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Notas Eletromagnetismo – Parte III

R. Bufalo ∗
Departamento de Fı́sica, Universidade Federal de Lavras,
Caixa Postal 3037, 37200-000 Lavras, MG, Brazil

6 de julho de 2018

Resumo

Nesta nota de aula encontra-se um resumo dos tópicos discutidos na aula do curso de
Fı́sica C, referente à terceira avaliação.


E-mail: rodrigo.bufalo@dfi.ufla.br

1
Sumário

I Campo magnético 4

1 O campo magnético 4
1.1 A força exercida por um campo magnético . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
1.2 Movimento de uma carga puntiforme em um campo magnético . . . . . . 9
1.3 A força magnética sobre um fio transportando corrente . . . . . . . . . . 11
1.4 Torques em anéis de corrente e ı́mãs . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.4.1 O dı́polo magnético . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
1.5 O efeito Hall . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23

2 Fontes de Campo Magnético 25


2.1 O campo magnético de correntes: a lei de Biot-Savart . . . . . . . . . . . 26
2.1.1 ~B devido a um anel de corrente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
2.1.2 ~B devido à corrente em um fio retilı́neo . . . . . . . . . . . . . . 34
2.1.3 ~B devido a um circuito de corrente . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
2.1.4 ~B no centro de um anel quadrado de corrente . . . . . . . . . . . 37
2.1.5 ~B devido a dois fios paralelos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
2.1.6 ~B devido a dois fios paralelos - II . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
2.1.7 ~B devido à corrente em um solenóide . . . . . . . . . . . . . . . 42
2.1.8 Força magnética entre fios paralelos . . . . . . . . . . . . . . . . 46
2.2 A lei de Gauss para o magnetismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
2.3 A lei de Ampère . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
2.3.1 ~B no interior e exterior de um fio . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
2.3.2 ~B de um solenóide segundo a lei de Ampère . . . . . . . . . . . . 54
2.3.3 ~B de um toróide segundo a lei de Ampère . . . . . . . . . . . . . 55
2.4 Magnetismo em materiais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
2.4.1 Magnetização e suscetibilidade magnética . . . . . . . . . . . . . 58

3 Indução Magnética 62
3.1 Fluxo magnético . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66
3.1.1 Fluxo através de um solenóide . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
3.2 FEM induzida e a lei de Faraday . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68

2
3.2.1 fem induzida numa bobina circular . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
3.2.2 fem induzida numa bobina no interior de um solenóide . . . . . . 72
3.2.3 Campo elétrico não-conservativo induzido . . . . . . . . . . . . . 73
3.3 Lei de Lenz . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74
3.4 FEM induzida por movimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79
3.4.1 Bastão em movimento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81
3.4.2 Geradores e motores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84
3.5 Transformador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85
3.6 Indutância . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86
3.6.1 Indutância de um solenóide . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88
3.6.2 Indutância de um toróide . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88
3.6.3 Auto-indutância . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90
3.6.4 Indutância mútua . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90
3.7 Energia magnética . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94
3.8 Circuitos RL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97
3.9 Oscilações eletromagnéticas (sec. 29-4) . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104
3.9.1 Circuitos LC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104
3.9.2 Circuitos RLC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 109
3.10 Correntes alternadas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111

3
Parte I

Campo magnético
1 O campo magnético
• Há mais de 2000 anos, os gregos já sabiam que certo de pedra (magnetita) atraı́a
pedaços de ferro;

• Em 1269, Pierre de Maricourt descobriu que uma agulha disposta em várias posições
sobre um ı́mã esférico natral orienta-se ao longo das linhas que passam através de
pontos nas extremidades opostas da esfera.

• Ele chamou estes pontos de pólos do ı́mã; também foi observado que cada ı́mã de
qualquer formato tem dois pólos, chamados de pólo norte e pólo sul, onde a força
exercida pelo ı́mã é máxima;

• Também foi observado que pólos iguais de dois ı́mãs se repelem e que pólos opostos
se atraem.

• Em 1600, W. Gilbert descobriu que a Terra é um ı́mã natural que tem pólos magnéticos
próximos aos pólos norte e sul geográficos.

• Como o pólo norte da agulha de uma bússula aponta para o pólo sul de um dado
imã, o que chamamos de pólo norte da Terra é de fato um pólo sul magnético.

• Apesar de as cargas elétricas e dos pólos magnéticos serem similares em muitos as-
pectos, há uma diferença importante: pólos magnéticos sempre ocorrem aos pares.

• Por exemplo: quando um ı́mã é quebrado ao meio, surgem pólos iguais e opostos
em cada lado do ponto de quebra; o resultado é dois ı́mãs, cada um com um pólo
norte e um pólo sul.

1. Neste capı́tulo consideraremos os efeitos de um dado campo magnético em cargas


em movimento e em fios que conduzem correntes. As fontes de campos magnéticos
serão discutidas no próximo capı́tulo.

4
Anteriormente representamos a relação entre o campo elétrico ~E e a carga elétrica como

carga elétrica ↔ ~E ↔ carga elétrica (1.1)

i.e., cargas elétricas criam um campo elétrico e este campo por sua vez, exerce uma força
(elétrica) sobre uma outra carga situada no campo.
Podemos imaginar uma relação similar para o magnetismo,

carga magnética ↔ ~B ↔ carga magnética (1.2)

em que ~B é o campo magnético.

• O único problema com esta proposta é que ao que tudo indica não existem cargas
magnéticas na Natureza, pois não há objetos puntiformes isolados dos quais emer-
gem linhas de campo magnético.

1. De onde então vem o campo magnético? A experiência mostra que ele vem de
cargas elétricas em movimento.

2. Uma carga cria um campo elétrico quer esteja em repouso, quer em movimento.

3. Entretanto, uma carga cria um campo magnético somente se estiver em movimento.

5
Em magnetismo, portanto pensamos em termos de

carga elétrica em movimento ↔ ~B ↔ carga elétrica em movimento (1.3)

ou ainda, como uma corrente elétrica num fio é um fluxo (lı́quido) de cargas em movi-
mento, podemos reescrever

corrente elétrica ↔ ~B ↔ corrente elétrica (1.4)

Esses resultados nos dizem que i) uma carga em movimento ou corrente cria um campo
magnético, e ii) se colocarmos uma carga em movimento ou um fio transportando uma
corrente num campo magnético, uma força magnética atuará sobre eles.

1.1 A força exercida por um campo magnético


• O campo magnético é definido de uma maneira similar à definição do campo elétrico:
uma carga teste q0 em repouso numa região de campo ~E, e medimos a força elétrica
sobre ela ~FE = q0~E;

• Lançamos uma carga teste através de uma região com campo magnético; repetimos
essa experiência várias vezes variando a direção e rapidez da carga teste e determi-
nando, em cada caso, a força (se existir) que atua sobre ela no ponto considerado.

• Analisando os resultados encontrados, conclui-se que quando uma partı́cula de


carga q e velocidade ~v está em uma região com um campo magnético ~B, uma força
é exercida sobre ela.

• Esta força é proporcional a q, v e B e ao seno do ângulo entre as direções de ~v e ~B.


Surpreendentemente, a força é perpendicular à velocidade e ao campo magnético.

1. Estes resultados experimentais podem ser resumidos como: quando uma partı́cula
de carga q e velocidade ~v está numa região com um campo magnético ~B, a força
magnética exercida sobre a partı́cula é

~FB = q~v × ~B (1.5)

6
aqui q pode ser positiva ou negativa. Ou escrito em módulo

FB = qvB sin φ (1.6)

Como ~F é perpendicular a~v e ~B, ~FB é perpendicular ao plano definido por estes dois
vetores

• A direção de ~v × ~B é dada pela regra da mão direita quando ~v é girado em direção a


~B.

• Se q é positivo, então ~F está no mesmo sentido de ~v × ~B; e se q é negativo, então ~F


está no sentido oposto ao de ~v × ~B;

1. A equação acima define o campo magnético ~B em termos da força exercida em


uma partı́cula carregada em movimento.

2. A unidade do campo magnético no SI é o tesla

N N
1T = 1 =1
C · m/s A·m

7
Exemplo: A intensidade do campo magnético da Terra é medida em um ponto na su-
perfı́cie, tem o valor de aproximadamente 0, 6G (unidade CGS gauss, 1G = 10−4 T ) e
está inclinado para baixo no hemisfério norte, fazendo um ângulo de aproximadamente
70◦ com a horizontal. Um próton (q = +e) está se movendo horizontalmente em direção
ao norte com rapidez v = 1 × 107 m/s. Calcule a força magnética no próton a) usando
FB = qvB sin φ , b) expressando ~v e ~B em termos dos vetores unitários, e então calcule
~FB = q~v × ~B.

• Escolhemos as direções x e y sobre o leste e o norte, respectivamente. Tal que o


vetor velocidade está na direção +y.

a) Vemos primeiramente o ângulo entre as direções de ~v e ~B é φ = 70◦ , logo a força


magnética experimentada pelo próton é
   
FB = qvB sin φ = 1, 6 × 10 C 1 × 10 m/s 0, 6 × 10 T sin 70◦
−19 7 −4

= 9 × 10−17 N (1.7)

b) Podemos expressar os vetores ~v e ~B como

~v = v jˆ, ~B = By jˆ + Bz k̂ (1.8)

sendo
By = B cos φ , Bz = −B sin φ , (1.9)

8
Assim, calculamos
~FB = q~v × ~B = q v jˆ × By jˆ + Bz k̂
 

todavia jˆ × jˆ = 0 e jˆ × k̂ = î. Logo


 
~FB = q~v × ~B = qvBz î = −qvB sin φ î = −9 × 10−17 N î (1.10)

1.2 Movimento de uma carga puntiforme em um campo magnético


• A força magnética exercida sobre uma partı́cula carregada se movendo através de
uma região com um campo magnético é sempre perpendicular à velocidade da
partı́cula.

• A força magnética, portanto, varia a direção da velocidade, mas não o módulo da


velocidade (rapidez).

• Assim, forças magnéticas não realizam trabalho nas partı́culas e não variam a energia
cinética delas.

1. No caso especial onde a velocidade de uma partı́cula carregada é perpendicular a


um campo magnético uniforme, i.e. ~v × ~B = vB, a partı́cula se move em uma órbita
circular.

2. A força magnética fornece a força centrı́peta necessária para o movimento circular.

Logo, pela segunda lei de Newton temos

v2 v2
∑ F = ma → FB = m r → qvB = m r
ou ainda, resolvendo para o raio r do movimento circular

mv
r= (1.11)
qB

O perı́odo do movimento circular é o tempo que a partı́cula leva para percorrer a


circunferência do cı́rculo uma vez, i.e.

2πr 2πm
T= = (1.12)
v qB
9
este é o perı́odo da órbita circular da partı́cula, que é chamado de perı́odo de cı́clotron.
A frequência do movimento circular, chamada de frequência do cı́clotron, é

1 qB qB
f= = ↔ ω = 2π f = (1.13)
T 2πm m
• Observe que T , f e ω não dependem da rapidez da partı́cula. Ou seja, partı́culas
que tenham a mesma razão carga-massa q/m levam o mesmo tempo T para dar uma
volta completa.

• Todavia, partı́culas mais rápidas se movem em cı́rculos maiores e as mais lentas em


cı́rculos menores.

1. Considere agora uma partı́cula carregada em movimento com uma velocidade que
não é perpendicular com o campo magnético uniforme ~B.

2. Não há componente da força magnética (e aceleração) paralela a ~B, logo a compo-
nente da velocidade que é paralela a ~B permanece constante.

vk = v cos φ , v⊥ = v sin φ , (1.14)

sendo φ o ângulo entre o vetor velocidade ~v e ~B.

3. A força magnética na partı́cula é perpendicular a ~B, logo a variação no movimento


da partı́cula devida a esta força é a mesma discutida anteriormente.

4. A trajetória da partı́cula é portanto uma hélice.

10
Leitura: seções “O seletor de velocidades”, “Medida de Thomson” (descoberta do
elétron), “O espectrômetro de massa” e “o cı́clotron”, pp 198–202.

1.3 A força magnética sobre um fio transportando corrente


• Na figura abaixo, um fio vertical fixado por suas extremidades passa através da
região entre as faces polares de um eletroı́mã.

• O campo magnético está orientado para dentro da página.

• Quando não há corrente passando pelo fio, verificamos que não há nenhum deflexão
no fio. Todavia, assim que uma corrente é estabelecida no fio, verificamos uma
deflexão.

• O sentido da deflexão depende do sentido da corrente; se a corrente está para cima,


o fio deflete para a esquerda, enquanto se a corrente está para baixo, o fio deflete
para a direita.

11
Vamos entender melhor o que fisicamente está acontecendo nesta situação.

• Quando um fio conduzindo corrente está em uma região onde existe um campo
magnético, há uma força no fio que é igual à soma das forças magnéticas nos por-
tadores individuais de carga no fio.

• Consideremos um segmento de fio com seção transversal A, comprimento L e cor-


rente I.

• Se o fio está imerso num campo magnético ~B, a força magnética em cada carga é
q~vd × ~B, em que ~vd é a velocidade de deriva dos portadores de carga.

• Uma vez que o número de portadores de carga no segmento de fio é o número n


multiplicado pelo volume AL; temos que a força total no segumento de fio é
 
~FB = q~vd × ~B nAL → ~FB = I~L × ~B (1.15)

que é justamente a força magnética de um segmento retilı́neo de um fio condu-


zindo corrente.

• Sendo a corrente I = nqvd A e o vetor ~L cujo módulo é o comprimento do segmento


e cuja direção e sentido são os mesmos da corrente.

• Na discussão anterior consideramos que o segmento do fio é retilı́neo e que o campo


magnético é uniforme ao longo de seu comprimento.

12
• Todavia, em casos mais gerais, podemos reescrever a equação para um fio de for-
mato arbitrário em qualquer campo magnético.

• Se escolhemos um segmento diferencial de fio, com comprimento d~`, escrevemos


a força neste segmento como

d ~FB = Id~` × ~B

a quantidade Id~` é chamada de elemento de corrente.

• Encontramos a força magnética total no fio conduzindo corrente somando (inte-


grando) as forças magnéticas devidas a todos os elementos de corrente no fio.

1. Assim como o campo elétrico ~E, o campo magnético ~B pode ser representado por
linhas de campo magnético.

2. Em ambos os casos, a direção do campo está indicada pela direção das linhas de
campo e o módulo é indicado pela densidade das linhas.

3. Há entretanto duas diferenças importantes entre linhas de campo elétrico e linhas
de campo magnético:

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• As linhas de campo elétrico estão na direção da força elétrica sob uma carga posi-
tiva, mas as linhas de campo magnético são perpendiculares à força magnética sob
uma carga em movimento;

• As linhas de campo elétrico começam nas cargas positivas e terminam nas cargas
negativa, as linhas de campo magnético nunca começam, nem terminam – mas sim
entram em uma das extremidades e saem pela outra.

Exemplo 1: Um fio formando um semicı́rculo de raio R está no plano xy. Ele conduz
uma corrente I do ponto a ao ponto b, como mostra a figura. Nesta região há um campo
magnético uniforme ~B = Bk̂ que é perpendicular ao plano do semicı́rculo. Determine a
força magnética exercida na seção semicircular do fio.

• Determinamos a força magnética total expressando as componentes x e y de d ~F em


termos de θ e integrando-as 0 ≤ θ ≤ π.

Primeiramente, o elemento diferencial é

d~` = −d` sin θ î + d` cos θ jˆ

ademais d` = Rdθ ; logo,

d ~FB = Id~` × ~B = I −d` sin θ î + d` cos θ jˆ × Bk̂ → d ~FB = IBR dθ sin θ jˆ + dθ cos θ î
  

14
assim
Z Z π Z π
~FB = d ~FB = IBR dθ sin θ jˆ + IBR dθ cos θ î
0 0
= IBR (− cos θ ) π0 jˆ + IBR (sin θ ) π0 î
= −IBR (−1 − 1) jˆ + IBR (0 − 0) î
= 2IBR jˆ (1.16)

Exemplo 2: Um fio conduzindo corrente é curvado em um semicı́rculo fechado de raio


R que está no plano xy. O fio está num campo magnético uniforme ~B = Bk̂ (saindo da
página). Calcule a força exercida no anel.

