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Ivan Benjamim Miguel

Contributo dos Jogos Lúdicos na Aprendizagem das Crianças: Caso do Jardim


Infantil Santa Cruz-Nampula 2019-2021.

(Licenciatura em Psicologia Social e das Organizações)

Universidade Pedagógica

Nampula

2019
Ivan Benjamim Miguel

Contributo dos Jogos Lúdicos na Aprendizagem das Crianças: Caso do Jardim Infantil
Santa Cruz-Nampula 2019-2021.

(Licenciatura em Psicologia Social e das Organizações)

Projecto de Pesquisa realizado no âmbito da


cadeira de MEIC, a ser entregue ao
Departamento de Ciências de Educação e
Psicologia. Sob a orientação do MSc.
António dos Santos

Universidade Pedagógica

Nampula

2019
Índice
1. Introdução .............................................................................................................................3
1.1. Tema ..............................................................................................................................4
1.2. Delimitação do Tema .....................................................................................................4
1.3. Problematização .............................................................................................................4
1.4. Justificativa ....................................................................................................................5
1.5. OBJECTIVOS DA PESQUISA.....................................................................................5
1.5.1. Objectivo Geral .......................................................................................................5
1.5.2. Objectivos Específicos ............................................................................................6
1.7. Hipótese .........................................................................................................................6
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA .......................................................................................7
2.1. Definição de Termos ......................................................................................................7
2.2. O Lúdico e as Crianças ..................................................................................................8
2.3. O Lúdico e as Práticas Pedagógicas...............................................................................9
2.4. O Papel do Brinquedo no Desenvolvimento Infantil ...................................................10
2.5. Aprendizagem em meio aos Brinquedos e Brincadeiras .............................................11
3. METODOLOGIA DA PESQUISA ....................................................................................13
3.1. Tipo de Pesquisa ..........................................................................................................13
3.2. Classificação da Pesquisa ............................................................................................13
3.3. Técnicas de Colecta de Dados .....................................................................................13
3.3.1. Entrevista...............................................................................................................13
3.3.2. Questionário ..........................................................................................................13
3.3.3. Observação ............................................................................................................14
3.4. Delimitação do Universo .............................................................................................14
3.5. Amostra ........................................................................................................................14
Referencias Bibliográficas ......................................................................................................15
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1. Introdução

O presente projecto de pesquisa tem como tema: Contributo dos Jogos Lúdicos na
Aprendizagem das Crianças. A educação lúdica é uma acção própria da criança, mas
também de todas as idades, tendo um significado muito grande, pois está presente em todos
os momentos da vida. Lúdico é o adjectivo que significa e qualifica tudo o que se relaciona
com o jogo ou brincadeira. Quando associado à educação, o lúdico assume o papel de um
recurso pedagógico e sua função é auxiliar no processo de ensino-aprendizagem e facilitar a
assimilação de conteúdos.

No processo educativo, em especial, na Educação Infantil, o desenvolvimento de actividades


lúdicas devem ser consideradas como prioridades no delineamento de actividades
pedagógicas contidas no planeamento escolar realizado pelos professores e coordenadores.
Essa inclusão visa, portanto a flexibilização e dinamização das actividades realizadas ao
longo de toda a prática docente, oportunizando a eficácia e significação da aprendizagem.

É na educação infantil que as crianças são capazes de construir a aprendizagem através do


brincar, criando e imaginando situações de representações simbólicas entre o mundo real e o
mundo a ser construído com base nas suas expectativas e anseios. Portanto, os professores,
na posição não de meros transmissores de informações e conhecimentos sistemáticos, mas
como mediadores desses conhecimentos, devem criar condições para que por meio do
desenvolvimento dessas actividades, a criança possa construir de forma autónoma o seu
próprio conhecimento.

