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ADVOCACIA CABRAL

Dr. Deartagnam de Souza Cabral


OAB/ES 20.428

EXCELENTÍSSIMO JUIZ DE DIREITO DA VARA DA FAZENDA PÚBLICA


DA COMARCA DE CONCEIÇÃO DO CASTELO – ESPÍRITO SANTO.

URGENTE
INTERNAÇÃO HOSPITALAR – RISCO DE MORTE

PEDRO ALBERTO DE SOUZA BRUM, brasileiro,


solteiro, portador do RG 3042183/ES, CPF 131.085.987-67,
cadastrado no sistema único de saúde – SUS sob o nº
706501357508092, residente e domiciliado na Avenida Firmino
Teixeira Griffo, Centro, Brejetuba - ES, por seu procurador
infra-assinado, vem respeitosamente à presença de Vossa
Excelência, impetrar

MANDADO DE SEGURANÇA C/C PEDIDO DE LIMINAR

Em face de:
ESTADO DO ESPIRITO SANTO, CNPJ nº
27.080.530/0009-09, citado judicialmente na pessoa do seu
Advogado-Geral, no seguinte endereço: AV NOSSA SENHORA DA
PENHA, nº 1590, LOJA: 02 E 03; SALA: 801 A 804; PAVMTO: 9
AO 14; – BARRO VERMELHO, 29057550 – VITÓRIA – ES; e

MUNICIPIO DE BREJETUBA - ES, pessoa jurídica


de direito Público, CNPJ nº. 01.612.674/0001-00, Avenida
Angelo Uliana, s/n - Bellarmino Ulyana, Brejetuba/ES - CEP:
29630-000 - Tel: (27)3733-1200 / 3733-1224 / 3733-1167, que
deverá ser citado na pessoa do Senhor Procurador, pelos
fatos e fundamentos de direito infra-aduzidos que se passa
a expor:

Av. Firmino Teixeira Griffo, 57, Centro, Brejetuba-ES, CEP 29.630-000


Tel: (27) 3733-1425 / Cel: (27) 99833-1163
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I – BREVE SÍNTESE DOS FATOS

O impetrante é portador do Vírus da


Imunodeficiência Humana – HIV, e de Apendicite crônica. Foi
internado recentemente por 07 (sete) dias em unidade de
terapia intensiva no Hospital Padre Máximo, no município de
Venda Nova do Imigrante/ES.

Contudo, após alta médica, apresentou queda do


estado geral, e retornou ao hospital Padre Máximo,
queixando dor intensa em região abdominal, perda ponderal,
diarreia aquosa persistente, hiporexia e palidez acentuada.

Condições estas que motivou o médico


solicitante, a Drª. Roberta Faria, a imediata internação do
impetrante, por corer risco de vida, conforme espelho de
solicitação em anexo (doc. 02).

Contudo até o presente momento, o impetrante


não foi internado, carecendo de tratamento medico,
tratando-se de ato illegal da autoridade coatora
consubstanciada na restrição indevida ao acesso à saúde,
ficando caracterizado o direito líquido e certo, devendo
ser concedida a segurança.

II - CABIMENTO DO MANDADO DE SEGURANÇA E DA


PROVA PRÉ-CONSTITUÍDA

Direito Líquido e certo: Acesso à saúde - Art.


5º da CF;

Ato impugnado – Abuso de direito: Negativa de


internação hospitalar, mesmo diante de risco de morte;

Prova pré-constituída: Laudo Médico e Espelho


de Solicitação Médica;

Autoridade coatora: Secretário de Saúde do


Município de Brejetuba/ES.

III. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA


Trata-se de previsão constitucional, arts.
196 e 227, no qual se estabelece a responsabilidade

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solidária da União, Estados e Municípios, a prestar o


atendimento necessário na área da saúde.

Portanto, é obrigação do Réu dar assistência


à saúde e dar os meios indispensáveis para o tratamento
médico, conforme entendimento predominante nos tribunais:

