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Filosofia

terça-feira, de abril de 2009


Ceticismo e Trilema de Münchhausen

Tópicos:

1. Continuação
2. O Trilema de Münchhausen
3. Regressão infinita (regresso ad infinitum)
4. Parada dogmática
5. Petição de princípio (petitio principii)

Continuação

Relembrando o ceticismo: o ceticismo é a doutrina que


prega a impossibilidade de se chegar a um conhecimento teórico.
Ele não pode ser, entretanto, confundido com a idéia de negar
absolutamente todo o conhecimento; isso é um erro. Quem
promoveu essa crítica aos céticos foi Aristóteles, no livro III da
Metafísica, atribuindo a eles, em outras palavras, a afirmação de
que o conhecimento é impossível. Daí Aristóteles desenvolve uma
réplica. Se todo o conhecimento é impossível, ao menos um é
possível. Qual? De que o conhecimento é impossível. Daí os céticos
entrariam em contradição. Essa afirmação nunca passou pelo
pensamento dos céticos, e veremos porque depois. Apesar de os
céticos negarem o conhecimento teórico, eles não negam o
conhecimento comum.

De qualquer modo, os céticos, com isso, opõem toda a


forma de conhecimento dogmático ao zetético. Eles se
autodenominam zetéticos: vem de dzetein, que quer dizer
perscrutar, inquirir, analisar. Para o cético, deve-se questionar
sempre. Não se pode admitir um conhecimento baseado numa
formulação absoluta de verdades, que se funde em dogmas. O
interessante é que os céticos questionaram a existência de uma
verdade absoluta.

Estudamos em Introdução ao Estudo do Direito o termo


zetética. A zetética do Direito não é o ceticismo. Por quê? Porque
segundo os céticos, todo dogmático busca um critério, no qual o
método se baseará. Quando estudamos a teoria, vimos que um de
seus aspectos é o método, e para se ter um, temos que ter
um critério, que estabeleça a possibilidade de saber, por exemplo,
o que é ciência e o que não é ciência. Dentro da esfera moral, esse
critério seria usado para se estabelecer o que é moral e imoral. Na
esfera jurídica: o que é legal e o que é ilegal. Então, o que vem a ser
um critério, afinal? Um enunciado lógico que possibilita uma
decisão lógica. Não é uma decisão de valores, mas simplesmente
uma decisão lógica entre estabelecer o que é válido e o que é
inválido, certo e errado, justo e injusto. É para satisfazer uma
decisão.

O ponto interessante é: se é um critério, vamos relembrar


o método: o critério é regional ou universal? Universal. E se é
critério, ele tem que valer para todos os enunciados que ele
determina, lembrando que a noção de universalidade é que dado
elemento é universal para um determinado conjunto de objetos.
Exemplo: o princípio da legalidade penal, que consta no inciso
XXXIX do art. 5º da Constituição do Brasil. Esse princípio é um
critério? Sim, pois é um enunciado logicamente formulado que
estabelece uma possibilidade de decisão entre tudo o que se pode
determinar em relação à pena e o que não pode. Não vale para áreas
que estão fora da pena, ainda assim não deixa de ser uma
universalidade.

O critério é equivoco ou unívoco? Unívoco, claro. Não


pode ter mais um significado possível, pois a conseqüência lógica é
que não haverá universalidade. Mas o problema mesmo é que
teríamos várias possibilidades de interpretação desse critério, e por
isso ele perderia sua validade como critério. O critério da reserva
legal penal pode ser interpretado de outro modo? Não. O princípio
do devido processo legal tem múltiplas interpretações? Também é
lógico que não: ele determina que a todos é conferido o direito ao
devido processo legal, e o princípio só pode ser ou observado, ou
violado.
Na verdade o princípio do devido processo legal é um
conjunto de três princípios: princípio do contraditório, princípio da
ampla defesa, e princípio da paridade de armas. Subjacente a este
último está o princípio da isonomia. Todos esses princípios são
critérios, certo? Sim, e eles têm que ser unívocos. O princípio do
devido processo legal não vale fora do processo, mas ainda assim é
universal. Essa é noção de critério.

