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“Como pastor, penso regularmente sobre o tipo de liderança que nossa congregação terá depois que eu estiver com o Senhor e ocupado com outras coisas. Os desafios de transição geracional na liderança da igreja são os maiores que uma igreja enfrentará. Com isso em mente, recomendo esta excelente contribuição de Thabiti Anyabwile a esta discussão tão necessária. Este livro promete ser realmente uma grande ajuda.” Douglas Wilson, professor de Filosofia e Línguas Clássicas, New St. Andrews College; pastor, Christ Church, Moscow, Idaho

“Escolher homens que liderarão a igreja é uma tarefa séria. Eu recomendo este valioso material escrito por Thabiti Anyabwile, meu amigo e parceiro no evangelho. Este livro é criterioso e prático. Os discernimentos de Thabiti neste livro ajudarão você a recrutar, alistar e reproduzir líderes fiéis em sua igreja.” James MacDonald, pastor, Harvest Bible Chapel, Rolling Meadows, Illinois

“Motivado por um amor óbvio pela igreja local, o pastor Thabiti leva muito a sério a liderança bíblica. Ele a leva tão a sério que escreveu um livro com o propósito de ser tanto bíblico quanto acessível ao povo da igreja – explicando claramente o ensino da Bíblia sobre as qualificações para liderança e muito mais. Depois de uma exposição cuidadosa de cada qualificação para liderança, ele inclui uma lista de perguntas proveitosas para os que aspiram à liderança fazerem a si mesmos e para aqueles que entrevistarão esses aspirantes. Obrigado, Thabiti, por ajudar-me a pensar mais profundamente em meu chamado como presbítero e em meu esforço para formar líderes que glorificam a Deus e amam as pessoas na igreja de Cristo para a geração seguinte.” Tom Seller, pastor de Desenvolvimento de Liderança, Bethlehem Baptist Church, Minneapolis, Minnesota; Deão, Bethlehem College and Seminary

“Como identificamos, separamos e preparamos líderes dos quais precisamos tão urgentemente? O pastor Thabit escreveu um livro prático e teologicamente fiel que aborda esta pergunta crucial, com análise completa. Este é o tipo de livro que você desejará ter à sua disposição e a ele recorrer quando estiver pensando em possíveis diáconos e presbíteros para o ministério. O livro é atual, relevante e provoca reflexão.” Dave Kraft, pastor, Mars Hill Church, Orange County; Autor, Leaders Who Last

“Este livro de Thabiti Anyabwile é uma importante lembrança de um fato básico que pode ser facilmente esquecido na corrida por progresso eclesiástico – ou seja, que precisamos de presbíteros e diáconos fiéis. Embora este livro tencione ajudar os que estão procurando oficiais para sua igreja a saberem o que devem procurar em tais homens, achei as perguntas um ótimo fortificante para minha alma e um espelho que revela áreas em que preciso aprimorar como pastor de igreja.” Conrad Mbewe, pastor, Kabwata Baptist Chruch, Lusaka, Zambia; Autor, Foundations for the Flock

“Este é um grande livro. É uma meditação abrangente das qualidades de presbíteros e diáconos que nos faz pensar cuidadosamente sobre o que Deus tenciona para seus líderes. Que tipo de pessoa as igrejas deveriam procurar? Você é esse tipo de pessoa? Mas, em segundo plano, este livro oferece uma reorientação radical do que é a liderança na igreja. A liderança da igreja não depende de sucesso profissional ou acadêmico e sim de piedade. Este livro pode mudar a maneira como os membros e líderes de igreja pensam sobre liderança, o que valorizam e o que cultivam. Líderes e membros serão igualmente beneficiados.” Jonathan Leeman, diretor editorial, Ministério 9 Marcas; Autor, A Igreja e a Surpreendente Ofensa do Amor de Deus (Editora Fiel)

Encontrando Presbíteros e Diáconos Fieis oferece meditações sobre as Epístolas Pastorais que potenciais diáconos e presbíteros em treinamento precisam. Mas tanto pastores quanto leigos acharão estes capítulos discernentes e penetrantes, porque são fiéis à Escritura, culturalmente contextualizado e de implementação imediata. Há milhares de igrejas bem intencionadas que estão flutuando com prática religiosa medíocre e que poderiam ser transformadas em igrejas vibrantes, que agradam a Cristo, ganham almas e transformam sua comunidade, se os oficiais de suas congregações adotassem as exortações simples desta obra graciosa.” Eric C. Redmond, pastor principal, Reformation Alive Baptist Church, Temple Hills, Maryland

“Como membro de uma equipe de pastores que está sempre em algum ponto do processo de identificar, desenvolver e afirmar presbíteros e diáconos, recebo com alegria este livro de Thabiti Anyabwile. Correto desde o princípio, com a clareza e convicção de suas sentenças iniciais, este livro está marcado por ensino bíblico saudável. A transição coerente para conselho prático no final de cada capítulo é onde este livro prova realmente o seu valor. Será um guia muito útil para todos os que estão comprometidos em fazer liderança da igreja pela Bíblia.” Mike Bullmore, pastor, Crossway Community Church, Bristol, Wisconsin

Encontrando presbíteros e diáconos fiéis Traduzido do original em inglês Finding Faithful Elders and Deacons por Thabiti M. Anyabwile Copyright ©2012 por Thabiti M. Anyabwile

Publicado por Crossway Books, Um ministério de publicações de Good News Publishers 1300 Crescent Street Wheaton, Illinois 60187, USA.

Copyright © 2015 Editora Fiel Primeira Edição em Português: 2015

Todos os direitos em língua portuguesa reservados por Editora Fiel da Missão Evangélica Literária

PROIBIDA A REPRODUÇÃO DESTE LIVRO POR QUAISQUER MEIOS, SEM A PERMISSÃO ESCRITA DOS EDITORES, SALVO EM BREVES CITAÇÕES, COM INDICAÇÃO DA FONTE.

Diretor: James Richard Denham III Editor: Tiago J. Santos Filho Tradução: Roberto Freire Revisão: Elaine Regina O. Santos Diagramação: Rubner Durais Capa: Rubner Durais Ebook: Yuri Freire

ISBN: 978-85-8132-307-7

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

A532e

Anyabwile, Thabiti M., 1970- Encontrando presbíteros e diáconos fiéis / Thabiti Anyabwile – São José dos Campos, SP : Fiel, 2015. 2Mb ; ePUB

Tradução de: Finding faithful deacons and elders. Inclui referências bibliográficas ISBN 978-85-8132-307-7

1. Anciãos (Administradores eclesiásticos) – Batistas. 2. Diáconos – Batistas. I. Título.

CDD: 253

Caixa Postal, 1601 CEP 12230-971 São José dos Campos-SP PABX.: (12) 3919-9999 www.editorafiel.com.br

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Introdução

Índice

PARTE UM – ENCONTRANDO SERVIDORES DE MESAS

1 – Escolhendo o seu garçom: introdução para o diaconato

2 – Cheios do espírito e de sabedoria

3 – Sincero

4 – Sóbrio e contente

5 – Mantendo a fé

6 – Experimentados e irrepreensíveis

PARTE DOIS – ENCONTRANDO BONS PRESBÍTEROS

7 – Sobre ovelhas e pastores: uma introdução para presbíteros

8 – Excelente obra almeja

9 – Irrepreensível

10 – Marido de uma só mulher

11 – Temperante, sóbrio, modesto 12 – Hospitaleiro 13 – Apto para ensinar 14 – Sóbrio, gentil, pacificador

15 – Não amantes do dinheiro

16 – Um líder em seu lar

17 – Maduro e humilde

18 – Respeitado pelos de fora

PARTE TRÊS – QUAL O TRABALHO FAZEM AQUELES QUE SÃO BONS PASTORES 19 – Os presbíteros refutam o erro

20 – Os presbíteros refutam os mitos e treinam para uma vida piedosa

22

Os pastores ordenam

23

Presbíteros

não

permitem

 

que

ninguém

despreze

a

sua

mocidade

 

24 – Os presbíteros dão o exemplo

 

25 – Os presbíteros ensinam

 

26 – Os presbíteros se desenvolvem

 
   

27 – Os presbíteros vigiam suas próprias vidas 28 – Presbíteros vigiam sua doutrina

Palavras finais

 

para

os

votos

 

na

ordenação

de

um

pastor

ou

Apêndice: Exemplos presbítero Notas

   

INTRODUÇÃO

“E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso

mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros

(2 Timóteo 2.2)

U ma igreja sem líderes piedosos, é uma igreja em perigo. E uma igreja que não treina outros líderes é uma igreja infiél. Deus nos dá líderes nas igrejas para o seu amadurecimento, unidade e solidez em cada congregação local. Sem a existência de uma liderança piedosa, fiel e que se multiplica, a igreja sofrerá profundamente. O apóstolo Paulo reconhecia quão importante é esta liderança. Em sua segunda epístola a Timóteo, ele escreve ao seu filho na fé diversas instruções e exortações finais, incluindo esta de encontrar bons líderes. Timóteo cresceu sob a instrução espiritual de sua avó Loide e de sua mãe Eunice (2 Timóteo 2.2, 5). Ele viajou, serviu e aprendeu ao lado de Paulo. Agora, já perto do fim de sua vida, instruindo “à sombra do cadafalso” 1 , Paulo escreve com profunda ternura, praticamente em todos os versículos. Entre as muitas jóias nessa carta, uma delas é sua maneira de encarregar Timóteo a encontrar “homens fiéis.” Os ensinos do apóstolo precisam, necessariamente, ser passados de mãos fiéis para outras mãos fiéis. E isso quer dizer que o pastor deve estar capacitado para encontrar homens capacitados e treiná- los. Se um homem não se encontra habilitado para discipular outros, parecerá bastante estranho que ele tenha sido chamado para o ofício pastoral. Eu sou o produto de um homem que me encontrou, levou à prova

minha confiabilidade e, então, conferiu-me o tesouro do evangelho. Lembro-me de Peter Rochelle que, de modo altruísta, deu-me a oportunidade de trabalhar ao seu lado, na implantação de uma igreja. Primeiramente, buscou entusiasmar-me a pregar e a ensinar

e, desde então, seu método expositivo tem influenciado minha vida.

Depois foi Mark Dever, um talentoso e incomum discipulador de homens. Jamais poderei esquecer sua entusiástica generosidade a meu favor. Começou no dia da minha entrevista à membresia da

Igreja Batista de Capitol Hill. Perguntou-me o que eu planejava para minha vida a longo prazo. Assim, um tanto intimidado, respondi-lhe:

“Eu desejaria, se o Senhor me permitisse, ser um pastor de tempo integral.” “É mesmo?”, perguntou-me Mark, com sua sobrancelha curiosamente levantada, sua cabeça levemente de lado. Depois voltou-se para minha esposa e perguntou: “Ele é capaz de ensinar?” Oh, não, pensei. Essa eu não esperava. Que será que ela vai dizer? Para meu alívio, veio uma rápida e imediata resposta, “Oh, sim, é capaz”. Mark Dever virou-se para mim e disse, “você precisa chamar

a secretária da igreja e dizer que lhe coloque em minha agenda de

almoços. Temos que sair juntos e verificar alguns bons livros cristãos. Considere minha vida à sua disposição”. Nunca me esqueci dessas palavras. Meus cinco anos na Igreja Batista de Capitol Hill ficaram marcados pelas vidas de Mark Dever, Michael Lawrence, Matt Schmucker e um número enorme de outros homens – sem ainda mencionar toda a família de membros – que se derramaram em minha vida, confiando-me todas as coisas que eles ouviram, leram, viram e aprenderam consonante ao Senhor, ao Evangelho e à sua Noiva.

QUE TÊM OS MARQUETEIROS, QUE AS IGREJAS CRISTÃS NÃO TÊM?

Por um bom número de anos, cada vez que eu visitava uma livraria, era abordado por alguém que me perguntava se eu estava interessado em “ganhar de 500 a 1.000 dólares por mês, trabalhando em minha própria casa, apenas 10 horas por semana”. Era como se

eu tivesse um rótulo na testa, que dizia “bobo de marketing”. Eles queriam que eu me tornasse parte de sua “linha de apoio” – ajuntar- me à sua liga de insuspeitos, ingênuos, um tipo de marqueteiro “fique-rico-rapidamente”. Estes se multiplicavam rapidamente, e da maneira mais abrangente possível. O que aqueles “marqueteiros” possuem que os pastores cristãos não possuem? Se, num sistema de negócios de vendas diretas e “marketing”, seus associados estão constantemente buscando novos representantes, certamente nós, que somos embaixadores de Cristo, deveríamos fazer o mesmo. A nós nos foi confiado o ministério da reconciliação. Se fomos tornados em possessão do próprio Cristo, deveria ser nosso negócio e nosso prazer instruir outros mordomos das boas novas de Deus, que irão, por sua vez, procurar outros para, não só manter, mas também ensinar o evangelho. Dizer, porém, que um pastor deve procurar e treinar outros, é a parte mais fácil. Mas na prática, como isso acontece? Como fazê-lo? Nos capítulos que seguem, gostaria de convidar pastores e presbíteros para conversarmos sobre este assunto de procurar e treinar homens fiéis para a obra de liderança na igreja. Eu não sou um especialista. Não estou nisto por muito tempo e estou certo da existência de centenas de outros homens que podem fazer isto melhor. O que você não encontrará aqui é um processo de “dez passos para transformar homens espirituais em presbíteros”. Você não vai encontrar uma fórmula para tornar toda e cada pessoa em uma estrela da liderança . Em vez disso, o que segue são breves meditações nas instruções de Paulo a Timóteo, em 1 Timóteo 3 e 4. No capítulo 3, vamos examinar as qualificações bíblicas para presbíteros e diáconos e perguntar que tipo de caráter esses homens devem possuir e como podemos distingui-lo. No capítulo 4, vamos considerar o encargo de Paulo a Timóteo como um modelo para um ministério pastoral fiel. Com a bênção de Deus, enquanto andamos em passos vagarosos por 1 Timóteo 3 e 4, ponderaremos sobre as qualidades que devem ser procuradas e que responsabilidades devem ser cumpridas na liderança cristã.

Muito mais se poderia dizer sobre este assunto tão importante. Muitos livros grossos têm sido escritos e estão disponíveis ao leitor interessado. 2 Mas, espero que este pequeno volume venha complementar esses outros recursos, ajudando aos já sobrecarregados pastores que desejam cultivar outros líderes, mas que necessitam conversar com outro colega, a fim trazer à tona certas perguntas e ideias.

1

ESCOLHENDO O SEU GARÇOM:

INTRODUÇÃO PARA O DIACONATO

E u frequento restaurantes com uma considerável regularidade. Ali ocorre muito do meu trabalho de discipulado. Encontro-me com homens da igreja em restaurantes para discutir as Escrituras, nossas vidas, e bons livros. Além de compartilhar um bom almoço, ser atendido por um bom garçom realmente ajuda a fazer desses encontros uma ocasião proveitosa. Quando os garçons se deleitam em seu serviço como servidores de mesas, quando são prestimosos em servir, quando estão disponíveis sem se tornarem intrusos, então a experiência é bastante agradável. O lado ruim é que os fregueses, normalmente, não podem escolher os seus garçons. Nós chegamos, um assento nos é apontado por uma recepcionista e depois aguardamos o garçom que, eventualmente, foi designado para a área onde estamos assentados. Poderá dar-se o caso que venhamos a ser servidos por um ótimo garçom ou garçonete, mas também poderá acontecer o contrário. Aquele que nos serve poderá, por exemplo, não conhecer bem o cardápio da casa, ou poderá estar passando por um dia em que as coisas não lhe correm bem, ou que não tenha muita experiência, ou, quem sabe, acabou de vir de outra mesa onde tenha sido maltratado. Em linguagem secular, ser servido por um bom garçom, “é uma questão de sorte”. Talvez, você ainda não tenha percebido, mas há pelo menos um aspecto na vida da igreja local que é como comer num restaurante. A igreja local, igualmente, tem aqueles que servem as mesas. Os

chamamos de “diáconos”. O deleite, a paz, a unidade e o produzir frutos em uma igreja local, depende, em parte, de termos um grupo de servidores de mesa fiéis, que sempre estão presentes quando são necessitados, prontos para servir, sem se intrometerem naquilo que não lhes diz respeito. Os próximos capítulos se referem à procura de diáconos na igreja local – servidores de mesa fiéis, que se entregam ao serviço de cuidar das necessidades do corpo local. Nestas últimas duas ou três décadas, mais e mais igrejas estão adotando o modelo bíblico de uma multiplicidade de pastores, ou presbíteros, o que significa que a posição oficial dos diáconos tem sido redefinida ou negligenciada. Os diáconos, porém, são uma parte indispensável no serviço do corpo de Cristo e na multiplicação do ministério da igreja. Vemos isso claramente em Atos 6, onde os apóstolos encarregaram a igreja em Jerusalém de procurar diversos homens cheios do Espírito e de sabedoria. A palavra diácono não é encontrada nesta passagem mas, entretanto, parece apontar nessa direção. A oportunidade: Em Atos 6.1 lemos que o número dos discípulos estava se multiplicando. Eram dias de prosperidade espiritual na conversão de muitas almas e de sua consequente matrícula na escola de Cristo. A Palavra de Deus avançava e produzia frutos. O conflito: Na igreja, porém, os gregos, ou melhor, os judeus helenistas, levantaram uma reclamação contra os hebreus, ou seja, os judeus que falavam hebraico. Aqueles não criam que a alimentação estava sendo distribuída equitativamente entre as viúvas. E não parecia que esta distribuição desigual estivesse ocorrendo de forma aleatória. Parecia que as viúvas estavam sendo atendidas de forma diferenciada, porque umas eram gregas e as outras, judias. A discrepância parecia ser um caso de preconceito étnico ou cultural, e essa situação ameaçava a unidade da igreja e o bem estar físico de alguns membros. A solução: então, os apóstolos deliberaram duas coisas. Primeiro, determinaram priorizar o seu próprio ministério da Palavra e da oração, acima do cuidado físico das pessoas necessitadas. Segundo, decidiram instruir a igreja a escolher sete homens para “servir as mesas” – diáconos (v.2). Assim procedendo, os apóstolos fizeram

provisões para ambos os ministérios: da Palavra e do cuidado às viúvas. Para a sensibilidade moderna, “servir mesas” está, algumas vezes, conotado como uma posição de nível baixo e humilhante. Uma pessoa serve mesas quando ainda está estudando numa universidade, ou aproveitando o tempo, enquanto sua carreira profissional progride. Muitos assumem isso como um sacrifício necessário para ganhar sua subsistência. Mas, que diferença na igreja do Senhor! Os apóstolos, sob a inspiração do Espírito de Deus, aparentemente criaram um novo ofício na igreja, para o específico propósito de servir mesas. E a grandeza desse trabalho se vê: (a) no caráter dos indivíduos que deveriam ocupar este ofício (“cheios do Espírito e de sabedoria” – v. 3); (b) no fato que isto facilitaria o ministério da Palavra e da oração, e (c) no efeito unificador e fortalecedor que isto traria à igreja em geral. O diaconato é importante. Reconhecemos haver viúvas em nossa igreja que não estão sendo tratadas apropriadamente? Quem sabe, devamos considerar nosso trabalho com os diáconos. Existe alguma desigualdade na distribuição dos recursos benevolentes na igreja? Soa como algo prudente para a função dos diáconos. Existem tensões culturais e ameaças à unidade da igreja? Desejamos ver uma maior e mais diversificada integração da igreja na vida dos crentes? Pois a posição diaconal foi estabelecida justamente para promover uma harmonia que cruze as barreiras culturais e as diferenças de idiomas. A igreja está sendo ameaçada de uma ruptura em seu seio? Os diáconos eram como os “amortecedores” da igreja, em seu princípio. Eles absorviam as reclamações e as preocupações, resolvendo-as piedosamente e, assim, promoviam a unidade e o testemunho dos santos. Quando Estevão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau foram comissionados para o diaconato, “crescia a Palavra de Deus e, em Jerusalém, multiplicava-se o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé” (Atos 6.7). Quem dentre nós não deseja ver a Palavra de Deus espalhando-se, o

número dos discípulos crescendo rapidamente, um grande número de pessoas obedecendo à fé? Um ministério diaconal assim efetivo, facilitou na igreja primitiva, visto que liberou os “diáconos da Palavra” – os apóstolos – para levarem a cabo o seu trabalho. Com esta esperança em mente, eu oro para que o Senhor nos guie em nossa consideração de diáconos e de como encontrá-los em nosso meio.

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CHEIOS DO ESPÍRITO E DE SABEDORIA

“Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos desse serviço.” (Atos 6.3)

S endo Deus tão cheio de graça e de bondade, ele me tem permitido servir no ministério pastoral como presbítero por vários anos. Quanto mais o Senhor me permite servir no ministério pastoral, também mais profundamente imprime sobre mim a importância de orar por homens fiéis, que sirvam como diáconos na igreja. Numa recente reunião de membros, a congregação celebrou a finalização do tempo de serviço de um irmão que serviu nossa igreja como diácono. Durante o tempo em que serviu, nosso diácono presidiu a maior companhia de telecomunicações do país. Era um homem super ocupado. Entretanto, todos na congregação, um por um, reconheciam sua humildade, seu enfoque espiritual, seu desejo ardente de servir e sua sabedoria. Os agradecimentos manifestados pela congregação me lembraram da sabedoria e do discernimento dos apóstolos, dados pelo Espírito, em Atos 6. Eles ensinaram a igreja ainda jovem, e rapidamente crescente em Jerusalém, que escolhesse, dentre seus membros, “sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria” (v.3). Nosso diácono certamente prescrevia aquelas qualificações, e toda igreja necessita de homens deste quilate. Quando procurarem por diáconos, as igrejas devem buscar homens

cheios do Espírito. O ofício é espiritual. Sua função é um trabalho espiritual, mesmo que sua igreja organize seus diáconos, designando-os para tarefas específicas. A igreja não terá nenhuma vantagem em apontar aqueles que não são cheios do Espírito. Os diáconos devem ser homens conhecidos por sua sabedoria e por serem cheios do Espírito.

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES

1) O candidato a diácono tem a reputação de ser uma pessoa cheia do Espírito e de sabedoria? Os apóstolos recomendaram homens conhecidos por essas características. Não recomendaram que escolhessem pessoas de caráter não comprovado. Os diáconos necessitam ser pessoas controladas pelo Espírito de Deus, em vez de controlados por sua própria carne e natureza pecaminosa. Mais ainda, a posição diaconal exige pessoas que vivam sob o temor do Senhor, que é o princípio da sabedoria (Provérbios 1.7). Devem ser pessoas que sabem como viver sob os preceitos de Deus e como aplicá-los às diversas situações da vida. Esta é a essência da sabedoria. Portanto, pergunte: “O provável diácono tem a reputação de manter-se fiel no seu caminhar com o Espírito de Deus, e está vivendo sabiamente diante do Senhor?

2) Esta pessoa coloca o ministério da Palavra e da oração acima das necessidades práticas da igreja? O propósito principal que levou os apóstolos a designarem diáconos, foi para assegurar que o ministério da Palavra não fosse negligenciado. Assim, você também deve assegurar-se de que o diácono em potencial entenda seu serviço como uma oportunidade para liberar o trabalho do ministério da Palavra, e não o de competir com este. Ele reconhece o aspecto de sua função como uma facilitadora, ou é alguém que advoga mais e mais atenção a esta ou aquela necessidade prática? Comentando em Atos 6.3, Dr. Martyn Lloyd-Jones, apontou três maneiras pelas quais um diácono precisa reconhecer a prioridade das coisas espirituais e do ministério da Palavra:

É errado colocar o trabalho de “servir mesas” antes da pregação da Palavra, porque sempre estará errado colocar o homem antes de Deus. Em um resumo, este é o problema com o mundo. O homem está no centro – ele é tudo Assim, pois, está errado colocar o homem antes de Deus, e, exatamente da mesma maneira, está errado colocar o corpo antes da alma. Em outras palavras, não somente estaremos errados com respeito a Deus, mas estaremos também enganados com respeito ao homem. O que é o homem? Conforme a teoria moderna, o homem é nada mais que um corpo, portanto, você tem que atender a todas as necessidades que tem a ver com o corpo; dê-lhe bastante comida, bastante bebida, roupa, abrigo, atenção médica, suficiente sexo. Que tragédia, pensar que a humanidade está procurando exaltar-se e virar suas costas para Deus, e concentrando-se em suas necessidades físicas. E é com isto que a Palavra de Deus se confronta, e o que ela denuncia Finalmente, não é esta a mais alta necessidade e, realmente, a maior das tragédias, colocar o tempo antes da eternidade? A alimentação do corpo pertence tão somente ao temporal. 4

Um diácono fiel prioriza a Deus acima do homem e a eternidade acima do secular, mesmo enquanto atende às importantes necessidades físicas do povo da igreja.

3) É ele, um servo? A despeito do que as pessoas acreditem, que o “servir mesas” é um trabalho humilhante e de baixo nível, nós, cristãos, não devemos ignorar o fato de que tal “rebaixamento” e boa vontade reflete a vida e a humildade de Cristo. Ele veio para servir, não para ser servido, e para dar sua vida em resgate por muitos (Marcos 10.45). Ele a si mesmo se esvaziou, humilhou-se e assumiu a forma de servo – de escravo. (Filipenses 2.3-8). O diácono tido em vista, pode ver que servir, faz parte de seguir a Cristo? Se sente feliz em aceitar tarefas simplórias e obrigações sem muito glamour? Ou busca aplausos, reconhecimentos e atenção para o “seu” ministério?

4) Há evidência do fruto do Espírito em sua vida (Gálatas 5.22-

23)?

Você desejará saber se as virtudes de amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio são vistas em como uma pessoa serve, e vistas em sua conduta geral. Os diáconos normalmente atendem a um arsenal de frustrações e problemas numa igreja local. Daí a necessidade de serem pessoas cheias da graça de Deus, habilitados a confrontar

situações com poderes e qualidades que só o Espírito concede. Teriam que ser hábeis a “andar também no Espírito”, e não se deixarem “possuir de vanglória”, ou ficarem “provocando uns aos outros, tendo inveja um dos outros” (Gálatas 5.25-26). Aqueles que potencialmente serão diáconos, não devem ser os que provocam disputas, mas aqueles que apaziguam as discórdias. Então, pergunte se a pessoa sendo considerada é um mexeriqueiro, ou se é capaz de manter confidências apropriadamente. Sabe dissipar murmurações e reclamações? Outras pessoas se sentem genuinamente queridas e gentilmente tratadas, quando interagem com ele?

5) Demonstra uma sabedoria divinamente inspirada? Um diácono necessitará não somente resolver problemas, mas também deverá ser capaz de antecipá-los, para que um obstáculo futuro não venha a descarrilhar a igreja em geral, no cumprimento de sua missão. Para se fazer isso de uma maneira bem feita, uma pessoa precisa de sabedoria. O homem que será escolhido como diácono é alguém conhecido por seu discernimento, entendimento e decisões ajuizadas, em seu interagir com outros? É reconhecido por sua sabedoria, quando trata com problemas? É tardio para falar, pronto para ouvir e demorado em irar-se (Tiago1.19-20)?. Considera as ideias dos demais, ou está sempre fixo nas suas próprias (Filipenses 2.3)? Demonstra discernimento, não somente em tomar decisões, mas também em implementá-las, e em ajudar os outros a entenderem o motivo das decisões tomadas?

CONCLUSÃO

Não podemos jamais subestimar a importância de termos pessoas cheias do Espírito para servir no ofício diaconal. Se os próprios apóstolos – homens com excepcional vocação e dons – viram a importância crucial de se ter cristãos assim, cheios do Espírito, para servir nesse cargo, quanto mais necessitaremos nós da companhia de tais associados no evangelho? Aprendendo a identificar e a orar por homens tais como esses, nossas congregações locais se fortalecerão.

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SINCERO

“Semelhantemente, quanto a diáconos, é necessário que sejam respeitáveis, de uma só palavra, não inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida ganância.” (1 Timóteo 3.8)

H avendo escapado, com muita dificuldade, da Feira da Vaidade, Cristão, o herói de João Bunyan, no livro O Peregrino, encontra-se na companhia de um certo senhor chamado Interesse Próprio, do povoado de Boas-Palavras. Cristão questiona Interesse Próprio sobre aquela cidade e ele assegura a Cristão que Boas-Palavras está povoada de pessoas muito ricas e nobres. Em seguida, menciona a Cristão uma lista de nomes de parentes seus que ali residiam.

São quase todos os habitantes da cidade, mas principalmente o senhor Vira-Casaca, o senhor Contemporizador, e o senhor Boas-Palavras , de cujos ascendentes tomou seu nome a cidade, os senhores Afago, Duas-Caras, Qualquer-Coisa, o prefeito da vila, o senhor Duas-Línguas, que era irmão da minha mãe por linha paterna, porque, realmente, para falar toda a verdade, eu sou fidalgo de muito boa linhagem, apesar do meu bisavô não ter passado de um barqueiro, que olhava para um lado e remava para o outro, ocupação em que adquiri quase toda a minha vida. 5

Toda a alta burguesia da fictícia cidade de Boas-Palavras criada por Bunyan sofria a praga do falar dissimulado.

OS DIÁCONOS E A SINCERIDADE

Como seria viver em uma cidade onde seu pároco fosse merecidamente chamado de “Sr. Duas-Línguas”? Por mais respeitável que pudesse ser entre o seu povo, com este hábito de

bajular, este senhor nunca deveria ser um candidato para o diaconato. E por quê? Porque os diáconos não somente devem ser homens cheios do Espírito Santo, mas que devem igualmente ser “respeitáveis” e de “uma só palavra”. Portanto, exige-se que um diácono não seja um homem dado a uma linguagem confusa, de duas caras, que entrega- se a insinuações, dando indiretas e fazendo com que se entenda algo sem expressar-se claramente, com intuito enganoso. Ele deve dizer o

que tenta expressar, e expressar o que realmente quer dizer. E deverá evitar o pecado de lisonjear, ou de bajular, falando a verdade em amor. As pessoas podem ser dadas a um modo falso de falar, de duas maneiras diferentes: Elas dizem uma coisa a uma pessoa, e outra coisa a outra pessoa. Ou podem dizer uma coisa e, no entanto, fazer outra. Em qualquer dos dois casos, pessoas com “línguas bifurcadas” não são pessoas de confiança, e estão desqualificadas para o serviço

O “sim” de um diácono deve ser sim, e o “não” deve ser

não (2 Coríntios 1.17-18). A sinceridade reflete o caráter de Cristo. O Senhor nunca falou com astúcia e engano. Ele não falava meias-verdades, nem tampouco falava de forma a enganar ou provocar um entendimento falso. Tampouco o Senhor bajulava a quem quer que fosse. Era sempre sincero no seu lidar com todas as pessoas, revelando às pessoas suas desesperadas condições em virtude de seus pecados, ou falando contra a autojustificação, ou retendo as promessas da vida eterna. Em tudo, sempre foi puro. Assim, também, seus servos devem ser fiéis (1 Tessalonicenses 2.5) e não falarem com lábios bajuladores (Salmo 12.2-3; Provérbios 26.28). Falsos mestres e pessoas que gostam de causar divisões, são os que empregam bajulação (Romanos 16.18; Judas 16) – mas não deve ser assim, com os que servem a Cristo. Você já teve a má experiência de conversar com alguém sobre algo de importância, mas, depois, sentir-se inseguro e preocupado se realmente falou com uma pessoa de boa fé – de confiança? Como você se sentiu, depois da conversa? Talvez, um pouco desconfortável

de diáconos

e ansioso. Quando cremos que alguém não usou de sinceridade conosco, sentimos que nossa confiança na pessoa se esvai. Deus deseja que os diáconos sejam homens que resolvam problemas, porque, algumas vezes, se envolvem em assuntos da vida pessoal de outros. Não é, pois, nenhuma surpresa que esta virtude de sinceridade em um diácono ajude a acalmar as aflições e a solucionar muitos problemas. Ainda que as soluções não venham a ser exatamente as que esperávamos, pelo menos as pessoas receberão uma ajuda imensa, se puderem ver que foram tratadas com sinceridade e amor. “A palavra de um diácono deverá ser uma forte garantia em uma igreja. Pessoas, tanto dentro como fora das igrejas, deverão encontrar, num diácono, um homem de palavra.

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES

1) O candidato ao diaconato tem a reputação de ser um homem de palavra? Costuma cumprir suas obrigações? O diácono deve ter um testemunho de completar as tarefas e obrigações que lhe são dadas, assim demonstrando ser cumpridor de sua palavra. Então, pergunte, “esse diácono tem uma palavra confiável?”

2) Ele costuma ser consistente no seu falar com diferentes pessoas? Você desejará ter um certo nível de confiança de que aquilo que esta pessoa fala em um lugar, é o mesmo que dirá em outro. Os diáconos devem ser homens que lutam, com sucesso, contra o temor dos homens. No final das contas, os diáconos serão comissionados a situações problemáticas, portanto, não podem ser homens vulneráveis ao temor das frontes franzidas dos homens, ou sucumbirem às pressões que, muitas vezes, se sente em circunstâncias adversas.

