tema. Estudos recentes apontam que eles
não podem ser culpados pela violência infantil. Já outros
afirmam que eles alteram a atividade cerebral e deixam as
pessoas mais insensíveis...
Mas, segundo uma pesquisa realizada pela Common Sense Media e divulgada nesta semana, os
adultos entrevistados, pais americanos, não têm dúvidas: 77% deles culpam jogos, filmes e a TV por
manter uma cultura de violência entre as crianças. Os dados mostram também que os pais aprovam
medidas mais rigorosas para manter os filhos longe de conteúdos violentos: 88% acreditam que
anúncios violentos não deveriam ser veiculados durante programas com grande audiência infantil e
91% apoiam que só possam ser exibidos trailers com a mesma classificação indicativa do filme.
“Os pais estão claramente preocupados com o impacto que a violência na mídia pode ter em suas
crianças”, diz James Steyer, criador e CEO da empresa responsável pela pesquisa. Além dos jogos de
videogame, os pais têm outras preocupações: bullying (92%); acesso a armas(75%); e níveis atuais de
crime (86%).
E você, o que acha desse assunto?
Fonte: <http://super.abril.com.br/blogs/superblog/77-dos-pais-americanos-culpam-o-videogame-por-expor-os-filhos-a-violencia/>.
Acesso em 11/01/13. Com adaptações.

Observe, no exemplo 7, que os elementos/ expressões coesivas: “Esta”, “os adultos


entrevistados” e “outras preocupações” sinalizam um referente que aparece posteriormente a
cada um deles. Vejamos.
 “Esta”: “[...] será que videogames tornam as crianças mais agressivas?”;
 “os adultos entrevistados”: “pais americanos”;
 “outras preocupações”: bullying (92%); acesso a armas (75%); e níveis atuais de crime (86%).

Atividade 2
(VUNESP - 2012 - TJ-SP - Escrevente Técnico Judiciário – Com adaptações)
Leia o texto a seguir e responda à questão proposta.

Ainda vamos ver sites como o Google com a mesma nostalgia que hoje dedicamos a máquinas
de escrever e discos de vinil. Os atuais mecanismos de busca na rede já estão ultrapassados por
projetos inovadores, que deixam esta tarefa mais fácil e precisa. Como você ainda não foi
informado? Ainda são iniciativas experimentais. Falta mais dedicação dos pesquisadores e
investidores dispostos a deixá-las acessíveis ao grande público.
Galileu, dezembro de 2012.
Marque a opção em que o trecho “Os atuais mecanismos de busca na rede já estão
ultrapassados por projetos inovadores [...]” está corretamente reescrito, em conformidade com a
norma padrão da língua portuguesa.
(a) Os atuais mecanismos de busca na rede, projetos inovadores já ultrapassaram-lhes […].
(b) Os atuais mecanismos de busca na rede, projetos inovadores já ultrapassaram-nos […].
(c) Os atuais mecanismos de busca na rede, projetos inovadores já ultrapassaram eles […].
(d) Os atuais mecanismos de busca na rede, projetos inovadores já os ultrapassaram […].
(e) Os atuais mecanismos de busca na rede, projetos inovadores já lhes ultrapassaram […].

Além da noção de coesão e dos recursos que a compõem, há alguns princípios básicos que
se devem respeitar para construir um texto. Na verdade, conforme já frisamos, o maior problema
não é de natureza gramatical (ortografia, pontuação, regência, concordância, etc.), mas consiste,
na maioria das vezes, na falta de organização lógica das ideias. Ao construirmos um texto,
devemos conferir-lhe objetividade e clareza. Para tanto, lançamos mão de alguns princípios que
nos auxiliam nessa prática.

3 PRINCÍPIOS BÁSICOS DE TEXTUALIDADE

3.1 CONCISÃO
Esqueça aquele velho “macete” de que é necessário “encher linguiça”, pois seu leitor
acabará percebendo que você não tem muito a dizer. O melhor é ter domínio do conteúdo e
enxugar seu texto. Mas lembre-se: ser conciso não significa omitir informações. Fique atento a
alguns princípios básicos:
- procure dizer apenas o essencial;
- suprima duas orações que digam a mesma coisa (exemplo: Maria vive solitária e não tem
nenhuma companhia);
- evite o uso desnecessário de pronomes (pessoais, relativos, demonstrativos. Exemplo: A aluna,
ela foi aprovada com boas notas).
Que tal um exemplo de escrita e reescrita para visualizar melhor? Observe:

Exemplo 9

O homem, que é um dos mamíferos mais aptos à sobrevivência em situações extremas, é um


dos animais que demonstra maior índice de adaptabilidade ao ecossistema circundante, sendo até
mesmo capaz de se estabelecer em algumas das regiões consideradas mais inóspitas da Terra, mesmo
com condições consideradas mínimas para a sobrevivência.

O homem é um dos animais que mais rapidamente se adapta ao ecossistema em que vive,
podendo viver em algumas das regiões mais inóspitas da Terra.
3.2 OBJETIVIDADE
Para que seu texto atenda ao propósito comunicativo e não fique enfadonho, você deve
trabalhar alguns pontos na escrita:
- identifique logo de saída o objetivo da comunicação;
- comece pelo mais importante;
- o essencial deve estar resumido no primeiro parágrafo;
- vá direto ao ponto, evitando rodeios e orações intercaladas;
- na comunicação acadêmico-científica e negocial, quanto mais direta for a mensagem mais
segurança você passará ao leitor.

Exemplo 10

Um sonho antigo de vários professores e funcionários da UFRN está para ser realizado neste
ano de 2013: a abertura do curso superior de Bacharelado em Tecnologia da Informação da UFRN, que
terá sua primeira turma no primeiro semestre deste ano. O chamado, por alguns, de BTI, é bastante
novo na universidade e promete, com toda a pompa, ser um curso focado na inovação tecnológica,
motivo pelo qual tem atraído a atenção não só dos estudantes, mas também da população de modo
geral.

O Bacharelado em Tecnologia da Informação da UFRN, que abrirá sua primeira turma em


2013.1, tem atraído atenção geral devido ao seu foco na inovação tecnológica.

Atividade 3
O texto adiante apresenta uma série de problemas de textualização, principalmente quanto
à concisão e à objetividade.

O profundo conhecimento dos hábitos e específicas necessidades dos potenciais grupos


de usuários de um espaço habitável será de inestimável valor para que, ao se elaborar o
projeto, se atinja o objetivo de conferir ao usuário o domínio sobre o uso do produto
adquirido - sua moradia - para que esse lhe seja de fato prazeroso, seguro e responsável por
um verdadeiro progresso na qualidade de vida de seus usuários, ou seja, o conforto
doméstico.
Salvador e Squarisi (2008, p. 21)
Marque a opção que apresenta a proposta de reescrita mais adequada, preservando a ideia
central.
(a) Conhecer os hábitos dos pretensos grupos de moradores de um espaço residencial é
profundamente necessário para que se elabore um projeto arquitetônico capaz de conferir aos
moradores maior conforto doméstico.
(b) O responsável por projetos arquitetônicos deve entrevistar os futuros moradores de um
imóvel a fim de saber como projetar uma moradia mais segura e confortável.
(c) Conhecer hábitos e necessidades dos futuros moradores de um imóvel é fundamental para a
elaboração de um projeto arquitetônico que satisfaça as expectativas deles.
(d) A fim de que se possa realmente atingir o objetivo de conferir aos usuários de imóveis o
devido e necessário conforto, o responsável pelo projeto deste deve conhecer hábitos e
necessidades do público.
(e) O conhecimento dos hábitos e necessidades do público-alvo a que se destinam certos imóveis
é necessário para a elaboração de um projeto arquitetônico imobiliário.

