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Centro Federal de Educação

Tecnológica Celso Suckow da


Fonseca – CEFET\RJ

Tecnologia das
Construções I

Trabalho sobre métodos


construtivos
1. Objetivo

Este trabalho visa à informação e à correta aplicação dos diferentes materiais


empregados na construção civil. Neste texto serão tratados especificamente materiais
usados para fôrmas, armaduras e concreto.

2. Introdução

O uso de fôrmas, amaduras e concreto é amplamente difundido na construção civil,


sendo aplicados em uma infinidade de edificações para dar forma ou resistência
estrutural a peça que esta sendo erigida.

A correta utilização dos materiais disponíveis no mercado, nas obras de construção


civil, bem como sua adequação aos custos, é responsabilidade do engenheiro e por
isso é tão importante conhecer os materiais disponíveis e sua aplicação.

3. Fôrmas

3.1 Conceito

Elementos pertencentes à estrutura, durante sua fase de execução, destinados a dar o


formato definitivo da peça de concreto, após sua cura, enquanto o concreto ainda está
em seu estado plástico.

É importante obedecer critérios mínimos de especificação dos materiais e de execução


dos serviços de moldagem, caso contrário as conseqüências serão percebidas no
acabamento das peças, bem como em sua estabilidade estrutural. Para tanto é
importante prever no sistema de escoramento e fôrmas os seguintes requisitos:
- Estabilidade dimensional;
- Sobrecarga de movimentação das montagens:
- Armação;
- Concretagem;
- Reutilização das peças de escoramento e fôrmas;

3.2 Materiais para formas

A diversidade de materiais disponíveis no mercado para a confecção de fôrmas é


relativamente vasta, a exemplo dos papelões, metais, isopores (poliestireno
expandido) e madeiras.

Entretanto, dentre estes materiais temos de destacar a larga utilização das madeiras
pela sua facilidade de aquisição e ótima trabalhabilidade.

Entre as qualidades que levam a esta facilidade da utilização das madeiras destacam-
se: o elevado módulo de elasticidade de algumas madeiras; sua dureza intermediária
permitindo trabalhar como material estrutural, mas ainda facilitando a serragem,
penetração e extração de pregos; seu baixo custo; e seu baixo peso específico.

Fôrmas metálicas, também estão se tornando cada vez mais populares, principalmente
em construções onde há predominância de elementos estruturais com dimensões
padronizadas. Encontram-se no mercado, inúmeros fornecedores de fôrmas metálicas,
inclusive com possibilidade de desenvolvimento de fôrmas personalizadas. Na indústria
de pré-moldados é o tipo de forma mais utilizado, com reutilização praticamente
ilimitada.

Formas mistas, onde a madeira é estruturada com elementos metálicos, também estão
sendo difundidas em obras onde há certa padronização das dimensões dos elementos
estruturais.

3.3 Dimensões comerciais das madeiras para forma

Chapas de compensados:
- Largura x Comprimento (cm): 110x220; 122x244
- Espessura (cm): 6, 8, 10, 12, 15 e 20 cm.

Peças de madeira bruta (Espessura x Largura – cm):


- Tábuas: 2,5x30; 2,5x25
- Sarrafos: 2,5x10
- Ripas: 2,5x5,0
- Pontaletes: 5x5; 7,5x7,5.