O projecto conta com o objectivo Geral de Compreender a importância do ensino lúdico na


aprendizagem e assimilação de conhecimentos do dia-a-dia das crianças. E as técnicas que
serão usadas são o Questionário, Entrevista e Observação. Portanto, o trabalho esta
estruturada da seguinte maneira: aspectos introdutórios da pesquisa que são (introdução,
tema, delimitação do tema, problematização, justificativa, os objectivos geral e específicos
bem como as hipóteses); Fundamentação teórica; Metodologia da Pesquisa e por fim a
Referência Bibliográfica.
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1.1. Tema

Contributo dos Jogos Lúdicos na Aprendizagem das Crianças: Caso do Jardim Infantil Santa
Cruz-Nampula 2019-2021.

1.2. Delimitação do Tema

O estudo irá decorrer no Jardim Infantil Santa Cruz-Nampula, no período de Outubro de


2019 a 2021. Abordara sobre Contributo dos Jogos Lúdicos na Aprendizagem das Crianças

1.3. Problematização

A brincadeira lúdica nas escolas ainda não ocupa um lugar de destaque, mas é um
importante meio de aprendizagem, uma vez que vários autores, entre eles: Vygotsky,
Kishimoto e Piaget, comprovam que o lúdico é uma estratégia positiva para a aprendizagem
infantil, pois enquanto a criança se desenvolve e se socializa, descobrindo, assim, seu papel
na sociedade.

Nesse sentido, o lúdico vem ganhando atenção no meio académico pela crescente
quantidade de contribuições para a sua conceituação e reflexão, mas poucos têm constatado,
sua aplicação e sistematização enquanto ferramenta pedagógica, visto que, através das
actividades lúdicas, as crianças adquirem marcos de referenciais significativos que lhes
permitem conhecer a si mesmas, descobrir o mundo dos objectos e o mundo dos outros,
experimentando também, situações de aventura, acção e exploração, como características
imprescindíveis da infância.

As instituições de Educação Infantil têm restringido as actividades das crianças aos


exercícios repetitivos, motora e, ao mesmo tempo em que bloqueiam a organização
independente das crianças para as brincadeiras, essas práticas não estimulam a criatividade
dos alunos, como se suas acções simbólicas servissem apenas para explorar e facilitar ao
educador a transmissão de determinada visão do mundo.

Entretanto, o problema que gerou esse estudo foi justamente a não utilização do lúdico na
sala de aula, pela maioria dos professores, desenvolvendo situações e práticas pedagógicas
tradicionais e sem dinamismo. E diante desta gama de facto surge a seguinte pergunta de
partida:

Como os jogos lúdicos interferem na aprendizagem e assimilação de conhecimentos do dia-


a-dia das crianças no contexto escolar?
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1.4. Justificativa

A escolha da temática se deu em virtude de uma experiência vivenciada nesta instituição,


onde pude constatar que o lúdico trabalhado através de jogos e brincadeiras era inserido no
processo de aprendizagem de maneira insatisfatória. Por isso, estudar e investigar sobre este
tema é importante para mostrar que o lúdico é um método que contribui para que a criança
se desenvolva, pois, é através do brincar que a criança descobre, inventa, ensina regras,
experimenta, relaxa e desenvolve habilidades. Com esta pesquisa iremos também reafirmar
ao educador a respeito do contributo do lúdico no processo de ensino-aprendizagem, tendo
em vista que a criança aprende de modo mais prazeroso.

Pois, o lúdico faz com que a criança aprenda a conviver com o grupo e com ela mesma,
reforçando as habilidades sociais, enfrentando os obstáculos, os ganhos e as perdas. Através
das brincadeiras lúdicas a criança adquire uma boa saúde física, intelectual e emocional,
fazendo com que se tornem adultos responsáveis e de boa conduta, pois passa-se anos e
ficam presentes na memória e nas lembranças, fazendo parte da história marcando as épocas
da vida da criança.

Quanto ao factor social que estimulou o desenvolvimento desse estudo, é que a educação
lúdica é uma acção própria da criança, mas também de todas as idades, tendo um significado
muito grande, pois está presente em todos os momentos da vida. Lúdico é o adjectivo que
significa e qualifica tudo o que se relaciona com o jogo ou brincadeira.

