Você está na página 1de 44

ED_83 05/10/31 15:58 Page 1

ED_82 8/29/05 6:49 PM Page 2


ED_83 05/10/31 12:44 Page 3

| Conteúdos |

| Portugal Media | Beja | Opinião |


6 Opinião/ Novos Desafios da Aprendizagem
Uma caracterização dos me-
dia, no segundo distrito do país 8 Sociedade Bit/ Mediático, logo existo!
onde se lêem menos jornais 61 Aula Aberta/ Para que serve a reportagem?
regionais. 78 Lá Fora/ Jonathan Potter

49 | Dossier |
10 Alargamento da UE e Impactos nos Media
Um mercado chamado Europa
| Empresas XXI | Opensoft 12 Media de Leste crescem associados a grupos
Uma empresa de soluções, 18 ocidentais
consultoria, implementação, 22 Pesquisa de opinião/ IPOM
desenvolvimento e suportes 26 Mini-Inquérito
tecnológicos, para os proble- 27 Opinião/ Francisco Rui Cádima
mas rotineiros de empresas Opinião/ Viviane Reding
privadas e públicas.

68 | Actualidade |
28 Reportagem Comunicação/ Debate sobre a Lei
da Televisão
32 Sociedade da Informação
| Entrevista | Marktest 34 Tecnologia
Inovar para informar. A história 35 Televisão
do grupo Marktest contada 36 Imprensa
pelo fundador, Luis Queirós. 37 Reportagem Tecnologia e SI/ b-ON
Reflexos de um caso nacional 42 Rádio
de sucesso. 47 Dinâmicas de Comunicação e Sociedade da
Informação
74 49 Portugal Media/ Beja
77 Vizinhança Mediática
80 Internacional/ Euromedia
82 Aldeia Global

MediaXXI Ficha técnica


84 Internacional/ The Times Picayune
86 Último Olhar
Ano X - n.º 83 Setembro-Outubro 2005
| Investigação |
ADMINISTRADOR EXECUTIVO: Paulo Ferreira Notícias Direct – Tapada Nova – Capa Rota –
DIRECTOR INTERINO: Paulo Faustino Apartado 55 – 2711-901 Linhó – Portugal – 55 Ordem Mundial/ Desenvolvimento Humano 2005
EDITORA: Paula Cordeiro (editor@mediaxxi.com) Tel.:21 924 99 40 IMPRESSÃO: Heska 57 Instituições da Comunicação/ APAN
REDACÇÃO: Nídia Silva (redaccao@mediaxxi. Portuguesa – Indústrias Tipográficas, S.A. –
com) COLABORADORES: Ana Filipa Cerol, Campo Raso – 2710-139 Sintra – Tel.:21 923 89 58 Centros de Conhecimento/ IPC
Cátia Candeias, Margarida Ponte, Fernando 00 DISTRIBUIÇÃO: VASP/ CTT – Correios de Entrevista/ Sadaoki Furui
Costa, Vanda Ferreira OPINIÃO: Carla Martins, Portugal SOCIEDADE GESTORA DA REVISTA:
60
Carlos Reis Marques, Francisco Rui Cádima, Formalpress – Publicações e Marketing, Lda. 64 Leituras
Reginaldo Rodrigues de Almeida, Jonathan ESCRITÓRIOS: Rua Professor Vítor Fontes n.º
Potter FOTOGRAFIA: N. Silva DESIGN: Tânia 8D, 1600-671 Lisboa – Tel.: 217 573 459 – Fax:
66 Congresso/ Interspeech
Borges (design@mediaxxi.com) MARKETING E 217 576 316 E-Mail: geral@mediaxxi.com -
PUBLICIDADE: Amélia Sousa (publicidade Revista Fundada por Nuno Rocha, em 1996
@mediaxxi.com) COLABORAÇÃO: Centro de DEPÓSITO LEGAL nº 99516/96; Registo nº
| Mercados |
Estudos em Ciências da Comunicação da 120427 TIRAGEM: 7000 exemplares 68 Empresas XXI/ Opensoft
Universidade Independente ASSINATURAS:
70 Entrevista/ Philip Kotler
74 Estratégias/ Luís Queirós
ED_83 05/10/31 12:44 Page 4

| Editorial |

Licença para matar


Nos últimos meses têm vindo a público várias sugestões rela- No contexto da sociedade da informação
tivamente à necessidade de se lançar um novo operador de e do conhecimento, a imprensa assume
televisão generalista. Esta motivação decorre de três factores um papel estratégico na medida em que
principais: i) boa performance económico-financeira eviden- os meios audiovisuais tendem a ter uma
ciada pelos vários operadores de televisão em 2004; ii) pro- vocação cada vez mais de entretenimen-
cura de oportunidades de crescimento por parte de alguns to e a imprensa tende a reforçar a sua
grupos de media sem presença neste segmento; e iii) existên- vocação clássica de informar e formar.
cia e disponibilidade de mão-de-obra qualificada e especiali- Por isso, um dos desafios das políticas
zada no mercado português. públicas para o sector da comunicação, | Paulo Faustino * |
Do ponto de vista da dinamização e competitividade do mer- deverá ser incentivar a criação de hábi-
cado, poderia fazer sentido a abertura de um concurso públi- tos de leitura de jornais e revistas. Como é sabido, os nos-
co para a atribuição de uma licença para um novo operador. E sos indicadores neste domínio remetem-nos para uma po-
o Estado até poderia ‘encaixar’ algum dinheiro, necessário pa- sição pouco confortável: a par da Grécia, somos dos países
ra ajudar a combater o déficit. Contudo, este cenário deve ser europeus onde se lê menos jornais diários.
analisado e contextualizado nas implicações gerais que esta Retomando a ideia da segmentação, e como se pode observar
decisão – política – poderia ter, caso fosse aprovada uma nova na entrevista realizada por nós a Philip Kotler, apresentada na
licença, no mercado geral dos media em Portugal. página 70, este guru considera que a televisão está a perder ca-
Convém esclarecer que a CONVÉM ESCLARECER QUE A MELHORIA, EM 2004, DOS
da vez mais eficácia co-
melhoria, em 2004, dos re- mo suporte publicitário.
sultados operacionais dos RESULTADOS OPERACIONAIS DOS TRÊS OPERADORES DE Kotler afirma que “cada
três operadores de televisão vez mais acredita nas
decorreu sobretudo de polí- TELEVISÃO DECORREU SOBRETUDO DE POLÍTICAS DE potencialidades das re-
ticas de reestruturação (ra- vistas especializadas”.
cionaliação das estruturas, REESTRUTURAÇÃO [...], E NÃO DE UM CRESCIMENTO Portanto, as análises dos
downsizing e sinergias, por académicos, assim co-
exemplo), e não de um cres- SUSTENTADO DO MERCADO PUBLICITÁRIO. mo as evidências inter-
cimento sustentado do mercado publicitário. nacionais, parecem indicar que a comunicação de massa,
A actividade televisiva – à semelhança de outros segmentos sobretudo a televisão generalista, está a perder importân-
dos media como a rádio e a imprensa –, enquadra-se numa cia no processo publicitário: a sua eficácia é cada vez mais
grande tendência: a segmentação da comunicação. Por um la- questionada.
do, as inovações tecnológicas como, por exemplo, a TDT e É também de realçar que com o alargamento da UE a 25 –
IPTV, irão possibilitar nos próximos tempos o aparecimento facto que contribui para o alargamento do mercado europeu
de uma multiplicidade de canais televisivos e, por outro, irá da comunicação - é previsível uma maior pressão nos merca-
verificar-se uma crescente pressão para o aparecimento de ca- do nacionais por parte dos grupos de media mais fortes.
nais de televisão regionais. Ou seja, tudo isto somado irá ge- Neste contexto, e no caso português, o Estado deverá fomen-
rar uma grande competitividade no mercado publicitário que tar políticas que contribuam para consolidar o sector.
irá afectar e fragmentar o ‘bolo’ das televisões generalistas. A Qualquer decisão política que favoreça a fragmentação poderá
imprensa em Portugal possui uma quota de cerca de 25% do fragilizar ainda mais os nossos grupos de media, que já têm
mercado publicitário, o que é manifestamente um sinal de dificuldades em resistir às investidas de grupos internacionais.
subdesenvolvimento. Como o nosso mercado publicitário pa- Ainda a propósito do alargamento da UE, nesta edição apre-
rece ser pouco elástico, a atribuição de uma licença para um sentamos um dossier especial sobre algumas oportunidades e
novo operador de televisão generalista iria contribuir, por um ameaças aos mercados nacionais dos media decorrentes do
lado, para deteriorar a situação financeira das televisões, e, por processo de alargamento.
conseguinte, diminuir a capacidade de produção audiovisual.
Por outro lado, representaria um autentico cheque – mate ao
segmento da imprensa e da rádio. * Director

[ Página 4 ] | Setembro-Outubro 2005 | Media XXI


final80 4/6/70 12:56 AM Page 93

O rigor da informação, para a eficácia da decisão

A informação foi, é e será sempre um factor fundamental


para aumentar a eficácia das decisões.

O IPOM, especialista na recolha e tratamento de informação,


está preparado para lhe dar todo o apoio nas seguintes áreas:

Estudos de Opinião
Estudos Sócio-Políticos
Estudos de Perfil do Consumidor
Estudos Publicitários
Estudos Qualitativos
Planeamento e Recolha de Informação
Digitalização e Tratamento de Informação
Telemarketing
Diagnóstico de Necessidades de Formação

Rua Cândido dos Reis, 253 - 2º | 4000 - 073 V. N. Gaia | Tlf: 22 370 94 30 Fax: 22 371 26 21 | e-mail: geral@ipom.pt www.ipom.pt
ED_83 05/10/31 12:44 Page 6

| Opinião |

Novos Desafios da
Aprendizagem
Os desafios que actualmente se colocam à aprendizagem refe- dade dos seus colaboradores apren-
rem-se ao modo como as pessoas necessitam de adquirir e derem e desaprenderem, em con-
desenvolver conhecimentos, capacidades e atitudes ao longo tínuo e de modo sistematizado,
da sua vida, sendo capazes de os aplicar e transformar em através de “mecanismos” facilita-
“unidades de trabalho” e competências que satisfaçam a exi- dores e capazes de conciliarem | Carlos Reis Marques * |
gência de melhores resultados de uma Organização. os interesses de uns, com as ne-
A interacção entre indivíduos numa Organização, através das cessidades de outros.
estruturas colectivas em que se inserem, e a capacidade de es- Algumas orientações podem ser referidas como boas práticas
tes partilharem Conhecimento, passando-o de Tácito (aquele a serem tidas em consideração: Privilegiar a Colaboração, em
que está “acumulado” nas pessoas em resultado das suas ex- detrimento da competição; Fomentar a Interacção, em vez da
periências e vivências pessoais) a Explícito (aquele que se en- recepção; Preferir a Acção, em vez da passividade.
contra estruturado e passível de ser disseminado), é uma das Novos paradigmas estão, como tal, presentes nos mais recen-
matérias preferenciais da Gestão do O E-LEARNING ASSUME-SE COMO A
tes desenvolvimentos de natureza pe-
Conhecimento. dagógica, aparecendo associados a mo-
A criação das condições para o PRINCIPAL MODALIDADE DE ENSINO - delos de ensino - aprendizagem
Desenvolvimento Organizacional vocacionados para a Formação e
passa, assim, pela noção de APRENDIZAGEM, E A MAIS CAPACITADA, Desenvolvimento Individual e
Conhecimento Organizacional, en- Organizacional, focalizando-se no in-
tendendo-se este como aquele que PARA FAZER FACE AOS DESAFIOS DA divíduo como a componente estrutu-
deriva da interacção contínua e di- rante e central de todo o processo.
nâmica entre Conhecimento Tácito APRENDIZAGEM AO LONGO DA VIDA E Estes Modelos integram a utilização
e Explícito. das tecnologias como o meio preferen-
DA PROMOÇÃO DO ACESSO FÁCIL,
A necessidade das Organizações se cial de flexibilização, interacção e opti-
prepararem para este desafio, colo- FLEXÍVEL E AJUSTADO À DIMENSÃO
mização dos elementos que interagem:
cando a questão da Aprendizagem as Pessoas e os Contextos (realidades
Organizacional, centra-se na obri- INDIVIDUAL organizacionais em que se inserem).
gatoriedade de colocar o Indivíduo Neste cenário, o e-Learning assume-se
como eixo central do processo de desenvolvimento e cresci- como a principal modalidade de ensino - aprendizagem, e a
mento da Organização. Esta situação coloca uma nova refle- mais capacitada, para fazer face aos desafios da aprendizagem
xão, a do Indivíduo como núcleo do processo de ensino- ao longo da vida e da promoção do acesso fácil, flexível e
aprendizagem, sugerindo a necessidade ou conveniência das ajustado à dimensão individual – Learning at any time, at any
soluções de Desenvolvimento do Conhecimento assentarem place and anywhere. As Soluções de e-Learning são Sistemas
em Modelos de Individualização, nos quais prevalece o impe- de ensino - aprendizagem que integram e incluem respostas e
rativo de respeitar Tempos e Estilos de Aprendizagem pró- “demandas” de base Individual e Organizacional, configuran-
prios, fazendo com que cada Pessoa possa viver uma expe- do-se o uso da Tecnologia como um meio, e não como o fim,
riência única. Ou seja, cria a necessidade de Conceber e em si mesmo.
Produzir Conteúdos e Recursos Pedagógicos que tenham co- No essencial, o Novo e emergente Paradigma, recorrendo ao
mo preocupação de base, auxiliar o Indivíduo na sua aprendi- uso da tecnologia como plataforma que viabiliza a aquisição e
zagem, os quais deverão estar alicerçados em Sistemas de partilha de Conhecimento, é aquele que proporciona o de-
Desenvolvimento de Conhecimento Abertos, com estruturas senvolvimento individual através da sua integração e alinha-
flexíveis em tempo, espaço e acções formativas. mento com as necessidades da Organização.
Deverão, assim, as Organizações que se orientem pelas pre- * Business Manager – Vivere Consulting
missas da Gestão de Conhecimento, perspectivar a possibili- crmarques@vivere.pt

[ Página 6 ] | Setembro-Outubro 2005 | Media XXI


EDIÇÃO 81 6/9/70 8:28 PM Page 19
ED_83 05/10/31 12:45 Page 8

| Sociedade Bit |

Mediático, logo existo!


