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Allende não vale as lágrimas 

MÍDIA SEM MÁSCARA, 18 DE SETEMBRO DE 2002 

O 9/11 do 

Félix Maier 

Allende  não  vale  as  lágrimas  Enquanto  Pinochet  responde  a  centenas  de 
processos,  líderes  assassinos  da  esquerda  mundial,  a  começar  por  Fidel 
Castro, andam livres pelo mundo, sem que nada lhes aconteça. Félix Maier 

O  dia  11  de  setembro  de  cada  ano  é  sempre lembrado pelas esquerdas do 


mundo  inteiro  como  o  dia  do  "martírio"  de  Salvador  Allende.  (O  11  de 
setembro  de  2001  será  também  lembrado  pela  mesma  esquerda  como  o 
ataque  bem  sucedido  contra  o  coração  financeiro  do  capitalismo 
americano,  com  a  derrubada  das  duas  torres  gêmeas  do  World  Trade 
Center.)  Em  seu  maniqueísmo  vesgo  e  primário,  o  11  de  setembro  é 
lembrado  como  o  dia  em  que  o  "bem"  foi  vencido  pelo  "mal".  No  caso,  o 
"mal"  sendo  encarnado  pelas  Forças  Armadas  do  Chile,  com  Augusto 
Pinochet  à  frente.  Esse  é  o  motivo  de  Pinochet  estar  sendo  demonizado 
até  hoje  pelos  comunistas  e  socialistas  do  Chile,  e  pelo  juiz  Baltasar 
Garzón  (1),  ex-deputado  socialista  espanhol,  que  começou  a  caçada  a 
Pinochet  em  Londres  e  que  prossegue  até  os  dias  atuais.  Esse  é  o  motivo 
pelo qual Pinochet responde a mais de duas centenas de processos no 

Chile  e  em  outros  países,  enquanto  muitos líderes assassinos da esquerda 


mundial,  a  começar  por  Fidel  Castro,  andam  leves  e fagueiros pelo mundo, 
sem  que  nada  lhes  aconteça,  já  que  têm  garantidas as bênçãos e a defesa 
do juiz Garzón e de toda a corja que o segue nessa campanha revanchista. 

As  esquerdas  até  hoje  não  aceitam  a  derrubada  de  um  mito  que  haviam 
criado  para  si:  nenhum  país  socialista  jamais  foi  derrubado  por  forças 
"reacionárias".  No  Chile,  esse  mito  ruiu  no  dia  11  de  setembro  de  1973, 
quando o governo socialista de Allende foi para o beleléu. 

Mas,  afinal,  que  governo  foi  esse  implementado  no  Chile  por  Salvador 
Allende?  A  leitura  de  alguns  livros  básicos,  como  o  Libro  Blanco  e  Chile: 

/
Objetivo  del  Terrorismo (veja "Bibliografia", no final deste texto), nos ajudam 
a  elucidar  o  que  foram  os  anos  de  1970  a  1973,  ou  seja,  a  preparação  do 
Chile para um governo comunista. E os "anos de dinamite" que se seguiram 
após  o  contragolpe  de  Pinochet.  Os  fatos  e  os  números  apresentados  são 
contundentes,  desmascarando  totalmente  a  mitologia  difundida  pelas 
esquerdas,  que  sempre  posaram  de  vítimas  "frágeis"  frente  à  propalada 
"ferocidade"  de  Pinochet.  Felizmente,  para a população chilena, o sonho do 
Kerensky  dos  Andes  foi  abortado  pela  reação  firme  das  Forças  Armadas, 
com  total  apoio  de  sua  população.  O mais é mitologia sul-americana que a 
esquerda  tenta  escrever  nos  jornais  e  ensinar  nas  escolas  -  o  que  faz com 
bastante sucesso. 

O presente trabalho aborda três tópicos distintos: 

1. O Governo socialista de Salvador Allende 

2. Os atos terroristas do MIR 

3.  Os  atos  terroristas  da  FMR  -  o  filho  "natural"  do  Partido 
Comunista do Chile 

1. O Governo socialista de Salvador Allende 

O  Libro  Blanco  del  Cambio  de  Gobierno  en  Chile,  de  11  de  setembro  de 
1973,  impresso  e  editado  por  Editorial  Lord  Cochrane,  S.A., Santiago, Chile, 
documenta  toda  a  prática  revolucionária  ocorrida  no  Chile  sob  o  governo 
de  Salvador  Allende  (1970-1973),  que  preparava  um  autogolpe  para 
implantar  o socialismo no país, já que havia conquistado apenas 36,5% dos 
votos  e  não  detinha  controle  sobre  o  Congresso,  a  Justiça  e  as  Forças 
Armadas. 

Documenta  a  estreita  ligação  de  Allende  com  o  regime  de  Fidel  Castro,  as 
escolas  de  guerrilhas  no país (há uma foto em que Allende faz treinamento 
de  tiro  com  uma  metralhadora  .30  em  sua  residência  oficial  de  "El 
Cañaveral"  -  um  centro  de  guerrilha  -  escudado  por  um  guerrilheiro 
cubano). 

/
Documenta  a  política  de  "expropriação"  de  fazendas  e  indústrias  (no  final 
do  Governo  Allende,  80%  da  economia  do  país  estava  nas  mãos  do 
Estado). 

Documenta  a  ligação  de  Allende  com  a  UP,  o  MIR,  o  MAPU,  o  Partido 


Comunista  e  o  Partido  Socialista,  libertando,  logo  que  assumiu  a 
presidência,  líderes  do  MIR:  Luciano  Cruz,  Miguel  e  Edgardo  Enriquez, 
Bautista  van  Schouwen,  Humberto  Sotomayor,  Sergio  Zorrilla,  Joel 
Marambio  e  Andrés  Pascal  Allende  (sobrinho  do  ex-presidente  Allende, 
filho  de  sua  irmã  e  ex-deputada  socialista,  Laura  Allende), que haviam sido 
presos  por  atos  de  violência  e  delitos  comuns  (principalmente  roubos  a 
bancos), cometidos no governo anterior. 

Documenta  que  os  responsáveis  pelas  escolas  de  guerrilhas  de  Guayacán 
(Santiago)  e  Chaihuín (Valdivia), presos no governo anterior, foram soltos, e 
que  um  dos  guerrilheiros,  Adrián  Vasquez,  ocupou  de  imediato  a 
vice-presidência  do  INDAP  (Instituto  de  Desarrollo  Agropecuario)  e  outro, 
Rolando  Calderón,  chegou  a  ser  Ministro  da  Agricultura  de  Allende  em 
1972  e  ocupou  importantes cargos em seu partido e na CUT (Central Única 
de Trabajadores). 

Documenta  que  uma  das  filhas  de  um  sobrinho  de  Allende,  líder  do  MIR, 
casou-se  com  graduado  membro  da  embaixada  cubana,  Luís  de  Ona,  que 
era  responsável  pelo  escritório  de  Havana  para  a  coordenação  da 
expedição  de  Che  Guevara  à  Bolívia.  Documenta  que  no  período  de  1º  de 
novembro  de  1970  a  5  de  abril  de  1972,  1.767  fazendas  foram 
"expropriadas" por bandos armados do MIR. 

