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Direito Individual e Coletivo do

Trabalho
Períodos de Descanso:
Hora intrajornada
Intervalo interjornada
Repouso Semanal Remunerado
Feriados
Férias anuais remuneradas
Conceito de períodos de descanso:
• “lapsos temporais regulares, remunerados ou
não, situados intra ou intermódulos diários,
semanais ou anuais do período de labor, em que o
empregado pode sustar a prestação de serviços e
sua disponibilidade perante o empregador, com o
objetivo de recuperação e implementação de
suas energias ou de sua inserção familiar,
comunitária e política.”

• Maurício Godinho Delgado


Intervalos: Transação e flexibilização.
Possibilidades e limites
• Como critério geral, será inválida a transação bilateral que provoque
prejuízo ao trabalhador.

• Ilustrativamente, redução de intervalo por aquém do mínimo fixado


na legislação (como o intervalo para refeição e descanso de, pelo
menos, uma hora — art. 71, caput, CLT);

• Ou eliminação de intervalo remunerado habitual, espontaneamente


concedido pelo empregador (Enunciado n. 118, TST).

• Atenção: § 3º do art. 71 da CLT. Dependerá de ato do Ministério do


Trabalho, após ser ouvido o órgão responsável pela segurança e
medicina do trabalho do respectivo Ministério.

• Norma Coletiva pode diminuir. – ver inciso III, do art. 611-A da CLT
Modalidades de intervalos
• A distribuição da duração do trabalho ao longo
da semana faz-se mediante a interseção de dois
tipos específicos de descanso:

– hora intrajornada: os intervalos situados dentro da


duração diária do trabalho;
• Ex.: 1 a 2h; 15 min; 10min.

– Intervalos interjornadas: os intervalos situados entre


uma jornada e suas vizinhas, antes e após).
• Ex.: 11h entre uma jornada a outra.
Objetivos dos Intervalos Intrajornadas:
• Concentram-se essencialmente em torno de
considerações de saúde e segurança do trabalho,
como instrumento relevante de preservação da
higidez física e , do trabalhador ao longo da
prestação diária de serviços.

• Godinho acrescenta que o intervalo de 1 a 2h


horas pode promover a própria inserção familiar
ou social.
Classificação dos Intervalos
• 1. Comuns ou Especiais e Remunerados e Não
Remunerados.

– Comuns: quando abrangentes das diversas categorias


integrantes do mercado de trabalho.
• Ex.: art. 71 da CLT / Súmula 438 do TST.

– Especiais: que são os característicos apenas de certa


categoria profissional ou do exercício do trabalho em
certas circunstâncias diferenciadas.
• Ex.: 72 da CLT / Súmula 346 do TST / art. 298 da CLT.
• Intervalos Remunerados: que são aqueles que
integram a jornada laboral do trabalhador para
todos os fins.
– Ex.: art. 72 da CLT (10 minutos em cada 90 laborados
em serviços permanentes de mecanografia —
datilografia, escrituração ou cálculo — ou serviços de
digitação: Enunciado n. 346 do TST).

• Não Remunerados: os quais não compõem a


jornada laboral obreira.
– Ex.: art. 71 da CLT (da 1 a 2 horas em jornadas
contínuas superiores a 6 horas diárias e o intervalo de
15 minutos em jornadas contínuas superiores a 4
horas).
• Cuidado:

– O padrão normativo geral trabalhista é que os


intervalos intrajornadas constituem, em princípio,
lapsos temporais não remunerados, uma vez que não
são tempo laborado, nem tempo à disposição do
empregador.

– Apenas quando a ordem jurídica inequivocamente


determinar a integração do intervalo na jornada é
que passarão a produzir o efeito remuneratório.

• Jurisprudência criou a Súmula 118... Vejam:


• Súmula nº 118 do TST
• JORNADA DE TRABALHO. HORAS EXTRAS
(mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e
21.11.2003
• Os intervalos concedidos pelo empregador na
jornada de trabalho, não previstos em lei,
representam tempo à disposição da empresa,
remunerados como serviço extraordinário, se
acrescidos ao final da jornada.