3) O diácono costuma falar a verdade em amor (Efésios 4.15)? Uma coisa é falar coerentemente, mas isso não será de muita ajuda, se aquilo que foi dito coerentemente fere outros ou deixa de edificá-

los. “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade e, assim, transmita graça aos que ouvem” (Efésios 4.29). O diácono deve vestir seu falar com a maior de todas as virtudes: amor (1 Coríntios 13.13; Colossenses 3.14).

4) A igreja deve procurar homens que sejam bons apaziguadores. Existem, em sua igreja, homens que já têm demonstrado a habilidade de se colocarem entre duas pessoas com questões conflitantes, e servirem a ambos os lados? Há pessoas que adquiriram a confiança da congregação, por serem pessoas imparciais e atuarem com justiça. Nossos diáconos frequentemente estão na linha de frente no cuidado do corpo da igreja. Por isso, necessitamos de diáconos em cujas palavras podemos confiar; diáconos que costumam completar bem os seus compromissos.

CONCLUSÃO

Que vantagem terá uma igreja onde os seus servos não são capazes de falar as coisas com verdade e cumprir as suas palavras? As igrejas se tornam lugares perigosos, quando seus líderes falham em serem honestos, transparentes e confiáveis. Sinceridade poderá não ser a base final da verdade, porém, não poderá haver verdade profunda comunicada, onde a sinceridade esteja em falta.

4

SÓBRIO E CONTENTE

“quanto a diáconos, é necessário que sejam respeitáveis de uma só palavra, não inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida ganância.” (1 Timóteo 3.8)

Q uem gostaria de ser servido por um garçom bêbado, que lhe assedia para maiores gorjetas ou que trata de lhe convencer a pedir mais comida para que o restaurante tenha mais ganho? Ter uma pessoa embriagada, cambaleando ao seu redor e exalando cheiro de cachaça no seu rosto, enquanto você procura o que deseja pedir no cardápio, não é, sem dúvida nenhuma, uma experiência desejável para um jantar. Ou, tampouco, é agradável ser mal servido por um garçom que, por qualquer mal juízo, assume que você não lhe vai dar uma boa gorjeta. Paulo instrui aos Coríntios, e também a nós, que o diácono “não seja inclinado a muito vinho”, nem “cobiçoso de sórdida ganância”. Assim como os presbíteros, os diáconos também devem ser sóbrios e exercer autocontrole. E tampouco devem ser pessoas que tomam vantagem sobre outros, para seu próprio benefício e lucro. Aliás, em nenhum dos ofícios as pessoas deveriam estar controladas e arruinadas pela bebida. Além disso, os diáconos não devem ser “cobiçosos de sórdida ganância”, ou, conforme diz outra versão, “gananciosos de lucros sujos”, fazendo ver a feiura dessa disposição. Outra versão ainda diz “buscando ganho desonesto”, o que, aparentemente, soa mais polido. Mas tal qualidade não é outra coisa, senão ganância de lucro imundo,

obsceno. Esta é uma característica particularmente importante para se evitar, em um diácono, visto que os diáconos têm um acesso mais íntimo à vida de muitas pessoas na congregação, especialmente daqueles que são mais vulneráveis, e aos quais os diáconos são chamados para ajudar. A missão dos diáconos, afinal, é o de cuidar das questões práticas do corpo congregacional que, muitas vezes, envolve benevolência. Essa seria uma plataforma mui terrível para se confiar a alguém, que poderá explorar a outros para o seu próprio lucro.

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES

1) O possível diácono toma bebidas alcoólicas? Se toma, você ou outros notaram que ele o faz observando autocontrole, ou o faz demonstrando fraqueza e pecaminosidade? Você precisará saber se ele é capaz de dizer “não”, quando lhe oferecem bebidas alcoólicas. Ele usa sua liberdade cristã nessa área, de maneira a não causar tropeços e levando em consideração a presença de outros cristãos mais novos e mais frágeis? Você poderá tê-lo como modelo de uma pessoa responsável na maneira como usa, ou como se abstém do álcool? Há enorme ganho na vida da igreja quando esta tem líderes e mestres que podem dar o exemplo de serem pessoas livres de qualquer vício ou compulsão.

2) O diácono em potencial exibe uma generosidade piedosa e autonegação, ou demonstra ganância em seus assuntos financeiros e pessoais? Você poderá caracterizá-lo como um doador generoso, ou como um acumulador de dinheiro? Ao buscar candidatos ao diaconato, você está procurando pessoas que demonstram uma boa mordomia dos seus recursos, tendo em mente a prioridade do reino, em vez de desejos de ganhos e vantagens.

3)

O

homem

com

vistas

ao

diaconato

incentiva

outros

à

generosidade, ou fomenta egoísmo em assuntos de finanças?

Por exemplo, você poderá levar em consideração se ele resmunga a

respeito das finanças da igreja, ou incentiva as ofertas e a unidade da igreja em questões financeiras. Verifique se ele está disposto a investir em missões e em ministérios evangelísticos, ou se, ao contrário, se queixa sobre preocupações de promover segurança financeira. Diáconos não devem ser pessoas sempre dispostas a construir maiores celeiros (Lucas 12.15-21), mas que são ricos para com Deus e dão além daquilo que eles, e a igreja, podem dar (2 Coríntios 8.1-5).

4) Demonstra cuidado pastoral e autossacrifício, quando interagem com outros em suas necessidades?

O candidato ao ofício de diácono é uma pessoa que,

costumeiramente, culpa os outros por suas dificuldades financeiras, ou primeiramente ministra àqueles, mesmo quando repreensão e admoestação são necessárias? Um espírito que culpa e pune não fica bem naquele que está disposto a resolver problemas e ajudar a outros em suas dificuldades. Com tal pessoa, cada vez que tiver de ajudar, será sempre uma questão amargosa e prejudicial para aqueles

que estão necessitados de ajuda.

5) O diácono em potencial é honesto em seu procedimento financeiro? Paga suas contas em dia? É honesto em sua declaração de imposto de renda? É alguém que trata de esquivar-se um pouco, quando os negócios da igreja requerem sacrifícios e maiores gastos? O diácono deve ter um bom testemunho de Cristo na igreja; assim, honestidade e integridade em todos os seus negócios são aspectos essenciais de seu caráter.

6) Qual é a atitude do diácono em potencial, com respeito a riquezas? A questão não é se a pessoa é rica ou deixa de ser. Uma pessoa pode ser gananciosa por lucros desonestos, vivendo numa favela ou em um palácio. A ganância existe nos corações, tanto do pobre, como do

rico. Considere, então, se o diácono em potencial representa a sabedoria de Agur, quando diz, “Duas coisas te peço: não mas negue antes que eu morra: afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga:

Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus” (Provérbios 30.7-9). O homem sabe o que significa ter ampla suficiência ou padecer escassez (2 Coríntios 9.8; Filipenses 4.11-13)? Segura seus bens com mão aberta, ou como um miserável? Um diácono que sabe estar contente “em toda e qualquer situação”, como se expressa Paulo, será um tremendo benefício em ensinar e em exemplificar contentamento aos demais, no corpo da igreja.

CONCLUSÃO

Recentemente tive grande prazer em jantar num restaurante bastante simples. A atmosfera do ambiente estava ótima. A comida era um pouco acima da média. O que fez do jantar uma ótima experiência foi a pessoa que nos servia. Parecia antecipar tudo o que necessitávamos, e responder justamente com a perfeita solução. Não tínhamos de esperar, ao chamá-la; quase que ao mesmo tempo ela estava ali em cima da gente. Parecia importar-se com nossa experiência e até perguntou- nos sobre nosso bem estar. Esperava por nossas perguntas e respondia com muita graciosidade. Quando saímos do restaurante nos sentimos notados, bem atendidos e estimulados. Em toda a experiência, nunca nos sentimos como se fôssemos apenas objetos de gorjetas, ou como uma inconveniência. Sentimo-nos servidos por uma pessoa que gostava de servir. Assim uma congregação deve se sentir, quando suas necessidades são atendidas por um diácono.

5

MANTENDO A FÉ

“Conservando o mistério da fé com a consciência limpa” (1 Timóteo 3.9)

O casionalmente, eu costumo ter certo ritual quando vou aos restaurantes, especialmente aqueles que eu ainda não conheço muito bem. Gosto de deixar que o garçom, ou a garçonete, me surpreenda com algum prato que ele, ou ela, creia que eu aprecie. O ritual começou quando, juntamente com alguns colegas de trabalho, fomos a um restaurante, depois de um dia de trabalho extremamente cansativo em tomar diversas e difíceis decisões. Simplesmente não tinha mais ânimo para tomar outra decisão. Assim, tomei o lindo e colorido cardápio com tanta coisa que provocava água na boca, passei-o às mãos da garçonete e lhe pedi:

“Por favor, você poderia pedir algo para mim? Eu sou um onívoro – gosto de comer de tudo – de modo que não existe muita probabilidade de que me desaponte”. Depois da surpresa e de alguma hesitação, a garçonete voltou com uma deliciosa comida. Poupou-me da agonia de ter que tomar mais uma decisão naquele dia, e um novo ritual nasceu. Nestes últimos dez anos em que venho fazendo isto, apenas duas vezes fiquei desapontado com o que o garçom me serviu. Certa ocasião, num daqueles dias semelhantes ao primeiro em que esse ritual nasceu, eu disse ao jovem que me servia que eu tinha um tremendo apetite para “carne vermelha”, e ele serviu-me um enorme prato de camarões e milho de cangica! Agora, eu sei que camarões com milho de canjica é uma iguaria comum da Carolina do Sul, mas

de maneira nenhuma eu poderia “abastecer meu tanque” com mingau e animais que se alimentam de carniças do mar. Meu queixo quase bateu na mesa, quando meus olhos contemplaram aquela comida! Mas, para alívio do que me servia, eu lhe assegurei que iria comer agradecido, e com contentamento, qualquer coisa que me trouxesse. Assim, quando aquele prato chegou à minha mesa, eu dei graças ao Senhor e desfrutei do que me foi servido. A ideia de pedir dessa maneira se baseia no simples fato de que o garçom, ou a garçonete, deverá conhecer o cardápio e a cozinha da casa muito melhor do que eu. O seu conhecimento daquilo que o cozinheiro sabe fazer melhor e daquilo que os fregueses mais apreciam, assim como os ingredientes que estão disponíveis em dada estação do ano, para fazer um prato delicioso, fará a estratégia realmente boa ou a tornará numa grande aventura de experimento culinário.

CONHECENDO A FÉ

O que é verdade para alguém que serve mesas em restaurantes,

deverá ser igualmente verdade para aqueles que servem mesas na igreja. Os diáconos devem conhecer seu “produto”. Nas palavras do apóstolo Paulo, diáconos devem conservar “o mistério da fé com a consciência limpa” (1 Timóteo 3.9). O aspecto prático do ministério diaconal em “servir mesas”, poderá, inadvertidamente, obscurecer a necessidade premente do diácono ser saudável na fé. Porque os diáconos são designados a cuidar das necessidades práticas do corpo, talvez até mesmo

assinalados para uma área específica de serviço, nós corremos o risco

de ver os diáconos como tecnocratas com capacidades especializadas,

e com pouco discernimento teológico. Vemos os diáconos como aqueles que “fazem coisas”, mas não os vemos como pensadores. Mas, para que se conserve “o mistério da fé com consciência limpa”, requer-se um poderoso entendimento do Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Isto implica, pelo menos, em três requerimentos. Primeiro, há um requerimento cognitivo. Os diáconos devem

conhecer e aceitar os ensinos do Senhor, conforme registrados na Santa Escritura, especialmente os fatos que têm a ver com sua vida, morte e ressurreição, e as implicações teológicas que advêm desses fatos. Precisam entender as asserções bíblicas. Devem ser capazes de explicar, articuladamente, pontos cardeais do evangelho de Cristo. De outra forma, como poderão ser este tipo de servos que apontam Cristo àqueles a quem servem? Segundo, há um requerimento experimental. O candidato ao diaconato necessita, ele mesmo, ter abraçado a fé. Precisa ter o testemunho de uma confiança e uma dependência pessoal unicamente em Jesus, para sua salvação. Deve, ele mesmo, demonstrar um arrependimento e uma fé genuínos. Um diácono não pode ser um incrédulo, não comprovado na fé, ou incapacitado para fazer uma profissão de fé com credibilidade e demonstrar o conhecimento do evangelho. Terceiro, o diácono necessita ser alguém que mantém, ou guarda, as verdades da fé “com uma consciência limpa”. Isto é, sua vida e sua consciência devem conformar-se com a fé que professa. Não que meramente guarde a verdade do evangelho sem nenhuma dúvida ou reserva mental, mas é necessário que igualmente viva uma vida que seja digna de seu chamado cristão (Efésios 4.1). Então, que buscamos encontrar em um servidor espiritual de mesas? Estamos procurando alguém que conheça a Palavra de Deus em sua própria experiência de conversão, e com a suficiente experiência para viver e exemplificá-la para outros. As congregações não podem negligenciar esta qualificação, visto que os diáconos, inevitavelmente, se verão em conversas evangélicas, aplicando a verdade da fé em suas ministrações, e na vida de outras pessoas. Precisam ser mantenedores da fé.

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES

1) Podemos ver, na vida do diácono em potencial, uma confiável profissão de fé pessoal salvífica no Senhor Jesus Cristo? Se a igreja pratica alguma forma de entrevista, como parte do processo de aceitação em sua membresia, outros líderes

provavelmente já ouviram o testemunho de conversão de tal pessoa. Mas, quando se entrevista uma pessoa para o ofício de diácono, é de

boa prática que se separe um tempo necessário para que os líderes e

a congregação possam, conjuntamente, ouvir e discutir o

testemunho do candidato ao diaconato. Esse tempo separado não deverá ser usado para uma inquisição, mas para dar à congregação a oportunidade de confirmar as evidências da graça de Deus na vida do candidato proposto.

2) O candidato a diácono compreende o evangelho? Como parte de seu testemunho, a pessoa deverá incluir uma declaração do evangelho. O que ela crê, no tocante a Deus, ao homem, a Jesus Cristo, ao arrependimento, à fé? Poderá articular e defender a verdade bíblica sobre a natureza do Deus triuno, sobre a criação e queda do homem, sobre a pessoa e a obra do Senhor Jesus Cristo e sobre a natureza da verdadeira conversão? A Igreja de Mars Hill, na cidade de Seatle, Estado de Washington, requer de seus líderes que respondam por escrito uma série de questões teológicas, baseadas em sua declaração de fé.

3) Tem, o proposto diácono, a tendência de esmorecer-se na fé? Pode-se discernir nele algum hábito ou padrão repetitivo em sua

vida, que possa sugerir a perda de estabilidade na fé e na sua vida cristã? É o seu testemunho forte e estável, ou existem notáveis períodos de volatilidade e inconsistência? Para manter-se firme na

fé, é necessário que a pessoa seja perseverante em sua fé e em seu

testemunho.

4) O diácono em perspectiva costuma trazer o peso da fé das Escrituras em sua vida e ministrações?

Os diáconos devem ser pessoas conhecidas entre seus líderes e entre

outros, como pessoas cujos pensamentos partem da cruz. Sua expectativa de serviço é governada pela obra de Cristo, não em filosofias e ideias humanas. A maneira como agora vivem e pensam, transmite a confiança de que seus serviços serão bem orientados pela Palavra de Deus. São conhecidos por abrir suas Bíblias com

outros, quando arrazoam diferentes questões, nunca confiando em seus próprios entendimentos. São conhecidos por viverem sua fé tanto dentro da igreja, como fora dela.

5) O candidato ao ofício de diácono guarda as profundas verdades da fé sem nenhuma reserva?

O excesso de rivalidade no cristianismo faz com que sejam

necessários servos-líderes na igreja, inteiramente empenhados com a verdade revelada nas Escrituras; portanto, você não quererá um diácono com sérias dúvidas e opiniões divergentes com a declaração

de fé da igreja. É necessário que eles possam aceitá-las em boa

consciência, indicando sua completa disposição em defendê-la e estarem dedicados a informar imediatamente aos pastores e presbíteros, caso encontrem-se em discordância com a declaração de fé da igreja. Os diáconos devem, igualmente, apoiar e apegar-se com clara consciência às características bíblicas da igreja, tais como sua prática de batismos, sua posição com respeito a mulheres no ministério pastoral, ou a posição do homem e da mulher na família. Tanto quanto essas posições se demonstrem bíblicas, o diácono deverá apoiá-las.

6) O homem proposto para ser um diácono é alguém que persevera na fé? Os diáconos, frequentemente, entram em dificuldades e em

situações incertas na igreja, com o propósito de estabelecer a paz, a estabilidade, a ordem e os frutos. Para fazer isso eles precisam ser homens que perseveram na fé e na verdade da fé, aplicando a Palavra

de Deus e, pacientemente, aguardando os resultados. Bem, poderá

haver - assim como também poderá não haver - frutos imediatos do seu trabalho. Os diáconos, portanto, devem ser pessoas que sabem como permanecer pacientes e perseverantes.

CONCLUSÃO

Em muitas igrejas, os diáconos servem no ministério de ensino. Quando uma pessoa possui esse dom especial para ensinar, tal

serviço resulta em benefício. Mas, se o diácono lidera uma classe de Escola Dominical ou não, ele continuará professando, vivendo e exemplificando as profundas verdades da fé diante do povo de Deus. Assim, pois, as congregações perceberão ser necessário para a glória de Deus e para a saúde da igreja, encontrar diáconos instruídos pela verdade da Palavra de Deus e pelo evangelho que ela revela.

6

EXPERIMENTADOS E IRREPREENSÍVEIS

“Também sejam estes primeiramente experimentados; e, se se mostrarem irrepreensíveis, exerçam o diaconato” (1 Timóteo 3.10)

M eu primeiro trabalho, depois de sair da Universidade, foi servir numa ONG como tutor na preparação de pessoas fisicamente deficientes, a fim de que pudessem ser integradas ao mercado de trabalho. Foi uma ótima experiência junto a um grupo de pessoas formidáveis. Minha principal ocupação, depois de ajudar uma pessoa a encontrar trabalho, era de continuar este serviço tutorial durante o período probatório do emprego. De uma maneira geral, este era um período de “vai-ou-racha” que, geralmente, em mui pouco tempo já se podia discernir se aquele tipo de trabalho combinava com a pessoa indicada. Vários de meus clientes desistiram ou foram demitidos do trabalho, em apenas alguns dias e, em certos casos, em poucas horas. Aquele período inicial era um teste para o empregado, para o empregador e para o tutor. Os empregados, muitas vezes, se viam em situações demasiadamente complexas para suas habilidades. Os empregadores, por vezes, sentiam-se inadequados para dar o necessário apoio às pessoas deficientes. E, diga-se, o tutor do empregado teve de aprender de tudo um pouco, desde catar excremento de cachorros num canil (alguns dos melhores da

Carolina do Norte), até lavar janelas de aviões, processar dados na IBM, fritar hambúrgueres numa rede de fastfood. Era como peneirar o trigo pra separar a palha. Só o que servia, ficava.

EXPERIMENTANDO SERVOS NA IGREJA LOCAL

Servir numa igreja local não somente proporciona alegria, mas, de tempo em tempo, também serve para provar o servo. Servir a outros prova nosso amor, a capacidade de nossa paciência, a qualidade de nossa resistência e a insistência de nosso prazer em servir. Servir, nos proporciona enormes recompensas, mas, algumas vezes, estas recompensas vêm embrulhadas em situações de provas. Aqueles que graciosamente servem aos outros, poderão terminar sentindo-se como “sacos de pancadas”, designados para que se descubra a extensão de tolerância do calor, da força e, muitas vezes, da dor resultantes do ofício. Os diáconos são chamados a inúmeras situações difíceis que acontecem em função de necessidades bem sérias, ou, por outro lado, de pecados de proporções consideráveis. Sendo assim, os novatos estão sujeitos a muitas tentações. É a experiência nas batalhas que formam os melhores soldados. Talvez seja por essa razão que o apóstolo Paulo instrui a Timóteo, e às nossas igrejas, a encontrar servidores de mesas que tenham sido “primeiramente experimentados; e, se mostrarem irrepreensíveis, que exerçam o diaconato” (1 Timóteo 3.10). Os diáconos têm de ser examinados ou postos à prova. Como diz um comentarista: “a maneira como isso é feito, não está especificada. 1 Timóteo 5.22 e os versos que se seguem, indicam que, para se fazer apreciação da vida de uma pessoa, temos de dar o tempo necessário. Disto, podemos concluir que a prova tem de ser algo de muita consideração e cuidado na avaliação da vida do homem, pela congregação que, por sua vez, está ciente da necessidade de certas qualificações”. 7 A prova, possivelmente, deverá envolver os tipos de qualificações espirituais descritas em 1 Timóteo 3.

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES

1) O provável diácono é uma pessoa madura e um cristão em crescimento?

O tempo não prediz, necessariamente, maturidade, mas, de uma

forma geral, pessoas recentemente convertidas ainda não foram provadas e ainda são imaturas. Não existe um número mágico de

anos que devam passar, antes que as pessoas fiquem aptas e elegíveis

ao ofício, mas as igrejas devem examinar o indivíduo quanto à sua

preparação e capacidade, antes de fazer dele um diácono. Pode-se perceber o fruto do Espírito em sua vida? Ele está crescendo à medida da estatura da plenitude de Cristo, e contribuindo para que outros cresçam com ele em Cristo (Efésios 4.11-16)?

2) O provável diácono demonstra competência em sua área de serviço? Procurar competência em um diácono não é o equivalente a conduzir uma busca no estilo de um caça-talentos. Mas, sabedoria e experiência têm ensinado as igrejas a buscarem pessoas que já tenham habilidades em servir na mesma área em que elas serão chamadas a liderar. Talvez, tenham servido como voluntárias em alguma capacidade semelhante. Ou, quem sabe, já tenham alguma experiência, ou alguma perícia, na mesma área. “Este é um princípio geral para o ministério cristão: a maneira de preparar-se para um serviço maior, é ter sido diligente em algum serviço menor. Um ministério fiel é, ao mesmo tempo, gratificado por Deus e reconhecido pela igreja”. 8 O candidato ao ofício diaconal tem a destreza necessária para levar a cabo o serviço que a igreja necessita?

3) Existe alguma coisa que poderá desqualificar o candidato para o serviço que se requer? Quer seja em caráter ou em competência, a prova feita pela igreja revela deficiências sérias que possam impedir o diácono proposto a executar seu serviço?

4) A congregação apoia o diácono em potencial a assumir seu ministério? A pessoa que passa nesses testes, deverá trabalhar com o completo

apoio da congregação e dos líderes da igreja local. O teste tem como propósito confirmar suas aptidões e caráter, e endossar seu ministério.

CONCLUSÃO

O Senhor não estabeleceu o ofício de diáconos como algo extra, na

igreja local. O ofício não existe como um anexo obsoleto. Ao contrário, os diáconos servem à mesa do Senhor com vistas a

facilitar o avanço do evangelho, a saúde do corpo local, e o regozijo dos santos. Os diáconos são indispensáveis à igreja. Com muita razão, Paulo conclui: “Pois os que desempenharem bem o diaconato alcançam para si mesmos justa preeminência e muita intrepidez, na

fé em Cristo Jesus” (1 Timóteo 3.13). Que nobre vocação!

7

SOBRE OVELHAS E PASTORES:

UMA INTRODUÇÃO PARA PRESBÍTEROS

V ocê já sentiu o cheiro de uma ovelha? Gostou? Não me refiro ao cheiro de costeletas de carneiro assando no forno. E por “ovelhas”, tampouco me refiro aos animaizinhos imaginários que as pessoas contam, quando não conseguem dormir. Me refiro a animais cobertos de lã, vivos, balindo, vagando em verdes pastos. Pra dizer a verdade, eu não tenho muita experiência com ovelhas, ou com fazendas de criação de ovelhas. Houve uma ocasião, durante uma visita à Escócia, em que minha família e eu tivemos o privilégio de visitar o editor William McKenzie com sua família, em sua fazenda de ovelhas. Que lugar lindo para criar ovelhas! Mas logo aprendi que não é tanto o cheiro das ovelhas o que mais preocupa, mas sim o que as ovelhas deixam, espalhado pelo pasto, e que é realmente ameaçador! Com vistas tão deslumbrantes como aquelas que os planaltos escoceses nos oferecem, os novatos no cuidado das ovelhas têm o grande desafio de manterem-se com seus olhos abaixados, observando onde pisam. Não temos outra escolha. Ovelhas são animais bastante porcalhões e seus pastores necessitam, ou calçar boas botas, ou serem muito cuidadosos em seu andar pelos pastos! A Bíblia repetidamente descreve os cristãos como ovelhas, e essa não é uma descrição muito elogiosa. Nossas vidas estão cheias de estragos, sujeiras, problemas e situações pegajosas. Somos tímidos e,

por vezes, nos extraviamos. “Todos nós andamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho” (Isaias 53.6). Esta é, precisamente, a razão porque precisamos de pastores; homens que sabem como proceder com ovelhas - como cuidar de nós, guiar-nos e caminhar em meio à bagunça que fazemos! Aqui entram as verdadeiras boas novas: na Bíblia, Deus se revela como um Pastor. 9 O Senhor deste universo nos atende em toda confusão e bagunça em que nos metemos – em nossos temores, nossas fraquezas e em nosso divagar. Traz-nos à mente as palavras do Salmo 23: “O Senhor é o meu Pastor; nada me faltará”. Ezequiel nos pinta com traços envolventes, um belíssimo quadro profético com as seguintes palavras:

Porque assim diz o Senhor Deus: Eis que eu mesmo procurarei as minhas ovelhas e as buscarei. Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que encontra ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; livra-las-ei de todos os lugares para onde foram espalhadas no dia de nuvens e de escuridão. Tira-las-ei dos povos, e as congregarei dos diversos países, e as introduzirei na sua terra; apascenta-las-ei nos montes de Israel, junto às correntes e em todos os lugares habitados da terra. Apascenta-las-ei de bons pastos, e nos altos montes de Israel será a sua pastagem; deitar-se-ão ali em boa pastagem e terão pastos bons nos montes de Israel. Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas e as farei repousar, diz o SENHOR Deus. A perdida buscarei, a desgarrada tornarei a trazer, a quebrada ligarei e a enferma fortalecerei; mas a gorda e a forte destruirei; apascenta-las-ei com justiça (Ezequiel

34.11-16).

A determinação de Deus em ser o Pastor do seu povo, ressoa em cada repetição de “Eu” ou “Eu farei”. Esta determinação encontra seu cumprimento no Filho de Deus, Jesus Cristo, que anunciou: “Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (João 10.11), e ele mesmo explicou:

Eu sou o bom pastor; e conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas. Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor. Por isso o Pai me ama, porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê- la. Este mandato recebi do meu Pai (João 10.14-18).

Todos os bons pastores encontram sua raiz e modelo na vida e no amor de Deus, revelado em Cristo Jesus. Acima de todos os pastores,

o pastor que mais necessitamos é Jesus. Porém, como um presente ao rebanho, o chefe dos pastores aponta homens piedosos como subpastores, para cuidar do rebanho que ele comprou com o seu próprio sangue (Atos 20.28). Nós conhecemos esses subpastores por diferentes títulos, inclusive, pastores, superintendentes, bispos e presbíteros. Assim como Jesus, o Pastor Supremo, presbíteros ou pastores superintendem sobre o rebanho entregue aos seus cuidados (1 Pedro 5.1-3), guiando, alimentando e protegendo a ovelha. Diáconos e presbíteros compõem os dois ofícios que ficaram permanentes na igreja. Enquanto os diáconos servem as necessidades físicas e práticas da igreja, os presbíteros servem as necessidades mais espirituais. Os dois ofícios não funcionam como dois gabinetes governamentais separados – como o Senado e a Câmara dos Deputados, que possuem mais ou menos a mesma autoridade. Se os diáconos são “servidores de mesas”, como o são os garçons, os presbíteros podem ser comparados com os maîtres ou aqueles que encabeçam ou governam a cozinha. Os presbíteros exercitam a autoridade de liderança na igreja (1 Timóteo 5.17; Hebreus 13.17). Considere-se, porém, que qualquer autoridade que os presbíteros tenham numa igreja, lhes têm sido outorgadas por Jesus. Ademais, a Escritura e o amor cristão estabelecem os limites do exercício apropriado dessa autoridade. 11 Como o pastor Mark Laudeerbach expressou: “um presbítero sem Bíblia é um presbítero sem autoridade”. Presbíteros não “dominam sobre” as ovelhas. Como doações de Cristo à igreja, eles lideram e servem, com vistas à edificação do corpo de Cristo, e não com o propósito de obterem vantagens sobre ele (Efésios 4.11-16; 1 Coríntios 12.4-11). Assim o Novo Testamento claramente instrui às igrejas a designarem uma multiplicidade de presbíteros para pastorear as ovelhas (Atos 20.17, 28; Tito 1.5). A pluralidade no ministério de presbíteros oferece muitos benefícios desejáveis. Uma multiplicidade de presbíteros resulta em uma multiplicidade de homens particularmente dotados para compartilhar, entre si, o peso da carga pastoral, para o ensino em diferentes áreas, para serem responsáveis

uns pelos outros, para manterem uma liderança estável durante tempos de mudanças, para animarem uns aos outros durante períodos difíceis e para funcionarem melhor em épocas de dificuldades mais intensas que, por sua natureza, requerem mais sabedoria. Numa multiplicidade de presbíteros, existirá mais segurança e os planos da igreja serão melhor estruturados e estabelecidos. Finalmente, os presbíteros poderão ser pagos por seus serviços – como no caso de pastores no ministério de tempo integral (1 Timóteo 5.18), ou poderão – no caso de voluntários - serem não remunerados, mas servirem como presbíteros leigos. Mas, no final das contas, os presbíteros sempre recebem suas recompensas. Pastores fiéis, prontos para servir com um coração puro, estão confiados na esperança de receberem suas recompensas quando o supremo pastor aparecer (1 Pedro 3.4). Mas aqueles que são infiéis, os mercenários, apenas terão a horrível expectação do julgamento (Ezequiel 34.1-10; João 10.12-13). Deus, o Pai, não deixará passar despercebido o serviço zeloso e fiel, tampouco o cuidado negligente das ovelhas compradas pelo sangue do seu Filho. Assim sendo, os pastores são mordomos dos quais se requer fidelidade (1 Coríntios 4.1-2). Eles velam pelas almas como aqueles que prestarão contas por elas (Hebreus 13.17). Como escreveu o pastor do século 18, Lemuel Haynes:

O trabalho de um ministro do evangelho tem um relacionamento peculiar com o futuro. O julgamento que se aproxima é aquele para o qual todas as coisas convergem e no qual devemos tornar todo sentimento vastamente inculcado, gravado com interesse em nossos espíritos. Os ministros são criaturas responsáveis diante de outros homens, e nós temos a afirmação da Escritura de que “Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más” (Eclesiastes 12.14). Se nenhuma de nossas condutas é tão insignificante que possa passar sem ser notada, então podemos concluir que ainda mais os negócios altamente relevantes, como os relacionados ao trabalho do ofício ministerial, serão percebidos. 12

Nos capítulos que se seguem, examinaremos as qualificações espirituais que são pré-requisitos para o serviço de um presbítero. Faremos isso por examinarmos, principalmente, as qualificações listadas em 1 Timóteo 3. Na terceira parte deste livro, abordaremos

as qualificações espirituais das obrigações dos presbíteros, como encontramos em 1 Timóteo 4. Eu oro para que essas sessões possam ajudar as congregações a receberem as bênçãos de presbíteros fiéis, e venham, de igual maneira, animar os pastores fiéis em seu ministério, na esperança de sua própria recompensa.

8

EXCELENTE OBRA ALMEJA

“Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja” (1 Timóteo 3.1)

A fim de encontrarmos homens confiáveis para servirem como presbíteros, antes de mais nada precisamos procurar homens que desejem esse ofício. Isto, em minha experiência, não é tão simples como à primeira vista possa parecer. Alguns poderão “querer o ofício”, mas o seu “querer” nada mais é do que o desejo de poder, de modo que tais homens não servirão para o cargo. Por outro lado, homens que são realmente dignos para o ofício, acreditam que desejar ser um presbítero já é, em si mesmo, uma demonstração de orgulho, ambição destituída de piedade ou algo grosseiro. E, finalmente, alguns homens poderão ter as qualificações mas, ou lhes falta a vontade, ou se acham desqualificados porque, em suas mentes, existe a ideia de “superpresbíteros”.

