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“Como pastor, penso regularmente sobre o tipo de liderança que

nossa congregação terá depois que eu estiver com o Senhor e


ocupado com outras coisas. Os desafios de transição geracional na
liderança da igreja são os maiores que uma igreja enfrentará. Com
isso em mente, recomendo esta excelente contribuição de Thabiti
Anyabwile a esta discussão tão necessária. Este livro promete ser
realmente uma grande ajuda.”
Douglas Wilson, professor de Filosofia e Línguas Clássicas,
New St. Andrews College; pastor, Christ Church, Moscow, Idaho

“Escolher homens que liderarão a igreja é uma tarefa séria. Eu


recomendo este valioso material escrito por Thabiti Anyabwile, meu
amigo e parceiro no evangelho. Este livro é criterioso e prático. Os
discernimentos de Thabiti neste livro ajudarão você a recrutar,
alistar e reproduzir líderes fiéis em sua igreja.”
James MacDonald, pastor, Harvest Bible Chapel,
Rolling Meadows, Illinois

“Motivado por um amor óbvio pela igreja local, o pastor Thabiti leva
muito a sério a liderança bíblica. Ele a leva tão a sério que escreveu
um livro com o propósito de ser tanto bíblico quanto acessível ao
povo da igreja – explicando claramente o ensino da Bíblia sobre as
qualificações para liderança e muito mais. Depois de uma exposição
cuidadosa de cada qualificação para liderança, ele inclui uma lista de
perguntas proveitosas para os que aspiram à liderança fazerem a si
mesmos e para aqueles que entrevistarão esses aspirantes. Obrigado,
Thabiti, por ajudar-me a pensar mais profundamente em meu
chamado como presbítero e em meu esforço para formar líderes que
glorificam a Deus e amam as pessoas na igreja de Cristo para a
geração seguinte.”
Tom Seller, pastor de Desenvolvimento de Liderança,
Bethlehem Baptist Church, Minneapolis, Minnesota;
Deão, Bethlehem College and Seminary
“Como identificamos, separamos e preparamos líderes dos quais
precisamos tão urgentemente? O pastor Thabit escreveu um livro
prático e teologicamente fiel que aborda esta pergunta crucial, com
análise completa. Este é o tipo de livro que você desejará ter à sua
disposição e a ele recorrer quando estiver pensando em possíveis
diáconos e presbíteros para o ministério. O livro é atual, relevante e
provoca reflexão.”
Dave Kraft, pastor, Mars Hill Church, Orange County;
Autor, Leaders Who Last

“Este livro de Thabiti Anyabwile é uma importante lembrança de um


fato básico que pode ser facilmente esquecido na corrida por
progresso eclesiástico – ou seja, que precisamos de presbíteros e
diáconos fiéis. Embora este livro tencione ajudar os que estão
procurando oficiais para sua igreja a saberem o que devem procurar
em tais homens, achei as perguntas um ótimo fortificante para
minha alma e um espelho que revela áreas em que preciso aprimorar
como pastor de igreja.”
Conrad Mbewe, pastor, Kabwata Baptist Chruch, Lusaka, Zambia;
Autor, Foundations for the Flock

“Este é um grande livro. É uma meditação abrangente das qualidades


de presbíteros e diáconos que nos faz pensar cuidadosamente sobre
o que Deus tenciona para seus líderes. Que tipo de pessoa as igrejas
deveriam procurar? Você é esse tipo de pessoa? Mas, em segundo
plano, este livro oferece uma reorientação radical do que é a
liderança na igreja. A liderança da igreja não depende de sucesso
profissional ou acadêmico e sim de piedade. Este livro pode mudar a
maneira como os membros e líderes de igreja pensam sobre
liderança, o que valorizam e o que cultivam. Líderes e membros serão
igualmente beneficiados.”
Jonathan Leeman, diretor editorial, Ministério 9 Marcas;
Autor, A Igreja e a Surpreendente Ofensa do Amor de Deus (Editora
Fiel)
“Encontrando Presbíteros e Diáconos Fieis oferece meditações sobre as
Epístolas Pastorais que potenciais diáconos e presbíteros em
treinamento precisam. Mas tanto pastores quanto leigos acharão
estes capítulos discernentes e penetrantes, porque são fiéis à
Escritura, culturalmente contextualizado e de implementação
imediata. Há milhares de igrejas bem intencionadas que estão
flutuando com prática religiosa medíocre e que poderiam ser
transformadas em igrejas vibrantes, que agradam a Cristo, ganham
almas e transformam sua comunidade, se os oficiais de suas
congregações adotassem as exortações simples desta obra graciosa.”
Eric C. Redmond, pastor principal, Reformation Alive Baptist
Church, Temple Hills, Maryland

“Como membro de uma equipe de pastores que está sempre em


algum ponto do processo de identificar, desenvolver e afirmar
presbíteros e diáconos, recebo com alegria este livro de Thabiti
Anyabwile. Correto desde o princípio, com a clareza e convicção de
suas sentenças iniciais, este livro está marcado por ensino bíblico
saudável. A transição coerente para conselho prático no final de cada
capítulo é onde este livro prova realmente o seu valor. Será um guia
muito útil para todos os que estão comprometidos em fazer
liderança da igreja pela Bíblia.”
Mike Bullmore, pastor, Crossway Community Church,
Bristol, Wisconsin
Encontrando presbíteros e diáconos fiéis
Traduzido do original em inglês
Finding Faithful Elders and Deacons
por Thabiti M. Anyabwile
Copyright ©2012 por Thabiti M. Anyabwile

Publicado por Crossway Books,


Um ministério de publicações de Good News Publishers
1300 Crescent Street
Wheaton, Illinois 60187, USA.

Copyright © 2015 Editora Fiel


Primeira Edição em Português: 2015

Todos os direitos em língua portuguesa reservados por Editora Fiel da Missão Evangélica
Literária
PROIBIDA A REPRODUÇÃO DESTE LIVRO POR QUAISQUER MEIOS, SEM A PERMISSÃO ESCRITA DOS
EDITORES, SALVO EM BREVES CITAÇÕES, COM INDICAÇÃO DA FONTE.

Diretor: James Richard Denham III


Editor: Tiago J. Santos Filho
Tradução: Roberto Freire
Revisão: Elaine Regina O. Santos
Diagramação: Rubner Durais
Capa: Rubner Durais
Ebook: Yuri Freire

ISBN: 978-85-8132-307-7

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
A532e Anyabwile, Thabiti M., 1970-
Encontrando presbíteros e diáconos fiéis / Thabiti
Anyabwile – São José dos Campos, SP : Fiel, 2015.
2Mb ; ePUB
Tradução de: Finding faithful deacons and elders.
Inclui referências bibliográficas
ISBN 978-85-8132-307-7
1. Anciãos (Administradores eclesiásticos) – Batistas.
2. Diáconos – Batistas. I. Título.
CDD: 253
Caixa Postal, 1601
CEP 12230-971
São José dos Campos-SP

PABX.: (12) 3919-9999


www.editorafiel.com.br
Índice
Introdução

PARTE UM – ENCONTRANDO SERVIDORES DE MESAS


1 – Escolhendo o seu garçom: introdução para o diaconato
2 – Cheios do espírito e de sabedoria
3 – Sincero
4 – Sóbrio e contente
5 – Mantendo a fé
6 – Experimentados e irrepreensíveis

PARTE DOIS – ENCONTRANDO BONS PRESBÍTEROS


7 – Sobre ovelhas e pastores: uma introdução para presbíteros
8 – Excelente obra almeja
9 – Irrepreensível
10 – Marido de uma só mulher
11 – Temperante, sóbrio, modesto
12 – Hospitaleiro
13 – Apto para ensinar
14 – Sóbrio, gentil, pacificador
15 – Não amantes do dinheiro
16 – Um líder em seu lar
17 – Maduro e humilde
18 – Respeitado pelos de fora

PARTE TRÊS –
QUAL O TRABALHO FAZEM AQUELES QUE SÃO BONS
PASTORES
19 – Os presbíteros refutam o erro
20 – Os presbíteros refutam os mitos e treinam para uma vida
piedosa
21 – Os presbíteros esperam em Deus
22 – Os pastores ordenam
23 – Presbíteros não permitem que ninguém despreze a sua
mocidade
24 – Os presbíteros dão o exemplo
25 – Os presbíteros ensinam
26 – Os presbíteros se desenvolvem
27 – Os presbíteros vigiam suas próprias vidas
28 – Presbíteros vigiam sua doutrina

Palavras finais
Apêndice: Exemplos para os votos na ordenação de um pastor ou
presbítero
Notas
INTRODUÇÃO
“E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso
mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros

(2 Timóteo 2.2)

U ma igreja sem líderes piedosos, é uma igreja em perigo. E uma


igreja que não treina outros líderes é uma igreja infiél. Deus nos dá
líderes nas igrejas para o seu amadurecimento, unidade e solidez em
cada congregação local. Sem a existência de uma liderança piedosa,
fiel e que se multiplica, a igreja sofrerá profundamente.
O apóstolo Paulo reconhecia quão importante é esta liderança. Em
sua segunda epístola a Timóteo, ele escreve ao seu filho na fé
diversas instruções e exortações finais, incluindo esta de encontrar
bons líderes. Timóteo cresceu sob a instrução espiritual de sua avó
Loide e de sua mãe Eunice (2 Timóteo 2.2, 5). Ele viajou, serviu e
aprendeu ao lado de Paulo. Agora, já perto do fim de sua vida,
instruindo “à sombra do cadafalso”1 , Paulo escreve com profunda
ternura, praticamente em todos os versículos. Entre as muitas jóias
nessa carta, uma delas é sua maneira de encarregar Timóteo a
encontrar “homens fiéis.”
Os ensinos do apóstolo precisam, necessariamente, ser passados
de mãos fiéis para outras mãos fiéis. E isso quer dizer que o pastor
deve estar capacitado para encontrar homens capacitados e treiná-
los. Se um homem não se encontra habilitado para discipular outros,
parecerá bastante estranho que ele tenha sido chamado para o ofício
pastoral.
Eu sou o produto de um homem que me encontrou, levou à prova
minha confiabilidade e, então, conferiu-me o tesouro do evangelho.
Lembro-me de Peter Rochelle que, de modo altruísta, deu-me a
oportunidade de trabalhar ao seu lado, na implantação de uma
igreja. Primeiramente, buscou entusiasmar-me a pregar e a ensinar
e, desde então, seu método expositivo tem influenciado minha vida.
Depois foi Mark Dever, um talentoso e incomum discipulador de
homens. Jamais poderei esquecer sua entusiástica generosidade a
meu favor. Começou no dia da minha entrevista à membresia da
Igreja Batista de Capitol Hill. Perguntou-me o que eu planejava para
minha vida a longo prazo. Assim, um tanto intimidado, respondi-lhe:
“Eu desejaria, se o Senhor me permitisse, ser um pastor de tempo
integral.”
“É mesmo?”, perguntou-me Mark, com sua sobrancelha
curiosamente levantada, sua cabeça levemente de lado. Depois
voltou-se para minha esposa e perguntou: “Ele é capaz de ensinar?”
Oh, não, pensei. Essa eu não esperava. Que será que ela vai dizer?
Para meu alívio, veio uma rápida e imediata resposta, “Oh, sim, é
capaz”. Mark Dever virou-se para mim e disse, “você precisa chamar
a secretária da igreja e dizer que lhe coloque em minha agenda de
almoços. Temos que sair juntos e verificar alguns bons livros
cristãos. Considere minha vida à sua disposição”.
Nunca me esqueci dessas palavras. Meus cinco anos na Igreja
Batista de Capitol Hill ficaram marcados pelas vidas de Mark Dever,
Michael Lawrence, Matt Schmucker e um número enorme de outros
homens – sem ainda mencionar toda a família de membros – que se
derramaram em minha vida, confiando-me todas as coisas que eles
ouviram, leram, viram e aprenderam consonante ao Senhor, ao
Evangelho e à sua Noiva.

QUE TÊM OS MARQUETEIROS, QUE AS IGREJAS CRISTÃS


NÃO TÊM?
Por um bom número de anos, cada vez que eu visitava uma livraria,
era abordado por alguém que me perguntava se eu estava
interessado em “ganhar de 500 a 1.000 dólares por mês, trabalhando
em minha própria casa, apenas 10 horas por semana”. Era como se
eu tivesse um rótulo na testa, que dizia “bobo de marketing”. Eles
queriam que eu me tornasse parte de sua “linha de apoio” – ajuntar-
me à sua liga de insuspeitos, ingênuos, um tipo de marqueteiro
“fique-rico-rapidamente”. Estes se multiplicavam rapidamente, e da
maneira mais abrangente possível.
O que aqueles “marqueteiros” possuem que os pastores cristãos
não possuem?
Se, num sistema de negócios de vendas diretas e “marketing”, seus
associados estão constantemente buscando novos representantes,
certamente nós, que somos embaixadores de Cristo, deveríamos
fazer o mesmo. A nós nos foi confiado o ministério da reconciliação.
Se fomos tornados em possessão do próprio Cristo, deveria ser nosso
negócio e nosso prazer instruir outros mordomos das boas novas de
Deus, que irão, por sua vez, procurar outros para, não só manter,
mas também ensinar o evangelho.
Dizer, porém, que um pastor deve procurar e treinar outros, é a
parte mais fácil. Mas na prática, como isso acontece? Como fazê-lo?
Nos capítulos que seguem, gostaria de convidar pastores e
presbíteros para conversarmos sobre este assunto de procurar e
treinar homens fiéis para a obra de liderança na igreja. Eu não sou
um especialista. Não estou nisto por muito tempo e estou certo da
existência de centenas de outros homens que podem fazer isto
melhor. O que você não encontrará aqui é um processo de “dez
passos para transformar homens espirituais em presbíteros”. Você
não vai encontrar uma fórmula para tornar toda e cada pessoa em
uma estrela da liderança .
Em vez disso, o que segue são breves meditações nas instruções de
Paulo a Timóteo, em 1 Timóteo 3 e 4. No capítulo 3, vamos examinar
as qualificações bíblicas para presbíteros e diáconos e perguntar que
tipo de caráter esses homens devem possuir e como podemos
distingui-lo. No capítulo 4, vamos considerar o encargo de Paulo a
Timóteo como um modelo para um ministério pastoral fiel. Com a
bênção de Deus, enquanto andamos em passos vagarosos por 1
Timóteo 3 e 4, ponderaremos sobre as qualidades que devem ser
procuradas e que responsabilidades devem ser cumpridas na
liderança cristã.
Muito mais se poderia dizer sobre este assunto tão importante.
Muitos livros grossos têm sido escritos e estão disponíveis ao leitor
interessado.2 Mas, espero que este pequeno volume venha
complementar esses outros recursos, ajudando aos já
sobrecarregados pastores que desejam cultivar outros líderes, mas
que necessitam conversar com outro colega, a fim trazer à tona
certas perguntas e ideias.
1

ESCOLHENDO O SEU GARÇOM:


INTRODUÇÃO PARA O
DIACONATO

E u frequento restaurantes com uma considerável regularidade. Ali


ocorre muito do meu trabalho de discipulado. Encontro-me com
homens da igreja em restaurantes para discutir as Escrituras, nossas
vidas, e bons livros. Além de compartilhar um bom almoço, ser
atendido por um bom garçom realmente ajuda a fazer desses
encontros uma ocasião proveitosa. Quando os garçons se deleitam
em seu serviço como servidores de mesas, quando são prestimosos
em servir, quando estão disponíveis sem se tornarem intrusos, então
a experiência é bastante agradável.
O lado ruim é que os fregueses, normalmente, não podem escolher
os seus garçons. Nós chegamos, um assento nos é apontado por uma
recepcionista e depois aguardamos o garçom que, eventualmente, foi
designado para a área onde estamos assentados. Poderá dar-se o caso
que venhamos a ser servidos por um ótimo garçom ou garçonete,
mas também poderá acontecer o contrário. Aquele que nos serve
poderá, por exemplo, não conhecer bem o cardápio da casa, ou
poderá estar passando por um dia em que as coisas não lhe correm
bem, ou que não tenha muita experiência, ou, quem sabe, acabou de
vir de outra mesa onde tenha sido maltratado. Em linguagem
secular, ser servido por um bom garçom, “é uma questão de sorte”.
Talvez, você ainda não tenha percebido, mas há pelo menos um
aspecto na vida da igreja local que é como comer num restaurante. A
igreja local, igualmente, tem aqueles que servem as mesas. Os
chamamos de “diáconos”. O deleite, a paz, a unidade e o produzir
frutos em uma igreja local, depende, em parte, de termos um grupo
de servidores de mesa fiéis, que sempre estão presentes quando são
necessitados, prontos para servir, sem se intrometerem naquilo que
não lhes diz respeito.
Os próximos capítulos se referem à procura de diáconos na igreja
local – servidores de mesa fiéis, que se entregam ao serviço de cuidar
das necessidades do corpo local. Nestas últimas duas ou três décadas,
mais e mais igrejas estão adotando o modelo bíblico de uma
multiplicidade de pastores, ou presbíteros, o que significa que a
posição oficial dos diáconos tem sido redefinida ou negligenciada. Os
diáconos, porém, são uma parte indispensável no serviço do corpo de
Cristo e na multiplicação do ministério da igreja.
Vemos isso claramente em Atos 6, onde os apóstolos encarregaram
a igreja em Jerusalém de procurar diversos homens cheios do
Espírito e de sabedoria. A palavra diácono não é encontrada nesta
passagem mas, entretanto, parece apontar nessa direção.
A oportunidade: Em Atos 6.1 lemos que o número dos discípulos
estava se multiplicando. Eram dias de prosperidade espiritual na
conversão de muitas almas e de sua consequente matrícula na escola
de Cristo. A Palavra de Deus avançava e produzia frutos.
O conflito: Na igreja, porém, os gregos, ou melhor, os judeus
helenistas, levantaram uma reclamação contra os hebreus, ou seja,
os judeus que falavam hebraico. Aqueles não criam que a
alimentação estava sendo distribuída equitativamente entre as
viúvas. E não parecia que esta distribuição desigual estivesse
ocorrendo de forma aleatória. Parecia que as viúvas estavam sendo
atendidas de forma diferenciada, porque umas eram gregas e as
outras, judias. A discrepância parecia ser um caso de preconceito
étnico ou cultural, e essa situação ameaçava a unidade da igreja e o
bem estar físico de alguns membros.
A solução: então, os apóstolos deliberaram duas coisas. Primeiro,
determinaram priorizar o seu próprio ministério da Palavra e da
oração, acima do cuidado físico das pessoas necessitadas. Segundo,
decidiram instruir a igreja a escolher sete homens para “servir as
mesas” – diáconos (v.2). Assim procedendo, os apóstolos fizeram
provisões para ambos os ministérios: da Palavra e do cuidado às
viúvas.
Para a sensibilidade moderna, “servir mesas” está, algumas vezes,
conotado como uma posição de nível baixo e humilhante. Uma
pessoa serve mesas quando ainda está estudando numa
universidade, ou aproveitando o tempo, enquanto sua carreira
profissional progride. Muitos assumem isso como um sacrifício
necessário para ganhar sua subsistência.
Mas, que diferença na igreja do Senhor! Os apóstolos, sob a
inspiração do Espírito de Deus, aparentemente criaram um novo
ofício na igreja, para o específico propósito de servir mesas. E a
grandeza desse trabalho se vê: (a) no caráter dos indivíduos que
deveriam ocupar este ofício (“cheios do Espírito e de sabedoria” – v.
3); (b) no fato que isto facilitaria o ministério da Palavra e da oração,
e (c) no efeito unificador e fortalecedor que isto traria à igreja em
geral. O diaconato é importante.
Reconhecemos haver viúvas em nossa igreja que não estão sendo
tratadas apropriadamente? Quem sabe, devamos considerar nosso
trabalho com os diáconos. Existe alguma desigualdade na
distribuição dos recursos benevolentes na igreja? Soa como algo
prudente para a função dos diáconos.
Existem tensões culturais e ameaças à unidade da igreja?
Desejamos ver uma maior e mais diversificada integração da igreja
na vida dos crentes? Pois a posição diaconal foi estabelecida
justamente para promover uma harmonia que cruze as barreiras
culturais e as diferenças de idiomas.
A igreja está sendo ameaçada de uma ruptura em seu seio? Os
diáconos eram como os “amortecedores” da igreja, em seu princípio.
Eles absorviam as reclamações e as preocupações, resolvendo-as
piedosamente e, assim, promoviam a unidade e o testemunho dos
santos.
Quando Estevão, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e
Nicolau foram comissionados para o diaconato, “crescia a Palavra de
Deus e, em Jerusalém, multiplicava-se o número dos discípulos;
também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé” (Atos 6.7). Quem
dentre nós não deseja ver a Palavra de Deus espalhando-se, o
número dos discípulos crescendo rapidamente, um grande número
de pessoas obedecendo à fé? Um ministério diaconal assim efetivo,
facilitou na igreja primitiva, visto que liberou os “diáconos da
Palavra” – os apóstolos – para levarem a cabo o seu trabalho. Com
esta esperança em mente, eu oro para que o Senhor nos guie em
nossa consideração de diáconos e de como encontrá-los em nosso
meio.
2

CHEIOS DO ESPÍRITO E DE
SABEDORIA
“Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do
Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos desse serviço.”
(Atos 6.3)

S endo Deus tão cheio de graça e de bondade, ele me tem permitido


servir no ministério pastoral como presbítero por vários anos.
Quanto mais o Senhor me permite servir no ministério pastoral,
também mais profundamente imprime sobre mim a importância de
orar por homens fiéis, que sirvam como diáconos na igreja.
Numa recente reunião de membros, a congregação celebrou a
finalização do tempo de serviço de um irmão que serviu nossa igreja
como diácono. Durante o tempo em que serviu, nosso diácono
presidiu a maior companhia de telecomunicações do país. Era um
homem super ocupado. Entretanto, todos na congregação, um por
um, reconheciam sua humildade, seu enfoque espiritual, seu desejo
ardente de servir e sua sabedoria.
Os agradecimentos manifestados pela congregação me lembraram
da sabedoria e do discernimento dos apóstolos, dados pelo Espírito,
em Atos 6. Eles ensinaram a igreja ainda jovem, e rapidamente
crescente em Jerusalém, que escolhesse, dentre seus membros, “sete
homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria” (v.3).
Nosso diácono certamente prescrevia aquelas qualificações, e toda
igreja necessita de homens deste quilate.
Quando procurarem por diáconos, as igrejas devem buscar homens
cheios do Espírito. O ofício é espiritual. Sua função é um trabalho
espiritual, mesmo que sua igreja organize seus diáconos,
designando-os para tarefas específicas. A igreja não terá nenhuma
vantagem em apontar aqueles que não são cheios do Espírito. Os
diáconos devem ser homens conhecidos por sua sabedoria e por
serem cheios do Espírito.

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES
1) O candidato a diácono tem a reputação de ser uma pessoa
cheia do Espírito e de sabedoria?
Os apóstolos recomendaram homens conhecidos por essas
características. Não recomendaram que escolhessem pessoas de
caráter não comprovado. Os diáconos necessitam ser pessoas
controladas pelo Espírito de Deus, em vez de controlados por sua
própria carne e natureza pecaminosa. Mais ainda, a posição diaconal
exige pessoas que vivam sob o temor do Senhor, que é o princípio da
sabedoria (Provérbios 1.7). Devem ser pessoas que sabem como viver
sob os preceitos de Deus e como aplicá-los às diversas situações da
vida. Esta é a essência da sabedoria. Portanto, pergunte: “O provável
diácono tem a reputação de manter-se fiel no seu caminhar com o
Espírito de Deus, e está vivendo sabiamente diante do Senhor?

2) Esta pessoa coloca o ministério da Palavra e da oração acima


das necessidades práticas da igreja?
O propósito principal que levou os apóstolos a designarem diáconos,
foi para assegurar que o ministério da Palavra não fosse
negligenciado. Assim, você também deve assegurar-se de que o
diácono em potencial entenda seu serviço como uma oportunidade
para liberar o trabalho do ministério da Palavra, e não o de competir
com este. Ele reconhece o aspecto de sua função como uma
facilitadora, ou é alguém que advoga mais e mais atenção a esta ou
aquela necessidade prática? Comentando em Atos 6.3, Dr. Martyn
Lloyd-Jones, apontou três maneiras pelas quais um diácono precisa
reconhecer a prioridade das coisas espirituais e do ministério da
Palavra:
É errado colocar o trabalho de “servir mesas” antes da pregação da Palavra, porque
sempre estará errado colocar o homem antes de Deus. Em um resumo, este é o
problema com o mundo. O homem está no centro – ele é tudo...
Assim, pois, está errado colocar o homem antes de Deus, e, exatamente da mesma
maneira, está errado colocar o corpo antes da alma. Em outras palavras, não somente
estaremos errados com respeito a Deus, mas estaremos também enganados com
respeito ao homem. O que é o homem? Conforme a teoria moderna, o homem é nada
mais que um corpo, portanto, você tem que atender a todas as necessidades que tem
a ver com o corpo; dê-lhe bastante comida, bastante bebida, roupa, abrigo, atenção
médica, suficiente sexo. Que tragédia, pensar que a humanidade está procurando
exaltar-se e virar suas costas para Deus, e concentrando-se em suas necessidades
físicas. E é com isto que a Palavra de Deus se confronta, e o que ela denuncia...
Finalmente, não é esta a mais alta necessidade e, realmente, a maior das tragédias,
colocar o tempo antes da eternidade? A alimentação do corpo pertence tão somente
ao temporal. 4

Um diácono fiel prioriza a Deus acima do homem e a eternidade


acima do secular, mesmo enquanto atende às importantes
necessidades físicas do povo da igreja.

3) É ele, um servo?
A despeito do que as pessoas acreditem, que o “servir mesas” é um
trabalho humilhante e de baixo nível, nós, cristãos, não devemos
ignorar o fato de que tal “rebaixamento” e boa vontade reflete a vida
e a humildade de Cristo. Ele veio para servir, não para ser servido, e
para dar sua vida em resgate por muitos (Marcos 10.45). Ele a si
mesmo se esvaziou, humilhou-se e assumiu a forma de servo – de
escravo. (Filipenses 2.3-8). O diácono tido em vista, pode ver que
servir, faz parte de seguir a Cristo? Se sente feliz em aceitar tarefas
simplórias e obrigações sem muito glamour? Ou busca aplausos,
reconhecimentos e atenção para o “seu” ministério?

4) Há evidência do fruto do Espírito em sua vida (Gálatas 5.22-


23)?
Você desejará saber se as virtudes de amor, alegria, paz,
longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão,
domínio próprio são vistas em como uma pessoa serve, e vistas em
sua conduta geral. Os diáconos normalmente atendem a um arsenal
de frustrações e problemas numa igreja local. Daí a necessidade de
serem pessoas cheias da graça de Deus, habilitados a confrontar
situações com poderes e qualidades que só o Espírito concede.
Teriam que ser hábeis a “andar também no Espírito”, e não se
deixarem “possuir de vanglória”, ou ficarem “provocando uns aos
outros, tendo inveja um dos outros” (Gálatas 5.25-26). Aqueles que
potencialmente serão diáconos, não devem ser os que provocam
disputas, mas aqueles que apaziguam as discórdias. Então, pergunte
se a pessoa sendo considerada é um mexeriqueiro, ou se é capaz de
manter confidências apropriadamente. Sabe dissipar murmurações e
reclamações? Outras pessoas se sentem genuinamente queridas e
gentilmente tratadas, quando interagem com ele?

5) Demonstra uma sabedoria divinamente inspirada?


Um diácono necessitará não somente resolver problemas, mas
também deverá ser capaz de antecipá-los, para que um obstáculo
futuro não venha a descarrilhar a igreja em geral, no cumprimento
de sua missão. Para se fazer isso de uma maneira bem feita, uma
pessoa precisa de sabedoria. O homem que será escolhido como
diácono é alguém conhecido por seu discernimento, entendimento e
decisões ajuizadas, em seu interagir com outros? É reconhecido por
sua sabedoria, quando trata com problemas? É tardio para falar,
pronto para ouvir e demorado em irar-se (Tiago1.19-20)?. Considera
as ideias dos demais, ou está sempre fixo nas suas próprias
(Filipenses 2.3)? Demonstra discernimento, não somente em tomar
decisões, mas também em implementá-las, e em ajudar os outros a
entenderem o motivo das decisões tomadas?

CONCLUSÃO
Não podemos jamais subestimar a importância de termos pessoas
cheias do Espírito para servir no ofício diaconal. Se os próprios
apóstolos – homens com excepcional vocação e dons – viram a
importância crucial de se ter cristãos assim, cheios do Espírito, para
servir nesse cargo, quanto mais necessitaremos nós da companhia de
tais associados no evangelho? Aprendendo a identificar e a orar por
homens tais como esses, nossas congregações locais se fortalecerão.
3

SINCERO
“Semelhantemente, quanto a diáconos, é necessário que sejam
respeitáveis, de uma só palavra, não inclinados a muito vinho, não
cobiçosos de sórdida ganância.”
(1 Timóteo 3.8)

H avendo escapado, com muita dificuldade, da Feira da Vaidade,


Cristão, o herói de João Bunyan, no livro O Peregrino, encontra-se na
companhia de um certo senhor chamado Interesse Próprio, do
povoado de Boas-Palavras. Cristão questiona Interesse Próprio sobre
aquela cidade e ele assegura a Cristão que Boas-Palavras está
povoada de pessoas muito ricas e nobres. Em seguida, menciona a
Cristão uma lista de nomes de parentes seus que ali residiam.
São quase todos os habitantes da cidade, mas principalmente o senhor Vira-Casaca, o
senhor Contemporizador, e o senhor Boas-Palavras , de cujos ascendentes tomou seu
nome a cidade, os senhores Afago, Duas-Caras, Qualquer-Coisa, o prefeito da vila, o
senhor Duas-Línguas, que era irmão da minha mãe por linha paterna, porque,
realmente, para falar toda a verdade, eu sou fidalgo de muito boa linhagem, apesar
do meu bisavô não ter passado de um barqueiro, que olhava para um lado e remava
para o outro, ocupação em que adquiri quase toda a minha vida.5

Toda a alta burguesia da fictícia cidade de Boas-Palavras criada por


Bunyan sofria a praga do falar dissimulado.

OS DIÁCONOS E A SINCERIDADE
Como seria viver em uma cidade onde seu pároco fosse
merecidamente chamado de “Sr. Duas-Línguas”? Por mais
respeitável que pudesse ser entre o seu povo, com este hábito de
bajular, este senhor nunca deveria ser um candidato para o
diaconato.
E por quê?
Porque os diáconos não somente devem ser homens cheios do
Espírito Santo, mas que devem igualmente ser “respeitáveis” e de
“uma só palavra”. Portanto, exige-se que um diácono não seja um
homem dado a uma linguagem confusa, de duas caras, que entrega-
se a insinuações, dando indiretas e fazendo com que se entenda algo
sem expressar-se claramente, com intuito enganoso. Ele deve dizer o
que tenta expressar, e expressar o que realmente quer dizer. E deverá
evitar o pecado de lisonjear, ou de bajular, falando a verdade em
amor.
As pessoas podem ser dadas a um modo falso de falar, de duas
maneiras diferentes: Elas dizem uma coisa a uma pessoa, e outra
coisa a outra pessoa. Ou podem dizer uma coisa e, no entanto, fazer
outra. Em qualquer dos dois casos, pessoas com “línguas bifurcadas”
não são pessoas de confiança, e estão desqualificadas para o serviço
de diáconos.. O “sim” de um diácono deve ser sim, e o “não” deve ser
não (2 Coríntios 1.17-18).
A sinceridade reflete o caráter de Cristo. O Senhor nunca falou
com astúcia e engano. Ele não falava meias-verdades, nem tampouco
falava de forma a enganar ou provocar um entendimento falso.
Tampouco o Senhor bajulava a quem quer que fosse. Era sempre
sincero no seu lidar com todas as pessoas, revelando às pessoas suas
desesperadas condições em virtude de seus pecados, ou falando
contra a autojustificação, ou retendo as promessas da vida eterna.
Em tudo, sempre foi puro. Assim, também, seus servos devem ser
fiéis (1 Tessalonicenses 2.5) e não falarem com lábios bajuladores
(Salmo 12.2-3; Provérbios 26.28). Falsos mestres e pessoas que
gostam de causar divisões, são os que empregam bajulação
(Romanos 16.18; Judas 16) – mas não deve ser assim, com os que
servem a Cristo.
Você já teve a má experiência de conversar com alguém sobre algo
de importância, mas, depois, sentir-se inseguro e preocupado se
realmente falou com uma pessoa de boa fé – de confiança? Como
você se sentiu, depois da conversa? Talvez, um pouco desconfortável
e ansioso. Quando cremos que alguém não usou de sinceridade
conosco, sentimos que nossa confiança na pessoa se esvai.
Deus deseja que os diáconos sejam homens que resolvam
problemas, porque, algumas vezes, se envolvem em assuntos da vida
pessoal de outros. Não é, pois, nenhuma surpresa que esta virtude de
sinceridade em um diácono ajude a acalmar as aflições e a solucionar
muitos problemas. Ainda que as soluções não venham a ser
exatamente as que esperávamos, pelo menos as pessoas receberão
uma ajuda imensa, se puderem ver que foram tratadas com
sinceridade e amor. “A palavra de um diácono deverá ser uma forte
garantia em uma igreja. Pessoas, tanto dentro como fora das igrejas,
deverão encontrar, num diácono, um homem de palavra.

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES
1) O candidato ao diaconato tem a reputação de ser um homem
de palavra?
Costuma cumprir suas obrigações? O diácono deve ter um
testemunho de completar as tarefas e obrigações que lhe são dadas,
assim demonstrando ser cumpridor de sua palavra. Então, pergunte,
“esse diácono tem uma palavra confiável?”

2) Ele costuma ser consistente no seu falar com diferentes


pessoas?
Você desejará ter um certo nível de confiança de que aquilo que esta
pessoa fala em um lugar, é o mesmo que dirá em outro. Os diáconos
devem ser homens que lutam, com sucesso, contra o temor dos
homens. No final das contas, os diáconos serão comissionados a
situações problemáticas, portanto, não podem ser homens
vulneráveis ao temor das frontes franzidas dos homens, ou
sucumbirem às pressões que, muitas vezes, se sente em
circunstâncias adversas.

3) O diácono costuma falar a verdade em amor (Efésios 4.15)?


