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P R O D U Ç Ã O V E G E TA L

Controle

SÍLVIO FERREIRA/UNICA
Vista de canavial; Jaboticabal, SP; 2001

Manejo de plantas daninhas


e produtividade da cana
Ricardo Victoria Filho e Pedro Jacob Christoffoleti *

A ocorrência de plantas daninhas na cultura de cana-de-açúcar provoca perdas sérias na produtividade, quan-
do não controladas adequadamente. Diversos trabalhos de pesquisa mostram esses danos, atribuindo ao ma-
nejo dessas plantas uma porcentagem importante do custo de produção. A cana, apesar de usar de maneira
altamente eficiente (fisiologia C4) os recursos disponíveis para o seu crescimento, é afetada nas fases iniciais
de crescimento pelas plantas daninhas, que também utilizam os recursos disponíveis de forma eficiente, por
muitas delas também apresentarem fisiologia C4.

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Em cada fase do crescimento inicial, a plantio, a variedade, a época de plantio e venção da interferência (PTPI) e perío-
cana-de-açúcar pode responder diferen- a adubação. do crítico de prevenção da interferência
temente a um herbicida em particular, ou Portanto, na cultura da cana-de-açú- (PCPI). É importante salientar que os va-
mesmo tolerar a competição com as even- car, as plantas daninhas irão interferir no lores apresentados são médias que de-
tuais plantas daninhas presentes na área. plantio, assim como na soqueira, após a pendem de fatores já relatados, que ocor-
É bem conhecido em outras culturas, prin- colheita. O plantio de cana-de-açúcar é rem nas regiões de plantio.
cipalmente as de cereais, que, em determi- realizado em períodos bem distintos, de-
nados estádios fenológicos, as plantas são pendendo da região – Centro-Sul ou Nor- MANEJO DE PLANTAS DANINHAS
mais sensíveis que em outros, em relação deste. As condições climáticas de plantio É importante, inicialmente, conhecer o
ao momento de aplicação do herbicida. irão interferir nas espécies daninhas pre- conceito de manejo ou manejo integra-
Porém, na cultura da cana, as informações dominantes e no período de interferên- do. Manejo seria a utilização dos dife-
relativas à tolerância aos herbicidas não cia com a cultura. As principais plantas rentes métodos de controle disponíveis,
se encontram ainda pesquisadas de forma daninhas que interferem na cultura da como os preventivos, os culturais, os bi-
clara e conclusiva. cana de açúcar encontra-se na Tabela 1. ológicos e os químicos, de uma forma ra-
No caso da cana-planta, podem ser Na Tabela 2, é apresentado um resu- cional, preservando o meio ambiente e
definidos quatro estádios fenológicos mo indicando os períodos anteriores à a saúde do consumidor. Portanto, para
iniciais: esporão; duas a três folhas; tran- interferência (PAI), período total de pre- a utilização adequada de um manejo, há
sição do sistema radicular em três a qua-
tro meses (Rochecouste, 1967), os quais
têm relação direta com a capacidade
TABELA 1 | PRINCIPAIS PLANTAS DANINHAS QUE INTERFEREM COM A CULTURA DA CANA-DE-
competitiva da cultura e com a susceti- AÇÚCAR
bilidade aos herbicidas. Para as soquei-
NOME COMUM NOME CIENTÍFICO CICLO DE VIDA*
ras, são definidos dois estádios princi-
Capim-marmelada Brachiaria plantaginea A
pais, quais sejam: estádio de brotação
Capim-colchão Digitaria horizontalis A
inicial das soqueiras e estádio de perfi-
Capim-carrapicho Cenchrus echinatus A
lhamento e formação do sistema radicu-
Capim-de-pé-de-galinha Eleusine indica A
lar definitivo.
Grama-seda Cynodon dactylon P
Capim-colonião Panicum maximum P
COMPETIÇÃO E ALELOPATIA
Um dos pontos básicos para o manejo Braquiaria Brachiaria decumbens P