SAÚDE. PEDIDO DE TRANSFERÊNCIA DE


PACIENTE PARA UNIDADE HOSPITALAR COM
SUPORTE PARA AVALIAÇÃO DA HEMATOLOGIA.
TUTELA DE URGÊNCIA. DETERMINAÇÃO DE
ATENDIMENTO PELA REDE PUBLICA DE SAÚDE E
EVENTUALMENTE PELA REDE PRIVADA. (...)
Condenação solidária do Estado e do
Município, na forma da Súmula nº 65 do
TJ/RJ, que se mostra correta. Agravo
retido que se rejeita. Apelo improvido.
(...) 6. Em se tratando de pedido urgente
para internação hospitalar, é imperioso
notar que os entes federativos devem se
organizar para atender ao comando
constitucional contido no artigo 6º,
promovendo a descentralização da gestão e
a racionalização das atribuições, assim
observando a integralidade da assistência
à saúde, que é direito subjetivo público
fundamental. Não havendo vagas
disponíveis na rede pública, entretanto,
comprovada a urgência do pedido, poderá o
juiz determinar a internação do
reclamante em leito hospitalar privado,
às expensas do Poder Público, até que
seja possível sua transferência a uma
unidade da rede hospitalar pública Assim,
VOTO pelo CONHECIMENTO e DESPROVIMENTO do
recurso, mantida a sentença recorrida em
todos os seus termos. Sem custas. Com
honorários fixados em R$ 500,00
(quinhentos reais), nos termos do art.85,
§3º do CPC. (TJRJ, RECURSO INOMINADO
0088829-56.2017.8.19.0001,
Relator(a):RAQUEL DE OLIVEIRA, TURMA
RECURSAL FAZENDARIA EXTRAORDINARIA,
Julgado em: 31/01/2018, Publicado em:
02/02/2018)

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Portanto, o Estado, em todas as suas esferas


de poder, deve assegurar o direito à vida e à saúde,
fornecendo gratuitamente o tratamento médico cuja família
não tem condições de Custear, em especial a internação aqui
pleiteada.

IV. DO DIREITO
Conforme narrativa acima colacionado, ficou
perfeitamente evidenciado o direito líquido e certo do
impetrante, afinal, trata-se de clara inobservância legal.

Todo procedimento assim como qualquer ato


administrativo deve ser conduzido com estrita observância
aos princípios constitucionais, sob pena de nulidade.

A Constituição tratou de estabelecer dentre


as garantias da pessoa humana o direito à vida. (CF, art.
5º, “caput”). Esta compreende não só o direito de continuar
vivo, mas de ter uma subsistência digna.

Por esta razão, o direito à vida deve ser


entendido em consonância com o princípio da dignidade da
pessoa humana (CF, art. 1º, III), conforme disciplina o
doutrinador Marcelo Novelino Camargo ao dispor:

“A dignidade da pessoa humana, em si, não


é um direito fundamental, mas sim um
atributo a todo ser humano. Todavia,
existe uma relação de mútua dependência
entre ela e os direitos fundamentais. Ao
mesmo tempo em que os direitos
fundamentais surgiram como uma exigência
da dignidade de proporcionar um pleno
desenvolvimento da pessoa humana, somente
através da existência desses direitos a
dignidade poderá ser respeitada e
protegida” –(in Direito Constitucional
para concursos. Rio de janeiro. Editora
forense, 2007 pág. 160.)
Para proteção dessa garantia, o Estado assume
papel principal no atendimento às necessidades básicas de
cada cidadão, conforme precedentes sobre o tema:

COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE DE INTERNAÇÃO


HOSPITALAR. FORNECIMENTO DEVIDO.
Comprovada a necessidade de internação
hospitalar para a realização de

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tratamento de quimioterapia na parte


autora, devem os entes federativos
disponibilizar tal serviço, em razão do
dever constitucional de garantia ao
atendimento à saúde. DESPESAS JUDICIAIS.
CABIMENTO. Declarada a
inconstitucionalidade da nova redação do
art. 11 da Lei Estadual n. 8.121/85,
trazida pela Lei Estadual n. 13.471/2010,
no ponto em que isenta as Pessoas
Jurídicas de Direito Público do pagamento
de despesas judiciais deve ser observado
o teor da decisão. RECURSO DESPROVIDO.
UNÂNIME. (TJRS, Apelação 70073844912,
Relator(a):Denise Oliveira Cezar,
Vigésima Segunda Câmara Cível, Julgado
em: 26/09/2017, Publicado em: 02/10/2017)
AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO DE OBRIGAÇÃO
DE FAZER - DIREITO À SAÚDE - NECESSIDADE
DE INTERNAÇÃO HOSPITALAR E TRATAMENTO
CIRURGICO - TUTELA DE URGÊNCIA DEFERIDA -
PRINCÍPIO DA RESERVA DO POSSÍVEL NÃO
CARACTERIZADO - FIXAÇÃO DE MULTA
COMINATÓRIA EM FACE DO MUNICÍPIO -
POSSIBILIDADE - LIMITAÇÃO - RAZOABILIDADE
- RECURSO PROVIDO EM PARTE. - O direito à
saúde e à vida se sobrepõe à observância
das regras burocráticas ou financeiras,
de modo que os entraves administrativos
não devem servir de escusa para o
descumprimento dos comandos
constitucionais. - A ordem de
fornecimento de medicamento e de
tratamento médico de necessidade da parte
ex adversa pode vir acompanhada de medida
de coerção de caráter patrimonial, com a
finalidade de compelir ao cumprimento da
medida. -Tratando-se de obrigação de
fazer consistente na internação
cirúrgica, a cominação de penalidade não
é só possível como necessária, em face da
urgência e da imprescindibilidade da
obrigação. - O arbitramento do valor da
multa, bem como a sua limitação devem ser
orientado pelo critério de razoabilidade,
para que se evite a apenação desmesurada
do ente público. - Recurso provido em
parte. (TJ-MG - AI: 10142170001069001 MG,
Relator: Corrêa Junior, Data de

