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Técnicas de Abordagem

ESTADO DO MARANHÃO
SECRETARIA DE ESTADO DA SEGURANÇA PÚBLICA
POLÍCIA MILITAR DO MARANHÃO
DIRETORIA DE ENSINO
CENTRO DE FORMAÇÃO E APERFEIÇOAMENTO DE PRAÇAS
Criado pela Lei Estadual nº 3.602, de 04/12/1974
Tel: (98) 3258.2128/2146 Fax: (98) 3245.1944 – End: BR 135, Km 2–Tirirical

TÉCNICAS DE ABORDAGEM

2018
Técnicas de Abordagem 2

SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO................................................................................................... 4
1 LEGISLAÇÃO BÁSICA....................................................................................... 5
2 BUSCA PESSOAL.............................................................................................. 6
2.1 Tipos de busca........................................................................................... 6
2.2 Conceito de Domicilio................................................................................ 7
3 USO DE ALGEMAS............................................................................................ 8
3.1 Procedimentos Básicos.............................................................................. 8
4 EMPREGO DE ARMA DE FOGO...................................................................... 11
4.1 Aspectos Jurídicos..................................................................................... 11
5 ABORDAGEM POLICIAL.................................................................................... 13
5.1 Finalidades............................................................................................ 13
5.1.2 Princípios da Abordagem........................................................................... 13
5.1.3 Fases da Abordagem................................................................................. 14
5.1.4 Níveis de Abordagem................................................................................. 15
5.1.5 Postura de Segurança............................................................................... 16
5.2 Abordagem de Pessoas à Pé (Transeuntes) ............................................ 17
5.2.1 Policial Isolado........................................................................................... 17
5.2.2 Com Dois policiais..................................................................................... 18
5.2.3 Sem Anteparo Com Três Policiais........................................................... 21
5.2.4 Com Anteparo Com Três Policiais........................................................... 22
5.2.5 Sem Anteparo Com Quatro Policiais......................................................... 23
5.2.6 Com anteparo Com Quatro Policiais......................................................... 29
5.2.7 Mais de Quatro Policiais............................................................................ 29
5.3 Abordagem em Festas e Eventos.............................................................. 30
5.4 Abordagem em Pessoas – Posição de Joelhos........................................ 32
5.5 Abordagem em Pessoas – Posição Deitado............................................. 33
5.6 Abordagem à Veículos............................................................................... 34
5.6.1 Quando Realizar a Abordagem Policial..................................................... 34
5.6.2 Casos de Suspeição de Veículos.............................................................. 34
5.6.3 Dificuldades................................................................................................ 35
5.6.4 Cuidados.................................................................................................... 35
5.7 Abordagem com Diversos Tipos de Guarnição........................................ 36
Técnicas de Abordagem 3

5.8 Abordagem a Coletivos.............................................................................. 45


5.8.1 Aproximação.............................................................................................. 45
5.8.2 Setores de Abordagem.............................................................................. 51
5.8.3 Abordagem com Quatro Policiais.............................................................. 52
5.8.4 Abordagem com Seis Policiais.............................................................. 55
5.9 Abordagem à Motocicletas........................................................................ 60
5.9.1 Com Dois Policiais..................................................................................... 60
5.9.2 Com Outros Tipos de Guarnições.............................................................. 62

5.10 Abordagem à Caminhões.......................................................................... 67


5.11 Abordagem a Edificações.......................................................................... 73
5.11.1 Tipos de Edificações.................................................................................. 73
5.11.2 Fases da Abordagem de Edificações........................................................ 75
6 SINAIS CONVENCIONADOS............................................................................ 87
REFERÊNCIAS....................................................................................................... 89
Técnicas de Abordagem 4

APRESENTAÇÃO

Este trabalho representa um esforço coordenado dos integrantes do Centro de


Formação e Aperfeiçoamento de Praças – CFAP e objetiva fomentar a produção de
conhecimento, padronização de procedimentos operacionais e proporcionar
subsídios àqueles interessados em adquirir informações, proporcionando também
base teórica que deverá ser usada por todas as Unidades Polos de Ensino da
PMMA, por ocasião de Cursos de Formação ou atualização, bem como poderá ser
aprimorada e utilizada em outras atividades de ensino que, com certeza, haverão de
acontecer. Certamente, os conhecimentos não foram exauridos e também não foi
essa a nossa pretensão, mas sim deixarmos nossa parcela de contribuição nesse
contexto.

Responsável pela edição e aprimoramento textual:


Cel QOPM Becker - Cmt. CFAP
Técnicas de Abordagem 5

1. LEGISLAÇÃO BÁSICA

Poder de Polícia – Quando o Poder Público interfere na órbita do


interesse privado para salvaguardar o interesse público, restringindo direitos
individuais, atua no exercício do Poder de Polícia.

Segundo Caio Tácito (apud MEIRELLES, 2013, p. 115), “o poder de


polícia é, em suma, o conjunto de atribuições concedidas à Administração para
disciplinar e restringir, em favor do interesse público adequado, direitos e liberdades
individuais.”

ACÓRDÃO STF – Recurso Extraordinário nº. 80839/PR, publicado na


Revista Trimestral de Jurisprudência, Vol. 75, Fev. 76, p. 607-610: “o soldado de
polícia, sempre fardado e armado é a encarnação mais presente e respeitada da
autoridade do Estado, a presunção jurídica é sempre no sentido de que ele age em
função do Estado...” (grifo nosso).
Técnicas de Abordagem 6

2. BUSCA PESSOAL

Júlio Fabbrini Mirabete conceituou busca pessoal como "a busca pessoal
consiste na inspeção do corpo e das vestes de alguém para apreensão dessas
coisas, incluindo toda a esfera de custódia da pessoa, como bolsas, malas, pastas,
embrulhos e os veículos em sua posse (automóveis, motocicletas, barcos etc.)”.

Para o Código de Processo Penal, o Poder de Polícia se consubstancia


quando o Poder Público interfere na órbita do interesse privado para salvaguardar o
interesse público, restringindo direitos individuais, atua no exercício do Poder de
Polícia.

a) Art.244. A busca pessoal independerá de mandado, no caso de


prisão ou quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na
posse de arma proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo
de delito, ou quando a medida for determinada no curso de busca
domiciliar.”

b) Art. 249. A busca em mulher será feita por outra mulher, se não
importar retardamento ou prejuízo da diligência.

2. 1 Tipos de Busca:

 Busca Visual ou Preliminar

É realizada a fim de identificar visualmente, qualquer volume ou


anormalidade no corpo do cidadão ou no ambiente que possa caracterizar uma
ameaça. Realizada em situação de rotina.

 Busca Ligeira

É realizada geralmente em bares, portões de entrada, coletivos e etc.,


locais onde devido a grande quantidade de pessoas, torna-se inviável uma busca
mais detalhada.

 Busca Minuciosa

Realizadas em Pessoas suspeitas.


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 Busca Completa

Realizada em estabelecimentos prisionais. Feita também em repartição


policial ou em recinto adequado.

2. 2 Conceito de domicílio

O Código Penal Brasileiro, em seu art. 150 enumera e esclarece o


conceito de “domicílio”:

§ 4º. I - Qualquer compartimento habitado – (cuida-se do apartamento, casa,


barraca de campo, barracos da favela. Importa notar que não se compreende aqui
apenas a coisa imóvel, mais também a móvel destinada à moradia (p. ex., trailers,
iate e etc.)

§ 4º. II - Aposento ocupado de habitação coletiva – (cuida-se do espaço ocupado


por várias pessoas (p. ex., cortiços, hotel, pensionato). Somente é objeto da
proteção legal a parte ocupada pelos moradores privativamente (p. ex., os
aposentos). Excluem-se, portanto, os lugares de uso comum(p. ex., sala de espera).

§ 4º. III - Compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão
ou atividade – (trata-se do espaço não destinado propriamente à habitação, mas ao
desenvolvimento de qualquer profissão ou atividade. (p. ex., consultórios médicos,
escritórios de advocacia, contabilidade). Ressalva-se, contudo, que a parte desses
locais aberto ao público não é objeto da proteção legal (restaurantes, bares e lojas).
Técnicas de Abordagem 8

3. USO DE ALGEMAS

Quanto ao uso de algemas, inexiste qualquer preceito relativo ao uso


de algemas na legislação processual penal comum, sendo perfeitamente aceitável a
analogia com o previsto no artigo 234 e seu parágrafo primeiro do Código de
Processo Penal Militar:

Art. 234, CPPM: O emprego de força só é permitido quando


indispensável, no caso de desobediência, resistência ou tentativa de
fuga. Se houver resistência da parte de terceiros, poderão ser usados
os meios necessários para vencê-la ou para defesa do executor e
auxiliares seus, inclusive a prisão do ofensor. De tudo se lavrará auto
subscrito pelo executor e por duas testemunhas.

Parágrafo Primeiro: O emprego de algemas deve ser evitado, desde


que não haja perigo de fuga ou de agressão da parte do preso, e de
modo algum será permitido, nos presos a que se refere o artigo 242.

A ressalva do artigo 242 do CPPM deve ser entendida apenas para


crimes militares.

SÚMULA VINCULANTE 11 STF: SÓ É LÍCITO O USO DE ALGEMAS EM CASOS DE


RESISTÊNCIA E DE FUNDADO RECEIO DE FUGA OU DE PERIGO À INTEGRIDADE FÍSICA
PRÓPRIA OU ALHEIA, POR PARTE DO PRESO OU DE TERCEIROS, JUSTIFICADA A
EXCEPCIONALIDADE POR ESCRITO, SOB PENA DE RESPONSABILIDADE DISCIPLINAR, CIVIL
E PENAL DO AGENTE OU DA AUTORIDADE E DE NULIDADE DA PRISÃO OU DO ATO
PROCESSUAL A QUE SE REFERE, SEM PREJUÍZO DA RESPONSABILIDADE CIVIL DO
ESTADO.

3.1 Procedimentos Básicos

a) Algemar sempre o detido com os braços para trás e costas das


mãos para dentro, conforme demonstrado na figura abaixo.

Figura 1
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b) As fechaduras das algemas deverão estar voltadas da forma como


demonstrado na figura 2.

Figura 2

c) Nunca se algemar com o preso, pois o mesmo poderá ser mais forte
que você (figura 3);

Figura 3

d) Ao conduzir o preso deve preocupar-se em mantê-lo do lado oposto


ao da arma;

e) As algemas são empregadas em pessoas violentas ou quando se


supõe que pessoas aparentemente calmas tornar-se-ão violentas. O policial deve
atuar com senso crítico, adotando todos os cuidados a fim de que a sua decisão de
aplicar algemas, não venha contrariar os princípios inerentes a dignidade humana;

f) Um prisioneiro não deve ser preso a um objeto do qual não possa


ser retirado rapidamente sob certas circunstancias;
Técnicas de Abordagem 10

g) Não devem ser utilizadas em crianças;

h) Devem ser utilizadas nos adolescentes envolvidos em atos


infracionais cometidos com emprego de violência, grave ameaça ou quando houver
perigo de fuga, agressão da parte do apreendido ou de risco a integridade física do
mesmo;

i) O abuso no uso da algema, por parte da autoridade ou de seus


agentes, acarretará responsabilidade penal. Segundo Caio Tácito, “o poder de
polícia é, em suma, o conjunto de atribuições concedidas à Administração para
disciplinar e restringir, em favor do interesse público adequado, direitos e liberdades
individuais.”
Técnicas de Abordagem 11

4. EMPREGO DE ARMA DE FOGO

4.1 Aspectos Jurídicos:

O emprego de arma de fogo pelas forças militares auxiliares está


positivado no art.234 do Código de Processo Penal Militar, in verbis:

§ 2º O uso de armas de fogo só se justifica quando


absolutamente necessário para vencer a resistência ou
proteger a incolumidade do executor da prisão ou a de auxiliar
seu.