adequado das plantas daninhas, na cul- Capim-fino Brachiaria mutica P

tura da cana-de-açúcar, é o conhecimen- Capim-massambará Sorghum halepense P


to dessas plantas, com informações sobre Capim-gengibre Paspalum maritimum P
a biologia, dinâmica das populações e Corda-de-viola Ipomoea sp. A
danos provocados à cultura, quando não Caruru Amaranthus sp. A
controladas. As plantas daninhas compe- Beldroega Portulaca oleraceae A
tem com a cana-de-açúcar em água, luz e Picão-preto Bidens pilosa A
nutrientes. Além disso, pode ocorrer a Carrapicho-de-carneiro Acanthospermum hispidum A
ação de compostos químicos liberados no Amendoim-bravo Euphorbia heterophylla A
ambiente pelas plantas daninhas, que in-
Serralha-mirim Emilia sonchifolia A
terferem com a cana-de-açúcar (alelopa-
Trapoeraba Commelina sp. A
tia). A ação conjunta da competição mais
Serralha Sonchus oleraceus A
a alelopatia é denominada “interferên-
Mentrasto Ageratum conysoides A
cia”. A “interferência” de plantas dani-
Poaia-branca Richarchia brasiliensis A
nhas depende de uma série de fatores re-
lacionados a essas plantas, como a den- Erva-de-rola Cróton lobatus A

sidade de ocorrência, o ciclo de vida, a fe- Burra-leiteira Chamaesyce hirta A

nologia e os aspectos alelopáticos. Tam- Guanxuma Sida sp. A/P


bém influenciam fatores fitotécnicos, Tiririca, capim-alho Cyperus rotundus P
como o espaçamento, a densidade de * A = anual, P = perene