Então, o que os céticos criticam? A possibilidade de existir


um critério. Eles não negam qualquer conhecimento, mas o
conhecimento que se baseia em um critério. Se um cético clássico
vivesse hoje, ele criticaria a noção zetética do Direito, pois o Direito
admite, em alguns pontos, algumas verdades inquestionáveis,
critérios, pois.

Descartes: usa o modelo dos céticos (a dúvida


sistemática) para chegar a uma idéia clara e distinta, a uma verdade
absoluta, estabelecendo, no fim de seu raciocínio, um critério. Não
é cético até a última instância porque no final ele chegará à sua
máxima: cogito, ergo sum, o que é um dogma.

No Direito, não usamos o termo “critério” para nos


referirmos aos princípios. Aqui estamos fazendo apenas uma
identificação entre as duas palavras. Uma teoria elegante não deve
ter muitos princípios. Quanto menos, mais sustentável e defensável
logicamente ela ficará. Em Direito, como há tantos princípios, a
própria noção de princípio não é muito própria por causa das
inevitáveis colisões entre eles, o que leva à necessidade de se fazer
o sopesamento deles de acordo com o caso concreto. Isso, a rigor,
descaracterizaria os princípios do Direito como princípios. Por isso
que a teoria de Aristóteles, que é bem sólida, tem apenas um
princípio fundamental: o princípio da não-contradição, que se
divide em outros três, mas que são derivações deste, que é o
fundamental.

Nesse caso, zetética significa inquirir e levantar todos os


aspectos. O ceticismo sempre questionará. Ele questiona a
possibilidade de existir um critério que sustente um método, pois
se houver método, haverá critério. O método é o constructo que fará
a aplicação do critério. Dado que existe, mesmo para os zetéticos do
Direito, um método do Direito, então eles estão admitindo um
princípio, que é um critério válido para determinar o que é e o que
não é Direito. Ou seja, para todo método existe um critério, logo
esse modelo não pode ser zetético no sentido dos céticos, porque os
céticos não aceitam métodos.

O Trilema de Münchhausen

Como, segundo o cético, se estabelece uma crítica à


possibilidade de um critério validará um método? Para isso, há o
Trilema de Münchhausen. Ele foi usado pelos céticos para negar a
possibilidade, em todos os sentidos, de haver critério para qualquer
que seja a coisa. Qualquer que seja o critério, ele deverá
necessariamente passar por um dos três crivos a seguir:

1. Regressão ad infinitum;
2. Parada dogmática;
3. Petição de princípio.

Sustentam os céticos que nenhuma construção teórica


consegue se livrar desse Trilema.

Karl Popper, grande teórico da ciência contemporânea,


numa obra denominada “a Lógica da Pesquisa Cientifica”, analisa
o Trilema. O próprio nome do Trilema de Münchhausen é dado por
Popper.

À época em que surgem os médicos que se


autodenominam empíricos, eles questionam toda a tese de
medicina baseada em modelos, que, no fim, são baseadas em
critérios. Os dois grandes teóricos da medicina da época são
Hipócrates e Galeno. Este é famoso pelo... teste de Galeno! Este
teste e as propostas de Hipócrates eram baseadas naquilo que os
céticos chamaram de dogma. Um deles era: a natureza de cada
corpo tem quatro elementos. O que é saúde, para eles? Equilíbrio
dos quatro elementos, enquanto a doença é o desequilíbrio. Febre,
por exemplo, é excesso de fogo no organismo, e falta de água.
Vomitar bílis era entendido como desequilíbrio do elemento terra.
Em outras palavras, para eles, há um conhecimento baseado num
conjunto de princípios não provados, não questionados, que
sustentam toda a construção de um método. Mas para o cético isso
tem um limite, pois nem todo modelo se ajusta ao indivíduo. Eles
não negam que se criará um belo modelo, mas dizem, no final das
contas, que a medicina é procedimental. A medicina atual tem uma
base forte em cima disso. Outro problema por eles levantados é a
existência de princípios que nunca foram verificados.