Vale destacar ainda a Lei nº 13060/2014, que disciplina o uso dos


instrumentos de menor potencial ofensivo pelos agentes de segurança pública, em
todo o território nacional.

LEI Nº 13.060, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2014


Disciplina o uso dos
instrumentos de
menor potencial
ofensivo pelos
agentes de segurança
pública, em todo o
território nacional.

A PRESIDENTA DA REPÚBLICA, Faço saber que


o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1o Esta Lei disciplina o uso dos instrumentos de
menor potencial ofensivo pelos agentes de segurança pública
em todo o território nacional.
Art. 2o Os órgãos de segurança pública deverão
priorizar a utilização dos instrumentos de menor potencial
ofensivo, desde que o seu uso não coloque em risco a
integridade física ou psíquica dos policiais, e deverão obedecer
aos seguintes princípios:
I - legalidade;
II - necessidade;
III - razoabilidade e proporcionalidade.
Técnicas de Abordagem 12

Parágrafo único. Não é legítimo o uso de arma de


fogo:
I - contra pessoa em fuga que esteja desarmada ou
que não represente risco imediato de morte ou de lesão aos
agentes de segurança pública ou a terceiros; e
II - contra veículo que desrespeite bloqueio policial
em via pública, exceto quando o ato represente risco de morte
ou lesão aos agentes de segurança pública ou a terceiros.
Art. 3o Os cursos de formação e capacitação dos
agentes de segurança pública deverão incluir conteúdo
programático que os habilite ao uso dos instrumentos não
letais.
Art. 4o Para os efeitos desta Lei, consideram-se
instrumentos de menor potencial ofensivo aqueles projetados
especificamente para, com baixa probabilidade de causar
mortes ou lesões permanentes, conter, debilitar ou incapacitar
temporariamente pessoas.
Art. 5o O poder público tem o dever de fornecer a
todo agente de segurança pública instrumentos de menor
potencial ofensivo para o uso racional da força.
Art. 6o Sempre que do uso da força praticada pelos
agentes de segurança pública decorrerem ferimentos em
pessoas, deverá ser assegurada a imediata prestação de
assistência e socorro médico aos feridos, bem como a
comunicação do ocorrido à família ou à pessoa por eles
indicada.
Art. 7o O Poder Executivo editará regulamento
classificando e disciplinando a utilização dos instrumentos não
letais.
Art. 8o Esta Lei entra em vigor na data de sua
publicação.
Técnicas de Abordagem 13

5. ABORDAGEM POLICIAL

De acordo com Aurélio (2002, p. 5), abordar é aproximar-se de (alguém).


Sendo assim, transferindo o conceito de abordagem para a técnica policial abordar é
o ato de aproximar-se e interpelar uma pessoa a pé, motorizada ou montada com o
intuito de identificar, orientar, advertir, assistir, revistar, prender, etc.

5.1 Finalidades

5.1.2 Princípios de Abordagem

São proposições norteadoras, que fundamentam as técnicas a serem


desenvolvidas. Tem por objetivo incutir no profissional de segurança pública a
necessidade de mantê-las durante toda atividade policial, garantindo o sucesso do
emprego do policiamento.

São definidos então como princípios:

a) Segurança

Caracteriza-se por um conjunto de medidas adotadas pela força policial


militar para diminuir os riscos da ação policial. É um conjunto de cautelas
necessárias visando redução do perigo de uma reação por parte do abordado ou
mesmo de perigos externos à abordagem.

b) Surpresa

É o ato de aparecer inopinadamente diante de uma pessoa com o intuito


de apanhá-la de sobressalto, não oferecendo chance de reação.

c) Rapidez

É a velocidade com que a ação policial é desencadeada e executada


atendendo aos critérios de segurança e aplicação da técnica. Uma ação lenta além
de ser um grande constrangimento para um abordado inocente, poderá transmitir
Técnicas de Abordagem 14

uma total antipatia para a população que, mormente, não entende o procedimento
policial.

d) Ação Vigorosa

Atitude firme e resoluta dos componentes da ação policial que darão


ordens claras e precisas ao abordado, caracterizadoras do conhecimento técnico-
profissional. Jamais deverá confundir-se com arbítrio ou violência.

e) Unidade de Comando

A atividade dinâmica de prever, dirigir, coordenar, fiscalizar a ação de


uma tropa a cargo de uma pessoa dentro de uma linha de comando verticalizada. A
responsabilidade da ação será proporcional ao nível de comando.

5.1.3 Fases da Abordagem

Toda atividade técnica precisa ser planejada para que os resultados


alcançados não venham a ser de cunho negativo para a Corporação, muito menos
para o agente da ação (integridade física e moral).

Desta forma se faz necessário o planejamento da abordagem policial de


maneira que a ação seja eficaz e eficiente, e para tanto serão adotados os seguintes
passos:

a) Planejamento Mental

Nessa fase o policial que estiver no comando da ação fará as indagações


abaixo citadas e com base nessas informações elaborará uma linha de ação.

- O QUE faremos?

- PARA QUE abordaremos?


Técnicas de Abordagem 15

- QUEM iremos abordar?

- ONDE se dará a ação?

b) Plano de Ação

Nessa fase é elaborada uma linha de ação adaptável as circunstâncias do


ambiente, devendo, também, ser respondidas as seguintes indagações:

- COMO atuaremos?

- QUANDO realizaremos a abordagem?

c) Execução

A fase da execução consiste na aplicação prática do plano de ação


concebido pelo policial que estiver no comando da ação.

d) Conclusão

Após a abordagem o policial procederá a orientação, assistência e em


caso de necessitar realizar a busca pessoal e verificando-se o cometimento de um
ilícito, o preso deverá ser conduzido a uma delegacia de polícia. Em caso de realizar
a busca pessoal e não for constatado o cometimento de ilícito penal o policial deverá
explicar o motivo de sua atitude e o porquê de ter sido realizado daquela forma.

5.1.4 Níveis de Abordagem

A definição dos níveis de abordagem é uma forma de facilitar a


comunicação entre os integrantes da guarnição envolvida na ação policial e até para
contatar com as centrais de rádio das unidades.

Foram então definidos três níveis com as características que seguem


abaixo:
Técnicas de Abordagem 16

NÍVEL DE TIPO DE BUSCA POSTURA DE


SITUAÇÃO
ABORDAGEM PESSOAL SEGURANÇA
SUSPEITA/CONFIRMA
1 MINUCIOSA MÁXIMA
DA
2 PREVENTIVA LIGEIRA BÁSICA
3 ORDINÁRIA - BÁSICA

NÍVEL 1 - Adotado em situações onde exista a suspeita ou a certeza do


cometimento de delito;

NÍVEL 2 - Adotada em situações onde haja necessidade de verificação


preventiva (estádios, eventos com grande concentração de pessoas, festas
populares);

NÍVEL 3 - Adotada para situações de assistência, autuação de trânsito,


orientação, etc.

Obs.: Em caso de suspeita não confirmada, a guarnição passará da


postura de segurança máxima para a relativa, podendo evoluir para a postura
básica.

5.1.5 Postura de Segurança

Situações adversas requerem posturas diferentes. Contudo, o policial não


deve esquecer que a sua segurança individual deve estar estabelecida em todos os
casos, minimizando inclusive uma agressão contra o agente do estado, alvo para
facilitação de acesso a locais restritos e o roubo de armas, lhe garantindo, inclusive,
possibilidade de reação.

Visando a compreensão didática da técnica policial, com base nas


experiências e técnicas de armamento e tiro, foram estabelecidas três posturas de
segurança: máxima, relativa e básica.

Para melhor compreensão, convém a análise da tabela a seguir:


Técnicas de Abordagem 17

POSTURA DESCRIÇÃO
O policial aponta a arma para o abordado. Todas as armas
máxima
apontadas para o(s) suspeito(s).
Arma de porte na mão apontada para baixo em posição de
relativa
segurança. Arma portátil cruzada a altura do peito.
O policial tomará a posição diagonal em relação ao abordado,
básica ficando a arma no coldre no lado oposto ao abordado, com a mão
sobre o cabo da arma. Arma portátil voltada para baixo.

5.2 Abordagem a pessoas a pé (Transeuntes)

Neste capítulo serão abordados os procedimentos a serem adotados por


policiais que executam o policiamento à pé, com número que pode variar do policial
isolado até equipes com mais de quatros policiais, a exemplo dos efetivos
empregados durantes as festas populares e operações.

5.2.1 Policial Isolado

Nesta circunstância, o agente do estado poderá estar deslocando para


casa ou indo para o trabalho, e deparar com uma ocorrência, que em virtude dos
acontecimentos tenha que participar diretamente na solução do problema. Sendo
assim, o policial deverá tomar as seguintes medidas:

I - Quando a abordagem policial for definida como de NIVEL 1, é conveniente que


não seja realizada, pois é contra indicada em virtude do grau de risco que o agente
será submetido, devendo somente realizá-la em situações inevitáveis (na flagrância
ou na iminência de um ilícito penal, ou quando a situação por em risco a integridade
física do policial),e quando solicitado, o policial limita-se a coletar os dados,
informando-os à central de rádio para que seja enviado o apoio necessário,
adotando a postura de segurança básica;
Técnicas de Abordagem 18

II - Vendo o suspeito, o policial adotará imediatamente a postura de segurança


máxima e abrigar-se-á, devendo procurar observar características físicas que
possam identificá-lo, podendo acompanhá-lo à distância através de lanços até a
chegada do apoio solicitado;

Nessa situação, como proceder:

a) Procurar cobrir-se ou abrigar-se;

b) Aproximar-se diminuindo a silhueta;

c) Apontar a arma para o(s) abordado(s) (postura de segurança máxima);

d) No caso de existência de um ou mais suspeitos, todos deverão


permanecer deitados em decúbito ventral, e o policial aguardará o reforço solicitado
(através de apitos, gritos, transeuntes, etc.), procurando sempre se proteger
utilizando, para isso, de abrigos e cobertas;

e) Em caso de abordagem de NÍVEL 2 e 3, o policial ficará a uma


distância de segurança do suspeito, mantendo a postura de segurança básica, a
qual poderá progredir para a postura RELATIVA, em se tratando de abordagem do
NÍVEL 2, e o policial aguardará o reforço solicitado.

5.2.2 Com dois policiais

É comum o emprego do policiamento ostensivo à pé ser executado por


dupla de policiais, por isso é importante o domínio da técnica a ser empregada em
virtude da grande probabilidade do envolvimento destes em um fato que lhes traga
risco de morte. Contudo deve-se sempre solicitar apoio a outras equipes de forma a
diminuir o risco para a ação policial.