ESTIMULANDO ASPIRAÇÕES

Falando com praticidade, uma das primeiras coisas que um pastor precisa fazer é aclarar e ensinar sobre “ambições piedosas”, que incluem a devoção e o interesse para que outros venham a aspirar o ofício de presbítero. Pastores fiéis deverão despertar o sentimento dos jovens (inclusive aqueles nos seus vinte anos) para considerarem, em suas aspirações para o futuro, o exercício do pastorado. Finalmente, cada uma das características que Paulo lista em 1 Timóteo 3, com exceção da capacidade para ensinar (v.2 ), deveriam ser as marcas de todo

cristão. O desafio pastoral ao desejo de ser um presbítero é uma coisa boa e piedosa. É uma outra forma de dizer aos homens crentes:

“isto é o que maturidade à medida da ‘estatura da plenitude de Cristo’ significa”. Tal maturidade e semelhança de Cristo é algo desejável, que não deve ser evitada ou inferiorizada. Você pode imaginar o que seria a exaltação do poder de Cristo, em uma igreja repleta de homens que possuem um forte e piedoso sentimento de desejo de conduzir, ou de guiar as ovelhas do Senhor em suas igrejas e em seus lares? Em minha experiência pessoal, o problema é que as igrejas falham e caem no outro extremo – a maioria dos homens aspiram nada mais que um pouco de conforto, anonimato, vida fácil e qualquer outra coisa, menos liderança responsável. Segundo, o pastor terá, também, de aclarar e ensinar o valor da tarefa de um líder. Paulo chama de “excelente” a obra de liderar na igreja local. E o é! Mas muitos homens parecem ter a impressão de que liderança não é nada mais que uma carga, uma dor de cabeça, ou simplesmente um mal necessário. Outros podem chegar a pensar que ser um líder religioso é o mesmo que ser um fingido, um vigarista. Por alguns anos, eu resisti à chamada interior para o ministério porque eu não desejava ser associado com pregadores de televisão, ou com pastores moralmente falidos e apanhados em escândalos. E permaneci resistente até o momento em que Deus tornou mais evidente para mim a nobreza da obra de um líder. Assim pode ser necessário para os pastores atuais, sem pintar nenhum quadro falso de conforto perene, desenvolver, discutir, pregar e exemplificar em sua vida a alegria do ministério, pois, no final das contas, o Senhor pretende que o liderar de sua igreja seja uma alegria para aqueles que o fazem (Hebreus 13.17).

POR QUE O PRESBITÉRIO É UM OFÍCIO EXCELENTE?

Parte da excelência desse serviço vem da beleza e do privilégio de podermos refletir Cristo para o povo. O presbítero é um exemplo em tudo (1 Timóteo 4.12). Ele personifica, de forma bem significativa, como “seguir a Jesus” deve parecer-se e possui um grau altamente

observável do caráter do Senhor, provendo, desta maneira, um exemplo visível para que outros também o sigam. Aquele que não

está disposto a refletir a Cristo, deverá perguntar-se: “o que há de maior valor que refletir a Cristo?”

A necessidade da liderança cristã também torna o serviço numa

tarefa nobre. O Senhor desenhou sua igreja de tal forma que ela requeira líderes piedosos. As ovelhas necessitam de pastores. Sem pastores, as ovelhas vaguearão por todas as sortes de perigos e ferimentos, e o Senhor sofre por seus extravios sem direção e por sua condição vulnerável (Mateus 9.36). Atender às ovelhas é algo necessariamente bom. Tão excelente é o trabalho espiritual de pastorear que certo pastor chegou a escrever: “Com todos os meus desânimos e minha atitude pecaminosa de apatia, em meus melhores momentos admito que não posso encontrar outro trabalho mais digno para fazer do que este. Tivera mil vidas, de boa vontade as gastaria nesse trabalho; e tivera

eu igualmente tantos filhos, de boa vontade os dedicaria a ele”. 14

A obra é excelente, e, portanto, desejável. Mas, em prática, quais

sãos as coisas que podemos fazer, ou perguntar, a fim de discernir quais são aqueles que, verdadeiramente, têm esta ambição piedosa?

CARACTERÍSTICAS A SEREM ENCONTRADAS

1) Coloque especial atenção sobre aqueles homens que, de forma regular, participam do culto e das assembléias da igreja. Se aos Domingos a igreja se reúne para cultos pela manhã e pela noite, eles estão sempre presentes em ambos? Comece com aqueles que já demonstram um compromisso ativo com o ministério e que são exemplo de compromisso aos demais membros da igreja. É mais fácil por para trabalhar um homem em quem já existe desejo e compromisso, do que tentar trabalhar com alguém com uma aparente falta de interesse. Um pastor que já está caminhando com um aspirante à liderança que demonstra o desejo de servir, perceberá que sua viagem será muito mais suave em comparação aos solavancos, ou à inércia daquele que não tem um desejo ativo – ainda que tenha a evidência de dons em todas as demais qualidades.

2) Note o homem que pareça já estar pastoreando outros membros da igreja, ainda que não tenha o título de “presbítero” ou de “pastor”. Especificamente, quem são os homens que cuidam dos demais, visitando-os ou praticando a hospitalidade, aconselhando (geralmente sendo procurados por outros para este fim), e participando do trabalho de ensino na igreja? Você desejará encontrar outros homens dispostos a buscar o bem-estar de seus companheiros e irmãos - e que o fazem com alegria, mesmo sem o devido reconhecimento. Estes que, quietamente e com naturalidade, buscam fazer o trabalho de amar o povo de Deus, são ideais para esta nobre e excelente obra. 3) Note aqueles homens que manifestam respeito e confiança na liderança. Aqueles que se esforçam para entender as direções propostas pela liderança, que fazem perguntas boas e apropriadas, em momentos igualmente apropriados, e que evitam criar confusões ou dissenções nas reuniões públicas. Um homem não poderá liderar bem, enquanto ele mesmo não demonstrar capacidade de submeter-se aos que lideram. Um homem que venha a tornar-se um dos pastores numa congregação, cedo perceberá que ele mesmo deverá ser submisso, pois liderar não se reduz simplesmente a dirigir os outros. 4) Seja paciente e procure notar aqueles homens que, com o tempo, evidenciem esta aspiração. Observe o homem. Encoraje-o. Observe seu desejo em tempos frutíferos e em tempos estéreis, quando ele está cheio de contentamento e quando está entristecido. Tal desejo persiste, cresce, se fortalece? Ou, ao contrário, murcha, enfraquece, desvanece? Se a aspiração se demora em realizar-se, ele a deixará de lado para fazer outras coisas? Você quer encontrar pessoas que sabem lidar com a espera e desapontamentos com maturidade e humildade, não com impaciência e imaturidade. E o seu desejo para o ofício, ainda que demorado ou adiado, deverá amadurecer com o tempo, como o vinho fino. Como disse Paulo, faremos bem em “não impor as mãos precipitadamente” sobre nenhum homem.

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES

Quando examinar um homem para o ofício de presbítero, faça-lhe

algumas dessas perguntas, para ver se pode entender seu desejo para

o ofício.

1) Alguma vez você já pensou em ser um presbítero? Comece aqui. Muitos nunca consideraram isso e ficam surpresos, quando lhe fazemos esta pergunta básica. Outros, sim, terão considerado o assunto, mas têm colocado a ideia de lado por causa de conceitos errados, os quais podemos e devemos corrigir. Para aqueles que nunca consideraram a ideia, devemos estar preparados para dar-lhes algumas razões porque deviam. Desde o dizer-lhe que “esta é a maneira de definirmos maturidade cristã na vida de um homem”, até “eu tenho visto certas coisas em particular na sua vida que sugerem que você deveria pensar sobre esta questão”. Não queremos pressionar nenhum homem, mas devemos sugerir a ideia de liderança que pode desenvolver nele esse desejo, e que o faça ver as coisas de forma diferente, em relação à dedicação de sua vida inteira ao ministério.

2) Não poderia dar-se o caso de que sua falta de desejo possa estar indicando uma complacência espiritual ou uma falta de direção? A pergunta assume que o desejo ao ofício de presbítero é uma boa coisa e que suas qualificações são uma boa avaliação de si mesmo, quanto à maturidade cristã. Como pastores, queremos imprimir esta visão ao nosso homem em questão e onde notamos existir uma

aparente falta de vontade, podemos assumir que o cuidado, o ensino

e a correção são necessários.

3) Por que você deseja ser um presbítero? Até que ponto você poderia perceber a existência de alguma coisa impura (orgulho, poder, etc.) em seus motivos? Esta é uma pergunta óbvia para aqueles que estão considerando o ofício de presbítero. Justamente porque não queremos impor as mãos sobre nenhum homem de uma maneira precipitada, temos de, praticamente, por à prova as ambições piedosas em contraste com

motivos impuros. Ninguém possui motivações que sejam perfeitas. Todos nós lutamos contra vestígios de pecados em nossas vidas. Mas, uma devida diligência requer que ajudemos o homem a examinar seu próprio coração e trazer à tona aqueles sentimentos que devem ser inspecionados. Você tem, diante de si, um homem simples, humilde, desejando servir, ou um insubmisso, orgulhoso e interessado no poder de controlar? Qual é a raiz de sua ânsia e desejo – serviço ou reconhecimento? Temos de evitar a ordenação de homens que possam desejar o bispado “por sórdida ganância” ou para serem “dominadores daqueles que lhe foram confiados” (1 Pedro 5.2-3). As ovelhas são as que mais grandemente se beneficiam, quando descobrimos tais atitudes num aspirante ao ministério, antes que ele seja feito um presbítero, ao invés de descobri-las depois de haver espancado as ovelhas. Mais ainda, muita confiança e segurança são os benefícios do homem, quando ele serve livremente e com bons motivos.

4) Você já chegou a considerar o que aconteceria a uma igreja, às ovelhas, se estas não tiverem um pastor? O seu coração responde à semelhança do coração de Jesus, em sua visão das ovelhas sem pastor? (Mateus 9.36; Marcos 6.34)? Para aqueles homens que podem reconhecer dons espirituais e qualificações em si mesmos, mas que fogem à responsabilidade de se tornarem líderes, talvez sirva de ajuda levá-los a tirar seus olhos de si mesmos, para focalizá-los nas pessoas que eles poderiam ser chamados a servir. Muito mais está em jogo, do que um indivíduo sentir-se pessoalmente confortável ou não com a ideia de ser um líder - ainda que isto deva ser levado em consideração. Mas, o que está em jogo é o cuidado espiritual das ovelhas.

5) Você já parou para considerar o que está ensinando à congregação, sobre o almejar esta excelente obra e o seu consequente cuidado das almas, com esta atitude de evitar assumir a liderança? Algumas vezes, homens com dons e capacidades já são vistos como pastores aos olhos da congregação, mas, por alguma razão, estão

evitando um reconhecimento formal. Nesses casos, devemos ajudá- los a perceber que eles já estão ensinando liderança à igreja, ainda que estejam evitando a posição. Como mais espiritualmente dotados aos olhos da congregação, estão também levando a igreja a pensar que esta obra de liderança é simplesmente um fardo e um trabalho desnecessário. E ensinando isto, pelo exemplo de sua atitude, estes homens involuntariamente rebaixam o nível de qualidade que a congregação deveria esperar de seus líderes e, não somente isto, mas também diminuem a qualidade do cuidado espiritual que eles, e a geração futura, poderiam receber. A Bíblia comanda aos crentes:

“lembrai-vos dos vossos guias (pastores), os quais vos pregaram a Palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim de sua vida, imitai a fé que tiveram” (Hebreus 13.7). Nós não queremos que o povo do Senhor imite baixos valores, e aprendam, por maus exemplos, a evitar e responsabilidade de uma obra tão nobre e excelente.

CONCLUSÃO

Escolher seus pastores é a mais importante decisão que uma

congregação local pode fazer, visto que são eles os que moldarão a igreja através de seus ensinos e seu testemunho. Dada esta influência moduladora, o Senhor nos chama a procurar homens que

pastoreiem “o rebanho de Deus”

”tornando-vos modelos do rebanho” (1

Pedro 5.2-3). William Still, um fiel pastor que treinava homens para o serviço cristão, observou: “toda a minha preocupação neste trabalho de procurar formar pastores (e eu formei muito poucos, apesar de terem sido muitos os homens que passaram por minhas mãos) é de que eles se tornassem homens de Deus; então, o trabalho pastoral cuidaria de si mesmo. O trabalho ainda tem de ser feito,

“espontaneamente, como Deus

quer”

”de boa vontade”

mas o homem de Deus foi feito para este propósito”. 15 Que o Senhor nos dê discernimento, paciência e clareza em nossa observação, enquanto buscamos homens confiáveis que desejem esta excelente obra.

9

IRREPREENSÍVEL

“se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja. É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível” (1 Timóteo 3.1, 2)

A excelência do ofício pastoral demanda um caráter excelente que o corresponda. As igrejas, portanto, precisam procurar homens cuja vida interior esteja unida à sua vida exterior, em integridade e santificação. Paulo lista “irrepreensibilidade” como o segundo traço de caráter que um presbítero deve ter. “Irrepreensível” serve como uma coberta para todos as demais características que seguem. Um homem tem de ser sincero em sua conduta, reto e justo em seu tratar com outras pessoas.

O BISPO, OU PRESBÍTERO, PRECISA SER IRREPREENSÍVEL

Ser irrepreensível significa que uma pessoa não dá motivos para suspeitas de imoralidades ou atitudes questionáveis. Todos se sentiriam surpresos e chocados se ouvissem algo contrário ao seu caráter. Mas, ser irrepreensível não quer dizer que a pessoa mantém uma vida de perfeição e sem pecados. O que realmente significa é que esta pessoa, com o passar dos anos, tem adquirido para si o respeito e a admiração dos demais, no que concerne ao seu comportamento, à sua maneira de ser. Vive uma vida digna da chamada de Deus (Efésios 4.1; 5.1-2; Filipenses 1.27; Colossenses

1.10-12).

É criticamente importante, pois, que um presbítero seja

irrepreensível por, pelo menos, duas razões:

Em primeiro lugar, porque ao ser indicado e recebido como um presbítero, todos assumirão que: a) ele será um exemplo para as

ovelhas em todas as áreas da vida (1 Timóteo 4.12; 1 Pedro 5.1-3), e

b) ele receberá o benefício da dúvida caso, porventura, seja vítima de

más acusações não-confirmadas (1 Timóteo 5.19). Poucas coisas podem ser piores, em uma igreja, do que um homem sem caráter, que exiba um mau exemplo e, ao mesmo tempo, é protegido pela generosidade de algum julgamento, em virtude do seu ofício. Em segundo lugar, é criticamente importante porque um presbítero deve ser tido em alta consideração por seu caráter, não por sua riqueza, popularidade ou outros motivos mundanos. Podemos muito bem ser tentados a oferecer o ofício de presbítero a um homem baseados em seus sucessos no mundo dos negócios, ou porque sua família tem uma longa história na vida da igreja, ou por ser popular e bem conhecido. O apóstolo não estava interessado em nenhuma dessas coisas. Seu interesse estava na dignidade de caráter, em concordância com o seu ofício. Se um homem é popular num sentido secular, mundano, mas não é irrepreensível, provavelmente vai liderar baseado em sua popularidade e não em seu caráter. Poderá ser alguém que teme a face dos homens mais do que teme a Deus (uma tentação muito grande para essa posição de presbítero), ou, quem sabe, tratará de liderar a igreja como lidera seus negócios seculares, ou assumir alguns direitos em razão do seu status na comunidade. Todas estas coisas prejudicam o ministério presbiteral. Todos os crentes deveriam ser irrepreensíveis, mas aqueles que são presbíteros, têm de ser. Mas, como encontrá-los?

TRAÇOS A SEREM OBSERVADOS

1) Note aqueles homens que são fiéis em suas atuações no seio da igreja Por exemplo, são homens que mantêm o seu compromisso em dar

à igreja, de maneira regular e sacrificialmente? São homens que, mesmo que jurem com dano seu, não mudam; que cumprem sua palavra, mesmo quando outros não os condenem se voltarem atrás em seus compromissos?

2) Preste atenção especial naqueles homens que demandam respeito dos demais. E digo isto no bom sentido da palavra. Esses são os homens que inspiram retidão em outros. Suas presenças parecem fazer com que as pessoas se endireitam ou demonstrem mais zelo. A igreja, normalmente, nomina essa classe de homens para ocuparem posições que demandam integridade ética, porque confia que eles farão as coisas bem feitas. 3) Note os homens que vivem suas vidas fora da igreja com integridade. São homens que chegam ao trabalho no horário certo. São capazes de manter seus trabalhos e são tidos como trabalhadores de bons hábitos. Sabem manejar bem seus assuntos financeiros, pagam seus débitos e vivem dentro de suas possibilidades. Nunca falham em cumprir suas obrigações.

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES

Uma vez que os líderes ou a congregação tem um homem em mente considerado como “irrepreensível”, poderão fazer-lhe, então, algumas perguntas. 1) Existe alguma coisa em sua vida que você pensa desqualificá- lo para ser um presbítero? Ainda que esta pergunta seja muito geral em sua abrangência, oferece, entretanto, um bom lugar para começar. Oferece a oportunidade de ouvir o que o homem pensa de si mesmo e lhe ajudará a aprender algo mais sobre sua integridade. Poderão existir questões que realmente não estejam sendo mais explicitamente consideradas, em 1 Timóteo 3, mas que o estejam atribulando e que poderão desqualificá-lo. Esta pergunta dará ao possível presbítero a oportunidade de levantar as questões que atribulam sua consciência. Os líderes e a congregação, dessa forma, terão a oportunidade de pastoreá-lo e modelar o tipo de cuidado e responsabilidade mútua que se espera dos presbíteros.

2) Se você vier a ser um dos nossos presbíteros, você crê que a notícia será um espanto surpreendente para sua família, ou para

seus colegas de trabalho? Nesta altura, você estará sondando a reputação do possível presbítero fora da igreja. No caso da existência de algum agravo ou objeção por parte de outros, seria bom explorar: (a) a natureza da disputa, (b) como o presbítero em potencial tem tratado a situação (se em genuína atitude cristã ou não), e (c) se a opinião de outros o desqualifica.

CONCLUSÃO

A excelência da posição de um presbítero requer que esta seja

preenchida somente por homens íntegros. Nestes dias em que

muitas pessoas, inclusive cristãos, se ofendem com a ideia de terem

de julgar a outrem, a igreja ainda terá de, pacientemente, trabalhar

para verificar se o caráter de um homem é maduro e irrepreensível. Mesmo que isto seja a coisa mais difícil nas igrejas que querem encontrar homens responsáveis de quem possam depender. A saúde e a pureza da noiva de Cristo o requer. Cultivar esta classe de integridade nos líderes de uma igreja é vital para a saúde dessa igreja.

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MARIDO DE UMA SÓ MULHER

“É necessário, portanto, que o bispo (pastor, presbítero) seja irrepreensível, esposo de uma só mulher” (1 Timóteo 3.2)

“Desejar” é a primeira coisa que Paulo menciona, em sua lista. Em seguida, vem “irrepreensível”. E, então, o que mais é necessário ser, àqueles que lideram a igreja? É necessário que um presbítero seja “esposo de uma só mulher”, diz o apóstolo. Literalmente, a frase, em seu original, se lê: “um homem de uma só mulher”. Mas existem algumas diferenças de opiniões quanto ao significado dessa frase.

QUAL O SIGNIFICADO DESSA FRASE, “UM HOMEM DE UMA SÓ MULHER”?

Existe uma gama de interpretações que buscam explicar o que a frase significa, indo desde o simples significado de poligamia, até uma explicação que enfoca mais numa questão de moral e de pureza sexual. Tomando a visão mais estreita, João Calvino segue a Crisóstomos, que afirma ser a posição de Paulo a de “expressamente condenar a poligamia”. Calvino argumenta que “Paulo proíbe a poligamia para todos aqueles que mantêm uma posição oficial de presbítero, porque esta seria a marca de um homem sem castidade; de um que não observa a fidelidade conjugal”. 16 D. A. Carson toma, igualmente, essa posição. 17 Tomando uma interpretação mais abrangente, John McArthur rejeita o argumento de poligamia, dizendo que esse costume “não era

comum na sociedade romana, e que era claramente proibido pela Escritura”. 18 Porém, em uma série de sermões em 1 Timóteo, Phil Ryken toma ainda uma interpretação mais ampla, semelhante à de McArthur:

A fim de ser irrepreensível, um presbítero necessita ser “esposo de uma só mulher”. Isto, porém, não impede que um homem solteiro sirva como presbítero. Comumente, um presbítero será um homem casado e Deus usará as demandas do seu chamamento como marido e pai para influenciarem na obra santificadora a ser levada a cabo em suas vidas, antes mesmo que estes estejam prontos para servir como oficiais na igreja. Lembre-se que Paulo mesmo não era casado e recomendou a vida de solteiro aos outros, como uma oportunidade para maiores serviços no reino de Deus (1 Coríntios 7.17; 9.5). Alguns têm sugerido que a frase significa “casados uma só vez”. E isto desqualificaria viúvos que tornam a casar-se, assim como um homem que tenha passado por um divórcio. Se isto é o que Paulo quer dizer, então esperaríamos que o apóstolo fosse mais explícito.

O argumento da frase, talvez, seja mais generalizado: presbíteros

devem estar mais obrigados a prestar contas de sua sexualidade. Os gregos e os romanos daqueles dias geralmente toleravam horríveis pecados sexuais. Poligamia era praticada por ambos, judeus e gregos. Casamentos eram frequentemente marcados por divórcio, adultérios cometidos abertamente e uma homossexualidade desenfreada. As palavras de Demóstenes explicam a dimensão desse problema:

“Amantes as mantemos por uma questão de prazer, concubinas para o cuidado diário de nossas pessoas, mas as esposas, para nos darem à

luz filhos legítimos”. 19 Assim, ainda que os comentaristas difiram no exato significado da frase, qualquer um poderá concordar que pureza sexual é um pré-

requisito para alguém que deseja assumir o ofício de presbítero. Na verdade, pureza sexual na igreja ocupa uma importante função apologética e evangelística no testemunho cristão (veja, por exemplo, Efésios 4.17-24; 5.3-14). Os líderes deverão, portanto, examinar a vida de um possível presbítero neste aspecto.

E como encontraremos aquele “esposo de uma só mulher” na

congregação? Aqui seguem algumas perguntas e observações, primeiramente para o solteiro e, depois, para o homem casado.

PERGUNTAS E OBSERVAÇÕES

(COM REFERÊNCIA AO HOMEM SOLTEIRO)

1) Como você caracteriza o namoro de um homem com uma mulher? Um homem dado a uma série de namoros poderá ser uma pessoa que não entende, nem tampouco se importa, com o coração das irmãs. Se ele não pode levar a sério as questões do coração e dos sentimentos, ele, talvez, esteja demonstrando a necessidade de aprender mais disciplina nessa área de sua vida e não poderá ser um exemplo apropriado para o rebanho. Um presbítero trata as irmãs na fé “com toda a pureza” (1 Timóteo 5.2)?

2) Qual o tipo de entretenimento que ele escolhe? Se entrega a material pornográfico - material sexualmente explícito? Se ele está lutando com essa questão, o melhor será não fazer dele um presbítero. Um presbítero precisa ser um exemplo, ensinando os mais jovens a serem controlados, agindo com autodomínio (Tito 2.6), e uma vida de impureza sexual é incompatível com o ofício do presbítero.

3) Como esse homem luta contra sua própria lascívia?

Arrancando os seus olhos e cortando suas mãos (Mateus 5.27-

30)?

A guerra contra a imoralidade sexual precisa ser feita no âmbito dos

desejos do coração. Os presbíteros precisam combater seus pecados como cristãos, o que significa que eles terão de, radicalmente, negarem-se a toda e qualquer oportunidade para a carne, o mundo e

o diabo, que buscam excitar seus desejos carnais. Ao contrário, eles devem cultivar um profundo desejo por Cristo e pelas coisas de Cristo. Um homem solteiro que mantém estas coisas camufladas, que flerta ou alimenta sua luxúria, põe em perigo a outros e a si mesmo. Um presbítero deve desejar e aceitar a responsabilidade de responder a outros nesse aspecto de sua vida Enquanto a primeira questão acima deveria ser, de certa maneira, reformulada, todas as questões aqui apresentadas aplicam-se, de igual maneira, ao homem casado. Mas, no caso de um solteiro, determinar se ele é realmente “um homem de uma só mulher” requer

que se considere a trajetória das suas afeições - não um comportamento marital. A sua conduta evidencia pureza, ou é evidência de imaturidades que deveriam ser evitadas? Existem outras diversas questões a serem tratadas com o homem casado.

PERGUNTAS E OBSERVAÇÕES (COM REFERÊNCIA AO HOMEM CASADO)

1) Este homem, candidato ao ofício de presbítero, evidencia fidelidade à sua esposa? É fiel física e emocionalmente? Um presbítero em potencial deveria ser perguntado diretamente se ele, alguma vez, quebrou o seu pacto matrimonial, através de um relacionamento adúltero. E, se não o fez em um ato físico, tornou-se emocionalmente envolvido com outra mulher, de uma maneira que o desqualificaria para o ofício? Seria sábio ter esta conversa com a esposa também, visto que ela poderá trazer alguma luz sobre coisas que ele mesmo pareça não perceber. Em geral, os líderes de uma igreja deveriam estar seguros de que a esposa concorda e acredita que seu marido está qualificado. Essas são questões que devem ser apresentadas a um homem antes de fazer dele um presbítero, não depois. A posição e o que se requer do ofício de presbítero, só adicionará ainda mais pressão a qualquer fissura de caráter já existente num casamento.

2) Ele mantém sua interação com colegas do sexo feminino, em seu trabalho, e com mulheres na igreja, de maneira a permitir completa prestação de contas e transparência? Por exemplo, ele evita situações potencialmente comprometedoras ou situações que possam abrir oportunidades para tentações (viagens, reuniões a sós e privadas, etc)? Presbíteros que trabalham em ambientes mistos devem ser homens de reputação confiável por parte de suas colegas. E confiável não porque tenha aconselhado mulheres em seus problemas de intimidade, mas justamente porque ele tem, apropriadamente, se esquivado de tais situações, estabelecendo uma distância segura e salva da tentação em

potencial.

3) O presbítero em potencial tem fielmente feito com que seu lar seja centrado no seu matrimônio? Segundo o projeto divino, o centro de uma família deverá ser o matrimônio de um homem com uma mulher (Gênesis 2.24). O homem e sua mulher deixam seus pais e se unem um ao outro, e se tornam uma só carne. Ser um homem de uma só mulher significa, em parte, manter uma atmosfera, em sua vida familiar, na qual não permita que outras pessoas ou coisas (filhos e trabalho, por exemplo) desaloje o matrimônio como o centro da família. Um presbítero em potencial preza sua esposa acima mesmo de outras pessoas preciosas em sua casa e, em seus relacionamentos terrenos, direciona suas afeições primeiramente, e acima de tudo, à sua esposa.

4) O presbítero que deseja o ofício alegremente aceita o ensino bíblico concernente às distintas posições do homem e da mulher num lar? Ele crê na equidade do homem e da mulher, enquanto mantém a ordem divina na distinção que deve haver entre a posição do homem e da posição da mulher, tanto no lar como na igreja? Um presbítero deve estar disposto a ensinar a igreja a aceitar alegremente todas as instruções de Deus para nosso viver. Evitando ou abandonando a Palavra de Deus neste ensino, o presbítero em potencial resiste à autoridade da Escritura e obscurece o evangelho do Senhor Jesus Cristo (Efésios 5.22-32). Quando se trata dos diferentes papéis do esposo e da esposa, muitos homens se sentem pressionados a evitar este tópico tão delicado. Mas, fazendo assim, o homem irá, necessariamente, substituir a sabedoria de Deus pela sabedoria humana, e negar os meios pelos quais Deus intenciona abençoar tanto o homem como a mulher. 20

CONCLUSÃO

Na cultura em geral o índice de divórcios é altamente alarmante e muitos ataques são feitos contra o casamento. Isto significa que as

igrejas que se limitam ao propósito de somente elegerem “homens de uma só mulher”, para o ministério de presbítero, estão atendo-se a uma postura altamente elevada, centrada no evangelho, centrada na ordem divina, como uma alternativa para que o mundo a veja. Enquanto o mundo mergulha de cabeça num impulso de imoralidade sexual e uma ética de relativismo, a igreja precisa manter uma alternativa santa, boa e beneficente para o estilo de vida íntimo entre um homem e uma mulher. Um presbítero estará encabeçando esta alternativa contra-cultural. Portanto, escolher um homem que seja fiel em todas essas áreas requer paciência, oração e discernimento para o bem de todos.

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TEMPERANTE, SÓBRIO, MODESTO

“É necessário, portanto, que um presbítero seja temperante, sóbrio, modesto” (1 Timóteo 3.2)

S hopping Centers não são meus lugares preferidos. Suponho que eu sou o estereótipo da masculinidade. Corro numa investida, de uma loja para a outra (no máximo três), que potencialmente tenham o que eu estou procurando, seleciono o item que procuro e, então, faço o melhor possível para escapar daquela experiência, saindo como uma flecha pela porta mais próxima que encontre. A “Feira da Vaidade” é um lugar bem perigoso para se estar. De tudo o que se possa dizer dos shopping centers, isto é, sem dúvida, verdade: eles não existem para promover sobriedade, nem domínio próprio. Propagandas, vitrines, mostruários, música – a experiência inteira tem por alvo separar as pessoas de suas carteiras, num ambiente mais emocional e desenfreado possível. De sobriedade, se faz pouco. Domínio próprio é lançado fora. Acima e contrária às seduções materialistas do shopping center local, está a chamada da Escritura aos crentes para serem sóbrios e autocontrolados, para exercerem mordomia e para triunfarem sobre a carne. Não é surpreende, portanto, que o apóstolo Paulo insista em que líderes na igreja - presbíteros, pastores - sejam temperantes e autocontrolados. A palavra “nephalios”, traduzida por “temperante”, “sóbrio” e

“vigilante”, inclui a ideia de estar atento e circunspecto. Pessoas temperantes estão livres da influência excessiva da paixão, lascívia ou emoções. O Senhor conclama seus subpastores a serem sóbrios em seus desejos, sentimentos e atitudes. O homem temperante põe limitações à sua liberdade. Não se embriaga com vinho, poder, lascívia ou qualquer outra coisa. Ele entende que nem todas as situações são caminhos, através dos quais podem enredar-se. Com isso, chegamos à nossa próxima qualificação, autocontrole. Este termo, e o último que vimos, estão proximamente ligados e apontam, de forma geral, à mesma coisa. Um presbítero tem de ser uma pessoa que se refreia; precisa controlar seu estado interior (emoções e outras coisas) e suas atuações externas. É decente em sua conduta, não é precipitado ou age impensadamente, mas é sensível, discreto e sábio. Homens néscios não estão qualificados para a liderança da igreja do Senhor. Alexandre Strauch corretamente observa: “muito mais estragos são causados às nossas igrejas por iras descontroladas, do que nós podemos admitir”. Onde quer que sobriedade e o autocontrole reinem, aí você encontra um homem respeitável. Um homem que viva uma vida piedosa, ordenada. Qualificações como essas são necessárias para pastorear o rebanho de Deus.

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES

1) O presbítero em potencial costuma ensinar outros homens a viverem como ele vive? Esse é o chamado essencial de um presbítero (Tito 2.2). O presbítero deverá ser conhecido por encorajar sobriedade, autocontrole e comportamento respeitável em outros. Outros aprendem moderação pelo seu conselho e exemplo?

2) O homem tem tendências à modernidades? É amante de caprichos de modas, saltando de novidade a novidade? Essas tendências enfatizam constante inovação, assim sendo, por definição, um homem com essa natureza é controlado por coisas exteriores. Tem fome daquelas coisas que estão sempre mudando, da

sempre ilusória “próxima grande ideia”. Pode ser visto como o “bacanão” da congregação, mas a própria base de sua aceitação provém do tipo de instabilidade que obra contra a sobriedade, vigilância e autodomínio. Podemos verificar essas coisas em seu estilo de vestir-se, ou em outras compras que faz (carros, etc). Ainda que não queiramos ser recatados sobre coisas exteriores, aquele que é dado a comprar toda novidade que aparece, provavelmente, esteja apresentando os primeiros sintomas de uma vida dedicada a importar as mais novas ideias do mundo. É ele um homem que está sempre procurando toda novidade [ou novos modelos] de “como se fazer” na igreja? É dado a novidades teológicas? Esse estilo de vida tem quase destruído a igreja de dentro para fora, e tal comportamento tem de ser rejeitado. Ao contrário, devemos procurar homens que sejam estáveis em sua resistência contra as novidades e movimentos insalubres que aparecem. Devemos procurar homens que adotam com consistência uma saudável e bíblica visão de si mesmos, do mundo e de Deus. Estamos em busca do clássico, do terno gasto, ao invés da última costura de vanguarda de Paris.

3) São os seus apetites equilibrados? Existe algum lugar, em sua vida onde ele se dê a excessos – comida, álcool, ira? Sabe restringir-se, exercitando autocontrole e demonstrando contentamento em todas as coisas? Homens que sejam aditos do álcool, drogas, sexo ou outras coisas, não são candidatos adequados para o ofício de presbítero.

4) Nós devemos notar com cuidado suas ações e reações, em diferentes circunstâncias Como o candidato a presbítero se porta, quando tudo lhe vai bem? Sabe controlar-se, louvar ao Senhor e viver sem abusar de sua prosperidade? Qual é sua conduta quando as circunstâncias se tornam difíceis? Sabe tomar os sofrimentos de uma maneira tranquila? Persevera na adversidade sem deixar-se vencer pelo medo, pelo ressentimento, pela covardia? É um reclamador? Um murmurador poderá ser um homem desequilibrado em seus desejos,

assumindo que as coisas deveriam ser feitas à sua maneira ou, pelo menos, de diferente forma.

5) Outros respeitam a maneira como este homem vive? Os seus inimigos se encontram sem ter como julgá-lo e se sentem envergonhados em face à sua vida e testemunho (Tito 2.7-8)?

