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RESIDÊNCIAS SUSTENTÁVEIS E AS

TECNOLOGIAS ECOLÓGICAS E ECONÔMICAS PARA SE


MORAR BEM

Franklin Taunay da Silva Rocha1


Acadêmico do Curso Superior de Tecnologia em Gestão Ambiental da PUC Goiás
franklintaunay@gmail.com

Veronica Aldé2
Mestre; Pontifícia Universidade Católica de Goiás; Orientadora.
veronica.alde@gmail.com

RESUMO
As atividades humanas vêm sendo desenvolvidas numa intensidade e velocidade sem
precedentes na história ambiental do planeta. A necessidade de mudanças nas atitudes
individuais e coletivas vem aumentando a cada dia, e requerem alternativas de
comportamento em relação ao meio ambiente. É conscientizando a população dos
graves problemas que temos enfrentado, bem como as suas razões e as possíveis
soluções, que conseguiremos reverter o quadro de degradação generalizada dos recursos
naturais, para que se possa assegurar que as gerações futuras não sejam privadas desse
patrimônio natural, princípio do desenvolvimento sustentável. Esse artigo, pautado nas
ideias de sustentabilidade, visa demonstrar à viabilidade de construção de casas
sustentáveis/ecológicas e tem por objetivo esclarecer alguns questionamentos sobre a
possibilidade de se morar com mais equilíbrio com a Terra. Nesse artigo será
apresentado as principais estruturas de uma casa sustentável e os fatores internos e
externos responsáveis pelo bom equilíbrio entre moradia, moradores e meio. Na casa
sustentável/ecológica, todas as necessidades são supridas com soluções simples
aproveitando a vocação regional do ambiente.

PALAVRAS-CHAVES: Sustentabilidade; Bioconstrução; Casas


Sustentáveis/Ecológicas.

Introdução

É de responsabilidade governamental e social a preservação do maior patrimônio do


Planeta o “meio ambiente”. Faz-se necessário proteger, normatizar e fiscalizar o uso dos
recursos naturais, colocando em prática leis que fortaleçam as políticas de preservação
contribuindo para uma maior consciência ambiental e planetária. De acordo com a
Resolução numero 307 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA, 2002).

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Meio Ambiente é o conjunto de condições, leis, influencia e interações de
ordem física, química, biológica, social, cultural e urbanística, que permite,
abriga e rege a vida em todas as suas formas (MMA, 2002).

Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso


comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder
público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as
presentes e futuras gerações (CONSTITUIÇÃO FEDERAL, 1988).

Segundo Fernandes (2009), para se ter um meio ambiente ecologicamente equilibrado,


superando os atuais problemas como o aquecimento global, a poluição e escassez de
água, dentre outros, os cidadãos necessitam exercer seus direitos e deveres ao se
relacionarem com a natureza. Para que as riquezas naturais perdurem por longas
gerações serão necessários desenvolver processos de conscientização para o uso sadio
dos recursos naturais, diminuindo o consumo de forma geral, incentivando a reciclagem
de todos os resíduos, inclusive os eletrônicos e ampliando o uso de materiais
biodegradáveis.

Chegamos a um ponto na História em que devemos moldar nossas ações em


todo o mundo, com maior atenção para as consequências ambientais.
Através da ignorância ou da indiferença podemos causar danos maciços e
irreversíveis ao meio ambiente, do qual nossa vida e bem-estar dependem.
Por outro lado, através do maior conhecimento e de ações mais sábias,
podemos conquistar uma vida melhor para nós e para a posteridade, com um
meio ambiente em sintonia com as necessidades e esperanças humanas.
(ORGANIZAÇÕES DAS NAÇÕES UNIDAS, 1997).

Através do levantamento bibliográfico, foi possível elaborar esse artigo, que tem como
objetivo, reunir informações das tecnologias que abordem a viabilidade da construção
de casas sustentáveis e sua eficiência do ponto de vista ecológico e econômico. Visando
um melhor aproveitamento dos recursos disponíveis no ambiente de forma sustentável,
as “casas sustentáveis” podem agregar conceitos e soluções que contribuam na busca
por um maior equilíbrio com a natureza.

