Você está na página 1de 17

Ivan Benjamim Miguel

Relatório de Prática Técnico Profissional, Realizado na EPC-Ceramica-Nampula


Licenciatura em Psicologia Social e das Organizações

Universidade Rovuma

Nampula

2019
Ivan Benjamim Miguel

Relatório de Prática Técnico Profissional, Realizado na EPC-Ceramica-Nampula


Licenciatura em Psicologia Social e das Organizações

1o Ano

Relatório realizado no âmbito da cadeira de


Prática Técnico Profissional, a ser entregue no
Departamento de Educação e Psicologia.
Leccionado pelo MA. Gil Pedro Licaneque, de
carácter avaliativo.

Universidade Rovuma

Nampula

2019
Índice

CAPITULO I: Introdução .................................................................................................................. 3

1.1. Objectivo Geral ....................................................................................................................... 4

1.2. Objectivos Específicos ............................................................................................................ 4

1.3. Metodologia de Trabalho ........................................................................................................ 4

CAPITULO II: Marco Teórico .......................................................................................................... 5

2.1. Conceito de Escola .................................................................................................................. 5

2.2. A Dinâmica do Sistema Escolar .............................................................................................. 5

2.3. O Papel do Psicólogo Escolar no Processo de Orientação ...................................................... 6

2.4. O Estresse, o Professor e o Trabalho Docente ........................................................................ 6

CAPITULO III: Dados da Instituição Escolar ................................................................................... 8

3.1. Descrição das Actividades Realizadas na Escola .................................................................... 8

3.2. Coordenação das Actividades de Gestão Escolar ................................................................... 8

3.3. Funcionamento da Área Pedagógica Junto do DAF ............................................................. 11

3.3.1. Área Administrativa/secretaria: junto do chefe da secretaria ......................................... 12

3.4. As implicações do Ambiente Organizacional na Escola ....................................................... 14

Considerações Finais ....................................................................................................................... 15

Referências Bibliográficas ............................................................................................................... 16


3

CAPITULO I: Introdução

O presente relatório refere-se a cadeira de Práticas Técnico Profissionalizantes realizado numa


instituição escolar, concretamente na Escola Primaria Completa da Cerâmica-Nampula no âmbito
do plano curricular do ensino superior, o relatório aborda os aspectos observados e vivenciados
nesta instituição, faremos uma menção da própria estrutura física da escola, sua organização,
actividades que são realizadas dentro da escola etc. Portanto, salientar que as Práticas Técnico
Profissionalizantes são actividades curriculares de formação inicial de profissionais de Psicologia
Organizacional na Universidade Pedagógica ou Unirovuma, cuja finalidade é aproximar o futuro
psicólogo a situações reais do PEA e outras áreas, bem como a integração dos saberes visionários
aos práticos. Deste modo, no ensino de Psicologia Organizacional encontramos as Práticas Técnico
Profissionalizantes que são o elo de ligação entre o conhecimento teórico em psicologia e prático,
e faz com que o cursor de psicologia em formação conheçam a partir da base os mecanismos do
funcionamento eficaz de uma instituição de ensino entre outras.

A realização das Práticas Técnico Profissionalizantes numa instituição escolar possibilitou não
apenas a vivência da prática, mas um maior conhecimento de uma das áreas de actuação da
Psicologia, a Psicologia Escolar.

A Prática proporcionou uma maior reflexão do papel do psicólogo nas instituições principalmente
no contexto escolar, que tem como função principal a promoção da saúde bio-psico-social dos que
fazem a escola, e para isto este profissional poderá trabalhar com os inúmeros grupos existentes na
escola – grupos de alunos, de professores, equipe técnica, dentre outros. Em termos de
perspectivas de actuação são as mais variadas também, já que se trata de um ambiente dinâmico,
dando ao profissional a oportunidade de utilizar sua criatividade, fazendo direito ao casamento da
Psicologia e da Educação.

