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Química Analítica Teórica

e Experimental I
Material Teórico
Química Analítica: Conceitos Fundamentais

Responsável pelo Conteúdo:


Prof.ª Me. Marina Garcia Resende Braga

Revisão Textual:
Prof.ª Me. Luciene Santos
Química Analítica: Conceitos Fundamentais

• Introdução à Química Analítica;


• Erros em Química Analítica;
• Revisando;
• Ensaios Químicos – Via Úmida e Via Seca;
• Aplicações da Química Analítica.

OBJETIVO DE APRENDIZADO
· Apresentação de uma introdução à Química Analítica, pontuando as
diferenças entre Química Analítica Qualitativa e Quantitativa;
· Revisão de conceitos importantes;
· Apresentação de métodos e ensaios químicos.
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua
formação acadêmica e atuação profissional, siga
algumas recomendações básicas:
Conserve seu
material e local de
estudos sempre
organizados.
Aproveite as
Procure manter indicações
contato com seus de Material
colegas e tutores Complementar.
para trocar ideias!
Determine um Isso amplia a
horário fixo aprendizagem.
para estudar.

Mantenha o foco!
Evite se distrair com
as redes sociais.

Seja original!
Nunca plagie
trabalhos.

Não se esqueça
de se alimentar
Assim: e de se manter
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte hidratado.
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e
horário fixos como seu “momento do estudo”;

Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma


alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;

No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você
também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão
sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;

Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e
de aprendizagem.
UNIDADE Química Analítica: Conceitos Fundamentais

Introdução à Química Analítica


A Química Analítica é de grande importância para as mais diversas áreas, como,
por exemplo, para a Bioquímica, Agronomia, Farmácia entre outras. Desse modo,
é fundamental que essa área da Química seja muito bem compreendida e estudada
com afinco. Mas você sabe quais assuntos são tratados em Química Analítica?

A importância desta disciplina pode ser facilmente observada em nosso coti-


diano. A água que chega às nossas casas, por exemplo, passa por uma série de
análises antes de chegar a nós. É necessário identificar a presença de certos sais
minerais na água, como o flúor, por exemplo, além de garantir por meio de outras
análises se a água é adequada para consumo.

Em suma, pode-se dizer que a Química Analítica é o ramo da química res-


ponsável por desenvolver e aperfeiçoar técnicas de identificação, separação e
quantificação dos componentes de uma determinada amostra. Em outras palavras,
por meio da Química Analítica, é possível identificar, quantificar e caracterizar os
componentes de uma amostra. Esses componentes podem ser ou não conhecidos
(QUEVEDO, 2018).

Nesta unidade, veremos alguns dos mais importantes princípios de Química Ana-
lítica (termos fundamentais, técnicas, seleção de métodos entre outros), revisaremos
conceitos essenciais para o bom entendimento da disciplina (fórmulas, equações quí-
micas, valência e números de oxidação), ensaios químicos essenciais e, finalmente,
algumas das principais aplicações da Química Analítica. Vamos começar?

Termos Fundamentais
Alguns termos são frequentemente utilizados em Química Analítica e é impor-
tante que você sempre tenha em mente o significado de cada um deles. Dentre os
principais, temos (QUEVEDO, 2018):
• Análise: conjunto de técnicas que permite a separação de um componente de
outros, fornecendo informações químicas e físicas sobre o mesmo. Também
pode ser realizada em uma amostra química como um todo;
• Amostra: é a porção do que será analisado, sendo expressiva o suficiente para
representar todas as características físico-químicas da amostra como um todo,
bem como sua composição;
• Analito: é o componente da amostra que desejamos analisar, ou seja, nosso
componente de interesse. Exemplos: íons, compostos orgânicos, entre outros;
• Técnica: é o conjunto de processos escolhidos para caracterizar e analisar
determinado componente/amostra;
• Método: o método consiste na aplicação de uma determinada técnica para
determinação de um componente de amostra;

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• Medida: avaliação e determinação de uma grandeza físico-química em uma amostra;
• Procedimento: é o modo como você fará uma análise química. Um proce-
dimento contém todas as informações necessárias sobre métodos e técnicas
que devem ser aplicados, desde a preparação da amostra até como validar
os resultados;
• Protocolo: o protocolo que detalhará o procedimento a ser seguido para aná-
lise de uma amostra. Em um protocolo, define-se o que deve ser feito para que
a análise seja considerada válida por um órgão oficial.