CONCLUSÃO

O ministério e a igreja estão constantemente sendo observados pelas pessoas de dentro e de fora e os inimigos da igreja buscam, continuamente, oportunidades para condenar e difamar. As igrejas são grandemente estimuladas a resistir a esses ataques, quando seus líderes são homens respeitados por sua conduta e são homens sadios em seus juízos.

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HOSPITALEIRO

“É necessário, portanto que o presbítero seja (1 Timóteo 3.2)

hospitaleiro”

N o primeiro domingo de minha visita pela manhã à Igreja Batista de Capitol Hill, em Washington, DC – sentei-me com minha família à frente de outra família muito simpática, na galeria da igreja. Primeiro os notei por causa dos seus filhos pequenos, que sentavam- se atentos e pacientemente, enquanto participavam do culto. Depois notei a linda e vigorosa maneira com que cantavam. Mas eles realmente ganharam toda minha atenção quando, imediatamente depois do término do culto, nos cumprimentaram cordial e calorosamente. O pai da família levou-me ao redor, apresentando- me a outros homens da igreja e, depois de uns quinze minutos, convidou minha família para almoçar em sua casa. Não perdeu tempo! Honestamente, a experiência fez-me sentir um pouco estranho. Primeiramente, o seu nome era James e, literalmente, os primeiros três homens que me apresentou, também se chamavam James. Estranho, pensei. Que tipo de igreja é esta? Será que eu também vou ter que trocar meu nome de novo? Depois, aquele convite inesperado para o almoço realmente me estonteou. Tudo aconteceu tão rapidamente e, com minha criação sulina, a atitude poderia até ser considerada mal educada. Assim, pois, respondi com minha mais educada maneira sulina de dizer não: “Ó, é muita bondade sua. Quem sabe, em outra ocasião”. Qualquer pessoa lá no sul entenderia que uma sentença assim

formulada simplesmente quer dizer não. Nós, lá do sul dos Estados Unidos, sabemos que é assim que devemos responder não, porque dizer apenas “não”, seria indelicado. E os sulinos não são nada, senão corteses. Então, eu claramente disse não ao bondoso, ainda que precipitado, convite para um almoço. Mas, imagine, exatamente na próxima semana em que visitamos outra vez essa igreja um tanto estranha para mim, ele novamente insistiu que fôssemos com ele para almoçarmos juntos. Eu era da Carolina do Norte. Ele era de Nova Jersey. Houve uma falta de comunicação. Ele não entendia as regras lá do sul, mas Washington, DC, aparentemente, está muito perto da Linha Mason-Dixon para que claramente pudesse estabelecer em qual “Roma” estávamos, e como devíamos proceder. Mas eu estava errado e James estava certo. Ele era o homem mais piedoso. Era mais hospitaleiro do que qualquer um que eu jamais conheci e assim permanece ainda hoje em minha mente. James personificava a insistência de Paulo em que homens hospitaleiros liderem a igreja de Cristo. E, acredite, James era um presbítero.

PORQUE OS CRENTES DEVEM PREZAR PELA HOSPITALIDADE?

Primeiramente, a hospitalidade expressa o amor de uma forma tangível. Deus chama os cristãos para amarem-se uns aos outros (João 13.34-35) e amar aos seus inimigos (Mateus 5.43-47). Hospitalidade é uma forma prática desse amor. Os presbíteros devem ser modelos disso. Segundo, a hospitalidade expressa de forma palpável o cuidado por pessoas estranhas. Como podemos saber se estamos ajudando aos estranhos em nossos portões (Levítico 19.33-34)? Uma medida é saber o quanto nos aproximamos deles e permitimos que eles também se cheguem a nós. A hospitalidade nos aproxima de uma maneira significante. Estabelece mais intimidade num relacionamento e reflete o amor de Cristo aos “estrangeiros”. Em terceiro lugar, a hospitalidade favorece o evangelismo. Bem, poderá ser que nossa falha quanto à hospitalidade seja a causa de que

tantos crentes apenas tenham alguns poucos amigos não crentes, e se encontram impedidos da possibilidade de evangelizar. Não podemos evangelizar uma pessoa que nem sequer cumprimentamos, ou conversar com alguém com quem não estamos dispostos a passar nosso tempo. Se não formos hospitaleiros, pelo menos num nível considerável, compartilhar o evangelho se torna algo impossível. Quarto, a hospitalidade também favorece o discipulado e o congraçamento. A igreja em seu princípio dedicava-se ao partir do pão e à comunhão (Atos 2.42-47). Para aqueles crentes do princípio, tal hospitalidade se colocava em mesma altura com a devoção e com as doutrinas dos apóstolos. Então, a hospitalidade e o modelar a hospitalidade por exemplo pessoal são traços essenciais da vida cristã. Como notou certo autor, “dificilmente teremos uma melhor característica do amor cristão do que na hospitalidade. Através do ministério de hospitalidade, podemos compartilhar as coisas que temos de suma importância em nossas vidas: família, lar, recursos financeiros, tempo e privacidade. Em outras palavras, através da hospitalidade, compartilhamos nossas vidas”. 22 As igrejas deveriam estar cheias de pessoas dadas a este ato particular de amor (1Pdero 4.8-9). E os líderes das igrejas deveriam ser exemplos de hospitalidade para todos. Como encontrarmos homens hospitaleiros na congregação? Como avaliarmos essa qualificação?

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES

1) Procure notar aqueles homens que fazem, para si mesmos, um ministério de cumprimentar todas as pessoas na igreja. São eles como adornos de parede ou candidatos a Sr. Simpatia? Não quero dizer que o homem deva possuir uma personalidade exuberante, mas vale a pena notar aqueles homens que permanecem no edifício depois de terminados os cultos, que chegam cedo, que saúdam os visitantes e os santos igualmente. Essa atividade de saudar e de fazer com que as pessoas se sintam bem-vindas é essencial à hospitalidade. Note, especialmente, se algum homem está fazendo essa obra num gesto contrário à sua tendência natural. Se

assim o é, este será um sinal de graça divina. As igrejas devem valorizar este ato positivo de amor, que chega a resistir à inclinação natural do indivíduo para a privacidade e o isolamento.

2) Note o homem que ajuda aqueles que estão em necessidade Hospitalidade sempre estende uma mão de ajuda. Quais os homens que ajudam os de terceira idade a virem à igreja? Oferecem transporte a membros e visitantes que necessitam, para vir à igreja? Acompanham os visitantes para dirigi-los às classes de Escola Dominical ou ao ministério infantil? Hospitalidade significa ajudar aqueles que necessitam.

3) Tal homem abre o seu lar para outros? Esta é, com certeza, a forma mais óbvia de hospitalidade. Identifique aqueles que usam as suas casas como lugares para ministrar. Talvez recebam um grupo menor para estudos bíblicos. Ou são os primeiros que se oferecem como voluntários para hospedarem missionários ou para preparar alimentação para pregadores visitantes. Talvez sejam os que frequentemente convidam pessoas para jantar em suas casas, como meu amigo James. Homens com um ministério ativo de hospitalidade são pedras preciosas e por meio de sua hospitalidade se dão a oportunidade de conhecer e supervisionar as ovelhas mais intimamente.

4) As casas não são os únicos lugares para se demonstrar hospitalidade Um homem hospitaleiro usará o seu tempo e uma variedade de lugares para demonstrar sua hospitalidade, tal como a hora de almoço no trabalho. Pergunte, então, como ele usa a sua hora de almoço? Usa-a para construir relacionamentos com colegas de trabalho que não são crentes, na esperança de oportunidades para o evangelho? Reune-se regularmente com outros homens para proporcionar companheirismo e para prestar contas de si mesmo a outros, ou para discipular?

5) Aceita convites de outros para hospitalidade?

Às vezes, receber atitudes de amor e de cuidado deixam as pessoas desconfortáveis. O presbítero potencial deverá exemplificar tanto o dar como o receber expressões de amor. É especificamente importante que ele possa passar tempo com diferentes tipos de pessoas da congregação (jovens, velhos, ricos, pobres, com diferentes etnias, etc.) Muitas pessoas desejam sentir-se fortes e sem necessitar de ninguém para atenção ou cuidado. Mas aquele que é hospitaleiro honra aos outros, por aceitar sua hospitalidade com agradecimentos sinceros, genuínos, e com o menor embaraço possível.

CONCLUSÃO

No culto em que a igreja se despediu de James, que fora transferido para outra cidade fora de Washington, DC, o pastor pediu a todos os que haviam sido hóspedes na casa dele para um almoço ou um jantar que, por favor, se levantassem. Naquele culto haviam, provavelmente, cerca de 350 a 400 pessoas. Literalmente, 90 por cento da congregação colocou-se em pé e glorificou a Deus pela hospitalidade que James e sua família lhes proporcionaram. Sua casa, assim como sua vida, tornara-se uma extensão do ministério pastoral da igreja. Juntamente com sua família deram frutos imensuráveis por simplesmente ter pessoas unindo-se a eles para o jantar normal dos domingos - semana após semana. Se isso já soa como uma carga, devo também acrescentar que James e sua esposa têm seis filhos, haviam adotado um sobrinho e uma sobrinha e moravam a 45 minutos da igreja. Não era um Superman, mas o modo com que ele e sua esposa exibiram esse modelo de hospitalidade, às vezes, faz-me pensar que era. Seu exemplo desafiou-me a esquecer o sossego e a cruzar mais fronteiras com o amor de Cristo. Possa a tribo dos ‘James’ aumentar!

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APTO PARA ENSINAR

“É necessário, portanto, que o presbítero seja (1 Timóteo 3.2)

apto para ensinar”

V ocê já notou quão significante é a atividade de ensinar no Novo Testamento? Os pastores pensam na importância do ensino constantemente, porque esta tarefa está relacionada com seu trabalho. Vale a pena observar que, no Novo Testamento, o ensino parece ser necessário em todos os aspectos da vida cristã. Nós nos chamamos “discípulos” e praticamos “disciplinas” espirituais, duas palavras cuja raiz tem relação com ensino e aprendizado. Ensinar é central na proclamação do evangelho e no

fazer discípulos: “

tenho ordenado” (Mateus 28.18-20). O ensino é crítico no treinar novas gerações de homens e mulheres (Tito 2.2-6). O ensino é necessário para que o povo aprenda a orar (Lucas 11.1). De fato, o ensino está no coração da maturidade cristã (Efésios 4.11-16). A Bíblia até mesmo chega a conectar o louvor com o ensino, visto que, cantando, falamos e admoestamos uns aos outros com canções (Efésios 5.19; Colossenses 3.16). Podíamos continuar nosso argumento. O ensino e a necessidade de ensinar aparecem por toda parte nas páginas do Novo Testamento. Mesmo no Antigo Testamento, ensinar a Palavra de Deus ocupava uma posição dominante no reavivamento e no fortalecimento do povo de Deus na fidelidade.

ensinando-os

a guardar todas as coisas que vos

A NECESSIDADE DE ENSINAR

Assim, não nos surpreende quando o apóstolo Paulo inclui “apto para ensinar” em sua lista de qualificações para a liderança da igreja. Cada um dos atributos listados por Paulo deveria tipificar todo homem cristão que é maduro, mas essa qualidade de “apto para ensinar” é um dom peculiar, que se requer de homens que aspiram ser presbíteros ou pastores. A razão é simples: ensinar é a tarefa primária do presbítero. Outras coisas são necessárias em uma igreja, tais como administração, cuidado mútuo e assim por diante, mas, uma coisa que necessariamente coloca um presbítero à parte é sua habilidade para ensinar. João Calvino captou algo da sobriedade devida, quando consideramos essa tarefa:

E se julgamos uma grande impiedade contaminar qualquer coisa que é dedicada a

Deus, ele certamente não poderá suportar quem com mãos impuras ou mesmo despreparadas, manuseie aquilo que, entre todas as coisas, é a mais sagrada na terra. É, portanto uma audácia bem perto de um sacrilégio tomar a Escritura precipitadamente, torcendo-a a nosso bel-prazer, ao luxo de nossos caprichos; o que

tem sido feito por muitos em tempos passados. 23

O QUE O APÓSTOLO QUER DIZER COM “APTO PARA ENSINAR”?

Esse critério de Paulo, “apto para ensinar”, se refere à habilidade de comunicar e aplicar a Escritura com clareza, coerência e de forma a frutificar. Os que têm essa habilidade manuseiam a Escritura com fidelidade e outros são edificados quando eles o fazem. Essa habilidade não se limita ao ensino público desde o púlpito. Homens com essa habilidade podem ser mestres, ou, mais simplesmente, poderão ser dotados para ensinar indivíduos ou grupos pequenos. Nem todos são exímios pregadores públicos, mas estão, a todo tempo, ensinando e aconselhando através da Escritura as pessoas ao seu redor. Homens assim não deveriam ser desclassificados do ofício de presbítero. Anteriormente, lhes disse de Mark Dever que, ao ouvir do meu desejo de ser um pastor, imediatamente perguntou à minha esposa:

“Ele pode ensinar?”. Essa foi a primeira pergunta que ele fez. A habilidade de ensinar é um dom particularmente associado com o

ofício de presbítero e homens que aspiram esse ministério precisam possuí-lo. Não podemos passar por cima dessa qualificação quando avaliamos candidatos para a liderança pastoral: ele pode ensinar?

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES

1) Os pastores devem prover meios para que homens na igreja tenham oportunidades para ensinar, com o fim de poderem avaliar sua habilidade. Homens que demonstrem interesse em ensinar e que manifestem qualidades para o ofício de presbítero, deveriam ter oportunidades para ensinar em situações apropriadas. Algumas igrejas usam seus cultos noturnos, aos domingos, para esse fim. Outras igrejas usam oportunidades na Escola Dominical ou seus estudos bíblicos no meio da semana. Ainda outras organizam oficinas para treinamento experimental. Seja qual for a situação local, pastores e igrejas devem criar oportunidades para observar e confirmar capacidades de ensino nos homens da congregação.

2) Assumindo que um homem tenha tido um certo número de oportunidades para ensinar, quão capacitado se mostra? Os pastores deveriam conceder a um homem diversas oportunidades para aprender e crescer como um instrutor. Sua habilidade deverá ser provada em uma jornada de ensino. Porém, no decorrer dessa jornada, é necessário que se averigue se o homem demonstra competência para interpretar um texto, planejar um sermão, comunicar claramente as ideias bíblicas, aplicar a Escritura adequadamente, saber antecipar objeções e conhecer as necessidades pastorais da igreja. Dada a centralidade do ensino, aqueles que avaliam não podem ser precipitados. Possibilidades há que, dentro de algum tempo, o homem desenvolva suas habilidades. Eu tive o privilégio de servir com dois presbíteros fiéis, mas que não eram muito bons para falar em público. Um gaguejava e o outro suava nervosamente. Mas, com o tempo, eles se tornaram dois dos melhores pregadores para os domingos à noite. Para se cultivar e afirmar essa habilidade, é preciso uma avaliação clara, honesta e

paciente.

3) O homem demonstra sensibilidade pastoral em seu ensino? As igrejas locais devem procurar homens que conheçam sua congregação e são habilitados para aplicar a Palavra ao povo de Deus. O presbítero em potencial demonstra discernimento a esse respeito? Tem competência para falar à congregação em suas dores, alegrias, necessidades, histórias e esperanças? Ele tende a alimentar ou a espancar as ovelhas? Se ele conhece a congregação, isso será visto na maneira com que ele cuida do povo, através dos seus ensinos. O apóstolo Paulo mesmo modelou isto, dizendo: “E sabeis, ainda, de que maneira, como pai a seus filhos, a cada um de vós, exortamos, aconselhamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória” (1 Tessalonicenses 2.1-12). Os presbíteros deverão demonstrar algo dessa afeição paternal, ao ensinar o povo de Deus.

4) O presbítero em potencial está comprometido com a pregação expositiva (ou com a filosofia de pregação da igreja local). Ele concorda com os presbíteros atuais sobre o que a pregação é, ou o que não é? Suporta a igreja, em sua filosofia e em sua abordagem do ensino? Crê que o ensino é central à obra da igreja, ou crê que outra coisa deveria ocupar preeminência? Opiniões com grande divergência neste assunto poderão causar sérias tensões para os presbíteros e para o pregador principal, em seus esforços para realizar com fidelidade as suas responsabilidades. Opiniões divergentes poderão, igualmente, afetar as ovelhas, quando os que ensinam, empregam no púlpito estratégias fundamentalmente diferentes. Os presbíteros determinam o caráter e a tonalidade do ministério de ensino. Assim sendo, é necessário que haja unidade em uma filosofia de ensino.

5) São, os demais, edificados por seu ensino? Se perguntarmos à congregação, ela afirmará que esse homem tem habilidades para ensinar e que se beneficia espiritualmente do seu ensino? Pergunte aos indivíduos como eles recebem e usam o ensino

do presbítero em consideração. Algumas vezes, podemos afirmar ou negar a habilidade de um homem, por considerar como os outros o avaliam.

6) É um homem que discipula a outros? Visto que nem todo ensino é público, nós devemos, de igual maneira, procurar aquelas áreas de ensino menores e menos públicas. O candidato a presbítero ajuda outros a crescerem em Cristo, em situações mais privadas, como pequenos grupos ou fazendo discipulado individual? É fiel em ajudar outros a resolverem dificuldades ou questões pessoais? Outros vêm a ele para pedir conselhos? E seus conselhos são consistentes e realmente bíblicos? Um homem poderá cumprir muito de um serviço pastoral nos corredores, no parque de estacionamento depois de um culto, ou em um café durante a semana. Quem são os homens que ensinam desta maneira?

7) O homem com vistas ao ofício de presbítero é teologicamente maduro e apoia as distinções teológicas da igreja? Um homem poderá ter um dom, mas este dom necessita estar conformado com o conteúdo apropriado. Há muitos que são hábeis para entusiasmar um povo emocionalmente, no entanto, não podem explicar as doutrinas básicas da fé detalhadamente. Existem pontos doutrinários em que ele discorda? Pode, de boa consciência, subscrever a declaração de fé, em sua inteireza? Seus ensinos devem refletir aquela declaração. Ele pode entender e apoiar as características teológicas da igreja, tais como o parecer sobre as ordenanças, distinção nas funções do homem e da mulher em casa e na igreja, e assim por diante? Para o bem da unidade da igreja, aqueles com autoridade para ensinar deverão estar habilitados a serem defensores das características doutrinárias da igreja. Martyn Lloyd-Jones nos presta grande ajuda ao indicar o que as igrejas devem esperar de um pregador – daquele que maneja as Escrituras:

O que você procura? Eles devem ser homens “cheios do Espírito”. Esta é a primeira e a maior qualificação. Você tem o direito de procurar nele um raro grau de

espiritualidade, e isto deverá vir em primeiro lugar, em vista de sua função. Você tem o direito de procurar um grau de segurança, com respeito ao seu conhecimento da Verdade e de seu relacionamento com ela. Fica certamente claro que, se ele é um homem que está continuamente lutando com seus problemas, dificuldades e perplexidades próprias e tratando de encontrar a Verdade ou se ele é tão incerto, que está sempre sendo influenciado pelo último livro que leu, e “é levado por todo vento de doutrina” e por toda novidade teológica, é claro que ele, ipso facto, é um homem que não foi chamado para o ministério. Um homem que trás grandes problemas e vive num estado de perplexidade é, sem dúvida, um homem que não está preparado para pregar, porque ele estará pregando a um povo com problemas e sua primeira obrigação é a de ajudá-lo a lidar com seus problemas. “Como poderá um cego guiar outro cego?” – foi a pergunta do Senhor, em tal situação. Um pregador, então, precisa ser um homem caracterizado por um raro grau de espiritualidade e ser um homem que já tem chegado a um consenso seguro do conhecimento e entendimento da Verdade e sente que está apto para pregar a outros. 24

8) Ele pode defender sua fé?

A capacidade para defender sua fé é outro dos aspectos importantes

da habilidade para ensinar. “

a doutrina, de modo que tenha poder, tanto para exortar pelo reto

ensino, como para convencer os que o contradizem” (Tito 1.9). Os pastores e as igrejas devem considerar se o presbítero em potencial demonstra habilidade para corrigir o erro e preservar a verdade, sem ser argumentativo e indelicado, mas paciente e gentil.

à palavra fiel, que é segundo

Apegado

9) É um homem predisposto a ser ensinado? O candidato ao ofício de presbítero mostra-se à congregação como um homem que, humilde e alegremente, recebe a Palavra com aproveitamento? Um homem que pode ser ensinado está, em si mesmo, ensinando. O ato modela humildade diante dos outros. Se um pastor não está inclinado a ser ensinado por seus colegas de ministério e a submeter-se aos demais presbíteros e pastores, ele criará tensão dentro do ofício e estará moldando endurecimento de coração nas ovelhas. Ou, pior, pode ser mais um ditador que instrutor, em seu interagir com as ovelhas.

CONCLUSÃO

Como pastores e como igreja, precisamos encontrar homens com os quais possamos contar e confiar-lhes aquelas coisas que nós mesmos temos aprendido de homens fiéis. A fim de que a transmissão da

verdade possa ser bem feita, os homens que indicamos para a liderança devem ser aptos para ensinar, numa diversidade de maneiras e de situações. Chamar para servir como presbítero um homem que não saiba ensinar é como canalizar o leite puro da Palavra através de canos corroídos e enferrujados. A Palavra continua sendo leite mas, por quanto tempo? E quem vai querer tomar leite de um cano enferrujado?

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SÓBRIO, GENTIL, PACIFICADOR

“ não

dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas” (1 Timóteo 3.3)

M eu avô, assim como meus irmãos, foram alcoólatras. Meu avô bebia em farras. Costumava permanecer sóbrio por diversos meses, para então tornar a cair em seu vício, explodindo em abusos verbais e, algumas vezes, em atitudes violentas. Em seus tempos de sobriedade, professava ser um cristão. Mas, quando estava intoxicado, não se podia argumentar com ele sobre a Escritura ou falar sobre Cristo. Já em seus últimos anos, com sua saúde em declínio, ele deixou de beber e veio a ser uma das minhas pessoas favoritas. Seu riso alegre fazia com que seus ombros sacudissem e sua cabeça caísse para trás. Quando alguma coisa lhe parecia particularmente doce, ele deixava sair um exuberante e caloroso, “Siiiim, ó Senhor”. Meus irmãos também eram homens de farras. Suas bebedeiras tinham a tendência de ser ainda mais longas que as do meu avô. E, assim como meu avô, perdiam toda capacidade social quando bebiam. Perderam seus trabalhos, seus amigos e suas famílias. Portanto, você não se surpreenderá ao ouvir que eu não tenho nenhuma objeção às instruções do apóstolo Paulo, em 1 Timóteo 3.3:

um presbítero, ou um pastor, deve ser “não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas”. Bebedeira, violência e contendas, provavelmente foram postas juntas na lista de Paulo

porque, com frequência, elas sempre se manifestam unidas. Onde você encontra uma, encontra também as outras duas. Ainda que eu ame meu avô e meus irmãos, eles não seriam candidatos à liderança de minha igreja.

AS QUALIFICAÇÕES

Os versos 2 e 3 de 1 Timóteo 3, parecem estar juntos, como uma foto e seu negativo. No verso 2, Paulo lista qualidades positivas:

irrepreensível, temperante, sóbrio. No verso 3, ele encerra três características negativas: não dado ao vinho (ou embriaguez), violência e inimigo de contendas (ou, como se lê noutra tradução briguento). As qualidades do verso 2, quando presentes, qualificam um homem para o ofício. As características do verso 3, o desqualificam. Não “ser dado ao vinho”, ou, “não dado à embriaguez”, sugerem a tendência de tomar bebidas intoxicantes em excesso, até perder a faculdade de uma mente sóbria. É Calvino quem explica que “embriagar-se” inclui “qualquer intemperança em uma atitude gulosa com o vinho (ou bebida alcoólica)”. 25 A violência, usualmente, segue a intoxicação. Uma disposição briguenta e violenta não se harmoniza com um pastor. Ele não pode ser um agressor. Em vez disso, suas maneiras são controladas pela gentileza. Finalmente, um presbítero não pode ser um briguento. Não deve ser argumentativo ou causar divisão. Paulo escreveu as mesmas instruções, em sua segunda carta a Timóteo:

“E repele as questões insensatas e absurdas, pois sabes que só engendram contendas. Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender; e, sim, deve ser brando para com todos, apto para instruir, paciente, disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua vontade” (2 Timóteo 2.23-26).

Longe de ser um briguento, o pastor evita discussões, pacientemente instrui e reconhece que as disputas na igreja são sintomas de necessidades espirituais profundas (Tiago 4.1-3). Paciência, gentileza e instrução são as regras do dia. O ensino não

pode ser confundido com a ridicularização de qualquer pessoa que tenha uma opinião diferente. Quão frequentemente os pastores se veem envolvidos com ideias bobas e loucas? A igreja precisa de homens capazes de enxergar através das armadilhas demoníacas e dar ao povo um modelo de sobriedade e paz.

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES

1) O homem é um presbítero dado à embriaguez? Toma bebidas alcoólicas e, se toma, o faz com a apropriada sobriedade? Seja em sua casa ou na comunidade, algumas vezes, toma até ao ponto de intoxicação? Está escravizado por outros tipos de intoxicantes?

2) Procure homens que demonstrem a habilidade de discernir biblicamente entre os assuntos relevantes da fé e as “questões insensatas e absurdas” (2 Timóteo 2.23). Podemos observar estas coisas em seus ensinos, quando lhes é dada a oportunidade para ensinar? Aproveita-se do ensino público para introduzir as pessoas a opiniões duvidosas ou especulativas e a ideias extravagantes (Romanos 14.1)? Ou, ao contrário, demonstra um juízo maduro e sadio que enfatiza a verdade de Deus? São todas as coisas para ele uma questão de consciência – um lugar seguro para se estabelecer – ou ele pode passar por cima das questões de menor importância? Pode-se notar esta habilidade em suas conversas com as ovelhas ou tem por hábito forçar as pessoas ao molde “correto” em todas as questões, mesmo naquelas sem muita importância?

3) Em meio a um conflito, ele se porta gentilmente? Às vezes, os conflitos numa igreja se tornam a pressão que refina os diamantes. Talvez tenha havido situações difíceis na igreja, em passado recente ou em tempos atuais. Quem demonstrou a habilidade de 2 Timóteo 2.24, para evitar disputas néscias? Quem respondeu com amabilidade e evitou a retaliação e a ofensa contra os “oponentes”? Você pode identificar aqueles que fizeram face aos ataques e argumentos, mantendo a esperança de que Deus

concederia graça e arrependimento àqueles que estão no erro? Tais homens mantêm uma perspectiva espiritual e eterna, em vez de entregarem-se aos argumentos e às pelejas.

4) Além de evitar pelejas, o candidato a presbítero é um pacificador? Faz tudo, dentro do seu poder, para manter a unidade na igreja (Romanos 15.5; Efésios 4.3; Colossenses 3.15)? Evitar um conflito poderá ser nada mais do que isso mesmo – evitar um conflito. Mas, um agente de paz e reconciliação faz algo mais - e um presbítero precisa ser exatamente assim. Pacificação é um ministério entregue a todos os cristãos, mas um presbítero precisa assentar um exemplo de

positiva edificação de unidade e paz. 26 Uma coisa é estar por fora de um conflito, mas outra é ser paciente e, gentilmente, ensinar outros

a abandonarem suas armas e juntarem seus esforços. Um homem assim seria um bom presbítero.

5) O candidato a presbítero é um abusador físico de sua esposa, de seus filhos ou de qualquer outra pessoa? Ele não pode ser um agressor. Se a disciplina de seus filhos inclui correção física, a raiva, o zelo, ou a frustração são os combustíveis que causam a disciplina? Ou diriam sua esposa e seus filhos que ele oferece uma disciplina sóbria e apropriada, e que honra a Deus? Há algum histórico de abuso matrimonial? Os pastores no ministério corrente de uma igreja seriam sábios em investigar todo histórico de abuso, antigo ou recente, antes ou depois da conversão à fé em Cristo, e determinar se existem demonstrações de arrependimento e de responsabilidade. Um homem dado à violência em sua casa obviamente não governa bem sua família.

CONCLUSÃO

O apóstolo Paulo antecipou épocas de crescente dificuldade no

ministério do evangelho. “Pois haverá tempo em que não suportarão

a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as

suas próprias cobiças, como sentindo coceiras nos ouvidos; e se

recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se a fábulas”. Para tempos como esses, o apóstolo chama por pastores sóbrios, gentis, e pacificadores. “Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério” (2 Timóteo 4.5). Homens de tal calibre são bênçãos a qualquer igreja.

15

NÃO AMANTES DO DINHEIRO

“É necessário, portanto, que o presbítero seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento.” (1 Timóteo 3.2-3)

A s instruções de Paulo a Timóteo, para encontrarmos presbíteros qualificados, faz-me lembrar de um clássico de O’Jays*, “For the Love of Money”. Aqui, alguns dos versos, para aqueles que não conhecem sua música:

Por amor ao dinheiro Há quem roube de sua própria mãe Por amor ao dinheiro Há quem roube de seu próprio irmão Por amor ao dinheiro Há quem até vagueie pelas ruas, sem saber a quem roubar Por aquela malvada, mesquinha cédula O todopoderoso dólar, o dinheiro Por amor ao dinheiro Há quem minta – Senhor – trapaceiam Por amor ao dinheiro As pessoas não se importam se machucam, se ferem Por amor ao dinheiro Uma mulher vende seu precioso corpo

Uma pequena folha de papel, carrega em si tanto peso Por aquela malvada, mesquinha cédula O todopoderoso dólar, o dinheiro

Talvez uma das maiores críticas que fazem acerca de pastores ou de igrejas é que “tudo o que eles querem, é dinheiro”. E, sejamos honestos: com esse contínuo tilintar de moedas, nas promessas ofensivas de compensações e bençãos materiais, que enchem o ar em algumas estações de televisão, podemos entender porque muitos temem esse assunto. Os Daddy Graces, Kennet Copelands e Edir Macedos do mundo, têm criado uma verdadeira controvérsia. E muito antes dos televangelistas de nossos dias, estavam no cenário os papas, com seus subalternos vendendo indulgências para poderem financiar o seu bom gosto nas artes de alta qualidade, e nas suas cada vez mais imponentes catedrais. Contra tudo isto, o apóstolo Paulo instrui a Timóteo a buscar homens que não sejam amantes do dinheiro, ou, como diz outra tradução, “avarentos por lucro sujo”. E esta última expressão está bem perto das palavras compostas usadas pelo apóstolo. Paulo tem em mente algo que é indecente, um ganho desonroso, ganho ao custo de um caráter moral. Interessantemente, o Novo Testamento usa esse termo somente em 1 Timóteo 3.3, 8 e em Tito 1.7, onde Paulo descreve as qualificações exigidas de um presbítero ou de um diácono. Assim, parece que Deus tem uma preocupação única com a atitude de um presbítero no que concerne ao dinheiro; que ele não venha e, por amor ao dinheiro, tosqueie as ovelhas por alguns centavos a mais. Um presbítero em potencial deve ser uma pessoa que renuncie a avareza ou o amor ao dinheiro.

UMA AMOSTRA DE JOHN WESLEY

Nestes dias de megaigrejas e de celebridades cristãs que se gabam de suas multimilionárias mansões e fortunas, a igreja, desesperadamente precisa de exemplos contraculturais. Muitas pessoas creem que o seu estilo de vida deve igualar-se com suas receitas e que suas receitas devem sempre estar crescendo, para que

seus estilos de vida possam expandir, aumentar. John Wesley (1703- 1791), porém, pensou de uma maneira diferente. Ele viveu uma vida de tal modéstia, que seu modelo deveria ser estudado por todos os candidatos ao ofício de presbítero. Charles White nos conta de um incidente que veio a moldar a atitude de Wesley, com respeito à sua abordagem quanto ao dinheiro:

(Wesley) havia terminado sua compra de alguns quadros para o seu quarto, quando uma de suas camareiras entrou. Era um dia de inverno e ele notou que ela tinha apenas um xale fino para proteger-se do frio. Ele meteu sua mão no bolso para tirar algum dinheiro e lhe dar para que comprasse um casaco, mas descobriu que muito pouco lhe havia sobrado. Foi, então, acometido com o sentimento de que o Senhor não estava satisfeito com a maneira com que ele estava gastando seu dinheiro, e perguntou-se: “Como irá meu Senhor dizer ‘muito bem, servo bom e fiel’? Tens adornado tuas paredes com o dinheiro que poderia abrigar essa pobre criatura do frio! Ó, justiça! Ó, misericórdia! Não são estes quadros o sangue dessa servente?”. Como resultado desse incidente, em 1731, Wesley começou a limitar os seus gastos, a fim de ter mais dinheiro para dar aos pobres. Ele anotou que em um ano o seu ganho total era de £30, e suas despesas para sobrevivência foram £28, então tinha £2 para distribuir. No ano seguinte, seus ganhos dobraram, mas ele ainda vivia com £28, e doou £32. No terceiro ano, sua receita saltou para £90, mas ele ainda vivia com as mesmas £28, e ele pode doar £62 para os pobres. Wesley ensinou que os cristãos não deveriam somente dizimar, mas distribuir todo ganho extra, uma vez que a família e os credores haviam sido cuidados. Ele cria que, com o aumento de ganhos, o cristão deveria igualmente aumentar seu sistema de doação e não aumentar seu sistema de vida. Wesley começou esta prática quando em Oxford e a manteve pelo resto de sua vida. Mesmo quando o seu ganho multiplicou- se em milhares de libras esterlinas, ele viveu com simplicidade e rapidamente doou o restante. Houve um ano em que seus salários subiram a um pouco mais de £ 1.400 e ele doou quase tudo, menos £30. Tinha medo de amontoar tesouro na terra, por isso, seu dinheiro era enviado para obras de caridade assim que o recebia. Ele disse que nunca teve mais que £100 de uma só vez. Quando Wesley morreu, em 1791, o único dinheiro mencionado em seu testamento era um punhado de moedas, encontradas em seus bolsos e nas gavetas. A maior parte de suas £ 30.000, que ganhou durante sua vida, havia sido doada. Dizia ele: “Não posso fazer nada, quanto ao deixar meus livros para trás, quando o Senhor me chamar definitivamente; mas, em todo outro aspecto, minhas próprias mãos serão meu testamenteiro”. 27

Randy Alcorn aponta para o fato de que a renda de Wesley, em dólares hoje, seria de US$160.000 por ano. No entretanto, ele vivia com apenas US$20.000. Nem todos nós viveremos uma vida tão generosa como esse homem viveu, porém, a atitude de um presbítero, no que concerne ao dinheiro e posses, deveria pender

para o estilo de vida de Wesley, em vez do estilo de vida opulento de tantos pregadores da prosperidade.

