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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

CENTRO DE CIÊNCIAS

DEPARTAMENTO DE QUÍMICA ANALÍTICA E FÍSICO-QUÍMICA

CONTROLE ANALÍTICO DE ÁGUAS

(Profª Dra. Ruth Maria Bonfim Vidal)

THAYNARA COUTINHO BARBOSA

RELATÓRIO FINAL

FORTALEZA

NOVEMBRO/2018
1. INTRODUÇÃO

1.1. POTENCIAL HIDROGÊNICO

O pH ou potencial hidrogeniônico é um parâmetro que indica a acidez,


neutralidade ou alcalinidade de uma solução aquosa, determinado pela
concentração de íons hidrônio. Os valores variam numa escala de 0 a 14, sendo
ácido - pH abaixo de 7, básico - pH acima de 7 e neutro - pH igual a 7, podendo
ser medidos com a utilização do pHmetro (Peruzzo e Canto, 2006).

Em águas naturais, ele é um parâmetro essencial para a flora e fauna aquática


e pode se encontrar na faixa de 6 a 9 (Resolução CONAMA 357, classes 1-4, água
doce).

O pH pode ser determinado colorimétricamente ou eletrométricamente. O


método colorimétrico, apesar de não necessitar de instrumentação possui
interferência de parâmetros tais como: Turbidez, cor, agentes oxidantes e
redutores, cloro livre entre outros. O Método eletrométrico é o mais empregado,
com o emprego de eletrodo seletivo para a concentração hidrogeniônica (H+)
(BECKER, 2017).

O método eletrométrico baseia-se na determinação através de um eletrodo


de vidro combinado, que responde a concentração de íons de hidrogênio. Esse
eletrodo consiste em uma semi-célula e uma célula referencial, que juntas formam
o eletrodo de vidro combinado, figura 1.

Figura 1 – Eletrodo de vidro combinado


1.2. ALCALINIDADE

A alcalinidade indica a quantidade de íons na água que reagem para


neutralizar os íons hidrogênio. Constitui-se, portanto, em uma medição da
capacidade da água de neutralizar os ácidos, servindo, assim, para expressar a
capacidade de tamponamento da água, isto é, sua condição de resistir a mudanças
do pH. Observa-se que ambientes aquáticos com altos valores de alcalinidade
podem, assim, manter aproximadamente os mesmos teores de pH, mesmo com o
recebimento de contribuições fortemente ácidas ou alcalinas (FUNASA, 2014).

Os principais componentes da alcalinidade são os sais do ácido carbônico,


ou seja, bicarbonatos e carbonatos, e os hidróxidos.

A distribuição entre as três formas de alcalinidade na água (bicarbonatos,


carbonatos e hidróxidos) é função do seu pH: pH > 9,4 (hidróxidos e carbonatos);
pH entre 8,3 e 9,4 (carbonatos e bicarbonatos); pH entre 4,4 e 8,3 (apenas
bicarbonatos) (FUNASA, 2014).

Verifica-se, assim, que na maior parte dos ambientes aquáticos a


alcalinidade é devida exclusivamente à presença de bicarbonatos. Valores
elevados de alcalinidade estão associados a processos de decomposição da matéria
orgânica e à alta taxa respiratória de micro-organismos, com liberação e
dissolução do gás carbônico (CO2 ) na água. A maioria das águas naturais
apresenta valores de alcalinidade na faixa de 30 a 500 mg/L de CaCO3 (FUNASA,
2014).

O método comumente empregado na determinação da alcalinidade é o


volumétrico, com detecção potenciométrica, até atingir um pH pré-fixado ou
condutimétrica, quando o ponto final é determinado matematicamente, após
adição de excesso de titulante.

A alcalinidade pode ser determinada pela titulação direta de uma alíquota


de água com uma solução de ácido sulfúrico 0,02 N (0,01 mol L-1) ou por uma
solução de ácido clorídrico 0,02 N (0,02 mol L-1), na presença de indicador
adequado (Pholing, 2009).

Os limites de pH utilizados na determinação da alcalinidade são mostrados na


Figura 2:
Figura 2 Diagrama de Alcalinidade Total (T) e à Fenolftaleína (P).

Portanto, podem ser determinados dois valores, P e T, e com estes resultados


existem procedimentos para que se possa calcular os três componentes da alcalinidade,
hidróxidos, carbonatos e bicarbonatos, individualmente. Neste método empírico, são
formuladas três hipóteses:

1) Alcalinidades de hidróxido e de bicarbonato não podem coexistir em uma amostra,


pois a alcalinidade devida a hidróxido é típica de meio com pH superior a 10,
situação em que prevalece a forma de carbonato e não bicarbonato.

2) Alcalinidade de hidróxido ocorre até pH 8,3. Na verdade, com base na curva de
titulação de bases fortes, observa-se que o pH igual a 10 seria suficiente. Esta
hipótese está a favor da segurança e a coincidência com o limite da conversão de
carbonato em bicarbonato (pH 8,3) facilita a obtenção dos resultados.

3) Os carbonatos são 50% neutralizados até pH igual a 8,3. Isto porque até o pH 8,3
ocorre apenas a transformação em bicarbonatos, necessitando-se de igual
quantidade do titulante para a conversão final dos bicarbonatos em gás carbônico.

Estas hipóteses podem ser sintetizadas por meio da tabela 1:

Tabela 1 Cálculo dos componentes da alcalinidade

RESULTADO DA TITULAÇÃO HIDRÓXIDO CARBONATO BICARBONATO

P=0 0 0 T

P<½T 0 2P T - 2P

P=½T 0 2P 0

P>½T 2P-T 2(T-P) 0

P=T T 0 0
1.3. CONDUTIVIDADE

A condutividade é a capacidade da água de conduzir uma corrente elétrica


e depende da concentração dos íons presentes na solução: cátions e ânions.
Depende também da temperatura e por isso essas medidas devem estar sempre
associadas. A unidade básica de medida da condutividade é mhos/m (antiga)
ou Siemens/m, sendo comumente expressa nos seus sub-múltiplos (mS/cm,
uS/cm, dS/m etc.). Esta unidade pode ser usada empiricamente para determinação
de sólidos totais dissolvidos (total dissolved solids, TDS ) em mg/L
(EMBRAPA,2001).

Enquanto que as águas naturais apresentam teores de condutividade na faixa


de 10 a 100 µS/cm, em ambientes poluídos por esgotos domésticos ou industriais
os valores podem chegar a 1.000 µS/cm (FUNASA, 2014).

1.4. NITRITO E NITRATO

Nitratos (NO3-) e nitritos (NO2-) são substâncias tóxicas que podem estar
presentes naturalmente em diversos alimentos, de origem vegetal, animal e na
água. O nitrato é tóxico aos seres humanos e se ingerido em excesso pode provocar
a metahemoglobinemia, onde é reduzido no organismo a nitrito, que por sua vez
compete com o ferro pelo oxigênio livre na corrente sanguínea. (Silva et al., 2014)

O nitrito é o composto intermediário na nitrificação bacteriana da amônia a


nitrato (em meios oxidantes), ou produto da desnitrificação do nitrato (em
ambientes redutores), sendo tóxico para peixes. (Campos et al., 2012)

O nitrito é um parâmetro simples, mas de fundamental importância na


verificação da qualidade da água para consumo, pois sua presença é um indicativo de
contaminação recente, procedente de material orgânico vegetal ou animal. O nitrito
pode ser encontrado na água como produto da decomposição biológica, devido à ação
de bactérias ou outros microorganismos sobre o nitrogênio amoniacal, ou ser
provenientes de ativos inibidores de corrosão em instalações industriais. (Gadelha et
al., 2005)
A concentração de nitrito foi determinada por meio da formação de uma cor
púrpura obtida pela diazotação da sulfanilamida com naftamina, em pH 2,0 a 2.5.
(Becker, 2017)

O nitrato é considerado uma substância com pequeno poder tóxico por parte
de pesquisadores, mas por ser o produto final da nitrificação, pode acumular-se
em grandes quantidades. Esta substância pode causar efeitos letais ou subletais
para diferentes organismos, ou ainda, atuar sinergicamente com outras formas
nitrogenadas, tornando-se extremamente importante o estudo dos seus efeitos
tóxicos para diferentes espécies. (Campos et al., 2012)

A toxicidade do nitrato deve-se ao fato que ele pode dar origem ao nitrito e
originar as doenças citadas á cima. (Milanez et al.)