Documenta  que  as  principais  minas  de  cobre  foram  controladas  pelo 
Partido  Comunista  (Mina  de  Chuquicamata,  na  província  de  Antofagasta  - 
maior  mina  de  cobre  a  céu  aberto  do  mundo;  e  a  Mina  El  Teniente,  na 
província de O'Higgins - a maior mina de cobre subterrânea do mundo). 

Documenta  que  após  o  contragolpe  militar  de Pinochet foram encontradas 


vultosas  somas  de  dinheiro  com  ministros  de  Allende  e  que  entre  1970  e 
1973  o  Chile  se  tornou  o  principal  fornecedor  de  cocaína  da  América  do 
Sul. 

/
Documenta  que  antes  do  golpe  militar  de  1973,  aproximadamente  100 
pessoas  perderam  a  vida  durante  o  governo  Allende  em  seu  nada  pacífico 
"caminho chileno para o socialismo". 

Documenta  que  no  início  do  governo  Allende  1  dólar  equivalia  a  20 
escudos  e  que  em  agosto  de  1973 1 dólar equivalia a 2.500 escudos - uma 
inflação  de  mais  ou  menos  12.000%  no  período;  em  1972,  a  economia 
chilena  estava  em  ruínas, dos 3.000 produtos domésticos básicos, mais de 
2.500  não  estavam  disponíveis;  em  janeiro  de  1973  começou  um 
racionamento,  as  filas  eram  tão  grandes  que  impediam  o  povo  de  ir  ao 
trabalho;  em  7  de setembro de 1973 (4 dias antes do golpe militar), Allende 
anunciou  publicamente  que  havia  farinha  para  pão  somente  para  mais  3 
dias. 

Documenta  o ingresso de estrangeiros extremistas no país, calculado entre 
10.000  e  15.000,  muitos  dos  quais  ocuparam  cargos  em  empresas 
estatais,  outros  engajaram-se  em  diversos  tipos  de  atividades 
revolucionárias,  sob  a  proteção  do  serviço  de  investigação  estatal.  Muitos 
destes  foram  mortos  em  ações  de  roubos  ou  se  mataram  com  seus 
próprios  explosivos.  Entre  estes,  havia  asilados  ou  refugiados  vindos  do 
Brasil,  Uruguai,  Argentina,  Peru,  São  Domingos,  Nicarágua,  Honduras  etc.; 
"estudantes"  ou  "técnicos"  vindos  de  empresas  estatizadas  da  URSS, 
Checoslováquia,  Alemanha  Oriental;  e  "diplomatas"  cubanos  e 
norte-coreanos. 

Documenta  o  contrabando  de  armamento,  adquirido  em  "viagens 


internacionais"  do  presidente,  principalmente  com  a  ajuda  da  empresa 
aérea estatal "LAN", sem fiscalização da aduana no retorno ao país. 

Documenta  os  "comandos  comunales",  agrupamento  territorial  de 


organismos  revolucionários,  e  os  "cordones  industriales",  redes  de 
trabalhadores  de  indústrias  usurpadas ou estatizadas por Allende, também 
com base territorial para a violência política. 

Documenta  que  no  início  de agosto de 1973, um mês antes do contragolpe 


militar,  Fidel  Castro  mandou  ao  Chile  2  de  seus maiores "especialistas" em 
organização  de  violência  política:  o  1º  Ministro-substituto,  Carlos  Rafael 
Rodriguez,  e  o  chefe  da  temida  polícia  secreta,  Manuel  Pineiro,  o 
"barbarroxa", com a seguinte carta: 

/
"Havana, 29 de julho de 1973 

Querido Salvador, 

Com  o  pretexto  de  discutir  contigo  questões  referentes  à  reunião  de  países 
não-alinhados,  Carlos  e  Piñero  realizam  uma  viagem  para  aí.  O  objetivo  real 
é  informar-se  contigo  sobre  a  situação  e  oferecer-te,  como  sempre,  nossa 
disposição  de  cooperar  frente  às  dificuldades  e  perigos  que  obstaculizam  e 
ameaçam  o  processo.  A  estada  deles  será  muito  breve,  porquanto  têm  aqui 
muitas  obrigações  pendentes  e,  não  sem  sacrificar  seus  trabalhos, 
decidimos que fizessem a viagem. 

Vejo  que  estão,  agora,  na  delicada  questão  do  diálogo  com  a  D.  C. 
(Democracia  Cristã)  em  meio  aos  graves  acontecimentos,  como  o  brutal 
assassinato  de  seu  Ajudante-de-Ordens  Naval  e  a  nova  greve  dos  donos  de 
caminhões.  Imagino  a  grande  tensão  existente  devido  a  isso  e  teus  desejos 
de  ganhar  tempo,  melhorar  a  correlação  de  forças  para  o  caso  de  que 
comece a luta e, se possível, achar um caminho que permita seguir adiante o 
processo  revolucionário  sem  guerra  civil,  junto  com  salvar  tua 
responsabilidade histórica por aquilo que possa ocorrer. 

Estes são propósitos louváveis. 

Mas,  no  caso da oposição, cujas reais intenções não estamos em condições 


de  avaliar  daqui,  empenhar-se  em  uma  política  pérfida  e  irresponsável 
exigindo  um  preço  impossível  de  pagar  pela  Unidade Popular e a Revolução, 
o  qual  é,  inclusive,  bastante  provável,  não  esqueças,  por  um  segundo,  da 
formidável  força  da  classe  trabalhadora  chilena  e  do  forte  respaldo  que  te 
ofereceram  em  todos  os  momentos difíceis; ela pode, a teu chamado, ante a 
Revolução em perigo, paralisar os golpistas, manter a adesão dos vacilantes, 
impor  suas  condições  e  decidir  de  uma  vez,  se  for  preciso,  o  destino  do 
Chile.  O  inimigo  deve  saber  de  que  dispões  do  necessário  para  entrar  em 
ação.  Sua  força  e  sua  combatividade  podem  inclinar  a  balança  na  capital  a 
teu favor, inclusive, quando outras circunstâncias sejam desfavoráveis. 

Tua  decisão  de  defender  o  processo  com  firmeza e com honra, mesmo com 


o  preço  da  própria  vida,  que  todos  te  sabem  capaz  de  cumprir,  arrastarão  a 
teu  lado  todas  as  forças  capazes  de  combater  e  todos  os  homens  e 
mulheres  dignos  do  Chile. Teu valor, tua serenidade e tua audácia nesta hora 
histórica  de  tua  pátria  e,  sobretudo,  teu  comando  firme,  decidido  e 

/
heroicamente  exercido,  constituem  a  chave  da  situação.  Faz  Carlos  e 
Manuel saberem em que podem cooperar teus leais amigos cubanos. 

Te reitero o carinho e a ilimitada confiança de nosso povo. 