Para uma boa actuação do Psicólogo no ambiente escolar se faz necessário inicialmente um
levantamento de dados e um diagnóstico institucional, para poder conhecer a instituição em si, os
seus componentes e pontos emergênciais a serem ajustados e devidamente aprimorados. A escola
como uma instituição com possibilidades de poder usufruir de autonomia no que toca à
reformulação do seu currículo pedagógico e do seu projecto educativo, tendo em conta o contexto
em que se encontra, é uma grande oportunidade para a concretização de uma maior inclusão
escolar dos alunos.
4

O presente relatório foi elaborado com os seguintes objectivos:

1.1. Objectivo Geral

Analisar a escola, suas características, actividades que se desenvolvem e seus


intervenientes;

1.2. Objectivos Específicos

Conhecer a instituição escolar e a comunidade envolvente;


Desenvolver capacidades de análise crítica e criativa, para uma melhoria da qualidade de
ensino e da aprendizagem;
Realizar trabalho de campo na instituição escolar nos aspectos organizacionais,
pedagógicos e administrativos.

1.3. Metodologia de Trabalho

Para a elaboração do presente relatório das Práticas Técnico Profissionalizantes realizadas no


Escola Primaria Completa da Cerâmica-Nampula, usou-se dois métodos que são: método de
observação directa e observação indirecta e a entrevista com a direcção da escola. Na observação
direita o investigador procede directamente a recolha de dados (observa e regista os fenómenos),
observação recolhida directamente é mais objectiva, os sujeitos observados não intervêm na
produção da formação. Observação indirecta recolha de informações através de um sujeito;
observação recolhida indirectamente e menos objectiva; sujeitos observados intervêm na produção
da informação, estes métodos facilitaram na observação das práticas e permitiram na constatação
de informação particular que levaram a elaboração na sua totalidade.
5

CAPITULO II: Marco Teórico

2.1. Conceito de Escola

“ (…) A função da escola, para além de transmitir conhecimentos, (…) é também a


de contribuir para o desenvolvimento global do indivíduo, a nível cognitivo, motor,
afectivo, criativo, e contribuir para a sua socialização interiorização dos valores
dominantes na sociedade”. (SILVA, 1993,p.71)
A escola é uma instituição onde se realiza o direito à educação, que se exprime pela garantia de
uma permanente acção formativa orientada para favorecer o desenvolvimento global da
personalidade, o progresso social e a democratização da sociedade.

A escola deve contribuir no desenvolvimento da personalidade, na formação de carácter e de


cidadania do educando, deve assegurar a sua formação cívica e moral, assegurar o direito à
diferença, desenvolver a capacidade para o trabalho e proporcionar uma sólida formação geral e
uma formação específica para a ocupação de um justo lugar na vida activa, que permita ao aluno
ter uma participação activa no progresso da sociedade de acordo com os seus interesses. A escola
tem como dever assegurar a igualdade de oportunidades para ambos os sexos, através da
orientação escolar e profissional, e sensibilizar, para o efeito, o conjunto dos intervenientes no
processo educativo.

2.2. A Dinâmica do Sistema Escolar

Segundo DURKHEIM (cit. por PIRES; FERNANDES e FORMOSINHO, 1991) a escola socializa
os indivíduos no sentido de lhes proporcionar a sua devida integração na sociedade. Neste sentido,
a escola é o reflexo da sociedade. A sua acção é produzida através das modificações que ocorrem
nas colectividades humanas. Enquanto agrupamento social é provável que se encontre na escola os
problemas dessa mesma sociedade. (LIMA e HAGLUND, 1982). Conforme MAHONEY (2002), a
escola estabelece um contexto diversificado de desenvolvimento e aprendizagem, ou seja, um local
que reúne diversidade de conhecimentos, actividades, regras e valores e que é permeado por
conflitos, problemas e diferenças. O sistema escolar proporciona um ambiente multicultural que
engloba a construção de laços afectivos entre os professores e alunos e prepara-os para a inserção
na sociedade. (OLIVEIRA, 2000). A relação educativa é para alguns autores essencialmente
unilateral, em que muda unicamente o grupo social que determina o tipo de relação. Para
Durkheim (1991), o factor que determina o tipo de relação, seria a sociedade no seu todo.
6

FOUNIER (cit. por PIRES; FERNANDES e FORMOSINHO, 1991) defende que, "a noção de
educação activa implica que se reconheça a parte que o aluno e o estudo assumem no processo
educativo".

