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SEMANA AULA 01 - APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA INTRODUÇÃO AO

ESTUDO DO DIREITO.

- Finalidades da Introdução ao Estudo do Direito:


 Fornecer uma visão global do Direito;
 Demonstrar que as disciplinas jurídicas se complementam, ainda que
haja autonomia doutrinária;
 Estabelecer o sentido do vocabulário jurídico. O Direito, por ser uma
ciência, possui linguagem própria;
 A IED é o elo entre a cultura geral e a jurídica;
 Fornecer as noções básicas do método jurídico.

O que é Direito? Qual sua importância na sociedade?


É o justo, o que está de acordo com a lei. É a capacidade que se tem de
praticar ou não praticar um ato. O benefício que se tem de exigir de quem quer
que seja, em proveito próprio, que pratique ou deixe de praticar algum ato. E,
do mesmo modo, Direito é o conjunto de normas jurídicas em vigor em um
país.

O Direito é uma ordem da conduta humana. Uma "ordem" é um sistema de


regras. O Direito não é, como às vezes se diz, uma regra. É um conjunto de
regras que possui o tipo de unidade que entendemos por sistema. É impossível
conhecermos a natureza do Direito se restringirmos nossa atenção a uma regra
isolada. As relações que concatenam as regras específicas de uma ordem
jurídica também são essenciais à natureza do Direito. "Apenas com base numa
compreensão clara das relações que constituem a ordem jurídica é que a
natureza do Direito pode ser plenamente entendida".

O Direito é um fato ou fenômeno social que não existe senão na sociedade. O


Direito estabelece os limites de ação de cada um de seus membros.

O estudo da Introdução ao Estudo do Direito é a base que possibilita a


construção de uma consciência jurídica e familiariza o estudante com a Ciência
do Direito, introduzindo a terminologia técnico-jurídica necessária para a longa
e agradável caminhada, rumo à sedimentação de seu conhecimento jurídico.

Todas as leis tem caráter de obrigatoriedade? Não, algumas apenas


conceituam determinadas situações (ex.: Art. 14, CP), outras apenas permitem
que façamos alguma coisa, são uma possibilidade, uma faculdade (ex.: Art. 5º,
IV, CF – livre manifestação do pensamento).

Direito como um fato social


"O fato social direito é a fonte principal das normas que regulam nosso
comportamento enquanto vivendo em sociedade."

Ato Jurídico X Fato Jurídico


- Fato: qualquer acontecimento.
- Fato jurídico: qualquer acontecimento regulado pelo direito (LEI). É um
acontecimento especial, porque o direito regulou aquele acontecimento.
- Ato: qualquer acontecimento originado de nossa vontade.
Ex.: namoro.

- Ato jurídico: qualquer acontecimento originado de nossa vontade e regulado


pelo direito.
Ex.: casamento.

SEMANA AULA 02 - A SOCIEDADE E O DIREITO - RELAÇÃO DE


DEPENDÊNCIA.

O direito e a moral
O que é moral? São os valores culturais de cada sociedade, regras de
convívio.
Nem todas as regras morais são regras jurídicas. A semelhança é que ambas
são formas de controle social.
A moral é autônoma (surge do próprio indivíduo), enquanto o direito é
heterônomo (imposto por um indivíduo exterior a ele).

Uma das notas fundamentais do Direito é a coercibilidade. Entre os processos


que regem a conduta social, apenas o Direito é coercível.

A via normal de cumprimento da norma jurídica é a voluntariedade do


destinatário, a adesão espontânea. Ou seja, o certo é que todos cumpram a lei
espontaneamente. Mas, se isso não acontece, a coação se faz necessária,
essencial à efetividade da norma.

A Moral, por seu lado, não possui este elemento coativo. É incoercível. Nem
por isso as normas da Moral social deixam de exercer certa intimidação.
Consistindo em uma ordem valiosa para a sociedade, é natural que o
descumprimento de seus princípios provoque uma reação por parte dos
membros que integram o corpo social.
Moral X Ética: A moral está mais relacionada aos costumes, sendo um
conjunto de regras aplicadas no cotidiano, orientando cada indivíduo,
norteando seus comportamentos e julgamentos. Os valores são pré-
estabelecidos pela própria sociedade. A ética, por sua vez, está mais ligada a o
“modo de ser”, ao “caráter” do indivíduo. É um tipo de postura que se refere a
um modo de ser, à natureza da ação humana.

A influência da moral no Direito

Os campos da Moral e do Direito entrelaçam-se e interpenetram-se de diversas


maneiras. As normas morais tendem a converter-se em normas jurídicas.

A principal diferença entre a Moral e o Direito está objetivamente na sanção


(punição).