A análise de nitrato foi feita por espectrofotometria derivativa, adotando a


metodologia descrita por APHA 1998. A técnica analítica consiste na transformação
do espectro convencional por derivação. Os espectros derivados são obtidos usando
apenas informações contidas no espectro de varredura clássico. Sendo assim, a
derivação não aumentará o conteúdo de informação do espectro, mas individualizará
melhor o conteúdo das informações, permitindo o aumento do número de absorção,
permitindo a eliminação de bandas largas e sobrepostas, melhorando a detectabilidade
de pequenas características espectrais (Socorro, 2013).

1.5. FERRO TOTAL

A presença de metais no meio ambiente pode representar uma ameaça à


biota, uma vez que são bioacumuláveis em animais e plantas. Porém, a
biodisponibilidade, a toxicidade e a mobilidade de metais com potencial tóxico,
podem ser avaliadas por análises da especiação química. A presença de metais na
coluna d’água preocupa em função da sua mobilidade e biodisponibilidade para
os organismos, e a presença de metais nos sedimentos representa a persistência da
contaminação por períodos prolongados. (Wotter et al., 2009)

O ferro é o quarto elemento mais abundante da crosta terrestre, perfazendo cerca


de 4,7%. As águas naturais contém ferro em quantidades pequenas e variáveis, embora
sua distribuição e abundância serem significativas (Pohling, 2009)
Um dos elementos encontrados com maior frequência em águas
subterrâneas é o ferro. Apesar de o organismo humano necessitar cerca de 19 mg
de ferro por dia, os padrões de potabilidade estabelecem uma concentração
máxima de ferro de 0,3 mgL-1 para a água potável.(Pereira et al., 2009)

O ferro é encontrado na natureza na forma de seus minérios, tais como a


hematita (α-Fe2O3), a magnetita (Fe3O4) e a wustita (FeO). Na siderurgia, o ferro
gusa é obtido pela fusão de minérios de ferro em altos fornos em condições
adequadas.()

Um dos principais métodos de análise de ferro é o método fotométrico com


o-fenantrolina. Com esse método, o ferro total pode ser determinado, contando
que todo o ferro esteja presente na forma de Fe2+. Para isso, devem-se reduzir
todos os íons ferro para sua forma ferrosa com a utilização do agente redutor
cloridrato de hidroxilamina em meio ácido, pH ≈ 3,5 em ebulição.

Em meio tamponado, o Fe2+ reage com o 1,10 fenantrolina, na proporção


3:1, gerando um complexo vermelho-alaranjado, determinado em
espectrofotômetro a 510 nm em cubeta de 1 cm.

1.6. SULFATO

O sulfato é um dos íons mais abundantes na água marinha e estuarina,


estando presente nas seguintes formas e proporções médias: SO42-:39%; Na2SO4:
37%; MgSO4: 19% e CaSO4:4% (a 25 0C e pH=8). As concentrações são mais
elevadas em zonas oceânicas, diminuindo consideravelmente em áreas costeiras.
Essa diminuição ocorre devido ao aporte de águas continentais causando um efeito
de diluição, ao contrário do que ocorre para os outros íons como fosfato e nitrato.
(Da Costa Cabrera et al., 2006)

Nas águas para abastecimento público, o sulfato deve ser controlado porque
provoca efeitos laxativos, sendo o padrão de potabilidade fixado em 250 mg.L-1.
As concentrações de sulfato em águas naturais variam em geral na faixa de 2 a 80
mg.L-1, embora possam exceder a 1000 mg.L-1 em áreas próximas a descagas
industriais ou em regiões áridas onde sulfatos minerais, tais como o gesso, estão
presentes. (Becker, 2017)
Um dos métodos utilizados para a análise de sulfato é o método
turbidimétrico, onde o sulfato é precipitado em meio de ácido acético, na forma
de sulfato de bário (BaSO4), precipitado de granulometria uniforme. A
absorbância da suspensão de sulfato de bário é determinada em 420 nm. Faz-se
necessário a construção de uma curva de calibração. A concentração mínima detectável é
de 1mg L-1.

1.7. DUREZA

A dureza da água é medida pela sua capacidade em gerar sabão, ou seja,


quanto mais dura à água mais insolúvel os sabões se tornam. (Becker, 2017)

A dureza é provocada pela presença de sais de cálcio e magnésio. Não


apresenta importância sanitária, mas o uso de uma água com excesso destes íons
leva a nível industrial a problemas de incrustações, corrosão e a perda de eficiência
na transmissão de calor em caldeiras e em sistemas de refrigeração.

É causada pela presença de cálcio e magnésio, principalmente, além de


outros cátions como ferro, manganês, estrôncio, zinco, alumínio, hidrogênio, etc,
associados a ânions carbonato (mais propriamente bicarbonato, que é mais
solúvel) e sulfato, principalmente, além de outros ânions como nitrato, silicato e
cloreto. São quatro os principais compostos que conferem dureza às águas:
bicarbonato de cálcio, bicarbonato de magnésio, sulfato de cálcio e sulfato de
magnésio.

A análise é realizada por duas etapas de titulações, na primeira o meio é


tamponado em pH 12, para que apenas o cálcio venha a formar complexo com o
EDTA, já na segunda etapa o pH é ajustado para 10, dessa forma garantindo que
o magnésio também seja titulado.

A quantificação do cálcio é realizada de forma direta com os valores


referentes à primeira titulação, enquanto que o magnésio é calculado pela
diferença de volume titulado entre a primeira e a segunda titulação.
1.8. CLORETO

O cloro, na forma de íon cloreto (Cl-), é um dos principais ânions


inorgânicos em águas naturais e residuárias. Em água potável, o sabor produzido
pelo íon Cl- varia em função da sua concentração, como também da composição
química da água. Assim, águas contendo 250 mg Cl-/L podem ter um sabor salino
detectável, se o cátion que propicia o equilíbrio iônico da solução for o sódio
(Na+). Enquanto que, no caso do cátion predominante for cálcio ou magnésio, o
gosto salino pode ser perceptível somente a concentração de cloreto acima de 1000
ppm. (BACCAN, 2001)

Dessa maneira, o método de Mohr foi descrito pela primeira vez em 1865
por K.F. Mohr, um químico farmacêutico alemão, que foi um pioneiro no
desenvolvimento da titulometria. Com a descoberta de que o Cr (VI) é
carcinogênico, atualmente o método de Mohr é raramente empregado. A titulação
de Mohr deve ser realizada em pH de 7 a 10 porque o íon cromato é a base
conjugada do ácido crômico fraco. Consequentemente, em soluções mais ácidas,
a concentração dos íons cromato é muito pequena para se produzir o precipitado
nas proximidades do ponto de equivalência. Normalmente, um pH adequado é
obtido saturando-se a solução do analito com hidrogênio carbonato de sódio.
(SKOOG, 2002).

A Portaria nº 2.914/2011 do Ministério da Saúde estabelece o teor de 250


mg/L como o valor máximo permitido para água potável

1.9. SÓDIO E POTÁSSIO

Os teores de sódio e potássio são relativamente elevados em águas naturas,


contudo a relação sódio para os outros cátions é muito importante para aplicações
na agricultura e para a patologia humana.

O controle do teor de sódio deve ser rigoroso quando a água for para
consumo de pessoas hipertensas, com teores de 2 a 3 mg L-1.

Os metais sódio e potássio podem ser determinados por fotometria de chama


através da emissão de radiação decorrente da excitação de seus átomos no estado
fundamental.
A amostra é pulverizada na forma de aerossol e é introduzida na chama
através de sucção para a excitação dos átomos. O sistema de detecção capta a
intensidade de radiação emitida e as converte em concentração de analíto (Becker,
2016).
2. OBJETIVO

2.1. OBJETIVO GERAL


O presente trabalho teve como objetivo coletar, analisar, quantificar e classificar os
principais parâmetros químicos e físico-químicos de uma amostra de água para consumo.

