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Francisco Geoci da Silva, Glícia Azevedo Tinoco José Romerito Silva e Tamyris Rezende

Práticas de Leitura e Escrita

Volume 1

Universidade Federal do Rio Grande do Norte Escola de Ciências e Tecnologia Instituto Metrópole Digital Natal/RN, 2013

Divisão de Serviços Técnicos

Catalogação da Publicação na Fonte. UFRN / Biblioteca Central Zila Mamede

Divisão de Serviços Técnicos Catalogação da Publicação na Fonte. UFRN / Biblioteca Central Zila Mamede

SUMÁRIO

Apresentação …

05

01 – Escrita como tecnologia e prática social …

06

02 – Leitura como processo de semiotização …

16

03 Informações implícitas, figuratividade e processos de inferenciação …

26

04 – Gêneros discursivos e sequências textuais …

40

05 – Coesão textual …

60

06 Fatores de coerência discursiva

76

07 – Progressão discursiva …

94

08 Paragrafação …

107

09 – Noções de escrita e reescrita …

122

10 Problemas mais recorrentes no texto escrito

136

Referências …

150

A leitura é sempre apropriação […], produção de significados. […] o leitor é um caçador que percorre terras alheias. […] Toda história da leitura supõe, em seu princípio, essa liberdade do leitor […] Mas essa liberdade leitora não é jamais absoluta. Ela é cercada por limitações derivadas das capacidades, convenções e hábitos que caracterizam, em suas diferenças, as práticas de leitura. Os gestos mudam segundo os tempos e os lugares, os objetos lidos e as razões de ler. […] Do rolo ao códex medieval, do livro impresso ao texto eletrônico, várias rupturas maiores dividem a longa história das maneiras de ler. Elas colocam em jogo a relação entre o corpo e o livro, os possíveis usos da escrita e as categorias intelectuais que asseguram a compreensão. (CHARTIER, 1999, p. 77)

APRESENTAÇÃO

No mundo globalizado atual, cujo mercado de trabalho torna-se cada vez mais exigente e seletivo, é de extrema importância para você, estudante de nível superior e futuro profissional, seja qual for sua área de atuação, o pleno desenvolvimento da capacidade de leitura, bem como da habilidade de se expressar adequadamente quer na modalidade oral ou escrita nas diversas situações comunicativas de que participa. De fato, desenvolver essas competências é, certamente, decisivo para o seu sucesso acadêmico e pode fazer a diferença no momento de concorrer a um emprego (ou permanecer nele), principalmente aquele que proporcionar uma melhor posição social. Por isso, faz-se necessário o constante aprimoramento dos usos da linguagem nos variados contextos de interação social. Afinal, é graças ao aperfeiçoamento das aptidões de leitura e escrita que o indivíduo tem acesso aos bens culturais que o cercam, amplia sua visão de mundo e obtém maiores oportunidades de interagir de modo mais satisfatório e bem-sucedido no ambiente onde vive, sobretudo nas esferas de atividade social mais prestigiadas. Conforme você bem sabe, tanto na vida acadêmica quanto no exercício profissional, somos frequentemente solicitados a ler e a escrever textos de variados gêneros discursivos. Assim, torna-se imprescindível o domínio das estratégias discursivo- textuais e linguísticas de situações com maior grau formalidade, pois elas exigem um desempenho comunicativo mais apurado e bem diferente dos momentos de interação mais íntimos e descontraídos, aos quais, certamente, você já está acostumado. Nesse sentido, a disciplina Práticas de Leitura e Escrita-I (PLE-I) se organiza em torno de um conjunto de saberes relacionados às atividades de leitura e escrita, por meio de uma articulação dinâmica que parte da prática para chegar à teoria. Desse modo, o anseio de PLE-I é contribuir para o aprimoramento de competências de leitor e de escrevente, com vistas a uma melhor formação acadêmica e a uma atuação mais eficiente e produtiva no mundo do trabalho. Pensando nisso, este livro está dividido em dez seções temáticas: Escrita como tecnologia e prática social; Leitura como processo de semiotização; Informações implícitas, figuratividade e processos de inferenciação; Gêneros discursivos e sequências textuais; Coesão textual; Fatores de coerência discursiva; Progressão discursiva; Paragrafação; Noções de escrita e reescrita; Problemas mais recorrentes no texto escrito. Cada seção apresenta atividades, exemplos e análises que, ao fim relacionados, “iluminarão” a teoria a partir da qual a área de PLE se constrói. Esperamos, portanto, que você perceba, através dos temas discutidos e das atividades realizadas, a importância do desenvolvimento das competências de leitor e de escrevente para a sua vida pessoal, acadêmica e profissional. Desde já, desejamos-lhe um aprendizado bastante agradável e proveitoso.

Os autores.

01 Escrita como tecnologia e prática social

VOCÊ VERÁ POR AQUI

por que a escrita se configura como tecnologia e prática social e de que maneira essa prática está atrelada ao universo da ciência e da tecnologia.

OBJETIVOS

Compreender o sentido da palavra tecnologia em suas diversas nuances, integrando saberes de áreas distintas.

Conceber a escrita como processo tecnológico em contínuo aperfeiçoamento.

Perceber o papel fundamental da escrita na criação de outras tecnologias.

Entender a importância da escrita nas práticas do homem como ser social e culturalmente

ativo.

Relacionar os processos de “leitura” e “escrita”, entendendo-os como indissociáveis.

Aplicar esse conhecimento teórico nas práticas de leitura e escrita voltadas às áreas de Ciências e Tecnologia e de Tecnologia da Informação.

INICIANDO NOSSA CONVERSA

Você já parou para se perguntar o que significa tecnologia? Essa é uma das questões a que responderemos no decorrer desta aula. Veremos, também, possíveis explicações para os questionamentos abaixo listados.

O que é tecnologia?

Como podemos inserir a escrita no campo das tecnologias?

O que torna a escrita uma prática social?

De que maneira a escrita contribui para o surgimento e o desenvolvimento de outras tecnologias?

Por que a leitura e a escrita são processos inter-relacionados?

Pensemos um pouco sobre o que entendemos a priori por tecnologia

Figura 1 - O avanço da tecnologia moderna. Fonte: História interessante (2012).
Figura 1 - O avanço da tecnologia moderna.
Fonte: História interessante (2012).

Que tal adicionarmos ao seu conceito pessoal alguns outros, a começar pelo sentido sugerido por verbetes de alguns dicionários de língua portuguesa?

TECNOLOGIA, segundo:

a) dicionário Houaiss 1. teoria geral e/ou estudo sistemático sobre técnicas, processos,

métodos, meios e instrumentos de um ou mais ofícios ou domínios da atividade humana;

b) dicionário Aurélio s.f. Tratado das artes e ofícios em geral; vocabulário privativo de uma

ciência, de uma arte, de uma indústria;

Conjunto das técnicas, processos e métodos específicos de

uma ciência, ofício, indústria; ciência que trata dos métodos e do desenvolvimento das artes industriais.

c) dicionário Aulet Digital 1.

Vejamos o que diz a esse respeito o Engenheiro José Ernesto Lima Gonçalves, em artigo publicado na Revista de Administração de Empresas.

“Para muitos autores e usuários leigos da palavra, tecnologia se refere ao conjunto

particular de dispositivos, máquinas e outros aparelhos empregados na empresa para a produção

a tecnologia é muito mais que apenas equipamentos, máquinas e

computadores. A organização funciona a partir da operação de dois sistemas que dependem um do outro de maneira variada. Existe um sistema técnico, formado pelas técnicas, ferramentas e métodos utilizados para realizar cada tarefa. Existe também um sistema social, com suas necessidades, expectativas e sentimentos sobre o trabalho. Os dois sistemas são

de seu resultado [

]

simultaneamente otimizados quando os requisitos da tecnologia e as necessidades das pessoas são atendidos conjuntamente”.

Conforme se vê, tecnologia (do grego τεχνη — "técnica, arte, ofício" e λογια — "estudo") é toda e qualquer técnica, conhecimento, ferramenta utilizada pelo homem para resolver (ou facilitar a resolução de) problemas. Softwares, chips e robôs são tecnologia; a roda, o arado e o cinto de segurança também, pois foram igualmente concebidos graças à inteligência do homem. Essas e outras invenções não só facilitaram a vida do ser humano, como também motivaram o desenvolvimento de novas atividades.

Figura 2 – Laboratório da Mectron, em São José dos Campos/SP. Fonte: Odebrecht Defesa e
Figura 2 – Laboratório da Mectron, em São José dos Campos/SP.
Fonte: Odebrecht Defesa e Tecnologia (2012).

O que a escrita tem a ver com isso? É o que veremos no tópico a seguir.

Escrita como tecnologia e prática social

As mudanças sociais requerem que uma geração passe a outra os conhecimentos desenvolvidos. Nesse sentido, partindo do pressuposto de que a formação da sociedade humana dependeu, desde sempre, da comunicação, e conhecendo-se as limitações da oralidade para efeito de registro, por exemplo, podemos compreender a ESCRITA como TECNOLOGIA.

Vale salientar, porém, que o homem é um ser falante, não necessariamente ‘escrevente’. Isso porque a existência de sociedades ágrafas, em pleno século XXI, bem como a enorme quantidade de pessoas que não dominam a escrita, demonstram que essa prática não é condição de sobrevivência. No entanto, nas sociedades grafocêntricas, a escrita é essencial para que as pessoas se tornem atuantes social e culturalmente. Sendo assim, ESCRITA é PRÁTICA SOCIAL: atravessa o tempo e o espaço, obedece a uma organização específica que depende da situação comunicativa a que se vincula, exerce certa "magia" nas pessoas de todas as épocas.

Com efeito, toda a história da escrita é consequência das gradativas exigências da organização social. A necessidade de fazer marcas em árvores, em pedras, em papiro ou em outro suporte qualquer com objetivos mnemônicos e

Figura 3 - Pedra com inscrições cuneiformes. Fonte: Klick Educação [20:?].
Figura 3 - Pedra com inscrições
cuneiformes.
Fonte: Klick Educação [20:?].

comunicativos, por exemplo, foi um instrumento utilizado para controlar a quantidade de animais ou de produtos cultivados, especificar tipos de rebanhos, entre outras funções sociais importantes.

No nono milênio anterior à era cristã, na Mesopotâmia, os antigos sumérios desenvolveram

sistema de escrita cuneiforme, o mais antigo da história da humanidade. O objetivo era controlar rebanhos. Por volta do quarto milênio antes de Cristo, com o desenvolvimento das primeiras cidades, as formas e marcas da escrita cuneiforme se diversificaram, certamente por causa do aumento de objetos e de animais a serem contabilizados e registrados.

No antigo Egito, a escrita tinha outras funções, digamos, de cunho místico. Em rituais religiosos de homenagens aos mortos, por volta de 3000 a. C., os egípcios depositavam um exemplar do Livro dos Mortos na tumba do ente querido. Esse livro, considerado o

primeiro da humanidade, continha cânticos, preces e poemas. Seu propósito era garantir que o falecido conseguisse se orientar na caminhada para o outro lado da vida.

Outra informação interessante sobre a relação dos egípcios com a escrita diz respeito ao suporte utilizado para essa atividade. A princípio, eles desenhavam em pedras os sinais que ficaram conhecidos como “hieróglifos”. Posteriormente, descobriu-se uma planta da qual surgiria

o papiro. A haste do vegetal era cortada em tiras finas que, por sua vez, eram estendidas

sobre uma pedra plana e batidas com uma espécie de martelo, formando uma folha na qual era

possível escrever mais facilmente do que sobre as pedras.

A escrita chinesa, por sua vez, é um caso único. Sofreu pouquíssimas modificações desde

que surgiu, por volta do segundo milênio a. C. No ano 100 d. C., os chineses inventaram o papel e

a tinta, após passarem séculos usando galhos.

Por volta do ano 500 a. C., os gregos desenvolveram o alfabeto, sistema de escrita também adotado nas línguas portuguesa, espanhola, italiana, inglesa, francesa, alemã, entre outras. Porém, há de se ter cautela diante da ideia de que o alfabeto seria a etapa de maior evolução na história do aprimoramento dos sistemas de escrita. O alfabeto grego não suplantou sistemas existentes ainda hoje, a exemplo das escritas árabe e russa e da escrita iconográfica japonesa. O fato é que cada povo foi capaz de criar um sistema compatível com as suas necessidades, e cada um desses sistemas foi aprimorado à medida que as relações sociais, na esteira do desenvolvimento das cidades, tornavam-se mais complexas.

Na Idade Média, monges copistas foram os grandes responsáveis pela propagação e manutenção do saber escrito; todavia, eles não podem ser elogiados pela democratização desse saber, uma vez que as bibliotecas ficavam fechadas nos mosteiros. Além disso, o homem comum era analfabeto, sendo-lhe vedado o conhecimento da escrita.

Na verdade, o acontecimento considerado um marco para a consolidação da escrita alfabética foi a invenção da tipografia por Johan Gutenberg, no ano de 1450. Foi com esse rudimentar equipamento que o ourives alemão imprimiu sua primeira edição da Bíblia em latim.

o

Figura 4 – Hieróglifos egípcios. Fonte: Carla Coelho, 2010.

Figura 4 Hieróglifos egípcios. Fonte: Carla

Coelho, 2010.

Enquanto os livros iam sendo impressos pelo método de Gutenberg, as pessoas usavam pena e tinteiro para se comunicar por escrito. Depois, surgiram a caneta-tinteiro e a esferográfica. No século XIX, dá-se a invenção da máquina de escrever, que passa por sucessivas transformações, chegando ao computador pessoal e culminando nos atuais notebooks e em outros artefatos ainda mais compactos, tais como os tablets.

Hoje, em plena era dos computadores, escrever continua sendo uma realização humana que, se não é essencial para a sobrevivência, torna nossas experiências no mundo muito mais ricas. Cabe ressaltar, outrossim, que a escrita consiste na sistematização de um código a ser compartilhado e seguido por um grupo. Faz-se mister, portanto, compreender que “escrita” e ”leitura” são processos indissociáveis, ou seja, ao passo que o grupo conhece o sistema em que se baseia determinado material escrito, pode atribuir-lhe possíveis sentidos; a isso chamamos leitura.

Diante desse texto de apoio teórico, a que conclusão podemos chegar?

A escrita, assim como as demais tecnologias, exige que os usuários dominem seus mecanismos para, dessa maneira, utilizarem-na em prol do desenvolvimento social.

Vejamos exemplos de escrita a seguir.

Exemplo 1

REMOC ORODA UE LEM MOC ANANAB AIEVA E

É possível “ler” o texto acima? Trata-se de um “texto”? Será um texto apenas se for possível atribuir a ele um sentido. Talvez o conhecimento acerca de algumas informações sobre o sistema adotado possa ajudar: no hebraico e no árabe, os textos são escritos e lidos em linhas horizontais (como na nossa língua), de cima para baixo (também nisso há semelhanças entre nós), mas da direita para a esquerda (o oposto da direção que nós seguimos). Observe se, com essas dicas, é

possível agora ler o que está escrito.

Figura 5: A evolução da escrita, do ponto de vista da tecnologia. Fonte: Educarede Fundação
Figura 5: A evolução da escrita, do ponto de vista da tecnologia.
Fonte: Educarede Fundação Telefônica (2003?).

A

essa

altura,

você

deve

estar

percebendo que a tecnologia da escrita não consiste apenas no conhecimento de vocábulos; pelo contrário, dominar o código é conhecer a organização de seus constituintes e o modo como eles são utilizados (tanto na escrita quanto na leitura). Retornando à discussão sobre a relação entre

leitura e escrita, devemos compreender, pois, que lemos porque antes alguém escreveu e escrevemos respondendo a textos lidos.

Em muitas ocasiões, falamos a partir de conhecimentos que obtivemos por meio de práticas de leitura e escrita antes vivenciadas. Ouvimos uma conversa e a associamos a um texto

lido ou, a partir dessa conversa, somos levados a escrever algo. Trata-se de um ciclo sem fim, que constitui a (e é continuamente constituído pela) sociedade grafocêntrica, ou seja, a sociedade cujas demandas se pautam pelo uso da escrita. Todos nós vivemos nesse tipo de sociedade, já que estamos mergulhados em um mundo de escrita impressa e/ou digital.

Exemplo 2

Observe o anúncio de emprego a seguir.

Figura 6 - Outdoor inteligente. Fonte: Molhando o bico (2009).
Figura 6 - Outdoor inteligente.
Fonte: Molhando o bico (2009).

O texto do outdoor está escrito em um código específico da área de Programação, designado Linguagem C. Para que o leitor seja capaz de atribuir sentido a esse enunciado, ele precisará dominar o sistema de escrita adotado em sua elaboração. A sequência de caracteres apresentada forma a frase “Now Hiring”, que corresponde a “Estamos contratando” em Língua Portuguesa. A empresa responsável pelo anúncio deixa clara, portanto, sua preferência por contratar pessoas que tenham conhecimento da linguagem utilizada e que, por isso mesmo, sejam capazes de interpretar esse texto, o que pode ser considerado, dessa forma, parte significativa dos processos de seleção e admissão.

