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Refrigeração

Engenharia Mecânica

Sistemas de Refrigeração
Prof. Engº Harold Katzer
Sistemas de Refrigeração Engenharia Mecânica

SISTEMAS DE REFRIGERAÇÃO

Princípios Gerais

Relembrando os conceitos básicos da termodinâmica, sabemos que o calor


sempre migra de uma fonte quente para uma fonte fria.

Assim sendo, o calor, que é uma energia térmica, migra entre fontes de
diferentes temperaturas, até que um equilíbrio térmico seja alcançado, cessando
assim a condição de migração desta energia.

Na refrigeração o objetivo é fazer a redução de temperatura de um


ambiente e/ou matéria, em condições desejadas e controladas. Na disciplina de
Máquinas Térmicas já estudamos como fazer a redução de temperatura de
fluidos, com o uso de trocadores de calor, porém, como já estudado neste caso, o
processo realizado foi o de fazer a transferência de calor de um fluido quente
para um fluido frio, resultando no resfriamento de um fluido em detrimento do
aquecimento do outro fluido.

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Portanto, em condições naturais os ambientes e as matérias neles contidos


tendem a chegar num equilíbrio térmico, sempre fazendo com que um fluxo de
calor ocorra da fonte quente para uma fonte fria, sendo que a temperatura final
dependerá da quantidade de energia térmica disponível. Como resultado temos o
resfriamento dos objetos quentes e o aquecimento dos objetos frios.

Todavia, para atingirmos o objetivo da Refrigeração, onde queremos reduzir


a temperatura de algo, teremos que fazer com que a energia térmica contida em
um determinado ambiente, bem como, nos materiais nele contido, seja removida
dos mesmos, até o ponto térmico desejado, com posterior controle da
manutenção da temperatura deseja.

Avaliando a figura acima, a princípio podemos dizer que a condição


apresentada é contrária às Leis da Termodinâmica, uma vez que, se
consideramos que um “ambiente refrigerado” deve ter temperatura inferior à
temperatura do meio externo, é impossível fazer que o fluxo de calor indicado
ocorra de forma natural. Assim sendo, temos que buscar artifícios que
possibilitem transportar o calor da forma proposta na figura acima.

Início da Refrigeração

No século XIX iniciou-se a prática da Refrigeração, onde a mesma era


obtida com a utilização de gelo, de modo a fazer o resfriamento de alimentos. O
princípio inicialmente utilizado era o de inserir uma fonte fria no ambiente a ser
refrigerado, fazendo com que o calor do ambiente e dos produtos migrasse para
essa fonte fria, refrigerando assim os mesmos. Esse conceito é demonstrado na
figura a seguir.

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O princípio utilizado era bastante simples, ou seja, isolava-se do meio


externo o objeto a ser refrigerado, colocando-o em um ambiente com uma fonte
fria, e assim sendo, o calor do objeto era transferido para a fonte fria. Com base
nesse conceito foram criados os primeiros equipamentos de refrigeração,
conforme figura a seguir.

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Para entender como este efeito de refrigeração era obtido, vamos analisar o
conceito termodinâmico envolvido com esta simples geladeira demonstrada na
figura. Como podemos observar, tratava-se de um armário composto de dois
diferentes compartimentos, onde no compartimento superior era armazenado
gelo, enquanto que no outro compartimento eram armazenados os alimentos. Por
efeito de convecção o ar do compartimento inferior trocava calor com a parede do
compartimento superior, sendo assim resfriado, e por consequência, resfriando
também os alimentos armazenados neste compartimento. Já no compartimento
superior, o gelo trocava calor com a parede divisória, pelos efeitos de condução e
convecção. Como o gelo, no compartimento superior, tinha temperatura inferior à
temperatura do compartimento inferior, o fluxo de calor ocorria de forma natural,
ou seja, migrava do compartimento quente para o compartimento frio, no qual
estava contido o gelo, provocando o derretimento do mesmo, com o consequente
escoamento da água para fora do sistema. Este sistema tinha a necessidade de
constante reposição de gelo no compartimento superior, de modo a manter o
sistema em funcionamento, uma vez que pelo fato do armário não ser totalmente
isolado em relação ao meio externo, ocorria também infiltração de calor do meio
externo para o meio interno. Também existe a necessidade da abertura da porta
dos compartimentos, seja para a reposição do gelo (compartimento superior),
como também, para a movimentação dos alimentos (compartimento inferior).
Assim sendo, os efeitos termodinâmicos estão representados na figura a seguir.

Como podemos observar na figura ao


lado, na refrigeração, além do resfriamento de
um ambiente ou material, temos que lidar
também com o fluxo de calor pela fronteira do
ambiente refrigerado, como também, pela
renovação de ar no sistema. Portanto, um
sistema de refrigeração deve ser realizado em
um ambiente fechado, devidamente isolado, de
modo a propiciar o fluxo de calor deste
ambiente fechado, em direção ao agente
refrigerante.

Seguindo a linha de raciocínio acima, onde podemos afirmar que o gelo era
o “refrigerante” dos sistemas, novos artifícios passaram a ser utilizados, uma vez

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que o sistema de refrigeração com gelo somente era praticável em locais onde
havia gelo disponível. Para provocar o efeito acima, o gelo foi substituído por
outros tipos de refrigerantes, como veremos a seguir.

Fluidos refrigerantes para refrigeração

A refrigeração se apoia nos princípios físicos de mudança de estado das


substâncias, como no caso já apresentado, onde podemos manter certa
temperatura constante, em função da mudança de estado do gelo, que passa do
estado sólido para o estado líquido, como demonstrado na figura a seguir.

No exemplo já estudado, vimos que o sistema refrigerado recebe uma


quantidade de gelo (refrigerante), o por ser um sistema aberto à pressão
atmosférica, o gelo derrete e o líquido resultante é drenado para fora do sistema,
requerendo uma constante reposição do elemento refrigerante. Este conceito é
valido para condições onde temos gelo disponível a custo reduzido, e também,
para os casos onde a temperatura de refrigeração deve ser próxima a zero grau
Celsius (temperatura de fusão do gelo à pressão atmosférica constante).

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Devido às limitações já citadas para a utilização do gelo como refrigerante,


houve a necessidade de utilizar outras substâncias como agentes refrigerantes,
de modo a fazer a refrigeração em locais onde não havia gelo disponível, bem
como, fazer a refrigeração em temperaturas diferentes, de acordo com as
necessidades das diferentes aplicações da refrigeração.

Como o agente refrigerante representa um custo para o sistema de


refrigeração, a utilização do mesmo é feita em um circuito fechado, de modo a
reutilizar o mesmo, sem a necessidade de frequente reposição do refrigerante.
Assim sendo, um refrigerante para ser utilizado em um circuito fechado, não deve
atingir o estado sólido, o que impediria a fluidez do mesmo pelo circuito, o que
nos limita a trabalhar com refrigerantes em seus estados líquido e/ou gasoso.

Além do já exposto, os agentes refrigerantes devem possuir outras


características desejáveis, como relatado a seguir, baseado em texto dos
Professores Ricardo A. S. de Campos e Arnaldo Augusto A. de Souza Jr., do
IFPA – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará.

Segurança
As fugas ou vazamentos de fluidos refrigerantes podem ocorrer em juntas
de tubulações, selos de vedação ou outras partes do sistema, durante a sua
instalação ou operação, ou ainda por acidente. Deste modo, devem apresentar
níveis de segurança aceitáveis para os seres humanos e processos de
fabricação, com pouca ou nenhuma toxicidade e inflamabilidade. De acordo com
a norma ANSI/ASHRAE 34−1992, a toxicidade dos fluidos refrigerantes é
classificada em Classes A ou B. Na Classe A estão os de menor toxicidade e
menos perigosos, ou seja, não apresentam toxicidade quando sua concentração
é menor ou igual a 400 ppm (partes por milhão), em massa. Os fluidos
refrigerantes Classe B são os mais perigosos e apresentam evidências de
toxicidade em concentração igual ou menor a 400 ppm. Como exemplos de
fluidos refrigerantes pertencentes à Classe A, tem-se: HCFC-22, HFC-134a,
CFC-11, CFC-12 e R-718 (água), e pertencentes à Classe B, podem ser citados
HCFC-123 e R-717 (amônia). O R−717 (amônia) misturado com o ar em
concentrações entre 16 e 25% em volume, é altamente explosivo, apesar de se
enquadrar no grupo de baixa inflamabilidade.

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Deslocamento volumétrico do compressor por capacidade de refrigeração


O deslocamento do compressor, para produzir uma determinada
capacidade de refrigeração, expressa a relação entre a vazão volumétrica ideal
de refrigerante e a capacidade de refrigeração que o compressor pode
desenvolver. No caso dos compressores de deslocamento positivo, o
deslocamento do compressor determina o seu tamanho e isto é usado como um
critério para seleção do refrigerante. O deslocamento do compressor depende
principalmente da entalpia de vaporização do refrigerante e de seu volume
específico na pressão de sucção: o primeiro deve ser grande e o segundo
pequeno, para que o compressor seja o menor possível. Os sistemas de
refrigeração que antes usavam o CFC−12, agora usam o HFC−134a. As
implicações dessa substituição podem então ser observadas. O efeito refrigerante
do HFC−134a é 29,3 % maior, porém seu volume específico na sucção também é
33,9 % maior, resultando num deslocamento do compressor 3,6 % maior. Como
os outros parâmetros mostrados são praticamente da mesma ordem de grandeza
essa substituição ocorrerá sem nenhum problema de ordem termodinâmica.

Coeficiente de performance ou desempenho (COP)


O COP relaciona o efeito refrigerante e o trabalho de compressão
isentrópico do ciclo para valores determinados de temperaturas de evaporação e
de condensação. Geralmente, nos compressores de deslocamento positivo
abertos, o denominador do COP é a potência de eixo; já nos herméticos e semi-
herméticos é a potência elétrica consumida. Obviamente, o COP baseado na
potência de eixo ou na potência elétrica é menor do que o COP baseado na
potência de compressão isentrópica. O objetivo é de que o sistema possua
valores de COP maiores, pois se gasta menos para produzir a mesma quantidade
de refrigeração.

Propriedades termofísicas
As propriedades físicas mais importantes são as pressões de evaporação e
de condensação, a temperatura de descarga, as propriedades dielétricas e a
condutibilidade térmica. Algumas propriedades termofísicas são de importância
fundamental para o desempenho e segurança operacional dos sistemas de
refrigeração:

Pressão de evaporação e de condensação: É melhor usar um refrigerante no


qual a pressão de evaporação seja maior do que a pressão atmosférica, para

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impedir que o vapor de água e outros gases não condensáveis presentes no ar


penetrem no sistema, causando problemas de solidificação e formação de ácidos,
devido à presença de umidade e aumentando a pressão de condensação devido
aos gases não condensáveis. A pressão de condensação deve ser a mais baixa
possível, visto que pressões elevadas implicam em construções mais robustas
(pesadas) do compressor, tubulações de descarga e de líquido, condensador e
outros componentes. Além disso, podem exigir um compressor centrífugo de alta
rotação para obtê-las.

Temperatura de descarga: É preferível um refrigerante que apresente


temperaturas na descarga do compressor abaixo de 100°C. Temperaturas acima
de 150°C podem carbonizar o óleo lubrificante e danificar suas válvulas de
descarga. A amônia apresenta a mais alta temperatura de descarga entre os
refrigerantes mais usados.

Propriedades dielétricas: São importantes naqueles refrigerantes que entram


em contato direto com os motores elétricos, tais como acontece nos
compressores herméticos e semi-herméticos. A constante dielétrica da maioria
dos CFC's é da mesma ordem de grandeza que o ar. Valores dessas
propriedades podem ser encontrados em ASHRAE, 1997, para as fases de
líquido e vapor.

Condutibilidade térmica: A condutibilidade térmica do refrigerante está


intimamente relacionada com a eficiência de transferência de calor no evaporador
e no condensador do ciclo de refrigeração. A condutibilidade do vapor é sempre
menor que a do líquido. Condutibilidade térmica elevada significa também maior
transferência de calor nos trocadores de calor.

Características operacionais
As principais características operacionais são: a inércia química (efeitos
sobre os materiais de construção), a miscibilidade com o óleo lubrificante e a
detecção de fugas.

Inércia química: Um refrigerante inerte não reage com outros materiais (metais,
elastômeros e plásticos), o que evita corrosão, erosão ou danos aos
componentes do circuito de refrigeração. Em condições normais de uso, os
halogenados são compatíveis com todos os metais exceto com magnésio, zinco e
ligas de alumínio contendo 2% de magnésio, especialmente na presença de

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água. A amônia, na presença de água, corrói o cobre e suas ligas. Quando há


contaminação por água em sistemas usando dióxido de enxofre, forma-se um
ácido que ataca rapidamente o aço e mais lentamente outros metais.

Miscibilidade com o óleo lubrificante: Quando pequenas quantidades de óleo


misturam−se ao refrigerante, essa mistura ajuda a lubrificar os pistões, as
válvulas de descarga e outras partes móveis do compressor. Esse óleo deve
retornar ao compressor, vindo do condensador, do evaporador e das tubulações
de refrigerante, proporcionando sua lubrificação contínua. Por outro lado, o
refrigerante pode diluir o óleo reduzindo seu efeito lubrificante, e quando esse
óleo adere aos tubos no condensador e no evaporador forma películas que
reduzem as taxas de transferência de calor. O HCFC−22 é parcialmente miscível,
o HFC−134a é fortemente miscível e o R−717 (amônia) é imiscível com o
lubrificante. As medidas para garantir o retorno de óleo ao compressor devem ser
tomadas durante o projeto do sistema de refrigeração, pois uma lubrificação
inadequada pode causar desgaste prematuro e quebras de suas partes móveis.
Quando da substituição de CFC−12 pelo HFC−134a, deve-se usar um lubrificante
sintético compatível.

Detecção de fugas: As fugas de refrigerante devem ser facilmente detectadas,


caso contrário, ocorrerá uma redução gradual da capacidade de refrigeração
atingindo uma eventual parada do sistema, assim como contribuem para a
depleção da camada de ozônio. A maioria dos CFC's, HCFC's e HFC's são
incolores e inodoros. Desse modo, as fugas podem ser detectadas de três
formas:

1) Lamparina Halide: Este método é simples e rápido. Quando o ar escoa sobre


um elemento de cobre aquecido por uma chama de álcool metílico (de cor
azulada), os vapores de CFC se decompõem e mudam a coloração da chama
para verde (em pequenas fugas) ou para azul-avermelhada (em grandes fugas);

2) Detector eletrônico: Este tipo de equipamento mostra a variação de uma


corrente elétrica devido à ionização do refrigerante decomposto entre dois
eletrodos com cargas opostas. É muito sensível, mas não pode ser usado onde o
ar ambiente contém vapores inflamáveis ou explosivos.

3) Detecção por bolhas: Uma solução de sabão ou detergente é passada sobre


os pontos suspeitos, e caso haja vazamento observa-se a formação de bolhas.
Os vazamentos de amônia são rapidamente identificados por seu odor

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característico, mesmo em pequenas fugas. Pode-se usar também um papel


indicador que muda de cor na presença de gases de amônia.

Características e aplicação dos principais fluidos refrigerantes

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INTRODUÇÃO À REFRIGERAÇÃO

A refrigeração de um ambiente seja para conforto da ocupação humana (ar-


condicionado) ou para resfriamento e armazenamento de produtos (câmaras ou
sistemas de refrigeração), deixou de ser um artigo de luxo ou secundário,
passando a requerer atenção especial em vista dos benefícios obtidos, seja na
questão de ambientes confortáveis para realização do trabalho humano, como
também, para a manutenção da qualidade de produtos onde ser requer um
armazenamento sob condições controladas.

Como passaremos a estudar, depararemos com uma grande quantidade de


variáveis envolvidas num projeto de controle das condições climáticas de um
ambiente, o que faz com o papel do Engenheiro seja fundamental para o
desenvolvimento desses projetos, em vista dos investimentos envolvidos, seja no
custo da instalação, como também, no custo operacional da instalação.

Com relação à climatização de um ambiente para ocupação humana, os


objetivos são a manutenção constante da temperatura, umidade e limpeza do ar
interior. Atualmente temos diretrizes de projeto definidas na norma NBR 6401
(antiga ABNT NB-10), relativa a “Instalações centrais de ar-condicionado para
conforto – Parâmetros básicos de projeto”. Muitos conceitos são também
embasados em especificações da ASHRAE (American Society of Heating,
Refrigerating and Air Conditioning Engineers).

Portanto, para o desenvolvimento de um projeto de climatização, além do


controle da temperatura, outros parâmetros devem também ser controlados, tais
como a umidade relativa e a limpeza do ar ambiente. Para melhor entendimento
dos parâmetros envolvidos, vamos inicialmente estudar os aspectos
psicrométricos envolvidos.

PSICROMETRIA BÁSICA PARA REFRIGERAÇÃO

A Psicrometria é o estudo das propriedades do ar atmosférico, objetivando


a medição de suas condições e propriedades. O estudo do condicionamento de
ar envolve medição e a determinação das propriedades do ar externo e do ar

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presente em um local condicionado. A Psicrometria é também utilizada para


determinar em quais condições o ar terá melhores propriedades de conforto em
um sistema de condicionamento de ar.

Ar atmosférico

O ar atmosférico na realidade é uma mistura de ar e de vapor de água. A


proporção dessa mistura varia de acordo com as condições meteorológicas, e a
condição dessa proporção tem influência direta sobre o conforto humano.

A composição do ar atmosférico, além do vapor e água, é uma mistura de


gases que podem ser considerados de proporções constantes, conforme
detalhamento a seguir.

Além dos constituintes acima, existem traços de outros constituintes em


proporções muito pequenas, que acabam não sendo consideradas. O ar
atmosférico seco, ou seja, desconsiderando a parcela de vapor de água, será
considerado para nossos estudos como sendo um gás perfeito, cuja massa
molecular será considerada como sendo 28,966 kg/kmol. Assim sendo, a
constante universal do gás perfeito para o ar será de:

Já o vapor de água, que não é uma mistura, mas sim, um composto


químico, tem sua massa molecular determinada pela composição do composto,
onde temos o seguinte:

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Como o composto químico tem duas moléculas de hidrogênio e uma


molécula de oxigênio, a massa molar será:

MV = 2H + O = (2 x 1,01) + 16,0  MV = 18,02 kg/kmol

Portanto, a constante universal do gás perfeito para o vapor será:

Assim sendo, quando estudarmos o ar atmosférico, devemos levar em


consideração a quantidade de vapor de água contida no mesmo, pois como
pudemos observar, teremos uma carga térmica diferente contida no mesmo, em
função da condição do mesmo.

Propriedades psicrométricas

Para o conforto humano é necessária uma determinada quantidade de


vapor de água no ar atmosférico, representado por uma humidade relativa entre
60% e 65%. Conforme fazemos a alteração da temperatura de um ambiente,
iremos também alterar outros propriedades do ar atmosférico, como passaremos
a estudar.

Inicialmente vamos definir que o ar atmosférico pode ser avaliado de duas


formas distintas, sendo uma delas o “ar seco”, que é quando desconsideramos a
quantidade de vapor de água contida no ar, e a outra é o “ar úmido”, que é o ar
seco adicionado da porção de vapor de água contida no mesmo, ou seja, o ar
que normalmente teremos no sistema de climatização. Portanto, em nossos
estudos iremos considerar somente o ar úmido, que passaremos a chamar de ar
atmosférico.

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O estudo do ar úmido tem propriedades relacionadas a temperatura,


umidade, volume e energia. A seguir detalharemos essas propriedades.