Fraternalmente, Fidel Castro" 

Documenta  o  "Plano  Z"  para  a  tomada  do  poder,  onde  constavam  3 


hipóteses de ação revolucionária: 

Z-A:  início  do  autogolpe  para  impor  a  ditadura  do  proletariado; 


Z-B:  morte  de  Allende  em  atentado;  e  Z-C:  invasão  externa  com 
tolerância  ou  cumplicidade  das  Forças  Armadas,  o  emprego  de 
forças  populares,  princípios  básicos  para  desencadear  o  plano  e 
os objetivos do plano, a saber: 

Assassinato  do  Alto  Comando  das  unidades  das  Forças  Armadas  (no  dia 
da  independência  do  país,  haveria  um  banquete  oferecido  ao  alto 
comando,  ocasião  em  que  os  chefes  militares  seriam  assassinados  pelo 
Grupo  de  Amigos  Personales  -  GAP,  "a  guarda  pretoriana"  de  Allende), 
controle  das  unidades  militares  com  auxílio  de  oficiais  esquerdistas 
infiltrados,  controle  das  estações  de  telecomunicações,  de  rodovias, 
ferrovias  e  aeronaves  com  destino  aos aeroportos de Santiago, Valparaíso, 
Concepción  e  Antofagasta,  ocupação  e  defesa  de  centros  estratégicos, 
além da busca, prisão e aniquilamento de todos os focos de resistência. 

Documenta  que  Cuba  foi  o  principal  fornecedor  de  armamento  a  Allende, 


que  o  "presente"  de  Fidel  Castro  encontrado  no  apartamento  do  Diretor  do 
Serviço  de  Investigação,  Eduardo  "Coco"  Paredes,  superava  1  tonelada  de 
armamento  sofisticado  e  munição;  além  do  contrabando,  o  arsenal  era 
aumentado  com  roubo  de  armamento  do  exército  e  outras  fontes,  e 
guardados  em  local  oficial  "seguro",  como  as  residências  oficiais  do 
presidente ou distribuídas a grupos paramilitares. 

Documenta  a  enorme  quantidade  de  armamento  apreendida  na  residência 


oficial  de  "El  Cañaveral"  e  no  Palácio  de  "La  Moneda",  a  saber:  147  fuzis 
semi-automáticos,  10  carabinas  semi-automáticas,  10  carabinas Mauser, 1 
carabina  Winchester,  54  pistolas  automáticas,  13  rifles,  28  pistolas 
semi-automáticas,  11  revólveres, 2 pistolas para disparo de bombas de gás 
lacrimogênio,  3  metralhadoras,  9  lançadores  de  foguetes  (modelo 

/
soviético),  2  canhões  sem  recuo,  1  morteiro,  58  baionetas  para  fuzis,  58 
granadas  de  mão,  625  bombas  caseiras,  832  bombas  com  alto  poder 
explosivo,  68  lança-granadas,  236  minas  antitanque,  432  bombas  de  gás 
lacrimogênio,  12  lança-gás  paralisante  (tipo  spray),  25.ooo  detonadores 
elétricos,  1.500  detonadores  a  mecha,  22.000  metros  de  estopim,  3.600  m 
de  cordão  detonante,  625  kg  de  cloreto de potássio, 50 caixas de dinamite, 
250  kg  de  TNT,  750  coquetéis  molotov,  230  litros  de  éter  sulfúrico 
(elemento  incendiário),  mais  de  80.000  carregadores  de  todos  os  tipos,  e 
outros tipos de equipamentos. 

Rendido  no  palácio  de  "La  Moneda",  Allende  concordou  em  sair  com  as 
filhas,  porém  elas  saíram  primeiro,  ocasião  em  que  Allende  suicidou-se 
com  um  tiro  debaixo  do  queixo  com  uma  metralhadora  presenteada  por 
seu  amigo  "urso"  Fidel  Castro;  tal  fato  foi  presenciado  por  seu  médico 
particular, Patricio Guijon Klein. 

Sem  o  apoio  da  massa  de  trabalhadores,  paramilitares  estrangeiros 


extremistas  organizaram  sua  própria  revolta  contra  o  novo  governo militar. 
Depois  de  alguns  meses,  1.261  pessoas  perderam  a  vida  (sendo  82 
membros  das  Forças  Armadas).  Apesar  do  apoio  cubano  -  confirmado por 
Fidel  Castro mais tarde em um comício-show -, a esquerda foi severamente 
derrotada, já que não teve apoio popular. 

Dado  que 2.279 pessoas (incluindo 254 vítimas do terrorismo de esquerda) 
devam  ter  sido  mortas  em  todo  o  período  de  17  anos  de  regime  militar,  a 
metade  dessas  mortes  ocorreu  na  curta  guerra  civil  após  a  queda  de 
Allende, não na subseqüente "repressão". 

Leia  também  o  livro  de  Robin  Harris,  A  Tale  of  Two  Chileans:  Pinochet  and 
Allende,  que  discorre  sobre  o  conteúdo  do  "Libro  Blanco",  que  pode  ser 
encontrado no site www.oindividuo.com/materias.htm. 

2. MIR 

Antecendentes 

O  "Movimiento  de  Izquierda  Revolucionaria  (MIR)"  foi  fundado  em  1965  na 
cidade  de  Concepción,  Chile,  durante  o  Governo  de  Eduardo  Frei.  O  MIR 
resultou  do  fracasso da "Frente Revolucionaria de Acción Popular". Durante 
a  realização  do  "Segundo  Congresso  Nacional",  os  líderes  Miguel  Enríquez 

/
Espinoza,  Luciano  Cruz  e  Bautista  Van  Schowen  declararam  que  seu 
movimento  "não  pretende  alcançar  o  poder  político  para  desenvolver  um 
programa  tradicional,  mas  converter  o  Chile  em  uma  sociedade 
marxista-leninista através da luta armada, ao estilo castro-cubano" (pg. 17). 

As  atividades  terroristas  do  MIR  tiveram  início  no  final  de  1967,  com  a 
colocação  de  bombas  em  recintos  da  Universidade  de  Concepción,  ao 
mesmo  tempo  em  que  inicia  assaltos  a  bancos  em  Santiago,  com  o 
propósito  de  "expropriar  fundos do capitalismo". Em 1968 e 1969, foram 40 
assaltos  a  bancos.  Em  outubro  de  1969,  na  localidade  de  Guayacán, 
descobre-se  a  1ª  escola  de  guerrilhas  no  Chile  e  6  meses  depois  um 
acampamento similar na zona de Corral, na Décima Región. 

O  MIR  não  esteve  integrado  oficialmente  ao  Governo  da  "Unidad  Popular  - 
UP"  (2),  de  Salvador  Allende,  mas  exerceu  papel  de  "ponta  de  lança"  no 
"processo  de  socialização  da  economia".  As  forças  paralelas  do  MIR 
("Frente  de  Estudiantes  Revolucionarios  -  FER";  "Frente  de  Trabajadores 
Revolucionarios  -  FTR";  e  "Movimiento  Campesino  Revolucionario  -  MCR") 
desempenharam  tarefa  de  intimidação  à  população  para  a  instalação  de 
um regime marxista no Chile, elaborada pela elite da cúpula da UP. 