A moral, em razão do fim a que se destina, só permite sanções de foro íntimo


(remorso, arrependimento, desgosto íntimo, sentimento de reprovação geral).
Mas, sob o aspecto social, essa sanção não é eficaz, porque não se submetem
a ela aqueles que não tenham consciência ética.

O Direito, ao contrário, tem na sanção um mecanismo eficaz para coagir os


indivíduos. Sem esse elemento coercitivo, não existiria segurança nem justiça
eficazes para a humanidade.

Obs.: Teoria dos Círculos:

O Direito como instrumento de controle social

Para que a sociedade sobreviva é necessário que os conflitos sejam resolvidos


(compostos) e para tanto, os membros dos grupos sociais dispuseram de
vários meios com o objetivo de estabelecer limites às ações humanas e
promover o equilíbrio à sociedade. Vejamos dois desses meios:
SEMANA AULA 03 – A HISTÓRIA DO PENSAMENTO JURÍDICO.

Direito Natural – O Jusnaturalismo

Chama-se jusnaturalismo a corrente de pensamento que reúne todas as ideias


que surgiram, no decorrer da história, em torno do direito natural. Acredita-se
que existe uma ordem superior àquela escrita, e que seria a expressão do
Direito justo.

Direito Natural X Direito Positivo

O Direito Natural é um direito espontâneo, não escrito, que se origina na


própria natureza social do homem e é revelado pela conjugação da experiência
e razão. É o direito justo por natureza. É constituído por um conjunto de
princípios, e não de regras, de caráter universal, eterno e imutável. Ex.: O
direito à vida e à liberdade.

O Direito Positivo é aquele institucionalizado pelo Estado. É a ordem jurídica


obrigatória em determinado lugar e tempo. Ex.: A Constituição Federal e as
leis.

Quando o Direito Positivo é criado sem a observância do Direito Natural é que


são criadas as leis injustas. O Direito Natural tem como premissa de que o
juízo de valor prevalece sobre a lei positiva.

O Direito Natural possui três vertentes básicas:


1) É uma lei estabelecida pela vontade divina – É a concepção teológica
(religiosa) do Direito Natural. Os deuses seriam os responsáveis pela criação
das regras de conduta, que irão disciplinar a vida em sociedade, sendo as
autoridades humanas meras porta-vozes desta vontade superior;

2) É uma lei natural, aplicável universalmente – É a concepção cosmológica do


Direito Natural. A realidade não é mais vista como uma emanação da vontade
divina e sim como resultado de uma racionalidade observada no próprio
funcionamento da natureza, cujos fenômenos podem ser explicados
racionalmente.

3) É uma lei racional ou individualista – É a concepção racionalista do Direito


Natural. Como ser dotado de racionalidade, o homem lança mão de seu
intelecto e da experiência na organização da sociedade política e na produção
do Direito Positivo, que deve obedecer a parâmetros gerais ditados pela razão
humana.

O declínio do Direito Natural

No Século XIX deu-se, pela primeira vez, uma separação rigorosa entre o
Direito e a Moral. Com as revoluções burguesas da segunda metade do Século
XVIII, principalmente a Revolução Francesa de 1789, afirmaram-se princípios
jurídicos como legalidade, separação dos poderes e isonomia. Deixaram de
lado fontes históricas tradicionais, como o Direito Costumeiro e o próprio Direito
Natural, tidas como casuísticas e irracionais.

Assim, investiu-se na racionalização e sistematização do Direito, cujo


documento referencial foi o “Código de Napoleão” (Código Civil Francês de
1804), base do positivismo jurídico francês. O debate jurídico passou a girar em
torno do formalismo e do legalismo de correntes do positivismo jurídico.

O POSITIVISMO JURÍDICO

Surgiu em decorrência da racionalização e sistematização do Direito, afastando


as considerações de ordem moral, que impossibilitavam a criação de um direito
impessoal e igual para todos.

Em seu afã de focalizar apenas os dados fornecidos pela experiência, o


positivismo despreza os juízos de valor, para se apegar apenas aos fenômenos
observáveis.

Traço marcante do positivismo é o total ceticismo em relação ao ideal de


justiça. Para os positivistas, fora o direito reconhecido pelo Estado e em suas
leis, não há direito.

O direito identifica-se com o direito estatal, na dependência da vontade do


legislador, na tradição europeia continental ou nos precedentes ju-
risprudenciais, na tradição anglo-saxônica do Common Law (Direito Comum).
Os casos são resolvidos com base no texto legal e também com base nas
decisões proferidas em casos anteriores.

As correntes do positivismo jurídico

As ideias positivistas são provenientes de duas escolas principais: Escola da


Exegese (França) e o Pandectismo Jurídico (Alemanha).

