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Profs. Masao Sakae e Milton C F Alvarez apoio Prof Cintia

TRANSFORMADORES DE INSTRUMENTOS
Introdução:

Transformadores de instrumentos são equipamentos elétricos destinados a


transformar grandezas elétricas elevadas (corrente e tensão) dos circuitos de AT
em grandezas elétricas acessíveis a instrumentos de medição, tais como:
amperímetros, voltímetros, wattímetros, relés de proteção etc.

Existem essencialmente 2 tipos de transformadores: Transformadores de


Corrente e Transformadores de Potencial.

Transformadores de Corrente (TC ou CT em inglês)

TC’s são equipamentos elétricos que transformam correntes altas em correntes


baixas. As correntes baixas são padronizadas pela NORMA, que poderá ser de
1 A – 5 A ou 10 A. Normalmente é utilizado o de 5 A.
A corrente que circula no circuito
de AT é chamada de corrente
primária (I1) e corrente de BT é
chamada de corrente secundária
(I2). O enrolamento primário (N1)
é constituído de fio grosso para
suportar altas correntes, possuindo
poucas espiras ou mesmo apenas 1
espira. O enrolamento secundário
(N2) é constituído de fio fino capaz
Fig. 1 de suportar baixas correntes,
possuindo muitas espiras. Por
exemplo, se o TC possui relação
de corrente de 50/1, se N1 for 1
espira, temos N2 igual a 50
espiras. Na figura 2 é mostrada a
configuração de TC com 1 espira
primária.

Fig. 2
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Fig. 3

Referindo-se a figura 1, num TC a corrente secundária produz um campo φ2 que


mantém o equilíbrio com o campo φ1 produz ido pela corrente primária. Caso o
circuito secundário estiver aberto , o efeito de equilíbrio desaparece, o campo
magnético primário aparece com plena intensidade e o núcleo se satura, com isto
sobreaquecendo perigosamente e induz, no enrolamento secundário, uma tensão
bastante elevada. Por esse motivo o secundário sempre deve estar com circuito
fechado.

Teoria:

A f.e.m. induzida no secundário é dada pela equação:

N × dφ Em = + N × φ m × w
e=−
dt Em
φ = φm × sen wt Em = 2 × Eef ∴ Eef =
2
e = − N × φm × w × cos wt 2π × f
Eef = × A × N × φm
e = Em quando cos wt = 1 ou wt = 0 2

Eef = 4,44 × f × A × N × φm
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Circuito Magnético do TC

Fig. 4

Circuito Elétrico Equivalente do TC

Fig. 5
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Diagrama Vetorial do TC

Fig. 6

No primário R1, X1, E1 ≅ 0 daí não foi representado no diagrama vetorial.

A corrente primária I1, depende de I1’ e da corrente I0 de excitação. Devido a I0,


o TC produz um erro na relação de transformação e também em ângulo, levando
I2 a afastar-se de um ângulo γ em relação a 180º que deveria fazer com I1.

Tanto a relação de transformação como o ângulo de fase é influenciado pela


impedância da carga secundária.

Define-se ângulo de fase γ positivo quando –I2 está em avanço em relação a I1.

Fórmula de Relação Real

Como foi visto pelo diagrama vetorial o TC não transforma a corrente primária I1
para a corrente secundária I2 numa fração bem definida dada pela relação de
espiras N2/N1. Onde N1 = no. de espiras primárias e N2 = no. de espiras
I1 N 2
secundárias, logo:

I 2 N1
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I1 N I'
Chamamos de relação real R e 2 = 1 de relação ideal ou nominal N.
I2 N1 I 2

A fórmula que nos dá a relação real R é:

I p × cos ∆ + I m × sen ∆
R=N+
I2

A porcentagem de erro de relação é calculada pela expressão:

Relação Real - Relação Ideal


ER % = × 100
Relação Real

R-N
ER % = × 100
R
1200
Exemplo: Seja relação nominal de um TC igual a N = e a relação real
5
1203
R= , daí a porcentagem de erro será:
5

%=
(
1203 ) - (1200 )
5 5 × 100 = 0,25%
ER
(12035 )

