Você está na página 1de 10

A influência dos recursos naturais na segurança nacional do Brasil

João Vaz Marques


Jonathan Ferreira Bastos

Resumo

Objetivo: Com uma visão realista clássica, busca-se compreender as dinâmicas de


Segurança ambiental de um Estado-Nação, com foco nos recursos hídricos
brasileiros, e em como eles podem afetar a segurança nacional do Brasil em um
futuro de escassez de recursos naturais essenciais, como a água.
A motivação do estudo se deu por dois motivos, o primeiro é o relatório das
Nações Unidas durante o 8° Fórum Mundial da Água, onde foi explanado o futuro
precário dos recursos hídricos do nosso mundo. O segundo, a pergunta ‘’Will the
next wars be fought over water’’ feita no capítulo 1.1 do artigo ‘’The Global Water
Crisis: Addressing an Urgent Security Issue Foreword by Gro Harlem Brundtland’’.
Ambos pontos, quando conectados, chamam a atenção para as seguintes
coisas: A demonstração da grande dificuldade que existe na manutenção da água,
um dos recursos naturais mais importantes para a sobrevivência humana; A
possibilidade de que em um futuro próximo, existam guerras por recursos hídricos,
assim como as batalhas que já ocorrem e ocorreram por recursos como petróleo.

Problema de Pesquisa: ​Como o fortalecimento da segurança hídrica brasileira


poderá fornecer uma maior segurança nacional em um futuro de conflitos por
recursos naturais, como por exemplo, a água.

Hipótese Básica: ​A utilização de uma política externa voltada ao realismo poderá


ajudar na sobrevivência do Brasil em futuros conflitos referentes à seus recursos
naturais, principalmente a água.
Hipótese secundária: ​A possibilidade de conflitos por recursos no território
brasileiro é baixa ou pode ser controlada por meio de integração, não havendo
necessidade de uma melhor política de proteção dos recursos

Metodologia: ​Com uma abordagem hipotética-indutiva, compreenderemos ao longo


do artigo, pontos importantes para a construção de uma maior segurança nacional
do Brasil frente à possível crise de escassez de água. Ademais, foi feito um estudo
acerca da estrutura brasileira para a manutenção de seus recursos hídricos, assim
como uma revisão histórica de guerras que ocorreram por recursos naturais.

Resultados: ​O Brasil não toma sua riqueza em recursos naturais, principalmente


hídricos como principal motivador para a construção de uma defesa sólida e
eficiente, mas sim uma necessidade de manter sua soberania, além de ter
segurança para um desenvolvimento sem riscos. Dificilmente o Estado brasileiro,
por mais que ameaçado, utilizaria como primeira opção a hostilidade e, devido às
suas convicções, diretrizes e índole pacífica, buscaria a melhor resolução através da
diplomacia.

Palavras-Chave: ​Recursos Naturais, Recursos Hídricos, Escassez, Segurança


Nacional, Brasil,

Abstract
Based on the Realist Theory of International Relations, it is sought to
understand the impact of the natural resources in a Nation. The study has a focus on
the hydric resources and how they can affect Brazil’s national security in a world with
increasingly limited natural resources, like water. Furthermore, the question of
research is to know if Brazil by taking a realistic agenda for its foreign policies, will be
able to keep their natural resources safe, in front of world that will not be fighting for
petroleum, but for water.

Results: ​Brazil does not take its wealth in natural resources, mainly water, as the
main motivator for building a solid and efficient defense, but rather a need to
maintain its sovereignty, besides having security for a risk-free development. The
Brazilian State, hardly threatened, would use hostility as its first option and, because
of its convictions, guidelines and peaceful nature, would seek the best resolution
through diplomacy.