Assim, este trabalho apresenta-se como relevante, pois, por meio da concretização do
mesmo espera-se que possa provocar outras inquietações, novos estudos e (ré) construção de
conhecimentos sobre a utilização do lúdico na aprendizagem das crianças no processo
educativo de forma coerente, dinâmica e flexível, visando à promoção de um ambiente
favorável à qualidade da aprendizagem, bem como, à formação plena dos alunos, enquanto
sujeitos críticos e activos no meio social do qual fazem parte.

1.5. OBJECTIVOS DA PESQUISA

1.5.1. Objectivo Geral

Compreender o contributo dos jogos lúdicos na aprendizagem e assimilação de


conhecimentos do dia-a-dia das crianças;
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1.5.2. Objectivos Específicos

Identificar a contribuição dos jogos, brinquedos e brincadeiras para a aprendizagem


das crianças na educação infantil;
Descrever a importância dos jogos e brincadeiras na educação das crianças e suas
contribuições à aprendizagem ainda em processo de escolarização.
Propor algumas actividades lúdicas que ajudarão na assimilação de conhecimentos
do dia-a-dia das crianças.

1.7. Hipótese

H1: O uso dos jogos lúdicos em sala de aula como técnicas metodológicas na aprendizagem,
pode ajudar as crianças a aprender de forma mais prazerosa, concreta e, consequentemente,
mais significativa, culminando em uma educação de qualidade.

H2: Os problemas referentes à aprendizagem podem estar relacionados às práticas


educativas como o método de ensino.
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2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1. Definição de Termos

É importante mencionar que o lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" que quer
dizer "jogo”. Se achasse confinado a sua origem, o termo lúdico estaria se referindo apenas
ao jogar, ao brincar, ao movimento espontâneo. O lúdico passou a ser reconhecido como
traço essencial de psicofisiologia do comportamento humano. De modo que a definição
deixou de ser o simples sinónimo de jogo. Conforme ANTUNES (2005, p.33) “as
implicações da necessidade lúdica extrapolaram as demarcações do brincar espontâneo”.

Dessa forma, o lúdico apresenta valores específicos para todas as fases da vida humana.
Assim, na idade infantil e na adolescência a finalidade é essencialmente pedagógica. De
acordo com NEVES (2009, p.45), “a criança e mesmo o jovem opõem uma resistência à
escola e ao ensino, porque acima de tudo ela não é lúdica, não costuma ser prazerosa”

Nesse sentido, CARNEIRO (1995, p.66) destaca que “todas as pessoas têm uma cultura
lúdica, que é um conjunto de significações sobre o lúdico”. Assim, é possível dizer que a
cultura lúdica é produzida pelos indivíduos, a qual se constrói a todo tempo, por meio de
brincadeiras que a criança começa desde cedo.

Além disso, ANTUNES (2005, p.34) retrata que a concepção da cultura lúdica é uma noção
historicamente construída ao longo do tempo e, consequentemente, foi mudando conforme
as sociedades, não se mantendo da mesma forma dentro das sociedades e épocas.

Portanto, o lúdico se expressa desde os primitivos nas actividades de dança, caça, pesca,
lutas. Segundo ANTUNES (2005, p.56) na Grécia antiga, Platão afirmava que os primeiros
anos de vida da criança deveriam ser ocupados por jogos. Com o cristianismo, os jogos vão
sendo deixados de lado, considerados profanos, sem significação.

JEAN PIAGET (apud ANTUNES, 2005, p.25) “retrata que os jogos não são apenas uma
forma de entretenimento para gastar a energia das crianças, mas meios que enriquecem o
desenvolvimento intelectual.”

Dessa forma, a ludicidade, tão importante para a saúde mental do ser humano é um espaço
que merece atenção dos pais e educadores, pois é o espaço para expressão mais genuína do
ser, é o espaço e o direito de toda a criança para o exercício da relação afectiva com o
mundo, com as pessoas e com os objectos.
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Assim, o lúdico possibilita o estudo da relação da criança com o mundo externo, integrando
estudos específicos sobre a importância do lúdico na formação da personalidade. Através da
actividade lúdica e do jogo, a criança forma conceitos, selecciona ideias, estabelece relações
lógicas, integra percepções, faz estimativas compatíveis com o crescimento físico e
desenvolvimento e, por meio dele vai se socializando com as demais crianças. Com isso,
pode-se ressaltar que a educação lúdica esteve presente várias épocas, povos e contextos e
forma hoje uma vasta rede de conhecimento no campo da Educação.