• A jurisprudência quer se referir aos intervalos


criados pela vontade das partes (unilateral ou
bilateral).
Façamos agora uma leitura dos
intervalos comuns / não remunerados
• a) 1 hora até 2 horas (trabalho contínuo superior
a 6 horas):
– art. 71, CLT.
– OBS: este intervalo pode ser reduzido por ato do
Ministro do Trabalho, havendo refeitórios compatíveis
na empresa e inexistindo regime de sobrejornada (§
3º, art. 71, CLT).
– Ademais, após a vigência da Lei 13.467/2017 também
passou a poder ser reduzido a 30min, no mínimo, por
negociação coletiva (art. 611-A, III, CLT)
• b) 15 minutos (trabalho de 4 a 6 horas):
– art.71, § 1º, CLT.

• c) Trabalhador rural: Intervalo para repouso ou


alimentação, com duração conforme usos e
costumes da região, em qualquer trabalho
contínuo de duração superior a 6 horas,
relativamente ao rurícola (art.5º, Lei n.5.889/73).
– Cuidado. Veja Súmula 437, I, do TST.
– Refere-se a intervalo de 1 hora por força do Decreto n.
73.626/74.
• Empregado Doméstico: Intervalo para repouso ou
alimentação de 1 até 2 horas, podendo ser reduzido
a 30 minutos, mediante prévio acordo bilateral
escrito.
– Art. 13, caput, LC n. 150/15.

• ATENÇÃO: Leia atentamente o § 1º do art. 13 da LC


n. 150/15.
– Em se tratando de empregado doméstico que resida no
local de trabalho, esse intervalo pode ser desmembrado
em dois períodos, desde que cada um deles tenha, no
mínimo, 1 hora, até o limite de 4 horas ao dia.
– Ex.: o empregador poderá conceder dois intervalos de
duas horas (2 + 2 = 4), ou o primeiro de 1 e o segundo de
3 horas (1 + 3 = 4).
Intervalos Especiais / Remunerados
• A) 10 minutos a cada 90 minutos laborados (em serviços
permanentes de mecanografia datilografia, escrituração ou
cálculo).
– Art. 72 da CLT.

• B) 20 minutos a cada 3 horas de esforço contínuo, para


empregados sujeitos a horários variáveis (jornada de 7
horas), nos serviços de telefonia, telegrafia submarina e
subfluvial, radiotelegrafia e radiotelefonia.
– Art. 229 da CLT

• C) 15 minutos a cada 3 horas consecutivas de labor, em


trabalho em minas de subsolo.
– Art. 298 da CLT
• D) 15 minutos, para mulher e menor, após jornada normal,
antes de início de sobrejornada (arts. 384 e 413, parágrafo
único, CLT).
– Art. 384 e 413 da CLT
– A Lei 13.467/17 revogou o intervalo da mulher.

• E) 20 minutos a cada 100 minutos de trabalho contínuo


(1h40min), para trabalho no interior de câmaras frigoríficas
ou em movimento de mercadorias do ambiente quente ou
normal para o frio e vice-versa.
– Art. 253 da CLT / Súmula 438 do TST.

• F) Intervalos espontaneamente concedidos pelo


empregador, não previstos em lei.
– Súmula 118 do TST / interpretação do art. 4º, caput da CLT.
Desrespeito ao intervalo. Reflexo:
• Súmula 437, I, do TST x NOVA CLT.

• Art. 71, § 4º:

• § 4o A não concessão ou a concessão parcial do


intervalo intrajornada mínimo, para repouso e
alimentação, a empregados urbanos e rurais, implica
o pagamento, de natureza indenizatória, apenas do
período suprimido, com acréscimo de 50%
(cinquenta por cento) sobre o valor da remuneração
da hora normal de trabalho.
• Reflita:
• Será que a interpretação dada pelo TST, por meio da
Súmula n. 437, I, era melhor?
• Era justo o empregador que concedeu 50 minutos de
intervalo ser penalizado da mesma forma que
aquele que não permitiu que o empregado
usufruísse do intervalo?

• Lembra do art. 58, §1º, da CLT, prevê tolerância de


cinco minutos no horário de início e término do
trabalho?
– Existem decisões que aplicam analogicamente esta
disposição ao intervalo intrajornada, ou seja, entendem
que ele foi corretamente usufruído quando for de uma
hora, mas tiverem sido gozados apenas 55 minutos.
Intervalo Interjornada
• Definição:
• Interjornada: Lapsos temporais regulares,
distanciadores de uma duração diária de labor e
outra imediatamente precedente e imediatamente
posterior, caracterizados pela sustação da prestação
de serviços e pela disponibilidade do obreiro perante
o empregador.