Vários  crimes  foram  cometidos  pelo  MIR  contra  os  chilenos  que  se 
opunham  à  política  marxista  de  Allende  e  todos  esses  crimes  ficaram 
impunes,  pois  a  UP  se  negava  a  colaborar  com  os  tribunais  com  seus 
serviços  auxiliares  de  justiça.  Como  recompensa  por  esses  "serviços 
sujos",  o  Governo  da  UP  estabeleceu,  no  final  de  1971,  vínculos  oficiais 
entre a cúpula do MIR e o 

regime  de  Havana,  o  que  acarretou  a  tutela  de  Fidel  Castro  sobre  o  MIR, 
expressa  em  cursos  de  guerrilha  em  bases  cubanas  e  constante  envio  de 
armamento,  entre  1971  e  1973,  por  vias  diplomáticas  e oficiais (através da 
LAN  Chile),  especialmente  através  da  cobertura  do  então Diretor de Polícia 
de Investigações, Eduardo Paredes. 

Os  armamentos  mais  comuns  eram  AK-47  Kalashnikov  (fuzil  de  assalto 
soviético),  submetralhadoras  tchecas  e  armamento  norte-americano, 
armazenado  em  depósitos cubanos durante a queda do ditador Batista. No 
final  do  Governo  da  UP  de  Allende,  o  MIR  contava  com  aproximadamente 
5.000  militantes  ativos,  com  alta  percentagem  de  instrução  paramilitar em 

/
Cuba  ou  no  próprio  território  nacional,  3.000  AK-47,  2.000 
submetralhadoras,  3  a  4  mil  pistolas  e  revólveres  e  modernas  armas 
antiblindagem  que  nem  sequer  as  Forças  Armadas  chilenas  possuíam 
então.  Com  esse  arsenal,  o  MIR  pretendia  constituir  as  novas  "Fuerzas 
Armadas  Revolucionarias",  que  substituiriam  as  instituições  de  Defesa 
Nacional  do  Chile.  O  MIR  possuía  "experts"  para  a  falsificação  de 
documentos,  de  modo  a  encobrir  suas  atividades  terroristas  entre  1971  e 
1973. 

Retração às suas bases 

O  pronunciamento  militar  de  11  de  setembro  de 1973 surpreendeu o MIR e 


os  grupos  paramilitares  do Partido Comunista chileno. Na ocasião, o MIR e 
o  aparato  clandestino  do  PC  mantinham  seus  homens  dispostos  em 
pontos  estratégicos  das  principais  cidades  chilenas,  para  enfrentar  as 
"forças  reacionárias",  especialmente  através  dos  chamados  "cordões 
industriais" e "cordões de defesa populacional". 

Ao  saberem  do  movimento  das  Forças  Armadas,  os  chefões  do  MIR  e  do 
PC  fugiram  como  ratos,  buscando  refúgio  nas  sedes  diplomáticas, 
especialmente  as  da  órbita  socialista.  Os  grupos  mais  fanáticos, 
especialmente  dirigidos  por  cubanos  (cujo  número,  então,  se calculava em 
2.000),  dispersaram-se  nas  cidades  de  Santiago, Antofagasta, Valparaíso e 
Concepción, os quais, durante vários meses após o contragolpe das Forças 
Armadas  chilenas,  orientaram  seus  esforços  a  sabotar  instalações  de 
utilidade  pública,  emboscar  patrulhas  das  Forças  Armadas  e  assassinato 
de pessoal militar e policial que andava isoladamente. 

Os  integrantes  do  MIR  buscaram  asilo nas embaixadas da Itália, Argentina, 


Suécia,  URSS  e  Costa  Rica.  Os  que  não  conseguiram  abrigo  passaram  à 
clandestinidade,  iniciando  a  etapa  denominada  "sumergimiento"  para 
proteger  suas  estruturas,  que  começaram  a  ser  desbaratadas  pelas forças 
de segurança. 

Paralelamente  a  este  "encobrimento",  a  cúpula  do  MIR  aglutinou-se  na 


Europa,  criando  no  início  de  1974  uma  "Sede Exterior", no Bairro Latino, em 
Paris.  Ali  foi  criada  a  "Central  de  Documentación"  do  MIR,  que  permitiu  o 

/
reagrupamento  de  seus  militantes  exilados  e  o  envio sistemático desses a 
cursos paramilitares a Cuba, URSS, Líbia e Argélia. 

Em  1974,  retornaram  clandestinos  ao  Chile  Miguel  Enríquez  Espinoza, 


Humberto  Sotomayor  Salas  e  Sergio  Zorrilla  Fuenzalida,  que  assumiram  o 
comando  da  "Fuerza  Central  del  Movimiento",  enquanto  Andrés  Pascal 
Allende  (sobrinho  de  Salvador  Allende)  mudava  de  QG  de  Paris  para 
Havana,  deixando  seu substituto, Manuel Cabieses, no cargo da "Central de 
Documentación". 

Em  janeiro  de  1975,  observou-se  um  leve  incremento  das  atividades 
terroristas,  não  obstante  o  grupo  de  elite  do  MIR  permanecer  retraído  em 
suas "bases madres", dependentes de Cuba e da URSS. 

Miguel  Enríquez  morreu  em  5  de  outubro  de  1974  em  um  enfrentamento 
com  as  Forças  de  segurança  de  San  Miguel,  assumindo  a  condução  do 
MIR  Nelson  Gutiérrez.  Em  outubro  de  1975,  efetivos  das  Forças  de 
segurança  cercaram  militantes  do  MIR  em  Malloco,  próximo  a  Santiago, 
ocasião  em  que  conseguiram  fugir  Nelson  Gutiérrez  e  Andrés  Pascal 
Allende,  que  buscaram  refúgio,  respectivamente,  nas  sedes  da  Nunciatura 
Apostólica  e  na  Embaixada  de  Costa  Rica,  auxiliados  por  religiosos 
simpatizantes dos comunistas. 

Após  "El  Desastre  de  Malloco",  como  ficou  conhecido,  o  Movimento 


retraiu-se  mais  uma  vez  às  suas  bases  de  Cuba  e  Paris.  Essa  Segunda 
retirada durou 2 anos. 

"Operación Retorno" 

Esse  congelamento  das  atividades  do  MIR  prolongou-se  até  1979,  período 
aproveitado  para  reeducação  de  seus  quadros  na  permanente  ponte aérea 
Paris-Berlim-Praga-Havana,  para  formação  básica  de  guerrilha  e  instrução 
especial  em  sabotagens  urbanas  e  rurais,  conspiração,  Inteligência  e 
segurança  partidária,  combate  especial  contra  colunas  blindadas  e  apoio 
logístico. 

Os  terroristas  do  MIR  permaneciam  4  meses  nos  campos  de  treinamento 
de  Punto  Cero,  Pinar  del  Río,  Monte  Pinares,  Guanabo  ou  Los  Troncos,  em 

/
Cuba,  retornando  depois  a  Havana  para  participar  durante  20  a  30  dias  de 
grupos  de  estudos  políticos,  destinados  a  reforçar  sua  preparação 
ideológica e doutrinal. 

Segundo  fontes  americanas,  nos  primeiros  6  meses  de  1979,  cerca  de  90 
chilenos,  procedentes  de  Cuba  foram  incorporados  às  "Forças 
Sandinistas",  que  combatiam  contra  a  Guarda  Nacional  de  Anastasio 
Somoza,  na  Nicarágua,  todos  identificados  como  "comandantes"  de 
colunas guerrilheiras. 