Uma coisa é falar coerentemente, mas isso não será de muita ajuda,
se aquilo que foi dito coerentemente fere outros ou deixa de edificá-
los. “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim
unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade e,
assim, transmita graça aos que ouvem” (Efésios 4.29). O diácono
deve vestir seu falar com a maior de todas as virtudes: amor (1
Coríntios 13.13; Colossenses 3.14).

4) A igreja deve procurar homens que sejam bons apaziguadores.


Existem, em sua igreja, homens que já têm demonstrado a habilidade
de se colocarem entre duas pessoas com questões conflitantes, e
servirem a ambos os lados? Há pessoas que adquiriram a confiança
da congregação, por serem pessoas imparciais e atuarem com justiça.
Nossos diáconos frequentemente estão na linha de frente no
cuidado do corpo da igreja. Por isso, necessitamos de diáconos em
cujas palavras podemos confiar; diáconos que costumam completar
bem os seus compromissos.

CONCLUSÃO
Que vantagem terá uma igreja onde os seus servos não são capazes
de falar as coisas com verdade e cumprir as suas palavras? As igrejas
se tornam lugares perigosos, quando seus líderes falham em serem
honestos, transparentes e confiáveis. Sinceridade poderá não ser a
base final da verdade, porém, não poderá haver verdade profunda
comunicada, onde a sinceridade esteja em falta.
4

SÓBRIO E CONTENTE
“quanto a diáconos, é necessário que sejam respeitáveis de uma só
palavra, não inclinados a muito vinho, não cobiçosos de sórdida
ganância.”
(1 Timóteo 3.8)

Q uem gostaria de ser servido por um garçom bêbado, que lhe


assedia para maiores gorjetas ou que trata de lhe convencer a pedir
mais comida para que o restaurante tenha mais ganho? Ter uma
pessoa embriagada, cambaleando ao seu redor e exalando cheiro de
cachaça no seu rosto, enquanto você procura o que deseja pedir no
cardápio, não é, sem dúvida nenhuma, uma experiência desejável
para um jantar. Ou, tampouco, é agradável ser mal servido por um
garçom que, por qualquer mal juízo, assume que você não lhe vai dar
uma boa gorjeta.
Paulo instrui aos Coríntios, e também a nós, que o diácono “não
seja inclinado a muito vinho”, nem “cobiçoso de sórdida ganância”.
Assim como os presbíteros, os diáconos também devem ser sóbrios e
exercer autocontrole. E tampouco devem ser pessoas que tomam
vantagem sobre outros, para seu próprio benefício e lucro.
Aliás, em nenhum dos ofícios as pessoas deveriam estar
controladas e arruinadas pela bebida.
Além disso, os diáconos não devem ser “cobiçosos de sórdida
ganância”, ou, conforme diz outra versão, “gananciosos de lucros
sujos”, fazendo ver a feiura dessa disposição. Outra versão ainda diz
“buscando ganho desonesto”, o que, aparentemente, soa mais polido.
Mas tal qualidade não é outra coisa, senão ganância de lucro imundo,
obsceno.
Esta é uma característica particularmente importante para se
evitar, em um diácono, visto que os diáconos têm um acesso mais
íntimo à vida de muitas pessoas na congregação, especialmente
daqueles que são mais vulneráveis, e aos quais os diáconos são
chamados para ajudar. A missão dos diáconos, afinal, é o de cuidar
das questões práticas do corpo congregacional que, muitas vezes,
envolve benevolência. Essa seria uma plataforma mui terrível para se
confiar a alguém, que poderá explorar a outros para o seu próprio
lucro.

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES
1) O possível diácono toma bebidas alcoólicas?
Se toma, você ou outros notaram que ele o faz observando
autocontrole, ou o faz demonstrando fraqueza e pecaminosidade?
Você precisará saber se ele é capaz de dizer “não”, quando lhe
oferecem bebidas alcoólicas. Ele usa sua liberdade cristã nessa área,
de maneira a não causar tropeços e levando em consideração a
presença de outros cristãos mais novos e mais frágeis? Você poderá
tê-lo como modelo de uma pessoa responsável na maneira como usa,
ou como se abstém do álcool?
Há enorme ganho na vida da igreja quando esta tem líderes e
mestres que podem dar o exemplo de serem pessoas livres de
qualquer vício ou compulsão.

2) O diácono em potencial exibe uma generosidade piedosa e


autonegação, ou demonstra ganância em seus assuntos
financeiros e pessoais?
Você poderá caracterizá-lo como um doador generoso, ou como um
acumulador de dinheiro? Ao buscar candidatos ao diaconato, você
está procurando pessoas que demonstram uma boa mordomia dos
seus recursos, tendo em mente a prioridade do reino, em vez de
desejos de ganhos e vantagens.

3) O homem com vistas ao diaconato incentiva outros à


generosidade, ou fomenta egoísmo em assuntos de finanças?
Por exemplo, você poderá levar em consideração se ele resmunga a
respeito das finanças da igreja, ou incentiva as ofertas e a unidade da
igreja em questões financeiras. Verifique se ele está disposto a
investir em missões e em ministérios evangelísticos, ou se, ao
contrário, se queixa sobre preocupações de promover segurança
financeira. Diáconos não devem ser pessoas sempre dispostas a
construir maiores celeiros (Lucas 12.15-21), mas que são ricos para
com Deus e dão além daquilo que eles, e a igreja, podem dar (2
Coríntios 8.1-5).

4) Demonstra cuidado pastoral e autossacrifício, quando


interagem com outros em suas necessidades?
O candidato ao ofício de diácono é uma pessoa que,
costumeiramente, culpa os outros por suas dificuldades financeiras,
ou primeiramente ministra àqueles, mesmo quando repreensão e
admoestação são necessárias? Um espírito que culpa e pune não fica
bem naquele que está disposto a resolver problemas e ajudar a
outros em suas dificuldades. Com tal pessoa, cada vez que tiver de
ajudar, será sempre uma questão amargosa e prejudicial para aqueles
que estão necessitados de ajuda.

5) O diácono em potencial é honesto em seu procedimento


financeiro?
Paga suas contas em dia? É honesto em sua declaração de imposto de
renda? É alguém que trata de esquivar-se um pouco, quando os
negócios da igreja requerem sacrifícios e maiores gastos? O diácono
deve ter um bom testemunho de Cristo na igreja; assim, honestidade
e integridade em todos os seus negócios são aspectos essenciais de
seu caráter.

6) Qual é a atitude do diácono em potencial, com respeito a


riquezas?
A questão não é se a pessoa é rica ou deixa de ser. Uma pessoa pode
ser gananciosa por lucros desonestos, vivendo numa favela ou em
um palácio. A ganância existe nos corações, tanto do pobre, como do
rico. Considere, então, se o diácono em potencial representa a
sabedoria de Agur, quando diz, “Duas coisas te peço: não mas negue
antes que eu morra: afasta de mim a falsidade e a mentira; não me
dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for
necessário; para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga:
Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane
o nome de Deus” (Provérbios 30.7-9). O homem sabe o que significa
ter ampla suficiência ou padecer escassez (2 Coríntios 9.8; Filipenses
4.11-13)? Segura seus bens com mão aberta, ou como um miserável?
Um diácono que sabe estar contente “em toda e qualquer situação”,
como se expressa Paulo, será um tremendo benefício em ensinar e
em exemplificar contentamento aos demais, no corpo da igreja.

CONCLUSÃO
Recentemente tive grande prazer em jantar num restaurante
bastante simples. A atmosfera do ambiente estava ótima. A comida
era um pouco acima da média.
O que fez do jantar uma ótima experiência foi a pessoa que nos
servia. Parecia antecipar tudo o que necessitávamos, e responder
justamente com a perfeita solução. Não tínhamos de esperar, ao
chamá-la; quase que ao mesmo tempo ela estava ali em cima da
gente. Parecia importar-se com nossa experiência e até perguntou-
nos sobre nosso bem estar. Esperava por nossas perguntas e
respondia com muita graciosidade.
Quando saímos do restaurante nos sentimos notados, bem
atendidos e estimulados. Em toda a experiência, nunca nos sentimos
como se fôssemos apenas objetos de gorjetas, ou como uma
inconveniência. Sentimo-nos servidos por uma pessoa que gostava
de servir.
Assim uma congregação deve se sentir, quando suas necessidades
são atendidas por um diácono.
5

MANTENDO A FÉ
“Conservando o mistério da fé com a consciência limpa”
(1 Timóteo 3.9)

O casionalmente, eu costumo ter certo ritual quando vou aos


restaurantes, especialmente aqueles que eu ainda não conheço muito
bem. Gosto de deixar que o garçom, ou a garçonete, me surpreenda
com algum prato que ele, ou ela, creia que eu aprecie. O ritual
começou quando, juntamente com alguns colegas de trabalho, fomos
a um restaurante, depois de um dia de trabalho extremamente
cansativo em tomar diversas e difíceis decisões. Simplesmente não
tinha mais ânimo para tomar outra decisão.
Assim, tomei o lindo e colorido cardápio com tanta coisa que
provocava água na boca, passei-o às mãos da garçonete e lhe pedi:
“Por favor, você poderia pedir algo para mim? Eu sou um onívoro –
gosto de comer de tudo – de modo que não existe muita
probabilidade de que me desaponte”. Depois da surpresa e de alguma
hesitação, a garçonete voltou com uma deliciosa comida. Poupou-me
da agonia de ter que tomar mais uma decisão naquele dia, e um novo
ritual nasceu.
Nestes últimos dez anos em que venho fazendo isto, apenas duas
vezes fiquei desapontado com o que o garçom me serviu. Certa
ocasião, num daqueles dias semelhantes ao primeiro em que esse
ritual nasceu, eu disse ao jovem que me servia que eu tinha um
tremendo apetite para “carne vermelha”, e ele serviu-me um enorme
prato de camarões e milho de cangica! Agora, eu sei que camarões
com milho de canjica é uma iguaria comum da Carolina do Sul, mas
de maneira nenhuma eu poderia “abastecer meu tanque” com
mingau e animais que se alimentam de carniças do mar. Meu queixo
quase bateu na mesa, quando meus olhos contemplaram aquela
comida! Mas, para alívio do que me servia, eu lhe assegurei que iria
comer agradecido, e com contentamento, qualquer coisa que me
trouxesse. Assim, quando aquele prato chegou à minha mesa, eu dei
graças ao Senhor e desfrutei do que me foi servido.
A ideia de pedir dessa maneira se baseia no simples fato de que o
garçom, ou a garçonete, deverá conhecer o cardápio e a cozinha da
casa muito melhor do que eu. O seu conhecimento daquilo que o
cozinheiro sabe fazer melhor e daquilo que os fregueses mais
apreciam, assim como os ingredientes que estão disponíveis em dada
estação do ano, para fazer um prato delicioso, fará a estratégia
realmente boa ou a tornará numa grande aventura de experimento
culinário.

CONHECENDO A FÉ
O que é verdade para alguém que serve mesas em restaurantes,
deverá ser igualmente verdade para aqueles que servem mesas na
igreja. Os diáconos devem conhecer seu “produto”. Nas palavras do
apóstolo Paulo, diáconos devem conservar “o mistério da fé com a
consciência limpa” (1 Timóteo 3.9).
O aspecto prático do ministério diaconal em “servir mesas”,
poderá, inadvertidamente, obscurecer a necessidade premente do
diácono ser saudável na fé. Porque os diáconos são designados a
cuidar das necessidades práticas do corpo, talvez até mesmo
assinalados para uma área específica de serviço, nós corremos o risco
de ver os diáconos como tecnocratas com capacidades especializadas,
e com pouco discernimento teológico. Vemos os diáconos como
aqueles que “fazem coisas”, mas não os vemos como pensadores.
Mas, para que se conserve “o mistério da fé com consciência
limpa”, requer-se um poderoso entendimento do Evangelho do
Senhor Jesus Cristo. Isto implica, pelo menos, em três
requerimentos.
Primeiro, há um requerimento cognitivo. Os diáconos devem
conhecer e aceitar os ensinos do Senhor, conforme registrados na
Santa Escritura, especialmente os fatos que têm a ver com sua vida,
morte e ressurreição, e as implicações teológicas que advêm desses
fatos. Precisam entender as asserções bíblicas. Devem ser capazes de
explicar, articuladamente, pontos cardeais do evangelho de Cristo.
De outra forma, como poderão ser este tipo de servos que apontam
Cristo àqueles a quem servem?
Segundo, há um requerimento experimental. O candidato ao
diaconato necessita, ele mesmo, ter abraçado a fé. Precisa ter o
testemunho de uma confiança e uma dependência pessoal
unicamente em Jesus, para sua salvação. Deve, ele mesmo,
demonstrar um arrependimento e uma fé genuínos. Um diácono não
pode ser um incrédulo, não comprovado na fé, ou incapacitado para
fazer uma profissão de fé com credibilidade e demonstrar o
conhecimento do evangelho.
Terceiro, o diácono necessita ser alguém que mantém, ou guarda,
as verdades da fé “com uma consciência limpa”. Isto é, sua vida e sua
consciência devem conformar-se com a fé que professa. Não que
meramente guarde a verdade do evangelho sem nenhuma dúvida ou
reserva mental, mas é necessário que igualmente viva uma vida que
seja digna de seu chamado cristão (Efésios 4.1).
Então, que buscamos encontrar em um servidor espiritual de
mesas? Estamos procurando alguém que conheça a Palavra de Deus
em sua própria experiência de conversão, e com a suficiente
experiência para viver e exemplificá-la para outros. As congregações
não podem negligenciar esta qualificação, visto que os diáconos,
inevitavelmente, se verão em conversas evangélicas, aplicando a
verdade da fé em suas ministrações, e na vida de outras pessoas.
Precisam ser mantenedores da fé.

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES
1) Podemos ver, na vida do diácono em potencial, uma confiável
profissão de fé pessoal salvífica no Senhor Jesus Cristo?
Se a igreja pratica alguma forma de entrevista, como parte do
processo de aceitação em sua membresia, outros líderes
provavelmente já ouviram o testemunho de conversão de tal pessoa.
Mas, quando se entrevista uma pessoa para o ofício de diácono, é de
boa prática que se separe um tempo necessário para que os líderes e
a congregação possam, conjuntamente, ouvir e discutir o
testemunho do candidato ao diaconato. Esse tempo separado não
deverá ser usado para uma inquisição, mas para dar à congregação a
oportunidade de confirmar as evidências da graça de Deus na vida do
candidato proposto.

2) O candidato a diácono compreende o evangelho?


Como parte de seu testemunho, a pessoa deverá incluir uma
declaração do evangelho. O que ela crê, no tocante a Deus, ao
homem, a Jesus Cristo, ao arrependimento, à fé? Poderá articular e
defender a verdade bíblica sobre a natureza do Deus triuno, sobre a
criação e queda do homem, sobre a pessoa e a obra do Senhor Jesus
Cristo e sobre a natureza da verdadeira conversão? A Igreja de Mars
Hill, na cidade de Seatle, Estado de Washington, requer de seus
líderes que respondam por escrito uma série de questões teológicas,
baseadas em sua declaração de fé.

3) Tem, o proposto diácono, a tendência de esmorecer-se na fé?


Pode-se discernir nele algum hábito ou padrão repetitivo em sua
vida, que possa sugerir a perda de estabilidade na fé e na sua vida
cristã? É o seu testemunho forte e estável, ou existem notáveis
períodos de volatilidade e inconsistência? Para manter-se firme na
fé, é necessário que a pessoa seja perseverante em sua fé e em seu
testemunho.

4) O diácono em perspectiva costuma trazer o peso da fé das


Escrituras em sua vida e ministrações?
Os diáconos devem ser pessoas conhecidas entre seus líderes e entre
outros, como pessoas cujos pensamentos partem da cruz. Sua
expectativa de serviço é governada pela obra de Cristo, não em
filosofias e ideias humanas. A maneira como agora vivem e pensam,
transmite a confiança de que seus serviços serão bem orientados
pela Palavra de Deus. São conhecidos por abrir suas Bíblias com
outros, quando arrazoam diferentes questões, nunca confiando em
seus próprios entendimentos. São conhecidos por viverem sua fé
tanto dentro da igreja, como fora dela.

5) O candidato ao ofício de diácono guarda as profundas


verdades da fé sem nenhuma reserva?
O excesso de rivalidade no cristianismo faz com que sejam
necessários servos-líderes na igreja, inteiramente empenhados com a
verdade revelada nas Escrituras; portanto, você não quererá um
diácono com sérias dúvidas e opiniões divergentes com a declaração
de fé da igreja. É necessário que eles possam aceitá-las em boa
consciência, indicando sua completa disposição em defendê-la e
estarem dedicados a informar imediatamente aos pastores e
presbíteros, caso encontrem-se em discordância com a declaração de
fé da igreja. Os diáconos devem, igualmente, apoiar e apegar-se com
clara consciência às características bíblicas da igreja, tais como sua
prática de batismos, sua posição com respeito a mulheres no
ministério pastoral, ou a posição do homem e da mulher na família.
Tanto quanto essas posições se demonstrem bíblicas, o diácono
deverá apoiá-las.

6) O homem proposto para ser um diácono é alguém que


persevera na fé?
Os diáconos, frequentemente, entram em dificuldades e em
situações incertas na igreja, com o propósito de estabelecer a paz, a
estabilidade, a ordem e os frutos. Para fazer isso eles precisam ser
homens que perseveram na fé e na verdade da fé, aplicando a Palavra
de Deus e, pacientemente, aguardando os resultados. Bem, poderá
haver - assim como também poderá não haver - frutos imediatos do
seu trabalho. Os diáconos, portanto, devem ser pessoas que sabem
como permanecer pacientes e perseverantes.

CONCLUSÃO
Em muitas igrejas, os diáconos servem no ministério de ensino.
Quando uma pessoa possui esse dom especial para ensinar, tal
serviço resulta em benefício. Mas, se o diácono lidera uma classe de
Escola Dominical ou não, ele continuará professando, vivendo e
exemplificando as profundas verdades da fé diante do povo de Deus.
Assim, pois, as congregações perceberão ser necessário para a glória
de Deus e para a saúde da igreja, encontrar diáconos instruídos pela
verdade da Palavra de Deus e pelo evangelho que ela revela.
6

EXPERIMENTADOS E
IRREPREENSÍVEIS
“Também sejam estes primeiramente experimentados; e, se se mostrarem
irrepreensíveis, exerçam o diaconato”
(1 Timóteo 3.10)

M eu primeiro trabalho, depois de sair da Universidade, foi servir


numa ONG como tutor na preparação de pessoas fisicamente
deficientes, a fim de que pudessem ser integradas ao mercado de
trabalho. Foi uma ótima experiência junto a um grupo de pessoas
formidáveis.
Minha principal ocupação, depois de ajudar uma pessoa a
encontrar trabalho, era de continuar este serviço tutorial durante o
período probatório do emprego. De uma maneira geral, este era um
período de “vai-ou-racha” que, geralmente, em mui pouco tempo já
se podia discernir se aquele tipo de trabalho combinava com a pessoa
indicada.
Vários de meus clientes desistiram ou foram demitidos do
trabalho, em apenas alguns dias e, em certos casos, em poucas horas.
Aquele período inicial era um teste para o empregado, para o
empregador e para o tutor. Os empregados, muitas vezes, se viam
em situações demasiadamente complexas para suas habilidades. Os
empregadores, por vezes, sentiam-se inadequados para dar o
necessário apoio às pessoas deficientes. E, diga-se, o tutor do
empregado teve de aprender de tudo um pouco, desde catar
excremento de cachorros num canil (alguns dos melhores da
Carolina do Norte), até lavar janelas de aviões, processar dados na
IBM, fritar hambúrgueres numa rede de fastfood. Era como peneirar
o trigo pra separar a palha. Só o que servia, ficava.

EXPERIMENTANDO SERVOS NA IGREJA LOCAL


Servir numa igreja local não somente proporciona alegria, mas, de
tempo em tempo, também serve para provar o servo. Servir a outros
prova nosso amor, a capacidade de nossa paciência, a qualidade de
nossa resistência e a insistência de nosso prazer em servir. Servir,
nos proporciona enormes recompensas, mas, algumas vezes, estas
recompensas vêm embrulhadas em situações de provas. Aqueles que
graciosamente servem aos outros, poderão terminar sentindo-se
como “sacos de pancadas”, designados para que se descubra a
extensão de tolerância do calor, da força e, muitas vezes, da dor
resultantes do ofício.
Os diáconos são chamados a inúmeras situações difíceis que
acontecem em função de necessidades bem sérias, ou, por outro
lado, de pecados de proporções consideráveis. Sendo assim, os
novatos estão sujeitos a muitas tentações. É a experiência nas
batalhas que formam os melhores soldados. Talvez seja por essa
razão que o apóstolo Paulo instrui a Timóteo, e às nossas igrejas, a
encontrar servidores de mesas que tenham sido “primeiramente
experimentados; e, se mostrarem irrepreensíveis, que exerçam o
diaconato” (1 Timóteo 3.10).
Os diáconos têm de ser examinados ou postos à prova. Como diz
um comentarista: “a maneira como isso é feito, não está especificada.
1 Timóteo 5.22 e os versos que se seguem, indicam que, para se fazer
apreciação da vida de uma pessoa, temos de dar o tempo necessário.
Disto, podemos concluir que a prova tem de ser algo de muita
consideração e cuidado na avaliação da vida do homem, pela
congregação que, por sua vez, está ciente da necessidade de certas
qualificações”. 7 A prova, possivelmente, deverá envolver os tipos de
qualificações espirituais descritas em 1 Timóteo 3.

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES
1) O provável diácono é uma pessoa madura e um cristão em
crescimento?
O tempo não prediz, necessariamente, maturidade, mas, de uma
forma geral, pessoas recentemente convertidas ainda não foram
provadas e ainda são imaturas. Não existe um número mágico de
anos que devam passar, antes que as pessoas fiquem aptas e elegíveis
ao ofício, mas as igrejas devem examinar o indivíduo quanto à sua
preparação e capacidade, antes de fazer dele um diácono. Pode-se
perceber o fruto do Espírito em sua vida? Ele está crescendo à
medida da estatura da plenitude de Cristo, e contribuindo para que
outros cresçam com ele em Cristo (Efésios 4.11-16)?

2) O provável diácono demonstra competência em sua área de


serviço?
Procurar competência em um diácono não é o equivalente a conduzir
uma busca no estilo de um caça-talentos. Mas, sabedoria e
experiência têm ensinado as igrejas a buscarem pessoas que já
tenham habilidades em servir na mesma área em que elas serão
chamadas a liderar. Talvez, tenham servido como voluntárias em
alguma capacidade semelhante. Ou, quem sabe, já tenham alguma
experiência, ou alguma perícia, na mesma área. “Este é um princípio
geral para o ministério cristão: a maneira de preparar-se para um
serviço maior, é ter sido diligente em algum serviço menor. Um
ministério fiel é, ao mesmo tempo, gratificado por Deus e
reconhecido pela igreja”.8 O candidato ao ofício diaconal tem a
destreza necessária para levar a cabo o serviço que a igreja necessita?

3) Existe alguma coisa que poderá desqualificar o candidato para


o serviço que se requer?
Quer seja em caráter ou em competência, a prova feita pela igreja
revela deficiências sérias que possam impedir o diácono proposto a
executar seu serviço?

4) A congregação apoia o diácono em potencial a assumir seu


ministério?
A pessoa que passa nesses testes, deverá trabalhar com o completo
apoio da congregação e dos líderes da igreja local. O teste tem como
propósito confirmar suas aptidões e caráter, e endossar seu
ministério.

CONCLUSÃO
O Senhor não estabeleceu o ofício de diáconos como algo extra, na
igreja local. O ofício não existe como um anexo obsoleto. Ao
contrário, os diáconos servem à mesa do Senhor com vistas a
facilitar o avanço do evangelho, a saúde do corpo local, e o regozijo
dos santos. Os diáconos são indispensáveis à igreja. Com muita
razão, Paulo conclui: “Pois os que desempenharem bem o diaconato
alcançam para si mesmos justa preeminência e muita intrepidez, na
fé em Cristo Jesus” (1 Timóteo 3.13). Que nobre vocação!
7

SOBRE OVELHAS E PASTORES:


UMA INTRODUÇÃO PARA
PRESBÍTEROS

V ocê já sentiu o cheiro de uma ovelha? Gostou?


Não me refiro ao cheiro de costeletas de carneiro assando no
forno. E por “ovelhas”, tampouco me refiro aos animaizinhos
imaginários que as pessoas contam, quando não conseguem dormir.
Me refiro a animais cobertos de lã, vivos, balindo, vagando em
verdes pastos.
Pra dizer a verdade, eu não tenho muita experiência com ovelhas,
ou com fazendas de criação de ovelhas. Houve uma ocasião, durante
uma visita à Escócia, em que minha família e eu tivemos o privilégio
de visitar o editor William McKenzie com sua família, em sua
fazenda de ovelhas. Que lugar lindo para criar ovelhas!
Mas logo aprendi que não é tanto o cheiro das ovelhas o que mais
preocupa, mas sim o que as ovelhas deixam, espalhado pelo pasto, e
que é realmente ameaçador! Com vistas tão deslumbrantes como
aquelas que os planaltos escoceses nos oferecem, os novatos no
cuidado das ovelhas têm o grande desafio de manterem-se com seus
olhos abaixados, observando onde pisam. Não temos outra escolha.
Ovelhas são animais bastante porcalhões e seus pastores necessitam,
ou calçar boas botas, ou serem muito cuidadosos em seu andar pelos
pastos!
A Bíblia repetidamente descreve os cristãos como ovelhas, e essa
não é uma descrição muito elogiosa. Nossas vidas estão cheias de
estragos, sujeiras, problemas e situações pegajosas. Somos tímidos e,
por vezes, nos extraviamos. “Todos nós andamos desgarrados como
ovelhas; cada um se desviava pelo caminho” (Isaias 53.6). Esta é,
precisamente, a razão porque precisamos de pastores; homens que
sabem como proceder com ovelhas - como cuidar de nós, guiar-nos e
caminhar em meio à bagunça que fazemos!
Aqui entram as verdadeiras boas novas: na Bíblia, Deus se revela
como um Pastor.9 O Senhor deste universo nos atende em toda
confusão e bagunça em que nos metemos – em nossos temores,
nossas fraquezas e em nosso divagar. Traz-nos à mente as palavras
do Salmo 23: “O Senhor é o meu Pastor; nada me faltará”. Ezequiel
nos pinta com traços envolventes, um belíssimo quadro profético
com as seguintes palavras:
Porque assim diz o Senhor Deus: Eis que eu mesmo procurarei as minhas ovelhas e as
buscarei. Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que encontra ovelhas
dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; livra-las-ei de todos os lugares para
onde foram espalhadas no dia de nuvens e de escuridão. Tira-las-ei dos povos, e as
congregarei dos diversos países, e as introduzirei na sua terra; apascenta-las-ei nos
montes de Israel, junto às correntes e em todos os lugares habitados da terra.
Apascenta-las-ei de bons pastos, e nos altos montes de Israel será a sua pastagem;
deitar-se-ão ali em boa pastagem e terão pastos bons nos montes de Israel. Eu
mesmo apascentarei as minhas ovelhas e as farei repousar, diz o SENHOR Deus. A
perdida buscarei, a desgarrada tornarei a trazer, a quebrada ligarei e a enferma
fortalecerei; mas a gorda e a forte destruirei; apascenta-las-ei com justiça (Ezequiel
34.11-16).

A determinação de Deus em ser o Pastor do seu povo, ressoa em


cada repetição de “Eu” ou “Eu farei”. Esta determinação encontra seu
cumprimento no Filho de Deus, Jesus Cristo, que anunciou: “Eu sou
o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (João
10.11), e ele mesmo explicou:
Eu sou o bom pastor; e conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, assim
como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas.
Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las; elas
ouvirão a minha voz; então, haverá um rebanho e um pastor. Por isso o Pai me ama,
porque eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário,
eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-
la. Este mandato recebi do meu Pai (João 10.14-18).

Todos os bons pastores encontram sua raiz e modelo na vida e no


amor de Deus, revelado em Cristo Jesus. Acima de todos os pastores,
o pastor que mais necessitamos é Jesus.
Porém, como um presente ao rebanho, o chefe dos pastores aponta
homens piedosos como subpastores, para cuidar do rebanho que ele
comprou com o seu próprio sangue (Atos 20.28). Nós conhecemos
esses subpastores por diferentes títulos, inclusive, pastores,
superintendentes, bispos e presbíteros. Assim como Jesus, o Pastor
Supremo, presbíteros ou pastores superintendem sobre o rebanho
entregue aos seus cuidados (1 Pedro 5.1-3), guiando, alimentando e
protegendo a ovelha.
Diáconos e presbíteros compõem os dois ofícios que ficaram
permanentes na igreja. Enquanto os diáconos servem as
necessidades físicas e práticas da igreja, os presbíteros servem as
necessidades mais espirituais. Os dois ofícios não funcionam como
dois gabinetes governamentais separados – como o Senado e a
Câmara dos Deputados, que possuem mais ou menos a mesma
autoridade. Se os diáconos são “servidores de mesas”, como o são os
garçons, os presbíteros podem ser comparados com os maîtres ou
aqueles que encabeçam ou governam a cozinha. Os presbíteros
exercitam a autoridade de liderança na igreja (1 Timóteo 5.17;
Hebreus 13.17). Considere-se, porém, que qualquer autoridade que
os presbíteros tenham numa igreja, lhes têm sido outorgadas por
Jesus. Ademais, a Escritura e o amor cristão estabelecem os limites
do exercício apropriado dessa autoridade.11 Como o pastor Mark
Laudeerbach expressou: “um presbítero sem Bíblia é um presbítero
sem autoridade”. Presbíteros não “dominam sobre” as ovelhas. Como
doações de Cristo à igreja, eles lideram e servem, com vistas à
edificação do corpo de Cristo, e não com o propósito de obterem
vantagens sobre ele (Efésios 4.11-16; 1 Coríntios 12.4-11).
Assim o Novo Testamento claramente instrui às igrejas a
designarem uma multiplicidade de presbíteros para pastorear as
ovelhas (Atos 20.17, 28; Tito 1.5). A pluralidade no ministério de
presbíteros oferece muitos benefícios desejáveis. Uma multiplicidade
de presbíteros resulta em uma multiplicidade de homens
particularmente dotados para compartilhar, entre si, o peso da carga
pastoral, para o ensino em diferentes áreas, para serem responsáveis
uns pelos outros, para manterem uma liderança estável durante
tempos de mudanças, para animarem uns aos outros durante
períodos difíceis e para funcionarem melhor em épocas de
dificuldades mais intensas que, por sua natureza, requerem mais
sabedoria. Numa multiplicidade de presbíteros, existirá mais
segurança e os planos da igreja serão melhor estruturados e
estabelecidos.
Finalmente, os presbíteros poderão ser pagos por seus serviços –
como no caso de pastores no ministério de tempo integral (1
Timóteo 5.18), ou poderão – no caso de voluntários - serem não
remunerados, mas servirem como presbíteros leigos. Mas, no final
das contas, os presbíteros sempre recebem suas recompensas.
Pastores fiéis, prontos para servir com um coração puro, estão
confiados na esperança de receberem suas recompensas quando o
supremo pastor aparecer (1 Pedro 3.4). Mas aqueles que são infiéis,
os mercenários, apenas terão a horrível expectação do julgamento
(Ezequiel 34.1-10; João 10.12-13). Deus, o Pai, não deixará passar
despercebido o serviço zeloso e fiel, tampouco o cuidado negligente
das ovelhas compradas pelo sangue do seu Filho.
Assim sendo, os pastores são mordomos dos quais se requer
fidelidade (1 Coríntios 4.1-2). Eles velam pelas almas como aqueles
que prestarão contas por elas (Hebreus 13.17). Como escreveu o
pastor do século 18, Lemuel Haynes:
O trabalho de um ministro do evangelho tem um relacionamento peculiar com o
futuro. O julgamento que se aproxima é aquele para o qual todas as coisas convergem
e no qual devemos tornar todo sentimento vastamente inculcado, gravado com
interesse em nossos espíritos. Os ministros são criaturas responsáveis diante de
outros homens, e nós temos a afirmação da Escritura de que “Deus há de trazer a
juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más”
(Eclesiastes 12.14). Se nenhuma de nossas condutas é tão insignificante que possa
passar sem ser notada, então podemos concluir que ainda mais os negócios
altamente relevantes, como os relacionados ao trabalho do ofício ministerial, serão
percebidos.12

Nos capítulos que se seguem, examinaremos as qualificações


espirituais que são pré-requisitos para o serviço de um presbítero.
Faremos isso por examinarmos, principalmente, as qualificações
listadas em 1 Timóteo 3. Na terceira parte deste livro, abordaremos
as qualificações espirituais das obrigações dos presbíteros, como
encontramos em 1 Timóteo 4. Eu oro para que essas sessões possam
ajudar as congregações a receberem as bênçãos de presbíteros fiéis, e
venham, de igual maneira, animar os pastores fiéis em seu
ministério, na esperança de sua própria recompensa.
8

EXCELENTE OBRA ALMEJA


“Fiel é a palavra: se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja”
(1 Timóteo 3.1)

A fim de encontrarmos homens confiáveis para servirem como


presbíteros, antes de mais nada precisamos procurar homens que
desejem esse ofício.
Isto, em minha experiência, não é tão simples como à primeira
vista possa parecer. Alguns poderão “querer o ofício”, mas o seu
“querer” nada mais é do que o desejo de poder, de modo que tais
homens não servirão para o cargo. Por outro lado, homens que são
realmente dignos para o ofício, acreditam que desejar ser um
presbítero já é, em si mesmo, uma demonstração de orgulho,
ambição destituída de piedade ou algo grosseiro. E, finalmente,
alguns homens poderão ter as qualificações mas, ou lhes falta a
vontade, ou se acham desqualificados porque, em suas mentes,
existe a ideia de “superpresbíteros”.