A relação real R de 1203/5 corresponde para uma determinada carga secundária


bem definida. E para uma determinada carga secundária temos erros diferentes
em função da corrente primária ou secundária, como mostra o gráfico:
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Carga 12,5 VA
FP = 0,9

Fórmula de erro de Ângulo de Fase (γ) da fig. 6

Como pode-se notar pelo diagrama vetorial a corrente primária I1está deslocado
de um ângulo γ em relação ã corrente –I2. Isto é, devido a corrente de excitação
I0 na qual vai introduzir erro de ângulo de fase. Este erro não tem muita
importância quando estamos utilizando TC para relés de proteção, porém se
queremos utilizá-lo para medida de energia para fins de cobrança é de suma
importância. Por esse motivo existem classes de precisão para TC’s de utilização
em proteção, diferentes para os de utilização em medição. Este assunto será
abordado com detalhes mais adiante.

A fórmula que nos dá o erro de ângulo de fase é:

I m × cos ∆ − I p × sen ∆
γ= em radianos
I '1
I '1
I’1 = relação nominal x I2 ∴ I’1 = N x I2 ∴ N =
I2

180° I m × cos ∆ − I p × sen ∆


γ= ×
π I '1 em graus
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Como pode-se notar pelo diagrama vetorial, o ângulo ∆ depende da impedância


da carga ligada no secundário do TC, daí existe erro de ângulo de fase bem
definido para uma determinada carga ligada no secundário do TC. A curva a
seguir dá o erro de ângulo de fase para uma determinada carga, com variação da
corrente secundária:
γ
20

15
Minutos

10

0
0 10 20 40 60 80 100
% da Corrente Secundaria

Curva de Excitação Secundária


No caso real a corrente de excitação I0 é suprida pela corrente primária, que
aumenta proporcionalmente a medida que cresce a corrente primária. Porém esta
proporcionalidade entre corrente de excitação e corrente primária se mantém até
um certo limite, até o ponto de saturação do núcleo. Na prática podemos levantar
a curva de excitação aplicando tensão no enrolamento secundário e medindo a
corrente de excitação secundária:

4
V2

0
1 2 3 4 5 6 7 8
io
(Corrente de excitação Secundária)
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A corrente de excitação secundária é em função da tensão de excitação e


E2
impedância de excitação secundária i0 = .
Z0

O diagrama equivalente referida ao secundário nos dará uma compreensão


melhor sobre a relação acima.

Fator de Correção de Relação (FCR)

FCR é um fator pela qual deve ser multiplicada a relação nominal (N) para se
obter a relação real (R). Assim sendo:

Relação Real
FCR =
Relação Nominal

I1 I'1
Relação Real = Relação Nominal =
I2 I2
I1
FCR =
I'1

Exemplo: Calcular a FCR de um TC de 1200/5 para carga secundária de 20 Ω e


corrente secundária I2 = 2 A. Dado curva de excitação secundária.
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Para calcular FCR desprezamos o erro causado pelo ângulo de fase daí:

I'1 = I 2 × N ∴ N = 1200 / 5 = 240

I'1 = 2 × 240 = 480 A

I1 = I 2 × N + N × I 0

V2

V2 = I 2 × 20 = 2 × 20 = 40V 40
i0
Corrente de excitação
0,2 secundária

Com 40 V entramos na curva de excitação e encontramos i0 = 0,2 A.

I1 = 2 × 240 + 0,2 × 240 = 528 A

528
Logo: FCR = = 1,1
480
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Curva do FCR

A curva do FCR é a representação gráfica de erro de um TC para uma carga


padronizada.

Carga do TC

A carga externa ligada no secundário do TC é chamada, em inglês, de BURDEN.


BURDEN é de preferência expressa em termos de impedância da carga
(resistência e reatância). Costuma-se também indicar a carga em VA e fator de
potência. Então o VA é a carga consumida com a corrente secundária nominal 5
A.
Assim, se uma carga de 12,5 VA é indicada no catálogo isto significa uma
VA 12,5
impedância de 0,5 Ω, pois Z = = 2 = 0,5Ω .
I2 5

Os fabricantes fornecem as cargas individuais de todos os instrumentos. Para


calcular a carga total no secundário de um TC, alimentando vários instrumentos,
basta somar aritmeticamente as cargas individuais e se for o caso somar a
resistência do cabo de ligação.

