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Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão

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Lídia de Oliveira Xavier
Carlos F. Domínguez Avila
(Organizadores)

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Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão

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POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE
NA AMÉRICA LATINA: estudos
i
interdisciplinares e comparativos
rev
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VOLUME 5
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EDITORA CRV
Curitiba - Brasil
2018
Copyright © da Editora CRV Ltda.
Editor-chefe: Railson Moura
Diagramação e capa: Editora CRV
Revisão: Os Autores

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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOLOGIA DO TRÁFEGO ABRAPSIT

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Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão


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ESTA OBRA TAMBÉM ENCONTRA-SE DISPONÍVEL EM FORMATO DIGITAL.


ver dit

CONHEÇA E BAIXE NOSSO APLICATIVO!


E

2018
Foi feito o depósito legal conf. Lei 10.994 de 14/12/2004
Proibida a reprodução parcial ou total desta obra sem autorização da Editora CRV
Todos os direitos desta edição reservados pela: Editora CRV
Tel.: (41) 3039-6418 - E-mail: sac@editoracrv.com.br
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Conselho Editorial:
Aldira Guimarães Duarte Domínguez (UNB)
Andréia da Silva Quintanilha Sousa (UNIR/UFRN)
Antônio Pereira Gaio Júnior (UFRRJ)
Carlos Alberto Vilar Estêvão (UMINHO - PT)

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Carlos Federico Dominguez Avila (UNIEURO)

uto
Carmen Tereza Velanga (UNIR)
Celso Conti (UFSCar)
Cesar Gerónimo Tello (Univer. Nacional Três de Febrero - Argentina)
Elione Maria Nogueira Diogenes (UFAL)

R
Élsio José Corá (UFFS)

a
Elizeu Clementino (UNEB)
Francisco Carlos Duarte (PUC-PR)

do
Gloria Fariñas León (Universidade de La Havana – Cuba)
Guillermo Arias Beatón (Universidade de La Havana – Cuba)
aC
Jailson Alves dos Santos (UFRJ)
João Adalberto Campato Junior (UNESP)
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Josania Portela (UFPI)


são
Leonel Severo Rocha (UNISINOS)
Lídia de Oliveira Xavier (UNIEURO)
Lourdes Helena da Silva (UFV)
Maria de Lourdes Pinto de Almeida (UNICAMP)
i
Maria Lília Imbiriba Sousa Colares (UFOPA)
rev

Maria Cristina dos Santos Bezerra (UFSCar)


Paulo Romualdo Hernandes (UNICAMP)
sã tor

Rodrigo Pratte-Santos (UFES)


Sérgio Nunes de Jesus (IFRO)
Simone Rodrigues Pinto (UNB)
Solange Helena Ximenes-Rocha (UFOPA)
ara

Sydione Santos (UEPG)


Tadeu Oliver Gonçalves (UFPA)
Tania Suely Azevedo Brasileiro (UFOPA)
i

Este livro foi avaliado e aprovado por pareceristas ad hoc.


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“Aqueles que fazem da revolução pacífica


algo impossível, farão com que uma revolu-
ção violenta seja inevitável.”

John F. Kennedy
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SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO............................................................................................ 13

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Professor Doutor Edson Luiz Zangrando Figueira

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PREFÁCIO....................................................................................................... 15
INTRODUÇÃO................................................................................................. 17
André Pires Gontijo

R
a
CAPÍTULO 1
O REGIONALISMO E A POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA

do
NOS ANOS 2000.............................................................................................. 19
Haroldo Ramanzini Júnior
aC
Marcelo Passini Mariano
Rafael Augusto Ribeiro de Almeida
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CAPÍTULO 2
são
LA INSERCIÓN DE BRASIL EN LAS RELACIONES SUR-SUR:
el caso de África............................................................................................... 39
i
Gladys Lechini
rev

CAPÍTULO 3
sã tor

O PESO DA IDEOLOGIA NA ATITUDE DOS PAÍSES LATINO-AMERICANOS


EM RELAÇÃO AOS ESTADOS UNIDOS......................................................... 53
ara

João Carlos Amoroso Botelho


Vinícius Silva Alves

CAPÍTULO 4
i
op

POLÍTICA EXTERIOR BRASILEÑA: ¿Continuidad o quiebre pos


d

impeachment?.................................................................................................. 71
Gisela Pereyra Doval
E

CAPÍTULO 5
DONALD TRUMP E A LIDERANÇA INTERNACIONAL
ESTADUNIDENSE: Relações com a América Latina....................................... 89
ver

Luis Fernando Ayerbe

CAPÍTULO 6
ELECCIONES EN CHILE: las reformas de Bachelet
y el giro a la derecha...................................................................................... 127
Fabiola Berríos
Fabián Pressacco
CAPÍTULO 7
A UTOPIA PAN-AMERICANA DE SIMÓN BOLIVAR..................................... 157
Leandro Gavião
Hugo Suppo

CAPÍTULO 8
EL ENFOQUE FEMINISTA EN LAS RELACIONES INTERNACIONALES:
aportes para repensar el MERCOSUR.......................................................... 191

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Carla Morasso

uto
CAPÍTULO 9
PERFIL Y TRAYECTORIA DE LAS MUJERES

visã R
PARLAMENTARIAS EN HONDURAS............................................................ 205

oa
Cecilia Graciela Rodríguez

CAPÍTULO 10

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C
ECONOMIA POLÍTICA DA ESTRUTURA ECONÔMICA AGRO-
EXPORTADORA NO PARAGUAI*......................................................................................................................219
Liliana Rocío Duarte-Recalde
Guillermo Rojas-Brítez

CAPÍTULO 11
COMPETITIVIDAD EN COLOMBIA: normativas y narrativas del
par a

período 1990-2015......................................................................................... 245


Oscar Alvarado Muñoz
a re

Elizabeth Ruano Ibarra


são or

Wilfred Fabian Rivera Martínez

CAPÍTULO 12
A CONSTITUCIONALIZAÇÃO DO ESTADO PLURINACIONAL COMO
ver dit

ALTERNATIVA DE DESCOLONIZAÇÃO DA AMÉRICA LATINA................... 271


David Martins de Cerqueira
Carlos Ugo Santander
Vanessa Maria Coelho Guimarães

CAPÍTULO 13
E

PETRÓLEO: energia para integrar e desintegrar a América do Sul.............. 293


Paulo Afonso Velasco Júnior
Romário de Jesus Santos

CAPÍTULO 14
TERRITORIOS EN DISPUTA: extractivismo y resistencias en clave
latinoamericana.............................................................................................. 323
Alicia Beatriz Naveda
CAPÍTULO 15
LANGUAGE AS A PROBLEM, A RIGHT, AND A RESOURCE: A Model of
Assessing the Sociocultural Integration of Bilingual Education Programs..... 367
Carla A. McNelly

V
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CAPÍTULO 16

uto
LITERATURA, HISTORIA E IDENTIDAD EN CENTROAMÉRICA: un ensayo
sobre la obra de Julio Escoto......................................................................... 393
Rosario Buezo Velásquez

R
a
CAPÍTULO 17
EDUCAÇÃO AMBIENTAL, CIDADANIA E SUSTENTABILIDADE NA

do
AMÉRICA LATINA: ensaio de aproximação sobre um caso brasileiro........... 423
Aldira Guimarães Duarte Domínguez
aC
CAPÍTULO 18
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são
LA CALIDAD DE LA EDUCACIÓN HONDUREÑA: avances y desafíos
durante el siglo XXI........................................................................................ 441
Mario Alas Solís
Russbel Hernández Rodríguez
i
German Moncada Godoy
rev

CAPÍTULO 19
sã tor

NATIVE AMERICANS, MEXICAN PRE-HISPANIC COMMUNITIES &


DIABETES: research paper........................................................................... 477
Mary Vallecillo- Zúniga
ara

CAPÍTULO 20
LAS VÍCTIMAS EN LA CÁRCEL: 20 años de la criminalización
i

absoluta del aborto en El Salvador................................................................ 495


op

Amaral Arévalo
d

CAPÍTULO 21
E

MOBILIZAÇÕES SOCIAIS, CIDADANIA E LUTA PELA DEMOCRACIA


NO CHILE, 1983-1985: ensaio de interpretação fundamentado em fontes
brasileiras....................................................................................................... 535
ver

Carlos Federico Domínguez Avila


SOBRE OS AUTORES................................................................................... 565
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APRESENTAÇÃO

Todos os esforços para empreender a obra “POLÍTICA, CULTURA E


SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA: ESTUDOS INTERDISCIPLINA-

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r
RES E COMPARATIVOS” agora apresentados neste quinto volume vem

uto
consolidar o ambiente acadêmico que emerge do âmago do Mestrado em
Direitos Humanos, Cidadania e Violência/Ciência Política, materializando
assim ideias que serão pontos de reflexões para traçar caminhos críticos de

R
futuros eventos científicos, sobre estas áreas do conhecimento, que sem dú-

a
vida surgem neste momento como o mais importante instrumento balizador
para se alcançar um mundo novo.

do
O CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIEURO, quer mostrar que real-
mente tem vocação para se tornar um ponto focal de estudo e pesquisa sobre
aC
o desenvolvimento social, científico e tecnológico através da materialização
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de esforços para buscar o aperfeiçoamento da cidadania e ajudar a construir


são
uma sociedade mais justa, tanto para o Brasil, como para os outros países da
América Latina.
Portanto, vale reforçar que todo trabalho científico visando implemen-
i
tar este Volume V está centrado no entusiasmo do corpo docente e discente
rev

para trazer novas contribuições que sirvam de modelo para o aperfeiçoamen-


to das gerações de hoje e do futuro.
sã tor

É com este ideal que o UNIEURO trabalha para apresentar novas contri-
buições científicas que irão sem sombra de dúvida melhorar o Brasil, através do
estudo e da pesquisa de temas que compreendem questões relacionadas à saúde,
ara

a educação, ao gênero, a identidade cultural, aos direitos humanos, a violência,


a cidadania e problemas vinculados ao desenvolvimento político, econômico e
social, não só do nosso país, mas de todo continente latino americano.
i

A política internacional e os dirigentes políticos mundiais têm enfati-


op

camente desenvolvido esforços objetivando criar ambientes saudáveis e de


d

coexistência pacífica que beneficiem a humanidade, qual seja a busca inces-


sante de novas regras de sobrevivência.
E

Neste contexto, podemos buscar em Immanuel Kant a inspiração, quan-


do ele enfatiza que: “é o mundo acadêmico que deve tomar para si a respon-
sabilidade de propor novos caminhos para a igualdade de todos os povos,
ver

eliminando barreiras e preconceitos, que impeçam as criações científicas tão


benéficas para o bem da humanidade, sem distinção de cor e raça.”
O Brasil e a América Latina têm sem dúvida a responsabilidade de
promover políticas públicas que se coadunem perfeitamente com o pen-
samento plurirracial desta região e é neste momento que o mundo acadê-
mico regional deve estar na vanguarda de todos os procedimentos para a
consolidação deste ideal.
14

Assim, a obra em referência apresenta uma perspectiva única da cul-


tura e da sociedade latino-americana atual, em seus diversos artigos. Por
exemplo: ao leitor, ter uma visão da política externa brasileira no começo
deste século sob uma perspectiva regionalista nos conduz a refletir, em con-
junto com a inserção brasileira no Mercosul, na sua relação com os Estados
Unidos, qual o papel que o Brasil tem a desempenhar no contexto diplomáti-
co. Não somente sob o ponto de vista brasileiro, este livro também trata dos
impactos do novo presidente dos Estados Unidos – Donald Trump, com os

od V
r
países latino-americanos. A ideologia política da maioria dos países latinos

uto
americanos, com relação aos ianques também é analisada.
As eleições chilenas de 2017 são analisadas competentemente abordan-
do a recomposição das forças políticas acontecidas nos últimos anos. O que

visã R
se prevê para o futuro caberá ao leitor ler este maravilhoso texto. Na mesma

oa
linha, aborda-se a atual crise política na América Latina, onde forças conser-
vadoras começam a retomar sua participação perdida nas últimas décadas.
As ideias de Simon Bolívar, o Libertador das Américas, são apresenta-

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das como um elemento integrador dos países deste continente. Em termos
C
urbanos, a participação da sociedade na construção do orçamento de uma
cidade é abordada nesta obra, ao relacionar uma cidade cubana e outra bra-
sileira. De Honduras vem a história de duas experiências fantásticas: uma
descreve a trajetória das mulheres hondurenhas; outra traz a qualidade da
educação deste pequeno país da América Central no começo do século XXI.
A importância do agronegócio do Paraguai é apresentada no seu con-
par a

texto político. Ao mesmo tempo, na Colômbia, são descritas as normas e


evolução da produtividade nos primeiros 15 anos do século XXI.
a re
são or

Os impactos na sociedade latina dos regimes ditatoriais e a mobilidade


da sociedade são abordados tanto para o Chile, como para El Salvador. Tais
regimes de exceção ainda marcam substancialmente a coletividade impondo
práticas autoritárias de forma natural no quotidiano dos seus habitantes.
Também não vamos esquecer do crescente problema da diabetes que
ver dit

ataca os cidadãos nativos norte-americanos, bem como a sociedade em ge-


ral. Seus impactos sobre o sistema público de saúde se fazem sentir conges-
tionando o atendimento do sistema. O amanhã não é esquecido neste libro
ao tratar da questão ambiental. Nesse sentido, é apresentado um estudo de
caso para o Brasil.
E

Nesta descrição sucinta de todos os temas apresentados neste livro, é


possível para um leitor leigo compreender todos os textos abordados.

Professor Doutor Edson Luiz Zangrando Figueira


Magnífico Reitor
Centro Universitário UNIEURO
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PREFÁCIO

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INTRODUÇÃO

A sociedade latino-americana está em constante evidência. As relações


políticas no plano interno e no âmbito internacional reforçam cada vez mais

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r
o papel protagonista da América Latina, bem como sua importância no ce-

uto
nário mundial.
A sensibilidade da Profa. Dra. Lídia de Oliveira Xavier e do Prof. Dr.
Carlos F. Domínguez Avila conferem o tom de leveza, dedicação e impor-

R
a
tância que o Volume 5 de Política, Cultura e Sociedade na América Latina.
O quinto volume adensa ainda mais a identidade de congregar estudos

do
interdisciplinares e comparativos acerca de importantes temas em debate nos
países latino-americanos.
aC
A política internacional é retratada por Ramanzini, Mariano e Almeida
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na política externa brasileira dos anos 2000, bem como na inserção brasileira
são
nas relações sul-sul com a África, exposta por Gladys Lechini.
Gisela Doval confere maestria na continuidade do tema, sobretudo na
discussão da manutenção da política externa do Brasil após o impeachment.
i
A pauta política avança para Estados Unidos e Chile. Botelho e Alves
rev

colocam em evidência o peso da ideologia dos países latino-americanos


quando do trato com os Estados Unidos. De igual forma, Ayerbe traz ao de-
sã tor

bate como Donald Trump interage com a América Latina.


Dentro deste cenário político, as eleições chilenas de 2017 ganha des-
ara

taque com a sua recomposição política, enquanto Domínguez Avila contex-


tualiza o perfil chileno com as mobilizações sociais, a cidadania e a luta pela
democracia ocorrida na década de 1980.
A crise política da América Latina é o objeto de discussão de Dainzú
i
op

López, enquanto o modelo pan-americano de Simón Bolívar é revisitado por


d

Gavião e Suppo.
Os Direitos Humanos são retratados em algumas vertentes considera-
das importantíssimas. Carla Morasso traz o enfoque feminista das relações
E

internacionais, enquanto Rodríguez traz o perfil e a trajetória das mulheres


parlamentares em Honduras.
ver

A democracia – como modelo de participação orçamentária no Brasil –


e a constitucionalização do Estado Plurinacional são colocados em destaque
por Cerqueira, Santander e Guimarães.
A pauta ambiental também é destaque no contorno dos Direitos Humanos
na perspectiva internacional. Enquanto o extrativismo e as resistências são
18

discutidas por Alicia Beatriz Naveda, Aldira Dominguez avança para a edu-
cação ambiental, cidadania e sustentabilidade na América Latina.
Sobre a educação, Alas Solís, Hernández Rodríguez e Moncada Godoy
retratam a qualidade da educação hondurenha no século XXI.
Vallecillo-Züniga traz um relato interessante das comunidades pré-his-
pânicas sobre a diabetes. Transcendendo o direito à saúde, Arévalo discute a
criminalização do aborto em El Salvador.

od V
r
A pauta econômica mantem-se presente neste 5º Volume. A estrutura

uto
agroexportadora do Paraguai é colocada em evidência por Duarte-Recalde
e Rojas-Britez, enquanto Alvarado Muñoz, Ruano Ibarra e Rivera Martínez
ilustram a competitividade na Colômbia.

visã R
Carla McNelly consigna importante modelo de acesso a linguagem para

oa
ser uma solução de integração sociocultural. Acredito que o conteúdo desta
obra possa inspirar os pesquisadores a cada dia e em cada desafio de pesqui-
sa que se foi lançado.

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C
André Pires Gontijo
Centro Universitário Unieuro e Centro Universitário de Brasília
par a
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CAPÍTULO 1

O REGIONALISMO E A POLÍTICA
EXTERNA BRASILEIRA NOS ANOS 20001

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Haroldo Ramanzini Júnior
Marcelo Passini Mariano

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Rafael Augusto Ribeiro de Almeida

do
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Introdução
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são
Ao contrário da primeira década dos anos 2000, a inserção internacio-
nal do Brasil na segunda década, principalmente, a partir de 2013, e, por ra-
zões distintas, após 2015, opera com novas condicionalidades e objetivos no
i
nível doméstico, regional e multilateral. Em geral, o papel da política exter-
rev

na no conjunto das políticas de governo foi se reduzindo e consumou-se uma


sã tor

situação de implementação de políticas domésticas sem a efetiva conexão


com um modelo de política externa ou de inserção regional fortalecedores
do papel do Brasil no mundo. Dificuldades oriundas das condições políticas
ara

e econômicas internas conjugadas com um cenário regional e internacional


em transformação geraram retração em aspectos da atuação internacional
do país. Isso não necessariamente seria uma questão, fosse o Brasil estrutu-
i

ralmente um Estado privilegiado pelo status quo internacional. Entretanto,


op
d

para países que buscam tornar o ambiente internacional mais permeável a


seus interesses e representativo dos seus valores, situações de modificação
ou mudança de ênfase na busca de determinados objetivos ensejam reflexão.
E

As vicissitudes da política interna, que aumentam a dificuldade de esta-


belecimento de uma estratégia de médio e longo prazo de inserção externa,
ver

conjugadas com mudanças no cenário internacional, que presencia desen-


volvimentos não previstos, estabelecem uma situação onde muitas vezes os
precedentes de ação têm limitada correspondência para se assumir posições.
Nesse contexto, esforços para recuperar traços da política externa brasileira
1 Partes deste capítulo foram publicadas anteriormente em: RAMANZINI JÚNIOR, Haroldo. O regionalismo sul-americano e a
política externa brasileira. Informe de Conyntura del Observatorio de Regionalismo en America Latina y el Caribe (ORALC),
pp. 29-50, 2016 e RAMANZINI JÚNIOR, Haroldo; MARIANO, Marcelo P. La situación actual de la política en Brasil frente al
regionalismo en America del Sur. The Quarterly of Latin American Economy and Trade, n. 30, 2017.
20

de outros momentos, como dos anos 1990, buscando maior convergência


com regimes e regras formatadas pelos Estados Unidos e Europa Ocidental
não se traduzem automaticamente em maior integração econômica, coope-
ração e benefícios. As próprias dificuldades de avanço das negociações mul-
tilaterais em temas como mudanças climáticas, finanças, segurança coletiva,
comércio e direitos humanos são expressões de dificuldades de um sistema
formatado a partir da Segunda Guerra Mundial.

od V
r
Atualmente a inserção regional continua constituindo eixo relevante da

uto
atuação internacional brasileira, mas parece operar com menor intensidade
se comparada com os anos 1990 e a primeira década de 2000, apesar das suas
diferenças. A criação ou a manutenção de condições propícias para a ação

visã R
regional depende de uma série de fatores, entre eles, da própria ação e estra-

oa
tégia do Estado, sendo este um aspecto relevante para viabilizar dinâmicas
de ação coletiva.
A situação de relativa indefinição no cenário externo, que certamente

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não é única na história das relações internacionais, e os sinais fortalecidos
C
em 2016 e 2017, de recrudescimento do nacionalismo, do protecionismo,
as evidências de que as chamadas cadeias globais de valor têm relevante
dimensão regional, as incertezas sobre o futuro dos acordos plurilaterais,
são fatores que recolocam para o Brasil a pertinência de um engajamento
regional propositivo e multidimensional. Ao mesmo tempo, situações como
par a

a sobreposição de instituições regionais e a fragilidade institucional para


avançar agendas específicas, somadas a mudanças nas lideranças políticas,
a re

aos diferentes modelos de inserção internacional presentes na região e as


são or

instabilidades políticas e econômicas colocam interrogações significativas


em relação ao regionalismo latino (e sul-americano) e trazem dose extra de
complexidade para a inserção brasileira.
Além desta introdução, o capítulo está estruturado da seguinte forma. Na
ver dit

primeira seção faremos breve caracterização do regionalismo sul-americano.


Em seguida, pontuaremos aspectos do relacionamento do Brasil com a região
entre 2003 e 2015. Na terceira seção, será analisado alguns direcionamentos que
o governo Temer busca conferir ao diálogo brasileiro com a América do Sul. Por
fim, alguns pontos são retomados nas considerações finais.
E

Breves considerações sobre o regionalismo sul-americano

Um componente relevante do regionalismo é o objetivo de diminuir


diferenças e acentuar semelhanças entre os Estados de uma região de modo a
atingir determinados objetivos e promover determinados valores. Para além
de uma dimensão geográfica, regiões são construções sociais e discursivas
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 21

que respondem a diversas motivações, entre elas, objetivos e estratégias de


política externa. Regiões são moldadas por ideias, discursos, equilíbrios de
poder, atores transnacionais, instituições, hegemonias, preferências de atores
domésticos, atuação de potências regionais e extrarregionais (VAYRYNEN,
2003). Assim, embora os Estados não sejam os únicos atores de uma dada

V
r
região, têm papel relevante na construção institucional, normativa e político-

uto
-estratégica de regiões. Há motivações endógenas que estimulam o regiona-
lismo e razões exógenas que criam incentivos para a cooperação regional,
mas que também impulsionam dinâmicas de conflitos e desintegrações. Em

R
muitos casos o âmbito regional condiciona a ação global do Estado e ajuda a

a
formatar a sua visão internacional, quando não o seu próprio comportamento
nos regimes multilaterais.

do
Principalmente a partir dos anos 1990, fortalecem-se as evidências de
aC
que o âmbito regional constitui um nível de análise relevante para as rela-
ções internacionais, além de âmbito estratégico de ação para os Estados.
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são
Alguns deles têm a esfera regional ou a relação com um vizinho como sua
principal arena de atuação externa. Outros, como o Brasil, operam a inserção
regional levando em consideração objetivos de atuação global (LAZAROU;
LUCIANO, 2015).
i
Do ponto de vista institucional, haveria uma tensão constante entre: por
rev

um lado, o que seriam as necessidades do regionalismo, uma garantia de sua


sã tor

estabilidade e de ações fortalecedoras de um certo sentido de “comunidade de


interesses”; e, por outro, as preferências dos Estados, as dinâmicas políticas
internas e as outras esferas e seus compromissos de atuação internacional.
ara

Como se trata de um empreendimento que envolve ação coletiva e os atores


envolvidos não têm motivações idênticas, incentivos institucionais podem
ter papel relevante no empreendimento de adensar laços entre os Estados, as
i

sociedades e as políticas externas. Instituições em si não garantem o êxito da


op
d

integração regional, mas é difícil verificar o seu aprofundamento na ausência


delas (MARIANO, 2015).
Nem sempre o regionalismo busca a integração regional, inclusive na
E

América Latina e do Sul nos anos 2000 a perspectiva que se fortalece, e


viabiliza a criação de novos fóruns e organizações regionais, é a da coope-
ver

ração, não necessariamente a da integração. Uma questão de interesse analí-


tico refere-se à distinção na natureza e nas razões da cooperação no âmbito
do regionalismo e na forma e objetivos da cooperação entre Estados que
não compartilham uma mesma região, uma mesma fronteira ou uma mesma
organização regional.
Particularmente, a partir da segunda metade do século XX, das metas
ambiciosas e prazos, talvez, pouco realistas da Associação Latino-Americana
22

de Livre Comércio (ALALC), nos anos 1960; até a formação da Comunidade


de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), em 2011, há uma
trajetória visando a cooperação e a integração entre os Estados da região,
naturalmente que com motivações, desafios e formas distintas. O livro orga-
nizado por Puntigliano e Briceño (2013) é um dos que procuram entender a
resiliência e a proliferação dos arranjos cooperativos e integrativos na região
apesar de instabilidades e crises. A questão é que dificuldades são inerentes

od V
r
ao regionalismo e não se trata de uma singularidade latino-americana. Um

uto
aspecto necessário para o regionalismo avançar é que os Estados e suas eli-
tes visualizem o âmbito regional como uma instância apta para promover os
seus interesses econômicos, políticos e sociais.

visã R
Na região, apenas no início do século XXI esse entendimento pare-

oa
ce conquistar mais concretamente espaço em uma parte das sociedades e
dos governos dos países, embora seja um processo não consolidado, e que
enfrenta desafios adicionais na segunda década dos anos 2000. A CELAC,

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União de Nações Sul-americanas (UNASUL), Aliança Bolivariana para os
C
Povos da Nossa América – Tratado de Comércio dos Povos (ALBA) e a
Aliança do Pacífico, em que pese suas diferenças, são faces do regionalismo
na região, junto ao Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), à Comunidade
Andina (CAN) e outros acordos.
Atualmente um dos temas no debate é o da sobreposição de
par a

regionalismo(s) na região, que não deixa de simbolizar diferenças entre os


Estados e as sub-regiões e de trazer dificuldades operacionais; mas que pode
a re

demonstrar também a saliência do(s) regionalismo(s) e a manutenção ou


são or

criação de fóruns comuns como é o caso da UNASUL na América do Sul e


da CELAC na América Latina (NOLTE e COMINI, 2016), em que pese o
fato de essas duas instâncias encontraram-se recentemente em uma situação
de relativa indefinição. Um desafio refere-se à operacionalização dos diver-
ver dit

sos instrumentos, devido ao fato de suas dinâmicas de negociações apre-


sentarem uma intensa dependência de Reuniões de Cúpula e da diplomacia
presidencial, sujeita a variações determinadas por questões domésticas.
Considerando a dimensão normativa do regionalismo, o fato de países
com formas de atuação internacional distintas constantemente reiterarem a
E

relevância de ações latino e sul-americanas, bem como a ideia de determina-


dos desafios comuns, presente nos frequentes encontros de Presidentes, pode
criar constrangimentos a comportamentos que abertamente desconsiderem,
debilitem ou menosprezem as relações regionais, direta ou indiretamente,
contribuindo a manutenção de um regionalismo de intensidade variada. A
limitada complementaridade econômica, diferenças na forma de se inserir
na economia internacional, nas estratégias de desenvolvimento e na relação
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 23

com países como Estados Unidos e China afetam as organizações regionais e


incentivam manifestações institucionais específicas entre grupos de Estados.
Mas, há também problemas comuns.
O fim do chamado super-ciclo das commodities, principalmente, a partir de
2013, afeta a todos os países da região, inclusive pelo fato de não terem aprovei-

V
r
tado o período de alta para fomentar mudanças tecnológicas, de produtividade e

uto
de articulação regional. Além disso, seja no combate aos ilícitos transnacionais,
na vulnerabilidade aos fluxos de capitais internacionais, na criação de cadeias
produtivas no setor industrial, na questão das migrações, no fortalecimento de

R
capacidades relativas e de poder de barganha, ou na construção de espaços ge-

a
opolíticos próprios, a articulação entre os países da América do Sul e Latina
colocam-se como objetivos que viabilizam ganhos ou, no mínimo, diminuem

do
perdas e evitam a radiação de potenciais instabilidades.
aC
As mudanças anunciadas pelo presidente Donald Trump na política co-
mercial dos Estados Unidos e sua postura aparentemente mais protecionista
Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão

são
e nacionalista tem impacto nos países da América Latina. Ao mesmo tempo,
políticas consideradas mais liberais e de abertura comercial que avançam
em países da região igualmente influenciam as relações regionais. A con-
cretização da Aliança do Pacífico, em 2012, alguns indicadores econômi-
i
cos positivos de seus países membros, conjugados com apoios em setores
rev

midiáticos e financeiros internacionais, recolocaram o paradigma do livre-


sã tor

-comércio como modelo de relacionamento regional, que cresce também em


países como Brasil e Argentina, artificialmente inserido como contraposto a
modelos de cooperação e integração que contemplem dimensões mais am-
ara

plas como a integração de setores produtivos, infraestrutura, segurança e


defesa, participação social, entre outras.
A relação do Brasil e dos demais países da região com a China é um
i

novo fator exógeno de impacto para o regionalismo sul-americano nos anos


op
d

2000. A política dos Estados Unidos, os acordos de livre-comércio e as rela-


ções com Cuba continuam repercutindo no regionalismo, bem como a situ-
ação da economia internacional. Desde uma perspectiva chinesa, a relação
E

com os países da América Latina vincula-se aos objetivos domésticos de


suprimento de energia e de matérias-primas, de exportações de produtos tec-
ver

nológicos, de desenvolvimento e de fortalecimento da sua inserção interna-


cional. Desde 2009, por exemplo, a China é o principal parceiro comercial
do Brasil2. A visita do presidente Xi Jin Ping a alguns países da região em
novembro de 2016, após a eleição de Trump, e sua participação na reunião
da APEC de Lima evidenciam interesse na região.

2 Dados consolidados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comeŕcio (MDIC) em 2010.


24

Na América Latina, Costa Rica, Chile e Peru têm acordos de livre-


-comércio com a China. Além disso, Chile, Peru e Colômbia têm acordos
com os Estados Unidos, além dos países da América Central e a República
Dominicana por meio do Tratado de Livre Comércio entre Estados Unidos,
América Central e República Dominicana (CAFTA-DR)3. Em que pese
as diferenças nos termos dos acordos de livre-comércio avançados pelos
Estados Unidos e pela China na região, ambos evidenciam o espaço das ini-

od V
r
ciativas comerciais (anteriores e posteriores à Aliança do Pacífico) e trazem

uto
consequências em termos de cooperação e integração latino e sul-americana,
principalmente do ponto de vista das perspectivas de um regionalismo mais
amplo e multidimensional. Determinados benefícios que os países têm aferi-

visã R
do na relação com a China se verificam de modo independente do regionalis-

oa
mo. Para os esforços de integração de cadeias produtivas no MERCOSUL, a
situação majoritária de exportação de commodities estabelecida no comércio
com a China também traz desafios consideráveis.

Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão


O MERCOSUL não desenvolveu uma agenda para lidar com a China
C
e, da forma como tem se estabelecido as relações, não é possível conside-
rar que esta relação contribui para o fortalecimento do bloco. Guardadas
as diferenças, em documento de 18 de julho de 2016, o Conselho da União
Europeia procurou definir uma estratégia do bloco em relação à China, o
que demonstra que o tema está colocado para distintos blocos e processos
par a

de integração.
a re

As relações entre o Brasil e a América do Sul entre 2003 e 2015


são or

O Brasil tem papel relevante na construção do regionalismo na América


do Sul. Desde a formação do MERCOSUL em 1991 a região ganha maior
espaço na atuação internacional do país. A partir de 2003, verifica-se uma
ver dit

ampliação dos temas presentes no regionalismo e na interface de ações do-


mésticas com agendas regionais (MARIANO, 2015). Para além dos temas
comerciais, o MERCOSUL incorpora uma agenda social presente, por exem-
plo, na implementação do Instituto Social, do Programa MERCOSUL Social
e Solidário, na realização das Cúpulas Sociais e na criação da Unidade de
E

Participação Social. Esses são alguns dos corolários dos objetivos expressos
no Consenso de Buenos Aires de 2004, assinado pelos presidentes Lula da
Silva e Nestor Kirchner, no sentido de ampliar a participação da sociedade
civil nos processos desenvolvidos no âmbito do MERCOSUL.

3 Sigla em inglês Central America-Dominican Republic Free Trade Agreement (CAFTA-DR)


POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 25

Houve também uma preocupação mais sistemática com o tema das as-
simetrias entre os países e com a situação dos sócios menores, que motivou
o surgimento do Fundo para a Convergência Estrutural do MERCOSUL
(FOCEM). Mesmo assim, é recorrente a distância entre o discurso que indi-
ca uma vontade política favorável ao fortalecimento do bloco, à ampliação

V
r
da participação social e da governança regional, presentes durante toda a

uto
primeira década dos anos 2000, e a limitação dos meios para que as insti-
tuições, ou acordos, no âmbito do MERCOSUL operassem a partir de uma
lógica regional. As limitadas capacidades do Parlamento do MERCOSUL

R
e as dificuldades para o seu estabelecimento com eleições diretas no Brasil

a
também são manifestações dessa realidade.
Em dezembro de 2008, a formação da UNASUL consolida o esforço

do
brasileiro de uma articulação regional baseada na ideia de fortalecimento da
aC
autonomia nacional e regional. O objetivo na concepção da UNASUL é a
existência de uma organização sul-americana, portanto, não latino-america-
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são
na e, ainda menos, hemisférica. Para o Brasil, a consolidação da UNASUL
desempenha um papel importante na relação com os países que consideram
a posição de membro associado, por meio de uma área de livre comércio,
adequado para suas relações com o MERCOSUL. São os casos de Chile,
i
Colômbia e Peru4 (VIGEVANI; RAMANZINI JÚNIOR, 2014).
rev

A estrutura da UNASUL permite a existência de particularidades em


sã tor

termos de inserção internacional dos países e busca formas de convergên-


cia, não de substituição, com outras organizações como o MERCOSUL e
a Comunidade Andina. Essa arquitetura institucional possibilita formas de
ara

diálogo coletivo, mas traz limitações para ações, evidentes na situação atu-
al, onde os membros têm visões distintas de processos como a situação da
Venezuela, fato que tem inviabilizado a própria convocação de Reuniões
i

de Cúpula da UNASUL, e demonstrado que a capacidade ou a autonomia


op
d

institucional da organização para levar adiante iniciativas específicas é ex-


tremamente frágil.
Do ponto de vista do Brasil, apesar das diferenças entre o MERCOSUL
E

e a UNASUL, ambos têm como característica comum ampliar o espectro de


ação do país na região, buscando projetar maior autonomia na relação com
ver

os Estados Unidos, ampliar a cooperação regional, o intercâmbio comercial


e a infraestrutura regional (DESIDERÁ NETO, 2014). Inserem-se em um
movimento mais geral, visando uma ordem internacional multipolar e o en-
fraquecimento do unilateralismo.
4 O membro associado do MERCOSUL estabelece com os membros plenos uma área de livre comércio que deve ser implemen-
tada de acordo com o calendário firmado entre os Estados envolvidos. São membros associados: Chile (1996), Peru (2003),
Colômbia (2004), Equador (2004), Guiana (2013) e Suriname (2013). Por conta desses e outros acordos até 2019 a América
do Sul constituíra uma área de livre-comércio.
26

Do ponto de vista da inserção regional o meio para isso seria, portanto,


a articulação de um espaço econômico e político sul-americano operado a
partir da criação de novos mecanismos de cooperação regional (UNASUL)
e a adaptação dos existentes (MERCOSUL). Muito em função da fragili-
dade institucional para a implementação das agendas e das mudanças po-
líticas e instabilidades econômicas no Brasil, mas também na Argentina e
na Venezuela, a partir de 2013, a implementação dessa estratégia passa a

od V
r
encontrar dificuldades.

uto
Nos anos 2000 o Brasil assumiu uma posição que parte da ideia que a
estabilidade, o crescimento e boas relações regionais objetivamente contri-
buem para a projeção dos interesses brasileiros e viabilizam uma atuação

visã R
global mais consistente no sentido de otimização de esforços dados recursos

oa
escassos. A política externa para a região projetou interesses comerciais e
das grandes empresas brasileiras, mas também trouxe para o regionalismo a
agenda da participação social e da redução das assimetrias.