Exemplo 3

Vimos até aqui que as pessoas escrevem com diferentes propósitos comunicativos:

lembrar-se de algo, contratar alguém, estudar. A escrita de si é também um importante exercício. Nele, o escrevente “imprime” no texto as imagens que deseja projetar de si para o leitor. Partindo desse pressuposto, leia uma breve biografia de Alberto Manguel. Você sabe quem é ele?

ALBERTO MANGUEL

de Alberto Manguel. Você sabe quem é ele? ALBERTO MANGUEL Figura 7 – Fotografia de Alberto

Figura 7 Fotografia de Alberto Manguel. Fonte: Random House

(2011?).

Nasceu em Buenos Aires, em 1948, e passou a infância em Israel. Morou na Espanha, na Itália, na França, na Inglaterra e no Taiti. Em 1985, naturalizou-se canadense. É ensaísta e autor de várias obras de ficção. Desenvolve uma atividade intensa como editor e tradutor, além de colaborar com jornais e revistas de vários países. Dele, a Companhia da Letras publicou Uma história da Leitura, No bosque do espelho - Ensaios sobre a palavra e o mundo, Lendo imagens, Dicionário de lugares imaginários e Stevenson sob as palmeiras (Coleção Literatura ou Morte).

O gênero discursivo “biografia” tem por função social apresentar ao leitor uma pessoa ilustre: um pesquisador, um cientista, um estadista, ou seja, alguém que, exercendo determinado papel social, tenha contribuído, de alguma forma, para a evolução da sociedade. Observe que, no caso de Alberto Manguel, interessa apresentá-lo como escritor, por isso alguns dados pessoais e profissionais são salientados e outros ignorados.

Atividade

Observe o enunciado.

766f6365206520756d20626f6d206c6569746f72.

O que está escrito nesse enunciado? Facilitaria se você soubesse qual o código utilizado por quem o escreveu? O código utilizado foi o Hexadecimal. Veja se, com o quadro de correspondências a seguir, é possível decifrar o enunciado. Depois, preencha o espaço deixado ao lado da escrita numérica com a sua descoberta.

o

= 6f

u

= 75

e

= 65

v

= 76

b

= 62

r

= 72

t

= 74

m = 6d

c

= 63

l

= 6c

i = 69

espaço = 20

Escreva, em seu caderno, três outras palavras ou expressões em Hexadecimal, utilizando o quadro de referência citado.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Figura 8 – Jarvis, skin for Windows 7 (Iron man). Fonte: Blue Software (2011).
Figura 8 – Jarvis, skin for Windows 7 (Iron man).
Fonte: Blue Software (2011).

Diante de tudo o que foi exposto, devemos salientar dois pontos. O primeiro é que a escrita deve ser entendida como uma tecnologia que vem sendo desenvolvida há milhões de anos e que tem um papel fundamental na criação de outras tecnologias. Para compreender melhor essa ideia, é preciso definir o termo “tecnologia” como processo e/ou produto criado pela inteligência humana para promover mudanças na natureza.

Ocorre que, ao mudar a natureza devido ao uso de tecnologias, as pessoas acabam por modificar suas próprias vidas, uma vez que a tecnologia altera não apenas os modos de representar o mundo e seus processos, mas também a maneira de se relacionar com eles.

Um exemplo disso é a possibilidade de um residente em Natal se comunicar oral e visualmente, em tempo real, com alguém que está em Tóquio, por exemplo, via Skype. Há poucos anos, isso seria inimaginável. A tecnologia trouxe-nos essa possibilidade, e os estudos que

culminaram na criação, processamento, comercialização e uso do Skype se devem, em boa parte,

a muitos textos lidos e escritos.

Fundamentados no conteúdo discutido ao longo desta aula, podemos, pois, responder às questões propostas no tópico “Iniciando nossa conversa”.

O que é tecnologia?

Tecnologia é um conjunto (sistema) de técnicas, ferramentas, conhecimentos e métodos

criados e aperfeiçoados continuamente pelo homem para atender a suas necessidades pessoais

e sociais.

Como podemos inserir a escrita no campo das tecnologias?

Em consonância com qualquer outra tecnologia, a escrita exige que seus usuários dominem um sistema técnico (código, suporte adotado para o registro), visando ao atendimento satisfatório de suas necessidades e expectativas. Além disso, a escrita também se desenvolve, aperfeiçoando-se de acordo com as exigências sociais e culturais.

O que torna a escrita uma prática social?

Nas sociedades grafocêntricas, o cidadão precisa dominar a tecnologia da escrita, com o fim de atuar social e culturalmente, haja vista a demanda dessa prática nas esferas sociais em que atua, seja no trabalho (relatórios, mensagens via e-mail, ofícios), seja nas relações pessoais (sms, conversas online, cartões de Natal), seja nas mais variadas situações comunicativas.

De que maneira a escrita contribui para o surgimento e o desenvolvimento de outras tecnologias?

É por meio da escrita que nos comunicamos com as gerações anteriores, acessando uma gama de conhecimentos desenvolvidos e possibilitando o seu aperfeiçoamento, tal como a criação de outros novos. Se contássemos apenas com a oralidade, estaríamos limitados ao que a memória humana é capaz de armazenar (mesmo assim, nem todas as informações seriam confiáveis). Com base nisso, podemos afirmar que a escrita é essencial para o registro de experiências, em geral, e para a otimização do desenvolvimento tecnológico, especificamente. Não é à toa que toda descoberta científica deve ser documentada, patenteada e, depois, divulgada. Para todas essas fases, a escrita é fundamental.

Por que a leitura e a escrita são processos inter-relacionados?

Escrevemos utilizando-nos de determinado sistema que, ao ser compartilhado socialmente, permite a leitura do material escrito. Sendo assim, podemos afirmar que, para lermos, alguém precisa ter escrito e, ao escrevermos, fazemos uso de informações adquiridas em práticas de leitura e escrita anteriores. Ademais, os textos são produzidos (escritos) para determinado(s) leitor(es), com vistas a alcançar um objetivo. Percebe-se, dessa maneira, que não podemos dissociar os processos de ler e escrever.

PARA SABER MAIS

* Texto

GONÇALVES, José Ernesto Lima. Os impactos das novas tecnologias nas empresas prestadoras de serviços. Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v.34, n.2, p.63-81, jan./fev.1994. Disponível em: <http://rae.fgv.br/sites/rae.fgv.br/files/artigos/10.1590_S0034-759019940 00100008.pdf>. Acesso em: 31 out. 2012.

* Vídeos

BOOK: a revolução tecnológica. 1 Vídeo (3m13s). Disponível em: <http://www.youtube.com/w atch?v=3QMVoHOJ5A0&feature=related>. Acesso em: 31 out. 2012.

HISTÓRIA da escrita: do papiro ao computador parte 1. 1 vídeo (8m26s). Disponível em:

RESUMO DA AULA

Nesta aula, discutimos a respeito dos conceitos de tecnologia, leitura e escrita, partindo de concepções diversas, a fim de compreender a escrita como tecnologia, fundamental para a criação e o desenvolvimento de tantas outras tecnologias.

AVALIAÇÃO

Tomando como base os questionamentos iniciais e os conhecimentos construídos ao longo da aula, esboce um pequeno comentário que justifique por que a escrita deve ser considerada tecnologia. Para tanto, acesse o vídeo “Book”, sugerido no tópico “Para saber mais”.

Seu comentário deverá obedecer às seguintes orientações:

- contemplar três aspectos (conceito de tecnologia, funções da tecnologia para o homem e mecanismos para uso da tecnologia) que relacionem o tema escrita como tecnologia, o conteúdo exposto e o vídeo selecionado;

- apresentar, no mínimo, 10 linhas e, no máximo, 15 (em fonte Times New Roman ou Arial, tamanho 12).

- postar o comentário no Sigaa, utilizando o menu “atividades” e, em seguida, a ferramenta “tarefas”.

Obs.: aos textos que não seguirem rigorosamente as orientações explicitadas no comando será atribuída a nota zero.

02 Leitura como processo de semiotização

VOCÊ VERÁ POR AQUI

alguns conceitos de leitura e a discussão de questões pertinentes a esse tópico. Além disso, verá que existem modalidades diferentes de leitura (de textos verbais e de textos não verbais) e o quanto essa habilidade é importante para nossa relação com o mundo.

OBJETIVOS

Compreender a leitura como processo de semiotização.

Conceituar leitura.

Entender a existência de leituras adequadas e inadequadas, tendo em vista a possibilidade de um enunciado não estar aberto a qualquer interpretação.

Perceber a leitura como atividade que envolve diversas habilidades e conhecimentos.

Aplicar o conhecimento teórico às práticas de leitura e escrita.

INICIANDO NOSSA CONVERSA

Na aula anterior, tratamos de escrita como tecnologia. Conforme você deve ter percebido, embora leitura e escrita sejam atividades diferentes, são indissociáveis e se complementam, ou seja, é muito difícil pensar em uma sem a outra.

Agora que você já sabe o que é escrita, algumas perguntas sobre leitura parecem pertinentes.

O que significa "ler"?

Quem pode dizer que é "leitor"?

Existe leitura "certa" e leitura "errada"?

Para ser leitor, preciso ter lido as obras clássicas da literatura universal?

É possível “ler” um texto, mas não compreendê-lo?

O que é “semiotização”?

Por que a leitura é um processo de semiotização?

Que tal fazermos um pré-teste? Responda a essas perguntas antes de continuar lendo e, ao final desta aula, veja se você mudaria alguma resposta.

É provável que você já tenha experimentado a sensação de não conseguir atribuir sentido a um texto, a ponto de achá-lo incompreensível. Não se desespere. Isso pode acontecer com qualquer um. Ocorre que não basta ser alfabetizado para conseguir ler um texto (ou qualquer texto), outras competências são necessárias. Da mesma forma, acredite se quiser, é possível ser analfabeto e conseguir fazer algumas leituras (estranho, né?!).

No senso comum, pensa-se que a leitura está exclusivamente associada ao texto escrito. Também se imagina que, para saber ler, basta reconhecer o significado das palavras existentes no texto. No entanto, não é bem assim que acontece.

Exemplo 1

Observe atentamente as imagens a seguir.

Figura 9 – Stick waving. Fonte: Tomy e Tony Tiras (2011).
Figura 9 – Stick waving.
Fonte: Tomy e Tony Tiras (2011).
Figura 10 – Digital war. Fonte: Geekado (2012).
Figura 10 – Digital war.
Fonte: Geekado (2012).
Figura 12 – Emoticons. Fonte: Baixaki [2012?].
Figura 12 – Emoticons.
Fonte: Baixaki [2012?].

E aí, é possível atribuir a esses textos sentido. Será que é possível lê-los?

Atividade 1

No seu caderno, escreva o sentido atribuído a cada uma das imagens do exemplo 1.

Exemplo 2

FALANDO EM LEITURA

] [

Sem dúvida, o ato de ler é usualmente relacionado com a escrita, e o leitor, visto como decodificador da letra. Bastará, porém, decifrar palavras para acontecer a leitura? Como explicaríamos as expressões de uso corrente "fazer a leitura” de um gesto, de uma situação; “ler o olhar de alguém”; "ler o tempo”, “ler o espaço”, indicando que o ato de ler vai além da escrita?

Se alguém na rua me dá um encontrão, minha reação pode ser de mero desagrado, diante de uma batida casual, ou de franca defesa, diante de um empurrão proposital. Minha resposta a esse incidente revela meu modo de lê-lo. Outras vezes passamos anos vendo objetos comuns, um vaso, um cinzeiro, sem jamais tê-los de fato enxergado; limitamo-los à sua função decorativa ou utilitária. Um dia, por motivos diversos, nos encontramos diante de um deles como se fosse algo totalmente novo. O formato, a cor, a figura que representa, seu conteúdo passam a ter sentido, ou melhor, passam a fazer sentido para nós.

Estabeleceu-se, então, uma ligação efetiva entre nós e esse objeto. E consideramos sua beleza ou feiura, o ridículo ou a adequação ao ambiente em que se encontra, o material e as partes que o compõem. Podemos mesmo pensar a sua história, as circunstâncias da sua criação, as intenções do autor ou fabricante ao fazê-lo, o trabalho da sua realização, as pessoas que o manipularam no decorrer de sua produção e, depois de pronto, aquelas ligadas a ele e as que o ignoram ou a quem desagrada.

] [

Com frequência nos contentamos, por economia ou por preguiça, em ler superficialmente, “passar os olhos”, como se diz. Não acrescentamos ao ato de ler algo mais de nós além do gesto mecânico de decifrar os sinais. Sobretudo se esses sinais não se ligam de imediato a uma experiência, uma fantasia, uma necessidade nossa. Reagimos assim ao que não nos interessa no momento. Um discurso político, uma conversa, uma língua estrangeira, uma aula expositiva, uma quadra, uma peça musical, um livro. Sentimo-nos isolados do processo de comunicação que essas mensagens instauram - desligados. E a tendência natural é ignorá-las ou rejeitá-las como nada tendo a ver com a gente. Se o texto é visual, ficamos cegos a ele, ainda que nossos olhos continuem a fixar os sinais gráficos, as imagens. Se é sonoro, surdos. Quer dizer: não o lemos, não o compreendemos, impossível dar-lhe sentido porque ele diz muito pouco ou nada para nós.

(Texto adaptado de MARTINS, M. H. Falando em leitura. In: "O que é leitura". SP: Brasiliense, 2006)

Lido o texto de Martins (2006), a que conclusão podemos chegar?

Exemplo 3

Vamos a uma segunda opinião

O conhecimento prévio na leitura

A importância do conhecimento prévio do leitor na compreensão de textos é enfatizada no capítulo 1 de Kleiman (2000). Nele, defende-se que é imprescindível tornar-se ciente da necessidade de fazer da leitura uma atividade caracterizada pelo engajamento e pelo uso de diferentes conhecimentos, em vez de pensar que a leitura é uma mera recepção passiva. Leitores são agentes; recipientes são passivos, não compreendem.

A autora mostra, por meio de exemplos, como o conhecimento adquirido determina,

durante a leitura, as inferências que o leitor fará com base em marcas formais do texto. O conhecimento linguístico, o conhecimento textual, o conhecimento de mundo devem ser ativados durante a leitura para que se possa chegar à compreensão.

A compreensão é resultante da união das partes do texto para a composição de uma

unidade de sentido. É nessa perspectiva que Kleiman (2000, p. 27) afirma que:

“O mero passar de olhos pela linha não é leitura, pois leitura implica uma atividade de procura por parte do leitor, no seu passado, de lembranças e conhecimentos, daqueles que são relevantes para a compreensão de um texto que fornece pistas e sugere caminhos, mas que certamente não explicita tudo o que seria possível explicitar.”

Atividade 2

De acordo com Kleiman (2000), o leitor precisa ativar seu conhecimento de mundo para atribuir sentido a um texto. Isso significa “ler”. Para comprovar essa afirmação, leia a charge de Sidney Harris adiante e responda às questões que lhe serão propostas.

Figura 13 – Charge sobre vacina. Fonte: HARRIS, S. A ciência ri: o melhor de
Figura 13 – Charge sobre vacina.
Fonte: HARRIS, S. A ciência ri: o melhor de Sidney Harris. São
Paulo: UNESP, 2007.

2.1

Em que reside o efeito crítico da charge?

(a) O fato de que são ratos discutindo uma questão que afetará, também, a vida dos seres

humanos.

(b) Os papéis soltos em torno da gaiola dos ratos evidencia que eles ficaram sabendo do problema

da vacina através da leitura.

(c)

O rato que recebe a notícia aparenta não estar entendendo nada do que o outro diz.

(d)

O foco está na discussão acerca do grupo de controle, que será deixado para morrer por mais

que a vacina faça efeito, a fim de comprovar que os outros medicamentos não são eficazes.

(e) Há uma expansão da situação dos ratos à dos seres humanos, ou seja, mesmo com uma vacina

eficaz no combate a determinada doença, nem todos terão acesso ao medicamento.

2.2 Julgue as assertivas abaixo a respeito dos conhecimentos prévios de que o leitor deve dispor

para compreender o texto e marque a única alternativa correta.

I. Faz-se necessário saber que, algumas vezes, a farmacologia atende mais a fins comerciais, despreocupando-se com questões éticas.

II. Deve-se atentar para o fato de que o essencial para a compreensão de qualquer situação

comunicativa é sempre o texto verbal.

III. O leitor precisa ter um conhecimento razoável de medicina para entender o texto.

IV. É preciso relacionar o quadrinho ao conhecimento de que os testes laboratoriais são, em geral,

inicialmente, realizados em ratos.

(a)

Está correta apenas a afirmação I.

(b)

Estão corretas apenas as afirmações II e IV

(c)

Estão corretas apenas as afirmações I e IV.

(d)

Estão corretas apenas as afirmações II e III.

(e)

Está correta apenas a afirmação IV.

2.3

Harris (2007) aborda temáticas científicas diversas em suas criações. Sendo assim, mais

diretamente, a qual(is) área(s) do conhecimento poderíamos associar o conteúdo da charge?