Por exemplo: Calcular a carga total ligado no TC abaixo:


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Verificação da Saturação de um TC para uma determinada carga e corrente

A comprovação da saturação de um TC, pode ser determinada pelos seguintes


métodos:

a) Pela equação básica Es = 4,44 x f x N x A x Bmáx x 10-8

Por este método, exige-se o conhecimento da secção do núcleo, bem como o


tipo do material que é feito o núcleo, fatores estes que muitas vezes não
temos, geralmente para fabricação de TC é utilizado núcleo de aço silício que
suportam indução magnética na ordem de 15.500 gauss.

Exemplo: Um TC de 2000/5 A de aço silício possui secção do núcleo igual a


20 cm2 e a resistência do enrolamento secundário é 0,31 Ω. A carga
ligada no secundário desse TC é 2 Ω e a corrente que circula
quando ocorre um curto circuito é de 40.000 A – 60 Hz. Verificar
se o TC não satura.

Relação do TC = 400/1

40.000
A corrente secundária é igual a = 100 A
400

A tensão secundária é:

E2 = I S × [Z C + Z S ]

E2 = 100 × [2 + 0,31] = 231V

E S = 4,44 × f × N × A × Bmax × 10 −8

231 = 4,44 × 60 × 400 × 20 × Bmax × 10−8 ∴ Bmax = 10.850gauss

Concluímos que o TC não satura pois o aço silício suporta até 15.500 gauss.
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b) Pela curva de saturação do TC

Este método consiste em determinar a tensão secundária do TC e comparar


com a curva de excitação secundária.

Exemplo: Foi levantada a curva de excitação secundária e verificou-se que o


TC se satura com a tensão secundária na ordem de 200 V. Verificar se
podemos ligar uma carga de 4 Ω, sabendo—se que durante um curto circuito
a corrente primária é 40.000 A. A relação do TC é 2.000/5.

Cálculo de tensão secundária V2:


40.000
V2 = I 2 × Z C I2 = = 100 A
400

V2 = 100 × 4 = 400V

Conclusão: Como a tensão secundária calculada deu 400 V e pela curva de


excitação, a máxima tensão que este TC produz não é adequado
para este caso. Devemos escolher outro TC que produza tensão
secundária acima de 400 V.

c) Pela classe de precisão do TC, conforme a norma ANSI (antiga ASA)

A precisão do TC é especificada da seguinte maneira pela norma ANSI:

10 H 400 ou 10 T 400
10 L 400 ou 10 C 400
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A letra H significa impedância secundária interna elevada, uma característica


de TC que tem enrolamento secundário concentrada com elevada reatância de
dispersão.

A letra L significa impedância secundária interna baixa, que é uma


característica do TC que tem enrolamento secundário completamente
distribuído.

O no. 10 representa o máximo erro de relação especificado em %.

O no. 400 é a máxima tensão terminal secundária especificada, na qual o erro


de relação especificado não é ultrapassado, para uma corrente secundária de
20 vezes a nominal e 5 vezes a nominal para L e H respectivamente.

Logo:

Max. tensão especificada


ZC =
20 × 5
É a máxima impedância especificada sem ultrapassar o erro especificado.

Por exemplo: Um TC 10 L 100 só pode produzir nos seus terminais uma


tensão de 100 V com impedância de 1 Ω e 100 A.

As classes de precisão construídas normalmente são:

10 H 10 10 L 10
10 H 20 10 L 20
10 H 50 10 L 50
10 H 100 ou 10 L 100
10 H 200 10 L 200
10 H 400 10 L 400
10 H 800 10 L 800
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Curva característica do tipo ”L”

A máxima impedância que podemos ligar no TC tipo 10 L 800 será:

800 400
ZC = = 8Ω e para 10 L 400 será Z C = = 4Ω e assim por diante.
100 100
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Gráfico da Impedância da Carga x Corrente Secundária do TC tipo L

Os TC’s tipo L tem a capacidade de acomodar uma certa carga secundária


“BURDEN” fixa para uma corrente secundária de até 20 vezes a corrente
nominal secundária (5A) isto é, 20 x 5 = 100 A; sem ultrapassar o erro
especificado pelo fabricante. Por exemplo: Um TC 10 L 400 tem capacidade de
acomodar no máximo Z = 400/100 = 4 Ω ou 4 x 52 = 100 VA sem
ultrapassar o erro de 10 %.

