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SOLDAGEM COM ELETRODO REVESTIDO (SMAW) NA POSIÇÃO PLANA

Gustavo De Souza Gonçalves1


Mateus Rubick²

Resumo

Tratando-se de soldagem temos vários processos com posições variadas, um desses


processos é a soldagem com eletrodo revestido na posição plana. Neste trabalho
pretende-se apresentar o conceito básico de soldagem com eletrodo revestido,
especificações sobre eletrodos, uma breve história deste processo e também algumas
técnicas para a soldagem na posição plana.

Palavras-chave: Eletrodo revestido. Posição plana. Soldagem. Técnica.

Abstract

In welding, we have several processes with varying positions, one of these processes is
welded with coated electrode in the flat position. This paper presents the basic concept of
coated electrode welding, electrode specifications, a brief history of this process and also
some techniques for flat welding.

Key words: Coated electrode. Flat position. Welding. Technique.

1 Introdução
O processo de soldagem por eletrodo revestido caracteriza-se, principalmente, por utilizar um
arco elétrico para fusão do material. Obteve sua primeira patente de soldagem em
aproximadamente 1885 por Nikolas Bernardos e Stanislav Olszewsky que fundiram duas
peças utilizando um eletrodo nu de carvão.
Em 1907, Oscar Kjellberg, melhorou a qualidade dos eletrodos, adicionando revestimento a
eles e criando os eletrodos como os conhecemos atualmente.

1
Acadêmico do curso de Engenharia mecânica do Centro Universitário para o Desenvolvimento do
Alto Vale do Itajaí. Gustavo.goncalves@unidavi.edu.br.
² Acadêmico do curso de Engenharia mecânica do Centro Universitário para o Desenvolvimento do
Alto Vale do Itajaí. Rubick47@unidavi.edu.br.
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Na sociedade atual a solda é um dos processos mais importantes da indústria. Praticamente


todas as estruturas ou peças de tamanho não pequeno possuem soldas. O processo por
eletrodo revestido não é o mais presente nas indústrias, mas não deixa de ser muito
importante, ele tem uma vantagem sobre as outras soldas, uma vez que existe uma gama
muito variada de materiais de eletrodos. Também existem algumas posições de soldagem,
uma delas é a posição plana que consiste em unir peças soldando, como o próprio nome já diz
em um plano horizontal.

Fundamentação teórica- desenvolvimento

2 processos de soldagem a arco elétrico


“Pode-se definir como arco elétrico a descarga elétrica mantida por um gás ionizado, iniciada
por uma descarga elétrica emitida por um eletrodo negativo chamado (catodo) e um positivo
(anodo) aquecido e mantido pela ionização térmica do gás ionizado” (EMÍLIO; Wainer. 1992,
P.9).
Para identificarmos o processo de soldagem a arco elétrico, necessitamos entender como o
arco se forma nesse tipo de processo. Segundo Carlos Eduardo Figueiredo (2015, P.41) “a
fonte geradora de energia fornece a um material metálico elétrons que, ao se encontrarem com
o metal de base com elétrons de polaridades diferentes, atraem-se e ionizam-se, gerando então
o arco elétrico, para que a energia desse arco possa fundir o metal de adição com o metal de
base”.
Figura 1 Soldagem com eletrodo revestido

Fonte: CASARIN Joséé Samuél, 2018, p.16

Para iniciar o arco, é necessário que o metal de adição (eletrodo) toque a peça (metal de base)
para poder fechar o circuito. No dizer de Carlos Eduardo Figueiredo (2015, P.42) “após os
elétrons percorrerem o eletrodo em direção à peça, inicia-se um arco elétrico. Afastando-se o
eletrodo da peça, o arco elétrico entra em contato com os gases gerados pela queima do
revestimento do eletrodo, gerando o plasma, e por sua temperatura muito alta funde a alma do
eletrodo, dessa forma, inicia-se a transferência metálica do cordão de solda”.
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2.1 consumíveis
De acordo com (Vilani Modenese Bracarense ANO, P,187) “eletrodo revestido é constituído
por uma vareta metálica, a alma, com diâmetro entre 1,5 e 8 mm e comprimento entre 23 e 45
cm, recoberta por um revestimento. Eletrodos para soldagem por gravidade têm comprimento
entre 55 e 70 cm”. A composição do revestimento determina as características operacionais
dos eletrodos e pode influenciar na composição química e nas propriedades mecânicas da
solda efetuada. Além das funções já citadas, o revestimento serve ainda para:
Figura 2 Influências do revestimento do eletrodo

Fonte: Modénésé Bracarénsé ANO, P,187

Existe no mercado um grande número de tipos de eletrodos que apresentam diferentes


características operacionais, aplicáveis a diferentes materiais e que produzem soldas com
diferentes características. Para racionalizar o mercado, os eletrodos revestidos são
classificados de acordo com sistemas propostos por diferentes sociedades (AWS, DIN,
AFNOR, ABNT, ISO etc.). As classificações mais usadas no Brasil são as propostas pela
AWS

2.1.1 tipos de revestimentos


Segundo Carlos Eduardo Figueiredo (2015, P.42) “ revestimento é feito por extrusão, podendo
ser fino, médio ou grosso. Os compostos do revestimento vêm sob a forma de pó, unidos por
uma aglomerante “cola”, normalmente silicato de potássio (K) e de sódio (Na), que ioniza a
atmosfera do arco entre o eletrodo e a peça, proporciona o controle da taxa de resfriamento e
contribui no acabamento do cordão”. O revestimento do eletrodo a ser usado é definido a
partir das características do material a ser soldado.
No dizer de (Vilani Modenese Bracarense Vilani Modenese Bracarense ANO, P,187) “os
revestimentos de eletrodos podem ser separados em diferentes tipos, por exemplo, oxidante
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constituído principalmente de óxido de ferro e manganês, revestimento ácido constituído de


óxido de ferro e sílica, revestimento rutílico que contém quantidades significativas de rutilo,
revestimento básico que contém carbonato de cálcio e fluorita, e revestimento celulósico que
contém quantidade elevada de material orgânico como celulose”.

