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Universidade de São Paulo

Escola de Engenharia de Lorena

Química experimental 1

Relatório do experimento n° 4

Miscibilidade e Solubilidade

Alunos:

Higor Natan Alves Ferreira


Bruno Gomes Cordeiro
Vinicius Gabriel Gomes de Albuquerque

Professora: Lívia Melo Carneiro

Lorena, setembro de 2019


INTRODUÇÃO
O experimento descrito por este relatório tem como objetivo a demonstração
empírica dos conceitos de solubilidade entre solventes e o cálculo da concentração de
etanol em uma amostra de gasolina comercial.

Quando queremos fazer o estudo da solubilidade entre solventes o primeiro tópico


que devemos nos atentar é o da polaridade das substâncias utilizadas, a qual depende
dos átomos da molécula e de como estes estão arranjados. Sua magnitude está
relacionada com o vetor momento dipolar da molécula, que é determinado com referência
na eletronegatividade dos átomos e na geometria da molécula.

A água, por exemplo, se a imaginarmos como tendo uma molécula linear, ela seria
apolar, pois como o oxigênio é mais eletronegativo que o hidrogênio nos seriam
apresentados dois vetores momento dipolar com mesmo módulo, porém com sentidos
contrários, assim o vetor resultante seria nulo e a molécula apolar. Mas como sabemos, a
sua molécula apresenta uma angulação, sendo assim, o vetor resultante não é nulo,
causando polaridade na água.

Os hidrocarbonetos em geral são praticamente todos apolares. Os álcoois,


dependendo do tamanho da sua cadeia carbônica, têm alto grau de polaridade graças à
presença da hidroxila, porém, conforme o aumento da cadeia carbônica, sua polaridade
vai diminuindo devido à influência maior da sua parte apolar. Geralmente álcoois com
cadeia carbônica com quatro ou mais carbonos vão perdendo sua característica polar.

A polaridade interfere na solubilidade entre solventes da seguinte maneira: solventes


com a mesma polaridade tendem a ser miscíveis entre sí, já se ambos apresentarem
polaridades diferentes os dois não devem se misturar. Esta regra é conhecida como
“semelhante dissolve semelhante”.

Servindo de exceção à regra, uma molécula de um composto orgânico pode se


comportar como sendo polar ou apolar, dependendo do solvente. Compostos que têm
uma parte polar e outra apolar podem ser solúveis em outras substâncias com ambas as
polaridades. Se esta for apolar, a parte apolar do soluto se liga com o solvente, caso o
solvente seja polar, sua interação se dá pela sua parte polar.

Outro tópico que deve ser levado em consideração para o estudo de solubilidade é o
das ligações intermoleculares. Moléculas apolares se ligam entre si por meio da ligação
dipolo induzido, sendo esta a mais fraca ligação. Moléculas polares se ligam por meio da
ligação dipolo permanente, porém, se algum hidrogênio puder se ligar à um dos três
elementos mais eletronegativos da tabela periódica (N, O ou F), acontece a ligação de
hidrogênio, sendo esta a mais forte.

A influência da ligação intermolecular na solubilidade reside na força que esta produz


entre os dois solventes. Se a nova ligação entre cada substância for mais forte que as
anteriores apresentadas em cada uma delas separadamente, as substâncias são
miscíveis, pois as primeiras ligações serão rompidas e substituídas pela nova ligação
entre as moléculas. Já caso a nova possível ligação seja menos intensa que as
existentes, estas não serão rompidas e as substâncias não devem se misturar.
MÉTODO
O experimento foi realizado utilizando-se cinco reagentes: água destilada, etanol,
butanol, gasolina e glicerina. Inicialmente foram recolhidos os materiais necessários para
o cumprimento da atividade, estes foram: béquer, para servir de estoque para a água
utilizada, pipeta de Pasteur, para que pudéssemos ter maior precisão no recolhimento
dos reagentes, proveta e tubos de ensaio.
A atividade se divide entre as partes A e B. Na primeira foram feitos nove misturas
diferentes com os tubos enumerados da seguinte forma:

1. 5 mL de água + 2 mL de etanol
2. 5 mL de água + 2 mL de butanol
3. 5 mL de água + 2 mL de gasolina
4. 5 mL de etanol + 2 ml de butanol
5. 5 mL de etanol + 2 mL de gasolina
6. 5 mL de butanol + 2 mL de gasolina
7. 5 mL de água + 2 mL de glicerina
8. 5 mL de gasolina + 2 mL de glicerina
9. 5 mL de etanol + 2 mL de glicerina

Para tanto, os reagentes foram recolhidos com a pipeta de Pasteur e inseridos nos
tubos de ensaio enumerados. Houve apenas um problema no recolhimento da glicerina,
que teve que ser medida com o auxílio de uma proveta, pois a pipeta não estava
conseguindo sugá-la. Após serem suavemente agitadas, as misturas foram deixadas em
repouso e depois foram verificadas se elas se misturaram ou não.
Após a realização da primeira parte foram recolhidos, para a parte B, 10 mL de água
e mais 10 mL de gasolina. Ambos foram despejados em uma proveta tampada e a
mistura foi levemente agitada. Foram esperados alguns minutos com a mistura em
repouso e logo depois verificado o novo volume da gasolina na proveta. A atividade foi
encerrada, os reagentes foram descartados e os materiais limpos e guardados.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Parte A
A seguir estão listadas as misturas e se as mesmas se mostraram homogêneas ou
heterogêneas, como também a polaridade das substâncias utilizadas.

Tabela 1: Miscibilidade das misturas


Tubo Mistura Miscibilidade
1 Água + etanol Homogêneo
2 Água + butanol Heterogêneo
3 Água + gasolina Heterogêneo
4 Etanol + butanol Homogêneo
5 Etanol + gasolina Homogêneo
6 Butanol + gasolina Homogêneo
7 Água + glicerina Homogêneo
8 Gasolina + glicerina Heterogêneo
9 Etanol + glicerina Homogêneo
Tabela 2: Polaridade das substâncias utilizadas
Substâncias Polaridade
Água Polar
Etanol Polar
Butanol Polar
Gasolina Apolar
Glicerina Polar

Os resultados obtidos confirmam a tese de que as substâncias utilizadas, na maioria


dos casos, seriam miscíveis entre si aquelas que tivessem a mesma polaridade. Ainda
sim vale fazer uma ressalva. O butanol, por ser um álcool, deveria ser polar, mas devido
à sua longa cadeia carbônica, este acaba se parecendo mais com um alcano, por isso
sua mistura com a água (polar) é heterogênea e com a gasolina (apolar) é homogênea.
Mesmo assim, ainda se mistura com o etanol por serem àlcoois de características
semelhantes. O mesmo vale para a mistura entre etanol e gasolina, mostrando que
existem exceções à regra.

Parte B
A mistura entre água e gasolina se mostrou ser heterogênea, o que já era de se
esperar, pois a água tem uma molécula polar e a gasolina, por sua vez, apolar. Foi
verificada uma diminuição do volume da gasolina, o que se deve ao álcool (etanol) ser
polar e ter mais afinidade com a água por poder se ligar por pontes de hidrogênio, por
isso ele se transfere da gasolina para a água. O novo volume de gasolina foi verificado e
assim pôde-se calcular a porcentagem volumétrica do álcool na gasolina usada.

Volume da gasolina: V inicial =10 mL , V final =7 mL

10−7
P= ⋅100 % ⇒ P=30 % de álcool na gasolina
10

A porcentagem de álcool na gasolina especificada pela ANP (Agência Nacional de


Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) é de 25%, mostrando que a gasolina utilizada
foi adulterada.

CONCLUSÕES
A análise dos resultados nos leva a confirmar a tese de que “semelhante dissolve
semelhante”, ou seja, solventes apolares dissolvem solutos apolares e solventes polares
dissolvem solutos polares, mas também nos mostra que existem exceções ao passo que
substâncias polares como o etanol se misturam com substâncias apolares como a
gasolina, mostrando que o mais correto seria definir a solubilidade a partir das forças
intermoleculares que podem ser criadas entre solvente e soluto.

REFERÊNCIAS
https://brasilescola.uol.com.br/quimica/relacao-entre-forca-intermolecular-solubilidade-das-
substancias.htm - acesso em 28/09/2019
BRUICE, P. Y. Química Orgânica volume 1. 4° Ed.; Pearson, São Paulo, 2006, p.p 85 e
86.

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