(a)

Saúde e comunicação.

(b)

Medicina e matemática.

(c)

Ciências biológicas e ciências exatas.

(d)

Enfermagem e ciências humanas.

(e)

Farmacologia e bioética.

Observe que, na leitura da charge, precisamos conjugar as pistas dos aspectos verbais às dos não verbais para, unindo-as, chegarmos à atribuição de sentidos possíveis.

No caso dos textos exclusivamente verbais, não é tão diferente. O leitor desses textos não precisa apenas unir

letras e formar palavras/sentenças, ele deve COMPREENDER, também, a decodificação realizada inicialmente e REFLETIR sobre o que foi lido.

Para que isso seja possível, lançamos mão de nossa memória cultural (o conhecimento de mundo), informações acessíveis no contexto em que nos encontramos, processos de inferenciação, bem como do acervo linguístico-textual de que dispomos. Essas competências são ativadas em maior ou menor grau, dependendo das demandas de leitura, que variam conforme a complexidade do texto.

Ser alfabetizado, ou seja, ter a capacidade de decodificar um texto escrito em determinada língua, é condição mínima, mas não suficiente para a realização de uma leitura satisfatória.

Vejamos como isso ocorre no exemplo 4.

Exemplo 4

O QU3 51GN1F1C4 “L3R”? 1M4G1N3 QU3 VOC3 PR3C154553 L3R 35T3 73X7O P4R4 54LV4R SU4 PRÓPR14
O QU3 51GN1F1C4 “L3R”?
1M4G1N3 QU3 VOC3 PR3C154553 L3R 35T3 73X7O P4R4 54LV4R SU4 PRÓPR14 P3L3 OU
P4R4 53R 4PROV4DO 3M UM CONCUR5O PÚBL1CO F3D3R4L P4R4 O QU4L 357UDOU COM 4F1NCO
NO5 ÚLT1MOS C1NCO 4NO5. O QU3 VOC3 F4R14? D351571R14? P3D1R14 4JUD4 4 4LGU3M OU
3NFR3N74R14 O 73X7O 3 73N74R14 COMPR33ND3-LO?
3573 P3QU3N0 73X7O 53RV3 4P3N45 P4R4 M057R4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3
F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4N735! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO, 4 L317UR4 3574V4 M310
COMPL1C4D4, M45, 4LGUM45 L1NH45 D3PO15, SU4 M3N73 FO1 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453
4U7OM471C4M3N73, S3M PR3C1S4R P3N54R MU17O, C3R7O? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O(4)
D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3! P4R4BÉN5!
N4
V3RD4D3,
VOC3
4C4BOU
D3
R34L1Z4R
UM4
L317UR4
COMO
PROC355O
D3
S3M1O71Z4Ç4O.

Conforme observamos, a leitura não se restringe à decodificação do alfabeto. Uma prova disso é o fato de vocês conseguirem entender um texto em que as palavras são formadas por números e letras. De fato, para ler, ativamos muitos conhecimentos, o que respalda a afirmação de que mesmo um analfabeto pode fazer determinadas leituras.

Atividade 3

Ao chegar a uma praia, você se depara com a placa a seguir.

Figura 14 – Placa de perigo. Fonte: O Globo (2007).
Figura 14 – Placa de perigo.
Fonte: O Globo (2007).

Essa placa poderia ser compreendida como um texto? Em caso afirmativo, qual seria a função social desse texto?

Perceba que mesmo alguém que não tenha conhecimento da língua inglesa poderia compreender a placa. Será que ela diz: “venha! Tubarões simpáticos.” ou “faça uma tatuagem tribal de tubarão.”? A quais perigos um leitor desatento estaria submetido, caso fizesse uma dessas leituras?

Figura 15 – Ataque de tubarão. Fonte: Reflexões (2010).
Figura 15 – Ataque de tubarão.
Fonte: Reflexões (2010).

Observe que foram necessárias certas experiências (conhecimento de mundo) para atribuir sentido à placa com informação verbal e não verbal. Foi esse conhecimento que nos permitiu compreender a placa “TUBARÃO”.

Atividade 4

A criptografia é uma forma de escrita que tem sido utilizada ao longo da história dos povos como uma estratégia para evitar que determinadas mensagens possam ser compreendidas por interlocutores “indesejáveis”. Ela consiste em codificar uma mensagem, de modo que apenas os destinatários consigam compreendê-la. Isso se dá porque eles possuem a chave para decodificá- -la. Um exemplo dessa estratégia é o código Morse. A criptografia também é um dos modos mais antigos de proteção de dados salvos em um computador.

Vejamos como isso pode ocorrer no texto a seguir.

Numa antiga anedota que circulava na, hoje, falecida República Democrática Alemã, um operário alemão consegue um emprego na Sibéria; sabendo que toda correspondência será lida pelos censores, ele combina com os amigos: "Vamos combinar um código: se uma carta estiver escrita em tinta azul, o que ela diz é verdade; se estiver escrita em tinta vermelha, tudo é mentira". Um mês depois, os amigos recebem uma carta escrita em tinta azul: "Tudo aqui é maravilhoso: as lojas vivem cheias, a comida é abundante, os apartamentos são grandes e bem aquecidos, os cinemas exibem filmes do Ocidente, há muitas garotas, sempre prontas para um programa - o único senão é que não se consegue encontrar tinta vermelha".

Para compreender a carta, no entanto, não basta ser alfabetizado na língua em que esse texto foi escrito, ou seja, decodificar a mensagem é apenas o primeiro passo. Partindo desse pressuposto, marque a opção que melhor representa o real sentido da carta diante da situação apresentada.

(a) Devido ao código adotado pelos amigos, tudo o que foi falado é mentira, já que, em nenhum

momento, ele usou a caneta vermelha.

(b) A tinta azul permite compreender, claramente, a intenção do redator da carta de fazer apenas

apontamento verídicos acerca das condições de vida dadas à comunidade, havendo a exceção

com relação à tinta vermelha.

(c) Na falta de tinta vermelha, o amigo precisou escrever em cor azul. Mas, afirmando que não se

consegue encontrar tinta vermelha, ele permite depreender que teria escrito a carta nessa cor para sinalizar que as afirmações sobre o modo de vida da comunidade são mentirosas.

(d) O amigo pode ter confundido o código a ser utilizado, por isso escreve a carta completamente

em tinta azul para afirmar mentiras. No entanto, o destinatário poderá compreender essa intenção, pois conhece as reais condições de vida da comunidade em foco.

(e) Diante da ausência de tinta vermelha, o escrevente sinaliza para o fato de que se faz

necessário modificar o código utilizado, pois, caso isso não seja feito, ele apenas poderá escrever

verdades.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para concluir este tópico, devemos enfatizar que o ato de ler não se limita ao texto escrito, mas inclui tudo a que podemos atribuir sentido(s): um cheiro no ar, um conjunto de nuvens escuras, uma placa com uma imagem, um monumento no centro de uma praça, um artigo científico. Para isso, contribuem nossa memória cultural (o conhecimento de mundo) e as demais informações acessíveis no contexto em que nos encontramos, bem como o acervo linguístico- -textual de que dispomos. Essas competências do leitor são ativadas em maior ou menor grau dependendo das demandas de leitura apresentadas, que variam de acordo com a complexidade do texto.

Convém lembrar também que o sentido não é dado a priori no texto. Na verdade, os textos norteiam o leitor, oferecendo-lhe um roteiro/mapa com pistas que conduzem à atribuição do(s) sentido(s) possível(is). Essa atribuição de sentido(s) é tarefa do leitor, que deve formular hipóteses quanto à interpretação mais adequada do texto na situação em que se encontra, recorrendo às informações adquiridas por meio de suas experiências sociointeracionais.

Contudo, deve-se esclarecer que o poder do leitor na atribuição de sentido(s) a um texto não é ilimitado. Isso significa que nem toda interpretação é possível. Logo, existe, sim, a leitura errada. Por mais simples que o texto possa parecer, é sempre recomendável um trabalho atencioso de leitura, investigando a(s) possibilidade(s) mais apropriada(s) de compreensão, ou seja, aquelas autorizadas pelas pistas oferecidas pelo texto.

Agora, já podemos responder às questões levantadas no início desta aula.

O que significa "ler"?

Ler é atribuir sentido(s) possível(eis) a determinado texto.

Quem pode dizer que é "leitor"?

Todas as pessoas que vivem em uma sociedade grafocêntrica são leitoras. Mesmo as não escolarizadas e/ou não alfabetizadas leem para agir no mundo.

Existe leitura "certa" e leitura "errada"?

Existe. É necessário ficar atento às pistas que os textos nos oferecem para não “viajar na maionese”.

Para ser leitor, é preciso ter lido as obras clássicas da literatura universal?

Não. As obras clássicas enriquecem muito nossa cultura geral, mas elas não são o único parâmetro de leitura existente.

É possível “ler” um texto, mas não compreendê-lo?

Não. Ler implica compreender. Se não houve compreensão, não houve leitura. Passar os olhos pelas linhas de um texto não significa lê-lo.

O que é semiotização?

Desde que nascemos, adquirimos sensações e impressões acerca do mundo que nos permitem compreendê-lo. Sendo assim, tornamo-nos capazes de criar sentido(s) para as “coisas” dentro de nosso contexto social. É a essa capacidade que chamamos de semiotização.

Por que a leitura é um processo de semiotização?

Como a leitura consiste em um conjunto de operações de atribuição de sentido, podemos dizer que ela é um processo de semiotização.

PARA SABER MAIS

* Filme

The reader (O leitor)

* Artigo

ARAÚJO, R. J. F.; ARAÚJO, E. C. G.; LUCENA, I. T. O processo de semiotização no atelier de leitura e produção textual. XI Encontro de Iniciação à Docência, 2009.

http://www.prac.ufpb.br/anais/xenex_xienid/xi_enid/prolicen/ANAIS/Area4/4CCHLADLCVPLIC02.

pdf. Acesso em 10/12/12.

RESUMO DA AULA

Nesta aula, discutimos a respeito do conceito de leitura. Aproveitamos ainda para desconstruirmos alguns “mitos” sobre o ato de ler. Enfatizamos que não lemos apenas textos verbais (escritos ou falados), mas também imagens, sons, cheiros, cores. Por fim, vimos que ser leitor é um processo contínuo, depende do constante exercício e de uma série de outras competências/conhecimentos.

AVALIAÇÃO

Assista ao filme recomendado na seção Para saber mais e escreva um comentário explicitando quais suas impressões acerca do filme e qual(is) a relação(ões) desse filme com o conteúdo estudado nesta aula. Sua resposta deverá ser deixada no fórum da turma, intitulado “The reader”, no Sigaa. Relacione sua resposta a comentários anteriores ao seu.

Nesse fórum, comentaremos essa relação e as impressões levantadas pelo grupo. As postagens mais relevantes receberão um ponto de participação.

03

Informações implícitas, figuratividade e processos de inferenciação

VOCÊ VERÁ POR AQUI

o que são informações implícitas, figuratividade e processos de inferenciação. Além disso, observará de que maneira esses processos refletem na atribuição de sentido(s) ao texto.

OBJETIVOS

Identificar determinadas instruções de sentido que ativam processos de inferenciação.

Compreender o que é inferenciação.

Conceituar e distinguir informações implícitas, duplo sentido e figuratividade.

Perceber que determinados textos produzem informações implícitas e desenvolver algumas estratégias para percebê-las.

Diferenciar pressupostos de subentendidos.

Entrever a criação de duplo sentido (ambiguidade intencional e ambiguidade indesejada).

Aplicar o conhecimento teórico nas práticas de leitura e escrita.

INICIANDO NOSSA CONVERSA

Na aula anterior, tratamos de leitura como processo de semiotização. Quanto a isso, vimos que ler é atribuir sentido(s). Para tanto, o leitor conta com determinados recursos que o auxiliam no processo de significação, quais sejam: repertório cultural (ou conhecimento de mundo), elementos do contexto sociocomunicativo, domínio linguístico, capacidade de inferenciação, além das pistas existentes no texto. Esses recursos atuam como “ferramentas” imprescindíveis para guiar o leitor em seu percurso de compreensão textual.

Situando-se mais particularmente no domínio da escrita, vimos também que, embora o texto permita leituras variadas, nem todo sentido é possível. Isso significa que pode haver leitura(s) equivocada(s) ou mesmo indevida(s). Esse problema decorre de falhas relativas a um ou mais dos recursos antes mencionados. Nesse sentido, a leitura é um processo colaborativo, que inclui, de um lado, a responsabilidade do leitor em “captar” satisfatoriamente o(s) possível(is) sentido(s) do texto e, do outro, a do escrevente em fornecer as adequadas sinalizações/instruções que viabilizem a compreensão.

Sendo assim, fica claro que o texto não é um veículo de transmissão de informações, pois não podemos afirmar, a priori, que o escrevente consegue sempre verbalizar com exatidão o que estava pensando, tampouco que o leitor será, invariavelmente, capaz de atribuir ao enunciado o sentido pretendido por quem o produziu. Portanto, leitura e escrita dependem de constante aperfeiçoamento e, para isso, existem as releituras e as reescritas.

Dando continuidade a essas questões, no encontro de hoje, focaremos nosso estudo na relação entre determinadas instruções de sentido (a saber: informações implícitas, duplo sentido e figuratividade) e processos de inferenciação. Esperamos, com isso, adquirir subsídios para o aprimoramento não apenas das habilidades de leitura, mas também de escrita.

É importante ao final desta aula, portanto, que você seja capaz de responder às perguntas a

seguir.

O que são informações implícitas?

O que é duplo sentido ou ambiguidade?

O que é figuratividade?

O que é inferenciação?

O que são instruções de sentido e para que servem?

Podemos falar que o texto permite transmissão de informações?

1 INFORMAÇÕES IMPLÍCITAS: PRESSUPOSTOS E SUBENTENDIDOS

Em geral, um texto contém muito mais informação do que se apresenta em sua superfície perceptível. Em outras palavras, ao conteúdo explícito, subjaz uma gama de informações implícitas, estando umas minimamente sinalizadas na materialidade textual exposta e outras apenas insinuadas, não facilmente acessíveis.

Tanto em um caso quanto no outro, o produtor do texto conta, entre outros recursos, com a capacidade de inferenciação do leitor, a fim de que este proceda à adequada interpretação e, assim, o propósito comunicativo seja alcançado.

Para examinar isso mais de perto, vejamos os textos que seguem, extraídos da seção “Cartas” da revista ISTO É, em 08/08/2012, p. 16.

Exemplo 1

Se o atual técnico Mano Menezes não conseguir um bom resultado nos Jogos Olímpicos de Londres, há grandes chances de Luiz Felipe Scolari voltar a ser o técnico de nossa seleção. Ainda mais com a disposição que mostrou levando o Palmeiras ao título.

Mariana Brito

São Paulo/SP

Atividade 1

a) Em “técnico”, “seleção” e “título”, a autora apela para o conhecimento de mundo do leitor. Que conhecimento é esse?

b) Que informações implícitas existem sobre Mano Menezes e Luiz Felipe Scolari? Como isso é sinalizado?

c) Que inferência pode ser feita com relação à volta de Scolari e o título do Palmeiras?

Exemplo 2

Atividade 2

2.1 O que está implícito em:

a) “Há mais de vinte anos

b) “O governo, enfim, admitiu

c) realizará alguma medida concreta”?

d) para tranquilizar os paulistas”?

”?

”?

2.2 O que o escrevente insinua com:

a) o Estado mais rico do País”?

b) mas será que [o governo] realizará alguma medida

"?

As informações subjacentes (ou implícitas), a exemplo do que encontramos nos textos que acabamos de ler, podem ser classificadas em dois tipos: pressupostos e subentendidos. Mas o que é “pressuposto” e o que é “subentendido”? Qual a diferença entre ambos?

1.1 PRESSUPOSTO

Trata-se de uma informação implícita, indiretamente marcada no enunciado, podendo ser acessada mediante o estabelecimento da relação entre tal marca e o “cálculo” inferencial.

Voltemos aos textos lidos para verificar isso.

Texto 1

Se o atual técnico Mano Menezes não conseguir um bom resultado nos Jogos Olímpicos de Londres, há grandes chances de Luiz Felipe Scolari voltar a ser o técnico de nossa seleção. Ainda mais com a disposição que mostrou levando o Palmeiras ao título.

Mariana Brito

São Paulo/SP

No texto 1, pelo uso do adjetivo “atual”, inferimos que, antes, o técnico da seleção não era Mano

não

conseguir”, pressupomos que ainda não foi conseguido bom resultado e, com “voltar a ser”, entendemos que, em momento anterior, Scolari

já foi técnico da seleção.

Menezes, mas outro. Com a expressão “se

Texto 2

É assustadora a situação da segurança pública em São Paulo. Há mais de vinte anos, o Estado mais rico do País sofre com a violência. O governo, enfim, admitiu o clima de insegurança, mas será que realizará alguma medida concreta para tranquilizar os paulistas?

