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ANTHROPOLOGIES DE

DESEMPREGO
Novas PERSPETIVAS SOBRE O TRABALHO E ITS ABSENCE
EDITADO POR Jong BUM Kwon e Carrie M. Lane
ANTHROPOLOGIES
DE DESEMPREGO
ANTHROPOLOGIES
DE < data >
DESEMPREGO
Novas perspetivas sobre o
trabalho e a sua ausência

Editado por Jong BUM Kwon e


Carrie M. Lane

ILR: PRENSA DE IMPRESSÃO DE


UNIVERSIDADE DE CORNELL ITHACA E LONDRES
Direito de autor © 2016 por Cornell University

Todos os direitos reservados. Exceto para citações breves numa revisão, o


presente livro, ou partes do mesmo, não pode ser reproduzido sem autorização
escrita do editor sob qualquer forma. Para informação, dirigir-se à imprensa da
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Publicado pela primeira vez por Cornell University Press, em primeiro lugar, na
imprensa, Cornell Papel, 2016 Estimados nos Estados Unidos da América

Biblioteca do Congresso para a publicação de dados de publicações


Nomes: Kwon, Jong BUM, 1971- editor. Lane, Carrie M., 1974-editor. Contentor
de (trabalho): Faixa, Carrie M., 1974- Limites de liminalidade.
Título: Anthropologias de desemprego: novas perspetivas sobre o trabalho e a sua
ausência/editado por Jong BUM Kwon e Carrie M. Lane.
Descrição: Ithaca: Cornell University Press, 2016. Inclui referências
bibliográficas e índices.
Identificadores: LCCN 2016016169 ISBN 9781501704659 (tecido: papel alk.)
ISBN 9781501704666 (PBK.)
Temas: LCSH: Aspetos indesejáveis no domínio social. Condições sociais
independentes. Antropologia.
Classificação: LCC HC5708. A58 2016 DDC 331.13/7 — dc23 LC, disponível
em https: //lccn.loc.gov/2016016169
https://lccn.loc.gov/2016016169
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Impressão em papel 10 9 8 7 6 5 3 2 4 1

Conceção da cobertura: Scott Levine.


Este livro destina-se a todas as pessoas envolvidas no trabalho
diário de produção de significado, comunidade, segurança e
meios de subsistência.
DESEMPREGO 1
INTRODUÇÃO 1

A Grande Recessão Global 3

Significados de trabalho, emprego e desemprego 6

Neoliberalismo, falta de segurança e desemprego 8

Organização do livro 12

LIMITES DE LIMITAÇÃO 19

Normalização e alteração do emprego 21

Rise of the Protean Career 25

Criação de uma cultura de desemprego 28

A dissociação do trabalho e das remunerações 31

Conclusões 34

LIMITES AO PENSAMENTO QUANTITATIVO 37

Teoria da pesquisa de postos de trabalho 39

Capital humano e desemprego 45

Raça, discriminação e desemprego 50

Uma tomada de posição mais heterodox 53

PROFISSÃO 58

Organismos descartáveis na Coreia do Sul neoliberal 61

Organismos industriais 64

Chongdun ilt « Occupation» 66

vii
Partes desmontadas 69

Órgãos de base responsável 72

Conclusão 75

O AUMENTO DO NÍVEL PRECÁRIO? 77

Libertação do solo, galite...Solidariedade:Solidariedade na História e o


Pensamento da França 79

Uma «Etnografia do desemprego dos jovens» 81

Tumultos, Protests e Perception of railing Solidarity 92

Galere:Rumo a uma comunidade coletiva? 95

Conclusão: Problem de Naming 104

CONTESTAÇÃO DO DESEMPREGO 106

Argentina desde o pleno emprego ao desemprego 110

A experiência de pessoas desempregadas 113

Cirujeo e Shame 114

Previsibilidade e estabilidade no desemprego 123

Algumas palavras finais 126

ZONAS DE VISIBILIDADE/VISIBILIDADE 128

Experiências diferenciais de precariedade económica na Carolina do Sul 130

Zonas de comércio externo, agências de pessoal e recrutamento industrial 134

Aumentar a mercantilização do desemprego rural e do trabalho institucional 143

Conclusão 145

viii
DESEMPREGO DOS JOVENS, PROGRESSOS E VERGONHA NA ETIÓPIA
URBANA 146

Yilunnnta, Ocupacional Status, e Relações Sociais 148

Educação e Expectativas 152

Progressos e relações sociais 156

Utilização do espaço para alcançar os progressos nas relações 160

Conclusão 165

TRABALHO EM MOVIMENTO 167

Capitalismo contemporâneo: Acumulação flexível, globalização, redes sociais e


migração 169

Trabalho precário e migração mexicana 172

Trabalho precário no domicílio e nos Estados Unidos 174

Quem faz o regresso e por que razão? 175

Kkinship in Mazatecochco e New Jersey 179

Conclusão: Trabalho e falta de trabalho num contexto mais vasto 182

UMA REFLEXÃO POSITIVA SOBRE O ABANDONO DO TRABALHO NA


CALIFÓRNIA DO SUL APÓS A GRANDE RECESSÃO 185

Encontrar os desempregados 189

Trabalho a uma altitude positiva: Conceito positivo como a disciplina Emotional


192

Proteger o produto: Conceito positivo como «Self-Care» 195

Grupo Cristão e Nova Idade Positivo: 198

Uma Deus e uma variedade abundante 198

ix
Todos os valores não são positivos 200

Quem é??????????????????? 202

Implicações de O pensamento positivo 205

COOPERATIVA DE DESEMPREGADOS 206

Ajuda: Desenvolvimento, Cooperação e o problema do desemprego 210

Criadores de emprego e empregos para o emprego 213

O fato de direito 221

Conclusões 225

REPENSAR O VALOR DO TRABALHO E O DESEMPREGO 228

Introdução: Swan Song para trabalho não remunerado 228

Mudança económica e mudança de pontos de trabalho 231

Trabalho e Relações Sociais 236

Perspetivas do ciclo de vida 239

Conclusão: Uma Antropologia do desemprego 244

Joh Fisher

x
Conteúdo

DESEMPREGO 1
INTRODUÇÃO 1

A Grande Recessão Global 3

Significados de trabalho, emprego e desemprego 6

Neoliberalismo, falta de segurança e desemprego 8

Organização do livro 12

LIMITES DE LIMITAÇÃO 19

Normalização e alteração do emprego 21

Rise of the Protean Career 25

Criação de uma cultura de desemprego 28

A dissociação do trabalho e das remunerações 31

Conclusões 34

LIMITES AO PENSAMENTO QUANTITATIVO 37

Teoria da pesquisa de postos de trabalho 39

Capital humano e desemprego 45

Raça, discriminação e desemprego 50

Uma tomada de posição mais heterodox 53

PROFISSÃO 58

Organismos descartáveis na Coreia do Sul neoliberal 61

Organismos industriais 64
Chongdun ilt « Occupation» 66

Partes desmontadas 69

Órgãos de base responsável 72

Conclusão 75

O AUMENTO DO NÍVEL PRECÁRIO? 77

Libertação do solo, galite...Solidariedade:Solidariedade na História e o


Pensamento da França 79

Uma «Etnografia do desemprego dos jovens» 81

Tumultos, Protests e Perception of railing Solidarity 92

Galere:Rumo a uma comunidade coletiva? 95

Conclusão: Problem de Naming 104

CONTESTAÇÃO DO DESEMPREGO 106

Argentina desde o pleno emprego ao desemprego 110

A experiência de pessoas desempregadas 113

Cirujeo e Shame 114

Previsibilidade e estabilidade no desemprego 123

Algumas palavras finais 126

ZONAS DE VISIBILIDADE/VISIBILIDADE 128

Experiências diferenciais de precariedade económica na Carolina do Sul 130

Zonas de comércio externo, agências de pessoal e recrutamento industrial 134

Aumentar a mercantilização do desemprego rural e do trabalho institucional 143


Conclusão 145

DESEMPREGO DOS JOVENS, PROGRESSOS E VERGONHA NA ETIÓPIA


URBANA 146

Yilunnnta, Ocupacional Status, e Relações Sociais 148

Educação e Expectativas 152

Progressos e relações sociais 156

Utilização do espaço para alcançar os progressos nas relações 160

Conclusão 165

TRABALHO EM MOVIMENTO 167

Capitalismo contemporâneo: Acumulação flexível, globalização, redes sociais e


migração 169

Trabalho precário e migração mexicana 172

Trabalho precário no domicílio e nos Estados Unidos 174

Quem faz o regresso e por que razão? 175

Kkinship in Mazatecochco e New Jersey 179

Conclusão: Trabalho e falta de trabalho num contexto mais vasto 182

UMA REFLEXÃO POSITIVA SOBRE O ABANDONO DO TRABALHO NA


CALIFÓRNIA DO SUL APÓS A GRANDE RECESSÃO 185

Encontrar os desempregados 189

Trabalho a uma altitude positiva: Conceito positivo como a disciplina Emotional


192

Proteger o produto: Conceito positivo como «Self-Care» 195

Grupo Cristão e Nova Idade Positivo: 198


Uma Deus e uma variedade abundante 198

Todos os valores não são positivos 200

Quem é??????????????????? 202

Implicações de O pensamento positivo 205

COOPERATIVA DE DESEMPREGADOS 206

Ajuda: Desenvolvimento, Cooperação e o problema do desemprego 210

Criadores de emprego e empregos para o emprego 213

O fato de direito 221

Conclusões 225

REPENSAR O VALOR DO TRABALHO E O DESEMPREGO 228

Introdução: Swan Song para trabalho não remunerado 228

Mudança económica e mudança de pontos de trabalho 231

Trabalho e Relações Sociais 236

Perspetivas do ciclo de vida 239

Conclusão: Uma Antropologia do desemprego 244


Agradecimentos

Este volume existe porque inúmeras pessoas em mais de meia dúzia de países
concordaram em partilhar os seus pensamentos e histórias com os antropologistas
que nele trabalham. Essas pessoas são os protagonistas deste livro e são elas quem o
determinam, independentemente do seu coração e da sua importação. Agradecemos
a sua confiança e a sua confiança. Esperamos ter vivido a tarefa de representar as
suas perspetivas e experiências tão rigorosamente quanto possível nestas páginas.
Os editores gostariam também de agradecer aos nossos maravilhosos
colaboradores, cuja criatividade e colegialidade fizeram com que este projeto se
tornasse um prazer. Este livro é o resultado de muitas conversas e refeições
partilhadas, tendo sido uma alegria conhecer todos, na qualidade de académicos e de
pessoas, ao longo deste longo processo. Agradecemos à Sociedade Antropologia do
Trabalho de patrocínio da conferência da Associação «Antropológica» americana
em que se baseia este volume. Agradece igualmente aos membros do painel e aos
membros do painel, bem como aos membros das suas audiências cujas
contribuições foram realizadas e inspiradas por nós, a compilar este volume.
A FRAN Benson prestou apoio e incentivo a partir do primeiro momento em
que manifestámos a nossa intenção de reunir este volume. Agradecemos a V. Ex.ª e
às equipas editoriais e de design de Cornell University Press, bem como um
avaliador anónimo, que ajudava os pastores a publicar o presente original.
Os editores agradeceram à nossa universidade (universies-Webster University
and California State University), Fullerton-pela concessão de subvenções e outros
recursos que ajudaram a sup porto durante a preparação deste volume. Agradecemos
igualmente aos muitos colegas e amigos que nos encorajamos a continuar a
abordarmos cada uma das fases deste processo. Graças, em especial, ao Caitrin
Lynch, pelo seu excelente parecer sobre o nosso capítulo introdutório. A Carrie
Lane gostaria de agradecer a Matt Sterling pelo facto de lhe recordar que a vida é
muito maior do que o trabalho, e de Frank Sterling, por ter tido realmente grandes
lacunas que lhe permitiram trabalhar neste volume. Jong BUM gostaria de
agradecer à Elaine Chan pela sua boa-fé. Gostaria também de expressar o seu
agradecimento ao Dr. Laurel Kendall, que orientou fortemente o seu trabalho, e ao
seu mentor Dr. Owen Lynch, cujos cuidados eram inestimáveis para se tornar um
antropologista de trabalho.

ix
ANTHROPOLOGIES DE
DESEMPREGO
INTRODUÇÃO
Jong BUM Kwon e Carrie M. Lane

Na banda desenhada de Jimas Margults, que correu no discurso de Jimas, em 2014,


que funcionou nos jornais dos EUA, vemos um homem de cor branca, de meia-
idade, que se encontra abaixo de uma versão revista do logótipo americano Idol,
que foi revisto para ler o «estado inativo americano», anunciando que os benefícios
em termos de desemprego não serão prorrogados para os trabalhadores dos EUA, o
homem, cuja camisola o identifica como representante dos «desempregados de
longa duração», afirma que «Temos uma mensagem simples, se humorística, sobre
a difícil situação dos desempregados americanos, cuja situação parece pouco
provável de melhorar em breve. Em relação a outros níveis, o filme de banda
desenhada é muito mais a ponderar.
Por exemplo, o que devemos fazer da escolha de representar os desempregados
de longa duração como macho branco numa camisola branca, tradicionalmente
associada a profissões da classe média?Se a imagem representada fosse uma mulher
branca, por exemplo, a mensagem de banda desenhada seria reformulada por
pressupostos de longa data sobre o papel adequado das mulheres brancas em relação
ao emprego remunerado nos Estados Unidos. Alguns poderão fazer comentários
sexistas sobre a incapacidade das mulheres para se manterem a nível da força de
trabalho; outros poderão celebrar o carro para chamar a atenção para a difícil
situação das mulheres desempregadas.
Alternadamente, a menção da expressão «inativo americano» numa imagem de
um macho africano poderia ser entendida como sendo incendiária à luz dos
estereótipos «pejora» da ética de trabalho e da empregabilidade dos homens da
América Latina. No entanto, esta versão seria provavelmente mais precisa, uma vez

1
2 INTRODUÇÃO

que os homens africanos não só têm sido historicamente marginalizados do


emprego, mas também continuam a

FIGURA 1.«inativo americano», impresso com autorização do Cagle Cartoons,


Inc.

a experiência é a taxa de desemprego crónica mais elevada. Nesta perspetiva,


podemos agora ver a escolha de representar os desempregados com um homem
branco, na sequência de uma tentativa generalizada no sentido de colocar os homens
brancos americanos como as principais vítimas da recessão.
Podemos manter este exercício indefinidamente. E se se tratar de América ou de
Latina Asiáticos ou de Latina, adolescentes ou idosos, vestido de uma proibição ou
de um uniforme militar?Como alterar cada uma dessas variáveis o significado e o
impacto da banda desenhada?Mesmo na sua forma atual, a fim de fazer sentido o
filme de banda desenhada, para tirar a joke, há que saber, pelo menos, um pouco
sobre um grande número de altos níveis de desemprego que os Estados Unidos
registaram desde a Grande Recessão; a controvérsia política sobre o alargamento
dos benefícios do governo para os desempregados; a expectativa de que os homens
brancos americanos possam encontrar um emprego remunerado e seguro; mesmo a
popularidade da programação da realidade televisiva. Sem o contexto, a linha punch
perde a punch. Estas espécies de «como» os exercícios ajudam a verificar e fazer
sentido os pressupostos não analisados incorporados nas representações dos meios
de comunicação social que enfrentamos diariamente. Um dos principais pontos
INTRODUÇÃO 3

fortes da abordagem antropológica para o estudo da cultura é precisamente este


exercício de situar o aparentemente mundane e tomar a iniciativa, num contexto
mais vasto.
Para compreender o que significa o desemprego, por que motivo e como se
sente, precisamos de o analisar no contexto adequado. E que, em resumo, é o que
este volume faz. Os antropologistas cujo trabalho é aqui apresentado proporcionam
a análise contextual, política, cultural e económica para a análise de resultados de
uma variedade de ângulos diferentes através de uma variedade de diferentes
contextos.
Uma das principais contribuições deste volume é a representação etnográfica do
desemprego em múltiplos contextos nacionais na Argentina, na Etiópia, em França,
no México, na Nicarágua e na Coreia do Sul, bem como nos Estados Unidos, que
dão pontos de observação importantes para críticas culturais (Marcus e Fischer
1986).Estas comparações transculturais realçam a importância do inquérito
etnográfico para compreender, em termos gerais, as circunstâncias, as perturbações
e as transformações político-económicas.
A diversidade destes estudos de caso ultrapassa as varia regional ou nacional. Os
temas aqui debatidos são os jovens e os idosos, homens e mulheres, imigrantes e
nascidos no país, de diferentes corridas e motivos socioeconómicos. Alguns
continuam a procurar emprego remunerado; outros enfrentam os obstáculos
estruturais estruturais e sociais que os desempregados enfrentam, em muitos
aspetos, o seu trabalho quotidiano. No entanto, todos estão desempregados ou
subempregados, e que, apesar das muitas diferenças entre eles, partilham a
experiência de uma privação da vida económica e estrutural e até mesmo a privação
da integridade física. Em todos os casos, as consequências do desemprego são
duradouras, afetando as relações sociais e familiares, a riqueza pessoal, a identidade
pessoal e a saúde mental e física após o reemprego. As pessoas não se limitam a
recuperar; os seus mundos não só regressam à normalidade. Mas as formas de
mudança, e a forma como continuam a ser as mesmas, variam consideravelmente
consoante os contextos. A justaposição, numa série de regiões, profissões e
populações, de contas etnográficas do desemprego numa série de regiões, profissões
e populações também permite identificar temas e experiências comuns sem reduzir a
importância da intersecção do género, da classe, da idade, da raça e da cidadania em
contextos culturais específicos.

A Grande Recessão Global


Este volume foi concebido após a Grande Recessão (2007-2009), uma crise
económica mundial que conduziu a níveis de desemprego sem precedentes nos
4 INTRODUÇÃO

países desenvolvidos e em desenvolvimento. O termo oficial da recessão, em junho


de 2009, não teve qualquer preocupação nos países mais afetados, nem assinalou a
recuperação de postos de trabalho. A taxa de desemprego dos EUA, por exemplo,
foi de 9,5 % no final da recessão.10 % em outubro de 2009, quando mais de quinze
milhões de pessoas continuavam desempregadas. 1 Entre esse número, 6,1 milhões
estavam desempregadas há vinte e sete semanas ou mais, a percentagem mais
elevada de desemprego de longa duração registado em 2. a duração média do
desemprego era superior a nove meses. Em dezembro de 2015, seis anos após o
termo da recessão, a taxa de desemprego regressou ao nível anterior à recessão de
5 % em dezembro de 2007 (que é considerado como «pleno emprego», um conceito
articulado em torno da ideia de que a falta de desemprego é um ganho da
sociedade).Nessa altura, o número de desempregados de longa duração era ainda de
três milhões. 3 Por outras palavras, apesar de a Grande Recessão ser tecnicamente no
passado, o seu impacto ainda se faz sentir diariamente por milhões de pessoas nos
Estados Unidos e em todo o mundo.
A Grande Recessão afetou a qualidade do emprego, bem como a sua quantidade.
Um relatório das Nações Unidas concluiu que «em todo o mundo, muitos
trabalhadores que não perderam os seus empregos foram forçados a aceitar horários
de trabalho reduzidos, bem como salários e benefícios mais baixos. Nos países em
desenvolvimento, um grande número de trabalhadores perdeu o emprego nos setores
de exportação e foi forçado a um emprego informal e vulnerável em que» (DESA
2011 das Nações Unidas, 28).Mesmo as pessoas que tiveram a sorte de continuar a
trabalhar durante este período registaram uma queda profunda de muitos dos
benefícios geralmente associados ao emprego formal.
Em muitos países, o aumento do desemprego e a diminuição da qualidade do
trabalho levaram à opinião pública as pessoas e as perturbações que, há muito,
foram culturalmente marginais. Nos Estados Unidos, por exemplo, os americanos
desempregados tendem a tornar-se visíveis, se só temporariamente, apenas em
períodos de depressão e de reces, durante os quais são frequentemente entendidos
como ameaças a valores e comportamentos normativos (Denning 2010, 79).A
presunção tem sido que o emprego formal a tempo inteiro é a condição
socioeconómica normal; por outro lado, o desemprego é considerado anormal e
temporário, apesar das provas económicas em sentido contrário, que se estende até à
Grande Depressão da década de 1930. No entanto, nos últimos anos, as histórias dos
desempregados de longa duração foram partilhadas através dos meios de
comunicação social populares, desde os canais de notícias tradicionais a sítios de
notícias interativos e a redes de blogues populares. 4 Diz-se dos sentimentos pessoais
de pesar, confusão e indignação; os casamentos quebrados e as famílias; isolamento
social e alienação; interrupção e perda de autoestima; e a deterioração da saúde e do
bem-estar. Embora existam exceções (histórias de reforço do casamento e das
INTRODUÇÃO 5

obrigações familiares, de valores sociais considerados prioritários, de reautorizações


para a vida religiosa e de pessoas que não foram afetadas), a maioria descreve os
custos sociais e pessoais da falta de desemprego.
A nível mundial, o desemprego crónico não é um fenómeno novo; a norma para
as gerações de outras regiões, em especial entre as populações marginalizadas, tem
sido a norma para as gerações de outras regiões, por exemplo. Tal como os capítulos
do presente documento, há uma enorme variabilidade na forma como o desemprego
é enquadrado e experimentado em todos os países, regiões, classes, raças, géneros,
grupos etários e setores da economia. Em cada região e para cada população dentro
dessa região, existem prazos longos e transferências de discursos em torno da
presença e da ausência de emprego.
As instituições, as formas de conhecimento e de prática, as relações sociais, a
orientação afetiva — estes são todos os contextos críticos para fazer sentido de
desemprego. Os nossos participantes desenvolvem ligações complexas entre
estruturas íntimas e macro de significado e valor. Embora aprecie as diferentes
formas de viver e lidar com a insegurança económica e a desaperto, todos revelam
que o emprego e o emprego são registos culturais cruciais na configuração dessa
especialização. Discursos locais e nacionais em torno do trabalho e do emprego, por
exemplo, informam profundamente as noções de personcapEuropeia, cidadania e
valor económico moral (ver capítulos de Murphy e Perelman).Estas afetam, por sua
vez, a forma como os als recebem e reagem às condições de desemprego crónico. O
desemprego não é simplesmente compreendido e conhecido como a oposição ou a
perda de emprego, mas numa relação complexa com a sua construção em
determinados contextos. Alguns dos temas nos próximos capítulos, especialmente
os jovens, nunca tiveram o que poderia ser designado por emprego formal, mas
continuam a organizar expectativas de vida e aspirações individuais em
conformidade com a sua promessa (ver capítulos de Mains e Murphy).O emprego
pode não ser normal em todo o mundo, mas é normativo; isto é, faz parte de uma
parcela exigida de comportamentos e compras esperados de cidadãos «normais» e
«valorizados».
Neste volume, destacamos as respostas individuais e coletivas dos
desempregados a condições de insegurança económica e de desemprego crónico,
demonstrando a sua agência e produtividade cultural em contextos de grande
constrangimento. A nossa intenção não é alterar estas respostas. Pelo contrário, os
quadros demonstram as formas complexas e surpreendentes que as pessoas se
ajustam às desigualdades políticas e económicas e à exclusão. Mais importante
ainda, é na sua luta fazer vidas significativas sob pressão considerável, que vemos a
emergência de novos significados e experiências de trabalho e de desemprego. Ao
imergir o leitor sobre a perceção do desemprego e os cheiros, os capítulos deste
volume tornam o seu caso coletivo de que o desemprego é mais do que
6 INTRODUÇÃO

simplesmente a perda de um emprego.

Significados de trabalho, emprego


e desemprego
Um dos desafios deste volume tem sido a forma de falar sobre o trabalho, o
emprego e o desemprego, de forma clara e coerente, apesar da gripe e da
delimitação cada vez mais pouco clara. Este desafio é, em parte, semântico. Nas
nações industrializadas ocidentais, os termos trabalho e emprego são
frequentemente utilizados como sinónimos para designar uma atividade formal,
regular e remunerada. Para estar desempregado, é por vezes referido como estando
«fora de serviço». o trabalho Yet e o emprego formal nem sempre são, ou mesmo
frequentemente, o mesmo. As histórias culturais e os estudos etnográficos do
significado do trabalho revelam que o trabalho é o desenvolvimento cultural mais
expansivo, enquanto o emprego é mais limitado. Ao longo do tempo e da cultura, o
trabalho tem sido ventral à forma como as pessoas compreendem a vida social tanto
dentro como fora do domínio da atividade económica formal, incluindo a política, o
lazer, as relações sociais e a organização, bem como o género (ver Apaplebaum
1995; Budd 2011; Comaroff e Comdesligado 1992).Os colhedores de cinzas da
Argentina debatem neste volume, por exemplo, claramente; procedem à recolha de
lixo, a fim de ganhar dinheiro e manter o seu papel de prestadores de serviços
familiares na ausência de desemprego formal. No entanto, para salientar a
ambiguidade do estatuto de emprego dos pickadores, o Perelman faz referência ao
seu trabalho como «não trabalho», uma vez que muitos dos seus tigres de prac, bem
como muitos dos seus países, veem os picadores como «desempregados»
(desempadas).Neste caso, como em tantos outros, o que conta como emprego é uma
questão política com consequências profundas. Distinções baseadas em categorias
de raça, sexo e classe têm muito delimitado o que pode ser considerado legítimo e
que pode trabalhar em particular. O trabalho não realizado, como o trabalho
doméstico, o apoio à retaguarda das crianças, o autoaprovisionamento, o trabalho
dos camponeses e a economia informal — tem desempenhado um papel económico
e social indispensável em cada sociedade, mesmo na maior parte dos triesitos
(Smith, Wallerstein e Evers 1984; Smith e Wallerstein 1992).
Com a expansão do capitalismo e do trabalho salarial em todo o mundo, o
emprego — no sentido de um trabalho formal, estável e remunerado — tornou-se o
modelo dominante, mas não exclusivo, para aquilo que o trabalho deve procurar
(Williams 1983, 326).Esta atividade de emprego privado tem grandes implicações.
Na maioria dos grupos capitalistas capitalistas modernos, o emprego formal tem
vindo a estruturar a forma como as pessoas pensam sobre as coisas e a experiência
INTRODUÇÃO 7

como o tempo, o género, as trajetórias dos cursos de vida, as redes sociais e os


domínios da autoridade cultural. Em grande parte do mundo contemporâneo, o
emprego tornou-se uma condição para a realização de outros tipos de trabalho, no
sentido de expansão cultural do termo, como o trabalho de construção de relações
sociais, a obtenção de novos estatutos sociais ou a capacidade de respeitabilidade
social. Por exemplo, o que significa ser um macho adulto em muitas sociedades está
intimamente ligado à garantia do emprego formal (ver capítulos de Mains e
Murphy).Quando este tipo de emprego é difícil de atingir, a capacidade de o homem
atingir o estatuto de adulto e as muitas vantagens desse tipo (por exemplo, habitação
independente, casamento, crianças e respeito dos seus familiares e agentes).Os que
perdem os seus empregos, ou que não conseguem encontrar empregos em primeiro
lugar, perdem muito mais do que os salários ou um título.
Refletir sobre as muitas coisas que os postos de trabalho proporcionam aos
trabalhadores exige uma ligeira mudança de perspetiva para muitos académicos.
Uma vez que a Elaine Sed (1994) assinalou, desde a penetração generalizada do
capitalismo industrial, temos tendência para associar o trabalho e o emprego com a
dor, a negação automática e a perda de autonomia. É evidente que, do ponto de vista
político e intelectual, é fundamental considerar as formas como os trabalhadores
utilizam a exploração, a alienação, a discriminação e a estigmatização. No entanto,
estes mesmos trabalhadores associam frequentemente os seus postos de trabalho ao
progresso pessoal e nacional, à liberdade das restrições patriarcais, às oportunidades
de lazer e ao consumo, bem como à responsabilidade moral da família e da família. 5
As formas de emprego opressivas podem também permitir outros tipos de trabalho
produtivo em termos culturais, por pessoas, pessoas e relações sociais. O trabalho é,
de facto, um esforço, um sacrifício e um sofrimento, mas é também a liberdade, o
cumprimento pessoal, a autoestima, a autodisciplina, a maturidade social e a
assistência a outros. O trabalho produz material de valor, moral, SYM, e socio-
social e constitui formas de vida e formas de identidade letiva individual e
administrativa, bem como de exclusão. 6
O reconhecimento das formas complexas de trabalho está enredado com outros
meios, valores e estatutos culturais que nos podem ajudar a avaliar a profundidade
do sofrimento pessoal e social que acompanha o desemprego. Fazê-lo também
permite conhecer a amplitude das respostas culturalmente criativas a condições de
insegurança económica crónica e de desemprego. Os desempregados e os
historicamente excluídos de uma luta formal segura, mas que desenvolvem meios
para adquirir e produzir significado e valor, tais como a autonomia, o respeito e a
socialidade, reproduzem frequentemente as formas e as práticas, se não conteúdos,
do emprego formal. 7 Pessoas que não podem ser formalmente empregadas podem
encontrar formas de trabalhar, ou seja, trabalhar. Tal como descrito no capítulo da
Lane, os trabalhadores de tecnologia dos EUA em situação de desemprego
8 INTRODUÇÃO

imediatamente no início das reuniões semanais de trabalho em rede e referiram a


procura de emprego como «o mais difícil emprego que alguma vez tive». os jovens
etíopes jovens escreve sobre os escassos fundos despendidos e que controlavam sem
demora os seus telemóveis para mensagens urgentes que raramente chegaram.
Membros da cooperativa de trabalho dos trabalhadores da Nicarágua estudaram
reuniões durante mais de cinco anos para discutir uma fábrica que não dispunha de
máquinas de trabalho e nunca produziu uma única peça de vestuário. Para estes
grupos, tal como para muitos outros, o desemprego não pode ser reduzido à
ausência de emprego. É, em vez disso, um componente da vida contemporânea, um
sítio para criar novas formas de trabalhar, sendo, e pensar nestes tempos neoliberais
precários. Os estudos etnográficos recolhidos neste volume levam a supor que o seu
ponto de salto encaixa no passado e faz sentido deste terreno cultural importante e
subestudado.

Neoliberalismo, falta de segurança e desemprego


Este livro é um produto que se dedica recentemente a uma atenção acrescida ao
desemprego e ao subemprego em antropologia. 8 As últimas décadas assistiram a um
processo intelectual baseado no ERABLE quanto a uma grande agitação económica
e a uma deslocação em todo o mundo. Os exames etnográficos sobre o
neoliberalismo e, mais recentemente, a precariedade, por exemplo, dificultaram, de
forma construtiva, o nosso entendimento das interligações entre culturas e capitais e
a produção de desigualdades, insegurança e marginalização socioeconómica. No
entanto, muito raramente, o desemprego tem sido o alvo explícito de tais
investigações. Em geral, o desemprego foi considerado mais como sintoma do que
um expoente constituinte da estrutura e da experiência da vida contemporânea.
Consideramos, por conseguinte, que este volume contribui para a vitalidade e a
pertinência dos projetos antropológicos contemporâneos sobre desigualdades
globais e inseu, mas insiste na importância do desemprego. O desemprego é
culturalmente produtivo, não no sentido de que constitui uma evolução positiva,
mas no sentido de que produz novos significados culturais, normas e ligações. À
medida que as pessoas se adaptam e efetuam ajustamentos às suas vidas em
circunstâncias de privação e privação económica, constituem novos tipos de
identidades, relações sociais e, mais importante ainda, significados de emprego e de
desemprego. A experiência e o significado do desemprego estão estreitamente
relacionados com as estruturas locais de trabalho e o emprego, mas o desemprego
não é apenas a sua ausência, nem tão pouco importante no caso de categorias
estáveis de emprego. Os capítulos do presente documento sugerem que a distinção
entre emprego e desemprego é cada vez mais ténue, se, de facto, se trata de uma
INTRODUÇÃO 9

distinção que se presume, e que esta confusão se intensificou com a normalização


do desemprego nestes tempos precários. Cada vez mais pessoas trabalham sem
emprego. Não podemos, por conseguinte, fazer sentido, hoje em dia, com o mundo
liberal do mundo liberal, sem também fazer sentido de desemprego.
Para muitos académicos, os termos neoliberalismo e precariedade são bem
conhecidos para refletir sobre as condições políticas, económicas e culturais nas
quais a maioria das pessoas do mundo vive atualmente. Para os estudantes e outros
novos sobre esta matéria, estes termos podem ser menos conhecidos, explicando-os
de forma breve, bem como o modo como se relacionam entre si e com o
desemprego.

Neoliberalismo
O neoliberalismo é uma palavra pesada, muitas vezes subespecificada e utilizada
como breve para o capitalismo e o seu texto (Ferguson, 2009, 172).No seu centro, o
neoliberalismo faz referência a um conjunto de ideias sobre a forma como o mundo
do trabalho — ou deve trabalhar, no que se refere à relação entre as pessoas, os
governos e o mercado. A ideologia neoliberal privilegia a liberdade individual, a
competitividade sem restrições e o mercado livre autorregulador como o meio mais
eficaz para atingir uma economia saudável. 9 Segundo este modelo, o estado ideal
não é intervencionista, e a sua principal função é assegurar mercados competitivos e
proteger as liberdades individuais (e não as pessoas individuais), em especial a
capacidade inatacável da propriedade das terras.
A partir da década de 1970, os princípios neoliberais foram utilizados para
justificar legislação e programas de privatização de empresas públicas e bens
públicos; a retirada tardia dos mercados, a revogação dos encargos legais e políticos
em função da sua eficiência; liberalizar o comércio, eliminar os direitos aduaneiros
e outros obstáculos ao comércio mundial. As políticas assim concebidas incluem a
atenuação da proteção do ambiente, o enfraquecimento dos direitos laborais, a
retirada de serviços sociais e de programas de proteção social, a redução da
dimensão das administrações públicas e a supressão dos controlos das atividades
financeiras (Steeger and Roy 2010, 14).Para além destas, podemos acrescentar
programas e programas de desenvolvimento global (isto é, ajustamento estrutural e
austeridade) aplicados por poderosas instituições supranacionais, como o Fundo
Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.
De forma mais abstrata, o neoliberalismo descreve a distinção cada vez mais
ténue entre os domínios da administração pública e do setor privado. Este
ofuscamento e as suas implicações são objeto de estudos da administração pública
de Michel Foucault (Foucault 2009; Foucault e Burchell, 2010), que alargam a
análise do poder e da política, para além do Estado, a fim de abranger as
10 INTRODUÇÃO

«racionalidades» (a forma como pensamos os problemas e as suas soluções)


inerentes às «tecnologias estratégicas» (procedimentos e mecanismos) utilizados
para avaliar e gerir a conduta do indivíduo ao nível nacional e não só. Importante
neste contexto é o entendimento da Foucault segundo o qual o poder não se limita à
subjugação de um grupo por outro; pelo contrário, o poder produz identidades e
matérias. Por outras palavras, os estudos de neoliberalismo incluem não só a
aplicação dos ideais neoliberais através de ações políticas específicas, mas também
a forma como os indivíduos são incentivados e persuadidos a gerir o seu próprio
comportamento, a fim de se tornarem indivíduos individualistas e empresariais
ideais (Brady 2014, 18). 10
A relação entre o neoliberalismo e o desemprego é imediatamente obvi e mais
complicada do que parece. A divulgação de ideias neoliberais e a aplicação de
políticas neoliberais tornaram mais fácil e mais culturalmente aceitável para as
empresas a despedir trabalhadores, deslocalizam os empregos no estrangeiro e
privilegiam os preços das ações a curto prazo em relação ao investimento a longo
prazo em pessoas e locais. Tudo isto foi realizado em nome das empresas de mar
para competir a nível mundial numa escala cada vez mais global, ao mesmo tempo
que «liberta» os trabalhadores individuais dos grilhetas do emprego seguro. Os
defensores destes desvios do emprego são um subproduto inevitável, ainda que
benéfico, do progresso e não o resultado de uma luta de longa data que, no século
anterior, consolidou o poder e a riqueza nas mãos das elites financeiras e políticas,
ao mesmo tempo que contribui para a insegurança social e económica nos países de
todo o mundo (Harvey, 2005).
A vida dos homens e mulheres desempregados descritos nos exemplos
etnográficos neste volume foi incontestavelmente moldada pelo neoliberalismo. E,
no entanto, o neoliberalismo não é monolítico. Não se espalhou por todo o mundo
de forma insignificante e idêntica. Apesar da sua visão resumida acima, o ismo
neoliberal não é um conjunto variável de ideias e práticas que é uniformemente
interpretada e experimentada em contextos. Um dos principais contributos da
antropologia para a análise do neoliberalismo tem sido uma coleção variada de
análises pormenorizadas de produções, alojamentos e desafios às ideologias
neoliberais, à governação e às políticas, em geral, imaginadas fora da história
política liberal e dos mercados livres (por exemplo, nações africanas e China).A
investigação etnográfica revela que o neoliberalismo é um processo contingente,
contestado e incompleto, cujas dimensões são concebidas de forma desigual e
inesperada, dependendo das histórias políticas locais (ng
2006) Os regimes de política (Elyachar 2005), as culturas governamentais (Chalfin
2010), as identidades nacionais (Rofel 2007) e a compreensão cultural e a
respeitabilidade moral (Karim 2011; Lynch 2007) estatutos do curso de vida
(Mains)
INTRODUÇÃO 11

2007) .Este volume oferece uma investigação fundamentada das ligações entre o
neoliberalismo e o desemprego especificamente; os dois estão sem dúvida
relacionados, mas estes capítulos documentam as formas importantes em que a
forma e o conteúdo dessas ligações variam em função do tempo e do contexto.

Estado de precariedade
A adição de uma terceira variável a esta relação já de si complicada, um dos
principais impactos da propagação do neoliberalismo, foi a produção do que
académicos chamada de urgência, ou a experiência crescente de desigualdade e
insegurança que tem comprometido a desestabilização das instituições, das
expectativas e das trajetórias de vida em torno das quais as pessoas construíram as
suas vidas (ver Alliston 2013; Berlant 2007).Embora o neoliber seja um conjunto de
formas de pensar e governar, a precariedade é um conjunto de formas de se
sentirem.A incerteza e a insegurança não são novos fenómenos, mas nas últimas
décadas o rendimento e a polarização da riqueza aumentaram não só entre os países
mas também entre eles, uma vez que sete em cada dez vivem em países onde o
fosso entre ricos e pobres é maior do que há trinta anos (Seery e Arendar 2014, 8).A
corrupção política, as crises de saúde pública, a estagnação do desenvolvimento
(pessoal e nacional) e o crime e os conflitos violentos estão relacionados com o
forte aumento das desigualdades e do mundo da insegurança, do sofrimento e do
medo (ver também a região Beemla 2009).
No que diz respeito ao desemprego, a precariedade implica a dissolução das
túmulos e expectativas em torno de construções históricas e culturalmente
específicas do trabalho e do emprego. Refere-se ao desmantelamento de estruturas
estáveis de trabalho e emprego e ao aumento do trabalho que é irregular e
contingente, ou seja, «precário» de trabalho (Milar 2014; Muehlebach e Shohan
2012; Neilson e Rossiter 2008; Com 2011 em pé). 11 A falta de meios de
subsistência e a incerteza do emprego sempre fizeram parte da vida dos
trabalhadores pobres, bem como de muitas outras pessoas (Millar 2014, 34; Neilson
e Rossiter 2005). 12 Mas o emprego precário é agora a norma; metade dos
trabalhadores do mundo é informal e casuística ou irregular (Alliston 2012,
368n3).Assim, «a instabilidade do trabalho vive diariamente» (Alliston 2012,
349).Uma vez que certas formas de trabalho estão a desaparecer, também as
estruturas e relações institucionais que moldaram as formas de pensar, o sentimento
e o lugar de um mundo social. Esta situação conduziu a novas configurações de
«normais» — novos estatutos e trajetórias do ciclo de vida, novos modos de
pertença e novas avaliações morais que orientam a ação socioeconómica e as
expectativas. Para serem claros, estas configurações não são simplesmente novas.
Como demonstram muitos dos que contribuem para este volume, as relações sociais,
12 INTRODUÇÃO

as práticas e os valores relativos ao trabalho e ao emprego (nos seus contextos


regionais e nacionais específicos), mesmo na sua ausência, continuam a informar e
moldar as imagens e ajustamentos socio-culturais dos desempregados (Muehlebach
e Shohan 2012).Embora a precariedade possa ser dolorosa, como o demonstram as
histórias, não se trata de uma mera incerteza. A precariedade também é longa e
aspiração: o que deveria ter sido (emprego e vida estáveis) e aspirações para o que
deve ser (emprego e vida estáveis).
Apesar de o Guy Standing ter exercido o caráter precário como «classe no
processo» (2011, vii), esta previsão pressupõe uma unidade de experiência e de
agenda que a investigação empírica não tem ainda de suportar. Milhões de pessoas
em todo o mundo estão a viver uma vida cada vez mais incerta, mas a forma como
se lhes explica, onde e quando as procura e a quem lhes é responsável, e se e de que
forma procuram resolver e depende de fatores mais específicos do que universais. É
só através de exames finais muito próximos da terra, experiências de emprego e de
desemprego que podemos chegar para compreender a forma, os significados e a
importância do maior contacto com o neoliberalismo e a precariedade.

Organização do livro
Organizámos os capítulos do livro em torno das três principais contribuições do
volume para o estudo antropológico do desemprego. Em primeiro lugar, apelamos a
que se repense o próprio conceito de desemprego, tanto mais que foi imaginado em
relação ao emprego, à economia e ao sentimento humano. A SEC considera que a
experiência adquirida em matéria de desemprego varia consoante os contextos
nacionais e a forma como o desemprego é posicionado dentro e em oposição aos
discursos nacionais existentes, como os que envolvem a solidariedade, a educação, a
pobreza, a ruralidade e a reciprocidade. Em terceiro lugar, consideramos as novas
relações, relações sociais e movimentos políticos produzidos por experiências
individuais e coletivas de desemprego. Por último, arredondar o volume com uma
epilga de Caitrin Lynch e Daniel Mains, que explora os domínios temáticos entre os
capítulos e aponta novas orientações para a investigação em torno do desemprego.

Impugnar os acordos existentes em matéria de desemprego


O capítulo Carrie Lane abre o volume com uma questão importante: O desemprego
é normal?Para muitos homens e mulheres nestas páginas, o desemprego foi e é uma
experiência difícil e preocupante, mas, ainda assim, a precariedade económica não
foi uma condição nova nem intermitente, mas persistente, tendo grande parte das
suas vidas. As disciplinas da faixa de rodagem são as pessoas à procura de emprego
INTRODUÇÃO 13

americanas, neste caso na indústria de alta tecnologia (telecomunicações, conceção


de sítios Web, programa de formação de programas, comércio eletrónico).Apesar
dos desafios do desemprego prolongado, estes trabalhadores, de classe média,
demonstram uma capacidade de resistência considerável e não só chegam para
aceitar, mas também para adotar ideologias empresariais dominantes de um
emprego natural. Os despedimentos não repartiam necessariamente a sua
autoidentificação enquanto profissionais altamente qualificados; com efeito, a sua
identidade foi, em alguns aspetos, apoiada por uma constante procura de emprego e
uma mudança de emprego. As conclusões da faixa de rodagem refutam as
presunções de longa data sobre as consequências dos despedimentos. O
desemprego, que não é abrangido, não era uma situação inatacável de identidades
sem cabo e deslocadas. Não tinham a expectativa ou o desejo de «renovar» as
estruturas socioculturais normativas. No entanto, tal não significa que as estruturas
não sejam relevantes. Pelo contrário, como descreve, a própria procura passou a ser
trabalho, o que constitui socialidades, relações e locais de pertença alternativos. É
interessante notar que, nas suas pesquisas de emprego, produzem formas de
sentimento de emprego que recriam os ritmos, funções e rituais da vida ativa. O que
é novo, porém, é que os ajustamentos efetuados por estes trabalhadores de alta
tecnologia esbatem a distinção entre emprego e desemprego. Tal como muitos dos
que contribuem para este volume, a faixa etnográfica da faixa de rodagem descreve
a forma como o desemprego crónico está a transformar os significados, os valores e
as práticas de trabalho.
No próximo capítulo, o autor David Karjanen apresenta uma crítica dos modelos
económicos de desemprego. Define um desafio para rever a conceção predominante
de desemprego e de desemprego, em especial no que se refere à experiência dos
candidatos a emprego nos Estados Unidos. A sua análise cuidadosa das instalações
de pensamento económico moderno (incluindo pressupostos e afirmações sobre o
mundo social, mais pertinente que é preenchido por intervenientes racionais, auto-
interessados e individuais) orienta a nossa atenção para os ângulos mortos que (mis)
informam os acordos económicos convencionais. Ao destacar a realização de uma
análise gráfica, o Karjanen demonstra o potencial da investigação antropológica
para produzir análises empíricas e rigorosas dos comportamentos e dos
comportamentos das pessoas. Embora possa parecer prosaica a antropologistas,
Karjanen oferece uma lição que vale para recordar, uma vez que se avalia as nossas
próprias metodologias, as estruturas teóricas e as descrições do desemprego e dos
desempregados: As pessoas são pessoas com características sociais e históricas,
integradas em estruturas complexas e em interação.
O desemprego é frequentemente retratado na cultura pública, representado como
uma consequência temporária, se lamentável, de desencadear a concorrência, entre o
espírito empresarial e as liberdades individuais. Esta ambivalência é afiada quando
14 INTRODUÇÃO

o destino da produção em massa em nações industriais avançadas é o assunto. O


vasto leque de desindustrialização dos Estados Unidos desde os anos 1970, por
exemplo, suscitou um debate intenso sobre as tradições de colarinho azul e os
obstáculos ao progresso nacional e individual. No entanto, a questão de saber se o
declínio da mão de obra industrial está a ser frisado ou celebrado, o impacto do
desemprego de colarinho azul tende a ser debatido em termos comunitários,
regionais ou nacionais e não ao nível da experiência humana incorporada. A
investigação de Jong BUM Kwon com trabalhadores do sexo masculino despedidos
na Coreia do Sul após a crise financeira asiática (1997-2001) oferece uma análise
convincente do custo corporal da perda dos trabalhos experimentais. As imagens
predominantes de trabalho industrial, tanto nos Estados Unidos como na Coreia,
descrevem esta repetição, como a repetição, fisicamente dolorosa, que afeta o
desenvolvimento individual. Centrando-se na experiência corporal de trabalho na
linha de montagem, Kwon alega que, neste caso específico, o trabalho industrial era,
de facto, um processo de criação de órgãos de trabalho saudáveis.Após o seu
despedimento, os trabalhadores sentiram-se seccionados não apenas na fábrica, mas
também numa parte vital dos seus próprios órgãos. Não foram libertados de mão de
obra física dolorosa; em vez disso, sofreram uma forma de violência estrutural. A
sua análise gera também uma reformulação do emprego e, consequentemente, o
desemprego. O peticionário sugere que consideramos o emprego como uma forma
de ocupação, um processo afetivo e físico de habitabilidade que transforme o
trabalhador e o local de trabalho mutuamente em sentido profundo e em profundo
sentido.

Contextos e Descursos nacionais


O desemprego é uma questão do Estado, uma vez que suscita questões sobre a
ordem moral, sobre a composição e a organização das relações sociais, sobre a
legitimidade do sistema socioeconómico e sobre a identidade nacional. O contributo
do Jack Murphy analisa a forma como o desemprego em França, em meados da
década de 2000, teve em conta as noções há muito mantidas de solidariedade
(solidariedade).Com uma história intelectual e política profunda, a solidariedade
funciona como um símbolo de um pacto social nacional. Muitos cidadãos franceses
consideraram que o desemprego constitui uma ameaça para a própria sociedade e a
explosão de «motins» nas cidades externas no outono de 2005 e testes de rua em
janeiro de 2006 pareciam corroborar este receio. Uma vez que os jovens
desempregados em Limoges, uma cidade periférica de média dimensão, as
disciplinas etnográficas de Murphy representam o descontentamento e a exclusão
social que se pensa, em larga medida, na origem das sublevações, mas apresentam
características simples. Apesar de se encontrar claramente no acordo e viver uma
INTRODUÇÃO 15

vida de gale (infantilação), a cuidadosa representação da Murphy contra as suas


lutas correntes põe em causa as narrativas nacionais, revelando a emergência de
formas alternativas de socialidade e identidade coletiva. Embora possam ser
negados a idade adulta normativa, definida como a autonomia social e económica
alcançada através de um emprego estável, estes jovens estiveram na origem de
formas de pertença e afirmando pessoal autónomo. No entanto, mantém-se a
questão de saber se a vida destes jovens sugere a formação de novas classes sociais.
O significado e a experiência do desemprego são variáveis do ponto de vista
cultural e histórico, informados pelos ideais específicos da dignidade e da dignidade
social.Com base num trabalho de campo alargado com cirujas (apanhadores ou
aparelhos de limpeza de materiais recicláveis) em Buenos Aires, Mariano Perelman
analisa as áreas de trabalho e de emprego contestadas na Argentina neoliberal.
Desde Juan Person (presidente entre 1946 e 1955), o emprego está profundamente
ligado à cidadania: direitos e privilégios dos trabalhadores formais e obrigações do
Estado de lhes proporcionar um bem-estar básico (habitação, educação, lazer).Este
acordo lançou as bases para os ideais de trabalho digno e de identidade social
(homem que trabalha como fornecedor da família).Neste contexto, nem todo o
trabalho é considerado como emprego. Assim, um organismo responsável pela
recolha de resíduos a tempo inteiro é considerado simultaneamente trabalhador e
desempregado, uma vez que a colheita não garante «garantias». com a consolidação
de políticas neoliberais e de ideologias que retirem oportunidades de emprego
estatal e serviços sociais, a ligação é cada vez mais difícil. O Perelman mostra que
as cirujas estavam a formar um novo entendimento do seu trabalho e da sua
identidade profissional para se adaptarem às condições de desemprego crónico.
Estudos de casos etnográficos de Karjanen envolvem homens e mulheres
desempregados em ambientes urbanos, o sítio mais comum de preconceitos raciais
mais populares sobre a privação económica do direito de voto. Ann Kingsolver
reencaminha o nosso transporte para os Estados Unidos das zonas rurais, que possui
formas diferentes, mas igualmente poderosas, que imaginam situações de pobreza
racial. Analisando especificamente o país baixo e o país de topo da Carolina do Sul
e partes do Kentucky do Apapachian, Kingsolver alega que, embora essas regiões
possam estar associadas à pobreza de longa data, passam a ser invisíveis no que
respeita ao desemprego. De facto, a pobreza tem sido naturalizada na região, uma
vez que os seus residentes foram representados por privação cultural (ou seja,
calados numa «cultura de pobreza») por políticos, académicos e meios de
comunicação social populares. Colocar a tónica no subemprego e no subemprego,
Kingsolver, torna visíveis as estruturas económicas políticas que empobreceram a
zona e permitem a continuação da exploração dos seus habitantes. Não se trata de
locais isolados e retrospetivos, mas de locais de extração capitalista global por
empresas multinacionais atraídas para trabalhadores pobres rurais que são objeto de
16 INTRODUÇÃO

publicidade a salários baixos, políticas sindicais e condições de trabalho


inadequadas. As zonas urbanas e rurais podem permanecer separadas na geografia
simbólica da América, mas as pessoas pobres e desempregadas dessas regiões são
enterradas por maquinações político-económicas a nível mundial.
A etnografia do Daniel Mains analisa a luta contra os jovens privados do direito
de voto: os machos urbanos desempregados em Jimma, na Etiópia, desde a mesa do
21.º turva. O termo « juventude» é um descritor ambíguo, que descreve não a idade
biológica, mas sim a localização em trajetórias de caráter social normativo. É uma
categoria de pessoas sobrecarregada, um símbolo do futuro, o que deveria ou não
deveria passar. Por outras palavras, imaginamos na juventude tanto a esperança
como o medo para o futuro. Como tal, foi dada grande atenção aos jovens em
contextos de precariedade neoliberal. A rede cobre com precaução o facto de, entre
os homens, o seu trabalho ter sido afetado por problemas temporais e espaciais a
resolver. Em vez de em abstrato conceitos filosóficos, o tempo e o espaço são vida e
interpretados no e através de relações sociais. O emprego é uma relação social e um
tipo particular de emprego índices de progresso, a saber, a consecução do respeito
social e da autonomia. Em contrapartida, o emprego gera sentimentos intensos de
vergonha (yilunnnta) devido à sua associação com a subserviência. As expectativas
de progresso, tanto a nível nacional como individual, aumentaram na Etiópia, com a
modernização e um maior acesso à educação. Com o desemprego prolongado, os
jovens do sexo masculino não podem ser inseridos em narrativas de progresso
nacional e de autodesenvolvimento. Estes jovens tentaram resolver o problema
temporal com as soluções espaciais, a migração para outras cidades na Etiópia (mais
frequentemente) ou para os Estados Unidos ou para outros países em África (com
menor frequência), a fim de evitar o controlo social e reconfigurar as relações
sociais, tornando-se assim diferentes e aliado respeitadas pelas pessoas.

Regresso a si próprio e a novas pessoas do ponto de vista social


As relações económicas, como demonstram os nossos autores, são relações morais
profundamente enraizadas em contextos socioculturais ricos. A FRAN Rothstein
tem uma visão clara sobre os padrões de migração laboral. O seu estudo de
migrantes de San Cosme Mazatecochco, uma comunidade rural no centro do
México, residente em Nova Jersey etnográfico, investiga com perplexidade: Durante
a longa recessão dos Estados Unidos, mais homens regressaram ao México do que
as mulheres. A migração é uma estratégia para lidar com as dificuldades
económicas evidentes em todo o mundo. Apesar de uma simplificação, os
movimentos migratórios tendem a acompanhar as flutuações das circunstâncias
económicas relativas entre os países de origem e os países de acolhimento. Com
base na investigação iniciada em 2009, bem como em décadas de trabalho de campo
INTRODUÇÃO 17

anterior em San Cosme Mazatecochco, Rothstein mostra que os padrões de


liquidação e de regresso não são, de facto, determinados por cálculos económicos a
descoberto, mas são a plena capacidade das mulheres e a sua capacidade de alargar
e gerir as redes sociais e familiares. A San Cosmeros, tal como explica, participa
num sistema flexível de kineship e rituais que pode adaptar-se à evolução das
circunstâncias e integrar pessoas e grupos variados. No centro das redes locais e
transnacionais são as mulheres que fazem o trabalho de parentesco, a manutenção
de contactos e a organização de rituais rituais como a solidificar os laços sociais.
Estes laços são cruciais para a obtenção e a distribuição de informações e recursos,
bem como para ancorar os membros ao par dos locais. O parentesco é uma forma de
trabalho, muitas vezes feita por mulheres, e o kkinship é um recurso importante para
dar resposta às formas precárias de emprego.
Os migrantes, no estudo da Rothstein, recorrem às suas redes de kin em tempos
difíceis. Em contrapartida, nas dificuldades de desemprego prolongado em 2011-
2012, os trabalhadores americanos que se encontram desempregados procuraram
uma ideologia para as sustentar, o que é positivo. Naturalmente, o pensamento
positivo não é emblemático de caráter americano essencial, mas, como a «Strauss»
descreve, tem uma aquisição profunda na sociedade americana, tanto como um
discurso e uma técnica de autogestão emocional. O pensamento positivo apela aos
trabalhadores desempregados para que mantenham as suas bebidas espirituosas,
permaneçam otimistas e se apresentem como um «positivo» autónomo. Tem uma
longa história e a «Strauss» identifica os principais sítios da sua produção na
sociedade americana contemporânea, desde a psicologia popular positiva (por
exemplo, o poder de reflexão positiva) a religiões protestantes e nas novas idades.
Alguns dos principais responsáveis são gestores e profissionais, que asseguram a
ligação de longa data entre os discursos psicológicos e empresariais. O pensamento
positivo é responsável, em pleno, com as ações inibitórias neoliberais, para um
comportamento individual de otimização pessoal. Não se limita a pensar, «pensar»,
mas também nas ideologias neoliberais, e afeta a gestão, definida como a
monitorização constante das emoções e das suas manifestações físicas. As críticas
culturais como Barbara Ehrenreich (2009a) dispõem de investimentos contra o
pensamento positivo como uma ideologia que visa reduzir a análise social e coloca
o ónus sobre o próprio sucesso e insucesso. No entanto, os recorridos no processo
«Strauss» não eram imputáveis a si próprios nem interpretou mal as estruturas de
desigualdade. Os seus pontos de vista revelam que o pensamento positivo também
pode ser uma forma de autocuidado, uma forma de fazer face à rejeição e à deceção
das repetidas tentativas de procura de emprego. O pensamento positivo pode
permitir imaginar um futuro diferente da situação de precariedade.
A ênfase do capítulo «Joshua Fisher», de Fisher, no papel potencialmente trans
da aproximação da Rothstein, centrada no poder de alavanca da conexão humana e
18 INTRODUÇÃO

da comunidade. Trata-se de uma análise de uma pequena cooperativa de algodão,


denominada Genesis in Ciudad Sandino, na Nicarágua. A cooperativa é um exemplo
de projetos de organizações não governamentais (ONG) transnacionais para gerar
emprego e dar resposta a comunidades locais ao desemprego generalizado. Não se
trata de uma história de sucesso no sentido habitual. As máquinas adquiridas nunca
chegaram e o projeto foi cancelado. No entanto, é elucidativo porque, mesmo sem
produzir um fio condutor, o coop de quarenta e dois homens e mulheres não foi
desafetado. Com início em 2007, esperaram e trabalharam sem vencimento por um
período de cinco anos. Continuaram a satisfazer e responderam coletivamente às
suas necessidades sociais e financeiras imediatas. As mulheres e os homens
demonstraram uma importante dimensão de trabalho: Não se trata apenas de
salários, lucros e ganhos de eficiência. Continuar a trabalhar, sem pagar, pro
duranteos objetivos, a dignidade e a esperança para o futuro. Trabalhando em
colaboração, permitiram criar um espaço para a produção de sociedades e agências
coletivas significativas.
O trabalho de Fisher encerra o volume numa nota positiva e provocatória, um
documento que apresenta o potencial de respostas úteis e imprevisíveis às estruturas
mais enraizadas de desigualdade e exploração. Também faz circular de forma
completa, de novo para a questão de como conceptualizar o trabalho e o
desemprego. Como demonstra os Fisher, o trabalho é valorizado porque é produtivo
no sentido de fazer vidas e comunidades significativas e dignas. O que está em
causa no desemprego, uma vez que ele e qualquer outro contributo para este volume
podem atestar, não é simplesmente um emprego. O que está em causa é a identidade
e as relações das pessoas; o seu estado mental, o seu estado físico e a saúde
emocional; capacidade de participar plenamente na vida social, política e
económica; e os futuros que têm uma visão para si próprios, para os seus filhos e
para as suas nações. O que está em jogo, em suma, é tudo.
1
LIMITES DE LIMITAÇÃO
Abordagens antropológicas
relativamente ao desemprego nos
Estados Unidos

Carrie M. Lane

Há mais de setenta anos que o consenso geral entre os académicos de trabalho nos
Estados Unidos tem sido o efeito de perda de identidade que daí resulta,
especialmente para os homens da classe média. Com base nos estudos de E. Wight
Bakke, na famosa Depress-era, os antropologistas, os sociólogos e os psicólogos
documentaram amplamente os muitos efeitos negativos do desemprego para a forma
como os homens compreendem o seu próprio valor social e o seu estatuto social
(Bakke 1934, 1940; Newman 1988, 1993; Townsend 2002).Tendo em conta o seu
sentido de quem são o que fazem para viver e o seu sentido do que fazem para viver
num emprego único e estável, nos termos do acórdão Katherine Newman, o estudo
semiinterno de Katherine Newman, «deixar suspenso e socialmente isolado sem
qualquer sentido estável de que são. Formação para ver a identidade como uma
questão de ocupação, mas não pode reivindicar um lugar na cultura empresarial de
que provém, que continuam a ser pessoas com deficiência social e suspensas a
tempo» (Newman 1988, 93).Colada no estado inicial de 1, entre o estado «deserção»
e o de desemprego não desempregado, os gestores despejados, isolados, isolados e à
deriva, uma caracterização dos desempregados que se mostrou bastante resiliente ao
longo do tempo, tanto na doutrina como na cultura popular. 2
E, no entanto, não é o que encontrei durante o meu próprio trabalho no terreno
entre trabalhadores despedidos no início da década de 2000. Entre 2001 e 2004,
passei a falar como a cultura de procura de emprego, participando em dezenas de
diferentes eventos de ligação em rede, feiras de emprego e seminários de procura de
emprego em Dal las, Texas. Reuni centenas de trabalhadores despedidos no setor da
alta tecnologia em domínios tão diversos como as telecomunicações, a conceção de
19
20 CAPÍTULO 1

sítios Web, a programação informática, a consulta do setor, e o comércio eletrónico.


Em última análise, entrevistei mais de setenta e cinco procura de emprego, cerca de
cinco vezes e, em 2009, desenvolvi «onde são agora» entrevistas de seguimento
com dez informadores primários. Refletindo a própria força de trabalho de alta
tecnologia, a maioria dos entrevistados eram homens de classe média, de cor branca,
intermédia e superior, mas o estudo incluía também as mulheres brancas e asiáticas,
os americanos Latinos e os americanos de ambos os sexos. 3 Na maioria dos
informadores estavam entre os vinte e cinco anos e sessenta e cinco anos. Quase
todos eram titulares de um nível de qualificações, e muitos tinham diplomas
avançados nas empresas, na engenharia e na sci de computadores. Os seus salários
pré-fixados variaram amplamente, mas a maior parte dos salários entre 40,000 e
100,000 dólares é um ano em que o emprego é contínuo. À medida que estes dados
demográficos se baseiam, estes trabalhadores ocupam um nicho privilegiado na mão
de obra americana, e as suas experiências não podem ser consideradas
representativas dos trabalhadores americanos de forma mais ampla (ver, por
exemplo, Karjanen e Kingsolver neste volume).No entanto, estes são os
trabalhadores qualificados, economicamente favorecidos e economicamente
favorecidos, que são supostamente os mais bem posicionados para resistir às
flutuações económicas e industriais. E, no entanto, também eles são cada vez mais
sujeitos, embora de formas diferentes, e a diferentes desengordurantes as mesmas
forças desestabilizadoras e as mesmas trajetórias que assolam outros domínios,
menos favorecidos do Ameri.
Através das minhas entrevistas e das minhas observações, aprendi que, embora
os trabalhadores do setor da tecnologia raramente tenham sido despedidos e, embora
a depressão e o isolamento tenham feito atrás as suas cabeças, agora e depois, os
trabalhadores que me encontrei não foram chocados nem devastados pelos seus
despedimentos. As suas identidades, em si próprias como profissionais valiosos e
qualificados, continuaram a ser, na sua maioria, intactas, provindo excecionalmente
resistentes mesmo após alguns anos de desemprego. Existem, naturalmente,
algumas partidas do individualismo otimista que caracterizou a maior parte das
respostas dos candidatos a emprego, mas, no final, os candidatos a emprego tendem
a concentrar-se não no que ou quem os fez, mas sim no que eles próprios poderiam
fazer para fazer avançar e salvaguardar os seus futuros profissionais. 4
Pedi por que motivo as respostas à perda de emprego tinham mudado tão num
período de tempo relativamente curto, apenas vinte anos desde o estudo da
Newman. Em última análise, concluí que, tal como a estrutura do trabalho
administrativo se alterou nas décadas anteriores, o mesmo tem também um
entendimento cultural do que significa ser utilizado, o que significa estar
desempregado e a forma como os trabalhadores se sentem individualmente.
Concretamente, os estudos de desemprego de funcionários até à data têm, quase sem
LIMITES DE LIMITAÇÃO 21

ano, uma presunção normal de emprego seguro e a longo prazo numa única empresa
e definiu o desemprego em oposição a essa norma. No entanto, esta «carreira
normal» — tanto nos seus formulários reais como idealizados, mudou, e, por
conseguinte, a nossa compreensão do seu alegado desemprego, o desemprego, deve
também alterar-se. A conceptualização do desemprego como um dos Estados exige,
por definição, uma estrutura e um conjunto de papéis e estatutos sociais estáveis, em
que os grupos ou os indivíduos acabarão por ser reintegrados depois de se
encontrarem numa fase tão limitada. Sem a presunção de um eventual regresso à
estabilidade, o enquadramento do desemprego como uma fase inicial destinada à
estabilidade profissional e social cessa de fazer sentido na forma como o fez, e a
clara diferença entre o desemprego e o emprego começa a desvendar.
Com base na minha própria investigação de trabalhadores administrativos sem
emprego nos primeiros anos do século XXI, descreva, neste ensaio, quatro turnos
que contribuíram para o ofuscamento, ou mesmo na separação, entre o emprego e o
desemprego: aumento da frequência da mudança de emprego; mudança de ideias de
sucesso na carreira; a criação de espaços culturais e sociais para procura de
emprego; e novos discursos em torno do trabalho que dependem cada vez menos do
emprego remunerado. Analisarei, em seguida, as implicações destas alterações para
as pessoas que sofrem de perdas de emprego, bem como para as de nós que
estudam.

Normalização e alteração do emprego


A mudança mais importante hoje em dia no que se refere à perda de postos de
trabalho é, talvez, que, na maior parte dos casos, a perda de postos de trabalho já
não é inesperada, nem, para a maioria dos trabalhadores, sem precedentes. Quase
60 % dos inquiridos tinham sido despedidos mais de uma vez. os despedimentos de
quadros 5, uma vez raros, tornaram-se cada vez mais comuns desde a década de
1970; cada uma das quatro recessões últimas afetou uma percentagem mais elevada
de trabalhadores administrativos do que os últimos (Mishel, Bernstein e Boushey
2003; Streetner e Wenger 2003; Sherholz e Mishel 2009).Mesmo os americanos
mais qualificados e altamente qualificados são agora regularmente aconselhados a
manter um «fundo de emergência» para cobrir as suas despesas de subsistência em
caso de despedimento imprevisto. De acordo com alguns consultores financeiros, o
tempo recomendado para a cobertura destes fundos durante a última década passou
de seis para oito meses para um a dois anos, de acordo com alguns consultores
financeiros, um indicador revelador do aumento das taxas de desemprego
prolongado, definido nos Estados Unidos como sendo de trabalhar durante vinte e
sete meses ou mais (Mayer 2010).
22 CAPÍTULO 1

Assim, para a maior parte dos trabalhadores, o sentimento de crença e de traição


ao género anterior de gestores com experiência após os despedimentos parece estar
a ser inferior à antiquada. Estes trabalhadores nunca tinham esperado passar as suas
carreiras a uma só empresa ou tinham chegado há muito tempo a tais expectativas.
Um candidato a emprego no seu atraso na década de cinquenta tinha sido despedido
três vezes durante a sua vida profissional.«A primeira vez», afirmou: «foi
devastadora. Sabe, «Oh a minha Gossh, o que aconteceu?» A segunda era mais
fácil.»
Juntamente com estas alterações, surge uma nova perspetiva sobre o que,
exatamente, o empregador e o trabalhador devem outro. Nas palavras de um
executivo do desenvolvimento tecnológico do desenvolvimento tecnológico, no seu
final da década de 50:

A melhor forma de examinar a situação é que, durante a década de 80, as


empresas perceberam que já não têm qualquer lealdade para com os seus
trabalhadores. Durante os anos 90, os trabalhadores não têm qualquer
lealdade para com as suas empresas. E penso que qualquer emprego se
baseia numa necessidade e numa competência. Sabe, muito numa base
contratual. Se uma empresa tiver necessidade de possuir as minhas
competências e posso fornecê-las, alugem-me. Quando tal for necessário,
quando já não me for necessário, certifique-se de que terminei.[..Não
tenho conhecimento de qualquer empresa quando esta é na sua carta, onde
tem o seu objetivo como uma empresa, proporcionar emprego às pessoas.
Sabe, não só não existe. Estão em condições de prestar um serviço ou um
produto. Não têm a oportunidade de contratar pessoas. E, como sabem, as
pessoas são um recurso. Um recurso muito importante.[..Mas sim um
recurso, o seu conhecimento, pelo que sabe.

Para bons ou para maus, os candidatos a emprego, os dias em que o trabalho árduo e
a fidelidade foram recompensados com um emprego seguro. Em vez de optar por
esta mudança, os trabalhadores de alta tecnologia em situação de desemprego falava
a possibilidade de serem tão «negociáveis» quanto possível (uma forma de
automercantilização que me parece mais tarde mais tarde deste ensaio), que se
posiciona de qualquer forma a torná-los mais valiosos, não só para o seu próximo
empregador, mas para a entidade patronal, e, inevitavelmente, depois.
Outras pessoas à procura de emprego partilharam experiências pessoais de se
adaptarem a esta nova realidade e às exigências por ela impostas aos trabalhadores
individuais. Um candidato a emprego no seu atraso explicado «Quando começou a
partir da escola, eaah, pensei ser o terceiro ano [até] a pessoa da reforma. Quando
iniciei o [meu primeiro emprego a tempo inteiro], pensei com a empresa para
sempre.» Quando o seu contrato de um ano com essa empresa não foi renovado,
LIMITES DE LIMITAÇÃO 23

encontrou rapidamente uma nova posição, desta vez numa empresa de Internet;
voltou a assumir a sua posição a longo prazo. Na sequência de um outro
despedimento, que chegou no dia em que a sua mulher entregou os seus filhos
gémeos, chegou a ver as coisas de forma diferente.«A minha visão mudou muito
hoje». hoje, adverte regularmente os amigos e os colegas para não presumir que o
seu atual emprego será duradouro.«Refiro-me a todas as pessoas, sempre que
encontrar um emprego, na procura do seu próximo emprego. Uma vez que três anos
a partir de agora vai passar por uma redução de algum tipo e em dez anos o mercado
vai voltar a diminuir, como tem de séculos.
Quer se trate de um emprego voluntário ou não, a mudança frequente de
emprego tornou-se a nova normalidade. O trabalhador médio americano muda agora
de emprego pelo menos dez vezes ao longo de uma carreira e tende a permanecer no
mesmo emprego por um pouco menos de quatro anos e meio. Os trabalhadores mais
jovens que se mantêm em empregos cerca de metade do tempo e estão no bom
caminho para deter entre quinze e vinte posições ao longo da sua vida profissional
(BLS 2012; Meister 2012).Uma vez peonde foi rejeitada como «alternância de
emprego» e considerada como um sinal de frivolidade ou de «deslealdade», a
mudança frequente de emprego para um emprego foi reenquadrada como uma
mudança de carreira, uma forma de ganhar promoções e de aumentar mais
rapidamente, ao mesmo tempo que impede o crescimento de uma das suas
competências e redes profissionais. 6
Esta perspetiva foi entusiasticamente apoiada por uma equipa de consultores de
carreira entrevistados em Dallas. Estes consultores aconselharam regularmente os
seus clientes — a maioria dos quais eram, ou tinham sido, empresas de execução —
a devolver a expectativa de segurança do emprego a favor de um modelo de
emprego mais perípótico:

Uma coisa que têm de compreender, e não o fazem ainda, é que tivemos
tempo em que as empresas assumimos o cuidado de nós para dez ou vinte
anos, trinta anos. Na realidade, as organizações de recursos humanos
dessas empresas geriram as nossas carreiras. O que têm de compreender
quando saem [para o mercado de trabalho] é que pensam que vai ser
difícil encontrar um emprego, mas quando tenho essa tarefa I há dez anos.
Não é isso que acontece. Está a mudar de três em três anos. E, por
conseguinte, têm de aceitar que o facto de ir mudar de três em três anos.
Não se trata de uma [situação em que] aí esteve há vinte anos, foi
arrancado e agora vai encontrar outra empresa e que vai ser lá para os
próximos vinte anos. Não vai acontecer. Estão enganados se consideram
que é isso que consideram.

Não obstante a convicção desta carreira de que os candidatos a emprego precisam


24 CAPÍTULO 1

de alterar a sua opinião e as suas expectativas (e, de facto, cobraram aos clientes
para os ajudar a fazê-lo), a maioria dos candidatos a emprego entrevistei, na
realidade, já partilhada esta prática e também crítica de quem não o fez.
Um engenheiro de software, em finais de dois anos, lamentou o seu
despedimento de uma empresa de avia, mas afirmou que era pouco inesperado e, de
alguma forma, bem-vindo. Era com a empresa cinco anos e meio à data do seu
despedimento. No seu entender, já tinha «ultrapassado» o seu tempo e preocupado
com o facto de o correio ser transferido para um papel ou estatuto
particular.«Embora estive a fazer mais do que eu estava a fazer mais cedo, e
certamente eu tive progressos na carreira e a progressão na carreira e os aumentos
salariais, tive conhecimento do meu nome como um determinado [tipo de
engenheiro].» Suspeito ter sido promovido tão elevado como alguma vez nessa
empresa e acreditava que já tinha ganho tanto que poderia trabalhar nesse país.«Há
uma determinada quantidade de competências que pode ir de um só local. Depois de
ter tomado conhecimento de todos os artigos do comércio, a menos que faça uma
mudança na empresa para se deslocar para outras áreas de incidência ou outros
grupos, o que é uma opção se ficar satisfeito com a empresa. Mas, de outro modo, o
mesmo é o mesmo, uma vez que, ao mesmo tempo, o seu tipo de escavar. Chegou o
momento de mudar.» Ser despedido, concluiu que, na realidade, tinha sido bom para
a sua carreira, uma vez que tinha decidido que nunca era do seu interesse
permanecer numa empresa há mais de cinco anos.
Outro jovem trabalhador, um pai casado de um, que tinha perdido o seu
emprego nas comunicações por ano mais cedo, reiterou este sentimento:

Penso que, se permanecer num local demasiado longo, perde o seu bordo.
Penso que as empresas valorizam muito menos os seus trabalhadores,
talvez quando costumavam trabalhar quando o meu pai trabalhava. Isto e
eu como o sentido da aventura. Penso que se eu próprio ficar há muito
tempo, há uma tendência para se conseguir uma boleia, para ser
complacente. Ora, tudo isto disse, se fosse a empresa perfeita com a
cultura perfeita, com a gerência que gostava realmente de trabalhar,
estarei para aí permanecer quinze ou vinte anos?Certo. Enquanto existir
um desafio coerente para o trabalho, enquanto existirem oportunidades de
aprender, aumentar. Mas não penso, neste dia e na idade, que exista
verdadeiramente com uma determinada empresa.

De acordo com esta perspetiva, a mudança frequente de emprego traz benefícios


pessoais e profissionais. Além disso, mantém as suas competências e o espírito
envolvido. E, embora este candidato a emprego apresente a possibilidade de uma
empresa ideal, à qual uma pode ficar com ambos os conteúdos e ser inspirada no
decurso de toda uma carreira, não está claramente a manter o seu hálito para que
LIMITES DE LIMITAÇÃO 25

essa entidade surja.


Uma vez que esta perspetiva parece ser um jogo jovem, vale a pena notar que os
trabalhadores mais velhos, homens e mulheres, expressaram as mesmas convicções.
Um candidato a emprego no seu atraso explicou que, hoje em dia, a maioria das
pessoas considera que a sua carreira é da sua própria responsabilidade, e não algo
que possa ser deixado nas mãos das empresas:

Não é [como] obtenção de um emprego e, em seguida, alguém está a


trabalhar para o resto da sua vida, ou desde que trabalhe arduamente e que
seja remunerado de forma adequada e promovido de forma adequada e
que tenha um emprego para o resto da sua vida. Penso que irá
desempenhar um papel mais ativo para avaliar as vantagens e
desvantagens de cada situação e decidir o que vai iniciar e quando vai
sair, e que é a melhor forma de avançar, e é provável que faça essa
avaliação de dois em dois anos.

Colocando todo o ónus da gestão de uma carreira nas mãos do trabalhador


individual, tema a que regressarei na secção seguinte, identifica a mudança de
emprego como a forma mais eficaz de progredir na carreira. Mesmo que os
candidatos a emprego mais jovens, por um período de dois anos, mais do que os
prazos de três ou de cinco anos, mais frequentemente sugeridos, defendem um
mudança de emprego de dois em dois anos.
À medida que a experiência de perder o emprego se tornou mais corrente, a
dramática transição de empregados para desempregados foi ligeiramente atenuada.
As pessoas podem não ser fixadas fora de prazo, mas podem looar, mas o riência
expe raramente é sem precedentes. Num mar de mudança de emprego constante, o
despedimento pode ser modificado como uma mudança de carreira, ainda que
involuntária. Para que esta mudança tenha ocorrido, não basta que os despedimentos
e as mudanças no emprego se tornem cada vez mais comuns. Fez outra mudança,
igualmente significativa para que tal aconteça, mais do que fazer com a forma como
as pessoas pensam sobre o seu emprego do que a duração da sua estadia.

