Você está na página 1de 31

PSICOLOGIA E

DEPENDÊNCIA
QUÍMICA
Cleudeny Coelho
SEÇÃO 3: Políticas públicas sobre drogas no Brasil
(Teórico)

A estratégia de redução de danos

Estratégia pragmática, própria do campo da saúde pública, que visa


reduzir os danos causados pelo consumo de drogas lícitas ou ilícitas.
Aplica-se aos indivíduos que, não podendo ou não querendo se abster,
adotam comportamentos de risco ligados ao uso de drogas, como, por
exemplo, o compartilhamento de seringas e agulhas para o uso injetável
ou de canudos e cachimbos para consumo do crack, práticas sexuais de
risco para DST/Aids e Hepatites, condução de veículos em estado de
intoxicação ou embriaguez, injeção de silicone líquido e anabolizantes,
etc.

2
SEÇÃO 3: Políticas públicas sobre drogas no Brasil
(Teórico)

A estratégia de redução de danos

Importante lembrar que a redução de danos é muito mais do que


uma alternativa à abstinência no tratamento da dependência
química. As ações de redução de danos constituem um conjunto de
medidas de saúde pública voltadas a minimizar as conseqüências
adversas do uso de drogas.

3
SEÇÃO 3: Políticas públicas sobre drogas no Brasil
(Teórico)

O campo das toxicomanias apresenta-nos uma gama


relativamente variada de ofertas de tratamento, que podem
ser resumidas em: tratamento medicamentoso com ou sem
internação em hospital geral, psiquiátrico ou clínicas
especializadas; tratamento não medicamentoso com
internação em fazendas de recuperação; tratamento não
medicamentoso através do ingresso em grupos de ajuda
mútua (como o AA, por exemplo); psicanálise; terapias
cognitivas ou comportamentais; tratamento através de
técnicas alternativas como acupuntura, florais, homeopatia
e, até mesmo, a cura através da fé..

4
SEÇÃO 3: Políticas públicas sobre drogas no Brasil
(Teórico)

A Redução de Danos (RD) é um conjunto de princípios e


ações para a abordagem dos problemas relacionados ao uso
de drogas que é utilizado internacionalmente e apoiado
pelas instituições formuladoras das políticas sobre drogas
no Brasil, como a Secretaria Nacional de Política sobre
Drogas (SENAD) e o Ministério da Saúde.

5
SEÇÃO 3: Políticas públicas sobre drogas no Brasil
(Teórico)

A RD não pressupõe que deva haver imediata e obrigatória


extinção do uso de drogas – no âmbito da sociedade ou no
caso de cada sujeito –, seu foco incide na formulação de
práticas, direcionadas aos usuários de drogas e aos grupos
sociais com os quais eles convivem, que têm por objetivo a
diminuição dos danos causados pelo uso de drogas.

6
SEÇÃO 3: Políticas públicas sobre drogas no Brasil
(Teórico)

Embora estejamos acostumados a relacionar a proibição à


periculosidade oferecida pelas distintas substâncias, o que
define se as drogas são legais ou ilegais não é a ausência ou a
presença de riscos. Por exemplo, drogas que em nossa
sociedade são permitidas podem ter grande potencial de dano.
Álcool, nicotina, opioides (morfina, codeína e a meperidina) e
benzodiazepínicos são drogas lícitas (que têm sua produção,
distribuição e consumo regulados por leis), mas podem
provocar dependência e morte.

7
SEÇÃO 3: Políticas públicas sobre drogas no Brasil
(Teórico)

OS PRINCÍPIOS DAS ESTRATÉGIAS DE REDUÇÃO DE DANOS


Na década de 1980, na Holanda, usuários de drogas injetáveis
exigiram do governo a disponibilização de serviços que
diminuíssem seus riscos de contaminação pelo vírus da
hepatite B. Posteriormente, a preocupação com o risco de
contaminação pelo vírus da AIDS deu grande impulso à
implementação das atividades de redução de danos.

8
SEÇÃO 3: Políticas públicas sobre drogas no Brasil
(Teórico)

As práticas de redução de danos, surgidas como uma


alternativa para as estratégias proibicionistas do tipo “guerra às
drogas”, baseiam-se em princípios de pragmatismo , tolerância
e compreensão da diversidade. São pragmáticas porque
compreendem que é necessário oferecer serviços de saúde a
todas as pessoas que têm problemas com álcool e outras
drogas, incluindo aquelas que continuam usando após
tratamento, visando principalmente à preservação da vida.

