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BUSCA E RESGATE COM CÃES

Walter Parizotto
Abril de 2017
Sobre o autor.

Oficial do Corpo de Bombeiros


Militar do Estado de Santa Catarina, possui
Especialização em Gestão pública pela
Universidade do Estado de Santa Catarina e
mestrado pela Universidade do Paraná.

Desde o ano de 1995 é criador e


trabalha com adestramento de cães da raça
labrador e está ligado a atividade de cães de
resgate desde a criação desse serviço em
Santa Catarina em 2003, instrutor de cursos
de cinotecnia desde o ano de 2005 e desde o
ano de 2010 é Coordenador do serviço de
busca e resgate com cães do Corpo de
Bombeiros Militar do Estado de Santa
Catarina.

Condutor dos cães Avai, Xanxerê e


Malu, os dois últimos com certificações
nacionais e internacionais.
Dedicatória

Dedico esse trabalho a todos os cinotécnicos do Corpo de


Bombeiros Militar do Estado de Santa Catarina e do Brasil, que
mesmo com pouco incentivo e com as imensas dificuldades que
se apresentam, prosseguem no projeto do uso de cães para salvar
vidas humanas.
Aos cães Avai, Xanxerê e Malu, meus amigos, que me
ensinaram o pouco que sei sobre o universo canino.
"Na Mongólia, quando morre um cachorro, ele é
enterrado no alto de uma montanha para que as
pessoas não possam andar sobre o seu túmulo. O
mestre do cachorro sussurra no ouvido do cão o seu
desejo de que ele volte como homem na próxima
vida. [...] antes de reencarnar, a alma do cão é
liberada para viajar pelo país, para correr pelas
planícies do deserto durante todo o tempo que
quiser.[...] Nem todos os cães voltam como homens,
só os que estão preparados e forem merecedores."

Garth Stein
PRÓLOGO

Preliminarmente, este trabalho não tem a pretensão de ser um manual de formação de


cães de resgate, aqui estão reunidas algumas ideias de algumas décadas dedicadas a essa
atividade, experiências minhas e do grupo de amigos e cachorreiros que tem andado comigo
em meia centena de intervenções reais.
Inexiste uma fórmula capaz de produzir bons cães de trabalho, o grande segredo é
trabalho, paciência, repetição e mais trabalho em um longo caminho a ser trilhado, com o
tempo vamos aprendendo alguns atalhos, mas que absolutamente não são a verdade absoluta.
O melhor método de condicionamento é aquele que atinge seu objetivo sem traumatizar o
cão.
Minha história com cães se confunde com minha própria história, muito antes de ter
amigos humanos eu já possuía amigos caninos.
Meu pai herdou do meu Avô uma pequena gleba de terras, enquanto ele e minha mãe
tiravam nosso sustento eu permanecia na pequena casa onde vivíamos rodeado pelos nossos
cães, (é bem verdade que minha mãe contou-me mais tarde que não me levavam para os
trabalhos na roça por que eu os atrapalhava) assim dos 3 aos 5 anos, meus guardiões também
se tornaram meus amigos e no meu mundo infantil longe de outras crianças, foi com os cães
que dividi minhas brincadeiras e meu tempo, foi ali na simplicidade infantil que aprendi uma
das lições que décadas mais tarde viria a aplicar nos trabalhos profissionais de
condicionamento de cães: eles são muito parecidos com os humanos, porém, são desprovidos
de toda a avareza, interesse e outros sentimentos que nos causam ulceras, enquanto nós
humanos nos esforçamos em vão para nos diferenciarmos um dos outros, os cães se igualam,
se irmanam e não conseguem ver-se separados por raças ou qualquer outra classificação.
Não tenho dúvida alguma que os cães possuem emoções, o nosso erro é considerar as
emoções caninas como semelhantes as humanas. Não são sentimentos menores nem maiores,
são diferentes, são caninas. Conhecer, compartilhar e interpretar essas emoções é chave para
uma relação eficiente e para a condução de processos de condicionamento dos cães para os
fins que se deseja.
Conheci grandes adestradores ao longo da minha vida, alguns deles
surpreendentemente jamais participou de algum curso de formação, meu pai é um bom
exemplo disso, viveu sua vida toda e ainda vive no meio rural e em nosso sítio sempre
tivemos muitos cães, todos com uma "função social" bem definida, seja a de proteger as
galinhas dos predadores, proteger a casa ou simplesmente ser companhia. Cada cão sabe sua
função, sabe o lugar onde deve dormir, sabem os espaços que podem circular e os que não.
Quando vou visitar meus pais, ao chegar na casa, sei imediatamente se eles estão ou não pela
posição dos cães, quando ocasionalmente eles não estão em casa os cães se postam como fiéis
guardiães repousando na varanda, o que é inconcebível quando minha mãe está por casa.
Meus pais jamais perderam uma hora sequer em sessões de treinamento com esses cães,
porém, desde que os filhotes são levados para casa, ele se comunica muito e constantemente
com eles e de alguma forma eles se entendem perfeitamente.
Me surpreende sobremaneira cães que nunca tiveram qualquer tipo de treinamento e
adaptam-se perfeitamente ao modo de vida que lhes é ofertado, cães que vivem em
apartamento, mas somente fazem suas necessidades na rua, cães que vivem dentro de casa,
mas que sabem perfeitamente como se portar com estranhos ou sabem exatamente seus
limites, espaços que podem ou não frequentar. O que há de comum nesses cães e seus donos
e os cães dos meus pais? Em todos eles, existe uma incrível capacidade de comunicar-se além
de um grande sentimento mutuo entre eles.
As técnicas que uso ou que minha equipe usa para condicionar nossos cães podem
funcionar bem conosco, mas não surtir o mesmo efeito com outra equipe ou outros cães,
porém todos que conseguirem estabelecer um bom canal de comunicação com seu cão,
entender o que ele sente e principalmente fazer ele entender o que deseja dele, obterá bons
resultados com toda a certeza.
Sentimento é outro ingrediente importante nesse processo, os cães irão amar todas
aquelas pessoas que os amarem primeiro.
Os cães, são capazes de andar dezenas de quilômetros, por longos períodos de tempo
rebuscando áreas em busca de sua presa, são capazes de lutar até a morte para defender a sua
matilha e seu território e o mais importante são capazes de construir relações duradouras,
complexas, com padrões hierárquicos bem definidos, essa capacidade incomum de
relacionar-se socialmente e seu incrível potencial para localizar sua presa são o que tornam
esses animais fantásticas ferramentas para operações de busca de pessoas perdidas.
Aqui reúno materiais desenvolvidos ao longo do tempo em institucionalmente
trabalhei com atividades de busca e resgate com cães, fica minha expectativa e desejo de que
alguma forma possa auxiliar a todos aqueles labutam nessa atividade.
INTRODUÇÃO

Como toda ferramenta o cão possui um manual de funcionamento, que deve ser de
pleno domínio de quem irá operar o mesmo, a preparação de cães para busca e resgate,
envolve trabalho de melhoramento e moldagem, aliás em se falando em moldagem, como
nenhum outro animal os cães mudaram longo do tempo, tornaram-se maiores, menores, mais
ferozes, mais dócil, velozes, tudo isso fruto da mão do homem e com o objetivo único de
atender os anseios humanos, o cão varia mais em tamanho, aparência e comportamento do
que qualquer outra espécie do nosso planeta, são mais de 400 raças criadas para atender as
necessidades dos seus parceiros humanos. Essa facilidade em mudar e transformar-se ocorre
porque possui uma imensa capacidade adaptativa capaz de mudar a sua cadeia de DNA em
poucas gerações.
Somente ha pouco mais de uma década passamos a ler o manual de funcionamento de
nosso companheiro de 120 séculos. Mudamos a nossa forma de ver os cães e passamos a
estuda-lo mais profundamente, seus aspectos fisiológicos mas principalmente a etologia desse
que é o mais próximo do ser humano do que todos os demais animais.
A forma de se condicionar cães usadas há mais de uma década são uma roupa velha que
já não cabe mais nesse momento, por isso, algumas lições fundamentais devem ser
entendidas preliminarmente, para qualquer um que desejar condicionar um cão, não somente
para busca e resgate mas qualquer área.
a) Observar o cão.
Essa é a primeira e mais fundamental dica para quem deseja trabalhar com cães. Cada
cão é um indivíduo com personalidade própria, que tem seu comportamento próprio e reage
de forma particular as circunstâncias.
Segundo Charles Darwin cada espécie é dotada de seu próprio repertório peculiar de
padrões de comportamento e dentro de cada espécie os indivíduos transformam esse
repertório com sua personalidade e a influência do meio, então é fundamental descobrir
como cada cão funciona, o tempo em que ele se mantém motivado com um brinquedo novo,
sua reação a estranhos a locais diferentes e a maneira como demonstra seu afeto.
Por muito tempo a ciência (e os cientistas) ao se referirem a animais não humanos,
examinaram um único individuo da espécie e concluíram que o mesmo representa a espécie
por inteiro (HOROWITZ, 2010), o que não ocorre com os humanos, se um humano tem
dificuldade em matemática, por lógico não atribuímos essa dificuldade a toda a humanidade,
primeiro cada pessoa é um indivíduo e depois membro da raça humana, no caso dos demais
animais essa ordem é invertida. Por isso é fundamental tratar cada cão como uno, conhecer
bem e profundamente o cão com que se vai trabalhar é o primeiro passo para o sucesso de
um condicionamento.
Os cães domésticos conseguem mostrar exatamente o que querem aos seres humanos
basta um pouco de atenção para compreende-los.
b) Jamais antropomorfizar os cães.
Nos relacionamos com os cães, falamos com eles e imaginamos os seus
comportamentos a partir de uma perspectiva equivocada, impondo aos mesmos os nossos
pensamentos e emoções e com isso esperamos que os mesmos reajam da mesma forma, ou
seja da perspectiva humana (HOROWITZ, 2010), isso está profundamente equivocado. Os
cães tem sentimentos caninos, emoções caninas, comportamento caninos e reações
tipicamente caninas frente as situações que lhes forem apresentadas. As coisas devem ser
vistas sempre do ponto de vista do cão.
c) Muito treinamento.
Uma boa técnica e pouco treino resultará em um péssimo cão de resgate, mas mesmo
com uma técnica simplista, com muito treinamento um cão poderá se tornar um excepcional
cão de resgate.
O cão é como um dardo lançado em direção ao alvo, se o jogador for eventual, até
poderá acertar usando sorte, mas para que tenha lançamentos precisos requer muito
treinamento. Quanto mais treinamento for aplicado ao cão maior será a sua segurança, menos
stress terá em seu trabalho e mais fácil encontrará soluções para problemas que surgirão nas
operações.
CAPÍTULO I

UMA TEORIA SOBRE A ORIGEM DOS CÃES

Uma cultura dominante até pouco mais de uma década era que o cão doméstico era um
pequeno lobo travestido e que a chave para entender o cão doméstico é investigar e entender
o lobo. Essa corrente tem sido cientificamente rebatida veemente na última década. Cães e
lobos tem um antepassado comum, assim como homens e chimpanzés, no entanto não é
observando como os chimpanzés tratam os seus filhotes que os humanos cuidam.
Muitos fracassos etológicos se dão porque muitos veem os cães domésticos como lobos
inferiores e isso absolutamente não é verdade, os cães evoluíram muito mais que seus primos
lobos, se adaptaram perfeitamente a vida humana, nenhum outro animal que passou por um
processo de domesticação obteve tanto sucesso como o cão doméstico.
Na década de 50 um geneticista Russo chamado Dmitry Belayev iniciou um projeto
com raposas prateadas da Sibéria, animal popular na época por sua pele, ele separou um
grupo de raposas que aceitavam bem os humanos e as domesticou, em pouco mais de meio
Século foi possível verificar uma diferença de 40 genes nos descendentes das raposas de
Belayev das raposas selvagens.
O que muitos fazem ao atribuir ao cão doméstico comportamentos dos lobos selvagens
é ignorar o efeito de 12 mil anos de domesticação.
No entanto, aquele ser doce e peludo, que rola no sofá das nossas salas é ao menos no
que se refere ao seu DNA, 99,96% lobo. obviamente com um caráter muito diferente.
Os canídeos que evoluíram até o cão doméstico que conhecemos estão extintos, no
entanto as análises de DNA realizadas não deixam dúvidas de que o cão descenda quase que
inteiramente do lobo cinzento, o Canis lupus, assim como os coiotes, lobos e chacais. (Ver
figura 01).
Figura - Lobo cinzento

Fonte: http://nature.ca/notebooks/english/arcwolf_p0.htm
Rastrear os canídeos até sua origem, não é um fato consensual entre os cientistas,
porém todas as correntes concordam com uma origem comum entre todos os canídeos
modernos e extintos.
Umas das correntes fala de um mamífero assemelhado a um cão denominado
borophaginae (Ver figura 02), que viveu na América do Norte há 6 milhões de anos.
Figura - Borophaginae
Fonte: Disponível em http://retrieverman.net/tag/borophaginae/
Foi há 1,5 milhões de anos que os mais diversos canídeos se espalharam pelo mundo
todo. Esse processo de evolução está dividido em 3 vertentes evolutivas. A primeira delas
ocorreu na América do Norte e deu origem ao coiote, a segunda na América do Sul, chamada
de Dusicsyon (Figura 03), gerando várias espécies de raposas, e a terceira vertente surgiu na
Eurásia, culminando em espécies de chacais e lobos, de forma particular o lobo cinzento, o
ancestral de todos os cães domésticos.

Figura - Dusicsyon

Fonte: http://homepages.uwp.edu/egerton/Roots%20of%20Ecology.htm
Evidencias mostram que muitos desses canídeos estiveram envolvidos em processos
fracassados que objetivavam a domesticação. Há muitas evidências arqueológicas dessas
tentativas, que não são diferentes dos mais diversos processos e tentativas de domesticação de
outras espécies, como roedores, aves ou primatas, como ocorre ainda nos dias atuais. Porém
diferente do lobo cinzento, nenhuma dessas outras espécies, voluntariamente se dispôs a ficar
com os humanos.
A derivação do lobo fez com que muitos autores afirmassem que a compreensão do
lobo seja a chave para a compreensão do cão doméstico, o que não é verdadeiro, o fato de ter
um ancestral comum, não faz do cão um lobo inferiorizado (BRADSHAW 2012), a
domesticação é a chave para entender o cão. Das dezenas de espécies da família dos canídeos
que existiram ou existem, apenas uma delas se adaptou bem a domesticação, e sujeitou-se de
tal forma as necessidades humanas, que evoluíram em dezenas de subespécies adaptadas as
necessidades de seus donos, e de acordo com suas funções primordiais como caçar, correr ou
vigiar.
O processo de domesticação foi longo, marcado por fracassos em diversas partes do
mundo e em diferentes épocas. Acredita-se que essa relação tenha iniciado entre 15 e 25 mil
anos atrás. Durante todo esse tempo o cão sofreu severas modificações, fazendo com que essa
espécie evoluísse de companheiro dos primeiros seres humanos caçadores e coletores, até
fazer a mesma função nas cidades do nosso tempo.
De forma distinta a outras espécies, a domesticação serviu a diversos propósitos
fazendo com que os cães desempenhassem diversas funções na sociedade humana. Uma série
de passos sem um plano coerente lhes foi imposto, tornando-os os cães de hoje.
Pouco se sabe sobre o inicio do processo de domesticação. Acredita-se, no entanto, que
o cão foi o primeiro dos animais domésticos. O processo mais aceitável é que a domesticação
tenha surgido em vários lugares espontaneamente, fazendo com que os lobos das aldeias de
humanos com o passar dos séculos se transformassem de tal forma, que hoje pouco se parece
com o lobo original.
Qualquer que tenha sido a motivação inicial, certamente foi difícil para os lobos
aceitarem e sujeitarem-se a convivência com os humanos, o que demandou desses um longo
processo de seleção. Filhotes de lobos eram introduzidos em comunidades de caçadores
humanos, ocasionalmente um filhote de lobo de natureza tranquila e submisso chegava à fase
adulta aceitando os humanos como parte da matilha.
É obvio que nem tudo foi tão simples, pois, embora estes lobos tenham ficado mansos e
sociáveis em companhia humana, estavam muito longe de ser domesticados. O processo de
domesticação foi lento, desenvolvido passo a passo ao longo de várias gerações, encorajados
pelo processo de alimentação deliberada.
Enquanto lobos com temperamentos mais calmos procriavam junto à comunidade
humana, seus filhotes cresciam em um ambiente protetor, não mais precisando sair e caçar
animais grandes. De geração em geração, os lobos mansos foram sofrendo alterações
genéticas em relação aos seus primos selvagens, seguindo um processo de evolução e seleção
natural respondendo a fatores do ambiente humano.
Ao longo dos séculos esses animais foram sofrendo mudanças físicas que incluíram o
porte, o formato do crânio, a cor e textura da pelagem, o tamanho dos dentes e até o formato
dos olhos. No estágio final da domesticação, os humanos começaram a criar diferentes tipos
de cães em um processo de seleção artificial de cor, tamanho, tipo de pelagem, formato das
orelhas e rabo, além de temperamento, que mais se adequavam as necessidades e a aplicação
que os humanos lhes davam.
Há 5 mil anos há evidências de criação de diferentes raças caninas, com diferentes
propósitos, como por exemplo, cães de caça, cães de guarda, ovelheiros e até cães de colo,
esses últimos muito comuns na Roma de 2 mil anos atrás. Com o passar dos séculos e nas
diversas civilizações o cão foi evoluindo de forma e especialidades.
O lobo cinzento foi alterado drasticamente ao longo do tempo. Essa mudança, fez com
ele perdesse muitos dos seus atributos originais, tanto que não há razões para acreditar que as
características que definem os cães de hoje derivem especificamente dos lobos. Essas
características são produtos da domesticação.
Independente das pressões seletivas, apesar das diferenças físicas entre as diversas
raças, os cães são evidentemente cães.

O sentidos

Para que possamos entender os sentidos dos cães, não podemos fazê-los sob a mesma
ótica dos seres humanos, pois vemos e sentimos o mundo sob aspectos e importância
diferentes, enquanto os humanos são atraídos por luzes e cores, prova disso são milionários
investimentos em placas e luminosos publicitários, embora tenhamos apenas 3 tipos de cones
de células receptoras que são sensíveis ao amarelo, ao verde e ao violeta, que permitem que
nossos olhos sejam capazes de distinguir e captar 10 milhões de cores diferentes.
Ao longo de nossa evolução fomos aprimorando sentidos que foram necessários e
importantes para nossa sobrevivência e enfraquecendo outros, chegando ao ponto de
descartá-los por completo.
Somos seres com uma visão muito aprimorada, possuímos uma visão noturna razoável,
uma audição média e um olfato insignificante se compararmos aos cães.
Os cães veem o mundo pelos seus odores, possuem um olfato primoroso, uma visão em
cores ruim, uma boa visão noturna e uma audição excelente.
O cão é a "máquina" de trabalho de um cinotécnico que atua em resgate, como todo
máquina o conhecimento do seu funcionamento torna sua operação mais fácil e fará com que
se obtenha o máximo do desempenho da mesma.
De todos os aspectos fisiológicos e psicológicos do cão o que mais será empregado no
condicionamento para operações de busca serão os sentidos, por isso é fundamental conhecê-
los e saber suas características e funcionalidade.

Visão

A visão dos cães é muito semelhante a visão humana. Os cães podem ver um pouco
melhor a noite e um pouco menos durante o dia, com uma exceção, a percepção das cores.
Acredita-se que os cães possam ver tudo o que vemos com um pouco menos de detalhes e
uma leve confusão nas cores vermelho e laranja, que lhes parece em tons de cinza.
Por serem mais eficientes dos que o dos humanos a noite, os olhos dos cães possuem
algumas estruturas a mais. Atrás da retina existe uma camada de células refletoras chamadas
tapetum que dobra a sensibilidade quando a intensidade da luz é fraca. Isso faz com que os
olhos do cão reflitam a noite com a luz dos faróis e lanternas.
Os cães também veem um campo visual muito mais amplo do que os humanos,
enquanto nossa visão seja de 180 graus os cães podem tem uma visão de até 240 graus.

Audição

A audição dos cães é mais sensível e mais versátil se comparada a audição humana, sua
audição de baixa frequência tem um alcance similar a dos humanos, mas eles podem ouvir
sons mais altos, os ultrassons.
O limite humano varia de tão baixo 13-20 Hz a tão alto entre 16.000-20.000 Hz, os cães
por sua vez ouvem os sons altos até o limite de 70.000-100.000 Hz.
Muitos humanos se esquecem dessa acuidade auditiva dos cães e que também os
mesmos são mais sensíveis a certos ruídos, como ferro arrastando.

Olfato

O olfato é o mais poderoso dos sentidos caninos. Ao nascer o cão não ouve e não
enxerga, mas já possui um poderoso sistema olfativo pronto é ele que o conduzirá ao calor da
mãe. O cão vê a paisagem pelas suas narinas assim como o ser humano vê pela visão.
Um cão pode chegar a 220 milhões de receptores olfativos, comparado com os 5 a 10
milhões dos humanos. Os focinhos úmidos servem para captar as mais sensíveis moléculas de
odor no ambiente, fazendo com que os cães possuam extraordinária capacidade olfativa.
O epitélio olfativo canino é muito extenso, podendo chegar a 170 cm2, área que é mais
de 30 vezes superior a dos humanos, além desse epitélio gigante, em torno de 220 bilhões a 2
trilhões de nervos ligam o mesmo ao cérebro canino (cem vezes maior que o dos humanos.
Ao chegar no cérebro a parte do córtex olfativo, responsável por analisar os cheiros é quase
40 vezes mais que a dos humanos.
Uma vez inalado o ar é analisado pelo sistema olfativo canino, que passa pelas
passagens nasais e rodopia em volta dos cornetos, os ossos que suportam os receptores
olfativos. Os receptores analisam e classificam o odor e depois passam essas informações
para o nervo olfativo e daí para o cérebro.