Actualmente são identificados diversos modelos de dinâmica da escola, onde a sua acção pode ser
determinada segundo o seu maior papel de reprodução, interacção e comunicação entre os vários
intervenientes do processo educativo, como forma de atenuar o poder institucional.

2.3. O Papel do Psicólogo Escolar no Processo de Orientação

A Psicologia Escolar vem sendo considerada até agora como uma área secundária da Psicologia,
vista como relativamente simples, não requerendo muito preparo, nem experiência profissional.

Dentro da instituição-escola é pouco valorizada, até mesmo dispensável, haja vista a inexistência
de serviços dessa natureza, enquanto os de Orientação educacional e Supervisão escolar são
previstos e regulamentados por lei.

NOVAES (1980) salienta que, o papel do psicólogo na orientação escolar ‘‘é oferecer suporte
direito aos estudantes, educadores e familiares. Ele também pode actuar na construção de
estratégias mais efectivas de ensino-aprendizagem, e na construção de um ambiente académico
mais emocional e socialmente saudável’’.

O psicólogo na orientação escolar cabe o papel de garantir uma adaptação equilibrada entre
formação e inserção na vida activa, contribuindo para a requalificação da mão-de-obra
desempregada e complementando o trabalho desenvolvido pelos sistemas de ensino no sentido de
proporcionar as qualificações adequadas aos jovens que se encontram nesses sistemas.

2.4. O Estresse, o Professor e o Trabalho Docente

As condições estressantes enfrentadas na rotina diária do professor podem levar a um


desequilíbrio entre o trabalho e a saúde física e mental, resultando no desenvolvimento do estresse
(CEZAR-VAZ et al, 2015).

Dentre os trabalhadores, os professores estão expostos a inúmeras fontes de pressão, além daquelas
decorrentes das alterações no sistema trabalhista, como elevada carga horária de trabalho,
pequenas pausas destinadas ao descanso, ritmo intenso de trabalho e exigências de um alto nível de
atenção e concentração. Somam-se a esses uma elevação do nível de estresse levando à alterações
7

na qualidade de vida dessa categoria consideravelmente comprometida ocasionando diversos


distúrbios à saúde (LIMA JR e SILVA, 2014).

O excesso de actividades e o desgaste emocional a que os docentes estão sujeitos no trabalho


tornam-nos mais susceptíveis e vulneráveis ao desenvolvimento de transtornos relacionados ao
estresse (DALAGASPERINA e MONTEIRO, 2014), tal como a Síndrome de Burnout - SB. A SB
caracteriza-se como um fenómeno psicossocial que ocorre como uma resposta crónica aos
estressores interpessoais ocorridos na situação de trabalho principalmente quando existe excessiva
pressão, conflitos, poucas recompensas emocionais e de reconhecimento (BORBA et al, 2015).

A docência é considerada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como uma actividade
de risco desde 1981, uma vez que os professores compõem a segunda categoria profissional mais
acometida por doenças ocupacionais em nível mundial (BORBA et al, 2015).

Dentre as doenças ocupacionais em professores, as relacionadas a factores psíquicos estão


crescendo em muitos países. Como causas de adoecimento encontram-se: ritmo intenso e precárias
condições de trabalho, aumento da exigência cognitiva, perda de autonomia em sala de aula, falta
de acompanhamento técnico, políticas de educação insuficientes, salários insatisfatórios, não
reconhecimento social do trabalho, indisciplina/violência e desinteresse dos alunos. Nesse sentido,
as condições e organização do trabalho do professor apresentam características que o expõem a
factores estressantes, os quais, se persistentes, podem levar à Síndrome de Burnout – SB (BORBA
et al, 2015).
8

