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FACULDADE NOVO TEMPO DE ITAPIPOCA

Prof. (a): Dr. Carlos Roberto da S. Maia


Aluno: José Roberto Pinto Madeira
Turno: Manhã
Curso: Direito
Disciplina: Economia Política

Fichamento Analítico

WEBER. Max. O Direito Na Economia e Na Sociedade.1. ed. São Paulo: Ícone,


2011. O sistema Econômico e as Ordens Normativas (p.233-289) - segundo
Capítulo.

ORDEM JURÍDICA E ORDEM ECONÔMICA

O Autor faz uma reflexão sobre os dois pontos de vista do Direito ou Ordem
Jurídica ou proposição jurídica, ponto de vista sociológico e outro legal, sob o ponto
de vista legal pergunta: “o que seria constitucionalmente válido como Direito? No que
se refere ao ponto de vista sociológico ele indaga o que acontece numa comunidade
de pessoas para que elas considerem certas normas como válidas orientem suas
condutas por tais normas.

“(...) com respeito ao ponto de vista legal perguntamos: o que é


constitucionalmente válido como direito? (...) Com respeito ao ponto de vista
sociológico, perguntamos: o que acontece com a probabilidade de que em uma
sociedade onde pessoas participantes em atividade comunal (...) considerem
subjetivamente certas normas como válidas e praticamente agem de acordo
com elas, ou, em outras palavras, orientam sua própria conduta a essas
normas?”

“(...) essa distinção também determina, em princípio, a relação entre Direito e


Economia.”
Weber enfatiza que o ponto de vista legal tem o intuito de descobrir o conteúdo
correto das normas numa determinada ordem jurídica, ou seja definir os fatos aos
quais essas normas se reportam de uma forma lógica e livre de contradições.

“O ponto de vista judicial, ou mais precisamente, jurídico-dogmático, visa


descobrir o significado correto das proposições, o conteúdo que uma ordem
supostamente determinante na conduta de um grupo específico de pessoas, ou
seja, tenta definir os fatos aos quais esta ordem se aplica (...) examina cada uma
delas e tenta determinar o seu significado logicamente correto de forma tal que
todas possam ser cominadas em um sistema que seja logicamente coerente, ou
seja livre de contradições internas.”

As situações provenientes da combinação de dois fatores que são: a forma pelo


qual o poder factual é distribuído sobre produtos e serviços econômicos e a forma qual
esses produtos e serviços são usados se usa o termo “ordem econômica.”

“Devemos, portanto, usar o termo “ordem econômica” para situações advindas


da combinação de dois fatores: primeiro, a forma pela qual o poder factual é
distribuído sobre produtos e serviços econômicos, (...) e, segundo a forma pela
qual esses produtos e serviços são realmente usados em virtude desse poder e
das intenções subjacentes.”

Para Max Weber a ordem jurídica” ideal não está diretamente ligada à ordem
econômica, pois existem em níveis diferentes, a Ordem jurídica existe no “dever” e a
ordem econômica no real, ou seja, no ser.

“A “ordem jurídica” ideal da teoria jurídica não está diretamente ligada com o
mundo da conduta econômica real, pois ambas existem em níveis diferentes.
Uma existe na Esfera ideal do “dever” enquanto a outra no mundo real do “ser”.”

Se for afirmar que as duas ordens estão ligadas sempre será com sentido no
ponto de vista sociológico e não do ponto de vista legal e nesse caso a ordem jurídica
tem significado totalmente diferente.
“ser apesar disso for dito que uma ordem econômica e uma jurídica estão
ligadas intimamente uma a outra, a última será entendida, não no sentido legal,
mas no sentido sociológico, como sendo empiricamente válida. Nesse contexto,
a ordem jurídica” tem significado totalmente diferente.”

Para weber o elemento essencial para a criação e continuidade da ordem


jurídica é o fato de as pessoas agirem de acordo com as normas legais.