A Escola da Exegese tinha caráter formalista, legalista, codicista e livre de


qualquer aspecto moral ou fático. Defendia que somente o Estado poderia criar
o direito. Foi assim intitulada porque o seu objeto de estudo era o Código de
Napoleão, sendo a palavra “exegese” sinônimo de “interpretação”. Para esta
escola, o código tinha solução para todos os problemas.

O Pandectismo Jurídico (Jurisprudência Conceitual) se identificava com as


premissas metodológicas (formalismo, sistematicidade etc) da Escola da
Exegese mas, diferente desta, era uma escola que se identificava não com o
Código de Napoleão e sim com a doutrina, representada por grandes juristas.
Defendia a imperatividade dos conceitos jurídicos como, por exemplo, “direito
objetivo”, “direito subjetivo”, “propriedade”, “obrigação”, etc, formados a partir
da generalização dos casos solucionados pela jurisprudência romana da
Antiguidade. Esta escola deu origem aos fundamentos da Teoria Geral do
Direito.

O NORMATIVISMO JURÍDICO

As tendências de perfil factualista dominavam o debate jurídico das primeiras


décadas do Século XX, quando surgiu a figura de um autor austríaco, chamado
Hans Kelsen, que mudará por completo o foco do debate da Teoria Geral do
Direito, ao questionar tais enfoques, investindo da proposta de construção de
uma metodologia própria para a Ciência do Direito.

O divisor de águas foi a teoria normativista do austríaco Hans Kelsen, com sua
“Teoria Pura do Direito”. O normativismo kelseniano consiste basicamente na
defesa da construção de parâmetros metodológicos próprios para a ciência do
Direito, expressos na denominada Teoria Pura do Direito, que não fossem uma
mera importação das ciências sociais e humanas do século XIX, tampouco a
reprodução dos paradigmas teóricos próprios das ciências naturais e exatas.

Com base na Teoria Geral do Estado para desenvolver uma teoria sobre o
ordenamento jurídico, Kelsen partiu da premissa de que o direito representa
uma expressão formal da soberania estatal, não sendo um produto da natureza
ou de fatos e sim um resultado da vontade política do Estado.

A ordem jurídica formaria uma pirâmide normativa e hierarquizada, onde cada


norma se fundamentaria em outra e a chamada Norma Fundamental
legitimaria toda a estrutura normativa. O objeto da Ciência do Direito seria o
estudo apenas da norma jurídica.
A teoria pura do Direito

Kelsen adotou uma ideologia essencialmente positivista no setor jurídico,


desprezando os juízos de valor, rejeitando a ideia do Direito Natural,
combatendo a metafísica. A teoria que criou se refere exclusivamente ao
Direito Positivo. O Direito seria um grande esqueleto de normas, comportando
qualquer conteúdo fático e axiológico.

Para Kelsen, justiça é a aplicação da norma jurídica ao caso concreto. A justiça


seria apenas um valor relativo.

O centro de gravidade da Teoria Pura localiza-se na norma jurídica. A norma


jurídica expressa, pela versão definitiva de Kelsen, um mandamento, um
imperativo: “Se A é, B dever ser”, em que “A” constitui um suposto e “B”, a
consequência.

O conteúdo da norma, para Kelsen, não influencia em sua validade, que


observa somente a forma de produção. A aferição (medição) da validade da
norma jurídica não se deveria à prescrição nela contida, mas sim à sua posição
topográfica na estrutura do ordenamento jurídico e a sua harmonia com as
demais normas.

A questão do conteúdo da norma somente tem relevo na Teoria Pura do Direito


para fins de aferição de validade normativa, em função de um parâmetro de
autoridade hierárquica das normas: o conteúdo das normas superiores no
ordenamento é determinante do conteúdo das normas inferiores.

A pirâmide jurídica e a Norma Fundamental

A estrutura normativa, objeto da ciência do Direito, apresenta-se hierarquizada.


As normas jurídicas formam uma pirâmide apoiada em seu vértice, estando no
ápice a Norma Fundamental (Norma Hipotética).

A graduação da pirâmide pode ser assim demonstrada: Norma Fundamental,


constituição, lei, sentença, atos de execução.

Crítica: O que seria Norma Fundamental? Estado e Direito são iguais?

A TEORIA TRIDIMENSIONAL DE MIGUEL REALE

Para Miguel Reale, o direito é a síntese histórica de dois elementos


pertencentes a realidades diferentes: fato (econômico, geográfico, demográfico
etc.) e valor (justiça, ordem, garantia etc.), concretizados dialeticamente na
norma jurídica.