Curva Características do TC tipo H

Os TC’s tipo H diferencia com os do tipo L pelo tipo de enrolamento secundário


como foi visto anteriormente. Os TC’s tipo H alcança nível de tensão
especificado para uma corrente de 5 vezes a corrente nominal secundária, isto é,
5 x 5 = 25 A, sem entretanto ultrapassar o limite de erro especificado. Por
exemplo, um TC tipo 10 H 400, pode acomodar no máximo ZC = 400/25 = 16 Ω,
para uma corrente de 25 A no seu secundário V2 = 16 x 25 = 400 V.

Por outro lado, para cada corrente secundária maior do que 25 A até 100 A, o TC
acomodará impedâncias cada vez menores, a fim de não ultrapassar o limite de
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erro especificado. Por exemplo, para o mesmo TC acima 10 H 400, para uma
corrente secundária de 40, 60, 80 e 100 A temos respectivamente 400/40 = 10
Ω; 400/60 = 6,66 Ω; 400/80 = 5 Ω e 400/100 = 4 Ω.

Evidentemente que em VA teremos VA = Z x I2 para 25 A, VA =


32 x 52 = 800 VA.
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Comparação entre TC tipo L e tipo H

Para que possamos compará-los vamos supor um TC tipo 10 L 200 e outro 10 H


200. Como foi visto anteriormente o TC tipo 10 L 200 acomoda uma impedância
de 200/100 = 2 Ω para uma corrente de 0 a 100 A sem ultrapassar o erro de 10
%. O TC tipo 10 H 200 acomodará uma impedância de 200/25 = 8 Ω para uma
corrente de 0 a 25 A e impedâncias cada vez menores ate 2 Ω quando atingir 100
A secundários sem ultrapassar o erro de 10 %.

Porém, no TC 10 L 200 poderemos ter os 200 V no seu secundário com 25 A


e com impedância 4 vezes maior a impedância nominal, ou seja, 4 x 2 = 8
Ω, porém o erro aumentará também 4 vezes, isto é, em vez de 10 % teremos
40 %. Então, podemos dizer que os TC’s tipo H acomodará maior carga
“BURDEN” do que tipo L dentro do limite de erro especificado.
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Transformadores de Corrente conforme Norma ABNT (NBR 6856/81)

Para explicar a especificação do TC segundo norma ABNT, vamos admitir um


TC especificado conforme norma ASA e calcular todos os parâmetros e aplicar
em seguida para norma ABNT.

Pela norma ASA um TC é especificado da seguinte maneira: 10 L 200


10 = Classe de precisão
L = TC de baixa impedância (enrolamento distribuído)
200 = máxima tensão secundária

Podemos calcular o VA da carga do seguinte modo:


200
VA = Z x I2 ∴ Z = = 2Ω
20 × 5
20 vezes a corrente
nominal secundária

VA = 2 x 52 = 50 VA
Corrente nominal secundária

Este mesmo TC, pela Norma ABNT pode ser especificado da seguinte forma:
B 10 F 20 C 50

B = Baixa impedância secundária (enrolamento distribuído)


10 = Classe de precisão
F 20 = Fator de sobrecorrente ou seja 20 vezes 5 A
C 50 = Carga de 50 VA

Outro exemplo: 10 H 200 equivale a A 10 F 20 C 50

Alta impedância
Secundária
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Transformadores de Corrente para fins de Proteção (NBR 6856/81)

A ABNT especifica os TCs para vários fatores de sobrecorrente.

Especificação:

10 H 10 10 L 10
10 H 20 10 L 20
10 H 50 10 L 50
10 H 100 ou 10 L 100
10 H 200 10 L 200
10 H 400 10 L 400
10 H 800 10 L 800

Transformadores de Corrente para fins de Medição (NBR 6856/81)

Os transformadores de corrente para medição deve ser selecionado


diferencialmente da proteção, pois para medição requer maior precisão. Para
serviços de medição a precisão dos transformadores de corrente é dada pela
classe de precisão seguida do símbolo da carga.

