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] Ensaio sobre Ausência [

Relatório de Atividades 0I/05

Bolsa Cultura Jovem

Vitória – ES
Junho | 2010
Identificação

Bolsista: Yury Aires

Orientadora: Monica Nitz

Local de Execução: Municípios da Grande Vitória

Categoria da Bolsa: Pesquisa

Modalidade da Bolsa: R$ 800,00 mensais

Vigência da Bolsa: 05 meses

Pró-Labore da Orientadora: R$ 200,00

Vigência do Pró-Labore: 05 meses

Data do Relatório: 23 de junho de 2010


Introdução

Este relatório aborda as atividades realizadas pelo projeto Ensaio sobre


Ausência no primeiro mês de vigência da bolsa (Junho) levantando a importância,
objetivos e contribuições para o aproveitamento desta pesquisa de Fotografia e Vídeo.

As atividades do mês de junho foram iniciadas após depósito do dinheiro da


bolsa, que ocorreu no dia 04 após o feriado de Corpus Christi, dando início ao projeto
no dia 07 (segunda-feira).
Atividades Desenvolvidas
• Dias 07 e 08:

Pesquisa e visita de mercado para a aquisição de equipamentos


fotográficos e encomenda do equipamento principal do projeto, que é a
câmera com data prévia de chegada em 15 dias úteis.

• De 09 a 14:

Participação do seminário EMPRETEC do Sebrae com inscrição gratuita


através do grupo HnA - Molécula Multiplicadora de Arte do qual sou integrante.
O EMPRETEC é um seminário que tem por objetivo desenvolver, nos
participantes, características de comportamentos empreendedores.
O programa foi desenvolvido pela ONU - Organização das Nações Unidas
visando o fortalecimento destas características empreendedoras. O
participante deverá primeiro identificar seu potencial empreendedor e verificar
quais são seus pontos fortes e fracos. O seminário teve duração de 60 horas
dividas por seis dias, no horário matutino e vespertino e estendendo-se por
vezes ao noturno. Este seminário foi essencial para o sucesso deste projeto,
estimulando um maior planejamento e estabelecimento de metas.
O certificado do seminário está em anexo a este relatório.

• De 15 a 30:

Desenvolvimento da primeira etapa do projeto descrito como:


Reconhecimento e vivência dos não-lugares; fazendo visitas técnicas para
reconhecimento de condições de luz e ambientação. Nesta etapa de pré-
produção estou visitando todos os lugares de interesse na localidade do centro
de Vitória e mapeando-os para facilitar o deslocamento e metas de itinerário,
este método será usado durante toda a vigência do projeto em cada localização
especifica antes do ensaio fotográfico efetivo, visando a importância de
segurança dos equipamentos, criando uma logística segura. Além de avaliar e
re-planejar o cronograma das atividades para melhor aproveitamento dos dias,
como também o monitoramento de minhas ações com o projeto. Esta atividade
continuará sendo executada nas próximas duas semanas.
• 21 a 25:

Semana limite para a chegada do equipamento.

• Dias 07, 14, 21 e 28:

Reunião com a orientadora, abordando situações de dificuldades e


facilidades do projeto, discussão dos autores e artistas de pesquisa, diálogos
sobre a posição da fotografia na arte contemporânea, sobretudo hoje, e o que
o projeto tem a expressar sobre isso.

Especificando os elementos de pesquisa:

Nas horas que me restavam deste mês dei continuidade a pesquisa de


autores, artistas, linguagens e estilos. Dando inicio com o livro de Marc Augé¹
que a todo instante causa estremecimento com a linguagem de meu trabalho,
distanciando e aproximando ao mesmo tempo, no primeiro capitulo de seu
livro intitulado “O Próximo e o Distante” discorre longamente sobre o lugar do
antropólogo na sociedade moderna e contemporânea.

Até então isso não estava aparentemente acrescentando nada no meu


olhar fotográfico e no conteúdo da pesquisa, entretanto segundo Augé, não é o
antropólogo que deve buscar o mundo contemporâneo, mas o próprio mundo
contemporâneo, que por causa de suas transformações aceleradas, chama o
olhar antropológico. Dividindo essas transformações em três partes. A
necessidade de dar sentido ao presente, senão ao passado, é o resgate da
superabundância factual que corresponde a uma situação que poderíamos
dizer de “supermodernidade” para dar conta de sua modalidade essencial: o
excesso.
A primeira transformação é a respeito do tempo, a nossa percepção do
tempo, mas também ao uso que fazemos dele, à maneira como dispomos a ele,
portanto o excesso de tempo.

[...] ninguém se expressa melhor que Pierre Nora, em seu prefácio ao primeiro volume dos
Lieux de Mémoire: o que estamos buscando na acumulação religiosa de testemunhos,
documentos, imagens, de todos os “sinais visíveis daquilo que foi”, diz ele, em suma é nossa
diferença, e “no espetáculo dessa diferença o brilho súbito de uma identidade inencontrável.
Não mais uma gênese, mas o deciframento de que estamos à luz do que não somos mais.”