ESTIMULANDO ASPIRAÇÕES
Falando com praticidade, uma das primeiras coisas que um pastor
precisa fazer é aclarar e ensinar sobre “ambições piedosas”, que incluem
a devoção e o interesse para que outros venham a aspirar o ofício de
presbítero. Pastores fiéis deverão despertar o sentimento dos jovens
(inclusive aqueles nos seus vinte anos) para considerarem, em suas
aspirações para o futuro, o exercício do pastorado. Finalmente, cada
uma das características que Paulo lista em 1 Timóteo 3, com exceção
da capacidade para ensinar (v.2 ), deveriam ser as marcas de todo
cristão. O desafio pastoral ao desejo de ser um presbítero é uma
coisa boa e piedosa. É uma outra forma de dizer aos homens crentes:
“isto é o que maturidade à medida da ‘estatura da plenitude de
Cristo’ significa”. Tal maturidade e semelhança de Cristo é algo
desejável, que não deve ser evitada ou inferiorizada.
Você pode imaginar o que seria a exaltação do poder de Cristo, em
uma igreja repleta de homens que possuem um forte e piedoso
sentimento de desejo de conduzir, ou de guiar as ovelhas do Senhor
em suas igrejas e em seus lares? Em minha experiência pessoal, o
problema é que as igrejas falham e caem no outro extremo – a
maioria dos homens aspiram nada mais que um pouco de conforto,
anonimato, vida fácil e qualquer outra coisa, menos liderança
responsável.
Segundo, o pastor terá, também, de aclarar e ensinar o valor da
tarefa de um líder. Paulo chama de “excelente” a obra de liderar na
igreja local. E o é! Mas muitos homens parecem ter a impressão de
que liderança não é nada mais que uma carga, uma dor de cabeça, ou
simplesmente um mal necessário. Outros podem chegar a pensar
que ser um líder religioso é o mesmo que ser um fingido, um
vigarista. Por alguns anos, eu resisti à chamada interior para o
ministério porque eu não desejava ser associado com pregadores de
televisão, ou com pastores moralmente falidos e apanhados em
escândalos. E permaneci resistente até o momento em que Deus
tornou mais evidente para mim a nobreza da obra de um líder. Assim
pode ser necessário para os pastores atuais, sem pintar nenhum
quadro falso de conforto perene, desenvolver, discutir, pregar e
exemplificar em sua vida a alegria do ministério, pois, no final das
contas, o Senhor pretende que o liderar de sua igreja seja uma alegria
para aqueles que o fazem (Hebreus 13.17).

POR QUE O PRESBITÉRIO É UM OFÍCIO EXCELENTE?


Parte da excelência desse serviço vem da beleza e do privilégio de
podermos refletir Cristo para o povo. O presbítero é um exemplo em
tudo (1 Timóteo 4.12). Ele personifica, de forma bem significativa,
como “seguir a Jesus” deve parecer-se e possui um grau altamente
observável do caráter do Senhor, provendo, desta maneira, um
exemplo visível para que outros também o sigam. Aquele que não
está disposto a refletir a Cristo, deverá perguntar-se: “o que há de
maior valor que refletir a Cristo?”
A necessidade da liderança cristã também torna o serviço numa
tarefa nobre. O Senhor desenhou sua igreja de tal forma que ela
requeira líderes piedosos. As ovelhas necessitam de pastores. Sem
pastores, as ovelhas vaguearão por todas as sortes de perigos e
ferimentos, e o Senhor sofre por seus extravios sem direção e por sua
condição vulnerável (Mateus 9.36). Atender às ovelhas é algo
necessariamente bom.
Tão excelente é o trabalho espiritual de pastorear que certo pastor
chegou a escrever: “Com todos os meus desânimos e minha atitude
pecaminosa de apatia, em meus melhores momentos admito que não
posso encontrar outro trabalho mais digno para fazer do que este.
Tivera mil vidas, de boa vontade as gastaria nesse trabalho; e tivera
eu igualmente tantos filhos, de boa vontade os dedicaria a ele”. 14
A obra é excelente, e, portanto, desejável. Mas, em prática, quais
sãos as coisas que podemos fazer, ou perguntar, a fim de discernir
quais são aqueles que, verdadeiramente, têm esta ambição piedosa?

CARACTERÍSTICAS A SEREM ENCONTRADAS


1) Coloque especial atenção sobre aqueles homens que, de forma
regular, participam do culto e das assembléias da igreja.
Se aos Domingos a igreja se reúne para cultos pela manhã e pela
noite, eles estão sempre presentes em ambos? Comece com aqueles
que já demonstram um compromisso ativo com o ministério e que
são exemplo de compromisso aos demais membros da igreja. É mais
fácil por para trabalhar um homem em quem já existe desejo e
compromisso, do que tentar trabalhar com alguém com uma
aparente falta de interesse. Um pastor que já está caminhando com
um aspirante à liderança que demonstra o desejo de servir, perceberá
que sua viagem será muito mais suave em comparação aos
solavancos, ou à inércia daquele que não tem um desejo ativo – ainda
que tenha a evidência de dons em todas as demais qualidades.
2) Note o homem que pareça já estar pastoreando outros membros
da igreja, ainda que não tenha o título de “presbítero” ou de “pastor”.
Especificamente, quem são os homens que cuidam dos demais,
visitando-os ou praticando a hospitalidade, aconselhando
(geralmente sendo procurados por outros para este fim), e
participando do trabalho de ensino na igreja? Você desejará
encontrar outros homens dispostos a buscar o bem-estar de seus
companheiros e irmãos - e que o fazem com alegria, mesmo sem o
devido reconhecimento. Estes que, quietamente e com naturalidade,
buscam fazer o trabalho de amar o povo de Deus, são ideais para esta
nobre e excelente obra.
3) Note aqueles homens que manifestam respeito e confiança na
liderança.
Aqueles que se esforçam para entender as direções propostas pela
liderança, que fazem perguntas boas e apropriadas, em momentos
igualmente apropriados, e que evitam criar confusões ou dissenções
nas reuniões públicas. Um homem não poderá liderar bem, enquanto
ele mesmo não demonstrar capacidade de submeter-se aos que
lideram. Um homem que venha a tornar-se um dos pastores numa
congregação, cedo perceberá que ele mesmo deverá ser submisso,
pois liderar não se reduz simplesmente a dirigir os outros.
4) Seja paciente e procure notar aqueles homens que, com o
tempo, evidenciem esta aspiração.
Observe o homem. Encoraje-o. Observe seu desejo em tempos
frutíferos e em tempos estéreis, quando ele está cheio de
contentamento e quando está entristecido. Tal desejo persiste,
cresce, se fortalece? Ou, ao contrário, murcha, enfraquece,
desvanece? Se a aspiração se demora em realizar-se, ele a deixará de
lado para fazer outras coisas? Você quer encontrar pessoas que
sabem lidar com a espera e desapontamentos com maturidade e
humildade, não com impaciência e imaturidade. E o seu desejo para o
ofício, ainda que demorado ou adiado, deverá amadurecer com o
tempo, como o vinho fino. Como disse Paulo, faremos bem em “não
impor as mãos precipitadamente” sobre nenhum homem.
QUESTÕES E OBSERVAÇÕES
Quando examinar um homem para o ofício de presbítero, faça-lhe
algumas dessas perguntas, para ver se pode entender seu desejo para
o ofício.
1) Alguma vez você já pensou em ser um presbítero?
Comece aqui. Muitos nunca consideraram isso e ficam surpresos,
quando lhe fazemos esta pergunta básica. Outros, sim, terão
considerado o assunto, mas têm colocado a ideia de lado por causa de
conceitos errados, os quais podemos e devemos corrigir. Para
aqueles que nunca consideraram a ideia, devemos estar preparados
para dar-lhes algumas razões porque deviam. Desde o dizer-lhe que
“esta é a maneira de definirmos maturidade cristã na vida de um
homem”, até “eu tenho visto certas coisas em particular na sua vida
que sugerem que você deveria pensar sobre esta questão”. Não
queremos pressionar nenhum homem, mas devemos sugerir a ideia
de liderança que pode desenvolver nele esse desejo, e que o faça ver
as coisas de forma diferente, em relação à dedicação de sua vida
inteira ao ministério.

2) Não poderia dar-se o caso de que sua falta de desejo possa


estar indicando uma complacência espiritual ou uma falta de
direção?
A pergunta assume que o desejo ao ofício de presbítero é uma boa
coisa e que suas qualificações são uma boa avaliação de si mesmo,
quanto à maturidade cristã. Como pastores, queremos imprimir esta
visão ao nosso homem em questão e onde notamos existir uma
aparente falta de vontade, podemos assumir que o cuidado, o ensino
e a correção são necessários.

3) Por que você deseja ser um presbítero? Até que ponto você
poderia perceber a existência de alguma coisa impura (orgulho,
poder, etc.) em seus motivos?
Esta é uma pergunta óbvia para aqueles que estão considerando o
ofício de presbítero. Justamente porque não queremos impor as
mãos sobre nenhum homem de uma maneira precipitada, temos de,
praticamente, por à prova as ambições piedosas em contraste com
motivos impuros. Ninguém possui motivações que sejam perfeitas.
Todos nós lutamos contra vestígios de pecados em nossas vidas.
Mas, uma devida diligência requer que ajudemos o homem a
examinar seu próprio coração e trazer à tona aqueles sentimentos
que devem ser inspecionados. Você tem, diante de si, um homem
simples, humilde, desejando servir, ou um insubmisso, orgulhoso e
interessado no poder de controlar? Qual é a raiz de sua ânsia e desejo
– serviço ou reconhecimento? Temos de evitar a ordenação de
homens que possam desejar o bispado “por sórdida ganância” ou
para serem “dominadores daqueles que lhe foram confiados” (1
Pedro 5.2-3). As ovelhas são as que mais grandemente se beneficiam,
quando descobrimos tais atitudes num aspirante ao ministério, antes
que ele seja feito um presbítero, ao invés de descobri-las depois de
haver espancado as ovelhas. Mais ainda, muita confiança e segurança
são os benefícios do homem, quando ele serve livremente e com
bons motivos.

4) Você já chegou a considerar o que aconteceria a uma igreja, às


ovelhas, se estas não tiverem um pastor? O seu coração responde
à semelhança do coração de Jesus, em sua visão das ovelhas sem
pastor? (Mateus 9.36; Marcos 6.34)?
Para aqueles homens que podem reconhecer dons espirituais e
qualificações em si mesmos, mas que fogem à responsabilidade de se
tornarem líderes, talvez sirva de ajuda levá-los a tirar seus olhos de si
mesmos, para focalizá-los nas pessoas que eles poderiam ser
chamados a servir. Muito mais está em jogo, do que um indivíduo
sentir-se pessoalmente confortável ou não com a ideia de ser um
líder - ainda que isto deva ser levado em consideração. Mas, o que
está em jogo é o cuidado espiritual das ovelhas.

5) Você já parou para considerar o que está ensinando à


congregação, sobre o almejar esta excelente obra e o seu
consequente cuidado das almas, com esta atitude de evitar
assumir a liderança?
Algumas vezes, homens com dons e capacidades já são vistos como
pastores aos olhos da congregação, mas, por alguma razão, estão
evitando um reconhecimento formal. Nesses casos, devemos ajudá-
los a perceber que eles já estão ensinando liderança à igreja, ainda
que estejam evitando a posição. Como mais espiritualmente dotados
aos olhos da congregação, estão também levando a igreja a pensar
que esta obra de liderança é simplesmente um fardo e um trabalho
desnecessário. E ensinando isto, pelo exemplo de sua atitude, estes
homens involuntariamente rebaixam o nível de qualidade que a
congregação deveria esperar de seus líderes e, não somente isto, mas
também diminuem a qualidade do cuidado espiritual que eles, e a
geração futura, poderiam receber. A Bíblia comanda aos crentes:
“lembrai-vos dos vossos guias (pastores), os quais vos pregaram a
Palavra de Deus; e, considerando atentamente o fim de sua vida,
imitai a fé que tiveram” (Hebreus 13.7). Nós não queremos que o
povo do Senhor imite baixos valores, e aprendam, por maus
exemplos, a evitar e responsabilidade de uma obra tão nobre e
excelente.

CONCLUSÃO
Escolher seus pastores é a mais importante decisão que uma
congregação local pode fazer, visto que são eles os que moldarão a
igreja através de seus ensinos e seu testemunho. Dada esta
influência moduladora, o Senhor nos chama a procurar homens que
pastoreiem “o rebanho de Deus” ... “espontaneamente, como Deus
quer” ... ”de boa vontade” ... ”tornando-vos modelos do rebanho” (1
Pedro 5.2-3). William Still, um fiel pastor que treinava homens para
o serviço cristão, observou: “toda a minha preocupação neste
trabalho de procurar formar pastores (e eu formei muito poucos,
apesar de terem sido muitos os homens que passaram por minhas
mãos) é de que eles se tornassem homens de Deus; então, o trabalho
pastoral cuidaria de si mesmo. O trabalho ainda tem de ser feito,
mas o homem de Deus foi feito para este propósito”. 15
Que o Senhor nos dê discernimento, paciência e clareza em nossa
observação, enquanto buscamos homens confiáveis que desejem esta
excelente obra.
9

IRREPREENSÍVEL
“se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja. É necessário,
portanto, que o bispo seja irrepreensível”
(1 Timóteo 3.1, 2)

A excelência do ofício pastoral demanda um caráter excelente que


o corresponda. As igrejas, portanto, precisam procurar homens cuja
vida interior esteja unida à sua vida exterior, em integridade e
santificação.
Paulo lista “irrepreensibilidade” como o segundo traço de caráter
que um presbítero deve ter. “Irrepreensível” serve como uma coberta
para todos as demais características que seguem. Um homem tem de
ser sincero em sua conduta, reto e justo em seu tratar com outras
pessoas.

O BISPO, OU PRESBÍTERO, PRECISA SER IRREPREENSÍVEL


Ser irrepreensível significa que uma pessoa não dá motivos para
suspeitas de imoralidades ou atitudes questionáveis. Todos se
sentiriam surpresos e chocados se ouvissem algo contrário ao seu
caráter. Mas, ser irrepreensível não quer dizer que a pessoa mantém
uma vida de perfeição e sem pecados. O que realmente significa é
que esta pessoa, com o passar dos anos, tem adquirido para si o
respeito e a admiração dos demais, no que concerne ao seu
comportamento, à sua maneira de ser. Vive uma vida digna da
chamada de Deus (Efésios 4.1; 5.1-2; Filipenses 1.27; Colossenses
1.10-12).
É criticamente importante, pois, que um presbítero seja
irrepreensível por, pelo menos, duas razões:
Em primeiro lugar, porque ao ser indicado e recebido como um
presbítero, todos assumirão que: a) ele será um exemplo para as
ovelhas em todas as áreas da vida (1 Timóteo 4.12; 1 Pedro 5.1-3), e
b) ele receberá o benefício da dúvida caso, porventura, seja vítima de
más acusações não-confirmadas (1 Timóteo 5.19). Poucas coisas
podem ser piores, em uma igreja, do que um homem sem caráter,
que exiba um mau exemplo e, ao mesmo tempo, é protegido pela
generosidade de algum julgamento, em virtude do seu ofício.
Em segundo lugar, é criticamente importante porque um
presbítero deve ser tido em alta consideração por seu caráter, não
por sua riqueza, popularidade ou outros motivos mundanos.
Podemos muito bem ser tentados a oferecer o ofício de presbítero a
um homem baseados em seus sucessos no mundo dos negócios, ou
porque sua família tem uma longa história na vida da igreja, ou por
ser popular e bem conhecido. O apóstolo não estava interessado em
nenhuma dessas coisas. Seu interesse estava na dignidade de caráter,
em concordância com o seu ofício. Se um homem é popular num
sentido secular, mundano, mas não é irrepreensível, provavelmente
vai liderar baseado em sua popularidade e não em seu caráter.
Poderá ser alguém que teme a face dos homens mais do que teme a
Deus (uma tentação muito grande para essa posição de presbítero),
ou, quem sabe, tratará de liderar a igreja como lidera seus negócios
seculares, ou assumir alguns direitos em razão do seu status na
comunidade. Todas estas coisas prejudicam o ministério presbiteral.
Todos os crentes deveriam ser irrepreensíveis, mas aqueles que são
presbíteros, têm de ser. Mas, como encontrá-los?

TRAÇOS A SEREM OBSERVADOS


1) Note aqueles homens que são fiéis em suas atuações no seio da igreja
Por exemplo, são homens que mantêm o seu compromisso em dar
à igreja, de maneira regular e sacrificialmente? São homens que,
mesmo que jurem com dano seu, não mudam; que cumprem sua
palavra, mesmo quando outros não os condenem se voltarem atrás
em seus compromissos?
2) Preste atenção especial naqueles homens que demandam respeito
dos demais.
E digo isto no bom sentido da palavra. Esses são os homens que
inspiram retidão em outros. Suas presenças parecem fazer com que
as pessoas se endireitam ou demonstrem mais zelo. A igreja,
normalmente, nomina essa classe de homens para ocuparem
posições que demandam integridade ética, porque confia que eles
farão as coisas bem feitas.
3) Note os homens que vivem suas vidas fora da igreja com integridade.
São homens que chegam ao trabalho no horário certo. São capazes
de manter seus trabalhos e são tidos como trabalhadores de bons
hábitos. Sabem manejar bem seus assuntos financeiros, pagam seus
débitos e vivem dentro de suas possibilidades. Nunca falham em
cumprir suas obrigações.

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES
Uma vez que os líderes ou a congregação tem um homem em mente
considerado como “irrepreensível”, poderão fazer-lhe, então,
algumas perguntas.
1) Existe alguma coisa em sua vida que você pensa desqualificá-
lo para ser um presbítero?
Ainda que esta pergunta seja muito geral em sua abrangência,
oferece, entretanto, um bom lugar para começar. Oferece a
oportunidade de ouvir o que o homem pensa de si mesmo e lhe
ajudará a aprender algo mais sobre sua integridade. Poderão existir
questões que realmente não estejam sendo mais explicitamente
consideradas, em 1 Timóteo 3, mas que o estejam atribulando e que
poderão desqualificá-lo. Esta pergunta dará ao possível presbítero a
oportunidade de levantar as questões que atribulam sua consciência.
Os líderes e a congregação, dessa forma, terão a oportunidade de
pastoreá-lo e modelar o tipo de cuidado e responsabilidade mútua
que se espera dos presbíteros.

2) Se você vier a ser um dos nossos presbíteros, você crê que a


notícia será um espanto surpreendente para sua família, ou para
seus colegas de trabalho?
Nesta altura, você estará sondando a reputação do possível
presbítero fora da igreja. No caso da existência de algum agravo ou
objeção por parte de outros, seria bom explorar: (a) a natureza da
disputa, (b) como o presbítero em potencial tem tratado a situação
(se em genuína atitude cristã ou não), e (c) se a opinião de outros o
desqualifica.

CONCLUSÃO
A excelência da posição de um presbítero requer que esta seja
preenchida somente por homens íntegros. Nestes dias em que
muitas pessoas, inclusive cristãos, se ofendem com a ideia de terem
de julgar a outrem, a igreja ainda terá de, pacientemente, trabalhar
para verificar se o caráter de um homem é maduro e irrepreensível.
Mesmo que isto seja a coisa mais difícil nas igrejas que querem
encontrar homens responsáveis de quem possam depender. A saúde
e a pureza da noiva de Cristo o requer.
Cultivar esta classe de integridade nos líderes de uma igreja é vital
para a saúde dessa igreja.
10

MARIDO DE UMA SÓ MULHER


“É necessário, portanto, que o bispo (pastor, presbítero) seja
irrepreensível, esposo de uma só mulher”
(1 Timóteo 3.2)

“D
esejar” é a primeira coisa que Paulo menciona, em sua lista. Em
seguida, vem “irrepreensível”. E, então, o que mais é necessário ser,
àqueles que lideram a igreja? É necessário que um presbítero seja
“esposo de uma só mulher”, diz o apóstolo. Literalmente, a frase, em
seu original, se lê: “um homem de uma só mulher”. Mas existem
algumas diferenças de opiniões quanto ao significado dessa frase.

QUAL O SIGNIFICADO DESSA FRASE, “UM HOMEM DE


UMA SÓ MULHER”?
Existe uma gama de interpretações que buscam explicar o que a frase
significa, indo desde o simples significado de poligamia, até uma
explicação que enfoca mais numa questão de moral e de pureza
sexual. Tomando a visão mais estreita, João Calvino segue a
Crisóstomos, que afirma ser a posição de Paulo a de “expressamente
condenar a poligamia”. Calvino argumenta que “Paulo proíbe a
poligamia para todos aqueles que mantêm uma posição oficial de
presbítero, porque esta seria a marca de um homem sem castidade;
de um que não observa a fidelidade conjugal”.16 D. A. Carson toma,
igualmente, essa posição. 17
Tomando uma interpretação mais abrangente, John McArthur
rejeita o argumento de poligamia, dizendo que esse costume “não era
comum na sociedade romana, e que era claramente proibido pela
Escritura”.18 Porém, em uma série de sermões em 1 Timóteo, Phil
Ryken toma ainda uma interpretação mais ampla, semelhante à de
McArthur:
A fim de ser irrepreensível, um presbítero necessita ser “esposo de uma só mulher”.
Isto, porém, não impede que um homem solteiro sirva como presbítero. Comumente,
um presbítero será um homem casado e Deus usará as demandas do seu
chamamento como marido e pai para influenciarem na obra santificadora a ser
levada a cabo em suas vidas, antes mesmo que estes estejam prontos para servir
como oficiais na igreja. Lembre-se que Paulo mesmo não era casado e recomendou a
vida de solteiro aos outros, como uma oportunidade para maiores serviços no reino
de Deus (1 Coríntios 7.17; 9.5). Alguns têm sugerido que a frase significa “casados
uma só vez”. E isto desqualificaria viúvos que tornam a casar-se, assim como um
homem que tenha passado por um divórcio. Se isto é o que Paulo quer dizer, então
esperaríamos que o apóstolo fosse mais explícito.

O argumento da frase, talvez, seja mais generalizado: presbíteros


devem estar mais obrigados a prestar contas de sua sexualidade. Os
gregos e os romanos daqueles dias geralmente toleravam horríveis
pecados sexuais. Poligamia era praticada por ambos, judeus e gregos.
Casamentos eram frequentemente marcados por divórcio, adultérios
cometidos abertamente e uma homossexualidade desenfreada. As
palavras de Demóstenes explicam a dimensão desse problema:
“Amantes as mantemos por uma questão de prazer, concubinas para
o cuidado diário de nossas pessoas, mas as esposas, para nos darem à
luz filhos legítimos”. 19
Assim, ainda que os comentaristas difiram no exato significado da
frase, qualquer um poderá concordar que pureza sexual é um pré-
requisito para alguém que deseja assumir o ofício de presbítero. Na
verdade, pureza sexual na igreja ocupa uma importante função
apologética e evangelística no testemunho cristão (veja, por
exemplo, Efésios 4.17-24; 5.3-14). Os líderes deverão, portanto,
examinar a vida de um possível presbítero neste aspecto.
E como encontraremos aquele “esposo de uma só mulher” na
congregação? Aqui seguem algumas perguntas e observações,
primeiramente para o solteiro e, depois, para o homem casado.

PERGUNTAS E OBSERVAÇÕES
(COM REFERÊNCIA AO HOMEM SOLTEIRO)
1) Como você caracteriza o namoro de um homem com uma
mulher?
Um homem dado a uma série de namoros poderá ser uma pessoa que
não entende, nem tampouco se importa, com o coração das irmãs. Se
ele não pode levar a sério as questões do coração e dos sentimentos,
ele, talvez, esteja demonstrando a necessidade de aprender mais
disciplina nessa área de sua vida e não poderá ser um exemplo
apropriado para o rebanho. Um presbítero trata as irmãs na fé “com
toda a pureza” (1 Timóteo 5.2)?

2) Qual o tipo de entretenimento que ele escolhe? Se entrega a


material pornográfico - material sexualmente explícito?
Se ele está lutando com essa questão, o melhor será não fazer dele
um presbítero. Um presbítero precisa ser um exemplo, ensinando os
mais jovens a serem controlados, agindo com autodomínio (Tito
2.6), e uma vida de impureza sexual é incompatível com o ofício do
presbítero.

3) Como esse homem luta contra sua própria lascívia?


Arrancando os seus olhos e cortando suas mãos (Mateus 5.27-
30)?
A guerra contra a imoralidade sexual precisa ser feita no âmbito dos
desejos do coração. Os presbíteros precisam combater seus pecados
como cristãos, o que significa que eles terão de, radicalmente,
negarem-se a toda e qualquer oportunidade para a carne, o mundo e
o diabo, que buscam excitar seus desejos carnais. Ao contrário, eles
devem cultivar um profundo desejo por Cristo e pelas coisas de
Cristo. Um homem solteiro que mantém estas coisas camufladas,
que flerta ou alimenta sua luxúria, põe em perigo a outros e a si
mesmo. Um presbítero deve desejar e aceitar a responsabilidade de
responder a outros nesse aspecto de sua vida..
Enquanto a primeira questão acima deveria ser, de certa maneira,
reformulada, todas as questões aqui apresentadas aplicam-se, de
igual maneira, ao homem casado. Mas, no caso de um solteiro,
determinar se ele é realmente “um homem de uma só mulher” requer
que se considere a trajetória das suas afeições - não um
comportamento marital. A sua conduta evidencia pureza, ou é
evidência de imaturidades que deveriam ser evitadas?
Existem outras diversas questões a serem tratadas com o homem
casado.

PERGUNTAS E OBSERVAÇÕES
(COM REFERÊNCIA AO HOMEM CASADO)
1) Este homem, candidato ao ofício de presbítero, evidencia
fidelidade à sua esposa? É fiel física e emocionalmente?
Um presbítero em potencial deveria ser perguntado diretamente se
ele, alguma vez, quebrou o seu pacto matrimonial, através de um
relacionamento adúltero. E, se não o fez em um ato físico, tornou-se
emocionalmente envolvido com outra mulher, de uma maneira que o
desqualificaria para o ofício? Seria sábio ter esta conversa com a
esposa também, visto que ela poderá trazer alguma luz sobre coisas
que ele mesmo pareça não perceber. Em geral, os líderes de uma
igreja deveriam estar seguros de que a esposa concorda e acredita
que seu marido está qualificado. Essas são questões que devem ser
apresentadas a um homem antes de fazer dele um presbítero, não
depois. A posição e o que se requer do ofício de presbítero, só
adicionará ainda mais pressão a qualquer fissura de caráter já
existente num casamento.

2) Ele mantém sua interação com colegas do sexo feminino, em


seu trabalho, e com mulheres na igreja, de maneira a permitir
completa prestação de contas e transparência?
Por exemplo, ele evita situações potencialmente comprometedoras
ou situações que possam abrir oportunidades para tentações
(viagens, reuniões a sós e privadas, etc)? Presbíteros que trabalham
em ambientes mistos devem ser homens de reputação confiável por
parte de suas colegas. E confiável não porque tenha aconselhado
mulheres em seus problemas de intimidade, mas justamente porque
ele tem, apropriadamente, se esquivado de tais situações,
estabelecendo uma distância segura e salva da tentação em
potencial.

3) O presbítero em potencial tem fielmente feito com que seu lar


seja centrado no seu matrimônio?
Segundo o projeto divino, o centro de uma família deverá ser o
matrimônio de um homem com uma mulher (Gênesis 2.24). O
homem e sua mulher deixam seus pais e se unem um ao outro, e se
tornam uma só carne. Ser um homem de uma só mulher significa,
em parte, manter uma atmosfera, em sua vida familiar, na qual não
permita que outras pessoas ou coisas (filhos e trabalho, por exemplo)
desaloje o matrimônio como o centro da família. Um presbítero em
potencial preza sua esposa acima mesmo de outras pessoas preciosas
em sua casa e, em seus relacionamentos terrenos, direciona suas
afeições primeiramente, e acima de tudo, à sua esposa.

4) O presbítero que deseja o ofício alegremente aceita o ensino


bíblico concernente às distintas posições do homem e da mulher
num lar?
Ele crê na equidade do homem e da mulher, enquanto mantém a
ordem divina na distinção que deve haver entre a posição do homem
e da posição da mulher, tanto no lar como na igreja? Um presbítero
deve estar disposto a ensinar a igreja a aceitar alegremente todas as
instruções de Deus para nosso viver. Evitando ou abandonando a
Palavra de Deus neste ensino, o presbítero em potencial resiste à
autoridade da Escritura e obscurece o evangelho do Senhor Jesus
Cristo (Efésios 5.22-32). Quando se trata dos diferentes papéis do
esposo e da esposa, muitos homens se sentem pressionados a evitar
este tópico tão delicado. Mas, fazendo assim, o homem irá,
necessariamente, substituir a sabedoria de Deus pela sabedoria
humana, e negar os meios pelos quais Deus intenciona abençoar
tanto o homem como a mulher. 20

CONCLUSÃO
Na cultura em geral o índice de divórcios é altamente alarmante e
muitos ataques são feitos contra o casamento. Isto significa que as
igrejas que se limitam ao propósito de somente elegerem “homens de
uma só mulher”, para o ministério de presbítero, estão atendo-se a
uma postura altamente elevada, centrada no evangelho, centrada na
ordem divina, como uma alternativa para que o mundo a veja.
Enquanto o mundo mergulha de cabeça num impulso de imoralidade
sexual e uma ética de relativismo, a igreja precisa manter uma
alternativa santa, boa e beneficente para o estilo de vida íntimo
entre um homem e uma mulher. Um presbítero estará encabeçando
esta alternativa contra-cultural. Portanto, escolher um homem que
seja fiel em todas essas áreas requer paciência, oração e
discernimento para o bem de todos.
11

TEMPERANTE, SÓBRIO,
MODESTO
“É necessário, portanto, que um presbítero seja...
temperante, sóbrio, modesto”
(1 Timóteo 3.2)

S hopping Centers não são meus lugares preferidos. Suponho que eu


sou o estereótipo da masculinidade. Corro numa investida, de uma
loja para a outra (no máximo três), que potencialmente tenham o
que eu estou procurando, seleciono o item que procuro e, então, faço
o melhor possível para escapar daquela experiência, saindo como
uma flecha pela porta mais próxima que encontre.
A “Feira da Vaidade” é um lugar bem perigoso para se estar. De
tudo o que se possa dizer dos shopping centers, isto é, sem dúvida,
verdade: eles não existem para promover sobriedade, nem domínio
próprio. Propagandas, vitrines, mostruários, música – a experiência
inteira tem por alvo separar as pessoas de suas carteiras, num
ambiente mais emocional e desenfreado possível. De sobriedade, se
faz pouco. Domínio próprio é lançado fora.
Acima e contrária às seduções materialistas do shopping center
local, está a chamada da Escritura aos crentes para serem sóbrios e
autocontrolados, para exercerem mordomia e para triunfarem sobre
a carne. Não é surpreende, portanto, que o apóstolo Paulo insista em
que líderes na igreja - presbíteros, pastores - sejam temperantes e
autocontrolados.
A palavra “nephalios”, traduzida por “temperante”, “sóbrio” e
“vigilante”, inclui a ideia de estar atento e circunspecto. Pessoas
temperantes estão livres da influência excessiva da paixão, lascívia
ou emoções. O Senhor conclama seus subpastores a serem sóbrios
em seus desejos, sentimentos e atitudes. O homem temperante põe
limitações à sua liberdade. Não se embriaga com vinho, poder,
lascívia ou qualquer outra coisa. Ele entende que nem todas as
situações são caminhos, através dos quais podem enredar-se.
Com isso, chegamos à nossa próxima qualificação, autocontrole.
Este termo, e o último que vimos, estão proximamente ligados e
apontam, de forma geral, à mesma coisa. Um presbítero tem de ser
uma pessoa que se refreia; precisa controlar seu estado interior
(emoções e outras coisas) e suas atuações externas. É decente em sua
conduta, não é precipitado ou age impensadamente, mas é sensível,
discreto e sábio. Homens néscios não estão qualificados para a
liderança da igreja do Senhor. Alexandre Strauch corretamente
observa: “muito mais estragos são causados às nossas igrejas por iras
descontroladas, do que nós podemos admitir”.
Onde quer que sobriedade e o autocontrole reinem, aí você
encontra um homem respeitável. Um homem que viva uma vida
piedosa, ordenada. Qualificações como essas são necessárias para
pastorear o rebanho de Deus.

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES
1) O presbítero em potencial costuma ensinar outros homens a
viverem como ele vive?
Esse é o chamado essencial de um presbítero (Tito 2.2). O presbítero
deverá ser conhecido por encorajar sobriedade, autocontrole e
comportamento respeitável em outros. Outros aprendem moderação
pelo seu conselho e exemplo?

2) O homem tem tendências à modernidades? É amante de


caprichos de modas, saltando de novidade a novidade?
Essas tendências enfatizam constante inovação, assim sendo, por
definição, um homem com essa natureza é controlado por coisas
exteriores. Tem fome daquelas coisas que estão sempre mudando, da
sempre ilusória “próxima grande ideia”. Pode ser visto como o
“bacanão” da congregação, mas a própria base de sua aceitação
provém do tipo de instabilidade que obra contra a sobriedade,
vigilância e autodomínio.
Podemos verificar essas coisas em seu estilo de vestir-se, ou em
outras compras que faz (carros, etc). Ainda que não queiramos ser
recatados sobre coisas exteriores, aquele que é dado a comprar toda
novidade que aparece, provavelmente, esteja apresentando os
primeiros sintomas de uma vida dedicada a importar as mais novas
ideias do mundo. É ele um homem que está sempre procurando toda
novidade [ou novos modelos] de “como se fazer” na igreja? É dado a
novidades teológicas? Esse estilo de vida tem quase destruído a
igreja de dentro para fora, e tal comportamento tem de ser rejeitado.
Ao contrário, devemos procurar homens que sejam estáveis em sua
resistência contra as novidades e movimentos insalubres que
aparecem. Devemos procurar homens que adotam com consistência
uma saudável e bíblica visão de si mesmos, do mundo e de Deus.
Estamos em busca do clássico, do terno gasto, ao invés da última
costura de vanguarda de Paris.

3) São os seus apetites equilibrados? Existe algum lugar, em sua


vida onde ele se dê a excessos – comida, álcool, ira?
Sabe restringir-se, exercitando autocontrole e demonstrando
contentamento em todas as coisas? Homens que sejam aditos do
álcool, drogas, sexo ou outras coisas, não são candidatos adequados
para o ofício de presbítero.

4) Nós devemos notar com cuidado suas ações e reações, em


diferentes circunstâncias
Como o candidato a presbítero se porta, quando tudo lhe vai bem?
Sabe controlar-se, louvar ao Senhor e viver sem abusar de sua
prosperidade? Qual é sua conduta quando as circunstâncias se
tornam difíceis? Sabe tomar os sofrimentos de uma maneira
tranquila? Persevera na adversidade sem deixar-se vencer pelo medo,
pelo ressentimento, pela covardia? É um reclamador? Um
murmurador poderá ser um homem desequilibrado em seus desejos,
assumindo que as coisas deveriam ser feitas à sua maneira ou, pelo
menos, de diferente forma.