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Principalmente a partir de 2003, a política externa e a relação com os
C
vizinhos inseriu-se mais fortemente no debate público e na disputa política
doméstica. Houve uma dupla crítica ao comportamento do Brasil em situ-
ações como a renegociação do valor pago pela energia de Itaipu, a postura
quando da nacionalização dos hidrocarbonetos pelo governo Morales, as re-
lações com a Venezuela, entre outras. Por um lado, havia expectativas dos
par a

vizinhos de que o Brasil poderia ceder e contribuir mais. Esse foi um debate
permanente em torno do FOCEM também. Por outro, importantes atores
a re

domésticos críticos a ações governamentais brasileiras consideravam que o


são or

país cedia demais aos vizinhos e postulavam maior pragmatismo. De todo


modo o período 2003-2015 não é homogêneo. Certamente há distintas carac-
terísticas entre governos e mesmo especificidades e nuances com repercus-
sões para as relações regionais.
ver dit

O Governo Temer o regionalismo

O então vice-presidente Temer assumiu o cargo de presidente da


República interinamente em maio e em definitivo em agosto de 2016, após
E

o impeachment de Rousseff. Temer incluiu em sua base política as forças


de oposição à política externa dos governos de Lula da Silva e de Rousseff.
A imediata mudança nas relações do Brasil com a Venezuela e seus desdo-
bramentos no âmbito do MERCOSUL é uma dinâmica de política externa
e do regionalismo que responde a essa conjuntura doméstica. O Partido da
Social Democracia Brasileira (PSDB), principal partido de oposição aos go-
vernos do PT, dos senadores José Serra e Aloysio Nunes, respectivamente,
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 27

o primeiro e o atual ministro das Relações Exteriores, passa a fazer parte do


governo já em maio de 2016. Isso ajuda a entender o discurso de mudança
e a mudança de foco em aspectos da cooperação e da inserção regional pre-
sente em manifestações do governo brasileiro, ainda que em alguns casos
sobrevalorizadas, pois, uma atuação descolada do MERCOSUL e a busca de

V
r
acordos fora do bloco é algo que esteve presente também nos governos de

uto
Lula da Silva e de Rousseff.
O interesse em negociações com a Aliança do Pacífico e uma nova ên-
fase comercial no MERCOSUL são expressivos desde 2013. A crise econô-

R
mica agravada a partir do início do segundo mandato da presidente Rousseff

a
em 2014, as dificuldades políticas na relação com o Congresso nacional,
que culminaram com o controverso processo de impeachment e certa falta

do
de visualização da política externa como instrumento de fortalecimento de
aC
uma posição política doméstica, já impactavam a estrutura discursiva e as
ações relacionadas à manutenção e reconstrução de políticas voltadas para
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são
a cooperação e a integração regional. Como o regionalismo sul-americano
patrocinado pelo Brasil é institucionalmente fraco, o envolvimento presiden-
cial, uma estrutura constante de discursos, reuniões e medidas de construção
de confiança são necessárias para o seu pleno funcionamento, o que ajuda a
i
entender a situação atual.
rev

O então Ministro de Relações Exteriores José Serra (maio de 2016 a


sã tor

fevereiro de 2017), em seu discurso de posse expos seus objetivos à frente


do Itamaraty, visando destacar elementos de mudança em relação ao perío-
do anterior. Segundo Saraiva e Velasco Júnior (2016), tendo já disputado a
ara

presidência da República nas eleições de 2002 e 2010, Serra visualizava no


cargo de Ministro das Relações Exteriores possibilidades de suporte às suas
pretensões políticas e eleitorais.
i

Nesse sentido, diante do contexto doméstico em que assumiu sua aposta


op
d

parece ter sido baseada em expectativas otimistas como: a) a rápida retoma-


da do crescimento econômico; b) o controle da crise política e institucional
envolvendo denúncias de corrupção no governo e personalidades políticas
E

nacionais relevantes; c) a crença de que as mudanças organizacionais que se-


riam implementadas no ministério, principalmente relacionadas ao comércio
ver

exterior, e o novo direcionamento da política exterior teriam efeitos práticos


ainda sob sua gestão.
O desenrolar dos acontecimentos, que culminou com seu pedido
de exoneração no final de fevereiro de 2017, alegando problemas de saú-
de, parecem não ter sido totalmente favoráveis às expectativas iniciais.
Independentemente da situação do Senador José Serra, a orientação manifes-
tada ao assumir o cargo de chanceler relaciona as linhas gerais que orientam
28

a política externa do governo Temer e, portanto, o seu discurso de posse5


merece maior detalhamento.
O discurso procurou apresentar um conjunto de intenções que busca-
vam demonstrar que o Brasil iniciaria uma nova forma de inserção inter-
nacional. Para isso, apresentou dez diretrizes que foi chamada de “Nova
Política Externa”. Em relação ao regionalismo é interessante observar que
a UNASUL e a CELAC não são mencionadas. A primeira diretriz proposta

od V
r
mira na ideia de que a política externa estava partidarizada e seria preciso

uto
reconduzi-la ao padrão “histórico” de comportamento externo.

[...] A nossa política externa será regida pelos valores do Estado e da na-

visã R
ção, não do governo e jamais de um partido. Essa nova política não rom-

oa
perá com as boas tradições do Itamaraty e da diplomacia brasileira [...]

A segunda, terceira e quarta diretrizes são mais gerais e não apresentam

Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão


mudanças de orientação visíveis já que tratam de democracia e direitos hu-
C
manos, meio-ambiente e a posição do Brasil em relação à ONU. Já a quin-
ta, sexta, sétima e oitava diretrizes procuraram demarcar uma mudança de
orientação argumentando que as escolhas dos governos passados foram fun-
damentadas em preferências ideológicas ou avaliações equivocadas. Nesse
sentido o principal direcionamento seria revigorar a relação prioritária com
a Argentina, mudar a lógica de funcionamento do MERCOSUL e aproximar-
par a

-se da Aliança do Pacífico.


Ao sinalizar maior prioridade aos parceiros tradicionais, EUA, Europa
a re
são or

e Japão, também procura mudar a dimensão da linha condutora em relação


aos governos anteriores, particularmente a ideia de cooperação Sul-Sul. Se
não é possível ignorar a importância comercial de relacionar-se com os paí-
ses do Sul, principalmente pela importância que o agrupamento entre Brasil,
ver dit

Rússia, Índia e China (BRICS) assumiu para o conjunto das ações extrarre-
gionais do Brasil, a estratégia adotada é de reafirmar o universalismo da po-
lítica externa procurando afirmar que o período anterior se utilizava de uma
estratégia sul-sul que não teria se fundamentado no pragmatismo. O trecho a
seguir demonstra a narrativa que se busca estabelecer.
E

[...] Será prioritária a relação com parceiros novos na Ásia, em parti-


cular a China, este grande fenômeno econômico do século XXI, e a
Índia. Estaremos empenhados igualmente em atualizar o intercâmbio
com a África, o grande vizinho do outro lado do Atlântico. Não pode

5 Discurso do ministro José Serra por ocasião da cerimônia de transmissão do cargo de ministro de estado das Relações
Exteriores. Brasília, 18 de maio de 2016. Disponível em: <http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/discursos-artigos-e-entrevistas-
-categoria/ministro-das-relacoes-exteriores-discursos?start=30>. Acesso em: 05 jun. 2017.
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 29

esta relação restringir-se a laços fraternos do passado e às correspon-


dências culturais, mas, sobretudo, forjar parcerias concretas no pre-
sente e para o futuro. Ao contrário do que se procurou difundir entre
nós, a África moderna não pede compaixão, mas espera um efetivo
intercâmbio econômico, tecnológico e de investimentos. Nesse senti-

V
r
do, a solidariedade estreita e pragmática para com os países do Sul do
planeta terra continuará a ser uma diretriz essencial da diplomacia bra-

uto
sileira. Essa é a estratégia Sul-Sul correta, não a que chegou a ser pra-
ticada com finalidades publicitárias, escassos benefícios econômicos
e grandes investimentos diplomáticos. É importante ter a noção clara

R
de que os diferentes eixos de relacionamento do Brasil com o mundo

a
não são contraditórios nem excludentes, sobretudo dado o tamanho
da nossa nação. Um país do tamanho do Brasil não escolhe ou repele

do
parcerias, busca-as todas com intensidade, inspirado no seu interes-
aC
se nacional. Vamos também aproveitar as oportunidades oferecidas
pelos foros inter-regionais com outros países em desenvolvimento,
Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão

como por exemplo os BRICS, para acelerar intercâmbios comerciais,


são
investimentos e compartilhamento de experiências. E, com sentido de
pragmatismo, daremos atenção aos mecanismos de articulação com a
África e com os países árabes.
i
rev

Por fim, as últimas diretrizes dizem respeito aos meios para realizar esse
redirecionamento. Em primeiro lugar, procuraria intensificar as negociações
sã tor

com diferentes países para atração de investimentos e tecnologia em uma


estratégia que se ligaria à necessidade de retirar o país da crise econômica e
aumentar a produtividade da economia, anunciando inclusive a possibilida-
ara

de de rever tarifas para diminuir o custo Brasil. Em segundo lugar, anunciou


mudanças no Itamaraty para recuperar sua condição operacional e também
implementar um processo de “despartidarização” da corporação, mas sem
i
op

dar detalhes do que seria isso.


d

[...] Quero valorizar a carreira diplomática, assim como as demais car-


reiras do serviço exterior. Respeitar o critério do mérito. Não discrimi-
E

nar em favor dos amigos do rei ou de correligionários de um partido


político. Quero progressivamente retirar o Itamaraty da penúria de re-
cursos em que foi deixado pela irresponsabilidade fiscal que dominou
ver

a economia brasileira nesta década.

Neste dois últimos pontos, o discurso procura associar a condução da


política exterior à forma como a política doméstica estava sendo encaminha-
da e dava sugestões de como deveria ser no presente governo. O fechamento
do discurso permite considerar que, além de um redirecionamento da política
30

externa em virtude da mudança governamental, também transparecia cer-


ta expectativa de que os direcionamentos indicados no discurso pudessem
ser realizados em curto espaço de tempo. Segundo Casarões (2016: 83) as
propostas de Serra representavam fundamentalmente ``recurso retórico para
desconstruir o legado petista, uma vez que pouco trouxe de inovações na
condução das relações exteriores do país``. O fato da política externa, prin-
cipalmente a política em relação à região ter entrado fortemente no debate

od V
r
político e partidário no Brasil ajuda a entender as mudanças que o Ministro

uto
Serra buscava empreender no Itamaraty.
Em março de 2017, o senador Aloysio Nunes - que foi candidato a vice-
-presidente de Aécio Neves nas eleições de 2014 - assumiu o Ministério das

visã R
Relações Exteriores. Nunes apresenta um discurso que se alinha aos objeti-

oa
vos do seu antecessor, principalmente a estratégia de demarcar uma política
externa que se fundamente basicamente pelo distanciamento de parte dos ar-
gumentos que balizaram o comportamento externo dos governos de Lula da

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Silva e Rousseff. A questão da partidarização é novamente ressaltada talvez
C
de forma até mais enfática.

Reafirmo o que tem sido dito desde o início do governo Temer: a polí-
tica externa tem que estar a serviço do País e não dos objetivos de um
partido, qualquer que seja ele. Não posso deixar de lembrar a preocu-
pação, cada vez mais presente, com a escalada autoritária do governo
par a

venezuelano, que nos últimos anos esteve presente entre os grandes


temas em debate.
a re
são or

Da mesma forma, em relação à região a estratégia é prosseguir com


a articulação com a Argentina e procurar aproximar o MERCOSUL da
Aliança do Pacífico, movimento esse que, em realidade, se iniciou em 2013.
As preocupações com a ampliação de comércio e atração de investimentos
ver dit

são depositadas nas relações com os EUA, na possibilidade de um acordo


MERCOSUL-União Europeia e, principalmente, em relação à China e aos
países asiáticos. A UNASUL e a Celac novamente não são mencionadas, sina-
lizando que no âmbito da integração e cooperação latino-americanas o prin-
cipal meio de relacionamento seria bilateral ou por meio do MERCOSUL.
E

Havia expectativa de que o governo Temer defenderia o retrocesso do


MERCOSUL para uma área de livre-comércio. Era uma expectativa funda-
mentada nas manifestações prévias de integrantes do atual governo, no senti-
do de flexibilizar o MERCOSUL. As posições adotadas, embora não fortale-
çam o MERCOSUL, não vão na direção de uma mudança dessa magnitude,
provavelmente pelo fato de que um retrocesso do bloco teria implicações
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 31

políticas, simbólicas e econômicas, com desdobramentos que podem gerar


dinâmicas contrárias aos interesses brasileiros.
Além disso, em que pese a débil estrutura institucional vigente no
MERCOSUL, desde 2000 existe previsão para acordos individuais por
parte dos países. A Decisão 32/00 do Conselho Mercado Comum (CMC)6

V
r
indica “o compromisso dos Estados partes do MERCOSUL de negociar

uto
de forma conjunta acordos de natureza comercial com terceiros países
ou blocos de países extrazona nos quais se outorguem preferências tari-
fárias”. Note-se que se coloca a necessidade dos países negociarem con-

R
juntamente acordos que envolvam bens, como é o caso das negociações

a
com a União Europeia, ainda que esta também envolva outros temas. No
entanto, ao mesmo tempo em que reafirmou a necessidade de se realizar

do
acordos conjuntos, a Decisão 32/00 do CMC deixa uma lacuna nas re-
aC
gras estabelecidas que permite negociações individuais em outros temas,
como barreiras técnicas, serviços e investimentos.
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são
A Decisão 32/00 aplica-se a acordos de preferências tarifárias, ao passo
que os grandes acordos que surgem no horizonte como o TTP e o TTIP, co-
locados sob interrogação com a eleição de Donald Trump nos EUA, têm seu
fundamento na uniformização e no reconhecimento de regulamentos técni-
i
cos, sanitários e fitossanitários. Nessas agendas, as regras do MERCOSUL
rev

permitem avanços específicos por parte dos países membros; apenas colo-
sã tor

cam a necessidade de notificação e a possibilidade de integração dos demais


membros nos sistemas eventualmente formatados com terceiros países, mas
não pressupõe uma concordância prévia ou uma negociação conjunta.
ara

O Brasil começou a negociar ou já assinou, às margens do MERCOSUL


e seguindo a normativa da Resolução 32/00, uma série de acordos de har-
monização regulatória e facilitação de comércio com países de fora do blo-
i

co, inclusive com os Estados Unidos, e também Acordos de Cooperação


op
d

e Facilitação de Investimentos (ACFIs) com o México, Colômbia, Chile,


Angola e Moçambique em 2015. Em 2017 foi assinado Protocolo de
Cooperação e Facilitação de Investimentos do MERCOSUL (PCFI).
E

Segundo Cozendey e Árabe Neto (2017) com o PCFI “o Brasil passa a ter
acordos de investimentos com os sócios originais do MERCOSUL, com
ver

todos os membros da Aliança do Pacífico e com países africanos como


Angola, Moçambique e Malaui”. Ainda de acordo com os autores, também
encontram-se em fase final de revisão para assinatura os “compromissos já
negociados com Índia, Jordânia, Marrocos e Etiópia. Todos eles seguem,

6 http://www.sice.oas.org/trade/mrcsrs/decisions/DEC3200p.asp acesso em 02/02/2017.


32

com variações, o mesmo modelo inovador de Acordo de Cooperação e


Facilitação de Investimentos (ACFI)7“.
Entre outros fatores, o MERCOSUL é um mecanismo de busca de estabi-
lidade e reserva de mercado para exportações brasileiras na região. A América
Latina e o MERCOSUL têm papel fundamental para a indústria brasileira de
transformação e para a internacionalização de empresas nacionais, ainda que a
dimensão geral de baixa competitividade e eficiência da indústria brasileira no

od V
r
âmbito internacional enseje preocupações em termos de suas consequências.

uto
Além da funcionalidade política, a funcionalidade econômica do MERCOSUL
é, em boa medida, garantida pela Tarifa Externa Comum (TEC), que, não obs-
tante a sua imperfeição em razão das inúmeras exceções registradas pelos pa-

visã R
íses, amplia a competitividade das exportações brasileiras para os sócios do

oa
bloco, sobretudo no caso de produtos industrializados.
Em 2015, 87% das exportações do Brasil para os países do MERCOSUL
foram compostas por produtos industrializados8. Já existem situações de per-

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da de mercado para exportações de países extrabloco, particularmente no
C
caso da China, de modo que tenderiam a ampliar-se caso não houvesse TEC.
Em julho de 2006 teve início o processo de ingresso da Venezuela no
MERCOSUL. Após um intenso debate, o pedido foi aprovado pelo legisla-
tivo brasileiro em dezembro de 2009. Como o processo de adesão já tinha
sido aprovado pelos poderes legislativos da Argentina, em fevereiro de 2007,
par a

e do Uruguai, em agosto de 2007, restava a aprovação do Senado paraguaio.


A destituição do Presidente Fernando Lugo, em junho de 2012, em um pro-
a re

cesso político controverso, entre outros fatores, pela sua agilidade sumária,
são or

gerou a reação do Brasil e de outros países com base na ideia de defesa da


democracia na região.
Isso culminou com a suspensão do Paraguai do MERCOSUL de ju-
nho de 2012 a agosto de 2013, em interpretação do Protocolo de Ushuaia,
ver dit

embora não tenha resultado em suspensão de vantagens econômicas vincu-


ladas ao bloco ou às relações bilaterais. A suspensão do Paraguai possibili-
tou o ingresso da Venezuela como membro pleno do bloco a partir de julho
de 2012. A entrada da Venezuela e o procedimento adotado em relação ao
Paraguai, mesmo contando com o apoio de Brasil, Argentina e Uruguai, e
E

embora compatível com a prioridade de alargamento do MERCOSUL em


detrimento do seu aprofundamento presente na estratégia brasileira, gerou
intenso debate no que se refere à instrumentalização de certos procedimentos

7 Artigo do embaixador Carlos Márcio Cozendey e de Abrão Miguel Árabe Neto, “Um balanço até aqui dos acordos de investi-
mentos”, publicado no Valor Econômico, 29/05/2017.
8 Ver: <http://www.MERCOSUL.gov.br/saiba-mais-sobre-o-MERCOSUL>. Acesso em: 02 fev. 2017.
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 33

institucionais do bloco e à questão dos requisitos de incorporação das nor-


mas MERCOSULinas pelos Estados partes.
Com outros atores políticos, esse debate voltou ao centro do bloco em
2016, quando pelas regras da rotatividade da Presidência Pro-Tempore, a
partir de agosto de 2016 a Venezuela deveria assumir o posto. Entretanto,

V
r
criou-se um artifício novo, de presidência pro-tempore coletiva compos-

uto
ta por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. No bojo dos entendimentos
inter-presidenciais entre os países ocorreu a suspensão da Venezuela do
MERCOSUL, a partir de dezembro de 2016, por não cumprir normas e acor-

R
dos do bloco.

a
É pertinente observar que isso ocorre em um ambiente onde não cum-
prir acordos e normativas assinadas, seja no âmbito político, econômico ou

do
social do MERCOSUL, é fato presente em todos os sócios, mesmo que com
aC
dimensões distintas. Do ponto de vista do regionalismo um ponto relevante
a destacar, tanto na situação do ingresso (governo Lula da Silva), quanto na
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são
situação de suspensão da Venezuela (governo Temer), é a fragilidade institu-
cional do MERCOSUL, a sua vulnerabilidade extrema às dinâmicas domés-
ticas dos Estados e o fato das narrativas e ações predominantes não confluí-
rem para a credibilidade das instituições e arranjos regionais sul-americanos.
i
Nas relações com a Argentina em maio de 2017 ocorreu a I Reunião do
rev

Mecanismo de Coordenação Política Brasil-Argentina. Segundo o Itamaraty


sã tor

o “Mecanismo deverá conferir contornos formais e regularidade às reuniões


de coordenação de alto nível entre ambas as chancelarias”9. A ênfase comer-
cial do MERCOSUL e o objetivo de eliminar barreiras e avançar na libera-
ara

lização do comércio foi enfatizado nas reuniões entre os presidentes Macri


e Temer. Segundo o embaixador Paulo Estivallet de Mesquita, subsecretário
geral da América Latina e do Caribe, “este é o momento de maior conver-
i

gência entre os dois países nos últimos anos”10. A negociação do acordo de


op
d

livre-comércio entre o MERCOSUL e a União Europeia continua na agenda.


Além disso, abriu-se uma nova frente buscando um acordo entre o
MERCOSUL e a Associação Europeia de Livre Comércio – EFTA, integra-
E

da por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suiça. Barbosa (2017) considera


que “as prioridades externas dos governos anteriores foram mantidas pelo
ver

governo Temer, mas com acentuadas mudanças de ênfase e de orientação”.


Em termos de América do Sul maior ênfase foi direcionada a acordos de
cooperação em temas econômicos com a Argentina, México, Chile e Colômbia.
Houve ênfase também na agenda de segurança nas fronteiras e de combate ao

9 Nota à imprensa nº 166. I Reunião do Mecanismo de Coordenação Política Brasil-Argentina – Brasília, 30 de maio de 2017,
29/05/2017).
10 <http://www.ambito.com/871689-afirman-que-macri-y-temer-trabajaran-para-eliminar-barreras-y-liberar-el-comercio-en-el-mercosur>.
34

narcotráfico, contrabando e tráfico de armas e pessoas, expressa na iniciativa


da Reunião Ministerial do Cone Sul sobre Segurança nas Fronteiras11.
As mudanças na política brasileira em relação à região (e também da
política argentina) podem estar iniciando novas características para o regio-
nalismo na região cujos contornos mais específicos ainda não podem ser
totalmente definidos. Em alguns debates recentes surgem noções como “mu-
dança de ciclo”, para se referir ao fim do chamado “regionalismo pós-hege-

od V
r
mônico” ou “pós-neoliberal”, muito embora essas noções nunca tenham se

uto
referido com precisão à totalidade dos regionalismos na região e por vezes
abarcassem em uma mesma ideia processos de natureza distintas e com ato-
res que buscavam (e buscam) objetivos muitos diferentes.

visã R
Ao contrário dos seus anos iniciais de funcionamento, atualmente a

oa
UNASUL parece não ter a mesma condição para resolver crises regionais,
como a crise da Venezuela, por exemplo. Isso leva alguns a questionar a sua
própria razão de ser, seja em países que sempre foram céticos em relação

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a UNASUL, seja em países que apoiaram fortemente o seu surgimento e
C
atuações. No caso brasileiro posições assumidas pelo então secretário geral
Ernesto Samper quando da crise política brasileira de 201512 e do impeach-
ment de Rousseff gerou respostas negativas por parte do atual governo que
praticamente removeu a organização dos discursos e notas de imprensa do
Ministério das Relações Exteriores.
par a

A UNASUL está sem secretário geral desde 31 de janeiro de 2017.


Há notícias13 de que o Brasil apoiaria o candidato argentino José Octavio
a re

Bordón, que tem o apoio do presidente Macri, para assumir a chefia da or-
são or

ganização, mas não há previsão de definição da questão. Pelas regras da


organização para ocupar a secretaria geral o candidato precisa de consenso
dos 12 membros da organização. Como discutido na primeira seção deste ca-
pítulo, há uma série de desafios comuns aos países da região que estimulam
ver dit

o regionalismo. As possibilidades de diálogo político e as agendas de coope-


ração funcional da UNASUL certamente são frentes de ação relevantes face
às situações de fragmentação econômica e dos modelos distintos de inserção
internacional presentes na região.
E

Considerações finais

A amplitude da política externa e do engajamento regional do Brasil se


retraiu a partir de 2013. As dificuldades políticas e econômicas domésticas

11 <http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2016-11/paises-do-cone-sul-discutirao-acoes-de-combate-ao-trafico-e>.
12 <http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,UNASUL-se-posiciona-contra-impeachment-de-dilma,1778992>.
13 <http://www.valor.com.br/brasil/4862838/brasil-apoia-embaixador-argentino-como-secretario-geral-da-UNASUL>.
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 35

não só geraram ajustes nos processos de cooperação e integração, mas re-


dundaram em seu debilitamento e na redução dos esforços de complementa-
ridades. A partir de 2016, talvez a principal diferença em relação à trajetória
iniciada em 2003, seja a visualização da política externa a partir de uma
agenda de reformas domésticas mais fundamentadas na lógica do mercado

V
r
e menos do Estado, com repercussões na definição de prioridades para o

uto
regionalismo e para a inserção internacional.
O entendimento predominante até então na perspectiva brasileira era
que o regionalismo exige uma estrutura de ações e estratégias que apenas

R
as forças do mercado não são capazes de ofertar adequadamente. Onde pa-

a
recem se acentuar mudanças é no menor apoio às agendas da integração
ampliada e à participação social no regionalismo, na implementação de um

do
regionalismo multidimensional, na questão da redução das assimetrias en-
aC
tre os Estados e na relação bilateral com países que, se considera, tinham
maiores afinidades com o governo anterior, como a Venezuela, Bolívia, El
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são
Salvador, Cuba e Nicarágua. As dificuldades econômicas e as mudanças po-
líticas no Brasil e na Argentina, bem como a situação de instabilidade extre-
ma na Venezuela, contribuem para a conformação de um regionalismo de
menor intensidade, se comparado com o da primeira década dos anos 2000.
i
Alguns estudiosos (Vigevani, Hershberg e Serbin, 2013) corretamente
rev

apontaram que as relações interamericanas nos anos 2000 passaram por trans-
sã tor

formações no sentido de ampliação e fortalecimento das instâncias latino e sul


americanas, tendo o Brasil um papel relevante na construção desse processo.
Como se observa, a capacidade brasileira sofreu impactos em função das mu-
ara

danças nas situações doméstica, regional e global a partir de 2013.


A situação atual sinaliza dificuldades na implementação de um regio-
nalismo de alta intensidade e de instâncias regionais fundamentadas na ideia
i

de autonomia. Nesse contexto, a Celac, a UNASUL e o MERCOSUL vão


op
d

se tornando menos ativos em relação às dimensões e potencialidades inicial-


mente colocadas. Nessa situação, podem se ampliar dificuldades em manter
níveis de convergência e dos esforços de articulação das preferências nacio-
E

nais com a cooperação regional.


A situação doméstica de instabilidade política e econômica desde 2013
ver

limita a atuação internacional do Brasil, embora não se deva estabelecer um


determinismo econômico da política externa ou considerá-la apenas por essa
variável. Um dos desafios é a operacionalização do regionalismo nas situa-
ções de dificuldades econômicas e a sua vinculação às estratégias de desen-
volvimento em um ambiente internacional em transformação. Um enten-
dimento sobre a relevância da cooperação e da integração com os vizinhos
não é suficiente para assegurar o regionalismo, se não se traduzir em ações e
36

práticas condizentes, para além de uma lógica reativa ou de ganhos relativos.


Os objetivos estruturais da política externa brasileira não se limitam ao âm-
bito regional e, em muitos casos, não se articulam com o entorno geográfico.
Com frequência, desde os anos 1990, há vetos ao desenvolvimento de
determinadas iniciativas e órgãos regionais, enquanto que mecanismos e
instituições semelhantes em nível extrarregional são apoiadas. Uma polí-
tica de acirramento de polarizações ou de desengajamento, provavelmente,

od V
r
teria efeitos contraproducentes, além de diminuir a influência regional do

uto
país. Há sinais, fortalecidos a partir dos desdobramentos do impeachment
de Rousseff, no sentido de manter a região como plataforma para objetivos
internacionais, perpetuando os compromissos integrativos de baixa insti-

visã R
tucionalidade, tolerante às assimetrias e vulneráveis às variações políticas

oa
domésticas e regionais, assim como aos interesses das principais potências
mundiais (MARIANO, 2016).
Entretanto, a questão que parece ficar cada vez mais clara é que qual-

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quer política do Brasil para aferir ganhos diversos na região desconectada
C
de objetivos ou de alguma realidade de integração, ausente da socialização
proporcionada por instituições regionais que fomentem uma comunidade de
interesses entre os vizinhos, tende a ter resultados frágeis, face aos desafios
endógenos e exógenos que enfrenta. Ou seja, se for uma plataforma, seria
uma plataforma frágil.
par a
a re
são or
ver dit
E
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 37

REFERÊNCIAS
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Paulo, 14 de fevereiro de 2017.

V
r
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ção regional. Conjuntura Austral, v. 7, n. 37, 2016.

DESIDERÁ NETO, Walter A. (Org.). O Brasil e as novas dimensões da

R
integração regional. Rio de Janeiro, IPEA, 2014.

a
MARIANO, Marcelo P. A política externa brasileira e a integração regional:

do
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aC
MARIANO, Marcelo P. La política exterior brasileña y los procesos de inte-
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gración regional a partir de la creación de Unasur y de la Alianza del Pacífico.


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globales de la Alianza del Pacifico. Gedisa Editorial, FKA, México, 2016.
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NOLTE, Detlf; COMINI, Nicolas. Unasur: regional pluralism as a strategic
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outcome. Contexto Internacional, v. 30, n. 2, 2016.


sã tor

PUNTIGLIANO, Andrés Rivarola; BRICENO, José Ruiz. The resilience of


regionalism in Latin America and the Caribbean. Palgrave Macmilan, 2013.
ara

SARAIVA, Mirian G.; VELASCO Jr., Paulo A. A política externa brasilei-


ra e o “fim de ciclo” na América do Sul: Para onde vamos?. Pensamiento
Propio, v. 21, n. 44. jul./dez., 2016.
i
op

VAYRYNEN, Raimo. Regionalism: old and new. International Studies


d

Review, v. 5, n. 1, 2013.
E

VIGEVANI, Tullo; HERSHBERG, Eric; SERBIN, Andrés. Dossiê


Hemisfério Americano em Transformação. Lua Nova, n. 90, 2013.
ver

VIGEVANI, Tullo; RAMANZINI JÚNIOR, Haroldo. Autonomia, integra-


ção regional e política externa brasileira: MERCOSUL e UNASUL. Dados
- Revista de Ciências Sociais, v. 57, n. 2, 2014.
E
ver dit
são or
par a
a re C
visã R
od V
oa
uto
r
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CAPÍTULO 2

LA INSERCIÓN DE BRASIL EN LAS


RELACIONES SUR-SUR: el caso de África

V
r
uto
Gladys Lechini

R
a
La primera década del Siglo XXI trajo aparejadas importantes trans-

do
formaciones globales y regionales. En el caso de América del Sur, luego
aC
del auge del modelo neoliberal de los noventas y del posterior desencanto y
cuestionamiento de fines de siglo, junto a cambios sociales, políticos, econó-
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são
micos y estratégicos, la región volvió a tomar vuelo de la mano de un Brasil
que emergía con datos económicos exitosos, un gobierno de corte político-
-social diferente a los precedentes y una diplomacia presidencial que colocó
al país en el primer plano internacional.
i
Estos procesos globales recientes discuten el orden de la inmediata post
rev

guerra fría mostrando el ascenso de los “llamados emergentes” (ascenso del


resto no occidental, según Zakaria, 2011) y su creciente participación en la
sã tor

mesa de las negociaciones políticas y económicas globales, generando un


escenario que se corre del unipolarismo ejercido por Estados Unidos, hacia
ara

un mundo que está siendo caracterizado como a-polar, multipolar, bipolar


bifronte, interpolar (GREVI, 2010) o no polar (HAAS, 2008).
Este orden en transformación se ha complejizado aún más con la emer-
gencia de nuevas coaliciones estatales y la intervención cada vez mayor de
i
op

actores subnacionales y transnacionales. La presente reconfiguración de


d

fuerzas muestra turbulencias, con procesos simultáneos y contradictorios:


se constata una mayor concentración de poder en pocas manos junto a una
difusión de poder en múltiples centros y una eventual transición del poder
E

(NYE, 2011) desde los Estados centrales a los emergentes.


La clásica división entre Norte y Sur –desarrollados/subdesarrollados-
se está modificando y diluyendo. El Sur Global está hoy siendo “reformate-
ver

ado”. Hay “Sures” que emergen en el Norte y “Nortes” que emergen en el


Sur. El poder se localiza en nuevas geografías, desplazándose del Norte y
Occidente hacia el Sur y Oriente, donde se sitúan Brasil, Rusia, India, China
y Sudáfrica (BRICS), entre otros, en una nueva relación entre economía y
política. Nuevos nombres surgen para denominar a varios grupos de países
40

emergentes14 así como adquieren mayor relevancia coaliciones de jugadores


económicos y financieros15. Los últimos cimbronazos en la arquitectura fi-
nanciera internacional y los movimientos producidos en el tablero mundial
confirmaron el mayor protagonismo de las llamadas potencias emergentes y
de los Países en Desarrollo (PED) en las cuestiones globales16.
En el marco de estas reconfiguraciones, el llamado “Sur Global” está
ocupando un lugar como jugador internacional, multiplicándose los debates
en torno a la actualidad y vigencia de las Relaciones y de la Cooperación

od V
r
Sur-Sur (CSS), que habían sido relegadas como herramienta de política ex-

uto
terior durante los años noventa.
En este escenario vale entonces realizar algunas aclaraciones en torno
al Sur como “constructo” y sus derivaciones, habida cuenta de la elusividad

visã R
y el variado uso otorgado a esta noción. En primer lugar debe dejarse en

oa
claro que el concepto “Sur” desborda la categoría geográfica y se asienta
en una concepción política y económica. Los países del Sur son países en
vías de desarrollo, periféricos, que comparten situaciones de vulnerabilidad

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y desafíos. Pero no son un grupo homogéneo debido a sus diferencias socio-
C
-económicas y político-culturales, tanto entre sus contextos locales como en
los ámbitos regionales.
La descolonización de Asia y África y el posterior ingreso de los esta-
dos independientes a las Naciones Unidas marcó el nacimiento del Sur como
actor internacional17. El Sur periférico surgió marcado por la ideología de la
liberación nacional, contra el colonialismo, sosteniendo los principios de la
par a

no injerencia en sus asuntos internos y con el objetivo de lograr el desarrollo


económico mediante la eliminación de las asimetrías con el Norte, dando
a re
são or

prioridad a las asociaciones y coaliciones entre sí. De este modo se diseminó


la idea de desarrollar las relaciones Sur-Sur para forjar alianzas y promover
la solidaridad con los reclamos y las luchas de los pueblos del Tercer Mundo.
El trueno de Bandung era una nueva fuerza vital en los asuntos internacio-
nales (WORSLEY, 1972).
ver dit

Aquí cabe por tanto, también clarificar la distinción entre Relaciones


Sur-Sur y Cooperación Sur-Sur (CSS). Las Relaciones Sur-Sur son las que
se despliegan naturalmente entre los varios actores públicos y privados con
base estatal o trasnacional de las diferentes regiones de América Latina,
África y Asia. La cooperación Sur-Sur es una construcción política y re-
E

quiere de decisiones gubernamentales. Pero además puede ser abordada de


14 Tales como BRICS, BRICET (BRIC + Eastern Europe and Turkey), BRICM (BRIC + Mexico) , BRICK (BRIC + South Korea),
Next Eleven (Bangladesh, Egypt, Indonesia, Iran, Mexico, Nigeria, Pakistan, Philippines, South Korea, Turkey, and Vietnam),
CIVETS (Colombia, Indonesia, Vietnam, Egypt, Turkey and South Africa) y TIMBIs (Turquía, India, México, Brasil e Indonesia).
15 Compañías de servicios financieros, calificadoras de riesgo, fondos soberanos.
16 Como ejemplo de cambio en el sistema puede señalarse el desplazamiento del G-8 por el G-20 en la discusión sobre las
medidas para salir de la crisis financiera o la conformación de nuevas alianzas, como IBSA (India, Brasil y Sudáfrica) en 2003,
la Organización de Cooperación de Shanghai (OCS) en 2001 y las reuniones a partir de 2009 del grupo BRICS (Brasil, Rusia,
India, China y Sudáfrica), entre otros posibles conjuntos de actores emergentes.
17 Concretado en la Conferencia de Bandung (1955), el Movimiento de Países No Alineados (1961), el Grupo de los 77 (en 1964)
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 41

manera restringida o incluyente. En la actual discusión sobre la naturaleza de


la CSS, se utilizan diferentes definiciones, en un arco que va desde miradas
abarcativas que entienden a la CSS como un espacio de construcción de diá-
logo político-institucional entre los países del Sur hasta visiones restringidas
a la cooperación técnica horizontal.

V
r
La CSS puede ser entendida en un sentido amplio, como “coalition buil-

uto
ding”, es decir como un proceso de coordinación de políticas siendo uno de sus
principales objetivos la reforma del orden político y económico internacional.
Puede también ser interpretada con un sentido más acotado, acercándose a las
definiciones utilizadas por el Programa de Naciones Unidas para el Desarrollo,

R
a
que la entiende de una manera más pragmática, concreta y específica, como co-
operación horizontal o cooperación técnica entre países en desarrollo.

do
En nuestra interpretación, la Cooperación Sur-Sur tiene una naturaleza
política y apunta a reforzar las relaciones bilaterales y a formar coaliciones
aC
en los foros multilaterales, para obtener mayor poder de negociación con-
junto, ganando mayor autonomía decisoria. Se basa en el supuesto que es
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são
posible crear una conciencia cooperativa que les permita a los países del Sur
afrontar los problemas comunes, a través del reforzamiento de su capacidad
de negociación con el Norte y de la adquisición de mayores márgenes de ma-
niobra internacional. Por su propia naturaleza requiere de ciertos supuestos
i
básicos comunes (likemindedness), que se explicitan en las negociaciones
rev

diplomáticas pero también que se complementan con variadas actividades


como el fomento del comercio, la transferencia de conocimientos y la co-
sã tor

operación cultural. (LECHINI, 2009). En cuanto a sus dimensiones se des-


tacan la cooperación técnica y científico-tecnológica –también denominada
ara

cooperación horizontal-, la económica-comercial-financiera, la académica y


la diaspórica (LECHINI, 2010).
Asimismo, cabe distinguir y diferenciar la Cooperación Técnica entre
Países en Desarrollo (CTPD) o CSS en sentido restringido, de la Cooperación
i
op

Norte-Sur, corporizada en la ayuda al desarrollo. Esta última fue y es im-


d

plementada por los países centrales/desarrollados como asistencia al desar-


rollo, realizada entre donantes y recipiendarios. En tanto la CSS es entendida
como una relación con beneficios mutuos entre los socios/parceiros, con ho-
E

rizontalidad y mayor participación y control local de los recursos. No posee


condicionalidades y está orientada por la propia demanda de los países18.
ver

Cabe igualmente aclarar que a pesar de este ideario principista y de


buenas intenciones, en muchas oportunidades se ha utilizado retóricamente
el discurso de la CSS en ámbitos multilaterales y en visitas y encuentros
18 También la CSS puede entenderse según los espacios geográficos, los actores involucrados y las dimensiones específicas. En
términos geográfico-espaciales, puede producirse cooperación Sur-Sur en el ámbito regional (por ejemplo, entre los países de
América del Sur), en el contexto inter-regional (la que se desarrolla entre los países de América del Sur y África) o trans-regional
(como la asociación entre India, Brasil y Sudáfrica -IBSA). En cuanto a los actores involucrados, la Cooperación Sur-Sur está
básicamente implementada por los Estados, pero también son muchas veces relevantes las contribuciones realizadas por
actores no gubernamentales en el desarrollo de sus programas y proyectos.
42

bilaterales, como parte de una “puesta en escena”, pero con baja intenciona-
lidad. Las propias realidades domésticas y los múltiples y variados intereses
nacionales y locales no siempre marchan en la misma dirección de las “co-
monalidades” expresadas en los discursos oficiales.
También en este ámbito vale mencionar las contradicciones que se pre-
sentan entre discurso y práctica, entre compromisos externos y demandas
domésticas. En situaciones frente a las cuales existen importantes deudas so-

od V
r
ciales al interior de los países latinoamericanos con importantes sectores de
población marginal, cuesta mucho explicar y justificar los fondos que se de-

uto
dican a la cooperación internacional, aun cuando sea en el contexto Sur-Sur.

visã R
Brasil y la Cooperación Sur-Sur en los gobiernos de Lula da

oa
Silva y Dilma Roussef

La política exterior brasileña se ha caracterizado por mantener ciertas

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continuidades a pesar de los ajustes y cambios que le imprimieron los sucesi-
C
vos gobiernos. En ese sentido cabe destacar la promoción del desarrollo eco-
nómico a través del ejercicio de la autonomía como idea fuerza del interés
nacional, en un contexto de diversificación de las relaciones internacionales.
Este universalismo se combinó con un activo involucramiento en las insti-
tuciones multilaterales con el objetivo de participar en la elaboración de las
par a

reglas de juego del orden internacional.