Rise of the Protean Career


Durante os primeiros anos do século XX, os empregadores empresariais lutaram de
forma decisiva para convencer os homens, de classe média, de classe média, a
renunciar ao espírito de empresa pelo estatuto de trabalhador permanente. 7 No
âmbito da sua campanha de recrutamento e manutenção destes trabalhadores
apreciados, os empregadores reconceptaram, com sucesso, a carreira ideal como
uma série de mudanças no sentido ascendente ao longo de uma escada de uma
26 CAPÍTULO 1

empresa única, geralmente numa única empresa. Este modelo colado, e através dos
anos 1960 seguros, foi considerado como a justa recompensa dos homens e das
organizações de trabalho leais e leais. Nesta última parte do século, começou a
surgir um modelo alternativo de carreira, que sublinhou a flexibilidade em matéria
de previsibilidade e, na sua capacidade, deixou uma margem decisiva para que os
trabalhadores possam traçar as suas próprias vias únicas para o seu sucesso
profissional. Na década de 1970, a expressão «carreiras sob a forma de proteínas»
foi criada por um perito de gestão, Douglas T. Hall, na década de, que se destina a
satisfazer pessoalmente e a satisfazer pessoalmente. Em vez de permitir que um
empregador decida uma trajetória de carreira, foi deixado ao indivíduo planear se e
de que forma se pode fazer avançar os interesses pessoais e profissionais (Hall
1976).Este novo modelo foi alegadamente concebido para servir tanto os
empregadores como os trabalhadores, criando mais trabalhadores satisfeitos e
produtivos. Nesta nova conceção, o emprego estável era, na realidade, o inimigo da
liberdade individual, uma perspetiva que embateu plenamente com os princípios e
as políticas neoliberais que ganharam a força cultural na história americana. 8 Como
único executivo, «dar aos meus empregados segurança de emprego seria
descapacitá-los e libertá-los da responsabilidade que estes têm de sentir para o seu
próprio sucesso» (Ross 2003, 17).
Apesar do seu potencial para capacitar os trabalhadores, o consenso reside no
facto de a transição para um trabalho mais flexível ter feito o contrário. Ao mesmo
tempo que fez ao mesmo tempo que as empresas norte-americanas aproveitaram a
dimensão para reduzir as despesas e aumentar as avaliações das existências, a
carreira proteica começou a olhar menos como um instrumento emancipatório para
os trabalhadores do que uma desculpa para os empregadores separarem-se da
responsabilidade pelo bem-estar dos trabalhadores e pelos futuros profissionais. É
certo que alguns trabalhadores altamente qualificados conseguiram beneficiar do
aumento do trabalho condicional e dos contratos e conseguiram, voluntariamente,
comercializar um emprego tradicional a tempo inteiro por conta de carreiras menos
seguras, mas potencialmente mais lucrativas e interessantes enquanto contratantes
independentes (Cevley e Kunda 2004; Marschall 2012; Osnowitz 2010).Na maioria
dos casos, porém, a flexibilidade é apenas um eufemismo para a eliminação, e a
liberdade de construir uma própria carreira foi criada na obrigação de navegar nas
águas profissionais cada vez mais incertas sem orientação ou apoio. Os custos
elevados desta transição para os trabalhadores, as suas famílias e a sociedade
americana foram bem documentados. Mesmo Hall, a entidade de origem do termo «
proteínas» e um dos defensores mais ativos do conceito defendem, mais tarde, a
forte pressão exercida por este tipo de carreira para os trabalhadores individuais, que
se viram confrontados com as exigências do planeamento e da preparação para os
futuros profissionais que se veem cada vez mais incertos (Harrington 2001).As
LIMITES DE LIMITAÇÃO 27

perdas daí resultantes não são apenas uma questão de dificuldades emocionais, de
dificuldades financeiras, ou de redução das oportunidades profissionais; Também se
apresentam sob a forma de um capital humano desvalorizado, de um potencial
desadaptado e da erosão de uma certa lealdade de valor, de um compromisso e de
uma mobilidade ascendente que, uma vez servido como base das ideias americanas
sobre o trabalho e as suas recompensas. 9
No entanto, a carreira proteica, pelo menos na sua forma idealizada, continuou a
ganhar terreno cultural e goza agora de uma popularidade generalizada muito para
além dos meios de gestão. Hoje em dia, a expectativa de que os indivíduos assumam
a responsabilidade pela gestão das suas próprias carreiras é imbuída de que se
afigura pouco digna de referência, e o atributo da flexibilidade é agora apreciado
muito mais elevado do que os traços de lealdade ou de perseverança. Para ser
flexível, neste processo, significa estar disposto a ser tudo ou tudo o que um
empregador possa exigir. Como é o caso da imag, este esforço requer um processo
complexo e contínuo de gestão de impressão, a fim de reformular de forma contínua
a perceção de um grupo de empregadores de vasos. Por conseguinte, o processo de
procura de trabalho tem vindo a diminuir em termos de autopromoção e de
automercantilização, uma vez que os candidatos a emprego são incentivados a ver
as marcas ou os produtos a ser comercializados e vendidos a potenciais
empregadores. Apesar de os críticos culturais terem manifestado a sua consternação
perante as implicações psicológicas e políticas desta mercantilização da automarca,
«a marca chamada você,» como a carreira proteica, tornou-se tão comum que as
pessoas à procura de emprego I entrevistei regularmente as suas «mercadorias de
marketing» e a elas próprias como «produtos de base» a serem «utilizadas» pelos
empregadores, sem reconhecer que poderiam existir outras formas de
conceptualização menos orientada para o mercado de trabalho para si próprio e para
o seu trabalho. 10
Juntamente com esta ênfase na flexibilidade e na possibilidade de
comercialização, é necessária uma definição mais capacitiva do que uma boa
carreira é, de facto, semelhante. Com êxito, o sucesso não é definido pelo facto de
nunca ter perdido um emprego, mas sim pela capacidade de encontrar sempre um
novo, mesmo que isso implique a invenção de um para si. De acordo com este ponto
de vista, uma carreira é algo que deve ser abatido em conjunto a partir de uma série
de situações diferentes, por vezes sobrepostas, de emprego a tempo inteiro, trabalho
a tempo parcial, contratos e posições de consultoria e trabalho por conta própria.
Entende-se que os períodos de desemprego serão, por vezes, colocados entre estas
diferentes posições e que a perda de um único emprego, mesmo de vários postos de
trabalho, pode facilmente camuflar, quer em relação à retoma, quer no interior de
uma narrativa mais pessoal do progresso profissional. Com efeito, como vimos
acima, a perda de postos de trabalho pode também ser enquadrada como o
28 CAPÍTULO 1

catalisador de mudança para diferentes e melhores coisas, mesmo que não tenha
sentido no dia a chegada do deslizamento de cor de rosa.
Entre os candidatos a emprego, esta reforma conduz, por vezes, a um
interessante novo valor da hierarquia entre os trabalhadores e os desempregados.
Em vez de ver os trabalhadores por conta de outrem, escolhidos poucos, os
candidatos a emprego são por vezes despejados com posições seguras como
dependentes feminizados, qualificando-os como dependentes feminizados,
qualificando-os como «filhos», «crianças,» e «vítimas à disposição.» 11 Um
candidato a emprego masculino nas suas dificuldades, por exemplo, descreveu a sua
decisão de começar a sua própria empresa como forma de escapar a «uma empresa,»
uma forma claramente baseada no género de enquadrar a dependência de um único
empregador. Outro jovem candidato a emprego, também masculino, efetuou uma
rusga aos seus empregados para esperar que o seu empregador lhes forneça tudo
mais do que uma remuneração de trabalho concluída.«Vocês não são crianças»,
afirmou.«É necessário gerir as suas próprias carreiras.» Assumindo a perspetiva da
empresa para a qual trabalhou, continuou, «Podemos ajudá-lo, mas se não assume a
responsabilidade pelo crescimento da sua carreira, está a perder mão a si próprio.
Por que razão uma empresa tem de o fazer para si?» Os desempregados à procura de
emprego, em contrapartida, foram posicionados como agentes livres independentes,
os capitães dos seus próprios destinos, contudo, financeira ou profissionalmente,
esses destinos poderão vir a revelar-se.
Para além de reverter pelo menos uma parte do estigma tradicionalmente
associado à perda de emprego e ao desemprego, este novo modelo compromete
também a linha de demarcação entre o emprego e a sua alegada folha, o
desemprego. Afinal de contas, o facto de estar desempregado e de procurar a sua
próxima carreira é muitas vezes feito simultaneamente; a criação de uma empresa
pode considerar muito como o desemprego até os primeiros lucros ou investimentos
a realizar; e mesmo a entidade contratante mais popular inevitável em períodos
durante os quais os seus serviços não estão envolvidos. Assim, o desemprego tem a
característica de representar o fim de uma carreira ou, pelo menos, de um desvio
grave da sua carreira, até mesmo uma parte natural da progressão da carreira
moderna.
Criação de uma cultura de desemprego
Tal como referido anteriormente, a experiência de desemprego hoje é muito baixa,
como a estigmatiza, a «Newman», e outras foram descritas. Parte deste aspeto tem
de fazer com as mudanças estruturais e comportamentais acima descritas, mas esta
formação trans é também o resultado de uma terceira mudança, que envolve as
experiências de vida quotidiana dos desempregados.
No meu estudo, os trabalhadores Tech referiram muitas vezes a procura de
emprego como «o mais difícil emprego que alguma vez terá» «Reaproximar a
LIMITES DE LIMITAÇÃO 29

procura de trabalho por si só uma forma de trabalho valiosa».Embora Barbara


Ehrenreich (2009b) e outros criticaram esta fragilidade de procura de emprego, por
si só, como uma forma insidiosa de controlo social, concebida para impedir o
protesto político, muitos norte-americanos continuam a aceitar a procura de
emprego, retirando-lhes eles próprios os melhores candidatos a emprego,
independentemente de os seus esforços resultarem no reemprego. Os candidatos a
emprego conseguiram recriar os ritmos e mapear o emprego nos seus dias de
desemprego. Awoke cedo, vestido de negócios ocasionais e conseguiu trabalhar
imediatamente à procura de trabalho. Um entrevistado que tivesse efetuado a sua
procura de emprego no seu domicílio tinha um sinal na porta do gabinete onde se lê
«Daddy’s at Home», por um lado, e «Daddy’s at Work», por um lado, e «Daddy’s at
Work», por outro, para indicar se a sua mulher e os seus filhos eram livres de o
interromper.
Os candidatos a emprego encontraram outras formas de recriar os padrões de
vida profissional em casa. Os eventos organizados para a criação de redes, que a
maior parte dos candidatos a emprego frequentavam de forma religiosa,
proporcionaram oportunidades frequentes para a identidade profissional de uma
pessoa num contexto quase empresarial, especialmente através da entrega semanal
de «com mercials», da repetição semanal de um título e de áreas de especialização
que permitiram aos candidatos a emprego desempenhar as suas identidades
profissionais para um público recetivo. Outros rituais incluíram o intercâmbio de
cartões de empresa, que foram impressos com um gestor da base de dados, «gestor
da base de dados», «arquiteto de informação», mas sem o nome de um empregador
específico. As pessoas à procura de emprego converteram regularmente os cartões
de empresa entre si, reunindo bases de dados impressionantes de cartões e
credenciais de um anoTH e, por vezes, dos organizadores de cartões de negócios
antigos, muitas vezes por digitalização dos cartões em documentos digitais.
A questão de saber se os desempregados estão bem posicionados para ajudar
mutuamente os novos postos de trabalho foi objeto de algum debate. Muitos
sociólogos que estudam redes profissionais argumentam que os desempregados não
têm a sua influência profissional para ajudar outros a ocupar novas posições. Em
contrapartida, outros alegam que os candidatos a emprego estão, de facto,
idealmente posicionados para ajudar outros desempregados, uma vez que estão
constantemente em sintonia com os empregos abertos e o que as empresas e as
indústrias estão a contratar, têm tempo para chegar às suas próprias redes em nome
dos seus associados e são favoráveis ao desejo urgente de outras pessoas de voltar a
encontrar novo emprego. Independentemente da sua taxa de sucesso em termos de
novos empregos, esses grupos desempenham claramente uma função importante
para os trabalhadores do setor das tecnologias desempregadas. Para além de
assegurar que os rituais de reconforto e de afirmar rituais oferecem um sentimento
30 CAPÍTULO 1

de comunidade, camuflagem e apoio durante o que é, mesmo no melhor dos casos,


um momento difícil e incerto. Muitos dos participantes confessaram, durante as
entrevistas, que não tinham inteiramente a expectativa de que um grupo específico
os ajude a encontrar um novo emprego, mas que, de qualquer forma, continuaram a
assistir ao grupo e aos seus membros. Um novo trabalhador do setor tecnológico
voltou a ser a única coisa má sobre o seu novo emprego que já não tinha tempo para
os grupos de trabalho em rede que tinha participado de forma asseverar durante o
seu tempo de trabalho. Espera que um dia encontre tempo para regressar aos grupos
(embora não tenha esclarecido, devido a outra perda de emprego), tanto por ter pago
sempre a rede até à data como por ter perdido o sentido de comunidade, tão raro na
vida moderna, que o grupo tinha fornecido.
Conforto e comunidade, tais grupos tiveram também os seus aspetos negativos.
Através de meios formais e informais, os participantes foram incentivados a centrar-
se explicitamente nos positivos e desencorajados de falar sobre a reforma estrutural
em reemprego. O facto de criticar o antigo empregador era visto como o
crescimento do leite espirado, lamenta que o aumento da taxa de desemprego fosse
respeitado com as garantias de que alguém, algures estava a obter um emprego
apesar do fraco mercado de trabalho, e mergulha na depressão ou no desânimo), o
que levou a que um entrevistado triste fosse raramente um entrevistado
impressionante. Deste modo, o grupo retomou uma abordagem individualista,
otimista à procura de emprego, desencorajando o discurso político ou a ação
coletiva 12.
A atração das pessoas à procura de emprego para estes grupos é claramente
complexa, bem como os motivos e as funções dos próprios grupos, mas a sua
centralidade para o que chamemos à nova cultura de procura de emprego é inegável.
Estes grupos existem em quase todas as comunidades do país, organizadas por
escolas, igrejas, organizações sem fins lucrativos, agências governamentais e,
ocasionalmente, empresas com fins lucrativos. Num determinado dia, as pessoas
desempregadas têm uma série de eventos, seminários e estruturas de escolha,
dirigidas especificamente a quem está à procura de trabalho. Com cerca de
12 milhões de americanos atualmente desempregados (sem contar aqueles que se
encontram subempregados ou que são demasiado desencorajados a continuar à
procura de emprego), a procura de tais serviços não é surpreendente. Contudo,
gostaria de argumentar que a proliferação de tais grupos tem outras raízes mais
complicadas.
A antropologista Linda Layne (2000, 502) alegou que o estigma e o isolamento
do desemprego com que se deparam as gerações anteriores pode ser reduzido se,
como cultura, seguirmos os rituais com perda de emprego modelado após os
partidos de reforma que enceta os contributos dos trabalhadores e marque a sua
transição para um novo estádio de vida. 13 Layne identifica corretamente o potencial
LIMITES DE LIMITAÇÃO 31

benefício dos rituais para os desempregados, mas perde a marca quando sugere a
reforma como um paralelo adequado. Uma vez que a estrutura e o conteúdo das
reuniões em rede acima descritas sugerem, os trabalhadores despedidos não querem
passar à reforma; Querem sentir-se ativos e, por isso, participam ativamente numa
cultura de procura de emprego que se assemelha mais do que a uma estrutura e o
ritmo da vida profissional. Estão dispostos a trabalhar, a apresentar-se como se
estiverem efetivamente a trabalhar e, nas suas reuniões semanais de trabalho em
rede, reproduzem a estrutura e o tom das reuniões de nível corpo, corpo, sem fim,
da maioria das pessoas empregadas.
Com o advento desta nova cultura de procura de emprego, completada com os
seus próprios ritmos, os papéis e os rituais, a diferença entre o emprego e o emprego
torna-se cada vez mais pouco clara. Este ofuscamento é apenas pretendido pelas
recentes configurações da estrutura e das práticas de trabalho remunerado
propriamente dito. À medida que cada vez mais os sul-americanos começam as suas
próprias empresas ao domicílio e trabalham em empregos que são contratos, a curto
prazo ou a tempo parcial, quer por escolha, quer por necessidade, a experiência
quotidiana do trabalho começa a ter em conta a experiência de procura de emprego.
Uma vez que tive, na sessão, com os meus colegas membros do painel que inspirou
este volume, não é que, na maior parte dos casos, os quadros mais difíceis,
incluindo trabalho académico nessa categoria. Sentimo-nos em frente a
computadores, enviam mensagens de correio eletrónico e de sítios de pesquisa,
escrevem e reveem documentos e, ocasionalmente, sentimos em reuniões que
encontrámos intermináveis. Tal é o caso, em termos gerais, do tempo que as pessoas
empregadas dedicam aos seus dias de trabalho. Por conseguinte, os funcionários
administrativos têm vindo a registar uma situação notável como o emprego de
quadros, mas sem o pagamento dos salários, uma dis tingir o que passo agora.

A dissociação do trabalho e das remunerações


A quarta mudança significativa, no que se refere à natureza da relação entre o
emprego e o desemprego, refere-se a este último aspeto em pormenor, o controlo de
pagamentos. Muitos, mesmo a maioria, das pessoas a que fiz referência de forma
constante nas minhas publicações de investigação como «desempregados» ou
«candidatos a emprego» estavam, de facto, a trabalhar para pagar de um ponto ou
outro durante o tempo que passei entre eles. Alguns contratos a curto prazo ou a
consulta de empregos, muitas vezes para antigos empregadores, que lhes permitiram
continuar a trabalhar no setor da alta tecnologia, ganham algum dinheiro (embora
não os benefícios) e evitam a retoma das lacunas. Estas gigações conduziram, por
vezes, a mais autorizações, e muitas eram bastante lucrativas enquanto duraram.
32 CAPÍTULO 1

Outras pessoas à procura de emprego trabalharam longas horas de voluntariado


para as empresas em fase de arranque sem constituição de provisões, na esperança
de que este trabalho não remunerado resultaria, em última análise, numa situação a
tempo inteiro, logo que a empresa garantiu o financiamento. Apesar de ter a certeza
de que, por vezes, esta tática funciona, não recebi quaisquer observações deste tipo
durante a minha investigação. Mais frequentemente ouvi histórias de voluntários
que se sentiam pouco apreciados e trabalhados, que acabaram por decidir que o seu
tempo seria mais bem gasto na procura de emprego. Uma mulher, doutorada em
informática, contribu semanas em tempo não remunerado e conhecimentos
especializados para uma empresa em fase de arranque especializada em transmissão
digital em contínuo (streaming), antes de se aperceberem que os «suportes digitais»
que os fundadores planeavam corrente eram pornografia. Abandonou imediatamente
a seguir, afirmando que não tinha qualquer interesse em trabalhar para tal empresa e
que tinha começado a suspeitar que, de qualquer modo, não teria conduzido a uma
situação de pagamento.
Outros adotaram posições «provisórias» para pagar as faturas, ao mesmo tempo
que continuaram a procurar um emprego no domínio escolhido. Esperou as mesas,
os camiões sem carga, as flores entregues, as prateleiras de armazém, os artigos de
joalharia vendidos na mãe ou os vegetais de um viveiro local, ensinados em
espanhol à noite, ou estudantes do ensino secundário até ao dia. Embora estes postos
de trabalho tenham representado uma diminuição drástica da remuneração e do
estatuto, os candidatos a emprego tendem a descrever a sua decisão de tomar essas
posições com orgulho, como prova da sua vontade de fazer tudo o que for
necessário para apoiar e, para algumas, as suas famílias. Baseando-se em crenças
norte-americanas de longa data em torno do valor do trabalho árduo, transformaram
o que poderia ter sido uma narrativa sobre a mobilidade reduzida para uma
resiliência moral e o triunfo do espírito humano.
No entanto, mesmo estes trabalhadores possivelmente empregados (para eles
eram, evidentemente, mak dinheiro, embora menos do que eram usados)
continuaram a pensar em si próprios como desempregados e à procura de emprego.
Durante o meu trabalho de campo, encontrámos um desenhador de sítios e um
gestor de projeto com experiência, que, após um despedimento no seu atraso,
regressou ao seu cargo em quadros de espera. Continuou a procurar trabalho no
domínio da alta tecnologia, mas mais de um ano de consultas sem sucesso e alguns
contratempos financeiros tinham forçado a decisão a seu respeito.«chegámos a um
ponto do ponto de vista financeiro», afirmou, referindo-se a si próprio e à sua
mulher, cujo salário de ensino mal cobria as suas despesas de subsistência básicas,
«em que tive de fazer algo mais para produzir algum dinheiro. Decidi voltar a ficar
e começar a pegar.». o emprego foi feito de um dia para o início do processo —
«Desejou a verificação da razão pela qual um lote de guys de meia idade não espera
LIMITES DE LIMITAÇÃO 33

tabelas de espera nos restaurantes — e, por vezes, por humilhar.

Também está de volta numa situação em que está ao serviço do


público.[...] recebe um grande número de pessoas que nos vão entrar e
ordenar a sua encomenda de uma forma que não faz para qualquer outra
pessoa, mas fazem-no simplesmente porque podem. É o único local do
mundo em que pode legitimamente esperar que alguém faça o que diz.
Muitas pessoas, que necessitam desesperadamente do shit chod out, fazem
parte de um sorrismo e de uma ondulação. Isto é bom, em especial quando
se encontra num ambiente de corte de 85 % de salário.

Apesar das suas frustrações, a experiência lhe deu, de facto, um novo classar sobre a
sua própria identidade.«sabia com absoluta certeza», explicou «que, para que
alguém tomasse uma ideia do que me poderia dizer, «Isto não é a minha vida.»
Porque sabia que, enquanto no caso de um vivo que estava à espera, não era um
empregado de mesa. Comecei a refletir mais em termos de recolha de competências
e de traços que poderiam ser aplicados a qualquer número de coisas». para si, tal
como para muitos outros, o seu trabalho temporário não era «real» porque não era
proporcional à sua educação, experiência e níveis de remuneração e estatuto
anteriores. Os quadros de espera não se conformaram com o seu sentido de que é e o
que faz, pelo que se comprometeu a adotar um ideal flexível em que não era um
único trabalhador, mas sim um feixe de atributos negociáveis em constante
mutação.
Para estes trabalhadores, a identidade profissional já não depende de um
emprego estável e estável na alegada profissão. As suas identidades profissionais
foram apoiadas por outros meios, nomeadamente através da adoção do conceito de
carreira pro Tean e da participação nos eventos de identificação da rede acima
descritos. Se eu for portador de um cartão de empresa que me identifique como
programador de software, participe regularmente em eventos de ligação em rede
para os criadores de software, tenha recebido recentemente a minha certificação
numa nova linguagem de programação e dê o meu tempo a desenvolver software
para a minha filha, depois por qualquer outra definição, mas a muito menor das
definições, sou, de facto, um programador de software, independentemente da
minha situação profissional. Em conjunto, o declínio do emprego seguro, o aumento
da carreira proteica, o crescimento da cultura de procura de emprego e a alteração
das noções do que conta como trabalho tem em conta para a erosão do que foi, uma
vez entendido, como uma clara delimitação entre o emprego e o desemprego.
34 CAPÍTULO 1

Conclusões
A profunda implicação deste desmascarar o binário emprego/desempregado para as
bolsas de trabalho, tanto no trabalho como no desemprego, perder-me muito depois
de concluir a minha investigação. Apesar das vias óbvias em que as atividades e as
perspetivas dos trabalhadores do setor das tecnologias desempregadas puseram em
causa a fronteira dos trabalhadores por conta de outrem/desempregados, quando
escrevi sobre este trabalho de campo, enviei continuamente o meu entender como
«desempregado» e «desempregado». na introdução ao meu livro A Com algum de
um, explicámos sucintamente essa decisão. Escrevi, entre parênteses, entre
parênteses:

(embora utilizo o termo «candidato a emprego» para todos os meus


entrevistados, como explico mais tarde, algumas pessoas tiveram algum
tipo de emprego no momento em que as entrevistaram, incluindo
prestações a curto ou a tempo parcial em alta tecnologia ou, de um modo
geral, empregos pouco remunerados e de baixo estatuto em áreas
totalmente independentes. No entanto, estes trabalhadores se
caracterizavam pelo facto de estarem presentes, e, portanto, como tal,
porque continuaram a procurar ativamente trabalho em, ou estavam
relacionados, com a sua antiga especialidade ao nível dos salários e do seu
estatuto mais próximo dos das suas anteriores funções.) (Lane 2011, 8)

Por outras palavras, estive a atividade intelectual difícil de investigar esta


contradição aparente, aceitando de forma acrítica a própria língua dos candidatos a
emprego, apesar de interpretar o significado subjacente a essas escolhas divergentes
foi precisamente a tarefa que, enquanto antropologista interpretativo, se tinha
definido para mim próprio.
Só depois de colaborar com Jong BUM para conceber o painel de conferência a
partir do qual este volume cresceu, começei a pensar com mais cuidado sobre a
forma como os antropologistas abordaram tradicionalmente o estudo do desemprego
e como têm, implícita ou explicitamente, definido o estado de estar desempregado.
Foi então que desenvolvi, não estive, ou deferi com mais precisão, um exemplo da
forma de abordar frontalmente as implicações teóricas das alterações estava a ver.
Estive em jogo quando concluí simplesmente que a estrutura e o significado de
desemprego mudaram para os trabalhadores de hoje. O argumento mais importante
que espera ser feito foi que, atualmente, o desemprego não é realmente um
verdadeiro desemprego, pelo menos de acordo com as definições tradicionais. O
recurso a si próprio é cada vez mais precário. A perda de postos de trabalho tornou-
se mais comum, tendo mesmo sido idealizada ao abrigo da flexibilidade.
Estruturalmente, bem como nos seus ritmos e aos rituais, o desemprego vigia agora
e muito particularmente como o emprego. Mesmo o trabalho remunerado não conta
LIMITES DE LIMITAÇÃO 35

necessariamente como emprego, e não quando os trabalhadores definem as suas


identidades profissionais através de outras atividades, para além, ou mesmo
totalmente independentes, do trabalho de que dispõem por forma de remuneração.
Todas estas realidades se combinam para atestar que o trabalho, a remuneração e a
identidade ficaram sem ligação em algum momento nas décadas anteriores e nos
anos em que se juntaram novamente numa configuração mais complicada do que as
categorias duplas ou «empregados» e os «desempregados» podem englobar. Não há
um estatuto tão restrito quando não há dois estatutos definidos para a captura de
betwixt e entre. Assim, a conceptualização do desemprego como ponto de referência
ou, intrinsecamente, estigmatizou, porém, essas características pode ter sido na
descrição de situações anteriores que não são adequadas para pensar em termos de
experiência profissional e de desemprego de hoje.
As mudanças como esta, na natureza do trabalho e no significado que representa
para as pessoas que as executam (ou desejam que lhes seja dada a oportunidade de o
executar), não são, de forma alguma, únicas para a indústria de alta tecnologia, nem
para o trabalho administrativo, nem para os Estados Unidos. Como demonstram os
capítulos deste volume, os conceitos de emprego e de desemprego, bem como os
instrumentos conceptuais e metodológicos que utilizamos para os explorar, são
maduros para serem desmantelados e recriados.
Para a minha própria investigação, isso significa eliminar o fosso construído
entre as pessoas que trabalham para pagar e as pessoas que não trabalham, bem
como as médias culturais e as avaliações atribuídas a ambos os lados desse binário.
Para quem pretende estudar o desemprego, que são exatamente os nossos temas de
investigação?A pessoa em situação de desemprego nos Estados Unidos é objeto de
um longo debate. É amplamente reconhecido que os níveis de desemprego dos
funcionários aliados subcontam o número real de pessoas que, utilizando parâmetros
mais comuns, serão consideradas desempregadas. Por exemplo, a taxa oficial inclui
apenas os desempregados capazes de trabalhar que tenham procurado ativamente o
emprego nas quatro semanas anteriores. Tal não inclui os «trabalhadores
desmotivados» que se viram à procura de emprego, os «trabalhadores
marginalmente ligados» que estão desempregados e procuraram trabalho no último
ano, mas não no último mês, ou «trabalhadores a tempo parcial por razões
económicas» que desejam um trabalho a tempo inteiro, mas liquidados a tempo
parcial. Se estas categorias de trabalhadores tivessem sido incluídas, a taxa de
desemprego oficial dos EUA mais do que duplicou nos últimos anos (BLS 2009;
Plumer 2012).
Para além destes debates estatísticos, a questão mais importante é a de como a
remuneração, o trabalho e a identidade se enquadram em conjunto. O que se entende
por perda de emprego ou perda de emprego, mesmo idealizada, partes da carreira
contemporânea?Qual é a forma adequada de descrever indivíduos que concepturem
36 CAPÍTULO 1

eles próprios como desempregados, mas que, na realidade, estão empregados em


posições remuneradas, embora geralmente com salários baixos e baixos, embora
continuem a procurar trabalho no seu domínio de preferência?Como devem ser
classificadas as pessoas que desempenham a sua especialidade profissional sem
pagar na esperança de aterrar uma posição futura, ou de manter as suas
competências aguçadas e as suas pessoas ocupadas?Adicionar outro nível de
complexidade, qual o dos pais despedidos que assume o papel de guarda primária da
casa e das crianças e procura emprego remunerado?Está desempregado, um
homemor ou ambos?Nestes e em tantos outros casos, determinar o que constitui
exatamente um emprego e se esse termo continua a ser útil para a reflexão através
de ligações entre trabalho, remuneração e produtividade exige uma visão mais
ampla, mais ampla, do modo como a estrutura e a experiência de trabalho evoluíram
ao longo do tempo e entre regiões, cocu e populações. Só adotando esta perspetiva
mais ampla, os académicos de desemprego estão dispostos a contribuir com novos
capítulos para a atual história do que significa «trabalho» e o que significa quando
os trabalhos vão longe, capítulos que fazem justiça aos ricos e rigorosos debates
iniciados pelas gerações de docentes-investigadores que nos precederam.
2
LIMITES AO PENSAMENTO
QUANTITATIVO
Economia do emprego sobre os desempregados

David Karjanen

Quando o desemprego é debatido na esfera pública, é geralmente reduzido às suas


características mais rudimentares: está a aumentar ou a diminuir, os números são
elevados, o número é baixo. As discussões académicas do desemprego,
essencialmente no domínio da economia, também tendem a estabilizar a questão,
centrando-se estritamente na questão de saber se a taxa de desemprego é cíclica ou
devido a forças estruturais ou de atrito, como a medir, etc. É certo que estas formas
de pensar e de estudar o desemprego têm valor, uma vez que nos ajudam a
compreender certos aspetos do desemprego. Mas também perdem outras formas de
pensar no desemprego. Como defendi neste capítulo, não veem o desemprego como
um processo social caracterizado por relações de poder assimétricas que funcionam
simultaneamente de forma simultânea e mais complexas e importantes. Em vez
disso, tendem a examinar o desemprego em grande medida como um conjunto de
comportamentos individuais agregados (especialmente quando se analisam
estatísticas a nível nacional) e, por conseguinte, não têm em conta a forma como os
processos de desemprego e de procura de trabalho são moldados pelas relações
sociais existentes e por outros fatores que desmistem o modelo de candidatos a
emprego como intervenientes racionais que procuram maximizar os benefícios
económicos. Existem algumas análises mais matizadas do desemprego.
Testemunhar, por exemplo, o grande volume de investigação sobre as relações
complexas e interativas que ligam a perda de emprego e os limites sociais, o crime e
a marginalização económica (Hagan 1993; Rosa e Clear 1998; Gallie, Pugam e
Jacobs 2003).De uma perspetiva mais teórica em antropologia, abordagens de longa
data na ótica da antropologia económica e não como o estudo da economia. Pelo
contrário, a economia e o nomena associada (desemprego, inflação, etc.) são a
construção de uma economia académica ocidental e não necessariamente as práticas
37
38 CAPÍTULO 2

empiricamente identificáveis de produção, distribuição, consumo, etc. (Gregory


1989).No âmbito da economia e da história de pensamento social e económico
moderno, existem críticas substantivas (Hart e Lautzheiser 2001; A MIROWSKI
1989), mas, apesar destas críticas, subsiste uma clara necessidade de abordagens
mais qualitativas, historicamente informadas e adaptadas ao contexto e
culturalmente preparadas para compreender o desemprego de diferentes perspetivas.
Para demonstrar o valor dessa bolsa de estudo, presto, neste capítulo, a minha
própria etnografia e estudos de residentes economicamente marginalizados de
comunidades com rendimentos mais baixos em San Diego, Detroit e Minnepois-
Saint Paul. Em San Diego, estive no trabalho sobre a pobreza urbana ao longo da
última década, incluindo entrevistas com homens e mulheres desempregados à
procura de trabalho através da formação profissional e de programas de colocação
de ex-infrator. Mais recentemente, este trabalho foi alargado a fim de incluir os
desempregados em Minnepois-Saint Paul, bem como o trabalho de campo realizado
em Detroit sobre o mercado de trabalho de baixos salários. Os estudos de caso
qualitativos que tiramos provêm deste projeto tão vasto, comparativo e etnográfico.
Trata-se aqui de uma situação em que o desemprego é, teoricamente, uma fonte
de desemprego ligada a uma compreensão do contexto social. O desemprego não é
simplesmente a ausência de trabalho para um indivíduo ou indivíduos; trata-se antes
de todo um processo social relacionado com o desemprego. Além disso, como
defendo neste capítulo, trata-se de uma relação de poder social e de desigualdade
que opera em múltiplas dimensões na sociedade. As implicações desta perspetiva
são fundamentais para o modo como os diferentes domínios abordam a questão do
desemprego. Com debates sobre o desemprego, dominados em grande parte por
argumentos políticos de modelização e redução, a inovação no processo de
elaboração de políticas ou os progressos na compreensão da complexa questão do
desemprego podem ocorrer. A pressão para diferentes abordagens permite fazer
parte do complexo conjunto de relações sociais envolvidas na contratação,
despedimento, dinâmica do mercado de trabalho, etc. Como tal, o meu objetivo é
defender mais especificamente a consideração das relações sociais tanto do emprego
como do desemprego. Neste sentido, a perspetiva do desemprego como uma relação
social situada no âmbito das complexas relações sociais e de poder carregado que
abrangem os processos de contratação e de queima.
Quadro económico convencional — independentemente de se afirmar que o
desemprego Keynesiana, neoliberal ou mesmo o desemprego como um exército de
reserva é uma relação entre as forças mais amplas que podem ser medidas na
economia: oferta e procura, ciclos económicos, mudanças tecnológicas e outros. Os
modelos são desenvolvidos e as teorias testadas com dados quantitativos e existem
provas de apoio ao modelo ou não. Ao longo do tempo, os modelos evoluem à
medida que se realiza mais investigação, mas com qualquer fenómeno social
LIMITES AO PENSAMENTO QUANTITATIVO 39

complexo, a verificação empírica do que está a conduzir o desemprego continua a


ser amplamente aberta à especulação. Por exemplo, a diminuição das taxas de
participação na mão de obra é vista como um produto dos trabalhadores que se
tornam desencorajados e já não procuram trabalho (por conseguinte, já não são
contabilizados nas estatísticas do desemprego) ou das alterações demográficas (os
trabalhadores se reformam sem o número de trabalhadores mais jovens para que
possam ter o seu lugar).Este conjunto de pressupostos diz-nos muito pouco sobre o
desemprego e é impossível verificar empiricamente sem dados reais sobre a razão
pela qual os trabalhadores podem ou não estar a abandonar a mão de obra.
A investigação qualitativa e aberta do ponto de vista qualitativo e sem termo
leva a uma abordagem epistática diferente. A capacidade geral é mais difícil devido
à menor dimensão das amostras, mas a profundidade e a complexidade dos dados
são muito maiores. Além disso, em vez de desenvolver modelos e teorias e de os
testar contra dados de inquérito, a investigação etnográfica no terreno recolhe
muitas vezes os dados em primeiro lugar e, em seguida, desenvolve modelos ou
teorias desses dados. Uma abordagem é mais dedutiva, a outra mais indutiva.
Ambos são fundamentais para a compreensão do desemprego, pelo que o meu
argumento é que a investigação antropológica tem um papel fundamental a
desempenhar não só na compreensão do desemprego como um fenómeno social,
mas também no fornecimento de uma análise mais crítica e adequada do que
constitui, e em última análise, o emprego como um processo social.
Nas secções seguintes do presente documento, analisarei várias abordagens
diferentes à questão do desemprego utilizado na economia convencional, incluindo
a teoria da procura de emprego, a teoria do capital humano e a ênfase na
discriminação racial. Para cada oferta de investigação crítica com base no meu e
noutros’ investigação etnográfica e empírica. O meu objetivo não é apenas criticar o
modelo económico convencional e a teoria, mas também ilustrar a utilidade de uma
abordagem mais antropológica para evitar o desemprego como um processo social
dinâmico.

Teoria da pesquisa de postos de trabalho


A teoria da procura de emprego tem sido um foco central da economia do trabalho.
Tem por objetivo defender a forma como os indivíduos encontram trabalho no
mercado de trabalho. Nas últimas quatro décadas, os agentes económicos
produziram um vasto corpo de investigação relacionada com a teoria da procura de
emprego (por exemplo, Lippman e McCall 1976; Danhey and Kiefer 1991), com
destaque para um modelo limitado de comportamento funcional na procura de
emprego. Por outras palavras, esta abordagem teórica procura modelizar a forma
40 CAPÍTULO 2

como as pessoas optam por um emprego. A abordagem prevalecente é o modelo


básico de pesquisa sequencial de emprego. Neste modelo, as pessoas procuram um
emprego e decidem tomar qualquer oferta que satisfaça as suas necessidades em
termos de salários, transformando os empregos mais baixos, até encontrar um que
satisfaça o seu salário de reserva (a taxa de remuneração que estão dispostos a
aceitar para um emprego).A fim de modelizar a circulação de pessoas para dentro e
para fora do mercado de trabalho, outras variáveis são incluídas, como a
«intensidade de pesquisa» é definida como um conjunto de variáveis como «tempo
passado na semana anterior à pesquisa de trabalho por horas». neste modelo, o
trabalhador deve decidir sobre a «intensidade» da procura de emprego. Esta decisão
depende de três fatores: o aumento marginal da probabilidade de obter um emprego
em resposta a um aumento da intensidade da pesquisa; o aumento do valor atual
esperado do rendimento em resposta à obtenção de um emprego; e o custo marginal
do esforço de pesquisa. De acordo com os modelos de teoria da procura de
emprego, um aumento de um dos dois primeiros fatores ou de uma diminuição no
terceiro aumenta a intensidade de pesquisa dos trabalhadores desempregados. A
teoria da procura de emprego baseia-se na ideia de que os indivíduos maximizam a
utilidade da vida útil através de diferentes estratégias de procura de emprego.
De acordo com esta modelização de procura de emprego, a procura de trabalho
de uma pessoa passa a ser posta em prática, isto é, captada, num conjunto específico
de características desprovidas de contexto. Trata-se de uma atitude muito estreita e
específica dos comportamentos em torno da procura de trabalho. Como podemos
medir, por exemplo, «maximizar a eficácia ao longo da vida útil»?Pode tratar-se,
teoricamente, de uma coima, para presumir que as pessoas procuram o emprego
mais bem remunerado que podem obter a longo prazo, mas pode não ser
empiricamente verdadeira. Alguns candidatos a emprego têm de tomar decisões
muito mais complexas do que simplesmente encontrar um emprego ou não, ou se
um emprego corresponde a um salário específico. Alguns candidatos a emprego só
consideram a curto prazo devido a circunstâncias de vida que podem alterar a sua
empregabilidade, como as mudanças familiares ou as questões de saúde. Ou, como
observei no meu trabalho de campo, os trabalhadores na cidade interna que se veem
confrontados com custos de deslocação para os subúrbios para encontrar trabalho
podem não conseguir alcançar o emprego mais bem remunerado, teorias da
assimetria espaciais, que são abordadas em pormenor mais abaixo, procuram
compensar mais e mais variáveis em modelos cada vez mais complexos de
comportamento dos movimentos pendulares. Embora grande parte desta
investigação possa ser muito robusta em termos de constatações, mais uma vez
estamos limitados no que é observável numa perspetiva específica. Além disso, ao
restringir as decisões de trabalho a um tipo de análise muito rígido, só foram
incluídas as despesas de manutenção de certos benefícios e de apenas algumas
LIMITES AO PENSAMENTO QUANTITATIVO 41

prestações. E sobre preferências como a discriminação racial ou a política


empresarial?Por exemplo, no meu estudo sobre o mercado de trabalho do centro de
San Diego, obtive uma mulher com necessidade desesperada de um emprego,
porque a sua indemnização de desemprego estava prestes a esgotar-se. O seu
aconselhamento em matéria de emprego ofereceu a sua posição a trabalhar na Pizza
a Domino, mas a rejeitou devido à sua oposição à prática dos proprietários de enviar
grandes somas de dinheiro para campanhas destinadas a eliminar o acesso ao aborto.
Quando lhe perguntei se a sua política pessoal era mais importante do que um
controlo de pagamento, afirmou que era uma questão de princípio. Ainda mais
interessante, para a realidade do mercado de trabalho dos trabalhadores com salários
mais baixos, pode escolher o assunto. Tal como foi dito, «posso obter um emprego
de pizza velhos e um emprego para hambúrgueres, que estão sempre à procura de
ajuda. Posso trabalhar também para um trabalho que não encontrei demasiado para
o ajudar.» Por outras palavras, a excessiva abundância de empregos de baixa
qualidade e de baixa remuneração na cidade interna permite um nível de agência por
parte das pessoas à procura de emprego para fazer escolhas que são culturais, muitas
vezes altamente pessoais e completamente fora dos modelos de procura de emprego
normalizados.
Além disso, em cada cidade para a qual procurei o mercado de salários baixos,
os americanos que estão desempregados e procuram trabalho levantam a questão da
discriminação dos empregadores. Alguns sofreram uma discriminação por parte de
empregadores específicos ou de indústrias específicas no passado, pelo que já não
procuram trabalho nessas empresas ou indústrias, mesmo que existam abundantes
empregos. Por exemplo, dois homens em Detroit que trabalharam no setor do
transporte rodoviário durante vários anos descreveram uma persistente
«discriminação oculta»: nunca se falou de forma aberta, mas proposta através de
ações do empregador. No seu caso, esta era constituída por vias de encaminhamento
que tinham sido as mais longas ou mais difíceis de completar e que não lhe eram
oferecidas horas extraordinárias, apesar de informar continuamente que estavam
interessadas em trabalhos adicionais. Além disso, descrevem um racismo persistente
contra eles por parte de outros trabalhadores. O que isto significa para a procura de
emprego mod é que algumas indústrias podem ser totalmente eliminadas da procura
de emprego por parte de uma experiência de trabalho deficiente dentro dessa
indústria. Assim, a própria indústria ou ocupação em que alguém tem experiência
pode ser excluída do processo de procura de emprego. Tal pode parecer irracional, a
menos que se encontre estabelecido o contexto completo da pessoa não empregada.
O comportamento da procura de emprego é também influenciado por efeitos de
interação muito complexos entre variáveis que podem não ser conhecidas ou mesmo
consideradas no pensamento convencional ou na investigação académica sobre a
forma como as pessoas encontram trabalho. Isto é especialmente verdadeiro para as
42 CAPÍTULO 2

minorias étnicas e os pobres, que enfrentam obstáculos muito mais complexos ao


emprego do que os candidatos a emprego com poder de compra branco ou mais
abastados. Por exemplo, duas das mais importantes explicações sobre o elevado
desemprego crónico entre os residentes no centro do centro são as hipóteses de
inadequação do espaço e das competências. O primeiro refere-se ao movimento
(descrito muitas vezes como relacionado com o voo branco suburbano), em que os
empregadores abandonaram as cidades interiores, deixando aos residentes mais
pobres, com menos opções de emprego e menos capacidade de contratar
trabalhadores nos subúrbios, devido a um menor acesso a um transporte adequado.
O «mis» corresponde a alterações nas indústrias ou profissões que exigem novas
competências que algumas pessoas podem não ter; abrange igualmente a situação
em que as competências das pessoas não se adequam aos empregos disponíveis nas
áreas em que vivem. Em resultado destes fatores, muitos residentes no centro da
cidade, especialmente os menos qualificados, podem permanecer sem emprego. A
investigação neste domínio é simples: Há casos em que ambos os tipos de
obstáculos ao emprego podem estar presentes, mas em ambos os modelos são
muitas vezes ignorados os fatores importantes que emergem na investigação
etnográfica.
Para ilustrar este aspeto e mostrar ainda mais a complexidade da procura de
emprego e, por conseguinte, do desemprego enquanto relação social complexa,
debruçar-me-ei sobre os muitos homens desempregados de longa duração que se
encontram em Los Angeles e San Diego, ao longo dos últimos anos. Um dos
desafios imediatos e inequívocos para os baixos rendimentos, o centro da cidade, a
América Africana e os homens Latin não é a insegurança financeira, em especial a
falta de crédito. Sem crédito, é muito útil obter um automóvel, forçando os
candidatos a emprego a depender dos transportes públicos, o que, em ambas as
cidades, é um investimento maciço de tempo e dinheiro. Mesmo os distribuidores de
automóveis que publicitam empréstimos para pessoas com «zero crédito/sem
dinheiro» exigem o emprego e a verificação dos pagamentos/da conta bancária para
obter o empréstimo de um automóvel. O problema, naturalmente, é que é difícil
encontrar emprego se um deles não tiver um automóvel na primeira colocação de
um rum relativamente ao «conundrum».Em alguns casos, os postos de trabalho não
são facilmente acessíveis pelo transporte público, ou o empregador pode exigir que
o requerente tenha acesso a um veículo como os condutores de entrega, o
paisagismo e a construção, para os quais, em muitos casos, os trabalhadores têm de
fornecer o seu próprio transporte a um grande número de locais de trabalho. Além
disso, sem crédito, não existem muitos postos de trabalho de início de carreira ou de
gestão de numerário para os potenciais candidatos. Alguns inquéritos consideram
que quase metade ou mais de todos os empregadores recorrem a controlos de crédito
para o rastreio dos candidatos a emprego (Rivlin, 2013).Tal é especialmente verdade
LIMITES AO PENSAMENTO QUANTITATIVO 43

para as indústrias como a venda a retalho, em que a tesouraria que envolve a gestão
do numerário exige frequentemente um controlo de crédito e, por vezes, uma
pontuação mínima de crédito a utilizar. É evidente que também é difícil construir
um historial de crédito sem um rendimento regular. Assim, uma parte significativa
dos candidatos a emprego com rendimentos mais baixos ou das cidades internas já
se encontra numa situação de desvantagem significativa na tentativa de encontrar
emprego, devido à importante questão da história do crédito. Os efeitos deste
obstáculo único são múltiplos e interativos. Podemos acrescentar novos níveis de
relações sociais que tornem mais difícil: Muitos Latinos no Sul da Califórnia podem
ter questões relacionadas com a cidadania e, por conseguinte, não podem recorrer a
bancos convencionais para o financiamento do receio de serem expostos como sem
documentos. Como resultado, têm menos opções de financiamento,
independentemente da sua pontuação em termos de crédito. Do mesmo modo, os
americanos africanos também têm um banco de retalho e uma utilização de
financiamento muito mais baixos.
Estes casos de indivíduos com preferências de emprego que não se enquadram
bem nos modelos de procura de emprego não sugerem que a modelização não seja
útil, mas apresentam as limitações da mais elevada. Ao dispor de um conjunto de
variáveis muito restrito, puramente quantitativo, no âmbito de uma compreensão do
comportamento em matéria de procura de emprego, não se compreende a
perplexidade com os que procuram trabalho e impede uma melhor compreensão da
razão pela qual as pessoas podem ou não estar a trabalhar ou a encontrar o trabalho
que desejam. Tendo em conta a clara complexidade da procura de emprego, bem
como do múltiplo, interagem frequentemente com os obstáculos que os habitantes
do centro da cidade, em especial os africanos americanos e da Latinos, podem
enfrentar, é altamente redutor e excessivamente simplificado para presumir que a
procura de emprego é um processo homogéneo em diferentes populações. Além
disso, se as partes anal da procura de emprego permanecerem centradas em
variáveis convencionais, como a inadequação espacial e de competências, alguns
dos aspetos extremamente importantes da mediação ou, ainda mais importantes,
independentes podem ser totalmente ignorados. A insegurança financeira e a
concessão de empréstimos predatórios não são analisadas em nenhuma bolsa de
estudo sobre o desemprego, mas são claramente fatores importantes; para algumas
pessoas, são os fatores mais importantes.
Os exemplos de insegurança financeira e pontuações de crédito como obstáculos
à contratação não só demonstram que os diferentes fatores relacionados com a
procura de emprego são complexos, sobrepostos e interativos, mas sugerem também
que se manifestam em importantes dimensões temporais. Uma questão financeira
pessoal não planeada pode levar a catástrofes do mercado de trabalho. Estes tipos de
processos sociais não lineares, frequentemente complexos, podem ter uma maior
44 CAPÍTULO 2

incidência no emprego, nomeadamente encontrar um emprego, manter um emprego


e perder um emprego do que os fatores analisados de forma isolada pela
investigação sobre o desemprego. É certo que descredibilizar as palavras do público
que «as pessoas não estão a trabalhar arduamente».
O exemplo de Ellison, um homem Latin que teve um problema mecânico com o
seu camião, ilustra este ponto. Trabalhou dois empregos: uma em paisagista, a outra
como um homem. O seu camião era essencial para ambos os postos de trabalho.
Enquanto contratante independente, exerceu funções ímpar, geralmente por palavra
de boca, e teve de chegar ao local onde o trabalho devia ser feito. Em Los Angeles,
isto significou a deslocação de várias milhas através de um tráfego intenso. Para o
seu trabalho de paisagismo regular, exigiu que o seu camião o obtivesse junto dos
locais de trabalho. Trabalhou com uma tripulação de cerca de uma dúzia de homens
e todos forneceram o seu próprio transporte; não havia nenhum camião de empresa
para os transportar para cada local de trabalho. Sem aviso, a sua transmissão
avariou-se e o projeto de lei da reparação foi estimado em cerca de dois mil dólares.
Não podia dar-se ao luxo de o fazer e sem crédito não podia obter a reparação. Só
depois de três semanas foi capaz de convencer uma oficina de reparação a aceitar o
emprego num plano de pagamento, desde que coloque duas centenas de dólares e
deixe o seu camião no estabelecimento. Durante este período, não conseguiu fazer
qualquer trabalho de mão, à exceção dos postos de trabalho que poderia seguir e não
exigia o transporte de lotes de materiais de construção materiais ou de ferramentas
pesadas. Também perdeu o seu emprego com a empresa paisagística à medida que a
atividade empresarial abrandou, e foi «a primeira a deslocar-se». tal não foi, uma
vez que alguns dos trabalhos de investigação poderiam sugerir, uma vez que se
tratava de uma empresa de origem étnica, a empresa é propriedade de um Latino, e a
maioria dos outros trabalhadores foi Latino tão bem, mas porque não dispunha de
transporte fiável e não era claro quando teria de voltar a fazê-lo. Além disso, a sua
perda súbita de rendimento, combinada com a necessidade de efetuar pagamentos
no seu camião para o recuperar, forçou-o a contrair empréstimos junto da família e a
eliminar todas as suas poupanças já limitadas; caiu para trás em algumas faturas e a
sua pontuação de crédito foi negativamente afetada. Em consequência, devido ao
problema do crédito, as suas oportunidades no mercado de trabalho podem, de facto,
ser ainda mais limitadas do que antes.
O desemprego de Ellison foi causado por uma combinação de fatores:
dificuldades financeiras imprevistas, problemas de transporte e o reforço mútuo de
uma perda de rendimento que agravou a situação. Este caso ilustra de que forma
estes fatores são críticos, mas, com demasiada frequência, não são tidos em conta na
investigação ou nos debates sobre o desemprego.(o papel das pontuações de crédito
como um obstáculo ao emprego beneficiou de alguma cobertura da imprensa nos
últimos tempos, mas ainda não existe investigação académica substancial sobre este
LIMITES AO PENSAMENTO QUANTITATIVO 45

tema.) Podemos tirar uma conclusão clara a partir deste caso único de que se deve
fazer mais investigação para analisar a dimensão do setor financeiro e do setor dos
transportes para o emprego no centro das cidades e dos residentes com rendimentos
mais baixos. Mas estes são, evidentemente, apenas dois entre muitos fatores
igualmente complicados e pouco estudados que afetam a procura de emprego no
mundo real. As grandes e complexas forças que influenciam a procura de emprego
e, em última instância, o emprego no centro das cidades e nas populações mais
pobres continuam a ser muito pouco estudadas. Em vez disso, as declarações
inexatas, frequentemente tendenciosas sobre as minorias étnicas ou a falta de ética
laboral, dominam frequentemente o discurso público sobre esses temas. É evidente
que o papel de uma investigação qualitativa e etnográfica pormenorizada, empírica e
bem documentada pode contribuir positivamente para aprofundar a nossa
compreensão destes processos sociais.

Capital humano e desemprego


De acordo com a teoria do capital humano (Becker 1962), as pessoas investem em
competências de aumento da produtividade e procuram maximizar a utilidade deste
capital acumulado. O capital humano é essencialmente definido como a educação
formal e a experiência profissional. De acordo com a economia convencional do
trabalho, para os desempregados, não há rendimentos de investimentos anteriores
em capital humano (caso contrário seriam utilizados).Tal deve-se ao facto de o valor
do seu capital humano ainda não ter sido realizado sob alguma forma de emprego.
Por conseguinte, os desempregados devem procurar mais competências ou
formação em capital humano, o que lhes permitirá tomar uma posição que gostariam
na economia.
Tal como o comportamento em matéria de procura de emprego, o processo de
procura de emprego deve ser visto no contexto. Por exemplo, os analistas, quando
analisam o capital humano e o desemprego, raramente são considerados variáveis
em termos de discriminação racial ou de género. De um modo geral, a economia do
trabalho e os macroeconomistas tendem a considerar a relação com o capital
humano de uma forma muito restrita, perguntando questões como «As pessoas com
mais capital humano enfrentam menos desemprego?» ou «O capital humano é
novamente detido pelos desempregados de longa duração?» Em resultado, o debate
sobre o capital humano e o desemprego não aborda um conjunto mais vasto de
forças que afetam o desemprego e a natureza do comportamento em matéria de
procura de emprego. Por exemplo, os trabalhadores podem encontrar um emprego,
porque não conseguem encontrar um emprego, ou têm um tempo de trabalho difícil
devido a uma discriminação racial ou de outro tipo, o que, por sua vez, torna mais
46 CAPÍTULO 2

difícil encontrar um emprego e contribui para a multiplicação do efeito dissuasor do


desemprego?Este tipo de questão só responde através de um inquérito muito
aprofundado ou de uma estreita investigação etnográfica (observação especial,
entrevistas abertas, etc.).
Esta crítica é particularmente verdadeira no pressuposto de que as pessoas
podem simplesmente investir na obtenção de capital humano como se fosse um
produto adequado, com bons resultados, como os gelados ou o pão. O capital
humano requer mais tempo e mais do que uma compra por parte dos consumidores.
A formação e a educação exigem uma série de fatores de apoio, rendimento, acesso
a cursos, conhecimentos de que competências e especialidades se encontram
atualmente na procura, etc. Os níveis relativos de capital humano atingem as linhas
socioeconómicas e as linhas étnicas/raciais nos Estados Unidos, o que significa que,
para as pessoas de cor e os pobres, o acesso a oportunidades educativas, ou mesmo a
formação no local de trabalho, pode ser menos disponível do que para os brancos ou
os membros de um rendimento superior da sociedade à procura de trabalho. As
mulheres que são famílias monoparentais e que criam crianças podem não dispor do
tempo ou dos recursos necessários para a formação educativa formal. Os pobres, em
especial as populações rurais pobres, podem não ter as redes de alta velocidade e os
sistemas informáticos necessários para participar no ensino em linha (moss- Berger,
Tolbert, e Stansbury 2003; Warshauer e Knobel 2004).
Muitas entidades patronais, em especial no que se refere às posições mais baixas
e mais baixas no setor dos serviços, estão a complicar ainda mais a situação,
passando à contratação e ao rastreio em linha. O McDonalds e muitos
estabelecimentos de venda a retalho são apenas alguns das áreas bem conhecidas em
que tal ocorre nas práticas de recursos humanos. No entanto, não são apenas os
empregadores do setor privado que mudaram para a contratação através da Internet;
as entidades sem fins lucrativos e as entidades públicas também se deslocaram neste
sentido. Um caso de um requerente para o distrito do Colégio de San Diego ilustra a
forma como o pro cesso de candidatura exige recursos significativos. Reuni
Ronaldo por acidente na nova biblioteca de Logan Helights, uma construção de
14 milhões de milhares de milhões de dólares de construção em dólares, com base
na sua arquitetura, através da Internet, de salas de aulas informáticas e de cerca de
quatro mil pés quadrados de espaço. Ronaldo encontrava-se a meio do
preenchimento de pedidos de emprego em linha para várias posições. O processo
mais frustrante, explicou, foi o distrito de San Diego Community College District. O
distrito dispunha de dois empregos adequados às suas competências e antecedentes.
Inscreveu-se no sistema de recursos humanos, criado e carregado os seus ficheiros,
e criou um nome de utilizador e uma senha para gerir os seus pedidos de emprego.
Preparou uma cópia digitalizada das suas credenciais e enviou um questionário em
linha e um questionário em linha. Duas vezes o sistema congelou, o que significa
LIMITES AO PENSAMENTO QUANTITATIVO 47

que teve de regressar no dia seguinte para tentar completar o seu pedido. Depois de
um terceiro dia de tentar apresentar o seu pedido, passou ao longo do tempo e
esperou uma resposta.
Após duas semanas sem receber uma chamada telefónica, Ronaldo verificou a
conta de correio eletrónico que tinha utilizado aquando do registo, mas não houve
qualquer mensagem sobre o trabalho (houve várias ofertas para refinanciar a sua
casa, um ativo que não tem efetivamente, e uma mensagem sobre a obtenção de
riqueza durante o trabalho a partir de casa).O peticionário partiu do princípio de que
não obteve a posição, mas quis saber que a sua informação estava no sistema de
modo a que ele pudesse, pelo menos, voltar a candidatar-se a uma posição diferente
no futuro e não ter de voltar a fazer parte do processo. Depois de tentar chegar ao
telefone, enviou-lhes uma mensagem de correio eletrónico. Algumas semanas mais
tarde, respondeu que as suas informações se encontravam no sistema, mas que o seu
primeiro pedido não tinha sido bem-sucedido; também teve conhecimento de que
poderia ter verificado o seu estado de candidatura no sítio dos recursos humanos,
tudo isto ao longo de, o que lhe permitiria poupar muito tempo e esforços se lhe
tivesse sido informado desde o início.
De acordo com as estimativas, a sua candidatura e o seu seguimento foram
estimados em quatro horas de trabalho. Lamenta o facto de não poder fazê-lo a
partir de casa, mas não faz sentido comprar um computador e pagar o acesso à
Internet quando era gratuito na biblioteca. No entanto, para um pedido de emprego
sem sucesso, teve de investir um período de tempo tremendo. O problema mais
amplo indica que o distrito do Colégio de San Diego aceita as candidaturas em
linha. Esta limitação reduz efetivamente um grande segmento da mão de obra do
centro das cidades. O pessoal está disponível para responder a perguntas sobre o
sítio, mas não fornece qualquer quadro com a conclusão de qualquer pedido. Por
outras palavras, este tipo de sistema de aplicação de emprego já inclui a maioria das
pessoas que não dispõem de acesso regular e fiável a um computador e a uma
ligação à Internet.
A investigação sobre estratégias de procura de emprego por parte dos
trabalhadores dos EUA é limitada por fontes de dados, com uma investigação
recente com base em inquéritos realizados no início dos anos 2000 (Suvanku- lov
2010).De um modo geral, nos Estados Unidos, apenas 25 % dos desempregados
procuram comunicar regularmente através da Internet a procura de emprego em
2004 (Hadburss 2004).Estudos mais recentes sugerem que este valor duplicou na
maioria dos adultos dos EUA (54 %), com quase 45 % a candidatar-se a um
emprego em linha, embora muito menos minorias étnicas ou pessoas com níveis
mais baixos de educação utilizem a Internet para a procura de emprego (Smith
2015).Além disso, a maioria dos anúncios de emprego em linha destina-se a pessoas
com um diploma do ensino superior ou, pelo menos, com um diploma de ensino
48 CAPÍTULO 2

superior ou superior (Carnevale, Jayasundera e Repnikov 2014).Ao mesmo tempo,


muitos empregadores estão a passar totalmente para a contratação em linha ou
preferem a contratação em linha a pessoas ou a aplicações em papel. Um dos
problemas potenciais dos sistemas de contratação em linha reside no facto de a
reserva comum do requerente poder ser enviesada para as pessoas com maior acesso
à Internet e para maiores competências informáticas (a título de exemplo, são
necessários programas de navegação atualizados para a maior parte dos sítios Web e
uma ligação de alta velocidade é essencial para muitas aplicações).Na Starbucks,
por exemplo, as aberturas relativamente em tempo real podem ser pesquisadas por
localização e aplicadas com bastante facilidade, mas isso tende a favorecer aqueles
que estão ativamente à procura em linha; estes candidatos a emprego podem
informar-se rapidamente e aplicar imediatamente. Os que têm menos acesso à
Internet são, por conseguinte, excluídos da fila de recrutamento para muitos lugares
de início de serviço no setor do comércio a retalho, do serviço alimentar e mesmo
dos estabelecimentos não lucrativos e dos estabelecimentos de ensino.
Mesmo os programas profissionais e técnicos que não conduzem a um certo
grau, mas continuam a transmitir qualificações de emprego muito negociáveis,
como nos tráfegos de construção ou técnicos (assistentes médicos, higienistas oral,
etc.), podem ser muito dispendiosos. Ao passo que a prospeção de trabalhadores
com salários baixos em San Diego e Los Angeles, considerei que muitos tinham
considerado tais programas, mas depois embalado em custos do programa que vão
até 40,000 dólares para um salário potencial de apenas 18,000 USD a 35,000 USD
por ano.
Um caso concreto é o Salvador, que, quando o entrevistei em 2005, tinha
trabalhado na construção durante uma década e quis mudar as relações de
transmissão para trabalhar em AVAC como instalador ou mesmo inspetor. Previu a
implementação do programa na Academia de San Diego para a certificação da
consultora HVACR.O programa de HAVAC na escola é designado AIRE (Air
Conditioning, Refrigeration, e Energy) Pro gram e composições pessoas para uma
gama de opções de carreira que inclui os sistemas de ar condicionado ou de
refrigeração, o gestor de serviços, o regulador de serviço, o técnico de gestão de
serviços (AVAC) ou o técnico de refrigeração, o representante do serviço do
fabricante, o consultor da HCV e o responsável pela conceção e controlo dos
sistemas de controlo. O programa AIRE também prepara os arguidos para entrar em
carreiras verdes que incluem o técnico de energia solar ou o contratante, o
engenheiro do sistema solar, e os sistemas de climatização e de integração solar,
mas estes exigem um diploma de nível associado em tecnologia de ar condicionado,
refrigeração e controlo ambiental, um programa centrado em HVACR, controlos
avançados e sistemas energéticos alternativos. Nessa altura, o programa custou
46 USD por unidade, totalizando 2,760 dólares para o ensino geral, não incluindo
LIMITES AO PENSAMENTO QUANTITATIVO 49

3,000 dólares em livros e material de transporte, bem como outras comissões (a taxa
de serviço de saúde, a taxa de seguro de responsabilidade e as licenças de
estacionamento totalizavam outras centenas de dólares).O custo total do programa
registou, em média, cerca de 6,000 dólares. Trata-se de um valor muito mais
acessível do que alguns gramas do colégio, em especial os gramas com fins
lucrativos, que atingem 40,000 dólares, mas continuam a ser um investimento
significativo. O Salvador acabou por decidir manter o curso indefinidamente, não só
para os custos, mas também porque tem dois filhos e a sua mulher, que só
recentemente regressou ao trabalho, teve um emprego estável a baixos salários. Foi
qualificado para algumas subvenções e apoio financeiro, mas considerou a
perspetiva de contrair empréstimos sem recurso.
Salvador ponderou igualmente a possibilidade de tomar os cursos num período
de alguns anos, devido ao facto de ir ao encontro e de se assistir apenas à noite. De
acordo com esse plano, embora as listas de classificação sejam flexíveis, o resultado
inevitável seria o de pernoitar algumas noites na classe e nas restantes noites de
estudo. Nessa altura, o programa demoraria três anos e não apenas dois. No entanto,
como observou, não se sabe qual é o mercado de trabalho para os sistemas de
climatização (AVAC) em três anos, «pode ser outra barra de construção, ou busto.»
Após assistir à primeira classe, pergunta se foi ou não um erro: Todos os outros
estudantes eram muito mais jovens. Por que razão uma empresa contrataria se
pudesse contratar metade da sua idade e pagá-la menos?Tinha ouvido histórias
preocupantes de amigos e familiares que tinham adquirido diplomas de associado
em diferentes domínios, apenas para concluir que não havia empregos, nem que não
pagassem efetivamente o que os recrutadores disseram que estariam a pagar. Assim,
poderiam ter poupado todo o tempo e dinheiro e apenas colado ao seu antigo
emprego. Por fim, Salvador abandonou o programa, mas espera regressar se se
sentir confiante de que o investimento será compensado.
Quando a crise económica atingiu em 2008 e a indústria da construção entrou
em colapso no sul da Califórnia, o Salvador estava desempregado, mas, de certo
modo, libertou que tinha optado por não completar o curso de climatização, porque
o tinha feito, teria encontrado uma dívida e sem emprego. No entanto, sem um
conjunto de competências a nível superior à procura, continua a estar em
desvantagem no mercado de trabalho.
É neste contexto que, apesar dos enormes recursos para a educação e parecem
ser extremamente acessíveis, o investimento no capital humano entre as populações
pobres comporta riscos significativos e recompensas pouco claras. Para aqueles que
lutam pelo pagamento de faturas mensais, que são compreensivelmente avessos ao
risco, a obtenção de competências de mercado de trabalho potencialmente úteis em
vários milhares de dólares podem não ser o objetivo mais atrativo. Muitos postos de
trabalho que oferecem salários e benefícios mais elevados, em especial os que se
50 CAPÍTULO 2

baseiam nas remunerações em vez de pagarem uma remuneração horária, exigem,


pelo menos, um colégio de dois anos, um diploma de bacharelato. No entanto, o
problema, mais uma vez, é que existem obstáculos claros para que os adultos
possam obter estas credenciais, em particular para os pais, e que os rendimentos
desempenham um papel importante no processo de tomada de decisões em matéria
de atualização de competências. Os dados qualitativos deste tipo complicam as
hipóteses da teoria do capital humano. Não é possível partir do princípio de que o
capital humano é possível sem ter em conta os custos e os entendimentos
sociais/culturais de risco e de recompensa em termos de atualização das
competências.
Em suma, a teoria do capital humano salienta que as pessoas sem as
competências adequadas fazem menos favoravelmente no mercado de trabalho, têm
taxas de desemprego mais elevadas, etc. Os pressupostos, frequentemente na
sequência dessas observações, são que as pessoas são demasiado preguiçosos ou
mal informadas para encontrar ou obter novas competências e formação, conclusões
que ignoram os muitos desafios qualitativos críticos que as pessoas que procuram
emprego enfrentam.

Raça, discriminação e desemprego


A investigação de longa data no domínio da economia do trabalho revela diferenças
claras no emprego e nos salários em diferentes grupos raciais e étnicos (Heckman
1998; MOSS e Tilly 2001; E em 1998 de maio).A maior parte deste trabalho centra-
se nos americanos africanos, demonstrando que têm taxas de desemprego mais
elevadas, mais discriminação na contratação e, em média, salários mais baixos do
que os brancos. A teoria do capital humano explicou algumas, mas não a totalidade,
destas diferenças. Outros estudos sobre a discriminação racial e as assimetrias
espaciais (que as latas de Ameri africanas são deixadas para trás em zonas urbanas,
enquanto os postos de trabalho saíram das cidades para os subúrbios) também
explicam uma parte das diferenças. Em análises mais recentes, foram elaborados
modelos mais sofisticados para analisar a importância relativa dos diferentes fatores
relacionados com o aumento do desemprego entre os americanos africanos. Por
exemplo, a perceção da criminalidade e a utilização de verificações de antecedentes
parecem retirar aos cidadãos africanos os agrupamentos de recrutamento
injustamente (Holzer, Raphael, e Stoll 2006), e mesmo os testes de emprego
normalizados, objetivos e neutros, parecem discriminar as minorias étnicas no
processo de recrutamento (Autor e Scarborough, 2008).As recentes tentativas de
síntese não conseguiram explicar claramente as lacunas persistentes entre os negros
e os brancos e entre os grupos raciais e étnicos diferentes (Lang e Lehman:
LIMITES AO PENSAMENTO QUANTITATIVO 51

2011).Alguns modelos representam as diferenças salariais, e alguns fornecem


elementos de prova de que as alterações nos ciclos económicos tornam mais difíceis
os mercados de trabalho das minorias étnicas. Quanto a este último aspeto, os
elementos de prova ainda são díspares. O modelo «último contratado, primeiro
disparado» sugere que as minorias, especialmente as minorias africanas, são, em
média, as últimas a ser contratadas numa boa economia e as primeiras a ser
arrendadas durante as recessões económicas (Couch and Fairlie 2010).Os
mecanismos sociais ou culturais específicos que contribuem para o fosso persistente
no desemprego entre os grupos raciais e étnicos são claramente muito difíceis de
avaliar com os dados existentes, nomeadamente com escassez de inquéritos ou
dados quantitativos sobre a discriminação racial e as práticas de contratação. Este é
outro domínio em que a investigação qualitativa, as contas etnográfico e a utilização
de estudos de caso podem gerar pontos de vista importantes. No caso da
investigação do Devah Pager, as estatísticas experimentais e do mercado de trabalho
indicam a discriminação racial no recrutamento e nas remunerações (Paer, Western,
e Bonikkowski 2009; Pager, Frayer, Spenkuch 2011).Na minha própria
investigação, encontrei igualmente que os empregadores têm preferência com base
na raça e no género e que estas práticas relacionadas com a contratação são
alternativas e de exclusão, muitas vezes dependendo da indústria e da atividade
profissional. Por exemplo, o Latinos pode ser considerado preferível ao aluguer, em
alguns casos, por exemplo em relação aos americanos africanos, a menos que se
trate de Latin, em que as questões de género complicam frequentemente o processo
de recrutamento e o processo de tomada de decisão (Karjanen 2008).Por outro lado,
os americanos africanos são frequentemente considerados como os menos capazes
de apresentar candidatos a empregos, em média, e não têm as redes sociais
essenciais para a contratação de outros grupos étnicos (Royster 2003).
A investigação existente sobre este tema inclui questões como a discriminação
racial e mesmo as variáveis espaciais ao analisar o desemprego negro, mas, mais
uma vez, a minha preocupação é que é também limitada por variáveis que não são
visíveis nos dados do inquérito ou noutros tipos de dados. Por exemplo, a
discriminação racial pode ser inerente ao próprio processo de contratação, devido
aos requisitos que surgiram ao longo da última década para muitos trabalhadores,
tais como os controlos de crédito discutidos na secção anterior. Assim, a
investigação etnográfica mostra como se trata frequentemente de um contacto com
estes fatores que resultam em taxas de desemprego mais elevadas entre algumas
minorias étnicas. Por exemplo, alguém que tenha múltiplo, sobreposto e, muitas
vezes, reforce os obstáculos ao emprego não enfrenta um conjunto específico de
fatores, mas a interação desses fatores como obstáculos ao emprego. Tomar
alguém com problemas de transporte que também tenha falta de crédito. Esta pessoa
depende do trânsito público ou do exercício de uma atividade profissional. Um
52 CAPÍTULO 2

destes modos de deslocação pode não ser fiável. Não ter um transporte fiável de e
para o trabalho é muitas vezes considerado crítico para a contratação; os
empregadores não podem dar-se ao luxo de dar provas de atraso ou de não saber se
vão mostrar de todo. Os retalhistas, por exemplo, têm frequentemente uma política
de «três greves» na chegada tardia; se um transporte não for fiável, uma interrupção
de serviço de um automóvel, uma viagem não indicada ou um trânsito público que
não funciona de acordo com o calendário, três chegadas tardias ao trabalho
resultarão no despedimento. Embora todos os trabalhadores enfrentem a mesma
procura de chegada ao trabalho em tempo útil, a sua capacidade para satisfazer essa
procura é muitas vezes moldada por circunstâncias económicas e não uma vontade
de trabalhar ou a pontualidade de uma pessoa. Com efeito, o trânsito público ou a
partilha do trabalho exige, de facto, exigências estruturais impostas aos
trabalhadores sobre os quais não têm qualquer controlo.
O fracasso dos modelos económicos e a maior parte dos dados quantitativos para
ver estas forças no trabalho também deixam-nos com uma visão distorcida do
funcionamento do discriminatório em relação aos trabalhadores desempregados. A
economia, a raça, a discriminação e o desemprego do centro do centro estão
claramente ligados ao facto de as relações sociais entre a dinâmica do mercado de
trabalho e a sociedade serem, de um modo mais geral, estreitamente ligadas à
dinâmica do mercado de trabalho. Como referi anteriormente com o caso de Ellison
e as suas questões financeiras e de transporte interligadas, a corrida não era a única
questão. No entanto, de outras formas, a raça e a etnia podem desempenhar um
papel importante na definição das decisões relativas à contratação e ao
despedimento. O que consideramos quando se analisam os diferentes desafios e as
complexidades da procura de emprego, em especial para as pessoas pobres ou que
são minorias étnicas, é que o mercado de trabalho não é apenas segmentado, mas
também muito complexo, e os obstáculos ao exercício de uma atividade profissional
são muitas vezes numerosos e sobrepostos, além de desmascarar as respetivas
soluções. Estes podem incluir o racismo estrutural e institucional, mas também o
papel da raça e das redes sociais nos sistemas de contratação. Uma vez que o
medicamento Deidre Royster (2003) demonstrou que as redes de machos brancos
para os empregos manuais excluem frequentemente os homens de cor, o que impede
os homens de trabalhar de forma azul. Encontrei processos semelhantes no trabalho
de contratação de empresas no sul da Califórnia. Alguns indicam claramente uma
preferência pelo Latinos. Outros seres humanos indicam algumas preferências, mas,
quando avaliadas mais aprofundadamente, os sul-americanos situam-se no fundo da
distribuição das perceções sobre características preferidas dos trabalhadores por
conta de trabalhadores (Karjanen, 2008).Em algumas indústrias, existem redes de
contratação claras que incluem ou excluem, à semelhança da raça, como práticas de
contratação em alguns hotéis e restaurantes têm sido muitas vezes orientadas ao
LIMITES AO PENSAMENTO QUANTITATIVO 53

longo das redes sociais, frequentemente muito homogéneas. Assim, embora não
haja discriminação racial direta, as pessoas remetem frequentemente amigos ou
familiares para o trabalho e, se essas pessoas forem todas da mesma origem racial
ou étnica, a empresa, ou mesmo a indústria, poderá vir a ser dominada por um único
grupo étnico ou racial.