Figura – Sistema olfatório

Os cães possuem uma imensa capacidade para detectar odores imperceptíveis aos
humanos, conseguem distinguir odores diluídos em uma concentração de uma parte por um
trilhão, os humanos pode sua vez, detectam em entre uma parte por milhão a uma parte por
bilhão, o que dá aos cães uma sensibilidade olfatória entre 10 a 100 mil vezes mais
insignificante que a dos cães.
Os cães tem capacidade olfativas quase ilimitadas, detectam drogas, explosivos,
melanomas e mais uma imensa gama de coisas inodoras para os humanos. No caso de cães de
resgate a abundância de odores liberados pelos seres humanos torna seu trabalho muito fácil,
cabe ao seu cinotécnico possuir conhecimento suficiente sobre a situação para colocar o cão
no caminho certo e ser capaz no processo de condicionamento a comunicar-se com seu cão
de modo a "dizer" ao mesmo exatamente o que precisa ser feito.
CAPÍTULO II

CONDICIONAMENTO DOS CÃES PARA BUSCA, SALVAMENTO E RESGATE DE


PESSOAS

O condicionamento é um processo que visa interferir no comportamento natural dos


cães para um fim específico.
Esse processo é utilizado na formação de cães resgate visando alterar o seu
comportamento em 3 formas:
a) Ressaltando aqueles comportamentos desejáveis;
b) Extinguindo comportamentos indesejáveis;
c) Ensinando novos comportamentos.
O processo de formação desses cão não é algo simples, exige técnica, tempo e muito
trabalho.
Inexistem fórmulas mágicas ou processos simplificados ou ainda ritos sumários para
essa formação, são várias etapas que devem ser preenchidas e vivenciadas pelo cão
integralmente, a passagem com segurança por cada uma das etapas forma cães seguros e
capazes de reagir as situações reais a que serão submetidos.
Via de regra o processo de condicionamento dos cães é behaviorista e tal qual os
humanos, os cães tendem a desejar repetir aquelas ações que lhes trouxeram prazer e não
repetir aquelas que lhes trouxeram frustração. Por isso, usando os princípios do
Behaviorismo, no processo de condicionamento dos cães, busca-se reforçar aquelas ações que
são desejáveis no cão e que são importantes para o trabalho de busca, o segredo, se é que
pode existir um, é estímulo certo na fase certa.
A base do condicionamento é: Estimulo e recompensa.
Quanto mais temporã for o início do trabalho de condicionamento dos cães para a
atividade de busca em desastres, melhor será o resultado final e menor será a energia
desprendida na obtenção dos resultados.
Cada fase precisa ser preenchida, e, somente avançar para a fase seguinte quando cão
estiver completamente pronto na fase em que se encontra. Em cada fase é preciso também
respeitar a idade e a maturidade do cão, mesmo que ele seja capaz de fazer coisas que
pertencem a fase seguinte. Não observar esses procedimentos pode trazer muitos prejuízos
emocionais ao cão.
Quando ocorre uma transição tranquila, quando o cão estiver plenamente condicionado
com determinado comportamento que deve adquirir ou extinguir ele será um adulto mais
estável e tranquilo e consequentemente mais eficaz em seu trabalho.
A métodos de formação dos cães de busca, resgate e salvamento, desenvolvido pelo
Corpo de Bombeiros em Santa Catarina para atuação em situações reais é composto das
seguintes etapas:
I) Seleção e formação do cinotécnico;
II) Seleção do filhote;
III) Desenvolvimento de instintos naturais (imprinting);
IV) Auto-figuração;
V) Figuração;
VI) Universalização dos espaços;
VII) Universalização do figurante;
VIII) Formação especializada;
IX) Reforço, obediência e correção;
X) Certificação; e
XI) Manutenção e recertificação. (ver figura 01)
É importante observar que embora a técnica de formação está baseada na idade do cão,
isso não significa que seja um processo estanque. É preciso, além da especificação por faixa
etária, avaliar o cumprimento dos objetivos propostos para cada fase.
Figura 01: Fluxograma do condicionamento

Fonte: O autor

SELEÇÃO E FORMAÇÃO DO CINOTÉCNICO

O cão operativo é uma ferramenta nas mãos de um resgatista. As ações com cães de
bombeiros, a equipe de atuação e principalmente o cinotécnico condutor precisa ter uma
ligação muito grande com o cão e entender sua linguagem e ter sempre em mente que o cão é
uma, dentre tantas ferramentas a ser utilizada por uma equipe de busca, ela precisa ser
colocada no lugar certo para poder ser operada, quanto maior for o domínio técnico da
equipe mais rápido poderá ser atingido o objetivo.
Como ferramenta, um cinotécnico profundo conhecedor das atividades em que o cão irá
desempenhar saberá conduzir de forma correta os treinamentos, saberá que tipos de ações e
quais desafios o cão precisa vencer, terá condições plenas de avaliar o desempenho do cão e
principalmente saber o que se espera do mesmo.
O cão faz parte de uma equipe, é um componente de um time que doutrinariamente tem
seu numero variado conforme o local e o perfil das ocorrências, mas via de regra é no mínimo
4 para buscas rurais e 7 para buscas urbanas, estar integrado, familiarizado e ajustado nessa
"matilha" é fundamental para o cão.
A qualificação de uma equipe (e do cinoténico) depende muito da vulnerabilidade da
região onde irá atuar, os riscos são divididos em universais, regionais e específicos, conhecê-
los e antecipar-se para eles, é mais do que uma ação preventiva inteligente, mas sim uma
obrigatoriedade para as equipes que operam no socorro das comunidades.
O cão é somente uma ferramenta, ou mais uma, que pode ser utilizada nos desastres,
por isso é fundamental que as equipes estejam previamente preparadas para as situações que
irão encontrar, somente alguém com profundo conhecimento dos desastres em sua mais
diversas formas será capaz de preparar o cão para as ilimitadas situações extraordinárias que
podem surgir.
Sem entrar em conhecimentos específicos destinados, por exemplo, à minas, busca em
escombros de edificações especiais com produtos perigosos, radioativos ou outra
características bem individualizada, genericamente existem características que toda equipe
de resgate deve dominar, conforme listagem abaixo:
a) Um dos aspectos fundamentais é o domínio em Sistema de Comando de
Incidentes e atuação de forma integrada, pois de um modo geral, os cães integram um grupo
maior e normalmente com várias agencias envolvidas;
b) Conhecer e estar previamente treinado para as ocorrências vulneráveis da região
onde atua;
c) Conhecer os aspectos geográficos da região onde atua;
d) Possuir noções básicas de: orientação, navegação, Sistemas de informações
Geográficas, espaços confinados, altura, meio líquido, GPS, espaço florestado, áreas
deslizadas, estruturas colapsadas, animais peçonhentos, produtos perigosos, riscos no
manuseio de cadáveres, primeiros socorros e comando unificado;
e) Saber atuar com meios auxiliares: aeronaves, cães, cavalos e força tarefa civil;
f) Para atuar como cinotécnico condutor de cão de bombeiro, além dos
conhecimentos mencionados anteriormente, o bombeiro ainda deve dominar os seguintes
conhecimentos: fisiologia canina, primeiros socorros em animais, anatomia canina, psicologia
canina, parasitologia canina, cuidados e higiene na criação de animais e domínio das técnicas
de adestramento para obediência e para as diversas atividades em que o cão irá operar;
g) O cão deverá ser treinado dentro do padrão em que vai operar, ele não pode ser
apresentado àquele cenário no dia da ocorrência,;
h) Condições de operacionalidade deverão ser constantemente avaliadas e
aperfeiçoadas;
i) Conhecer edificações e pontos com risco especiais;
j) Andar no compasso da evolução da sua região, conhecendo os riscos principais
que afetam as cidades.
k) Além disso, um fator extremamente importante é a existência de bombeiros que
realmente gostem de cães.
A relação entre horas de trabalho e horas de treinamento é de 1/1000, assim, o
treinamento com os cães exige dedicação contínua. Nem sempre é um trabalho agradável,
pois existem outras atividades como higienização, cuidados e limpeza do canil, que nem
sempre atrai quem não gosta de cães. Por isso é fundamental, na escolha da equipe que vai
operar com cães, que seja considerada a vocação individual dos membros envolvidos.
Cães que operam bem em 100% devem ter treinamento em 150% do seu potencial, de
um modo geral, cinotécnicos condutores de cães de resgate devem gostar mesmo é de treinos,
pois muitos talvez sequer cheguem a atuar.
Costumeiramente se vê que o início das atividades de preparação para a implantação de
uma equipe de busca e resgate, começa pelo cão, o que está errado, o início deve sempre ser
pela formação técnica da equipe.
O cão é o último a entrar no processo, primeiro deve ocorrer a seleção do cinotécnico,
a preparação do mesmo, antes do cão entrar no processo deve ocorrer a preparação da
estrutura onde o mesmo irá treinar, bem como a logística local, para somente então iniciar o
processo de seleção de um bom filhote.
Em seu processo de formação um cinotécnico condutor de cães de resgate dificilmente
obterá a total potencialidade operativa de um cão logo em seu primeiro adestramento. O
animal será lapidado ao longo do tempo, a ferramenta precisa de mãos hábeis para operá-la,
assim, o cão como ferramenta de trabalho, precisa de alguém que o conheça física e
psicologicamente e que saiba como obter dele o máximo possível em prol da atividade de
salvamento.
Em tese o cão será utilizado unicamente naqueles situações complexas demais para os
humanos ou quando estes com seus equipamentos ou sentidos não podem fazer muita coisa,
isso implica em dizer que os cães irão para áreas com elevados riscos, percorrer grandes
distâncias em áreas rurais. O ambiente de desastres está para resgatistas preparados como a
centro cirúrgico está para médicos e enfermeiros.

SELEÇÃO DOS FILHOTES

Selecionar bem um filhote para as atividades de busca, resgate e salvamento de pessoas,


pode encurtar o caminho e facilitar o processo de condicionamento e melhorar os resultados.
O processo de formação e treinamento é decisivo para a formação do caráter e a
aquisição das habilidades de um bom cão de busca, no entanto, a seleção de um bom filhote,
poderá tornar esse trabalho muito mais simples, pois 20% de tudo o que cão é ou será vem
com sua carga genética.
No entanto essa não é uma tarefa fácil já que muitos testes foram sendo desenvolvidos
ao longo dos anos com objetivo de prever o caráter do cão adulto a partir de traços infantis. A
maioria deles não possui um fundamento científico e consequentemente poderá apontar
resultados errôneos, principalmente no que corresponde a agressão e a dominação
(BRADSHAW 2010) isso porque em torno da oitava semana de vida, quando a maioria dos
testes é realizado, a conduta psicológica do filhote é maleável, único traço que fica
visivelmente detectado é o medo extremo, pois esse traço é efetivo e vem de uma base
genética.
Os testes, no entanto, podem ser úteis, pois detectam o potencial olfativo e as
deficiências de socialização. O desejo de interação com seres humanos é depois do potencial
olfativo a principal característica de um bom cão de resgate.
Então, o processo de seleção dos filhotes se dá com a observação dos seguintes
aspectos: traços familiares, traços fisiológicos, e traços psicológicos, que serão descritos a
seguir.
Preliminarmente é fundamental dizer que, a experiência formadora inicia-se quando ele
completa 3 semanas de idade (BRANDSHAW 2012) e continua por vários meses, sendo
decisivo na 10 ou 11 semana de vida. É impossível descrever o comportamento social antes
da 8 semana, pois somente nesse período que os filhotes começam a reconhecerem-se uns aos
outros como indivíduos e não possuem qualquer tipo de personalidade formadas.
Numerosos testes científicos falharam quanto a descobrir qualquer validade em testes
com previsão do futuro caráter do cão, principalmente aspectos envolvendo dominância ou
agressão. O único aspecto da personalidade que parece se destacar e permanecer antes das 8
semana é o medo.

Traços familiares

Algumas características sejam físicas ou psicológicas, são passadas dos pais aos filhos,
como resultado da herança biológica. Logo, traços não aceitáveis nos pais podem ir para os
filhos, e comportamentos e traços indesejáveis nos padrões para cães de busca, devem ser
refutados a partir da análise dos pais.
A genética, que conceitualmente é a área da biologia responsável pelo estudo da
hereditariedade, ou seja, a transmissão de características de pais para filhos, ao longo das
gerações é um fator importante para a seleção dos futuros filhotes que se tornarão cães de
resgate.
A figura mais notável no estudo da genética foi o monge Gregor Mendel que, durante
muito tempo, pesquisou o processo de transmissão de caracteres entre diversas gerações de
ervilhas e concluiu que esta se dava por meio de partículas ou fatores encontrados nos
gametas. As partículas descritas por Mendel atualmente são conhecidas como genes e se
encontram nos cromossomos, mais precisamente no DNA.
Nesse estudo, dois conceitos são fundamentais, genótipo e fenótipo.
Genótipo (do grego genos, originar, provir, e typos, característica) refere-se
à constituição genética do indivíduo, ou seja, aos genes que ele possui.
As diversas características apresentadas por um indivíduo, nesse caso, de forma
especifica os cães, é designado como fenótipo (do grego pheno, evidente, brilhante, e typos,
característico) sejam elas morfológicas, fisiológicas e comportamentais. Também fazem parte
do fenótipo características microscópicas e de natureza bioquímica, que necessitam de testes
especiais para a sua identificação.
Entre as características fenotípicas visíveis, podemos citar a cor da pelagem, a cor dos
olhos, o tamanho da cauda. Já o tipo sanguíneo e a sequência de aminoácidos de uma proteína
são características fenotípicas reveladas apenas mediante testes especiais.
O fenótipo é resultado da interação do genótipo com o ambiente. Ao longo da sua vida
os seres vão agregando valores e qualidades que acabam sendo repassados aos seus
descendentes.
No caso da espécie canina, pode-se realizar cruzamentos dirigidos visando a
determinação do padrão de herança das características que são importantes para o trabalho de
busca, ou ainda pode-se criar linhagens específicas através da análise dos heredogramas
permitindo que seja determinado o padrão de herança de uma certa característica (se é
autossômica, se é dominante ou recessiva, etc.).
Da mesma forma, comportamentos e qualidade indesejáveis podem ser excluídos
através da análise de bagagem genética.
Assim, a chance de se encontrar um cão com as características adequadas para a
atividade de resgate é menor na escolha eventual, do que a partir da análise prévia dos pais,
por exemplo, ao acasalarmos pais com formação nasal desejada, a probabilidade é bem maior
que teremos filhos com a formação nasal desejada.
Toda característica esta associada a um gene, que pode se apresentar de duas formas:
a) Dominante: O gene dominante é aquele que determina uma característica, mesmo
quando em dose simples nos genótipo, como é o caso dos heterozigotos.
b) Recessivo: é o gene que só se expressa quando em dose dupla, pois na presença de
um dominante, ele se torna inativo, como é o caso dos heterozigotos. Isso ocorre porque a
proteína produzida pelo gene recessivo é defeituosa e às vezes não funcional.
A seleção genética não é algo muito simples de ser aplicado por pessoas de senso
comum, porém podem facilmente ser trabalhadas por profissionais da área, como biólogos,
veterinários ou zootecnista.

Traços fisiológicos

Os traços fisiológicos consistem na definição da idade, no tamanho, no sexo e na


observância da fisiologia do canal nasal do cão.
Com relação a idade, dois aspectos devem ser levados em conta:
a) Máxima: 6 meses
b) Mínima: a partir da segunda semana de vida
Quanto mais jovem for o cão, maior será sua capacidade de aprendizado, quando se faz
uma seleção temporã, o cão poderá ser submetido mais rapidamente ao ambiente onde ira
desenvolver suas habilidades e ficará distante de ambientes e situações indesejadas.
O tamanho ideal é que não seja pequeno demais, pois terá dificuldade para se deslocar
na maioria dos cenários e transpor obstáculos ou percorrer longas distâncias, ou não será forte
o suficiente para se locomover nas áreas deslizadas, tão pouco deverá ser grande demais, pois
irá desgastar facilmente, terá dificuldade de se locomover nos escombros ou de ser
transportado.
O sexo não é fundamental, está mais associado à preferência e habilidade do condutor,
machos são mais difíceis de serem moldados, pois tendem sempre a liderança e recebem
muita influência dos impulsos sexuais, já as fêmeas são mais calmas, mas tendem a ser mais
submissas, porém tem comportamento complicado durante o cio e quando tem filhotes
podem ter o comportamento alterado.
O canal nasal é a principal ferramenta do cão para farejar as vítimas, pequenos detalhes
fisiológicos resultam em milhões de células olfativas a mais disponíveis nas operações de
busca.
Para entender mais profundamente essas questões é preciso uma pequena resenha da
fisiologia dos órgãos e regiões do focinho dos cães.
É o focinho, que nos cães é sempre úmido do cão que torna seu faro tão eficiente, já
que dissolve as moléculas inaladas intensificando sua percepção. O nariz humano possui de 5
a 20 milhões de células olfativas, o canino possui mais de 200 milhões e a área no cérebro
que processa o olfato é 40 vezes maior do que a do homem. Eles conseguem sentir cheiros
que nem ao menos conseguimos identificar, e ainda seguir rastros de cheiro de pessoas que
passaram a vários dias, isso faz com que o olfato do cão seja até um milhão de vezes mais
apurado que o dos humanos, isso porque a superfície da mucosa olfativa canina mede 150
cm2 e nos humanos mede em torno de 3 cm2.
O fundamental para a qualidade do faro é a natureza do trânsito, do fluxo do ar e a
situação do etmoide dos cães, cuja posição tal que a mucosa que reveste as fossas nasais
possa ser impregnada pelo maior número possível de partículas de cheiro. Por isso é que a
localização desses terminais nervosos é transcendental. Quanto mais alto o etmoide estiver,
menor será a qualidade de ar impregnado de partículas de cheiro que passara pela mucosa; ao
contrário, quanto mais ao nível do canal por onde passa o ar, mais partículas de cheiro serão
captadas.
Testas baixas e inclinadas fazem com que o etmoide fique situado bem no nível de cana
nasal, enquanto que as testas retas e altas colocam-no em uma posição bem mais alta e
praticamente fora do alcance do fluxo de ar.
Assim, em princípio, cães de bom faro são aqueles dotados de stop (união entre os
ossos nasais e frontais) imperceptível ou bem pouco definido, decorrente de testas baixas e
inclinadas; enquanto que os de stop muito definidos ou marcado, em virtude de possuírem
testa alta e reta, têm menos capacidade para captar os cheiros.

Figura – definição do stop


A natureza do trânsito do fluxo de ar vai também ser determinada pelo calibre de
abertura, pela situação das narinas e, ainda, pela construção e tipo de cana nasal, a qual
deverá ser de forma tal que não contenha nenhum obstáculo que possa impedir o contato de
todo o ar aspirado com a mucosa olfativa.
É evidente que o tamanho da abertura das narinas vai regular o volume de ar que pode
ser aspirado em determinada fração de tempo. Em razão disso, narinas mais amplas permitem
que maior quantidade seja aspirada e as de abertura menor, menos ar.
A posição das narinas vai estabelecer o denominado cone de farejamento, que
corresponde à área de espaço aéreo ocupada pelo ar que será aspirado; ele é determinado por
duas linhas divergentes: uma tangente à última porção da cana nasal (isto é, a cartilagem do
vômer) e a outra uma linha perpendicular à face anterior do nariz, mais propriamente ao
centro das narinas, e que se dirige daí ao solo, (ver figura).

Figura - Cone de farejamento

Traços psicológicos

O perfil psicológico está associado a escolha da raça e dentro da raça a perfis de


comportamento e capacidade de aprendizagem.
Pode-se ter a equivocada ideia de que os cães são todos equivalentes, no entanto ao
longo de milhares de anos os cães foram sendo adaptados pelos humanos para atenderem as
suas necessidades, com isso comportamentos indesejados foram isolados e comportamentos
desejados foram separados e fortalecidos, de forma que derivaram nas diversas raças
modernas (BRADSHAW 2010).
Dentre as diversas raças trabalhadas e modificadas pelo homem para tantos fins,
inexiste ainda uma raça melhorada e construída para atividades de busca de pessoas, as raças
que utilizamos e que mais se adaptam a essa atividade foram aquelas criadas para caça. Na
escolha da raça alguns fatores precisam ser levados em conta, o perfil do condutor, o local
onde esse cão irá viver e o tipo de trabalho que irá desempenhar, dentre outros, a raça a ser
utilizada depende mais do perfil do condutor do que o cão em si mesmo, no entanto alguns
aspectos podem ajudar nessa escolha:
a) Reação com estranhos: Ao se colocar o filhote entre um grupo de pessoas
estranhas, o mesmo deverá permanecer tranquilo e mostrando interesse pelas pessoas. O cão
não pode mostrar atitudes de timidez, de agressão ou de medo, esses traços podem ser
detectados ainda na mais tenra idade.
b) Reação com brincadeiras: É fundamental para o treinamento de busca que o cão
goste de brincar. Uma maneira de se verificar o seu instinto lúdico é prender o filhote por
uma guia de dois ou três metros e mostrar vários brinquedos a sua frente e observar a sua
reação. O cão ideal se interessa por todos os brinquedos e tenta morder a todos, cães que não
se interessam por brinquedos e brincadeiras tendem a não produzir bons resultados no
processo de condicionamento, uma vez que a base do treinamento repousa nesses conceitos.
c) Latidos: Nas operações de busca, o ideal é que o cão aponte a posição de uma
vítima através do latido. Filhotes que reclamam seu brinquedo latindo desde cedo, tem mais
facilidade no processo de adestramento, em geral alguns filhotes já demonstram esse
potencial a partir da 3a semana de vida.
d) Relação com o condutor e com humanos: Boas relações com humanos é um ponto
fundamental no processo de condicionamento, espera-se que o binônio e o condutor tenham
uma boa sintonia, possam formar uma equipe onde um seja dependente e confiante no outro,
bem como o desejável é que cães de busca e resgate gostem muito de interagir com humanos
sem qualquer restrição.
e) Observação do comportamento: Esse é sem dúvida a mais importante de todos os
itens elencados. A partir da 8a semana é possível identificar comportamentos e aspectos
psicológicos desejáveis no filhote. ë fundamental que essa observação não seja apenas uma
ocasião, ela precisa se em diversas ocasiões e em situações diversas.

DESENVOLVIMENTO DE INSTINTOS NATURAIS (IMPRINTING)

Uma fase importante para o condicionamento que se estende da 2ª semana ao 3º mês


de vida, essa é uma fase fundamental para a formação psicológico do futuro cão de busca em
desastres.
O filhote tem necessidade de uma infância tranquila, uma convivência estável na
matilha e uma transição segura para a nova matilha, nessa fase, se constrói uma boa base
psicológica para o futuro cão de resgate. Em seu livro Cãosenso, John Bradshaw (2010)
afirma que os cães não nascem amigáveis com os seres humanos, essa é uma relação que
precisa ser construída. Nos primeiros dias de vida os animais desenvolvem um fenômeno
conhecido como estampagem filial, pelo qual os animais novos aprendem as características
dos seus pais e no caso dos cães inclui-se o conhecimento da sua matilha.
A partir da 3a semana de vida, os cães deixam de ficar sonolentos e começam a
interagir, no período conhecido como janela de oportunidade que perdura da 3a a 11a
semana de vida, os filhotes tendem a aceitar com mais facilidade as pessoas e experiências
que lhes são apresentadas. Estudos mostram que cães que não tiveram contato com humanos
até essa fase tendem a ficar mais resistentes a aproximação (BRADSHAW 2010). O autor
relata que a incomum capacidade dos cães para a múltipla socialização é o mecanismo pelo
qual podemos nos inserir no meio social dos mesmos e nos colocar como substitutos de sua
matilha natural em um papel que na natureza seria desempenhado pelos seus pais e a matilha
que o cerca. É nessa fase que os cães aprendem sobre a identidade geral da sua espécie e
sobre a identidade específica dos indivíduos que o rodeiam.
Pela estampagem, o filhote irá categorizar ações e pessoas como amigáveis e
desempenhará um forte papel ao orientar as preferências do mesmo, irá categorizar no o que
evitar ou do que se aproximar, seja de experiências agradáveis ou indesejáveis.
Nessa fase irá destacar os sentidos essenciais que orientarão a sua vida, pois
instintivamente irá registrar como fundamental a sua sobrevivência.
Após a escolha dos padrões físicos, comportamentos desejáveis precisam ser
acentuados, tais como acentuar os instintos de caça e o desejo de brincar, a brincadeira é o
centro do universo do resgate, as experiências vividas nessa época tendem a não ser
esquecidas pelos cães.
Não se deve inserir qualquer punição nessa fase, alguns traumas podem nunca ser
superados, fator importante também é fazer com que o filhote, após a imunização, possa ter
contato com muitas pessoas e muitos locais. Cães de busca e resgate precisam gostar muito
de seres humanos, indistintamente, adultos ou crianças, homens ou mulheres. Muitos erros
que se observa em treinadores é o de colocar seus cães em uma redoma, deixando os mesmos
intocados, fazendo com que esses cães interajam somente com a matilha, privando-lhes esse
desejo de interagir com as pessoas.
Alguns comportamentos como medo, segurança, prazer em brincar com o ser humano,
podem ser sedimentados ou excluídos nessa fase. O mais importante, é nessa fase que o
filhote torna-se compulsivo pela brincadeira. A vida do filhote se resume em alimentar-se e
descobrir o mundo, então, apresentar um mundo de brincadeiras e o despertar da curiosidade
é o grande objetivo de todos os trabalhos desenvolvidos nesse momento.
O trabalho de condicionamento e aprendizado para um cão de que vai operar em ações
de busca, precisa iniciar o mais cedo possível, no mesmo tempo que o cão começa a
aprender.
Até determinado momento da sua vida, um cão de busca é igual a qualquer outro, ele
late, corre, faz suas necessidades, se estiver solto na natureza ele viverá com sua matilha e
usará seus instintos para sobreviver.
Em todo o processo de aprendizado o cão jamais deixará de ser cão, não fará nada que
não pertença a sua espécie, dessa forma o processo de condicionamento e aprendizado vai
reforçar ou extinguir algum comportamento que pertence ao instinto natural do cão.
De forma particular, o potencial do cão para caçar usando o seu incrível potencial
olfativo é o que interessa aos bombeiros, esse incrível potencial pode ser revertido,
potencializado e adaptado para a localização de pessoas ou objetos em determinadas
circunstâncias.
Nas primeiras semanas de vida o cão não vai aprender, mas pode ter seus sentidos
estimulados, uma série de exercícios simples despertarão no cãozinho a sua vocação para o
trabalho de faro e busca de pessoas.
Uma maneira interessante para se descobrir os interesses e as capacidades de um filhote
é simplesmente lhe dando uma porção de objetos que despertem seu interesse em interagir.
Balançar um fio com um paninho ou um brinquedo na frente do focinho, despertando
seu desejo de seguir e caçar, esconder brinquedos e guloseimas, são ações simples que
despertam a curiosidade e faz com que o futuro cão de resgate se adapte mais facilmente ao
trabalho e aos treinamentos.

Figura – Trabalho de presa


Os cães gostam de novidade, de explorar novos brinquedos, tudo o que for novo traz a
necessidade de atenção imediata, jovens cães de trabalho precisam vencer o tédio e manter-se
ativos e motivados, nessa fase também o filhote precisa de muitos brinquedos e espaços para
que possa enterra-los, enfiar o focinho, mastigar, sacudir, perseguir e destruir, também
estimular o mesmo a ir vencendo alguns obstáculos propositadamente colocado em seu
caminho.