• Art. 66 da CLT:
– “Art. 66 - Entre 2 (duas) jornadas de trabalho haverá um
período mínimo de 11 (onze) horas consecutivas para
descanso.
• Intervalos comuns:
– são aqueles abrangentes das diversas categorias
integrantes do mercado de trabalho.
– É o lapso temporal de 11 horas do art. 66 da CLT.

• Intervalos Especiais:
– são aqueles característicos apenas de certa categoria
profissional ou do exercício do trabalho em certas
circunstâncias diferenciadas.
– Ex.: lapso temporal de 17 horas do art. 229 da CLT.
– Ex.: 36 horas - art. 59-A da CLT – 12x36
– Ex.: 12 horas – art. 235, caput e § 2º, da CLT.
– Ex.: 24x72
• Note que os intervalos interjornadas não são remunerados!
– Diferente do DSR chamado por alguns doutrinadores como Intervalo Intersemanal.

• Mas, e se houver o desrespeito ao intervalo?

Súmula nº 110 do TST


• JORNADA DE TRABALHO. INTERVALO (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e
21.11.2003

• No regime de revezamento, as horas trabalhadas em seguida ao repouso


semanal de 24 horas, com prejuízo do intervalo mínimo de 11 horas
consecutivas para descanso entre jornadas, devem ser remuneradas como
extraordinárias, inclusive com o respectivo adicional.

• OJ 355 SDI-I
• 355. INTERVALO INTERJORNADAS. INOBSERVÂNCIA. HORAS EXTRAS.
PERÍODO PAGO COMO SOBREJORNADA. ART. 66 DA CLT. APLICAÇÃO
ANALÓGICA DO § 4º DO ART. 71 DA CLT (DJ 14.03.2008)

• O desrespeito ao intervalo mínimo interjornadas previsto no art. 66 da CLT


acarreta, por analogia, os mesmos efeitos previstos no § 4º do art. 71 da CLT e
na Súmula nº 110 do TST, devendo-se pagar a integralidade das horas que
foram subtraídas do intervalo, acrescidas do respectivo adicional.
Descanso Semanal Remunerado - DSR/ Intervalo
Intersemanal / Repouso Semanal Remunerado - RSR
• Art. 7º, inciso XV, da CF:
– XV - repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos;

• Art. 67 da CLT:
– Art. 67 - Será assegurado a todo empregado um descanso semanal
de 24 (vinte e quatro) horas consecutivas, o qual, salvo motivo de
conveniência pública ou necessidade imperiosa do serviço, deverá
coincidir com o domingo, no todo ou em parte.

• Art. 1º da Lei n. 605/49:


– Art. 1º Todo empregado tem direito ao repouso semanal
remunerado de vinte e quatro horas consecutivas, preferentemente
aos domingos e, nos limites das exigências técnicas das empresas,
nos feriados civis e religiosos, de acordo com a tradição local.
Apenas um adendo: FERIADOS
• Assim como o DSR, os feriados são muito próximos na ordem
jurídica trabalhista. Contendo estrutura jurídica similar,
submetidas a regras idênticas ou afins, enquadram-se naquilo
que se denomina dias de repouso.

• Os feriados, por sua vez, definem-se, no Direito do Trabalho,


como lapsos temporais de um dia, situados ao longo do ano-
calendário, eleitos pela legislação em face de datas
comemorativas cívicas ou religiosas específicas, em que o
empregado pode sustar a prestação de serviços e sua
disponibilidade perante o empregador.

• Duração de 24 horas (embora no feriado a referência temporal


seja a dia e não o conjunto de horas, como ocorre com o DRS)

• lapsos temporais não rotineiros, o que difere do DSR.


Voltando para DSR
• Descanso Semanal: caracterização:

– a) Lapso temporal de 24 horas de duração;

– b) Ocorrência regular ao longo das semanas em que se cumpre


o contrato;
• Entende-se que após o cumprimento da jornada legal 44, 40, 36 ou até
30h deve haver o intervalo DRS

– c) Coincidência preferencial com o domingo;

– d) Imperatividade do instituto;
• Pois está vinculada a objetivos de medicina, higiene e segurança no
trab.e finalidades comunitárias.

– e) Remuneração do correspondente período de descanso


(interrupção contratual). (explicação no próximo slide.)
• Requisitos da Remuneração:
– A ordem justrabalhista tem fixado requisitos
específicos à remuneração do descanso semanal
tipificado.

– São 2 tais requisitos:


• frequência integral na semana anterior (art. 6º, Lei n.
605/49) e;
• Pontualidade no comparecimento ao trabalho (art. 6º,
caput, in fine, Lei n. 605/49).
– Entende-se como cumprimento integral do horário de trabalho.