“O fato de algumas pessoas agirem de certa forma porque as proposições legais


assim prescrevem (Rechtssaetze) e, obviamente, um elemento essencial no
surgimento e continuação de uma “ordem jurídica”.”

Ele afirma que a grande maioria das pessoas cumpre as normas não por
obediência, mas por incentivo do ambiente e fazem de forma habitual, sem reflexão.

“A massa variada de participantes age de forma a corresponder as normas


jurídicas, não por obediência a uma obrigação legal, mas porque o ambiente
aprova essa conduta e desaprova o oposto, ou meramente como resultado do
hábito da não reflexão em relação à regularidade da vida que se tornou um
costume.”

A garantia de cumprimento das normas trás a ideia de coação de forma legal


para a sua efetivação.

“O termo “direito garantido” deve trazer consigo s ideia de que existe um


“aparato coativo”, ou sejam que há pessoas cuja tarefa especial é a de estarem
prontas para usar os meios de coação (coação legal) especialmente fornecidos
com o propósito de cumprir a lei.

“os meios de coação podem ser físicos ou psicológicos, diretos ou indiretos e,


quando necessário, podem ser direcionados aos participantes de uma
comunidade consensual constituída por uma associação, corporação ou
instituição dentro das quais o sistema de ordem é empiricamente válido ou
orientado a casos externos.”
Mas para weber nem todas as normas consensualmente válidas pela
comunidade são normas jurídicas e nem todas as funções do aparato coativo estão
preocupadas em executar a coação legal.

“nem todas as normas consensualmente válidas em uma comunidade (como


veremos mais tarde) são “normas jurídicas”; e nem são todas as funções
oficiais das pessoas constituindo o aparato coativo de uma comunidade que
esteja preocupada com a coação legal.”

“hoje em dia, a coação legal por meio da violência é privilégio exclusivo do


Estado. Todas as outras instituições que aplicam a coação legal por meio da
violência são consideradas como heteronômicas ou heterocéfalas.”

Em Weber, segundo a sociologia quando alguém alega que possui um direito


de acordo com a ordem jurídica de um estado ele tem o direito de solicitar ao mesmo
estado que garanta através de seu aparato coativo os seus interesses materiais e
ideais.

“segundo a sociologia, a alegação que alguém tem um direito em virtude da


ordem jurídica de um estado do estado quer, com frequência, dizer o seguinte:
Ele possui uma chance, garantida pela interpretação consensual de uma norma
jurídica de invocar, a favor dos seus ideais ou interesses materiais, a ajuda do
“aparato coativo” que esteja preparado para esse propósito.”

DIREITO ESTATAL E EXTRAESTATAL

Weber cita as comunidades Zadrugas da Áustria Imperial, a igreja católica


como exemplos de instituições que possuem normas extra estatais, porém
reconhecidas pelo Estado como válidas.

“A concepção de que o estado “existe” apenas quando os meios coativos da


comunidade política são superiores a todos os outros é antisociológica. O
“direito eclesiástico” continua sendo direito mesmo quando entra em conflito
com o direito “estatal” (...) a ação consensual que constitui uma zadruga possui
à sua disposição o próprio aparato coativo para o cumprimento de suas
normas;”

“A lei do Estado frequentemente tenta obstruir os meios coativos de outras


consociações; a Lei de difamação inglesa tenta impedir o uso da lista negram
excluindo a defesa da verdade, entretanto o estado nem sempre consegue. Há
grupos mais fortes que o Estado, como, por exemplo, grupos e associações,
usualmente baseados em classes sociais, que dependem do “código de honra”
do duelo como forma de resolver seus conflitos.”

“A organização moderna se apropriou em grande parte, da aplicação dessas


medidas de coação”

“até certo ponto, o estado precisa tolerar o poder coativo das organizações,
mesmo em casos em que o poder não seja apenas direcionado em oposição aos
membros, mas também em oposição a estranhos aos quais a organização tenta
impor suas próprias normas.”