Ramos da Química Analítica


A Química Analítica pode ser dividida, basicamente, em dois tipos: qualitativa e
quantitativa. Na Química Analítica Qualitativa, como o próprio nome já diz, esses
tipos de análises, métodos e procedimentos têm por objetivo identificar espécies
químicas presentes em uma determinada amostra, sem se preocupar com suas
composições. Por exemplo, através da aplicação de determinadas técnicas e mé-
todos, pode-se identificar os elementos, íons e moléculas que estão presentes em
uma amostra.

Na Química Analítica Quantitativa, por outro lado, a quantidade de cada um dos


componentes é o que mais interessa. Neste caso, são utilizados métodos e técnicas
capazes de determinar a composição de determinado componente na amostra ou
de cada um dos componentes da amostra. Segundo Skoog et al. (2014), os princi-
pais métodos para determinação quantitativa de analitos são:
• Gravimétricos: nestes tipos de métodos, a grandeza de interesse é a massa.
Logo, por meio de métodos como esse, a massa de analitos ou de outros
compostos presentes na amostra pode ser determinada. A gravimetria pode
ser realizada, por exemplo, por extração, volatilização ou eletrodeposição.
Geralmente, os métodos gravimétricos são precisos e exatos e os instrumentos
utilizados possuem baixo custo. No entanto, os procedimentos podem gastar
muito tempo para serem realizados e erros de precipitação podem causar per-
das nos componentes de interesse da amostra;
• Volumétricos: neste caso, a grandeza de interesse é o volume. É necessário
preparar uma solução com reagente que seja suficiente para haver reação com
todo o analito contido na amostra. Geralmente, são menos precisos que os
métodos gravimétricos, no entanto, podem ser realizados mais rapidamente.
Exemplos de vidrarias utilizadas em análises volumétricas: balões volumétricos
(Figura 1), buretas (Figura 2) e pipetas volumétricas (Figura 3). A titulação é
uma das técnicas mais usadas e pode ser: titulação ácido-base, titulação redox,
titulação de precipitação ou titulação de complexação. A diferença de cada
uma, nestes casos, baseia-se na principal reação química que ocorre durante
a análise;

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UNIDADE Química Analítica: Conceitos Fundamentais

Figura 1 – Balões volumétricos.


Fonte: Wikimedia Commons

Figura 2 – Bureta sustentada por um suporte Figura 3 – Desenho esquemático de uma pipeta volumétrica
Fonte: Wikimedia Commons Fonte: Wikimedia Commons

Você Sabia? Importante!

Os métodos de gravimetria e volumetria são classificados como métodos clássicos da Quími-


ca Analítica, os quais vêm sendo utilizados deste o início do desenvolvimento da Química.
Baseiam-se em técnicas de análise simples, porém, precisas. Por isso ainda são bastante
viáveis e trazem consigo confiabilidade nos resultados obtidos.

• Eletroanalíticos: nestes métodos, as grandezas de interesse estão relacionadas às


propriedades elétricas da matéria, como o potencial elétrico e a corrente elétrica
entre outras. Entre os principais métodos eletroanalíticos, podemos destacar os
seguintes: voltametria, eletrogravimetria, titulações coulométricas, entre outros.

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Para saber mais sobre tipos de métodos eletroanalíticos, consulte o seguinte link:
Explor

https://goo.gl/1KFjRi. Acesso em: 01 jun. 2018.

• Espectroscópicos: neste caso, a grandeza de interesse é a radiação eletro-


magnética emitida por átomos ou moléculas. Além disso, mediante esse tipo
de análise também é possível identificar se há ou não emissão de radiação pela
espécie de interesse na amostra.
• Métodos variados: outros métodos de interesse para a Química Analítica,
além dos já citados são: espectrometria de massas, determinação do calor
de reação e condutividade térmica de amostras, cromatografia, entre outros
(SKOOG et al., 2014).