No  final  de  1979,  começou  o  retorno  clandestino  de  mais  ou  menos  200 
militantes  do  MIR,  a  maioria  com  documentação  falsa,  elaborada  no 
"Centro  de  Documentación"  de  Paris  ou  organismos  especializados  da 
polícia secreta alemã oriental, a Stasi, em Berlim. 

Com  a  "Operación  Retorno"  (1980),  o  MIR  começou  nova  escalada 


terrorista  no  Chile,  especialmente  na  Região  Metropolitana.  A  "Agrupación 
Central"  do  MIR  tinha  integrantes  com  grande  capacidade  operacional, 
"batizados" em combates insurrecionais na África e na América Central. 

O  primeiro  ato  terrorista  depois  da  "Operación  Retorno"  ocorreu  no  dia  24 
de  novembro  de  1979,  quando  um  comando  do  MIR  assaltou  um 
carro-forte que retirava valores do supermercado AGAS, ocasião em que foi 
assassinado  o  cabo  de  carabineiros,  Bruno  Burdiles  Vargas.  Seguiram-se 
numerosos  golpes,  em  sangrentos  assaltos  a  bancos  e  casas  de  câmbio, 
como  também  sabotagens a linhas de comunicações, edifícios de serviços 
públicos e postos policiais. 

No  dia  15  de  julho  de  1980,  o  MIR  executou  dezenas  de  atentados  contra 
os  carabineiros  e  mais  ou  menos  50  roubos  à  mão  armada contra bancos, 
transporte  de  valores,  casas  de  armas,  pagadores  de  indústrias  e 
estabelecimentos  comerciais,  o  que  permitiu arrecadar - somente em 1980 
- cerca de 2 milhões de dólares. 

Com  esses  recursos,  o  MIR  passou  a  adquirir  "casas  de  seguridad",  o  que 
demonstrou  a  clara  diferença  social  dentro  do  Movimento:  enquanto  os 
chefões  adquiriram  luxuosas  mansões  nas  comunas  de  La  Reina  ou  Las 
Condes,  os  militantes  de  base  tiveram  que  se  contentar  em  esconder-se 
nos  bairros  periféricos,  recebendo  1/10  do  soldo  dos  "comandantes".  Algo 

/
parecido  com  o  caso  "La  Piñata"  (3),  ocorrido  na  Nicarágua  do  sandinista 
Daniel Ortega. 

O  sangrento  ano  de  1980,  para  o  MIR,  encerrou-se  no  dia  30  de  dezembro, 
quando  mais  de  10  integrantes  do  Movimento  -  alguns  disfarçados  de 
carabineiros  -,  em  5  veículos  e  com  modernas  armas  automáticas, 
assaltaram,  simultaneamente,  as  sucursais  dos  bancos  Concepción,  de 
Chile  y  Talca,  situadas  na  Avenida  José  Pedro  Alessandri  com  Irarrázaval, 
na  comuna  de  Ñuñoa,  assassinando  2  carabineiros.  Depois  de  ocupar  o 
setor  por  15  minutos,  os  terroristas  levaram  500.000  dólares  e  não 
sofreram baixas. 

Em  1981,  o  MIR  realizou  um  "Pleno  Extraordinario",  em  Buenos  Aires,  em 
que  reconheceu  os  grandes  êxitos  de  1980,  razão  pela  qual  seu 
Secretário-Geral,  Andrés  Pascal  Allende,  determinou  continuar  da  mesma 
forma  o  trabalho  revolucionário  urbano  (assaltos,  sabotagens, 
"expropriações"  e  atentados  seletivos),  mas  reforçando  o  Movimento  com 
a criação de um foco guerrilheiro. 

Os "tatús" 

Após  análise,  encomendada  ao  então  Chefe  da  Estrutura  Militar,  Hugo 
Ratier,  foi  aprovado  o  ponto-piloto  de  guerrilha  urbana  na  zona  florestal  de 
Neltume, a leste da cidade de Valdivia, na Décima Región. 

Em  abril  de  1981,  foram  introduzidos  em  Neltume  15  terroristas  que  se 
encontravam  fora  do  Chile  e  que  possuíam  conhecimentos  da  área.  Ali 
construíram  12  esconderijos  subterrâneos,  em  uma  área  de  difícil  acesso, 
em  terrenho  montanhoso  e  coberto  de  bosques,  que  impediam  qualquer 
observação aérea. 

Esses  depósitos  eram  conhecidos  por  "tatús"  no  jargão  terrorista  e 


estavam  disseminados  em  uma  área  de  8  km²,  e  seus  acessos totalmente 
camuflados. 

Após  denúncias  de  camponeses  sobre  "extraños  movimientos  de 


desconocidos  en  la  montaña",  em  outubro  de  1981,  efetivos  altamente 
especializados  em  luta  antiterrorista,  da  "Central  Nacional  de 

/
Informaciones",  conseguiram  apoderar-se de todo o material bélico e apoio 
logístico  escondidos  nos  "tatús",  após  numerosos  enfrentamentos 
armados. 

O Informe dos EUA 

O  Informe  do  Departamento  de  Estado dos EUA ao Subcomitê de Relações 


Exteriores  do  Senado,  "Apoio  de  Cuba  à  Violência  na  América  Latina",  do 
dia 14 de dezembro de 1981, afirma, entre outras coisas: 

"A  partir  de  1979,  após  declarar  seu  compromisso  de  apoiar  a  luta  armada, 
Cuba  ampliou  seus  programas  de  treinamento  de  chilenos.  Em  meados  de 
1979,  o  MIR  havia  recrutado  várias  centenas  de  exilados chilenos e os havia 
enviado  a  Cuba  para  receber  treinamento  e  logo  depois  se  infiltraram  no 
Chile." 

"Ao  mesmo  tempo,  membros  do  MIR,  que  haviam  vivido  e  trabalhado  em 
Cuba  desde  a  queda  de  Allende,  começaram  a  receber  treinamento  em 
técnica  de guerrilha urbana. O adestramento durava mais ou menos 7 meses 
e  incluía  estratégia  política  e  de  organização  tática  de  pequenas  unidades, 
segurança, comunicações e logística." 

"Uma  vez  terminado  o  treinamento,  Cuba  ajudou  os  terroristas  a  regressar 


ao  Chile,  fornecendo  passaportes  e  documentos  de  identidade  falsos.  No 
final  de  1980,  pelo  menos  100  terroristas  do  MIR  haviam  se  declarado 
responsáveis  por  uma  série  de  explosões de bombas e assaltos a bancos. A 
esse  respeito,  o  diário  oficial  cubano,  Granma,  anunciou  em  fevereiro  de 
1981  que,  em  1980,  as  Forças  chilenas  de  "resistência"  haviam  realizado 
com êxito mais de 200 ações armadas no Chile." 

"Em  1980,  a  Dirección  General  de  Inteligencia  (DGI),  de  Cuba,  indica  ao  MIR 
que  deve  formar  um  foco  revolucionário  rural  no  Chile,  à  semelhança  da 
experiência  cubana  na  "Sierra  Maestra"  e  da  tentativa  de  Ernesto  "Che" 
Guevara na Bolívia." 