Desenvolvimento de estímulos naturais

Como afirmado anteriormente, os cães de busca, resgate e salvamento não precisam,


em tese, aprender muitas coisas novas já que as principais ações que farão estão associadas ao
seu instinto. O que precisa ser reforçado é o condicionamento, ou seja, quando e em que
circunstâncias o cão deverá atuar, mediante a necessidade do seu condutor. Estímulo e
resposta é a base da ciência Behaviorista, a ciência do comportamento. Os cães são produto
do processo de aprendizagem pelo qual passaram desde a infância até a fase adulta.
Nessa fase também é introduzida a toca, a caixa de transporte do cão, é nela que ele
descansará, se sentirá seguro e confiante, por isso a toca deve ter os brinquedos do cão, panos
com cheiro da mãe durante o afastamento e do cinotécnico.
Nas operações de busca quando estiver cansado ele se sentirá seguro e confiante para
descansar, nas viagens da mesma forma.
A escolha de uma caixa adequada e confortável, segura para o cão é importante e desde
pequeno o mesmo deve ser estimulado a viver na mesma.
Figura 09 – Caixa de transporte

AUTO-FIGURAÇÃO
Essa fase que se inicia 3º mês de vida e se estende até o 7º/8º mês.
O condutor deverá ser o primeiro figurante do filhote. Inicialmente é preciso destacar
que, nessa fase ocorre um dos maiores traumas para a vida do filhote que é a separação da
matilha. Essa transição pode/deve ser aproveitada pelo condutor, dando ao cão segurança e
estando presente nos momentos mais difíceis do filhote.
Não se deve confundir segurança com dependência. O cão e o condutor irão formar um
time, um binômio, irão trabalhar juntos numa relação estável.
O condutor será o responsável pelo ensino das coisas mais importantes da vida de
trabalho do cão, nessa fase é latir pela brincadeira, a capacidade de aprender e o desejo de
brincar.
O condutor se torna o substituto da matilha, a pessoa mais importante da vida do
filhote. Por isso, o filhote deverá aprender tudo aquilo que aprenderia na matilha e depois
disso o condutor poderá tratar dos medos e traumas do cão, durante toda a sua vida.
As primeiras buscas que o cãozinho fará devem ser feitas buscando o seu condutor,
isso prossegue mesmo nas fases seguintes quando o treinamento exigir algo traumatizante ou
o cão se mostrar inseguro em avançar o condutor poderá ocupar o lugar do figurante, isso
dará um estímulo maior para o cão.
É importante que o cão e seu condutor tenha contato com muitas pessoas, na presença
do seu condutor ele pode ser tocado por outras pessoas, pode brincar e ser levado a locais de
grande acúmulo de pessoas.
O condutor moldará o filhote, fará com ele as primeiras buscas, fugirá das vistas com
cão e fará que a brincadeira seja a maior aspiração da vida do cão, pois ele tem que amar seu
condutor e se isso ocorrer ele fará por ele coisas que não faria por qualquer outra pessoa.

FIGURAÇÃO

Essa fase inicia no 7º/8º mês e dura até no máximo o 10º mês de vida do cão.
O figurante é um forjador, é um formador do caráter de um cão. Assim praticamente
estamos falando de um estudioso do comportamento animal, um portador de alegria, que fará
com que o cão deseje brincar mais do que qualquer outra atividade em sua vida.
Nos braços do figurante e na sua habilidade um cão transformar-se-á em uma máquina
onde colocará todos os seus sentidos e habilidades há disposição de uma equipe de busca e
fará disso a sua vida, e em seu potencial estará à esperança de pessoas que se encontrem em
situações de risco.
Um verdadeiro figurante deve saber favorecer o instinto do animal, potencializando e
fazendo crescer a possessividade do cão pela brincadeira, que será seu trabalho, e ao mesmo
tempo conhecer a forma de equilibrar tanto a conduta como o instinto mencionado.

UNIVERSALIZAÇÃO DOS ESPAÇOS

Essa fase inicia do 6º/7º mês em diante e deve perpetuar-se durante todo o treinamento
do cão e visa apresentar ao cão o máximo possível de locais, situações e problemas para que
aprenda a lidar com os mesmos e superá-los.
O cão é territorialista e tende a restringir-se em seus domínios, por isso é fundamental
que o cão se sinta seguro em qualquer lugar, qualquer hora e em situações diferentes.
No treinamento do cão deve-se evitar, ao máximo, rotinas pré-estabelecidas. Um
canídeo que vive livre irá resolver todos os problemas que surgirem para sobreviver, irá
buscar mais longe quando for preciso, irá superar seus concorrentes e predadores.
Analogicamente o mesmo deve ocorrer com as atividades de busca, o cão não atuará em um
mesmo cenário, na mesma hora, exceto nas atividades desportivas, por isso a variação de
horários, climas, locais e problemas farão com o que cão tenha mais chances de reagir melhor
frente aos problemas que tenha sido previamente apresentado.

UNIVERSALIZAÇÃO DO FIGURANTE

Essa fase inicia do 8º ao 10º mês em diante e deve perpetuar-se durante todo o
treinamento do cão.
Nessa fase o cão já está maduro e passa a desvincular-se “da pessoa” para o ser
humano.
A brincadeira e o prêmio passam a ser o objetivo principal do mesmo, não importa
quem seja a pessoa, ele precisa saber que no final sempre terá brincadeira.
Recomenda-se que as primeiras sessões se deem em um método que exponham vários
figurantes simultaneamente, um dos métodos mais eficientes e utilizados é o método da
Estrela K-SAR, (CORTES, 2002) pois isso dará mais segurança ao filhote.

FORMAÇÃO ESPECIALIZADA

Os cães tem sido aplicados nas seguintes atividades principalmente:


a) busca em área rurais;
b) busca em estruturas colapsadas;
c) busca em avalanches;
d) busca em deslizamentos;
e) busca de corpos submergidos;
f) busca de restos mortais;
g) indicativos em perícias;
h) salvamento aquático.
Os cães podem atuar em uma ou mais dessas áreas, cada uma delas no entanto exige
treinamento especifico adaptado e adequando ao ambiente e as características de cada
ocorrência.
O fundamental de uma busca com cães é sempre igual, uma pessoa que está fora da
vista do mesmo, que precisa ser localizada através do olfato, isso é básico para todas as
atividades e todas partem de um núcleo comum, as diferenças entre cada uma delas, repousa
na forma como as partículas de odor se comportam em cada um desses ambientes.

REFORÇO, OBEDIÊNCIA E CORREÇÃO

Cães que praticam de forma regular exercícios de obediência e controle desenvolvem


coragem, confiança para superar obstáculos e o perfeito controle do condutor sobre o cão no
cenário do desastre. Espera-se que o cão supere todos os obstáculos que lhe serão
apresentados e com isso diminuirá o risco de deixar uma vítima para trás.
O cão precisa ser conduzido da forma como a operação será comandada, ir na direção
designada, buscar em 3 níveis, em andares superiores ou subsolos, no alto e em locais que até
possam vir a apresentar riscos, e, é nas sessões de obediência que o cão adquire a capacidade
de atuar dessa forma.
As sessões de obediência devem ocorrer em todo o tempo, precisam ser agradáveis e
alegres para o cão. Quando aprende com alegria, em treinos que lhes tragam prazer, o cão ira
desempenhar essas ações da mesma forma nos trabalhos reais.
A prática de obediência é um assunto polemizado entre os adestradores de cães de todo
mundo, existem críticos severos e defensores dessa atividade em todos os cantos.
Via de regra os críticos dos exercícios de obediência, também são críticos dos modelos
de certificações que focam com rigor na obediência, principalmente quando esses
regulamentos estão associados a regulamentos de competições.
A resposta para se as sessões de obediência fazem bem ou mal para o condicionamento
do cão, está diretamente associada ao modelo de treinamento que se aplica, tudo aquilo que o
cão faz com prazer e que tenha mesmo que a mais tênue ligação com experiências reais fará
bem ao cão. Sessões cansativas, que tragam estresse ao cão, mesmo que o faça melhorar seu
desempenho no exercício que esta sendo executado, será prejudicial ao cão.
Assim, nessas sessões deverá ser trabalhado o cão com altura, solos instáveis, materiais
desagradáveis, escadas, pranchas, túneis, rampas, enfim, quanto mais obstáculos forem
apresentados antes de uma ocorrência real, maiores serão as chances de sucesso do cão em
situações reais, sem deixar de ficar atento sempre ao prazer para o cão.
Uma boa opção é fazer as sessões de obediência em intervalos curtos, com muita
frequência, associadas a momentos prazerosos para o cão.

CERTIFICAÇÃO

A certificação é um ponto crucial e fundamental no processo de condicionamento. É


uma prova na qual o cão é submetido para provar que está apto a ser empregado em
operações reais.
Há segmentos contrários a certificação, no entanto essa é uma tendência inevitável, nos
principais organismos do mundo essa é a única forma de entrada de um cão para o serviço
operativo.
A certificação oferece vantagens principalmente para quem gestiona uma operação. A
chegada de um cão certificado é a garantia de que esse cão faz o que propõe-se a fazer, em
uma analogia é o certificado universitário do cão
Há vários tipos de certificação, a grande maioria é muito semelhante entre si, existe um
regulamento que deve ser seguido e um juiz avalia o despenho dos cães, normalmente essa
prova é dividida em vários níveis que medem desde a aptidão do cão até a sua operatividade.
Normalmente os cães precisam ser submetidos anualmente a uma prova para avaliar a sua
capacidade de ser empenhado em ocorrências reais.
Ao falar sobre a importância da certificação de cães para a atividade de busca, PIVA
(2010) faz uma correlação com a área comercial, que diante da necessidade de aumentar a
qualidade dos produtos e tornar-se competitivo no mercado internacional, desde a década de
90 se começou a criar normas e sistemas de gestão de qualidade. Estabelecidos os padrões
para os principais produtos, se precisaram constituir os mecanismos para a mensuração de
conformidade destes padrões. A forma de avaliação mais comumente empregada desde então
é a certificação que se caracteriza pela existência de uma terceira parte independente entre o
produtor e o consumidor que funciona como avalista do produto diante do mercado.
Para a certificação dos cães, que serão utilizados em trabalhos reais de busca de
pessoas, se deve buscar uma organização que assegure a garantia da qualidade e também o
respaldo internacional que homologue a certificação efetuada neste domínio.
A autoridade que coordena e regula as ações de intervenção humanitária no mundo é a
Organização das Nações Unidas (ONU). Desde o seu surgimento é o órgão que estabelece
padrões de credenciamento das organizações para participar do atendimento aos desastres, ou
seja, a credibilidade internacional para fornecer um serviço nesta área passa pela garantia de
seguir o que é instituído nas guias da ONU.
A maioria dos organismos (internacionais) possuem certificação própria, alguns no
entanto submetem cães que não pertencem aos seus quadros à certificação, é o caso da IRO
(organização internacional de cães de resgate) o primeiro organismo internacional a
promover provas no Brasil.
Muitos grupos optam por certificações externas ao invés de criar certificações próprias
para dar mais reconhecimento a prova. Uma certificação própria para obter reconhecimento
depende de dois fatores, da qualidade e currículo dos juízes e da qualidade do regulamento e
das provas.
Um regulamento válido precisa necessariamente ser baseado nos protocolos
internacionais da Organização das Nações Unidas, muito embora esses protocolos não
mencionem a certificação, dizem o que se espera de um cão em condições operativas.
Atualmente os dois regulamentos mais seguidos sobre os quais se baseiam a maioria dos
demais é o da IRO e da FEMA (Agencia federal americana de gerenciamento de
emergência). A prova dos dois organismos são semelhantes entre si, são montados situações
que simulem um desastre, um número de vitimas são sepultadas conforme o nível técnico do
cão, geralmente de 2 a 5 pessoas, e os cães precisam localizá-las em um determinado tempo,
normalmente 20 minutos. Após essa etapa tem provas que medem a capacidade de obediência
e coragem do cão.
Um grande avanço no Brasil, foi a criação do Grupo de Trabalho criado pela Portaria
nº 22, de 28 de fevereiro de 2014, da Secretaria Nacional de Segurança Pública para propor
uma regulamentação do emprego e capacitação dos cães de salvamento nas atividades dos
Corpos de Bombeiros Militares em todo o território Nacional, e apresenta uma proposta de
“Regulamento Brasileiro de Certificação Cães de Salvamento” e Portarias Normativas,
processo esse ainda em andamento.

MANUTENÇÃO E RECERTIFICAÇÃO

Um cão não é uma máquina, não funcionará para todo o sempre conforme a
programação original, sofre as interferências do tempo, da sua formação psicológicas e das
suas experiências pessoais, tendendo a repetir aquelas lhe foram prazerosas e reprimir aquelas
que foram frustrantes.
Diante disso, é fundamental que o processo seja reforçado e reavaliado constantemente,
não raro será necessário retroceder algumas fases ou reforçar outros aspectos.
A manutenção é uma formação continuada, é fundamental nesse processo e dura toda a
vida útil do cão. Essa etapa deverá ser motivada por um processo de variação de espaços, de
horários, de figurantes, enfim, quanto mais experiências diferentes e complexas o cão tiver
em seu processo de manutenção/formação, maior será a chance dele vivenciar em
treinamento algo que se deparará durante uma busca real.
O cão não faz nada que não tenha sido preparado previamente, por isso que os
treinamentos devem possibilitar a antecipação das situações reais e correções de possíveis
problemas, reforço de falhas ou ajustes no condicionamento.
EXPECTATIVA DE DESEMPENHO DOS FILHOTES EM TREINAMENTO
CONFORME A SUA IDADE
Idade Comportamento Observação Exercícios indicados
esperado
ESTAMPAGEM E DESENVOLVIMENTO DE ESTÍMULOS NATURAIS

A partir de 07 Consiga encontrar as 4 ou 5 sessões Colocar obstáculos de papel ou


dias mamas da mãe usando diárias outro material olfativamente inerte
(prosseguir apenas o olfato entre a mãe e o filhote.
durante toda a
fase de
amamentação)
A partir de 21 Que responda a estímulo Alternar o Estímulo odorífico (cravo,
dias odorífico no nervo odor nas lavanda, anis, benzol e xilol)
olfatório (cravo, lavanda, sessões
anis, benzol e xilol)
21 dias Que responda a estímulo Alternar o Estímulo odorífico (canfora,
no nervo trigêmeo odor nas eucalipto, éter, essências e
(canfora, eucalipto, éter, sessões clorofórmio)
essências e clorofórmio)
4ª semana Início da
janela da
oportunidade
4ª semana Que se aproxime Cuidados com Apresentar o maior número
voluntariamente dos a imunização possível de pessoas ao filhote
seres humanos deixar que o mesmo se aproxime
voluntariamente
4ª semana Que deixe
voluntariamente o ninho
e explore os arredores
sem medo
4ª para 5ª Que comece a interagir Brinquedos
semana com brinquedos macios,
cheirosos e
leves
5ª semana Que desperte interesse Colocar pequenas amostras de
por variações odoríficas cravo, lavanda, anis, benzol, xilol,
nos brinquedos canfora, eucalipto, éter, essências
e clorofórmio.
5ª semana Que aceitem brinquedos
e materiais colocados no
ninho e os transformem
em brincadeiras
5ª semana Que se aproxime
naturalmente dos
humanos e interajam
espontaneamente
5ª semana Que sigam os seres
humanos quando
estimulados em busca da
brincadeira
5ª semana Que deem Decisivo para Filhotes veem, filhotes fazem
prosseguimento a o aprendizado
brincadeiras ou ações
iniciadas por humanos
ou cães mais velhos
6ª semana Que desperte interesse
por sons nos brinquedos
6ª semana Que desperte interesse
brinquedos em
movimento
6a semana Que consiga localizar
petiscos e ração nos
brinquedos e em
pequenos esconderijos.
6a semana Que despertem interesse
por móbiles suspensos
ou por brinquedos em
movimento
7ª semana Que emitam grunhidos e
latidos por comida ou
por atenção
7ª semana Que resolva problemas O filhote deverá ser capaz de
semi-complexos, que vencer obstáculos físicos, localizar
pegue petisco no alto, o caminho de volta para o ninho
que consiga desvencilhar quando deslocado, Colocar
os petiscos de petiscos em labirinto, alto, semi
brinquedos, enterrado e dentro de brinquedos
inteligentes
7ª semana Que reaja a voz humana.
Seja capaz localizar o
local da origem.
8ª semana Que não demostre medo
de altura e pisos estáveis
8ª semana Que consiga localizar a
comida localizar o
alimento totalmente
escondido
8ª semana Que persiga
possessivamente
brinquedos em
movimento e sonoros
8ª semana Que não demostre medo
com lugares estranhos
8ª a 10ª Que lata
semana espontaneamente pelo
petisco, brinquedo ou
pela brincadeira.
8ª a 10ª Que se sinta seguro e
semana feliz longe da mãe e da
matilha
8ª a 9ª semana Que siga Colocar os petiscos escondidos,
espontaneamente o gesto chamar a atenção do filhote e
de apontar o dedo apontar
9ª a 11ª Que desenvolva vínculos Estando com outras pessoas,
semana fortes com o condutor responde ao chamado do condutor,
chora ao separar-se etc.
INICIO A FASE DA AUTO-FIGURAÇÃO
12ª semana Deverá seguir o
condutor, mesmo quando
o mesmo estiver fora da
vista
12ª semana Deverá seguir o condutor
em brincadeiras sem se
desmotivar por 3 a 5
minutos
12ª semana Deverá seguir o condutor a) Recomenda-se labirintos;
em brincadeiras e b) Caixas de papelão com
resolver problemas brinquedos para serem rasqueadas
complexos e abertas;
c) Escadas;
d) Rampas;
e) Buscar em diversos
ambientes.
f) Áreas com capim;
g) Transposição de pequenos
cursos de agua.
12ª a 15ª Deverá ser capaz de Nessa fase o condutor ainda não
semana localizar o condutor em usa o “poste” (auxiliar que segura
pequenas pistas de 10 a o filhote) apenas foge do mesmo
15 metros após uma indo para um pequeno esconderijo
despedida e latir ao
encontrar
12ª Semana Deverá ser capaz de
transitar por locais
estranhos e brincar,
vencer desafios dos
lugares estranhos
14ª Semana Deverá ser capaz de
vencer obstáculos
complexos (valetas,
monte de entulhos etc)
para localizar seguir o
condutor.
15ª Semana Deverá ser capaz de
iniciar o trabalho de
“poste” onde um auxiliar
passivo segura o filhote
enquanto o condutor se
esconde
18ª semana Deverá ser capaz de Comandos
obedecer alguns frustrantes
comandos fundamentais como fica não
de obediências, como devem ser
aqui, senta e junto colocados
nessa fase
20ª semana Deverá ser capaz de Chorar não
localizar o condutor significa
solucionando problemas resolver
como buscar acessos problemas
20ª semana Deverá ser capaz de Caixa aberta
localizar o condutor em ou semi aberta
pistas urbanas ou rurais
com mais de 20 metros
20ª semana Deverá ser capaz de
fazer ações mais
complexas no gesto de
apontar, como subir em
bancos, mesas e direções
mais longas
20ª semana Deverá ser capaz de
responder ao comando
NÂO
24º Semana VIDE QUADRO ABAIXO – UNIVERSALIZAÇÃO DOS ESPAÇOS
25ª semana Deverá ser capaz de
perceber a presença do
condutor em pistas sem a
visão (caixas fechadas)
28ª semana Deverá ser capaz de
manter-se focado em
buscas sem visão em
buscas complexas
(fechadas) ou rurais com
mais de 100 metros
28ª semana Deverá ser capaz de
fazer pelo menos 5
buscas sequenciais do
condutor
28ª semana Deverá ser capaz de
indicar o condutor sem a
visão estando o mesmo
em uma altura superior a
2 metros
28ª semana Deverá ser capaz de
indicar o condutor sem a
visão estando o mesmo
em uma profundida
superior a 2 metros
FASE DA UNIVERSALIZAÇÃO DOS ESPAÇOS
24º Semana O filhote deverá ser Treinar no
em diante capaz de interagir sem máximo
grandes distrações nos possível de
mais diversos ambientes espaços e
onde irá atuar, situações
executando as ações possíveis
previstas para a idade em
questão
FASE DE FIGURAÇÃO
7º mês Deverá ser capaz de
interagir com um
figurante, com o mesmo
desempenho das
autofigurações
7,5º mês Deverá ser capaz de
buscar e indicar o
figurante em caixa semi-
fechada
8º mês Deverá ser capaz de
buscar e indicar o
figurante em caixa
fechada
VIDE QUADRO ABAIXO – REFORÇO, OBEDIÊNCIA E CORREÇÃO
8,5º mês Deverá ser capaz de
buscar e indicar o
figurante em uma busca
rural estando o figurante
em uma distância
superior a 50 m
9º mês VIDE QUADRO ABAIXO – UNIVERSALIZAÇÃO DO FIGURANTE
9º mês Deverá ser capaz de
buscar e indicar o
figurante, sem qualquer
contato visual.
9,5º mês Deverá ser capaz de
buscar e indicar o
figurante (com
despedida), em uma área
rural com área de até
50.000 m2
10º mês Deverá ser capaz de
buscar e indicar o
figurante (com
despedida) , estando ele
a 2 metros de altura ou a
2 metros de
profundidade sem
contato visual.

UNIVERSALIZAÇÃO DO FIGURANTE
9º mês Deverá ser capaz de
interagir com diversos
figurantes na Estrela K-
SAR
9,5º mês Deverá ser capaz de Após a estrela, o ideal para o
realizar uma busca com treinamento e fortalecimento dos
caixas múltiplas ensinamentos é que os
treinamentos ocorram pelo menos
em dias intercalados.
10º mês Deverá ser capaz de
realizar uma busca com
distratores
10,5º mês Deverá ser capaz de
realizar uma busca com
um figurante
completamente
desconhecido (com
despedida)
11º mês Deverá ser capaz de
realizar uma busca rural
com 2 figurantes
intercalados (zigue-
zague) com estímulos.
11,5º mês Deverá ser capaz de
realizar uma busca com
2 ou mais figurantes
(com despedidas suaves)
12º mês Deverá ser capaz de OBS:
realizar uma busca sem O ideal, não é colocar logo de
despedida com pelo início todos os figurantes no local
menos 2 vítimas. de treinamento no início dos
mesmos.
Coloque o 1º figurante a 40/50
metros, direcione o cão.
Após o cão localizar o 1º
Figurante, redirecione ele para a 2ª
vítima que deve estar novamente a
40/50 metros.
O número de figurantes dependerá
da motivação do cão, mas não
deverá ser inferior a 3.
O prêmio maior sempre no final.
REFORÇO, OBEDIÊNCIA E CORREÇÃO
8º mês Deverá ser capaz de
executar comandos sem
frustrações, como senta,
deita e aqui.
10º mês Deverá ser capaz de
executar comandos de
direcionamento, como
mesas, pranchas etc
13º mês Deverá ser capaz de
executar comandos com
frustrações, como fica.
VIDE QUADRO ABAIXO – FORMAÇÃO ESPECIALIZADA
Idade O se espera que o cão Observação Exercícios indicados
execute

13º mês Deverá ser capaz e Essa fase exige treinamento


executar todos os diários.
exercícios da pista de O ideal não é executar a pista toda
obediência e destreza de uma vez, mas sim cada
separadamente exercício individualmente.
5 ou 6 repetições por exercício.
14º mês Deverá ser capaz e
executar todos os
exercícios da pista de
obediência e destreza na
sequência (sem
perfeição)
15º mês Aceita correções sem
frustrações
16º mês Deverá ser capaz e Essa fase exige treinamento
executar todos os da diários.
pista de obediência e 2 ou 3 execuções completas da
destreza na sequência pista, além de repetir os exercícios
(com perfeição) mais dificultosos com 5 ou 6
repetições por exercício.

FORMAÇÃO ESPECIALIZADA

13º mês Poderá treinar rural e


urbano na sequência
13º mês Deverá ser capaz de Comece sempre deslocando o cão
localizar a fonte de odor nas primeiras buscas na direção do
de uma vítima em área figurante.
rural em uma distância As primeiras buscas, nas
de pelo menos 50 metros primeiras semanas, sempre com
em área desconhecida. direcionamento orientado para a
posição da vítima, isso fará com
que o cão confie na sua indicação.
Após algumas semanas o cão
deverá iniciar o processo de
varredura de área.