5) Outros respeitam a maneira como este homem vive?


Os seus inimigos se encontram sem ter como julgá-lo e se sentem
envergonhados em face à sua vida e testemunho (Tito 2.7-8)?

CONCLUSÃO
O ministério e a igreja estão constantemente sendo observados pelas
pessoas de dentro e de fora e os inimigos da igreja buscam,
continuamente, oportunidades para condenar e difamar. As igrejas
são grandemente estimuladas a resistir a esses ataques, quando seus
líderes são homens respeitados por sua conduta e são homens sadios
em seus juízos.
12

HOSPITALEIRO
“É necessário, portanto que o presbítero seja...hospitaleiro”
(1 Timóteo 3.2)

N o primeiro domingo de minha visita pela manhã à Igreja Batista


de Capitol Hill, em Washington, DC – sentei-me com minha família à
frente de outra família muito simpática, na galeria da igreja.
Primeiro os notei por causa dos seus filhos pequenos, que sentavam-
se atentos e pacientemente, enquanto participavam do culto. Depois
notei a linda e vigorosa maneira com que cantavam. Mas eles
realmente ganharam toda minha atenção quando, imediatamente
depois do término do culto, nos cumprimentaram cordial e
calorosamente. O pai da família levou-me ao redor, apresentando-
me a outros homens da igreja e, depois de uns quinze minutos,
convidou minha família para almoçar em sua casa. Não perdeu
tempo!
Honestamente, a experiência fez-me sentir um pouco estranho.
Primeiramente, o seu nome era James e, literalmente, os primeiros
três homens que me apresentou, também se chamavam James.
Estranho, pensei. Que tipo de igreja é esta? Será que eu também vou ter
que trocar meu nome de novo? Depois, aquele convite inesperado para
o almoço realmente me estonteou. Tudo aconteceu tão rapidamente
e, com minha criação sulina, a atitude poderia até ser considerada
mal educada.
Assim, pois, respondi com minha mais educada maneira sulina de
dizer não: “Ó, é muita bondade sua. Quem sabe, em outra ocasião”.
Qualquer pessoa lá no sul entenderia que uma sentença assim
formulada simplesmente quer dizer não. Nós, lá do sul dos Estados
Unidos, sabemos que é assim que devemos responder não, porque
dizer apenas “não”, seria indelicado. E os sulinos não são nada, senão
corteses.
Então, eu claramente disse não ao bondoso, ainda que precipitado,
convite para um almoço. Mas, imagine, exatamente na próxima
semana em que visitamos outra vez essa igreja um tanto estranha
para mim, ele novamente insistiu que fôssemos com ele para
almoçarmos juntos. Eu era da Carolina do Norte. Ele era de Nova
Jersey. Houve uma falta de comunicação. Ele não entendia as regras
lá do sul, mas Washington, DC, aparentemente, está muito perto da
Linha Mason-Dixon para que claramente pudesse estabelecer em
qual “Roma” estávamos, e como devíamos proceder.
Mas eu estava errado e James estava certo. Ele era o homem mais
piedoso. Era mais hospitaleiro do que qualquer um que eu jamais
conheci e assim permanece ainda hoje em minha mente. James
personificava a insistência de Paulo em que homens hospitaleiros
liderem a igreja de Cristo. E, acredite, James era um presbítero.

PORQUE OS CRENTES DEVEM PREZAR PELA


HOSPITALIDADE?
Primeiramente, a hospitalidade expressa o amor de uma forma
tangível. Deus chama os cristãos para amarem-se uns aos outros
(João 13.34-35) e amar aos seus inimigos (Mateus 5.43-47).
Hospitalidade é uma forma prática desse amor. Os presbíteros
devem ser modelos disso.
Segundo, a hospitalidade expressa de forma palpável o cuidado por
pessoas estranhas. Como podemos saber se estamos ajudando aos
estranhos em nossos portões (Levítico 19.33-34)? Uma medida é
saber o quanto nos aproximamos deles e permitimos que eles
também se cheguem a nós. A hospitalidade nos aproxima de uma
maneira significante. Estabelece mais intimidade num
relacionamento e reflete o amor de Cristo aos “estrangeiros”.
Em terceiro lugar, a hospitalidade favorece o evangelismo. Bem,
poderá ser que nossa falha quanto à hospitalidade seja a causa de que
tantos crentes apenas tenham alguns poucos amigos não crentes, e
se encontram impedidos da possibilidade de evangelizar. Não
podemos evangelizar uma pessoa que nem sequer cumprimentamos,
ou conversar com alguém com quem não estamos dispostos a passar
nosso tempo. Se não formos hospitaleiros, pelo menos num nível
considerável, compartilhar o evangelho se torna algo impossível.
Quarto, a hospitalidade também favorece o discipulado e o
congraçamento. A igreja em seu princípio dedicava-se ao partir do
pão e à comunhão (Atos 2.42-47). Para aqueles crentes do princípio,
tal hospitalidade se colocava em mesma altura com a devoção e com
as doutrinas dos apóstolos.
Então, a hospitalidade e o modelar a hospitalidade por exemplo
pessoal são traços essenciais da vida cristã. Como notou certo autor,
“dificilmente teremos uma melhor característica do amor cristão do
que na hospitalidade. Através do ministério de hospitalidade,
podemos compartilhar as coisas que temos de suma importância em
nossas vidas: família, lar, recursos financeiros, tempo e privacidade.
Em outras palavras, através da hospitalidade, compartilhamos
nossas vidas”. 22 As igrejas deveriam estar cheias de pessoas dadas a
este ato particular de amor (1Pdero 4.8-9). E os líderes das igrejas
deveriam ser exemplos de hospitalidade para todos.
Como encontrarmos homens hospitaleiros na congregação? Como
avaliarmos essa qualificação?

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES
1) Procure notar aqueles homens que fazem, para si mesmos, um
ministério de cumprimentar todas as pessoas na igreja.
São eles como adornos de parede ou candidatos a Sr. Simpatia? Não
quero dizer que o homem deva possuir uma personalidade
exuberante, mas vale a pena notar aqueles homens que permanecem
no edifício depois de terminados os cultos, que chegam cedo, que
saúdam os visitantes e os santos igualmente. Essa atividade de
saudar e de fazer com que as pessoas se sintam bem-vindas é
essencial à hospitalidade. Note, especialmente, se algum homem está
fazendo essa obra num gesto contrário à sua tendência natural. Se
assim o é, este será um sinal de graça divina. As igrejas devem
valorizar este ato positivo de amor, que chega a resistir à inclinação
natural do indivíduo para a privacidade e o isolamento.

2) Note o homem que ajuda aqueles que estão em necessidade


Hospitalidade sempre estende uma mão de ajuda. Quais os homens
que ajudam os de terceira idade a virem à igreja? Oferecem
transporte a membros e visitantes que necessitam, para vir à igreja?
Acompanham os visitantes para dirigi-los às classes de Escola
Dominical ou ao ministério infantil? Hospitalidade significa ajudar
aqueles que necessitam.

3) Tal homem abre o seu lar para outros?


Esta é, com certeza, a forma mais óbvia de hospitalidade. Identifique
aqueles que usam as suas casas como lugares para ministrar. Talvez
recebam um grupo menor para estudos bíblicos. Ou são os primeiros
que se oferecem como voluntários para hospedarem missionários ou
para preparar alimentação para pregadores visitantes. Talvez sejam
os que frequentemente convidam pessoas para jantar em suas casas,
como meu amigo James. Homens com um ministério ativo de
hospitalidade são pedras preciosas e por meio de sua hospitalidade
se dão a oportunidade de conhecer e supervisionar as ovelhas mais
intimamente.

4) As casas não são os únicos lugares para se demonstrar


hospitalidade
Um homem hospitaleiro usará o seu tempo e uma variedade de
lugares para demonstrar sua hospitalidade, tal como a hora de
almoço no trabalho. Pergunte, então, como ele usa a sua hora de
almoço? Usa-a para construir relacionamentos com colegas de
trabalho que não são crentes, na esperança de oportunidades para o
evangelho? Reune-se regularmente com outros homens para
proporcionar companheirismo e para prestar contas de si mesmo a
outros, ou para discipular?

5) Aceita convites de outros para hospitalidade?


Às vezes, receber atitudes de amor e de cuidado deixam as pessoas
desconfortáveis. O presbítero potencial deverá exemplificar tanto o
dar como o receber expressões de amor. É especificamente
importante que ele possa passar tempo com diferentes tipos de
pessoas da congregação (jovens, velhos, ricos, pobres, com diferentes
etnias, etc.) Muitas pessoas desejam sentir-se fortes e sem necessitar
de ninguém para atenção ou cuidado. Mas aquele que é hospitaleiro
honra aos outros, por aceitar sua hospitalidade com agradecimentos
sinceros, genuínos, e com o menor embaraço possível.

CONCLUSÃO
No culto em que a igreja se despediu de James, que fora transferido
para outra cidade fora de Washington, DC, o pastor pediu a todos os
que haviam sido hóspedes na casa dele para um almoço ou um jantar
que, por favor, se levantassem. Naquele culto haviam,
provavelmente, cerca de 350 a 400 pessoas. Literalmente, 90 por
cento da congregação colocou-se em pé e glorificou a Deus pela
hospitalidade que James e sua família lhes proporcionaram. Sua
casa, assim como sua vida, tornara-se uma extensão do ministério
pastoral da igreja. Juntamente com sua família deram frutos
imensuráveis por simplesmente ter pessoas unindo-se a eles para o
jantar normal dos domingos - semana após semana.
Se isso já soa como uma carga, devo também acrescentar que
James e sua esposa têm seis filhos, haviam adotado um sobrinho e
uma sobrinha e moravam a 45 minutos da igreja. Não era um
Superman, mas o modo com que ele e sua esposa exibiram esse
modelo de hospitalidade, às vezes, faz-me pensar que era. Seu
exemplo desafiou-me a esquecer o sossego e a cruzar mais fronteiras
com o amor de Cristo. Possa a tribo dos ‘James’ aumentar!
13

APTO PARA ENSINAR


“É necessário, portanto, que o presbítero seja...apto para ensinar”
(1 Timóteo 3.2)

V ocê já notou quão significante é a atividade de ensinar no Novo


Testamento? Os pastores pensam na importância do ensino
constantemente, porque esta tarefa está relacionada com seu
trabalho. Vale a pena observar que, no Novo Testamento, o ensino
parece ser necessário em todos os aspectos da vida cristã.
Nós nos chamamos “discípulos” e praticamos “disciplinas”
espirituais, duas palavras cuja raiz tem relação com ensino e
aprendizado. Ensinar é central na proclamação do evangelho e no
fazer discípulos: “...ensinando-os a guardar todas as coisas que vos
tenho ordenado” (Mateus 28.18-20). O ensino é crítico no treinar
novas gerações de homens e mulheres (Tito 2.2-6). O ensino é
necessário para que o povo aprenda a orar (Lucas 11.1). De fato, o
ensino está no coração da maturidade cristã (Efésios 4.11-16). A
Bíblia até mesmo chega a conectar o louvor com o ensino, visto que,
cantando, falamos e admoestamos uns aos outros com canções
(Efésios 5.19; Colossenses 3.16).
Podíamos continuar nosso argumento. O ensino e a necessidade
de ensinar aparecem por toda parte nas páginas do Novo
Testamento. Mesmo no Antigo Testamento, ensinar a Palavra de
Deus ocupava uma posição dominante no reavivamento e no
fortalecimento do povo de Deus na fidelidade.

A NECESSIDADE DE ENSINAR
Assim, não nos surpreende quando o apóstolo Paulo inclui “apto
para ensinar” em sua lista de qualificações para a liderança da igreja.
Cada um dos atributos listados por Paulo deveria tipificar todo
homem cristão que é maduro, mas essa qualidade de “apto para
ensinar” é um dom peculiar, que se requer de homens que aspiram
ser presbíteros ou pastores. A razão é simples: ensinar é a tarefa
primária do presbítero. Outras coisas são necessárias em uma igreja,
tais como administração, cuidado mútuo e assim por diante, mas,
uma coisa que necessariamente coloca um presbítero à parte é sua
habilidade para ensinar.
João Calvino captou algo da sobriedade devida, quando
consideramos essa tarefa:
E se julgamos uma grande impiedade contaminar qualquer coisa que é dedicada a
Deus, ele certamente não poderá suportar quem com mãos impuras ou mesmo
despreparadas, manuseie aquilo que, entre todas as coisas, é a mais sagrada na terra.
É, portanto uma audácia bem perto de um sacrilégio tomar a Escritura
precipitadamente, torcendo-a a nosso bel-prazer, ao luxo de nossos caprichos; o que
já tem sido feito por muitos em tempos passados. 23

O QUE O APÓSTOLO QUER DIZER COM “APTO PARA


ENSINAR”?
Esse critério de Paulo, “apto para ensinar”, se refere à habilidade de
comunicar e aplicar a Escritura com clareza, coerência e de forma a
frutificar. Os que têm essa habilidade manuseiam a Escritura com
fidelidade e outros são edificados quando eles o fazem. Essa
habilidade não se limita ao ensino público desde o púlpito. Homens
com essa habilidade podem ser mestres, ou, mais simplesmente,
poderão ser dotados para ensinar indivíduos ou grupos pequenos.
Nem todos são exímios pregadores públicos, mas estão, a todo
tempo, ensinando e aconselhando através da Escritura as pessoas ao
seu redor. Homens assim não deveriam ser desclassificados do ofício
de presbítero.
Anteriormente, lhes disse de Mark Dever que, ao ouvir do meu
desejo de ser um pastor, imediatamente perguntou à minha esposa:
“Ele pode ensinar?”. Essa foi a primeira pergunta que ele fez. A
habilidade de ensinar é um dom particularmente associado com o
ofício de presbítero e homens que aspiram esse ministério precisam
possuí-lo. Não podemos passar por cima dessa qualificação quando
avaliamos candidatos para a liderança pastoral: ele pode ensinar?

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES
1) Os pastores devem prover meios para que homens na igreja
tenham oportunidades para ensinar, com o fim de poderem
avaliar sua habilidade.
Homens que demonstrem interesse em ensinar e que manifestem
qualidades para o ofício de presbítero, deveriam ter oportunidades
para ensinar em situações apropriadas. Algumas igrejas usam seus
cultos noturnos, aos domingos, para esse fim. Outras igrejas usam
oportunidades na Escola Dominical ou seus estudos bíblicos no meio
da semana. Ainda outras organizam oficinas para treinamento
experimental. Seja qual for a situação local, pastores e igrejas devem
criar oportunidades para observar e confirmar capacidades de ensino
nos homens da congregação.

2) Assumindo que um homem tenha tido um certo número de


oportunidades para ensinar, quão capacitado se mostra?
Os pastores deveriam conceder a um homem diversas oportunidades
para aprender e crescer como um instrutor. Sua habilidade deverá
ser provada em uma jornada de ensino. Porém, no decorrer dessa
jornada, é necessário que se averigue se o homem demonstra
competência para interpretar um texto, planejar um sermão,
comunicar claramente as ideias bíblicas, aplicar a Escritura
adequadamente, saber antecipar objeções e conhecer as necessidades
pastorais da igreja. Dada a centralidade do ensino, aqueles que
avaliam não podem ser precipitados. Possibilidades há que, dentro
de algum tempo, o homem desenvolva suas habilidades. Eu tive o
privilégio de servir com dois presbíteros fiéis, mas que não eram
muito bons para falar em público. Um gaguejava e o outro suava
nervosamente. Mas, com o tempo, eles se tornaram dois dos
melhores pregadores para os domingos à noite. Para se cultivar e
afirmar essa habilidade, é preciso uma avaliação clara, honesta e
paciente.

3) O homem demonstra sensibilidade pastoral em seu ensino?


As igrejas locais devem procurar homens que conheçam sua
congregação e são habilitados para aplicar a Palavra ao povo de Deus.
O presbítero em potencial demonstra discernimento a esse respeito?
Tem competência para falar à congregação em suas dores, alegrias,
necessidades, histórias e esperanças? Ele tende a alimentar ou a
espancar as ovelhas? Se ele conhece a congregação, isso será visto na
maneira com que ele cuida do povo, através dos seus ensinos. O
apóstolo Paulo mesmo modelou isto, dizendo: “E sabeis, ainda, de
que maneira, como pai a seus filhos, a cada um de vós, exortamos,
aconselhamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de
Deus, que vos chama para o seu reino e glória” (1 Tessalonicenses
2.1-12). Os presbíteros deverão demonstrar algo dessa afeição
paternal, ao ensinar o povo de Deus.

4) O presbítero em potencial está comprometido com a pregação


expositiva (ou com a filosofia de pregação da igreja local).
Ele concorda com os presbíteros atuais sobre o que a pregação é, ou o
que não é? Suporta a igreja, em sua filosofia e em sua abordagem do
ensino? Crê que o ensino é central à obra da igreja, ou crê que outra
coisa deveria ocupar preeminência? Opiniões com grande
divergência neste assunto poderão causar sérias tensões para os
presbíteros e para o pregador principal, em seus esforços para
realizar com fidelidade as suas responsabilidades. Opiniões
divergentes poderão, igualmente, afetar as ovelhas, quando os que
ensinam, empregam no púlpito estratégias fundamentalmente
diferentes. Os presbíteros determinam o caráter e a tonalidade do
ministério de ensino. Assim sendo, é necessário que haja unidade em
uma filosofia de ensino.

5) São, os demais, edificados por seu ensino?


Se perguntarmos à congregação, ela afirmará que esse homem tem
habilidades para ensinar e que se beneficia espiritualmente do seu
ensino? Pergunte aos indivíduos como eles recebem e usam o ensino
do presbítero em consideração. Algumas vezes, podemos afirmar ou
negar a habilidade de um homem, por considerar como os outros o
avaliam.

6) É um homem que discipula a outros?


Visto que nem todo ensino é público, nós devemos, de igual maneira,
procurar aquelas áreas de ensino menores e menos públicas. O
candidato a presbítero ajuda outros a crescerem em Cristo, em
situações mais privadas, como pequenos grupos ou fazendo
discipulado individual? É fiel em ajudar outros a resolverem
dificuldades ou questões pessoais? Outros vêm a ele para pedir
conselhos? E seus conselhos são consistentes e realmente bíblicos?
Um homem poderá cumprir muito de um serviço pastoral nos
corredores, no parque de estacionamento depois de um culto, ou em
um café durante a semana. Quem são os homens que ensinam desta
maneira?

7) O homem com vistas ao ofício de presbítero é teologicamente


maduro e apoia as distinções teológicas da igreja?
Um homem poderá ter um dom, mas este dom necessita estar
conformado com o conteúdo apropriado. Há muitos que são hábeis
para entusiasmar um povo emocionalmente, no entanto, não podem
explicar as doutrinas básicas da fé detalhadamente. Existem pontos
doutrinários em que ele discorda? Pode, de boa consciência,
subscrever a declaração de fé, em sua inteireza? Seus ensinos devem
refletir aquela declaração. Ele pode entender e apoiar as
características teológicas da igreja, tais como o parecer sobre as
ordenanças, distinção nas funções do homem e da mulher em casa e
na igreja, e assim por diante? Para o bem da unidade da igreja,
aqueles com autoridade para ensinar deverão estar habilitados a
serem defensores das características doutrinárias da igreja.
Martyn Lloyd-Jones nos presta grande ajuda ao indicar o que as
igrejas devem esperar de um pregador – daquele que maneja as
Escrituras:
O que você procura? Eles devem ser homens “cheios do Espírito”. Esta é a primeira e
a maior qualificação. Você tem o direito de procurar nele um raro grau de
espiritualidade, e isto deverá vir em primeiro lugar, em vista de sua função. Você tem
o direito de procurar um grau de segurança, com respeito ao seu conhecimento da
Verdade e de seu relacionamento com ela. Fica certamente claro que, se ele é um
homem que está continuamente lutando com seus problemas, dificuldades e
perplexidades próprias e tratando de encontrar a Verdade ou se ele é tão incerto, que
está sempre sendo influenciado pelo último livro que leu, e “é levado por todo vento
de doutrina” e por toda novidade teológica, é claro que ele, ipso facto, é um homem
que não foi chamado para o ministério. Um homem que trás grandes problemas e
vive num estado de perplexidade é, sem dúvida, um homem que não está preparado
para pregar, porque ele estará pregando a um povo com problemas e sua primeira
obrigação é a de ajudá-lo a lidar com seus problemas. “Como poderá um cego guiar
outro cego?” – foi a pergunta do Senhor, em tal situação. Um pregador, então, precisa
ser um homem caracterizado por um raro grau de espiritualidade e ser um homem
que já tem chegado a um consenso seguro do conhecimento e entendimento da
Verdade e sente que está apto para pregar a outros. 24

8) Ele pode defender sua fé?


A capacidade para defender sua fé é outro dos aspectos importantes
da habilidade para ensinar. “...Apegado à palavra fiel, que é segundo
a doutrina, de modo que tenha poder, tanto para exortar pelo reto
ensino, como para convencer os que o contradizem” (Tito 1.9). Os
pastores e as igrejas devem considerar se o presbítero em potencial
demonstra habilidade para corrigir o erro e preservar a verdade, sem
ser argumentativo e indelicado, mas paciente e gentil.

9) É um homem predisposto a ser ensinado?


O candidato ao ofício de presbítero mostra-se à congregação como
um homem que, humilde e alegremente, recebe a Palavra com
aproveitamento? Um homem que pode ser ensinado está, em si
mesmo, ensinando. O ato modela humildade diante dos outros. Se
um pastor não está inclinado a ser ensinado por seus colegas de
ministério e a submeter-se aos demais presbíteros e pastores, ele
criará tensão dentro do ofício e estará moldando endurecimento de
coração nas ovelhas. Ou, pior, pode ser mais um ditador que
instrutor, em seu interagir com as ovelhas.

CONCLUSÃO
Como pastores e como igreja, precisamos encontrar homens com os
quais possamos contar e confiar-lhes aquelas coisas que nós mesmos
temos aprendido de homens fiéis. A fim de que a transmissão da
verdade possa ser bem feita, os homens que indicamos para a
liderança devem ser aptos para ensinar, numa diversidade de
maneiras e de situações. Chamar para servir como presbítero um
homem que não saiba ensinar é como canalizar o leite puro da
Palavra através de canos corroídos e enferrujados. A Palavra
continua sendo leite mas, por quanto tempo? E quem vai querer
tomar leite de um cano enferrujado?
14

SÓBRIO, GENTIL,
PACIFICADOR
“...não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas”
(1 Timóteo 3.3)

M eu avô, assim como meus irmãos, foram alcoólatras. Meu avô


bebia em farras. Costumava permanecer sóbrio por diversos meses,
para então tornar a cair em seu vício, explodindo em abusos verbais
e, algumas vezes, em atitudes violentas. Em seus tempos de
sobriedade, professava ser um cristão. Mas, quando estava
intoxicado, não se podia argumentar com ele sobre a Escritura ou
falar sobre Cristo. Já em seus últimos anos, com sua saúde em
declínio, ele deixou de beber e veio a ser uma das minhas pessoas
favoritas. Seu riso alegre fazia com que seus ombros sacudissem e
sua cabeça caísse para trás. Quando alguma coisa lhe parecia
particularmente doce, ele deixava sair um exuberante e caloroso,
“Siiiim, ó Senhor”.
Meus irmãos também eram homens de farras. Suas bebedeiras
tinham a tendência de ser ainda mais longas que as do meu avô. E,
assim como meu avô, perdiam toda capacidade social quando
bebiam. Perderam seus trabalhos, seus amigos e suas famílias.
Portanto, você não se surpreenderá ao ouvir que eu não tenho
nenhuma objeção às instruções do apóstolo Paulo, em 1 Timóteo 3.3:
um presbítero, ou um pastor, deve ser “não dado ao vinho, não
violento, porém cordato, inimigo de contendas”. Bebedeira, violência
e contendas, provavelmente foram postas juntas na lista de Paulo
porque, com frequência, elas sempre se manifestam unidas. Onde
você encontra uma, encontra também as outras duas.
Ainda que eu ame meu avô e meus irmãos, eles não seriam
candidatos à liderança de minha igreja.

AS QUALIFICAÇÕES
Os versos 2 e 3 de 1 Timóteo 3, parecem estar juntos, como uma foto
e seu negativo. No verso 2, Paulo lista qualidades positivas:
irrepreensível, temperante, sóbrio. No verso 3, ele encerra três
características negativas: não dado ao vinho (ou embriaguez),
violência e inimigo de contendas (ou, como se lê noutra tradução
briguento). As qualidades do verso 2, quando presentes, qualificam
um homem para o ofício. As características do verso 3, o
desqualificam.
Não “ser dado ao vinho”, ou, “não dado à embriaguez”, sugerem a
tendência de tomar bebidas intoxicantes em excesso, até perder a
faculdade de uma mente sóbria. É Calvino quem explica que
“embriagar-se” inclui “qualquer intemperança em uma atitude gulosa
com o vinho (ou bebida alcoólica)”.25
A violência, usualmente, segue a intoxicação. Uma disposição
briguenta e violenta não se harmoniza com um pastor. Ele não pode
ser um agressor. Em vez disso, suas maneiras são controladas pela
gentileza. Finalmente, um presbítero não pode ser um briguento.
Não deve ser argumentativo ou causar divisão. Paulo escreveu as
mesmas instruções, em sua segunda carta a Timóteo:
“E repele as questões insensatas e absurdas, pois sabes que só engendram contendas.
Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender; e, sim, deve ser brando
para com todos, apto para instruir, paciente, disciplinando com mansidão os que se
opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para
conhecerem plenamente a verdade, mas também o retorno à sensatez, livrando-se
eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua
vontade” (2 Timóteo 2.23-26).

Longe de ser um briguento, o pastor evita discussões,


pacientemente instrui e reconhece que as disputas na igreja são
sintomas de necessidades espirituais profundas (Tiago 4.1-3).
Paciência, gentileza e instrução são as regras do dia. O ensino não
pode ser confundido com a ridicularização de qualquer pessoa que
tenha uma opinião diferente. Quão frequentemente os pastores se
veem envolvidos com ideias bobas e loucas? A igreja precisa de
homens capazes de enxergar através das armadilhas demoníacas e
dar ao povo um modelo de sobriedade e paz.

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES
1) O homem é um presbítero dado à embriaguez?
Toma bebidas alcoólicas e, se toma, o faz com a apropriada
sobriedade? Seja em sua casa ou na comunidade, algumas vezes,
toma até ao ponto de intoxicação? Está escravizado por outros tipos
de intoxicantes?

2) Procure homens que demonstrem a habilidade de discernir


biblicamente entre os assuntos relevantes da fé e as “questões
insensatas e absurdas” (2 Timóteo 2.23).
Podemos observar estas coisas em seus ensinos, quando lhes é dada
a oportunidade para ensinar? Aproveita-se do ensino público para
introduzir as pessoas a opiniões duvidosas ou especulativas e a ideias
extravagantes (Romanos 14.1)? Ou, ao contrário, demonstra um
juízo maduro e sadio que enfatiza a verdade de Deus? São todas as
coisas para ele uma questão de consciência – um lugar seguro para se
estabelecer – ou ele pode passar por cima das questões de menor
importância? Pode-se notar esta habilidade em suas conversas com
as ovelhas ou tem por hábito forçar as pessoas ao molde “correto”
em todas as questões, mesmo naquelas sem muita importância?

3) Em meio a um conflito, ele se porta gentilmente?


Às vezes, os conflitos numa igreja se tornam a pressão que refina os
diamantes. Talvez tenha havido situações difíceis na igreja, em
passado recente ou em tempos atuais. Quem demonstrou a
habilidade de 2 Timóteo 2.24, para evitar disputas néscias? Quem
respondeu com amabilidade e evitou a retaliação e a ofensa contra os
“oponentes”? Você pode identificar aqueles que fizeram face aos
ataques e argumentos, mantendo a esperança de que Deus
concederia graça e arrependimento àqueles que estão no erro? Tais
homens mantêm uma perspectiva espiritual e eterna, em vez de
entregarem-se aos argumentos e às pelejas.

4) Além de evitar pelejas, o candidato a presbítero é um


pacificador?
Faz tudo, dentro do seu poder, para manter a unidade na igreja
(Romanos 15.5; Efésios 4.3; Colossenses 3.15)? Evitar um conflito
poderá ser nada mais do que isso mesmo – evitar um conflito. Mas,
um agente de paz e reconciliação faz algo mais - e um presbítero
precisa ser exatamente assim. Pacificação é um ministério entregue a
todos os cristãos, mas um presbítero precisa assentar um exemplo de
positiva edificação de unidade e paz.26 Uma coisa é estar por fora de
um conflito, mas outra é ser paciente e, gentilmente, ensinar outros
a abandonarem suas armas e juntarem seus esforços. Um homem
assim seria um bom presbítero.

5) O candidato a presbítero é um abusador físico de sua esposa,


de seus filhos ou de qualquer outra pessoa?
Ele não pode ser um agressor. Se a disciplina de seus filhos inclui
correção física, a raiva, o zelo, ou a frustração são os combustíveis
que causam a disciplina? Ou diriam sua esposa e seus filhos que ele
oferece uma disciplina sóbria e apropriada, e que honra a Deus? Há
algum histórico de abuso matrimonial? Os pastores no ministério
corrente de uma igreja seriam sábios em investigar todo histórico de
abuso, antigo ou recente, antes ou depois da conversão à fé em
Cristo, e determinar se existem demonstrações de arrependimento e
de responsabilidade. Um homem dado à violência em sua casa
obviamente não governa bem sua família.

CONCLUSÃO
O apóstolo Paulo antecipou épocas de crescente dificuldade no
ministério do evangelho. “Pois haverá tempo em que não suportarão
a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as
suas próprias cobiças, como sentindo coceiras nos ouvidos; e se
recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se a fábulas”. Para
tempos como esses, o apóstolo chama por pastores sóbrios, gentis, e
pacificadores. “Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as
aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu
ministério” (2 Timóteo 4.5). Homens de tal calibre são bênçãos a
qualquer igreja.
15

NÃO AMANTES DO DINHEIRO


“É necessário, portanto, que o presbítero seja irrepreensível, esposo de
uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para
ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de
contendas, não avarento.”
(1 Timóteo 3.2-3)

A s instruções de Paulo a Timóteo, para encontrarmos presbíteros


qualificados, faz-me lembrar de um clássico de O’Jays*, “For the
Love of Money”. Aqui, alguns dos versos, para aqueles que não
conhecem sua música:

Por amor ao dinheiro


Há quem roube de sua própria mãe
Por amor ao dinheiro
Há quem roube de seu próprio irmão
Por amor ao dinheiro
Há quem até vagueie pelas ruas, sem saber a quem roubar
Por aquela malvada, mesquinha cédula
O todopoderoso dólar, o dinheiro
Por amor ao dinheiro
Há quem minta – Senhor – trapaceiam
Por amor ao dinheiro
As pessoas não se importam se machucam, se ferem
Por amor ao dinheiro
Uma mulher vende seu precioso corpo
Uma pequena folha de papel, carrega em si tanto peso
Por aquela malvada, mesquinha cédula
O todopoderoso dólar, o dinheiro

Talvez uma das maiores críticas que fazem acerca de pastores ou


de igrejas é que “tudo o que eles querem, é dinheiro”. E, sejamos
honestos: com esse contínuo tilintar de moedas, nas promessas
ofensivas de compensações e bençãos materiais, que enchem o ar em
algumas estações de televisão, podemos entender porque muitos
temem esse assunto. Os Daddy Graces, Kennet Copelands e Edir
Macedos do mundo, têm criado uma verdadeira controvérsia. E
muito antes dos televangelistas de nossos dias, estavam no cenário
os papas, com seus subalternos vendendo indulgências para
poderem financiar o seu bom gosto nas artes de alta qualidade, e nas
suas cada vez mais imponentes catedrais.
Contra tudo isto, o apóstolo Paulo instrui a Timóteo a buscar
homens que não sejam amantes do dinheiro, ou, como diz outra
tradução, “avarentos por lucro sujo”. E esta última expressão está
bem perto das palavras compostas usadas pelo apóstolo. Paulo tem
em mente algo que é indecente, um ganho desonroso, ganho ao
custo de um caráter moral. Interessantemente, o Novo Testamento
usa esse termo somente em 1 Timóteo 3.3, 8 e em Tito 1.7, onde
Paulo descreve as qualificações exigidas de um presbítero ou de um
diácono. Assim, parece que Deus tem uma preocupação única com a
atitude de um presbítero no que concerne ao dinheiro; que ele não
venha e, por amor ao dinheiro, tosqueie as ovelhas por alguns
centavos a mais. Um presbítero em potencial deve ser uma pessoa
que renuncie a avareza ou o amor ao dinheiro.