Por su historia y su inserción en América del Sur Brasil se considera
a re

un país perteneciente al Sur. Por ello, cuando el “Sur” surgió como un actor
são or

internacional luego de la segunda guerra mundial, los hacedores de políti-


ca externa brasileña enfatizaron la importancia del diálogo político y de la
Cooperación Sur-Sur como modo de insertarse en el mundo y como herra-
mienta para combatir las disparidades de poder y las crecientes asimetrías
ver dit

internacionales a través de la solidaridad Sur-Sur, aunque Brasil nunca fuera


miembro pleno del Movimiento de Países No Alineados.
La activación de un eje de política exterior Sur-Sur, donde los países
africanos tuvieron un lugar relevante, tuvo su momento inaugural en el go-
bierno de Quadros/Goulart, con la Política Exterior Independiente (1961-
E

1964), reapareció en algunas fases de la dictadura militar en los años seten-


ta, con el pragmatismo ecuménico y responsable de Geisel (1974-1979), se
mantuvo durante el gobierno de Cardoso, a pesar de su opción por el neoli-
beralismo, y llegó a su máximo punto con el ascenso de Lula da Silva a la
presidencia (LECHINI, 2011).
Aunque con altibajos y matices, la CSS formó parte del discurso de
política exterior y de las estrategias y acciones de Itamaraty a medida que
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 43

el país diseñaba una diplomacia consecuente con su crecimiento económico


y desarrollo industrial. La búsqueda de la diversificación de las relaciones
externas y la implementación de una estrategia de geometría variable llegó a
su momento más alto en el siglo XXI, cuando los indicadores económicos lo
colocaron entre los diez países con mayor PBI mundial.

V
r
A través de la CSS Brasilia apunta a multiplicar las alianzas políticas

uto
con países en desarrollo y con los emergentes, así como incrementar sus so-
cios comerciales, sin por ello ir en detrimento de las tradicionales relaciones
con el mundo desarrollado, en lo que Vigevani (2009) denomina “autonomia

R
por la diversificación”.

a
Lula da Silva, con su diplomacia personalista no solo dialogó con los
grandes centros de poder mundial colocando a Brasil como un país emergen-

do
te (BRICS), sino que también desarrolló alianzas con los países del Sur, tales
aC
como los que participan en los foros CPLP, IBSA, ASPA, ASA,FOCALAL19.
Estas instancias se presentan como plataformas para proyectar los in-
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são
tereses brasileños en el exterior y para atender intereses globales que no
serían posibles de alcanzar de manera individual. La diversificación temática
y geográfica con los países del Sur se inserta en un proyecto de búsqueda
de mayores niveles de autonomía y márgenes de acción con respecto a los
i
actores centrales20.
rev

Complementando este enfoque político de la CSS, los gobiernos de


sã tor

Brasil y en particular la gestión de Lula da Silva y Dilma Rousseff han pro-


movido y fomentado la cooperación técnica entre países en desarrollo como
otra herramienta de política exterior para asegurar la presencia brasilera de
ara

manera positiva y creciente en países y regiones que consideran relevantes


para sus intereses. Para su implementación y sobre la base de programas
anteriores, en el marco del Ministerio de Relaciones Exteriores en 1987 fue
i

creada la Agencia Brasileira de Cooperaçao (ABC)21, como brazo ejecutor


op
d

de esta política. La misma tiene como misión negociar, coordinar, implantar


y acompañar los programas y proyectos de cooperación técnica en base a los
acuerdos internacionales firmados por Brasil.
E

Según la ABC, la cooperación técnica horizontal no implica condicio-


nes de contrapartidas comerciales o garantías de acceso a recursos natura-
ver

les -tal como puede suceder con la cooperación que brindan algunos otros
países emergentes-, ni es asistencialista. La CSS al desarrollo promueve la

19 IBSA: India, Brasil y Sudáfrica; CPLP: Comunidad de Países de Lengua Portuguesa; ASPA: América del Sur-Países Árabes;
ASA: América del Sur-África; FOCALAL: Foro de Cooperación América Latina-Sudeste Asiático.
20 Los resultados del activismo brasileño en los ámbitos multilaterales de alcance global puede observarse en las elecciones de
José Graziano da Silva como presidente de la FAO y Carvalho Acêvedo como presidente de la OMC, donde el voto de los
países africanos fue determinante.
21 Para mayor información visitar: <www.abc.gov.br>.
44

transferencia de conocimientos con énfasis en la capacitación de recursos


humanos, empleo de mano de obra local y concepción de proyectos que
tengan en cuenta las particularidades del país, aportando su “tecnología tro-
picalizada”. Es decir, se encuentra libre de condicionalidades y funciona a
partir de las solicitudes de los interesados22, partiendo de la premisa de que
el respeto a la soberanía y el desarrollo de las capacidades locales es funda-
mental para la absorción efectiva de los conocimientos23.

od V
r
El caso de Africa

uto
Para Brasilia, la aproximación al “Sur” y en particular al África fue una

visã R
cuestión de principios e intereses, para promover el desarrollo de la solida-

oa
ridad entre los países “del Sur” y garantizar una presencia internacional que
aumentase la capacidad de influencia del país en cuestiones globales, a partir
de una mayor diversificación de sus relaciones externas y de alianzas -tanto

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políticas cuanto económicas-. Los diferentes gobiernos que se sucedieron en
C
la segunda mitad del Siglo XX, fueron construyendo una política africana
hasta que en los noventas el acercamiento fue más selectivo, debido a condi-
cionantes externos e internos y a recursos más limitados24. Como contrapar-
tida, o quizás de manera reactiva, con la llegada al gobierno del presidente
Luiz Inácio Lula da Silva se retomó y reforzó la política africana con un
par a

proceso de intensos acercamientos diplomáticos y relaciones comerciales


fructíferas (LECHINI, 2006).
a re

A medida que la construcción diplomática fue avanzando se utilizó el


são or

discurso culturalista que enfatizaba la familiaridad y la historia común a am-


bos lados del Atlántico (Saraiva, 1996), y la denominada diplomacia cultural
(Mourao, 1994) para movilizar a la sociedad y promover el comercio. La
influencia africana en Brasil es sumamente relevante desde el punto de vista
ver dit

étnico y cultural conformando parte del corpus social brasileño. Como dijera
Gilberto Gil, cantante brasileño y ministro de cultura de Lula da Silva (2003-
2008): entre Brasil y África hay una conexión cultural, estética y genética25.
22 Las principales áreas temáticas son agricultura, combate contra el hambre, preservación del medio ambiente y salud públi-
ca. Las actividades se desarrollan a través de empresas públicas como Embrapa o la Escuela Nacional de Salud Pública
E

“Fundação Oswaldo Cruz” (Fiocruz). En tanto desde la perspectiva cultural debe mencionarse la creación en 2010 de la UNILAB
(Universidad de Integración Internacional de Lusofonía Afro-brasileña) en la ciudad de Redenção, estado de Ceará.
23 ABC, 2012, “CGPD – Coordenação Geral de Cooperação Técnica entre Países em Desenvolvimento”. Disponible en: <http://
www.abc.gov.br/abc/coordenacoesCGPDIntroducao.asp>.
24 Sin embargo, con Cardoso se promovió la cooperación con los países de la Comunidad para el Desarrollo del África Austral
(SADC) bajo el paraguas del MERCOSUR, con la Comunidad de Países de Lengua Portuguesa (CPLP) y con la Zona de Paz
y Cooperación del Atlántico Sur (ZPCAS), participando en las Operaciones de Mantenimiento de Paz en África, principalmente
en Angola. Brasil contribuyó a la creación de la CPLP en 1996, como un nuevo mecanismo de cooperación entre los países
luso-parlantes: Angola, Mozambique, Guinea Bissau, Cabo Verde y Sao Tome e Príncipe, Portugal, Macao y Timor Oriental. En
1992 Brasil volvió a dar impulso a la idea de la cooperación en el Atlántico Sur, la cual había sido desvalorizada con el fin de la
guerra fría, incorporándole ahora a la ZPCAS nuevos objetivos.
25 Back 2 Black Festival, Rio de janeiro, 28 de agosto de 2009.
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 45

Desde el Planalto (presidencia e Itamaraty), pero también contando con


otros actores gubernamentales tales como agencias estatales y empresarios
privados, el Gobierno de Lula profundizó un modelo de inserción interna-
cional donde a la par que Brasil participaba de las grandes ligas promovía
sus relaciones con los países del Sur, jugando como global y regional player.

V
r
(Lechini y Giaccaglia, 2006).

uto
En una entrevista realizada en 2012, Lula declaraba: “cuando asumí
le dije a mi ministro de relaciones exteriores que era necesario cambiar la
geografía política, económica y comercial de Brasil. Todo pasaba por las

R
superpotencias y era necesario trabajar para insertar a los países emergentes

a
en las decisiones sobre políticas comerciales, económicas y sociales” [...]
“.La cooperación Sur-Sur nos obliga a mejorar el funcionamiento de las ins-

do
tituciones multilaterales y luego a construir nuevas instituciones con mayor
aC
equidad entre todos los participantes”26.
Esta estrategia de asociación multilateral apunta a formar coaliciones
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são
de variado tipo a la par que profundiza los vínculos bilaterales con los pa-
íses del Sur y muy particularmente con los africanos, desde la perspectiva
político diplomática, económico-comercial y financiera, estratégico militar
y cultural.
i
Durante el primer año de gobierno el presidente Lula y su Ministro
rev

de Relaciones Exteriores Celso Amorim gestaron la alianza IBSA (Lechini,


sã tor

2007) y promovieron activamente el inicio de otras negociaciones con


los gobiernos del Sur, las cuales culminaron con la primera reunión entre
los Estados de América del Sur y los Países Árabes (ASPA) en 2005, en
ara

Brasilia, a las cuales le siguieron Doha, Qatar, en 2009 y Lima, Perú, en


2013. Asimismo, la primera cumbre de países de América del Sur y África
(ASA) tuvo lugar en Abuja, Nigeria en 2006; luego en la Isla Margarita, en
i

Venezuela, en 2009 y en Malabo, Guinea Ecuatorial, en 2013. Asimismo se


op
d

produjo el relanzamiento de la Zona de Paz y Cooperación del Atlántico Sur


con reuniones en Angola y Uruguay27 y la profundización de los lazos con
los países CPLP con la creación en 2010 de la Universidad de Integración
E

Internacional de Lusofonía Afro-brasileña (UNILAB) en la ciudad de


Redenção, estado de Ceará.
ver

26 <http://www.thisisafricaonline.com/News/Interview-Luiz-Inacio-Lula-da-Silva>.
27 Sus miembros son Argentina, Angola, Benin, Brasil, Camerún, Cabo Verde, Congo, Costa de Marfil, Guinea Ecuatorial, Gabón, Gambia,
Ghana, Guinea, Guinea-Bissau, Liberia, Namibia, Nigeria, República Democrática del Congo, Santo Tomé y Príncipe, Senegal, Sierra
Leona, Sudáfrica, Togo y Uruguay. La ZPCAS surgió en 1986 para promover la cooperación y el mantenimiento de la Paz y Seguridad
en el Atlántico Sur y de esta manera prevenir la creciente militarización de la región y la posible injerencia de potencias extra-regionales.
La ZPCAS pasó por varios períodos, resultado tanto de los cambios sistémicos como de los procesos políticos y económicos domés-
ticos que vivían los países a ambos lados del Atlántico, “aggiornando” y modificando sus objetivos. Desde su creación se realizaron
las siguientes reuniones ministeriales: en Brasilia (1988 y 1994); en Abuja, Nigeria (1990); en Sommerset West, Sudáfrica (1996); en
Buenos Aires (1998) y las ya mencionadas en Luanda (2007) y Montevideo (2013).
46

Durante la II Cumbre ASA, el presidente Lula Da Silva expresó: “O sé-


culo XXI nos encontra cada vez mais unidos. Não há desafio global que não
possa ser enfrentado, conjuntamente, pela África e pela América do Sul. E
não há desafio global que possa ser enfrentado sem a América do Sul e sem a
África. A integração regional, o multilateralismo e a cooperação Sul-Sul são
nossas armas na construção de um mundo mais justo”28.
En tanto en el contexto de la participación de Brasil en el MERCOSUR,

od V
r
se avanzó en la concreción de una agenda externa comercial con los países

uto
del Sur, la cual en muchos casos venía ya siendo negociada desde el gobierno
anterior. Se alcanzó un acuerdo de preferencias comerciales con India en 2005,
que entró en vigencia en 2009 y un acuerdo marco con Marruecos 2004, que

visã R
entró en vigor en 2010. Asimismo, se firmaron instrumentos que deben aún ser

oa
ratificados a nivel parlamentario de cada país miembro, tales como el acuerdo
de libre comercio con Egipto de 2010, el de preferencias comerciales con la
Unión Aduanera de África Austral (SACU, por sus siglas en inglés) y el acuer-

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do marco con el Consejo de Cooperación del Golfo de 2005.
C
La cooperación bilateral

Luego del lanzamiento del Foro Brasil-África, en la ciudad de Fortaleza


en junio de 2003, se intensificó la actividad diplomática con los estados afri-
par a

canos a nivel bilateral, a la vez que la relación comercial se incrementaba.


La intensa actuación de Lula tuvo su correlato en el dinamismo diplomá-
a re

tico desplegado a través de la apertura de 19 nuevas embajadas en África,


são or

de un total de 34. Del mismo modo, aumentaron la cantidad de convenios


internacionales firmados con los países africanos, los cuales ascendieron a
346, un 67 % de los 519 firmados en el período 1960-2010. Durante sus dos
mandatos, Lula da Silva realizó 11 giras por el continente, visitando 23 pa-
ver dit

íses y cerrando su gestión con un viaje a Mozambique junto a la presidenta


electa, Dilma Rousseff. Ésta fue una clara señal de continuidad de la política
brasileña para África. A pesar de un estilo diplomático de menor perfil y
participación internacional, la presidenta Dilma Roussef realizó 4 viajes por
seis países africanos29. Como contrapartida, Brasil recibió la visita de jefes
E

de Estado y de Gobierno africanos en 48 oportunidades, procedentes de 28

28 Discurso do Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a II Cúpula América do Sul – África – Isla Margarita-
Venezuela, 26 de septiembre de 2009. Disponible en: <http://www.itamaraty.gov.br/sala-de-imprensa/discursos-artigos-entrevis-
tas-e-outras-comunicacoes/presidente-da-republica-federativa-do-brasil/233442177142-discurso-do-presidente-da-republica-
-luiz-inacio/?searchterm=sul-sul>.
29 En 2011 viajó a Sudáfrica, Angola, Mozambique; en 2013 a Nigeria, Guinea Ecuatorial para asistir a la Cumbre ASA y a
Sudáfrica (para la reunión de IBSA) y en 2014 a Etiopía para participar en nombre de su región a las celebraciones de la Unión
Africana por su 50 aniversario
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 47

países africanos diferentes, lo cual muestra la reciprocidad e interés en los


ámbitos político-diplomáticos.
Durante la gestión de Dilma, como ex presidente, Lula tomó las bande-
ras africanas y continuó apoyando y profundizando el acercamiento con esos
países a través de la creación del Instituto Lula y de la África Initiative30 ,

V
r
concretando varios viajes al África31.

uto
Sombra Saraiva (2012) marca diferencias conceptuales en los enfoques
de la política africana entre las gestiones de ambos presidentes y las que le
precedieron. Frente a una política instrumental y privativa de algunos secto-

R
res, la renovada política africana del Siglo XXI fue más abierta y legitimada

a
por un consenso político y social de la sociedad brasileña, con la participa-
ción de instituciones como el parlamento, las universidades, grupos afro-

do
brasileños, empresas, y la opinión pública. Este nuevo enfoque se aparta del
aC
asistencialismo internacional propio de la cooperación técnica del norte para
constituirse en un aporte a la reconstrucción de una infraestructura producti-
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são
va, a la par que abarca una dimensión relacionada con los pueblos africanos
al contribuir a promover la salud y el combate contra el Sida.
Pero tampoco debemos ignorar que en la relación con África existe
también lo que Seabra (2014) denomina una agenda más materialista y es-
i
tratégica. Refiere a los intereses estratégicos de Brasil en el Atlántico Sur y
rev

las preocupaciones brasileñas en torno a seguridad y defensa. Las mismas


sã tor

se han concretado en los 9 acuerdos de cooperación en defensa firmados


con países africanos entre 2003 y 2013 (con especial atención a Namibia,
Guinea Bissau y Cabo Verde) y se explicitan en distintas actividades, como
ara

el entrenamiento dispensado a los africanos por las tres instituciones de


las Fuerzas Armadas Brasileñas, las visitas de la marina a los países del
Atlántico Oriental, la participación en ejercicios conjuntos como Atlas Sur,
i

IBSAMAR y FELINO con los países lusófonos así como la venta de equi-
op
d

pos, aviones de Embraer y barcos.


Más allá del dialogo político Brasil fue desarrollando distintas estra-
tegias específicas de cooperación donde combina la cooperación técnica en
E

proyectos puntuales, con las actividades de las empresas brasileñas, la inver-


sión extranjera directa y la promoción del comercio exterior.
ver

La cooperación técnica, gestionada por la Agencia Brasileña de


Cooperación (ABC) desde 1987, destina el 50% de los gastos de ejecuci-
ón de sus proyectos al África. A través de ella se transfiere un conjunto de

30 En ese contexto se debe señalar el Seminario “Nuevos abordajes para erradicar el hambre en África hasta 2025”, realizado
entre el 30 de junio y el 1 de julio de 2013, en Addis Abeba, sede de la Unión Africana, junto a representantes de la Empresa
Brasileña de Investigación Agropecuaria (Embrapa) y de la FAO.
31 en 2011 visitó Guinea Ecuatorial para estar presente en la cumbre de la UA, en 2012 fue a Sudáfrica, Mozambique y Etiopía y
en 2013 a Nigeria, Benin, Ghana y Guinea Ecuatorial.
48

conocimientos técnicos y de soluciones que tuvieron un impacto positivo


sobre el desarrollo nacional y que pueden ser replicados en países con desa-
fíos semejantes. Esta transferencia se hace en una amplia gama de sectores
y mobiliza una diversidad de actores nacionales, entre ministerios secretarí-
as, fundaciones, universidades, centros de investigación, empresas y ONGs.
(AYLLON PINO, LEITE, 2009).
De acuerdo con el Instituto de Investigación Económica Aplicada

od V
r
(IPEA) del gobierno brasileño, los principales socios africanos que reciben

uto
fondos son Mozambique, Guinea Bissau y Cabo Verde, pero los proyectos
se extienden a casi toda África: Marruecos, Argelia, Malí, Senegal, Libera,
Santo Tomé y Príncipe, Ghana, Camerún, Angola, Kenya, Sierra Leona,

visã R
Zimbabwe, Botswana, Tanzania y República Democrática del Congo. Los

oa
mismos están focalizados principalmente en la provisión de tecnología y en
la creación de capacidades relacionadas con la agricultura y la salud pública
–lucha contra la malaria y el HIV/SIDA, bancos de leche materna y formaci-

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ón profesional– (MACEDO CINTRA, 2011). Las actividades se desarrollan
C
a través de empresas públicas como Embrapa o la Escuela Nacional de Salud
Pública “Fundação Oswaldo Cruz” (Fiocruz), así como de empresas priva-
das en proceso de transnacionalización.
En tanto país, emergente su expansión y mayor involucramiento in-
ternacional se vio acompañado por la profundización de las actividades de
par a

empresas brasileñas en África, aunque en porcentajes bajos si se lo compara


con Latinoamérica. Para 2010, el 10% de las transnacionales brasileñas se
a re

asentaba en África. Estas empresas se dedican principalmente a los sectores


são or

mineros y a la construcción civil y están instaladas en 22 países africanos.


Junto a la empresa petrolera estatal Petrobras, merecen mencionarse, en-
tre otras, las constructoras Odebrecht, Mendes Júnior, el Grupo Camargo
Correia, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvao; en tanto Vale do Rio Doce,
ver dit

multinacional líder en la producción de mineral de hierro y de níquel, está


presente en siete países africanos, siendo Sudáfrica el socio más relevante32.
Cabe mencionar que el sector privado brasileño ha recibido un gran
apoyo de instituciones nacionales, principalmente del Banco Nacional de
Desarrollo Económico y Social (BNDES), que ha estimulado las inversio-
E

nes y exportaciones a través de préstamos. El ambiente de negocios tam-


bién fue promovido por la Agencia Brasileña de Exportación (APEX), que
fomenta la expansión de pequeñas y medianas empresas, a través de even-
tos como ferias comerciales y misiones de negocios, y la Caja Económica
Federal (CEF).
32 Empresas brasileñas están instaladas em Angola, Argelia, Cabo Verde, Camerún, Congo, Egipto, Gana, Guinea, Liberia,
Malaui, Marruecos, Mozambique, Nigeria, Sudáfrica, Kenya, Tanzania, Zambia.
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 49

Es también importante notar que a lo largo de la última década, las


inversiones extranjeras directas (IED) brasileñas en África, crecieron de 69
mil millones de dólares en 2001 a 214 mil millones en 2009. Es de notar que
de este total, la región subsahariana recibe una pequeña parte (124 millones
de dólares en 2009), siendo Angola y Sudáfrica los principales receptores

V
r
(IPEA, 2011).

uto
Los datos del intercambio comercial también reflejan la creciente vincu-
lación y contribuyen a justificar y complementar la relación con los países de
África. Baste señalar que en diez años las exportaciones brasileñas aumenta-

R
ron de 1.347.098.183 US$, en 2000, a 9.261.599.799 U$S, en 2010 y que las

a
importaciones desde África registraron valores de 2.907.082.676 U$S en el
año 2000 a 11.302.224.181 U$S en el 201033. Estos números tienen lugar en

do
una balanza comercial con una marcada presencia de commodities que han vis-
aC
to incrementados sus precios en la última década. Los principales socios son
Egipto, Sudáfrica, Angola, Nigeria, Libia, Ghana, Túnez, Senegal, Kenya y
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são
Camerún. Si bien los mismos importan productos primarios desde Brasil, cabe
señalar que han aumentado las ventas de productos con mayor valor agregado
y maquinarias para la industria alimenticia. En relación a las importaciones,
las mismas se incrementaron junto con el precio del petróleo y la profundiza-
i
ción de las actividades de Petrobrás en Libia, Nigeria y Angola34.
rev
sã tor

Reflexiones finales

A lo largo de estas páginas se ha podido observar cómo los sucesivos


ara

gobiernos de Brasil y en particular el de Lula da Silva y Dilma Roussef han di-


señado estrategias de inserción internacional correspondientes a una economía
emergente, donde la cooperación Sur-Sur tiene un lugar de relevancia y prueba
i

lo que puede hacer um estado intermedio para promover su proprio desarrollo


op
d

y el de sus contrapartes. La implementación de una estrategia de cooperación


técnica en áreas como la salud, la agricultura y la educación ha producido
además un proceso inédito de internacionalización de las políticas públicas.
E

En ese contexto y especialmente durante las dos gestiones de Lula la


relación con los estados del continente africano tuvo un lugar de privile-
ver

gio. Apertura de embajadas, visitas presidenciales y ministeriales, misiones

33
Fuente: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, 2011.
34
Entre los principales productos exportados se encuentran: azúcar, trigo, harinas, carnes bovinas deshuesadas, pollos, gallinas y
menudencias congelados, gelatinas, jugos, chocolates y derivados, café soluble y en grano, pimienta, arroz, golosinas y aceite
de soja refinado; a los que se suman las maderas y muebles, papeles, aviones, tractores y motores y grupos electrógenos.
18
Brasil importa combustibles minerales, fertilizantes con nitrógeno, cemento portland, polietilenos, aceites de petróleo en bruto,
naftas para petroquímica, goma vulcanizada, elastómeros, insecticidas y gas natural. También algodón no cardado y en fibras,
alfombras y revestimientos; sulfato de níquel y cromo y láminas de hierro; propanos y residuos ferrosos; cueros y pieles caprinos
y ovinos y tejidos de algodón; pieles ovinas y goma arábiga, cueros ovinos y té.
50

comerciales, incremento del comercio, de la cooperación técnica, de las in-


versiones y aumento de las actividades de las empresas públicas y privadas
brasileñas dan cuenta de ello. No obstante cabe preguntarse sobre algunas
cuestiones que solo la práctica futura podrá esclarecer y que se expondrán
aquí brevemente a modo de reflexiones finales.
Una de las grandes incógnitas es si esta expansión en África –que algunos
denominaron diplomacia de prestigio – podrá sostenerse a lo largo del tiempo.

od V
r
Ello dependerá de que las presentes condiciones económicas y políticas se

uto
mantengan a ambos lados del Atlántico y de las posibilidades de estar a tono
con las circunstancias. Como la política externa brasileña se expandió por fue-
ra de Itamaraty, ahora también debe responder a los variados intereses nacio-

visã R
nales en juego, muchos de los cuales pueden estar en contradicción. Asimismo

oa
se han incrementado los actores nacionales y subnacionales públicos y priva-
dos que pugnan por imponer sus posiciones y muchas veces actúan de forma
individual e inconsulta, provocando dispersión de iniciativas y de acciones.

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Ello se observa en el caso de la cooperación técnica, que es una cooperación
C
multinivel y multiactor y donde muchas veces no se produce la adecuada sin-
cronización entre la ABC y las otras agencias cooperantes, afectando su efica-
cia y sustentabilidad. Quizas por ello es que la ABC durante los primeros años
del mandato de Dilma tuvo una actuación reducida, limitándose a ejecutar los
programas ya vigentes, en lo que fue considerada una etapa de consolidación
par a

más que de expansión en relación a África.


Podrían mencionarse aquí muchos obstáculos a la implementación de
a re

una estrategia Sur-Sur en los foros multilaterales y bilaterales, vinculadas


são or

a situaciones domésticas a ambos lados del Atlántico, a la persistencia de


fuertes vinculaciones verticales con los tradicionales centros de poder, a las
diferentes idiosincracias a la hora de negociar coaliciones, mantener una re-
lación comercial o acordar una inversión. Sin embargo hay que reconocer
ver dit

que la tarea realizada hasta ahora no es minúscula y es de esperar que en ese


contexto pueda fructificar uma cooperación Sur-Sur que otorgándole mayor
poder de negociación a los estados de la región en un contexto internacional
en transformaciones, pueda mejorar su inserción internacional y posibilitar
el derrame en beneficio de sus pueblos.
E
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 51

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E
CAPÍTULO 3
O PESO DA IDEOLOGIA NA ATITUDE
DOS PAÍSES LATINO-AMERICANOS EM

V
r
RELAÇÃO AOS ESTADOS UNIDOS

uto
João Carlos Amoroso Botelho
Vinícius Silva Alves

R
a

do
Introdução
aC
Há uma expectativa, influenciada pelo histórico de atuação estaduni-
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são
dense contra governos de esquerda na América Latina, de que a posição
ideológica dos partidos governantes na região preveja a atitude das suas ad-
ministrações em relação aos Estados Unidos. Nesse sentido, governos de
esquerda na América Latina seriam críticos aos estadunidenses, enquanto
i
governos de direita seriam simpáticos.
rev

A proposta do artigo é checar os efeitos de quatro variáveis, sendo


sã tor

duas ideológicas, sobre a coincidência de votos de 17 países latino-ameri-


canos (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador,
El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai,
ara

Peru, Uruguai e Venezuela) com os Estados Unidos na Assembleia Geral


das Nações Unidas, que foi tomada como o indicador da atitude desses pa-
íses da América Latina em relação aos estadunidenses. As duas variáveis
ideológicas consideradas foram as localizações do partido governante e do
i
op

presidente da República na escala esquerda-direita, segundo a avaliação de


d

deputados de cada país por período de governo. Foram testadas ainda outras
duas variáveis, para avaliar explicações alternativas sobre a atitude das na-
ções latino-americanas em relação aos Estados Unidos.
E

A expectativa de que governos de esquerda na América Latina sejam


críticos aos estadunidenses e governos de direita sejam simpáticos já foi tes-
ver

tada em alguma medida na literatura. Alcántara e Rivas (2007) mostram que


as relações com os Estados Unidos são um fator relevante na divisão entre
direita e esquerda na América Latina. Entre os cinco grupos de variáveis tes-
tados, o definido como imagem dos Estados Unidos é o terceiro com maior
poder explicativo, responsável por 9,7% da variação total (ALCÁNTARA;
RIVAS, 2007, p. 358). Ao mesmo tempo, está entre as duas dimensões
com maior variabilidade, ou seja, com maior capacidade de diferenciação
54

entre a direita e a esquerda, juntamente com a dimensão relativa aos valores


(ALCÁNTARA; RIVAS, 2007, p. 361). As variáveis que compõem a di-
mensão sobre a imagem dos Estados Unidos são preferência pelos Estados
Unidos como sócio comercial, preferência pelos Estados Unidos como só-
cio investidor e interesse em pertencer à ALCA no futuro (ALCÁNTARA;
RIVAS, 2007, p. 371).
Por outro lado, entre os partidos avaliados, o fator que parece ser mais im-
portante para explicar as diferenças de posição em relação aos Estados Unidos

od V
r
é a localização geográfica, ou seja, de que país é o partido e em qual região do

uto
continente americano esse país se situa, e não a ideologia. O grupo pró-Estados
Unidos se compõe só de partidos das Américas Central e do Norte, sendo três de
esquerda e um de direita, enquanto o grupo de posição antiestadunidense conta

visã R
só com partidos da América do Sul, sendo, mais uma vez, três de esquerda e um

oa
de direita (ALCÁNTARA; RIVAS, 2007, p. 371-372).
Ribeiro (2012) testou uma série de fatores para explicar a posição dos
legisladores de Chile, Colômbia e Peru nas votações sobre o TLC (Tratado

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de Livre Comércio) dos seus países com os Estados Unidos. Nos casos de
C
Colômbia e Peru, a ideologia foi um fator relevante, com a direção esperada
de que a orientação de esquerda, do próprio legislador peruano ou do partido
do legislador colombiano, significou uma propensão menor a aprovar o TLC
dos seus países com os estadunidenses (RIBEIRO, 2012, p. 134-135).
Se, por um lado, os resultados de Ribeiro contrariam os de Alcántara e
Rivas, ao mostrar que a ideologia de esquerda estimula uma posição crítica
par a

aos Estados Unidos, por outro, os dois trabalhos coincidem em alguma me-
dida, já que os países em que Ribeiro identificou essa relação são da América
a re
são or

do Sul, onde Alcántara e Rivas apontam que se concentram os partidos do


grupo antiestadunidense.
Ao mesmo tempo, explicações alternativas para a atitude dos países
da América Latina em relação aos Estados Unidos podem se extraídas
da literatura. Dreher, Sturm e Vreeland (2009) mostram que há uma re-
ver dit

lação forte entre ser um membro temporário do Conselho de Segurança


das Nações Unidas e participar de programas do FMI (Fundo Monetário
Internacional). Segundo os autores, o que explica essa relação é que os
principais acionistas do FMI, entre os quais estão os Estados Unidos,
se importam sobre como os membros temporários votam no Conselho
E

de Segurança, enquanto alguns países em desenvolvimento, que ocupam


essas vagas, estão dispostos a trocar seus votos por empréstimos do FMI
(DREHER, STURM; VREELAND, 2009, p. 752).
Adaptando esses achados ao caso da atitude das nações latino-america-
nas em relação aos estadunidenses, se poderia considerar que países mais de-
pendentes de empréstimos dos organismos internacionais de crédito seriam
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 55

mais propensos a votar de forma convergente com os Estados Unidos na


Assembleia Geral das Nações Unidas.
Outra explicação alternativa pode ser extraída da teoria neorrealista.
Para Waltz (1979), os poderes militar e econômico são os principais de-
terminantes da ação internacional dos Estados, que seriam atores unitários

V
r
que, com base nas suas capacidades relativas, estabeleceriam preferências

uto
e tomariam decisões racionais. Sob as diferentes configurações do sistema
internacional, as opções dos Estados se limitariam a reunir forças para con-
trabalancear os mais poderosos ou se deixar levar por estes. No caso da pri-
meira opção, seria possível a união de forças entre dois ou mais Estados ou a

R
a
mobilização dos recursos internos para resistir aos mais poderosos.
Ao se fazer a aplicação desses postulados às relações dos países da

do
América Latina com os estadunidenses, se poderia considerar que aqueles
que dispõem de mais capacidades nacionais seriam mais propensos a resistir
aC
e a votar de forma divergente com os Estados Unidos na Assembleia Geral
das Nações Unidas.
Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão

são
O artigo adota um universo maior de casos do que na literatura que abordou
em alguma medida a influência da ideologia na atitude dos países latino-ameri-
canos em relação aos Estados Unidos e testa, então, a hipótese de que governos
de esquerda na América Latina são críticos aos estadunidenses e governos de
i
direita são simpáticos, assim como as explicações alternativas.
rev
sã tor

Metodologia
A atitude dos países latino-americanos em relação aos Estados Unidos, a
ara

variável a ser explicada, é medida pelo indicador de convergência simples na


Assembleia Geral das Nações Unidas. Segundo esse indicador, há convergência
quando são iguais os votos dados por dois países, no caso deste trabalho, cada
uma das 17 nações da América Latina enfocadas e os Estados Unidos. O relató-
i
op

rio anual elaborado pelo Departamento de Estado norte-americano, que é a fonte


d

dos dados, apura a proporção de coincidência com todos os países representados


nos casos em que os estadunidenses votaram “Sim” ou “Não”.
A decisão de adotar a convergência de votos na Assembleia Geral das
E

Nações Unidas como indicador da atitude dos países latino-americanos em


relação aos Estados Unidos encontra apoio em autores que consideram que
ver

essas votações são um indicador válido das orientações de política exter-


na (TOMLIN, 1985; THACKER, 1999; VOETEN, 2000). Entre os que re-
correm a esse procedimento, as medidas que se destacam são o índice de
concordância, de Lijphart (1963), e o indicador de convergência simples,
que se utiliza aqui. Como em Amorim Neto (2011, p. 64-65), a justificativa
dessa escolha é que se trata da medida adotada pelo Departamento de Estado
56

norte-americano e também por diplomatas e formuladores de política exter-


na, inclusive da América Latina.
No caso das variáveis explicativas, as localizações do partido gover-
nante, entendido como o partido do presidente, e do próprio presidente na
escala esquerda-direita são os indicadores da posição ideológica de cada go-
verno, segundo a avaliação de deputados do respectivo país. A fonte dos
dados é o Observatorio de Élites Parlamentarias de América Latina, um
projeto da Universidad de Salamanca, na Espanha, que realiza entrevistas

od V
r
com parlamentares de cada legislatura em um grupo de países da região.

uto
Entre as perguntas, se pede aos deputados que localizem outros partidos que
não o próprio e políticos na escala esquerda-direita, considerando a esquerda
como 1 e a direita como 10.

visã R
A localização na escala esquerda-direita é amplamente aceita e utilizada

oa
na literatura sobre partidos e sistemas partidários da Europa (SANI; SARTORI,
1983; MAIR, 1997) e da América Latina (COPPEDGE, 1997 e 1998;
COLOMER; ESCATEL, 2005). Coppedge (1997), que faz uma classificação

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extensiva de partidos latino-americanos ao longo do tempo e de países, reconhe-
C
ce que a dimensão esquerda-direita pode ser problemática na América Latina,
mas justifica sua aplicação por vários motivos, entre eles, o fato de que os espe-
cialistas consultados sobre cada país puderam empregá-la para a grande maioria
dos casos e, portanto, referendaram a importância desse critério.
As classificações empregadas aqui proveem de entrevistas com parla-
mentares, aos quais se pede que classifiquem outros partidos e políticos em
par a

um escala na qual 1 é esquerda e 10 é direita, sem orientações extras sobre o


que significa cada categoria. A opção feita neste trabalho por utilizar as loca-
a re
são or

lizações do partido governante e do presidente como indicadores da posição


ideológica do respectivo governo e, por consequência, como variáveis expli-
cativas testadas foi para aproveitar que as entrevistas oferecem, na grande
maioria das vezes, respostas para as duas questões.
Para medir o grau de dependência de empréstimos concedidos pelos
ver dit

organismos internacionais de crédito, uma das explicações alternativas con-


sideradas para a atitude dos países latino-americanos em relação aos Estados
Unidos, se utiliza a proporção da dívida externa de cada nação enfocada em
relação ao seu PIB (Produto Interno Bruto)35.
Uma tarefa mais difícil é medir as capacidades nacionais de um país, a
E

outra explicação alternativa considerada. Para isso, se recorre a um instru-


mento conhecido, o Índice Composto de Capacidade Nacional, ou CINC,
na sigla em inglês, elaborado originalmente por Singer, Bremer e Stuckey
35 A fonte desses dados é a CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), à exceção dos casos de Guatemala,
Nicarágua e Panamá, para os quais a CEPAL, no momento da consulta, só tinha dados sobre a dívida externa pública. Nesses
casos, a fonte foi o Banco Mundial. Os endereços consultados nas páginas das duas instituições foram, respectivamente,
<http://estadisticas.cepal.org/cepalstat/WEB_CEPALSTAT/estadisticasIndicadores.asp?idioma=e> e <http://databank.world-
bank.org/data/views/variableselection/selectvariables.aspx?source=international-debt-statistics>. As últimas consultas foram
feitas em 15 de maio de 2015.
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 57

(1972). Esse índice mede a cota de um Estado, em relação aos totais mun-
diais, de seis recursos considerados como militarmente relevantes, produção
de aço e ferro, gastos militares, contingente militar, consumo de energia pri-
mária, população total e população urbana36.
Os países selecionados são todos em que o Observatorio de Élites

V
r
Parlamentarias de América Latina realizou ao menos uma rodada de en-

uto
trevistas, à exceção da República Dominicana, já que se optou aqui por não
incluir países do Caribe na amostra de casos. O período considerado vai de
1995 a 2013, por causa dos dados que estavam disponíveis no momento em
que foram coletados, principalmente em relação às entrevistas com deputa-

R
a
dos latino-americanos, já que o projeto de pesquisa sobre as elites parlamen-
tares da América Latina começou a fazê-las em 1994.

do
Para a análise de regressão, com os dados em painel, as variáveis ideo-
lógicas foram separadas e testadas em modelos que incluíram ainda as outras
aC
duas variáveis explicativas, como forma de evitar a multicolinearidade, já
que as localizações do partido governante e do presidente estão altamente
Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão

são
correlacionadas. Cada conjunto de variáveis foi testado em três modelos,
agregado, com efeitos fixos e com efeitos aleatórios.