A incessante procura de integração social é inequivoca- «metro-sexuais» inspirados
mente uma reacção inata à condição humana mas também em David Beckham consubs-
um processo de hierarquização de comportamentos, decre- tancia a procura duma certa
tado por profundos ritualismos tão antigos como os tem- igualdade com o socialite, nor-
pos, para os quais, actualmente, os meios de comunicação malmente encarado como si-
social muito contribuem, em particular através da publici- nónimo do beautiful people,
dade directa ou persuasiva, estereotipada no vestuário, na ricos e despreocupados que
forma de estar em casa, no cinema ou mesmo na activida- nem sequer adoecem e, mes-
de profissional. mo quando morrem, parece | Reginaldo R. de Almeida* |
Ainda que valiosos na época, longe vão os tempos do for- ser em ambiente festivo.
mato foto-novela subordinado a «barbies» de outras gera- Paradoxalmente, esta realidade é geradora de ambivalên-
ções sob o nome de Corin Tellado, a famosa senhora da no- cias, pois por um lado temos as empresas com designers,
vela romântica por excelência e que ainda se mantém em departamentos criativos e de inovação que tudo fazem na
actividade, ou ainda, se preferirmos, nas séries policiais co- busca de originalidade, mas por outro lado, temos consu-
mo «O Santo» ou «Os Vingadores» onde a imagem já era midores, milhões de consumidores comuns e anónimos
fundamental, mas ainda estática, fotográfica e, por longos que tudo fazem para igualar a roupa, os sapatos e acessó-
anos, a preto e branco. Hoje é dife- AQUILO QUE NÃO PASSA NA TELEVISÃO rios e os projectos de vida
rente, somos inundados por revistas dos famosos.
designadas de cor-de-rosa, que nos (AGORA TAMBÉM NA INTERNET) NÃO Assim se explica o aumento
trazem aparente proximidade à fama, exponencial de vendas das
ao deslumbramento e ao glamour, fun- EXISTE E REMETE-NOS PARA UMA ESPÉCIE revistas cor-de-rosa, pois
cionando como modelos, muitas vezes constituem um segmento
até como objectivo de vida retratados DE ORFANDADE QUE NÃO PERMITE O comercial importantíssimo
no quotidiano pelos «alpinistas so- no mercado, têm um peso
RECONHECIMENTO DA QUALIDADE PELA
ciais» capazes de tocarem os píncaros e fabuloso nas referências
os «Himalaias» do ridículo para posa- pessoais dos que as lêem e
QUALIDADE E, QUANTAS VEZES PROVOCA
rem para esta ou aquela fotografia. quase sempre influenciam
Mais ou menos inconscientemente, DESAJUSTAMENTOS COM A REALIDADE as suas atitudes comerciais.
mas de forma declarada no nosso ín- Aliás, o mercado portu-
timo, tentamos descodificar comportamentos e atitudes guês, à semelhança de outros, parece estar preparado,
para nos assemelharmos com todos aqueles que os nossos mesmo carente de uma publicação diária que inunde as
juízos de valor reputam de importantes, nem que seja no bancas e os escaparates, arrebate sentimentos e tentações,
branco do olho… tudo em prol do novo catecismo inspirado pela sociedade
A poderosíssima televisão, a Internet e todos os familiares de consumo, ou seja, consumir cada vez mais, com uma
mais recentes das novas tecnologias, fazem-nos chegar ve- diferença: para lá do consumo ou aquisição de um pro-
lozmente notícias de gente que desconhecemos, estrangei- duto ou serviço, trata-se do consumir atitudes, hábitos,
ros que nem sequer vivem no seu país mas, fruto da globa- posturas e comportamentos.
lização que em tudo comanda e a todos influencia, É o poder da imagem a ditar as suas regras. Aquilo que
repousam de noite sob a forma de revista, já a cores e qua- não passa na televisão (agora também na Internet) não
se ao vivo, em cima da mesa-de-cabeceira, depois de ter- existe e remete-nos para uma espécie de orfandade que
mos lido exaustivamente sobre um qualquer casamento, não permite o reconhecimento da qualidade pela qualida-
com o qual vamos sonhar. de e, quantas vezes provoca desajustamentos com a reali-
A publicidade tem um lugar reinante, veiculada inicial- dade. Quando assim é, dá que pensar...
mente pelos media e potenciada na rua por todos os utili-
zadores, por isso, andar vestido como a Shakira ou como a * Professor Universitário
Princesa Carolina do Mónaco, usar fatos e cortes de cabelo sociedadebit@sociedadebit.com

[ Página 8 ] | Setembro-Outubro 2005 | Media XXI


EDIÇÃO 81 6/9/70 8:33 PM Page 25
ED_83 05/10/31 12:45 Page 10

| Dossier/ Alargamento da União Europeia e Impactos nos Media |


Indústria dos media no espaço europeu

Um mercado chamado
Europa
Que consequências para a indústria mediática resultaram da integração de
Portugal na CEE em 1986? Que identidade europeia construíram os media
nacionais ao longo de 20 anos? Que impactos se podem desde já verificar
decorrentes do alargamento da UE a 25? | Por Carla Martins |
Salienta José Manuel Paquete de levisão, pela nacionalização da imprensa e nho, 1997), a paisagem mediática na-
Oliveira, em “A integração europeia e pela pouca especialização e diversificação cional transformou-se profundamente
os meios de comunicação social” entre 1985-1994, sofrendo simul-
(Análise Social, 1992), que a evolu- taneamente três viragens: privatiza-
A ADESÃO À ENTÃO CEE PERMITIU QUE OS
ção dos media portugueses não é in- ção, concentração e comercializa-
dependente dos ciclos da história do ção das políticas editoriais. A nível
PROGRAMAS OU POLÍTICAS DEFINIDOS
país. Um acontecimento como a in- interno, os governos de Aníbal
tegração europeia está relacionado […] FUNCIONASSEM COMO GUIAS DE Cavaco Silva (1985-1995) segui-
com uma etapa identificadora de um ram uma política de reprivatiza-
ciclo da história da comunicação so- ACÇÃO, COM ESPECIAL INCIDÊNCIA NO ções nos vários sectores da econo-
cial portuguesa. E que ciclo é esse? mia e permitiram que soprassem
Se o período entre 1974 e 1985 ficou AUDIOVISUAL ventos de liberalização.
marcado pela propriedade estatal da te- Relacionada com este factor inter-
no, a adesão à então CEE permitiu
de títulos, o perío- que os programas ou políticas defini-
do seguinte, até dos, em geral, para os vários domínios
meados da década económicos e, em particular, para o
Casa da Imagem

de 90, caracteriza-se campo dos media, funcionassem como


pela privatização guias de acção, com especial incidência
dos títulos de ex- no audiovisual.
pansão nacional es- Escreve Mário Mesquita, em “O
tatizados em 1975, Universo dos Media entre 1974-1986”
pela explosão das (Círculo de Leitores, 1994), que a en-
rádios locais, pelo trada na CEE influenciou a decisão de
surgimento dos abrir a televisão à propriedade privada,
primeiros canais “atendendo aos esforços da Comuni-
de televisão priva- dade Europeia para conseguir a «apro-
dos e pela afirma- ximação das legislações dos Estados
ção dos primeiros membros» em determinadas matérias,
grupos com voca- com vista a promover o «livre fluxo de
ção multimédia. radiodifusão na Europa», a existência
Na leitura de Fer- de «mercados europeus de programas»
nando Correia, em e o desenvolvimento de PME no sector
“Os Jornalistas e as audiovisual”. Este processo foi paralelo
Notícias” (Cami- à queda de monopólios públicos por

[ Página 10 ] | Setembro-Outubro 2005 | Media XXI


ED_83 05/10/31 12:46 Page 11

toda a Europa no sector audiovisual consti-tuíam um poderoso factor de

Casa da Imagem
e coincidiu com a chamada “desre- integração das populações alieníge-
gulamentação” da indústria dos me- nas nos países de acolhimento, os
dia. A participação de capital estran- media favorecem actualmente uma
geiro foi outro dos elementos que segmentação de práticas sócio-cultu-
caracterizou a nova fase do sistema rais que só podem reforçar a tendên-
mediático português. O nascimento cia para a constituição de guetos”.
do Público, em 1990, pelas mãos da E que relevância dão os media dos
Sonae, é um exemplo que se pode países europeus à informação sobre
evocar das parcerias entre empresas as iniciativas, protagonistas e insti-
lusas e estrangeiras. O título tinha tuições europeias? Se os media dão
então como accionistas minoritários grande cobertura aos acontecimen-
a Prisa (editora do El País) e a em- tos de agenda, não o fazem com re-
presa editora do italiano La gularidade no que toca à actualidade
Repubblica. do espaço europeu. Sabe-se pouco
sobre os outros países da União
| Os níveis da “europeização” | priedade ter-se-á reflectido igualmente Europeia, o que é conflituante com a
Os impactos da integração europeia ou nos conteúdos editoriais? Nobre- afirmação de uma sociedade civil e de
o nível de “europeização” dos sistemas Correia salienta, por um lado, que a uma identidade europeias.
mediáticos poderão ser aferidos, se- uniformização de fórmulas de progra-
gundo Nobre-Correia, a três níveis: mas para rádio e televisão nada tem de | O desafio da Europa a 25 |
propriedade, conteúdo, público. Em especificamente europeu. Por outro la- Estes factos e reflexões contribuem pa-
“Os Media e a Europa. O sistema ra pensar os impactos do mais recen-
mediático da União, a sociedade te alargamento da União Europeia a
NOBRE-CORREIA SALIENTA, POR UM LADO,
civil e a identidade europeia” 25, onde não está ausente, por
(Calei- doscópio, 2004/05), ex- QUE A UNIFORMIZAÇÃO DE FÓRMULAS DE exemplo, a situação de desequilíbrio
plica que a “europeização” da in- com os EUA no campo das indús-
dústria dos media e das suas es- PROGRAMAS PARA RÁDIO E TELEVISÃO trias culturais e de media. “Na nova
truturas de propriedade foi União Europeia a vinte e cinco sere-
ganhando expressão. Tornou-se vi- NADA TEM DE ESPECIFICAMENTE EUROPEU mos obrigados a constatar o impor-
sível sobretudo nos segmentos das tante peso adquirido pelos grupos
revistas – os franceses Hachette dos EUA nos media da antiga Europa
Filipacchi e Marie Claire, o alemão do, as colaborações redactoriais consti- de Leste”, alerta Nobre-Correia.
Bertelsmann, Bauer, Burda e Axel tuirão uma “pequena europeização” no Como revela o artigo de Vanda Ferreira,
Springer, o britânico Emap, o finlandês campo da informação. Trata-se normal- é multiforme a paisagem mediática dos
Sanoma, o italiano RCS, o sueco mente da republicação de uma peça em dez novos Estados-membros da UE e,
Bonnier – e da televisão – instalaram-se meios não concorrentes. em cada um, abundam as contradições.
noutros países grupos como os luxem- Quanto aos públicos, estes continuarão Por exemplo, os elevados índices de
burgueses RTL Group e SBS Broadcas- a preferir os media dos seus países – leitura de jornais constrastam com a
ting, o britânico BSkyB (News além dos títulos com edições nacionais tendência para privilegiar a televisão
Corporation), o italiano Mediaset apenas “algumas publicações anglófo- quanto ao investimento publicitário.
(Fininvest, de Silvio Berlusconi) e os nas conseguem atingir um público Além disso, a Leste, a “europeização”
franceses Bouygues e AB Group. Na transeuropeu”, como o International da indústria de media já começou an-
imprensa diária também se fez sentir, Herald Tribune. O mesmo sucede com tes do alargamento de Maio 2004. O
como o demonstram o grupo britânico algumas televisões, caso dos canais BBC caso da Polónia é a este respeito revela-
Pearson, que edita jornais de economia World, Euronews ou Arte. O professor dor, considerando o peso do investi-
em vários países europeus, ou o grupo da Université Libre de Bruxelles chama mento estrangeiro. Não obstante, a
Modern Times Group, com o Metro. a atenção para outro aspecto: a abun- Leste temos quase tudo por descobrir.
A europeização das estruturas de pro- dância tecnológica: “quando antes

Media XXI | Setembro-Outubro 2005 | [ Página 11 ]


ED_83 05/10/31 12:46 Page 12

| Dossier/ Alargamento da União Europeia e Impactos nos Media |

Media de Leste crescem associados a grupos ocidentais

A Leste… tudo de novo

A Polónia e a República Checa são dois dos mercados de Leste mais atractivos
para os investidores europeus e com maior tradição de media internacionais
| Por Vanda Ferreira | | Fotos Casa da Imagem |

A menor intervenção do Estado e o al- sendo em média inferiores aos pratica- cias locais face a conceitos editoriais im-
cance internacional de marcas, por vezes dos na restante Europa. portados e que implicam um período
de origem local, são os principais traços No investimento publicitário, os países de conquista dos mercados. Os leitores
distintivos da indústria de media norte- da Europa de Leste cuja adesão à jovens podem estar ávidos de informa-
americana face à europeia. Esta, distin- Comunidade Europeia foi concretizada ção e estilos de vida da Europa ociden-
gue-se por sua vez, entre os países do em Maio de 2004, apresentam uma es- tal, mas as marcas locais têm estratégias
Norte, em que os mercados de media trutura semelhante a Portugal e aos pa- de renovação, potenciadas pelos grupos
tradicionais se consolidaram até os ní- íses do Sul da Europa; mais dirigidos de media alemães, franceses e ingleses
veis de circulação terem estagnado (des- para a televisão que para a imprensa ou com investimentos consolidados na
de os anos 90 do século XX) e que são a Internet, salvo raras excepções nesta Polónia, República Checa, Croácia, etc.
pioneiros no desenvolvimento dos me- última, mas apresentam níveis de cir- Os gastos na reformulação de conteúdos
dia electrónicos como negócio e, por culação de jornais que os identificam (traduções e adaptações) ou a instalação
outro lado, os países do Sul do com os mercados do Norte da Europa. de redacções locais, representam tam-
Continente, com hábitos de leitura mais bém custos acrescidos.
ligados à informação não diária, maior | Entraves ao desenvolvimento |
consumo de televisão e em que a A língua é uma das barreiras às estratégias | Imprensa em circulação |
Internet recolhe um investimento ainda de investimento em media a Leste, sobre- No que respeita à circulação média dos
residual por parte de anunciantes e em- tudo para os investidores dos países do jornais diários e não diários por mil ha-
presários de media. Sul da Europa. O alemão e o inglês são os bitantes (população adulta), os países da
A Leste, os mercados apresentam hábitos idiomas mais comuns em mercados em Europa de Leste revelam hábitos de lei-
de leitura de imprensa semelhantes aos que o russo ainda é a segunda língua tura mais próximos dos países do Norte
do Norte da Europa, em que as marcas além da materna. Ao contrário de que do Sul da Europa.
têm credibilidade por vezes internacio- Portugal, muitos media de países da No segmento dos jornais diários, circu-
nal, mas os meios electrónicos registam Europa de Leste mantiveram conteúdos laram, em 2004, 650 exemplares por
um desenvolvimento menor, nomeada- em línguas estrangeiras, nomeadamente cada mil habitantes, a par dos mercados
mente na captação do investimento pu- estações de rádios e edições internacionais finlandês (522 exemplares em mil),
blicitário. De um modo geral, é possível de imprensa, em inglês, alemão, francês e sueco (489), inglês (331), alemão
concluir que os países do Leste euro- mesmo castelhano. (313), holandês (302), dinamarquês
peu são mercados receptivos à infor- A acrescentar a esta dificuldade, registe- (300) e irlandês (233); assemelhando-
mação vinda do Ocidente, com hábitos -se a ameaça da dificuldade de adesão a -se ao que acontece nos países do Leste
de leitura muito consolidados e em marcas estrangeiras por parte das eco- europeu: Estónia (228), Eslovénia
que os custos de produção de imprensa nomias emergentes de Leste. Há um ris- (208), República Checa (190), Lituânia
estão ao nível dos praticados nos EUA, co inerente à ultrapassagem das resistên- (181), Hungria (174), Polónia (126),