Nessa situação, como proceder:

a) Procurar cobrir-se ou abrigar-se;

b) Aproximar-se diminuindo a silhueta;


Técnicas de Abordagem 19

c) Apontar a arma para o(s) abordado(s) (postura de segurança máxima);

d) No caso de existência de um ou mais suspeitos, todos deverão


permanecer deitados em decúbito ventral, e o policial aguardará o reforço solicitado
(através de apitos, gritos, transeuntes, etc.), procurando sempre se proteger
utilizando, para isso, de abrigos e cobertas;

e) Em caso de abordagem de NÍVEL 2 e 3, o policial ficará a uma


distância de segurança do suspeito, mantendo a postura de segurança básica, a
qual poderá progredir para a postura RELATIVA, em se tratando de abordagem do
NÍVEL 2, e o policial aguardará o reforço solicitado.

I - Na abordagem de NÍVEL 1, deverá ser feita a aproximação observando a


disposição em linha entre policiais, formando dessa forma um triângulo, cujo vértice
será o(s) suspeito(s), atentando para a distância aproximada de 02 (dois) metros
entre os policiais e 03 (três) metros para o(s) suspeito(s) (Fig. 01). Caso a
abordagem seja de NÍVEL 2 ou 3 a aproximação se dará seguindo a mesma técnica,
ressaltando que a distância entre o(s) abordado(s) e o policial que entrará em
contato com ele será de um passo. Em ambos os casos a postura de segurança
será a básica, contudo na abordagem do NIVEL 2 a postura de segurança poderá
progredir para a RELATIVA no decorrer da ação policial.

II - Em caso de abordagem de NÍVEL 1, os policiais deverão apontar as armas para


os suspeitos, com o objetivo de garantir a primazia da ação (postura de segurança
máxima).

III - A verbalização destinada ao(s) suspeito(s) deverá ser clara e objetiva, para que
este adote a posição para a busca pessoal evitando, nesse instante, o contato físico
com o abordado. Se a abordagem for de NÍVEL 1 ou 2, far-se-á busca minuciosa.

IV - O comandante da dupla fará a segurança de busca.

V - Em caso de busca minuciosa, o outro policial fará a revista do suspeito primeiro


de um lado, depois no outro, lembrando-se de não passar na linha de tiro do
comandante, no papel de segurança de busca (Fig. 04);
Técnicas de Abordagem 20

Figura 4

VI - Caso seja um grupo de pessoas, após colocá-los em posição de busca pessoal


minuciosa (NÍVEL1), o comandante deverá estabelecer locais distintos para busca e
custódia. O suspeito que primeiro a ser revistado será separado do grupo
aproximadamente 03 (três) metros, para que não haja quebra de segurança durante
a revista. Salienta-se que tal abordagem será executada em situações excepcionais,
devendo o policial proceder como descrito nas letras “a”, ”b”,”c”,e “d” do item
5.2.2.

VII - Havendo mais de um suspeito deve ser definido o setor de busca e o de


custódia, e por ser uma abordagem de alto risco, somente será feita em caso de
extrema necessidade, ficando a cargo do patrulheiro a busca pessoal no indivíduo
que for separado do grupo, como se sozinho estivesse, enquanto que o outro
policial, o comandante, fará a custódia dos suspeitos revistados ou por revistar. (
Fig. 06 ).
Técnicas de Abordagem 21

Figura 5

Diante da inexistência de um anteparo lateral para ser feita a busca


minuciosa, esta poderá ser executada colocando-se o(s) suspeito(s) na posição de
joelhos, (NÍVEL I) em pé 9 (NÍVEL II e III), que oferece todos os requisitos
indispensáveis para uma busca pessoal com segurança.

A critério do comandante, recomenda-se não utilizar anteparo com menos


de 1,5 metro, ou aqueles onde haja pontos onde o suspeito poderá segurar-se e
reagir a ação policial.

5.2.3 Abordagem sem anteparo com três policiais

Com a participação de três policiais em uma ação policial já é possível


estabelecer uma segurança maior para o grupo, tendo em vista que o raio de visão
(considerando toda a equipe).

Em abordagem de NÍVEL 1, deverá ser feita a aproximação em triângulo


em relação ao(s) suspeito(s) e em linha entre os policiais; observar-se-á a distância
aproximada de 01 (um) metro entre cada policial e de 03 (três) metros em relação ao
suspeito(s) (Fig. 06). Caso a abordagem seja de NÍVEIS 2 ou 3 a aproximação dar-
se-á seguindo a mesma técnica, ressaltando que a distância entre o(s) abordado(s)
e o policial que entrará em contato com ele será de um passo.
Técnicas de Abordagem 22

Figura 6

5.2.4 Abordagem com anteparo com três policiais

A Busca Pessoal será dividida em dois setores: um setor de busca e um


setor de custódia do grupo. O Setor de Custódia, sempre que possível, será
instalado no lado direito do Setor de Busca.

O comandante fará a segurança do revistador (Segurança de Busca). Um


outro policial fará a revista e o terceiro policial fará a custódia dos indivíduos a serem
revistados, considerando que o risco que este grupo oferece é maior em relação aos
que já foram submetidos á busca (Fig. 7).

Figura 7
Técnicas de Abordagem 23

A pessoa que será submetida a revista será afastada do grupo


aproximadamente 03 (três) metros e o revistador fará a Busca Pessoal nos dois
lados do abordado, priorizando um lado e em seguida o outro, tendo o cuidado de
não passar na linha de tiro do segurança de busca.

Havendo mais de um suspeito e sendo estabelecido os setores de busca


e custódia, o suspeito que for revistado, deverá voltar ao setor de custódia logo após
a revista, até o término por completo da ação de abordagem e busca.

O revistador deverá ser um policial altamente qualificado para essa


função, pois sua falha poderá acarretar quebra de segurança e consequências
funestas.

5.2.5 Abordagem sem anteparo com quatro policiais

Aproximação: Dentro da
fundada suspeita, observando
todas as possíveis investidas
de apoio e dificuldades na
abordagem policial (local,
quantidade de pessoas, vias,
etc).

É importante que ao acionar


os sinais sonoros e
luminosos, o 01 (comandante)
já se posicione, com o
objetivo de responder
imediatamente caso aconteça
uma reação violenta.

Figura 8
Técnicas de Abordagem 24

Na parada, a equipe
semidesembarcada com o
máximo de poder de fogo
direcionado para o objetivo e,
ainda, mantendo a segurança
360°.

Figura 9

Na parada, a equipe
semidesembarca com poder
de fogo direcionado para o
objetivo. Neste momento o 01
adverte os indivíduos com o
comando de voz “POLICIA!!!”
ainda, mantendo a segurança
360º e o cuidado com a via e
com a distância de segurança
entre a viatura e os indivíduos
abordados. A área de trabalho
precisa proporcionar boa
mobilidade da equipe.

Figura 10
Técnicas de Abordagem 25

Ao desembarcar, a equipe já
desce abrindo o leque da
abordagem, o 01 sempre
com comandos firmes e
claros de “cidadãos mãos
sob a cabeça e dedos
entrelaçados, um ao lado do
outro”.

Figura 11

Busca preliminar na pessoa.


De preferência efetua a
abordagem trazendo sempre
um para trás, evitando que
haja vulnerabilidades na ação
da equipe.

Figura 12
Técnicas de Abordagem 26

Após a busca minuciosa ter


sido realizada em todos os
abordados, o 01 solicita a
documentação que é
repassada ao 04.

Figura 13

Neste momento o 04 busca


junto a central de rádio
possíveis alterações na
documentação dos cidadãos
abordados. Durante a
abordagem, é salutar que
haja uma mudança na
posição dos abordados sob
observação, visando
confrontar informações e
colher dados que geram
suspeitas.

Figura 14
Técnicas de Abordagem 27

Não encontrado nada, o 04


retorna ao 01 lhe entregando
a documentação dos
abordados, “caso exista
alguma alteração o 04
repassa ao 01, sendo o mais
discreto possível”.

Figura 15

Exauridas todas as
possibilidades de
cometimento de infrações
penais, é importante que o
comandante exponha os
motivos da abordagem
policial, sendo educado com
os cidadãos. O 03 se
posiciona de forma a
aumentar a segurança
periférica. O 04 permanece
próximo ao 01. A equipe fará
sob o comando de “retração”
à viatura, quando 03 retraí e
rende o 02, que embarca na
viatura, simultaneamente o 04
retraí e chama o 01.

Figura 16
Técnicas de Abordagem 28

Os policiais aguardam
semidesembarcados a saída
dos abordados.

Figura 17

Ao sair é importante que siga


por um caminho diferente dos
abordados.

Figura 18
Técnicas de Abordagem 29

5.2.6 Abordagem com anteparo com quatro policiais

Observar o disposto no item 5.2.3, enquanto que o policial acrescido na


GUPM fará a segurança externa;

Figura 19

5.2.7 Mais de quatro policiais

Além das funções já descritas anteriormente, o quinto policial deverá ser o


Cmt que fará a coordenação e o controle observando o desempenho de todos, bem
como procederá a entrevista dos suspeitos já revistados. No caso da existência de
um sexto policial, poderá ser criado um outro Setor de Custódia (setor pós-revista) -
diametralmente oposto ao primeiro – para onde serão conduzidos e vigiados os
indivíduos já revistados (Fig. 9). Se houver outros policiais, estes poderão observar o
rádio ou fazer o controle de trânsito.
Técnicas de Abordagem 30

Figura 20

5.3 Abordagem em Festas e Eventos

A abordagem será executada fazendo-se um cerco em torno do(s)


suspeito(s) ficando os componentes da patrulha de números ímpares (pares)
voltados para a parte externa e os de números pares (ímpares) para a parte interna,
permanecendo no interior da circunferência o(s) suspeito(s), o comandante e um
revistador previamente escolhido por ele, que fará a busca ligeira no abordado (Fig.
10). A depender do número de policial integrante da patrulha poderá ser designado
um outro policial para fazer a segurança do Revistador quando da abordagem,
deixando, consequentemente, o comandante livre para posicionar-se da maneira
que melhor lhe convier;

Em uma abordagem com uma patrulha composta por quatro policiais o


comandante fará a segurança do revistador enquanto que os outros dois policiais
farão a segurança externa do perímetro (Imag. 20), mantendo-se bem próximos.
Técnicas de Abordagem 31

Figura 21

Em uma abordagem com uma patrulha composta por quatro policiais o


comandante fará a segurança do revistador enquanto que os outros dois policiais
farão a segurança externa do perímetro (Imag. 21), mantendo-se bem próximos.

Figura 22

Em detectando-se uma pessoa suspeita de portar arma de fogo no meio


da multidão ou de reiterada prática de ilícitos, o comandante da patrulha, se houver
condições, deverá comunicar o ocorrido às demais patrulhas, informando as
Técnicas de Abordagem 32

características físicas e de vestuário do suspeito. Posteriormente, procederá ao


acompanhamento e a abordagem com busca minuciosa (com ou sem anteparo
lateral), em local onde ofereça menor risco à segurança da patrulha e aos
transeuntes.

Em caso de vias de fato entre os participantes do evento, a patrulha, de


imediato, realizará a imobilização dos contendores, e a retirada destes, incontinente,
do local, conduzindo-os para o Posto de Comando e Triagem, onde proceder-se-á
busca minuciosa.