Por exemplo: 0,3 B – 4 0,3 – Classe de precisão


B – 4 – Carga 100 VA

Escolha de Classe de Precisão

A classe de precisão padronizada em 0,3; 0,6 e 1,2. Sua escolha depende da


aplicação a que se destina o transformador de corrente. A tabela abaixo fornece
as classes de precisão padronizadas e suas aplicações usuais:

Classe de Precisão Aplicação


0,3 e 0,6 Medidas em laboratório
Medidas de energia para fins de cobrança ao
consumidor
1,2 Amperímetro
Wattímetro
Fasímetro
Etc.
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Carga do TC de Medição

Para obter carga nominal do TC destinado a serviço de medição, somam-se


geralmente as potências individuais de cada instrumento ligado no seu
secundário. Quando os cabos de interligação for muito longo considera-se
também as resistências destes cabos.

A tabela abaixo apresenta as cargas padronizadas para TC de medição:

Símbolo de Carga VA
B – 0,1 2,5
B – 0,2 5,0
B – 0,5 12,5
B–1 25
B–2 50
B–4 100
B–8 200

Exemplo:

Especificar o TC para medição quando ligamos no seu secundário 1


amperímetro, 1 wattímetro, 1 varímetro da GE.
Cargas de cada instrumento pelo fabricante:
Amperímetro tipo AB-10 – 2,9 VA
Wattímetro tipo AB-15 – 1,6 VA
Varímetro tipo AB-16 – 1,6 VA

Somando as cargas individuais, temos a carga total ligada no secundário do TC


que é igual a 6,1 VA.

Procuramos na tabela uma carga imediatamente superior a 6,1 VA que é 12,5


VA. Então a especificação do TC será:

1,2 B – 0,5

Pela norma ABNT atual (NBR 6856/92), em lugar de símbolo de carga B-0,5
coloca-se a carga em VA, assim:

1,2 C 12,5

Em serviços de medição o erro de relação e o erro de ângulo de fase são dois


fatores que deverão ser levadas em consideração e para representar esses dois
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juntos num mesmo gráfico colocamos no eixo vertical FRC e no eixo horizontal
o erro de ângulo de fase, como mostra a figura abaixo.

Limites de classe de precisão 0,6 com 10% e 100% da corrente nominal


De acordo com o gráfico acima, um TC para serviço de medição, classe 0,6,
estará dentro se sua classe de precisão em condições especificadas, se nestas
condições o ponto determinado pelo FCR e o ângulo de fase estiverem dentro
dos paralelogramos.
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Polaridade de TC’s

A convenção de polaridade de TC’s pode ser acertado da seguinte maneira:


Corrente primária saindo pelo ponto de polaridade como mostra a figura.

Normalmente os fabricantes adotam buchas primárias com letra H1 e H2 sendo


H1 ponto de polaridade, e os terminais secundários com letras X1 e X2 sendo X1 o
ponto de polaridade.

Quando tivermos TC’s com várias relações (multi-range) consequentemente com


vários terminais secundários X1 – X2 – X3 X4, o ponto de polaridade será o
índice de menor número entre dois terminais secundários.

TC com várias relações:

X1 – X2 = 50/1 polaridade X1
X1 – X3 = 70/1 polaridade X1
X1 – X4 = 80/1 polaridade X1
X2 – X3 = 20/1 polaridade X2
X2 – X4 = 30/1 polaridade X2
X3 – X4 = 10/1 polaridade X3

Com o TC acima, de múltipla relação, poderemos obter várias relações, porém


somente uma única relação pode ser utilizada.
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Conexão de TC’s em Série e Paralelo

a) Conexão em série

Quando ligamos 2 TC’s de núcleos diferentes em série, a relação de


transformação vista pelo instrumento é a mesma a do TC individual.
Entretanto a tensão gerada no secundário de cada um dos TC’s é a metade da
tensão total aplicada no instrumento isto quer dizer que podemos ligar uma
carga (“BURDEM”) equivalente a soma das cargas nominais de cada TC.