A sustentabilidade tem sido um tema debatido com frequência, devido às urgências


ambientais. A atual escassez dos recursos naturais é uma preocupação crescente e aos
poucos são vistas algumas iniciativas que buscam alternativas tecnológicas que
propiciem uma maior preservação destes recursos naturais. (SILVA; SILVA, 2011
Apud PREDIGER, 2008).

A bioconstrução deve ser idealizada e planejada a partir de várias premissas,


destacando-se, a escolha de materiais disponíveis no ambiente e facilmente renováveis,
com baixo custo, boa durabilidade, além do uso de tecnologias biocompatíveis, que
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contribuam na redução de impactos no entorno residencial, gerando economia de água e
redução de energia.

Desenvolvimento

Sustentabilidade

O tema da sustentabilidade adquiriu importância a partir da realização de importantes


conferências mundiais como o Relatório Brundtland (1987), Conferência das Nações
Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, durante a ECO-92 (1992), Agenda 21
(1992) e Rio +20 (2012), voltadas para a discussão da questão ambiental e visando
beneficiar as pessoas e o ambiente, suprindo tanto as necessidades das presentes
gerações, como das futuras.

Segundo a Lopez et.al. (2012), as cidades estão entre as principais responsáveis pelo
maior consumo de recursos naturais finitos com efeitos negativos ao meio ambiente.
Nesse contexto, merece destaque o setor da construção civil, pois consome de 15% a
50% dos recursos mundiais, podendo ser considerado um dos segmentos menos
sustentáveis do mundo. Assim, é esperado que a adoção de práticas sustentáveis na
construção civil ocupe um papel fundamental no âmbito da sustentabilidade.

Segundo Bueno (1995), “a casa sustentável deve funcionar como uma segunda ou
terceira pele do próprio morador, porque ela é sua extensão”. Segundo a Lei 10.257 do
Estatuto da Cidade (2001):

“Art. 2º – A política urbana tem por objeto ordenar o pleno desenvolvimento das
funções sociais da cidade e da propriedade urbana, mediante as seguintes diretrizes
gerais:
I – garantia do direito a cidades sustentáveis, entendido como o direito à terra urbana, à
moradia, ao saneamento ambiental, à infra-estrutura urbana, ao transporte e aos serviços
públicos, ao trabalho e ao lazer, para as presentes e futuras gerações.

Criado pela Lei nº 7.735, de 22 de fevereiro de 1989, o IBAMA vinculado ao MMA, é o


órgão responsável pela formulação, coordenação e execução da Política Nacional do
Meio Ambiente instituída pela Lei nº 6.938/1981, desenvolvendo diversas atividades
para a preservação e conservação do patrimônio natural, exercendo o controle e a
fiscalização sobre o uso dos recursos naturais.
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A partir da Lei nº 6.938, criou-se SISNAMA (Sistema Nacional do Meio Ambiente) e o
CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) responsáveis pela proteção e
melhoria da qualidade ambiental para dar maior suporte à gestão ambiental no país.

Sobre a implementação de políticas em âmbito municipal, destaca-se o Plano Diretor


como um instrumento de preservação dos bens ou áreas de referência urbana, previsto
constitucionalmente e também através do Estatuto da Cidade. É uma lei municipal que
estabelece diretrizes para a adequada ocupação do município, determinando o que pode
e o que não pode ser feito em cada parte do mesmo, visando assegurar melhores
condições de vida para a população.

