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Revista BioSalus 1 (2016) 1-19

Benefícios e Recomendações da Prática de Exercícios


Físicos na Gestação

¹Giacopini S. M., ²Oliveira D. V., ³Araújo A. P. S.

1
Graduada em Educação Física (Bacharelado) – Faculdade
Metropolitana de Maringá (FAMMA)
2
Graduado em Educação Física e Fisioterapia; Mestre em Promoção da Saúde; Docente do
curso de Educação Física (Bacharelado) – Faculdade Metropolitana de Maringá (FAMMA)
3
Graduada em Fisioterapia; Mestre em Promoção da Saúde – Docente do curso de
Fisioterapia da Faculdade Guairacá.

Daniel Vicentini de Oliveira


Rua Boa Vista, 40 Jardim Social
CEP: 87010-030
Maringá/PR
d.vicentini@hotmail.com

Recebido 9 2015
Aceito em 12 2015
2

RESUMO

Este trabalho teve o objetivo de apresentar uma revisão de literatura sobre as questões que
envolvem os benefícios e as recomendações da prática de exercícios físicos na gestação. A
gravidez é um período de grandes alterações físicas que incidem principalmente nos sistemas
cardiorrespiratório, musculoesquelético e no metabolismo geral que não se restringe apenas
aos órgãos, mas também à mecânica do corpo feminino. O período gravídico também é
considerado uma fase de intensas alterações psicossomáticas. Os exercícios físicos na
gravidez têm benefícios potenciais e, se bem executados, proporcionam uma melhor
qualidade de vida durante a gestação. Exercícios bem orientados auxiliam no retorno venoso,
aumentando a oxigenação do feto, melhoram a flexibilidade, diminuem a possibilidade do
desenvolvimento de patologias fisiológicas como a pré-eclâmpsia e o diabetes gestacional,
assim como previnem lombalgia e outros tipos de dor provocadas por alterações no perfil
físico da gestante. O exercício físico aeróbico auxilia de forma significativa no controle do
peso e na manutenção do condicionamento, além de reduzir riscos de diabetes gestacional.
Exercícios de força muscular permitem melhor adaptação do organismo materno às alterações
posturais provenientes da evolução gestacional e contribuem para a prevenção de traumas e
quedas. Os exercícios aquáticos vêm se destacando como ideais para o período gestacional
pois reduzem a formação de edemas, resultado muito comum em gestantes, diminuem o
estresse articular, diminuem os desconfortos musculares e melhoram a termorregulação do
feto. Ainda podem ser realizados exercícios de alongamento, exercícios do método Pilates,
Yoga, que são indicados para essa fase pois reorganiza o centro de força da gestante através
de uma prática variada com poucas repetições e fluidez de movimentos, melhorando a postura
e minimizando as compensações típicas desse período.

Palavras-chave: Atividade física; Gravidez; Promoção da Saúde.

ABSTRACT

This study aimed to present a literature review on the issues surrounding the benefits and the
recommendations of physical exercise during pregnancy. Pregnancy is a time of great
physical changes which mainly in cardiorespiratory systems, musculoskeletal and overall
metabolism that is not restricted to the organs, but also the mechanics of the female body. The
pregnancy period is also considered a phase of intense psychosomatic changes. The exercise
in pregnancy have potential benefits and, if well executed, provide a better quality of life
during pregnancy. And oriented exercises assist venous return, increasing the oxygenation of
the fetus, improve flexibility, reduce the possibility of the development of physiological
disorders such as pre-eclampsia and gestational diabetes as well as prevent lumbago and other
caused pain for profile changes Body of pregnant women. Aerobic exercise helps
significantly in weight control and maintenance of conditioning, as well as reduce the risk of
gestational diabetes. Muscular strength exercises allow better adaptation of the maternal
organism to postural changes from gestational evolution and contribute to the prevention of
injuries and falls. Aquatic exercises have stood out as ideal for pregnancy because they reduce
the formation of edema, a common outcome in pregnant women, reduce joint stress, reduce
muscle discomfort and improve the thermoregulation of the fetus. Still can be performed
stretching exercises, Pilates exercises, Yoga, which are suitable for this phase as rearranges
the pregnant woman's center of force through a varied practice with few repetitions and
fluidity of movement, improving posture and minimizing the typical compensation that
period.
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Keywords: Physical activity; Pregnancy; Health promotion.

INTRODUÇÃO

Antigamente as mulheres gravidas eram desestimuladas a praticar exercícios físicos, e