(AUGÉ, 2005, p.28).

A segunda transformação acelerada, própria do mundo contemporâneo,


e a segunda figura do excesso, característico da supermodernidade, referem-se
ao espaço.

[...] Se a experiência distante ensinou-nos a descentrar nosso olhar, temos que tirar
proveito dessa experiência. O mundo da supermodernidade não tem dimensões exatas daquele
no qual pensamos em viver, pois vivemos num mundo que ainda não aprendemos a olhar.
Temos que reaprender a pensar o espaço.

(AUGÉ, 2005, p.37).

A terceira transformação é a do excesso do ego, ego do individuo.

[...] permitem aos indivíduos submetidos às opressões globais da sociedade moderna,


principalmente a sociedade urbana, desviar-se delas, usá-las e, por uma espécie de elaboração
diária traçar ai seu cenário e seus itinerários particulares.
(AUGÉ, 2005, p.41).

Em seu terceiro e último capitulo “Dos Lugares aos Não-Lugares”, Augé


cada vez mais se distancia do pensamento de pesquisa fotográfica, o não-lugar
de Augé é inverso ao não-lugar do projeto, entretanto este contraponto é
proveitoso para o melhor entendimento da obra dele e do meu projeto,
criando assim alicerces de visão a estes futuros registros.

¹ AUGÉ, Marc. Não-lugares introdução a uma antropologia da supermodernidade. 5. ed. São Paulo:
Papirus, 2005.
[...] Se um lugar pode se definir como identitário, relacional e histórico, um espaço que
não pode se definir nem como identitário, nem como relacional, nem como histórico definirá
um não-lugar. A hipótese aqui defendida é a de que a supermodernidade é produtora de não-
lures, Isto é, de espaços que não são em si lugares antropológicos e que, contrariamente à
modernidade baudelariana, não integram os lugares antigos: estes, repertoriados, classificados
e promovidos a “lugares de memória”, ocupam ao um lugar circunscrito e específico.
Um mundo onde se nasce na clinica e morre num hospital [...]
(AUGÉ, 2005, p.73)

[...] O lugar e o não-lugar são antes, polaridades fugidias: o primeiro nunca é


completamente apagado e o segundo nunca se realiza totalmente – palimpsestos em que se
reinscreve, sem cessar, o jogo embaralhado da identidade e da relação.
(AUGÉ, 2005, p.74)

Em suma, o lugar e não-lugar conceitual e antropológico de Marc Augé,


não é o foco do não-lugar do projeto de pesquisa, mas ao mesmo está ligado
intrinsecamente, como está apresentado na ultima citação.

O termo “Não-lugares” deste projeto foge ao pensamento


antropológico de Augé e recorre ao pensamento fotográfico e conceitual do
Ensaio sobre Ausência, nestes espaços o relevante é o vazio, o abandono,
divergindo diretamente ao conceito de Augé, com a circulação de pessoas,
como também o fato de não ser um lugar freqüentado como hospitais,
aeroportos, shoppings, meios de transportes, utilizados pela sociedade e sim
um lugar demasiadamente utilizado e esquecido, porém revisitado, re-
fotografado, rediscutido, se distanciando do termo “lugares de memória”
discutidos por Charles Baudaulaire.

É exatamente o inchaço do vazio que é objetivo do projeto, dialogando


com a fotografia o que a supermodernidade de Augé tem a ver com os Não-
lugares do Ensaio sobre Ausência.
Há ainda a pesquisa de outros fotógrafos que influenciam
imageticamente neste projeto.

Kevin Bauman: que em dois trabalhos específicos registra alguns


espaços vazios, como, Detroit e 100 Abandoned Houses, respectivamente.

http://www.kevinbauman.com

Nadav Kander: que em seu trabalho em especifico, “Chernobyl, Half-


life” registra a velha cidade de Chernobyl após ser isolada.

http://www.nadavkander.com
Conclusão

Por fim, como consta no meu projeto o reconhecimento e vivência se


estenderão até o quarto mês de bolsa, intercalando-se entre o mapeamento
das localidades e seu ensaio fotográfico.

Em vista de um melhor planejamento e monitoramento dos lugares


apresentarei no mês que vem a lista com respectivos endereços e fotografia
das locações. Iniciarei também no próximo mês, por volta da terceira semana,
os ensaios fotográficos na localidade do centro de Vitória.

A pesquisa Literária e Fotográfica continuará sendo incluída e


obrigatória no cronograma de atividades, visando o melhor desenvolvimento
intelectual e conceitual ao projeto.

Atenciosamente,
Yury Aires (bolsista)

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De acordo,
Monica Nitz (orientadora)

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