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A dor do coração de um pai

POR PROF. FELIPE AQUINO14 DE FEVEREIRO DE 2019RELACIONAMENTOS

Recebi a carta transcrita de um pai de três filhos, e que me pede para alertar os pais
para o mesmo problema que enfrenta com os seus filhos.
Com sua devida autorização a divulgo, sem mencionar os nomes das pessoas envolvidas.
Penso que é um alerta importante aos pais contra o ateísmo reinante hoje em nossas
universidades; até em algumas ditas católicas.

“Professor Felipe Aquino,

Primeiramente, almejo que a paz do Senhor esteja convosco.


Escrevo-lhe para dar conta de uma situação que acredito muitos pais devem estar passando.
Sou de família católica, criado dentro dos ensinamentos da reta doutrina e passei-os,
juntamente com minha esposa, a nossos três filhos.
Já ministrei aulas de religião em cursos de catequese de nossa paróquia. Criei meus filhos
buscando dar exemplos da fé cristã, fazendo-os ler a literatura católica tratando de nossa fé.
Quando pequenos, eu e minha esposa líamos, diariamente, passagens bíblicas.

Fiz com que os filhos lessem a História Sagrada de São João Bosco, entre outros muitos livros.
Meu filho mais velho, de 21 anos, está no 3º ano do curso de Física. O outro, de 19, está
cursando a 2ª série de Economia.

Ambos rebelaram-se contra a doutrina católica ou outra qualquer forma de crença religiosa.
Declaram-se ateus e dizem que o homem pode ser bom, correto e agir moralmente sem
precisar acreditar em Deus ou na vida eterna. Há canalhas, dizem os dois, tanto entre ateus
como entre religiosos, sendo esses últimos piores, porque falam uma coisa e agem
diferentemente. Os EUA, eles falam, massacraram os negros durante 200 anos, embora um
país cristão.

Leia também: Como defender a fé na universidade?


Como passar os valores cristãos para meus filhos?
Uma história que não é contada nas escolas
A importante missão de educar para a vida
Como evangelizar os meus filhos?
Por que os filhos se desviam?
Mostraram-me um artigo do falecido jornalista famoso, um ateu, publicado na Folha de S.
Paulo, onde ele escreve que depois de ter estudado em colégio jesuíta, lamentava ter perdido
a fé católica, porque ser católico é fácil, pois depois de pecar, basta se arrepender, se
confessar, comungar, e depois cometer os mesmos pecados. O jornalista escreveu que se
Hitler se arrependeu de seus crimes e rezou, deve estar lá no Céu.

Meus filhos decidiram fazer aqui em casa reuniões com professores de física, economia e
filosofia, todos ateus. Quando eu proibi esses encontros, eles ameaçaram sair de casa. Tive
que ceder. Eles dizem que por conta da educação que tiveram permaneceram alienados. Só
na universidade, com acesso a outras leituras e autores, perceberam que a Bíblia é um livro
de lendas, que o fato de Jesus Cristo ter existido isso não quer dizer que existe um Deus, que
Cristo é Deus feito homem, que há uma vida eterna, que Jesus ressuscitou. Eles me dizem
que, como todo religioso, eu não leio nada que tenha sido escrito fora de minha fé, que se
eu lesse seria, pelo menos, acometido pela dúvida.
Quando eu pedi que eles lessem o livro que o sr. escreveu sobre razão e religião, eles me
disseram que não iriam perder tempo com um livro que não vai além do que diz o Catecismo
da Igreja, onde não há liberdade de pensar fora dos dogmas. Para meus filhos, cientistas que
se dizem cristãos o fazem com o direito que cada um tem de acreditar no que lhe apetece,
mas que nenhum pode sustentar, empiricamente, suas crenças.

Meu filho mais velho diz que as crenças religiosas, como o amor, são cegas. Dizem que há
cientistas que acreditam em horóscopos. Eles dizem respeitar a fé católica dos pais, mas não
a aceitam. O mais velho dá aulas de física e matemática num curso pré-vestibular e o outro
aulas particular de alemão. Pois os dois gastaram suas economias de quase 3 mil reais com
a compra de livros de autores ateus.

