Você está na página 1de 4

Ana Beatriz Alvez Vansolini - 20723361

Ana Isabel Amaral Maguilnik - 20665159


João Victor O. de M. Silva - 20690987
Analisar o Federalismo a brasileira da Primeira República, as instituições
estaduais (Receitas e Forças Públicas) de sustentação das oligarquias e o
coronelismo, como cultura política dominante.
Coronelismo
A proclamação da república em 1889 deveria representar a instauração
do governo pelo povo, mas foi marcado pelo governo de oligarquias regionais
representada pelos coronéis, principalmente de Minas Gerais e São Paulo, cujo
a economia era baseada sobretudo no café fazendo o Brasil um país
predominantemente agrícola.
Como resquício do Império a sociedade brasileira ficou caracterizada
como escravocrata, com grande parte da população analfabeta, sem o
sentimento de pátria brasileira, desigualdade entre coronel e os demais
habitantes, pouca participação pública na política acompanhada de eleições
fraudulentas que segundo Oliveira Viana o povo brasileiro não formou uma
tradição de fato democrática.
Um dos grandes obstáculos para o alcance da cidadania no Brasil e que
merece destaque é a escravidão, sendo um empecilho para formação de uma
verdadeira nação, pois separava a população restringindo uma participação
social e política como também na formação de grandes forças armadas.
Outra barreira para a cidadania era a grande propriedade rural, realidade
ainda presente no país, dominada por grandes proprietários em aliança entre
comerciantes urbanos que estruturavam a política dos coronéis.
A princípio o coronelismo era identificado como mandonismo local, como
citado por Eul-soo- Pang e Barbosa Lima no prefacio do livro Enxada e Voto. De
acordo com Victor Nunes o coronelismo deve ser visto como um sistema
complexo, a “Trama de coronéis” era um conceito que ligava municípios, estados
e união. Sendo fruto de uma estrutura econômica inadequada, por tornar o
trabalhador dependente das propriedades do coronel para sua sobrevivência,
estabelecendo nesse sentido características de mandonismo conferindo ao dono
de terra poder sobre a política local.
Por muitas vezes o coronel era visto como um benfeitor pelos
trabalhadores por ter jurisdição local e influência social, era ele capaz de prover
recursos quando necessário, como por exemplo, acesso a saúde além de
proteção e assistência tido como uma figura paternalista e heroica. Esses
formavam pequenos estados dentro do próprio estado federado, desta forma o
governo não interferia em suas terras.
Assim nas eleições era comum que os trabalhadores votassem no
candidato apoiado pelo seu coronel, “afinal este obedecia a orientação de quem
lhe tudo pagava. ” Dando origem as práticas fraudulentas, como o voto de
cabresto, e atuação dos cabalistas, capangas e fósforos, de forma que podia ser
fraudado no lançamento na apuração e até mesmo no reconhecimento dos
votos.
O direito político da população brasileira sofreu um grande retrocesso com
a reforma de 1881, em que a quantidade do eleitorado brasileiro foi
drasticamente reduzida. Com as novas leis exigia-se 200 mil reis (valor não
considerado alto) como, renda mínima para ser capaz de exercer seu voto, além
disso proibia-se o voto dos analfabetos, mulheres, escravos, soldados, membros
de ordens religiosas e tornava o voto facultativo. A proclamação da república em
1889 não obteve mudança notória, o que deveria representar uma maior
participação popular na política não ocorreu, uma vez que apenas eliminou-se a
exigência da renda de 200 mil reis. O presidente dos Estados e prefeitos
começaram a ser eleitos pela população, a ideia era aproximar o povo do
governo, entretanto o que ocorreu foi a aproximação apenas das elites gerando
a formação de oligarquias estaduais.
De acordo com as eleições da época, havia sempre um fator pessoal, ou
seja, desde a promessa de empregos públicos até a obtenção de pequenos
objetos, como troca de favores as vezes contrariando a lei. Essa estrutura
favorece amigos, o que de acordo com Victor Nunes seria o que ele chama de
“favoritismo”, que desorganiza a administração pública. Neste sentido o
coronelismo se trata de um sistema com a presença não só do mandonismo
local, mas também com influência do coronel na decisão de cargos públicos.
Dentro desse sistema os direitos civis só existiam na lei, e era comum a
pratica do “filhotismo” e a troca de privilégios, com frases famosas na época,
como, “Para os amigos tudo, para os inimigos nada”. Uma vez que imperava a
lei do coronel.
Para o chefe local, o que tem maior importância é a vitória política a
qualquer custo, por isso precisa do apoio dos coronéis, e se submetem a
negociações e barganhas em um sistema de reciprocidade. Esse ciclo ocorre
inclusive em esferas superiores, ou seja, desde prefeitos, governadores até
presidentes.
Um responsável por essa influência e que mantém o coronelismo nos
governos é a fraqueza financeira dos municípios, e muitas vezes o coronel utiliza
ameaça e violência para garantir a eleição para sua facção, por vezes sendo a
corrente local com menos aceitação popular. “Para os amigos pão, para os
inimigos pau”, um pensamento comum dos chefes locais da época que
simbolizava a hostilidade nas eleições.

Conclusão

Críticas ao Coronelismo e as instituições políticas brasileiras.

SELF-GOVERNMENT

1890 – 1930 Política dos Coronéis

Cap 1 – José Murilo

Negros libertos, porém, sem a mínima condição de se manter, e se


submetem a trabalhos com baixo salário.
Mudança viria com urbanização
Referência Bibliográfica

 CARVALHO, Jose Murilo de. Cidadania no Brasil. Rio de Janeiro:


Civilização Brasileira, 2010, Cap. II
 VIANA, Oliveira. Instituições políticas brasileiras. Brasília: Conselho
Editorial do Senado Federal, 1999.
 LEAL, Vitor Nunes. Coronelismo, Enxada e Voto. CIA das letras, (Cap.
1 e Cap. 2)