Construções Sustentáveis

A construção sustentável emprega materiais e medidas tecnológicas que visam melhorar


o uso dos recursos naturais, e tentando minimizar a poluição levando um melhor bem
estar para seus usuários, tentando integrar alguns aspectos econômico, sócias, culturais e
ambientais, tendo uma preocupação principalmente em preservá-la para não ser
comprometidas as gerações futuras.
Segundo Sala (2006), durante décadas, engenheiros e construtoras privilegiaram
a aplicação de sistemas em concreto e alvenaria, e pouco se investiu em novos sistemas
construtivos. A construção civil, da forma como é praticada no Brasil e em muitos
países, provoca muitos impactos ambientais em todas as suas etapas. Desde a extração
das matérias-primas que é feita a partir de técnicas que envolvem explosivos, dragagem
de rios para retirada de areia, etc, até o transporte que é feito percorrendo distâncias
cada vez maiores, devido à escassez de alguns produtos.
As técnicas construtivas e a mão-de-obra mal qualificada levam a um desperdício de
material, tanto aquele que fica retido na obra, como aquele que se transforma em
entulho, entre outros problemas. Além disso, a construção civil vem se constituindo, há
muitos anos, como uma prática de projetos que raramente levam em consideração as
características do local onde será implantado, tais como: posição e implantação no
terreno, iluminação natural, ventilação, vegetação natural local, características culturais
locais. Do mesmo modo, os materiais utilizados também não se adéquam às
características climáticas e, na maioria das vezes, não estão associados à disponibilidade
na região. O resultado dessa postura tem sido a construção de edificações em que há

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necessidade de iluminação e ventilação artificiais o tempo todo, o que além de consumir
muita energia elétrica, tem consequências que influenciam inclusive, a saúde dos seus
usuários (www.criaarquiteturasustentavel.com.br).

A atual preocupação ambiental tem obrigado os profissionais a rever os processos de


produção de moradias favorecendo o uso de fontes de energia renováveis menos
agressivas ao meio ambiente. É preciso que se reveja o atual modelo para que a
construção civil deixe de ser uma atividade causadora de tanta degradação ao meio
ambiente, partindo-se para o que poderia ser chamado de uma “construção sustentável”.
Além do mais o futuro nos leva quase a obrigação de mudarmos o jeito, o tipo e a
maneira de construções, temos que nos habituar a novas idéias.

Construção Sustentável é um sistema construtivo que promove alterações


conscientes no entorno, de forma a atender as necessidades de edificação e
uso do homem moderno, preservando o meio ambiente e os recursos
naturais, garantindo qualidade de vida para as gerações atuais e futuras
(ARAÚJO, 2013, p.01).

Construir uma casa com menor impacto possível ao ambiente é o objetivo maior para
ser alcançada e para isso é necessário seguir o caminho da construção sustentável. Esta
não só obriga à escolha de materiais de baixo impacto ambiental, mas também de
tecnologias que permitam a casa funcionarem sem fazer perigo aos recursos naturais
como a água e a energia entre outros.

Construção sustentável é (…) encontrar eficiência nos sistemas e nos


materiais, que resultem em menores utilizações de energia e que também
aumentem a vida dos edifícios para além dos tradicionais 50 anos de vida (
PINHEIRO, 2003, p.34).

Para Amado (2009) com a construção sustentável surge a oportunidade de formular


processos operativos de construção no sentido de minimizar os impactos sobre o meio
ambiente e seus recursos naturais, minimizando o consumo energético, e promovendo a
qualidade do conforto interior dos edifícios.

A abordagem proposta por John (2008), será analisada na busca de um amplo conceito
de sustentabilidade na construção civil, em todas as suas esferas e etapas.