Key Words: ​Natural Resources, Hydric Resources, Scarcity, National Security,


Brazil,

Introdução
A água sempre foi o recurso mais abundante e um dos mais importantes da
terra, cobrindo mais de 70% de todo território. Segundo o artigo ‘’Global Water
Crisis: The Facts’’, produzido pela Universidade das Nações Unidas, a água potável
no mundo está em uma situação complexa. 1,8 bilhões de pessoas usam uma fonte
de água potável contaminada por fezes e, mais impressionante ainda, são os dados
que demonstram que hoje, 40% da população mundial é afetada pela escassez de
água e, até 2030, a diferença entre a oferta e a demanda da água será de 40%.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, apesar do mundo ser 70% coberto
de água, apenas 2,5% dessa água é doce, e, referente à água doce, 68,9% se
encontram em geleiras, 29,9% está em águas subterrâneas e outro percentual
baixo, que são de águas de difícil extração. Ou seja, de toda água potável, temos
acesso consumível à apenas 0,3%. 70% de todo consumo de água potável é feito
pelo setor de agricultura, 22% pelas indústrias e apenas 8% é utilizado para uso
doméstico (banho, consumo, lavagens, etc...). O Brasil abriga hoje, 13,7% de toda
água potável mundial, porém, a distribuição é complexa e desigual, haja vista que
mais de 73% dessa água se encontra na Bacia Amazônica.
No artigo “​The Global Water Crisis: Addressing an Urgent Security Issue”
Março, 21-23, 2011, Munk School of Global Affairs, Toronto, Canada;​”, Bob
Sandford reflete a possibilidade de que as guerras no futuro sejam travadas pela
água. Apesar da existência de cooperação para a manutenção de recursos hídricos
tenha casos de sucesso, as crescentes populações e demandas podem fortalecer o
potencial de conflitos, até em regiões hoje estáveis.
Ademais, Gro Harlem Brundtland, no documento das Nações Unidas,
publicado em 1987, e denominado ‘’Our Common Future’’, explicita que os
problemas ambientais e a expansão dessas mazelas passariam a ser aceitos como
uma ameaça à segurança nacional e internacional,
Por mais, a água salgada também tem sua importância, haja vista que é
muito utilizada na geração de energia e sendo assim, muito visada por todos países.
Portanto, unindo o argumento do artigo e revendo o cenário e a projeção global para
a água no mundo, podemos perceber a existência de uma real ameaça à
estabilidade de algumas regiões do globo, entre elas, o Brasil.
Durante o presente artigo, será apresentado um estudo onde no primeiro
capítulo serão explanados os conceitos mais importantes para o entendimento do
assunto geral. O segundo capítulo se trata de uma revisão geral da situação e
projeção dos recursos hídricos mundiais e brasileiros. No capítulo terceiro, será feita
uma revisão das maiores teorias que consideram os recursos hídricos como causas
de guerras. Já no quarto trecho do artigo, casos reais de guerras que foram
motivadas por recursos naturais serão explicitados, com a finalidade de embasar
empiricamente a parte anterior. O quinto capítulo abordará de forma sucinta os
fatores de defesa nacional brasileira.

Conceitos centrais
Segurança ambiental: Luis Veiga Cunha, em seu artigo ‘’Segurança
Ambiental e Gestão dos Recursos Hídricos’’, tem forte inspiração em Harlem
Brundtland e seu artigo citado anteriormente. Para ele, a Segurança ambiental é um
alargamento do conceito já conhecido. Assim, a segurança nacional e internacional,
passa a abarcar não só questões políticas e militares, mas também, questões
sociais, econômicas e ambientais.
Conflitos ambientais: ​Dessa vez, Luiz Veiga, com base em Lodgaard (1992) e
Homer-Dixon (1994), demonstra que a degradação ambiental e a escassez de
recursos podem levar à conflitos.
Segurança Nacional: De acordo com o Professor Marco Cepik, por segurança
nacional, entende-se que esta é a condição relativa de proteção coletiva e individual
dos membros de uma sociedade contra ameaças plausíveis à sua sobrevivência e
autonomia. E que, estar seguro, seria viver em um Estado que possua capacidade
para prover segurança por meio do bom uso das negociações, da coleta de
informações e percepção de intenções e das possibilidades de emprego das forças.
Defesa Nacional: O conceito usado será o definido pelo próprio Estado
brasileiro no Livro Branco de Defesa Nacional (2012), onde, é dito que a defesa
nacional é “o conjunto de medidas e ações do Estado, com ênfase na expressão
militar, para a defesa do território, da soberania e dos interesses nacionais contra
ameaças preponderantemente externas, potenciais ou manifestas” (BRASIL, 2012,
p. 24).