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TABELA 2 | PERÍODO ANTERIOR À INTERFERÊNCIA (PAI); PERÍODO TOTAL DE PREVENÇÃO DA antes do fechamento da cana. A cultu-
INTERFERÊNCIA (PTPI) E PERÍODO CRITICO DE PREVENÇÃO DA INTERFERÊNCIA (PCPI), EM FUN-
ra de feijão tem sido a mais utilizada.
ÇÃO DA MODALIDADE DE CULTIVO E PERÍODO DE CORTE
Graciano e Victoria Filho (1990), estu-
ÉPOCA DE PLANTIO PAI (DIAS) PTPI (DIAS) PCPI (DIAS)
dando a produção de cana-de-açúcar
Cana - planta de ano 20 - 30 90 - 120 20 - 120
intercalada com a cultura do feijão,
Cana - planta de ano e meio 20 - 30 90 - 150 20 - 150
verificaram que a cultura intercalar
Cana - soca 20 - 40 70 - 90 20 - 90 do feijão reduziu a densidade das
plantas daninhas.
3. Manejo da palha – Com a aplicação
a necessidade de um monitoramento, e exige conhecimentos com relação ao da legislação que proíbe a queima da
envolvendo conhecimentos multidisci- perfilhamento, fertilização do solo, bro- palhada da cana-de-açúcar, ocorrerá
plinares nas áreas de biologia das plan- tação, arquitetura foliar, resistência a uma mudança significativa na dinâmi-
tas daninhas, fitotecnia da cana-de-açú- pragas e doenças, adubação, espaça- ca de população das plantas daninhas
car, física e química de solos, máquinas mento e sensibilidade aos herbicidas. nas áreas, de acordo com o manejo a
agrícolas, mecanismos de ação dos her- 2. Rotação, sucessão e culturas in- ser executado com a palha que fica na
bicidas, tecnologia de aplicação e avali- tercalares – Essas associações, de superfície. As alternativas seriam as se-
ação do impacto ambiental. um modo geral, evitam a predominân- guintes: enleiramento, quando a quan-
cia de determinadas plantas daninhas. tidade de palha não é significativa; re-
MEDIDAS PREVENTIVAS Quanto maiores as diferenças fisioló- colhimento da palha com máquinas
Medidas preventivas são usadas para evi- gicas das culturas utilizadas, na rota- apropriadas, para uso como fonte
tar a introdução, na área de plantio, prin- ção ou sucessão, menor será a possi- energética, ou abandono da palha na
cipalmente de plantas daninhas como a bilidade de predominância de uma es- superfície do solo. Alguns benefícios da
tiririca, grama-seda, capim-colonião, ca- pécie daninha. A sucessão de culturas presença da palha na superfície são:
pim-massambara e capim-camalote. Al- tem sido utilizada na renovação do ca- aumento no teor de matéria orgânica;
gumas delas seriam: utilização de mudas navial, após a eliminação da soqueira. maior reciclagem de nutrientes; pro-
livres de disseminulos das plantas dani- As culturas utilizadas têm sido: amen- priedades físicas e químicas do solo
nhas; manutenção de canais de vinhaça doim, feijão, soja, girassol, crotalaria, mais adequadas; melhor controle da
ou de irrigação livres de plantas dani- mucuna preta e lab-lab. Cuidados de- erosão; maior atividade microbiana e
nhas; limpeza de equipamentos agrícolas; vem ser tomados em áreas com utili- diminuição na infestação das plantas
utilização de torta de filtro ou composto zação de herbicidas residuais, como o daninhas. Como desvantagens, temos:
orgânico livre de plantas daninhas; lim- tebuthiuron. Nesse caso, recomenda- menor brotação da soqueira, aumento
peza de áreas adjacentes que possam se não aplicá-lo nas duas últimas so- da incidência de pragas (como a cigar-
produzir sementes. cas. Na Tabela 3, são apresentados da- rinha), necessidade de maior quantida-
dos de tolerância de tebuthiuron por de de adubos nitrogenados, problemas
MEDIDAS CULTURAIS algumas culturas. O uso de cultura in- com excesso de umidade, em áreas de
Crescendo num mesmo ambiente, os sis- tercalar ou consorciação de culturas menor altitude. A palha presente na su-
temas radiculares das plantas daninhas também pode ser feito com a cana-de- perfície, dependendo da quantidade
e das plantas cultivadas ocupam um açúcar. A cultura utilizada deve ter um (que pode variar de 5 a 20 t/ha), dificul-
mesmo espaço, requerendo um supri- ciclo curto, para possibilitar a colheita ta a emergência de plantas daninhas,
mento adequado de nutrientes e água.
Podem-se utilizar medidas que modifi-
quem essa relação planta daninha-cul-
TABELA 3 | NÍVEIS DE TEBUTHIURON NO SOLO (ppm) ACIMA DOS QUAIS NÃO SE DEVE PLAN-
tura, favorecendo as plantas cultivadas,
TAR AS CULTURAS DE AMENDOIM, SOJA E FEIJÃO
no aspecto competitivo. Essas medidas
SOLO CONCENTRAÇÕES MÁXIMAS DE TEBUTHIURON (ppm)
culturais são as seguintes:
Amendoim Soja Feijão
1. Manejo varietal – Escolha de varie-
dades adaptadas às condições locais, Argiloso 0,08 0,08 0,08

proporcionando rápido crescimento e Barrento 0,05 0,05 0,05

ocupação do espaço. O manejo varietal Arenoso 0,03 0,04 0,03


da cana-de-açúcar é muito importante Fonte: Centro de Tecnologia Copersucar (1988)