Acabamos de calcular a força magnética que a parte superior do semicı́rulo experi-


menta

~F1 = 2IBR jˆ (1.17)

Agora, nos falta determinar a força que a parte retı́linea experimenta. Nesta parte, temos
que ~L = Lî, logo

~F2 = I~L × ~B = I Lî × Bk̂ = −ILB jˆ = −2RIB jˆ


 
(1.18)

Logo, a força magnética total experimentada pelo semicı́rculo fechado é

~FB = ~F1 + ~F2 = 2IBR jˆ − 2RIB jˆ = 0 (1.19)

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Este de fato é um resultado geral que pode ser enunciado como:

• A força magnética resultante atuando em qualquer circuito fechado de cor-


rente num campo magnético uniforme é sempre zero.
 
I 
~FB = I  d~` × ~B
 
|{z}
=0

Como ilustração do resultado acima, considere o seguinte circuito fechado.

Podemos calcular a integral para este circuito como


I Z Z Z Z
d~` = d~` + d~` + d~` + d~` (1.20)
C C1 C2 C3 C4

temos todavia que d~` = dxî + dy jˆ, assim


I Z xm Z ym Z 0 Z 0
d~` = dxî + dy jˆ + dxî + dy jˆ = 0 (1.21)
C 0 0 xm ym

1.4 Torques em anéis de corrente e ı́mãs


• Um anel conduzindo corrente não está submetido a nenhuma força resultante em
um campo magnético uniforme, mas ele está sujeito a um torque resultante.

• A orientação do anel pode ser convenientemente descrita por um vetor unitário n̂


que é normal ao plano do anel.

16
• Na situação inicial, colocamos a espira/bobina no campo magnético uniforme ~B tal
que seus lados maiores (I~L) fiquem sempre perpendiculares à direção do campo,
mas seus lados menores fiquem paralelos.

• Logo, as forças nos lados menores são nulas pois os vetores I~L e ~B são paralelos.

• Todavia, quando a bobina encontra-se inclinada a situação é diferente. Pois as


forças nos lados menores não serão mais nulas, mas sim têm módulos F3 = F4 =
IbB sin (90◦ − θ ) = IbB cos θ , mas elas têm a mesma linha de ação (apontando pra
fora), assim o torque resultante também é zero.

• As forças nos lados maiores possuem módulos iguais, mas apontam em sentidos
opostos e têm diferentes linhas de ação, o que resulta num torque resultante dife-
rente de zero que tende a girar a bobina de modo a alinhar seu vetor normal n̂ com
a direção do campo magnético ~B.

• O módulo dessas forças é


F1 = F2 = IaB (1.22)

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Podemos calcular o torque igualmente no ponto central, i.e. na posição do vetor
n̂, dessa forma o braço de alavanca deste torque é 2b sin θ ; ou se por simplicidade,
escolhemos o ponto P como na figura acima, o torque é devido à força ~F2 somente
e o braço de alavanca é b sin θ . Assim a magnitude do torque é

τ = F2 b sin θ = (IaB) b sin θ = IAB sin θ (1.23)

onde A = ab é a área do anel. Para um anel que tem N voltas, o torque tem magni-
tude
τ = NIAB sin θ (1.24)
Novamente, este torque tende a girar o anel para que n̂ fique na mesma direção de
~B.

1.4.1 O dı́polo magnético

O torque pode ser convenientemente escrito em termos do momento de dipolo magnético


~µ (momento magnético) do anel de corrente, que é definido como

~µ = NIAn̂ (1.25)

A unidade do momento magnético no SI é o ampère-metro quadrado (A · m2 ).


Em termos do momento de dipolo magnético, o torque no anel de corrente é dado
numa forma vetorial
~τ = ~µ × ~B (1.26)
que é o torque em um anel de corrente. Esta expressão lembra muito a equação cor-
respondente para o torque exercido por um campo elétrico sobre um dipolo elétrico,
~τ = ~p × ~E.

• Em cada caso, o torque exercido por um campo externo – seja ele magnético ou
elétrico – é igual ao produto vetorial do correspondente vetor momento de dipolo e
do vetor campo.

1. Enquanto um campo magnético externo está exercendo um torque sobre um dipolo


magnético – tal com uma bobina de corrente – trabalho deve ser realizado para
mudar a orientação do dipolo.

18
2. O dipolo magnético deve ter então uma energia potencial magnética que dependa
da orientação do dipolo.

Quando um dipolo magnético é girado de um ângulo dθ , o trabalho realizado é

dW = −τdθ = −µB sin θ dθ (1.27)

em que θ é o ângulo entre ~µ e ~B. O sinal de menos surge porque o torque magnético
tende a decrescer θ . Igualando este trabalho ao decréscimo na energia potencial U, temos

dU = −dW = µB sin θ dθ (1.28)

e integrando
U = −~µ · ~B (1.29)
uma vez que escolhemos U = 0 quando θ = 90◦ . Esta expressão para a energia potencial
também é similar à para dipolos elétricos U = −~p · ~E.

• Quando um imã permanente, como a agulha de uma bússula ou um ı́mã em barra, é


colocado numa região onde há um campo magnético ~B, o campo exerce um torque
no ı́mã que tende a girá-lo para que se alinha com o campo.

• Este efeito também ocorre com limalha de ferro não magnetizada, que se torna
magnetizada na presença de um campo ~B.

• O ı́mã em barra é caracterizado por um momento magnético ~µ, um vetor que aponta
na mesma direção e sentido que de uma flecha do pólo sul ao pólo norte do ı́mã.

19
Exemplo 1: Um anel circular com raio igual a 2cm, tem 10 voltas de fio e conduz uma
corrente igual a 3A. O eixo do anel faz um ângulo de 30◦ com um campo magnético de
8000G. Determine a magnitude do torque no anel.

~ ~
~τ = ~µ × B → τ = ~µ × B = µB sin θ = NIAB sin θ

 
= (10) (3A) π (0, 02m) 8000 × 10 T sin 30◦
2 −4

= 0, 0151N · m = 1, 51 × 10−2 N · m (1.30)

Exemplo 2: Um anel circular de raio R, massa m e corrente I está numa superfı́cie


horizontal. Há um campo magnético horizontal ~B. Qual o valor máximo da corrente I
antes que um dos lados do anel decole da superfı́cie?

• O anel começará a girar quando a magnitude do torque resultante for maior do que
zero.

• Para eliminar o torque devido à força normal, calculamos os torques em torno do


ponto de contato entre a superfı́cie e o anel.

• O braço de alavanca para o torque gravitacional é o raio do anel (o cm do anel é o


seu centro geométrico – aplicação da força).

O torque devido à força magnética é

τm = µB sin 90◦ = IAB = IπR2 B (1.31)

enquanto o torque gravitacional é

τg = PR = mgR (1.32)

20
igualando as magnitudes dos torques
mg
τm = τg → IπR2 B = mgR → I = (1.33)
πRB
A corrente é proporcional à massa para B constante; quanto maior a massa, mais corrente
será necessária para começar a fazer o anel girar.

Exemplo 3: Uma bobina quadrada de 12 voltas e comprimento lateral de 40cm, conduz


uma corrente de 3A. Ela está no plano z = 0, como mostrado em um campo magnético
uniforme ~B = (0, 3T ) î + (0, 4T ) k̂. A corrente está no sentido anti-horário quando vista
de um ponto no eixo z positivo. Determine a) o momento magnético da bobina, e b) o
torque exercido na bobina, c) a energia potencial da bobina.

a) O momento magnético é

~µ = NIAk̂ = (12) (3A) (0, 4m)2 k̂ = 5, 76A · m2 k̂ (1.34)

b) Agora, o torque no anel de corrente é


 
2
~τ = ~µ × ~B = 5, 76A · m k̂ × (0, 3T ) î + (0, 4T ) k̂ = (1, 73N · m) jˆ

(1.35)

Veja que o torque é perpendicular ao plano em que os vetores ~µ e ~B estão.

21
c) Por fim, a energia potencial é
 
~ 2

U = −~µ · B = − 5, 76A · m k̂ · (0, 3T ) î + (0, 4T ) k̂ = −2, 30J

Exemplo 4: Um fino disco não-condutor tem massa m, raio a e densidade superficial


uniforme de carga σ , gira com velocidade angular ω ~ em torno de um eixo que passa pelo
centro do disco e é perpendicular ao plano do disco. Determine o momento magnético do
disco.

• Determinamos o diferencial de momento magnético de um elemento circular de


raio R e espessura dR.

• A carga neste elemento é dq = σ dA = σ (2πRdR).

• Se a carga é positiva, o momento magnético está na direção e sentido de ω


~.

Assim, a magnitude do momento magnético

dµ = AdI = πR2 dI (1.36)

Todavia, a corrente na faixa é a carga dq dividida pelo perı́odo T ,

dq 2π f ω
dI = = f dq = dq = σ (2πRdR) = (σ ωR) dR (1.37)
T 2π 2π
desta forma,
dµ = πR2 dI = πR2 (σ ωR) dR = πσ ωR3 dR (1.38)

22
Por fim, integrando esta expressão

πσ ωa4
Z Z a
µ= dµ = πσ ωR3 dR =
0 4

Usando o fato de que ~µ é paralelo a ω


~ (se σ > 0), então

σ πa4
~µ = ~
ω (1.39)
4

1.5 O efeito Hall


• Um feixe de elétrons no vácuo pode ser desviado por um campo magnético. Será
possı́vel que os elétrons de condução se movendo num fio de cobre possam também
ser desviados por um campo magnético?

• A resposta é positiva, quando cargas estão em movimento em um fio condutor, elas


são empurradas para um dos lados do fio.

• Isto resulta em uma separação das cargas no fio – um fenômeno chamado de efeito
Hall.

• Este fenômeno nos permite determinar o sinal da carga nos portadores, e também o
número de portadores por unidade de volume.

1. Considere duas tiras condutoras, conduzindo uma corrente I para a direita, imersas
num campo magnético ~B que está entrando no papel.

2. Em média, a força magnética experimentada por essas partı́culas é q~vd × ~B. Esta
força é dirigida para cima na página.

3. As partı́culas carregadas positivamente movem-se então para cima na página para a


borda superior da tira, deixando a borda inferior com um excesso de cargas negati-
vas.

4. Esta separação de cargas produz em um campo elétrico ~E na tira que exerce uma
força nas partı́culas a qual se opõe à força magnética sobre elas.

23
5. Quando as forças elétrica e magnética se equilibram, não ocorre mais a deriva dos
portadores de carga para cima na página.

6. Como o campo elétrico aponta na direção e sentido do decréscimo de potencial, a


borda superior da tira está em um potencial maior que a borda inferior.

1. Por outra lado, considere que a corrente seja devida a partı́culas carregadas negati-
vamente, movendo-se para a esquerda.

2. A força magnética experimentada pelas cargas q~vd × ~B é novamente para cima na


página, pois o sinal de q e de ~vd foram invertidos.

3. Novamente os portadores são forçados paara a porta superior da tira, mas a borda
superior agora conduz uma carga negativa, e a borda inferior possui desta vez uma
carga negativa.

• Uma medida do sinal da ddp entre as partes superior e inferior da tira informa o
sinal dos portadores de carga.

• Foi uma medida como estas que conduziu à descoberta que os portadores de carga
em metais são carregados negativamente.

• A ddp entre o topo e a base da tira é chmada de tensão Hall.

• A força magnética qvd B é equilibrada pela força eletrostática qEh , sendo Eh o


campo elétrico devido à separação entre as cargas.

24
• Temos portanto Eh = vd B. Se a largura da tira for w, a tensão Hall é

Vh = Eh w = vd Bw (1.40)

Como a velocidade de deriva para corrente ordinárias é muito pequena, vemos que
a tensão Hall é muito pequena para tamanhos de tiras e campos magnéticos or-
dinários.

• A partir de medidas de tensão Hall para uma tira de um dado tamanho, podemos
determinar o número de portadores de carga por unidade de volume; note que a
magnitude da corrente é

|I| = |q| nvd A = |q| nvd ws (1.41)

sendo w e s a largura e espessura da tira, respectivamente. Assim

|I| |I| B |I| B


n= = ↔ Vh = (1.42)
evd ws seVh nes

Podemos usar essa fórmula para uma tira calibrada para medida da tensão Hall,
tal que ela possa ser utilizada para medir um campo magnético desconhecido B
medindo a tensão Hall para uma dada corrente.

2 Fontes de Campo Magnético


Um fato básico da eletrostática é a constatação de que duas cargas exercem forças
uma sobre a outra
carga elétrica ↔ ~E ↔ carga elétrica (2.1)

Por analogia, constatamos que dois fios paralelos transportando correntes também exer-
cem forças um sobre o outro

corrente elétrica ↔ ~B ↔ corrente elétrica (2.2)

esta equação sugere que

1. correntes geram campos magnéticos,

25
2. campos magnéticos exercem forças sobre correntes.

Tratamos o segundo ponto no capı́tulo anterior, vamos abordar a primeira parte neste
capı́tulo. Este ponto pode ser enunciado na forma da seguinte questão

• De que modo podemos calcular o campo magnético que uma dada distribuição
de correntes cria numa região do espaço?

2.1 O campo magnético de correntes: a lei de Biot-Savart


Fato experimental, a força magnética experimentada por um elemento de carga I1 d~`1
devido à presença de um segundo elemento de carga I1 d~`1 é dada por
"Z  #
1
Z
µ
~F = − 0 I1 d~`1 · I2 d~`2 r̂21 (2.3)
4π |~r2 −~r1 |2
   
mas da relação vetorial ~a × b ×~c = b (~a ·~c) −~c ~a · b , e em geral Id~` · r̂12 = 0, então
~ ~ ~

"Z !#
1
Z Z
~F = µ0 I1 d~`1 × I2 d~`2 × r̂ = I1 d~`1 × ~B (~r1 ) (2.4)
4π 2 21
|~r2 −~r1 |

26
de onde observamos que o campo magnético produzido por um elemento de corrente Id~`
é dado por
 
Z I2 d~`2 × r̂21
~B (~r1 ) = µ0 (2.5)
4π |~r2 −~r1 |2
Esta equação é conhecida como a lei de Biot-Savart. No caso de uma carga puntiforme
q que se move com velocidade ~v, ela produz um campo magnético ~B no espaço, dado por

~B = µ0 q~v × r̂ (2.6)
4π r2

O vetor unitário r̂ aponta a partir da distribuição de corrente (ou carga puntiforme) até o
ponto de campo P.
Ademais, µ0 é uma constante de proporcionalidade, chamada de constante magnética
(ou permeabilidade do vácuo)

µ0 = 4π × 10−7 T · m/A = 4π × 10−7 N/A2

• Estas duas equações são análogas à lei de Coulomb para o campo elétrico de uma
carga puntiforme.

• A fonte de campo magnético é uma carga em movimento q~v ou um elemento de


corrente Id~`, assim como a carga q é a fonte do campo eletrostático.

• Assm como o campo elétrico, o campo magnético diminui sua magnitude com o
quadrado da distância.

• Entretanto, os aspectos direcionais dos campos elétrico e magnético são muito di-
ferentes.

• Enquanto o campo elétrico aponta na direção radial r̂ a partir da carga puntiforme


até o ponto de campo, o campo magnético é perpendicular a r̂ e a ~v (carga punti-
forme), ou r̂ e d~` no caso de um elemento de corrente.

• O campo magnético pode ser zero se os vetores r̂ e d~` forem paralelos (ou antipa-
ralelos).

27
1. O campo magnético devido à corrente total em um circuito pode ser calculado
usando a lei de Biot-Savart para determinar o campo devido a cada elemento de
corrente, e então somando (integrando) sobre todos os elementos de corrente no
circuito.

Exemplo: Calcule o campo magnético no ponto O para um segmento de fio transpor-


tando uma corrente I. Sendo que o fio consiste num arco circular, de raio R e ângulo
central 90◦ , e de dois trechos retiı́lineos cujos prolongamentos interceptam o centro O do
arco.