Propriedades relacionadas à temperatura

Temperatura de bulbo seco: é a temperatura do ar atmosférico obtida


normalmente na leitura de um termômetro comum.

Temperatura de bulbo úmido: é a temperatura que indica o ponto de


saturação de evaporação de água no ar a uma determinada temperatura de bulbo
seco. Essa temperatura é obtida com um termômetro normal que tem seu bulbo
envolvido com um tecido de algodão, cujo qual é embebido em água. Como o
calor contido no ar atmosférico irá evaporar a água embebida no tecido, teremos
uma redução de temperatura até o ponto que o ar atmosférico não consiga mais
absorver vapor de água, o que representa a temperatura de saturação
correspondente a uma temperatura de bulbo seco.

Temperatura de ponto de orvalho: é a temperatura onde se dará o início


da condensação do vapor de água contida no ar atmosférico.

Propriedades relacionadas à umidade

Pressão do vapor de água: é a pressão exercida pelo vapor de água


presente no ar atmosférico, sendo o valor dessa pressão uma função da
temperatura do ar atmosférico. A pressão do vapor pode ainda ser diferenciada
nas seguintes condições.

Pressão de vapor de saturação: é a pressão do vapor correspondente a


condição onde temos saturação de vapor de água no ar atmosférico.

Pressão parcial de vapor: é o valor da pressão do vapor de água contido


no ar atmosférico quando esse não está saturado de vapor.

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Razão de mistura ou umidade absoluta do ar atmosférico: é a razão


entre a massa de vapor de água (g) e a massa de ar seco da mistura (kg).

Umidade relativa do ar atmosférico: é a relação entre a massa de vapor


de água efetiva no ar atmosférico (umidade absoluta) e a massa de vapor de
água passível no ponto de saturação para determinada temperatura.

Propriedades relacionadas ao volume e energia

Volume específico: é o volume do ar úmido (m3) por unidade de massa de


ar seco (kg).

Entalpia: é a quantidade de energia térmica contida no ar atmosférico.

Como os processos de climatização alteram a temperatura do ar


atmosférico, em consequência teremos também alterações nas demais
propriedades abordadas anteriormente, cujas quais afetam as questões
relacionadas ao conforto térmico.

Um dos fatores relacionados ao conforto térmico é a variação da umidade


relativa do ar do ambiente climatizado. A redução excessiva da umidade relativa
do ar provoca efeitos negativos sobre a respiração humana, enquanto que o
aumento excessivo da umidade relativa pode provocar dificuldade de troca de
calor do corpo humano com o ar do ambiente, uma vez que quanto maior a
umidade relativa, menor será a capacidade do ar em absorver o suor liberado
pelo organismo humano de modo a regular a temperatura do corpo.

De modo a facilitar a determinação de propriedades do ar atmosférico,


alguns recursos serão estudados a seguir.

Tabela de determinação da umidade relativa do ar em função das


temperaturas de bulbo seco e de bulbo úmido

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Na tabela demonstrada na página anterior temos na coluna da esquerda a


temperatura de bulbo seco, enquanto que na linha superior temos várias
diferenças entre as temperaturas de bulbo seco e de bulbo molhado. No
cruzamento dessas duas variáveis teremos o valor de umidade relativa do ar
atmosférico, para a pressão atmosférica normal.

Exemplo: Determinar o valor da umidade relativa do ar atmosférico para


uma temperatura de bulbo seco de 30°C e temperatura de bulbo úmido de 23°C.

Inicialmente vamos determinar o valor da depressão psicrométrica:

DP = T - Tm = 30 – 23  DP = 7°C

Agora que já conhecemos o valor da depressão psicrométrica, basta


selecionarmos a temperatura de bulbo úmido na coluna da esquerda (23°C) e o valor
da depressão psicrométrica na linha superior (7°C). No ponto de cruzamento dessas
duas variáveis obteremos o valor de umidade relativa do ar atmosférico de 53%,
conforme demonstrado na carta a seguir.

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Carta psicrométrica

Trata-se de um diagrama no qual podemos determinar os valores de várias


propriedades. A seleção da carta psicrométrica a ser utilizada deve levar em
consideração a pressão atmosférica média do local onde será executada a
climatização do ambiente. Para efeito didático estaremos utilizando uma carta
psicrométrica para a pressão atmosférica ao nível do mar, ou seja, pressão
barométrica de 101.325 Pa.

Carta psicrométrica:

1. Escala da temperatura de bulbo seco;

2. Linha de temperatura de bulbo seco;

3. Linha de saturação de vapor de água, escala de temperatura de bulbo


úmido, e também, de ponto de orvalho;

4. Linha de umidade relativa do ar atmosférico;

5. Linha de razão de mistura ou umidade absoluta, e também, de temperatura


de ponto de orvalho;

6. Linha de temperatura de bulbo úmido, e também, de entalpia;

7. Escala de umidade relativa do ar atmosférico e linha de volume específico;

8. Escala de razão de mistura ou umidade absoluta;

9. Escala de entalpia do ar úmido.

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Exemplo: Para uma temperatura de bulbo seco de 30°C e de bulbo úmido


de 23°C, determinar as seguintes propriedades utilizando a carta psicrométrica.
a) A umidade relativa do ar atmosférico;
b) A entalpia do ar atmosférico;
c) A umidade absoluta do ar atmosférico;
d) A temperatura de ponto de orvalho do ar atmosférico.

Inicialmente vamos traçar a linha para a temperatura de bulbo seco de 30°C.

Depois vamos traçar uma linha para a temperatura de bulbo úmido, partindo
também da escala de temperatura de bulbo seco até a linha de saturação.

Depois vamos interligar a linha de temperatura de bulbo úmido, do ponto de


saturação, até a linha de temperatura de bulbo seco, seguindo a inclinação das linhas
de entalpia, definindo assim o ponto de estado (PE) em questão.

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a) Avaliando as linhas de umidade relativa mais próximas ao ponto de estado (PE),


vamos estimar o valor da umidade relativa, chegando a um valor de
aproximadamente 53%.

b) Partindo do ponto de estado e seguindo a inclinação da linha de que liga as linhas


de temperatura de bulbo úmido e de bulbo seco, seguir até a escala de valores de
entalpia e determinar o valor da mesma, obtendo um valor de aproximadamente
68,5 kJ/kg, o que corresponde a 16,35 kcal/kg.

c) Partindo do ponto de estado (PE) em uma linha horizontal até a escala à direita do
ponto, faremos a leitura da umidade absoluta ou razão de mistura, chegando a um
valor de 14,8 g/kg.

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c) Partindo do ponto de estado (PE) em uma linha horizontal para a esquerda,


até a linha de saturação, e depois, traçando uma linha vertical até a escala de
temperatura de bulbo seco, vamos determinar a temperatura de ponto de
orvalho, obtendo um valor de aproximadamente 20°C.

CARGA TÉRMICA

Antes de iniciarmos o estudo dos sistemas de refrigeração, vamos


inicialmente estudar a “carga térmica”, que pode ser definida como sendo a
quantidade de calor que deve ser retirada de um ambiente em um determinado
período de tempo.

A determinação da carga térmica é fundamental para o próprio


dimensionamento do sistema de refrigeração, uma vez que com base na
necessidade apontada pelo estudo da carga térmica é que iremos dimensionar a
capacidade de refrigeração do sistema.

Basicamente existem duas vertentes na refrigeração, sendo uma delas


voltada ao conforto térmico do ser humano (ar condicionado), e a outro voltada a

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conservação de perecíveis (refrigeração comercial ou residencial) ou a simples


redução de temperatura de processos e produtos industriais (refrigeração
industrial).

Carga térmica de ar condicionado

O condicionamento de ar efetua o controle da temperatura e umidade para


satisfazer as necessidades do espaço, devendo ainda controlar o fluxo e a
qualidade do ar. É comum verificarmos estudos de dimensionamento de carga
térmica para ar condicionado que considerem somente aspectos relacionados ao
fluxo de calor que deve ser removido do ambiente a ser refrigerado, porém,
outros aspectos devem também ser considerados, tais como umidade relativa do
ar, qualidade do ar (renovação e filtragem) e movimentação do ar (ventilação),
uma vez que são também aspectos relacionados ao conforto térmico.

Assim sendo, para a determinação da carga térmica de sistemas de ar


condicionado, bem como, definição dos demais parâmetros, as seguintes normas
devem ser consultadas e atendidas.

ABNT NBR 16401-1: Instalações de ar-condicionado – Sistemas centrais e


unitários. Parte 1: Projetos das instalações.

ABNT NBR 16401-2: Instalações de ar-condicionado – Sistemas centrais e


unitários. Parte 2: Parâmetros de conforto térmico.

ABNT NBR 16401-3: Instalações de ar-condicionado – Sistemas centrais e


unitários. Parte 3: Qualidade do ar interior.

Existe ainda na Internet várias tabelas e até mesmo planilhas eletrônicas,


que direcionam e auxiliam a execução do cálculo da carga térmica para o
ar condicionado.

A compreensão dessa questão será melhor compreendida no próximo


tópico de estudo, onde detalharemos os conceitos determinação da carga
térmica.

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Carga térmica de refrigeração

O correto dimensionamento da carga térmica de um sistema de refrigeração


é fundamental para o funcionamento adequado do mesmo. Nos sistemas de
refrigeração para o conforto térmico (ar condicionado), existem sistemas já pré-
estabelecidos, através da utilização de tabelas auxiliares, que facilitam o
dimensionamento da carga térmica. Também é comum trabalhar neste tipo de
sistema, com uma determinada reserva no equipamento, de modo a atender
necessidades adicionais.

Todavia, no âmbito industrial, a determinação da carga térmica tem uma


influência mais relevante, uma vez que o correto dimensionamento da carga
térmica irá ter influência direta no dimensionamento do sistema de refrigeração, e
em consequência no preço do sistema, o que é fundamental, pois estes custos
(equipamento + operação) irão impactar a composição de preço do produto.

A determinação da carga térmica de refrigeração industrial, leva em


consideração o trabalho de refrigeração a ser realizado para o resfriamento dos
produtos, como também, a recomposição da carga térmica devido às perdas de
operação e isolamento. Assim sendo, os seguintes fatores devem ser
considerados para determinação da carga térmica:

 Refrigeração dos produtos;


 Perdas por isolamento;
 Perdas por operação;

Outro fator a ser considerado é o tempo, uma vez que alguns fatores a
serem determinados tem um tempo específico para a realização, ou seja,
algumas operações devem ser executadas em tempo pré-determinado (exemplo:
o produto deve ser resfriado num prazo máximo de um tempo previamente
fixado). Isso implica em dizer que um sistema de refrigeração deverá ser
dimensionado pelo pico de demanda, ou seja, pela capacidade máxima requerida
em determinado período. A seguir vamos detalhar os fatores a serem
considerados na determinação da carga térmica.

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Refrigeração dos produtos

A refrigeração dos produtos é o objetivo principal dos sistemas de


refrigeração industrial. O produto ao ser refrigerado poderá passar pelas
seguintes etapas de remoção de calor:

 Calor sensível antes do congelamento (resfriamento)


 Calor latente de congelamento
 Calor sensível após o congelamento (congelamento)
 Calor de respiração (só para frutas e vegetais)
 Calor sensível da embalagem (resfriamento)

Para tanto, é necessário conhecer as propriedades termodinâmicas do


produto, bem como, as condições operacionais.

Calor sensível antes do congelamento: é a parcela responsável pelo


resfriamento do produto, da temperatura de entrada da câmara até a temperatura
de congelamento.

Onde:
• m = massa do produto (kg)
• cS = calor específico antes do congelamento (kcal/kg.ºC)
• ∆T = diferença de temperatura entre a entrada do produto e a
temperatura de congelamento (°C)
• t = tempo de processamento (horas)

Calor latente durante o congelamento: é a parcela responsável pelo


congelamento do produto.

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Onde:
• m = massa do produto (kg).
• cL = calor latente de congelamento (kcal/kg).
• t = tempo de processamento.

Calor sensível depois do congelamento: é a parcela responsável pelo


rebaixamento de temperatura do produto, após o congelamento.

Onde:
• m = massa do produto (kg).
• cS = calor específico depois do congelamento (kcal/kg ºC).
• ∆T = diferença de temperatura entre a entrada do produto e a
temperatura final.
• t = tempo de processamento.

Calor de respiração: é a parcela de calor que se desprende de


determinados produtos (frutas e vegetais), durante o processo de
armazenamento, originados pelo amadurecimento destes produtos. O valor do
calor de respiração depende de fatores como o tipo de produto e a temperatura
de armazenamento, sendo geralmente obtidos em tabelas já elaboradas. Cabe
salientar que esse fator não se aplica a produtos congelados.

Q = m . cR . t

Onde:
• m = massa do produto (Kg).
• cR = calor de respiração (kcal/kg ºC).
• t = tempo de processamento.

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Calor sensível de embalagem: é a parcela de calor a ser retirado do


ambiente relativa ao resfriamento da embalagem do produto. De modo geral são
utilizadas embalagens que não chegam a congelar, e assim sendo, nessa parcela
consideramos somente o calor sensível para resfriar a embalagem até a
temperatura de armazenamento do produto. Todavia, caso seja utilizada uma
embalagem que congele antes de atingir a temperatura de armazenamento do
produto deveremos também determinar o fluxo de calor latente de congelamento
da embalagem, como também, o calor sensível de resfriamento da embalagem
após o congelamento.

Onde:
• me = massa da embalagem
• cSe = calor sensível da embalagem
• ∆T = variação da temperatura da embalagem

Portanto, a carga térmica para refrigeração dos produtos será a somatória


das parcelas acima estudadas.

Exemplo: Um determinado produto deve ser refrigerado de 40°C até -10°C.


Sua massa é de 200 kg e sua temperatura de congelamento é de -1°C. O seu
calor sensível antes do congelamento é de 0,9 kcal/kg°C, e após o congelamento
é de 0,4 kcal/kg°C. O calor latente de congelamento é de 5 kcal/kg°C.
Considerando que o processo de resfriamento deve ocorre em 2 horas,
determinar a capacidade de refrigeração do sistema.

A primeira consideração que vamos fazer é a de que o tempo requerido para o


processo não é específico para cada processo. assim sendo, iremos calcular os fluxos
de calor sem considerar o fator tempo, o que faremos somente quando já tivermos o
fluxo total de calor a ser removido.

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Portanto, inicialmente vamos determinar a quantidade de calor sensível para o


resfriamento do produto.

QSR = m . ce . ∆T = 200 x 0,9 x (40 – (-1))  QSR = 7.380 kcal

Agora vamos determinar a quantidade calor latente de congelamento.

QLC = m . cl = 200 x 5  QLC = 1.000 kcal

Agora vamos determinar a quantidade calor sensível de congelamento.

QSC = m . ce . ∆T = 200 x 0,4 x (-1 – (-10))  QSC = 720 kcal

Agora vamos determinar a quantidade de calor total a ser retirado do produto.

QT = QSR + QLC + QSC = 7.380 + 1.000 + 720

QT = 9.100 kcal

Como o fluxo de calor deve ser removido em um prazo de 2 horas

Q = QT / t = 9.100 / 2  Q = 4.550 kcal/h

Perdas por isolamento

Esse fator é relativo ao calor que um ambiente refrigerado irá receber


devido a transferência de calor do meio externo. Todo ambiente refrigerado deve
receber o devido isolamento na sua estrutura divisória, porém, por melhor que
seja esse isolamento, sempre teremos um fluxo de calor passando pelo mesmo,
o que deveremos considerar no cálculo da carga térmica. Cabe salientar que
iremos considerar que esse fluxo de calor é constante durante todo o período de

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funcionamento do sistema, muito embora saibamos que o diferencial de


temperatura é menor no início de funcionamento do sistema.

Portanto, essa parcela de calor depende do isolamento utilizado em cada


superfície divisória do ambiente refrigerado, como também, do diferencial de
temperatura entre os meios externo e interno. De modo geral são considerados
três diferentes isolamentos, sendo eles o das paredes, o do teto e o do piso. O
método de cálculo é demonstrado a seguir.

Q = A . U . ∆T
Onde:
• A = Área interna de troca de calor (m3)
• U = Coeficiente global de transferência de calor (kcal/hm2°C)
• ∆T = Diferencial de temperatura entre os meios externo e interno (°C)

Cabe salientar que no caso de uma superfície das superfícies do ambiente


refrigerado estar exposta diretamente a radiação solar, deverá ser considerado
para a mesma um acréscimo no diferencial de temperatura, conforme tabelas
existentes que consideram fatores relativos a essa questão.

O cálculo do coeficiente do coeficiente global de transferência de calor


segue os conceitos já estudados em disciplinas anteriores, podendo também ser

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utilizados valores sugeridos em tabelas elaboradas para a Engenharia, em função


do tipo de isolamento utilizado.

Exemplo: Numa câmara frigorífica com dimensões internas 5x10, com pé


direito de 4 m, onde temos um coeficiente global de transferência de calor de 0,35
kcal/hm2°C para as paredes laterais, de 0,3 kcal/hm2°C para o piso e de 0,25
kcal/hm2°C para o teto. Sabendo ainda que a temperatura externa a ser
considerada para as paredes e teto a ser considerada é de 33°C, e para o piso é
de 20°C, enquanto que a temperatura interna da câmara é de -17°C. Com base
nessas informações, determinar o fluxo de calor correspondente às perdas por
isolamento.

Inicialmente vamos determinar as áreas de troca das paredes, piso e teto.

APAREDES = L x h x N = (10 x 4 x 2) + (5 x 4 x 2)  APAREDES = 120 m2

ATETO = L x L = 10 x 5  ATETO = 50 m2

APISO = L x L = 10 x 5  APISO = 50 m2

Agora vamos calcular os fluxos de calor pelos isolamentos.

QPAREDES = APAREDES . UPAREDES . ∆TPAREDES = 120 x 0,35 x (33 – (-17))

QPAREDES = 2.100 kcal/h

QTETO = ATETO . UTETO . ∆TTETO = 50 x 0,25 x (33 – (-17))

QTETO = 625 kcal/h

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QPISO = APISO . UPISO . ∆TPISO = 50 x 0,30 x (20 – (-17))

QPISO = 555 kcal/h

Fluxo total de calor pelo isolamento:

QISOLAMENTO = 2.100 + 625 + 555  QISOLAMENTO = 3.280 kcal/h

Perdas por operação

A utilização da câmara fria ou ambiente climatizado envolve uma série de


operações e fatores que transmitem fluxos de calor para o ambiente refrigerado,
sendo que os principais fatores a serem considerados estão relacionados a
seguir.
 Perdas devido à ocupação humana;
 Perdas devido à operação de equipamentos;
 Perdas devido à iluminação;
 Perdas devido à infiltração de ar;
 Perdas devido à renovação de ar.

Perdas devido à ocupação humana: Essa parcela de perdas é relativa ao


calor emitido pelos seres humanos que ocupam o ambiente refrigerado, de modo
a exercerem atividades diversas. Todo ser humano emite calor latente e calor
sensível, que variam conforme esteja o indivíduo em repouso ou em atividade. A
tabela 12 da NBR 6401 dá os valores do calor liberado pelas pessoas em função
da temperatura e da atividade.

Esse calor é dissipado através dos mecanismos de trocas térmicas entre o


corpo e o ambiente, envolvendo as trocas secas — condução, convecção e
radiação — e as trocas úmidas — evaporação. O calor perdido para o ambiente
através das trocas secas é denominado calor sensível e é função das diferenças

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de temperatura entre o corpo e o ambiente. Já o calor perdido para o ambiente


através das trocas úmidas é denominado calor latente e envolve mudança de
estado de agregação — o suor, líquido, passa para o estado gasoso, de vapor,
através da evaporação. Assim, o organismo perde calor para o ambiente sob
duas formas: calor sensível e calor latente.