Resultados
i
rev

O período de 1995 a 2013 abrange 96 governos nos 17 países enfo-


sã tor

cados, completos ou incompletos, por causa de interrupções de mandato,


interinidade do presidente, início em um ano anterior a 1995 ou continuidade
até um ano posterior a 2013. Desses 96 governos, sete acabaram sendo des-
ara

cartados, pois foram tão curtos que não se responsabilizaram por sequer uma
participação do respectivo país na Assembleia Geral das Nações Unidas37.
Nesse período, houve uma variação grande na coincidência de votos
com os Estados Unidos, que atingiu o ápice de 68,8% com a Argentina de
i
op

Carlos Menem em 1995 e caiu até o limite de 6,3% com a Venezuela de


d

Hugo Chávez em 2007. Esses dois anos, 1995 e 2007, também são os que
apresentam, respectivamente, a maior (46,9%) e a menor (12,1%) médias de
convergência para o conjunto dos 17 países (ver quadro 1). A tendência na
E

evolução dessa média foi de queda entre 1995 e 2007, quando uma recupe-
ração se iniciou, chegando ao valor de 45,4% em 2011.
ver

36 O projeto que atualiza a base de dados a disponibiliza por meio do endereço <http://www.correlatesofwar.org/data-sets/national-
-material-capabilities>. A última consulta foi feita em 15 de maio de 2015.
37 A rigor, há mais quatro governos que nem na conta entraram, três da Venezuela e um do Equador. No caso da Venezuela,
dois governos tiveram, cada, a duração de um dia, um de fato, a partir de um golpe de Estado contra Hugo Chávez em abril
de 2002, e um provisório, em substituição ao de fato. Como Chávez continuou seu mandato e não chegou a renunciar, esses
dois governos não foram considerados no número total. Há ainda um primeiro mandato de Chávez, iniciado em 1999. Com a
entrada em vigor da Constituição de 1999, foram realizadas novas eleições presidenciais em 2000, que deram a Chávez um
mandato de seis anos. Para efeitos práticos, o período de 1999 a 2007 foi contado como um único governo. Como a mesma
situação ocorreu no Equador, isso também valeu para Rafael Correa no período de 2007 a 2013.
Quadro 1 – Coincidência de votos com os Estados Unidos na Assembleia Geral da ONU por ano, em % (1) 58

País 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 Média
Argentina 68,8 60,7 56,1 50,0 44,4 44,2 32,8 34,2 24,3 25,0 26,9 24,1 15,8 25,6 36,4 39,7 48,7 37,8 46,3 39,0
Bolívia 45,6 44,9 44,9 39,0 37,1 38,1 25,4 29,2 22,2 23,1 22,5 16,5 6,8 14,8 28,8 31,8 34,2 24,3 27,9 29,3
Brasil 41,1 42,4 42,6 41,7 38,9 39,7 29,0 31,0 20,8 14,9 20,0 17,9 10,7 20,3 30,8 34,3 41,3 35,1 43,0 31,3
Chile 45,0 46,6 44,8 40,7 40,3 41,9 32,8 30,7 24,1 27,0 25,3 23,1 15,6 26,5 36,8 39,1 50,0 39,0 47,5 35,6
E
Colômbia 38,7 39,1 36,4 33,3 34,7 37,7 25,4 28,6 20,0 10,6 8,7 15,2 7,4 20,0 33,3 36,1 51,9 40,8 47,4 29,8
Costa
47,5 51,7 48,1 46,8 42,4 44,4 28,6 31,0 26,8 21,1 28,2 18,6 15,0 24,1 36,4 37,7 50,6 39,5 46,9 36,1
Rica
Equador 47,4 43,1 43,1 41,4 35,5 37,5 25,4 29,2 20,7 15,7 22,6 20,7 9,2 18,1 28,8 32,4 29,3 25,4 29,6 29,2
ver dit
El
48,0 46,3 42,4 38,2 38,6 41,1 30,0 32,5 27,9 24,3 24,7 20,9 13,0 26,8 32,3 34,9 47,4 40,6 37,9 34,1
Salvador
são or
Guate-
46,2 48,1 42,9 46,2 41,5 42,6 30,5 35,6 24,3 23,9 27,5 24,7 12,2 23,5 33,8 37,9 48,1 40,5 47,5 35,7
mala
par a
Honduras 45,7 44,3 40,3 55,0 34,6 35,1 28,3 30,1 26,7 23,7 26,3 23,9 13,9 25,0 37,0 36,4 52,5 43,9 48,0 35,3
México 41,6 38,8 37,5 32,8 30,0 34,4 22,7 27,1 20,7 23,0 23,5 23,3 15,8 24,1 36,8 37,5 50,0 39,7 45,5 31,8
Nicarágua 46,6 45,9 42,4 44,9 38,3
a re
40,7 38,0 32,5
C
25,7 26,1 22,7 23,5 7,6 15,3 21,9 30,4 32,5 25,4 30,6 31,1
Panamá 47,4 41,8 41,3 38,3 32,4 37,1 28,4 28,7 20,7 23,4 22,5 20,7 14,3 25,9 51,6 47,5 62,2 48,5 56,2 36,3
visã R
Paraguai 51,6 43,5 43,3 43,1 39,4 41,1 33,3 30,2 23,1 24,7 22,9 22,0 13,6 22,0 30,8 33,3 44,7 34,8 55,9 34,4
od V
Peru 46,6 42,6 40,9 39,7 35,7 40,4 27,9 32,9 23,0 25,0 24,7 23,6 16,2 26,3 37,5 39,4 50,0 40,5 48,1 34,8
Uruguai 46,1 48,5 45,8 39,7 36,4 41,1 29,0 31,3 22,5 20,6 23,8 21,8 13,0 22,5 35,8 37,3 46,8 38,7 45,7 34,0
oa
Venezuela 42,9 42,0 41,2 36,7 32,4 35,5 20,9 22,2 18,5 11,0 10,0 12,5 6,3 13,9 24,2 29,0 31,7 26,4 31,5 25,7
uto
Média 46,9 45,3 43,2 41,6 37,2 39,6 28,7 30,4 23,1 21,4 22,5 20,8 12,1 22,0 33,7 36,2 45,4 36,5 43,3 33,1
r
1 Refere-se à proporção de coincidência quando os Estados Unidos votaram “Sim” ou “Não”
Fonte: Departamento de Estado norte-americano

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POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 59

Apesar da sua condição de principal aliado estadunidense na América


do Sul, a Colômbia também registrou uma queda acentuada na coincidência
de votos com os Estados Unidos entre 1995 e 2007. Inclusive, a terceira
menor convergência de todo o período entre 1995 e 2013, de 7,4%, foi com
a Colômbia de Álvaro Uribe em 2007. A média colombiana nesse período

V
r
completo só é maior do que as de Bolívia, Equador e Venezuela.

uto
As tendências de queda na coincidência de votos com os Estados
Unidos até a segunda metade da década de 2000 e de recuperação desde en-

R
tão se mantêm quando a unidade de análise passa a ser os governos, mas os

a
índices apresentam variações significativas entre os países em cada um dos
dois momentos. Então, se, por um lado, essas tendências sugerem que a po-

do
lítica externa de George W. Bush (2001-2009) e as reações a ela na América
aC
Latina possam ser a explicação para a queda acentuada na coincidência de
votos com os Estados Unidos, por outro, as variações significativas nos índi-
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são
ces dos países em um mesmo momento, de queda ou recuperação, sugerem
que pode haver outras explicações, como a ideologia.
Por exemplo, na segunda metade dos anos 1990, antes da queda mais
i
acentuada, o governo Carlos Menem (1995-1999), com classificações ideo-
rev

lógicas à direita para o partido governante e o presidente, teve uma média


de 56,0% de convergência com os Estados Unidos, enquanto a gestão do
sã tor

colombiano Ernesto Samper (1994-1998), com classificações ao centro, re-


gistrou uma média de 38,1% (ver quadro 2).
ara

Na metade inicial da década de 2000, quando a queda na coinci-


dência se acentuou, o primeiro mandato do brasileiro Luiz Inácio Lula
da Silva (2003-2007), com classificações à esquerda, teve uma média de
i
op

18,4%, contra 28,9% no governo do uruguaio Jorge Batlle (2000-2005),


d

com classificações à direita. Por fim, como exemplo para o começo dos
anos 2010, quando a recuperação já estava em andamento, a gestão do
panamenho Ricardo Martinelli (2009-2014), com classificações à direita,
E

registrou uma média de 53,2%, enquanto o segundo mandato do bolivia-


no Evo Morales (2010-2015), com classificações à esquerda, apresentava
ver

até 2013 uma média de 29,6%.


60

Quadro 2 – Coincidência de votos com os Estados Unidos na


Assembleia Geral da ONU por governo, em % (1)
País Governo
Menem De la Rúa Duhalde Kirchner Cristina Cristina
Argen- (1995 (1999 (2002 (2003 1 (2007 2 (2011
tina - 1999) - 2001) - 2003) - 2007) - 2011) - 2015)
56,0 38,5 34,2 23,2 37,6 42,1
Sán- Sán-
Rodrí-
chez de Banzer Quiroga chez de Mesa Morales Morales
guez

od V
r
Lozada (1997 (2001 Lozada (2003 1 (2006 2 (2010
Bolívia (2005
1 (1993 - 2001) - 2002) 2 (2002 - 2005) - 2010) - 2015)

uto
- 2006)
- 1997) - 2003)
45,3 39,8 25,4 29,2 22,7 22,5 16,7 29,6
Lula da Lula da
Cardoso Cardoso Rousseff
Silva 1 Silva 2

visã R
1 (1995 2 (1999 (2011
Brasil (2003 (2007
- 1999) - 2003) - 2015)

oa
- 2007) - 2011)
42,0 34,7 18,4 24,0 39,8
Frei Lagos Bachelet Piñera
(1994 (2000 (2006 (2010

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Chile
- 2000) - 2006) - 2010) - 2014)
C
43,5 30,3 25,5 43,9
Samper Pastrana Uribe 1 Uribe 2 Santos
Colôm- (1994 (1998 (2002 (2006 (2010
bia - 1998) - 2002) - 2006) - 2010) - 2014)
38,1 32,8 17,0 19,0 44,1
Rodrí-
Figueres Pacheco Arias Chinchilla
guez
Costa (1994 (2002 (2006 (2010
(1998
par a

Rica - 1998) - 2006) - 2010) - 2014)


- 2002)
49,1 40,6 26,8 23,5 43,7
Durán
a re

Bucaram Alarcón Mahuad Noboa Gutiérrez Palacio Correa Correa


são or

Ballén
(1996 (1997 (1998 (2000 (2003 (2005 1 (2007 2 (2013
Equador (1992
- 1997) - 1998) - 2000) - 2003) - 2005) - 2007) - 2013) - 2017)
- 1996)
47,4 43,1 43,1 38,5 30,7 18,2 21,7 23,9 29,6
Calderón Flores Saca Funes
El (1994 (1999 (2004 (2009
ver dit

Salvador - 1999) - 2004) - 2009) - 2014)


43,7 34,0 21,9 38,6
De León Pérez
Arzú Portillo Berger Colom
Carpio Molina
Guate- (1996 (2000 (2004 (2008
(1993 (2012
mala - 2000) - 2004) - 2008) - 2012)
- 1996) - 2016)
46,2 44,7 33,3 22,1 35,8 44,0
Reina Flores Maduro Zelaya Micheletti Lobo
E

Hon- (1994 (1998 (2002 (2006 (2009 (2010


duras - 1998) - 2002) - 2006) - 2009) - 2010) - 2014)
43,4 38,3 26,7 20,9 37,0 45,2
Zedillo Fox Calderón Peña Nie-
(1994 (2000 (2006 to (2012
México
- 2000) - 2006) - 2012) - 2018)
35,9 23,4 34,0 45,5
continua ...
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 61

... continuação
País Governo
Chamorro Alemán Bolaños Ortega Ortega
Nica- (1990- (1997 (2002 1 (2007 2 (2012
rágua 1997) - 2002) - 2007) - 2012) - 2017)
46,3 40,9 26,1 21,5 28,0

V
r
Pérez Moscoso Torrijos Martinelli
(1994 (1999 (2004 (2009

uto
Panamá
- 1999) - 2004) - 2009) - 2014)
42,2 29,5 21,4 53,2
Cubas González Duarte
Wasmosy Lugo Franco Cartes
Grau Macchi Frutos
(1993 (2008 (2012 (2013

R
Para-
(1998 (1999 (2003
guai - 1998) - 2012) - 2013) - 2018)

a
- 1999) - 2003) - 2008)
46,1 43,1 36,0 21,3 32,7 34,8 55,9
Fujimori Fujimori Toledo García Humala

do
1 (1995 2 (2000 (2001 (2006 (2011
Peru
- 2000) - 2000) - 2006) - 2011) - 2016)
aC
41,1 40,4 26,7 28,6 46,2
San-
Batlle Vázquez Mujica
Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão

guinetti
Uruguai (1995
- 2000)
43,3
(2000
- 2005)
28,9
são
(2005
- 2010)
23,4
(2010
- 2015)
42,1
Caldera Chávez Chávez Maduro
Vene- (1994 1 (1999 2 (2007 (2013
i
zuela - 1999) - 2007) - 2013) - 2019)
rev

40,7 20,4 21,9 31,5

1 Refere-se à proporção de coincidência quando os Estados Unidos votaram “Sim” ou “Não”


sã tor

Fonte: Departamento de Estado norte-americano.

As classificações ideológicas são as médias das respostas que os de-


ara

putados entrevistados a cada rodada do Proyecto Élites Parlamentarias


Latinoamericanas deram para as perguntas sobre a localização de partidos e
políticos na escala esquerda-direita. O número de rodadas varia conforme o
i
op

país. Em muitos casos, foram feitas entrevistas a cada nova legislatura des-
d

de a primeira metade dos anos 1990. Em outros, as entrevistas começaram


mais tarde. A pergunta sobre a localização ideológica de alguns partidos está
presente nas aplicações do questionário feitas em todos os países. Nela, os
E

deputados entrevistados não classificam seu próprio partido. Para países em


que não houve rodadas de entrevistas com deputados de todas as legislaturas
ver

entre 1995 e 2013, o que se fez aqui foi utilizar classificações que aparecem
nas entrevistas com deputados de outra legislatura que não a coincidente
com aquele governo. Já a pergunta sobre a localização de certos políticos
não está presente em algumas poucas aplicações do questionário ou foi feita,
mas não inclui o presidente entre os políticos mencionados. Nesses casos, a
solução foi repetir para o presidente a classificação recebida por seu partido.
62

Há poucos casos em que as classificações do partido governante e


do presidente são muitos discrepantes (ver quadro 3). A Argentina forne-
ce um exemplo, o governo Néstor Kirchner (2003-2007), pois o presidente
foi classificado à esquerda, e seu partido, à direita. Outro exemplo vem da
Guatemala, com a gestão de Alfonso Portillo (2000-2004). Nesse caso, a
maior discrepância não está nas orientações, já que o presidente foi classifi-
cado ao centro, e seu partido, à direita, mas nas pontuações atribuídas a cada

od V
r
um. Portillo recebeu 5,30, enquanto seu partido ficou com 8,94.

uto
Quadro 3 – Localização ideológica do partido
governante e do presidente por governo (1)

visã R
País Governo

oa
Menem De la Rúa Duhalde Kirchner Cristina Cristina
(1995 - (1999 (2002 (2003 1 (2007 - 2 (2011
Argentina 1999) (2) - 2001) - 2003) - 2007) 2011) (2) - 2015)
PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre
7,59 7,70 5,57 6,42 6,56 6,13 6,56 4,18 5,37 4,97 5,94 5,79

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Sánchez Sánchez
C
Banzer Quiroga Mesa Morales Morales
de Lozada de Lozada
(1997 (2001 - (2003 1 (2006 2 (2010
1 (1993 2 (2002
Bolívia - 2001) 2002) (2) - 2005) - 2010) - 2015)
- 1997) - 2003)
PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre
8,53 9,22 9,04 8,89 9,05 8,78 8,56 8,53 8,56 8,56 2,76 2,21 4,18 2,33
Lula da Lula da
Cardoso Cardoso Rousseff
Silva 1 Silva 2
1 (1995 2 (1999 (2011
(2003 (2007
Brasil - 1999) - 2003) - 2015)
- 2007) - 2011)
par a

PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre
6,89 6,89 6,89 6,89 4,44 4,44 4,73 4,69 4,73 3,97
Lagos Bachelet Piñera
a re

Frei (1994
são or

(2000 - (2006 (2010


- 2000) (2)
Chile 2006) (2) - 2010) - 2014)
PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre
4,74 5,37 3,69 3,88 2,51 3,28 7,79 7,29
Samper Pastrana Uribe 1 Uribe 2 Santos
(1994 (1998 (2002 (2006 (2010
Colômbia - 1998) - 2002) - 2006) - 2010) - 2014)
ver dit

PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre
6,09 5,32 8,28 7,94 8,47 8,17 7,34 7,96 8,44 7,56
Figueres Rodríguez Pacheco Arias Chinchilla
(1994 (1998- (2002 (2006 (2010
Costa Rica - 1998) 2002) - 2006) - 2010) - 2014)
PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre
5,46 5,24 8,19 7,96 7,38 6,06 8,29 7,59 8,18 7,07
Durán Bal- Bucaram Mahuad Noboa Gutiérrez Palacio Correa Correa
E

lén (1992 (1996 (1998 (2000 - (2003 (2005 1 (2007 2 (2013


Equador - 1996) - 1997) - 2000) 2003) (2) - 2005) - 2007) - 2013) - 2017)
PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre
9,35 9,35 6,50 6,25 7,53 6,94 7,51 7,51 5,42 5,83 5,42 5,42 3,57 3,44 3,57 3,44
Calderón Flores Saca Funes
(1994 - (1999 - (2004 - (2009
El Salvador 1999) (2) 2004) (2) 2009) (2) - 2014)
PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre
9,02 8,60 9,43 8,42 9,49 8,89 1,41 3,11
continua ...
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 63

... continuação
País Governo
De León
Portillo Berger Colom Pérez Mo-
Carpio Arzú (1996
(2000 (2004 (2008 lina (2012
(1993 - 2000)
Guatemala - 2004) - 2008) - 2012) - 2016)
- 1996)
PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre

V
r
6,28 6,28 8,89 7,68 8,94 5,30 8,72 8,20 4,76 4,57 8,95 8,47
Reina Flores Maduro Zelaya Micheletti

uto
Lobo (2010
(1994 (1998 (2002 (2006 (2009
- 2014)
Honduras - 1998) - 2002) - 2006) - 2009) - 2010)
PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre
4,72 4,95 5,76 7,04 8,65 8,18 5,40 5,28 5,40 6,52 7,56 5,87

R
Zedillo Calderón Peña Nieto
Fox (2000

a
(1994 - (2006 (2012
- 2006) (2)
México 2000) (2) - 2012) - 2018)
PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre

do
6,88 6,32 9,22 7,93 9,55 7,85 6,23 6,23
Chamorro Alemán Bolaños Ortega Ortega
(1990 (1997 (2002 1 (2007 2 (2012
aC
Nicarágua - 1997) - 2002) - 2007) - 2012) - 2017)
PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre
Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão

8,32 7,32 9,16 8,72 9,01 8,35 2,34 1,96 2,34 1,96

Panamá
Pérez
(1994
- 1999)
são
Moscoso
(1999
-2004)
Torrijos
(2004
- 2009)
Martinelli
(2009
- 2014)
PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre
4,64 4,64 7,10 7,10 5,39 5,94 8,38 8,63
i
González Duarte
Wasmosy Cubas Franco Cartes
rev
Macchi Frutos Lugo (2008
(1993 Grau (1998 (2012 (2013
(1999 (2003 - 2012)
Paraguai - 1998) - 1999) - 2013) - 2018)
- 2003) - 2008)
sã tor

PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre
7,36 7,37 7,85 6,80 7,85 7,85 6,80 5,76 6,56 3,35 6,78 6,79 6,33 6,33
Fujimori Fujimori Toledo García Humala
1 (1995 2 (2000 (2001 (2006 (2011
ara

Peru - 2000) - 2000) - 2006) - 2011) - 2016)


PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre
8,00 7,05 8,00 7,05 6,12 6,12 7,62 7,52 3,43 4,14
Sangui- Batlle Vázquez Mujica
netti (1995 (2000 (2005 (2010
i

Uruguai - 2000) - 2005) - 2010) - 2015)


op

PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre


d

7,08 6,24 8,14 7,25 2,82 3,46 3,71 3,26


Caldera Chávez Chávez Maduro
(1994 1 (1999 2 (2007 (2013
Venezuela - 1999) - 2007) - 2013) - 2019)
E

PGo Pre PGo Pre PGo Pre PGo Pre


6,74 6,54 3,30 3,20 3,30 3,20 3,30 3,30

PGo: partido governante; Pre: presidente. 1 A escala vai de 1, esquerda, a 10, direita. 2 Como houve
ver

duas legislaturas no período, as pontuações são a média das respostas de deputados de ambas
Fonte: Observatorio de Élites Parlamentarias de América Latina

Na análise de regressão, a ideologia do partido governante e a ideologia


do presidente, testadas em separado com as outras duas variáveis explica-
tivas para evitar a multicolinearidade, se mostraram estatisticamente signi-
ficativas na direção esperada (ver tabelas 1 e 2). Depois de feitos os testes
64

comparativos entre os modelos agregados, com efeitos fixos e com efeitos


aleatórios, os que resultaram mais adequados foram os modelos com efei-
tos fixos. Neles, além das variáveis ideológicas já mencionadas, a variável
associada às capacidades nacionais de cada país latino-americano enfocado
se mostrou estaticamente significativa, mas na direção contrária à esperada,
já que o resultado encontrado foi que quanto maior é a capacidade nacional,
maior é a coincidência de votos com os Estados Unidos na Assembleia Geral

od V
r
das Nações Unidas.

uto
Tabela 1 – Modelo para ideologia do partido
governante, com efeitos fixos, em nível

visã R
oa
Variável Coeficiente Erro padrão razão-t p-valor
Ideologia do parti-
1,09204 0,5946 1,8366 0,0672 *
do governante
Dívida externa x PIB −0,00332921 0,0652663 −0,0510 0,9594

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C
CINC 5159,97 2317,86 2,2262 0,0267 **
Constante 6,47362 9,10973 0,7106 0,4779
Número de observações 323

Fonte: Cálculos próprios.

Tabela 2 – Modelo para ideologia do presidente, com efeitos fixos, em nível


par a

Variável Coeficiente Erro padrão razão-t p-valor


a re
são or

Ideologia do presidente 1,39844 0,586813 2,3831 0,0178 **


Dívida externa x PIB −0,0145192 0,0681093 −0,2132 0,8313
CINC 4604,81 2054,92 2,2409 0,0258 **
Constante 7,64586 8,68254 0,8806 0,3792
Número de observações 323
ver dit

Fonte: Cálculos próprios.

Para um aumento de 1,0 na ideologia do partido governante, a coinci-


dência de votos com os Estados Unidos cresce 1,09 ponto percentual. Ou
seja, quanto mais o partido governante de um país latino-americano está à
E

direita, maior é a convergência do seu governo com os estadunidenses na


Assembleia Geral das Nações Unidas. O modelo explica 6,26% da coinci-
dência de votos com os Estados Unidos na ONU.
No caso do presidente, para um aumento de 1,0 na sua ideologia, a coin-
cidência de votos com os Estados Unidos cresce 1,40 ponto percentual. Isso
significa que, assim como o partido governante, quanto mais o presidente
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 65

de um país latino-americano está à direita, maior é a convergência do seu


governo com os estadunidenses na Assembleia Geral das Nações Unidas.
O modelo explica 7,51% da coincidência de votos com os Estados Unidos.
Se as variáveis são transformadas em logaritmos, como forma de pa-
dronizá-las, já que os valores para a variável dependente estão expressos em

V
r
percentuais, a ideologia do partido governante e a ideologia do presidente

uto
continuam sendo estatisticamente significativas na direção esperada (ver ta-
belas 3 e 4). A variável associada às capacidades nacionais de cada país, por
sua vez, deixa de apresentar significância. Com as variáveis convertidas em

R
logaritmos, os modelos que se mostraram mais adequados, depois de feitos

a
os testes comparativos, foram os agregados.

do
Tabela 3 – Modelo para ideologia do partido governante, agregado, em logaritmo
aC
Variável Coeficiente Erro padrão razão-t p-valor
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Ideologia do parti-
do governante
Dívida externa x PIB
são
0,218527

0,0113981
0,108828

0,042771
2,0080

0,2665
0,0455 **

0,7900
CINC −0,0227064 0,0162748 −1,3952 0,1639
Constante 2,84615 0,278348 10,2251 <0,0001 ***
i
rev

Número de observações 323


sã tor

Fonte: Cálculos próprios.

Tabela 4 – Modelo para ideologia do presidente, agregado, em logaritmo


ara

Variável Coeficiente Erro padrão razão-t p-valor


Ideologia do presidente 0,286304 0,0881923 3,2464 0,0013 ***
Dívida externa x PIB −0,00823592 0,0464635 −0,1773 0,8594
i
op

CINC −0,0247148 0,0167393 −1,4765 0,1408


Constante 2,79773 0,222786 12,5580 <0,0001 ***
d

Número de observações 323


E

Fonte: Cálculos próprios.

Casos desviantes
ver

A análise de casos desviantes possibilita a identificação e a explicação


de exceções à tendência verificada, ou seja, governos latino-americanos que
tiveram um nível de convergência com os Estados Unidos na Assembleia
Geral das Nações Unidas superior ao que se poderia esperar com base na
ideologia de quem governa.
66

Verificando as médias de coincidência por gestão e as localizações ide-


ológicas dos respectivos presidentes e partidos governantes, foram selecio-
nados três casos desviantes para uma análise qualitativa, um de governo de
esquerda que teve uma convergência acima da esperada, o de José Mujica
(2010-2015) no Uruguai, e dois de governos de direita cuja coincidência
com os estadunidenses na ONU ficou abaixo da esperada, os de Álvaro
Uribe (2002-2010) na Colômbia.

od V
r
No caso de Mujica, do Frente Amplio (FA), a média de convergência

uto
foi de 42,1%, apesar de que ele e seu partido tenham recebido as pontuações
de, respectivamente, 3,26 e 3,71, o que significa localizações à esquerda.
Essa proporção de coincidência leva em conta quatro das cinco edições da

visã R
Assembleia Geral das Nações Unidas em que a participação do Uruguai es-

oa
teve sob a responsabilidade do governo de Mujica, iniciado em março de
2010. A última participação uruguaia sob a administração do ex-presidente
não foi computada porque os dados sobre a convergência de posições na

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ONU vão até 2013.
C
O FA ensaia uma aproximação dos Estados Unidos desde seu primeiro
governo no Uruguai, com Tabaré Vázquez (2005-2010), durante o qual a
possibilidade de assinar um tratado de livre comércio com os estaduniden-
ses foi discutida nos âmbitos governamental e partidário. Diante da resis-
tência, inclusive por parte dos demais sócios do Mercado Comum do Sul
par a

(MERCOSUL), já que haveria um abalo à sua condição de união aduaneira,


que prevê a negociação conjunta de acordos comerciais com outros países
a re

ou blocos, o TLC com os Estados Unidos acabou não se concretizando nos


são or

governos de Vázquez e Mujica, mas um Tratado Bilateral de Investimentos


(TBI), que havia sido assinado ao fim da gestão que antecedeu à de Vázquez,
começou a vigorar em 2006 e foi complementado pela firma de um Acordo
Marco de Comércio e Investimentos em 2007.
ver dit

O TBI com o Uruguai foi parte da estratégia de George W. Bush de


oferecer acordos bilaterais de comércio a países da América Latina depois do
fracasso das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).
Ao mesmo tempo, a política externa do seu governo gerou reações con-
trárias na região, que se refletiram na queda da coincidência de votos com
E

os Estados Unidos na Assembleia Geral das Nações Unidas. Esse fator e a


ideologia ajudariam a explicar porque, apesar da aproximação ensaiada, a
administração de Vázquez teve uma convergência de 23,4% com os esta-
dunidenses na ONU. Como Bush já havia encerrado seu segundo mandato
quando Mujica assumiu em 2010, o novo presidente uruguaio pôde enfrentar
menos resistência para aumentar a coincidência de posições com os Estados
Unidos, alcançando um índice de 42,1%.
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 67

No caso de Uribe, que governou a Colômbia por dois períodos conse-


cutivos sem estar formalmente vinculado a um partido, as médias de con-
vergência para o primeiro e o segundo mandatos foram de, respectivamente,
17% e 19%, apesar de que ele tenha recebido as pontuações de 8,17 e 7,96,
o que significa localizações à direita. Como partido governante, foram con-

V
r
siderados para o primeiro mandato o grupo uribista do Partido Liberal (PL),

uto
do qual Uribe fazia parte antes de se tornar presidente, e para o segundo o
Partido de la U, que foi criado para concentrar a base uribista. Essas forças
tiveram as pontuações de, respectivamente, 8,47 e 7,34, o que também sig-

R
nifica localizações à direita.

a
A média de 17% de coincidência com os Estados Unidos na Assembleia
Geral das Nações Unidas que Uribe obteve no seu primeiro mandato foi a

do
segunda mais baixa do conjunto de 17 países latino-americanos em todo o
aC
período considerado, ficando à frente só dos 16,7% da primeira gestão de
Evo Morales (2006-2010) na Bolívia.
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são
O caso colombiano parece mais contraditório e difícil de ser explicado.
Uma possibilidade é que a reação contrária na América Latina à política
externa de Bush tenha incluído a Colômbia, ao menos no que se refere às vo-
tações na ONU. Ao mesmo tempo, o governo de Uribe foi um aliado estadu-
i
nidense em temas de high politics, garantindo, dessa forma, apoio logístico e
rev

financeiro dos Estados Unidos para suas políticas de combate ao narcotráfico


sã tor

e aos grupos insurgentes. Também foi durante a administração de Uribe,


mais exatamente no início do seu segundo mandato, que a Colômbia firmou
um TLC com os Estados Unidos. O acordo precisaria esperar até 2012 para
ara

entrar em vigor, por causa de exigências feitas pelo Congresso estadunidense


para aprová-lo.
i

Conclusões
op
d

A expectativa de que governos de esquerda na América Latina sejam


críticos aos Estados Unidos e governos de direita sejam simpáticos se con-
E

firmou. A ideologia do partido governante e a ideologia do presidente se


mostraram estatisticamente significativas para explicar a atitude dos países
ver

latino-americanos em relação aos estadunidenses, medida pela coincidência


de votos entre cada uma das 17 nações da América Latina enfocadas e os
Estados Unidos na Assembleia Geral das Nações Unidas. A ideologia do
partido governante é significativa ao nível de 10%, enquanto a do presidente,
ao nível de 5%.
A relação encontrada entre cada uma dessas variáveis ideológicas e a
coincidência de votos com os estadunidenses teve a direção esperada, ou seja,
68

quanto mais o partido governante ou o presidente de um país latino-ameri-


cano está à direita, maior é a convergência do seu governo com os Estados
Unidos na Assembleia Geral das Nações Unidas. O modelo que inclui a
ideologia do partido governante e as outras duas variáveis testadas explica
6,26% da coincidência de votos com os estadunidenses na ONU, enquanto o
modelo com a ideologia do presidente explica 7,51% da convergência.
A variável associada às capacidades nacionais de cada país latino-ame-

od V
r
ricano também se mostrou estatisticamente significativa em ambos os mo-

uto
delos, mas na direção contrária à esperada com base no neorrealismo, já que
o resultado encontrado foi que quanto maior é a capacidade nacional, maior
é a coincidência de votos com os Estados Unidos na Assembleia Geral das

visã R
Nações Unidas.

oa
Se as variáveis são convertidas em logaritmo, a ideologia do partido go-
vernante e a ideologia do presidente continuam sendo estatisticamente signi-
ficativas na direção esperada, respectivamente aos níveis de 5% e de 1%. Já

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a variável associada às capacidades nacionais deixa de ser significativa nos
C
modelos mais adequados com cada uma das variáveis ideológicas.
Os resultados corroboram a avaliação sobre a importância do presidente
na política externa em sistemas presidencialistas, sobretudo nos países lati-
no-americanos, onde, na maioria dos casos, o chefe de Estado conta com po-
deres constitucionais relativamente fortes (SHUGART E MAINWARING,
par a

2002). Até no caso de presidentes com menos prerrogativas constitucionais


sobre a formulação de leis e políticas, há a possibilidade de exercer influ-
a re

ência por meio dos poderes partidários, que dependem de que o governante
são or

seja o líder de um partido ou uma coalizão com maioria legislativa.


Ao mesmo tempo, como pode ser constatado pela proporção da va-
riável dependente que os modelos testados explicam, há mais fatores que
incidem sobre a atitude dos países da América Latina em relação aos Estados
ver dit

Unidos do que a ideologia. Inclusive quanto à tendência observada, de que


governos de esquerda sejam críticos e governos de direita sejam simpáticos
aos estadunidenses, é possível haver variação, como a análise dos casos des-
viantes mostrou.
Os resultados obtidos servem de incentivo para que mais estudos quan-
E

titativos sobre os determinantes da atitude dos países latino-americanos em


relação aos Estados Unidos sejam realizados, expondo a novos testes a rela-
ção encontrada aqui de que quanto mais o presidente ou o partido governante
de um país da América Latina está à direita, maior é a convergência do seu
governo com os estadunidenses.
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 69

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par a
a re
são or
ver dit
E
CAPÍTULO 4

POLÍTICA EXTERIOR BRASILEÑA:


¿Continuidad o quiebre pos impeachment?

V
r
uto
Gisela Pereyra Doval

R
a
do
Introducción
aC
Hemos sostenido en repetidas oportunidades la continuidad y coheren-
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são
cia de la política exterior brasileña que nos permite considerarla una políti-
ca de Estado. Por ello, habitualmente nos pareció más adecuado hablar de
ajustes en política exterior más que de cambios – considerando al cambio
el abandono o reemplazo de uno o más criterios ordenadores de la política
i
rev

gubernamental y a variaciones en los contenidos o formas de hacer esa polí-


tica; y a los ajustes, las variaciones producidas en la intensidad del esfuerzo
sã tor

y las adecuaciones de objetivos frente a una o varias cuestiones de agenda-.


En este sentido, los cambios son de naturaleza cualitativa, en tanto que los
ajustes son de carácter cuantitativo. Es una cuestión de matices.
ara

Sin embargo, un cimbronazo en la política doméstica -cual fue la des-


titución de una presidente elegida por más de 54 millones de personas- no
puede dejar más que un gobierno sin votos, débil y que necesita maquillar su
i
op

rumbo con el cometido de ser ‘aceptado’ e intentar sacar al Gran Hermano de


d

América del Sur de la crisis en la cual se encuentra. Y, aunque el gobierno de


Temer también está atravesando una tormenta político-institucional, tendrá
que seguir produciendo ajustes con el cometido de estabilizar una situación
E

de crisis que la misma cúpula ha generado y que dura ya más de un año.


Por otra parte, los cambios que el impeachment produjo en determina-
ver

dos ejes de la política interna brasileña –sobre todo en su modelo de desar-


rollo38- necesariamente tuvieron consecuencias en la inserción internacional.
Así, a partir de la discusión sobre el rol del Estado –en donde se discutió
un mercado que el Estado estaba dispuesto a abandonar-, los alineamien-
tos internacionales pesan como nunca antes sobre los esquemas políticos
38 Cabe aclarar que los ajustes en el eje económico se venían produciendo desde el gobierno de Rousseff (ver PEREYRA DOVAL
& ACTIS, 2016).
72

internos, ya que las alianzas puestas en práctica fueron y son un medio para
obtener beneficios, principalmente económicos, y no un objetivo per se. En
este sentido, y con una política que busca resultados -más pragmática que
principista-, es una ingenuidad plantear un alejamiento radical de la política
exterior petista, sobre todo con relación a América Latina y, especialmente,
de América del Sur. Sin embargo, como consecuencia de un giro que se co-
menzó a producir en la región desde hace un par de años, esta continuidad

od V
r
tiene serios límites que revisaremos más adelante.

uto
La política exterior de Dilma Rousseff se había enmarcado en lo que fue
el ‘ciclo de los emergentes’ que encabezó Lula da Silva y duró aproxima-
damente una década. En este ciclo, la legitimidad de estos países llamados

visã R
emergentes estuvo basada en la potencialidad de imponer la agenda que tení-

oa
an algunos estados tradicionalmente ‘víctimas’ de las decisiones de otros con
más poder. De esta manera, la política externa de Rousseff fue una confirma-
ción natural de la de su antecesor. Sin embargo, las condiciones internacio-

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nales39 y la idiosincrasia doméstica –tanto de la sociedad40 como de la elite
C
política y económica- viraron, lo que sumado a una pérdida de eficiencia del
modelo de inserción internacional y a una ausencia de liderazgo, generó un
ajuste en los parámetros de la diplomacia presidencial como la conocíamos.
Así, este artículo tiene tres objetivos principales que se corresponderán
con cada uno de los apartados. El primero es analizar la política exterior de
par a

Rousseff como continuidad de la de Lula, pero sin desconocer los ajustes que
la misma aplicó, o intentó aplicar, en los últimos meses de su administración.
a re

El segundo es analizar las causas del impeachment a Rousseff. El último es


são or

indagar de qué manera el mismo afectó la política exterior brasileña. La hi-


pótesis de la investigación es que, a pesar de los ajustes que Rousseff aplicó
en la política exterior que venía llevando a cabo, el juicio político generó una
alteración de la misma que se refleja más en el discurso que en su efectiva
ver dit

implementación. Es decir, reafirmamos a la política exterior brasileña como


una política de Estado con más visos de continuidad que de rupturas.