2.2. OBJETIVOS ESPECIFICOS


• Determinar o valor do pH, da condutividade, da alcalinidade e dureza total da amostra;
• Quantificar o teor de cloretos, nitrito, nitrato, sulfato, ferro, sódio e potássio na
amostra;
• Calcular o índice de Langelier (LSI), a razão de adsorção de sódio (SAR) e a
quantidade de sólidos totais dissolvidos (STD) na amostra;
• Checar a análise por balanço cátion-ânion e STD calculado vs STD medido;
• Por fim, certifica-se a qualidade da água.
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A amostra de água foi coletada em uma pia localizada em um laboratório privado situado no
distrito industrial de Maracanaú. O abastecimento da pia é ortogado pela Companhia de Gestão
dos Recursos Hídricos (COGERH).

A mesma foi analisada referente aos parâmetros de pH, condutividade, alcalinidade, nitrito,
nitrato, ferro total, turbidez, dureza total, dureza de cálcio e de magnésio, sódio e potássio. As
análises foram procedidas no laboratório de graduação do Departamento de Química Analítica e
Físico-Química da Universidade Federal do Ceará.

As amostras foram coletas, tratadas, armazenadas e refrigeradas até o período das análises de
acordo com a tabela 2.

Tabela 2 – Relação entre parâmetros de análise, interferentes, frascos de coleta e


descontaminação.

Parâmetro para Frascos de coleta Tipo de descontaminação do


Interferêntes
análise (Material e volume) frasco (se necessário)
Polietileno,
Potêncial
polipropileno ou
hidrogênico Temperatura NA
borossilicato. 100mL
(pH)
de volume.
Polietileno,
polipropileno ou
Condutividade Temperatura NA
borossilicato. 100mL
de volume.
Íons sulfetos, tiosulfatos e sulfitos (retirados
Vidro, polietileno ou
com Peróxido de Hidrogenio). Ortofosfatos
Cloretos (Cl-1) polipropileno. 200 NA
(precipitam a prata). Ferro (Mascara o ponto
mL de volume.
de equiv.)
Plástico ou
Cor, detergentes, óleos e graxas, sólidos em borossilicato (Pyrex
Alcalinidade NA
suspensão ou precipitados. ou similar). 250 mL
de volume.

Polietileno,
Dureza total
Cátions metálicos (é add complexantes mais polipropileno ou Lavar com ácido nítrico 1:1,
cálcio e
estáveis para os metais ) borossilicato. 300mL enxeaguar com água destilada
magnésio
de volume.
Aminas aromáticas em []>0,5ppm. Íons
Deixar imerso em solução de HCl
iodetos []>0,1ppm. Cloro residual.
Polietileno ou 5%, no min. Por 2hrs, enxaguar
Antimônio (III), ouro, bismuto, ferro(III),
Nitrito (NO2-) prolipropileno. 50mL com água destilada e, no
chumbo, mercúrio(I), prata, cloro platina e
de volume. momento da coleta com a própria
metavanadato. Íons cupricos. Íons coloridos.
amostra.
Suspensões. pH (entre 5 e 9).
Agentes oxidantes fortes, cianetos, nitritos,
Vidro, polietileno ou
fosfatos, cromo, zinco, cobalto, cobre e Lavar com ácido nítrico 1:1,
Ferro total polipropileno. 100
níquel. Bismuto, cádmio, mercúrio, enxeaguar com água destilada
mL de volume.
molibdato e prata. Cor e matéria orgânica.
Vidro, polietileno ou Deixar imerso em solução de HCl
Cor e material em suspensão. Sílica
Sulfatos polipropileno. 100 5%, enxaguar com água destilada
[]>500ppm. Alto teor de materia orgânica.
mL de volume. e desionizada.
Sódio e Potássio Íons cloreto, sulfalto e bicarbonato. Cálcio e Polietileno ou Lavar com ácido nítrico 1:1,
potássio na determinação de sódio. prolipropileno. enxeaguar com água deionizadas.
100mL de volume. Preservar amostra com HNO3
Conc. (0,5 mL).

FONTE: Manual de práticas de Controle Analítico de Águas (2017)


Todos os parâmetros estudados foram avaliados e comparados com os valores
limites estabelecidos pela legislação brasileira para águas subterrâneas e de consumo
humano, Resolução CONAMA 356 de 2006 e Portaria MS n° 518 de 2004.

3.1. PRÁTICA I: CONDUTIVIDADE, pH, ALCALINIDADE


E TEOR DE CLORETO

3.1.1. POTENCIAL DE HIDROGÊNIO (pH)

O valor de pH estabelecido pela Portaria MS n° 518 de 2004, apresenta-se


entre 6,0 e 9,5. A amostra de água analisada para o potencial de hidrogênio e
obteve-se o valor de 7,08 a 25,0°C. Essa água então estaria dentro dos valores
estabelecidos pela OMS. Esse parâmetro é necessário para minimizar os
problemas de incrustação e corrosão das redes de distribuição.

3.1.2. CONDUTIVIDADE

A capacidade da água de conduzir uma corrente elétrica é denominada


condutividade e depende da concentração dos íons presentes na solução: cátions
e ânions. Depende também da temperatura e por isso essas medidas devem estar
sempre associadas. O condutivímetro utilizado na prática já faz ajuste de
automático de temperatura e leitura direta da condutividade , dispensando
qualquer cálculo.

Antes da medida da amostra, fez-se a determinação da constante da célula


de condutividade, utilizando uma solução de cloreto de potássio 0,01 mol L-1. O
valor da constante da célula encontrado foi de 0,84552. A amostra apresentou o
valor de condutividade de 399,4µS cm-1.

O valor de condutividade obtido apresenta-se dentro do esperado para o


corpo hídrico da amostra. O valor obtido da condutividade configura a água como
água doce, com baixa quantidade de sais dissolvidos.
3.1.3. ALCALINIDADE

A alcalinidade indica a quantidade de íons na água que reagem para


neutralizar os íons hidrogênio. Constitui-se, portanto, em uma medição da
capacidade da água de neutralizar os ácidos, servindo, assim, para expressar a
capacidade de tamponamento da água, isto é, sua condição de resistir a mudanças
do pH. Ambientes aquáticos com altos valores de alcalinidade podem, assim,
manter aproximadamente os mesmos teores de pH, mesmo com o recebimento de
contribuições fortemente ácidas ou alcalinas. Os principais constituintes da
alcalinidade são os bicarbonatos (HCO3 - ), carbonatos (CO3 2+) e hidróxidos
(OH- ). Outros ânions, como cloretos, nitratos e sulfatos, não contribuem para a
alcalinidade.

A análise de Alcalinidade se dar através da titulação com HCl para


identificar a presença de hidróxidos e bicarbonatos. A concentração do HCl era de
0,01936 mol/L, que equivale a mesma concentração Normal, pois o HCl só possui
um hidrogênio ionizável.

Inicialmente, foi realizada uma titulação de 50 mL da amostra utilizando 2


gotas de fenolftaleína para titular hidróxidos e carbonatos. Observou-se que ao se
adicionar as gotas de fenolftaleína a solução permaneceu incolor, indicando que a
alcalinidade da solução possui apenas influência de bicarbonatos.

No mesmo erlenmeyer, foram adicionados mais 4 gotas de solução


indicadora mista e foi titulando com o HCl. Os volumes de HCl gastos nas titulações
foram de 3,7 e 3,8 mL, levando a um valor médio de aproximadamente 3,8 mL.

O cálculo da alcalinidade, expressa em mg de CaCO3 L-1, está representado


abaixo:

𝑚𝑔
50000 ( 𝐶𝑎𝐶𝑂3 ) 𝑥 𝑁 𝐻𝐶𝑙 𝑥 𝑉
𝑒𝑞. 𝑔𝑟𝑎𝑚𝑎
Alcalinidade (mg CaCO3 L − 1) =
𝑉𝑎

Onde:

N HCl é a concentração normal da solução de ácido;

V é o volume de HCl, em mL, gasto para titular a alcalinidade de


bicarbonatos;

Va é o volume da alíquota da amostra em mL.