[ Página 12 ] | Setembro-Outubro 2005 | Media XXI


MEDIA XXI N.º 79 1/17/70 11:37 PM Page 39
ED_83 05/10/31 12:47 Page 14

| Dossier/ Alargamento da União Europeia e Impactos nos Media |

Eslováquia (106), Bulgária (104) e (17), a Polónia (7), a Eslováquia (1) e | Polónia: influência ocidental |
Croácia (101). Em alguns dos países do a Irlanda (0,4). Destaque-se, porém, o O mercado polaco destaca-se pelo peso
alargamento, a circulação de jornais mercado polaco cujos custos de produção do investimento estrangeiro na indústria
diários por mil habitantes é mesmo su- de um jornal diário - os mais baratos da de media, em relação aos países de Leste
perior à de outros países do Norte da Comunida-de Europeia - se equiparam que aderiram à Comunidade Europeia
Europa, caso da Bélgica (172), França aos dos EUA. Neste último país, o custo em Maio de 2004. Entre 2003 e 2004, o
(160), Itália (114) e do Sul da Europa, médio de impressão de jornais (a duas e crescimento da economia foi de 4%; de
caso do Chipre (74), Portugal (68) e quatro cores) é de 493 dólares; na 3,2% em 2003 e de 1,1% em 2002. O
Grécia (67) - países da UE com menor Polónia, não ultrapassa os 495. O preço número de diários pagos cresceu 20%
circulação de jornais diá- entre 2003 e 2004, 2,8% dos re-
rios por mil habitantes. OS PAÍSES DA EUROPA DE LESTE APRESENTAM UMA gionais e 33% dos gratuitos desapa-
A circulação média dos receram. A circulação de jornais na-
jornais não diários por mil ESTRUTURA DO INVESTIMENTO PUBLICITÁRIO cionais cresceu 15% e a dos
habitantes não permite re- regionais perdeu 7%. Os principais
tirar conclusões tão esque- SEMELHANTE A PORTUGAL E AOS PAÍSES DO SUL grupos de media do país têm inves-
máticas. Portugal atinge o timentos alemães, suíços ou france-
meio da lista dos países DA EUROPA; MAIS DIRIGIDOS PARA A TELEVISÃO ses, de que são exemplo o Axel
europeus com maior cir- Springer, o Burda Polska, o Grüner
QUE PARA A IMPRENSA OU A INTERNET
culação de jornais não diá- Jahr Polska, o Edipresse Polska e o
rios; com 302 exemplares Hachette Filipacchi Polska. Entre os
por cada mil portugueses. A lista é en- médio de distribuição de diários nos EUA nacionais destacam-se o Wydawnictwo
cimada pela Eslovénia que, em 2004, varia entre 0,25US$ e 1US$; na Polónia, Bauer Polska, o Orkla Group e o Agora.
registou uma circulação média de os dados divulgados pela WAN indicam Num país com uma inflação média re-
4.861 exemplares por mil habitantes; que o custo de distribuição de um jornal duzida até 2003 e que atingiu 1,6% em
nos últimos lugares situam-se a Itália corresponde a 31% do preço de capa. Novembro de 2004, o desemprego es-

[ Página 14 ] | Setembro-Outubro 2005 | Media XXI


ED_83 05/10/31 12:48 Page 15

trutural - de gerações -, situado entre habitantes.


18 e 20% no final daquele ano, será No sector da rá-
uma das principais ameaças ao sucesso dio, existem 14
empresarial. estações emisso-
Além disso, a entrada da Polónia na UE ras em onda mé-
correspondeu ao início da aplicação do dia (AM) e 777
IVA aos serviços das gráficas (22%), em frequência
aos anúncios classificados (7%) e às modelada (FM)
vendas de jornais e revistas cujos edito- num mercado em
res ultrapassem o limite de 67% de que existem entre
conteúdos publicitários face aos edito- 421 e 523 apare-
riais (entre 7 e 22%). lhos de recepção
As empresas de media assumem-se in- de rádio por cada
tegradas numa economia de mercado, mil habitantes. As
em que se concretizou a privatização quatro estações de
dos meios, mas o sector da televisão rádio nacionais –
(constituído por dois canais públicos a Um, a mais po-
nacionais, três comerciais privados, 33 pular de todas; a
por cabo, 12 regionais terrestres e por Dois, especializa-
cabo – mais 12
emissões regio- OS PAÍSES DA EUROPA DE LESTE REVELAM HÁBITOS
nais em canais
nacionais e aces- DE LEITURA MAIS PRÓXIMOS DOS PAÍSES DO
so a 16 estran-
geiros), continua NORTE QUE DO SUL DA EUROPA, DE ACORDO
a ser acusado pe-
COM O ÍNDICE DE CIRCULAÇÃO DOS JORNAIS
los editores de sultam de produção nacional.
imprensa de prá- O panorama radiofónico polaco resulta
ticas desleais, em consequência da apli- da em cultura; a Três, reconhecida pela da abertura do espectro à iniciativa pri-
cação de descontos entre 40 a 60% sobre informação e música de qualidade e o vada no início dos anos 90, quando co-
os preços de publicidade fixados quarto canal, Rádio BIS, o meçaram a surgir as 116 estações priva-
em tabela. único canal edu- das independentes. Entre as rádios
A televisão polaca é, cativo; os 17 privadas destacam-se a RMF FM, resul-
de acordo com dados canais locais, tante da colaboração com a rádio fran-
do Observatório Euro- algumas delas cesa FUN e a Rádio Malopolska FUN; a
peu do Audiovisual, estru- com maior au- Rádio ZET, a primeira estação comercial
turada em torno de uma diência que as rá- de Varsóvia, cuja licença nacional foi atri-
programação de ficção (sé- dios nacionais buída ao grupo Eurozet em 1994 e tam-
ries e filmes) – 50%; infor- em algumas ci- bém proprietário da Radiostacja, dirigida
mação – 14% e artes/cultu- dades polacas e o aos jovens urbanos e da rádio local TOK
ra – 9%. A origem da Canal Parlamento FM. O terceiro tipo de operador polaco
programação é essencial- integram o siste- corresponde à emissora católica nacional,
mente anglo-saxónica ma público da Maryja, sobretudo ouvida por polacos
(Canadá, EUA e Inglaterra), Rádio Polaca. Em com mais de 55 anos, mas também aces-
alemã e italiana. Segundo respeito da Lei da sível no Canadá e EUA, através de emisso-
o Governo polaco, existem Rádio, um terço res locais, por satélite e através da Internet
entre 387 e 414 apa- da programação em todo o mundo.
relhos de recepção te- (da música à Num contexto fortemente concorren-
levisiva por cada mil informação) re- cial, regista-se na Polónia um progres-

Media XXI | Setembro-Outubro 2005 | [ Página 15 ]


ED_83 05/10/31 12:48 Page 16

| Dossier/ Alargamento da União Europeia e Impactos nos Media |

sivo crescimento da quota de publici- ção nos sectores da rádio e televisão. checos revelam preferência pela televi-
dade afecta à imprensa (mais 27,6% são (210 minutos/dia), rádio e Internet
nos jornais diários), sendo que a televi- | República Checa: tradição local e vocação (172), tendência em crescimento desde
são ainda é o meio dominante na re- global | 2003. Um sinal que jornais e rádios
colha do investimento. Os anos 90 representaram o início da ex- acompanham relativamente, dada a exis-
O consumidor polaco típico dá prefe- pansão das empresas de media checas, tência de 8 edições electrónicas em 80
rência à televisão e à rádio (205 e 102 num mercado que alcançou um cresci- diários pagos, (7 dos quais nacionais) e
minutos/dia, respectivamente), entre os mento do PIB de 4% em 2004, com 25 sítios em 1.010 revistas checas.
seus hábitos de consumo de media, de- 2,8% de inflação, níveis de crescimento Entre 2002 e 2003, o acesso à Internet
dicando no seu quotidiano 15 minutos moderados da publicidade em imprensa e cresceu 7% na República Checa, de
aos jornais – 20 aos nacionais 26,8% da população total no
e 12 aos regionais -, 18 às re- O SECTOR DA TELEVISÃO POLACO CONTINUA A
primeiro ano a 33,8% em
vistas e 25 minutos à Internet. 2003.
A tendência resultou crescente, SER ACUSADO PELOS EDITORES DE IMPRENSA DE O fim de 40 anos de censura re-
excepto para a rádio para a velou uma vocação simultanea-
qual decresceu o tempo gasto e PRÁTICAS DESLEAIS, POR PRATICAREM DESCONTOS mente local e internacional para
para a imprensa, que estabili- a indústria de media checa. A
zou entre 2003 e 2004. O nú- ENTRE 40 A 60% SOBRE OS PREÇOS DE PUBLICIDADE explosão de dezenas de títulos
mero de edições electrónicas de imprensa, cadeias de televi-
de jornais e revistas decresceu FIXADOS EM TABELA são (11 delas são oriundas de
na Polónia entre 2003 e 2004 países estrangeiros) e rádio
(menos três diários online, que agora Internet, mas que continua a enfrentar deu-se tanto a nível local como nacio-
são 42 e menos dois semanários; agora um elevado desemprego e défice orça- nal. Existem duas estações públicas na-
são 10, segundo dados da WAN), mas o mental. Com a entrada na EU, a cionais – financiadas pelo Estado e com
número de revistas com sítio na Internet República Checa passou a cobrar um restrições à publicidade -, 26 canais priva-
aumentou de 891, em 2002, para 1.083 IVA de 19% à actividade das gráficas e dos regionais e 149 locais; desde 1994,
em 2003, segundo dados da FIPP. distribuidoras, mantendo em 5% para a dois canais comerciais (Nova e Prima)
A médio prazo, prevê-se na Polónia o sur- venda de publicações. por via terrestre e cinco canais por cabo
gimento de leis preventivas da concentra- Os hábitos de consumo de media dos nacionais. Existem ainda oito canais na-

[ Página 16 ] | Setembro-Outubro 2005 | Media XXI


ED_83 05/10/31 12:49 Page 17

cionais com emissões dirigidas para 2000, a Rádio Praga tornou-se to-
os mercados estrangeiros. talmente digital.
Os sectores de rádio e televisão Dada a crescente presença de
estão integrados num modelo imigrantes e residentes de
misto (público-privado). origem estrangeira, a
Actualmente, existem mais Rádio Praga considera a
de 70 estações de rádio li- hipótese de emitir as
cenciadas e mais de 150 rá- emissões também em
dios a nível nacional. Entre FM para o território na-
as principais estações cional e em línguas di-
Rádiofónicas contam-se a versas do checo. Grande
Rádio Praga, a Rádio KISS 98 parte da programação inter-
FM, a Rádio Impuls, a Rádio nacional é feita em co-produ-
Frekvence 1, a Rádio Evropa 2, o ção com a Rádio Praga, a aus-
canal da BBC World Service e a traliana SBS, a croata Daruvar, a
Rádio Free Europe. romena Timisoara, Slovakia Interna-
Entre elas, a Rádio Praga distingue-se pela tional, a Rádio France Internationale, a
tradição internacional ganha durante a in- território Rádio Budapest, a Rádio Polonia e várias
tegração no Bloco de Leste. Desde 1993 checo, via satélite para os EUA, por emis- estações nos EUA. A Comissão Europeia
voltou a ter licença de emissão na sores internacionais para as áreas para as aconselhou no final de 2004, a adop-
República Checa e ga- ção de estratégias de lan-
rante emissões em che- O FIM DE 40 ANOS DE CENSURA REVELOU UMA VOCAÇÃO çamento de jornais para
co, inglês, alemão, imigrantes e minorias ét-
francês, castelhano e SIMULTANEAMENTE LOCAL E INTERNACIONAL PARA A INDÚSTRIA nicas, como forma de
russo. A estação emite captação de novos públi-
24 horas/dia, com três DE MEDIA CHECA. SURGIRAM DEZENAS DE TÍTULOS DE IMPRENSA, cos e para contrariar a
horas diárias de pro- queda da circulação; ao ir
CADEIAS DE TELEVISÃO E RÁDIOS
gramação nova em to- ao encontro dos novos
das as línguas e re- segmentos de público.
transmissões contínuas, através de quais é dirigida a respectiva programa- O investimento estrangeiro na indús-
retransmissores em onda média para o ção e pela Internet desde 1996. Em tria de imprensa checa está associado
sobretudo a grupos alemães e suíços e
dirigida para os jornais nacionais, entre
eles o “Blesk”, o tablóide mais lido no
país, do grupo suíço Ringier; o genera-
lista de referência “Lidove noviny” e
outra dezena de jornais. A estes jun-
tam-se os checos MAFRA, editor do
“MF Dres”, o “Pramo”, do grupo
Borgis e o “Deniky Morávia”, do Vltava
LebePress. A imprensa regional na
Boémia organiza-se sobretudo em tor-
no de três empresas do grupo editorial
alemão, Passauer Neue Presse. Entre as
revistas, os principais grupos são fran-
ceses ou alemães; Hachete Filipacchi e
Burda Praha, além dos locais Sanoma
Magazines Praha e Europress.

Media XXI | Setembro-Outubro 2005 | [ Página 17 ]


ED_83 05/10/31 12:49 Page 18

| Dossier/ Alargamento da União Europeia e Impactos nos Media |


Estudo sobre os efeitos do alargamento nos media

Mais conhecimento na
Europa da informação
A cobertura dos media portugueses sobre os novos países da UE melhorou os
conhecimentos dos inquiridos que vêem o alargamento como uma oportunidade
para o mercado nacional | Por Margarida Ponte |

Numa Europa onde o campo mediático em exclusivo para a


se alarga à medida que mais países en- Media XXI. O alarga-
tram na União Europeia (UE), importa mento da UE acarreta
saber quais os impactos do alargamen- novos desafios para as
to de 15 para 25 países-membros no empresas de media na-
campo dos media. De um painel de cionais. Uma maior di-
gestores e responsáveis dos meios de versificação temática
Comunicação Social e de professores e (25.3%) e o surgimen-
alunos de cursos superiores de comu- to de novos temas
nicação, a esmagadora maioria, 86.9%, (25.3%) foram, de
considera que o alargamento da UE é acordo com os inquiri-
uma oportunidade para os media por- dos, as mudanças mais
tugueses e apenas 8.1% o vêm como significativas. A moder-
uma ameaça. Mas a questão não reúne nização (23.2%) e uma
só consensos entre o painel consultado maior concorrência fo-
pelo Instituto de Pesquisa e Opinião de ram outros efeitos
Mercado (IPOM) num estudo realizado apontados no inquérito.