Uma tomada de posição mais heterodox


Além de ter apresentado algumas críticas à abordagem quantitativa excessivamente
mecânica e quantitativa do desemprego por economia convencional numa série de
domínios, passo a apresentar uma proposta para uma visão mais heterogénea, uma
apoiada por uma abordagem mais holística, baseada em abordagens etnográficas
baseadas em dados empiricamente fundamentados, combinada com algumas
abordagens mais radicais na economia do trabalho. Resumir brevemente uma
posição simplificada da economia convencional: A ação económica é impulsionada
pelo interesse e pela racionalidade. Os interesses próprios e a racionalidade são
considerados como os elementos essenciais de uma «ordem natural» das operações
de mercado. Tal não permite, no entanto, dar resposta a muitas das questões mais
empíricas que surgiram no estudo dos mercados de trabalho e à questão do
desemprego mais especificamente. Isto obriga-nos a assumir mais seriamente a
questão da integração na nossa compreensão do trabalho e do emprego, bem como
da forma como o trabalho é trocado e mercantilizado no capitalismo
contemporâneo. Neste sentido, a incorporação refere-se ao modo como o
intercâmbio económico (no caso em apreço, o do trabalho e dos salários entre os
que procuram trabalho e os que procuram contratar trabalho) está articulado num
contexto social e cultural. É neste contexto que as forças sociais e culturais, bem
como as relações de poder, podem ser integradas na nossa análise do desemprego.
O ponto simples aqui é que o emprego ou o desemprego não são isolados,
processos simples que podem ser encapsulados e modelizados pela teoria do
mercado de trabalho convencional em economia. Como o Karl Polanyi (1957)
chamou a atenção para os anos de trabalho, o trabalho como mercadoria é uma
deturpação da realidade e o mercado de trabalho é um conjunto de ficções
grosseiras. Mais a este ponto, como economista italiano radical Ernesto Screpanti:
Os trabalhadores não vendem uma mercadoria. É por esta razão que o seu
salário não é o preço de uma mercadoria. Não é o preço das atividades de
trabalho, uma vez que estas podem ser múltiplas, heterogéneas e variáveis
e desconhecidas no momento da fixação do salário; na realidade, o salário
não variará quando as atividades de trabalho variam. Também não é o
preço das ações laborais, uma vez que estas são afetadas pelo empregador,
54 CAPÍTULO 2

e não pelo empregado. Por último, também não é o preço dos serviços de
mão de obra, uma vez que estes são produzidos por ações de trabalho e
pertencem ao empregador..O salário é a compensação pela perda de
liberdade, ou seja, que deve ser paga; a obediência é uma relação social e
não uma mercadoria.(2001, 16)

O desemprego é também uma relação social, sendo também o emprego; acima de


tudo, estamos a discutir relações de poder social, de força, da própria estrutura do
acesso aos recursos e oportunidades num determinado sistema económico.
Pode acrescentar-se à lista das críticas aqui duas conclusões sobre as abordagens
económicas da economia laboral para o desemprego: (1) incapacidade de
compreender o comportamento em matéria de desemprego e de procura de emprego
em função de disposições institucionais mais amplas do capitalismo contemporâneo;
e (2) incapacidade para determinar em que medida os fatores contextuais ao nível
microeconómico influenciam a experiência de despedimento e, por conseguinte, os
efeitos potenciais do desemprego nos trabalhadores despedidos e a sua consequente
empregabilidade.
Permitam-me que conclua com alguns outros estudos de casos que ilustram os
meus pontos. A primeira questão é fundamental para a forma como transferirei a
nossa análise do desemprego da modelização e da convenção para uma visão mais
radical. Para ilustrar a importância deste aspeto, ver o desemprego como parte das
estruturas institucionais e não simplesmente a oferta e a procura, podemos olhar
para o setor retalhista. Durante vários anos, alguns colegas e eu tomei conhecimento
de que o maior crescimento profissional parece não ser apenas no setor dos serviços
com salários mais baixos, mas especificamente no setor retalhista. No entanto,
apesar do crescimento maciço do emprego, ocorreram duas coisas: (1) os salários
dos trabalhadores do setor retalhista não acompanharam o ritmo da inflação e, em
alguns mercados, estagnaram ou se recusaram; e (2) apesar das elevadas taxas de
desemprego, mesmo em plena recessão, muitos empregos de retalho ficaram por
preencher. Em termos ambientais tradicionais, como pode o aumento da procura no
mercado de trabalho resultar na estagnação ou redução dos salários e das vagas não
preenchidas, especialmente devido à elevada oferta de emprego, também conhecida
como elevada taxa de desemprego?Em vez disso, os salários devem estar a
aumentar e mais pessoas devem ocupar estes empregos, especialmente durante uma
recessão como a Grande Recessão. Quando aumentei este prazo junto de um certo
número de colegas, todos eles bem respeitados, não houve respostas claras. As duas
respostas mais comuns recebidas foram as seguintes: (1) há algo errado com os
dados, uma vez que os salários não diminuem ou estagnam quando a procura
aumenta; ou (2) este facto deve ser estranho à espera de um período temporário e à
sua espera. A tendência manteve-se, contudo, e ainda não recebi uma explicação
convincente.
LIMITES AO PENSAMENTO QUANTITATIVO 55

A minha própria explicação tem sido, normalmente, a razão pela qual os salários
e o pagamento dos salários diminuíram apesar do aumento da procura de
trabalhadores do setor devido à reestruturação; nomeadamente, o movimento de
lojas e estabelecimentos de venda a retalho de lojas especializadas ao desconto tem
vindo a provocar a erosão da taxa de remuneração do setor, eventualmente
reduzindo a densidade sindical numa indústria já fortemente não sindical (Basker
2007), reduzindo potencialmente ainda mais as taxas dos salários e das prestações
(Bernhardt 1999).Além disso, a passagem para o mercado retalhista de descontos
eliminou muitas das escadas de carreira na indústria. Por exemplo, há vinte anos,
uma pessoa poderia obter um emprego num armazém de venda de sapatos, como a
macy e a Nordstrom, sendo este o modelo primário de venda a retalho do tempo,
com exceção das pequenas lojas de especialidade. Um trabalhador poderia circular
nessas empresas através de mercados de trabalho internos; podem ganhar a vida,
criar uma família, mesmo comprar uma casa, trabalhar em comissão, bem como o
salário de base, progredir através de programas de formação, passar para os cargos
de gestão do homem ou para os compradores. Não se trata da mesma escada que a
Wal-Mart, o Alvo, ou outros retalhistas com desconto têm: não existem
«vendedores de calçado» em Wal-Mart nem no Alvo, ou seja, apenas as «vendas
associadas», um termo que as pessoas reconhecem como uma forma de dizer «um
cofre ou caixa com uma oportunidade limitada».
Os trabalhadores sabem isto. Os desempregados sabem isto. Têm boas
informações sobre o mercado de trabalho sobre a qualidade do emprego no setor
retalhista. Durante a última década, os desempregados, os trabalhadores a tempo
parcial e as pessoas que exercem uma atividade de trabalho com salários baixos,
considerámos, em San Diego, Minnepolis-Saint Paul, e Detroit, geralmente postos
de trabalho na venda a retalho, quando suscitei a perspetiva de um emprego a tempo
inteiro neste setor. As razões invocadas para a sua retirada das posições de retalho
variam, mas normalmente apontam para baixos salários, benefícios limitados, más
condições de trabalho e uma verdadeira margem de manobra para a promoção de
conhecimentos. Citar uma jovem de Minneapolis que trabalha a tempo parcial e tem
estado à procura de um emprego a tempo inteiro durante mais de um ano, apesar da
forte procura de trabalhadores do setor retalhista nas duas cidades:
«Retalho!Trabalhei em todos os estabelecimentos que podia, durante dez anos,Dez
anos!Onde obtive?Cofre da cabeça, escrivão, e não em lado algum. Adquiri quase o
mesmo número de empregos temporários com menos horas, mas menos loshit.» She
também descreveu o que considerava ser a discriminação dos empregadores no setor
do comércio a retalho: «Alguns locais que sabe não estão a promovê-lo. Só sabe.
Podes encontrar pessoas de cor que sejam gestores, assistentes, mesmo pessoal de
caixa?* * * * * * * * * * * *...Que tipo de mensagem faz essa mensagem?»
No caso desta jovem mulher e de outras pessoas com a sua perceção da
56 CAPÍTULO 2

indústria, o seu salário de reserva não se alterou; do mesmo modo, não querem o
que consideram como um posto de trabalho sem carga. Por outras palavras, a
qualidade do emprego é importante. Não há margem para estas preferências na
economia convencional do trabalho quando se analisam o desemprego ou os salários
de reservas. O meu ponto aqui é que não são características dos trabalhadores, mas
as estruturas institucionais do capitalismo que mudaram, encorajando mais
desemprego; a eliminação da sindicalização e a desclassificação do comércio
retalhista abalaram o potencial de ganhos e de progressão na carreira do setor, e não
a falta de mão de obra disponível no mercado de trabalho. Temos demasiados
desempregados, e também temos demasiados empregos de má qualidade para eles.
Em seguida, voltemos à procura de desafios tradicionais para determinar de que
forma os fatores de nível microeconómico influenciam a experiência do
desemprego, o que tem consequências para os efeitos do desemprego nos
trabalhadores despedidos. Mario é um cidadão africano que tem trinta anos.
Trabalhou em vários empregos durante a sua década e meia na força de trabalho. É
um bom exemplo da forma como a dicotomia laboral/desemprego simplesmente não
obtém. De facto, os modelos convencionais de economia do trabalho que visam
compreender o estado de emprego e a procura de emprego por Mario não captam
nenhum dos fatores substantivos que Mario enfrenta no seu processo de tomada de
decisões em matéria de emprego. O peticionário foi vítima de discriminação racial,
tem limitado as suas redes de contratação, vive num mercado de trabalho urbano
segmentado em que o acesso a um lote de informações relativas à contratação é
insuficiente. Não possui os tipos de competências traduzíveis para postos de
trabalho típicos, apesar de ter as competências constitucionais de elevada escola e
alguns cursos de escolas superiores da comunidade. Em suma, contesta muitos dos
pressupostos convencionais da teoria do mercado de trabalho no que diz respeito à
procura de emprego e ao emprego, na medida em que enfrenta obstáculos ao
emprego com base na sua posição socioeconómica, e não as características de si
próprio como indivíduo (vontade de trabalhar, aptidão, etc.).
A teoria convencional e a modelização da economia do trabalho, como se vê no
caso de Mario, não é bem sucedida. Por conseguinte, Mario mostra como alguém
que trabalha a tempo parcial e que deve facilmente passar para um emprego a tempo
inteiro, em vez de recorrer ao seguro de desemprego após o seu despedimento. Em
consequência, pouco da economia convencional do trabalho ajuda-nos a
compreender a persistência e a incapacidade crónica de Mario. Durante um período
de cinco anos, sabe-se que Mario teve mais de duas dezenas de empregos
«formais», mas nenhum teve uma duração superior a um ano, sendo todos eles
apenas a tempo parcial. Reflete a crescente distorção da economia dos EUA, uma
vez que tenta adaptar-se a um período longo de reestruturação, redução de efetivos e
deslocalização durante um ano.
LIMITES AO PENSAMENTO QUANTITATIVO 57

O que nos diz, então, todos nós?Se as críticas são exatas, como podemos
compreender o desemprego?Em primeiro lugar, é razoável afirmar que precisamos
de um modelo, precisamos de economia do trabalho, precisamos de estatísticas
macroeconómicas e precisamos de formas de refletir sobre a procura de emprego e a
sua conservação de uma forma mensurável. Contudo, precisamos também de
compreender o desemprego como mais do que um simples modelo, mas antes como
um processo social. Precisamos de uma sensibilidade e de uma compreensão da
forma como o desemprego é, em parte, uma função não só da oferta e da procura e
das forças abstratas, mas também de aglomerações reais de poder numa sociedade
de capitais. Em resumo, as instalações existentes são pouco profundas, estreitas e
não perdem a mais vasta dinâmica do mercado de trabalho. Devemos admitir que a
perda de postos de trabalho não é uma experiência homogénea (no local).Um
imigrante da América Latina que trabalha com salários baixos no setor da
restauração, apoiando uma grande família fora dos Estados Unidos, considera que a
perda de emprego é muito diferente de um advogado do sexo masculino para um
grande banco dos EUA.A corrida, a classe e as grandes diferenças no contexto
socioeconómico e cultural tornam o desemprego uma força social muito desigual e
heterogénea.
O que é o desemprego?Trata-se de uma perturbação social e económica, em
graus e de magnitude variáveis, em função das circunstâncias. O que proponho aqui
é uma abertura de economia, um impulso para uma economia social mais social e
uma economia política dinamizada, todos os esforços que possam ser promovidos
por explorações e conhecimentos lógicos e uma visão lógica.
3
PROFISSÃO
Jong BUM Kwon

Desemprego. As contas públicas e académicas sugerem ligações subtis mas


«turbing» entre a perda de emprego e a degradação da saúde física. Os
desempregados involuntariamente (ou seja, despedidos) queixam-se de dores nas
costas, das doenças do estômago, dos ouvidos e das infeções nasais, bem como dos
graves sintomas de tipo gripal. O desemprego pode mesmo ser mortal. Estudos
epidemiológicos recentes realizados nos Estados Unidos indicam que um maior
risco de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral, diastereis e artrite estão
associados ao desemprego. A esperança de vida, de acordo com alguns estudos, é
significativamente reduzida pelo desemprego, surpreendentemente mesmo após o
regresso ao emprego (Kessler, Turner e House 1998; Strasly 2009).E alguns
desempregados descreveram a própria experiência como doença, não ao contrário
do que acontece com o cancro e as síndromes de dor crónica (Cottle 2003, 19).
Embora os desempregados possam prejudicar, os seus organismos são
frequentemente ocultados ou inexistentes nas contas científicas sociais. Apesar de
grandes avanços no estudo do corpo e de uma maior atenção ao desemprego numa
série de disciplinas, a sua ligação íntima ainda não foi completamente aorizada.
Expondo a tenacidade dos dois tipos de isologia cartesiana, as doenças que afetam o
desemprego são, de um modo geral, relegadas para psicossomáticas: o trauma
psicológico do desemprego; o reflexo físico na segurança crónica de Anxi,
depressão, cólera e outros tipos de sofrimento mental (uma abordagem dominante
na psicologia social e nas representações populares); e a incapacidade psicológica (e
emocional) de se adaptarem à mudança de circunstâncias ou às orientações e
orientações sobre questões sociais e culturais, entre outras. A maior parte da
investigação antropológica, por exemplo, documenta a coerência abalada do
complexo andaime cultural que teve identidades e localizações sociais. Que têm
58
PROFISSÃO 59

sido inestimáveis para analisar a imbricação do desemprego com o sexo (2003; PAT
a 1989); Estado social e classe (Dudley 1994); e, mais recentemente, ciclos de vida
e temporalidade (Jeffrey 2010; 2007).Os desempregados estão sujeitos a
interpretação, ajustando-se à mudança (bem como crónica) e reredação (o número
de desempregados destina-se) a formas de significado e de valor. Não obstante as
trocas evidentes de opinião, o corpo e o auto, é evidente que os formulários
idenacionais (a média do tratamento) são privilegiados e que o corpo continua a ser
relativamente pouco e ininteligível.
O presente capítulo centra-se na nossa atenção para o trabalhador incorporado, a
fim de, em conjunto, suportar o sofrimento corpóreo dos desempregados. O
emprego é uma experiência incorporada; a experiência e a interpretação dos seus
órgãos estão integradas na estrutura e na organização do trabalho formal
(Wolkowitz 2006, 1).Embora tal possa não ser um conhecimento profundo, é
necessário recordar que o trabalho é um dos principais locais em que o poder (em
termos de relações de autoridade, tecnologias, regimes disciplinares) se situa dentro
e fora do corpo. O poder está registado na normalização da forma, do
comportamento, da compra e da emoção do homem. Faz-se sentir a fadiga, os
braços com rampas de acesso e as pernas, bem como as costas, quer da sessão em
gabinetes em frente de um computador para servir clientes e da marcha mecânica da
linha de montagem. Os nossos organismos continuam a ser fabricados e
refabricados através de formas específicas de emprego. O meu ponto de vista é que
a experiência corporal do desemprego está intimamente relacionada com as
construções específicas dos corpos dos trabalhadores durante o emprego.
Os meus centros de análise sobre as entidades de sofrimento dos trabalhadores
despedidos da Daewoo Motor Producer da Coreia do Sul (a seguir designada
«Coreia»).Durante os meus dois anos de trabalho no terreno (2000-2001), com as
quatrocentos homens que participaram na luta contra o risco de despedimento em
massa (a seguir denominado «Struggle»), associei as suas fileiras a manifestações
de trabalho, legitimidade contra a polícia antimotim e a segurança das empresas,
bem como imagens comuns da soju (um espírito claro comum, frequentemente
comparado com o vodka) após eventos da União. Escutei as suas observações
muitas vezes sobre a tensão familiar, a alienação social, o agravamento da saúde e
os DIMIN com perspetivas de regresso à fábrica. Numa igreja católica local, e em
tendas de protesto (locais de concentração diária para os homens), estive a
deterioração dos seus corpos e assistiu às suas observações acerca da dores físicas e
da disfunction-crónica e da dor das ancas, com uma despreparação frequente de
dores de cabeça, sensações de vertigens e perturbações constantes do estômago,
entre outras. 1 Para além da experiência de atordoamento com violência estatal, que
tiveram de enfrentar regularmente, ou com a evolução do movimento de mão de
obra, a vida quotidiana dos trabalhadores foi puncionada em comentários sobre o
60 CAPÍTULO 3

seu isolamento social, juntamente com a preocupação com as suas perturbações, que
tinham chegado ao pedúnculo.
Trabalhadores da Daewoo descritos como sendo seccionados
(charuta).Enquanto os homens a utilizaram de forma idiomaticamente, muito como
a de «cozedura» em vernacular americana, a sua dor evidente revelou a emergência
de violência física. Quando combinada com a sua experiência na linha de
montagem, a frase foi registada como uma metáfora incorporada. Tal como muitos
que trabalham com os seus órgãos para viver, tomam a iniciativa de compreender e
avaliar eles próprios e o seu lugar no mundo social, que passou de anos de trabalho
físico na linha de montagem, o que revela uma epistologia corpóreo (Zandy 2004, 3-
4; ver também ScheperHughes 1992, 185).Os seus organismos de fixação, que me
distinguem como «organismos Daewoo,» con stituem um tipo de fundos próprios
para a integridade física (Wacquant, 1995).Os seus corpos foram reunidos e
obtiveram valor através dos seus rótulos na fábrica. Referindo-se ao processo «fac»
como chongdun ilt, que pode ser traduzido grosso modo por «local de trabalho».
esta frase integra as noções coreanas de afetar e afetar a ligação com o trabalho e
com a fábrica. A idiom sugere uma compreensão e uma riência em matéria de
rotulagem na linha de montagem como um processo mútuo de constituição de
corpo. Com o seu trabalho diário, incorporaram a fábrica no seu sentido próprio de
autodiagnóstico, mesmo que as ferramentas, as máquinas e o chassis de automóveis
absorviam a sua sudação e tolo. Por conseguinte, a sua identidade não era
simplesmente uma cessação do seu emprego no sentido tradicional do seu emprego.
Pelo contrário, como defendo, foram cortadas de uma parte essencial dos seus
próprios órgãos.
A fábrica não era apenas um local de trabalho, um abstrato, um espaço fungível
para obter um salário. Por conseguinte, o desemprego não era uma mera perda de
emprego. A minha análise etnográfica sugere a necessidade de repensar a nossa
compreensão da ocupação como algo para além do emprego ou da forma de
emprego. gestos de ocupação no sentido de que a outra dimensão seja o meio de
habitar. Neste ponto, definirei a profissão como a habitação, mas sublinham a
natureza mútua do corpo e do corpo, de modo a que o próprio local e o próprio lugar
sejam concorridos.A atividade profissional é um produto na articulação com,
ligando-se ao passado, que reside e é habitável por locais e práticas especiais. A
fábrica, como chongdun ilt o, é o local da sua montagem, do seu espírito de
integridade física e do seu bom senso, como é o dos automóveis.Na sua atividade,
os organismos de trabalhadores Daewoo tornaram-se organismos da Daewoo. Em
seguida, devia ser colocado em situação de afastamento à força não de um espaço,
mas, nas suas palavras, de ser separado de chongdun ilt o, ou do que eu definir
como ocupação.As suas dores físicas e disfunções indexadas podem ser entendidas
como um processo de desmontagem do corpo que resulta num estado de
PROFISSÃO 61

desmontagem.
Em primeiro lugar, começo com a ascensão do neoliberalismo e a transição da
Coreia para uma economia pós-Fordist assinalada pela crise financeira asiática
(1997-2001).Os organismos Chongdun ilt e Daewoo foram produzidos no âmbito
do modelo de produção industrial de devel opmental e a sua dramática dissolução
foi marcada pela desvalorização e pela eliminação dos organismos industriais.
Seguidamente, examinarei o local de trabalho e os organismos de trabalho de menor
importância na investigação cultural contemporânea. Os organismos industriais, em
particular, foram ignorados devido à associação de longa data do trabalho industrial
com a degradação pessoal e física. O tecido conjuntivo do meu capítulo está
chongdun ilt o;na presente secção, analiso em pormenor a experiência de
trabalhadores da Daewoo em matéria de trabalho na linha de montagem. Com base
no pensamento recente sobre os órgãos relacionais e de afetar, demonstrei a melhor
forma de entender os organismos da Daewoo como um tipo de conjunto humano e
não humano. Esta investigação leva a entender que as experiências dos
trabalhadores são retiradas como seccionadas.

Organismos descartáveis na Coreia do Sul neoliberal


O estado de sofrimento deste tipo de auxílio não pode ser totalmente compreendido
sem a apreciação da forma como os órgãos de trabalho foram montados (e depois
por montar) em determinados regimes de acumulação capitalista. Os organismos
saudáveis destes trabalhadores eram os conjuntos de desenvolvimento do teste de
desenvolvimento económica, diretamente no autoritarismo, no nacionalista e no
modo de acumulação. A economia coreana teve de enfrentar uma crise de
rendibilidade e de competitividade a nível mundial desde a década de 1980, bem
como a crise financeira asiática e os dramatizados definitivos do fracasso definitivo
do modelo de desenvolvimento. O Conselho Europeu afirmou a consolidação de
políticas de trabalho neoliberais, que desmantelaram as supostas atividades rígidas
do mercado de trabalho coreano; facilitou a execução de despedimentos coletivos; e
valorizar o espírito «flexível» do capital de financiamento. A concretização dos
sintomas específicos dos trabalhadores da Daewoo, na sequência da sua cessação,
estava profundamente relacionada com a capacidade de eliminação sem precedentes
dos seus organismos industriais no âmbito do novo regime neode acumulação pós-
Forde na Coreia.
Embora prossiga o debate sobre a extensão da adoção pela Coreia do «neolib»,
existe um acordo geral sobre as profundas transformações político-económicas e
sociais desde a crise. Tornou-se cada vez mais evidente que a crise constituiu uma
oportunidade política para as elites reformistas as políticas regulamentares
62 CAPÍTULO 3

fundamentais e as estruturas institucionais de acumulação em princípios neoliberais


(por exemplo, banca, política monetária, controlos para o investimento eletrónico,
autonomia dos organismos financeiros), respeitando simultaneamente as «melhores
práticas» do mercado livre global (Pirie 2008).A hegemonia intelectual (em
agências estatais, organismos empresariais e organizações não governamentais)
durante a cri sis, reformadores neoliberais aceleraram a passagem do fabrico em
massa para o financiamento, as tecnologias da informação e o serviço relacionado
com os serviços. Na sequência da crise, os académicos da Coreia iniciaram estudos
etnográficos para identificar a propagação de racionalizações neoliberais e afetar
uma série de domínios sociais, incluindo o bem-estar social (Song 2009); educação
(Abelmann e Parque 2009; Choi 2005); e a indústria de autoajuda. Descrevem
amplamente o cumprimento, se não obsessão, do «autodesenvolvimento» («chagi
keibal») e da «autogestão» (chagi kwalli).Distinta da pessoa normativa — exaustor
do período de desenvolvimento, a pessoa individual (subjetividade, influência e
corpo), e não a empresa ou o país, emergiu como o meio e o objeto da melhoria.
Os pilares do crescimento económico fenomenal da Coreia construídos durante
o período de desenvolvimento, em especial o emprego seguro, foram desmantelados
de forma sistematista. Se bem que tenha sido dada muita atenção aos níveis não
equivalentes de desemprego durante a crise, a importância da crise reside no
mercado de trabalho reestruturado, o que facilitou o restabelecimento duradouro da
riqueza da mão de obra para capital (Pirie 2008). 2 O Estado conseguiu rever a
legislação laboral em 1998, no auge da crise, extraindo concessões imagináveis do
trabalho organizado (institucionalização de despedimentos em massa, trabalho por
contrato e trabalho extensivo de trabalho de trabalho), que revoga o contrato de
capital de base estabelecido na sequência da vaga de greves no período de 1987-
1989. Os trabalhadores de base, os trabalhadores do sexo masculino com cargos
permanentes nas grandes empresas de fabrico, obtiveram uma sólida proteção
jurídica contra os despedimentos, as prestações sociais (incluindo os cuidados de
saúde, a habitação subvencionada e os subsídios à educação para as crianças), bem
como os prémios salariais significativos em relação aos seus homólogos em
pequenas empresas em troca da paz do trabalho. 3 Se a regulamentação estatal do
trabalho era, de facto, severa e autoritária, recorrendo sistematicamente a táticas de
violência, intimidação e terrorismo, a legislação laboral existente tinha protegido o
emprego, restringindo os direitos dos empregadores de despedir e expedir
trabalhadores (Koo 2000).A luta Daewoo, que marcou o último gás do regime do
Estado de desenvolvimento do capitalismo industrial. A redução maciça de postos
de trabalho na Daewoo Motors foi a primeira e a maior executadas num bastião
historicamente poderoso desde a tentativa falhada do Estado na Hyundai Motors em
1998 de 4.
Os trabalhadores da Daewoo autoprodutores eram trabalhadores principais do
PROFISSÃO 63

Estado de desenvolvimento. Estavam empregados no segundo maior fabricante de


automóveis da Coreia e numa das empresas emblemáticas do grupo Daewoo, um
dos cinco primeiros conglomerados («chaebol»).Tiveram salários relativamente
elevados, prestígio social (para os trabalhadores manuais), benefícios e, sobretudo,
segurança do emprego. Quase todos os homens tinham trabalhado pelo menos uma
década na fábrica, cerca de trinta anos, e todos tinham esperado que a fábrica fosse
o seu local de trabalho ao longo da vida (pygsaeng chikjang).Tinham esperado
«enterrar os seus ossos» na fábrica.
Apesar disso, os trabalhadores da Daewoo manifestaram alguma ambivalência
sobre o seu trabalho na fábrica. Descreveu o trabalho na linha de montagem como
uma alimentação de «arroz a gorduras» (girombap mokta).Não se trata apenas de
gordura que consumiu; foi também «arroz». embora o «arroz isento de gorduras»
possa ter sido sujo e não apetecível, foi também isso, mantendo os seus corpos e os
seus mundos sociais. Se queixam da monotonia da linha de montagem;
reconheceram o estigma associado ao trabalho manual, a sua perceção de que se
trata de pessoas que não possuem qualificações morais. Embora preferissem ser
chamados hoesawon ( trabalhador por conta de outrem), que descolou o seu
trabalho efetivo, ouvi eles próprios telefonicamente kongdori, o que sugere, em
certa medida, a servidão. No entanto, também eram trabalhadores «Daewoo
homens», trabalhadores de um grande conglomerado, com os respetivos privilégios
materiais e culturais. Como símbolo de distinção, tinham usado os coletes Daewoo.
Eram diferentes de outros manuais manuais, muitos indicados. Embora possam ter
apenas um elevado nível de educação escolar, eram jogadas, «boas capturas,» boas
perspetivas. Eram bons prestadores e, por conseguinte, bons maridos e pais. 5 A
«vida útil», compreendiam a manutenção da saúde e da vitalidade dos seus órgãos,
que, em seu entender, dependiam da sua contínua ligação a cangdun ilt.
Ao fazer este argumento em particular, não estou a sugerir que os organismos da
Daewoo devam ser considerados simplesmente como organismos sociais, com o
corpo que serve de superfície SYM bolic para a inscrição social dos marcadores
indicando a masculinidade, a classe e o estado que estão associados a trabalhadores
industriais de base. Embora seja evidente que esses significados foram referidos e
invocados pelos homens, transferimos a atenção para os seus corpos de feltro, que,
em meu entender, são coproduzidos por meio de mão de obra física prolongada
dentro da fábrica. As suas práticas consagradas constituíam um tipo de capital
humano; os seus organismos específicos foram formados e obtidos com o seu peso
sustentado aos seus cotrabalhadores, ferramentas e objetos de mão de obra na
fábrica. As suas instituições Daewoo permitiram a acumulação de capital social fora
da fábrica (Wolkowitz 2006, 62-64; Durand e Hatzfeld 2003; Wacquant 1995).Foi
no contexto específico do regime de desenvolvimento que a fábrica poderia vir a
chongdun ilt e as suas instâncias específicas montadas.
64 CAPÍTULO 3

Organismos industriais
Há uma longa história de ambivalência sobre o significado e o valor do trabalho no
pensamento ocidental (Applebabaum 1995).O termo « trabalho» é aplicável tanto à
atividade produtiva como à atividade produtiva, bem como à realização de esforços
difíceis e humilhantes. O trabalho pode estar associado ao autocumprimento, à
capacidade moral e à atividade social. No entanto, também pode estar relacionado
com a negação pessoal, a degradação moral e a apresentação social. Com o advento
dos modos de produção pós-Forde, bem como o crescente domínio do setor dos
serviços, o trabalho tem sido cada vez mais associado ao sofrimento e à alienação.
A partir do final do século XX, tendemos, como Sabores (1994, 52), a «envolver» o
«jogo» e o «desejo» com conotações de inventividade, de consciência, de
consciência, com consciência da consciência (talvez mesmo sem consciência ou
consciência).» Esta observação reflete o que se pretende ser visto como uma
mudança fundamental nos locais de valor e de produção da identidade, do local de
trabalho e da mão de obra, para as culturas públicas expansionistas de consumo
(Comaroff e Comaroff 2001, 4).Naturalmente, a ironia é que a maior parte das
pessoas gasta tempo e energia consideráveis para trabalhar, especialmente se
tivermos em conta a formação (incluindo a educação), a procura, a recuperação e a
preparação para o trabalho (semanas 2011, 2).
Embora exista uma longa ambivalência no sentido do trabalho em geral, o
trabalho é menor em termos de mão de obra industrial. O trabalho é associado, em
parte, a dor e toil, uma vez que é identificado com esforço (Williams 1983, 334-
335).Desenvolvimento industrial do trabalho. Está ligado não só a um esforço físico
mas também à sujeição à integridade física. O organismo industrial é constituído por
um objeto de controlo externo e de manipulação que degrada inevitavelmente a
pessoa. Com a industrialização, Adam Smith, por exemplo, previu que a divisão do
trabalho em tarefas manuais repetitivas resultaria numa degenerescência mental e
moral (tornando-se um «stupid e ignorant»..Seres humanos»).Karl Marx descreve
graficamente o desmembramento corporal («apendimento para a máquina») como
uma metáfora para a alienação socioeconómica. Esta forma de pensar continua a
estar em causa. Harry Braverman Labor and Monopólio Capital (1974) é o
moderno manual clássico. Uma crítica à gestão científica do Taylor, o volume
exionate a expropriação e o controlo da mão de obra através de uma obra
fragmentária das tarefas, que resultou na diminuição do trabalhador humano. As
análises culturais contemporâneas baseiam-se frequentemente na ideia de emer de
uma «anatomia política moderna». embora o Foucault tenha transferido a ênfase
para a produção de indivíduos, os regimes disciplinares ao abrigo das quais as
normas de conduta e as aptidões são formadas são concebidas como o
desmantelamento, a reorganização e, por conseguinte, a produção de «organismos
portuários» (Foucault 1979, 138). 6
PROFISSÃO 65

Além disso, as representações dos organismos industriais tendem a reproduzir as


suspeitas cartesianas do organismo. O espírito é, em última análise, a sede e a fonte
do auto. O trabalho industrial é considerado minável. Não só a repetição mecânica
do trabalho na fábrica não tem em mente, mas não exige qualquer espírito. O
trabalhador industrial é reduzido ao seu organismo. De facto, existe um físico
assustador no caso de imaginações da sociedade industrial, ou seja, pouco razoável,
civilizada, filiforme, de carnal (Metcalfe 1990; Ranciere et al.2004).A maquinaria
disciplinar da fábrica não se limitou a gerar ganhos de eficiência, mas também,
como observaram os historiadores do trabalho, tinham por objetivo subvalorizar o
caráter perigoso dos organismos carnus dos trabalhadores (Wolkowitz 2006, 58-59;
Yanarella e Reid 1996).
As imagens dominantes de trabalho industrial tendem a excluir a possibilidade
de ser uma fonte de trabalhadores, como uma prática de autoprodução. Em regra, as
análises Foucauldian que sublinham o corpo portuário limitam a possibilidade de
uma agência significativa e a identificação dos trabalhadores, não só com os seus
rótulos, mas também com os seus organismos. Tal como a Wolkowitz, no seu
resumo analítico da sociologia do trabalho, pode sobreavaliar o âmbito e a
uniformidade dos efeitos do poder (Wolkowitz 2006, 61).Além disso, os
organismos industriais não são os «organismos flexíveis» avaliados no caso das
sociedades potindustriais contemporâneas (Martin 1995).Visto que se encontra
detido em estruturas de poder, os organismos industriais não só não são anacários,
mas também anamema ao espírito emancipatório do neoliberações da liberdade
individual, da responsabilidade individual e da moda individual.
Teorias alternativas do organismo sugerem possibilidades mais amplas de
materialização e avaliação do corpo. Um raciocínio produtivo é um capital próprio,
um conceito derivado da reflexão de Bourdieu (1992) sobre o seu habitat, elaborado
pelo Loic Wacquant no seu estudo do «universo centrado no corpo» de boxe
(1995).A expressão «capital próprio» implica a incorporação prática dos valores e
estruturas sociais. Indica os investimentos dos participantes na produção e
manutenção dos seus organismos num determinado domínio de ação; no caso dos
boxers, a Wacquant descreve os seus organismos como «ao mesmo tempo que o
instrumento e o objeto do seu trabalho diário, o meio e o resultado da sua atividade»
(Wacquant 1995, 66).Se constituir a forma específica e a forma dos corpos e dos
conhecimentos corporais (e não apenas o conhecimento do corpo), o capital humano
pode incluir as subtis acumulações de competências, sensibilidade, gestos e
movimentos coordenados, bem como estilos de incorporação. Na linha de
montagem da linha de montagem são apresentadas aquisições semelhantes de
capital próprio; por exemplo, sensibilidade aos quinhões de determinados modelos
de automóveis e ajustamentos no aperfeiçoamento que preservam a energia física
(Durand e Hatzfeld 2003; Wolkowitz 2006, 63-64).O quadro analítico utilizado pela
66 CAPÍTULO 3

Bourdieu e pela Wacquant dissolve a dicotomia mentalidades, mas mantém a


distinção entre humanos e não humanos. A minha análise propõe uma conexão entre
um aboador e uma fábrica.
Como já referi, a Daewoo autoperaria considerou a fábrica o seu chondun ilt. o
«idiom» refere-se ao seu profundo anexo afetivo à fábrica. Por «afetar,» não
significa o afeto.O impacto indica a capacidade do organismo para afetar e ser
afetada, indicando uma espécie de ligação incorporada entre organismos (humanos e
não humanos) constituídos através da proximidade e da duração (Blackman 2008;
Seigworth e Gregg 2010).De acordo com o entendimento relacional e afetivo do
corpo, os organismos não são entidades distintas, distintas da mente e das
características simplesmente moldadas por processos exteriores; quando se junta a
outros organismos (humanos e não humanos), os organismos obtêm as suas
capacidades de participação e de participação, sem que nenhum dos parceiros tenha
primazia. A participação dos trabalhadores da Daewoo e do local de trabalho foi
indissociável, de acordo com a sua experiência e com a sua realidade real. Os seus
órgãos eram conjuntos, produzidos na sua articulação com uma série de práticas
materiais (ou de etiquetas) na linha de montagem e no local de trabalho (que inclui
os «locker», as ferramentas, as máquinas e os outros trabalhadores) (Latour 2004).
Chongdun ilt « Occupation»
A expressão « chondun ilt» não tem uma correspondência inglesa exata, mas pode
ser traduzida como o local de trabalho ou de mão de obra, no caso de ser constituída
uma relação física ou afetiva. A expressão « chogdun ilt» é constituída pelo
substantivo «ilt» o, que combina o il, ou seja, o trabalho ou a mão de obra, com t
‘o, ou local ou em terra; O verbo dulta, que significa vir ou entrar; e Cong.A
expressão principal na expressão é a Chong;em termos de definição, não está
disponível um equivalente inglês exato. É geralmente traduzida como um termo de
emoção de afeto e anexo (Kim 1981).Em termos gramaticais, a expressão «tongdun
ilt» é uma construção passiva, que é significativa.Chongdun é a contração tensa
passada da expressão Chong i tunta, ou seja, o Chong está a entrar. Neste
formulário, o objeto do verbo «tucta» (enter) é a Chong.«Por outras palavras,
«Kim Kong ocorre sem qualquer ação ou intenção ativa de um indivíduo. Isto, por
sua vez, implica um desenvolvimento passivo, gradual e inconsciente de
[indivíduos] envolvidos nas relações Chong» (1981, 142).O seu desenvolvimento
pode ser entendido como um efeito do que a Tausig chama a «precisão da inter-
relação humana»: não se trata de «apenas impressões sensoriais da luz e do som,
etc., mas também de direitos sensoriais das relações sociais em toda a sua
ambiguidade de música» (Tausig 1987, 463).A Chong é parte integrante do
conhecimento, ou do sentido, de uma relação social sedimentada através de uma
descoberta física repetida e regular, o que pode não ter a intenção de o fazer.
Embora Chong seja mais frequentemente utilizado para descrever relações
PROFISSÃO 67

interpessoais, pode também exprimir uma relação com um objeto ou lugar. A mais
representativa de uma relação entre Chong/local é a sua cidade natal ou o local onde
se cresceu. Tal como muitos outros coreanos, os trabalhadores também descreveram
frequentemente as suas cidades natal (kohyang) em termos de Chong.Nas suas
discussões, havia o sentimento de que as cidades de origem fazem parte delas, não
só em memória, mas também nos seus órgãos. As suas cidades no domicílio
formaram o seu corpo, as formas dos seus corpos, as suas penas, e as suas primeiras
relações íntimas.
Afirmar que a fábrica como chongdun ilt é afirmar que é tão formativa como as
suas cidades de origem, os locais de nascimento e a integração original num mundo
social da INTI.Numa entrevista com dois autores, um dos homens explicou esta
interpretação de chongdun ilt:
Trabalhei aqui durante quase dez anos, desde os meus tempos, e educou a
minha família, e agora..Por exemplo, a Chong está a entrar. Durante
quanto tempo me foi viver aqui, quanto tempo durante o qual I..Dito de
outro modo, abei-me aqui os meus jovens. A cidade natal, tal como a
nossa reflexão sobre a casa, foi o meu primeiro local de trabalho, o que é
importante. Foi o meu primeiro emprego e o local de trabalho a longo
prazo. Há Chong para as máquinas, para os meus colegas.
Na sua declaração, o sentido da duração era crítico para a compreensão de
chongdUn ilt. esteve na sua sede; tinha passado quase dez anos na fábrica. Como
afirma, foi o lugar onde enterrou os jovens, onde se tornou um homem, um marido e
um pai. Além disso, tal como a sua cidade natal, onde começou a vida, esta fábrica
era o seu primeiro local de trabalho, o início da sua vida de trabalho. Noutras
entrevistas e conversas, os trabalhadores fizeram declarações semelhantes sobre a
extensão dos seus anos de trabalho na fábrica. Tornando claro o número de anos do
entrevistador, muitos registaram as suas narrativas, com declarações como «dei os
meus jovens à fábrica» ou «deixei a minha vida à fábrica.» Em vez de se limitar a
melancia, as declarações de sacrifício pessoal para a empresa, essas observações
indicaram a profundidade da sua ligação como produto de ocupação sustentada.
Um elemento de provocação na declaração acima é o navio «Chong» do
trabalhador com as máquinas. Mais tarde, na entrevista, observou: «Quando
dizemos o nosso tongdn ilt o, por um longo período de tempo, concedemos os
nossos corpos ao nosso trabalho, à nossa Chong, às máquinas e aos produtos
[chaepum;Principalmente automóveis], as pessoas que nos rodeiam.» Há uma
equação do seu corpo com Chong e de mão de obra física como um processo que
pode produzir Cong.A expressão «labor» é entendida como uma forma de
intercâmbio, mas não a troca formal e calculada de uma potência laboral abstrata
para um salário, é um intercâmbio de Chong com o que deve ser considerado um
local de trabalho «íntimo» e «animate» de máquinas, veículos automóveis na linha
68 CAPÍTULO 3

de montagem e outros trabalhadores.


Cong não só é administrado mas também é recebido. A reciprocidade do Chong
está na origem das descrições dos trabalhadores do processo de trabalho.
Qualificou-a como «equitação da linha» (t’ada).As imagens sugerem menos uma
experiência da sua adesão à máquina e à linha de montagem do que uma tal. Em vez
de uma apresentação passiva ou de um período de baixa constante com o ritmo e
rigor de uma força exótica, dá a entender um arrastamento ativo com os
movimentos da linha. A noção de arrastamento indica um processo de
sensibilização e sincronização. Ann Game, na sua conta pessoal de formação
destinada a levar um cavalo bloqueado, descreve a forma como o processo conduziu
a que os seus cavalos se tornem recetivos, ou à integridade física em sintonia, com
os ritmos de cada um (Game 2001).Como crítica à separação artificial entre seres
humanos e não humanos, o jogo demonstra que o que é importante para a
aprendizagem de um movimento, uma perícia do corpo, é um processo de
«inhabitabilidade», que incorpora a cadence e o fluxo de ritmos que ligam o ser
humano e o não humano (2001, 8; cf. Blackman 2008, 9).A expressão «Riding the
line» pode ser entendida como um processo de «ocupação» que sublinha a ligação
incorporada, bem como a ligação eletrónica, em vez da separação.
Embora a aprendizagem seja geralmente considerada uma prática
desincorporada de aquisição de conhecimentos, a aprendizagem para percorrer a
linha implicou a incorporação física e a entrada. Os trabalhadores descreveram o
processo com o verbo ikhida e o modo idiom mome baeda. A utilização da Ikahida
se faz para si próprio ou para se habituar; representa um forte sentido de assimilação
corporal. A forma idiopante é habituada e tornar-se habituada a, para ser
naturalizada; pode ser utilizada para referir de modo específico os usos e as
disposições. O verbo bada é também utilizado para descrever a forma como as
coisas são feitas por meados ou saturados com corantes, fumo ou outras matérias
solúveis. Aplicado aos organismos, também se refere a imersão em sensações
imateriais, mas tangíveis, como o som e o cheiro. Como trabalhadores por conta de
outrem, a diom equiparou a experiência na linha com uma espécie de absorção
corporal e não com o produto da inscrição mental. O sentimento dos seus
instrumentos, o movimento das costas e as armas, o fluxo de peças para automóveis,
ao longo do tempo, se fez sentir. As funções e o ritmo da linha de reunião afetam
diretamente os seus órgãos.
Aprender a conduzir a abrir os seus corpos aos ritmos e sensações da linha. De
uma forma sucinta e poética, o outro jovem trabalhador, que tinha trabalhado na
fábrica durante catorze anos, desenvolveu a experiência com o abandono de um
perfume e um ritmo:
Enquanto está a trabalhar, há o sentimento de outros que o rodeiam..Essas
pessoas
PROFISSÃO 69

deixar um perfume....O ambiente (hangyong) tem um fluxo, um ritmo...


com as pessoas, independentemente da sua relação, o próprio trabalho.
As metáforas de perfume e de ritmo não descrevem fenómenos discretos que
possam ser detidos a uma distância por motivo ou visão; pelo contrário, referem-se
a uma espécie de imersão corporal num mundo comum. O intercâmbio de Chong é
significativamente considerado uma ligação absorvida e transmitida entre as
pessoas, as coisas e os locais. A experiência de trabalho diária dos trabalhadores na
fábrica, a sua mão de obra incorporada, a trans formava a fábrica e, por sua vez, em
chongdun ilt. os ovinos não trabalhavam na fábrica; são, de facto, por ele
utilizados, constituindo a fábrica, pela e através dos seus órgãos, uma atividade
profissional.Além disso, deixaram um perfume; também eles faziam parte do
chongdun ilt.
A idiom chongdun ilt remete, por conseguinte, para a sua profunda
afetividade/integridade física à fábrica. Os órgãos de trabalho da Daewoo e o local
de trabalho estavam ligados, inseparáveis da sua experiência e na sua realidade real.
Os seus órgãos eram conjuntos, produzidos na sua articulação com várias formas de
prac e no local de trabalho na linha de montagem e no local de trabalho (Latour
2004).Esta articulação ou ligação pode ser entendida como uma espécie de
integridade física nos ritmos e rigor do trabalho, desde o exercício físico necessário
à orientação do tempo de trabalho diário. Sendo, por conseguinte, despedido de uma
determinada articulação forçada, involuntária ou nas suas palavras, «separada».

Partes desmontadas
Após o seu lançamento, os trabalhadores da linha de montagem da Daewoo
queixaram-se da dor e de uma série de disfunções físicas. Pediram aos advogados
dos médicos, mas muitos comunicaram que os diagnósticos e os tratamentos
atenuaram apenas parcialmente os sintomas. Embora o seu sofrimento possa ser
atribuído, em parte, aos ferimentos sofridos em confrontos com a polícia de choque,
como a maioria dos tipos de dor crónica, as suas dores e maladies tiveram pouca
certeza clínica; de acordo com as perspetivas biomédicas convencionais do
organismo, não foram especificadas. Ouvir as suas descrições de sintomas
específicos e as suas narrativas sobre a utilização da linha, a causa do seu
sofrimento, como se tornou evidente: Foram separadas de uma parte vital para si
própria e dos próprios processos através dos quais as suas entidades sólidas eram
montadas. Os «arrepios» não se limitaram a uma formulação idiomática, mas
também a uma metáfora, e não apenas à ligação entre o pensamento e a imagem,
mas também à divulgação do significado mútuo do significado, do organismo e do
mundo da vida (Kirmayer 1992).Não se trata apenas de um modo de falar.
70 CAPÍTULO 3

Um trabalhador, de estatura reduzida e em meados de trinta anos, por exemplo,


concluiu que a sua dor crónica e a sua dor de anca eram o resultado de um prejuízo
sofrido durante a linha, mas a sua narrativa revelou um torção reto/verso. Por outras
palavras,

Uma vez que não tenho qualquer desejo de [ uiyok — será a motivação, a
motivação], a minha entidade mudou, tornando-se presente. Na minha
opinião, os meus serviços estão e existem aqui. Dirigi-me a um médico
tradicional coreano e a fonte do meu dores [disse] ser o trabalho que fiz. O
meu trabalho estava a colocar as portas dos automóveis. Colocaram as
portas e utilizei as portas em. Trago para o automóvel, a metade superior
do meu corpo e a metade mais baixa em suspenso do lado. Fazem parte
das suas tarefas e estão na origem do meu problema. A minha saúde não é
boa, normal. Considera que esta forma de proceder; é um facto que se tem
prejudicado no emprego.Agora não tenho qualquer desejo, e a minha
defesa, não sei se posso trabalhar [mais].(sublinhado nosso)

As palavras-chave são desde então e agora, que marcam o revestimento da dor


depois de ter sido colocada. assim, o que é evidente nesta narrativa não é o facto de
ter marcado a sua atual condição física ao seu passado profissional, tendo em conta
a avaliação normativa do trauma corporal do trabalho repetitivo da fábrica, mas que
a sua dor não era manifesta antes de ter sido separada da linha de montagem e
privada do seu trabalho. Embora as suas costas e anca possam ter sido deformadas
durante o trabalho, não foi sentida como dor até ter deixado de ser capaz de fazer
mão de obra.
Talvez mais provocantes, a perda do seu trabalho afetou o seu desejo, a sua
moto, e a perda de vontade estava associada à deformação dolorosa do seu corpo.
Embora o seu estado afetivo possa ser atribuído à depressão e a outras patologias
psicológicas comuns relacionadas com a perda, sugerimos uma outra entidade. Tal
como se propõe recentemente, o desejo não é autónomo, não é, porém, autónomo no
seio de um indivíduo isolado, mas é produzido em relação a outras entidades que
montam ao mesmo tempo (Clough, 2007).O seu desejo emergiu com a sua
articulação física com as máquinas e os automóveis. A sua vontade expressa a sua
capacidade física inerente: no trabalho, para afetar os automóveis na linha de
montagem (martelagem nas portas) e em troca de serem afetados pelo processo de
trabalho (a metade mais baixa do chassis, fora do quadro), moldar a postura e o
portar (Latour 2004).Desarticulada a partir da linha, o seu corpo surgiu sob a forma
de disformidades, tendo a sua capacidade física perdido sentido como a perda de
vontade. Quando afirmou que não sabe se pode trabalhar, questionou não só o seu
corpo físico, mas também a sua própria vontade de trabalhar, que o tinha feito a
Daewoo para trabalhar.
PROFISSÃO 71

Outros sintomas de «trabalhadores» afetam a consequência física de serem


separadas dos ritmos e períodos de trabalho em fábrica. Duas das doenças mais
comuns foram o estômago e a dor intestinal e os períodos de vertigens. Ambos
eram, ambos, poderosos em metáforas, para o seu sentido de luxação abrupta. Por
exemplo, um trabalhador declarou: «Uma vez que fui despedido, quando me estive
depois de sentar-se, o meu chama para a cabeça, como se fosse atingido pela luz
solar. Sinto-me sinty», estes sintomas não eram apenas expressões de um estado
mental, mas revelaram a interdependência de espírito, corpo e espaço, captando a
experiência sentida de ser separada do chongdun ilt (Jackson 1996, 9).Não
pensavam na sua deslocação, mas consideraram-no, como no caso da fiação,
desamarrado da fábrica. 7
Problemas gastrointestinais, do mesmo modo, indexados a perda de emprego em
sentido sentido. Durante um lanull no gabinete da União, depois de outro almoço de
tipo chinês que não satisfaz os dados fornecidos pela União, consultei uma pequena
reunião de homens sobre as suas condições físicas. Um dos trabalhadores fez notar
que «entre as pessoas que têm a mesma participação na luta, é provável que não se
trate de uma pessoa que não tenha problemas de estômago.» Outro homem, uma de
uma pequena minoria que teve um historial de participação da União, especulado
durante uma entrevista que apenas alguns poderiam reivindicar a saúde. Muitos
deles queixavam-se de sensações selantes no seu peito, dores nos seus lados e uma
perda de apetite, combinada com um ganho de peso. Os diagnósticos foram
facilmente visíveis. Contrastam o seu estado atual como os homens desempregados
com ritmos estáveis de trabalho nas fábricas, os esforços físicos recorrentes na linha
e a fome e fadiga resultantes da fome e da fadiga, complementados por pausas e
refeições regulares. Outro homem explicou, «Quando eu ia trabalhar, tenho três
refeições quadradas e, quando trabalhei horas extraordinárias, exerci outra na
cafetaria da fábrica, para casa e para mais uma. Mas agora, não comer o almoço ou
perder outras refeições. Este modo de vida dá aos seus problemas do estômago.» O
esgotamento e o aprovisionamento das suas energias corporais seguiram um ritmo
de espera. Agora separada, separada do trabalho físico, os seus órgãos sentiram-se
confusos, com falta de apetite ou de vontade.
Com efeito, os seus órgãos perderam a familiaridade, assumindo o peso e
perdendo capacidades e instalações de participação. Em contextos mais leves,
muitas partidas prenderam-se com a expansão da cós, comentando, como fizeram os
seus estômagos, «Isto é um intestino do homem desempregado.» Foi uma indicação
da sua falta de adequação para a condução da linha. Em momentos mais graves,
alguns dos homens confiam que foram afetados por sonhos de vontade em que já
não são «aptos» para a fábrica. Um trabalhador mais antigo, no seu atraso,
descreveu a sua incapacidade de colocar no seu vestuário de trabalho. Durante o seu
sonho, estava na sala do seu local de trabalho, preparando-se para a sua mudança.
72 CAPÍTULO 3

Independentemente da forma como ele levou à uniformização do seu uniforme, o


que tinha usado durante anos, o que ainda era manchado com a sua transpiração,
não era adequado. Já não era capaz de integrar a sua própria atividade profissional,
o que era adequado ao seu órgão de trabalho. No âmbito de conversações ocasionais
em torno dos gabinetes sindicais, ouvi frequentemente os homens quanto à questão
de saber se poderiam fazer fisicamente o seu trabalho. Estão preocupados com o
facto de os seus instrumentos não estarem aptos para as mãos, que não conseguem
manipular os instrumentos como estes, e que já não podem suportar as longas horas
e o ritmo da linha de montagem. Perguntou se poderiam ainda utilizar a linha.
Embora muitos trabalhadores tenham concordado com o diagnóstico dos seus
médicos de terem sido prejudicados no emprego, o aparecimento dos seus sintomas
depois de seccionado sugere uma interpretação diferente. Não era a verdadeira
rotulagem que lhes causou dor. Como muitos dos trabalhadores afirmaram em
entrevistas e conversas, ao passo que os seus organismos podem ter sido espore e
que abusam da linha, não obstante, estavam «satisfeitos». não tinham sido vítimas
destes tipos de dor. Os rótulos dos seus órgãos. Desde a sua articulação com a linha,
a sua ligação com as máquinas, braçadeiras e carros surgiram com a sua capacidade
física para agir, interagir e ligar-se ao seu cangdun ilo, por outras palavras, para se
sentir vivo, vital e saudável (lough 2007, 2).

Órgãos de base responsável


Byongshin é um termo coreano para a raça. Resulta dos dois carateres Sino-coreanos
para «doentes» e «organismo». está imbuído de vergonha e de desgraça social e é
geralmente utilizado como curse (Choi 2001, 435-436).Em termos de utilização
vernacular, tem vindo a fazer referência a pessoas marcadas por deficiência e
disfunção. Os trabalhadores despedidos pela empresa ongshin para se referirem a si
próprios. Por exemplo, um dos mais antigos dos trabalhadores despedidos, que
durante toda a sua vida de trabalho nesta fábrica, comentou a degradação que bate
os desempregados:

O subsídio de desemprego de seis meses faz com que um homem se


encontre num ongoshin.Porquê?Hoje em dia, onde quer que se vá,
ninguém dá um milhão de won por um mês de trabalho
[aproximadamente um dia e dólares de areia na altura].Em seguida, mais
do que ir noutro país para obter um emprego, oito centenas de milhares
ganharam, é melhor não trabalhar e receber desemprego. Mas, após seis
meses de não trabalhar, de se habituar a este tipo de vida, tornou-se um
onbygshin.
PROFISSÃO 73

Na superfície, trata-se de um comentário gruff sobre o risco moral do sistema das


entidades sociais. Ao longo dos anos, foram realizados numerosos intercâmbios
sobre a forma como a Coreia se tinha alterado, dando geralmente entrada nas falhas
do governo e nas atitudes das jovens. Neste contexto específico, com a experiência
generalizada de dor crónica entre os jovens e os mais velhos, falou à deterioração
física dos autotrabalhadores, que se prendia com a sua separação de chongdun ilt,
de ter sido deixada a um estado de desespero e de não reparar. Recordámos a
observação feita pelo jovem trabalhador, que se confrontou com a dor debilitante e a
dor de anca e com uma perda de desejo. O homem e muitos outros tornaram-se, aos
olhos do trabalhador mais velho, por ongshin.
Embora não possa funcionar como um regime popular comum ou «doença
principal», o qual descreve as relações entre os diferentes organismos sociais e
individuais, fundou-se um inchoato e uma categoria emergente indexando o seu
estatuto social e moral (Scheper Hughes, 1992).Com base no conceito de «nervos»,
«Em vez de uma torrente de sensações e sintomas indiscriminados, o nervos é um
tanto inchoado, oblíqua, mas, ainda assim, uma reflexão crítica por parte dos mais
pobres nos seus órgãos, sobre o trabalho que delimitou a sua força e a sua
vitalidade, que é alusivo e desequilibrado, e, como era, sem uma «perna de pé»»
(1992, 175).Do mesmo modo, ongshin condensado num único símbolo as
experiências dos organismos caídos e do seu estado moralmente degradado.O
Byongshin foi uma doença social e a mesma com a forma como o desemprego tinha
arruinado os seus órgãos e, consequentemente, a sua legitimidade social. Quando se
chamavam a si próprios, sempre fizeram uma pequena dimensão que eram
trabalhadores masculinos, mas tinham sido produzidos por ongoshin.Não nasceram
nem foram abatidos por acidente, mas foram tornados inúteis e descartáveis por um
sistema sociopolítico que deixou de avaliar os organismos industriais.
Os trabalhadores estavam muito conscientes do valor (anterior) dos seus
organismos. Numa reunião diária ao meio-dia, nas «demonstrações de contentores»
em que os homens se congregaram na zona das caixas de transporte de mercadorias,
os motivos da fábrica, por exemplo, um dos dirigentes da União recordaram aos
homens a reunião dos homens, «tens de ser saudáveis para trabalhar». da cabeça do
formando, ocupou o microfone e assinalou a vários dos homens os presidentes dos
trabalhadores cujas costas e as ancas impediram que se sentissem confortavelmente
no terreno. Foram, porém, alguns dos muitos que se queixaram da dor crónica. Os
seus órgãos foram temas públicos inteiramente públicos em manifestações. Ouvi,
frequentemente, os líderes sindicais, « [nodongja] nada tem a palavra, mas os seus
órgãos.» Noutros casos, para além das manifestações e dos protestos, ouvirei os
homens e os homens que reproduzem frequentemente esta alegação, acrescentando,
também, «Os nossos órgãos são o nosso património, a nossa riqueza [chaisan].»
Para obter esclarecimentos e elaborar esclarecimentos, indagou sobre a
74 CAPÍTULO 3

importância desses slogans com um líder sindical. Sentimo-nos presentes em tapetes


azuis numa sala lateral, nas instalações da União, num dia inteiro lento. Foi jogado
na perna direita; os ligamentos do joelho eram dilacerados pelo bordo afiado de um
escudo da polícia de choque durante uma confrontação. Chamou a atenção para o
seu joelho, mas desviou a minha pesquisa tranquila. Parecia ter mais urgência para a
minha pergunta inicial. Tendo respondido,

Assistia a todos os meios, à direita?«Os fabricantes de energias renováveis


não têm nada, mas os seus órgãos.» Isto é..Tal como referi
anteriormente..Não temos graus académicos, não temos competências
técnicas de alto nível. Na Coreia, nível de ensino..Licenciámos a partir da
escola e aprendemos com as nossas competências na fábrica. Este é o
nosso nível e, a esse nível, não existe «mais» ou «mais baixo». com essa
competência, comemos e vivemos. Além disso, adotaremos as nossas
famílias. Com os nossos órgãos, estamos a trabalhar e a ganhar salários, a
fim de alimentar as nossas famílias, viver..Na realidade..De viver; é isso
que significa não ter nada, mas sim os nossos órgãos.

Na sua declaração, existe uma tensão entre o seu entendimento dos organismos
industriais: Afirmar que não têm nada, mas os seus órgãos, têm de reconhecer o seu
baixo estatuto numa sociedade que, cada vez mais, valoriza os conhecimentos
intelectuais e técnicos, caracterizados pela educação e pelas credenciais, mas, para
dizer que não têm nada, mas os seus órgãos devem igualmente reclamar o valor dos
seus órgãos. O valor reside nas suas capacidades produtivas, aptidões do corpo e
conhecimento obtido através de mão de obra. Com os seus órgãos eles montaram os
carros e os salários, e com os seus órgãos alimentados e reportados as suas famílias.
Os trabalhadores compreendiam, tal como os seus organismos em dificuldade
podiam comunicar, «o que [eram] vendidos no ponto de produção é um par de
mãos, um dorso, um conjunto de músculos» (Donaldson, 1991, 17).Os seus órgãos
eram a sua riqueza, os investimentos corpóreos que produziram os seus meios de
subsistência e a sua posição social. Como indicado por um dos dirigentes da União,
tem de ser saudável para o trabalho, mas a experiência dos homens de ser sev de
chongdun ilt também demonstrou que o trabalhador tem de trabalhar para ser
saudável, ser «inteiro» na aceção figurativa e propriamente dita. Já foram
despedidos, os quais se tornaram ongshina.Os meios vitais para reproduzir
(montam) os seus órgãos industriais foram, de facto, imbuídos. Para ser separada,
não se trata apenas de uma mudança de frase, mas sim de luxação real e violenta a
partir da fábrica e de uma parte da própria fábrica.
«Criple» é um poderoso estigma social. É um marcador da perceção do uso
social e da dependência. Na década de 1980 e no início da década de 1990, o
potencial económico da Coreia e o seu progresso foram simbolizados pelo gigante
PROFISSÃO 75

da indústria pesada da indústria pesada e pela região do exército industrial, uma


metáfora própria, uma metáfora adequada para uma mão de obra ao abrigo de
regimes ilegítimos. A crise financeira asiática pesou de forma extraordinária a
hegemonia do capital de financiamento, anunciando a escalada da economia da
informação e as correspondentes tecnologias e práticas especulativas. As
autorizações de curto prazo, os lucros a curto prazo e a precariedade laboral sem
precedentes substituíram o emprego durante o tempo de vida em sistemas altamente
disciplinares de produção de Fordastas que operam numa obsessão nacionalista com
desenvolvimento industrial. Atualmente, mais de 50 % da mão de obra coreana está
envolvida em atividades não convencionais, o emprego irregular e o trabalho
temporário no setor dos serviços é o setor económico de mais rápido crescimento.
Neste contexto, os trabalhadores industriais não estão simplesmente desempregados;
são redundantes. O desemprego implica uma condição temporária de servir no
exército de reserva industrial, para ser potencialmente chamada em serviço; deve ser
descartável, desnecessário, totalmente improdutivo na nova economia (Bauman
2004, 12).

Conclusão
O objetivo deste artigo não é analisar a nostalgia da fase de Forst, mas refletir de
forma crítica sobre a fase contemporânea do capitalismo na sua aparência
neoliberal. O neoliberalismo ideológico é a promessa de «emancipação» — o
estabelecimento livre de uma iniciativa individual e de talentos, o espírito
empresarial entre espírito empresarial e o organismo de identificação da «jaula de
ferro» do capi industrial. A mão de obra industrial está, no entanto, profundamente
associada a um dirículo, a rotina monótona, a rotina monótona e uma fonte de
degradação profunda do corpo, bem como o sofrimento físico. O princípio da
Daewoo não está totalmente de acordo com esta perspetiva. Também eles se
queixaram do caráter menal dos manuais automatizados de mão de obra;
reconheceram igualmente que este tipo de trabalho foi considerado baixo e baixo.
Mas recordam a ambivalência do líder da União que declarou que os trabalhadores
da fábrica não tinham educação, todos eles tinham sido os seus órgãos. E como os
seus órgãos atestam, embora o trabalho da fábrica possa, por um lado, degradar o
trabalhador, por outro, também pode permitir a sua ocupação.
Chongdun ilt, defenderei, foi a ocupação.A sua descrição dos rótulos nas linhas
de montagem revelou que a fábrica era um ambiente sensual, utilizado com efeitos e
significados profundos. Tratava-se de composições e movimentos de assustadores e
movimentos distintos de organismos humanos e não humanos. Estes não definiram
o contexto, o contexto espacial dos seus rótulos.Através do seu trabalho diário
76 CAPÍTULO 3

prolongado, os homens deram e receberam Chong, tornando-se numa parte deles,


constituindo eles próprios parte de chongdun ilt. imersos em chongdun ilt o, foram
constituídos como organismos da Daewoo. Neste sentido, a fábrica foi a sua
ocupação.
A luta Daewoo, que marcou o último gás do regime do Estado de
desenvolvimento do capitalismo industrial. O neoliberalismo não os libertou da
fábrica, mas cortou parte de si próprios. Abandono da economia potinindustrial, que
valoriza a produtividade «imaterial» (conhecimentos tecnológicos e mão de obra
afetiva), foram os relírios do passado industrial da Coreia, expressos como as novas
primitivas da Coreia contemporânea. Se existir qualquer tipo de liberdade no âmbito
de um sistema capitalista de acumulação, este deve ser livre neste sentido irónico
descrito por Marx: obrigada a vender livremente uma potência laboral. Sob o
neoliberalismo, os trabalhadores despedidos eram livres de vender o seu trabalho
num mercado que desvaloriza os seus órgãos industriais. A dor física dos
trabalhadores e a sua compreensão por si própria como ongshin eram declarações
de poigant para a sua desvalorização. Com efeito, os seus órgãos paralisantes
tinham passado a ser contraídos junto do Zygmunt Bauman, a seguir «resíduos
industriais» (Bauman 2004).
Os homens lutaram para regressar ao chongdn ilt. não eram sindicalistas. De
facto, uma esmagadora maioria negou qualquer identificação com a União, os
dirigentes sindicais ou o movimento de mão de obra. Afirmaram que eram
simplesmente homens que desejam regressar às suas fábricas. O que perderam não
era simplesmente um meio para a sua subsistência. Significou e sentiu muito mais.
Temos tendência a conceber uma mão de obra flexível, uma forma de trabalho
temporário em tempo útil, em termos de potência laboral abstrata e abstrata, em
termos de força de trabalho, em termos económicos, substituíveis em termos de
potência laboral. Ao fazê-lo, ignoramos de que forma a «flexibilidade» exige o
desmantelamento dos «hábitos de trabalho permanente, permanente e regular»
(Bauman 1998, 112).Sem pôr em causa os obstáculos ao progresso económico, estes
«hábitos» não devem ser rejeitados como simples rotinas e desmedida. São práticas
profundamente incorporadas e significativas, que constituem e constituem as
profissões dos trabalhadores.Como demonstram muitos dos que contribuem para
este volume, estes «hábitos» ou estruturas socioculturais (por exemplo, relações
pessoais, organização do tempo, identidade nacional, aspirações éticas) são
«pegajosas» e não fáceis. Os desempregados podem ajustar e retornar estruturas de
significado e de pertença, mas é de assinalar que os ajustamentos aproximam-se dos
ajustamentos do que se pensa convencionalmente como emprego. De facto, a
experiência dos desempregados esbate a linha entre o emprego e o desemprego em
conjunto ecumene mundial temporário.
4
O AUMENTO DO NÍVEL PRECÁRIO?
Desemprego e identidade social numa
cidade externa francesa

John P. Murphy

Em 2005, como comecei a realizar atividades de investigação etnográfica no


domínio público nos projetos públicos de aproximação à média das cidades de
média dimensão francesa de Limoges, que se encontram perto de 250 milhas ao
longo dos arredores de Paris. Um pequeno grupo de adolescentes que regressavam a
casa a partir de uma tarde que jogou o futebol tinha registado loitering num estaleiro
de construção. À medida que se aproximou um carro isolado, os adolescentes
fugiram. Embora algumas tenham sido detidas, três conseguiram contornar a polícia
através da subida para uma subestação elétrica próxima. Este jogo de gato e rato foi
em breve mortal quando estes três jovens eram eletrocutados. Dois morreram
instantaneamente; o terceiro, mal queimado, conseguiu, ainda assim, regressar ao
seu país de origem, onde as eletrocuções se espalharam rapidamente. Essa noite, os
jovens descem para as ruas da sua vizinhança, desbravar os abrigos, carros de torre e
lançamento de rochas e outros projéteis facilmente disponíveis junto da polícia,
chamados a «quell» a perturbação. Apesar dos reforços antimotim, os distúrbios
agravaram-se durante as seguintes noites e, a partir do momento em que um regresso
à «normalidade» foi declarado três semanas completas mais tarde, a violência veio
alimentar mais de 270 cidades francesas, incluindo Limoges. 1 A escala sem
precedentes do conflito levou o Presidente Jacques Chirac a invocar o estado de
emergência desde a primeira vez que um funcionário francês o tinha feito desde a
guerra argelina há mais de cinquenta anos. Os danos monetários totais atingiram
bem as centenas de milhões de euros.
Desde então, grande parte da tinta tem vindo a tentar discernir as causas do que é
atualmente conhecido como o Rio de 2005. É certo que a tragédia fora de Paris
inflama o fusível, mas o que permitiu que a violência se espalhasse, tal como os
77
78 CAPÍTULO 4

incêndios florestais, em França continuou a ser um tema de aceso debate.


Salientando as origens imigrantes (Mali, Tunísia e Turquia) das três eletrocussão
vic, alguns docentes-investigadores (por exemplo, Lagrange 2010; Mdembe 2009a;
Mdembe 2009b) foi quebrado pela tradição republicana em França, alegando que as
2005 Rietas e, de um modo mais geral, a vida nas cidades urbanas multiétnicas da
França são mais bem compreendidas em termos culturais e raciais. 2 Outros
investigadores (p. ex., Cesari 2005; Lapeyronnie 2009; Roy 2005) insistiu em que
uma leitura socioeconómica é mais produtiva. Embora tenham o cuidado de não
descontar a discriminação racial muito real, muitos jovens no interior da cidade
apontam para a desintegração da classe de trabalho e do afluxo de ideias e práticas
neoliberais, uma vez que se trata de ideias e práticas neoliberais fundamentais e
sugerem que a sociedade é agora melhor descrita como estando a ser fortemente
dividida entre aqueles que estão incluídos e os que estão excluídos (les exius).Que
os jovens em geral jovens em geral e não apenas as provenientes de imigrantes em
contexto de desemprego enfrentam, por vezes, taxas de desemprego mais do que
quadruplicaram a média nacional fornece elementos de prova, em apoio da sua
interpretação socioeconómica.
Num livro recente, o economista Guy Standing (2011) toma mais longe esta
última análise. A associação do Rio de 2005 a outros exemplos recentes de agitação,
incluindo os protestos da «Den Pliva» na Grécia, a primavera árabe em grande parte
do Médio Oriente e o movimento internacional «Occupy», alega que o aumento da
insegurança em termos de emprego no sistema do mercado mundial do século XXI é
o resultado de uma nova categoria preocupante para um grupo, que é um grupo
precário, que sugere, é perigoso, uma vez que, até à data, é desprovido de uma
consciência coletiva e, por conseguinte, de uma voz. Em ambos os casos, os seus
membros exigem que os seus membros se possam transformar de «Strutgglis em
desviantes e canhões livres, propenso a ouvir os políticos e demagogos» (2011,
132).A única forma de controlar a precariedade, a única forma de a impedir de se
tornar um «monster», mantém o seu papel no processo político, ajudando-o a
adquirir a qualidade de classe para si própria.
O meu objetivo no presente ensaio é questionar esta ideia de um estado precário,
que, pelo menos em França, atraiu uma quantidade justa de interesse popular e
académico (por exemplo, Aubain 2012; Castel 2011; Chabanet, Du4 e Royall
2012).A história I começa com o Rio de 2005, mas não termina aí. Com base em
mais do que um ano de investigação no domínio etnográfico que investiga as
experiências e as perspetivas de um grupo de jovens que procuram trabalho no
âmbito da juventude, vou explorar quais os antropologistas, os sociólogos e outros
investigadores em ciências sociais chamadas geralmente como identidade social, ou
seja, como as pessoas situam ou colocam eles próprios em situação de perceção dos
grupos sociais. Alguns meses após o Rio de 2005, na primavera de 2006, apesar de
O AUMENTO DO NÍVEL PRECÁRIO? 79

eu estar ainda no terreno, outro drama social desenrolou-se em França em torno de


uma proposta de lei sobre o emprego, o Contrat Premiere embargo (ECP).Este
«Primeiro Contrato Livre», que prometeu criar mais postos de trabalho para os
jovens, com o reforço da rigidez da legislação do trabalho em França, incitou muitos
franceses, tanto os jovens como os menos jovens.A situação precisa (precariedade)
só se agravará se a proposta passar a ser a lei. Curiosamente, a maioria dos jovens na
cidade de Limoges não partilha este sentimento. Com efeito, muitas vezes se
distanciaram deliberadamente da grande rua os protestos de efeito citopático em
Limoges e noutras cidades francesas. Por que motivo foi esse o caso?Certamente
que, mais do que a maioria das pessoas em França, tinham uma participação no
acolhimento da insegurança económica. A resposta a esta questão suscita outras
questões sobre o aumento do chamado «precariedade».De que modo poderá este
termo ocultar ou ocultar desigualdades estruturais novas ou velhas?Além disso, de
que forma poderá desqualificar ou invalidar uma «sociedade de interesse social» e
as estratégias de adaptação criativas falsas por aqueles que estão mais gravemente
expostos a uma situação de precariedade laboral?Trata-se de questões prementes
cujo sinal de segurança se estende muito para além das fronteiras da França. No
entanto, a França oferece um estudo de caso particular para a sua análise,
precisamente porque, em França, a retórica de solidariedade (solidariedade) é
especialmente sólida. Neste contexto, as reivindicações relativas à precariedade, à
precariedade ou ao desmantelamento do tecido social, de um modo mais geral, na
perspetiva da propagação de ideologias e práticas neoliberais, são suscetíveis de
constituir um impulso a negro.

Libertação do solo,
galite...Solidariedade:Solidariedade na
História e o Pensamento da França
As conceções francesas de solidariedade remontam ao revolucionário da
fraternidade fraternidade (Borgetto 1993), ele próprio enraizado no Iluminismo de
reflexão sobre a pobreza. Em França, antes da revolução, a pobreza era
habitualmente associada a um posto de imutável na vida, tendo sido considerada
fraca redução da pobreza como a província da Coroa ou a Igreja. No entanto,
durante o século XVIII, os pensadores do Iluminismo começaram a ligar a grande
parte dos pobres à mudança social e económica. O progresso económico ECO, de
acordo com este novo entendimento, não só criou riqueza; além disso, produziu a
pobreza. Em vez de fecharem os pobres, a sociedade tinha, por conseguinte, uma
«obrigação social» para com os seus membros mais desfavorecidos. Para pagar esta
dívida, os legisladores foram propostos por legisladores públicos orientados para o
80 CAPÍTULO 4

Estado, incluindo suplementos salariais e pensões de velhice (Forrest 1981).A


sociedade no seu conjunto, que se mantém, sairia mais forte e mais coesa em
resultado desta assistência. Durante as décadas que se seguiram à revolução, houve
uma visão mais mortal da pobreza na França. No entanto, em 1848, devido a uma
nova agitação política em Paris, os trabalhadores seguros se uniram em torno dos
antigos princípios revolucionários, exigindo não só o «direito a assistência», mas
também o «direito ao trabalho» (Sewell 1980).Sem sucesso, esta sublevação
estabeleceu firmemente o que se tornou conhecido no século XIX em França como a
«questão social», ou seja, a melhor forma de gerir os problemas sociais e
económicos decorrentes da industrialização e da urbanização no centro da vida
política francesa (Donzelot 1994 [1984]).
Nas últimas décadas do século XIX, a luta pela questão social deu origem a uma
nova filosofia social proeminente: solidariedade (Hayward 1961).Esta teoria
assumiu como ponto de partida a ideia recentemente desenvolvida de que a vida
social nas economias avançadas se assemelhava a uma vida biológica, na medida em
que ambos os aspetos envolveram a diversidade. Tal como as diferentes células e
órgãos do organismo trabalharam em conjunto para assegurar a atividade biológica,
a diferença na habilidade ou ocupação era, segundo a solidariedade, essencial para
uma função social adequada. Uma tal «divisão de mão de obra» que mantinha
«solidariedade orgânica», através da qual os indivíduos forjaram laços sociais entre
si e com a coletividade de que eram parte (Durkheim 1984 [1893]).No seu curto
mandato intitulado «Solidarite», o Primeiro-Ministro Leon BOURGEOIS (1902
[1896]) propôs um novo contrato social baseado neste entendimento do que vincula,
em conjunto, os membros da sociedade sem julgamento. Através da legislação
social, incluindo o ensino público gratuito, a assistência social aos pobres e o apoio
ao mutualismo voluntário, o Estado iria diminuir ou facilitar de modo algum as
desigualdades de risco decorrentes do que Bourgeois e muitos dos seus
contemporâneos consideravam uma diferença social essencial.
A solidariedade continuou a ser uma ideia influente em França (Lamont 2000,
233-239), apesar de alguns académicos (por exemplo, Beland 2009) terem
assinalado o seu significado, a par da alteração das condições económicas.
Considerando que um século antes, uma vez que a França iniciou um caminho de
industrialização, a solidariedade referiu diferenças sociais ideais, baseadas em
diferenças «naturais» ou «essenciais», na economia potinindustrial de hoje tende a
ser dotada com qualidades mais humanísticas, nomeadamente as ideias de
«cidadania» e de «participação». por outras palavras, o tipo de «dif ference de
conceções contemporâneas de solidariedade» foi, em larga medida, reduzido para
um tipo fundamental: inclusão na poliidade em relação à sua exclusão. E esta
distinção está indissociavelmente ligada ao emprego e à sua ausência.
Se, na qualidade de Serge Daugam (2000), o conceito de exclusão social surgiu
O AUMENTO DO NÍVEL PRECÁRIO? 81

em França no final da década de 1950, quando os investigadores e os grupos de


direitos humanos começaram a assistir às populações «marginais» que viviam em
situação de pobreza persistente, 3 nos anos 1990 a noção tinha sido quase sinónimo
de desemprego, particularmente o tipo de dificuldades de trituração que os jovens
estavam a encontrar no mercado do emprego em França em dificuldades (Wacquant
2008).Este conceito está estreitamente ligado a outro termo — Prearite. 4 Embora, de
um modo geral, traduzido por «precariedade», mas também por «precariedade»
(Daugam e Russell, 2000), este conceito, na sua qualidade de Chant- tal Nile-
Drancourt (1992, 57), pode ser e significa muitas coisas em França, de uma
subcategoria de emprego não padrão (contratos de curta duração, trabalho
temporário, estágios, aprendizagens, etc.) para todas as formas de emprego não
convencional para o emprego não normalizado e o desemprego para o sistema de
emprego global. Em última análise, a Prearite para o francês não se limita ao
emprego, ao subemprego, nem ao desemprego. Como se depreende da expressão
«precariedade da sociedade», que tem estado em circulação generalizada nos meios
de comunicação social e entre os políticos desde os anos 1990, é vista como uma
ameaça para a sociedade em todos os seus elementos.Encarna os receios da
população sobre o capital do «selva» e a globalização «não controlada» e os receios
de que se descobrisse que muitas línguas, como eu instalámos em Limoges, iniciei o
meu trabalho de campo.

Uma «Etnografia do desemprego dos jovens»


O mais conhecido para a sua China, Limoges pode parecer um lugar pouco provável
para realizar um estudo sobre os jovens, as cidades externas ou o desemprego. O
Limousin, do qual a Limoges é o capital regional, é uma das regiões mais rurais da
França. É também uma das menos povoadas, com um número desproporcionado de
idosos. Além disso, a Limoges nunca foi o local de fabrico industrial pesado e, ao
contrário dos centros urbanos de maior dimensão, não é particularmente conhecida
por ter dificuldades nas cidades externas. A Limoges foi, no entanto, uma opção
estratégica. Apesar da ausência relativa de indústria pesada, esta média cidade tem
uma classe de trabalho bem documentada e bem documentada, assente numa
tradição profundamente enraizada de esquerda, que remonta a, pelo menos, a
revolução e que resultou num forte movimento de mão de obra (Corbin 1975;
Merriman 1985). 5 Esta tradição de esquerda incentivou a construção de uma
multitude de habitações dos trabalhadores, começando logo na primeira década do
século cinquenta (Conselho Municipal de Limoges 2007).Atualmente, um certo
número de grandes projetos de habitação (cerca de dois milhares de unidades e uma
unidade com cerca de quatro milhares de unidades) da cidade. 6 e porque Limoges
82 CAPÍTULO 4

nunca foi o local de fabrico industrial pesado, os efeitos da desindustrialização têm


sido menos sig no local: Continua a existir uma população ativa de dimensão
considerável, com pouca emigração dos jovens do que poderá ser designado por
«colarinho azul» 7 (Lavaud and SIMONUNEU2010).A Limoges oferecia, assim,
aquilo que estava à procura de um parque imobiliário público que era habitado por
uma população maioritariamente jovem cujos pais (ou avós) tinham provavelmente
pelo menos algum conhecimento do movimento organizado do trabalho. O facto de
a cidade ser relativamente pequena era também vantajoso: Não me levou muito a
fazer um levantamento das rotinas diárias dos meus interlocutores, que facilitaram
frequentemente encontros com eles, e graças à palavra de boca, a minha presença e
os meus motivos foram rapidamente assinalados, o que ajudou a encontrar novas
pessoas.
Embora em termos de manutenção dos empregos, a Limoges tenha feito melhor
do que muitas cidades francesas nas últimas décadas, não foi imune ao desemprego
nem às suas conces. O desemprego na região de Limousin seguiu as tendências
nacionais, com picos que vão de pouco mais de 7 % para pouco menos de 9 % no
final da década de 1980, no final da década de 1990 e em meados da década de 2000
(período da minha investigação).Depois de ter passado para 6 % em 2008, o
desemprego no Limousin voltou a aumentar, ultrapassando 9 % em 2012, contra
cerca de 10 % a nível nacional (INSEE 2013).Os dados relativos ao desemprego dos
jovens são mais elevados e, no caso de Li, são muito variados entre o centro da
cidade e a periferia. Em 1999, 18,1 % dos jovens com dezasseis a vinte e cinco
residentes no centro da cidade declararam procurar trabalho, em comparação com
mais do dobro desse número (39,2 %) na cidade externa (Duplouy 2003, 20).
Por si só, as estatísticas do desemprego não proporcionam uma visão completa
do desemprego dos jovens na viragem do século XXI, em Limoges. É igualmente
necessário analisar os termos da organização do trabalho dos jovens empregados.
Considerando que, em 1990, 42 % dos jovens vinte e cinco e menos da cidade
externa da região de Limoges foram contratados em tempo, até 1999 este número
tinha aumentado para 52,7 % (Duplouy 2003, 21). 8 Esta evolução ascendente do
trabalho contingente corresponde a uma formação de cogumelos de agências de
temp em toda a cidade. O lema na fotografia abaixo — «O trabalho da Temp é uma
carreira, e gostará de trabalhar connosco..«— sugere que estas novas formas de
emprego temporário possam muito bem ser consideradas um novo paradigma de
emprego e não apenas um primeiro passo para um trabalho mais permanente.
O AUMENTO DO NÍVEL PRECÁRIO? 83

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FIGURA 2.Desemprego na região de Limousin 1982-2012. Gráfico criado pelo
autor, utilizando dados do INSEE ( Instituto Nacional de Estatística de França e
Estudos Económicos).
84 CAPÍTULO 4

Uma TRANSPORTE INDÚSTRIA


AUTOMÓVEL

FIGURA 3. Sinal de agência de trabalho temporário: «O trabalho da Temp é


uma carreira, e gostará de trabalhar connosco...» Fotografia do autor.