deviam adotar a prática sedentária em todo o período gestacional, pois acreditava-se que as os
mesmos pudessem ser prejudiciais ao feto. Segundo Valim (2005) “Essa ideia ainda é
defendida em vários contextos, tradições e colocações médicas em relação ao exercício físico
durante a gravidez. Porém, também já é freqüente que os profissionais da saúde incentivem e
encaminhem cada vez mais gestantes para o exercício físico”.
Os exercícios físicos na gravidez têm benefícios potenciais e, se bem orientados,
proporcionam uma melhor qualidade de vida durante a gestação. Exercícios de intensidade
leve à moderada podem promover melhoria na resistência aeróbica, sem aumento no risco de
lesões e prevenir complicações na gestação ou implicações relativas ao peso do feto ao nascer.
Como consequência, a gestante passa a suportar melhor o aumento do peso e diminui as
alterações de postura decorrentes desse período (LIMA, 2005). Os exercícios influenciam
também na flexibilidade, auxiliam na postura corporal evitando ou diminuindo as lombalgias.
Auxiliam também, no retorno venoso com prevenção de varicosidades (DERTKGIL, 2005).
São recomendados para as gestantes, exercícios que combinem atividades aeróbicas
envolvendo grandes grupamentos musculares, assim como atividades que desenvolvam a
força de determinados músculos. A ativação de grandes grupos musculares propicia uma
melhor utilização da glicose e aumenta simultaneamente a sensibilidade a insulina (LIMA,
2005). Ainda, Gouveia et. al. (2007) afirmam que, com o tempo, a prática regular de
exercícios físicos, promove aumento da extração de oxigênio, melhor absorção de nutrientes,
e consequente crescimento do feto.
Segundo Dertkgil et al. (2005), os exercícios aquáticos também vêm se destacando
como ideais para o período gestacional. Exercícios realizados na água são recomendados para
esse período devido à sua propriedade da flutuabilidade. Nas atividades feitas na água, os
joelhos recebem menor sobrecarga, reduz-se o edema pela ação da pressão hidrostática, que
facilita e estimula a passagem de líquido do meio intersticial para o intravascular; ocorre
ainda maior gasto energético, aumento da capacidade cardiovascular e o relaxamento
corporal, reduzindo assim, desconfortos músculo esqueléticos comuns nesse período.
Para aprimorar o equilíbrio da musculatura dorso-lombar, músculos abdominais e do
assoalho pélvico, assim como exercícios respiratórios, os alongamentos atuam favorecendo
uma maior consciência corporal, levam ao relaxamento e auxiliam no trabalho de parto
(SANTOS; FERREIRA; NAVARRO, 2007).
De acordo com publicações do American College of Obstetrician and Gynecologists
(ACOG), os exercícios físicos podem ser realizados por gestantes sedentárias, atletas ou com
um estilo de vida ativo. Apesar de apresentarem mudanças anatômicas e fisiológicas,
atualmente há poucas instâncias que impedem a prática de exercícios por mulheres grávidas
(AZEVEDO et al., 2011)
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Vencida a estigma acerca da prática de exercícios físicos pela mulher e por esta
durante a gestação, vale-se então da necessidade de compreender as adaptações e
recomendações para a prescrição de exercícios físicos para este grupo, assim como os
benefícios proporcionados pelos mesmos.
Posto isso, o presente estudo visa responder à seguinte questão norteadora: Quais os
benefícios da prática de exercício físico para gestantes? Quais as recomendações da prática de
exercícios para este grupo? Esta pesquisa teve como objetivo realizar uma revisão de
literatura sobre as questões que envolvem os benefícios e as recomendações da prática de
exercício físico na gestante.

REVISÃO DE LITERATURA

Período Gestacional
A gestação é um processo fisiológico compreendido pela sequência de adaptações
ocorridas no corpo da mulher a partir da fertilização (COSTA; ASSIS, 2010), com duração de
aproximadamente 40 semanas ou 280 dias (BLOT; 2010). Este processo provoca alterações
que incidem principalmente nos sistemas cardiorrespiratório, musculoesquelético e no
metabolismo geral que não se restringe apenas aos órgãos, mas também à mecânica do corpo
feminino. As alterações que ocorrem neste período, estão ligadas, principalmente, à
quantidade excessiva de hormônios responsáveis pelas adaptações do organismo a sua nova
condição (KISNER; COLBY, 2005).