La política exterior de Rousseff: continuidades y ajustes


E

Para algunos políticos y académicos, la política brasileña de Rousseff


en la región (así como la de su antecesor), sacrificó intereses económicos y
políticos en pos de alianzas con un perfil netamente ideológico. Para otros, se
preservaron los intereses nacionales ya que la estabilidad y el desarrollo de

39 Sobre todo la drástica disminución del precio de los commodities.


40 El aumento de la clase media que fue la generadora de las movilizaciones en 2014, sumado a una disminución notable de la
negociación entre distintos segmentos de la sociedad quiebra el consenso interno conseguido por Lula da Silva.
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 73

la región beneficiarían a Brasil a largo plazo. Sin embargo, cabe una tercera
postura y es que a Brasil “intervenir” en la región le convenía económicamen-
te. Es decir, existía una triple lectura de la “apuesta” de Brasil a la región: la
diplomacia de la generosidad, cuyo objetivo era ayudar al desarrollo de los
países de la región, y así reducir las asimetrías; la diplomacia del liderazgo,

V
r
que puntualizaba en los objetivos políticos, es decir, ejercer poder en la región

uto
para poder proyectar el liderazgo brasileño al mundo; y por último, la diplo-
macia de los resultados, la cual descansaba en la funcionalidad del gobierno a
la expansión de multinacionales brasileñas y en los resultados favorables – a

R
nivel cuanti y cualitativo- con respecto a los intercambios comerciales.

a
Con respecto a este último punto, América del Sur es la región en donde
las empresas brasileñas expandieron más sus más subsidiarias y franquicias.

do
Si miramos a la inversión extranjera directa, Brasil fue el país que más in-
aC
versiones recibió en América Latina pues el resto del mundo lo consideraba
también una puerta de acceso, sobre todo al MERCOSUR. Fue en el primer
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são
gobierno de Rousseff cuando estas tendencias se acentuaron, y –al contrario
de lo que comúnmente se argumenta- el pico de las inversiones no fueron
atraídas por las privatizaciones sino por el aumento del consumo interno.
Desde el punto de vista comercial, el 84 % de las exportaciones brasileñas
i
al MERCOSUR fueron de productos manufacturados; Brasil tuvo superá-
rev

vits con todos los países del MERCOSUR en los últimos 10 años, mientras
sã tor

que con los países altamente industrializados ha tenido déficits; de hecho,


en el año 2014, el superávit comercial que Brasil tuvo con el MERCOSUR
compensó los déficits con Estados Unidos y la Unión Europea. Por estos
ara

motivos, América del Sur ha sido tanto en el discurso como en las acciones
del gobierno Dilma, la región más relevante.
Asimismo, en los últimos 15 años, el proceso de construcción de co-
i

aliciones ha ocupado un lugar central en las negociaciones multilaterales


op
d

brasileñas para equilibrar las fuerzas centro-periferia, pero también en lo que


respecta a las posibilidades que tenía este país de pertenecer al club de los
poderosos. Sostenemos que el grupo BRICS fue un escalón importante para
E

las ambiciones brasileñas. En este sentido, los estados se reagruparon con


características propias. No pertenecían a los más ricos e industrializados,
ver

pero tampoco eran estados devastados, frágiles o pobres. Con algunas dife-
rencias en el seno de cada uno de ellos, estos países asumirían una especie
de rol de clase media del sistema internacional en vistas de sus tendencias
de desarrollo, sus estructuras socioculturales y, por sobre todas las cosas,
sus potencialidades. La pertenencia a este grupo implicaba el aumento de la
capacidad de negociación y, consecuentemente, de los márgenes de manio-
bra. Por otra parte, la pertenencia al grupo aseguraría ser parte del Banco de
74

Desarrollo que pretende erigirse en una fuente de financiamiento alternati-


va a las tradicionales y paquidérmicas instituciones internacionales como el
Banco Mundial y el Fondo Monetario Internacional. Por último, también se
constituyó en una manera de facilitar la diversificación de los socios y de
adaptarse a un orden global que se perfila más multipolar.
En suma, en la primera administración Rousseff, así como en las dos de
Lula da Silva, la región contigua y los bloques políticos –coaliciones- fueron

od V
r
los ejes estructurantes de la política exterior brasileña. Sin embargo, existió

uto
una dosis mayor de pragmatismo y una menor densidad del discurso princi-
pista y un retraimiento del Estado a los fines de hacer más eficiente el sector
público para lograr los objetivos de desarrollo.

visã R
Asimismo, se produjo un nuevo ajuste del primer gobierno de Rousseff

oa
al segundo. En primer lugar, existía una estabilidad del sistema que irrumpió
como ruptura en el discurso electoral. Esto fue por varias razones. Primero,
por los reclamos y críticas que quedaron en evidencia a partir de los debates

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presidenciales. En los mismos se exigía una mayor desideologización de la
C
acción internacional. Esto es, la aplicación coherente de principios pragmá-
ticos en el establecimiento de los intereses prioritarios que el país debería
perseguir en el plano externo para disminuir su vulnerabilidad. Segundo,
Dilma se encontró ante un aprieto político –centrado en los hechos de cor-
rupción que describiremos brevemente en el próximo apartado- así como
par a

una crisis económica inédita en la era del PT. Ante esa coyuntura, la opción
de Rousseff fue intentar consensuar con la oposición accediendo a imple-
a re

mentar algunas de sus demandas y programas.


são or

Desde el comienzo de su segundo mandato, el eje del debate público


dejó de estar asociado a demandas y reivindicaciones “progresistas” pasando
a estar hegemonizado por conceptos y premisas liberales. En otras palabras,
el gobierno de Rousseff decidió hacer suyas las exigencias de la oposici-
ver dit

ón para intentar conseguir un mayor consenso en sus políticas en lugar de


refugiarse y ampararse en el núcleo duro del PT. La adopción de las ideas
“posneoliberales” por parte del segundo gobierno de Rousseff se han ma-
terializado tanto en le retórica como en las acciones (ACTIS, 2015). Sin
embargo, la aplicación de estas políticas contradictorias con la campaña de
E

la presidente generaron el efecto contrario: no fueron suficientes para lograr


aliados en el bloque opositor, y, como se esperaba, fueron repudiadas por
el bloque oficialista. A esto se sumó el rechazo popular representado en las
masivas manifestaciones de las principales urbes brasileñas.
No obstante se observó una disminución de la intensidad en la importan-
cia de la política externa en el pasaje del gobierno de da Silva al de Rousseff,
y como era de esperarse, esta crisis institucional repercutió negativamente en
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 75

el desempeño de esta política pública por varios motivos. Uno de ellos fue el
recrudecimiento del ajuste que se venía llevando a cabo desde la asunción de
Dilma, reflejado en el cierre de embajadas y representaciones diplomáticas.
El ajuste económico también redujo los fondos destinados a los proyectos
y programas de cooperación Sur-Sur, que habían sido una pata fundamental

V
r
de la internacionalización del país. Otro fue la necesaria reducción del acti-

uto
vismo regional no sólo por la implicancia de las empresas multinacionales
brasileñas más importantes –tristemente involucradas en los escándalos de
corrupción-, sino también por los indicios de lo que posteriormente sería lla-

R
mado el “giro a la derecha” de los gobiernos aliados de Brasil. Otro motivo

a
fue la inverosimilitud de la acusación que llevó al impeachment41, lo que
quizás frenó a la presidente a realizar una campaña para obtener el apoyo de

do
gobiernos extranjeros42. Otro fue, y sigue siendo, el triunfo del argumento
aC
que reza que ante crisis internas, el líder tiende a replegarse al interior del
país en lugar de utilizar las armas que podría brindar la política exterior.
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são
Como veremos en próximos apartados, sostenemos que en el gobierno de
Temer no hicieron otra cosa más que profundizarse.

El proceso del impeachment: ¿el quiebre de una política?


i
rev

En los últimos 30 años, período durante el cual surgen los procesos de


sã tor

redemocratización en los países de la región, se han producido reiteradas


alteraciones en el normal desarrollo de algunos Poderes Ejecutivos. En todas
ellas, los presidentes terminaron antes sus mandatos por motivos políticos,
ara

ajenos a su voluntad. Lo importante en todos estos casos es que suponen un


quiebre del gobierno de turno pero no del régimen democrático.
En el caso de Dilma, el impeachment se centró en la acusación de un
i

crimen en el ejercicio de la función pública o también llamado Crimen de


op
d

Responsabilidad. Los crímenes de responsabilidad (descriptos en la Ley


1.079 de 1950) son actos cometidos por el presidente que atentan contra la
Constitución; particularmente contra: la existencia de la Unión; el libre ejer-
E

cicio del Poder Legislativo, Judicial y de los poderes constitucionales de los


Estados; el ejercicio de los derechos políticos, individuales y sociales; la segu-
ver

ridad interna del país; la probidad en la administración; la ley presupuestaria;

41 Al respecto se recomienda ver el texto de Munhoz Svartman & Reis da Silva (2016) que plantean que los medios de comunica-
ción más importantes del mundo (y de diversas tendencias políticas), expresaron públicamente que el impeachment era frágil
jurídicamente y contradictorio.
42 Independientemente de la prensa, en América Latina, sólo los gobiernos de Venezuela, Ecuador y Bolivia se expresaron en-
fática y públicamente a favor de Dilma y en contra del juicio político. Por otra parte, Munhoz Svartman & Reis da Silva (2016)
plantean que el sistema internacional aún es esencialmente conservador ya que la tendencia es mantener relaciones, aunque
sea con gobiernos con poca legitimidad.
76

la protección y el uso legal de las reservas; y el cumplimiento de las decisiones


judiciales. Esta ley también regula el proceso del impeachment43.
En este caso particular, se acusó a la presidente de un crimen en contra
de la ley presupuestaria. Específicamente de las llamadas pedaladas fiscais
o maquillaje fiscal. Según dicha acusación, Dilma habría atrasado el pago
a bancos estatales que fueron los encargados de pagar subsidios correspon-
dientes a planes sociales tales como Bolsa Família y Plano Safra. El delito

od V
r
se basa en que, a pesar de que el gasto social efectivamente se realiza, el

uto
mismo no sale del tesoro del gobierno sino de los bancos públicos. Al dejar
de transferir dinero a los bancos, el gobierno presenta gastos menores que
los reales y da una “sensación” incorrecta a los mercados financieros de que

visã R
las cuentas fiscales están equilibradas, cuando en realidad, presentan déficit.

oa
No obstante la acusación formal que pesaba sobre la presidente, cual-
quiera que haya seguido el proceso desde el principio se habrá dado cuenta
que, en primer lugar, el delito no era suficiente para destituir a un presidente

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(de hecho, existen pruebas de que otros mandatarios tales como FHC y da
C
Silva, también utilizaron esta estrategia), y, en segundo lugar, fue una acusa-
ción buscada. Es decir, no existía una acusación real para destituir a Dilma,
sin embargo, los hechos de corrupción producidos durante los gobiernos pe-
tistas y la crisis económica que se avecinaba, sumado a la conocida parque-
dad de la presidente para tratar con las personas con las que debía negociar,
par a

ponía a Rousseff en una posición inmejorable para ser “corrida del medio”.
El escándalo de corrupción, llamado Operacão Lava Jato o Petrobrão,
a re

estalló en marzo de 2014. El mismo es un esquema de lavado y desvío de


são or

dinero que involucra a Petrobrás, grandes empresas y políticos brasileños de


varios partidos políticos. Por lo menos cinco partidos políticos eran supues-
tos beneficiarios de “comisiones” tras la firma de los contratos que provenían
de desvíos de recursos públicos que se obtenían de la sobrefacturación de
ver dit

los trabajos del “club de las empresas o club de las propinas”; de esta forma,
las constructoras se repartían las licitaciones a cambio de coimas. A este
escándalo se sumaron las acusaciones (dos días antes del ballotage) hacia
Lula y Dilma de que ambos estaban al tanto de estas operaciones, lo que
E

43 Con respecto a la denuncia, es permitido a cualquier ciudadano hacer una denuncia por un crimen de responsabilidad mientras
que el acusado aun esté en ejercicio de sus funciones. El acusador debe acompañar la denuncia de documentación probatoria
de los crímenes en la Cámara de Diputados cuyo presidente decidirá dentro de un período de 10 días si es procedente la deli-
beración. Si la acusación se concreta, la misma será analizada por todos los Diputados y seguirá adelante con la aprobación de
dos tercios de la Cámara. En este punto se aparta al presidente de sus funciones a la espera del juicio. Aprobado por Diputados
el proceso se encaminará al Senado quien decidirá el día del juicio que será presidido por el presidente del Supremo Tribunal
Federal. Finalizados los debates orales de ambas partes, se procederá a la votación de los senadores cuya decisión también
será por dos tercios de la Cámara. Si el acusado es condenado, el Senado fijará un plazo de inhabilitación para el ejercicio de
cualquier función pública e ipso facto estará destituido del cargo. Si se produce el impeachment asumirá el vicepresidente y si
también es depuesto la solución dependerá de la fecha de su apartamiento del cargo: hasta el segundo año de mandato se
realizarán elecciones directas dentro de los noventa días; después de dos años en el cargo se realizarán elecciones indirectas
con votación parlamentaria; en caso de no realizarse elecciones el presidente de la Cámara de Diputados comandará el país.
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 77

significó el repudio a la presidente apenas había asumido. El hecho de que


varios dirigentes y políticos aliados del gobierno de Rousseff se vieran en-
redados en el esquema; y la responsabilidad tanto de la presidente como del
ex mandatario que -aunque nunca llegue a probarse que sabían del esquema
de corrupción- es enorme por haber facilitado la estructura jerárquica de

V
r
la empresa. Nos interesa remarcar particularmente este último punto. Para

uto
contar con una mayoría dentro del Parlamento, el PT tuvo que pactar con
algunos partidos políticos menores44. Y esos acuerdos se “pagaron” a través
del reparto de cargos. Esta estrategia de construcción de poder se extendió

R
en toda la estructura estatal y alcanzó desde ministerios hasta empresas pú-

a
blicas. “Lo que pasó en Petrobrás es que esos cargos fueron utilizados como
una forma de conseguir financiamiento personal para los políticos y para

do
sus partidos [...] Petrobrás no sería un caso aislado, sino el más extremo de
aC
una forma generalizada de administrar el Estado. Esto agravaría aún más la
responsabilidad de los presidentes” (MIZRAHI, 2015). Por último, creemos
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são
que este caso es paradigmático porque involucra a la joya de la corona, invo-
lucra a Petrobrás. La empresa petrolera es el heartland de Brasil, no sólo en
lo económico sino también en lo estratégico, lo simbólico y lo político. Con
respecto a lo político, ya hemos mencionado que es el caballo de Troya de
i
todos los gobiernos desarrollistas, por tanto uno de los principales estandar-
rev

tes del PT. Con respecto a lo simbólico, cuando se afirmaba que Brasil no te-
sã tor

nía petróleo, la empresa fue encontrando yacimientos en el mar comenzando


una política de exploración off shore y convirtiéndose en la primera empresa
del mundo en perforación en aguas profundas, lo que demuestra la compe-
ara

tencia científico-tecnológica de los brasileños. La empresa es un símbolo del


desarrollo y la reafirmación nacional, ya que ni el peor neoliberalismo pudo
acabar con ella. Con respecto a lo económico, Petrobrás pareciera ser el pun-
i

to de acceso a la riqueza. Temóteo & Amorim (2015), lo sintetizan muy bien


op
d

cuando plantean que, al ser la mayor empresa del país, sólo Petrobás puede
llevar el Estado a una recesión económica (representa el 13% del PBI). Por
último, en cuanto a lo estratégico, la creación durante el gobierno de Lula
E

de la empresa Petrosal, asegura el control estatal del proceso decisorio. En


este sentido, garantizar la soberanía brasileña de los mega campos de pré-sal
ver

y sobre sus aguas jurisdiccionales es el mayor desafío geopolítico del país,


sobre todo teniendo en cuenta que hay algunos países que no reconocen
los límites de las 200 millas marinas (KERR DE OLIVEIRA, PEREIRA
BRITES; COELHO JAEGER, 2013).

44 Esta es la llamada democracia de coalición.


78

Retomando la idea de ajustes, cabe recordar en este apartado que, los


ajustes en la política externa y doméstica comenzaron a producirse antes
del juicio político. No obstante, el Congreso que luego la destituyó no es-
tuvo dispuesto a aprobar prácticas fiscales y presupuestarias supuestamente
necesarias para resucitar la maltrecha economía. Así, los tres objetivos que
tenía el gobierno de Rousseff en su primer mandato: reducir el riesgo país
(para lo cual se implementó un ajuste fiscal); reducir la inflación (a través de

od V
r
reducir el crecimiento de la demanda); y cambiar el patrón de crecimiento

uto
(aumentando la inversión y reduciendo el consumo) no fueron conseguidos
(Serrano & Summa, 2013). El riesgo país aumentó, la inflación aumentó y
la tasa de inversión (tanto pública como privada) se contrajo. Como resulta-

visã R
do, Dilma comenzó su segundo mandato con las secuelas de un mal 2014:

oa
tasas de inflación en alza; caída de las exportaciones; aumento del déficit
en la cuenta de capital –para equilibrar el déficit de la balanza de pagos se
incrementó el flujo de capitales a través de un mayor ingreso de préstamos y

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bonos-; caída de los ingresos fiscales; baja del nivel de actividad, sobre todo
C
de la actividad industrial; aumento de la deuda neta del sector público (en un
esfuerzo anticíclico, el gobierno expandió los gastos sociales y la inversión
pública); volatilidad del tipo de cambio; significativa caída de las inversio-
nes (CEPAL, 2014).
Ante esta situación y, sumando la escasa legitimidad del nuevo presi-
par a

dente, si bien es cierto que Temer aplicó políticas de ajuste no menos cier-
to es que Rousseff ya había intentado comenzar a aplicarlas meses antes.
a re

Lo mismo ocurrió con los lineamientos de política exterior: como vimos,


são or

Rousseff disminuyó la intensidad y el presupuesto; como veremos, Temer no


hizo más que profundizar lo que ya venía ocurriendo.

La política exterior de Temer, ¿cambio o ajuste?, ¿discurso


ver dit

o realidad?

En primer lugar, y en función de lo que sigue, nos gustaría hacer una


pequeña referencia a lo que consideramos el pilar de la continuidad de la
política exterior brasileña: Itamaraty. Además de su autonomía, cohesión y
E

‘aislamiento’ burocrático, también se remarca como característica weberiana


de Itamaraty la larga ‘coherencia corporativa’ vigente en la institución, y que
se expresa en la continuidad y en la solidez de la adhesión de sus miembros
a la ‘doctrina’ de política externa desarrollada por la corporación. Como
bien plantea Lins da Silva: “A política externa brasileira tem preservado
históricamente forte característica de continuidade. A alternância de pessoas
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 79

e partidos no governo, mesmo quando derivada de movimentos traumáticos,


como revoluções ou golpes de Estado, raramente alterou de modo signifi-
cativo ou duradouro quer alguns de seus princípios fundadores [...] (2002,
p. 295). Con respecto a esto, en el estudio de la política internacional, el
concepto de socialización política es fundamental para comprender nues-

V
r
tro argumento. La idea de carácter nacional es explicada por Bloom (1993)

uto
como un conjunto particular de costumbres y normas políticas, las cuales a
través de la socialización, se traspasan de generación en generación. De esta
forma, las reglas y prácticas que determinan la pertenencia a un grupo, y

R
aquellos atributos del grupo, referencian a normas que ayudan a definir los

a
significados sociales estableciendo expectativas colectivas y obligaciones
individuales que se encuentran en la decisión de ejercer un rol. Así, según

do
Saraiva Guerreiro (1984), la valoración de lo contemporáneo, de lo actual,
aC
no debe ser visualizada como alternativa inevitable a la preservación de los
valores y principios que constituyen las bases más duraderas de la política
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são
externa. No deben implicar el abandono de proyectos que están en la esen-
cia de la identidad nacional. La política externa no podrá perder, plantea el
autor, perspectiva de continuidad y coherencia conceptual, que vienen de las
raíces histórico-culturales y de las líneas maestras de los aspectos económi-
i
cos y políticos como nación.
rev

De esta forma, lo primero que llamó la atención al momento de la asun-


sã tor

ción de Temer fue el nombramiento de José Serra en el cargo de ministro de


relaciones exteriores, estupor que volvió a repetirse ante la renuncia del se-
gundo y la designación de Aloysio Nunes. Tradicionalmente, en Brasil, esta
ara

cartera está encabezada por un funcionario de carrera, un diplomático. En


este caso, ni Serra ni Nunes son políticos salidos del establishment riobran-
quino. Sin embargo, cabe realizar algunas salvedades con respecto a esto. La
i

primera es el llamado presidencialismo de coalición: tanto Serra como Nunes


op
d

pertenecen al PSDB, partido que apoyó la destitución de Dilma. Temer, del


PMDB, necesitó repartir cargos políticos para que otros partidos lo apoyaran
en su propuesta de reformas. La segunda podría ser la intención de Serra de
E

repetir la historia: FHC había sido canciller antes de convertirse en presiden-


te, y Serra ha sido candidato en las últimas elecciones sin lograr ser elegido.
ver

De hecho, puede interpretarse la salida de Serra como una jugada por parte
de PSDB, en vistas de la dudosa capacidad de Temer, para preservarlo a ser
presidenciable en un futuro próximo. Por último, y quizás más importante,
por la cada vez más importante incidencia de las variables domésticas en
los diseños de política exterior, lo que consigue hacer el canciller está muy
relacionado con el peso político del mismo al interior de Brasil. Así, en esta
instancia en donde el presidente no es una figura tan relevante, necesita hacer
80

recaer la negociación en una figura política fuerte. En otros momentos his-


tóricos, en donde el canciller fue un funcionario del cuerpo diplomático, se
podía respaldar en un presidente ampliamente apoyado por la sociedad, ya
sea a través de las urnas o gracias a su poder de negociación. Es decir, era la
figura del presidente la que “mediaba” entre la política interna y la política
externa o entre el Congreso e Itamaraty y, actualmente, que Temer tiene un
poder francamente decadente, necesita una figura política interna importante

od V
r
para poder mediar y actuar en el exterior.

uto
Creemos que – y en este supuesto se basa nuestra hipótesis-, también
por el dato de la debilidad del presidente, más allá de discursos de cambios
rotundos, si tenemos en cuenta los lineamientos diseñados por los dos can-

visã R
cilleres de Temer, veremos que los ejes son casi los mismos que los del PT.

oa
Un importante analista internacional lo llama ‘realineamiento diplomático
de bajo costo’ (Spektor, 2017a) y, aunque da algunos ejemplos del ‘cambio’
de inserción internacional, creemos que los mismos no sólo no son sufi-

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cientes para demostrar el giro, sino que muestran – por el contrario- que la
C
política externa no ha cambiado. Por ejemplo, plantea que Temer se cui-
dó de no invocar la cláusula democrática para suspender a Venezuela del
MERCOSUR, lo que Dilma ya había planteado cuando Macri anticipó que
pediría la aplicación de la misma. Y esto es conveniente para Brasil; con res-
pecto a Venezuela, a pesar de que la intensidad del discurso fue en baja desde
par a

su punto más alto con Lula y Chávez, las relaciones se han mantenido con
relativa normalidad, ¿y porque no habría de ser así? Brasil tiene una balanza
a re

superavitaria desde el año 2000 con este país, por lo que no sería pragmáti-
são or

camente conveniente envilecer las relaciones con la república bolivariana.


También se plantea un trueque de la retórica de la cooperación Sur-Sur
por un pedido de acceso a la OCDE conjuntamente con la siguiente declara-
ción: “A tarefa de realinhamento do último ano foi facilitada por Dilma, que
ver dit

desmontou o trabalho diplomático de Lula na África, no Oriente Médio e na


América Latina”. Con respecto a esto, fue en 2007, bajo la presidencia de
da Silva, cuando la OCDE nombró a Brasil “Socio Clave” mediante una re-
solución, reforzando los lazos de cooperación. No olvidemos tampoco que,
durante el gobierno de Rousseff, en 2015, se lanzaba el Programa de Trabajo
E

OCDE-Brasil, que tiene como objetivo apoyar la agenda de reformas e in-


formar de su contenido y busca enriquecer el diálogo sobre políticas globa-
les, incorporando la perspectiva de Brasil, así como sus experiencias a los
órganos y actividades de la OCDE. Por su parte, con respecto a la “retórica
de la Cooperación Sur-Sur”, cabe hacer dos salvedades. La primera es que –
como concepto polisémico- hay que aclarar qué se entiende por cooperación
Sur-Sur. Si por ella entendemos el reduccionismo de la cooperación técnica
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 81

en donde Brasil ha sido “dador” durante el gobierno de Lula (esto es lo que


entiende el autor mencionado en la cita que transcribimos), fue ya durante
el gobierno de Rousseff que la misma viene bajando su perfil, y no por una
cuestión ideológica, sino por la necesidad de ajustar y recortar el presupues-
to a raíz de las dificultades económicas por las que está atravesando el país

V
r
desde hace algunos años. Si entendemos a la cooperación Sur-Sur en un sen-

uto
tido más amplio – y aquí hacemos referencia a la conformación de coalicio-
nes internacionales-, la política exterior tampoco ha sufrido más transforma-
ciones que la baja de perfil propia de la personalidad más “parca” de Dilma.

R
Ambos cancilleres de Temer han reafirmado en sus discursos de asunción

a
la importancia de estos bloques como estrategia de política exterior: “En
ese sentido, la solidaridad estrecha y pragmática con los países del Sur del

do
planeta seguirá siendo una directriz esencial de la diplomacia brasileña […]
aC
vamos a aprovechar las oportunidades ofrecidas por los foros interregionales
con otros países en desarrollo, como los BRICS, para acelerar los intercam-
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são
bios comerciales, las inversiones y el intercambio de experiencias. Y con un
sentido pragmático, vamos a dar atención a los mecanismos de cooperación
con África y los países árabes” (Discurso del Ministro José Serra por oca-
sión del traspaso del cargo de Ministro de Estado de Relaciones Exteriores
i
– Brasília, 18 de mayo de 2016); “Devemos também reforçar nossa atuação
rev

– a defesa de nossos interesses e a promoção de nossas ideias e valores – em


sã tor

foros como o G-20, onde se gestaram depois da crise de 2008 importan-


tes ajustes na governança das instituições financeiras internacionais, assim
como no BRICS e no IBAS (Índia, Brasil e África do Sul). Encontraremos as
ara

oportunidades e criaremos os espaços que melhor atendam às nossas aspira-


ções, valores e interesses, na região e além dela, com a consciência de que o
Brasil é um ator global que continuará a assumir suas responsabilidades sem
i

titubeios” (Discurso del Ministro Aloysio Nunes por ocasión del traspaso
op
d

del cargo de Ministro de Estado de Relaciones Exteriores – Brasília, 07 de


marzo de 2017).
Por otra parte, y conforme a la teoría que supone que un alejamiento de
E

los socios más débiles, implicaría un acercamiento que raya el alineamiento


con Estados Unidos, tenemos dos observaciones para hacer. La primera es
ver

que –salvo instancias diplomáticas muy puntuales-, los gobiernos del PT no


han mantenido malas relaciones con el país del Norte. De hecho, y de acuer-
do con el ministerio de relaciones exteriores brasileño, Estados Unidos es el
segundo mayor socio comercial de Brasil; el principal destino de las expor-
taciones brasileñas de productos manufacturados y semi-manufacturados; el
país con el mayor volumen de inversión extranjera directa en Brasil; además
ambos países mantienen programas de cooperación trilateral.
82

También a raíz de esto, queremos refutar el mentado quiebre de la lógi-


ca autonómica. La autonomía es uno de los principios rectores de la política
exterior brasileña, esto es independiente del modelo de política exterior que
se aplique – entendido este como una tipificación de los rasgos más salientes
del relacionamiento exterior de un gobierno-45. Estos modelos son escogi-
dos según las oportunidades y limitaciones determinadas por el sistema in-
ternacional, así como por las capacidades del gobierno para obtener mayor

od V
r
rédito dentro de ese contexto para perseguir su interés nacional en un mar-

uto
co autonómico. Por ello es importante resaltar que, como plantea Pinheiro,
“[...] os mesmos interesses podem ser alcançados por meio de estratégias e
mesmo com base em princípios político-ideológicos distintos” (2004: 10).

visã R
De este modo, la autonomía puede mantenerse como interés nacional en

oa
distintos gobiernos que aplican modelos diferentes de política exterior; ya
sea que estos se acerquen o se alejen más de la potencia hegemónica. De
hecho, históricamente, la política externa brasileña ha sido clasificada como

Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão


universalista o americanista, e independientemente de aquellos que expre-
C
saron a lo largo de la historia su total oposición al establecimiento de una
relación dependiente con Estados Unidos, debe destacarse que existieron de-
sacuerdos sobre el grado de cooperación que Brasil debía prestar a Estados
Unidos entre quienes consideraban adecuado el tipo de vinculación mate-
rializado. Es decir, si bien hubo alineamientos ideológicos, en los cuales se
par a

estrechaba la relación con Estados Unidos por una cuestión de principios,


también hubo alineamientos pragmáticos en donde se consideraron costos-
a re

-beneficios. Según Pinheiro, el americanismo es definido como “[...] aque-


são or

le que concebia os Estados Unidos como eixo da política externa, donde


a maior aproximaçâo a Washington elevaria os recursos de poder do país,
aumentando assim sua capacidade de negociaçâo [...]” (2004: 64). Al mismo
tiempo, como vimos, el americanismo puede ser ideológico o pragmático.
ver dit

El primero está relacionado con una justificación de la alianza con Estados


Unidos a partir de factores de orden normativo y de una convergencia de
ideologías entre ambos países. El americanismo pragmático está justifica-
do a partir de una naturaleza instrumental, en donde la alianza con Estados
Unidos supondría un mejor aprovechamiento de las oportunidades a nivel
E

sistémico. También es importante aclarar que durante los períodos de glo-


balismo o universalismo no fue necesario enemistarse con la potencia del
Norte para ampliar las relaciones exteriores –este es el caso de los gobiernos
del PT-. Por todo lo antedicho, aunque sólo el tiempo dirá como avanzarán
las relaciones bilaterales con Estados Unidos, cuando el canciller brasileño

45 Ver Pereyra Doval (2013).


POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 83

declarara en el Senado, a raíz de las últimas elecciones norteamericanas, que


el Partido Republicano estaba “borracho” y que el actual presidente “es lo
peor que hay, de lo más descontrolado y exacerbado que hay en su partido”,
nos parece un indicador de que la política exterior brasileña no será, en este
período americanista.

V
r
Con respecto al establecimiento de alianzas en procesos de integración,

uto
acordamos con Lorenzini & Pereyra Doval (2016) cuando plantean que, en
sus 25 años, el MERCOSUR ha sido relanzado cada vez que han cambia-
do las orientaciones políticas de los gobiernos. Esta actividad se relacio-

R
na directamente con el clima de ideas y el significado que se le asigna a

a
la integración regional en general, y al MERCOSUR en particular. Hubo
momentos en los que la integración fue pensada con un carácter más bien

do
instrumental y, otros, en los que se la concibió como una pauta constitutiva
aC
de la identidad regional de sus miembros. Claramente, debido al contexto
regional e internacional, esta etapa se inscribe en una liberalización comer-
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são
cial reivindicando un mayor margen de maniobra para flexibilizar la fórmu-
la 4+1. Si esta situación tuviera lugar, los Estados Parte del MERCOSUR
podrían avanzar, bilateralmente, en procesos de liberalización comercial y
en la firma de acuerdos de libre comercio con Estados extrabloque. En este
i
sentido, el socio principal de Brasil desde hace vario años, Argentina, está
rev

en la misma sintonía. Tanto el gobierno de Temer como el de Macri tienen


sã tor

la intención de buscar una mayor diversificación de los socios que pareciera


estar guiada por un criterio de funcionalidad que satisfaga sus intereses. En
esta línea se enmarca la notoriedad que adquiere la Alianza del Pacífico. En
ara

la misma dirección se inscribe el impulso que recuperan las negociaciones


entre el Mercosur y la Unión Europea.
Por último, la situación doméstica brasileña –tanto la crisis económica
i

pre impeachment como las crisis político-institucionales que generaron el


op
d

juicio político y las actuales acusaciones en contra de Temer-, ha generado


un caldo de cultivo para que conocidos intelectuales y académicos brasi-
leñistas critiquen estrategias de inserción del país que otrora alababan. Así,
E

particularmente con respecto a los intentos de liderazgo regional, han plan-


teado que Brasil nunca dio con el pignet (Malamud46, 2017) e incluso, que
ver

Brasil nunca tuvo intenciones de conducir a la región (SPEKTOR, 2017b).


No es el objetivo de este paper hacer una investigación exhaustiva con res-
pecto a esta temática. Sin embargo, tenemos dos cosas para decir. La primera
es que un país raramente se propone ser líder, se es o no se es y, durante los
46 Cabe aclarar que este autor siempre ha sostenido que Brasil no era un líder regional, que todo se basaba en el discurso de
sus gobernantes. Sin embargo, también ha sostenido en repetidas oportunidades que Brasil era un global player (MALAMUD;
RODRÍGUEZ, 2013; MALAMUD, 2011). Esto nos plantea una disyuntiva, ya que creemos que, para lograr ser un actor relevan-
te del sistema internacional, un Estado debe primero ejercer un rol de destaque en su propia región.
84

gobiernos petistas, Brasil tuvo condiciones para liderar la región. De hecho,


lo ha logrado en repetidas oportunidades47. La segunda es que la crisis ve-
nezolana demuestra claramente un vacío de poder a nivel regional. Otrora
esta situación podría haber sido conducida por la diplomacia brasileña o por
su líder. Sin embargo, con respecto a esto, encontramos en la historia un
sinfín de situaciones en donde, a causa de situaciones internas complicadas,
un Estado se “retiró” momentáneamente de los asuntos internacionales, lo

od V
r
que no significó que, una vez estabilizada la coyuntura doméstica no se haya

uto
revertido el escenario externo.

Reflexiones finales

visã R
oa
La situación actual de Brasil se revela caótica por todas sus aristas. Sin
embargo, podemos realizar un esbozo de los principales rasgos de la política
externa del gobierno ilegítimo de Temer, en contraposición a la llevada ade-

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lante por Dilma Rousseff.
C
En este sentido, hemos intentado establecer que, lo que permite definir
la identidad política de Itamaraty, es la burocratización de tipo weberiana
como significante vacío. Tomando la práctica de articulación que plantean
Laclau & Mouffe (1987) creemos que es, precisamente, esta burocratización
de tipo weberiana la que permite establecer esa modificación en los distintos
par a

elementos individuales que reconduce los fragmentos a una unidad represen-


tada en una única identidad política, que se evidencia en la manutención de
a re

un alto grado de cohesión corporativa y que, en última instancia, define la


são or

continuidad de la política exterior, aunque los gobiernos en el ejecutivo sean


contrapuestos en sus ideales y políticas domésticas.
La búsqueda de la autonomía fue un objetivo perseguido consciente y
persistentemente a través de la formulación de distintos modelos de política
ver dit

exterior acordes con el contexto externo y las necesidades domésticas y que


suponen una determinada cosmovisión previa a la evaluación de las alterna-
tivas; el modelo es el efecto operacional de esa cosmovisión. Por tanto, el
modelo podrá cambiar, pero no la meta.
Por otra parte, tanto desde un punto de vista político como económico-
E

-comercial, a pesar de intentar ampliar el espectro de socios extrabloque,


Brasil no ha sido – ni será – abandónico de la región. Puede haber habido
pequeños giros o un menor involucramiento político, pero no hay ningún
antecedente que permita afirmar que Brasil le dio “la espalda” a los vecinos.
No hubo, ni habrá cambios, sino matices. Al mismo tiempo, los esquemas de

47 Ver Pereyra Doval (2014).


POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 85

institucionalizaciones débiles – como es el caso del MERCOSUR – seguirán


funcionando como plataforma regional a lo internacional. Estas son estruc-
turas de bajo costo; se les puede dar menor entidad política, pero no se van a
abandonar. En este sentido el esquema de Brasil se movió muy poco.
En el mismo sentido, el proceso de construcción de coaliciones ha ocu-

V
r
pado un lugar central en las negociaciones multilaterales brasileñas desde el

uto
comienzo del milenio. La pertenencia a este tipo de grupos – como BRICS
o IBSA – implica el aumento de la capacidad de negociación y, consecuen-
temente, de los márgenes de maniobra. Por otra parte, el pertenecer todavía

R
no acarea costos y el grupo puede constituirse en plataforma de inserción in-

a
ternacional. Pero también, aseguraría ser parte del Banco de Desarrollo que
pretende erigirse en una fuente de financiamiento alternativa a las tradicio-

do
nales y paquidérmicas instituciones internacionales como el Banco Mundial
aC
y el Fondo Monetario Internacional. Por último, también se constituye en
una manera de facilitar la diversificación de los socios y de adaptarse a un
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são
orden global que se perfila más multipolar.
Con respecto a las relaciones con Estados Unidos, probablemente sea
la Alianza del Pacífico la que imponga el ritmo. En este sentido, creemos
que puede existir una doble estrategia: una estrategia es tensar la cuerda y
i
apostar a la Alianza Atlántica para contrabalancear; y otra estrategia es más
rev

negociadora, donde propone una negociación vis a vis a cambio de que no


sã tor

se organice un esquema hostil o competidor en su propia región (una nego-


ciación tipo ALCA aggiornado). Este dilema con Estados Unidos ha existido
históricamente, formalizándose con la llamada equidistancia pragmática de
ara

Vargas. Obviamente que dependiendo de qué estrategia se elija esto tendrá


repercusiones a nivel regional, pero serán secundarias. Por ejemplo, resul-
taría natural que en una situación de tensión –no de confrontación, pero sí
i

de tensión- entre el eje brasileño/atlántico y el eje americano/pacífico se den


op
d

escenarios de mayor diálogo con los vecinos; si, por otro lado, Brasil nego-
cia con Estados Unidos y le bajan la tensión a los dos esquemas no habrá
nada por lo cual negociar con la región. Puede ser que haya un acercamiento
E

a determinados hechos de la política norteamericana pero hay una cosa que


es clara: el desarrollo brasileño depende de su estructura industrial y tecno-
ver

lógica y ambas son competitivas con la americana.