"Coordinadora Guerrillera Internacional" 

/
Para  o  fomento  do  terrorismo  em  países latino-americanos, promovido por 
Cuba  na  década  de  70,  essas  atividades  estavam  subordinadas  à  "Junta 
Coordinadora  Revolucionaria  (JCR)".  Quando  a  JCR  perdeu  parte  de  suas 
atribuições,  foi  fundado  outro  "directivo"  de  maior  hierarquia,  manipulado 
por  Cuba  e  pela  Nicarágua,  que  passou  a  denominar-se  "Coordinadora 
Guerrillera Internacional (CGI)". 

Tiveram  ligações  com  a  CGI  a  maioria  dos  movimentos  terroristas  do 


hemisfério,  como  a  "Frente  Farabundo  Martí  de  Liberación  Nacional"  (El 
Salvador);  "Bandera  Roja"  (Venezuela);  "Alfaro  Vive"  (Equador);  "MIR" 
(Bolívia);  "Ejército  Revolucionario  del  Pueblo"  e  "Montoneros"  (Argentina); 
"Tupamaros"  (Uruguai);  "Sendero  Luminoso"  e  "Tupac  Amaru"  (Peru); 
"FARC",  "M-19",  "Frente  Ricardo  Franco",  "Frente  Indigenista Quintin Lamé" e 
"Ejército  de  Liberación  Nacional"  (Colômbia);  "Movimiento  de  Ezquierda 
Revolucionaria"  (Chile),  o  qual  depois  se  uniria  à  "Frente  Manuel  Rodriguez 
(FMR)". 

Os  recursos  materiais  foram  obtidos  -  como  é  habitual  neste  tipo  de  ação 
clandestina  -  mediante  operações  triangulares,  com  o  fim  de  os  governos 
de  Fidel  Castro  e  Daniel  Ortega  não  serem  acusados  ante  foros 
internacionais,  no  caso  de  se  deter  carregamento  de  armas  para  as 
guerrilhas comunistas na América Latina. 

"La cuarta ofensiva" 

O  MIR  realizou,  dentro  do  contexto  da  CGI,  sua  quarta  ofensiva  contra  o 
Chile,  período compreendido entre o final de 1982 e o final de 1984, quando 
foi novamente desarticulado pelas Forças de segurança. 

Além  de  sabotagens  contra  os  serviços  públicos,  linhas  de  comunicações 
e  ataques  a  postos  policiais  e  meios  de  transporte,  o  MIR  utilizou  outras 
táticas,  como  o  "terrorismo  seletivo".  Assim,  no  dia  30  de  agosto  de  1983, 
foi  assassinado  o  prefeito  da  Região  Metropolitana  de  Santiago,  o  Major 
General  aposentado,  Carol  Urzúa  Ibáñez,  além  de  suas  escoltas.  O  grupo 
terrorista  foi  composto  por  Carlos  Araneda,  Jorge  Palma,  Hugo  Marchand, 
Jaime  Yovanovic,  José  Aguilera,  Elba  Duarte,  Lucía  Vergara,  Sergio  Peña  e 

/
Alejandro  Salgado.  Esse  atentado  foi  planejado  por  um  ex-membro  dos 
"Montoneros", da Argentina, o terrorista argentino Hugo Ratier Noguera. 

Em  operações  realizadas  em  pontos  distintos  de  Santiago,  foram  detidos 
Carlos  Araneda,  Jorge  Palma,  Hugo  Marchand  e  outros  "miristas".  Os 
chefes  da  operação  opuseram  forte  resistência  aos  agentes,  gerando 
enfrentamentos  nas  "casas  de  seguridad"  do  grupo,  nas  quais  faleceram 
Arturo  Villavela,  Hugo  Ratier,  Lucía  Vergara,  Sergio  Peña  e  Alejandro 
Salgado.  Somente  puderam  escapar  da  justiça  Jaime  Yovanovic,  Elba 
Duarte  e  José  Aguillera,  que  em  fevereiro  de  1984,  depois  de  ocultos por 5 
meses,  ingressaram  fortemente  armados  na  Nunciatura  Apostólica, 
causando  situação  conflitiva  entre  o  Chile  e  a  Santa  Sé,  sendo  concedido 
salvocondutos para que esses terroristas deixassem o território nacional. 

Este  golpe  contra  a  "Fuerza  Central"  do MIR teve duplo efeito, pois permitiu 


às  Forças de segurança apoderar-se de grande quantidade de documentos, 
que  evidenciou  os  esforços  do  MIR  para  desenvolver  uma  escalada 
subversiva na zona sul. 

Em  agosto  de  1984,  iniciou-se,  por  parte  dos  organismos  de  Inteligência, 
uma  operação  simultânea  nas  cidades  de  Concepción,  Talcahuano, 
Coronel,  Lota,  Chillán,  Temuco  e  Valdivia,  a  qual,  em  12  dias,  permitiu  a 
neutralização  desta  estrutura  terrorista  denominada  dentro  do  MIR  como 
"Teatro de Operaciones Sur". 

Como  resultado  dessa  ação  dos  serviços  de segurança, foram entregues à 


justiça  mais  de  trinta  terroristas  de  excelente  preparação  política  e 
paramilitar  (a  maioria  com  instrução  em  Cuba),  foram  mortos  7 
extremistas  em  enfrentamentos  armados  e  a  apreensão  de  poderoso 
arsenal distribuído em uma dezena de "casas de seguridad". 

Como  conseqüência  dos  reveses  que  implicaram  as  operações  após  o 


assassinato  do  prefeito  Urzúa  e  suas  escoltas,  e  o  desbaratamento  do 
"Teatro  de  Operaciones  Sur",  o  MIR,  no  início  de  1985  estava  reduzido  a 
profunda  autocrítica  e  imobilismo,  que  o  levou,  nos  anos  seguintes,  a  sua 
luta  interna,  que  debilitou  a  gestão  do  Secretário-Geral,  Andrés  Pascal 
Allende, e permitiu a formação de facções dentro do grupo. 

Isso,  porém,  não  impediu  que  o  MIR  realizasse  um  atentado  terrorista  no 
Brasil,  junto  com  as  Forças  Populares  de  Libertação,  de  El  Salvador, 

/
seqüestrando  o  empresário  Abílio  Diniz,  dono  do  grupo  Pão  de  Açúcar,  no 
dia  11  de  dezembro  de  1989.  Na  operação,  cujo  objetivo  era  adquirir  30 
milhões  de  dólares  para  financiar  uma  operação  guerrilheira  em  El 
Salvador,  participaram  os  canadenses  Christine  Gwen  Lamont  e  David 
Robert  Spencer;  os  argentinos  Humberto  Eduardo  Paz  e  Horacio  Henrique 
Paz;  a  ítalo-chilena  Maria  Emilia  Marchi;  os  chilenos  Ulisses  Gallardo 
Acevedo,  Sergio  Martin  Olivares  Urtubia,  Hector  Ramon  Collante  Tapta  e 
Pedro  Fernandes  Lembach;  e  o  brasileiro  Raimundo  Rosélio  Costa  Freire. 
Condenados  e  presos  no  Carandiru,  todos  os  terroristas  atualmente  estão 
soltos  e  voltaram  a  seus  países,  onde  cumprem  o  restante  da  pena  em 
liberdade condicional. 