Os suspeitos ou presos serão conduzidos dispostos de forma alternada


entre os integrantes da patrulha sob observação e responsabilidade do Cerra-fila.

5.4 Abordagem em pessoas posição de joelhos

O policial determina que o suspeito coloque as mãos sobre a cabeça, com


os dedos entrelaçados e fique de joelhos e cruze as pernas, devendo o policial
colocar sua perna entre as pernas do elemento, imobilizando-o somente em fundada
suspeita.

Figura 23 Figura 24
Técnicas de Abordagem 33

Figura 25

5.5 Abordagem em pessoas posição deitado

Na posição em que o suspeito se encontra deitado (somente em fundada


suspeita) e dependendo do local e do grau de suspeição do elemento a ser
abordado, o Policial poderá empregar a seguinte técnica da Chave de Perna:
a) O Policial levantará a perna esquerda (direita) do suspeito e envolverá a
mesma com a sua perna esquerda (direita), deixando o peso do seu corpo
sobre a perna do elemento a ser abordado;
b) As mãos do suspeito poderão estar entrelaçadas na nuca ou espalmadas no
solo com os braços abertos (crucifixo);
c) Esta posição é muito boa para algemar um suspeito, todavia, no tocante a
Busca Pessoal, faz-se necessário a complementação da busca em pé.

Figura 26 Figura 27
Técnicas de Abordagem 34

5.6 Abordagem a veículos

5.6.1 Quando Realizar a Abordagem Policial

Como já foi discutido anteriormente sobre a legalidade, a abordagem a


veículo deve, além da técnica, seguir os princípios legais, sendo basicamente quatro
situações que o policial deve abordar veículo:
- Quando acionado pela central de rádio;
- Para reconhecimento;
- Em caso de suspeição; e
- Esta sendo usado na prática de crime.
5.6.2 Casos de Suspeição de Veículos

Existem diversos casos que podem conduzir a suspeição, normalmente


situações atípicas e que despertam no policial a probabilidade da iminência do
acontecimento de um fato delituoso, cabendo ao comandante o rápido planejamento
de suas ações caso deseje realizar a abordagem. Vejamos algumas situações
contumazes:

- Veículo se deslocando em baixa velocidade próximo a estabelecimento


comercial;
- Veículos ou mais deslocando-se juntos em área comercial;
- Veículo com placas que causem suspeição ou sem elas;
- Pessoas passando de um veículo para outro (abandonando o primeiro);
- Veículo estacionado em local ermo ou em local sem justificativa aparente;
- Veículo de carga ou com compartimento fechado que possa abrigar
pessoas, estacionado em frente a estabelecimentos comerciais ou
bancários;
- Veículo circulando a noite com as luzes apagadas;
- Veículo que passa pelo mesmo local várias vezes;
- Pessoas que estão deitadas no interior do veículo;
- Veículos abandonados ou abertos por longo período;
Técnicas de Abordagem 35

- Condutores que alteram o seu comportamento com a aproximação da


viatura ou ao avistá-la;
- Veículos com características semelhantes a algum comunicado de alerta
passado pela central de rádio.

5.6.3 Dificuldades

É importante ter em mente que durante o acompanhamento a veículo


suspeito, existem algumas dificuldades, as mais comuns são:
- A guarnição encontrará grande dificuldade para identificar os ocupantes
através do veículo, não só pela escassez de dados, como também devido
ao movimento do veículo;
- O perigo que oferece um acompanhamento uma vez que a intensidade do
trânsito de veículos e o grande fluxo de pedestres, não tendo os meliantes
nada a perder, pois não hesitarão em abrir fogo contra a polícia ou causar
danos a veículos ou provocarem acidentes com vítima e atropelamentos em
seu intento de lograr êxito na fuga;
- Nem sempre um veículo que promove fuga implica no entendimento de que
sejam marginais os seus ocupantes; dentre as inúmeras hipóteses, pode
tratar-se de um menor sem autorização para conduzir veículos automotivos
ou um cidadão que não esteja portando a documentação obrigatória;
- Identificar e perceber os locais que favoreçam a execução de manobras
evasivas;
- Películas, etc..

5.6.4 Cuidados

Alguns cuidados e procedimentos devem ser adotados pela guarnição


quando do acompanhamento a veículos suspeitos não devendo nunca:

- Emparelhar a viatura com o veículo suspeito;


- Ultrapassar o veículo suspeito;
Técnicas de Abordagem 36

-"Fechar" ou efetuar qualquer manobra perigosa, que force a parada abrupta


do veículo que se acompanha; e
- Efetuar marcha-a-ré ao detectar a suspeição em veículo parado por qual já
passou. Tais procedimentos quase sempre resultam na exposição da guarnição
policial a disparos de arma por parte de meliantes ou podem provocar acidentes de
veículo de proporções desastrosas. Lembre-se que nem sempre veículo em fuga
significa que seus ocupantes são meliantes e que nas perseguições policiais dos
filmes, sempre acontecem acidentes e que aquilo não passa de uma encenação.

5.7 Abordagem com os Diversos Tipos de Guarnição

Uma guarnição motorizada poderá ser composta por um número variável de


componentes, que dependerá do efetivo disponível e o tipo do veículo (automóvel,
caminhonete ou camioneta), o que fará com que existam procedimentos diferentes a
serem adotados, a depender de cada formação.

Visando facilitar o posicionamento dos integrantes das guarnições no


interior das viaturas, foi elaborada a seguinte tabela, a qual estabelece a posição
dos policiais, o que consequentemente define o papel que irá desempenhar durante
o serviço.

TIPO DE GUARNIÇÃO FORMAÇÃO


QUANTIDADE DE POSIÇÃO NA VIATURA
TIPO
POLICIAL(IS) LADO MOTORISTA LADO CARONA

A 2 Motorista Comandante

Motorista Comandante
B 3
Patrulheiro nº 1
Motorista Comandante
C 4
Patrulheiro nº 1 Patrulheiro nº 2
Motorista Comandante
D Acima de 4 Patrulheiro nº 1 Patrulheiro nº 2
Patrulheiro nº 3 Estagiário
Técnicas de Abordagem 37

a) Abordagem Efetuada com Guarnição Tipo A

Por questões de segurança, as guarnições tipo A não são adequadas


para realizar uma abordagem a veículo, pois deixará de ser empregada a técnica
na sua plenitude. Isso se dá sobretudo pela falta do patrulheiro que seria
encarregado do setor de custódia, que nesta condição será feita pelo próprio
Comandante. Um veículo suspeito tendo apenas um ocupante proporcionará a
guarnição tipo A um controle maior da abordagem que com dois ocupantes, pois
nesse último caso, quando o Comandante se encarregar da custódia do motorista do
veículo, deixará de prestar atenção exclusiva ao segundo ocupante, pois estará
ocupado também com o primeiro suspeito e é justamente nesse momento que surge
o maior ponto de insegurança na abordagem, pois o Comandante por alguns
momentos dividirá a sua atenção entre o suspeito que esta no anteparo e o que esta
desembarcando do veículo.
A abordagem policial a veículo com três ou mais ocupantes, não deverá ser
realizada por esse tipo de guarnição.

b) Abordagem Efetuada com outros tipos de Guarnições

Aproximação: Observando
todas as possíveis
investidas hostis (escolta) e
dificuldades na abordagem
policial (local, quantidade
de pessoas, vias etc).

Figura 28
Técnicas de Abordagem 38

É importante que ao acionar


os sinais sonoros e
luminosos, o 01
(comandante) já tome
posição de tiro, com o
objetivo de responder
imediatamente caso
aconteça uma reação
violenta.

Figura 29

Na parada, a equipe semi-


desembarcada com poder de
fogo direcionado para o
objetivo e, ainda, mantendo
a segurança 360°. Cuidado
com a via e com a distância
de segurança entre a viatura
e o veículo abordado. A área
de trabalho precisa
proporcionar boa mobilidade
da equipe.

Figura 30
Técnicas de Abordagem 39

Ao descer, o motorista
sempre desliga o veículo e
o carona (caso haja) desce
deixando todas as portas
que estiverem ao seu lado
abertas. A equipe só sai da
posição de semi-
desembarque quando os
ocupantes estiverem de
costas atrás do veículo e
com as mãos na cabeça.
Obs.: Somente as portas
do lado do carona
permanecem abertas.

Figura 31

Posicionamento da
Equipe, o 03 toma o
cuidado de não se expor
demais em vias, caso a
abordagem seja em uma
que ofereça risco.

Figura 32
Técnicas de Abordagem 40

O Comandante avança para


fazer uma varredura
preliminar no interior do
veículo. O 03 e 04 ficam na
contenção do abordados. O
04 de preferência já observa
o linha de cintura dos
abordados, para aumentar a
segurança do CMT que se
expõe momentaneamente.

Figura 33

Após a varredura inicia-se


a abordagem minuciosa na
pessoa. De preferência
efetua a abordagem
trazendo sempre um para
trás, evitando que os outros
abordados observem
vulnerabilidades na ação
policial. É importante
manter o controle de cano
entre os policiais. Uma
técnica simples é o
posicionamento 90°.

Figura 34
Técnicas de Abordagem 41

Abertura do Porta-malas:
Momento que requer atenção
de toda a equipe. O condutor
somente destranca ou destrava
o porta-malas. O Cmt realiza a
abertura com o apoio do 03,
do lado oposto onde se
encontram o Condutor e
Passageiro (se houver), de
forma a não ficar de costas. É
importante salientar que esse
primeiro momento é somente
para verificar a existência de
pessoas nesse compartimento.
No momento da abertura, é
importante que o policial se
manifeste com batidas na
lataria do lado oposto de onde
se vai abrir o porta malas,
atraindo atenção para outro
lado, caso haja infrator no seu
interior e voz “Atenção,
polícia!”
Figura 35

Ao término da busca pessoal


e verificação do porta-malas,
o Cmt solicita a
documentação ao motorista.
A documentação é
repassada para o 03 que
fará a busca no veículo já
confrontando os dados da
documentação (chassi,
placas etc). O 02 permanece
na segurança à retaguarda
da viatura e o 03 verifica
toda a parte documental
junto à Central de
Informações.

Figura 36
Técnicas de Abordagem 42

É importante que o motorista


observe a busca veicular.
Isso é necessário para
prover maior transparência
ao cidadão. Perguntas ao
motorista

Figura 37

c) Imagens de abordagem com sequência da revista no veículo, em sentido


horário.

Revista em sentido horário.

Figura 38
Técnicas de Abordagem 43

Durante a abordagem é
salutar que haja uma
mudança no posicionamento
dos abordados, sob
observação visando
confrontar informações e
colher dados que geram
suspeição.

Figura 27

Figura 39

Para que o 04 não fique


desguarnecido à retaguarda
enquanto realiza a busca na
parte esquerda do veículo, o
02 o apoia momentaneamente

Figura 29

Imagem 39

Figura 40
Técnicas de Abordagem 44

O 02 permanece na
segurança à reta guarda e
o 04 verifica, toda a parte
documental junto a central
de informações.

Figura 41

O 04 entrega toda a
documentação para o 01
repassando qualquer tipo de
alteração, caso haja sempre
de forma discreta.