A medicina de hoje tem dois pilares: o dogmático de


Hipócrates-Galeno e o empírico, em que conclusões são chegadas a
partir de observações. Neste caso, os céticos se denominam
empíricos. Negam qualquer coisa que requeira critério.

Estabelecidas essas questões, vamos agora ver os


elementos do Trilema de Münchhausen e sua crítica.

Regressão infinita (regresso ad infinitum)

Usada em várias teses de teorias da ciência, do


conhecimento, da moral, etc.; mas vamos aplicá-la agora
exatamente nas teses do Direito, para dar uma consolidação de uma
teoria geral, já que nosso conhecimento é todo espaçado, e sua
unidade às vezes foge. Vejamos então.

Digamos que temos uma decisão de um juiz. Considere,


por simplicidade, que essa é uma decisão terminativa, que põe fim
ao processo. Toda decisão que ele estabelece no fim do processo,
pelo menos naquela instância, visa a o que? À pacificação da lide. É
inclusive esse o fim do Direito. Para usar a noção de critério, vamos
admitir que a decisão seja um critério para dizer o Direito, e para
dizer quem está sobre a lei e quem está fora dela. A jurisdição,
então, cabe na definição de critério, que é um enunciado lógico que
determina uma decisão. Neste caso próprio do Direito, esse critério
determina a decisão entre o que é direito e o que não é direito, ou
seja, o que está conforme a lei e o que não está.

A decisão deve ser unívoca, certo? Não pode conter


dúvidas, mesmo que se possa questioná-la. Por isso ela tem que ser
fundamentada. A decisão é universal porque vale para aquele caso
em todos os sentidos. Ela é singular, mas vale para o caso na
inteireza. Basta que consigamos enxergar o universo de uma lide; a
decisão, portanto, valerá para todo esse universo.

Sobre isso, o que dirá o cético? Ele é o filósofo chato. Ele


dirá "Ok, e daí? Você me disse que a decisão é um critério". E
continua: “dado que ela é um critério de legitimidade, ela legitima
a solução da lide, mas a própria decisão do juiz se auto-legitima?
Ela é seu próprio fator e critério e legitimidade?” O cético está
usando o princípio da não-contradição de Aristóteles contra o
próprio Aristóteles. Um ente não pode ser e não ser ao mesmo
tempo sob as mesmas condições. Se dizemos, então, que a decisão
é um critério de legitimidade para decidir a lide, a decisão pode ser
um critério para a sua própria legitimidade? Não, pois aí teríamos
uma contradição. Qual seria o problema? A geração de
arbitrariedade geral, o que tornaria o juiz a lei personificada,
afrontando a doutrina da separação dos poderes de Montesquieu.
O juiz diz do Direito, mas não é o resumo do próprio Direito. Neste
caso, é óbvia a conseqüência. Por isso os ordenamentos dos Estados
Democráticos de Direito proíbem a condição de o juiz ser sua
própria legitimidade. As conseqüências jurídicas e políticas disso
seriam terríveis.

Então, a legitimidade da decisão não vem da própria


decisão do juiz instituído, investido daquele cargo. De onde vem,
então? Da lei. A lei deve limitar a discricionariedade do juiz. Mas
que lei? A lei ordinária ¹. Logo, é a lei, em sentido material e formal,
que legitima a decisão. Aqui os céticos dizem: a decisão que
pacificou a lide está baseada na lei. Ninguém discorda que a lide
tem que ser pacificada, seja formalmente através do juiz ou do
árbitro. Temos, portanto, que ter a lei. E esta lei, por sua vez, é
critério para sua própria legitimidade? Não, pois não contém a
universalidade, mesmo que seja universal para aquele âmbito da
lide. Em outras palavras, não podemos dispor da lei como critério
de validade total para resolver todos os problemas; ela não é critério
de si mesma. Os princípios penais, dispostos no início do Código
Penal, não são sua própria fundamentação. Se o Código validasse a
si mesmo, a unidade do ordenamento jurídico seria perdida.