• Obs: faltas justificadas não prejudicam o


pagamento.
• Valor da Remuneração – art. 7º da Lei n. 605/49:

• Tratando-se de salário calculado por dia, semana,


quinzena ou mês, a remuneração corresponderá ao valor
equivalente a um dia (computadas as horas extras
habituais: Enunciado n. 172).

• Tratando-se de salário calculado por hora, a remuneração


corresponderá ao valor equivalente a uma jornada diária
regular (com horas extras, conforme Enunciado n. 172).

• Tratando-se de salário produção (remuneração variável), o


valor do repouso semanal corresponderá ao quociente da
divisão do salário semanal resultante da produção
realizada pelos dias de serviços prestados na semana.
– Ou seja, o valor total recebido em virtude da produção semanal
dividido pelos dias laborados — que não podem ultrapassar 6
dias.
• Tratando-se de trabalho em domicílio, a
remuneração do repouso corresponderá ao
quociente da divisão por seis da importância
total da produção semanal (art. 7º, Lei n.
605/49).

• Atenção: Nos casos de empregados mensalistas


e quinzenalistas (cujos salários, portanto, são
calculados à base de 30 ou 15 diárias), a
remuneração do d.s.r. (e dos feriados) já se
encontra incluída no salário mensal ou quinzenal
do obreiro, descabendo, desse modo, novo
cálculo diferenciado específico (art. 7º, § 2º, Lei
n. 605/49).
• Detalhes do RSR:
• Se o Empregado laborar no dia do seu Repouso Semanal,
o pagamento deverá ser em dobro - Art. 9º da Lei 605/49

• A cada seis dias de trabalho um deve ser destinado à folga.


Ver OJ n. 410 da SDI-I do TST: in verbis»

• 410. REPOUSO SEMANAL REMUNERADO. CONCESSÃO


APÓS O SÉTIMO DIA CONSECUTIVO DE TRABALHO. ART.
7º, XV, DA CF. VIOLAÇÃO. (DEJT divulgado em 22, 25 e
26.10.2010)

• Viola o art. 7º, XV, da CF a concessão de repouso semanal


remunerado após o sétimo dia consecutivo de trabalho,
importando no seu pagamento em dobro.
FÉRIAS - Art. 129 a 153 da CLT.
• Carlos Renato da Silva é um trabalhador recém-formado, mas altamente
qualificado e disputado no mercado de trabalho. Depois de analisar
diversas ofertas de emprego, resolve aceitar a proposta apresentada por
uma das maiores empresas no seguimento de informática, a Tecbitz
Ltda., para exercer as funções de vendedor.

• Ele completou um ano de trabalho em 20/02/2017 e, em 01/03/2017,


solicitou à empresa que marcasse suas férias para o início do mês de
maio de 2017, pois gostaria de viajar com sua esposa durante 10 dias.
Segundo Carlos, ele gostaria de vender 10 dias de férias para a empresa
e usufruir o restante no fim de 2017. A empresa Tecbitz Ltda. informou a
ele não ser possível o gozo nas férias no período pretendido, e que ela
iria designar a melhor época para as férias serem concedidas ao longo
do ano de 2017.

• Além disso, informou a Carlos Renato que não concorda com a


conversão de 10 dias de suas férias em abono pecuniário, e que as
mesmas devem ser gozadas na sua integralidade, de uma vez só.
• Perplexo com o posicionamento do empregador,
Carlos lhe procura com as seguintes dúvidas:

• 1) Cabe ao empregado ou ao empregador


designar a data das férias?

• 2) Como funciona o fracionamento das férias?

• 3) Caso ele queira converter parte das férias em


abono pecuniário, o empregador pode recusar?
FÉRIAS - Art. 129 a 153 da CLT.
• Aquisição do Direito a Férias (Período Aquisitivo):

• Corresponde a cada ciclo de 12 meses contratuais

– Art. 130 - Após cada período de 12 (doze) meses de vigência do contrato


de trabalho, o empregado terá direito a férias, na seguinte proporção:

– I - 30 (trinta) dias corridos, quando não houver faltado ao serviço mais de 5


(cinco) vezes;

– II - 24 (vinte e quatro) dias corridos, quando houver tido de 6 (seis) a 14


(quatorze) faltas;

– III - 18 (dezoito) dias corridos, quando houver tido de 15 (quinze) a 23


(vinte e três) faltas;