Logo, temos para a primeira replicata:

50000x0,01936x3,7mL
Alcalinidade = 71,63 mgCaCO3L − 1
50

Para a segunda replicata, temos:

50000x0,01936x3,8mL
Alcalinidade = 73,57 mgCaCO3L − 1
50

Os valores obtidos na análise estão representados na tabela abaixo,


juntamente com a sua análise estatística e a concentração média da amostra.

Tabela 3 – Dados da prática


V1 V2 C1 C2 C MÉD DESV.P C.V% C mg L-1
Amostra 3,7 3,8 71,63 73,57 72,6 1,37 1,89 72,60

De acordo com os dados, infere-se que a amostra tem uma concentração de


72,60 ± 12,31 (Com limite de confiança de 95%). No caso dessa amostra, a
alcalinidade está relacionada somente a bicarbonatos, já que o valor de HCl gasto
para titular a amostra, tendo apenas fenolftaleína como indicador, foi de 0. A
legislação indica que o valor da alcalinidade na água seja de no máximo 250 ppm.
Assim, a amostra apresenta-se bem abaixo que o determinado. A amostra possui o
valor de coeficiente de variação dentro do limite aceito pela agência reguladora ANVISA,
que afirma que para amostras contendo elevadas concentrações de analíto o valor de
C.V% deve ser menor ou igual a 5%.

3.1.4. TEOR DE CLORETO

A Portaria nº 2.914/2011 do Ministério da Saúde estabelece o teor de 250


mg/L como o valor máximo permitido para água potável. Geralmente, os cloretos
estão presentes em águas brutas e tratadas em concentrações que podem variar de
pequenos traços até centenas de mg/L. Estão presentes na forma de cloretos de
sódio, cálcio e magnésio. A água do mar possui concentração elevada de cloretos
que está em torno de 26.000 mg/L. Concentrações altas de cloretos podem
restringir o uso da água em razão do sabor que eles conferem e pelo efeito laxativo
que eles podem provocar.

Como a amostra apresentava pH de 7,08 não foi necessário ajustar o pH da


solução para pH ente 7 e 10. Assim, retirou-se uma alíquota de 25,0 mL da
amostra, transferiu-se para erlenmeyer de 150 mL, adicionou-se cerca de 1,0 mL
de cromato de potássio 10% e titulou-se a amostra com solução de AgNO3
0,01763 mol/L (N).O experimento foi feito em duplicada, seguido pela titulação
de um branco preparado com água milli-Q e carbonato de cálcio para simular o
precipitado de AgCl. O volume gasto de Nitrato de prata para a amostras em
duplicata foi de 9,8 mL e 9.7 mL. O volume gasto para a amostra em duplicata do
branco foi de 2,0 mL as duas medidas.

Os resultados de concentração são expressos em teor de cloreto, segundo a


equação abaixo.

(𝑉𝑎 − 𝑉𝑏) 𝑥 𝑁 𝑥 35450


𝐶𝑐𝑙𝑜𝑟𝑒𝑟𝑜𝑠 =
𝑉

Onde:

Va = volume de AgNO3 gasto na titulação da amostra;

Vb = volume de AgNO3 gasto na titulação da água destilada;

V = volume da amostra analisada;

N = molaridade da solução de AgNO3 ;

(𝑉𝑎−𝑉𝑏) 𝑥 𝑁 𝑥 35450 (9,8−2) 𝑥 0,01763 𝑥 35450 𝑚𝑔


1) 𝐶𝑐𝑙𝑜𝑟𝑒𝑟𝑜𝑠 = = = 194,99
𝑉 25 𝐿
(𝑉𝑎−𝑉𝑏) 𝑥 𝑁 𝑥 35450 (9,7−2) 𝑥 0,01763 𝑥 35450 𝑚𝑔
2) 𝐶𝑐𝑙𝑜𝑟𝑒𝑟𝑜𝑠 = = = 192,49
𝑉 25 𝐿

MÉDIA: 193,74 mg/L

Tabela 4 – Dados da determinação de cloreto

Va -B Vb-B C1 C2 C MÉD DESV.P C.V% C mg L-1


Amostra 7,8 7,7 194,99 192,49 193,74 1,77 0,91 193,74
Para o cálculo do limite de confiança, sabe-se que:
𝑠
µ = Cmédia ± t , para s= 1,77 e 95% de confiança
√𝑁

1,77
µ = 193,74 ± 12,706 = µ = 193,74 ± 15,90
√2

A concentração de cloretos nessa amostra analisada foi de 193,74 ± 15,90.


A concentração de cloreto está dentro dos limites estabelecidos pela Portaria nº
2.914/2011 do Ministério da Saúde, assim esse parâmetro não indicou nenhum
tipo de contaminação na água em questão.

3.2. PRÁTICA II: NITRITO E NITRATO

O nitrito é um parâmetro simples, mas de fundamental importância na


verificação da qualidade da água para consumo, pois sua presença é um indicativo
de contaminação recente, procedente de material orgânico vegetal ou animal. O
nitrito pode ser encontrado na água como produto da decomposição biológica,
devido à ação de bactérias ou outros microorganismos sobre o nitrogênio
amoniacal, ou ser provenientes de ativos inibidores de corrosão em instalações
industriais. O Nitrito é um estado intermediário do nitrogênio, tanto pela oxidação
da amônia a nitrato como pela redução do nitrato. A contaminação por Nitrito
indica uma contaminação mais antiga, enquanto a contaminação por nitrato indica
uma contaminação mais recente. A portaria do Ministério da Saúde Nº 518/2004,
estabelece a qualidade da água para consumo humano e seu padrão de
potabilidade, segundo os padrões estabelecidos pela legislação, os teores máximos
tolerados de nitrato e nitrito são de 10,0 mg/L e 1,0 mg/L respectivamente.

A análise de nitrito foi feita por espectrofotometria molecular UV-Vis,


adotando a metodologia descrita no manual de Controle Analítico de Águas. Fez-
se necessário a construção de uma curva de calibração e a quantificação da
amostra foi feita em duplicata.

Inicialmente é necessário preparar uma curva de calibração para aa


determinação de Nitrito.
• Construção da curva de calibração

Preparou-se uma solução trabalho de concentração 10 mg (N de NO2-) L-1 a


partir da diluição da solução estoque de 1000 mg (N de NO2-) L-1 e preparou-se a
curva de calibração.

Retirou-se, da solução de trabalho, alíquotas de 1,0; 2,0; 3,0; 4,0; 5,0 mL e


transferiu-se para balões volumétricos de 50 mL, adicionou-se 2 mL de solução
reagente de cor (mistura de sufanilamida com N-nafitil-etilenodiamina em meio
ácido) e aferiu-se o volume do balão. O cromóforo gerado possui cor rósea
característica e comprimento de onda de absorção em 543 nm.

Figura 3- Curva de calibração do Nitrito


Tabela 5 – Dados da análise de determinação de nitrito

CURVA PADRÃO DE NITRITO (543nm)


NITRITO(mg/L) ABSORBANCIA
BRANCO 0,0129
0,2 0,1882
0,4 0,3713
0,6 0,5551
0,8 0,7238
1 0,9097
AMOSTRA 1 0,0077
AMOSTRA 2 0,0085
MÉDIA DAS AMOSTRAS 0,0081

A equação da reta gerada pela curva de calibração foi:


𝑚𝑔 𝑚𝑔
𝐶 ( ) = 0,89637 ( ) 𝑥 𝐴𝐵𝑆 + 0,01198
𝐿 𝑙

Retirou-se uma alíquota de 50 mL da amostra, adicionou-se o 2 mL do


reagente de cor, deixando a solução em repouso por 10 minutos. Fez-se a medição
dos valores contidos na Tabela X e a partir dela foi possível calcular o valor da
concentração de nitrito na amostra de água, pela formula abaixo:

(𝐴𝑏𝑠𝑜𝑟𝑏â𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑎 𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 – 𝐴)
𝑀é𝑑𝑖𝑎 𝐶. 𝑁𝑂2 =
𝐵
(0,0077 – 0,01198)
1) 𝑁𝑂2 = = −0.004775 𝑚𝑔 𝑑𝑒 𝑁𝑂2
0,89637
(0,0085 – 0,01198)
2) 𝑁𝑂2 = = −0.003882 𝑚𝑔 𝑑𝑒 𝑁𝑂2
0,89637

Média = -0,004329 mg L-1

Não foi possível fazer duas leituras do branco, por isso não foi
possível determina o limite de detecção. Para o limite de quantificação que é dado
a partir do coeficiente linear da reta, tem-se que:

10𝑥𝑎
𝐿𝑄 = = 0,0134
𝑏

A = Coeficiente linear da reta = 0,0012

B = Coeficiente angular da reta = 0,1736


De acordo com os valores lidos a concentração média de nitrito está
abaixo do limite de quantificação da curva, então considerou-se que havia 0ppm
de nitrito na amostra. A legislação indica que o valor máximo de Nitrogênio
expresso por Nitrito na água seja de no máximo 1 ppm e o valor obtido está abaixo
do valor da legislação.