CAPITULO III: Dados da Instituição Escolar

Iniciamos nosso trabalho na Escola Primaria Completa da Cerâmica-Nampula., situada na capital


de Nampula, através de um mapeamento diagnóstico que visava recolher informações e dados
acerca da instituição na qual estávamos sendo inseridas. Essa prática foi fundamentada em:

Um trabalho eficiente nessa linha teria que partir de uma análise da instituição,
levando em conta o meio social no qual se encontra e o tipo de clientela que
atende, bem como os vários grupos que a compõem, sua hierarquização, suas
relações de poder, passando pela análise da filosofia específica que a norteia, e
chegando até a política educacional mais ampla. (ANDALÓ ).
Sendo assim, nosso trabalho dentro da instituição de ensino foi norteado segundo estes princípios
descritos por diversos autores:

Dada uma instituição, o psicólogo centra sua actividade humana em que ela tem
lugar e no efeito da mesma, para aqueles que nela desenvolvem dita actividade.
Para isto, impõe-se um mínimo de informação sobre a própria instituição que, por
exemplo, inclui: a) finalidade ou objectivo da instituição; b) instalações e
procedimentos com os quais se satisfaz seu objectivo; c) situação geográfica e
relações com a comunidade; d) relações com outras instituições; e) origem e
formação; f) evolução, história, crescimento, mudanças, flutuações; suas tradições;
g) organização e normas que a regem; h) contingente humano que nela intervém:
sua estratificação social e estratificação de tarefas; i) avaliação dos resultados de
seu funcionamento; resultado para a instituição e para seus integrantes. Itens que a
própria instituição utiliza para isto. (BLEGER, 1984, p.38).
Desta forma, seguimos este roteiro de observação e diagnóstico para fundamentar nossa actuação
dentro da instituição-escolar. Todos os dados encontrados foram descritos a seguir.

3.1. Descrição das Actividades Realizadas na Escola

Sector de Direcção: Director e Adjunto pedagógico Issufo Momade

De acordo com o Director a escola não é só dirigida pela direcção escolar, mas também pela
comunidade em geral, pois, no sistema nacional de educação, está sujeito ao controle comunitário.

3.2. Coordenação das Actividades de Gestão Escolar

A limpeza do pátio da escola por parte dos alunos é feita numa escala de alunos em classe, durante
duas vezes por mês, o que seriam dois (2) sábados.
9

O horário em vigor nesta instituição possui três turnos:

1° Turno 2° Turno 3° Turno

1° 06:05-06:45 09:50-10:30 13:35-14:15

2° 06:50-07:30 10:35-11:15 14:20-15:00

3° 07:35-08:15 11:20-12:00 15:05-15:45

4° 08:20-09:00 12:05-12:45 15:50-16:30

5° 09:05-09:45 12:50-13:30 16:35-17:15

Fonte. Escola Primaria da Cerâmica-Nampula (2019)

A hora da concentração diária em vigor nesta instituição começa pelas 05:55-06:05. A dispersão
dos alunos para as salas de aula é feita de forma ordeira e organizada, por classe.

Estratégias usadas pelo líder da escola são feitas em comunhão com o Presidente do Conselho de
Escola (a comunidade), pois a escola é entregue também a eles, mas ao nível interno, a coesão dos
professores e de outros autores desta instituição ocorre por meio de plano de assistência, cuja
função é de reter o professor.

O excesso de actividades e o desgaste emocional a que os docentes estão sujeitos no trabalho


tornam-nos mais susceptíveis e vulneráveis ao desenvolvimento de transtornos relacionados ao
estresse (DALAGASPERINA e MONTEIRO, 2014), tal como a Síndrome de Burnout - SB. A SB
caracteriza-se como um fenómeno psicossocial que ocorre como uma resposta crónica aos
estressores interpessoais ocorridos na situação de trabalho principalmente quando existe excessiva
pressão, conflitos, poucas recompensas emocionais e de reconhecimento (BORBA et al, 2015).

Os Efeitos do Ambiente Organizacional no Comportamento do Individuo na


Organização/Escola.