Então, de onde a lei tira seu critério de validade? Da


Constituição! A Constituição é o critério que estrutura nosso
ordenamento jurídico porque contêm todos os princípios
fundamentais. Nela está o princípio da legalidade, da isonomia, do
devido processo legal, todos os princípios materiais fundamentais,
os direitos fundamentais, os princípios que determinam as funções
de todos os poderes... tanto que uma parte desses princípios estão
consagrados sob a condição de cláusulas pétreas. São verdades para
nosso ordenamento. Eles podem ser até tocados, mas os princípios
só podem ser de fato mexidos se tivermos uma nova Constituição.
Neste caso, veja que interessante: se só se podem alterar
os princípios com uma nova Constituição, estamos
automaticamente dizendo que a Constituição é critério para tudo
que tem à frente: lei, arbítrio judicial, decisão que pacifica a lide.
Mas a Constituição não pode ser seu próprio critério, ou ela jamais
poderia ser alterada. Se assim fosse, isso seria outra afronta ao
princípio da não-contradição de Aristóteles. Então, a Constituição
vai tirar seu fundamento do Poder Constituinte Originário. Ele é o
criador da Constituição, a fonte de legitimidade dela própria.

E o Poder Constituinte Originário, por sua vez? Ele é seu


próprio legitimador? Não, ou haveria mais que arbitrariedade, mas
tirania total. É o que Luis XIV dizia: “o Estado sou eu”. Nosso
sistema, que é um Estado de Direito, não permite a tirania. A lei
vale até sobre o próprio Estado. Assim, de onde o Poder
Constituinte Originário tira sua legitimidade? Do povo, que,
através do voto, constituiu os representantes, que por sua vez se
reuniram em assembléia constituinte! “Então,” – dirá o cético – “é
o povo aquele que legitima o Poder Constituinte através de seu
voto.” ²

“Vamos considerar Rousseau” – continua o cético – “ele,


com a idéia de democracia direta, diz que o povo é o legitimador,
que detém a vontade geral. No final das contas, é o povo que, pela
vontade geral, institui o poder constituinte para a construção da
democracia.” – Daí tanto Rousseau quanto os federalistas
americanos da época dizem que é o povo quem legitima qualquer
poder constituinte. – “Mas o povo pode ser seu próprio critério de
legitimidade?” – Observem: a democracia é o governo da maioria,
no entanto, se o povo fosse seu próprio legitimador, ele poderia
acabar com a democracia no momento em que o povo impõe à
minoria a obrigação de aceitar a decisão, daí estaria formada uma
tirania da maioria. Na democracia, a oposição, mesmo sendo
minoria, ainda deve ter voz, ou a democracia perderia sua razão de
ser, pois um dos elementos básicos, que é o debate, deixaria de
existir. Daí, dado que o povo é um conjunto de indivíduos, de onde
ele, de acordo com Rousseau ou com os federalistas americanos,
tira sua legitimidade? Tomemos os federalistas: para eles, não é o
povo em si que é legítimo por excelência, mas uma condição
inerente ao homem, ao indivíduo, presa a ele; são valores
fundamentais: vida, liberdade e propriedade. Esses valores têm que
ser tais que nem mesmo o povo, do qual o indivíduo faz parte, pode
tirar. Por isso são chamados valores inalienáveis, inconfiscáveis e
irrevogáveis.

Então, esses são os valores verdadeiros que nem o povo


pode remover: são preceitos do Direito Natural! Para Rousseau,
esse Direito seria o de liberdade na igualdade, para proporcionar a
condição de realizar tudo que vem para frente. É portanto uma
condição do homem que é impossível de ser minorada. Para
Rousseau, acaba aqui, e chega-se à verdade absoluta. Tais valores
não podem ser violados. A doutrina que fundamenta os direitos
naturais é o jusnaturalismo; o jusnaturalismo é, portanto, o critério
legitimador dos valores individuais referidos pelo Direito Natural.