O pior é que a irmã, de 15 anos, também vem se rebelando por influência dos irmãos. Eu não
posso nem falar na Canção Nova, pois ela diz que é uma gente fanática, igual a dos
seguidores do pastor Jim Jones. Se o Monsenhor Jonas mandar seus seguidores se
suicidarem, todos o seguirão. O que fazer, Professor Felipe?”

Esta Carta mostra bem o que a Universidade hoje representa


para a fé dos jovens cristãos, mesmo aqueles que receberam boa formação religiosa em casa.
Nota-se nas palavras dos jovens filhos do autor da Carta, que na Universidade só é mostrado
o ateísmo, e nem mesmo tem-se o cuidado de examinar as razões que unem a fé à ciência;
isto é uma terrível discriminação contra a fé e contra Deus.
O que fazer? Penso que os pais precisam continuar dando boa formação catequética a seus
filhos em casa, ensinando-os a rezar também; pois a oração sustenta a fé; especialmente o
Terço rezado todos os dias em casa. Nossa Senhora guarda a fé dos filhos.

E, quando eles forem para as escolas e universidades, continuar o diálogo religioso com eles;
continuando a rezar juntos, conversar sobre as coisas da fé; dar-lhes bons livros; convidá-los
a participar de Encontros religiosos, etc. Enfim, nunca desistir de levar os filhos para Deus.
Neste sentido escrevi livros para os estudantes: “Uma história que não é contada”; “Por que
sou católico”; “Para entender a Inquisição” e “Ciência e fé em harmonia”.

Prof. Felipe Aquino

Como defender a fé na universidade?


POR PROF. FELIPE AQUINO15 DE MAIO DE 2019CATEQUESE

Tenha fé, todos procuram a Deus, até mesmo o professor mais soberbo da sua
universidade, e não será um arcanjo que irá falar do Reino dos Céus para essa pessoa,
mas você!
Por ser professor universitário e católico, costumo receber perguntas de estudantes
universitários católicos que têm dificuldades na universidade com professores e colegas que
não são católicos. Relatos de preconceito, ironias e piadas são comuns. Geralmente me
perguntam como agir para serem coerentes com sua fé e ao mesmo tempo não colocarem-
se desnecessariamente em uma situação de risco acadêmico. Além disso, gostariam de poder
ajudar as pessoas que lhes agridem, mostrando a beleza da fé. Neste artigo vou responder à
pergunta com mais detalhes do que costumo fazer por e-mail.
1. Ame sempre e perdoe

Antes de tudo devemos lembrar que somos chamados a


amar, compreender e desculpar. Você não deve sentir raiva da pessoa. Por mais ofendido
que possa ter sido, deve procurar compreender aquela atitude e cobri-la com milhares de
desculpas e razões para ter agido daquele modo. Não é assim que uma mãe faz com aqueles
pequenos erros que um filho comete? “Ah, tadinho, está com fome, está cansado, está
entediado…”, ou então, “ele ainda é muito novinho, não entende essas regras de adultos”.
Sempre podemos fazer o mesmo: “coitado, nunca teve contato com o verdadeiro Evangelho,
só versões deturpadas e simplificadas”, “não conhece História a fundo”, “teve alguma
dificuldade na vida e colocou a culpa em Deus”. Provavelmente você irá acertar, pois como
dizia o bispo americano Fulton Sheen: “Não há cem pessoas nos EUA que odeiam a Igreja
Católica, mas existem milhões que odeiam aquilo que pensam ser a Igreja Católica”.
2. Aprenda a acolher
O primeiro passo precisa (necessariamente!) ser esse acolhimento da pessoa que lhe agride.
Sem isso, você irá querer agredi-la também, e assim não poderá ajudá-la. A agressão pura e
simples nunca é boa. Você pode até dizer palavras duras como resposta, mas essas palavras
precisam ser ponderadas na caridade, caso contrário, não serão um remédio (amargo às
vezes), mas sim um instrumento que fere.

