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Recomposições na composição

perante o trabalho

Recomposição nos ramos


de atividade
Recomposições
nas categorias
profissionais
Trajetórias
individuais
típicas
Fig. 1: Mostra o afunilamento que o autor vai fazendo ao longo do seu texto. Desta forma é mais
fácil compreender a sua técnica de desconstrução do objeto em estudo.

Recomposições na condição perante o trabalho

• 3 questões iniciais:

A) Mas como é que esses perfis socioprofissionais evoluíram ao longo do percurso migratório?

B) Mantiveram-se idênticos desde o início da estadia ou houve processos de diferenciação?

C) E que contrastes e continuidades se verificam entre o período de pré-migração e pós-


migração?

O quadro 1 encontra-se foi elaborado tendo em linha de conta as condições perante o trabalho em
quatro momentos das trajetórias socias de cabo-verdianos e hindus em percentagem. Nele podemos
observar, na primeira coluna, as diferentes tipologias de condições que são postas em cruzamento
com os dois últimos anos antes da vinda, um ano após a chegada, no ano de meio percurso e,
finalmente, em 2004. As totalidades das amostras em cada um dos períodos têm ligeiras variações,
mas não suficientes para, por si só, enviesarem o estudo. O tempo de referência é, aqui, entendido
como uma unidade importante e o autor relembra-o, afirmando que a partir dele é possível
identificar uma “estratégia metodológica mias adequada para o estudo das migrações, e que
consiste em tomar os imigrantes por referência, quer à sociedade de chegada quer à de partida”.

• Continuidades significativas: (Podem ser vistas como uma confirmação de que a estrutura
de classes em Portugal é relativamente permeável no que toca há propriedade)

Cabo-verdianos:

1. Assalariamento constante (modalidades de trabalho precário) – Trabalho sem contrato


generalizável à construção civil ou ao serviço doméstico. Correspondem aos segmentos da
economia disponíveis para a absorção imediata de imigrantes, uma vez que não possui
qualquer tipo de limitações (escolares, etc). Encontramos aqui a primeira limitação do
estudo. Nem toda a gente tem contrato, pelo que a inexistência de registo de trabalho
precário no país de origem, e muitas vezes no de chegada, não pode ser interpretada como
ausência. É uma continuidade entre o pré e o pós. Também, ainda neste ponto, observa-se
uma outra limitação de integração social, ou seja, a permeabilidade difere do tipo de grupos
que se procuram inserir (INCORPORAR PERSPERTIVA MARXISTA?)
2. Trabalho por conta própria deixa de existir;

Hindus:

1. Trabalho por conta própria constante;

• Alterações notórias:

Cabo-verdianos:

1. Número de mulheres domésticas diminui (de 18% para 10%) – orientada por motivações
laborais económicas;

Hindus:

1. Número de mulheres domésticas aumenta (de 34% para 36%) – 2 fatores principais: As
imposições culturais, nomeadamente o papel de género, e pela resistência ao
assalariamento;

Chegamos assim a uma nova questão que é formulada pelos autores, “Como se podem entender
estas recomposições parciais na condição perante o trabalho entre os dois primeiros momentos dos
trajetos migratórios?”. Da mesma forma que questiona, logo fornece uma resposta, “A importância
[…] do regime de trabalho independente ou de pequeno patronato de base familiar é uma realidade
plurigeracional historicamente consolidada”, ou seja, a importância, bem como o estatuto social que
daí se advém, é um fator cujo um dos grandes pesos é o cultural, hierarquizando posições sociais e
estilizando determinados tipos de comportamentos. “Se a passagem dos ex-trabalhadores por
conta-própria, de uma situação de independência laboral para uma situação de venda de força de
trabalho significa uma mudança qualitativa importante em termos de relações de classe, em termos
de mobilidade social essa mudança está mais perto de representar uma promoção de estatuto do
que o contrário […]”. Este ponto também é fundamental, uma vez que nos apresenta mais uma
ligeira limitação. Antes de mais, cabe clarificar que o termo de limitação empregue aqui apenas se
constitui como um breve reparo de uma situação que, em estudos futuros podia ser colmatada, e
que foi, inclusivamente, identificada pelos autores. “Mas, no caso hindu, esse acesso ocorre a uma
escala tão larga que não pode ser explicado somente pelas características de permeabilidade social
da estrutura Portuguesa”. Há que juntar os fatores endógenos, entre eles os capitais económicos e
profissionais transportados e o capital social proveniente de uma larga rede de contactos e
solidariedades intergrupais.

Podemos aqui falar, assim, numa incorporação económica de imigrantes? (Utilizando a tipologia de
A. Portes) [ENCONTRAR TEXTO] Para os Hindus, dado que têm 60% de trabalhadores por conta
própria, seriam de esperar que pudessem ser encaixados na tipologia de minoria intermediária, no
entanto, dado que os restantes 40% ativos trabalham por conta de outrem tal resposta não pode ser
afirmada ainda. Será que estamos a falar de uma minoria intermediária incompleta? Não há forma
de responder nos ensaios de Portes, afirmam os autores.
Recomposições nos ramos de atividade

Podemos observar como é que se distribuíram os inquiridos das duas populações pelos vários ramos
em cada um dos quatro momentos de referência.