Assim, o fenômeno jurídico, qualquer que seja a sua forma de expressão,


requer a participação dialética do fato, valor e norma, ou seja, “um elemento de
fato, ordenado valorativamente em um processo normativo”.
O Direito é uma realidade cultural, porque é o resultado da experiência do
homem. A bilateralidade é essencial ao Direito. A bilateralidade-atributiva é
específica do fenômeno jurídico, de vez que apenas ele confere a possibilidade
de se exigir um comportamento.

SEMANA AULA 04 – O DIREITO COMO CIÊNCIA E SUA METODOLOGIA.

DIREITO NATURAL E DIREITO POSITIVO

Direito Natural: considerado expressão da natureza humana ou dedutível dos


princípios da razão, o direito natural foi sempre concebido, pelos defensores
desta teoria, como superior ao direito positivo, como sendo absoluto e universal
por corresponder à natureza humana. O direito natural consiste na permanente
aspiração de justiça que acompanha o ser humano.

Direito Positivo: o direito positivo é assim denominado porque é o que provém


diretamente do estado (do latim jus positum: imposto, que se impõe), vem a ser
também, a base da unidade do sistema jurídico nacional.

Diferenças entre o Direito Positivo e o Direito Natural: o primeiro é o


ordenamento jurídico em vigor num determinado país e numa determinada
época; o segundo, o ordenamento ideal, correspondente a uma justiça superior
e suprema.

DIREITO SUBSTANTIVO E DIREITO ADJETIVO

O Direito Substantivo (material) é o conjunto das regras criadas pelo estado


que normatiza a vida em sociedade definindo relações jurídicas, constitui o
chamado direito material.

O Direito Adjetivo (processual) consiste nas regras de direito processual que


regulam a existência dos processos, bem como o modo destes se iniciarem, se
desenvolverem e terminarem. O direito formal ou "adjetivo" diz respeito à
processualística, ou seja, à forma pela qual se aplica o direito material.

Direito objetivo é composto pelas normas jurídicas, as leis, que devem ser
obedecidas rigorosamente por todos os seres humanos que vivem na
sociedade que adota essas leis. O seu descumprimento dá origem a sanções.

O Direito subjetivo, também chamado facultas agendi (faculdade de agir), é o


poder de exigir uma determinada conduta de outrem, conferido pelo direito
objetivo, pela norma jurídica.
Direito Absolutos e Relativos

Os direitos absolutos são aqueles que se opõem de forma erga omnes (geral),
irradiando efeitos em todos os campos e impondo à coletividade o dever de
respeitá-los. Direitos relativos os que se opõem ou obrigam apenas os sujeitos
da relação jurídica.

Direito Patrimonial é aquele onde é possível a averiguação econômica do


direito pretendido, como por exemplo, um dano a um veículo que gera danos
materiais. Por outro lado, Direito Extrapatrimonial é aquele impossível de se
aferir um valor econômico, pois inexistem critérios objetivos para tanto, como
por exemplo, os direitos da personalidade (direito à imagem e direito à honra).

Direitos Disponíveis são aqueles onde o titular poderá deles “abrir mão”, ou
seja, não invocá-los, sendo até mesmo passíveis de transação (Ex.: Ter direito
a uma reparação por danos morais e abrir mão desse direito ou então “trocá-lo”
por outro). Direito Indisponíveis são aqueles tutelados pelo Estado e, mesmo
que o titular não o queira, dele não poderá abrir mão (Ex.: Pagar alimentos aos
filhos menores).

Direitos Transmissíveis e Intransmissíveis – são os que podem ou não


passar de um titular para outro, seja por absoluta impossibilidade do fato ou por
determinação legal. Ex.: direitos reais e personalíssimos.

Direito público e privado - os romanos utilizaram o critério da utilidade.


Quando o objeto do direito era voltado para o interesse da coletividade este era
tido como direito público, se o interesse era do particular este seria direito
privado.

REPÚBLICA = RES PUBLICA = COISA PÚBLICA

O primeiro é o critério do conteúdo ou objeto da relação jurídica, também


chamado de teoria dos interesses em jogo. Nesse critério, quando prevalece o
interesse geral o direito é público, quando prevalece o particular o direito é
privado.

O segundo critério é relativo à forma da relação jurídica, ou teoria da natureza


da relação jurídica. Assim, se a relação é de coordenação (partes envolvidas
no mesmo patamar), trata-se, em regra, de direito privado. Se a relação é de
subordinação trata-se, em regra, de direito público. O Estado é o subordinante
(em regra) e a outra parte é o subordinado.

Ramos do direito público: direitos constitucional, financeiro, tributário,


internacional privado, administrativo, processual, ambiental, penal etc.