Embora o meu projeto se centrasse nos jovens dos dezasseis aos vinte e quatro
anos de idade no processo de transição entre a escola e o mundo do trabalho, os
meus primeiros interlocutores em Limoges eram assistentes sociais e gestores de
processos, educadores de rua (responsáveis pelo ensino) e consultores em matéria
de emprego, líderes de associações e coordenadores pro grama. 9 Com a ajuda destes
prestadores de serviços sociais, identifiquei os pontos de entrada em três dos
maiores projetos de habitação. Entre estes incluem-se um bar «seco», financiado a
nível mundial (bar sans alcool), que funciona também como centro de informação
sobre o emprego dos jovens, uma casa de jovens ( maison des jeunes) que ajuda na
coordenação das atividades profissionais dos jovens, e um centro de apoio ao
trabalho de casa após o horário de trabalho em horário pós-escolar, no qual se
voluntariaram vários dias por semana. Tornou-se também ativa no capítulo local da
Jeunesse Ouvriere chretienne (JOC), uma organização internacional religiosa para a
juventude de colarinho azul. Através destas associações e organizações, consegui
reunir muitos jovens locais e, graças às suas redes sociais, estive aliado em
condições de alargar a minha base de informadores de modo a incluir os jovens que
não tenham necessariamente frequentado nenhum deles.
Para além da observação etnográfica e do debate informal, registei narrativas do
ciclo de vida. Estas entrevistas formais, realizadas em duas ou três sessões de uma
hora ao longo de vários meses, permitiram-me analisar
O AUMENTO DO NÍVEL PRECÁRIO? 85

os antecedentes e as trajetórias de 34 jovens. Os temas abrangidos incluíram a vida


familiar e a infância, a escola, as experiências de emprego e os planos para o futuro.
O calendário destas entrevistas foi estratégico. Porque aceitei nos últimos meses em
Limoges, todos os inquiridos conheciam bem e, por conseguinte, tendem a ser mais
confortáveis para discutir informações pessoais comigo. Além disso, tive a
oportunidade de lhes pedir que refletissem de forma crítica sobre as 2005 Rios e as
manifestações do CPE.O que estes tiveram de dizer em grande medida enriqueceu a
minha análise dos dados recolhidos durante o calor desses dois conflitos.
As periferias urbanas da França tendem a ser etnicamente diversas, incluindo
tanto as subvenções immi como os seus descendentes e as pessoas «franco-
francesas».A Limoges não constitui uma exceção a este respeito. Embora nunca seja
um destino importante para os imigrantes, os padrões de imigração para Limoges
seguiram as tendências nacionais. Partindo da promessa de oportunidades
económicas (na sua maioria nos setores da exploração florestal, da extração mineira
e, mais tarde, da construção), as sucessivas vagas de imigrantes vieram em primeiro
lugar nos países europeus vizinhos, depois do Norte de África e, mais recentemente,
da Ásia e da África Subsariana (Desbornes 2004; Marsac e Brousse 2005).De
acordo com os dados do recenseamento de 1999, 5,3 % da população da Limoges
foi nascida no estrangeiro, em comparação com 7,4 % a nível nacional (Boeldieu e
Borrel 2000). 10 No que se refere a Limoges, a maioria dos imigrantes tende a viver
nos bairros periféricos. Em 1999, cerca de 17 % dos residentes na vizinhança foram
nascidos no estrangeiro, contra apenas 3 % no centro da cidade (Duplouy 2003,
15).Quanto aos meus interlocutores na cidade externa da Limoges, incluíam cerca
de tantos jovens com raízes profundas em França na qualidade de filhos ou netos de
subvenções immi. Ao contrário do que poderia ser o caso numa cidade interna
americana, as linhas traçadas em projetos de habitação de Limoges não tinham um
centro na origem racial ou étnica. Grupos de amigos, eu encontrei, incluíam
frequentemente pessoas de diversas origens étnicas, raciais e nacionais.
O espaço não permite uma exposição biográfica pormenorizada dos jovens cujas
perspetivas e experiências constituem a base da minha análise. Abaixo, proponho
duas pessoas: Hanan e Jonathan 11 Para estarem seguros, cada história antes das suas
próprias particularidades. Contudo, em termos gerais, são representativos do que os
outros jovens me disseram sobre si próprios e suas famílias, em especial a fé que os
seus pais colocaram na educação formal e a sua própria tomada de consciência de
que as credenciais que ganhavam na escola ofereciam pouca proteção contra o
desemprego.
Reuni em Hannan num centro de assistência no trabalho no domicílio, onde
trabalhou a tempo parcial e contribuí como voluntário. De alto e ender com os olhos
verdes grelhados, a Hanan era falada e refletida. Prosseguindo um curso de ensino
na Universidade de Limoges, tomou recentemente um curso de sociologia. Por isso,
86 CAPÍTULO 4

manifestou interesse no meu trabalho de investigação. Falámos, com frequência, os


progressos do meu trabalho no sentido de ajudar os jovens estudantes do ensino
secundário, de alta e elevada frequência, que visitaram o centro; no final do meu
período de trabalho de campo, Hanan aceitou sentar-se comigo para uma entrevista
com fita adesiva sobre o ciclo de vida.
Os pais de Hanan emigraram de Marrocos. Após o seu casamento, o pai deixou a
sua nova noiva para tirar partido das oportunidades de emprego disponíveis em
França. Instalou-se no leste da França, onde trabalhou no setor da construção. Este
trabalho era instável, embora, durante períodos de inatividade, tenha regressado a
Marrocos, onde nasceu a irmã mais antiga do Hann. Levantou-se a sua situação no
leste de França, o pai de Hanan mudou-se para uma cidade, a sul de Limoges, onde
um familiar é proprietário de um talho. Em 1975, na sequência do encerramento das
fronteiras da França a novos imigrantes, a sua mulher e a sua filha juntaram-se ao
mesmo, graças a uma lei que permite o reagrupamento familiar. Instalaram-se em
Limoges, onde o pai de Hanan, juntamente com muitos outros imigrantes, encontrou
trabalho na construção. Uma outra filha rapidamente seguiu a primeira e, em
seguida, nasceu em 1982.
Sobre a sua infância no apartamento da sua família, a Hann teve um contacto
com os pais «atentos» e as irmãs «de proteção».Mas também recomeçou a trabalhar
numa espécie de «cacau». esta revelação surgiu quando, aos 14 anos, levou o
autocarro público pela primeira vez na sua vida para frequentar uma escola elevada
no centro da cidade. De crianças a partir da sua vizinhança, disse-me, normalmente,
não ir para essa escola; havia outra escola elevada, muito mais próxima do projeto
de habitação, mas tinha uma má reputação, pelo menos de acordo com o seu
pai.«Hou fez tudo o que estava ao seu alcance para garantir que passei à direita»,
explicou.«Para si, era o meu bilhete à universidade, e a continuação dos meus
estudos era extremamente importante. Na sua opinião, era a forma de conseguir um
bom emprego». embora um estudante grave, Hanan, tenha admitido que não queria
estar presente nessa escola elevada e descreveu a sua posição no local de trabalho,
desde a roupa que teve de usar até à inflexão da sua voz, a qual, pelo menos sempre,
deu sempre o seu lugar a partir da cidade externa. Disse-me, sem orgulho, que tinha
envidado um esforço consciente no sentido de «perder a tónica.» Hanga acabou, em
última instância, pela sua atividade, dirigida a uma universidade, mas sem uma ideia
clara daquilo que queria estudar. A peticionária decidiu de algum modo, de dois em
dois anos (Diplome d’etdes universitaires generales, ou DEUG) em espanhol,
explicando que trouxe de volta para «o sul, até às suas raízes». depois de um
primeiro ano rochoso, acabou por repetir o segundo ano, acabando por repetir o
segundo ano. Abandonou a escola durante um ano para trabalhar a tempo parcial
como coordenador de atividades (anima- traice) numa associação de jovens situada
na sua vizinhança infantil, onde ainda vivia com os seus pais. Apercebendo-se de
O AUMENTO DO NÍVEL PRECÁRIO? 87

que se tratava de um emprego morto, a posição póspost foi subvencionada pelo


Estado e suscetível de desaparecer depois de o contrato inicial ter sido celebrado e
pressionado pelo seu pai, voltou a inscrever-se numa universidade, desta vez com o
objetivo de se tornar professor. Em retrospetiva, Hanga gostaria que nunca tivesse
seguido um estudo universitário.«Os meus pais não sabem nada sobre o sistema
escolar. Impedem-me a ir tão longe quanto poderia, mas eu teria estado em melhores
condições com uma BTS [Brevet de technicen Superieur, um diploma profissional
avançado]. a Confrente por vários mais anos de escola e, em seguida, o exame
efetuado por CAPES de «muito difícil» (exame gerido pelo Estado, exigido a todos
os professores do ensino secundário), tinha uma incerteza quanto ao seu futuro.
Como Hanan, Jonathan trabalhou no centro de assistência no trabalho de casa e
foi neste contexto que tive de saber. A «plena de energia» e a «brecha» são as
melhores formas de descrever a sua personalidade, que me parece sempre
estranguamente em contradição com a sua pequena estrutura, que não assume a
forma de quadro e o contrário. Jonathan cresceu na mesma vizinhança que Hanan.
Os dois conheciam uns e outros como crianças, mas não se tornaram amigos até
trabalharem em conjunto no centro de assistência no trabalho de casa.
Jonathan é franco-francês, embora os seus pais não provenham de Limoges.
Nasceram e cresceram nos arredores de Limousin, onde os pais (Jonathan avós)
trabalharam no setor agrícola. Na minha opinião, este estilo de vida, Jonathan, foi
difícil, não só devido ao caráter retroativo do trabalho, mas também devido à sua
falta de fiabilidade. O rendimento da família depende muito das condições
meteorológicas: uma estação demasiado seca ou húmida poderia ser uma catástrofe
para um orçamento já apertado. Após o seu casamento no início da década de 1970,
os pais de Jonathan efetuaram a mudança para Limoges em busca de um trabalho
mais estável e mais bem remunerado. Os primeiros anos foram difíceis, Jonathan
Jonathan explicou. Ainda que, no campo, os uropros do mundo do trabalho na
cidade «a cidade» distribuíram amplamente, pelo tempo que os seus pais chegaram
em Limoges, as oportunidades de emprego pareciam estar a secar. O pai de Jonathan
acabou por criar postos de trabalho ímpares na construção, principalmente nos
projetos de habitação, onde ele e a sua mulher acabaram por resolver. Entretanto, a
mãe de Jonathan trabalhou como membro da família, principalmente no centro da
cidade nas casas da família dos «bourgeois» (o seu termo).Em meados dos anos
1970, o pai de Jonathan obteve uma pausa: Após ter trabalhado na construção do
hospital universitário de Limoges, foi contratado a tempo inteiro no serviço de
manutenção da nova instalação. Vários anos mais tarde, a mãe de Jonathan
encontrou emprego a tempo inteiro na Câmara Municipal, também em serviços de
tutela. Ambos os pais da Jonathan ainda ocuparam estas posições em 2005 e 2006.
Jonathan número de gravidezes falhadas, Jonathan, em 1981; é a sua única criança.
Jonathan suspeitos de que o seu estatuto de único filho teve como resultado que
88 CAPÍTULO 4

os seus pais se concentrassem em todas as suas esperanças. E a consecução destas


esperanças, tornaram-lhe claras, levou a que os seus estudos fossem prosseguidos o
máximo de tempo possível.«Os meus pais têm grande respeito pela educação. Não
ousar entrar em contradição com um professor», recorda. Por outro lado, Jonathan,
Jonathan, não tinha a mesma confiança na escola, como prova, por exemplo, devido
à sua verdadeira distorção do termo francês do conselho de orientação escolar ou do
conselho de orientação:«Trata-se de todos os consultores desorientados, se o seu
pedido me colocar!», explicou que, depois de ter concluído um diploma de ensino
profissional no domínio da eletrónica, estava pronto a tentar a sua sorte no mercado
de trabalho, mas a sua mãe não o teria.«É muito difícil para mim prosseguir.
Encontrou mesmo um programa de BTS em Brive [uma cidade a sul de Limoges]
para mim. A mãe, Jonathan, chefiou o programa de dois anos e passou (segunda vez
em torno da segunda vez) o exame final de elegibilidade. Devido ao facto de o
programa incluir uma experiência prática, Jonathan teve entretanto um número de
horas suficiente para ser elegível para o seguro de desemprego. Com este
rendimento suplementar, regressou ao apartamento do seu pai, onde, mais uma vez,
inscreveu-se na Universidade de Limoges, na Universidade de Limoges, para
obtenção de uma licenciatura técnica em fibra ótica.«Na realidade, não estava
interessado em continuar a escola, mas tive todas estas receitas adicionais. Foi mais
do que o dobro do que tive, por si só, o titular de uma bolsa de estudantes, por isso
figurou, porque não?» Aged vinte e cinco em 2005-2006, viveu com os seus pais,
apesar de ter terminado o seu grau de licenciatura no ano anterior. Desde então,
apresentou um pedido (na sua estimativa) de mais de cem posições, mas ainda tinha
de assegurar um emprego estável. Disse-me que os seus pais se esforçaram por
saber.
As reflexões da Hannan e da Jonathan Hanan são surpreendentemente
semelhantes, não obstante o facto de, apesar dos atrasos, nomeadamente a raça e o
género, os investigadores em França e noutros locais terem demonstrado, desde há
muito, um papel significativo na determinação dos resultados em matéria de
emprego. O acompanhamento dos efeitos da corrida ao emprego é complicado em
França, uma vez que a noção de raça é amplamente considerada uma base ilegítima
para a classificação humana; de acordo com o discurso oficial francês, a «raça»
descreve divisões no interior do reino normal, não de divisões entre seres humanos.
Esta denúncia da existência de raças humanas pode estar relacionada com os ideais
universalistas da revolução francesa. No entanto, só após as atrocidades cometidas
pela Alemanha nazi e a culpa sobre a cumplicidade do regime de Vichy da França
na expulsão de judeus em campos de concentração, o Governo francês proibiu
oficialmente a recolha e o armazenamento baseado nos dados da corrida. Hoje em
dia, a França «color» não recolhe qualquer recenseamento ou outros dados sobre a
raça ou a origem étnica dos seus cidadãos e os empregadores são proibidos de o
O AUMENTO DO NÍVEL PRECÁRIO? 89

fazer. Que dados existem sugerem que a discriminação racial durante a contratação
é um problema generalizado. Em vários estudos de grande divulgação (ADIDA,
Laitin, e Valfort 2010; Duguet et al.2007), os investigadores responderam a
anúncios de emprego em França com aplicações fictícias com uma única diferença:
o nome do candidato. Em cada estudo, os candidatos com nomes «tradicionais» (por
exemplo, Nicolas) receberam muito mais chamadas de retorno do que os candidatos
a emprego cujas denominações «estrangeiras» são «estrangeiras», em especial as de
origem africana do Norte.
A análise da importância do preconceito de género nas decisões de contratação é
algo menos problemática, uma vez que as estatísticas relativas a esta questão estão
mais facilmente disponíveis. Até muito recentemente, estavam desempregados mais
jovens do que homens jovens
França. No entanto, de acordo com um novo estudo encomendado pelo Centro de
Investigação da França sobre as qualificações (Barret, Ryk, e Volle, 2014), esta
tendência inverteu-se nos últimos anos, com uma média de 23 % de homens jovens
que não foram afetados contra 20 % das mulheres jovens. Os autores do estudo
atribuem esta mudança a um aumento do nível de habilitações das jovens, que, em
geral, ultrapassam os seus homólogos masculinos em termos de número e nível de
certificados e diplomas obtidos. Não obstante esta evolução, o relatório conclui que,
em geral, as mulheres em França continuam a ganhar menos do que os homens e são
mais suscetíveis de manter um trabalho de curta duração e a tempo parcial.
Como é evidente, a discriminação racial e a discriminação em razão do género
no emprego podem sobrepor-se, mas as leis francesas que determinam que tipos de
estatísticas podem e não podem ser recolhidas asseguram que os efeitos combinados
são mais difíceis de distinguir. Como vimos, a ascendência estrangeira parece
representar uma grande desvantagem no mercado de trabalho, independentemente
do sexo. A título de exemplo, os interlocutores em Limoges disseram-me que as
jovens mulheres de origem imigrante tendiam a obter melhores resultados quando
procuram trabalho do que homens jovens que partilham as mesmas raízes. A razão
foi que os empregadores potenciais, em geral, consideram as mulheres menos
«perigosas» ou «agressivas.»
Os interlocutores em Limoges se queixaram, por vezes, da desigualdade racial e
das desigualdades entre homens e mulheres. No entanto, nunca utilizaram estas
categorias para se apresentarem como diferentes dos seus homólogos da sua
vizinhança e, portanto, merecedoras de um exame especial no mercado de trabalho.
Pelo contrário, denunciou todas e todas as formas de discriminação, incluindo a ação
positiva americana, que se traduz em francês como uma discriminação positiva
(discriminação positiva).Insistiram em que todos os candidatos a emprego devem
beneficiar da igualdade de tratamento, que as diferenças físicas, tais como a raça e o
género, não devem ser relevantes. Dois exemplos das minhas notas de campo, um
90 CAPÍTULO 4

relativo à raça e ao outro género, ajudam a ilustrar esta perspetiva.


No início da primavera de 2006, participei numa mesa redonda sobre o emprego
dos jovens na Câmara Municipal. Organizado pela Jeunesse Ouvriere chretienne
(JOC), destinava-se a proporcionar uma oportunidade para os jovens locais (ambos
os membros e não membros do JOC) e os funcionários municipais se reunirem para
debater os resultados de um inquérito nacional recente sobre as práticas de emprego
e de emprego dos jovens. No início da noite, uma narrativa sobre um jovem
parisiense denominado Mohamed foi lida em voz alta. Embora seja de África do
Norte, Mohamed, aprendemos, foi conhecido, educado e educado em França e
possuía a nacionalidade francesa. Apesar de ter adquirido um diploma de estudos de
viscosidade, ainda não conseguiu encontrar trabalho a tempo inteiro e a longo prazo.
Para chegar a uma série de contratos de curta duração, Mohamed tentou juntar
contratos de curta duração, queixando-se de que cada vez que entrou numa agência
de trabalho temporário, foi convidado a apresentar os seus documentos de
identidade. Na sequência da leitura da história de Mohamed Mohamed, o vice-
presidente do município de Limoges, um participante convidado na mesa redonda,
manifestou a sua solidariedade para com a difícil situação do jovem, mas declarou
que não podia compreender as suas objeções à forma como foi tratado nas agências
de temperatura que visitou.«Só é normal que os candidatos sejam convidados a
provar a sua elegibilidade para trabalhar em França», alegou. Esta afirmação
exaspergiu um certo número de jovens no público. Vero, uma jovem que eu tinha
conhecimento de um grupo de apoio JOC para jovens desempregados, aumentou
para os seus pés e veda a pretensão do presidente do município, insistindo que
Mohamed foi apenas convidado a apresentar os seus documentos porque não era
«branco» (branco).Enquanto pessoa de origem franco-francesa (de origem
francesa), afirmou nunca ter sido solicitada a identificação para procurar trabalho.
Na sequência da mesa redonda, juntou-se a um pequeno grupo de jovens que
tive conhecimento dos projetos de habitação que se tinham reunido no parque de
estacionamento fora da Câmara Municipal. Tal como se fumava com um cigarro
rápido antes da introdução da posição, solicito-lhes sobre o evento, em especial a
tensão em torno da observação do presidente da câmara adjunto. Mouloud, cujos
pais emigraram da Argélia, respondeu: «O bem é, o presidente de câmara adjunto
tem razão. Todos devem ter de proceder à identificação antes de serem
entrevistados. O problema é que não funciona na vida real. A discriminação racial é
motivo de grande preocupação.»Na sequência do Rio de 2005, alguns políticos
franceses e outros, em França, todos os invisuais recomeçam a retomar como ponto
de partida a discriminação racial no processo de recrutamento.«It é hipocrítica
incriável!» Mouloud exalegou.«O que significa isso significa uma retoma
‘cega’?Vou dizer-lhe o que significa: Significa que tem de ocultar o facto de os seus
pais ou avós serem imigrantes apenas para obterem um emprego. A «hipocrisia»! no
O AUMENTO DO NÍVEL PRECÁRIO? 91

final, tanto o vice-presidente da Câmara como o Mouloud estavam empenhados num


ideal color-cego, em que a raça ou a etnia em causa não deve ser tomada em
consideração nas decisões de contratação. Não era este ideal que se frustrou em
Mouloud, mas sim a sua aplicação desigual na vida quotidiana.
Entre os jovens que tomei conhecimento em Limoges, a tendência para a
discriminação em razão do género era vista numa perspetiva semelhante à da
discriminação racial, como sugere o exemplo que se segue. DUR uma reunião de
dezembro do grupo de apoio da JOC para os jovens desempregados, Vero informou
que o dia anterior tinha deixado o seu novo emprego. Os membros do grupo, que
tinham acompanhado de perto a procura de emprego de Vero durante os meses
anteriores, foram dececionados. Por que motivo, no caso da terra, solicitaria à terra
que tivesse trabalhado tão duro e, portanto, de longa data?Vero é titular de um
certificado de formação profissional (Certifi cte d’Atitude Professielle ou CAP) em
canalização. Embora os empregos neste domínio não fossem, em geral, tão escassos
como em alguns outros domínios, continua a ter dificuldade em encontrar trabalho.
Nas reuniões anteriores do grupo de apoio, Vero sugeriu que tal se deveu ao facto de
os empregadores não terem diretamente associado o comércio de canalizações com
o trabalho das mulheres. Nesta última reunião, fez uma acusação explícita de
discriminação em razão do género: «sou um canalizador formado. Esperava que a
formação fosse utilizada.
No entanto, o chefe de máquina obtive o meu trabalho de limpeza de todas as
manhãs para eliminar a plataforma de referência. Em seguida, tinha a nergia a dizer-
me para fazer café. Nada disse!» aos membros da desrajada comum do grupo,
alegando que as mulheres eram tão capazes como os homens. Uma jovem fez
referência à cobertura mediática recente dos Rio 2005: «De acordo com todos os
jornalistas, era um galho de guys das ruas que recentravam, que manifestavam a sua
cólera face à injustiça que enfrentam, mas vou apostar aí também. Como poderiam
os jornalistas ser tão seguros?Cada um estava a usar coberturas. Quem sabe quem
estava a essas coberturas? outra mulher jovem simpatizada com a Vero, explicando
que tinha sido sujeita a uma experiência semelhante no trabalho. Segundo ela, a
única resposta era deixar «retrooges», mesmo que reconhecesse que tal seria difícil
de fazer com recursos financeiros limitados.«Go to Paris, ir a Marselha, se for
possível,», foi suprimida.«As pessoas são mais qualificadas nas grandes cidades.
Não é tão sexista.» Para a sua discriminação, a discriminação em razão do género
não só é inaceitável; foi também uma relíquia do passado e uma função da
ignorância. A educação parecia ser uma solução.
Neste sentido, os jovens dos projetos imobiliários de Limoges, tanto jovens de
sexo masculino como mulheres jovens, tanto os de ascendência imigrante como os
que eram «franco-franceses», pareciam manter uma certa esperança para o futuro. O
racismo e a igualdade de género, que me disseram, não me foram problemas com
92 CAPÍTULO 4

que se depararam entre os seus pares. Trata-se, pelo contrário, de problemas sociais
perpetuados pelas gerações mais velhas, cujos membros diminuíram ou não tiveram
acesso às mesmas oportunidades de ensino que elas. A frustração destes jovens, uma
vez que entraram no mercado de trabalho, resultou da rutura brutal que descobriu
entre os universos universalistas e igualitários proclamados pelo sistema de ensino
público francês e pela verdadeira realidade carga que se encontrou no terreno. Esta
situação não é nova, mas o peso da sua presença foi sem dúvida maior nas últimas
décadas devido à forte contração do mercado de trabalho, que, por sua vez, tem um
número cada vez maior de jovens a prosseguir os seus estudos. A consideração da
raça e do género é, por conseguinte, essencial para avaliar as alegações feitas sobre a
expansão da precariedade e o aumento das chamadas situações de precariedade,
alega que as ondas e os meios de comunicação não inundadas, não inundadas,
durante as reuniões de 2005 e os protestos do CPE, não estavam inundados. Como
veremos em seguida, tendo em conta os marcadores da distinção social,
historicamente, a posição da classe é tão crítica, especialmente neste contexto
francês.

Tumultos, Protests e Perception of


railing Solidarity
Que os 2005 rios eram sintomáticos de um mal-estar social profundo pareciam
evidentes para muitas pessoas em França.«Trata-se de uma crise», declarou o
Presidente da República
Jacques Chirac, quando abordou a nação, «uma crise de significado, uma crise de
valores, uma crise de identidade» (INA 2005).Mesmo os meus interlocutores na
cidade de Limoges, que tendiam, em grande medida, a identificar com os
desordeiros ou, pelo menos, a difícil situação de esmagar o desemprego entre eles,
condenaram, por unanimidade, a abordagem violenta adotada, alegando que, tendo
em conta o facto de o transporte público em muitos bairros periféricos, incluindo a
cidade de Limoges, ter sido utilizado pelos seus proprietários para trabalhar ou de
procurar emprego. 13 ‘C’est chacn pour soi), uma jovem comentou, como discutimos
o que estava a acontecer nas cidades francesas. Surpreendentemente, ouvi esta
mesma frase — «C’est chacun pour soi» — repetida muitas vezes na primavera
seguinte, mas em referência às manifestações do CPE.
O contrato de embargo Premiere, anunciado pela administração de Dominique
de Villepin, em meados de janeiro de 2006, como parte de uma nova «Lei para a
igualdade de oportunidades» e recolhidos no mês de abril, face a protestos maciços,
foi uma continuação da política de emprego anterior e uma saída do mesmo. Trata-
se de uma continuação na medida em que, tal como as iniciativas anteriores, visava
O AUMENTO DO NÍVEL PRECÁRIO? 93

facilitar o acesso dos jovens desempregados ao trabalho. Trata-se de um desvio


devido ao facto de o CPE não ser um contrato subvencionado pelo Estado; ao
contrário dos programas anteriores, não prometem a mesma medida de reduções
fiscais ou de apoio salarial aos empregadores participantes. Em vez disso, na
esperança de estimular o crescimento do emprego, o CPE adaptou o rígido direito
francês do trabalho ao estipular um período de «ensaio» obrigatório de dois anos
durante o qual os empregadores teriam muito mais margem de manobra para rejeitar
novas contratações do que ao abrigo da prática francesa corrente. Visto por alguns
como um ataque ao modelo de proteção social da França, este último ponto revelou-
se altamente controverso.
Os opositores do CPE vocipar contrastam com o que viam como o efeito mais
provável da «exclusão social» mais provável do CPE — com as disposições sociais
mais desejáveis ligadas à «solidariedade.» As notícias publicadas no momento do
conflito do CPE na imprensa local da Limoges sublinharam este contraste. Tendo
em conta que, no que se refere ao exame, foram conhecidos muitos protestos em
Limougeaudb, um artigo que figurava numa das daildas mais lidas de uma cidade
ostentava o título «Todas as gerações resistam à «institucionalização da pré-
resistência»». o relatório seguinte, que incidiu sobre a primeira das principais
manifestações anti-CPE a ter lugar na cidade, salientou que os alunos do ensino
secundário e não profissional da área da viscosidade não se tinham realizado
sozinhos; havia também «centenas de trabalhadores e membros sindicais..E centenas
de reformados, reafirmando o seu empenho na solidariedade intergeracional (
Bourvignon 2006, sublinhado nosso). 14 Se este artigo insistir na boa vontade das
gerações mais velhas para com os mais jovens, outros
94 CAPÍTULO 4

FIGURA 4.Protesto contra os jovens franceses. Fotografia do autor.

os relatórios sugerem que os jovens estavam igualmente preocupados com os seus


idosos. A síntese de uma demonstração organizada pelos reformados em finais de
março para protestar contra uma diferente iniciativa governamental de reforma do
sistema de pensões do Estado, um artigo intitulado «A Brem of Solidarity, Rue de la
Prefecture» reune, por exemplo, a forma como o processo de tratamento de
estudantes do ensino secundário e universitário tinha aderido às suas vozes junto das
pessoas dos seniores em protesto.«Este foi,» segundo o autor, «um momento de
convergência intergeracional para contestar as políticas neoliberais» (Dovoine
2006).Muitos outros artigos oferecem uma interpretação semelhante do movimento
anti-CPE, proliferam referências à «convergência», «partilha», «partilha» ou «à
vontade da maioria.»
Ao chamar a atenção para a «solidariedade», este discurso dominante tendia,
como sempre, para ser redutor, até mesmo essencialimente. À medida que a
circulação adquiriu a dinâmica, os estudantes do ensino secundário, do ensino
universitário, deram lugar a generalizações. Através de uma utilização liberal do
termo «jeunesse» (juventude), por exemplo, os meios de comunicação social
sugeriram que os estudantes que saíram à rua contra a CPE representavam todos os
jovens franceses. Uma notícia publicada em Limoges trumpeted, «La Jeunesse
responde: «Resistência!» (Catus 2006).Esta forma de homogeneizar revelou-se
preocupante em muitos dos meus interlocutores na cidade, quem e as grandes linhas
O AUMENTO DO NÍVEL PRECÁRIO? 95

atraíram entre si e os manifestantes estudantis. Estas linhas, tal como veremos,


basearam-se principalmente na compreensão dos meus interlocutores de quem está
exatamente em risco de precariedade. Segundo as suas verdadeiras vítimas, as suas
verdadeiras vítimas poderiam ter sido identificadas pela familiaridade com a
experiência de esmagamento do que denominavam « galere».

Galere:Rumo a uma comunidade coletiva?


Em meados de março, quando o movimento anti-CPE esteve em pleno movimento,
estive com Thomas durante a sua tarde de rutura no átrio do centro de compras no
centro comercial onde trabalhou como um rapaz. Um residente desde o nascimento
de um bairro próximo da Vizinhança, composto principalmente por habitações de
baixos rendimentos, Thomas abandonou a escola até aos dezasseis anos de idade.
Durante os próximos quatro anos, encheu os postos de trabalho ímpares, sobretudo
no setor da construção, antes de efetuar finalmente uma posição a tempo inteiro na
farmácia da sua vizinhança. Encontrou-se com Thomas a anterior, por intermédio do
trabalhador social que tinha tratado o seu caso quando estava à procura de trabalho.
De acordo com o seu, Thomas foi uma verdadeira «história de sucesso.» De um
modo geral, nesta parte da parte da tarde de março foi claramente irritado.«Não me
deixo ficar,» com a sua apresentação, a gesturiar de forma ambígua para o grande
vidro que possa celar o centro da loja, que analisou uma estrada conducente ao
centro da cidade.«Aqueles estudantes que protestam,» prosseguiu, «não trabalham,
não têm qualquer experiência no mundo real. Por isso, estão tão preocupados com o
CPE?», explicou que, de manhã, durante a manhã, durante a sua condução no centro
da cidade, ligou durante uma hora a um bloqueio no terreno e, em consequência, o
seu turno da tarde estava atrasado. A demandada, que também viveu na cidade
externa de Limoges, mas que, ao contrário de Thomas, continuou a lutar pelo
abandono escolar de três anos antes, o ressentimento dos manifestantes teve eco:
«Essas crianças e estudantes universitários são tão fáceis. O que sabem sobre o
trabalho ou precariedade?Deixem-nas um dia no meu calçado!»
Em geral, a maioria dos meus interlocutores na cidade exterior foi ambivalente
sobre o CPE.Com efeito, apenas algumas autoproclamadas «ativistas» participaram
nos protestos que tiveram lugar em Limoges, que teve início em fevereiro e se
estendia em abril. Para a maioria dos jovens, eu sabia, a CPE não era tudo o que fora
das iniciativas governamentais anteriores destinadas a apoiar os jovens
subempregados, como eles próprios, que viviam em cidades francesas
desfavorecidas. Os participantes a longo prazo nestes sucessivos programas, que
tendiam a funcionar com base na geração de contratos de trabalho a curto prazo, se
habituaram a, se não for exatamente confortável, uma falta de segurança do emprego
96 CAPÍTULO 4

e, em consequência, o ECP como uma continuação em vez de uma mudança na


política governamental familiar.«O CPE..É para os jovens como para os jovens, os
jovens em dificuldades das cidades exteriores [jeunes en difíceis des banlieues], os
jovens que estão a galrent,» resumido, que, apesar de possuir um certificado
profissional na canalização, tinha conseguido apenas encontrar empregos mal
remunerados que pouco tinham a ver com a sua formação.
Mencionado no acórdão Vero, o verbo grer e o substantivo correspondente
galere eram palavras ouvidas sobre e mais uma vez nas instalações de Limoges proj
ects. 15 «Os jovens não vivem, os jovens não vivem,» um interlocutor que me foi
comunicado no início do meu trabalho de campo.Neste sentido, entende-se que
significa ser vítima de uma falta crónica de emprego. Esteve envolvida em contacto
com a boca. Mas ainda pior, implicava a experiência infanticiante de ter de recorrer
ao serviço social ou ao apoio familiar. Para a vida dos adultos, o objetivo é colocar
a vida dos adultos à chamada «vida real», sem qualquer melhoria previsível. O
exame de algo tão simples como a sua utilização quotidiana em telemóveis, penso
que, na compreensão da sua experiência em matéria de gale.
Os telemóveis são bastante omnipresentes na cidade de Limoges, onde,
descoberta, têm muito mais valor do que a sua simples funcionalidade. Para os meus
interlocutores, trata-se de uma chamada de atenção para os problemas com que se
deparam e de um meio de desviar ou adiar a sua presença. Os telemóveis surgiram
pela primeira vez em França no início da década de 1990 e eram já generalizados no
século XXI.No entanto, mesmo como a tecnologia desenvolvida e o mercado aberto
à concorrência, a propriedade e a exploração de um telemóvel permaneceram
bastante caros. Os custos de telefone das células dependem, em primeiro lugar, do
tipo de plano de serviço escolhido pelo cliente quando o serviço é iniciado. A maior
parte dos planos telefónicos para células são abrangidos por uma de duas
categorias:Contratos de apuramento de contas (sans abonnement) e de longo prazo
(forfaits).Embora a opção por repartição não exija qualquer compromisso por parte
do cliente (ele próprio ou simplesmente reabastece uma conta drenada mediante a
aquisição de um cartão pré-pago), os contratos obrigam os utilizadores a assinar
durante doze ou vinte e quatro meses (quanto mais longo for o compromisso, menos
oneroso o plano).De um modo geral, os serviços pré-pagos são muito mais
expatriados do que um contrato, em média 0,50 EUR por minuto (contra 0,20 EUR
e 0,30 EUR por contrato).Além disso, enquanto os clientes contratados beneficiam
de subsídios substanciais aquando da aquisição de equipamento telefónico para
telemóveis (a maioria dos prestadores de serviços oferecem aos seus clientes
contratuais, gratuitamente, um telefone de início de carreira ou para um euro
simbólico, quando é iniciado um novo contrato), os clientes com clientes pré-pagos
têm normalmente de celebrar um preço total ou próximo do pleno para os seus
telefones, o menos oneroso do qual em 2005-2006 foi de cerca de 40 EUR 16.
O AUMENTO DO NÍVEL PRECÁRIO? 97

Quase todos os meus interlocutores nos projetos de alojamento da Limoges


transportaram telemóveis com eles onde se realizaram e numa fase precoce dos
meus contactos iniciais pareceram verdadeiramente surpreendidos com o facto de eu
não ter um telefone celular, o que me obriga a explicar repetidamente que tive de
esperar que o meu cartão de residência tivesse sido emitido antes de poder obter
uma. 17. em contrapartida, muito raramente observei os meus interlocutores nos seus
telemóveis e, quando o fizeram, só em geral apenas por curtos períodos de tempo,
cada chamada não ultrapassa um minuto ou dois. Por que razão o jovem
Limougeaudous colocou tanta ênfase no facto de ter um telemóvel se o utilizassem
apenas ocasionalmente?A resposta a esta questão fez tudo o que estava para fazer
com a sua experiência em matéria de gale — concretamente, os limites que
encontraram na independência que, na sua estimação, eles, como jovens adultos,
deveriam gozar.
Para estes jovens, tendo um telefone de células, eu compreendi muito mais do
que fácil acesso a uma comunicação sem cabo. A propriedade de um primeiro
telemóvel é vista como uma espécie de rito de passagem, uma fase mais próxima da
idade adulta e uma maior autonomia. Com um telefone celular, podem, em teoria,
falar onde, quando e com quem querem, sem ter de recorrer ao telefone da
família.«Com um telefone celular é essencial» Rachid afirmou.«Estou em condições
de permanecer em contacto com os amigos e posso manter as minhas conversas
privadas. Que nem sempre é fácil nos apartamentos em que a vizinhança tem
acesso.» Yasmine concorda: «Não posso viver sem o meu telefone. Sinto-me tão
mais independente». embora tanto legalmente os adultos, nei Rachid nem Yasmine
não tivessem ainda saído dos apartamentos dos seus pais, e a sua situação não era,
de forma alguma, excecional. A maior parte dos jovens eu tive a oportunidade de
viver com os seus pais e queixou-se muitas vezes dos condicionalismos que esta
disposição coloca à sua liberdade pessoal, citando, por exemplo, a imposição do
recolher obrigatório ou a estreita supervisão das suas insuficiências e despesas.
Utilizaram os telemóveis como pontos fixos. Mesmo que não pudessem dar-se ao
luxo de viver sozinhos, explicaram que os telemóveis lhes deram alguma autonomia.
Como símbolos desta autonomia, os telemóveis foram expostos ao público com
frequência. Se não tivessem sido usados de forma visível, como no berço de um
cinto, por exemplo, eram regularmente retirados de bolsos e de sacos, mesmo
quando não estava registado nenhum problema e os seus proprietários não tinham a
intenção de efetuar um convite à apresentação de propostas. Durante um dia de
observações numa associação de jovens num dos edifícios de habitação, assisti a um
jovem que remove o seu telemóvel a partir do bolso dos seus Pants, pelo menos dez
vezes desse número de minutos. Quando perguntou se esperava um convite
importante, escrev-me um aspeto que poderia ter sido interpretado como tendo um
caráter embaraçoso ou embaraçoso não podia decidir o qual, mas, em seguida,
98 CAPÍTULO 4

respondeu que não era. Embora hoje este comportamento não pareça surpreendente,
dada a popularidade do Facebook, do Instagram, do Twitter ou do Tumblr, o meu
trabalho de campo teve lugar em 2005 e 2006, antes do advento de tais aplicações
para telemóveis inteligentes. Para quase todos os meus interlocutores, os telemóveis
também substituíram relógios de pulso, graças aos relógios digitais fabricados na
maior parte dos modelos.«continua a usar um relógio?», questionou Karim, a
partilha de quatro anos de 14 anos I tutored num dos projetos de habitação.«Isso
pasa,» em sua opinião. Toda e qualquer consideração das atuais tendências da moda,
utilizando os telemóveis a partir do tempo oferecido aos jovens, dispensa mais a
apresentação destes bens apreciados, reforçando o seu estatuto entre pares.
Devido aos seus recursos financeiros limitados, fez sentido para os jovens, como
o Rachid, Yasmine, e Karim, optar por um contrato menos dispendioso quando
optou por um plano de serviços; no entanto, poucos foram os que o tinham feito. Em
vez disso, escolheram sobretudo a conta mais onerosa pré-paga. Esta decisão não
resultou, em geral, do desconhecimento da diferença de custos, nem de um caráter
«caprichoso» ou «de difícil eliminação», uma vez que alguns prestadores de
serviços humanos em Limoges atribuíram aos jovens do município de Limoges.
Pelo contrário, a maioria dos jovens reconheceu que uma trato teria pousado
dinheiro e informou-me de que teria facilmente escolhido esta opção. Simplesmente
não obtiveram os rendimentos estáveis necessários. Com efeito, embora nos
contratos de longo curso sejam menos dispendiosos do que as contas, mesmo os
menos caros, são necessários pagamentos mensais de cerca de 40 EUR.Em
contrapartida, os cartões pré-pagos podem ter apenas cinco euros. Com um contrato,
o cus tomers corre também o risco de se adquirirem encargos adicionais se a ata
mensal do plano for ultrapassada. A opção por uma conta pré-paga é uma forma de
evitar este resultado prático. Em vez de acumular encargos adicionais quando os
mínimos disponíveis são gastos, a linha é colocada «no porão» e o telefone deixa de
funcionar até que a conta volte a ser enchida com fundos. Por outras palavras, as
contas pré-pagas proporcionam flexibilidade a estes jovens.
Na realidade, muitos jovens dos projetos de habitação fizeram muitas vezes
minutos. Mais do que uma vez, os interlocutores que se comprometeram a chamar-
me nunca o fizeram. Mais tarde, quando desenvolverei, explicaram quase sempre
que se encontravam em minutos. Naturalmente, isto só pode ter sido um pretexto, o
seu modo de me deixar ficar a saber que não estavam interessados em falar com
uma base de origem estrangeira de origem estrangeira. Contudo, aqueles que
cheguei por telefone pareciam, de um modo geral, satisfeitos por falar, muitas vezes
por períodos mais longos do que durante os convites à apresentação de propostas,
constatei entre si. Uma interpretação mais provável, então, é a sua resistência ao uso
das suas próprias atas, se tivessem qualquer ata que tenha deixado de ser utilizadas.
Ao contrário dos Estados Unidos, onde tanto as chamadas de entrada como as
O AUMENTO DO NÍVEL PRECÁRIO? 99

chamadas recebidas são faturadas como minutos usados, em França as chamadas de


saída de chamadas de saída de minutos, tanto para clientes pré-pagos como para
clientes contratuais. Assim, quando era a parte que abriu um concurso, o meu
interlocutor não consumia nenhum dos seus minutos de tempo.
Os jovens da região de Limoges continuaram também a registar uma nova ata.
Faz ouvir ou participou em conversas durante as quais os jovens explicaram que um
amigo estava momentaneamente incontactável por telefone porque os seus minutos
estavam esgotados. A fim de evitar este resultado indesejável, tendem a enviar
mensagens de texto em vez de fazer chamadas. As mensagens de texto, que custam,
em média, 0,10 EUR cada, são muito menos caras do que as chamadas (que,
relembram, em média, 0,50 EUR por minuto nas contas pré-pagos).Em algumas
ocasiões, os adultos perceberam este comportamento como um sinal de
individualismo indesejado.«Parece que todas as crianças se escrevem com pelo
menos nos seus telemóveis», o diretor do serviço de desemprego dos jovens da
Limoges (missão local) observou exasperar-me durante uma entrevista.«nem sequer
levam tempo a ter uma conversa normal. Para além de uma indicação de que estes
jovens não estão interessados em manter o contacto com um outro ou na vida
coletiva nos seus bairros mais generosamente, parece-me que a utilização
responsável cal das mensagens de texto como forma de alargar os recursos
financeiros disponíveis sugere o seu enraizamento nas comunidades locais.
Este facto foi refletido e reforçado por intercâmbios frequentes. Neste caso, o
tipo de objetos trocados parece significativo. Trata-se da maior parte dos bens não
essenciais, em especial os cigarros, mas também os vídeos e música (geralmente
carregados a partir da Internet).Em contrapartida, muito raramente ouvi falar de
trocas de dinheiro ou de produtos alimentares. Parece-me que a explicação é dupla.
Em primeiro lugar, os meus interlocutores recusaram categoricamente ser
considerados parte das pessoas socialmente excluídas (les exius), com as quais
associavam as pessoas verdadeiramente desfavorecidas, como, por exemplo, as
vagonetas ou as pessoas de rua.«Não somos pobres», insistiram.«Estamos não como
os batizados que am as ruas, que não têm qualquer forma de dormir durante a noite.
Isto não significa, porém, que os meus interlocutores não reconhecessem que
provavelmente nunca teriam o mesmo acesso a determinados bens como outros
grupos. Esses bens podem não ser necessários para manter a vida, mas na cultura de
consumo que caracteriza a França, uma vez que na maioria das outras sociedades
ocidentais contemporâneas (como os telemóveis, alguns podem argumentar) estão
associados a um entendimento dominante do que significa ser totalmente uma
pessoa. Nos seus olhos, é precisamente a falta de acesso a coisas como música,
vídeos, e citemaretas que, de forma bem visível, têm prazer em prestações sociais
que as marcam, uma vez que um grupo, como é inegavelmente deficiente, 18
Intercâmbio de não essenciais ajuda a compensar esta deficiência, apagando, ainda
100 CAPÍTULO 4

que de forma superficial, a sua diferença. De um modo mais geral, pode ser vista
como parte de uma estratégia de grupo para o cofinanciamento coletivo de uma
experiência que partilham: galere.
Voltando então às suas interpretações da mudança de residência do CPE, se o
CPE estivesse efetivamente orientado para a sua juventude e a sua galere, por que
razão lhes perguntou, por que razão eram estudantes de classe média, que teriam
provavelmente um bom emprego graças às suas credenciais académicas e ligações
sociais, por isso, em vez disso, nas armas?O CPE não tinha o objetivo explícito de
levar os jovens a trabalhar, pelo menos temporariamente?Deste modo, o movimento
anti-CPE poderia pouco fazer com a «solidariedade» ou, pelo menos, isso é o que os
meus interlocutores defendiam.«Quando veem todos os alunos do ensino secundário
em greve, mesmo alguns dos estudantes universitários, eu não concordo, «Lionel»,
que me disse. Explicou ainda que, durante as greves que, por vezes, tiveram lugar
quando era na escola elevada, ele e os seus colegas nem sempre sabem (ou cuidado)
o que procuram: «Só quis saltar a classe tem um bom tempo.» suspeita de motivos
semelhantes entre os manifestantes do CPE: «A coisa é, foi agradável em abril. Não
quer trabalhar quando está numa escola elevada, pelo que o CPE foi uma boa
desculpa para ir à greve.» Rachid, outro jovem em cidade que teve um emprego
como auxiliar no que foi considerado um prestigiado centro de estudos de prestígio,
confirmou as suspeitas de Lionel, explicando que tinha perguntado aos arguidos que
protestavam. A sua resposta foi a de que estavam em greve «porque estavam à
procura de uma desculpa para fora das aulas». para Lionel e Rachid e muitos outros
jovens na cidade externa de Limoges, a juventude da classe média que participou
nas manifestações do CPE foi muito menos motivada por um compromisso de
solidariedade social do que a procura de recreio individual.«C’est chacn pour soi»,
insistiram.
Mesmo os poucos jovens que sabia que estavam ativos no movimento tendiam a
separar-se dos manifestantes estudantis. A Yanis, que era de 18 anos e vivia num
espaço de residência para jovens trabalhadores (foyer de jeunes travailleurs),
participou no movimento, mesmo com destino a Lyon (a uma distância de cerca de
250 milhas) para participar numa reunião regional da organização. Falou a mim
sobre a liderança do movimento:

Sabe, guy, eu não consigo memorizar o seu nome, o chefe da União


Nacional de Estudantes (UNEF), estava na televisão todo o tempo. Bem, à
semelhança dos políticos. Foi aí que se viu, para fazer avançar a sua
carreira, o fim da história. Não apresenta um dano sobre a precariedade,
não dá um dano aos jovens, como eu. Quando retrata o efeito citopático,
todos os smiles estão presentes no verso das câmaras. Mas a precariedade
continua a existir!Este princípio não se preocupa com os nossos
O AUMENTO DO NÍVEL PRECÁRIO? 101

problemas. Que mascarou, na realidade, a minha experiência.

Uma vez que o movimento anti-CPE ganhou a tração, Bruno Julliard, presidente da
UNEF, tornou-se o porta-voz mais visível da oposição. Os comentários do Yanis
sugerem que não acreditava que os manifestantes estudantis, cujos interesses deviam
representar, compreendessem realmente as dificuldades que ele e os seus pares
enfrentam, e ainda menos a elite política da França. Na sua estimativa, ambos os
grupos atuam em egoísmos calculados.
Por que razão, se nos seus contactos com os jovens que eu tive a oportunidade
de saber na cidade externa de Limoges tão vigorosamente contra a pretensão de
precariedade do CPE, não falava publicamente?Por que razão não solicitaram o
reconhecimento do que consideravam ser a sua difícil situação?O que impede, em
última análise, a sua experiência coletiva de gale de traduzir para uma voz
coletiva?Um último exemplo das minhas notas de campo, que envolve a produção
de um filme de teur da rama, ajuda a triagem através deste puzzle.
No início da primavera de 2006, fui convidado por vários jovens a participar no
rebento de um filme que estavam a trabalhar. Com um vazamento de onze (todos os
jovens desempregados, os jovens fora da cidade), este forças da polícia era a
iniciativa de um grupo próximo de três amigos, que, juntamente com outras pessoas
recrutadas através das suas redes sociais, estavam «à procura de uma forma de
ocupar o seu tempo.» Recorda-se com uma câmara de vídeo de mão ao longo de
vários meses, o filme tornou-se mais do que apenas uma atividade de lazer. Os seus
participantes foram tratados como se se tratasse de um emprego.Filmagens muitas
vezes com a duração de dias inteiros e porque os jovens envolvidos no projeto
esperavam que os seus filmes fossem exibidos no festival de bairro que teve lugar
em junho, a produção passou a ser assegurada à medida que se aproximava este
evento. Em um dia particularmente «de grande atividade», as pausas habituais dos
cigarros foram mesmo perdidas.«Podemos trabalho para fazer», disseram-me que «e
vamos fazer!»
Nesta altura, um dos seus membros deixou de assistir de forma abrupta à
presença de rebentos. Um novo emprego (um contrato semestral), aprendi, a
impediu de o fazer. A fim de evitar atrasos, o resto do vazamento reescreveu o
guião, explicando a ausência do jovem por um rapto. Esperou que regressasse a um
filme final, no qual seria libertado do seu teto pelos dois dois heróis pouco
prováveis. No entanto, a jovem nunca voltou ao projeto, o que mergulhou o grupo
num pânico. Têm vindo a reformular o papel e a recuperar todas as imagens que lhe
foram apresentadas. Embora os membros do vazamento negassem quaisquer
sentimentos em relação à mulher jovem, estava visivelmente ausente durante a
despistagem do filme, e depois, depois, apenas viu a sua vez com este grupo de
amigos, apesar de antes do filme ter sido uma presença regular sempre que recolheu.
102 CAPÍTULO 4

A vírgulas em torno do filme ajuda-nos a adquirir uma perspetiva sobre os


resultados dos projetos de precariedade nos projetos de habitação em Limoges. Por
um lado, o projeto serve para atenuar os pedidos apresentados no quadro do quadro
permanente (2011), mas também outros que trabalham especificamente em França
(por exemplo, Dubet 1987), segundo o qual a precisão conduz inevitavelmente a
desvios sociais e, em última análise, a uma anomalia. Represento o projeto do filme,
juntamente com as formas de intercâmbio acima descritas, a «sociedade ligada à
cidade». em vez de tentar anular a sociedade, foram envidados esforços
coletivos.Nasceu da condição de gale, com o objetivo de recriar, embora com meios
limitados, várias normas da integração social, incluindo um consumo bem visível e
um emprego estável. Por outro lado, o projeto da obra cinematográfica demonstra,
no entanto, a gravidade desta sociedade. Sugere que as diferenças entre indivíduos
— mesmo temporários — podem impedir o desenvolvimento de qualquer tipo de
consciência abrangente, muito menos um capaz de gerar uma ação política. Mesmo
que todos os meus interlocutores tenham vivido em condições materiais semelhantes
(os projetos de habitação) e queixar-se fortemente sobre galere, os seus
antecedentes educativos e experiências no mercado de trabalho estavam longe de ser
idênticos. Alguns obtiveram um diploma do ensino secundário; outros não. Alguns
realizaram ou estavam a receber formação profissional; outros não. Alguns
completaram um ano ou dois de cursos universitários e, em seguida, abandonaram
os estudos; outras ainda estavam a prosseguir diplomas universitários. Alguns
tinham estado sem trabalho há meses; outros postos de trabalho temporários (a
tempo inteiro ou a tempo parcial); outros (uma minoria muito pequena) conseguiram
emprego a longo prazo e a tempo inteiro. Os grupos de amigos, assinalo, eram
frequentemente constros ao longo destas linhas e, por vezes, as mudanças de
estatuto provocaram a ocorrência de espingarda ou de espingarda a mais longo
prazo.
Além disso, as conceções de solidariedade dominantes e culturais parecem estar
na linha da frente. Solidariedade, retirada da memória, primeira moeda adquirida em
França no início do século XX.Nessa altura, pensa-se que se trata de formas
«naturais» ou «essenciais» de diversidade. Hoje em dia, parece que o entendimento
do que faz a subsidiariedade para a subsidiariedade se alterou, pelo menos na cidade
externa de Limoges, onde a ideia tende a ser equiparada à noção de inclusão, que é
considerada como uma função de emprego. Apesar da sua participação na sociedade
externa, os meus interlocutores queixaram-se frequentemente do que consideravam
ser uma falta de solidariedade nos seus bairros. De facto, «C’est chacun pour soi»
era uma expressão utilizada tanto para descrever um outro como para falar sobre
outsiders. Esta expressão não continha o tipo de mentalidade de dog-e-cão, a ideia
de que só o teste mais forte ou mais inteligente tem êxito, que se poderia encontrar
nos Estados Unidos. Em vez disso, foi utilizado para criticar aquilo que era visto
O AUMENTO DO NÍVEL PRECÁRIO? 103

como um desinteresse geral ou interesse em relação a outros, manifesto, de acordo


com os meus interlocutores, com uma miríade de formas, de urinar ou cuir nas
caixas públicas para atirar as cinzas das janelas ou da «marcação» das paredes
exteriores, para «mooching» — ou seja, sem voltar atrás.«Que solidariedade?» um
jovem que estava desempregado por um período de três meses pediu-me.
Acrescentou:

Sentindo todo o dia no canto e na casa dos cigarros, é que aquilo que
chama a solidariedade?Ou vai à minha porta e diz-me que me gostaria de
trabalhar consigo?É uma verdadeira solidariedade, mas não vemos que
hoje. Hoje em dia, é apenas um cacho de cabritos, que se estão a deixar
cair uns com os outros. Se quiser fazê-lo, se quiser sair aqui, tens de
acabar por si próprio [tu de te bois te derouiller tout seul].C’est chacn
pour soi.

Tal como este comentário sugere, a solidariedade dos meus interlocutores foi
sobretudo a inclusão social, que, na medida do possível, apenas se referiam ao
emprego.Sem um trabalho estável e estável, os homens e as mulheres franceses
insistiram em poucas hipóteses de conseguir a plena participação na vida social e
económica da nação. Embora não tenham necessariamente um desconto sobre o
apoio emocional, inter alia, com outras nos seus bairros de vizinhança, consideraram
estas circunstâncias que oferecem poucas hipóteses de conduzir a um emprego de
longa duração.
Em última análise, esta conceção da solidariedade talvez não seja única no caso
francês. Mesmo que os meus interlocutores vistos « galere» como uma
característica essencial da sua existência e, por conseguinte, uma parte da sua
identidade social, não tenham pretendido ser esse o caso. Redação escrita sobre o
conceito de precariedade do acervo de Wacquant:

O nível precário é uma espécie de nado-morto, cuja gestação é


necessariamente inacabada, uma vez que se pode trabalhar para a
consolidar apenas para ajudar os seus meios de meem a fugir da mesma,
quer por encontrar um refúgio em mão de mão de obra estável ou por sair
do mundo do trabalho no seu todo (através da mudança social e da
proteção do Estado).Ao contrário do proletariado na visão Marxista da
História, que é chamado a abolir, a longo prazo, através da unificação e da
universalidade propriamente dita, a precariedade só se pode fazer sentir de
imediato.(2008, 247, sublinhado no original)

Como sugere Wacquant, estes jovens fugiriam à sua condição na primeira unidade.
Por conseguinte, é difícil imaginar como é que a gale pode ser uma fonte de
solidariedade para elas. Para lutar contra a eliminação do grupo, o grupo constitui o
104 CAPÍTULO 4

grupo que constitui. Do mesmo modo, parece pouco provável que a precariedade
possa, em qualquer caso, formar uma classe para si própria na revista de Marxista,
ou seja, um determinado estrato social organizado para promover os seus próprios
interesses. Isto não significa que o conceito de precariedade não possa ser
mobilizado como uma estratégia política popular, como forma de organizar essas
pessoas pertencentes ao género, que são mais ou menos afetadas pela precariedade
laboral, a fim de melhorar a sua semelhança, mas não ao mesmo tipo de condições.
Mas, como sugere este estudo de caso francês, para tal, será necessário fazer a
ligação entre as várias linhas de culpa que as separam.

Conclusão: Problem de Naming


Neste ensaio, estou preocupado com o que está a acontecer ao sentimento de
identidade social das pessoas perante o aumento do desemprego e do emprego, bem
como da doença. A identidade social em França parece ter estado no passado
estreitamente ligada à identidade de classe, que se baseou num conceito orgânico de
solidariedade, em que a existência de diferentes classes sociais foi considerada
essencial para o bom funcionamento social. Na economia global de hoje, à medida
que o desemprego se propagou, muitos em França insistem na fragmentação da
sociedade. Os particulares estão a perder de vista valores e interesses comuns. A
bolsa de estudo sobre o colapso da classe de trabalho, em particular, tende a refletir
esta perspetiva. De um modo geral, esta literatura centra-se na forma como as
formas antigas de organização e política das classes de trabalho, centradas nas
relações desenvolvidas no chão, foram substituídas, especialmente entre a geração
atual, pelo individualismo corrosivo (por exemplo, Beaud e Pialoux 1999; Renahy
2005; Schwartz 1990; Terrail 1990).Pergunto-me, no entanto, em que medida o
problema suscitado é uma função do quadro de análise utilizado. Por outras
palavras, ao adotar a «classe de trabalho» como a categoria mais pertinente de
análise, e apesar de reconhecer a sua dissociação, como poderia este trabalho não
reconhecer o valor das estratégias coletivas do dia a dia destacadas por essas pessoas
como os meus interlocatores em Limoges, tal como se apresentam com a sua
situação?O resultado é, de facto, a imposição de identidades negativas. Ou seja,
estes jovens são constantemente afetados a uma bolsa de estudos, nas notícias, e por
meios políticos do que não são. De acordo com a ideia de que internalizam eles
próprios esta perspetiva.
Estudos mais recentes (por exemplo, Castel 2007; Lagrange 2010; Ndiaye 2008)
sugeriu que pelo menos alguns jovens em cidades francesas tenham, finalmente,
conseguido forjar identidades positivas. As capturas: Estas identidades baseiam-se
nos imigrantes destes jovens. 19 Em França, onde os horrores da Segunda Guerra
O AUMENTO DO NÍVEL PRECÁRIO? 105

Mundial, mas com a convicção popular de que o contrato republicano francês deve
proteger as pessoas contra abusos de classificação racial ou étnica arbitrária, tal
evolução é muito mais suscetível de gerar preocupação do que a celebração. A
questão de saber se os jovens nas cidades francesas estão a utilizar ou não
marcadores raciais ou étnicos para situarem-se a si próprios ou a outrem, estou
preocupado com a forma como esta leitura cultural poderia comprometer algumas
das fontes ou consequências da desigualdade social hoje em dia. 20 Para ilustrar este
ponto, ponderar a forma como Gerard Larcher, o ministro do trabalho francês no
momento do Rio de 2005, cultiva a agitação sobre as práticas poligâmicas de alguns
imigrantes do Norte e da África Subsariana: «Uma vez que uma parte da nossa
sociedade apresenta este comportamento anticoncorrencial [poligamia], não
surpreende que [os jovens do município] tenham trabalho de descoberta
cultural....Se as pessoas não forem empregáveis, não serão empregadas (Le Monde
2005).A questão de saber se os meus interlocutores provinham ou não de famílias
poligâmicas, duvido muito que apontassem a poligamia como causa de abandono do
seu trabalho. Em vez disso, foram vítimas de desigualdades estruturais decorrentes
de um novo paradigma de emprego em que os empregadores têm flexibilidade em
termos de estabilidade e os trabalhadores, especialmente os menos qualificados, são
totalmente descartáveis.
Tudo isto significa que, hoje em dia, em resultado de uma tendência para um
mercado de trabalho mais flexível, estamos confrontados com um problema de
atribuição de nomes.21 não podem continuar a ser dispostos em diferentes classes
sociais. Ao mesmo tempo, categorias mais amplas, como as que se encontram em
estado precário, parecem incapazes de captar a experiência de vida das pessoas,
frágeis, uma vez que se encontram ao longo de várias condutas de culpa, algumas
antigas, outras emergentes. Perante esta capacidade, os antropologistas, que me
parecem particularmente importantes, têm um papel particularmente importante a
desempenhar, na medida em que procuramos compreender os problemas que as
pessoas enfrentam para ajudar a propor soluções. Com a sua atenção intensa nas
perspetivas e práticas quotidianas das pessoas em contextos específicos, a
investigação etnográfica é especialmente bem poderizada para oferecer uma visão
clara da evolução do emprego no século XXI.
5
CONTESTAÇÃO DO DESEMPREGO
O caso das Cirújas em Buenos Aires

Mariano D. Perelman

Desde que era jovem, Osvaldo tinha trabalhado na canalização, em primeiro lugar
como canalizador de canalizador e, em seguida, como canalizador. No entanto, em
2001, para milhares de argentinos, os postos de trabalho começaram a desaparecer.
A Argentina entrou numa crise política, social e económica sem precedentes. 1
Osvaldo e a sua mulher, que também não conseguiram encontrar um emprego,
tinham quatro crianças a cuidar de. Como tempo passado e sem outras
oportunidades de emprego, o Osvaldo dirigiu-se à atividade estigmatizante de
recolha de lixo (conhecido como cirujeo).Em primeiro lugar, reuniu-se com
Osvaldo, em junho de 2003, com trinta e oito anos de idade e com uma colheita de
junk (resíduos de resíduos para utilização ou venda) durante cerca de dois anos.
Eram homens na sua própria vizinhança, eles próprios cirujeando, que, em primeiro
lugar, enlutámos com ele para começar a recolher: «Eles disseram-me que «Buddy,
serve de carrinho para a recolha. Tal como explica o Osvaldo, «Não há labiuro [
trabalho], as empresas e as indústrias estão mortas e a construção também está
morta. Há muitas pessoas que trabalharam na construção ou em fábricas, pessoas
que trabalharam todas as suas vidas numa fábrica e que, infelizmente, têm de
recolher cartão.»
Após dois anos de círculo, passou a fazer referência à atividade sob a forma de
lauro (trabalho).No entanto, nunca deixou de se considerar como desempregado
uma pessoa que não é livre. Uma tarde, solicito-lhe que «Se alguém o solicitar num
inquérito sobre se é um indivíduo ocupado ou desempregado, qual é a sua
resposta?» Sua resposta foi enfática: «inativo.» «Unolupied?» I pediu de novo.«Sim,
porque esta atividade não me garante nada. Sou um desempregado. Sou um
desempregado, trabalhador sem emprego!»

106
CONTESTAÇÃO DO DESEMPREGO 107

Cirujeo é a atividade de recolha informal de resíduos.Cirúja — dado que as


pessoas que realizam cirujeo é uma transformação do CIRCABC é uma
transformação do CIRCABC ( cirurgião) e pode ser traduzida por «fraude» ou
«fferger». 2 Embora o processo de transformação social ing na década de 1990
(produtos do neoliberalização da economia e da sociedade) e a desvalorização da
moeda nacional no início de 2002 (que provocou o aumento dos preços dos
materiais recicláveis) fossem processos que contribuíram para a presença maciça de
apanhadores nas ruas de Buenos Aires, o que pode ser recuperado como a recolha
informal de resíduos tem uma longa história. Apesar das diferentes formas que
tomou e das diferentes denominações através das quais as pessoas dedicadas à
recolha informal de resíduos foram conhecidas, ela e os seus profissionais foram
sempre estigmatizados, tendo sempre sido associados à pobreza e à marginalização.
Os Cirujas recolhem nas ruas da cidade, especialmente nos vizinhos mais ricos,
onde a quantidade e a qualidade dos resíduos são elevadas. A grande maioria das
pessoas que recolhem no centro de uma cidade construída para as elites do país
contribuiu para a construção do estigma dos colecionadores enquanto estrangeiros
indesejados. A recolha é uma atividade predominantemente noturna: De acordo com
o sistema formal de lecting, os resíduos devem ser levados para a rua entre as 8: 00 e
as 9: 00 horas, depois da recolha dos sacos de lixo, dos pactos e da sua retirada da
cidade para enterrar os aterros sanitários.
O Cirujeo não se limita a examinar o lixo para os materiais que podem ser
reutilizados ou reciclados. Para além da recolha, a atividade consiste em muitas
outras ações, tais como a separação e classificação de alguns materiais recolhidos, a
limpeza de outros, a preparação dos instrumentos de recolha (como os carts e a tela
onde as cirujas colocaram tudo o que recolhem).Muitos dos resíduos, como o
cartão, o papel, o vidro, o metal, o plástico e o poliestireno, são transformados em
produtos de base para serem vendidos a armazéns (também chamados «depósitos»)
que vendem essas matérias a outros estabelecimentos de maior dimensão. Em geral,
a atividade envolve toda a família. Por vezes, todo o grupo recolhe em conjunto;
outras vezes, apenas alguns dos membros se deslocam para o ouvido.No entanto,
em alguns pontos do processo destas múltiplas atividades (separação, limpeza,
venda), toda a família está geralmente envolvida.
Osvaldo assinala que se considera desempregado, uma vez que está
desempregado. 3 Tal como muitos homens na Argentina, também se considera
trabalhador. O facto de ser um trabalhador significa que, para viver aí, há algumas
atividades que podem ou devem ser levadas a cabo. 4 nem todas as atividades a partir
das quais é possível obter dinheiro são consideradas trabalho, nem todos os homens
que ganham dinheiro são considerados trabalhadores. Quando o Osvaldo disse-me
que era uma pessoa «sem emprego» em 2003, comparou a sua situação real com
uma ideia histórica do que significa ser um trabalhador e, obviamente, com a sua
108 CAPÍTULO 5

própria experiência. Para si, estar empregado (ou seja, «para trabalhar») continua a
depender de determinadas atividades que tinha executado e que, como disse, oferece
algumas «garantias» (como a segurança social, um salário normal e o
estatuto).Sublinha uma série de notas sociais sobre o facto de o trabalhador ser um
trabalhador e o imaginário social da figura do trabalhador como ator com os meios
de acesso a uma vida condigna. Em 2003, o cirujeo, para a maioria dos argentinos
(Perelman 2012), não era visto como um «trabalho» ou como uma forma legítima de
ganhar dinheiro (Perelman 2011b).Alguns anos mais tarde, cirrujeo tinha
significados diferentes para o Osvaldo e outros, uma vez que muitas cirujas
contestaram durante esses anos os ideais hegemónicos de trabalho e de nontrabalho
como relacionados com cirujeo.
O desemprego é uma categoria social que transforma os significados de
situações sociais diferentes e de trajetórias individuais. Esta categoria exprime
processos complexos que implicam mais do que um simples desequilíbrio
quantitativo entre a oferta e a procura de emprego. A construção social do
desemprego é, por exemplo, altamente baseada no género, bem como específica da
classe (Fernandez Alvarez e Mana- zano 2007, 145-146).Existem visões normativas
e estatísticas de recrutamento: Algumas relações de troca são consideradas no
âmbito do emprego, enquanto outras não. No entanto, isto não significa que as
pessoas desempregadas não trabalhem. Também intimamente ligadas à média social
do desemprego são os processos subjetivos que servem tanto o trabalhador ideal
como o «trabalhador desempregado» em contextos históricos específicos.
Para o caso do cirujeo, estou interessado, neste capítulo, na especialização da
sobrevivência por atividades consideradas não profissionais. Abordemos a
construção social de «estar desempregado» como forma de enraizar as ideias
normativas do desemprego e do emprego e a perceção subjetiva destas ideias. No
caso da Argentina, argumento, as pessoas que começaram recentemente a
cirujouvido são consideradas desempregadas porque têm uma história ligada a
formas hegemónicas de trabalho. Em contrapartida, os cirujeos que nunca tiveram
um emprego normal têm uma experiência muito dif de cirujeo, uma não localizada
no âmbito do desemprego. Para os que exercem a profissão depois de terem
trabalhado noutras profissões de estatuto superior, o recurso a cirujeo surge como
um modo de sobrevivência legítimo entre muitas outras opções possíveis, mas
requer um processo de adaptação.
Os cientistas da Argentina tenderam a ver o cirujeo como uma «novidade» e
centraram-se principalmente na tentativa de compreender a nova estrutura da
atividade. Esta série de investigações progrediu fundamentalmente em dois eixos.
Um grupo centrou-se na relação entre cirujeo e o ambiente (Suarez 1998; Suarez
2001; Schamber 2008; Paiva 2006, 2007, 2008).Um segundo grupo abordou o
cirujeo como uma atividade de sobrevivência. Este grupo pode ser dividido entre os
CONTESTAÇÃO DO DESEMPREGO 109

que veem o cirujeo como uma resposta (positiva) à pobreza (Reyals 2002; Koehs
2005, 2007) e os que analisam a atividade no contexto das consequências das
políticas neoliberais de desintegração no mercado de trabalho (Buso e Gorban 2004;
Gorban 2004, 2006; Dimarco 2005; Gutierrez 2005; Perelman 2007a).Estabelecer
uma distinção entre os que recorreram recentemente à atividade («diminuição da
pobreza») e os que têm uma trajetória ligada à tarefa, investigações diferenciadas
entre as nuevos cirujas (novas cirujas) e vijos cirujas ou cirújas (Paiva, 2008)
(Paiva; Perelman 2007a; Suarez 2001; Schamber e Suarez 2007; Schamber
2008).Num artigo anterior (Perelman 2007a) adquiri a diferença entre as novas
cirujas ( as que começaram recentemente a cirújouvido e tinham uma trajetória
como trabalhadores formais) e de cirujas estruturais (as que tinham «sempre»
cirujas).Defendi que, neste segundo grupo, a lavagem é vista como um modo de
vida «normal».Em contrapartida, no primeiro caso, quem começou a desenvolver a
atividade, foi registado como uma quebra acentuada na sua carreira profissional.
Neste capítulo, aprofundarei a minha investigação dessas diferenças, analisando
as experiências quotidianas de um grupo específico de trabalhadores num
determinado momento. Defenderei que os discursos e as ideologias do desemprego
são produzidos e reproduzidos nestas experiências históricas. Tendo em conta o
modo como o peso da carne e do sangue nos processos de trabalho é demonstrado, o
navio demonstra que a relação entre o emprego e o desemprego não é fixada. Em
vez disso, como mostrei, uma atividade pode ser vista como trabalho, ao mesmo
tempo que as pessoas que o executam são consideradas desempregadas.
Este capítulo baseia-se no trabalho de campo etnográfico que decorreu entre
2002 e 2009. Ao longo de oito anos, segui, observou e entrevistei (individual e
coletivamente) diferentes cirujas diferentes.Alguns deles têm exercido a sua
atividade há várias décadas; outros começaram a fazê-lo apenas alguns anos antes;
outros começaram a fazê-lo durante o meu trabalho de campo. Embora todos
tenham trabalhado na cidade de Buenos Aires, alguns deles viviam na cidade e
noutros países nos subúrbios. A investigação incidiu sobre os homens e as mulheres
que, devido à sua idade, poderiam ter tido uma carreira precirujeo. Tal como em
qualquer abordagem etnográfica, o trabalho de campo combinou diferentes
metodologias e baseou-se na minha presença alargada no domínio, nas observações
e nas entrevistas formais e informais. Durante o longo processo de trabalho de
campo, posso ver como as coisas mudaram. Vi como as novas circunstâncias
construíram a atividade num modo de vida legítimo (Perelman 2011b) e como as
pessoas com experiência na atividade foram reconfigurar o seu passado e a sua
trajetória no presente (Perelman 2010).
110 CAPÍTULO 5

Argentina desde o pleno emprego ao desemprego


Tal como desenvolvi noutros países (Perelman 2007b), o trabalho tornou-se uma das
forças disciplinares mais poderosas de modernidade. O trabalho como instituição
implica uma «arte de governação» (Foucault, 1969) que procura construir um tipo
de objeto. No âmbito deste processo, apenas alguns tipos de atividades são
concebidas como «trabalho». as diferentes tradições influentes ativas no último
turião, como o humanismo, o Marxismo e o Cristianismo, contribuíram para a
obstrução da avaliação do trabalho como condição humana (cf. Meda 1995) e para
determinadas áreas específicas. Grassi (2003a) salienta que este conceito de trabalho
modelou a identidade (mais precisa, as múltiplas identidades) da pessoa coletiva e
das pessoas. Os trabalhos constituíram um modo de integração nacional quando o
surgimento da «questão social» tornou o senti nacionalista insuficiente. No caso de
Grassi, a formação dos Estados-providência expressa o insti tualização de um modo
de integração social que tem um valor fundamental. Este modo de integração não
era unívoco. Esquematicamente, é possível estabelecer duas direções: Uma foi a
extensão da cidadania para incluir os direitos sociais (incluindo os direitos das
classes de trabalho); a outra direção era a constituição da categoria de trabalhador
como beneficiária de certos direitos específicos (direitos laborais).Foi este o caso na
Argentina.
Uma vez que o Peronismo está interligado com a ideia de cidadania na
Argentina (Grassi, Hintze e Neufeld 1994; Svampa 2005).Os direitos provêm do
emprego e, em muitos aspetos, começam com a forma como o trabalho foi moldado
no âmbito da primeira administração de Juan D. Peron (1946-1955).Peronismo
procurou forjar uma série de imagens de trabalho que impulsionaram modelos de
homem, mulher, família e um conceito duradouro de cidadania e inclusão social que
persistiam no imaginário dos trabalhadores após a deposta militar Person em 1955
(James 2006).A ideia da cidadania fundiu-se com a democratização do bem-estar
(Torre e Pastoriza 2002), especialmente para as camadas mais baixas da sociedade.
Entre 1946 e 1955, com a melhoria da distribuição dos rendimentos e a expansão
do consumo, a prosperidade fluou ao longo de uma pirâmide social urbana. A cidade
repreza o acesso a uma maior variedade de bens e a uma democratização das
prestações e das políticas sociais. Para os trabalhadores recentemente integrados no
mercado de trabalho, em especial, verificou-se um crescimento tangível das
expectativas sociais após a subsistência (Torre e Pastoriza 2002, 283).Esta década
caracterizou-se pela mobilidade ascendente. A obtenção de um emprego no mercado
formal ou informal foi considerada um dado adquirido. O bem-estar das famílias de
trabalho em função do Estado social garantiu as necessidades básicas, incluindo a
habitação, a educação, o acesso à cultura e o lazer. Neste modelo, o trabalho de mão
de obra era o fornecedor de recursos materiais, enquanto o lugar da mulher estava
em casa, enquanto mãe e apeente das gerações futuras. A formação de um Estado-
CONTESTAÇÃO DO DESEMPREGO 111

providência social sob Peron deu uma nova centralidade cultural ao trabalho, ao
consumo e aos direitos sociais. No início da década de 1970, a Argentina era
diferente de outros países da região, na medida em que havia mais postos de
trabalho por conta de outrem, a dimensão da mão de obra subutilizada era inferior e
os que procuram trabalho eram menores. As chamadas ocupações de baixa
produtividade não tiveram grande presença, o poder de compra salarial era elevado e
as diferenças salariais entre os setores eram pequenas (Beccaria 2001, 19-20).
O estado do século XX iniciou a sua atividade como interveniente ativo na
política económica, alinhando as suas ações com o estabelecimento de uma ordem
que colocou o trabalho e a categoria de trabalhadores no centro da cena, em relação
à construção jurídica e de identidade do sujeito (Grassi, Hintze e Neufeld 1994;
Grassi 2003b).Os direitos sociais, incluindo, por exemplo, as férias pagas e os
cuidados médicos, salientaram a importância da filiação sindical, impedindo assim o
acesso a muitos dos direitos dos intervenientes no mercado de trabalho informal.
Não foi tida em conta a indisponibilidade do emprego, nem a possibilidade de um
salário de base poder não satisfazer as necessidades de um trabalhador, muito menos
a sua família.
Na véspera do golpe de Estado de março de 1976, que deu origem a sete anos de
uma regra militar emprestada por vio, muitas consideraram a Argentina uma
associação quase completa de emprego para a Argentina. O argentinas compreendeu
a sua participação na forma de trabalho formal, muitas vezes através do Estado
Peronista e dos seus êxitos, como forma legítima de consumir e reproduzir modelos
de vida (Beccaria e Lopez 1997; Grassi 2003b).Se a década de 1960 era um período
de elevado crescimento do emprego e de melhorias socioeconómicas para muitas
(Lindlenboim 2008), o inverso foi o caso após o golpe de Estado militar de 1976 e
as condições agravaram-se a um ritmo acelerado durante a década neoliberal longa
(1989-2002).Ao longo de todo este período, o desemprego cresceu a um ritmo
acelerado, afetando setores anteriormente menos vulneráveis às mudanças
económicas. Entre 1975 e 2001, o inquérito aos agregados familiares realizado pelo
Instituto Nacional de Estatística e Censos revela um aumento do desemprego em
mais de 2.4 % em abril de 1975 para 17,4 % em 2001, com um pico em maio de
1995 de 20.2 %.O subemprego passou de 4,7 % em 1975 para 15,6 % em 2001 (ver
o mapa estatístico do Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina).A
política neoliberal provocou um aumento acentuado do desemprego após 1990. O
processo baseou-se numa série de políticas adotadas pelo Estado no âmbito da
privatização dos serviços públicos e na correspondente redução dos programas
sociais estatais. A abertura ao capital financeiro especulativo e a posição dominante
do modelo especulativo de capital produziram uma contração do mercado de
trabalho, com uma onda de desemprego. 5
A orientação política predominante sugeriu que as questões políticas eram
112 CAPÍTULO 5

algumas das necessárias para a modernização e a reforma do neoliberalismo, que se


enquadrou como um projeto político cultural com valores e moral inerentes e
profundos. Embora as fundações económicas e culturais da ordem neoliberal da
Argentina tenham sido estabelecidas durante a última ditadura militar, estas foram
consolidadas durante as administrações do Presidente Carlos Menem (1989-
1999).Após a turbulência económica no governo do fim do governo de Alfonsin
(1983-1989), o governo do Estado teve a ideia de que o modelo neoliberal era a
única solução para a crise social. O referido modelo associou políticas favoráveis
aos investidores e ao comércio estrangeiros com a afirmação de que quarenta anos
de modelos de Peronies para
QUADRO 1.Argentina: Evolução das taxas de desemprego e de subemprego, 1974-
2003
MÉDIA ANUAL DESEMPREGO SUBEMPREGO

1974-1980 3—5% 4—7%


1981-1990 5—8% 7—2%
1991 6—5% 8—3%
1992 7—0% 8—2%
1993 9—6% 9—1%
1994 11 — 4 % 10 — 3 %
1995 17 — 5 % 11 — 9 %
1996 17 — 2 % 13 — 1 %
1997 14 — 9 % 13 — 2 %
1998 12 — 9 % 13 — 5 %
1999 14 — 3 % 14 — 3 %
2000 15 — 1 % 15 — 1 %
2001 17 — 4 % 15 — 6 %
2002 19 — 7 % 19 — 3 %
2003 16 — 0 % 17 — 7 %
Fonte:Quadro criado pelo autor, utilizando estatísticas do INDEC (Instituto Nacional de Estatística e Recenseamento da
Argentina).

o crescimento económico e a segurança social deram origem à atual crise. De acordo


com o Menem, os papéis do Estado e dos sindicatos na sociedade foram
radicalmente reduzidos. As empresas públicas e os prestadores de serviços básicos,
incluindo os de gás, de água, de telefone, de transporte ferroviário, de companhias
aéreas e de petróleo, foram privatizados em brindes a investidores estrangeiros e
nacionais. Milhares de pessoas perderam os seus empregos na desindustrialização da
economia que se seguiu.
A par da dolarização da economia, realizada para aumentar a capacidade de
conversão, que estabeleceu a paridade entre o peso argentino e o dólar, a legislação
laboral e a política social descaracterizem o conceito de Peronist-era de aumentar as
expectativas dos trabalhadores em favor dos mínimos de sobrevivência (Basu- Aldo
2001).O crescimento económico (medido em termos de taxas de investimento
CONTESTAÇÃO DO DESEMPREGO 113

estrangeiras, de níveis de inflação, e o poder de compra do peso argentino no


estrangeiro) era de shaky e à custa dos argentinos (Barbeito e Lo Vuolo 1992).Uma
vez que o governo adotou os preceitos neoliberais relativos ao ajustamento
estrutural e ao desmantelamento do Estado, o capital financeiro foi criado.
Consequentemente, foi criado o que Maristela Svampa (2005) apelou a uma
sociedade exclusiva. Milhares tornaram-se pobres. No entanto, embora as
autoridades e muitos da sociedade tenham continuado a lutar contra a pobreza como
um aparelho social, problemas conexos na zona de trabalho cinzenta (contratação
ilegal, desemprego, falência dos sistemas de proteção social e redução rápida dos
salários) foram tratados de forma estrita como uma procura económica crescente,
orientada para o mercado, da nova ordem neoliberal (Grassi 2000).Neste contexto, o
capital público e privado trabalhou como prioridade para reduzir os custos de mão
de obra. Na doutrina neoliberal, o trabalho formal tornou-se excessivamente
dispendioso e um ativo desvalorizado. O discurso moral que considera o trabalho
como um fator essencial de humanização e os meios para realizar as
«potencialidades dos indivíduos» deram lugar a um discurso económico mais
puramente económico centrado no emprego e distorções do mercado (Grassi 2000,
63).Estas transformações neoliberais tiveram um efeito inegável nas formas como os
argentinos imaginam o que constitui um trabalho legítimo. Em conjugação com o
desemprego crescente, o litígio sobre o que é o trabalho e o que não é ampliado e
atravessado por novas fronteiras.

A experiência de pessoas desempregadas


Ao contrário do que acontece com outros estudos sobre os desempregados, que, uma
vez considerados trabalhadores «estáveis», ou que utilizaram empregos estáveis
(como o trabalho na mesma empresa desde há vários anos) (cf. Lane 2011), muitas
cirujas nunca tiveram estabilidade deste modo. Para muitos selecionadores, a
instabilidade foi a norma e aprendeu a viver com ela. No entanto, esta instabilidade
tornou-se cada vez mais acentuada após meados da década de 1990, altura em que o
desemprego aumentou para níveis históricos. Num texto em que o emprego era
escasso e a população de bairros inteiros foi forçada a fazer algo para sobreviver,
numa altura em que a assistência social não era suficiente, «à procura de emprego»
era inútil. Assim, milhares de pessoas começaram a procurar formas de vida
alternativas. Tal como desenvolvi noutros locais, o círculo não pode ser
compreendido apenas pelo crescimento do desemprego. Devido à (ausência de)
políticas de reciclagem, ao aumento dos preços de certos materiais que se podem
encontrar nas cinzas, à desvalorização da moeda e à crescente procura de materiais
recicláveis pelas fábricas, a recolha informal de resíduos tornou-se uma possível
114 CAPÍTULO 5

taxa de sobrevivência de muitas famílias das zonas suburbanas de Buenos Aires.