Sílvio de Barros Pinheiro Santos/SP

No texto 2, ao se informar que, “há mais de 20 anos”, São Paulo sofre com a violência, podemos deduzir que, antes desse período (trinta, quarenta, cinquenta anos ou mais), os paulistas não sofriam com esse problema.

Também, ao explicitar que o governo “enfim, admitiu”, inferimos que ele ainda não havia admitido e que isso era desejado/aguardado. Pela marca de futuro em “realizará”, podemos pressupor que nenhuma medida concreta foi realizada e, com base em “para tranquilizar”, deduzimos que os paulistas estão intranquilos.

Vemos, portanto, que o PRESSUPOSTO é inferível a partir de sinais explícitos no texto, sendo resultado de uma operação lógica. Assim, pelo fato de ser deduzido logicamente de marcas na superfície textual, encontrando-se nas “entrelinhas” do discurso, o pressuposto é um conteúdo que não pode ser negado.

1.2 SUBENTENDIDO

Consiste num conteúdo não marcado no texto; portanto, não há como deduzi-lo logicamente dos enunciados expressos. Sendo assim, o subentendido constitui uma informação cuja inferência é de responsabilidade do interlocutor, que toma como base alguma pista textual e pode variar entre mais ou menos aceitável/autorizada.

Retomemos os textos para examinar essa questão.

No texto 1, podemos inferir as informações que seguem.

* Mano Menezes pode ser demitido caso a seleção decepcione nas Olimpíadas em Londres.(+)

* A seleção só admite técnicos que levem o time à vitória.(+/-)

* Caso a seleção fracasse em Londres, Mano Menezes mostrará ser um incompetente. (-)

* Scolari é um técnico vencedor de campeonatos. (-)

No texto 2, os subentendidos inferíveis podem ser os seguintes.

*Apesar de ser o Estado com mais recursos no Brasil, São Paulo não tem cuidado da segurança pública. (+)

* O governo paulista demonstra não se importar muito com a segurança pública do Estado. (+/-)

* Os recursos que deveriam ser empregados na segurança pública estão sendo desviados. (-)

* O governo paulista não é confiável. (-)

Por essas amostras, podemos concluir, então, que o SUBENTENDIDO é uma informação indireta, não necessariamente relacionada ao conteúdo explícito. Por isso, pode ser negado/questionado pelo locutor.

Exemplo 3

Figura 16 – Charge de Dilma Rousseff sobre a Lei de Cotas. Fonte: Charge online
Figura 16 – Charge de Dilma Rousseff sobre a Lei de Cotas.
Fonte: Charge online (2012).

Atividade 3

A leitura da charge depende, em grande parte, de processos inferenciais. Considerando-se que a leitura pode se dar por meio de “indiretas”, a charge de BOOPO, particularmente, trabalha com o subentendido. Marque a única opção que não apresenta uma inferência autorizada da charge.

(a) Trata-se de uma crítica à presidenta Dilma Rousseff.

(b) A imagem da planta murcha no vaso em que está escrito “ENSINO MÉDIO” indica o descaso do governo com esse nível de ensino.

(c)

O governo tem se ocupado bastante com a lei de cotas.

(d)

O Estado demonstra pouca preocupação com o ensino básico.

(e) A presidenta trata as questões educacionais como se fossem atividades de jardinagem, regando um vaso por vez.

2 DUPLO SENTIDO: AMBIGUIDADE INTENCIONAL E AMBIGUIDADE INDESEJADA

Devido à fluidez e à opacidade da língua(gem), em que é notória a tendência à polissemia (isto é, à possibilidade de uma forma servir a mais de um significado), é comum a ocorrência de DUPLO SENTIDO ou AMBIGUIDADE. Significa que, em um dado texto, é possível atribuir-se mais de um sentido a uma palavra ou a uma expressão.

Todavia, devemos atentar para o fato de haver casos em que o duplo sentido é produto de uma elaboração textual com esse fim, ou seja, a ambiguidade pode ser intencional. Por outro lado, há textos em que a atribuição de sentidos variados ou mesmo a imprecisão/indefinição semântica pode ser resultante de má sinalização, de construção textual inadequada. Nesse caso, tem-se a ambiguidade indesejada.

Para comprovar essas afirmações, observemos os textos a seguir.

Exemplo 4

Figura 17 – Notícia da Veja sobre os espiões do governo (outdoor). Fonte: MORAES, L.Q.
Figura 17 – Notícia da Veja sobre os espiões do governo (outdoor).
Fonte: MORAES, L.Q. [2001].

Exemplo 5

Figura 18 – Propaganda de assistência funerária (outdoor). Fonte: MORAES, L.Q. (2001).
Figura 18 – Propaganda de assistência funerária (outdoor).
Fonte: MORAES, L.Q. (2001).

Atividade 4

4.1 Em que ponto de cada um dos outdoors lidos podemos identificar o duplo sentido? Como esse recurso deve ser interpretado em ambos os textos, respectivamente?

4.2 Nesses casos, trata-se de ambiguidade intencional ou de ambiguidade indesejada?

Agora, analisemos os casos de ambiguidade nas duas amostras textuais a seguir.

Exemplo 6

Figura 19 – Tirinha. Fonte: É hora de estudar (2012).
Figura 19 – Tirinha.
Fonte: É hora de estudar (2012).

Exemplo 7

Figura 20 – Placa de aviso, MBR. Fonte: Portal do professor (2011).
Figura 20 – Placa de aviso, MBR.
Fonte: Portal do professor (2011).

Atividade 5

5.1 Em que consiste a ambiguidade dos textos dos exemplos 6 e 7?

5.2 Em ambos os casos, a ambiguidade é indesejada?

5.3 Como desfazer a ambiguidade de cada texto?

Respondendo a atividade 4

4.1 Em que ponto de cada um dos outdoors podemos identificar o duplo sentido? Como esse

recurso deve ser interpretado em ambos os textos, respectivamente?

No exemplo 4, o duplo sentido encontra-se em “zeros à esquerda”, que aponta tanto para os zeros antecedentes em “007”, como para a ideia culturalmente estabelecida de “não valer nada”/“pessoas sem valor”, que é uma metáfora extraída da matemática quanto à posição do zero antes de um número. Além disso, a sequência de números lembra-nos do agente secreto James Bond, ou seja, temos a referência aos atos de espionagem promovidos pelo governo (matéria de capa da revista).

No exemplo 5, o duplo sentido está em “arrumar” e em “coroa”: o primeiro pode ser “conseguir” ou “organizar”; o segundo pode ser “mulher de certa idade” ou “enfeite de flores para funeral”.

Portanto, no exemplo 4, a leitura deve ser feita em termos figurados; no 5, a leitura deve ser feita em termos literais, haja vista tratar-se de uma propaganda de assistência funerária, veiculada em outdoor.

4.2 Nesses casos, trata-se de ambiguidade intencional ou de ambiguidade indesejada?

Em ambos os casos, a ambiguidade é intencional, própria de textos publicitários, no caso outdoors.

Respondendo a atividade 5

5. 1 Em que consiste a ambiguidade dos textos dos exemplos 6 e 7?

No exemplo 6 (tirinha), a ambiguidade está na expressão “cadela da tua irmã”, a princípio entendida com ideia de posse, mas, depois, inferida como um “xingamento”. Já no exemplo 7 (placa), a ambiguidade está no pronome “suas”, que pode remeter tanto às fezes do cachorro quanto às do leitor da placa.

5.2 Em ambos os casos, a ambiguidade é indesejada?

Não. No exemplo 6, a ambiguidade é intencional, tendo em vista que serve como efeito de humor para a tirinha. Já no caso da placa (exemplo 7), provavelmente, o locutor não pretendia surtir o efeito de sentido que acaba produzindo.

5.3 Como desfazer a ambiguidade de cada texto?

No exemplo 6, é possível desfazer a ambiguidade de duas formas: “Cadê tua irmã, aquela

cadela?” ou “Cadê a cadela que pertence à tua irmã?”. Já no exemplo 7, apenas uma forma seria

possível para desfazer a ambiguidade: “

e

recolha as fezes dele.”.

3 FIGURATIVIDADE

Ainda considerando a natureza polissêmica da língua(gem), é comum, nas situações comunicativas do dia a dia, desde as mais descontraídas até as mais formais, o recurso à linguagem figurada. Nesse sentido, umas figuras são mais recorrentes, a ponto de não mais serem vistas como tal; outras são criadas especificamente para determinados contextos, a fim de produzirem um efeito de sentido inusitado e chamativo.

A respeito disso, vejamos as amostras textuais 8 e 9, coletadas da seção "Leitor", da revista Veja (08/08/2012, p. 41).

Exemplo 8

Palco da sentença histórica

Estão em jogo no Supremo Tribunal Federal não apenas o destino dos 38 réus do mensalão, mas também que página da história brasileira nossa geração escreverá neste começo de século XXI uma página que pode nos envergonhar ou da qual nós, nossos filhos e netos vamos nos orgulhar.

Carta ao leitor

Exemplo 9

Considero a política brasileira um lugar onde não há como entrar sem se sujar de lama.

Elisabeth Silva Miranda Feira de Santana/BA

Atividade 6

Que figuras podem ser identificadas em ambos os textos? Como devem ser interpretadas?

Atividade 7

Agora, para revisar e resumir o que foi visto nesta aula, vamos ler o texto a seguir, retirado da revista ISTO É (08/08/2012, p. 16); depois, identificar nele amostras de informações implícitas, de ambiguidade e de linguagem figurada.

Exemplo 10

Comportamento A reportagem sobre o déficit de atenção mostra o movimento que contesta a existência da doença e o uso de um derivado anfetamínico em seu tratamento. Mas é importante lembrar que, por trás desses diagnósticos, existem os interesses da indústria farmacêutica. O Brasil não pode ficar à margem dessa discussão.

José Elias Aiex Neto Foz do Iguaçu/PR

Respondendo à atividade 6

Que figuras podem ser identificadas em ambos os textos? Como devem ser interpretadas?

No texto “Palco da sentença histórica”, logo no título, encontramos a palavra "palco", que é uma analogia ao julgamento dos réus envolvidos no mensalão; depois, vemos a expressão “em jogo”, que significa “em processo de decisão”; mais adiante, há o termo “mensalão”, que remete ao “pagamento” mensal de enormes quantias de dinheiro a políticos em troca de apoio ao governo Lula; por fim, “página da história brasileira nossa geração escreverá”, que se refere à decisão final do STF no julgamento dos acusados.

No texto de Elisabeth Silva, por sua vez, a “política brasileira” é apresentada figurativamente como um lamaçal, estabelecendo-se uma relação metafórica entre “lama” e a desonestidade/corrupção que caracteriza nossa política. A outra figura é “se sujar de lama”, simbolizando o fato de alguém passar a ser desonesto/corrupto ao se tornar político no Brasil.

Respondendo à atividade 7

No texto, há, entre outras, as informações explicitadas a seguir.

* Pressuposto: há quem defenda a existência do déficit de atenção e o uso de um derivado

anfetamínico em seu tratamento, o que é inferido a partir do termo "contesta". Esse dado nos leva a concluir que não existe consenso sobre essa questão. Por fim, deduzimos que o Brasil está

à margem da discussão sobre isso pela expressão "não pode ficar".

* Subentendido: a indústria farmacêutica não é confiável e pode estar enganando as pessoas. Mas isso é discutível, uma vez que o texto não fornece nenhuma pista explícita.

* Figurativização: está na expressão “por trás”, que, nesse contexto, significa “está implícito”, e em “ficar à margem”, que, nesse caso, quer dizer “não participar”.

* Ambiguidade/vagueza de sentido: está em “desses diagnósticos”. Não se sabe a que esse termo se refere, já que nada sobre isso foi mencionado antes no texto.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para concluir este estudo, devemos enfatizar que a linguagem não é cristalina, mas opaca. Em outras palavras, os enunciados não “dizem” ao interlocutor somente aquilo que o falante/escrevente desejou “transmitir”; tampouco esgotam em si mesmos todos os significados pretendidos. Disso resulta o fato de eles abrirem/permitirem possibilidades variadas de leitura. Sendo assim, o leitor não pode ser considerado passivo na interação comunicativa. Mas lembre- -se de que nem toda leitura é aceitável. Existe a leitura errada.

Agora, já podemos responder às questões levantadas no início da aula.

O que são informações implícitas?

Informações implícitas são aquelas que subjazem à superfície textual, que não estão dadas (explicitadas), ou seja, são as “entrelinhas” de um texto.

O que é duplo sentido ou ambiguidade?

Duplo sentido ou ambiguidade ocorre quando um discurso produz mais de um significado ao mesmo tempo. Isso pode ser intencional ou não.

O que é figuratividade?

Figuratividade é a recorrência à linguagem polissêmica.

O que é inferenciação?

Inferenciação é a capacidade de extrair de um texto as informações que não estão na superfície, ou seja, depreender aquilo que está implícito. Tome cuidado com isso. Existem inferências autorizadas (válidas) e não autorizadas (inválidas).

O que são instruções de sentido e para que servem?

Instruções de sentido são pistas deixadas em um texto para guiar o leitor a fim de garantir melhor compreensão.

Podemos falar que o texto permite transmissão de informações?

Não. Devido à fluidez e à opacidade da língua(gem), entre a formulação de um texto e a compreensão do interlocutor existem alguns fatores que colaboram ou interferem nesse processo.

PARA SABER MAIS

* Sites

RESUMO DA AULA

Nesta aula, vimos que os textos não se constituem apenas de uma forma material (aquilo que está, de fato, escrito), mas que, por vezes, abrem possibilidades para que o leitor faça inferências, um processo que pode ser bastante produtivo ou gerar equívocos. Vimos, ainda, que essas inferências servem como instruções de sentido e quais são os tipos que permeiam o “diálogo textual”.

AVALIAÇÃO

Para a devida compreensão de um texto, é importante que o leitor esteja munido de conhecimentos diversos. Ademais, é preciso ter bastante atenção para perceber as informações mais sutis. Leia o texto a seguir, retirado da revista “Língua Portuguesa”, a fim de responder às três primeiras questões levantadas acerca dele.

A netiqueta

Como se comportar corretamente no mundo virtual

1. Maiúsculas: textos em maiúsculas (CAPS LOCK ativado), na maioria

dos casos, dão a entender que você está gritando. Se quiser destacar algo, sublinhe ou coloque entre aspas. Se o programa utilizado na comunicação permitir, use o itálico ou o negrito, mas sempre de forma

moderada para não poluir o texto.

2. Erros de grafia: em conversas informais, é normal que a norma

culta da língua seja posta de lado. O que não quer dizer que se possa escrever de qualquer jeito. Atenção para os erros que podem mudar o significado do que se quis dizer, como usar “mais” em vez de “mas”, “e” em vez de “é”, “de” em vez de “dê” e assim por diante.

3. Pontuação: por mais informal que seja, o interlocutor pode não conseguir acompanhar o fluxo

de pensamento do redator. Daí a necessidade de pausas. Por isso atenção à pontuação e à divisão de parágrafos.

4. Resposta: ao enviar respostas em fóruns, listas de discussão ou debates em redes sociais,

como o Facebook, por exemplo, procure ser claro sobre o que está falando ou a que está se referindo. Copie e cole um trecho da questão, dê nome ao que você pretende responder e evite deixar sua réplica solta sem referências às margens prévias nas quais você se baseou.

5. Público x privado: questão cara em tempos de redes sociais, o cuidado com o que se publica é

essencial para evitar mal-entendidos e situações constrangedoras. Como o meio virtual permite respostas muito rápidas e publicações instantâneas, pense antes de tornar públicos seus pensamentos. Por isso pense, suas opiniões ficarão registradas e podem ser facilmente associadas ao seu nome numa busca rápida. Evite também publicar informações que possam lhe causar problemas, como seu endereço ou críticas ao chefe.

causar problemas, como seu endereço ou críticas ao chefe. MURANO. E. O texto na era digital.

MURANO. E. O texto na era digital. Língua portuguesa, São Paulo, Ano 5, n. 64, p. 31, 2011. Com adaptações.

01 O primeiro período da subseção Erros na grafia, destacada a seguir, gera uma pressuposição:

“em conversas informais, é normal que a norma culta da língua seja posta de lado”. Qual é o

pressuposto?

(a)

Em conversas informais, não se utiliza a norma culta.

(b)

Apenas em conversas formais deve-se utilizar a norma culta.

(c)

Deixar a norma culta de lado em conversas informais é um erro.

(d)

É mais comum utilizar a norma culta em conversas formais.

(e)

Em conversas informais, não há normas de uso da língua.

02 – Embora os textos abram possibilidades de leitura daquilo que está “nas entrelinhas”, algumas inferências são autorizadas e outras não. Na sequência, encontram-se algumas afirmações a respeito do conteúdo lido; leia-as.

I Há pessoas que desconhecem a existência de um código de etiqueta para situações de interação mediadas por computador.

II Não se deve utilizar as redes sociais para divulgar qualquer tipo de informação.

III Na internet, não é necessário policiar-se quanto ao uso da norma culta.

IV Os usuários de redes sociais não reconhecem os limites entre o público e o privado.

V Crianças são as maiores vítimas de problemas relacionados à divulgação de informações.