Outra razão para procurar desculpar a pessoa é que assim você poderá começar a trabalhar
o segundo passo: por que ela age assim? Você precisa “entrar” na mente e no coração dessa
pessoa. Nunca esqueça que nós agimos sempre com a mente e o coração (razão e
sentimentos), e que nosso agir depende muito da nossa história pessoal. Você precisa se
tornar próximo, verdadeiramente amigo daquela pessoa para poder conhecê-la e ajudá-la.
Como um médico poderia tratar um doente se não quisesse gastar tempo em descobrir a
doença que acomete o paciente? Veja-se como um médico, médico de almas, e que foi
colocado pela Providência Divina junto daquela pessoa para ajudá-la.

Leia também: A Fé Católica


A identidade e a missão da Universidade Católica
Uma história que não é contada nas escolas
Igreja Católica, mãe das Universidades
A dor do coração de um pai
Os Cientistas e a Fé
3. Seja prudente e entenda: nem sempre ganhar discussões é evangelizar!

Quando se trata de um professor universitário, valem algumas


dicas que em geral nos ajudam a encontrar o problema com mais facilidade. Você precisa
saber que o defeito mais comum (quase unânime!) dos professores universitários é a soberba.
Há uma piada que diz que depois do doutorado as pessoas se tornam “PhDeuses” (uma
brincadeira com o nome do título de doutor fora do Brasil: PhD). Infelizmente, a maioria dos
professores universitários sofre de vanglória e vaidade. Se vangloriam de saber muito e
acreditam ser admirados por todos. Consideram-se o que há de melhor na sociedade porque
estudaram muito e são cientistas. Claro que isso é uma bobagem, e é evidente que estão
errados. Sabem muito só de uma área (às vezes nem isso!) e não são admirados pelas outras
pessoas só porque têm doutorado.
Assim, você precisa tomar cuidado quando contraria um professor, especialmente se for na
sala de aula e na frente de outros alunos, pois provavelmente ele é soberbo e a vaidade o
tornará muito agressivo. Em geral os professores soberbos consideram os alunos como muito
ignorantes e por mais que você possa usar os argumentos mais sábios, mais bem elaborados,
não será em uma discussão na frente de toda a turma que você sairá ganhando. Aliás, nem
deveria pensar em ganhar discussões, evangelizar não é ganhar discussões. O que você
provavelmente ganhará será um problemão com um professor ofendido no seu pé. A sala de
aula é o templo do professor orgulhoso. É lá que ele tem poder e é admirado pelos alunos.
Eu tive um professor de Cálculo que dizia que só ele podia tirar a nota máxima, por melhor
que o aluno fosse na prova, ele sempre encontrava algo para descontar, nem que fosse a
letra feia!
Infelizmente, esta visão inferior dos alunos que os professores universitários mantém é
alimentada muitas vezes pelos próprios alunos que, não raro, são péssimos estudantes e
muito pouco comprometidos com as disciplinas. Para você ganhar respeito do seu professor,
mostre empenho no estudo, ordem nas suas anotações e manifeste interesse em entender a
matéria, não somente em tirar uma nota boa. Procure-o para fazer perguntas sobre as
questões difíceis, não falte às aulas, vá bem vestido (uma parte considerável dos meus alunos
vêm vestidos como se estivessem indo à praia! Já tive aluno descalço na sala — e o celular
dele mostrava que não era por falta de dinheiro).

Com o passar do tempo, tendo caridade pelo seu professor e tendo ganhado o respeito dele
por ser bom aluno, vá procurando falar com ele a sós das piadas e ironias que ele faz na sala.
Procure deixar claro que além de você há vários outros estudantes que são ofendidos por ele
e que não falam nada por medo de retaliações. Acredito que ele irá mudar o comportamento.
Se houver abertura, vá falando da sua fé para ele.