3.3 PRECISÃO LEXICAL


Ao contrário do que se pensa, não há sinonímia perfeita, ou seja, nem sempre um termo
pode ser substituído por qualquer um de seus “sinônimos”. Precisão lexical seria utilizar as
palavras de tal modo que resulte no efeito de sentido desejado. Vejamos a seguir a resposta dada
ao setor de RH por um candidato a uma vaga de emprego ao ser perguntado por que escolheu a
carreira que pretende seguir.

Exemplo 11

Primeiramente, eu ponho muita fé nesta empresa e creio que minha estadia aqui será muito
proveitosa para o departamento no qual talvez eu trabalhe. Quando eu acabei os estudos, já sabia
que tinha vocação para a área de TI, então, pensei que seria possível me dar bem nessa área.

Primeiramente, eu confio bastante na seriedade desta empresa. Em segundo lugar, sei que o
departamento ao qual se destina essa vaga será tão beneficiado com minha contratação quanto eu.
Desde que concluí o ensino médio, percebi que tenho as aptidões necessárias para atuar na área de
TI, por isso pretendo trabalhar nela.
Atividade 4
Cinco problemas de escrita foram inseridos no trecho que segue, retirado da seção
"Ciência", do site Mundo Estranho.abril. São eles: redundância, imprecisão lexical, problema de
coesão, ortografia e uso inadequado de pronome. Considerando as orientações recebidas ao
longo das lições, reescreva o fragmento textual, a fim de conferir-lhe melhor qualidade
linguístico-discursiva.
O soro da verdade funciona?

O “soro da verdade” funciona, mas não como todo mundo pensa,


ou seja, diferentemente do senso comum. Várias substâncias
entorpecentes e sedativas, incluindo o ecstasy, a erva e o LSD, já foram
utilizadas como “soro da verdade” desde que essa expressão surgiu, no
início do século 20. Mais, até hoje, nenhuma pesquisa científica
conseguiu descobri uma droga que faça a pessoa perder o controle de si
e falar somente a verdade. A ONU, ela é contra o uso desse tipo de
substância e, para a Anistia Internacional, utilizar supostos “soros da
verdade” em interrogatórios é considerado uma prática de tortura.
Disponível em: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/o-soro-da-verdade-funciona.
Acesso em 23 jan. 2013. Com adaptações.

Sua resposta deve ser encaminhada para a ferramenta “Atividade” > “Tarefa”, na turma
virtual do Sigaa.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A escrita, conforme vimos em lições anteriores, é uma prática social. Sendo assim, é
imprescindível que levemos em conta sua função sociocomunicativa. Escrevemos porque somos
solicitados a escrever, e isso implica seguir algumas exigências visando a alcançar o objetivo
pretendido. Portanto, precisamos sempre “treinar” para nos aperfeiçoar, e isso inclui perceber as
falhas no nosso próprio texto e reescrevê-lo (corrigindo problemas de coesão, de coerência,
gramaticais; reformulando, se necessário, partes do texto, etc.).
Nesta aula, observamos uma série de informações (dicas gerais, recursos coesivos,
princípios de textualidade) e práticas que o auxiliarão na melhoria de seus textos. Vimos também
a importância da competência linguístico-textual nas relações sociais do nosso século. Podemos,
pois, afirmar que saber o que dizer é imprescindível, mas precisamos saber como fazê-lo para
garantir o sucesso da interação verbal.
Com base nos apontamentos realizados no decorrer do texto, prossigamos, respondendo
às questões levantadas no tópico “Iniciando nossa conversa”.

 O que implica dizer que o texto, na modalidade escrita, deve ter uma elaboração
diferenciada?
Na modalidade oral, os interlocutores estão face a face, compartilhando uma série de
informações dadas ou acessíveis no contexto interacional. Sendo assim, podem (re)construir, caso
necessário, o discurso de maneira online: “lendo” as expressões do outro para detectar e corrigir
possíveis mal-entendidos, reelaborando o discurso, explicando algo que não tenha ficado claro.
Na escrita, o leitor só tem à sua disposição os componentes textuais em si. Sendo assim, ao
elaborar um texto verbal, quem o escreve deve estar atento a isso. Para que a interação seja bem-
sucedida, faz-se necessário que o escrevente preencha qualquer lacuna informacional que possa
causar ruídos na comunicação (ambiguidade e vagueza, por exemplo).
 O que significa reescrever um texto?
Reescrever um texto significa remodelá-lo a fim de conferir-lhe melhor qualidade e clareza,
ou seja, proceder a modificações necessárias para torná-lo mais adequado e compreensível ao
leitor. Essa atividade não se limita ao nível ortográfico, mas se estende a toda a construção
textual, considerando, durante o processo, tanto aspectos da norma culta quanto fatores de
textualidade.

 De que maneira a prática de reescrita nos ajudará a escrever textos mais bem elaborados?
Conforme temos insistido, a escrita é uma prática e, como tal, requer constante
aperfeiçoamento. A reescrita é, junto à atividade regular de leitura, o melhor exercício para que
aprimoremos a escrita. A partir da revisão, observamos nossas falhas e procuramos corrigi-las.
Dessa maneira, além de estendermos nosso repertório linguístico (por meio da correção e
substituição de palavras e expressões), aprendemos a organizar melhor nosso discurso e, assim,
desenvolvemos nossa habilidade comunicativa.

 Quais aspectos são essenciais para construirmos enunciados bem escritos?


Além do domínio da língua em que se quer escrever, são aspectos de extrema relevância a
manutenção da coerência e as sugestões apresentadas nesta aula: utilização adequada dos
recursos coesivos, concisão, objetividade e precisão lexical. Tudo isso, claro, direcionado à
elaboração de um texto cujo conteúdo atenda ao propósito do escrevente.

PARA SABER MAIS

* Texto
ROHR, A. Conheça a Deep Web e a ‘internet invisível’. G1 Segurança digital, 16/01/12.
<http://g1.globo.com/platb/seguranca-digital/2012/01/16/conheca-a-deep-web-e-a-internet-
invisivel/>. Acesso em 11/01/13.

RESUMO DA AULA
Nesta aula, discutimos algumas noções de escrita e reescrita, apresentando aspectos
necessários ao escrevente para elaborar textos com maior qualidade. Vimos que a reescrita é uma
atividade de extrema importância para o aperfeiçoamento das práticas de escrita e como ela
ajuda a “modelar” aquilo que escrevemos.
AVALIAÇÃO
O texto que segue corresponde à primeira versão de um artigo a ser publicado em uma
revista de divulgação científica. Considerando que, antes da publicação, é necessário revisá-lo,
reescreva-o, a fim de conferir-lhe melhor qualidade.

Deep Web: o que é isso?