Os valores sugeridos na NBR 6401 são somente uma referência, e para


efeito de determinação da carga térmica, deveremos considerar a condição
máxima que possa ocorrer no ambiente refrigerado.

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Perdas devido à operação de equipamentos: No interior do ambiente


refrigerado teremos motores elétricos, seja do sistema de ventilação forçada do
evaporador, bem como, de próprio sistema de ventilação interno, como também,
de eventuais equipamentos que operem no interior do ambiente, tais como,
paleteiras elétricas, bombas, etc.

No caso dos motores de sistema de ventilação interna iremos considerar a


potência integral dos mesmos, como sendo uma fonte de aumento da energia
interna do sistema, uma vez que podemos considerar o ambiente refrigerado
como sendo fechado. Assim sendo, teremos o calor dissipado por esses
motores devido à perda de rendimento na geração de trabalho, e o próprio
trabalho gerado por esses motores. A determinação desse fluxo de calor é feita
da seguinte maneira.

Onde:
• P = Potência do motor elétrico (W)
• ƞ = Rendimento do motor elétrico

Obs.: O fator 0,86 é para transformar de W para kcal/h.

Para os demais motores elétricos de equipamentos que executem algum


trabalho no ambiente refrigerado, iremos somente considerar a parcela de calor
dissipada pela perda do rendimento dos mesmos, uma vez que o trabalho
realizado não representa um aumento da energia interna do sistema refrigerado.
Portanto, a determinação desse fluxo de calor pode ser obtida pela seguinte
equação.

Onde os parâmetros são conforme equação anterior.

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Esse fluxo de calor deve ser considerado no tempo de operação dos


equipamentos. No caso da ventilação, esse fluxo de calor pode ser considerado
com sendo contínuo, desde que o sistema opere durante as 24 horas do dia. Já o
fluxo de calor dos equipamentos utilizados no ambiente refrigerado, deveremos
considerar o tempo de operação dos mesmo, podendo então ser diluído no
período total de refrigeração do ambiente, ou então, caso queiramos determinar
uma capacidade de refrigeração de pico, poderemos considerar o fluxo somente
pelo tempo de utilização dos motores.

Perdas devido à iluminação: É o fluxo de calor dissipado pelo sistema de


iluminação do ambiente refrigerado. Para o caso de lâmpadas incandescentes,
basta somar a potência das lâmpadas existentes no ambiente. Para o caso de
lâmpadas fluorescentes deveremos somar a potência indicada das lâmpadas e
ainda, acrescentar 25% devido ao calor dissipado pelos reatores.

Nesse caso também deveremos considerar o tempo de operação da


iluminação, podendo o fluxo ser determinado somente para o tempo de uso da
iluminação, o que é necessário quando queremos determinar a capacidade de
refrigeração de pico, ou então, diluir a quantidade de calor pelo período de 24
horas, nos onde o ambiente fique refrigerado por esse período.

O fluxo de calor poderá ser determinado com a seguinte equação.

Q = P x 0,86 (lâmpadas incandescentes)

Q = P x 0,86 x 1,25 (lâmpadas fluorescentes)

Perdas devido à infiltração de ar: Essa parcela é decorrente da infiltração


natural de ar no ambiente refrigerado, por frestas e aberturas existentes no
ambiente, e também, decorrente da própria movimentação de material para
dentro ou fora do ambiente. Esse fluxo de calor ocorre em função de ar do meio
externo que adentra ao recinto, cujo qual está à temperatura do meio externo. É
um fator extremamente difícil de ser determinado, uma vez que depende de

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vários fatores tais como, velocidade do vento na área externa, diferencial de


pressões entre o meio interno e externo, intensidade de movimentação de
material, dimensões das frestas e aberturas existentes no ambiente, etc.

De modo geral se mantém uma pressão positiva no ambiente refrigerado,


através do processo de renovação de ar, o que minimiza o efeito aqui abordado.
Todavia, com base em valores recomendados na norma NBR 6401 (tabelas 8), é
prudente estimar o valor do volume de ar de infiltração, e no caso desse ser
superior ao valor do volume de ar de renovação, utilizá-lo no cálculo das perdas
por troca de ar, o que será estudado no próximo tópico. A seguir apresentaremos
a tabela da norma mencionada anteriormente.

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Perdas devido à renovação de ar: todo ambiente climatizado, seja para


ocupação humana ou para refrigeração e armazenamento de produtos, requer
uma renovação do ar interior, de modo a manter a qualidade do mesmo. No caso
de ambientes climatizados para a simples ocupação humana, temos na norma
NBR 6401 a tabela 4, que apresenta valores de referência de taxa de renovação
de ar. Já para o caso de refrigeração e armazenamento de produtos, o valor
dependerá da característica dos produtos, além da taxa de ocupação humana
operando dentro da câmara fria.

A determinação do fluxo de calor pela renovação de ar ou pela infiltração de


ar, lembrando que deveremos utilizar sempre a que apresentar maior volume de
troca de ar, poderá ser determinada pela seguinte equação.

Q = V . ɤ . ∆h
.
Onde:
• V = volume de ar a ser renovado ou infiltrado (m3/h)
• ɤ = densidade do ar exterior (kg/m3)
• ∆h = variação do valor da entalpia do ar exterior e do ar interior

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Na carta psicrométrica somente temos a indicação do volume específico,


porém, como a densidade é o inverso do volume específico, a determinação do
mesmo é obtida pela seguinte equação.

Exemplo: Em um ambiente refrigerado com dimensões de 8 m x 20 m x 5


m (largura x comprimento x altura) que opera com temperaturas internas de 20°C,
localizado numa região onde as temperaturas externas médias são de 29°C para
bulbo seco e de 24°C para bulbo molhado, onde temos 6 pessoas trabalhando
em regime moderadamente pesado em um turno de 9 horas, cujos quais
permanecem em média 75% do tempo no interior do ambiente refrigerado, e
também, uma paleteira elétrica de potência de 1.500 W e rendimento de 78%,
que opera durante 2/3 do horário da jornada de trabalho. Sabendo ainda que no
ambiente temos 40 lâmpadas fluorescentes de 40 W cada, um motor de potência
de 0,6 W/m3 no sistema de ventilação para renovação de ar e um motor de 450 W
na ventilação forçada do evaporador, ambos com eficiência de 83%, e ainda, que
o ambiente possui somente uma porta vai-e-vem, com 8 metros lineares de fresta
bem ajustada, que é transpassada 30 vezes por hora. Em função dos produtos
armazenados é recomendado que seja feito a renovação de ar de uma vez o
volume do ambiente por hora de jornada de trabalho, além de uma
recomendação de renovação de ar de 30 m3/h por ocupante. Com base nessas
informações, determinar o fluxo de calor relativo a perda por operação desse
ambiente refrigerado.

Lembremos que o fluxo de calor em questão é decorrente das seguintes perdas:


• Perdas devido à ocupação humana;
• Perdas devido à operação de equipamentos;
• Perdas devido à iluminação;
• Perdas devido à infiltração de ar;
• Perdas devido à renovação de ar.

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Lembremos também que deveremos avaliar as perdas decorrentes da infiltração


e da renovação de ar, para determinar qual delas terá o maior volume, de modo a ser
considerada no cálculo. Assim sendo, inicialmente vamos calcular os volumes relativos
à infiltração de ar e à renovação de ar.

Perdas devido à infiltração de ar


Avaliando o enunciado verificamos que ambiente possui somente uma porta vai-
e-vem, com 8 metros lineares de fresta bem ajustada, que é transpassada 30 vezes
por hora.
Na norma NBR 6401 verificamos que a infiltração de ar por uma porta bem
ajustada é de 6,5 m3/h, por metro linear. Portanto:

Fluxo de ar pela aresta = 8 x 6,5 = 52 m3/h

Também da norma NBR 6401verificamos que para cada transpassada de porta


teremos uma infiltração de 3,4 m3/h. Como a porta será transpassada 30 vezes por
hora, a infiltração será de:

Fluxo de ar pela porta = 30 x 3,4 = 102 m3/h

Fluxo total de infiltração de ar = 52 + 102 = 154 m3/h

Perdas devido à renovação de ar


No enunciado verificamos que a recomendação é de que o ar deve ser renovado
em função dos produtos, uma vez o volume total do ambiente por hora de operação.
Portanto, vamos determinar o volume total do ambiente:

Volume = 8 x 20 x 5 = 800 m3

Portanto, o fluxo de ar de renovação de ar pelos produtos é de 800 m3/h.

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Do enunciado verificamos também que deve ser feita uma renovação de ar de 30


m3//h por ocupante do ambiente. Como temos 6 ocupantes no recinto, teremos:

Volume = 6 x 30 = 180 m3/h

Portanto, o fluxo total de ar a ser renovado é de:

Volume total de renovação de ar = 800 + 180 = 980 m3/h

Como o fluxo de ar para renovação é muito superior ao volume de ar de


infiltração, teremos no interior do recinto uma pressão positiva que irá anular a
infiltração de ar do exterior. Portanto, para determinação do fluxo de calor por essa
variável, iremos considerar somente o volume de ar de renovação.

Para determinar o fluxo de calor decorrente da renovação de ar, necessitamos


determinar ainda a densidade do ar, bem como, a diferença da entalpia entre o ar
externo e o ar interno.

Quanto a densidade do ar, teremos duas situações diferentes, ou seja, a


densidade do ar externo, cujo qual será admitido pelo sistema de ventilação de
renovação de ar, sendo que essa densidade é maior do que a densidade do ar interno.
Porém, após o resfriamento do ar admitido, o mesmo resfriará a atingirá a densidade
do ar interno. Isso gera uma imprecisão na determinação da densidade do ar. Portanto,
para efeitos práticos, costuma-se adotar valores de densidade ao ar entre 1,1 e 1,2
kg/m3. Para nossas práticas iremos adotar um valor de 1,15 kg/m3.

Para determinar os valores das entalpias do ar externo e do ar interno, teremos


que utilizar a carta psicrométrica. Inicialmente vamos determinar a entalpia do ar
externo, usando as temperaturas informadas no enunciado.

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Vamos traçar do eixo da abcissa uma linha de temperatura para 29°C e outra
para 24°C. Do ponto onde a linha de 24°C cruzar a linha de saturação, vamos traçar
uma reta paralela às linhas de entalpia, onde poderemos determinar o valor da
umidade relativa, e também, da entalpia para o ar externo.

PEAR EXTERNO

hAR EXTERNO = 73 kJ/kg = 17,4 kcal/kg

O ar externo que entra no ambiente refrigerado terá sua temperatura reduzida


até 20°C. Para determinarmos então o ponto de estado do ar interior, deveremos
traçar uma linha horizontal a partir do ponto de estado do ar exterior seguindo para a
esquerda, até chegarmos na temperatura de resfriamento, guiando-se pela escala da
temperatura de bulbo seco, que no nosso caso é a temperatura de 20°C.

Como poderemos verificar na carta psicrométrica, iremos atingir a linha de


saturação antes de atingir a temperatura de 20°C. Quando isso ocorre num processo
de resfriamento do ar, dizemos que o ar atingiu o seu ponto de orvalho, ou seja, o ar se
torna saturado e a partir desse ponto, o excesso de umidade contida no mesmo irá

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condensar. Se dermos continuidade à redução da temperatura, que é o nosso caso,


pois ao atingirmos o ponto de orvalho (~22°C) ainda estamos numa temperatura
superior a 20°C, deveremos então seguir pela linha de saturação, até chegarmos na
temperatura desejada, como indicado na carta psicrométrica a seguir.

Ponto de Orvalho

PEAR INTERNO

hAR INTERNO = 58 kJ/kg = 13,9 kcal/kg

Portanto, o fluxo de calor pela renovação do ar será determinado por:

Q = V . ɤ . ∆h = 980 x 1,15 x (17,4 – 13,9)  Q = 3.944,5 kcal/h

Perdas devido à ocupação humana


Do enunciado temos que 6 pessoas trabalham 75% do tempo da jornada de
trabalho de 9 horas, no interior do ambiente refrigerado. Na página 33 desse material
temos a tabela que fornece os calores sensível e latente liberados por uma pessoa. A
temperatura de nosso ambiente refrigerado é de 20°C, porém, na tabela não temos
essa temperatura, sendo a mais próxima a temperatura de 21°C.

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Se verificarmos a tabela da página 33, veremos que temos a indicação do calor


sensível e latente liberado por uma pessoa, para algumas temperaturas de referência,
porém, se somarmos os valores das duas parcelas, veremos que o calor total é
constante. Como o nosso interesse é determinar a quantidade total de calor liberado
por cada pessoa que ocupa o espaço refrigerado, basta fazermos a somatória dessas
duas parcelas, para qualquer condição de temperatura da tabela, e utilizar o valor do
calor total.

Portanto, para a condição de trabalho moderadamente pesado, veremos que o


metabolismo de um homem adulto é de 252 kcal/h.

Assim sendo, o fluxo de calor total será de:

Q = nº de pessoas x percentual de permanência no local por hora de trabalho x


calor do metabolismo

Q = 6 x 0,75 x 252  Q = 1.134 kcal/h

Perdas devido à operação de equipamentos


No enunciado é informado que temos no ambiente refrigerado uma paleteira
elétrica de potência de 1.500 W e rendimento de 78%, o trabalho do sistema de
ventilação para renovação de ar de 0,6 W/m3 de ar renovado, com rendimento de 83%,
e por último, o motor do sistema de ventilação forçada do evaporador que tem 450 W e
rendimento de 83%.

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Paleteira elétrica:
A paleteira irá trabalhar 2/3 do tempo da jornada de trabalho. O trabalho
realizado pela mesma é revertido em energia cinética ou potencial, e assim sendo, não
é considerado para efeito de aquecimento do ambiente refrigerado, porém, o calor
dissipado pelo motor elétrico é o que nos interessa, e esse será obtido com a equação
já apresentada:

Portanto:
Q = [ (1.500 / 0,78) – 1.500 ] x 0,86  Q = 363,8 kcal/h

Como a paleteira trabalha somente 2/3 do tempo, então para cada hora de
trabalho teremos:
Q = 363,8 x 2/3  Q = 242,5 kcal/h

Ventilação para renovação do ar


Para cada m3 de ar introduzido para renovação de ar, temos uma potência de
0,6 W, e ainda, sabemos que o rendimento do motor desse sistema tem rendimento de
83%. Nesse caso, o trabalho fornecido ao ar (ventilação) irá aumentar a energia do
sistema, e assim sendo, o calor será determinado pela seguinte equação já
apresentada:

Portanto: Q = ( 0,6 / 0,83 ) x 0,86 = 0,62 kcal/m3

Como deveremos renovar 980 m3 de ar por hora:

Q = 980 (m3/h) x 0,62 (kcal/m3)  Q = 607,6 kcal/h

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Ventilação do evaporador do sistema de refrigeração


Esse motor tem a potência 450 W e rendimento de 83%, e todo trabalho do
mesmo, bem como o calor dissipado pelo mesmo, será convertido em calor para o
sistema. Iremos considerar que esse motor trabalha continuamente durante a jornada
de trabalho. Portanto, iremos considerar a equação do tópico anterior:

Q = ( 450 / 0,83 ) x 0,86  Q = 466,3 kcal/h

Portanto, o fluxo de calor total pela operação dos equipamentos será de:

Q = 242,5 + 607,6 + 466,3  Q = 1.316,4 kcal/h

Perdas devido à iluminação


Sabemos que no ambiente refrigerado temo 40 lâmpadas fluorescentes de 40 W
cada. Portanto, utilizaremos a equação a seguir:

Q = P x 0,86 x 1,25 (lâmpadas fluorescentes)

Q = 40 x 0,86 x 1,25 x 40  Q = 1.720 kcal/h

Portanto, o fluxo de calor por operação do sistema será a somatória das parcelas
já determinadas. Assim sendo:

QOPERAÇÂO = QRENOVAÇÃO DE AR + QOCUPAÇÃO HUMANA + QOPERAÇÃO DE EQUIPAMENTOS


+ QILUMINAÇÃO

QOPERAÇÃO = 3.944,5 + 1.134,0 + 1.316,4 + 1.720,0

QOPERAÇÃO = 8.114,9 kcal/h

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DIAGRAMA DE MOLLIER P&h (Pressão x Entalpia)

Antes de abordarmos as questões relativas ao funcionamento de um


sistema de refrigeração, vamos avaliar um diagrama de Mollier de Pressão &
Entalpia (P & h), onde é demonstrado o comportamento das características de
um refrigerante, em função da variação de pressão e da quantidade de calor
contida no mesmo.

A curva característica demarcada em


azul, representa, a uma pressão constante
(linha vermelha) o início de ebulição (ponto
1) e o término da ebulição (ponto 2) do
refrigerante. Sobrepondo os pontos 1 e 2,
para as diferentes pressões, obtemos o
perfil desta curva do refrigerante.

Além da pressão e entalpia, são demonstradas também as características


da temperatura, da entropia, do volume específico e do título durante a fase de
transformação, como demonstrado no diagrama do Refrigerante R134-a,
demonstrado a seguir.

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Como podemos verificar, as propriedades do Refrigerante são


demonstradas através de linhas, que variam de acordo com a pressão na qual o
Refrigerante se encontra (eixo das ordenadas), e também, a quantidade de calor
contida no mesmo (eixo das abscissas).

Exemplo: Determinar os valores das entalpias para as seguintes condições:


a) Para o líquido saturado (X = 0) a uma pressão de 2,0 MPa;
b) Para vapor saturado (X = 1) a uma pressão de 0,4 MPa.

a) 150 kJ/kg b) 253 kJ/kg

CICLO BÁSICO DE REFRIGERAÇÃO POR COMPRESSÃO

Como já abordamos anteriormente, nos sistemas de refrigeração atuais são


utilizados fluidos refrigerantes, que trabalham em um sistema fechado. Para a
transferência do calor são utilizadas as fases de mudança de estado do mesmo,
num ciclo que se repete e com isto transporta a energia térmica de uma parte à
outra do sistema.

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Sabemos que durante a mudança de fase de um fluido, numa pressão


constante, a temperatura também se mantém constante. Utilizando-se deste
conceito, e das propriedades dos fluidos refrigerantes, foram desenvolvidos os
ciclos de refrigeração. Os sistemas de refrigeração usuais, que variam entre
temperaturas de 20°C a -35°C, aproximadamente, utilizam de modo geral os
refrigerantes já apresentados.

Uma das características dos refrigerantes é possuir temperatura de ebulição


baixa, na pressão atmosférica. No refrigerante HFC-134a, que é o fluido que
usaremos de base para o estudo dos ciclos de refrigeração por compressão,
temos a pressão atmosférica uma temperatura de ebulição de -26°C. Portanto,
quando temos a uma pressão atmosférica e temperatura ambiente (por exemplo
30°C), uma quantidade deste fluido no estado líquido, ele irá absorver calor do
meio externo para vaporizar totalmente, uma vez que, pelo fato dele estar
exposto a um sistema aberto, o aumento de volume da transformação do estado
líquido para o gasoso, não irá provocar alteração na pressão atmosférica.
Portanto, este é o princípio básico que iremos utilizar para retirar calor de um
ambiente.

Também sabemos que em diferentes pressões, a temperatura de ebulição


do refrigerante também se altera, sendo que quanto menor a pressão, menor
será a temperatura de ebulição, o que implica em dizer que quanto maior a
pressão, maior será a temperatura de ebulição.