VI Problemas linguísticos podem gerar situações desconfortáveis por gerarem perda do sentido

pretendido.

Marque um “x” na opção que contiver apenas as inferências autorizadas.

(a)

II e IV.

(b)

IV, V e VI.

(c)

I, III e V.

(d)

I, II e VI.

(e)

III e V.

03 Com base nos tópicos do texto intitulado “A netiqueta”, marque a opção que apresente duas ocorrências de figurativização.

(a)

“coloque entre aspas” (1); “publicações instantâneas” (5).

(b)

“não poluir o texto” (1); “posta de lado” (2).

(c)

“fluxo de pensamento” (3); “sua réplica” (4).

(d)

“necessidade de pausas” (3); “listas de discussão” (4).

(e)

“causar problemas” (5); “escrever de qualquer jeito” (2).

04 Leia a seguinte propaganda do cartão Credicard.

UNIVERSITÁRIO, AQUI VOCÊ NÃO PRECISA TER UMA NOTA ALTA PARA SER APROVADO.

Com relação ao texto da propaganda, só NÃO se pode afirmar que:

(a)

“Nota alta” significa muito dinheiro.

(b)

“Aqui” se refere a universidade.

(c) O autor do texto faz uma analogia criativa.

(d) “Ser aprovado” quer dizer ser aceito pelo programa Credicard.

(e) Na propaganda lida, recorre-se à polissemia de palavras usadas na esfera acadêmica e na bancária.

04 Gêneros discursivos e sequências textuais

VOCÊ VERÁ POR AQUI

o que é gênero discursivo e quais são as características que o compõem; quais as funções dos gêneros discursivos; a diferença entre gênero discursivo e sequência textual; alguns gêneros utilizados na esfera acadêmica e suas características: função, estrutura, conteúdo e aspectos estilísticos.

OBJETIVOS

Compreender o que e qual é a função do gênero discursivo.

Compreender o que é sequência textual.

Diferenciar gênero discursivo e sequência textual.

Reconhecer a importância da adequação do gênero discursivo à situação comunicativa.

Produzir os gêneros perfil acadêmico e currículo de maneira satisfatória.

Aplicar o conhecimento teórico nas práticas de leitura e escrita exigidas no/pelo cotidiano acadêmico e profissional.

INICIANDO NOSSA CONVERSA

Nas aulas anteriores, fizemos uso de diferentes textos, verbais e não verbais, para explanar conteúdos diversos. Esse uso demonstrou que, no nosso cotidiano, somos constantemente expostos a uma série de textos (verbete, charge, outdoor, carta de leitor, perfil, biografia, bilhete, horóscopo, torpedo, blog), o que nos possibilita construir, ao longo do tempo, uma competência no que concerne ao (re)conhecimento de padrões relativamente estáveis em que se baseia toda e qualquer produção discursiva, seja escrita seja oral. Esses padrões, construídos a partir de aspectos como conteúdo, estrutura composicional, estilo, função e esfera de circulação social, denominam-se gêneros discursivos.

É essa competência [com relação ao (re)conhecimento dos gêneros] que possibilita aos

sujeitos de uma interação não só diferenciar os diversos gêneros [

práticas sociais que os solicitam. Além disso, somos capazes de reconhecer se, em um texto, predominam sequências de caráter narrativo, descritivo, expositivo e/ou argumentativo.

(KOCH, I. V.; ELIAS, V. M. Ler e escrever: estratégias de produção textual. SP: Contexto, 2011.)

como também identificar as

]

Em sua vida acadêmica e profissional, você lidará com inúmeros gêneros e será preciso dominar a leitura e a escrita de alguns deles, adequando-se às peculiaridades de cada um na situação em que serão utilizados.

Mas o que é mesmo “gênero discursivo” e o que é “sequência textual”? Com base no senso comum, às vezes, algumas pessoas tendem a confundir uma categoria com a outra, mas esses conceitos são distintos.

Nesse sentido, para iniciarmos essa reflexão, esclarecendo o que pode parecer inicialmente confuso, podemos formular algumas questões relevantes acerca do conteúdo desta aula.

O que são gêneros discursivos e para que servem?

Como definimos a que gênero pertence um texto?

O que são sequências textuais?

Qual é a principal diferença entre sequência textual e gênero discursivo?

estudarmos

profissional?

Por

que

é

importante

gêneros

específicos

das

esferas

acadêmica

e

Vamos aos fatos

GÊNERO DISCURSIVO é uma forma relativamente convencionalizada de interação comunicativa, realizada na/pela linguagem em um dado contexto sociocultural. Cada gênero discursivo manifesta-se concretamente por meio de um texto verbal e/ou não verbal. Os gêneros surgem e se modificam de acordo com as exigências sociocomunicativas de seus usuários. Com base nisso, podemos afirmar que não nos é possível enumerá-los, haja vista sua grande variedade e seu dinamismo. Essa afirmação decorre do entendimento de que os gêneros discursivos são práticas comunicativas e, exatamente por isso, estão em constante atualização.

SEQUÊNCIAS TEXTUAIS (ou “tipos textuais”), por sua vez, são segmentos de enunciados que correspondem à forma como o texto se organiza. De acordo com suas características específicas, distribuem-se nos seguintes tipos: narrativo, descritivo, injuntivo, argumentativo e expositivo. Isoladamente, as sequências textuais não servem a um propósito comunicativo, pois constituem apenas parte de um todo textual, a que chamamos gênero discursivo.

Na educação básica (ensino fundamental e médio), com certeza você estudou textos que se dividiam em três tipos: narração, descrição e dissertação. Embora essa trilogia seja a tradicionalmente estudada, na verdade, existem outras. Em PLE-I, interessam-nos, particularmente, cinco sequências textuais: a narrativa, a descritiva, a injuntiva, a expositiva e a argumentativa. As duas últimas caracterizam os textos classificados, comumente, como “dissertativos”, podendo neles aparecerem as duas sequências (uma em complementação à outra) ou apenas uma delas.

Em geral, um gênero discursivo não apresenta apenas um tipo de sequência textual. É até possível afirmar que uma é predominante, mas não única. Veremos, mais adiante, como comprovar essa assertiva em relação ao gênero discursivo “receita culinária”, por exemplo. Agora, vejamos algumas características de cada uma das cinco sequências textuais citadas.

1 A sequência narrativa aparece em diferentes gêneros discursivos que precisem “contar uma história”. Ela se caracteriza, basicamente, pela presença de verbos que expressam ação e, no texto, aparecem em tempos diferentes (presente, passado e futuro), exatamente para oferecer ao leitor a ideia de ações iniciais e posteriores. Essas ações encadeiam causas e consequências, revelando a interação dos personagens para a realização dos momentos que caracterizam a narrativa, quais sejam: apresentação do cenário e dos principais personagens; criação da expectativa; aparecimento de um conflito (quebra da expectativa); tentativa de reação; desfecho da narrativa.

2 A sequência descritiva tem como marca a não interação de seus elementos. Isso significa que, nessa sequência, não existe a ideia de causa e consequência, de antes e depois.

Comprovam essa afirmação o fato de os verbos de um texto descritivo estarem sempre no mesmo tempo, além de os elementos linguísticos mais importantes dessa sequência serem os substantivos e os adjetivos, não os verbos.

3 A sequência injuntiva prioriza a presença de verbos no imperativo com o intuito de

orientar o leitor, por meio de comandos (ordens, orientações) para a realização de tarefas.

4 Já na sequência argumentativa, é necessária a existência de um tema polêmico, para o

qual haja a disposição lógica dos seguintes elementos: uma tese (ponto de vista que se pretende defender), argumentos que deem sustentação à tese (relação de causa e consequência, dados estatísticos, exemplificação, fatos históricos) e conclusão que respalde o raciocínio desenvolvido no decorrer do texto.

5 A sequência expositiva, por sua vez, não está atrelada a temas polêmicos, o que a

difere da sequência argumentativa. Na sequência expositiva, o autor se restringe a informar o leitor sobre determinado tema, sem o propósito de convencer nem de obter adesões ao seu ponto de vista.

Atividade 1

Vejamos, na prática, se você conseguiu entender as especificidades das sequências textuais, relacionando os textos a seguir à sequência que predomina em cada um. Para tanto, use

o seguinte código: (1) sequência narrativa; (2) sequência descritiva; (3) sequência injuntiva; (4) sequência argumentativa; (5) sequência expositiva.

( ) O transtorno do comer compulsivo vem sendo reconhecido, nos últimos anos, como uma

síndrome caracterizada por episódios de ingestão exagerada e compulsiva de alimentos. Porém, diferentemente da bulimia nervosa, as pessoas acometidas por esse transtorno não tentam evitar ganho de peso com métodos compensatórios. Os episódios vêm acompanhados de uma sensação de falta de controle sobre o ato de comer, sentimentos de culpa e de vergonha.

Muitas pessoas com essa síndrome são obesas, apresentando uma história de variação de peso,

pois a comida é usada para lidar com problemas psicológicos. O transtorno do comer compulsivo

é encontrado em cerca de 2% da população em geral, mais frequentemente acometendo

mulheres entre 20 e 30 anos de idade. Pesquisas demonstram que 30% das pessoas que procuram tratamento para obesidade ou para perda de peso são portadoras de transtorno do comer compulsivo.

Disponível em: <http://www.abcdasaude.com.br>. Acesso em: 1 maio 2009 (adaptado).

( ) Meio ambiente e tecnologia: não há contraste, há soluções

Uma das maiores preocupações do século XXI é a preservação ambiental, fator que envolve o futuro do planeta e, consequentemente, a sobrevivência humana. Em geral, problemas da natureza, quando analisados por ambientalistas radicais, são equivocadamente relacionados aos avanços da tecnologia. Isso ocorre porque, de certa forma, o avanço tecnológico cobra um preço a se pagar. As indústrias, por exemplo, costumeiramente ligadas ao progresso, emitem quantidades exorbitantes de carbono (CO 2 ), responsáveis por prejuízos causado à camada de ozônio e, por conseguinte, por alguns problemas ambientais que afetam a população. Todavia, existem soluções para unir meio ambiente e tecnologia no sentido de gerar bem-estar social. Uma delas é [

(Disponível em: <http://centraldasletras.blogspot.com/2009/03>. Acesso em 10 maio 2009. Com adaptações.)

(

) Enquanto a casa pegava fogo, um bebê chorava no quarto dos fundos. O choro alto foi

suficiente para alertar os dois meninos que brincavam de bola na rua em frente. Rapidamente, eles chamaram os vizinhos e o bebê foi salvo a tempo. Agora, a Rua dos Limoeiros tem dois heróis.

( ) Enquanto a casa pegava fogo, um bebê chorava no quarto dos fundos e dois garotos brincavam de bola na rua em frente.

(

)

 
   
 

Figura 21 Anúncio (medicamento e direção). Fonte: Mundo educação Terra (2013?).

(

) O sistema presidencial de governo nasceu nos Estados Unidos com a Constituição de 1787, na

Convenção de Filadélfia. Sua formação foi precedida de fato histórico; não sendo, pois, obra de nenhum arranjo ou convenção teórica. Sustenta-se que o presidencialismo é o poder monárquico em versão republicana e, ao contrário do parlamentarismo, é demarcado por uma rígida separação de poderes, assentada na independência orgânica e na especialização funcional.

Disponível em: <http://www.clubjus.com.br/?colunas&colunista=779_&ver=137>. Acesso em: 20 junho 2011. Com adaptações.

( )

Figura 22 – Tirinha (sequências textuais). Fonte: Dr Pepper (2012?).
Figura 22 – Tirinha (sequências textuais).
Fonte: Dr Pepper (2012?).

(

) O homem que encontrei era alto, magro, parecia estar agitado e pedia por comida. Notei

nele um ar de sofrimento caracterizado pelas roupas sujas e rasgadas e pelas mãos bastante calejadas quem sabe pelos descaminhos da vida.

( ) Siga rigorosamente estas instruções para um uso adequado do micro-ondas.

Não tente usar o forno de micro-ondas com a porta aberta, já que isso pode resultar em exposição perigosa.

Não coloque qualquer objeto entre a frente do forno e a porta nem permita que resíduos de produtos de limpeza ou de sujeira se acumulem nas superfícies vedadas.

Não opere o forno se estiver danificado. É especialmente importante que a porta do forno fique bem fechada e que não existam danos nas dobradiças nem nas vedações.

O forno de micro-ondas não deve ser consertado por alguém sem as qualificações técnicas necessárias.

( ) Um soldado estadunidense que estava na guerra no Iraque recebeu uma carta da namorada dele, que dizia o seguinte.

Querido John,

Não podemos continuar com nossa relação. A distância que nos separa é demasiado longa. Tenho de admitir que tenho sido infiel já por várias vezes desde que tu foste embora. Acredito que nem tu nem eu merecemos isso. Portanto, penso que seja melhor acabarmos tudo. Por favor, manda de volta a foto minha que te enviei.

Com amor,

Mary.

O soldado John, muito magoado, pediu a todos os colegas que lhe emprestassem fotos de suas namoradas, irmãs, amigas, primas… Depois, juntamente com a foto de Mary, colocou todas as outras que conseguiu recolher em um envelope. Na carta que enviou a Mary estavam oitenta e sete fotos e uma nota que dizia:

Querida Mary,

Isso acontece. Não se preocupe. Peço desculpas, mas não consigo lembrar quem tu és. Por favor, procura a tua foto no envelope e me envia de volta as restantes.

Com carinho e muito, muito amor…

John.

MORAL DA HISTÓRIA: mesmo derrotado, saiba arrasar o inimigo.

Em suma

Quando estamos nos referindo a sequências textuais, nossa preocupação é observar como o texto se organiza internamente. Com os gêneros discursivos, porém, há outros elementos que entram em foco.

A seguir, veremos seis amostras de gêneros discursivos. Notem que cada um deles tem especificidades com relação à temática, à estrutura composicional, à configuração linguístico- textual, à função social e às esferas sociais em que circulam.

à função social e às esferas sociais em que circulam. Figura 23 – Seis amostras de
à função social e às esferas sociais em que circulam. Figura 23 – Seis amostras de
à função social e às esferas sociais em que circulam. Figura 23 – Seis amostras de
à função social e às esferas sociais em que circulam. Figura 23 – Seis amostras de
à função social e às esferas sociais em que circulam. Figura 23 – Seis amostras de
à função social e às esferas sociais em que circulam. Figura 23 – Seis amostras de

Figura 23 Seis amostras de gêneros discursivos. Fontes - Tirinha As Cobras: Máquina Mistério [2012]; Carta pessoal: Natascha, Thaís e João (2008); Charge: Jornal do Commercio - UOL (2013); Diário pessoal: 4shared, Gêneros do cotidiano [20:?]; Placa de estabelecimento [1]: Crônicas do Jair (2012); Propaganda: As melhores propagandas do mundo (2012).

Cada uma dessas amostras textuais representa um gênero discursivo específico: tirinha, carta pessoal, charge, diário pessoal, placa de estabelecimento e propaganda de miniaparador de pelo nasal. Cada um desses seis gêneros discursivos apresenta particularidades bem específicas. Observar esses aspectos é importante não apenas para se fazer a leitura apropriada de um texto, mas também para uma produção textual que atenda ao(s) objetivo(s) a que se destina.

Atividade 2

Esclarecidas algumas diferenças entre sequência textual e gênero discursivo, você teria subsídios suficientes para relacionar um texto ou fragmento textual da atividade 1 ao gênero discursivo a que ele se refere? Vejamos apenas alguns casos.

(1) Artigo de opinião

(2) Tirinha

(3) Campanha publicitária

(4) Manual do consumidor

( ) Siga rigorosamente estas instruções para um uso adequado do micro-ondas:

- Não tente usar o forno de micro-ondas com a porta aberta, já que isso pode resultar em exposição

perigosa [

].

( ) Meio ambiente e tecnologia: não há contraste, há soluções

Uma das maiores preocupações do século XXI é a preservação ambiental, fator que envolve o futuro do planeta e, consequentemente, a sobrevivência humana. Em geral, problemas da natureza, quando analisados por ambientalistas radicais, são equivocadamente relacionados aos avanços da tecnologia […].

(

)

Figura 22
Figura 22

(

)

Figura 21
Figura 21

Outra informação importante sobre os gêneros discursivos se refere a uma consequência da dinamicidade desse conceito. Com o passar do tempo, alguns gêneros podem se alterar, outros desaparecem e novos gêneros são criados, dependendo das demandas sociais. Segundo

Koch (2010, p. 113), “[

os gêneros não são instrumentos rígidos e

socioculturais”. Essa autora afirma também que “[

a noção de gênero é respaldada em práticas sociais e em saberes

]

]

estanques, o que quer dizer que a plasticidade e a dinamicidade não são características intrínsecas ou inatas dos gêneros, mas decorrem da dinâmica da vida social e cultural e do trabalho dos autores”.

Um bom exemplo disso é o hipertexto, gênero surgido após o advento da internet e extremamente difundido na sociedade do século XXI.

Figura 24 – Hipertexto. Fonte: Wikipédia (2013).
Figura 24 – Hipertexto. Fonte: Wikipédia (2013).