Melhores conteúdos dia nacionais é positiva. 82.8% dos in-


(9.1%), a profissio- quiridos responderam que o tratamen-
nalização (7.1%) e as to noticioso tem aumentado os seus
novas figuras na co- conhecimentos sobre a Europa e 86.9%
municação mediática pensa que melhorou os conhecimentos
(5.1%) são as áreas sobre os novos países da UE. Quando
dos media nacionais questionados sobre se a cobertura sen-
onde os inquiridos sibiliza os inquiridos para os temas re-
notam que o alarga- lacionados com a UE, 79.8% concorda-
mento teve um me- ram. Contudo, quando a questão
nor impacto. aborda a introdução de estereótipos so-
ciais e económicos na cobertura sobre
| Análise da cobertura a UE, a maioria dos inquiridos, 69.7%,
mediática nacional | considera que tem havido estereotipi-
A avaliação da cober- zação. Em contrapartida, 71.7%, dos
tura da UE pelos me- entrevistados revela que, no geral, a co-

[ Página 18 ] | Setembro-Outubro 2005 | Media XXI


EDIÇÃO 81 6/9/70 8:20 PM Page 9
ED_83 05/10/31 12:50 Page 20

| Dossier/ Alargamento da União Europeia e Impactos nos Media |

bertura tem apresentado os aspectos buído para a in-


positivos mais pertinentes enquanto tegração social
20.2% discorda. Por outro lado, uma das minorias ét-
percentagem equivalente dos inquiri- nicas. Pelo con-
dos, 74.7%, considera que os aspectos trário, 68.7%
negativos mais relevantes têm, de igual considera que os
modo, sido apresentados. Na opinião media têm con-
de 80.8% dos inquiridos, a cobertura tribuído para a
feita pelos media nacionais sobre o estereotipização
alargamento foi suficiente, mas com la- social das mino-
cunas em alguns assuntos, enquanto rias étnicas mas
13.1% considera mesmo que foi bas- 77.8% dos in-
tante incompleta e apenas 5.1% que foi quiridos respon-
muito completa, tendo abrangido to- de que os media
dos os assuntos relevantes. A análise das têm melhorado
respostas revela que, para os inquiri- o relacionamen-
dos, houve vários aspectos relacionados to entre culturas
com o alargamento da UE que poderão diferentes. Sobre o contributo da imprensa regio-
ter contribuído para o desenvolvimen- nal para a construção de uma consciên-
to dos media nacionais. Os mais rele- | Media locais numa Europa global | cia e identidade europeias, a resposta
vantes foram a partilha de experiências O alargamento da UE também traz de- afirmativa é categórica com uns taxati-
(32.3%), o desenvolvimento de meios safios aos media regionais. As opiniões vos 80.9%.
de comunicação social à escala da UE dividem-se quanto a eventuais benefí-
(30.3%), a introdução de novos mode- cios para a imprensa regional e local | Media nacionais depois da CEE |
los de exploração dos media (20.2%) com 37.4% dos inquiridos a considera- A integração de Portugal na então
e, por último, o alargamento do merca- rem que a sua importância irá manter- Comunidade Económica Europeia não
do da indústria mediática (18.2%). -se, enquanto 36.4% pensa que irá au- teve, de acordo com os inquiridos,
O estudo fornece ainda pistas sobre o mentar. Do total, 21.2% responde que efeitos significativos nos media nacio-
papel dos media na diversidade cultural o alargamento poderá relegar para se- nais. Do total, 48.5% considera a diver-
da UE. A maioria dos entrevistados, gundo plano o papel dos media regio- sificação de conteúdos a consequência
59.6%, pensa que os media têm contri- nais. Não há consenso quanto ao im- mais marcante nos media portugueses
pacto do processo e 84.8% pensa que não houve uma
de globalização dos maior abordagem pelos media nacio-
media nas identida- nais na apresentação de temas sociais e
des regionais e lo- de assuntos sobre países europeus
cais. Para 36.4% (88.9%). Os entrevistados consideram
dos inquiridos, a ainda que a entrada na CEE não trouxe
globalização favore- mudanças ao nível empresarial. Para
ce a diminuição 39.4% do painel, a mudança nos media
dessas identidades nacionais ao longo dos últimos vinte
mas, em oposição, anos notou-se mais ao nível da concor-
35.4% pensa que rência para aumentar a participação
poderá reforçá-las. dos cidadãos.
No entanto, 23.2.% A construção de uma consciência social
afirma ainda que a em prol da Europa, 25.3%, e o contri-
globalização dos buto para a construção da cidadania,
media não tem im- 19.2%, foram outras alterações relevan-
pacto na diversida- tes nos media nacionais apontadas pe-
de local e regional. los inquiridos.

[ Página 20 ] | Setembro-Outubro 2005 | Media XXI


ED_83 05/10/31 12:50 Page 21

dade para os media | UE e a sociedade da informação |


portugueses, segui- Quando questionados sobre as políticas
da da maior mobi- adoptadas na UE para a sociedade da
lidade profissional informação, a avaliação dos inquiridos
(27.3%) e da possi- é, no geral, positiva. A esmagadora
bilidade de exten- maioria, 84.8%, considera que as polí-
são de negócios ticas têm contribuído para a criação de
(21.2%). No entan- redes de comunicação ao nível euro-
to, 15.2% não vê- peu. Do total, 73.7% pensa que essas
em no alargamento políticas têm promovido a relação dos
oportunidades para cidadãos com as novas tecnologias e
os media nacionais. 61.6% considera que as políticas têm
Para 31.3% dos in- contribuído para uma melhoria da par-
quiridos, mais con- ticipação cívica. As opiniões dividem-se
corrência entre os quanto à melhoria da comunicação en-
media é o maior tre governantes e cidadãos com 58.6%
desafio que o alar- dos inquiridos a considerarem que as
gamento acarreta para os media nacio- políticas adoptadas na UE têm aumen-
| Mercados dos media | nais. Outros desafios são a adaptação às tado essa interacção enquanto 41.4%
A maioria dos inquiridos, 76.8%, mos- necessidades das comunidades imi- responde que não. Sobre os impactos
tra-se receptivo ao consumo de media grantes (22.2%), os novos media dis- das políticas para a sociedade da infor-
produzidos noutros países da UE con- poníveis no país (19.2%), a maior con- mação em áreas como a saúde, a eco-
tra 22.2% que não têm interesse em corrência entre profissionais (12.1%) e nomia e a educação, 51.5% considera
consumir media de outros países euro- a adaptação dos media ao tipo de con- que as medidas europeias têm introdu-
peus. Sobre a possibilidade de um de- sumo fora do país (8.1%). zido melhorias mas 48.5% responde
senvolvimento de meios de comunica- Na comparação entre os media da UE que não tem havido progressos. Cerca
ção com difusão e distribuição para com os media dos Estados Unidos da de metade, 49.5%, dos inquiridos con-
todos os países da UE, 70.7% considera América, o estudo revela que a maioria sidera que o financiamento da socieda-
viável o projecto. A abertura da UE a dos inquiridos, 50.5% respondem que os de da informação deve ser misto, com
novos países pode trazer oportunidades media europeus são menos competitivos as participações comunitária, governa-
e desafios aos media nacionais. do que os media americanos enquanto mental e privada enquanto 21.2% pen-
Segundo o painel de inquiridos, a pos- 21.2% considera os meios de comunica- sa que devem ser o governo e os priva-
sibilidade de explorar novos mercados ção da UE mais competitivos do que os dos a financiá-la. 12.1% responde que
(38.4%) poderá ser a maior oportuni- media dos EUA. deve ser apenas o investimento privado
a financiar a sociedade da infor-
mação enquanto 8.1% considera
| Ficha Técnica | que esta deve ser apoiada por sub-
sídios governamentais e 7.1% por
O trabalho de campo deste estudo foi realizado através de um ques- subsídios comunitários.
tionário por telefone no dia 6 de Outubro e as chamadas foram con- A imprensa pode ainda contribuir
troladas através do sistema CATI. A amostra englobou 99 inquiridos, para a construção de uma identi-
de um universo constituído por gestores dos meios de comunicação dade europeia, principalmente
social, da imprensa especializada, da imprensa nacional, da imprensa através da divulgação da cultura e
regional, das rádios locais e nacionais, da televisão em sinal aberto, economia locais (34.3%), estabe-
das empresas relacionadas com a comercialização e distribuição de lecendo uma comunicação de pro-
comunicação social, e por professores e alunos do curso de ximidade (27.3%) e mostrando o
Comunicação Social. A margem de erro é inferior a 5,2 pontos para impacto da UE no tecido social
um nível de confiança associado de 95,5%. (21.2%).

Media XXI | Setembro-Outubro 2005 | [ Página 21 ]


ED_83 05/10/31 12:50 Page 22

| Dossier/ Alargamento da União Europeia e Impactos nos Media |


Mini – Inquérito

Diversidade e Expansão
para os media europeus
1) Considerando as recentes mudanças na UE, como poderão as diferentes
nacionalidades e a diversidade linguística contribuir para a dinâmica da
indústria dos media?

2) Que tipo de vantagens e desafios pensa existirem para os media nacionais no


alargamento da UE?

3) Como encara a hipótese de desenvolvimento de meios de comunicação social


com difusão e distribuição para todos os países da UE?

| Luis Nandin de Carvalho | tes, como também estes órgãos de comu- ver especial de apoiar todas as iniciativas
Professor Economia e Gestão UNL - ISEG nicação têm um dever acrescido, de con- consequentes, especialmente de entida-
Presidente do IPUEL - Associação Pró União siderarem da ordem do dia noticioso, tu- des sem fins lucrativos e que mobilizem
Europeia em Lisboa do quanto seja decorrente de esforços e as camadas mais jovens, aquelas que
iniciativas concretas de mobilização de mais duradouramente irão beneficiar
1) Importa quebrar a hegemonia do pro- participantes na construção europeia em nas suas vidas dos efeitos positivos da
cesso de construção europeia, seja pelo ei- especial os provenientes da sociedade ci- visão multifacetada e compatibilizada
xo franco-alemão, seja pelo norte ou pelo vil, e dos municípios, isto é, das manifes- das várias identidades nacionais.
sul. A construção europeia deve O papel dos media é pois, ca-
ser um processo eminentemente A CONSTRUÇÃO EUROPEIA DEVE SER UM PROCESSO da vez mais insubstituível, ne-
partilhado e co-participado, em cessário e indispensável...
que a identidade resultante seja EMINENTEMENTE PARTILHADO E CO-PARTICIPADO, EM
compatível e oriunda das identi- 2) O que atrás fica dito im-
QUE A IDENTIDADE RESULTANTE SEJA COMPATÍVEL E
dades parcelares. Os diferentes plica mais recursos a todos
Estados, nacionalidades e regiões os níveis. Financeiros, de
ORIUNDA DAS IDENTIDADES PARCELARES
devem pois veicular as suas lín- pessoal e tecnológicos. Será
guas, costumes e culturas ao extre- necessário estar em todos os
mo, fortificando a sua presença em certa- tações empresariais e das contribuições epicentros de iniciativas, e não apenas
mes internacionais de forma agressiva e dos políticos mais próximos das popula- nas capitais, ou nas comitivas das visitas
intervindo em geminações ou outras ini- ções, os autarcas. oficiais, torna-se necessária uma maior
ciativas bilaterais e multilaterais. A indús- A dinâmica deve pois ser interactiva, e preparação cultural e profissional, quer
tria dos media será tributária e beneficiará actuar em regime de boomerang, isto é, para melhor conhecer idiomas e até,
desta atitude estratégica, isto é, não só os ao noticiar determinado evento ter, co- dialectos, usos e costumes, para assim,
lideres de opinião devem fomentar o inte- mo reflexos, o desejo de emulação de os saber estabelecer um diálogo correcto e
resse dos media, para estes reportarem e superar, imitar e adaptar as outras reali- não meramente estereotipado, entrevis-
amplificarem interna e externamente os dades e circunstâncias. Neste caso parti- tas consequentes, reportagens e aponta-
aspectos de construção europeia relevan- cular, a Comissão Europeia tem um de- mentos profundamente genuínos. Os

[ Página 22 ] | Setembro-Outubro 2005 | Media XXI


ED_83 05/10/31 12:50 Page 23

meios tecnológicos terão um papel a casos será bem mais eficaz uma mensa- como conteúdos em geral, para os canais
desempenhar de maior importância pa- gem escrita, ou com som e imagem a surgidos com as Novas Tecnologias da
ra permitir mais rapidamente a apresen- propósito do dia 9 de Junho recebida Informação e Comunicação, como por
tação, a comparação e de forma atempa- directamente no telemóvel, do que ex- exemplo o Cabo e a Internet. A indústria
da gerir a colheita de informação por tensos discursos difundidos pela televi- dos media tem uma lógica essencial-
parte de espectadores, leitores/ouvintes são ou pela rádio e reproduzidos na im- mente comercial, e por isso só países
e analistas. Os media escritos e audiovi- prensa escrita. Ou não será assim? com capacidade para colocar no merca-
suais terão decerto maior número de do produtos com alta qualidade e a pre-
solicitações, a que importa que estejam ços competitivos podem beneficiar do
preparados para corresponder. Por ou- | Nuno von Amann de Campos | alargamento do mercado europeu, co-
tro lado, a nível oficial deve ser elevado Associação Portuguesa de Consumidores dos mo é o caso da Inglaterra onde a BBC
o serviço público de comunicação so- Media mantém uma produção lucrativa de
cial, a informação pedagógica da cons- conteúdos de elevada qualidade.
trução europeia e canais como o 1) A defesa das identidades culturais dos
Euronews, devem ser desenvolvidos e diversos países é contemplada nos docu- 2) Para competir no mercado europeu, os
acarinhados, permitindo-se terem mais mentos que expressam as Políticas da media nacionais têm de produzir de for-
direito de antena na generalidade das Comunicação da UE. Aí se afirma que os ma compatível com o binómio qualida-
televisões nacionais. de/preço, o que se tem
revelado muito difícil.
A INDÚSTRIA DOS MEDIA TEM UMA LÓGICA ESSENCIALMENTE
3) Trata-se de dois pro- Além disso, as estruturas
blemas distintos, um de empresariais deverão pôr
COMERCIAL, E POR ISSO SÓ PAÍSES COM CAPACIDADE PARA
natureza comercial e em- em prática novas formas
presarial privada, outro COLOCAR NO MERCADO PRODUTOS COM ALTA QUALIDADE E A de funcionamento orga-
resultante de uma política nizacional de modo a
oficial ou pública, de co- PREÇOS COMPETITIVOS PODEM BENEFICIAR DO ALARGAMENTO rentabilizar os meios hu-
municação social, a ser manos e a tecnologia
assumida em primeira disponível. Incluímos
linha pela Comissão Europeia e, em se- Estados membros devem tomar as me- nessa mudança preconizada os novos
gunda linha, pelos próprios Estados. didas necessárias à produção de progra- conceitos de jornalismo e a evolução das
Cada uma das situações tem respostas mas que promovam as identidades na- edições digitais. Nos países que aderiram
diversas, e assim, há que esperar que da cionais, e também se afirma que elas recentemente a situação não é animadora.
sua competição positiva saia beneficiado devem ser consideradas como valores O quadro jurídico não está estabilizado,
o conjunto dos cidadãos europeus. europeus. A diversidade dos programas os sistemas são concorrenciais mas não
Importa também alertar para os fenó- é também considerada valiosa, e a polí- transparentes, há um défice generalizado
menos mais recentes de comunicação tica de quotas da programação tem jus- de regulação e uma ineficácia flagrante no
dirigida directamente a consumidores tamente por finalidade assegurar que es- cumprimento das leis. Em conformidade
de informação individuais e de forma sa diversidade privilegie as culturas com os dados disponibilizados pela UE os
personalizada, como é o caso das notí- europeias. Por outro lado, há enquadra- telespectadores mostram preferência pelas
cias divulgadas através de SMS, MMS e mento legal que preconiza medidas ri- ficções nacionais.
vídeo. Há que depositar esperança no gorosas contra a concentração da pro-
efeito de massificação positivo e de ala- priedade dos media, considerada um 3) A difusão e a distribuição de produ-
vacagem destes processos, por isso fica poderoso factor de uniformização. A tos AV ou Telemáticos generalizadas a to-
aqui um exemplo e sugestão: no ano de ACMedia dedica uma particular atenção dos os países da Europa assemelha-se
2006, a 9 de Junho comemora-se mais a esta temática através da sua Plataforma porventura, aos EUA sem, porém, o re-
um dia da Europa...Será que quer os Internacional. [ver www.acmedia.pt]. curso à sua florescente indústria de fil-
operadores privados de comunicações Com o alargamento da UE estas políticas mes. No caso da imprensa é de analisar
móveis vão criar uma mensagem espe- fundamentais da Conferência Interminis- a evolução e a receptividade do sistema
cial para relembrar a data? E a Comissão terial devem manter-se. A indústria dos disponibilizado pela Satellite Newspaper.
Europeia e os próprios Estados não que- media produz hoje não só programas pa- A inevitável massificação, uniformização
rerão associar-se a esta ideia? Em muitos ra os canais audiovisuais (AV) clássicos, e comercialização, poderão ser o resul-