Alterações físicas, fisiológicas e funcionais na gestação


Quase todos os sistemas sofrem alterações anatômicas e fisiológicas, como o sistema
cardiovascular, o hematopoético, o digestivo, o urinário, o tegumentar e o endócrino. Dentre
as modificações locais, o útero e a mama são os órgãos que mais sofrem alterações. As
mamas sofrem ações dos hormônios estrógenos e progesterona, onde os estrógenos
proporcionam o crescimento dos ductos lactíferos e suas ramificações, enquanto a
progesterona induz o crescimento das células produtoras de leite nos alvéolos, preparando a
mama para a lactação. Ocorre também o depósito de gordura em torno do tecido glandular.
Estas alterações em conjunto são responsáveis pelo aumento considerável das mamas durante
a gestação. Quando as mamas atingem seu crescimento máximo, começa a secreção de
pequenas quantidades de colostro, aumentando após o parto e tem duração média de três dias,
quando inicia a produção do leite (LIMA; MIOTO, 2007).
Na gestação, o útero atinge sua função plena, modificando-se de estado expectante
para cumprir as tarefas de propiciar o crescimento e a expulsão do produto conceptual. Ocorre
grande aumento do volume do útero, passando de um órgão compacto, de 60 a 70g, com
capacidade de 10 mL, medindo em média, 5 x 7 cm, com 3 cm de espessura, para no final da
gestação pesar 700 a 1200g, com capacidade de 5L e medindo 30 x 24 cm e com 22 mm de
espessura. Sua forma e dimensões se alteram de acordo como a gestação progride,
modificando sua localização, passando, após a 12ª semana de gestação, de órgão intrapélvico
para abdominal e tornando-se globoso. São observadas hiperplasia, hipertrofia e alongamento
das fibras musculares do miométrio, sendo a hipertrofia a modificação mais pronunciada,
elevando a fibra miometrial de 50 para 500 µm de diâmetro. Esse crescimento uniforme do
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útero pode ocorrer pelo arranjo complexo das fibras musculares em espiral. Aumenta-se
muito a vascularização e ocorre vasodilatação venosa assim como retenção hídrica e o
afastamento das fibras musculares tornando o útero com aspecto amolecido (LOPES;
ZUGAIB, 2010).
Segundo Ribas (2006) o hormônio relaxina é secretado mais intensamente no início da
gestação e acaba atingindo um equilíbrio no segundo trimestre e permanece até o fim da
gestação. Esse hormônio age sobre as fibras colágenas diminuindo sua densidade
ocasionando maior extensibilidade das estruturas articulares, principalmente pelve e sínfise
púbica. Os altos índices de relaxina podem estar associados à dor lombar e pélvica.
O período gestacional ocasiona alterações no metabolismo da gestante, destacando-se
o aumento da pressão arterial (pré-eclâmpsia) e o Diabetes Gestacional (DG). O DG costuma
se manifestar entre a 24ª e 28ª semanas de gestação, período que a placenta começa a produzir
grandes quantidades de hormônios. O DG é um fator de risco correlacionado com o
surgimento de outras doenças ao longo da vida como o diabetes, especialmente se a mulher
for obesa e sedentária. Em torno de 40% das gestantes com DG desenvolverão diabetes tipo 2
(DM2) no prazo de 4 anos. Aproximadamente 20% a 50% das mulheres desenvolverão DM2
em 5 a 10 anos e 63% desenvolverão mais tarde (PILOLLA; MANORE, 2008).
Ainda para a mãe, o DG acrescenta o risco de pré-eclampsia, aumento dos níveis
sanguíneos de lipídeos, parto cesariano, infecção urinária. Além disso, as mulheres
apresentam uma chance de 66% de desenvolver DG na próxima gravidez e, no futuro
(COETTZE, 2009).
Para o feto ou neonatal, a DG está associada com risco de mortalidade perinatal,
macrossomia, trauma cerebral, hipoglicemia neonatal, icterícia, excesso de células vermelhas
no sangue e baixo nível de cálcio no sangue (PILOLLA; MANORE, 2008; MIRANDA;
REIS, 2008). A mortalidade perinatal aumenta de 3,8% a 24% quando a glicemia for >
150mg/dL. Quando a glicemia estiver > 250mg/dL a mortalidade é superior a 50% (BEM-
HAROUSE; YOGEV; ROD, 2004).
Relativamente às alterações metabólicas do período da gravidez, pode-se ainda citar o
aumento da pressão arterial, conhecido como pré-eclâmpsia. As síndromes hipertensivas na
gestação merecem destaque no cenário da saúde pública mundial. Devido ao caráter desta
patologia, considera-se como importante causa de internamento em unidade de terapia
intensiva e, por vezes, incluída como critério de morbidade materna grave (AMORIM;
VALENÇA; ARAÚJO, 2008).
A pré eclampsia é definida pela presença de hipertensão e de proteinúria após a 20ª
semana de gestação, podendo ser leve ou grave. Todavia, esta poderá ocorrer,
excepcionalmente, antes de 20 semanas de gravidez quando associada à Neoplasia
Trofoblástica Gestacional. A prê-eclâmpsia pode se manifestar com presença de edema na
face, mãos, membros inferiores ou edema generalizado; já a presença de coma ou convulsões
sem história prévia de doenças cerebrais irá determinar o grau do quadro de eclampsia
(MONTENEGRO, 2008).
Além das alterações metabólicas durante a gestação, devem ser consideradas as
alterações posturais/biomecânicas. Kendall (2007) definiu postura como o conjunto de
posições de todas as articulações do corpo num determinado momento e, ainda refere que o
alinhamento esquelético ideal envolve uma quantidade mínima de estresse e tensão e é
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favorável à eficiência máxima do corpo. A postura pode ainda ser definida como a posição de
alinhamento de partes do corpo em um determinado período, segundo Lippert (2008).
Kisner e Colby (2005) referem-se à postura como uma posição ou atitude do corpo, ou
seja, é o arranjo relativo das partes do corpo numa atividade específica, ou uma maneira
característica de sustentar o próprio corpo, tratando-se do alinhamento das partes do corpo
quando se está de pé, sentado ou deitado. Segundo os autores, a postura é descrita pelas
posições das articulações e dos segmentos do corpo e também em termos de equilíbrio entre
os músculos que cruzam as articulações. Portanto problemas nas articulações, nos músculos
ou nos tecidos conjuntivos podem levar a posturas desequilibradas que causam desconforto e
dor.
Considerando-se o ponto de vista da mecânica corporal, durante a gestação ocorre um
deslocamento do centro de gravidade para frente, devido ao aumento do abdome e das
mamas, o que leva a alterações de postura, como diminuição do arco plantar, hiperextensão
dos joelhos e anteversão pélvica. Esses reajustes posturais geram uma acentuação da lordose
lombar e consequente tensão da musculatura paravertebral. A partir do segundo trimestre
gestacional, a sobrecarga nos músculos e ligamentos da coluna vertebral é ainda mais intensa,
devido à ação de hormônios como o estrogênio e a relaxina sobre os grandes ligamentos das
articulações pélvicas (PENNICK; YOUNG, 2007)
Durante o período gestacional ocorrem mudanças na mecânica do esqueleto das
gestantes provocado pela ação de hormônios que causam frouxidão ligamentar (relaxina) e
desta surgem mudanças biomecânicas que provocam modificações estruturais estáticas e
dinâmicas do esqueleto como o aumento na mobilidade da articulação sacro-ilíaca e da sínfise
púbica. Esse fator deve ser considerado, pois ele provoca o aumento do relaxamento articular
e ligamentar levando à instabilidade articular, favorecendo a uma anteversão pélvica e ao
surgimento de uma hiperlordose lombar, muitas vezes ocasionando dor (TAKITO, 2005;
LEÃO et al., 2008; MANN et al., 2010).
Vários estudos mostraram que, pelo menos 50% das mulheres vivenciam alterações
posturais que provocam algias, predominando a queixa de diferentes tipos de dor na coluna
vertebral durante a gestação (MACHADO, 2006). Em estudos recentes observou-se o
aumento desse percentual. Santos e Gallo (2010) verificaram que 73% das grávidas
apresentavam algum tipo de dor lombar. Rodrigues (2011) relatou que aproximadamente 75%
das mulheres tinham dor na região lombar e/ou pélvica.
A lombalgia gestacional, é um tipo de algia que afeta a área entre a parte mais baixa
do dorso e a prega glútea podendo ou não se irradiar para os membros inferiores (PITANGUI;
FERREIRA, 2008), é um sintoma que limita a vida diária e a qualidade de vida da gestante
(SANTOS; GALLO, 2010). A origem da lombalgia gestacional permanece em dúvida, porém
as causas mais aceitas são aquelas citadas anteriormente, incluindo ainda a idade gestacional,
peso materno e fetal, número de gestações e partos, trabalho físico e história progressiva de
lombalgia (GIMENEZ, 2008).
Dessa forma, fica explícito que em virtude das alterações provocadas durante a
gestação, a prática de exercícios físicos acompanhados por um profissional capacitado é de
fundamental importância para que se atenuem possíveis sofrimentos sofridos pela gestante.