28
No primeiro trecho 1 = A0 A, o módulo do campo magnético em O é

~
µ0 I d ` × r̂ µ0 Id` sin 0
dB1 = = = 0 → B1 = 0 (2.7)
4π r2 4π r2

a mesma situação acontece no trecho 3 = CC0

B3 = 0 (2.8)

Por fim, no trecho curvo 2 = AC, o ângulo entre d~` e r̂ é 90◦ para qualquer elemento de
corrente. Logo, o campo magnético para este elemento de corrente é

~
µ0 I d ` × r̂ µ0 Id` sin 90◦ µ0 Id`
dB2 = = = (2.9)
4π r2 4π r2 4π R2

A fim de integrar sobre o deslocamento através do arco AC fazemos a substituição d` =


Rdθ , sendo 0 ≤ θ ≤ π/2, então
π
Id` µ0 I µ0 I  π  µ I
Z Z Z
µ0 2 0
B2 = dB2 = = dθ = −0 = (2.10)
4π R2 4πR 0 4πR 2 8R

Portanto, o módulo do campo magnético total ~B no ponto O produzido pela corrente no


fio é
µ0 I
B = B1 + B2 + B3 = (2.11)
8R
A direção e sentido do campo pode ser definida a partir da regra da mão direita

29
Vemos então que o campo aponta para dentro do plano da página.

2.1.1 ~B devido a um anel de corrente

Vamos calcular o campo magnético de um ponto no eixo de um anel circular de raio


R de corrente a uma distância z do centro do anel.

• Consideremos o elemento de corrente no topo do anel. Aqui, como em todos os


pontos no anel, Id~` é tangente ao anel e perpendicular ao vetor r̂ que vai do elemento
de corrente ao ponto de campo P.

• O campo magnético d ~B devido a este elemento está na direção mostrada na figura,


perpendicular ao plano formado por Id~` e r̂ (φ = 90◦ ). A magnitude de d ~B é

~
µ I d ` × r̂ µ Id` µ Id`

~ 0 0 0
d B = 2
= 2
= (2.12)
4π r 4π r 4π z2 + R2

onde usamos o fato que r2 = z2 + R2 .

• Quando somamos sobre todos os elementos de corrente no anel, a soma das compo-
nentes de d ~B perpendiculares ao eixo do anel, tais como dBy , resulta zero; deixando
apenas as componentes dBz paralelas ao eixo.

30
• Por exemplo, se dividimos a metade superior como d ~B1 enquanto a metade inferior
como d ~B2 , 
d ~B = +dB cos θ jˆ + dB sin θ k̂
1
(2.13)
d ~B2 = −dB cos θ jˆ + dB sin θ k̂

logo
  
µ0 Id` R
d ~B = d ~B1 + d ~B2 = 2dB sin θ k̂ = 2 √ k̂
4π z2 + R2 z2 + R2
!
µ0 IRd`
=2 k̂ (2.14)
4π (z2 + R2 ) 32

• Logo, a componente z do campo é


!
µ0 IRd` IRd`
Z Z I
µ0
Bz = dBz = 2 =
4π (z2 + R2 ) 23 4π 3
(z2 + R2 ) 2
IR IR
I
µ0 µ0
= d` = (2πR)
4π (z2 + R2 ) 32 4π (z2 + R2 ) 32
µ0 IR2
= (2.15)
2 (z2 + R2 ) 32

Podemos assim calcular o campo magnético no centro do anel (z → 0)

µ0 IR2 µ0 IR2 µ0 I
Bz = lim 3 = 3 = (2.16)
z→0 2 2 (R2 ) 2 2R
(z2 + R2 ) 2

Por um outro lado, a grandes distâncias z  R, logo

IR2 µ0 IR2 3 R2 µ0 IR2


 
µ0 µ0 µ
Bz = = 1 − + ... = = (2.17)
2 3
 
2 2
3
2 |z|3 2 z2 2 |z|3 2π |z|3
(z2 ) 2 1 + Rz2

onde µ = IπR2 é o módulo do momento magnético do anel.

• Note a semelhança entre expressão e o campo elétrico no eixo de um dipolo elétrico


1 p
Ez = 2πε 3.
0|z|

31
• Apesar de não ter sido demonstrado, o resultado que um anel de corrente produz um
campo de dipolo magnético a grandes distâncias tem validade geral para qualquer
ponto quer ele esteja no eixo ou fora do eixo do anel.

• Portanto um anel de corrente comporta-se como um dipolo magnético porque ele


está sujeito a um torque ~µ × ~B quando colocado num campo magnético externo.

Tabela comparativa
propriedade tipo de dipolo relação
Elétrico ~τ = ~p × ~E
Torque num campo externo
Magnético ~τ = ~µ × ~B
Elétrico U = −~p · ~E
Energia num campo externo
Magnético U = −~µ · ~B
~E = 1 ~p3
Elétrico 2πε0 |z|
Campo em pontos axiais distantes
Magnético ~B = µ0 ~µ3
2π |z|

32
Exemplo: Uma bobina circular tem raio igual a 5cm, 12 voltas, está no plano z = 0 e
centrada na origem. Ela conduz uma corrente de 4A e o momento magnético da bobina
está na direção +z. Determine o campo magnético no eixo z, em a) em z = 0, b) z = 15cm,
e c) z = 3m. d) Usando a fórmula para o dipolo magnético, determine o campo magnético
no eixo z em z = 3m.
a) podemos calcular o campo magnético para uma bobina com N voltas multiplicando
as expressões para o um anel, por exemplo. Disto segue que para o campo magnético em
z = 0 temos

4π × 10−7 T · m/A (4A)



µ0 I
Bz = N = 12 = 6, 03 × 10−4 T (2.18)
2R 2 (0, 05m)

b) Agora, o campo no eixo da bobina em z = 0, 15m é


−7 T · m/A
(4A) (0, 05m)2

µ0 IR2 4π × 10
Bz = N = 12
2 (z2 + R2 ) 23 2 
2
3
2 2
(0, 15m) + (0, 05m)
= 1, 91 × 10−5 T (2.19)

c) Usando novamente a equação acima para z = 3m

4π × 10−7 T · m/A (4A) (0, 05m)2



µ0 IR2
Bz = N = 12
2 (z2 + R2 ) 23 2 
2
3
2 2
(3m) + (0, 05m)
= 2, 79 × 10−9 T (2.20)

d) Temos que z = 3m  R = 0, 05m (z = 60R), logo


µ0 µ
Bz = (2.21)
2π |z|3

o dipolo magnético é

µ = NIπR2 = 12π (4A) (0, 05m)2 = 0, 377A · m2 (2.22)

33
logo

4π × 10−7 T · m/A 0, 377A · m2


 
Bz = 3
= 0, 0279 × 10−7 T = 2, 79 × 10−9 T (2.23)
2π (3m)

2.1.2 ~B devido à corrente em um fio retilı́neo

A figura abaixo mostra a geometria para calcular o campo magnético ~B em um ponto


P devido à corrente no segmento retilı́neo de fio mostrado.

• Escolhemos R perpendicular à distância do fio ao ponto P, e escolhemos o eixo x


ao longo do fio com x = 0 na extremidade esquerda do fio.

• Um elemento tı́pido de corrente Id~` a uma distância x da origem é mostrado.

• Observe que em P os campos magnéticos devidos a todos os elementos de corrente


do fio estão na mesma direção e sentido. Assim, precisamos calcular apenas a
magnitude do campo.

A magnitude do campo devido ao elemento de corrente é



~
µ0 I d ` × r̂ µ0 Idx sin θ
dB = = (2.24)
4π r2 4π r2

da geometria do problema temos que r2 = x2 + R2 , e que

R
sin θ = sin (π − θ ) = √
x2 + R2

34
Dessa forma
µ0 RIdx
dB = (2.25)
4π (x2 + R2 ) 32
Obtemos a magnitude de B ao integrarmos
Z L
dx
Z
µ0
B= dB = RI 3 (2.26)
4π 0 (x2 + R2 ) 2

dx 1 x
Z
= √
(x2 + R2 )
3/2 R2 x2 + R2
logo
 L
µ0 1 x µ0 I L
B= RI √ = √ (2.27)
4π R2 x2 + R2 0 4πR L2 + R2

Em particular, se L  R, temos que

1 R2
 
µ0 I L µ0 I 1 µ0 I µ0 I
B= √ = q ≈ 1 − 2 + ... = (2.28)
4πR L2 + R2 4πR 1 + R2 4πR 2L 4πR
L2

E deste resultado podemos calcular o campo magnético B devido a um fio retilı́neo


infinitamente longo
µ0 I
Bin f = 2B =
2πR
• Multiplicamos o resultado acima por 2 pois ele nos dá somente a contribuição (in-
finita) à direita do ponto P;

• Mas como a distribuição é simétrica, multiplicamos por 2 a fim de levar em conta


a contribuição à esquerda. E esta distribuição de fato consiste no campo magnético
de um fio infinitamente longo.

35
2.1.3 ~B devido a um circuito de corrente

A figura abaixo mostar um circuito de corrente, queremos determinar o campo magnético


resultante no ponto P devido a essa distribuição de corrente.

• É preciso notar que há dois tipos de configurações de corrente contribuindo, basi-
camente

sendo que somente as distâncias em relação ao ponto de interesse que mudam.

• Note que a primeira contribuição é nula, uma vez que os vetores são paralelos:
d~` × r̂ = d` sin θ = d` sin 0 = 0

• Por um outro lado, a segunda contribuição é diferente de zero, e em particular,


podemos fazer uso do resultado calculado no exemplo anterior.

36
• Dessa forma, tomando a notação de que o campo entrando está no sentido positivo
e o campo saindo no sentido negativo, temos

µ0 I a µ0 I a µ0 I (2a) µ0 I (2a)
B= √ + √ − q − q
4πa a2 + a2 4πa a2 + a2 4π (2a) 4π (2a)
| {z } | {z } (2a)2 + (2a)2 (2a)2 + (2a)2
campo entrando campo entrando | {z } | {z }
campo saindo campo saindo
   
µ0 I 1 µ0 I 1
=2 √ −2 √
4π 2a2 4π 8a2
µ0 I 1 µ I 1
= √ − 0 √
2π 2a 4π 2a

2µ0 I
=
8πa

2.1.4 ~B no centro de um anel quadrado de corrente

Podemos calcular o campo magnético no cnentro de um anel quadrado de corrente


que tem lados de comprimento L = 50cm e que conduz uma corrente de 1, 5A.

Podemos considerar seções de comprimento L/2 tal que o resultado acima para o
campo magnético

µ0 I L
B= √ (2.29)
4πR L2 + R2

possa ser utilizado. Vemos assim que

L0
 
µ0 I
Bres = 8B = 8 √ (2.30)
4πR L02 + R2
37
em particular, vemos que L0 = R = L/2. Assim

µ0 I 1 2 2µ0 I
Bres = 2 q = (2.31)
π L2 L2 πL
4 + 4

2 2 4π × 10−7 T · m/A (1, 5A)

= (2.32)
π (0, 5m)
= 3, 4 × 10−6 T (2.33)

2.1.5 ~B devido a dois fios paralelos

Um fio retilı́neo e longo conduz uma corrente de IE = 1, 7A na direção +z e está ao


longo da linha x = −3cm, y = 0. Um segundo fio como este conduz uma corrente de
ID = 1, 7A na direção +z e está ao longo da linha x = 3cm, y = 0. Determine o campo
magnético no ponto P no eixo y em y = 6cm.

• O campo magnético no ponto P é a soma vetorial do campo ~BE devido ao fio à


esquerda, e do campo ~BD devido ao fio à direita.

• Como os fios conduzem a mesma corrente e estão à mesma distância do ponto P,


temos que as magnitudes dos campos são iguais BE = BD = B.

• ~BE é perpendicular à distância do fio da esquerda até o ponto P, e ~BD é perpendicular


à distância do fio da direita até o ponto P.

38
Os campos são 
~B = −B cos θ î + B sin θ jˆ
E
(2.34)
~BD = −B cos θ î − B sin θ jˆ

logo o campo resultante é

~Bres = ~BE + ~BD = −2B cos θ î (2.35)

A magnitude do campo magnético de um fio infinitamente longo é

µ0 I
B= (2.36)
2πR

Podemos calcular a distância R através da relação R2 = (3cm)2 + (6cm)2 → R = 6, 7cm;


ademais, calculamos
6, 7cm
cos θ = = 0, 894 (2.37)
6cm
Assim, temos que
−7 T · m/A (1, 7A)

4π × 10
~Bres = −2B cos θ î = − µ0 I cos θ î = − (0, 894) î (2.38)
πR π (0, 067m)
 
−6
= − 9, 1 × 10 T î (2.39)

1. Qual é o campo resultante na origem?



~B = B jˆ
E
(2.40)
~BD = −B jˆ

logo o campo resultante é nulo

~Bres = ~BE + ~BD = B jˆ − B jˆ = 0 (2.41)

2. Agora, se invertemos o sentido da corrente à direita, i.e. ao invés de sair da página

39
ela entra −z. Assim, os campos são

~B = B jˆ
E
(2.42)
~BD = B jˆ

logo o campo resultante é nulo


−7 T · m/A (1, 7A)

µ I 4π × 10  
~Bres = ~BE + ~BD = 2B jˆ = 0 jˆ = ˆj = 2, 3 × 10−5 T jˆ
πR π (0, 067m)
(2.43)

2.1.6 ~B devido a dois fios paralelos - II

A figura abaixo mostra dois fios longos e paralelos transportando correntes i1 e i2 em


sentidos opostos. Quais são o módulo, direção e sentido do campo magnético resultante
no ponto P? Considere que: i1 = 15 A, i2 = 32 A e d = 5, 0 cm.

• O campo magnético no ponto P é a soma vetorial do campo ~B1 devido ao fio à


esquerda, e do campo ~B2 devido ao fio à direita.

• ~B1 é perpendicular à distância do fio da esquerda até o ponto P, e ~B2 é perpendicular


à distância do fio da direita até o ponto P.

Os campos são dados por



~B = B cos(45◦ )(−î) + B sin(45◦ )(+ jˆ)
1 1 1
(2.44)
~B2 = B2 cos(45◦ )(+î) + B2 sin(45◦ )(+ jˆ)

40
µ0 I
Podemos calcular a magnitude dos campos de fios longos através de B = 2πr . É fácil
(d/2)
ver que as distâncias dos fios até o ponto P são iguais e dadas por cos(45◦ ) = r ou

seja r = d/ 2. Desta forma, temos que
√ √
µ0 i1 2µ0 i1 2µ0 i2
B1 = = , B2 = . (2.45)
2πr1 2πd 2πd

Logo, segue que o campo resultante é dado por


√ √
~Bres = ~B1 + ~B2 = 2 2
(−B1 + B2 ) î + (B1 + B2 ) jˆ (2.46)
2 2
ou seja
√ √ √ ! √ √ √ !
~Bres = 2 2µ i
0 1 2µ i
0 2 2 2µ i
0 1 2µ i
0 2
− + î + + jˆ
2 2πd 2πd 2 2πd 2πd
√ √ √ √
2 2µ0 2 2µ0
= (−i1 + i2 ) î + (i1 + i2 ) jˆ
2 2πd 2 2πd
4π × 10−7 4π × 10−7
= (−15 + 32) î + (15 + 32) jˆ (2.47)
2π(5 × 10−2 ) 2π(5 × 10−2 )

finalmente

~Bres = (6, 8 × 10−5 T )î + (18, 8 × 10−5 T ) jˆ (2.48)

Vemos assim que o campo resultante se encontra no primeiro quadrante. Podemos calcu-
lar o módulo deste vetor a partir de
q q
|~Bres | = B2x + B2y = (6, 8 × 10−5 T )2 + (18, 8 × 10−5 T )2 = 19, 99 × 10−5 T ≈ 0, 2 × 10−3 T
(2.49)

com orientação
   
By 18, 8
φ = arctan = arctan = 70, 11◦ (2.50)
Bx 6, 8

41
2.1.7 ~B devido à corrente em um solenóide

• Um solenóide é um fio condutor enrolado em uma hélice com as voltas bem próximas
entre si.

• Um solenóide é usado para produzir um campo magnético intenso e uniforme na


região da vizinhança de seus anéis.

• O papel do solenóide no magnetismo é análogo ao do capacitor de placas paralelas,


que produz um campo elétrico intenso e uniforme entre suas placas.

• O campo magnético de um solenóide é essencialmente o de um conjunto de N anéis


de corrente idênticos colocado lado a lado.

• A figura abaixo mostra as linhas de campo magnético para dois destes anéis

• Dentro do solenóide e distante das bordas, as linhas de campo são aproximadamente


paralelas ao eixo, estão próximas e uniformemente espaçadas, indicando um campo
magnético intenso e uniforme.