Media XXI | Setembro-Outubro 2005 | [ Página 23 ]


ED_83 05/10/31 12:51 Page 24

| Dossier/ Alargamento da União Europeia e Impactos nos Media |

tado da consolidação do actual modelo potenciais consumidores de informação. mas experiências tentadas de jornais
concorrencial a nível europeu. Só a co- “europeus” bem conhecidas, não foi
rajosa implementação do Serviço 2) A UE permite aos media dos Estados- coroada de sucesso. No entanto exis-
Público do AV poderá evitar tão desas- -membros, com as limitações resultantes tem já revistas que, pertencendo a gru-
trosa previsão se a complementarmos da garantia do pluralismo e da prevenção pos económicos transnacionais, são
com a mobilização da sociedade civil da concentração excessiva e prejudicial editadas nas várias línguas de diversos
como é preconizado pela ACMedia. para o rigor e a isenção da informação, países, com conteúdos comuns e con-
uma ampla liberdade de organização teúdos específicos, mas utilizando o
empresarial que potencie a exploração mesmo logótipo da capa e a mesma
| Jorge Pegado Liz | de um mercado alargado. apresentação gráfica, de forma a ser
Membro da Alta Autoridade para a Nos meios audiovisuais, a transição do perceptível a sua identidade de origem.
Comunicação Social analógico para o digital vem dar um im- É, no entanto, um domínio em que es-
pulso considerável na recepção sem tá quase tudo por fazer e onde o apelo
1) A diversidade linguística é uma das fronteiras de programas audiovisuais, à imaginação e à criatividade privada
maiores valias culturais da Europa, ex- sendo previsível que sejam cada vez tem toda a razão de ser, com total li-
pressão da sua diversidade cultural, mais os casos de grupos detentores de berdade, e onde apenas agora a UE se
sem embargo de constituir um entrave media a adquirirem participações em me- começa a preocupar com algum tipo
à comunicação entre os seus povos, na dia de outros países. Necessariamente que de regulamentação comum que tenha
ausência do que se possa verdadeira- meios de comunicação social em línguas em vista a protecção da dignidade hu-
mente considerar uma língua comum de expressão minoritária na Europa ou mana e outros direitos fundamentais.
única. Não admira, por isso, que a cujo conhecimento generalizado seja rela-
Comissão, no âmbito das suas preocu- tivamente menor, terão mais dificuldade
pações culturais, na tentativa de encon- em se impor noutros países, mas, na aná- | José Freire |
trar denominadores comuns de carác- Director Investor Relations
lise do mercado, pode pesar significativa-
ter civilizacional que permitam definir mente a presença cada vez maior de co- Impresa
uma identidade europeia, para além munidades de outras nacionalidades em
dos resultantes da 1) A diversidade que a expansão
História, tenha toma- da UE veio trazer, e a consequen-
EXISTEM JÁ REVISTAS QUE, PERTENCENDO A GRUPOS
do a iniciativa de lan- te abertura de fronteiras, vai per-
çar um Programa ECONÓMICOS TRANSNACIONAIS, SÃO EDITADAS NAS
mitir a criação de vários “nichos”
Comunitário destina- que permitam responder a essa
do a estimular o de- VÁRIAS LÍNGUAS DE DIVERSOS PAÍSES, COM CONTEÚDOS diversidade.
senvolvimento e a uti-
lização de conteúdos COMUNS E CONTEÚDOS ESPECÍFICOS 2) São mercados potenciais para ex-
digitais europeus nas pansão, apesar das barreiras linguís-
redes mundiais e a ticas. No entanto, a entrada nesses
promover a diversidade linguística na cada Estado-membro, fruto do princípio mercados por operadores estrangeiros já
sociedade da informação (COM da liberdade de estabelecimento. está acontecer há pelo menos 10 anos. As
(2000) 323 final). empresas portuguesas, para além da lín-
Mas cabe fundamentalmente aos me- 3) No domínio do audiovisual, em es- gua, têm uma dimensão reduzida, o que
dia, na sua liberdade e capacidade de se pecial da radiodifusão e da televisão di- lhes dificulta na sua competitividade para
gerirem com autonomia, avaliar as gital, o quadro legal existente na UE, enfrentar novos mercados.
vantagens económicas e sociais de se li- em particular o “pacote telecomunica-
bertarem das fronteiras nacionais e de ções”, com especial incidência na defi- 3) Essa hipótese é muito remota, pe-
procurarem fórmulas de organização – nição do “serviço universal”, permite lo menos em relação a novos meios de
através de aquisições ou fusões ou pelo encarar com algum optimismo o alar- comunicação, pois já existem muitos
desenvolvimento de parcerias – de for- gamento do mercado a iniciativas meios de comunicação internacionais
ma a aproveitarem as possibilidades transfronteiriças. de língua inglesa, que já o fazem.
criadas por um mercado alargado de Ao contrário, na imprensa escrita, algu-

[ Página 24 ] | Setembro-Outubro 2005 | Media XXI


MEDIA XXI N.º 79 1/14/70 2:41 PM Page 35
ED_83 05/10/31 12:51 Page 26

| Dossier/ Opinião |

Audiovisual europeu
Apesar da alegada conformidade genérica, ao tempo da mica, tout court, dado tratar-se de
pré-adesão, do quadro jurídico dos países do Alargamento um sector vital para o desenvolvi-
face ao estipulado no âmbito da Directiva TSF e noutros do- mento das sociedades modernas,
cumentos do acervo comunitário (http://europa. sustentado num princípio básico
eu.int/scadplus/leg/pt/s20013.htm), designadamente na inalienável e indiscutível – a
área do Audiovisual, o facto é que a realidade dos modelos Cidadania, princípio que por sua
de regulação sectoriais, em países centrais da UE – vez se suporta no Conhecimento,
Alemanha, Espanha, França, Itália e Reino Unido – , é ain- no Saber e na Informação. | Francisco Rui
da extremamente heterogénea (Cf. NIKOLTCHEV, Susanne, Parâmetros que são, naturalmente, Cádima * |
et altri, Television and Media Concentration - Regulatory intransferíveis para quadros jurídi-
Models on the National and the European Level, IRIS co-económicos específicos das actividades produtivas.
Special, OEA, Strasbourg, 2001). Não se pode mistificar a enorme responsabilidade social e
No actual quadro de reflexão sobre a Revisão da Directiva cívica do sector da comunicação e em particular do
TSF, ponderadas as práticas seguidas e os modelos de regu- Audiovisual, público e privado. Considero, portanto, neste
lação em matéria de Alargamento da União Europeia, im- aspecto, o quadro normativo em que a União Europeia se
porta reflectir sobre se está ou não, hoje, garantida uma es- movimenta desajustado à própria virtude civil e aos desíg-
tratégia inequívoca de exigência de práticas de Cidadania nios da Cidadania e da Sociedade do Conhecimento.
relativamente ao Audiovisual europeu (sobretudo na TV As estratégias impostas por imperativos de natureza económi-
pública, mas também na privada), de forma a ser superada ca, não poderão colidir com princípios básicos que regem o
uma crise institucionalizada ao longo de 20 anos por polí- exercício da actividade dos média e do Audiovisual em parti-
ticas demissionárias da União O QUE SIGNIFICA SABER SE OS PRÓXIMOS 20 cular, nomeadamente a inde-
Europeia nesta matéria, ou se, pelo pendência editorial e o respeito
contrário, se prevê a continuação de ANOS DE POLÍTICAS AUDIOVISUAIS EUROPEIAS pela dignidade humana.
uma política de submissão aos inte- Este modelo mediático inscre-
resses do velho e caduco modelo – À IMAGEM DO QUE SE SUCEDEU NOS 20 ve-se claramente numa lógica
comercial-publicitário do sector, que contém perigos para a or-
que tem contaminado, nomeada- ANOS PÓS-LIVRO VERDE DO AUDIOVISUAL (DE dem democrática. Não sendo
mente, os próprios operadores pú- muitas das vezes evidentes,
1984), SE ASSISTIRÁ OU NÃO, À CONVERSÃO
blicos de televisão. estes perigos traduzem-se em
O que significa saber se os próxi- bloqueios ao pluralismo e à
DEFINITIVA DA EUROPA NUMA ESPÉCIE DE
mos 20 anos de políticas audiovi- liberdade de expressão e edi-
suais europeias – à imagem do ‘TELELIXEIRA’ DA AMÉRICA torial e, portanto, em censura
que se sucedeu nos 20 anos pós- à expressão da experiência so-
-Livro Verde do Audiovisual (de 1984), se assistirá ou cial e do ‘mundo da vida’. O mesmo é dizer, em zonas de
não, à conversão definitiva da Europa numa espécie de sombra das narrativas e das práticas dos média e, por con-
‘telelixeira’ da América. seguinte, da experiência democrática. O que seria mais do
E o facto é que as perspectivas não são as melhores nesta que suficiente para já ter provocado uma intervenção clara
matéria. Tenha-se em conta que as sociedades modernas e inequívoca da União Europeia neste domínio. Se tal não
atravessam crises complexas de identidade, no plano da aconteceu até agora, será crível que ainda venha a aconte-
participação cívica, na representação política, na defesa dos cer? Recorra-se ao pouco euro-optimismo que ainda resta
quadros culturais, dos princípios e valores associados à sua e acreditemos que sim, que a Europa ainda poderá vir a ser
história e à sua cultura, tendo os media audiovisuais pouco uma Europa dos Cidadãos. De preferência com o empenho
contribuído no passado – e continuando a não contribuir - da Televisão.
para minorar claramente esta tendência.
Neste contexto, o Audiovisual não pode continuar a ser re- * Professor universitário (Departamento de
gulado, como até aqui, como mais uma actividade econó- Ciências da Comunicação – FCSH-UNL).

[ Página 26 ] | Setembro-Outubro 2005 | Media XXI


ED_83 05/10/31 12:52 Page 27

| Dossier/ Opinião |

Information Society and


EU-Enlargement
Achieving the enlargement of the European Union without form well in implementing e-Govern-
loosing efficiency and strength is one of the most impor- ment; for distance, the Baltic countries
tant challenges for the Europeans at the beginning of the are leading the way for continental
21st century. It is a unique and historic task to further the Europe on business climate, relying on
| Viviane Reding *|
integration of Europe and to extend stability and prosperity efficient e-Government. The perfor-
to new Member States, while promoting a more competiti- mance of the new Member States and candidate countries is
ve economy for growth and jobs. an achievement to be proud of and one that bears promise
The economies of the new Member States have been ra- for the whole of Europe’s future.
pidly growing. Successive enlargement have boosted eco- The main link between information society, policy and the
nomic growth and created employment in both old and enlargement process is through alignment with the
new Member States.They have also strengthened the role of Community legislation or aquis - mainly the Regulatory
the EU in world affairs. Framework for electronic commu-
IN THE INFORMATION, COMMUNICATION AND
Accession of the Central and nications and the Television without
Eastern European countries Frontiers Directive. Both legislations
MEDIA SECTOR, THE I2010 INITIATIVE WILL BOOST
has helped consolidate sta- are in a process of review, in line
ble democracies and speed ECONOMIC GROWTH AND CONTRIBUTE TO THE with the Communication the
up economic reforms and Comission, “i2010 – A European
the same applies to the futu- STRENGTH OF AN ENLARGED EUROPEAN information society for growth and
re adhesion of South-Eastern jobs”, adopted on 1 June 2005.The
European countries. The UNION, WHILE AT THE SAME TIME MAINTAINING possibility to fully participate in
prospect of EU membership European Union programmes such
and the related financial as- THE CULTURAL DIVERSITY as research and development frame-
sistance are a key catalyst in national reform process. work programme or the MEDIA programme is another im-
All these considerations are particularly relevant for the in- portant consequence of the enlargement.
formation society. The information, communication and The European Council has, on several occasions, underlined
media sector is on the verge of a new phase of growth ba- the prospect of membership to the European Union for the
sed on the convergence between high speed broadband Western Balkan countries. The development of a free, inde-
networks, audiovisual media and electronic devices. I have pendent and professional media landscape is a key element to
recently launched the i2010 initiative, a political strategy stability and functioning democracy. It is among the priorities
for growth and employment in the field of information of the Stabilisation and Association Process as well as essential
and communication technologies (ICT), as part of the new elements of the Copenhagen criteria for accession.
Lisbon strategy for the next five years. The aim of the new Enlargement has led to a more homogenous approach to
i2010 initiative is to seize the opportunity for growth and economic and social policies and the adoption of EU-wide
to ensure that the EU keeps a global competitive position. policies by an increased number of countries. In the infor-
An enlarged EU strengthens its positions in this respect. mation, communication and media sector, the i2010 initia-
The new Member States are supporting economic growth tive will boost economic growth and contribute to the
and cultural enhancement through their contribution in the strength of an enlarged European Union, while at the same
information society. Connectivity growth of Information and time maintaining the cultural diversity of Europe. In the
Communication Technologies in the new Member States has historic task of enlargement, ICT and media have been, and
outstripped that of the EU 15 in recent years.There is now lit- will continue to be, a vital and positive force.
tle difference in the adoption of ICT by business and public
administrations in the new Member States, compared to tho- * Comissária Europeia para a Sociedade da
se of the EU 15 Member States.The new Member States per- Informação e dos Media

Media XXI | Setembro-Outubro 2005 | [ Página 27 ]