Ramos do direito privado: direito civil, empresarial.


1 - Supondo-se que o salário mínimo é fixado como obrigatório por lei, imagine-se um
contrato de trabalho pelo qual trabalhador e empresário convencionam que o primeiro
ganhará 2/3 do salário mínimo, visto que ele não tem mulher nem filho. É válido o
acordo? Obviamente, não. O patrão terá que pagar de qualquer forma o salário
mínimo, por se tratar de uma norma de ordem pública, de proteção ao trabalhador. Por
outro lado, se recebo, por empréstimo, dois sacos de arroz, a lei (Código Civil) diz que
sou obrigado a restituir esse gênero, na qualidade e quantidade recebidas. No entanto,
quem me emprestou aceita que eu faça a devolução em sacos de milho.
Os exemplos acima revelam uma diferença importante entre o Direito Público e o
Direito Privado. Aponte-a e explicite-a.

Sugestão de gabarito: Se recebo, por empréstimo, dois sacos de arroz, a lei diz
(Código Civil) diz que sou obrigado a restituir esse gênero, na qualidade e quantidade
recebidas. No entanto, quem me emprestou aceita que eu faça a devolução em sacos
de milho. É válido o acordo? Sim, porque aqui estamos no terreno do Direito Privado,
onde o particular pode exigir ou deixar de exigir o cumprimento da lei. A lei lhe dá a
faculdade de agir, ou seja, o direito subjetivo dá-lhe a possibilidade de agir, deixando-
lhe, porém, iniciativa da ação.
O Direito Público disciplina aos interesses gerais da coletividade, e se caracteriza pela
imperatividade de suas normas, que não podem nunca ser afastadas por convenção
dos particulares. Já o Direito Privado versa sobre as relações dos indivíduos entre si,
tendo na supletividade de seus preceitos a nota característica, isto é, vigora apenas
enquanto a vontade dos interessados não disponha de modo diferente que o previsto
pelo legislador.

2 - Partindo-se da afirmação de que o Direito Natural é o direito justo por excelência,


fundado na natureza humana e/ou que tem origem na vontade divina, qual seria uma
função possível do Direito Natural em relação ao Direito Positivo?

Sugestão de gabarito - Direito Natural é o direito justo por excelência, fundado na


natureza humana e ou que tem origem na vontade divina. O Direito Natural teria assim
por função dar legitimidade ao Direito Positivo (ordenamento jurídico) que, por sua
vez, para ser respeitado como válido deve conformar-se com os princípios do Direito
Natural, entendido como aquilo que é devido como justo em virtude da natureza das
coisas (Lei Natural);as normas emanadas da vontade divina; os direitos subjetivos que
todos os homens, enquanto pessoas, devem desfrutar (Direitos Fundamentais,
Direitos Humanos).

SEMANA AULA 05 – TEORIA DA NORMA JURÍDICA.

Norma jurídica: A norma jurídica é um comando, um imperativo dirigido às


ações dos indivíduos, das pessoas jurídicas e demais entes. É uma regra de
conduta social; sua finalidade é regular as atividades dos sujeitos em suas
relações sociais. A norma jurídica imputa certa ação ou comportamento a
alguém, que é seu destinatário.

Segundo o Direito Positivo, a norma jurídica é o padrão de conduta social


imposto pelo Estado, para que seja possível a convivência entre os homens.
Paulo Nader conceitua como sendo a conduta exigida ou o modelo imposto de
organização social. Segundo Orlando Secco, trata-se das regras imperativas
pelas quais o Direito se manifesta, e que estabelecem as maneiras de agir ou
de organizar, impostas coercitivamente aos indivíduos, destinando-se ao
estabelecimento da harmonia, ordem e da segurança da sociedade.

As palavras “norma” e “regras jurídicas” são sinônimas. Existe distinção entre


norma e lei. Esta é apenas uma das formas de expressão das normas, que se
manifestam também pelo direito costumeiro e, em alguns países, pela
jurisprudência.

Considerando-se, todavia, as categorias mais gerais das normas jurídicas,


verifica-se que estas apresentam alguns caracteres que, na opinião dominante
dos doutrinadores, são: bilateralidade, generalidade, abstratividade,
imperatividade, coercibilidade e heteronomia.

Características gerais da norma jurídica


1) Generalidade: Temos que a norma jurídica é preceito de ordem geral, que
obriga a todos que se acham em igual situação jurídica. Da generalidade da
norma deduzimos o princípio da isonomia da lei, segundo o qual todos são
iguais perante a lei.