UMA AMOSTRA DE JOHN WESLEY


Nestes dias de megaigrejas e de celebridades cristãs que se gabam de
suas multimilionárias mansões e fortunas, a igreja,
desesperadamente precisa de exemplos contraculturais. Muitas
pessoas creem que o seu estilo de vida deve igualar-se com suas
receitas e que suas receitas devem sempre estar crescendo, para que
seus estilos de vida possam expandir, aumentar. John Wesley (1703-
1791), porém, pensou de uma maneira diferente. Ele viveu uma vida
de tal modéstia, que seu modelo deveria ser estudado por todos os
candidatos ao ofício de presbítero.
Charles White nos conta de um incidente que veio a moldar a
atitude de Wesley, com respeito à sua abordagem quanto ao
dinheiro:
(Wesley) havia terminado sua compra de alguns quadros para o seu quarto, quando
uma de suas camareiras entrou. Era um dia de inverno e ele notou que ela tinha
apenas um xale fino para proteger-se do frio. Ele meteu sua mão no bolso para tirar
algum dinheiro e lhe dar para que comprasse um casaco, mas descobriu que muito
pouco lhe havia sobrado. Foi, então, acometido com o sentimento de que o Senhor
não estava satisfeito com a maneira com que ele estava gastando seu dinheiro, e
perguntou-se: “Como irá meu Senhor dizer ‘muito bem, servo bom e fiel’? Tens
adornado tuas paredes com o dinheiro que poderia abrigar essa pobre criatura do
frio! Ó, justiça! Ó, misericórdia! Não são estes quadros o sangue dessa servente?”.
Como resultado desse incidente, em 1731, Wesley começou a limitar os seus gastos, a
fim de ter mais dinheiro para dar aos pobres. Ele anotou que em um ano o seu ganho
total era de £30, e suas despesas para sobrevivência foram £28, então tinha £2 para
distribuir. No ano seguinte, seus ganhos dobraram, mas ele ainda vivia com £28, e
doou £32. No terceiro ano, sua receita saltou para £90, mas ele ainda vivia com as
mesmas £28, e ele pode doar £62 para os pobres.
Wesley ensinou que os cristãos não deveriam somente dizimar, mas distribuir todo
ganho extra, uma vez que a família e os credores haviam sido cuidados. Ele cria que,
com o aumento de ganhos, o cristão deveria igualmente aumentar seu sistema de
doação e não aumentar seu sistema de vida. Wesley começou esta prática quando em
Oxford e a manteve pelo resto de sua vida. Mesmo quando o seu ganho multiplicou-
se em milhares de libras esterlinas, ele viveu com simplicidade e rapidamente doou o
restante. Houve um ano em que seus salários subiram a um pouco mais de £ 1.400 e
ele doou quase tudo, menos £30. Tinha medo de amontoar tesouro na terra, por isso,
seu dinheiro era enviado para obras de caridade assim que o recebia. Ele disse que
nunca teve mais que £100 de uma só vez.
Quando Wesley morreu, em 1791, o único dinheiro mencionado em seu testamento
era um punhado de moedas, encontradas em seus bolsos e nas gavetas. A maior parte
de suas £ 30.000, que ganhou durante sua vida, havia sido doada. Dizia ele: “Não
posso fazer nada, quanto ao deixar meus livros para trás, quando o Senhor me
chamar definitivamente; mas, em todo outro aspecto, minhas próprias mãos serão
meu testamenteiro”. 27

Randy Alcorn aponta para o fato de que a renda de Wesley, em


dólares hoje, seria de US$160.000 por ano. No entretanto, ele vivia
com apenas US$20.000. Nem todos nós viveremos uma vida tão
generosa como esse homem viveu, porém, a atitude de um
presbítero, no que concerne ao dinheiro e posses, deveria pender
para o estilo de vida de Wesley, em vez do estilo de vida opulento de
tantos pregadores da prosperidade.

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES
1) O candidato ao ofício de presbítero dá generosa e
sacrificialmente?
Dar é um sinal de estar libertado do amor ao dinheiro e ganhos
financeiros. Devemos entesourar para nós mesmos tesouros nos
céus, não na terra, para que sirvamos ao Senhor e não ao dinheiro
(Mateus 6.19-24). Nosso apreço a Cristo e às coisas do seu reino
resulta em doar generosamente, sacrificialmente, alegremente.
Quando estamos considerando um homem para ser presbítero,
temos de considerar se ele é generoso no seu ofertar ao trabalho da
igreja (o que bem poderá mostrar a medida do seu compromisso com
a igreja). Ele dá para atender as necessidades de outros, conforme as
oportunidades permitem, ou é um acumulador para si mesmo?

2) São os seus investimentos feitos com uma mentalidade


terrena, ou com uma mentalidade celestial?
É certo que um homem deverá prover as necessidades de sua família
(1 Timóteo 5.8), mas são os seus investimentos feitos com excesso e
com amor aos excessos? Estira-se financeiramente a extremos?
Quais os débitos nos quais incorre (débitos de consumo ou outros,
como hipotecas)? Ele compra carros de luxo, quando existem outras
opções para carros de modelos mais modestos? Gosta de ter casas
grandes e dispendiosas, quando uma mais modesta poderia atender
às suas necessidades? São suas economias desproporcionais às suas
ofertas? Além das questões sobre carros e casas, ele responde à
maneira do moço rico da parábola, sobre a sugestão de dar tudo aos
pobres e seguir a Cristo? Ao falar sobre essas coisas, a liderança atual
da igreja pode discernir se o candidato tem um coração apegado às
coisas deste mundo? Ou existe excelência na graça de dar (2 Coríntio
8.7)?

3) Qual é a filosofia do candidato sobre o ganho nesta vida?


Qual sua medida de sucesso? Muito do pensamento secular do
Ocidente é: “Colha tudo o que pode, ponha no pote tudo o que você
colhe, então, sente-se no pote”. Ou, talvez, você já tenha ouvido uma
versão mais mercenária da regra de ouro: “Aquele que tem mais
ouro, governa”. O candidato tem este tipo de visão? Mede o seu
sucesso na forma com que ajunta dinheiro? Sua identidade está
construída sobre possessões e riquezas? Contraste tudo isso com as
instruções de Paulo a Timóteo, dadas um pouco mais adiante, em sua
carta: “De fato, grande fonte de lucro é a piedade com o
contentamento. Porque nada temos trazido para o mundo, nem
coisa alguma podemos levar dele. Tendo sustento e com que nos
vestir, estejamos contentes” (1 Timóteo 6.6-8). A máxima atribuída a
João Wesley deveria ser, igualmente, a atitude apropriada de um
presbítero: “Ganhe o quanto você possa ganhar, economize o quanto
você possa economizar, dê o quanto você possa dar”.

4) Considere as decisões pessoais e profissionais do candidato em


questão, se elas são calculadas a buscar maior ganho.
Ele organiza sua vida ao redor de ganho monetário, ou ao redor de
objetivos do Reino? “Ora, os que querem ficar ricos caem em
tentação e cilada, e em muitas concupiscências insensatas e
perniciosas, as quais afogam os homens na ruína e na perdição.
Porque o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e alguns, nessa
cobiça, se desviaram da fé, e a si mesmos se atormentaram com
muitas dores” (1 Coríntios 6.9-10). O amor ao dinheiro se manifesta
em pequenas decisões e esquemas, levando a tentações, ruína e
destruição. É o homem dado ao trabalho excessivo, em sua busca de
ganho, enquanto sua família e sua vida espiritual sofrem? Costuma
torcer a Palavra de Deus para justificar a sua busca de riquezas?
Toma decisões profissionais e familiares (como aceitar uma
promoção e mudar-se para outra área distante) para buscar ganhos
pessoais, ao custo de um envolvimento fiel na igreja, ou terá se
negado, em certas oportunidades, com o propósito de priorizar
objetivos espirituais?

5) Qual sua atitude sobre as finanças da igreja?


Existem maneiras de saber e pensar que afetam a visão de
determinadas pessoas, quanto ao emprego das finanças de uma
igreja. Poderá acontecer que o homem deseje amontoar o caixa da
igreja com dinheiro vivo. Poderá ser um que, quando pense em local,
visione mais o valor deste do que como o local afetará um
testemunho efetivo da igreja. Poderá argumentar quanto ao
aumento do orçamento da igreja, porque está mais interessado em
que a igreja ajunte dinheiro do que invista em ministérios sólidos.
Em geral, é bom que se considere o tratamento que o candidato dá
ao orçamento da igreja. Sua abordagem é feita com fé ou com
dependência na sabedoria secular? Depende apenas daquilo que se
vê, ou busca a Deus e confia no povo de Deus, para dar além de si
mesmo (2 Coríntios 8.1-5)? “Pois conheceis a graça de nosso Senhor
Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que,
pela sua pobreza, vos tornásseis ricos” (2 Coríntios 8.9).

6) O candidato demonstra mais estima pelo dinheiro do que


pelas pessoas?
Se ele tivesse de tomar a decisão entre salvar pessoas (ainda que a
grande custo) ou proteger a igreja financeiramente, o que escolheria?
É um tipo de homem que preferiria, antes, estar financeiramente
quebrado e servir ao pobre, do que ser abastado e rodeado por
pessoas famintas?

CONCLUSÃO
Por muito tempo eu resisti ao impulso do ministério do Evangelho
porque eu não queria ver-me de maneira nenhuma associado com os
vigaristas que aparecem nas televisões. Pensava: “Senhor, dá com que
eu possa ser qualquer outra coisa, menos um pregador. A maioria deles
parece estar preocupada com nada mais que dinheiro”. Bem, o Senhor
faria as coisas à sua maneira – aparentemente, também com uma
boa risada. Agora sirvo como pastor num dos setores de maior
atividade bancária do mundo, com tentações e mundanismo a todo
nosso redor! O O’Jays me faz orar como eles o fazem, em seu
estribilho:
Não deixe, não deixe, não deixe o dinheiro te governar
Pelo amor do dinheiro
Algumas vezes, o dinheiro pode as pessoas mudar
Não deixe, não deixe, não deixe o dinheiro te enganar
Algumas vezes, o dinheiro pode às pessoas enganar
Gente, não deixe o dinheiro, não deixe o dinheiro vos mudar.

A boa nova é que o Senhor nos dá maiores amores que o dinheiro


que, criando asas, voa e foge (Provérbios 23.5). Ele nos dá grandes
deleites em Cristo que é o maior dos deleites. Que privilégio, pela
riqueza da graça de Deus, poder pregar a Cristo a um mundo
dominado pelo amor ao dinheiro. Possa o Senhor fazer-nos a todos
fiéis, e nos manter livres da avareza. E possa ele dar à sua igreja
homens que saibam desdenhar as bobagens deste mundo e servir ao
Mestre, não a Mamon.

* Nota do tradutor: um grupo norte americano de música R&B, de Canton, Ohio


16

UM LÍDER EM SEU LAR


“...e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com
todo o respeito (pois se alguém não sabe governar a própria casa, como
cuidará da igreja de Deus?)”
(1 Timóteo 3.4-5)

A igreja é uma família, um grupo de irmãos e irmãs em Cristo,


submissa a Deus o Pai por obra do Espírito Santo.
Toda família requer uma liderança; inclusive a família da igreja. O
apóstolo Paulo, sob a influência do Espírito Santo, adiciona aqui
outra qualificação para aqueles que desejam o ofício de presbítero na
família do Senhor. Ele escreve: “é necessário... que governe bem a
própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito
(pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da
igreja de Deus?” (1 Timóteo 3.4-5).
Note-se a urgência e a insistência dessas qualificações. Paulo
insiste em que um presbítero deverá ter todas as qualidades que já
temos discutido, mas, aqui neste texto, existe uma paixão mais forte
infundida em suas palavras. Um canditado ao ofício de presbítero
tem de, necessariamente, possuir essas qualidades. Um homem não
pode ser qualificado como um presbítero se ele não governar sua
casa consistentemente bem. É um pré-requisito. Não é algo que se
possa aprender durante a execução do ofício, mas é uma qualificação
mínima, necessária até para se submeter uma aplicação ao ofício. Se
ele não puder governar sua pequena família, tampouco poderá
governar a maior família, a igreja. Deus chama um presbítero para
nada menos que atender à casa e família de Deus.
As mulheres têm uma fama um tanto injustas, algumas vezes,
levando sobre si o estereótipo de fofoqueiras e mexeriqueiras,
intrometendo-se na vida dos outros. Mas, aqui, Paulo adverte o
homem que porventura esteja muito ocupado em preocupar-se com
os cuidados da igreja, e mui pouco preocupado com as coisas que
acontecem sob o seu próprio teto. Faz-nos lembrar de Eli que, em
seu engano, precipitadamente repreende a Ana quando esta orava no
templo enquanto ele mesmo abdicava de sua responsabilidade por
seus dois filhos (1 Samuel 1-2). Um presbítero atende às
necessidades do lar.

LIDERANÇA E AMOR
A palavra “governar”, no verso 5, é a mesma usada para o bom
samaritano, que arriscou-se ao colocar bandagens e cuidar do
viajante ferido (Lucas 10.25-37). O homem samaritano respondeu à
necessidade do viajante, cuidando dos seus ferimentos com atenção
e carinho – precisamente como um cristão, com a perspectiva de ser
um presbítero, será chamado para atuar na igreja. Os presbíteros
supervisionam e orientam os membros da família. 28
Se um presbítero supervisiona, porém falha em prover orientação,
possivelmente será porque, ou é um tirano, ou um dono de casa
ausente. E ambas as atitudes não se prestam para um pai, nem
tampouco para um presbítero. E se ele apenas orientar, mas deixar
de supervisionar, ele não estará sendo mais do que um policial que
finge não ver a infração, ou nada mais do que um simples colega para
seus filhos – não poderá guiar apropriadamente. Ele terá de governar
a casa com gentileza e preocupar-se por cada um dos membros da
família. O apóstolo e seus companheiros contrabalancearam estes
dois aspectos em seus próprios governos sobre as igrejas. Paulo
escreveu:
“...nos tornamos carinhosos entre vós, qual ama que acaricia seus próprios filhos;
assim, querendo-vos muito, estávamos prontos para oferecer-vos não somente o
evangelho de Deus, mas, igualmente, a própria vida; por isto que vos tornastes muito
amados de nós. E sabeis, ainda, de que maneira, como pai a seus filhos, a cada um de
vós, exortamos, consolamos e admoestamos, para viverdes por modo digno de Deus,
que vos chama para o seu reino e glória” (1 Tessalonicenses 2.7-8, 11-12).
Imediatamente, nos diz o apóstolo o que um bom governo implica
– “criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito” (v. 4).
O apóstolo já havia falado sobre o fato de que o presbítero em
perspectiva precisa ser marido de uma só mulher, indicando a
singularidade do coração que um presbítero casado deverá ter por
sua esposa. Aqui, porém, Paulo se preocupa com o relacionamento
que um pai deve ter com seus filhos. A palavra “respeito” poderá
aplicar-se tanto ao pai como aos filhos, em sua submissão e
obediência. E, claro, esperamos as duas coisas de um presbítero
qualificado. Um homem assim merece respeito e isto se mostra em
como seus filhos devem seguir sua liderança. Ele é uma pessoa digna
de respeito ou que denota reverência. Numa outra tradução,
leríamos: “Veja que seus filhos o obedecem com o próprio respeito”.

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES
1) O candidato ao ofício de presbítero dá a devida atenção ao seu
lar?
Provê liderança? O que diz sua esposa, quanto ao envolvimento dele
no lar? O recomenda, ou trata de justificar a sua falta de
envolvimento? A supervisão de um lar poderá ser medida de diversas
maneiras: por conhecer e atender as finanças da família, pelo lidar
com as decisões concernentes à educação das crianças, pelo cuidado e
manutenção física da própria casa.

2) O presbítero em perspectiva tem cuidado de seus filhos?


O presbítero demonstra igual cuidado para com cada um de seus
filhos? Um presbítero será frequentemente chamado para atender
aos membros do rebanho. Este foi o modelo apostólico (1
Tessalonicenses 2.11-12). A igreja deverá observar o mesmo padrão
num presbítero em perspectiva, com relação aos seus filhos
individualmente.

3) Os filhos se submetem a seu pai?


São eles obedientes? Há evidência de que eles o respeitam e têm-lhe
em alta consideração? Ou o relacionamento é caracterizado com
animosidade e rebeldia? Sem dúvida, os particulares de uma situação
devem ser considerados. Poderá ser que o filho está espiritualmente
perdido e lutando com suas dificuldades, porém, ainda é respeitoso
ao seu pai. A exortação de Paulo não apela para um lar perfeito, nem
para filhos perfeitos – nenhuma das duas coisas existe. Então, o
sábio é ver se o pai está governando sua casa bem, em meio a
circunstâncias adversas. Os seus filhos manifestam o respeito
devido, apesar dos desafios? Dentro de uma idade razoável, os seus
filhos se comportam de uma forma fiel às instruções cristãs (Tito
1.6)?

4) Os filhos concordam com que seu pai esteja qualificado para


servir como um presbítero?
Idade e entendimento aplica-se aqui, mas, se os filhos têm idade
suficiente para entender a decisão que está para ser tomada, é de
muito valor que se considere se eles apoiariam seu pai como uma
pessoa digna do ofício. Com que razões eles poderiam afirmar ou
negar a qualificação de seu pai? Sensibilidade é necessária, mas
aquilo que nossos filhos veem em nós poderá, da mesma forma, vir a
ser como a igreja também nos vê. A diferença é que nossos filhos
tendem a notar certas coisas em nós de primeira mão - quando não
estamos vestindo nossa imagem pública.

5) Tanto para homens solteiros, como para casados que não têm
filhos, é importante saber quais suas atitudes para com as
crianças e o que pensam sobre a criação de filhos.
O homem se opõe a ter filhos, ou está postergando ter filhos (se
casado) por certo período de tempo? Nesse caso, podem existir
certas tendências egoístas que governam sua vida. Para um homem
solteiro, seria bom considerar se ele já teve outras oportunidades
para pastorear crianças, que venham a servir como um exemplo
substitutivo para a questão. Ele se oferece como voluntário para
ministérios ou programas da comunidade que visam servir jovens?
Ele tem sobrinhos e sobrinhas? Demonstra voluntariedade para
cuidar das crianças de outras famílias na igreja? Se o faz, como lhe
respondem, ou reagem as crianças nesses programas e como ele se
preocupa com elas? Seus relacionamentos, em seu lugar de trabalho,
também podem fornecer respostas para o assunto em pauta.

CONCLUSÃO
O Senhor requer que as igrejas sejam governadas por homens que
saibam supervisionar e orientar seus filhos. Em grande parte, essa é
a tarefa de um ministério pastoral. Onde encontraremos esses
homens? Onde melhor que em suas casas, cuidando dos seus
assuntos? Que possa o Senhor agradar-se em levantar homens fiéis
em seus lares e capacitados para essa nobre tarefa.
17

MADURO E HUMILDE
“não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na
condenação do diabo”
(1 Timóteo 3.6)

V ocê já ouviu a frase “o zelo de um novo convertido”? Usa-se essa


frase para descrever alguém que está fervendo com entusiasmo, em
vista de sua fé e comprometimento recém encontrados. É um pouco
clichê, mas a frase sem dúvida ajuda a descrever muitos novos
crentes. Com pouco tempo de conversão, o crente tende a ter um
alto nível de energia e entusiasmo. Seus olhos brilham e se faz
evidente seu estado de exaltação da alma. Pode-se dizer que é algo
lindo de se contemplar.
Claro, seu zelo nem sempre se equipara à sua sabedoria.
Por essa razão, o Senhor insiste que qualquer pastor que lidera sua
igreja: “não seja neófito” ou que acabou de ser convertido, “para não
suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo” (1
Timóteo 3.6). O apóstolo aqui nos fornece com ambos, a qualificação
e a razão.

A QUALIFICAÇÃO
Ele não pode ser um “neófito”. Não pode ser um crente novo.
Literalmente, não pode ser “recentemente plantado” na fé. Como o
tenro broto de uma planta, um novo convertido não terá a
capacidade para aguentar o contínuo, difícil e pesado caminhar do
ministério. Sua fé não pode ser nova, mas de idade, como uma árvore
de anos, que produz frutos maduros.
Os novos crentes se assemelham às crianças. Sua nova vida
encoraja e anima, mas, simultaneamente, devemos reconhecer que a
nova vida ainda é vulnerável. Os crentes novos necessitam de
instruções, de serem moldados e cuidados. E, uma vez que eles
mesmos são os que precisam de tais cuidados, lhes falta a
maturidade para que possam prover o cuidado aos outros, num nível
pastoral.
O Senhor foi muito bom em explicar isso, em sua Palavra, e a igreja
faz muito bem em ouvi-lo. A tendência em algumas igrejas –
particularmente aquelas ansiosas por ligar as pessoas a
determinados serviços – é a de apertar novos convertidos a
aceitarem aqueles cargos pelos quais o novo crente já demonstrou
algum impulso de interesse. Mas as igrejas não deveriam colocar um
homem em uma posição que está além de suas possibilidades. Outra
vez, as igrejas não devem desejar privar um homem do cuidado e da
instrução que necessita. Por exemplo, a igreja deveria estar segura
que o homem tenha facilidade nas coisas básicas da fé, antes de pedir
que ensine até mesmo às crianças.29
O potencial presbítero não deve ser um novo convertido na fé. Um
novo convertido tem, ainda, muito por aprender, aplicar, dominar
em sua própria vida (Romanos 12.1-2), antes que comece a
discipular e a pastorear outros dessa maneira. Paulo não nos dá uma
idade específica ou a extensão do tempo que possa demonstrar
maturidade. Todos conhecemos cristãos que estão na fé por décadas,
mas ainda lhes falta a maturidade espiritual que se requer para ser
um presbítero. E, inversamente, nós, provavelmente, já conhecemos
um número de pessoas que parecem já haverem nascido
espiritualmente velhas e evidenciam uma maturidade notável para
sua idade cristã. Um discernimento paciente é necessário. O que
desejamos encontrar, com o passar do tempo, é uma maturidade
consistente em vida e em pensamento.

A RAZÃO
As igrejas devem buscar maturidade espiritual, por causa do
particular perigo associado com a imaturidade. Um homem imaturo
pode “suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do
diabo”. Orgulho e condenação demoníaca, dois grandes inimigos que
ameaçam o novato.
O orgulho faz com que nos vejamos mais elevados que outros. Isso
afeta a maneira como tratamos as ovelhas, tentando-nos, talvez, a
tratá-las com rispidez. E também nos faz indispostos de seguir
outros líderes.
Por último, um homem orgulhoso torna-se vulnerável a cair no
ofício, levando-o à “condenação do diabo”. A “condenação do diabo”
poderá referir-se tanto a: (a) o mesmo julgamento que o diabo
recebeu por seu orgulho, (b) a calúnia e a acusação do diabo, que se
deleita em acusar os crentes.
De uma maneira ou de outra, convidar um neófito para o ofício de
presbítero é convidá-lo para um ataque do orgulho, em seu coração, e
de julgamento, que lhe vem do lado de fora.
Calvino resume a questão muito bem: “Neófitos têm, não somente
um fervor impetuoso e uma ousadia audaciosa, mas também se
enfatuam com uma confiança tola, como se pudessem voar até às
nuvens. Consequentemente, não é sem razão que estão excluídos do
pastorado até que, no processo do tempo, seu temperamento
orgulhoso seja conquistado.”30

QUESTÕES E OBSERVAÇÕES
O orgulho veste-se com muitas máscaras. É um monstro horrível.
Assim que, para se diagnosticar o orgulho e a imaturidade, necessita-
se de muita paciência.
1) Quando este homem foi convertido? É um novo crente?
Se o homem for um novo cristão, ele não está qualificado para o
posto. Poderá ser um homem com grande zelo e com desejo de
servir, mas o melhor será discipulá-lo e treiná-lo para uma vida
piedosa. Adie considerá-lo para ser um presbítero.

2) Se o homem foi convertido há algum tempo, quão


espiritualmente maduro ele é?
Por maturidade espiritual, não podemos pensar em termos de idade
ou de tempo de conversão como um crente. Quão evidente é sua
conformação com a imagem de Cristo (Filipenses 2.5-11)? Evidencia
uma vida cheia do Espírito, produzindo o fruto do Espírito (Gálatas
5.22-26)? Ele responde às diversas situações com bondade, paciência
e compaixão? Ou é um jovem com uma maturidade que ultrapassa
sua idade? Tal homem deveria ser considerado tanto quanto
demonstre essa maturidade.

3) Até que ponto este homem é dado ao orgulho?


Ele expressa estar consciente deste orgulho? Parece cego à sua
presunção? Ou luta contra o orgulho como um cristão, abrindo sua
vida para outros e submetendo-se a eles? Existe alguma evidência de
que o ofício de presbítero lhe poderia tentar à arrogância e a exaltar-
se sobre outros? Considere a liderança do homem em outras
situações. Mostrou-se orgulhoso naquelas situações? Seus superiores
ou seus colegas de trabalho o têm como uma pessoa humilde ou
como alguém que é cheio de si?

4) Uma maneira de medir o orgulho é observar se há certa


superconfiança em face dos perigos e das tentações espirituais
Quando avisado sobre as acusações e tentações do inimigo contra os
presbíteros, ele demonstra uma santa preocupação ou demasiada
segurança em suas próprias forças e habilidades? Ou se sente preso a
um sentimento de incapacidade (2 Coríntios 2.16) e da necessidade
da proteção espiritual de Deus? Um homem que esteja cego às suas
necessidades de proteção espiritual e que não vigia cuidadosamente
sobre sua vida, em breve encontrar-se-á com um coração indiferente
e vulnerável aos ataques do inimigo.

5) O candidato ao ofício de presbítero é sensível às críticas?


Sem dúvida, nem todas as críticas que as pessoas recebem são
acuradas e válidas. Mas, como vamos saber se as críticas são válidas
ou injustas, se nos recusarmos a considerá-las? O possível presbítero
é sempre pronto para defender-se, quando criticado? Ele interpreta
todo desacordo como se fosse oposição? O orgulho, às vezes, se
manifesta nas pessoas em forma de uma atitude de “intocável”
diante das críticas, avaliações e observações que outros fazem. Mas,
um homem com atitude de oração, humilde, pobre-de-espírito,
recebe os comentários como uma oportunidade para reflexão e
crescimento.

6) Pergunte ao candidato e a outros se ele é capaz de se submeter


a outras pessoas (principalmente aos outros presbíteros), ainda
quando difiram em opiniões.
Ele pode submeter-se a outros, quando estes não concordam com
ele? Uma parte crucial, nas tarefas de um presbítero, é saber como
submeter-se a outros biblicamente qualificados, como homens de
dons e talentos, cheios do Espírito e que, de vez em quando, veem as
coisas de modos diferentes. É um orgulho pensar que os demais
presbíteros devam submeter-se a você. Em se tratando de um
assunto em particular, é bom que se pergunte a um possível
presbítero se ele acha que os demais presbíteros existentes estão
devidamente qualificados para o ofício. Se ele não o crê, será muito
difícil que se submeta e apoie seus ministérios.

CONCLUSÃO
Na procura de homens de confiança, não podemos minimizar a
importância da maturidade espiritual e da humildade. Maturidade e
humildade são de imenso valor para proteger a igreja e os presbíteros
das artimanhas e esquemas de Satanás.
18

RESPEITADO PELOS DE FORA


“Pelo contrário, é necessário que ele tenha um bom testemunho dos de
fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo.”
(1 Timóteo 3.7)

Q ual você supõe ser a crítica mais frequentemente lançada contra


a igreja local e contra os cristãos em geral? Considere estes que são
mais comuns:

A igreja não está fazendo o suficiente para tratar os problemas


reais (juventude, desabrigados, etc.)
Os cristãos e a igreja não têm mentes abertas; estão atrasados e
são discriminatórios.
A igreja e os cristãos [especialmente os pregadores] estão atrás
do dinheiro alheio.
Se a igreja tem a verdade, então, porque existem tantas divisões
e tantas denominações?
A igreja é obsoleta e desnecessária e os cristãos são perigosos à
sociedade.
Os cristãos e a igreja são chatos, tediosos, destruidores de
prazeres, são mortos.
Os cristãos se autojustificam e são grosseiros.
A igreja está cheia de hipócritas.

Sejamos honestos. Muitas dessas críticas estão muito bem feitas –


pelo menos para algumas igrejas e para certos cristãos professos.
Existem cristãos que se autojustificam e são grosseiros.
Existem pregadores cristãos e igrejas que estão mais
interessadas no dinheiro do que nas pessoas.
Existem cristãos, e existem igrejas, que permanecem teimosos,
de mentes trancadas, vivendo ainda em eras distantes e
incapazes e sem vontade de engajar-se na sociedade
contemporânea com as verdades bíblicas.
Os cristãos argumentam muito. Nos dividimos sobre as
questões mais insignificantes.

Não vou simplesmente ignorar tais críticas. Sim, é verdade que


aqueles que levantam tais críticas são, eles mesmos, hipócritas. Mas,
devemos esperar encontrar hipócritas no mundo. A questão é:
deveríamos esperar encontrar tal hipocrisia na igreja? Bem, poderá
ser que nossos críticos tenham prestado um serviço valioso, ao
apontar essas coisas más. Então, concordamos com eles? Se
concordamos, que, pois, devemos fazer?

A QUALIFICAÇÃO FINAL
O apóstolo chega à sua qualificação final para presbíteros e pastores:
“Pelo contrário, é necessário que ele tenha bom testemunho dos de
fora, a fim de não cair no opróbrio e no laço do diabo” (1 Timóteo
3.7).
Acontece que aquilo que os incrédulos pensam de nós, sim,
realmente importa. Especialmente, em se tratando de presbíteros. O
homem que almeja ser um presbítero precisa possuir uma forte
reputação entre aqueles de fora da igreja. Esses que estão do lado de
fora – pessoas que não são cristãs – poderão corroborar ou refutar o
testemunho de um potencial presbítero. Em muitas circunstâncias, a
opinião dos de fora precisa ser positiva. Talvez, possamos dizer que
as opiniões neutras não são suficientes, visto que é necessário que
“ele tenha bom testemunho dos de fora”. Se um homem é bem
considerado dentro da igreja, mas pobremente considerado pelos
não crentes, ele não se qualifica como um candidato conveniente
para o ministério cristão.
Essa qualificação tem sérias implicações espirituais. Uma
reputação pobre, fora da igreja, uma vez confirmada, poderá indicar
que o homem é propenso a cair em desgraça, ou em alguma
armadilha do inimigo. Quantos desses homens têm manchado o
testemunho da sua igreja local, de Cristo e do Evangelho? O inimigo
dos eleitos se deleita em nada mais do que ver homens caírem sobre
suas próprias espadas, por estarem vivendo com uma má e pobre
reputação.
Porém, uma boa reputação com os de fora não significa que o
potencial presbítero não levará a censura e a ignomínia de Cristo. O
mundo odiou o Senhor e o mundo odiará aqueles que O seguem
(Mateus 10.24-25). Os apóstolos vieram a ser o “lixo do mundo,
escória de todos”, em seu tempo e cultura (1 Coríntios 4.13). Assim,
também, será para todo crente fiel, em todas as épocas, a mesma
rejeição de Cristo. “Todos quantos querem viver piedosamente em
Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Timóteo 3.12). Então, a chave da
questão é: A rejeição de um presbítero em potencial vem pelos de
fora por causa de Cristo ou em razão do seu caráter piedoso e do seu
modo de viver?
Os presbíteros precisam ter testemunhos recomendáveis ao
evangelho e a tudo o que se conforma com a sã doutrina. Ainda os
seus próprios inimigos deveriam sentir-se envergonhados de seus
comentários algozes, em virtude de uma vida bem vivida para Cristo
(1 Pedro 3.16). Esta é a qualidade de homem que devemos orar a
Deus para aquele que porventura venha ocupar a posição de
presbítero.

PERGUNTAS E OBSERVAÇÕES
1) O candidato ao ofício de presbítero envolve-se com a
comunidade em geral?
Um homem que deseja o ofício de presbítero deverá ser sal da terra e
luz do mundo (Mateus 5.13-14). Isso se fará refletir, em parte, pelo
relacionamento que ele mantenha com aqueles que não são cristãos
e nas contribuições cívicas e comunitárias. O presbítero em potencial
tem um contato considerável com os que são de fora?
2) Quais são as coisas que os vizinhos e seus colegas não crentes
podem dizer sobre ele?
Como é visto pelos de fora? Testemunham em seu comportamento o
que considerariam cristão, ou, ao contrário, o que considerariam não
ser cristão? O têm em boa estima? Alguém se surpreenderia ao saber
que ele é um líder na igreja?

3) Há evidência de que as opiniões dos de fora são - ou não são -


corretas?
Seria muito improvável que Paulo intencionasse que a igreja local
recebesse as opiniões dos de fora sem reflexão, sem discernimento.
Paulo mesmo não seria julgado por homem algum, desde que esse
juízo fosse infundado e onde a fidelidade do apóstolo fosse
demonstrável (1Coríntios 4.1-4). Da mesma maneira, a igreja local
não deve descartar as opiniões daqueles que estão do lado de fora,
naquelas coisas que se referem aos seus líderes, mas, tampouco deve
engolir indiscriminadamente os conceitos discriminatórios que
façam contra um líder. Assim como no que se refere às outras
qualificações, nesta também os presbíteros que estão no exercício de
suas funções devem agir com paciência e discernimento.

CONCLUSÃO
A chamada para ser um pastor é uma vocação muito alta. Não é
qualquer um que pode tomar o manto de liderança na igreja. Aqueles
que são chamados precisam ser exemplos para o rebanho em todas
as áreas da vida (1 Timóteo 4.12). Eles necessitam ser modelos de
uma fé devotada, dentro e fora da igreja, com vidas dignas de Cristo
e do evangelho, às vistas de todos. Mas, ainda, à parte de serem
capacitados para ensinar, as qualificações de 1 Timóteo 3 são
características que todos os crentes devem possuir, gradativamente
aumentando, pela graça de Deus e pela influência do seu Espírito.
Possa o Senhor agradar-se em nos conceder a bênção de homens fiéis
e de confiança para guiar nossas igrejas, e nos dê também o fruto do
Espírito.
19

OS PRESBÍTEROS REFUTAM O
ERRO
“Porque é indispensável que o presbítero seja...antes, apegado à palavra
fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder tanto para
exortar pelo reto ensino, como para convencer os que o contradizem.”
(Tito 1.9)

E u já exerci o pastorado em três diferente igrejas e, por intermédio


do ministério “9Marcas”, conheci e conversei com centenas de
outros pastores. Esta, porém, é a primeira vez em que sirvo como um
pastor principal.
Por um lado, o pastor tem basicamente as mesmas
responsabilidades de um assistente de pastor, ou de um presbítero.
Tem o trabalho de pregar, ensinar, aconselhar, orar, praticar a
hospitalidade, dar o exemplo, animar, repreender e assim por diante.
Por outro lado, as demandas da liderança, são outras. São muitas as
questões que terminam em minha mesa para decisões, opiniões e
orientações. Parece que as pessoas leem um suposto sinal pendurado
na porta do meu escritório, que diz: “este é o fim da linha”. Isso, por
sua vez, lembra-me que eu não sou um salvador e que eu tenho de
reconhecer minhas limitações – limitações que agora são mais
visíveis e de mais influência sobre a congregação.
Alguns crentes pensam que a Bíblia é silenciosa sobre as rotinas e
obrigações de um pastor ou presbítero. Muitos apontam para Atos 6
e limitam o trabalho de um presbítero a somente ensinar e orar. Mas
é um erro bastante sério não dar atenção às muitas instruções dadas
por Deus nas Epístolas Pastorais. Elas são um verdadeiro tesouro,
tanto para pastores novos, como para aqueles mais experimentados.
Paulo abre o capítulo 4, de 1 Timóteo, com estas palavras:
Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão
da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela
hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência, que
proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem
recebidos com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a
verdade... Expondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus,
alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido. (1 Timóteo 4.1-
3, 6)

Depois de fazer uma lista das qualificações para os oficiais da igreja


local no capítulo 3, indicando que ele a fez para que Timóteo
soubesse “como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do
Deus vivo, coluna e baluarte da verdade” (v. 15), Paulo, agora, passa
a tratar sobre a questão dos falsos mestres.
Timóteo – e todos os presbíteros que desejam ser bons ministros –
precisam apresentar diante dos irmãos instruções com respeito aos
espíritos enganadores e concernentes ao ensino de demônios e a
hipocrisia dos mentirosos. Um assunto bastante sério! “Alguns
apostatarão da fé” e se devotarão a maus espíritos e a seus enganos.
Suas mentiras devastam a alma. Em outras palavras, os pastores
precisam entender que o inimigo está pronto para invadir o campo e
seduzir aqueles que desertam e caminham para a tortura e a morte.
Note que Paulo trata deste assunto sobre falsos mestres como uma
questão pastoral, não como coisa acadêmica. Paulo não estava
interessado em ver homens engajados em debates incoerentes sobre
suposições, proposições ou quaisquer outras posições. Ideias têm
consequências, e 1 Timóteo 4 nos adverte que nossas congregações
poderão pagar estas consequências, caso se devotem a espíritos
enganadores e a doutrinas de demônios.
E isto é um fato aterrorizante! Pessoas a quem amamos e tomamos
por irmãos e irmãs na fé poderão ser presas das forças das trevas,
nestes últimos dias. Conquanto não nos surpreendamos por
ocorrências como essas, devemos trabalhar contra tais eventos e
lamentarmos profundamente quando eles acontecerem no meio de
nosso povo. Nada é mais pastoral do que proteger nossos irmãos
dessa devastação e erro que ameaçam suas almas.
O que deve um pastor ou um presbítero fazer? Ele precisa instruir
o povo sobre essas doutrinas falsas. Ele precisa ser “apegado à
Palavra fiel, que é segundo a doutrina, de modo que tenha poder ,
tanto para exortar pelo reto ensino como para convencer os que o
contradizem” (Tito 1.9). Eu acredito que isto tem diversas
implicações para o trabalho de um pastor.