ED_83 05/10/31 12:52 Page 28

| Reportagem Comunicação |
Debate sobre a Lei da Televisão

Licenças da discórdia
As autorizações das duas televisões privadas deverão ser renovadas por
deferimento tácito apesar das críticas da oposição e da criação de um novo
organismo regulador | Por Margarida Ponte |

O processo de renovação das licenças 2007 e os pe-


das duas operadoras de televisão priva- didos de reno-
das esteve envolto, nas últimas semanas, vação podiam
em acusações entre a oposição e o ser apresenta-
Governo e desentendimentos sobre os dos em qual-
prazos legais a respeitar. No epicentro da quer momento
questão está a extinção da Alta até um ano an-
Autoridade para a Comunicação Social tes do termo
(AACS), o organismo competente pela da licença, ou
atribuição das licenças de televisão de seja, até 22 de
âmbito nacional, e a criação, prevista pa- Fevereiro de
ra final de Novembro, da nova Entidade 2006. A SIC foi
Reguladora. O caso ganhou contornos a primeira es-
políticos com a demissão, no dia 28 de tação a anteci- Casa da Imagem

Setembro, de um membro da AACS, par o pedido


Artur Portela em protesto contra o que de renovação da sua licença, a 31 de criação em 2003 de um novo diploma
considerou ser a pressão do Governo Maio e o pedido da TVI chegou à AACS pelo Governo da coligação PSD/PP. “O
para a alteração da metodologia de aná- a 30 de Junho. Se o prazo de 90 dias problema surgiu quando foi alterada a
lise sobre a renovação das licenças de te- não for cumprido pelo organismo, as li- lei de 1998”, explicou Rui Assis
levisão. Por seu lado, a oposição acusa Ferreira, jurista do Instituto de
o Executivo de demissão do processo O PSD E CDS/PP ACUSAM O GOVERNO DE Comunicação Social, organismo
e de querer renovar automaticamente que responde aos desafios do licen-
as licenças sendo essa uma garantia QUERER RENOVAR AUTOMATICAMENTE AS ciamento em articulação com a
dada à Prisa, empresa alegadamente AACS, à Media XXI. “Como não
ligada ao PSOE, que já adquirir parte LICENÇAS AO REVALIDAR A LEI DE 1998 POR houve, no diploma de 2003, uma
da Media Capital, proprietária da TVI. alteração de fundo, nomeadamente
No debate parlamentar sobre o licen- CAUSA DO NEGÓCIO ENTRE A PRISA E A em termos de regulamentação téc-
ciamento da actividade televisiva, o nica e das normas de fundo man-
MEDIA CAPITAL
ministro que tutela as matérias relati- tinha-se em vigor a lei de 1998”,
vas à Comunicação Social, Augusto disse. A 12 de Setembro, Jorge
Santos Silva, rejeitou estas acusações ar- cenças das estações serão renovadas au- Sampaio pediu ao Tribunal Constitucio-
gumentando que não compete ao tomaticamente, de acordo com a Lei da nal (TC) que apreciasse a constitucio-
Governo deliberar sobre a atribuição e Televisão de 1998, o que deverá acon- nalidade da lei de 1998. O TC deu ra-
renovação das licenças. tecer, como defendeu recentemente o zão ao Governo o que, no entender dos
deputado socialista Arons de Carvalho. partidos da oposição, permite uma re-
| História do Processo | O Executivo decidiu recolocar em vigor novação quase automática das actuais
Os alvarás foram atribuídos às duas esta- a lei de 1998, atendendo a que o licenças.
ções em 2 de Outubro de 1992. As li- Decreto esteve sempre em vigor e que Permaneceram também dúvidas quanto
cenças terminam em 22 de Fevereiro de não existia um vazio legal, apesar da ao início da contagem do prazo de 90

[ Página 28 ] | Setembro-Outubro 2005 | Media XXI


ED_83 05/10/31 12:52 Page 29

dias. Esta contagem é suspensa sempre reguladora”, disse o gabinete

Casa da Imagem
que são pedidas informações, o que acon- de comunicação da SIC à
teceu quando a AACS pediu as grelhas de Media XXI. “A lei permite que
programas aos operadores, mas não existe o pedido poderia ter sido feito
consenso no que respeita a suspender a em data muito anterior àquela
contagem durante o período de apreciação em que efectivamente o foi”
mas “a SIC entendeu que só
do TC. Para Assis Ferreira, “o prazo não de-
veria ser suspendido pois criam-se incerte-deveria apresentar o pedido de
zas quanto à vigência do prazo legal”. renovação (...) decorridos cer-
ca de 13 anos e meio desde a
| As operadoras | respectiva atribuição, de forma
O PSD e CDS/PP acusam o Governo de a prevenir a habitual morosi-
querer renovar automaticamente as li- dade , e das diligências que
cenças ao revalidar a lei de 1998 por obrigatoriamente determinam,
causa do negócio entre a Prisa e a destes processos e que o pre-
Media Capital. Mas Santos Silva argu- sente caso, aliás, veio compro-
menta que o diploma de 1998 foi re- var”, explica um representante
prestinado devido às dúvidas em rela- da estação. A televisão de
ção aos prazos e disse “não compre- Carnaxide “concorda com o
ender” as críticas de Artur Portela, que actual modelo de atribuição e
atribuiu a “alguma turbulência relativa ao renovação das licenças” mas
fim de um órgão defen-
regulador e à en- O PRAZO MÍNIMO PARA PEDIR A de “uma maior A questão é saber “a partir de que mo-
trada em funções agilização e rapi- mento se deve contar se a partir do prazo
de outro”. RENOVAÇÃO DAS LICENÇAS É DE UM dez dos respecti- mínimo de um ano se do prazo máximo
A AACS é o orga- vos processos ad- que não existe”, diz Assis Ferreira. Para o
ANO, MAS NÃO EXISTE LIMITE PARA O
nismo que tem ministrativos”. jurista tudo depende da forma como os
competência pa- PRAZO MÁXIMO [...], AS TELEVISÕES
prazos legais forem interpretados mas, na
ra deliberar so- | Prazos | sua opinião, o prazo de decisão da AACS
bre as renova- PEDIRAM A RENOVAÇÃO ANTES DO “O prazo é a “deve começar a ser contado a partir do
ções “enquanto grande questão”, termo do prazo limite de um ano antes
não for criada a PRAZO MÍNIMO afirmou o presi- da caducidade da licença.” Dessa forma
nova entidade dente da AACS, o seria já o novo organismo regulador, em
juiz Torres 2006, a tomar a decisão sobre a renova-
Paulo à comu- ção. “Há muitos constrangimentos como
nicação social. a pressão do tempo, por isso a tese dife-
O prazo míni- rente desta diz que deve contar a partir do
mo para pedir momento em que os canais apresentam o
a renovação pedido à AACS.”
das licenças é Por seu lado, a oposição questiona que
de um ano, seja o actual organismo regulador a ana-
mas não existe lisar a renovação pelos próximos 15
limite para o anos das licenças, já que a nova entidade
prazo máximo. para os media deverá ser criada antes do
Neste caso, as final deste ano. Mas o membro do
televisões pedi- Governo que detém a tutela da comuni-
ram a renova- cação social argumenta que não se po-
Casa da Imagem
ção antes do dem mudar as regras no fim da licença.
prazo mínimo.

Media XXI | Setembro-Outubro 2005 | [ Página 29 ]


ED_83 05/10/31 16:12 Page 30
ED_83 05/10/31 16:13 Page 31
ED_83 05/10/31 12:53 Page 32

| Actualidade/ Sociedade da Informação |


Governo substitui papel nos serviços

Factura electrónica no
próximo ano
Os organismos e serviços públicos vão
substituir a factura em papel pela electrónica
num passo decisivo para a mobilização da
Sociedade da Informação | Por Nídia Silva |
Até ao final do ano os organismos e ser- todos os procedimentos prepara-
viços públicos integrados na administra- dos para a utilização da factura
ção pública vão estar aptos a adoptar o electrónica, que entra em vigor a
sistema de facturação electrónica, que partir de 1 de Janeiro de 2007.
será um impulso essencial ao comércio Depois da data oficial para o uso
electrónico. Com esta iniciativa, anun- da factura electrónica, esta só será
Casa da Imagem
ciada no final do mês de Julho, o emitida em papel se o destinatá-
Governo pretende a desmaterialização rio manifestar interesse na emissão da online a factura do cliente. Em Julho foi
da factura, optimizando meios e recur- factura ou documento equivalente em apresentada uma iniciativa privada, a
sos financeiros. suporte papel. Aliança Digital, para a promoção da fac-
Esta iniciativa insere-se no programa de- tura digital, provando a importância que
finido pelo Governo, numa tentativa de | Avaliação | este tema assume para as empresas. Esta
promover uma Sociedade da Informa- A implementação da factura electrónica associação nasceu da junção espontânea
ção, sendo, segundo o comunicado nos serviços administrativos da de várias entidades públicas e privadas e
Administração Pública vai ser acompa- conta neste momento com cerca de 50
nhada e avaliada pela Agência para a entidades.
Sociedade do Conhecimento (UMIC), O movimento pretende promover a
organização que tem tido um papel adopção da Factura Electrónica, dinami-
fundamental para a implementação de zando para isso várias actividades e do-
várias iniciativas do Governo na área cumentação de base que podem ajudar
das novas tecnologias de Informação e as empresas a ultrapassar as barreiras de
Sociedade da Informação. desconhecimento e algum receio na
Para além desta iniciativa, a UMIC tam- adopção deste instrumento contabilísti-
bém é responsável pela implementação co. Desde o seu lançamento que os fun-
do voto electrónico, pela massificação dadores da Aliança referiam como fun-
da Internet de Banda Larga, pelo pro- damental a utilização da factura
grama Cidades e Regiões Digitais e, en- electrónica pela Administração Pública já
emitido pela entidade governativa, “es- tre outros, pelo Programa Nacional de que o peso económico do Estado e a sua
sencial generalizar no âmbito da activi- Compras Electrónicas. relação com fornecedores e clientes ga-
dade económica a prática da emissão e do rante uma maior utilização deste instru-
recebimento de facturas por via electróni- | Sector privado | mento.
ca. A desmaterialização da factura sublin- Apesar de só agora a Administração A Aliança para a Factura Digital publicou
he-se, é essencial para a vida das empresas Pública começar a usar a factura electró- no seu site, www.aliancadigital.pt, um
e do Estado e para o incremento do co- nica, algumas empresas do sector priva- guia sobre a factura electrónica que po-
mércio electrónico em geral”. do já adoptaram este serviço. A Vodafone de ajudar a esclarecer algumas questões
O final do próximo ano é a meta traçada e a Portugal Telecom, por exemplo, são práticas quanto à sua utilização.
para que a Administração Pública tenha duas das empresas que disponibilizam

[ Página 32 ] | Setembro-Outubro 2005 | Media XXI


ED_83 05/10/31 13:29 Page 33
ED_83 05/10/31 12:53 Page 34

| Actualidade/ Tecnologia |
Novas tecnologias levam a voz mais longe

Telefonar sem telefone


Através da Internet telefonar pode transformar-se numa nova experiência que
associa voz e imagem. VoIP é uma sigla que começa a fazer parte do nosso
quotidiano e pode mudar a forma como comunicamos | Por Paula dos Santos Cordeiro |
É fácil, é barato e... pode dar milhões a mente, uma tendência de mudança na profundamente o cenário das telecomu-
quem o explorar. O protocolo que oferta ao nível das telecomunicações. Em nicações a nível mundial.
transforma a nossa voz em pacotes de 2004, 25% das receitas de voz das opera- Em Portugal, já existem serviços de voz
dados e os envia pela Internet chama-se doras de serviços fixos no Brasil foram sobre IP, que apresentam igualmente,
Voz sobre IP, ou Voice over Internet provenientes de empresas que fazem cha- boas perspectivas de crescimento. A
Protocol (VoIP). Trata-se de um aplicati- madas telefónicas usando a Internet. Portugal Telecom (PT) e a Media Capital
vo que permite fazer chamadas telefóni- foram as primeiras a lançar estas aplica-
cas usando Internet de banda larga em | Novos serviços | ções. A proposta da PT permite chama-
vez da tradicional linha analógica dos Muito embora existam já adaptadores das de audio e vídeo entre dois compu-
telefones, transformando qualquer com- para ligar os te-
putador, num telefone. lefones, um
Muito embora a nível mundial, o siste- microfone liga-
ma esteja já vulgarizado através do do ao computa-
Skype, um programa gratuito de parti- dor substitui
lha de ficheiros baseado na arquitectura este aparelho.
Peer to Peer (P2P) para fazer chamadas As chamadas
gratuitas através da Internet, em efectuadas vão
Portugal começam agora a surgir aplica- depender do
ções específicas de VoIP. serviço que se
está a utilizar e,
| VoIP | se alguns se li-
Na generalidade, um serviço de VoIP mitam aos subs-
permite comunicar com outras pessoas critores, outros
que usem o mesmo serviço e tenham permitem liga-
suporte áudio, microfone e colunas. A ções para qual-
ligação estabelece-se através da Internet, quer número
sendo a comunicação telefónica gratui- de telefone, em
ta, entre computadores ligados à rede. qualquer parte
Podem também ser feitas chamadas para do mundo. Para Casa da Imagem
telefones fixos ou móveis, com um cus- os subscritores
to substancialmente inferior ao das res- do mesmo serviço de VoIP, as chamadas tadores que tenham a aplicação do
tantes operadoras. No Brasil, por exem- são gratuitas e os valores de outros tele- SAPO. O IOL Talki, proposto pela Media
plo, dados revelados pela consultora IDC fonemas são consideravelmente mais Capital, é um serviço para ser utilizado
Brasil indicam que o número de operado- baixos, em relação às restantes operado- com ligação de banda larga, indepen-
ras que investem neste tipo de tecnologia ras de telecomunicações. Com este siste- dentemente do fornecedor de acesso à
aumentou em 61% em relação ao ano ma, as ligações a longa distância, as vi- Internet. Ao serviço apresentado pela PT,
passado. Segundo indica o mesmo estudo, deochamadas e as chamadas em acrescenta a possibilidade de permitir
é o segmento corporativo quem mais conferência tornam-se muito atractivas chamadas para todas as redes, com re-
aposta no VoIP, essencialmente pela redu- e, a estes aspectos, juntar-se-ão novas dução significativa do tarifário aplicado.
ção de custos. O estudo demonstra igual- aplicações que podem, a prazo, alterar

[ Página 34 ] | Setembro-Outubro 2005 | Media XXI


ED_83 05/10/31 12:54 Page 35

| Actualidade/ TV |
Pereira Coutinho investe nas telecomunicações

SGC lança AR Telecom


Com um investimento previsto de 800 milhões de euros, o grupo SGC de João
Pereira Coutinho apresentou o novo operador de telecomunicações
| Por Nídia Silva |
N. Silva