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Assim sendo, nos ciclos de refrigeração por compressão, basta reduzirmos


a pressão do refrigerante que irá passar pelo ambiente onde desejamos retirar
calor, e posteriormente a absorção de calor por parte do refrigerante,
aumentamos a pressão do mesmo para que o calor possa ser dissipado ao meio
externo, como demonstrado na figura a seguir.

No ciclo básico de refrigeração por compressão demonstrado acima, temos


os quatro componentes básicos, sendo eles o evaporador, o compressor, o
condensador e a válvula de expansão.

Evaporador
Tem a finalidade de absorver o calor do ambiente a ser refrigerado, através
da evaporação do fluido refrigerante, que está submetido à baixa pressão.

Compressor
Tem a finalidade de transportar o vapor de refrigerante da linha de
evaporação para a linha de condensação, fazendo o aumento da pressão de
evaporação para a pressão de condensação.

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Condensador
Tem a finalidade de retirar o calor do sistema, através da condensação do
vapor de refrigerante, que está submetido à alta pressão.

Válvula de expansão
Tem a finalidade de controlar a passagem de líquido refrigerante da linha de
condensação para a linha de evaporação, fazendo a redução da pressão de
condensação para a pressão de evaporação.

Avaliando o funcionamento do ciclo básico de refrigeração por compressão,


num diagrama P & h, teremos o situação demonstrada a seguir.

Como podemos observar nas figuras acima, o ciclo de compressão opera


com duas pressões distintas e constantes, sendo uma chamada de pressão de
evaporação, enquanto que a outra é chamada de pressão de condensação.

Pressão de Evaporação
É a pressão baixa do sistema, que compreende o trecho entre a saída da
válvula de expansão, passagem pelo evaporador, até a entrada do compressor.
Como já visto anteriormente, em baixas pressões o fluido refrigerante apresenta
baixas temperaturas de ebulição, propiciando ao mesmo boa condição de
volatilidade, acarretando a absorção de calor através da passagem pelo

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evaporador. Como em teoria a pressão neste trecho é constante, todo calor


absorvido é utilizado para transformar o líquido de refrigerante em vapor.

Pressão de Condensação
É a pressão alta do sistema, que compreende o trecho entre a saída do
compressor, passagem pelo condensador, até a entrada da válvula de expansão.
Em altas pressões o fluido refrigerante apresentará também altas temperaturas
de ebulição, sendo que se a temperatura do meio externo for inferior à
temperatura de ebulição do refrigerante, teremos uma condição favorável para
que o calor contido no refrigerante seja dissipado, fazendo com que o mesmo
passe do estado de vapor para líquido, uma vez que em teoria também teremos
uma pressão constante neste trecho do sistema.

De modo a auxiliar a compreensão quanto ao funcionamento do ciclo de


refrigeração por compressão, vamos fazer uma avaliação detalhada dos quatro
pontos indicados na figura anterior.

Ponto 1
Esse ponto está localizado entre a saída do evaporador e a entrada do
compressor, submetido à baixa pressão do sistema. Na saída do evaporador
podemos dizer que está concluída a fase de remoção de calor do ambiente a ser
refrigerado. Nesse ponto o estado do fluido refrigerante é o de vapor saturado, ou
seja, todo fluido refrigerante que passou pelo evaporador passou do estado
líquido para o gasoso, absorvendo calor para fazer esta mudança de fase. Uma
premissa é a de que o fluido refrigerante ao chegar no ponto 1, deve no mínimo
estar no estado de vapor saturado (X = 1), de modo a evitar que refrigerante em
estado líquido entre no compressor, o que pode danificar alguns tipos de
compressores.

Ponto 2
Esse ponto está localizado na saída do compressor, submetido à alta
pressão do sistema. Como o processo de compressão é considerado adiabático,
em teoria, o trabalho de compressão aplicado no vapor de refrigerante irá

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provocar o aumento da pressão e temperatura do mesmo, porém, sem alterar a


entropia desse fluido, ou seja, ocorre em processo isentrópico. Portanto, nesse
ponto o fluido refrigerante estará no estado de vapor superaquecido.

Ponto 3
Esse ponto está localizado entre a saída do condensador e a entrada da
válvula de expansão, submetido à alta pressão do sistema. Na saída do
condensador podemos dizer que está concluída a fase de dissipação de calor do
sistema para o meio externo. Nesse ponto o estado do fluido refrigerante é de
líquido saturado, ou seja, todo o vapor de refrigerante que passou pelo
condensador passou do estado gasoso para o líquido, liberando calor para fazer
essa mudança de fase. Uma premissa é a de que o fluido refrigerante ao chegar
no ponto 3, deve no mínimo estar no estado de líquido saturado (X = 0), de modo
a proporcionar melhor rendimento ao sistema.

Ponto 4
Esse ponto está localizado entre a saída da válvula de expansão e a
entrada do evaporador, submetido à baixa pressão do sistema. O fluido que
chega na entrada da válvula de expansão encontra-se no estado líquido, a alta
pressão, porém, quando esse fluido passa por essa válvula, ocorre uma redução
na pressão do mesmo, num processo isoentálpico (entalpia constante), sendo
que essa redução de pressão acarreta também uma redução na temperatura de
ebulição do refrigerante, e devido a isso, ocorre uma vaporização de parte do
refrigerante. Portanto, nesse ponto o estado do fluido refrigerante é uma mistura
de líquido e vapor.

Portanto, conhecendo os parâmetros já abordados, podemos facilmente


dimensionar o potencial de um ciclo de refrigeração por compressão. Para tanto,
podemos utilizar um diagrama P&h para fazermos a determinação da entalpia
nos quatro pontos indicados, de modo a fazermos a determinação das três
grandezas que regem um ciclo de refrigeração, que são indicadas na figura
anterior como QRF (capacidade de refrigeração), WCP (trabalho de compressão) e
QCD (capacidade de condensação). Essas grandezas serão detalhadas mais
adiante.

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Valendo-se dos conceitos já apresentados, vamos verificar como podemos


fazer a determinação dos pontos 1, 2, 3 e 4, utilizando um diagrama P & h.

Exemplo: Determinar as entalpias dos pontos 1 até 4, num diagrama P & h, de


um ciclo de refrigeração por compressão que opera com pressão de
condensação de 1 MPa, e pressão de evaporação de 0,1 MPa.

Ponto 1 = 233 kJ/kg Ponto 2 = 280 kJ/kg Ponto 3 = Ponto 4 = 106 kJ/kg

Agora que já aprendemos determinar os valores das entalpias nos quatro


pontos de avaliação do sistema, vamos avaliar as três grandezas que definem o
sistema de refrigeração por compressão.

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Avaliando as figuras anterior, verificamos a incidência de dois fluxos de


calor (QRF e QCD), e um fornecimento de trabalho (WCP). A seguir detalharemos
cada um deles.

Capacidade de Refrigeração (QRF)

É o fluxo de calor retirado do ambiente a ser refrigerado. Esse fluxo de calor


ocorre no evaporador, na pressão de evaporação (baixa pressão), decorrente da
vaporização do fluido refrigerante, ou seja, é o calor absorvido pelo refrigerante
para promover a mudança do estado líquido para o gasoso. A capacidade de
refrigeração será o resultado da variação do valor da entalpia entre a saída e a
entrada do evaporador (h1 e h4), em função da quantidade de fluido refrigerante
(vazão) que irá passar pelo evaporador, em determinado intervalo de tempo.

QRF = m . (h1 – h4) [ KJ / h ]

Trabalho do Compressor (WCP)

É o trabalho necessário para fazer a transferência do refrigerante da linha


de evaporação para a linha de condensação, com o conseqüente aumento de
pressão. O trabalho de compressão será o resultado da variação do valor da
entalpia entre a saída e a entrada do compressor (h2 e h1), em função da
quantidade de fluido refrigerante (vazão) que irá passar pelo compressor, em
determinado intervalo de tempo.

WCP = m . (h2 – h1) [ KJ / h ]

Capacidade de Refrigeração (QRF)

É o fluxo de calor dissipado para o meio externo. Esse fluxo de calor ocorre
no condensador, na pressão de condensação (alta pressão), decorrente da
condensação do fluido refrigerante, ou seja, é o calor dissipado pelo refrigerante
para promover a mudança do estado gasoso para o líquido. A capacidade de

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condensação será o resultado da variação do valor da entalpia entre a saída do


compressor e a saída do condensador (h2 e h3), em função da quantidade de
fluido refrigerante (vazão) que irá passar pelo condensador, em determinado
intervalo de tempo.

QCD = m . (h2 – h3) [ KJ / h ]

Coeficiente de performance (COP)

É uma grandeza adimensional que indica o rendimento do ciclo de


refrigeração, ou seja, indica a relação da capacidade de refrigeração obtida pela
quantidade de trabalho de compressão empregado para obtê-la. É determinado
pela seguinte equação.

Exemplo: Com base no exemplo anterior, determinar os valores de


Capacidade de Refrigeração, Trabalho de Compressão e Capacidade de
Condensação, considerando uma vazão de 1.000 Kg/h de refrigerante.

Do exemplo anterior temos:


Ponto 1 = 233 kJ/kg
Ponto 2 = 280 kJ/kg
Ponto 3 = Ponto 4 = 106 kJ/kg

Capacidade de refrigeração:

QRF = m . (h1 – h4) = 1.000 x (233 – 106)  QRF = 127.000 kJ/kg

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Trabalho de compressão:

WCP = m . (h2 – h1) = 1.000 x (280 – 233)  WCP = 47.000 kJ/kg

Capacidade de condensação:

QCD = m . (h2 – h3) = 1.000 x (280 – 106)  QCD =174.000 kJ/kg

Coeficiente de performance:

COP = QRF / WCP = 127.000 / 47.000  COP = 2,702 = 270,2%

Tabelas de Propriedades do Refrigerante

Como já pudemos verificar no exemplo e exercícios propostos, na utilização


do diagrama P&h nos deparamos com um grau de incerteza na determinação dos
valores. De modo a possibilitar a determinação exata dos valores das
propriedades do refrigerante, em condições diferentes de pressão ou
temperatura, os fabricantes de Refrigerantes elaboram tabelas, nas quais são
informados os valores de várias propriedades do Refrigerante, para determinados
valor de temperatura ou pressão.

Como já informado anteriormente, nos estudos dos ciclos de compressão,


estaremos usando como base o fluido refrigerante HFC-134a, cuja cópia da
Tabela de Propriedades, elaborada pelo fabricante Dupont, já foi disponibilizada
aos alunos. Esse material contem duas tabelas distintas, sendo uma delas para a
condição de limites de saturação do refrigerante (estados líquido e gasoso), que é
ordenada pela temperatura de saturação, e a outra, formada por várias tabelas
ordenadas pela pressão de saturação, que contem além dos valores de limite de
saturação do refrigerante, apresenta também valores para a condição de vapor
superaquecido.

Na Tabela 1 de Propriedades e saturação do refrigerante HFC-134a,


teremos uma ordenação pela temperatura de saturação, e também, a respectiva
pressão de saturação de cada temperatura, além dos valores para os estados de

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saturação líquido (X = 0) e gasoso (X = 1) do volume específico, da densidade,


da entalpia e da entropia, como demonstrado na figura a seguir.

Já a tabela 2, onde na realidade teremos várias sub-tabelas, cada uma para


uma pressão de condensação diferente. Nas 1ª linha dessas sub-tabelas teremos
os valores da temperatura de saturação correspondente, do volume específico
(V), da entalpia (H), da entropia (S), entre outros valores, para a condição de
líquido saturado (X = 0). Na 2ª linha teremos os mesmos valores, porém, para a
condição de vapor saturado (X = 1). As demais linhas irão apresentar os mesmos
valores de propriedades, porém, para diferentes temperaturas de vapor
superaquecido, com demonstrado na figura a seguir.

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Num ciclo de refrigeração teremos condições de estado diferentes em cada


ponto de medição, como demonstrado na figura a seguir.

Para melhor compreender a utilização das tabelas de propriedade do


refrigerante, no caso o HFC-134ª, vamos fazer um exemplo.

Exemplo: Um sistema de refrigeração opera com uma pressão de


condensação de 1.800 kPa, e uma pressão de evaporação de 170 kPa. Com
base nessas informações, determinar as temperaturas que o sistema opera, e
também, os valores das entalpias nos quatro pontos do sistema.

Nas tabelas podemos somente determinar de maneira direta os pontos que se


localizarem exatamente sobre a linha da curva do diagrama. Assim sendo, se
verificarmos o diagrama acima nesta página, veremos que isso somente acontece com
os pontos 1 e 3.

Ponto 1: nesse ponto o refrigerante se encontra totalmente no estado gasoso,


pois já passou pelo evaporador onde o fluido refrigerante absorveu calor, sendo agora
direcionado para o compressor. Esse ponto encontra-se na pressão de evaporação,
que no caso é a de 170 kPa. Assim sendo, vamos verificar a sub-tabela da página 12,
para a pressão em questão, e vamos verificar a segunda linha, cuja qual informa os
valores para o estado gasoso, e vamos determinar o valor da entalpia (H).

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Portanto, podemos determinar que o valor da entalpia do ponto 1 é de:

h1 = 390,4 kJ/kg

No ponto 1 iremos aproveitar para determinar o valor da entropia (S). Quando


formos determinar a entalpia do ponto 2 explicaremos o motivo de utilizar também esse
valor. Portanto:

S1 = 1,7372 kJ/kg.K

Como o ponto 1 encontra-se na pressão de evaporação, podemos aproveitar a


mesma sub-tabela para determinar a temperatura no evaporador. Portanto:

TEVAPORAÇÃO = - 14,1°C

Ponto 3: nesse ponto o refrigerante encontra-se totalmente no estado líquido,


pois o mesmo já passou pelo condensador onde foi condensado, dissipando assim
para o meio externo o excesso de calor que havia no refrigerante. Esse ponto
encontra-se na pressão de condensação (1.800 kPa). Portanto, vamos utilizar a sub-
tabela da página 24 correspondente a pressão em questão, sendo que nela vamos
obter o valor da entalpia na primeira linha da sub-tabela (líquido saturado).

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Portanto, veremos que o valor da entalpia para o estado líquido, na pressão de


1.800 kPa, corresponde a:
h3 = 292,6 kJ/kg

Nessa tabela vamos aproveitar também para determinar a temperatura de


condensação:
TCONDENSAÇÃO = 62,87°C

Ponto 4: esse ponto corresponde a condição do fluido refrigerante que após ter
saído do condensador, passou pela válvula de expansão e teve sua pressão reduzida
da pressão de condensação para a pressão de evaporação, para então ser novamente
direcionado ao evaporador. Muito embora ocorra uma mudança de estado do fluido
refrigerante (passa do estado totalmente líquido para o estado de uma mistura
líquido+vapor), trata-se de um processo isentalpico (sem variação de entalpia).
Portanto, esse ponto terá o mesmo valor de entalpia do ponto 3.

h4 = h3 = 292,6 kJ/kg

Ponto 2: se observarmos no diagrama apresentado na página 58, veremos esse


ponto encontra-se na região de vapor superaquecido. Ele corresponde ao vapor de
refrigerante que foi comprimido pelo compressor, passando o mesmo da pressão de
evaporação para a pressão de condensação. Como já visto anteriormente, trata-se de
um processo isentrópico, ou seja, sem fornecimento ou retirada de calor, porém, como
é fornecido trabalho pelo compressor, ocorre um aumento na energia contida no

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refrigerante, sendo que essa alteração, além de provocar um aumento na pressão,


provoca também um aumento na temperatura. Portanto, na saída do compressor o
fluido refrigerante estará na pressão de condensação, porém, no estado superaquecido
e com temperatura superior a temperatura de condensação. Para determinarmos o
valor da entalpia diretamente na tabela, teríamos que conhecer a temperatura de
superaquecimento do vapor de refrigerante. Como essa temperatura é desconhecida,
utilizaremos o valor da entropia para nos auxiliar na determinação do valor da entalpia.

Como nesse processo a entropia é constante (processo isentrópico), usaremos o


valor da entropia do ponto 1 (S1) para nos guiarmos na região de vapor superaquecido
da pressão de condensação (1.800 kPa), e assim determinarmos o valor da entalpia do
ponto 2. Como S1 = 1,7372 kJ/kg.K, iremos verificar se localizamos esse valor de
entropia na região de superaquecido na sub-tabela, como segue.

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Como podemos observar, o valor da entropia desejado não está representado


diretamente na sub-tabela, estando o mesmo entre os valores de entropia 1,7306 e
1,7491, e assim sendo, o valor da entalpia também estará entre os valores de entalpia
437,4 e 443,8. Portanto, para determinarmos o valor correspondente da entalpia para o
valor de entropia 1,7372, teremos que fazer uma interpolação.

S h
1,7306  437,4
1,7372  h2
1,7491  443,8

h2 = { [ (1,7372 – 1,7306) / (1,7491 – 1,7306) ] x (443,8 – 437,4) } + 437,4

h2 = 439,7 kJ/kg

ACESSÓRIOS DO SISTEMA DE REFRIGERAÇÃO POR


COMPRESSÃO

Como já vimos no ciclo básico de refrigeração por compressão, são


necessários alguns equipamentos básicos para construção de um sistema de
refrigeração, além da tubulação. Até o momento já falamos do Evaporador,
Compressor, Condensador e Válvula de Expansão. Todavia, são necessários
alguns outros acessórios para que um sistema de refrigeração funcione
adequadamente, sob condições controladas, e também, de acordo com o porte e
complexidade do sistema, alguns acessórios opcionais devem ainda ser
empregados. Adiante iremos avaliar esses acessórios.

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Sistemas de refrigeração domésticos

Os refrigeradores domésticos são sistemas


simples, Como podemos observar na figura ao
lado, utilizam um Evaporador, um compressor, um
condensador, e a válvula de expansão é
substituída por um acessório chamado de Tubo
Capilar, como demonstrado na figura ao lado.
Além dos quatro componentes já mencionados,
esse sistema utiliza também um termostato, e em
alguns casos, um reservatório de líquido.

Tubo capilar

O tubo capilar, que substitui a válvula de


expansão no sistema de refrigeração doméstico,
como o próprio nome já diz, é um tubo com
diâmetro bastante reduzido em relação ao diâmetro
do restante da tubulação do sistema. Essa diâmetro
reduzido aliado a um comprimento relativamente
longo (aproximadamente 1,2 m), causa uma
restrição à passagem do líquido refrigerante,
acarretando numa redução da pressão.

Termostato

O termostato é o dispositivo que tem a


finalidade de controlar a temperatura
desejada no ambiente refrigerado. Seu
funcionamento básico é através de expansão
e contração de fluido, em bulbo que fica
exposto ao meio refrigerado. Com isto é feito
o controle de partida e desligamento do
compressor.

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Acessórios de sistemas de refrigeração industrial

Os sistemas de refrigeração industrial são de maior porte do que os simples


sistemas de refrigeração domésticos, e em consequência, necessitam de um
maior número de componentes para seu correto funcionamento. A seguir
demonstramos um sistema básico de refrigeração industrial.

1 – Evaporador 8 – Filtro secador


2 – Trocador de calor 9 – Válvula de retenção
3 – Filtro de sucção 10 – Reservatório de líquido
4 – Compressor 11 – Visor de líquido
5 – Pressostato 12 – Termostato
6 – Separador de óleo 13 – Válvula de expansão
7 – Condensador 14 – Separador de líquido

1 - Evaporador
Na refrigeração industrial, geralmente os evaporadores trabalham no regime
de ventilação forçada, ou seja, o evaporador trabalha acoplado a uma ventoinha,
que força a movimentação do ar através da superfície externa do evaporador,
que nada mais é do que um trocador de calor. Esta passagem forçada do ar
através do evaporador, além de aumentar a eficiência de troca de calor,
movimenta o ar no ambiente a ser refrigerado, deixando a temperatura mais
homogênea no mesmo.