Conforme os anos foram passando, outros


métodos, além dos clássicos, foram sendo de-
senvolvidos para aumentar a gama de tipos de
análise em química analítica. Estes novos méto-
dos são conhecidos como métodos instrumen-
tais, nos quais equipamentos estão ligados a
dispositivos eletrônicos que fornecem as infor-
mações requeridas. Métodos eletroanalíticos e
espectroscópicos, por exemplo, são exemplos
de métodos instrumentais.

Tipicamente, uma análise quantitativa em Química Analítica envolve, basica-


mente, o seguinte conjunto de etapas (SKOOG et al., 2014):
• Escolha do método;
• Obtenção da amostra;
• Processamento da amostra;
• Eliminação de interferências;
• Calibração e medida de concentração;
• Cálculo dos resultados;
• Avaliação dos resultados e estimativa de confiabilidade.

Importante! Importante!

É claro que você deve levar em consideração vários fatores na aplicação de cada uma das
etapas descritas anteriormente. Para saber mais sobre o assunto, consulte o Capítulo
1 do livro “Fundamentos de Química Analítica”, de Skoog et al. (2014). Na página 11
do mesmo capítulo, você encontrará um exemplo muito interessante da aplicação da
Química Analítica na solução de um problema de toxicologia. Os custos para estes tipos
de métodos são bem mais elevados que os custos dos métodos clássicos. Além disso,
análises instrumentais necessitam de profissionais capacitados para realizá-las.

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UNIDADE Química Analítica: Conceitos Fundamentais

Geralmente, antes de realizar uma análise química, você deve levar alguns fato-
res em consideração, entre eles (QUEVEDO, 2018):
• Natureza da análise;
• Especificidade do analito, se é tóxico ou emite radiação, por exemplo;
• Interferências (se a presença de alguma substância interfere na detecção do
analito, por exemplo) e prioridades (ordem das análises);
• Equipamentos e vidrarias a serem utilizados;
• Infraestrutura e insumos disponíveis.

Agora, veremos os principais cálculos utilizados para validação de resultados em


Química Analítica.

Erros em Química Analítica


Muitos fatores podem desencadear erros durante um processo de análise. Vere-
mos nesta seção, como tratar as medidas experimentais obtidas em uma análise de
forma estatística. Vamos lá?

Média Aritmética
Quase sempre, um experimento é repetido várias vezes e seus resultados tendem a
se aproximar de um valor médio, aproximando-se de uma curva gaussiana (MATOS,
2012). O valor médio de uma variável pode ser calculado de acordo com a Equação 1:

x1  x2  x3    xn
X (1)
n

em que X representa o valor da média da grandeza de interesse obtida pelo expe-


rimento em questão, xk representa a medida da k-ésima grandeza em cada experi-
mento e n é a quantidade de medições realizadas.

Exemplo 1: Um químico realizou várias medidas de massa de uma amostra em


diferentes balanças e o resultado foi o seguinte:

=m1 5=
, 2 kg ; m2 5=
, 0 kg ; m3 5=
, 4 kg e m4 5,1 kg

Calcule a média dos resultados das massas da amostra.

Solução: Aplicando-se a Equação 1, temos:

x1  x2  x3    xn
X
n
5, 2  5, 0  5, 4  5,1
m  5,175 kg
4

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Logo, a média da massa das amostras é igual a , mas como todas as medidas
possuem apenas uma casa decimal, devemos arredondá-la para 5,2 kg.

Desvio Padrão
O desvio padrão é um cálculo utilizado para verificar se há muita variação entre
os resultados obtidos experimentalmente e a média obtida. Em outras palavras, é
uma medida de dispersão das medidas em relação ao valor médio. O desvio padrão
pode ser calculado pela Equação 2:

( x1  x) 2
d  n
i
n 1
(2)

em que d é o desvio padrão da grandeza medida durante os experimentos (nas


unidades da grandeza), n é a quantidade de medições realizadas (adimensional),
i representa cada medição (adimensional), x é a medida real da grandeza e x é a
média de todas as medidas experimentais obtidas.