Figura 42
Técnicas de Abordagem 45

Exauridas todas as
possibilidades de
cometimento de infrações
penais é importante que o
comandante exponha os
motivos da abordagem
policial, sendo educado com
os cidadãos. O 03 se
posiciona de forma
aumentar a segurança
periférica o 04 permanece
prox ao 01. A equipe fará
sob o comando de
“retração” à viatura, quando
03 retraí e rende o 02, que
embarca na viatura,
simultaneamente o 04
retraí e chama o 01.

Figura 43

5.8 Abordagem a coletivos

5.8.1 Aproximação

Aproximação: Observando
todas as possíveis
investidas hostis (escolta) e
dificuldades na abordagem
policial (local, quantidade
de pessoas, vias etc).

Figura 44
Técnicas de Abordagem 46

É importante que ao acionar


os sinais sonoros e
luminosos, o 01
(comandante) já tome
posição de tiro, com o
objetivo de responder
imediatamente caso aconteça
uma reação violenta.

Figura 45

No semi-desembarque,
especialmente o 02, observa
se algum passageiro irá jogar
algo pela janela.

Figura 46
Técnicas de Abordagem 47

O 03 vem pela retaguarda da


viatura e forma juntamente
com o CMT e 04 uma equipe
tática para deslocar até a
lateral direita do ônibus.

Figura 47

Nesse momento o 02 continua


observando se algum
passageiro arremessa
qualquer objeto pela janela. A
equipe desloca-se com
brevidade.

Figura 48
Técnicas de Abordagem 48

Posicionamento da equipe e
zona de segurança:
A equipe se distribui da
seguinte forma: Viatura 01:
01 prox. a porta de embarque
e sobe com o 03 para
verbalizar.; 03 segurança do
01 após a verbalização das
mulheres no coletivo;
04 revistador.
Viatura 02:
Todos os componentes
permanecerão na parte
externa do ônibus e o 04
realizará a busca pessoal,
tendo o 01 e o 03 na sua
segurança.
Obs: não misturar os
passageiros que param com
os que não pagaram.
Figura 49

O comandante determina
que o motorista desligue o
veículo e que primeiramente
todos os homens desçam
com a mão na cabeça
“EXCETO O COBRADOR”,
em seguida que todas as
mulheres crianças e idosos
permaneçam no interior do
veículo.

Figura 50
Técnicas de Abordagem 49

Após a determinação do
comandante da equipe, os
passageiros que não
pagaram permanecem
próximos a porta dianteira e
os demais desembarcarão
pela porta traseira e
permanecerão posicionados
para que seja realizada a
busca pessoal.

Figura 51

O 04 efetua a busca pessoal


no motorista enquanto o 01faz
perguntas acerca de pessoas
que levantaram suspeição e
que se encontram no interior
do ônibus em seguida o 04
realiza a revista pessoal nos
homens, logo após em
pertences e bolsas das
mulheres, caso não haja uma
policial do sexo feminino.

Figura 52
Técnicas de Abordagem 50

Por último é realizada a


busca pessoal no cobrador.
É importante que o 03
também mantenha uma
atenção nas pessoas que
foram abordadas.
Lembrando em ter cuidado
para não misturar as pessoas
que pagaram passagens das
que ainda vão pagar, apara
evitar transtornos.

Figura 53

O comandante avalia a
necessidade de verificação
documental (ônibus pirata,
interestadual etc)
Ao término é importante que
haja organização do
embarque.

Figura 54
Técnicas de Abordagem 51

A equipe aguarda
semidesembarcada a saída
do coletivo, para que a
situação volte a normalidade.

Figura 55

Imagem 56
Preferencialmente a equipe
deve seguir em direção
contrária à do coletivo.

Figura 56

5.8.2 Setores da Abordagem

Inicialmente, para facilitar a coordenação da abordagem a coletivos, foram


estabelecidos três setores, relacionando-os a partes do próprio ônibus que conduz
Técnicas de Abordagem 52

os suspeitos, compreendendo que nem sempre existe um anteparo para


desenvolver este tipo de ação policial.
São eles :
- Setor de Custódia - Corresponde a lateral do veículo, situado entre a porta
dianteira e traseira do ônibus;
- Setor de Busca – Será disposto entre a porta traseira e o pára-choque
traseiro do ônibus;
- Setor de Custódia II - Situado após o pára-choque traseiro do ônibus, em
local que não ofereça risco de acidente de trânsito, considerando que a
ação é executada na via de rolamento.

Figura 57

5.8.3 Abordagem com 04 (quatro) policiais

O risco que uma abordagem com esta característica oferece é muito grande.
Risco para os policiais e os passageiros que estão no interior do veículo de
transporte de massa. Desta forma, quatro é o número mínimo estabelecido para este
tipo de procedimento, vislumbrando a vigilância completa do grupo (passageiros)
onde pode estar infiltrado o criminoso disposto a agir às margens da Lei.
Para tanto, estabeleceram-se as funções com os seus respectivos papeis e
procedimentos:
a) Distribuição das Funções
Técnicas de Abordagem 53

- Comandante da Abordagem: responsável pelo primeiro contato com os


passageiros, coordenará as ações e, eventualmente, servirá como
segurança de custódia;
- Segurança de Custódia: responsável pela segurança dos custodiados e,
posteriormente, pela revista do veículo e coleta de dados;
- Homem-Busca ou Revistador: responsável pela busca pessoal dos
custodiados;
- Segurança de Busca: responsável pela segurança durante a busca pessoal
nos custodiados.

b) Procedimentos

Os papeis dos integrantes da guarnição são executados simultaneamente e,


sendo assim, requer treinamento e atenção.

 O policial militar comandante da guarnição sobe no coletivo e após


informar aos passageiros sobre a abordagem, solicita que todos
coloquem as mãos no corrimão à frente das cadeiras, para em seguida,
determinar que os passageiros do sexo masculino desembarquem e
coloquem as mãos na lateral direita do veículo;

 Simultaneamente com o comandante da guarnição, o “segurança de


busca” acessa o interior do veículo junto com o homem-busca, um voltado
para a parte à retaguarda do torniquete e o outro para o corredor, e
determina que todos os passageiros que estão na zona de sua
responsabilidade, no interior do veículo, sigam para o corredor do ônibus;
Técnicas de Abordagem 54

Figura 58

 Durante a descida dos passageiros, apenas o Homem-Busca permanece


no interior do ônibus mantendo a vigilância nos demais que
permaneceram no interior do coletivo, até que seja convocado pelo
comandante para iniciar a busca pessoal, ficando o restante da guarnição
em linha para distribuir as pessoas no Setor de Custódia;

 Após o desembarque dos suspeitos, o Homem-Busca desembarca e


determina aos passageiros custodiados, um a um, para o Setor de Busca
e inicia a busca pessoal:

Figura 59
Técnicas de Abordagem 55

 Depois da busca pessoal cada passageiro será conduzido ao Setor de


Custódia II;

 No momento em que os passageiros que estavam no setor de Custódia já


estiverem sidos submetidos à busca pessoal, o Segurança de Custódia
irá adentrar ao coletivo e determinar que outros passageiros desçam do
coletivo e se posicionem como os primeiros;

 Ao restar dois passageiros no Setor de Custódia, estes ficarão sob a


vigilância do Comandante da Abordagem, e o Segurança de Custódia
entrará no veículo para realizar uma a verificação no interior do ônibus e
por fim coleta os dados com o motorista;

 Após o último passageiro ser revistado, o Comandante da Abordagem


solicita aos passageiros que entrem no veículo, agradece a todos e
informa o motivo da abordagem.

ATENÇÃO!!
A SITUAÇÃO DE MAIOR RISCO NA ABORDAGEM A ÔNIBUS COM 4 (QUATRO)
POLICIAIS É QUANDO OCORRE FALHA NA BUSCA PESSOAL, POIS NÃO EXISTE O
SEGURANÇA PARA O SETOR DE CUSTODIA II.

Figura 60
Técnicas de Abordagem 56

5.8.4 Abordagem com 06 (seis) policiais

Em uma ação policial nem sempre a quantidade de policiais envolvidos é


sinônimo de resultados positivos para a atividade pretendida. Contudo,
principalmente para a abordagem a coletivos um número de policiais maior que
quatro, o que está estabelecido principalmente pela composição das guarnições de
RP, um integrante a mais concorrerá para aumentar a sensação de segurança no
decorrer dos procedimentos técnicos.
Para o estabelecimento de protocolos operacionais em nossa atividade, e
permitir a compreensão didática do processo de adição de integrantes ao grupo de
abordagem, será feita a análise do emprego de uma guarnição composta por seis
policiais, distribuindo as funções e procedimentos a serem seguidos.

a) Distribuição das Funções

A Abordagem a Coletivos é uma atividade policial que gera muitos conflitos,


motivados pelo interesse individual (descontentamentos de trabalhadores e donas
de casa que se consideram isentas da aparência de criminosos, sendo que estes
não possuem um traço definido, pois a suspeição é subjetiva, e deve estar
relacionado principalmente a dados estatísticos), embora exista uma consciência
policial de que a presença dos criminosos no interior do coletivo é a exceção da
regra, já que a maior parte das pessoas que usam este tipo de transporte são
cidadãos cumpridores de seus papeis sociais e decorrente da sensação de
insegurança, e em virtude desta complexidade de estímulos a polícia precisa se
apresentar tecnicamente perante a sociedade e atender aos seus anseios,
mantendo sempre nível alto em relação a segurança do grupo e da sociedade. Daí
os descontentamentos, pois são procedimentos profissionais que atingem com
dureza o psicológico do grupo definido como suspeito.
Desta forma é imprescindível definição das funções dos componentes da
guarnição policial, ressaltando a necessidade do Comandante da Abordagem em
estar livre de outra obrigação que não seja a de fiscalizar e identificar o problema
que possa vir a ser gerado, e diante da periculosidade da ação não permitir que haja
Técnicas de Abordagem 57

uma evolução do aspecto nocivo para a sociedade nem para as corporações


policiais.
Sendo assim, estabelecem-se as seguintes:

- Comandante da Abordagem1: coordenará e fiscalizará as ações;


- 1º Segurança de Custódia2: responsável pelo primeiro contato com os
passageiros, pela segurança do Setor de Custódia e posteriormente pela verificação
no interior do coletivo abordado e coleta de dados;
- 2º Segurança de Custódia3: responsável pela segurança dos custodiados no
Setor de Custódia;
- Homem-Busca ou Revistador4: responsável pela busca pessoal dos
custodiados;
- Segurança de Busca5: responsável pela segurança do Homem-Busca
durante a revista nas vestes e pertences dos custodiados;
- Segurança Externa6: responsável pela segurança externa e trânsito na via
de rolamento e do Setor de Custódia II, depois de iniciada a busca pessoal nos
custodiados.

4
5 1 3

Figura
Figura 61 31

1 1, 2, 3, 4, 5 e 6 - correspondem às posições que deverão assumir, conforme a figura abaixo


Técnicas de Abordagem 58

b) Procedimentos

Os procedimentos aqui estabelecidos serão desenvolvidos quase que


instantaneamente e sempre baseados em treinamento e seriedade visando o
propósito de manter a segurança do grupo e permitir à sociedade a sensação de
segurança, que favorece ao crescimento social.