9
SEÇÃO 3: Políticas públicas sobre drogas no Brasil
(Teórico)

Mesmo que se compreenda que, para muitas pessoas, o ideal


seria que não usassem mais drogas, sabemos que isso pode ser
muito difícil, demorado ou inalcançável. É, portanto, necessário
oferecer serviços, inclusive para aquelas pessoas que não
querem ou não conseguem interromper o uso dessas
substâncias.

O oferecimento desses serviços pode evitar que se exponham a


situações de maior risco e viabilizar sua aproximação das
unidades de saúde e acolhimento, abrindo a possibilidade de
que peçam ajuda quando quiserem ou precisarem.

10
SEÇÃO 3: Políticas públicas sobre drogas no Brasil
(Teórico)

Cabe destacar que a Estratégia de Redução de Danos é


tolerante, pois evita o julgamento moral sobre os
comportamentos relacionados ao uso de substâncias
psicoativas e às práticas sexuais, por exemplo, evitando
intervenções autoritárias e preconceituosas. Além disso,
contempla a diversidade, visto que compreende que cada
sujeito estabelece uma relação particular com as substâncias e
que a utilização de abordagens padronizadas como pacotes
prontos e impostos para todos é ineficaz e excludente,
especialmente porque muitos serviços que trabalham com a
lógica da exigência da abstinência excluem usuários que não
querem ou não conseguem se manter abstinentes.

11
SEÇÃO 3: Políticas públicas sobre drogas no Brasil
(Teórico)

As Estratégias de Redução de Danos não pressupõem que


deva haver imediata e obrigatória extinção do uso de drogas,
mas formulam práticas, direcionadas àqueles que usam drogas
e aos grupos sociais com os quais convivem, que visam
diminuir os danos causados por elas.

A Redução de Danos acolhe a diversidade de usuários e não se


sustenta na exigência obrigatória da extinção do uso. Seu
objetivo é, principalmente, a diminuição dos danos físicos,
psicossociais e jurídicos relacionados ao uso de drogas.

12
SEÇÃO 3: Políticas públicas sobre drogas no Brasil
(Teórico)

Com a prática das Estratégias de Redução de Danos, na


década de 1980, visando à diminuição do risco de
contaminação pelo vírus da hepatite B, iniciou-se a
substituição de seringas usadas por seringas estéreis e
descartáveis e a distribuição de preservativos.

13
SEÇÃO 3: Políticas públicas sobre drogas no Brasil
(Teórico)

Atualmente, além dessas ações, há um avanço na oferta de


informações sobre serviços de saúde para a realização de
exames e de tratamento para problemas clínicos e para a
dependência de drogas.
Assim, a atividade de troca de seringas não é um fim em si
mesmo, mas um serviço, oferecido junto a muitos outros, que
tem como objetivo geral a preservação da saúde.
Com o surgimento da AIDS, essas ações foram incrementadas
em inúmeras cidades e países, difundindo as Estratégias de
Redução de Danos como práticas de prevenção.
Posteriormente, outras práticas de risco se tornaram foco de
ações de Redução de Danos, incluindo os problemas com
drogas não injetáveis, como é o caso do crack nos dias de hoje.

14
SEÇÃO 3: Políticas públicas sobre drogas no Brasil
(Teórico)

15
SEÇÃO 3: Políticas públicas sobre drogas no Brasil
(Teórico)

16
SEÇÃO 3: Políticas públicas sobre drogas no Brasil
(Teórico)

Nas estratégias de cuidado pautadas na Redução de Danos, a


definição do objetivo, das metas intermediárias e dos
procedimentos não é imposta, mas discutida com o usuário. A
interrupção do uso de álcool e de outras drogas quase sempre
é um dos objetivos, mas outros avanços são valorizados, como
evitar colocar-se em risco, melhorar o relacionamento familiar e
recuperar a atividade profissional.
Muitas outras dimensões da vida (relacionamento familiar e no
trabalho/escola, condições clínicas e psíquicas, relações com a
lei etc.) são usadas também para a avaliação do resultado do
tratamento.
A participação do usuário nas escolhas das metas e etapas do
tratamento valoriza e aumenta a sua motivação e seu
engajamento.
17
SEÇÃO 3: Políticas públicas sobre drogas no Brasil
(Teórico)

A organização das Redes de Atenção Psicossocial (RAPs)