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES

1) O candidato ao ofício de presbítero dá generosa e sacrificialmente? Dar é um sinal de estar libertado do amor ao dinheiro e ganhos financeiros. Devemos entesourar para nós mesmos tesouros nos céus, não na terra, para que sirvamos ao Senhor e não ao dinheiro (Mateus 6.19-24). Nosso apreço a Cristo e às coisas do seu reino resulta em doar generosamente, sacrificialmente, alegremente. Quando estamos considerando um homem para ser presbítero, temos de considerar se ele é generoso no seu ofertar ao trabalho da igreja (o que bem poderá mostrar a medida do seu compromisso com

a igreja). Ele dá para atender as necessidades de outros, conforme as oportunidades permitem, ou é um acumulador para si mesmo?

2) São os seus investimentos feitos com uma mentalidade terrena, ou com uma mentalidade celestial?

É certo que um homem deverá prover as necessidades de sua família

(1 Timóteo 5.8), mas são os seus investimentos feitos com excesso e com amor aos excessos? Estira-se financeiramente a extremos? Quais os débitos nos quais incorre (débitos de consumo ou outros, como hipotecas)? Ele compra carros de luxo, quando existem outras opções para carros de modelos mais modestos? Gosta de ter casas grandes e dispendiosas, quando uma mais modesta poderia atender às suas necessidades? São suas economias desproporcionais às suas ofertas? Além das questões sobre carros e casas, ele responde à maneira do moço rico da parábola, sobre a sugestão de dar tudo aos pobres e seguir a Cristo? Ao falar sobre essas coisas, a liderança atual da igreja pode discernir se o candidato tem um coração apegado às coisas deste mundo? Ou existe excelência na graça de dar (2 Coríntio

8.7)?

3) Qual é a filosofia do candidato sobre o ganho nesta vida?

Qual sua medida de sucesso? Muito do pensamento secular do Ocidente é: “Colha tudo o que pode, ponha no pote tudo o que você colhe, então, sente-se no pote”. Ou, talvez, você já tenha ouvido uma versão mais mercenária da regra de ouro: “Aquele que tem mais ouro, governa”. O candidato tem este tipo de visão? Mede o seu sucesso na forma com que ajunta dinheiro? Sua identidade está construída sobre possessões e riquezas? Contraste tudo isso com as instruções de Paulo a Timóteo, dadas um pouco mais adiante, em sua carta: “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1 Timóteo 6.6-8). A máxima atribuída a João Wesley deveria ser, igualmente, a atitude apropriada de um presbítero: “Ganhe o quanto você possa ganhar, economize o quanto você possa economizar, dê o quanto você possa dar”.

4) Considere as decisões pessoais e profissionais do candidato em questão, se elas são calculadas a buscar maior ganho. Ele organiza sua vida ao redor de ganho monetário, ou ao redor de objetivos do Reino? “Ora, os que querem ficar ricos caem em tentação e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e na perdição. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé, e a si mesmos se atormentaram com muitas dores” (1 Coríntios 6.9-10). O amor ao dinheiro se manifesta em pequenas decisões e esquemas, levando a tentações, ruína e destruição. É o homem dado ao trabalho excessivo, em sua busca de ganho, enquanto sua família e sua vida espiritual sofrem? Costuma torcer a Palavra de Deus para justificar a sua busca de riquezas? Toma decisões profissionais e familiares (como aceitar uma promoção e mudar-se para outra área distante) para buscar ganhos pessoais, ao custo de um envolvimento fiel na igreja, ou terá se negado, em certas oportunidades, com o propósito de priorizar objetivos espirituais?

5) Qual sua atitude sobre as finanças da igreja?

Existem maneiras de saber e pensar que afetam a visão de determinadas pessoas, quanto ao emprego das finanças de uma igreja. Poderá acontecer que o homem deseje amontoar o caixa da igreja com dinheiro vivo. Poderá ser um que, quando pense em local, visione mais o valor deste do que como o local afetará um testemunho efetivo da igreja. Poderá argumentar quanto ao aumento do orçamento da igreja, porque está mais interessado em que a igreja ajunte dinheiro do que invista em ministérios sólidos. Em geral, é bom que se considere o tratamento que o candidato dá ao orçamento da igreja. Sua abordagem é feita com fé ou com dependência na sabedoria secular? Depende apenas daquilo que se vê, ou busca a Deus e confia no povo de Deus, para dar além de si mesmo (2 Coríntios 8.1-5)? “Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos” (2 Coríntios 8.9).

6) O candidato demonstra mais estima pelo dinheiro do que pelas pessoas? Se ele tivesse de tomar a decisão entre salvar pessoas (ainda que a grande custo) ou proteger a igreja financeiramente, o que escolheria? É um tipo de homem que preferiria, antes, estar financeiramente quebrado e servir ao pobre, do que ser abastado e rodeado por pessoas famintas?

CONCLUSÃO

Por muito tempo eu resisti ao impulso do ministério do Evangelho porque eu não queria ver-me de maneira nenhuma associado com os vigaristas que aparecem nas televisões. Pensava: “Senhor, dá com que eu possa ser qualquer outra coisa, menos um pregador. A maioria deles parece estar preocupada com nada mais que dinheiro”. Bem, o Senhor faria as coisas à sua maneira – aparentemente, também com uma boa risada. Agora sirvo como pastor num dos setores de maior atividade bancária do mundo, com tentações e mundanismo a todo nosso redor! O O’Jays me faz orar como eles o fazem, em seu estribilho:

Não deixe, não deixe, não deixe o dinheiro te governar Pelo amor do dinheiro Algumas vezes, o dinheiro pode as pessoas mudar Não deixe, não deixe, não deixe o dinheiro te enganar Algumas vezes, o dinheiro pode às pessoas enganar Gente, não deixe o dinheiro, não deixe o dinheiro vos mudar.

A boa nova é que o Senhor nos dá maiores amores que o dinheiro que, criando asas, voa e foge (Provérbios 23.5). Ele nos dá grandes deleites em Cristo que é o maior dos deleites. Que privilégio, pela riqueza da graça de Deus, poder pregar a Cristo a um mundo dominado pelo amor ao dinheiro. Possa o Senhor fazer-nos a todos fiéis, e nos manter livres da avareza. E possa ele dar à sua igreja homens que saibam desdenhar as bobagens deste mundo e servir ao Mestre, não a Mamon.

* Nota do tradutor: um grupo norte americano de música R&B, de Canton, Ohio

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UM LÍDER EM SEU LAR

e

que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com

todo o respeito (pois se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?)” (1 Timóteo 3.4-5)

A igreja é uma família, um grupo de irmãos e irmãs em Cristo, submissa a Deus o Pai por obra do Espírito Santo. Toda família requer uma liderança; inclusive a família da igreja. O apóstolo Paulo, sob a influência do Espírito Santo, adiciona aqui

outra qualificação para aqueles que desejam o ofício de presbítero na

família do Senhor. Ele escreve: “é necessário

própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito (pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?” (1 Timóteo 3.4-5). Note-se a urgência e a insistência dessas qualificações. Paulo insiste em que um presbítero deverá ter todas as qualidades que já temos discutido, mas, aqui neste texto, existe uma paixão mais forte infundida em suas palavras. Um canditado ao ofício de presbítero tem de, necessariamente, possuir essas qualidades. Um homem não pode ser qualificado como um presbítero se ele não governar sua casa consistentemente bem. É um pré-requisito. Não é algo que se possa aprender durante a execução do ofício, mas é uma qualificação mínima, necessária até para se submeter uma aplicação ao ofício. Se ele não puder governar sua pequena família, tampouco poderá governar a maior família, a igreja. Deus chama um presbítero para nada menos que atender à casa e família de Deus.

que governe bem a

As mulheres têm uma fama um tanto injustas, algumas vezes, levando sobre si o estereótipo de fofoqueiras e mexeriqueiras, intrometendo-se na vida dos outros. Mas, aqui, Paulo adverte o homem que porventura esteja muito ocupado em preocupar-se com os cuidados da igreja, e mui pouco preocupado com as coisas que acontecem sob o seu próprio teto. Faz-nos lembrar de Eli que, em seu engano, precipitadamente repreende a Ana quando esta orava no templo enquanto ele mesmo abdicava de sua responsabilidade por seus dois filhos (1 Samuel 1-2). Um presbítero atende às necessidades do lar.

LIDERANÇA E AMOR

A palavra “governar”, no verso 5, é a mesma usada para o bom samaritano, que arriscou-se ao colocar bandagens e cuidar do viajante ferido (Lucas 10.25-37). O homem samaritano respondeu à

necessidade do viajante, cuidando dos seus ferimentos com atenção

e carinho – precisamente como um cristão, com a perspectiva de ser

um presbítero, será chamado para atuar na igreja. Os presbíteros supervisionam e orientam os membros da família. 28 Se um presbítero supervisiona, porém falha em prover orientação, possivelmente será porque, ou é um tirano, ou um dono de casa ausente. E ambas as atitudes não se prestam para um pai, nem tampouco para um presbítero. E se ele apenas orientar, mas deixar de supervisionar, ele não estará sendo mais do que um policial que finge não ver a infração, ou nada mais do que um simples colega para

seus filhos – não poderá guiar apropriadamente. Ele terá de governar

a casa com gentileza e preocupar-se por cada um dos membros da

família. O apóstolo e seus companheiros contrabalancearam estes dois aspectos em seus próprios governos sobre as igrejas. Paulo

escreveu:

tornamos carinhosos entre vós, qual ama que acaricia seus próprios filhos;

assim, querendo-vos muito, estávamos prontos para oferecer-vos não somente o evangelho de Deus, mas, igualmente, a própria vida; por isto que vos tornastes muito amados de nós. E sabeis, ainda, de que maneira, como pai a seus filhos, a cada um de vós, exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus, que vos chama para o seu reino e glória” (1 Tessalonicenses 2.7-8, 11-12).

nos

Imediatamente, nos diz o apóstolo o que um bom governo implica – “criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito” (v. 4). O apóstolo já havia falado sobre o fato de que o presbítero em perspectiva precisa ser marido de uma só mulher, indicando a singularidade do coração que um presbítero casado deverá ter por sua esposa. Aqui, porém, Paulo se preocupa com o relacionamento que um pai deve ter com seus filhos. A palavra “respeito” poderá aplicar-se tanto ao pai como aos filhos, em sua submissão e obediência. E, claro, esperamos as duas coisas de um presbítero qualificado. Um homem assim merece respeito e isto se mostra em como seus filhos devem seguir sua liderança. Ele é uma pessoa digna de respeito ou que denota reverência. Numa outra tradução, leríamos: “Veja que seus filhos o obedecem com o próprio respeito”.

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES

1) O candidato ao ofício de presbítero dá a devida atenção ao seu lar? Provê liderança? O que diz sua esposa, quanto ao envolvimento dele no lar? O recomenda, ou trata de justificar a sua falta de envolvimento? A supervisão de um lar poderá ser medida de diversas maneiras: por conhecer e atender as finanças da família, pelo lidar com as decisões concernentes à educação das crianças, pelo cuidado e manutenção física da própria casa.

2) O presbítero em perspectiva tem cuidado de seus filhos? O presbítero demonstra igual cuidado para com cada um de seus filhos? Um presbítero será frequentemente chamado para atender aos membros do rebanho. Este foi o modelo apostólico (1 Tessalonicenses 2.11-12). A igreja deverá observar o mesmo padrão num presbítero em perspectiva, com relação aos seus filhos individualmente.

3) Os filhos se submetem a seu pai? São eles obedientes? Há evidência de que eles o respeitam e têm-lhe em alta consideração? Ou o relacionamento é caracterizado com

animosidade e rebeldia? Sem dúvida, os particulares de uma situação

devem ser considerados. Poderá ser que o filho está espiritualmente perdido e lutando com suas dificuldades, porém, ainda é respeitoso

ao seu pai. A exortação de Paulo não apela para um lar perfeito, nem

para filhos perfeitos – nenhuma das duas coisas existe. Então, o sábio é ver se o pai está governando sua casa bem, em meio a circunstâncias adversas. Os seus filhos manifestam o respeito devido, apesar dos desafios? Dentro de uma idade razoável, os seus filhos se comportam de uma forma fiel às instruções cristãs (Tito

1.6)?

4) Os filhos concordam com que seu pai esteja qualificado para servir como um presbítero? Idade e entendimento aplica-se aqui, mas, se os filhos têm idade suficiente para entender a decisão que está para ser tomada, é de muito valor que se considere se eles apoiariam seu pai como uma pessoa digna do ofício. Com que razões eles poderiam afirmar ou negar a qualificação de seu pai? Sensibilidade é necessária, mas aquilo que nossos filhos veem em nós poderá, da mesma forma, vir a ser como a igreja também nos vê. A diferença é que nossos filhos tendem a notar certas coisas em nós de primeira mão - quando não estamos vestindo nossa imagem pública.

5) Tanto para homens solteiros, como para casados que não têm filhos, é importante saber quais suas atitudes para com as crianças e o que pensam sobre a criação de filhos.

O homem se opõe a ter filhos, ou está postergando ter filhos (se

casado) por certo período de tempo? Nesse caso, podem existir certas tendências egoístas que governam sua vida. Para um homem solteiro, seria bom considerar se ele já teve outras oportunidades para pastorear crianças, que venham a servir como um exemplo substitutivo para a questão. Ele se oferece como voluntário para ministérios ou programas da comunidade que visam servir jovens? Ele tem sobrinhos e sobrinhas? Demonstra voluntariedade para cuidar das crianças de outras famílias na igreja? Se o faz, como lhe respondem, ou reagem as crianças nesses programas e como ele se

preocupa com elas? Seus relacionamentos, em seu lugar de trabalho, também podem fornecer respostas para o assunto em pauta.

CONCLUSÃO

O Senhor requer que as igrejas sejam governadas por homens que

saibam supervisionar e orientar seus filhos. Em grande parte, essa é

a tarefa de um ministério pastoral. Onde encontraremos esses

homens? Onde melhor que em suas casas, cuidando dos seus assuntos? Que possa o Senhor agradar-se em levantar homens fiéis em seus lares e capacitados para essa nobre tarefa.

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MADURO E HUMILDE

“não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo” (1 Timóteo 3.6)

V ocê já ouviu a frase “o zelo de um novo convertido”? Usa-se essa frase para descrever alguém que está fervendo com entusiasmo, em vista de sua fé e comprometimento recém encontrados. É um pouco clichê, mas a frase sem dúvida ajuda a descrever muitos novos crentes. Com pouco tempo de conversão, o crente tende a ter um alto nível de energia e entusiasmo. Seus olhos brilham e se faz evidente seu estado de exaltação da alma. Pode-se dizer que é algo lindo de se contemplar. Claro, seu zelo nem sempre se equipara à sua sabedoria. Por essa razão, o Senhor insiste que qualquer pastor que lidera sua igreja: “não seja neófito” ou que acabou de ser convertido, “para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo” (1 Timóteo 3.6). O apóstolo aqui nos fornece com ambos, a qualificação e a razão.

A QUALIFICAÇÃO

Ele não pode ser um “neófito”. Não pode ser um crente novo. Literalmente, não pode ser “recentemente plantado” na fé. Como o tenro broto de uma planta, um novo convertido não terá a capacidade para aguentar o contínuo, difícil e pesado caminhar do ministério. Sua fé não pode ser nova, mas de idade, como uma árvore de anos, que produz frutos maduros.

Os novos crentes se assemelham às crianças. Sua nova vida encoraja e anima, mas, simultaneamente, devemos reconhecer que a nova vida ainda é vulnerável. Os crentes novos necessitam de instruções, de serem moldados e cuidados. E, uma vez que eles mesmos são os que precisam de tais cuidados, lhes falta a

maturidade para que possam prover o cuidado aos outros, num nível pastoral.

O Senhor foi muito bom em explicar isso, em sua Palavra, e a igreja

faz muito bem em ouvi-lo. A tendência em algumas igrejas – particularmente aquelas ansiosas por ligar as pessoas a determinados serviços – é a de apertar novos convertidos a aceitarem aqueles cargos pelos quais o novo crente já demonstrou algum impulso de interesse. Mas as igrejas não deveriam colocar um homem em uma posição que está além de suas possibilidades. Outra vez, as igrejas não devem desejar privar um homem do cuidado e da instrução que necessita. Por exemplo, a igreja deveria estar segura que o homem tenha facilidade nas coisas básicas da fé, antes de pedir

que ensine até mesmo às crianças. 29

O potencial presbítero não deve ser um novo convertido na fé. Um

novo convertido tem, ainda, muito por aprender, aplicar, dominar em sua própria vida (Romanos 12.1-2), antes que comece a discipular e a pastorear outros dessa maneira. Paulo não nos dá uma idade específica ou a extensão do tempo que possa demonstrar maturidade. Todos conhecemos cristãos que estão na fé por décadas, mas ainda lhes falta a maturidade espiritual que se requer para ser um presbítero. E, inversamente, nós, provavelmente, já conhecemos um número de pessoas que parecem já haverem nascido espiritualmente velhas e evidenciam uma maturidade notável para sua idade cristã. Um discernimento paciente é necessário. O que desejamos encontrar, com o passar do tempo, é uma maturidade consistente em vida e em pensamento.

A RAZÃO

As igrejas devem buscar maturidade espiritual, por causa do particular perigo associado com a imaturidade. Um homem imaturo

pode “suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo”. Orgulho e condenação demoníaca, dois grandes inimigos que ameaçam o novato. O orgulho faz com que nos vejamos mais elevados que outros. Isso afeta a maneira como tratamos as ovelhas, tentando-nos, talvez, a tratá-las com rispidez. E também nos faz indispostos de seguir outros líderes. Por último, um homem orgulhoso torna-se vulnerável a cair no ofício, levando-o à “condenação do diabo”. A “condenação do diabo” poderá referir-se tanto a: (a) o mesmo julgamento que o diabo recebeu por seu orgulho, (b) a calúnia e a acusação do diabo, que se deleita em acusar os crentes. De uma maneira ou de outra, convidar um neófito para o ofício de

presbítero é convidá-lo para um ataque do orgulho, em seu coração, e

de julgamento, que lhe vem do lado de fora.

Calvino resume a questão muito bem: “Neófitos têm, não somente um fervor impetuoso e uma ousadia audaciosa, mas também se enfatuam com uma confiança tola, como se pudessem voar até às nuvens. Consequentemente, não é sem razão que estão excluídos do pastorado até que, no processo do tempo, seu temperamento

orgulhoso seja conquistado.” 30

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES

O orgulho veste-se com muitas máscaras. É um monstro horrível.

Assim que, para se diagnosticar o orgulho e a imaturidade, necessita-

se de muita paciência.

1) Quando este homem foi convertido? É um novo crente? Se o homem for um novo cristão, ele não está qualificado para o posto. Poderá ser um homem com grande zelo e com desejo de servir, mas o melhor será discipulá-lo e treiná-lo para uma vida piedosa. Adie considerá-lo para ser um presbítero.

2) Se o homem foi convertido há algum tempo, quão espiritualmente maduro ele é? Por maturidade espiritual, não podemos pensar em termos de idade

ou de tempo de conversão como um crente. Quão evidente é sua conformação com a imagem de Cristo (Filipenses 2.5-11)? Evidencia uma vida cheia do Espírito, produzindo o fruto do Espírito (Gálatas

5.22-26)? Ele responde às diversas situações com bondade, paciência

e compaixão? Ou é um jovem com uma maturidade que ultrapassa sua idade? Tal homem deveria ser considerado tanto quanto demonstre essa maturidade.

3) Até que ponto este homem é dado ao orgulho? Ele expressa estar consciente deste orgulho? Parece cego à sua presunção? Ou luta contra o orgulho como um cristão, abrindo sua vida para outros e submetendo-se a eles? Existe alguma evidência de que o ofício de presbítero lhe poderia tentar à arrogância e a exaltar- se sobre outros? Considere a liderança do homem em outras situações. Mostrou-se orgulhoso naquelas situações? Seus superiores ou seus colegas de trabalho o têm como uma pessoa humilde ou como alguém que é cheio de si?

4) Uma maneira de medir o orgulho é observar se há certa superconfiança em face dos perigos e das tentações espirituais Quando avisado sobre as acusações e tentações do inimigo contra os presbíteros, ele demonstra uma santa preocupação ou demasiada segurança em suas próprias forças e habilidades? Ou se sente preso a um sentimento de incapacidade (2 Coríntios 2.16) e da necessidade da proteção espiritual de Deus? Um homem que esteja cego às suas necessidades de proteção espiritual e que não vigia cuidadosamente sobre sua vida, em breve encontrar-se-á com um coração indiferente e vulnerável aos ataques do inimigo.

5) O candidato ao ofício de presbítero é sensível às críticas? Sem dúvida, nem todas as críticas que as pessoas recebem são acuradas e válidas. Mas, como vamos saber se as críticas são válidas

ou injustas, se nos recusarmos a considerá-las? O possível presbítero

é sempre pronto para defender-se, quando criticado? Ele interpreta todo desacordo como se fosse oposição? O orgulho, às vezes, se manifesta nas pessoas em forma de uma atitude de “intocável”

diante das críticas, avaliações e observações que outros fazem. Mas, um homem com atitude de oração, humilde, pobre-de-espírito, recebe os comentários como uma oportunidade para reflexão e crescimento.

6) Pergunte ao candidato e a outros se ele é capaz de se submeter a outras pessoas (principalmente aos outros presbíteros), ainda quando difiram em opiniões. Ele pode submeter-se a outros, quando estes não concordam com ele? Uma parte crucial, nas tarefas de um presbítero, é saber como submeter-se a outros biblicamente qualificados, como homens de dons e talentos, cheios do Espírito e que, de vez em quando, veem as coisas de modos diferentes. É um orgulho pensar que os demais presbíteros devam submeter-se a você. Em se tratando de um assunto em particular, é bom que se pergunte a um possível presbítero se ele acha que os demais presbíteros existentes estão devidamente qualificados para o ofício. Se ele não o crê, será muito difícil que se submeta e apoie seus ministérios.

CONCLUSÃO

Na procura de homens de confiança, não podemos minimizar a importância da maturidade espiritual e da humildade. Maturidade e humildade são de imenso valor para proteger a igreja e os presbíteros das artimanhas e esquemas de Satanás.

18

RESPEITADO PELOS DE FORA

“Pelo contrário, é necessário que ele tenha um bom testemunho dos de fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo.” (1 Timóteo 3.7)

Q ual você supõe ser a crítica mais frequentemente lançada contra a igreja local e contra os cristãos em geral? Considere estes que são mais comuns:

A igreja não está fazendo o suficiente para tratar os problemas

A

igreja não está fazendo o suficiente para tratar os problemas

reais (juventude, desabrigados, etc.)

Os cristãos e a igreja não têm mentes abertas; estão atrasados e são discriminatórios.

Os cristãos e a igreja não têm mentes abertas; estão atrasados e são discriminatórios.

A igreja e os cristãos [especialmente os pregadores] estão atrás

A

igreja e os cristãos [especialmente os pregadores] estão atrás

do dinheiro alheio.

Se a igreja tem a verdade, então, porque existem tantas divisões e tantas denominações?

Se a igreja tem a verdade, então, porque existem tantas divisões e tantas denominações?

A igreja é obsoleta e desnecessária e os cristãos são perigosos à

A

igreja é obsoleta e desnecessária e os cristãos são perigosos à

sociedade.

Os cristãos e a igreja são chatos, tediosos, destruidores de prazeres, são mortos.

Os cristãos e a igreja são chatos, tediosos, destruidores de prazeres, são mortos.

Os cristãos se autojustificam e são grosseiros.

Os cristãos se autojustificam e são grosseiros.

A igreja está cheia de hipócritas.

A

igreja está cheia de hipócritas.

Sejamos honestos. Muitas dessas críticas estão muito bem feitas – pelo menos para algumas igrejas e para certos cristãos professos.

Existem cristãos que se autojustificam e são grosseiros.Existem pregadores cristãos e igrejas que estão mais interessadas no dinheiro do que nas pessoas.

Existem pregadores cristãos e igrejas que estão mais interessadas no dinheiro do que nas pessoas.Existem cristãos que se autojustificam e são grosseiros. Existem cristãos, e existem igrejas, que permanecem teimosos,

Existem cristãos, e existem igrejas, que permanecem teimosos, de mentes trancadas, vivendo ainda em eras distantes e incapazes e sem vontade de engajar-se na sociedade contemporânea com as verdades bíblicas.que estão mais interessadas no dinheiro do que nas pessoas. Os cristãos argumentam muito. Nos dividimos

Os cristãos argumentam muito. Nos dividimos sobre as questões mais insignificantes.na sociedade contemporânea com as verdades bíblicas. Não vou simplesmente ignorar tais críticas. Sim, é

Não vou simplesmente ignorar tais críticas. Sim, é verdade que aqueles que levantam tais críticas são, eles mesmos, hipócritas. Mas, devemos esperar encontrar hipócritas no mundo. A questão é:

deveríamos esperar encontrar tal hipocrisia na igreja? Bem, poderá ser que nossos críticos tenham prestado um serviço valioso, ao apontar essas coisas más. Então, concordamos com eles? Se concordamos, que, pois, devemos fazer?

A QUALIFICAÇÃO FINAL

O apóstolo chega à sua qualificação final para presbíteros e pastores:

“Pelo contrário, é necessário que ele tenha bom testemunho dos de fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo” (1 Timóteo

3.7).

Acontece que aquilo que os incrédulos pensam de nós, sim, realmente importa. Especialmente, em se tratando de presbíteros. O homem que almeja ser um presbítero precisa possuir uma forte reputação entre aqueles de fora da igreja. Esses que estão do lado de fora – pessoas que não são cristãs – poderão corroborar ou refutar o testemunho de um potencial presbítero. Em muitas circunstâncias, a opinião dos de fora precisa ser positiva. Talvez, possamos dizer que as opiniões neutras não são suficientes, visto que é necessário que “ele tenha bom testemunho dos de fora”. Se um homem é bem considerado dentro da igreja, mas pobremente considerado pelos não crentes, ele não se qualifica como um candidato conveniente para o ministério cristão.

Essa qualificação tem sérias implicações espirituais. Uma reputação pobre, fora da igreja, uma vez confirmada, poderá indicar que o homem é propenso a cair em desgraça, ou em alguma armadilha do inimigo. Quantos desses homens têm manchado o testemunho da sua igreja local, de Cristo e do Evangelho? O inimigo dos eleitos se deleita em nada mais do que ver homens caírem sobre suas próprias espadas, por estarem vivendo com uma má e pobre reputação. Porém, uma boa reputação com os de fora não significa que o potencial presbítero não levará a censura e a ignomínia de Cristo. O mundo odiou o Senhor e o mundo odiará aqueles que O seguem (Mateus 10.24-25). Os apóstolos vieram a ser o “lixo do mundo, escória de todos”, em seu tempo e cultura (1 Coríntios 4.13). Assim, também, será para todo crente fiel, em todas as épocas, a mesma rejeição de Cristo. “Todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Timóteo 3.12). Então, a chave da questão é: A rejeição de um presbítero em potencial vem pelos de fora por causa de Cristo ou em razão do seu caráter piedoso e do seu modo de viver? Os presbíteros precisam ter testemunhos recomendáveis ao evangelho e a tudo o que se conforma com a sã doutrina. Ainda os seus próprios inimigos deveriam sentir-se envergonhados de seus comentários algozes, em virtude de uma vida bem vivida para Cristo (1 Pedro 3.16). Esta é a qualidade de homem que devemos orar a Deus para aquele que porventura venha ocupar a posição de presbítero.

PERGUNTAS E OBSERVAÇÕES

1) O candidato ao ofício de presbítero envolve-se com a comunidade em geral? Um homem que deseja o ofício de presbítero deverá ser sal da terra e luz do mundo (Mateus 5.13-14). Isso se fará refletir, em parte, pelo relacionamento que ele mantenha com aqueles que não são cristãos e nas contribuições cívicas e comunitárias. O presbítero em potencial tem um contato considerável com os que são de fora?

2) Quais são as coisas que os vizinhos e seus colegas não crentes podem dizer sobre ele? Como é visto pelos de fora? Testemunham em seu comportamento o que considerariam cristão, ou, ao contrário, o que considerariam não ser cristão? O têm em boa estima? Alguém se surpreenderia ao saber que ele é um líder na igreja?

3) Há evidência de que as opiniões dos de fora são - ou não são - corretas? Seria muito improvável que Paulo intencionasse que a igreja local recebesse as opiniões dos de fora sem reflexão, sem discernimento. Paulo mesmo não seria julgado por homem algum, desde que esse juízo fosse infundado e onde a fidelidade do apóstolo fosse demonstrável (1Coríntios 4.1-4). Da mesma maneira, a igreja local não deve descartar as opiniões daqueles que estão do lado de fora, naquelas coisas que se referem aos seus líderes, mas, tampouco deve engolir indiscriminadamente os conceitos discriminatórios que façam contra um líder. Assim como no que se refere às outras qualificações, nesta também os presbíteros que estão no exercício de suas funções devem agir com paciência e discernimento.

CONCLUSÃO

A chamada para ser um pastor é uma vocação muito alta. Não é qualquer um que pode tomar o manto de liderança na igreja. Aqueles que são chamados precisam ser exemplos para o rebanho em todas as áreas da vida (1 Timóteo 4.12). Eles necessitam ser modelos de uma fé devotada, dentro e fora da igreja, com vidas dignas de Cristo e do evangelho, às vistas de todos. Mas, ainda, à parte de serem capacitados para ensinar, as qualificações de 1 Timóteo 3 são características que todos os crentes devem possuir, gradativamente aumentando, pela graça de Deus e pela influência do seu Espírito. Possa o Senhor agradar-se em nos conceder a bênção de homens fiéis e de confiança para guiar nossas igrejas, e nos dê também o fruto do Espírito.

19

OS PRESBÍTEROS REFUTAM O ERRO

“Porque é indispensável que o presbítero seja

antes,

apegado à palavra

fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para exortar pelo reto ensino, como para convencer os que o contradizem.” (Tito 1.9)

E u já exerci o pastorado em três diferente igrejas e, por intermédio do ministério “9Marcas”, conheci e conversei com centenas de outros pastores. Esta, porém, é a primeira vez em que sirvo como um pastor principal. Por um lado, o pastor tem basicamente as mesmas responsabilidades de um assistente de pastor, ou de um presbítero. Tem o trabalho de pregar, ensinar, aconselhar, orar, praticar a hospitalidade, dar o exemplo, animar, repreender e assim por diante. Por outro lado, as demandas da liderança, são outras. São muitas as questões que terminam em minha mesa para decisões, opiniões e orientações. Parece que as pessoas leem um suposto sinal pendurado na porta do meu escritório, que diz: “este é o fim da linha”. Isso, por sua vez, lembra-me que eu não sou um salvador e que eu tenho de reconhecer minhas limitações – limitações que agora são mais visíveis e de mais influência sobre a congregação. Alguns crentes pensam que a Bíblia é silenciosa sobre as rotinas e obrigações de um pastor ou presbítero. Muitos apontam para Atos 6 e limitam o trabalho de um presbítero a somente ensinar e orar. Mas é um erro bastante sério não dar atenção às muitas instruções dadas

por Deus nas Epístolas Pastorais. Elas são um verdadeiro tesouro, tanto para pastores novos, como para aqueles mais experimentados. Paulo abre o capítulo 4, de 1 Timóteo, com estas palavras:

Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela

hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a

Expondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus,

verdade

alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido. (1 Timóteo 4.1- 3, 6)

Depois de fazer uma lista das qualificações para os oficiais da igreja local no capítulo 3, indicando que ele a fez para que Timóteo soubesse “como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade” (v. 15), Paulo, agora, passa a tratar sobre a questão dos falsos mestres. Timóteo – e todos os presbíteros que desejam ser bons ministros – precisam apresentar diante dos irmãos instruções com respeito aos espíritos enganadores e concernentes ao ensino de demônios e a hipocrisia dos mentirosos. Um assunto bastante sério! “Alguns apostatarão da fé” e se devotarão a maus espíritos e a seus enganos. Suas mentiras devastam a alma. Em outras palavras, os pastores precisam entender que o inimigo está pronto para invadir o campo e seduzir aqueles que desertam e caminham para a tortura e a morte. Note que Paulo trata deste assunto sobre falsos mestres como uma questão pastoral, não como coisa acadêmica. Paulo não estava interessado em ver homens engajados em debates incoerentes sobre suposições, proposições ou quaisquer outras posições. Ideias têm consequências, e 1 Timóteo 4 nos adverte que nossas congregações poderão pagar estas consequências, caso se devotem a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios. E isto é um fato aterrorizante! Pessoas a quem amamos e tomamos por irmãos e irmãs na fé poderão ser presas das forças das trevas, nestes últimos dias. Conquanto não nos surpreendamos por ocorrências como essas, devemos trabalhar contra tais eventos e lamentarmos profundamente quando eles acontecerem no meio de nosso povo. Nada é mais pastoral do que proteger nossos irmãos

dessa devastação e erro que ameaçam suas almas. O que deve um pastor ou um presbítero fazer? Ele precisa instruir

o povo sobre essas doutrinas falsas. Ele precisa ser “apegado à

Palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder , tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o contradizem” (Tito 1.9). Eu acredito que isto tem diversas implicações para o trabalho de um pastor.