2.2. O Lúdico e as Crianças

Os jogos e as brincadeiras fazem parte da história da humanidade e muitos como forma de


sobrevivência. Os jogos perderam o valor e significado quando os cristãos ficaram no poder,
pois os consideravam profano e imoral e sem qualquer significado. Só a partir do século
XVI os jesuítas voltaram a aplicar e ensinar os jogos nos colégios jesuítas, de acordo com
Almeida (2003).

Segundo ALMEIDA (2003, p.19) Platão afirmava “que os primeiros anos da criança
deveriam ser ocupados com jogos educativos praticados em comum por ambos os sexos...” e
ainda atribuía ao exporte valor educativo e moral, o que contribuía para a formação do
carácter e personalidade da criança. Platão introduziu uma prática matemática lúdica, e
afirmava que deveriam introduzir, desde o início da vida escolar atractivos em forma de jogo
para aplicação do conteúdo, para que se tornasse prazeroso o aprender.

Os jogos educativos mostram a importância da brincadeira para o desenvolvimento infantil e


para a aquisição de conhecimentos dos educandos, pois criam novos desafios do quotidiano
e do lúdico, levando a assimilação da criança à realidade ou, ainda, como forma de obter o
conhecimento a sua maneira, podendo se criar significados e sentidos novos a arte de
aprender. O jogo na forma lúdica deverá dar espaço para a criança sintetizar a informação a
sua maneira, tendo a liberdade para conduzi-lo de forma prazerosa, alegre e livre. O
educador somente deve intervir para estimular a concepção da criança e a interacção dos que
apresentarem dificuldades de concentração ou participação para que o jogo absorva a
atenção por completo e contribua para melhorar o desenvolvimento integral da criança.

De acordo com ALMEIDA (2003, p. 32), MAKARENKO define que “ [...] o jogo é tão
importante na vida da criança como é o trabalho para o adulto [...]”, pois a educação com
jogos lúdicos:
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[...] além de explicar as relações múltiplas do ser humano em seu contexto


histórico, social, cultural e psicológico, enfatizam a libertação das relações
pessoais passivas, técnicas para as relações reflexivas, criadoras, inteligentes,
socializadoras, fazendo do ato de educar um compromisso consciente
intencional, de esforço, sem perder o carácter de prazer, satisfação individual
e modificador da sociedade (ALMEIDA, 2003, p. 31).
A brincadeira é de suma importância, pois através dela a criança cria seu mundo de
símbolos, desperta a sua criatividade criando cenas do seu quotidiano e o que presencia. O
lúdico torna o aprender mais prazeroso, faz com que a criança crie cenários imaginários
exercitando e explorando a sua criatividade utilizando o próprio conhecimento.

De acordo com ALMEIDA (2003, p. 42) as fases da criança em relação ao brinquedo é


dividida entre:

a) Sensório motora (1 a 2 anos): A criança descobre e utiliza seu próprio corpo como meio
de brincadeira, interage com outros objectos que estão ao seu alcance e ao seu redor e após
adquirir a linguagem começa imitar reproduz sons do ambiente e a copiar o que vê e ouve.

b) Simbólica (2 a 4 anos): Fase em que a criança gosta de estar com as pessoas mais velhas e
são egocêntricas, achando que o mundo gira em torno delas, não gostam de dividir e nem de
compartilhar o que lhe pertence, as brincadeiras com regras não funcionam muito e as mais
simples servem de estímulo para desenvolver o intelectual e quanto mais informações
receber mais guardará em seu cérebro.

c) Intuitiva (4 a 6/7 anos): Aqui é definido o seu desenvolvimento físico, intelectual, afectivo
e social. Com jogos simples a criança passa a perceber as noções de conservação, de
quantidade e outros conceitos que farão e serão utilizados durante toda a sua vida,
principalmente adulta, assim, o brincar assume uma preparação para a vida adulta.