Isso significa que cada comunidade lida com os gêneros que são úteis em sua cultura, conforme suas peculiaridades sócio-históricas. Para compreendermos melhor a dinamicidade dos gêneros discursivos, vejamos o exemplo a seguir.

Exemplo 7

Figura 24 – Texto do século XIX. Fonte: Odivelas (2010).
Figura 24 – Texto do século XIX.
Fonte: Odivelas (2010).

Você consegue identificar apenas com um “passar de olhos” o gênero discursivo a que pertence o texto do exemplo 7?

Possivelmente, não. Isso porque se trata de um gênero que sofreu várias atualizações até chegar ao que conhecemos hoje, no século XXI. Primeiramente, sua configuração visual não nos remete a qualquer gênero discursivo atual. Talvez, alguém o associe a uma “carta”, mas essa ideia teria de ser descartada por não encontrarmos, no texto em foco, data, vocativo nem assinatura, que são elementos essenciais do gênero discursivo “carta”. Quem sabe ajude o reconhecimento do gênero se observarmos a transcrição desse texto.

E agora, ficou mais fácil?

Figura 25 – Texto do século XIX. Fonte: Odivelas (2010). Marmelada branca Vão-se esbrugando os
Figura 25 – Texto do século XIX. Fonte: Odivelas (2010). Marmelada branca Vão-se esbrugando os

Figura 25 Texto do século XIX. Fonte: Odivelas (2010).

Marmelada branca

Vão-se esbrugando os marmelos e deitando-os em agoa fria. Põe-se a ferver em lume forte, estando bem cozidos se passão por peneira. Para 1 Medida de massa, 2 Medidas de Assucar em ponto alto de sorte que deitando uma pinga na agoa coalhe: tira-se o táxo do lume e se lhe deita a massa muito bem desfeita com a colher: Torna ao lume até levantar empôlas tirasse para fóra e se bota até esfriar, para se pôr em pratos a secar.

a colher: Torna ao lume até levantar empôlas tirasse para fóra e se bota até esfriar,

Trata-se de uma receita de marmelada, escrita no século XIX. Ao observarmos o texto, notamos mudanças ortográficas e lexicais entre o período em que ele foi escrito e os dias atuais. Mas não para por aí

O gênero “receita culinária” passou por outras adaptações para atender às necessidades de seus usuários, dentre elas: topicalização do texto, separando “ingredientes” e “modo de preparo”, por exemplo; adição de informações, tais como, imagem da receita pronta, rendimento, valor calórico, custo. Apesar de todas as diferenças quanto à forma e ao conteúdo, conseguimos relacionar o texto apresentado ao gênero em questão; afinal, a função comunicativa se mantém:

orientar o preparo de determinado prato. Vejamos, então, um exemplo de receita culinária nos padrões encontrados atualmente.

Figura 26 – Receita de bolo de abóbora com coco. Fonte: Cozinha Brasil - Receita
Figura 26 – Receita de bolo de abóbora com coco.
Fonte: Cozinha Brasil - Receita de família [2012?].

Atividade 3

Marque a opção que apresenta a sequência textual predominante no gênero discursivo “receita culinária”.

(a) narrativa

(b) descritiva

(c) injuntiva

(d)expositiva

(e)argumentativa

Atividade 4

É importante salientar, ainda, a relação entre os gêneros discursivos e as esferas de atividade social: casa, trabalho, escola, universidade, igreja, clube, hospital, comércio. Cada espaço social requer gêneros específicos. Vejamos se você consegue entender essa relação completando o quadro a seguir.

Gêneros discursivos
Gêneros discursivos

Esferas de atividades sociais

jurídica médica jornalística escolar financeira doméstica
jurídica
médica
jornalística
escolar
financeira
doméstica
a l v a r á

alvará

a t e s t a d o

atestado

e d i t o r i a l

editorial

a u l a

aula

cheque

cheque

lista de compras

lista de compras

Analisadas as especificidades gerais dos gêneros discursivos e das sequências textuais, passaremos a nos ocupar, agora, de um gênero muito explorado na esfera acadêmica: o PERFIL.

O perfil é uma espécie de autobiografia sintetizada. Nesse gênero, o escrevente é o próprio

perfilado, por isso se chama AUTObiografia. Lembra-se do exemplo de biografia de Alberto Manguel, utilizado na aula “Escrita como tecnologia e prática social”?.

A leitura do gênero “perfil” deve permitir ao interlocutor a construção de imagens do autor. Nesse sentido, espera-se que o perfil contenha informações que personalizem, minimamente,

o sujeito retratado. Logo, não é esperado que o autor de um perfil faça afirmações muito

genéricas. A ideia é, ao contrário, escrever um texto sobre si próprio que o caracterize em meio

aos demais.

Na aula 1, você leu um fragmento da biografia de Alberto Manguel. Agora, o gênero que nos interessa é o perfil acadêmico.

Exemplo 8 Perfil de graduando do BCT (Sigaa)

Anderson Araújo E-mail: anderson@ejectufrn.com.br Função: aluno. Sou Anderson Araújo, tenho 20 anos, nasci em

Anderson Araújo E-mail: anderson@ejectufrn.com.br Função: aluno.

Sou Anderson Araújo, tenho 20 anos, nasci em Natal. Desde criança, adoro computadores e outras tecnologias digitais. Fiz vestibular para o Bacharelado em Ciências e Tecnologia (BCT) inicialmente porque não sabia ao certo que profissão na área das engenharias eu preferia seguir. Mas, quando comecei a entender melhor o curso, percebi que o BCT me oferece oportunidades que outro curso não poderia me oferecer. Hoje, sei que, ao concluir o BCT, já estarei apto a entrar no mercado de trabalho, especialmente se eu conseguir desenvolver minha tendência para o empreendedorismo. Essa tendência foi descoberta por mim enquanto eu cursava os componentes de CTS, daí a razão por que resolvi fazer parte da empresa júnior da ECT (EJECT) e estou muito satisfeito com as experiências que venho vivenciando desde então. Porém, mesmo que eu possa atuar profissionalmente formado Bacharel em Ciências e Tecnologia, tenho ainda a opção de seguir para um dos cursos subsequentes ao BCT. Assim, poderei conseguir um segundo diploma de nível superior. Isso é um grande diferencial. Minha preferência de adesão aos cursos subsequentes é na área da informática: serei generalista com ênfase em Informática ou seguirei para a engenharia da computação. Ainda estou meio indeciso, mas pelo menos já sei com o que desejo trabalhar: tecnologia digital.

O texto de Anderson Araújo é sucinto, mas contempla alguns itens requeridos para um perfil acadêmico. É por ter consciência da seleção de informações que nesse gênero interessam que Anderson não focaliza atributos pessoais. Ele salienta o percurso que vem desenvolvendo no curso superior do qual faz parte e as perspectivas que consegue vislumbrar. Até a escolha da fotografia é acertada, posto que condiz tanto com a seriedade com que o escrevente enxerga sua vida acadêmica quanto com as imagens que pretende que seu leitor construa sobre ele.

Nesse gênero discursivo, a seleção da fotografia é, de fato, um passo fundamental. A fotografia, além de ser um dado imprescindível, pois facilita a identificação do autor, tem grande influência na construção de sentidos que o leitor poderá fazer do perfilado. Por isso, é necessário ter muita cautela na escolha da foto.

Exemplo 9

Figura 28 – Foto inadequada.   Figura 29 – Foto adequada. Fonte: REZENDE, T. Fotografias,
Figura 28 – Foto inadequada.   Figura 29 – Foto adequada. Fonte: REZENDE, T. Fotografias,

Figura 28 Foto inadequada.

 

Figura 29 Foto adequada.

Fonte: REZENDE, T. Fotografias, 2010.

Além do gênero “perfil acadêmico”, outro de suma importância nas esferas acadêmica e profissional é o CURRÍCULO (ou curriculum vitae). Trata-se do documento em que se registram informações acerca da formação acadêmica e da experiência profissional de um indivíduo.

Em geral, o currículo é solicitado por empresas públicas e privadas no momento em que estão selecionando novos funcionários. Também no caso de processos seletivos para bolsas de estudo, cursos de especialização, de mestrado e de doutorado ou para concursos públicos a apresentação do currículo é fundamental.

Segundo a CATHO, agência online de seleção de pessoal, há algumas “regras de ouro” que devem ser observadas ao se elaborar um bom currículo. Vamos conferir essas regras e acrescentar mais algum dado que avaliarmos igualmente importante.

1. Gramática e ortografia

Currículos com erros de português dificilmente passam pela triagem dos selecionadores. Segundo pesquisas realizadas pela Catho Online, um a cada quatro currículos é descartado por esse motivo.

2. Objetivo profissional

Não é indicado informar pretensões de atuação em mais de um cargo. Quando o currículo não demonstra foco em uma função específica, o selecionador pode imaginar que o candidato não tem um objetivo definido.

3. Dados pessoais

Manter informações desatualizadas (tais como telefone e e-mail) pode dificultar ou mesmo impedir o contato do selecionador com o candidato. Isso pode acarretar a perda de oportunidades de emprego ou de estágio. É importante salientar também a importância da escolha de um e-mail profissional que sinalize seriedade. Se, no currículo, uma candidata explicita que o e-mail dela é <gatinhamanhosa@hotmail.com>, pode ser mal interpretada e até perder oportunidades. Isso porque a empresa pensa na imagem dela sendo representada por uma tal “gatinha manhosa”. De fato, nada profissional.

4. Documentos

Não se deve confundir a área de “Seleção de Pessoal” de uma empresa com Departamento Pessoal. Números de documentos, tais como RG, CPF e Título de Eleitor, são irrelevantes no momento em que se deve decidir pela contratação ou não de um candidato. Por isso, não é necessário mencioná-los no currículo.

5. Extensão

Currículos pouco extensos são mais apreciados pelas empresas, pois elas tendem a interpretar essa característica como sinal de habilidade de síntese e trabalho lógico. Currículos com mais de duas páginas são, normalmente, considerados extensos.

6. Salário

Informações sobre salário(s) anterior(es) e pretensão salarial devem ser tratadas, preferencialmente, no momento da entrevista. Candidatos que mencionam valores no currículo arriscam-se a perder a possibilidade de negociar uma faixa salarial e/ou outros benefícios.

7. Desligamento do empregado

Justificativas para uma possível saída do quadro da empresa atual não são assunto a ser mencionado no currículo. O ideal é que esse tema seja tratado na entrevista, caso haja uma oportunidade para isso.

Observe, agora, um exemplo de currículo.

Exemplo 10

 

Curriculum Vitae

  Curriculum Vitae

TAMYRIS REZENDE FERREIRA

DADOS PESSOAIS Data de nascimento: 20/10/1987 Estado civil: solteira Profissão: Professora

Sexo: feminino

Endereço: Rua do Ipê Roxo, 350 Candelária Natal/RN CEP: 59078-500

Telefone: (84) 3363-3825 E-mail: trferreira@gmail.com

Celular: (84) 8677-2636

FORMAÇÃO Licenciada em Letras - Língua Portuguesa e Literaturas UFRN 2012.

 

ATUAÇÃO Atuo nas áreas de educação, de revisão de textos e de pesquisa em Linguística, concentrando meu interesse na realização de trabalhos de cunho cognitivo-funcional.

EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL

Desde outubro/2012 Instituto Metrópole Digital (UFRN) Professora substituta da disciplina “Práticas de Leitura e Escrita – I” (ensino superior)

Desde agosto/2012 SEEC/RN Professora efetiva de Língua Portuguesa (ensino fundamental e médio)

 

Desde julho/2011 CAP Centro Acadêmico Presbiteriano Professora de Língua Portuguesa (ensino médio)

Agosto/2010 março/2012 Centro de Ciências Humanas Letras e Artes/UFRN Bolsista de iniciação científica na área de Linguística

Maio/2009 Julho/2010 Escola de Ciências e Tecnologia/UFRN Bolsista de iniciação tecnológica na área de Linguística

CONHECIMENTOS EM INFORMÁTICA

Informática básica em ambiente Windows

 

Word Básico

Excel Básico

Internet

Power Point

BROficce

Prezi

 

Natal/RN, 2013.

Fonte: REZENDE, T. Curriculum vitae, 2013.

Conforme se pode notar, o currículo apresentado é sucinto, mas informativo. Trata-se de uma jovem professora, formada em Letras, com atuação nos três níveis de educação

(fundamental, médio e superior) e experiência com pesquisa acadêmica na área de Linguística. Além desses dados básicos, explicitar conhecimentos na área de informática é importante devido

a estarmos vivendo a era digital, época em que práticas de leitura e escrita mediadas pelo

computador vêm ganhando cada vez mais espaço. Resultado: candidata promissora a diferentes

oportunidades de emprego e de ascensão na vida acadêmica.

A produção do currículo, nas universidades brasileiras, vem seguindo o modelo proposto

pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Esse modelo é conhecido como Currículo Lattes, em homenagem ao físico brasileiro César Lattes (1924-2005).

Vejamos o que o próprio site do CNPq diz sobre o Currículo Lattes.

A Plataforma Lattes representa a experiência do CNPq na integração de bases de dados de Currículos, de

Grupos de pesquisa e de Instituições em um único Sistema de Informações. Sua dimensão atual se estende não só às ações de planejamento, gestão e operacionalização do fomento do CNPq, mas também de outras agências de fomento federais e estaduais, das fundações estaduais de apoio à ciência e tecnologia, das instituições de ensino superior e dos institutos de pesquisa. Além disso, se tornou estratégica não só para as atividades de planejamento e gestão, mas também para a formulação das políticas do Ministério de Ciência e Tecnologia e de outros órgãos governamentais da área de ciência, tecnologia e inovação.

O Currículo Lattes se tornou um padrão nacional no registro da vida pregressa e atual dos estudantes e

pesquisadores do país, e é hoje adotado pela maioria das instituições de fomento, universidades e institutos de pesquisa do País. Por sua riqueza de informações e sua crescente confiabilidade e abrangência, tornou-se elemento indispensável e compulsório à análise de mérito e competência dos pleitos de financiamentos na área de ciência e tecnologia.

A apresentação do CV Lattes é exigida aos que desejam se candidatar a bolsas (monitoria,

pesquisa, extensão), a vagas em cursos de especialização, mestrado e doutorado e mesmo por ocasião de concursos públicos (para professor ou servidor técnico-administrativo).

Dada a relevância desse gênero discursivo, dedicaremos uma atenção especial à elaboração do CV Lattes dos graduandos matriculados em PLE-I. Essa atividade tem uma função social muito importante para as atividades acadêmicas em geral, além de ser a forma de inserir cada um dos alunos desta turma, oficialmente, em um banco de dados de acadêmicos brasileiros.

Do ponto de vista composicional, o CV Lattes é, basicamente, composto de um texto inicial, redigido pelo autor, e de dados objetivos que devem ser inseridos na Plataforma Lattes.

O programa é autoexplicativo, ou seja, as orientações para o preenchimento do currículo estão

contidas no próprio site.

Primeiramente, você deverá acessar o link do site (www.cnpq.br), clicar em “Plataforma Lattes” e, em seguida, acessar a opção “Cadastrar novo currículo”, conforme podemos visualizar a seguir.

Passo 1: acesse o site e clique em “Plataforma Lattes”.

Figura 30 – Portal CNPq. Fonte: CNPq (2013).
Figura 30 – Portal CNPq.
Fonte: CNPq (2013).

Passo 2: clique na opção “Cadastrar novo currículo”.

Figura 31 – Plataforma Lattes. Fonte: Plataforma Lattes/ CNPq (2013).
Figura 31 – Plataforma Lattes.
Fonte: Plataforma Lattes/ CNPq (2013).

Passo 3: preencha os campos vazios com as informações solicitadas.

Figura 32 – Cadastro de currículo Lattes. Fonte: Plataforma Lattes/ CNPq (2013).
Figura 32 – Cadastro de currículo Lattes.
Fonte: Plataforma Lattes/ CNPq (2013).

Após efetuar o cadastro, você poderá dar início à inserção dos dados. Observe o CV Lattes a seguir para darmos andamento às orientações.

Fonte: TINOCO, G. M. A. M. Currículo Lattes, 2013.
Fonte: TINOCO, G. M. A. M. Currículo Lattes, 2013.

Perceba que, no campo superior da página, há um menu que contém as guias: dados gerais, formação, atuação, produções e eventos. Cada uma dessas opções deve ser preenchida de acordo com as informações solicitadas no próprio campo. Vejamos como isso ocorre.

Passo 4: insira as informações solicitadas no menu.

Passo 4: insira as informações solicitadas no menu. Identificação Formação Atuação profissional

Identificação

Formação

Atuação profissional Áreas de atuação

Endereço

acadêmica/ titulação

Idiomas

Endereço acadêmica/ titulação Idiomas Participação em eventos, congressos, exposições e feiras

Participação em eventos, congressos, exposições e feiras Organização de eventos, congressos, exposições e feiras

Organização de eventos, congressos, exposições e feiras O que achou? Com as devidas explicações, parece fácil,

O que achou? Com as devidas explicações, parece fácil, não?! Agora, é só produzir o seu próprio currículo assim que lhe for solicitado. Bom trabalho!

