Você está na página 1de 2

SÍNTESE

DIP e o Direito Português

Art.º 8º CRP
8º/1: DIP Costumeiro

 Cláusula de receção plena e automática


 Todo o DIP costumeiro (costumes, ius cogens, etc.)
8º/2: DIP Convencional (= Tratados)

 3 condições:
→ Que vigore internacionalmente
→ Que esteja publicado no Diário da República
→ Que tenha sido corretamente concluído (assinado/ratificado) (ATENÇÃO:
ratificação imperfeita- 277º/2)
8º/3: Direito Interno das Organizações Internacionais

 Cláusula automática

Qual a perspetiva portuguesa sobre o grau interno de prevalência do DIP?


1) Direito Costumeiro
 Se uma norma de ius cogens internacional for contrária a uma norma costumeira
fundamental portuguesa- prevalece o ius cogens internacional e as normas
costumeiras internas são revogadas
2) Direito Convencional
 Valor infraconstitucional e supralegal
 Infraconstitucional: sujeitos a fiscalização sucessiva e preventiva da
constitucionalidade e, em caso de o TC se pronunciar/ declarar a
inconstitucionalidade da norma do tratado, esta é ineficaz quanto a Portugal
(nunca será inválida porque invalidade ≠ ineficácia)
 Supralegal:
̶ Principio geral de boa-fé (pacta sunt servanda), que entra no Direito
Português pelo 8º/1, impede que o Estado, por lei interna, viole os
compromissos assumidos internacionalmente
̶ Art.º 8º/2: “enquanto vincularem o Estado português
internacionalmente”, isto pressupõe que a vinculação existe e permanece
enquanto tal se verificar no plano internacional, pelo que aprovar uma lei
contrária, não afeta a prevalência da norma internacional
̶ Arts. 119º, 280º/3 e 278º/1: a leitura combinada destes preceitos
estabelecem a seguinte ordem:
1. Normas constitucionais
2. Convenções internacionais
3. Atos legislativos
A fiscalização sucessiva da constitucionalidade
Visa impedir que o Estado português viole o Direito Convencional a que se encontra
internacionalmente vinculado, pelo facto de este conter inconstitucionalidades menores.
Mas, afinal, o que são inconstitucionalidades menores?
 Inconstitucionalidades orgânicas e formais, que não violam normas fundamentais e,
portanto, que não impedem a sua aplicação interna. (o desvalor é a mera irregularidade)

Exemplos de inconstitucionalidades que violam normas fundamentais:


Orgânicas:

 Incompetências absolutas para a aprovação da Convenção


 Incompetência relativa por parte do Governo (ao aprovar questões do 161º/i) CRP)
Formais:

 Aprovação por maioria inferior à maioria simples


 Violação grave do quórum
 Total ausência de aprovação
PORQUÊ? Porque estas são violações que desrespeitam o espírito e princípios democráticos que
baseiam o existir de um procedimento de vinculação interno às convenções.