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Julgamento: 25/07/2017, Câmaras Cíveis /


6ª CÂMARA CÍVEL, Data de Publicação:
04/08/2017)
Portanto, devida a imediata concessão da
ordem, para fins de determinar a internação hospitalar do
impetrante.

V – DO PEDIDO LIMINAR

A Lei 12.016/09, ao dispor sobre a tutela de


urgência, previu claramente o cabimento do pedido liminar
ao dispor sobre a possibilidade de suspensão do ato coator
sempre que "houver fundamento relevante e do ato impugnado
puder resultar a ineficácia da medida, caso seja finalmente
deferida, sendo facultado exigir do impetrante caução,
fiança ou depósito, com o objetivo de assegurar o
ressarcimento à pessoa jurídica." (Art. 7º, inc. III)

No presente caso, referidos requisitos restam


perfeitamente demonstrados, vejamos:

FUNDAMENTO RELEVANTE: Como ficou


perfeitamente demonstrado, o direto do Autor é
caracterizado pela indiponibilidade de internação
hospitalar.

DO RISCO AO RESULTADO ÚTIL DO PROCESSO:


Trata-se de Internação Urgente, com risco de morte, ou
seja, tal circunstância confere grave risco de perecimento
do resultado útil do processo.

Luiz Guilherme Marinoni ao lecionar sobre a


tutela de evidência, destaca:

"Se o fato constitutivo é incontroverso


não há racionalidade em obrigar o autor a
esperar o tempo necessário à produção da
prova dos fatos impeditivos,
modificativos ou extintivos, uma vez que
o autor já se desincumbiu do ônus da
prova e a demora inerente à prova dos
fatos cuja prova incumbe ao réu
certamente o beneficia." (in Tutela de
Urgência e Tutela da Evidência. Editora
RT, 2017. p. 284)

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Ademais, insta consignar sobre a


REVERSIBILIDADE DA MEDIDA, de forma que o seu deferimento
não confere qualquer risco ou possua algum reflexo
irreversível.

Diante de tais circunstâncias, é inegável a


existência de fundado receio de dano irreparável, sendo
imprescindível o deferimento do pedido inaudita altera
pars, para o fim de determinar a IMEDIATA INTERNAÇÃO
HOSPITALAR DO IMPETRANTE, nos termos do Art. 7º, inc. III
da Lei 12.016/09.

VI - DOS PEDIDOS
Ante todo o exposto, requer:
a) Defira a medida liminar pleiteada, nos
termos do Art. 7º, inc. III da Lei 12.016,
determinando aos Impetrados que proceda a
imediata internação do impetrante;
b) Determine a intimação das Autoridades
Coatora para, querendo, responder à presente
demanda;
c) Seja notificado os órgãos públicos
impetrados por meio de sua procuradoria de
representação;
d) Ao final, conceda a ordem, para, confirmar
o pedido liminar, se deferido, com a
determinação definitiva de disponibilidade de
leito, bem como de todo o tratamento
necessário até a efetiva alta do paciente.

Dá-se à causa o valor de R$ 998,00


(novecentos e noventa e oito reais).

Nestes Termos,
Pede Deferimento.

Brejetuba-ES, 07 de novembro de 2019.

_______________________________
DEARTAGNAM DE SOUZA CABRAL
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ANEXOS

Procuração;

Documento de identidade do Autor – CNH;

Cópia do Cartão de Sistema Único de Saúde do Autor;

Cópia do Espelho de Solicitação Médica de Internação;

Cópia do Laudo Médico;

Toda e qualquer prova necessária à demonstração do direito.

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