• Do lado de fora do solenóide (acima e abaixo dele) a densidade de linhas é muito


menor.

42
• Além disso, as linhas de campo se separam quando nos afastamos de ambos os
lados do solenóide.

• Podemos todavia comparar o campo magnético de um solenóide, tanto no interior


como no exterior dele, ao campo magnético de um imã em barra do mesmo tamanho
e formato do solenóide.

43
Exemplo: Considere um solenóide de comprimento L, com N voltas e que conduz uma
corrente I. Escolhemos o eixo do solenóide como o eixo z, com a extremidade esquerda
em z = z1 e a extremidade direita em z = z2 . Calcularemos o campo magnético no ponto
P no eixo z a uma distância z da origem. Para isto consideremos um elemento de compri-
mento dz0 a uma distância z0 da origem.
Se n = N/L é o número de voltas por unidade de comprimento, há ndz0 voltas do
fio neste elemento, com cada volta conduzindo uma corrente I. O elemento é portanto
equivalente a um único anel conduzindo corrente dI = nIdz0 .

O campo magnético em um ponto no eixo z > z2 > z1 devido ao anel em z = z0 con-


duzindo corrente dI é

µ0 R2 dI µ0 R2 nIdz0
dBz =  3/2 = 2  3/2 (2.51)
2 0 2 2 0 2 2
(z − z ) + R (z − z ) + R

Determinamos o campo magnético em P devido ao solenóide inteiro a partir da integração

µ0 R2 nI dz0
Z Z z2
Bz = dBz = 3/2 (2.52)
2 z1

0 2 2
(z − z ) + R

Essa integral pode ser calcualda usando a substituição trigonométrica z − z0 = R tan θ , tal
que
dz0 1 (z − z0 )
Z
 3/2 = − R2 q (2.53)
2 0 2 2
(z − z0 ) + R2 (z − z ) + R

44
logo
 
µ0 R2 nI  1 z − z1 1 z − z2
Bz = − 2q (2.54)

 2q
2 R R

2 2
(z − z1 ) + R2 (z − z2 ) + R2
 
µ0 nI  z − z1 z − z2
= −q (2.55)

q
2

2 2 2 2
(z − z1 ) + R (z − z2 ) + R

• Um solenóide é considerado longo se seu comprimento L for muito maior que seu
raio R.

• No interior de um longo solenóide e distante das extremidades, i.e. z1 < z < z2

z − z1 1 1 R2
=r ≈ 1− + ...
2 (z − z1 )2
q
2 2 R2
(z − z1 ) + R 1+
(z−z1 )2

z − z2 z2 − z 1 1 R2
= −q = −r ≈ −1 + + ...
2 (z2 − z)2
q
(z − z2 )2 + R2 (z2 − z)2 + R2 1+ R2
(z2 −z)2

logo, o campo magnético na região interna e distante das bordas do solenóide


 
µ0 nI  z − z1 z − z2
Bz = −q

q
2

2 2 2 2
(z − z1 ) + R (z − z2 ) + R
" ! !#
µ0 nI 1 R 2 1 R 2
≈ 1− + ... − −1 + + ... (2.56)
2 2 (z − z1 )2 2 (z2 − z)2
≈ µ0 nI (2.57)

• Para calcular o campo na extremidade direita do solenóide usamos z = z2 . Isto

45
resulta em
 
µ0 nI  z2 − z1  µ0 nI L
Bz (z2 ) = q = √ (2.58)
2 2 L2 + R2
(z2 − z1 )2 + R2

em que definimos L = z2 − z1 . Assim, se L  R, temos que

1 R2
 
µ0 nI L µ0 nI 1 µ0 nI µ0 nI
Bz (z2 ) = √ = q ≈ 1 − 2 + ... =
2 L 2 + R2 2 1+ R
2 2 2L 2
L2
(2.59)

• Portanto, o campo Bz nas extremidades de um longo solenóide é metade do valor


de B em pontos no interior do solenóide.

2.1.8 Força magnética entre fios paralelos

• Consideremos dois fios longos e paralelos conduzindo corrente no mesmo sentido;


µ0 I
• Podemos usar B = 2πR para o campo magnético devido a cada fio longo;

• d ~F = Id~` × ~B para a força exercida por um campo magnético em um segmento


de fio conduzindo corrente para determinar a força magnética exercida por um fio
condutor, longo e retilı́neo, sobre outro fio.

• Consideremos a força em um segmento d~`2 conduzindo corrente I2 . O campo mag-


netico ~B1 neste segmento devido à corrente I1 é perpendicular ao segmento d~`2 .

• Isto é verdadeir para todos os elementos de corrente ao longo do fio 2.

• A força dada por d ~F21 = I2 d~`2 × ~B1 no elemento de corrente I2 d~`2 aponta para o fio
1, como pode ser visto pela aplicação da regra da mão direita.

• De forma análoga, um segmento de corrente I1 d~`1 estará sujeito a uma força magnética
dirigida para a corrente I2 devida ao campo magnético ~B2 , dada por d ~F12 = I1 d~`1 ×
~B2 ;

46
• Assim, duas correntes paralelas se atraem; enquanto se o sentido de uma das cor-
rentes for invertido, as forças também serão invertadas, e portanto, duas correntes
antiparalela se repelem.

• A magnitude da força magnética no elemento de corrente I2 d~`2 é



~ ~
dF21 = I2 d `2 × B1 → dF21 = I2 d`2 B1

Agora, se a distância entre os fios é muito menor que seus comprimentos, o campo
é devido a um fio condutor infinitamente longo; portanto,

µ0 I1 dF21 µ0 I1 I2
dF21 = I2 d`2 → =
2πR d`2 2π R

Definição da unidade ampère

1. A unidade de carga elétrica no SI é o coulomb, o que é definido em termos da


unidade de corrente elétrica, o ampère.

2. O coulomb é a quantidade de carga que flui através da seção transversal de um fio


em um segundo quando a corrente no fio é um ampère (I = ∆Q/∆t).

3. O ampère é a corrente constante que, se mantida em dois condutores retilı́neos


paralelos de comprimento infinito e seção transversal circular desprezı́vel (i.e. L 

47
R), separados por uma distância de um metro e em vácuo, produzirá uma força entre
os condutores igual a 2 × 10−7 newton por metro de comprimento.

Exemplo: Considere um fio 1 orientado ao longo do eixo y que carrega uma corrente
I1 . Uma espira retangular localizada à direita do fio e no plano xy carrega uma corrente I2 .
Determine a força magnética exercida pelo fio 1 no segmento superior de comprimento b
da espira.

• Note que o resultado discutido anteriormente é válido somente para fios paralelos e
não podem ser usado aqui.

• Mas o caminho é semelhante, primeiramente temos que a força é

d ~F21 = I2 d~`2 × ~B1 (2.60)

enquanto o deslocamento infinitesimal é d~`2 = dxî e o campo magnético

~B1 = µ0 I1 −k̂

(2.61)
2πx

48
sendo que a direção +z aponta para fora da página. Encontramos então
 
µ 0 I1 µ0 I1 I2  µ0 I1 I2 dx
d ~F21 = I2 dxî × jˆ
 
−k̂ = dx −î × k̂ = (2.62)
2πx 2πx 2π x

determinamos a força ao integrar essa última expressão


a+b
Z   
µ0 I1 I2 dx I I b
Z
~F21 = µ0 1 2
d ~F21 = jˆ = ln 1 + jˆ (2.63)
2π a x 2π a

2.2 A lei de Gauss para o magnetismo


• As linhas de campo magnético diferem das linhas de campo elétrico por que as
linhas de ~B formam curvas fechadas, enquanto as linhas ~E começam e terminam
em cargas elétricas;

• O equivalente magnético de uma carga elétrica é um pólo magnético, tal como


mparecem ser as extremidades de um ı́mã em barra.

• Linhas de campo magnético parecem sair da extremidade do pólo norte de um ı́mã


em barra e parecem convergir para a extremidade do pólo sul.

• No interior do ı́mã, entretanto, as linhas de campo magnético nem saem de um


ponto próximo ao pólo norte, nem convergem para um ponto próximo ao pólo sul.

• Em vez disso, as linhas de campo magnético passam através do ı́mã do pólo sul até
o pólo norte.

• Se uma superfı́cie gaussiana circunda a extremidade de um ı́mã em barra, o número


de linhas de campo magnético que penetram na superfı́cie pelo lado de dentro é exa-
tamento igual ao número de linhas de campo magnético que penetram a superfı́cie
pelo lado de fora.

• Isto é, o fluxo resultante Φm do campo magnético ~B através de qualquer superfı́cie


fechada S é sempre zero
I I
Φm = ~B.n̂dA = Bn dA = 0 (2.64)

49
e este resultado é conhecido como a lei de Gauss para o magnetismo.

• Este resultado é uma afirmativa matemática que não existe ponto no espaço a partir
do qual saem linhas de campo magnético ou para o qual conversem linhas de campo
magnético.

• isto é, não existem pólos magnéticos isolados. A unidade fundamental do magne-
tismo é o dipolo magnético.

50
2.3 A lei de Ampère

• Vimos anteriormente que, para distribuições de carga altamente simétrica, podemos


calcular o campo elétrico devido a uma distribuição de cargas de maneira mais
simples usando a lei de Gauss ao invés da lei de Coulomb.

• Uma situação similar existe no magnetismo. Em que podemos usar a lei de Ampère
ao invés da lei de Biot-Savart a fim de determinar o campo magnético gerado por
distribuições de corrente.

• A lei de Ampère relaciona a componente tangencial Bt do campo magnético inte-


grada ao longo de uma curva fechada C à corrente IC que passa através de quaquer
superfı́cie limitada por C.

• Esta lei pode ser usada para obter uma expressão para o campo magnético em
situações com alto grau de simetria.

• Na forma matemática, a lei de Ampère é


I
~B · d~` = µ0 IC (2.65)
C

51
sendo IC é a corrente resultante que penetra em qualquer superfı́cie S limitada pela
curva C.

• O sentido tangencial positivo para a integral de caminho ao longo de C está relaci-


onado à escolha para o sentido positivo da corrente IC .

• É importante enfatizar que a lei de Ampère é válida apenas enquanto as correntes


forem constantes e contı́nuas, i.e. a corrente não varia not empo e que não há
acúmulo de carga em nenhum lugar. (e.g. ela não pode ser aplicada no cálculo do
campo magnético de um anel, pois o campo não é uniforme.)

• A lei de Ampère e a lei de Gauss são ambas de considerável importância teórica, e


ambas valem se houver ou não simetria. Todavia, essas leis mostram maior utilidade
em problemas com simetria.

A aplicação mais simples da lei de Ampère é a determinação do campo magnético devido


à corrente I em um fio retilı́neo infinitamente longo.

• Consideremos uma curva circular C em torno de um longo fio, com centro no fio.
Ademais, consideramos que o campo ~B é tangente a este cı́rculo, na mesma direção
e sentido que d~`, e tem magnitude constante B em qualquer ponto no cı́rculo, logo
I I
~B · d~` = µ0 IC → B d` = µ0 I
C C

ou ainda
µ0 I
B (2πr) = µ0 I → B = (2.66)
| {z } 2πr
circunferência do cı́rculo

52
2.3.1 ~B no interior e exterior de um fio

Um fio retilı́neo e longo tem raio R e conduz uma corrente I que está uniformemente
distribuı́da na seção transversal circular do fio. Determine o campo magnético em pontos
no interior e exterior do fio.

Do lado externo do fio, r > R, a corrente total passa através da superfı́cie limitada pela
curva C, logo IC = I
~B · d~` = µ0 IC → Be = µ0 I
I
(2.67)
C 2πr
Todavia, no lado interno do fio, r < R temos que IC = I 0 , logo
0
~B · d~` = µ0 IC → Bi = µ0 I
I
(2.68)
C 2πr

Ademais, podemos relacionar a fração de corrente I 0 com a corrente total I ao notar que
uma vez que a corrente é distribuı́da uniformemente na seção transversal do fio (densidade
de corrente J = I/A)
I0 I 0 r2
= → I = 2I (2.69)
πr2 πR2 R
portanto, o campo magnético em pontos no interior do fio pode ser escrito como

µ0 I 0 µ0 I
Bi = = r (2.70)
2πr 2πR2

53
Vemos assim que 
µ0 I

2 r, r≤R
B = 2πR (2.71)
 µ0 I , r≥R
2πr

2.3.2 ~B de um solenóide segundo a lei de Ampère

• A primeira figura abaixo mostra uma seção transversal através de um trecho de


um solenóide “esticado”. O campo magnético do solenóide é a soma vetorial dos
campos criados por cada uma de suas espiras.

• A segunda figura mostra o caso limite de um solenóide ideal, infinitamente longo


e que consiste em espiras estreitamente espaçadas.

• O que mostra que o campo interno num solenóide ideal é razoavelmente forte, en-
quanto o campo externo é relativamente fraco.

• A terceira figura mostra um solenóide ideal, em que o campo no interior do so-


lenóide é uniforme e paralelo ao eixo do solenóide.

Aplicando a lei de Ampère à curva retangular 1234,


I Z Z Z Z
~B · d~` = µ0 IC → ~B · d~` + ~B · d~` + ~B · d~` + ~B · d~` = µ0 IC (2.72)
C 1 2 3 4

54
A segunda e quarta integrais são nulas porque para cada elementos desses caminhos ~B é
perpendicular à trajetória d~`,
Z Z
~B · d~` = ~B · d~` = 0 (2.73)
2 4

A terceira integral é zero porque B = 0 para todos os pontos externos. E por fim, a primeira
integral nos dá Z
~B · d~` = B` (2.74)
1
A corrente IC englobada pela curva amperiana pode ser escrita em termos da corrente I
que passa através de cada espira. Seja N o número de espiras, e n = N/` o número de
espiras por unidade de comprimento, temos que

B` = µ0 IC = µ0 NI = µ0 In` → B = µ0 nI

que é o campo magnétido de um solenóide ideal (infinitamente longo).

2.3.3 ~B de um toróide segundo a lei de Ampère

Consideremos agora um toróide, que podemos descrever como um solenóide (anéis


de fio enrolado) encurvado na forma de um pneu.

• Pela simetria do problema, as linhas de ~B formam cı́rculos concêntricos no interior


do toróide. Dessa forma, escolhemos como curva amperiana um cı́rculo concêntrico
de raio r para a < r < b.

• Há N voltas do fio, cada uma conduzindo uma corrente I.

• Como ~B é tangente a este cı́rculo, temos que


I I
~B · d~` = µ0 IC → B d` = µ0 IC → B (2πr) = µ0 IC (2.75)
C C

e a corrente total através da superfı́cie S limitada pela curva amperiana é IC = NI,


logo
µ0 NI
B (2πr) = µ0 NI → B = , a<r<b (2.76)
2πr

55
• Se r < a não há corrente na superfı́cie S. Agora, se r > b, a corrente lı́quida através
de S é zero, pois para cada volta de fio a corrente penetra a superfı́cie duas vezes,
uma entrando e outra saindo.

• Assim, o campo magnético é zero nessas duas regiões.

2.4 Magnetismo em materiais


• Átomos têm momentos de dipolo magnético devido ao movimento de seus elétrons
e devido ao momento de dipolo magnético intrı́nseco associado ao spin dos elétrons.

• Diferentemente do que acontece com dipolos elétricos, o alinhamento dos dipolos


magnéticos paralelamente a um campo magnético tende a aumentar o campo.

• A grandes distâncias dos dipolos, as linhas de campo são idênticas.

• Entretanto, entre as cargas do dipolo elétrico, as linhas de campo elétrico têm sen-
tidos opostos ao momento de dipolo.

• Enquanto no interior do anel de correntes as linhas de campo magnético são para-


lelas ao momento de dipolo.

• Portanto, no interior de um material magneticamente polarizado, os dipolos magnéticos


criam um campo magnético paralelo aos vetores momentos de dipolo magnético.

56
De acordo com o comportamento de seus momentos magnéticos em um campo magnético
externo, materiais podem ser classificados em três categorias.