13º mês Poderá iniciar o trabalho


de restos mortais,
devendo ser capaz de
diferenciar o cheiro guia
14º mês Deverá ser capaz de OBS. O ideal é que os figurantes,
fazer treinos com mais sempre estejam a pelo menos 50
de 5 vítimas em área metros de distância do cão.
urbana ou rural (com
motivação)
15º mês Deverá ser capaz de
fazer treinos com mais
de 5 vítimas em área
urbana ou rural sem
premiação em todas as
buscas.
15º mês Deverá ser capaz de OBS. O ideal é que os figurantes,
fazer uma pista rural ou sempre estejam a pelo menos 50
urbano sem vítimas metros de distância do cão.
mantendo-se motivado O condutor deverá “sentir o cão”
mantendo o mesmo trabalhando
enquanto motivado, por isso a
colocação de vítimas após o cão
achar a anterior é mais eficaz.
16º mês Deverá ser capaz de
localizar a fonte de odor
de restos mortais com 50
gr em uma área de 100
m2 com estímulo.
17º mês Deverá ser capaz de:
- Localizar até 3 vítimas
em área rural com até
50.000 m2;
17º mês Deverá ser capaz de:
- Localizar até 3 vítimas
em área urbana até 1500
m2
17º mês Deverá ser capaz de:
- localizar a fonte de
odor de restos mortais
com 50 gr em uma área
de 400 m2
CERTIFICAÇÃO
18º mês Deverá ser capaz de ser
aprovado em uma prova
de avaliação e
certificação
CAPÍTULO III
ETOLOGIA CANINA E APRENDIZAGEM CANINA

O termo Etologia e sua área de conhecimento é relativamente novo, fundada por


Konrad Lorenz e Nikolas Timbergen por volta dos anos 1930, mas foi em 1973, quando junto
com Karl Von Frish, que suas descobertas e pressupostos para explicar o comportamento
animal se destacaram, quando inclusive receberam o prêmio Nobel de Medicina por seus
estudos.
Antes de mencionar a importância da Etologia para explicar o comportamento dos
cães, torna-se importante enfatizar os pressupostos teóricos e metodológicos que caracterizam
essa ciência.
Um primeiro princípio é a concepção de que, a exemplo dos órgãos e outras estruturas
corporais, o comportamento é produto e instrumento do processo de evolução através de
seleção natural. Isso implica em dizer que o comportamento tem função adaptativa (afeta o
sucesso reprodutivo) e possui algum grau de determinação genética. Isto quer dizer que o
comportamento é produto da evolução filogenética.
A partir desse pressuposto, os cientistas se deparam com as quatro perguntas
fundamentais em relação ao comportamento:
1. Qual é a função do comportamento, (do ponto de vista adaptativo);
2. Qual é a causa que motiva esse comportamento (fatores causais próximos);
3. Como o comportamento se desenvolve ao longo da vida do indivíduo (ontogênese);
4. Como se desenvolveu no decorrer a história evolucionária (filogênese).
Essas perguntas irão orientar o trabalho dos estudiosos dessa área.
Além da contribuição teórica, a Etologia também propiciou grandes avanços no
estudo do comportamento através de contribuições metodológicas. A ênfase na observação e
na descrição detalhada do comportamento, em situação o mais natural possível, foi
fundamental para a compreensão do comportamento de forma mais holística (NISHIDA
2007).

Comunicação

Os cães se comunicam de muitas formas, não vocalizando como os humanos, mas


como animais sociais, procuraram ao longo do tempo desenvolver formas de comunicação
que fossem capazes de serem interpretadas por outros cães, por exemplo: lamber, o gesto
canino mais próximo ao que no universo humano se equivale ao beijo. Revela também um
gesto de confiança e aceitação e também agradecimento, cães somente lambem quem cofiam,
cutucar com o focinho, Trata-se de uma tentativa de obter atenção.
A cauda tem uma linguagem própria. Os cães utilizam as caudas para enfatizarem os
sinais expressos pelas posturas facial e corporal, ou vocal.
A colocação da cauda em posição erguida está normalmente associado com
dominância e em posição baixa com submissão.
Abanar a cauda não significa só afabilidade. Uma cauda que se encontra alta,
combinada com um ligeiro movimento, indica dominância. Um pequeno movimento com a
cauda baixa pode ser uma preparação para ataque. Os cachorros e os cães jovens podem
menear as suas caudas entre as patas para mostrar submissão incondicional. Este movimento
provavelmente dissemina o seu odor despertando os sentimentos paternais dos adultos,
apaziguando-os. Durante o ataque, os cães dominantes colocam a cauda ligeiramente abaixo
da horizontal.
NOÇÕES DE PSICOLOGIA DA APRENDIZAGEM CANINA

Muitas pessoas tem uma ideia maniqueísta e simplista dos cães, no entanto conceitos
importantes estão vinculados ao mecanismo de aprendizagem em animais, especialmente os
de cognição e consciência.
A busca de pessoas na mata, escombros, na neve ou lama, ou ainda de restos mortais de
seres humanos, não é atividade natural do cão, elas precisam ser aprendidas pelos mesmos.
Não se pode falar em processo de ensino dos cães, sem entender como os mesmos irão
aprender.
A aprendizagem é a modificação do comportamento baseado na experiência; processo
em que o individuo se ajusta, discretamente, ao ambiente resultando em mudanças funcionais
(não genéticas), essa capacidade de ajustes depende inteiramente da integridade funcional do
sistema nervoso, é contínua mas é mais intensa durante a fase de desenvolvimento (NISHIDA
2007).
Compreender o processo cognitivo é a base do processo de aprendizagem.
De forma simplificada, cognição se refere aos processos mentais, como a percepção,
memória, aprendizagem, expectativa, entre outros. Esses processos evoluíram para ajudar o
animal a lidar com o mundo externo de uma maneira flexível. Já a consciência, está
relacionada com a percepção do animal sobre o seu ambiente interno, ou seja, sobre os
estados que se referem aos seus sentimentos, como de medo e dor. (GOMES, 2008).
A aprendizagem para cães de busca e resgate, significa que o cão será capaz de repetir
um comportamento almejado que ele tenha aprendido anteriormente.
Logo, a aprendizagem é dependente do método de ensino e da memória do cão.
O processo de condicionamento de cães, e seus consequentes formas de aprendizado se
dá 5 formas principais:
a) Condicionamento Clássico ou Pavloviano;
b) Aprendizagem por observação
c) Habituação;
b) Sensibilização:
c) Condicionamento operante.
A aprendizagem através do condicionamento Clássico ou Pavloviano se dá através
da associação de estímulos não condicionados (primário) e condicionados (secundário) é
muito útil para as atividades de obediência e destreza, onde o cão associa um gesto ou um
som a uma atividade que deve ser executada.
A aprendizagem por observação ocorre na maioria das espécies de animais, ela
ocorre quando os indivíduos aprendem imitando outros indivíduos do grupo.
Tais processos de aprendizagem ocorrem comumente entre os primatas e também em
filhotes jovens de cães que possuem convivência com cães mais velhos (NISHIDA 2007) um
exemplo comum dessa aprendizagem são os filhote de chimpanzé que aprendem a quebrar as
nozes, golpeando-as com a pedra como a sua mãe.
A observação é a forma mais influente no aprendizado dos filhotes.
Filhotes veem, filhotes fazem, basta observar filhotes interagindo por alguns
minutos para que possa perceber a força desse processo, os cães são capazes de
interpretar o comportamento de outros cães como uma demonstração de como alcançar
seus objetivos (HOROWITZ, 2010), em um grupo de cães se um pegar um graveto para
brincar, imediatamente será seguido por outros, se começar a latir por algum motivo, todos os
cães próximos irão se motivar a latir também.
Não se pode ignorar a força da observação para a formação de cães de resgate, desde
cedo filhotes devem ser motivados a ver seus pares mais velhos em treinamento.
A habituação é o tipo mais simples de aprendizagem que pode ser associado a aspectos
cognitivos, e que via de regra está em todas as espécies do reino animal.
Habituação é um resultado de ações que surgem em resposta a apresentações repetidas
de um mesmo estímulo, a Habituação e pode ocorrer de duas formas diferentes.
O aprendizado por habituação ocorre segundo Gomes (2008) quando por exemplo a
primeira vez que um cavalo ouve o vento movimentar folhas de uma árvore. Isso pode
resultar em comportamento de fuga, mas, caso isso ocorra com frequência suficiente e
nenhum outro evento for relacionado, o cavalo irá parar de responder ao estímulo, isto
significa que, se um determinado estímulo não é seguido por um evento significativo (no caso
acima, por exemplo, poderia ser um predador entre as folhagens), o animal deixa de reagir a
esse estímulo.
Outra forma de ocorrência de habituação é caracterizada pela diminuição da resposta
que ocorre quando um estímulo é seguido de prazer para o animal, ou quando um recurso é
constantemente presente. Pode-se exemplificar a habituação com o hábito de alimentar o um
cão agitando-se o pote de comida. O cão irá esperar agitar-se quando ouvir o barulho do pote
de comida, mesmo que não seja alimentado posteriormente essa experiência é semelhante aos
experimentos feitos por Pavlov (BOCK 1992).
Outra forma de aprendizagem é a sensibilização, que ocorre quando uma resposta a um
estímulo repetido aumenta. Por exemplo, um predador que atacou anteriormente, ao ser visto
pela segunda vez, receberá uma resposta mais enérgica da presa que tenderá a dificultar a sua
ação, pois o fato de um estímulo ser repetido significa maior perigo do que uma única
ocorrência, de modo que a sensibilização apresenta vantagem do ponto de vista evolutivo. A
sensibilização faz com que o animal reaja a qualquer novo estímulo como se fosse uma
previsão de uma nova ocorrência de um evento (GOMÊS, 2008).
A capacidade dos animais aprenderem e de forma particular os cães, está diretamente
associada a inteligência dos mesmos. O fato é que sabemos muito pouco sobre a inteligência
e os sentimentos dos cães, e esse pouco ainda é equivocado e excessivamente
antropomorfizado, pois tratamos os cães como pseudo-humanos. A inteligência canina é
própria dos mesmos, evoluída de acordo com o ambiente e as necessidades dos canídeos, mas
sabemos que os cães possuem capacidade de aprender, mesmo coisas que não pertençam de
forma direta ao mundo dos seus instintos.
Os cães de busca, resgate e salvamento não precisam, em tese, aprender muitas coisas
novas, as principais ações que farão já estão associadas ao seu instinto, como farejar e
localizar a sua caça. A principal ação a ser feita é condicioná-lo a fazer isso, quando e nas
circunstâncias que são necessárias, não do ponto de vista do cão, mas da necessidade do
condutor. O cão irá caçar quando estiver com fome, no entanto irá trabalhar em uma busca
motivado pelo princípio do condicionamento operante de Skinner e dos princípios
Behaviorista.
Estímulo e resposta são a base dessa ciência, as unidades básicas da descrição e o ponto
de partida para uma ciência do comportamento. Os cães e associativamente os homens, são
estudados como produto do processo de aprendizagem pelo qual passa desde a infância, ou
seja, como produto das associações estabelecida durante sua vida entre estímulos (do meio) e
respostas (manifestações comportamentais) (BOCK 1992).
O Behaviorismo de Skinner, conhecido como Análise Experimental do
Comportamento, tem influenciado muitos profissionais seja da área da psicologia ou
adestramento. Skinner faleceu em 1990 e realizava suas pesquisas na universidade americana
de Harvard, essas influências atingem os seres humanos nos processos de educação e
psicológico, porém, são a base integral do condicionamento de cães.
A base da corrente skinneriana está na formulação do condicionamento operante. Para
desenvolvermos este conceito, o comportamento reflexo é um comportamento involuntário
(reflexo) e inclui as respostas que são eliciadas ("produzidas") por modificações especiais de
estímulos do ambiente. Esses estímulos se dão na condição de reforços, por exemplo, um cão
que será condicionado para buscar pessoas na mata, toda vez que ele encontrar a suposta
vítima será recompensado de alguma forma, seja com petisco, brincadeira ou qualquer outra
ação que faça com que o mesmo tenha a necessidade de repetir essa ação.
O condicionamento operante descoberto por Skinner, permite nos dias atuais uma série
de aplicações do aprendizado humano e fornece a base integral para o condicionamento dos
cães. Essa descoberta ocorreu após estudos na “caixa de Skinner”, um experimento que
consistia na colocação de um rato privado de alimento e uma série de aparatos dentro da
mesma.
Naturalmente, o rato acabava fazendo várias ações aleatórias e quando ele se
aproximava de uma base perto da parede, Skinner introduzia uma gota d’água na caixa
através de um mecanismo e o rato a bebia, quanto mais o rato se aproximava da barra, mais
água era oferecida, até saciá-lo. Quando o rato encostava o nariz na barra tinha suas
necessidades atendidas e assim como consequência o rato acabava pressionando a barra
dezenas de vezes até saciar completamente sua sede. O comportamento do rato que era
seguido de um estímulo reforçador (a água) aumentava de frequência, enquanto outros eram
diminuídos (FIGURA 05)
Com este princípio Skinner passou a modelar diferentes padrões comportamentais em
diferentes espécies.
Figura 10 - Caixa de Skinner

Fonte:http://www.comportamento.net

Nesse modelo de aprendizagem associativa, (GOMES 2008) o animal associa um


estímulo a uma ocorrência. No condicionamento clássico a associação é entre dois eventos,
enquanto no condicionamento operante ocorre a associação entre um comportamento e as
suas consequências.
Há duas alternativas possíveis para o modo como a associação pode ocorrer. A primeira
é aquela na qual o estímulo condicionado evoca a representação do estímulo não
condicionado e esta, por sua vez, induz à resposta.
Os animais são capazes de variar o seu comportamento de uma maneira muito flexível
e até mesmo executar uma resposta adaptativa em uma situação que nunca encontrou antes,
por associação. É muito provável que o condicionamento clássico ajude o animal a decidir,
por exemplo, quais estímulos são considerados relevantes. O comportamento de um animal
pode ocorrer por uma tendência em se comportar perante um dado estímulo do ambiente, tal
como fariam outros animais, mas também pela repetição ou imitação do comportamento de
outros indivíduos, processo conhecido como facilitação social. Estes mecanismos asseguram
a sincronização entre o comportamento dos indivíduos em um grupo social. O animal que
observa outro animal tem, muitas vezes, uma forte predisposição para repetir o que é
observado. Isso é importante na transmissão de comportamentos que assegurem a escolha dos
alimentos corretos e a evitar situações de risco (GOMES 2008).

MOTIVAÇÃO E APRENDIZADO

Da mesma forma que humanos, os cães tendem a desejar repetir aquelas ações que lhes
trouxeram prazer e não repetir aquelas que lhes trouxeram frustração, por isso, usando os
princípios do Behaviorismo, o processo de condicionamento dos cães busca reforçar aquelas
ações que são desejáveis no cão, e, que são importantes para o trabalho de busca.
O cão não entenderá por si só que existe uma pessoa perdida em meio a mata ou os
escombros e que precisa de socorro. Alguma coisa, ou ação motivará o mesmo a fazer aquilo
que desejamos, e quando o mesmo fizer será recompensado por isso, essa é a base para o
aprendizado canino.
Ao contrário do que muitos acreditam, o aprendizado de algumas tarefas pelo cão é
muito mais dependente de fatores emocionais e motivacionais de que de habilidades naturais
do mesmo.
Nesse aspecto, é preciso considerar alguns fatores que influenciam na aprendizagem:
- Humor certo;
- Capacidade de aprender;
- Reforço ou punição.
O humor certo diz respeito a preparação do cão para as sessões de aprendizado. O cão
não é uma máquina, é um ser vivo provido de sentimentos, dores e sensações e como tal
poderá ocorrer que em determinadas ocasiões não esteja bem para aprender, seja por estar
com dores, cansaço ou outra emoção qualquer que interfira na sua capacidade de aprender, o
condutor precisa sempre estar atendo a isso.
A motivação para que o cão aprenda deve ser apropriada, os reforços podem se dar de
duas formas, positivos, ou negativos.
Os reforços positivos podem ser coisas que são agradáveis para o cão, como alimentos,
toque, carinho, comida ou brincadeira. O reforço positivo é aquele que, quando apresentado,
atua para fortalecer o comportamento que o precede.
O reforço negativo é aquele que fortalece a resposta que o remove. Já os reforços
negativos são ações desagradáveis ao cão, como causar-lhe dor ou a privação de algo que vai
levar o cão a não querer reproduzir esta ação.
O uso de punição ou recompensa é muito mais importante para o cão do que para o
homem, pois não podemos discutir o problema da aprendizagem com o cão. Também é
preciso lembrar que diferentes dos humanos, o cão não sente arrependimento nem se comove
sentimentalmente, sua percepção é como uma pedra que grava aquilo que é esculpido na
mesma.
A punição é menos eficaz, pois causa respostas mais lentas e menor aprendizado
(maior confusão). É mais eficaz usar recompensas (reforço positivo) e negação de
recompensas (não-reforço), Punição geralmente causa no indivíduo um reforço na
vontade de não ser apanhado (evitar ser punido), quando o que deveria acontecer é a
supressão do comportamento indesejável.

Nesse aspecto é fundamental destacar que os reforços precisam conduzir o cão para 3
formas de percepção da aprendizagem:
a) Motivação natural
b) Motivação induzida
c) Forçamento
Aquilo que o cão aprende naturalmente tende a se fixar mais forte.
É condicionamento porque é aprendizagem, é reforçamento porque um comportamento
é emitido e aumentado em sua frequência por obter um efeito desejado. O reforçamento
positivo oferece alguma coisa ao organismo; o negativo permite a retirada de algo
indesejável.
O tempo entre o comportamento e o reforço deve ser o mais breve possível, pois
quando há um lastro de tempo muito grande entre ambos o cão perde a conexão entre os dois
eventos e a efetividade das ações, esse tempo é variável e depende muito da atenção do cão,
poderá ser de poucos segundos a vários minutos, experimentos realizados e que fazem parte
desse trabalho mostram que após 10 minutos o cão pode fazer conexão entre os dois atos,
mas o ideal é que o reforço seja dado o mais breve possível, ainda nos primeiros segundos,
quando a memória do mesmo está cheia e possui uma relação direta com a ação.

TIPOS DE REFORÇOS

Nos processos de condicionamento, os reforços podem se dar de 3 formas:


a) Reforço contínuo; b) Reforço intermitente; c) Reforço temporal.
O reforço contínuo aquele que realizado imediatamente após o cão realizar o ato
motivador e toda vez que ele fizer o ato.
A aplicação de reforço de formas intermitentes visa a aplicação de reforço de forma
aleatória ao longo das sessões de treinamento.
Estudos mostram que a efetividade dos reforços são muito mais eficazes quando estes
são praticados intermitentemente do que quando contínuos. Esse esquema intermitente pode
ser fixo ou variável por meio de proporções ou intervalos.
Através de proporção a recompensa se daria a cada número específico de ocorrências,
por exemplo, um cão que está aprendendo a sentar, só é recompensado após a terceira ou
quinta execução.
Esse número não pode ser determinado aleatoriamente, depende muito da personalidade
de cada cão e da sua capacidade de manter-se motivado.
O esquema de premiação por tempo ocorre quando um cão é recompensado após ter
passado um período específico de tempo entre a última ocorrência. Por exemplo, um cão que
ainda está aprendendo a sentar e que recebe o reforço a cada 2 minutos independente de
quantas vezes tenha executado a ação nesse intervalo.
A vantagem do uso desse método repousa no fato de que o reforço intermitente produz
cães mais seguros e não faz com que a ausência de um reforço contínuo em determinada ação
se torne um reforço negativo.
O reforço temporal visa premiar sessões de treinamentos, operações, ou outras ações
longas. Alguns comportamentos ou ações não são apenas momentâneos, uma ação longa
também pode ser considerada pelo cão como algo que lhe dá prazer ou não, uma viagem, uma
sessão de treinamento, uma ida ao veterinário, etc.
Ao se fazer uma correlação com os animais em meio selvagem, imagina-se, por
exemplo, que o reforço de uma matilha que sai para caçar, ocorre muitas vezes ao dia. Depois
quando finalmente localizam a presa, perseguem e obtém a caça.
Dessa forma, mesmo que um cão tenha tido muitas sessões positivas e tenha recebido o
seu reforçador, se ao final do treinamento ele for para o confinamento, por exemplo, aos
poucos o cão se condicionará que as sessões de treinamento não são uma atitude desagradável
ao seu final.
MEMÓRIA E APRENDIZADO CANINO

Durante os últimos dois séculos o estudo da aprendizagem e da memória tem sido


fundamental para três disciplinas: filosofia, psicologia e biologia. A Investigação biológica
começou de forma mais objetiva durante a última parte do século 20, com os avanços
tecnológicos que afetaram a humanidade, tornaram possível ir além da descrição de
explorações de mecanismo empírico e dedutivo do funcionamento da memória, e, para esse
processo os cães foram importantes, pois muitos dos experimentos científicos foram
realizados com uso de cães (SQUIRE, 2009). A memória é fundamental para o aprendizado e
esse não existe sem ela.
A memória dos homens e dos animais é o armazenamento e evocação de informação
adquirida através de experiências; a aquisição de memórias denomina-se aprendizado. As
experiências são aqueles pontos intangíveis que chamamos presente (IZQUIERDO, 1989).
A memória é uma característica surpreendente inerente aos seres vivos, nesses últimos
dias mais do que nunca na história, os cientistas estão desvendando os segredos para
melhorar a mesma, seja nos humanos como nos animais domésticos.
A memória é extremamente importante para a educação e aprendizado, pois é através
dela, que fatos absorvidos pela memória curta se transformam em longa, de forma prática, a
memória dos homens e dos animais é o armazenamento e evocação de informação adquirida
através de experiências; a aquisição de memórias denomina-se aprendizado.
As experiências são aqueles pontos intangíveis que chamamos presente. Não há
memória sem aprendizado, nem há aprendizado sem experiências. Aristóteles já disse, 2.000
anos atrás: "Nada há no intelecto que não tenha estado antes nos sentidos" (IZQUIERDO,
1989). Não inventamos memórias. As memórias são fruto do que alguma vez percebemos ou
sentimos.
A memória consiste em um conjunto de procedimentos que permite manipular e
compreender o mundo, levando em conta o contexto atual e as experiências individuais. Estes
procedimentos envolvem mecanismos de codificação, retenção e recuperação.
Não é possível medir memórias de forma direta, somente é possível avaliá-las medindo
o desempenho em testes específicos. Nos animais, esses testes de evocação são expressos
através de mudanças comportamentais; nos seres humanos, a evocação pode também ser
medida através do reconhecimento de pessoas, palavras, lugares ou fatos. É evidente que a
evocação de uma alteração comportamental implica num prévio reconhecimento, e que todo
reconhecimento implica numa alteração comportamental real ou potencial.
O aprendizado e a memória são propriedades básicas do sistema nervoso; não existe
atividade nervosa que não inclua ou não seja afetada de alguma forma pelo aprendizado e
pela memória. Aprendemos a caminhar, pensar, amar, imaginar, criar, fazer atos-motores ou
ideativos simples e complexos, etc.; e a vida tanto dos humanos como animais depende de
que isso tudo seja lembrando. Pavlov e seus seguidores denominaram ao aprendizado e à
memória "atividade nervosa superior" (IZQUIERDO, 1989).
Para os educadores, a memória é a única evidência de que algo ou alguma coisa foi
efetivamente aprendido.
Há, pelo menos, duas classificações da memória, uma quanto à duração de permanência
dos fatos, a outra quanto ao conteúdo.
A memória biológica, de acordo com seu tempo de duração, pode ser dividida em:
memória de trabalho, memória de curta duração e memória de longa duração, as diferenças
essas memórias se dão seguinte forma:
a) Memória de trabalho ou operacional: é aquela que é usada para entender a realidade
que nos cerca e poder efetivamente formar ou evocar outras formas de memória. Por ser
rápida ela não produz arquivos. As informações desaparecem em segundos ou, no máximo,
minutos. A memória de trabalho é o instrumento que os seres vivos possuem para analisar a
realidade (IZQUIERDO 1989).
b) Memória de curta duração: é a memória que dura no máximo seis horas em humanos
e segundos ou minutos nos demais animais, o suficiente para que se possa formar a memória
de longa duração. A memória de curta duração serve apenas para manter a informação
disponível durante o tempo que requer a memória de longa duração para ser construída. Serve
ao propósito de um albergue provisório para a informação que depois poderá ou não ser
armazenada como memória mais estável ou permanente; quanto maior for o potencial de
permanência na memória curta, maior será o potencial de incorporação dessa memória
(IZQUIERDO 1989).
c) Memória de longa duração ou remota: essa memória demora horas para ser
construída e pode durar anos, ou décadas. A maioria de nossas memórias de longo prazo tem
uma carga emocional agregada, pois as memórias são gravadas de melhor forma, e tem-se
uma tendência muito menor a esquecer as memórias de alto conteúdo emocional
(IZQUIERDO 1989).
O processo de aprendizagem utilizado no condicionamento dos cães de resgate é
baseado na teoria Behaviorista, que desenvolve o aprendizado baseado na relação entre
estímulo e recompensa. Para que esse sistema funcione é fundamental que o cão seja capaz de
associar a ação praticada por ele, com a recompensa ou com o estímulo que recebeu, nesse
processo é importante saber com precisão por quanto tempo o cão terá essa memória
associativa, e, como a lembrança dessas ações poderá influenciar em seu processo de
aprendizagem, a estrutura da memória curta é fundamental.
Fundamentado nos conceitos anteriores, percebe-se que o aprendizado dos cães está
associado à capacidade do mesmo em recordar-se de eventos passados.
Ao longo do tempo, muitos experimentos foram feitos visando demonstrar a capacidade
dos cães em memorizar fatos, pois o condicionamento depende das experiências vividas e
como elas foram memorizadas.
Para entender a formação de memórias a partir de experiências, é preciso considerar
quatro aspectos fundamentais:
1) As informações são recebidas constantemente, através dos sentidos; mas não
memorizamos todas. Por exemplo, depois de ver um filme, é possível lembrar algumas cenas;
até, muitas; mas não todas. Depois de ouvir uma aula, lembramos alguns conceitos, frases
inteiras, até, mas não todos os conceitos. Há, portanto, um processo de seleção que regula a
formação de memórias, que determina quais informações serão armazenadas e quais não.
(IZQUIERDO, 1989);
2) As memórias não são gravadas em seu formato definitivo. Existe um processo de
consolidação depois da aquisição pelo qual as memórias passam de um estado lábil a um
estado estável (IZQUIERDO, 1989);
3) As memórias são também muito mais sensíveis à incorporação de informação
adicional nos primeiros minutos ainda quando estão na memória curta, ou horas após a
aquisição. Essa informação pode ser acrescentada, seja pelas repetições ou por substâncias
endógenas liberadas pela própria experiência, bendorfina, adrenalina, (IZQUIERDO, 1989);
4) As memórias não se armazenam em itens isolados, senão em registros ("files") mais
ou menos complexos. Não é possível lembrar de cada letra de cada palavra isoladamente;
senão frases inteiras. Por exemplo, não é possível lembrar de cada cor ou cada odor percebido
no dia anterior como tais, senão como detalhes de "files" ou registros mais ou menos longos
(o conjunto de eventos da hora do almoço; ou da tarde; ou do início da noite).
A formação ou não de uma memória depois de um determinado evento ou experiência,
sua resistência à extinção, à interferência e ao esquecimento, dependem destes quatro fatores:
seleção, consolidação, incorporação de mais informação, formação de registros ou "files",
conforme figura 6. (IZQUIERDO, 1989).