É ideal que o desvio padrão seja sempre baixo, o que indica que os valores obti-
dos experimentalmente estão mais próximos da média.

Exemplo 2: Calcule o desvio padrão dos resultados experimentais obtidos no


Exemplo 1.

Solução: Aplicando-se a Equação 2, temos:

n
( x1  x) 2
d i n 1
4
(5, 2  5,175) 2  (5, 0  5,175) 2  (5, 4  5,175) 2  (5, 2  5,175) 2
d i 4

d = 0,1479 kg ~ 0,2 kg

Geralmente, os dados experimentais são escritos da seguinte forma:

Média + desvio padrão.

Logo, considerando os Exemplos 1 e 2, poderíamos escrever 5,2 + 0,2 kg para


representar os resultados experimentais. O desvio padrão relativo dado em termos
de porcentagem pode ser calculado pelo coeficiente de variância, dado pela Equa-
ção 3. Quanto maior o valor do coeficiente de variância, menor será a precisão dos
resultados obtidos no experimento.

d 100
CV 
x (3)

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UNIDADE Química Analítica: Conceitos Fundamentais

Importante! Importante!

Existem duas fórmulas diferentes para o cálculo do desvio padrão: amostral e populacional.
Nesta unidade, estamos considerando o desvio padrão populacional, visto que o amostral
é utilizado quando a população é muito grande e utilizamos uma amostra representativa
para representar a população inteira.
A quantidade de casas decimais dos resultados depende da precisão do equipamento. Es-
tudaremos mais sobre este assunto e sobre a importância de algarismos significativos em
unidades futuras.

Dois tipos de cálculos para erros são muito utilizados em química analítica: o
erro relativo e o erro absoluto, dados pelas Equações 4 e 5, respectivamente.
Quanto menor o erro relativo, maior a precisão dos resultados. Para calcular os er-
ros relativos e absolutos percentuais, basta multiplicar as Equações 3 e 4 por 100.

Valor medido  Valor de referência


Erro relativo 

Valor de referênci a (4)

Erro relativo = Valor medido – Valor de referência (5)

Exemplo 3: (COMPERVE, 2015) O valor verdadeiro da concentração de uma


solução é 0,1085 mol/L. Mas o valor encontrado por um técnico, na sua determi-
nação, foi de 0,1065 mol/L. Nesse caso, os valores para o erro absoluto e o erro
relativo são, respectivamente:
• + 0,0018 mol/L e 2,0%.
• + 0,0020 mol/L e 1,84%.
• – 0,0018 mol/L e 2,0%.
• – 0,0020 mol/L e 1,84%.

Solução: Bem, para resolver este exercício, podemos aplicar as Equações 4 e 5


vistas nesta unidade. Vamos lá:

Erro relativo = Valor medido – Valor de referência = 0,1065 – 0,1085


= – 0,0020 mol/L

Valor medido  Valor de referência


Erro relativo   100
Valor de referênci a
0,1065  0,1085
  100
0,1085
1, 84% (neste caso, pode
 se considerar o módulo do erro relativo)

Logo, a resposta correta é a letra D.

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A partir de agora, revisaremos alguns conceitos importantes que você deve re-
lembrar como pré-requisitos para aprofundar seus estudos em química analítica.

Revisando
Fórmulas e Equações Químicas
Como representar uma substância química? Bem, podemos fazê-lo utilizando
fórmulas químicas, que apresentam os átomos dos elementos que constituem as
substâncias químicas em suas devidas proporções. Em outras palavras, uma fórmu-
la química apresenta, de forma simplificada, a quantidade e o tipo de átomos que
constituem a substância em questão. Essas fórmulas podem ser:
• Moleculares: apresentam a quantidade de átomos de cada elemento químico
que estão presentes nas moléculas. Exemplo: CO (monóxido de carbono – 1
átomo de carbono + 1 átomo de oxigênio), C6H12O6 (glicose – 6 átomos de
carbono + 12 átomos de hidrogênio + 6 átomos de oxigênio), entre outras;

Importante! Importante!