A AR Telecom, sucessora da extinta nais, a AR Telecom pretende


Jazztel, é uma nova operadora de tele- criar já no próximo ano qua-
comunicações assente numa infra-es- trocentos postos de trabalho.
trutura digital própria, a tmax, desen- Os objectivos do novo opera-
volvida pelas unidades tecnológicas do dor passam ainda por atingir
grupo. Segundo Pereira Coutinho, a Ar uma quota de 20% do mer-
Telecom vem “contribuir para o au- cado nas áreas cobertas den-
mento da oferta e melhoria da qualida- tro de dois anos. Para já, a
de dos serviços nacionais de telecomu- operadora vai manter os 30
nicações e para a afirmação de Portugal mil clientes provenientes da
como país, com capacidade para com- Jazztel, continuando a utilizar
petir no mercado tecnológico interna- a infra-estrutura da PT numa Manuel Pinho, Ministro da Economia, e Miguel Martins,
presidente executivo da SGC
cional”, como afirmou na apresentação primeira fase.
ao público no dia 21 de Setembro. Aos novos clientes, a oferta da AR programa “Compromisso Portugal”
A operadora prevê fazer uma cobertura Telecom traduz-se num produto genéri- (Jorge Armindo, Diogo Vaz Guedes,
completa do território nacional de mo- co “triple –play” (10 a 40 canais de te- António Mexia).
do progressivo, o que significa que em levisão, Internet com 2Mbps e telefone
– tv.net.tel), em pacotes que | Internacionalização |
podem variar entre os 10 e 55 O projecto agora apresentado começou a
euros. A videoconferência na ser trabalhado há sete anos. Inicialmente,
televisão virá incluída num ou- com uma análise de oportunidades de
tro pacote de referência, estan- mercado de utilities/infra-estruturas e,
do definido um custo mensal depois, com a compra de duas unidades
de 35 euros. especializadas em engenharia de rádio e
Segundo o engenheiro Miguel integração de sistema: a TTT (Espanha) e
Martins, presidente executivo Cable AML (EUA). Em 2003 adquiriram a
da SGC, este projecto surgiu de ACOM, no Brasil. Miguel Martins adian-
“uma necessidade grande de in- tou ainda que o grupo pretende interna-
fra-estruturas de nova geração cionalizar a tecnologia tmax, e usar
totalmente digitais e concebidas Portugal e o Brasil como montra para o
para as novas necessidades co- mundo desta infra-estrutura digital.
N. Silva mo soluções de baixo-custo, in- Recentemente o grupo ganhou um con-
João Pereira Coutinho, presidente da SGC
dependente das infra-estruturas curso na Lituânia, para onde vai exportar
existentes e com elevado poten- o sistema agora apresentado.
2006 a área total das cidades de Lisboa e cial de exportação”. Questionado sobre a Televisão Digital
Porto deverão estar totalmente cobertas. Na apresentação pública esteve ainda pre- Terrestre, João Pereira Coutinho deixou
Com um investimento de 800 milhões de sente o ministro da Economia, Manuel em aberto a hipótese de se candidatar de
euros para os próximos cinco anos, finan- Pinho, bem como várias individualidades novo para adquirir uma licença se as con-
ciado através dos capitais próprios do gru- do mundo da política (Jorge Coelho, dições de mercado assim o exigirem.
po SGC Telecom e de bancos internacio- António Lobo Xavier) e nomes ligados ao

Media XXI | Setembro-Outubro 2005 | [ Página 35 ]


ED_83 05/10/31 12:54 Page 36

| Actualidade/ Rádio |
Rádio tem novo centro de formação

Casa nova, antigos


propósitos
Por ocasião do décimo quinto encontro nacional de rádios, a Associação de
Rádios de Inspiração Cristã (ARIC), inaugurou as novas instalações do seu
Centro de Formação | Por Fernando Costa |
Contando actualmente com cerca de se- das associadas, bem como o apoio à for-
tenta estações associadas, espalhadas por mação dos mesmos no uso adequado
todo o território nacional, a ARIC inau- das técnicas de comunicação social, fo-
gurou, no passado mês de Setembro em ram apenas algumas das necessidades
Fátima, o seu novo Centro de Formação. que incentivaram a criação da ARIC.
Contando com a presença de D. Serafim Catorze anos depois, a Associação cres-
Ferreira e Silva, Bispo de Leiria e Fátima ceu, a par das suas necessidades, o que
e Monsenhor Luciano Guerra, Reitor do terá levado os dirigentes a reflectir sobre Da esquerda para a direita: Nuno Inácio, Luís
Silva, Sousa Queiroz, Magalhães Crespo,
Santuário de Fátima, para além dos res- a urgência de encontrar novas soluções.
Luís Alvito, Garcia Esparteiro e Jorge Garcia.
ponsáveis da Associação, as novas insta-
lações do Centro, constituídas por um | Décimo Quinto Encontro | a discussão estiveram também Cristina
auditório, um estúdio de emissão e um Paralelamente, decorreu também o déci- Rodrigues do Instituto do Emprego e
gabinete auxiliar, pretendem ir ao en- mo quinto encontro nacional das rádios Formação Profissional, que abordou o
contro das necessidades das estações associadas da ARIC, onde se debateu não tema da Formação como motor de
suas associadas, reforçando o propósito só o papel das rádios associadas no mer- Desenvolvimento e Rui Mouta em re-
cado nacional de radiodifusão mas tam- presentação do Instituto da Comunica-
bém o novo quadro legal perspectivado, ção Social (ICS), que se debruçou sobre
com destaque para o novo projecto para os aspectos que mais preocupam muitos
a Lei da Rádio, a obrigatoriedade de es- dos agentes do sector, perante as pers-
tabelecimento de quotas para passagem pectivas de um novo quadro legal. Deste
de música portuguesa, a problemática modo, e considerando que do próximo
dos direitos de autor e algumas perspec- quadro legal ainda pouco foi revelado, o
tivas sobre cooperação e parcerias estra- representante do ICS apenas pôde abor-
Da esquerda para a direita: Garcia Esparteiro, tégicas entre estações, quer pela via da dar alguns pontos que se espera serem
Magalhães Crespo, D. Serafim Ferreira,
Monsenhor Luciano Guerra e Luís Alvito.
troca de conteúdos, quer em termos de salvaguardados pela nova Lei. Questões
intercâmbio de experiências e boas pra- como a concorrência entre os diversos
de realizar acções de formação para os ticas de gestão. Presentes neste encontro, operadores ou ainda a salvaguarda da na-
seus trabalhadores. com o intuito de aclarar alguns destes tureza das ‘rádios locais’ foram focadas.
Longe vai o ano de 1991, em que o ca- aspectos e trazer novos contributos para Para o final das jornadas de trabalho es-
lendário assinalava o primeiro dia de tava guardada a homenagem ao primei-
Maio e onde os responsáveis de trinta e ro Presidente da Assembleia Geral da
uma estações emissoras de radiodifusão ARIC, Engº Magalhães Crespo, que apro-
acordavam na constituição de uma asso- veitou a ocasião para referir que “as on-
ciação que reflectisse o seu posiciona- das hertzianas são um bem escasso que
mento e que, de alguma forma, dinami- pertence à população portuguesa, daí a
zasse as actividades deste importante preocupação quer da ARIC, quer da
meio de comunicação. A promoção de Rádio Renascença em prestar um servi-
encontros de reflexão, o estudo e for- ço de utilidade pública”.
mação dos funcionários e colaboradores

[ Página 36 ] | Setembro-Outubro 2005 | Media XXI


ED_83 05/10/31 12:54 Page 37

| Reportagem Tecnologia/ Sociedade da Informação |


Biblioteca para o Conhecimento Online

Fonte de conhecimento
científico
A B-on veio facilitar o acesso aos artigos e revistas científicas. O que antes
poderia demorar semanas para conseguir consultar, está agora à distância de
um clique | Por Nídia Silva |
Uma das principais vantagens das novas pública. Todas estas enti- N. Silva

tecnologias é o acesso rápido ao conhe- dades inscritas pagam


cimento. A B-on, Biblioteca do uma cota, de acordo com
Conhecimento Online, é uma das for- a sua dimensão.
mas mais céleres e eficazes de encontrar “Neste leque de utilizado-
um conjunto vasto de artigos científi- res nota-se uma grande
cos, disponibilizados por diversas edito- ausência da parte das uni-
ras de revistas científicas internacionais. versidades privadas”,
Segundo José Fernandes, da Fundação apontou José Fernandes,
para a Computação Científica Nacional referindo que o principal
(FCCN) e responsável pelo projecto, “a factor se deve a questões
utilização deste serviço vai permitir financeiras.
que se poupe tempo no acesso aos es- Neste momento, segundo
tudos e artigos científicos que se fazem dados apresentados pela
fora do país, passando a ter disponível FCCN, a Biblioteca do Professor José Fernandes, do FCCN
quase de imediato toda a informação de Conhecimento Online
que se necessite”. da Biblioteca do Conhecimento Online
Este serviço visa possibilitar o “A UTILIZAÇÃO DESTE SERVIÇO VAI PERMITIR provém de quinze editoras estrangeiras
acesso electrónico às princi- com o qual foi estabelecido um proto-
pais fontes de conhecimento, QUE SE POUPE TEMPO NO ACESSO AOS colo. Questionado sobre a ausência das
abrangendo a maior parte editoras nacionais, José Fernandes refe-
das áreas científicas, e esti- ESTUDOS E ARTIGOS CIENTÍFICOS QUE SE riu que “em Portugal há o problema da
mular as condições de acesso limitação de conteúdos editados e a
universal ao saber por parte FAZEM FORA DO PAÍS, PASSANDO A TER nossa preocupação é oferecer à comuni-
da comunidade científica e dade o que ela procura, e os artigos e ti-
DISPONÍVEL QUASE DE IMEDIATO TODA A
académica, procurando gerar po de informações mais requisitadas es-
economias de escala e pro- INFORMAÇÃO DE QUE SE NECESSITE”
tão publicados no estrangeiro”.
movendo as condições de Acrescentou que “já tivemos alguns
universalidade de acesso à contactos com algumas iniciativas na-
produção científica. conta com mais de trezentos e cinquen- cionais, que ainda não se materializaram
Com quase setenta membros inscritos, ta mil utilizadores e prevêem que, até ao por falta de recursos”.
a B-on destina-se a entidades sem fins final de 2005 se registem mais de 3,5 O principal problema que tem surgido
lucrativos como instituições de ensino milhões de downloads, decorridos du- para recolher os conteúdos é o facto de
e investigação, instituições privadas rante este ano. muitos dos artigos científicos ainda não
sem fim lucrativo que desenvolvam estarem informatizados, o que leva a que
projectos na área da investigação, hos- | Conteúdos | o processo demore mais tempo.
pitais e organismos da administração A informação que está disponível no site Na construção desta base de dados, to-

Media XXI | Setembro-Outubro 2005 | [ Página 37 ]


ED_83 05/10/31 12:55 Page 38

| Reportagem Tecnologia/ Sociedade da Informação |

das as pessoas podem colaborar mas FCCN está a criar me-


“tudo o que chega tem de ser filtrado, canismos que permi-
validado e submetido a avaliação feita tam avaliar a utilização
por equipas de peritos. Só assim pode- do conhecimento
mos garantir a qualidade das informa- transmitido e a in-
ções disponíveis”. fluência que tem na co-
A B-on contém apenas conteúdos desti- munidade utilizadora.
nados à comunidade científica. Quanto “Apesar do serviço não
ao aumento do leque de áreas disponí- ser ainda perfeito, até
veis, José Fernandes não põe essa hipó- agora as reacções tem
tese de lado. “No fundo, isto passa a ser sido bastante positivas
um portfólio devidamente arquivado e com o número de utili-
tendemos a caminhar para a informati- zadores a aumentar dia-
zação de toda a informação. A própria riamente e a pouparem
indústria editorial ainda está em fase de o seu tempo nas pes-
amadurecimento, a fazer a migração do quisas de informação”,
papel para as novas tecnologias”. sublinhou José Fernan-
A curto prazo, este serviço pretende dis- des. Devido às reacções
Casa da Imagem
ponibilizar para consulta teses de
doutoramento e dados estatísticos. “EM PORTUGAL HÁ O PROBLEMA DA LIMITAÇÃO DE
que se encontra disponí-
| Impacto na comunidade | CONTEÚDOS EDITADOS E A NOSSA PREOCUPAÇÃO É vel na página de entrada
A facilidade de acesso à informa- da B-on. Através desta fer-
ção tem vindo a alterar o panora- OFERECER À COMUNIDADE O QUE ELA PROCURA, E OS ramenta pode-se efectuar
ma científico português, embora uma pesquisa simultânea
“seja difícil de quantificar essas al- ARTIGOS E TIPO DE INFORMAÇÕES MAIS REQUISITADAS e cruzada em todas as
terações”. Neste momento, a editoras, no que respeita
ESTÃO PUBLICADOS NO ESTRANGEIRO”
às publicações electróni-
Casa da Imagem cas e outro material con-
que têm tido do público que tratado. Esta funcionalidade permite
consulta a B-on, a comissão obter de forma integrada os resultados
responsável decidiu melhorar da pesquisa diminuindo o tempo de
o portal facilitando a pesqui- pesquisa para o investigador e aumen-
sa, dando assim “um salto tar a eficácia da pesquisa em si. As
qualitativo na melhoria da principais funcionalidades deste motor
utilização”. de pesquisa são: a pesquisa simultânea
nas bases de dados das editoras que dis-
| Pesquisar na B-on | ponibilizem publicações na B-on; pesqui-
Há duas formas básicas de pes- sa por palavra-chave, por autor, título de
quisar na Biblioteca do publicação, ano de publicação, editora,
Conhecimento Online. A pri- área temática; possibilidade de visualiza-
meira é directamente nos sites ção dos resumos dos artigos; download
das editoras, neste caso, o utili- dos artigos em texto integral e impressão
zador deverá ir à página que dos artigos.
lhe interessa e optar pelos vá- Com o metalib, o utilizador tem ainda a
rios tipos e funcionalidades de possibilidade de ter a sua área de trabalho
pesquisa aí disponibilizados. pessoal (e-Basket) e de proceder à sua or-
A outra forma é através do ganização, de forma a que apenas os re-
motor de pesquisa – Metalib, cursos mais utilizados sejam automatica-