Figura 11 - Funcionamento da memória

Fonte: Adaptado de DIVIDINO (2004)


Os pesquisadores canadenses da Universidade de Moncton no Canadá (FISET 2009),
realizaram dois experimentos onde exploraram a duração da memória dos cães, para recordar
o local onde desapareceu um objeto que foi escondido atrás de uma caixa. O cão foi liberado
para o início da busca com intervalos de retenção que variaram de 10 a 240 segundos, o
percentual de sucesso obtido nesse experimento mostrou que a maioria dos cães foi capaz de
lembrar-se da posição objeto quando não houve distração.
Pesquisadores da Universidade de Western, Ontário (MACPHERSON 2010),
trabalharam com pesquisas que testaram a memória espacial em cães em experimentos com
labirintos, visando demonstrar com esses estudos que a memória influencia na localização de
alimento, água, companheiros, informações sobre predadores e outras que estão dentro de um
habitat e que são essenciais para a sobrevivência e reprodução.
Os labirintos possuíam oito braços onde foram colocados alimentos e os cães poderiam
escolher livremente quais e quando poderiam acessar, com isso aprenderam a entrar em todos
os braços.
Nos experimentos seguintes os cães tenderam a visitar de forma mais frequente os
braços onde haviam sido colocados petiscos no passado.
Um grupo de cientistas da Universidade de Kioto, (FUJITA 2012), desenvolveu uma
pesquisa onde três cães foram testados para recuperar seu traço de memória com o objetivo
de verificar se os cães poderiam resolver um teste inesperado com base em uma única
experiência do passado. Nesse experimento os cães foram levados a caixas abertas, onde
havia comida em seu interior, foi permitido comer em 2 delas (fase de Exposição). Depois os
cães foram levados para um passeio para fora do ambiente por 10 minutos, tempo durante o
qual as caixas foram substituídas por novos idênticos, os cães foram reconduzidos ao
ambiente e desencadeou para a exploração livre (fase de teste).
Parte dos cães entraram nas caixas (11 de 12). No segundo experimento, duas caixas
tinham comida em seu interior, uma tinha um objeto não comestível e a último estava vazio.
Os cães visitaram todos os quatro recipientes e foram autorizados a comer uma das
recompensas com alimento na fase de exposição. Na fase de teste, os cães visitaram pela
primeira vez o recipiente que haviam encontrado alimentos mais e significativamente mais
frequentemente do que os outros sem alimentos, mesmo não tendo mais alimento dessa vez.
Estes resultados demonstram que, num teste inesperado cães podem recuperar itens de
memória incidental formada durante uma única experiência do passado.
Os experimentos anteriores serviram para mostrar a existência de uma memória
operacional nos cães e a capacidade da mesma em influenciar o comportamento.
Falta definir nesses experimentos o tempo de exposição à experiência para que o cão
consiga absorve-la ou por quanto tempo fatos aleatórios permanecerão na memória curta dos
mesmos, e o potencial de incorporação das informações pelo cão.
Alguns autores definem que o espaço de tempo que uma informação permanece na
memória curta dos cães é muito curto, variando entre 10 segundos a poucos minutos. Estudos
recentes revelaram que a memória curta dos cães para a informação auditiva declina
gradualmente após 120 segundos (FISET 2009).
Esses conceitos implicam na forma como o cão irá aprender e consequentemente em
como se deve desenvolver técnicas de aprendizagem para os mesmos, fundamentalmente o
processo de absorção da aprendizagem canina consiste em vencer a barreira do esquecimento,
indo além da memória curta, fazendo com que o comportamento desejado seja incorporado
pelos cães.

EXPERIMENTO COM A MEMÓRIA CURTA DOS CÃES

O processo de aprendizagem é dependente da memória, conforme discutido


anteriormente, o processo gravação de uma informação na memória, depende da forma
como essa informação é tratada durante o seu estágio de memória curta, pois conforme
Izquierdo (1989) as memórias não são gravadas em seu formato definitivo. Existe um
processo de consolidação depois da aquisição pelo qual as memórias passam de um estado
lábil a um estado estável, assim, aqueles fatos que não são interessantes ou que de alguma
forma não são motivados, acabam sendo descartados, já aqueles que por alguma razão
despertam o interesse ou com a repetição se firmam na memória curta.
Informações que passam rápido demais pela memória curta dos cães, não se consolidam
e tendem a não ser passíveis de aprendizagem, por isso o tamanho e a capacidade de uma
informação ser absorvida é fundamental para o processo cognitivo dos cães.
Inexistindo experimentos que atestassem o lastro da capacidade que o cão possui para
associar ações e memorizá-las, foi proposto um experimento para medir o potencial
mnemônico dos cães de resgate, com relação a sua memória curta, ou seja, informações ainda
não absorvidas pelos mesmos.
Os experimentos foram realizados na cidade de Xanxerê, região Oeste do Estado de
Santa Catarina, durante os dias 25 de maio a 10 de junho de 2013.
Participaram deste experimento (Figura 7) 3 cães (1 fêmea e 1 machos) com idades
entre 36 e 96 meses, todos da raça Retriever Labrador. Todos os cães já certificados para
operações de resgate e em plena atividade.
O experimento, baseou-se na técnica desenvolvida por Fiset et Al (2009), que consiste
na exposição de um objeto interessante para o cão e posteriormente, esse objeto
desaparecendo da vista do mesmo.
Foi utilizada salsicha suína, mesmo petisco utilizado nas sessões de treinamentos com
os cães e três anteparos de madeira onde após expostos por 15 segundos os pedaços de
petiscos eram escondidos.
Figura 07- Ambiente experimental com as posições iniciais (A1) do cão; (B1, B2 e B3)
do anteparo de obstrução visual; (C1, C2) do prato com alimento.
Fonte: O autor

O anteparo (B1), cujo objetivo era não permitir que o cão pudesse ter acesso
visualmente ao petisco, consistia de uma placa de compensado com 100 x 100 cm. Como
recompensas, foram usados petiscos de salsicha suína.
Os experimentos foram realizados colocando o cão na posição A1, juntamente com seu
condutor, um auxiliar escolhia aleatoriamente um dos anteparos, chamava a atenção do cão e
depositava um recipiente com um petisco de salsicha e afastava-se, após determinado tempo o
condutor liberava o cão, sem qualquer indicação o cão deslocava-se para o anteparo e poderia
comer o petisco.
Antes de cada sessão cronometrada, os cães fizeram 3 experimentos para que pudessem
aprender o exercício.
Após os experimentos que serviram como treino, os cães foram submetidos a sessões
cronometradas, o auxiliar ao chamar a atenção do cão dava início a contagem do tempo. O
tempo utilizado nos testes de memória dos cães foi progressivamente ampliado, iniciando em
um segundo até atingir o tempo máximo de dez minutos (ver quadro 1). O exercício foi
realizado com cada cão individualmente, totalizado 4 seções de 21 experimentos por animal.
Durante o tempo dos experimentos, os cães não foram submetidos a qualquer tipo de
distração, permanecendo deitados ou sentados ao lado do condutor. Ao atingir o tempo
determinado, um apito informava o condutor que libertava o cão.

Quadro - Tempo utilizado nos teste de memória dos cães


Ordem Tempo de espera em
minutos
01 0,1
02 0,2
03 0,3
04 0,4
05 0,5
06 1
07 1
08 1,5
09 2
10 2.5
11 3
12 2
13 3
14 4
15 5
16 6
17 2
18 4
19 6
20 8
21 10
Fonte; O autor

Das hipóteses possíveis para o experimento, três são as mais aceitáveis:


a) Que o cão não lembrasse do petisco e permanecesse ao lado do condutor;
b) Que o cão se lembrasse do petisco, mas não da posição do mesmo e usasse o
faro para localizá-lo;
c) Que o cão se lembrasse do petisco e da posição do mesmo e fosse de forma
direta em direção ao anteparo que esconde o petisco.
Um erro possível e que poderia desqualificar o experimento se daria se o cão tivesse a
capacidade de, a partir do ponto inicial (A1), identificar a posição do petisco usando o olfato,
para eliminar esse erro, foram realizados experimentos incidentais para medir essa
capacidade.
Com a mesma composição do experimento, foi colocado petisco atrás do anteparo,
porém com a visão do cão tapada. Os resultados obtidos mostraram que os cães eram
incapazes de precisar exatamente onde se encontrava o petisco.
Nenhum dos cães nesse experimento foi de forma direta até o petisco, embora pudesse
sentir a presença do mesmo, em todos os experimentos os cães buscaram pelo petisco, seja
vasculhando os anteparos, ou seguindo o cone de odor em um padrão de busca por varredura.

Figura - Padrão de busca por varredura

Fonte: O Autor

Eliminado a possibilidade de indução ao erro, foram realizadas 4 sessões com 21


experimentos em cada uma, realizados em dias diferentes. Em todos os experimentos os cães
se lembraram da posição do petisco, indo de forma direta para o mesmo.
A conclusão é que cães motivados e concentrados podem, mesmo após 10 minutos,
lembrar-se com clareza de ações e fazer associação entre dois fatos, o que demonstra o
potencial de memória curta avançado o que facilita a consolidação das memórias para um
estado estável.
A memória pode influenciar o comportamento dos cães (FUJITA 2012), os cães podem
resolver problemas com base em lembranças de experiências anteriores (MACPHERSON
2010), e através do experimento foi possível demonstrar que a memória curta dos cães tem
um potencial mais elevado para lembrar-se de fatos do passado do que a crença dominante,
no entanto, nesse experimento bem como, nas experiências realizadas por Fiset (2009), Fujita
(2012) e Macpherson (2010) os cães foram motivados e atraídos para o experimento.
Algumas mudanças instrumentais poderão ser introduzidas nos processos de ensino e
condicionamento dos cães de uma forma geral e de forma particular para os cães de resgate e
salvamento, de acordo com Fiset (2009) a conexão entre a informação e o descarte poderia
ocorrer em até 10 segundos, logo, é de ampla aplicação nos processos de condicionamento o
uso dos reforços positivos com intervalos inferiores a 10 segundos, embora essa aplicação
garanta uma conexão entre a informação e o reforço, as mesmas podem ser trabalhadas de
forma mais complexas e com mais detalhes, transferindo o aprendizado da habituação para o
condicionamento operante, que traz resultados mais eficientes na absorção dessa informação
na memória pelo cão.

APRENDIZADO E TREINAMENTO

Muito foi dito anteriormente que o processo de condicionamento deve sempre ser
conduzido sem antromorfismos e da visão dos cães, pois bem, as sessões de treinamento
também devem se dar da mesma forma, analisando e processando a capacidade de
aprendizado dos cães.
Antes de traçar o projeto de treinamento é preciso observar e aprender sobre o cão que
será empregado, cada cão tem o seu tempo, o seu talento e sua forma especial de interagir
com o mundo e as pessoas.

Brinquedos e recompensas

O processo de condicionamento se dá por estímulos e recompensas. essas


recompensas podem ser carinho, brincadeiras, brinquedos ou comida, mas é importante
sempre mudar ou envolver várias formas de recompensas em uma mesma sessão, pois os cães
podem detectar, por exemplo, que o figurante não está com petiscos e perder o interesse.
É fundamental sempre mudar os brinquedos, brinquedos babados podem ter odor mais
forte do que o do figurante, não precisa necessariamente ser brinquedos sofisticados, panos
simples, pedaços de toalhas e mesmo pequenos pedaços de madeira podem servir.
A mudança constante de brinquedos também evita que um cão se torne compulsivo
por um brinquedo em especial, o ideal é que se tornem compulsivo pela brincadeira.
As melhores recompensas, mais atrativas devem ser usadas nas primeiras sessões de
um exercício novo, se o cão for guloso, petiscos, salsichas ou se gostar de brincadeiras, usar
brincadeiras longas e brinquedos mais sofisticados, experiências positivas criam o desejo de
serem repetidas.

As sessões de treinamento

Diferente do homem o cão não consegue manter a sua atenção durante muito tempo
na mesma coisa, observe longamente o filhote brincando com um brinquedo novo, ou em
uma brincadeira com outros cães, observe por quanto tempo consegue se manter motivado no
brinquedo ou na ação que está fazendo, talvez 5 ou 6 minutos, logo após abandona o
brinquedo.
O cão precisa de muitas sessões do mesmo exercício mas não muito longas, quanto
mais curtas mais eficientes se torna o aprendizado. Mesmo em buscas reais não é
aconselhável manter o cão buscando mais que 20 ou 30 minutos.
O fato do cão executar um exercício com perfeição uma vez não significa que ele já
tenha aprendido e memorizado na sua memória de longa duração ou absorvido esse
comportamento e que poderá se retirar do treinamento, em algumas ocasiões foi apenas sorte.
O tempo de treinamento e numero de repetições dedicados a um exercício, depende muito da
complexidade do mesmo e da capacidade de aprendizado do cão, embora sem uma
comprovação científica, muitos cinotécnicos tem obtido relativo sucesso nos seus
treinamentos fazendo um esquema de treinamento 3 x 3 x 3, ou seja, 3 ciclos com 3
repetições do mesmo exercício, 3 vezes ao dia.
Evite ao máximo ritualismos. Me lembro estupefato a primeira vez que assisti a um
vídeo de um goldem dançando Grease com a sua adestradora, onde o cão sincronizava
perfeitamente com os gestos e dança da mesma, uma perfeita aula de Condicionamento
Clássico ou Pavloviano, no entanto esse tipo de associação, a gestos, clicker, ou qualquer
outro mecanismo ritualístico não faz bem aos cães de busca e resgate.
Os rituais podem ser imperceptíveis, a forma de sair do canil, as mesmas vestes do
condutor, o mesmo horário, as mesmas pessoas, o cheiro dos mesmos brinquedos ou mesmo
local de treinos, isso tudo fará que o cão associe as sessões de treino e trabalho. Cães de
busca trabalharão em situações diferentes, não há rotina nas atividades de busca, ele precisa
resolver problemas sozinhos, descobrir como chegar a espaços onde o condutor não pode ir
com o mesmo, um cão de busca precisa ter idéias próprias sobre onde ir e o que farejar.
CRIAÇÃO CANINA

Sempre que vejo um cão fechado em um canil com grades de ferro, pergunto ao
responsável, que crime cometeu esse cão para estar preso? Sim, porque dentre todos os seres
deste planeta, nenhum gosta e precisa mais de liberdade, de correr, de movimentos, cavar e
de sentir os odores do mundo, além de satisfazer suas imensas curiosidades do que os cães.
Priva-los disso é absolutamente contra a natureza canina e não contribui em nada para a
eficiência de cães de trabalho.
A maneira e o local como os animais vivem, reflete de forma direta na maneira como se
comportam, como aprendem, como reagem com outros cães e com novas situações.
Daniel M. Weary e David Fraser, citados por Jensen (2002) relatam que todos os
indivíduos podem atingir benefícios ao interagirem entre si, por exemplo os pardais que
descobrem uma fonte rica de alimento emitem "chamadas de comida" que atraem os
companheiros do bando.Os cães são seres sociais, naturalmente são estruturados em matilhas
com claras funções e uma hierarquia bem definida.
convivência social é fundamental para os cães, mais acentuada para os filhotes, a
cognição do aprendizado dos cães envolve fatores diversos como as relações sociais, a
linguagem, a percepção, a memória, o raciocínio, dentre outros e fazem parte do
desenvolvimento natural do cão. Filhotes são imitadores exímios, basta observar os cães por
algum tempo, se um aparece com um graveto na boca, logo o outro busca um semelhante, se
um cão resolver cavar um buraco, logo outros se juntarão e cavarão um buraco maior, um cão
começa a latir e logo outros o seguirão, esse fenômeno denominado aumento de estímulo
(HOROWITZ, 2010) mostra que os cães, filhotes principalmente, tem uma capacidade de
aprender observando os cães adultos.
O cão está naturalmente preparado para aprender a caçar com seus pais, a defender-se e
a defender a matilha com a mesma. O tamanho da matilha e o comportamento da mesma
depende muito da disponibilidade de alimento, por isso cães que vivem em sociedade e livres
desenvolvem melhor algumas potencialidades.
Fatores sociais são mais importantes do que fatores individuais para a formação
psicológica de um cão de resgate, o instinto fundamental para as atividades de busca e
resgate, é o instinto natural de localizar e perseguir a presa que os canídeos possuem.
A capacidade de sobrevivência melhorou e evoluiu ao longo dos anos fazendo que o
cão sobrepujasse a evolução da presa que concorre com o mesmo, esses ensinamentos são
passados para o filhote pelos membros mais velhos da matilha e por seus irmãos e são
treinados com brincadeiras que os fortalecem e educam desde os primeiros dias ainda no
covil e ao longo de toda sua vida.
Bjarne O. Braastad e Morten Bakken citados por Jensen (2002) afirma que os sistemas
sociais complexos dos canídeos dependem de uma comunicação eficaz entre os indivíduos da
matilha para a sua manutenção da mesma.
Este complexo de comunicação é alcançado através de uma combinação de várias
métodos, através do olfato, visão, audição e meios de contato físico. Embora a maioria dos
sinais de comunicação são utilizados para interações membros da mesma espécie, alguns são
mais frequentemente vistos em interação com os seres humanos.
Os lobos caçam em grupo e dentro do mesmo ha uma definição clara de funções, desde
aqueles que vão cansando a presa até aquele que atacará para o golpe mortal, essa relação se
dá através características natas ou conquistadas e aperfeiçoadas dentro da matilha.
Os cães, são seres sociais, por isso o isolamento, tão comumente imposto não é
benéfico aos cães de resgate, a capacidade cognitiva aumenta naquelas indivíduos com uma
boa convivência grupal, porque os cães aprendem e tem o desejo e a necessidade de aprender
com os mais velhos e de forma natural.
O ideal é a criação dos cães juntamente e no seio da família do binômio que irá compor
com ele o binômio de busca em sua residência. A adaptação a essa vida familiar servirá como
aprendizado para o cão, ele aprenderá a ter horários, limites geográficos e de comportamento,
além de ter contato diário e contínuo com seu condutor.
A separação do condutor e a permanência do isolamento do canil efetivamente é fator
de frustração para o cão.
Os cães são seres sociais, evoluem, melhoram, aprendem, tem seus talentos destacados
e revelados no convívio social, os canis com barras de ferros e solários, isolamento e rotina
pré-definida representam para o cães metaforicamente o que as prisões representam para os
humanos. Os cães evoluíram anatomicamente para correrem, saltarem, farejar a longas
distâncias e compor uma complexa relação social, logo, confiná-los além de não contribuir
para a formação dos filhotes é motivo de absoluta frustração para os cães.
DESPORTIVIDADE PARA CÃES DE RESGATE

Diversos organismos promovem campeonatos de "resgate com cães" que consistem em


simulacros realizados em lugares previamente preparado, onde os cães fazem busca e tem seu
desempenho avaliado por regras próprias associadas ao tempo e a maneira como se
comportam na pista de competição.
Analogicamente, pode-se associar as competições de cães de resgate a Fórmula 1,
tradicional competição entre veículos automotores, um esporte de elite, em que são exigidos
um lugar apropriado com condições de segurança, infra-estrutura, roupas apropriadas e as
tecnologias mais avançadas. Muitas das tecnologias aplicadas nos veículos que circulam
pelas ruas foram criados, desenvolvidos e aperfeiçoados nos carros que disputam a Fórmula
1, que faz da mesma um laboratório mundial de pesquisas tecnológicas. Assim, permite ser
considerada um espaço de alta tecnologia em que somente os melhores conseguem adentrar e
fixar-se.
Nessa analogia, em ambas as situações é fundamental um preparo grande, um domínio
profundo das técnicas e a atenção aos detalhes, assim como não vemos uma carro de fórmula
1 pelas ruas da nossa cidade, não significa que um cão de competição será um cão de resgate,
no entanto é inegável a contribuição das pistas para as atividades reais através do
aperfeiçoamento das técnicas e criação de novas tecnologias.
Para os binômios operativos, as competições preenchem uma lacuna, que é o
envolvimento em situações reais, mesmo que simuladas, uma vez que via de regra a relação
entre horas de treino e horas trabalhadas é de 1/100. No entanto, competição e buscas reais
são objetivos diferentes, deveriam possuir em tese, regulamentos diferentes, para certificação
e para competição. Nas competições os detalhes e correção de execução de exercícios pré-
definidos é o mais importante, já nas certificações a capacidade de superação de buscar
soluções sozinhos e vencer a estafa são fundamentais.
O gráfico abaixo mostra o tempo de duração de 10 buscas em operações reais
realizadas pelo Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina em 2013, onde a média de
tempo de aplicação do cão no terreno é de 19,7 horas.

O desempenho de um cão após 24 horas de trabalho, certamente será diferente do que


os primeiros 30 minutos, normalmente o tempo padrão das certificações ou competições.
Resumidamente existem aspectos positivos e negativos nas competições de cães de
resgate de forma positiva impulsiona a evolução da atividade, desenvolvem-se novas
técnicas, os binômios passam mais tempo juntos em treinamento, os jogos preenchem a
lacuna da relação Tempo de treino X Operação real.
Negativamente, os jogos minimizam o universo do cão, as pistas são menores que as
áreas de buscas reais, a competição condiciona o cão a desprender muita energia nos
primeiros minutos da busca, além de limitar e restringir os cenários e problemas.
CAPITULO IV

A UTILIZAÇÃO DOS CÃES POR EQUIPES OPERATIVAS DE BUSCA,


RESGATE E SALVAMENTO DE PESSOAS

USO DE CÃES POR EQUIPES DE BUSCA, SALVAMENTO E RESGATE

Na avaliação da viabilidade, ou da relação custo x benefício dos cães dentro dos


quartéis, 2 grandes equívocos tem sido cometidos, o primeiro repousa na idéia de achar que é
todo quartel que possui a necessidade de cães e outro é o de restringir a utilização de cães a
busca de resgate em escombros.
Notoriamente está é a utilização que deu destaque mundialmente aos cães e o
primórdio de sua utilização, no entanto, esta não a única utilização, e, talvez nem seja a mais
importante.
Os cães podem ser aplicados em diversos segmentos, não que seja um quadro
fechado, mas as necessidades dos diversos grupos que atuam em situações reais fizeram com
que os cães se desenvolvessem nas seguintes atividades:
a) busca em área rurais;
b) busca em estruturas colapsadas;
c) busca em avalanches;
d) busca em deslizamentos;
e) busca de restos mortais;
f) busca sub-aquatica;
g) salvamento aquatico.