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para concluir esta aula, é de suma importância que algumas conexões sejam realizadas. Vimos que gêneros discursivos e sequências textuais são noções que não podem ser confundidas. Enquanto o gênero emerge e se modifica por meio das interações comunicativas (e é formado por textos verbais e/ou não verbais), a sequência é apenas parte desse todo enunciativo que diz respeito à organização estrutural do texto, podendo ser classificada como narrativa, descritiva, argumentativa, expositiva ou injuntiva.

Vimos também que cada esfera de atuação exige o conhecimento acerca de alguns gêneros específicos. Considerando que preparamos graduandos e futuros profissionais para atuarem satisfatoriamente em suas respectivas áreas, centramos nosso interesse em três dos principais gêneros exigidos nas esferas acadêmica e profissional: o perfil, o curriculum vitae (profissional) e o currículo Lattes (acadêmico).

Devido ao caráter sociocomunicativo dos gêneros discursivos, podemos afirmar, por fim, que se faz necessário dominar aqueles que farão parte de seu cotidiano para que, dessa maneira, você possa atuar com excelência nas práticas de leitura e escrita a que será exposto.

Vejamos agora se, partindo do estudo sobre os gêneros discursivos e sua relevância nas práticas discursivas, conseguimos responder aos questionamentos levantados no início desta aula.

Os gêneros discursivos são padrões relativamente estáveis, construídos e modificados nas (pelas) práticas sociocomunicativas a que nos expomos diariamente em contextos diversos. Servem-nos como meio de interação e prática social, pois neles se baseiam todas as nossas produções discursivas. Os gêneros são dinâmicos, o que nos impossibilita relacioná-los e contabilizá-los. Eles estão em constante evolução, sendo atualizados, surgindo, desaparecendo e modificando-se, sempre que seus usuários necessitam, com vistas a atingir determinados fins.

O que são gêneros discursivos e para que servem?

Como definimos a que gênero pertence um texto?

O tema, a estrutura composicional e o estilo, além da função social a que se destina o texto,

definem a qual gênero discursivo determinado texto pertence. Em um dos exemplos apresentados nesta aula (“receita culinária”), fica claro que as mudanças na estrutura composicional, no conteúdo apresentado e no estilo não nos impedem de identificar o gênero em questão. O mesmo ocorre quando observamos um texto cujas características fogem ao padrão

que construímos em nossas experiências. Nesse caso, devemos lembrar que fazemos uso do gênero no intuito de alcançar um objetivo específico. Sendo assim, essa é a informação mais relevante para reconhecermos o gênero de um texto.

As sequências são segmentos textuais que ajudam a compor os gêneros discursivos. Dividem-se em: narrativa, descritiva, argumentativa, expositiva e injuntiva. O tipo narrativo, por exemplo, é um dos principais elementos constituintes do gênero conto.

O que são sequências textuais?

Qual é a principal diferença entre sequência textual e gênero discursivo?

Sequência textual (ou tipo textual) se refere à forma com que o texto se organiza (estrutura), e gênero discursivo, à função, ou seja, ao propósito comunicativo-interacional objetivado pelo falante/escrevente.

profissional?

Estudar os gêneros mais recorrentes na academia e nas relações profissionais é essencial para que, ao conhecermos seus elementos e sabermos utilizá-los, possamos nos comunicar com esmero nos contextos socioculturais comuns a esses ambientes. Isso nos permitirá, consequentemente, cumprir de modo satisfatório propósitos interacionais variados, agindo discursivamente por meio desses gêneros, o que corrobora a noção de gênero como prática comunicativa.

e

Por

que

é

importante

estudarmos

gêneros

específicos

das

esferas

acadêmica

PARA SABER MAIS

* Texto

Disputado, bem pago e à prova de crise. Artigo da revista Veja, disponível em:

<http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx (p. 78-79)>. Autoria: Júlia Carvalho e Carolina Rangel. Edição 2270 23/maio/2012.

RESUMO DA AULA

Nesta aula, discutimos a respeito dos conceitos de gêneros discursivos, concebendo-os como prática sociocomunicativa, e de sequências textuais, visando à diferenciação devida entre essas duas noções e à compreensão da importância de adequarmos nosso discurso à finalidade pretendida. Vimos, também os elementos mais importantes na construção dos gêneros perfil acadêmico, curriculum vitae e CV Lattes.

AVALIAÇÃO

A partir dos direcionamentos apresentados nesta aula, prossiga com a escrita do gênero perfil acadêmico. A construção do perfil (ou seja, do autorretrato) representa uma oportunidade de o autor mostrar sua singularidade em meio às semelhanças que reúnem, em uma mesma turma de graduação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), dezenas e até centenas de graduandos.

Pensando nisso, produza um perfil acadêmico por meio do qual você se apresente, fornecendo as seguintes informações:

nome completo, idade, naturalidade;

hábitos e preferências pessoais (atividades que gosta de desenvolver/praticar em seu tempo livre);

formação escolar (quando e onde concluiu o ensino médio, se fez algum curso técnico e/ou

profissionalizante. Caso já tenha formação em nível superior além da graduação que está cursando, informe esse dado. Também é interessante citar outros cursos, tais como os de idiomas estrangeiros);

atuação profissional (se houver, seja como autônomo, estagiário ou efetivado. Caso você nunca tenha trabalhado, informe isso no perfil).

fotografia adequada ao gênero discursivo perfil acadêmico.

Observações

a) Extensão mínima de 10 linhas e máxima de 15;

b) postagem do texto no Sigaa: clique na turma virtual de PLE-I; após entrar na turma, clique em “gerenciar perfil”; em seguida, abrirá um box cujo título é “Gerenciar seu perfil para esta turma”; então, insira seu texto nesse box e clique em “cadastrar”;

05 Coesão textual

VOCÊ VERÁ POR AQUI

… o que é coesão textual; de que modo ela contribui para as práticas de leitura e escrita e qual o funcionamento da coesão como operador discursivo.

OBJETIVOS

Compreender o que é e como se constrói a coesão textual.

Entender como e por que a coesão é necessária à construção de textos.

Aprender como funcionam alguns elementos coesivos e como utilizá-los.

Perceber que a coesão se dá por elementos explícitos na superfície textual.

INICIANDO NOSSA CONVERSA

Em aulas anteriores, estudamos que um texto não resulta da simples soma de estruturas verbais, podendo mesmo ser construído sem elas (na modalidade não verbal) ou resultar da soma de unidades verbais e não verbais. Vimos ainda que a condição primordial para que determinada construção possa ser entendida como texto é se configurar como uma unidade de significado(s). Nesse sentido, há duas propriedades fundamentais para a construção de um texto: a primeira delas é a coesão (foco da aula de hoje); a segunda é a coerência, cujo aprofundamento será realizado na próxima aula.

Em geral, para que um texto faça sentido, é necessária a existência de palavras, expressões

e demais componentes textuais que estabeleçam encadeamentos e vínculos entre si, viabilizando,

desse modo, o reconhecimento de nexos semânticos (ou relações de sentido). A esses elementos damos o nome de recursos de coesão textual. Mas o que significa exatamente "coesão"?

É comum ouvirmos dos técnicos de futebol, por exemplo, que eles querem organizar um time

"coeso". Esse desejo de que a "união" fortaleça o time também é válido na prática de escrita de textos em diferentes gêneros. Vejamos como e por quê nesta aula. Mas, antes, vamos a algumas perguntas iniciais.

O que é coesão textual?

O que são elementos coesivos?

Por que a seleção de elementos coesivos é importante?

Existe texto sem coesão ou sem coerência?

Conforme já mencionamos, um texto deve possuir tanto coesão quanto coerência.

É bastante difícil pensarmos um fenômeno sem o outro, pois ambos são necessários para que se

possa atribuir sentido a uma dada produção discursiva. Por isso, embora o nosso foco seja a

coesão, em determinados momentos, será necessário nos referirmos a coerência.

Figura 33 – Correntes. Fonte: Eu odeio correntes (2008).
Figura 33 – Correntes.
Fonte: Eu odeio correntes (2008).

A coesão é um fator que se manifesta localmente, ou seja, está presente na superfície textual. Ela é responsável pela conexão, ligação, relação, entrelaçamento, enfim, pelo encadeamento significativo entre palavras, frases, orações, períodos e outras sequências que compõem um texto. Nesse sentido, é comum adotarmos a metáfora da “corrente”, para aludir à ideia de que a coesão assume o papel dos elos.

Todavia, não basta saber que os elementos

coesivos existem. É importante saber usá-los, pois são eles que permitem a fluência da leitura, representam o "fio condutor" dessa prática. Antes de nos

aprofundarmos nos principais mecanismos de coesão, veja o trecho a seguir, de um manual de instrução para uso de um tablet.

Exemplo 1

Primeiras cargas  Antes de ligar seu tablet pela primeira vez, realize um ciclo de
Primeiras cargas
 Antes
de
ligar
seu
tablet
pela
primeira
vez,
realize
um
ciclo
de
carga
de
8h
para
condicionamento da bateria.
 Após realizar o primeiro ciclo, ligue o produto e use-o fora da tomada até que a bateria esteja
completamente descarregada.
 Repita o procedimento por mais duas vezes.
 Após essas cargas iniciais, a bateria estará condicionada e o aparelho poderá ser recarregado
normalmente, ou seja, quando estiver abaixo dos 10% e até aparecer a mensagem de que a bateria
está 100% recarregada.

Observe que alguns elementos textuais servem como sequencializadores (“um ciclo” e “o primeiro ciclo”), evitando, dentre outras coisas, a constante repetição de uma mesma palavra. Devido ao emprego adequado dos elementos coesivos, é possível identificar o que cada "substituto" está retomando ou antecipando.

Atividade 1 Releia o texto e, em seguida, marque a única opção correta quanto à associação entre o elemento coesivo e o que ele está retomando.

(a) O pronome oblíquo o, utilizado em "use-o fora da tomada" (2º tópico) retoma tanto a palavra

“produto” quanto a palavra “tablet”.

(b) O pronome demonstrativo essas, utilizado em "essas cargas iniciais" (4º tópico), refere-se às

duas primeiras recargas de bateria.

(c) A palavra procedimento, utilizada no 3º tópico, faz referência a “ligar seu tablet” (1º tópico).

(d) O aparelho (4º tópico) é utilizado como substituto para retomar “o produto” (2º tópico), apenas.

(e) A expressão ou seja (4º tópico) serve como elemento coesivo que permite restringir o significado de normalmente (4º tópico).

Ainda sobre o manual, é interessante atentarmos para o fato de que, mesmo sem termos lido todo o manual do tablet, conseguimos, por nossa experiência, inferir certa lógica sequencial, um ordenamento, ou melhor, a coesão entre as seções: se, na seção “Primeiras cargas”, está escrito "Antes de ligar seu tablet", é possível depreender que ela é anterior àquelas que explicitarão as funções do tablet, que só podem ser acessadas quando ele estiver ligado; ou, ainda, que essa seção é posterior a uma outra que demonstre como conectar o aparelho no carregador e informações a respeito da voltagem suportada.

No caso do manual apresentado, todos os elementos coesivos se manifestaram explicitamente através de marcas linguísticas (palavras e expressões). Não obstante, há casos em que a coesão é estabelecida por elementos extralinguísticos, como no caso das histórias em quadrinhos, das tabelas de preço, das equações.

Exemplo 2

Exemplo 2 Figura 34 – Quadrinhos do Garfield. Fonte: BiblioBD (2012).
Exemplo 2
Figura 34 – Quadrinhos do Garfield.
Fonte: BiblioBD (2012).

Exemplo 3

Figura 35 - Página do mangá 'Yankee-kun to Megane-chan', tradução feita por OMG Scans. Fonte:
Figura 35 - Página do mangá 'Yankee-kun to Megane-chan', tradução feita por
OMG Scans.
Fonte: AniManH! (2012).

Nas histórias em quadrinhos, por exemplo, parte da coesão é constituída pelo conhecimento de que a história segue uma orientação de leitura determinada, portanto, por elementos extralinguísticos. Nos gibis e HQs (quadrinhos ocidentais), a história segue as mesmas regras da escrita ocidental: devem ser lidas da esquerda para a direita e de cima para baixo; já os mangás (quadrinhos japoneses) devem ser lidos da direita para a esquerda e de cima para baixo, e a ordem das falas em um mesmo quadrinho é estabelecida de acordo com a altura dos balões de fala. Compreender esses detalhes nos ajuda a atribuir sentido(s) a esses textos.

Passemos, agora, ao estudo de dois mecanismos de coesão bastante utilizados em nosso dia a dia.

RECURSOS DE COESÃO TEXTUAL

Conforme você já deve ter percebido, o estudo da coesão é bastante amplo, mas buscaremos orientá-lo de acordo com um foco específico, o qual contemplará dois dos principais mecanismos de coesão: a coesão referencial (que se dá pela retomada ou pela antecipação de termos, expressões ou frases presentes no texto) e a coesão sequencial (que diz respeito a conexões entre segmentos frasais e interfrasais do texto).

1

Coesão referencial

1.1

advérbios)

O mecanismo de coesão referencial permite-nos avançar ou retroceder na leitura de um texto sem que nos percamos. Com ele, é possível antecipar algo que ainda será dito ou saber a qual elemento já citado uma nova informação se refere. Além disso, esse mecanismo nos ajuda a evitar repetições desnecessárias, uma vez que possibilita a substituição de um vocábulo por outro, ou seja, por pronomes, verbos, numerais, advérbios.

Retomada

ou

antecipação

por

palavra

gramatical

(pronomes,

verbos,

numerais,

São anafóricos e/ou catafóricos os pronomes demonstrativos (este, esse, aquele), os pronomes relativos (que, o qual, cujo, onde), certos advérbios e locuções adverbiais (nesse momento, então, lá, etc.) e os verbos ser e fazer, o artigo definido, o pronome pessoal de 3ª pessoa (ele/ela; o/a; lhe).

(FIORIN, José Luiz; SAVIOLI, Francisco Platão. Lições de texto: leitura e redação. São Paulo: Ática, 1996.)

Exemplo 4

Figura 36 - Tirinha Níquel Náusea. Fonte: GONZALES, F. 1993.
Figura 36 - Tirinha Níquel Náusea. Fonte: GONZALES, F. 1993.

Perceba que o elemento coesivo “eles” (pronome pessoal da 3ª pessoa do plural), no 3º quadrinho, retoma a expressão “gatinhos sem rabo”, utilizada no 1º quadrinho. Quando uma palavra ou expressão é utilizada para retomar algo que já foi explicitado, dizemos que houve anáfora; o elemento que retoma outro, então, é chamado de anafórico.

Atividade 2

Leia a paráfrase a seguir de uma citação de Antonio Lobo Antunes. Em seguida, marque a opção que apresenta apenas o(s) elemento(s) anafórico(s) presente(s) no texto.

Há três ou quatro coisas importantes na vida: os livros, os amigos e as mulheres eu pudesse escrever como Messi joga futebol. A bola parece a namorada dele.

e Messi

Ah, se

Fonte: S.I. Revista Metáfora (2012), n. 5, p.: 7. Com adaptações.

(a) e se.

(b) na - Ah.

(c) dele.

(d) como.

(e) namorada.

Como se pode perceber, na atividade 2, há um elemento coesivo anafórico que se refere ao

substantivo Messi, evitando a repetição do nome próprio. Se reconstruíssemos o período sem

essa anáfora, teríamos "[

No período que segue, temos um caso diferente. Trata-se de um elemento coesivo que antecipa aquilo que será enunciado adiante.

]

A bola parece a namorada de Messi".

Exemplo 5

Os bacharéis em Tecnologia da Informação formados pela UFRN poderão optar por uma destas ênfases: Ciência da Computação, Engenharia de Software, Sistemas Embarcados, Sistemas de Informação de Gestão ou Informática Educacional.

O pronome demonstrativo destas (de + estas) está se referindo aos elementos que ainda serão mencionados. A isso chamamos catáfora. Sendo assim, quando um elemento coesivo antecipa algo que ainda será dito, é chamado de catafórico. Esse pronome poderia, ainda, ser substituído pela locução a seguir sem que isso causasse modificação de sentido: continuaríamos com um elemento coesivo de valor catafórico.

Passemos, agora, a alguns dos casos que mais geram dúvidas em escreventes e leitores.

A) Uso dos pronomes demonstrativos

Os pronomes demonstrativos em ss, esse(s) / essa(s) / isso, são utilizados como anafóricos (retomam algo que já foi explicitado).

Os pronomes demonstrativos terminados em st, este(s) / esta(s) / isto, são utilizados como catafóricos (antecipam algo que será explicitado).

Este(s) / esta(s) também são empregados como anafóricos em caso da omissão do substantivo referenciador.

Por outro lado, quando dois elementos serão retomados independentemente, usaremos este(s) / esta(s) / isto para o que estiver mais próximo (o último que foi mencionado) e aquele(s) / aquela(s) / aquilo para o mais distante (o primeiro que foi mencionado).