O director acompanha e monitora o cumprimento dos planos conforme o mapa curricular, e plano
curricular a partir da dosificação trimestral, planificação quinzenal e planos diários.
10

A forma de como o director disponibiliza e controla o uso de material de ensino e aprendizagem é


feito a partir do plano de assistência de aulas.

De acordo com o director sobre o clima organizacional descreveu que “Graças a Deus nunca
tivemos conflitos que envolvem os professores-membros da direcção e outros”, mas ressalta ele,
que se no caso tiver conflito, terá uma forma de como gerir este conflito, a partir do Coordenador
da ZIP junto do Presidente do Conselho da Escola, se no caso envolver professores-membros da
direcção e outros, caso estes não consigam resolver o problema. Caso não, vai sendo resolvido
hierarquicamente, começando pelo chefe de turma, professor, director de turma e etc.

De acordo com CHIAVENATO (2004), um bom ambiente na organização influi directamente na


motivação da equipe, no seu grau de satisfação e, consequentemente, na qualidade de seu trabalho.
Por isso, é tão importante para as empresas mensurar essa percepção que os colaboradores têm
dela, ou seja, o clima organizacional busca-se obter respostas que auxiliem as empresas a
identificar possíveis falhas ou oportunidades de melhoria.

Portanto, o ambiente organizacional é importante para compreender um bom clima de trabalho e


como está relacionado ao comportamento das pessoas, assim como sua qualidade de vida e o
reflexo que isso terá no desempenho das organizações.

As formas de liderança do Director e Adjunto/Pedagógico na Escola Primária


Completa da Cerâmica-Nampula são:

O director aloca os professores nas classes e turmas a partir do Plano Anual do Sector Pedagógico.
Onde, no começo do ano, ou no inicio de aulas, o director como pedagógico faz um plano de
distribuição de professores em classes e turmas, pois é obrigatório.

Quanto a postura do director perante a ausência de professores, o director aloca professores sem
carga horária para dar aulas na ausência do outro professor, faz a marcação de faltas, cujas faltas
são justificadas pelo professor. No caso de professores atrasados, o director, infelizmente só
conversa com o professor para saber o que levou o atraso deste.

O director, como forma de supervisionar o decurso das aulas na escola faz um plano, cujo plano
tem o objectivo de fazer o controlo de professores atrasados, a ausência, de forma a ajudar ao
professor e assim fazer o controlo de decorrência de aulas, o que é muito diferente da inspecção. O
Conselho de escola contribui para a vida da instituição a partir de reuniões junto da comunidade.
11

Esta reunião tem ocorrido duas vezes por cada mês como forma de velar a situação da escola, a
situação dos professores e para velar também a situação dos alunos, contribuindo assim para o
desenvolvimento da escola.

Segundo HERSEY e BLANCHARD (1986), defende que as pessoas podem ser preparadas para
exercer o papel de líder. O objectivo é usar o líder para conseguir de forma cooperativa que os
liderados (trabalhadores) desenvolvam suas tarefas de produção e, ao mesmo tempo, oportunizem
o desenvolvimento pessoal.

De salientar que os líderes devem ter consigo mesmo ambição e energia, desejo de liderar,
honestidade e integridade, autoconfiança, inteligência e conhecimento e habilidades de
comunicação.

3.3. Funcionamento da Área Pedagógica Junto do DAF

Director Adjunto Pedagógico responde pelo nome de Issufo Momade

Na área pedagógica, possui as seguintes actividades a tratar:

