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Introdução 29

sistema de classificação da sustentabilidade de edifícios do seu contributo


para o agravamento ou desagravamento da pegada ecológica de cada país.

Observações similares podem fazer-se em tese para todas as ferramentas de


análise da sustentabilidade da construção que assentes em premissas mais
preocupadas com a vertente “humana”, subestimam ou até minimizam a
parte relativa ao respeito dos tais “princípios ecológicos”, enunciados na
definição de construção sustentável. Tão pouco parecem incorporar a
gravidade dos impactos ambientais provocados pela espécie humana e já
descritos na secção anterior.

Muito embora o sector da construção não se restrinja somente ao sector dos


edifícios (residenciais ou não), abrangendo também o segmento de
engenharia civil relativo ás obras de infra-estruturas, não deixa contudo de
ser sintomático que a ênfase na construção sustentável tenha sido colocada
na eficiência energética do parque edificado. Umas das razões para esse
facto, talvez a mais importante, tem a ver com o elevado dispêndio
energético dos edifícios em termos operacionais, algo que não sucede com as
restantes obras, onde o comportamento ambiental é determinante na altura
da execução da obra, estando grande parte do mesmo condicionado aos
materiais de construção utilizados. Contudo e como e verá no capitulo 3, à
medida que os edifícios se vão tornando cada vez mais eficientes do ponto
de vista energético, também nestes o papel dos materiais de construção vai
adquirindo uma importância crescente até se tornar preponderante, o que
justifica que sobre os mesmos haja uma atenção acrescida.

1.4 O Papel dos Materiais de Construção


Para se perceber a importância dos materiais de construção na contexto da
construção sustentável, importa saber desde logo quais os impactos
ambientais provocados pela extracção das matérias-primas necessárias à sua
produção. Outros impactos serão analisados nos capítulos subsequentes.
Neste âmbito uma das questões ambientais mais prementes, mas pouco
consensual (Barnett & Morse, 1963; Suslick & Machado, 2009), prende-se
com a possibilidade de esgotamento das matérias-primas não renováveis.

Vários autores e entidades têm vindo nas últimas décadas a alertar para o
esgotamento das reservas de matérias-primas, sendo que alguns desde cedo
apontaram para cenários catastrofistas que a realidade não comprovou. O
mais famoso dos quais terá sido o mediático relatório “Os Limites do
Crescimento” produzido pelo Massachusetts Institute of Technology –MIT
(Meadows et al., 1972) para o Clube de Roma, um grupo de reflexão
constituído em 1968 por cientistas, políticos e empresários. Embora seja