3.4 Nomenclaturas das partes das formas de madeira

 Painéis: superfícies que vão dar forma ao elemento construtivo. Os painéis


formam os pisos das lajes, as faces das vigas, pilares e fundações.
 Travessas: peças de ligações dos painéis. São compostas por sarrafos ou
pontaletes.
 Travessões: peças de suporte empregadas somente nos escoramentos dos
painéis lajes.
 Guias: peças de sustentação dos travessões, geralmente feitas de caibros ou
sarrafos.
 Travessas de apoio: peças fixadas sobre as travessas verticais das faces da viga,
destinadas a servir de apoio para as extremidades dos painéis das lajes e das
respectivas peças de suporte (travessões e guias).
 Cantoneiras: peças de seção triangular pregadas nos ângulos internos das
formas, destinadas a evitar quinas vivas em pilares, vigas, etc.
 Gravatas: ligam os painéis das formas dos pilares, colunas e vigas, para reforçá-
los de forma a resistirem aos esforços que nelas atuam durante o lançamento
do concreto.
 Montantes: reforçam as gravatas dos pilares.
 Pés-direitos (pernas): suportes das fôrmas das lajes, cujas cargas recebem por
intermédio das guias, ou seja, fazem o escoramento das estruturas das formas.
 Pontaletes: suporte das fôrmas das vigas, que se apóiam nelas por meio de
caibros curtos de seção normalmente idêntica à do pontalete e independente
das travessas da forma.
 Escoras: peças inclinadas que suportam a compressão, usadas para impedir o
deslocamento dos painéis laterais das fôrmas de vigas, escadas, blocos de
fundação, etc.
 Chapuzes: pequenas peças empregadas como suporte e reforço de pregação
das peças de escoramento.
 Talas: semelhantes aos chapuzes, destinadas a ligação e à emenda das peças
de escoramento.
 Cunhas: peças prismáticas, geralmente usadas aos pares, com a finalidade de
forçar o contato entre os escoramentos e as fôrmas, para que não haja
deslocamento durante a concretagem, e facilitando posteriormente a retirada
dos escoramentos e fôrmas.
 Calços: peças de madeira nas quais se apóiam os pontaletes e pés-direitos,
através das cunhas.
 Espaçadores: peças de concreto utilizadas nas formas de paredes e fundações
para manter a distância interna entre os painéis quando comprimidos.
 Tirantes: peças compostas de uma barra de ferro com rosca e porca em ambas
as extremidades ou em apenas uma extremidade, posicionadas entre as faces
das vigas ou paredes destinadas a reforçar a ação das gravatas.
 Janelas: aberturas localizadas na base das formas dos pilares e paredes, ou no
fundo das vigas de grande altura, destinadas a facilitar a limpeza deles antes do
lançamento do concreto.
 Travamento: ligação transversal das peças de escoramento que trabalham a
flambagem. Destinado a subdividir o comprimento e aumentar a resistência.
 Contraventamento: ligação utilizada para evitar qualquer deslocamento das
formas, assegurando a inderfomabilidade do conjunto.
 Desmoldante: composto líquido aplicado aos painéis internos das formas para
evitar a aderência entre concreto e fôrma

3.5 Cimbramentos e escoramentos

Cimbramento e vigas metálicas:


Montagem de uma viga utilizando escoramento metálico:

Montagem de uma viga utilizando escoramento de madeira:

3.6 Fôrmas de fundações


4. Armaduras para Concreto
4.1 Conceito

Armaduras são elementos destinados a dar resistência à estrutura de concreto na fase


de sua execução, principalmente quanto aos esforços de tração e flexão.

4.2 Tipos de aço para construção

 CA-25: aço relativamente maleável, muito utilizando como tirante em formas


para concreto armado (tensão de escoamento: 2.500 Kg/cm² ou 250 MPa);
 CA-50: aço utilizado como elemento constituinte do concreto armado,
principalmente nas barras longitudinais (tensão de escoamento: 5.000 Kg/cm²
ou 500 MPa);
 CA-60: aço utilizado no concreto armado, porém preferencialmente usado na
confecção de estribos (tensão de escoamento: 6.000 Kg/cm² ou 600 MPa).

4.3 Cobrimento da armadura

Peças de concreto estão sujeitas a microfissuras que variam de 1 a 20 mm de


profundidade, por onde a umidade ou agentes agressivos podem penetrar, atingindo a
armadura e provocando corrosão interna na estrutura, comprometendo a estabilidade
desta estrutura.

Assim, para garantir a proteção da armadura é necessário que haja uma camada
mínima de concreto cobrindo toda a armadura.

A NBR 6118 determina os recobrimentos mínimos das armaduras em função da


agressividade do ambiente. As tabelas a seguir representam essas correspondências.

Tabela 1 – Classe de agressividade ambiental

Classe de agressividade Classificação geral do tipo de Risco de deterioração da


Agressividade
ambiental ambiente para efeito de projeto estrutura
Rural
I Fraca Insignificante
Submersa
II Moderada Urbana Pequeno
Marinha
III Forte Grande
Industrial
Industrial
IV Muito forte Elevado
Respingos de maré

Tabela 2 – relação entre classe de agressividade ambiental e cobrimento da armadura

Classe de agressividade ambiental


Componente ou
Tipo de estrutura I II III IV
elemento
Cobrimento nominal (mm)
Laje 20 25 35 45
Concreto armado
Viga/Pilar 25 30 40 50
Concreto protendido Todos 30 35 45 55

4.4 Nomenclaturas de projeto

Nos projetos estruturais, além das dimensões das estruturas (largura, altura e
comprimento), é importante representarmos também a distribuição das armaduras no
interior das peças.