Diretrizes

Respeito aos direitos humanos, garantindo a autonomia e a liberdade das pessoas;

Promoção da equidade, reconhecendo os determinantes sociais da saúde;

Combate a estigmas e preconceitos;

Garantia do acesso e da qualidade dos serviços, ofertando cuidado integral e


assistência multiprofissional, sob a lógica interdisciplinar;

18
SEÇÃO 3: Políticas públicas sobre drogas no Brasil
(Teórico)

Atenção humanizada e centrada nas necessidades das pessoas;

Diversificação das estratégias de cuidado;

Desenvolvimento de atividades no território, que favoreçam a inclusão social com


vistas à promoção de autonomia e ao exercício da cidadania;

Desenvolvimento de estratégias de Redução de Danos;

Participação dos usuários e de seus familiares no controle social;

19
SEÇÃO 3: Políticas públicas sobre drogas no Brasil
(Teórico)

Organização dos serviços em rede de atenção à saúde, com estabelecimento de


ações intersetoriais para garantir a integralidade do cuidado;

Promoção de estratégias de educação permanente;

Desenvolvimento da lógica do cuidado para pessoas com transtornos mentais e com


necessidades decorrentes do uso de álcool, crack e outras drogas, tendo como eixo
central a construção do projeto terapêutico singular.

20
SEÇÃO 3: Políticas públicas sobre drogas no Brasil
(Teórico)

Plano de Ação
Ela dispõe sobre a criação, ampliação e articulação de pontos de atenção à saúde
para pessoas com sofrimento ou transtorno mental e com necessidades decorrentes
do uso de crack, álcool e outras drogas, no âmbito do Sistema Único de Saúde.

Para a concretização da RAPS, uma importante estratégia é a articulação


interfederativa, fortalecida pela criação dos Grupos Condutores, instância em que
gestores se articulam buscando produzir consensos em torno de Planos de Ação da
RAPS.

O planejamento, a pactuação e acompanhamento da implantação e qualificação da


RAPS são dimensões fundamentais para a consolidação da rede.

21
SEÇÃO 3: Políticas públicas sobre drogas no Brasil
(Teórico)

Tem como objetivos gerais a ampliação do acesso à atenção


psicossocial da população em geral, a promoção de vínculos
das pessoas com transtornos mentais e com necessidades
decorrentes do uso de crack, álcool e outras drogas e suas
famílias aos pontos de atenção e a garantia da articulação e
integração dos pontos de atenção das redes de saúde no
território qualificando o cuidado por meio do acolhimento, do
acompanhamento contínuo e da atenção às urgências.

22
SEÇÃO 3: Políticas públicas sobre drogas no Brasil
(Teórico)

Também tem como objetivos específicos: a promoção dos


cuidados em saúde particularmente aos grupos mais
vulneráveis (criança, adolescente, jovens, pessoas em situação
de rua e populações indígenas); a prevenção do consumo e a
dependência de crack, álcool e outras drogas; a redução de
danos provocados pelo consumo de crack, álcool e outras
drogas; a reabilitação e a reinserção das pessoas com
transtorno mental e com necessidades decorrentes do uso de
crack, álcool e outras drogas na sociedade, por meio do acesso
ao trabalho, renda e moradia solidária; mas ainda inclui a
melhoria dos processos de gestão dos serviços, parcerias inter-
setoriais entre outros.

23
Estratégia Saúde da Família (ESF)
O que é?
A Estratégia Saúde da Família (ESF) se caracteriza por um conjunto de
ações de saúde, na esfera individual e coletiva, que abrange a promoção
e a proteção da saúde. Dirigida a populações de territórios definidos, a
ESF, por meio desse conjunto de ações, assume a responsabilidade
sanitária, considerando, assim, a dinamicidade existente no território em
que vivem tais populações.

O que faz?
Atende às necessidades gerais da população, por meio de uma equipe
multiprofissional, a qual é constituída, em sua maioria, por médicos,
enfermeiros, cirurgiões dentista, técnicos em saúde bucal, técnicos de
enfermagem e agentes comunitários de saúde, dentro outros
profissionais.

24
Equipe de Consultório na Rua
O que é?
A Equipe de Consultório na Rua é um grupo de multiprofissionais que
atua em unidades móveis, de forma itinerante e frente aos diferentes
problemas e necessidades de saúde da população em situação de rua.