As principais actividades desenvolvidas no sector pedagógico são, velar a escola, verificar


planos dos professores, assinar os planos, assistir as aulas, dosificação trimestral,
elaboração de avaliação (ACS e AP), etc.
Quanto a formação de turmas por classes e turno vão de acordo com o número de salas que
estão disponíveis nesta instituição, um número total de catorze (14) salas de aula. No caso
das classes, verificam-se o número de salas disponíveis, depois são divididas em três
turnos (3). As classes com maior número de turmas, cujo período seria de manhã, passam
ao segundo turno (09:50)
O DAE supervisiona as aulas nos diferentes turnos e classes a partir dum Plano que o
director adjunto faz, mas não acontecem todos os dias, depende da disponibilidade e da
decisão do pedagógico. Faz de turno em turno, e de dias diversificados.
Em casos de identificação de professores e alunos que necessitam de alguma ajuda
pedagógica, cabe ao director convocar uma reunião com o membro em causa, para
conversar sobre. No caso da instituição em causa, o director ISSUFO diz que tinham
criado um grupo de colegas para conversar com um professor que já há muito tempo
estava ausente, e que não queria mais trabalhar. Como forma de ajudar, este grupo se fazia
12

caminhar para a casa do professor para conversar. Os professores também identificam


problemas pedagógicos nos alunos, e tentam de alguma forma conversar e criar soluções
para estes casos.
No que diz respeito à realização das avaliações no período do primeiro trimestre e segundo
trimestre, a Direcção Distrital (DD) faz a distribuição de testes: Avaliação Provincial (AP).
Quanto ao terceiro, a DD deixa ao critério da escola ou da ZIP, envolvendo professores
das disciplinas junto dos coordenadores e elaboram o teste, depois passam a ser avaliadas
pelo pedagógico. Para as ACS dependem do professor, são elaboradas independentemente.
Situação de alunos com risco educacional faz-se o conselho de notas, que é feito no final
de cada trimestre, onde os professores formam juntos um conselho para verificar o
empenho de cada aluno. Existem duas formas de apoio educacional, a EP1 (1ª classe-2ª
classe) para classes envolvendo apenas um professor, e a EP2 (6ª classe-7ª classe)
envolvendo vários professores, aqui se forma o Conselho de Notas. Onde, em casos de um
aluno com problemas educacional, tenta-se dar um apoio ao aluno como forma de o
incentivar nas próximas ocasiões.
Quanto ao envolvimento dos pais e encarregados de educação nas reuniões de divulgação
de notas trimestrais é bom, pois informam-se aos alunos e eles a posteriori, fazem chegar a
informação aos pais. Quanto a avaliação de desempenhos usados para a avaliação do
desempenho dos professores é feita a partir de Ficha de Avaliação, onde faz-se um
supervisionamento do empenho do professor, e assistência de aula.

3.3.1. Área Administrativa/secretaria: junto do chefe da secretaria

O recrutamento e selecção dos professores e pessoal não docente são feitos a partir de
concurso documental com os respectivos documentos: carta de apresentação, lucro de bem,
experiencia, certificado de habilitações literárias. Reunindo os documentos e fazer a
entrega ao Serviço Distrital de Educação de Juventude e Tecnologia ou encaminhar a
Direcção Provincial de Desenvolvimento Humanos.

A organização dos processos dos professores, pessoal não docente e aluno é feita mediante
o documento individual pessoal, como Titulo de Provimento, Certificado de habilitações
literárias, Curriculum Vitae, BI, NUIT.
Os professores e pessoal não docente têm acesso aos seus processos quando for necessário.
13

Acessibilidade da informação relativa aos documentos/expedientes do público são


enviados, recebidos. Noutras, enviadas e recebidas, como relatórios, planos.
A nomeação, promoção, e progressão dos funcionários docente não docente é feita a partir da
obtenção de contracto visado pelo tribunal administrativo, visto do tribunal administrativo (VTA),
requisitos aspirados e anexar com os seguintes documentos, Copia de BI Reconhecido, NUIT,
Avaliações de desempenho (mínimo de 3 anos), e Carta dirigida ao Administrador.

Não há serviço médico, odontológico, do serviço social, ou psicológico. A equipe que está a todo
tempo na escola e que a compõem funciona da seguinte forma, além do director e vice-director que
ficam responsáveis pela administração da escola, há a coordenação que direcciona o trabalho dos
professores e presta uma assistência directa e indirecta aos alunos, os professores, por sua vez,
passam os conteúdos directamente para o aluno em sala de aula, ainda existem os assistentes
administrativos que fazem parte da secretaria e lidam com os dados dos alunos, professores e
demais funcionários junto a questões de senso entre outros, e ainda há o pessoal de apoio, que é,
responsável pela limpeza.