Lo innegable es que Brasil tiene una amplísima inserción internacional
en términos geográficos y temáticos, de la cual no se vuelve atrás simple-
mente porque cambió el escenario político. Tras la lectura de varios artículos
que se regocijan con la “caída del gigante”, nos permitimos disentir y pre-
sagiar que, tarde o temprano, el Cristo Redentor volverá a brillar en lo alto.
86

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ver

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pode empurrar o país para recessão”, Correio Braziliense, 04/02/2015.
Disponible en: <http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/econo-
mia/2015/02/04/internas_economia,469548/entenda-como-a-petrobras-po-
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E
ver dit
são or
par a
a re C
visã R
od V
oa
uto
r
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CAPÍTULO 5

DONALD TRUMP E A LIDERANÇA


INTERNACIONAL ESTADUNIDENSE:

V
r
Relações com a América Latina

uto
R
Luis Fernando Ayerbe

do
aC
Infelizmente, após a Guerra Fria, a política externa se desviou do seu
curso. Falhamos em desenvolver uma nova visão para um novo tempo
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.... Tudo começou com a ideia perigosa de que se pode gerar demo-
são
cracias Ocidentais em países que não tinham experiência ou interesse
em se converter em uma democracia Ocidental. Donald Trump, 201648

No centro das estratégias internacionais adotadas pelos governos es-


i
rev

tadunidenses eleitos após o fim da Guerra Fria, a manutenção da liderança


é o tema comum das controvérsias no interior do establishment da política
sã tor

externa nacional quando se avalia o sucesso ou não das presidências de Bill


Clinton, George W. Bush, Barack Obama e Donald Trump.
A polarização que pautou a eleição presidencial de 2016, colocou em
ara

relevo do debate político e intelectual a perspectiva de que estaria em curso


uma mudança estrutural cujos alcances vão além das fronteiras nacionais.
O fenómeno Donald Trump, inicialmente subestimado como expressão do
i

voluntarismo de empresário narcisista e com discurso anti-establishment


op

movido menos por convicção que por oportunismo, termina se impondo


d

como catalizador de mal-estar entre amplos setores do eleitorado com a de-


gradação das suas condições de vida nas últimas décadas. Como resposta, o
E

candidato vitorioso propõe a revisão de concepções e políticas atribuídas a


elites globalizadas cujos interesses cosmopolitas se sobrepõem ao bem-estar
da população trabalhadora nacional.
ver

America First será o slogan de novo credo patriótico que pretende res-
tituir uma grandeza que se considera sacrificada em nome de supostas res-
ponsabilidades globais cujo custo-benefício teria sido negativo para o país.
Imigração, protecionismo, livre-comércio, multilateralismo, segurança in-
ternacional, compromissos com aliados, são temas de destaque de uma pauta
48 Trecho do discurso sobre política externa de Donald Trump no Center for the National Interest em 27 de abril de 2016 <https://
www.donaldjtrump.com/press-releases/donald-j.-trump-foreign-policy-speech>.
90

sobre as relações com o exterior imposta por Trump a elites estabelecidas


que, desconcertadas, y independentemente de simpatias partidárias, termi-
nam se aglutinando em torno da candidatura Democrata de Hillary Clinton.
Nas relações com a América Latina, essa pauta se esboça em duas fren-
tes: 1) nas relações com o México nos temas de imigração e livre-comércio,
com a construção do muro fronteiriço e o anúncio de rediscussão do Tratado
de Livre-Comércio da América do Norte (NAFTA), em vigor desde a ad-
ministração Clinton, que atinge também o Canadá; 2) a revisão de medidas

od V
r
estabelecidas por Obama como parte do processo de normalização diplomá-

uto
tica com Cuba.
Paralelo à conjuntura eleitoral, se processa um debate mais profundo:
trata-se de uma transição presidencial que, como ocorre regularmente dado

visã R
o peso do país no mundo, transborda as fronteiras nacionais, ou está em evi-

oa
dência de forma inédita uma revisão (ou abandono) pela maior superpotên-
cia do seu “destino manifesto” como guardião da “ordem internacionalista
liberal ocidental”?

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Repercutindo esse dilema, relatório da Brookings Institution49 elabo-
C
rado por intelectuais próximos aos partidos Democrata e Republicano, mas
que compartilham perspectiva internacionalista, é ilustrativo nas suas con-
clusões: “A política externa de Estados Unidos está em momento chave.
O mundo mudou drasticamente nos últimos cinco anos e agora os Estados
Unidos também mudaram. Perguntas básicas de continuidade com sete
décadas de diplomacia ou o desvio radical são agora parte do discurso”
par a

(Brookings, 2017, p. 62).


Para abordar esse debate, dimensionando novidades mais profundas e
a re
são or

permanentes que se expressam no fenómeno Trump, fara-se um retrospec-


tivo histórico das administrações de Bill Clinton, George W. Bush e Barack
Obama, referência crítica mais próxima que inspira America First. A pesar
de estarmos em período de gestão de um presidente que não se caracteriza
pela firmeza de convicções político-ideológicas, fidelidades e compromissos
ver dit

para além dos seus interesses, é possível identificar continuidades e mudan-


ças relevantes sobre o tema de fundo deste ensaio: tendências na posição de
EUA no mundo e impacto nas relações com a América Latina.

De Clinton a Obama: auge e declínio do momento unipolar


E

O “breve século XX” demarcado por Eric Hobsbawm foi palco de


eventos expressivos do conflito antagonista entre visões de mundo. “Era
de Extremos” sintetizou a designação distintiva do ilustre historiador para

49 O relatório é resultado do projeto Order from Chaos, que conta com a participação de analistas de origem bipartidária, como
Robert Kagan, de trajetória destacada na corrente neoconservadora de notória atuação na administração George W. Bush, e
Derek Chollet, Subsecretario de Defesa para Segurança Internacional de Barack Obama.
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 91

embates levados às últimas consequências entre impérios e nações, capita-


lismo e socialismo, democracia e nazi-fascismo, para mencionar apenas os
de maior ambição e proporção.
O fim da Guerra Fria não representava apenas a vitória do país que se apre-
sentou como líder do “mundo libre”, foi exaltado como fechamento de época

V
r
dos conflitos sistémicos até então enfrentados pelo Capitalismo Liberal.

uto
O momento de auge dessa abordagem coincidiu com a administração
de Bill Clinton (1993-2001), que passa a proclamar uma política externa de
promoção da democracia e do livre-mercado, anunciando nova divisão do

R
mundo em quatro categorias de países: o “Núcleo Democrático”, corres-

a
pondente aos Estados do capitalismo avançado, combinação “virtuosa” de
liberdade política e econômica, ponto de chegada da civilização; os “Estados

do
em transição”, em processo de adesão à ordem liberal; os “Estados delin-
aC
quentes”, patrocinadores da desestabilização e do terrorismo, e os “Estados
falidos”, em que déficits de governabilidade os torna santuários de atores
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ilícitos (Ayerbe, 2002). são


Crítico da noção de Fim da História, que considera um triunfalismo contra-
producente para os interesses estratégicos estadunidenses, Samuel Huntington
faz um balanço da inserção internacional do país promovida pela administração
i
Clinton. Referindo-se ao período pós-Guerra Fria, identifica três etapas: (1) um
rev

breve momento unipolar, tipificado na ação unilateral na Guerra do Golfo por


sã tor

parte de George H. W. Bush, (2) um sistema uni multipolar em funcionamento,


que prepara a transição para a etapa (3), multipolar. Desde essa perspectiva, faz
referência à caracterização de Zbigniew Brzezinski (1998) de EUA como pri-
ara

meira e última superpotência global, num mundo que transita da ordem centrada
nos Estados-nação para um futuro ainda incerto, em que a influência de atores
globais será cada vez mais decisiva.
i

Para Huntington, a política externa adotada por Clinton iria a contramão


op
d

do aconselhável para o momento de transição uni multipolar, pautando-se


por características típicas da unipolaridade, com uma postura imperialista
que provoca a insatisfação dos aliados tradicionais e estimula a solidarieda-
E

de entre os adversários:
ver

Nos últimos anos os Estados Unidos têm, entre outras coisas, tentado,
ou ao menos dão a impressão de estar tentando, mais ou menos de
forma unilateral, fazer o seguinte: pressionar outros países a adotarem
valores e práticas norte-americanas no que diz respeito aos direitos
humanos e à democracia; evitar que outros países adquiram capacida-
de militar que possa constituir um desafio à superioridade de seu ar-
senal de armas convencionais; impor o cumprimento de suas próprias
92

leis fora de seu território a outras sociedades; atribuir classificações


aos países de acordo com seu grau de aceitação aos padrões norte-
-americanos no que concerne a direitos humanos, drogas, terrorismo,
proliferação de armas nucleares e de mísseis ou, mais recentemente,
liberdade de religião; aplicar sanções aos países que não atendam tais
padrões; promover os interesses empresariais norte-americanos sob
a bandeira do livre comércio e da abertura de mercados; influenciar
as políticas do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional

od V
r
segundo esses mesmos interesses corporativos; intervir em conflitos

uto
locais de pouco interesse direto para o país; impor a outros países a
adoção de políticas econômicas e sociais que beneficiarão os interes-
ses econômicos norte-americanos; promover a venda de armas para o

visã R
exterior ao mesmo tempo procurando evitar vendas de natureza seme-

oa
lhante por parte de outros países (2000, p. 15).

Se bem a eleição de George W. Bush (2001-2009) delimita a transição

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de uma administração Democrata para uma Republicana, com a exposição
C
por ambos entornos partidários de divergências na política externa, a marca
distintiva dos seus dois mandatos será uma radicalização da unipolaridade
criticada por Huntington.
Em setembro de 2002, a Casa Blanca dá a conhecer o documento The
National Security Strategy of the United States of América, que delineia as
diretrizes que seguirá a política externa. Na caracterização dos novos inimi-
par a

gos, o documento oferece uma demarcação esclarecedora dos desafios que


a re

orientaram a formulação das estratégias do pós-guerra Fria:


são or

As visões militantes de classe, nação e raça, que prometeram a utopia


e entregaram a miséria, foram derrotadas e desacreditadas. América
se encontra atualmente ameaçada menos por estados conquistadores
que por estados falidos. Nós somos ameaçados menos por frotas e por
ver dit

exércitos do que por tecnologias catastróficas nas mãos de uns poucos


ressentidos. Nós devemos derrotar essas ameaças a nossa nação, alia-
dos e amigos (NSC, 2002, p. 1).

Nos pressupostos que orientam a chamada Doutrina Bush, o desencade-


E

amento de ações não terá como alvos apenas agressores reais do país ou dos
seus aliados, más incluirá ataques preventivos contra inimigos considerados
potenciais, bastando apenas suspeitas sobre a pose de armas de destruição
massiva e suporte al terrorismo. No centro dos debates daquele momento
sobre os alcances e limites do poder estadunidense, se situa a viabilidade
estratégica dessa abordagem, cujo grande teste foi a intervenção no Iraque
em 2003.
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 93

A doutrina da ação preventiva expressa o fortalecimento no interior da


administração Bush da corrente neoconservadora (Ayerbe, 2006), que reúne
em torno do Think Tank Project for the New American Century nomes re-
presentativos do debate intelectual e da gestão governamental. Em seu ma-
nifesto de 1997, são estabelecidas as diretrizes principais da sua concepção

V
r
sobre a inserção internacional do país:

uto
Os conservadores criticaram as políticas incoerentes da ad-
ministração de Clinton. Resistiram também aos impulsos do

R
isolacionismo dentro das suas próprias posições. Mas os con-

a
servadores não avançaram de forma confiável uma visão es-
tratégica do papel da América no mundo. Não determinaram

do
princípios para guiar a política externa americana. Permitiram
aC
que as diferenças sobre táticas obscureçam o acordo poten-
cial sobre objetivos estratégicos.... Nós pretendemos dar ar-
Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão

são
gumentos e sustentação para a liderança global americana50.

A opção pelo unilateralismo, apresentado como custo inevitável do


combate às novas formas de terrorismo, recebe críticas de funcionários da
i
rev

administração anterior, que se posicionam em favor de uma concepção mul-


tilateral das relações internacionais. Para Nancy Soderberg, funcionária do
sã tor

Conselho de Segurança Nacional durante o primeiro mandato de Clinton,


nomeada posteriormente como embaixadora dos Estados Unidos nas Nações
Unidas, o 11/09 teria contribuído para consolidar na condução da políti-
ara

ca externa a vitória do grupo hegemonista, representado pelo vice-presi-


dente Dick Cheney, o Secretário da Defesa Donald Rumsfeld e seu então
Secretário Adjunto Paul Wolfowitz, sobre o realista, cujo principal expoente
i
op

é o Secretário de Estado Colin Powell. Como resultado, George W. Bush


d

termina envolvido pelo mito da única superpotência que enfrenta sozinha o


desafio terrorista, “com coalizões de países de opinião coincidente, em lu-
gar de trabalhar com alianças, corpos e normas internacionais, aceitando os
E

compromissos como um custo necessário, porém controlável. A força seria o


primeiro recurso, não o último; a diplomacia seria um tema de conveniência,
ver

não de necessidade” (Soderberg, 2005, p. 25-26).


Esse caminho teria conduzido a uma ruptura com o espírito das polí-
ticas levadas a cabo pelo governo anterior, que buscou redefinir a inserção

50 Extraído da Declaração de princípios do Projeto, em 1997, em que destacamos alguns nomes representativos das concepções
que acabam influenciando a administração de George W. Bush: Dick Cheney, Donald Rumsfeld, Francis Fukuyama, Paul
Wolfowitz, Robert Kagan. A página oficial em Internet foi retirada em 2008, como resultado do fim do projeto. <https://web.
archive.org/web/20130112203305/http://www.newamericancentury.org/>.
94

internacional do país, combatendo “dois mitos arraigados: o mito do isola-


cionismo, por um lado, e o dos Estados Unidos como polícia do mundo, por
outro.” (Op. Cit., p. 22)
No Prólogo ao livro de Soderberg, Bill Clinton assume a defesa das
suas políticas, estabelecendo um contraste com as tendências posteriores ao
retorno dos republicanos ao governo, especialmente em relação ao significa-
do estratégico de se assumir certos compromissos internacionais cujo pres-

od V
r
suposto é a consciência da excepcionalidade do momento unipolar.

uto
Nossa filosofia era cooperar sempre que pudéssemos e atuar sozinhos
quando fosse necessário. Deste modo, realizamos ações acordadas
com aliados, nos associamos com a OTAN para atacar as forças sér-

visã R
oa
vias em Bósnia e Kosovo e estabelecemos novas redes de comércio
e protocolos de segurança. Por outro lado, atuamos sozinhos quando
atacamos Al Qaeda em Afeganistão e Sudão, proporcionamos ajuda

Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão


financeira ao México e à Rússia, ou abrimos os mercados para os pa-
C
íses africanos. Acreditamos que os Estados Unidos deviam atuar de
modo tal que servisse aos próprios interesses, não só na atualidade,
senão também num futuro no qual não fossemos a única superpotência
econômica, política e militar (Sorderberg, 2005, p. 12).

A racionalidade das ações do governo Bush foi bem sintetizada por


par a

Paul Wolfowitz, para quem os Estados Unidos estariam exercendo um papel


de liderança no resguardo de interesses que envolvem a comunidade interna-
a re

cional, combatendo os países hostis que fomentam o terrorismo.


são or

Para nós, poder militar é muito mais um meio de defesa. A grande


força dos EUA não é seu poderio militar, mas seu poder econômico.
E mais potente ainda é nossa força política - aquilo que significamos.
ver dit

No mundo todo, mesmo em países cujos regimes nos odeiam, o povo


admira o nosso sistema ... Claro que há diferença de interesses entre
países, mas por causa do modo como definimos nossos interesses exis-
te uma compatibilidade natural de interesses entre os EUA e os outros
países (Gardels, 2002, p. A25).
E

Essa perspectiva será relativizada na administração de Barack Obama.


Diferentemente das eleições presidenciais de 2004, em que as qualificações
de George W. Bush e John Kerry para liderar o combate ao terrorismo estive-
ram no centro do debate, em 2008, o candidato Democrata se diferenciou do
Republicano John McCain pela forte crítica ao principal desdobramento da
guerra ao terror, a invasão do Iraque, à qual imputou entre as consequências
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 95

o desgaste político internacional do país e uma custosa concentração de es-


forços humanos e materiais.
Legitimado como opção renovadora para responder a uma agenda de
desafios mais variada e complexa, em contexto da grave crise financeira de-
satada em 2008, Obama terá que mostrar-se capaz de destinar recursos limi-

V
r
tados para uma diversidade de situações urgentes.

uto
Entre os aspectos a destacar está a estabilização do Iraque, a nucleariza-
ção do Irã, o incremento da atuação da Al Qaeda e o Talibã no Afeganistão e
o Paquistão, o ressurgimento da Rússia como potência militar com ambições

R
expansionistas, e a projeção da China, que assume crescente protagonismo

a
econômico global.
No enfrentamento desses desafios, Obama buscará se diferenciar do

do
seu antecessor, mostrando maior abertura frente a adversários históricos
aC
do país. Já nos primeiros meses de mandato expressa reiterados pedidos de
desculpas por comportamentos arrogantes do passado com o mundo muçul-
Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão

são
mano (entrevista à rede Al Arabiya, 27/01/2009), com os aliados europeus
(discurso na França, 03/04/2009) e latino-americanos (Cúpula de Trinidad
y Tobago em 17/04/2009); propõe um novo começo nas relações com o Irã
(Videoteipe parabenizando o país pelo ano novo Persa, 20/03/2009), reco-
i
nhecendo e se desculpando pela participação no golpe contra o Primeiro
rev

Ministro Mosaddek em 1953 (discurso no Egito, 04/06/2009); critica práti-


sã tor

cas de tortura a prisioneiros por parte da CIA, que teriam sacrificado valores
nacionais essenciais no terreno dos direitos humanos (discurso aos funcio-
nários da agência, Virginia, 20/04/2009), propondo fechar a prisão da Bahia
ara

de Guantánamo (discurso na França, 03/04/2009) (Gardiner; Roach, 2009).


Em círculos conservadores próximos ao Partido Republicano, tais atitu-
des serão vistas como claudicação frente aos inimigos do país. Ao longo dos
i

dois mandatos de Obama, essa percepção será complementada por críticas


op
d

à sua atuação em situações de crise internacional, especialmente frente à


guerra civil na Síria, que teria favorecido o ativismo russo, e ao avance do
jihadismo alavancada pela irrupção do Estado Islâmico.
E

No caso da Síria, após anúncio de emprego da força em retaliação ao


uso de armas químicas contra opositores por parte do presidente Bashar al
ver

Assad, cumprindo demarcação anterior de uma linha vermelha que funcio-


naria como disparador de represálias, Obama recua. Pesaram nesse desfecho
a decisão de submeter ao Congresso a iniciativa, desencadeando debate nos
partidos Republicano e Democrata cercado por pressões da opinião pública;
a volta atrás da Inglaterra de acompanhar os EUA por votação contrária do
parlamento; a falta de apoio em reunião do G20 em setembro de 2013 na
Rússia, somada à proposta de Vladimir Putin, aliado de Bashar al Assad, de
96

obter o desarmamento unilateral da Síria, finalmente acatada. Na crítica da


oposição Republicana, além da perda de iniciativa para Putin, estaria sendo
evidenciada falta de rumo do presidente, com declarações contraditórias e
sem posturas resolutas.
A anexação da Crimeia pela Federação Russa e as demonstrações de
poder militar na fronteira com a Ucrânia, em apoio aos setores separatistas
pró-Rússia, reforçam a perspectiva que atribui hesitação e fraqueza a Obama

od V
r
perante um Vladimir Putin que sabe o que quer e vai atrás, colocando os

uto
EUA e a Europa frente a fatos consumados difíceis de reverter.
No caso da emergência do Estado Islâmico (EI), em entrevista à revista
The New Yorker em janeiro de 2014, Obama tinha sido questionado sobre a

visã R
presença de diversas facções radicais no Iraque e na Síria, mas subestimou

oa
sua gravidade, fazendo a analogia com um time júnior de basquete, em que
distinguia “a capacidade e alcance de um bin Laden e uma rede que está ati-
vamente planejando grandes ataques terroristas contra a pátria, versus jiha-

Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão


distas que estão envolvidos em várias lutas e disputas locais de poder, muitas
C
vezes sectárias” (Remnick, David 2014). Com a irrupção do Califado, é for-
çado a acordar para a nova realidade, anuncia sete meses depois que os EUA
estão em guerra contra o EI, promovendo uma coalizão de mais de 60 países,
incluindo Arábia Saudita, Jordânia, Emirados Árabes e Egito.
No período final de mandato, duas iniciativas terminam delineando,
par a

para opositores e aliados, o perfil da administração Obama em política ex-


terna. Em dezembro de 2014, junto com seu par Raúl Castro, anuncia a nor-
a re

malização diplomática com Cuba. Em 2015, a partir de negociações patro-


são or

cinadas conjuntamente com os demais membros permanentes do Conselho


de Segurança da ONU (Rússia, China, França e Inglaterra), às quais se soma
Alemanha, se estabelece a limitação e supervisão por 25 anos do programa
de enriquecimento de uranio iraniano em contrapartida do levantamento de
ver dit

sanções contra o país.


Seus unilaterais pedidos de desculpas pelo acionar de governos pas-
sados, a indecisão e improvisação que fortalece adversários como Rússia e
subestima o terrorismo, a inversão de posições frente a inimigos históricos
como Cuba e Irã, tornarão o presidente Democrata alvo de acusações do
E

espectro conservador como promotor, por opção ou inaptidão, da perda pau-


latina da liderança conquistada pelos EUA após a vitória na Guerra Fria.
Certamente não era essa a visão do governo sobre a sua política, que
via o ativismo do período Bush como inadequado a um cenário em que os
EUA padecem as limitações impostas pelos ajustes para lidar com a crise
financeira, a ascensão de novas potências que no campo econômico projetam
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 97

um mundo multipolar, e a acentuada perda de legitimidade internacional de


alocuções abertamente hegemonistas.
A liderança estadunidense projetada por Obama contempla uma ade-
quação realista entre objetivos e recursos nacionais disponíveis, combinando
a intromissão nos assuntos internos de países cujos governos são situados no

V
r
campo adversário ou inimigo, e a busca pragmática de alianças com aqueles

uto
dispostos a cooperar.
Desde uma perspectiva próxima à administração Democrata, Charles
Kupchan situa essa postura como parte de uma racionalidade que conce-

R
be o engajamento com adversários como uma das prioridades diplomáticas,

a
em que transformar “inimigos em amigos” torna-se uma aposta mais segura
do que o confronto e o isolamento. Apresentada em 2010, a abordagem de

do
Kupchan dá significado estratégico aos lineamentos da política externa de
aC
Obama, que estaria
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são
colocando a agenda de democratização em segundo plano e baseando
a diplomacia dos EUA com relação a outros Estados no seu comporta-
mento externo, não no seu tipo de regime. Mesmo regimes repressivos
podem ser confiavelmente cooperativos quando se trata da sua condu-
i
ção da política externa. No longo prazo, trabalhando com autocratas
rev

recalcitrantes pode enfraquecê-los muito mais eficazmente do que a


contenção e o confronto (Kupchan, 2010).
sã tor

Longe de qualquer idealismo altruísta, tratar-se-ia de uma escolha ba-


seada em interesses, cujo cálculo inclui a possibilidade de que alguns dos
ara

regimes contemplados no respondam na mesma direção, nesses casos,


“Washington, depois de um intervalo prudente, deve suspender a ofer-
ta de acomodação em favor de uma estratégia de isolamento e contenção”
i
op

(Kupchan, op. Cit.).


d

Em sintonia com essa perspectiva, o próprio presidente assume, em en-


trevista à Thomas Friedman, o que seria a “Doutrina Obama” aplicada a
Cuba e Irã: “nos comprometemos, mas sem perder nenhuma das nossas ca-
E

pacidades” (Friedman, 2015). Seja em seu governo ou no futuro, tudo pode


ser revisto. No caso de Cuba:
ver

Podemos provar a possibilidade de um acordo que tenha resultados


positivos para o povo cubano e sem demasiado risco para nós. É um
país diminuto. Não é um país que ameace os nossos interesses centrais
em matéria de segurança, e por tanto não há razão para não o intentar.
E se resulta que depois não conduz a nada de bom, sempre poderemos
ajustar nossa política (Friedman, op. Cit.).
98

America First

A transição presidencial de 2016 incorpora novos ingredientes às con-


trovérsias sobre a inserção de EUA no mundo. Como apontado no início, o
esforço de Trump por se diferenciar de Obama tem como componente desta-
cado o questionamento de compromissos com acordos comerciais e militares
em que situa como grandes beneficiários aos aliados do país. No entanto, não

od V
r
se trata apenas de radicalização de posições animada por disputa eleitoral,

uto
o slogan America First assume como intenção uma revisão de trajetória que
abarca o conjunto de administrações analisadas na seção anterior.
Durante a campanha eleitoral, Donald Trump expôs diferenças impor-

visã R
tantes nas políticas doméstica e externa com relação à candidata Hillary

oa
Clinton. Entre os aspectos que geraram mais polémica, o cancelamento do
programa de saúde conhecido como Obamacare; o questionamento de trata-
dos de livre-comércio acompanhado de protecionismo do mercado interno e

Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão


estabelecimento de barreiras à imigração – com controle fronteiriço levado
C
ao paroxismo pela construção de muro separando EUA do México –; revisão
da normalização diplomática com Cuba e abandono do acordo com o Irã.
Subestimado e satirizado desde o início das primárias partidárias, ao se
tornar candidato oficial, e a pesar do discurso conservador, Trump passa a
ser considerado um risco para o establishment, inclusive por sectores tradi-
par a

cionalmente associados às administrações Republicanas (Robinson, 2016).


O favoritismo atribuído à Clinton por parte de pesquisas e analistas, fortale-
a re

cido com apoio majoritário de formadores de opinião do âmbito empresarial,


são or

sindical, artístico e meios de comunicação, durou até a abertura das urnas,


quando o escrutínio de votos passou a mostrar vantagem contínua do seu
oponente na conquista de delegados para o colégio eleitoral que o sacramen-
tou como presidente.
ver dit

Ser um outsider optando por campanha pautada em slogans provoca-


tivos e de alto impacto midiático se mostrou altamente recompensador na
etapa de conquista de votos. Para exercer o poder, os desafios são mais com-
plexos. Como apontou Francis Fukuyama,
E

Trump brilhantemente conseguiu mobilizar a parcela descuidada e


insuficientemente representada do eleitorado, a classe trabalhadora
branca, e empurrou sua agenda ao topo das prioridades do país. Agora
terá que entregar, no entanto, aqui é onde radica o problema. Há iden-
tificado dois problemas muito reais na política de América: o aumen-
to da desigualdade, que há golpeado muito duramente à velha classe
operária, e a captura do sistema político por grupos de interesse bem
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 99

organizados. Desafortunadamente, ele não tem um plano para resolver


nenhum desses problemas (Fukuyama, 2016).

Diferentemente de Clinton, Bush e Obama, que sempre contaram com


programas de governo formulados por equipes técnicas de extensa expe-

V
r
riência de assessoria e gestão dentro do entorno dos partidos Democrata e

uto
Republicano, Trump foi fundamentalmente o artífice de si mesmo, com as-
sessores recrutados no seu ambiente familiar e empresarial de confiança, e
em círculos da chamada Alt-right (Direita Alternativa), articulados princi-

R
palmente em torno do portal Breitbart News51.

a
Alguns exemplos são reveladores da estigmatização do empresário can-
didato por parte do establishment conservador nos meses prévios à eleição.

do
Em abril, quando apresentou publicamente seu programa para a política ex-
aC
terna em evento organizado pelo Center for the National Interest (CNI)52, ge-
rou extensas polêmicas não apenas por causa das ideias reveladas, mas pelo
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são
fato de que uma instituição de tradição no debate das relações internacionais
lhe abrisse espaço (Think tank watch, 2016).
Referindo-se ao conteúdo do programa apresentado, Tom Donnelly, do
American Enterprise Institute (AEI)53, não usou meias palavras: “Trump é um
i
imbecil em política internacional, e aparentemente tem orgulho de sê-lo” (mcin-
rev

tire, 2016). Na mesma direção, o vice-presidente do AEI, Danielle Pletka, du-


rante participação na rede NBC, o qualificou de idiota (The economist, 2016).
sã tor

Defendendo-se das críticas, Dimitri K. Simes e Paul J. Saunders, do


CNI, deixam explicitados contornos de polarização que vão além do entorno
ara

partidário, envolvendo disputas de espaços de influência em Washington, em


que uma eventual vitória de Trump poderia “pôr fim à dominação da atual
Nomenklatura da política externa e ameaçar diretamente suas carreiras. Ele
i

provoca reações similares entre a elite transnacional de Davos insistindo que


op

o Estado-nação continua sendo o verdadeiro fundamento da felicidade e da


d

harmonia” (Simes; Saunders, 2016).


Sem entrar publicamente nesse tipo de controvérsia, seguindo tradição
E

de não assumir oficialmente apoios partidários, a Heritage Foundation (HF)54


51 Fundado pelo analista conservador Andrew Breitbart em 2007, que falece em 2012. Em 2016, durante a campanha à presidên-
ver

cia de Estados Unidos, seu diretor Steve Bannon apresenta o portal como plataforma da Direita Alternativa, conjunto heterogé-
neo de grupos cujo comum denominador é a crítica do conservadorismo tradicional, com agendas que envolvem nacionalismo
a partir da supremacia branca, antifeminismo, islamofobia, neonazismo.
52 Think Tank fundado por Richard Nixon em 1994, com o objetivo de se posicionar como referência do pensamento realista nas
relações internacionais, edita a revista The National Interest. Paul J. Saunders, atual Diretor Executivo, foi assessor do subse-
cretario de Estado para Assuntos Globais da administração de George W. Bush.
53 Fundado em 1943, o American Enterprise Institute é um dos principais centros de referência do pensamento conservador.
Importantes quadros da administração de George W. Bush, como o Subsecretario de Defesa, Paul Wolfowitz, e o Subsecretario
de Estado para o Controle de Armas e Segurança Internacional, John Bolton, têm vínculos com esta instituição.
54 Criada em 1973, a Heritage explicita a adoção de uma perspectiva conservadora na abordagem dos temas para os quais orien-
ta sua análise, cujo objetivo é a pesquisa e a proposição de políticas governamentais. Elaine L. Chao, Secretária de Trabalho
de George W. Bush, nomeada Secretária de Transportes por Trump, vem desta instituição.
100

vislumbrou em Trump, candidato exíguo de ideário coerente e cristalizado,


a oportunidade para colocar em evidência uma agenda que vem sendo gesta-
da em anos de pesquisa e incidência nas instituições do Estado (Bercowitz,
2017), merecendo lugar de destaque na atribuição de impactos da HF na sua
página web:

Donald Trump obteve sua lista de possíveis candidatos à Suprema

od V
r
Corte das recomendações da Heritage. Muitas das suas recomenda-
ções políticas foram extraídas do nosso Mandate for Leadership series

uto
of policy guides. Após sua eleição de novembro, a Heritage continuou
proporcionando orientação sobre política e nomes, e várias dezenas de
pessoas trabalharam diretamente com a equipe de transição (Heritage

visã R
Foundation, 2017).

oa
A Series of policy guides, em elaboração desde 2016, contém recomen-

Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão


dações da HF consoantes com medidas propostas e em estudo pela adminis-
C
tração Trump desde o início do seu mandato: 1) reforma impositiva propondo
redução de impostos para o setor privado, buscando estimular o crescimento
com maior investimento das empresas e aumento do consumo dos setores de
alta renda; 2) orçamento federal equilibrado, combinando o impacto da di-
minuição de impostos com a redução de gastos em programas de bem-estar
social, com destaque para a saúde, em que o objetivo principal é substituir a
par a

Patient Protection and Affordable Care Act de 2010 (Obamacare) por um sis-
tema baseado no setor privado. Esses cortes não afetariam a Defensa Nacional,
a re
são or

que se propõe fortalecer aumentando a destinação de recursos; 3) redução de


regulamentações estatais sobre o mercado, em que se destacam a eliminação
do financiamento habitacional, do Obamacare e da Dodd–Frank Wall Street
Reform and Consumer Protection Act de 2010 (Dodd–Frank), criada para dis-
ciplinar o mercado financeiro como resposta à liberalidade de controles que
ver dit

impactou na crises deflagrada em 2008 (Heritage Foundation, 2016).


A reforma impositiva é um fator chave numa estratégia estrutural de
empoderamento do setor privado, que o Partido Republicano vem debatendo
intensamente desde o período Obama, e conjuntural, incorporando temas
postos pela vertiginosa e imprevista ascensão de Trump, destacadamente a
E

proteção do mercado interno com estímulo às exportações e a construção do


muro na fronteira mexicana financiada pelos próprios mexicanos.
Desde a instalação do governo, iniciou-se a ofensiva nesses temas,
com ordens executivas decretando a saída da Parceria Transpacífico de
Cooperação Econômica (TPP), iniciativa negociada por Obama, revisão da
lei Dodd–Frank e autorização para a construção do muro fronteiriço.
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 101

Para além das intensas polémicas sobre a eficiência do muro para conter
a imigração, do desgaste internacional na imagem dos EUA pela sua ofensiva
unilateral contra um aliado que não gerou nenhum comportamento que o jus-
tificasse, e do custo para os consumidores estadunidenses do encarecimento
de importações, nos interessa examinar o impacto na gestão governamental

V
r
do esforço para conciliar a intempestiva agenda Trumpiana de America First

uto
com uma estratégia econômica Republicana que leva anos de gestação.
Nesse sentido, um dos aspectos que geram polêmica dentro da refor-
ma impositiva é o ajuste de impostos fronteiriços, que gerariam tarifas so-

R
bre importações, incluindo insumos utilizados na produção, compensando

a
as empresas com isenção integral às exportações. A proposta, apoiada por
setores exportadores, gera reações em empresas vinculadas ao comércio no

do
mercado interno, que contam com alto componente importado de produtos
aC
e seriam prejudicadas com a elevação de preços. Por outro lado, existem
questionamentos no âmbito do debate econômico, em que analistas de po-
Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão

são
sições liberais associam esse ajuste a uma forma de política industrial que,
na contramão do ideário histórico do Partido Republicano, distorceria arbi-
trariamente o equilíbrio do mercado (Gramm, 2017). Embora reconhecendo
a polémica gerada, Kevin Brady, deputado responsável pela estruturação da
i
reforma impositiva, defende a inclusão do ajuste fronteiriço como parte da
rev

estratégia presidencial de defender produtores e empregos locais, apontando


sã tor

para uma expectativa otimista de arrecadação tributária:

O plano permitiria às empresas deduzir o custo dos bens que se expor-


ara

tam. Importadores, no entanto, não receberiam o mesmo benefício –


impondo-se efetivamente um imposto sobre seus produtos. A proposta
de “ajuste em fronteira” estima arrecadar cerca de U$S 1 trilhão em
ingressos fiscais que ajudariam a pagar pela redução da taxa de impos-
i
op

to corporativo de 20 por cento (Fox, 2017).


d

Outra área destacada nas Series of policy guides da HF é o orçamento


equilibrado. Em 16 de março se dá a conhecer o projeto para o ano fis-
E

cal de 2018 a ser analisado no Congresso. Sob o título “América Primeiro.


Um plano orçamentário para fazer que América seja grande novamente”,
ver

define os gastos propostos para agências e ministérios, correspondentes a


US$1 trilhão, antecipando parte do orçamento federal completo, que ron-
da os US$4 trilhões, apresentado em maio. Independentemente da trajetória
de aprovação no Congresso, em que o resultado final pode ser diferente do
proposto pelo Poder Executivo, interessa-nos destacar a transposição das
diretrizes programáticas da candidatura Trump nas prioridades estabelecidas
102

na antecipação orçamentaria. Como mostra o quadro 1, a premissa da busca


de equilíbrio é que as prioridades com Defesa e Segurança Interna sejam
compensadas com recortes nas demais áreas.

Quadro 1 – Proposta de Orçamento de Donald Trump para o ano fiscal de 2018

Aumento Recorte
Departamento de Estado – 28%

od V
r
Departamento de Educação – 13,5%
Departamento de Agricultura – 20%

uto
Departamento de Comércio – 16%
Departamento de Energia – 5,6%
Departamento de Saúde – 17,9%
Departamento de Moradia e Desen-

visã R
Defesa - 10%
volvimento Humano – 13,2%
Departamento de Segurança Interna – 7%

oa
Departamento do Interior – 12%
Departamento de Assuntos de Veteranos – 6%
Departamento de Justiça – 3,8%
Departamento do Trabalho – 21%
Departamento de Transportes – 13%

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Departamento do Tesouro – 4,1%
C
Agência de Proteção Ambiental – 31%
NASA – 0,8%
Administração de Pequenas Empresas – 5%

Fonte: America First Budget, 2017.