O que faz?
A Equipe oferta ações e cuidados de saúde para a população em
situação de rua, considerando suas diferentes necessidades de saúde.
Amplia o acesso à saúde dessa população, à rede de atenção e
proporciona, de maneira mais oportuna, a atenção integral à saúde.
Desenvolve também ações compartilhadas e integradas às unidades
básicas, CAPS, serviços de Urgência e Emergência, instituições
componentes do Sistema Único de Assistência Social e outras
instituições públicas da sociedade civil.

25
Equipe de Consultório na Rua
O que é?
A Equipe de Consultório na Rua é um grupo de multiprofissionais que
atua em unidades móveis, de forma itinerante e frente aos diferentes
problemas e necessidades de saúde da população em situação de rua.

O que faz?
A Equipe oferta ações e cuidados de saúde para a população em
situação de rua, considerando suas diferentes necessidades de saúde.
Amplia o acesso à saúde dessa população, à rede de atenção e
proporciona, de maneira mais oportuna, a atenção integral à saúde.
Desenvolve também ações compartilhadas e integradas às unidades
básicas, CAPS, serviços de Urgência e Emergência, instituições
componentes do Sistema Único de Assistência Social e outras
instituições públicas da sociedade civil.

26
Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF)
O que é?
O NASF atua de maneira integrada, apoiando os profissionais das
equipes de saúde da família, a fim de ampliar a abrangência e
resolutividade das ações da atenção básica.

O que faz?
O NASF realiza, prioritariamente, atendimento compartilhado para uma
intervenção interdisciplinar junto as equipes. Podem compor as
esquipes do NASF: psicólogo; assistente social; farmacêutico;
fisioterapeuta; fonoaudiólogo; profissional da Educação Física;
nutricionista; sanitarista; terapeuta ocupacional; ginecologista;
homeopata; acupunturista; pediatra; e psiquiatra.

27
Centro de Atenção Psicossocial (CAPS)
O que é?
O CAPS é um ponto de atenção constituído por uma equipe
multiprofissional, a qual atua sob a ótica interdisciplinar e realiza,
prioritariamente, o acompanhamento de pessoas com sofrimento ou
transtornos mentais graves e persistentes, incluindo aquelas com
necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas, ou outras
situações clínicas que impossibilitem estabelecer laços sociais e realizar
projetos de vida. Esse ponto de atenção atua de forma territorial – em
situações de crise ou nos diversos momentos do processo de
reabilitação psicossocial –, e é considerado um serviço estratégico para
agenciar e ampliar as ações de saúde mental.

O CAPS deve, portanto, organizar-se tanto para ser porta aberta às


demandas de saúde mental do território como para identificar
populações específicas e mais vulneráveis, as quais devem ser objeto de
estratégias diferenciadas de cuidado.

28
O que faz?
O CAPS provê acompanhamento longitudinal de pessoas com
problemas graves de saúde mental e de
suas famílias. Tal acompanhamento se dá, prioritariamente, a partir de
espaços coletivos, dentro e fora do serviço, de forma articulada com os
outros pontos de atenção da rede de saúde e das demais redes, visando
sempre à construção de novos lugares sociais e à garantia dos direitos. O
cuidado é articulado através de Projetos Terapêuticos Singulares, que,
em sua construção, envolvem usuários, famílias e seus contextos,
requerendo constantes mediações dos profissionais em abordagens
territoriais.

O Centro também realiza apoio matricial a outros pontos de atenção,


garantindo sustentação qualificada tanto
nos acompanhamentos longitudinais quanto nas ações de urgência e
emergência.

29
Os CAPSs são serviços de portas abertas, que devem acolher, sem
agendamento, novos usuários. A partir desse acolhimento, a equipe
multiprofissional irá elaborar, em parceria com o usuário e sua família,
um projeto terapêutico singular. Os CAPS atuam, também, fora do
espaço da sua unidade, buscando parcerias na comunidade e com
outros serviços públicos, a fim de facilitar e mediar as relações dos
usuários com pessoas e instituições.
Esse trabalho é o que permite a reabilitação psicossocial de pessoas que,
pelo sofrimento, pela sua condição social e pelo estigma, vivem
excluídas das relações na sociedade.
O trabalho dos profissionais do CAPS é, portanto, realizado tanto no
serviço em si quanto no território, por isso requer conhecimento e
relação com esse território.
Há diversas modalidades de CAPS: I, II, III, álcool e drogas (AD) e
infantojuvenil. Os CAPS III e CAPS AD III
funcionam 24 horas.
.

30
31