1. Paramagnéticos: surge de um alinhamento parcial na direção do campo, dos spins


dos elétrons ou dos momentos magnéticos atômicos/moleculares pela ação de um
campo magnético aplicado. Sem a presença de um campo externo, os dipolos não
interagem fortemente uns com os outros e estão orientados aleatoriamente
num material paramagnético. Já na presença de um campo magnético apli-
cado, os dipolos são parcialmente alinhados na direção do campo, aumentando
a intensidade do campo (e.g. alumı́nio, magnésio, sulfato de cobre).

2. Ferromagnéticos: Em materiais ferromagnéticos há uma forte interação entre


dipolos magnéticos vizinhos o que implica um alto grau de alinhamento, mesmo
em campos magnéticos externos fracos, o que provoca um grande aumento no
campo total. Mesmo na ausência de campo externo, um material ferromagnético
pode ter seus dipolos magnéticos alinhados, como em ı́mãs permanentes (e.g. ferro,
cobalto, nı́quel).

3. Diamagnéticos: O diamagnetismo surge dos momentos de dipolo magnético or-


bitais induzidos por um campo magnético aplicado. Estes momentos magnéticos
têm sentido oposto ao campo magnético aplicado, diminuindo o campo. Este
efeito ocorre naturalmente em todos os materiais; todavia como os momentos magnéticos
induzidos são muito pequenos comparados com os momentos magnéticos perma-

57
nentes, o diamagnetismo é por muitas vezes mascarados pelos efeitos paramagnéticos
ou ferromagnéticos. O diamagnetismo é portanto observado apenas em materiais
cujos átomos não têm momentos magnéticos permanentes (e.g. bismuto, cobre,
prata, chumbo).

2.4.1 Magnetização e suscetibilidade magnética

• Quando um material é colocado em um campo magnético intenso, tal como o de


um solenóide, o campo magnético do solenóide tende a alinhar os momentos de
dipolo magnético (sejam eles permanentes ou induzidos) no interior do material e
o material estará magnetizado.

• Descrevemos um material magnetizado através de sua magnetização, que é defi-


nida como o momento de dipolo magnético resultante por unidade de volume do
material
~
~ = dµ
M (2.77)
dV

• Muito antes de compreendermos minimamente a estrutura atômica ou molecular,


Ampère propôs um modelo de magnetismo no qual a magnetização de materiais é
devida a anéis microscópicos de corrente no interior do material magnetizado.

• Sabemos que estes anéis de corrente são o modelo clássico para o movimento orbital
e spin dos elétrons em átomos.

• Consideremos um cilindro de material magnetizado; o qual podemos pensar que


seus anéis de corrente atômicos no cilindro, estão alinhados com seus momentos
magnéticos ao longo do eixo do cilindro.

• Devido ao cancelamento das correntes nos anéis vizinhos, a corrente resultante em


qualquer ponto no interior do material é zero, sobrando uma corrente resultante na
superfı́cie do material.

• Esta corrente na superfı́cie, chamada de corrente amperiana, é semelhante à cor-


rente real nos enrolamentos do solenóı́de.

58
• Consideremos um pequeno cilindro com seção transversal de área A, comprimento
d` e volume dV = Ad`. Seja di a corrente amperiana na superfı́cie curva do disco.

• A magnitude do momento de dipolo magnético do disco é a mesma que a de um


anel de corrente que tem área A e conduz corrente di

dµ = Adi (2.78)

enquanto podemos escrever a magnetização do disco como

dµ Adi di
M= = = (2.79)
dV Ad` d`
Mostrando portanto que a magnitude do vetor magnetização é a corrente amperiana
por unidade de comprimento ao longo da superfı́cie do material magnetizado.

~ paralela a seu eixo.


• Considere agora um cilindro com magnetização uniforme M

• O efeito da magnetização é o mesmo que se o cilindro conduzisse uma corrente de


superfı́cie por unidade de comprimento de magnitude M.

• Esta corrente é semelhante à corrente conduzida por um solenóide firmemente en-


rolado – em que a corrente por unidade de comprimento é nI.

• Podemos usar essa identificação de forma determinar a magnitude do campo magnético


no interior do cilindro (a partir da expressão para um solenóide B = µ0 nI, com a

59
substituição nI → M), obtendo então

Bm = µ0 M (2.80)

• Em seguida, consideremos a situação em que o cilindro de material magnético seja


colocado no interior de um longo solenóide que tem n voltas por unidade de com-
primento e conduz uma corrente I.

• O campo aplicado do solenóide ~Bapl (Bapl = µ0 nI) magnetiza o material e ele ad-
quire uma magnetização M. ~ O campo magnético resultante em um ponto do
interior do solenóide e distante de suas extremidades é

~B = ~Bapl + µ0 M
~ (2.81)

~ está no mesmo sentido de ~Bapl ,


• Para materiais paramagnéticos e ferromagnéticos, M
enquanto que está no sentido oposto no caso de materiais diamagnéticos.

• Para materiais paramagnéticos e diamagnéticos, observa-se que a magnetização


é proporcional ao campo magnético aplicado que produz o alinhamento dos dipolos
magnéticos no material.

• Podemos escrever então


χm~Bapl
~ =
M (2.82)
µ0
sendo a constante de proporcionalidade χm é um número adimensional chmada de
suscetibilidade magnética.

• Desta definição, podemos reescrever

~B = ~Bapl + µ0 M
~ = ~Bapl + χm~Bapl = (1 + χm ) ~Bapl = Km~Bapl (2.83)

sendo Km = 1 + χm a chamada permeabilidade relativa do material.

1. Para materiais paramagnéticos, χm é um número positivo e pequeno que depende


da temperatura.

60
2. Para materiais diamagnéticos, χm é uma constante pequena e negativa, independente
da temperatura.

3. Para materiais ferromagnéticos, a definição da magnetização é muito mais


complicada. A permeabilidade relativa Km definida como a razão B/Bapl , não
é constante e tem valores máximos no interno entre 5000 − −100.000. No
caso de ı́mãs permanentes, Km não está definida, pois tais materiais exibem
magnetização mesmo na ausência de um campo aplicado.

61
3 Indução Magnética
• Se colocarmos uma bobina condutora fechada num campo magnético externo e
enviarmos uma corrente através dela, um torque atuará sobre a bobina, fazendo-a
girar. Este resutlado pode ser resumido

corrente ⇒ torque (3.1)

que consiste no princı́pio do motor elétrico.

• E a situação inversa acontece? i.e. se por meio de alguma força externa pudermos
exercer torque sobre a bobina será que uma corrente elétrica aparecerá na bobina?

torque ⇒ corrente (3.2)

Isto de fato acontece, e constitui o princı́o do gerador elétrico. E a lei que governa
tal fenômeno é conhecida por lei da indução de Faraday.

62
63
Podemos ilustrar esses conceitos na forma de duas experiências:

1. Considere uma bobina cuja terminais estão ligados num galvanômetro sensı́vel (que
pode detetar uma corrente na bobina).

(a) Normalmente, não deverı́amos esperar nenhum desvio do ponteiro do instru-


mento, pois não há bateria no circuito.
(b) Todavia, se aproximarmos um ı́mã da bobina, um fato curioso acontecerá.
(c) Enquanto o ı́mã estiver em movimento (e somente enquanto ele estiver de
fato em movimento), o ponteiro do galvanômetro sofrerá uma deflexão,
indicando que há uma corrente na bobina.
(d) Quando pararmos o deslocamento do ı́mã, a deflexão cessará e o ponteiro
voltará ao zero.
(e) Se afastarmos o ı́mã da bobina, o ponteiro irá defletir mas em sentido
contrário, o que indica que a corrente na bobina teve seu sentido trocado.
(f) Experiências posteriores mostraram que o importante é o movimento relativo
entre o ı́mã e a bobina. Não faz nenhuma diferença se movermos a bobina na
direção do ı́mã, ou o ı́mã na direção da bobina.
(g) A corrente que aparece na bobina é chamada de corrente induzida, e o tra-
balho realizado por unidade de carga durante o movimento dos portadores de
carga é denominado de fem induzida.

2. Consideremos o dispositivo como mostrado na figura abaixo.

(a) As bobinas são colocadas próximas uma da outra, mantidas em repouso e sem
nenhum contato elétrico direto.
(b) Quando fechamos a chave S, permitindo que a bateria produza uma corrente
na bobina da direita, o ponteiro do galvanômetro na bobina da esquerda sobre
uma deflexão momentânea.
(c) Quando se abre a chave, interrompendo a corrente, o ponteiro sofre novamente
uma deflexão momentanêa, porém em sentido oposto.

64
(d) Somente quando a corrente na bobina da direita está aumentando ou di-
minuindo (variando) é que uma fem induzida aparecera na bobina da
esquerda.
(e) Enquanto, porém, a bobina da direita é percorrida por uma corrente
constante, não há fem induzida, e não importa quão grande essa corrente
seja.

Podemos resumir os resultados desses dois experimentos como:

• Uma fem é induzida somente e somente se quando ALGO está variando. Numa
situação estática, onde nenhum objeto fı́sico está em movimento e a corrente é
constante, não há fem induzida.

• A PALAVRA CHAVE É VARIAÇÃO.

65
Devemos notar todavia que quanto maior for o número de espiras de fio que se
movem no campo magnético, maior será a voltagem induzida.

• Empurrar o ı́mã para dentro de uma bobina com duas vezes mais espiras conduzirá
uma voltagem duas vezes maior;

• Empurrá-lo para dentro de uma bobina com dez vezes mais espiras induzirá uma
voltagem dez vezes maior; e assim por diante.

• Mas qual é a razão fı́sica por trás desse fenômeno?

3.1 Fluxo magnético


• O fluxo de qualquer vetor através de uma superfı́cie é calculado da mesma maneira
que o fluxo de um campo elétrico através de uma superfı́cie.

• Seja dA um elemento de área na superfı́cie S e seja n̂ um vetor unitário normal ao


elemento de superfı́cie de área dA.

• O sinal do fluxo depende da escolha do sentido de n̂. Podemos definir o fluxo


magnético através da superfı́cie S é
Z Z
Φm = ~B · n̂dA = Bn dA (3.3)
S S

66
A unidade de fluxo magnético é a de intensidade de campo magnético multiplicada
pela área, que é chamado de weber (Wb)

1W b = 1T · m2

• Como B é proporcional ao número de linhas de campo por unidade de área, o fluxo


magnético é proporcional ao número de linhas de campo através de um elemento
de área.

• Se a superfı́cie é plana e tem uma área A, e consiste de uma bobina com N voltas, e
se ~B é uniforme em toda a superfı́cie, o fluxo através da superfı́cie é N multiplicado
pelo fluxo através de cada volta

Φm = NBA cos θ (3.4)

3.1.1 Fluxo através de um solenóide

Determine o fluxo magnético através de um solenóide que tem 40cm de comprimento,


2, 5cm de raio, 600 voltas e conduz uma corrente de 7, 5A.
O campo magnético no interior deste longo solenóide é uniforme e paralelo ao eixo
do solenóide, logo o fluxo magnético é dado por

Φm = NBA cos 0◦ = NBA

o campo magnético dentro de um solenóide é dado por B = µ0 nI, sendo n = N/` o número
de voltas por unidade de comprimento, e A = πr2 é a área de cada espira, logo escrevemos

67
o fluxo como
  µ N 2 Iπr2
0
Φm = NBA = N (µ0 nI) πr2 =
`
4π × 10 T · m/A (600) (7, 5A) π (0, 025m)2
−7 2

=
0, 40m
−2
= 1, 66 × 10 W b (3.5)

3.2 FEM induzida e a lei de Faraday


A partir de uma análise cuidadosa dos experimientos acima, Faraday concluiu que

• Uma fem é induzida na bobina da esquerda, se e somente se quando o número de


linhas de campo magnético que a atravessam estiver variando.

• Assim, o “algo” que deve variar para induzir fem numa bobina é o número de linhas
de campo magnético que atravessam a bobina.

• Ou seja, uma fem é igual em magnitude à taxa de variação do fluxo magnético


através da superfı́cie limitada pelo fio.

1. A fem induzida numa espira condutora é igual ao negativo da taxa em que o fluxo
magnético através da espira está variando com o tempo.

dΦm dΦm
E =− → E = −N (3.6)
dt dt

Este resultado é conhecido como a lei de Faraday. O sinal de menos da lei de


Faraday está relacionado com o sentido da fem induzida (horário ou anti-horário),
discutiremos este ponto mais tarde quando falarmos sobre a lei de Lenz.

• A figura abaixo mostra um único anel de fio em repouso em um campo magnético.

• O fluxo através do anel está varindo porque a intensidade do campo magnético na


superfı́cie S está aumentando e portanto uma fem é induzida no anel.

68
• Como a fem é o trabalho realizado por unidade de carga, sabemos que deve haver
forças exercidas nas cargas em movimento que estão realizadno trabalho nestas
cargas.
 
• Forças magnéticas não podem realizar trabalho (dW = F · d ` = Id ` × B · d~`);
~ ~ ~ ~
portanto, não podemos atribuir a fem ao trabalho realizado por forças magnéticas.

• São as forças elétricas associadas ao campo elétrico não-conservativo ~Enc que rea-
lizam trabalho nas cargas em movimento.

• A integral de linha do campo elétrico ao longo de um circuito completo/fechado é


igual ao trabalho realizado por unidade de carga, o qual é igual à fem induzida no
circuito.

• Os campos elétricos de cargas estáticas são conservativos, i.e. C ~E · d~` = 0. Entre-


H

tanto, o campo elétrico associado ao campo magnético variável é não-conservativo.

• A integral de linha do campo elétrico não-conservativo correspondente ao longo da


curva C é igual à fem induzida no anel de fio

dΦm d
I Z
E = ~Enc · d~` = − =− ~B · n̂dA (3.7)
C dt dt S

está é a expressão para uma fem induzida para um circuito em repouso em um


campo magnético variável.

69
1. Uma convenção de sinais nos permite usar o sinal de menos na lei de Faraday para
determinar o sentido da fem induzida.

2. De acordo com esta convenção, a direção tangencial positiva ao longo do caminho


de integração C está relacionada à direção e ao sentido da normal unitária n̂ na
superfı́cie S limitada por C pela regra da mão direita.

3. Se dΦm /dt é positivo, então de cardo com a lei de Faraday, E está no sentido
tangencial negativo.

70
3.2.1 fem induzida numa bobina circular

Uma bobina com 80espiras, raio igual a 5cm e uma resistância igual a 30Ω está em
uma região com um campo magnético uniforme normal ao plano da bobina. A que taxa
deve variar a intensidade do campo magnético para produzir uma corrente de 4A na bo-
bina?
Primeiramente, escrevemos o fluxo em termos do campo

1
Φm = NBA = NBπr2 → B = Φm (3.8)
Nπr2
como queremos calcular a variação temporal do campo, tomamos a derivada de

dB
= 1 dΦm

dt Nπr2 dt
(3.9)

Todavia, podemos usar a lei de Faraday para relacionar a taxa de variação do fluxo à fem

dΦm dΦm
E =− → |E| = = IR = (4A) (30Ω) = 120V (3.10)
dt dt

Por fim, temos que



dB
= 1 dΦm
= 1

dt Nπr2 dt 2
(120V ) = 191T /s (3.11)
(80espiras) π (0, 05m)

71
3.2.2 fem induzida numa bobina no interior de um solenóide

Considere um solenóide longo com 220 espiras/cm e transporta uma corrente I=1,5A;
seu diâmetro é 3, 2cm. Em seu centro colocamos uma bobina compacta de 130espiras,
com diâmetro de 2, 1cm. A corrente no solenóide é reduzida a zero e em seguida au-
mentada até 1, 5A no sentido oposto numa taxa constante, durante um perı́odo de 50ms.
Qual é o módulo da fem induzida que aparece na bobina central enquanto a corrente no
solenóide está sendo variada?