Recentemente, várias pessoas de todas as partes do mundo, desde as Américas até a
Oceania, passaram a ter conhecimento de que nem tudo o que na web é de acesso livre ao público,
que existem sites invisíveis a mecanismos de busca como o Google. Isso parece ter gerado bastante
tumultuação entre os leigos. Isso se tornou tão real que tenho recebido diariamente, e mais de uma
vez durante a semana muitos, e-mails de usuários perguntando-me sobre o assunto.
Enfim, atendendo aos apelos do público, vamos esclarecer o que é Deep Web. O termo Deep
Web surgiu para designar sites quase impossíveis de serem encontrados na web. Essa
“invisibilidade” é intencional e visa a esconder do usuário comum (e da polícia, em muitos casos) o
conteúdo desses sites, que, muito frequentemente, são ilegais (venda de drogas, pedofilia, troca de
informação entre hackers, são coisas que rolam). Isso é possível porque os programadores que
desenvolvem esses sites não utilizam protocolo HTTP, ou seja, apenas utilizando um navegador
comum – que se baseiam nesse protocolo – não é possível rodar as informações desses sites; além
disso, esses sites não aparecem na busca que se dá por meio de mecanismos de busca no maior
estilo Google.
Esses sites não estão na “internet pública”, por isso seu conteúdo (ou parte dele) somente
está disponível a pessoas “autorizadas” a acessá-los. Estima-se que a Deep Web, também conhecida
como Dark Web, seja bem mais extensa que a web visível.

Figura 51 – Deep Web, a internet invisível. Fonte: Pato Atômico (2012).

Sua resposta deve ser encaminhada para a ferramenta “Atividade” > “Tarefa”, na turma
virtual do Sigaa.
10 – Problemas mais recorrentes no texto escrito
VOCÊ VERÁ POR AQUI...
... um exame de problemas mais comuns referentes à escrita, com especial interesse em
falhas de textualização e incorreções quanto ao uso da norma linguística padrão.

OBJETIVOS
 Reconhecer as inadequações mais recorrentes relativas à textualização escrita.
 Identificar os desvios lexicais e gramaticais no que se refere à escrita padrão.
 Aplicar o conhecimento teórico visto nesta aula às práticas de escrita.

INICIANDO NOSSA CONVERSA

Nas aulas anteriores, tratamos de problemas


relacionados à escrita, em especial, no que se refere a
aspectos relacionados à textualização e ao uso da norma
linguística padrão. Entre esses problemas, podem ser
citados: descontinuidade informacional (truncamento
sintático ou semântico), atomização, má paragrafação,
períodos longos, queísmo, gerundismo, eco, repetição
desnecessária de palavras/expressões, escolha lexical
indevida, mistura da pessoalidade do sujeito locutor, uso
desnecessário/ausência de adjetivos ou de advérbios, Figura 52 – Problemas de escrita.
Fonte: Ferramentas Blog (2012).
confusão de tempos verbais, posição sintática de
termo(s) equivocada, assimetria sintática, erros de ortografia (incluindo acentuação), de
pontuação, de concordância, de regência (incluindo incorreções quanto à marcação da crase), de
emprego e colocação de pronomes.
Sabedores de que tanto o ambiente acadêmico quanto o profissional exigem de nós
determinadas competências para uma prática discursiva mais elaborada e de acordo com as
demandas dessas esferas de atividade, esta aula é, portanto, dedicada ao exame das questões
mencionadas acima, com vistas a um desempenho mais apropriado no que diz respeito à
produção textual escrita.
Para nos ajudar a manter o foco, vamos tentar responder a algumas perguntas iniciais.

 Existe erro de escrita?


 Quais problemas são mais prejudiciais à escrita de textos?
 Quais problemas um texto mal escrito pode causar?
PROBLEMAS MAIS RECORRENTES NA ESCRITA DE TEXTOS

1 Quanto à textualização
Comecemos o nosso estudo observando o excerto textual abaixo, produzido por um
estudante universitário (UFRN, 2011), focalizando a inserção de livros digitais no acervo de
uma biblioteca setorial. Trata-se de um exemplar bastante representativo do que comumente
se encontra nos textos de graduandos.

Exemplo 1

A evolução da humanidade bastante exigente, nos levou a se adaptar no sentido de


agilidade, facilidade, custo, eficiência e beneficios.
A invenção dos tablets e books, nos trouxe certas facilidades, como: possuir livros no
formato digital de variadas línguas, que vai do português ao inglês.
A economia é um dos maiores beneficios que um livro digital nos proporciona, uma
biblioteca virtual o qual todos os alunos podessem baixar os livros. A facilidade e comodidade são
peças fundamentais para dar certo uma tal idéia. [...].

Além das incorreções quanto ao uso da norma linguística padrão, esse excerto
apresenta os problemas de textualização explicitados abaixo.

 Má estruturação de parágrafos
No fragmento lido, os dois primeiros parágrafos contêm apenas um período, sendo
este, em cada parágrafo, uma informação não desenvolvida nem adequadamente explanada.
No primeiro, além da expressão indevida “bastante exigente”, que delimita o sentido de
“humanidade”, há uma sequência de termos (“agilidade, facilidade, custo, eficiência e
beneficios”) que não são esclarecidos. No segundo, a expressão “certas facilidades” vem
exemplificada com apenas uma delas, que é “possuir livros no formato digital de variadas
línguas”; ademais, a explicação “que vai do português ao inglês” é absurda, posto que
extremamente limitada.

 Parágrafos com informações atomizadas


Conforme vimos em lições anteriores, a progressão discursiva deve ser observada entre
períodos e parágrafos de um texto. Isso significa que não se deve apresentar uma ideia
fechada (não desenvolvida, ou seja, “atomizada”) em cada um dos parágrafos. Ao contrário de
parágrafos atomizados, um texto bem escrito deve demonstrar adequada
relação/concatenação entre uma informação e outra. No fragmento textual em análise, a
atomização se evidencia pela forma como cada período se inicia, isto é, com referenciadores
não correlacionados (“A evolução da humanidade”, “A invenção dos tablets”, “A economia”,
“A facilidade e comodidade”).
 Coesão textual inadequada
É possível verificar também que a retomada de termos, no fragmento textual em
análise, está incorretamente sinalizada. Por exemplo, no terceiro parágrafo, tem-se “o qual”,
que não combina com “uma biblioteca virtual”, e “uma tal ideia”, que resulta em
ambiguidade, pois deixa dúvida se essa expressão está se referindo a “livro digital” ou a
“biblioteca virtual”.

 Repetição desnecessária de palavra


A repetição pode até ser um recurso necessário para o estabelecimento da coesão
textual, conforme vimos em aulas anteriores; porém, no exemplo oferecido para análise, o
termo “facilidade” é utilizado no primeiro parágrafo e, depois, indevidamente repetido nos
dois seguintes.

 Eco
Quando há, em um texto, uma sequência de palavras com a mesma sonoridade silábica,
tal como se vê em “agilidade, facilidade” (primeiro parágrafo), em “digital... virtual... o qual”
e em “facilidade e comodidade” (terceiro parágrafo), afirma-se haver nesse texto um som
desejado, um eco. A retirada do eco implica a seleção de palavras ou expressões sinônimas.

Feita a análise de conteúdo dos três parágrafos escritos pelo graduando, podemos
chegar a uma conclusão: devido ao modo como as informações foram dispostas, mesmo que
se façam as correções linguísticas e ortográficas, não há como “salvar” esse texto. Produções
textuais escritas com esse nível de “qualidade”, além de não alcançarem o propósito
comunicativo almejado, deixam uma imagem negativa de seu produtor.