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pois reduz a variação de temperatura TABELA 4 | EFEITO RESIDUAL MÉDIO DOS PRINCIPAIS HERBICIDAS UTILIZADOS NA CULTURA
no solo. Portanto, os efeitos da ampli- DA CANA-DE-AÇÚCAR

tude térmica, da penetração de luz e os 1 MÊS 1 A 3 MESES 5 A 12 MESES MAIS QUE 12 MESES
possíveis efeitos alelopáticos de lixivi- 2,4- D Alachlor Ametrina Tebuthiuron
ados da palha diminuem a incidência Metolachlor Diuron
das plantas daninhas. As que se adap- Cyamazine Simazina
tam a essas condições de palha na su- Metribuzin Atrazina
perfície são: Cyperus rotundus (tiriri- EPTC Hexazinone
ca), Cynodon dactylon (grama-seda), Halosulfuron Sulfentrazone
Digitaria insularis (capim amargoso), Isoxafrutole
Ipomoea sp (corda de viola), Euphor- Clomazone
bia heterophyla (amendoim bravo),
Rottboelia exaltata (capim camalote),
Coniza bonariensis (buva), Pirostegia adicionar um adjuvante à calda. A sele- geral, os herbicidas aplicados em pós-
venusta (cipó de São João) e Sida sp tividade ocorre devido a aspectos de ab- emergência, dependendo da dose e das
(guanxuma). sorção foliar e à degradação do herbici- condições climáticas, podem causar in-
da absorvido pela planta cultivada. júrias leves ou moderadas nas folhas,
CONTROLE MECÂNICO Outra modalidade é a aplicação de com reflexos na produtividade. Ramalho
O controle mecânico é realizado com a herbicidas em pré-plantio incorporado, e Victoria Filho (1996) verificaram os
utilização de diferentes tipos de equipa- de uso restrito em cana-de-açúcar. Tam- efeitos de quatro herbicidas, em três po-
mentos, desde simples grades e arados, a bém, herbicidas como o glifosate podem sicionamentos no solo, na emergência
sofisticados cultivadores. É muito impor- ser considerados de aplicação em pré- da variedade NA 56-79. Quando posicio-
tante o momento da aplicação do cultivo, plantio de cana e em pós-emergência de nadas diferentemente, em contato com
aguardando o máximo de emergência das plantas daninhas. Para uso adequado de o sistema radicular, provocaram redu-
plantas daninhas, todavia evitando está- herbicidas em culturas de cana-de-açú- ção no desenvolvimento inicial, depen-
dios de desenvolvimento acima de 15 cm car, são necessários conhecimentos pro- dendo do herbicida utilizado. Portanto,
de altura. Também se deve levar em con- fundos a respeito da absorção e do é recomendado, se possível, que a apli-
sideração o aspecto da umidade do solo, transporte, no caso dos herbicidas apli- cação na cultura da cana seja em pré-
para evitar compactação e disseminação cados em pós-emergência, assim como emergência. Caso não seja possível, a
de partes vegetativas. O cultivo na época dos aspectos de interação no solo dos fase mais tolerante à aplicação em pós-
seca é uma importante medida, que pode herbicidas aplicados em pré-emergên- emergência é a de esporão, quando há
ser utilizada no manejo de plantas dani- cia. No solo, diversos fatores influenci- maior dificuldade de absorção foliar.
nhas perenes. am o comportamento do herbicida,
como a adsorção das partículas do solo, MECANISMOS DE AÇÃO DOS
CONTROLE QUÍMICO fotodecomposição, lixiviação, volatili- HERBICIDAS
Para o sucesso do controle químico, é dade, decomposição química, decompo- O mecanismo de ação dos herbicidas é
necessário o conhecimento profundo da sição microbiana e absorção pelas plan- definido como a primeira reação quími-
fisiologia dos herbicidas na planta, dos tas. A interação de todos esses fatores ca ou física que é afetada no interior da
fatores envolvidos na seletividade e do faz com que um determinado herbicida célula e que resulta na alteração de cres-
comportamento dos herbicidas no solo. tenha efeito residual no solo, que pode cimento da planta. Na Tabela 5, encontra-
Os herbicidas utilizados na cultura da ser observado na Tabela 4. se a relação dos principais herbicidas uti-
cana são, de um modo geral, aplicados A seletividade dos herbicidas utiliza- lizados na cultura da cana-de-açúcar. Os
na pré-emergência ou na pós-emergên- dos na cultura da cana-de-açúcar de- principais mecanismos de ação desses
cia da planta. Em pré-emergência, são pende de fatores ligados ao posiciona- herbicidas são os seguintes:
aplicados na superfície do solo, após o mento do herbicida no solo, à absorção
plantio, e na pré-emergência das plan- foliar e à degradação do herbicida pela HERBICIDAS REGULADORES DE CRESCI-
tas daninhas. Os aplicados em pós-emer- cultura. As variedades comerciais de MENTO OU MIMETIZADORES DE AUXINA
gência são utilizados após a emergência cana comportam-se diferentemente, em Apresentam maior ação sobre plantas
da cultura e das plantas daninhas. Em relação a um herbicida aplicado na su- daninhas dicotiledôneas; provocam uma
algumas situações, há necessidade de se perfície foliar ou ao solo. De um modo desorganização no crescimento das