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2 - Trocador de calor
Esse acessório tem a finalidade de fazer uma troca de calor entre o fluido
quente da linha de condensação, antes do dispositivo de expansão, e o vapor frio
da linha de evaporação, após o evaporador. O efeito desse dispositivo será
detalhado no próximo tema de estudo.

3 - Filtro de sucção
Esse filtro é instalado na entrada do compressor, tendo a finalidade de reter
partículas que estejam contidas no vapor de refrigerante, de modo a evitar danos
no compressor.

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4 - Compressor
Como já informado anteriormente, o compressor tem a finalidade de
transportar o vapor de refrigerante da linha de evaporação para a linha de
condensação, fazendo o aumento da pressão necessário. É um componente
fundamental do sistema de refrigeração, uma vez que, de modo geral, é o
componente de maior consumo de energia do sistema. São vários os tipos de
compressores utilizados na refrigeração, sendo os mesmos divididos em três
categorias detalhadas a seguir

Compressores herméticos: Nesse tipo de


compressor, tanto o mecanismo de compressão, como
também, o motor elétrico, estão alojados no interior de
uma carcaça, ficando os mesmos isolados do meio
externo, e em contato direto com o refrigerante da
sucção, que faz a refrigeração desses componentes. É
o tipo de compressor mais utilizado na refrigeração,
pois equipa a maior parte dos equipamentos de
refrigeração doméstica e de ar condicionado.
Todavia, são limitados a baixas potências, apresentando a vantagem de não
apresentar vazamento (desde que não apresentem defeito na carcaça), e a
desvantagem de não possibilitarem acesso para manutenção. A seguir temos a
representação de um compressor hermético alternativo.

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Compressores semi-herméticos: nesse tipo


de compressor, tanto a parte estrutural e a motriz do
compressor (mancais, biela e pistão), como
também, o motor elétrico, estão alojados no interior
de uma caraça, ficando os mesmo isolados do meio
externo, e em contato direto com o refrigerante da
sucção, que faz a refrigeração desses
componentes.
Todavia, os cabeçotes são removíveis, permitindo o acesso às válvulas. São
compressores para instalações de médio porte, tendo a vantagem da
possibilidade de manutenção dos componentes internos, e são mais econômicos,
em termos de consumo de energia, que os compressores abertos. Abaixo segue
vista detalhada de um compressor semi-hermético alternativo.

Compressores abertos: nesse tipo de compressor, o acionamento do


mecanismo motriz do compressor é feito por um eixo que atravessa a carcaça,
que é movido por um motor elétrico, polia ou outro tipo de acionamento, que está
localizado na parte externa. São compressores destinados a médios e grandes

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sistemas. Tem a vantagem de fácil manutenção, porém, podem apresentar


vazamento pela vedação do eixo.

A seguir apresentamos uma figura ilustrativa de um compressor alternativo


aberto.

Além da diferenciação dos compressores descrita anteriormente, os


compressores também se diferenciam pelo tipo de funcionamento, sendo os
principais os tipos alternativo, rotativo, parafuso, Scroll e centrífugo. A seguir um
referencial para aplicação desses tipos de compressores.

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Compressor alternativo: são


compressores que trabalham com o
movimento alternativo do pistão dentro do
cilindro, podendo ser de um ou mais cilindros,
fazendo assim a movimentação do vapor,
como num ciclo de motor de combustão.

Compressor rotativo: são compressores onde a movimentação do vapor é


feita através do movimento circular de um embolo excêntrico, acoplado
diretamente no eixo motriz.

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Compressor parafuso: são compressores onde a movimentação de dois


rotores na forma de rosca sem fim, sendo uma cônica e a outra convexa (quando
mais de um rotor), fazem a movimentação do vapor de refrigerante.

Compressor Scroll: Nesse tipo de compressor o deslocamento de ar é


feito através da movimentação de aspirais idênticas, posicionadas com
defasagem de 180°, sendo uma delas fixa na posição central, enquanto que a
outra tem movimento circular excêntrico pelo fato de estar ligada ao eixo de
acionamento.

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Compressor centrífugo: Nesse tipo de compressor o vapor de refrigerante


é movido pela ação do movimento de um ou mais rotores alojados no interior de
uma carcaça.

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Eficiência dos compressores

São várias as variáveis relacionadas aos compressores utilizados na


refrigeração. Muitas características são relacionadas a aplicação, tais como
potência, vazão e aumento de pressão. Todavia, algumas características estão
relacionadas a própria eficiência de funcionamento do mesmo, e que devem ser
consideradas na seleção de um compressor para um sistema de refrigeração. A
seguir iremos detalhar essas características.

Eficiência Volumétrica: Indica o quanto de ar que o compressor consegue


comprimir e quanto é perdido através de vazamentos. Por exemplo, se um
compressor tem capacidade de 10 litros de ar de deslocamento, mas apenas 7,2
litros são deslocados, sua eficiência é de 72%. Um compressor com 45% de
eficiência deverá ter o dobro do tamanho, para deslocar o dobro de ar e se
comparar ao mesmo volume deslocado por um outro compressor de 90% de
eficiência.

Eficiência Adiabática: Indica a quantidade de energia que o compressor


perde em forma de calor para produzir potência. Um compressor com 100% de
eficiência adiabática irá utilizar toda a energia necessária para comprimir o ar,
sem aquecer o conjunto ou o próprio vapor. Portanto, um compressor eficiente
deve ter alta eficiência volumétrica para minimizar o seu tamanho e alta eficiência
adiabática para maximizar a quantidade de transferência de vapor.

As variáveis dos compressores irão também variar de acordo com as


condições de funcionamento, e assim sendo, são apresentadas pelos fabricantes
em diagramas específicos, demonstrando a eficiência do compressor em várias
condições de uso.

Módulos de compressores

Em alguns casos uma opção é agrupar compressores, de modo a aumentar


a capacidade volumétrica total de transferência de refrigerante, mantendo todos
os compressores trabalhando em paralelo, na mesma pressão.

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Outra opção, denominada de compressores em booster, onde também é


feito o agrupamento de compressores, porém, montados em série, que é aplicado
em sistemas que operam com temperaturas de evaporação muito baixas. Com
isto, reduzimos o diferencial de pressão para a compressão, podendo fazer com
que cada compressor faça um aumento parcial da pressão, o que acarreta num
trabalho mais eficiente dos compressores.

5 – Pressostato
É um dispositivo eletromecânico que monitora a pressão do sistema, tanto
na parte de baixa pressão, quanto na parte de alta pressão. Através desse
monitoramento pode comandar o desligamento do compressor, evitando assim
que danos ocorram ao mesmo, em função de pressão de sucção muito abaixo do
especificado, ou pressão de descarga muito superior ao planejado. O pressostato
pode ser individual, ou seja, um pressostato para cada uma das duas linhas do
sistema, ou então, pode ser duplo, ou seja, um dispositivo para controlar as duas
pressões do sistema.

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6 – Separador de óleo
É um dispositivo destinado a reter o óleo do vapor de refrigerante que
passa pelo compressor, retornado este óleo ao sistema de lubrificação do
mesmo. É um componente indispensável em sistemas de médio e grande porte.

7 – Condensador
Como já informado anteriormente, é o dispositivo que irá dissipar o calor do
sistema, fazendo a condensação do vapor de refrigerante. Esse equipamento
nada mais é do que um trocador de calor, que poderá variar desde um simples
condensador de refrigeradores (sem passagem forçada de ar), até grandes
unidades condensadoras, com passagem forçada de ar.

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8 – Filtro secador
É um dispositivo instalado após o condensador, que tem a finalidade de
reter a umidade, ácidos e abrasivos contidos no líquido refrigerante, preservando
assim a integridade de outros componentes do sistema. O tamanho do filtro
dependerá da vazão de refrigerante, sendo que após a saturação desse filtro, o
mesmo deve ser substituído.

9 – Válvula de retenção
É um dispositivo que tem a finalidade de restringir a passagem do
refrigerante em um determinado sentido. Pode ser instalado em várias partes do
sistema, sempre onde for desejável que não ocorra refluxo do refrigerante.

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10 – Reservatório de líquido
É um dispositivo que tem a finalidade de armazenar líquido de refrigerante
que não está em circulação, após a condensação, garantindo que somente
líquido chegue no dispositivo de expansão.

11 – Visor de líquido
É um dispositivo que permite uma visualização rápida do estado do
refrigerante num determinado ponto do sistema. Indica também o nível de
umidade no refrigerante, de modo que seja efetuada a substituição do filtro
secador.

12 – Termostato

Como já visto anteriormente, o termostato é o dispositivo que tem a


finalidade de controlar a temperatura desejada no ambiente refrigerado. Seu
funcionamento básico é através de expansão e contração de fluido, em bulbo que
fica exposto ao meio refrigerado. Com isto é feito o controle de partida e
desligamento do compressor. São vários os modelos de termostatos, porém, o
princípio de funcionamento é o mesmo.

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13 – Válvula de expansão
Esse dispositivo tem a finalidade de controlar a passagem de líquido
refrigerante da linha de condensação para a linha de evaporação, fazendo a
redução da pressão de condensação para a pressão de evaporação.

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1) Tubo equalizador de pressão


2) Bulbo de temperatura
3) Eixo de diafragma
4) Entrada de refrigerante
5) Saída de refrigerante
6) Mola de fechamento

14 – Separador de líquido
É um dispositivo que tem a finalidade de impedir a entrada de refrigerante
em estado líquido no compressor.

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Sub-resfriamento do fluido refrigerante

No ciclo teórico básico de refrigeração por compressão, consideramos que


o fluido que sai do condensador encontra-se no estado de líquido saturado (título
igual à zero), sendo que nesse ponto, em função da pressão ou temperatura de
condensação, é que determinamos o valor da entalpia do fluido refrigerante. Esse
valor de entalpia determinado na saída do condensador será o mesmo valor da
entalpia na entrada do evaporador, o que representa a quantidade de calor
contida no fluido refrigerante.

Avaliando a diagrama P&h a seguir, veremos que para uma pressão de


condensação de 1 MPa, teremos uma temperatura de saturação de
aproximadamente 40°C, e uma entalpia de aproximadamente 105 kJ/kg, na
condição de líquido saturado.

Sabemos que a uma pressão constante, a temperatura de ebulição ou


condensação também se manterá constante, enquanto o fluido ainda estiver
mudando de fase, sendo esse processo conhecido com a fase de transição de
calor latente.

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Todavia, quando cessa a fase de mudança de estado, a transição de calor


pode continuar, sendo nesse caso o processo conhecido como fase de transição
de calor sensível. Neste caso, toda variação de energia térmica irá acarretar uma
alteração na temperatura da substância.

Voltando ao nosso ciclo básico de refrigeração por compressão, se


considerarmos uma contínua remoção de calor do fluido refrigerante, a uma
pressão constante, após ele já ter sido completamente condensado no
condensador, esse fluido entrará na fase de transição de calor sensível,
ocorrendo então uma redução na temperatura desse fluido, e em consequência,
uma redução no valor da entalpia contida no mesmo, como podemos observar na
figura a seguir.

Como podemos observar no diagrama P&h acima, mantendo a pressão de


1 MPa, e retirando calor além da temperatura de saturação (40°C), reduzimos a
temperatura até 20°C, o que acarretou numa redução no valor da entalpia,
baixando o valor para aproximadamente 78 kJ/kg.

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Como a capacidade de refrigeração é uma função da vazão de fluido


refrigerante pela variação de entalpia entre a entrada e saída do fluido
refrigerante no evaporador, iremos obter um ganho nesta variável.

Exemplo: Considerando os valores de entalpia das duas situações


demonstradas nos diagramas apresentados, e considerando uma vazão de 100
kg/h de refrigerante, determinar a capacidade de refrigeração dos ciclos.

Inicialmente vamos determinar o valor da entalpia no ponto 1. Analisando os


diagramas apresentados, para uma pressão de 0,1 MPa, para a condição de
vapor saturado (X = 1), que é a condição do fluido refrigerante na saída do
evaporador, teremos um valor de entalpia de:

h1 = 233 kJ/kg

Sem considerar o sub-resfriamento: nesse caso a entalpia do fluido


refrigerante que irá entrar no evaporador é de:

h4 = 105 kJ/kg

Portanto, considerando uma vazão de 100 kg/h de refrigerante, teremos


uma capacidade de refrigeração de:

QRF = m . (h1 – h4) = 100 x (233 – 105)  QRF = 12.800 kJ/h

Considerando o sub-resfriamento: nesse caso a entalpia do fluido


refrigerante que irá entrar no evaporador é de:

h4 = 78 kJ/kg

Portanto, considerando uma vazão de 100 kg/h de refrigerante, teremos


uma capacidade de refrigeração de:

QRF = m . (h1 – h4) = 100 x (233 – 78)  QRF = 15.500 kJ/h

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Portanto, quando sub-resfriamos o fluido refrigerante ocorre uma redução no


valor da entalpia do refrigerante, que acarreta um aumento na capacidade de
refrigeração do sistema, ou então, acarretará numa redução na vazão de refrigerante
necessária para uma determinada capacidade de refrigeração.

Para determinação do valor da entalpia do fluido refrigerante sub-resfriado,


a uma pressão constante, utilizando a Tabela 1 (propriedades do fluido no estado
saturado). Basta conhecermos a temperatura do sub-resfriamento, e então,
utilizar essa temperatura e verificar o valor da entalpia para o fluido no estado de
líquido saturado.

Exemplo: Um fluido refrigerante que está numa pressão de condensação


de 1.500 kPa, é sub-resfriado depois da saída do condensador até a temperatura
de 40°C. Nessas condições, determinar a temperatura de saturação do líquido
para a pressão informada, é também, os valores das entalpias do líquido
saturado e do líquido sub-resfriado.

Para a condição de saturação do líquido vamos utilizar a sub-tabela para a


pressão de 1.500 kPa. Nessa sub-tabela poderemos determinar o valor da temperatura
de saturação, e também, o valor da entalpia para o estado de líquido saturado.

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Portanto, podemos determinar que a temperatura de saturação, para a pressão


de 1.500 kPa, é de 55,2°C, enquanto que o valor da entalpia para o estado líquido
saturado é de 280,1 kJ/kg.

Como o fluido foi sub-resfriado até a temperatura de 40°C, teremos que utilizar a
Tabela 1, para a temperatura em questão, e determinar o valor da entalpia para o
estado líquido saturado.

Portanto, para o fluido refrigerante sub-resfriado até 40°C teremos um valor de


entalpia de 256,6 kJ/kg.

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Superaquecimento do fluido refrigerante

No ciclo teórico básico de refrigeração por compressão, consideramos que


o fluido que sai do evaporador encontra-se no estado de vapor saturado (título
igual a um), sendo que nesse ponto, em função da pressão ou temperatura de
evaporação, é que determinamos o valor da entalpia do fluido refrigerante. Esse
valor de entalpia determinado na saída do evaporador, será o mesmo valor da
entalpia na entrada do compressor, o que representa a quantidade de calor
contida no fluido refrigerante.

Avaliando a diagrama P&h a seguir, veremos que para uma pressão de


condensação de 0,2 MPa, teremos uma temperatura de saturação de
aproximadamente -10°C, e uma entalpia de aproximadamente 243 kJ/kg, na
condição de vapor saturado.

Com base nos conceitos que já avaliamos, se o fluido refrigerante continuar


absorvendo calor, após o ponto de vapor saturado (X = 1), sua temperatura irá
aumentar, e em consequência teremos um aumento da entalpia do fluido. Se

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considerarmos as pressões do ciclo demonstrado no diagrama P&h acima,


fazendo um superaquecimento do fluido refrigerante na ordem de 20°C, teremos
a situação demonstrada a seguir.

Como podemos observar, um superaquecimento de 20°C do fluido


refrigerante alterou a temperatura de entrada do mesmo no compressor, para
10°C, enquanto que o valor da entalpia passou para aproximadamente 259 kJ/kg.

Esse superaquecimento do fluido refrigerante altera seu estado de vapor


saturado para vapor superaquecido. Esse novo estado do fluido é favorável para
o bom funcionamento do sistema, pois em teoria garante que o fluido que
chegará ao compressor esteja em estado gasoso. De modo geral não planejamos
esse superaquecimento na etapa de refrigeração, ou seja, o mesmo deverá
ocorrer após a saída do evaporador.

Desconsiderando os efeitos de perda de carga, que estudaremos mais


adiante, é muito provável que esse superaquecimento do fluido ocorra nos
sistemas de refrigeração, uma vez que, após a saída do evaporador, o fluido

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deverá passar pela tubulação até a entrada do compressor, e como o compressor


estará localizado fora do ambiente refrigerado, estará exposto a temperatura
ambiente, que sempre será superior à temperatura do ambiente refrigerado,
favorecendo assim a continuidade de absorção de calor pelo refrigerante.

Temos que considerar que o aumento da temperatura do vapor de


refrigerante, acarreta também num aumento do volume do mesmo, implicando na
necessidade de mais trabalho por parte do compressor, para bombear esse fluido
de refrigerante. É fundamental controlar o nível de superaquecimento do
refrigerante, antes da entrada do compressor, de modo que sua temperatura de
descarga não ultrapasse os 130°C, que é a temperatura limite de trabalho para os
lubrificantes utilizados nos compressores de sistemas de refrigeração, evitando
assim a degradação desse lubrificante.

O superaquecimento do fluido refrigerante que sai do evaporador, para


efeito teórico, não altera a pressão do fluido, porém, esse superaquecimento
altera o estado do fluido, passando do estado de vapor saturado para vapor
superaquecido. Portanto, para determinarmos o valor do vapor superaquecido
que é admitido pelo compressor, deveremos conhecer a pressão, e também, a
temperatura de superaquecimento do vapor.

Exemplo: Um sistema de refrigeração opera com uma pressão de


evaporação de 180 kPa, sendo que na entrada do compressor o fluido
refrigerante está com temperatura de 0°C. Com base nessas informações
determinar a temperatura de evaporação, a entalpia do fluido refrigerante na
saída do evaporador e na entrada do compressor.

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No evaporador teremos desde a sua entrada até a sua saída, uma temperatura
constante do fluido refrigerante, pois nesse equipamento que absorve calor do
ambiente a ser refrigerado, o calor absorvido fará com que o fluido refrigerante que
entrar no mesmo em parte no estado líquido, absorva esse calor e faça a mudança de
estado físico do mesmo, passando do estado líquido para o estado gasoso (calor
latente). Portanto, da sub-tabela 2 para a pressão de 180 kPa, veremos que a
temperatura de saturação é de -12,71°C (Tev), e a entalpia para o vapor saturado é
de 391,2 kJ/kg (h1).

Como o vapor de refrigerante que sai do evaporador a caminho do compressor


não terá sua pressão alterada, e sabendo que o compressor estará fora do ambiente
refrigerado, e, portanto exposto à temperatura do meio externo, o mesmo irá absorver
calor (sensível) que fará com que sua temperatura se eleve. Assim sendo, se ele
chega ao compressor com 0°C, sua entalpia vai ser de 401,9 kJ/kg.

Troca de calor no próprio sistema

Nos acessórios para sistema de refrigeração, abordamos um dispositivo


chamado de “trocador de calor”. Esse dispositivo permite fazermos uma troca de
calor entre o fluido condensado que sai do condensador, e o vapor que sai do
evaporador e vai para o compressor, como demonstrado na figura a seguir.