Na  época  em  que  os  terroristas  se  encontravam  presos,  fazendo  greve  de 
fome  que  chegou  a  46  dias  (1988),  convém  ressaltar  a  visita  que  José 
Gregori  fez  aos  bandidos,  então  no  cargo  de  Secretário  de  Direitos 
Humanos,  do  Ministério  da  Justiça.  Enquanto  os  bandidos  não  foram 
soltos, Gregori não ficou sossegado. Mas isto é outra história. 

3.  Frente  Manuel  Rodriguez  (FMR) - o filho "natural" do Partido Comunista 


do Chile 

Em  1981,  enquanto  o  MIR  concluía  a  "Operação  Retorno",  nos  campos  de 
treinamento  de  Guanabo,  Punto  Cero  e  Monte  Pinares  (Cuba)  e  em  Puerto 
Corinto,  Germania  e  San  Juan del Sur (Nicarágua) cerca de 200 "militantes" 
do  PC  e  das  JJ.CC.  (Juventudes  Comunistas),  do  Chile,  iniciaram  sua 
preparação básica de guerrilha. 

Segundo  órgãos  oficiais,  entre  agosto  de  1970  e  julho  de  1988,  os  grupos 
terroristas  FMR  e  MIR  haviam  assassinado  224  chilenos,  entre  civis  e 
militares.  Outras  1.125  pessoas  sofreram  lesões,  sendo  675  graves,  e  a 
maioria  com  seqüelas  graves  de  caráter  permanente,  devido 
principalmente aos atentados com bombas. 

Atentado contra Pinochet 

/
Em  1985,  o  PC  chileno  e  seu  braço  armado,  a  FMR,  começaram  a elaborar 
uma  estratégia  para  substituir o sistema político em vigor por um de cunho 
popular, ao estilo "revolucionário sandinista". 

Para  a  "militarização  das  massas",  requeria-se  grande  quantidade  de 


armamento, o que foi obtido mediante o contrabando por Carrizal. 

Ao  mesmo  tempo,  junto  com  a  "militarização  das  massas",  era  necessário 
eliminar  Pinochet  do  poder,  com  a  finalidade  de  provocar  um  vácuo  de 
poder,  que  facilitaria  a  insurreição  nacional.  Assim,  em  janeiro  de  1986,  na 
cidade  de  Havana,  foi  iniciada  a  fase  operacional  para  a  eliminação  do 
Presidente  chileno,  organizada  pelo  PC  chileno,  pelos  "comandantes"  da 
FMR  e  por peritos em operações especiais da "Dirección de Inteligencia" de 
Cuba  (DGI).  O  planejamento  tático  da  operação  (que  passou  a  ser 
denominada  pelos  terroristas  como  "SIGLO  VEINTE")  para  a  eliminação  de 
Pinochet foi entregue a um militante da FMR, César Bunster Ariztía. 

No  dia  7  de setembro de 1986, um domingo, quando retornava de sua casa 


de  campo  a  Santiago,  houve  o  atentado  da  FMR  contra  o  Presidente 
Augusto  Pinochet,  que  escapou  ileso  por  pouco.  Na  ocasião,  morreram  5 
militares  e  ficaram  feridos  outros  7  militares  e  1  detetive  -  todos  da 
comitiva  presidencial.  Diligências  policiais  permitiram  no  dia  6  de  outubro 
prender  os  primeiros  participantes  do  ato  terrorista  e,  antes  do  final  de 
1986,  a  maioria  dos  terroristas  estava  presa,  assim  como  haviam  sido 
identificados os terroristas restantes. 

Seqüestro do TC Carreño 

No  dia  1º  de  setembro  de  1987,  a  FMR  seqüestra  o  Tenente-Coronel  do 
Exército,  Carlos  Carreño  Barrera,  engenheiro  politécnico  militar.  Para  a 
operação,  a  FMR  utiliza  um  furgão  roubado  no  dia  anterior,  que  à  noite  foi 
pintado  com  logotipos  da  EMOS  (Empresa  Metropolitana  de  Obras 
Sanitarias). Os terroristas pedem 65.000 dólares pelo resgate. 

O  miltar  seqüestrado  inicia  um  périplo  internacional,  indo parar em Buenos 


Aires,  onde  ficou  até  o  dia  9  de  outubro,  perto  do  Aeroporto  Internacional. 
No  dia  28  de  novembro  de  1987,  o  comandante  Carreño  inicia  longa 
viagem,  chegando  dia  30  em  São  Paulo.  Depois  de  fatos  anedóticos,  que 

/
ainda  não  puderam  ser  revelados,  por  serem  de  natureza  secreta,  Carreño 
foi  liberado  no  dia  2  de dezembro de 1987 no centro de São Paulo, de onde 
vai  até  o  jornal  O  Estado  de  S.  Paulo,  de  onde  a  notícia  se  espalha  para  o 
mundo  todo.  Um  avião  do  Exército  do  Chile  levou-o  de  volta  a  seu  país  no 
dia  seguinte,  após  93  dias  de  cativeiro.  "La  Operación  Carrizal"  Para  a 
introdução  de  armas  provenientes  de  Cuba,  a  FMR  e  o  Partido  Comunista 
do  Chile criaram, no dia 23 de outubro, uma empresa pesqueira de fachada, 
a  "Sociedade  de  Responsabilidad  Limitada,  Cultivos  Marinos  Chungungu 
Limitada",  para  a  instalação  de  um  viveiro  flutuante,  de  300  metros  de 
fundo e 90.000 m² de área. O projeto foi aprovado pela DGI (serviço secreto 
de  Cuba),  ao  custo  de  25  milhões  de  dólares,  dinheiro  este  remetido  pela 
CGI  (Cuba  e  Nicarágua),  que  repassou  o  dinheiro  proveniente  doado  por 
países  que  fomentavam o terror: URSS, Alemanha Oriental, Bulgária e Líbia. 
Para  a  operação,  a  FMR  e  o  PC  chileno  adquiriram,  no  final  de  1985,  2 
pesqueiros  de  alto-mar,  "Chompalhue"  e  "Astrid  Sue",  com  avançados 
sistemas  de  telecomunicações  e  navegação.  O  primeiro  carregamento  de 
armas  foi  entregue  ao  "Chompalhue"  no  dia  12  de  janeiro  de  1986,  por  um 
cargueiro  cubano  em  alto-mar.  Nos  dias  15  e  27  de  julho,  houve  mais  dois 
carregamentos  de  armas,  entregues  por  barcos  cubanos  ao "Astrid Sue". O 
armamento  contrabandeado  foi  guardado  na  costa  chilena,  na  localidade 
de  Carrizal,  e  depois  remetido  a  Santiago  e  a  outras  regiões  do  país.  Para 
tanto,  a  empresa  de  fachada  comprava  algas  dos  pescadores  de  Carrizal, 
que  encobria  o  contrabando  durante  as  viagens.  Mais  uma  vez,  como 
ocorrera  na  selva  de  Valdivia,  o  estranho  movimento  na  costa  chilena 
despertou  a  desconfiança  de  pescadores,  que  levaram  o  fato  às 
autoridades  chilenas.  Desencadeou-se  a  "Operación  Carrizal",  que 
encontrou  o  maior  arsenal  já  descoberto  de  armas  clandestinas  na 
América  Latina,  quando  37  terroristas  foram  presos.  O  maior  depósito  foi 
descoberto  em  Carrizal  (1.320  fuzis,  além  de  outros  armamentos),  daí  o 
nome  da  Operação.  Entre  6  e  21  de  agosto  de  1986,  durante  a  "Operación 
Carrizal",  foi  encontrado  o seguinte armamento nas localidades de Carrizal, 
Palo  Negro,  mina  abandonada  "Cerro  Blanco",  Paine,  Pintana  (Santiago)  e 
Calle Tucapel nº 1635 (periferia de Santiago): 