Figura 4 – Curva de calibração de Nitrato

Tabela 6 – Dados da determinação de Nitrato

CURVA PADRÃO DE NITRATO (204nm)


NITRATO (mg/L) ABSORBANCIA
BRANCO 0,171
0,2 0,2099
0,4 0,2838
0,6 0,3424
0,8 0,3614
1 0,3828
AMOSTRA 1 0,4604
AMOSTRA 2 0,4488
MÉDIA DAS AMOSTRAS 0,4546

A equação da reta gerada pela curva de calibração foi:


𝑚𝑔 𝑚𝑔
𝐶 ( ) = 0,0249 ( ) 𝑥 𝐴𝐵𝑆 + 0,1796
𝐿 𝑙

Retirou-se uma alíquota de 10 mL da amostra, transferiu-se para balão


de 25 mL e aferiu-se. Fez-se a medição dos valores contidos na Tabela X e a partir
dela foi possível calcular o valor da concentração de nitratoo na amostra de água,
pela formula abaixo:

(𝐴𝑏𝑠𝑜𝑟𝑏â𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑎 𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 – 𝐴)
𝑀é𝑑𝑖𝑎 𝐶𝑁𝑂3− = 𝑋 𝐹𝑎𝑡𝑜𝑟 𝑑𝑒 𝑑𝑖𝑙𝑢𝑖çã𝑜
𝐵
(0,4546 – 0,1796) 𝑚𝑔 𝑑𝑒 𝑁𝑂3
𝑀é𝑑𝑖𝑎𝐶𝑁𝑂3− = 𝑋 2,5 = 27,61
0,0249 𝐿

Não foi possível fazer duas leituras do branco, por isso não foi
possível determina o limite de detecção. Para o limite de quantificação que é dado
a partir do coeficiente linear da reta, tem-se que:

10𝑥𝑎 𝑚𝑔
𝐿𝑄 = = 72,128
𝑏 𝐿

a = Coeficiente linear da reta = 0,1796

b = Coeficiente angular da reta = 0,0249

Tabela 7 – Dados para a determinação de nitrato

ABS ABS’ C1 C2 C MÉD DESV.P C.V% C mg L-1


Amostra 7,8 7,7 28,16 27,03 27,60 0,799 2,90 27,60

Segundo a legislação do conama 356 de 2006, o valor encontrado (µ = 27,60


± 3,57 com 90% de confiança) está acima do valor determinado de 10 mg l-1 de
𝑠𝑥100
no3- e precisão (cv) de 2,90% (𝐶𝑉 = 𝐶𝑚é𝑑𝑖𝑎 ). A grande concentração deve-se a

utilização de fertilizantes e a possível proximidade de fossas sépticas.

3.3. PRÁTICA III: FERRO TOTAL

O ferro em excesso na água não é dos fatores mais preocupantes para a saúde
humana, no entanto, este elemento, quando em excesso, irá alterar a cor e o paladar
da água. Desta forma, o padrão de potabilidade das aguas determina valores
máximos de 0,3 mg/L.

A análise de ferro total foi feita por espectrofotometria molecular UV-Vis.


Fez-se necessário a construção de uma curva de calibração e a quantificação da
amostra foi feita em duplicata.
• Construção da curva de calibração

Preparou-se uma solução trabalho de concentração 10 mg (Fe) L-1 a partir


da diluição da solução estoque de 200 mg (Fe) L-1 e preparou-se a curva de
calibração.

Retirou-se, da solução de trabalho, alíquotas de 2,5; 5,0; 10,0; 15,0 e 20,0


mL e transferiu-se para becker de 150 mL, adicionou-se 2 mL de ácido clorídrico
concentrado, 1,0 mL de cloridrato de hidroxilamina, para promover a redução do
ferro à Fe2+, e aquec-se até a ebulição.

Posteriormente, resfriou-se as soluções, levou-se para balão de 100 mL,


adicionou- se 10,0 mL de solução tampão de acetato de amônio, água até
aproximadamente 80 mL, 10 mL de solução de ortofenantrolina e aferiu-se o
volume.

Após a aferir o balão, esperou-se 15 minutos para o desenvolvimento


persistente da cor do complexo ferro-ortofenantrolina (laranja/vermelho), mediu-
se a absorbância em espectrofotômetro em 510 nm e cubeta de 1 cm e construiu-
se a curva analítica de concentrações 0,25; 0,5; 1,0; 1,5 e 2 ppm. Foram realizadas
cinco medidas de branco, para calcular os valores de limites de detecção e de
quantificação.

A curva de calibração gerada é ilustrada pela figura abaixo.

Figura 5 – Curva de calibração da determinação de Ferro total.


Tabela 8 – Dados da determinação de ferro total

CURVA PADRÃO DE FERRO


Fe (mg/L) ABSORBANCIAS MÉDIA
BRANCO 1 -0,0174 -0,0134 -0,011 -0,0134
BRANCO 2 -0,0045 -0,0108 X -0,00765
0,25 0,0522 0,0397 0,0346 0,0397
0,5 0,0837 0,0912 0,0889 0,0889
1 0,1823 0,1928 0,1842 0,1842
1,5 0,0661 0,2911 0,285 0,285
2 0,3787 0,3841 0,3932 0,3841
AMOSTRA 0,0145 0,0114 - 0,0130

Tabela 9 – Dados médios da determinação de Ferro total

Fe (mg/L) MÉDIA
BRANCO -0,01
0,25 0,03715
0,5 0,0889
1 0,1842
1,5 0,285
2 0,38865
AMOSTRA 0,0130

Limite de Quantificação, se:

a = Coeficiente linear da reta = - 0,0177

b = Coeficiente angular da reta = 0,1989


10 𝑥 𝑎
𝐿𝑄 = = −0,889 𝑝𝑝𝑚
𝑏

- Limite de Detecção se:


3𝑥𝑎
𝐿𝐷 = = -0,27 ppm
𝑏

A concentração do Ferro, pode ser calculada por:

(𝐴𝑏𝑠𝑜𝑟𝑏â𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑎 𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 – 𝐴)
𝐹𝑒𝑟𝑟𝑜 = 𝑋 𝐹𝑎𝑡𝑜𝑟 𝑑𝑒 𝑑𝑖𝑙𝑢𝑖çã𝑜
𝐵
(𝐴𝑏𝑠𝑜𝑟𝑏â𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑎 𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 – 𝐴) (0,0145−(−0,0177))
1) 𝐹𝑒𝑟𝑟𝑜 = = =
𝐵 0,1989

0,1619 𝑝𝑝𝑚 𝐹𝑒
(𝐴𝑏𝑠𝑜𝑟𝑏â𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑎 𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 – 𝐴) (0,0114+0,0177)
2) 𝐹𝑒𝑟𝑟𝑜 = = =
𝐵 0,1989

0,1463 𝑝𝑝𝑚 𝐹𝑒

MÉDIA: 0,1541 ppm Fe

Tabela 10 – Dados da determinação de Ferro total

ABS ABS’ C1 C2 C MÉD DESV.P C.V% C mg L-1


Amostra 0,0145 0,0114 0,1619 0,1463 0,1541 0,0110 7,14 0,1541

O Ferro total da amostra foi de 0,1541 ± 0,69 com 90% de confiança e o


coeficiente de variação de 7,14% . O valor possui coeficiente de variação está
dentro do limite aceito pela agência reguladora ANVISA, que afirma que para
amostras contendo baixas concentrações de analíto o valor de C.V% deve ser
menor ou igual a 10%.