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plantas, agindo nos tecidos meristemá- controla plantas daninhas perenes; atua normalmente é aplicado em pré-emer-
ticos; apresentam translocação predo- inibindo a divisão celular. Os principais gência; é absorvido por caulículos e ra-
minantemente pelo simplasto; geral- herbicidas desse grupo são: trifluralina e dículas; não controla plantas perenes;
mente são aplicados em pós-emergên- pendimethalin. O grupo das acetanilidas persistência de um a três meses; trans-
cia. O principal herbicida deste grupo é apresenta as seguintes características: locação apoplástica; é mais eficaz sobre
o 2,4-D, que pode ser utilizado isolada-
mente ou em mistura com diversos ou-
tros do grupo das triazinas e uréias subs- TABELA 5 | PRINCIPAIS HERBICIDAS REGISTRADOS PARA USO NA CULTURA DA CANA-DE-AÇÚ-
tituídas. Outros herbicidas deste grupo CAR NO BRASIL
são MCPA, picloram e dicamba. HERBICIDA ÉPOCA MARCAS PLANTAS DANINHAS
DE APLICAÇÃO COMERCIAIS CONTROLADAS
Reguladores de crescimento
HERBICIDAS INIBIDORES DO
FOTOSSISTEMA 11 2,4- D Pós e pré DMA BR e outras D1 e algumas G2

Nesse grupo, estão as triazinas, as tria- Dicamba Pós e pré Banvel 480 D e algumas G

zinonas, as uréias substituídas e as ura- Picloram + 2,4-D Pós e pré Dontor D e algumas G
cilas. As principais características das Inibidores de fotossíntese
triazinas são: normalmente, são usados Ametrina pós e pré Gesapax e outras DeG
em pré-emergência ou pós-emergência Atrazina pós e pré Gesaprim e outras DeG
inicial; são eficazes para as plantas da- Diuron pré e pós Karmex e outras DeG
ninhas dicotoledôneas e algumas gramí- Isouron pré Isouron DeG
neas; são de translocação apoplástica; a Simazina pré Gesatop e outras DeG
seletividade depende de fatores, como Cyanazina pré e pós Bladex DeG
posicionamento no solo e degradação
Metribuzin pré e pós Sencor D
pela planta; a persistência varia de 5 a 12
Tebuthiuron pré Combine DeG
meses; a degradação microbiana é um
Atrazina + simazina pré Triamex DeG
fator importante na dissipação no solo.
Ametrina + diuron pré e pós Ametron DeG
Os principais herbicidas desse grupo
Hexazinone + diuron pré e pós Velpar K e Advance DeG
são: triazinas – atrazina, simazina, ame-
trina, cyanazina; triazinonas: hexazino- Inibidores de mitose e crescimento inicial