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O efeito da aplicação num sistema de refrigeração, do dispositivo de troca


de calor, faz a transferência de calor do líquido condensado, que está na
temperatura de condensação, para o vapor saturado, que está na temperatura de
evaporação, com isso conseguimos resfriar o fluido que entrará no evaporador,
obtendo o ganho já demonstrado, e por outro lado, provocará um
superaquecimento no vapor de refrigerante que entrará no compressor,
garantindo que não entre líquido no mesmo. Esse efeito pode ser verificado no
diagrama a seguir.

Nessa troca de calor, a quantidade de calor que é retirada do fluido


condensado é a mesma que o vapor saturado de refrigerante que sai do
evaporado irá receber. Como temos a mesma vazão passando em ambas as
condições, então a redução de entalpia no fluido condensado corresponde ao
aumento da entalpia que teremos no vapor de refrigerante que vai para o
compressor.

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Exemplo: Num sistema de refrigeração por compressão de refrigerante que


opera com uma pressão de condensação de 1.400 kPa, e uma pressão de
evaporação de 200 kPa, instalamos um trocador de calor entre a tubulação que
sai do condensador até a válvula de expansão, e a tubulação que sai do
evaporador até o compressor. Sabendo que esse trocador de calor propiciou uma
redução de 10°C na temperatura do fluido condensado, determinar os valores de
entalpia dos pontos 3, 3’, 4 e 4’.

Ponto 3: P = 1.400 kPa  Para o líquido saturado h3 = 275,7 kJ/kg


Nesse ponto temos a temperatura de 52,39°C

Ponto 3’: Nesse ponto temos uma redução de 10°C na temperatura.


T3’ = 52,39 – 10  T3’ = 42,39°C
Para determinarmos o valor da entalpia do ponto 3’ iremos utilizar a Tabela 1.

T h
42°C  259,6
42,39°C  h3’ h3’ = 260,2 kJ/kg
43°C  261,1

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Assim sendo a redução de entalpia do fluido condensado é de:

∆h = h3 - h3’ = 275,7 - 260,2  ∆h = 15,5 kJ/kg

Portanto, esse valor de redução de entalpia do fluido condensado será


acrescentado no valor da entalpia do fluido que sai do evaporador. Da sub-tabela 2
para a pressão de 200 kPa teremos:

h1 = 392,8 kJ/kg

Quando o fluido que sai do evaporador passar pelo trocador de calor, irá receber
o fluxo de calor retirado do fluido condensado. Então:

h1’ = h1 + ∆h = 392,8 + 15,5  h1’ = 408,3 kJ/kg

Se quisermos conhecer a temperatura na entrada do compressor:

h T
405,6  5°C
408,3  T1’ T1’ = 8,14°C
409,9  10°C

Fatores de influência no coeficiente de performance do sistema

Até o momento desenvolvemos exemplos de cálculos de sistemas de


refrigeração, com uma grande variação no coeficiente de performance (COP).
Isto se deve ao fato deste coeficiente estar diretamente relacionado a
determinados parâmetros do sistema, como veremos a seguir.

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Influência da temperatura de evaporação

Avaliando os diagramas acima, podemos observar que, mantendo-se a


temperatura de condensação constante, quanto menor a temperatura de
evaporação, menor será a eficiência do sistema.

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Influência da temperatura de condensação

Avaliando os diagramas acima, podemos observar que, mantendo-se a


temperatura de condensação constante, quanto menor a temperatura de
evaporação, menor será a eficiência do sistema.

Portanto, num sistema de refrigeração por compressão, quanto maior a


diferença entre as temperaturas ou pressões, de evaporação e condensação,
menor será o coeficiente de eficiência ou performance do mesmo. Lembrando

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que este fator indica a necessidade de trabalho de compressão em relação à


capacidade de refrigeração do sistema.

Influência do sub-resfriamento do fluido

Avaliando os diagramas acima, podemos observar que quanto maior for o


sub-resfriamento do fluido, maior será a eficiência do sistema.

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Influência do superaquecimento do fluido

Avaliando os diagramas acima, podemos observar que quanto maior for o


superaquecimento do fluido, menor será a eficiência do sistema.

Na aplicação de trocadores de calor, para troca de calor interna no sistema,


de modo geral ainda teremos um ganho no coeficiente de performance. Todavia,
deve-se atentar à temperatura de descarga do compressor, de modo que não se
atinja uma temperatura que possa degradar o óleo lubrificante.

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Ciclo real de refrigeração por compressão

Um ciclo real de compressão de vapor de refrigerante difere do ciclo teórico


estudado até aqui, por uma série de motivos, tais como a perda de carga da
passagem do fluido ocorrida nas tubulações e acessórios, pelo fato do processo
de compressão não ser realmente isentrópico, e também, pelo fato de ocorrer
fluxo de calor, involuntário ou não, nas tubulações que entram e saem o
evaporador e condensador. Portanto, o ciclo real é conforme figura a seguir:

Essas variações ocorridas no ciclo real acarretam reduções no coeficiente


de eficiência. A determinação dos valores reais das entalpias, para o ciclo real de
compressão, é extremamente complexa e está sujeita a erros, em função da
grande quantidade de variáveis envolvidas. Todavia, o valor efetivo das entalpias
do sistema pode ser determinado através de medições efetivas de algumas
variáveis (pressão e temperatura), em pontos determinados do sistema.

Para analisarmos alguns efeitos no sistema, usaremos a figura a seguir:

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Os pontos numerados de 1 até 4 no ciclo demarcado em vermelho, são os


pontos de determinação do ciclo teórico, base de nosso estudo até o momento.
Já os pontos de A até F no diagrama demarcado em azul, são os pontos para
determinação dos parâmetros de um ciclo real.

Ponto A: Esse ponto representa a entrada do evaporador ou a saída da


válvula de expansão. Como no ciclo teórico, iremos considerar que a entalpia
desse ponto é igual a entalpia do ponto F. Portanto, hA = hF. Nesse ponto o
estado do fluido é uma mistura de líquido e vapor saturado.

Ponto B: Esse ponto representa a saída do evaporador. Diferentemente do


ciclo teórico, nesse ponto teremos uma pressão inferior à da entrada do
evaporador, devido à perda de carga da passagem do fluido pela tubulação do
evaporador. Para determinação da entalpia nesse ponto, se faz necessário
conhecer a pressão ou temperatura do fluido. Nesse ponto o estado do fluido é
considerado como vapor saturado.

Ponto C: Esse ponto representa a entrada do compressor, sendo que no


mesmo teremos uma pressão inferior à da saída do evaporador. Esse efeito
também ocorre pela perda de carga na passagem do fluido pela tubulação de
sucção. Nesse ponto também teremos o superaquecimento do fluido. Portanto,
para determinação da entalpia no mesmo, necessitamos conhecer sua pressão e
temperatura. Nesse ponto o estado do fluido é de vapor superaquecido.

Ponto D: Esse ponto representa a saída do compressor. Como o processo


real de compressão não é isentrópico, uma vez que o próprio fluido refrigerante
faz a refrigeração do compressor, para determinação correta da entalpia do
fluido, é necessário conhecermos a pressão e temperatura de descarga. Nesse
ponto o estado do fluido é de vapor superaquecido.

Ponto E: Esse ponto representa a saída do condensador, sendo que no


mesmo teremos uma pressão inferior à de descarga do compressor. Esse efeito
corre pela perda de carga na passagem do fluido pela tubulação, e também, pela
redução do volume do fluido, decorrente da mudança de estado gasoso para
líquido. Para determinação da entalpia necessitamos conhecer a pressão ou
temperatura do fluido. Nesse ponto o estado do fluido é de líquido saturado.

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Ponto F: Esse ponto representa a entrada da válvula de expansão, sendo


que no mesmo teremos uma pressão inferior à de saída do condensador. Esse
efeito ocorre pela perda de carga na passagem do fluido pela tubulação. Nesse
ponto também teremos o sub-resfriamento do fluido. Para determinação exata da
entalpia nesse ponto, necessitamos conhecer a temperatura do fluido. Nesse
ponto o estado do fluido é de líquido sub-resfriado.

Exemplo: Um sistema de refrigeração por compressão de vapor foi


projetado para trabalhar com uma pressão de evaporação de 190 kPa, e uma
pressão de condensação de 1.600 kPa, sendo ambas ajustadas na válvula de
expansão, para uma capacidade de refrigeração de 100 TR. Após o início de
funcionamento do sistema, verificou-se que na entrada do evaporador a pressão
era conforme planejado no projeto, porém, na saída do evaporador verificou-se
uma queda de 20 kPa na pressão, enquanto que na entrada do compressor
verificou-se uma queda adicional de 10 kPa, com um superaquecimento de 15°C
do refrigerante em relação à temperatura na saída do evaporador. Após a
compressão do vapor de refrigerante verificamos que a pressão era 300 kPa
acima da pressão na entrada da válvula de expansão. Na entrada da válvula de
expansão, como já mencionado anteriormente, a pressão verificada correspondia
à pressão planejada no projeto, porém a temperatura do fluido encontrava-se
14°C abaixo da temperatura de saturado líquido para pressão na saída do
condensador, que era de 1.700 kPa. Com base nestas informações, determinar:

PARA O CICLO TEÓRICO


a) As entalpias do ciclo planejado;
b) A vazão de refrigerante para o ciclo;
c) A capacidade de condensação do ciclo;
d) O trabalho de compressão do ciclo;
e) O coeficiente de eficiência do ciclo;

PARA O CICLO REAL


f) A entalpia e a temperatura na saída da válvula de expansão;
g) A entalpia e a temperatura na saída do evaporador (considerando X = 1);
h) A entalpia, entropia e temperatura na entrada do compressor,
i) A entalpia, entropia e temperatura na saída do compressor;

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j) A entalpia e a temperatura na saída do condensador (considerando X = 0);


k) A entalpia e temperatura na entrada da válvula de expansão;
l) A capacidade de refrigeração do sistema;
m) A capacidade de condensação do sistema,
n) O trabalho de compressão do sistema;
o) O coeficiente de eficiência do sistema.

Para o ciclo teórico projetado:

a) h1 = 392,0 kJ/kg e S1 = 1,7351 kJ/kg.K


S h
1,7323 435,6
1,7351 h2  h2 = 436,5 kJ/kg
1,7503 441,7
h3 = h4 = 284,5 kJ/kg

Qrf = 100 TR = 100 x 12.660,67  Qrf = 1.266.067 kJ/h

b) m = Qrf / (h1 – h4) = 1.266.067 / (392,0 – 284,5)  m = 11.777,4 kg/h

c) Qcd = m.(h2 – h3) = 11.777,4 x (436,5 – 284,5)  Qcd = 1.790.164,8 kJ/h

d) Wcp = m.(h2 – h1) = 11.777,4 x (436,5 – 392,0) 

Wcp = 524.094,3 kJ/h

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e) COP = Qrf / Wcp = 1.266.067 / 524.094,3  COP = 2,416 = 241,6%

Para o ciclo real:

Ponto A: Pressão 190 kPa


Ponto B: Pressão = 190 – 20  Pb = 170 kPa
Ponto C: Pressão = 170 – 10  Pc = 160 kPa
Ponto D: Pressão = 1.600 +300  Pd = 1.900 kPa
Ponto E: Pressão = 1.700 kPa
Ponto F: Pressão = 1600 kPa

Conforme o diagrama acima, podemos observar que é possível determinar as


propriedades de três pontos, sendo eles os pontos B, E e F. Vamos iniciar por esses
pontos.

g) No ponto B temos a condição de vapor saturado (X = 1) numa pressão de


170 kPa. Portanto, podemos obter os seguintes valores da sub-tabela 2.
hB = 390,4 kJ/kg e TB = -14,11°C

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j) No ponto E temos a condição de líquido saturado (X = 0) numa pressão de


1.700 kPa. Portanto, podemos obter os seguintes valores da sub-tabela 2.
hE = 288,6 kJ/kg e TE = 60,43°C

k) No ponto F temos um fluido sub-resfriado, numa pressão de 1.600 kPa e uma


temperatura 14°C inferior a temperatura do ponto E. Portanto:
TF = TE - 14°C = 60,43 – 14  TF = 46,43°C

Utilizando a Tabela 1 e interpolando o valor da entalpia para o estado líquido,


entre as temperaturas de 46°C e 47°C, iremos determinar o valor da entalpia.

T h
46°C 265,7
46,43°C hF  hF = 266,4 kJ/kg
47°C 267,3

f) Nesse ponto temos a pressão de 190 kPa. Portanto da sub-tabela 2 temos:


Ta = -11,37°C

Já a entalpia desse ponto é igual a entalpia do ponto F.


hA = hF  hA = 266,4 kJ/kg

h) Nesse ponto o fluido está no estado de vapor superaquecido, numa pressão


de 160 kPa, com uma temperatura 15°C superior a temperatura da saída do
evaporador (TB). Portanto:

TC = TB + 15°C = (-14,11) + 15  TC = 0,89°C

Da sub-tabela 2 para pressão de 160 kPa iremos interpolar os valores da


entalpia e da entropia, entre as temperaturas de 0°C e 5°C.

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T h S
0°C 402,4 1,7872
0,89°C hC SC
5°C 406,6 1,8024

hC = 403,1 kJ/kg SC = 1,7899 kJ/kg.K

i) Nesse ponto teremos o fluido no estado de vapor superaquecido, numa


pressão de 1.900 kPa. Sabemos ainda que o valor da entropia do fluido é constante
entre a entrada e saída do compressor. Portanto:
SD = SC = 1,7899 kJ/kg.K

Portanto, utilizando a sub-tabela 2 da pressão em questão, iremos fazer a


interpolação do valor da entalpia, utilizando como base o valor da entropia.
S h T
1,7755 454,3 85°C
1,7899 hD TD
1,7923 460,4 90°C

hD = 459,5 kJ/kg TD = 89,29°C

l) Qrf = m.(hB – hA) = 11.777,4 x (390,4 – 266,4)  Qrf = 1.460.397,6 kJ/h

m) Qcd = m.(hD – hE) = 11.777,4 x (473,7 – 288,6)  Qcd = 2.179.996,7 kJ/h

n) Wcp = m.(hD – hC) = 11.777,4 x (473,7 – 403,1)  Wcp = 831.484,4 kJ/h

o) COP = 1.460.397,6 / 831.484,4  COP = 1,756 = 175,6%

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Sistema de refrigeração de múltipla evaporação

No ciclo de refrigeração de múltipla evaporação teremos um sistema que


opera com mais de um evaporador, a pressões diferentes. Este sistema é
utilizado quando necessitamos realizar a refrigeração em temperaturas
diferentes, utilizando somente um compressor.

Esse efeito pode ser obtido com a utilização de válvulas de expansão que
operam com a mesma pressão de entrada, porém com pressões de saída
diferentes. Nesse sistema também são utilizadas válvulas redutoras de pressão,
para reduzir a pressão, após a passagem pelo evaporador, dos evaporadores
intermediários. A figura a seguir demonstra este sistema.

No sistema demonstrado na figura acima, observamos a utilização de dois


evaporadores, estando cada um deles a uma temperatura de evaporação
diferente. No evaporador 1 teremos uma pressão intermediária, enquanto que no
evaporador 2 teremos a pressão mais baixa. Da saída do evaporador 1,
direcionamos o fluido para a linha de baixa pressão, na saída do evaporador 2,
usando uma válvula redutora de pressão para reduzir a pressão intermediária
para a baixa pressão. No diagrama P&h a seguir podemos avaliar o
comportamento desse ciclo.

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Utilizando a numeração indicada no diagrama acima, temos os seguintes


significados dos pontos indicados:

Ponto 1: Entrada do compressor.


Ponto 2: Saída do compressor.
Ponto 3: Saída do condensador.
Ponto 4: Entrada do evaporador 1.
Ponto 5: Saída do evaporador 1.
Ponto 6: Saída da válvula de redução de pressão do evaporador 1.
Ponto 7: Entrada do evaporador 2.
Ponto 8: Saída do evaporador 2.

Ainda podemos observar que a entalpia tem o mesmo valor nos pontos 3, 4
e 7, uma vez que é um processo de redução isoentálpico. Também podemos
verificar que as entalpias dos pontos 5 e 6 tem o mesmo valor, devido ao mesmo
motivo.

No ponto 1 teremos a junção das vazões que passam pelos evaporadores 1


e 2 (vazões m1 e m2), vidas através dos pontos 6 e 8, resultando na vazão total
que passará pelo compressor (vazão m). Esses fluidos que chegarão no ponto 1,
possuem entalpias diferentes. Assim sendo, a entalpia resultante do fluido que
sairá do ponto 1, será um resultado do balanço energético das demais vazões.

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O balanço energético implica em dizer que toda energia que entra no


ponto, que são as vazões m1 e m2, associadas a suas respectivas entalpias (h6 e
h8, respectivamente), deve ser igual à energia que sai do ponto 1, que é a vazão
m associada a entalpia h1.

Energia que entra = Energia que sai

m1 . h6 + m2 . h8 = m . h1

Portanto: h1 = (m1.h6 + m2.h8) / m, onde m = m1 + m2

Avaliando ainda o ciclo anteriormente demonstrado, teremos as seguintes


dimensões:

Condensação: Qcd = m . (h2 – h1)

Evaporação 1: Qrf1 = m . (h5 – h4)

Evaporação 2: Qrf2 = m . (h8 – h7)

Compressão: Wcp = m . (h2 – h1)

Eficiência: COP = (Qrf1 + Qrf2) / Wcp

Exemplo: Um sistema de refrigeração opera com uma temperatura de


condensação de 52,39°C, e dois evaporadores, sendo que o primeiro evaporador
opera a uma temperatura de 0,66°C, com uma vazão de refrigerante de 1.000
kg/h, e o segundo evaporador opera a uma temperatura de -17,12°C, com uma

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vazão de refrigerante de 2.000 kg/h. Com base nestas informações, determinar o


coeficiente de eficiência do sistema.

Tcd = 52,39°C  Pcd = 1.400 kPa

Tev 1 = 0,66°C  Pev 1 = 300 kPa m1 = 1.000 kg/h

Tev 2 = -17,12°C  Pev 2 = 150 kPa m2 = 2.000 kg/h

Determinando os valores das entalpias.

h3 = 275,7 kJ/kg h3 = h4 = h7

h5 = 399,2 kJ/kg h5 = h6

h8 = 388,5 kJ/kg

Ponto 1: h1 = (m1.h6 + m2.h8) / m

m = m1 + m2 m = 1.000 + 2.000 m = 3.000 kg/h

h1 = [(1.000 x 399,2) + (2.000 x 388,5)] / 3.000 h1 = 392,07 kJ/kg

Da tabela de vapor superaquecido, na pressão do ponto 1:

h S
390,3 1,7464 S1 = 1,7532 kJ/kg.K
392,07 S1
394,4 1,7622 S2 = S1

Da tabela de vapor superaquecido, na pressão de condensação:

S h
1,7531 439,8
1,7532 h2 h2 = 439,83 kJ/kg
1,7700 445,6

Capacidade de condensação

Qcd = m.(h2 – h3) = 3.000 x (439,83 – 275,7) Qcd = 492.390 kJ/h

Trabalho de compressão

Wcp = m.(h2 – h1) = 3.000 x (439,83 – 392,07) Wcp = 143.280 kJ/h

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Capacidade de refrigeração no evaporador 1

Qrf 1 = m1.(h5 – h4) = 1.000 x (399,2 – 275,7) Qrf 1 = 123.500 kJ/h

Capacidade de refrigeração no evaporador 2

Qrf 2 = m2.(h8 – h7) = 2.000 x (388,5 – 275,7) Qrf 2 = 225.600 kJ/h

Coeficiente de eficiência

COP = (Qrf 1 + Qrf 2) / Wcp = (123.500 + 225.600) / 143.280 = 2,4365 = 243,65%

Ciclo de refrigeração de múltipla compressão de vapor de refrigerante

Este ciclo tem a finalidade de aumentar a eficiência do sistema de


refrigeração, seja pelo aumento da capacidade de refrigeração, e também, pela
redução do trabalho de compressão, conforme demonstrado no ciclo a seguir:

Como podemos observar, este ciclo opera com três pressões distintas (de
evaporação, de condensação e intermediária). O evaporador trabalha na baixa
pressão, de modo idêntico ao ciclo teórico, o mesmo acontece com o
condensador, que trabalha com a alta pressão. Todavia, observamos 2
compressores, sendo que um deles opera entre a baixa pressão e a pressão
intermediária, enquanto que o outro trabalha entre a pressão intermediária e a
alta pressão. O sistema correspondente ao ciclo acima é demonstrado na figura
a seguir.