2.2 funções do revestimento


O revestimento tem muitas funções, a seguir veremos algumas das mais importantes:
Figura 3 Funções do revestimento dos eletrodos.

Fonte: FIGUEIREDO, Carlos Eduardo 2015, Paé g. 43 .

2.2.2 nomenclatura dos eletrodos revestidos


Figura 4 Nomenclatura de eletrodos revestidos

Fonte: cataé logo ESAB.


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3 equipamentos para soldagem com eletrodo revestido


Figura 5 Vestimentas para o processo de soldagem

Fonte: Apostila dé Procésso dé soldagém MIG/MAG-SENAI


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Figura 6 equipamentos para solda com eletrodo revestido

Fonte: répositorio.ufu.br

4 técnica de soldagem com eletrodo revestido na posição plana


Posição plana (flat welding position). Segundo Carlos Eduardo Figueirdo (2015, P.42) “a
posição de soldagem plana é aquela que recebe o metal de adição de cima para baixo. O
material adicionado vem do eletrodo que está sendo fundido pela energia aplicada, e que está
posicionado em cima da junta. Posição de soldagem utilizada quando a junta é soldada pelo
seu lado superior. O eixo da solda é aproximadamente horizontal, e a face da solda se
encontra em um plano aproximadamente horizontal”. Havendo condições, todas as soldas
podem ser feitas em posição plana, é a mais rápida, fácil e econômica.
Figura 7 posições de soldagem plana

Fonte: Fundaçaã o Brasiléira dé Técnologia da Soldagém


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4.1 técnica de soldagem: empurrando ou puxando


Segundo a ESAB, A técnica de soldagem empurrando pode gerar uma aparência boa, mas a
penetração na maioria das vezes é prejudicada. Existe também a possibilidade de a escória
escorrer na frente da poça de fusão, causando inclusão de escória e falta de fusão, portanto
recomenda-se a utilizar a técnica puxando.

Figura 8 Técnica de soldagem

Fonte: Cataé logo ESAB

5 resultados práticos de soldagem com eletrodo revestido com diferentes regulagens de


voltagem
Os resultados a seguir foram obtidos através de soldas experimentais com os seguintes
equipamentos e materiais:
 Eletrodo revestido E6013 com diâmetro de 3,25mm
 Chapas de aço comum de 5mm de espessura
 Cantoneiras de aço comum de 2,5mm de espessura
 Máquina de solda Balmer Super 260 da marca Merkle com regulagem apenas de
corrente, podendo ser ajustada de 30 A até 260 A.

Corrente recomendada pela ESAB para solda com eletrodo revestido de 3,25mm de
diâmetro
Os cordões de solda a seguir foram obtidos com o movimento de soldagem circular.
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Figura 9 cordão de solda

Cordão de solda obtido na emenda de duas chapas de 5mm de espessura com regulagem de
corrente em 150 A.

Figura 10 cordão de solda

Cordão de solda obtido na emenda de duas chapas de 5mm de espessura com regulagem de
corrente em 250 A. nota-se aqui em relação à figura 9 que esse cordão apresentou mais
índices de mordedura, devido à corrente elétrica mais alta.

Figura 11 cordão de solda

O cordão da figura 11 também foi realizado com corrente elétrica de 250 A, mas a distância
entre o eletrodo e a poça de fusão foi maior do que no cordão da figura 10, isso deixou o
cordão sem mordedura, mas provocou um alto índice de respingos.
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Figura 12 cordões de solda

Figura 13 cordões de solda

Acima temos os resultados de duas soldas no mesmo material (cantoneiras de 2,5mm de


espessura), porém com regulagens de corrente diferentes. Na figura 12 temos a vista da parte
de cima dos cordões. Olhando a metade superior da figura temos um cordão realizado com
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corrente de 80 A, já na metade inferior um cordão realizado com corrente de 140 A.


Analisando a figura 13 podemos ver a parte inferior dos mesmos cordões de solda da figura
12.

3 considerações finais
Notou-se que o processo de soldagem com eletrodo revestido foi o primeiro método de
soldagem a ser reconhecido e que apesar de ser o mais simples disponível nos dias de hoje é o
mais versátil, dentro ou fora das indústrias, devido à existência de eletrodos de muitos
materiais e à possibilidade de realizar a solda em praticamente qualquer posição. Em
contrapartida a soldagem por eletrodo revestido perde quando se trata de deposição de
material, o que acarreta em perda de eficiência e ainda se precisa que os soldadores novos
passem por mais treinamento do que em processos de soldagem diferentes

REFERÊNCIAS

CUNHA, Lélis da. Solda: como, quando e por quê. 3ª ed. Porto Alegre: Imprensa livre, 2013.
EMÍLIO, Wainer. Soldagem: processos e metalurgia. 7 ed. São Paulo: Editora Blucher, 1992.

https://repositorio.ufu.br/.

MARQUES, Paulo Villani. Tecnologia da Soldagem. 1 ed. Belo Horizonte: ESAB, 1991.
SENAI-SP. Soldagem. 1 ed. São Paulo: Senai, 1997