2) Abstratividade: As normas jurídicas visam estabelecer uma fórmula padrão


de conduta aplicável a qualquer membro da sociedade. Regulam casos como
ocorrem, via de regra, no seu denominador comum. Se abandonassem a
abstratividade para regular os fatos em sua casuística, os códigos seriam muito
mais extensos e o legislador não lograria seu objetivo, já que a vida em
sociedade é mais rica que a imaginação do homem.

3) Bilateralidade: O Direito existe sempre vinculando duas ou mais pessoas,


conferindo poder a uma parte e impondo um dever à outra. Bilateralidade
expressa o fato de a norma possuir dois lados: um representado pelo direito
subjetivo e o outro pelo dever jurídico, de tal modo que um não pode existir
sem o outro, pois regula a conduta de um ou mais sujeitos em relação à
conduta de outro(s) sujeito(s).

4) Imperatividade: Revela a missão de disciplinar as maneiras de agir em


sociedade, pois o direito deve representar o mínimo de exigências, de
determinações necessárias. Assim, para garantir efetivamente a ordem social,
o Direito se manifesta através de normas que possuem caráter imperativo. Tal
caráter significa imposição de vontade e não simples aconselhamento.

5) Coercibilidade: Possibilidade de uso da coação. Essa possui dois


elementos: psicológico e material. O primeiro exerce a intimidação, através das
penalidades previstas para as hipóteses de violações das normas jurídicas. O
elemento material é a força propriamente, que é acionada quando o
destinatário da regra não a cumpre espontaneamente. As noções de coação e
sanção não se confundem. Coação é uma reserva de força a serviço do Direito,
enquanto a sanção é considerada, geralmente, medida punitiva para a hipótese
de violação de normas.

Lei em sentido formal e em sentido formal-material: em sentido formal é a


que atende apenas aos requisitos de forma (processo regular de formação),
faltando-lhe caracteres de conteúdo, como a generalidade ou substância
jurídica. Ex.: A aprovação, pela assembleia da Revolução Francesa, da lei que
declarava a existência de Deus e a imortalidade da alma. Em sentido formal-
material, a lei deve preencher os requisitos de substância e de forma.

Lei Substantiva - Reúne normas de conduta social que definem os direitos e


deveres das pessoas em suas relações. Ex.: Direito Civil, Penal, Comercial,
etc.

Lei Adjetiva - Aglutina regras de procedimento no andamento de questões


forenses. Ex.: Lei de Direto Processual Civil, Direito Processual Penal, etc.

OBS.: As Leis substantivas são, em regra, principais; As adjetivas são de


natureza instrumental.

AS DIVERSAS CLASSIFICAÇÕES DA NORMA

As normas jurídicas podem ser classificadas levando-se em consideração


diversos aspectos, dentre eles:

Quanto ao TIPO DE COMANDO – leva em consideração o tipo de comando


nela contido. Dividem-se em:

a) Norma imperativa ou cogente: É aquela que exige de seu destinatário


uma conduta positiva ou uma ação, sendo antijurídica qualquer atitude
diferente da prescrita na lei ou a omissão. Ex.: Lei que exige o
recolhimento do imposto de renda.
b) Norma proibitiva: Pressupõe uma omissão por parte do destinatário da
prática da conduta prevista pela norma. Neste caso o que se exige é um
“não agir” por parte do destinatário da norma. Ex.: Não matar – art. 121
do CP.
c) Norma supletiva: Este tipo de norma compreende aquelas situações
em que a ordem jurídica cria um padrão de agir, mas permite ao
destinatário optar por uma atuação diferente, de acordo com o princípio
da autonomia privada. Ex.: Elaboração de legados ou testamentos.

Quanto à AMPLITUDE – se refere ao alcance fático da hipótese contida na


norma. Dividem-se em:
Quanto ao ELEMENTO ESPACIAL – Na tipologia das normas, adota-se
também um critério de abrangência territorial ou espacial, que está intimamente
ligado às competências políticas em termos legislativos, fixadas pela
Constituição e pelo Direito Internacional:

a) Norma de Direito Internacional: As relações entre os Estados na


ordem internacional contam com normas estabelecidas com base em
tratados, convenções e costumes internacionais, cujo fundamento se
encontra no princípio da “autolimitação da soberania”, segundo o qual,
os Estados se submetem voluntariamente às regras de direito
internacional, a elas aderindo e recepcionando no direito interno, de
acordo com os procedimentos previstos na legislação de cada país.
b) Norma de Direito Interno: De modo geral, a norma jurídica é associada
à norma de direito interno, que é criada pelo Estado, no exercício do seu
poder soberano, e que se impõe a todos que se encontram em seu
território. A Constituição brasileira adotou a forma federativa de Estado,
na qual são atribuídas competências legislativas aos entes públicos:
União, Estados e Municípios.