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No esquema demonstrado anteriormente, verificamos que o ciclo de


refrigeração opera entre a pressão de evaporação e a pressão intermediária, com
o auxílio do tanque separador. Assim sendo, o fluido que é bombeado pelo
compressor de baixa pressão não vai para o condensador, mas sim para o
tanque separador, onde o fluido superaquecido de refrigerante tem sua
temperatura reduzida para a temperatura de saturação da pressão intermediária,
sendo que nesse processo irá ocorrer a vaporização de parte do líquido
refrigerante armazenado no tanque separador. Por outro lado, o refrigerante que
se encontra no estado líquido, no tanque separador, irá ser direcionado para a
válvula de expansão e posteriormente para o evaporador, fechando assim o ciclo
de refrigeração.

Já no ciclo de condensação, o vapor saturado que se encontra no tanque


misturador é direcionado para o compressor de alta pressão, sendo então
bombeado para o condensador. Todavia, o refrigerante que sai do condensador,
que passará por uma válvula de expansão, onde a pressão será reduzida da alta
pressão para a pressão intermediária, não será fornecido diretamente para o
evaporador, mas sim, sofrerá uma separação das partes líquida e gasosa no
tanque separador, onde a parte gasosa do refrigerante será novamente
direcionada para o compressor de alta pressão, fechando assim o ciclo de
condensação.

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Como pudemos observar, no tanque separador teremos uma mistura de


fluido refrigerante em diferentes estados físicos (líquido, vapor saturado e vapor
superaquecido), porém, todos eles na mesma pressão intermediária, o que
requer um estudo de balanço de massa e energia, de modo a determinar
algumas entalpias do sistema.

Fazendo o balanço do sistema acima, teremos a seguinte condição:

ENTRADA SAÍDA

mA.h6 + mB.h2 = mA.h3 + mB.h7

Simplificando a equação anterior, teremos:

mB.(h2 - h7) = mA.(h3 - h6)

No caso de um sistema de três pressões (baixa, intermediária e alta),


teremos m evaporador gerando refrigeração num ciclo com dois compressores.
Deste modo, teremos:

Capacidade de refrigeração:

QRF = mB . ( h1 – h8 )

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Trabalho de compressão:

WCP alta = mA . ( h4 – h3 )

WCP baixa = mB . ( h2 – h1 )

WCP total = WCP alta + WCP baixa

Capacidade de condensação:

QCD = mA . ( h4 - h5 )

Coeficiente de performance:

COP = QRF / WCP total

Vamos avaliar os efeitos deste ciclo no exercício a seguir:

Exemplo: Um ciclo teórico de múltipla compressão de vapor de


refrigerante opera na evaporação com uma pressão de 160 kPa, e na
condensação com uma pressão de 1.600 kPa, com uma vazão de refrigerante de
1.000 kg/h no evaporador. O sistema opera ainda com uma pressão
intermediária de 750 kPa. Com base nessas informações, determinar a
capacidade de refrigeração, a capacidade de condensação, o trabalho dos
compressores e o coeficiente de performance do sistema.

Inicialmente vamos determinar as entalpias do sistema.

Ponto 1: Saída do evaporador com pressão de 160 kPa. Direto da sub-tabela 2.


h1 = 389,5 kJ/kg e S1 = 1,7384 kJ/kg.K

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Ponto 2: Saída do compressor de baixa, na pressão de 750 kPa. Usando como


referência a entropia (S) do ponto 1, vamos interpolar o valor da entalpia na região
superaquecida da pressão de 750 kPa.
S h
1,7360  420,8
1,7384  h2  h2 = 421,5 kJ/kg
1,7524  425,9

Ponto 3: Saída de vapor saturado do tanque separador, numa pressão de 750 kPa.
Direto da sub-tabela 2.
h3 = 414,6 kJ/kg e S3 = 1,7158 kJ/kg.K

Ponto 4: Saída do compressor de alta, na pressão de 1.600 kPa. Usando como


referência a entropia (S) do ponto 3, vamos interpolar o valor da entalpia na região
superaquecida da pressão de 1.600 kPa.
S h
1,7134  429,3
1,7158  h2  h4 = 430,1 kJ/kg
1,7323  435,6

Ponto 5: Saída de líquido saturado do condensador, numa pressão de 1.600 kPa.


Direto da sub-tabela 2.
h5 = 284,5 kJ/kg

Ponto 6: Entrada de mistura líquido+vapor saturados no tanque separador, numa


pressão de 750 kPa. Como a redução de pressão feita pela válvula de expansão é
considerada como sendo um processo isentálpico (entalpia constante), a entalpia
desse ponto é igual a do ponto 5. Portanto.
h6 = h5 = 284,5 kJ/kg

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Ponto 7: Saída de líquido saturado do tanque separador, numa pressão de 750 kPa.
Direto da sub-tabela 2.
h7 = 240,5 kJ/kg

Ponto 8: Entrada de mistura líquido+vapor saturados no evaporador, numa pressão de


160 kPa. Como a redução de pressão feita pela válvula de expansão é considerada
como sendo um processo isentálpico (entalpia constante), a entalpia desse ponto é
igual a do ponto 7. Portanto.
h8 = h7 = 240,5 kJ/kg

A vazão de refrigerante no evaporador é de 1.000 kg/h, e corresponde à vazão


que denominamos de “mB” na apresentação teórica. Como já conhecemos também os
valores das entalpias na entrada e saída do evaporador, podemos determinar a
capacidade de refrigeração. Portanto.

QRF = mB.(h1 – h8) = 1.000 x (389,5 – 240,5)  QRF = 149.000 kJ/h

No compressor de baixa iremos bombear a vazão “mB” entre as pressões de 160


kPa e de 750 kPa. Portanto.

WCP Baixa = mB.(h2 – h1) = 1.000 x (421,5 – 389,5)

WCP Baixa = 32.000 kJ/h

Agora é necessário fazer o balanço energético no tanque separador, de modo a


determinarmos a vazão que irá circular na parte alta do sistema. Assim sendo,
utilizando a equação apresentada na teoria sobre o assunto, e isolando a parcela que
queremos determinar, teremos.

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mA = 1.391,2 kg/h

Agora que conhecemos a vazão na parte de alta pressão do sistema, podemos


determinar o trabalho de compressão de alta e a capacidade de condensação.

O trabalho de compressão de alta irá bombear a vazão “mA” da pressão de 750


kPa para a de 1.600 kPa. Portanto.

WCP Alta = mA.(h4 – h3) = 1.391,2 x (430,1 – 414,6)

WCP Alta = 21.563,6 kJ/h

A capacidade de condensação é determinada pela variação da entalpia entre a


saída e entrada do condensador (saída do compressor de alta), vezes a vazão “mA”.
Portanto.

QDC = mA.(h4 – h5) = 1.391,2 x (430,1 – 284,5)  QCD = 202.558,7 kJ/h

Finalmente vamos calcular o coeficiente de performance.

COP = QRF / (WCP Alta + WCP Baixa) = 149.000 / (21,563,6 + 32.000)

COP = 2,782 = 278,2%

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Ciclo de refrigeração combinado

Neste sistema de refrigeração temos um misto de ciclo de múltipla


evaporação com múltipla compressão. O mesmo é aplicado quando temos a
necessidade de trabalhar com capacidades de refrigeração a temperaturas
diferentes. O esquema básico deste sistema está demonstrado na figura a seguir.

Como podemos observar, este sistema trabalha com evaporadores distintos,


operando em temperaturas diferentes, como no ciclo de múltipla evaporação.
Todavia, para melhorar o desempenho, é empregado o princípio da múltipla
compressão, com utilização de um tanque separador de líquido.

Assim sendo, o sistema irá operar com uma pressão de condensação e duas
ou mais pressões de evaporação, com os respectivos tanques separadores para
cada estágio intermediário de pressão.

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A seguir demonstramos o diagrama P&h demonstrando o ciclo térmico do


sistema demonstrado anteriormente.

Observando os extremos do ciclo (pontos 1, 2, 4, 5, 7 e 8), podemos


facilmente identificar a vazão que passa por estes pontos, bem como também é
fácil determinar a entalpia em cada um deles. Todavia, na parte mista do sistema,
temos uma situação de separação e mistura de refrigerante, com entalpias
diferentes, que devem estar em equilíbrio para que o sistema funcione
corretamente.

Após o ponto 5 ocorre uma divisão da quantidade de refrigerante


denominada por “m”, sendo que uma parte, denominada de vazão “m1”, é
direcionada para o evaporador 1, propiciando a realização da capacidade de
refrigeração 1, sendo posteriormente direciona para o ponto 3. Neste processo, a
vazão “m1” irá absorver calor durante a passagem pelo evaporador 1, onde o
refrigerante terá sua entalpia alterada do valor “h6” para “h3”.

Outra parte da vazão “m”, denominada de “m2”, será direcionada para o


tanque separador, onde ocorrerá a separação da parte líquida do vapor. A parte
líquida, denominada de “m3”, será direcionada para o evaporador 2. Para
compreendermos o efeito energético que ocorre no tanque separador, basta
fazermos uma análise do balanço energético.

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Avaliando isoladamente o tanque


separador, teremos um fluxo de vapor
conforme figura ao lado. Como todas as
linhas de entrada e saída estão a mesma
pressão, podemos aplicar o conceito de
que a “energia que entra” deve ser igual a
“energia que sai”. Deste modo, teremos a
seguinte condição.

Balanço energético no tanque separador

Energia que entra = Energia que sai

Como podemos observar, a vazão “m3” que passa pelo evaporador 2,


absorve calor durante o processo de realização de refrigeração, ocorrendo uma
alteração no valor da entalpia do refrigerante de “h7” para “h2”. Já a vazão de
refrigerante “m2” que entra no tanque separador, possui na entrada uma mistura
de líquido e vapor, já na saída encontra-se totalmente em estado de vapor
saturado, com título igual a 1 (X = 1), sendo então direcionada para o ponto 3. A
vazão “m2”, com entalpia “h6”, é a quantidade de refrigerante que deve ser
enviada ao tanque separador, para propiciar a realização da capacidade de
refrigeração no evaporador 2, numa condição de equilíbrio, fazendo com que a na
saída do tanque separador, a vazão “m2” esteja totalmente vaporizada (vapor
saturado), com entalpia “h3”.

Como a vazão “m1” também chega ao ponto 3 com entalpia “h3”, teremos
uma condição de equilíbrio correspondente a “m = m1 + m2”.
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Para compressão do funcionamento deste ciclo, iremos exemplificar o


dimensionamento de um sistema, com base nas necessidades que normalmente
são requeridas para um projeto de refrigeração.

Exemplo: Uma empresa necessita de um sistema de refrigeração que


produza duas temperaturas de refrigeração diferentes, sendo uma a
aproximadamente 3°C, e a outra a aproximadamente -12°C, em cada ambiente
refrigerado deveremos ter uma capacidade de refrigeração de 10.000 kcal/h. A
temperatura de condensação deverá ficar em aproximadamente 55°C. Com base
nestes dados, desenvolver um sistema misto de evaporação que atenda as
necessidades de projeto, e determinar o coeficiente de eficiência resultante.
Posteriormente, em sala de aula, comparar o desempenho com o ciclo de dupla
evaporação normal e com dois ciclos individuais.

Determinação das pressões:

Tcd = ~ 55°C  Pcd = 1.500 kPa (55,2°C)

Tev1 = ~ 3°C  Pev1 = 320 kPa (2,46°C)

Tev2 = ~ -12°C  Pev2 = 180 kPa (-12,71°C)

Determinação das entalpias:

Ponto 1: Pev2 e X = 1 h1 = 391,2 kcal/kg


S1 = 1,7361 kcal/kg.K

Ponto 2: Pev1 e S2 = S1 h2 = 402,8938 kcal/kg

Ponto 3: Pev1 e X = 1 h3 = 400,2 kcal/kg


S3 = 1,7265 kcal/kg.K

Ponto 4: Pcd e S4 = S3 h4 = 432,3403 kcal/kg

Ponto 5: Pcd e X = 0 h5 = 280,1 kcal/kg

Ponto 6: Pev1 e h6 = h5 h6 = 280,1 kcal/kg

Ponto 7: Pev1 e X = 0 h7 = 203,3 kcal/kg

Ponto 8: Pev2 e h8 = h7 h8 = 203,3 kcal/kg

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Determinando as vazões nos evaporadores:

Evaporador 1: m1 = Qrf1 / (h3 – h6) m1 = 83,2639 kg/h

Evaporador 2: m3 = Qrf2 / (h1 – h8) m3 = 53,2198 kg/h

Determinando a vazão para o tanque separador:

m2 = m3 . [ (h2-h7) / (h3-h6) ] m2 = 88,4458 kg/h

Portanto: m = m1 + m2 m = 171,7097 kg/h

Determinando os trabalhos de compressão:

Wcp1 = m.(h4 – h3) Wcp1 = 5.518,8013 kcal/h

Wcp2 = m3.(h2 – h1) Wcp2 = 622,3417 kcal/h

Determinando o coeficiente de eficiência:

Cef = (Qrf1 + Qrf2) / (Wcp1 + Wcp2) Cef = 3,2567 = 325,67%

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CICLO DE REFRIGERAÇÃO POR ABSORÇÃO DE CALOR

Na refrigeração por absorção de calor substituímos o compressor por um


ciclo de trabalho, cujo qual executa a elevação da pressão do sistema. Outra
característica desse ciclo é a de que ele trabalha com dois fluidos diferentes,
sendo os mais comuns os pares “água e amônia”, onde a amônia é o fluido
refrigerante, e “água e brometo de lítio”, onde a água é o refrigerante. O
funcionamento do sistema é demonstrado no esquema a seguir.

B.A.: Bomba de líquido


V.R.P.: Válvula reguladora de pressão
V.E.: Válvula de expansão

Ciclo de refrigeração
É a parte do sistema onde retiramos o calor do ambiente a ser refrigerado,
com o auxílio do evaporador, e posteriormente dissipamos esse calor para o
ambiente externo, com o auxílio do condensador. Como nos ciclos vistos
anteriormente, essa parte do sistema trabalha com duas diferentes pressões,
sendo uma baixa pressão na linha de evaporação, e uma alta pressão na linha de
condensação, contendo ainda uma válvula de expansão que reduz a pressão do
fluido condensado no condensador, para a pressão da linha de evaporação.
Assim sendo, as variáveis de fluxo de calor na evaporação e na condensação
obedecem aos mesmos princípios utilizados nos ciclos de compressão de
refrigerante.

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Observando isoladamente o ciclo de


refrigeração, podemos concluir que apesar
de em cada ponto indicado no sistema estar
sendo indicada uma vazão específica (m1,
m2, m3 e m4), essas vazões são idênticas
em cada um desses pontos, uma vez que é
a vazão de refrigerante que impulsionará o
sistema de refrigeração, como ocorre nos
ciclos de compressão. O ponto 1
corresponde à entrada do condensador, o
ponto 2 representa a saída do condensador,
o ponto 3 representa a entrada do
evaporador e o ponto 4 representa a saída
do evaporador.

Assim sendo, podemos concluir que:

m1 = m2 = m3 = m4, que passaremos a denominar de “mCR”.

Portanto, podemos determinar que as capacidades de refrigeração e de


condensação podem ser determinadas por:

QRF = mCR . (h4 – h3)

QCD = mCR . (h1 – h2)

Ciclo de trabalho
Essa parte do sistema tem a finalidade de substituir o compressor utilizado
nos ciclos de compressão, para executar o trabalho de elevação da pressão do
fluido no sistema. Como já mencionado anteriormente, nessa parte do sistema
utilizaremos um par de fluidos, sendo um deles o fluido refrigerante que circula
pelo ciclo de refrigeração, e o outro um fluido absorvedor. A seguir
descreveremos resumidamente o funcionamento dessa parte do sistema.

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Inicialmente temos que visualizar que devido ao fato do sistema trabalhar


com duas diferentes pressões, teremos na pressão de evaporação, além do
evaporador, outro componente denominado de absorvedor. A finalidade desse
equipamento é dissipar do sistema o excesso de energia térmica gerada na
reação exotérmica entre o fluido refrigerante que sai do evaporador e a solução
(refrigerante e absorvedor) pobre que vem do gerador.

Reação exotérmica: reação química que liberta calor, sendo, portanto, a


energia final dos produtos menor que a energia inicial dos reagentes. Disso se
conclui que a variação de energia é negativa.

Já na pressão de condensação teremos, além do condensador, um


equipamento denominado de gerador. Nesse equipamento iremos fornecer calor
ao mesmo para provocar a desassociação do refrigerante contido na solução rica.

Avaliando isoladamente o fluxo de


trabalho, verificamos que no absorvedor
entrará uma vazão de refrigerante que vem
do evaporador (m4), que irá reagir com uma
vazão de solução pobre em refrigerante que
vem do gerador (m8). Essa reação fará com
que a solução seja enriquecida de
refrigerante, porém, nessa nova
concentração a solução deverá liberar parte
da energia térmica contida nos reagente, de
modo a atingir o equilíbrio energético. Após
essa transformação, teremos saindo do
absorvedor uma vazão de solução rica em
refrigerante, denominada de m5, onde (m5
= m4 + m8).

Após passar pelo absorvedor, essa solução rica (m5) é então bombeada,
com o auxílio de uma bomba de líquido, para a linha de pressão de condensação,
passando a ser denominada de vazão m6, que apesar de ter o mesmo valor da
vazão m5, está agora na pressão de condensação. O ganho do sistema encontra-
se justamente nessa etapa, pois agora para fazermos a elevação da pressão no
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sistema, estaremos trabalhando com um fluido no estado líquido, enquanto que


nos ciclos de compressão fazemos a elevação da pressão com um fluido no
estado gasoso, o que requer muito mais trabalho para o deslocamento mássico
do fluido.

A vazão de solução rica (m6) entra então no gerador, onde passará a ser
aquecida. Com o aumento da temperatura dessa solução rica, a pressão
constante (pressão de condensação), atingiremos um ponto de saturação, onde a
energia térmica contida na solução não irá mais suportar manter-se com a
concentração de reagentes, passando então a evaporar um dos reagentes, que
no caso será o refrigerante do sistema, representado pela vazão de vapor m1 que
segue em direção ao condensador. Já o restante da solução, representada pela
denominação m7, que agora encontra-se na condição de solução pobre, uma vez
que parte do refrigerante contido na solução que entrou no gerador foi evaporada,
irá ser direcionada para o absorvedor, tendo sua pressão reduzida com o auxílio
de uma válvula reguladora de pressão, passando agora a ser denominada de
vazão m8, que apesar de corresponder ao mesmo valor da vazão m7 , está agora
sujeita agora a pressão de evaporação. Essa solução pobre entra então no
absorvedor onde irá misturar-se e reagir om a vazão de refrigerante que vem do
evaporador, reiniciando novamente o ciclo.