Para as empresas cirujas que, uma vez detinham posições estáveis (ou tinham
cônjuges que o fizeram), a experiência de se encontrar sem trabalho e que
necessitasse de executar uma atividade de sobrevivência foi vivida de forma
diferente por homens e mulheres, de acordo com as suas experiências anteriores e de
acordo com a forma como recordavam a esses conhecimentos e às suas casas. No
entanto, nesta nova experiência, é possível ver alguns processos comuns, formas de
atuação e sentimento de (falta) de trabalho. Mesmo muitas cirujas que nunca
tiveram um emprego formal em comparação com a sua situação com esses
empregos ou com um momento em que a estabilidade era a regra. Muitas cirujas
queriam procurar outras formas de trabalho, mas não o fizeram. Muitos cirújas
sentiram vergonha devido à recolha, mas, noutros aspetos, foram também com
orgulho. Para utilizar a formulação da Osvaldo, sentiram que eram «pessoas não
empregadas». a experiência de se ver como trabalhadores, mas ao mesmo tempo que
os desempregados, constituiu o pano de fundo para estes sentimentos e
transformações e para a forma como a atividade de colheita foi realizada.
Cirujeo e Shame
Para a maioria das pessoas que começaram a recolher, cirujeo não foi a sua
primeira escolha depois de perder o seu emprego. Nem todos têm a possibilidade de
recorrer rapidamente a uma atividade como o estigma associado à colheita. O
arranque da atividade não esteve naturalmente presente. Um dos maiores obstáculos
à «dar o mergulhia» («dar el paso») era vergonhoso. Lutz (1986) alegou que os
sentimentos (tais como a vergonha) são socialmente construídos e expressos em
valores pessoais que, enquanto experiências emocionais específicas, são o resultado
de uma relação entre os indivíduos, a cultura e a sociedade. A experiência individual
de vergonha de ser um ciruja não é uma reação natural que emerge do trabalho com
lixo, mas sim uma resposta que deve ser contextualizada em quadros históricos e
culturais, bem como trajetórias pessoais. Esta situação pode ser observada nas
seguintes contas de ciruis-jas que manifestaram vergonha do seu envolvimento com
a atividade, bem como as que são descritas mais tarde, para as quais os cirucanos
aludiram de modo algum.
Antes de se transformar em cirujas, Noemi era um membro da família e Daniel
trabalhou como condutor de transportes públicos. Devido à crise económica e à
redução do pessoal, foi colocado. em seguida, trabalhou numa pequena linha de
autocarro local até 1999, altura em que a empresa entrou ao serviço. Daniel
começou a desempenhar funções «ímpares» (alterações) na construção, bem como
nos serviços de transporte de mercadorias e no transporte, até que todas estas opções
também tenham desaparecido. Quando já não podiam suportar a sua casa, Dan IEL e
Noemi iam viver numa instalação localizada numa zona suburbana de Bue nos
Aires. Não tinham rendimentos e três filhas em apoio. Noemi e o seu vizinho ou
CONTESTAÇÃO DO DESEMPREGO 115

iniciaram a mendicidade para alimentos em restaurantes, padarias e


estabelecimentos de lojas, em primeiro lugar na zona perto das suas casas e mais
tarde na cidade de Buenos Aires. Do seu lado, voltaram-se gradualmente para
cirujeo:Aceitaram não só os alimentos, mas também o vestuário, o cartão de cartão
e outros resíduos que poderiam depois vender ou reparar para uso pessoal. No caso
de Daniel, que costumava ter um emprego, era difícil tomar a decisão de começar a
recolher: Receio que os seus vizinhos o pudessem ver; foi vergonha de que ele, o
ganha-pão, teve de se confrontar com sacos de lixo para alimentos, medicamentos e
materiais para venda. Teve, em especial, vergonha de ser apoiado pela sua mulher.
A grande cidade de Buenos Aires parecia dar-lhe o anonimato de que necessitava, e,
por conseguinte, depois de iniciar a sua recolha em vez de perto da sua casa, Noemi
conseguiu convencer o peticionário a cirujer.
A ESTELA, que no momento do meu trabalho no terreno com o seu (entre 2003
e 2006) tinha cerca de cinquenta anos, estava anteriormente empregada numa
fábrica de calçado. Tinha sido «um trabalhador qualificado da indústria do calçado»,
afirmou wistin. Uma das principais diferenças que assinalou entre a sua situação
atual e o seu trabalho passado foi que, nessa altura, obteve um salário normal de 15
em 15 dias, pelo que conseguiu apresentar planos. No final da década de 1980, foi
despedido no âmbito de uma redução de pessoal. Depois de ter ficado desempregado
durante alguns anos, obteve uma limpeza de emprego para uma empresa de
telecomunicações. Aí trabalhou durante dois anos e, em 1992, ficou sem emprego.
Alguns anos mais tarde, o marido, que trabalhou durante vinte e dois anos numa
fábrica de papel (e faleceu em 2001), foi também lançado. Tinham nove filhos e as
redes da família não eram suficientes para as apoiar. Como foi o caso de muitas das
famílias entrevistadas (incluindo Daniel e Noemi), foi a mulher que decidiu
deslocar-se à orelha.Segundo Estela, «He [o marido] não gostava da ideia, mas não
houve outra escolha. Não sabe como é difícil para as nossas famílias aceitar que
fomos cirujeandol». a decisão informou-me de que a decisão não era fácil.«estive
vergonha. Como fui [uma vez] a trabalhar numa fábrica, senti vergonha para o fazer.
Mas, depois, ultrapassei estes sentimentos e passei por um carrinho para
cirújouvido.» She deslocou-se a um armazém e arrendou um carrinho e começou a
viajar para a cidade de Buenos Aires para recolher.
Tal como nestes casos, em muitas entrevistas a ideia do cirujeo como uma
atividade não digna, como não querer fazer, era fundamental. Durante o meu
trabalho de campo, verifiquei as tentativas de se esconderem elas próprias;
Observámos a forma como os vizinhos veem os colecionadores com desprezo e
medo.O CIRCABC implica uma visibilidade da pobreza. Esta visibilidade pública
permite a construção e a (re) produção do estigma.As Cirújas não podem ocultar a
sua atividade por duas razões. Um objetivo: Com um cesto de recolha de objetos
recolhidos, a forma como é impossível dissimular é impossível. Esta visibilidade
116 CAPÍTULO 5

ocorre nos bairros onde vivem e nos casos em que recolhem e têm diferentes
implicações subjetivas em cada um. Tal como no caso de Daniel e Noemi, não quis
recolher perto do local onde viveram, por ter estado vergonha para ser vista como
recolhendo os seus vizinhos.
Ao mesmo tempo, as zonas de vizinhança viveram, porém, fundamentais para o
processo através do qual começaram a cobrar. Informações sobre cirrujeo
circulando nos arredores: a forma de o realizar, o que recolher, como aceder aos
empréstimos e alugar um carrinho, e com quem para o fazer. Mas, acima de tudo,
legitimando os discursos e a avaliação coletiva do cirujeo como atividade
merecedora de difusão no espaço próximo da lata de lata. Os vizinhos com alguma
experiência fizeram cirujeo lecionou o veículo aquático. Os compradores de
materiais locais forneceram carts (como no caso da Estela) aos que iniciaram a
atividade. O número crescente de pessoas dedicadas ao cirujeo transformou a
primeira visão da atividade de algo invulgar, anormal e estigmatizante para um
modo de vida «comum». 6
Como os casos acima referidos mostram, as perceções e as conceções dos novos
colecionadores têm uma dimensão de género. Historicamente, os homens argentinos
são os fornecedores de rendimentos dos agregados familiares. No entanto, uma
disposição adequada não foi alcançada por qualquer meio que ganhasse dinheiro,
mas estava reservada a determinadas formas de trabalho socialmente reconhecidas
como trabalho. Neste sentido, como no caso de Daniel, os novos colhedores
parecem estar em situação de vergonha, uma vez que está desempregado e incapaz
de apoiar a sua família e também porque tem de ser apoiado por uma mulher. A
vergonha surge também porque recorreu a uma atividade que, historicamente, não
era vista como trabalho.
Embora, antes da crise de 2001, fossem poucas as mulheres que recolhem, nos
últimos anos, houve uma feminização do círculo.Tal como nos casos de Estela e
Noemi, muitas mulheres foram as primeiras a começar a recolher o apoio às suas
famílias. Esta mudança não só alterou o lugar das mulheres, mas também dos
homens. Sob a forma de Cross e Ullivri (2013, 16), escreveu: «É possível pensar em
crises como perturbadoras dos papéis atribuídos. As crises são circunstâncias em
que as lacunas são de certo modo abertas. Entre o desespero e a necessidade, as
mulheres encontram espaços para quebrar ou desarmar as suas obrigações e alargar
os seus âmbitos de aplicação a um ponto exterior que, embora não abranja os
espaços de produção clássicos, constituem cenários extradomésticos» 7. seria,
contudo, redutor afirmar que era mais fácil para as mulheres começarem cirujeando
do que para os homens. Embora as experiências de trabalho dos homens e das
mulheres e as expectativas de acesso legítimo à reprodução social tenham sido
diferentes, no caso das mulheres com base no direito a um círculo vicioso, o papel
dos homens e das mulheres é superior ao das instalações: Eram eles que tinham de
CONTESTAÇÃO DO DESEMPREGO 117

suportar o «ónus de suportar» 8 cirujemando por estas mulheres como uma obrigação,
mas também, em muitos casos, também como uma forma de sair do espaço de
vizinhança (Gorban 2009).
Em muitos casos, as mulheres foram as que começaram a apoiar as suas
famílias, recolhendo e os homens seguiram mais tarde. Esta situação produziu novas
formas de cicatrizes corporais com base no género (Sutton 2008), devido ao facto de
as suas atividades domésticas terem sido recolhidas. Para as mulheres, a vergonha
foi rapidamente ultrapassada pela necessidade de cuidar das suas famílias.
Manifestaram o seu orgulho nesta situação, bem como na proximidade da rua, da
noite e do transporte de cargas pesadas que eram vistas como masculinas e
perigosas. Este processo transformou a exposição das mulheres e a atenuação ou,
até, erradicava todos os vergonha que sentiam em relação à recolha.
A relação complicada e variável entre cirrujeo e vergonha é ainda demonstrada
nas minhas conversas com cirújas estruturais — aquelas que têm sempre sido as
empresas de recolha e vivem o desempenho da atividade como o modo de vida
«natu rial».Para eles, não só não havia vergonha da atividade, uma vez que estavam
efetivamente orgulhosos do seu trabalho como colecionadores. Para os cirúres
estruturais, sendo um ciruja, não pode ser considerado como no caso dos novos que
ainda esperam ser profissionais formais — uma carreira — ou uma carreira moral
— para utilizarem o quadro de Goffman 2009).O orgulho de ser ciruja refere-se à
ideia de que estavam a fazer qualquer coisa, que sempre viviam do lixo e que esta
atividade era tão natural como qualquer outra. E ainda mais, há uma indicação da
sua trajetória. Uma vez que Juan Carlos me disse, «To estar em La Quema [a cidade
onde trabalha] estava em casa, pelo que dizo-vos tudo» A mesma ideia foi expressa
por Jose, que ainda afirma que «sou Quemero», fazendo referência a uma identidade
pertencente a pessoas que viveram e trabalharam na Quema. A natureza é também
expressa em atos constantes de diferenciação com as novas circunstâncias.Aqueles
que sempre foram cirujas ( a tradução espanhola é cirúja ser cirúja e não estear
ciru- jeando, fazendo a distinção entre a recolha como identidade permanente em
relação a alguma coisa que está atualmente a fazer) consideraram as cirujas «reais»,
as que trabalharam na Quema, onde as condições de trabalho foram reduzidas e
onde a recolha foi muito mais socialmente estigmatizada do que atualmente.
Como tem escrito a Lei de Gaulekonjac (1996), surge uma situação de vergonha
quando a pessoa em causa está confrontada com uma confusão extrema entre o que
é para outros e o que é para si próprio. Vergonha quando o subj género tem uma
imagem estigmatizada, fixa e petrificada de uma imagem própria e independente dos
olhos de terceiros, uma imagem humilhante e incapacitante que não pode ser
quebrada nem modificada. Em muitas circunstâncias, vergonha surgiram quando
deixaram de ser trabalhadores formais ou quando não podiam continuar a realizar
tarefas remuneradoras que consideravam merecedoras. Esta situação complicou o
118 CAPÍTULO 5

seu processo de identidade como trabalhadores. E esta vergonha pode ser entendida,
como referi, como não individual, mas como cultural e social.
Para os novos colecionadores, ser um ciruja significa fazer algo que, para
outros, não foi considerado trabalho. Nestes sentimentos e práticas, é possível
determinar a forma como a construção do «homem» assenta na noção de trabalho, a
forma como o trabalho está relacionado com o género. Em Daniel, tal como em
muitos homens, a experiência de ser um homem e de ser um trabalhador (mais uma
vez aqui é possível afirmar que se trata de um trabalhador-trabalhador, mas este é
um trabalhador desempregado) estava a funcionar como experiência específica.
Como já referi, são geralmente as mulheres que decidiram deslocar-se à orelha.Nos
casos da Estela e da Noemi, a sua vergonha resultava da ideia de que estavam a
fazer algo que não era digno. E este sentimento só pode ser entendido como parte
das suas expectativas sociais. Como disse-me Estela: «Somos todas as pessoas que
trabalharam e queremos trabalhar, bem como as outras.», mas para os homens, a
experiência de desemprego e o receio de vir a cirucja eram diferentes. Para os que
tinham sido trabalhadores formais ou que tinham oscilado entre atividades formais e
informais, não ter um emprego (ainda mais, ser ciruja) tornou-se um estigma
permanente vergonhoso. Este estigma tem por base um atributo desacreditar
profundamente: Existem alguns atributos (como a ciruja) que estigmatizam,
confirmando a normalidade daqueles que não têm o atributo. No caso dos
selecionadores, trata-se de um «atributo» impossível de esconder: Uma vez na rua,
não podem esconder quem são, embora muitos gostariam de o fazer.
Embora o trabalho de campo relacionado com o trabalho no terreno não fosse o
mesmo do que nas décadas anteriores, os intervenientes continuaram a sentir que a
dignidade é definida através do emprego formal. Esta noção foi construída pelas
narrativas da nação, mas foi também apresentada de forma moral e em detenções
sociais (políticas) que, mesmo na era neoliberal, proporcionam benefícios aos
trabalhadores formais em detrimento dos trabalhadores informais ou dos
desempregados.Sendo ciruja, não fazia parte deste discurso moral sobre o trabalho,
nem forneceu prestações sociais.
Neste contexto, a questão que se coloca é a razão pela qual, apesar do estigma,
da falta de prestações sociais e do forte aumento das taxas de emprego desde 2003,
muitas destas pessoas continuam a recolher. 9 acredito que dois processos podem dar
alguns instrumentos para a compreensão da estabilização do cirujeo.Um deles é a
extensão natural da atividade que ocorre quando o cirujeo é transformado em
trabalho, um processo que, como demonstram os exemplos acima e abaixo, nunca é
totalmente com um pleito ou não contestado. O outro processo, relacionado com o
primeiro, é a forma como a atividade está estruturada.
CONTESTAÇÃO DO DESEMPREGO 119

Cirujeo como obra


O círculo «não é uma forma espontânea e natural [de] trabalho», não
«uma atividade desejável e, em alguns setores da sociedade, é uma
atividade criminosa».
O Procurador-Geral da Cidade que alega que o cirujeo não conta
como trabalho e não está, por conseguinte, abrangido por uma
garantia constitucional da liberdade de trabalho. Notas de campo, 6
de novembro de 2002.

Pessoas em situação de pobreza, que recolhem o cartão com todos


os filtros, podem ser podadas....Felizmente, tenho um emprego,
pobres.
Mulher de classe média que trabalha com cirúrios. Notas de campo,
Setembro de 2002

A atividade de recuperação de materiais traduz a internalização de


uma cultura de trabalho e não de um crime [..Os cartoneros [ coletores
de cartão] inventam o seu local de trabalho onde não existe
[nenhuma]....Além disso, muitos selecionadores, embora tomando o
veículo para recuperar resíduos, compreendem que fizeram uma
escolha para trabalhar, [como] diferentes opções criminosas. — Ata de
uma declaração feita por um investigador do público público a declarar inconstitucional
a proibição do cirujeo ao tribunal. Material fornecido pelo investigador.

Através de uma análise etnográfica, podemos compreender que a apresentação do


cirújas como trabalhadores não se baseia apenas no processo histórico de construção
de «gen» como um determinado tipo de trabalhador; também é um ato eficaz que
funciona como um discurso a fim de ganhar legitimidade de outros, que poderiam,
de outro modo, considerar que eram preguiçosos ou aves. No entanto, «Osvaldo»
designa ele próprio um trabalhador desempregado e, ao mesmo tempo, uma pessoa
não assalariada.
A ideia de trabalhar como ciruja ou, para ser mais precisa, de ser ciruja não era
vista por muitos colecionadores como um estilo de vida desejável, mas como uma
opção preferível
outras possibilidades. Como já foi referido, um dos obstáculos ao círculo que
percebi nas pessoas que tinham uma história ligada ao emprego era a sensação de
vergonha de que estavam a fazer algo que não consideram dignos e dignos. Estes
sentimentos estavam relacionados não só com as noções de trabalho acima referido,
mas também com a construção de cirujeo como «nontrabalho» e como uma
120 CAPÍTULO 5

atividade ligada a pov erty, vagricy, marginalidade e ilegalidade (ver Perelman


2012).A sua escolha de no entanto tornar-se ciruja depende da sua capacidade de
conceptualizar cirujeo como forma legítima de vida. Uma das principais
componentes dessa transformação foi a das empresas de recolha de relações
desenvolvidas entre cirujeo-work e dignidade.
A Cirújas procura legitimidade para conceptualizar a sua ocupação como
trabalho digno, a fim de tentar regressar, pelo menos em seu entender, ao mundo dos
que vivem legitimamente (por trabalho) e, ao fazê-lo, a tornar a sua existência mais
confortável. Contudo, como parte da sociedade, os picadores têm de lidar
diariamente com situações de conflito e com discursos morais que não o seu. 10 Os
que consideram cirujeo uma forma legítima de viver continuamente têm de
negociar tanto as suas próprias convicções como as suas convicções morais. Assim,
as cirujas consolidam a dignidade não só em termos de trabalho, mas também em
relação às expectativas de outras pessoas.
Como já referi, ultrapassar o sentimento de vergonha e quebrar o receio de «dar
ao mergulhador» (« dar um passador») é um primeiro passo no sentido de termos
com a identidade de um ciruja ou , pelo menos, com o seu atual estatuto de pessoa
que recolhe. Tal como a Estela disse-me, mesmo hoje em dia, a peticionária sente
que «a stare», mas deixou de o fazer: «Consideram-se vergonha de ser vistos pela
primeira vez e por muitas outras vezes. Por sua vez, apercebe-se de que as pessoas
estão a observar que abre um saco e está a analisar o que resta no seu interior.» Uma
vez que se trata de um primeiro passo, existem ainda outros obstáculos à ligação
desta nova condição à ideia de trabalhar. Uma vez que as citações com as quais
comecei a presente secção mostram, verifica-se uma falta de articulação entre o
trabalho e o círculo.
Felipe tem quarenta anos.Numa entrevista, recorda a sua experiência
profissional anterior e manifestou o desejo de recuperar os períodos favoráveis:

Utilizei um emprego remunerado. Os meus filhos faziam parte do sistema


de segurança social e tivemos segurança económica. Não estive numa
situação financeira de pé, mas, pelo menos, poderia dizer, «No próximo
mês, estou a ir para obter X quantia em dinheiro. Vou comprar um par de
sapatos, um casaco.» ou, como fiz, quando trabalhei num restaurante, que
um dia estive [os seus familiares] no dia meu para a Expo Rural. 11 tive a
oportunidade de ir para a Expo, tomá-los para ver um filme, comprar uma
boa TV, uma boa gravação em vídeo e até alugar um vídeo e acompanhá-
lo, para fazer este tipo de coisas.
Para Felipe, ser ciruja, opõe-se à sua noção de trabalho, uma vez que não se trata
de um trabalho «remu nertive», apesar de, naturalmente, proporcionar um
rendimento, ainda que pequeno e irregular. Em primeiro lugar, fez referência à
CONTESTAÇÃO DO DESEMPREGO 121

noção de trabalho em que auferiu um salário. Existem diferentes tipos de empregos


do que os trabalhadores por conta de outrem, como é o caso dos empresários ou dos
trabalhadores independentes. No entanto, a sua ideia de um emprego baseia-se na
sua experiência como pessoa que aufere os salários. Para ele, o facto de ser um
trabalhador diminui a segurança económica e a capacidade de compra. Disse que
estava vergonha para fazer uma atividade indesejada, ao contrário de outras
atividades que tinha anteriormente prestado para viver (como o auxiliar de cozinha
num restaurante).No entanto, descreve ainda a sua atividade atual, afirmando:
«Trata-se de trabalho. Não sou roubar, estou a mendigar.»
No que se refere a Felipe, a dignidade associada ao trabalho diz respeito ao
emprego formal, mas é também mais do que isso. Felipe mencionou a sua perda de
emprego como um problema material, o que resultou na perda da sua capacidade de
compra. A sua história referia-se não só à falta de dinheiro, mas a uma forma
específica de a adquirir.O Cirujeo pode ser uma forma de trabalho em opção para
outras atividades, mas não é «trabalho» que o realizou no restaurante. Ao comparar
cirujeo a outras atividades, como roubar, distinguiu cirujeo do trabalho «real»,
distanciando-se, ao mesmo tempo, dos discursos e visões que equiparam os cirujas
com atividades criminosas.
As empresas de recolha como Felipe tentam incorporar na categoria dos
trabalhadores as cirujas, justapondo a atividade de roubar ou mendicidade, mesmo
que a sua distância seja diferente de outras posições, mais respeitáveis. Trata-se de
mais um passo para o transformar numa atividade digna. A intenção de incluir a
tarefa no interior do caso de trabalho e, dela, dar dignidade às suas vidas é um
processo conflituoso que inclui uma luta simbólica em torno das mentalidades e dos
discursos sociais sobre o trabalho. Para muitos entrevistados, a coleção é uma
atividade integrada no sistema de formas legítimas de fazer uma vida dentro do
conceito de trabalho, mas avaliada de forma diferente das suas anteriores atividades
(formais) de trabalho.
No testemunho acima exposto, a Estela expressou claramente a divisão entre o
facto de ser um trabalhador e de entrar em cirujeo.Embora o jovem estivesse
familiarizado com a atividade, uma vez que tinha vivido perto de um aterro de lixo e
o seu marido tinha competências para lidar com a atividade, diferenciou esta de
outras atividades que considerava mais valiosas. Como foi referido por vários
informadores, rapidamente se apercebeu de que não era o mesmo ter algum
conhecimento e contacto com a atividade e de o realizar efetivamente. 12 Estela
recordou que o seu marido «não gostou» da ideia de ir buscar. O parecer do seu fami
é também o centro «Tou que não tem qualquer ideia do problema para as nossas
famílias de aceitar que tivemos cirujeandol».
O discurso de Daniel e Noemi é semelhante. Daniel articulado, Daniel articulado
a opinião que tinha das pessoas que recolheram as pessoas que eram recolhidas
122 CAPÍTULO 5

quando era condutor: «Juro as passei e senti que passei e senti-me como uma
braçadeira, «Go to work, lazy shit.» Now I tem uma visão diferente. Não se trata de
cirlujas por opção, mas porque não têm outra alternativa. Além disso, o meu
trabalho não é errado [ trabalhar].Trabalho onde tem de fazer todos os dias, chuva
ou brilho, se estiver doente ou doente, porque se não sair, não obtenha dinheiro»
Nos processos descritos, podem observar-se algumas semelhanças. Todos eles
são famílias que costumavam vender o seu trabalho no mercado formal (alguns
deles através de empregos não registados na economia informal, alguns em
empregos formais precários e outros em empregos formais seguros).Foram
utilizados para fazer parte do sistema de segurança social e para ter capacidade de
compra. Depois, quando ficaram desempregados, recorreram a cirujeo.Todos eles
mencionaram que estavam vergonha e passaram por um processo de ajustamento da
atividade. Não se trata de uma experiência individual. Daniel recordou que pensar
em cirujas era «fusa lazy», mas «tomou consciência» de que a colheita era um
emprego como qualquer outro. Mas, no que se refere a Daniel, no que se refere a
Felipe e Estela, o ajustamento também foi possível porque não foram os únicos.
Como me disse Estela, «vi muitas pessoas a começar a sair, não era um coisa
singular.» 13
Uma perspetiva importante que pode ser retirada destas e de muitas outras
histórias é a forma como se estabelece a relação da dignidade com a dignidade.
Como já referi, a tarefa mais fundamental consiste em estabelecer a ideia de que a
atividade é exercida. Neste caso, o conceito de trabalho parece ser fetizado, pois
parece que ela própria confere dignidade a si própria. A ideia de trabalho é
frequentemente acompanhada da ideia de que se trata de um emprego digno
(trabajo Digno).Por conseguinte, é necessário não só estabelecer o trabalho como
«um emprego como qualquer outro», mas também distanciar-se das atividades que
parecem ser socialmente «indignas», como por exemplo o roubo.
Ao contrário de outros casos que surgiram com a crise, tais como fábricas
controladas por trabalhadores, em que os trabalhadores ligavam a noção de trabalho
digno ao conceito de trabalho digno, a razão para recuperar a central era manter os
seus empregos na fábrica (Fernandez Alvarez 2007) — no caso destas novas
circunstâncias, uma vez que o seu trabalho não é amplamente considerado como
trabalho, a ideia da dignidade só pode emergir de um conceito puramente abstrato de
trabalho. Muitas vezes, as próprias cirujas mencionam esta atividade como não
trabalho (Perelman 2011b).Este ponto de vista está na base de respostas como Felipe
Felipe («Se for possível obter um emprego num restaurante, utilizo-o») ou, como é
habitual durante o meu trabalho de campo, quando cirujas se introduziram como
desempregadas, apesar de ganhar dinheiro através da sua recolha. No entanto, a sua
posição como trabalhadores do setor da colheita é uma tentativa de se manter dentro
do quadro de imalidade e, assim, de se tornar matérias merecedoras para os seus
CONTESTAÇÃO DO DESEMPREGO 123

próprios olhos, bem como aos olhos de outros. É por isso que os esforços «para
obter dinheiro» e «criar trabalho», mesmo quando estão desempregados, estão no
centro das suas descrições de quem são e do que fazem.
A dignidade, para o círculo, está relacionada com o orgulho de criar trabalho e
com o esforço de «sair todos os dias», mesmo que esteja doente ou se sinta dor,
independentemente das condições meteorológicas, quente ou frio, se chove ou é
soalheiro. Esta ênfase no orgulho e no esforço é necessária para superar o
sentimento de vergonha e os stres dos outros. Para se construir como pessoas que
exercem uma atividade digna, os cirujas questionam as imagens hegemónicas sobre
os trabalhadores, mas, ao mesmo tempo, recorrem ao discurso hegemónico de
trabalho para descrever cirujeo.Existe um processo de ajustamento moral no qual
surgem sentimentos que são aparentemente contraditórios, orgulho e vergonha.

Previsibilidade e estabilidade
no desemprego
As Cirújas não só procuram ativamente determinar a sua situação de rendimento
como trabalho, mas também produzem constantemente previsibilidade. 14 Para essas
pessoas, a atividade de recolha torna-se apenas o trabalho através da criação de um
tipo de relações sociais e económicas previsíveis e estáveis que se lembra de
experiências de trabalho anteriores. Através da criação destas relações estáveis, os
cirujas são considerados trabalhadores.
Este tipo de processos é também um aspeto económico:As Cirújas dependem do
que podem encontrar diariamente. Por conseguinte, têm de transformar a
recuperação proibida de resíduos que se encontram nas ruas para uma forma de
trabalho legítima e previsível. Para o efeito, as cirujas interagem com os vizinhos
da cidade de Buenos Aires e com os compradores destes materiais. Os
selecionadores constroem geralmente clientes em rotas estáveis:as pessoas ou os
estabelecimentos que mantêm materiais de reciclagem para eles. A geração e a
presença destas relações pessoais constituem uma prática que reforça a sua
capacidade de obtenção de materiais, gerando um sentimento de segurança e
obtendo acesso a outros «benefícios», como o vestuário, a alimentação ou o
mobiliário, que os vizinhos já não querem.
Os colecionadores dedicam uma grande quantidade de tempo a gerar e manter
essas relações. Um dos aspetos mais importantes consiste em agir bem: Deixar tudo
limpo após o rum através dos sacos; não impedem o tráfego com os seus
automóveis; não deve esmorecer; não se encontrem em estado de embriaguez; ter
conversações amigáveis com os clientes, etc. Esse «bom comportamento» foi para
muitos homens de portas e vizinhos a explicação da razão pela qual mantiveram os
124 CAPÍTULO 5

sacos de lixo para algumas cirujas.Um edifício de um homem que gostou de ajudar
Daniel depois de me disse-me, «está desempregado, mas é bom.» A ideia de que
Daniel é um «bom guy» fez referência a um conhecimento pessoal criado com o
decurso do tempo e através de conversações e mensagens diárias, bem como do
homem que observou as ações de Daniel durante a sua recolha. Daniel tentou ser
cordial e respeitador dos seus vizinhos. Depois de me disseme, «Quando fiz uma
pesquisa em sacos, tenho de tomar as precauções necessárias para não os quebrar,
porque, se isso fosse, as pessoas não me dão mais. Devo deixar tudo limpo. Passo a
apresentar-vos; Devo ser espécie. Os sacos de sacos de saco são aqueles que não
dispõem de itinerários fixos.
Os conhecimentos pessoais têm também outro efeito estabilizador. Entre as
cirujas e os «clli», circulam não apenas elementos materiais. Outra forma útil de
manter relações leais e de comportamento é a expectativa criada para a mobilidade
ascendente e a possibilidade de deixar para trás a atividade de recolha.As Cirújas
veem os vizinhos como pessoas que os podem empregar para outras tarefas, a fim de
as ajudar a ir além do cirujeo.Durante o meu trabalho de campo, ouvi notícias de
objetos de coleção sobre outros colecionadores que, ao falar com pessoas, se
revelaram a si próprios e a outros que tinham um veículo aquático e que estavam
empregados. Um dos colecionadores disse-me que «a fim de o conseguir, deve
mostrar outros que é bom, que trabalha, um homem digno».
Em duas vias diferentes (e aparentemente contraditórias), esta consideração
imaginária que afeta uma espécie de «bem» fazia algumas cirujas melhores.Por um
lado, para ser um bom cirluja que recolhe lixo, o lixo implica um trabalho diário
que contribui para a estabilização da tarefa. Por outro lado, a possibilidade
imaginária de abandonar esta situação também contribui para ser melhor circuja.
A intenção de criar uma rede a fim de obter um certo grau de estabilidade não é
apenas alcançada através das linhas gerais das vias de recolha, mas também no
processo de venda. Tal como no seu relacionamento vizinho ou — cirluja, as
empresas de recolha de relações estabelecem com os intermediários dos armazéns
onde vendem os seus materiais não só económicos. Estas relações incluem
diferentes tipos de intercâmbios, bem como formas variadas e níveis de
conhecimento pessoal.
As Cirújas não são empregados dos armazéns. No entanto, num esforço mútuo
para garantir a estabilidade, a interdependência é gerada como se fossem
trabalhadores. Uma forma de estabelecer obrigações recíprocas é o aluguer de um
carrinho. Para o fazer, os depósitos exigem que as cirujas lhes vendam os seus
produtos. Esta situação implica que as cirujas estão a seu cargo, mas, ao mesmo
tempo, são libertadas de ter de investir tempo e dinheiro na aquisição do carrinho.
Os armazéns localizados em zonas onde as cirujas vivem lhes permitem realizar a
atividade com um investimento relativamente reduzido do seu capital próprio.
CONTESTAÇÃO DO DESEMPREGO 125

Durante o meu trabalho de campo, constatei que muitas vezes os apanhadores


recorrem a um empréstimo para resolver quaisquer dificuldades que surgiram. Os
casos mais típicos estavam relacionados com o empréstimo ou a locação de carros,
os adiantamentos de caixa, os pedidos de fornecimento de alimentos, a necessidade
de manter os carros no armazém e até mesmo ajudar com alguns problemas internos.
Carlos, por exemplo, uma vez necessário dinheiro para dar a sua filha a um partido
de aniversário, solicitou um adiantamento de caixa da caixa, onde era utilizado para
vender. A resposta foi apresentada, mas o proprietário do lugar lembrou que lhe
entregava esse dinheiro, uma vez que o Carlos sempre lhe era leal. Muitos dos
cirújas solicitam planos de assistência social a partir dos depósitos de depósitos. 15
Muitos de depósitos utilizados para ter ligações políticas com os governos locais,
para que possam fornecer planos discricionários a quem quer que queiram.As
Cirújas conhecem estas relações e recorrem às mesmas quando precisam de ajuda.
Em 2003, Maria teve um problema no governo local com o seu plano social.
Dirigiu-se ao entreposto onde utilizou para vender, e Ramon, proprietário, teve o
cuidado do seu pedido e ajudou-a a resolver a questão.
Como disse, muitas cirujas começaram a recolher o veículo através do aluguer
de um carrinho. A ESTELA lembrou que «emprestam tudo, mas devo vender tudo a
eles.» A utilização de um carrinho que é propriedade da caixa implica uma certa
subjugação, mas o aluguer de um carrinho também permite aos cirujas não
estacionar o carro à sua própria porta, evitando a estigmatização do grize dos seus
vizinhos.
Para obter o acesso a estas prestações, a relação entre o círculo e o depósito
deve ser pessoal e deve prolongar-se, para além da relação de compra e venda. 16 As
necessidades das circunstâncias criam as condições para a abertura de um ciclo de
intercâmbio entre eles e os depósitos. Os Depositeros e os cirujas sabem que, se o
«brinde» não for devolvido, passará a ser uma dívida, capaz de manter uma
obrigação capaz de levar até ao fim da relação; Ao mesmo tempo, essas dívidas e o
seu reembolso são também vitais para a criação e manutenção dessa relação. 17 O
nível de fiabilidade e o prestígio pessoal são componentes centrais da manutenção
da relação. Por conseguinte, a compra e a venda não podem ser vistas apenas como
atos individuais, devendo ser compreendidas no âmbito mais vasto das relações
sociais.
A ideia de mobilidade social é também um fator que contribui para a realização
de cirujas melhores e mais estáveis .A fidelidade a um determinado depósito abre o
caminho para ser vista como trabalhadores. Muitos empregados atuais costumavam
ser vendedores. Para serem elegíveis, têm de ser leais: Vender regularmente e
oferecer todos os seus locais de venda que não mantenham a mercadoria a quem
paga melhores preços. Esta conceção de uma imagem social da mobilidade,
associada à ideia de ser um trabalhador mais estável, é explorada pelos depósitos
126 CAPÍTULO 5

que têm uma força de trabalho pronta para serem fiéis aos mesmos; em
contrapartida, os utilizadores têm a oportunidade de trabalhar e obter um «estatuto
social mais elevado».
Na interação entre clientes e cirujas, é necessário prever a sua capacidade através
de relações diárias, o que produz um efeito estabilizador sobre a atividade. Com o
tempo, as cirujas estavam cada vez mais ligadas à atividade, a beco mais estável no
seu desemprego, tornando-se assim, em termos de Osvaldo, pessoas não
empregadas.
A estabilização e a previsibilidade fazem parte da pesquisa de um «larela rela-
».As «garantias» e as ideias que Osvaldo, Felipe, e Estela falou estão relacionadas
com a procura de estabilidade. A estabilidade e a previsibilidade são fundamentais
não só como vetor económico, mas também como parte do modo como as relações
sociais são
construídos. Trata-se de uma forma de relações e de laços sociais, mas também de
ideias morais, valores em que os intervenientes acreditam. Tudo isto nem sempre é
transparente para os próprios intervenientes. Em muitos casos, não estão conscientes
de que a estabilização esteja a ser produzida. Ainda mais, dado que, em muitos
casos, vi durante o meu trabalho de campo, as ações dos intervenientes contribuem
para uma estabilização indesejada, uma vez que se verificou uma enorme diferença
entre o que pretendiam pelos seus futuros e a forma como se relacionavam com
outros intervenientes. Assim, as ações dos intervenientes contribuíram para a sua
estabilização num período ainda estigmatizado e ainda não queriam continuar.

Algumas palavras finais


Embora pareça óbvio, vale a pena recordar que os efeitos do desemprego são
sociais. A minha abordagem em matéria de cirujeo como trabalho e como parte da
experiência das pessoas que vivem com o desemprego faz sentido no contexto da
história e dos processos laborais da Argentina. O sentimento de vergonha, por
exemplo, e a ideia de que os desempregados são marginais só pode ser
compreendido no âmbito de uma ideia social e pessoal do trabalho e do significado
social e pessoal dos desempregados.
A inserção da experiência das populações de carne e de sangue permite abordar
não só o desemprego e o seu sentido, mas também o facto de algumas pessoas
permanecerem envolvidas nesse mundo. No caso de cirujeo, é interessante notar de
que forma algumas atividades, mesmo as consideradas não profissionais, exigem um
trabalho constante para sobreviver e mesmo tentar sair atrás do mundo do
despedimento (neste caso, o mundo de cirujeo).Como paradoxo, a intenção de sair
dessa situação pode, na realidade, levar os intervenientes a permanecerem mais
CONTESTAÇÃO DO DESEMPREGO 127

tempo no desemprego. A lógica e as relações entre os intervenientes em cirujeo


reforçam os seus trabalhos de afetação ou, como afirmou Osvaldo, a noção de
trabalhador sem emprego, de duas formas. Uma das formas é o processo de
estabilização. A construção da previsibilidade baseia-se em práticas diárias, em
dívidas (moral e financeira) que devem ser constantemente reforçadas e respeitadas.
Para tal, os agentes devem comportar-se de determinadas formas, devem ser
«presentes» a todo o momento para contribuir para a estabilização. No que se refere
às relações entre os sindicatos e os trabalhadores numa fábrica de açúcar em
Pernambuco, no Brasil, a Siaud (1996) chamou a atenção para a dinâmica destas
relações. A segunda forma, relacionada com a primeira, é que as condições de
trabalho e as relações sociais baseadas nas relações de trabalho estabelecem o
quadro para a possibilidade de obter um emprego. No caso do círculo, a
estabilização do trabalho e a passagem do tempo contribuem também para o
eventual enquadramento do cirujeo como trabalho e, em seguida, para um nível de
conforto com essa tarefa.
Estudar o desemprego é estudar o emprego, ou seja, os modos de exploração e as
formas sociais de produção. Da análise de uma atividade por pessoa formada por
pessoas expulsas do mercado formal, um deles acaba por voltar ao mercado,
especificamente à experiência histórica de um grupo de pessoas que vivem fora do
mercado formal de trabalho. A experiência de «estar desempregado» ou de ser uma
«pessoa sem emprego» dá provas de que os mercados são estruturais e afirma a
importância da ideia do trabalhador na Argentina, uma ideia que não só determina o
acesso à distribuição e segurança social, mas também desempenha um papel
importante na noção de auto.
6
ZONAS DE VISIBILIDADE/VISIBILIDADE
Mercantilização do desemprego rural na
Carolina do Sul

Ann E. Kingsolver

Este capítulo diz respeito à mercantilização do desemprego num discurso de


desenvolvimento económico nos Estados Unidos, informado por uma lógica
capitalista neoliberal, de que a Milton Friedman era um arquiteto importante. No
debate entre os decisores políticos dos Estados Unidos, o estatuto de não empregar
economicamente como alimento ou de arranque ao longo do período de trabalho foi
há muito durante um debate entre os responsáveis políticos dos EUA.Um lado segue
John Maynard Keynes (1936), que alegou que o pleno emprego era necessário para
uma economia saudável, uma vez que tal proporcionaria aos trabalhadores a base
para participarem em todos os aspetos da vida económica. A outra parte está em
consonância com a Friedman, que afirmou no seu discurso sobre a economia que
«uma economia dinâmica e altamente progressiva, que oferece oportunidades em
constante evolução e promove a flexibilidade, pode ter uma elevada taxa de
desemprego» (1977, 459).Esta última posição prevalece na política económica dos
EUA e da Carolina do Sul; este capítulo retoma a questão da forma como o
desemprego rural não é tolerado de forma passiva, mas é ativamente mercantilizado
e comercializado no discurso do Estado sobre o desenvolvimento económico como
os representantes oficiais da Carolina do Sul para atrair investimento.
Ao longo do século passado, a situação de emergência e precariedade dos
trabalhadores do Sul foi utilizada como um instrumento de comercialização para
recrutar empregadores industriais de países do Norte e de outros países, em
anúncios que põem em causa as vantagens para os empregadores de uma força de
trabalho do Sul que quer trabalhar para baixos salários, uma força de trabalho com
baixa mobilidade devido ao endividamento e à supressão das normas laborais, ou
seja, um clima ideal para os investidores que têm defendido historicamente que as
128
ZONAS DE VISIBILIDADE/VISIBILIDADE129

suas margens de lucro estavam a diminuir devido às exigências de trabalho em


matéria de segurança e de rendimentos partilhados. A Carolina do Sul exemplifica
especialmente as desigualdades económicas extremas entre as pessoas que
controlam os meios de produção e as que dão mão de obra à economia do Estado,
desde as desigualdades racializadas da economia colonial da economia colonial da
economia das fábricas de transformação pós-reconstrução, à medida que a produção
têxtil se desloca do Norte para o Sul dos Estados Unidos e a outras indústrias
seguidas. A história não é, evidentemente, simples, uma vez que os capitalistas têm
sido sempre difíceis de «localizar» como os endereços dos investidores do norte ou
do sul, tendo em conta os numerosos endereços dos investidores nacionais e
transregionais, mas as políticas estatais da Carolina do Sul foram continuamente
moldadas (exceto durante o curto período de controlo legislativo americano durante
a reconstrução) pela promoção do bem-estar dos investidores capitalistas e não pelo
bem-estar dos residentes do Estado. A marginalização económica das zonas rurais,
americanas e Afrii pode ser particularmente digna de destaque, com destaque, num
único exemplo, para o desinvestimento no ensino rural que era o tema de um
poderoso documentário denominado corredor de Shame (Ferllo 2005).
A estratégia de investimento do Estado para atrair capital fora do Estado, em vez
de investir no capital humano na Carolina do Sul, está em grande medida em
consonância com a lógica neoliberal que dominou a governação dos EUA no último
século, e as pessoas que procuram essa estratégia e os muitos eleitores que os
apoiam parecem acreditar firmemente que a redução do poder dos sindicatos e a
saída da forma do mercado são bons para os Carolinia do Sul, uma vez que algumas
das citações deste capítulo mostram. A mercantilização do desemprego rural faz
parte de uma estratégia de marketing mais vasta que inclui salários baixos, não
sindicalizados e trabalho contingente; à medida que a concorrência com outros
potenciais sítios industriais regionais e transnacionais aumentou, a precariedade dos
trabalhadores que são publicitados nesta estratégia também aumentou. Exemplos da
mercantilização dos trabalhadores precários na Carolina do Sul, neste capítulo,
incluem a normalização da contratação através de agências de pessoal que isolem os
empregadores de compromissos tradicionais para os trabalhadores e a utilização
crescente na Carolina do Sul de «zonas de comércio externo» e de trabalho por
pessoas presas e detidas sob ameaça de expulsão dos Estados Unidos. Ao colocar a
tónica na mercantilização do desemprego (e utilizando as lentes teóricas políticas e
as lentes teóricas, bem como o quadragésimo segundo métodos), é possível seguir a
lógica paradoxal da crescente promoção da precariedade no discurso de
desenvolvimento económico do Estado, aparentemente destinado a proteger o
público da precariedade. O desemprego rural tem sido, em grande medida, invisível
na esfera pública como uma questão social na Carolina do Sul (tal como é nacional)
e hipervisível quando é mercantificada como parte de um pacote de incentivos
130 CAPÍTULO 6

destinados a atrair empregadores transnacionais como a Adi das e a Boeing, ambos


os quais têm grandes instalações de montagem no Estado. A próxima secção fornece
informações sobre o desemprego e a marginalização social e económica na Carolina
do Sul, com experiência de precariedade económica, bem como sobre a história do
estado da Carolina do Sul como Estado de trabalho (um forte ponto de venda no
atual mercado de recrutamento industrial).Em seguida, trata-se de uma secção que
descreve a forma como as zonas de comércio externo e as agências de pessoal foram
combinadas com a mercantilização do desemprego rural em estratégias estatais para
atrair a construção de instalações de montagem por grandes empresas como a
Boeing e a Adidas, e a conclusão, que aponta para novas estratégias estatais de
mercado de desemprego rural e de mão de obra institucionalizada.

Experiências diferenciais de
precariedade económica na Carolina do
Sul
A Carolina do Sul tem uma população de pouco mais de 4,75 milhões de habitantes
a viver em cerca de trinta mil quilómetros quadrados de terra, desde o «país de
baixo país» até ao «país de topo», na parte ocidental do Estado, que inclui um
pequeno número de distritos na área de serviço da Comissão Regional do Estado, de
15. Três quartos dos milhões de Carinianos do Sul são considerados rurais pelo
recenseamento dos EUA; cerca de dois terços das pessoas que residem nos seus
habitantes tificam como brancas (ou europeias), 28 % como África e mais de 5 %
como Latino/a. residentes que identifiquem como Latino/a, da América da Ásia, da
América Nacional e de outras formas não estão frequentemente representados em
discursos estatais, devido à divisão binária branca binária dos processos de raça
branca (Omi e Winant 1994), que organiza a distribuição de poder simbólico,
económico e político no Estado (ver Kingsolver 2006).De acordo com o
recenseamento dos EUA, a taxa de desemprego rural em 2012 era superior a 12 %,
enquanto a taxa de desemprego urbano era inferior a 9 %.Mesmo antes da crise
económica nacional de 2008, já se salientavam economicamente; muitos dos
residentes do Estado têm vindo a cobrar faturas e faturas dos cartões de crédito ao
longo de vários anos, o que tornou muito difícil lidar com a crise de crédito e as
alterações nos regulamentos de falência dos EUA que tornaram a dívida mais difícil
para os indivíduos e menos difícil para as empresas (ver Kingsolver 2008).Um
grande número de agregados familiares satisfaz as necessidades básicas, incluindo o
seguro de saúde. Entre 2000 e 2007, um período em que o número de crianças não
seguradas a nível nacional sofreu uma redução de 2,8 %, o número de crianças não
seguradas na Carolina do Sul aumentou 76 % (Estados Unidos, Cen, valores anuais
da Mesa, em comparação com AFL-CIO 2009).Em 2007, mais de 20 % das crianças
ZONAS DE VISIBILIDADE/VISIBILIDADE131

com menos de 18 anos viviam em situação de pobreza (Food Research and Action
Center 2008).Entre 2007 e 2009, o desemprego e a insegurança alimentar
aumentaram drasticamente no Estado. No início de 2009, a taxa de desemprego do
Carolina do Sul foi apenas em segundo lugar no que se refere ao Michigan nos
Estados Unidos, e o número de famílias que procuram assistência alimentar junto do
Banco Alimentar da Carolina do Sul aumentou 142 % entre janeiro de 2008 e
janeiro de 2009 (The Harvest 2009).
Estes dados sobre o desemprego e a insegurança económica não tornam
necessário ter em conta a ocorrência, por vezes extrema, das desigualdades
económicas, o que requer uma melhor ilustração. O corredor rural I-95 Norte-Sul,
situado apenas a oeste da zona costeira de baixo país e documentada no corredor de
Shame — é constituído por províncias com populações rurais maioritariamente
africanas deslocadas pelo desenvolvimento costeiro (controlado principalmente por
investidores europeus, ou branco, investidores) e que, muitas vezes, prestam o
serviço para as comunidades costeiras (frequentemente reunidas).Mesmo antes da
crise económica de 2008, registou-se uma insegurança alimentar e uma elevada taxa
de desemprego em Alendale, Carolina do Sul, uma dessas comunidades. Os
residentes de Allenale registaram mais de 25 % de desemprego, e muitos
trabalhadores registaram mais de quatro horas por dia em autocarros para trabalhar
em autocarros de baixa remuneração para os consumidores de maioria branca em
zonas costeiras como o Hilton Head. Na região de Beaufort, imediatamente fora das
comunidades abrangidas do Hilton Head, arrangan e Glameier (n.d. 3), calculada
que, em 2000, a taxa de desemprego branco era 247 % mais elevada do que a taxa
de desemprego de cor branca, uma disparidade racial que não demonstrou nos dados
publicados sobre o emprego do condado. O desemprego rural é, paradoxalmente,
insuficiente ou «hid den» em termos claros (Orenstein 2011, 38), como as zonas de
comércio externo que se encontram cada vez mais nas zonas rurais quando se trata
de debater o desemprego rural como uma questão social, mas hipervisível quando é
mercantificada e comercializada junto de potenciais empregadores. A
mercantilização das taxas de desemprego nas zonas rurais baseia-se em pressupostos
sobre a conveniência de potenciais consumidores de uma empresa justa (em parte
devido ao acesso ao transporte), com salários baixos e não sindicalizados.
Quando mudei para a Carolina do Sul em 1996 para ensinar na Universidade da
Carolina do Sul e estava a trabalhar nas histórias da NAFTA: Esperanças e Dreams
no México e nos Estados Unidos (Kingsoliver 2001), assisti a um grande interesse
nas zonas de comércio externo que tinham sido estabelecidas para comercializar a
disponibilidade de impostos baixos e salários baixos na Carolina do Sul junto dos
fabricantes internacionais e como a maioria dos residentes do Estado parecia estar
ao corrente da existência dessas zonas. As zonas de comércio externo foram
estabelecidas nos Estados Unidos através do Foreign Trade Zone Act de 1934 e
132 CAPÍTULO 6

destinam-se a «contribuir para o armazenamento interno, o fabrico e a


transformação. Os Estados e as comunidades locais utilizam zonas de comércio
externo como parte dos seus esforços globais de crescimento económico para
melhorar a sua estrutura de serviço empresarial internacional. Deste modo, a FTZs
conti ute para a melhoria do seu clima de investimento para o comércio e a indústria
(Catalog of Federal Domestic Assistance 2015).As zonas de comércio externo, ou as
zonas francas, são geridas através dos serviços aduaneiros e de proteção das
fronteiras dos EUA.As zonas francas devem estar na proximidade de portos de
entrada, por via marítima ou aérea. A Carolina do Sul adotou uma estratégia
agressiva de criação de zonas francas e de comercialização dessas zonas para o
recrutamento industrial, como se descreve mais adiante neste capítulo.
A mercantilização do desemprego rural deve ser entendida no âmbito de uma
estratégia de mercantilização a si própria na comercialização de sítios potenciais
para o desenvolvimento industrial. A mercantilização da ruralidade (Kingsolver
2011, 94-99) é uma estratégia de desenvolvimento económico utilizada para a
dissuasão, por exemplo, de departamentos de comércio e de residentes rurais (que
não se excluem mutuamente).Algumas terras rurais do mercado destinadas a
residentes urbanos como bucólicas, invocando os estereótipos de autenticidade,
simplicidade, proximidade, proximidade, vida «lenta», paisagem histórica — em
suma, a possibilidade de aproveitar as vantagens da pequena cidade sem terem sido
inseridas nos investimentos de capital social a longo prazo. Atrair investimentos em
dinheiro nas economias rurais difíceis de manter a escola, a água e os sistemas de
cuidados de saúde com fluxos de receitas municipais ou distritais de pequena
dimensão pode ser um argumento popular num fórum público. Outra forma como a
ruralidade é mercantificada é uma mão de obra rural. Na Carolina do Sul, a mão de
obra rural tem sido comercializada de forma agressiva sem grande parte da sua
representação. Na secção seguinte, existem exemplos de mercantilização que visam
as empresas transnacionais que fazem compras de mão de obra com salários baixos
e não sindicalizados.
Entre 2000 e 2013, fiz investigação etnográfica sobre a construção e a
interpretação da marginalização social e económica na Carolina do Sul, algumas
vezes com estudantes. Os projetos incidiram no conflito sobre a bandeira de batalha
do Estado (Kingsoliver 2006); a crise dos empréstimos hipotecários e o aumento do
empréstimo predatório dos pagamentos (Kingsoliver 2008); conservação dos
alimentos (Kingsolver et al.2010); a possibilidade de implementar um salário de
subsistência num Estado de direito ao trabalho (Kingsolver 2010a); legislação
contra a imigração (Kingsoliver 2010b); a mudança para tornar o estado sem abrigo
no bairro empresarial do capital do Estado (Kingsoliver 2012); e o projeto descrito
no presente capítulo sobre a visibilidade do desemprego rural e a mercantilização da
mão de obra rural. Em 2012, Micah Sorum, que trabalha como meu assistente de
ZONAS DE VISIBILIDADE/VISIBILIDADE133

investigação, e obtive viduals colocadas numa série de cargos relativamente ao


desemprego rural: prestadores de serviços para pessoas sem abrigo e sem alimentos,
trabalhadores em situação de insegurança alimentar, representantes governamentais,
promotores de negócios, residentes em situação de desemprego, prestadores de
serviços de emprego, representantes sindicais e outros. Foram realizadas entrevistas
no país, nos países de média altitude e nas regiões de topo do Estado nas zonas
rurais e urbanas. Foi dada especial atenção no projeto de investigação às zonas
rurais em que existem empresas transnacionais de empregadores que utilizam zonas
de comércio externo, uma vez que o desemprego rural tem sido utilizado como
estratégia específica para o recrutamento de tais empregados para o Estado da
Carolina do Sul. O projeto de investigação foi submetido a exame ético e a
aprovação através do Conselho de Revisão Institucional da Universidade do Sul.
CarolinaOs nomes das pessoas e de algumas organizações foram alterados ou
retidos na presente publicação, a pedido destes.
A economia da Carolina foi construída na era colonial através do investimento
de investimentos de capital ausente e de trabalho não remunerado e de baixa
atividade, em especial de escravização africana em índigo, arroz e produção de
algodão. Durante a reconstrução, a «slavocriy», como a Cook e a Watson (1985),
apelam à elite desembarcada da era da guerra pré-civil nos Estados Unidos do Sul,
DIMIN em potência como capitalização industrial, com a necessidade de mobilizar
mão de obra ou mão de obra com salários baixos para as indústrias têxteis e outras.
O transporte ferroviário de rede de transporte da Carolina do Sul foi organizado em
grande medida em torno da forma de produção da empresa Milltown. Os municípios
eram instituições totais e, quando fecharam em meados ao final do século XX,
deixaram muitas pessoas com níveis baixos de desemprego com taxas de
desemprego extremamente elevadas. A indústria têxtil foi mantida no século XX
através do Acordo Multifibras (AMF), que protegeu o setor do vestuário nos
Estados Unidos, impondo quotas às importações provenientes de países em que as
mesmas empresas poderiam pagar salários mais baixos. Após o termo da AMF em
2005, as últimas unidades encerradas foram encerradas, mas a maior parte das
cidades tinha encerrado muito mais cedo.Os trabalhadores que podem beneficiar (e
muitas vezes qualificados) da mão de obra Milltown foram comercializados junto de
empregadores industriais transnacionais no final do vigésimo e no início do século
XXI, ao longo dos séculos pelo Estado e pelas câmaras de comércio locais e outros
recrutadores industriais, com um anúncio adicional de que a força de mão de obra
desempregada rural não era suscetível de ser sindicalizada devido ao estatuto de
Estado de trabalho do Carolina do Sul.
Quase metade dos Estados dos Estados Unidos tem, tal como a Carolina do Sul,
legislação imple ou laboral. Na década de 1950, os Estados começaram a transmitir
legislação diferencial em relação a uma lacuna na lei federal relativa à mudança de
134 CAPÍTULO 6

velocidade (Tafet-Hartley Act), que regu a forma como a filiação sindical se


encontra estabelecida nos locais de trabalho; foi possível aos Estados adotar regras
mais restritivas em matéria de adesão à União, mas as regras mais permissivas
seriam substituídas pela legislação federal. As leis do Estado de «Direito de
Trabalho» criaram mais obstáculos aos trabalhadores que aderem a sindicatos,
tornando ilegal, por exemplo, o facto de os trabalhadores terem a oportunidade de
verificar uma casa que indique a vontade de aderir a uma união no momento do
emprego. Na legislação em matéria de direitos de trabalho da Carolina do Sul,
aprovada em 1954, existem disposições que impedem os empregadores de exigir
que os trabalhadores se associem a uma união e a trabalhadores de picketing. Este
último foi invocado em 2000 para justificar o lançamento de uma nova unidade de
combate contra o terrorismo da Carolina sobre homens não armados, contra o seu
aparecimento em terra, em terra, pelo porto de Charleston (ver EREM e
Durrenberger, 2008).À semelhança do que acontece com tantos conflitos
ideológicos, os defensores das posições diferentes têm rótulos diferentes para a
posição oposta; Os adeptos do «Estado de trabalho» distinguem-se dos que recorrem
a apoiantes do «Estado da União forçada», e os seus opositores referem-se a Estados
«anti-sindical» em vez de estados de «direito a trabalho».Não existem afirmações
simples sobre esta divisão política nos Estados Unidos. Por exemplo, a filiação
sindical tem vindo a aumentar na Carolina do Sul, embora se trate de um Estado de
direito em que os porta-vozes do desenvolvimento estatal estão ocupados com uma
mercantilização da população do Estado, uma vez que esta não é sindicalizada a fim
de atrair os empregadores. A adesão à União aumentou 19 % (11,000 trabalhadores)
entre 2012 e 2013, uma vez que a adesão à União nacional permaneceu estável
(Hananoel 2014).

Zonas de comércio externo, agências de


pessoal e recrutamento industrial
Um exemplo da comercialização do estado de direito ao trabalho e do desemprego
rural para efeitos de desenvolvimento económico pode ser observado em 2014 no
sítio web adicional da empresa Greer Development Corporation. A empresa Greer,
Carolina do Sul, é a sede internacional da empresa Michelin. A BMW localizou a
sua montagem nos EUA entre a Greer e a Sparanburg, numa região que, de outro
modo, era, em grande medida, rural. Tal é considerado, na retórica do
desenvolvimento estatal, como um gem na copa das indústrias internacionais na
Carolina do Sul. No século XXI, a estratégia estatal para aumentar e manter o
emprego tem-se concentrado muito no investimento internacional na indústria
transformadora e no transporte marítimo. De acordo com o Departamento do
ZONAS DE VISIBILIDADE/VISIBILIDADE135

Comércio da Carolina do Sul (2013), o Estado classificou a «2.ª posição na nação,


na percentagem da sua força de trabalho por filiais dos Estados Unidos, composto
por coelhos estrangeiros.» Os empregadores, de mais de quarenta países, efetuaram
operações em quase todas as províncias de Carolina do Sul. O Estado comercializou
a sua força de trabalho rural para atrair mais de 41 milhões de dólares de
investimento nos últimos cinquenta anos. Recentemente, fábricas de propriedade
chinesa, como a fábrica de aparelhos Haier, foram construídas em regiões rurais da
Carolina do Sul; receberam menos cobertura mediática regional e nacional do que
os empregadores do Estado, como a BMW e a Boeing. Uma estratégia estatal para a
criação de emprego nas zonas rurais tem sido tentar atrair centros de atendimento
como empregadores nas zonas rurais.
Os trabalhadores rurais são padronizados como uma família de espera para o que
o Collins (2003) descreveria como uma gestão do discurso de recrutamento do
Estado. Explicando de que forma a mão de obra da Carolina no Sul figurava na
decisão da Boeing no sentido de construir uma aeronave de linha de Dreamliner no
que era anteriormente um pântanos de baixo país, a Secretária do Comércio, Bobby
Hitby, declarou:

Temos a infraestrutura física do porto e do sistema ferroviário, as estradas,


mas as mais importantes, o nosso molho secreto, o nosso ingrediente
secreto na Carolina do Sul, são, na realidade, as nossas folhas....Os
trabalhadores são muito leais. A relação é fundamental. Estamos com uma
relação pessoal na Carolina do Sul....Queremos confiar e trabalhar com as
nossas empresas e continuar com as nossas empresas, e até mesmo ao
longo das gerações. É isso mesmo quem somos, e isso é apenas a sua
forma de cabo.(Carolina do Sul TV 2012)

O pressuposto de que os trabalhadores são faladas, em vez de se falar a si próprios, é


comum na literatura de recrutamento industrial e o trabalho rural é caracterizado por
não ser muito móvel, ser competitivo ou organizado. No sítio «Greer Development
Corporation» ( www.greerdevelopment.com), o desemprego e o emprego na área
são citados como um verdadeiro acréscimo para as empresas em perspetiva:

A qualidade da mão de obra de uma determinada zona é extremamente


importante quando se considera a deslocalização ou a expansão de uma
empresa. A zona de Greer é uma das áreas de crescimento mais rápido da
Carolina do Sul que oferece uma população jovem, diversificada,
instruída e com grande mobilidade. A área metropolitana de Carolina do
Sul do Estado tem mais de 1 milhões de habitantes e uma força superior a
900,000. O desemprego e o subemprego na área proporcionam às novas e
às empresas existentes uma oferta de trabalhadores à escolha da sua
empresa....
136 CAPÍTULO 6

A Carolina do Sul é um Estado de direito ao trabalho, que proíbe a


existência de lojas de uma OSP, a manutenção das cláusulas de adesão, a
contratação preferencial e quaisquer outras disposições que tornem
obrigatória a adesão à União. A região de Greer acolhe várias das
principais empresas de direito laboral da nação e é feito um esforço da
comunidade para minimizar a necessidade de sindicatos.

Em 2012, a empresa Greer Development Corporation comercializou o subemprego


desta forma:

Num raio de 30 milhas do raio de Greer 21,4 % da mão de obra residente


tinham rendimentos brutos anuais individuais de $12,000 ou menos por
ano em 2001. Tal corresponde a cerca de 5,77 USD por hora, com base
num ano de trabalho de 2,080 horas, comum às empresas e à indústria.
Esta percentagem representa 94,376 residentes. Os trabalhadores deste
grupo de salários relativamente baixos contam-se entre os primeiros a dar
resposta a oportunidades de emprego mais gratificante e são uma fonte
valiosa de trabalhadores experientes, recrutadores e novos e em expansão.

A selagem do acordo com os potenciais empregadores, a oferta de trabalhadores não


sindicalizados, taxas de imposto diferidas ou reduzidas e, frequentemente,
instalações industriais gratuitas ou subsidiadas é uma atividade altamente
competitiva que envolve muita confidencialidade.
Uma residente de upgrade, Paula, disse que, quando a BMW estava a ser
recrutada, muito poucos residentes da zona tinham conhecimento da mesma.«Eles
utilizaram sempre nomes de código», afirmou, referindo-se aos funcionários do
governo que recrutavam BMW.«Não sei tudo isto quando prometem todas estas
coisas para que as empresas se possam ver aqui.» Duas novas instalações estavam
prestes a abrir na sua zona rural, mas afirmou que ninguém sabia que
compatibilidade era que os empregadores fossem os empregadores. Paula afirmou
que a maioria das grandes empresas, como a BMW e a Adidas, recorreram a
agências de pessoal temporário para encontrar a sua força de trabalho, o que
significa que «as pessoas têm de trabalhar a tempo parcial, sem benefícios, e sem
segurança.» Um dos grandes fabricantes que utiliza este modelo de trabalho,
afirmou, irá enviar os trabalhadores para um dia de trabalho previsto se não houver
nada que um camião tenha chegado. Uma vez que não são pagos pelo tempo ou pelo
dinheiro do gás, «pode acabar por perder mais dinheiro do que o faz» com a
empresa Paula, afirmou. A falta de transportes públicos nas zonas rurais intensifica
este problema, uma vez que pode ter sido necessário investir de forma significativa
na tentativa de trabalhar nesse mesmo dia.«Quando somos baixos, eles estomos
mais baixos. As grandes indústrias são vítimas e mais ou menos matam», afirmou.
Muitas pessoas correm o risco de emprego contingente, explicou, devido ao estigma
ZONAS DE VISIBILIDADE/VISIBILIDADE137

de ser designado como lazy ou ao receber prestações de desemprego. Afirmou que,


na Colômbia, o capital do Estado tinha sido proposto uma lei que obrigaria as
pessoas a fazer voluntariado no seu trabalho a fim de receber prestações de
desemprego, mas não passou.«É difícil saber de que forma o pessoal da Colômbia
está em contacto com a classe de trabalho» Paula comentou.«Se as pessoas estão a
participar no voluntariado, como podem candidatar-se ao emprego ou cuidar dos
seus filhos?»
Outra residente, Laura, afirmou que muitas pessoas não tinham conhecimento
das missões de trabalho temporárias na empresa Paula mencionada, uma vez que
exigiam que os trabalhadores trabalhassem de doze horas em todo o tempo.«Isto é
demasiado longo. Por outro lado, como é que os segundos têm com os seus filhos
durante este período de tempo?», a guarda de crianças foi mencionada como um
fator de complicação da contratação temporária de baixos salários, uma vez que
haveria uma perda líquida após ter em conta o tempo de viagem, os custos do gás e
as despesas com a guarda de crianças. Um outro pressuposto sobre os trabalhadores
rurais utilizado para justificar salários mais baixos ou horas irregulares é que têm o
capital social para cobrir os cuidados infantis através de redes familiares alargadas.
Quando questionados sobre os grandes novos empregadores nas zonas rurais de
comércio externo do país de topo, Laura afirmou que nunca fornecia «transporte
para as plantas ou benefícios» e que as pessoas são consideradas permutáveis
através das agências de trabalho temporário.«Eles não querem investir numa
pessoa», afirmou. Além disso, devido ao rastreio que efetuam para as empresas
transnacionais, não contratam trabalhadores sem navio de cidadania, de tal modo
que existe um padrão crescente, um ministro cristão no país designado, da mão de
obra que está dividida pela raça e a cidadania, com os trabalhadores da Latino
concentrado em «agricultura, assistência a relvados, construção e telhado», e não na
indústria transformadora.
O upper tem um padrão demográfico muito distinto em cidades bastante
próximas umas das outras numa região rural de maior dimensão, o que é importante
ter em conta em relação à forma como a mão de obra é comercializada. Entre os que
responderam ao recenseamento de 2000 dos EUA em Greer, mais de 70 % dos
residentes identificados como brancos, 19,5 % como
Americano e 8 % como Latino (ou «Hispânico»); em Greenville, 62 % de residentes
identificados como brancos, 31 % como africanos e 3.4 % como Latino; e em
Sparanburg, 50 % dos residentes identificados como africanos, 47 % como brancos,
1,8 % como Latino e 1,3 % como asiáticos, com os que identificam como norte-
americana também composta por menos de 2 % em cada comunidade. Assim, o
Greer, onde a BMW tem a sua sede, é maioritariamente branco, e a Spar tanburg é
maioritariamente americana. Greer tem um número muito superior de residentes
Latin do que Greenville ou Sparganburg. A Sparanburg tem duas vezes mais
138 CAPÍTULO 6

famílias que vivem abaixo do limiar de pobreza como Greer e Greenville. Isto
ilustra a impossibilidade de compreender o desemprego através de uma lente
unificada de identidade urbana/rural ou de país/país de topo/país/identidade baixa do
país na Carolina do Sul.
Há micropolítica de marginalização e de marginalização social ou reivindicações
de recursos económicos, sociais e políticos, mas também existem padrões de
disparidade nas zonas rurais em todo o Estado. Em 2013, por exemplo, o Governo
de Gov ou a Nikki Haley propôs o encerramento de todos os serviços de
desemprego nas zonas rurais: «O Department of Employment and Workforce
(Ministério do Emprego e da mão de obra) anunciou que iria acabar com a
assistência ao desemprego em 17 escritórios rurais, forçando os residentes nessas
áreas a conduzirem a outro serviço para uma ajuda personalizada» (Largen
2013).Devido à falta de acesso a transportes públicos (e privados, em muitos casos)
e a outros desafios relacionados com a organização de uma viagem para os serviços
de desemprego urbano, tal teria sido uma dificuldade desproporcionada para os
desempregados rurais. A falta de acesso à Internet para poder utilizar os serviços de
desemprego à distância também constitui um problema que foi articulado pelos
opositores a esta medida proposta para o Estado. A Associação de Segurança do
Trabalho do Carolina do Sul, que tinha sido uma comissão independente com
liderança na América largamente africana, foi reestruturada após a crise económica
de 2008 e 2009 para comunicar diretamente ao governador da Carolina do Sul como
parte do gabinete, e passou a designar-se Department of Employment and
Workforce (Ministério do Emprego e dos Trabalhadores).Defendi que tal reflete
uma mudança na ênfase da segurança económica dos Carolingue do Sul para as
necessidades de potenciais empregadores empresariais que o Estado estava a tentar
atrair, sendo o próprio desemprego mercantificável nesse projeto para atrair novos
empregadores para o Estado. Em movimento neoliberal paralelo, verificou-se uma
passagem de uma conta de entidades patronais capaz de assegurar o bem-estar dos
trabalhadores, a fim de proteger os empregadores da responsabilidade dos
trabalhadores em geral com a contratação através de agências de pessoal temporário.
O papel das agências de pessoal temporário aumentou fortemente no Sul da
CARO desde a crise económica de 2008. Um profissional dos serviços de emprego
informou-me numa entrevista:

Desde 2008, quando atravessamos esta recessão realmente má e cada


coisa foi suspensa, à medida que as pessoas começam a contratar, estão a
trabalhar a tempo inteiro, mas são efetivamente temps, uma vez que estão
a atravessar agências de pessoal. Duas coisas: uma segurança para a
empresa porque tenho de tentar resolver o problema antes de o contratar, e
de poupar dinheiro porque não têm de pagar prestações. Assim, passa por
ZONAS DE VISIBILIDADE/VISIBILIDADE139

essas agências de pessoal e é por isso que muitas empresas estão a puxá-
las. Assistimos a um aumento das agências de pessoal que utilizam os
nossos serviços durante o último ano, devido ao facto de tantas empresas
terem de entrar na empresa. Tem de o fazer através dessa agência. Vimos
algumas novas. Nunca ouvi ouvir. E estão constantemente a mudar os
seus nomes. Estão a ser adquiridos por outras empresas. Existem, em todo
o lado, empresas de pessoal. É o que está a ver. Alguns deles nem sequer
põem em pessoal o seu pessoal. Verificou-se, com certeza, um aumento
das agências de pessoal desde 2008. A Bosch, mesmo a Boeing a contratar
por intermédio de empresas de pessoal e, em seguida, terá a seu cargo a
partir desse país. A agência de pessoal é responsável por tudo....As
empresas de pessoal cresceram tão.

As agências de trabalho temporário que fornecem pessoal para as grandes


instalações de fabrico do país de topo da Carolina do Sul e para todo o emprego em
zonas de comércio externo (devido aos regulamentos de segurança aduaneira dos
EUA) analisam os registos criminais e o estatuto de cidadania, o que aumentou o
aumento da força de trabalho. A Jordânia Segall (2011) argumenta que a
discriminação contra a ex-fellons, que aumentou em número devido ao facto de o
sistema judicial colocar a ênfase no sistema judicial, «exagerou a desvantagem
estrutural preexistente da sobrerrepresentação das minorias nas prisões, tornando os
empregadores mais suscetíveis de tomar decisões de contratação tendenciosas,»,
citando um estudo em que os sul-americanos que procuram emprego eram quase
duas vezes mais suscetíveis de serem questionados sobre o estado de feltro do que
os candidatos a emprego brancos. Na Carolina do Sul, um outro profissional do
setor dos serviços de emprego disse-me que é quase impossível para os candidatos a
emprego com felnies no seu registo ou sem cidadania obterem estágios ou empregos
no setor médico ou nas zonas de comércio externo. Afirmou: «O mom e os pops
estão dispostos a dar-lhes alguma oportunidade. Poderá ter de aceitar um emprego
por menos dinheiro. Diz-nos que não ceder.» afirmou que a maior parte dos
empregos anunciados no mercado de trabalho da Carolina do Sul exige algum tipo
de compensação.
Voltando ao que Paula disse sobre o sigilo no recrutamento de empregadores em
zonas rurais e em toda a Carolina do Sul, essa insuficiência foi mencionada noutras
entrevistas, e os funcionários governamentais debateram mesmo o recrutamento e os
acordos celebrados com as empresas em matéria de pessoal e de formação, como se
se tratasse de uma operação furtiva. O Secretário do Comércio, Hitt afirmou:

Parte dela é a nossa filosofia de que, se chegar à Carolina do Sul para


investir nos nossos cidadãos investiremos nos nossos cidadãos. Este é
provavelmente o ingrediente mais importante de que dispomos. Uma
140 CAPÍTULO 6

espécie de baixo nível inferior à superfície com o público. Não sabe


verdadeiramente que ela existe. Não se trata apenas das escolas técnicas,
embora estas sejam as referidas em seguida. Mas é um grupo especial. É
quase como as nossas próprias forças especiais na educação que vai e
ajuda as empresas a ter um grupo de candidatos especializado que pode
andar e fazer o emprego.(Carolina do Sul, TEV 2012)

Os pacotes de recrutamento incluem frequentemente programas de formação, em


especial parcerias com institutos comunitários e técnicos. No país baixo, um
profissional de recuperação económica explicou o programa Pronto de Carolina do
Sul que assegurou a formação de empregados da Boeing através da Academia
Técnica da Trident desta forma:

No caso de a Boeing, que é simulada, encontram-se aqui numa simulação.


O que eles irão fazer, é que irão recrutar. O Estado paga. Pagam para o
recrutamento, a pesquisa inicial, os testes de aptidão e, em seguida, depois
de passarem estes obstáculos, a Boeing alua-os como formandos. Assim, o
nosso sistema de colégios técnicos cria um currículo que é totalmente
especializado em relação a essa empresa. Por isso, é necessário proceder a
um parafuso, como o que se segue. E têm uma planta mini de Bore, em
Trident Tech I, que foi feita há algumas semanas. Quando dispõem de
uma fuselagem, sabem e estas pessoas têm de seguir estes módulos de
formação. E se puderem obter através de todos os diferentes módulos..São
também formados, nessa altura, na mentalidade do trabalho.A sua ética de
base ou seja qual for a sua opção. Tal como eles, receberão um conjunto
de ferramentas quando surgem de manhã. E quando deixam, em caso de
falta de um parafuso inexistente, ninguém entra em qualquer lugar. Por se
colocar um parafuso extra num avião..A sua composição não se limita ao
trabalho físico, mas à empresa....Quando chegam a um determinado
ponto, estão na base dos salários da Boeing.

Um representante da AFL-CIO disse que os estagiários são informados nos


programas técnicos das escolas não de integrar os sindicatos. Um
estudante/trabalhador tinha informado este facto, mas não queria apresentar uma
denúncia formal por receio de represálias. Um recrutador de empresas disse que o
programa do estado Pronto do Estado, que recrutou trabalhadores a formar através
do programa do colégio técnico para a Boeing, recebeu tantos pedidos em linha no
primeiro dia em que o sítio se despenhou. A retórica do Estado, depois de tudo,
estava centrada na criação de postos de trabalho.
Mark Sanford, governador do Estado de 2003 a 2011, atribuiu diretamente à
consolidação do acordo com a Boeing a construção de uma instalação de fabrico
para a instalação de 787 de Dreamliner na fábrica de Carolina do Sul:
ZONAS DE VISIBILIDADE/VISIBILIDADE141

A decisão da Boeing de expandir a sua presença no nosso Estado com


uma perfusão de empregos e de capital e o maior anúncio na História da
Carolina do Sul representa não só uma boa notícia para a economia do
nosso Estado, mas também um dividendo revelador dos esforços
envidados pelo nosso Estado para melhorar o clima empresarial. Para nós,
isto significa reduzir os impostos, reduzir os encargos regulamentares que
recaem sobre a responsabilidade civil e os sistemas de compensação dos
trabalhadores e manter a Carolina do Sul no Estado de trabalho.(Sanford
2009)

A decisão da Boeing de construir esta instalação de montagem em Carolina na


Carolina do Sul voltou a aumentar a sua produção de Estados da sua fábrica na
Evergreen, em Washington, da sua fábrica de montagem, onde a força de trabalho
estava fortemente sindicalizada. Um líder da AFL-CIO, na Carolina do Sul, disse
que, embora os trabalhadores sindicalizados tivessem estado envolvidos na
construção da fábrica e no transporte de fornecimentos para o local, a maioria dos
novos postos de trabalho era através de agências de pessoal e muitos trabalhadores
qualificados da indústria nacional de aeronaves estavam a aceitar empregos menos
remunerados na Carolina do Sul. Um trabalhador do setor dos serviços de emprego
informou-me de que muitos dos trabalhadores da área de Charleston-área que
registam as prestações de desemprego eram trabalhadores qualificados que se
deslocaram para a zona, com a esperança de adquirir um emprego com a Boeing.
O Boeing 787, Dreamável, exemplifica a utilização alavancada de uma cadeia de
abastecimento global para criar um produto com as despesas mais baixas, pelo
menos as despesas que estão no livro-razão (que podem não incluir, por exemplo, os
impactos ambientais ou os custos de capital humano para a obtenção dos salários
mais baixos, a criação de trabalhadores com experiência e a sua substituição por
trabalhadores inexperientes).Uma única aeronave Boeing 787 é composta por
cinquenta e três empresas em onze países (Turner 2010).Foi criado um avião
especial para pilotar grandes secções de Asem sangrada na fuselagem para outras
instalações de montagem final, geralmente numa zona de comércio externo, como a
fábrica de Carolina do Sul. O estatuto FTZ, concedido pelo Department of
Commerce dos EUA desde a Primeira Guerra Mundial nos portos marítimos e nas
zonas aeroportuárias, onde é possível obter um tráfego internacional elevado nas
importações e exportações, adia as tarifas das peças em circulação para fora desse
país (e outras, através das suas zonas equivalentes de comércio externo ou de
transformação das exportações), a fim de facilitar a montagem multinacional.
Apenas o produto final é tributado, e de acordo com os regulamentos da
Organização Mundial do Comércio negociados através de muitas rondas do Acordo
Geral sobre iésias e Comércio, juntamente com acordos separados de comércio livre
— é possível rotular um produto «Made nos EUA» com apenas a assembleia final,
142 CAPÍTULO 6

em vez de todo o fabrico ter ocorrido nas fronteiras nacionais. A Boeing fez uma
forte utilização das zonas de comércio externo, copiando as técnicas de fabrico
internacional da Toyota «just-in-time» e «pobre» e passando de uma estrutura
familiar «familiar» com uma sede geográfica no Puget Sound, em meados do século
XX, para uma mão de obra transnacional que se expande e contratos com as
necessidades do mercado (Greenberg et al.2010).A empresa foi objeto de uma fusão
com a empresa aeronáutica concorrente aeronáutica McDonnell Douglas, grande
redução de efetivos após 9/11, incerteza no planeamento dos contratos de defesa dos
EUA devido à crise económica, a pressão sobre a união maquinadora em
Washington, que pressiona para enfraquecer o seu contrato ou perder postos de
trabalho às fábricas em Estados de direito à obra, como a Carolina do Sul, e a mis
haps com baterias de lítio em 787 Dreamliner com baterias de lítio.
O estado da Carolina do Sul investiu muito para se tornar um dos sítios na ténia
da Boeing da assembleia transnacional: 450 milhões de dólares em incentivos em
2009, com mais 120 milhões de dólares oferecidos à empresa em 2013 (Wise
2013).Uma vez que os países estavam em concorrência com a produção de
aeronaves da Boeing 777X, a Governadora Nikki Haley afirmou que a aresta sul da
Carolina tinha sobre o Estado de Washington o seu estatuto de trabalhador:

«Não me parece difícil para o governador de Washington. É uma coisa


terrível quando se vê uma grande indústria no seu Estado para tentar
trabalhar e se a união se desloca e tenta matar», afirmou Haley.«Não
quero que sejam neste Estado. Não precisamos deles neste Estado. As
nossas empresas cuidam das pessoas que deles se ocupam, mas quando
uma união entra no seu estado, assumem completamente o clima
empresarial e matam postos de trabalho», afirmou.«Não vamos ter que no
estado da Carolina do Sul.» (Wise 2013)

Um líder da AFL-CIO, na Carolina do Sul, afirmou que os trabalhadores da fábrica


da Boeing na Carolina do Sul obtinham cerca de 10 dólares menos por hora de
trabalho equivalente em Washington; considerou que existia um fator de medo na
discussão sobre o trabalho na fábrica, tal como acontece com outros empregos nas
zonas de comércio externo da Carolina do Sul: «É como quando caminhar, que já
não se encontra na Carolina do Sul, estão num ambiente diferente. Estou empenhado
num projeto de maior dimensão sobre a forma como os trabalhadores interpretam as
jurisdições que dizem respeito a zonas de comércio externo, uma vez que pode
parecer como um espaço estrangeiro estabelecido num campo rural obtido pelos
serviços aduaneiros dos EUA e que pode conduzir a questões sobre se as leis locais,
estatais ou nacionais estão suspensas nessa zona.
Um promotor empresarial do Estado disse que havia uma atividade crescente em
zonas de comércio externo nas zonas rurais, uma vez que os trabalhadores
ZONAS DE VISIBILIDADE/VISIBILIDADE143

desempregados não eram trabalhadores pendulares.«Estão a colocar esses centros de


distribuição, em nenhum lado. A terra é barata e a mão de obra é barata.», por
exemplo, a Starbucks tem um centro de distribuição importante numa zona de
comércio externo na Carolina rural do Sul. As regras do comércio dos EUA
permitem as zonas francas industriais, desde que não excedam 60 milhas ou
90 minutos de carro a partir do rebordo de um condado que tenha um porto de
entrada, como um har bor ou um aeroporto internacional. O recrutador descreveu a
visita a uma das zonas francas do país: «Trata-se desta antiga terra agrícola e de três
milhões de pés quadrados. Quando me encontrei, não sei se eu correu o caminho
errado, mas tive de passar por explorações de caprinos para lhe chegar. É um sítio
FTZ escondido atrás de um antigo armazém noutra zona rural: «Não vejo este
edifício de dois milhões de pés quadrada até à sua volta e a descer a estrada. Em
seguida, como «Oh, o meu Deus», este compromisso global e marginalidade é uma
experiência rural/visível na Carolina do Sul.