Quanto ao ELEMENTO TEMPORAL: leva-se em consideração seu período de


vigência:
Quanto aos EFEITOS SOBRE O FATO: Matéria que é objeto de discussão
aprofundada no ponto sobre aplicação da lei no tempo, a incidência da norma
jurídica sobre os fatos ocorridos antes da sua entrada em vigor, também inspira
uma classificação própria:
Quanto às FONTES: a Teoria da Norma Jurídica é resultado de um tratamento
genérico das diferentes fontes de direito e pretende identificar traços em
comum entre elas, a fim de dar-lhes um tratamento padronizado.

A classificação da norma segundo as fontes faz o caminho inverso, ao


distinguir as normas em função da maneira como o direito se manifesta (lei,
costume, analogia, princípios de direito, jurisprudência etc.).

OS PLANOS DA VIGÊNCIA, VALIDADE E EFICÁCIA DA NORMA

Vigência
É a porta de entrada de uma norma no ordenamento jurídico.

Pra que a norma disciplinadora do convívio social ingresse no mundo jurídico e


nele produza efeitos, indispensável é que apresente validade forma, isto é, que
possua vigência. Esta significa que a norma social preenche os requisitos
técnico-formais e imperativamente se impõe aos destinatários.

A sua condição não se resume a vacatio legis, ou seja, ao decurso de tempo


após a publicação. Assim, não basta a existência da norma emanada de um
poder, pois é necessário que satisfaça a determinados pressupostos
extrínsecos de validez. Se o processo de formação da lei for irregular, não
tendo havido, por exemplo, tramitação perante o Senado Federal, as normas
reguladoras não obterão vigência.

Note-se que nem todas as leis possuem vacatio legis, pois ela poderá
entrar em vigor tão logo seja publicada. Obs.: o Código Civil brasileiro de
2002 teve um período de vacatio legis de 1 ano.

Validade

O campo da validade da norma jurídica situa-se em uma posição média entre a


questão formal e material do direito.

Levando-se em consideração que a norma inicialmente se incorpora à ordem


jurídica (plano da vigência), a aferição da validade normativa consiste em
verificar a compatibilidade da norma com o restante das normas do
ordenamento jurídico.

São hipóteses de invalidade das normas:


Eficácia

As normas jurídicas não são geradas por acaso, mas visando a alcançar certos
resultados sociais. Como processo de adaptação social que é, o Direito se
apresenta como fórmula capaz de resolver problemas de convivência e de
organização da sociedade.

O atributo eficácia significa que a norma jurídica produz, realmente, os efeitos


sociais planejados. Para que a eficácia se manifeste, indispensável é que seja
observada socialmente.

A lei que institui um programa nacional de combate a determinado mal e que,


posta em execução, não resolve o problema, mostrando-se impotente para o
fim a que se destina, carece de eficácia. A rigor, tal lei não pode ser
considerada Direito, pois este é o processo de adaptação social; é instrumento
que acolhe a pretensão social e a provê de meios adequados.

O desuso das leis e as leis anacrônicas

Essas seriam situações excepcionais, em que uma norma jurídica é vigente,


formalmente válida, mas não é socialmente aceita ou simplesmente não é
aplicada no dia a dia.

São leis em desuso ou leis anacrônicas, que têm o mesmo efeito em termos
práticos (a ineficácia social da norma), mas que se diferenciam pelo aspecto
temporal.

SEMANA AULA 06 – TEORIA DO ORDENAMENTO JURÍDICO

Ordenamento Jurídico - um conjunto hierarquizado de normas jurídicas que


disciplinam coercivamente as condutas humanas, com a finalidade de alcançar
a harmonia e a paz social. O legislador procura, por meio da criação de normas
jurídicas, proteger os interesses juridicamente relevantes.
Na atualidade, o sistema jurídico possui uma estrutura predominantemente
dinâmica – hierarquização normativa e interdependência entre as normas –
com traços estáticos – importância dos valores da norma.

As normas jurídicas não existem isoladamente, tampouco atuam de forma


solitária. Ao revés, fazem parte de um “sistema”, devendo ser analisadas e
interpretadas sempre levando em consideração todo o ordenamento, de forma
harmônica.

Para Paulo Nader, o ordenamento jurídico compreende “o sistema de


legalidade do Estado, formado pela totalidade das normas vigentes, que se
localizam em diversas fontes”.

Obs.: Princípio da plenitude (completude) do ordenamento jurídico – O


ordenamento não pode deixar de oferecer solução a nenhum litígio ou conflito
capaz de abalar o equilíbrio, a ordem e a segurança da sociedade. Dessa
forma, para que isso não ocorra, poderá suprir as lacunas do próprio
ordenamento com outras fontes do Direito.