Cada componente da armadura recebe uma identificação composta de um desenho


específico mostrando as dimensões a serem formatadas na dobra, uma numeração
que identifica a posição do elemento na armadura, a quantidade dos elementos, o
diâmetro do aço e o comprimento total de cada elemento.

4.5 - Importância do planejamento de corte

Raramente um projeto estrutural utiliza elementos de aço com tamanhos


padronizados, pois as barras de aço podem ser cortadas em diversos tamanhos para as
diferentes peças estruturais. Contudo, esses cortes das peças de aço levam a sobras,
normalmente uma perda de até 10% da quantidade total de aço dos elementos
estruturais. Portanto, é importante um planejamento de corte para que haja
racionalização no consumo do aço, evitando desperdício.

4.6 Cuidados na execução das armaduras

 Garantir o posicionamento da armadura conforme previsto em projeto;


 Não utilizar armaduras já em processo de corrosão;
 Garantir o posicionamento correto na armadura negativa;
 Antes da liberação da peça para concretagem verificar:
o Posicionamento, diâmetro, quantidade de barras;
o Espaçamento das armaduras longitudinais;
o Espaçamento dos estribos;
o Comprimento dos transpasses;
o Colocação dos caranguejos para garantia da armação negativa nas
lajes;
o Colocação das pastilhas de cobrimento;
o Posicionamento das galgas mestras para nivelamento;
o Posicionamento e fixação dos elementos embutidos e tubulações;
o Alta concentração de armadura que possa prejudicar a passagem do
concreto;
o Limpeza geral das formas.

4.7 Emendas das barras de aço

No caso de grande concentração de armaduras conjugadas necessitando de emendas


de barras, pode-se recorrer a dispositivos como luvas roscadas ou prensadas. No
mercado da construção civil encontram-se uma gama de luvas destinadas a barras CA-
50 de ø 12,7 mm a ø 40 mm.

4.8 Telas eletrosoldadas

Telas soldadas para concreto armado são produtos pré-fabricados constituídos de fios
de aço nos sentidos longitudinais e transversais, formando malhas quadradas ou
retangulares e soldados em seus pontos de encontro. Podem ser fornecidas em rolos
ou painéis, em diferentes tamanhos de malhas e de bitolas de aço, que podem
substituir as armações convencionais, principalmente em armaduras de lajes e de
pisos. Como vantagens, apresentamos algumas características:

 Espaçamento uniforme
dos fios;
 Aderência ao concreto através de juntas soldadas;
 Segurança na ancoragem;
 Facilidade de inspeção pelo engenheiro fiscal;
 Posicionamento adequado nas formas;
 Controle de qualidade;

Aplicações:

 Lajes e pisos armados;


 Indústria de pré-
moldados;
 Vigas;
 Pilares
 Bueiros tubulares e
celulares;
 Piscinas
 Paredes diafragma;
 Revestimento dos túneis;
 Caixas d’água
 Mourões
 Paredes autoportantes
 Contenção de encostas;

5. Concreto

5.1 Conceito

O concreto é um material da construção civil composto por uma mistura de cimento,


areia, pedras britadas e água, além de outros materiais eventuais, os aditivos,
destinado a confeccionar, após a cura, uma peça com propriedades e características
estruturais, compor elementos de uma construção, tais como vigas, lajes, pilares e
pavimentos, entre muitos outros.