Recursos hídricos Brasileiros


O Brasil conta com um grande privilégio se tratando de recursos hídricos,
haja vista que, como foi anteriormente citado, seu território detém cerca de 13,7%
de toda água doce mundial. Essa água está distribuída por todo território, tendo uma
forte disparidade de acesso e quantidade em cada região. Isso se dá por causa da
grande extensão territorial Brasileira. 73% de toda água potável se encontra na
bacia amazônica, ficando longe das grandes populações, com isso, apenas 25% da
água está disponível nas regiões populosas. Essa disparidade é ainda mais forte
caso seja feita uma comparação entre o acesso à água no sudeste e no nordeste.
No país, mesmo com uma grande vantagem em seus recursos hídricos,
ainda se sofre muito com problemas referentes à distribuição e ao não uso
consciente de seus recursos hídricos, principalmente a água potável.
Se tratando de água salgada, o Brasil tem um acesso extraordinário à esse
recurso, seja dentro de seu território ‘’oficial’’ ou pela sua extensão de acesso
marítimo. Isso tem base na convenção de Montego Bay, a qual instituiu o direito dos
mares. Com isso, além de dentro de seu território, o Brasil tem acesso à milhares de
milhas náuticas de mar.

Teorias sobre guerras por Recursos Hídricos


O recurso água em si, já foi tratado como fator para a geração de
instabilidades e tensões entre Estados. Tais instabilidades eram vistas como
prenúncios de guerras por esse recurso vital e, apesar de guerras pela água não
terem acontecido na era moderna, há uma evidência ampla de que a falta de água
já provocou muita instabilidade, com ocorrência de violência aguda em resultado
dessa mesma instabilidade.
A maioria dessas ocorrências se dá ou pela quantidade do recurso, ou pela
qualidade. Quanto mais limitada e ou degradada a quantidade e ou qualidade da
água, mais instável será a estabilidade de determinada região. E, os exemplos mais
usados pelos estudioso de conflitos sobre a água, são os do Oriente médio,
principalmente o conflito Israelo-Árabe. Toda a literatura que promove esse tipo de
pensamento à respeito das guerras pela água, acabam por argumentar que ainda
assim, os Estados que enfrentam a escassez de água buscam a cooperação
simplesmente porque é a coisa mais racional a se fazer. De acordo com o artigo
“​Guerras ou conflitos pela água: em busca de uma clarificação terminológica”, de
Gildo Manuel Espada​, daí vem o surgimento de um “discurso de cooperação”, que
incide no potencial para atitudes de colaboração sobre questões ligadas à água, e a
possibilidade de iniciar relações amistosas, e não conflituosas. Ele afirma isso se
baseando no fato de que a última guerra por água se deu na antiguidade, há mais
de 4.000 anos atrás, na Região que hoje se situa o Iraque.
A água acaba por ser um fator maior aproximação entre os Estados, sendo a
protagonista e o assunto de inúmeros tratados bilaterais e multilaterais visando a
cooperação. Esse histórico cooperativo no quesito hídrico acaba influenciando e
incidindo positivamente na postura dos Estados quando se deparam com a
iminência de um conflito dessa natureza.
De qualquer maneira, esse recurso não pode ser deixado de lado quando se
trata de gerador de conflitos, pois, o pessimismo realista sempre acaba por gerar
desconfiança e incredulidade quanto à disposição do outro para ajudar. O que está