– IV - 12 (doze) dias corridos, quando houver tido de 24 (vinte e quatro) a 32


(trinta e duas) faltas
• A nova CLT revogou o art. 130-A. Logo os
trabalhadores de regime de tempo parcial gozam
das férias padrão.
– Inteligência do novo § 7° do art. 58 da CLT.
• Período de férias é uma interrupção ou
suspensão do contrato de trabalho?
– Resposta no art. 129 e 142 da CLT

• Além do pagamento normal, a CF em seu art. 7º,


XVII garante o acréscimo, “in verbis”

– XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo


menos, um terço a mais do que o salário normal;

• Por ocasião do gozo das férias o trabalhador não


recebe um salário a mais, como muitos creem.
Somente há a antecipação do salário.
• Concessão Regular das Férias (Período Concessivo):

– Denomina-se período concessivo ou período de gozo (ou


ainda período de fruição).

– É o lapso temporal de 12 meses imediatamente seguinte


ao respectivo período de aquisição das férias.

– Quem escolhe a data?


– Resposta, art. 134 da CLT:
– Art. 134 - As férias serão concedidas por ato do
empregador, em um só período, nos 12 (doze) meses
subsequentes à data em que o empregado tiver adquirido
o direito.
• Fracionamento das férias em 3 períodos:
– É uma opção do empregador.
– Requisitos:
• Deve haver a concordância do empregado. § 1º do art. 134 da CLT.

• Um desses períodos não poderá ser inferior a 14 dias corridos, os


demais não poderão ser inferiores a cinco dias corridos.

• Esta regra vale para menores de 18 anos e maiores de 50


anos!

– Veja que o § 2° do art. 134 da CLT foi revogado, qual previa:

– § 2º - Aos menores de 18 (dezoito) anos e aos maiores de 50


(cinquenta) anos de idade, as férias serão sempre concedidas
de uma só vez. (REVOGADO)
• Época de Concessão das férias:
– Art. 136 da CLT

– O mês de concessão/fruição das férias será aquele que “... melhor


consulte os interesses do empregador”

• 04 restrições legais à prerrogativa empresarial de definição da


época de gozo das férias:

– 1ª - É necessário que a fruição recaia dentro do período concessivo


(restrição absoluta);

– 2ª - Estudante menor de 18 anos tem direito a fazer coincidir suas


férias trabalhistas e escolares
• Art. 136, § 2º, CLT.

– 3ª - Os membros de uma mesma família têm direito (condicionado,


é bem verdade) de usufruírem suas férias no mesmo período, se o
desejarem, e se disto não resultar prejuízo para o serviço
• (art. 136, § 1º, CLT)
• 4º restrição: § 3º do art. 134:

– § 3o É vedado o início das férias no período de dois


dias que antecede feriado ou dia de repouso semanal
remunerado.

• Procedimento para férias:


– Empregador deve comunicar o empregado com 30
dias de antecedência.
• Art. 135 - A concessão das férias será participada, por
escrito, ao empregado, com antecedência de, no mínimo,
30 (trinta) dias. Dessa participação o interessado dará
recibo.
• Quando deve ser paga as férias:
– Art. 145 - O pagamento da remuneração das férias e, se for o
caso, o do abono referido no art. 143 serão efetuados até 2
(dois) dias antes do início do respectivo período.

– Cuidado, não confunda pagamento do salário com


pagamento das férias, exemplo:

• José recebe salário todo dia cinco de cada mês. Como se


sabe, o salário remunera o trabalho prestado no mês
anterior. Nesse contexto, em 05/03/2019 Pedro recebe o
salário referente aos serviços realizados durante todo o
mês de fevereiro. Todavia, ele irá gozar férias de
11/03/2019 a 30/03/2019 (20 dias). Assim, até o dia 8 ele
deve receber os vinte dias referentes às férias. Dessa
forma, em 05/04/2017 ele irá receber apenas os 11 dias
em que não usufruiu férias, pois os dias destinados a ela já
foram pagos de maneira antecipada, acrescido do 1/3
constitucional.
• Deve ser anotada na CTPS:

– § § 1º e 2º do art. 135 da CLT.


• Anotação na CTPS
• Anotação na ficha de registro.

• Férias Coletivas:
– Art. 139 a 141

– Art. 139 - Poderão ser concedidas férias coletivas a todos os


empregados de uma empresa ou de determinados
estabelecimentos ou setores da empresa.