O primeiro passo para a sustentabilidade na construção civil é o compromisso das


empresas da cadeia produtiva a criarem as bases para o desenvolvimento de projetos
efetivamente sustentáveis. A seguir será analisado três pré-condições fundamentais para
viabilizar uma construção sustentável. A qualidade de materiais e serviços garante que
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níveis de excelências sejam atingidos, mantidos e disseminados nos processos das
empresas, a gestão de qualidade especialmente a busca por melhoria continua, é um pré-
requisito para sustentabilidade porque estimula a melhoria constante dos processos
empresariais que estão ligados ao consumo de recursos naturais, produtividade,
desperdício, durabilidade, entre outros. As empresas que trabalham com fornecedores
informais também se tornam informais, alimentando esse ciclo nocivo. É preciso
garantir a legalidade de toda empresa, da equipe de mão-de-obra, à seleção de
fornecedores formais estimula o aumento da profissionalização na cadeia produtiva e
conseqüente eliminação de empresas com baixa produtividade que só se mantém no
mercado por economias advindas de atividades ilícitas. Estimular o uso de novas e
eficientes tecnologias disponíveis, ou buscar soluções criativas respeitando o contexto
faz parte do fomento à novos sistemas de construção sustentável. É importante que as
empresas tenham relações estreitas com agentes promotores de inovação na cadeia
produtiva tanto na oferta de novos materiais e equipamentos, quanto na captação da
mão-de-obra. A base para sustentabilidade na construção é alinhar ganhos ambientais e
sociais como ganhos econômicos, daí a necessidade e importância de inovações.

Projeto Casa Sustentável

Para John (2008), o projeto deve levar em considerações diversas variáveis para sua
proposição, devendo-se levar em consideração principalmente as condições climáticas e
topográficas do local, buscando o aproveitamento dos condicionantes naturais e assim,
melhor eficiência energética, além de materiais e mão-de-obras locais, e o
conhecimento ambiental do lote e seu entorno.

Segundo John a partir do estabelecimento das diretrizes do projeto, deve-se elaborar um


programa que permita o desenvolvimento das atividades previstas e a composição
arquitetônica com o máximo de flexibilidade, integrando os ambientes funcionais do
sistema básico adotado, viabilizando seu potencial estético.

Implantação:

 Incentivar o aumento da taxa de permeabilidade do terreno, ampliando a


absorção da área de implantação do projeto.

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 Priorizar manter o desnível original do lote, para que não se despenda energia e
gastos com a movimentação de terra.
 Integrar de maneira mais coerente possível, a obra com o entorno.
 Em climas quentes, utilizar a vegetação como forma de proteção à radiação
solar.

Segundo Bussoloti (2011), toda edificação precisa de materiais. Com uma boa
combinação de técnicas e com o uso responsável dos recursos naturais, obtém-se uma
arquitetura mais sustentável. Uma construção sustentável prevê que os materiais
utilizados sejam preferencialmente de locais próximos e fabricados para serem
utilizados até o fim da vida útil, de preferência podendo atender várias gerações; seja o
produto industrializado, manufaturado, artesanal ou ecológico. É importante lembrar
que produtos e materiais autointitulados ecológicos ou verdes, devem ser questionados.
A forma mais eficiente de se verificar se de fatos estes produtos fazem jus a propaganda
é verificando se estes possuem certificações de certificadoras específicas, entidades
responsáveis por análises de padrões confiáveis ou órgãos, esses materiais devem ser de
preferência recicláveis e reutilizáveis, não contendo em sua composição substancias
tóxicas ou nocivas na sua decomposição e ter autonomia energética, ou seja, vir de
fontes de energias sustentáveis.

Estruturas Básicas

Segundo Corrêa (2009), para construir as estruturas de uma casa sustentável ou


ecológica, são utilizados materiais naturais e sempre de fonte renovável, como plantas,
areia, barro, etc.

O telhado da casa pode ser construído usando o modelo de telhado verde, que consiste
basicamente em um jardim plantado sobre o telhado. São plantadas gramíneas e
algumas plantas que não possuam raízes profundas sobre uma camada impermeável,
devido à umidade da terra, o telhado verde melhora o clima da casa, tornando-o mais
fresco e úmido (www.ecotelhado.com.br).

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Figura 1. Telhado Verde. Fonte: www.jardinaria.com.br .