Geralmente, usamos a nomenclatura fórmula molecular para compostos que possuem li-
gações covalentes. Para representar compostos que possuem ligações iônicas, pode-se dizer
íon-fórmula (DIAS, 2018). Exemplos: NaCl (cloreto de sódio – 1 átomo de sódio + 1 átomo de
cloro), KBr (brometo de potássio – 1 átomo de potássio + 1 átomo de bromo), entre outros.

• Eletrônicas: esse tipo de representação também é conhecido como fórmula


de Lewis. Primeiramente, deve-se escrever os símbolos dos átomos de cada
elemento químico que constitui a substância em suas devidas quantidades. De-
pois, devem ser desenhados pequenos pontos em volta de cada átomo, repre-
sentando a quantidade de elétrons presentes em suas camadas de valência.
Por fim, são feitas pequenas elipses unindo pares de elétrons, representando
as ligações químicas entre eles. Exemplos:

O C O
+ -
Na + Cl [Na] [ Cl ]

• Estrutural plana: nesta representação, as ligações químicas covalentes são


simbolizadas por traços. Abaixo, você pode observar a fórmula estrutural pla-
na do CO2, do O2 e do Cl2.

O=C=O
O=O
C1 – C1

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UNIDADE Química Analítica: Conceitos Fundamentais

Sabendo a fórmula dos compostos, você pode agora montar equações quí-
micas. Elas nada mais são que representações de reações químicas. Observe a
Figura 4 a seguir.

Na + Cl NaCl
Figura 4 – Representação de reação química

De forma simplificada, em uma reação química, uma ou mais substâncias (rea-


gentes) reagem entre si para formar novas substâncias (produtos). Na Figura 4, os
reagentes estão representados na cor alaranjada, enquanto os produtos estão na
cor verde. Lembre-se que existe uma quantidade estequiométrica que deve ser se-
guida em uma reação química, ou seja, uma certa proporção de reagentes formará
uma certa proporção de produtos.

Para saber mais sobre estequiometria e reações químicas, consulte o livro “Noções básicas de
Explor

cálculo estequiométrico”, do autor Robson Mendes Matos. Referência: MATOS, R. M. Noções


básicas de cálculo estequiométrico. Campinas, SP: Átomo, 2013. 104 p.

Valência e Número de Oxidação (NOX)


A valência de um elemento químico está relacionada com a quantidade de liga-
ções químicas que aquele elemento pode realizar com outro. Além disso, a valência
também está ligada com a quantidade de elétrons que um átomo de um elemento
químico possui em sua última camada ou nível de energia, chamada de camada de
valência. Podemos descobrir essa quantidade de elétrons por meio do Diagrama de
Pauling, ou observar a família a qual pertence o elemento químico em questão. O
Diagrama de Linus Pauling pode ser observado na Figura 5.

Figura 5 – Diagrama de Linus Pauling


Fonte: Acervo do conteudista

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A ordem de leitura do Diagrama de Pauling, em ordem crescente de níveis de
energia, é a seguinte: 1s2 2s2 2p6 3s2 3p6 4s2 3d10 4p6 5s2 4d10 5p6 6s2 4f14 5d10
6p6 7s2 5f14 6d10 7p6.

Vamos usar o exemplo do átomo do elemento potássio (K). O potássio possui


número atômico 9. A distribuição eletrônica do potássio, então, de acordo com o
Diagrama de Pauling, fica da seguinte forma:

1s2 2s2 2p5

Mas, o que significa cada um dos símbolos acima? Bem, os dígitos à esquerda (1,
2, 3, 4, ..., 7) representam as camadas ou níveis eletrônicos. As letras (s, p, d e f) re-
presentam os subníveis ou subcamadas eletrônicas. Cada um destes níveis e subníveis
comporta uma determinada quantidade de elétrons, de acordo com as Tabelas 1 e 2.