O valor de concentração de ferro total encontrado para a amostra foi


comparado com a legislação vigente, portaria CONAMA 356 de 2006 para águas
subterrâneas destinadas a consumo humano, e apresenta valor abaixo do VMP
(0,30 mg L-1 de ferro).

3.4. PRÁTICA IV: SULFATO

Devido ao seu efeito laxativo, o sulfato tem seu padrão de portabilidade


fixado em 250 mg L-1 pela Portaria 518do Ministério da Saúde. Porém,
dependendo da localidade ela pode variar entre 2 mg L-1 à 1000 mg L-1. Assim,
em águas naturais ele pode está presentes em concentrações de 2 a 80 mg L-1 e em
concentração de 1000 mg L-1 em áreas próximas a descargas industrial ou regiões
áridas onde sulfato minerais, como o gesso podem está presentes (BECKER,
2017).

Foram feitas duas curvas. A primeira, adicionando tampão A nas


concentrações 2 e 6 ppm e outra adicionando tampão B em todas as concentrações.
No entanto, para a primeira curva, as concentrações iniciais retirando o branco
com tampão B, apresentam-se com concentrações negativas, não sendo possível
utilizá-las no presente relatório.
A curva de calibração plotada para o tampão B é a dada em baixo:

Figura 6 – Curva de calibração de Sulfato

A concentração do Sulfato pode ser calculada por:

(𝐴𝑏𝑠𝑜𝑟𝑏â𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑎 𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 – 𝐴)
𝑆𝑢𝑙𝑓𝑎𝑡𝑜 = 𝑋 𝐹𝑎𝑡𝑜𝑟 𝑑𝑒 𝑑𝑖𝑙𝑢𝑖çã𝑜
𝐵
(𝐴𝑏𝑠𝑜𝑟𝑏â𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑎 𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 – 𝐴) (0,0491+0,0105)
1) 𝑆𝑢𝑙𝑓𝑎𝑡𝑜 = = = 6,85 𝑝𝑝𝑚
𝐵 0,0087

(𝐴𝑏𝑠𝑜𝑟𝑏â𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑎 𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 – 𝐴) (0,0542+0,0105)


2)𝑆𝑢𝑙𝑓𝑎𝑡𝑜 = = = 7,44 𝑝𝑝𝑚
𝐵 0,0087

Média: CSulfato = 7,15 ppm

Tabela 11 – Dados da determinação de sulfato

ABS ABS ‘ C1 C2 C MÉD DESV.P C.V% C mg L-1


AMOSTRA 0,0491 0,0542 6,85 7,44 7,15 0,42 5,87 7,15
O valor da concentração da amostra (7,15 ± 1,88 com limite de confiança
de 90%). As áuas naturais sem atividades antrópicas tem a concentração de sulfato
compreendida entre 2 a 80 ppm. O valor obtido está dentro dessa faixa.

3.5. PRÁTICA V: DUREZA TOTAL (CÁLCIO E MAGNÉSIO)

A dureza total é calculada como sendo a soma das concentrações de íons


cálcio e magnésio na água, expressos como carbonato de cálcio. A Portaria MS nº
2.914/2011 estabelece para dureza total o teor de 500 mg/L em termos de CaCO3
como o valor máximo permitido para água potável.

• Determinação da dureza total

A análise de dureza é um método clássico de titulação de complexação com


EDTA, que envolve equilíbrios de precipitação e complexação das espécies cálcio
e magnésio. A dureza de total é expressa em mg ( CaCO3) L-1 .

Inicialmente é necessário ajustar o pH da amostra para próximo de 7, com


adição de hidróxido de sódio 1,0 mol/L. O ajuste do pH é necessário devido a
adição de 0,5mL de Ácido nítrico concentrado para a preservação da amostra da
água até a data de análise.

Após o ajuste do pH, transferiu-se 25,0 mL (VA) de amostra para erlenmeyer de


125 mL, adicionou-se, na ordem, 3,0 mL de solução tampão pH =10, 10 gotas de
trietanolamina, alguns grãos de KCN e cristais de indicador eriocromo T. Titulou-se a
solução contida no erlenmeyer com EDTA 0,018 mol L-1 até a viragem de cor para azul.

A análise foi feita em duplicata e os volumes das triplicatas obtidos na


titulação foram respectivamente 7,4mL, 6,6 mL e 6,7mL. O primeiro volume
obtido da análise foi desconsiderado, devido a discordância com os demais. Esses
valores são referente a titulação tanto das espécies de cálcio e magnésio presente
nas amostras. Os resultados de concentração são expressos em teor de carbonato
de cálcio, segundo a equação abaixo.

V2(mL).100000 (mg CaCO3 mol−1 ) .MEDTA(mol 𝐿−1 )


𝐷. 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 (𝑚𝑔 𝐶𝑎𝐶𝑂3 𝐿−1) = 𝑉𝑎 (𝑚𝐿)

Onde:

MEDTA é a concentração molar da solução de EDTA;


V2 é o volume de EDTA em mL, gasto para titular a solução;

Va é o volume da alíquota da amostra em mL.

As concentrações obtidas para cada replicata foram:


𝑉2 𝑥 𝑀𝐸𝐷𝑇𝐴 𝑥 100000 6,6 𝑥 0,0180 𝑥 100000
I) 𝐷𝑢𝑟𝑒𝑧𝑎 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 (𝑝𝑝𝑚 𝐶𝑎𝐶𝑂3) = =
𝑉𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 25

Dureza total : 475,2 ppm CaCO3

𝑉2 𝑥 𝑀𝐸𝐷𝑇𝐴 𝑥 100000 6,7 𝑥 0,0180 𝑥 100000


II) 𝐷𝑢𝑟𝑒𝑧𝑎 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 (𝑝𝑝𝑚 𝐶𝑎𝐶𝑂3) = =
𝑉𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 25

Dureza total : 482,4 ppm CaCO3

Os valores obtidos na análise estão representados na tabela abaixo,


juntamente com a sua análise estatística e a concentração média da amostra.

Tabela 12 – Dados da prática de determinação da dureza total

V V‘ C1 C2 C MÉD DESV.P C.V% C mg L-1


AMOSTRA 6,6 6,7 475,2 482,4 478,8 5,09 1,06 478,8

O valor de concentração da amostra (478,8 mg L-1 ±22,76 com limite de


confiança de 90%). O valor possui coeficiente de variação dentro do limite aceito
pela agência reguladora ANVISA, que afirma que para amostras contendo
elevadas concentrações de analíto o valor de C.V% deve ser menor ou igual a 5%.

Segundo a escala americana de grau de dureza da água, a amostra analisada


apresenta concentração maior que 300 mg CaCO3, caracterizando-a como água
muito dura.

A dureza pode ter outra classificação quanto ao ânion associado, a dureza é


classificada como dureza temporária e dureza permanente. A dureza temporária é
aquela em que o cálcio ou o magnésio encontram-se associados a carbonatos (ou
bicarbonatos). A dureza é dita permanente quando o cálcio e o magnésio
encontram-se associados a sulfatos. A dureza total é a soma da dureza temporária
com a permanente.

A alcalinidade de bicarbonatos (e carbonatos) é equivalente à dureza


temporária, sendo válidas as seguintes relações:
a) Se alcalinidade de bicarbonatos < dureza total  dureza temporária 
alcalinidade de bicarbonatos e existe dureza permanente na amostra.
b) Se alcalinidade  dureza temporária  dureza permanente  zero

Como se pode perceber, a relação que obtivemos para a amostra de água é


a de do item a, devido ao fato de que a alcalinidade encontrada para a amostra de
água ser muito menor do que a dureza total.

Pelo pH da amostra (próximo de 7,08) podemos inferir que a dureza é não


somente devido à alcalinidade, que é de somente bicarbonatos (como foi
comprovado na análise de alcalinidade), logo os íons de cálcio e magnésio
presentes na solução provavelmente estarão na forma de sulfatos e cloretos de
cálcio e magnésio.