Atividade 1
Leia o texto que segue e explicite, em seu caderno, os problemas de textualização nele
identificados. Depois, reescreva-o, corrigindo esses problemas.

Informamos que a entrada, a frequência e a permanência nas dependências deste


clube são terminantemente proibidas, seja qual for o pretexto, a pessoas que não façam
parte de seu quadro de sócios.
(Placa em um clube de Natal, 2010)
Vejamos, agora, o seguinte parágrafo, extraído de um texto de outro estudante
universitário (UFRN, 2012), tratando sobre política brasileira.

Exemplo 2

Em um país como o Brasil, que possui inúmeras formas de obter lucro, que é um país com
vantagens na produção agrícola, que é um país que tem várias cidades lindas, que possui quase
duzentos milhões de pessoas segundo o senso 2010 do IBGE teria tudo para ser uma dos países mais
ricos e desenvolvidos do mundo não fosse a má administração que assola nosso país.

Nesse fragmento, os problemas de textualização, além dos relacionados ao uso da


língua padrão, são os que esclarecemos a seguir.

 Queísmo
No texto lido, há uma sequência de orações adjetivas iniciadas com “que” (“que
possui...”, “que é um país...”, “que é um país que tem...”, que possui...”). Essa repetição é
indevida e facilmente evitada. Além disso, observa-se outra repetição indevida: a do termo
“país”, utilizado cinco vezes no mesmo período.

 Má construção do período
Além do problema de o parágrafo ter sido construído com apenas um período muito
longo, ele apresenta o defeito de não ter um sujeito para o predicado da oração principal.
Observe que se inicia com o adjunto adverbial de lugar “Em um país como o Brasil”, depois
vem uma série de orações subordinadas adjetivas e, em seguida, o predicado da oração
principal. Sujeito não há. Isso significa que, sintaticamente, o período tem problemas de
construção.

Atividade 2
A partir das orientações oferecidas, marque a opção que apresenta uma proposta de
reescrita que torne o texto do exemplo 2 mais adequado.
(a) O Brasil apresenta potencial para muitas formas de obter lucro: é um país de grandes
vantagens na produção agrícola; tem várias cidades lindas; possui quase duzentos milhões de
habitantes, segundo o censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com
uma diversidade cultural e uma força de trabalho pouco comum em outras nações. Logo, teria
tudo para ser um dos países mais ricos e desenvolvidos do mundo, não fossem os inúmeros casos
de má administração pública.
(b) O Brasil apresenta potencial para muitas formas de obter lucro. É um país de grandes
vantagens na produção agrícola, tem várias cidades lindas, possui quase duzentos milhões de
habitantes, segundo o senso 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com
uma diversidade cultural e uma força de trabalho pouco comum em outras nações. No entanto,
teria tudo para ser um dos países mais ricos e desenvolvidos do mundo, não fossem os inúmeros
casos de má administração pública.
(c) Em um país como o Brasil que apresenta potencial para muitas formas de obter lucro: é um
país de grandes vantagens na produção agrícola; tem várias cidades lindas; possui quase duzentos
milhões de habitantes, segundo o censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), com uma diversidade cultural e uma força de trabalho pouco comum em outras nações.
Logo, teria tudo para ser um dos países mais ricos e desenvolvidos do mundo, não fossem os
inúmeros casos de má administração pública.
(d) Em um país como o Brasil, que apresenta potencial para muitas formas de obter lucro há
grandes vantagens na produção agrícola; várias cidades lindas; quase duzentos milhões de
habitantes, segundo o senso 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com
uma diversidade cultural e uma força de trabalho pouco comum em outras nações. Em
contrapartida, teria tudo para ser um dos países mais ricos e desenvolvidos do mundo, não fossem
os inúmeros casos de má administração pública.
(e) O Brasil apresenta potencial para muitas formas de obter lucro: é um país de grandes
vantagens na produção agrícola; tem várias cidades lindas; possui quase duzentos milhões de
habitantes, segundo o censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), onde se
demonstra uma diversidade cultural e uma força de trabalho pouco comum em outras nações.
Logo, teria tudo para ser um dos países mais ricos e desenvolvidos do mundo, não fossem os
inúmeros casos de má administração pública.

Atividade 3
Leia o texto a seguir. Em seu caderno, relacione os defeitos de textualização e de norma
linguística nele encontrados e, depois, reescreva-o, corrigindo esses defeitos.

Conclui o Ensino Médio no CDF, e hoje curso pela UFRN o curso de Ciências e Tecnologia.
Optei por esse curso, por ser da área de engenharia, onde futuramente pretendo exercer a
profissão.
Espero após o termino do curso é aderir ao curso subsequente de engenharia mecanica.
(Graduando da UFRN, 2012)

Analisemos mais este outro excerto textual, também de um aluno de nível superior
(UFRN, 2011), abordando o tema livros impressos x livros digitais.

Exemplo 3

Ter um livro em suas mãos, deitar-se na cama e lê-lo, folhear as páginas, o cheiro do
livro, as páginas mais marcantes e inesquecíveis, a sensação de estar entrando no livro.
A correria do dia-a-dia, precisar chegar ao local x, ter aula na sala y, precisar da
informação z para concluir o projeto.
Tanto o livro impresso quanto o digital têm suas próprias características e finalidades.
A velocidade das informações hoje em dia, como ficamos sabendo das notícias e como
enviamos. A necessidade de encontrar uma informação o mais rápido possível é o que
“alimenta” os e-books. Neles podemos filtrar um livro rapidamente, e o melhor: sempre na
versão mais atual.
Além da atomização e da vagueza informacional entre as sentenças e entre os
parágrafos, bem como dos desvios da norma linguística padrão, os demais problemas
observados nesse excerto são os que seguem.

 Assimetria sintática
A mistura dos tipos de frases, algumas oracionais (“Ter um livro...”, “deitar-se...”,
“folhear as páginas”, “precisar chegar...”, “ter aula...”) e outras nominais (“o cheiro...”, “as
páginas...”, “a sensação...”, “A correria...”), ocasiona o problema denominado “assimetria
sintática”. Esse problema pode ser evitado com uma simples reescritura.

 Truncamento semântico
Conforme já vimos em aula anterior, o truncamento semântico refere-se à
descontinuidade de sentido, a exemplo do que verificamos no trecho: “A velocidade das
informações hoje em dia, como ficamos sabendo das notícias e como enviamos” (terceiro
parágrafo). Note-se que o período inicia-se com o sujeito “A velocidade das informações”;
depois, passa-se a outra informação, iniciada por uma oração modal com outro sujeito (nós,
elíptico), o que resulta em ruptura do raciocínio inicial.