A intensidade da fem induzida é


∆Φm
|E| = Nb
∆t
sendo Nb o número de espiras na bobina interna. O fluxo magnético através de cada espira
dessa bobina é dado por
Φm = Bs A
em que o campo magnético no centro do solenóı́de é consequência da corrente I no so-
lenóide
  
−7 −2
Bs = µ0 ns I = 4π × 10 T · m/A 220espiras/10 m (1, 5A)
= 4, 15 × 10−2 T (3.12)

Ademais, podemos calcular a área de cada bobina como

πd 2 π (0, 021m)2
A = πr =2
= = 3, 46 × 10−4 m2 (3.13)
4 4
Logo, o fluxo através de cada espira da bobina é
  
−2 −4 2
Φm = Bs A = 4, 15 × 10 T 3, 46 × 10 m = 14, 4µW b (3.14)

72
O fluxo varia em sinal, mas não em módulo quando a corrente é invertida, de modo que o
módulo da variação no fluxo ∆Φm para cada espira da bobina é 2 ∗ 14, 4µW b = 28, 8µW b.
Esta variação ocorre em 50ms, resultando numa fem induzida

∆Φm 28, 8µW b


|E| = Nb = (130espiras) = 75mV (3.15)
∆t 50ms

3.2.3 Campo elétrico não-conservativo induzido

Um campo magnético ~B é perpendicular ao plano da página. ~B é uniforme através de


uma região circular que tem raio R. Fora desta região, B = 0. A direção de ~B permanece
fixa e a taxa de variação de B é dB/dt. Quais são a magnitude, a direção e o sentido do
campo elétrico induzido no plano da página, a) a uma distância r < R do centro da região
circular e b) a uma distância r > R do centro, onde B = 0?
a) Temos que a partir da lei de Faraday

~Enc · d~` = − dΦm = − d


I Z
~B · n̂dA (3.16)
C dt dt S

podemos calcular separadamente


I I
~Enc · d~` = Et d` = Et (2πr) (3.17)
C C

sendo Et a componente tangencial do campo ao cı́rculo de raio r < R, e é uniforme em


todos os pontos deste cı́rculo. Para r < R calculamos o fluxo magnético, sendo n̂ aponta
para dentro da página, logo
Z Z Z  
~B · n̂dA = BdA = B dA = B πr2 (3.18)
S S S

Desta forma, temos

~Enc · d~` = − dΦm → Et (2πr) = − d Bπr2 → Et = − r dB


I  
(3.19)
C dt dt 2 dt

Ademais, com essa escolha de sentido de n̂ o sentido tangencial positivo é horário. Assim,
uma vez que Et é negativo, o sentido de ~E é anti-horário.

73
b) Para um cı́rculo de raio r > R, a integral de linha é a mesma
I I
~Enc · d~` = Et d` = Et (2πr) (3.20)
C C

já o fluxo magnético é


Z Z Z  
~B · n̂dA = 2
BdA = B dA = B πR (3.21)
S S S

uma vez que B = 0 para r > R. Obtemos por fim através da aplicação da lei de Faraday,
2
~Enc · d~` = − dΦm → Et (2πr) = − d BπR2 → Et = − R dB
I  
(3.22)
C dt dt 2r dt

Novamente, uma vez que Et é negativo, o sentido de ~E é anti-horário.

3.3 Lei de Lenz


• O sinal de menos na lei de Faraday está relacionao ao sentido da fem induzida.

• Isto pode ser obtido aplicando a convenção de sinal, ou aplicando um princı́pio


geral da fı́sica conhecido como lei de Lenz

1. A fem induzida tem sentido tal que se opõe, ou tende a se opor, à variação que
a produz.

Observe que a lei de Lenz não especifica apenas que tipo de variação provoca a fem e a
corrente induzidas.

74
• Considere a situação em que uma ı́mã em barra se move em direção a um anel
condutor. E o movimento do ı́mã induz ma fem e uma corrente no anel.

• A lei de Lenz nos diz que esta fem induzida e corrente deve ser no sentido de se
opor ao movimento ı́mã.

• i.e. a corrente induzida no anel produz um campo magnético próprio e este campo
magnético deve exercer uma força para a esquerda sobre o ı́mã que se aproxima.

• Ademais, note que esta corrente induzida no anel gera um momento de dipolo
magnético. O anel é como um pequeno ı́mã.

• Como pólos iguais se repelem, o momento magnético induzido no anel repele o


ı́mã; i.e. ele se opõe ao movimento em direção ao anel.

• Este resultado significa que o sentido da corrente induzida no anel deve ser o mos-
trado na figura.

Uma definição alternativa para a lei de Lenz em termos do fluxo magnético é

1. Quando um fluxo magnético através de uma superfı́cie varia, o campo magnético


devido a qualquer corrente induzida produz um fluxo próprio – através da
mesma superfı́cie e de sinal oposto à variação inicial do fluxo.

Fazer Exemplo 28-5

75
• Consideremos agora a situação oposta, em que o ı́mã está em repouso e o anel se
afasta do ı́mã.

• A corrente induzida e o momento magnético são mostrados na figura.

• Neste caso, o ı́mã atrai o anel, opondo-se assim ao movimento do anel, como re-
querido pela lei de Lenz.

76
Exemplo: Lei de Lenz e uma bobina em movimento Uma bobina retangular tem
N = 80 voltas e cada volta tem largura de a = 20cm e comprimento b = 30cm. Metade da
bobina está localizada em uma região com um campo magnético de intentidade B = 0, 8T
dirigido para dentro da página. A resistência da bobina é de R = 30Ω. Determine a
intensidade e o sentido da corrente induzida se a bobina se move a 2m/s a) para a direita,
b) para cima na página, e c) para baixo na página.

• A corrente induzida é igual à fem induzida dividida pela resistência.

• Podemos calcular a fem induzida no circuito enquanto a bobina se move calculando


a taxa de variação do fluxo através da bobina.

• O sentido da corrente induzida é determinado pela lei de Lenz.

A corrente induzida é igual à fem induzida dividida pela resistência

E
I=
R
A fem induzida e o fluxo magnético estão relacionado pela lei de Faraday

dΦm
E =−
dt

77
O fluxo através da superfı́cie limitada pela bobina é N multiplicado pelo fluxo através de
cada volta da bobina. Escolhemos o sentido de n̂ para dentro da página

Φm = N ~B · n̂A = NBax (3.23)

a) Quando a bobina está se movendo para a direita (ou esquerda), x não varia e o fluxo
também não. Assim, E = − dΦ dx
dt ∼ dt = 0, logo I = 0.
m

b) Agora, no caso em que a bobina está subindo na página. Neste caso, x está aumen-
tando e dx
dt > 0, logo
dΦm dx
E =− = −NBa (3.24)
dt dt
Desta forma, o módulo da corrente induzida é

|E| NBa dx (80) (0, 8T ) (0, 2m) (2m/s)
|I| = = = = 0, 853A (3.25)
R R dt (30Ω)

• Enquanto a bobina sobe o fluxo de ~B através de S aumenta.

• A corrente induzida deve produzir um campo magnético cujo fluxo através de S


diminui quando x aumenta.

• Este seria um campo magnético com sentido oposto ao de n̂. Tal campo está orien-
tado para fora da página.

• Logo, para produzir um campo magnético nesta direção e sentido, a corrente


induzida deve ter sentido anti-horário. (Resultado que está de acordo com a
força (para baixo) que se opõe ao movimento ~F = I~L × ~B)

c) Agora, quando a bobina se move para baixo na página a situação é oposto ao do item
b).

• Enquanto a bobina desce o fluxo de ~B através de S diminui.

• A corrente induzida deve produzir um campo magnético cujo fluxo através de S


aumenta quando x diminui.

• Este seria um campo magnético com o mesmo sentido ao de n̂. Tal campo está
orientado para dentro da página.

78
• Logo, para produzir um campo magnético nesta direção e sentido, a corrente
induzida deve ter sentido horário.

3.4 FEM induzida por movimento


A fem induzida em um condutor devido ao seu movimento em uma região na qual
existe um campo magnético é chmada de fem induzida por movimento. De maneira geral,

1. Fem induzida por movimento é qualquer fem induzida pelo movimento de um


condutor em um região na qual existe um campo magnético.

Exemplo: Carga total através de uma bobina girando Uma pequena bobina com N
voltas tem seu plano perpendicular a um campo magnético uniforme e estático ~B, como
visto na figura. A bobina está conectada a um integrador de corrente – dispositivo que
permite medir a carga total passando através da bobina. Determine a carga passando pela
bobina se ela girar de 180◦ em torno do eixo mostrado.

• Quando a bobina é girada, o fluxo magnético através dela varia, induzindo uma fem
E.

• A fem por sua vez induz uma corrente I.

• Como I = dq/dt, podemos determinar a carga Q passando através do integrador ao


R
calcularmaos a integral Idt.

79
Uma vez que dq = Idt, precisamos calcular o lado direito. Note que pela lei de Ohm,

E = RI → Edt = RIdt

, e pela lei de faraday


dΦm
E =− → Edt = −dΦm
dt
Logo
1
Edt = RIdt = −dΦm → dq = Idt = − dΦm (3.26)
R
Por fim, a carga total na bobina segue
Z Q
1 1 1
Z Φm, f 
Q= dq = − dΦm = − Φm, f − Φm,i = − ∆Φm (3.27)
0 R Φm,i R R

O fluxo através da bobina é Φm = N ~B · n̂A. Como mostra-se na figura, inicialmente a


normal aponta no mesmo sentido do campo, i.e. ~B · n̂i = +B, mas quando a bobina é
girada de 180◦ a normal também gira, o que nos dá ~B · n̂ f = −B. Logo
 
~ ~
∆Φm = Φm, f − Φm,i = NA B · n̂ f − B · n̂i = NA (−B − B) = −2NAB (3.28)

Combinando esses últimos resultados, temos que

1 1 2NAB
Q = − ∆Φm = − (−2NAB) = (3.29)
R R R
• Observe que a carga Q não depende se a bobina é girada lentamente ou rapidamente
– o que de fato importa é a variação no fluxo magnético através da bobina.

• Esta bobina girante é usada pera medir campos magnéticos, em que o integrador de
corrente mede uma carga total Q e assim podemos determinar o campo magnético.

80
3.4.1 Bastão em movimento

Considere um fino bastão condutor deslizando para a direita ao longo de trilhos con-
dutores conectaador por um resistor. Um campo magnético uniforme ~B está dirigido para
dentro da página.

Vamos determinar o fluxo magnético através da superfı́cie plana S limitada pelo cir-
cuito.

• Seja o sentindo da normal n̂ à superfı́cie para dentro da página.

• Enquanto o bastão se move para a direita, a superfı́cie S aumenta, assim como o


fluxo magnético através de S. Portanto, uma fem é induzida no circuito.

• Seja ` a separação entre os trilhos e x a distância desde a extremidade esquerda dos


trilhos até o bastão. A área da superfı́cie S é então A = `x.

• Logo o fluxo magnético através de S é

Φm = ~B · n̂A = Bn A = B`x

Agora, calculando a derivada temporal em ambos os lados

dΦm dx
= B` = B`v (3.30)
dt dt
em que v = dx/dt é a rapidez do bastão. A fem induzida neste circuito é então

dΦm
E =− = −B`v (3.31)
dt
81
sendo que o sinal negativo nos diz que a fem induzida é anti-horária.

• Podemos conferir o sentido da fem induzida usando a lei de Lenz.

• É o movimento do bastão para a direita que produz a corrente induzida, logo a força
magnética neste bastão devida à corrente deve ser para a esquerda e é dada por
I~L × ~B.

• Se I~L está para cima e ~B está para dentro da página, a força é para a esquerda, que
confirma nosso resultado anterior.

• Ademais, se o bastão tem certa velocidade inicial ~v para a direita e é então solto, a
força devida à corrente induzida diminui a rapidez do bastão até que ele pare.

• Para manter o movimento do bastão, uma força externa deve ser mantida empur-
rando o bastão para a direita.

Exemplo: Arraste magnético Um bastão com massa m desliza em trilhos condutores


sem atrito em uma região que tem um campo magnético uniforme e estático ~B dirigido
para dentro da página. Um agente externo está empurrando o bastão, mantendo seu mo-
vimento para a direita uma rapidez constante v0 . No instante t = 0, o agente pára abrup-
tamente de empurrar e o bastão continua se movendo para frente enquanto é desacelerado
pela força magnética. Determine a rapidez v do bastão como função do tempo.

• A rapidez do bastão varia porque uma força magnética é exercida na corrente indu-
zida.

• O movimento do bastão através de um campo magnético induz uma fem, E, que


por sua vez induz uma corrente no bastão I = E/R.

82
• Com a força conhecida F = I`B, aplicamos a segunda lei de Newton para determi-
nar a rapidez como função do tempo.

• Consideremos a direção +x para a direita.

A força no bastão é a força magnética que aponta para a esquerda, Fx = −I`B; assim, pela
segunda lei de Newton, a equação de movimento do bastão é

dv
Fx = max = m (3.32)
dt
A corrente no bastão é
E B`v
I= =
R R
Logo
B2 `2 v
 
dv B`v dv dv
Fx = −I`B = m → −`B =m →− =m (3.33)
dt R dt R dt
Por fim, separando as variáveis e integrando, temos

B2 `2 B2 `2 B2 `2
Z tf Z vf  
1 1 vf
− dt = dv → − dt = dv → − t f = ln
mR v mR 0 v0 v mR v0

seja v = v f e t = t f
v = v0 e−t/τ
mR
sendo τ = B2 `2
o tempo caracterı́stico

Se a força fosse constante, a rapidez do bastão diminuiria linearmente com o tempo e


seria zero no tempo t = τ, i.e. v = v0 1 − τt .


83
A energia cinética do bastão é transformada em energia térmica no resistor, o que
mostra que o nosso resultado está de correto uma vez que a para a energia cinética diminua
a rapidez deve diminuir (coerente com a conservação de energia).

3.4.2 Geradores e motores

• A maior parte da energia elétrica usada atualmente é produzida por geradores elétricos
na forma de corrente alternada (AC).

• Um gerador simples de CA é uma bobina girando num campo magnético uniforme.

• As extremidades da bobina estão conectadas a anéis chamados de anéis coletores


que giram com a bobina.

Quando a normal do plano da bobina n̂ faz um ângulo θ com o campo magnético


uniforme ~B, o fluxo magnético através da bobina é

Φm = NBA cos θ (3.34)

sendo N o número de voltas na bobina e A a área da superfı́cie plana limitada pela bobina.

• Quando a bobina é girada mecanicamente, o fluxo através dela irá variar e uma fem
será induzida na bobina de acordo com a lei de Faraday.

• Se o ângulo inicial entre n̂ e ~B é zero, então o ângulo num instante posterior t é dado
por θ = ωt, em que ω é a frequência angular de rotação.

• Disto encontramos
Φm = NBA cos ωt = NBA cos 2π f t (3.35)

84
• Desta expressão podemos calcular a fem na bobina

dΦm
E =− = ωNBA sin ωt (3.36)
dt
ou ainda
E = Emáx sin ωt (3.37)
sendo Emáx = ωNBA o valor máximo da fem.

• Podemos então produzir uma fem senoidal em uma bobina girando-a com frequência
constante em um campo magnético.

• Nesta fonte de fem, a energia mecânica da bobina girando é convertida em ener-


gia elétrica; esta energia mecânica geralmente provém de uma catarata ou de uma
turbina a vapor.

3.5 Transformador
• Um transformador é um dispositivo usado para aumentar ou para reduzir a tensão
em um circuito sem perda apreciável de energia.

• A figura abaixo mostra um transformador simples que consiste em duas bobinas em


torno de um núcleo comum de ferro.

• A bobina com potência de entrada é chamada de primário e a outra bobina é cha-


mada de secundário.

• O transformador opera baseado no princı́piso que uma corrente alternada em um


circuito induz uma fem alternada em um circuito nas proximidades devido à in-
dutância mútua entre os dois circuitos.

85
• O núcleo de ferro aumenta o campo magnético apra uma dada corrente e conduz
sua direção de forma que o fluxo de acoplamento entre as bobinas se aproxima de
100% (transformador ideal).

• Perdas de energia surgem devido ao aquecimento Joule nas pequenas resistências.


Transformadores reais para distribuição de potência têm eficiência de 98% ou mais.

1. Consiste num dispositivo de duas bobinas, em que o campo na bobina primária


induz corrente/fem na bobina secundária.

2. A potência nas duas bobinas é a mesma (pequena perda por aquecimento).

3. Se o número de espiras das bobinas for a mesma, então as tensões de entrada e de


saı́da serão a mesma.

4. Mas se a secundária tiver mais espiras a tensão será elevada (110V/220V).

3.6 Indutância
• Vimos anteriormente que um capacitor é um dispositivo que podemos usar conve-
nientemente para produzir um campo elétrico numa certa região do espaço (e.g. um
arranjo de placas paralelas).