Para a sustentação da casa ou para as demais estruturas, existe o tijolo ecológico. Sua
montagem é por encaixe e sua estrutura é formada por uma série de furos em seu
interior para que, além da passagem de dutos e sistemas elétricos, possa também servir
como sistema térmico, diminuindo a umidade na parede. Este processo ocorre quando o
ar da parte interna dos tijolos sobe quando é aquecido pelo sol, retornando frio ao seu
ponto inicial. Os tijolos ecológicos são sustentáveis, pois não precisam ser queimados
em fornos, não causando assim agressão ao meio ambiente. O uso do tijolo ecológico
permite uma obra mais rápida e econômica, além de ser mais limpa
(www.ecomaquinas.com.br).

Figura 2. Tijolo Ecológico. Fonte: www.ecomaquinas.com.br.

Em uma casa ecológica a madeira pode ser utilizada em vários locais, como para fazer
as portas, janelas, móveis, divisórias, pisos, vigas e também quando as paredes forem do
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mesmo material, a madeira reflorestada será a principal matéria prima da construção.
Existe uma área utilizada para o cultivo de árvores com interesse comercial, a madeira
plantada é chamada madeira de reflorestamento. São plantadas árvores de crescimento
rápido como o pinus elliottii e o eucalipto, substituindo a extração de madeiras nativas
evitando seu consumo e seu desmatamento, garantindo matéria prima de forma
sustentável (www.montana.com.br).

Figura 3. Madeira de Reflorestamento. Fonte: www.ciflorestas.com.br

A energia solar é um eficiente meio de captar a luminosidade do sol, uma fonte


renovável. A energia do sol é convertida em eletricidade, ela é captada por placas
solares. Esta fonte de energia é muito eficaz, pois ela é abundante e não emite nenhum
tipo de efeito poluente ao meio ambiente. As áreas em que a energia solar é mais
aproveitada são aquelas próximas à linha do equador onde a radiação solar é mais
intensa visto que o sol incide diretamente. O sistema de captação de energia proveniente
do sol é geralmente implantado no teto das casas e esse pode ser classificado como
direto ou indireto. O sistema de captação é chamado direto quando o sol atinge a célula
fotovoltaica criando assim energia elétrica, para o sistema de captação ser indireto ele
deve utilizar mais de uma transformação de energia para ser utilizada
(www.deushelio.blogspot.com.br).

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Figura 4. Placa Solar. Fonte: www.deushelio.blogspot.com.br

Para John (2008) existe ainda um modo de aproveitamento da água da chuva muito
eficiente que é a cisterna. É um mecanismo onde a água pluvial é captada, por calhas e
reservatórios, e reaproveitada. Essa água armazenada pode ser usada para lavar pátios,
carros e irrigar as plantas quando é desprovida de filtro. A água armazenada em
cisternas com filtro pode ser utilizada para a maioria das atividades diárias. É comum
encontrar cisternas em regiões semiáridas onde não chove com frequência, portanto a
água fica armazenada nesse reservatório, que fica na parte externa da casa, sendo assim
usada para suas devidas finalidades.

Figura 5. Captação de Água. Fonte: www.clareando.com.br.

Para Sala (2006) a iluminação da casa sustentável é feita através das energias
renováveis com a utilização de lâmpadas fluorescente que economizam 80% de energia
em relação às lâmpadas incandescentes. É importante, também, que a construção da

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casa seja voltada para um melhor aproveitamento da luz solar no período do dia, ter
janelas e aberturas grandes, dispensando assim o uso de lâmpadas no período diurno.

Aproveitando e Reaproveitando Espaços e Materiais

Segundo Lopez et.al. (2012), a horta é uma maneira sustentável para o cultivo de
legumes, frutas, temperos e ervas medicinais. Esta maneira é a melhor para a saúde e
também para o meio ambiente, por não utilizar agrotóxicos e dar um tratamento ideal ao
solo, evitando as queimadas. A horta, ecologicamente correta, deve ser colocada em um
lugar que pegue sol ao menos duas horas ao dia. É necessária a iluminação, pois
estimula a fotossíntese da planta.