Aumentar a mercantilização do desemprego rural e do


trabalho institucional
Tal como existe uma concentração da propriedade do capital em resultado de fusões
como a da Boeing e da McDonnell Douglas, há também uma concentração
crescente do controlo sobre a mercantilização e controlo do próprio desemprego.
Não só o desemprego nas zonas rurais foi utilizado como um ponto de venda para
atrair novos empregadores, mas o crescimento do próprio trabalho contingente (sem
emprego ou desempregado) também representa um novo emdus transnacional. A
indústria de pessoal temporário é, tal como ilustrado neste capítulo, «desempenhar
um papel sistémico e macroregulamentar no mercado de trabalho dos EUA» (Peck e
Theodore 2007).
Outra indústria transnacional em crescimento é o setor privado prisional. O
Grupo GEO, uma pessoa coletiva detida a nível transnacional, adquiriu e assumiu o
serviço de cuidados equitativos na Carolina do Sul, em 2009, em expansão para
gerir os serviços de saúde, saúde mental e capacidade nas prisões de Carolina do
Sul. Na minha investigação etnográfica sobre o desemprego rural na Carolina do
Sul, aprendi uma grande instalação de detenção proposta para ser construída dentro
ou perto de uma zona de comércio externo. Nos termos do artigo 287.º, alínea g), do
Immigration and Nationality Act (Lei da Imigração e Nacionalidade), a Immigration
and Customs Enforcement (ICE) pode delegar a autoridade de controlo da
imigração no Estado e na aplicação do direito local. Na Carolina do Sul, isto
significa que as pessoas sem cidadania podem ser colocadas em centros de detenção
no Estado, muitas vezes sem acesso total a serviços jurídicos e jurídicos e sem
condições de detenção claramente definidas. A detenção é, ela própria, uma
144 CAPÍTULO 6

indústria em crescimento. Um advogado na Carolina do Sul afirmou que,


atualmente, os que estão detidos até à deportação estão alojados fora de Atlanta, na
Geórgia, e que não existem serviços jurídicos sem fins lucrativos que ofereçam
serviços de defesa para remoção ou dedez na Carolina do Sul. As pessoas que se
encontram na prisão têm sido, há muito, a força de trabalho mais privação da mão
de obra na Carolina do Sul. O programa da indústria prisional (PIE) permite que as
prisões solicitem que as pessoas que se encontram presas voluntariamente, com sala,
conselho de administração, e outras despesas sejam deduzidas da sua remuneração.
É possível que as pessoas detidas pela ICE na Carolina do Sul possam ser
consideradas trabalho de baixa remuneração através do programa EIP.Trata-se de
uma indicação de onde a lógica da proteção estatal das indústrias, e não dos
residentes, poderia conduzir. Existe uma atividade significativa de lobbying junto do
GEO Group e correções Corporation of America (CCA) no que diz respeito à
instalação de pessoas sem cidadania dos EUA detidas através da ICE; em conjunto,
elas «compensadas 296,9 milhões de dólares em receitas provenientes de contratos
ICE» em 2012 (Fang 2013).
Outra tendência para a concentração é o dos serviços de desemprego. Os
condados rurais têm, muitas vezes, dificuldade em manter serviços individuais no
capital reinvestido no território, e os governos estatais em concorrência com taxas
de imposto mais baixas para potenciais empregadores fora do Estado e para oferecer
uma mão de obra de baixos salários se encontram na mesma situação. A Carolina do
Sul, a Geórgia e a Carolina do Norte estão a reunir os seus sistemas de prestações de
desemprego:

O sistema de seguro de desemprego, denominado Consórcio Meridional


de Prestações de Seguro de Desemprego, é um projeto de quase
60 milhões de dólares que combina os sistemas do Department of
Employment and Workforce, N.C., divisão da segurança do emprego e do
departamento de segurança do trabalho da Geórgia.
O projeto tomou a iniciativa Capgemini Government Solutions LLC,
um Subsiano do Grupo Capgemini, com sede em Paris, a fim de conceber
processos técnicos e empresariais para o sistema.(Richardson 2014)

Tal pode tornar o processo em linha de candidatura a prestações de desemprego


mais suave, mas também centraliza uma base de dados de residentes desempregados
no sudeste para facilitar a comercialização dessa mão de obra relativamente baixa,
enquanto a Carolina do Sul está simultaneamente a despedir trabalhadores no setor
dos serviços de desemprego e a eliminar ou reduzir o pessoal dos serviços de
desemprego nas zonas rurais e, juntamente com ela, o potencial para dar voz às
experiências individuais de emprego rural sem emprego.
ZONAS DE VISIBILIDADE/VISIBILIDADE145

Conclusão
Este capítulo descreve o desemprego rural como um fator cada vez mais baseado na
venda das regiões, como o país de baixo país e o país de topo da Carolinga em
condições de concorrência, em locais de produção, distribuição e consumo
transnacionais. Uma vez que os consumidores exigem preços mais baixos, esta
pressão continua. Trata-se de uma estratégia paradoxal, na medida em que a retórica
do desenvolvimento económico é utilizada para promover o bem-estar das pessoas
em situação de precariedade. Mas isto não é de modo algum o fim da história. A
Caroliniana do Sul não é apenas o homem nem os trabalhadores, mas também os
consumidores e os eleitores e, como tal, participa em muitos discursos complexos e
transversais relacionados com a identidade, o emprego e os pontos de vista do
futuro. Existe uma agência rural na construção de meios de subsistência sustentáveis
e colaborativos em várias divisões; O meio rural não significa «isolado», embora
este seja invocado simbolicamente (trabalhadores rurais há muito envolvidos em
muitos circuitos de mão de obra); além disso, existem trabalhadores estatais que não
reproduzem o discurso do Estado. Todas as pessoas com quem falámos no âmbito
deste projeto acreditavam que estavam a contribuir, de algum modo, para o bem-
estar dos Carolinanos do Sul através das suas ações. De que forma poderá ser
possível contestar a visibilidade seletiva e a frequência de um maior cuidado e
oposição à naturalização e à mercantilização da precariedade?Os trabalhadores
rurais, marginalizados e desempregados têm frequentemente excelentes análises
deste processo, como já foi ouvido no âmbito deste projeto etnográfico na Carolina
do Sul, e debates transregionais como os que são facilitados entre os trabalhadores
das fábricas em Chihuahua e Guanjuato, no México, e o Tennessee Este, através da
Rede de Renovação Industrial (Ans- ley e Lewis, 2011), são uma excelente forma
de demonstrar que uma força flexível de mão de obra pode significar que uma força
flexível de mão de obra não é a única imaginada como passiva mercantificada.
7
DESEMPREGO DOS JOVENS,
PROGRESSOS E VERGONHA NA ETIÓPIA
URBANA
Daniel Mains

Os grupos inativos dos jovens dependem do seu calçado de couro engrossado, mãos
em bolsos, vestir-se com as camisas limpas e vestir-se com camisolas não montadas
de cenas que são comuns nas cidades etíopes no final da década de 1990 e no início
da década de 2000. Na Etiópia urbana, a taxa de desemprego dos jovens com idades
compreendidas entre os 18 e os 30 anos foi estimada em mais de 50 % e a maior
parte dos desempregados eram pessoas à procura de emprego pela primeira vez sem
trabalho durante três a quatro anos (Serneels 2004). 1 Desempregados de Jimma,
uma cidade étnica e religiosa de cerca de 120,000 habitantes situados no sudoeste do
país, joga-se com frequência de que a única alteração das suas vidas diz respeito aos
contornos da sombra de um lado da rua para outra com a passagem do sol. estes
jovens usam do tempo como uma quantidade demasiado abundante e
potencialmente perigosa. Passaram os dias para mastigar o chat, um estimulante
produzido localmente; ver os vídeos mais recentes de Hollywood, Bollywood, ou,
muito mais raramente, Etiópia; E, acima de tudo, dialogar com uma outra em
mastigação, a conversa divertida que é um favorito de muitos etíopes.
Quando pedi aos jovens sobre o desemprego, afirmaram que simplesmente não
havia trabalho a ter, mas, quando empurra, apontando para outros jovens que
estavam a trabalhar, alegaram que era impossível trabalhar na Etiópia devido a
yilunnnta.Tem yilunnnta é a experiência de vergonha, com base no que outros
pensam e afirmam sobre a sua família (Polluha 2004, 147; Heinonen,
2011).Yilunnnta é como um mosqueado que se encontra ao ar livre no ouvido,
recordando que outros estão a assistir e julgar. Durante um debate de grupo, um
jovem desempregado explicou que «nunca trabalharíamos como um porter. Neste
146
DESEMPREGO DOS JOVENS NA ETIÓPIA URBANA 147

caso, o tipo de trabalho não é respeitado e este tipo de trabalho não é respeitado. As
pessoas vão parar por si, prevendo-se que respeite. Se avançarmos no estrangeiro,
podemos trabalhar sem ser insultado. Não é possível ver outros países, mas
queremos ser livres de trabalhar e ajudar as nossas famílias.»
No presente capítulo, analisarei o iiluncta e o estatuto profissional a fim de
chamar a atenção para a importância das relações sociais para a compreensão do
desemprego, bem como para o problema conexo de registar progressos ao longo do
tempo. Na Etiópia, o emprego é muitas vezes concebido não só em termos de mão
de obra e salários, mas também em relação às interações sociais associadas a
determinadas profissões. SiMI lar na sua perspetiva de trabalho, os jovens dos
homens na Etiópia avaliam os progressos em termos de relações sociais e
consideram o movimento espacial como a solução para a sua incapacidade de sofrer
mudanças na sua posição social ao longo do tempo.
Descreverei o desenvolvimento de uma população de grande dimensão, jovem,
urbana na Etiópia, como um processo em três partes que inclui a expansão da
educação, a redução das oportunidades de emprego no setor público e o
funcionamento de valores culturais que provocam que as formas de trabalho
disponíveis sejam consideradas indesejáveis. Enquanto os dois primeiros aspetos
deste processo são comuns a muitas regiões do mundo, o terceiro é específico do
caso etíope. A segunda metade do exame de capítulo segue os discursos dos jovens
do sexo masculino sobre o progresso e a migração. Os jovens de Jimma fazem
frequentemente observações como: «Podemos viver como o frango, estamos a
comer e dormir» para expressar as suas frustrações com a sua incapacidade para
progredir ao longo do tempo. 2 Uma vida de «comer e dormir» era contrastada com
uma que implicava uma mudança ou uma melhoria. Os frangos vivos, como os
frangos, implicavam que o tempo de vida carecesse de significado, que um só se
mudou para aqui e aí não tinha qualquer finalidade para além de preencher o
estômago de um. Idealmente, para os jovens do sexo masculino, a vida teria lugar ao
longo de uma série de melhorias progressivas, mas a maior parte dos homens
continuou a viver com os seus pais em dez anos e a não conseguir casar ou iniciar as
suas próprias famílias.
A «solução» para este problema temporal de realização de progressos, tanto
imagindi como em termos de estratégias sociais efetivas, envolveu uma espécie de
«solução espacial», mas bastante diferente daquela que se tornou famosa por David
Harvey (1991).Os jovens homens procuraram mudar-se, tanto na Etiópia como fora
dela, para a África do Sul, para a Europa e, mais frequentemente, para os Estados
Unidos — para escapar a yilunnanta e para assumir o trabalho que nunca teriam
realizado no seu país de origem. Neste discurso, foi restabelecida uma visão
progressiva do tempo que o migrante bem sucedido foi imaginado para regressar a
Jimma para levar a cabo projetos como a construção de hotéis de quatro histórias e
148 CAPÍTULO 7

ONG fundadoras. O desejo de migrar é comum à juventude que vive em muitos


países empobrecidos, mas a iilunnata e as noções de estatuto profissional
sublinham a forma como o espaço e o tempo são frequentemente conceptuais em
termos de relações sociais.
A minha análise baseia-se no trabalho de campo realizado entre 2003 e 2005,
bem como em visitas de curta duração a Jimma, em 2008, 2009 e 2012. Trabalhei
principalmente com jovens entre os 18 e trinta anos. No meu estudo, os jovens
participaram numa variedade de origens em termos de classe, etnia e religião. Quase
todos os jovens desempregados viviam com as suas famílias e estavam a seu cargo
para apoio financeiro. A minha amostra era representativa da Etiópia urbana, na
medida em que a maioria dos jovens desempregados tinha terminado o ensino
secundário e tudo tinha completado, pelo menos, o oitavo ano. Realizei entrevistas e
participou em debates ocasionais e em grupos de discussão nos espaços da cidade
onde os jovens dos homens se apropriavam dos cafés, vídeos, barberlojas e cantos
da rua.

Yilunnnta, Ocupacional Status, e


Relações Sociais
Os homens jovens alegaram frequentemente que as elevadas taxas de desemprego
eram, em parte, um resultado de yilunnnta.Afirmaram, muitas vezes, que os etíopes
não apreciam o trabalho (sira yinaqel) e que, embora um possa ganhar calçado e
outros empregos de pequena dimensão, este tipo de trabalho não foi respeitado. Para
se empenhar num emprego de baixo estatuto foi a adoção de uma posição específica
nas suas relações com outros. Foi a inconveniência desta posição que, muitas vezes,
os jovens podiam optar por permanecer desempregados. Contrariamente às análises
do capitalismo em atraso que afirma que a alegação de consumo teve o local de
trabalho na construção da identidade (Baullard 1981), as questões de estatuto
profissional indicam que a relação entre a tity e a produção continua a ser muito
relevante.
As profissões estigmatizadas eram, muitas vezes, aquelas que envolviam o
trabalho menal ou estavam associadas a artesãos tradicionais. Entre a maioria dos
grupos étnicos etíopes e da África Oriental, de um modo geral, os artesãos de
carpintaria, de forjamento, de tecelagem e de cerâmica têm sido altamente
estigmatizados. 3 Embora importantes diferenças ideológicas sejam subjacentes a
estes dois casos, o tratamento dos artesãos foi semelhante ao das castas mais baixas
no sistema de castas Hindu (Levine 1974; Pankhurst 2003, 12-17).Alula Pankhurst
(2003) explica que, na Etiópia, os artesãos foram marginalizados em termos de
espaço, economia, política e vida social. O casamento com trabalhadores não
DESEMPREGO DOS JOVENS NA ETIÓPIA URBANA 149

artesão era proibido e os artesãos não tinham, frequentemente, direitos à terra


definidos localmente. Na maior parte dos casos, trabalharam como rendeiros em
terras de outrem e eram obrigados a entregar os produtos do seu trabalho aos seus
patrocinadores, recebendo em troca apenas um número simbólico de cereais. O
artesão não respeitou o mesmo alimento de base religiosa que os muçulmanos e os
cristãos ortodoxos. Por exemplo, os artesãos têm consumido certos caça selvagem
proibida, como, por exemplo, o fabrico de hipopótamo.
Embora a partilha de alimentos e a alimentação do mesmo prato constituam uma
parte importante da maior parte das culturas etíopes, os artesãos não foram
autorizados a partilhar os mesmos utensílios ou pratos com outros. Se os artesãos
fossem convidados no domicílio de um trabalhador não artesão, comiam das folhas
de banana ou de outros produtos que podiam ser eliminados após a refeição. Os
artesãos pensavam frequentemente na sua realidade, o que também contribuiu para a
discriminação generalizada de que eram confrontados ao longo da sua vida
quotidiana.
Pankurst e Denan Freeman (2003) explicam que as noções de personhood são
importantes para manter o estatuto de marginalização dos artesãos nas zonas rurais.
No seu estudo, os agricultores afirmaram que os artesãos não eram plenamente
humanos. Apesar de um discurso de um discurso centrado em fatores como a
limpeza e os hábitos alimentares, o Pankurst e o Freeman alegam que o baixo
estatuto dos artesãos se baseia na sua falta de acesso à terra e nas relações sociais
decorrentes dos direitos fundiários. Mesmo quando os artesãos tiveram a
possibilidade de aumentar a sua riqueza, não se verificou qualquer atraso em relação
ao estatuto de pessoa e a uma pessoa completa, a menos que pudessem obter direitos
fundiários. Tal como aconteceu com os artesãos rurais marginalizados, só em Jimma
dinheiro não era suficiente para melhorar a situação social das profissões menos
qualificadas. 4
Após a revolução de 1974, a discriminação contra os artesãos foi proibida pelo
regime de Marxista, mas, na altura dos meus estudos de investigação, os jovens
informadores alegaram que ainda estava presente um estigma poderoso. Este
estigma foi amplamente aplicado a todas as formas de trabalho que se
assemelhavam ao artesanato tradicional. Por exemplo, a juventude alegou que,
devido ao facto de trabalharem com metal, os soldadores estão frequentemente
sujeitos a alguns dos mesmos stigmas a preto e são referidos pelas mesmas
expressões pejorativa. Outros trabalhadores não artesão, como porter, empregado de
mesa ou ShoeShine também estavam agrupados na categoria geral de «trabalho
inferior» (ziqtensira).Os trabalhadores destas profissões não têm restrições rígidas
ao seu comportamento, mas os homens, de um modo geral, consideraram que estes
tipos de emprego são indesejáveis e potencialmente vergonhosos.
Estas profissões eram indesejáveis, não porque os trabalhadores receberam um
150 CAPÍTULO 7

salário reduzido por trabalhos exigentes (mesmo o calçado de brilha pode, por
vezes, trazer consigo um rendimento com receitas elevadas), mas devido a yilunnat,
especificamente o medo do que outros poderiam pensar ou dizer sobre uma ou uma
família se se considerasse este tipo de trabalho. Como um jovem explicou, «Na
Etiópia há trabalho, mas a maioria das pessoas não o faz. Os jovens dependeriam,
pelo contrário, dos seus pais do que um trabalho mais baixo. Se não conseguirem
trabalhar com o governo, apenas sentariam e esperariam. Receiam o que as pessoas
irão dizer sobre o seu trabalho.»
Embora o trabalho de baixo estatuto não tenha fixado as restrições estabelecidas
em termos culturais quanto às interações sociais associadas a profissões artesanais
no passado, este tipo de trabalho ainda coloca um tipo de pessoa singular de
categoria A, que é tratado de forma diferente dos outros. 5 Uma vez que um jovem o
colocou no que se refere ao trabalho mais baixo, «Se alguém afirma «chegar»,
trabalha em profissões mais baixas para se colocar no fim das relações de
autoridade, e um teve de estar preparado para aceitar esta transformação. Durante a
minha investigação, passei longos períodos de tempo a desenvolver a observação
dos participantes entre os jovens do sexo masculino que trabalham como
replecionos de bicicleta, os vendedores de relógios, os barberes e outras profissões
que foram estigmatizadas num contexto urbano contemporâneo. Nas interações com
outras, eram sistematicamente faladas por um imperativo e raramente puderam
participar em debates equitativos. Os homens jovens que se queixam de terem sido
vítimas de insultos, por exemplo, são chamados «ladrões», não sendo, de um modo
geral, convidados a casamentos ou a outros eventos sociais importantes. Se eles
próprios chegaram por si próprios, não seriam afastados, mas a sua presença seria
muito provavelmente ignorada, não sendo possível cumpri-las nem incentivá-las ou
incentivá-las a comer.
As relações hierárquicas estão generalizadas na Etiópia, mas existe uma
diferença entre a sujeição da pessoa em causa com base na idade ou no sexo e a
possibilidade de o fazer em troca de dinheiro. Para que uma mulher se submeta a um
homem ou a um jovem para se apresentar a um idoso, é considerado como
comportamento do modelo que se deve procurar emulate (Poluha 2004).Nestes
casos, a manifestação de respeito ou deferência é a de cho, de modo livre, e um sinal
de bom caráter. A pessoa que é diferida deverá proporcionar um certo nível de
proteção ou orientação para o seu ou o seu jantar. As relações entre professores e
pais constituem bons exemplos desta dinâmica. Em contrapartida, demonstrar
deferência no contexto do trabalho não implica uma relação pessoal. O trabalhador
está apenas a seguir ordens para aceder a dinheiro e não existe qualquer expectativa
de uma relação mais profunda. O trabalhador existe na parte inferior de uma
hierarquia de poder sem relação de proteção e obediência pessoais correspondente.
Em alguns casos, existe uma forma positiva de relação entre o trabalhador e os
DESEMPREGO DOS JOVENS NA ETIÓPIA URBANA 151

seus clientes. Em Amaric, tanto o vendedor como o cliente são designados como
demibena se existir uma relação entre eles. A existência de uma relação de
demonstração implica um grau de lealdade. O cliente não deve comprar noutro
local, e a dor deve oferecer um preço favorável. Embora a relação de demonstração
seja impressor, só existe no momento da transação. O vendedor e o vendedor estão,
em igualdade de circunstâncias, em condições de igualdade de momento, cada um
em que ajuda a outra a obter as suas necessidades e, em seguida, essa relação
termina até que seja feita outra compra. Não abrange geralmente outros aspetos da
vida social. Não seria de esperar a presença de uma deibena num casamento. O
formulário é um meio de estabelecer a civilidade numa outra interação sensata, mas
não implica a existência de uma relação que se assemelha ao modelo de cliente e se
estende para além do momento do intercâmbio.
A relação demibena pode ser comparada com a natureza prestigiosa do
emprego público que desempenhou um papel fundamental nas aspirações dos
jovens. Quando questionados sobre o tipo de trabalho que pretendiam, a maioria dos
jovens respondeu simplesmente «trabalho do governo» («mentista»).O trabalho do
Governo engloba uma vasta gama de profissões, desde o serviço até ao
administrador, e a juventude manifestou um desejo geral de emprego público e não
de uma determinada profissão. O desejo de estatuto tem limites. Com início em
cerca de 2008, a Etiópia registou uma inflação rápida e os salários do Estado não
acompanharam o custo de vida. Embora seja cada vez mais raro que os jovens
aspiram a um emprego público, tal foi bastante comum em Jimma no início da
década de 2000.
O prestígio do governo decorre do facto de a subordinação e o intercâmbio
relacionados com o trabalho serem realizados com base em relações que se
estendem a todos os aspetos da vida e não se limitam ao momento da transação. Tal
como no caso do trabalhador de fraco estatuto, a concessão, a concessão e a
subordinação são indicadas. Mas há pouco sentido que um esteja diretamente a
trocar o trabalho do que um recebe. Ao contrário do dos trabalhadores mais baixos,
o salário dos funcionários públicos não corresponde diretamente à produção. É
frequente o trabalho do governo passar longos períodos de tempo longe de trabalhar
em funerais e noutros eventos sociais, o que implica que o seu salário não se baseia
diretamente no tempo passado no trabalho. Além disso, as relações entre os
trabalhadores do governo não se estendem para além do local de trabalho. Por
exemplo, um administrador assiste normalmente ao funeral de um serviço, se os
dois forem empregados no mesmo composto governamental. Muitos dos benefícios
materiais controlados pelos trabalhadores do governo estão ligados ao acesso a
indivíduos poderosos e à oportunidade de distribuir melhor habitação, educação e
emprego. A atribuição e receção neste contexto ocorre porque existe um «navio»,
não apenas no momento da transação, mas em todos os aspetos da vida.
152 CAPÍTULO 7

Este contraste não deve ser concebido como uma troca de lucros versus uma
forma de intercâmbio com base na relação, com uma troca de lucros que representa
a intrusão de uma economia de mercado (Tausig 1980).Os etíopes urbanos não
avaliaram, de forma negativa, a acumulação através do intercâmbio de resultados.
Os proprietários de empresas bem sucedidos dependem de um intercâmbio
impessoal para acumular riqueza e, como tal, manifestam elevados níveis de
prestígio. No entanto, contrariamente aos jovens que trabalham, os proprietários de
empresas nunca estavam em condições de vender o seu trabalho diretamente a um
cliente. Isto significava que a sua interação com outros não implicava subordinar
eles próprios a intenção de aceder à riqueza. Os proprietários de empresas
participaram diretamente em relação a navios com os seus trabalhadores, mas
estavam em posição de poder e muitas vezes procuraram imbuir estas relações com
qualidades pessoais que iam além de uma simples troca. O estatuto de baixo estatuto
estava associado não tanto à intenção de acumular lucros como à subordinação de si
próprio sem a presença de uma relação alargada a outros aspetos da vida para além
do momento do intercâmbio.
Neste sentido, os jovens avaliaram uma ocupação não só com base na sua
atividade de acumulação de riqueza, mas também em termos da sua associação com
uma qualidade específica das relações sociais. O emprego do governo que a maioria
dos jovens pretendia proporcionar uma forma segura de rendimento, além de ter
colocado no interior de uma hierarquia de poder que era acompanhada de relações
pessoais estreitas. Como expliquei na secção seguinte, devido a mudanças
económicas locais e internacionais, o trabalho do Governo não estava disponível e a
maioria dos jovens escolheu o desemprego. No entanto, não é bastante exato
conceber que os jovens escolham entre o desemprego e o emprego. A juventude foi
confrontada com uma escolha entre formas contrastantes de se posicionar
socialmente, e a vergonha de yiluncta impediu os jovens de se dedicarem a um
trabalho socialmente indesejável. Isto era válido não só para os jovens do sexo
masculino relativamente abastados, mas também para os que provêm de famílias
com poucos recursos económicos. 6 Para trabalhar ou não trabalhar foi uma decisão
social.

Educação e Expectativas
A função de iilunnnta e os valores que rodeiam a situação profissional na criação de
um grande número de jovens desempregados é um fenómeno historicamente
específico. O facto de trabalhar em determinadas profissões deve ser considerado
vergonhoso devido às expectativas em torno da educação e da estrutura de
oportunidades urbanas. Estas dinâmicas são também parcialmente responsáveis pelo
DESEMPREGO DOS JOVENS NA ETIÓPIA URBANA 153

recente aparecimento da juventude como uma categoria social distinta.


Foi com o crescimento das cidades permanentes que as noções de estatuto
profissional começaram a desenvolver-se para além dos estigmas tradicionais
aplicados aos artesãos. A exposição dos colonos do norte no sul da Etiópia e a
consequente afetação de terras no final do século XIX e no início do XX, descritos
por Baru Zewde (2002) e Donald Donham (1986), também ocorreram em Jimma.
No entanto, no processo Jimma, o processo foi adiado por um tratado de paz entre o
rei Aba Jilonge II de Jimma e a Menelik II, imperador da Etiópia. A maior parte do
movimento do do Norte, em especial do «Christian Amhara» e da região de Oromo,
da região de Shoa, na zona de Jimma, teve lugar sob o controlo de Haie Selassie,
após a breve ocupação da Itália em 1941. Os indivíduos que receberam terras após a
ocupação italiana expandiram rapidamente a sua riqueza através da agricultura e do
comércio. O padrão era ter uma grande parcela de terra no campo e também uma
casa na cidade. O dinheiro proveniente da venda de café, que é cultivado de forma
extensiva na área circundante Jimma, financiou a construção de uma casa na cidade
e a participação no comércio.
A criação de uma classe elevada de terra em Jimma atraiu outros para a cidade.
Em particular, um grande número de pessoas do Dawro, Kambata, YEM e grupos
étnicos do KAFA que vivem na região circundante da Jimma foram transferidos
para a cidade em busca de trabalho salarial. Alguns vieram apenas a ganhar dinheiro
durante a colheita do café, mas outros permaneceram e encontraram trabalho, na
qualidade de empregados ou manuais para máquinas de rodagem. Com pouca
educação ou conhecimento da Amaric, a língua de comércio na maior parte da
Etiópia urbana, estes novos migrantes tinham dificuldade em encontrar algo, mas a
maior parte dos postos de trabalho. Após 1941, o prestígio e a conveniência da
atividade de trabalho no domínio do emprego são uma ocupação urbana
desenvolvida em Jimma. O prestígio do trabalho do governo baseou-se, em parte, na
relação hierárquica tradicional entre as nobreza e os agricultores. Tal como Hoben
(1970, 222), na descrição de Adis Abeba sob o reinado de Haie Selassie, o
administrador governamental substituiu a autoridade do lorde a pedir homenagem e
trabalho, e a educação teve o lugar da atividade militar como meio de acesso à
mobilidade social. O «Landownner» e o prolongamento da residência na cidade
aumentaram as hipóteses de obtenção de uma educação. Um diploma do ensino
secundário garantiu praticamente uma posição de administrador ou de professor.
Uma hierarquia profissional entre as pessoas sem trabalho governamental começou
a desenvolver-se. Os trabalhadores da administração pública tinham um poder
político e económico, ao passo que outros realizaram em geral o seu ser vice-
presidente e o trabalho manual necessário para manter a vida na cidade. Em certa
medida, existia uma relação patente entre estes dois estratos. Em grande medida, o
facto de um lorde rural poder proporcionar o acesso à terra, os administradores
154 CAPÍTULO 7

governamentais e os proprietários podem oferecer aos seus clientes empregos


urbanos, melhores condições de habitação e outras oportunidades. O regime
revolucionário de Derg (1974-1991) eliminou a maior parte das oportunidades para
acumular riqueza através de empresas privadas, fazendo com que o valor do
trabalho do governo aumentasse.
Para os pais da juventude no meu estudo, que atingiu a idade ao abrigo do
acórdão Haile Selassie e no início do regime de Derg, a educação era a chave para
aceder ao estatuto através do emprego público. A dimensão das turmas era inferior à
atual, a qualidade do catião de alta qualidade era mais elevada e os diplomados do
ensino secundário poderiam contar com a receção de empregos de bons gov.
Embora as particularidades variem, foram descritas relações semelhantes entre o
emprego, a educação e o emprego do governo para outras partes de África (Berry
1985; Covell 1987; Afiado 2002).
Tornou-se cada vez mais frequente que os jovens urbanos concluam o ensino
secundário. Em geral, estes jovens aspiravam a utilizar a sua educação para aceder
ao emprego gov, mas, na maior parte dos casos, tal não foi possível. Tekeste Negash
(1996, 79) argumenta que a expansão da educação sob o regime de Derg era
«racional», criando uma população de jovens incapazes de encontrar emprego. No
âmbito da Derg, o setor público também se expandiu e, embora possa não ter sido
capaz de absorver todos os licenciados do ensino secundário, a sua expansão
impediu fortemente os níveis extremamente elevados de desemprego, como os que
se iniciaram na década de 1990. A taxa de desemprego urbano total entre os 10 e os
65 anos aumentou de 7,9 %, em 1984, para 22 %, em 1994, para 26,4 %, em 1999,
sendo os jovens a maior parte dos desempregados (Genene et al.2001).Os alunos das
escolas públicas no início da década de 2000 eram muito diferentes do grupo de
elite do passado. Com o aumento do número de estudantes, a qualidade do ensino
diminuiu. Atualmente, uma sala de aula típica das escolas secundárias contém cerca
de oitenta e cinco estudantes, partilhar livros e aprender em inglês, uma língua que
muitos estudantes não compreendem bem. Em 1994, apenas cerca de 10 % dos
jovens com idades compreendidas entre os 20 e os 24 anos tinham avançado para o
ensino pós-secundário (autoridade estatística central 1999).Embora os poucos
jovens que obtêm um grau secundário possam geralmente aceder a um emprego
estatal desejável, a grande maioria deixa a escola com poucas competências práticas
e pouca esperança de obter emprego. 7
A diminuição do valor do ensino criou um fosso entre as prováveis trajetórias de
vida dos jovens e as suas aspirações e deu origem a um «diploma do diploma»
generalizado (Dore 1976; Pould 1993) ou «inflação do diploma» (Bourdieu 1984,
142-143). 8 Esta dinâmica é comum em muitas partes do mundo, mas em que uma
diminuição do valor da educação e do acesso ao trabalho do governo levou os
jovens a criar oportunidades no setor informal noutros locais (Cole 2004), não o
DESEMPREGO DOS JOVENS NA ETIÓPIA URBANA 155

fizeram na Etiópia. Na ausência de empregos que os jovens acreditaram no seu


estatuto de ensino, os jovens etíopes urbanos de todas as classes foram muitas vezes
forçados a aceitar períodos de desemprego prolongados.
As mudanças políticas e económicas mundiais também impediram a juventude
de satisfazer as suas aspirações. A incapacidade de competir com as nações da Ásia
Oriental e do Sul no fabrico de produtos de base de baixo custo, o encargo do
serviço da dívida ao serviço da dívida e as políticas económicas associadas ao
ajustamento estrutural têm, em todos os seus elementos, registado um declínio
económico em África (Arrigi 2002).Na Etiópia, a redução imposta pelo FMI à
dimensão do setor público tem sido particularmente significativa, uma vez que
eliminou as oportunidades de emprego das administrações públicas. Se iiluncta e
os valores locais relativos à ocupação combinaram com a expansão do ensino para
liderar a juventude urbana para procurar emprego público, as políticas de
ajustamento estrutural atuaram como um visto que encerrou todas as oportunidades
para uma população crescente de jovens urbanos educados para atingir as suas
aspirações.
Neste contexto, a forma como os jovens evoluem ao longo do tempo mudou e
provocou uma mudança do significado dos jovens.Embora o termo Amaric para a
juventude não seja novo, uma fase de vida distinta, que poderia ser designada por
«juventude», não tinha existido em Amhara cultura (Levine 1965, 96-98).Os jovens
homens e as mulheres assumiram gradualmente a responsabilidade de adultos até
que, em termos de trabalho, a sua vida quotidiana se assemelhasse mais ou menos às
dos seus pais. Uma vez alcançado este ponto, a etapa seguinte foi o casamento. Com
a introdução da educação formal em meados do século XX, esta dinâmica começou
gradualmente a mudar. Em vez de assumirem as funções dos seus pais, os jovens
educados que se espera virem a ser trabalhadores governamentais. A expansão da
educação e a contração do setor público criaram um ambiente em que as indi viduals
sofrem um período prolongado de tempo entre a infância e a hote de adulto. Muitos
dos jovens do meu estudo estavam no início de trinta anos e ainda não tinham
encontrado emprego viável. Alguns jovens com laços familiares acabaram por ser
capazes de encontrar trabalho que não foi estigmatizado. Para esta pequena
integração de homens jovens da classe média, parece que o desemprego prolongado
pode ter sido uma estratégia económica bem sucedida. Evitar o estigma associado às
formas de trabalho disponíveis permitiu-lhes manter as redes sociais que poderiam
eventualmente proporcionar um emprego aceitável, se não fosse elevado (número
2012).No entanto, para muitos jovens, não era claro se a sua dependência face ao
par se pusesse termo. No debate sobre a juventude em Madagáscar, Jennifer Cole
(2005) sugeriu que os jovens já não sejam considerados uma fase transitória
conducente à idade adulta, uma vez que se afigura agora bastante comum
permanecer na categoria dos jovens indefinidamente. Num ambiente de declínio
156 CAPÍTULO 7

económico, os indivíduos que ocupam esta categoria crescente de jovens são


confrontados com uma relação alterada para o seu futuro.
A capacidade de permanecer desempregada durante um longo período reflete a
posição social e económica relativamente privilegiada ocupada pela maioria dos
jovens urbanos. No meu estudo, os jovens desempregados representavam uma
variedade de meios, mas todos nasceram e foram criados na cidade, o que lhes
confere uma vantagem distinta em relação à população predominantemente rural da
Etiópia. Mesmo os jovens de famílias pobres tinham alargado as redes sociais que
lhes proporcionavam o apoio necessário para permanecerem desempregados durante
um período de anos. Alguns provêm de famílias chefiadas por mães solteiras com
rendimentos mensais inferiores a 200 birr (aproximadamente 25 dólares em 2004)
provenientes do fabrico e da venda de cerveja, e outras provenientes de agregados
familiares em que ambos os progenitores eram administradores governamentais e os
rendimentos mensais eram de cerca de 2,000 birr. Obtive orçamentos de vinte
jovens desempregados, mais ou menos distribuídos uniformemente em termos de
formação de classe e de nível de rendimento obtido a partir de fontes não
relacionadas com o trabalho durante um mês inteiro. Estas publicações revelaram
que, apesar de todos os jovens terem tido um apoio adequado no dia a dia, o total
das receitas variou consideravelmente em função da classe e da vizinhança de
residência. Os rendimentos de homens de classe média, de classe média, eram,
muitas vezes, quase equivalentes aos ganhos obtidos pelos jovens trabalhadores. Isto
pode explicar a razão pela qual, no meu estudo, nenhum jovem que trabalhou em
profissão estigmatiza as profissões da classe média. No entanto, a grande maioria
dos jovens homens desempregados recebeu rendimentos de oferta suficientes para
cobrir os custos de vida básicos; estes ganhos eram de ordem económica, evitando o
trabalho de baixa qualidade.
Progressos e relações sociais
Reinhart Kosellek (1985 [1979]) explica que as noções de «progresso» aparecem em
pontos da história quando a relação entre a experiência e as expectativas é
transferida. As expectativas para o futuro baseiam-se, de um modo geral, no que se
verificou no passado no passado, mas com o desenvolvimento de uma crença na
inevitabilidade do progresso do projeto. Ao debater o advento dos «progressos» no
que diz respeito ao aumento da inovação tecnológica na Europa, Kosellek explica
«O que foi novo foi que as expectativas alcançadas para o futuro se separaram do
que a experiência anterior tinha de oferecer» (1985, 279).Por outras palavras, os
progressos são a expectativa de que o futuro não seja como um passado e que, pelo
contrário, seja qualitativamente melhor.
Não só a educação criou expectativas entre os jovens urbanos de que poderão
aceder a empregos públicos com um estatuto elevado; além disso, alertou para os
DESEMPREGO DOS JOVENS NA ETIÓPIA URBANA 157

mesmos a expectativa de uma vida de chumbo que envolva a realização de


progressos. A educação é um processo moroso, na medida em que implica
melhorias graduais e lineares. Como um dos adiantamentos de grau para grau, parte-
se do princípio de que esta circulação gera uma mudança de pessoa. A pessoa
instruída espera ser transformada de modo a que o seu futuro seja melhor do que o
presente. Contrastes entre o desemprego e a vida enquanto estudante é revelador.
Para os jovens desempregados, a escola foi a última atividade em que esteve
envolvida. Uma das formas de escola distingue-se do desemprego é que se limita a
fazer uma pessoa muito ocupada e, por conseguinte, elimina o problema de passar
grandes perdas de tempo. Possivelmente, uma diferença mais significativa é a forma
como os dois contextos afetam a sua relação com o seu futuro. Como um jovem que
esteve desempregado durante dois anos após a conclusão do décimo segundo grau,
«Quando fui um estudante, não tive qualquer reflexão. Aprendi, eu estudei e eu não
se preocupou com o futuro. Vou agora refletir sempre sobre o futuro. Não sei qual a
duração desta condição. Talvez seja o mesmo ano após o ano.» Em contraste com a
vida dos estudantes, o desemprego é a ausência de mudança. O número de dias
passa, mas as posições de imediato e sociais continuam a ser as mesmas. O
desemprego de longa duração impede que os jovens imaginem um futuro desejável
e coloquem as suas vidas quotidianas numa narrativa de progresso. A categoria
social dos jovens, tal como existe para os homens jovens urbanos, surge não só
através de um longo período de incerteza quanto ao futuro, mas com o
desenvolvimento das expectativas de progresso.
Devido à expansão da educação e da urbanização, os jovens estudados foram
muito mais integrados numa ideologia do progresso através da educação do que as
gerações anteriores. A maioria dos jovens urbanos foram os filhos e as filhas de pais
que não o fizeram para além do ensino primário. Embora o par tivesse vivido
através de uma revolução marxista que estava associada a noções específicas de
modernidade (Donham 1999), a sua falta de ensino significava que, muitas vezes,
não internalizavam uma ideologia do progresso, uma vez que diziam respeito à sua
própria vida. A mãe de um jovem desempregado explicou que «a geração de hoje é
diferente. São educadas e possuem conhecimentos sobre o mundo. Hoje em dia,
querem tantas coisas. "na descrição das suas histórias de vida, a maioria dos pais
falou do movimento de uma zona rural para Jimma como uma importante mudança
na sua vida. Após a sua chegada a Jimma, aceitaram, de um modo geral, qualquer
trabalho disponível e não estavam tão preocupados com as questões do estatuto dos
seus filhos. Os pais alegaram muitas vezes que as vidas dos seus filhos deveriam ser
diferentes do seu próprio nível de ensino, em particular devido ao seu nível de
ensino superior, e, quando tal não aconteceu, estavam desiludidos.
Os jovens com discursos de aspiração do homem começaram geralmente com a
educação, seguidos de trabalho, ajudando, em seguida, os irmãos mais jovens antes
158 CAPÍTULO 7

de se deslocarem para casa dos pais para se casar e iniciar as famílias. Por último, os
jovens consideram que um homem deve apoiar os pais e, se possível, criar um
projeto ou uma empresa que possa ser útil à comunidade. A maior parte dos jovens
urbanos conseguiram atingir o primeiro passo neste nar rativo e prosseguir a sua
educação ao nível secundário, mas não conseguiram encontrar emprego, o que criou
um ponto morto na prossecução de outras aspirações.
Muitos jovens consideraram que os obstáculos financeiros quase
inultrapassáveis impediram a sua data, casamento e filhos. Alegaram que não
estariam caindo antes da idade de trinta ou cinco anos e apenas se tivessem sido
ricos. As crianças foram consideradas como um resultado natural e desejável do
casamento, o próximo passo no discurso dos jovens sobre a aspirina e o encargo
financeiro da educação das crianças foi um fator adicional que impede os jovens de
alcançarem as suas aspirações. Pura e simplesmente, as crianças não implicam
grandes custos, mas a maior parte dos jovens pretendia um futuro para os seus filhos
que seriam apostados do que o seu. A citação seguinte provém de um jovem
desempregado que me explicou, em primeiro lugar, que não aceitaria formas de
trabalho como as peças de carpintaria ou de espera, uma vez que não lhe
permitiriam obter progressos:

Sem algo grande [uma fonte de dinheiro], não posso sequer pensar no
casamento ou nas crianças. Mesmo se for rico, nunca terei mais do que
duas crianças. Com duas crianças, posso informá-las adequadamente de
modo a poderem chegar à universidade. Se não chegarem à universidade,
enviá-los-ei à América. É claro que poderia obter um emprego e ter filhos.
Mesmo que fosse de apenas 100 bir um mês, poderia alimentá-los com
shuro [ uma pasta de bico picante], mas este tipo de vida não é bom para
as crianças. Não aprenderão de forma adequada, e irão acabar com
calçado ou algo semelhante. Quer que os seus filhos tenham uma vida
melhor do que ela. Quer melhorar e ter uma vida boa.
Uma perspetiva semelhante provém de um jovem que auferia dinheiro com a venda
de sandálias com pneus de pneus, mas que continuou a viver com os seus pais:

Não quero casar, a menos que eu tenha trabalho de tipo diferente.


Precisamos de uma coisa diferente antes de tentar criar uma família, mas
uma vez que tenho uma vida própria que quero uma família. Quero apenas
dois filhos. No passado, havia acabado de ter filhos sem poupar dinheiro
ou refletir sobre o futuro. Na minha vizinhança, as crianças estão em todo
o lado. Trata-se de uma coima se tiver um grande composto, mas, na
minha vizinhança, não existirem libras; todas as casas são embaladas em
comum. Dormir três ou quatro para uma cama. Na minha casa, estamos
DESEMPREGO DOS JOVENS NA ETIÓPIA URBANA 159

todos a dormir numa sala. Todos nós aproximamos os serviços de


televisão de noite e de televisão e, depois, quando a programação termina
às 10h00 ou às 11h00, passemos ao sono e passemos ao sono. Se
pretender permanecer e estudar não pode, porque existe uma única luz
para um quarto, e não pode guardar todos os outros. Então, de manhã,
estamos todos a par ao mesmo tempo. É o que acontece em todos os
países da nossa vizinhança.

A tónica colocada na criação de uma criança de uma forma diferente foi elevada,
de modo a que pudessem ter uma vida melhor comum entre os jovens. Estas
declarações contrastam a educação e as famílias pequenas, com símbolos da vida
urbana de menor classe, como o shuro e a partilha de salas para construir diferentes
trajetórias futuras.Os espaços de alojamento e partilha representam os erros dos pais,
ao passo que se pensa que há menos crianças a permitir um investimento pesado na
educação e a criar mais oportunidades para uma aprendizagem mais elevada e um
emprego desejável. Cada uma destas narrativas exprime a vontade de passar de uma
posição de dependência em relação a um mesmo número para apoiar os próprios
filhos. Os jovens de homens foram concebidos, não só em termos de
reposicionamento próprio nas relações sociais, mas também para garantir que os
filhos de um deles também beneficiam desse estatuto.
O problema subjacente à realização desses progressos foi a rutura do equilíbrio
entre a educação e o emprego público. Muitos jovens puderam encontrar trabalho
em profissões de baixo estatuto, mas tal não lhes teria permitido desenvolver as
relações sociais associadas ao par de noções de sucesso em matéria de sucesso
urbana em cidades da Etiópia ou aceder a um rendimento adequado para a educação
dos filhos. Os jovens procuraram, por um lado, preservar a qualidade das suas
relações sociais com outras pessoas, evitando o trabalho de baixa qualidade e, por
outro, criar uma família em que os seus filhos conduziriam a uma vida moderna e
progressiva, mais do que «comer e dormir». para alcançar este objetivo, muitos
jovens optaram por permanecer desempregados. Não podiam aceder aos recursos
económicos necessários para se tornarem adultos em sentido normativo e, por
conseguinte, não podiam circular ao longo do tempo da forma pretendida. Os jovens
estavam numa posição ambígua de continuar a aspirar a tornar-se adultos e a
reposicionarem-se nas relações sociais, mas sem qualquer fé que este processo
pudesse ser realizado a nível local.
James Ferguson (2006) argumenta que as mudanças económicas associadas à
neolib desviaram os africanos da participação em discursos progressivos de
desenvolvimento, criando uma situação em que a melhoria do nível de vida através
de progressos lineares deixou de ser possível. Por outras palavras, a separação entre
a experiência e as expectativas de que Kosellek colaboradores com progressos
160 CAPÍTULO 7

nunca é atualizada sob a forma de uma nova experiência. Continuam a ser


imagináveis narrativas de progresso e as expectativas de uma vida diferente e
melhor do que a experiência anterior ainda existem, mas não se tornam realidade. O
descarrilamento de narrativas agressivas que a Ferguson identifica é particularmente
grave entre os jovens. A situação específica dos jovens, existentes como «ainda não
adultos» por um período de tempo indeterminado, significa que a sua condição é,
em grande medida, definida através da sua relação com o futuro.

Utilização do espaço para alcançar


os progressos nas relações
Muitos jovens consideraram que os seus problemas temporais inter-relacionados
poderiam ser resolvidos com a solução espacial da migração, de preferência para os
Estados Unidos ou para a Europa. Nas narrativas dos jovens homens, as pessoas
tiveram tempo diferente fora da Etiópia. Uma vez que um jovem desempregado o
colocou numa câmara de conversação aquecida, «posso fazer mais em seis meses na
América do que em cinco anos na Etiópia. Há progressos na América.» Esta citação
implica que só é possível uma mudança linear ao longo do tempo em determinados
espaços e apoia a sugestão da Ferguson (2006) de que, uma vez que a África foi
separada das narrativas temporais do desenvolvimento, as qualidades de espaço
passaram a ser fixadas em relação à modernidade.
O aumento da lotaria dos EUA (VD) Lottery como meio de viver a mudança ou
o progresso representa a transição de estratégias territoriais para estratégias
espaciais para atingir as suas aspirações. Embora poucos cidadãos americanos
tenham conhecimento da lotaria anual, os cidadãos norte-americanos têm
conhecimento de grande parte do resto do mundo. Todos os anos, cinquenta mil
vencedores de países em todo o mundo são selecionados para receber um visto dos
EUA.Em 2006, cerca de sete mil etíopes foram finalistas na Lotaria DV, dos quais
cerca de dois terços acabaram por receber vistos. Para ser um requerente do VD, é
necessário ser um diploma do ensino secundário, ter um patrocinador nos Estados
Unidos (alguém que prestará o apoio inicial) e uma competência profissional, e não
estar infetado com o VIH.Muitos etíopes que entraram nos Estados Unidos no início
da década de 2000 tinham membros da família com um visto de diversidade ou
tinham recebido uma lotaria. Embora a Etiópia receba um número relativamente
elevado de vistos de diversidade, os cerca de quatro mil vencedores que migram
anualmente para os Estados Unidos através da lotaria são uma pequena fração dos
que entram no jogo do loto. Para a maioria, a lotaria é um sonho que leva o local de
trabalho a nível local e participa numa narrativa temporal de se tornar.
No âmbito dos debates dos jovens, a lotaria, vencedora da Lotaria DV não se
DESEMPREGO DOS JOVENS NA ETIÓPIA URBANA 161

enquadrou numa narrativa mais ampla de progresso. Ao contrário da educação, não


ganha a lotaria VD através de um conjunto de regras de desenvolvimento ou de
passagem por uma série de fases. Na prática, as redes sociais são extremamente
importantes para aceder a um patrocinador no estrangeiro e para financiar as viagens
e para negociar um processo burocrático complicado que envolve uma grande
documentação em inglês e uma entrevista na embaixada dos EUA (Piot 2010).No
entanto, a maioria dos jovens não reconhece estas realidades e fala a lotaria em
termos de oportunidade. Um simples ganhador ou não ganha. O acesso à tecnologia,
à riqueza e ao prestígio da vida nos Estados Unidos é adquirido através da disciplina
disciplinar ao avanço do ensino para o emprego, mas através da boa sorte. Na
ausência de um processo temporal de se tornar, a lotaria VD é uma estratégia
espacial que permite instantaneamente ser moderna.
A montagem com a lotaria, o discurso dos jovens foi muitas vezes o facto de a
migração ter feito uma transformação da identidade. A noção de que a migração e a
adequada aplicação de práticas estilísticas (em particular, de moda) podem permitir
a recriação da identidade de uma pessoa foi efetivamente explorada noutros estudos
da juventude urbana em África (De Boeck 1999; Friedman 1994; Grondola 1999;
Hansen 2000; MacGaffey e Bazenguissa-Ganga 2000; Newell 2005).Por exemplo,
no que se refere à subcultura congolesa de La Sapoe, Didier Gondola escreve que «a
cultura popular permite que a juventude urbana africana construa uma ordem
sonegada, de outro modo incontactável» (1999, 24) e que «o sapador não se opõe a
um diretor executivo para imitar o diretor executivo. É diretor executivo» (1999,
32).A Sasha Newell (2005) alarga esta análise da cultura popular e defende que a
migração é também uma forma de consumo. A migração é, em parte, um processo
simbólico que permite ao viajante acumular capital cultural através de uma
associação com áreas mundiais «modernas» ou «desenvolvidas».Neste contexto de
migração como um ato simbólico, a identidade de um é transformada através de
associação com o lugar sem que tenha sofrido pessoalmente um processo de
migração temporal.
Durante uma tarde, que passei com um grupo de jovens do sexo masculino que
mastigaram e falaram, um deles disse um sonho que tinha tido a noite antes de:
«estive na cidade de Nova Iorque num clube extraordinário. Estamos a dançar e a
beber e foi maravilhoso. Jennifer [Lopez] canta. Também aí esteve. Não queria
despertar.» Os jovens também «sonharam» com frequência sobre a vida nos Estados
Unidos durante o dia em que conseguem conversar e socializar (Mains 2012).As
suas horas de vida em diferentes cidades e a possibilidade de realizar reuniões. Na
Etiópia, este estilo de vida só pode ser sonhado de, mas se ganhar a lotaria VD, este
sonho torna-se uma realidade.
Na realidade, a mudança para os Estados Unidos, um mundo que, normalmente,
era apenas acessível através de sonhos, foi considerada como causa de uma
162 CAPÍTULO 7

transformação interna para si próprio. Esta tarde, um dos jovens wers « chat» deu-
me a palavra «antes e depois» das suas fotografias antes e depois da sua partida para
os Estados Unidos e outra depois. A diferença não me parece imediatamente visível,
mas explicou: «É claro que se tornou gordura, mas a pele é, na realidade, a sua pele.
Os seus perfis de «pele».De acordo com estes jovens, os Estados Unidos são jovens
e saudáveis.» Segundo estes homens jovens, os Estados Unidos são um terreno em
que não há principiantes, qualquer pessoa é gordura, e as pessoas pagam o
equivalente a meio mês de salário a um trabalhador governamental da Etiópia de
baixo nível que tenha lavado os cães lavados. Em resposta às minhas tentativas de
fornecer uma imagem mais completa da vida nos Estados Unidos, um dos jovens
gritos, «Listen Danny, a vida de um cão na América é melhor do que um ser
humano na Etiópia!»
Nos debates que referem a cultura pop ocidental e comparam a Etiópia com os
Estados Unidos, os jovens definem a sua própria vida em termos de ausência de
entretenimento, ausência de saúde, ausência de modernidade. Estas narrativas são
semelhantes ao conceito de Charles Piot (2005) de «viver no exílio» dentro do
próprio país da vida moderna que um desejo. A migração devia ser completamente
transformada. A afirmação «Podemos viver como frangos vivos» e a comparação
negativa de uma vida etíope com a de um cão nos Estados Unidos implicam que não
há nada de ser humano na vida na Etiópia. É certo que um não pode ser
verdadeiramente uma pessoa sem abandonar o país.
Apesar de poderem conceber a Etiópia como intrinsecamente «retrospetivos»
através da circulação de homens jovens, os jovens passam rapidamente de «viver
como um frango» para o tipo de vida saudável e com significado que se presume
existir noutras partes do mundo. No discurso da juventude, são espaços e não
pessoas que são fixados atempadamente, permitindo assim que os indivíduos
realizem progressos através do movimento espacial. A mudança ocorre não só com
a mudança, mas também através da referenciação de qualidades simbólicas
associadas a outros espaços. Neste sentido, é possível obter progressos através da
manipulação das qualidades espaciais, apesar da incapacidade de participar em
narrativas temporais dos progressos.
A utilização do espaço para superar problemas de tempo num contexto de
declínio económico é uma estratégia amplamente utilizada em África e noutras
partes do mundo. Na Etiópia urbana, o movimento espacial não era apenas um
instrumento para contornar o problema de se tornar, permitia também aos jovens
escapar às relações locais. Em geral, a lei dos Estados Unidos da América Ocidental
foi concebida como um espaço em que a liberdade social era possível. Um jovem
com um interesse particularmente forte em viajar para o estrangeiro explicou «Na
Etiópia, há yilunnta.Não estamos aqui livres. Na América, fá-lo-ia muitas coisas.
Gosto de praticar desporto, mas na Etiópia não posso usar calções (shorts).As
DESEMPREGO DOS JOVENS NA ETIÓPIA URBANA 163

pessoas irão falar e insulação. Na América, utilizarei os calções (shorts).Seria livre


de fazer tudo o que quis». embora os calções (shorts) possam parecer triviais,
representa um sentido geral que pode escapar a normas culturais locais através da
migração.
As citações seguintes dos jovens ilustram a relação entre o estatuto profissional
e a vontade de migrar. De um grupo de estudantes profissionais:

Todos querem sair da Etiópia. Tal deve-se ao facto de o trabalho não ser
apreciado neste contexto. Uma pessoa que faça obras de rua como calçado
de limpeza e carros de lavar roupa será insultuosa, especialmente se forem
educadas. Não serão aceites pela sociedade. O meu pai tem um amigo que
trabalha na África do Sul que vende peúgas na rua. É adulto com uma boa
educação. Alguém como ele nunca o faria na Etiópia. Obviamente, pode
fazer mais dinheiro na África do Sul, mas também não existe yilunnta
nesse país. Uma pessoa instruída como a amiga do meu pai será insultada
aqui, e poderá ter de lutar.

De um grupo diferente de estudantes profissionais:

Ulent 1: A melhor razão para deixar a Etiópia é trabalhar e ganhar


dinheiro, mas também é importante. A ShoeShine pode fazer quinze
ou vinte aves por dia [$2 — $2.50].Trata-se de um bom dinheiro, mas
será insultado. Se tiver de fazer este tipo de trabalho, devo dirigir-me
para uma nova cidade.
Ulent 2: Quero trabalhar a tempo parcial enquanto sou um estudante, mas
há yiluncta.Mesmo que não insulte, não o respeitará e ninguém quer ser
conhecido como ShoeShine. Ulent 3: Percebi em filmes que os diedianos
fazem roturas em dinheiro na rua na América, mas não é possível fazê-lo
na Etiópia.

Na prática, as mulheres eram muito mais suscetíveis de se deslocar ao


estrangeiro para trabalhar, normalmente para o Médio Oriente, para trabalhar como
funcionários nacionais.A Yilunnta e a reestruturação das relações sociais também
foram relevantes para este tipo de migração profissional, mas a dinâmica foi
significativamente diferente das que descrevi para os homens jovens. As mulheres
jovens trabalharam geralmente numa base contratual e permaneceram no estrangeiro
apenas durante alguns anos. Embora geralmente tenham enviado remessas para as
suas famílias, não puderam acumular grandes montantes de riqueza a que os
migrantes têm acesso na Europa ou nos Estados Unidos. Tive conhecimento de
muitos casos em que os jovens desempregados foram, em grande medida, apoiados
pelas remessas enviadas pelas suas irmãs que trabalham no Médio Oriente. Talvez
164 CAPÍTULO 7

em resultado da distância espacial, esta subversão das normas de género em matéria


de reciprocidade e de poder criou poucas tensões entre as mulheres migrantes e os
seus homens.
A migração no estrangeiro foi uma narrativa que raramente foi posta em prática
pelos jovens, mas a migração na Etiópia era mais comum. A escolha de viver com o
apoio da família ou dos amigos não é, evidentemente, um pequeno sacrifício. Um
jovem da região de Wollo abandonou a sua residência rural e trabalhou como
empregado de mesa em Jimma. Explicou que se tinha deslocado até à data (dois a
três dias da sua casa por autocarro), a fim de evitar que se sentissem em frente à
família e aos amigos. Não tinha nem sequer um apoio social mínimo em Jimma.
Quando o local em que se arrendou foi roubar, perdeu todos os seus bens e não teve
de recorrer a um auxílio. Apesar destas dificuldades, considerou que tinha feito a
decisão certa ao deixar o seu domicílio. Esta história do homem era típica dos
trabalhadores do setor da restauração; quase todos os empregados de mesa que
entrevistei tinham migrado de outros países. Este exemplo indica também que o
movimento espacial não exigia necessariamente que o país abandonasse o mesmo.O
facto de se evitar a vergonha do estigma poderia ser levado a cabo a nível local, mas
tal não proporcionou à associação simbólica com a modernidade e à «oppor tuny» a
auferir rendimentos elevados que provocaram aos jovens a perceção de que a
migração internacional é tão eficaz para facilitar a mudança de estatuto.
A vergonha de trabalhar numa ocupação de baixo estatuto social era
inteiramente social. Se um estava rodeado por estranhos, então o stress de
yilunnanta foi esquecido. A mudança espacial como solução para os problemas de
tempo foi incorporada nos valores locais relativos à ocupação. As normas culturais
foram sentidas como obstáculos às aspirações de progresso e foi apenas devido a
uma fuga temporária dessas normas que um jovem poderia regressar e voltar a
entrar na sua comunidade com uma posição social diferente e mais desejável. Uma
vasta literatura descreve a importância da migração em África, geralmente no que
diz respeito ao acesso ao trabalho salarial urbano, para acumular os recursos
necessários para assumir o papel de um adulto. Por exemplo, no seu estudo da Nuer,
Sharon Hutchinson (1996) descreve os jovens que exercem um trabalho salarial na
cidade para acumular o dinheiro necessário para regressar a casa, expandir os seus
efetivos de gado e iniciar as famílias. Outros argumentaram que o acesso às
qualidades modernas do espaço é tão importante para motivar a migração como
diferenças na oportunidade ecológica (Newell 2005).O caso etíope é distinto pelo
facto de ser mais do que simples diferenças no acesso a bens materiais ou
qualidades associadas à modernidade que motivou a migração. Pelo contrário, os
jovens procuraram abandonar a etismo em parte devido a diferenças na forma como
se pensavam interagir em diferentes espaços.
A qualidade fundamental que permite a circulação espacial para resolver o
DESEMPREGO DOS JOVENS NA ETIÓPIA URBANA 165

problema do progresso nas relações sociais é uma mudança na forma como é


avaliada a atividade pro ductiva. No interior da Etiópia, os jovens do sexo
masculino avaliaram o trabalho realizado de acordo com a sua situação em relação a
outros. O seu trabalho fora da Etiópia é essencialmente o intercâmbio de um poder
de trabalho e de salários. Para os jovens desempregados, o progresso em termos de
posição nas relações internas foi alcançado através da mudança para um espaço
onde o trabalho não é avaliado em termos de relações. A opção de trabalhar como
motorista de táxi nos Estados Unidos não se baseia na posição dessa ocupação no
seio de uma esfera de poder, mas sim na possibilidade de ganhar dinheiro. Isto não
significa que o trabalho fora da Etiópia se divorciou de yilunnat e de relações
sociais. Os fundos recebidos de outro país foram normalmente investidos na Etiópia,
e o trabalho e o tempo na Etiópia continuaram a ser avaliados em termos de
relações. No entanto, o emprego público que tinha anteriormente permitido trabalhar
simultaneamente para trabalhar e para participar em relações positivas deixou de ser
uma possibilidade realista. Esta situação levou os jovens a conceber, tanto quanto
possível, a construção de relações desejáveis, passando para um espaço onde o
trabalho e o tempo funcionaram de forma diferente.
Na prática, o acesso a estes espaços foi realizado principalmente através de redes
sociais. Tal como acima referido, mesmo no caso de um processo aparentemente
aleatório como a lotaria VD, as redes eram muito importantes. Muitas vezes, os
homens jovens que trabalham com pessoas com idade para migrar tinham familiares
residentes no estrangeiro que poderiam prestar assistência. Sem estas ligações era
praticamente impossível. Neste sentido, as redes de pessoas facilitaram a circulação
que lhes permitia escapar temporariamente às relações sociais e, idealmente,
reorientarem-se para os mesmos navios. Em cada etapa do processo, os significados
dos diferentes espaços foram determinados, em grande medida, pelas suas
implicações nas relações sociais.

Conclusão
Muitas das dinâmicas descritas neste artigo são comuns à juventude que vive em
diferentes áreas do mundo. Em diferentes graus, uma diminuição do valor da
educação, da constrição no setor público, da dificuldade de assumir as
responsabilidades associadas à idade adulta e do interesse crescente pela migração
são temas de estudos recentes sobre a juventude. O argumento específico que
desenvolvi, contudo, tem por base uma nova reflexão sobre estes processos através
de uma análise aprofundada da iilunna e dos valores relativos ao estatuto
profissional. Defendi que a juventude urbana na Etiópia avaliou o emprego não
tanto com base no rendimento e no tempo de trabalho, mas sim em termos do modo
166 CAPÍTULO 7

como o trabalho se situa no âmbito das relações sociais. Ao alargar este argumento
aos cursos e práticas relativos ao progresso e à migração internacional, demonstrei
que tanto o tempo como o espaço são indissociáveis das relações sociais.
O caso dos homens jovens na Etiópia demonstra o problema de uma dicotomia
rigorosa entre desemprego e emprego. A classificação de jovens urbanos como
trabalhadores por conta de outrem ou desempregados ignora a questão mais
importante da sua posição nas relações sociais. Os jovens estudados estavam
principalmente preocupados com a forma como interagiram com outros na vida
quotidiana e com a sua vontade de se reposicionar nas relações de reciprocidade. Os
homens jovens desejavam mudar-se para os Estados Unidos não simplesmente para
encontrar trabalho, mas também para utilizar a distância espacial para se separarem
das relações. Isto não significa que o emprego não é importante. Contudo, uma
dependência excessiva em relação ao (des) emprego como uma categoria analítica
oculta as lutas com relações sociais fundamentais para a vida dos jovens. Em vez de
classificar os jovens com base no seu estatuto de trabalhador, é muitas vezes mais
útil examinar a sua localização no âmbito das relações sociais, tanto no presente
como em relação a um futuro imaginado.
8
TRABALHO EM MOVIMENTO
Parentesco, redes sociais e trabalho precário entre os
migrantes mexicanos

Frances Abrahamer Rothstein

Os residentes de San Cosme Mazatecochco, uma comunidade rural no centro do


México, têm uma longa história de tratamento da evolução das circunstâncias
económicas e da procura de mão de obra para o seu trabalho. Apesar de muitos altos
e baixos, até há pouco tempo poucas pessoas de Mazatecochco migraram para os
Estados Unidos. No entanto, desde meados da década de 1990, centenas de homens
e mulheres da Mazatecochco chegaram aos Estados Unidos, especialmente à Nova
Jersey e à Connecticut. O presente capítulo descreve a forma como a San Cosmeros
tratou de políticas neoliberais, especialmente o comércio livre, o que levou à perda
de postos de trabalho na fábrica de têxteis nacionais e, em seguida, à diminuição do
seu fabrico local de vestuário em pequena escala, através da migração para os
Estados Unidos. Em seguida, uma vez que a economia dos EUA se deteriorou com a
grande adesão, muitos regressaram ao México. Os homens sem as mulheres têm
maior probabilidade de regressar, ao passo que os homens e as mulheres que têm
famílias e redes sociais nos Estados Unidos puderam utilizar essas redes para
amortecer os efeitos da reestruturação e do desemprego resultantes da Recessão e
são mais suscetíveis de permanecer nos Estados Unidos.
Este capítulo examina quem regressou e porquê. Ao fazê-lo, demonstra a relação
entre o subemprego e o subemprego e os fluxos migratórios; também documenta os
papéis críticos prestados pela comunidade de parentesco e pela comunidade no
apoio a missões de papoila no emprego e no local de trabalho e ao longo de todo o
processo de migração. É dada especial atenção à forma como a igualdade de género,
o parentesco e as condições económicas nos Estados Unidos da América, à
Mazatecochco e ao estado de Tlaxcala, onde a comunidade está localizada,
influenciaram a sua decisão de regresso. As minhas informações relativas à
167
168 CAPÍTULO 8

investigação e ao recenseamento mexicano mostram que os homens mais do que as


mulheres estão a regressar ao México. Tal como o
A economia dos EUA deteriorou-se na Grande Recessão, muitas (em especial os
homens) perderam completamente os seus postos de trabalho ou tinham o número
de dias que podiam ser utilizados. Muitos destes homens, em especial aqueles que
não têm família nos Estados Unidos, que os poderiam ajudar através de tempos
difíceis, regressaram a casa.
O capítulo está dividido em quatro secções. Na primeira parte, o «Capitalismo
Contemporânea» debati os métodos teóricos utilizados nesta análise para
compreender a migração. Na sequência de Stephen Castles, a migração (incluindo a
migração de regresso) é considerada parte integrante do processo de transformação
mais vasto da globalização (2010, 2011).A maior parte da investigação sobre a
globalização e a migração tem-se centrado na questão da migração dos migrantes.
Na secção 2, «Trabalho precário e migração mexicana», analisarei o padrão
diferencial da migração de retorno para os homens e mulheres mexicanos em geral e
para o Taxicala e a Mazatecochco, em particular, e eu descrevi a natureza precária
do emprego dos migrantes nos Estados Unidos, em especial para os homens durante
a recessão, e a melhoria das economias locais e regionais no México. Sugiro aqui
que o regresso da migração esteja relacionado com o processo mais vasto da
globalização e das condições económicas nos Estados Unidos e no México. Mas os
fatores sociais, em especial as redes de parentesco e as redes familiares, podem
atenuar os efeitos da deterioração da economia. Na terceira secção, «Who Returns
and Why?» (Who Returns and Why?), debate sobre a forma como as redes
familiares e as redes de kin podem tornar-se um fator determinante. Isto significa
também que o regresso varia com a natureza dessas redes. A conclusão analisa as
implicações dos resultados para uma investigação mais aprofundada que adote uma
abordagem mais ampla em relação à migração e ao insucesso e ao subemprego. Para
San Cosmeros/como, tanto no México como nos Estados Unidos, o problema é
menos um desemprego do que o subemprego e o trabalho flexível e precário. Cada
vez mais, tanto nos Estados Unidos como no México (como no resto do mundo), os
empregadores têm pouco ou nenhum compromisso para com os trabalhadores.
Embora os migrantes tenham, por vezes, perdido completamente os seus postos de
trabalho, uma vez que o seu trabalho não é geralmente seguro, o problema que
enfrentavam, especialmente durante a Grande Recessão, era que era ainda mais
suscetível de ser temporário, a tempo parcial e precário. As redes de kin (que
exigem a presença de mulheres) atenuaram os efeitos do trabalho precário.
Este debate baseia-se em quatro décadas de investigação etnográfica de
Mazcoclecoclear (1971-2014) e cinco anos de investigação (2009-presente) sobre
migrantes de Mazatecochco numa média cidade de New Jersey, segundo o qual
«Riverview.» 1 Investigação em Mazatecochco incluiu mais de cinco anos de
TRABALHO EM MOVIMENTO 169

trabalho no terreno na perenidade. A investigação sobre migrantes nos Estados


Unidos envolveu a visita a migrantes pri marly em Nova Jersey para estadas que vão
de um dia a três semanas e visitas de migrantes em Nova Iorque na minha casa e em
ouings como visitas com amigos ao Estatuto do Liberty, ao Museu Americano de
História Natural e ao Jones Beach. Durante estas estadas e visitas no México e nos
Estados Unidos, realizaram entrevistas pessoais aprofundadas e semiestruturadas
com 50 migrantes (trinta e cinco homens e quinze mulheres) e cinquenta migrantes
(trinta mulheres e vinte homens) em Jersey e tiveram inúmeras conversas informais
com eles, membros das suas famílias e outros membros das suas comunidades,
incluindo líderes locais e regionais, numa série de contextos, nomeadamente a
celebração de Carnival, de Natal, de casamentos, batizados e de aniversários, bem
como visitas às suas casas ou à mina. 2

Capitalismo contemporâneo: Acumulação flexível,


globalização, redes sociais e migração
Stephen Castles sugere que, para compreender a migração global, é necessário
utilizar uma perspetiva de transformação social (2010, 2011).Os castelos
consideram a formação social trans como mudanças fundamentais que são mais do
que «processos contínuos de mudança social progressiva que estão sempre a
funcionar». estão «estreitamente ligados a mudanças importantes nos navios
dominantes de natureza económica, política e estratégica» (2010, 1576).Além disso,
a Castles considera que a migração internacional está ligada ao mercado de trabalho
mundial associado à globalização neoliberal (2011, 313).
A abordagem utilizada no presente documento também considera a migração
como parte de uma mais ampla trans formação, tal como sugerido pelos Castles,
mas que Castles sublinha as mudanças políticas no final da Guerra Fria, vejo a
transformação na década de 1970 e sugerem que a globalização contemporânea e a
transformação com a qual está associada podem ser melhor compreendidas em
termos de acumulação capitalista. 3 Como Eric Wolf (1997, 298) sugere, após Marx,
a acumulação de capital ocorre e o capitalismo surge quando a riqueza é utilizada
para comprar mão de obra para produzir mais riqueza. Com o tempo e o espaço, a
acumulação capitalista assumiu diferentes formas e a relação entre capital e mão de
obra mudou. A análise aqui utilizada começa com a atual forma de acumulação de
capital, o que Harvey (1990) faz uma «acumulação flexível» refere-se, em especial,
à afetação flexível de capital a determinados locais e trabalhadores. Mais
especificamente, «assenta na flexibilidade no que diz respeito aos processos de
trabalho, aos mercados de trabalho, aos produtos e aos padrões de consumo»
(Harvey, 1990, 147).
170 CAPÍTULO 8

Embora as Castles não utilizem o termo «acumulação flexível», grande parte do


seu debate sobre a migração aborda o padrão contemporâneo de compromisso
flexível do capital para com o trabalho e o local. Mais especificamente, descreve
uma fase de relações de classe global, iniciada pela recessão económica na década
de 1970, que se caracteriza (como o padrão da acumulação flexível de Harvey) pela
circulação de investimentos de capitais e pela mudança para uma força de trabalho
flexível (Castles 2011).
Embora os números da mão de obra flexíveis tenham sido bem visíveis em
muitos debates sobre a migração desde os anos 1980, 4, o que distingue a abordagem
da Castles é a sua insistência em ver a migração ser mais holística do que muitos
analistas. Não só reconhece a importância da reestruturação global e do mercado de
trabalho como as dimensões da migração, mas salienta «os muitos fatores não
económicos que tornam a migração uma experiência abrangente» e «conectividade
entre localidades e mediações entre níveis» (2010, 1582).Assim, as Castles
proporcionam um quadro para descrever e analisar a circulação de pessoas, em
especial para o emprego, que, ao longo do tempo, passam a lutar pela sobrevivência
ao longo do tempo, mas não se limitam a vender o trabalho de um. Em qualquer
outro lado, a Castles escreve:

Os processos de transformação social cruciais para a reordenação das


relações de trabalho são mediados através de padrões históricos e culturais
locais, que permitem às pessoas desenvolver tipos específicos de
adaptação e resistência. Estes podem assumir a forma de movimentos
religiosos ou nacionalistas, mas também de estratégias individuais ou
familiares, bem como de ações coletivas contra a exploração.(2011, 319)

Do mesmo modo, embora Harvey não debata especificamente a migração, sugere,


de forma mais genética:

É também neste momento de fragmentação e de insegurança económica


que o desejo de valores estáveis conduz a uma maior ênfase na autoridade
das instituições de base — a família, a religião, o Estado....Estas ligações
são, pelo menos, plausíveis, pelo que devem ser objeto de uma análise
mais cuidadosa.(1990, 171-172 citando Simmel 1978)

De que forma a fragmentação, a insegurança e a reordenação das relações sociais, a


adaptação e a resistência mencionadas por Harvey e Castles estão relacionados com
os padrões sociais e culturais dos migrantes de Mazatecochco em casa e fora?
Quando se deslocou à Mazatuecochco, em 2012, para realizar investigação
exploratória sobre a migração de regresso, constatei que mais homens tinham
regressado do que as mulheres. Além disso, quando questionados sobre o facto de
terem regressado, embora as condições económicas nos Estados Unidos fossem
TRABALHO EM MOVIMENTO 171

importantes, o regresso dos migrantes em situação de tensão era um dos principais


motivos para o seu regresso. Morte de um pai; uma mãe estava doente; uma mulher
tinha deixado a Mazatecochco a viver com outro homem. Desde a minha
investigação realizada em Jersey, sabia que os migrantes da Mazatecochco
utilizavam o kkinship e as práticas rituais semelhantes às que estão em casa para
expandir as suas redes sociais e para construir capital social que facilitava a sua
aplicação às suas novas circunstâncias (ver Rothstein 2015).Sabia, além disso, que
estas prac ices dependiam da presença de mulheres. Entre os migrantes da
Mazatecochco, a presença crescente de mulheres permitiu a criação de um kkinship
flexível, semelhante ao de Mazatecochco, para funcionar também nos Estados
Unidos.
Vários estudos demonstraram a importância das mulheres nos sistemas de
parentesco e nos sistemas rituais das comunidades mexicanas, como a
Mazatecochco (Rothstein 1982; Stephen 2005a).O que é menos frequente é que o
aumento da presença de mulheres entre os migrantes facilita a importância do
parentesco e do rispys tems nos Estados Unidos. Embora os homens desempenhem
funções significativas nos rituais e rituais familiares, as mulheres são, tal como o di
Leonardo (1992) fez notar que as mulheres italianas americanas nos Estados
Unidos, os organizadores de celeiros e desempenham um papel importante na
criação e manutenção de relações familiares. As mulheres executam o que é que
«Leonardo» chama «o trabalho de parentesco.» Tal trabalho dos familiares implica
«a conceção, a manutenção e a celebração ritual de laços familiares relacionados
com as famílias», incluindo «a organização de reuniões de férias; criação e
manutenção de relações quase kin; a decisão de negligência ou de intensificação de
ligações específicas; [e] o trabalho mental de reflexão sobre todas estas atividades»
(1987, 442-443).
As práticas de parentesco de San Cosmeros são sempre flexíveis. Como
assinalou a Roth- stein, isto significa que o parentesco é destacado na ideologia e na
prac, mas três características permitem que o sistema mude e se adapte a diferentes
circunstâncias: (1) «O reconhecimento bilateral dos familiares através de homens e
mulheres, juntamente com as relações através do casamento e da compadrazgo,» (2)
«o reconhecimento dos kin apesar da distância física e social» e (3) «o facto de, para
além de algumas obrigações mínimas, determinadas relações familiares não estarem
associadas a obrigações específicas» (1999, 583).Esta flexibilidade permitiu-lhes
adaptar-se à evolução das circunstâncias ao longo do século XX.Para os migrantes
nos Estados Unidos, a presença das mulheres facilita a criação, a manutenção e a
adaptação de antigas práticas e valores de parentesco e rituais que ajudam os
migrantes a sobreviver e desafiam os condicionalismos da classe, do género e da
legalidade. 5 A presença de mulheres e as redes de familiares que facilitam têm sido
sempre importantes para a San Cosmeros/como. Têm sido ainda mais importantes
172 CAPÍTULO 8

para atenuar os efeitos da recessão quando o emprego, em especial dos homens, se


tornou ainda mais precário do que antes da recessão.