Exemplo 6

A disciplina de cálculo é considerada uma das mais difíceis dos currículos de engenharia e ciências exatas. Por esse motivo, muitos alunos procuram se dedicar bastante a ela.

Exemplo 7

Muitos alunos dos cursos de engenharia e de ciências exatas procuram se dedicar bastante à disciplina de cálculo por esta razão: ela é considerada uma das mais difíceis do currículo desses cursos.

Exemplo 8

Alguns alunos da área de exatas abandonam o curso pelo fato de este exigir alto raciocínio lógico e muita dedicação aos estudos.

Exemplo 9

Com a revolução tecnológica proporcionada pela internet, formaram-se grupos favoráveis e desfavoráveis com relação ao uso dessa ferramenta em sala de aula. Estes insistem no fato de que as várias possibilidades de uso da internet servirão mais como distração para os alunos do que como subsídios para um aprendizado mais significativo; aqueles argumentam que não é possível desprezar as contribuições que essa ferramenta, tão presente na vida dos alunos, pode dar em sala de aula.

Atividade 3

Marque a opção cujos elementos preenchem as lacunas deixadas no texto abaixo, de modo a conferir a ele a coesão adequada para que faça sentido.

A versão online da Revista Nacional de Tecnologia da Informação (RNTI) traz em sua 41ª edição uma matéria intitulada “Pesquisa do Great Place to Work elege as melhores empresas para trabalhar

em TI e

trabalhar algumas das afiliadas

Gestão&Tecnologia,

são alguns dos benefícios dados destinado ao café da tarde, instalações adequadas acesso a todos os níveis hierárquicos da organização.

liberdade de

empresa aos funcionários: massoterapia, horário

foi eleita uma das melhores do Brasil pela segunda vez consecutiva.

Assespro-Paraná, dando destaque à Sofhar

matéria, a revista aponta como algumas das melhores empresas para se

atividade exercida

benefícios, além de bons salários e a certeza de estar trabalhando em uma

empresa promissora, será natural que os alunos do Bacharelado em TI da UFRN busquem saber mais a

empresas citadas nessa matéria

da RNTI, ou em

respeito da empresa Sofhar Gestão&Tecnologia ou sobre as

Com todos

revistas ligadas à área.

(a)

Nesta

à

que

Esses

pela

a

mas

esses

principais

ademais

(b)

Nessa

à

que

Estes

pela

à

e

esses

demais

outras

(c)

Nessa

a

ela

Aqueles

pela a

à

e

estes

outras

várias

(d)

Naquela

a

a qual

Esses

por

ao

mais

isso

entre

dentre

(e)

Nesta

a

qual

Estes

da

às

ainda

esse

outras

outras

B) Uso dos elementos coesivos onde e aonde.

Em geral, tem-se utilizado os elementos coesivos onde e aonde como uma espécie de “coringa” da língua portuguesa, substituindo quase qualquer outro elemento coesivo, a exemplo do emprego em substituição do que e do quando.

No entanto, esse uso tão diversificado não faz parte da norma e, por vezes, tem levado o falante/escrevente ao emprego repetitivo e inadequado em certos contextos comunicativos.

De acordo com a norma da língua portuguesa, o pronome relativo onde e aonde devem ser utilizados apenas para indicar lugar (espaço físico), sendo, o segundo utilizado para indicar apenas circunstância de deslocamento para um lugar físico.

Exemplo 10

Natal é a cidade onde eu resido.

Ponta negra é a praia aonde eu irei no final de semana. = para onde”

Atividade 4

Observe que, nos enunciados a seguir, foram deixadas lacunas. Elas devem ser preenchidas com onde e aonde, observando a norma da língua portuguesa.

Pipa é a praia

A Alemanha é o país

costumo passar as férias.

pretendo fazer a Pós-graduação.

nós iremos para estudar em paz?

Exemplo 11

Observe abaixo a tentativa de reprodução do discurso de venda produzido por um ambulante.

Gente, no lugar onde eu morava, eu não conseguia emprego. Foi aonde eu decidi vir
Gente, no lugar onde eu morava, eu não
conseguia emprego. Foi aonde eu decidi
vir pra cidade de Natal pra vender estas
jujubas. Aonde você vai encontrar, dentro
do pacotinho, jujubas de vários sabores.
Onde você pode estar comprando para
me ajudar.
Figura 37 - Darth Vader, o vilão do filme Star Wars.
Fonte: Pelo mundo web rádio (2010).

À exceção do primeiro onde, os demais pronomes relativos destacados estão empregados de maneira inadequada, uma vez que, nos trechos em que se encontram, não há noção de lugar. Pense um pouco: como poderíamos reescrever o trecho acima de modo a garantir-lhe a devida coesão?

Proposta de reescrita

C) Uso do porquê

C) Uso do porquê Atividade 5 (Banco do Brasil, 2012 – Escriturário) Os torcedores uniformizados não

Atividade 5

(Banco do Brasil, 2012 Escriturário)

Os torcedores uniformizados não entenderam o motivo no estádio pelos funcionários encarregados da portaria, de uma questão de segurança.

foram impedidos de entrar disseram apenas tratar-se

Assinale a alternativa que apresenta os termos que, respectivamente, preenchem de forma correta as lacunas acima.

(a)

porque onde.

(b)

por que que.

(c)

porquê os mesmos.

(d)

por quê onde.

(e)

porque que.

D) Uso do acento grave

Em língua portuguesa, usamos o acento grave para marcar a crase do “a” em três casos específicos. Veja os esquemas de como utilizar o acento grave, a seguir.

1º caso Preposição + artigo singular

1º caso Preposição + artigo singular a + a = à s.f.s. (substantivo feminino singular) Ex.:

a +

a

= à

s.f.s. (substantivo feminino singular)

Ex.: Estou indo a a universidade. = Estou indo à universidade.

2º caso Preposição + artigo plural

indo à universidade. 2º caso Preposição + artigo plural a + as = às s.f.p. (substantivo

a +

as

= às

s.f.p. (substantivo feminino plural)

Ex.: Passarei a as próximas questões. = Passarei às próximas questões.

3º caso Preposição (a) + aquele(s)/aquela(s)/aquilo

Ex.: Direi àquele meu colega que você mandou lembranças.

Atividade 6

6.1 Foram retiradas das frases a seguir alguns elementos coesivos. Preencha cada espaço com o elemento mais adequado. Em seguida, marque a opção com a sequência correta de preenchimento.

Esta noite, convidarei meus amigos

Disse-me que não vê a hora

Sou fã de jogos eletrônicos

No dia da inscrição para a faculdade, quase

Irei

Entregarei esse artigo

jantar comigo.

receber o resultado das provas.

muito tempo.

não consigo chegar a tempo.

sala da professora pedir atendimento individualizado antes da prova.

meu professor orientador.

(a)

para

de

que

à

ao

(b)

ao

para

a

eu

ao

(c)

para o

por

ha

que

a

para

(d)

a

de

por

eu

a

ao

(e)

ao

para

a

que

à

para

6.2 - Preencha corretamente as lacunas deixadas nas frases a seguir. Para tanto, utilize os elementos coesivos a(s), à(s) e há. Em seguida, marque a opção com a sequência correta de preenchimento.

Direi

Muitos alunos não dão muita atenção

Não é possível dar crédito

Por problemas no microfone, o professor teve de começar

Acredito que

Estou esperando que meu computador chegue

dias.

ele que me espere após a aula.

disciplinas da área de humanas.

pessoas que não honram seus compromissos.

falar mais alto.

bons laboratórios na UFRN para praticarmos.

(a)

a

às

à

a

 

(b)

a

às

A

a

(c)

à

às

às

à

a

(d)

a

a

a

a

(e)

a

À

à

1.2

Retomada por palavra lexical (substantivos, verbos, adjetivos)

Esse mecanismo coesivo consiste em retomar uma palavra, substituindo-a por um sinônimo ou por outra palavra ou expressão que se associa a ela (hipônimo, hiperônimo ou antonomásia). Observe a capa da revista Veja a seguir.

Exemplo 12

Figura 38 – O gladiador tranquilo. Fonte: Veja (mar. 2012).
Figura 38 – O gladiador tranquilo.
Fonte: Veja (mar. 2012).

Note que o nome do lutador Anderson Silva é retomado algumas vezes por outras palavras que, no contexto de publicação, são facilmente associadas a ele: “brasileiro campeão de artes marciais”, “maior ídolo do esporte que mais cresce no mundo”, “gladiador tranquilo”. O mesmo ocorre com o esporte do qual o lutador faz parte, o Ultimate Fighting Championship (UFC):

“esporte que mais cresce no mundo”. Esse tipo de retomada também é um recurso interessante da coesão textual.

Atividade 6

6.1 – Leia a amostra textual abaixo, retirada da seção “Leitor”, de Veja online (19/ dez./

2012, p. 50) e marque a opção que apresenta apenas retomadas por palavra lexical, levando em

consideração os vocábulos destacados no texto.

“No Brasil, notícia é bandido morto pela polícia. O governo não se interessa nem em instalar bloqueadores de celulares que funcionem nos presídios, de modo que até naqueles de “segurança máxima” os bandidos podem enviar “ordens” aos seus comparsas em liberdade para que matem policiais. Os governantes brasileiros não mandam nem condolências aos familiares de policiais assassinados em serviço e nunca enaltecem o trabalho da polícia”.

Ronaldo Bastos Reis Natal/RN

(a)

seus governantes.

(b)

pela nos.

(c)

de segurança máxima governantes.

(d)

que familiares.

(e)

de segurança máxima seus.

6.2 Justifica a marcação da atividade anterior o fato de as retomadas por palavra lexical

fazerem referência aos seguintes vocábulos, respectivamente:

(a)

presídios governo

(b)

polícia familiares

(c)

governantes familiares

(d)

presídio polícia

(e)

polícia governo

2

Coesão sequencial (encadeamento de segmentos textuais)

Esse mecanismo coesivo é composto por elementos que dão fluidez ao discurso, permitindo a concatenação de ideias e a criação de relações de sentido entre os segmentos do discurso. Os operadores discursivos que compõem esse mecanismo não são vazios de sentido, por isso não podem ser substituídos uns pelos outros aleatoriamente.

Exemplo 13

Atente para o fato de que cada um dos elementos destacados possibilita a conexão entre o trecho “anterior” e o “posterior” e, além disso, adiciona valor semântico (de sentido) à sequência discursiva. Cada vez mais aponta para o fato de que os investimentos financeiros em educação são aumentados periodicamente; e porém enseja contradição entre a expectativa causada pela ideia inicial e a realidade. Não poderíamos, portanto, substituir os termos destacados por qualquer outro, conforme comprovam as reescritas abaixo, em que os elementos coesivos são substituídos por outros aleatoriamente.

1. O governo diz injetar cada vez mais dinheiro na educação, portanto os resultados ainda são

pouco visíveis.

2. O governo diz injetar todavia dinheiro na educação, ainda os resultados são pouco visíveis.

3. O governo diz injetar pouco dinheiro na educação, por isso os resultados são pouco visíveis.

Pense: podemos dizer que o sentido original foi mantido em cada uma dessas reescritas? Veja, a seguir, alguns operadores discursivos e seus valores semânticos.

Para

apesar de, contrário a.

Ex.: Joaquim não é considerado um aluno estudioso, porém, possui um dos maiores IEA do BCT.

indicar

oposição/contraste/adversidade:

mas, contudo,

porém,

todavia,

entretanto,

Para indicar finalidade: para tanto, a fim de, a fim de que, para, para que, com o intuito de.

Ex.: O IMD pretende se tornar um núcleo de referência na área de TI, para tanto investe na formação de seus alunos.

Para indicar adição: ademais, em acréscimo, e, mais, além disso, mais também.

Ex.: É claro que ele mereceu passar no vestibular, sempre foi esforçado. Ademais, aumentou a carga de estudos no ano que antecedeu as provas do concurso.

Para indicar concessão: mesmo assim, embora, mesmo que, ainda que.

Ex.: Os bacharelados interdisciplinares da UFRN (BCT e BTI), embora sejam cursos novos, demonstram ser bastante promissores.

Para indicar causa e consequência: uma vez que, em virtude de, por isso, por causa de, em decorrência de, em vista de, em razão de.

Ex.: A Petrobrás ainda é considerada uma das melhores empresas para se trabalhar, em virtude disso, sempre que abre concurso, o número de inscritos é bastante alto.

Para indicar condição: se, caso, se acaso, contanto que, a não ser que, a menos que.

Ex.: Os graduandos do BTI e os do BCT podem conseguir dupla titulação em cinco anos de vida acadêmica, contanto que se dediquem aos seus respectivos cursos.

Para indicar conclusão: assim, afinal, sendo assim, portanto, logo, por isso, em vista de.

Ex.: Os professores de PLE são muito queridos pelos alunos, afinal dedicam-se bastante à formação destes.

Para indicar tempo: ao longo de, antes, anteriormente, depois, após, passados, quando, sempre, nunca.

Ex.: Dentre outras possibilidades, os alunos do BTI poderão, após terminarem o curso, ingressar no mestrado profissionalizante.

Para indicar proporção: à medida que, ainda mais se, mais que, ao passo que, tanto menos, quanto mais.

Ex.: À medida que o aluno do BCT for avançando no curso, será direcionado ao eixo generalista ou aos cursos subsequentes.

Para indicar esclarecimento: ou seja, isto é, quer dizer, ou melhor, melhor dizendo.

Ex.: O aluno do BTI terá um currículo bastante aberto, isto é, terá bastante liberdade na hora de escolher as disciplinas que pagará ao longo do curso.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para encerrarmos este estudo, é necessário enfatizarmos, mais uma vez, que a coesão textual é fundamental para as práticas de leitura e de escrita. Trata-se de um dos fatores essenciais à geração/atribuição de sentido, uma vez que promove a conexão harmônica entre os componentes textuais (palavras, frases, orações, períodos, parágrafos).

A coesão é um fator de organização entre os elementos textuais, a qual se apresenta,

normalmente, na superfície textual. A coesão serve para garantir entrelaçamento, conexão, harmonia entre as unidades discursivas (palavras, frases, orações, períodos, parágrafos e demais componentes textuais).

O que é coesão textual?

Elementos coesivos são operadores linguísticos (pronomes, advérbios, numerais, preposições, conjunções) que ajudam a estabelecer a coesão textual, servindo para retomar ou antecipar palavras, para substituí-las, evitando repetições, ou para encadear sequências de ideias.

O que são elementos coesivos?

Por que a seleção de elementos coesivos é importante?

Os elementos coesivos colaboram no estabelecimento de conexões entre os componentes do texto e na atribuição de nexos semânticos ao discurso. Portanto, a ausência ou a má escolha

de algum desses elementos poderá resultar em perda parcial ou total do sentido, ocasionando problemas de leitura.

Existe texto sem coesão ou sem coerência?

Não. Considerando que conforme vimos em outras aulas o texto deve possuir sentido(s), tanto a coesão quanto a coerência são necessárias à elaboração dele. A coesão pode se dar em graus mínimos, mas nunca estará ausente por completo de um texto.

PARA SABER MAIS

* Texto

Artigo: Coesão. [2012 ?]. Disponível em: http://www.brasilescola.com/redacao/ coesao.htm. Acesso em 26/12/12. Autoria: Marina Cabral.

* Game de PLE

Disponível em: <www.ple.ect.ufrn.br>.

RESUMO DA AULA

Nesta aula, estudamos uma das principais propriedades discursivo-textuais: a coesão. Vimos que ela serve para conferir unidade ao texto, tendo em vista que, por meio da coesão, podemos estabelecer conexões entre as unidades textuais. Quanto a isso, estudamos os seguintes mecanismos coesivos: retomada ou antecipação por palavra gramatical, retomada por palavra lexical e encadeamento de segmentos textuais.

AVALIAÇÃO

Na sequência, encontram-se duas questões de coesão, retiradas de concursos. A questão 1, para um cargo de nível médio no Ministério da Fazenda; a questão 2, para um cargo de nível superior na Secretaria de Economia e Planejamento de São Paulo. Responda a elas.

1. (Assistente Técnico-Administrativo - ESAF/2009) Leia o texto abaixo e depois assinale, no quadro a seguir, a opção cujos elementos coesivos preenchem corretamente as lacunas do texto.

pequenos municípios exibe mais uma face perversa do

abalo global que já fez tremer os gigantes do crédito internacional. A população mais pobre dessas

situar no lado mais fraco das contas públicas brasileiras.

A desaceleração da atividade econômica já seria suficiente

arrecadação em todos os níveis da administração pública. Mas

conceder desonerações tributárias para ajudar a manutenção de

empregos, o governo federal abriu mão de parte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), um dos principais formadores do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Por causa da excessiva proliferação de cidades, muitas vezes, emancipadas apenas para atender a interesses de grupos políticos locais, é imensa a quantidade de orçamentos dessas comunidades em todo o país que dependem quase exclusivamente desse fundo.

municípios pequenos. Forçado

comunidades começa a pagar preço alto ao

provocar uma expressiva perda de um complicador a mais para os

A chegada da crise financeira mundial