O QUE SE REQUER PARA REFUTARMOS O ERRO

1) Um pastor deve procurar saber a quem e ao que seu povo está ouvindo e quanto se aplica a essas coisas que ouve. Os espíritos enganadores operam através de meios humanos, mascarados como ministros de luz (2 Coríntios 11.13-15). Assim sendo, os presbíteros devem estimular o seu povo a aprender de homens piedosos e teologicamente sãos. Quais os autores que sua congregação deve ler, e quais são as posições teológicas defendidas por tais autores? Quais os sites na internet e páginas de rede social que requerem a atenção da congregação e porquê? Tais instrutores evidenciam piedade genuína

e prioridades evangélicas em suas pregações e em seu estilo de vida?

São transparentes e responsáveis diante de outros? Quanto tempo a congregação dedica a ensinos teológicos e quanto isso molda suas ideias? Quais as decisões que estão tomando em suas vidas, baseados nessas ideias? Tais mestres competem com a autoridade confiada aos presbíteros da congregação local? Mais importante ainda, está alguém do nosso povo evidenciando alguma rejeição da fé, por influência de falsos mestres? Estamos, solenemente e com amor, fazendo nosso povo consciente do erro e das consequências que seguem a essas crenças falsas e insensatas?

Os presbíteros estão dispostos a “dar instruções nas sãs doutrinas”

e “repreender aqueles que as contradizem”. Paulo, provavelmente tinha em mente mestres na própria igreja cretense. Em nossos dias a invasão vem provavelmente pela internet e pelos livros, o que torna

o trabalho do pastor mais desafiador. 2) Um bom pastor não pode esquivar-se em identificar doutrinas

enganosas e chamar o seu povo a evitá-la. O crente pode tornar-se demasiadamente cortês. E, geralmente, somos corteses com as coisas erradas. Temos a tendência de pensar que a caridade e a liberdade são importantes para o caso de assuntos doutrinários, mas que, firmeza e resolução são mais comuns nos debates sociais e políticos. Nos sentimos bem em “citar nomes” quando se trata de políticos, mas, normalmente, nos esquivamos quando se trata de um ministro ou pregador. Negar a Trindade? Bem, isso é apenas um caso de liberdade acadêmica ou de interpretação pessoal. Mas, cruze a fila dos grevistas e prepare-se para ser preso e algemado. Paulo nos manda que estejamos “atentos” e que nos “afastemos” daqueles que causam divisões com heresias condenáveis (Romanos 16.17-18; Gálatas 1.6-8; Efésios 4.14; Tito 3.10-11). E isto quer dizer que devemos não só identificar os ensinos falsos, mas afastar-nos daqueles que os propagam! Para este propósito, os pastores necessitam coragem. Não digo que todo sermão deverá ser um ataque ou um apedrejamento contra alguém que ensina, ou contra seu ensino. De fato, muitos dos sermões não deveriam ser assim, mas, onde e quando necessário, o pastor precisará fazer uso do cajado para afugentar o lobo. 3) Um pastor não deverá enfraquecer a seriedade da instrução apostólica, por depreciar a origem demoníaca dos falsos mestres e de seus ensinos. Algumas vezes, os líderes da igreja mostram-se envergonhados ao falar sobre o Diabo e seus maus espíritos. Ouvimos aqueles mais dedicados aos ensinos científicos nos dizerem que somos atrasados e sem entendimento. Mas, a luz da Palavra de Deus ilumina diretamente sobre Satanás, o acusador dos irmãos, a fonte do mal. Não produzimos nenhum bem ao fazer de conta que Satanás não existe. Ele existe. E ele confunde os que estão cegos às suas astúcias. “Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Efésios 6.12). 4) Os pastores devem ajudar o seu povo a ter suas consciências treinadas pela Palavra de Deus

A

principal característica dos falsos mestres, identificados em 1

Timóteo 4, é uma consciência cauterizada, apartada da piedade e da bondade. Nosso povo não somente tem de evitar uma consciência cauterizada em si mesma, mas também deve saber como reconhecer esta mesma consciência cauterizada, naqueles doutrinadores aos quais ouve.

O livro de Judas nos oferece fatos reveladores sobre tais mestres,

chamando-os de obscenos, rejeitadores de autoridades, sexualmente imorais, de mentalidades carnais, corrompidos, famintos por dinheiro, ambiciosos, bajuladores, zombadores, divisivos e impiedosos. Nosso povo necessita reconhecer estes atributos para que possa permanecer livre dos lobos vorazes (Atos 20.27-28). O Senhor dá à igreja homens dotados para instruir, corrigir, treinar – precisamente para ensinar o povo a saber como localizar os lobos, mesmo quando seus fiéis presbíteros estejam ausentes. “Expõe estas coisas aos irmãos”, nos diz Paulo. Em outras palavras, ensine o povo com tal clareza, que o ensino possa fazer-se sentir como um objeto físico, tangível, colocado ao seu alcance. Bons pastores fazem estas coisas por levar o povo a ser “treinado nas palavras da fé” e seguir a boa doutrina. Enquanto os pastores pensam, creem e vivem de acordo com “o padrão das sãs palavras”, seu povo tem diante de si uma figura vívida e uma fé vibrante (2 Timóteo 1.13). 5) Um bom pastor necessita orar ao Senhor, pedindo que o santifique na verdade; tanto a ele mesmo como ao seu povo. Se um pastor assim o fizer, estará seguindo o exemplo mais elevado possível. O próprio Sumo Pastor orou por santificação na verdade em sua oração sacerdotal: “Não peço que os tire do mundo, e sim que os guarde do mal. Eles não são do mundo, como também eu não sou. Santifica-os na verdade; a tua Palavra é a verdade. E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade” (João 17.15-17, 19). Robert Murray McCheyne chegou à conclusão de que o seu povo não necessitava dele nada mais que sua santificação. Talvez, McCheyne tenha chegado a entender algo do próprio coração de Jesus. Jesus se santificou a si mesmo por seus discípulos, a fim de que eles fossem

santificados na verdade. A santa verdade que Jesus tinha em mente era a verdade da Palavra de Deus. O Salvador orou: “a tua Palavra é a verdade” (João 17.17). Assim, pois, aqueles que seguem ao Sumo Pastor, como pastores subordinados, precisam orar para que eles mesmos, assim como o povo do qual estão encarregados, possam ser santificados pela santificação que a Palavra de Deus produz.

CONCLUSÃO

Existe o perigo de que, estando tão preocupados com o erro, falhemos em pregar a verdade. Nossos sermões não devem tornar-se em discursos contra o erro que apareceu mais recentemente, ou nosso assunto teológico preferido. Mas, tampouco devemos pregar como se o evangelho fosse a única opção teológica diante do povo. Em vez disso, devemos fazer claras distinções, tendo em mente os erros mais grosseiros, assim como aqueles que são mais sutis. Precisamos apresentar o evangelho de Cristo acima e contrário às ideias não cristãs e explicar certas nuances doutrinárias que fazem o evangelho mais claro frente às suas imitações. Praticamente, cada livro do Novo Testamento contém algum alerta contra doutrinas falsas e contra os falsos mestres, fazendo bastante claro que tais mestres e seus ensinos são partes da guerra sem tréguas entre o povo de Deus e os seus inimigos. Um bom pastor apresentará essas coisas diante do seu povo e lutará por sua devoção a Cristo e à verdade, ao invés de sua dedicação a espíritos enganadores e a ensinos de demônios.

20

OS PRESBÍTEROS REFUTAM OS MITOS E TREINAM PARA UMA VIDA PIEDOSA

“Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas caducas. Exercita-te, pessoalmente, na piedade.” (1 Timóteo 4.7)

E m 1 Timóteo 4.7, o apóstolo Paulo nos apresenta um contraste bastante diametral. Ele instrui o jovem Timóteo a “rejeitar as fábulas profanas e de velhas caducas” completamente e “exercitar-se, pessoalmente, na piedade”. Por “fábulas de velhas caducas”, Paulo não se dirige, pejorativamente, a uma idade ou sexo. Ao contrário, se refere a fábulas ou contos fictícios e não históricos, usados para ensino e instrução. No Novo Testamento, usa-se sempre para referir- se a uma palavra que indica fábulas mentirosas, ou falsidades, histórias com pretensões fingidas – ideias perigosas e errôneas que causam impactos nocivos sobre as pessoas. No texto, Paulo está advertindo contra mitos e fábulas usadas para enganar. Timóteo e um bom presbítero não deveriam ter nada a ver com tais instruções. Devem rejeitar qualquer mito que esteja procurando atenção.

E COMO UM PASTOR PODE REJEITAR OS MITOS?

1)

conversações boas e produtivas com seus companheiros.

Um

pastor

exemplar

deve

assegurar-se

de

estar

mantendo

Os pastores, por natureza, vivem uma grande parte de suas vidas encerrados em suas próprias mentes. Assim, nós que somos pastores precisamos certificar-nos de que não estamos meramente ouvindo nossos próprios pensamentos, repetindo e rebobinando a mesma fita das nossas imaginações – nossos mitos e fábulas – sem examiná- los e sem mudá-los. Um bom pastor necessita de uma constante

dieta de verdades, não de fábulas. A maneira segura de se levar isso a cabo é através de um estudo focado e dedicado das Escrituras, onde a verdade eterna se preserva e está revelada. Mas um pastor precisará dedicar-se ativamente a ler material sólido, trabalhos clássicos, escritos por homens santos e provados pelo tempo, considerando-os à luz das Escrituras. 2) Um pastor exemplar deve afastar-se de mitos e fábulas.

O pastor terá de refutar todas as formas de mentiras,

especulações, meias-verdades, insinuações, exageros, palavras que tratam de enfeitar o que se conta, sujeiras, boatos, contos e difamações. Muitos círculos cristãos se assemelham aos não-cristãos quando se trata dessas coisas. Considerando o quanto Paulo falou contra os pecados da língua, concluímos que ele mesmo deve ter experimentado o suficiente (Efésios 4.25, 31; 5.4; 1 Timóteo 3.11). Nossa consagração inclui separar-nos dos bate-papos de esquina. Os ouvidos de um pastor deveriam ser como sepulturas para os mitos e as fábulas. Do contrário, como disse Charles Spurgeon, o presbítero ficará aleijado em seu ministério:

Será uma falta de sabedoria extrema para um jovem recém saído do seminário ou de outra instituição, deixar-se prender por uma panelinha de mexeriqueiros na igreja ou ser subornado por bondades e bajulações e, assim, vir a ser um partidário e arruinar- se com a metade do seu povo. Deve evitar totalmente os partidos e as panelinhas, para ser o pastor de todo o rebanho e cuidar de todos com igualdade. Bem- aventurados os pacificadores, e uma das melhores maneiras de ser um pacificador é deixar de lado o fogo das contendas. Não abane, nem alvoroce, nem ponha mais combustível ao fogo, mas deixe-o que se apague por si mesmo. Comece o seu ministério com um olho e com um ouvido fechados. 31

3) Um pastor exemplar não deve quebrar a confiança do seu povo.

Ele deverá ser de confiança com relação à verdade. Deverá usar de

muita discrição quando, onde e com quem ele compartilhar informações sobre o ministério e a congregação. Isto não quer dizer

que o pastor terá de viver uma vida de segredos ou jurar completo sigilo, como se fosse um psicólogo ou conselheiro secular. Mas, sim, significa que ele deve ter discernimento e reconhecer que almas estão sob o seu cuidado, que reputações estão em suas mãos e que, mesmo falando de forma concreta e com precisão, a retransmissão do que ele diz a outros poderá se corromper. O pastor excelente, tampouco, promete sigilo onde o pecado ou as atividades ilegais estão envolvidas. Mas não deve ser um mexeriqueiro, contribuindo com o moinho que produz o rumor e as pelejas que surgem com este (Provérbios 22.10). O trabalho principal de um pastor envolve discursos, palavras. Assim, um pastor deve estar lembrado da grande tentação que fofocas podem causar. Quem sabe devêssemos frequentemente perguntar a nossos colegas de ministério presbiteral se temos, porventura, traído qualquer confiança, falado qualquer mito ou fábula ou compartilhado mais informações particulares do que deveríamos. Os pastores devem se reportar uns aos outros nessa área. 4) Um pastor exemplar investiga os erros até suas raízes de origem. Esta era a 24 a resolução de Jonathan Edwards: “Estou resolvido a:

Quando eu cometa alguma ação perceptivelmente má, traçá-la de volta até que eu chegue à sua verdadeira causa; então, cuidadosamente, esforçar-me para não mais cometê-la, e lutar e orar com todas minhas forças contra aquilo que originou dita má ação.” 32 Ao examinar os erros de nossas vidas, devemos perguntar-nos:

“Teria esse erro brotado de uma fábula, de um mito ou da aplicação errada de alguma verdade?” E devemos direcionar nossas energias para renovar nossas mentes nessas coisas, a fim de que a pureza habite nosso pensar.

ALGUNS CONSELHOS PARA TREINAR-NOS EM PIEDADE

Em vez de dar lugar a fábulas, Paulo instrui Timóteo a exercitar ou treinar-se em uma vida piedosa. Piedade é uma palavra que necessita ser recuperada em nossos círculos cristãos. Mais importante ainda, verdadeira piedade – verdadeira devoção ou piedade para com Deus

– necessita ser reavivada e espalhada. Piedade é a verdadeira religião bíblica - uma boa vida moral e piedosa para com o Salvador, animada por uma afeição outorgada pelo Espírito. Em suas cartas a Timóteo, o apóstolo usa a palavra “piedade” quatro vezes, incluindo a ocorrência em nossa presente passagem. Cada uma destas ocorrências nos provê, de uma forma útil, para podermos pensar sobre os esforços à piedade. Das outras três passagens, deduzimos que estamos buscando piedade quando estamos fazendo as três coisas que seguem:

1) Orando pelas autoridades e líderes civis. “Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graça, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito” (1 Timóteo 2.1, 2). Nossas orações por aqueles que estão em autoridade afetam eficazmente nossa liberdade e nossa habilidade de vivermos vidas piedosamente cristãs. Agora, é fácil crer que os que regem e governam podem atrapalhar nossa piedade cristã, porém, o oposto também é verdade. As orações eficazes dos santos por aqueles com autoridade rendem – pela graça de Deus – condições para o desenvolvimento da piedade cristã. 2) Fazendo combinar a piedade cristã verdadeira com o contentamento. Paulo nos diz que “grande fonte de lucro é a piedade com o contentamento” (1 Timóteo 6.6), o que vem a significar que a piedade constitui metade da fórmula para a “grande fonte de lucro”. Ao mesmo tempo que desenvolvemos a piedade, precisamos também cultivar o contentamento. Sem o contentamento, insatisfação, murmuração e reclamação eventualmente irão causar corrosão na piedade. Como pastores, precisamos guardar-nos contra esta corrosão, unindo a verdadeira piedade e afeição por Deus ao contentamento na providência de Deus. 3) Antecipando perseguições (2 Timóteo 3.12). Todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. O sofrimento é um fator da vida cristã. A piedade de tal modo distingue o crente do mundo, que pressão dentro da igreja e perseguição fora dela se seguem naturalmente. Nós nos treinamos

em piedade por não nos entregarmos ao desânimo, frente à perseguição. Como pastores, temos que lembrar-nos que nós não merecemos melhor tratamento do que o que foi recebido pelo Senhor. Se ele foi zombado, espancado e insultado, porque haveríamos nós de esperar melhor tratamento por segui-lo (Mateus

10.24,25)?

Enquanto antecipamos perseguições, devemos também lembrar que o Senhor sabe como livrar os homens piedosos, em suas tribulações (2 Pedro 2.9). Exercitar-nos em piedade, inclui preparar- nos para as perseguições na firme confiança de que ninguém poderá arrebatar-nos das mãos do nosso Pai (João 10.28-29). Não podemos temer àqueles que podem destruir o corpo, mas não podem fazer nada mais que isso; devemos temer aquele que tem poder para destruir o corpo e a alma no inferno (Mateus 10.28). Sejamos como os que “mesmo em face da morte, não amaram a própria vida” (Apocalipse 12.11). Tal disposição da alma produz a piedade cristã.

CONCLUSÃO

Mitos tolos e fábulas de velhas nos levam a focar a mente, não apenas nas coisas desta vida, mas também em seus aspectos mais triviais. Nos fazem tão propensos às coisas terreais, que nos tornamos sem utilidade para as coisas celestiais. Melhores pensamentos se requerem dos pastores chamados pelo supremo Pastor. Equipemos nossas mentes com materiais apropriados para a vida celestial.

21

OS PRESBÍTEROS ESPERAM EM DEUS

“Porquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo” (1 Timóteo 4.10)

N ós, como pastores, somos constantemente tentados a levar a cabo nosso ministério pastoral por nossa própria força e sabedoria. Somos, em muitas ocasiões, intimados a ser homens fortes e corajosos, que começamos a pensar que tal força e coragem são questão de esforço pessoal. Podemos nos imaginar armando-nos de tamanha força de vontade, suficiente para nos empurrar à execução de qualquer objetivo. Mas, essa frase curta de Paulo confronta qualquer pastor com a pergunta: “onde estamos pondo nossa esperança?” Algumas vezes, pomos nossa esperança em nossos estudos e preparação. Outras vezes, colocamos nossa esperança nos livros que lemos e nos argumentos convincentes que eles contêm. E outras vezes, nossa esperança está nos nossos relacionamentos ou nas afeições que compartilhamos uns com os outros, dentro do corpo de Cristo. Ou colocamos nossa esperança em nossa capacidade de expressar-nos articuladamente, na esperteza de nossos conselhos ou nos nossos bons sermões. Nossa esperança eleva-se quando tudo vai bem, quando as pessoas parecem estar satisfeitas com nossa performance. 33 Todas estas esperanças são tentações mortais! Todas se esvaem, se enfraquecem e desapontam.

Onde podemos encontrar uma esperança duradoura para nosso viver e para nosso ministério? A única, certa e permanente rocha onde podemos firmar nossa esperança é no Deus vivo, “ Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis” (1 Timóteo 4.10).

A LIBERDADE DA ESPERANÇA EM DEUS

Em todos os seus afazeres, o pastor exemplar evita a cilada de confiar em seus próprios esforços. Na ótica de Paulo, quanto ao ministério pastoral, a esperança no Deus vivo é o que anima e fortalece o pastor; não a esperança em si mesmo. A esperança do pastor descansa em Deus e nele o pastor encontra a força necessária. O bom pastor tem o Senhor como seu quinhão, seu refúgio, seu estandarte, sua torre forte e seu escudo. Diariamente, momento após momento, ele recorre ao Deus vivo. Um bom pastor não poderá consentir que seus estudos lhe embacem a clara visão do Salvador. Não poderá estudar para impressionar os outros, mas para ver Jesus em toda sua humilhação na crucificação e no esplendor de sua ressurreição. Ele terá de abrir a Palavra em fé, crendo que Deus existe e que se torna galardoador dos que o buscam (Mateus 6.33; Hebreus 11.6). Ele terá de abrir a Escritura para ouvir não palavras mortas, mas um Deus vivo que para sempre fala através de sua Palavra. O bom pastor estuda para que possa ensinar e afim de que, ensinando, o Espírito possa sintonizar os ouvidos de todos para que ouçam a voz do Mestre. Antes que um pastor se prepare para pregar, ele terá de reconhecer que ele mesmo não é mais que uma ovelha necessitada de ouvir a voz do Supremo Pastor (João 10.3-4; 14-16). O estudo e a preparação de um pastor deve ser, no melhor sentido da palavra, devocional. Os nossos estudos demonstram uma esperança pessoal no Deus vivente? Colocar nossa esperança no Deus vivo significa encontrar uma esperança verdadeira em um relacionamento vivo e pessoal. Certamente, encontramos estímulo e esperança em relacionamentos com a congregação. Mas, acima de tudo, um bom pastor necessita nutrir sua comunhão com Deus.

Nossa convivência na igreja é o tipo de relacionamento que fomenta uma mais profunda esperança em Deus, ou ela nos guia à dependência no homem? Somos agentes que procuram direcionar outros ao Deus vivo, em quem devem descansar suas esperanças? Nossas pregações lembram aos outros da necessidade de colocarem sua esperança no Deus vivente, que nunca os deixará, nem os abandonará? Ou, ao contrário, nossas pregações animam as pessoas a esperar em meios humanos, técnicas e terapias? Nosso viver comunitário precisa apontar, continuamente, para onde a verdadeira esperança descansa – em Jesus. Que liberdade isso deveria nos dar! A esperança em Deus liberta o pastor das tentações de falsas esperanças e de autodependência. A esperança em Deus nos livra daquele complexo “eu, o salvador”, que assume que todo e cada problema deve ser consertado por sabedoria e esforço pessoal. Nos livra da árdua labuta de agradar todo mundo. Nos livra da escravidão do “sucesso” e da síndrome de “performance”. Para a liberdade nos libertou Cristo (Gálatas 5.1) e essa liberdade descansa segura e unicamente sobre os alicerces de nossa esperança em Cristo. Cristo Jesus salvou ao pastor e salvará a outros. Cristo Jesus dá ao pastor a verdadeira esperança e dará esperança ao seu povo. Para sermos pastores exemplares, devemos lembrar ao povo esta simples mas profunda verdade: “temos posto a nossa esperança no Deus vivo”. Esta frase merece uma exposição completa; uma exposição escrita na vida atual daqueles que têm confiado no Salvador. A vida de um bom pastor deverá trazer tal exposição. Ele deverá viver como uma pessoa que teve sua esperança depositada no Autor da vida – aquele que tem a vida em si mesmo; que é o doador da vida eterna, o Deus vivo e verdadeiro, Cristo Jesus nosso Senhor. Pare e pense um pouco: onde você está descansando sua esperança?

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OS PASTORES ORDENAM

“Ordena e ensina estas coisas” (1 Timóteo 4.11)

S haron não era mais alta que um metro e 20 centímetros. Vestia-se profissionalmente e falava com uma voz bastante delicada. Ela, uma mulher de meia idade, era mãe de duas crianças e, apesar de todos os sinais de que ela vivia alegremente sua vida doméstica , ninguém brincava com ela. Sharon não suportava tolices e a gente tinha sempre aquele impulso de se endireitar diante dela. Eu trabalhei com Sharon por um ano, aproximadamente, antes que viesse a saber que ela serviu, por vários anos, como Chefe de Polícia. Explicou-me que todos os cadetes aprendiam uma postura de comando que, em muitos casos, ensinava os cidadãos a honrarem as autoridades oficiais que eles representavam. Sempre que um policial emitia um comando verbal, o comando falado, simplesmente, punha palavras ao que já estava explícito na postura do policial. Em 1 Timóteo 4.11, Paulo faz uso de linguagem forte para dirigir- se ao jovem [talvez tímido] Timóteo. Se Timóteo quisesse ser um bom servo de Cristo, precisava “ordenar e ensinar”. A palavra “ordenar” ou comandar, imediatamente perturba os ouvidos modernos. Nossa cultura recua à sugestão de autoridade. Especialmente uma autoridade exercida com convicção e força. Na melhor opção teríamos líderes que facilitam, que provocam uniformidade de opiniões, ou que geram motivação. E estes estilos mais modernos de liderança têm o seu lugar. Um líder sábio reconhece quando uma abordagem mais suave é melhor, quando faz

sentido delegar obrigações ou quando a uniformidade de opiniões é necessária. Porém, em 1 Timóteo 4.11, o apóstolo infunde um tom diferente

em suas instruções a Timóteo. Ele diz “ordena

coisas”. Uma

nota de autoridade tinha de ser ouvida nas interações de Timóteo com a congregação.

estas

COMO É UMA ORDEM AUTORITÁRIA, NO NOVO TESTAMENTO?

Para sermos honestos, Paulo não está recomendando a Timóteo agir contrário às palavras de Jesus, que ensinam os cristãos a não dominarem uns aos outros (Lucas 22.25-26). Não diz a Timóteo que exerça uma certa ditadura dentro da igreja, onde ele governe com mãos de ferro. No entanto, um bom líder exerce autoridade. Terá de demandar certas coisas. Jesus ensinava como alguém que tinha autoridade, não como os escribas (Lucas 1.22). Seguindo o exemplo do Senhor, os pastores fiéis, do mesmo modo, precisam comandar certas coisas. Precisam ensinar com autoridade, não como os que usam de sutilezas – amedrontados de tomarem posições para um lado ou para outro. O pastor que é realmente bom faz soar a trombeta com um som certo e claro. Mas, a habilidade de comandar não está enraizada no próprio pastor. Os talentos e as habilidades de um pastor não são as bases de sua autoridade. Tampouco a sua superioridade moral provê qualquer base de autoridade. A Palavra de Deus é que provê a única e suficiente base da autoridade pastoral. Paulo entendeu isto. Ele escreveu aos Tessalonicenses: “porque estais inteirados de quantas instruções vos demos da parte do Senhor” (1 Tessalonicenses 4.2). Um pastor exemplar terá de compreender que, comandando, ele mesmo não é o comandante. Ele é apenas um mensageiro e um exemplo. As ordens não são dele, para que as desenvolva e as distribua a seu bel-prazer. As ordens devem vir claramente do Senhor. Esta é a razão de “e ensina” ser tão vital, nas instruções de Paulo. Timóteo ordena ao ensinar os mandamentos de

Cristo, que já têm sido ordenados por ele (Mateus 28.18-20). Mais ainda, um bom pastor dedicar-se-á ao ensino daquelas coisas de maior importância. “Estas coisas”, no verso 11, tratam de guerras espirituais nas quais o crente se envolve e na confiança firme no Deus vivo, o salvador dos crentes. Timóteo, assim como os bons pastores, devem ocupar-se com assuntos de relevância. O que impede que bons ministros ordenem com autoridade, como deviam ordenar? Calvino sabiamente identificou um dos desafios:

A doutrina é de tal natureza, que os homens não devem cansar-se dela, ainda que a ouçam diariamente. Existem, sem dúvida, outras coisas para serem ensinadas; mas há ênfase nas teses demonstrativas; porque isto quer dizer que elas não são coisas de menor importância, sobre as quais apenas uma passadela de olhos seja suficiente; mas, ao contrário, elas merecem ser repetidas diariamente, porque nunca chegarão a ser inculcadas com toda a suficiência. Um pastor prudente deverá, portanto, considerar as coisas que são principais, para permanecer nelas. Não há nenhuma razão para temermos que elas se tornem enfadonhas; porque qualquer que é de Deus, com alegria ouvirá, as coisas que necessitam ser frequentemente pronunciadas. 34

Quais as razões pelas quais um pastor temeria a repetição das instruções da Palavra de Deus? Uma razão é o fato de que o temor dos homens sussurra em nossos ouvidos: “o seu povo já ouviu esta mesma coisa. Vão cansar-se da sua repetição”. Nós tememos as opiniões alheias e isto poderá influenciar o nosso comportamento de ensino. Sim, já ouviram, mas é improvável que já adotaram o ensino com perfeição. Presbíteros maduros sabem que um ensino frutífero demanda repetição. Com demasiada frequência nós cristãos olhamos no espelho, para logo retirar-nos e esquecermos a imagem que vimos (Tiago 1.23-24).

CONCLUSÃO

Não deveria ser algo penoso para um pastor repetir e reensinar (Filipenses 3.1). E os pastores não deveriam recuar, frente aos rostos de homens que demonstram, com fisionomias cerradas ou com palavras, as suas reprovações. Nós, pastores, ordenamos estas coisas porque os mandamentos do Senhor não são penosos (1 João 5.3) para a saúde daqueles sob nosso cuidado e a fim de dispensar

fielmente nossas obrigações como bons servos de Cristo.

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PRESBÍTEROS NÃO PERMITEM QUE NINGUÉM DESPREZE A SUA MOCIDADE

“Ninguém despreze a tua mocidade” (1 Timóteo 4.12)

H á alguns comitês formados para descobrir presbíteros nas igrejas locais que não considerariam um homem com menos de 40 anos de idade. Obviamente, este seria o fim da candidatura de Timóteo – sem mencionar a de Jesus. E, então, existem também outros comitês que olhariam para um pastor ainda jovem e diria: “ele é jovem e inexperiente, mas nós vamos moldá-lo como queremos”. Outros membros há, nas igrejas, que rejeitam as instruções de um pastor porque “é tão novo e sem experiência”. Pessoas com esse tipo de atitude nunca deveriam servir como presbíteros, nem serem treinados para serem pastores. A mocidade poderá ser menosprezada em um milhão de maneiras diferentes. Qual o pastor ainda jovem, que não terá sentido a frustração de tentar liderar membros mais velhos que resistem a sua liderança, não porque reconheçam algum erro em seu entendimento das Escrituras, mas simplesmente porque em geral e abertamente por serem mais velhos consideram-se mais sábios? Agora Paulo não chama Timóteo para negligenciar a sabedoria acumulada dos membros e líderes mais velhos. Um Timóteo humilde buscaria, sabiamente, tomar vantagem daquilo que os santos mais velhos têm para oferecer. No entanto, Paulo instrui Timóteo a não capitular

erroneamente às estimativas que outros possam fazer de sua mocidade. Sua idade não deveria ser uma barreira para liderar a igreja e ser um bom ministro. Ser jovem não é um impedimento para a piedade, nem para a maturidade ou a habilidade de liderança de um pastor.

ALGUMAS IDEIAS PARA EVITAR QUE A MOCIDADE DE UM PASTOR SEJA DESPREZADA

Primeira Timóteo 4.12, foi escrita para ele, mas tem aplicações tanto para os jovens como para os velhos. 1) Pastores de mais idade deverão conceder as oportunidades e estar dispostos a correr riscos, quando se tratar de pastores mais jovens. Os pastores mais velhos não deverão ser contra seus colegas mais novos, algo que, no final das contas, não se pode mudar – idade – especialmente pelo fato de que Deus mesmo não o faz. Ao contrário, os mais velhos deveriam estimular os mais novos, instruí-los, apoiá- los e treiná-los, da mesma maneira que Paulo treinou ao moço Timóteo, o que, inevitavelmente, significa dar espaço ao jovem pastor para atuar e liderar. 2) Pastores mais moços não devem ser atrevidos e incapazes de aprender. Um pastor jovem deverá, por sua vez, não responder àqueles que desprezam sua mocidade, vindo, ele mesmo, a desprezar a idade mais avançada dos outros, tornando-se emburrado, rabugento, com ares de prepotência. Essa atitude somente faria confirmar o preconceito e tornaria as coisas mais difíceis para sua liderança. Em vez disso, o jovem pastor deverá manter-se humilde, pacientemente convivendo com todos e executando suas obrigações com fidelidade. 3) Um pastor moço não deverá adotar uma atitude de vencido frente às pessoas que desprezam sua mocidade. Não devem abaixar suas cabeças, murmurar, reclamar. Devem firmar seus ombros, fixarem seus olhos em Cristo, e estimular os outros a segui-lo, enquanto ele segue a Cristo. Testemunhei muitas vezes Mark Dever, pastor da Capitol Hill Baptist Church, em Washington, seguir em frente, desdenhar das distrações e levar

adiante o desafio quando outros resistiam a sua liderança. Algo que poderia ser bastante frustrante para aqueles ao seu redor. Uma humilde perseverança serve a ambos: ao pastor e a seu povo. Os pastores mais moços têm de continuar seguindo a Jesus. Talvez você mesmo seja um pastor ainda jovem, confrontando-se com esta espécie de dificuldade. Amado, você não pode desistir. Não pode encolher-se. Não pode murmurar ou choramingar. O que você precisa é “ordenar e ensinar”. É interessante notar que a instrução de Paulo, no verso 12, segue-se à palavra bastante forte “mandar”, do verso 11. Como se conhecesse o temor dos homens e a tendência de sucumbir que reside nos ministros de pouca idade.