- 3.118 fuzis norte-americanos M-16 

/
- 114 lança-foguetes antiblindagem soviéticos RPG-7 

- 102 fuzis de assalto belgas FAL 

- 6 metralhadoras norte-americanas M-60 

- 167 foguetes antiblindagem norte-americanos LAW 

- 5 fuzis lança-granadas M-79 

- 1 escopeta de repetição calibre 12 

- 1.959.512 cartuchos para fuzil M-16 

- 4.205 cartuchos para fuzil FAL 

- 2.700 cartuchos para metralhadora M-60 

- 965 cartuchos para fuzil AK 

- 1.979 granadas de mão soviéticas 

- 1.859 bombas para lançador de foguete russo RPG-7 

- 9 bombas para morteiro de 81 mm 

- 17 granadas para fuzil M-79 

- 2.204 kg de TNT (em cubos) 

- 796 kg de explosivo plástico T-4 

- 100 rolos de estopim 

- 4.700 detonadores 

/
- 10.140 espoletas para cargas explosivas 

- 1.514 carregadores sobressalentes para fuzil M-16 

- 521 carregadores sobressalentes para fuzil FAL 

- 716 cargas de projeção para RPG-7 

- 54 cargas de projeção para morteiro de 81 mm 

Além  desse  arsenal,  foram  encontrados  com  os  terroristas,  além  dos  dois 
barcos  pesqueiros  já  mencionados,  1  dezena  de  veículos,  uma  rede  de 
depósitos  e  "casas  de  seguridad",  botes  de  borracha,  trajes  para 
mergulhadores,  equipamentos  de  telecomunicações  e  material  de 
campanha. As Forças de segurança calculam que o material encontrado na 
área  metropolitana  de  Santiago  foi  apenas  50%  do  que  entrou  no  país,  os 
outros  50%  se  espalharam  pelo  interior,  sendo uma parte recuperada pelas 
Forças  de  segurança  nos  anos  seguintes.  Cuba,  Nicarágua  e  outros 
membros  da  CGI  criticaram  violentamente  o  PC  e  seu  braço  armado,  por 
mais  esse  fracasso,  além  da  tentativa  do  assassinato  de  Pinochet.  No 
Chile,  o  PC  foi  recriminado  por  todos  os  dirigentes  políticos  e  pela  maioria 
da  população.  Como resultado, surgiram grupos antagônicos dentro do PC, 
que  levaram a um fracionamento da Frente Manuel Rodriguez. A FMR havia 
também  estabelecido  bases  na  Argentina.  Através  de  membros  radicados 
em  Buenos  Aires,  a  FMR  contava  com  excelente  apoio  logístico 
(passaportes  falsos)  e  possibilitou  viagens  de  instrução  a  Cuba  e,  em 
menor  número,  à  Nicarágua,  de  aproximadamente  400  terroristas  por  ano, 
com início em 1988. 

Notas: 

(1) "Após indiciar o general Pinochet por genocídio, o juiz espanhol Baltasar 
Garzón  (ex-deputado  socialista)  passou  a  buscar  documentos  objetivando 
demonstrar  que,  depois  da  deposição  de  Salvador  Allende,  no Chile, em 11 
de  setembro  de  1973,  os  governos  de  cinco  países  -  Argentina,  Brasil, 

/
Bolívia,  Paraguai  e  Uruguai  -  uniram-se,  sob  o  comando  da  DINA,  o Serviço 
de  Inteligência  chileno,  numa  espécie  de  "Mercosul  do  terror".  A  parceria 
teria  sido  formalizada  em  1975,  sendo  denominada  "Operação  Condor". 
Nesse  mister,  o  juiz  Garzón  conta  com  a  colaboração  do  advogado 
espanhol  Joan  E.  Garcés,  assessor  de  Allende,  no  Chile,  nos  anos 
1971-1973,  que  abandonou  o  Palácio  La  Moneda  minutos  antes  de  este 
cometer  suicídio.  Joan Garcés, posteriormente, em 1976, foi o fundador, na 
Espanha,  da  Federação  dos  Partidos  Socialistas  e,  em  1979,  da  esquerda 
socialista  do  Partido  Socialista  Operário  Espanhol  (PSOE),  de  Felipe 
Gonzalez.  Em  1976,  Joan  Garcés  escreveu  o  livro  "Allende  e  as  Armas  da 
Política",  editado  no  Brasil  em  1993  pela  "Editora  Scritta",  traduzido  pelo 
escritor  e  jornalista  brasileiro  Emir  Sader,  que  viveu  no  Chile  como 
auto-exilado  durante  o  governo  Allende,  onde  integrou  os  quadros  do 
Movimiento  de  Izquierda  Revolucionária  (MIR)."  (Carlos  Ilich  Santos 
Azambuja, in "Operação Condor" - www.ternuma.com.br/condor.htm) 

(2)  O  Partido  Socialista  e  o  Partido  Comunista  eram  a  alma  da  Unidad 


Popular  (UP),  que  tinha  o  apoio  também  do  MAPU  e  do  MIR,  durante  o 
Governo de Salvador Allende. 

(3)  La  Piñata  -  conflito  causado  pela  "expropriação"  de  cerca  de  5.000 
propriedades  de  nicaragüenses  e  estrangeiros,  na  Nicarágua,  durante  o 
governo  sandinista  de  Daniel  Ortega  (1979-1990),  quando  os  guerrilheiros 
transferiram  bens  confiscados  durante  a  Revolução  para  si  próprios,  a 
exemplo  de  Daniel  Ortega,  que  se  apropriou  de  uma  mansão  de  US$  1,5 
milhão.  O  termo  "piñata"  refere-se  à  tradição  mexicana  de  distribuição  de 
presentes  no  fim  das  festas  de  crianças.  O  Brasil  também  criou  sua 
"piñata",  ao  retirar  do  erário  mais  de  US$  40  milhões de dólares para "doar" 
a familiares de terroristas mortos ou desaparecidos. 

Bibliografia: 

-  Libro  Blanco  del  Cambio  de Gobierno en Chile, de 11 de setembro de 1973, 


impresso e editado por Editorial Lord Cochrane, S.A., Santiago, Chile. 

-  LONFAT,  Pedro  Vargas.  Chile:  Objetivo  del  Terrorismo.  TT.GG.  Instituto 


Geográfico Militar, Chile, setembro de 1988. 

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P.  S.:  Foi  no  Chile  revolucionário  do  comunista  Salvador  Allende  que  FHC, 
Serra  e  outros  brasileiros  se  esconderam,  e  hoje  posam  de  "democratas". 
Quem essa gente pensa que ainda engana? 

   

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