Atividade 4
Leia as opções a seguir e marque a que apresenta a melhor possibilidade de reescrita
do texto do exemplo 3.
(a) O livro impresso e o digital têm características e finalidades comuns. O impresso permite
ao leitor a sensação de deitar-se com ele na cama, folheando suas páginas e sentindo o cheiro
das páginas. O digital, por sua vez, viabiliza a velocidade de captação das informações e
obtenção de versões sempre atualizadas.
(b) O livro impresso e o digital têm características e finalidades próprias. O impresso permite
ao leitor a sensação tátil de deitar-se com ele na cama, folheá-lo, sentir o cheiro das páginas.
O digital, por sua vez, viabiliza a velocidade de captação das informações e obtenção de
versões sempre atualizadas. Isso é o que “alimenta” o mercado dos e-books.
(c) Há características e finalidades distintas entre o livro impresso e o digital. O impresso
acompanha o leitor na correria do dia-a-dia, onde precisa chegar ao local x, ter aula na sala y. O
digital, em contrapartida, acompanha a velocidade das informações.
(d) Há características e finalidades distintas entre o livro impresso e o digital. O impresso
acompanha o leitor na correria do dia a dia, onde precisa chegar ao local x, ter aula na sala y. O
digital, em contrapartida, contribui para que ele obtenha informações em alta velocidade.
(e) O livro impresso e o digital têm características e finalidades distintas. O impresso nos
permite a sensação tátil de deitar-nos com ele na cama, folhear suas páginas e sentir o cheiro
delas. Já com o digital, aonde a velocidade de captação das informações é mais rápida,
obtemos atualizações constantes.
Atividade 5
Observe os seguintes cartazes, identifique os respectivos problemas e, depois, em seu
caderno, reescreva os textos, corrigindo-os.

Texto 1 Texto 2

Figura 53 – Placa de estrada. Figura 54 – Placa de estabelecimento [2].


Fonte: Placas ridículas (2005). Fonte: Placas ridículas (2005).

Passemos ao exame do exemplo 4, produzido por outro graduando da UFRN (2012).

Exemplo 4

De que maneira mudaríamos a triste condição vivida por pessoas pobres, se não lhe dermos
condições de se formar para futuramente arrumar melhores empregos? Ou será, que quem já vem
da rede pública, onde o ensino é gratuito, que ao meu ver pelas condições atuais já está caro, tem
condições de pagar uma universidade particular?
Por esses motivos defendo a lei de cotas para o acesso a educação superior, pois assim
estaremos de certa forma “igualando” os alunos em níveis de seleção e ajudando a mudar a triste
realidade na educação
Seguem brasileira.
os problemas observados nesse fragmento textual.

 Mistura de pessoalidade
O escrevente alterna o uso da 1ª pessoa do singular (“meu”, “defendo”) com o da 1ª do
plural (“mudaríamos”, “dermos”, “estaremos”).

 Incoerência
No primeiro parágrafo, a informação de que “o ensino é gratuito” é incompatível com a
de que ele “está caro”.

 Uso desnecessário do adjetivo “triste”


O adjetivo “triste” aparece nos dois parágrafos, o que torna o discurso bastante
passional e subjetivo. Em um texto acadêmico, espera-se ler ideias defensáveis pela
razoabilidade que elas apresentam, não pela subjetividade de o que o escrevente pensa ser
“triste” ou não.
Além dos problemas apresentados, nesse trecho, existem, ainda, inadequações no que
se refere à repetição de palavras (“condição[ões]”), ao uso de perguntas retóricas sem
respostas (no primeiro parágrafo) e a incorreções quanto à escrita padrão.

Atividade 6
Considerando o fragmento textual apresentado no exemplo 4, assinale a opção correta
quanto ao que se afirma acerca de questões linguísticas nele existentes.
(a) No trecho “se não lhe dermos”, no primeiro parágrafo, o termo em destaque deveria ter
sido escrito na forma senão, por se encontrar em uma pergunta.
(b) No trecho “se não lhe dermos”, no primeiro parágrafo, o pronome destacado deveria estar
no plural (lhes), concordando com a forma verbal “dermos”.
(c) Em “que quem já vem”, no primeiro parágrafo, “quem” deveria ser substituído pela
expressão aquele que, a fim de se eliminar o eco com o verbo “vem”.
(d) Pontuação correta: Por esses motivos, defendo a lei de cotas para o acesso a educação
superior, pois assim estaremos de certa forma, “igualando” os alunos (...).
(e) Em “o acesso a educação superior”, no segundo parágrafo, temos ocorrência de crase no
“a” (em destaque), daí a obrigatoriedade do acento grave para marcá-la.

Para continuarmos a análise de outros problemas de textualização, leiamos o recorte


textual que segue, escrito por outro universitário (2011), discutindo a respeito da inserção de
livros digitais no acervo de uma biblioteca setorial.

Exemplo 5

Existem, nas bibliotecas convencionais, livros restritos ao acervo, os quais, não podemos pegar para
empréstimo. Havendo publicações, no formato digital, poderia-se acabar com este impasse, respeitando os
direitos autorais de qualquer
Apresentamos, a seguir,forma. Assim, fascilitando
os problemas o acessopresentes
de textualização a livros raros.
nesse recorte.

 Gerundismo
Denomina-se “gerundismo” o emprego excessivo de formas verbais no gerúndio (“Havendo”,
“respeitando” e fascilitando; nesta, com erro de ortografia). Observe que, hoje em dia, é
comum ouvir as pessoas dizendo: “Eu vou estar enviando para você um arquivo com o
material didático solicitado”. Alertamos que, também na oralidade, o gerundismo é um
problema a ser evitado.

 Truncamento sintático
No fragmento textual lido, logo após a expressão “qualquer forma”, colocou-se um
ponto finalizando o período. É isso que caracteriza a “quebra” sintática. Na verdade, em vez
do ponto, deveria haver uma vírgula, pois há continuidade da informação sobre as vantagens
das publicações digitais.
Veja a sugestão de reescrita desse recorte textual, em que procuramos corrigir os
defeitos que ele apresenta e torná-lo mais adequado.

Nas bibliotecas convencionais, existem livros restritos ao acervo, os quais não podem ser
disponibilizados para empréstimo. Com as publicações digitais, tal empecilho seria, ao menos,
parcialmente resolvido, uma vez que, nesse formato, haveria mais facilidade de acesso a certos
livros raros.

Atividade 7
Leia o trecho a seguir, coletado de um aluno da UFRN (2011). Em seu caderno, aponte
os problemas nele existentes (de textualização e de desvios da norma escrita) e, depois,
reescreva-o, de modo a resolvê-los.

Semana passada tive a oportunidade de conhecer as novas instalações da biblioteca


central da UFRN. Seria muito bom poder ter uma setorial na ECT, porém, sendo implantada
uma com acervo misto, com livros impressos e digitais, resolvendo muitas dificuldades
encontradas pelos alunos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta aula, selecionamos alguns dos problemas linguístico-discursivos mais recorrentes em
textos escritos e que mais costumam prejudicar as práticas de escrita. Lembre-se de que
(re)conhecer esses problemas é apenas um dos passos para tornar-se um escrevente melhor. É
necessário também saber evitar problemas de escrita ou desfazer os existentes, e isso é resultado
de prática(s) constante(s).
Vamos, agora, responder às perguntas levantadas no início deste estudo.

 Existe erro de escrita?


Sim. Considerando que a escrita é normatizada e convencionalizada (por isso falamos, por
exemplo, em acordo ortográfico), fugir às regras é considerado erro, principalmente porque,
normalmente, esses desvios prejudicam a leitura.

 Quais problemas são mais prejudiciais à escrita de textos?