Alterações emocionais e psicológicas na gestação


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O período gestacional é considerado um período de estresse emocional por envolver


intensas mudanças na vida da mulher. O corpo em perceptível transformação, a ansiedade
provocada pelo parto, a instabilidade emocional, a transição do papel social de filha para mãe
e outros fatores do cotidiano, influenciam a saúde psicológica da gestante, predispondo-a, em
grau maior ou menor, ao estresse (BJELICA, 2004).
Dessa forma, considera-se que a mulher está vulnerável durante o período gestacional,
vivenciando um período de alterações corporais, bioquímicas, hormonais, familiares e sociais
que a fazem ficar propensa a uma multiplicidade de sentimentos (FALCONE et al., 2005).
A ansiedade surge como um fator emocional que pode acompanhar todo o período
gestacional, sendo caracterizada por um estado de incerteza, insatisfação, insegurança e medo
da experiência desconhecida. Os episódios de ansiedade são muito frequentes e deletérios à
mulher em idade reprodutiva. Estima-se que 20% das mulheres apresentam quadros ansiosos
durante a gravidez. Estudos epidemiológicos demonstram que a ansiedade na gravidez é uma
patologia sub diagnosticada por vergonha das mulheres em apresentar suas queixas e por este
sintoma ser muitas vezes confundido com problemas orgânicos (BAPTISTA; TORRES,
2006).
A grávida precisa conviver com modificações nos padrões de comportamento do
parceiro, levando a uma necessidade de novos arranjos na relação familiar. Também no
campo da sexualidade, as alterações são significativas, pois há a necessidade de uma
reorganização e redirecionamento do desejo sexual, levando-se em conta as exigências do
bebê, as mudanças físicas decorrentes do parto e da amamentação (SJEJER, 1997).
Trabalhos publicados em periódicos científicos indicam que o período gravídico
puerperal, que compreende o período de gravidez e pós gravidez, é o período de maior
prevalência de transtornos psicológicos na mulher, em especial no primeiro e terceiro
trimestre da gestação e nos primeiros 30 dias do puerpério. Aproximadamente uma em cada
cinco mulheres apresenta algum grau de depressão no período gestacional e no puerpério. A
literatura também indica que a maioria dessas mulheres não é adequadamente tratada. A
depressão é o transtorno mental de maior incidência durante a gravidez e se associa a fatores
de risco como antecedentes psiquiátricos, baixa níveis de escolaridade, baixo aporte
financeiro, gestação na adolescência, julgamentos sociais, fatores estressores e história de
violência no ambiente doméstico (BENNET et al., 2004).
Evidências demonstram que além de a depressão pré-natal ser mais frequente, ela é o
principal fator de risco para depressão pós-natal, sendo esta muitas vezes, uma continuação da
depressão iniciada na gestação. Embora a maioria dos estudos seja focada na depressão pós-
parto, a depressão durante a gravidez pode ser considerada questão importante para o campo
da saúde pública, visto que constitui um forte fator de risco para a depressão pós-natal,
apontando para a necessidade de intervenções antes do nascimento do bebê, além das novas
evidências de que a depressão gestacional possa causar baixo peso ao nascer, prematuridade e
afetar o desenvolvimento da criança (RAHMANN et al., 2004).
Quadros depressivos não tratados durante a gravidez aumentam o risco da gestante de
se expor a tabaco, álcool e outras drogas, além da dificuldade em seguir orientações médicas
no pré-natal, diminuindo inclusive a frequência nessas consultas, o que tem sido associado ao
risco de mortalidade neonatal. Esse tipo de distúrbio parece estar mais associado a grávidas
adolescentes do que em gestantes adultas, sendo a gravidez um importante fator de risco para
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o seu surgimento durante essa fase da vida. Sintomas de ansiedade e depressão são mais
comuns em adolescentes grávidas do que nas não grávidas (FIGUEIREDO et al., 2006)