O uso de cães para as atividades de busca, resgate e salvamento das pessoas, repousa
na incrível potencialidade para o faro que os caninos possuem, que pode ser até dez mil
vezes mais apurado do que a capacidade olfativa do ser humano, dessa forma quase todas as
atividades em que envolvam aspectos olfativos os cães poderão ser utilizados de certa forma.
(HILL, 2004).
A atividade dos Corpo de Bombeiros ou grupos de resgate pode ser traduzida em uma
luta contra o tempo pela vida, os segundos são sempre preciosos porque a evolução do
sinistro pode representar em morte de alguém ou a destruição total do bem sinistrado. Nessa
luta, todos os meios, equipamentos, talentos ou técnicas são úteis.
BUSCAS EM ÁREAS RURAIS

A busca de pessoas perdidas em matas, montanhas ou campos abertos é sem dúvida a


atividade em que há o maior número de cães empregados no mundo atualmente. Essa
atividade usa as características primitivas do cão em seguir a pista deixada por sua caça. Os
cães tendem a adaptar-se com facilidade ao meio rural porque ainda resta nos mesmos uma
grande herança dos seus ancestrais, de forma que a maioria dos ambientes lhes é muito
familiar, por isso mesmo um grande desafio é fazer com o que cão deixe sua curiosidade de
lado e prenda-se no trabalho.
Existem duas técnicas utilizadas nessas situações: venteio ou rastreio.
Na segunda o cão segue a trilha por onde o desaparecido passou e segue a trilha
deixada pelo mesmo através das alterações do Ph do solo, das células deixadas sobre a
vegetação dentre outros fatores, para que isso seja possível é necessário condicionar o cão a
selecionar um odor especifico e seguir a trilha deixada pelo mesmo, para isso se utiliza
normalmente peças de roupas da vítima. Essa técnica é mais utilizada pelos cães policiais e
de forma secundária nas atividades de Bombeiro, inicialmente porque a violação das áreas e a
contaminação da possível pista com outros odores é comum e segundo porque a grande
dificuldade repousa em encontrar a pista a ser seguida sem a qual a técnica não tem efeito.
As buscas rurais com base na técnica de venteio é a mais comumente utilizada, que
mais se adapta ao funcionamento das equipes humanas de busca. Com ela um cão busca
odores de seres humanos em determinada área, normalmente o cão é condicionado a buscar
50 metros lateralmente a seu condutor, de um lado e de outro e uma vez localizado o cone de
odor deixado pela vítima seguir até a mesma. Algumas experiências feitas pelo Corpo de
Bombeiros de Xanxerê mostraram que em uma área de 8 mil metros quadrados, um cão levou
em média 2,3 minutos para localizar uma vítima, enquanto um ser humano demora em média
20 minutos, a busca orientada pelo condutor, garantirá que não ficará na área espaços vazios
e com isso dificultará que uma possível vítima seja deixada para trás da área de busca.

Figura – Esquema de busca rural praticado por um cão condicionado.

As vantagens de se utilizar cães em busca rural:


I - Os cães são mais eficientes que as equipes humanas, principalmente se a vítima
estiver inconsciente ou em um local de difícil visibilidade, como fossos, poços cânions e etc.
II - Demanda um número menor de efetivo desprendido nas operações;
III - Permite a varredura de uma área maior no menor espaço de tempo;
IV - Pode ser utilizado a noite, quando o risco para as equipes humanas é elevado.
6.1 Conceitos fundamentais
Antes de iniciarmos os processos de condicionamento de cães para a busca de pessoas
em ambiente rural é fundamental entender como funciona o mecanismo de liberação de odor
pelo ser humano e de captação por pelos cães.
a) Processos de liberação e captação de odor
O ser humano perde em torno de 150.000 células mortas por hora, essas partículas vão
se depositando nos objetos, nas árvores, no solo ou são levadas pelo vento, dessa forma um
fator extremamente importante quando se busca uma pessoa perdida em área rural, é a
influência do vento na dispersão do odor.
As partículas de odor formam um cone a partir da vítima e vão se fixando ao longo do
caminho, moldado pela direção que o vento lhe atribui;

O cone de odor é mais concentrado próximo a vítima e espalha-se ao se distanciar da


mesma.
Nas operações de busca rural com cães antes que o cão entre a pista definitiva, alguns
cuidados precisam ser tomados:
- Evitar ao máximo a violação dos espaços;
- Juntar o máximo de informações antes do início das operações
- Concentrar o nas etapas mais difíceis, excluir o óbvio;
- Intercalar busca física e busca canina;
- Observar os acidentes do terreno e a influência do mesmo na dispersão do cone do
odor.
O condutor deverá prestar atenção e interpretar corretamente o trabalho do seu cão
dentro do túnel de odor, um bom cão de trabalho, em tese, ocorrerá em uma das variações do
desenho abaixo:

b) Condicionamento fase a fase


A preparação de um cão para os trabalhos de buscas em áreas rurais segue o padrão de
formação dividida em 11 fases. Excluindo as ações que são comuns a todas as especialidades,
a formação de cães para busca, salvamento e resgate em áreas rurais é construída fase a fase,
conforme esquema descrito abaixo.
c) Condicionamento
Os cães adaptam-se muito bem ao ambiente rural, por isso mesmo, é que o treinamento
para busca rural deve iniciar depois da busca urbana, pois os cães tendem a sentir mais prazer
a correr pela mata do que correr pelos escombros.
O princípio é muito simples, uma pessoa se esconde e o cão precisa indicar a sua
posição usando apenas o seu olfato para localizá-la, nos diversos treinamentos ao longo da
formação do cão é preciso ir compondo as dificuldades que o cão irá encontrar ao longo do
tempo, como rios, diferentes tipos de matas. Resumidamente, com o passar do tempo agrega-
se tempo e dificuldades no treinamento original.
Antes da introdução propriamente dita da busca no meio rural é preciso que o filhote
seja familiarizado com o meio, pois ele precisa trabalhar vencendo as tentações da
curiosidade.
Filhotes precisam estar familiarizados com os diferentes tipos de vegetação através da
qual irão atravessar em missões de buscas. Inicialmente é preciso começar com vegetação
leve e gradualmente para arbustos pesados e matas mais densas.
Deve-se estimular o filhote a dar pequenos saltos, rios, pedras e arbustos mais densos.
Caso o filhote brinca com uma bola ou qualquer brinquedo, este objeto pode ser utilizado
para encorajá-lo a entrar em pequenas pilhas de arbustos.
As fases do condicionamento do cão para introduzi-lo nas buscas em áreas rurais
envolvem os seguintes aspectos:
- Familiarização com os ambientes;
- Aprender a busca sem distração;
- Buscar uma vítima a 20-30 metros em linha reta;
- Buscar lateralmente;
- Buscar com direcionamento 50 metros lateralmente e pelo menos 300 metros em
frente.
d) Condicionado esperado
O que se espera de um cão pronto é que, de forma segura permita que o condutor opere
em uma linha central e o mesmo busque indícios de odores da vítima em uma linha de pelo
menos 100 metros para cada lado da linha do condutor.

d) Pistas de trabalho
O método de treinamento que estamos descrevendo é baseado na técnica de localização
da vítima pelo método de venteio, onde o cão busca as partículas de odor no ar.
Nessas circunstâncias é preciso treinar o cão para que ele siga com precisão o cone de
odor, pois por vezes ele poderá ficar inseguro, pois a distribuição espacial dos odores se dá de
forma desigual e sofre a influência de vários fatores como o vento e a distribuição da
vegetação.
O cão vai agir com mais segurança se puder utilizar mais de um sentido no treinamento.
A partir de 30-40 metros os cães não tem uma visão clara, por isso, a partir desse ponto
eles não vão se tornar dependentes de um único sentido nas atividades de busca.
Após os trabalhos na Estrela K-SAR, quando o cão, já estiver familiarizado com a
existência de um figurante oculto, inicia-se a o trabalho de busca em mata, onde o figurante
faz a despedida, corre de 30 a 40 metros e antes de abaixar mostra-se ativamente para o cão,
ficando calado até que o mesmo o localize e comece a latir, este exercício deve ser feito onde
o mato não seja muito alto, pois o cão deve ver onde o figurante se escondeu, sendo que nas
primeiras praticas deverá cobrado um ou dois latidos, aumentando de acordo com a evolução
do cão, ( número de latidos, a distância e o formato da mata).
f) Ensinando o cão a buscar lateralmente
Um cão de trabalho, tem a necessidade de buscar onde o seu condutor determinar,
precisa ajustar seus instintos a estratégia de busca adotada, sob pena de em grandes áreas
ficar alguma área branca sem ser vasculhada o que poderá comprometer todo o trabalho de
busca.
Um cão bem condicionado dificilmente deixa despercebido um cone de odor a 20 ou 30
metros, por isso é fundamental e importante treinar o cão a buscar em áreas brancas e sempre
lateralmente ao condutor, saindo dessa linha somente quando estiver dentro do cone do odor.
Após os trabalhos na Estrela K-SAR, quando o cão, já estiver familiarizado com a
existência de um figurante oculto e estar sinalizando bem para o figurante em longas
distancias, é hora de dificultar mais o exercício.
Considerando uma área de busca um terreno retangular 200 X 400 metros, imagina-se
uma linha reta bem ao meio, onde por esta caminha o condutor durante a busca, 50 metros
para cada lado.
Nesse exercício serão dois figurantes, um correndo em linha reta e o cão
ziguezagueando entre as vítimas, sendo premiado com mais ênfase no final.
Com o tempo o cão precisa estar condicionado que a única forma possível de se buscar
uma vítima é lateralmente ao comando do condutor.
Evolução do treinamento
Fase Distância Tempo Dificuldade
Inicial 30 metros 2 minutos -
Básico 50 metros 10 minutos 3 vítimas
Médio 200 metros 1 hora 3 vitimas
Elevado 1000 metros 1 hora 5 vítimas
Algumas pessoas defendem que é preciso treinar o cão colocando-o na pista após um
dia ou mais de tempo na pista. Defendemos a teoria da certeza no treinamento. Um cão
compulsivo pelas atividades de busca que se motiva com a localização da vítima irá rebuscar
os menores indícios possíveis para localizá-lo e não se motivará em buscar se não houver
qualquer indicio de ser humano na área.
g) Princípios importantes do treinamento
- É importante treinar em diversos ambientes, com o maior número possível de
distratores, para que a curiosidade não prejudique o trabalho do cão.
- Cães tem dificuldade a transpor trilhas, estradas e riachos. É preciso apresentar esses
cenários antecipadamente ao cão.
- Os treinos precisam ocorrer em horários diferenciados.
- Os cães devem trabalhar sempre no limite das suas potencialidades, se acostumarem-
se a trabalhos fáceis tendem a sentir dificuldades em ações mais complexas. Treinar em
150%.
- Como as operações de busca rural tendem a ser longas e cansativas, é preciso que as
sessões de treinamento também levem o cão a exaustão.
- O cão tende a buscar longe do condutor e longe também da visão mesmo, por isso nos
treinamentos é fundamental, condicionar o cão para latidos em longos períodos sem se afastar
de perto do figurante.

BUSCA URBANA

Nos colapsos estruturais de edificações, apesar de toda a tecnologia já desenvolvida os


cães ainda trazem um benefício significativo. Quando bem treinados, ainda podem apresentar
um desempenho melhor do qualquer equipamento já desenvolvido, porque a maioria dos
equipamentos são baseados na ampliação de gemidos e pequenos sussurros das vítimas
soterradas, enquanto os cães podem localizar a presença do sangue humano entre os
escombros.
Desabamentos de edifícios no Brasil tem sido, freqüente, muitos deles com presença de
vítimas. Nessas ocorrências o desempenho dos cães tem sido mundialmente reconhecido.
Destacam-se os seguintes fatos no Brasil: Praia do Gonzaga (1989) Volta Redonda
(1991) Osasco Plaza Shopping (1996) Edifício Itália (9197) Palace II (1998) Igreja Universal
do Reino de Deus (1998) Edifício Érika (1999) Enseada do Serrambi (1999), Aquarela (19)
Ijui (2001), Hotel Rosário (2002) Areia Branca (2004) Casarão Recife (2005), Edifício dos
Correios em Içara (2005), Edifício Real em Belém (2011) Edifício Liberdade (2012),
Edificio em construção em São Paulo(2013).
As indicações de vítimas em ambientes urbanos não são simples e nem sempre os
cenários são os mesmos, estes mudam dependendo das variáveis que os configuram (tipo e
posição dos escombros, possibilidade de acesso aos mesmos, temperatura ambiental,
presença ou ausência de correntes de vento, etc.).
Pelo que foi descrito anteriormente, pode-se concluir que não basta ao cinotécnico
dominar unicamente os conhecimentos e a prática do adestramento canino específico;
também deve possuir competência técnica e operativa para reconhecer que tipo de condições
irá encontrar e em conseqüência disso possa planificar e executar a melhor forma de
intervenção para localização de pessoas em colapsos estruturais.
Entre os conhecimentos que um cinotécnico especializado em busca urbana deve
possuir, estão conceitos fundamentais de estruturas e Patologia da Construção, que servirão
tanto para observar as condições de segurança estrutural e não estrutural para o ingresso, a
circulação e o trabalho nos escombros, como para visualizar o provável comportamento e as
rotas de saída das partículas de odor que afloram na superfície, pois o odor se comporta
diferente em decorrência desses fatores.

Tipos de busca urbana

O princípio da busca é o mesmo para áreas rurais ou urbanas para todos os cães, o que
difere é o cenário. Nos ambientes urbanos brasileiros, normalmente o que se apresenta são
dois tipos de cenários, escombros estruturais e deslizamentos de terra e lama.
a) Busca em escombros
Os escombros são locais onde houve colapso da estrutura de uma ou mais edificações,
normalmente edificações que acabam caindo sobre o próprio eixo, caracterizado por material
sólido compactado.
A forma de participação das equipes de busca com cães nas operações podem se dar de
3 formas:
- Indicações diretas: Quando as Equipes de busca com cãesa pontam exatamente em
que ponto devem ser penetrados os escombros ou a posição correta da vítima.
- Indicações indiretas: Quando as equipes não chegam até a vítima, mas indicam
acertadamente a direção ou área que serve como orientação para a busca.
- Eliminação de zona: Quando as equipes indicam que não há vítimas na zona de
busca, o que libera recursos para serem usados em outros setores.
8.2 Princípios da busca em escombros
O cão indicará a presença de uma pessoa, de 3 formas, se a ver, se a ouvir ou se sentir o
odor emanado pela mesma, o que é mais comum. Mas para que isso ocorra partículas de odor
precisam chegar até o mesmo. Esse odor precisa vencer a barreira criado pelos destroços e
chegar no meio externo e isso se dá através do túnel de odor, que é o espaço percorrido pelas
partículas de odor no meio dos obstáculos para chegar até a superfície ou um local onde possa
ser detectado.
Figura: Efeito chaminé e túnel de odor.

O efeito de chaminé é outro um fenômeno muito importante nas buscas urbanas,


consiste no “entubamento do odor" até chegar na superfície. Pode-se dar através de condutos
ascendentes mais ou menos regulares, que causam o mesmo efeito que exerce uma chaminé
comum sobre a fumaça e os vapores quentes que evacua.
Estas saídas ascendentes podem ser muros, esquinas, condutos, tubulações e ainda,
espaços que proporcionam uma saída até chegar na superfície mais ou menos livre de
obstáculos. É claro que o efeito se acentua quando a temperatura ambiental aumenta.
Por isso é importante que o condutor saiba reconhecer onde pode haver efeitos de
chaminé nos escombros nos quais o cão trabalha, para que seja capaz de orientar eficazmente
os deslocamentos do animal aproveitando a situação.
Dois fatores interferem no efeito chaminé e consequentemente no trabalho de busca: - -
Ambientais (vento, chuva, horário, temperatura);
- Disposição dos escombros;

Pistas de Treinamento

O cão evolui em seu treinamento absorvendo por completo os ensinamentos que lhe são
passados, esse treinamento precisa evoluir segundo uma lógica e na velocidade de
aprendizado do cão.
Após absorver com clareza de que é preciso latir para obter uma brincadeira, após ter a
consciência de que um figurante pode ser universalizado, ou seja, qualquer ser humano pode
ser uma vítima, o cão deixa de ter contato com a vítima apenas através da visão, passasse a
colocar uma barreira entre o cão e seu figurante.

Caixas de indicação

Uma das técnicas mais aceitas de treinar o cão para os desastres urbanos, consiste no
uso das caixas de indicação. Embora leve o termo genérico caixa, esse artifício precisa ser
construído dos mais diversos materiais.
O objetivo geral das caixas é esconder o figurante da vista do cão e mesmo assim
permitir que o mesmo possa premiar com segurança as indicações perfeitas, a vantagem das
caixas para os esconderijos fixos é que essas podem ser transportadas e quanto aos
esconderijos fixos, com o tempo o cão grava a sua posição e isso não acrescenta nada na
formação do cão. As caixas poderão ser de diversas formas, madeira, cimento, plástico ou
metal.
É extremamente importante que a caixa de indicação seja de diversas formas, de
madeira, metal papel, construída ou improvisada, pois os treinamentos multifacetados é que
farão com que o cão tenha seu potencial ampliado.
A caixa tem um valor extremado no início da formação do cão, no entanto um
treinamento não poderá ser baseado somente na mesma, com o tempo e com a evolução do
cão o mesmo deverá ser apresentado a novos cenários e novos materiais.
O figurante provoca e excita o cão com o brinquedo, depois foge da sua visão
colocando-se dentro de uma caixa, para que o cão possa latir sem ter a visão completa do
figurante.
Nas fases iniciais a caixa deverá permanecer em um local aberto, sendo está o único
obstáculo entre o figurante e o cão, isso permitirá que o cão ganhe confiança e também
permitirá que o condutor avalie os resultados do cão e a evolução do seu treinamento,
conforme o cão vai evoluindo com segurança outros obstáculos podem sere introduzidos e no
final do treinamento deverão ser colocados 3 ou 4 caixas no mesmo cenário e o figurante
deverá revezar a posição da vítima entre as caixas, inicialmente o cão vai procurar usando a
visão, costumeiramente eles rebuscam entre as caixas, com o tempo eles aprendem que o
olfato, lhes fornece uma opção mais segura e mais rápida de apontar a posição da vítima.

Evolução do treinamento
a) Caixa aberta
Inicialmente a caixa deve permanecer aberta para que o cão veja o figurante adentrando
nela e colocando-se imóvel em seu interior.
b) Caixa semi-fechada
Inicialmente o cão poderá confundir-se em latir para uma vítima que não se apresenta
totalmente, vai quere entrar em seu interior, com o tempo essa atitude precisa ser corrigida,
fazendo com que o cão lata sem querer entrar na caixa, para isso o figurante deverá empurrá-
lo. Depois de evoluir nessa fase a caixa deverá ser fechada, permitindo que o cão possa ver
partes pequenas da vítima, nesse momento ainda é uma caixa apenas.
c) Caixa fechada
O terceiro passo é fechar completamente a caixa, fazendo com que o cão anule a visão e
tenham que ter a certeza da posição da vtima através do olfato. A evolução para essa fase se
dá quando cão começar a dar indícios de que está usando mais o olfato do que a visão para
certificar-se da posição da vi[itima. Inicialmente ele tende a entrar na caixa, tentar abrir e
buscar o contato visual com o figurante, com o tempo ele passa a ter a certeza de que o
figurante encontra-se dentro da mesma, espera-se que um bom cão de trabalho ao evoluir em
seu treinamento comece a latir cada vez mais rápido e também cada vez usando menos a
visão, quando chegar nesse estágio a caixa deve ser fechada, porém deve possuir alguns
buracos permitindo a saída do odor do figurante.
d) Caixas múltiplas
A fase final do treinamento em campo aberto consiste em confundir ainda mais o cão,
colocando no mesmo espaço 3 ou 4 caixas. A cada treinamento a posição do figurante dentro
das caixas deve ser trocada.
Naturalmente o cão tende a voltar para a última caixa onde encontrou a vítima, mas
com o tempo e treinamento tende a rebuscar nelas, e com o auxílio do olfato certificar-se da
sua posição.
Esse treinamento introduz o cão nas técnicas da busca, com isso vai se mostrando para
o cão que várias são as posições da vítima.
Nessa fase é possível colocar mais obstáculos, levar o cão para outros locais, começar a
esconder as caixas, lembrando sempre que ainda é uma fase intermediária, sempre com
premiação no final e sempre que o cão mostrar insegurança deverá ser retrocedida uma fase
ou evitar a sua evolução, pois o cão precisa sair dessa fase seguro de que a vítima está “por
aí” e ele pode encontrá-la.

Trabalho nos escombros

Após o cão ter sinalizado bem nas caixas, é hora de introduzir o trabalho de escombros,
lembrando que o primeiro contato do cão com escombro deve ser para socialização.
Um cenário real será uma tentação para os cães, existem muitos odores, muitas
situações novas, por isso o cão precisa estar seguro nessas situações. A introdução aos
escombros precisa ser alegre e fazer com que o cão possa sanar a sua curiosidade e com o
tempo ir substituindo a mesma pelo desejo de trabalhar, antes de iniciar os treinamentos nos
escombros, os cães precisam estar ambientados, o que deve ocorrer desde a mais tenra idade.
O figurante faz a despedida ativamente, e entra na pista de escombro, antes de tomar
posição chama a atenção do cão, lembrando que nas primeiras passadas deve se fácil para
criar confiança do mesmo, dificultando o exercício de acordo com a evolução do cão.
Após o cão estar buscando e sinalizando uma vítima nos escombros, começamos a
dificultar esta busca colocando mais de um figurante, no início dois, depois três e assim por
diante, o ideal é quem um cão possa buscar até 5 vítimas.
No começo os dois figurantes fazem a despedida e saem em direção aos escombros,
aproximadamente depois que eles se afastem dois metros, o condutor tapa a visão do cão para
que o mesmo não veja onde os figurantes se esconderam, ficando o primeiro figurante a
mostra, e o segundo semi escondido. Dificultando de acordo com a evolução do cão, e assim
que sinalizado o figurante apenas entrega o premio, deixando que melhor prêmio seja dado
pelo ultimo figurante a ser localizado. Sempre que possível variando o local de treinamento
para que o cão não memorize o local de treino.

Resultados esperados

Os cães precisam trabalhar em sintonia com as equipes de resgate e na velocidade das


mesmas. O que se espera de uma equipe de busca e de seus cães que quando operativos e
prontos ele possa ter o seguinte desempenho:
a) Buscar por um período de 20 minutos de foram contínua.
b) Fazer indicações seguras em uma área de até 1200 m2, no mesmo período acima.

Embora as equipes de resgate atuem em um nível por mês o ideal é que os cães estejam
habituados a buscar em 3 pavimentos em cada operação de busca.
c) Buscar vítimas em três níveis, na superfície, abaixo da superfície ou acima da
superfície.

Algumas observações importantes durante o treinamento:

- Quanto mais temporã for a introdução do cão no ambiente, melhor será o


desempenho final;
- O cão deve buscar nos três níveis, no solo, no alto e abaixo dele,
- Eliminar o medo do cão.
- O cão precisa sempre trabalhar onde o condutor o guiar, condicione-o ao
direcionamento.
BUSCA EM ÁREAS DESLIZADAS

As contínuas mudanças ambientais do planeta globalizaram também os desastres. O


Brasil, embora, isento de terremotos catastróficos, furacões e avalanches, passa a conviver de
maneira gradual, outro tipo de fenômeno de grande magnitude, o mais mortal de todos os
desastres em território brasileiro que são os deslizamentos.
Os eventos naturais extremos, em novembro de 2008 no estado de Santa Catarina, no
início de 2010 e 2013 no Rio de Janeiro, tornam evidente que, as equipes de primeira resposta
terão muito a aprender em suas formas de intervir nessas situações.
Os deslizamentos, uma forma de movimento gravitacional de massa, movimentam
grande quantidade e variedade de detritos gerados normalmente, pela ação da gravidade em
encostas íngremes e associados na maioria dos casos, a períodos de chuvas intensas.
O desafio das equipes de resgate é localizar a posição das vítimas desses fenômenos
que normalmente encontram-se soterrados. Os cães são extremamente úteis e funcionalmente
eficazes quando a posição das vítimas está fora do alcance visual e da audição dos humanos.
Como o principal sentido a ser utilizado pelos caninos é o olfato e o tempo de utilização
dos mesmos costuma ser pequeno, considerando que nesses locais o odor da vítima que sai
para o ambiente externo costuma ser muito pequeno, antes de lançar o cão na cena do
desastre é preciso algumas medidas preliminares, que visam diminuir a área de busca ao
menor quadrante possível descartando áreas e facilitando a chegada do odor ao meio externo,
assim, depois da analise da situação e do possível descarte das áreas, é preciso fazer pequenas
aberturas no solo para que o cheiro possa sair até o meio externo.
O ideal é que sejam feitos buracos com uma estaca metálica a cada 30 cm pelo menos,
porque é comum a massa fluída fechar novamente o buraco.