sendo posto aqui é a relação desse recurso com fatos históricos que relatam a
ausência de conflitos.
Os conflitos mais numerosos relacionados à água, são os conflitos gerados
pela má gestão dos recursos e pelos casos de Estados que dividem a fonte e/ou
dependem de outro Estado para seu abastecimento, o que já vinha sido tratado pelo
oitavo secretário geral da ONU, Ban Ki-Moon.
Guerras por recursos naturais
Os recursos naturais, principalmente da classe finita são muito visados no
mundo pós revolução industrial, haja vista que suas utilidades são diversas. Como
Lodgaard (1992) argumenta, existe uma relação direta entre escassez de recursos e
conflitos, ademais, segundo a afirmação Thomas Hobbes “Se dois homens
desejam a mesma coisa, ao mesmo tempo em que é impossível a ela ser gozada
por ambos, eles se tornam inimigos. E, no caminho para o seu fim (...), esforçam-se
por destruir ou subjugar o outro”. Portanto, na medida em que os recursos vão
ficando mais raros, a possibilidade de conflitos por eles cresce. Isso ocorreu com o
Carvão, com o petróleo, e futuramente, ocorrerá com a água.
De acordo com a ONU, 40% de todos os conflitos dos últimos 60 anos foram
motivados por recursos naturais. Como podemos ver na Somália, onde há um
grande comércio ilegal de carvão vegetal, mercado esse que gera milhões de
dólares para insurgentes e terroristas
Nayna J Jhaveri, em seu artigo ‘’Petroimperialism: US Oil Interests and the
Iraq War’’ explicita uma das intenções ‘’escondidas’’ pelos Estados Unidos da
América ao invadir o Iraque, país que detém a segunda maior reserva de petróleo
mundial, interesse semelhante ocorreu na Guerra do Golfo. Esse tipo de
posicionamento americano se deu na política externa do governo Bush pós 11 de
setembro, onde foi adotada uma política mais agressiva e com ideal de diminuir a
dependência de petróleo formada e explicitada pelo governo Reagan.
A guerra do Golfo é também, um ótimo exemplo na demonstração tanto de
guerras influenciadas pelos desejo por recursos naturais, quanto da interligação que
recursos naturais tem com a economia, política internacional e fatores militares.
Além disso, a guerra por esse recurso durante esse período foi tão explícita, que o
slogan anti conflito era ‘’​Não ao sangue por petróleo’’.
Ainda falando sobre petróleo, podemos presenciar isso no embate entre o
grupo extremista ‘’Estado Islâmico’’ a Síria e Iraque, presente ainda nos dias atuais.
Por mais, o conflito não envolveu os três atores, mas sim a Turquia, acusada de
comprar petróleo do grupo extremista e da Rússia, principal Estado à acusar a
Turquia de compactuar com o grupo terrorista.
Já envolvendo a Água como recurso disputado, a Guerra dos Seis Dias, em
1967 surge como um grande exemplo. Nessa situação, Israel entrou em conflito
armado com a frente Árabe, composta por Egito, Jordânia e Síria. Apesar dessa
ocasião ter diversos atores envolvidos, o estopim inicial partiu da disputa hídrica
entre Israel e Síria. A Síria por sua vez, desejava desviar as águas do Jordão para
suas terras, e levou o tópico para a Liga Árabe. O grupo decidiu que a existência do
Estado de Israel era uma ameaça real à região e decidiu agir. Israel, frente ao
cenário, fez um ataque preventivo e uma curta guerra eclodiu. Para Israel, os
resultados foram ótimos, devido à expansão do seu território.