Daí surgem novamente os céticos, com sua pergunta de


sempre: “quem te garante que o direito natural é tal e qual, ou que
liberdade para um indivíduo é igual a liberdade para outro; ou
então, porque ninguém poderia abrir mão da própria liberdade em
troca de uma condição satisfatória de vida, deixando que alguém,
talvez um governante, tome decisões por ele, garantindo-o que ele
viveria muito bem? Quem garante, no final das contas, que esses
direitos existem mesmo na natureza humana?” É aqui que entra o
Cristianismo, com uma saída para essa crítica: Deus.

Vamos segurar o raciocínio nesta etapa de transição do


Direito natural para o Cristianismo.

Parada dogmática

Os teóricos não aceitam a regressão ad infinitum, então


eles estabelecem um ponto de dogma que não se questiona. O
ceticismo vai dizer: que validade terá esse critério? Estabeleceram-
se direitos naturais, mas não se provou a existência ou a validade
deles. A parada dogmática incidiria em qualquer uma das etapas
acima. O jusnaturalismo cristão colocaria a parada em Deus, o
jusnaturalismo não-cristão, exemplificado por Rousseau, colocaria
a parada no Direito Natural, enquanto o juspositivismo do século
XIX colocaria sua parada na própria Constituição. Para os
juspositivistas, não há nada antes da própria lei que a fundamente.
Ela tem força por sua própria positividade. Ela vale porque é
justamente estabelecida para resolver as lides, e não interessa o que
a firmou ou seus antecedentes. Para analistas da atual Constituição
brasileira, por outro lado, a parada dogmática talvez seja colocada
no Poder Constituinte Originário, que foi o ente que, sem
limitações, estabeleceu todos os preceitos constitucionais, daí não
lhes interessa saber o que veio antes deles.

Podemos ter até um juspositivismo


trancedentalista nessa cadeia, como o de Kelsen, que diz que todo
ordenamento, que é empírico e histórico, tira sua fundamentação
da norma hipotética fundamental, que é a norma que estabelece
toda forma de fundamento.

O ceticismo vai dizer que a única forma de fundamentar


um critério é recorrer a um critério anterior que o fundamente.

Petição de princípio (petitio principii)

É a terceira possibilidade. É um sofisma, que não é


admitido por nenhum teórico por uma falácia lógica: o círculo
vicioso. Como a genial propaganda do biscoito Tostines, que fica na
mente de todos: “Tostines vende mais porque é fresquinho ou é
fresquinho porque vende mais?” Esse círculo vicioso nada prova. A
“prova” seria uma repetição retoricamente diferente daquilo que já
está dado nas premissas.

Vamos retomar a regressão interrompida acima, e


complementar com a noção de petição de princípio. Um cristão
dirá: Deus é o fundamento de tudo, o que inclui tais valores
humanos pregados pelo jusnaturalismo. O cético vai perguntar
quem disse que Deus existe e quem disse que ele é a validade para
tudo. Alguns responderão que a resposta está nas Escrituras,
portanto é a Bíblia que diz que Deus existe, que Deus criou o
homem. “Mas quem disse que a Bíblia é critério para algo”, vai
perguntar o cético. Foi Deus! Paulo, escrevendo para Timóteo, na
passagem 3-16: ² “toda escritura é divinamente inspirada...” Daí, a
legitimidade da Bíblia está em Deus. Formou-se, portanto, um
círculo vicioso: a legitimidade da Bíblia está em Deus, que tem sua
legitimidade na Bíblia.

Essa foi a última das possibilidades na qual uma teoria,


que contém um método, pode desaguar, de acordo com o Trilema
de Münchhausen.
Vamos fechar isso na aula que vem. Veremos também
como deve ser um modelo político de acordo com os céticos.

1. Mesmo que exista o disposto no art. 4º da Lei


de Introdução ao Código Civil: quando a lei for
omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a
analogia, os costumes e os princípios gerais de
direito.
2. Nesta hora houve o começo da menção a
Rousseau, mas não creio que a brecha tenha
maculado sensivelmente a seqüência.
3. II Timóteo 3