• Analogamente, podemos definir um indutor como um dispositivo que podemos


usar para produzir um determinado campo magnético numa certa região (e.g. um
solenóide longo)

86
Podemos expressar a conexão entre capacitores e indutores na forma simbólica:

1. O indutor está para o campo magnético como o capacitor está para o campo
elétrico

• Considere uma bobina conduzindo uma corrente I. A corrente na bobina produz um


campo magnético ~B que varia de ponto a ponto, que resulta num fluxo magnético
em cada espira da bobina.

• E da mesma forma que em cada ponto do espaço o valor de B é proporcional a I, o


fluxo através da bobina também é propocional a I,

Φm
Φm = LI → L = (3.38)
I
sendo L a constante de propocionalidade, e é chamada de auto-indutância da bo-
bina. Ela depende da forma geométrica da bobina. (Lembre da definição da capa-
citância C = Q/V , e do arranjo geométrico).

No SI a unidade de indutância é o henry

1 henry = 1H = 1W b/A = 1T · m2 /A (3.39)

• Na prática, o cálculo da indutâcia é muitas vezes complicado. Mas em princı́pio


podemos calcular a auto-indutância de qualquer bobina ou circuito ao considerar-
mos uma corrente I, calculando ~B em cada ponto de uma superfı́cie limitada pela
bobina, calculando o fluxo Φm e usando L = Φm /I.

Exercı́cios:

1. Indutores em série: dois indutores L1 e L2 estão ligado em série e separados por


uma grande distância, a) mostre que a indutância equivalente é dada por Leq =
L1 + L2 , b) Porque a separação entre os indutores tem que ser grande para que a
relação acima seja válida? c) Qual é a generalização do item a) para N indutores
em série?

2. Indutores em paralelo: dois indutores L1 e L2 estão ligado em paralelo e separados


por uma grande distância, a) mostre que a indutância equivalente é dada por L1eq =

87
1
L1 + L12 , b) Porque a separação entre os indutores tem que ser grande para que a
relação acima seja válida? c) Qual é a generalização do item a) para N indutores
em paralelo?

3.6.1 Indutância de um solenóide

Considere um solenóide longo com uma seção transversal de área A. Qual é a in-
dutância, por unidade de comprimento, próxima ao seu centro?
A fim de usarmos a definição de indutância, devemos primeiro lembrar que o fluxo
magnático através de um solenóide longo e fino é dado por NBA, sendo B = µ0 nI, N é o
número de espiras, n é o número de espiras por unidade de comprimento, I é a corrente.
Portanto, o fluxo magnético através da bobina é

Φm = NBA = N (µ0 nI) A = µ0 n2 IA` (3.40)

sendo ` o comprimento do solenóide.


Como esperado, o fluxo é proporcional à corrente. A constante de proporcionalidade
é a indutância L
Φm
L= = µ0 n2 A` (3.41)
I
ou ainda
L
= µ0 n2 A (3.42)
`
• A indutância de um longo e fino solenóide é proporcional ao quadrado do número
de espiras por unidade de comprimento n e ao volume A`.

• Portanto, como no caso da capacitância, a indutância depende apenas de fatores


geométricos. (c = ε0 A/d).

3.6.2 Indutância de um toróide

Considere um toróide de seção transversal retangular, sendo a o raio interno, b o raio


externo e H a alura do toróide. Qual é a indutância?

• Se r < a não há corrente na superfı́cie S. Agora, se r > b, a corrente lı́quida através
de S é zero, pois para cada volta de fio a corrente penetra a superfı́cie duas vezes,
uma entrando e outra saindo.

88
• Primeiramente calculamos o campo magnético a partir da lei de Ampére, escolhe-
mos como curva amperiana um cı́rculo concêntrico de raio r para a < r < b. Como
~B é tangente ao cı́rculo, temos que
I I
~B · d~` = µ0 IC → B d` = µ0 IC → B (2πr) = µ0 IC (3.43)
C C

e a corrente total através da superfı́cie S limitada pela curva amperiana é IC = NI,


logo
µ0 NI
B (2πr) = µ0 NI → B = , a<r<b (3.44)
2πr
Neste caso, o fluxo magnético é
Z b Z b 
µ0 NI
Z
Φm = N ~B · n̂dA = N
B (Hdr) = NH dr
S a a 2πr
2
µ0 N IH
Z b
1 2
µ0 N IH
 
b
= dr = ln (3.45)
2π a r 2π a

Por fim, a indutância é obtida

Φm µ0 N 2 H
 
b
L= = ln (3.46)
I 2π a

89
3.6.3 Auto-indutância

• Quando a corrente em um circuito está variando, o fluxo magnético devido à cor-


rente também está variando, e portanto uma fem é induzida no circuito.

• Como a auto-indutância L de um circuito é constante, a taxa de variação do fluxo


está relacionada à taxa de variação da corrente por

dΦm d (LI) dI
E =− =− = −L (3.47)
dt dt dt

• Vemos assim que uma fem E é induzida numa bobina quando variamos a corrente
nesta mesma bobina.

• Devido ao sinal negativo (lei de Lenz), a fem auto-induzida é chamada geralmente


de fem reversa e obedeve à lei de indução de Faraday, como qualquer outra fem
induzida o faz.

• Uma bobina ou solenóide que tem um número suficiente de voltas para ter uma
auto-indutância significativa é chamado de indutor.

• Tipicamente, a auto-indutância do restante do circuito é desprezı́vel em comparação


com a de uma bobina ou solenóide.

• A diferença de potencial em um indutor é dada por

dI
∆V = E − Ir = −L − Ir (3.48)
dt
sendo r a resistência interna do indutor, e r = 0 corresponde a um indutor ideal.

3.6.4 Indutância mútua

• Quando dois ou mais circuitos estão próximos entre si, o fluxo magnético através
de um circuito depende não somente da corrente em cada circuito, mas também da
corrente nos circuitos na vizinhança.

• Sejam I1 a corrente no circuito 1, e I2 a corrente no circuito 2.

90
• O campo magnético na superfı́cie S2 é a superposição de ~B1 devido a I1 e ~B2 devido
a I2 .

• Podemos então escrever o fluxo de ~B1 através do circuito 2, Φm12 como

Φm12 = M12 I1 (3.49)

onde M12 é chmada de indutância mútua dos dois circuitos.

• A indutância mútua depende do arranjo geométrico dos dois circuitos.

• Por exemplo, se os circuitos estiverem afastados, o fluxo de ~B1 através do circuito


2 será pequeno e a indutância mútua será pequena.

91
• Uma equação similar pode ser escrita para o fluxo de ~B2 no circuito 1

Φm21 = M21 I2 (3.50)

• Podemos calcular a indutância mútua para dois solenóides coaxiais firmemente


enrolados.

• Seja ` o comprimento de ambos os solenóides e considere que o solenóide interno


tenha N1 espiras e raio r1 , e que o solenóide externo tenha N2 espiras e raio r2 .

• Calcularemos a indutância mútua considerando que o solenóide interno conduza


uma corrente I1 e determinaremos o fluxo magnético devido a esta corrente através
do solenóide externo.

• O campo magnético ~B1 devido à corrente no solenóide interno é uniforme no inte-


rior do solenóide e tem intensidade
µ0 N1 I1
B1 = = µ0 n1 I1 , r < r1 (3.51)
`
e fora do solenóide interno, a intensidade do campo é zero.

• O fluxo de ~B1 através do solenóide externo é, portanto,


   
Φm12 = N2 B1 πr1 = n2 `B1 πr12 = µ0 n1 n2 `πr12 I1
2
(3.52)

• Observe que a área usada para calcular o fluxo através do solenóide externo não é a

92
área da superfı́cie limitada por uma espira daquele solenóide (de raio r2 ), mas sim
a área limitada por uma espira do solenóide interno.

• Isto ocorre porque o campo magnético devido ao solenóide interno é zero do lado
de fora deste solenóide.

• A indutância M12 é portanto

Φm12
M12 = = µ0 n1 n2 `πr12 (3.53)
I1

• Ao calcularmos a indutância mútua dos solenóides coaxiais determinando o fluxo


através do solenóide interno devido a uma corrente I2 do solenóide externo, vemos
que M12 = M21 .

• Embora este resultado é obtido para um caso especı́fico, embora complicado pode-
se mostrar a sua generalidade.

Um detector de metais

• Um detector de metais consiste essencialmente em duas bobinas perpendiculares.

93
• Enviando-se uma corrente It que varia senoidalmente através da bobina transmis-
sora grande Ct , produz-se na vizinhança desta bobina um campo magnético que
varia continuamente.

• Um condutor tal como uma moeda soterrada fica sujeito a este campo que induz nele
uma corrente variando continuamente (a moeda atua como uma segunda bobina).

• A corrente variando continuamente no condutor produz seu próprio campo magnético


que varia continuamente, induzindo uma corrente Ir na bobina receptora Cr do de-
tector e assim indica conhecimento da presença da moeda ou de outro condutor.

• De modo que, a bobina Ct não induza diretamente uma corrente na bobina Cr , o que
encobriria o sinal do condutor soterrado, as duas bobinas são montadas com seus
eixos centrais perpendiculares entre si.

• Tal que o campo magnético de Ct é aproximadamente paralelo ao lano de cada es-


pira em Cr e assim não produza fluxo magnético através de Cr e consequentemente
não induza corrente em Cr .

3.7 Energia magnética


• Um indutor armazena energia magnética assim como um capacitor armazena ener-
gia elétrica.

• Por exemplo, dois fios longos, rı́gidos e paralelos, transportando correntes de mesmo
sentido, atraem-se entre si, de modo que, para afastá-los deve ser realizado um certo
trabalho.

• Fazendo-se isto, armazenamos energia nos campos magnéticos das correntes. Po-
demos reavê-la num instante qualquer permitindo a volta dos fios às suas posições
iniciais.

Considere o circuito mostrado na figura abaixo, o qual consiste em um indutor ideal que
tem indutância L e um resistor que tem resistência R, em série com uma bateria ideal que
tem fem E0 e com uma chave S.

94
• A chave está inicialmente aberta e portanto não há corrente no circuito. Um instante
após a chave ter sido fechada, haverá uma corrente I no circuito, uma ddp −IR no
resistor e uma ddp −L dIdt no indutor.

• Aplicando a lei das malhas de Kirchhoff a este circuito obtemos

dI
E0 − IR − L =0 (3.54)
dt
Se multiplicarmos cada termo pela corrente I temos

dI
E0 I = I 2 R + LI (3.55)
dt

• O termo E0 I corresponde à taxa na qual a energia potencial elétrica é fornecida pela


bateria.

• O termo I 2 R é a taxa na qual a energia potencial é entregue (ou dissipada) ao resistor.

• Desta forma, identificamos o termo LI dIdt como a taxa na qual a energia potencial é
entregue ao indutor e se Um é a energia armazenada no indutor, então

dUm dI 1
= LI → dUm = LIdI → Um = LI 2 +C (3.56)
dt dt 2

• Para determinar a constante de integração C, consideramos Um igual a zero quando


I é zero. Logo, determinamos que a energia armazenada em um indutor conduzindo

95
uma corrente I é
1
Um = LI 2 (3.57)
2
• Podemos comparar esta expressão com a energia armazenada por um capacitor
Q2
Ue = 2C . Sendo que nos dois casos, as expressões foram obtidas ao igualarmos
a energia armazenada ao trabalho necessário para produzir o campo.

Densidade de energia Quando uma corrente é produzida em um indutor, um campo


magnético é criado no espaço interno do enrolamento do indutor. Pode-se interpretar a
energia no indutor como a energia armazenada no campo magnético. Para o caso especial
de um solenóide longo, B = µ0 nI, logo sua indutância é L = µ0 n2 A`.
Logo, a energia magnética pode se escrita como

LI 2 1    B 2 B2
2
Um = = µ0 n A` = A` (3.58)
2 2 µ0 n 2µ0

A grandeza A` é o volume do espaço interno do solenóide contendo o tempo magnético.


Podemos entar definir a densidade de energia magnética através de:

Um B2
um = = (3.59)
Vol 2µ0

Apesar dessa expressão ter sido desenvolvida para um caso particular do campo magnético
de um solenóide, a sua validade é geral.

96
3.8 Circuitos RL
Um circuito contendo um resistor e um indutor, tal como o da figura abaixo, é cha-
mado de circuito RL.

• Como todos os circuitos têm resistência e indutância à temperatura ambiente, a


análise de um circuito RL pode ser aplicada a todos os circuitos.

• De fato, todos os circuitos também têm alguma capacitância entre as partes do


circuito a diferentes potenciais; os efeitos da capacitância será discutido na análise
de circuitos RLC.

Como visto anteriormente, a aplicação da lei das malhas de Kirchhoff neste circuito
quando a chave S1 é fechada resulta em

dI
E0 − IR − L =0 (3.60)
dt
Vamos analisar algumas caracterı́risticas gerais desta equação.

1. Primeiro, a soma IR + L dI
dt é igual à fem da bateria, que é constante. Imediatamente
após fecharmos a chave no circuito, a corrente ainda é zero, logo dI = L1 E0 .

dt
I=0
dI
2. Vemos assim que enquanto a corrente aumenta, o termo IR aumenta e dt diminui.

3. Observe que a corrente não pode variar abruptamente desde zero até algum valor
final como se a indutância L fosse zero. Quando a indutância L > 0, dI
dt é finito e
portando a corrente deve ser contı́nua no tempo.

97
4. Depois de um curto intervalo de tempo, a corrente atinge um valor positivo I e a
taxa de variação da corrente é

dI E0 − IR
= (3.61)
dt L
Neste intervalo a corrente ainda está aumento, mas numa taxa de crescimento menor
do que era em t = 0.
dI
5. O valor final I f da corrente pode ser obtido a partir de dt = 0, o que implica no
valor I f = E0 /R.

Podemos resolver a equação diferencial por separação de variáveis como


 
dI E0 L dI 1 1
E0 − IR − L = 0 → −I = → dt = dI
dt R R dt τ If − I
1 t 0 dI 0 I − If
Z I Z I−I f
t du t
Z
dt = 0
→ − = → − = ln
τ 0 0 If − I τ −I f u τ −I f
 t

I (t) = I f 1 − e− τ (3.62)

L
seja que I f é a corrente quando t → ∞, e τ = R é a constante de tempo do circuito.

• Quanto maior for a indutância ou menor a resistência, mais tempo será necessário
para que a corrente atinja qualquer fração especı́fica de ser valor final I f .

• Fazendo-se t = τ = RL , I(τ) = 0, 63I f , vemos que a constante de tempo τ é o


tempo necessário para que a corrente atinja um valor de 63% do seu valor final
de equilı́brio I f = E0 /R.

O gráfico da corrente como função do tempo de um circuito RL é o mesmo que o da carga


de um capacitor quando este é carregado em um circuito RC.
Se deixarmos a chave S1 fechada pelo tempo necessário a fim de que a corrente atinja
seu valor de equilı́brio E0 /R, e a seguir seja ligada a chave S2 tal manipulação corres-
ponde a retirarmos a bateria do circuito (de fato, a conexão S2 deve ser feita antes de
interrompermos S1 ).
A equação diferencial que governa o decaimento subsequente à corrente no circuito

98
pode ser obtida fazendo-se E0 = 0 na equação acima

dI R
=− I (3.63)
dt L
Podemos mostrar que a solução desta equação que satisfaz a condição inicial I (0) = I0 =
E0 /R é

t E0 − t
I (t) = I0 e− τ = e τ (3.64)
R

vemos que tanto o crescimento da corrente como o seu decaimento num circuito RL são
governados pela mesma constante de tempo τ.

99
Exemplo: Um circuito contém três resistores idênticos com resistência R = 9Ω, dois
indutores idênticos com indutância L = 2mH, e uma bateria com fem 18V . (a) Qual é a
corrente I através da bateria logo após a chave ser fechada? (b) Qual é a corrente I na
bateria um longo tempo após a chave ser fechada?