O QUE SE REQUER PARA REFUTARMOS O ERRO


1) Um pastor deve procurar saber a quem e ao que seu povo está ouvindo
e quanto se aplica a essas coisas que ouve.
Os espíritos enganadores operam através de meios humanos,
mascarados como ministros de luz (2 Coríntios 11.13-15). Assim
sendo, os presbíteros devem estimular o seu povo a aprender de
homens piedosos e teologicamente sãos.
Quais os autores que sua congregação deve ler, e quais são as
posições teológicas defendidas por tais autores? Quais os sites na
internet e páginas de rede social que requerem a atenção da
congregação e porquê? Tais instrutores evidenciam piedade genuína
e prioridades evangélicas em suas pregações e em seu estilo de vida?
São transparentes e responsáveis diante de outros? Quanto tempo a
congregação dedica a ensinos teológicos e quanto isso molda suas
ideias? Quais as decisões que estão tomando em suas vidas, baseados
nessas ideias? Tais mestres competem com a autoridade confiada aos
presbíteros da congregação local? Mais importante ainda, está
alguém do nosso povo evidenciando alguma rejeição da fé, por
influência de falsos mestres? Estamos, solenemente e com amor,
fazendo nosso povo consciente do erro e das consequências que
seguem a essas crenças falsas e insensatas?
Os presbíteros estão dispostos a “dar instruções nas sãs doutrinas”
e “repreender aqueles que as contradizem”. Paulo, provavelmente
tinha em mente mestres na própria igreja cretense. Em nossos dias a
invasão vem provavelmente pela internet e pelos livros, o que torna
o trabalho do pastor mais desafiador.
2) Um bom pastor não pode esquivar-se em identificar doutrinas
enganosas e chamar o seu povo a evitá-la.
O crente pode tornar-se demasiadamente cortês. E, geralmente,
somos corteses com as coisas erradas. Temos a tendência de pensar
que a caridade e a liberdade são importantes para o caso de assuntos
doutrinários, mas que, firmeza e resolução são mais comuns nos
debates sociais e políticos. Nos sentimos bem em “citar nomes”
quando se trata de políticos, mas, normalmente, nos esquivamos
quando se trata de um ministro ou pregador. Negar a Trindade?
Bem, isso é apenas um caso de liberdade acadêmica ou de
interpretação pessoal. Mas, cruze a fila dos grevistas e prepare-se
para ser preso e algemado. Paulo nos manda que estejamos “atentos”
e que nos “afastemos” daqueles que causam divisões com heresias
condenáveis (Romanos 16.17-18; Gálatas 1.6-8; Efésios 4.14; Tito
3.10-11). E isto quer dizer que devemos não só identificar os ensinos
falsos, mas afastar-nos daqueles que os propagam!
Para este propósito, os pastores necessitam coragem. Não digo que
todo sermão deverá ser um ataque ou um apedrejamento contra
alguém que ensina, ou contra seu ensino. De fato, muitos dos
sermões não deveriam ser assim, mas, onde e quando necessário, o
pastor precisará fazer uso do cajado para afugentar o lobo.
3) Um pastor não deverá enfraquecer a seriedade da instrução
apostólica, por depreciar a origem demoníaca dos falsos mestres e de seus
ensinos.
Algumas vezes, os líderes da igreja mostram-se envergonhados ao
falar sobre o Diabo e seus maus espíritos. Ouvimos aqueles mais
dedicados aos ensinos científicos nos dizerem que somos atrasados e
sem entendimento. Mas, a luz da Palavra de Deus ilumina
diretamente sobre Satanás, o acusador dos irmãos, a fonte do mal.
Não produzimos nenhum bem ao fazer de conta que Satanás não
existe. Ele existe. E ele confunde os que estão cegos às suas astúcias.
“Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os
principados e potestades, contra os dominadores deste mundo
tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes”
(Efésios 6.12).
4) Os pastores devem ajudar o seu povo a ter suas consciências
treinadas pela Palavra de Deus
A principal característica dos falsos mestres, identificados em 1
Timóteo 4, é uma consciência cauterizada, apartada da piedade e da
bondade. Nosso povo não somente tem de evitar uma consciência
cauterizada em si mesma, mas também deve saber como reconhecer
esta mesma consciência cauterizada, naqueles doutrinadores aos
quais ouve.
O livro de Judas nos oferece fatos reveladores sobre tais mestres,
chamando-os de obscenos, rejeitadores de autoridades, sexualmente
imorais, de mentalidades carnais, corrompidos, famintos por
dinheiro, ambiciosos, bajuladores, zombadores, divisivos e
impiedosos. Nosso povo necessita reconhecer estes atributos para
que possa permanecer livre dos lobos vorazes (Atos 20.27-28). O
Senhor dá à igreja homens dotados para instruir, corrigir, treinar –
precisamente para ensinar o povo a saber como localizar os lobos,
mesmo quando seus fiéis presbíteros estejam ausentes.
“Expõe estas coisas aos irmãos”, nos diz Paulo. Em outras palavras,
ensine o povo com tal clareza, que o ensino possa fazer-se sentir
como um objeto físico, tangível, colocado ao seu alcance. Bons
pastores fazem estas coisas por levar o povo a ser “treinado nas
palavras da fé” e seguir a boa doutrina. Enquanto os pastores
pensam, creem e vivem de acordo com “o padrão das sãs palavras”,
seu povo tem diante de si uma figura vívida e uma fé vibrante (2
Timóteo 1.13).
5) Um bom pastor necessita orar ao Senhor, pedindo que o santifique
na verdade; tanto a ele mesmo como ao seu povo.
Se um pastor assim o fizer, estará seguindo o exemplo mais
elevado possível. O próprio Sumo Pastor orou por santificação na
verdade em sua oração sacerdotal: “Não peço que os tire do mundo, e
sim que os guarde do mal. Eles não são do mundo, como também eu
não sou. Santifica-os na verdade; a tua Palavra é a verdade. E a favor
deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam
santificados na verdade” (João 17.15-17, 19). Robert Murray
McCheyne chegou à conclusão de que o seu povo não necessitava
dele nada mais que sua santificação. Talvez, McCheyne tenha
chegado a entender algo do próprio coração de Jesus. Jesus se
santificou a si mesmo por seus discípulos, a fim de que eles fossem
santificados na verdade. A santa verdade que Jesus tinha em mente
era a verdade da Palavra de Deus. O Salvador orou: “a tua Palavra é a
verdade” (João 17.17). Assim, pois, aqueles que seguem ao Sumo
Pastor, como pastores subordinados, precisam orar para que eles
mesmos, assim como o povo do qual estão encarregados, possam ser
santificados pela santificação que a Palavra de Deus produz.

CONCLUSÃO
Existe o perigo de que, estando tão preocupados com o erro,
falhemos em pregar a verdade. Nossos sermões não devem tornar-se
em discursos contra o erro que apareceu mais recentemente, ou
nosso assunto teológico preferido. Mas, tampouco devemos pregar
como se o evangelho fosse a única opção teológica diante do povo.
Em vez disso, devemos fazer claras distinções, tendo em mente os
erros mais grosseiros, assim como aqueles que são mais sutis.
Precisamos apresentar o evangelho de Cristo acima e contrário às
ideias não cristãs e explicar certas nuances doutrinárias que fazem o
evangelho mais claro frente às suas imitações. Praticamente, cada
livro do Novo Testamento contém algum alerta contra doutrinas
falsas e contra os falsos mestres, fazendo bastante claro que tais
mestres e seus ensinos são partes da guerra sem tréguas entre o
povo de Deus e os seus inimigos. Um bom pastor apresentará essas
coisas diante do seu povo e lutará por sua devoção a Cristo e à
verdade, ao invés de sua dedicação a espíritos enganadores e a
ensinos de demônios.
20

OS PRESBÍTEROS REFUTAM OS
MITOS E TREINAM PARA UMA
VIDA PIEDOSA
“Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas caducas.
Exercita-te, pessoalmente, na piedade.”
(1 Timóteo 4.7)

E m 1 Timóteo 4.7, o apóstolo Paulo nos apresenta um contraste


bastante diametral. Ele instrui o jovem Timóteo a “rejeitar as fábulas
profanas e de velhas caducas” completamente e “exercitar-se,
pessoalmente, na piedade”. Por “fábulas de velhas caducas”, Paulo
não se dirige, pejorativamente, a uma idade ou sexo. Ao contrário, se
refere a fábulas ou contos fictícios e não históricos, usados para
ensino e instrução. No Novo Testamento, usa-se sempre para referir-
se a uma palavra que indica fábulas mentirosas, ou falsidades,
histórias com pretensões fingidas – ideias perigosas e errôneas que
causam impactos nocivos sobre as pessoas. No texto, Paulo está
advertindo contra mitos e fábulas usadas para enganar.
Timóteo e um bom presbítero não deveriam ter nada a ver com
tais instruções. Devem rejeitar qualquer mito que esteja procurando
atenção.

E COMO UM PASTOR PODE REJEITAR OS MITOS?


1) Um pastor exemplar deve assegurar-se de estar mantendo
conversações boas e produtivas com seus companheiros.
Os pastores, por natureza, vivem uma grande parte de suas vidas
encerrados em suas próprias mentes. Assim, nós que somos pastores
precisamos certificar-nos de que não estamos meramente ouvindo
nossos próprios pensamentos, repetindo e rebobinando a mesma
fita das nossas imaginações – nossos mitos e fábulas – sem examiná-
los e sem mudá-los. Um bom pastor necessita de uma constante
dieta de verdades, não de fábulas. A maneira segura de se levar isso a
cabo é através de um estudo focado e dedicado das Escrituras, onde a
verdade eterna se preserva e está revelada. Mas um pastor precisará
dedicar-se ativamente a ler material sólido, trabalhos clássicos,
escritos por homens santos e provados pelo tempo, considerando-os
à luz das Escrituras.
2) Um pastor exemplar deve afastar-se de mitos e fábulas.
O pastor terá de refutar todas as formas de mentiras,
especulações, meias-verdades, insinuações, exageros, palavras que
tratam de enfeitar o que se conta, sujeiras, boatos, contos e
difamações. Muitos círculos cristãos se assemelham aos não-cristãos
quando se trata dessas coisas. Considerando o quanto Paulo falou
contra os pecados da língua, concluímos que ele mesmo deve ter
experimentado o suficiente (Efésios 4.25, 31; 5.4; 1 Timóteo 3.11).
Nossa consagração inclui separar-nos dos bate-papos de esquina. Os
ouvidos de um pastor deveriam ser como sepulturas para os mitos e
as fábulas. Do contrário, como disse Charles Spurgeon, o presbítero
ficará aleijado em seu ministério:
Será uma falta de sabedoria extrema para um jovem recém saído do seminário ou de
outra instituição, deixar-se prender por uma panelinha de mexeriqueiros na igreja ou
ser subornado por bondades e bajulações e, assim, vir a ser um partidário e arruinar-
se com a metade do seu povo. Deve evitar totalmente os partidos e as panelinhas,
para ser o pastor de todo o rebanho e cuidar de todos com igualdade. Bem-
aventurados os pacificadores, e uma das melhores maneiras de ser um pacificador é
deixar de lado o fogo das contendas. Não abane, nem alvoroce, nem ponha mais
combustível ao fogo, mas deixe-o que se apague por si mesmo. Comece o seu
ministério com um olho e com um ouvido fechados. 31

3) Um pastor exemplar não deve quebrar a confiança do seu povo.


Ele deverá ser de confiança com relação à verdade. Deverá usar de
muita discrição quando, onde e com quem ele compartilhar
informações sobre o ministério e a congregação. Isto não quer dizer
que o pastor terá de viver uma vida de segredos ou jurar completo
sigilo, como se fosse um psicólogo ou conselheiro secular. Mas, sim,
significa que ele deve ter discernimento e reconhecer que almas
estão sob o seu cuidado, que reputações estão em suas mãos e que,
mesmo falando de forma concreta e com precisão, a retransmissão
do que ele diz a outros poderá se corromper. O pastor excelente,
tampouco, promete sigilo onde o pecado ou as atividades ilegais
estão envolvidas. Mas não deve ser um mexeriqueiro, contribuindo
com o moinho que produz o rumor e as pelejas que surgem com este
(Provérbios 22.10).
O trabalho principal de um pastor envolve discursos, palavras.
Assim, um pastor deve estar lembrado da grande tentação que
fofocas podem causar. Quem sabe devêssemos frequentemente
perguntar a nossos colegas de ministério presbiteral se temos,
porventura, traído qualquer confiança, falado qualquer mito ou
fábula ou compartilhado mais informações particulares do que
deveríamos. Os pastores devem se reportar uns aos outros nessa
área.
4) Um pastor exemplar investiga os erros até suas raízes de origem.
Esta era a 24a resolução de Jonathan Edwards: “Estou resolvido a:
Quando eu cometa alguma ação perceptivelmente má, traçá-la de
volta até que eu chegue à sua verdadeira causa; então,
cuidadosamente, esforçar-me para não mais cometê-la, e lutar e orar
com todas minhas forças contra aquilo que originou dita má ação.”32
Ao examinar os erros de nossas vidas, devemos perguntar-nos:
“Teria esse erro brotado de uma fábula, de um mito ou da aplicação
errada de alguma verdade?” E devemos direcionar nossas energias
para renovar nossas mentes nessas coisas, a fim de que a pureza
habite nosso pensar.

ALGUNS CONSELHOS PARA TREINAR-NOS EM PIEDADE


Em vez de dar lugar a fábulas, Paulo instrui Timóteo a exercitar ou
treinar-se em uma vida piedosa. Piedade é uma palavra que necessita
ser recuperada em nossos círculos cristãos. Mais importante ainda,
verdadeira piedade – verdadeira devoção ou piedade para com Deus
– necessita ser reavivada e espalhada. Piedade é a verdadeira religião
bíblica - uma boa vida moral e piedosa para com o Salvador, animada
por uma afeição outorgada pelo Espírito.
Em suas cartas a Timóteo, o apóstolo usa a palavra “piedade”
quatro vezes, incluindo a ocorrência em nossa presente passagem.
Cada uma destas ocorrências nos provê, de uma forma útil, para
podermos pensar sobre os esforços à piedade. Das outras três
passagens, deduzimos que estamos buscando piedade quando
estamos fazendo as três coisas que seguem:
1) Orando pelas autoridades e líderes civis. “Antes de tudo, pois,
exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações
de graça, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos
os que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida
tranquila e mansa, com toda piedade e respeito” (1 Timóteo 2.1, 2).
Nossas orações por aqueles que estão em autoridade afetam
eficazmente nossa liberdade e nossa habilidade de vivermos vidas
piedosamente cristãs. Agora, é fácil crer que os que regem e
governam podem atrapalhar nossa piedade cristã, porém, o oposto
também é verdade. As orações eficazes dos santos por aqueles com
autoridade rendem – pela graça de Deus – condições para o
desenvolvimento da piedade cristã.
2) Fazendo combinar a piedade cristã verdadeira com o contentamento.
Paulo nos diz que “grande fonte de lucro é a piedade com o
contentamento” (1 Timóteo 6.6), o que vem a significar que a
piedade constitui metade da fórmula para a “grande fonte de lucro”.
Ao mesmo tempo que desenvolvemos a piedade, precisamos também
cultivar o contentamento. Sem o contentamento, insatisfação,
murmuração e reclamação eventualmente irão causar corrosão na
piedade. Como pastores, precisamos guardar-nos contra esta
corrosão, unindo a verdadeira piedade e afeição por Deus ao
contentamento na providência de Deus.
3) Antecipando perseguições (2 Timóteo 3.12). Todos quantos
querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. O
sofrimento é um fator da vida cristã. A piedade de tal modo
distingue o crente do mundo, que pressão dentro da igreja e
perseguição fora dela se seguem naturalmente. Nós nos treinamos
em piedade por não nos entregarmos ao desânimo, frente à
perseguição. Como pastores, temos que lembrar-nos que nós não
merecemos melhor tratamento do que o que foi recebido pelo
Senhor. Se ele foi zombado, espancado e insultado, porque
haveríamos nós de esperar melhor tratamento por segui-lo (Mateus
10.24,25)?
Enquanto antecipamos perseguições, devemos também lembrar
que o Senhor sabe como livrar os homens piedosos, em suas
tribulações (2 Pedro 2.9). Exercitar-nos em piedade, inclui preparar-
nos para as perseguições na firme confiança de que ninguém poderá
arrebatar-nos das mãos do nosso Pai (João 10.28-29). Não podemos
temer àqueles que podem destruir o corpo, mas não podem fazer
nada mais que isso; devemos temer aquele que tem poder para
destruir o corpo e a alma no inferno (Mateus 10.28). Sejamos como
os que “mesmo em face da morte, não amaram a própria vida”
(Apocalipse 12.11). Tal disposição da alma produz a piedade cristã.

CONCLUSÃO
Mitos tolos e fábulas de velhas nos levam a focar a mente, não
apenas nas coisas desta vida, mas também em seus aspectos mais
triviais. Nos fazem tão propensos às coisas terreais, que nos
tornamos sem utilidade para as coisas celestiais. Melhores
pensamentos se requerem dos pastores chamados pelo supremo
Pastor. Equipemos nossas mentes com materiais apropriados para a
vida celestial.
21

OS PRESBÍTEROS ESPERAM
EM DEUS
“Porquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo”
(1 Timóteo 4.10)

N ós, como pastores, somos constantemente tentados a levar a


cabo nosso ministério pastoral por nossa própria força e sabedoria.
Somos, em muitas ocasiões, intimados a ser homens fortes e
corajosos, que começamos a pensar que tal força e coragem são
questão de esforço pessoal. Podemos nos imaginar armando-nos de
tamanha força de vontade, suficiente para nos empurrar à execução
de qualquer objetivo.
Mas, essa frase curta de Paulo confronta qualquer pastor com a
pergunta: “onde estamos pondo nossa esperança?”
Algumas vezes, pomos nossa esperança em nossos estudos e
preparação. Outras vezes, colocamos nossa esperança nos livros que
lemos e nos argumentos convincentes que eles contêm. E outras
vezes, nossa esperança está nos nossos relacionamentos ou nas
afeições que compartilhamos uns com os outros, dentro do corpo de
Cristo. Ou colocamos nossa esperança em nossa capacidade de
expressar-nos articuladamente, na esperteza de nossos conselhos ou
nos nossos bons sermões. Nossa esperança eleva-se quando tudo vai
bem, quando as pessoas parecem estar satisfeitas com nossa
performance. 33
Todas estas esperanças são tentações mortais! Todas se esvaem, se
enfraquecem e desapontam.
Onde podemos encontrar uma esperança duradoura para nosso
viver e para nosso ministério? A única, certa e permanente rocha
onde podemos firmar nossa esperança é no Deus vivo, “ Salvador de
todos os homens, especialmente dos fiéis” (1 Timóteo 4.10).

A LIBERDADE DA ESPERANÇA EM DEUS


Em todos os seus afazeres, o pastor exemplar evita a cilada de
confiar em seus próprios esforços. Na ótica de Paulo, quanto ao
ministério pastoral, a esperança no Deus vivo é o que anima e
fortalece o pastor; não a esperança em si mesmo. A esperança do
pastor descansa em Deus e nele o pastor encontra a força necessária.
O bom pastor tem o Senhor como seu quinhão, seu refúgio, seu
estandarte, sua torre forte e seu escudo. Diariamente, momento
após momento, ele recorre ao Deus vivo.
Um bom pastor não poderá consentir que seus estudos lhe
embacem a clara visão do Salvador. Não poderá estudar para
impressionar os outros, mas para ver Jesus em toda sua humilhação
na crucificação e no esplendor de sua ressurreição. Ele terá de abrir a
Palavra em fé, crendo que Deus existe e que se torna galardoador dos
que o buscam (Mateus 6.33; Hebreus 11.6). Ele terá de abrir a
Escritura para ouvir não palavras mortas, mas um Deus vivo que
para sempre fala através de sua Palavra. O bom pastor estuda para
que possa ensinar e afim de que, ensinando, o Espírito possa
sintonizar os ouvidos de todos para que ouçam a voz do Mestre.
Antes que um pastor se prepare para pregar, ele terá de reconhecer
que ele mesmo não é mais que uma ovelha necessitada de ouvir a voz
do Supremo Pastor (João 10.3-4; 14-16). O estudo e a preparação de
um pastor deve ser, no melhor sentido da palavra, devocional. Os
nossos estudos demonstram uma esperança pessoal no Deus
vivente?
Colocar nossa esperança no Deus vivo significa encontrar uma
esperança verdadeira em um relacionamento vivo e pessoal.
Certamente, encontramos estímulo e esperança em relacionamentos
com a congregação. Mas, acima de tudo, um bom pastor necessita
nutrir sua comunhão com Deus.
Nossa convivência na igreja é o tipo de relacionamento que
fomenta uma mais profunda esperança em Deus, ou ela nos guia à
dependência no homem? Somos agentes que procuram direcionar
outros ao Deus vivo, em quem devem descansar suas esperanças?
Nossas pregações lembram aos outros da necessidade de colocarem
sua esperança no Deus vivente, que nunca os deixará, nem os
abandonará? Ou, ao contrário, nossas pregações animam as pessoas
a esperar em meios humanos, técnicas e terapias? Nosso viver
comunitário precisa apontar, continuamente, para onde a verdadeira
esperança descansa – em Jesus.
Que liberdade isso deveria nos dar! A esperança em Deus liberta o
pastor das tentações de falsas esperanças e de autodependência. A
esperança em Deus nos livra daquele complexo “eu, o salvador”, que
assume que todo e cada problema deve ser consertado por sabedoria
e esforço pessoal. Nos livra da árdua labuta de agradar todo mundo.
Nos livra da escravidão do “sucesso” e da síndrome de
“performance”. Para a liberdade nos libertou Cristo (Gálatas 5.1) e
essa liberdade descansa segura e unicamente sobre os alicerces de
nossa esperança em Cristo. Cristo Jesus salvou ao pastor e salvará a
outros. Cristo Jesus dá ao pastor a verdadeira esperança e dará
esperança ao seu povo.
Para sermos pastores exemplares, devemos lembrar ao povo esta
simples mas profunda verdade: “temos posto a nossa esperança no
Deus vivo”. Esta frase merece uma exposição completa; uma
exposição escrita na vida atual daqueles que têm confiado no
Salvador. A vida de um bom pastor deverá trazer tal exposição. Ele
deverá viver como uma pessoa que teve sua esperança depositada no
Autor da vida – aquele que tem a vida em si mesmo; que é o doador
da vida eterna, o Deus vivo e verdadeiro, Cristo Jesus nosso Senhor.
Pare e pense um pouco: onde você está descansando sua
esperança?
22

OS PASTORES ORDENAM
“Ordena e ensina estas coisas”
(1 Timóteo 4.11)

S haron não era mais alta que um metro e 20 centímetros. Vestia-se


profissionalmente e falava com uma voz bastante delicada. Ela, uma
mulher de meia idade, era mãe de duas crianças e, apesar de todos os
sinais de que ela vivia alegremente sua vida doméstica , ninguém
brincava com ela. Sharon não suportava tolices e a gente tinha
sempre aquele impulso de se endireitar diante dela.
Eu trabalhei com Sharon por um ano, aproximadamente, antes
que viesse a saber que ela serviu, por vários anos, como Chefe de
Polícia. Explicou-me que todos os cadetes aprendiam uma postura de
comando que, em muitos casos, ensinava os cidadãos a honrarem as
autoridades oficiais que eles representavam. Sempre que um policial
emitia um comando verbal, o comando falado, simplesmente, punha
palavras ao que já estava explícito na postura do policial.
Em 1 Timóteo 4.11, Paulo faz uso de linguagem forte para dirigir-
se ao jovem [talvez tímido] Timóteo. Se Timóteo quisesse ser um
bom servo de Cristo, precisava “ordenar e ensinar”.
A palavra “ordenar” ou comandar, imediatamente perturba os
ouvidos modernos. Nossa cultura recua à sugestão de autoridade.
Especialmente uma autoridade exercida com convicção e força. Na
melhor opção teríamos líderes que facilitam, que provocam
uniformidade de opiniões, ou que geram motivação. E estes estilos
mais modernos de liderança têm o seu lugar. Um líder sábio
reconhece quando uma abordagem mais suave é melhor, quando faz
sentido delegar obrigações ou quando a uniformidade de opiniões é
necessária.
Porém, em 1 Timóteo 4.11, o apóstolo infunde um tom diferente
em suas instruções a Timóteo. Ele diz “ordena ...estas coisas”. Uma
nota de autoridade tinha de ser ouvida nas interações de Timóteo
com a congregação.

COMO É UMA ORDEM AUTORITÁRIA, NO NOVO


TESTAMENTO?
Para sermos honestos, Paulo não está recomendando a Timóteo agir
contrário às palavras de Jesus, que ensinam os cristãos a não
dominarem uns aos outros (Lucas 22.25-26). Não diz a Timóteo que
exerça uma certa ditadura dentro da igreja, onde ele governe com
mãos de ferro.
No entanto, um bom líder exerce autoridade. Terá de demandar
certas coisas. Jesus ensinava como alguém que tinha autoridade, não
como os escribas (Lucas 1.22). Seguindo o exemplo do Senhor, os
pastores fiéis, do mesmo modo, precisam comandar certas coisas.
Precisam ensinar com autoridade, não como os que usam de
sutilezas – amedrontados de tomarem posições para um lado ou para
outro. O pastor que é realmente bom faz soar a trombeta com um
som certo e claro.
Mas, a habilidade de comandar não está enraizada no próprio
pastor. Os talentos e as habilidades de um pastor não são as bases de
sua autoridade. Tampouco a sua superioridade moral provê qualquer
base de autoridade. A Palavra de Deus é que provê a única e
suficiente base da autoridade pastoral.
Paulo entendeu isto. Ele escreveu aos Tessalonicenses: “porque
estais inteirados de quantas instruções vos demos da parte do Senhor”
(1 Tessalonicenses 4.2). Um pastor exemplar terá de compreender
que, comandando, ele mesmo não é o comandante. Ele é apenas um
mensageiro e um exemplo. As ordens não são dele, para que as
desenvolva e as distribua a seu bel-prazer. As ordens devem vir
claramente do Senhor. Esta é a razão de “e ensina” ser tão vital, nas
instruções de Paulo. Timóteo ordena ao ensinar os mandamentos de
Cristo, que já têm sido ordenados por ele (Mateus 28.18-20).
Mais ainda, um bom pastor dedicar-se-á ao ensino daquelas coisas
de maior importância. “Estas coisas”, no verso 11, tratam de guerras
espirituais nas quais o crente se envolve e na confiança firme no
Deus vivo, o salvador dos crentes. Timóteo, assim como os bons
pastores, devem ocupar-se com assuntos de relevância.
O que impede que bons ministros ordenem com autoridade, como
deviam ordenar? Calvino sabiamente identificou um dos desafios:
A doutrina é de tal natureza, que os homens não devem cansar-se dela, ainda que a
ouçam diariamente. Existem, sem dúvida, outras coisas para serem ensinadas; mas
há ênfase nas teses demonstrativas; porque isto quer dizer que elas não são coisas de
menor importância, sobre as quais apenas uma passadela de olhos seja suficiente;
mas, ao contrário, elas merecem ser repetidas diariamente, porque nunca chegarão a
ser inculcadas com toda a suficiência. Um pastor prudente deverá, portanto,
considerar as coisas que são principais, para permanecer nelas. Não há nenhuma
razão para temermos que elas se tornem enfadonhas; porque qualquer que é de Deus,
com alegria ouvirá, as coisas que necessitam ser frequentemente pronunciadas. 34

Quais as razões pelas quais um pastor temeria a repetição das


instruções da Palavra de Deus? Uma razão é o fato de que o temor
dos homens sussurra em nossos ouvidos: “o seu povo já ouviu esta
mesma coisa. Vão cansar-se da sua repetição”. Nós tememos as
opiniões alheias e isto poderá influenciar o nosso comportamento de
ensino.
Sim, já ouviram, mas é improvável que já adotaram o ensino com
perfeição. Presbíteros maduros sabem que um ensino frutífero
demanda repetição. Com demasiada frequência nós cristãos olhamos
no espelho, para logo retirar-nos e esquecermos a imagem que vimos
(Tiago 1.23-24).

CONCLUSÃO
Não deveria ser algo penoso para um pastor repetir e reensinar
(Filipenses 3.1). E os pastores não deveriam recuar, frente aos rostos
de homens que demonstram, com fisionomias cerradas ou com
palavras, as suas reprovações. Nós, pastores, ordenamos estas coisas
porque os mandamentos do Senhor não são penosos (1 João 5.3)
para a saúde daqueles sob nosso cuidado e a fim de dispensar
fielmente nossas obrigações como bons servos de Cristo.
23

PRESBÍTEROS NÃO PERMITEM


QUE NINGUÉM DESPREZE A
SUA MOCIDADE
“Ninguém despreze a tua mocidade”
(1 Timóteo 4.12)

H á alguns comitês formados para descobrir presbíteros nas igrejas


locais que não considerariam um homem com menos de 40 anos de
idade. Obviamente, este seria o fim da candidatura de Timóteo –
sem mencionar a de Jesus. E, então, existem também outros comitês
que olhariam para um pastor ainda jovem e diria: “ele é jovem e
inexperiente, mas nós vamos moldá-lo como queremos”. Outros
membros há, nas igrejas, que rejeitam as instruções de um pastor
porque “é tão novo e sem experiência”. Pessoas com esse tipo de
atitude nunca deveriam servir como presbíteros, nem serem
treinados para serem pastores.
A mocidade poderá ser menosprezada em um milhão de maneiras
diferentes. Qual o pastor ainda jovem, que não terá sentido a
frustração de tentar liderar membros mais velhos que resistem a sua
liderança, não porque reconheçam algum erro em seu entendimento
das Escrituras, mas simplesmente porque em geral e abertamente
por serem mais velhos consideram-se mais sábios? Agora Paulo não
chama Timóteo para negligenciar a sabedoria acumulada dos
membros e líderes mais velhos. Um Timóteo humilde buscaria,
sabiamente, tomar vantagem daquilo que os santos mais velhos têm
para oferecer. No entanto, Paulo instrui Timóteo a não capitular
erroneamente às estimativas que outros possam fazer de sua
mocidade. Sua idade não deveria ser uma barreira para liderar a
igreja e ser um bom ministro. Ser jovem não é um impedimento para
a piedade, nem para a maturidade ou a habilidade de liderança de um
pastor.

ALGUMAS IDEIAS PARA EVITAR QUE A MOCIDADE DE UM


PASTOR SEJA DESPREZADA
Primeira Timóteo 4.12, foi escrita para ele, mas tem aplicações tanto
para os jovens como para os velhos.
1) Pastores de mais idade deverão conceder as oportunidades e estar
dispostos a correr riscos, quando se tratar de pastores mais jovens.
Os pastores mais velhos não deverão ser contra seus colegas mais
novos, algo que, no final das contas, não se pode mudar – idade –
especialmente pelo fato de que Deus mesmo não o faz. Ao contrário,
os mais velhos deveriam estimular os mais novos, instruí-los, apoiá-
los e treiná-los, da mesma maneira que Paulo treinou ao moço
Timóteo, o que, inevitavelmente, significa dar espaço ao jovem
pastor para atuar e liderar.
2) Pastores mais moços não devem ser atrevidos e incapazes de
aprender.
Um pastor jovem deverá, por sua vez, não responder àqueles que
desprezam sua mocidade, vindo, ele mesmo, a desprezar a idade
mais avançada dos outros, tornando-se emburrado, rabugento, com
ares de prepotência. Essa atitude somente faria confirmar o
preconceito e tornaria as coisas mais difíceis para sua liderança. Em
vez disso, o jovem pastor deverá manter-se humilde, pacientemente
convivendo com todos e executando suas obrigações com fidelidade.
3) Um pastor moço não deverá adotar uma atitude de vencido frente às
pessoas que desprezam sua mocidade.
Não devem abaixar suas cabeças, murmurar, reclamar. Devem
firmar seus ombros, fixarem seus olhos em Cristo, e estimular os
outros a segui-lo, enquanto ele segue a Cristo. Testemunhei muitas
vezes Mark Dever, pastor da Capitol Hill Baptist Church, em
Washington, seguir em frente, desdenhar das distrações e levar
adiante o desafio quando outros resistiam a sua liderança. Algo que
poderia ser bastante frustrante para aqueles ao seu redor. Uma
humilde perseverança serve a ambos: ao pastor e a seu povo. Os
pastores mais moços têm de continuar seguindo a Jesus.
Talvez você mesmo seja um pastor ainda jovem, confrontando-se
com esta espécie de dificuldade. Amado, você não pode desistir. Não
pode encolher-se. Não pode murmurar ou choramingar. O que você
precisa é “ordenar e ensinar”. É interessante notar que a instrução de
Paulo, no verso 12, segue-se à palavra bastante forte “mandar”, do
verso 11. Como se conhecesse o temor dos homens e a tendência de
sucumbir que reside nos ministros de pouca idade.