- O policial militar que desenvolve o papel de 1º Segurança de Custódia entra pela


porta dianteira e, simultaneamente, o Homem-Busca e Segurança de Busca entram
pela porta traseira, ficando o Segurança de Busca responsável pela área do
torniquete do cobrador para o fundo do ônibus e o Homem-Busca do torniquete para
frente;

- O 1º Segurança de Custódia após informar aos passageiros sobre a abordagem,


solicita que todos coloquem as mãos no corrimão à frente das cadeiras e, em
seguida, que os homens desembarquem e coloquem as mãos na lateral direita do
veículo;

- O Segurança de Busca determina que todos os passageiros que estão na zona de


sua responsabilidade, no interior do veículo, passem para o corredor do ônibus;

- Durante a descida dos passageiros apenas o “busca” permanece no interior do


ônibus, ficando os demais integrantes da guarnição em linha para distribuir as
pessoas no Setor de Custódia;

ATENÇÃO!!
DURANTE A DESCIDA DOS PASSAGEIROS O SEGURANÇA EXTERNA POSICIONA-SE NA
PARTE LATERAL ESQUERDA TRASEIRA DO ÔNIBUS, PARA VERIFICAR POSSÍVEIS
REAÇÕES E OBJETOS JOGADOS PELAS JANELAS DO COLETIVO.
Técnicas de Abordagem 59

- Após o desembarque dos suspeitos, o Homem-Busca desembarca e chama os


passageiros custodiados, um a um, para o Setor de Busca e inicia a busca pessoal;

- Depois da busca pessoal cada passageiro será conduzido ao Setor de Custódia II,
onde permaneceram até que finde a ação policial;

ATENÇÃO!!
NESTE MOMENTO, O SEGURANÇA EXTERNA, DESLOCA-SE PARA A PARTE TRASEIRA
DO COLETIVO E INICIA A SEGURANÇA DO SETOR DE CUSTÓDIA II.

- Quando restam dois passageiros no Setor de Custódia, estes ficarão sob a


vigilância do 2º Segurança de Custódia, e o 1º Segurança de Custódia entrará no
veículo para realizar uma a verificação no interior do ônibus e por fim coleta os
dados com o motorista;

- Após o último passageiro ser revistado, o Comandante da Abordagem solicita aos


passageiros que entrem no veículo, agradece a todos e informa o motivo da
abordagem.

Existem procedimentos gerais que otimizam os resultados da ação policial,


sendo eles:

- Abordar coletivos preferencialmente com poucos passageiros, pois


estatisticamente são os mais roubados;
- Na situação de abordagem a um ônibus cheio, deve-se mandar
desembarcar primeiro os homens que estiverem em pé, depois os sentados no lado
direito e, por último, os do lado esquerdo, permanecendo sempre um policial militar
no interior do veículo, próximo a catraca de acesso ao ônibus (próximo ao cobrador);
Técnicas de Abordagem 60

ATENÇÃO!!
A ABORDAGEM A COLETIVOS É UMA ATIVIDADE ATÍPICA, EM VIRTUDE DO NÚMERO DE
ABORDADOS SER QUASE SEMPRE SUPERIOR AO EFETIVO EMPREGADO PARA
REALIZÁ-LA E, EM VIRTUDE DISTO, DEVE-SE AGIR COM A MAIOR ATENÇÃO A TÉCNICA
E SEGURANÇA POSSÍVEIS, PARA MINIMIZAR OS RISCOS DESTA AÇÃO.

As passageiras só desembarcarão em casos de extrema necessidade e


obrigatoriamente havendo uma policial do sexo feminino na guarnição para realizar a
busca pessoal.
Ao encontrar armas e/ou objetos de delito no interior do ônibus, estes devem
ser encaminhados à Delegacia especializada juntamente com os outros elementos
peças do flagrante.
Os delinquentes detidos devem ser encaminhados à delegacia especializada,
juntamente com os elementos de crime para consumação da prisão em flagrante
delito.
A busca pessoal deverá ser realizada sempre que possível com o auxílio do
detector de metais.
Os policiais durante a abordagem deverão adotar a postura relativa de
segurança, com exceção do Segurança de Busca, que mantém a postura de
segurança máxima.

5.9 Abordagem à Motocicletas

5.9.1. Com Dois Policiais

O Comandante determina que o motociclista desligue o motor e que os dois,


condutor e passageiro, fiquem nas pontas dos pés, com os dedos entrelaçados
sobre a cabeça.
Neste caso, o patrulheiro irá proceder primeiro a busca no passageiro, ao
mesmo tempo passará a mão na cintura e nas costas do motociclista.
Técnicas de Abordagem 61

Figura 62 Figura 63

Figura 64 Figura 65

Terminada a primeira etapa da busca no passageiro, o P- 1 determina


que o passageiro desça da moto, colocando-o numa posição adequada à retaguarda
da moto, para que possa terminar a busca no mesmo; após realizada a busca
pessoal no passageiro, o patrulheiro determina que o condutor desça colocando-o
numa posição conveniente do lado direito da moto e procede a busca pessoal no
condutor.
Técnicas de Abordagem 62

5.9.2 Com outros tipos de guarnições

Aproximação: Observando
todas as possíveis investidas
hostis (escolta) e dificuldades
na abordagem policial (local,
quantidade de pessoas, vias
etc). Mantendo um bom
ângulo de resposta. É
importante que ao acionar os
sinais sonoros e luminosos, o
01 (comandante) já tome
posição de tiro, com o objetivo
de responder imediatamente
caso aconteça uma reação
violenta.

Figura 66

É importante que ao acionar


os sinais sonoros e luminosos
o 01 já se posicione, com o
objetivo de responder
imediatamente caso aconteça
uma reação violenta.

Figura 67
Técnicas de Abordagem 63

Na parada, a equipe semi-


desembarca com o máximo de
poder de fogo direcionado para
o objetivo e, ainda, mantendo a
segurança 360°. O Comandante
determina que os ocupantes da
moto “NÃO RETIREM O
CAPACETE”!!!

Figura 68

Feita a formação para a


abordagem, a busca será feita
com os ocupantes utilizando o
capacete. O 02
imediatamente toma a
segurança à retaguarda.

Figura 69
Técnicas de Abordagem 64

Abordagem com o máximo de


controle de cano (de
preferência posição “3”)

Figura 70

Terminada a abordagem o
comandante determina que os
ocupantes da moto retirem o
capacete e coloquem sobre a
moto. Após, retornam com as
mãos para trás.

Figura 71
Técnicas de Abordagem 65

O 01 solicita os documentos
pessoais e do veiculo e
repassa ao 04 que irá realizar
a busca veicular, confrontando
os documentos juntamente
com o veículo.
O 01 e o 03 iniciarão a revista
confrontando informações dos
abordados (importante deixar
os indivíduos separados).

Figura 72

Não constatada qualquer


irregularidade, o comandante
expõe os motivos da
abordagem policial e
agradece a colaboração.

Figura 73
Técnicas de Abordagem 66

Ao comando de retração o 03
rende o 02 focando aquele
responsável pela retaguarda
simultaneamente e o 04 retrai
chamando o 01.

Figura 74

A equipe semi desembarcada


aguarda a saída dos cidadãos.

Figura 75
Técnicas de Abordagem

É importante que a equipe após


liberação do veículo abordado
tome direção contrária a este.

Figura 76

5.10 Abordagem à Caminhões

Aproximação: Dentro da
fundada suspeita, observando
todas as possíveis investidas de
veículos de apoio e dificuldades
na abordagem policial (local,
quantidade de pessoas, vias,
etc).

Figura 77
Técnicas de Abordagem 68

É importante que ao acionar


os sinais sonoros e luminosos,
o 01 (comandante) já se
posicione, com o objetivo de
responder imediatamente
caso aconteça uma reação
violenta.

Figura 78

Na parada, a equipe
semidesembarcada com o
máximo de poder de fogo
direcionado para o objetivo e,
ainda, mantendo a segurança
360º.

Figura 79
Técnicas de Abordagem 69

O Comandante da equipe se
desloca pelo lado esquerdo do
veículo, onde inicia a
verbalização com o motorista
do caminhão, determinando
que os ocupantes
desembarquem pelo lado
direito em local seguro, onde o
03 e 04 estão posicionados.

Figura 80

Neste momento o 01 realiza


uma busca VISUAL na cabine
do caminhão tendo em vista
que alguns caminhões tem um
compartimento nos fundos da
cabine, os demais
componentes da equipe fazem
a contenção dos ocupantes
(momento da descida pelo lado
do carona).

Figura 81
Técnicas de Abordagem 70

O 01 e o 03 fazem a
segurança na área de
abordagem, e o 04 realiza a
busca pessoal.

Figura 82

Após a busca pessoal, iniciará


a busca no compartimento
traseiro do caminhão (se
houver), tendo em vista a
possibilidade de existência de
pessoas, analisando as
situações inerentes a cada
caso(carga perecível, lacres,
etc).

Figura 83
Técnicas de Abordagem 71

O motorista destrava as portas.


O 01 e 04 ficam
atentos, para o interior do
baú. O 03 permanece na
segurança, contendo os
demais
abordados.

Figura 84

A verbalização é
indispensável:
“Atenção, Polícia Militar!!”
etc...

Figura 85
Técnicas de Abordagem 72

O 04 realiza a busca visual em


todo o compartimento enquanto
o 01 faz a sua segurança.

Figura 86

O 04 realiza a busca visual


em todo o compartimento
enquanto o 01 faz a sua
segurança.

Figura 87
Técnicas de Abordagem 73

Após a busca visual no Baú,


o
01 solicita a documentação
do
caminhão e
simultaneamente
o 04 realiza a busca
veicular.

Figura 88

5.11 Abordagem à Edificações

A abordagem a edificações não é um tipo de atividade rotineira para as


corporações policiais, considerando o aspecto legal e o perigo que esta
circunstância apresenta.
A invasão de domicílio é caracterizada como crime, ressalvando as ordens
judiciais e em caso de flagrante delito, principalmente nas situações de perigo contra
a vida ou de lesão corporal.
A aplicação do policiamento ordinário para a execução deste tipo de
abordagem está prioritariamente relacionada à confirmação da ocorrência, pois caso
o suspeito seja localizado poderá surgir duas situações distintas:
a) o criminoso escondido em um lugar que não favoreça a aproximação dos
agentes policiais, ou
b) o criminoso protegido pela ameaça contra um refém.
Principalmente na segunda circunstância, que se caracteriza por uma crise
instalada, é importante a convocação de pessoas qualificadas para o gerenciamento
do problema. Sendo assim, estando o meliante encurralado, o primeiro passo a ser
efetivado pelos policiais é a de procurar abrigo e em seguida dar início a uma
Técnicas de Abordagem 74

negociação, com base na técnica utilizada no país, até a chegada dos


especialistas, caso seja necessário.
A abordagem a uma edificação passa pelos mesmos critérios empregados
para abordagem a pessoa a pé ou de um veículo, mas não podemos deixar de
considerar que o problema foi aumentado em virtude do tamanho do objetivo a ser
verificado. Ao aproximarmos de um veículo o campo visual e suficiente para
controlar a movimentação em seu interior o que não ocorre em relação a uma
pequena casa, por exemplo.
Sendo assim, é importante o cumprimento de procedimentos que aqui
passam a ser estabelecidos.