4. Com jeitinho, ajude a formar seus colegas na fé


Com os colegas o apostolado deve seguir o mesmo esquema. A maioria dos estudantes
universitários que se diz ateu é tão soberba quanto os professores. Além disso, como os
professores, também foi muito mal formado na fé e em assuntos de humanidades, como
História e Filosofia. Mesmo nos departamentos de humanas é possível constatar uma imensa
ignorância nessas matérias, pois costumam estudar somente uma dúzia de autores favoritos
e que pensam todos de forma igual. Faça o teste, escolha um autor — moderno ou não —
que escreva fora da linha ideológica marxista e verifique que a maioria nem mesmo o
conhece!

5. Todo cuidado é pouco. É preciso trabalhar com cautela!


Para encerrar, gostaria de fazer uma advertência. As meninas não devem procurar fazer
apostolado com os professores homens, assim como os rapazes não devem fazer apostolado
com as professoras. Provavelmente seu professor(a) é casado(a) ou tem namorada(o). Além
disso, mesmo que não seja o caso, o envolvimento de alunos com professores é muito
antiético. Nestes casos, você deveria procurar por um(a) colega que têm fé e pedir ajuda,
explicando que você não pode se tornar próximo de uma pessoa que é casada pois isso
poderia acabar mal.
O apostolado direto passa por tornar-se amigo da pessoa,
amigo íntimo, em compartilhar das alegrias e penas da vida. Uma relação íntima assim pode
acabar em paixão quando se trata do sexo oposto e todo cuidado é pouco nestes casos. São
Jose Maria Escrivá dizia que para ajudar um amigo podemos ir até às portas do inferno, mais
não, pois lá dentro já não se pode mais amar a Deus. O conselho vale para essa situação, pois
que tipo de ajuda você dará para a pessoa fazendo-a pensar em adultério?
Por fim, mesmo que você não consiga se aproximar do seu professor ou colega, a sua atitude
de bom estudante, de católico coerente e que vive sua fé com profundidade e naturalidade,
de bom amigo, irá chamar a atenção. Talvez não dessa pessoa, mas de outra que Deus
colocou do seu lado para ser ajudado e você nem tenha reparado. Muitas palavras de fé que
dizemos hoje só vão germinar anos mais tarde, em algum momento decisivo da vida. Tenha
fé, todos procuram a Deus, mesmo o professor mais soberbo da sua universidade, e não será
um arcanjo que irá falar do Reino dos Céus para essa pessoa, mas você.

Alexandre Zabot
Físico e doutor em Astrofísica – Professor da UFSC
www.alexandrezabot.blogspot.com.br

Você mima ou superprotege seus


filhos?
POR PROF. FELIPE AQUINO1 DE ABRIL DE 2019RELACIONAMENTOS
Uma dica para educação dos filhos…
Outro ensinamento que a Bíblia e a psicologia dão aos pais é este: “Aquele que estraga seus
filhos com mimos terá que lhes curar as feridas” (Eclo 30,7).

Mimar o filho é dar a ele tudo o que ele quer, é não saber pôr limites às suas exigências; é
fazer por ele aquilo que ele deveria fazer por si mesmo. É dar a ele uma porção de coisas que
não precisa.

A palavra de Deus é forte: tal prática “estraga” o filho, e mais tarde teremos que lhes curar as
feridas.