Defesa nacional Brasileira


A missão de criar uma estratégia de defesa nacional no Brasil não é nada
fácil, haja vista que o Brasil é um país de extensão continental e faz fronteira com
diversos países da américa.
Por isso, postura adotada, hoje, pelo país, é uma postura de cooperação sem
caráter belicista, pois, se sabe da dificuldade e da escassez de recursos materiais e
humanos para se ter fronteiras fortemente guardadas e eficácia no patrulhamento
no território como um todo.
O Livro Branco de Defesa Nacional (2012) e a Estratégia Nacional de Defesa
(2008) explicitam a preferência brasileira pela manutenção da estabilidade regional
e pela construção de um ambiente internacional mais cooperativo, além de sua
tradição e convicção pela pacificidade. Ainda segundo o Livro Branco, o Brasil
exerce completa e exclusiva soberania sobre seu território, seu mar territorial e
espaço aéreo sobrejacente, não aceitando nenhuma forma de ingerência externa
em suas decisões. O Estado brasileiro trabalha em prol de ações que fortaleçam a
aproximação e a confiança entre os Estados, uma vez que a valorização e a
exploração dessa perspectiva representam uma contribuição à prevenção de
contenciosos capazes de potencializar ameaças à segurança nacional.
Uma das diretrizes da estratégia brasileira é o foco na amazônia. Não só pela
sua biodiversidade, mas também pelo fato de que 80% da água doce do país, se
encontra na região norte.
Apesar da índole pacífica do Brasil, como consta na estratégia nacional de
defesa, isso não impõe restrições quanto ao uso do seu potencial tecnológico e
estratégico no caso do uso necessário de uma atitude menos diplomática, nem
mesmo dentro dos mais estritos limites de uma guerra defensiva.
No âmbito regional, sul-americano, a política externa juntamente com a
defesa, trabalham para fomentar e expandir a integração e aumentar a ação
sul-americana no cenário internacional.

Conclusão
Baseado nas informações à respeito da disponibilidade de recursos hídricos
em território brasileiro, nos fatos históricos envolvendo esse tipo de conflito e a
postura brasileira em relação às suas diretrizes de defesa, o país não foge do
comum, que é, por motivos lógicos, estar sempre se aperfeiçoando no âmbito
securitário. Porém, o Brasil, não trata como causa maior do seu aperfeiçoamento os
recursos que tem, e sim, uma lógica de manutenção de soberania aliada à
possibilidade de se ter um desenvolvimento seguro, livre de ameaças externas.
Em um cenário onde o país seja protagonista de um conflito envolvendo seus
recursos, a natureza diplomática brasileira faria com que a nação cessasse sua
busca por aperfeiçoamento e almejo por desenvolver uma auto-ajuda, para resolver
o contencioso da maneira mais harmoniosa possível. Haja visto que no ranking das
maiores potências militares do planeta, segundo o site ​Global Firepower, ​o Brasil
ocupa somente a 15° posição, e que, as prováveis nações que teriam condições de
incitar conflitos com o país estão em posições superiores no ranking e possuem
vantagens consideravelmente grandes em relação ao Estado brasileiro, o país não
colocaria sua integridade em jogo e optaria levar a contenda para o âmbito da
cooperação, e, somente em último caso, usar da força bélica para se firmar na
situação.
Referências:

https://nacoesunidas.org/onu-ma-gestao-do-meio-ambiente-e-dos-recursos-na
turais-pode-contribuir-para-surgimento-de-conflitos/

Jhaveri, Nayna. (2004). Petroimperialism: US Oil Interests and the Iraq War.

https://jornal.ceiri.com.br/os-conflitos-internacionais-sobre-recursos-hidricos/

http://www.eitan.com.br/Guerra%20dos%20Seis%20Dias.pdf

ESPADA, Gildo Manuel. Guerras ou conflitos pela água a nível internacional:


em busca de uma clarificação terminológica. Revista da Faculdade de Direito
da UFRGS, Porto Alegre, n. 36, p. 164-182, ago. 2017.

Você também pode gostar