A ludicidade é uma forma de linguagem que permite a criança se comunicar com os outros,
possibilitando não só a liberdade de expressão, mas a autonomia criativa, ampliando o seu
conhecimento sobre o mundo e proporcionando seu desenvolvimento emocional e social.

2.3. O Lúdico e as Práticas Pedagógicas

A Educação traz muitos desafios aos que nela trabalham e aos que se dedicam à sua causa.
Pensar em Educação é pensar no ser humano, em sua totalidade, em seu ambiente, nas suas
preferências. A esse respeito, FRIEDMANN (2003) expõe que no processo da Educação, o
papel do educador é primordial, pois é ele quem cria espaços, oferece os materiais e
participa das brincadeiras, ou seja, media a construção do conhecimento.
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Desse modo, devem-se seleccionar materiais adequados, o professor precisa estar atento à
idade e as necessidades de seus alunos para seleccionar e deixar a disposição materiais
adequados. O material deve ser suficiente tanto quanto à quantidade, como pela diversidade,
pelo interesse que despertam, pelo material de que são feitos. Outra função do professor é
permitir a repetição de jogos. Assim, na visão de MOYLES (2002) as crianças sentem
grande prazer em repetir jogos que conhecem bem, sentem-se seguros quando percebem que
contam cada vez mais habilidades em responder ou executar o que é esperado pelos outros.

O educador é mediador, possibilitando, assim, a aprendizagem de maneira criativa e social


possível. Para que o ensino seja possível é necessário que o aluno e o educador estejam
engajados, o educador deve ser o mediador/ facilitador do processo ensino-aprendizagem
infantil. Com isso, TEIXEIRA (1995) menciona que cabe ao educador oferecer inúmeras
oportunidades para que se torne prazerosa a aprendizagem por meio dos jogos e
brincadeiras.

2.4. O Papel do Brinquedo no Desenvolvimento Infantil

O brincar e o jogar são actos indispensáveis à saúde física, emocional e intelectual e sempre
estiveram presentes em qualquer povo desde os mais remotos tempos. Através deles, a
criança desenvolve a linguagem, o pensamento, a socialização, a iniciativa e a auto-estima,
preparando-se para ser um cidadão capaz de enfrentar desafios e participar na construção de
um mundo melhor.

Nesse sentido, VYGOSTKI (1998) ressalta que no brinquedo, a criança cria uma situação
imaginária, isto é, é por meio do brinquedo que essa criança aprende a agir uma esfera
cognitiva, é promove o seu próprio desenvolvimento no decorrer de todo o processo
educativo.

Dessa forma, o brinquedo, nas suas diversas formas, auxilia no processo ensino-
aprendizagem, tanto no desenvolvimento psicomotor, isto é, no desenvolvimento da
motricidade fina e ampla, bem como no desenvolvimento de habilidades do pensamento,
como a imaginação, a interpretação, a tomada de decisão, a criatividade, etc.

Segundo PIAGET (1998, p.62), “o brinquedo não pode ser visto apenas como divertimento
ou brincadeira para desgastar energia, pois ele favorece o desenvolvimento físico, cognitivo,
afectivo e moral”. Através dele se processa a construção de conhecimento, principalmente
nos períodos sensório-motor e pré-operatório. Agindo sobre os objectos, as crianças, desde
pequenas, estruturam seu espaço e seu tempo, desenvolvendo a noção de casualidade,
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chegando à representação e, finalmente, à lógica. As crianças ficam mais motivadas para


usar a inteligência, pois querem jogar bem, esforçam-se para superar obstáculos tanto
cognitivos como emocionais.

Nessa óptica, o brinquedo não é simplesmente um “passatempo” para distrair os alunos, ao


contrário, corresponde a uma profunda exigência do organismo e ocupa lugar de
extraordinária importância na educação escolar. Estimula o crescimento e o
desenvolvimento, a coordenação muscular, as faculdades intelectuais, a iniciativa individual,
favorecendo o advento e o progresso da palavra. Estimula a observar e conhecer as pessoas e
as coisas do ambiente em que se vive. Através do brinquedo a criança pode brincar
naturalmente, testar hipóteses, explorar toda a sua espontaneidade criativa.