• Alterações notórias:

Cabo-verdianos:

1. Total modificação da experiência profissional anterior em três casos bem visíveis (Agricultura
e pesca – praticamente deixa de existir; Admistração pública – só continua a ser verdade
para uma pequena minoria; Mulheres em serviços domésticos – Passa a ser uma realidade
frequente).

Hindus:

1. Passam de uma predominância generalizável (no país de origem) dos comércios e serviços
para, no caso dos homens, ir para a construção civil. Esta é uma realidade que, segundo os
autores, já era conhecida por estudos anteriores, onde a ligação dos hindus há construção
civil vem, em parte, de trás, incluindo razões culturais.

Ou seja, estas alterações demonstram-nos uma convergência entre os diferentes trabalhos!

Interessa, ainda, ver o que acontece nos diferentes estágios temporais: O que se verifica é que
aqueles que não tinham conseguido manter as atividades comerciais após a chegada, vão
retomando progressivamente a elas, ou seja, o trabalho na construção civil parece ter sido apenas
um recurso temporário e de passagem (no caso dos Hindus). Cabe-nos, aqui, fazer uma breve
anotação. Se cruzarmos ambas as variáveis (condição perante o trabalho e ramo de atividade) a
transição dos hindus de volta para o setor do comércio significa que deixem de ser assalariados. Não
deixando a condição de assalariamento, os hindus preferem tê-la no ramos e nos segmentos
específicos onde se encontra a maioria dos seus co-étnicos do que num ramo externo e estranho.

• Continuidades significativas:

Cabo-verdianos:

1. O desenvolver o trajeto migratório trás consigo uma menor dependência de atividades


precárias. A construção civil e o serviço doméstico são deixados, mudando o seu foco para o
ramo dos comércios e serviços (principalmente), admistração pública, saúde e ensino.

Hindus:

1. Como já se deu a entender, existe uma grande concentração contínua na área do comércio,
restauração, hotelaria e serviços.

A restruturação social que aqui se verifica na estrutura portuguesa não pode ser falada em termos
de uma mobilidade social ascendente. Mas, ainda assim, é um sinal de que há pelo menos alguma
transição de segmentos mais instáveis do mercado de trabalho para segmentos mais estáveis.
[FALTA ADICIONAR A PARTE DE DAR A ENTENDER QUE AS OPORTUNIDADES PARA TAL TRANSIÇÃO
SE TERÃO, ENTRETANTO, ESGOTADO – FALTA O TEXTO]
Recomposições nas categorias profissionais

A primeira e inicial observação deve incidir sobre as distribuições de categorias profissionais. Aqui,
observamos que elas configuram estratificações sociais completas, e finalmente percebem-se os
contornos que faltavam dos quadros anteriores, particularmente no que toca aos recursos em
qualificações e autoridade hierárquica, associados ao desenvolvimento profissional assalariado.

Confirmamos a hipótese de serem socialmente heterogéneas, onde as populações de migrantes


detém, geralmente, a sua própria estratificação interna, mais ou menos contrastante com a da
população em geral (embora a hindu seja menos heterogénea dado o peso que a categoria dos
serviços detém).

Este quadro permite identificar, com uma clareza acrescida, os fenómenos mencionados
anteriormente:

Cabo-verdianos:

1. A diminuição da proporção de trabalhadores na construção civil pelos diferentes estágios


temporais;
2. A redução gradual da percentagem de empregadas domésticas em paralelo com o
crescimento também gradual do número de empregadas de limpeza em empresas da
especialidade (Fluxos esses também efetuados pelas mesmas pessoas!);
3. Aumento generalizado até meio do percurso e, depois, uma estabilização (do pessoal dos
serviços e vendedores, também alimentado por ex-empregadas domésticas);
4. Crescimento progressivo da percentagem de quadros dirigentes, profissões intelectuais e
científicas e profissões intermédias;

É um exemplo claro do modo de incorporação que Portes identifica com a inserção no “mercado de
trabalho secundário” [IDENTIFICAR NA TIPOLOGIA DE PORTES – FALTA O TEXTO]. Exprime, também,
as fracas oportunidades de mobilidade social da pequena minoria cabo-verdiana.

Hindus:

1. Crescimento do pessoal dos serviços e vendedores;


2. A redução do número de construtores civis;
3. O número residual de mulheres hindus empregadas domésticas ou empregadas de limpeza
com o valor máximo de, somando as duas categorias, 6%, já em 2004, o que representa um
grande contraste com as mulheres cabo-verdianas;
4. As profissões desempenhadas pelos hindus no ramos do comércio e serviços ganham
alguma diferenciação vertical (observado pelas novas entradas nos nichos económicos
tradicionalmente ocupados pelo hindus);

Assim sendo, os autores questionam se se podem afirmar se os hindus reconquistaram o estatuto de


minoria intermediária que tinham em Moçambique e, segundo os valores numéricos, sim.