• Determinação do teor de cálcio

Após o ajuste do pH, transferiu-se 25,0 mL (VA) de amostra para erlenmeyer


de 125 mL, adicionou-se 3,0 mL de solução NaOH 0,1 mol L-1, 10 gotas de
trietanolamina, alguns grãos de KCN e cristais de indicador calcon. Titulou-se a
solução contida no erlenmeyer com EDTA 0,018 mol L-1 até a viragem de cor
para azul.

A análise foi feita em duplicata e os volumes de titulante (V1) foram 1,4 mL,
2,4 mL e 2,5mL. O primeiro volume obtido da análise foi desconsiderado, devido
a discordância com os demais, esses volumes são referentes a titulação tanto das
espécies de cálcio e magnésio presente nas amostras. Os resultados de
concentração são expressos em teor de carbonato de cálcio.
− −
V1(mL).40000 (mg Ca mol 1) .MEDTA(mol L 1)
T𝑒𝑜𝑟𝑑𝑒 𝑐á𝑙𝑐𝑖𝑜 (𝑚𝑔 𝐶𝑎 𝐿−1) = 𝑉𝑎 (𝑚𝐿)

Onde:

MEDTA é a concentração molar da solução de EDTA;

V1 é o volume de EDTA em mL, gasto para titular somente


o cálcio presente na titulação;

Va é o volume da alíquota da amostra em mL.


As concentrações obtidas para cada replicata foram:

𝑉1 𝑥40000𝑥 0,018 2,4 𝑥 0,0180 𝑥 40000


𝑖) 𝑇𝑒𝑜𝑟 𝑑𝑒 𝑐á𝑙𝑐𝑖𝑜 (𝑚𝑔 𝐶𝑎/𝐿) = =
𝑉𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 25

Dureza total : 69,12 ppm CaCO3

𝑉1 𝑥40000𝑥 0,018 2,5 𝑥 0,0180 𝑥 40000


ii) 𝑇𝑒𝑜𝑟 𝑑𝑒 𝑐á𝑙𝑐𝑖𝑜 (𝑚𝑔 𝐶𝑎/𝐿) = =
𝑉𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 25

Dureza total : 72,0 ppm CaCO3

Tabela 13 – Dados da determinação de dureza de cálcio

V V‘ C1 C2 C MÉD DESV.P C.V% C mg L-1


AMOSTRA 2,4 2,5 69,12 72,0 70,56 2,04 2,89 70,56

O valor de concentração da amostra (70,56 mg L-1 ± 9,11 com limite de


confiança de 90%). O valor possui coeficiente de variação dentro do limite aceito
pela agência reguladora ANVISA, que afirma que para amostras contendo
elevadas concentrações de analíto o valor de C.V% deve ser menor ou igual a
10%.

• Determinação do teor de magnésio


A quantificação do teor de magnésio é feita de maneira indireta, subtraindo-
se o valor de V2 por V1, devido ao fato de V2 ser o volume relativo ao número de
mols de cálcio e magnésio e V1 ser relativo somente ao número de mols de cálcio.

Logo, temos para a primeira replicata:

(6.7 − 2,4)𝑥 0,018 𝑥 24300


𝑇𝑒𝑜𝑟 𝑑𝑒 𝑀𝑎𝑔𝑛é𝑠𝑖𝑜 (𝑝𝑝𝑚) = = 75,23
25

Para a segunda replicata :

(6.6 − 2,5)𝑥 0,018 𝑥 24300


𝑇𝑒𝑜𝑟 𝑑𝑒 𝑀𝑎𝑔𝑛é𝑠𝑖𝑜 (𝑝𝑝𝑚) = = 71,73
25

Os valores obtidos na análise estão representados na tabela abaixo,


juntamente com a sua análise estatística e a concentração média da amostra.
Tabela 14 – Dados da determinação de magnésio

V V‘ C1 C2 C MÉD DESV.P C.V% C mg L-1


AMOSTRA 4,3 4.3 75,23 71,73 73,48 2,47 3,36 73,48

O valor de concentração da amostra (73,48 mg L-1 ± 11,03 com limite de


confiança de 90%). O valor possui coeficiente de variação dentro do limite aceito
pela agência reguladora ANVISA, que afirma que para amostras contendo
elevadas concentrações de analíto o valor de C.V% deve ser menor ou igual a
10%.

A análise de dureza total deveria ser igual a soma dos teóres de cálcio e
magnésio, porém alguns fatores poderiam ter corroborado para que os valores não
tenham sido coerentes, como por exemplo o pH da amostra que deveria ser
próximo de 7 e estava próximo de pH 1 devido à adição de ácido nítrico
concentrado para a conservação da amostra. Mesmo após a correção do pH, erro
quanto a eficiência do tampão pH 10 podem ter ocasionado as divergências
durante a análise, acusando bem menos cálcio e magnésio do que indica na dureza
total.

3.6. PRÁTICA VI: SÓDIO E POTÁSSIO

Os íons sódio são encontrados em todas as águas naturais, já que se trada de


um dos elementos mais abundantes na terra. Seus sais são altamente solúveis em
água enconotrando-se na forma iônica nas plantas e animais consistindo um
elemento ativo para os organismos vivos . As concentrações de potássio
normalmente encontradas na água para consumo humano são baixas e não
representam risco à saúde.

A análise de determinação de sódio e potássio é feita por fotometria de


chama.
Figura 7 – Curva padrão de potássio.

Tabela 15 – Dados da determinação de potássio.

CURVA PADRÃO DE POTÁSSIO


K (mg/L) CURVA 1 CURVA 2 MÉDIA K (mg/L) MÉDIA
2 2 2 2 2 2
4 4 3 3,5 4 3,5
6 6 6 6 6 6
8 7 7 7 8 7
10 10 8 9 10 9

Figura 8 – Curva padrão de sódio.


Tabela 16 – Dados da determinação de sódio.

CURVA PADRÃO DE SÓDIO


Na (mg/L) CURVA 1 CURVA 2 MÉDIA Na (mg/L) MÉDIA
10 12 12 12 10 12
20 24 20 22 20 22
30 23 24 23,5 30 23,5
40 48 39 43,5 40 43,5
50 58 46 52 50 52

Como pode-se observar pelas curvas acima, ocorreram problemas durante o


preparo da curva, de modo que os valores de intensidade não apresentaram
correlação linear. Isso pode ter ocorrido devido a erros no preparo das soluções de
padrão misto ou de erros associados as medidas geradas, devido ao fato da técnica
ser sensível a variáveis físicas tais como vazão de ar do compressor e a qualidade
da chama no queimador.

Por esse motivo optou-se em utilizar as medidas de concentração calculadas


pelo fotômetro de chama.

A medida obtida para a amostra foi: [Na+] = 80 [K+] = 11 ppm. Não


foram feitas duplicadas de leituras, logo não será possível a determinação da
precisão, limite de detecção. A amostra apresenta-se abaixo do limite que a
ANVISA determina, o qual em águas minerais a quantidade máxima de sódio
permitido na água deveria ser de 200 ppm.
4. CHECAGEM DA ANÁLISE
Para que o resultado de uma análise tenha qualidade, deve se existir uma
similaridade entre as propriedades esperadas e as encontradas. Sendo assim, os
seguintes testes verificam a consistência de um resultado analítico obtido de uma
análise de água completa. Os principais cátions abordados nessa checagem são
(Na+, K+, Ca2+e Mg2+) e os principais ânions são (Cl-,SO42-, SiO42-, NO3- e F-).