Figura - Aberturas de cone de odor antecedendo uma busca canina

Condicionamento fase a fase

A preparação de um cão para os trabalhos de buscas em áreas deslizadas segue o


padrão de formação dividida em 11 fases. Excluindo as ações que são comuns a todas as
especialidades, a formação de cães para busca, salvamento e resgate em áreas deslizadas é
construída fase a fase, conforme esquema descrito para a busca de restos mortais.
É importante motivar o cão a cavar, isso fará com as partículas de odor se concentrem
mais dando uma ênfase maior nas indicações.
Outro ponto importante é que as aberturas sejam feitas poucos minutos antes do cão
seja solto no ambiente, porque os espaços tendem a se fechar rapidamente e dissipar o odor.
Quando a área for muito grande, é importante dividir a área em pequenos quadrantes de
100 m2 para que toda a área seja vasculhada de forma segura.

Durante o
processo busca e
resgate de vitimas
de deslizamentos, um dos cuidados principais das equipes de resgate é não se tornar vítima da
intervenção que está sendo executada.
Diante disso algumas considerações fundamentais devem ser observadas:

A área de intervenção deverá ser a menor possível para não desestabilizar a massa
deslizada, principalmente nos deslizamentos represados e em ângulo de equilíbrio. Como
orientação prática como regra geral a área de intervenção deve ser de 10 X 10 metros.
BUSCA DE RESTOS MORTAIS

A busca de restos mortais está entre as maiores demandas do serviço de bombeiros, em


Santa Catarina representam mais de 50% das atividades realizadas, destaca que incluímos
nesse gráfico as buscas subaquáticas, embora nesse trabalho separamos em dois grupos, face
as particularidades do treinamento.

FONTES DE COMPOSTOS ORGÂNICOS VOLÁTEIS

Os cães respondem satisfatoriamente ao processo de condicionamento para essas


atividades, pois desde o início do processo de decomposição de um corpo até a fase mais
avançada de esqueletização ocorre liberação de odores. Esses odores são originados por uma
série de microorganismos, os quais são os responsáveis pela putrefação dos corpos.
Dependendo da fase de decomposição e do ambiente em que o objeto/corpo é depositado
pode ocorrer variações tanto da quantidade de liberação desses odores quanto da velocidade
do processo de putrefação. Em termos gerais, a decomposição humana é biologicamente
modificada, dependendo da paisagem terrestre. Os fungos e bactérias são responsáveis por
aproximadamente 90% do processo de decomposição (Swift et al.).
O processo ocorre de maneira similar com todos os seres vivos, mas varia no que diz
respeito ao resultado final: o odor propriamente dito.
Compreender a maneira como se formam os gases decorrentes da decomposição dos
corpos é de fundamental importância para aqueles que pretendam conduzir um cão de busca
por restos humanos ou cadáveres. Ao longo dos anos o homem criou ciências procurando
explicar tudo que havia a seu redor, sendo assim, a ciência destinada a estudar o processo
post morten, a transferência de matéria biológica para o meio, chama-se Tafonomia, sendo
ela um ramo da paleontologia. Mesmo assim, até hoje não há instrumentação que pode
encapsular totalmente a verdadeira diversidade e complexidade que existe no transcorrer da
decomposição humana na paisagem terrestre. Outro fator que é exercido como exceção e não
regra, é que a decomposição humana encontra-se ligada a Três importantes Moduladores: 1.
A qualidade do composto, 2. O tipo de cultura, 3. Tipo do ambiente. Cada um desses
moduladores contém um conjunto de fatores que afetam na preservação, destruição, bem
como na taxa de decomposição. (Swift et al.).
As fontes de COVs para treinamento são fundamentais para que o cão se condicione a
buscar esses materiais. várias são as fontes e dependem de recursos e de legislação local.

a) Carne Humana
A carne humana é a fonte de odor mais autêntica. A carne pode ser decomposta
passando por todos os estados de putrefação que os treinadores desejam. Ao chegar ao
estágio desejado ela precisa novamente ser resfriada para não passar desse estágio. Apesar
que alguns estudos recentes mostraram que o congelamento do composto pode matar algumas
bactérias responsáveis pela decomposição, alterando assim sua posterior decomposição. (
Cuypers E -2015).
A obtenção de carne humana é difícil. Alguns estados possuem legislação que proíbe
seu uso para treinamento de cães. Pode ser obtida por meio de um médico legista ou com
autorização judicial.
A decomposição cria subprodutos corrosivos que podem danificar containers metálicos.
Todo carne em decomposição deve ser acondicionada em vidro ou plástico. O treinador deve
usar luvas quando manusear estes materiais. A carne humana pode ser um veículo de
transmissão de muitas infecções por bactérias ou de doenças causadas por vírus. Quando
colocada num ambiente externo para treino o odor poderá atrair animais e insetos que se
alimentam de carniça.
Do início do processo de decomposição de um corpo até a fase mais avançada de
esqueletização ocorre liberação de COVs, dependendo do ambiente, temperatura, quantidade
de tecidos e histórico de alimentação poderá ocorrer a liberação de até cerca de 478
Compostos. (Arpad A. Vass 2009). Esses Compostos são originados por uma série de
microorganismos, os quais são os responsáveis pela decomposição dos corpos. Dependendo
da fase da decomposição e do ambiente em que o objeto/corpo é depositado pode ocorrer
variações tanto da quantidade de liberação desses Compostos, como no tipo deles. ( Cuypers
E -2015).
De maneira geral os tecidos moles são os que primeiro se decompõem após a morte
biológica, restando apenas os ossos. No entanto, mesmo sendo a exceção, algumas vezes
tecidos moles também são preservados. Isso ocorre quando o corpo torna-se mumificado,
sendo resultado ou de utilização de substâncias químicas ou de fatores ambientais. A
temperatura ideal para a decomposição dos tecidos animais encontra-se em torno dos 37ºC.
Em temperaturas mais elevadas o processo é acelerado, e em temperaturas inferiores se
prolongará.
No momento da morte biológica, o COV individual emitido pelo objeto/corpo passa por
uma transformação. Essa mudança não é imediatamente detectável por um humano;
entretanto, ela obviamente afeta a composição do composto detectada por um cão alterando
seu comportamento.
Um fenômeno observado por muitos condutores de cães de venteio e rastreio é que
alguns cães seguirão a trilha, mesmo que já trilhada há muitos dias, mas falharão ao se
aproximar do local onde estiver o corpo falecido. Eles podem registrar a mudança e diferença
no COV e, talvez por medo ou por qualquer outra razão, não se aproximar. Se o condutor
nunca observou este comportamento antes, ele poderá imaginar que o cão perdeu a trilha. Na
realidade, o cão está mostrando aversão ao COV. O cão pode mostrar aversão eriçando os
pelos, circulando determinado local ou outro comportamento que indica que ele não quer se
aproximar daquela área. Através do treinamento esses comportamentos podem ser superados.
Para compreender o tipo de composto orgânico volátil que o cão está captando é
importante aprender sobre os estágios da decomposição. O processo de decomposição
começa imediatamente após ocorrer a morte biológica e progride por cinco estágios após o
corpo estar completamente esqueletizado. Nenhum composto proveniente da decomposição é
exclusivo dos humanos, o congelamento das amostras pode mudar consideravelmente a
decomposição devido a perda de algumas bactérias, influenciando na liberação de certos
odores.
Pequena quantidade de músculos pode fazer com que alguns odores não apareçam,
dieta e quantidade de tecido adiposo também contribuem para a liberação de certos odores de
decomposição, tecido adiposo, fígado, músculos e intestino são o mínimo para quem pensa
em começar um treinamento.

Tabela 1, Estágios da Decomposição e COVs característicos


Estágio Descrição COV¹
Mudança exterior pequena Não detectável por humanos;
Fresco ou inexistente; entretanto está se entretanto animais podem mostrar
decompondo internamente reações ou se aproximar do corpo se este
devido a bactérias presentes nos ainda estiver vivo. Cães podem detectar a
corpos depois da morte. certa distância.
O corpo se dilata devido O composto presente é de
Dilatação aos gases produzidos em seu deterioração. Detectável por cães e
interior. Atividade de insetos homens. Pode ser detectado à distância.
pode ser verificada.
O corpo se rompe e há Grandes compostos de putrefação
Deterioração liberação de gases. A carne detectável à distância por cão e homem.
exposta pode ser enegrecida.
Líquidos produzidos Produção reduzido de compostos.
Liquefação durante o processo de putrefação Pode cheirar a bolor ou rançoso. Animais
são liberados no ambiente. O ainda podem detectar à distância.
corpo começa a secar.
Seco ou Diminui a velocidade de COV bolorento. Detecção à curta
esquelético deterioração. Os restos de carne distância.
podem sofrer mumificação.
¹A distância de detecção varia com a direção do vento, clima e terreno. Se a
aproximação for contra o vento, a detecção à distância será muito mais rápida que se o vento
estiver pelas costas
b) Sangue Humano
O sangue humano é único e apresenta diferentes estágios de putrefação. Refrigeração é
necessária para prevenir deterioração. Sangue é uma boa fonte de odor para simulação de
cenas de crimes, e para trabalhos com odor residual. Também pode ser enterrado para simular
um corpo enterrado.
c) Terra com Restos Humanos
O solo do local onde se encontrava um corpo enterrado é uma fonte autêntica. Nesses
locais são encontrados toda a variedade de subprodutos da decomposição e putrefação. Pode
ser relativamente fácil para o condutor dispor desse material e com ele pode simular uma
ampla variedade de situações de treino.
A terra contaminada pode ser encontrada em qualquer local onde um corpo tenha se
decomposto. Deve ser mantida em sacos plásticos e não precisa de refrigeração, além disso
não poderá ser usada por muito tempo. Amostras retiradas de locais com diferentes
constituições de solo apresentarão variação quanto à intensidade do odor. A variação no odor
irá ajudar no treinamento para busca por corpos enterrados a um espaço de tempo maior.
d) Adipocere
Adipocere é um subproduto legítimo da decomposição em ambientes secos ou úmidos e
é uma fonte autêntica de odor. É uma excelente fonte de odor para treinamento, mas precisa
ser retirada do local exato onde se encontrava um corpo. Deposite-a em um container plástico
ou de vidro. Use luvas quando manusear este tipo de material. Não requer refrigeração e não
poderá ser usado por muito tempo.
e) Fontes artificiais
Além das fontes naturais acima, existem fontes Artificiais, as principais e mais
conhecidas são a Putrescina (1,4 – Diminobutano) e Cadaverina (1,5 – Diaminopentano).
Putrescina e Cadaverina são compostos químicos que simulam odores de decomposição
humana. Ambos são compostos di-amino, muito similares a alguns criados no processo de
decomposição de matéria orgânica que são depositadas no ambiente por um período de tempo
considerável.
São compostos tóxicos e apresentam possíveis malefícios a saúde tanto do cão quanto
do condutor. Ambos os componentes cristalizam-se se o ambiente tiver temperatura muito
baixa e eventualmente precisam ser aquecidos em água para serem usados. Estudos recentes
revelaram que tanto a Putrescina como a cadaverina podem não volatizarem durante a
decomposição, fazendo com que esse composto não seja detectado pelos cães. ( Cuypers E -
2015).
Adaptação dos Cães na identificação dos COVs humanos em situações variadas

O objetivo desse processo é demonstrar para o condutor a importância de condicionar o


cão a trabalhar na identificação dos COVs nas mais diversas e variadas situações. Para
alcançar os melhores resultados, os exercícios de treino devem acontecer em cenários os mais
reais possíveis. Tais cenários podem tanto ser um local em que a equipe já tenha realizado
uma busca como um local preparado especificamente para treinamentos.
O trabalho com odor cadavérico é ensinado de acordo com a progressão de etapa após
etapa. Esse processo passo-a-passo indica que ambos, cão e condutor, possuem competência
e estão aptos em cada nível e podem passar a problemas de maior dificuldade. A primeira
fase estabelece uma sólida fundação para o reconhecimento dos odores. Da correta aplicação
da primeira fase dependerá a capacidade do cão de cobrir uma grande área e indicar
corretamente a localização da fonte de odor com a indicação do local.
Agora que já decidimos qual composto é o mais adequado para o treinamento,
iniciaremos um processo de apresentação do composto ao cão. Lembrando que a maioria dos
cães tendem a gostar do trabalho de busca de cadáver, porém o condutor deve ficar atento
com o rendimento do cão nessa atividade.

a) Apresentação do COV ao Cão


Inicialmente é necessário e importante saber se o aspirante a Cão de Cadáver vai se
sentir confortável com o odor. Como foi dito anteriormente, os cães costumam responder
satisfatoriamente ao odor de cadáver, porém, devemos ter a certeza. Para isso basta apresentar
uma amostra ao cão, observar o interesse pelo odor e seu comportamento.

b) Utilização de Coleiras ou comandos diferenciados


A utilização de coleiras diferenciadas ou comandos diferentes aos que são dados na
procura de vivos, não são necessários, com o passar do tempo e dos treinos o cão
automaticamente irá trabalhar na busca tanto do vivo como do cadáver, porém, se o condutor
para se sentir mais seguro quiser utilizar um meio secundário para ligar o cão para buscar o
cadáver, poderá fazê-lo, pois acredito que uma energia de tranqüilidade e confiança passada
ao cão, pode fazer a diferença no trabalho de busca.

c) Quanto a idade da apresentação do Composto Orgânico Volátil ao Cão


Isso dependerá do conhecimento e experiência do condutor. Para condutores iniciantes
oriento primeiro apresentar e treinar a busca de pessoas vivas, quando o cão já estiver
buscando de forma segura e tranqüila, poderá ser iniciado o trabalho de apresentação do
COV. Para condutores mais experientes e com um conhecimento um pouco mais avançado, a
apresentação dos compostos nos primeiros meses de vida do filhote trará alguns benefícios,
como um amadurecimento mais rápido do cão no trabalho de busca de cadáver. Assim como
o condutor irá adquirir experiência durante todo o processo de condicionamento de busca de
pessoas vivas, o cão precisará de um tempo para adquirir experiência na busca pelo cadáver.
Se o condutor apresentar o COV nos primeiros meses de vida do filhote, a tendência é de que
o cão adquira uma experiência considerável ainda nos primeiros anos, com isso a vida útil de
trabalho do cão irá aumentar, e uma resposta satisfatória em ocorrências de maior
complexidade acontecerá muito mais cedo.

d) Introduzindo o odor – Ensinando o reconhecimento do odor específico


Primeiro, o exercício pode ser realizado com ou sem guia. O tempo da recompensa é
crucial, uma vez que o cão será ensinado a reconhecer um novo alvo de odor. Se estiver
usando um incentivo verbal, é preciso usar o reforço tão logo o cão dê a mínima indicação de
que detectou um odor diferente. A recompensa precisa ser dada bem próxima da fonte de
odor. Se estiver usando comida, o petisco deve ser segurado logo acima da fonte. Se usar um
brinquedo, ele deve aparecer como que saindo de onde está a fonte. Estes princípios devem
ser usados para todo o processo de treinamento. Uma forma simples e eficaz de se iniciar o
treinamento é a utilização de um dispositivo que se possa fazer retriever com o cão e nesse
mesmo equipamento ou brinquedo seja possível introduzir um composto orgânico volátil.

e) Fortalecendo a relação com o odor


Um boa técnica, usada por muitos grupos americanos consiste em montar uma linha de
blocos ou caixas e depositar a fonte em uma das caixas. Deve ser utilizado um brinquedo que
o cão goste, prendendo o cão à uma guia, o figurante faz a despedida com o brinquedo, indo
até a caixa onde está a fonte e depositando nela o brinquedo. A fonte, inicialmente deve estar
no quarto ou quinto bloco. O cão incentivado e solto deverá trabalhar buscando nas caixas.
Tão logo o cão demonstre interesse deve ser estimulado com um elogio e em seguida com o
prêmio.

f) Introduzindo a indicação através do Alerta


O alerta treinado será a indicação que o cão sinalizará quando encontrar o alvo de odor.
O condutor pode também perceber uma reação natural que o cão tenha demonstrado quando
se trabalhava a associação do odor ou pode treinar uma ação específica para que o cão
realize. Essa indicação treinada pode ser ainda ativa ou passiva.
Quase a totalidade dos grupos de busca preferem um alerta ativo principalmente
naqueles casos em que o corpo não está a vista, como nos afogamentos e nos deslizamentos.
Exemplos de tipos de indicação ativa pode ser o ato de cavar ou latir, já a passiva pode
ser sentar ou deitar.

g) Diversificação de Ambientes
Assim como no treinamento de busca de pessoas vivas devemos apresentar os mais
variados ambientes, na busca de cadáver não será diferente. Uma vantagem em iniciar o
treinamento de cadáver após ter concluído o treinamento para pessoas vivas, é que o cão já
estará de certa forma ambientado com uma grande diversidade de ambientes. Relevo,
vegetação, temperatura, umidade, vento, escombros, soterramento, áreas rurais, água e
regiões áridas são algumas das situações que devemos observar e variar no treinamento de
cães de cadáver.

h) Quantidade, Formas e Situações


Com o passar dos anos percebemos que a quantidade de COVs que utilizamos nos
treinamentos, dentro das possibilidades locais, deverá ser a mais próxima possível da
realidade. Diferente do vivo, as milhares de partículas que são volatizadas durante o processo
de decomposição permanecem por um período maior no ambiente, e acabam formando
concentrações de odores nos arredores da fonte, essas concentrações chamamos de piscinas
de odor primária, secundária e terciária. Um cão de cadáver em um estágio de treinamento
avançado e com um nível satisfatório de experiência na identificação de COV, conseguirá
eliminar essas formações de odores e chegará na fonte, porém um cão treinado com uma
quantidade mínima de COV e sem experiência, com certeza indicará em concentrações de
partículas, muitas vezes a KM de distância da fonte.
Outro fator importante no treinamento de um cão de cadáver é a apresentação de um
cadáver ao cão. Fazer com que o cão associe a forma humana ao odor da decomposição,
geralmente uma das etapas mais difíceis do treinamento pela falta de material. Um bom
relacionamento com a Polícia local poderá ajudar nesse processo. Por fim, e não menos
importante, a diversidade das situações do treinamento com relação aos locais onde o cão irá
encontrar o cadáver, deve ser previsto e ensinado ao cão. Exemplos: Enterrado, enforcado,
esquartejado, busca por membros, etc.

i)Tempo de treino
Estudos realizados por cientistas Belgas, em laboratório, conseguiram identificar 452
compostos. Baseado nesse estudo, podemos traçar um plano de treino para que o cão consiga
passar ou conhecer os 452 compostos. Outro estudo muito importante, foi realizado na
Universidade do Tennessee em 2010, dessa vez ao ar livre, revelou 478 compostos, sendo
que considero o dado mais importante o de que cadáveres com mais de um ano em
decomposição, apresentaram odores diferentes aos decompostos com um ano ou menos. Com
base nesses dados, estipulamos um período de treino com uma mostra de até pelo menos dois
anos, para que possamos ter a certeza que o cão conhece a maioria das fazes da
decomposição.

Deslocamento das partículas no ambiente

Agora que possuímos uma ferramenta incrível ao nosso dispor, falaremos um pouco
sobre o treinamento técnico do condutor. Considero essa, a parte mais difícil da busca de
restos humanos e cadáver. Realizar uma leitura correta e entender o deslocamento das
partículas da decomposição humana no ambiente, são alguns detalhes que farão a diferença
entre o sucesso e o fracasso em uma ocorrência real. Além disso o condutor, terá que no
mínimo conhecer as reações do cão que está conduzindo, para que consiga identificar a
existência ou não de COVs no local.
Não será incomum na cena, o cão tentar rolar em certos locais, urinar e defecar, na
verdade ele estará demarcando a substância. Cabe ao condutor realizar uma leitura correta de
seu cão para identificar o local como sendo positivo para compostos humanos ou não.
Vento e temperatura são ações da natureza que podem ser determinantes para que o
condutor direcione o local de busca, ou até mesmo identifique a existência de compostos
humanos no local.
Figura: Concentração suspensa de compostos orgânicos voláteis, sofrendo ação do
vento e do sol.

O relevo e a chuva também devem ser observados com bastante atenção, pois exercerão
uma grande ação de direcionamento de partículas, mesmo em compostos em decomposição
com tempo superior a 1(um) ano ainda serão facilmente detectados pelos cães e ficarão
impregnados no solo, árvores e pedras.

Figura 02 Partículas sendo direcionadas pelo relevo e chuva.


Figura- Partículas sofrendo ação do vento e formando uma concentração de odor
secundária.

Um cadáver em elevação, aliado a ação do vento e do calor, poderá criar um espaço


neutro entre a fonte e vegetações mais altas, o condutor deve ter tranqüilidade, deixando o
cão trabalhar, observar a mudança de comportamento, analisar o clima, relevo e vegetação,
aumentar o raio de busca para só assim descartar a área. Cães independentes em trabalhos de
busca tendem a conseguir resolver mais facilmente situações complicadas e difíceis, cães
dependentes, com certeza necessitarão um pouco mais da ajuda do condutor para chegar ao
seu objetivo.

Figura- Espaço neutro gerado pela ação do vento e do calor.

Cães com um alto grau de treinamento aliado a condutores com um nível baixo de
conhecimento técnico, poderão levar o cão a alertar em concentrações de odores. O condutor
deduzindo que naquele local possa estar a fonte de odor, utiliza-se de palavras, gestos e
energias para fazer de forma até inconsciente o cão sinalizar em concentrações de odores. A
ansiedade do condutor em localizar a fonte poderá fazer com que o cão sinalize em
concentrações de odores terciárias, ou seja, a muitos metros ou até Km de distância da fonte.

Orientações gerais sobre treinamento e prática


Segue algumas orientações gerais que devem ser seguidas durante o treinamento que
ajudarão a formar cães mais seguros:

a) É preciso dividir o comportamento desejado em pequenas peças. Com a divisão


do aprendizado em etapas o cão tem 50% a mais de chances de realizar o comportamento
corretamente. Se o cão não está conseguindo, não deve continuar. A continuação no erro
pode aumentar a frustração tanto do cão quanto do condutor.
b) Treinar uma coisa de cada vez. Cães aprendem mais rápido quando têm apenas
uma coisa para aprender por vez. Por exemplo, gravar o odor como um exercício separado,
sem que o cão tenha que procurar pelo odor.
c) Eliminar os problemas com sucesso. Se o cão não foi bem em alguma etapa, deverá
ser feito o que for preciso para finalizá-la com sucesso, ou interromper o treino com um
problema motivacional simples, para que o cão termine a sessão sempre vencendo.
d) Amarrar um passo ao outro, de trás para frente. Ao treinar a última etapa de um
comportamento amarrada a anterior, o cão sempre irá de algo que ele não conhece para algo
familiar. Por exemplo, muitos condutores querem que seus cães voltem até eles depois de
chegar à fonte de odor. As etapas para o treinamento começam pelo fim da seqüência dos
problemas da busca. Se o cão tiver algum problema em qualquer destas etapas é preciso
divida-la em pequenas peças.

Utilização de EPIs

Com certeza devemos utilizar equipamentos de segurança como luvas, máscaras e ter
cuidado no armazenamento de compostos orgânicos humanos. Geladeiras próprias e locais
longe do trânsito de pessoas devem ser escolhidos para o armazenamento dos materiais. Um
número reduzido e selecionado de pessoas deve ser empregado nessa atividade.
O cuidado para a amostra não entrar em contato com o cão, também deve ser
observado. Sacos plásticos zipados e dispositivos que impedem o contato direto da amostra
com o cão devem ser considerados, principalmente no primeiro ano de treinamento. Grandes
quantidades de amostras enterradas devem ser feitas em áreas rurais de difícil acesso, ou de
acesso restrito, longe de áreas urbanas, sempre respeitando a legislação local.
BUSCA SUBAQUÁTICA

Os cães têm sido utilizados em buscas por corpos submersos desde a década de 1970.
Andy Rebmann, autor de uma importante obra de referência nessa área (Cadáver Dog
Handbook). A obra é resultado da documentação das buscas ao longo deste tempo.
Através de mudanças na linguagem corporal cada cão indicava a provável posição das
vítimas, com base nas ações dos cães, mergulhadores desciam e encontravam os corpos
submersos. Buscas aquáticas são atividades de alto risco, para os mergulhares, principalmente
em rios e lagos, sendo uma das atividades mais perigosas executadas pelo ser humano, com
isso o uso de cães minimiza esse risco, uma vez que exigirá poucos mergulhos.
O processo de decomposição começa imediatamente após ocorrer a morte biológica e
progride por cinco estágios após o corpo estar completamente esqueletizado, cada um deles
libera gases diferentes e o cão deve ser treinado em cada um deles.
Logo após a morte os microorganismos começam seu trabalho produzindo a liberação
de gases dentro do corpo. A quantidade e velocidade de produção desses gases depende da
temperatura da água. A profundidade não faz muita diferença para lagos e rios; é a
temperatura que controla a velocidade de produção de gases. Por outro lado, em águas
profundas (entre 30 e 60 metros) a pressão reduz o volume dos gases, logo é necessária uma
maior produção de gases para que o corpo bóie. A decomposição é mais rápida quando a
vítima realizou sua alimentação.
Durante o segundo estágio o corpo irá boiar até chegar à superfície e passará a flutuar
(isso se não estiver preso a entulhos ou árvores submersas, ou ainda se não estiver soterrado).
Esse processo também depende da temperatura da água ao redor do corpo, e pode durar de 24
a 72 horas se a água for mais quente ou meses em água gelada.
Quando o corpo emerge pode flutuar até ser recuperado ou se desintegrar sem deixar
qualquer resíduo.
Se a temperatura da água que rodeia o corpo for muito baixa para a ação das bactérias,
o corpo pode nunca produzir a quantidade necessária de gases para chegar à superfície. Lagos
profundos geralmente possuem camadas termais que não permitem que as águas aquecidas da
superfície se misturem às águas dos pontos mais profundos, fazendo com que os corpos
nunca voltem à superfície.
Se o corpo não estiver intacto, por exemplo, pulmões ou estômago perfurados, ele não
flutuará e não chegará à superfície.
SHIROMA (2012) descreve que a profundidade da submersão afetará o retorno ou não
do cadáver até a superfície. Na maioria das regiões, cuja profundidade acima de 60 metros,
devido à pressão exercida pela água, o corpo não retornará, ainda poderá estar preso a galhos
ou pedras, tornando ainda maior a importância da utilização dos cães.
Abaixo a tabela relaciona o tempo de permanência do cadáver e a temperatura da água.