Reciclagem também é sinônimo de reaproveitamento, significa a transformação de


materiais usados em produtos novos. Muitos materiais tem um reaproveitamento de
100% e estes não estão reservados aos produtos industrializados do meio urbano. Nas
zonas rurais, o lixo orgânico é usado na fabricação de adubo orgânico, que pode ser
utilizado na agricultura e também na própria horta (www.suapesquisa.com/reciclagem).

Figura 6. Lixeira Coletiva. Fonte: www.plafi.com.br

Para Lopez et.al. (2012), em uma casa ecológica, as chamadas águas cinza, que são
aquelas vindas de tanques, chuveiros e pias, são também tratadas e reutilizadas. Para a
reciclagem da água, é usado um filtro biológico, dividido em três etapas. Na primeira
etapa, a água passa por uma camada de pedras de carvão e areia, que servem para a
retirada de gorduras pesadas e de resíduos orgânicos mais densos, respectivamente. Na

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segunda etapa, após a água passar pela areia, ela atravessa raízes de plantas de banhado,
como a Taboa e os Papiros. Após encher, o sistema transborda, passando para a terceira
etapa. Na última fase do processo, a água apenas circula por plantas aquáticas, plantas
superficiais e, após isso, é bombeada livre de resíduos.

Figura 7. Filtro Biológico. Fonte: www.ecocentro.org/galeria

Segundo Lopez et.al. (2012), o banheiro compostado ou seco é uma solução para mais
de um problema sanitário, além de ser uma alternativa bem viável, devido ao baixo
custo e a economia de água. Consiste basicamente em um vaso sanitário que separa a
urina das fezes. A técnica dispensa o uso de água e elimina parasitas nocivos à saúde
humana. Não necessita de um sistema de descarga e sim de serragem, tornando assim
mais rápida a secagem das fezes, e eliminando maus odores. O banheiro seco utiliza
apenas um processo de compostagem, no interior de uma câmara preta, voltada para o
norte magnético. A temperatura no interior pode chegar a 60°C, e retira toda a umidade
dos resíduos. A matéria orgânica, que resulta em um húmus, é bastante fértil e pode ser
aproveitada nas plantações da horta. A câmara para o processo de secagem das fezes e
urina é dividida em dois compartimentos. Como a compostagem dura em torno de seis
meses, um deles recebe os dejetos, enquanto o outro, cheio, vai realizando o processo.
Os gases liberados pelos excrementos são exalados por uma chaminé, juntamente com
os odores.

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Figura 8. Banheiro de Seco. Fonte: www.verdedentro.wordpress.com

Considerações Finais

Não pode discutir o tema sustentabilidade na construção civil sem interferir toda a
cadeia produtiva, pois envolve vários setores industriais desde extração da matéria
prima até o seu destino final, sendo assim tendo que haver uma melhoria nas pesquisar e
tecnologias para ter soluções que vão surgir ao logo do seu tempo.

Devido aos problemas que a o Planeta vem sofrendo e da necessidade de ter uma
consciência ambiental seja ela individual ou coletiva e propiciando a criação de
alternativas de uma vida sustentável. Os resíduos da construção civil é uns das
preocupações mundiais, há quem diga que não tem como reverter esse quadro da
construção civil devido o alto impacto oriundo dos serviços.

É possível sim reverter esse quadro procurando utilizar tecnologias sustentáveis entre
outras soluções criativas, é necessário uma gestão ambiental a partir da consciência da
dimensão que os impactos do setor da construção civil causam ao meio ambiente, daí
que surge uma alternativa sustentável e/ou ecológica que é a casa sustentável/ecológica,
portanto é uma moradia ideal do ponto de vista sustentável e é uma garantia de conforto
e econômico.

Com a construção da casa sustentável/ecológica pode chegar até 60% de economia no


final da obra, alem de ser boa alternativa sustentável. Para a construção ser sustentável
não bastar só à estrutura interna ser sustentável, mas a parte externa também tem que ser
sustentável.

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Referências

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