4.1. BALANÇO DE CÁTIONS E ÂNIONS

Tabela 17 – Somatório de cátion e ânion

SOMATÓRIO DE CÁTIONS
Cátions MM C (mg/L) meq/L
Sódio 23 80 3,48
Potássio 39,09 11 0,2814
Calcio 40 70,56 3,52
Magnésio 24,3 73,48 5,96
Ferro 59 0,1541 0,005518
Hidrônio 1 0 0
SOMATÓRIO DE CÁTIONS 13,24692
SOMATÓRIO DE ÂNIONS
Ânions MM C (mg/L) meq/L
Cloreto 35,45 193,74 5,47
Nitrito 63 0 0
Sulfato 96 7,15 0,1489
Nitrato 79 27,61 0,4453
SOMATÓRIO DE ÂNIONS 6,0642

𝑚𝑒𝑞 𝑚𝑒𝑞
∑ 𝑐á𝑡𝑖𝑜𝑛𝑠 ( ) = 13,25 ∑ ∑ â𝑛𝑖𝑜𝑛𝑠 ( ) =6,06
𝑙 𝐿

𝑚𝑒𝑞 𝑚𝑒𝑞
∑ 𝑐á𝑡𝑖𝑜𝑛𝑠 ( ) − ∑ â𝑛𝑖𝑜𝑛𝑠 ( 𝐿 )
𝐸𝑟𝑟𝑜 (%) = 𝑙
𝑚𝑒𝑞 𝑚𝑒𝑞 𝑥 100 = 𝟑𝟕, 𝟐𝟑
∑ 𝑐á𝑡𝑖𝑜𝑛𝑠 ( ) + ∑ â𝑛𝑖𝑜𝑛𝑠 ( 𝐿 )
𝑙
4.2. STD CALCULADO VERSUS STD MEDIDO
𝑚𝑜𝑙 𝑚𝑜𝑙
𝑺𝑻𝑫 𝒄𝒂𝒍 = 0,6 𝑥 𝑎𝑙𝑐𝑎𝑙𝑖𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 + ∑ 𝑐á𝑡𝑖𝑜𝑛𝑠 ( ) + ∑ â𝑛𝑖𝑜𝑛𝑠 ( )
𝑙 𝐿

𝑺𝑻𝑫 𝒄𝒂𝒍 = 500,105 (mol/l)

Sabendo-se que a condutividade foi menor que 1000 μS/cm, tem-se que:

STD = 0,64 x Condutividade elétrica (μS/cm)

STD = 0,64 x 399,4 μS/cm

STD = 255,62 mg/L

A relação medida/calculada é igual a 0,49. Caso, seja menor que 1,0 implica
dizer que soma dos íons está alta. Deveria ser refeito a análise. Principalmente
para a análise de ânimos, os quais as somas se encontram abaixo da metade
encontrada pelo cátions.
5. ÍNDICE DE LANGELIER
O índice de Lagelier, também conhecido como índice de saturação de
carbonato de cálcio (ISL) é comumente utilizado para a tendência da água de
formar ou dissolver incrustações carbonáticas. Este índice é bastante utilizado em
programas de controle de corrosão e na prevenção de incrustações em tubulações
e equipamentos industriais.

O índice é calculado a partir das equações desenvolvidas por Langelier. O


ISL é calculado de acordo com o pH da água em questão e o seu pH de saturação:

LSI = pH – pHs

O pH de saturação é calculado pela seguinte fórmula:

pHs = (9,3 + A + B) – (C + D)

Onde:
(log(𝑆ó𝑙𝑖𝑑𝑜𝑠 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑖𝑠 𝑑𝑖𝑠𝑠𝑜𝑙𝑣𝑖𝑑𝑜𝑠))−1 (𝑙𝑜𝑔255,62)−1
A= = = 0,141
10 10

B = - 13,12 log (Temperatura da água (ºC) + 273) + 34,55

B = - 13,12 log (27 + 273) + 34,55

B = 2,05

C = log (Concentração de Cálcio como CaCO3 mg/L) – 0,4

C = log (1197) – 0,4

C = 2,68

D = log (Alcalinidade expressa em CaCO3)

D = log (72,6)

D = 1,86

Tendo esses valores, pode-se calcular o pHs e o LSI.

pHs = (9,3 + 0,141+ 2,05) – (2,68+ 1,86) LSI = 7,08 – 6,95

pHs = 6,95 LSI = 0,13


Água com tendência incrustante (pH>pHs)

O valor de 0,13 está na faixa considerada ótima para aplicação de água.


No entanto, o valor de Dureza faz-se repensar sobre a faixa ótima encontrada no
calculo
6. RELAÇÃO DE ABSORÇÃO DE SÓDIO (RAS)
A a agricultura irrigada depende tanto da qualidade quanto da quantidade de
água.Essa qualidade pode apresentar variações significativas, quanto ao teor de
sais dissolvidos.

Um dos maiores problemas relacionados à atividade de irrigação é a


salinidade da água. A relação entre os teores de sódio, cálcio, magnésio e o
parâmetro de condutividade nos dá uma estimativa dos possíveis efeitos que a
utilização da água possa afetar a qualidade do solo.

Uma boa forma de avaliar a qualidade da água para utilização em irrigação,


de forma mais específica, é com a utilização do RAS, desenvolvido por Richards
em 1954.

O RAS é calculado a partir da fórmula descrita abaixo, utilizando os teores


de sódio, cálcio e magnésio da água:
𝑁𝑎
RAS = 𝐶𝑎+𝑀𝑔

2

Onde todas as concentrações têm se ser expressas em meqg/L


3,48
RAS = 3,52+5,96

2

RAS = 1,60

Temos que a classificação do RAS é estabelecida como:

Baixo: RAS<10: não há perigo de salinização do solo, a menos que a


permeabilidade seja muito baixa.

Médio: 10<RAS<18: Para evitar a salinização, os solos necessitam de


drenagem.

Alto: 18<RAS <26: Inútil , a menos que o solo possua uma ótima drenagem.

Excepcionalmente alta: Utilizável apenas em solo com excelente


drenagem e para vegetais com ótima tolerância a sais.

Esse valor de RAS<10, indica que essa água não provoca salinização no
solo
7. CONCLUSÃO
Com a presente prática, foi possível realizar as análises de pH,
condutividade, cloretos, nitrito, ferro, sódio, potássio, dureza total, cálcio,
magnésio e alcalinidade.

A partir das análises pode-se gerar a tabela abaixo, qual apresenta os teores
encontrados e os valores máximos permitidos em relação à resolução CONAMA 356
de 2006 e Portaria MS n° 518 de 2004.

Tabela 18 – Exames físicos e químicos da ´água

Exames Físicos
Parâmetro VMP* Resultado
Aspecto Límpido Límpido
Odor Não objetável Ausente
pH 6,5 – 8,5 7,08
Exames Químicos
Parâmetro Expresso como: VMP* Resultado
Alcalinidade total mg de CaCO3/L ---------- 72,6
Alcalinidade ao bicarbonato mg de CaCO3/L 250 72,6
Alcalinidade ao carbonato mg de CaCO3/L 120 -
Alcalinidade ao hidróxido mg de CaCO3/L 0 -
2+
Cálcio mg de Ca /L 100 70,56
Condutividade µs/cm 1500 399,4
Cloretos mg de Cl-/L 250 193,74
Dureza mg de CaCO3/L 500 478,8
Ferro total mg de Fe/L 0,3 0,1541
Magnésio mg de Mg2+/L 40 73,48
LSI pH - pHs 0 0,13
Nitrito mg de N-NO2-/L 1 0
Nitrato mg de N-NO3-/L 10 27,61
Potássio mg de K+/L - 11
SAR relação de Na, Ca e K 10 1,6
Sódio mg de Na+/L 200 80
Sólidos dissolvidos totais mg/L 1000 255,6
Sulfato mg de SO42- 250 7,15

* VMP = valor máximo permitido


De acordo com as análises, todos os parâmetros estão dentro dos valores
máximos permitidos, com exceção da concentração de Nitrato e a análise de
Dureza. Pode-se perceber que a concentração da dureza total da amostra foi muito
acima do esperado ao analisar a alcalinidade e os teores de cálcio e magnésio.
Outro fato que corrobora para a não confiabilidade do resultado é o índice de
saturação de carbonato de cálcio (ISL) que apresentou uma boa faixa (0,13).

O LSI mostrou que a amostra tem o pH > que o pHs e, por isso, a água tem
tendências incrustante, o que pode danificar os equipamentos e formar
incrustações nas tubulações.

Os níveis de Nitrato na amostra apresentaram-se quase 3 vezes mais alta do


que a permitida, o que indica que o poço deveria ter alguma contaminação por
matéria orgânica recente.

Desta maneira, com uma reanálise do parâmetro de dureza e, se a análise se


repetir, um possível tratamento de abrandamento utilizando resinas de troca
iônicas ou uma precipitação química seria o bastante para tornar essa água apta
para ser utilizada na irrigação, visto que nitrogênio é um fertilizante para plantas.
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