No Departamento de Segurança Interna, se comprometem US$ 2.600


par a

milhões para o muro na fronteira com o México. No Departamento de Estado,


se reduzem recursos para Assistência ao Desenvolvimento, com impacto na
a re

ONU, que também é afetada pela interrupção de programas contra a mudan-


são or

ça climática, como parte dos recortes na Agência de Proteção Ambiental.


No âmbito interno, as reduções em Saúde, Moradia, Educação e Trabalho
afetam principalmente os setores mais pobres, alvo destacado do discurso
eleitoral trumpiano que prometia o resgate aos esquecidos.
ver dit

Tanto a reforma fiscal como o orçamento colocam em evidência duas


dimensões que se fazem presentes desde o início do governo: 1) a agenda do
Partido Republicano, prévia a ascensão de Trump, que não foi o candidato
de preferência, encontra um cenário favorável de implementação, propiciado
pelo perfil conservador do gabinete, num quadro de perplexidade na oposi-
E

ção Democrata, com representação minoritária nas duas casas do Congresso;


2) a cota exclusiva presidencial em termos de estilo pessoal, auxiliares de
confiança, iniciativas e forma de implementação, expõem no cotidiano da
gestão um perfil de improvisação, desconfiança, polarização, incompetência
e ética maleável, com negativo impacto midiático doméstico e internacional,
em que tendem a disseminar-se especulações sobre interrupção antecipada
do seu mandato.
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 103

No primeiro aspecto, nomeações em postos chave da justiça, saúde,


meio-ambiente, economia, educação e política externa colocam o establish-
ment do Partido Republicano em situação confortável para a implementação
de reformas que deram o mote da oposição à administração anterior.
O senador Jeff Sessions, nomeado como Secretário de Justiça, de co-

V
r
nhecidas posições radicais contra a imigração, ao que se somam acusações

uto
de simpatia com a organização racista Ku Klux Klan. O Deputado Tom
Price, como Secretário de Saúde e Serviços Humanos, um dos mais desta-
cados ativistas contra o Obamacare. Scott Pruitt para dirigir a Agência de

R
Proteção Ambiental, associado por movimentos ambientalistas aos interes-

a
ses da indústria de gás e petróleo, opositor da política de Obama sobre mu-
dança climática, com questionamentos à comunidade científica que alerta

do
sobre seus efeitos.
aC
Assim como no caso de Pruitt, a valorização do vínculo anterior com o
setor privado é uma característica que marca o gabinete. Na gestão econômi-
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são
ca e comercial, quatro nomeações destacam essa tendência: Steven Mnuchin
como Secretário do Tesouro e Gary Cohn na direção do Conselho Econômico
Nacional, ambos vinculados à Goldman Sachs, alvo do candidato Trump
como agente destacado do setor financeiro responsabilizado pela trajetória
i
de concentração de renda paralela ao crescimento da desigualdade e empo-
rev

brecimento dos trabalhadores. Wilbur Ross como Secretário de Comércio,


sã tor

ex-diretor do banco de investimentos Rothschild Inc. Robert Lighthizer


como Representante Comercial (USTR), agência em que se desempenhou
como subsecretário na administração de Ronald Reagan, atuando depois no
ara

setor privado como advogado, tornando-se sócio do estúdio Skadden Arps.


Fora do âmbito econômico-comercial, a presença do setor corporati-
vo na administração se consolida com a nomeação de Betsy DeVos como
i

Secretária de Educação e de Rex Tillerson como Secretário de Estado.


op
d

DeVos, diretora do Windquest Group, chegou a defender abertamente o fim


da educação pública. Tillerson se desempenhou como CEO da multinacional
petroleira Exxon Mobil, em que adquiriu reconhecimento por sua habilidade
E

negociadora em defesa de interesses da empresa frente a obstáculos associa-


dos à política externa estadunidense, como as sanções de Obama à Rússia,
ver

sendo homenageado em 2013 pelo presidente Vladimir Putin com a Ordem


da Amizade Russa.
Contra especulações à esquerda e direita sobre supostas vocações anti-
neoliberais de Trump, o perfil do gabinete e da política econômica eviden-
ciam um favorecimento do mercado em detrimento do Estado de contornos
equivalentes aos anos Reagan.
104

Entre as pautas da chamada Reaganomics, inspirada na plataforma


eleitoral do Partido Republicano de 1980, se destaca a redução de gastos
mediante o corte de programas sociais, ampliação de orçamento de defesa
–como parte de uma postura ofensiva contra a então União Soviética–, au-
mento da poupança e dos investimentos reduzindo impostos para as pessoas
físicas e criando incentivos fiscais para as empresas, complementada por
uma “diplomacia do dólar forte” mediante a suba de juros e valorização da

od V
r
moeda, que impactou favoravelmente no controle da inflação e contribuiu

uto
a financiar déficits comerciais e orçamentários pela captação de poupança
internacional (Ayerbe, 2002).
Os efeitos conjunturais foram significativos. Entre 1982 e 1983 o de-

visã R
semprego caiu de 10,7% para 7,3%, e a renda média aumentou 9%, o que

oa
favoreceu a reeleição de Reagan em 1984. Havendo assumido a presidência
em momento de desafios que combinam a crise do petróleo de 1979, desace-
leração do crescimento interno paralela ao dinamismo ascendente de Japão e

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Alemanha Ocidental, que se beneficiaram da ajuda de EUA no pós-Segunda
C
Guerra, e projeção internacional da URSS, sua política econômica é consi-
derada, especialmente em círculos conservadores, componente estrutural na
retomada hegemônica que conduz anos mais tarde à vitória na Guerra Fria
(Ayerbe, 2002). Em perspectiva similar, a economia é dimensão estratégica
da consigna America First. Como destaca John Paulson, empresário do setor
par a

financeiro e assessor de campanha de Trump:


a re

Impostos competitivos para as empresas, maiores facilidades para re-


são or

patriação de lucros no estrangeiro, ambiente regulatório menos one-


roso, expansão da produção doméstica de energia, e acordos comer-
ciais que dão às empresas de Estados Unidos uma oportunidade justa
para competir – junto com a criação de postos de trabalho, acelerar o
ver dit

crescimento, é dar lugar a uma nova era de prosperidade americana


(Paulson, 2017, p. 11).

Paralelamente ao perfil do gabinete, a agenda conservadora ganha res-


paldo no poder judicial. Contando com maioria no Senado, Trump conse-
gue a aprovação do juiz Neil Gorsuch para a Suprema Corte, desempatando
E

o equilíbrio de quatro liberais e quatro conservadores estabelecido após a


morte de Antonin Scalia em fevereiro de 2016. Gorsuch é considerado uma
opção coerente com o discurso de campanha contra o aborto, já que uma das
suas críticas ao Obamacare se alinhou com argumentos baseados na fé por
parte de grupos religiosos que questionaram a inclusão da contracepção na
cobertura das empresas de saúde.
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 105

O cenário apresentado, favorável ao conservadorismo do Partido


Republicano, contrasta com a incerteza sobre o futuro gerada no processo
de implementação de propostas emblemáticas do frontal e antagonista pre-
sidente eleito. Desde o primer dia na Casa Branca, Trump vem tomando
decisões e dando declarações com impacto na formação de ambiente de po-

V
r
larização e reações de descrédito em âmbitos domésticos e internacionais.

uto
A pouco tempo de nomear o general da reserva Michael Flynn como
Assessor de Segurança Nacional, Trump se vê obrigado a exonera-lo pela di-
vulgação de comunicações com o embaixador da Rússia prévias à pose do go-

R
verno, em que tratava das sanções estadunidenses ao país. Somado à revelação

a
de órgãos de inteligência sobre espionagem cibernética russa no comitê de cam-
panha de Hilary Clinton, divulgando informações confidenciais que terminaram

do
influenciando na sua derrota, se aprofunda a desconfiança com relação a vincu-
aC
lações pouco claras do presidente com seu par Vladimir Putin.
A reação intempestiva de Trump contra os meios e os serviços de in-
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são
teligência pelas informações divulgadas instala um processo de embate
contínuo acompanhado de revelações cada vez mais comprometedoras e
a elevação do tom governamental buscando desvencilhar-se desse tipo de
acusação. A percepção de que se evidencia um comportamento público iné-
i
dito para um primeiro mandatário aplica-se também à esfera internacional,
rev

especialmente com relação a posturas que afetam as relações com aliados


sã tor

históricos do país. Entre os exemplos a destacar, as já mencionadas ordens


executivas decretando a saída do TTP e a construção do muro na fronteira
com México; palavras elogiosas ao resultado do Brexit que aprovou a saída
ara

da Grã Bretanha da União Europeia; a proposição de Ted Malloch como


representante de EUA na organização, que em declarações anteriores à BBC
tinha previsto o fim do Euro em um ano e meio, gerando a rejeição do seu
i

nome por parte da Eurocâmara, e o anuncio da saída do acordo de Paris sobre


op
d

mudança climática.
Reconhecidos veículos liberais passam a especular sobre eventual ante-
cipação do final de mandato. Para Edward Luce, do Financial Times, “Não
E

há meio termo na Washington de Trump. Ou as forças que estão contra o pre-


sidente irão derrubá-lo ou ele vai destruir o sistema” (Luce, 2017). Lhe atri-
ver

buindo comportamento motivado menos por convicção do que por sentido


de oportunidade, sob a influência de Stephen Bannon, exitoso coordenador
da estratégia de campanha premiado com o cargo de principal assessor pre-
sidencial, The Economist assume a posição de setores colocados como alvo
do discurso nacionalista, antiliberal e antiglobalista da Direita Alternativa,
estabelecendo pautas sobre o Que Fazer?
106

O primeiro passo é limitar os danos.... Os republicanos moderados e


os aliados dos EUA precisam dizer ao presidente por que Bannon e
os que comungam de sua ideologia estão errados.... Também é fun-
damental convencer Trump de que são as alianças que garantem a
supremacia dos EUA...Se Trump realmente deseja colocar os EUA
em primeiro lugar, sua prioridade deveria ser fortalecer os laços diplo-
máticos do país, não tratar seus aliados com desprezo. E se o conselho
for ignorado? Os aliados dos EUA precisam manter as instituições

od V
r
multilaterais em pé para o dia em que Trump deixar a Casa Branca.

uto
Também precisam se preparar para enfrentar um mundo em que os
EUA já não exerçam um papel de liderança (The Economist, 2017).

visã R
Visualizando uma disputa de poder de contornos que vão além da po-

oa
lítica doméstica estadunidense, dado o impulso que a vitória de Trump e do
Brexit proporcionou a partidos e movimentos de signo ideológico similar
na Europa, The Economist esboça uma reação frente à projeção, antes su-

Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão


bestimada pelo triunfalismo do fim da história, de uma direita que reivindi-
C
ca tradições etno-nacionalistas e religiosas. A personificação na figura de
Bannon, o transforma em alvo perfeito pela posição ocupada na administra-
ção e sua conhecida trajetória ativista de explícito radicalismo, chegando
a se comparar com Lênin em sua epopeia para destruir o Estado: “Quero
derrubar tudo, e destruir todo o atual establishment” (Radosh, 2016).
par a

Parte desse ideário foi apresentado em conferência realizada em 2014


durante evento no Vaticano, quando Bannon advertiu sobre a existência de
a re

uma grave crise no Ocidente judaico-cristão, envolvendo o capitalismo, a fé


são or

e a religião.
No âmbito do capitalismo, a crise se expressaria na prevalência de dois
modelos que subvertem os “fundamentos espirituais e morais do cristianismo
... Um deles é o capitalismo patrocinado pelo estado ... que se vê na China e na
ver dit

Rússia ... A segunda é um capitalismo que parece transformar as pessoas em


commodities” (Feder, 2016). Somado à secularização, em que vê uma perda de
espaço da fé frente à cultura popular, alerta para brechas favoráveis à ofensiva do
grande inimigo do século XXI, o “fascismo islâmico jihadista”.
Perguntado sobre como via a Vladimir Putin nesse cenário global de
E

conflito, pondera seu esforço em “defender as instituições tradicionais, e que


está tratando de fazê-lo desde uma forma de nacionalismo”, e ainda que de
fato considere a Rússia “uma cleptocracia, realmente uma potência imperia-
lista que quer se expandir. No entanto… a verdadeira situação é que se está
frente a um potencial novo califado muito agressivo”.
Tanto a direita etno-nacionalista como a neoliberal se percebem em
momento de enfrentamento aberto. No lado da Direita Alternativa, se
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 107

procede a uma vertiginosa ocupação de espaços em decisões de impacto em


Washington. No lado neoliberal, se desencadeia ofensiva nos meios com
um roteiro que prevê três possibilidades: 1) persuasão de Donald Trump,
que não seria radical como seu estrategista Bannon, e em algum momento
poderá ser levado a mudar de rumo frente a custos resultantes do isolamento

V
r
político; 2) o presidente mantêm a linha adotada, beneficiando-se de respal-

uto
do popular paralelo a expansão da economia similar ao primeiro mandato
de Reagan, obrigando à construção de alianças pensando num futuro pós-
-Trump; 3) o presidente mantêm a linha adotada a pesar da permanência da

R
crise de gestão, aumentando as vozes a favor de una saída antecipada.

a
A segunda possibilidade, caso se configure, depende de melhoras pal-
páveis no bem-estar econômico cuja perceptibilidade não é imediata. A pri-

do
meira já está em plena operação, diferentemente de presidentes anteriores,
aC
Trump não gozou de 100 dias de lua-de-mel e Bannon deixou seu cargo no
governo. Crescentemente isolado por frequentes enfrentamentos com inú-
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são
meros auxiliares de Trump, agravado pelos incidentes de agosto e 2017 em
Charlottesville, em que o choque entre manifestantes supremacistas brancos
com setores antirracistas levou à morte de uma ativista antidiscriminação,
impondo forte desgaste ao presidente, tornaram sua permanência insusten-
i
tável. A terceira, ainda que presente como especulação nos meios, envolve a
rev

posição que possa adotar o Partido Republicano.


sã tor

A pesar do impacto traumático nas instituições e na credibilidade do sis-


tema político de eventual impeachment ou renúncia do presidente, não seria
afetado o curso de implementação da agenda conservadora. Contrariamente,
ara

poderia adquirir maior legitimidade com a ascensão do vice-presidente Mike


Pence, de trajetória afinada com a estrutura partidária.
i

Crise de liderança?
op
d

Nas recomendações para responder à ofensiva trumpiana, The


Economist levanta um tema que vai além da atual administração: se preparar
E

para o momento em que os EUA deixem de exercer a liderança internacional.


Como vimos na seção sobre Clinton, Bush e Obama, a unipolaridade pós-
ver

-Guerra Fria, inclusive para seus defensores, não se percebe como situação
indefinida, trata-se de contexto transicional, como sucedeu com potências
hegemônicas do passado. Existem diferenças entre liberal-internacionalistas
e neoconservadores sobre a ênfase entre a persuasão e a força para assegurar
uma transição pautada pela convergência mundial em torno de princípios
“ocidentais” de democracia e mercado.
108

Situamos em Huntington uma voz divergente dessa perspectiva jus-


tamente no momento mais favorável ao discurso do fim da história, cri-
ticando vocações imperiais em nome do universalismo do modo de vida
estadunidense que poderiam gerar reações internacionais prejudiciais aos
interesses nacionais.
Esse estado de alerta retorna mais de década e meia depois com o
America First de Donald Trump, gerando um polarizado debate que coloca

od V
r
em lados opostos uma elite em processo de afirmação, fortemente dependen-

uto
te da liderança pessoal de um presidente sem doutrina e de histórico volúvel,
e um establishment que vê perder espaços despois de apostar na vitória de
Hilary Clinton.

visã R
No âmbito dos setores que se situaram na contracorrente das elites esta-

oa
belecidas, colocamos em destaque a Direita Alternativa, outsider com visão
ideologizada de contornos civilizacionais e interlocução com equivalentes
europeus, paralelamente a exponentes do Realismo, com participação ante-

Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão


rior em administrações Republicanas, evidenciando uma disputa intra-esta-
C
blishment com o liberal-internacionalismo.
Nenhuma dessas duas correntes de apoio a Trump objeta a necessidade
de fortalecer e projetar o poder estadunidense, mas diferem em questões im-
portantes. No lado da Direita Alternativa, a guerra entre o “ocidente judaico-
-cristão” e o “fascismo islâmico” é de alcance global, vinculando a política
par a

externa ao enaltecimento de um modo de vida, justamente um dos eixos da


crítica realista ao liberal-internacionalismo.
a re

Essa diferença de enfoques se percebe na base argumentativa que de-


são or

fende a reorientação das relações com a Rússia. Se bem Stephen Bannon


faz referências críticas ao capitalismo patrocinado desde o Estado, valoriza
o nacionalismo de Putin, líder de um país de raízes cristão ortodoxas, enal-
tecendo uma aliança que coloca em primeiro plano o combate ao jihadismo.
ver dit

Não é essa a perspectiva adotada por Paul Saunders, que toma como fonte
o discurso de Trump de abril de 2016 no CNI, quando propôs o “alívio das
tensões e a melhora das relações com a Rússia, desde uma posição de for-
ça”. Mesmo reconhecendo temas sensíveis como Crimeia, Ucrânia e Síria,
Saunders destaca como significado estratégico russo ser uma “alavanca para
E

mover muitos outros componentes da política externa de EUA…para China


–um desafio estratégico mais sério – e a gestão de complexo ambiente de
segurança no Oriente Médio” (Saunders, 2016).
Para Jacob Heilbrunn, editor da revista The National Interest, não se tra-
ta de questionar por princípio o uso do poder, mas a efetividade de interven-
ções no exterior justificadas como promoção da liberdade e da prosperidade.
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 109

Agora que Trump foi eleito… os arranjos que se construíram depois


da Segunda Guerra Mundial para ajudar a assegurar o domínio glo-
bal americano estão sendo questionados. O homem de Davos está se
recuperando do auge do sentimento nacionalista, da Grã-Bretanha a
Alemanha, da América a China .... Enquanto isso, o neoconservadoris-

V
r
mo e o internacionalismo liberal passaram a retiro numa forma de exí-
lio interno em Washington, ao menos no momento (Heilbrunn, 2017).

uto
Saindo à luz desse “exilio”, neoconservadores e liberal-internaciona-
listas expressam suas preocupações no relatório bipartidário da Brookings

R
a
Institution que abordamos no início. Chama-se a atenção para os perigos
de abandono da política externa que marcou as administrações precedentes,

do
em que uma retirada estadunidense poderia significar o avanço de potências
revisionistas da ordem internacional, favorecendo um
aC
sistema de esferas de influência no qual a China domina grande
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são
parte da Ásia oriental, Rússia domina grande parte da Europa
oriental e central e Estados Unidos é proeminente no seu próprio
hemisfério e possivelmente na Europa ocidental. As abordagens de
esferas de influência na ordem internacional são intrinsecamente
i
instáveis, em grande medida porque as linhas de demarcação são
rev

questionadas. É uma configuração propensa a um grande conflito


de poder (Brookings, 2017, p. 3).
sã tor

Desviando os obstáculos intelectuais do debate meios-fins entre cor-


ara

rentes analíticas das relações internacionais, a mensagem presidencial de


27 de fevereiro justificando aumento de gastos com defesa introduz um
ingrediente impressionista da realidade: “Temos que começar a vencer
guerras novamente” (Trump, 2017), deixando claro que a crítica não é
i
op

contra escaladas militares, más a uma suposta incapacidade dos sus ante-
d

cessores de obter vitórias.


Paralelamente às oscilações do impressionismo trumpiano, existe um
E

consenso no conjunto de posições aqui abordadas de que o processo de tran-


sição presidencial coloca em evidência indicadores de questionamento do
status quo. Nos setores identificados com a derrota, o reconhecimento da
ver

nova realidade impõe uma revisão de projeções sobre a inserção dos EUA
no mundo. O isolacionismo atribuído a Trump representaria a opção por uma
ordem internacional pautada por áreas de influência, à medida dos interes-
ses de potências que na atualidade enfrentam desafios à sua capacidade de
projeção global. Como mostra o quadro 2, a China enfrenta retos de âmbito
militar, para Rússia, a economia é um limite estrutural.
110

Quadro 2 – EUU, China, Brasil e Rússia: Gastos militares em 2015

País e lugar entre as Gastos militares em Gastos militares


economias do mundo milhões de dólares como % do PIB

Estados Unidos – 1° 596.024 3.3%

China – 2° 214.787 1.9%

Brasil – 9° 24.584 1.4%

od V
r
Rússia – 12° 66.421 5.4%

uto
Fonte: Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI - 2016).

visã R
Na posição apresentada pela Brookings, para uma superpotência global

oa
estabelecida como EUA circunscrever-se a esferas regionais representaria
um retrocesso. No entanto, a análise desenvolvida até aqui deixa claro que
não é esse o cenário que se vislumbra das decisões da atual administração e

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das visões expostas por setores que a apoiam.
C
O aumento de 10% para Defesa proposto por Trump corresponde a 54
bilhões de dólares, que representa mais de 80% do orçamento militar total
russo, com um peso no PIB substancialmente maior aos demais países inclu-
ídos no quadro 2, especialmente se tomarmos como referência uma potência
média como Brasil. Assumir os custos para a economia nacional de uma
par a

corrida armamentista é administrável para EUA, impensável para Rússia e


não prioritário para a China, ao menos no contexto presente.
a re

As controvérsias de posições sobre o lugar dos EUA no mundo não co-


são or

locam em questão a liderança do país, más os argumentos e as políticas que


melhor a justificam. No campo que assume o Realismo como base teórica,
revisar universalismos de liberdade e prosperidade não invalida o uso do po-
der nacional com propósitos de contenção e dissuasão, como o bombardeio
ver dit

unilateral à base militar Síria de abril de 2017 em retaliação contra suposto


uso de armas químicas por parte de Bashar-al Assad, ou a ameaça à Coreia
do Norte de ações militares caso seu governo persista na expansão do seu po-
derio nuclear, pressionando paralelamente à China para que assuma posição
mais assertiva com relação ao seu vizinho. No campo da Direita Alternativa,
E

assim como do liberal-internacionalismo, o ativismo se traduz em contendas


globais associadas a valores, seja entre fundamentalismos Judaico-cristãos e
Islâmicos, ou entre o “capitalismo democrático e liberal” frente ao “resto”.
No âmbito do debate econômico, não está em pauta a continuidade
da globalização dos mercados, há desavenças entre interesses capitalis-
tas com dependência maior ou menor do mercado interno estadunidense,
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 111

expressando embates distributivos de frações financeiras, industriais,


tecnológicas e comerciais. Como componente dessa politização da políti-
ca econômica, adquire peso o impacto nos níveis de emprego e consumo,
assimilando advertências do voto antissistema de setores assalariados
nas eleições de 2016.

V
r
Ainda que o nacionalismo da Direita Alternativa não determine os rumos

uto
da economia, introduz um ideário anticosmopolita que vincula a proteção de
empregos a barreiras migratórias, sobrepondo identidades étnico-religiosas a di-
reitos humanos universais. Por suas vinculações internacionais, principalmente

R
na Europa, essa corrente se torna alvo preferencial da direita neoliberal, que

a
anuncia o fantasma de uma perigosa alternância de elites introduzida por outsi-
ders empoderados por um arrivista no comando da Casa Branca.

do
Como vemos, não se trata de disputas que coloquem em dúvida a pri-
aC
mazia dos EUA e da ordem que reivindica uma tradição capitalista ocidental,
mas de controvérsias no interior do sistema que reconhecem a existência de
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são
uma crise, com diagnósticos de diversos graus de radicalidade na atribuição
de culpabilidades e prescrições de tratamento, cujo desenlace na direção que
tomará a administração Trump ainda está em aberto.
i
rev

Relações com a América Latina


sã tor

No âmbito das relações com a América Latina, a caracterização de ru-


mos de alcance estratégico entre Donald Trump e seus antecessores imedia-
tos cobra dimensões particulares. Conforme apontamos no início do capítu-
ara

lo, se esboça uma mudança de trajetória em duas frentes: nas relações com
o México nos temas de imigração e livre-comércio, com a construção do
muro fronteiriço e o anúncio de rediscussão do Tratado de Livre-Comércio
i
op

da América do Norte (NAFTA), em vigor desde a administração Clinton,


d

que atinge também o Canadá; a revisão de medidas estabelecidas por Obama


como parte do processo de normalização diplomática com Cuba.
Na perspectiva de avançar para além de exemplos pontuais, apontando
E

continuidades e mudanças de trajetória, faremos um retrospecto das tendên-


cias que se estabelecem a partir do final do segundo mandato de George
ver

W. Bush. Tomaremos como principal fonte de referência o Orçamento do


Departamento de Estado para Operações no Exterior, em que a solicitação de
gastos é submetida à aprovação do Congresso, exigindo uma argumentação
detalhada sobre a justificativa dos programas e dos recursos, permitindo di-
mensionar as percepções que orientam políticas regionais e bilaterais.
112

O acompanhamento parte do orçamento de 2009, aprovado em 2008,


último ano da administração Bush, e implementado por Obama, concluindo
com o do ano fiscal de 2018, o primeiro proposto por Donald Trump.
No quadro 3, aponta-se a destinação de recursos a escala hemisférica,
em que se comprova uma prioridade a programas de segurança focados no
combate ao crime organizado. Em 2009, Colômbia é o principal destinatário
de recursos. No caso do México, está em vigor a Iniciativa Mérida (IM),

od V
r
programa conjunto com o governo mexicano, que nos mesmos moldes da

uto
assistência colombiana, prioriza treinamento, inteligência e equipamento
das forças armadas e policiais no combate ao tráfico de drogas, lavado de
dinheiro e controle fronteiriço. No orçamento de 2011, se separa a parte da

visã R
IM correspondente a América Central, destinada à Iniciativa de Segurança

oa
Regional Centro-americana (CARSI), e se implementa um novo programa,
a Iniciativa de Segurança para a Bacia do Caribe (CBSI), anunciado por
Obama durante a Cúpula das Américas em Trinidad y Tobago. Entre 2009 e

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2018, Colômbia, México e as iniciativas CARSI e CBSI recebem em média
C
quase 50% do orçamento para o Hemisfério.

Quadro 3 – Orçamento do Departamento de Estado para o Hemisfério


Ocidental nas administrações de Bush, Obama e Trump

2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2018*


par a

Hemisfério
2,525,929 1,856,199 1,823,526 1,684,470 1,477,611 1,584,840 1,707,626 1,093,551
Ocidental 2,161,242
a re

512,135 453,218 384,288 359,754 330,601 307,776 299,434 251,400


Colômbia 540,224
são or

582,597 178,145 329,680 265,064 206,768 165,168 160,156 87,660


México 432,779
82,912 101,508 135,000 145,619 161,500 270,000 286,500* 121,400
CARSI 105,870
39,107 77,367 64,000 60,696 63,500 58,500 53,500* 16,200
CBSI

Fonte: U.S.D.S., 2010 a 2017, recursos efetivamente


destinados em milhões de dólares. * Solicitado.
ver dit

No âmbito bilateral, o volume de recursos e a sua distribuição por pro-


gramas, conforme destacado no quadro 4, dão uma dimensão das priorida-
des. Dada a quantidade e diversidade de países que compõem a região, nos
detemos em cinco casos, Argentina, Brasil, Colômbia, Cuba e Venezuela. O
E

objetivo é comparar o tratamento dado a governos associados ao surgimento


de uma nova esquerda na América do Sul, exemplificada nas presidências de
Néstor/Cristina Kirchner, Luiz Inácio Lula da Silva/Dilma Rousseff e Hugo
Chávez/Nicolás Maduro, com relação a Álvaro Uribe/Juan Manuel Santos,
situados no campo conservador. No caso de Cuba, a normalização diplo-
mática anunciada em dezembro de 2014, representa um marco tanto pelo
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 113

impacto nas relações hemisféricas como pelas controvérsias geradas a partir


da chegada de Trump ao governo.

Quadro 4 – Orçamento para Operações no Exterior para


Argentina, Brasil, Colômbia, Cuba e Venezuela (2009 – 2018)

V
r
Países Programas 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2018

uto
IMET (1) 915 900 297 350 495 349 336 379 300
Argentina INCLE (2) 305 300 300 - - - - - -
NADR (3) 450 300 300 240 270 240 240 200 200

R
CSH/
4,800 6,300 6,290 1,300 881 500 300 500 -
GHP (4)

a
DA (5) 15,000 16,789 15,000 12,800 11,462 12,500 10,500 11,500 -
Brasil
IMET 252 610 631 638 572 618 546 618 575

do
INCLE 1,000 1,000 1,000 3,000 2,000 - - - -
NADR 400 400 400 300 270 240 240 240 240
aC
ESF (6) 196,500 201,790 184,426 172,000 165,883 141,500 133,000 126,000 105,000
FMF (7) 53,000 55,000 47,904 40,000 28,862 28,500 27,000 27,000
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IMET 1,400 1,694 1,695 1,656 1,485 1,534 1,446 1,386 1,400
Colômbia INCLE
NADR
são
275,128 243,900 204,000 160,600 152,322 149,000 135,195 135,195 125,000
3,150 4,750 4,750 4,750 5,050 4,300 4,300 3,500 20,000
PL 480
11,046 - 10,443 5,282 6,152 5,767 6,835 6,353 -
Title II (8)
i
Cuba ESF 20,000 20,000 20,000 20,000 19,283 20,000 20,000 20,000 -
rev
ESF 5,000 6,000 5,000 6,000 5,786 4,298 4,256 6,500 -
Venezuela
INCLE 500 - - - - - - - -
sã tor

Elaborado a partir dos orçamentos do Departamento de Estado (U.S.S.D., 2010 a 2017), em


milhões de dólares. (1) International Military Education and Training. (2) International Narcotics
Control and Law Enforcement. (3) Nonproliferation, Anti-terrorism, Demining and Related
ara

Programs. (4) Child Survival and Health, que em 2008 passa a denominar-se Global Health
and Child Survive e a partir de 2011 Global Health Programs. (5) Development Assistance,
desaparece no orçamento para 2018, incorporado, junto com o Economic Support Fund, ao
Economic Support and Development Fund (ESDF), (6) Economic Support Funds, em 2018 ESDF.
(7) Foreign Military Financing. (8) Agricultural Trade Development and assistance Act of 1954.
i
op

Na Argentina, os dados do quadro 4 revelam uma caracterização do país


d

como de baixo risco. Na sequência ilustrada, vemos uma continuidade dos


programas IMET, INCLE e NADR, destinados ao combate do terrorismo,
E

controle de exportações e segurança fronteiriça, cuja principal justificativa é


a necessidade de treinar funcionários da aduana e da guarda costeira nesses
ver

temas, tendo em vista que o país é considerado parte da rede de transporte


de drogas para a costa leste de EUA (U.S.D.S., 2009, 2010, 2011, 2012).
A partir de 2012, o programa INCLE é eliminado. O principal motivo é a
solicitação do Ministério de Segurança argentino, em junho de 2011, de sus-
pensão das atividades da Drug Enforcement Agency (DEA) até uma nova
avaliação sobre os programas de cooperação com EUA. Essa visão perma-
nece nos anos seguintes. No orçamento solicitado para 2017, fica explicitado
114

o reconhecimento dos aspectos de colaboração e tensão com o kirchnerismo,


ao mesmo tempo em que se expressa otimismo com o governo recém-eleito
de Mauricio Macri:

As visões do governo argentino para as operações internacionais de


paz (OIP), a não proliferação de armas de destruição em massa, e a
luta contra o terrorismo são acontecimentos positivos. Ainda que o
anterior governo de Kirchner colocou limitações substanciais em ma-

od V
r
téria de segurança, luta contra as drogas, e a cooperação policial nos

uto
últimos anos, o novo governo, que assumiu no 10 de dezembro, tem
assinalado muito claramente que se trata de uma cooperação muito
mais robusta com Estados Unidos em todos estes assuntos (U.S.D.S.,

visã R
2016, p. 382).

oa
A Colômbia, país com uma longa trajetória de continuidade insti-
tucional, mesmo convivendo com a ação de cartéis de drogas, grupos

Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão


paramilitares e organizações guerrilheiras, é o principal receptor de as-
C
sistência dos Estados Unidos, situação que se consolida a partir da pre-
sidência de Álvaro Uribe em 2002, considerado um aliado na “guerra
global contra o terrorismo”.
Os recursos na área militar (FMF) objetivam fortalecer a capacidade
de ação contra a guerrilha, como parte da agenda de combate ao terrorismo,
par a

e ampliar a presença do Estado no território nacional. Por outro lado, são


destinados fundos para programas NADR nas áreas de iniciativas antisse-
a re

questro e contrabando fronteiriço de armas pequenas. Os programas INCLE


são or

e Fundo de Suporte Econômico (ESF) concentram seu foco no combate ao


tráfico de drogas e apoio ao desenvolvimento em áreas de conflito (U.S.D.S.
2010). No orçamento para 2011, é apresentada a Iniciativa Estratégica para
o Desenvolvimento da Colômbia (CSDI), associação entre os dois gover-
ver dit

nos, destinada a expandir a presença do Estado colombiano em zonas de


instabilidade e conflito. Na apresentação das justificativas de recursos para
o orçamento de 2013, destaca-se o que se considera um êxito do CSDI em
“restabelecer o controle e a legitimidade do Estado em áreas estrategica-
mente importantes que anteriormente eram dominadas por grupos armados
E

ilegais, através de uma abordagem gradual, que combina segurança, com-


bate ao narcotráfico, e iniciativas de desenvolvimento econômico e social”
(U.S.D.S., 2012, p. 757). Nos orçamentos para 2014 e 2015, se reforça a va-
loração desse progresso, classificando o apoio ao país como fator de impulso
na transição já iniciada para uma fase pós-conflito. Com o enaltecimento
da cooperação entre os dois países tem como foco o processo em curso de
negociação entre o governo da Colômbia e as FARC (U.S.D.S., 2014, 2015).
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 115

Na direção contrária da Colômbia, a partir da eleição de Hugo Chávez,


Venezuela passa por um processo de afastamento dos Estados Unidos, colo-
cado de manifesto no golpe de Estado de abril de 2002, liderado por setores
do empresariado e das forças armadas e reconhecido imediatamente pela
administração Bush, mas rapidamente revertido pela forte resistência interna

V
r
e o isolamento internacional, especialmente no âmbito dos países vizinhos

uto
e da OEA, permitindo que o presidente retome seu cargo. Fortalecido por
una conjuntura econômica propicia em função dos altos preços do petróleo,
e sob o amparo da conquista de um terceiro mandato com 62,9% dos vo-

R
tos em dezembro de 2006, Chávez projeta o protagonismo regional do país,

a
especialmente através da ALBA. Após reeleito para um quarto período em
outubro de 2012, o presidente não consegue assumir, falecendo em março

do
de 2013 vítima de câncer, no entanto, a vitória em 14 de abril de Nicolás
aC
Maduro contra o candidato opositor Henrique Capriles garante a continuida-
de da experiência chavista.
Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão

são
Comparando o orçamento do Departamento de Estado para Venezuela
e Colômbia, se percebe una destinação de recursos muito menor, distribu-
ídos num número decrescente de iniciativas, com o paulatino abandono de
programas que envolvem cooperação com as autoridades, priorizando o fi-
i
nanciamento de setores da sociedade civil com o objetivo de fortalecer sua
rev

capacidade operativa na oposição ao governo de Hugo Chávez. A afirma-


sã tor

ção do poder chavista coincide com a redução da cooperação militar e no


combate ao tráfico de drogas (IMET). Por outro lado, se promove a atuação
da USAID (Agência para o Desenvolvimento Internacional, vinculada ao
ara

Departamento de Estado) com eixo na sociedade civil (DA, ESF), investindo


em lideranças emergentes sob o argumento de fortalecer sua capacidade de
demandar do governo democracia e transparência, promoção do império da
i

lei e respeito aos direitos humanos. (U.S.D.S., 2010).


op
d

Nas solicitações para 2010, ameniza-se o discurso de confronto, embo-


ra se mantenha o mesmo eixo: “Os Estados Unidos vão apoiar os esforços di-
plomáticos para promover os direitos humanos e proteger o espaço democrá-
E

tico, incentivando uma liderança mais pluralista e democrática” (U.S.D.S.