Portanto, o brinquedo é um dos factores mais importantes das actividades da infância, pois a
criança necessita brincar, jogar, criar e inventar para manter seu equilíbrio com o mundo. A
importância da inserção e utilização dos brinquedos, jogo e brincadeira na prática
pedagógica é uma realidade que se impõe ao professor. Brinquedos não devem ser
explorados só para lazer, mas também como elementos bastante enriquecedores para
promover a aprendizagem. Através dos jogos e brincadeiras, o educando encontra apoio para
superar suas dificuldades de aprendizagem, melhorando o seu relacionamento com o mundo.
Assim, CAMPOS (2011) destaca que os professores precisam estar cientes de que a
brincadeira é necessária e que traz enormes contribuições para o desenvolvimento da
habilidade de aprender e pensar.

2.5. Aprendizagem em meio aos Brinquedos e Brincadeiras

Através dos jogos acontecem os primeiros contactos da criança com objectos, com as
pessoas e com o mundo ao seu redor. Algumas concepções teóricas são bem distintas em
relação à utilização do lúdico no processo de ensino e aprendizagem do aluno. Nesse
sentido, ANTUNES (2003) destaca as principais características das teorias de Freud,
Vygotsky e Piaget sobre a importância dos jogos e brincadeiras nesse processo.

a) VYGOTSKY: o lúdico privilegia a linguagem e o significado no desejo de brincar,


mostrando que sem esses recursos seria muito mais áspera a transposição mental, entre os
significados e os recursos significantes;

b) PIAGET: a criança que brinca desenvolve sua linguagem oral, pensamento associativo,
suas habilidades auditivas e sociais, além de construir conceitos de relações espaciais e se
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apropriar de relações de conservação, classificação, seriação, aptidões visuo-espaciais e


muitas outras;

c) FREUD: maneira como somos, pensamos, comportamos e construímos nossa alta ou


baixa - estima é produto da relação entre nosso consciente e nosso inconsciente e, assim
somos como que dirigidos por determinações que fogem ao império de nossa vontade ou
intenção. A tarefa de uma boa educação infantil seria a de propiciar, através de brincadeiras,
o afecto e a sociabilidade, dando voz aos sonhos infantis.

Acredita-se que através do uso dos jogos, possa-se difundir e estimular nos alunos o seu
desenvolvimento lógico, assim fazendo relações, concluindo e concretizando de forma
agradável e interessante, o conteúdo ao qual estão estudando. Para IVIC & MARJANOVIC
(apud KISHIMOTO, 2005) há cinco hipóteses que justificam o uso dos jogos tradicionais na
educação: a primeira considera o brincar um componente da cultura, prática social que
envolve crianças de todas as idades. A segunda, no contexto pedagógico, os jogos deve ser
preservadas. A terceira coloca os jogos como meio de renovar a prática pedagógica. A
quarta defende que os jogos preservam a identidade cultural da criança. A quinta coloca os
jogos promovendo a integração e socialização da criança.

Nesse caso, salientar que a aprendizagem através da ludicidade possui maior possibilidade
de ser canalizada pela criança e a escola é um dos locais para o desenvolvimento das
actividades lúdicas proporcionando diversos benefícios aos alunos. Além disso, cada
actividade tem seu significado próprio, único para cada um que brinca.

O lúdico apresenta funções sociais e demonstra a apresentação que a sociedade tem da


criança e quais os conceitos que possui acerca da infância. A criança evolui com o jogo e o
jogo da criança, paralelamente, evolui com o seu desenvolvimento.
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3. METODOLOGIA DA PESQUISA

O presente estudo trata-se de uma pesquisa básica bibliográfica, elaborada a partir de


material já publicado, constituído principalmente de livros, artigos de periódicos e materiais
disponibilizados na Internet.

3.1. Tipo de Pesquisa

Na presente pesquisa será feita uma pesquisa de campo, que oferece maior contacto com o
público-alvo e aproximação com o fenómeno social e educacional estudado. Este tipo de
pesquisa segundo MARCONI (2005, p.125), “baseia-se na observação dos fatos tal como
ocorrem na realidade”.