– Férias coletivas são dadas pelo Empregador ou por ato


coletivo.
– Empregador deverá com antecedência de 15 dias comunicar o
Ministério do Trabalho e o respectivo Sindicato do dia início e
fim das férias e qual setor abrangerá.
• Conversão das férias em abono pecuniário:

• Art. 143 - É facultado ao empregado converter 1/3 (um


terço) do período de férias a que tiver direito em abono
pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida
nos dias correspondentes.

• § 1º - O abono de férias deverá ser requerido até 15


(quinze) dias antes do término do período aquisitivo.

• Considera o abono férias + 1/3, ou seja, se vender 1/3 das


férias terá incidência do terço constitucional.

• Nas férias coletivas, só haverá venda das férias se previsto


em ato normativo! – art. 143, § 2º
• Concessão Extemporânea das férias:

– Art. 137 - Sempre que as férias forem concedidas após o prazo de


que trata o art. 134, o empregador pagará em dobro a respectiva
remuneração.

– § 1º - Vencido o mencionado prazo sem que o empregador tenha


concedido as férias, o empregado poderá ajuizar reclamação
pedindo a fixação, por sentença, da época de gozo das mesmas.
• Ou seja, além de receber dobrada, será garantido ao Obreiro o direito de
goza-las.

– § 2º - A sentença cominará pena diária de 5% (cinco por cento) do


salário mínimo da região, devida ao empregado até que seja
cumprida.

– § 3º - Cópia da decisão judicial transitada em julgado será remetida


ao órgão local do Ministério do Trabalho, para fins de aplicação da
multa de caráter administrativo.
• Atenção a Súmula 450 do TST – pagamento fora do prazo:

• Súmula nº 450 do TST

– FÉRIAS. GOZO NA ÉPOCA PRÓPRIA. PAGAMENTO FORA DO


PRAZO. DOBRA DEVIDA. ARTS. 137 E 145 DA CLT. (conversão
da Orientação Jurisprudencial nº 386 da SBDI-1) – Res.
194/2014, DEJT divulgado em 21, 22 e 23.05.2014
– É devido o pagamento em dobro da remuneração de férias,
incluído o terço constitucional, com base no art. 137 da CLT,
quando, ainda que gozadas na época própria, o empregador
tenha descumprido o prazo previsto no art. 145 do mesmo
diploma legal.

• Súmula nº 81 do TST
– FÉRIAS (mantida) - Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003
Os dias de férias gozados após o período legal de concessão
deverão ser remunerados em dobro.
• Cálculo da Remuneração:
– Art. 142 e seus §§ da CLT.

– Corresponde ao valor do salário;

– Acrescido do percentual de um terço;

– Para cálculo do valor das férias, considera-se a data do


início de sua fruição.

– Integram o salário referencial de cálculo do valor das


férias exclusivamente parcelas de natureza salarial.
• Nomenclaturas:
– Férias Vencidas são aquelas cujos períodos de aquisição e
de fruição já se consumaram, sem que o obreiro as
pudesse gozar. Nas férias vencidas, o empregador
encontra-se, portanto, necessariamente inadimplente.

– Férias simples são aquelas cujo período de aquisição já se


completou, sem que se tenha esgotado, ainda, o
respectivo período de gozo. Neste caso, embora o obreiro
já tenha direito adquirido à parcela de férias, não se
encontra o empregador inadimplente quanto à sua data
de gozo.

– Férias proporcionais são aquelas cujo próprio período de


aquisição ainda não se completou (não havendo sequer
se iniciado, desse modo, o respectivo período de gozo).
• Como contar/calcular as férias:
– José contratado em 21/01/2019, sendo demitido em 13/07/2019,
mediante aviso prévio indenizado. Neste caso, quais férias tem
direito e quanto avos?

• a) Contagem das Férias


• 21/01/2019………….. 20/02/2019………………… 1/12
21/02/2019………….. 20/03/2019………………… 1/12
21/03/2019………….. 20/04/2019………………… 1/12
21/04/2019………….. 20/05/2019………………… 1/12
21/05/2019………….. 20/06/2019………………… 1/12
21/06/2019………….. 13/07/2019………..………. 1/12

• TOTAL: 6/12 + projeção do aviso prévio indenizado de 30 dias.

• No presente caso, se o salário de José é de R$ 1.800,00 (sendo


que não auferiu nenhuma outra verba de natureza salarial,
qual será o valor de suas férias proporcionais?