DIREITO, CONVENÇÃO E USO

“Direito, convenção e uso pertencem ao mesmo continuum, com transições


imperceptíveis de um a outro. Definiremos “uso” como uma atividade
tipicamente uniforme que é mantida simplesmente porque os homens estão
“acostumados” e persistem nela por imitação irrefletida.”

“A convenção, por outro lado, existe quando uma certa conduta pode ser
induzida sem qualquer coação física ou psicológica, e sob circunstâncias
normais sem qualquer reação direta exceto a expressão de aprovação ou
desaprovação por parte das pessoas que constituem o ambiente do ator.”

“A “convenção” deve ser diferenciada do direito costumeiro. (...) a validade de


uma norma, como direito costumeiro, consiste na pouca probabilidade de que
um aparato coativo seja usado mesmo que a sua validade advenha mais de um
mero consenso do que de um decreto. A convenção, pelo contrário é
categorizada pela própria ausência de um aparato coativo, ou seja, por qualquer
grupo relativamente limitado de pessoas que continuamente se considerariam
prontas para a tarefa especial de coação física ou psicológica,”

“O nível da necessidade econômica, que constitui a base de toda “atividade


econômica” está compreensivamente condicionado pelo mero “uso”.”

“A existência de uma convenção pode, então, ser ainda mais determinante na


conduta de um indivíduo do que a existência de um mecanismo jurídico de
coação.”

“uma norma que alcançou validade prática é chamada de direito


consuetudinário. Eventualmente, os interesses envolvidos podem engendrar
um desejo racional considerável para assegurar a convenção ou a obrigação do
direito consuetudinário contra a subversão e coloca-la explicitamente sob a
garantia de uma máquina de coação, ou seja, transformá-la em direito
legalizado.”

“do ponto de vista sociológico, entretanto, a validade ética é normalmente


idêntica à validade “em fundamentos religiosos” ou “em virtude” de
convenção.”

“o fato de uma pessoa “dever” alguma coisa para outra pode ser traduzido, de
forma sociológica, como: um compromisso (promessa, injustiça ou outra
causa);a expectativa que, no devido tempo o devedor terá que se render ai
direito de disposição do credor quanto à mercadoria em questão; a existência
de uma chance da expectativa ser correspondida. Os motivos psicológicos que
envolvem essa questão não despertam o interesse imediato do economista.”

“uma troca de mercadorias significa: a transferência de um objeto, conforme um


acordo, do controle factual de uma pessoa para outra, contanto que essa
transferência seja baseada no pressuposto que outro objeto será transferido do
controle factual da segunda pessoa para a primeira.”

IMPORTÂNCIA E LIMITES DA COAÇÃO LEGAL NA VIDA ECONÔMICA

“As regularidades factuais de conduta (“usos”) podem, como já vimos


tornarem-se uma fonte de regras para a conduta (“convenções”, “direito”). O
inverso, contudo, pode ser igualmente verdadeiro.”

“as regularidades podem ser produzidas por normas jurídicas, agindo sozinhas
ou em combinação com outros fatores.”

“os limites do sucesso de uma coação legal na esfera econômica, nascem, de


certa forma, de duas fontes principais.”

“do ponto de vista puramente teórico a garantia jurídica pelo Estado não é
indispensável a qualquer fenômeno econômico básico. (...) os direitos dos
credores são as vezes, protegidos com mais eficiência por meio de ameaças de
excomunhão advindas das comunidades religiosas do que do corpo político. O
dinheiro existia também em todas as suas formas, sem a garantia do Estado
quanto a aceitação como forma de pagamento.”

“de forma “conceitual”, o estado não é indispensável a qualquer atividade


econômica. Todavia, um sistema econômico" especialmente o moderno,
poderia certamente não existir sem uma ordem jurídica com características
muito especiais;”

“A predominância universal da consociação requer, por um lado, um sistema


jurídico cuja função seja calculada de acordo com as regras racionais.”