5.11.1 Tipos de Edificações

Não importa qual o material utilizado para a construção da edificação, pois


perante a Lei o casebre construído com toda sorte de material (pedaços de tábua,
plástico, folhas de zinco, madeirite, e etc.) merece o mesmo cuidado para uma
construção para a qual foi utilizada a mais alta tecnologia e os melhores produtos.
Com o objetivo de permitir uma melhor didática e facilitar a o planejamento e
a comunicação da ação policial, será considerada a seguinte tipificação:

a) Casa Isolada
Construção em concreto, barro, madeira ou qualquer outro material, situada
no terreno isoladamente de outras edificações (área urbana ou rural);

b) Área Edificada
Conglomerado de construções dispostas horizontalmente (vilas e avenidas)
ou verticalmente (edifícios e conjuntos habitacionais), sendo que a grande diferença
entre as duas subdefinições estará na presença (ou não) de escadas. Vale ainda a
observação de que, para efeito da ação policial, o elevador terá sua utilização
prevista em última hipótese, e em condições que a segurança seja previamente
planejada.

c) Favelas e Palafitas
Técnicas de Abordagem 75

Conglomerado de construções dispostas de formas variadas, construídas


normalmente com diversos tipos de materiais (barro, folhas de zinco, madeirite, lona
encerada, papelão, dentre outras possibilidades) caracterizando-se pela falta de
planejamento urbano e ocupação desordenada do solo. O que as difere
basicamente, é o local onde ficam instaladas.
A primeira, em morros e baixadas, onde a disposição desordenada no terreno
proporciona maiores possibilidades de fuga e emboscada, e a segunda, sobre a
água, com a utilização de colunas produzidas a partir de estacas firmadas no solo
abaixo da lâmina d’água, em cima das quais são construídos os barracos e ligadas
umas as outras através de pequenas pontes de madeira (pinguelas), até margearem
a terra firme, dificultando assim o deslocamento do grupamento policial por estas
vias de acesso local.

5.11.2 Fases da Abordagem A Edificações

Embora já tenha mencionado por diversas vezes o quanto é perigoso este


tipo de abordagem, é importante que para que esta tenha êxito o atendimento aos
passos aqui estabelecidos, pois estes foram elaborados para que seja possível
aplicar uma guarnição com o mínimo de conhecimento, observando que o domínio
da técnica é precedido por treinamento constante.

a) Aproximação de Portas e Janelas

Portas, janelas, buracos na parede, o gabinete para o condicionador de ar,


vitrôs, são pontos que identificamos como de Perigo Iminente, e sendo assim, cabe
um cuidado maior quando o grupo de Verificação for aproximar-se deste.
De forma geral são definidos os seguintes alertas para uma segurança mais efetiva:
- Utilização máxima de abrigos e cobertas;
- Diminuição da silhueta;
- Máxima disciplina de ruídos;
Técnicas de Abordagem 76

- Nunca se postar em frente a portas e janelas, mesmo quando fechadas,


evitando ser atingido por disparo de arma de fogo;
- Caso necessite arrombá-la, deverá atingi-la expondo-se o mínimo possível,
golpeando-a próximo à fechadura, na tentativa de quebrar o entalhe de madeira que
rodeia o trinco conforme as figuras a seguir:

- policial
- ponto fechadura
impact
o
porta

Figura 89 Figura 90

- Se estiver entreaberta, o policial postando-se do lado da fechadura, poderá


empurrá-la com a ponta dos dedos, ou com o pé, fazendo com que se abra
totalmente, até tocar a parede, possibilitando visualizar caso haja alguém atrás desta
- Os policiais abrigados e expondo o mínimo de silhueta passarão a observar
o interior do cômodo, detectando “ângulos mortos”(PPI);
- A utilização de espelhos durante a abordagem permite aos policiais
visualizarem alguns “ângulos mortos” sem se exporem;
- A observação do interior do cômodo é fundamental, portanto, a pressa
pode colocá-lo em grande risco;
- Lembre-se que o marginal quando acuado procura qualquer meio,
qualquer lugar, por mais difícil que pareça, para homiziar-se, a exemplo de: telhado,
embaixo ou ao final de uma escada, em cima ou dentro de armários, dentro do box
do banheiro, em parapeito ou balaustrada da janela, embaixo de camas, no sótão,
no porão, etc.;
- Caso seja necessário, use a lanterna sem se expor, conforme a técnica
apresentada .
b) Deslocamento em Corredores
Técnicas de Abordagem 77

O que vem a ser um corredor? Resposta: uma via de acesso, limitada nas
laterais, com ou sem passagens para outros ambientes ou lugares.
A partir desta afirmativa, pode-se entender corredor como área de circulação
interna de uma edificação, que conduz aos seus cômodos, mas também pode ser
considerado como sendo uma viela ou uma avenida, que permitam acesso às
construções que a compõe, e que nas duas hipóteses para o deslocamento de tropa
ou fração de tropa, é necessário que seja aplicado a técnica de progressão no
terreno, para que a segurança não se transforme em uma falha da operação.
Contudo, partindo do genérico para o específico, é importante frisar que o
espaço físico dos corredores internos de uma edificação é muito menor se for
comparada a uma viela ou beco, e em virtude deste fato a possibilidade de confronto
é muito maior e iminente.
Sendo assim, fica convencionado que o grupo de assalto deverá:

- Deslocar próximo a parede ou por lanços quando houver abrigos;


- Apoio de fogo para todos os lados de onde possa surgir um ataque;
- Atenção especial para as portas, telhado e o final do corredor (PPI);
- Manter o corredor sempre sob controle, evitando a movimentação do
homiziado possibilitando atacar a equipe;
- O controle do corredor deve ser feito para os lados ainda não tomados e
quem aborda os cômodos deve retornar pelo mesmo lugar que acessou o interior do
ambiente, para evitar ser confundido com o marginal procurado;
- Sempre que localizar o homiziado, os policiais deverão procurar
preferencialmente abrigo e manter contato com o procurado orientando-o a sair do
cômodo com as mãos para cima;
- Havendo necessidade de escoltar um suspeito até o comandante do teatro
de operações, parte da equipe de Verificação (dois) conduzem o suspeito e os
demais (dois ou três) deverão estacionar abrigados, mantendo a área que já foi
verificada e consequentemente tomada, pois caso contrário, será obrigatório verificar
todos os cômodos outra vez, já que se perdeu o controle do corredor, conforme a
citação anterior.

c) Abordagem de Cômodos
Técnicas de Abordagem 78

Ao desenvolver a abordagem aos cômodos de uma edificação o Grupo de


Verificação deverá cumprir algumas etapas, sendo elas:

 Aproximação do cômodo (1ª Etapa)

Adoção de procedimentos por parte dos integrantes do grupo de assalto, que


serão definidos antecipadamente, mas que poderão ser reavaliados e modificados
durante a incursão no interior da edificação.
a) Manter a segurança para os locais ainda não tomados;
b) Parar e ouvir bem. Analisar todos os detalhes do cômodo e destacar os
pontos onde não tenha visão completa, verificar quais os abrigos que possam ser
usados a seu favor;
c) Partir sempre do princípio que possam existir mais marginais, do que foi
detectado na coleta de dados;
d) Principais locais a serem observados:
- Atrás da porta ou junto da parede em “ângulo morto”;
- Em cima, atrás ou dentro de armário ou semelhante;
- Embaixo da cama, do birô, mesa, etc;
- Junto ao telhado ou em compartimento próximo a ele;
- Pendurado fora da edificação, tendo passado pela janela, sobre a
balaustrada, contorno ou marquise;
e) A disciplina de ruído é importante para manter o fator surpresa ou pelo
menos dificultar a localização exata do policial;
f) É fundamental a postura correta nos abrigos e nos lanços;
g) Os marginais podem estar distribuídos em cômodos diferentes;
h) Executar lanço para o abrigo mais próximo;
i) O grupo de Verificação é geralmente composto por quatro ou cinco policiais,
porém deve haver uma adaptação ao tamanho do cômodo. Normalmente 2 ou 3
policiais deverão proceder a entrada no cômodo, ficando os demais oferecendo
segurança ou apoio de fogo para os policiais que entraram no cômodo.
Técnicas de Abordagem 79

j) Havendo cerco ao cômodo, os policiais ao terminarem a abordagem


deverão retornar pelo mesmo lugar, evitando situações de risco com a segurança do
grupo;
l) Estando os meliantes encurralados, ou estes já tendo efetuado disparos de
arma de fogo contra os policiais que executam a revista do interior da edificação,
todos os recursos possíveis (diálogo, munição química, pressão psicológica e cães)
serão válidos para convencer aos homiziados de saírem de seus abrigos, ou mesmo
da edificação, e devem ser tentados, a fim de evitar a difícil missão de entrar em
confronto direto com os opositores.

 Busca visual (2ª Etapa)

Observação da parte interna do cômodo com o emprego de táticas


específicas, sendo elas:
a) olhada rápida – esta técnica consiste em um movimento rápido de corpo
direcionando a cabeça para o interior do cômodo, e retornando imediatamente a
posição inicial, evitando assim que se torne alvo fácil de ataque dos seus possíveis
opositores; enquanto o policial executa este movimento, outros estarão fazendo a
segurança do local bem como o apoio de fogo para quem observa o cômodo; esta
observação deverá ser feita da forma mais dissimulada possível; se for necessário
repetir este movimento é importante a mudança do ponto de observação, o que
confundirá o inimigo;
b) varredura ou fatiando a torta – oferece vantagens em relação a anterior,
pois o policial utiliza a técnica do terceiro olho, e desta forma ao mesmo tempo em
que observa o ambiente, apresenta-se pronto para a execução do tiro, caso se torne
necessário; a varredura visual tem início determinando um ponto fixo, coincidente
com a extremidade do cano da arma, e o executor fará um giro em torno deste,
cobrindo “ângulo a ângulo”, “fatia a fatia”, todo o espaço físico que possa ser
verificado com as vistas; um detalhe que não pode ser desconsiderado, é que
necessariamente a arma não poderá ser apresentada ao oponente sem estar
acompanhada pela visão do combatente, pois caso contrário, proporcionará tempo
para que o procurado articule uma reação a ação policial; o deslocamento terá
velocidade que favoreça a segurança da ação, e as pernas de quem o executa
Técnicas de Abordagem 80

deverão estar posicionadas de forma que possibilite uma rápida retomada de


posição, defendendo-se assim através da esquiva .

Figura 43 Figura 44
Figura 91

c) por espelho – é a forma mais segura de se observar um ambiente sem


necessariamente o executor precisar se expor, pois um espelho, preferencialmente
convexo, será projetado para dentro do cômodo através de um extensor, permitindo
a busca visual no interior do ambiente; o policial que desenvolve esta manobra
precisará de apoio de fogo.