Por exemplo, se no primário desses


TC’s circularem 100 A, a corrente
secundária será 1A tanto do TC1 como
do TC2, portanto como os enrolamentos
secundários estão ligados em série no
amperímetro A circulará 1 A, logo a
relação vista pelo amperímetro é 100/1.

b) Conexão em paralelo

Quando ligamos 2 TC’s, de núcleos diferentes em paralelo, a relação de


transformação vista pelo instrumento é a metade do TC individual.

Por exemplo, se no primário desses


TC’s circularem 100 A, a corrente no
secundário de cada TC será 1A ,
entretanto a corrente no amperímetro A
será 2 A. Logo a relação vista pelo
amperímetro será 100A/2A = 50/1.
Pode-se notar que a relação caiu pela
metade.
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Ligação Trifásica de TC´s

Os TC´s nos circuitos trifásicos são ligados em estrela para alimentação de


instrumentos de medição e relés de proteção. Para alguns casos especiais são
ligados em triângulo para alimentação de relés de proteção.

Ligação em estrela
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Para alimentação de amperômetros e relés de sobrecorrente, os TC´s podem ser


ligados tanto como na fig. 1 como na fig. 2, isto é, o neutro dos TC´s pedem ser
fechados tanto no lado de não polaridade (fig. 1) ou no lado de polaridade (fig.
2). Entretanto quando estamos ligando TC´s para alimentação de relés
direcionais, diferenciais, wattímetros, varímetros, fasímetros etc., deverão ser
observados com cuidado as polaridades dos TC´s a fim de serem ligados
corretamente.

Exemplo

1) Calcular as correntes nos amperômetros do esquema abaixo sabendo-se que


as tensões entre linhas valem 13.840 V e as cargas valem Z1 = 40∠ 30º Ω;
Z2 = 50∠0º Ω e Z3 = 80∠-20º Ω.

a) Cálculo de corrente primária de cada fase:

 13840 ∠0°
V1N  
3
I1 = = = 200∠ − 30° A
Z1 40∠30°

 13840 ∠ − 120°
V2 N  
3
I2 = = = 160∠ − 120°A
Z2 50∠0°
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 13840 ∠120°
V  
I 3 = 3N = 
3
= 100∠140° A
Z3 80∠ − 20°

b) Cálculo da corrente secundária de cada fase

200∠ − 30°
i1 = = 5∠ − 30° A
40

160∠ − 120°
i2 = = 4∠ − 120° A
40

100∠120°
i3 = = 2,5∠140° A
40

As correntes que circulam nos amperômetros são:

A1 = 5 A
A2 = 4 A
A3 = 2,5 A

c) Cálculo de corrente no neutro do TC.

in = i1 + i2 + i3

in = 5∠ − 30° + 4∠ − 120° + 2,5∠140°

in = (4,33 − j 2,5) + (− 2 − j 3,46 ) + (− 1,9 + j1,6)

in = 0,43 − j 4,36 = 4,38∠ − 84° A


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2) Calcular as correntes nos amperômetros do esquema abaixo, com os valores


de tensão e impedância iguais ao do exercício anterior.

As correntes secundárias já foram calculadas no exercício anterior.

i1 = 5∠ − 30° = 4,33 − j 2,5A


i2 = 4∠ − 120° = −2 − j 3,46A
i3 = 2,5∠140° = −1,9 + j1,6A

a) Cálculo da corrente nos amperômetros:

A1 = i1 − i2 = (4,33 − j 2,5) − (− 2 − j 3,46 )


A1 = 6,33 + j 0,96 = 6,4∠8,6° A

A 2 = i2 − i3 = (− 2 − j 3,46) − (− 1,9 + j1,6)


A = −0,1 − j5,06 = 5,06∠268°A

A 3 = i3 − i1 = (− 1,9 + j1,6) − (4,33 − j 2,5)


A 3 = −6,23 + j 4,1 = 7,45∠146°A
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3) Idem ao exercício anterior porém com os TC´s ligados conforme esquema


abaixo.