Em conformidade com aquilo que estudamos anteriormente (“Noções de escrita e
reescrita”), os problemas que mais prejudicam as práticas de escrita são aqueles que afetam a
textualidade, tai como: truncamento sintático e semântico, incoerência, coesão textual
inadequada, atomização.

 Quais problemas um texto mal escrito pode causar?


Um texto mal escrito pode gerar perda parcial ou total do(s) sentido(s) que o escrevente
pretendia projetar para o leitor. Em alguns casos, a má escrita pode até gerar enormes mal
entendidos.
PARA SABER MAIS

* Prova de concurso
IRB Brasil Resseguros S.A. | Cargo Analista | Prova B.1. Disponível em
<http://www.domtotal.com/direito/concursos/provas/prova.php?proId=54>. Acesso em 20
jan. 2013.

RESUMO DA AULA
Nesta aula, tratamos pontualmente de catorze dos problemas mais recorrentes na
escrita de textos: má estruturação de parágrafos, parágrafos com informações atomizadas,
coesão textual inadequada, repetição desnecessária de palavra, eco, queísmo, má construção
do período, assimetria sintática, truncamento semântico, mistura de pessoalidade,
incoerência, uso desnecessário de adjetivos, gerundismo e truncamento sintático. Através de
exemplos retirados do nosso cotidiano, vimos como esses problemas se constituem, de que
maneira desfazê-los e o quão prejudiciais podem ser para as práticas de leitura e escrita.

AVALIAÇÃO
Nas provas de língua portuguesa de vários concursos públicos, aparecem questões
direcionadas a problemas de escrita. Além disso, com cada vez maior frequência, empresas
públicas e privadas têm adotado, como etapa da seleção de funcionários, provas discursivas
(popularmente chamadas de “redação”) e provas objetivas cujo foco é justamente problemas
de escrita. Por esse motivo, propomos a resolução da lista de questões de concurso que
segue.
(Técnico em Telecomunicações – Companhia estadual de geração e transmissão de energia
elétrica/RS, 2010).

O que você está disposto a mudar?


Você está disposto a abrir mão do seu conforto e de alguns de seus hábitos para salvar a vida e a própria
Terra? Feita assim, esta pergunta parece exagerada e com resposta óbvia. “Claro que sim. Faremos o possível.
Afinal, não podemos imaginar a vida fora deste mundo” seria o coro ouvido por quem se atrevesse a fazer tal
pergunta a uma multidão. De tão óbvia, a resposta chega a ser falsa e apressada. A verdade é que muitos ainda se
perguntam se podem mesmo fazer algo para salvar o planeta, atribuindo os problemas ambientais ..... sociedade,
aos governos ou ...... qualquer instância supostamente exterior ..... nós mesmos. Basta lembrar algumas
iniciativas, que compreenderemos a dificuldade de convencer as pessoas a participarem, de algum modo, da
operação de salvamento da Terra.
Há pouco mais de dez anos, começou o rodízio de carros na cidade de São Paulo para manutenção da
qualidade do ar e para conter emissões de gases que provocam o efeito estufa. Muita gente, no entanto, reclamou
da arbitrariedade da medida e da falta de transporte coletivo adequado, duvidou da eficácia da iniciativa e até foi
parar na Justiça contra o rodízio, alegando perdas econômicas, dificuldades para trabalhar etc. ___________ dez
anos, o rodízio foi assimilado pelo paulistano e muitos veem benefícios na diminuição do trânsito. _______ seis
anos que nos habituamos a economizar energia. O apagão elétrico demonstrou a necessidade do uso mais
racional da energia elétrica. As metas de consumo, com punição monetária a quem as __________, serviram para
reeducar o cidadão. Foi necessário, porém, adotar uma punição, que pegou o consumidor pelo bolso.
O problema é: como tornar essas práticas generalizadas numa sociedade como a brasileira, ao mesmo
tempo carente e perdulária em seus recursos naturais? É essa a dificuldade que ultrapassa as muitas iniciativas
individuais e tem a ver com a história do Brasil e do mundo. É difícil dimensionar o quanto nosso modo de vida
impacta o ambiente. Temos a impressão de que há muito exagero quando se fala que precisamos mudar
urgentemente nossos hábitos. Ao longo do século XX, a população mundial cresceu oito vezes e a produção
industrial aumentou mais de 100 vezes; consequentemente, o consumo de energia elevou-se em cerca de 80
vezes.
Se considerarmos o consumo ainda como algo em que há relativa liberdade de escolha, podemos
vislumbrar uma possibilidade de atuação para os indivíduos em prol do meio ambiente. Nem sempre preço baixo,
por exemplo, é garantia de produtos cujos processos produtivos respeitam a natureza; tampouco o consumidor
dispõe de informações consistentes para decidir comprar ou não determinada mercadoria. Ainda assim, é no ato
de consumir que fazemos escolhas e podemos definir relações de cidadania. O consumo também se
relaciona ao estilo de vida. Cálculos de ecologistas demonstram que, se a população do mundo consumisse tanto
quanto os norte-americanos, seriam necessários mais quatro planetas Terra para que dispuséssemos de água,
energia, alimentos, produtos e serviços básicos.
Assim, várias organizações tentam despertar a sociedade para a necessidade de um consumo consciente,
apostando no enorme poder transformador do homem, este indivíduo que seria capaz de mudar seus hábitos,
privilegiando produtos de empresas com processos menos prejudiciais ao meio ambiente. Falta informação, e o
apelo ao consumo é enorme, infelizmente muito maior do que o apelo para a preservação do planeta.
Fonte: http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/ Acesso em 10/06/2010. Com adaptações.

1 Assinale a opção que completa corretamente as lacunas pontilhadas no primeiro parágrafo,


na ordem em que aparecem.
(a) à – a – a
(b) à – à – a
(c) à – à – à
(d) a – à – a
(e) a – a – a
2 Considere as seguintes propostas de reescritura de Se considerarmos (quarto parágrafo).
I. Considerando o consumo.
II. Caso consideremos.
III. Na hipótese de considerarmos.
IV. Não obstante considerarmos.

Que opção apresenta possibilidade(s) que preserve(m) a correção estrutural e semântica do


texto?
(a) Apenas I e II.
(b) Apenas I e III.
(c) Apenas I, II e III.
(d) Apenas II, III e IV.
(e) I, II, III e IV.

3 Marque a opção que apresenta uma reescrita adequada do ponto de vista sintático,
semântico e ortográfico para o primeiro período do quinto parágrafo do texto lido.
(a) Nesse sentido, há organizações que tentam despertar os clientes para a necessidade de um
consumo consciente. Para tanto, elas apostam no poder transformador do homem em um
indivíduo capaz de mudar hábitos e de privilegiar produtos de empresas com processos menos
prejudiciais ao meio ambiente.
(b) No entanto, várias organizações despertam a sociedade para a necessidade de um consumo
consciente, apostando no enorme poder transformador do homem, esse indivíduo que é capaz de
mudar hábitos, privilegiando produtos de empresas cujos processos são menos prejudiciais à
natureza.
(c) É por essa razão que várias empresas apostam no despertar social para a necessidade de um
consumo consciente. Isso implica apostar no enorme poder transformador do ser humano em um
indivíduo capaz de mudar hábitos e de privilegiando produtos de empresas com processos menos
prejudiciais ao meio ambiente.
(d) Conquanto várias organizações tentem despertar clientes para a necessidade de um consumo
consciente, apostando no poder transformador do homem, esse indivíduo seria capaz de mudar
hábitos, privilegiando produtos de empresas cujos processos menos prejudiciais ao meio
ambiente.
(e) Assim sendo, há organizações tentam despertar o social para a necessidade de um consumo
consciente. Para tanto, elas apostam no poder transformador do ser humano que é capaz de
mudar hábitos e de privilegiar produtos de empresas com processos menos prejudiciais ao meio
ambiente.
(Analista de finanças e controle – Subsecretaria de comunicação institucional da Secretaria-Geral
da Presidência da República, n. 390, Brasília, 2006).
4 Assinale a opção que não constitui continuação coesa, coerente e gramaticalmente correta
para o texto abaixo.