GESTAÇÃO E EXERCÍCIO FÍSICO


O exercício físico durante a gravidez traz inúmeros benefícios para a mãe e para o
feto, desde que sejam tomados os devidos cuidados quanto ao tipo, duração e intensidade,
respeitando as contraindicações e patologias associadas com acompanhamento profissional e
indicação médica de maneira individualizada. Na ausência de complicações clínicas ou
obstétricas, todas as gestantes devem ser estimuladas a implantar ou manter um estilo de vida
ativo durante esse período. O exercício físico de intensidade leve a moderada é considerado
prática segura tanto para a mãe quanto para o feto (COETZZE, 2009).
Podem ser realizados exercícios aeróbicos, de alongamento e que trabalham
resistência muscular, de intensidade moderada e duração de aproximadamente três vezes por
semana. A prática de exercício físico deve ser encorajada pelos profissionais de saúde e
realizada conforme a motivação da gestante. Não existindo nenhuma padronização quanto ao
tipo de exercício, a grávida pode optar pelo que mais lhe agrada desde que tenha
acompanhamento do profissional de educação física especializado e as contraindicações
sejam respeitadas (GOUVEIA, 2007).
As mulheres sedentárias apresentam um considerável declínio do condicionamento
físico durante a gravidez. Além disto, a falta de exercício físico regular é um dos fatores
associados a uma susceptibilidade maior a doenças durante e após a gestação. Há um
consenso geral na literatura científica de que a manutenção de exercícios de intensidade
moderada durante uma gravidez não-complicada proporciona inúmeros benefícios para a
saúde da mulher (HAAS; JACKSON; FUENTES, 2005).

Benefícios da prática de exercícios físicos na gestação


O exercício físico tem papel fundamental na manutenção da saúde física e mental dos
indivíduos. As mulheres em especial se beneficiam com a prática sistemática de exercícios.
Mulheres ativas têm menos riscos de se tornarem obesas, apresentam melhor aptidão
musculoesquelética e cardiorrespiratória, menor propensão de desenvolver doenças
cardiovasculares, estão mais satisfeitas com sua auto-imagem e apresentam melhor auto-
estima quando comparados com sedentárias (MATSUO, 2007).
Devido os benefícios que o exercício físico proporciona ao sistema cardiovascular,
nota-se que ocorre uma melhora na distribuição sanguínea, assim proporcionando a melhora
na irrigação da placenta e controle na pressão arterial. Nota-se que o exercício físico
proporciona ao sistema respiratório uma melhora no que se refere à melhor captação,
utilização e transporte do oxigênio, fazendo assim com que os músculos consigam captá-lo,
melhorando o processo de oxigenação do feto (CASTRO, 2013).
Ainda em relação aos benefícios que os exercícios físicos proporcionam foi notado
que em seus aspectos hormonais, a gestante passa a equilibrar os seus níveis glicêmicos,
induzindo os receptores de insulina à sensibilização e aumento da utilização da glicose e
assim prevenindo o DG. No sistema reprodutivo, quando trabalhados o fortalecimento do
assoalho pélvico a gestante passará a ter um maior controle nesta musculatura, oferecendo
maior suporte ao feto e ainda prevenindo a ocorrência de incontinência urinária. O
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fortalecimento dos músculos torácicos e dorsais, por sua vez, ajuda no apoio das mamas e na
postura da mãe no momento do aleitamento (MATSUO, 2007).
Gestantes com diagnóstico ou suspeita de pré-eclâmpsia devem evitar a prática de
exercício físico, visto que o exercício aumenta ainda mais a pressão arterial e reduz o fluxo
uteroplacentário que já está deficiente. Em gestante de baixo risco, alguns estudos
observacionais sugerem que a prática regular de exercício antes e no início da gestação está
associada à diminuição do risco de desenvolvimento de pré-eclâmpsia. Uma metanálise,
publicada em 2012, mostrou que mulheres ativas antes da gestação têm 44% menos chance de
desenvolver pré-eclâmpsia, enquanto que gestantes que se envolvem em atividades físicas têm
23% menos chance (KASAWARA, et al. 2012).

Exercício Aeróbico
Lima e Oliveira (2005) afirmam que o exercício físico aeróbico auxilia de forma
significativa no controle do peso e na manutenção do condicionamento, além de reduzir riscos
de DG, condição que afeta 5% das gestantes. A ativação dos grandes grupos musculares
propicia uma melhor utilização da glicose e aumenta simultaneamente a sensibilidade à
insulina.
Especificamente, o exercício físico aeróbico durante a gestação tem resultado na
redução do número de mulheres que apresentam DG que precisam de insulina. Apesar dos
conceitos sobre a possibilidade de efeitos deletérios do exercício físico em gestantes, o do tipo
aeróbico adequado é seguro durante a gestação. Porém, poucos estudos têm força suficiente
para detectar diferenças significantes na prevenção de complicações durante o DG ou
diferenças negativas significantes para o feto nesta gestação (COETZZE, 2009).
Estudos de Dempsey, Butler e Williams (2005), sugerem que mulheres que praticaram
exercício físico aeróbico vigoroso ou moderado um ano antes da gravidez apresentaram um
risco reduzido de DG, constatando que o exercício físico vigoroso ou moderado antes e
durante a gravidez pode diminuir o risco de intolerância a glicose e DG.
Existem dados sugestivos de que a prática de exercício físico aeróbico durante a
gravidez exerce proteção contra a depressão puerperal. Outro aspecto é que as mulheres
sedentárias podem começar um programa de exercício leve a moderado durante a gravidez,
consultando seu médico. Gestantes sedentárias, ao iniciar um programa de exercícios físicos
aeróbicos, devem respeitar suas individualidades, começando com sessões de curta duração
(15 minutos), três vezes na semana e ir gradualmente aumentando para sessões de 30 minutos,
quatro vezes na semana (LIMA; OLIVEIRA, 2005).
Estudos demonstraram que a submissão de gestantes sem complicações clínicas ou
obstétricas à prática de exercício físicos aeróbicos em esteira até a fadiga, não apresentaram
alterações das repercussões fetais ao estudo da dopplervelocimetria após o exercício. Essa
técnica, determina a velocidade do fluxo sanguíneo materno e fetal que demonstrando a
oxigenação do feto e a relação entre essas velocidades. Essa técnica indica que em gestantes
sem complicações clínicas ou obstétricas, o feto saudável tem a capacidade de captar
mecanismos de compensação e não entrar em sofrimento após o exercício aeróbico, o que
permite a homeostase das trocas gasosas e impede efeitos deletérios da hipóxia fetal, mesmo
durante o exercício físico aeróbico de moderada a alta intensidade em gestantes previamente
sedentárias (PIGATTO et al., 2014).
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O American College of Obstetrician and Ginecology (2002) define algumas


