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Quanto ao progresso interno, Freud menciona que a ampliação do estudo do simbolismo

possibilitaria um conhecimento maior do inconsciente. Afirma que nenhum psicanalista na investigação do


psiquismo de seu paciente pode ir mais longe do que as resistências e os complexos do paciente lhe permite,
também considera que as técnicas analíticas têm de adotar certas modificações que são compatíveis a
forma da patologia que se busca tratar. Ele menciona que a contratransferência como um fenômeno que
pode funcionar como um obstáculo para o progresso da Psicanalise. Freud coloca a auto analise como
solução para a questão da contratransferência.

Theodor Reik (1937) afirma que se o analista confia mais na intuição que no mero raciocínio, poderá
captar melhor o que está se passando no inconsciente do paciente, pois há uma captação intuitiva de
inconsciente a inconsciente, como Freud já havia mencionado em 1915 no artigo O inconsciente. Reik afirma
que o analista deve deixa-se surpreender pela emergência do seu inconsciente para ter insights na sessão
com o seu paciente.

Anos mais tarde Paula Heimann (1950) e Racker (1968), estudam mais profundamente a
contratransferência: “A resposta emocional do analista aos estímulos que provêm do paciente, a
contratransferência é resultado da influência do analisando sobre o inconsciente do analista”. Até então a
transferência e a contratransferência era vista principalmente como obstáculo ao processo analítico, para,
gradualmente passar a fazer parte da técnica psicanalítica como instrumentos importantes no
desenvolvimento satisfatório no processo.

Racker sugere que a contratransferência pode influenciar o processo de três formas:

 Como obstáculo: Quando o analista é incapaz de compreender o paciente


 Como Instrumento: Auxilia o analista a capitar o que se passa como o paciente.
 Como campo: O paciente pode adquirir uma experiência diferente da que teve originalmente.

Também classifica 2 tipos de contratransferência:

 Concordante: quando o analista identifica seu ego com o ego ou as partes da personalidade do
paciente. (São empáticas e expressam a compreensão do analista.)
 Complementar: quando o ego do analista se identifica com objetos interno do paciente. (Indica
presença de conflito.)

Freud, Klein e Bion consideram a contratransferência sempre uma perturbação, a princípio.


Somente quando o analista a submete a um trabalho de analise, podendo então compreender seu sentido,
é que ela se torna um instrumento útil.

Leon Grinberg (1976) contribui para o estudo da transferência com o conceito de “contra
identificação projetiva”. Contra identificação projetiva: o analista vê-se obrigado a desempenhar um papel
que lhe é forção pela violência da identificação projetiva do paciente. Não entram em jogo os conflitos
inconscientes do analista, mas trata-se de uma reação provocada pela intensa identificação projetiva do
paciente.

Grinberg se aproxima de Bion e Klein nessa questão, ele descreveu a identificação projetiva como
uma fantasia onipotente, quando o indivíduo coloca no objeto parte de seu self com as quais fica
posteriormente identificado, Bion, quando fala de sua “tela beta”, afirma que, graças a ela, o paciente,
através de identificações projetivas, provoca realmente emoções no analista, não se tratando só de uma
fantasia onipotente.

O essencial parece ser que o analista possa, graças a sua análise pessoas, observar as suas
vivencias contra transferenciais e auto analisá-las, para que consiga compreender mais amplamente seu
paciente, poderá captar dissociações, fragmentações e identificações projetivas que o paciente estará
utilizando. Isso permite que os aspectos importantes do psiquismo do seu paciente possam ser interpretados
e interligados na relação analista-paciente. Isso permite ao analista intuir necessidades psíquicas do
paciente que não seriam acessíveis de outra forma, e ao detectar essas necessidades é possível a
adaptação da técnica analítica para as características psíquicas apresentadas pelo paciente naquele
momento especifico da sessão