O combate à fome e à pobreza foi adotado pelo governo federal, a partir de 2003, como
política de governo. Dentro dessa política, por exemplo, foi criado o Programa Bolsa-Família que
beneficia mais da metade das famílias pobres do país. O programa é de responsabilidade do
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, que tem hoje o maior orçamento já
investido no Brasil para combater a fome e promover o desenvolvimento Social - R$ 17 bilhões.

(a) Há atualmente programas de distribuição de renda em 100% do território nacional,


proporcionando o acesso à alimentação e movimentando a economia local.
(b) Uma ação importante, feita em parceria com a Articulação no Semiárido (ASA), é o Programa
de Construção de Cisternas. Foram 50.248 cisternas construídas na região do semiárido com
investimentos diretos do governo federal no valor de R$ 72 milhões entre junho de 2003 e março
de 2005.
(c) Outra meta é a garantia de que até 2015 todas as crianças terminem um ciclo completo de
ensino. Nesse caso, de acordo com o relatório, o Brasil caminha para a universalização do ensino
fundamental. Em 2002, 93,8% das crianças de 7 a 14 anos frequentavam a escola de 1ª a 8ª série.
(d) Mas o grande problema do País ainda é a qualidade de ensino e o alto índice de analfabetos.
Dados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), de 2001, mostram que 59%
dos alunos da 4ª série não desenvolveram habilidades elementares de leitura. gaba!
(e) Além das ações governamentais, para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do
Milênio é necessário o estabelecimento de parcerias. Nesse sentido o governo brasileiro tem
buscado o apoio da iniciativa privada e de organizações da sociedade civil, bem como tem
estabelecido parcerias com outras nações que também firmaram o mesmo pacto para o alcance
das metas sociais.

(Analista – IRB Brasil Resseguros S. A., 2006)


5 Assinale a opção gramaticalmente correta que dá continuidade coerente e coesa ao
seguinte texto:

O recente anúncio do IBGE da melhora da distribuição de renda no país trouxe uma armadilha
pouco percebida pela classe média. Embora o Brasil tenha crescido nos últimos anos e gerado milhões de
empregos com carteira assinada, as remunerações típicas da classe média não evoluíram. Ou pior,
caíram. O avanço da educação nos últimos anos é chave para entender o problema: há muito mais gente
qualificada disputando as mesmas vagas – e muitas dessas vagas encontram-se em extinção.
(ÉPOCA NEGÓCIOS, 12 de dezembro de 2005, com adaptações)

(a) Ainda assim, ela perdeu espaço no mercado de trabalho, viu seu salário encolher e as despesas
aumentar. Concorre com cada vez mais gente qualificada pelas mesmas vagas e está endividada
para manter o padrão de vida do passado.
(b) Por isso, em dez anos o ganho médio dos trabalhadores de classe média decresceu 19,4%. Por
outro lado, as despesas aumentaram com o peso dos impostos na renda nacional de 20% desde o
Plano Real. Só as tarifas públicas tiveram um aumento de 290%.
(c) Nesse contexto, seu mercado de trabalho ficou mais competitivo, seja por que o País cresce
pouco e gera poucos empregos, seja por que as universidades estão formando mais; o resultado é
a queda na renda, especialmente entre as categorias, típicas do meio da escada social.
(d) Apesar de os critérios de renda sempre gerem controvérsias, para os institutos de pesquisa
uma família que ganha R$ 3.000,00 pode ser considerada de classe média; posto que uma renda
familiar desse porte não garante a uma família – sobretudo se ela for grande – o padrão típico de
consumo da classe média.
(e) As pesquisas revelaram que os brasileiros mais pobres ganharam algum alento, especialmente
com o aumento do número de programas sociais. Embora pouco, a renda deles melhorou. Já os
mais ricos nem sequer aparecem no estudo. Quem perdeu mesmo foi a classe média.

6 Assinale a opção que apresenta truncamento sintático (trechos adaptados de Em Questão,


Subsecretaria de Comunicação Institucional da Secretaria-Geral da Presidência da República, n.
379, Brasília, 30 de novembro de 2005).
(a) Duas pesquisas, divulgadas nos últimos dias, mostram que as políticas sociais e de combate à
fome implementadas pelo governo federal começam a apresentar resultados concretos na
melhoria das condições de vida do povo brasileiro.
(b) Um estudo da Fundação Getúlio Vargas, intitulado “Miséria em Queda”, baseado em dados da
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do IBGE, confirmando que a miséria no Brasil
caiu em 2004, e atingiu o nível mais baixo desde 1992.
(c) O número de pessoas que estão abaixo da linha da pobreza passou de 27,26% da população,
em 2003, para 25,08% em 2004. Em 1992, esse percentual era de 35,87%.
(d) É considerado abaixo da linha da pobreza quem pertence a uma família com renda inferior a
R$ 115 mensais, valor considerado o mínimo para garantir a alimentação de uma família. O
estudo da FGV mostrou que o índice de miséria no Brasil caiu 8% de 2003 para 2004, deixando o
país com a menor proporção de miseráveis desde 1992.
(e) A redução da taxa foi fortemente influenciada pela queda na distância entre os ricos e pobres
no Brasil, registrada em três anos consecutivos. Somente em 2004, a desigualdade caiu duas
vezes mais do que no ano anterior.
REFERÊNCIAS

ABREU, Antônio Suárez. Curso de redação. São Paulo: Atlas, 2001.