CONCLUSÃO

Quanto mais jovem o homem, mais se sentirá hesitante para liderar com uma autoridade proporcional à autoridade da Palavra de Deus e com o ofício presbiteral. A instrução convoca Timóteo a fazer-se varonil, a crescer, a liderar de tal maneira que sua idade não é o que indica sua habilidade, sua confiança cristã e sua confiabilidade como um pastor. É isto o que um jovem pastor deve fazer.

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OS PRESBÍTEROS DÃO O EXEMPLO

“ torna-te

o padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza” (1 Timóteo 4.12)

S eus colegas de universidade e seus fãs o apelidaram de “O Monte Redondo do Ricochete”, em homenagem à sua forma corpulenta e suas façanhas ao arrebentar as pranchas que sustentam as cestas nos jogos de basquete. Quando se tornou um profissional, seus fãs o elegeram onze vezes como atleta nacional da liga NBA. Ganhou duas medalhas de ouro nas Olimpíadas, por sua participação no “Time dos Sonhos” em 1992 e 1996. Em 2006, o “Naismit Basketball Hall of Fame”* o introduziu ao rol dos seus consagrados membros. Foi reconhecido como um dos cinquenta melhores jogadores na história da NBA (Associação Nacional de Basquete). A NBA também o incluiu entre os mais destacados do seu time de entrevistadores, durante todos os seus treze anos com a liga. Falava com muita vivacidade. Falava agressivamente. Falava alto. E falava o tempo todo. Até hoje, Charles Barckley é dono do nome profissional mais irônico que jamais ouvi. É, simplesmente “Sir Charles”. Ainda que a nominação como “Sir” seja conferida como um pedigree da realeza inglesa, Sir Charles nunca reivindicou nobreza e seu comportamento comprovou sua falta de qualquer nobreza. Frequentemente, Charles Barkley se metia em manifestações explosivas, tanto dentro como fora da quadra de basquete. Uma vez

chegou a cuspir em um dos torcedores, em retaliação a alguns xingamentos racistas. Uma das coisas que Charles Barckley nunca se considerou foi um modelo, um exemplo para outros. Em 1993, a Nike lançou uma campanha com Charles Barckley argumentando, desafiadoramente, que os atletas não são modelos para serem imitados. A propaganda causou dura controvérsia. Mas, Barckley insistiu em afirmar que os pais, estes sim, têm por obrigação ser os modelos de vida a serem imitados por seus filhos e que a sociedade deveria parar de buscar nos atletas a provisão do padrão para o comportamento e para os valores da juventude. Com a rejeição dessa ideia, feita por Charles Barckley no começo da década de 1990, caiu por terra a ideia de que celebridades devam ser modelos e padrão para os outros. Talvez eu pertença à última geração daqueles que eram incentivados a procurar e a imitar modelos nas celebridades desportivas. Mas, ainda que a ideia tenha desaparecido no discurso da arena pública, certamente não desapareceu da Escritura.

OS PASTORES SÃO OS ÚLTIMOS EXEMPLOS?

Uma coisa que um bom pastor precisa estabelecer é um bom exemplo para os crentes. Ele deverá ser um modelo em sua vida pessoal. Esta é uma afirmação simples e incrivelmente importante. É tão importante que Deus a deixou gravada nas verdades da Escritura. A melhor maneira pela qual Timóteo poderia evitar que sua mocidade fosse usada contra de ele mesmo, era tornar-se o padrão dos fiéis. Paulo o exorta a viver uma vida digna de ser imitada, observada e seguida. A instrução de Paulo eleva o nível do ministério pastoral, muito acima dos exemplos inconsistentes e triviais apresentados pelos atletas profissionais. E quem é suficiente para essas coisas (2 Coríntios 2.16)? Definir este tipo de exemplo é uma árdua tarefa. Requer graça sobrenatural e o poder de Deus. Paulo está dizendo efetivamente que o pastor deverá viver como um peixinho num aquário, com olhares ao seu redor, fixados em sua

maneira de nadar e em seus hábitos alimentares. Ele vive, não atrás de cortinas ou de persianas, mas atrás de vidros claros, transparentes.

A maioria das pessoas, obviamente, tende a viver vidas privadas,

no conforto e no anonimato dos seus lares, preferindo seu mundo de ideias e de pensamentos. Mas, 1 Timóteo 4.12 chama os pastores para fora de si mesmos e para fora da sua zona de conforto, ao palco do exemplo pastoral, visível, demonstrado.

QUAIS AS IMPLICAÇÕES DO EXEMPLO PASTORAL?

1) O exemplo de um bom pastor é posto à vista dos crentes. Isto poderá parecer óbvio, mas talvez nenhuma outra ocupação seja tão frequentemente observada como modelo para todas as pessoas – crentes e não crentes . Ainda bem que Paulo não menciona isso em 1 Timóteo 4.12. Qualquer que se veja tentado a ser um exemplo acessível a todo o mundo vai ter de contorcer-se como um pretzel! Os pastores são chamados a fundamentar padrões para suas próprias igrejas. Ser um exemplo para sua igreja local e para os crentes em geral. O que o mundo incrédulo deseja dos pastores entra inevitavelmente em conflito com o que Jesus Cristo requer deles, e

com aquilo que os santos necessitam ver. Por esta razão, os pastores devem estar esclarecidos sobre quem compõe a sua audiência – a congregação local sob seu encargo, não crentes aleatoriamente ou universalmente. Paulo estabelece esta instrução no contexto de um mundo árido e real, para o relacionamento entre um pastor específico e uma congregação particular de pessoas.

A instrução apostólica indica que um pastor deverá entender o

contexto histórico e social de um grupo em particular. Quando eu estava em Washington, DC, aprendi que um pastor precisa demonstrar à sua congregação como estabelecer prioridades (Deus, família, trabalho), visto que a cidade inteira parece ordenar sua vida de uma maneira reversa (trabalho, família, Deus). Quando eu vivia no sul dos Estados Unidos, onde um cristianismo nominal ainda permanece fortemente estabelecido, aprendi que o pastor deve ser

um exemplo de discernimento e clareza, de fidelidade doutrinal e por falar a verdade em amor. Audiência e contexto são importantes. O pastor terá de manter isso em sua mente, enquanto estabelece um padrão exemplar para o povo. 2) O bom exemplo de um pastor o faz acessível Com isso, não quero dizer que um pastor deverá não se importar em manter sua agenda ou falhar em colocar um muro apropriado ao redor de sua família. As demandas de um pastor fazem necessário esse controle. Mas, o comando a Timóteo sugere que o pastor deve estar perto das pessoas, com as pessoas, acessível às pessoas. Ele precisa ser observado e isto não acontecerá a menos que ele esteja, de alguma maneira, próximo às pessoas. Precisa ser visto em diversas arenas: em eventos de comunhão, num almoço ou jantar, em casa, na casa de outros, e assim por diante. Qual deve ser o parâmetro de acessibilidade? Cada um terá de considerar suas próprias circunstâncias para responder essa pergunta. Mas, em princípio, um bom pastor deverá ser acessível o suficiente para evidenciar um bom exemplo com a necessária efetividade. 3) Existem certas áreas, em particular, nas quais um bom pastor deverá estabelecer seu bom exemplo Me alegro com a lista de ações e virtudes que Paulo lista no verso 12, não porque eu mesmo já tenha atingido a marca, mas porque me ajuda a não ficar confuso e inseguro, procurando saber por onde começar. Ele faz uma lista de cinco aspectos diferentes: no falar, na conduta, no amor, na fé e na pureza. É uma lista bastante pesada, mas nos ajuda a ver onde nosso exemplo deve ser exercitado. O que dizemos deverá servir de exemplo. Entre outras passagens, Efésios 4.25, 29 e Tiago 3 fornecem princípios para o padrão de um pastor em seu falar. Um pastor deve ouvir longa e pacientemente; deve falar a verdade e divulgá-la amplamente (não confundir com “ser exaustivo”); deve ser direto, sem rodeios, e amoroso (a repreensão aberta é melhor que um amor silencioso); falar o que é necessário e o que edifica; ministrar graça aos que o ouvem. O que fazemos deverá servir de exemplo. A conduta de um bom pastor será observada por todos e confirmará ou trará dúvidas e, até mesmo, negará a autoridade e o poder do evangelho. Um bom pastor

vive de uma maneira digna de sua chamada e imita a Deus (Efésios 4.1; 5.1; Filipenses 1.27; 4.1). A realidade surpreendente disso é que a maneira de viver de um pastor, inevitavelmente, impressionará o caráter de sua congregação. Uma congregação geralmente assume as características de seu pastor. E a impressão que um pastor causa sobre o seu povo não será facilmente removida pelos pastores que o seguirem. O pastor subsequente sentir-se-á empurrado aos trancos pelo caminho arado e endurecido no caráter do seu povo ou encontrará um caminho suave e direito, pelo exemplo digno na conduta e no modo de falar, deixado pelo pastor anterior. Nosso amor deverá servir de exemplo. Aqui está algo em que nosso exemplo vívido diante dos santos também testifica aos não crentes em nosso redor (João 13.34-35). Para que nosso amor seja exemplar, temos de seguir o exemplo de Jesus, cujo amor é supremo. Ele deu-se a si mesmo ao seu povo. Ele nasceu para que pudesse morrer. Voluntariamente, tomou sobre si as aflições do seu povo. Suportou o desprezo, a ridicularização, a zombaria , os açoites que nós merecíamos e a ira do onipotente e infinito Pai, em nosso lugar. Entrou em nossas aflições e fez face às nossas tentações. Identificou- se conosco em tudo, como um sumo sacerdote adequado. Agora, a nós também compete estabelecer um exemplo de amor autosacrificial! O bom pastor também demonstra seu exemplo em fé. A autodependência é uma abominação na vida de um pastor. A falta de fé é uma anomalia no seu ministério. Um bom pastor confia em Deus. O presbítero necessita ter sua esperança fixa no Deus imortal, que tem a vida em si mesmo, que não pode mentir, que é o Deus da verdade. A congregação precisa testemunhar a fé de seu presbítero, em todo gama de situações: em exultação, apoio, oposição, abundância, falta, frutos ou esterilidade. Tanto nos tempos de engrandecimento, como nos tempos de rebaixamento, um bom pastor baseia sua vida e decisões na certeza do amor de Cristo, no seu senhorio, na sua soberania, na sua bondade. O pastor demonstra um bom exemplo em pureza. A pureza no púlpito deverá promover e conduzir à pureza nos bancos. Quão fácil é para o pastor esconder suas sujeiras. Ele pode isolar-se, fabricar

uma identidade para o público e viver uma vida dupla. Ele pode falar muito sobre pureza e santidade e negar o seu poder. O bom pastor labuta e esforça-se sobremaneira (1 Timóteo 4.10) para a santificação, sabendo que “a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser” (verso 8). A beleza da santidade e da pureza deverá conquistar o coração do pastor de tal maneira que ele venha a desprezar as outras alternativas. A semelhança de Cristo é sua motivação à pureza. Constantemente, deseja entrar naquela adorável pureza de Jesus e se tumultua quando esse desejo se esfria. Ele estabelece um exemplo de pureza porque conhece a sua bênção. Ele sabe o que é a verdadeira beleza e depende inteiramente de Deus para viver diante do seu povo – nas suas escolhas de entretenimento, suas preferências musicais, sua modéstia, sua devoção, sua confissão, sua maneira de tratar as mulheres jovens (1 Timóteo 5.2), seu estudo das artes e literatura, sua adoção e crítica de diferentes estilos, e assim por diante. Bob Kauflin sintetiza tudo isso muito bem:

Jesus veio para purificar a seu povo, uma vez para sempre, através de seu sacrifício expiatório (Tito 2.14). Ele cumpriu tudo o que a lei cerimonial prefigurava. Mas a demanda de Deus pela pureza não mudou. O Senhor continua Santo. Portanto, não nos surpreende que Deus queira que os líderes da igreja sejam exemplos de pureza para os crentes. A pureza é a qualidade de não ser profano, nem misturado, nem diluído, livre do mal ou de contaminação. A primeira área de aplicação da pureza é em nossa motivação. Deus nos chama para que nos guardemos de ser apartados “da simplicidade e pureza devida a Cristo” (2 Coríntios 11.3). Liderar nossa adoração para obter ganho ou reconhecimento público desonra a Deus. Deus deseja que nosso culto seja sincero, não hipócrita; voluntarioso, não forçado; com todo o coração, não distraído. Em outras palavras, puro. 35

CONCLUSÃO

Pastores e presbíteros se tornam o “padrão dos fiéis na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza”, pela graça de Deus e por sua ajuda onipotente. As igrejas devotam reverência pelo Senhor e pelo pastorado quando os pastores vivem vidas dignas de serem imitadas. Em sua bondade, Deus promete grande galardão àqueles homens que se entregam a essa nobre tarefa (1 Pedro 5.1-4). Charles Barckley disse bem: os atletas não são a classe de pessoas

indicadas para estabelecer um modelo. Só os servos de Cristo, cheios do Espírito e poder, o são.

* Nota do tradutor: Uma instituição memorial que notabiliza os grandes atletas do basquete Norte Americano

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OS PRESBÍTEROS ENSINAM

“ torna-te

padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza.” (1 Timóteo 4.12)

S e você tiver de reduzir o ministério pastoral a uma só coisa, qual seria? Claro, não podemos facilmente reduzir o ministério a uma só coisa. Mesmo as múltiplas funções que consideramos, em 1 Timóteo nos impossibilitam responder essa pergunta com simplicidade. Mas, se você pudesse, que haveria de ser? Poderíamos fazer das palavras “torna-te padrão dos fiéis” a causa para todas as questões da vida pastoral. Jesus disse aos seus discípulos que Ele deu o exemplo para que eles o seguissem (João 13.15). Em outro lugar o apóstolo exorta: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1 Coríntios 11.1). E disse o mesmo aos Filipenses (3.17). E agora, em 1 Timóteo 4.12, Paulo anima a Timóteo a ser exemplar em palavras e em conduta. Talvez possa-se dizer que “ser um exemplo” é uma das maneiras de se descrever um bom pastor. Outra maneira de afirmar o que um bom pastor faz é considerar qual função cabe ao exemplo. Em essência, ser um exemplo é ensinar. Um bom pastor ensina. “Ordena e ensina estas coisas” (1 Timóteo 4.11). “Até à minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino (verso 13).

DEVOÇÃO PASTORAL

Então, o que um bom pastor deve fazer? Deve devotar-se a estas três

atividades: leitura pública da Escritura, exortação e ensino. A palavra traduzida por “aplica-te” em si mesma denota uma preparação prévia. A vela que queima no gabinete do pastor abastece, como um combustível, o seu ministério. Mas é necessário que seu estudo seja igualmente santificado. Charles Bridges escreveu:

A árvore do conhecimento poderá prosperar, enquanto a árvore da vida se definha. Cada aumento do conhecimento intelectual tem a tendência à exaltação pessoal. O hábito de estudos tem que ser resguardado, para que não venha a tornar-se um indulgir pecaminoso; desejando satisfazer seu próprio ego, ao custo da boa consciência ou da retidão; empregando-se a indagações especulativas, ao invés do conhecimento santo e prático; ocupando o tempo que deveria ser usado em obrigações imediatas; ou deixando interferir em outras obrigações de igual ou maior necessidade. Um juízo sadio e uma mente espiritual devem ser exercitados, dirigindo os estudos para o fim principal do ministério. Não permitamos que nada daquelas coisas acima venha a interferir nas horas que devem ser devotadas ao estudo da Bíblia ou nossa preparação para o púlpito. 36

TRÊS DISCIPLINAS PARA UM PASTOR APLICADO AO ENSINO

Um bom pastor aplica-se ao ensino de três maneiras:

1) Leitura pública da Escritura. Tenho atendido muitas igrejas que parecem estar impacientes em ouvir a Palavra de Deus lida publicamente. Faz-me suspeitar que as pessoas têm crescido acostumadas a não ouvirem a leitura pública da Palavra de Deus, exceto em breves fragmentos. O apetite para ouvir a Palavra de Deus não cresceu consideravelmente. Outros acham a leitura pública algo cansativo, chato. Outros creem que toma o lugar da “adoração real” – os cânticos. Alguns não a entendem ou têm dificuldade em seguir a leitura. Talvez você mesmo já tenha ouvido estas e mais outras razões para que se negligencie a leitura pública das Escrituras. Você crê que Deus se impressiona com qualquer uma delas? O Pai se revela na Palavra e através da Palavra. A Palavra aponta para Jesus. O Espírito moveu homens para escrevê-la. Dado o esforço Trinitário, que razão poderíamos apresentar para negligenciá-la? Paulo diz a Timóteo que se aplique à leitura pública da Escritura –

e com boa razão o faz. A Palavra traz vida. Cada um dos

reavivamentos registrados na Escritura seguiu-se à uma leitura pública da Palavra de Deus. Por exemplo: Moisés leu o Livro da Aliança com o povo, em Êxodo 24.7. Josué leu toda a lei na

renovação da aliança, depois do fiasco em Ai, em Josué 8. O grande evento em Neemias 8, teve a leitura e a exposição da Escritura por um dia inteiro (Neemias 8. 9-13). A esperança de arrependimento levou Jeremias a persuadir Baruque a ler a Palavra diante do povo (Jeremias 36). E quantas outras vezes, nos Evangelhos, o Senhor

começa seu discurso com estas palavras: “Nunca haveis lido

Um bom pastor se assegura de que a Palavra de Deus permanece central em qualquer reunião pública do povo, e isto, em parte, pela

leitura pública da Escritura. Essas leituras moldam a atitude do povo

e são, em si mesmas, uma ação de ensino e o fundamento para

outras instruções. 2) Exortação. Um bom pastor exorta pela Palavra de Deus. Ele

desafia seu povo a não só ouvir a Palavra, mas a considerar a Palavra

- a aplicar a Escritura em sua vida. Ele exorta encorajando,

repreendendo, corrigindo, advertindo e confortando (1 Timóteo 3.16-17). Ele move seu povo a sentir e agir com base na Palavra de Deus. O modelo apostólico para o ministério pastoral focaliza a aplicação da Palavra ao povo individualmente (1 Tessalonicenses 2.8-13). Ler

ajuda, mas não é suficiente. Um presbítero precisará aplicar a Palavra

às diversas condições espirituais existentes no meio da assembleia

dos crentes. Alguns necessitam cuidados, outros a vara de correção e outros ainda o bisturi cirúrgico que corta com precisão. Um bom pastor esforça-se em fazer com que a Palavra ministre a cada necessidade, por meio da sua leitura e de sua aplicação. 3) Ensino. Os presbíteros ensinam pela leitura e pela exortação. Porém, a ovelha que está ainda crescendo requer uma instrução sistemática. Timóteo teria de devotar-se à doutrina. Paulo não queria ter nada a ver com o sofisma que, com ares de altamente inteligente, afirmava que “doutrina divide”, ou que “é uma questão de relacionamento, não de doutrina”. Não pode haver relacionamento verdadeiro sem que conheçamos com quem nos relacionamos. O

?”.

trabalho de Timóteo seria construir uma base de doutrina por ajuntar, para o seu povo, as verdades da Escritura num todo. Timóteo tinha de ensinar porque, à parte do ensino, ele não poderia ser um bom pastor.

COLOCANDO EM PRÁTICA

Dos sábios conselhos de Bridges, podemos notar diversas aplicações para o presbítero fiel:

1. Guarde as horas necessárias para a leitura e estudo, para que possa realizar um ensino efetivo.

2. Leia amplamente em um certo nível, mas profundamente, quando se trata da Escritura e da teologia.

3. Leia regularmente teologia sistemática, bíblica e histórica. Isto lhe ensinará tudo sobre uma determinada matéria, tema e narrativas das Escrituras, e lhe mostrará como outros santos lidaram com essas mesmas questões, prevenindo, assim, o seu orgulho de se recusar a aprender de outros.

4. Discipline seu pensamento, escrevendo seus sermões; pelo menos se você ainda é um pregador jovem. Nem todos os pastores necessitam dessa disciplina mas, para muitos, pregar de um esboço acrescenta precisão e ordem aos nossos sermões.

5. erque-se de pessoas que possam fazer comentários honestos e construtivos sobre seus sermões. Reúna-se com outros pastores e presbíteros. Ouça outros sermões ou use reuniões de líderes como oportunidades para que seus colaboradores possam encorajar, corrigir e ajudar.

6. Tenha uma abordagem geral no ensino público, de forma que possa coordenar o púlpito com os estudos bíblicos no meio da semana, a Escola Dominical, grupos menores e outras oportunidades de ensino. Nem tudo o que se deve ensinar poderá ser feito do púlpito; portanto, outras oportunidades devem ser usadas estrategicamente.

ativamente buscar homens competentes na liderança e na congregação em geral, para ajudá-lo a levar a carga.

CONCLUSÃO

Qual a tarefa de um pastor? Em uma palavra: ensino. Por suas palavras e por suas ações, ele ensina as ovelhas. Santifiquemos, pois, nosso estudo e a preparação em nosso gabinete, para que possamos, completa e habilidosamente, alimentar as ovelhas de Deus com o maná de sua Palavra. É a Palavra de Deus que dá vida. Um bom pastor crê e confia nisto e centraliza seu ministério neste mesmo fato.

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OS PRESBÍTEROS SE DESENVOLVEM

“Medita estas coisas e nelas sê diligente, para que o teu progresso a todos seja manifesto” (1 Timóteo 4.15)

D iariamente, pelas manhãs, elas corriam para o parapeito da janela ansiosas para ver se a planta havia crescido. Seu professor de ciências lhes havia incumbido de plantar uma semente num pequeno copo de plástico transparente, cheio com terra boa e fertilizada. A tarefa seria a de documentar o crescimento de uma pequena semente aninhada na terra, para um brotinho e, eventualmente, uma planta. Minhas duas filhas estavam cativadas pelo mistério do desabrochar de uma vida. Todos os dias, fixavam sua atenção à plantinha. Lembro-me de ter a mesma fascinação quando, ainda criança, com a mesma idade delas, minha classe completou um projeto semelhante. Todas as coisas vivas crescem e se desenvolvem. Não há nada que possa revelar força e vitalidade tão bem, quanto um crescimento apropriado. Talvez esta seja a causa porque todo mundo dá boas vindas ao crescimento. Encontramos prazer e estímulo onde quer que encontremos coisas crescendo. Deus nos fez de modo que crescemos na vida e, portanto, buscamos ver crescimento em todas as coisas e em todas as áreas.

OS PASTORES TAMBÉM TÊM DE CRESCER

O apóstolo usa palavras bem fortes com Timóteo, a fim de reforçar a necessidade de crescimento. Ele chama Timóteo a ser diligente e a treinar-se, de maneira que o seu crescimento afirmasse o vigor de sua vida espiritual. A ideia de devotar-se ou aplicar-se diligentemente aparece diversas vezes nesse capítulo. Alguns serão devotados a serem obedientes aos “espíritos enganadores e a ensinos de demônios” (verso 1), enquanto Timóteo deveria aplicar-se à leitura pública da Escritura, à exortação e ao ensino. E, mais ainda, Timóteo deveria “exercitar-se” – trabalhar duro e lutar – em piedade (verso 7). A imagem de suar com um esforço exercido salta da página sagrada. Ministério é labuta. É trabalho. Se o realizarmos querendo uma coisa fácil e conveniente, vamos nos sentir como que atropelados pelo tráfico intenso de responsabilidade, dureza, dificuldade, pecado, desapontamento, aparentes fracassos (nossos e dos outros), morte, doença e todas aquelas outras coisas que acompanham a vida de uma humanidade caída. Ministério é labuta. Como um trabalhador, o ministério pastoral requer rotina, testes e melhorias. Referindo-se às coisas que foram mencionadas nos versos anteriores, Paulo ensina Timóteo a aplicar diligência nos trabalhos que seguem:

Advertindo as pessoas dos falsos mestres;Timóteo a aplicar diligência nos trabalhos que seguem: Evitando a falsa doutrina e os mitos; Aplicando-se

Evitando a falsa doutrina e os mitos;que seguem: Advertindo as pessoas dos falsos mestres; Aplicando-se à piedade; Esperando no Deus vivo; Exigindo

Aplicando-se à piedade;dos falsos mestres; Evitando a falsa doutrina e os mitos; Esperando no Deus vivo; Exigindo com

Esperando no Deus vivo;a falsa doutrina e os mitos; Aplicando-se à piedade; Exigindo com autoridade e ensinando; Mantendo sua

Exigindo com autoridade e ensinando;e os mitos; Aplicando-se à piedade; Esperando no Deus vivo; Mantendo sua cabeça levantada como um

Mantendo sua cabeça levantada como um jovem pastor;Esperando no Deus vivo; Exigindo com autoridade e ensinando; Exibindo um exemplo de vida; Lendo publicamente

Exibindo um exemplo de vida;Mantendo sua cabeça levantada como um jovem pastor; Lendo publicamente a Escritura, exortando e ensinando;

Lendo publicamente a Escritura, exortando e ensinando;levantada como um jovem pastor; Exibindo um exemplo de vida; Usando os seus dons. Ao final

Usando os seus dons.vida; Lendo publicamente a Escritura, exortando e ensinando; Ao final desta palavra, Paulo exorta Timóteo a

Ao final desta palavra, Paulo exorta Timóteo a aplicar-se em todas essas ocupações. Tanto o texto como nossa experiência nos sugerem que algumas dessas coisas não vêm com naturalidade aos pastores e presbíteros.

Podemos ser hábeis para algumas coisas, mas percebemos que outras são bem difíceis. Se esperamos que tudo nos seja fácil, vamos nos desesperar por nunca chegarmos a ser suficientemente frutíferos. E se esperamos que tudo seja difícil, nunca vamos tentar fazê-las e, assim, negligenciaremos nossos dons e nossa vocação e, por conseguinte, falharemos em ver a graça de Deus em ambos: nos sucessos e nas falhas. Um bom, piedoso e correto foco nessas coisas é crucial. Uma das maneiras para se manter o foco apropriado é reconhecer que o ministério requer prática. É preciso concentração, meditação, ação e avaliação. E boa prática requer forte devoção. Qualquer que tenha uma criança que, alguma vez, tenha implorado para aprender um instrumento musical, sabe que o fervor e o entusiasmo da criança em praticar seu instrumento começa a declinar logo depois que a novidade do seu sucesso passa. De igual maneira, meu treinador do time de basquete na escola secundária costumava fazer-nos sua ladainha: “Você só joga da forma como treinou”. Então, você pode imaginar que ele fazia questão de que nossos treinos fossem eventos vigorosos. Provavelmente, assistimos tantos filmes dos nossos treinos, quanto jogamos. Possivelmente, se tomarmos a mesma atitude que tomávamos em nossos treinos, nosso ministério será dormente, retrógrado, hesitante, decomposto, e nós não ganharemos nosso galardão pela falta da necessária preparação, foco e avaliação em nosso ministério.

A DISCIPLINA DO TREINAMENTO

Algumas disciplinas poderão servir-nos em nosso contínuo empenho para sermos bons pastores. 1. Aborde o estudo como se fora o próprio jogo. O estudo não é opcional. Nós pastoreamos da mesma forma com que treinamos. Em nosso estudo, passamos pelas mesmas rotinas dos jogos, que fazem com que nossa performance no tempo do jogo atual seja tranquila, eficiente, eficaz. Quando meu estudo caminha errado, assim também termina o resto do jogo. Meu aconselhamento não chega a ser tão claro como deveria ser. Me vejo perdido, sem saber responder a

coisas que eu deveria conhecer. Quando meus estudos seguem mal, meu discipulado com outros homens tem a tendência de ser sem profundidade, minha pregação, mais dependente de mim mesmo e com as emoções indevidas. Posso pregar com algum efeito, compartilhar conselhos mais-ou-menos sábios e ajudar ao lado de outros homens. Mas a minha falta de preparo eventualmente se fará aparente durante o “jogo” da vida real. Poderei ser eloquente, mas não serei de muita utilidade. Um bom presbítero tem de realizar seu tempo de estudo como se já estivesse jogando “pra valer”, porque a velocidade no jogo de ministrar requer atenção, preparação e “jogadores” com bom treinamento. 2. Encontre um bom treinador para si mesmo. Não existe ilha tão deserta como a ilha do ministério pastoral. Muitos pastores experimentam solidão em seu ministério pastoral; há outros que se sentem bem confortáveis com sua própria companhia. Mas para todos nós, a ilha deserta provoca uma condição trágica: pouco ou nenhuma avaliação do nosso trabalho. Somos deixados às muletas cruéis da nossa própria avaliação. Poucos são, entre nós, os que podem oferecer uma boa opinião de si mesmos. Somos propensos a cair de um lado, ou do outro – ou tudo está muito bem e todo o mundo tem que concordar conosco, ou tudo está terrivelmente mal e os céus estão desmoronando. Em ambos os casos, nada é sentido ou visto corretamente. Um bom treinador poderá trazer-nos uma correção sem rodeios, com toda franqueza, em nossa maneira de pensar, nossa pregação, nosso aconselhamento e nossa vida. A fim de sermos zelosos, diligentes, como Paulo nos diz no verso 15, temos de “assistir aos filmes do nosso treino” com alguém que conheça bem o jogo e que tenha a capacidade para apontar os erros e as fraquezas. Um pastor humilde busca este tipo de auxílio. 3. Cultive a humildade. Cultivar a humildade é algo mais difícil do que parece. Como notamos anteriormente, o orgulho é um monstro marinho que se levanta das mais diferentes formas e nos tempos mais inoportunos. Combater o orgulho se assemelha mais ou menos a pregar geleia na parede. Para ser ajudado neste assunto, leia o livro de C. J. Mahaney: Humildade – Verdadeira Grandeza*. Estude-o.

Procure também encontrar e observar homens que são considerados genuinamente humildes. Estes provavelmente não serão encontrados entre aqueles que estão liderando as mais modernas e prósperas igrejas em sua área. Provavelmente estarão labutando em silêncio, no anonimato, o que bem pode ser a causa de poderem exibir tal humildade de coração. Cultive a humildade por observar esses homens, seguindo-os, assim como eles seguem a Cristo, e confessando seu próprio orgulho. Nem treino, nem um bom treinador poderão ajudar-nos, se não formos humildes, solícitos para aprender e capazes de receber e usar as correções piedosas, francas e sem rodeios dos nossos treinadores.

OS BENEFÍCIOS DE UM PASTOR, EM SEU PROGRESSO NA FÉ

Um bom pastor faz todas estas coisas, conforme foi dito a Timóteo [e também a nós]: “para que o teu progresso a todos seja manifesto”. Deus deseja exibir o crescimento de um pastor para o benefício de suas ovelhas. Os membros de uma igreja olham para seus pastores como as crianças correndo para o parapeito da janela, para ver o desabrochar de uma vida, o crescimento de seus pastores e, vendo-o, sejam estimulados ao mesmo crescimento. Seu desenvolvimento beneficia sua congregação de diferentes maneiras. 1. Se todos podem ver o crescimento do pastor, isto quer dizer que seu povo já estava consciente de algumas faltas e imperfeições. E um bom pastor tem de deleitar-se nisso! Permitir que outros notem que ele não é perfeito, liberta-o de expectativas não realistas e o faz humano para sua congregação. Pode prosseguir com o projeto de ser, simplesmente, uma criatura caída e redimida por graça. Assim, não terá de cobrir suas faltas. Sabiamente, com edificação em vista, deve confessar suas fraquezas. O bom pastor deve deixar que seu povo saiba e entenda que ele tem uma vida para ser vivida diante de Cristo e que, desde que veio ao Senhor, tem descoberto o quanto necessita crescer em graça e em santificação. Suas ovelhas sabem e ele deveria lembrá-las desse fato e, em diferentes e variados casos, ele vai encontrar adicional liberdade e graça – especialmente quando a

congregação pode receber, dos seus pastores, a mesma graça.

2. Se os pastores fazem progresso em seu viver cristão, a pressão e a

crise nervosa podem ser evitadas. Quando uma congregação praticamente demanda perfeição de seus pastores, involuntariamente estarão forçando sua falência ministerial, ou causando um ministério hipócrita. Um pastor pode admitir suas fraquezas e dar o assunto por encerrado, ou pode esconder suas fraquezas por usar uma máscara de perfeição. Os homens entram em

colapso e se destroem em qualquer das duas situações. A terceira, e bíblica, atitude é permitir que o pastor seja humano – com suas feiuras e tudo o mais – enquanto ora e espera por seu crescimento. Neste terceiro modo as congregações mantêm bons pastores e bons pastores buscam a Jesus.

3. Quando um bom pastor é encorajado a fazer progresso em sua fé, sua

congregação melhora sua habilidade de ver sinais dos problemas em sua vida. Crescimento é algo normal na vida cristã e este fato não é menos verdadeiro na vida de um pastor. Se um pastor não está crescendo com o passar do tempo, seus companheiros, presbíteros e líderes devem explorar as razões potenciais da estagnação. Orações fervorosas devem ser feitas por uma reversão do curso que está se seguindo. Os pastores devem consultar bons livros à disposição, como o de Don Whitney – “Dez Questões para Diagnosticar Sua Vida Espiritual” (Ten Questions to Diagnose Your Spiritual Life), ou Octavious Winslow “Declínio Pessoal e Reavivamento da Religião da Alma” (Personal Declension and Revival of Religion in the Soul). Um bom pastor deve trabalhar para que o orçamento da igreja reflita seu desejo pelo devido crescimento e proporcione oportunidades ao pastor de participar de diversas e boas conferências durante o ano; também para incluir um orçamento que lhe permita atualizar sua livraria e sua dieta de leituras.