A razão disso é que o filho, mimado na infância e na


adolescência, cresce pensando que o mundo lhe pertence e que todos devem fazer a “sua”
vontade. Eles se tornam egoístas e egocêntricos; querem o mundo girando em torno deles.
É por isso que muitos adultos não sabem respeitar a vontade dos outros; foram criados como
reizinhos, os quais todos faziam suas vontades; só faltando incensá-los. Assim, quando
cresce, o jovem percebe que a realidade da vida é outra bem diferente, então se revolta
contra os pais, contra as autoridades, contra Deus, e acha que todos são injustos com ele.
Este fenômeno está cada vez mais comum: as “crianças hiperprotegidas”, seus pais os
mantêm em um ambiente como de “plantas de inverno”. Evitam qualquer tipo de risco ou
qualquer atividade que cause certo esforço para eles. São crianças praticamente proibidas de
sair sozinhas na rua, com uma vida, depois do colégio, perfeitamente organizada com
diversas aulas, que compram tudo o que veem nos anúncios da televisão, comem só o que
querem, e não o que devem, e fazem só o que lhes dá vontade e prazer.

Leia também: A sublime missão de Educar


Os dez mandamentos dos pais e educadores
A importante missão de educar para a vida
Educar é uma missão maravilhosa
Essas crianças podem até serem obedientes e comportadas enquanto a vida não exige mais
delas. Mas, com o tempo, começam a se sentir incapazes de alcançar bons resultados nas
atividades. Elas são semelhantes àquelas que não foram educadas: têm baixa autoestima: são
movidos por impulsos mais do que por convicção; toleram mal a frustração e buscam
satisfações imediatas; não sabem enfrentar os problemas, fogem deles; não aprenderam a
arcar com as consequências dos próprios atos; estão acostumadas às soluções fáceis…

Em resumo, são imaturos. E o mais perigoso de tudo isso é que estes meninos e meninas têm
mais facilidade para deixarem-se levar pelas más amizades, ou pelo ambiente que os
rodeiam, e adquirindo assim vícios e maus comportamentos.

Os pais precisam deixar os filhos se “arriscarem”. Se não for perigoso para sua saúde física
ou moral, deixe que fracassem alguma vez; que aprendam a respeitar as regras e reconheçam
a autoridade; que resolvam eles mesmos seus pequenos problemas; que ajudem em casa e
não se tornem pequenos tiranos. Deixem-os ir amadurecendo de acordo com sua idade de
modo que possam, pouco a pouco, serem mais e mais livres, e caminhar com as próprias
pernas.

Os pais precisam deixar de ser ingênuos e ficar pensando que o filho é incapaz de ser
influenciado negativamente pelos amigos; precisam deixar de ser cegos, e não ver a tempo
ou não querer ver que seu filho está adquirindo maus hábitos.
Os pais não podem ser apenas provedores materiais dos filhos. Não podem ser permissivos,
achando que os filhos têm o direito de ter tudo o que ele não teve.

Os filhos têm que ser preparados para enfrentar sozinhos os problemas da vida e aprender
a resolvê-los, e estarem prontos para assumir responsabilidades. Sem isto não haverá um
bom futuro para eles. Para isto é preciso educar-lhes a vontade e ensinar-lhes a administrar
a liberdade, a ser responsáveis pelos seus atos, e aprender a lutar para alcançar os bens
difíceis.

Uma criança e um adolescente superprotegidos não


adquirem os “anticorpos” para enfrentar os problemas da vida. Pelo fato de não terem
conseguido o sucesso com suas lutas, podem se sentir com baixa estima, hoje tão comum.
Muitos deles não sabem trabalhar as perdas, os fracassos, os problemas normais da idade e
da vida, algumas vezes, caem até em depressão por causa disso. Às vezes, se desesperam
diante de problemas que outros jovens de sua idade resolvem com facilidade. Enfim, não
foram preparados para o combate da vida.
São jovens que, quase sempre, querem uma satisfação imediata em tudo o que fazem; não
têm paciência de plantar para colher mais tarde. São imediatistas, pragmáticos, querem
soluções fáceis e rápidas para problemas difíceis. Não conseguem cultivar bons hábitos e
disciplina, horários, compromissos, etc. O filho mimado e superprotegido pelos pais, não
aprende o valor do trabalho, do estudo, da solidariedade com os que sofrem, é dominado
pelo amor próprio, egoísmo e egocentrismo; o mundo gira em torno dele. Sobretudo cultiva
a autopiedade e a mania de perseguição. Sente-se uma vítima injustiçada por qualquer
contrariedade.