Portanto, podemos agora fazer as seguintes considerações com relação às


vazões do sistema:

m1 = m2 = m3 = m4 = mCR
m7 = m8 = mSP
m5 = m6 = mSR
m5 = m4 + m8
m6 = m1 + m7

Onde mSP representa a vazão de solução pobre em refrigerante, enquanto


que mSR representa a vazão de solução rica em refrigerante.

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Agora devemos relembrar comportamento térmico de uma solução,


conforme figura a seguir.

Resumindo o efeito verificado na figura acima, vemos que em uma solução,


no caso uma mistura de água com brometo de lítio, é possível mantermos uma
determinada concentração dos reagentes no mesmo estado físico, em volume
constante do sistema, na condição de temperatura e pressão na qual foi realizada
a solução. Todavia, quando esses parâmetros (pressão e temperatura) são
alterados, não fica garantida que a quantidade de energia (calor) interna do
sistema seja compatível para manter os reagentes (água e brometo de lítio)
continuamente no mesmo estado físico, mantendo assim a massa de solução
inicialmente composta.

Tomando como exemplo a figura anterior, onde temos uma solução


composta com 54% de brometo de lítio, e também, avaliando o diagrama a
seguir, verificamos que a uma pressão de 7,38 kPa, que equivale a uma
temperatura de saturação da água de 40°C, a solução terá uma temperatura de
70°C. Se mantivermos a pressão constante e fornecermos mais calor à solução,
iniciará o processo de evaporação da água contida na solução.

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Todavia, se reduzirmos a pressão atuante sobre a solução demonstrada no


diagrama acima, teremos também uma redução na temperatura da solução e da
saturação da água. Deste modo, fazendo a variação da pressão no sistema, e
também, fornecendo e retirando calor da solução, conseguimos associar ou
desassociar o refrigerante da solução.

Exemplo: Um sistema de refrigeração de absorção de calor opera com uma


temperatura de 40°C na condensação, e temperatura de 10°C na evaporação.
Sabendo que a solução rica tem concentração de 50% de BrLi, enquanto que a
solução pobre tem concentração de 60% de BrLi, determinar as temperaturas da
solução no gerador e no absorvedor.

No gerador teremos a solução pobre. Portanto:


TCD = 40°C  PCD = 7,38 kPa
C = 60% BrLi
No absorvedor teremos a solução rica. Portanto:
TEV = 10°C  PEV = 1,23 kPa
C = 50% BrLi

Portanto, no absorvedor teremos uma temperatura de solução de


aproximadamente TAB = 31°C, enquanto que no gerador teremos uma
temperatura de solução de aproximadamente TG = 83°C.
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Entalpia da solução de água e brometo de lítio

Como já vimos em aulas passadas, existem disponíveis tabelas que contém


valores de propriedades termodinâmicas de alguns fluidos de trabalho, pra
variações de pressão ou temperatura. Todavia, quando trabalhamos com uma
solução, na condição de saturação, qualquer variação de temperatura ou pressão
altera em consequência a concentração os reagentes na solução. Portanto, para
determinação do valor da entalpia, em determinada condição de concentração e
pressão ou temperatura, iremos utilizar um diagrama específico, como o da
solução água e brometo de lítio apresentado a seguir.

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No exemplo indicado no diagrama anterior, onde para uma solução de água


e brometo de lítio concentração de 55% de BrLi, a uma temperatura de 140°C,
faremos a leitura de um valor de entalpia de aproximadamente 49kJ/kg.

Agora que já sabemos determinar o valor da entalpia de uma solução,


passemos a fazer uma análise da energia térmica contida em cada ponto do
sistema, que em função da vazão de fluido irá nos propiciar a possibilidade de
determinar de modo simples o fluxo de calor que ocorre em cada componente.
Vamos a seguir avaliar isoladamente cada ponto de transformação do sistema,
tomando como base a solução de água e brometo de lítio.

GERADOR
O gerador recebe uma vazão de fluido rico em refrigerante, onde esse fluido
passa a receber calor. Como a pressão e o volume são constantes, todo calor
fornecido passa a aquecer o fluido, e assim que esse atinge a temperatura de
saturação, inicia o processo de desagregação de vapor do refrigerante (água). A
água que é desagregada da solução encontra-se no estado de vapor. Como no
instante da geração do vapor de água a temperatura de saturação da solução é
superior a temperatura de saturação da água, em uma mesma pressão, o vapor
de água gerado fica em estado superaquecido. Esse vapor agora, liberto da
solução, vai em direção ao condenador.

Portanto, a vazão de vapor que é direcionada ao condensador (m1),


encontra-se no estado de vapor superaquecido, na temperatura de saturação
pobre em refrigerante, uma vez que o vapor desagregado da solução reduz o teor
de refrigerante na mesma. O restante da solução pobre é então enviada ao
absorvedor. O balanço de vazões no gerador e dado por:

m6 = m7 + m1

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Mas também:

m6.C6 = m7.C7 + m1

Onde:
m6 = Vazão rica em refrigerante que entra no gerador
m7 = Vazão pobre em refrigerante que sai do gerador para o absorvedor
m1 = Vazão de vapor superaquecido que sai do gerador para o
condensador
C6 = Concentração de refrigerante na solução que entra no gerador

C6 = 1 - teor de BrLi
C7 = Concentração de refrigerante na solução que sai do gerador

C7 = 1 - teor de BrLi

Exemplo: Num gerador com uma solução de BrLi-H2O, uma vazão de 1


kg/h de vapor de água está sendo direcionada ao condensador. Sabendo que
uma vazão de 5 kg/h de solução pobre, com teor de 55% de BrLi-H2O, sai do
gerador em direção ao absorvedor, determinar:

a) A vazão de solução rica que entra no gerador;


b) A concentração da solução rica que entra no gerador.

a) m6 = m7 + m1  m6 = 5 + 1  m6 = 6 kg/h

b) m6.C6 = m7.C7 + m1  C6 = { [ 5 x (1 – 0,55) ] + 1 } / 6

C6 = 0,5417  1 – Teor de BrLi = 0,5417

Teor de BrLi = 1 – 0,5417 = 0,4583

Portanto, concentração da solução na entrada do gerador é de 45,83%

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BOMBA DE SOLUÇÃO
Como já visto em outros processos de bombeamento (compressão), o valor
da entropia permanece constante, e em consequência temos uma pequena
variação no valor da entalpia. Também sabemos que a vazão é constante
durante o processo de bombeamento (m5 = m6 = mSR), sendo que a variação da
entalpia é uma função da variação de pressão. Portanto, o trabalho de
bombeamento pode ser determinado por:

WB = mSR . VSOL . (PCD – PEV)

Onde:

mSR = Vazão de solução rica

VSOL = Volume da solução

PCD = Pressão de condensação

PEV = Pressão de evaporação

Para as concentrações utilizadas nesse sistema de refrigeração, podemos


considerar o volume da solução como sendo um valor fixo de 0,00055 m3/kg.

Exemplo: Um ciclo de absorção bombeia 10 kg/h de solução, do


absorvedor para o gerador, aumentando a pressão de 0,5 kPa para 6 kPa.
Determinar o trabalho da bomba de solução.

WB = 10 x 0,00055 x ( 6 – 0,5 )  WB = 0,03 kJ

ABSORVEDOR
No absorvedor será feita a agregação do refrigerante que vem do
evaporador com a solução pobre que vem do gerador. Esse processo se dá
numa transformação exotérmica, e após a liberação de calor decorrente, a
solução volta a ficar enriquecida de refrigerante, quando é novamente bombeada
para o gerador. Para efeito de balanço de massa, as vazões tem o seguinte
comportamento:
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m5 = m8 + m4
Mas também:

m5.C5 = m8.C8 + m4

Onde:
m5 = Vazão rica que deixa o absorvedor
m8 = Vazão pobre que entra no absorvedor
m4 = Vazão de vapor saturado que sai do evaporador
C5 = Concentração de refrigerante na solução que sai do absorvedor

C5 = 1 - teor de BrLi
C8 = Concentração de refrigerante na solução que entra no absorvedor

C8 = 1 - teor de BrLi

Exemplo: Num absorvedor com uma solução de BrLi-H2O, entra uma vazão
de 1 kg/h de vapor de água vem do evaporador. Sabendo que uma vazão de 4
kg/h de solução pobre, com teor de 50% de BrLi-H2O, sai do gerador em direção
ao absorvedor, determinar:

a) A vazão de solução rica que sai do absorvedor;


b) A concentração da solução rica que sai do absorvedor.

a) m5 = m8 + m4  m5 = 4 + 1  m5 = 5 kg/h

b) m5.C5 = m8.C8 + m4  m5 = { [ 4 x (1 – 0,50) ] + 1 } / 5

C5 = 0,6  1 – Teor de BrLi = 0,6

Teor de BrLi = 1 – 0,6 = 0,4

Portanto, concentração da solução na entrada do gerador é de 40%

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Determinando as entalpias do sistema


Para determinar as entalpias do sistema temos que fazer uma análise dos
dois ciclos (refrigeração e trabalho).

Entalpias no ciclo de refrigeração


No ciclo de refrigeração teremos somente uma vazão de refrigerante, cuja
qual evapora no gerador, conforme figura a seguir.

Esse refrigerante quando evapora da solução (ponto 1), está na mesma


temperatura da solução, na pressão da linha de condensação. Como já vimos
que para o caso da solução de BrLi-H2O, a água tem temperatura de saturação
inferior à da solução, e assim sendo, quando esse vapor é gerado a temperatura
superior à temperatura de saturação, esse vapor está no estado superaquecido.
Para a determinação de sua entalpia (h1), basta determinar o valor da mesma
com o auxílio de uma tabela de propriedades do vapor superaquecido, guiando-
se pela pressão e temperatura do vapor.

Ao passar pelo condensador, essa vazão de refrigerante tem seu estado


alterado de vapor superaquecido para o de líquido saturado. Portanto, para
determinar o valor de sua entalpia (h2), basta determinarmos o valor do líquido
saturado, utilizando uma tabela de propriedades do vapor saturado, guiando-se
pela pressão de condensação. Quando essa vazão passa pela válvula de
expansão, em direção ao evaporador, sua entalpia (h3) permanece constante,
pelo fato de ser um processo isentrópico. Portanto, teremos h3 igual a h2.

A vazão de refrigerante ao passar pelo evaporador evapora-se totalmente, e


assim sendo, passa a conter a entalpia (h4) do vapor saturado, para pressão de

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evaporação, o que pode também ser determinado com o auxílio de uma tabela de
propriedades do vapor saturado.

Capacidade de condensação
A capacidade de condensação representa o fluxo de calor que deve ser
retirado do sistema, de modo a condensar o vapor de refrigerante. Esse fluxo de
calor é determinado pela vazão que passa pelo condensador, e a variação de
entalpia do refrigerante entre os pontos de entrada e saída.

QCD = mR . (h1 – h2)

Capacidade de refrigeração
A capacidade de refrigeração representa o fluxo de calor que deve será
retirado do ambiente a ser refrigerado. Esse fluxo de calor é determinado pela
vazão que passa pelo evaporador, e a variação de entalpia do refrigerante entre
os pontos de entrada e saída.

QRF = mR . (h4 – h3)

Entalpias no ciclo de trabalho


No ciclo de trabalho teremos vazões de solução que tem sua concentração
alterada nas passagens pelo absorvedor e no gerador. Como já vimos
anteriormente, podemos determinar o valor da entalpia da solução, quando
conhecemos sua concentração e pressão.

Saindo do absorvedor para o gerador, teremos a solução rica (que contém


maior concentração de refrigerante, que no caso da solução de BrLi-H2O é a
água). A determinação da entalpia da solução pode ser determinada na condição
de saída do absorvedor, onde essa solução está na pressão de evaporação.
Conhecendo-se a concentração e a pressão, podemos determinar a temperatura
de saturação da solução, bastando utilizar o diagrama já estudado.
Posteriormente, conhecendo a concentração e a temperatura de saturação da

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solução, podemos determinar o valor da entalpia da solução (h5), utilizando outro


diagrama já estudado.

EXEMPLO: Uma solução rica, com concentração de 50%, deixa o absorvedor


que se encontra na pressão de 0,87 kPa. Determinar o valor da entalpia da
solução.

Determinando a temperatura de saturação da solução:


C = 50%
PEV = 0,87 kPa

Portanto, a temperatura de saturação da solução é de 25°.

No diagrama ao lado: Entalpia = - 180 kJ/kg

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A solução rica entre os pontos 5 (saída do absorvedor) e 6 (saída da bomba


de solução), apesar de estarem em pressões diferentes, tem valor de entalpia
praticamente igual (obs.: através do calculo do valor da entalpia em função da
variação de pressão, poderemos verificar que existe uma pequena variação no
valor da entalpia, porém, em face aos erros de leitura na determinação do valor
de entalpia, quando utilizamos a tabela de entalpias, podemos considerar essa
variação insignificante). Portanto, iremos assumir que:

h6 = h5

Saindo do gerador para o absorvedor, teremos a solução pobre (que


contém menor concentração de refrigerante, que no caso da solução de BrLi-H2O
é a água). A determinação da entalpia da solução pode ser determinada na
condição de saída do gerador, em direção ao absorvedor, onde essa solução
está na pressão de condensação. Conhecendo-se a concentração e a pressão,
podemos determinar o valor da entalpia da solução (h7), pelo mesmo método
utilizado anteriormente.

Quando a vazão que vem do gerador (m7) passa pela válvula redutora de
pressão, temos uma redução da pressão de condensação para a pressão de
evaporação, porém em um processo isentrópico. Assim sendo, a entalpia não se
altera. Portanto:

h8 = h7

Fluxo de calor no absorvedor


Quando misturamos no absorvedor
o vapor de refrigerante que vem do
evaporador e a solução pobre que vem
do gerador, temos que remover calor do
sistema, de modo a obtermos a solução
rica.

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A determinação do valor do fluxo de calor a ser retirado no absorvedor se


obtém através de um balanço energético no mesmo, como segue:

QAB + m5.h5 = m8.h8 + m4.h4

Como as vazões têm as seguintes relações:

m5 = mSR = vazão de solução rica

m8 = mSP = vazão de solução pobre

m4 = mCR = vazão de refrigerante puro

Então:

QAB + mSR . h5 = mSP . h8 + mCR . h4


Portanto:

QAB = mSP . h8 + mCR . h4 - mSR . h5

Fluxo de calor no gerador


No gerador necessitamos fornecer
calor à solução rica que entra no
mesmo, para evaporar o refrigerante que
será utilizado no ciclo de refrigeração,
resultando assim na solução pobre que
retornará ao absorvedor.

A determinação do valor do fluxo de calor a ser fornecido ao gerador se


obtém através de um balanço energético no mesmo, como segue:

QG + m6.h6 = m7.h7 + m1.h1

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Como as vazões têm as seguintes relações:

m6 = mSR = vazão de solução rica

m7 = mSP = vazão de solução pobre

m1 = mCR = vazão de refrigerante puro

Então:

QG + mSR . h6 = mSP . h7 + mCR . h1


Portanto:

QG = mSP . h7 + mCR . h1 - mSR . h6

Coeficiente de performance do ciclo


O coeficiente de performance do ciclo se faz avaliando a quantidade de
energia inserida no ciclo, de modo a gerar a refrigeração desejada.

COP = QRF / ( QG + WB )

Cálculo da entalpia do vapor de água


Água saturada:

hL = 4,19 . ( T – TREF ) kJ/kg

Onde TREF = 0°C, e T é a temperatura do líquido saturado.

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Vapor saturado:

hV = [ - 0,0002 . T 2 + 0,466 . T - 2 (T/50)


+ 598 ] x 4,19
kJ/kg

Onde T é a temperatura do vapor saturado.

Vapor superaquecido (para baixas pressões e temperaturas):

hV SA = 2.501 + [ 1,88 . ( T – TREF ) ] kJ/kg

Exemplo: Um sistema de refrigeração por absorção de calor deve gerar


uma capacidade de refrigeração de 22.887 kJ/h, a uma temperatura de 10°C,
enquanto que a temperatura de condensação deve ser de 55°C. Considerando
que o sistema deve operar com uma solução de BrLi-H2O com concentração de
52% ao ser bombeada para o gerador, e concentração de 60% ao retornar para o
absorvedor. Determinar a capacidade de condensação, os fluxos de calor no
absorvedor e gerador, o trabalho da bomba de solução e o coeficiente de
performance.

CSR = 52% e CSP = 60%

TEV = 10°C  PEV = 1,23 kPa = 0,0123 bar (1 bar = 100 kPa)

Da tabela  h4 = 2.518,9 kJ/kg

TCD = 55°C  PCD = 15,7 kPa = 0,157 bar

Da tabela  h2 = h3 = 230,2 kJ/kg

Qrf = mCR . ( h4 – h3 )  mCR = 22.887 / (2.518,9 – 230,2) = 10 kg/h

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No absorvedor  mSR.CSR = mSP.CSP + mCR e mSP = mSR - mCR

mSR.CSR = (mSR – mCR).CSP + mCR  mSR.CSR = mSR .CSP – mCR.CSP + mCR

mSR.CSR - mSR .CSP = mCR - mCR.CSP

mSR.(1 – 0,52) - mSR.(1 – 0,60) = mCR - mCR.(1 – 0,60)

0,48 mSR - 0,40 mSR = mCR - 0,40 mCR  0,08 mSR = 10 - (0,40 x 10)

mSR = 6 / 0,08  mSR = 75 kg/h

Como: mSP = mSR - mCR  mSP = 75 – 10  mSP = 65 kg/h

Do diagrama temperatura/pressão/concentração:

No absorvedor CSR = 52% e TEV = 10°C  TSAT SOL = 34°C

No gerador CSP = 60% e TCD = 55°C  TSAT SOL = 102°C

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Do diagrama de entalpias da solução BrLi-H2O:

Na saída do absorvedor: h5 = h6 = - 165 kJ/kg

Na saída do gerador, para a solução: h7 = h8 = - 43 kJ//kg

Para o vapor superaquecido, a pressão de 15,7 kPa e temperatura de 102°C,


não teremos tabela correspondente. Portanto, iremos calcular o valor da entalpia:

h1 = 2.501 + [ 1,88 x (102 – 0) ]  h1 = 2.692,8 kJ/kg

Qcd = mCR . ( h1 – h2 ) = 10 x ( 2.692,8 – 230,2 )  Qcd = 24.626 kJ/h

QAB = mSP . h8 + mCR . h4 - mSR . h5

QAB = (65 x – 43) + (10 x 2.518,9) - (75 x – 165)  QAB = 34.769 kJ/h
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QG = mSP . h7 + mCR . h1 - mSR . h6

QG = (65 x – 43) + (10 x 2.692,8) - (75 x – 165)  QG = 36.508 kJ/h

WB = mSR . VSOL . (PCD – PEV) = 75 x 0,00055 x (15,7 – 1,23)  WB = 0,6 kJ/h

COP = QRF / ( QG + WB ) = 22.887 / (36.508 + 0,6)

COP = 0,6269 = 62,69%

Obs.: Em 2008 a norma NBR 6401 (antiga NB-10) foi substituída pelas
normas NBR 16401-1, NBR 16401-2 e NBR 16401-3.

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