na, metribuzin. As principais caracterís- Trifluralina pré Treflan e outras G

ticas das uréias substituídas são: geral- Pendimethalin pré Herbadox G


mente são de baixa solubilidade; contro- Alachlor pré Laço e outras G
lam mais dicotiledôneas; são usadas em Inibidores da síntese de aminoácidos
pré-emergência ou pós-inicial; normal- Halosulfuron pós Sempra D e Cy3
mente não controlam plantas perenes; Flazasulfuron pré e pré Katana D e Cy
são de translocação apoplástica; a sele- Trifloxysulfuron sodium + ametrina pós Krismar D, G e Cy
tividade é mais devida ao posicionamen- Imazapyr pré Contain D,G e Cy
to no solo; efeito residual de meses a Imazapic pré Plateau D,G e Cy
mais de um ano; o principal fator de de-
Glyphosate pós Roundup e outras G,D e Cy
gradação no solo é a população micro-
Sulfosate pós Zapp D,D e Cy
biana. Os principais herbicidas desse
Inibidores de pigmentos
grupo são: diuron, isouron, tebuthiuron.
Isoxafrutole pré Provence GeD
Clomazone pré Gamit GeD
HERBICIDAS INIBIDORES DE MITOSE E DO
Destruidores de membranas
CRESCIMENTO INICIAL
Sulfentrazone pré Boral GeD
O grupo das dinitroanilinas apresenta as
seguintes características: controlam mais Oxyfluorfen pré Goal GeD

gramíneas; não tem atividade em pós- Inibidores da respiração

emergência; é absorvido por caulículos e MSMA Pós Daconate e outras GeD


radículas; não tem translocação; não 1 - D = dicotiledôneas; 2 - G = gramíneas; 3 - Cy = cyperaceas