Tabela 1 – Níveis eletrônicos e quantidades máximas de elétrons comportadas por cada nível
Quantidade máxima
Camadas Níveis
de elétrons
K 1 2
L 2 8
M 3 18
N 4 32
O 5 32
P 6 18
Q 7 8

Tabela 2 – Subníveis eletrônicos e quantidade máxima de elétrons comportada por cada um


Subcamada ou Quantidade máxima
subnível de elétrons
s 2
p 6
d 10
f 14

Segundo Fogaça (2018), “o número de oxidação (NOX) de um elemento é a car-


ga elétrica que ele adquire quando faz uma ligação iônica ou o caráter parcial () que
ele adquire quando faz uma ligação predominantemente covalente.” Os átomos de
elementos químicos podem ter a tendência de doar ou receber elétrons. Observe
alguns dos NOX mais comuns de alguns átomos de elementos químicos na Tabela
3. Saber o conceito de NOX é muito importante para entender melhor como ocor-
rem reações de oxirredução, muito comuns em química analítica.

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Tabela 3 – NOX de alguns elementos químicos


Elemento químico NOX
Família 1A (Li, Na, K, Rb, Cs, Fr) + Prata (Ag) +1
Família 2A (Be, Ca, Mg, Sr, Ba, Ra) + Zinco (Zn) +2
Família 3A (B, Al, Ga, In, Tl) +3
Família 7A (F, Cl, Br, I, At) -1 (quando o elemento for o mais eletronegativo do composto)
Hidrogênio (H) +1 ou -1 (depende do composto)
Oxigênio (O) -2, -1/2, +2 ou +1 (depende do composto)
Fonte: Fogaça (2018)

É importante ressaltar que o NOX de vários elementos pode ser variável, depen-
dendo do composto formado.

Para estudar mais sobre NOX e como determiná-los em um composto, acesse o link:
Explor

https://goo.gl/d7cmbZ. Acesso em: 02 jun. 2018.

Ensaios Químicos – Via Úmida e Via Seca


Você já aprendeu que a Química Analítica é responsável por identificar a com-
posição de substâncias, seja qualitativa ou quantitativamente. Geralmente, para
identificação de uma substância, dois ensaios químicos podem ser empregados:
reações por via seca e reações por via úmida. Veremos, brevemente, do que se
trata cada um desses ensaios a seguir.

Via Seca
Como o próprio nome já diz, nesse tipo de ensaio, as amostras não são dissol-
vidas em um solvente, estando no estado sólido. Usualmente, a amostra e as subs-
tâncias de interesse são aquecidas a altas temperaturas, em pequenas quantidades.
As reações por via seca podem ser feitas por meio de aquecimento a seco ou mé-
todos piroquímicos (BARBOSA, 2014). Um teste bastante utilizado em laboratório
realizado por via seca é o teste de chama.

No teste de chama, a amostra é aquecida e, a partir da cor resultante da chama


após o aquecimento, é possível identificar a presença de alguns elementos quími-
cos. Algumas substâncias apresentam uma cor característica no teste de chama,
como é mostrado na Tabela 4.

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Tabela 4 – Cor característica da chama ao entrar em contato com substâncias no teste de chama

Substância Cor característica


Sais de sódio Chama amarelo intenso
Sais de potássio Chama violeta lilás
Sais de cálcio Chama vermelha alaranjada
Sais de estrôncio Chama vermelha
Sais de bário Chama verde
Sais de cobre Chama azul esverdeada
Boratos Chama verde amarelada
Sais de chumbo ou mercúrio Chama azul pálida

Fonte: Cardoso (2000)

Via Úmida
Os ensaios por via úmida são feitos por meio de reações de identificação de
substâncias que estão em solução, ou seja, não estão em sua forma mais pura. Se
a substância faz parte de uma solução, significa que está diluída em algum solvente.
Neste caso, quando ocorre a reação, podemos identificar a substância de interesse
por meio da observação de (BARBOSA, 2014):
• Mudança de cor;
• Formação de precipitado;
• Desprendimento de gases;
• Estado físico.