Tabela 01 – Relação temperatura da água e tempo de submersão.


Temperatura da água (º C) Tempo de permanência
21 1 dia
18 2 a 3 dias
15 3 a 4 dias
12 + de 6 dias
11,4 Reflutuação só com aumento de
temperatura.
Fonte: Alcarria (2000, p. 70).
Os cães não indicam com precisão o local, os mesmos indicam o local com maior
quantidade de odor na superfície da água oriundo das profundezas. Assim, o cão, sendo
utilizado ante das equipes de mergulho, poderá reduzir a área de busca e os riscos para os
mergulhadores, indicando a região na qual devem se concentrar as buscas, utilizando os
métodos de indicação indireta e até mesmo o de eliminação de zonas.
Nas buscas em ambiente aquático é de suma importância a observância da direção dos
ventos e das correntezas, principalmente no caso de rios e riachos. Considerando esses fatores
(vento e correnteza), existem quatro métodos a serem utilizados na busca:
a) A favor da corrente e contra o vento
b) A favor da corrente e a favor do vento
c) Contra a corrente e contra o vento
d) Contra a corrente e a favor do vento
Com base nos métodos de busca em rios, que variam no sentido da busca e do vento. O
condutor deve ficar atento aos alertas indicados pelos cães. Durante a subida ou descida pelo
leito do rio, contra ou a favor da corrente, o cão começará a indicar presença de componentes
químicos oriundos da decomposição humana. Quando o cão cessar esses alertas, entende-se
que foi criada uma área na qual provavelmente estará o cadáver.
A busca mais eficiente é subir o rio (contra a correnteza) e contra o vento, para o último
ponto onde a vítima foi avistada, entretanto, nem todas as situações permitem o uso desse
tipo de estratégia.

Figura - Busca rio acima contra o vento. Adaptado de Rebmann (2000).

A busca pode ser rio acima com o vento, sendo que nessa o vento está levando o cheiro
para longe do cão, ele não alertará até estar na redondeza do corpo.
Figura - Busca rio acima a favor do vento, adaptado de Rebmann (2000).

Nas situações em que se está contra o vento mas a favor da corrente a busca inicia
acima do último ponto conhecido.

Figura - Busca rio abaixo contra o vento adaptado de Rebmann (2000).

Nas buscas a favor da corrente e a favor do vento o procedimento será similar ao


trabalho executado na situação rio abaixo contra o vento, deferindo o comprimento do alerta
e onde é mais forte. Assim que o cão passa pelo local da vítima, ele alertará de repente.
Então o alerta ficará mais fraco assim que ele se moverá para fora do cone de odor.
Figura - Busca rio abaixo a favor do vento adaptado de Rebmann (2000).

A temperatura da água não está apenas relacionada ao tempo de submersão do cadáver.


A temperatura influência o quão distante o cão indicará a fonte de odor. Segundo SHIROMA
(2012) em locais, seja um rio ou lago, onde existem grandes variações térmicas entre a
superfície da lâmina da água e o fundo, o cão tende a indicar com menos precisão a
localização do cadáver.

Figura- Influência da camada térmica entre as profundidades do ambiente, adaptado


de Rebmann (2000).

A Putrefação exerce influência nas ações de busca de restos mortais. Enquanto o


cadáver ainda se encontra submerso, a putrefação ocorre paulatinamente. Quando existe o
contato com o meio exterior (ar), a putrefação ocorre rapidamente, via de regra inicia-se pelo
tórax, face, cabeça e depois progride para todo o corpo, o cadáver fica com aspecto gigante,
similar a um balão inflado. A putrefação ocorre em fases conforme quadros abaixo:

Fase Característica
Primeira Pouco tempo depois da morte microorganismos começam a
produzir gases dentro do corpo. A taxa de formação de gás depende da
temperatura da água. A profundidade não faz diferença significativa
dentro de lagos e rios; é a temperatura que controla a velocidade de
formação de gases. Entretanto, em água profunda (30-60 metros) a
pressão reduz o volume dos gases, então mais gás tem que ser
produzido para criar flutuabilidade. A decomposição também é mais
rápida se o estômago estiver cheio.
Segunda Durante a segunda fase o corpo comecará a flutuabilidade e
flutuará para superfície (a não ser que seja obstruído por escombros ou
esteja enterrado). Isto depende da temperatura da água que envolve o
corpo. Este processo pode levar 24-72 horas se água está morna ou
meses se a água estiver fria.
Terceira Quando o corpo aparecer, pode flutuar até ser recuperado, ou
pode se desintegrar e afundar, e nunca subir novamente.
Fonte: Rebmann (2000).

Treinamento

O programa de treinamento para buscas aquáticas foi desenvolvido para ensinar aos
cães que a fonte odor podem estar escondidos sob a superfície da água e ensinar aos
condutores a observar os alertas naturais dos cães e da maneira mais adequada e
principalmente condicionar um forte alerta treinado. Da mesma forma que para outros
treinamentos, o comportamento canino precisa ser modelado passo-a-passo para que o cão
tenha uma chance de ser bem sucedido, de ser recompensado e capacidade de realizar muitas
repetições.
Programa de treinamento

a) Inicialmente é fundamental a escolha de uma área ao longo da margem (rio,


córrego) para que o cão possa caminhar ao longo dela sem ter de ir diretamente para a fonte
de odor. A água pode ser rasa e com pouca movimentação.
b) Um recipiente contendo o odor deverá ser colocada na água de forma que
permanecá na altura da superfície pode ser usado nos primeiros estágios para dar ao cão algo
que possa apontar.
É necessário prender uma linha no recipiente de odor para que ele não possa ser
retirado da água pelo cão.
c) Após esse preparo é preciso caminhar com o cão com ou sem guia pela margem.
Começando de uma área mais abaixo no rio do que aquela onde está a fonte.
d) Tão logo o cão olhar para o local onde está a fonte de odor, é preciso recompensar o
mesmo com incentivos e puxar a fonte para fora da água.
e) Nesse momento o cão deve ser encorajado e motivado o cão a cheirar, tocar ou
brincar com a fonte.
f) Essa ação precisa ser repetida duas ou três vezes mais.. A cápsula dá ao cão algo
que possa ver.
g) Assim que o cão compreender que o odor está vindo de sob a água, pode ser
adicionado o alerta treinado. O cão irá realizar um alerta natural sem que haja treinamento. O
Condutor deve saber a reconhecer a linguagem corporal de seu cão. Em buscas aquáticas
pode haver um aumento do interesse pela própria água, onde o cão irá morder a água (isso
acontece porque os cães possuem glândulas odoríficas no céu da boca), irá tentar cavar a água
e morder a guia ou latir. Em contraste, o alerta treinado é o que o cão é treinado para fazer a
fim de mostrar ao condutor que encontrou o alvo de odor. Preferencialmente latindo
h) Quando trabalhar com o cão em um bote, a fonte de odor poderá ser preso a uma
bóia, com lastros à bóia para que esta permaneça ob a superfície, isso evita que o ao dê o
alerta para a bóia.
i) Ao final faça a busca às cegas. O figurante depositará a cápsula na água em algum
ponto ao longo da margem (sem recipiente), de forma que você não saiba onde está a fonte. O
cão precisa ser trabalhado ao longo da margem observando os alertas naturais e o alerta
treinado. É fundamental deixar que o cão trabalhe a situação problema e acompanhe.
j) Quando o cão estiver trabalhando de modo efetivo é preciso aumentar a
profundidade gradativamente até atingir uma profundidade superior a 2 metros.
Os capítulos 10 e 11 foram desenvolvidos em parceria com o Cabo Ronaldo Fumagalli,
um dos principais estudiosos e especialistas em restos mortais do Brasil.
ASPECTOS ESPECIAIS DE BUSCA E RESGATE DE PESSOAS PERDIDAS

Com muita frequência equipes de busca e resgate, com cães ou não são empenhadas na
localização de pessoas perdidas, quase a totalidade dessas pessoas não possuem condição de
sobrevivência nessas situações, exigindo atuação rápida eficiente e profissional das equipes
responsáveis pela localização dos perdidos.
A localização de pessoas perdidas depende muito mais da habilidade e preparo das
equipes de busca para fazer a varredura de área, do que de padrões pré-estabelecidos de
comportamento do perdido.
O comportamento do perdido é dependente da idade, das habilidades, capacidade
cognitiva, preparação físicas e psicológicas e do ambiente.
Torna-se muito difícil estabelecer padrões fixos de comportamentos, exceto para
pessoas em condições especiais, nesse trabalho buscou-se analisar o comportamento das
pessoas perdidas, a fim de facilitar a previsão, com algum grau de exatidão aceitável, o local
mais provável em que uma pessoa perdida possa ser encontrada.
Estudos realizados ao longo do tempo, vem buscando traçar alguns perfis de
comportamento para algumas situações especiais, esses mesmos estudos acabam excluindo
demais situações uma vez que o arbítrio não permite traçar um padrão único comportamental,
para adultos psicologicamente normais.
As pessoas cujos perfil, pode ser ao seguir um padrão pré-determinado, longo do temo,
são as seguintes:
a) Criança 0 a 3 anos
b) Criança 4 a 7 anos
c) Criança 7 a 12 anos
d) Psicóticos ou esquizofrênicos
e) Depressivos
f) Idosos (exibindo sinais de demência, senilidade ou a doença de Alzheimer
g) Idoso mais de 65 anos
h) Deficientes mentais
Distâncias prováveis cobertas por pessoas perdidas

Em nosso estudo com dados brasileiros e com dados combinados a partir de estudos
desenvolvidos nos EUA (Syrotuck 2000), foi possível determinar alguns padrões de
comportamentos para as pessoas perdidas em diversas circunstâncias, após a análise de
diversos parâmetros.
O parâmetro fundamental selecionado para este papel é a distância "em linha reta"
(raio) a partir do último ponto de Visto (UPV), porque é o principal fator para o planejamento
das operações de busca.
As distâncias reais percorridas são influenciadas por diversas variáveis, tais como o tipo
de terreno, densidade de terreno, tempo, influências psicológicas, influências fisiológicas, e
condição física da pessoa perdida.
É importante destacar que a percentagem utilizada para determinar a estatística de todas
as pessoas perdidas encontradas leva em consideração o raio a partir do último ponto visto
sem levar em conta como eles chegaram lá ou qual a trajetória percorrida.
Para clarificar isso ainda mais, na figura a seguir estão algumas distâncias "em linha
reta," versus a trajetória percorrida.
Independente da forma como o perdido percorreu o caminho, ou o tempo, via de regra
tendem a permanecer dentro de um raio padrão.
Uma operação de busca e resgate terrestre, (com ou sem uso de cães) se desenvolve de
acordo com as etapas demonstradas no fluxograma mais adiante descrito, com base nos
padrões de comportamento desenvolvido é possível traçar a melhor estratégia e técnica mais
eficiente e rápida para a localização do perdido.

a) Crianças de 0 a 3 anos

Apesar de ser um número pouco representativo, as vítimas infantis necessitam uma


rápida atuação das equipes de busca e resgate, pois possuem pouca resistência,
principalmente ao frio.
Segue alguns aspectos importantes sobre essas vítimas:

Comportamento:

- Não têm noção de estão perdidos, nem como reagir frente a essa situação;
- Não possuem habilidades para navegação ou senso de direção;
- Tendem a vagar sem rumo certo ou orientado;
- Tendem a procurar um local para dormir;
- Tendem a procurar de forma natural um abrigo em caso de mau tempo;
- Às vezes são atraídos por um animal (cães e gatos), seguem-no ou permanecem
próximo ao mesmo;
- Eles geralmente são curiosos e são atraídos por novidades (sótãos, subsolos etc)
- Muitas vezes não responde aos chamados dos resgatistas,
- Em vítimas com esse perfil, considerar sempre a possibilidade de rapto.
a) Caminho percorrido
- Em 57% dos casos o caminho usado foi o de menor resistência, áreas limpas, ruas,
trilhas e caminhos;
- Em 43% dos casos são encontrados em áreas com capim, mato baixo ou moitas, pois
tem dificuldade de transpor obstáculos simples.
b) Estratégia de busca
- Dentro, sobre e sob. Vistoriar espaços que permitam serem usados como esconderijos,
caixas, subsolos, sótãos, casas de cães, etc.
- Essas buscas exigem técnicas completas, ou seja, varredura completa da área.
- Via de regra a localização da vítima concentra-se dentro de 250m do último ponto
visualizado.

c) Crianças de 4 a 7 anos

Como as crianças menores, as vítimas de desse grupo também não tem muita
mobilidade, nem capacidade de reagir sozinha a essa situação, precisando da intervenção
rápida das equipes de busca e resgate.

Comportamento:
- São mais móveis do que 1-3 anos de idade;
- Geralmente tentam tentar voltar para casa, ou ir para ambientes familiares;
- Quando estão cansados sentem vontade de dormir;
- Normalmente não reagem bem à pessoas estranhas, pois para as mesmas são sinal de
perigo e isso pode afetar a resposta aos resgatistas, podem ouvir os chamados e não
responder.
Caminho percorrido:

- Em 57% dos casos o caminho usado é o de menor resistência;


- Em 43% dos casos foram encontrados em áreas com capim, mato baixo ou moitas;
Estratégia de busca:

- Por possuírem um poder de discernimento maior é importante concentrar as buscas


nos locais ligados a interesses claros do perdido,
- Em muitos aspectos, pode ser semelhante ao 1-3, especialmente no que se refere a
dormir ou permanecer escondido em esconderijos.

d) Criança de 7 a 12 anos
Comportamento:
- Possuem habilidades de navegação mais desenvolvidos, porém tornam-se confusos
em ambientes estranhos;
- Muitas vezes acabam perdidos devido a busca por um atalho;
- Muitas vezes gostam de correr em trilhas e explorar novos espaços, ou locais
interessantes, como cachoeiras, riachos ou outro lugar relevante.
- Pode intencionalmente fugir para evitar a punição ou ganhar a atenção, nessas
situações podem estar ouvindo mais não respondem, é importante investigar as
circunstâncias.
- Muitas vezes não responde quando chamados.
- Para uma criança, um atalho não é geralmente caminho mais curto - é simplesmente
uma rota diferente ou NÃO CONVENCIONAL entre dois pontos - não costuma ser a "mais
curto"

Caminho percorrido:

- Em 67% dos casos o caminho usado foi o de menor resistência;


- Em 33% dos casos a vítima foi encontrada em áreas com muita vegetação ou moitas,
tendem a ter dificuldade de sair de locais não limpos.
Estratégia de busca:

- Extrategicamente é fundamental concentrar as buscas em pontos conhecidos;


- A busca ao longo de trilhas também deve ser uma prioridade.

e) Idosos exibindo sinais de demência, senilidade ou a doença de Alzheimer

Responsáveis por quase 40% de todas as buscas realizados no Brasil é o tipo de


operação mais recorrente no país, em função do número de ocorrências é também o perfil de
vítima com maiores dados e informações.
Comportamento:

- Os indivíduos desse grupo apresentam falta de memória e de capacidade de raciocínio


cognitivo, não seguem uma sequência lógica de comportamento e podem ter ações
imprevisíveis;
- Possuem um comportamento orientada para o passado, a doença envia-los de volta,
por isso tendem a fazer algo que tenha relação com o passado, antigas moradias, trabalho ou
locais preferidos podem ser uma boa pista;
- Geralmente apresentam problemas médicos que limitam a mobilidade, não costumam
estar longe do último ponto visualizado;
- Devido a fragilidade física não deixam muitas pistas físicas.
- Não pedem ajuda, com isso muitas vezes não há muitas testemunhas.
- Não respondem a chamados. Mesmo estando muito próximos aos socorristas;
- Podem tentar voltar a residência anterior ou local favorito.
- Normalmente caminham lentamente e possuem dificuldade de ultrapassar pequenos
obstáculos como arame farpado ou espinhos;
- Entram nas residências e se abrigam, porões, depósitos, qualquer área que permita o
ingresso.
- Dormem com facilidade e mesmo estando com frio ou fome não regem.

Áreas rurais:

- Em 36% dos casos a vítima foi encontrada em riachos, drenagens, cercas, espinhos ou
densa cobertura de vegetação;
- 18% das vítimas foram localizadas encontrados em um campo aberto geralmente
caminhando;
- 28% foram encontrados em uma casa ou um abrigo, geralmente é o caso para as
buscas noturnas;
- 7% foram encontrados em uma estrada;
- 7% foram encontrados na floresta;
- 4% foram encontrados em áreas molhadas, pantanosas
Àreas urbanas:

- Em 55% dos casos a vítima foram encontrados em ruas, calçadas, áreas de


estacionamento e pátios residenciais
- Em 25% das situações foram encontrados em empresas fechadas, porões, edículas de
edificações, ou seja áreas sem circulação constante de pessoas,
- 10% das vítimas encontrados em hospitais e centros de idosos;
- 6% forma encontrados em áreas públicas como parques e praças;
- 2% localizados em encontrada em uma área remota.
Considerações gerais:

- Em 89% dos casos foram encontrados em um raio de até 1,5 km da residência;


- Dentre os casos acima 50% dos casos a vítima estava há menos de 500 metros da
residência ou do último ponto visualizado,
- Normalmente são encontrados em uma curta distância inferior a 100 metros.

Estratégia de busca:

- Considerar urgência na busca, são frágeis e tendem a hipotermia;


- Considerar inicialmente estar preso ou confinado;
- Buscar ao longo das estradas;
- Buscar as residências nas proximidades, residências anteriores ou local de trabalho e
as rotas entre os mesmos;
- Buscar intensamente em locais com espinhos, arbustos, cercas de arame farpado ou
não e matagais;
- Buscar a 100 paralelo a estradas, não seguem a lógica de seguir pela estrada, podem
sair da mesma a qualquer momento;
- Os cães são os mais indicados pois as vítimas desse grupo não respondem aos
humanos.

f) Idosos mais de 65 anos

Nesse grupo estão pessoas idosas, porém sem efeitos de doenças e que possuem
perfeitos seus reflexos cognitivos.

Comportamento:
- Não são capazes de viajar tão longe quanto as pessoas mais jovens envolvidas na
mesma atividade
- Tendem a se comportar de forma mais racional do que colegas mais jovens, não se
desesperam facilmente e também tendem a sentar e aguardar por socorro.
- Geralmente são mais dispostos a construir abrigos e ajudar em seu próprio resgate;
- Devido aos efeitos da idade são mais propensos a perderem os sentidos e se esgotam
rapidamente.

Estratégia de busca:

- Problemas de audição podem afetar a detecção, de modo que podem responder a


chamados;
- Considere a sua atividade como base para o planejamento de busca, não a idade da
vítima, muitos são fortes e agéis.
- Geralmente tomam medidas inteligentes e colaborativas.

g) Autistas

O autismo é um distúrbio neurológico caracterizado por comprometimento da interação


social, comunicação verbal e não-verbal e comportamento restrito e repetitivo. Apesar de os
sinais do transtorno variarem, há três comprometimentos que são considerados mais comum,
inicialmente é afeto a interação social, ou seja, no modo de se relacionar com outras
crianças, adultos ou com o meio ambiente. O segundo sintoma recorrente é a dificuldade na
comunicação: há crianças que não desenvolvem a fala e outras que têm ecolalia (fala
repetitiva). Como terceiro sinal, há a questão comportamental: as ações podem ser
estereotipadas, repetitivas. Qualquer mudança na rotina passa a ser incômoda para a criança.
Isso acontece porque a rotina é um “mapa” usado pelo autista para reconhecer o mundo. Se
algum traço desse caminho for alterado, a criança vai reagir.
Antes de iniciar o processo de busca em si é fundamental entender e conhecer o perfil
da pessoa perdida.
Comportamento:

- Podem não entender o que vêem, o que ouvem, ou sentem;


- Podem parecer surdo, e não conseguir responder a chamados;
- Pode tornar-se angustiado com sons do cotidiano ou ocorrências;
- Podem demonstrar insensibilidade à dor, frio, calor, ou podem reagir de forma
exagerada para qualquer dos mesmos;

h) Psicóticos e esquizofrênicos

Comportamento:

- Muitas vítimas não irão responder ao seu nome (93%), mas são verbais (21%)
- Podem fugir dos resgatistas, geralmente sentem-se ameaçados e com medo,
- Normalmente não entram em emaranhados ou espinhos,
- Normalmente não viajam para uma localização com importância no passado como
ocorre com os doentes de Alzheimer,
- A falta de medicação é um fator que agrava a ocorrência, ficam agressivos ou podem
ser a causa da mesma;
- Geralmente não se perdem no sentido tradicional, geralmente vagam desorientados.
Estratégia de busca:

- O uso de cães são mais eficazes do que humanos;


- Buscas longo das estradas e trilhas pois costumam vagar pelas estradas;
- Esse perfil de vítimas geralmente é um assunto que pode envolver investigação,
estatisticamente pode ter um problema escondido, considerar investigação, re-cheques de
residência, e envolvimento de familiares em violência e abandono;
- Constantemente é preciso revisar as ações a serem tomadas estrategicamente e
taticamente

i)Depressivos

Comportamento:

- Sofrendo depressão, por vezes graves, a maioria só quer ficar fora da vista ou estão à
procura de um local específico, significativo para os mesmos.
- Geralmente procuram a solidão;
- Geralmente não respondem para os resgatistas, e podem fugir ativamente dos
mesmos;
- Estão geralmente dentro da vista e do som da civilização;
- Raramente tomam medidas para se proteger no ambiente;
- Drogas, álcool, medicamentos podem ser fatores a ser considerados que geralmente
agravam a ocorrência.

Estratégia de busca:

- Deve ser considerada de extrema urgência;


- O mais provável é necessitar de ajuda médica;
- O uso de cães são mais eficazes do que humanos;
- Realizar busca primária em todos os locais paisagísticos e significativos;
- Realizar uma busca mais completa em uma área relativamente pequena, tendem ao
confinamento;
- Considere que os mesmos não são responsivos a chamados e escuta;

j) Deficientes mentais

Comportamento:

- Agem como uma mistura de crianças de 7-12 e Alzheimer


- Não respondem ao chamado do seu nome na maioria dos casos (97%)
- Na maioria das vezes esta escondido da vista e vendo tudo o que esta acontecendo;
- Muitas vezes vai um esconderijo e fica até por dias no mesmo local;
- Pode não ter nenhuma deficiência física, mas falta o entendimento e vontade de ajudar
a si mesmo.
- São facilmente atraídos por locais de interesse e sons;
- Frequentemente encontrada em estruturas, casas, galpões, porões ou local com baixa
frequência de humanos;

Estratégia de busca:
- Alta urgência devido à incapacidade de se proteger;
- A operação de busca deve concentrar-se em pistas ligadas a interesses definidos;
- Caso a vítima possua possui boa capacidade de mobilidade, o confinamento deve ser
uma prioridade;
- Deverá ser verificado drenagens, riachos, esconderijos e área de residência onde não
haja fluxo contínuo de pessoas;
- O uso de cães são mais eficazes do que humanos;
MEMORIAL

Dedico esse trabalho a Avai, Xanxerê e Malu, meus 3 companheiros nas operações de
resgate junto ao Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina.
Nessa imagem está o Avai no dia em se aposentou das atividades de busca e resgate;

Xanxerê, ou simplesmente Xanxe, que posteriormente acabou ficando cego,

Malu,
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