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gramíneas; o mecanismo de ação está HERBICIDAS INIBIDORES DA RESPIRAÇÃO Pode ser utilizado herbicida isolada-
mais relacionado à inibição de síntese de Principais características: apresentam mente ou em mistura, que se posicio-
proteínas e à divisão celular. Os princi- translocação restrita pelo simplasto; são ne na camada superficial do solo, com
pais herbicidas desse grupo são: alachlor, usados em pós-emergência; controlam controle maior de gramíneas.
metolachlor, acetochlor. mais gramíneas; temperaturas altas e lu-
minosidade aumentam sua eficácia; a * Ricardo Victoria Filho é professor do
Departamento de Produção Vegetal, USP/
HERBICIDAS INIBIDORES DA SÍNTESE DE absorção é lenta, necessitando de oito
ESALQ (rvictori@esalq.usp.br).
AMINOÁCIDOS horas sem chuva. 0 principal herbicida Pedro Jacob Christoffoleti é professor do
1. Inibidores da enzima ALS – Princi- do grupo é o MSMA. Departamento de Produção Vegetal, USP/
pais características: não utilizados em As recomendações no uso de herbici- ESALQ (pjchrist@esalq.usp.br).
pré ou pós-emergência inicial; persis- das são as seguintes:
tência moderada a longa no solo; con- a. Cana “planta de ano” – Plantio re-
trolam mais dicotiledôneas e algumas alizado com temperatura elevada e
gramíneas, como também algumas cipe- com umidade disponível no solo e alta
ráceas; translocação apo-simplástica. infestação de plantas daninhas anu-
Os principais herbicidas desse grupo ais, com predominância de gramíneas.
são: halosulfuron, flazasulfuron, triflo- Herbicidas podem ser utilizados, iso-
xysulfuron sodium, imazapyr, imazapic. ladamente ou em mistura, com maior
2. Inibidores da enzima EPSPS – Prin- ação sobre gramíneas em pré ou pós- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
cipais características: inibem a sínte- emergência inicial. O período residu- CARVALHO, L. C. C. Cenário sucroalcooleiro –
após a transição. Revista Stab, v. 17, n. 3, p.
se dos aminoácidos fenilalanina, tiro- al desejável é de 90 a 120 dias, depen-
12-13, 1996.
sina e triptofano; não são seletivos; dendo da época de plantio.
CHRISTOFFOLETI, P. J.; BACCHI, O. O. dos S. Efei-
controlam dicotiledôneas e gramíne- b.Cana “planta de ano e meio” – tos da aplicação de vinhaça sobre população
as; translocação simplástica; são for- Plantio realizado de janeiro a abril, e controle químico de plantas daninhas em
temente adsorvidos pelo solo. Os com temperatura elevada e umidade cultura de cana-de-açúcar. Planta Daninha,
Campinas, v. 9, n. 1/2, p. 60-70, 1985.
principais herbicidas desse grupo são: disponível no solo. Podem ser utiliza-
DEUBER, R. Manejo de plantas daninhas em cana-
glifosate e sulfosate. dos, isoladamente ou em mistura, de-
de-açúcar. In: CIÊNCIA das plantas infestan-
pendendo da infestação. No final do tes – manejo. Campinas: 1997. p. 189-204.
HERBICIDAS INIBIDORES DE PIGMENTOS período, pode ocorrer infestação GRACIANO, P. A.; VICTORIA FILHO, R. Interferên-
Principais características: atuam na bi- maior de dicotiledôneas. Também no cia de plantas daninhas em áreas de cana-de-
ossíntese de carotenóides, produzindo final do período, os herbicidas devem açúcar (Saccharum spp) intercalada com os
feijões Phaseolus vulgaris L e Vigna ungui-
tecidos albinos; a perda da clorofila se ser menos exigentes em umidade do
culata L. walp. In: CONGRESSO DE LA ASSO-
deve à oxidação pela luz (fotoxidação), solo. CIACIÓN LATINOAMERICANA DE MALEZAS,
conseqüente da falta dos carotenóides c. Cana soca, início de safra (maio a 10. Anais... Havana, Cuba: ALAM, 1990. p. 91.
que a protegem; a translocação é apo- agosto) – Nesse período, normalmen- RAMALHO, J. F. G. P., VICTORIA FILHO, R. Efeito
plástica; são usados em pré-emergência, te há baixa temperatura e umidade no do posicionamento de quatro herbicidas no
perfil do solo sobre o desenvolvimento ini-
controlando mais gramíneas; a degrada- solo. O herbicida, nessas condições,
cial da cana-de-açúcar, variedade NA56-79.
ção por microorganismos é muito im- deve ser tolerante a solo seco, atuando In: CONGRESSO NACIONAL DA SOCIEDADE
portante. Os principais herbicidas des- sobre dicotiledôneas e gramíneas. Silva DOS TÉCNICOS AÇUCAREIROS E ALCOOLEI-
se grupo são: isoxafrutole e clomazone. e Victoria Filho (1991) mostram os efei- ROS DO BRASIL, 6., 1996, Maceió. Anais... Ma-
ceió: STAB, 1996. p. 314-347.
tos das condições de umidade, na dispo-
ROCHECOUSTE, E. The sugar cane plant. In: ____.
HERBICIDAS DESTRUIDORES DE nibilidade dos herbicidas no solo. A vi-
Weed control in sugar cane: research and
MEMBRANAS nhaça, aplicada na época seca, pode fa- application. Mauritius Sugar Industry Rese-
Principais características: inibem a en- vorecer a eficácia de alguns herbicidas arch Institute, 1967. cap. 1, p. 1-13.
zima protoporfirinogênio oxidase (pro- (Christoffoleti; Bacchi, 1985). RODRIGUES, B. N.; ALMEIDA, F. S. de. Guia de
d.Cana soca, final de safra (setem- herbicidas. Londrina: 1998. 648 p.
tox); os sintomas são manchas verdes
bro a novembro) – Nesse período, SILVA, A. A.; VICTORIA FILHO, R., Bioatividade do
escuras nas folhas, que evoluem para
metribuzin sob diferentes manejos de água
necroses; são de pouca translocação as condições de temperatura e preci-
e solo. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE HER-
apoplástica. O principal herbicida desse pitação pluviométrica são bastante fa- BICIDAS E PLANTAS DANINHAS, 18., Brasília,
grupo é o sulfentrazone. voráveis à comunidade infestante. 1991. Anais... Brasília: 1991.

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