Não faça para o seu filho o que ele pode fazer por si mesmo; deixe-o andar com as próprias
pernas, ainda que ele tenha que levar vários tombos até aprender.
Os pais não podem também fechar os olhos para os erros dos filhos ou até mesmo, como
alguns fazem, achar graça nisso.

A Bíblia chama a atenção dos pais para isso:

“Adula o teu filho e ele te causará medo, brinca com ele e ele te causará desgosto” (Eclo
30,9).

Adular é bajular, agradar e elogiar em excesso, colocar o filho numa posição de destaque
exagerado, como se fosse o melhor do mundo, sem perceber que ele também precisa da
correção. Como a criança aprende mais por imitação do que por reflexão, o filho que é
bajulado aprende a bajular, o que é péssimo para o seu futuro. Aquele que sabe adular,
sabe também caluniar. Coelho Neto disse que “quem sobe por bajulação sempre deixa um
rastro de humilhação”. Muitos, infelizmente, aceitam até rastejar para conseguir os seus
interesses escusos; não devem reclamar se por acaso forem pisados por alguém.

Não queira isto para os seus filhos. É próprio do escravo ter um preço; e qualquer um que
aceite subir pela bajulação, fixará, com a sua conduta, o seu próprio preço e a sua escravidão.

Não se pode cultivar isto nos filhos. “Brincar” com o filho é não levá-lo a sério, achar graça
até nas coisas erradas que ele faz.

Há pais que parecem cegos diante dos problemas dos próprios filhos. Às vezes a criança está
sendo inconveniente, incomodando todo mundo com os seus maus hábitos, de gritar, chutar,
correr onde não pode, etc., e mesmo assim o pai e a mãe não tomam a mínima providência;
ou, quando o fazem, não usam de autoridade, e, por isso, não têm sucesso.

Quantas vezes a criança irrita a todos, mas para os pais parece que tudo está bem; parecem
cegos e surdos.

Se de um lado, é preciso ter certa tolerância com o comportamento da criança, por outro
lado, não se pode permitir que ela ultrapasse os limites da própria idade. Há pais que são
muito “moles” com os filhos, isto não é amor, é fraqueza que gera maus hábitos na criança.

Enfim, toda a vida da pessoa pode ficar comprometida por uma infância com excesso de
proteção e falta de educação.

Assista também: Um conselho de Deus para educar os filhos – Eclo 30,1-13


Cumpra todas as promessas que tiver feito aos filhos
Quando os pais deixam de cumprir algo prometido aos filhos, eles perdem a confiança deles,
e isto é muito mau. Por isso, não prometam nada aos filhos: viagens, passeios, presentes, etc,
sem ter antes a certeza de que poderão cumprir.

Além de tudo, é um mau exemplo que amanhã a criança pode


incorporar nos seus procedimentos.
Me lembro de uma vez em que eu chorei desconsoladamente quando eu era pequeno. Meu
pai tinha uma fazenda e tinha comprado um cavalo pequeno que se chamava Mascote. Eu
ficara incumbido de levar o Mascote para a nossa fazenda, montado nele, desde o sítio onde
ele estava. Me parecia a maior aventura do mundo. Mas, no dia da grande aventura, da qual
eu sonhara dias e noites, a decisão foi mudada, não sei porque, e eu não ia mais montar o
Mascote e o levar para a fazenda.

Foi como se o céu desabasse sobre mim; me senti a criança mais triste do mundo. Ao meu
redor, o mundo continuou o mesmo, mas eu estava inconsolável e ninguém compreendia a
minha decepção. É assim a cabeça e os sonhos de uma criança; por isso, temos de ser
sensíveis aos seus sentimentos e nunca lhes faltar com a menor das promessas feitas.

Retirado do livro: “Educar pela Conquista e pela Fé”. Prof. Felipe Aquino. Ed. Cléofas.