recomendações de interesse na prescrição de exercícios aeróbicos durante o período
gestacional. Independentemente da sua classificação, os exercícios leves ou moderados são os
mais adequados, realizados pelo menos três vezes por semana, praticados de forma regular,
nos horários de menor temperatura do dia, com vestimenta confortável e ingerindo grande
quantidade de líquidos. Devem ser evitados exercícios intensos, respeitando os 140
batimentos por minuto para a frequência cardíaca materna e de 38ºC para a temperatura do
ambiente. Larsson e Lindqvist (2005) estabeleceram que entre 50 e 70% da capacidade
cardíaca máxima durante o exercício físico uma faixa segura, tanto a nível fetal quanto no que
diz respeito ao aumento da temperatura corporal materna em atividade física no solo.

Exercício de Força Muscular


Quanto aos exercícios físicos de força muscular, quando realizados em intensidade
adequada para o período gestacional, promovem melhora na força, resistência e flexibilidade
muscular, sem aumento no risco de lesões, complicações relativas à gestação ou ao peso do
feto ao nascer (LIMA; OLIVEIRA, 2005).
Exercícios de caráter resistido podem ter várias funções, como caráter competitivo,
profilático, terapêutico, recreativo, estético e de preparação física. Durante a gravidez, os
exercícios isométricos devem representar uma forma de lazer e descartar a o caráter de
competição e de preparação física, pois deve ser realizado com baixa intensidade, ou seja,
pouca sobrecarga. Ainda, a musculação durante a gestação deve ser praticada duas vezes por
semana, estimulando-se de 10 a 15 grupamentos musculares. Os exercícios devem ter séries
de 3 a 5 repetições, e a intensidade das cargas deve ser moderada, ou seja, de 30 a 40% da
carga máxima suportada em condições de não gestação, com recuperação energética total
entre os exercícios (COSTA, 2004).
Exercícios de musculação permitem que o organismo materno se adapte às alterações
de postura causadas pela gestação e contribuem para a prevenção de traumas e quedas, assim
como na prevenção e tratamento de desconfortos musculoesqueléticos. O fortalecimento deve
priorizar os músculos paravertebrais, a cintura escapular e, de preferência, envolver músculos
maiores. Como critério de seleção, em gestantes iniciantes, deve-se optar por utilizar o
próprio peso corporal e faixas elásticas no lugar de aparelhos de musculação ou pesos livres.
Cargas elevadas devem ser evitadas, assim como exercícios isométricos intensos, repetidos e
posturas que coloquem a gestante em risco, principalmente aquelas que possam afetar seu
equilíbrio. Deve-se adaptar os exercícios de resistência muscular com muita cautela
correlacionando a cada período gestacional (ZAVORSKY, 2011).
Um estudo aleatorizado que incluiu 160 gestantes, no qual 80 realizaram treino de
resistência muscular leve (10 a 12 repetições envolvendo vários grupos musculares, com
pesos leves, ≤3 kg ou faixas elásticas) três vezes por semana, durante o segundo e o terceiro
trimestres da gestação, não revelou diferença em relação ao peso do RN e mostrou que
aquelas gestantes que participaram do treino de fortalecimento muscular tiveram menor ganho
de peso gestacional (BARAKAT, et al. 2009).
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Exercícios de alongamento
As algias posturais gestacionais, são queixas comuns na gravidez podendo provocar
insônia, estados de depressivos e estão relacionadas com prejuízos domésticos e profissionais
(NOVAES, 2008). Diversos estudos relatam resultados envolvendo exercícios de
alongamento durante o período gestacional. Em um estudo com técnicas de exercícios de
alongamento e retificação lombar, Novaes (2008) observou grande alívio da dor e
desconfortos decorrentes de alterações físicas comuns na gravidez. Estudo realizado por Yeo
(2006), analisou 70 gestantes que foram submetidas a exercícios de alongamento cinco vezes
por semana, verificou melhora na qualidade de vida e disposição geral da gestante.
Coutinho (2006) cita que exercícios que contribuem para o alongamento da região
lombar são particularmente benéficos, uma vez que eles tendem a se encurtar com o
enfraquecimento e estiramento da musculatura abdominal, à medida que o feto cresce. Essa
ênfase pode ajudar a prevenir o exacerbamento da condição lordótica. A mesma autora, ainda
menciona que exercícios que promovem o fortalecimento e alongamento da musculatura
dorsal também devem ser enfatizados, uma vez que o peso dos seios tende a puxar ombros
para frente, encurtando o peitoral e super estendendo rombóides e trapézios, acentuando a
cifose.
Uma técnica bastante utilizada, que trabalha o alongamento aliada a força muscular, é
o método Pilates. Este método ajuda a alongar e relaxar os músculos, preparando a
musculatura perineal para o parto e pós-parto, estimulando a circulação e desenvolvendo a
consciência corporal, além de melhorar a respiração e aumentar a sensação de bem-estar e
auto-estima. A praticante reorganiza o seu centro de força, através de uma prática variada com
poucas repetições e fluidez de movimentos, melhorando a postura e minimizando as
compensações típicas desse período (MACHADO, 2006).