[ Página 38 ] | Setembro-Outubro 2005 | Media XXI


ED_83 05/10/31 12:55 Page 39

mente apresentados. Pode também confi- sua actividade fora das instalações da perceber as suas necessidades.
gurar o seu perfil pessoal definindo parâ- instituição, mediante o fornecimento “Chegámos à conclusão de que devía-
metros como o idioma ou a disposição de um login e password. Estas senhas mos aumentar substancialmente os
do seu ambiente de trabalho e efec- conteúdos e depois de apresen-
tuar a gravação de pesquisas no ser- “APESAR DO SERVIÇO NÃO SER AINDA PERFEITO, tada a proposta às instituições
vidor da aplicação, para referência e aderentes, verificamos que elas
recuperação posteriores. ATÉ AGORA AS REACÇÕES TÊM SIDO BASTANTE não tinham capacidade finan-
ceira para acompanhar a evolu-
| Acesso restrito | POSITIVAS COM O NÚMERO DE UTILIZADORES A ção que nós pretendíamos”, re-
O acesso electrónico ao conjunto feriu.
de publicações científicas que in- AUMENTAR DIARIAMENTE E A POUPAREM O SEU Mas como o Estado sempre
tegram a B-on é facultado a todos mostrou grande interesse pelo
TEMPO NAS PESQUISAS DE INFORMAÇÃO”
os utilizadores que o façam a par- desenvolvimento deste projec-
tir de endereços IP (Internet to, a comparticipação pública
Protocol) atribuídos à instituição ade- de acesso podem ser canceladas se passou a ser de cinquenta e seis por
rente e que esta pretenda que sejam houver suspeita de terem sido faculta- cento, permitindo oferecer aos visitan-
utilizados para aceder à mesma. O das a terceiros, pois os seus utilizadores tes um pacote mais equilibrado e com
acesso aos documentos é restrito e des- estão sujeitos a regras de utilização pre- uma melhor cobertura das diferentes
tina-se aos utilizadores que se encon- viamente enunciadas. áreas.
trem temporariamente a desenvolver a Financiamento este que se vai manter
| Financiamento | para o ano de 2006.
Casa da Imagem
Em 2004, o finan- “Esperamos que em 2007 o modo de
ciamento público financiamento volte aos cinquenta por
cobriu cinquenta cento para cada lado, que seja mais
por cento do in- equilibrado. Já estamos a trabalhar nes-
vestimento na Bi- se sentido”, salientou José Fernandes.
blioteca do Co-
nhecimento On- | Início do projecto |
line e o restante Os primeiros passos relacionados com
coube às institui- a iniciativa B-on remontam a 2000 e
ções aderentes ao foram dados pelo ex-Observatório para
projecto. “Os cin- a Ciência e Tecnologia (OCT). Essa ten-
quenta por cento tativa não teve grande sucesso e culmi-
das instituições é nou apenas com a disponibilização da
distribuída de for- Web of Knowledge - WoK, um projecto
ma proporcional financiado pelo POSI e disponibilizado
à dimensão de ca- através da RCTS (Rede Ciência,
da uma”, referiu Tecnologia e Sociedade).
José Fernandes. Dado que a WoK apenas cumpria mar-
Quando foi feita a ginalmente os objectivos da B-on,
renovação do fi- Biblioteca do Conhecimento Online, ao
nanciamento para disponibilizar apenas as referências dos
o ano de 2004/ textos científicos e respectivas citações,
2005, houve uma era portanto fundamental evoluir para
necessidade de fa- a disponibilização electrónica do texto
zer uma análise integral das referidas publicações cien-
mais alargada da tíficas. Este foi um dos compromissos
comunidade utili- assumidos no Programa do XV
zadora de forma a Governo e no Programa de Acção para

Media XXI | Setembro-Outubro 2005 | [ Página 39 ]


ED_83 05/10/31 12:56 Page 40

| Reportagem Tecnologia/ Sociedade da Informação |

Casa da Imagem
Grécia, Brasil e
Espanha) – bench-
marking internacio-
nal; participação no
3º Encontro do SELL
- Consórcios Euro-
peus de Bibliotecas
Digitais (Junho/
2003); reunião glo-
bal com as institui-
ções do sistema cien-
tífico e académico
potencialmente ade-
rentes à iniciativa da
Biblioteca Online do
Conhecimento (Lis-
boa, Janeiro de
2004); afinação do
modelo de financia-
mento e assinatura
dos protocolos com
as instituições ade-
rentes à iniciativa.
A UMIC e o MCES
entenderam, ainda,
que a gestão técnica
da iniciativa da
Biblioteca do Conhe-
a Sociedade da Informação. destacam-se: a realização de rondas ne- cimento Online ficasse a cargo da
A UMIC, após a sua criação em finais gociais com as principais editoras/dis- Fundação para a Computação Científica
de 2002 e enquanto organismo com tribuidoras internacionais; o levanta- Nacional (FCCN), que é responsável pela
responsabilidades de infra-estrutura tecnológica
coordenação das polí- A COMPARTICIPAÇÃO PÚBLICA PASSOU A SER DE CINQUENTA E de suporte ao funcionamen-
ticas governamentais to da mesma.
para a Sociedade da SEIS POR CENTO, PERMITINDO OFERECER AOS VISITANTES UM Designadamente, esta insti-
Informação e para a tuição acompanha os pro-
Inovação, assumiu des- PACOTE MAIS EQUILIBRADO E COM UMA MELHOR COBERTURA cedimentos necessários à
de logo como um dos actualização e alteração dos
seus objectivos a cons- DAS DIFERENTES ÁREAS conteúdos e outros serviços
tituição de um Con- e informações que facili-
sórcio Nacional para a gestão da mento da situação actual das tem o acesso e trabalho por parte dos
Biblioteca do Conhecimento Online. instituições do ensino superior utilizadores. A FCCN, no âmbito da
Neste sentido, e em articulação com o (Universidades e Politécnicos) e de gestão da rede científica e académica –
Ministério da Ciência e Ensino I&D (Laboratórios do Estado e RCTS, é também responsável pelo bom
Superior (MCES), foi desencadeado um Associados), no que respeita às assina- funcionamento do acesso à B-on, por
conjunto de acções que, desde o início turas electrónicas/papel, envolvendo o parte das instituições académicas e
do ano de 2003, conduziram à imple- lançamento de um questionário junto científicas que celebraram ou celebrem
mentação do projecto B-on, hoje em de oitenta instituições; análise de mo- o protocolo de adesão a este projecto.
funcionamento. De entre essas acções delos de consórcio internacionais (ex.

[ Página 40 ] | Setembro-Outubro 2005 | Media XXI


EDIÇÃO 80 VF_2 4/7/70 2:29 AM Page 37
ED_83 05/10/31 12:56 Page 42

| Actualidade/ Imprensa |
III Dia Nacional de Imprensa

Campanha de Assinaturas
Importante fonte de receitas dos órgãos de comunicação social, as assinaturas
estiveram no centro do encontro onde se discutiram temas como as suas
vantagens e potenciais formas de implementação futura | Por Nídia Silva |
O Palácio Foz, em Lisboa, recebeu no do que os objectivos gerais do marke-
passado dia 20 de Setembro o terceiro ting, como a conquista, a fidelização e a
encontro do Dia Nacional da Imprensa, satisfação do cliente, devem sempre ser
organizado pela Associação Portuguesa tidos em conta em qualquer contacto
de Imprensa (APImprensa) que, este que se faça.
ano, dedicou o dia à temática “Assina- Clara Guerra, da Comissão Nacional da
turas - Um valor sustentado”, a nível protecção de Dados (CNPD), alertou pa-
nacional, regional e local. ra a necessidade de protecção dos dados
Segundo um comunicado da APImprensa, pessoais dos assinantes como forma de Da esquerda para a direita: António Granjeia, João
a escolha do tema deveu-se não só à cres- proteger a sua identidade e utilização Palmeiro, Peter Nyberg e Catarina Passanha
cente importância dos dados para outros fins.
que as assinaturas exemplares do jornal são vendidos por as-
têm vindo a assu- | Além fronteiras | sinatura. “Esta percentagem elevada de as-
mir no modelo de Peter Nyberg da Mediapex Oy – sinaturas dão-nos independência econó-
negócio editorial, Subscriptions Sales Agent (empresa de mica e editorial, aumentando a
mas também para telemarketing finlandesa) partilhou com credibilidade junto dos nossos leitores”,
demonstrar que se o público presente a sua experiência referiu.
tornam num exce- neste mercado. A sua empresa é especia-
lente valor susten- lista em angariar assinantes via telemar- | Encontro Luso-Chinês |
tado a diversos ní- keting, a maior fonte de captação de A AIP aproveitou o Dia
veis: na captação clientes para as editoras. Segundo dados Nacional da Imprensa
Cláudia Freitas
de novos leitores e apresentados na sessão, baseados na para promover o XI
de publicidade, na gestão de sobras, na Finish Audit Bureau of Circulations, a Congresso da Imprensa
criação de uma base de dados e por ser circulação total de revistas na Finlândia é Portuguesa, que vai de-
um complemento às vendas em banca. de 15,4 milhões, dos quais 14,6 milhões correr de 5 a 15 de De-
Em representação da Associação de chegam ao leitor por assinatura. Até ao zembro deste ano, em
Marketing Directo, João Novais de final do ano a Mediapex Oy pretende Macau.
Paula, falou da importância do sector e atingir as 250 mil novas assinaturas, Este encontro será o Clara Guerra
da abordagem utilizada na angariação embora Peter Nyberg tenha reconhecido primeiro luso-chinês e
de assinaturas para as editoras, salientan- que o número de assinaturas consegui- terá como tema principal “Media e os
das por cada agente tem Desafios da Sociedade de Informação”.
vindo a diminuir. Questões relacionadas com os direitos
No decorrer do encon- de autor, as relações laborais, o estatuto
tro estiveram também dos directores e colaboradores das re-
presentes responsáveis dacções, a concentração da propriedade
de Marketing de várias dos media e os sistemas de regulação e
publicações, como Cláu- auto-regulação, vão ser analisados à luz
dia Freitas do Diário de dos modelos de funcionamento empre-
Notícias da Madeira que sarial, decorrentes dos impactos da
Da esquerda para a direita: Clara Guerra, Vitor Brás e João Navais referiu que mais de cin- Sociedade de informação.
de Paula quenta por cento dos

[ Página 42 ] | Setembro-Outubro 2005 | Media XXI


ED_83 05/10/31 12:57 Page 43

| Entrevista/ Isabel Meireles |


Oportunidades e ameaças do alargamento da UE

UE: uma só cultura


As oportunidades, ameaças, diferenças e semelhanças entre países que
compõem a União Europeia, na visão da especialista Isabel Meireles
| Por Vanda Ferreira | | Fotos N. Silva |

No contexto da crise europeia e das fi- a Polónia, por exemplo, tem um merca-
nanças públicas de Portugal, os empre- do muito forte, com uma grande agres-
sários podem ter oportunidades a Leste, sividade; é um mercado germanizado e
reconhece Isabel Meireles, especialista com uma economia comparável à de
em questões europeias e docente uni- Espanha. Agora, com um Governo mais
versitária. Títulos de imprensa e a pro- liberal, haverá possivelmente uma maior
dução audiovisual podem ser boas apos- abertura aos privados, o que cria condi-
tas, afimou, em entrevista à MediaXXI. ções muito aliciantes, sobretudo para os
anteriores 15 Estados membros.
Como caracteriza o contexto dos media euro-
peus resultante do alargamento europeu con- Que impacto poderá ter a questão do idioma
cretizado a 1 de Maio de 2004? Que novos num mercado como o polaco, para os investi-
equilíbrios podem surgir com a entrada dos dores estrangeiros no sector dos media?
países de Leste? É de facto necessário ultrapassar a bar-
Quanto maior for o mercado, mais forte reira da língua, sobretudo no mundo
será a Europa. Desde que existam condi-
ções adequadas, nomeadamente de con- É ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIO E URGENTE
corrência sã; se todos os países da União
Europeia respeitarem as regras da livre TORNAR A EUROPA COMPETITIVA ATRAVÉS DAS
concorrência. Entre os países aderentes,
NOVAS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E DA

COMUNICAÇÃO – ESSE É O CAMINHO CERTO

dos negócios. níveis de literacia e num patamar cultu-


Na Polónia, ral genericamente elevado têm essa ca-
como em to- racterística; os cidadãos com um nível
dos os países de estudos médio falam bem o inglês,
da Europa de entretanto também mais divulgado por
Leste, o inglês causa da Internet, mesmo entre os paí-
assume a fun- ses ‘new comings’. Num contexto de li-
ção que o es- vre circulação de pessoas, os recursos
peranto nun- humanos dos países de Leste emigram
ca conseguiu muito para o Reino Unido, por exem-
atingir. Os pa- plo. O forte domínio do inglês é algo
íses de Leste, que os cidadãos a nível pessoal conse-
em resultado guem alcançar.
de elevados

Media XXI | Setembro-Outubro 2005 | [ Página 43 ]


ED_83 05/10/31 12:57 Page 44

| Entrevista/ Isabel Meireles |

De que forma podem os actuais Europeia, que criou a


constrangimentos económicos influenciar a dinâmica de toda a
situação europeia em termos empresariais e Europa, e que está nes-
sociais? te momento refém dos
A Europa dos 25 é uma cadeia de união Estados membros. Ao
e, se um elo treme, toda a cadeia treme. nível dos Conselhos há,
Num contexto em que os países mais de facto, muitos desen-
fortes em termos económicos estão nu- tendimentos e mesmo
ma fase de estagnação ou mesmo reces- as opiniões públicas, os
são… Se países como a Alemanha têm media e os cidadãos
problemas, então toda a Europa sofre, que antes viam a Eu-
sobretudo países ligados ao motor da ropa como uma opor-
União Europeia, como o Reino Unido, a tunidade; como um
França ou a Alemanha. O Reino Unido pólo de prosperidade e
está de boa saúde e recomenda-se; a um bastião de seguran-
França e a Alemanha, como sabemos, não. ça num contexto de
A Europa está em crise. Há uma forte ins- guerras que devastaram
tabilidade política entre os Governos eu- a Europa, têm hoje uma
ropeus. Por exemplo, a situação de empa- atitude completamente
te técnico na Alemanha, que está a oposta face à Europa.
condicionar as opções dos empresários, Há hoje a tendência de
logo a própria retoma económica. Os in- culpar a Europa e as
vestidores não gostam de instabilidade e instituições comunitá-
«confiança» é a palavra-chave para o cres- rias pelo desemprego,
cimento e desenvolvimento
europeu. MUITOS EMPRESÁRIOS ESTRANGEIROS NÃO SE FIXAM

Com que impactos dessa EM PORTUGAL POR CAUSA DOS CONSTRANGIMENTOS


instabilidade se confrontam a
Europa e os países membros? BUROCRÁTICOS, PORQUE AS DIFICULDADES SÃO TANTAS
Vejamos a própria Comissão do, uma divisão muito clara
E TAMANHAS QUE CONSIDERAM NÃO SER FÁCIL O entre sectores público e priva-
do. Há também em Portugal
INVESTIMENTO
um sistema empresarial trans-
parente e condições para o in-
pela inflação ou por todas as dificulda- vestimento que aqueles países ainda não
des económicas e sociais. oferecem, nomeadamente por terem ad-
ministrações públicas muito pouco
Em que medida é que as oportunidades de transparentes. Mas o que esses países têm
investimento reconhecidas no sector dos que os diferencia é uma mão-de-obra ba-
media dos países de Leste podem ser uma rata e, nisso, batem-nos aos pontos.
ameaça à captação de investimentos Quanto a Portugal, temos o problema
estrangeiros para Portugal? da qualificação dos recursos humanos;
Portugal tem muitas vantagens compe- foi sempre assim, desde a entrada na
titivas em relação a esses países; um CEE que se fala na necessidade de inves-
sistema de banca e seguros muito bem tir na formação dos recursos humanos.
alicerçado, organizado e transparente; Tem que se fazer uma requalificação dos
uma rede de infra-estruturas que recursos humanos, o que foi bem defi-
aqueles países não têm e, por outro la- nido pela Estratégia de Lisboa. Neste

[ Página 44 ] | Setembro-Outubro 2005 | Media XXI