3.2. Classificação da Pesquisa

Quanto a natureza: Em relação à sua natureza, será desenvolvida uma pesquisa qualitativa,
pois, a mesma permite trabalhar com os sentimentos e falas dos envolvidos no estudo, pois,
de acordo com MINAYO (1994, p.21 e 22):

A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se


preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser
quantificado, ou seja, ela trabalha com o universo de significados, motivos,
aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais
profundo das relações, dos processos e dos fenómenos que não pode ser
reduzidos à operacionalização de variáveis.
Quanto aos procedimentos técnicos a pesquisa é bibliográfica. Segundo GIL (2006, p. 44),
a pesquisa bibliográfica, “é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído
principalmente de livros e artigos científicos.

3.3. Técnicas de Colecta de Dados

3.3.1. Entrevista

A entrevista é uma técnica usada pelo investigador, com objectivo de obter dados e
informações relacionados a pesquisa ou investigação.

Segundo HAUGHETTE (1997), define a entrevista como ‘‘um processo de interacção social
entre duas pessoas na qual uma delas, o entrevistador tem por objectivo a obtenção de
informações por parte do entrevistado’’ (p. 86).
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3.3.2. Questionário

O questionário é uma técnica de colecta de dado que é usada com pesquisas sobre um
determinado assunto. Esta técnica é composta por um conjunto de perguntas abertas e
fechadas claras e objectivas que permitem fácil compreensão ao pesquisado.

Segundo GIL (1999), o questionário é definido como: a técnica de investigação composta


por um número mais ou menos elevado de questões apresentadas por escrito às pessoas,
tendo por objectivo o conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos, interesses,
expectativas, situações vivenciadas etc.

O questionário será aplicado a direcção pedagógica, este contêm perguntas fechadas e


abertas

3.3.3. Observação

A observação é uma técnica de colecta de dados, pois ela permite recolher dados que não
fazem parte do questionário e guião de entrevista, e consegue informações e utiliza sentidos
na obtenção de determinados aspectos da realidade.

3.4. Delimitação do Universo

De acordo com SILVA (2001, p. 109), “o universo é a plenitude de tipos que possuem as
mesmas características definidas para um determinado estudo”.

No entanto, a pesquisa será feita aos educadores do Jardim Infantil Santa Cruz-Nampula,
num universo de 35 educadores desta instituição.
3.5. Amostra

Para este tipo de pesquisa, a classificação mais adequada é que se trata de um estudo onde a
amostragem será intencional não-aleatória, dentre os professores que trabalham no Centro
Infantil Casa do Sorriso. A amostra desta pesquisa será de 15 educadores que serão
submetidos a este estudo.

Elementos Técnicas Numero

Educadores Entrevista 13

A Direcção da Escolinha Questionário 2

Total 15
15

Referencias Bibliográficas

ALMEIDA, A. ludicidade como instrumento pedagógico. Disponível em:


http://www.cdof.com.br/recrea22.htm. Acesso no dia 09 de Setembro de 2018.

ANTUNES, C. Jogos para a estimulação das múltiplas inteligências: os jogos e os


parâmetros curriculares nacionais. Campinas: Papirus, 2005.

CARNEIRO, M. A. B. Aprendendo através da brincadeira. Ande, Revista da Associação


Nacional de Educação, ao 13, nº 21, Cortez Editores, 1995.

CHATEAU, J. O jogo e a criança. 2. ed. São Paulo: Summus, 1997.

CUNHA, N.H.S. Brinquedoteca: um mergulho no brincar. 3.ed. São Paulo: Vetor, 1995.

FRIEDMANN, A. A Importância de Brincar. Diário do Grande ABC, 26 de Setembro de


2003, Santo André, SP.

MARCELLINO, N. C. Pedagogia da animação. 2. Edição, Campinas, São Paulo - SP,


Editora Papirus, 1997.

MARCONI, M. de A. Fundamentos de metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Atlas,


2005.

MINAYO, M. C. de S. [et al.] (Org.) Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 2. ed.
Rio de Janeiro: Vozes, 1994.

MOYLES, J. R. Só Brincar? O papel do Brincar na Educação Infantil. Porto Alegre:


Artmed, 2002.