CONCLUSÃO
Quanto mais jovem o homem, mais se sentirá hesitante para liderar
com uma autoridade proporcional à autoridade da Palavra de Deus e
com o ofício presbiteral. A instrução convoca Timóteo a fazer-se
varonil, a crescer, a liderar de tal maneira que sua idade não é o que
indica sua habilidade, sua confiança cristã e sua confiabilidade como
um pastor. É isto o que um jovem pastor deve fazer.
24

OS PRESBÍTEROS DÃO O
EXEMPLO
“...torna-te o padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na
fé, na pureza”
(1 Timóteo 4.12)

S eus colegas de universidade e seus fãs o apelidaram de “O Monte


Redondo do Ricochete”, em homenagem à sua forma corpulenta e
suas façanhas ao arrebentar as pranchas que sustentam as cestas nos
jogos de basquete. Quando se tornou um profissional, seus fãs o
elegeram onze vezes como atleta nacional da liga NBA. Ganhou duas
medalhas de ouro nas Olimpíadas, por sua participação no “Time dos
Sonhos” em 1992 e 1996. Em 2006, o “Naismit Basketball Hall of
Fame”* o introduziu ao rol dos seus consagrados membros. Foi
reconhecido como um dos cinquenta melhores jogadores na história
da NBA (Associação Nacional de Basquete).
A NBA também o incluiu entre os mais destacados do seu time de
entrevistadores, durante todos os seus treze anos com a liga. Falava
com muita vivacidade. Falava agressivamente. Falava alto. E falava o
tempo todo. Até hoje, Charles Barckley é dono do nome profissional
mais irônico que jamais ouvi. É, simplesmente “Sir Charles”.
Ainda que a nominação como “Sir” seja conferida como um
pedigree da realeza inglesa, Sir Charles nunca reivindicou nobreza e
seu comportamento comprovou sua falta de qualquer nobreza.
Frequentemente, Charles Barkley se metia em manifestações
explosivas, tanto dentro como fora da quadra de basquete. Uma vez
chegou a cuspir em um dos torcedores, em retaliação a alguns
xingamentos racistas.
Uma das coisas que Charles Barckley nunca se considerou foi um
modelo, um exemplo para outros. Em 1993, a Nike lançou uma
campanha com Charles Barckley argumentando, desafiadoramente,
que os atletas não são modelos para serem imitados. A propaganda
causou dura controvérsia. Mas, Barckley insistiu em afirmar que os
pais, estes sim, têm por obrigação ser os modelos de vida a serem
imitados por seus filhos e que a sociedade deveria parar de buscar
nos atletas a provisão do padrão para o comportamento e para os
valores da juventude.
Com a rejeição dessa ideia, feita por Charles Barckley no começo da
década de 1990, caiu por terra a ideia de que celebridades devam ser
modelos e padrão para os outros. Talvez eu pertença à última
geração daqueles que eram incentivados a procurar e a imitar
modelos nas celebridades desportivas. Mas, ainda que a ideia tenha
desaparecido no discurso da arena pública, certamente não
desapareceu da Escritura.

OS PASTORES SÃO OS ÚLTIMOS EXEMPLOS?


Uma coisa que um bom pastor precisa estabelecer é um bom
exemplo para os crentes. Ele deverá ser um modelo em sua vida
pessoal. Esta é uma afirmação simples e incrivelmente importante. É
tão importante que Deus a deixou gravada nas verdades da Escritura.
A melhor maneira pela qual Timóteo poderia evitar que sua
mocidade fosse usada contra de ele mesmo, era tornar-se o padrão
dos fiéis. Paulo o exorta a viver uma vida digna de ser imitada,
observada e seguida. A instrução de Paulo eleva o nível do ministério
pastoral, muito acima dos exemplos inconsistentes e triviais
apresentados pelos atletas profissionais.
E quem é suficiente para essas coisas (2 Coríntios 2.16)? Definir
este tipo de exemplo é uma árdua tarefa. Requer graça sobrenatural e
o poder de Deus.
Paulo está dizendo efetivamente que o pastor deverá viver como
um peixinho num aquário, com olhares ao seu redor, fixados em sua
maneira de nadar e em seus hábitos alimentares. Ele vive, não atrás
de cortinas ou de persianas, mas atrás de vidros claros,
transparentes.
A maioria das pessoas, obviamente, tende a viver vidas privadas,
no conforto e no anonimato dos seus lares, preferindo seu mundo de
ideias e de pensamentos. Mas, 1 Timóteo 4.12 chama os pastores
para fora de si mesmos e para fora da sua zona de conforto, ao palco
do exemplo pastoral, visível, demonstrado.

QUAIS AS IMPLICAÇÕES DO EXEMPLO PASTORAL?


1) O exemplo de um bom pastor é posto à vista dos crentes.
Isto poderá parecer óbvio, mas talvez nenhuma outra ocupação
seja tão frequentemente observada como modelo para todas as
pessoas – crentes e não crentes . Ainda bem que Paulo não menciona
isso em 1 Timóteo 4.12. Qualquer que se veja tentado a ser um
exemplo acessível a todo o mundo vai ter de contorcer-se como um
pretzel!
Os pastores são chamados a fundamentar padrões para suas
próprias igrejas. Ser um exemplo para sua igreja local e para os
crentes em geral. O que o mundo incrédulo deseja dos pastores entra
inevitavelmente em conflito com o que Jesus Cristo requer deles, e
com aquilo que os santos necessitam ver. Por esta razão, os pastores
devem estar esclarecidos sobre quem compõe a sua audiência – a
congregação local sob seu encargo, não crentes aleatoriamente ou
universalmente. Paulo estabelece esta instrução no contexto de um
mundo árido e real, para o relacionamento entre um pastor
específico e uma congregação particular de pessoas.
A instrução apostólica indica que um pastor deverá entender o
contexto histórico e social de um grupo em particular. Quando eu
estava em Washington, DC, aprendi que um pastor precisa
demonstrar à sua congregação como estabelecer prioridades (Deus,
família, trabalho), visto que a cidade inteira parece ordenar sua vida
de uma maneira reversa (trabalho, família, Deus). Quando eu vivia
no sul dos Estados Unidos, onde um cristianismo nominal ainda
permanece fortemente estabelecido, aprendi que o pastor deve ser
um exemplo de discernimento e clareza, de fidelidade doutrinal e por
falar a verdade em amor. Audiência e contexto são importantes. O
pastor terá de manter isso em sua mente, enquanto estabelece um
padrão exemplar para o povo.
2) O bom exemplo de um pastor o faz acessível
Com isso, não quero dizer que um pastor deverá não se importar
em manter sua agenda ou falhar em colocar um muro apropriado ao
redor de sua família. As demandas de um pastor fazem necessário
esse controle. Mas, o comando a Timóteo sugere que o pastor deve
estar perto das pessoas, com as pessoas, acessível às pessoas. Ele
precisa ser observado e isto não acontecerá a menos que ele esteja,
de alguma maneira, próximo às pessoas. Precisa ser visto em
diversas arenas: em eventos de comunhão, num almoço ou jantar,
em casa, na casa de outros, e assim por diante. Qual deve ser o
parâmetro de acessibilidade? Cada um terá de considerar suas
próprias circunstâncias para responder essa pergunta. Mas, em
princípio, um bom pastor deverá ser acessível o suficiente para
evidenciar um bom exemplo com a necessária efetividade.
3) Existem certas áreas, em particular, nas quais um bom pastor deverá
estabelecer seu bom exemplo
Me alegro com a lista de ações e virtudes que Paulo lista no verso
12, não porque eu mesmo já tenha atingido a marca, mas porque me
ajuda a não ficar confuso e inseguro, procurando saber por onde
começar. Ele faz uma lista de cinco aspectos diferentes: no falar, na
conduta, no amor, na fé e na pureza. É uma lista bastante pesada,
mas nos ajuda a ver onde nosso exemplo deve ser exercitado.
O que dizemos deverá servir de exemplo. Entre outras passagens,
Efésios 4.25, 29 e Tiago 3 fornecem princípios para o padrão de um
pastor em seu falar. Um pastor deve ouvir longa e pacientemente;
deve falar a verdade e divulgá-la amplamente (não confundir com
“ser exaustivo”); deve ser direto, sem rodeios, e amoroso (a
repreensão aberta é melhor que um amor silencioso); falar o que é
necessário e o que edifica; ministrar graça aos que o ouvem.
O que fazemos deverá servir de exemplo. A conduta de um bom
pastor será observada por todos e confirmará ou trará dúvidas e, até
mesmo, negará a autoridade e o poder do evangelho. Um bom pastor
vive de uma maneira digna de sua chamada e imita a Deus (Efésios
4.1; 5.1; Filipenses 1.27; 4.1). A realidade surpreendente disso é que
a maneira de viver de um pastor, inevitavelmente, impressionará o
caráter de sua congregação. Uma congregação geralmente assume as
características de seu pastor. E a impressão que um pastor causa
sobre o seu povo não será facilmente removida pelos pastores que o
seguirem. O pastor subsequente sentir-se-á empurrado aos trancos
pelo caminho arado e endurecido no caráter do seu povo ou
encontrará um caminho suave e direito, pelo exemplo digno na
conduta e no modo de falar, deixado pelo pastor anterior.
Nosso amor deverá servir de exemplo. Aqui está algo em que nosso
exemplo vívido diante dos santos também testifica aos não crentes
em nosso redor (João 13.34-35). Para que nosso amor seja exemplar,
temos de seguir o exemplo de Jesus, cujo amor é supremo. Ele deu-se
a si mesmo ao seu povo. Ele nasceu para que pudesse morrer.
Voluntariamente, tomou sobre si as aflições do seu povo. Suportou o
desprezo, a ridicularização, a zombaria , os açoites que nós
merecíamos e a ira do onipotente e infinito Pai, em nosso lugar.
Entrou em nossas aflições e fez face às nossas tentações. Identificou-
se conosco em tudo, como um sumo sacerdote adequado. Agora, a
nós também compete estabelecer um exemplo de amor
autosacrificial!
O bom pastor também demonstra seu exemplo em fé. A
autodependência é uma abominação na vida de um pastor. A falta de
fé é uma anomalia no seu ministério. Um bom pastor confia em
Deus. O presbítero necessita ter sua esperança fixa no Deus imortal,
que tem a vida em si mesmo, que não pode mentir, que é o Deus da
verdade. A congregação precisa testemunhar a fé de seu presbítero,
em todo gama de situações: em exultação, apoio, oposição,
abundância, falta, frutos ou esterilidade. Tanto nos tempos de
engrandecimento, como nos tempos de rebaixamento, um bom
pastor baseia sua vida e decisões na certeza do amor de Cristo, no
seu senhorio, na sua soberania, na sua bondade.
O pastor demonstra um bom exemplo em pureza. A pureza no
púlpito deverá promover e conduzir à pureza nos bancos. Quão fácil
é para o pastor esconder suas sujeiras. Ele pode isolar-se, fabricar
uma identidade para o público e viver uma vida dupla. Ele pode falar
muito sobre pureza e santidade e negar o seu poder. O bom pastor
labuta e esforça-se sobremaneira (1 Timóteo 4.10) para a
santificação, sabendo que “a piedade para tudo é proveitosa, porque
tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser” (verso 8).
A beleza da santidade e da pureza deverá conquistar o coração do
pastor de tal maneira que ele venha a desprezar as outras
alternativas. A semelhança de Cristo é sua motivação à pureza.
Constantemente, deseja entrar naquela adorável pureza de Jesus e
se tumultua quando esse desejo se esfria. Ele estabelece um exemplo
de pureza porque conhece a sua bênção. Ele sabe o que é a verdadeira
beleza e depende inteiramente de Deus para viver diante do seu povo
– nas suas escolhas de entretenimento, suas preferências musicais,
sua modéstia, sua devoção, sua confissão, sua maneira de tratar as
mulheres jovens (1 Timóteo 5.2), seu estudo das artes e literatura,
sua adoção e crítica de diferentes estilos, e assim por diante. Bob
Kauflin sintetiza tudo isso muito bem:
Jesus veio para purificar a seu povo, uma vez para sempre, através de seu sacrifício
expiatório (Tito 2.14). Ele cumpriu tudo o que a lei cerimonial prefigurava. Mas a
demanda de Deus pela pureza não mudou. O Senhor continua Santo. Portanto, não
nos surpreende que Deus queira que os líderes da igreja sejam exemplos de pureza
para os crentes.
A pureza é a qualidade de não ser profano, nem misturado, nem diluído, livre do mal
ou de contaminação. A primeira área de aplicação da pureza é em nossa motivação.
Deus nos chama para que nos guardemos de ser apartados “da simplicidade e pureza
devida a Cristo” (2 Coríntios 11.3). Liderar nossa adoração para obter ganho ou
reconhecimento público desonra a Deus. Deus deseja que nosso culto seja sincero,
não hipócrita; voluntarioso, não forçado; com todo o coração, não distraído. Em
outras palavras, puro. 35

CONCLUSÃO
Pastores e presbíteros se tornam o “padrão dos fiéis na palavra, no
procedimento, no amor, na fé, na pureza”, pela graça de Deus e por
sua ajuda onipotente. As igrejas devotam reverência pelo Senhor e
pelo pastorado quando os pastores vivem vidas dignas de serem
imitadas. Em sua bondade, Deus promete grande galardão àqueles
homens que se entregam a essa nobre tarefa (1 Pedro 5.1-4).
Charles Barckley disse bem: os atletas não são a classe de pessoas
indicadas para estabelecer um modelo. Só os servos de Cristo, cheios
do Espírito e poder, o são.

* Nota do tradutor: Uma instituição memorial que notabiliza os grandes atletas do basquete
Norte Americano
25

OS PRESBÍTEROS ENSINAM
“...torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé,
na pureza.”
(1 Timóteo 4.12)

S e você tiver de reduzir o ministério pastoral a uma só coisa, qual


seria? Claro, não podemos facilmente reduzir o ministério a uma só
coisa. Mesmo as múltiplas funções que consideramos, em 1 Timóteo
nos impossibilitam responder essa pergunta com simplicidade. Mas,
se você pudesse, que haveria de ser?
Poderíamos fazer das palavras “torna-te padrão dos fiéis” a causa
para todas as questões da vida pastoral. Jesus disse aos seus
discípulos que Ele deu o exemplo para que eles o seguissem (João
13.15). Em outro lugar o apóstolo exorta: “Sede meus imitadores,
como também eu sou de Cristo” (1 Coríntios 11.1). E disse o mesmo
aos Filipenses (3.17). E agora, em 1 Timóteo 4.12, Paulo anima a
Timóteo a ser exemplar em palavras e em conduta. Talvez possa-se
dizer que “ser um exemplo” é uma das maneiras de se descrever um
bom pastor.
Outra maneira de afirmar o que um bom pastor faz é considerar
qual função cabe ao exemplo. Em essência, ser um exemplo é
ensinar. Um bom pastor ensina. “Ordena e ensina estas coisas” (1
Timóteo 4.11). “Até à minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação,
ao ensino (verso 13).

DEVOÇÃO PASTORAL
Então, o que um bom pastor deve fazer? Deve devotar-se a estas três
atividades: leitura pública da Escritura, exortação e ensino. A palavra
traduzida por “aplica-te” em si mesma denota uma preparação
prévia. A vela que queima no gabinete do pastor abastece, como um
combustível, o seu ministério. Mas é necessário que seu estudo seja
igualmente santificado. Charles Bridges escreveu:
A árvore do conhecimento poderá prosperar, enquanto a árvore da vida se definha.
Cada aumento do conhecimento intelectual tem a tendência à exaltação pessoal. O
hábito de estudos tem que ser resguardado, para que não venha a tornar-se um
indulgir pecaminoso; desejando satisfazer seu próprio ego, ao custo da boa
consciência ou da retidão; empregando-se a indagações especulativas, ao invés do
conhecimento santo e prático; ocupando o tempo que deveria ser usado em
obrigações imediatas; ou deixando interferir em outras obrigações de igual ou maior
necessidade. Um juízo sadio e uma mente espiritual devem ser exercitados, dirigindo
os estudos para o fim principal do ministério. Não permitamos que nada daquelas
coisas acima venha a interferir nas horas que devem ser devotadas ao estudo da
Bíblia ou nossa preparação para o púlpito. 36

TRÊS DISCIPLINAS PARA UM PASTOR APLICADO AO


ENSINO
Um bom pastor aplica-se ao ensino de três maneiras:
1) Leitura pública da Escritura. Tenho atendido muitas igrejas que
parecem estar impacientes em ouvir a Palavra de Deus lida
publicamente. Faz-me suspeitar que as pessoas têm crescido
acostumadas a não ouvirem a leitura pública da Palavra de Deus,
exceto em breves fragmentos. O apetite para ouvir a Palavra de Deus
não cresceu consideravelmente.
Outros acham a leitura pública algo cansativo, chato. Outros
creem que toma o lugar da “adoração real” – os cânticos. Alguns não
a entendem ou têm dificuldade em seguir a leitura. Talvez você
mesmo já tenha ouvido estas e mais outras razões para que se
negligencie a leitura pública das Escrituras. Você crê que Deus se
impressiona com qualquer uma delas?
O Pai se revela na Palavra e através da Palavra. A Palavra aponta
para Jesus. O Espírito moveu homens para escrevê-la. Dado o
esforço Trinitário, que razão poderíamos apresentar para
negligenciá-la?
Paulo diz a Timóteo que se aplique à leitura pública da Escritura –
e com boa razão o faz. A Palavra traz vida. Cada um dos
reavivamentos registrados na Escritura seguiu-se à uma leitura
pública da Palavra de Deus. Por exemplo: Moisés leu o Livro da
Aliança com o povo, em Êxodo 24.7. Josué leu toda a lei na
renovação da aliança, depois do fiasco em Ai, em Josué 8. O grande
evento em Neemias 8, teve a leitura e a exposição da Escritura por
um dia inteiro (Neemias 8. 9-13). A esperança de arrependimento
levou Jeremias a persuadir Baruque a ler a Palavra diante do povo
(Jeremias 36). E quantas outras vezes, nos Evangelhos, o Senhor
começa seu discurso com estas palavras: “Nunca haveis lido...?”.
Um bom pastor se assegura de que a Palavra de Deus permanece
central em qualquer reunião pública do povo, e isto, em parte, pela
leitura pública da Escritura. Essas leituras moldam a atitude do povo
e são, em si mesmas, uma ação de ensino e o fundamento para
outras instruções.
2) Exortação. Um bom pastor exorta pela Palavra de Deus. Ele
desafia seu povo a não só ouvir a Palavra, mas a considerar a Palavra
- a aplicar a Escritura em sua vida. Ele exorta encorajando,
repreendendo, corrigindo, advertindo e confortando (1 Timóteo
3.16-17). Ele move seu povo a sentir e agir com base na Palavra de
Deus.
O modelo apostólico para o ministério pastoral focaliza a aplicação
da Palavra ao povo individualmente (1 Tessalonicenses 2.8-13). Ler
ajuda, mas não é suficiente. Um presbítero precisará aplicar a Palavra
às diversas condições espirituais existentes no meio da assembleia
dos crentes. Alguns necessitam cuidados, outros a vara de correção e
outros ainda o bisturi cirúrgico que corta com precisão. Um bom
pastor esforça-se em fazer com que a Palavra ministre a cada
necessidade, por meio da sua leitura e de sua aplicação.
3) Ensino. Os presbíteros ensinam pela leitura e pela exortação.
Porém, a ovelha que está ainda crescendo requer uma instrução
sistemática. Timóteo teria de devotar-se à doutrina. Paulo não queria
ter nada a ver com o sofisma que, com ares de altamente inteligente,
afirmava que “doutrina divide”, ou que “é uma questão de
relacionamento, não de doutrina”. Não pode haver relacionamento
verdadeiro sem que conheçamos com quem nos relacionamos. O
trabalho de Timóteo seria construir uma base de doutrina por
ajuntar, para o seu povo, as verdades da Escritura num todo.
Timóteo tinha de ensinar porque, à parte do ensino, ele não poderia
ser um bom pastor.

COLOCANDO EM PRÁTICA
Dos sábios conselhos de Bridges, podemos notar diversas aplicações
para o presbítero fiel:

1. Guarde as horas necessárias para a leitura e estudo, para que


possa realizar um ensino efetivo.
2. Leia amplamente em um certo nível, mas profundamente,
quando se trata da Escritura e da teologia.
3. Leia regularmente teologia sistemática, bíblica e histórica. Isto
lhe ensinará tudo sobre uma determinada matéria, tema e
narrativas das Escrituras, e lhe mostrará como outros santos
lidaram com essas mesmas questões, prevenindo, assim, o seu
orgulho de se recusar a aprender de outros.
4. Discipline seu pensamento, escrevendo seus sermões; pelo
menos se você ainda é um pregador jovem. Nem todos os
pastores necessitam dessa disciplina mas, para muitos, pregar
de um esboço acrescenta precisão e ordem aos nossos sermões.
5. erque-se de pessoas que possam fazer comentários honestos e
construtivos sobre seus sermões. Reúna-se com outros pastores
e presbíteros. Ouça outros sermões ou use reuniões de líderes
como oportunidades para que seus colaboradores possam
encorajar, corrigir e ajudar.
6. Tenha uma abordagem geral no ensino público, de forma que
possa coordenar o púlpito com os estudos bíblicos no meio da
semana, a Escola Dominical, grupos menores e outras
oportunidades de ensino. Nem tudo o que se deve ensinar
poderá ser feito do púlpito; portanto, outras oportunidades
devem ser usadas estrategicamente.
7. Se possível, compartilhe as responsabilidades de ensino com
outros. Os pastores necessitam de ajuda; por isso, devem
ativamente buscar homens competentes na liderança e na
congregação em geral, para ajudá-lo a levar a carga.

CONCLUSÃO
Qual a tarefa de um pastor? Em uma palavra: ensino. Por suas
palavras e por suas ações, ele ensina as ovelhas. Santifiquemos, pois,
nosso estudo e a preparação em nosso gabinete, para que possamos,
completa e habilidosamente, alimentar as ovelhas de Deus com o
maná de sua Palavra. É a Palavra de Deus que dá vida. Um bom
pastor crê e confia nisto e centraliza seu ministério neste mesmo
fato.
26

OS PRESBÍTEROS SE
DESENVOLVEM
“Medita estas coisas e nelas sê diligente, para que o teu progresso a todos
seja manifesto”
(1 Timóteo 4.15)

D iariamente, pelas manhãs, elas corriam para o parapeito da


janela ansiosas para ver se a planta havia crescido. Seu professor de
ciências lhes havia incumbido de plantar uma semente num pequeno
copo de plástico transparente, cheio com terra boa e fertilizada. A
tarefa seria a de documentar o crescimento de uma pequena semente
aninhada na terra, para um brotinho e, eventualmente, uma planta.
Minhas duas filhas estavam cativadas pelo mistério do
desabrochar de uma vida. Todos os dias, fixavam sua atenção à
plantinha. Lembro-me de ter a mesma fascinação quando, ainda
criança, com a mesma idade delas, minha classe completou um
projeto semelhante.
Todas as coisas vivas crescem e se desenvolvem. Não há nada que
possa revelar força e vitalidade tão bem, quanto um crescimento
apropriado. Talvez esta seja a causa porque todo mundo dá boas
vindas ao crescimento. Encontramos prazer e estímulo onde quer
que encontremos coisas crescendo. Deus nos fez de modo que
crescemos na vida e, portanto, buscamos ver crescimento em todas
as coisas e em todas as áreas.

OS PASTORES TAMBÉM TÊM DE CRESCER


O apóstolo usa palavras bem fortes com Timóteo, a fim de reforçar a
necessidade de crescimento. Ele chama Timóteo a ser diligente e a
treinar-se, de maneira que o seu crescimento afirmasse o vigor de
sua vida espiritual.
A ideia de devotar-se ou aplicar-se diligentemente aparece diversas
vezes nesse capítulo. Alguns serão devotados a serem obedientes aos
“espíritos enganadores e a ensinos de demônios” (verso 1), enquanto
Timóteo deveria aplicar-se à leitura pública da Escritura, à exortação
e ao ensino. E, mais ainda, Timóteo deveria “exercitar-se” – trabalhar
duro e lutar – em piedade (verso 7). A imagem de suar com um
esforço exercido salta da página sagrada.
Ministério é labuta. É trabalho. Se o realizarmos querendo uma
coisa fácil e conveniente, vamos nos sentir como que atropelados
pelo tráfico intenso de responsabilidade, dureza, dificuldade, pecado,
desapontamento, aparentes fracassos (nossos e dos outros), morte,
doença e todas aquelas outras coisas que acompanham a vida de uma
humanidade caída. Ministério é labuta.
Como um trabalhador, o ministério pastoral requer rotina, testes e
melhorias. Referindo-se às coisas que foram mencionadas nos versos
anteriores, Paulo ensina Timóteo a aplicar diligência nos trabalhos
que seguem:

Advertindo as pessoas dos falsos mestres;


Evitando a falsa doutrina e os mitos;
Aplicando-se à piedade;
Esperando no Deus vivo;
Exigindo com autoridade e ensinando;
Mantendo sua cabeça levantada como um jovem pastor;
Exibindo um exemplo de vida;
Lendo publicamente a Escritura, exortando e ensinando;
Usando os seus dons.

Ao final desta palavra, Paulo exorta Timóteo a aplicar-se em todas


essas ocupações.
Tanto o texto como nossa experiência nos sugerem que algumas
dessas coisas não vêm com naturalidade aos pastores e presbíteros.
Podemos ser hábeis para algumas coisas, mas percebemos que outras
são bem difíceis. Se esperamos que tudo nos seja fácil, vamos nos
desesperar por nunca chegarmos a ser suficientemente frutíferos. E
se esperamos que tudo seja difícil, nunca vamos tentar fazê-las e,
assim, negligenciaremos nossos dons e nossa vocação e, por
conseguinte, falharemos em ver a graça de Deus em ambos: nos
sucessos e nas falhas. Um bom, piedoso e correto foco nessas coisas é
crucial.
Uma das maneiras para se manter o foco apropriado é reconhecer
que o ministério requer prática. É preciso concentração, meditação,
ação e avaliação. E boa prática requer forte devoção.
Qualquer que tenha uma criança que, alguma vez, tenha implorado
para aprender um instrumento musical, sabe que o fervor e o
entusiasmo da criança em praticar seu instrumento começa a
declinar logo depois que a novidade do seu sucesso passa. De igual
maneira, meu treinador do time de basquete na escola secundária
costumava fazer-nos sua ladainha: “Você só joga da forma como
treinou”. Então, você pode imaginar que ele fazia questão de que
nossos treinos fossem eventos vigorosos. Provavelmente, assistimos
tantos filmes dos nossos treinos, quanto jogamos. Possivelmente, se
tomarmos a mesma atitude que tomávamos em nossos treinos,
nosso ministério será dormente, retrógrado, hesitante, decomposto,
e nós não ganharemos nosso galardão pela falta da necessária
preparação, foco e avaliação em nosso ministério.

A DISCIPLINA DO TREINAMENTO
Algumas disciplinas poderão servir-nos em nosso contínuo empenho
para sermos bons pastores.
1. Aborde o estudo como se fora o próprio jogo. O estudo não é
opcional. Nós pastoreamos da mesma forma com que treinamos. Em
nosso estudo, passamos pelas mesmas rotinas dos jogos, que fazem
com que nossa performance no tempo do jogo atual seja tranquila,
eficiente, eficaz. Quando meu estudo caminha errado, assim também
termina o resto do jogo. Meu aconselhamento não chega a ser tão
claro como deveria ser. Me vejo perdido, sem saber responder a
coisas que eu deveria conhecer. Quando meus estudos seguem mal,
meu discipulado com outros homens tem a tendência de ser sem
profundidade, minha pregação, mais dependente de mim mesmo e
com as emoções indevidas. Posso pregar com algum efeito,
compartilhar conselhos mais-ou-menos sábios e ajudar ao lado de
outros homens. Mas a minha falta de preparo eventualmente se fará
aparente durante o “jogo” da vida real. Poderei ser eloquente, mas
não serei de muita utilidade. Um bom presbítero tem de realizar seu
tempo de estudo como se já estivesse jogando “pra valer”, porque a
velocidade no jogo de ministrar requer atenção, preparação e
“jogadores” com bom treinamento.
2. Encontre um bom treinador para si mesmo. Não existe ilha tão
deserta como a ilha do ministério pastoral. Muitos pastores
experimentam solidão em seu ministério pastoral; há outros que se
sentem bem confortáveis com sua própria companhia. Mas para
todos nós, a ilha deserta provoca uma condição trágica: pouco ou
nenhuma avaliação do nosso trabalho. Somos deixados às muletas
cruéis da nossa própria avaliação. Poucos são, entre nós, os que
podem oferecer uma boa opinião de si mesmos. Somos propensos a
cair de um lado, ou do outro – ou tudo está muito bem e todo o
mundo tem que concordar conosco, ou tudo está terrivelmente mal e
os céus estão desmoronando. Em ambos os casos, nada é sentido ou
visto corretamente.
Um bom treinador poderá trazer-nos uma correção sem rodeios,
com toda franqueza, em nossa maneira de pensar, nossa pregação,
nosso aconselhamento e nossa vida. A fim de sermos zelosos,
diligentes, como Paulo nos diz no verso 15, temos de “assistir aos
filmes do nosso treino” com alguém que conheça bem o jogo e que
tenha a capacidade para apontar os erros e as fraquezas. Um pastor
humilde busca este tipo de auxílio.
3. Cultive a humildade. Cultivar a humildade é algo mais difícil do
que parece. Como notamos anteriormente, o orgulho é um monstro
marinho que se levanta das mais diferentes formas e nos tempos
mais inoportunos. Combater o orgulho se assemelha mais ou menos
a pregar geleia na parede. Para ser ajudado neste assunto, leia o livro
de C. J. Mahaney: Humildade – Verdadeira Grandeza*. Estude-o.
Procure também encontrar e observar homens que são considerados
genuinamente humildes. Estes provavelmente não serão
encontrados entre aqueles que estão liderando as mais modernas e
prósperas igrejas em sua área. Provavelmente estarão labutando em
silêncio, no anonimato, o que bem pode ser a causa de poderem
exibir tal humildade de coração. Cultive a humildade por observar
esses homens, seguindo-os, assim como eles seguem a Cristo, e
confessando seu próprio orgulho. Nem treino, nem um bom
treinador poderão ajudar-nos, se não formos humildes, solícitos para
aprender e capazes de receber e usar as correções piedosas, francas e
sem rodeios dos nossos treinadores.

OS BENEFÍCIOS DE UM PASTOR, EM SEU PROGRESSO NA



Um bom pastor faz todas estas coisas, conforme foi dito a Timóteo
[e também a nós]: “para que o teu progresso a todos seja manifesto”.
Deus deseja exibir o crescimento de um pastor para o benefício de
suas ovelhas. Os membros de uma igreja olham para seus pastores
como as crianças correndo para o parapeito da janela, para ver o
desabrochar de uma vida, o crescimento de seus pastores e, vendo-o,
sejam estimulados ao mesmo crescimento. Seu desenvolvimento
beneficia sua congregação de diferentes maneiras.
1. Se todos podem ver o crescimento do pastor, isto quer dizer que seu
povo já estava consciente de algumas faltas e imperfeições. E um bom
pastor tem de deleitar-se nisso! Permitir que outros notem que ele
não é perfeito, liberta-o de expectativas não realistas e o faz humano
para sua congregação. Pode prosseguir com o projeto de ser,
simplesmente, uma criatura caída e redimida por graça. Assim, não
terá de cobrir suas faltas. Sabiamente, com edificação em vista, deve
confessar suas fraquezas. O bom pastor deve deixar que seu povo
saiba e entenda que ele tem uma vida para ser vivida diante de Cristo
e que, desde que veio ao Senhor, tem descoberto o quanto necessita
crescer em graça e em santificação. Suas ovelhas sabem e ele deveria
lembrá-las desse fato e, em diferentes e variados casos, ele vai
encontrar adicional liberdade e graça – especialmente quando a
congregação pode receber, dos seus pastores, a mesma graça.
2. Se os pastores fazem progresso em seu viver cristão, a pressão e a
crise nervosa podem ser evitadas. Quando uma congregação
praticamente demanda perfeição de seus pastores,
involuntariamente estarão forçando sua falência ministerial, ou
causando um ministério hipócrita. Um pastor pode admitir suas
fraquezas e dar o assunto por encerrado, ou pode esconder suas
fraquezas por usar uma máscara de perfeição. Os homens entram em
colapso e se destroem em qualquer das duas situações. A terceira, e
bíblica, atitude é permitir que o pastor seja humano – com suas
feiuras e tudo o mais – enquanto ora e espera por seu crescimento.
Neste terceiro modo as congregações mantêm bons pastores e bons
pastores buscam a Jesus.
3. Quando um bom pastor é encorajado a fazer progresso em sua fé, sua
congregação melhora sua habilidade de ver sinais dos problemas em sua
vida. Crescimento é algo normal na vida cristã e este fato não é
menos verdadeiro na vida de um pastor. Se um pastor não está
crescendo com o passar do tempo, seus companheiros, presbíteros e
líderes devem explorar as razões potenciais da estagnação. Orações
fervorosas devem ser feitas por uma reversão do curso que está se
seguindo. Os pastores devem consultar bons livros à disposição,
como o de Don Whitney – “Dez Questões para Diagnosticar Sua Vida
Espiritual” (Ten Questions to Diagnose Your Spiritual Life), ou
Octavious Winslow “Declínio Pessoal e Reavivamento da Religião da
Alma” (Personal Declension and Revival of Religion in the Soul). Um
bom pastor deve trabalhar para que o orçamento da igreja reflita seu
desejo pelo devido crescimento e proporcione oportunidades ao
pastor de participar de diversas e boas conferências durante o ano;
também para incluir um orçamento que lhe permita atualizar sua
livraria e sua dieta de leituras.
4. O crescimento de um pastor deve ser visto. “Todos” devem notar o
seu progresso (verso 15). Isto é parte do que queremos dizer com
“estabelecer um bom exemplo”. Um bom pastor deseja ver seu povo
crescendo, portanto, ele também precisa crescer. De vez em quando,
deve ouvir seu povo fazer algum comentário sobre o seu
crescimento. Agora, isso se traduz na necessidade de um pastor
permanecer num mesmo lugar durante um longo período de tempo,
de maneira que o seu povo possa ter o tempo necessário para ver o
seu progresso em piedade, graça, pregação, força espiritual e amor.