Portanto, é trabalho de um químico analítico realizar a análise do resultado dos


ensaios por via úmida, identificando ou não substâncias de interesse que possam
estar presentes na amostra.

Aplicações da Química Analítica


A análise química é uma ferramenta fundamental nos mais diversos ramos do
conhecimento. A química analítica, portanto, ocupa um lugar central em várias áre-
as. Podemos aplicar conhecimento de Química Analítica em áreas como (SKOOG
et al., 2014):
• Física;
• Engenharia;

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UNIDADE Química Analítica: Conceitos Fundamentais

• Química;
• Medicina;
• Ciência dos Materiais;
• Geologia;
• Ciências Sociais;
• Agricultura, entre outras.

Bem, chegamos ao fim desta unidade sobre fundamentos da química analítica.


Porém, ainda temos muito a ver e aprender sobre o assunto. A Química Analítica
é uma área do conhecimento extremamente abrangente e necessária ao nosso co-
tidiano. Continuaremos conversando sobre isso oportunamente. Se restou alguma
dúvida, entre em contato com seu professor tutor. Não se esqueça de fazer todos
os exercícios relacionados a esta unidade e comentá-los com seus colegas no fórum
de discussão.

Bons estudos e até a próxima!

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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Livros
Fundamentos de química analítica
Para saber mais sobre os princípios da química analítica, leia o Capítulo 1 do livro
“Fundamentos de química analítica”, do autor Skoog e seus colaboradores.
Química analítica: práticas de laboratório
Inicie seus estudos sobre Química Analítica experimental consultando o livro “Quí-
mica analítica: práticas de laboratório”, dos autores Gilber Rosa, Marcelo Gauto e
Fábio Gonçalves.

Vídeos
O que se estuda em Química Analítica?
O canal Universidade da Química, no YouTube, apresenta um vídeo bastante
interessante sobre o assunto.
https://youtu.be/G3Hkvq3TqJw
Teste da chama mostra onde o sódio está presente
Um exemplo de aplicação do teste de chama foi realizado para identificação do sódio
no programa “Bem Estar”.
https://goo.gl/HDvLR3

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UNIDADE Química Analítica: Conceitos Fundamentais

Referências
BARBOSA, G. P. Química analítica: uma abordagem qualitativa e quantitativa.
São Paulo: Érica, 2014. 144 p.

CARDOSO, K.F. Apostila de análise qualitativa: teoria. 2. ed. São Paulo: Se-
nai, 2000.

DIAS, D.L.  Íon-fórmula. Disponível em: <https://mundoeducacao.bol.uol.com.


br/quimica/ion-formula.htm>. Acesso em: 02 jun. 2018.

FOGAÇA, J. R. V. Número de oxidação (NOX). Disponível em: <https://mun-


doeducacao.bol.uol.com.br/quimica/numero-oxidacao-nox.htm>. Acesso em: 02
jun. 2018.

Introdução à Química Analítica. Disponível em: <http://www2.ufersa.edu.br/


portal/view/uploads/setores/169/Aula%20II%20-%20INTRODU%C3%87%-
C3%83O%20%C3%80%20QU%C3%8DMICA%20ANAL%C3%8DTICA.pdf>.
Acesso em: 01 jun. 2018.

MATOS, M. A. C.  Erro e tratamento de dados analíticos. 2012. Disponível


em: <http://www.ufjf.br/nupis/files/2012/03/aula-2-Erro-e-tratamento-de-da-
dos-Quimica-Analitica-IV-Curso-Farm%C3%A1cia-2012.1.pdf>. Acesso em: 01
jun. 2018.

QUEVEDO, R. T.  Química analítica. Disponível em: <https://www.infoescola.


com/quimica/quimica-analitica/>. Acesso em: 01 jun. 2018.

SKOOG, D. A.; WEST, D. M.; HOLLER, F. J.; CROUCH, S. R. Fundamentos de


química analítica. 9. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2014.

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