No relacionamento professor-aluno, existem professores queridos pela maioria dos alunos, onde
tanto o professor demonstra a dedicação e a satisfação pelo trabalho, como os alunos reconhecem
expressando em forma de palavras e de gestos como abraços e demonstrações de afecto. Existem
aqueles professores que são “odiados e amados”, já que as opiniões dos alunos variam em relação
a eles, onde há alunos que os amam e outros que não, como existem também aqueles alunos
“problema” na escola que os professores preferem não tê-los em sua sala de aula. Mas cabe aí um
questionamento, pois:

Se os alunos são indisciplinados, se existem conversas paralelas durante as aulas,


faltam pontualidade e engajamento, por que o professor não intervém, com a sua
autoridade de mestre, para evitar esses problemas? Sabemos que muitas turmas
“problemáticas” só apresentam problemas de indisciplina com determinados
professores. Com outros do mesmo período, os problemas não se manifestam.
Qual seria o diferencial desses mestres? (GUERRA, 1993, p.06).
Existem alunos que gostam do professor e não gostam da matéria que ele lecciona ou mesmo
gostam da matéria e não gostam do professor, levando em consideração os alunos mais velhos e
que possuem mais de uma matéria. Já os alunos mais novos geralmente relatam gostar e se
relacionar bem com o professor, e igualmente os professores que ensinam e alfabetizam na escola
disseram gostar do que fazem, sendo que alguns até já ensinaram outras séries, mas que se
identificam mesmo com o processo de alfabetizar.
14

3.4. As implicações do Ambiente Organizacional na Escola

Quanto aos professores o relacionamento é bom podendo ter eventuais desentendimentos


referentes ao próprio trabalho, mas nada que possa prejudicar a escola. Já entre a coordenação e os
professores há uma cumplicidade maior. Em se tratando da direcção e da equipe de professores
houve queixas de uma falta de aproximação maior por parte da direcção. O relacionamento dos
professores com o pessoal da secretaria é mais próximo, mas quando se trata do pessoal de apoio
responsável pela limpeza, portaria etc., existe um afastamento, fato esse que pode ser favorecido
pela forma da instituição em lidar com a equipe, separando-as nas reuniões, (reuniões de
professores e reuniões da equipe técnica realizadas em momentos diferentes). E a relação da
direcção com a escola em geral (professores, funcionários e alunos) era uma relação que
demonstrava uma necessidade de ajuste à medida que direcção reclamava da falta de cooperação e
comprometimento da equipe e da rebeldia dos alunos. Todos estes dados foram colectados através
de entrevistas e observações na instituição.

Os contactos e as relações que o profissional toma com a instituição constituem,


desde o primeiro momento, o material que o psicólogo deve recolher e avaliar. Isto
lhe dará a possibilidade de conhecer, já desde o começo, tanto situações vitais da
instituição como os factores negativos e positivos que terá que enfrentar, já que a
forma como a instituição se relaciona com o psicólogo é um índice do grau de
insight de seus problemas, das defesas e resistências frente aos mesmos, dos
esforços e direcções em que se tentou a solução ou encobrimento até este
momento. (BLEGER, 1984, p.50-51).
Já os princípios educativos pedagógicos da instituição se traduzem principalmente, segundo o
director da escola, em: “Formar cidadãos para o mundo, para a vida, para o futuro, servindo como
complemento da educação que recebe em casa”

De acordo com CHIAVENATO (2004), um bom ambiente na organização influi directamente na


motivação da equipe, no seu grau de satisfação e, consequentemente, na qualidade de seu trabalho.
Por isso, é tão importante para as empresas mensurar essa percepção que os colaboradores têm
dela, ou seja, o clima organizacional busca-se obter respostas que auxiliem as empresas a
identificar possíveis falhas ou oportunidades de melhoria.