CONCLUSÃO
Muitos crentes se sentem intimidados por seus pastores,
principalmente porque estes se apresentam como super-homens,
sem necessidade de treinamento ou de crescimento. Uma intimidade
entre o pastor e seu povo requer transparência e uma obra da graça
de Deus em suas vidas. Isso pode ser visto como algo arriscado, se
ambos, pastor e seu povo, forem pessoas orgulhosas. Mas o
esplêndido benefício é que o pastor e seu povo começam a tratar-se
graciosamente e terão a oportunidade de ver a realidade do que deve
ser um crescimento produzido por Deus.

* Publicado em português por Editora Fiel.


27

OS PRESBÍTEROS VIGIAM
SUAS PRÓPRIAS VIDAS
“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres;
porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus
ouvintes.”
(1 Timóteo 4.16)

Em Abril de 2006, encontrei-me assentado em um salão,


juntamente com outros três mil pastores e seminaristas, na primeira
Conferência Together for the Gospel. Foram dois dias e meio de
extraordinária comunhão em Cristo e no seu evangelho. Após o
trovejar de três mil vozes masculinas cantando ricas verdades e
ouvindo gloriosos sermões sobre pregação e ensino, C. J. Mahaney
encerrou a conferência com uma excepcional exortação para que
vigiássemos nossas vidas como pastores. Aquele sermão merece ser
ouvido repetidamente. Na verdade, você provavelmente deveria
procurar uma cópia do livro “A Pregação da Cruz”37 para ler.
C. J. fez-nos saber que nós, pastores, somos mais cuidadosos em
guardar nossas doutrinas do que em guardar nossas vidas. Então, um
bom pastor deve usar lentes bifocais para ver ambas: sua doutrina e
sua vida. A doutrina sã deveria levar-nos a uma vida correta. Mas,
nem sempre o faz; e esta inconsistência é evidência de que nós
precisamos ser mais vigilantes em ambas as áreas – para vigiarmos
bem de perto doutrina e obras. Os pastores estão dispostos a
viverem suas vidas de tal maneira que suas ações e aquilo em que
creem estejam em conformidade com a Palavra de Deus.
VIGIANDO VIDA E DOUTRINA
Como os pastores podem vigiar ambas, vida e doutrina?
1) Um bom pastor cerca-se de homens de qualidade que possam ajudá-
lo a vigiar sua vida.
Ser obrigado a prestar contas a alguém é essencial – não,
simplesmente, uma responsabilidade passiva, reacional, mas
procurando, inquirindo, tomando a iniciativa. Os pastores
necessitam de pessoas que façam as perguntas difíceis que
normalmente se evitam fazer, em conversas normais; que nos
“cobrem”, ao invés de apenas nos ouvir. Os presbíteros necessitam
de homens que, às vezes, se mostrem mais interessados em nossa
santificação, com um zelo maior do que o nosso próprio (Provérbios
27.17; Hebreus 10.24). Presbítero, você pode mencionar três a cinco
homens que tenham acesso aberto à sua vida?
2) Um bom pastor conserva amor, participação e um interesse saudável
por sua família.
Há muitos pastores que fazem face à tentação de idolatrar sua
família ou seu ministério. Por estranho que pareça, um amor
desordenado pelo ministério e por suas atividades revela falta de
afeição por Deus. Mas, se forem fortes as suas afeições pela
obediência ao Salvador, ele se tornará também mais afeiçoado de sua
família. 1 Timóteo 3.4,5 estabelece o cuidado pela família como um
pré-requesito para o ministério e, portanto, uma prioridade sobre o
ministério. Assim, um bom pastor guarda sua vida ao ser vigilante
em ordenar suas prioridades quando se trata de sua família. Ele
desenvolverá sua habilidade de dizer não para certas ministrações
legítimas, para dizer sim à sua família. “Talvez, em nenhuma outra
área estamos tão sujeitos a nos enganar ou tão pouco abertos às
nossas convicções, como no atendimento às crianças.” 38
3) Um bom pastor mantém constante vigilância sobre seus
pensamentos.
Ele luta conta a ira, inveja, censura, lascívia e coisas semelhantes.
Esforça-se para pensar naquelas coisas que são respeitáveis, justas,
puras, amáveis, de boa fama (Filipenses 4.8). Com frequência, os
pastores ouvem-se a si mesmos, em vez de falarem a si mesmos. Se
não tomarmos cuidado, começaremos a crer nas coisas que dizemos
a nós mesmos e terminaremos com uma vida mal informada. Para
vigiar sua vida atentamente, o pastor precisa batalhar contra o
pecado no nível dos seus próprios pensamentos e desejos, plantando
boas sementes e arrancando todos os espinhos e ervas daninhas,
antes que sufoquem sua vida.
4) O bom pastor se protege, e protege sua família e sua igreja contra a
imoralidade sexual e a aparência do mal.
Um bom pastor deve saber como não fazer provisão para a carne e
não deve viver sua vida aberta de tal maneira, que possa estimular
atenção indevida, assédios ou confusão. Ele não se encontra ou viaja
sozinho com uma mulher. Não dá seu ombro para ouvir choros de
mulheres vulneráveis. Seu escritório está sempre aberto e visível,
para não dar a impressão de estar agindo em segredo. Um pastor
sábio se assegura de que sua esposa e sua secretária tenham
conhecimento de qualquer encontro ou reunião com outras
mulheres. Mais ainda, ele, ativamente e com prazer entrega-se a sua
esposa em intimidades matrimoniais. Ele arranca seus olhos e corta
seus braços e o que necessário for para proteger sua família e sua
igreja de atos imorais. Humildemente e com entusiasmo, envolve
outros nessa proteção e responsabilidade pessoal.
5. Um bom pastor vigia sua vida quanto ao descanso e a recreação
necessários.
Deve haver descanso adequado e recreação apropriada na agenda
de um pastor. Para estar certo de que tem o descanso devido, o
pastor deve receber com agrado comentários sobre sua agenda de
atividades e de seus hábitos de trabalho. Eventualmente, os pastores
perderão a batalha e a guerra, se eles não descansarem. Se Jesus não
voltar em breve, a vida pastoral será um longo e tedioso labor. Para
poder trabalhar, um bom pastor necessita cuidar de suas
necessidades físicas.
Charles Bridges teve um ministério bastante longo, na Inglaterra,
nos meados dos anos 1800. Ele entendia a necessidade de descanso e
recreação.
O servo devotado ao serviço de Deus encontrará uma certa medida de relaxamento,
ao voltar dos mais dolorosos aos mais dóceis exercícios do seu trabalho.
Ocasionalmente, uma distração total é necessária. E não venha ele a pensar que seu
Mestre demanda trabalho, quando o seu corpo e o seu espírito demandam repouso.
Um bom planejamento fará com que a mudança tenha a tendência de fortalecê-lo, em
vez de enervar o tom de seu caráter espiritual e o poder do seu ministério.39

6. Um bom pastor vigia seus hábitos e idiossincrasias causados pelos


pontos mais fortes de suas habilidades pessoais.
Em muitos casos, a potência de um pastor é, ao mesmo tempo, a
sua fraqueza. Martyn Lloyd-Jones nos adverte, em seu clássico
“Pregação e Pregadores”:
Vigie seus dons naturais e suas tendências e idiossincrasias. Vigie. O que eu quero
dizer é que essas coisas têm a tendência de fugirem com você. Podemos sumarizar
isso em uma só frase – vigie seus pontos mais fortes. Nem tanto suas fraquezas: é a
capacidade que você tem de vigiar as coisas nas quais você se sobressai, seus dons
naturais e suas aptidões. Estas são as coisas que mais frequentemente lhe farão
tropeçar, porque elas são as que lhe tentarão a exibir-se e a congratular-se a si
mesmo. Então, vigie-as; e também às suas idiossincrasias. Todos nós as temos, e
temos que vigiá-las.40

O abuso de nossas capacidades podem enfraquecer outros aspectos


do nosso ministério. Vamos ficar parecidos com lagostas, que têm
uma garra gigante que vamos querer usar para todos os fins,
enquanto outras garras mais diminutas ficam sem uso e sem
atenção. Com o tempo, pode ser que nossos pontos fortes no
ministério venham a criar um desequilíbrio tão proeminente quanto
nossas fraquezas criariam.

CONCLUSÃO
Vigiar nossas vidas e nossa doutrina não é algo que acontece
naturalmente. Por isso mesmo é que o pastor fiel precisa exercitar
disciplina pessoal. Tem de se tornar um estudioso do seu coração e
de sua mente. E deve estimular outros a inspecionarem os cantinhos
que ele não pode enxergar.
28

PRESBÍTEROS VIGIAM SUA


DOUTRINA
“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Continua nestes deveres;
porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como aos teus
ouvintes.”
(1 Timóteo 4.16)

N ão sei muito bem o que algumas pessoas querem dizer com


“caçadores de heresias”, mas estou certo de que eu sou um deles. E
isto tem a ver com minha conversão. Tendo abraçado a fé islâmica
por algum tempo, vim a Cristo um pouco severo e durão, no que
concerne à doutrina e à teologia. Desde o princípio fui levado a ler
livros sobre sã doutrina. Realmente, eu não conhecia o termo
“doutrina”, nem tinha algum entendimento coerente sobre o que
estava procurando, exceto que buscava um conhecimento verdadeiro
de Deus.
Imagine como saltou o meu coração quando, no primeiro dia da
semana depois da minha conversão, visitei uma livraria cristã local,
encaminhei-me para a seção de teologia e comprei dois livros: “O
Conhecimento de Deus”, de J. I. Packer* e os três volumes de
“Grandes Doutrinas Bíblicas”, de Martyn Loyde-Jones**.
Eu não tinha a mínima ideia do que estava comprando, mas nunca
mais fui o mesmo, depois de comprar e ler estas obras clássicas. O
Senhor me demonstrou tremenda graça ao guiar-me a estes dois
homens e suas obras, iniciando, assim, a minha vida cristã com os
pés firmados no solo da sã doutrina. Sou eternamente grato.
Tendo baseado minha vida numa mentira e, conhecendo agora o
que eu devo crer, virei um tipo de “caçador de heresias”. Por este
termo não quero dizer que eu sou um sujeito que busca, embaixo de
cada pedra que encontro, qualquer erro por pequeno que seja, a fim
de rebater a pessoa e seu erro com todas minhas forças. Nem sou
alguém rabugento e brigão por causa de doutrina, mas sou alguém
seriamente preocupado com isto. Minha jornada pessoal confirma a
importância da admoestação de Paulo: “Tem cuidado de ti mesmo e
da doutrina” (1 Timóteo 4.16).

COMO PODEMOS VIGIAR NOSSA DOUTRINA BEM DE


PERTO?
1) Centralize a Escritura.
Um bom pastor é um homem do Livro. Ele não conhece uma
ciência mais alta que a ciência da teologia, e nenhuma arte que possa
ser mais rica que o estudo da Escritura. A Santa Palavra de Deus
ocupa o lugar de maior prioridade em seu pensamento. Ele bebe da
profundidade da Escritura e ouve a advertência de Paulo: ”não
ultrapasseis o que está escrito” (1 Coríntios 4.6). Ele observa e vigia
bem de perto sua doutrina para pensar os pensamentos de Deus,
segundo a Escritura.
2) Lê e relê livros antigos e bons
Sem querer menosprezar os livros mais recentes, os velhos
clássicos ainda são os melhores. Livros clássicos tipicamente
oferecem maior rigor, entendimento e profundidade do que as obras
publicadas no mercado voltado para publicações em massa dos
nossos dias. As obras clássicas já sobreviveram ao teste do tempo.
Muitas pessoas hoje amam C. S. Lewis, o famoso escritor e pensador
cristão que deu ao mundo “Crônicas de Narnia” e “Cristianismo Puro
e Simples”. Poucos, porém, seguem o sábio conselho de Lewis em
leituras. Considere estas linhas dos parágrafos que abrem sua
introdução a Atanásio, no clássico “Na Encarnação” (On the
Incarnation).
Existe uma ideia geral de que todos os temas dos livros antigos deveriam ser lidos
apenas pelos profissionais e que o leigo deveria contentar-se apenas em ler os
escritos modernos.
Esta preferência errônea pelos livros modernos, e esta timidez pelos antigos, em
nenhum caso está mais acentuada do que na teologia.
Agora, para mim, isto parece estar de ponta-cabeça. Naturalmente, visto que eu
mesmo sou um escritor, não quero que o leitor comum deixe de ler os livros
modernos. Mas, se ele tiver de ler somente os novos ou somente os velhos, eu
aconselharia que lesse somente os velhos. E eu lhe daria este conselho precisamente
porque ele é um leigo e, portanto, está muito menos protegido do que o perito, dos
perigos de uma dieta exclusivamente contemporânea. É uma boa regra, depois de ler
um novo livro, nunca permitir-se outro novo até que tenha lido um antigo,
intercalando suas leituras. Se isto for muito difícil para você, então você deveria pelo
menos ler um antigo para cada três novos que lesse. 41

Ler obras que foram provadas ajuda o pastor a vigiar sua doutrina.
3) De vez em quando, leia livros ruins.
Não com regularidade nem exclusivamente, mas ocasionalmente
um bom pastor deverá ler um livro ruim. Poderá fazer isto porque
muitas pessoas entre o seu povo parecem demonstrar interesse em
determinado livro ou porque certo livro está criando um movimento
na igreja em todas as partes. Ele poderá ler tal livro para conhecer
quais são as questões que aborda e o que está em jogo e para melhor
pastorear o seu povo, ou, ao menos, para afiar seu ministério
apologético. De qualquer forma, depois de uma boa dieta de Bíblia e
de clássicos, um pastor fiel vigia sua própria doutrina por
familiarizar-se com erros relevantes.
4) Leia a história da igreja e teologia histórica.
A maioria dos erros que hoje vemos já foram cometidos por outro
alguém antes de nós. Não há nada de novo embaixo do sol –
inclusive má teologia. Um bom pastor aprende a inocular-se desses
erros por ler teologia histórica e história da igreja, quando erros
doutrinários já tenham sido registrados, debatidos e resolvidos por
homens piedosos de gerações passadas. Há uma verdade no antigo
clichê: “Aqueles que não conhecem história estão condenados a
repeti-la”.
5) Evite as originalidades e os caprichos passageiros da época.
Muitos erros começam com uma originalidade qualquer. Com o
desejo de dizer alguma coisa nova ou fazer alguma inovação. Mas são
poucos aqueles fiéis instrutores que desejam ser doutrinariamente
inovadores. Sempre que um bom pastor se depara com alguma coisa
totalmente nova em seus estudos e leituras, ele faz, pelo menos,
estas quatro perguntas: (1) Como, de uma maneira específica, este
ensino se distancia das verdades aceitas e estabelecidas pela fé uma
vez entregue aos santos?, (2) Que impacto esta ideia ou doutrina
tem sobre outras importantes questões doutrinárias?, (3) Como isto
impacta a vida das pessoas? e (4) Este impacto será realmente digno
de se considerar em vista dos perigos, ou dos problemas associados
com a originalidade da interpretação?
No verso 7, Paulo avisa a Timóteo que evite “fábulas profanas” – os
mitos irreverentes e ridículos. Um bom pastor, seguirá o conselho de
Paulo. O mundo está constantemente clamando por coisas novas.
Deseja engenhosidade e novos descobrimentos. Há algo com o
coração humano que anseia por ser original, peculiar. Mas grandes
explosões de erro acontecem quando o combustível de um pastor é o
desejo por habilidade e originalidade e se mistura com o estímulo
dos desejos mundanos por novidades.
6) Continue aprendendo de bons mestres.
Qual o pastor pode parar de aprender? Ou quem pode dominar
tudo o que há para se aprender dos séculos de pastores eruditos,
teólogos e pensadores? Um bom pastor compromete-se a fortalecer
seu conhecimento do Salvador e da fé, e se planeja especificamente
para este fim. Pode fazer um curso do seminário (no campus ou via
internet), ouvir por rádio ou pela internet, frequentar boas
conferências, ou juntar-se a um grupo de estudos. Mas, de uma
maneira ou de outra, ele continuará sempre aprendendo.
7) Comprometa-se com a confissão de fé de sua igreja.
Os pastores devem estar comprometidos em obedecer e defender a
declaração de fé como um resumo exato dos ensinos da Bíblia. No
momento em que um pastor renuncia seu comprometimento com
um artigo da declaração, ele deverá confessá-lo a seus colegas do
presbitério e aos líderes, para responsabilidade recíproca, correção e
disciplina. Em nossa igreja, os presbíteros prometem que, “se em
algum tempo eu me encontro em desacordo com as confissões de
nossa Declaração de Fé e Aliança, eu, de minha própria iniciativa o
farei conhecer ao pastor e aos demais presbíteros a mudança que fiz
em meu entender, desde que assumi estes votos”. Este penhor
fortalece nossa vigília doutrinária. (Veja o apêndice para exemplos
dos votos de um presbítero em sua ordenação).
8) Desenvolva um instinto para detectar afrouxamentos e
afastamentos doutrinários.
Na maioria dos casos, um pastor serve como o principal oficial
teológico na igreja. Consequentemente, ele terá de ser
suficientemente astuto para monitorar seus próprios pensamentos e
ser intelectualmente honesto para consigo mesmo. Necessita ter um
nariz capaz de sentir o cheiro da preguiça teológica, do desleixo ou da
indiferença. Terá de lutar contra qualquer tendência que o leve a
fazer concessões doutrinárias.
O presbítero não poderá servir bem a seu povo quando,
constantemente, está cedendo pequenos pontos no terreno
teológico, sempre que se veja amedrontado pelos semblantes dos
homens que o desaprovam. Terá de ser capaz para discernir se
agradar as pessoas é uma tendência dos hábitos do seu coração e até
onde isto enfraquece sua posição doutrinária. Terá de reconhecer se
tem a tendência de evitar conflitos ou se este hábito corrói sua
fidelidade à verdade. Precisa saber quando o pragmatismo assume o
controle dos seus pensamentos, de tal modo que o tente a abandonar
a sã doutrina e escolher aquelas coisas que “funcionam melhor”.
Necessita de um instinto afiado para poder apontar desvios e
afrouxamentos em si mesmo, e ter um plano específico para vencer
suas tendências.

CONCLUSÃO
Na história da igreja, toda heresia e disseminação geral de uma
corrupção doutrinária na igreja se levantou quando seu pastor estava
em seu posto de trabalho. Ele mesmo a introduziu, ou permitiu que
entrasse no corpo da igreja. Um número significante desses erros
foram desenvolvidos por homens que buscaram aquilo que parecia
direito aos seus próprios olhos e desprezaram as grandes verdades
da Escritura e a sabedoria piedosa daqueles que foram antes deles.
A exortação de Paulo é profundamente prática e criticamente
importante. A vigilância atenta do pastor afeta o bem estar do seu
povo. Ao vigiar, ele salvará a si mesmo e aos seus ouvintes. Possa o
Senhor dar-nos graça para sermos bons e fiéis ministros para nosso
povo.

* Publicado em português por Editora Cultura Cristã


** Publicados em português pela editora PES.
PALAVRAS FINAIS
“Obedecei aos vossos pastores e sede submissos para com eles; pois velam
por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com
alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.”
(Hebreus 13.17)

C omo deve sentir-se um pastor quanto ao seu trabalho pastoral?


Qual seria a emoção dominante que caracteriza seu ministério?
Muitos pastores se sentem exaustos, frustrados, ineficazes e
deprimidos. Sentem-se como se o ministério pastoral fosse uma
carga.
Mas, como Deus quer que seus pastores se sintam, com relação ao
seu trabalho? Hebreus 13.17 responde à nossa pergunta ao dizer que
o trabalho de um pastor deve ser uma alegria. Com frequência você
ouvirá pastores dizendo que se sentem bastante sóbrios diante da
referência daquele verso, sobre o fato de que terão que dar contas a
Deus pelas almas que lhes foram confiadas aos seus cuidados. Mas,
por mais sóbria que esta advertência possa ser, a alegria deveria
impregnar o trabalho do pastor a favor de suas ovelhas.
Se você que está lendo este livro é um pastor, minha esperança é
de que suas sugestões e exortações práticas aumentem sua alegria.
Espero que focar na base do caráter pastoral e de sua
responsabilidade possa lhe ajudar a traçar um roteiro para o seu
ministério e, assim, disfrutar os benefícios que advêm da
objetividade. Quanto mais claro estamos de nossa vocação, maior a
possibilidade de gozarmos a alegria do nosso serviço.
Ou, talvez, você seja membro de uma igreja, ou participe de um
comitê para achar um pastor. Você já pensou sobre sua parte em
fazer com que o ministério pastoral seja uma alegria para os homens
que estão servindo? Hebreus 13.17 chama-o a seguir seus pastores
ou potenciais pastores para que não se sobrecarreguem. E já notou
que um ministro feliz é uma vantagem para você como membro e
também para o resto da congregação? Por vontade de Deus, seu
crescimento espiritual está ligado com a alegria de seu pastor.
Portanto, num sentido bastante real, o pastor e o povo vivem
juntos, de tal maneira que um promove a alegria do outro. Este livro
ajudará na sua alegria ou será um fardo para você como pastor. Eu
oro para que venha a ser causa de sua alegria, ao invés de um peso.
Para sua alegria, leia e aplique este livro à luz do evangelho do
Senhor Jesus Cristo. Cristo veio a ser sabedoria, retidão, santificação
e redenção para todo aquele que crê (1 Coríntios 1.30). Visto que
Cristo somente é quem pode realizar a nossa salvação, o pastor e o
povo estão livres para buscar a fidelidade sem uma carga pesada e
crescimento com alegria. Oro para que você, ao fazer uso deste
pequeno volume, possa manter uma visão completa da vida gloriosa,
da crucificação, sepultamento, ressurreição, ascensão e vinda do
Senhor Jesus Cristo. Somente o pensar nele frequente e longamente
é, em si mesmo, alegria.
Graça, paz, e amor em Jesus Cristo.
Seu companheiro na causa do Salvador.
APÊNDICE

EXEMPLOS PARA OS VOTOS


NA ORDENAÇÃO DE UM
PASTOR OU PRESBÍTERO
AO PRESBÍTERO
1. Você reafirma sua fé no Senhor Jesus Cristo como seu Salvador, o
reconhece como Senhor sobre todas as coisas e Cabeça da Igreja, e,
por ele, você crê em um único Deus – Pai, Filho e Espírito Santo?
Sim, reafirmo.

2. Você crê nas Escrituras do Antigo e do Novo Testamentos como


sendo a Palavra de Deus, totalmente confiável, totalmente inspirada
pelo Espírito Santo e a suprema, final e unicamente infalível regra de
fé e prática?
Sim, eu creio.

3. Você sinceramente crê, recebe e adota os artigos essenciais de fé


conforme expressados em nossa Confissão de Fé, como confiáveis
exposições daquilo que a Escritura nos leva a crer e a fazer e você se
instruirá e se guiará por estes artigos para liderar o povo de Deus?
Sim, com a ajuda de Deus o farei.

4. Você promete que se, a qualquer momento, encontrar-se em


desacordo com qualquer parte dessa Confissão de Fé, de sua própria
iniciativa fará saber aos seus colegas de presbitério a mudança que
tenha acontecido em sua maneira de ver tal parte da mesma
Confissão, desde que assumiu estes votos?
Sim, prometo.
5. Você se submete ao governo e disciplina da Igreja (...)?
Sim, me submeto.

6. Você cumprirá as obrigações do seu ofício em obediência a Jesus


Cristo, deixando-se continuamente guiar pelo Santo Espírito sob a
autoridade da Escritura?
Sim, o farei.

7. Você promete ser mutuamente submisso aos demais presbíteros


no Senhor e amar a seus colegas de ministério, os pastores seus
companheiros e o pessoal empregado pela igreja, cooperando com
todos eles, sujeito à ordenação da Palavra de Deus e pelo Espírito?
Sim, prometo.

8. Tanto quanto possa entender em seu próprio coração, você tem


aceitado o ofício de presbítero induzido pelo amor a Deus e por um
sincero desejo de promover sua glória no evangelho do seu Filho?
Sim, eu tenho.

9. Você promete ser zeloso e fiel em promover as verdades do


evangelho, a pureza e a paz da igreja, quando sofrer sob qualquer
perseguição ou oposição que possa levantar-se contra você mesmo
por causa deste seu compromisso?
Sim, com a ajuda de Deus o farei.

10. Você se compromete a ser fiel e diligente no exercício de todas as


suas obrigações como presbítero, sejam elas pessoais ou relacionais,
públicas ou privadas, e fará todos os esforços, pela graça de Deus,
para adornar sua profissão do evangelho com sua maneira de viver, e
com um andar exemplarmente piedoso diante da congregação?
Sim, pela graça de Deus o farei.

11. Você está disposto a tomar uma responsabilidade pessoal na vida


desta congregação, como um presbítero, para supervisionar o
ministério e os recursos da igreja e para devotar-se à oração, ao
ministério da Palavra, e a pastorear o rebanho de Deus confiando na
sua graça, de tal maneira que a Igreja (...) e a Igreja de Jesus Cristo
em geral seja abençoada?
Sim, pela graça de Deus estarei.

À CONGREGAÇÃO
12. Os irmãos, membros da Igreja (...), reconhecem e publicamente
recebem _________ e ________ como presbíteros e como dádivas de
Deus à sua igreja para liderar-nos nos caminhos de Jesus Cristo?
Sim, reconhecemos e recebemos.

13. Os amarão e orarão por eles em seu ministério e cooperarão com


ele humilde e alegremente, a fim de que pela graça de Deus possam
cumprir a missão da igreja, dando a eles toda a honra devida e
apoiando-os em sua liderança para a qual Deus os tem chamado,
para a glória e honra de Deus?
Sim, o faremos.
NOTAS
1. D. A. Carson e Douglas J. Moo, “Introdução ao Novo Testamento”
(São Paulo, SP: Edições Vida Nova, 1997)

2. Entre os volumes disponíveis, o leitor interessado poderá


consultar: Michael Brown, ed. “Called to Serve: Essays for Elders and
Deacons” (Grandville, MI: Reformed Fellowship, 2007); Mark Dever,
“Refletindo a Glória de Deus: Elementos Básicos da Estrutura da
Igreja (São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2008); David Dickson
“The Elder and His Work” (Phillipsburg, NJ: P&R, 2004); Benjamin
J. Merkle, “40 Questions about Elders and Deacons (Grand Rapids,
MI, Kregel, 2008); Phil A. Newton, “Pastoreando a Igreja de Deus:
Redescobrindo o Modelo Bíblico de Presbitério na Igreja (São José
dos Campos, SP: Editora Fiel, 2007); Alexander Strauch, “Biblical
Eldership: An Urgent Call to Restore Biblical Church Leadership”
(Colorado Springs, CO,: Lewis & Roth, 1995); and Timothy Z.
Witmer, “The Sheppard Leader: Achieving Effective Shepherding in
Your Church (Philipsburg. NJ: P&R 2010)

3. Leitores interessados poderão encontrar a edição de Maio/Junho


2010 do “9Marks eJournal útil para se entender este aspecto da
função diaconal. O jornal pode ser obtido na
http://www.9Markc.Org/ejournal/deacons.

4. Dr. Martyn Loyd-Jones, “Victorious Christianity: Studies in the


Book of Acts, vol. 3 (Wheaton, Il: Crossway, 2003), 236, 237-38.

5. John Bunyan, “Pilgrim’s Progress in Modern English” (Lafayette,


IN: Sovereign Grace, 2000), 47.

6. Philip Graham Ryken, “1 Timothy, Reformed Exposition


Commentary” (Phillipsburg, NJ: P&R, 2007), 124.
7. George W. Knight III, “The Pastoral Epistles: A Commentary on
the Greek Text” (Grand Rapids, MI, Eerdmans, 1992), 170.

8. Ryken, “1 Timothy”, 128-29.

9. Para um ótimo tratamento deste tema, veja Witmer, “The


Shepherd Leader”, especialmente os capítulos 1-2. Veja também
Timothy S. Laniak, “Shepherds after My Own Heart: Pastoral
Traditions and Leadership in the Bible (Downers Grove, IL:
Intervarsity, 2006).

10. Visto que a Bíblia usa estes três termos como sinônimos,
também nós os usamos nas seções que se seguem.

11. Para uma excelente defesa e exposição bíblica sobre autoridade e


amor, veja Jonathan Leeman, “A Igreja e a Surpreendente Ofensa do
Amor de Deus: Reintroduzindo as Doutrinas sobre a Membresia e a
Disciplina da Igreja” (São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2014). ,
especialmente os capítulos 3 e 7. Veja ademais, Alexander Strauch,
“Leading with Love” (Littleton, CO: Lewis & Roth, 2006.

12. Lemuel Haynes, “The Character and Work of a Spiritual


Watchman,” em “Faithful Preacher: Recapturing the Vision of Three
Pioneering African-American Pastors” ed. Thabiti M. Anyabwile
(Wheaton, IL: Crossway, 2007), 29.

13. Para um excelente exame de ambição piedosa, veja Dave Harvey,


“Resgatando a Ambição” (São José dos Campos, SP: Editora Fiel,
2012)

14. Charles Bridges, “The Christian Ministry: With an Inquiry into


the Causes of its Inefficiency” (Edinburgh: Banner of Truth, 1997),
23.

15. William Still, “The Work of the Pastor” (Ross-shire: Christian


Focus, 2001), 15.
16. João Calvino, Pastorais (São José dos Campos, SP: Editora Fiel,
2009).

17. D. A. Carson, “The Role of the Elder,” palestra proferida na


Capitol Hill Baptist Church, Washington, DC, 3 de Maio de 1998. O
áudio pode ser baixado em
http://resources.christianity.com/mrki/19980503/80CDCCC9-C9-
43DC-BEDB-365CAF55BD36,aspx. Para uma leve transcrição da
palestra veja “Defining Elders” em
http://sites.silaspartners.com/partner/Article_Dusplay_page/O,PTID314526%CCHI

18. John MacArthur, “The MacArthur Study Bible” (Nashville, TN:


Word Bibles, 1997), Veja a nota em 1 Timóteo 3.2, p.1864.

19. Ryken, “1 Thimothy”, 111.

20. Para um estudo avançado, considere John Piper e Wayne


Grudem, eds. “Recovering Biblical Manhood and Womanhood: A
Response to Evangelical Feminism and Biblical Truth: An Analyses
of More than 100 Disputed Questions” (Sisters, OR: Multnomah,
2004); e uma gama de valiosos recursos disponíveis no “Council on
Biblical Manhood and Womanhood no http://www.cbmw.org; veja
também as palestras do Pr. John Piper no
www.ministeriofiel.com.br

21. Alexander Strauch, “A Christian Leader’s Guide to Leading with


Love (Littleton, CO: Lewis and Roth, 2006), 67.

22. Ibid. 99

23. João Calvino, “Romanos” (São José dos Campos, SP: Editora Fiel,
2013)

24. Dr. Martyn Lloyd-Jones, “Pregação e Pregadores” (São José dos


Campos, SP: Editora Fiel, 2008)

25. João Calvino, “Pastorais”


26. Veja Alfred Poirier, “The Peacemaking Pastor” (Grand Rapids,
MI: Baker, 2006).

27. Charles Edward White “Four Lessons on Money from One of the
World’s Richest Preachers,” Christian History 19 (Summer 1988):
24; citada em Randy Alcorn, “Money, Possessions and Eternity”
(Sisters, OR, Multnomah, ed. rev. 2003), 298-99.

28. Ryken, “1 Timothy”, 116

29. Enquanto Paulo levanta esta questão, especialmente sobre os


Presbíteros, seria prudente aplicá-la mais abrangentemente à igreja,
por estimular membros e novos convertidos a completar um
apropriado treinamento teológico e ministerial antes de envolvê-los
numa área particular de serviço, ou por encorajá-los a tomar os
primeiros 6 meses de sua membresia para focalizar, primariamente,
em aprender e edificar relacionamentos na igreja.

30. Calvino, “Pastorais”, 83,84.

31. Charles Haddon Spurgeon, “Lições aos meus alunos” (São Paulo,
SP: Editora PES).

32. Jonathan Edwards, “Memoirs of Jonathan Edwards,” AM., vol.1


“The Works of Jonathan Edwards (Peabody, MA: Hendrikson,
1998), lxiii.

33. Para uma discussão ajudadora destas tentações, veja Kent e


Barbara Huges, “Libertando o ministério da síndrome de sucesso”
(Rio de Janeiro, RJ: Editora Anno Domini, 2013).

34. Calvino, “Pastorais”.

35. Bob Kauflin, “Worship Matters: Leading Others to Encounter the


Greatness of God,” (Wheaton, IL: Crossway, 2008), 47.

36. Bridges, “The Christian Ministry”, 49.


37. Mark Dever, J. Ligon Duncan III, R. Albert Mohler Jr, e C. J.
Mahaney, “A Pregação da Cruz” (São Paulo, SP: Editora Cultura
Cristã, 2010)

38. Bridges, “The Christian Ministry”, 166.

39. Ibid. 137-38.

40. Lloyd-Jones, “Pregação e Pregadores”. – Ed. Fiel.

41. C. S. Lewis, “On the Reading of Old Books”, in “God in the Dock:
Essays on Theology and Ethics”, (Grand Rapids, MI: 1970), 200.
Sua igreja é saudável? O Ministério 9Marcas existe para equipar
líderes de igreja com uma visão bíblica e com recursos práticos a fim
de refletirem a glória de Deus às nações através de igrejas saudáveis.
Para alcançar tal objetivo, focamos em nove marcas que
demonstram a saúde de uma igreja, mas que são normalmente
ignoradas. Buscamos promover um entendimento bíblico sobre: (1)
Pregação Expositiva, (2) Teologia Bíblica, (3) Evangelho, (4)
Conversão, (5) Evangelismo, (6) Membresia de Igreja, (7) Disciplina
Eclesiástica, (8) Discipulado e (9) Liderança de Igreja.

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