5.2 Tipos de Concreto

 Concreto bombeável: de uso correte nas obras, dotado de


características de fluidez para poder passar por tubulações para atingir uma
distância horizontal e vertical maior. Normalmente utilizado em lugares de
difícil acesso.
 Concreto leve: possui como agregados materiais como o poliestireno
expandido e a vermiculita. Utilizado como elemento de vedação, em rebaixo
de lajes, nivelamento de pisos.
 Concreto fluido: autoadensável, que dispensa vibração. Indicado para
concretagem de peças delgadas e peças com alta concentração de armadura
com difícil adensamento.
 Concreto de alta resistência: com resistência elevada, ou seja, acima de 50
Mpa e obtido com a adição de elementos como microssílica e aditivos
plastificantes.
 Concreto de alta resistência inicial: utiliza cimento com alta resistência inicial e
destina-se a concretagem de peças protendidas.
 Concreto com fibras de aço: apresenta maior resistência a tração
 Concreto aditivado: maior plasticidade, impermeabilidade, resistência,
durabilidade e outras.
 Concreto rolado: com baixo consumo de cimento e baixa trabalhabilidade, ou
seja, com pouca água.
 Grout: agregado de pequeno diâmetro e aditivos especiais que permite fluidez
e autoadensabilidade.
 Concreto projetado: possui baixa trabalhabilidade, dosado com cimento, areia,
pedrisco e aditivos.
 Concreto colorido: utilizado para causar um melhor efeito arquitetônico,
 Concreto pesado: aquele que possui agregados de elevado peso específico.
 Concreto com microssílica: usado quando há necessidade de elevada
resistência física e ataques químicos.
 Concreto resfriado: executado a baixa temperatura com a finalidade de
controle de fissuração.
 Concreto convencional: de uso corrente na construção civil, com resistência de
até 30 Mpa
 Concreto impermeável: a cura é importante para que se evite a fissuração por
retração;
 Concreto aparente: concretagem de peças que não vão receber revestimento.
 Concreto celular: é indicado para isolamento térmico em lajes de cobertura e
terraços.

5.3 Componentes do Concreto

 Cimento: são comercializados em sacos de 50kg e em grandes obras são


fornecidos a granel. Hoje o cimento portland é normalizado e existem onze
tipos no mercado:
o CP I – Cimento portland comum
o CP I-S – Cimento portland comum com adição
o CP II-E– Cimento portland composto com escória
o CP II-Z – Cimento portland composto com pozolana
o CP II-F – Cimento portland composto com fíler
o CP III – Cimento portland de alto-forno
o CP IV – Cimento portland Pozolânico
o CP V-ARI – Cimento portland de alta resistência inicial
o RS – Cimento Portland Resistente a Sulfatos
o BC – Cimento Portland de Baixo Calor de Hidratação
o CPB – Cimento Portland Branco

 Pedra: obtida como pedregulho ou seixo obtido em leitos de rios ou pedra


britada obtida pela trituração de pedras de granito.
 Areia: obtidas em leitos e margens de rios, ou em bancos de areia, deve ser
livre de impurezas.
 Água: água doce limpa.

5.4 Aditivos do Concreto

A fim de melhorar algumas características do concreto, são adicionados à esta mistura


produtos químicos chamados aditivos. Entre eles podemos destacar os seguintes:

 Plastificantes: tornam o concreto mais plástico, reduzem a quantidade de água,


permitem a economia de 15% do cimento, aumentam a trabalhabilidade do
concreto.
 Retardadores de pega; agem como plastificantes, reduzem a exudação,
reduzem a permeabilidade, facilitam o adensamento, aumentam a resistência
à tração e compressão.
 Incorporador de ar: produzem misturas mais coesas, reduzem a segregação,
permite o uso de agregados mal graduados;
 Aceleradores de pega: elevam a resistência inicial do concreto, aumentam a
trabalhabilidade;
 Impermeabilizantes: reduzem a absorção capilar, fixam um fator água/cimento
abaixo de 0,5 L/kg
 Expansores: reduzem a absorção capilar, fazem expansão da pasta de cimento
como compensação da retração.

5.5 Cuidados para o preparo e lançamento do Concreto

 Conferir as formas (nível, fixação, limpeza, obstrução);


 Conferir os acessos (menor percurso possível para o concreto);
 Verificar o local de lançamento;
 Aplicação com bombas e tubulações (verificar o nivelamento da bomba,
localizar a bomba no local mais próximo ao local concretado, lubrificar a
tubulação com argamassa de cimento e areia);
 Verificar os equipamentos (limpeza, vibradores);
 A aplicação deve ocorrer no menor prazo possível;
 Evitar parada no lançamento para evitar a junta fria;
 Realizar ensaio de abatimento;
 Realizar os procedimentos para a cura.
Bibliografia:

Júlio Salgado, Técnicas e Práticas construtivas para edificações, 2° edição revisada.


Wikipedia
NBR-7211
NBR-7225