Portanto, o ambiente organizacional é importante para compreender um bom clima de trabalho e


como está relacionado ao comportamento das pessoas, assim como sua qualidade de vida e o
reflexo que isso terá no desempenho das organizações.
15

Considerações Finais

Após as actividades realizadas na Escola Primaria Completa da Cerâmica, podemos salientar que
toda essa colecta de dados foi de imensa utilidade, pois foi através dessas observações e entrevista
feita com a direcção da escola que possibilitou a colheita de maior informação a respeito da
instituição. Reconhecendo seus pontos fortes e àqueles que ainda precisam de alguns ajustes, sendo
assim. Primeiramente, relatar a enorme bagagem de conhecimentos que nos foram ofertados tanto
na parte teórica, na recepção da instituição e orientação específicas, como também a incrível e
inesquecível vivência dentro de uma instituição de ensino.

Foram momentos de trocas, quero acreditar que os entrevistados que lá se fizeram presente
deixamos algo novo na escola, como dela recebemos inúmeras experiências. Esse intercâmbio
comprova, mais uma vez, que Psicologia e Educação podem e devem trabalhar em conjunto. Uma
fornece à outra seus conhecimentos específicos, e dessa interacção surge algo novo, mais completo
e cada vez mais rico.

De acordo com BLEGER (1985), o tempo que isso custa não deve ser considerado como tempo
perdido, mas sim um tempo no qual já se está cumprindo parte da tarefa, através do esclarecimento
e da informação ampla e detalhada, mas recolhendo elementos de observação sobre as
características do grupo, sessão ou nível e de suas tensões, conflitos, tipos de comunicação,
lideranças, etc. (BLEGER, 1984, p.48).

A escola nos abraçou em seu meio e essa experiência é algo muito além do que um simples
aprendizado teórico. Foi uma troca vivencial, onde relações foram construídas e vínculos foram
feitos. Trabalhar como profissional de Psicologia no ambiente escolar, um ambiente de educação e
de transformação do conhecimento requer, antes de tudo, uma investigação e uma análise e
planeamento do trabalho, pois na escola existe uma grande demanda e inúmeras formas e
possibilidades de trabalho, e se o profissional não se planejar, não fizer cronogramas, não traçar
objectivos e desenvolver projectos ele acaba se perdendo dentro da própria instituição. Isso por
conta do dinamismo da escola e suas várias demandas, o profissional precisa estar focado na sua
função e no seu papel de Psicólogo Organizacional e Escolar.
16

Referências Bibliográficas

ANDALÓ, Carmem Sílvia de Arruda. O Papel do Psicólogo Escolar. Psicologia,

Ciência e Profissão, s.n.t

______. O Psicólogo Escolar na Busca de Uma Identidade. Jornal do Federal, Conselho de


Psicologia, Ano VIII, n. 34, 1993.

BERMÚDEZ et al. Introdução ao Psicodrama. São Paulo: Mestre Jou, 1977.

BLEGER, José. Psicologia Institucional. Porto Alegre. Artes Médicas, 1984.

DEL PRETTE, Zilda Aparecida Pereira. Psicologia, educação e LDB: novos desafios

para velhas questões? In: GUZZO, Raquel Souza Lobo (Org.). Psicologia Escolar: LDB e
Educação Hoje. Campinas, São Paulo: Editora Alínea, 1999.

______ et. al. Psicologia das Habilidades Sociais: Terapia e Educação. Petrópolis: Vozes, 2002.

GOMES, Vera Lúcia Trindade. A Formação do Psicólogo Escolar e os Impasses Entre a Teoria e a
Prática. In: GUZZO, Raquel Souza Lobo (Org.). Psicologia Escolar: LDB e Educação Hoje.
Campinas, São Paulo: Editora Alínea, 1999.

MALUF, Maria Regina. Psicologia Escolar: Novos Olhares e o Desafio da Prática. In: ALMEIDA,
Sandra Francesca Conte de (Org.). Psicologia escolar: ética e competência na formação e
actuação profissional. Campinas, São Paulo: Editora Alínea, 2003.

MEIRA et. al. Psicologia Escolar: Práticas Críticas. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.