ANDRADE, Maria Margarida de; MEDEIROS, João Bosco. Comunicação em língua portuguesa. 2.
ed. São Paulo: Atlas, 2001.
CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Texto e interação. São Paulo: Atual, 2000.
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IMAGENS
Figura 1 - O avanço da tecnologia moderna: http://historiabruno.blogspot.com.br/2012/02/o-
avanco-da-tecnologia-moderna.html
Figura 2 – Laboratório da Mectron, em São José dos Campos/SP:
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Figura 3: Pedra com inscrições cuneiformes - sistema de escrita criado pelos sumérios. Fonte: Klick
Educação (20:?). http://www.klick.com.br/enciclo/encicloverb/0,5977,POR-8742,00.html
Figura 4 – Hieróglifos egípcios: http://carlacoelhor.files.wordpress.com/2010/03/hieroglifos-
egipcios.jpg
Figura 5 - Figura 5: A evolução da escrita, do ponto de vista da tecnologia.
http://www.educared.org/educa/index.cfm?pg=oassuntoe.interna&id_tema=9&id_subtema=2
Figura 6 – Outdoor inteligente. http://molhandobico.blogspot.com.br/
Figura 7 – Fotografia de Alberto Manguel.
http://www.randomhouse.com/acmart/catalog/author.pperl?authorid=18876
Figura 8 - Jarvis, skin for Windows 7 (Iron man) . http://blue-
software.blogspot.com.br/2012/11/jarvis-iron-man-skin-for-windows-7.html
Figura 9 - http://tomyetony.blogspot.com.br/2011/04/gif-tomy-acenando.html
Figura 10 - http://geekado.com.br/gilberto-gil-guerra-fria-html-5-e-socl/
Figura 12 - http://www.baixaki.com.br/download/anime-smiley-icons.htm
Figura 13 – Charge sobre vacina. HARRIS, Sidney. A ciência ri: o melhor de Sidney Harris. São
Paulo: UNESP, 2007.
Figura 14 - Placa de perigo (presença de tubarões). Fonte: O Globo (2007).
http://oglobo.globo.com/blogs/australia/posts/2007/01/23/perigo-no-mar-tubaroes-46597.asp .
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Figura 15 – Ataque de tubarão. http://reflexoes402010.blogspot.com.br/2010/07/ponha-um-
tubarao-vivo-no-seu-tanque.html
Figura 16 - Figura 16 – Charge de Dilma Rousseff sobre a Lei de Cotas. Fonte: Charge online
(2012). Disponível em: ???
Figura 17 – Notícia da Veja sobre os espiões do governo. Fonte:
http://www.filologia.org.br/vcnlf/anais%20v/civ8_08.htm
Figura 18 –Propaganda de assistência funerária (outdoor). Fonte:
http://www.filologia.org.br/vcnlf/anais%20v/civ8_08
Figura 19 – Tirinha (ambiguidade). Fonte:
http://estudandofelizcomcamila.blogspot.com.br/2012/08/ambiguidade.html
Figura 20 – Placa de aviso, MBR (ambiguidade).
http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=37201
Figura 21 – Anúncio (medicamento e direção). Fonte: Mundo educação - Terra. Disponível em:
http://www.mundoeducacao.com.br/redacao/anuncio-publicitario.htm
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Figura 22 – Tirinha (sequências textuais). Fonte: www.drpepper.com.br
Figura 23 – Seis amostras de gêneros discursivos. Fontes - Tirinha As Cobras: Máquina Mistério
[2012]; Carta pessoal: Natascha, Thaís e João (2008); Charge: Jornal do Commercio - UOL (2013);
Diário pessoal: 4shared, Gêneros do cotidiano [20:?]; Placa de estabelecimento: Crônicas do Jair
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http://asmelhorespropagandas.blogspot.com.br/
Figura 24 – Figura 24 – Hipertexto. Fonte: Wikipédia (2013).
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hipertexto
Figura 25 - Receita de marmelada branca de Odivelas. Fonte: Odivelas (2010).
http://odivelas.com/2010/03/21/marmelada-branca-de-odivelas/
Figura 26 – Receita de bolo de abóbora com coco. Fonte: Cozinha Brasil - Receita de família
[2012?]. http://www.cozinhareceitadefamilia.com.br/receitas.html
Figura 27 - ???
Figura 28 – Foto inadequada ao perfil. Fonte: REZENDE, T. Fotografia, 2010.
Figura 29 – Foto adequada ao perfil. Fonte: REZENDE, T. Fotografia, 2010.
Fonte: REZENDE, T. Curriculum vitae, 2013.
Figura 30 – Portal CNPq. Fonte: CNPq (2013). http://www.cnpq.br/
Figura 31 – Plataforma Lattes. Fonte: Plataforma Lattes/ CNPq (2013). http://lattes.cnpq.br/
Figura 32 – Cadastro de currículo Lattes. Fonte: Plataforma Lattes/ CNPq (2013).
https://wwws.cnpq.br/cvlattesweb/pkg_cv_estr.inicio
Figura 33 – Correntes.
Fonte: Eu odeio correntes (2008). http://correntesnao.wordpress.com/

Figura 33 – Quadrinhos do Garfield. Fonte: BiblioBD (2012).- http://bbd.lowebsite.com/wp-


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Figura 34 - Página do mangá 'Yankee-kun to Megane-chan', tradução feita por OMG Scans. Fonte:
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- http://animanh.blogspot.com.br/2012/02/mangas-o-que-sao-e-como-ler.html
Figura 35 - GONZALES, F. Quatro felinos felídeos. Níquel Náusea, São Paulo, n. 20, p. 4, jul. 1993.
Figura 36 - Darth Vader, o vilão do filme Star Wars. Fonte: Pelo mundo web rádio
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Figura 37 – O gladiador tranquilo (capa da Revista Veja). Fonte: Veja (mar. 2012).- Fonte: Veja.
Edição 2260. Mar/2012
Figura 38 – Tirinha Turma da Mônica. Fonte: Fonte: SOUSA, Mauricio de. Mônica nº. 20. São
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Figura 39 – Propaganda (automóvel Gol). Fonte: MKT Esportivo (2012).Disponível em
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Acesso em: 19-12-12.
Figura 40 – Automóvel (Lamborghini - Gallardo. Fonte: e-Reality (2007).
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Figura 41 - Corrente
Figura 42 – Quebrando correntes. Fonte: http://www.profetico.com.br/wp-
content/uploads/2012/10/quebrando-correntes.jpg
Figura 43 – O que é parágrafo?. Fonte: http://www.canstockphoto.com.br/foto-
imagens/par%C3%A1grafo.html
Figura 44 – Parágrafo. Fonte: http://www.canstockphoto.com.br/foto-
imagens/par%C3%A1grafo.html
Figura 45 – Divisão de parágrafo. http://www.canstockphoto.com.br/foto-
imagens/par%C3%A1grafo.html
Figura 46 – A prática cotidiana da escrita. Fonte: Boas escolhas [20:?].
http://www.boasescolhas.com/
Figura 47 – A reescrita como processo de aprimoramento da escrita. Fonte: Revista Língua
Portuguesa – UOL (2012). http://revistalingua.uol.com.br/textos/82/escrever-certo-escrever-
bem-264520-1.asp
Figura 48 – A prática cotidiana da escrita. Fonte: Radio Godoy FM 87.7 Mhs [20:?].-
http://radiogodoyfm.com/materias-ler.php?id=520
Figura 49 – A prática de escrita no âmbito profissional. Fonte: Boas escolhas [20:?].
http://www.boasescolhas.com/
Figura 50 – Tirinha de Garfield. Fonte: El Cabron (2008). Fonte: <www.elcabron.net/wp-
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Figura 51 – Deep Web. Fonte: Pato Atômico (2012). http://patoatomico.com.br/deep-web-a-
internet-invisivel/
Figura 52 – Problemas de escrita.
Fonte: Ferramentas Blog (2012). Disponível em: http://www.ferramentasblog.com/2012/03/reescrever-artigos-para-aparecer-melhor-
no-google-seo.html
Figura 53 – Placa de estrada.
Fonte: Placas ridículas (2005). Disponível em: http://photos1.blogger.com/blogger/4005/383/1600/Placa009.jpg
Figura 54 – Placa de estabelecimento [2].
Fonte: Placas ridículas (2005). http://photos1.blogger.com/blogger/4005/383/1600/Placa008.jpg

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