Figura 92
Técnicas de Abordagem 81

 Entrada no cômodo (3ª etapa)

Toda progressão dirigida para o interior de um cômodo deve ser precedida de


um planejamento, momento em que serão escolhidas as técnicas e as táticas a
serem empregadas para o vasculhamento deste ambiente. Sendo assim, para que a
progressão continue atendendo aos critérios de segurança, são apresentadas as
seguintes formas:

a) Entrada Limitada – o policial encarregado deverá lançar parte do seu corpo


para o interior do cômodo, oferecendo o mínimo de silhueta, tendo a sustentação do
corpo mantido pelo apoio do braço e perna opostos ao que são apresentados como
silhueta, firmados na parede pelo lado externo do ambiente a ser revistado (abraçar
a parede), sendo que o braço que empunha a arma será estendido no interior deste
voltado para o mesmo lado da parede onde o policial se apoia .

Figura 93 Figura 94

c) Entrada Israelense – técnica de entrada rápida, que, diferente do rolamento,


permite ao policial a vantagem de estar em condições de reagir a um ataque,
pois sua arma estará apontada para os pontos de perigo iminente (PPI).
Deve-se ressaltar que existe a desvantagem da diminuição da rapidez da
entrada, tornando-se um alvo mais fácil, em virtude da silhueta aumentada,
caso o homiziado possa atirar sem ser visto; o policial fará a progressão para
o interior do cômodo com a sua arma inicialmente próxima ao corpo e em
condições de tiro, e desta forma evitar surpresas desagradáveis, como ter a
arma tomada ou inutilizada pelo opositor, e à medida que progride para o
Técnicas de Abordagem 82

interior deste, estenderá o braço em direção ao PPI (sempre aplicando a


técnica do terceiro olho) .

Figura 95 Figura 96

c) Entrada em “X” ou Cruzada – esta forma de progredir para o interior do


cômodo, é a combinação de dois policiais executando Entradas Israelenses, sendo
que seguirão de forma coordenada a sentidos opostos, de forma que um venha a
proteger a retaguarda do outro, evitando assim o tiro pelas costas .

Figura 97 Figura 98

d) Utilização de Lanterna

A abordagem a edificações por si, já representa grandes riscos para os


encarregados desta árdua missão. Contudo, se a ação for realizada em ambientes
escuros, o risco torna-se ainda maior.
Técnicas de Abordagem 83

Sendo assim, a lanterna passa a ser fundamental para a segurança do grupo,


mas deverá ser utilizada de forma bastante consciente, pois da mesma forma que
servirá para facilitar o deslocamento do grupo de assalto, poderá denunciar a
presença da equipe policial e até favorecer aos procurados esboçarem reação.
Diante desta afirmativa, segue abaixo relacionado, procedimentos básicos para a
utilização apropriada da lanterna.
Em caso de abordagem noturna ou em local que não penetre luz natural, o
policial que estiver à frente poderá acionar a lanterna, longe do corpo de forma
intermitente e só quando houver necessidade;
Todo cuidado é pouco para quem aciona a lanterna, pois permite aos
marginais a ideia exata do posicionamento do policial. É viável, portanto, trabalhar
com mais de uma lanterna, para que haja um revezamento e confunda os marginais.
É de fundamental importância, que em nenhum momento a lanterna denuncie a
silhueta de um companheiro. Portanto, não importa quantas lanternas existam, será
acesa somente a que estiver na frente.
É recomendável, por uma questão da fisiologia humana, que ao ser acesa a
lanterna, mesmo num pequeno “flash” os policiais fechem um dos olhos para que ao
apagá-la diminua a dificuldade de adaptação ao ambiente com pouca luz (visão
noturna).
No caso de portas e janelas, não há necessidade, a princípio, do homem que
usa a lanterna se expor. Basta colocá-la em uma “fresta” na porta, janela ou buraco,
para que um policial em outro ponto, observe o interior do cômodo. Para esta ação é
necessário um terceiro policial fazendo o apoio de fogo.
Quando for adotada a utilização da lanterna afastada da linha do corpo com o
objetivo de iluminar o ambiente, outro policial fará o apoio de fogo, enquanto é
executada a busca visual do local.
A opção em conduzi-la junto à arma de porte apontada para os pontos de
perigo iminente, quando a possibilidade de tiro de defesa for real, pois o foco da
lanterna coincide com o local onde o projétil irá atingir, aumentando a possibilidade
de acerto.
A melhor forma de se obter uma luminosidade uniforme em um ambiente a
partir da energia produzida a partir de uma lanterna, é dirigindo o seu foco para o
teto do cômodo a ser revistado, pois desta forma a luminosidade alcançará grande
Técnicas de Abordagem 84

parte do ambiente por meio do reflexo, permitindo uma melhor visibilidade do


ambiente.
Tendo em vista as condições físicas individuais, fica latente a necessidade da
apresentação de técnicas de utilização da lanterna que se adequem melhor ao
policial no momento da ação e quando for necessário o foco dirigido para o alvo, e
seguindo a sugestão de formas já experimentadas internacionalmente, são
apresentadas as seguintes técnicas:

- Método FBI – consiste em transportar a lanterna distante do corpo, de forma


a confundir o opositor. No entanto cria um desconforto para a execução do tiro, já
que o braço estendido lateralmente e paralelo ao solo, acaba por cansar o policial.

- Método Harries – o atirador deverá posicionar-se ligeiramente de lado em


relação ao alvo, com os braços fletidos, estando a arma em uma mão e a lanterna
na outra, e as costas destas se encontram e se apoiam mutuamente, proporcionado
firmeza e inércia, que favorecem ao tiro de combate; o braço que segura a lanterna
passa por baixo do outro que empunha a arma.
- Método Chapmann – esta técnica só é aconselhável para pessoas que
tenham as mãos grandes, já que o policial deverá segurar a lanterna com o polegar
e o indicador, e os três dedos restantes darão maior firmeza para a mão que segura
a arma de fogo através de uma empunhadura dupla, favorecendo assim maior
segurança e precisão para o disparo.

- Método Ayoob – para aplicação desta técnica, o policial deverá empunhar


a arma com uma das mãos, enquanto a outra empunha a lanterna, estando as duas
posicionadas lado a lado e unidas pelos polegares.

ATENÇÃO!!!
CUIDADO PARA NÃO SER DENUNCIADO POR LUZ NATURAL, ATRAVÉS DA
PROJEÇÃO DE SUA SOMBRA.
Técnicas de Abordagem 85

e) Deslocamentos em Escadas

O ato de abordar edificações é por si só muito difícil, dificuldade está que é


potencializada com a presença de escadas, dificuldade acentuada, já que a
possibilidade de reação por parte do Grupo de Verificação é diminuída, tendo em
vista o espaço físico e a irregularidade do piso.
Para facilitar a transposição deste tipo de obstáculo, seguem as os procedimentos
abaixo:

- Observar os PPI, sempre com a aplicação da técnica do terceiro olho;


- Durante o deslocamento não cruzar as pernas, pois se assim o fizer e
precisando de uma esquiva rápida, possivelmente irá tropeçar e cair desequilibrado;
- Os PPI deverão ser cobertos a partir do mais próximo para o mais distante,
e por quanto policiais forem necessários, observando que o Grupo de Verificação
deverá atuar com quatro ou no máximo cinco integrantes;
- Havendo ocorrência onde pessoas se deslocam na mesma escada em
direção ao Grupo de Verificação, esses serão submetidos a uma busca ligeira e
conduzidos para um local apropriado e que favoreça a busca pessoal (a busca
poderá ser feita no topo da escada, se estiver próximo e ofereça segurança
suficiente, ou parte do grupo retornará ao sopé da escada conduzindo o suspeito
para a devida revista, enquanto que os demais deverão manter o local tomado,
evitando novos riscos para a equipe);
- Cuidado para não cruzar a linha de tiro;
- A verificação da escada deve ser feita utilizando o espelho, diminuindo o
risco para quem executa a progressão.

f) Considerações finais

A “priori”, a abordagem de edificações onde exista confirmação ou evidências


que pressuponham a presença de marginais homiziados deve ser realizada por
tropa especializada e treinada para isso, só devendo os policiais que executam o
Técnicas de Abordagem 86

policiamento ostensivo ordinário fazê-la em caso de extrema necessidade. Sempre


que possível deve o policial do serviço ordinário:
- Cercar o local;
- Informar à central de rádio;
- Providenciar a retirada de terceiros;
- Verificar junto aos moradores a existência na edificação de qualquer
pessoa que esteja em seu interior e alheia àquela situação;
- Verificar junto aos moradores a descrição do interior da edificação
(cômodos, móveis, etc.);
- Identificar as características e quantidade dos criminosos, tipo de
comunicação utilizada por estes e armamento, dentre outros detalhes;
- Aguardar a chegada do Oficial de Operações para coordenar as ações, e
informar as providências tomadas sempre que possível.
Técnicas de Abordagem 87

6. SINAIS CONVENCIONADOS

1) Atenção - Levantar um braço na vertical com a mão espalmada e a palma da


mão voltada para frente;

2) Alto - Partindo da posição de atenção o policial que estiver a frente cerrará o


punho para cima. De imediato os policiais devem abrigar-se, livrando-se ao
menos das vistas do(s) delinquente(s);

3) Coluna por um - partindo do sinal de atenção o Comandante da patrulha


fechará o punho conservando o dedo indicador estendido para o alto;

4) Coluna por dois - partindo do sinal de atenção o Cmt da VTR fechará o


punho conservando os dedos indicador e médio estendidos para o alto
formando um ângulo aberto;

5) Formação em triângulo - partindo do sinal de atenção o Cmt inclinará o


braço e formará um lado cunha, com a mão espalmada e voltada para baixo;

6) Formação em linha - após o sinal de atenção com o braço levantado à altura


do ombro aberto horizontalmente e palma da mão voltada para frente,
indicará a direção da linha a seguir;

7) Direção - partindo da posição de atenção o Cmt abaixará o braço até a


posição horizontal ao solo indicando a direção a ser seguida com o dedo
indicador;

8) Distância - o POLICIAL levantará o braço com o punho cerrado indicando o


comando de distância e em seguida indicará a metragem distendendo os
dedos para cima conforme a quantidade de metros (cada dedo representará
dez metros);
Técnicas de Abordagem 88

9) Número de pessoas - o POLICIAL indicará que existem pessoas com os


dedos indicador e médio voltados para baixo formando um ângulo aberto,
logo em seguida indicará a quantidade distendendo os dedos para cima
conforme o número;

10) Reunir - partindo do sinal de atenção descrever círculos horizontais acima da


cabeça;

11) Combate iminente - partindo da posição de atenção levará os dedos


indicador e médio a altura da cabeça apontando para sua própria fronte.

ATENÇÃO!!
OS COMANDOS DEVERÃO SER REPETIDOS ATÉ O ÚLTIMO POLICIAL PARA QUE O CMT
TENHA CERTEZA QUE A MENSAGEM CHEGOU A TODOS.
DEVEM SER REALIZADOS UTILIZANDO A MÃO FRACA, UMA VEZ QUE A MÃO FORTE
ENCONTRA-SE COM O ARMAMENTO.
Técnicas de Abordagem 89

REFERÊNCIAS

ARANHA, Roberto. Manual de Policiamento Ostensivo. Salvador: Ed. Garamond,


1993.

BAQUEIRO, Sérgio. Apostila de Abordagem a Edificações. Salvador, 1995.

BRASIL. Exército Brasileiro (IGPM). Manual Básico de Policiamento Ostensivo.


Manaus: EMGRAL, 1981.

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