Trabalho precário e migração mexicana


No relatório do Pew Histpânico Center relativo à migração mexicana, designado por
«notável inversão do padrão histórico», um maior número de mexicanos deixou os
Estados Unidos entre 2005 e 2010 do que chegaram (Pasel, Cohn, e Gonzalez-
Barrera, 2012).Outros debates recentes sobre a migração mexicana para os Estados
Unidos indicam igualmente que a taxa de migração diminuiu significativamente e
que o número de mexicanos que chegam aos Estados Unidos diminuiu
acentuadamente (Preston 2012).No entanto, apesar de uma enorme quantidade de
dados sobre as taxas de migração para os Estados Unidos, há muito menos
informações sobre a dimensão da migração de regresso do México ou sobre quem
regressa.
Recentemente, vários estudos sugeriram diferenças entre as pessoas que
regressam e as pessoas que permanecem. A Renall, a Brownell e a KUPS (2009), a
Masferrer e Roberts (2012) e a Van Hook e Zhang (2011) consideraram que os
homens tinham taxas de rendimento superiores às das mulheres. Alguns estudos de
liquidação também revelaram que as mulheres têm maior probabilidade de
permanecer nos Estados Unidos do que os homens. Declarou que a duração da
estadia era mais longa para as mulheres do que para os homens. Considerando que,
no seu estudo, 45 % das mulheres adultas mexicanas permaneceram mais de dez
anos, apenas 26 % dos homens adultos permaneceram mais de dez anos (1997,
48).Se, como sugere estes estudos, as mulheres regressam com menos frequência do
que os homens, precisamos de compreender porquê.
Presume-se que muitos fatores económicos estão associados ao regresso. Pensa-
se que as experiências de trabalho orientadas para o país de acolhimento têm a ver
com o regresso (Van Hook e Zhang 2011) e as expectativas dos migrantes em
relação à economia nacional desempenham um papel significativo (Cassarino
2004).Lindstrom (1996) considerou que a economia oppelas, em especial as
oportunidades de investimento, na comunidade ou na região de origem é importante.
Estudos recentes realizados pela MaMasferrer e Roberts (2012), que revelaram que
os migrantes estão a regressar mais às novas zonas de envio (ou seja, as que só
recentemente estiveram envolvidas na migração), as comunidades prósperas e as
zonas mais cosmopolitas são favoráveis a esta perspetiva. Outros estudos também
salientaram as condições económicas em casa e no país de acolhimento, juntamente
com a política de imigração no país de acolhimento (por exemplo, Cobo, Giorguli e
Alba 2010).Um estudo que examinou uma combinação de fatores concluiu
TRABALHO EM MOVIMENTO 173

igualmente que, embora os fatores económicos, medidos pelo capital humano e a


integração económica nos Estados Unidos, inflacionam o retorno determinado, o
capital social, medido pelo estado civil, a dimensão do agregado familiar e a
presença de crianças nos Estados Unidos, estava mais estreitamente relacionado
com o regresso (Van Hook e Zhang 2011).Infelizmente, estes estudos não analisam
o género.
A investigação preliminar realizada em Mazatecochco em 2012 indicava que as
mulheres pareciam estar a regressar menos do que os homens. A investigação
realizada em 2014 confirmou este padrão. Análises recentes do México apoiam a
sugestão de que a incidência dos rendimentos entre os homens é maior. Uma análise
do INEGI (Instituto Nacional de Estadentica y geografia, ou do Instituto Nacional
de Estatística e Geografia), centrada no período compreendido entre 2005 e 2010,
concluiu que uma percentagem inferior de mulheres regressou ao México do que os
homens (28,8 % contra 32,5 %).No Estado de Tlaxcala, a diferença era ainda maior:
26,1 % das mulheres que migraram regressou, contra 34,2 % dos homens. Num
debate sobre os tipos de migrantes, Alba sugere que «os migrantes circulares
tendem a ser mais jovens e predominantemente do sexo masculino, enquanto os
migrantes regularizados são mais bem divididos entre homens e mulheres» (2010,
5).Outros estudos indicam também que o rácio entre as mulheres e os homens entre
os migrantes mexicanos instalados é mais elevado (Reyy1997).
Dada a negligência geral da migração de regresso e, até há pouco tempo, do
género e da migração, 6 não é surpreendente que pouco se saiba sobre as variações
por género, categoria, estado civil, educação, idade, experiência de trabalho,
oportunidades no trabalho, probabilidade de regresso de homens e mulheres. A
minha investigação em Mazatecochco e entre migrantes em Nova Jérsia, bem como
sugestões de estudos de migrantes nos Estados Unidos, sugerem também que,
juntamente com o género, temos de incluir um discuto de família e de parentesco.
Embora os estudos sobre a migração tenham sempre em conta a importância das
redes sociais e das redes sociais mais vastas na decisão de migrar, a investigação
sobre o papel das redes sociais na resolução da questão do regresso é menos
sistemática. Há muita investigação sobre a relação entre as redes sociais e o
emprego. A maior parte desta investigação assenta, no entanto, em medidas
problemáticas de redes e centra-se apenas nas redes sociais dos homens. 7 Em
especial quando as condições económicas são precárias, a ausência de redes
familiares e de kin, especialmente entre os migrantes do sexo masculino, pode
contribuir para taxas mais elevadas de migração de regresso. Antes de debater de
que forma a presença das mulheres, da família e das redes de kin pode atenuar o
impacto da situação dos homens e do desemprego masculino, é necessário ter em
conta as condições económicas dos migrantes em casa e nos Estados Unidos nos
últimos anos.
174 CAPÍTULO 8

Trabalho precário no domicílio e


nos Estados Unidos
Apesar de a Grande Recessão nos Estados Unidos ter sido oficialmente registada em
junho de 2009 e de a taxa de desemprego dos imigrantes mexicanos ter diminuído
1 % entre 2009 e 2010, o desemprego dos mexicanos nos Estados Unidos continuou
a ser elevado (12 % em 2010, em comparação com 5,5 % em 2007) (CONAPO
2011, 252).Além disso, o subemprego também aumentou. Entre 2008 e 2010, a
proporção de Mexi pode trabalhar menos de quarenta horas semanais quase
duplicou, passando de 9,8 % para 19 % (CONAPO 2011, 256). 8 Não é
surpreendente, esta diminuição das horas trabalhadas estava associada a uma
diminuição dos salários. Entre 2007 e 2010, o salário anual médio dos imigrantes
mexicanos diminuiu de 22,579 dólares para 21,224 dólares (NAPO 2011, 257).Não
só a diminuição dos salários e o aumento do desemprego, como o facto de a maioria
dos migrantes mexicanos, incluindo a grande maioria dos migrantes de
Mazatecochco, não estarem documentados, estão concentrados no trabalho informal,
em aspetos de caráter paisagístico e de construção para os homens e no trabalho
doméstico para as mulheres. Como salientado no acórdão Muncik, Scherup e
Delgado Wise, a informalidade é «na origem do trabalho precário que é agora a
norma» no norte do mundo, bem como no sul (2011, 253).
Uma vez que as condições para os migrantes mexicanos nos Estados Unidos não
conseguiram melhorar, desde 2010, o défice económico tem vindo a mostrar sinais
de recuperação. De acordo com as contas dos jornais, a economia do Tlaxcala tem
vindo a crescer mais do que a economia nacional (5,1 % contra 3,9 %) (Jimenez
Guillen 2012, 3; 2014.º, 5.º).As conversas com migrantes de regresso em agosto de
2012 e, mais tarde, em 2014, indicaram que estavam atualmente a trabalhar. Esta
situação coincidiu com a minha posição no sentido de que a indústria do vestuário
de pequena escala local e a atividade comercial da comunidade tenham aumentado.
Quando estive em 2009, a indústria do vestuário estava a sofrer (Rothstein 2010;
Montiel Torres 2014).Com efeito, foi o declínio da indústria do vestuário de
pequena escala local no final da década de 1990 e no início dos anos 2000 que
tinham contribuído inicialmente para o crescimento da migração a partir da
Mazatecochco a partir dos anos 1990.
Há vários anos que as pessoas de Mazatecochaco têm vindo a mudar as
condições económicas e a flutuações da procura do seu trabalho. Na década de
1940, uma cultura de base limitada provocou a migração de homens da comunidade
para a Cidade do México (sessenta milhas fora) ou a Puebla (10 milhas) para
trabalhar na indústria têxtil nacional. Na década de 1980, como o comércio livre
cresceu, os trabalhadores têxteis da Mazatecochco, juntamente com centenas de
milhares de outros trabalhadores têxteis, perderam os seus postos de trabalho na
fábrica. No final da década de 1980, algumas famílias que tinham sido afetadas pelo
TRABALHO EM MOVIMENTO 175

vestuário estavam a comprar vestuário que venderam em mercados regionais


começaram a produzir vestuário nas pequenas famílias (workshops).Em meados da
década de 1990, existiam centenas de seminários em Mazatecochco que produziam
peças de vestuário. Embora alguns dos trabalhadores e trabalhadores/proprietários
de oficinas de menor dimensão tenham as peças concebidas e cortadas pelos
proprietários dos seminários de maior dimensão, é de notar que nem os seminários
de menor dimensão nem os de maior dimensão estão ligados ao fabrico de vestuário
transnacional. À medida que a concorrência no interior da comunidade e dos artigos
de vestuário aumentou noutros locais, muitos dos seminários de pequena dimensão
foram encerrados e os seminários de maior dimensão analisaram as comunidades
mais afastadas de mão de obra mais barata. Muitos dos migrantes em Nova Jersey
tinham sido proprietários de pequenos seminários, geralmente no que era que era
peo em Mazatecochco, porque leiam os pedaços cortados que os grandes
proprietários produziam, ou tinham sido trabalhadores dos seminários de maior
dimensão, que estavam agora a ser costurar em outros locais onde os trabalhadores
eram mais baratos. Alguns dos grandes proprietários de oficinas migraram, mas
alguns conseguiram inovar e diversificar as suas atividades. 9
O crescimento nacional e regional recente (Poia 2011; Jimenez Guillen 2012;EL
Sol de Tlaxcala 2012, 2014) parece ter conduzido a uma revitalização da indústria
do vestuário local. Muitos dos migrantes que regressam estão a trabalhar em
workshops de vestuário, próprios ou pertencentes a terceiros. Com o relançamento
da indústria do vestuário, outras atividades comerciais parecem ter também
prosperado. As ruas estão revestidas com uma grande variedade de estabelecimentos
e serviços comerciais que oferecem lojas de vestuário, jogos eletrónicos, telemóveis,
aulas de música, aulas de inglês e similares, bem como pequenos restaurantes e um
café sofisticado com o espresso, cappuccino, hambúrgures, tarte de maçã e outros
alimentos não tradicionalmente consumidos na comunidade.
As mulheres também fabricam e vendem alimentos tradicionais preparados, como
chileatole ( uma sopa de milho) e chiles en nogada, 10 que fornecem nos fins de
semana. A este respeito, a Mazatecochco é semelhante na distribuição profissional
ao Estado de Tlaxcala. Entre 2000 e 2010, a participação nos setores agrícola,
industrial e desses serviços diminuiu, ao passo que os setores do comércio e dos
serviços aumentaram significativamente (INEGI 2010, 55).

Quem faz o regresso e por que razão?


A pessoa que regressa depende obviamente de quem se desloca. Até há pouco
tempo, as mulheres mexicanas migraram muito menos do que os homens e, caso
tenham migrado, passaram frequentemente com ou na sequência de maridos
176 CAPÍTULO 8

(Donato 2010).A Mazatecochco, situada em cen ventral, é uma nova comunidade de


envio numa região que não tem tradicionalmente uma migração elevada para os
Estados Unidos. Na altura em que as pessoas de Mazatecochco começaram a
migrar, a maior parte das mulheres estavam empregadas ou geravam rendimentos
através de atividades informais, incluindo como trabalhadores familiares em
workshops de vestuário. Quando as pessoas da Mazatecochco começaram a migrar,
o padrão de género não era o das comunidades de envio tradicionais. Tanto os
homens como as mulheres migram, e muitas das mulheres migrantes de
Mazatecochco migraram, como muitos dos homens, de forma autónoma, ou seja,
não eram a seguir a cônjuges ou pais (Rothstein 2010).Tal como os homens, à
medida que a economia regional e local se deteriorou, as mulheres migraram para o
emprego.
Embora as economias locais e regionais tenham registado uma melhoria recente,
a maior parte do emprego na Mazatecochco e na região é, como o trabalho dos
migrantes nos Estados Unidos, informal, a tempo parcial e precário. A proporção,
por exemplo, da população economicamente ativa no Estado de Tlaxcala que tem
acesso a prestações de saúde diminuiu, assim como a proporção da população
economicamente ativa que aufere duas ou mais vezes o salário diário mínimo, que
tem de ter uma vida familiar (INEGI 2010, quadro 4). 11 Assim, apesar do
crescimento economico no Estado e do aparecimento da prosperidade na
comunidade, a maior parte do trabalho disponível é ainda mal pago e inseguro.
Uma das principais fontes de emprego das mulheres e dos homens em
Mazatecochoco nas últimas duas décadas tem sido a pequena produção de vestuário.
Tal como indicado acima, muitos comerciantes (o termo utilizado para os
proprietários das oficinas de maiores dimensões que produzem e vendem a sua
produção) começaram a subcontratação a trabalhadores de outras comunidades onde
os trabalhadores eram mais baratos. No entanto, continuam a depender dos
trabalhadores locais para determinadas tarefas, como a conceção, o corte, a
distribuição, a recolha dos pedaços de vestuário e a comercialização das peças de
vestuário concluídas, bem como para a costura quando a procura de costura é
elevada. Em 2014, à medida que a procura das suas peças de vestuário aumentou, os
comerciantes começaram também a basear-se mais nos trabalhadores locais para a
área do vestuário. Nas horas de ponta, por exemplo, antes do início do ano letivo, os
comerciantes têm, por vezes, um tempo difícil para encontrar pessoas a quem
possam subcontratar projetos de costura. Embora cerca de vinte dos maiores
proprietários dos workshops pareça bem, os trabalhadores e os produtores mais
pequenos têm um período de tempo mais difícil. Mesmo quando os tempos são
relativamente bons, o mercado do vestuário flutua muito, não só com a concorrência
e a economia em geral, mas também sazonalmente. Quando existem encomendas,
têm um emprego. Quando não existem encomendas, não há trabalho. Mesmo
TRABALHO EM MOVIMENTO 177

quando há trabalho, a remuneração é baixa e não há benefícios. Por baixo do que


parece ser uma atividade produtiva e comercial, há trabalho precário precário.
Porquê um certo número de San Cosermos/tal como é devolvido?E quem é mais
suscetível de regressar?Quando se deslocou à Mazatuecochco, em agosto de 2012,
esperava-se que as pessoas regressassem devido ao declínio da economia dos EUA e
às melhorias aparentes nas economias locais e regionais, como sugerido pela
investigação sobre o regresso em matéria de regresso (Lindstrom 1996; Rogers
2009; Boccani e Lagomarsino 2011).A economia mexicana tem vindo a melhorar.
Com efeito, de acordo com um relatório, «o produto interno bruto do México foi
alargado no ano passado [2010] ao ritmo mais rápido da última década, uma vez que
a segunda maior economia da América Latina recuperou de uma crise de 2009
provocada pela crise financeira mundial» (Gould 2011; cf. Cave 2011, Malkin e
Romero 2012).Num endereço de 2012, o governador do Estado de Tlaxcala
salientou que, embora o Estado tivesse perdido 13,5 % dos seus postos de trabalho
entre 2000 e 2010, o desemprego tinha diminuído recentemente de 13,5 %, em
outubro de 2011, para 11 %, e o investimento estrangeiro tinha aumentado 337 %
(El Sol de Tlax cala 2012).O investimento estrangeiro no Estado continuou a crescer
e o seu emprego no México continuou a diminuir (El Sol de Tlaxcala 2014).Este
crescimento económico coincidiu também com uma mudança na estrutura
demográfica do México que beneficia os candidatos a emprego. Os nascimentos por
mulher e o crescimento demográfico desde os anos 1970 diminuíram. Por
conseguinte, uma vez que menos jovens estão agora a entrar na força de trabalho, a
concorrência pelo emprego é menor e as possibilidades de encontrar um emprego
são melhores.
Tal como acima referido, alguma investigação, incluindo dados do estado de
Troxina, sugeriu que os homens sejam mais suscetíveis de regressar do que as
mulheres. Mas, embora haja muitas sugestões quanto à razão por que os homens
mais do que as mulheres regressam, a questão não foi sistematicamente explorada.
Surpreendentemente, apesar da enorme atenção que as redes sociais receberam pela
sua influência na OMS, houve menos interesse no papel das redes sociais na
liquidação e ainda menos em troca. Embora alguns estudos tenham analisado a
presença da família imme ou a relação entre as redes sociais e o emprego, 12 redes
sociais mais amplas receberam menos atenção. No entanto, existem sugestões de
que essas redes possam ser importantes. Reyes (1997), por exemplo, sugeriu que a
presença de redes sociais e familiares pode diminuir a probabilidade de regresso.
Apesar de eu ter esperado uma oportunidade económica para ser a principal
razão para o regresso, todos falei para referir alguns motivos familiares e não
económicos para o seu regresso a uma filha casada, uma mãe era sozinha, um pai
estava doente, uma mulher estava à espera, ou uma mulher não tinha esperado. Em
resposta às minhas perguntas sobre o seu desejo de vida nos Estados Unidos, em
178 CAPÍTULO 8

especial os que não têm membros da família, a maioria afirmou que perdeu as suas
famílias. Salientaram também a necessidade de trabalhar e de dispor de dinheiro
para sobreviver. Como disse uma mulher, «Terá de trabalhar, as faturas da
Mucho». outro homem observou que, se não dispunha de dinheiro, não tinha
quaisquer alimentos nem qualquer outro alimento. Esta diferença é muito diferente
da de Mazatecochco, onde todos têm a família, os alimentos e um telhado sobre o
seu chefe, ainda que não estejam presentes ou subempregados. Assim, o
desemprego no contexto da vida nos Estados Unidos foi conhecido de forma muito
diferente, tanto emocional como financeiramente, do que o desemprego em
Mazatecochco.
Em Nova Jérsia, a maior parte dos homens I falou com uma casa ou apartamento
arrendado com um certo número de outros homens e, por vezes, de mulheres.
Geralmente, várias pessoas dormem em camas estreitas numa sala única. Na maioria
dos casos, uma pessoa prepara os seus próprios alimentos ou compra alimentos
prontos a usar. Embora algumas das mulheres que conheço nos Estados Unidos
vivam em condições semelhantes ou tenham vivido em condições semelhantes, é
muito mais provável que vivam com kin, quer porque vieram com os maridos ou
pais ou, mais frequentemente, porque são familiares. Embora os homens também
formem uma família neste caso, o rácio entre os homens migrantes mexicanos e as
mulheres migrantes mexicanas é a vantagem das mulheres, devido à maior
capacidade de sucesso dos homens. 13 Embora os casais e as famílias tenham
regressado a Mazatecochco, a minha investigação sugere que as mulheres e as
famílias são mais suscetíveis de permanecer nos Estados Unidos do que os homens
que vivem sós ou com outros homens, mesmo que os outros sejam filhos ou irmãos.
A presença de kin nos Estados Unidos apresenta inúmeras vantagens. Viver com
kin, em especial uma ou mais mulheres, oferece segurança adicional e uma rede de
segurança. Não só a maioria das mulheres trabalha em matéria de remuneração, mas
a maioria dos homens que comi em Nova Jersey também trabalha na construção ou
na paisagismo. As mulheres trabalham no trabalho doméstico. Embora os homens
ganhem mais (15 dólares por hora em comparação com 8 ou 10 dólares por hora
para as mulheres), o seu trabalho é sazonal. Mesmo quando os tempos são bons, os
homens que trabalham na construção ou na paisagística muitas vezes se encontram
desempregados no inverno. Durante a Recessão, os homens consideraram muitas
vezes que há menos horas de trabalho durante outras épocas. Embora a remuneração
das mulheres seja inferior, o seu trabalho é válido durante todo o ano. O trabalho
doméstico das mulheres parecia também ser menos afetado pelo declínio da
economia dos EUA.
A presença das mulheres é também crucial para a manutenção de mais amplas
redes sociais e kin através da celebração de acontecimentos rituais e rituais como o
Carnival, o dia de santos da comunidade, o Natal e os dias de nascimento.
TRABALHO EM MOVIMENTO 179

Na Mazatecochco, apesar do trabalho precário e da insegurança económica,


existe sempre uma família e um sistema flexível de parentesco, que é parte
integrante da vida no mesmo. Este sistema de parentesco, que incorpora os
familiares reais, rituais e rituais, ajudou a San Cosmeros/como lidar com a
adversidade, bem como a oportunidade no domicílio e nos Estados Unidos. 14 Mas
nos Estados Unidos, muitos não têm esse sistema nem a rede de segurança que pode
fornecer. Assim, quando os tempos são particularmente negativos, tal como na
reces, para aqueles que não possuem kin, em especial as mulheres, a migração de
regresso pode parecer uma alternativa atrativa, especialmente se as economias locais
e regionais no México parecerem estar a melhorar.

Kkinship in Mazatecochco e New Jersey


O sistema de kkinship flexível em Mazatecochoco ajudou a San Cosmeros/como um
grande número de alterações, como a água potável e a eletricidade na década de
1960. Em 1971, San Cosmeros/nas ligações de kin para substituir a sua escola, que
dispunha apenas de seis e quatro graus, com duas maiores escolas primárias com
seis graus cada. Também em 1971, mais uma vez com a ajuda de kin, puderam
estabelecer um jardim de infância. No final da década de 1970, da década de 1980 e
da década de 1990, os seus laços permitiram-lhes acrescentar uma escola secundária
(com a maior parte das aulas lecionadas através da televisão) e, posteriormente, uma
escola secundária regular e uma escola secundária. Antes da Mazatecochco tinha
escolas secundárias e secundárias, as ligações de parentesco com outras pessoas
permitiram aos filhos de Mazatecochco viver com os seus familiares e frequentar
escolas de outras comunidades. Os kin em Mazatecochco e noutros locais também
ajudaram a San Cos- MEROS/como emprego em fábricas têxteis na Cidade do
México ou na Puebla ao longo dos anos 1950, 1960 e 1970 (Rothstein 1982).
Os migrantes para os Estados Unidos dependem também de kin, compadrazego
(o kkinship que envolve a paternidade, no qual se salientam os laços entre os co-
pais, os pais da criança e os seus pais), e o casamento e os laços de amizade para
chegar aos Estados Unidos e encontrar alojamento e emprego. Vários estudos de
migrantes sugerem que os migrantes estão frequentemente desiludidos devido ao
facto de as obras sociais que esperam poder contar com os Estados Unidos serem
frequentemente reduzidas (por exemplo, Menjivar, 2000).No entanto, a
denominação «Aubeterre Buznego (2002)» sugere que os laços familiares podem ter
um novo vigor no apoio social à vida social dos migrantes. Por exemplo, os
familiares migrantes fornecem frequentemente alojamento, assistência a crianças e
outras formas de assistência aos recém-chegados quando chegam. Embora os
migrantes da Mazatecochco o façam sentir os seus pontos de trabalho quando os kin
180 CAPÍTULO 8

não podem ou não os ajudam, muitos San Cosmeros/como parecem ter evitado tais
desnomeações porque, como sempre fizeram, são flexíveis no que se refere às suas
expectativas em relação aos seus familiares (Rothstein 2016).
Nos Estados Unidos, como no México, San Cosmeros/tal como integram novos
contactos através do casamento ou da coresidência, compadrazgo e cooperação no
local de trabalho. Assim, integram novos amigos e conhecidos através de novos
recursos nas suas redes sociais. Isto deve-se à flexibilidade do sistema de
parentesco/sistema rituais com que se depararam no México.
Mas o sistema precisa de mulheres. As mulheres mantêm os contactos; através
do seu trabalho que organiza os contactos, os seus familiares e os seus amigos são
reforçados e alargados. Por exemplo, numa celebração recente em «New Jersey» na
véspera de Natal, cerca de setenta e cinco pessoas reuniram-se em casa de vários
agricultores que vivem numa casa de grande dimensão. Incluíam o seu núcleo
biológico, affinal e rituais que vivia na zona, bem como amigos e trabalhadores. As
cinco mulheres (duas das quais se casaram, uma única mãe, e duas dos seus
adolescentes) que viviam na casa e dois dos seus amigos prepararam pratos
tradicionais, incluindo barras de borrego de cozedura lenta e ponche (punção de
fruta) para todos os hóspedes, muitos dos quais não eram conhecidos antes.
Tal como acima referido, a presença crescente de mulheres permitiu um sistema
de parentesco flexível, semelhante ao de Mazatecochco, também para funcionar nos
Estados Unidos. Para os migrantes dos Estados Unidos, a presença das mulheres
facilita a criação, a manutenção e a adaptação de práticas e valores anteriores de
kkinship e ritual que ajudam os migrantes a sobreviver e desafiam os
condicionalismos da classe, do género e da legalidade 15.
No entanto, muitos migrantes estão, sem mais, no seu lado. Isto parece ser mais
com os homens. Alguns podem ser «trabalhadores por conta de outrem», cujas
mulheres se encontram no México. Van Hook e Zhang consideraram não só que um
maior número de homens mexicanos regressam ao seu país de origem, mas também
que os homens solteiros e os homens casados cujas mulheres estavam no México
eram mais suscetíveis de regressar (2011, 17).Os homens e os homens com
mulheres no México passam a maior parte do seu tempo de trabalho, gastam pouco
dinheiro nos Estados Unidos e enviam a maior parte dos seus rendimentos. Quando
pedi um homem nos Estados Unidos da América cuja mulher e filhos se
encontravam no México por que razão trabalhou durante muito tempo sete dias por
semana, afirmou que o facto de ter pouco tempo de lazer significava que não tinha
muito tempo para gastar dinheiro e, por conseguinte, tinha mais dinheiro para enviar
casa à sua família. 16 Mesmo aqueles que não têm mulheres em casa passam
frequentemente a maior parte do seu tempo de trabalho para poderem guardar o seu
dinheiro quando regressam ao seu país de origem. Os migrantes também evitam
socializar em público, pois isso pode chamar a atenção das autoridades.
TRABALHO EM MOVIMENTO 181

A partir do momento em que um membro da família é casado (oficialmente ou


por consenso) em New Jamer sey, outros familiares, outros familiares e amigos
rituais podem começar a participar numa série de atividades em casas ou em espaços
arrendados onde não puderam participar anteriormente (como, por exemplo, no
sistema de carga religiosa).Numa outra comemoração do Natal Eve, por exemplo, a
família alargada de um homem que tinha recentemente casado (incluindo os seus
pais, irmãs, cônjuges e filhos e suas crianças) foi convidada para a casa do novo
mar, juntamente com a família alargada da mulher (incluindo três irmãs casadas e as
suas famílias e amigos).Estiveram presentes cerca de cinquenta pessoas. Ao
incorporar novos contactos através do casamento ou da corresidência, com—
padrazgo e amigos através do trabalho e do jogo, integram novos amigos e
conhecidos com novos recursos nas suas redes sociais. Estas redes ajudam os
migrantes a encontrar emprego e informação sobre a vida quotidiana. Numa destas
festas de Natal, uma mulher, que precisava de cuidar dos filhos, teve de cuidar de
uma mulher que prestou os cuidados de saúde. Don Miguel, um homem
desempregado, reuniu-se com um homem, Don José, um telhador que leva a sua
tripulação de New Jersey para trabalhos de construção de telhados em várias partes
da cidade de Nova Iorque. Debateram a possibilidade de fazer parte da tripulação de
Don Miguel. Posteriormente, Miguel integrou a tripulação de José. 17 Uma mulher
com documentos que passaram a ser o parceiro de um homem sem documentos que
trabalhou com o irmão com o seu irmão depois de ter encontrado a família do seu
parceiro numa das suas festas. Apesar de ter deixado de viver com o seu parceiro,
foi proprietária em papel de um automóvel adquirido pelo seu antigo parceiro e por
vários dos seus irmãos sem documentos. Os irmãos utilizam o automóvel para
efetuar um serviço de táxi informal. Em troca do seu funcionamento como
proprietário oficial do veículo e que transportava o seguro, os irmãos contribuem
para a sua retirada financeira e de outras formas, incluindo através da prestação de
serviços de transporte para a mãe, com quem vive, e os seus filhos.
Embora nem todas as famílias tenham acesso ao dinheiro e ao trabalho
necessários para as celebrações, as que têm uma vantagem. Estas celebrações
permitem aos migrantes criar e reforçar os laços sociais e reunir as pessoas para que
estes e todos os membros da sua rede se mantenham atualizados sobre os vários
recursos a que as diferentes pessoas têm acesso. Informação sobre emprego,
habitação, serviços públicos, aquisição de uma licença de condução e seguro
automóvel, migração (polícia de imigração) e informação sobre o que os outros
migrantes estão a fazer e onde são partilhados. Por exemplo, uma jovem que
assistiu a uma celebração de Carnival na casa da irmã do seu irmão encontrou um
emprego através de uma pessoa que se reuniu nessa celebração.
Como a Kiribia sugeriu, «os agregados familiares e a família dos imigrantes são
homens valiosos para analisar não só os movimentos migratórios, mas também os
182 CAPÍTULO 8

processos de adaptação económica dos imigrantes à sociedade de acolhimento»


(1994, 82).A peticionária acrescenta que os agregados familiares heterogéneos,
compostos por membros de várias gerações e géneros, permitem aos seus membros
uma estrutura mais ampla de oportunidades. Os agregados familiares de San
Cosmeros casados, tal como nos Estados Unidos, incluem frequentemente
familiares e amigos colaterais, bem como uma família alargada. Esta maior
diversidade aumenta o acesso do agregado familiar aos contactos dos vários
membros, bem como a disponibilização de um trabalho mais remunerado e não
remunerado. A heterogeneidade reúne «diversos recursos para a economia familiar,
uma estratégia que contribui para atenuar a instabilidade e a escassez dos recursos
disponíveis» (Kibria 1994, 82).As redes que San Cosmeros reúnem periodicamente
para diferentes ciclos de vida e celebrações rituais as incorporam em redes mais
vastas fora do agregado familiar e permitem o acesso a recursos ainda mais
diversificados. Como salienta o Hellman, é útil que uma rede também inclua
pessoas que «sabem realmente como chegar» e que podem sugerir, por exemplo,
como obter uma licença de «verdadeiro» carta de condução (2007, 200).Embora
estas redes sejam importantes quando os tempos são bons, são ainda mais
importantes durante as crises económicas, em que o aumento do desemprego e da
situação de desemprego é maior. O Sr. Jaime que viveu nos Estados Unidos com os
seus dois filhos e vários outros homens regressou em 2010, depois de ter ocorrido
nos Estados Unidos durante oito anos. Afirmou que, durante o seu último ano, o seu
emprego na construção diminuiu de tempo inteiro para um ou dois dias por semana.
Durante os últimos quatro meses nos Estados Unidos, só trabalhou menos doze dias.
Os seus filhos, que também trabalhavam no setor da construção, registaram uma
redução do número de horas de trabalho e regressaram. Não disse que queria que a
sua mulher se tornasse dos Estados Unidos, mas não queria juntar-se-lhes porque
nos Estados Unidos é necessário comprar tudo. No México, dispunha de uma casa e
de milho e podia trabalhar na empresa do setor da família Tilla. Outro homem que
esteve lá sem qualquer família que também regressou em 2010 disse que conseguiu
entrar durante o inverno, quando havia neve pesada de neve, mas na primavera
decidiu ir para casa.

Conclusão: Trabalho e falta de


trabalho num contexto mais
vasto
Não quero sugerir que os únicos migrantes que regressam sejam migrantes do sexo
masculino que se encontram nos Estados Unidos sem nenhum dos seus familiares
ou que muitos homens não conseguem encontrar um posto de trabalho e aumentar a
TRABALHO EM MOVIMENTO 183

sua participação nas redes sociais. Como o Hellman (2007) sug, os que não têm uma
rede própria do seu próprio «fecho em redes» de outros. A Delunay e a Lefase
(1998) registaram igualmente que, em comparação com os agregados familiares do
México, os agregados familiares dos migrantes mexicanos nos Estados Unidos
incluem frequentemente familiares e amigos colaterais. Sugiro, no entanto, que seja
necessário analisar mais aprofundadamente a relação entre o género, o parentesco,
as redes sociais, o emprego (incluindo o desemprego e o desemprego) e o regresso à
migração. Os antropologistas têm uma longa história de estudo de parentesco e
registam a sua relação com todos os aspetos da vida. Contudo, por alguma razão, o
parentesco e o trabalho (ou a falta de trabalho) não foram amplamente estudados.
Em abstrato para o painel em que se baseia este volume, a Carrie Lane e a Jong
BUM Kwon observaram que «o painel procura..Analisar de que forma o
desemprego e o subemprego podem não ser antropológicos periféricos, mas críticos
para a vitalidade e a pertinência dos projetos antropológicos contemporâneos
(2012).
Concluo salientando este ponto. O subemprego e o subemprego estão
estreitamente ligados a muitas das preocupações mais duradouras e centrais da
antropologia: parentesco e identidade. A forma como a parentesco, a família, a
identidade e o trabalho estão interligados exige a nossa atenção. Tal como referido
pelo estudo da Lane, Katherine Newman, na década de 1980, o estudo da Newman
Newman, refere que os gestores de desempregados «são suspensos e socialmente
isolados sem qualquer sentido estável de que são» (1988, 93).Do mesmo modo, os
trabalhadores despedidos da Coreia, Kwon discute neste volume, consideraram-se
«seccionados». por outro lado, para os trabalhadores de alta tecnologia que a Lane
escreve neste volume, a perda de trabalho não levou a uma perda de identidade.
Também não o fez em relação aos membros da Nicarágua da cooperativa de
Genesis, descrita pelos Fisher neste volume, ou muitos dos migrantes mexicanos
que sei em Nova Jersey, especialmente os que são ou fazem parte de famílias.
Há muitos anos, a investigação sobre o parentesco entre os pobres e os
trabalhadores da classe trabalhadora fami, como a Carol Stak (1975), demonstrou a
incorporação dos trabalhadores em relações e redes familiares complexas. Mais
recentemente, a Stack (1996) seguiu as mesmas famílias que migraram para o Norte,
tendo regressado décadas mais tarde às suas comunidades de nascimento nas zonas
rurais do Sul. Constatou que, embora os problemas económicos fossem importantes,
o «apelo ao domicílio» era muito próximo da família. Como já foi referido, como a
Castles sugere que os processos de transformação social associados à reordenação
das relações de trabalho (que incluem o trabalho migrante) podem ser mediados
através de estratégias a nível familiar ou, como salienta a Harvey, «a fragmentação e
a insegurança nomica» podem conduzir a uma «maior ênfase na autoridade das
instituições de base», como a família.«Tais ligações», digamos, «são, pelo menos
184 CAPÍTULO 8

plausíveis, e devem ser objeto de uma análise mais cuidadosa» (1990, 171-
172).Desta forma, podemos não só compreender melhor o que as pessoas em
trabalho precário fazem, mas também o que não fazem e porquê.
9
UMA REFLEXÃO POSITIVA SOBRE O
ABANDONO DO TRABALHO NA
CALIFÓRNIA DO SUL APÓS A GRANDE
RECESSÃO
Claudia Strauss

Quando iniciei a minha investigação com os grupos do sul da Califórnia que


estavam à procura de emprego em 2011 e 2012, não tive qualquer constatação da
minha conclusão de que muitos deles estavam a lidar com a tensão do desemprego
de longa duração, ao basear-se numa ideologia positiva de base legal com base
numa bebida espirituosa.
Comecei primeiro a pensar de forma positiva quando estudou a minha entrevista
com Carl Mahews, um agente de segurança desempregado. Estava sem trabalhar há
um ano e estamos a falar dos seus problemas na procura de um emprego e do
pagamento da sua hipoteca quando afirmou que não havia programas para ajudar as
pessoas na sua situação, e tudo o que poderia fazer era apresentado e «pray sobre o
mesmo.» Quando deu seguimento a essa observação, lançou as seguintes
observações:

Não é o problema que nos ocupa, mas sim a forma como lida com ela.
Não tenho de ver a minha situação, mas posso ter um conteúdo suficiente
para saber que, todos os dias, um dia novo, todos os dias tem a
oportunidade de o começar mais uma vez, cada um «não» pode ficar mais
próximo de um «sim.» permanece positivo....Não existem dias maus, ou
seja, apenas más situações. Porque se chegou ao dia um bom dia. Muitas
pessoas não chegaram a cabo. Muitas pessoas com empregos hoje em dia
estão mortas. Apenas porque estou desempregado, não significa que seja o
fim do mundo. Trata-se apenas de uma tentativa mais difícil de fazer para
que as coisas aconteçam.

185
186 CAPÍTULO 9

Perto do final da entrevista, quando pedi nas suas esperanças para o futuro, afirmou
que «acredito ser positivo. É a única coisa de olhar para a esperança na esperança de
um melhor amanhã.»
As observações da Carl Mathews são um excelente exemplo de pensamento
positivo. O pensamento positivo obriga as pessoas a ver o lado brilhante das
circunstâncias negativas, tais como as doenças e os reveses financeiros, para manter
o otimismo que as coisas estão a ser melhores e a tentar mais duramente. Um deles
deve considerar esta posição positiva mesmo quando as circunstâncias não o
justificam, uma vez que o pensamento positivo, que corresponde a esta ideologia, é
uma força que ajuda a criar as circunstâncias.
O pensamento positivo, neste sentido, não é o mesmo que a mera esperança; É
mais ativa. 1 Claranzano (2003) escreve «a inação, a demissão e a passividade que a
esperança pode promover» por «oferecer possibilidades pouco prováveis»
(19).Contrasta com a esperança passiva com «filosofias de otimismo mais
responsáveis, que salientam o «poder de pensamento positivo»», que, de acordo com
a motivação, «pode ser ensinada e aprendida» (2003, 18).
Um exemplo de pensamento positivo está presente na sociedade americana
contemporânea. Pamela Druckerman observa que, ao contrário do que acontece com
as histórias de crianças francesas em que os carateres não conseguem resolver os
problemas, «no mundo anglófono, cada problema parece ter uma solução, e a
prosperidade está à volta do canto» (Drukerman 2012, 162).O psicólogo narrativa
Dan McAdams considerou que, nas histórias de vida dos americanos que tentam
fazer uma diferença positiva, existe muitas vezes uma parcela de resgate: «As cenas
emocionais negativas conduzem, muitas vezes, diretamente a resultados positivos. O
sofrimento será sempre reembolsado» (McAdams 2006, 5, 9). 2 McADAMS
identifica as raízes das histórias americanas de resgate de fontes judaico-cristãs (a
entrega de Israel a partir da servidão no Egito, salutar do sin em contos de conversão
cristã) e «que as ideias essencialmente americanas são um destino manifesto, [e] as
pessoas escolhidas» (McAdams 2006, 11, sublinhado no original), salientando a
forma como o reembolso pode ser uma narrativa pessoal e nacional.
Ainda assim, o pensamento positivo não é uma perspetiva temporal menos
americana; o seu autor cultural e as suas manifestações mudaram. No ponto de
partida: De que forma é que a «UnderPositive Threing Is Undermining America»,
Barbara Ehrenreich (2009a) traça o início da moderna ideologia positiva do
pensamento positivo nos Estados Unidos para o movimento do novo pensamento,
em meados do século XIX.Os seguidores do novo pensamento, como Mary Baker
Eddy, fundadora da Christian Science, rejeitaram a engloomy empha sobre a culpa e
o sin de um rigoroso protestante, salientando, em vez disso, o poder de pensamentos
positivos para uma boa fortuna. O Ehrenreich explica que estes temas foram
promulgados em livros tão influentes do século como «Napoleão» e «Grow Rich
RESULTADOS POSITIVOS DO TRABALHO 187

(1937)», em Noriman Vincent peale bestself The Power of Positive Thinking


(1952), e em Rhonda Byrne de Byrne e de Rhonda Byrne, e mais desenvolvido na
psicologia contemporânea positiva da academia e na «prosperidade gospel» (Deus
quer que seja rica), lixiviados em algumas megacchatas da evangeli.
Não obstante a alegada consolidação de um pensamento positivo na cultura
americana durante mais de um século, não foi muito discutido em estudos
americanos fora de trabalho. Estes estudos centraram-se, de um modo geral, nas
perdas de autoestima e de autoestima das pessoas deslocadas (Pappas 1989) e na sua
culpa, devido à ideologia dominante do individualismo meritocrático (Newman
1988).A Newman observou que os bebés entrevistados estavam a abandonar o
otimismo americano (1993, 4-5).Não é até ao final do vigésimo dia turvo e do início
do vigésimo primeiro que os relatórios começam a debater o pensamento positivo
como as perspetivas recomendadas para os candidatos americanos à procura de
emprego (Ehrenreich 2005, 2009b; Faixa 2011, 2016; Sharone 2014). 3 A atual
importância do pensamento positivo para os candidatos a emprego resulta
provavelmente da natureza do emprego, bem como das qualidades de desemprego
atualmente. Há também influências de tendências culturais que não estão
diretamente relacionadas com o trabalho.
As versões anteriores de um pensamento positivo podem ser remodeladas de
modo a destacar os fatores de atração que são necessários, tendo em conta os novos
regimes de acumulação flexível e a consequente insegurança do emprego nas
economias neoliberais. Alguns docentes-investigadores descreveram a forma como
os operários assumem os vendedores de vendedores por uma pessoa singular de
flutuabilidade, quer para vender eles próprios nas suas empresas enquanto estão a
trabalhar (segundo e Van Maanen, 1999), como para encontrar um novo emprego
quando estão fora de trabalho (Lane 2011).Outros observaram que esta tendência se
estende também aos antigos trabalhadores manuais, uma vez que estão deslocados
de empregos estáveis e recorrem a comissões pagas a título de comissão. A
Walkerdine (2006) descreve um antigo trabalhador manual na Austrália que se
queixou de que a sociedade já não valorizou e leal como ele; em vez disso, estava
prevista a sua saída e a sua própria venda. A procura global neoliberal de construção
de uma economia independente (Heelas e Morris 1992) pode ser um fator que
alimenta e molda o tipo de atitude positiva proposta para os candidatos a emprego
em todos os níveis económicos nos Estados Unidos.
Em contrapartida, a Sharone (2014) argumenta que o neoliberalismo global não
explica a pressão para mostrar uma atitude mental positiva. Apesar dos ataques
neoliberais à segurança do emprego e ao funcionamento do Estado-providência em
Israel, bem como nos Estados Unidos, considerou que os serviços de emprego dos
EUA, e não os israelitas, consideraram que era necessário manter uma atitude
positiva. A Sharone identifica a necessidade de projetar uma personalidade superior
188 CAPÍTULO 9

nos Estados Unidos para a importância de criar uma boa «química» com um
potencial empregador. 4 Em Israel, ter as competências adequadas é mais importante,
uma vez que as projeções iniciais dos candidatos a emprego são realizadas por
agências de pessoal de terceiros.
Para os desempregados nos Estados Unidos, o que é novo é a necessidade de
manter as suas bebidas espirituosas e de permanecer otimistas durante longos
períodos de ausência de emprego. A partir desta redação, em 2014, a taxa de
desemprego de longa duração nos Estados Unidos é o mais elevado desde o
momento em que começou a acompanhar estas estatísticas em 1948 (Mayer 2010, 3;
Lee 2014).Poderá não precisar de guardar para se manter positivo se estiver
desempregado durante apenas alguns meses. Tais lembretes tornam-se mais
insistentes quando os meses de trabalho durante um longo período de tempo se
tornam mais uma greve contra um requerente no espírito dos empregadores
(Rampell 2011; Lowrey 2013) e quando os recursos financeiros descem e as opções
são pouco animadoras, especialmente tendo em conta a insegurança das prestações
sociais nos Estados Unidos.
O que também pode ser novo é a aceitação generalizada da importância do
«bem-estar» e de uma boa «qualidade de vida», bem como a ênfase no otimismo no
domínio da psicologia positiva (por exemplo, Seligman 1990).As revistas, os
debates televisivos e os conselheiros de carreira transmitem estes pontos de vista.
Como se verá, houve também uma mudança importante em muitas igrejas
cristãs, das mensagens que Deus pune a lazy e a vontade de o amor incondicional de
o amor incondicional. Muitos movimentos espirituais novos diferem de Chris
tiandade na sua teologia, mas também promovem o otimismo, uma vez que tudo
está disponível através do poder de um espírito. A fé é, muitas vezes, um elemento
de pensamento positivo.
O pensamento positivo é subornado não só a partir destas fontes intelectuais;
está também disseminado através de hábitos quotidianos de falar sobre a situação de
uma pessoa. As formas de falar e de pensar que são típicas de um pensamento
positivo são um exemplo do que tenho designado «discursos tradicionais».Um
discurso convencional é um esquema simples que é frequentemente expresso numa
comunidade de opinião (Strauss, 2012).Ao longo do tempo, as comunidades de
opinião desenvolvem pontos de vista com formas práticas de expressar esses pontos
de vista. O pensamento positivo como um conjunto de práticas inclui tais métodos
normalizados de interpretação e fala de circunstâncias negativas. Até que ponto é
que o pensamento positivo não é apenas um discurso convencional; além disso, é
uma gestão emocional que mantenha o medo e o desespero. Assim, estou a tratar de
forma positiva não como uma resposta natural aos reveses, por um lado, nem como
um tema cultural indelével, por outro, mas como um autoprojeto, um esforço
deliberado para pensar e sentir uma certa forma que é divulgado através de uma
RESULTADOS POSITIVOS DO TRABALHO 189

variedade de canais, mas que chega e apela a algumas pessoas mais do que outras. 5
O pensamento e a prática de pensamento positivo têm efeitos surpreendentes,
outros que não são exatamente os que alguns comentadores esperavam. O
hrenhrenich (2009a) considera que a ideologia do pensamento positivo é uma nova
forma de culpar a vítima: Se ainda está fora de trabalho ou se o seu cancro está a ser
menos favorável, talvez não tenha tentado encontrar o suficiente para disciplinar as
suas emoções para manter uma atitude positiva. Além disso, informar as pessoas
sobre as suas atitudes depende das causas estruturais do desemprego. Assim, embora
o pensamento positivo pareça ser menos punitivo do que as versões clássicas da
ética do trabalho protestante, inclui a mesma culpa (Ehrenich 2005, 2009a; ver
também Sharone 2014).
No entanto, apesar de o Ehrenich apresentar observações mordentes sobre os
propágulos em nome de um pensamento positivo, não fornece muita informação
sobre o modo como os candidatos a emprego americanos reagem, interpretam e
utilizam essa ideologia. Para os homens e para as mulheres, falo, o pensamento
positivo é, sem dúvida, uma forma de trabalho emocional, mas tem outro lado de
autossuficiência perante a rejeição repetida e a insegurança financeira. Embora
coloque a tónica na gestão do auto, em vez de se organizar para a mudança, a auto-
afirmação que promove é consistente com a presença de forças externas em vez de
si próprio. Assim, embora individualista, é um vidualismo que também é compatível
com a crítica social.
Outros críticos sociais descreveram os efeitos psicológicos da «precariedade», a
perda de carreiras estáveis e a vida nas economias neoliberais (Sennett 1998; Ross
2009).Lauren Benceta procede a uma visão completa do atual momento como um
«impasse», que define como «uma exploração agrícola que não está em segurança,
mas que se abre em ansiedade..Dogmas à volta de um espaço cujos contornos
permanecem obscuros.» Trata-se de uma descrição «spot-on» da vida incerta
daqueles que entrevistei, mas estou de acordo com a sua alegação de que «o impasse
é um espaço de tempo viveu sem um género preventivo» (Berlant 2011, 199).É nos
casos em que as vidas são precárias que os discursos e as práticas de gestão dessa
insegurança, como o pensamento positivo, são mais suscetíveis de proliferar. O
pensamento positivo é, como o «Jong BUM Kwon», «cerca de um projeto para um
futuro, um futuro sem garantias» (comunicação pessoal com munição, junho de 28,
2013).

Encontrar os desempregados
Entre setembro de 2011 e junho de 2012, entrevistei cinquenta e dois
desempregados ou subempregados para homens e mulheres da Califórnia do sul. 6
190 CAPÍTULO 9

Além disso, há ainda que onze trabalhadores desempregados hispanófonos. Para


lhes dar resposta, assisti a sessões de aconselhamento de carreira e a grupos de
trabalho em rede ou estava fora de feiras de emprego que incluía folhetos que
descrevem o meu projeto. Solicitei igualmente a todos os utilizadores de contactos e,
desta forma, encontraram algumas pessoas sem trabalho, mas demasiado
desencorajadas para ir a feiras de emprego ou a sessões de aconselhamento
profissional. Selecionei deliberadamente as pessoas de uma série de anteriores
profissões, de níveis socioeconómicos e de grupos étnicos. Doze nunca tinham tido
um rendimento do agregado superior a 40,000 dólares. Incluíam um vendedor de
peças para automóveis, um escriturário bancário adjunto, um antigo Hare Krishna
devotee, um telhador e um homem que foi recentemente libertado da prisão. Quinze
tinham anteriormente rendimentos familiares superiores a 150,000 $obtidos a partir
do seu próprio e/ou do seu cônjuge em domínios como as finanças, a construção, o
lazer, o lazer, a gestão e as vendas. Os restantes trinta e seis tinham antigos
rendimentos do agregado familiar entre esses rendimentos de baixo e baixo
rendimento, provenientes de uma grande variedade de profissões nos setores público
e privado. Vinte e cinco autoidentificam como branco/Euro americano, 12 como
black/African American, 21 como Latino/a, e cinco como americanos asiáticos.
Encontro com todos, mas com um deles em duas longas entrevistas. Além disso,
tomei notas sobre as sessões de aconselhamento de carreira e os eventos que
contaram com a participação de eventos de ligação em rede.
De acordo com o Gabinete Nacional de Investigação Económica (2010), a
Grande Recessão dos Estados Unidos teve início em dezembro de 2007. No
momento em que me encontro pelos meus entrevistados, em 2011 e 2012, a recessão
tinha terminado oficialmente, mas os trabalhadores continuavam a não contratar em
grande número no sul da Califórnia. Em queda de 2011, as áreas do metro Los
Angeles e Riverside eram a segunda e a terceira pior nos Estados Unidos no rácio de
candidatos a emprego por cada abertura (Adams 2011). 7 No total, todos os meus
entrevistados estavam entre os desempregados de longa duração, definidos como os
desempregados por um período superior a seis meses. Três quartos tinham estado
sem trabalho há mais de um ano e cerca de metade desse grupo não tinha um
emprego a tempo inteiro em mais de dois anos, apesar de (na maioria dos casos) ter
acesso a sítios Web de emprego e de apresentar inúmeras candidaturas. 8 Muitas
ficaram para trás em relação aos seus pagamentos de hipotecas ou rendas. Alguns
tinham já perdido as suas casas e tiveram de se deslocar a um progenitor ou a um
irmão, a uma menor importância para um alojamento menos dispendioso ou
dependem de um amigo ou conhecido para os alargar a um local de renda livre. Um
estava a viver em casa menos abrigo. Um número assustador tinha mergulhado nas
suas contas de reforma e algumas delas tinham esgotado todas as suas poupanças.
No âmbito das suas respostas a um questionário gerido após a segunda entrevista, é
RESULTADOS POSITIVOS DO TRABALHO 191

possível observar um sentimento global de equilíbrio financeiro. Em resposta à


pergunta, «O que pensa da sua situação financeira pessoal?» em que 1 foi «muito
bom» e 5 «muito mau» a média era 3.6 (entre o ponto médio e o ponto «mau»).
Apesar da sua insegurança financeira, a sua resposta média à pergunta seguinte
sobre o inquérito («O que pensa da sua situação em geral?Como pensa que se
sente?»), foi 2.5 (entre o ponto médio e o ponto «bom») — não grande, mas um
ponto completo melhor do que a situação financeira declarada pelo próprio. Ao
contrário do que se verifica nos países com um sistema de proteção social sólido, em
que os relatórios põem em evidência os problemas relacionados com a população e
os problemas sociais mais do que dificuldades financeiras (por exemplo, Letkemann
2005; Roberman 2013), o Estado autodeclarado do Estado da Califórnia pode ser
autodeclarado como «O meu financiamento não é bom, mas estou à moça.»
Um resumo quantitativo global esconde, no entanto, 9 uma vez que, em seu
entender, as diferentes situações são diferentes. Alguns entrevistados retratados a
família e os amigos; outros descreveram amigos que deixaram de os convidar por
não poderem pagar o seu modo de funcionamento, os parceiros com os quais foram
incomodados, os pais ou os filhos que consideravam ter fracassado. Alguns acharam
que não havia qualquer ameaça para a sua identidade básica; outras tiveram o
cuidado de manter o cuidado com o tipo de trabalho que tiveram e o estatuto que
tinham anteriormente mantido ou de abandonar essas expectativas.
A colocação de um certo número sobre a forma como se sentiam também oculta
o facto de o mesmo por filho dizer diferentes coisas em momentos diferentes. Várias
pessoas que responderam que se sentiam «Bom» em resposta ao questionário
estavam a ser tratadas para tratamento da depressão e um pequeno número de
pensamentos de suicídio durante as entrevistas. Ao contrário dos desempregados de
alta tecnologia em situação de desemprego no Texas, entrevistados pela Lane (2011)
entre 2001 e 2004, quase nenhum dos meus entrevistados estava a tomar o
desemprego em strato como o que se deveria esperar neste dia e na idade. Muitos
deles trabalharam no sentido de um sentimento positivo contra os ventos dominantes
que têm vindo a socê-los perante pensamentos e sentimentos negativos.
Uma vez que o meu projeto analisa formas convencionais de elaborar um
parecer ou dizer uma história, é particularmente relevante considerar as expectativas
que afetam a forma como os entrevistados se apresentaram. As entrevistas tiveram
início com o meu pedido, «Queira informar-me acerca da sua vida, conduzindo até à
sua situação agora.» Algumas respostas sob a forma de pensamento positivo, que
descrevem o lado positivo da perda do seu emprego, a importância de manter uma
atitude positiva e o seu otimismo em relação ao futuro. No entanto, com entrevistas
que, normalmente, durante mais de duas horas durante o café ou o almoço
continuaram a ser realizadas por, pelo menos, duas e, em alguns casos, mais
reuniões, surgem outras narrativas e sentimentos, o que seria menos coerente com a
192 CAPÍTULO 9

ideologia do pensamento positivo. Muitos afirmaram que não havia muitas


oportunidades, normalmente, de falar sobre o seu sentimento de exclusão do
trabalho; aparentemente, aproximam-se da entrevista não no modo de autopromoção
do candidato a emprego, mas como uma espécie de terapia, uma ocasião para
revelar sentimentos socialmente aceitáveis de cólera e depressão. Outros utilizaram
os pontos de vista como uma oportunidade para expressar as suas experiências para
fins documentais, de modo a que outros saibam o que tinham feito, um quadro que
também não sucumbe ao sofrimento. Mesmo aqueles que trataram as entrevistas
como uma reunião de trabalho mais líquida que poderia eventualmente ajudá-las a
desembarcar um emprego não mantiveram sistematicamente uma atitude de
autopromoção. Independentemente do seu início, na maior parte dos casos,
apresentaram uma combinação de pensamentos e sentimentos que não se limitava a
um único quadro de interpretação.
O que me leva a ler as transcrições das entrevistas são as horas que mostrei à
minha posição positiva de raciocínio positivo. Por exemplo, depois de Carl Mathews
fazer as observações citadas no início do presente documento («todos os dias, todos
os dias tem a oportunidade de recomeçá-lo, cada um por «não» pode ficar mais
próximo de um «sim»), respondi, «gosto disso. Tal é o caso. Quero dizer que o que
pensei quando me encontrei pela primeira vez consigo, que parecia ser uma pessoa
positiva, uma pessoa positiva.» Muito, os meus comentários não impedem a Carl
Carl de apresentar ideias muito mais escuras. Se nada mais, esta análise do
pensamento positivo deu-me maior consciência da medida em que o pensamento
positivo asfixia as minhas próprias respostas automáticas.
Trabalho a uma altitude positiva: Conceito
positivo como a disciplina Emotional
Em primeiro lugar, apresentarei uma reflexão positiva sobre a disciplina das atitudes
e, em seguida, a ideia do conceito de «autocuidado» como forma de autocuidado.
No entanto, em última análise, trata-se de uma falsa dicotomia, uma vez que aqueles
que aceitaram a disciplina de manter uma atitude positiva o fizeram porque
pretendiam os resultados que deveria fornecer: não só um emprego, mas também
uma maior paz de espírito durante a procura de emprego.
O pensamento positivo dos atuais Estados Unidos está, em parte, em relação à
sua própria imagem de má fixação que impede uma ação construtiva. Ao contrário
dos estudantes do ensino superior da Índia descritos em Crag Jeffrey Jeffrey (2010),
o pensamento positivo entre os candidatos a emprego americanos consistia em
manter uma atitude de ativação, e não aprender a passar de um fundamento de
espera para um emprego. 10
A importância de manter uma atitude positiva durante a procura de emprego foi
sublinhada por um conselho de carreira profissional, Heather Wieshlow, que foi o
orador em destaque numa reunião semanal de pessoas à procura de emprego em
RESULTADOS POSITIVOS DO TRABALHO 193

dezembro de 2011, que foi organizada pelo gabinete de desemprego do condado de


San Bernardino. A urze possui um casquilho vermelho de Santa cap e distribui uma
obra temática com a presença, com a presença de «Top 10 Tps de Santa, para as
pessoas em transição na carreira». «Atitude» (à frente das técnicas de «Preparação»
e «Gestão do Tempo») foi «Atitude», «Atitude». durante o processo de procura de
emprego, é extremamente importante manter uma atitude privilegiada em relação ao
futuro e às suas capacidades. Mantenha-se longe das pessoas que dizeres como é
«horrível» que aí não permite obter mais rapidamente o seu emprego.»
Por que razão é importante que os candidatos a emprego mantenham uma atitude
positiva?O conselho de carreira afirma que uma das razões é que os empregadores
são mais suscetíveis de contratar uma parte que esteja confiante e positiva, alguém
que pode vender eles próprios (Walk- dine 2006) e pode executar o trabalho
emocional exigido numa economia de serviço (Hochschild 2003 [1983]).Anastasia
Tang, um responsável pela administração dos recursos humanos, recordou o
aconselhamento que recebeu de um recrutador sobre a como ela própria.«Ele disse,
«Just ficar a si mesmo, ser honesto, estar satisfeito, ser positivo. Sabe, é positivo.»”
A Anastasia pode ver a sabedoria desse aconselhamento: «Se trabalhar também no
emprego, quando se encontrar na procura de emprego, quer ser uma pessoa feliz.
Não querem contratar pessoas em depressão, que parecem ter, «Oh woe ser» para
tudo.»
No entanto, não é suficiente fazer face a um rosto nos encontros com potenciais
empregadores. Para encontrar um emprego quando poucos estão disponíveis, os
candidatos a emprego são aconselhados a consultar a rede para aprender sobre as
aberturas que ainda não foram publicadas, bem como para obter recomendações de
pessoas com acesso a informação privilegiada. A ligação em rede assume diferentes
formas. Pode significar reunir-se com outras pessoas à procura de emprego em
grupos de trabalho em rede regulares. Pode significar contactar todos os interessados
para lhes recordar que está à procura de qualquer oportunidade. Pode significar que
se faça referência ao tipo de abertura que procura no meio de conversações
ocasionais com pessoas conhecidas. Em todos estes casos, as instituições devem ter
uma autoconfiança. Tal alarga as situações em que se exige uma autoapresentação
positiva a qualquer nova descoberta social.
Pode ser candente. Quando me encontro com Lisa, administrador sem fins
lucrativos, para uma entrevista de acompanhamento em 2013, pedi à sua opinião
sobre o pensamento positivo que era tão evidente na sua entrevista anterior. Afirmou
que «penso que existe um aspeto oneroso para o mesmo, que é a ideia de manter
uma folheados ou manutenção, tentando mesmo manter a positividade que
pretende." Elizabeth Montgomery, um escritório de topo de gama, vendedor de
artigos de mobiliário que não trabalhou durante dois anos e meio, apesar de uma
carreira em libras esterlinas e da ligação em rede, articulada com o ponto de
194 CAPÍTULO 9

exaustão de uma constante criação de um rosto positivo. Como vendedor, sabia


como mudar de forma segura. Confessou, porém, a referência ao valor de referência:

Sei algo que irá acontecer. É apenas o tipo de vendas. Gota deformada,
tanto aqui como terreno. Mas vou ser honesto, ou seja, quantas
ocorrências esta semana?Quatro. E estou cansado.[..É necessário manter o
rosto e o sorrismo. A [orador] última noite, disse saber, «You gotta tem
resultados positivos», mas sabe. 11

Não conclui a última reflexão, mas a implicação é que há momentos em que é difícil
manter uma perspetiva positiva, compreensivelmente.
Manter uma atitude positiva no futuro sobre o futuro, ao longo de uma procura
prolongada de emprego. É difícil convocar a energia para procurar trabalho, caso se
ressente, pelo que é necessário manter as suas bebidas espirituosas. E é natu a
sensação de se ter procurado em vão durante mais de um ano. O meu inquirido
Phoenix Rises (o seu pseudónimo escolhido, que reflete as suas expectativas de
resgate) estava a tentar mais de dois anos para assegurar outro emprego como
professor de ensino especial na sequência de um prejuízo que sofreu no emprego.
Com uma margem de desespero e determinação, afirmou: «A única forma de a
perder é se eu parar.Se me deixar de crer em mim, se me deixar de acreditar no
facto de que existe algo que me resta para lá me perder. E deixarei de perder se não
me deixar o controlo do meu espírito.«Compreender todos os dias». «A sua opinião
era necessária por se ter admitido a ser deprimida, depois de perto de um sistema
nervoso, e mesmo de sentir um suicídio por vezes. Não podia desistir, uma vez que
o seu marido tinha vendido a sua casa, as suas poupanças foram quase nulas, a filha
adulta telefonava para um «perdedor», tendo necessitado de obter um rendimento.
Seja qual for a razão, muitos dos desempregados que me reuniram acreditam,
como professor da ajuda ao despedimento, a Della Jones, colocou a questão, «se eu
for negativo, que tudo sou até agora para chegar e
Estou a residir nesse país.» Quando a Ann Lopez obteve finalmente um emprego,
escreva-me que mostrou, «THINK POSIITIVE E POSITIVO DE POSITIVO DE
QUAIS.»
De acordo com esta ideologia, o pensamento positivo conduz a resultados
positivos e nega resultados negativos, pelo que é necessário manter-se positivo
durante a procura de emprego.
RESULTADOS POSITIVOS DO TRABALHO 195

Proteger o produto: Conceito positivo como


«Self-Care»
Elizabeth Montgomery faz observações sobre «manter o rosto e sorrismo» mostra
que a manutenção de uma autoapresentação positiva pode ser drenada. No entanto,
existe outro lado a pensar em termos positivos. A injunção para manter uma
perspetiva positiva não é apenas uma questão de disciplina emocional, como os
críticos sociais sublinham. Implica também o autocuidado para atenuar o stress
criado pelo facto de não trabalhar. 12
O administrador não lucrativo, Lisa, falou sobre as suas várias estratégias de
gestão de emoção: «Existe esta constante de gestão das suas emoções na segurança,
em dinheiro, tudo isto. Quero significar que é apenas um homem que está a
envelhecer. E, para mim, foi a meditação, o exercício, o diálogo com os amigos,
ouvindo a música para mais batente.» Existe uma diferença entre Lisa Rose, de
«gerir as suas emoções», e a observação da Phoenix Rises sobre a necessidade de
«dominar a minha opinião». é esta a opinião dos comandantes para continuar a
procurar trabalho. Lisa Rose, em vez disso, é a de se sentir melhor como um
objetivo em si mesmo. Uma vez que Carl Mathews, o protetor de segurança
desempregado, o coloca, «Estada com resultados positivos, não se sente mal, não
passa por baloiços, não perde peso e atenção, não perca refeições, não perca o
aspeto da depressão.»
Com efeito, há uma justificação para o autocuidado na lógica neoliberal, para o
caso de se vender a si próprio (Kunda e Van Maanen 1999; Faixa 2011) tem de pro
tect o produto que vende. Urze Wieslow, o conselho de carreira citado
anteriormente, também este ponto. No que se refere às pessoas à procura de
emprego, o ponto 8 foi «Renew»: «O processo de procura de emprego é um
processo emocional e estratégico. Se não demorou algum tempo a renovar os seus
empregadores de forma mental, física e emocional, o futuro empregador tem
sentido. Leva tempo para renovar e «aperfeiçoar a serra», de modo a que seja mais
eficaz na pesquisa e nas entrevistas.» nas suas observações sobre esta ponta,
afirmou: «É o produto; se queimar o seu produto, não terá nada a vender. vi na
audiência vários candidatos a emprego.
Como é que os entrevistados se encarregaram de manter as suas posições
positivas?Como Lisa lisa, muitas das quais são exercidas. Apenas alguns poderiam
permitir a adesão de um ginásio, mas um grande número tirou partido do sul da
Califórnia, imediato para a bicicleta, a pé, e corre várias vezes por semana, se não
diariamente. 13 falou sobre o apoio emocional prestado pelos seus pequenos grupos
ou grupos de responsabilização em curso. Trata-se de pequenos grupos de outros
candidatos a emprego com os quais se reúnem regularmente. Ao contrário dos
eventos com estranhos, os membros destes pequenos grupos tornam-se amigos e um
196 CAPÍTULO 9

não tem de agir com eles. Alguns dos meus entrevistados, como Lisa Rose, a saber,
e como eu discutirei mais tarde, a espiritualidade era importante para vários: a fé em
Deus ou no poder de visibilidade. Um orador foi ouvido num aconselhamento de
carreira da igreja evangélico, o que é recomendado para evitar as notícias porque
destaca negatividade. 14 Elizabeth Montgomery, o vendedor mencionado acima,
concordou: «Os nossos meios de comunicação social não podem ouvir todos os dias.
Acaba de o fazer baixar. É uma forma de o conseguir. Tudo isto é negativo e não é
positivo. "trata-se de um discurso convencional de oradores motivadores e
advogados de carreira; outros investigadores apresentam um relatório com o mesmo
parecer (Ehrenreich 2009a, 57 ff.; Sharone 2014, 39).
A manutenção de emoções positivas significa igualmente reenquadrar a situação
de um lado positivo de perder um emprego ou de estar fora de serviço, por exemplo,
utilizando o que poderíamos chamar uma «bênção do discurso convencional».A
«bênção do discurso disfarçado» poderia assumir a forma de que estavam
descontentes com o seu último emprego, pelo que, quando foram disparados, era
realmente bom. Callie, o amigo da Phoenix Rises, que nos juntou para uma
entrevista, observou que, quando perdeu o emprego como trabalhador por conta de
outrem, «parte da mesma era felizes I. ficou satisfeito. É um ambiente com álcali.
«Lisa apresentou um exemplo alargado da narrativa da «bênção por dissimular»
sobre o seu último emprego. É interessante notar que a peticionária criticou os seus
antigos empregadores por criarem um local de trabalho onde não era possível
manter uma imagem positiva: «Todos os dias são dolorosos.[..Tentava realmente ser
positivo, mas estive a trabalhar realmente de forma muito difícil para ser positivo
nesse dia.[lughs] So que vamos pôr fim a este capítulo, afirmando ser o melhor que
alguma vez aconteceu.» 15
Não só a perda de um emprego poderia ser tratada como uma «bênção» por
dissimulação, pelo menos durante algum tempo, pelo menos durante algum tempo.
Lisa prossegue as suas observações:

LR: Vou pôr fim a este capítulo, afirmando ser o melhor que alguma vez
me aconteceu.
CS: A sério?
LR: Sim. Porque me deu a oportunidade de analisar o papel do trabalho na
minha vida. Era demasiado forte, uma dimensão demasiado grande.
Quero que o trabalho se tornasse uma parte demasiado grande de quem
estive eu próprio. E, na ausência de um emprego, pode ver este mais
claramente do que quando está a trabalhar.
Lisa referiu também que, embora não estivesse a trabalhar, a sua sogra ficou doente
e pôde ajudá-lo a: «Não tenho a certeza de como posso fazê-lo se tivesse trabalhado
a tempo inteiro. Assim, muito agradeceria que, nesse momento, fosse livre de o
RESULTADOS POSITIVOS DO TRABALHO 197

fazer.»
Estreitamente relacionado com a narrativa sobre a perda do seu último emprego,
verificou-se também o discurso convencional sobre as suas posições atuais em
situação de insegurança I, denominado «contabilizar as minhas bênações.» O ponto
da expressão «contabilizar os meus resultados» é que não é importante saber em que
medida uma má situação parece, mas há outras pessoas que se encontram em pior
situação, pelo que é muito grato. Por exemplo, Anastasia Tang, um imigrante da
Ásia, em comparação com alguém que leu sobre a sua área de recursos humanos que
foram despedidos:

Afirmou não ter um carro no mês passado. Estou a imaginar como é que
vai para as entrevistas e tudo isto?E tenho um telhado sobre a minha
cabeça, estou em condições de comer, pelo menos a minha vida nesse
sentido. Estou em condições de fazer alguma jardinagem porque quero dar
algo a olhar para o futuro, estou em condições de passar algum tempo com
os meus filhos, cozinhar e tudo o que é. Por isso, penso que estou muito
batido. Tenho sorte.[..Porque olhamos para outras pessoas que descobrem
e, por vezes, afirmam que, por vezes, deixam o seu último pão, não pode
pagar esta fatura, não pode pagar que fatura nem sequer um dólar em
poupanças. Refiro-me, em minha opinião, à direita?Não posso deixar de o
fazer.[..Não posso deixar de recordar a minha atenção, apesar de eu que eu
saiba que o corny, ou seja, deveria ser corrente. Mas a minha tentativa é
dizer eu próprio, «Look, aí não há dias e bons dias», mas tento manter a
sua bebida espirituosa.[..E pensei que isso. Se assim não for, o que espera
se for deprimida todos os dias...?

Quando a Anastasia Tang afirma que «o tempo deve ser anoso», parece existir
simultaneamente um lado moral e pragmático de que «deve.», moralmente,
transformar a sua personalidade junto de outras pessoas que se encontram em pior
situação do que a sua parte. O que nos leva a pensar de forma positiva como o que é
socialmente esperado. Ao mesmo tempo, a Anastasia agradece o que acaba de lhe
fazer para se sentir melhor. Ambos os elementos estão presentes. Não é a
possibilidade de a Anastasia ser ideal para uma ideologia positiva, de trabalhar na
sua atitude e de não se queixar da sua ação. Que, na sua redação, há uma história
mais complexa que, «então, penso dever ficar a saber?Não posso deixar de o fazer»,
o que sugere que se sabe como deveria pensar, e não como tem tendência a pensar.
Com efeito, as observações da Anastasia foram feitas ao longo de uma hora para a
entrevista, tendo sido precedidas de longas queixas sobre a sua última posição, onde
pareciam contra ela depois de ter licença de maternidade e de dar prioridade aos
seus filhos em relação aos acontecimentos da empresa. Deveria agora pedir ao
antigo chefe da empresa «asshole», para que pudesse obter outro emprego.
198 CAPÍTULO 9

Entretanto, o marido incendiou-se e abandonou o seu emprego pouco tempo depois


de ter sido despedido, e não sentiu-se que podia pedir ajuda aos seus pais na Ásia,
porque sacrificaram muito para a enviar aos Estados Unidos para a sua educação.
Foi no contexto desta história dos seus problemas que gostaria de saber que gostaria
de agradecer o que tem. Parecia estar a tentar convencer a si própria a manter a sua
bebida espirituosa.
A expressão «contabilizar as minhas lacunas» foi também expressa quando
alguém tinha dado a conhecer a esperança de um futuro melhor. Se for utilizado
para ajustar as expectativas e aprender a conteúdos com a situação, não se considera
positivo.«Count as minhas bênações» torna-se uma técnica de pensamento positivo
quando é utilizada para abalar a desmotivação e iniciar esforços ativos para provocar
a mudança, como fez a Anastasia.

Grupo Cristão e Nova Idade Positivo:


Uma Deus e uma variedade abundante
Quando os meus entrevistados afirmam ser «batidos», podem também significar no
seu sentido Judeo-cristão, como tendo recebido um presente a partir de Deus. Para o
devout, não contabilizar uma bênção, é a falta de gratidão para todos os objetos que
Deus já forneceu. As práticas e crenças espirituais, em especial as cristãos e as
novas idades, influenciam de forma significativa o parecer positivo do meu
inquirido.A nova era não era um termo utilizado pelos meus entrevistados, mas
engloba de forma útil uma série de crenças metafísicas e de práticas espirituais que
estão fora da principal corrente das religiões ocidentais e salientam o poder de
visualização e outras técnicas de espíritos. 16
Em alguns casos, os sistemas cristãos e novos de confiança são opções. Deus,
para além de ser uma vontade de Sua própria, está no centro das crenças cristãs. Em
contrapartida, embora as crenças novas abranjam uma vasta gama de fontes, desde
elementos teóricos das doutrinas religiosas orientais e ocidentais às crenças e
práticas indígenas de todas as partes do mundo, partilham uma compreensão da
espiritualidade como parte de todo o universo e também de cada pessoa. Na maioria
das filosofias novas, «Todas as pessoas são Deus», como a atriz Shirley Maclaine
que a é (citada por Heelas 1996, 2).
Estas conceções divergentes de «divinity» conduzem a diferentes noções de cada
agência. Os cristãos não devem sentir-se responsáveis pela sua vida, uma vez que
ouvi o Ministério da Coaching e do Conselheiro na Igreja Sadangical Sadleback. A
conferência introdutória para novos participantes teve uma primeira metade laica e
uma segunda metade, religiosa, intitulada «W’’ s Will’’’’’’’’’’’’’’’’’ s the Life.’ One
of the Power Point explicou, «Whatjamais», He está encarregado de o fazer. está em
RESULTADOS POSITIVOS DO TRABALHO 199

controlo.»
Nesta conceção, o seu afastamento do trabalho é parte integrante do plano de Deus.
Como explicou a lâmina, «Deus pode tê-lo em transição precisamente para que
possa ajudar outros», talvez para Cristo, uma vez que o fundador desse ministério
tinha quando estava desempregado. Em contrapartida, para os que aderem a uma ou
outra filosofias novas, por oposição, uma vez que não se trata de um plano para si, é
necessário que domine os segredos do universo para atrair o que quiseres.
Por outro lado, no entanto, existem semelhanças importantes entre as convicções
Christian e New Age sobre o pensamento positivo contemporâneo. Ambos podem
explicar a razão pela qual se deve considerar que a vida de uma só será melhor.
Para os cristãos, o otimismo assenta numa conceção contemporânea de Deus
como lov e benigna. A ética do trabalho protestante era praticamente inexistente:
para ser virtuosa, foi necessário autorizar a dispensa de trabalho. A felicidade não
era importante. A ética do trabalho protestante não proporcionou conforto às pessoas
incapazes de trabalhar e não prosperaram. Hoje em dia, embora alguns pregadores
continuem a retratar um Deus que pende o seio, é, pelo contrário, mais comum
apresentar um Deus que quer que possa prosperar (Ehrenreich 2009a; Luhrmann
2012).A primeira lâmina da «Will W’s w’’ s Wild & Direction For Your Life Para a
sua vida», afirmou Jeremiah 29: 11 («Para sei que o plano tenho para si», declara o
Lord, «tenciona prosperar e não o prejudica, planeia dar-lhe a esperança e o
futuro»).Alguns dos meus entrevistados tiveram um conforto neste contexto. Fred
Hernandez, que não pôde encontrar um emprego devido às suas condenações
anteriores, afirmou que se encontrava em desespero se não acreditava que estava «à
mão de um edifício, de cuidados, de Deus.» Della Jones declarou: «O que tem o
poder de criar o mundo estava à nossa frente e tem um plano para mim.»
Também há uma base para o otimismo nas filosofias novas. Se tudo for inferior
ou inferior, a realidade pode ser alterada simplesmente através de uma atenção
mental específica e da visibilidade. Além disso, «O universo é uma obra-prima de
abundância», de acordo com o bestvendedor de Byrne Rhonda, The Secret
(2006).«Quando se abre a sentir a abundância do Universo, terá a experiência de
alegria, alegria, bliss e tudo o que é que o Universo tem para a boa saúde, boa
riqueza, boa natureza» (Lisa Nichols, citada em Byrne 2006, 126-127).No momento
em que me encontro com Gabriella Gomez, um instrutor a tempo parcial, um
instrutor de massagens a tempo parcial, a peticionária estava em perigo de perder o
seu alojamento, mas, quando surgem preocupações, repete «vivo, vivo, move, e
respira, e tenho o meu campo de abundância. Todas as coisas estão a acontecer.»
Ambos os sistemas espirituais fornecem técnicas que os crentes podem utilizar
para tentar obter os seus objetivos, como o oração para os cristãos (Carl Mathews,
afirmou que ele se manifestou sobre a sua situação) e a visualização, a colocação e
as técnicas conexas em varás, as novas práticas. Gabriella Gomez utiliza painéis de
200 CAPÍTULO 9

visão; Phoenix Rises e o seu amigo Callie, que eram budistas na seita Soka Gakkai,
de Nichiren
Budismo, decantado para o que pretendiam. 17 Tanto os cristãos como os autores de
práticas nas novas idades utilizaram as suas práticas espirituais como complemento,
e não um substituto, das atividades de procura de emprego de sítios Web de
digitalização, de envio de candidaturas, de criação de redes, etc.
Se a oração e a visualização não produzirem os resultados pretendidos, tanto os
cristãos como alguns novos crentes têm formas de explicar essas anomalias. No caso
de Chris haitianos, respostas de Deus, mas «no seu modo e no tempo», por isso a
sua resposta não pode ser imediata ou no formulário que achou que quiseres. 18 Em
alguns sistemas de confiança novos, não se vê como obter o objetivo que se
centrava no universo até ao universo. Os resultados podem ser imprevistos. Callie, o
budista de Soka Gakkai, não gostou do seu emprego anterior e, posteriormente, o
fez. Jogou que o universo dizia que «A sua oração obteve resposta. Da próxima vez,
tem de ser um pouco mais específico!»
Por último, tanto os cristãos como os profissionais do emprego têm a convicção
de que, para alcançar os objetivos materiais, o ato de elevar os objetivos materiais,
se os seus preçários para os materiais não forem respondidos, podem ajustar a sua
atitude e agradecer-lhes o sofrimento que lhes foi feito. Neste quadro espiritual,
trata-se ainda de uma espécie de resgate.

Todos os valores não são positivos


Nem todos faltei para pensar de forma positiva, salientando o bom lado da falta de
trabalho e manifestando o seu otimismo em relação ao futuro. Por exemplo, a
Amber Washington estava descontente: «Considero as pessoas que se deslocam em
locais onde trabalham para trabalhar que foram alimentadas. Estou ciente de que a
cólera e a mentalidade de vontade de matar, querem destruir algo devido à sua
própria presença no interior de mim e às pessoas que não o tratam.». a Amber era
um ponto aberrante na sua ânimo franca, outros indicaram as suas histórias sem
qualquer reflexão positiva. A pimenta Hill citou a canção do país, «sons como a vida
para mim,» pelo Danyl Worley, cujo ponto é que são de esperar tempos difíceis
(«sons como a vida para mim, não nem a fantasia»).Esta perspetiva alternativa está
bem representada na música dos países americanos, mas a melhor solução de uma
situação estatutária é contrária à ideologia do pensamento positivo. O pensamento
positivo é, em vez disso, a mentalidade segundo a qual é possível ter um futuro
melhor. Das cinquenta e uma pessoas cujas entrevistas I codificaram até agora, trinta
e quatro ideias expostas de forma definitiva, três apresentavam alguns vestígios da
mesma, mas catorze não o fizeram.
RESULTADOS POSITIVOS DO TRABALHO 201

Nem sequer os defensores mais entusiastas do pensamento positivo conseguem


sempre manter essa perspetiva. Por exemplo, houve uma diferença evidente entre a
minha primeira e a segunda entrevistas com Carl Mathews. No primeiro, era um
cartaz de reflexão positiva. No momento em que estive a ser-lhe, cerca de um ano de
desemprego, esteve na origem da sua hipoteca e declarou falência. Anteriormente,
tinha efetuado mais de 120,000 dólares por ano, muitas horas extraordinárias, mas
agora as suas circunstâncias aumentaram muito difícil. Ainda assim, declarou de
forma correta «contabilizar as minhas prestações» quando apresentou a sua mulher
quando se queixou de que o facto de estar fora de serviço lhes deixou de gastar
dinheiro: «So i, portanto, «O que existe para apresentar queixa?Deve estar
satisfeito.» [..Não estamos a viver como os vendedores de Rockefelers, mas estamos
longe de viver nas ruas.»
Na segunda entrevista, o seu tom era diferente. Estava a falar sobre o que não
podia dar-se e a sua expectativa de que a sua mulher o abandonasse, quando surgiu a
seguinte história:

Conheça toda a sua situação. Para uma pessoa que trabalhou durante todo
o tempo para o fazer, nunca lhe aviso.Sabe. Hoje em dia, abei-me mais do
que anteriormente. Estive numa entrevista de emprego uma vez, estive
corretamente a rua com o Jack na caixa. E eu percebi este guy de cor
branca, era o dia, ele próprio nas tracinzas pode, durante o dia, retirar
alimentos e comer o alimento. E não o cuidado de quem está a olhar para
ele alimentá-lo e de o comer. E todos os alimentos que não podiam comer
o fazer no bolso. E quase não queria comprar nada [a] a esse ponto, não
porque festejo-me com o calçado. Não me foi desgaste porque tive
conhecimento das pessoas antes de o fazer. Acabou por encontrar os Deus.
Dechamei que tinha de fazer o mesmo. Geralmente é o tipo de guy a sair e
a comprar algo a comer. Mas eu considero-o e abalo-o tão mau porque
disse, «Sou um passo desse facto. Uma vez que se pode comer fora das
mesmas pessoas, as mesmas pessoas podem olhar para mim.» e quase não
quero comer.[..Sei que estou limpo, procuro bom agora, estou a ir em
entrevistas, mas quanto tempo será necessário?Quanto tempo seria antes
de [sair] da minha casa?Quanto tempo ir antes de me divorciar ou de
tudo, não terá quaisquer benefícios e não terá nada a nada para ocultar?

Solicitei a Mathews se fosse necessário mudar para a casa dos pais se fosse
necessário. Disse talvez, mas recusou ser descarrilado pelo que poderia ter sido um
tentativa incentosa da minha parte para transformar a conversa num sentido mais
positivo:

A coisa é, porém, isto..É triste, mas estive sempre a dizer de que forma
202 CAPÍTULO 9

alguém pode matar osi, mas posso compreender por que razão. Por vezes,
é melhor morrer do que ir através de tudo isso. Sabe, e não quero morte
por ninguém, mas todos sabem o que podem tomar. Sabe, como tal, se é
isso que acontece....Sabe, não estou a comer fora de latas de lixo. As
pessoas mortas não têm de se preocupar com comer. As pessoas mortas
não têm de se preocupar com nada mais.

Estas observações não foram objeto de resolução. No entanto, o valor atualizado dos
jovens é, no entanto, muito positivo, tenta contabilizar as suas prestações e
permanecer positivo, vê-se confrontado com a realidade de viver num país que pode
sair por si só nas ruas com «em lado nenhum para se esconder.»
O pensamento positivo não é completamente penetrante. Estes discursos não
chegam nem convencem a todos e mesmo aqueles que a acolhem também podem ter
perspetivas de fuga do futuro.