(a) Como a corrente é zero através do indutor antes da chave ser fechada, ela também
zero no instante posterior. Logo, eles atuam como abertos, e

E 18V
I= = = 2A (3.65)
R 9Ω
(b) Longo após a chave ser fechada a corrente alcançou seu valor de equilı́brio e os indu-
tores atuam como curtos, i.e. como simples fios. Logo

E E 18V
I= = = = 6A (3.66)
Req R/3 3Ω

100
Exemplo 1: Encontre a energia total dissipada no resistor R no processo de descarga de
um indutor, quando a corrente no indutor diminui de seu valor inicial I0 até 0.
A taxa de dissipação de energia num resistor é dado por

P(t) = I 2 (t)R (3.67)

Sendo que a energia total dissipada U é a integral de dU, que por sua vez é dU = Pdt.
Logo Z Z Z ∞
U = dU = P(t)dt = I 2 (t)Rdt (3.68)
0

A corrente no circuito é dada por I(t) = I0 e − τt . Assim


Z ∞ Z ∞
t t
U= I02 e−2 τ Rdt = I02 R e−2 τ dt (3.69)
0 0

ou ainda t
!∞
2 e−2 τ 1 1
U = I0 R = − I02 Rτ(0 − 1) = I02 L (3.70)
−2/τ 2 2
0

Exemplo 2: Correntes iniciais e finais Para o circuito mostrado abaixo, determine


as correntes I1 , I2 e I3 , a) imediatamente após a chave S ser fechada, b) um longo tempo
depois de a chave ter sido fechada. Depois de a chave ter permanecido fechada durante um
longo intervalo de tempo, ela é aberta. Imediatamente depois da ser aberta c) determine
as três correntes, e d) determine a queda de potencial no resistor de 20Ω. e) determine
todas as correntes depois que a chave ficou aberta por um longo intervalo de tempo.

a) A chave acaba de ser fechada, logo a corrente no indutor é zero, assim como era

101
antes da chave ser fechada, i.e. I3 = 0. A partir da regra das junções, temos que

I1 = I2 + I3 (3.71)

logo I1 = I2 . Aplicando a regra das malhas à malha da esquerda

E − I1 R1 − I2 R2 = 0 → E − I1 (R1 + R2 ) = 0

E 150V
I1 = I2 = = = 5A (3.72)
R1 + R2 10Ω + 20Ω
b) Depois de um longo tempo, as correntes são estacionárias. Aplicando a regra das
malhas à malha da direita, temos

dI3
−L + I2 R2 = 0 → 0 + I2 R2 = 0 → I2 = 0
dt
Em seguida, aplicando a regra das malhas à malha da esquerda

E − I1 R1 − I2 R2 = 0 → E − I1 R1 = 0

E 150V
I1 = = = 15A (3.73)
R1 10Ω
E por fim, pela regra das junções

I1 = I2 + I3 → I3 = I1 = 15A (3.74)

c) Quando a chave é reaberta, I1 torna-se INSTANTANEAMENTE zero. Enquanto no


indutor a corrente varia continuamente de forma que no mesmo instante I3 = 15A. Logo,
pela regra das junções
I1 = I2 + I3 → I2 = −I3 = −15A (3.75)
d) A queda de potencial no resistor R2 é obtida a partir da lei de Ohm

V = I2 R2 = (15A) (20Ω) = 300V

e) Depois de a chave ter permanecido aberta por um longo tempo, todas as correntes

102
devem ser iguais a zero
I1 = I2 = I3 = 0

Exemplo 3: Um indutor de 3, 5H é colocado em série com um resistor de 14Ω. Uma


fem de 3V é subitamente aplicada a este circuito. a) Após decorridos t = τ da aplicação
da fem, qual é a taxa P com que a energia está sendo fornecida pela bateria? b) Neste
mesmo instante, com que taxa PR a energia está sendo transformada em energia térmica
no resistor? c) No instante t = τ, com que taxa PB a energia está sendo armazenada no
campo magnético?
a) Primeiramente, a constante de tempo τ neste caso tem valor τ = RL = 3,5H
14Ω = 0, 25s.
Ademais, a taxa P com que a energia é fornecida pela bateria é
  E2   (3V )2  
− ττ −1 −1
P = I (τ) E = I f 1 − e E= 1−e = 1−e = 0, 405W = 405mW
R 14Ω
(3.76)
b) Neste mesmo instante τ, a taxa que a energia é convertida em energia térmica no
resistor
2 (3V )2  −1
2
PR = I (τ) R = 1−e = 0, 255W = 255mW (3.77)
14Ω
c) A taxa de energia armazenada no campo magnético é dada por

dUm dI
PB = = LI (3.78)
dt dt
e no instante t = τ,

E  d   
−1 − τt
PB = L 1−e If 1 − e
R dt t=τ
 
LEI f   1 −t
= 1 − e−1 e τ
R τ t=τ
LE E   R −1
= 1 − e−1 e
R R L
E2  −1

−1 (3V )2  −1

= 1−e e = 1−e e−1
R 14Ω
= 0, 150W = 150mW (3.79)

103
Ou ainda, podemos checar nossos resultados a partir da lei de conservação de energia

P = PR + PB = 255mW + 150mW = 405mW (3.80)

3.9 Oscilações eletromagnéticas (sec. 29-4)


Neste capı́tulov eremos com a carga elétrica Q varia com o tempo num circuito cons-
tituı́do de um indutor L, um capacitor C e um resistor R.
Sob outro ponto de vista, discutiremos como a energia é transferida do campo elétrico
do capacitor para o campo magnético do inturo e vice-versa, sendo dissipada gradual-
mente sob a forma de energia térmimca no resistor.

3.9.1 Circuitos LC

• Dos três elementos de circuito, R, L e C, estudamos até agora as combinações em


série RC e RL.

• Nestes dois tipos de circuito verificamos que a carga, a corrente e a ddp crescem ou
decam exponencialmente.

• A escala de tempo de crescimento ou decaimento é dada por uma constante de


tempo τ, que é ou capacitiva ou indutiva.

• Vamos agora estudar a combinação dos dois elementos restante, o circuito LC.

• Veremos que neste caso a carga, a corrente e a ddp não variam exponencialmente
(com a constante τ) mas senoidalmente (com frequência angular ω). Em outras
palavras, o circuilo oscila.

1. Suponhamos que inicialmente a carga no capacitor seja Q e a corrente I no indutor


seja zero. Neste instante, a energia armazenada no campo elétrico do capacitor é
Q2
Ue = 2C , enquanto a energia armazenada no campo magnético do indutor é zero
2
Um = LI2 = 0.

2. O capacitor começa então a descarregar através do indutor, com os portadores de


carga positiva movendo-se no sentido anti-horário. Isto significa que uma corrente

104
I = dQ/dt apontando neste mesmo sentido é estabelecida no circuito. Ao passar
do tempo a energia elétrica no capacitor é transferida para o campo magnético no
indutor – a corrente I está crescendo.

3. No instante de tempo c) toda a carga do capacitor terá desaparecido, logo o campo


elétrico nele será zero e toda a energia elétrica antes lá armazenada, terá sido total-
mente transferida para o campo magnético do indutor – a corrente no indutor será
máxima neste instante.

4. A corrente intensa no indutor, continua a transportar carga positiva da placa superior


para a placa inferior do capacitor, situação d); a energia agora flui de volta para o
capacitor, enquanto crescem a carga e o campo elétrico.

5. Finalmente, a energia acabará sendo totalmente devolvida ao capacitor, situação e);


esta situação é igual à inicial, exceto que a polaridade do capacitor está agora
invertida.

105
6. O capacitor começará a descarregar novamente, mas com a corrente no sentido
horário, situação f);

7. Raciocinando como antes, concluı́mos que o circuito retornará finalmente à sua


situação inicial e que o processo se repetirá com uma frequência definida f à qual
corresponde uma frequência angular ω.

8. Uma vez iniciadas, essas oscilações LC (no caso ideal, sem resistência) manter-se-
ão indefinidamente, com uma contı́nua troca de energia entre o campo elétrico do
capacitor e o campo magnético do indutor.

É possı́vel estabelecer uma analogia entre o sistema LC e o sistema bloco-mola. No


sistema bloco-mola também estão envolvidas dois tipos de energia, a energia potencial da
mola comprimida/alongada e a energia cinética do bloco em movimento.
Sistema mecânico Sistema eletromagnético
Elemento Energia Elemento Energia
Mola Potencial, kx2 /2 Capacitor Elétrica, Q2 /2C
Bloco Cinética, mv2 /2, v = dx/dt Indutor Magnética, LI 2 /2, I = dQ/dt
Desta tabela, podemos sugerir uma analogia matemática entre o capacitor e uma mola,
e um indutor a uma massa, bem como determinadas grandezas eletromagnéticas “corres-
pondem” a certas grandezas mecânicas. Em particular

• Q corresponde a x,

• I corresponde a v,

• C corresponde a 1/k,

• L corresponde a m.

Note ainda que em cada caso, a energia se alterna entre duas formas, magnética e elétrica,
no caso do sistema LC, e cinética e potencial, no caso do sistema bloco-mola.

106
O oscilador LC

• A energia total U presente em qualquer instante no circuito LC oscialnte é

Q2 LI 2
U = Ue +Um = + (3.81)
2C 2

• Como estamos supondo não haver resistência no circuito, não há transferência de
energia para a tforma térmica e U permanece consante com o tempo. Em linguagem
formal,
d Q2 LI 2
 
dU Q dQ dI
=0→ + =0→ + LI = 0 (3.82)
dt dt 2C 2 C dt dt
Esta equação diferencial também pode ser obtida a partir da lei das malhas de Kir-
chhoff.

• Agora, uma vez que I = dQ/dt, temos

d 2Q Q
+ =0 (3.83)
dt 2 LC

esta é equação diferencial que descreve oscilações de um circuito LC, sem re-

107
sistência. A solução geral desta equação diferencial é

Q (t) = Q0 cos (ωt + φ ) (3.84)

sendo Q0 a amplitude das variações da carga e ω = √1 é a frequência angular das


LC
oscilações eletromagnéticas. A corrente também segue

dQ (t)
I (t) = = −ωQ0 sin (ωt + φ ) = −I0 sin (ωt + φ ) (3.85)
dt

• A constante de fase φ é determinada pelas condições de contorno em t = 0. Por


exemplo, para o caso anteriormente discutido, em que na situação inicial somente o
capacitor está carregado e o indutor sem corrente, temos que tomar φ = 0 em t = 0
de forma a reproduzir tais resultados.

• Ademais, note que a forma matemática da equação diferencial é análoga à do sis-


2
tema bloco-mola ddt 2x + kx 2 k
m = 0, com frequência ω = m . E aqui vemos mais uma
vez que a analogia entre as grandezas eletromagnéticas e mecânicas é válida.

• As energias elétrica e magnética num instante qualquer t são

Q2 Q20
Ue = = cos2 (ωt + φ ) (3.86)
2C 2C
LI 2 LQ20 ω 2 2 Q20 2
Um = = sin (ωt + φ ) = sin (ωt + φ ) (3.87)
2 2 2C
note que

1. Os valores máximos de Ue e Um são os mesmos (Q2 /2C);

2. Num instante qualquer a soma de Ue e Um é uma constante (Q2 /2C);

3. Quando Ue atinge seu valor mágimo, Um é zero e vice-versa.

108
3.9.2 Circuitos RLC

• Quando a resistência R está presente num circuito LC, a energia eletromagnética


total U não é mais constante mas diminui com o tempo à medida que é transformada
em energia térmica no resistor.

• Como antes, a energia total é dada por

Q2 LI 2
U = Ue +Um = + (3.88)
2C 2
mas como U não é mais constante, porém, mais exatamente,

dU
= −I 2 R (3.89)
dt

109
em que o sinal negativo significa que a energia armazenada U diminui com o tempo,
sendo convertida em energia térmica na taxa IR2 . Combinando essas equações,
temos que

Q2 LI 2
 
dU d Q dQ dI
= −IR2 → + = −I 2 R → + LI = −I 2 R (3.90)
dt dt 2C 2 C dt dt

Esta equação diferencial também pode ser obtida a partir da lei das malhas de Kir-
chhoff.

• Agora, uma vez que I = dQ/dt, temos

d 2Q dQ Q
L 2 +R + =0 (3.91)
dt dt C

esta é equação diferencial que descreve oscilações amortecidas de um circuito RLC


A solução geral desta equação diferencial pode ser obtida a partir do método da
equação caracterı́stica. Suponhamos uma solução do tipo Q (t) = eSt , encontramos

2 St eSt R 1
LS e + RSe + = 0 → S2 + S +
St
=0 (3.92)
C L CL
e isso nos dá
q q
− RL ± R2 4 R 2
− RL ± 2i 2 −

L2
− CL ωLC 2L − RL ± 2iωRLC
S= = =
2 2 2
q
2 − R 2 é sempre menor do que a

• Note que a frequência angular ωRLC = ωLC 2L
frequência ωLC das oscilações não-amortecidas. Portanto, a solução pode ser escrita
como
Rt R
Q (t) = Q1 e− 2L +iωRLCt + Q1 e− 2L t−iωRLCt
R
= e− 2L t [Q1 sin (ωRLCt) + Q2 cos (ωRLCt)]
Rt
= Q0 e− 2L cos (ωRLCt + φ )

110
portanto, a solução é escrita como

Rt
Q (t) = Q0 e− 2L cos (ωRLCt + φ ) (3.93)

3.10 Correntes alternadas


• Praticamente 99% da energia elétrica utilizada hoje em dia é produzida por gerado-
res elétricos na forma de corrente alternada, que tem uma grande vantagem sobre a
corrente contı́nua.

• A energia elétrica pode ser distribuı́da em grandes regiões a tensões muito elevadas
e baixas correntes para reduzir as perdas de energia devidas ao aquecimento Joule.

• Com corrente alternada, a energie elétrica pode então ser transformada sem pratica-
mente nenhuma perda, para tensões mais baixas e seguras e correspondentemente,
maiores correntes para distribuição e uso locais.

• Uma das principais vantanges da corrente alternada é a seguinte: à medida que a


corrente se alterna, o campo magnético que circunda o condutor também se al-
terna. Tal fato torna possı́vel a utilização da lei da indução de Faraday, que nos
permite aumentar ou diminuir à vontade o valor de uma ddp alternada usando um
dispositivo chamado transformador.

• Aqui a potência é distribuı́da através de uma corrente senoidal com frequência de


60Hz.

111
• Corrente alternada é produzida por fem induzida por movimento ou por indução
magnética em um gerador AC, o qual é projetado para fornecer uma fem senoidal.

A fem de um gerador AC aplicada a um circuito é dada por

E (t) = E0 sin (ωt) (3.94)

enquanto a corrente alternada estabelecida é

I (t) = I0 sin (ωt − φ ) (3.95)

Num circuito simples, a potência entregue ao resistor varia com o tempo e é dada por

P (t) = I 2 (t) R = I02 R sin2 (ωt − φ ) (3.96)

A potência varia desde zero até seu valor máximo I02 R.


Ademais, por se tratar de funções oscilatórias, estamos geralmente interessados em
valores médios em um ou mais ciclos completos

2
   I02 R
Pmed = I (t) R = I02 R 2
sin (ωt − φ ) = (3.97)
med med 2
sendo
 
1 T 2 1 T 1 − cos (2ωt)
  Z Z
2
sin (ωt) = 0 sin (ωt) dt = dt
med T T 0 2
 
1 1 sin (2ωt) T
= T− 0
2T 2T 2ω
1 1
= − (sin (2ωT ) − 0)
2 4ωT
em que ω = 2π/T , então

2
 1 1 1
sin (ωt) = − sin (4π) =
med 2 8π 2
Como os equipamentos domésticos funcionam com corrente contı́nua, de fato utiliza-
se valores quadráticos médios (rms) da corrente e ddp neles.

112
O valor rms de uma corrente é definido como
q
Irms = (I 2 )med (3.98)

Para uma corrente senoidal, o valor médio é


      I02 q
I0
I2 2
= I (t) = I02 2
sin (ωt − φ ) = → Irms = (I 2 )med = √ (3.99)
med med med 2 2

O valor rms de qualquer quantidade que varia senoidalmente com o tempo é igual ao valor

do pico desta quantidade dividido por 2.
Para um circuito simples, um gerador e uma resistência, a potência média fornecida
pelo gerador é

2
 I0 E0
Pmed = (I (t) E (t))med = (I0 E0 ) sin (ωt) = (3.100)
med 2
√ √
Agora, usando Irms = I0 / 2 e Erms = E0 / 2temos

2
Pmed = Irms Erms = Irms R (3.101)

• Assim vemos que a potência AC fornecida às resistências aqui têm uma ddp rms de
120V a uma frequência de 60Hz

113
114