Exercícios para o assoalho pélvico


O assoalho pélvico é a única musculatura transversal do corpo humano que suporta
carga, sendo responsável por diversas funções: suporte dos órgãos abdominais e pélvicos,
manutenção da continência urinária e fecal, auxílio no aumento da pressão intra-abdominal,
na respiração e na estabilização do tronco. Além disso, esses músculos permitem o intercurso
sexual e o parto; suas contrações involuntárias são as características principais do orgasmo e,
quando fracos, podem causar hipoestesia vaginal e anorgasmia (NAGIB, et al. 2005;
BHARUCHA, 2006; AZAR, et al. 2008;).
Durante os anos 50, uma forma de se exercitar criada e popularizada pelo Dr. Arnold
Kegel, estudou pela primeira vez de forma científica os exercícios para fortalecimento da
musculatura pélvica. As virtudes desses exercícios consistem na melhora da contração da
musculatura do períneo fazendo com que fique mais potente (forte e rápida), atuam na
compressão da uretra contra a sínfise púbica, aumento da pressão intra-uretral, no momento
do aumento da pressão intra-abdominal, hipertrofia dos músculos pélvicos e aumento do
volume dessa musculatura. Porém, para que os exercícios para o assoalho pélvico sejam
desenvolvidos com eficácia, D'ancona (2001), demonstrou a necessidade de as mulheres
trabalharem a contração e o relaxamento da musculatura envolvida, já que esses músculos não
são normalmente treinados. Existe evidência científica de que o treinamento dos músculos do
assoalho pélvico durante a gestação diminui o risco de incontinência urinária no pós-parto.
12

O período de gestação é uma fase indicada para introduzir a prática de exercícios para
o períneo na vida da mulher. Não existem contraindicações para sua prática durante e após a
gravidez, assim esses exercícios devem ser recomendados de forma sistemática para todas as
gestantes. A grávida deve realizar o treinamento dos músculos do assoalho pélvico com
contrações sustentadas, ou seja, deve contrair e manter durante cinco a dez segundos, com
contrações rápidas em diferentes posturas. Sugere-se que a realização seja diária com duas
séries de oito contrações sustentadas por cinco segundos e duas séries realizando dez
contrações rápidas (BOYLE, et al. 2012).

Exercícios Aquáticos
Segundo Dertkgil et al. (2005), os exercícios aquáticos vêm se destacando como ideais
para o período gestacional. Nas atividades feitas na água, os joelhos recebem menor
sobrecarga, reduz-se o edema pela ação da pressão hidrostática, que facilita e estimula a
passagem de líquido do meio intersticial para o intravascular; ocorre ainda maior gasto
energético, aumento da capacidade cardiovascular e o relaxamento corporal, reduzindo assim,
desconfortos músculo esqueléticos comuns nesse período.
A natação é um tipo de exercício aquático recomendado para esse período devido à
sua propriedade da flutuabilidade. Esta prática, pode trazer melhorias para a circulação
sanguínea e fortalecimento muscular. É uma atividade de baixo risco por oferecer pouca
chance de lesão, por isso é um esporte indicado para ser praticado durante a gestação. O
volume e a intensidade dos exercícios devem ser prescritos de acordo com recomendações
médicas, baseadas na individualidade de cada gestante (VERDERI, 2006).
Para Simões et al (2008), a hidroginástica, outra modalidade aquática, beneficia tanto
a gestante quanto o feto. A hidroginástica atua reduzindo a formação de edemas, resultado
muito comum em gestantes, diminuindo o estresse articular, os desconfortos musculares e
melhorando a termorregulação e assim possibilita ao feto uma estabilidade maior quanto à
elevação de temperatura. É uma modalidade que inclui exercícios aeróbios e de alongamentos
trabalhando com todos os grupos musculares, envolvendo exercícios de respiração auxiliam
na diminuição da sensação de ansiedade. A hidroginástica pode ser realizada de duas a três
vezes por semana, com duração variada; auxilia no relaxamento e pode ser positiva no âmbito
mental por ser realizada em grupo, e assim ajuda na socialização da mulher com outras
gestantes e dessa forma reduz os riscos de depressão gestacional.
Katz (2003) em sua pesquisa sobre exercícios na água para gestantes, estudou as
respostas uterina e fetal durante a imersão simples e durante exercícios em que a mulher se
encontrava em imersão, comparando com períodos descanso. Ele não observou diferenças
quanto à temperatura corporal retal, freqüência cardíaca do feto e freqüência cardíaca da
gestante, sugerindo que a expansão no volume plasmático total, causada pela imersão,
compensaria a redistribuição de volume que é gerada pelos exercícios e que temperatura
corporal seria compensada pela água, tornando-a estável. Outra observação de interesse
relativa a essas observações é o fato da imersão e exercícios sob imersão diminuírem as
contrações uterinas, uma vez que a expansão de volume plasmático faria possivelmente
diminuir os níveis de ocitocina circulantes, por diluição. Ainda, os exercícios aquáticos geram
maior conforto à mulher, em especial nos últimos três meses, quando o aumento do volume
do abdômen causa maior desconforto para a realização de exercícios em solo. A pressão
13