Ainda é feita uma outra observação, o facto do processo de reconstituição progressiva dos hindus
como minoria intermediária parece, assim, ter passado por dois mecanismos articulados:

1. A interiorização gradual dos assalariados externos;


2. A estratificação etária das situações na profissão;
Trajetórias individuais típicas

Este capítulo permite comprovar a permanência da maioria dos imigrantes cabo-verdianos no setor
secundário e a reconstituição progressiva dos hindus como minoria intermediária. O quadro é uma
caracterização de trajetórias individuas típicas, tomado por três momentos do percurso migratório
em Portugal ao nível da condição perante o trabalho, do ramo de atividade e da categoria
profissional.

5 Cabo-
8 tipos de verdianas
trajetórias
3 Hindus

Cabo-verdianas:

1. Os que, em 2004, eram trabalhadores estáveis com contrato, estabilizaram e melhoraram a


sua condição de assalariamento;
2. Os que trabalhavam, ao inicio, na construção civil e no serviço doméstico, transitaram para a
admistração pública, comércio e serviços. No entanto, essa realidade ainda é muito reduzida
(dado que 80% ainda trabalhavam na construção civil em 2004) mas importante;
3. A situação das mulheres que começaram no serviço doméstico também se alterou, onde
mais de metade já não se encontra nela em 2004 (57%).
4. As últimas duas categorias comprovam o que foi dito. Dos trabalhadores da construção civil,
no momento primeiro, só 17% tinham deixado de o ser aquando da realização do inquérito;
5. As empregadas domésticas iniciais modificaram-se, como já foi visto;

Hindus: (são menos porque a população é menos heterogénea na sua composição e percurso)

1. Dos patrões e trabalhadores por conta própria, a pirâmide é invertida, dado que
inicialmente começaram com muitas ramificações, acabando apenas nessas duas categorias
principais;
2. A última é a dos que começaram por ser trabalhadores da construção civil que, por sua vez,
se vai ramificando ao longo do tempo. Observa-se uma diminuição significativa, do início ao
fim, dos trabalhadores da construção civil, passando de 100% para 35% apenas;
Conclusão

Concluindo com o autor, ambas as etnia tem seguidos caminhos separados de integração, o que se
pode dizer que são caminhos «limitados de integração».

Os Hindus, designados por Portes como «minoria intermediária» acabaram por dar seguimento às
atividades que tinham na origem logo que lhes foi dado ensejo para isso, passado uma fase de
transição e de adaptação, verificando-se uma integração em pleno dentro e fora do setor do comércio
em que os assalariados se foram tornando proprietários.

Os Cabo-verdianos permaneceram no mercado de trabalho secundário quase na sua totalidade e ao


longo dos períodos estudados com reduzidas exceções, não obstante uma parte significativa ter
conseguido a legalidade oficial laboral. Esta precaridade estende-se às gerações sucedâneas na
limitação de integração social.

Os descendentes destes imigrantes provocam um ponto de interrogação ao autor porque estão fora
deste estudo e as qualificações escolares muito baixas perpetuam este cenário de limitação. No caso
dos Cabo-verdianos em que existem números e estatísticas suficientes para quantificar esta realidade;
para a segunda geração dos hindus, -que o autor classifica-os de «invisível e desconhecida»-, foge à
tipificação das chances de mobilidade e ascendência social porque, aparentemente não existe matéria
substancial para chegar a uma conclusão.

Fora já deste trabalho de grupo e para um futuro e oportuno aprofundamento deste trabalho deste
autor, parece haver muita discrepância e muita contradição desde o início.

A saber:

Se a comunidade Hindu veio com a dupla nacionalidade mais facilidade de integração teriam pois
estariam em vantagem em relação aos Cabo-verdianos; logo seria mais fácil e lógico haver uma
continuidade estatística em relação aos descendentes.

Para abrir empresas, mesmo individuais e limitadas no espaço e no volume serão precisos muitos
documentos que «limpem» essa nebulosidade que esconde uma «geração invisível»

Ao contrário dos Cabo-verdianos que passaram parte significativa de tempo na ilegalidade e com
dificuldades de toda a ordem de integração, tanto em relação aos descendentes como em relação às
mulheres.

Em relação ao trabalho das mulheres existem lacunas de análise social na sociedade de acolhimento
pois esta realidade, também aqui, estaria a dar os seus primeiros passos de equalização social em
relação ao trabalho feminino. Aqui, no feminino, a realidade social de acolhimento não andaria muito
longe da realidade emigrante.

Outras realidades sociais de então seriam convocadas para explicar muita coisa deste trabalho, como
a instabilidade governamental e as dificuldades económicas que descaracterizam e espartilham a vida
social no seu todo.