4. O crescimento de um pastor deve ser visto. “Todos” devem notar o

seu progresso (verso 15). Isto é parte do que queremos dizer com “estabelecer um bom exemplo”. Um bom pastor deseja ver seu povo crescendo, portanto, ele também precisa crescer. De vez em quando, deve ouvir seu povo fazer algum comentário sobre o seu crescimento. Agora, isso se traduz na necessidade de um pastor

permanecer num mesmo lugar durante um longo período de tempo, de maneira que o seu povo possa ter o tempo necessário para ver o seu progresso em piedade, graça, pregação, força espiritual e amor.

CONCLUSÃO

Muitos crentes se sentem intimidados por seus pastores, principalmente porque estes se apresentam como super-homens, sem necessidade de treinamento ou de crescimento. Uma intimidade entre o pastor e seu povo requer transparência e uma obra da graça de Deus em suas vidas. Isso pode ser visto como algo arriscado, se ambos, pastor e seu povo, forem pessoas orgulhosas. Mas o esplêndido benefício é que o pastor e seu povo começam a tratar-se graciosamente e terão a oportunidade de ver a realidade do que deve ser um crescimento produzido por Deus.

* Publicado em português por Editora Fiel.

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OS PRESBÍTEROS VIGIAM SUAS PRÓPRIAS VIDAS

“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes.” (1 Timóteo 4.16)

E m Abril de 2006, encontrei-me assentado em um salão, juntamente com outros três mil pastores e seminaristas, na primeira Conferência Together for the Gospel. Foram dois dias e meio de extraordinária comunhão em Cristo e no seu evangelho. Após o trovejar de três mil vozes masculinas cantando ricas verdades e ouvindo gloriosos sermões sobre pregação e ensino, C. J. Mahaney encerrou a conferência com uma excepcional exortação para que vigiássemos nossas vidas como pastores. Aquele sermão merece ser ouvido repetidamente. Na verdade, você provavelmente deveria procurar uma cópia do livro “A Pregação da Cruz” 37 para ler. C. J. fez-nos saber que nós, pastores, somos mais cuidadosos em guardar nossas doutrinas do que em guardar nossas vidas. Então, um bom pastor deve usar lentes bifocais para ver ambas: sua doutrina e sua vida. A doutrina sã deveria levar-nos a uma vida correta. Mas, nem sempre o faz; e esta inconsistência é evidência de que nós precisamos ser mais vigilantes em ambas as áreas – para vigiarmos bem de perto doutrina e obras. Os pastores estão dispostos a viverem suas vidas de tal maneira que suas ações e aquilo em que creem estejam em conformidade com a Palavra de Deus.

VIGIANDO VIDA E DOUTRINA

Como os pastores podem vigiar ambas, vida e doutrina? 1) Um bom pastor cerca-se de homens de qualidade que possam ajudá- lo a vigiar sua vida. Ser obrigado a prestar contas a alguém é essencial – não, simplesmente, uma responsabilidade passiva, reacional, mas procurando, inquirindo, tomando a iniciativa. Os pastores necessitam de pessoas que façam as perguntas difíceis que normalmente se evitam fazer, em conversas normais; que nos “cobrem”, ao invés de apenas nos ouvir. Os presbíteros necessitam de homens que, às vezes, se mostrem mais interessados em nossa santificação, com um zelo maior do que o nosso próprio (Provérbios 27.17; Hebreus 10.24). Presbítero, você pode mencionar três a cinco homens que tenham acesso aberto à sua vida? 2) Um bom pastor conserva amor, participação e um interesse saudável por sua família. Há muitos pastores que fazem face à tentação de idolatrar sua família ou seu ministério. Por estranho que pareça, um amor desordenado pelo ministério e por suas atividades revela falta de afeição por Deus. Mas, se forem fortes as suas afeições pela obediência ao Salvador, ele se tornará também mais afeiçoado de sua família. 1 Timóteo 3.4,5 estabelece o cuidado pela família como um pré-requesito para o ministério e, portanto, uma prioridade sobre o ministério. Assim, um bom pastor guarda sua vida ao ser vigilante em ordenar suas prioridades quando se trata de sua família. Ele desenvolverá sua habilidade de dizer não para certas ministrações legítimas, para dizer sim à sua família. “Talvez, em nenhuma outra área estamos tão sujeitos a nos enganar ou tão pouco abertos às nossas convicções, como no atendimento às crianças.” 38 3) Um bom pastor mantém constante vigilância sobre seus pensamentos. Ele luta conta a ira, inveja, censura, lascívia e coisas semelhantes. Esforça-se para pensar naquelas coisas que são respeitáveis, justas, puras, amáveis, de boa fama (Filipenses 4.8). Com frequência, os pastores ouvem-se a si mesmos, em vez de falarem a si mesmos. Se

não tomarmos cuidado, começaremos a crer nas coisas que dizemos a nós mesmos e terminaremos com uma vida mal informada. Para vigiar sua vida atentamente, o pastor precisa batalhar contra o pecado no nível dos seus próprios pensamentos e desejos, plantando boas sementes e arrancando todos os espinhos e ervas daninhas, antes que sufoquem sua vida. 4) O bom pastor se protege, e protege sua família e sua igreja contra a imoralidade sexual e a aparência do mal. Um bom pastor deve saber como não fazer provisão para a carne e não deve viver sua vida aberta de tal maneira, que possa estimular atenção indevida, assédios ou confusão. Ele não se encontra ou viaja sozinho com uma mulher. Não dá seu ombro para ouvir choros de mulheres vulneráveis. Seu escritório está sempre aberto e visível, para não dar a impressão de estar agindo em segredo. Um pastor sábio se assegura de que sua esposa e sua secretária tenham conhecimento de qualquer encontro ou reunião com outras mulheres. Mais ainda, ele, ativamente e com prazer entrega-se a sua esposa em intimidades matrimoniais. Ele arranca seus olhos e corta seus braços e o que necessário for para proteger sua família e sua igreja de atos imorais. Humildemente e com entusiasmo, envolve outros nessa proteção e responsabilidade pessoal. 5. Um bom pastor vigia sua vida quanto ao descanso e a recreação necessários. Deve haver descanso adequado e recreação apropriada na agenda de um pastor. Para estar certo de que tem o descanso devido, o pastor deve receber com agrado comentários sobre sua agenda de atividades e de seus hábitos de trabalho. Eventualmente, os pastores perderão a batalha e a guerra, se eles não descansarem. Se Jesus não voltar em breve, a vida pastoral será um longo e tedioso labor. Para poder trabalhar, um bom pastor necessita cuidar de suas necessidades físicas. Charles Bridges teve um ministério bastante longo, na Inglaterra, nos meados dos anos 1800. Ele entendia a necessidade de descanso e recreação.

O servo devotado ao serviço de Deus encontrará uma certa medida de relaxamento, ao voltar dos mais dolorosos aos mais dóceis exercícios do seu trabalho.

Ocasionalmente, uma distração total é necessária. E não venha ele a pensar que seu Mestre demanda trabalho, quando o seu corpo e o seu espírito demandam repouso. Um bom planejamento fará com que a mudança tenha a tendência de fortalecê-lo, em vez de enervar o tom de seu caráter espiritual e o poder do seu ministério. 39

6. Um bom pastor vigia seus hábitos e idiossincrasias causados pelos pontos mais fortes de suas habilidades pessoais. Em muitos casos, a potência de um pastor é, ao mesmo tempo, a sua fraqueza. Martyn Lloyd-Jones nos adverte, em seu clássico “Pregação e Pregadores”:

Vigie seus dons naturais e suas tendências e idiossincrasias. Vigie. O que eu quero dizer é que essas coisas têm a tendência de fugirem com você. Podemos sumarizar isso em uma só frase – vigie seus pontos mais fortes. Nem tanto suas fraquezas: é a capacidade que você tem de vigiar as coisas nas quais você se sobressai, seus dons naturais e suas aptidões. Estas são as coisas que mais frequentemente lhe farão tropeçar, porque elas são as que lhe tentarão a exibir-se e a congratular-se a si mesmo. Então, vigie-as; e também às suas idiossincrasias. Todos nós as temos, e temos que vigiá-las. 40

O abuso de nossas capacidades podem enfraquecer outros aspectos do nosso ministério. Vamos ficar parecidos com lagostas, que têm uma garra gigante que vamos querer usar para todos os fins, enquanto outras garras mais diminutas ficam sem uso e sem atenção. Com o tempo, pode ser que nossos pontos fortes no ministério venham a criar um desequilíbrio tão proeminente quanto nossas fraquezas criariam.

CONCLUSÃO

Vigiar nossas vidas e nossa doutrina não é algo que acontece naturalmente. Por isso mesmo é que o pastor fiel precisa exercitar disciplina pessoal. Tem de se tornar um estudioso do seu coração e de sua mente. E deve estimular outros a inspecionarem os cantinhos que ele não pode enxergar.

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PRESBÍTEROS VIGIAM SUA DOUTRINA

“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes.” (1 Timóteo 4.16)

N ão sei muito bem o que algumas pessoas querem dizer com “caçadores de heresias”, mas estou certo de que eu sou um deles. E isto tem a ver com minha conversão. Tendo abraçado a fé islâmica por algum tempo, vim a Cristo um pouco severo e durão, no que concerne à doutrina e à teologia. Desde o princípio fui levado a ler livros sobre sã doutrina. Realmente, eu não conhecia o termo “doutrina”, nem tinha algum entendimento coerente sobre o que estava procurando, exceto que buscava um conhecimento verdadeiro de Deus. Imagine como saltou o meu coração quando, no primeiro dia da semana depois da minha conversão, visitei uma livraria cristã local, encaminhei-me para a seção de teologia e comprei dois livros: “O Conhecimento de Deus”, de J. I. Packer* e os três volumes de “Grandes Doutrinas Bíblicas”, de Martyn Loyde-Jones**. Eu não tinha a mínima ideia do que estava comprando, mas nunca mais fui o mesmo, depois de comprar e ler estas obras clássicas. O Senhor me demonstrou tremenda graça ao guiar-me a estes dois homens e suas obras, iniciando, assim, a minha vida cristã com os pés firmados no solo da sã doutrina. Sou eternamente grato.

Tendo baseado minha vida numa mentira e, conhecendo agora o que eu devo crer, virei um tipo de “caçador de heresias”. Por este termo não quero dizer que eu sou um sujeito que busca, embaixo de cada pedra que encontro, qualquer erro por pequeno que seja, a fim de rebater a pessoa e seu erro com todas minhas forças. Nem sou alguém rabugento e brigão por causa de doutrina, mas sou alguém seriamente preocupado com isto. Minha jornada pessoal confirma a importância da admoestação de Paulo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina” (1 Timóteo 4.16).

COMO PODEMOS VIGIAR NOSSA DOUTRINA BEM DE PERTO?

1) Centralize a Escritura. Um bom pastor é um homem do Livro. Ele não conhece uma ciência mais alta que a ciência da teologia, e nenhuma arte que possa ser mais rica que o estudo da Escritura. A Santa Palavra de Deus ocupa o lugar de maior prioridade em seu pensamento. Ele bebe da profundidade da Escritura e ouve a advertência de Paulo: ”não ultrapasseis o que está escrito” (1 Coríntios 4.6). Ele observa e vigia bem de perto sua doutrina para pensar os pensamentos de Deus, segundo a Escritura. 2) Lê e relê livros antigos e bons Sem querer menosprezar os livros mais recentes, os velhos clássicos ainda são os melhores. Livros clássicos tipicamente oferecem maior rigor, entendimento e profundidade do que as obras publicadas no mercado voltado para publicações em massa dos nossos dias. As obras clássicas já sobreviveram ao teste do tempo. Muitas pessoas hoje amam C. S. Lewis, o famoso escritor e pensador cristão que deu ao mundo “Crônicas de Narnia” e “Cristianismo Puro e Simples”. Poucos, porém, seguem o sábio conselho de Lewis em leituras. Considere estas linhas dos parágrafos que abrem sua introdução a Atanásio, no clássico “Na Encarnação” (On the Incarnation).

Existe uma ideia geral de que todos os temas dos livros antigos deveriam ser lidos apenas pelos profissionais e que o leigo deveria contentar-se apenas em ler os

escritos modernos. Esta preferência errônea pelos livros modernos, e esta timidez pelos antigos, em nenhum caso está mais acentuada do que na teologia. Agora, para mim, isto parece estar de ponta-cabeça. Naturalmente, visto que eu mesmo sou um escritor, não quero que o leitor comum deixe de ler os livros modernos. Mas, se ele tiver de ler somente os novos ou somente os velhos, eu aconselharia que lesse somente os velhos. E eu lhe daria este conselho precisamente porque ele é um leigo e, portanto, está muito menos protegido do que o perito, dos perigos de uma dieta exclusivamente contemporânea. É uma boa regra, depois de ler um novo livro, nunca permitir-se outro novo até que tenha lido um antigo, intercalando suas leituras. Se isto for muito difícil para você, então você deveria pelo menos ler um antigo para cada três novos que lesse. 41

Ler obras que foram provadas ajuda o pastor a vigiar sua doutrina. 3) De vez em quando, leia livros ruins. Não com regularidade nem exclusivamente, mas ocasionalmente um bom pastor deverá ler um livro ruim. Poderá fazer isto porque muitas pessoas entre o seu povo parecem demonstrar interesse em determinado livro ou porque certo livro está criando um movimento na igreja em todas as partes. Ele poderá ler tal livro para conhecer quais são as questões que aborda e o que está em jogo e para melhor pastorear o seu povo, ou, ao menos, para afiar seu ministério apologético. De qualquer forma, depois de uma boa dieta de Bíblia e de clássicos, um pastor fiel vigia sua própria doutrina por familiarizar-se com erros relevantes. 4) Leia a história da igreja e teologia histórica. A maioria dos erros que hoje vemos já foram cometidos por outro alguém antes de nós. Não há nada de novo embaixo do sol – inclusive má teologia. Um bom pastor aprende a inocular-se desses erros por ler teologia histórica e história da igreja, quando erros doutrinários já tenham sido registrados, debatidos e resolvidos por homens piedosos de gerações passadas. Há uma verdade no antigo clichê: “Aqueles que não conhecem história estão condenados a repeti-la”. 5) Evite as originalidades e os caprichos passageiros da época. Muitos erros começam com uma originalidade qualquer. Com o desejo de dizer alguma coisa nova ou fazer alguma inovação. Mas são poucos aqueles fiéis instrutores que desejam ser doutrinariamente inovadores. Sempre que um bom pastor se depara com alguma coisa

totalmente nova em seus estudos e leituras, ele faz, pelo menos, estas quatro perguntas: (1) Como, de uma maneira específica, este ensino se distancia das verdades aceitas e estabelecidas pela fé uma vez entregue aos santos?, (2) Que impacto esta ideia ou doutrina tem sobre outras importantes questões doutrinárias?, (3) Como isto impacta a vida das pessoas? e (4) Este impacto será realmente digno de se considerar em vista dos perigos, ou dos problemas associados com a originalidade da interpretação? No verso 7, Paulo avisa a Timóteo que evite “fábulas profanas” – os mitos irreverentes e ridículos. Um bom pastor, seguirá o conselho de Paulo. O mundo está constantemente clamando por coisas novas. Deseja engenhosidade e novos descobrimentos. Há algo com o coração humano que anseia por ser original, peculiar. Mas grandes explosões de erro acontecem quando o combustível de um pastor é o desejo por habilidade e originalidade e se mistura com o estímulo dos desejos mundanos por novidades. 6) Continue aprendendo de bons mestres. Qual o pastor pode parar de aprender? Ou quem pode dominar tudo o que há para se aprender dos séculos de pastores eruditos, teólogos e pensadores? Um bom pastor compromete-se a fortalecer seu conhecimento do Salvador e da fé, e se planeja especificamente para este fim. Pode fazer um curso do seminário (no campus ou via internet), ouvir por rádio ou pela internet, frequentar boas conferências, ou juntar-se a um grupo de estudos. Mas, de uma maneira ou de outra, ele continuará sempre aprendendo. 7) Comprometa-se com a confissão de fé de sua igreja. Os pastores devem estar comprometidos em obedecer e defender a declaração de fé como um resumo exato dos ensinos da Bíblia. No momento em que um pastor renuncia seu comprometimento com um artigo da declaração, ele deverá confessá-lo a seus colegas do presbitério e aos líderes, para responsabilidade recíproca, correção e disciplina. Em nossa igreja, os presbíteros prometem que, “se em algum tempo eu me encontro em desacordo com as confissões de nossa Declaração de Fé e Aliança, eu, de minha própria iniciativa o farei conhecer ao pastor e aos demais presbíteros a mudança que fiz em meu entender, desde que assumi estes votos”. Este penhor

fortalece nossa vigília doutrinária. (Veja o apêndice para exemplos dos votos de um presbítero em sua ordenação). 8) Desenvolva um instinto para detectar afrouxamentos e afastamentos doutrinários. Na maioria dos casos, um pastor serve como o principal oficial teológico na igreja. Consequentemente, ele terá de ser suficientemente astuto para monitorar seus próprios pensamentos e ser intelectualmente honesto para consigo mesmo. Necessita ter um nariz capaz de sentir o cheiro da preguiça teológica, do desleixo ou da indiferença. Terá de lutar contra qualquer tendência que o leve a fazer concessões doutrinárias. O presbítero não poderá servir bem a seu povo quando, constantemente, está cedendo pequenos pontos no terreno teológico, sempre que se veja amedrontado pelos semblantes dos homens que o desaprovam. Terá de ser capaz para discernir se agradar as pessoas é uma tendência dos hábitos do seu coração e até onde isto enfraquece sua posição doutrinária. Terá de reconhecer se tem a tendência de evitar conflitos ou se este hábito corrói sua fidelidade à verdade. Precisa saber quando o pragmatismo assume o controle dos seus pensamentos, de tal modo que o tente a abandonar a sã doutrina e escolher aquelas coisas que “funcionam melhor”. Necessita de um instinto afiado para poder apontar desvios e afrouxamentos em si mesmo, e ter um plano específico para vencer suas tendências.

CONCLUSÃO

Na história da igreja, toda heresia e disseminação geral de uma corrupção doutrinária na igreja se levantou quando seu pastor estava em seu posto de trabalho. Ele mesmo a introduziu, ou permitiu que entrasse no corpo da igreja. Um número significante desses erros foram desenvolvidos por homens que buscaram aquilo que parecia direito aos seus próprios olhos e desprezaram as grandes verdades da Escritura e a sabedoria piedosa daqueles que foram antes deles. A exortação de Paulo é profundamente prática e criticamente importante. A vigilância atenta do pastor afeta o bem estar do seu

povo. Ao vigiar, ele salvará a si mesmo e aos seus ouvintes. Possa o Senhor dar-nos graça para sermos bons e fiéis ministros para nosso povo.

* Publicado em português por Editora Cultura Cristã ** Publicados em português pela editora PES.

PALAVRAS FINAIS

“Obedecei aos vossos pastores e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.” (Hebreus 13.17)

C omo deve sentir-se um pastor quanto ao seu trabalho pastoral? Qual seria a emoção dominante que caracteriza seu ministério? Muitos pastores se sentem exaustos, frustrados, ineficazes e deprimidos. Sentem-se como se o ministério pastoral fosse uma carga. Mas, como Deus quer que seus pastores se sintam, com relação ao seu trabalho? Hebreus 13.17 responde à nossa pergunta ao dizer que o trabalho de um pastor deve ser uma alegria. Com frequência você ouvirá pastores dizendo que se sentem bastante sóbrios diante da referência daquele verso, sobre o fato de que terão que dar contas a Deus pelas almas que lhes foram confiadas aos seus cuidados. Mas, por mais sóbria que esta advertência possa ser, a alegria deveria impregnar o trabalho do pastor a favor de suas ovelhas. Se você que está lendo este livro é um pastor, minha esperança é de que suas sugestões e exortações práticas aumentem sua alegria. Espero que focar na base do caráter pastoral e de sua responsabilidade possa lhe ajudar a traçar um roteiro para o seu ministério e, assim, disfrutar os benefícios que advêm da objetividade. Quanto mais claro estamos de nossa vocação, maior a possibilidade de gozarmos a alegria do nosso serviço. Ou, talvez, você seja membro de uma igreja, ou participe de um comitê para achar um pastor. Você já pensou sobre sua parte em

fazer com que o ministério pastoral seja uma alegria para os homens que estão servindo? Hebreus 13.17 chama-o a seguir seus pastores ou potenciais pastores para que não se sobrecarreguem. E já notou que um ministro feliz é uma vantagem para você como membro e também para o resto da congregação? Por vontade de Deus, seu crescimento espiritual está ligado com a alegria de seu pastor. Portanto, num sentido bastante real, o pastor e o povo vivem juntos, de tal maneira que um promove a alegria do outro. Este livro ajudará na sua alegria ou será um fardo para você como pastor. Eu oro para que venha a ser causa de sua alegria, ao invés de um peso. Para sua alegria, leia e aplique este livro à luz do evangelho do Senhor Jesus Cristo. Cristo veio a ser sabedoria, retidão, santificação e redenção para todo aquele que crê (1 Coríntios 1.30). Visto que Cristo somente é quem pode realizar a nossa salvação, o pastor e o povo estão livres para buscar a fidelidade sem uma carga pesada e crescimento com alegria. Oro para que você, ao fazer uso deste pequeno volume, possa manter uma visão completa da vida gloriosa, da crucificação, sepultamento, ressurreição, ascensão e vinda do Senhor Jesus Cristo. Somente o pensar nele frequente e longamente é, em si mesmo, alegria.

Graça, paz, e amor em Jesus Cristo. Seu companheiro na causa do Salvador.

APÊNDICE

EXEMPLOS PARA OS VOTOS NA ORDENAÇÃO DE UM PASTOR OU PRESBÍTERO

AO PRESBÍTERO

1. Você reafirma sua fé no Senhor Jesus Cristo como seu Salvador, o

reconhece como Senhor sobre todas as coisas e Cabeça da Igreja, e, por ele, você crê em um único Deus – Pai, Filho e Espírito Santo?

Sim, reafirmo.

2. Você crê nas Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos como

sendo a Palavra de Deus, totalmente confiável, totalmente inspirada pelo Espírito Santo e a suprema, final e unicamente infalível regra de fé e prática?

Sim, eu creio.

3. Você sinceramente crê, recebe e adota os artigos essenciais de fé

conforme expressados em nossa Confissão de Fé, como confiáveis exposições daquilo que a Escritura nos leva a crer e a fazer e você se instruirá e se guiará por estes artigos para liderar o povo de Deus?

Sim, com a ajuda de Deus o farei.

4. Você promete que se, a qualquer momento, encontrar-se em desacordo com qualquer parte dessa Confissão de Fé, de sua própria iniciativa fará saber aos seus colegas de presbitério a mudança que tenha acontecido em sua maneira de ver tal parte da mesma Confissão, desde que assumiu estes votos? Sim, prometo.

5.

Você se submete ao governo e disciplina da Igreja ( Sim, me submeto.

)?

6. Você cumprirá as obrigações do seu ofício em obediência a Jesus

Cristo, deixando-se continuamente guiar pelo Santo Espírito sob a autoridade da Escritura?

Sim, o farei.

7. Você promete ser mutuamente submisso aos demais presbíteros

no Senhor e amar a seus colegas de ministério, os pastores seus companheiros e o pessoal empregado pela igreja, cooperando com todos eles, sujeito à ordenação da Palavra de Deus e pelo Espírito?

Sim, prometo.

8. Tanto quanto possa entender em seu próprio coração, você tem aceitado o ofício de presbítero induzido pelo amor a Deus e por um sincero desejo de promover sua glória no evangelho do seu Filho? Sim, eu tenho.

9. Você promete ser zeloso e fiel em promover as verdades do evangelho, a pureza e a paz da igreja, quando sofrer sob qualquer perseguição ou oposição que possa levantar-se contra você mesmo por causa deste seu compromisso? Sim, com a ajuda de Deus o farei.

10. Você se compromete a ser fiel e diligente no exercício de todas as suas obrigações como presbítero, sejam elas pessoais ou relacionais, públicas ou privadas, e fará todos os esforços, pela graça de Deus, para adornar sua profissão do evangelho com sua maneira de viver, e com um andar exemplarmente piedoso diante da congregação? Sim, pela graça de Deus o farei.

11. Você está disposto a tomar uma responsabilidade pessoal na vida desta congregação, como um presbítero, para supervisionar o ministério e os recursos da igreja e para devotar-se à oração, ao ministério da Palavra, e a pastorear o rebanho de Deus confiando na

em geral seja abençoada? Sim, pela graça de Deus estarei.

À CONGREGAÇÃO

12. Os irmãos, membros da Igreja (

recebem

Deus à sua igreja para liderar-nos nos caminhos de Jesus Cristo?

),

reconhecem e publicamente

e

como presbíteros e como dádivas de

Sim, reconhecemos e recebemos.

13. Os amarão e orarão por eles em seu ministério e cooperarão com

ele humilde e alegremente, a fim de que pela graça de Deus possam cumprir a missão da igreja, dando a eles toda a honra devida e apoiando-os em sua liderança para a qual Deus os tem chamado, para a glória e honra de Deus?

Sim, o faremos.

NOTAS

1. D. A. Carson e Douglas J. Moo, “Introdução ao Novo Testamento”

(São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 1997)

2. Entre os volumes disponíveis, o leitor interessado poderá consultar: Michael Brown, ed. “Called to Serve: Essays for Elders and Deacons” (Grandville, MI: Reformed Fellowship, 2007); Mark Dever, “Refletindo a Glória de Deus: Elementos Básicos da Estrutura da Igreja (São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2008); David Dickson “The Elder and His Work” (Phillipsburg, NJ: P&R, 2004); Benjamin J. Merkle, “40 Questions about Elders and Deacons (Grand Rapids, MI, Kregel, 2008); Phil A. Newton, “Pastoreando a Igreja de Deus:

Redescobrindo o Modelo Bíblico de Presbitério na Igreja (São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2007); Alexander Strauch, “Biblical Eldership: An Urgent Call to Restore Biblical Church Leadership” (Colorado Springs, CO,: Lewis & Roth, 1995); and Timothy Z. Witmer, “The Sheppard Leader: Achieving Effective Shepherding in Your Church (Philipsburg. NJ: P&R 2010)

3. Leitores interessados poderão encontrar a edição de Maio/Junho 2010 do “9Marks eJournal útil para se entender este aspecto da função diaconal. O jornal pode ser obtido na

4. Dr. Martyn Loyd-Jones, “Victorious Christianity: Studies in the

Book of Acts, vol. 3 (Wheaton, Il: Crossway, 2003), 236, 237-38.

5. John Bunyan, “Pilgrim’s Progress in Modern English” (Lafayette,

IN: Sovereign Grace, 2000), 47.

6. Philip Graham Ryken, “1 Timothy, Reformed Exposition Commentary” (Phillipsburg, NJ: P&R, 2007), 124.

7.

George W. Knight III, “The Pastoral Epistles: A Commentary on

the Greek Text” (Grand Rapids, MI, Eerdmans, 1992), 170.

8. Ryken, “1 Timothy”, 128-29.

9. Para um ótimo tratamento deste tema, veja Witmer, “The Shepherd Leader”, especialmente os capítulos 1-2. Veja também Timothy S. Laniak, “Shepherds after My Own Heart: Pastoral Traditions and Leadership in the Bible (Downers Grove, IL:

Intervarsity, 2006).

10. Visto que a Bíblia usa estes três termos como sinônimos, também nós os usamos nas seções que se seguem.

11. Para uma excelente defesa e exposição bíblica sobre autoridade e

amor, veja Jonathan Leeman, “A Igreja e a Surpreendente Ofensa do Amor de Deus: Reintroduzindo as Doutrinas sobre a Membresia e a Disciplina da Igreja” (São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2014). , especialmente os capítulos 3 e 7. Veja ademais, Alexander Strauch, “Leading with Love” (Littleton, CO: Lewis & Roth, 2006.

12. Lemuel Haynes, “The Character and Work of a Spiritual Watchman,” em “Faithful Preacher: Recapturing the Vision of Three Pioneering African-American Pastors” ed. Thabiti M. Anyabwile (Wheaton, IL: Crossway, 2007), 29.

13. Para um excelente exame de ambição piedosa, veja Dave Harvey, “Resgatando a Ambição” (São José dos Campos, SP: Editora Fiel,

2012)

14. Charles Bridges, “The Christian Ministry: With an Inquiry into

the Causes of its Inefficiency” (Edinburgh: Banner of Truth, 1997),

23.

15.

William Still, “The Work of the Pastor” (Ross-shire: Christian

16.

João Calvino, Pastorais (São José dos Campos, SP: Editora Fiel,

2009).

17. D. A. Carson, “The Role of the Elder,” palestra proferida na

Capitol Hill Baptist Church, Washington, DC, 3 de Maio de 1998. O

em

áudio

ser

pode

baixado

uma

da

palestra

veja

“Defining

Elders”

em

18. John MacArthur, “The MacArthur Study Bible” (Nashville, TN:

Word Bibles, 1997), Veja a nota em 1 Timóteo 3.2, p.1864.

19. Ryken, “1 Thimothy”, 111.

20. Para um estudo avançado, considere John Piper e Wayne

Grudem, eds. “Recovering Biblical Manhood and Womanhood: A Response to Evangelical Feminism and Biblical Truth: An Analyses of More than 100 Disputed Questions” (Sisters, OR: Multnomah,

2004); e uma gama de valiosos recursos disponíveis no “Council on Biblical Manhood and Womanhood no http://www.cbmw.org; veja

também as

palestras

do

Pr.

John

Piper

no

21. Alexander Strauch, “A Christian Leader’s Guide to Leading with Love (Littleton, CO: Lewis and Roth, 2006), 67.

22. Ibid. 99

23. João Calvino, “Romanos” (São José dos Campos, SP: Editora Fiel,

2013)

24. Dr. Martyn Lloyd-Jones, “Pregação e Pregadores” (São José dos

Campos, SP: Editora Fiel, 2008)

26.

Veja Alfred Poirier, “The Peacemaking Pastor” (Grand Rapids,

MI: Baker, 2006).

27. Charles Edward White “Four Lessons on Money from One of the

World’s Richest Preachers,” Christian History 19 (Summer 1988):

24; citada em Randy Alcorn, “Money, Possessions and Eternity” (Sisters, OR, Multnomah, ed. rev. 2003), 298-99.

28. Ryken, “1 Timothy”, 116

29. Enquanto Paulo levanta esta questão, especialmente sobre os

Presbíteros, seria prudente aplicá-la mais abrangentemente à igreja, por estimular membros e novos convertidos a completar um apropriado treinamento teológico e ministerial antes de envolvê-los numa área particular de serviço, ou por encorajá-los a tomar os primeiros 6 meses de sua membresia para focalizar, primariamente, em aprender e edificar relacionamentos na igreja.

30. Calvino, “Pastorais”, 83,84.

31. Charles Haddon Spurgeon, “Lições aos meus alunos” (São Paulo,

SP: Editora PES).

32. Jonathan Edwards, “Memoirs of Jonathan Edwards,” AM., vol.1

Edwards (Peabody, MA: Hendrikson,

“The

1998), lxiii.

Works

of

Jonathan

33. Para uma discussão ajudadora destas tentações, veja Kent e Barbara Huges, “Libertando o ministério da síndrome de sucesso” (Rio de Janeiro, RJ: Editora Anno Domini, 2013).

34. Calvino, “Pastorais”.

35. Bob Kauflin, “Worship Matters: Leading Others to Encounter the

Greatness of God,” (Wheaton, IL: Crossway, 2008), 47.

37. Mark Dever, J. Ligon Duncan III, R. Albert Mohler Jr, e C. J. Mahaney, “A Pregação da Cruz” (São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2010)

38. Bridges, “The Christian Ministry”, 166.

39. Ibid. 137-38.

40. Lloyd-Jones, “Pregação e Pregadores”. – Ed. Fiel.

41. C. S. Lewis, “On the Reading of Old Books”, in “God in the Dock:

Essays on Theology and Ethics”, (Grand Rapids, MI: 1970), 200.

Sua igreja é saudável? O Ministério 9Marcas existe para equipar líderes de igreja com uma

Sua igreja é saudável? O Ministério 9Marcas existe para equipar líderes de igreja com uma visão bíblica e com recursos práticos a fim de refletirem a glória de Deus às nações através de igrejas saudáveis. Para alcançar tal objetivo, focamos em nove marcas que demonstram a saúde de uma igreja, mas que são normalmente ignoradas. Buscamos promover um entendimento bíblico sobre: (1) Pregação Expositiva, (2) Teologia Bíblica, (3) Evangelho, (4) Conversão, (5) Evangelismo, (6) Membresia de Igreja, (7) Disciplina Eclesiástica, (8) Discipulado e (9) Liderança de Igreja.

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