hidrostática e os aspectos da circulação durante a imersão são apontados como vantagens de


atividades realizadas no meio líquido para as gestantes.
Em estudo de Finkelstein et al. (2004) ficou demonstrada a diminuição da freqüência
cardíaca e da pressão arterial em imersão na água quando comparada ao ambiente terrestre, da
mesma forma a diminuição do peso hidrostático, diminuições essas proporcionais à
profundidade realizada por imersão. A diminuição do peso hidrostático influencia também a
redução da carga mecânica imposta às articulações dos membros inferiores, devido ao fato de
que a carga mecânica depende da força vertical (peso hidrostático) e da aceleração com que o
corpo entra em contato com o solo. Assim, pode-se sugerir que o ambiente aquático é
benéfico para essa população e pode ser indicado para a prática de exercícios físicos,
possibilitando a gestante continuar se exercitando até os últimos dias de gestação.

Formas e modalidades de exercício físico a serem evitadas na gestação


A literatura científica indica que alguns exercícios e suas respectivas posições são
contra-indicados nesse período e assim devem ser evitados para diminuir os potenciais riscos
a saúde da gestante. Alguns exercícios como: treinos que elevem a frequência cardíaca acima
de 140 bpm, pois aumentam muito a temperatura corporal; exercício resistido intenso e
exercícios de contrações isométricas, pois podem provocar a diminuição da oxigenação no
sangue; exercícios na posição supinada após o 4º mês, pois o peso do abdome e útero
comprime a veia cava e a artéria aorta, o que pode diminuir o suprimento de sangue para a
mãe e bebê e provocar desconforto. Qualquer sintoma de dor abdominal, cólicas,
sangramentos, tonturas, distúrbios visuais, palpitações, náusea ou vômito, sangramento
vaginal, que venha acontecer na gestante durante a prática de exercício físico deve ser
interrompido imediatamente (HARRIS, 2005).
Existem alguns sintomas que são sinal de alerta para a prática segura de exercício
físico. Se durante ou após o exercício, alguns desses sintomas ocorrer é necessário interrupção
imediata e encaminhamento para avaliação médica. São eles, sangramento vaginal, dispnéia,
tontura, cefaléia, dor torácica, fraqueza muscular, dor ou edema das panturrilhas
(possibilidade de tromboflebite), diminuição da movimentação fetal e perda do líquido
amniótico (POUDEVIGNE; O’ CONNOR 2005).
Mulheres fumantes têm contra-indicação na prática de exercício físico em altitudes
acima de 2.500m. A presença de náuseas, sonolência e desconforto, podem sugerir que o tipo,
intensidade, duração e/ou frequência do exercício físico para a gestante devam ser
modificados, sem que seja necessário interrompe-lo. A própria prática de exercício físico
durante a gestação possibilita a ocorrência de fenômenos que devem alertar os especialistas
para uma eventual interrupção dos exercícios. Tais sinais correspondem a: dor de qualquer
tipo, injúrias musculoesqueléticas, complicações cardiovasculares, trabalho de parto
prematuro, aumento do risco de aborto no primeiro trimestre da gestação e grave
hipoglicemia, indicando, igualmente, a interrupção do exercício (ACOG, 2002).
Segundo Harris (2005), são contra indicados exercícios que envolvam saltos,
exercícios que exijam bruscas mudanças bruscas de direção (devido ao risco de lesões nas
articulares, devido ao fato que no período de gestacional os ligamentos ficam mais frouxos e
elásticos por causa das mudanças hormonais), exercícios em altitudes extremas, exercícios
que envolvam mudanças na pressão atmosférica, esportes de contato físico como futebol,
14

basquetebol, kickboxe, entre outros (devido ao risco de choque mecânico na região


abdominal), exercícios hípicos (devido ao risco de queda). São contra indicados esportes que
envolvam apnéia. Os esportes de mergulho devem ser evitados afim de evitar uma possível
hipóxia do feto (HAAS; JACKSON; FUENTES, 2005).

CONCLUSÃO
Dentre os inúmeros benefícios listados neste estudo, os que recebem destaque, por
meio do exercício físico, se referem à melhora da postura, quando a mulher suporta melhor
seu peso corporal e melhora do equilíbrio, a prevenção de doenças cardiovasculares, a
manutenção do peso, ao equilíbrio dos níveis glicêmicos e a melhora da auto-estima.
O presente trabalho servirá como estímulo para que se desperte nos profissionais de
Educação física e da saúde, o ímpeto de aprofundar novos estudos, como por exemplo,
desenvolver um método ideal de pratica de exercício físico para as gestantes independente da
modalidade escolhida, contribuindo para um conhecimento mais amplo e adequado afim de
contribuir com a qualidade de vida deste grupo, valorizando ainda mais a atuação do
profissional como um agente importante na promoção da saúde da mulher.

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