Nota: O TC nunca deverá ficar com o seu secundário aberto quando estiver
circulando corrente no primário, pois se estiver aberto aparecerá
tensões altíssimas nos bornes secundários e haverá sobre aquecimento
no núcleo.

Ensaios recomendados nos TC

Para os transformadores de corrente, antes de serem colocados em serviço, são


recomendados alguns tipos de ensaios. Dentre vários tipos efetuados na fábrica é
conveniente a realização dos seguintes ensaios no local:

a) Ensaio de polaridade;
b) Ensaio de isolação;
c) Ensaio de relação;
d) Ensaio de excitação;
e) Medida de resistência do enrolamento secundário.

A seguir veremos alguns detalhes de cada um destes ensaios.


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a) Ensaio de Polaridade

As polaridades de TC´s normalmente já vem marcadas pelo fabricante,


entretanto, mesmo assim, é conveniente efetuar no campo este ensaio para
confirmar essas marcações. A maneira mais prática de se verificar a polaridade
de TC é utilizando o método de golpe indutivo. Este método consiste em aplicar
uma tensão momentânea no primário do TC através de uma pilha e observar o
sentido da deflexão do ponteiro de um miliamperímetro de corrente contínua
ligado no secundário do TC.

Ligando a pilha e o miliamperímetro conforme o esquema acima, ao fecharmos a


chave Ch a corrente I1 vai circular de H1 para H2 (corrente I1 entrando no ponto
de polaridade primária). Se a deflexão do miliamperímetro for a direita significa
que a corrente secundária I2 saiu de X1 e entrou no X2 (corrente I2 saindo do
ponto de polaridade secundária). Neste caso as polaridades indicadas pelo
fabricante está correta. Ao fechar a chave Ch recomenda-se abrir logo em
seguida para evitar o desgaste da pilha desnecessariamente. Nota-se que ao abrir
a chave Ch, o ponteiro do miliamperímetro deflexiona no sentido ao contrário
quando do fechamento da chave Ch.

b) Ensaio de Isolação

O ensaio de isolação é efetuada para verificar o nível em MΩ de resistência que


existe entre o enrolamento secundário e primário, entre o enrolamento
secundário e terra. O aparelho utilizado é um Megger que produz um nível de
tensão de até 2000 V para efetuar tal medição de isolação.
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Esquema:

Medição de isolação entre Medição de isolação entre


primário e secundário secundário e terra

c) Ensaio de Relação

Este ensaio é efetuado para certificar a relação de transformação especificada na


placa do TC. Quando o TC possui várias relações é necessário fazer ensaio em
todas as relações. Para realizarmos este ensaio precisamos Ter em mãos um
transformador elevador de corrente, um transformador de corrente padrão, um
variac e dois amperímetros.

TCp = TC padrão (relação conhecida)


TCx = TC cuja relação queremos determinar
I1 = corrente que circula no primário do TCp e TCx
Ip = corrente secundária do TCp
Ix = corrente secundária do TCx

O TCp serve para determinar a corrente I1 através da leitura do amperímetro A1.

I1 = Kp x ip onde Kp = relação do TCp


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I1 K p × i p
K
Logo a relação do TCx será: x = =
ix ix

d) Ensaio de Excitação
O ensaio de excitação é feito para determinar a curva de saturação do TC. No
caso real a corrente de excitação de um TC é suprida pela corrente primária, mas
para efetuar ensaios se faz aplicando tensão no enrolamento secundário e
medindo a respectiva corrente. A corrente que medimos é exatamente a corrente
de excitação necessária para excitar o núcleo refletida no secundário do TC. Se
queremos a corrente de excitação primária é só multiplicar pela relação do TC.
Normalmente as curvas de saturação de um TC são levantadas colocando no eixo
vertical a tensão secundária V2 e na reta horizontal a corrente de excitação
secundária i0, como mostra a figura.

4
V2

0
1 2 3 4 5 6 7 8
io
(Corrente de excitação Secundária)

e) Medida de resistência do enrolamento secundário

A medida de resistência ôhmica do enrolamento secundário de um TC é feito


com uma ponte de Wheatstone ou uma ponte dupla de Kelvin. Esta medição é
efetuada para termos o valor exato da resistência que será utilizada para
graduação de alguns tipos de relés de proteção.