Quem é???????????????????
Segundo Barbara Ehrenreich, «O pensamento positivo tornou-se útil como um
pedido de desculpas para os aspetos da economia de mercado»:

Se o otimismo for a chave para o sucesso material, e se conseguir uma


perspetiva otimista através da disciplina do pensamento positivo, não há
desculpa para o fracasso. O aspeto superior da positividade é, pois, uma
forte insistência na responsabilidade pessoal: se a sua empresa falhar ou se
o seu posto de trabalho for eliminado, deve [ser] porque não tentou
suficientemente afinado, não acreditava firmemente na inevitabilidade do
seu êxito.(2009a, 8)

Do mesmo modo, a Sharone (2014) argumenta que a necessidade de os candidatos a


emprego americanos criarem e projetarem personalidades e boa química com
potenciais empregadores as leva a culpa de si própria e não a culpas de um sistema.
Os meus entrevistados foram, eles próprios, responsáveis por um pouco. De um
modo geral, no entanto, foi atingido por quanto é que raramente se articularam com
culpa. Em vez disso, a maioria afirmou que nunca tinha tão pouco trabalho e muito
razoavelmente centrado no que era diferente agora: demasiados empregos e
demasiadas pessoas à procura de emprego na sua área do sul da Califórnia. Os
entrevistados explicaram igualmente que existe uma redução tanto contra o meia
idade como contra os desempregados de longa duração, bem como sobre a sua
maioria.
Por exemplo, Charles Toppes era diretor regional de operações para uma
RESULTADOS POSITIVOS DO TRABALHO 203

empresa de fabrico de móveis. Explicou que o seu trabalho cumpriu sempre ou tinha
ultrapassado os objetivos, mas que as empresas eram mal geridas a níveis mais
elevados. Este era no seu final dos cinquenta anos e estava à procura de trabalho
para cerca de um ano e meio «porque existe atualmente uma base tão elevada de
talento no setor da indústria». comentou também «É difícil para mim obter um
emprego porque sou chamado «sobrequalificados». sei que, em alguns casos, o
«excesso de qualificações» significava que eu era apenas um pouco demasiado
antigo.» Além disso, a fraca economia teve uma procura reduzida: «E ter ouvido
falar estou certo de que todas estas empresas estão sentadas e dinheiro e dinheiro
que todas estas empresas estão sentadas; é porque a procura não existe para o seu
produto e desde que a procura não exista para o produto [..Não têm de adquirir os
talentos necessários». lamenta o facto de ter seguido uma carreira no fabrico de bens
de uso doméstico duradouros, uma vez que esse trabalho estava em movimento no
estrangeiro. No entanto, não foi responsável pelo facto de não poder prever esta
alteração nas tendências económicas trinta anos antes, quando iniciou a sua
carreira?Comentou, «à medida que as tecnologias surgem [..E coloca limitações às
pessoas.»
Num questionário escrito, distribuído no final das entrevistas, solicitei: «Na sua
opinião, que é mais frequentemente competente se uma pessoa for pobre, a falta de
esforços por parte do próprio, ou circunstâncias que não estão sob o seu controlo?»,
quase dois terços dos meus entrevistados (65 %) responderam «ambos» e mais 22 %
escolheram as circunstâncias que estão para além do seu controlo. apenas 12 %
foram afetadas exclusivamente à falta de esforço da pessoa singular.
Houve variações na medida em que as pessoas pensavam que poderiam chegar à
cota se tivessem um esforço maior para crer na inevitabilidade do seu êxito. Os
responsáveis pela adoção das filosofias novas eram mais pesados de tentar, à medida
que a Phoenix Rises o colocou, ao «comandante da minha memória» devido ao seu
poder de pensamento. Ainda assim, tal não impediu a sociedade Phoenix Rises e
outras de criticar a economia de mercado. Em resposta a outra pergunta escrita, a
Phoenix Rises foi um dos catorze entrevistados que concordaram com a afirmação
«A esquerda em si mesma com a economia de mercado livre cria mais problemas do
que «oportunidades», uma vez que gera demasiada desigualdade e deixa demasiadas
pessoas em pov.» Doze mais acordo com essa declaração e com o seu inverso: «O
mercado livre cria mais oportunidades do que problemas.» Por outras palavras,
quase metade dos meus entrevistados teve dúvidas sobre as forças de mercado que
criaram as dificuldades que atravessavam.
A expectativa de que a ideologia do pensamento positivo forçará os
desempregados a culpas, esquecendo-se do facto de os candidatos a emprego
deverem estar autoconfiantes (Lane 2011). 19 São informados de que há «histórias de
poder»: os desafios que enfrentam no emprego e o modo como foram bem
204 CAPÍTULO 9

sucedidos, acompanhados de factos e de números concretos. Penso que é mais


profundo do que isso, não apenas para a forma como os desempregados narram a
sua situação, mas também para a forma como pensam dela. Stephen Smith, os seus
resultados trouxeram este lar para mim. Stephen, antigo executivo de alto nível para
uma grande sociedade, estava sem trabalho durante quase três anos, quando nos
reunimos. 20 Stephen comentou que a sua mulher, a antiga funcionária reformada,
afirma ser o seu defeito que não estava a trabalhar. Perguntei se concordou com ela.
Afirmou que «um pouco,», acrescentou, «Não posso ir lá. O que faz sentido.»Para
se vender, tem de acreditar no produto. E se começar a pensar que algo está
realmente errado consigo, que realmente não está a trabalhar, fará com que a
procura de emprego seja muito mais difícil.
A adoção de um pensamento positivo não impediu a consciência por parte dos
entrevistados das forças que despendiam a economia. Alguns estavam muito
descontentes com o papel dos grandes bancos. Por exemplo, Carl Mathews teve esta
observação militante quando pedi o que pensava do movimento «Occupy Wall
Street», que surgiu ao mesmo tempo, iniciei as minhas entrevistas no outono de
2011:

CS: O que pensa do Movimento Occupy?


C ARL M ATHEWS: Maravilhosa. A prazo. Quanto tempo pode bater algum
organismo?Quanto tempo pode beneficiar as pessoas?À semelhança do
que fizeram com os bancos em 22 de novembro, todas as pessoas se
dirigiam às cooperativas de crédito. As cooperativas de crédito estavam a
receber pessoas pelas centenas de milhares. Sabe o que?Adotou-o. Sair
dos bancos, mostrar-lhes que não podem fazer o que pretendem fazer.[..As
empresas têm agora de compreender: tens de os ajudar. Foi assistido por
Bush, mas continua a não querer ajudar-nos. Eliminá-los. Adoro o mesmo.
Continuam a fazê-lo e, em breve, o povo que o fará. CS: Pensa assim?
CM: E vai ao mesmo tempo. Sabe por que razão?Atualmente, é pacífico,
mas não será tão longo. E trata-se de algo, não uma coisa motivada por
motivos raciais, nem a preto nem o México nem os judeus nem os
homossexuais, nem as mãos de pessoas, nem combater o mesmo, os
99 %.É isso o que se passa. Só pode rasgar o gás lacrimogéneo e as
pessoas mais longas, mas deixemos de o fazer, temos mais pessoas
aqui com armas do que os agentes da polícia.

A maioria dos meus entrevistados não estava pronta para aceitar armas, mas ouvi
um pouco de cólera com os grandes bancos e a ganância das empresas. Alguns
entrevistados, em vez disso, adotaram uma abordagem neoliberal, culpam o excesso
de regulamentação e outros fatores que criam um mau clima empresarial na
RESULTADOS POSITIVOS DO TRABALHO 205

Califórnia ou nos Estados Unidos. No entanto, quer tenham imputado empresas de


acolhimento ou controlo excessivo, a maioria colocou os seus problemas
económicos num quadro económico e político mais vasto.
Lisa Rose, outra frequente do pensamento positivo, escrev-me depois de ter visto
um projeto anterior do presente documento:

Preocupa-me que as pessoas se tornem passivas ou aceitem as coisas que


poderiam ser tratadas de forma diferente ou para as quais a indignação é
uma reação natural e normal. 21 não sou uma das pessoas que afirma «que
é bom» — não é e temos o direito de indicar o que realmente se está a
acontecer apesar da nossa vontade de manter uma perspetiva positiva.

Como já encontrei na minha investigação prévia (por exemplo, nos anos 2002,
2012), as pessoas são capazes de combinar ideias que os analistas pensam ser
incompatíveis, como o pensamento positivo e críticas sociais e políticas ativas.

Implicações de O pensamento positivo


Quais são as implicações se o pensamento positivo for generalizado entre os
desempregados na América, tal como encontrei entre os meus entrevistados?
Ao contrário do Ehrenich e da Sharone, não creio que a ideologia do pensamento
positivo tenha necessariamente conduzido os meus entrevistados a acusar eles
próprios as suas lutas. No entanto, são corretas que a tónica do pensamento positivo
é, na sua maioria, individualista.(digo «na maior parte dos casos» porque nas
variantes cristalizadas, o indivíduo está subordinado a Deus.)Ao contrário dos
processos da Coreia do Sul e da Nicarágua examinados por Jong BUM Kwon e Joh
Fisher neste volume, o pensamento positivo centra-se na atividade independente e
não na organização da mudança social.
No entanto, a organização para a mudança social não está excluída se se tiver em
conta uma ideia posa, uma vez que a Carl Mathews é o apoio fervoado para o
movimento «Occupy Wall Street».O ativismo político depende também de um tipo
de pensamento positivo de que as circunstâncias atuais não têm de ser suportadas, o
ponto de vista espera que as pessoas comuns possam mudar. Embora o tipo de
pensamento positivo orientado para os candidatos a emprego não incentive
especialmente a ação política, também não o desencoraja.
Acima de tudo, o pensamento positivo, com a sua visão clara de um futuro em
que o sofrimento é resgatado, fornece uma narrativa às pessoas que Lauren Berlant
(2011) descreve como num impasse, sem uma narrativa. É uma narrativa que pode
dar uma falsa esperança e conduzir a uma deceção ainda maior. Mas ter algumas
formas de imaginar o futuro pode ser preferível não ter nenhum.
10
COOPERATIVA DE DESEMPREGADOS
Resposta comunitária ao desemprego na
Nicarágua

Joh Fisher

Os dirigentes políticos da Nicarágua estavam cautelosos quando o Banco Central da


Nicarágua libertou os seus números de emprego para 2012. As taxas de desemprego
anual diminuíram pelo segundo ano consecutivo, contra 7.3 percentuais em relação
à mesma taxa que os Estados Unidos da América na altura de um pico de mais de
10 % durante a crise financeira mundial. Nos jornais, na rádio e na televisão, a
tendência foi uma vitória política do Presidente Daniel Ortega e do relançamento
político da Parte socialista Sandinista em 2006, dezasseis anos depois de ter sido
afastada do poder. Uma vez que os opositores políticos se reproduziram
rapidamente, porém, os números ainda tinham um longo caminho a percorrer para
regressar aos níveis observados durante as políticas pró-empresariais de Enrique
Bolanos, em meados da década de 2000, tendo permanecido em cerca de 4 %.Não
obstante os muitos esforços envidados no sentido de melhorar os cuidados de saúde,
o reforço do código de trabalho e a redução da fome e da alimentação, por exemplo
através da campanha «Fome Zero», a criação líquida de emprego mergulhou
significativamente durante a presidência do Ortega, o que significa que não estavam
a cumprir.
Tal como em qualquer outro lado, o número de desempregados na Nicarágua é
altamente politizado da «saúde» global de uma economia. Os aumentos de uma
fração de um ponto são utilizados como armas políticas, embora se tenham registado
ligeiras diminuições como validações dos dispositivos de propulsão existentes (por
exemplo, Didier 2007).Ao mesmo tempo, para a maioria dos nicaraguenses de
categorias mais pobres e trabalhadoras que podem gozar, mas raros, dos pavilhões
de poder político, estas mesmas estatísticas são um estádio absurdo de vida
económica. Ao mesmo tempo, que o desemprego era inferior a 5 % durante os anos

206
COOPERATIVA DE DESEMPREGADOS 207

de Bolanos, vale a pena notar que cerca de 70 % dos nicaraguenses vivem em


situação de pobreza, com dificuldades em fazer com que os fundos se encontrem em
menos de dois dólares por dia, para um rendimento equivalente de 700 dólares por
ano. E uma vez que o trabalho de ager, como as gengivas no canto da rua ou a venda
de sacos de água potável em fornos, foi tecnicamente contabilizado como
«emprego,» taxas de subemprego — definidas como um salário insuficiente para
satisfazer as necessidades básicas, entre 60 e 65 % a nível nacional, um valor que foi
aumentado para mais de 80 % nas comunidades mais pobres (USAID 2006, 124).No
entanto, nunca é a experiência generalizada de desemprego na vida quotidiana, em
vez de fazer parte de alguns jogos políticos, de que o desemprego continua a ser a
longa lista de preocupações dos nicaraguenses (Castillo 2012).
Independentemente da utilidade política da questão, uma concretização de
muitos cientistas sociais é que as estatísticas estão longe de indicadores
transparentes de qualquer economia, pelo menos na medida em que refletem as
experiências de vida das pessoas. Em vez disso, são sintomáticos de uma tendência
mais vasta, comum em economia moderna, mas muito contrária a disciplinas como a
antropologia cultural: a transformação de pessoas reais e todas as questões éticas
importantes sobre o que uma pessoa necessita e merece na vida, em blocos
estatísticos desumanos (p. ex., Ferguson 1990; Thompson 1963).Esta conversão
desnormal é altamente especializada, altamente especializada e altamente desumana
da «delicadeza das suas ações» (Thompson 1963) da vida económica.
Obviamente, no processo de conversão da realidade do desemprego nas
estatísticas reconhecidas pelo Estado, a ideia de trabalho é também uma
transformação. Apenas alguns tipos de trabalho «contagem», ou seja, os salários
para a produção capitalista. Entretanto, a vasta gama de outras atividades sociais e
económicas raramente entra em nenhum destes cálculos (Gibson-Graham 1996;
Mitchell 1998).Mas grande parte deste trabalho continua a ser de enorme valor
social. Trata-se do trabalho realizado pelos prestadores de cuidados de saúde e pelos
autores domésticos, por aqueles que realizam o autofornecimento ou pelo trabalho
em empregos não remunerados, daqueles que acabam por se reunir através de
economias informais ou ilícitas, ou mesmo pelo «exército de reserva» dos milhões
de desempregados, dos quais todos constituem, em conjunto, o sistema económico
mundial.
No caso dos antropologistas, considero que a tarefa em apreço não consiste
simplesmente em alargar a definição do que conta como «trabalho» ou como «uma
economia» como «uma economia.» Em seguida, de forma mais ambiciosa, a tarefa
consiste em empurrar para além do estilo binário de pensamento que enquadrou
questões importantes como o desemprego de forma demasiado restrita como a
ausência de trabalho, a marginalização de uma economia de «núcleo» produtiva. O
desemprego não é simples. É um trabalho de natureza diferente. Por vezes, é a carga
208 CAPÍTULO 10

solitária que um indivíduo assume com o grande dano de ser excluído do que os
valores da sociedade, de forma produtiva e de outra forma. Outras vezes é o encargo
de uma comunidade que tenta apoiar uma outra nas suas dificuldades mútuas, para a
política económica longa, ou mesmo para pistas novas e para criar alternativas
económicas viáveis. São exemplos de cada um, das economias de artesãos que
dependem das suas energias criativas para fazer face aos fins (Chibnik 2010; Grécia
e
Milgram 2000; Nash 1993), aos «clubes de emprego» que ajudam as pessoas a
navegar pelas byzanas em matéria de políticas sociais e de procura de emprego
(Brodkin e Marston 2013), para a comunidade «met-ups», onde as pessoas que
podem ou não se conhecem previamente entre si da rede, de partilhar recursos, ou
apenas de comunicar entre vírgulas. 1 Em alguns casos, o que começa por vir a
surgir na altura em que as pessoas em atividade acabam por surgir com uma
vantagem significativamente mais política. Na Argentina, após a crise económica de
2001, por exemplo, o Movimento para os Trabalhadores Desempregados (MTD)
organizou os barragens de Buenos Aires em zonas autónomas, cada um com a sua
própria economia comunitária, constituído por projetos de alimentação, escolas e
centros comunitários. Os residentes assumiram mesmo as fábricas abandonadas que
tinham sido abandonadas pelo acidente (Chatterton 2004; Dinerstein 2001; Petras
2002).Do mesmo modo, no Brasil, o conhecido Movimento dos Trabalhadores Sem
Terra (MST) criou um espaço autónomo para os desempregados, coordenando as
apreensões de terras e lançando economias comunitárias semiautónomas (Wolford
2010; Wright e Wolford 2003).Os dados de montagem sugerem que, embora as
alterações sistemáticas possam estar fora do alcance das pessoas regulares que não
estão bem situadas no interior desses sistemas, as comunidades podem criar bolsas
de esperança, de possibilidade e de alteração (Cameron e Gibson 2005).
Neste capítulo, exemplificarei o potencial das respostas de cooperativas ao
desemprego. Ao longo da última década de Ciudad Sandino, a Nicarágua, com a
assistência de uma organização não governamental dos EUA denominada Centro
para o Desenvolvimento Sustentável (CSD), um grupo de homens e mulheres
desempregados tem vindo a trabalhar no sentido de encontrar uma solução para o
grande prejuízo que o desemprego generalizado causou na sua comunidade.
Construíram o que prometeu ser a primeira cadeia de produção de vestuário,
propriedade biológica, e uma cadeia de produção de vestuário certificada pelo
comércio justo do mundo. Em 2007, a terceira e última fase deste projeto teve início
com a construção de uma pequena cooperativa de algodão, denominada Genesis.
Não há muito que a sua história não seja um êxito. Os meses foram rapidamente
convertidos em anos e, por fim, planos para a pulverização catódica, que chegou ao
fim. A génese e a CSD alegam que uma empresa de comercialização de máquinas
baseada nos EUA os defraudou em milhares de dólares que tinham por objetivo
COOPERATIVA DE DESEMPREGADOS 209

fornecer o equipamento do projeto. Depois, em 2012, cinco anos após a sua primeira
rutura, que nunca assola um só fio de fio ou recebeu um só pagamento para o seu
trabalho, os quarenta e dois mulheres e os homens de Genesis votaram quase
unanimemente a abandonar o projeto de fiação de algodão. O que é talvez a mais
notável na história da Genesis é que, depois de todos esses anos, os desempregados
ainda desempregados, os membros continuaram a mostrar, a realizar reuniões
formais, a debater e a delinear estratégias, a partilhar no espaço comunitário e a
promover um porto um outro material, financeiro, social e emocionante, em termos
concretos, em termos financeiros e sociais. Com efeito, a partir desta redação, apesar
de o projeto de fiação de algodão ter sido suspenso por tempo indeterminado, a
Genesis persiste. Reúnem-se com base numa escola primária local, onde continuam
a reunir recursos, debates, estratégias e, de um modo geral, a partilhar neste espaço
comunitário.
A minha investigação assenta no trabalho de campo etnográfico entre 2007 e
2012, incluindo cerca de cinquenta entrevistas individuais e coletivas e mais de um
ano de observação contínua dos participantes, entre 2007 e 2008 (financiado pela
Fundação Nacional para a Ciência).A investigação baseia-se igualmente na minha
experiência profissional como diretor técnico de um seminário sobre a criação de
emprego intitulado «Workshop de Organization», que teve lugar durante as fases
iniciais da construção da Genesis (Fisher 2010).Assim, para falar de forma
recíproca, os meus próprios esforços provêm de um impulso mais amplo para
compreender e situar o trabalho como uma prática social, em vez de simples ajudas
de custo, e para permitir o empenhamento ético e político dos que considero amigos,
colegas, professores a emergir como tal. Alegam, a este respeito, que um estudo de
caso da cooperativa de Genesis é muito mais do que outro elemento de prova que
sugere que as pessoas são criativas em «lidar com» com a marginalização de um
modo mais geral. É necessário considerar os esforços em curso, tanto como os
esforços de qualquer pessoa que possa trabalhar na prática como prática social. Não
se limita a tentar fazer face às despesas. Não respondem de modo algum ao
desemprego. Pelo contrário, a Genesis demonstra o potencial das respostas de
cooperativas ao desemprego a outro nível. Perante o desemprego sistemático,
demonstram a capacidade de reflexão através das ideologias económicas hualist, que
podem conduzir a conflitos e a concorrência entre si, a fim de construir formas de
desemprego de que J. K. Gibson-Graham (2006) chama «economias da
comunidade». neste capítulo, considero que o que está em jogo no desemprego não
é apenas a vida «nua nua», uma vez que as chamadas «Agamben (1998)» não se
limitam à produtividade, ao lucro ou à mera subsia. Pelo contrário, com esta questão
quantitativa complexa, enredada sobre o que merece — os filósofos que chamam
esta «justiça distributiva», é uma questão bastante mais qualitativa sobre quem é —
«a vida qualificada», para utilizar o termo menos publicitado. No seu inquérito sobre
210 CAPÍTULO 10

o desemprego nos Estados Unidos, o filósofher Paul Gomberg (2007) apresenta um


ponto muito semelhante. O que está em jogo na justiça económica não é apenas o
trabalho, mas o «bom trabalho» — o que chama a justiça contributiva. a justiça
contribui não para o que as pessoas merecem, mas para o que devem ser de esperar
ou autorizadas a contribuir para vários domínios da vida social, cultural e nomica.
Embora a distribuição da riqueza e das oportunidades de trabalho nos Estados
Unidos seja, sem dúvida, injusta, alega, o que ainda falta na conversa sobre o
desemprego e o subemprego é que muitas pessoas estão condenadas a gastar as suas
vidas em marcha lenta sem carga ou a fazer tarefas mecânicas e repetitivas que não
vale o seu tempo e esforço.(David Graeber [2013], numa outra reflexão, chamou a
atenção para este fenómeno.
Neste capítulo, argumentamos que o que está em jogo nas «economias
comunitárias» do emprego e do desemprego, para o Genesis, é a esperança de um
trabalho significativo: a possibilidade de criar um espaço de socialidade,
solidariedade e autonomia. Também sustentamos que, em particular, no caso da
Genesis, se chegou a uma tal perspetiva sobre o trabalho não é fácil. Exige uma
transformação pessoal substancial — novos hábitos diários, novas práticas dos
próprios, e formas novas e desconhecidas de relação social na vida quotidiana, o que
significa redefinir não só o próprio significado do trabalho, mas também o que
significa estar desempregado com um objetivo. Em ambos os casos, a medida não é
a que é recebida em troca, mas a forma como estas novas práticas sociais e criativas
podem surgir como atividades comunitárias significativas — um bom em, de e para
si próprio.

Ajuda: Desenvolvimento, Cooperação e o


problema do desemprego
Diretamente a oeste da capital da Nicarágua, Manágua, e com ela quase a com ela,
reside na cidade mais pequena de Ciudad Sandino. Tal como noutras regiões da
Nicarágua, o desemprego é motivo de grande preocupação. Ainda assim, Ciudad
Sandino, talvez mais do que a maioria das outras cidades da Nicarágua, ilustra a
distribuição espacial da pobreza tão frequentemente tapada pelas representações
estatísticas. As taxas de desemprego, neste caso, estão formalmente entre 10 % e
15 %, embora o presidente da câmara estime que o número de pessoas objeto de
emprego está mais próximo de 80 %. 2 Com efeito, de acordo com cálculos recentes,
apenas 35 % da população em idade ativa da Ciudad Sandino, uma cidade com mais
de duzentos mil habitantes, tem qualquer forma de emprego estável. De facto, mais
de 70 % dessa população sobrevive ao rendimento das famílias abaixo do limiar de
pobreza (INIDE 2008).
COOPERATIVA DE DESEMPREGADOS 211

As razões são históricas, na medida em que são o produto da economia global do


país. A Ciudad Sandino é o resultado de mais de quarenta anos de catástrofes
naturais e de origem humana. 3 Em 1968, uma inundação provocou a deslocação de
milhares de pessoas das suas casas ao longo da costa do lago Manágua, muitas das
quais foram transferidas para algumas terras de pousio a oeste de Manágua, onde
passaram a ser os seus primeiros habitantes. Alguns anos mais tarde, em 1972, um
importante sismo de nove centenas de blocos quadrados em Manágua deixou
centenas de milhares de pessoas sem abrigo. Muitas das pessoas deslocadas foram
recolocadas na mesma sequência, agora designada «Perma nent National Emergency
Operation 3» (abertas 3), mais do que duplicando a sua dimensão numa questão de
semanas. Nos últimos anos que levaram à revolução de 1979, que derrubaram a
brutal ditadura de quarenta e dois anos da família Somoza, o abertas a 3 tornou-se
um paraíso para os pobres urbanos, os marginalizados e oprimidos, incluindo os
refugiados políticos que fogem das fornas-militares de Somoza, que após a grande
revolução com o nome novo da cidade, Ciudad Sandino (após Augusto Cesar
Sandino, o herói popular e o nome do partido político Sandinista).Mais uma vez em
1998, o furacão Mitch causou mais dezenas de milhares de pessoas das suas casas
na mesma faixa costeira do Lago Manágua. A maioria foi reinscrita, uma vez mais,
nas pastagens turvas nos bordos exteriores da Cidade de Ciudad San. Por este
motivo, embora a Ciudad Sandino não tenha uma identidade forte do seu próprio
nome ou, para o efeito, um termo comum para designar os seus habitantes (Arellano
2009), há muito tempo que se deslocou à Nicarágua.
A Ciudad Sandino é o produto material destas muitas forças estruturais. Cada
uma das suas referências (fases) faz referência a uma catástrofe dessa natureza ou
outra. As elevadas taxas de desemprego e a maior densidade populacional do país
(cerca de 4,500 pessoas por quilómetro quadrado) estão estreitamente ligadas a uma
vasta gama de outros problemas sociais e económicos, nomeadamente a pobreza, a
insegurança alimentar, a desflorestação, a criminalidade e a doença (INIDE
2008).Infraestruturas básicas como estradas, drenagem e gestão dos resíduos são
deficientes, uma vez que a cidade beneficia de uma base fiscal de cerca de
2,30 milhões de dólares por pessoa para todos os serviços da cidade, deixando assim
muito pouco nos cofres de qualquer tipo de iniciativa para o emprego. Doze zonas
de comércio livre (também conhecidas por zonas, maquilhas, ou «sweatshops») dot
o perímetro da cidade e produzem todo o tipo de marcas de vestuário popular
vendidas em todo o mundo, mas estas instalações também estão isentas de impostos.
Drenam os recursos locais e contribuem quase para o desenvolvimento económico
local e oferecem aos trabalhadores salários inferiores à subsistência de cerca de 70
cêntimos por dia (por exemplo, Mendez 2005).Em consequência, embora os seus
próprios residentes não identifiquem fortemente o lugar, muitos residentes de
Manágua, apesar da distância geográfica máxima, consideram uma forte
212 CAPÍTULO 10

desigualdade espacial. Algumas estão ainda hesitantes em viajar para «Ciudad


Sinestra», um pseudónimo que tem um significado triplo: Esquerda, sinister
(sinestra), bem como acidente ou catástrofe (un sinestero).
Para as muitas ONG que trabalham em Ciudad Sandino em áreas de
desenvolvimento económico local, a criação de emprego é da maior importância.
Embora os indicadores macroeconómicos tenham estabilizado na era do ajustamento
estrutural, a austeridade e as tentativas de atrair o investimento direto estrangeiro
através de laboratórios de baixo custo — mais iconicamente, no comércio livre — o
desemprego e, em especial, os níveis de desemprego permaneceram constantemente
elevados. Esta situação teve repercussões na saúde das comunidades locais, na
segurança e no bem-estar. Por conseguinte, as ONG têm frequentemente encontrado
a necessidade de efetuar mudanças a uma escala mais pequena. Uma pequena ONG,
uma pequena ONG do Norte, designada por «Center for Sustainable Development»
(CDT), procurava resolver precisamente este problema quando, em 2007, se
destinava a construir uma instalação de fiação de algodão denominada Genesis. De
acordo com Roger, um porta-voz do projeto da CSD na Nicarágua, embora os
esforços do governo para criar emprego nas zonas de comércio livre tenham
conseguido reduzir os números globais de desemprego, também ficaram muito
aquém do incentivo real e real a nível económico local. 4 Considerando a
necessidade de uma alternativa que se centre na criação de empregos, não para a
economia per se, mas sim para a comunidade. Roger explica:

A única coisa que os gestores têm feito com sucesso é proporcionar politi
em poti para falar sobre o momento em que precisam de demonstrar que
criaram postos de trabalho....A verdade é que quase não é possível obter
qualquer tipo de subsistência numa comunidade onde os rendimentos de
base continuam a faltar devido à ausência de trabalho. Enquanto
organização que se centra na ação devel da comunidade, ou seja, que
coloca o bem-estar da comunidade acima e para além da economia, não
nos podemos dar ao luxo de esperar pelas mãos do capitalismo de
mercado livre, criar um emprego mágico e, de certo modo, aumentar esta
comunidade de pobreza. O nosso objetivo com estas cooperativas é a
criação de uma alternativa viável e justa para as obras de maquinismo. Um
deles entra em concorrência com eles e, talvez num mundo ideal, os gere a
partir da sua empresa um dia.

Para as CDT, as cooperativas são o modelo preferido para «manter dólares locais»,
uma vez que enquadram frequentemente os seus esforços. Ao contrário das
empresas convencionais, os trabalhadores cooperantes, que formam um coletivo, são
os proprietários da empresa e geri-la democraticamente. Além disso, uma vez que
esses trabalhadores são normalmente membros da comunidade local, em vez de
COOPERATIVA DE DESEMPREGADOS 213

financiadores estrangeiros, os benefícios económicos das cooperativas também


tendem a ter uma influência mais direta no desenvolvimento económico local.
Evidentemente, a Genesis não foi a única tentativa da CSD no desenvolvimento
económico local. A génese foi o elo que falta num projeto muito mais vasto: a
primeira cadeia de produção do setor do vestuário, verticalmente integrada,
localizada na sua totalidade por Adrian Nica, deve ser certificada como um
comércio justo e biológico e todo o caminho a partir das sementes de algodão para o
produto final. Este projeto, muito maior, teve raízes em 2000, quando, na sequência
da devastação causada pelo furacão Mitch, a ONG organizou uma cooperativa de
mulheres como a «Zona de Comércio Justo» (uma cooperativa, nomeadamente, que,
desde então, adquiriu o estatuto da primeira zona de comércio livre propriedade do
mundo em 2004; ver Fisher 2013).Uma vez que o projeto cresceu e registou êxitos
notáveis, a CSD também chegou a acordo com uma grande cooperativa agrícola na
Nicarágua denominada COPROEXNIC em 2005, a fim de proceder à rotação do
algodão no seu sésamo orgânico de sésamo e de amendoim. Nessa cadeia mais vasta
de produtos de base, a Genesis foi a falta de ligação e outra tentativa de
proporcionar empregos bem remunerados, ao contrário do que acontece com as
mailadoras.
Criadores de emprego e empregos para o emprego
A cooperativa de Genesis foi fundada no início de 2007 por quarenta e dois
membros no total — trinta e quatro mulheres e oito homens. O grupo motley incluiu
uma gama de idades entre dezoito e oitenta anos. Eram antigos manuais manuais,
trabalhadores domésticos, condutores de autocarros, trabalhadores de escritório,
trabalhadores do setor público, e mesmo de contabilistas e advogados. E chegaram
ao projeto com uma grande variedade de orientações políticas, experiências e
situações socioeconómicas. No entanto, apesar de todas estas diferenças, estavam
unidas por vários fatores. Em primeiro lugar, o grupo representou uma vasta gama
de desempregados cronicamente desempregados na Ciudad Sandino, homens e
mulheres que tinham algumas competências profissionais mas que, por uma razão
ou outra, tinham procurado trabalho sem êxito durante anos de cada vez. Em
segundo lugar, apesar do seu desemprego, o seu objetivo não era encontrar trabalho
de qualquer tipo, mas antes funcionar com dignidade e estabilidade financeira. Em
terceiro lugar, estes não eram os mais pobres da população pobre da Ciudad
Sandino, mas eram relativamente muito distantes em comparação com muitos de
Ciudad Sandino: Alguns tinham graus profissionais e talvez até algumas poupanças.
Outros têm uma família ou outras redes de apoio social dispostas a financiar uma
participação individual no projeto de lançamento da frota, através da concessão de
empréstimos a alimentos e a outros agregados familiares necessários. O Ximena, por
exemplo, recebeu o apoio mútuo do seu marido (que, muitas vezes, ajuda na sua
214 CAPÍTULO 10

pequena secção de carpintaria), da sua irmã (a quem ajuda a sua irmã ou a pequena
loja de bairro) e os seus dois filhos a trabalhar. Apesar de o projeto não ter dado
qualquer garantia de êxito, nem de um salário a curto prazo, poderia suportar o
risco. Ao mesmo tempo, a peticionária reconhece que existem muitos em Ciudad
Sandino, que poderiam, na prática, desviar a sua atenção da tarefa diária que
consiste em simplesmente fazer cumprir os fins. Por si, o pagamento foi mais do que
o risco. Ximena explica: «Sabia o que significa fazer parte de uma
cooperativa?Significa que nunca pode ser substituído. nunca pode ser substituído
por uma máquina. Significa que é a empresa e não pode existir sem o fazer.»
É também de salientar o acentuado diferencial de género entre aqueles que, em
última análise, se tornaram membros da Genesis e aqueles que não o fizeram.
Adilia, mãe de meia-idade de três trabalhadores, proprietária da «Fair Trade Zone»,
a «Genesis», em cooperação, alega que um dos principais fatores é a diferença de
atitudes entre homens e mulheres no desemprego:
Os homens sentam-se à volta de todo o dia, ver televisão, sentir-se mal.
Que bebem qualquer dinheiro que tenham. Afirmam que «sou um pintor e
não há pinturas de trabalho», pelo que se mantêm fora de trabalho..Porque
o seu orgulho é prejudicado. Então são deprimidos e descontentes porque
não estão a contribuir, sentem que não têm qualquer valor e o fazem no
resto de nós. As mulheres são mais empreendedoras.Digamos, «Oh, há
trabalho em que há alguma coisa a fazer. mesmo que não estamos
habituados ao trabalho, estamos sempre a encontrar uma forma de
contribuir. Mantemos fortes mulheres, uma vez que temos de, porque os
nossos filhos dependem de nós, e não podemos desistir.

Por outras palavras, de acordo com a Adlia, a identidade dos homens está
estreitamente ligada ao emprego formal, à conceptualização da atividade económica
no cálculo (rua ou esfera pública), bem como à função de provisionamento do
agregado familiar (Babb 2001; Gutmann 2006, 158-159).Por conseguinte, a falta de
trabalho implica, por um lado, uma consequência financeira e, por outro, uma
portagem sobre a dignidade e a autonomia. E, no entanto, a falta de capacidade para
preencher em torno da casa, para desempenhar as funções mais estreitamente
associadas ao «trabalho das mulheres», ou mesmo para procurar formas alternativas
de géneros pode ser vista como uma inversão ameaçadora dos papéis em função do
género e potencialmente escalada para a violência doméstica (Olavra 2003; Vigoya
2001; Galês 2002).Por outro lado, para muitas mulheres e mães nicaraguenses, o
que está em jogo no emprego é menos uma questão de estatuto, por si só, do que a
capacidade de a casa e a manutenção de um nível mínimo de subsistência, de
natureza cultural (Mulinari 1995; Schmalzbauer, Vergese e VADERA
2007).Segundo a Adlia, em tempos de escassez, o trabalho de uma mãe, em
COOPERATIVA DE DESEMPREGADOS 215

particular, pode exigir uma vasta gama de estratégias de sobrevivência empresarial,


incluindo alimentos e bebidas de venda automática na rua, a obtenção de um
rendimento adicional através de serviços de lavandaria a partir de vizinhos
(Casanova 2011), para além de uma multiplicidade de estratégias de autonegação e
de «aperto individual» (Stephen 2005b).A empresa Adilia continua:

Tem de fazer tudo o que for para os seus filhos [ Uno hoce curaquier
cosa por los hijos]....Tem de cuidar delas, certificar-se de que comem e ir
à escola. Mas também tem de lhes dar esperança e certificar-se de que são
queridos e que crescem de forma a serem bons.

Por outras palavras, a intensa exploração para as mulheres envolvidas na prestação


de serviços domésticos justifica-se precisamente porque o que está em jogo é mais
do que um rendimento ou um emprego. É o bem-estar económico, social e
emocional de todo o agregado (Gonzalez de la Rocha 1994, 2001).
Para as quarenta e duas mulheres e os homens que acabaram por aderir à
Genesis, as fases iniciais deste trabalho não remunerado não eram exatamente
iguais. Passaram a maioria de cada dia de pirataria a partir das ervas daninhas, a
limpeza das cinzas e a limpeza do espaço sob a sombra de uma vasta árvore de
Guanaastia numa pequena parcela de terreno que acolhia a futura fábrica. Aí
participaram, por um lado, blocos de blocos de betão e, por outro, reuniões de
organização com nada mais do que um pequeno pequeno branco vertido pela chuva
e a humidade. A um trabalhador externo, como eu próprio, as reuniões pareceram
longas e meandras, muitas vezes com a duração de três a quatro horas de cada vez.
No entanto, como eu compreendi, o desempenho foi muito mais significativo do que
a burocracia.
Trabalhar em conjunto para estas mulheres e homens no seu conjunto. As reuniões
abrangeram questões abstratas como o significado da democracia e como o
calendário para o dia seguinte. Através do processo de discussão de cada um deles,
os membros do Genesis praticou que antropologista David Graeber chama «política
política» (2001a).O que debateram, e as conclusões a que chegaram, eram tão
importantes como as relações que construíram no processo. No caso em apreço,
chegaram a pensar que a sua cooperativa era uma perenidade em que cada membro
era da responsabilidade de «se alinhar com o espírito de cooperativismo»
(aletarasse con el Esp de cooperativismo), em especial os valores da igualdade, do
respeito e da transparência (Fisher 2010).Maria, que geria uma pequena banca no
mercado local antes de vir a Genesis, refletia:

Estar numa cooperativa significa que devemos agir sempre em conjunto,


uma vez que todos somos no seu conjunto. Embora ainda não nos sejam
pagos, o nosso trabalho continua a ser um emprego, como a propriedade e
216 CAPÍTULO 10

a gestão da sua própria empresa. Decidimos como as coisas são geridas


em conjunto e ninguém tem o direito de dizer aos outros o que fazer.

Além disso, para as pessoas que tinham passado muito do seu tempo em torno da
casa, o ato de compensação do terreno, criando um espaço para si próprio, era um
ato social e SYM significativo do ponto de vista social e SYM, se não houvesse
qualquer outra razão para além de as ter fornecido algures a ser diariamente.
Literalmente e em sentido figurado, la oficina (o gabinete) — o espaço que se
encontra por baixo da árvore de Guanacastia era um local para se reunir e para fazer
o importante trabalho de construção de um futuro no presente.
No mesmo ano, a Genesis eclodiu no seu projeto, iniciei a realização de
investigação etnográfica a longo prazo na Nicarágua. O meu calendário foi
chocante, na medida em que não só tive a oportunidade de testemunhar as primeiras
fases de organização da equipa de trabalho, mas também foi convidado a
desempenhar as funções de diretor técnico de um seminário de criação de emprego
de grande escala e de grande escala, designado «seminário da Organização».O
objetivo deste seminário foi duplo. O primeiro centrou-se no desemprego na
comunidade «Ciudad Sandino».Como modelo, o OW visa um excedente de
desemprego da com comunidade e dá-lhes um quadro no âmbito do qual podem
reunir-se, congregar recursos e desenvolver soluções criativas (incluindo novas
empresas) para fazer face ao seu próprio desemprego. O segundo centrou-se na
própria Genesis. De acordo com o patrocinador da oficina, uma ONG com sede em
Manágua denominada Vientos de Paz, uma cultura organizacional eficaz é crucial
para o êxito de uma cooperativa de produtores. Assim, o outro objetivo do OW era
fornecer aos membros da cooperativa de Genesis um meio para desenvolver uma
«cultura de produtividade» que lhes permitiria ter êxito num mercado concorrencial
(Porter 2000, 25).
Muito sucintamente, o OW foi desenvolvido pela primeira vez na década de
1960, no Brasil, por bolseiros Clodomir Santos de Morais (de Morais 1969,
1987).De Morais acreditava que o desemprego era a questão mais premente no
mundo em desenvolvimento, tendo concebido o seu seminário como o equivalente
de criação de emprego de seminários de literacia famosos de Paulo Freire.(os dois
homens eram amigos próximos, tendo partilhado uma célula de prisão durante o
golpe de Estado de 1964). de acordo com a De Morais, a maior parte dos projetos
estão inscritos em relações de poder hierárquico muito desiguais, de tal forma que se
considera que uma classe privilegiada («técnicos», «especialistas», «especialistas»)
possui conhecimentos, competências ou recursos e que os transmite aos
«populações-alvo».Pelo contrário, não os impede-os de lhes retirar o controlo sobre
os instrumentos do seu próprio desenvolvimento (por exemplo, Carmen 1996).Os
OW são constituídos por esforços para reforçar a capacidade de as populações
COOPERATIVA DE DESEMPREGADOS 217

visadas utilizarem as ferramentas do seu próprio desenvolvimento, assumindo o


pleno controlo do seminário. Os participantes envolvem criticamente as condições
da sua própria vida e definem democraticamente, como grupo, os seus objetivos de
desenvolvimento. Elas próprias exploram a oficina e aprendem as competências
necessárias para a gestão de uma grande empresa. Ao fazê-lo, transformam a forma
como pensam «trabalho», passando de uma «consciência artesanal» independente e
voluntarista para uma «consciência organizativa», mais complexa e colaborativa —
a diferença é a diferença entre a pequena mudança e a grande escala, a mudança
sustentável (Carmen e Sobrado 2000). 5 Embora, nesse sentido, possa parecer que se
trata de um projeto altamente experimental ou radical, teve, de facto, uma exposição
notável entre as principais agências de desenvolvimento. Desde as suas origens no
Brasil, o seminário foi executado centenas de vezes em cinco continentes por
entidades tão grandes como o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento
e a Organização Internacional do Trabalho (OIT).Por si só, na América Latina, o
OW tem ajudado os membros do Movimento Nacional de Trabalhadores do Land do
Brasil a criar empresas e a formalizar as apreensões de terras (em conformidade com
as exigências da legislação brasileira).Ajudou os trabalhadores desempregados a
criar cooperativas conhecidas na Colômbia, na Venezuela, na Costa Rica e nas
Honduras. E tem auxiliado as comunidades do México na organização de recursos
comuns e no desenvolvimento de infraestruturas comunitárias (ver Carmen e
Sobrado, 2000).
Poder-se-ia pensar que o método democrático radical poderia aligeirar a carga de
trabalho de uma pessoa numa posição de administrador e, em termos técnicos, ao
mesmo tempo, acrescentou de forma significativa ao trabalho político de mediação
de conflitos. No entanto, foi precisamente esta dimensão da minha posição no
processo de mão de obra que deu origem a alguns dos meus pontos de vista mais
importantes. Isto é, a Ciudad Sandino OW de 2007 foi formalmente liderada pelos
quarenta e dois membros de Genesis. O seu centro conceptual era a terra que tinham
sido apurados por si próprios. E, no entanto, recorreu a mais de cem residentes
desempregados da comunidade local. A geografia do seminário, por outras palavras,
revelou uma desigualdade básica: Os que conduziram (e realizaram o estimado
trabalho «organizacional») e aqueles que não o fizeram. os dirigentes da cooperativa
de Genesis tornaram-se líderes de facto e, ao fazê-lo, aprenderam a gerir projetos
significativamente maiores e com maior intensidade de capital do que aqueles a que
estavam até agora habituados. Foi o mesmo grupo que optou por contratar,
nepoticamente, a uma taxa de 200 dólares em quatro semanas, familiares, amigos,
vizinhos e outros conhecidos, a fim de desenvolver e implementar uma vasta gama
de aulas de formação profissional: do fabrico de tijolos, da soldadura, da carpintaria
e do elec e da cozinha, da contabilidade, da cosmetologia, da confeção de joias, da
contabilidade, da publicidade, da publicidade, e do inglês.
218 CAPÍTULO 10

De facto, de facto, tal como o OW, em quase todos os aspetos do seminário por
peritos, o grupo dos peritos não se baseou na caridade de conhecimentos
especializados de outros países (ONG ou outros).Baseiam-se quase exclusivamente
nos recursos da sua própria comunidade. Até à conclusão do seminário, quarenta
dias mais tarde, muitos participantes testemunharam que adquiriram competências
profissionais valiosas, o que, por sua vez, lhes deram novas oportunidades,
permitiram-lhes a transição para novas carreiras, dando-lhes inclusivamente os
meios para construir as suas próprias empresas. Um grupo lançou um
estabelecimento Comedor, um estabelecimento informal gerido normalmente fora
de casa. Um outro lançou um pequeno café na Internet e o desfile de jogos de vídeo,
gerido fora do domicílio de um participante, no qual criaram computadores de
secretária, um PlayStation, uma Xbox e um Super Nintendo para arrendar a um
custo por hora baixo. Um outro grupo iniciou um negócio informal de construção,
canalização e soldadura. É claro que algumas destas empresas não conseguiram
sobreviver para além do primeiro ano importante, o que aponta para desafios
estruturais mais amplos, como o acesso ao capital ou a crédito. Mas o impacto do
OW na vida dos participantes da comunidade «Ciudad Sandino» era, no entanto,
duradouro e significativo, quanto mais não fosse porque, enquanto exercício social,
criou um espírito de cooperação e colaboração. Mesmo quando os projetos
falharam, os participantes começaram a aproximar-se dos seus vizinhos com a
pergunta, o que podemos fazer em conjunto?Assim, como escrevi no meu relatório
final, o LOW não aborda questões estruturais fundamentais, mas também oferece
uma lição importante na economia da arte. As sociedades e os magnatos de negócios
não são os únicos «candidatos a emprego» numa dada economia. Tendo em conta a
autonomia mínima em termos de terrenos e de recursos de base, devemos
reconhecer que mesmo aqueles que mais não dispõem de recursos são criadores de
emprego no importante contexto das suas próprias comunidades.
Quanto aos impactos do seminário sobre a «cultura da produtividade» do
Genesis, os sucessos e fracassos continuam a ser objeto de debate (ver Fisher
2010).A verdade é que as cooperativas não são organizações «produtivas» em
sentido estrito do ponto de vista económico. As cooperativas são organizações
sociais e culturais complexas, compostas por relações humanas complexas e
dinâmicas, cuja natureza não pode, em caso algum, ser determinada a priori.A
génese tinha desenvolvido o seu «estilo» de organização próprio, se, muito antes da
sua chegada, vier a ser conhecido. Mas, ao contrário do OW e da sua ênfase na
produtividade e na eficiência, as suas atividades foram organizadas não em torno da
«produtividade» em si, mas outros valores como a igualdade, o respeito e a
transparência. A este respeito, a UIC Sandino OW teve alguns efeitos não
intencionais e não totalmente positivos. A injeção súbita de fundos e o impulso a
favor da produtividade e da eficiência, combinados com a capacitação de um grupo
COOPERATIVA DE DESEMPREGADOS 219

restrito para gerir e dispersar esses fundos com pouca supervisão, o que deu azo a
fricções novas e imprevistas. Até ao final dos quarenta dias, as fricções interpessoais
transformaram-se em acusações generalizadas de fraude e roubo contra a liderança
conjunta. Embora a maior parte não tenha fundamento, na minha avaliação são, no
entanto, ilustrativas da fragilidade da confiança coletiva, que têm o potencial de
queima de divi muito maiores. No Genesis, os efeitos destas divisões foram
permanentes. Nos meses que se seguiram ao seminário, a generalidade dos membros
votou a favor do líder do coop, muitos dos quais decidiram partir do co-op de forma
permanente.
No entanto, é seguro afirmar que, no que se refere ao Genesis, estes conflitos
mitigam a determinação da co-op e resultaram numa comunidade mais forte, um
facto que se revela particularmente importante nos próximos anos. Quando o
colapso financeiro foi atingido em 2008, as instituições financeiras ampliaram a
concessão de empréstimos em todo o mundo, atiram os proprietários em vasos, os
proprietários de casas de saúde nos Estados Unidos, os beneficiários do bem-estar
do Estado na Grécia e a totalidade do setor da ajuda e desenvolvimento (ONUDI
2009).Felizmente, a CDT esteve parcialmente protegida contra as consequências
mais graves da recessão mundial, uma vez que estas tendiam a financiar projetos
como o Genese através de pequenas subvenções e de indi vidual, mais de 60 % dos
quais foram assumidos menos de 100 USD de cada vez, em vez de empréstimos ou
de grandes subvenções. Mesmo assim, os donativos para os seus proj na Nicarágua
diminuíram significativamente, uma vez que a ansiedade económica generalizada
aumentou nos Estados Unidos. Por outras palavras, os doadores tornaram-se cada
vez mais preocupados com os seus próprios livros de bolso e mostraram-se muito
relutantes em gastar muito em projetos idealistas, como a Genesis. A construção da
unidade de fiação de algodão, que tinha começado no momento preciso da queda da
bolsa, prosseguiu, mas, de forma mais lenta e mais lenta e mais lenta, o seu
progresso interrompido cada vez mais os recursos da estação. No final, a co-op era
financiada por uma campanha de angariação de fundos realizada em tershot, que era
denominada «Making Stone Soup.» O título foi uma referência a uma história
popular da Europa Ocidental em que um grupo de viajantes, começando com uma
simples pedra, convenceu uma comunidade a contribuir com todos os ingredientes
que podem ajudar a partilhar uma sopa rica a ser partilhada por toda a comunidade.
A partir do momento em que os fundos se iniciaram finalmente, o orçamento
apertado significa que o trabalho efetivo de lançar a fundação, mesmo aumentando a
estrutura propriamente dita, foi deixado ao critério dos membros em conjunto.
Nomeadamente, durante os dois anos em que os membros da Genesis trabalharam
neste projeto de construção, não foram remunerados pelo seu trabalho. Ao invés, de
acordo com o modelo cooperativo de Mondragon em Espanha (ver Kasemir 1996),
receberam «sudação de capital» ou «capital social». no caso da Genesis, os
220 CAPÍTULO 10

membros foram creditados 50 cêntimos por hora para o seu trabalho, que foi
depositado nas suas contas individuais na cooperativa (caja laboratorial);os fundos
só se tornarão acessíveis se deixarem a coop. Apesar da intensidade do trabalho e
das muitas dificuldades ligadas ao trabalho efetivo sem remuneração, os
trabalhadores-proprietários de Genesis abordaram a sua tarefa com muita esperança
e entusiasmo. Com efeito, mesmo tendo em conta que continuavam a estar
tecnicamente desempregados dois a três anos no projeto, o seu trabalho foi, por
definição, um investimento no futuro.Na qualidade de Giselle, membro conjunto
com um diploma universitário em economia da Universidade da América Central,
calculado: «Direito agora a todos os desempregados, não é diferente de todas as
outras pessoas na Ciudad Sandino. Mas a diferença reside no facto de que, dentro de
alguns anos, serão os nossos chefes!Estamos a investir no nosso futuro. Dentro de
alguns anos, vou continuar a conduzir o meu próprio camião a trabalhar todos os
dias.»
Naturalmente, o trabalho sem pagar era uma tarefa onerosa. As pessoas com as
mais fracas redes de apoio fora da coop tiveram a maior dificuldade de participação
no projeto. Várias delas terminaram devido ao caráter imediato das suas
responsabilidades para com os familiares e para as famílias. Por outro lado, aqueles
que se mostraram dispostos a apoiá-los no esforço por proporcionarem às filhas de
apoio financeiro, social e emocional, assim como aos irmãos, às irmãs e aos irmãos,
as mães e os pais tenderem a beneficiar de melhores preços. Mesmo com esse apoio,
no entanto, como ano após ano e ainda sem rendimentos, essas redes de apoio
também faltaram. A família que foi favorável acabou por exigir que o membro
«obtenha um verdadeiro emprego». para as mulheres, a pressão de participar no
projeto (tomando assim tempo fora do fornecimento do agregado familiar) provocou
a violência doméstica ou o fracionamento dos sindicatos. Noutros casos, os
membros coop abandonaram voluntariamente, quando a culpa sobre o encargo que
colocaram em família, financeira ou de outro tipo, se tornou insuportável. As coisas
tornaram-se particularmente difíceis quando o custo do apoio a uma pessoa não
ativa na Nicarágua aumentou para níveis sem precedentes dur um fenómeno de
mercado altamente destrutivo denominado «crise alimentar mundial» nos Estados
Unidos, entendido pelos economistas como uma «correção» de mercado e entre a
maioria dos nicaraguenses, como prova adicional de um sistema injusto (Gilbert
2010; Heady e Fan 2008).No prazo de um ano, em qualquer caso, os preços dos
produtos alimentares de base, como o arroz e o feijão, quase duplicaram.
Em resposta à diminuição do apoio externo à cooperação, os membros da
Genesis começaram a desenvolver mecanismos de apoio no âmbito da cooperativa.
Em 2009, começaram a recolher frutos (mangas, limas, bananas) das árvores
circundantes. Depois, plantaram um jardim importante (huerto) a nível da
comunidade em coOP, deixando uma margem suficiente para que os membros do
COOPERATIVA DE DESEMPREGADOS 221

sexo masculino continuassem a jogar o basebol. Neste país, os melões aumentaram


os melões, a papian e a chayote (tipos de squash) e as especiarias como a ciantro.
Em seguida, quando outros agrafos eram baixos nos seus agregados familiares, a
coOP apresentou uma CDT em apoio económico. A CDT encontrou apoio nas suas
próprias redes a partir de um clube do Oregon, que correspondia à prestação de
capital próprio dos seus membros, a fim de criar um fundo comum com o qual os
membros poderiam comprar quantidades globais de produtos de base, como o arroz,
os feijões e o óleo de cozinha. Em seguida, para gerar dinheiro para outros bens de
primeira necessidade, como a tarifa de sabão ou de autocarro, os membros que
colaboraram também experimentaram algumas das competências adquiridas durante
o OW e criam pequenas empresas próprias. Um grupo de mulheres deu início a uma
padaria pequena, mas informal (brevemente chamada «Panadena Genesis»), mas
acabou por obter poucos lucros nos esforços. Por essa razão, transitar para artigos de
joias, como colares, braceletes ou pulseiras e brincos. Venderam estas visitas a
delegações de estudantes, grupos eclesiásticos e organizações cívicas dos Estados
Unidos, que se encontravam alojadas numa base mensal previsível pela CDT,
geralmente durante uma semana de cada vez, e que vieram «prestar ajuda» — o que
significava a compra de serviços da sua viagem de serviço.
A longo prazo, os diversos membros das estratégias de Genese, empregados
durante este período de dificuldade, ilustram o grande potencial de resposta das
cooperativas ao desemprego. As cooperativas proporcionam espaços
semiautónomos dentro dos quais os grupos podem trabalhar em conjunto. Não são
apenas espaços de ação material, mas também espaços de apoio social e emocional,
ou simplesmente em conjunto. No caso da Genesis, estes valores de cooperativismo
revelaram-se úteis quando, nos próximos anos, o projeto atingiu outro muro de
tijolo.

O fato de direito
Em fevereiro de 2010, a Genesis concluiu a construção da planta de fiação de
algodão: uma fábrica com vinte pés, com paredes de vinte pés e verduras, com seis
pisos de betão, de seis pés e seis pés. Em comemoração, reuniram todas as sucatas
metálicas deixadas à volta, vendidas a um comerciante local («chatarrero») e por
elas próprias uma parte com frango frito, sodas e pintas cheias com rebuçados para
as crianças. Entretanto, em áreas à volta da Nicarágua, o setor agrícola que
cooperara em cooperação agrícola estava a plantar algodão, antecipando o facto de,
no momento da maturidade das culturas, a Genesis estar aberta às empresas. As
«sementes de uma esperança» — las selhas de la esperanza — imaginadas já se
encontravam no terreno.
222 CAPÍTULO 10

Naturalmente, a peça de fabrico final em falta era a máquina de fiação de


algodão, o equipamento que transforma efetivamente o algodão em fio ou fio viável,
preparando o algodão para a sua transformação em fibra possível, e a fiação e o seu
arrefecimento para fios, fios ou tecidos. As CDT tinham esgotado os seus fundos de
medidas para concluir a construção da fábrica. Consciente das dificuldades que os
seus membros já tinham sofrido, estes optaram por contrair um empréstimo de cerca
de 250,000 dólares de um banco neerlandês de desenvolvimento para adquirir a
maquinaria a partir de um
Sociedade de comercialização de máquinas baseada nos EUA denominada AAC
International. Fazê-lo era um risco enorme para a sua organização, uma vez que o
empréstimo seria acompanhado de garantias pessoais substanciais, incluindo os seus
terrenos, os seus escritórios, ou por unanimidade, com uma parte substancial dos
seus fundos de reforma.
De acordo com o pessoal da CDT, em finais de outubro de 2009, a AAC
solicitou um depósito de 150,000 dólares com a estipulação contratual de que a
carga comercial e o equipamento fossem enviados no início de janeiro de 2010. No
entanto, vários meses depois de Gensis cel ebrigada a abertura das suas instalações,
os doze contentores de máquinas ainda tinham de chegar. Em agosto de 2010, a
CSD tomou conhecimento dos proprietários originais do equipamento, uma empresa
venezuelana, que tinham ainda de ser pagos pelo equipamento. O proprietário da
AAC nunca contestou este ponto, nem apresentou receitas em sentido contrário.
Limitou-se a ignorar as mensagens de correio eletrónico e de telefone cada vez mais
desesperadas da CSD.Até outubro de 2010, as CDT compreenderam que tinham
sido levadas para uma viagem e começaram a falar com os seus advogados nos
Estados Unidos. Num momento de enorme desespero, a ONG difundiu um SOS
para a sua extensa rede de apoiantes que incluía os autores da Igreja, os estudantes
do ensino superior e os grupos cívicos de todas as idades e grupos políticos, muitos
dos quais se apressaram a ajudar as ONG.Em dias, inundaram as caixas de correio
eletrónico da AAC, com milhares de notas pessoais que continham fundamentos
como:

Enquanto apoiante a longo prazo da CSD na Nicarágua, estamos


consternados para aprender o tratamento não razoável dos homens e
mulheres que trabalham no terreno. Agir com honestidade e integridade e
cumprir imediatamente as suas obrigações contratuais com a CSD e o
Genesis coopera tive através da entrega imediata do equipamento de
fiação acordado.

Os estudantes e os rescisões locais também organizaram um protesto de três dias em


nome do Genesis em frente aos escritórios da AAC International na Carolina do Sul,
onde a história ganhou a exposição nas notícias locais. Milhares de ruínas mais
COOPERATIVA DE DESEMPREGADOS 223

arruinadas para o porto de Genesis, disponibilizando-as com fundos para comprar


mais peixe, arroz, feijões e legumes. Trata-se de uma demonstração extraordinária
do poder das redes transna.
Entretanto, as primeiras colheitas de algodão foram efetuadas. Quarenta e dois
agricultores (incluindo duas cooperativas de mulheres) plantaram trinta e quatro
acres de algodão biológico e de certificados de comércio equitativo, num total de
cerca de seis mil libras de algodão de semente. Este produto foi processado pela
empresa COPROEXNIC, de algodão, uma antiga antiga desde o início da década de
1960. Infelizmente, embora a facilidade de conservação e o pé de Genesis» fosse de
algodão biológico e equitativo, certificado de comércio justo e pronto a ser tratado,
infelizmente não tinha qualquer mecanismo para o fazer. Com efeito, todos eles
podiam obter um resultado de inspeção do algodão no que diz respeito aos
contaminantes, como a peça de plástico vadios e que, de certo modo, tinha feito o
seu modo de produção na mistura. Estava muito longe dos trabalhos que tinham
previsto tantos anos mais cedo.
Em novembro de 2010, a CSD ficou surpreendida com o facto de quatro
contentores de equipamento terem chegado à Nicarágua em nome da sua
organização, cada um deles atualmente a incorrer em coimas diárias na alfândega.
Mais tarde, a ONG apercebeu-se de que, embora os números fossem corretos, as
máquinas não estavam longe da qualidade que tinham prometido e teriam um custo
superior ao seu valor de funcionamento. A CSD apresentou um fato contra a AAC
International, apenas para concluir que não eram as únicas a procurar represálias da
empresa conquistada. A AAC tinha, aparentemente, registado graves dificuldades
financeiras durante a recente recessão económica e tinha apresentado um pedido de
proteção contra a falência. Por conseguinte, a CDT dispunha de uma longa lista de
requerentes, tendo cada um deles algum crédito sobre os restantes fundos da
AAC.Periodicamente, a AAC alargou alguma «oferta» de liquidação — por
exemplo, que as máquinas seriam entregues depois de o saldo devido ter sido pago,
que poderiam ir para a própria Venezuela e obter o equipamento caso isso aconteça,
mas cada proposta foi rescindida tão rapidamente quanto a ONG poderia responder.
Se o processo fosse frustrante para a CSD, tratou-se de um processo adicional
para a Genesis. O grupo de homens e mulheres considerou que as pessoas
desamparadas perante o processo pendente, uma situação agravada pelo sentimento
de impotência em termos de impotência no sistema judicial dos EUA.Foram ainda
mais conscientes de que, tão perto da linha de conclusão, tiveram de procurar
membros da família para obter um apoio financeiro e emocional ainda maior.
Embora as CDT tentassem obter algum trabalho, uma vez que continuaram a
esperar, as formas de cop mem foram orientadas para o objetivo de funcionamento
das suas próprias instalações de fiação que a ideia era excruciante. Em resposta, a
Genesis uniu e intensificou o desempenho de estar numa cooperativa. Sem qualquer
224 CAPÍTULO 10

trabalho nesse sentido, os membros decidiram trabalhar todos os dias da semana,


durante mais de oito meses, para replantar o jardim da sociedade, para debater,
delinear estratégias, ou mesmo em sentido inverso, sobre eventos em curso.
No final, a frustração frustrou com a falência da Genesis. Embora os advogados
da CDT tivessem procedido à adaptação do fato de um processo civil a um processo
penal, graças a provas escritas de que as chapas de matrícula tinham sido
intencionalmente comutadas, o seu destino e o destino do projeto de fiação de
algodão continuaram a constituir as mãos de um sistema judicial de polícia dos
EUA.Além disso, do seu ponto de vista, continuou a ser difícil discernir a verdade
da falsehote nas suas relações com a ONG norte-americana, e assim depois de se ter
revelado que, para todo o seu trabalho árduo, tinham de novo negado as suas
sobremesas, a CDT era o alvo natural para a sua cólera. A CSD tentou incluir a
cooperativa na conversa, enviando uma cópia do fato escrito e todos os dados
jurídicos (redigidos em inglês), bem como estabelecendo reuniões entre o coop e o
seu advogado. Ainda assim, as teorias da conspiração circulam em larga escala.
Algumas das quais afirmaram que a ONG os manipulou desde o início, que os
tinham levado a construir uma fábrica para eles, e que continuavam a lucrar com os
pobres, vendendo a sua história trágica aos doadores.
Em fevereiro de 2012, essas tensões chegaram a um ponto de rutura. Com uma
fação de treze membros de Geneis, a cooperativa agrícola tem acesso a centenas de
milhares de libras de algodão biológico, pondo efetivamente em risco várias
centenas de milhares de libras de algodão biológico e pondo em risco vários acordos
comerciais pendentes. Até ao final do terceiro dia de ocupação, o grupo apelou aos
meios de comunicação social. Na televisão nacional, são acusadas pela CSD de
defraudar as mesmas por alimentar uma história de um processo falso. No dia
seguinte, a FNT, representantes da Frente Nacional de los Trabajadores (FNT),
representantes da Frente Nacional de Trabalhadores (Frente Nacional de los
Trabajadores, FNT), a maior parte dos trabalhadores da Nicarágua manifestaram o
seu apoio à cooperativa de Genesis. Colocam sinais de FNT em redor do perímetro
da prop., construídos sob a forma de sinais de protesto feitos à mão com mensagens
como Somos los desocu- dados de Genesis, respeta nuro derecho al trabajo
(«Somos os desempregados de Genesis, respeitam o nosso direito ao trabalho») e
fazem demonstrações fora dos portões da CSD.Em seguida, logo que parecia haver
tensões não suscetíveis de aumentar ainda mais, o conflito passou a ser violento. As
bandeiras da FNT atraíram um grupo de jovens da comunidade local, sem dúvida
alguma afetado pela sua própria situação de emprego na Ciudad Sandino. Os
homens trouxeram consigo o rum e as morteiros de fabrico artesanal, o que
frequentemente é utilizado em protestos e celebrações na Nicarágua. No entanto,
chamaram a atenção para as morteiros dos escritórios da CSD.No caso que se
seguiu, um membro do pessoal da CSD foi agredido fisicamente, uma vez que
COOPERATIVA DE DESEMPREGADOS 225

tentou tirar fotografias dos infratores.


Embora, em última análise, a CSD não tenha acabado por fazer pressão contra os
membros que participaram na situação dos membros da instalação, a ONG utilizou o
conflito para defender a mediação jurídica entre os dois grupos. Nessas reuniões, a
Genesis concordou com o projeto em troca de receber dois milhares de dólares para
os seus cinco anos de trabalho, bem como de ser incluído na lista como requerente
no processo pendente contra a AAC.
De facto, muito embora muitos no círculo de ONG tenham, desde então,
chamadas a cooperativa para experimentar um «insucesso», os membros da Genesis
ainda não o pensam. Ainda hoje, a cooperativa desempregada continua a realizar
reuniões com base numa escola básica local. Utilizam os seus próprios presidentes
de casa, que os asseguram num círculo em torno do mesmo quadro branco, vertido
pela chuva, que utilizaram cinco anos antes. Como é óbvio, o seu desemprego
coletivo continua a ser a sua principal preocupação, mas agora são uma grande parte
das suas esperanças coletivas na ação contra a AAC, que, a partir desta forma,
continua por resolver, mas está pendente numa sala de audiências de Carolina do
Sul. Formulei, durante o verão de 2012, em várias reuniões. Após anos de
colaboração com o coop, tanto a título profissional como a título de amigos e
colegas, o que entendi é que o seu trabalho nesta cooperativa não era apenas um
emprego. Ter sido na cooperativa era bom em, de e para si próprio. Falámos durante
quase seis horas. Falámos apenas sobre as implicações financeiras do desemprego,
mas também sobre o «colapso de um sonho» (el core de un sueno), como a
«Maria», e os outros danos que resultaram. Com efeito, o conjunto dos trabalhos que
levaram à criação de jardins comunitários, de joias e de outros ofícios, bem como a
compra em regime de venda direta, acabou por não constituir um simples contributo
económico para a realização dos objetivos. Foi um espaço de possibilidade,
oportunidade e emergência. E, no entanto, mesmo com o mais promissor dos
esforços agora assumidos, manteve-se a ideia de que seriam somados os
proprietários da sua própria estrutura comunitária de base. A cooperativa é um local
de chegada e de fale, para socializar, com com erros, para se apoiar entre si ou
simplesmente em conjunto. Maria continua: «Continuamos a ser uma cooperativa e,
juntos, iremos sobreviver.»

Conclusões
O que obriga uma pessoa a ir trabalhar durante cinco anos sem pagar?Quais os PEL
com que a mesma pessoa continua a demonstrar trabalho mesmo depois de tudo se
afigurar que tudo se perde?A resposta, defenderei, está na base do que está em causa
no emprego social, culturalmente, emocional, psicológico e financeiro, bem como
226 CAPÍTULO 10

na forma como as diferentes comunidades respondem aos múltiplos danos causados


pelo desemprego sistemático.
Talvez a primeira lição seja que, para compreender o que está em jogo, é
imperativo compreender o significado e o objetivo do trabalho. No caso do Genesis,
não se trata apenas de receber dinheiro em troca de tempo e esforço. Com efeito, os
trabalhos no processo do Genesis coop não eram particularmente lucrativos a este
respeito. Em vez disso, o trabalho no coop deu aos seus membros um sentido de
finalidade, orgulho, satisfação pessoal, pertença e esperança no futuro. O trabalho,
numa perspetiva antropológico, deve ser dissociado da remuneração. Deve ser
entendida como parte de uma visão mais ampla do bem-estar humano. Apesar de
quase nunca ser afetada por uma economia do trabalho moderna, esta perspetiva tem
uma longa história filosófica. Há muito, Aristóteles especultos de que um bom
trabalho consiste na unidade da conceção (NOIS, capacidade de visão de um
resultado) e de execução e produção (poisis, capacidade de uma pessoa para a levar
a cabo).Estas ideias sobre o trabalho também persistem nos tratados recentes.
Reitera, em particular, a análise do capitalismo de Karl Marx. Obviamente, Marx é
bem conhecido por ter em conta as questões da propriedade, da distribuição e da
exploração, mas também para ele o trabalho é também uma questão das capacidades
básicas dos seres humanos. Como o Murphy resume, «O que confere aos
profissionais competências a sua dignidade..É que um trabalhador começou a refletir
sobre o que, de seguida, encarna; Inversamente, o que faz parte do trabalho não
qualificado é que um homem executa a vontade de outro» (1994, 8) 6.
No presente capítulo, centei-me nas capturas não económicas de fenómenos
economicos. Em conjunto com a Gomberg (2007), defendi que «o contributo da
justiça» — o que as pessoas são, com razão, esperado ou autorizado a contribuir
para muitos domínios da vida social — está em causa no desemprego, para além da
segurança de uma pessoa para fazer face às despesas. Para ter a certeza de que uma
pessoa pode fazer ou não fazer face, está estreitamente ligada ao seu sentido de
dignidade e autoestima. A dignidade, o respeito e a capacidade de fazer face aos fins
a que se destinam os circuitos de via (ponto 1995).Penso que esta é também a lição
da cooperativa de Genesis. Um dos bons aspetos do trabalho, mesmo não
remunerado, é o processo, e não o produto final, que consiste em ir trabalhar, tomar
decisões, negociar as diferenças e chegar ao seu domicílio, se canvermelho, por ter
realizado alguma coisa. O trabalho de desemprego, tal como foi, é avaliado em parte
pelo seu significado como parte de esquemas de maior dimensão com autonomia e
determinação do testamento de seres humanos.
A segunda lição é que, à semelhança das economias comunitárias e das respostas
da comunidade ao desemprego, as cooperativas nem sempre têm de ser criadas em
torno de princípios fundamentais de produtividade, eficiência, lucro, ou mesmo de
subsistência. Desde as primeiras experiências de cooperação do século XIX, as
COOPERATIVA DE DESEMPREGADOS 227

cooperativas têm desempenhado um papel importante na resposta ao desemprego


sistemático do capitalismo (Cohen 1998; MacLeod 1997; Stamp 1993).Com efeito,
Marx considerou-os precursores do socialismo, não porque revolucionaram as
dimensões técnicas da produção propriamente dita, mas porque exigiram novas
relações sociais: «uma associação de homens livres, trabalhando com os meios de
produção detidos em comum e exibindo as suas múltiplas formas de poder em plena
consciência como uma força de trabalho única» (Marx 1977 [1867], 169-171).No
entanto, como demonstra a Genesis, as cooperativas não são apenas organizações
«produtivas» possíveis através de conjuntos específicos de relações sociais. Trata-se
de organizações sociais e culturais, de economias independentes da comunidade que
podem servir qualquer número de objetivos económicos ou não económicos
diferentes. Neste caso, trabalhar na cooperativa deve fazer parte de uma comunidade
que valoriza a eficiência, a transparência e a igualdade. Faz parte de uma
comunidade que, mesmo na ausência de trabalho remunerado, tem um apoio social,
emocional e psicológico. Participar num esforço coletivo organizado em torno dos
princípios básicos da socialidade, da solidariedade e da autonomia. Não se trata
necessariamente de um fim de produtividade, lucro ou emprego. São fins em, de, e
para si próprios.
Para antropologistas, então, e para as sociedades das quais se escremos, a tarefa
urgente em apreço consiste em recuperar de um século ou mais discursos
economizadores sobre o trabalho um sentido do que significa o trabalho, bem como
a forma como o desemprego, uma lei aparente do sistema capitalista, protege a vida
dos seres humanos de algo mais profundo do que dinheiro. Isto é, temos de
perguntar: O que é uma prática significativa, emocional e ética?O que acontece à
dignidade, à autonomia ou ao estatuto social de uma pessoa quando estão
desempregados?O que significa ser um membro contribuinte de uma família, de
uma comunidade ou da sociedade em geral, e o que acontece quando é recusado o
direito a uma pessoa?Para que fins, uma pessoa procura trabalho, para fazer face às
múltiplas consequências do desemprego, para preencher um dia ou para conceber
alternativas novas e imaginativas?Ao contrário da tendência reinante para o trabalho
como algo a ser simplesmente calculado, calculado e trocado, o trabalho, ou a sua
ausência, tem de ser colocado nos contextos pertinentes e multidimensionais da vida
quotidiana.
Epílogo
REPENSAR O VALOR DO
TRABALHO E O DESEMPREGO
Caitrin Lynch e Daniel Mains

Introdução: Swan Song para trabalho não remunerado


Todos os meses de janeiro, os estudantes do colégio dos Estados Unidos começam a
explorar as responsabilidades para o emprego no verão. Pesquisar as listas no centro
de carreira do campus, trabalhar em rede através de contactos e de destacamentos na
Internet, trabalhar em todos os ângulos das redes sociais, a pergunta surge em breve:
Esta questão pode tornar-se menos comum, para que o estatuto jurídico dos estágios
não remunerados esteja a ser analisado em vários tribunais dos EUA.No caso mais
importante, um tribunal federal de Nova Iorque, em junho de 2013, pronunciou-se a
favor de dois estagiários não remunerados que trabalharam no filme « Black Swan»
e demandaram Fox Searlight Pictures por violação das leis do salário mínimo do
Estado. Estes estagiários alegaram que deveriam ter sido pagos pelo trabalho que
fizeram na qualidade de estagiários não remunerados, trabalho que incluiu a
realização de um almoço de encomendas, a resposta a telefones e a montagem de
mobiliário de escritório. O juiz declarou que os estágios não remunerados só são
válidos em circunstâncias específicas, observando que «não deve ser a vantagem
imediata do empregador, que o trabalho deve ser semelhante à formação
profissional ministrada num ambiente educativo, a especialização tem de ser em
benefício do trabalho do intern e que o trabalho do intern não deve substituir o dos
empregados regulares.» 1 No entanto, em julho de 2015, um juiz anulou esta decisão
(especialmente para os casos em que os estudantes recebem crédito escolar) e os
observadores judiciais preveem que o processo pode dar resposta ao Supremo
Tribunal (Welkowitz 2015).Registaram-se muitos casos semelhantes recentemente
em moldes semelhantes, incluindo ações judiciais na sala de aula. O debate que se
seguiu entre os empregadores, os estagiários e os estagiários de cultura revelou a
228
EPÍLOGO 229

complexidade para os estudantes de trajetórias de carreira numa economia de


emprego apertada, em que os estudantes podem escolher estrategicamente os navios
não remunerados, a fim de tirar um pé na porta de uma empresa e adquirir
experiências que são necessárias num ambiente onde já não parece haver ofertas de
emprego de início de carreira. 2
Embora alguns estudantes economicamente privilegiados possam aceitar os
navios não remunerados não remunerados, uma vez que o dinheiro é irrelevante
para eles, os estudantes podem estar dispostos a assumir o risco de não pagar
qualquer salário devido ao facto de o Lauren Berlant (2011) ter apresentado um
«otimismo cruel» que considera que o trabalho não remunerado é um passo que os
colocará na via do sucesso. Nos Estados Unidos, existe a convicção de que é
possível um acesso mais rápido ao «Cream American» se este entrar em empresas
com um pagamento diferido percecionado. Os estágios são, muitas vezes, um
caminho para uma forma muito específica do «resma americano».Tal como no caso
« Black Swan», mesmo quando, na prática, os empregos implicam uma abundância
de fotocópia e de errands, são frequentemente associados a atividades criativas por
escrito, o lugar, o entretenimento e o design. Neste sentido, os estágios não
constituem apenas um passo no sentido de uma carreira lucrativa; Permitem também
aos jovens preservar o sonho de encontrar emprego significativo que seja
importante e valorizado devido à sua natureza criativa.
Debates sobre estágios nos Estados Unidos da América com um tema
fundamental dos capítulos presentes neste volume às intersecções entre múltiplas
formas de valor, desemprego e trabalho. Estes estudos examinam o valor tanto no
sentido tiável dos rendimentos como na riqueza material e, em termos mais
qualitativos, que David Graeber descreve como «o que é, em última análise, bom,
adequado ou desejável na vida humana» (2001b, 1).O trabalho e o desemprego
constituem sítios úteis para explorar as complexas inter-relações entre os tipos de
formas de trabalho. Neste volume, desde recolhas de lixo na Argentina (ver também
Milar 2014) a candidatos a emprego de alta tecnologia no Texas e a trabalhadores
independentes na Coreia, vemos que o trabalho, e a sua ausência, são locais para
narrar vidas humanas, encontrar valor e afirmar pessoal. No seu trabalho no livro
de trabalho de 1975, os pregos Terkel escreveram que o trabalho «é uma
pesquisa..Significado diário, bem como pão diário, para rec, bem como dinheiro
líquido, para espantosa e não torpor; em suma, para uma espécie de vida, em vez
de uma segunda a segunda-feira, através de uma triagem de sexta-feira (Terkel
1997 [1975]).Embora o trabalho seja, muitas vezes, um meio prático óbvio para
atingir um fim, pode, ao mesmo tempo, ser experiente e vivido como muito mais do
que isso. O mesmo se pode dizer das lutas diárias para encontrar trabalho, aceder
a fontes de rendimento alternativas e simplesmente passar o tempo associado à
experiência do desemprego. Este volume fornece bons exemplos etnográficos da
230 EPÍLOGO

variedade de formas de experiência profissional e de desemprego como procura de


significado, reconhecimento, apoio económico e meios de subsistência. Os autores
ajudam-nos a compreender as variadas aceções de trabalho e de desemprego no
mundo contemporâneo. Neste epi logue perdemos os temas subjacentes à variedade
de casos e locais que mostram o poder analítico de métodos e teorias
antropológicos para nos dizer algo de novo em termos de trabalho e de desemprego
na vida social e económica. Incentivamos a nossa investigação etnográfica
individual sobre o trabalho entre os jovens e entre os períodos de tempo de
trabalho dos adultos mais velhos, nos Estados Unidos, e orga, o nosso debate em
secções sobre a mudança económica, o ciclo de vida e as relações sociais.
Os ensaios neste volume demonstram de forma concreta a força do antro pologia
na análise da forma como as pessoas são confrontadas com o desemprego em
contextos muito diferentes. Em muitos contextos de todo o mundo, hoje e no
passado, o trabalho tem proporcionado muito mais do que um controlo salarial e o
local de trabalho tem servido mais do que um local para ganhar um salário. O que se
obtém analiticamente quando estamos conscientes de que o trabalho pode, em
alguns casos, permitir a participação social, dar um sentimento de retaliação e
proporcionar um alívio dos problemas internos?Ou o facto de ter um emprego pode
proporcionar um jovem (e outros à sua volta) um sentido de cumprimento para uma
escala ascendente de fases esperadas do ciclo de vida?Para ser ainda mais
específica, vamos considerar que, para muitas pessoas hoje em dia nos Estados
Unidos, o trabalho remunerado faz parte integrante do sentido de autoestima e valor
próprio. E devido a este facto, muitos adultos que não trabalham lutam para
desenvolver um sentido de valor que opõe a norma cultural e económica.«O que
faz?» é uma questão comummente colocada em contextos sociais nos Estados
Unidos. Mas como responder caso não tenha trabalho convencional com métodos
convencionais, mesmo que se dedique ao trabalho de pais «em casa» ou «career»
para os pais em envelhecimento; ou se não puder ou não desejar encontrar ou
manter o seu trabalho; ou se se identifica como pessoa desempregada, reformada ou
com deficiência?E de que forma as respostas à pergunta «O que faz?» variam em
função do contexto?
Procuramos tirar partido das críticas neste volume de perfilões excessivamente
econométricas sobre o desemprego. Os capítulos do presente livro demonstram que
uma dicotomia rígida entre desemprego e emprego é frequentemente problemática.
Embora a distinção tenha uma utilidade analítica na categorização das pessoas com
base no seu envolvimento em trabalho remunerado, pouco faz para descrever as
experiências de vida das pessoas. Por exemplo, muitos dos antigos funcionários
administrativos que a Carrie Lane descreve estão a trabalhar para o dinheiro, mas
consideram que não se encontram no domínio da sua escolha. Em Joshua Fisher
Fisher, os membros da cooperativa nicaraguenses são classificados como
EPÍLOGO 231

desempregados, apesar de estarem frequentemente muito ocupados com atividades


que, em muitos contextos, constituiriam