HIERARQUIA E CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS

As normas de um ordenamento não estão todas em um mesmo plano. Há


normas superiores e inferiores. As normas inferiores dependem das superiores.
Subindo das normas inferiores até aquelas que se encontram mais acima na
estrutura do ordenamento, chega-se enfim a uma norma suprema, que não
depende de nenhuma outra norma superior, e sobre a qual repousa a unidade
do ordenamento: a Norma Fundamental.

Podemos situar as normas do ordenamento jurídico em diferentes graus de


hierarquia. Eis uma das mais citadas concepções de hierarquia das normas do
ordenamento jurídico brasileiro:

1) Normas constitucionais: ocupam o grau mais elevado da hierarquia das


normas jurídicas. Todas as demais devem subordinar-se às normas presentes
na Constituição Federal, isto é, não podem contrariar os preceitos
constitucionais. Quando contrariam, costuma-se dizer que a norma inferior é
inconstitucional.

2) Normas complementares: são as leis que complementam o texto


constitucional. A lei complementar deve estar devidamente prevista na
Constituição. Isso quer dizer que a Constituição declara, expressamente, que
tal ou qual matéria será regulada por lei complementar.
3) Normas ordinárias: são as normas elaboradas pelo Poder Legislativo em sua
função típica de legislar. Exemplo: Código Civil, Código Penal, Código
Tributário etc.

4) Normas regulamentares: são os regulamentos estabelecidos pelas


autoridades administrativas em desenvolvimento da lei. Exemplo: decretos e
portarias.

5) Normas individuais: são as normas que representam a aplicação concreta


das demais normas do Direito à conduta social das pessoas. Exemplo:
sentenças, contratos etc.

Obs.: Há hierarquia entre lei complementar e lei ordinária? O STF entende


que não. Contudo, o STJ entende que a lei complementar é
hierarquicamente superior em razão do seu quórum de aprovação.

NORMAS, REGRAS E PRINCÍPIOS

As normas jurídicas (gênero) se caracterizam por serem regras ou princípios


jurídicos (espécies).

As regras disciplinam determinada situação, podendo ser vislumbradas como


“modos de agir” (padrão de comportamento). Quando tais fatos ocorrem, há
incidência da norma. Não há meio termo. Ou existem ou não existem.

Por sua vez, a palavra “princípio” exprime a ideia de começo, onde tudo se
inicia. Princípios são as diretrizes gerais do ordenamento jurídico, sendo
caracterizados como juízos abstratos de valor que orientam a interpretação e a
aplicação do Direito. Violar um princípio é muito mais grave que violar uma
norma.

A diferença marcante entre as regras e os princípios, portanto, reside no


seguinte: a regra cuida de casos concretos e os princípios norteiam uma
multiplicidade de situações. O princípio da presunção de inocência, por
exemplo, cuida da forma de tratamento do acusado bem como de uma série de
regras probatórias (o ônus da prova cabe a quem faz a alegação, a
responsabilidade do acusado só pode ser comprovada constitucional, legal e
judicialmente etc.).

Os princípios desempenham funções estratégicas, a saber: fundamentadora,


interpretativa e supletiva ou integradora: por força da função fundamentadora
dos princípios, é certo que outras normas jurídicas neles encontram o seu
fundamento de validade. Os princípios, ademais, não só orientam a
interpretação de todo o ordenamento jurídico, senão também cumprem o papel
de suprir eventual lacuna do sistema (função supletiva ou integradora).

Obs.: Art. 4º da LINDB – “Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de
acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito.”
PODER CONSTITUINTE

Trata-se do poder de elaborar e modificar normas constitucionais. Portanto, é o


poder de estabelecer uma nova Constituição de um Estado ou de modificar
uma já existente. É a expressão da vontade suprema do povo, social e
juridicamente organizado. São duas as espécies de poder constituinte:
originário e derivado.

O poder constituinte originário ou de primeiro grau é o poder de elaborar uma


nova ordem constitucional, ou seja, de criar uma Constituição, quando o Estado
é novo (poder constituinte originário histórico), ou de substituí-la por outra,
quando o Estado já existe (poder constituinte originário revolucionário).
Portanto, é um poder inicial, ilimitado, autônomo e incondicionado.

Por sua vez, o poder constituinte derivado, instituído pelo poder constituinte
originário, é subordinado e condicionado. Subdivide-se em reformador,
decorrente e revisor. O reformador modifica as normas constitucionais por meio
das emendas, respeitando as limitações impostas pelo poder constituinte
originário (artigo 60 da CF).