2010, p. 659). Deixa de questionar-se a natureza do regime político vene-
ver

zuelano e colocam-se como objetivos preservar e fortalecer as instituições


democráticas, afirmando que os programas estadunidenses “estarão abertos
a todos, independentemente das perspectivas políticas” (U.S.D.S., 2010, p.
761). Esses lineamentos se mantém no orçamento para 2014 e 2015. Nas
solicitações para 2017, embora não haja alteração em termos de programas
para o país, se reforça na justificativa a crítica ao sistema político, em que o
poder “tem-se concentrado em um único partido com um executivo cada vez
116

mais autoritário”. Em contexto em que “a oposição conquistou o controle


da legislatura … nas eleições de dezembro de 2015”, a assistência de EUA
a Venezuela terá como foco “defender e fortalecer práticas democráticas,
instituições e valores que sustentam os direitos humanos, a liberdade de in-
formação e envolvimento cívico venezuelano” (U.S.D.S., 2016, p. 489).
A postura estadunidense para o Brasil tem componentes diferenciados
com relação à Venezuela. A pesar do seu ativismo na criação da União das

od V
r
Nações Sul-americanas (UNASUR) em 2008 e da Comunidade de Estados

uto
da América Latina e do Caribe (CELAC) em 2010, mecanismos de inter-
locução intrarregional que estabelecem equidistância com relação a EUA,
valoriza-se sua atuação cooperativa na segurança regional, fator destacado

visã R
também pela sua posição geográfica, especialmente nos limites fronteiriços

oa
com Paraguai e Argentina e os países andinos. Seu peso econômico e sua
relativa estabilidade nos últimos anos, em que a liberalização iniciada por
Fernando Henrique Cardoso não sofreu solução de continuidade com Luiz

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Inácio Lula da Silva, colocam o país como um aliado na promoção da eco-
C
nomia de mercado. Ao mesmo tempo, é objeto de atenção em áreas de risco
vinculadas à pobreza, à saúde, à criminalidade e ao meio-ambiente.
Os programas do Departamento de Estado contemplam essa diversi-
dade, atuando em quatro áreas: 1) militar, nos temas de controle civil das
Forças Armadas, participação em operações de paz, combate ao terrorismo
par a

e o narcotráfico (IMET); 2) assistência ao desenvolvimento (DA), principal-


mente para a proteção do meio-ambiente na floresta amazônica e o combate
a re

à pobreza das populações rurais, estimulando a criação de micro empreen-


são or

dimentos; 3) combate a doenças infecciosas, destacando-se a AIDS (CSH);


4) crime organizado, com aportes de INCLE e NADR para melhorar o de-
sempenho investigativo da polícia federal, a eficácia das estruturas legais
locais e o controle das fronteiras, especialmente com a Colômbia. (U.S.D.S.,
ver dit

2010, 2011). No orçamento para 2013 há um direcionamento específico no


programa INCLE associado à cooperação em segurança tendo em vista que
o país será sede da copa do mundo de futebol de 2014 e das olimpíadas de
2016. (U.S.D.S., 2012).
Diferentemente da Argentina, em que se reduzem programas em fun-
E

ção de desacordos entre os dois governos, os orçamentos para 2014, 2015


e 2016 destacam o Brasil como parceiro na cooperação internacional en-
volvendo terceiros países, a partir dos convênios assinados entre a USAID
e a ABC (Agência Brasileira de Cooperação) em março de 2011, durante
a visita de Barack Obama, e o acordo com a USAID sobre Conservação
da Biodiversidade, assinado em 2014, e a iniciativa conjunta EUA-Brasil
sobre Mudança Climática, assinada em 2015. Uma diferença com relação
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 117

aos outros 4 países analisados, é a ausência de menções à situação polí-


tica interna, a pesar de que no momento de apresentação do relatório do
Departamento de Estado, fevereiro de 2016, já estava instalado o polarizado
debate sobre o pedido de impeachment de Dilma Rousseff. Acatado pela pre-
sidência da Câmara de Deputados em dezembro de 2015, o processo conclui

V
r
no final de agosto, quando o voto majoritário do Senado destitui a presidenta

uto
e da posse ao vice-presidente Michel Temer para cumprir o restante do man-
dato até 2018.
No caso de Cuba, o quadro 7 mostra uma concentração do financiamento

R
de programas associados à categoria Fundos de Apoio Econômico (ESF), em

a
que a Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID) tem forte partici-
pação. Em termos de justificativa, trata-se de promover mudanças na Ilha a partir

do
do empoderamento de setores da sociedade civil. Esse objetivo é permanente,
aC
independentemente do governo no poder, mudando a ênfase a partir de Obama,
que já não condiciona, como seus antecessores, a transição de regime político
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são
como pressuposto da normalização diplomática (Ayerbe, 2016).
A análise dos dados correspondentes ao orçamento proposto por Trump
ao Congresso para o ano fiscal de 2018 deve levar em consideração algumas
peculiaridades. Em primeiro lugar, no momento da sua elaboração não esta-
i
va definida a equipe do Bureau de Assuntos Hemisféricos do Departamento
rev

de Estado, cabendo a responsabilidade ao subsecretário interino Francisco


sã tor

Palmieri, oriundo da administração Obama. O quadro 3, ao mesmo tempo


que mostra continuidade nas prioridades e manutenção dos programas regio-
nais CARSI e CBSI, revela um corte de gastos de quase 37% para o conjunto
ara

do Hemisfério com relação a 2016, último ano de Obama, superando os 28%


aplicados ao Departamento de Estado, conforme apontado no quadro 1. Nas
relações bilaterais, o quadro 4 mostra como novidade importante a ausência
i

de previsão de gastos com Cuba e Venezuela, embora no texto do orçamento


op
d

não haja justificativas pormenorizadas sobre esses cortes. Ao mesmo tempo,


os programas Development Assistance e Economic Support Fund são unifi-
cados numa nova modalidade, Economic Support and Development Fund,
E

mudança que é apontada como apenas operacional.


No caso de Cuba, a revisão dos acordos assinados por Obama prometida
ver

durante a campanha eleitoral, tem como primeira sinalização o discurso de 16


de junho de 2017 em Miami, em que apesar de retórica de radicalização na mu-
dança de rumos, não altera a essência do processo de normalização diplomática.

Não levantaremos as sanções contra o regime cubano até que to-


dos os prisioneiros políticos sejam libertados, as liberdades de
reunião e expressão sejam respeitadas, sejam legalizados todos os
118

partidos políticos e se programem eleições livres e supervisiona-


das internacionalmente.... Vamos restringir muito fortemente os
dólares americanos que fluem para os serviços militares, de segu-
rança e de inteligência que são o núcleo do regime de Castro....
Vamos fazer cumprir a proibição do turismo. Vamos fazer cumprir
o embargo. Tomaremos medidas concretas para garantir que os
investimentos fluam diretamente para as pessoas, para que eles
possam abrir empresas privadas e começar a construir o excelente

od V
r
futuro de seu país (White House, 2017).

uto
O discurso sinaliza um ajuste de medidas que, além de ambíguo em seu
alcance efetivo, é de aplicabilidade controversa, já que a dinâmica alcançada

visã R
desde o início do reatamento diplomático, principalmente na área do turis-

oa
mo, com crescente fluxo de cidadãos e investimentos de empresas estaduni-
denses, coloca os setores empresariais e a maioria da opinião pública do país
em caminho oposto do retrocesso anunciado.

Editora CRV - versão para revisão do autor - Proibida a impressão


C
Sem expor claramente o sentido das mudanças propostas em temas sensí-
veis da campanha eleitoral, exemplo de Cuba, ou justificar com maior precisão
os cortes orçamentários estabelecidos, verifica-se ao mesmo tempo a permanên-
cia de programas focados na segurança associada ao crime organizado.
Independentemente de retóricas e estilos peculiares a cada adminis-
tração, essa continuidade responde a um cenário regional em que não se
par a

visualizam ameaças equiparáveis à Guerra Fria em termos de atores cujo


antagonismo ideológico, capacidade militar e influência política configurem
a re
são or

um risco sistémico. Essa postura se reflete também nas relações bilaterais,


conforme mostram os quatro países que selecionamos na América do Sul.
Na evolução das relações com Cuba, a normalização diplomática adiciona
elementos qualitativamente diferenciados, como expressão emblemática do
legado que Obama buscou sedimentar na sua política externa, num cenário
ver dit

percebido entre aliados e opositores como de diminuição da influência de


EUA na região, com recomendações em tons diversos sobre a necessidade
de retomar posições de poder. Essa apreciação adquire maior visibilidade na
evolução das Cúpulas das Américas, mecanismo de diplomacia presidencial
instituído por Clinton.
E

No encontro de Mar del Plata em novembro de 2005, a pesar do esfor-


ço estadunidense para dar continuidade à agenda de liberalização comer-
cial iniciada na primeira Cúpula de Miami de dezembro de 1994, Argentina,
Brasil e Venezuela lideram o bloqueio à proposta de inclusão da Área de
Livre-Comércio das Américas (ALCA) nas discussões, o que a partir desse
momento levou à paralização da iniciativa.
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 119

Essa experiência foi considerada traumática pela diplomacia de EUA.


Na preparação da Cúpula de Trinidad y Tobago de abril de 2009, o então
Subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon,
recém-instalado no cargo quando participou da Cúpula de Mar del Plata,
buscou evitar a inserção de questões capazes de reviver a polarização en-

V
r
frentada por Bush. De fato, a reunião foi um momento de distensão. Mesmo

uto
sem anúncios de medidas de impacto e da ausência de consenso na decla-
ração final, houve aberturas para uma abordagem sem vetos ou exclusões.
Reconhecendo a crescente relevância da América do Sul, Obama se reuniu

R
com os presidentes da UNASUR, incluindo Hugo Chávez e Evo Morales.

a
Em entrevista ao The Atlantic, Obama aborda essa experiência, que
ainda tendo acontecido nos meses iniciais da sua administração, situa como

do
parte de uma lógica que posteriormente seria associada por analistas ao de-
aC
lineamento de uma doutrina. Conforme o relato do jornalista que o entrevis-
tou, Jeffrey Goldberg,
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são
Na primeira Cúpula das Américas que assisti, Hugo Chávez … con-
tinuava sendo a figura dominante na conversação .... Não gostamos
do que está acontecendo na Venezuela, mas não é uma ameaça para
i
os Estados Unidos ... E eu tive que ficar sentado aí e ouvir a (Daniel)
rev

Ortega... fazer uma diatribe de uma hora contra os Estados Unidos.


Mas nós estando aí, não levando tudo isso a sério, porque na realidade
sã tor

não era uma ameaça para nós, ajudou a diminuir, a neutralizar o antia-
mericanismo na região (Goldberg, 2016).
ara

Na avaliação de Obama, a neutralização do antiamericanismo estaria asso-


ciada principalmente à normalização das relações diplomáticas com Cuba, que
teria removido o principal obstáculo ao que visualizava como “aumento da influ-
i
op

ência de Estados Unidos na América Latina” (Goldberg, 2016).


d

Também pode ser incluído nesse cálculo um cenário sul-americano


considerado favorável, com duas situações destacadas na análise do orça-
mento do Departamento de Estado: o enfraquecimento da influência regional
E

bolivariana a partir da crise econômica enfrentada pelo governo de Nicolás


Maduro paralelamente à vitória eleitoral da oposição em 2015; o impacto
ver

regional das mudanças de governo na Argentina e Brasil com a eleição de


Macri e o impeachment de Rousseff, afetando as relações com a Venezuela.
Em 2016, Macri cumpre promessa de campanha de solicitar a aplicação da
cláusula democrática do Mercosul. Em agosto, ação conjunta das chancela-
rias argentina, brasileira e paraguaia se opõem ao direito venezuelano, que
conta com apoio uruguaio, de aceder à presidência rotativa do bloco. A ação
120

dos dois ex-aliados promove o isolamento do processo bolivariano, e termi-


na alargando o campo de ascendência estadunidense.
Uma combinação de circunstâncias econômicas e políticas enfraqueceu
governos críticos da influência de EUA, no poder por mais de uma década.
Paralelamente, a aplicação de “doutrina de transformação de inimigos em
amigos” aplicada seletivamente à Cuba, deixam como saldo um contexto
mais propício à projeção de interesses estadunidenses do que aquele encon-

od V
r
trado por Obama em 2009. De fato, os EUA somam aliados entre países

uto
considerados estratégicos pelo tamanho da sua economia e influência sub-
-regional, fundamentalmente Argentina, Brasil, Colômbia e México, com
potenciais consequências nos posicionamentos políticos de organismos em

visã R
que não está diretamente representado, como UNASUL e CELAC.

oa
Na campanha eleitoral de 2016, a vitória de Hillary Clinton sinalizava
claramente uma continuidade, nos lineamentos fundamentais, dessa trajetó-
ria. A retórica de Trump, principalmente com relação ao México, vista como

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expediente demagógico, não sinalizava para uma formulação mais profun-
C
da em termos estratégicos. Uma vez no poder, essa percepção prevalece.
Não há, do lado estadunidense e dos países do hemisfério uma agenda que
aprofunde controvérsias em temas regionais como foi a ALCA ou a bus-
ca de autonomia na criação de mecanismos de interlocução estritamente
latino-americanos como a CELAC. Havendo-se estabelecido como dado da
par a

realidade a presença na Casa Branca de um governante errático em suas


convicções, afeto à improvisação e de estilo personalista, a resposta tem se
a re

pautado pelo pragmatismo, privilegiando a resolução de temas de interesse


são or

bilateral e reforçando o trato direto em nível presidencial. Quando se insinu-


am unilateralismos intervencionistas, como a ameaça em agosto de 2017 de
ações militares na Venezuela, a reação latino-americana, independentemente
da filiação político-ideológica de cada governo, será explicitamente crítica.
ver dit
E
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 121

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E
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são or
par a
a re C
visã R
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uto
r
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CAPÍTULO 6

ELECCIONES EN CHILE: las reformas


de Bachelet y el giro a la derecha

V
r
uto
Fabiola Berríos
Fabián Pressacco

a
Introducción

do
aC
Las elecciones parlamentarias y presidenciales de 2017 se desarrollaron
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en un ambiente marcado por una serie de elementos institucionales nuevos


são
que determinarían el desarrollo de las campañas en ambos niveles. Desde
un nuevo sistema electoral, hasta la implementación de medidas afirmativas
para la participación de las mujeres, pasando por regulaciones al financia-
i
miento de las campañas y el voto de los chilenos en el exterior por primera
rev

vez en una elección de este tipo, hacían de este un escenario novedoso como
no había existido desde el retorno a la democracia.
sã tor

El presente capítulo busca realizar una descripción del proceso electo-


ral chileno de 2017 -particularmente de la disputa presidencial-, para luego
ara

analizar los resultados electorales. Para ello, en primer lugar se realizará una
descripción del nuevo escenario institucional, para luego presentar una con-
textualización de las candidaturas presidenciales, presentando sus propuestas
frente a los temas que la opinión pública ha identificado como las principales
i
op

preocupaciones, y también respecto de las reformas políticas. Una vez rea-


d

lizada esa descripción se presentarán los resultados de la primera y segunda


vuelta presidencial, considerando los ajustes programáticos que hicieron las
E

candidaturas en esta etapa. En un tercer momento se presentarán los resultados


parlamentarios y se planteará el escenario que el electo presidente Sebastián
Piñera enfrentará para llevar adelante su Programa de Gobierno.
ver

Nuevo escenario institucional electoral:


un desafío para las coaliciones

En enero de 2016, el Congreso despachó una serie de modificaciones


a la Ley de Partidos Políticos que regulan tanto su funcionamiento interno
128

como las actividades de campaña electoral. Entre las primeras se encuentran,


por ejemplo, la regulación de las elecciones internas de los partidos, la de-
terminación de cuotas de género en los órganos internos en una relación de
40/60, y la rendición de cuentas bajo la premisa del acceso a la información
por parte de los ciudadanos.
Respecto de las campañas, las nuevas regulaciones sobre el gasto elec-
toral redujeron las fuentes de financiamiento eliminando el aporte de perso-

od V
r
nas jurídicas y bajando el límite del aporte de personas naturales. Por otra

uto
parte, compensando de alguna forma estas restricciones, aumentó el aporte
estatal a través del aumento del pago por voto recibido y también del monto

visã R
del reembolso por gastos por campaña. Además, se estableció que quienes

oa
transgredan esta normativa arriesgan la pérdida del escaño. También en el
ámbito de las campañas, se normó el despliegue de la propaganda en los es-
pacios públicos, asignando por ejemplo, zonas para su instalación así como

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C
el tamaño del material desplegado.
Además de estas modificaciones, ya en 2015 se había aprobado un
nuevo sistema electoral que trajo cambios importantes, no sólo en la can-
tidad de parlamentarios – que aumentan en ambas Cámaras; en la Cámara
de Diputados, de 120 a 155 y en el Senado, de 38 a 50? –, sino también en
la redefinición de las circunscripciones electorales ampliando su tamaño
par a

y reduciendo la cantidad total, y cambiando a una fórmula proporcional


a re

de cifra repartidora en reemplazo del cuestionado sistema binominal he-


são or

redado de la dictadura. Adicionalmente se incluyen cuotas de género en


las candidaturas, con una relación de 40/60 entre ambos, y con una im-
portante sanción en caso de incumplimiento: la no inscripción de la lista.
Para los partidos políticos, estas disposiciones significaron readecuacio-
ver dit

nes internas en distintos niveles –definición de listas, financiamiento, re-


clutamiento de mujeres, etc.- para enfrentar estas elecciones de 2017 no
sólo por las exigencias propias de cada una de ellas, sino por lo novedoso
de estos componentes en el sistema político chileno.
Adicionalmente -aunque con un impacto menor en tanto peso electoral,
E

pero sustantivo en tanto el reconocimiento de derechos políticos-, el voto de los


chilenos residentes en el extranjero para las elecciones presidenciales marcó un
hito en este proceso. Aprobada en 2016, la ley consagra el derecho de estas per-
sonas a participar de las elecciones primarias, presidenciales y plebiscitos, y se
comenzó a ejercer en las primarias de este proceso eleccionario.
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 129

Con todo, este proceso electoral fue mucho más – en términos insti-
tucionales – que sólo elecciones legislativas y presidenciales marcando un
punto de inflexión en la forma en que los partidos políticos se insertan en el
sistema político.

V
r
Elecciones presidenciales: nuevos procesos, (nuevas) propuestas

uto
Para estas elecciones, la Ley 20.640 en su artículo N°1 “establece y
regula un sistema de elecciones primarias a ser usado por los partidos polí-

R
a
ticos para la nominación de candidatos a los cargos de elección popular que
determina la ley, en virtud de lo dispuesto en el número 15° del artículo 19

do
de la Constitución Política.” (Ley 20.640, Establece el sistema de elecciones
aC
primarias para la nominación de candidatos a Presidente de la República,
Parlamentarios y Alcaldes, 2017)
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são
En estas elecciones presidenciales, con participación de chilenos en el
exterior, fueron dos de las tres coaliciones las que inscribieron candidatu-
ras. Por la de Centroderecha, Chile Vamos, los candidatos inscritos fueron
Manuel José Ossandón, Sebastián Piñera y Felipe Kast. Por su parte por el
i
rev

Frente Amplio compitieron Alberto Mayol y Beatriz Sánchez. Los resulta-


dos dejarían en carrera a Sebastián Piñera y Beatriz Sánchez.
sã tor

Cuadro 1 – Resultados elecciones primarias 2017


ara

Candidato/a Resultado Chile

Manuel José Ossandón 372.011 (26,2%)


i
op

Sebastián Piñera 827.347 (58,4)


d

Felipe Kast 218.279 (15,4%)


E

Alberto Mayol 106.265 (32,4)

Beatriz Sánchez 221.348 (67,6%)


ver

Fuente: Elaboración propia a partir de los datos de <www.servel.cl>.

La Nueva Mayoría, coalición de gobierno, no inscribió primarias. Lo


que en principio iba a ser una primaria en donde compitieran Alejandro
Guillier (PR), Ricardo Lagos (PS y PPD) y Carolina Goic (DC) se frustró por
130

el efecto dominó que generó el respaldo del PS a Guillier, que llevó al PPD
a “bajar” la candidatura de Lagos. Finalmente, la Democracia Cristiana, uno
de los partidos de la Nueva Mayoría, decidió llevar una candidatura propia
luego de su Junta Nacional en el mes de marzo. Esto implicó que el bloque
llegara con dos candidatos, Carolina Goic -solo respaldada por la DC- y
Alejandro Guillier, proclamado por el Partido Radical y luego respaldado
por los demás partidos del sector.

od V
r
Además de los cuatro candidatos ya mencionados, se sumaron José

uto
Antonio Kast, ex militante del partido de derecha UDI y que inscribió su
candidatura como independiente; Marco Enriquez-Ominami, por el Partido
Progresista (PRO), Alejandro Navarro del Movimiento Amplio Social

visã R
(MAS), Eduardo Artés representando al Partido Unión Patriótica de Chile

oa
(UPA), todos ellos de la izquierda chilena. En total ocho candidatos llegaron
a la primera vuelta presidencial, aunque las encuestas reflejaban la compe-
titividad de solo tres de ellos: Piñera, Guillier y, en menor medida, Beatriz

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Sánchez. Esto último será tema de debate una vez realizada la primera vuel-
C
ta. ((CEP), 2017)
A continuación, se revisarán las principales propuestas de los candidatos
respecto a reformas políticas, es decir, Constitución y descentralización y sis-
tema económico; crecimiento y desarrollo económico de Chile, temas amplia-
mente planteados y desarrollados por el gobierno de Michelle Bachelet, pero
par a

también las referidas a las reformas sociales, pilar del discurso de este mandato.
a re

Propuestas Reformas Políticas


são or

En relación con la Constitución, seis de los candidatos propusieron


establecer un nuevo texto fundacional; Carolina Goic, Alejandro Guillier,
Beatriz Sánchez, Marco Enríquez-Ominami, Eduardo Artés y Alejandro
ver dit

Navarro. Los candidatos Sánchez, Navarro y Artés, plantearn la posibili-


dad de convocar una Asamblea Constituyente “para cada nación originaria
y posteriormente convocaremos a una asamblea Plurinacional, que refleje
esa pluralidad y participación efectiva” (Navarro, 2017). Estos candidatos
hacían hincapié en el carácter plurinacional del país y su necesidad de ver
E

reflejado esta realidad en la nueva constitución. Por otra parte, Carolina Goic
señaló que la nueva constitución debe nacer de un “pacto celebrado entre los
distintos integrantes de la sociedad [...] establecer un texto que sea la Casa
Común que todos deseamos, celebrando para ello un Pacto Constitucional
que así lo asegure” (Goic, 2017). Tanto Guillier como Enríquez-Ominami,
si bien se comprometieron a establecer una nueva constitución, fueron cau-
tos al señalar el procedimiento del cambio. Por su parte, la candidata del
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 131

Frente Amplio mencionó en repetidas ocasiones la necesidad de establecer


un camino conjunto con la ciudadanía insistiendo en que “siempre la última
palabra debe estar en la ciudadanía” (Sánchez, 2017).
A pesar de sus diferencias, los seis aspirantes a La Moneda concordaron en
la necesidad de proclamar una nueva constitución para el país. Los candidatos

V
r
coinciden en que la creación de la constitución durante el Régimen Burócratico

uto
Autoritario de Augusto Pinochet ha sido un impedimento para garantizar ciertos
derechos sociales; “lamentablemente, la conquista de estos derechos sociales
ha tomado demasiado tiempo por la serie de obstáculos que la dictadura nos

R
heredó” (Guillier, 2017, pág. 49). Algunos candidatos son más explícitos al evi-

a
denciar este problema: Marco Enríquez-Ominami insistió en referirse a la car-
ta magna como la “constitución de Pinochet” mientras que Alejandro Navarro

do
señalaba que Chile posee una necesidad ineludible de “proponer y llevar a cabo
aC
una Nueva Constitución” (Navarro, 2017).
A diferencia del resto de los candidatos, Piñera y Kast no consideraron
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são
una modificación estructural a la Carta Fundamental. Muy por el contrario,
el segundo señaló que “es necesario reforzar el respeto a la Constitución
y las leyes” (Kast, 2017, pág. 4). Por su parte, Piñera dejó entrever que es
partidario de algunas modificaciones señalando en reiteradas ocasiones que
i
el texto constitucional es perfectible y que en su eventual gobierno impul-
rev

saría una modernización constitucional: “el objetivo es modernizar nuestras


sã tor

principales instituciones democráticas siguiendo los principios del republi-


canismo” (Piñera, 2017).
En cuanto al tema de la descentralización, todos los candidatos a ex-
ara

cepción de Artés, hacen referencia a la necesidad de descentralizar el país.


Por un lado, candidatos como Goic, Guillier, Sánchez, Navarro y Kast desar-
rollaron propuestas concretas para dotar de mayor autonomía a las regiones.
i

Mientras los cuatro primeros candidatos mencionados anteriormente con-


op
d

cluyen en que una efectiva descentralización es una condición necesaria para


superar la pobreza y las desigualdades, Kast aporta una mirada más econo-
micista al respecto. El candidato solo menciona una vez el tema, a diferencia
E

de Guillier el cual tiene un apartado especial sobre descentralización y regio-


nalismo. Kast propone entregar autonomía a las Direcciones Regionales y a
ver

las Secretarias Regionales para optimizar y priorizar los recursos públicos.


Otra propuesta del candidato, respecto a descentralización política es
la elección de intendentes y la eliminación de gobernadores: “no se justifica
el tener autoridades con duplicidad de funciones [...] donde se genera una
burocratización y politización excesiva” (Kast, 2017, pág. 36). Desde otro
punto de vista Goic, Piñera, Guillier, Sanchez y Navarro abogaban por la
posibilidad de elegir a los gobernadores regionales y dotar de mas autonomia
132

decisional a la regionales. Estos candidatos proponían dotar a las regiones y


municipios de mayores recursos económicos.
Goic aludió a impulsar una agenda de transferencia de competencias y
recursos de froma gradual, priorizando las diez ciudades más grandes que
superen los 250.000 habitantes. De forma similar, Guillier propuso aumentar
los ingresos y las transferencias desde el nivel central para dotar de mas au-
tonomia a las regiones: “estableceremos rentas regionales, impuestos regio-

od V
r
nales y abordaremos la considerable brecha en los recursos per capita entre

uto
municipios” (Guillier, 2017). Por otra parte, Enriquez-Ominami propuso que
una parte del royalty minero se quede en la region en la cual se explotó y pro-
poniendo crear una partida presupuestaria denominada “rentas regionales”

visã R
(Enríquez-Ominami, 2017).

oa
En la misma linea, el candidato hizo referencia a la descentralizacion
de las comunas para combatir las desigualdades mediante un rediseño insti-
tucional que impulse y promueva la gobernanza territorial a través de instan-

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cias de participacion ciudadana vinculante. Al igual que Enriquez-Ominami
C
–quien propueso la creación de consultas ciudadanas vinculantes- Piñera y
Sanchez propusieron introducir la iniciativa popular de ley y los plebiscitos
regionales. La candidata del Frente Amplio va más allá y planteó elaborar
una nueva legislación para la participación ciudadana. Finalmente, el candi-
dato de UPA, Eduardo Artés, no hace mención alguna sobre este tema.
par a

Sistema económico
a re
são or

En relación con el sistema económico –y más en específico, crecimien-


to económico- todos los candidatos pusieron énfasis en la necesidad de “re-
cuperar” y diversificar el crecimiento. Con la excepción de Artés, los candi-
datos concordaron en potenciar a los pequeños productores o Pymes.
ver dit

La candidata demócrata cristiana, al igual que Guillier, Sánchez y


Navarro están convencidos de la importancia de la relación entre inclusión
social y crecimiento económico como estrategias que deben reforzarse recí-
procamente para asegurar el desarrollo sostenible. Estos candidatos aboga-
ron por una economía sustentable; que el desarrollo económico “no puede
E

ser al costo de contaminar el agua, el aire, el suelo agrícola, nuestro mar y


nuestros pueblos y ciudades; no puede ser a base de un empleo precario”
(Guillier, 2017). Beatriz Sánchez (2017) señaló que “hay que superar el foco
exclusivo en el crecimiento económico sin importar el costo, buscando un
crecimiento y desarrollo sustentable a largo plazo. Al respecto, buscaremos
impulsar actividades compatibles con el cuidado ambiental y el desarrollo
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 133

de las comunidades”. De igual forma, Alejandro Navarro enfatizó en una


politica fiscal contraciclica y procrecimiento sustentable.
Goic propuso asegurar una conducción fiscal responsable, manejo ma-
croeconómico prudencial y una política cambiaria activa. Además, la candi-
data hizo referencia a un Plan de Infraestructura para impulsar la inversión

V
r
a través de un Fondo Soberano constituido por los activos generados en el

uto
país y la estimulación de las empresas públicas complementando la capita-
lización de CODELCO. En esta misma línea, Guillier aspira a diversificar
la matriz productiva y exportadora, ampliar los espacios de las Pymes, digi-

R
talizar la economía impulsando una Estrategia de Transformación Digital y

a
estimular el empleo juvenil y femenino.
Sánchez puso el foco en elaborar un Plan Nacional de Inversión el que

do
incluya; impulso a la innovación, inversión con sentido impulsando empre-
aC
sas B, inversión educacional, retomar la inversión directa del Estado en ma-
teria de viviendas y enfrentar los desafíos del cambio climático. Además,
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são
potenciar un Plan Nacional de generación de cooperativas de trabajo, reduc-
ción de las horas de trabajo y fortalecimiento de las MIPYMES.
Navarro aseguró que revisará la actual distribución de las regiones para
potenciar planes de optimización geopolítica para desarrollar una “economía
i
sustentable acorde a los recursos disponibles de cada región” (Navarro, 2017).
rev

En contraposición, Kast tiene una mirada totalmente diferente y opuesta.


sã tor

Kast indica que para estimular el crecimiento y atraer al inversionista extranjero,


que en los últimos cuatro años se ha “demonizado” y perseguido el Gobierno de
Bachelet, hay que apoyar al sector privado y limitar la inversión del aparato esta-
ara

tal. Para lograr estas metas, Kast propuso diecinueve medidas tales como: redu-
cir el gasto público, implementar una agencia de evaluación de políticas públicas
para evaluar su factibilidad y costo, revisión de reformas recientes, reforma a la
i

Dirección de Presupuesto, rebajar el Impuesto Específico a los Combustibles,


op
d

modernización de la institucionalidad tributaria, eliminación de algunas exen-


ciones de IVA, entre otras propuestas.
Piñera apuntó a que un crecimiento económico dinámico que genere
E

más empleos es la base para reducir las desigualdades. Para lograr esto, se
deben corregir “los errores de la reforma tributaria, introduciendo certezas e
ver

incentivos para el ahorro la inversión” (Piñera, 2017). Entre sus propuestas


se encuentran: impulsar el Plan Chile Invierte 2025, implementar una nueva
agenda laboral, promover un reimpulso productivo con énfasis en las Pymes
con más competencias, innovación, emprendimiento y modernización del
aparato estatal.
Muy por el contrario, Enríquez-Ominami sugirió “enderezar” la re-
forma tributaria impulsando catorce medidas: eliminar el FUT, establecer
134

impuestos a las empresas sobre cierto tramo de utilidades, modificar el


royalty minero, igualar el impuesto a los combustibles, IVA diferenciado,
entre otras.
Por último, el candidato de Unión Patriótica aspiraba a fortalecer un
Chile Independiente que no dependa de la importación, produciendo “má-
quinas e insumos para desarrollar una economía sólida” (Artés, 2017). En
ese sentido, propone repatriar todos los fondos y capitales que personas y

od V
r
empresas tengan en el extranjero.

uto
Propuestas Sociales

visã R
Sin lugar a dudas, el foco central de los programas estuvo en las refor-

oa
mas sociales impulsadas por el Gobierno de Bachelet: la reforma a la educa-
ción -y, más específicamente la gratuidad en educación superior y el fin de
la educación particular subvencionada- y la reforma al sistema de pensiones.

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Con menos centralidad, el debate giró en torno al matrimonio igualitario y la
C
reforma a la ley que despenaliza el aborto en tres causales que sectores de la
derecha – representados por Kast- proponen derogar.
En las propuestas originales, el programa de Piñera manifestaba su re-
chazo a continuar con la política de gratuidad en educación superior aunque
manteniendo el 60% de gratuidad al que llegó el Gobierno de Bachelet y
par a

revertir la imposibilidad de selección y de copago en la educación básica y


media. Respecto al sistema de pensiones, Piñera se distancia de la reforma
a re

en trámite en el Congreso presentada por el actual gobierno -que obliga a


são or

las empresas a aportar un 5% a los fondos previsionales, destinando un 3%


a la cuenta individual y el 2% restante aun fondo colectivo de carácter soli-
dario- proponiendo que la totalidad de ese aporte patronal debe ingresar a la
cuenta individual. En lo que respecta al matrimonio igualitario, el programa
ver dit

de Piñera se opone considerando que el matrimonio solo es entre un hombre


y una mujer.
En la vereda oficialista, las candidaturas de centro izquierda tienen un
amplio respaldo a las reformas educacionales: avance en gratuidad hasta al-
canzar el 100% -ampliándola a los Centros de Formación Técnica e Institutos
E

Profesionales- y respaldo al matrimonio igualitario. Mas diferencias se ob-


servaban en el ámbito del sistema de pensiones: mientras las candidatura de
Sanchez – y también Artés- estaban por la eliminación del actual sistema
de AFP, Guillier y Goic apuntan a moderar el carácter privado del sistema
reforzando el componente colectivo y solidario.
A continuación se presenta un cuadro resumen de las propuestas de los
candidatos en los temas centrales de las reformas de Bachelet.
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Cuadro 2 – Propuestas de los candidatos presidenciales en los temas de las grandes reformas sociales del gobierno de Bachelet
Candidatos/ José Anto- Marco Enríquez- Alejandro
Carolina Goic Sebastián Piñera Alejandro Guillier Beatriz Sánchez Eduardo Artés
Temas nio Kast -Ominami Navarro
-. Imponer el Es- -. Modernizaci-
tado de Derecho ón operativa y
-. Fortalecer el
-. Terminar con administrativa
E la violencia y
el terrorismo
y de Carabi-
neros y PDI
rol de los munici-
pios en materia
de prevención
d -. Declararon
de Estado de
-. Fortalecimiento
de Subsecretaria -. Discutir una
-. Incentivar
la idea de
ver i
-. Fortalecer
la capacidad
Emergencia en
la Araucanía y
de Prevención
del Delito
-. Creación del agenda integral
Ministerio de Se- -. Mejorar el
-. Reducir los
factores de ries-
coproducción
de seguridad
profesional y envió de Fuerzas -. Creación de guridad Pública trabajo a nivel go construyendo
-. Redistribución
operativa de Militares un mando y -. Generar el de prevención comunidad
mas eficiente
sã tor
los policías. -. Implementar unidades para Servicio Nacio- del delito -. Crear un Pro-
op
del personal de
-. Desarrollar programa 7+7; la prevención nal de Victimas . Mejorar la coor- grama de Segu-
-. Reforma Carabineros
una política de dotar de más re- y combate del -. Fortalecer el dinación y ges- ridad Ciudadana
Delincuencia carcelaria -. Creación de
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5

rehabilitación cursos y nuevas narcotráfico Fondo Nacional tión con policías Comunitario
ara
(seguridad -. Creación de Comités de Me-
y reinserci- atribuciones a -. Reforma a la de Seguridad y comunidad -. Reducir la
ciudadana) Centros de Tra- diación Vecinal
aC
ón social. las Fuerzas Poli- Ley Antiterrorista Publica -. Apoyo a las segregación ur-
bajo Reeducativo -. Nuevo modelo
-. Reforma ciales y aumento -. Nuevo Sistema -. Creación Plan victimas bana y mejora la
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:

de gestión de
rev
carcelaria que del 7% las remu- Nacional de Nacional de -. Fortalecer calidad de vida
cárceles en-
contemple un neraciones de Inteligencia
i
Barrios Críticos el Ministerio
R -. Crear una
focado en la
Servicio Nacional los funcionarios -. Revisión del -. Creación de un Público Política Nacional
reinserción y
são
de Reinserción de Carabineros, Código Procesal sistema de rein- -. Reformar de Rehabilitación
rehabilitación
y Rehabilitación PDI, Gendarme- Penal, reforma a serción social el sistema y Reinserción
ría y SENAME
-. Nueva Ley
la ley de respon-
sabilidad penal
V
penitenciario
do -. Fortalecer la
enseñanza del
autocuidado
de Salud para adolescente y
Carabineros nuevo Estatuto
a -. Modernización
de Carabine-
-. Instaurar un de Victimas
ros y PDI
uto
Comité de Segu- y Protección
ridad Nacional de Testigos
r
continua ...
135
... continuação 136
Candidatos/ José Anto- Marco Enríquez- Alejandro
Carolina Goic Sebastián Piñera Alejandro Guillier Beatriz Sánchez Eduardo Artés
Temas nio Kast -Ominami Navarro
-. Subir la tasa
de cotización
-. Cambiar
-. Aplicar
el modo de
nuevas Tablas
cotización a una
de Mortalidad
variable en fun-
-. Creación -. Reemplazar el
ción de la edad
de un sistema sistema actual,
E -. Reducir la
cotización de
-. Aumentar los
-. Plan para
incrementar las
mixto solidario
-. Cotización
por uno de Re-
parto Solidario,
los jóvenes para pensiones en
beneficios del obligatoria para con un Fondo
reducir el im- forma gradual
Pilar Solidario el empleador Solidario y no de
puesto al trabajo y en un plazo
-. Aumentar y el Estado reserva técnica
-. Destinar un de 8 años
ver dit
las pensiones -. Creación de -. Reducir el gas- -. Crear un
porcentaje de -. Aumento
del sistema una agencia to público en ma- Segundo
cotización a fi- de la tasa de -. Terminar
de ahorro y estatal que teria previsional Fondo Solidario,
nanciar un apor- cotización con las AFP
são or
capitalización administrará la -. Mejorar la tasa -. Eliminación destinado a
te a las mujeres -. Aumento de -. Crear un sis-
-. Aumentar la cotización adi- de reemplazo de las AFP financiar un Se-
Pensiones -. Creación recursos para el tema solidario,
competencia de cional realizada -. Transitar -. Creación de un guro de Lagunas
par a
de un seguro Sistema de Pen- que reconozca
las AFP, modifi- por el empleador hacia un sistema sistema tripartito Previsionales
solidario “inter- siones Solidarias todos los tipos
cando las regula- -. Incorporar público-privado -. Se homologa-
generacional” -. Incentivos para de trabajos
-. Ampliar la
licitación de
ciones de estas
-. Aumento de
entender volun-
a re
tariamente vida
Cseguros contra
las lagunas
- Nuevas regula-
ciones a las AFP
rán las pensio-
nes y expecta-
las competen- previsionales tivas de vida
cartera a los laboral y seguro
cias en la ges- -. Fortalecer la -. Aumentar
nuevos entrantes de longevidad
visã R
tión de fondos Pensión Básica sanciones a los
al mercado -. Incrementar
previsionales Solidaria empleadores
laboral y a los competencia
-. Cambios que adeuden
od V
actuales afiliados de las AFP
regulatorios al cotizaciones
-. Establecimien-
sistema de AFP -. Crear el
tos de Comités
Instituto de
oa
de Usuarios
la Seguridad
-. Hacer efectiva
Social Chilena
la cotización de
uto
trabajadores
independientes
r
continua ...

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... continuação
Candidatos/ José Anto- Marco Enríquez- Alejandro
Carolina Goic Sebastián Piñera Alejandro Guillier Beatriz Sánchez Eduardo Artés
Temas nio Kast -Ominami Navarro
-. El candidato
plantea 28
-. Creación de
propuestas
E -. Aumentar las
de las cuales
encontramos:
un Fondo Único
de Salud
prestaciones -. Fortalecer la
d
preventivas y
-. Dotar al Minis-
terio de Salud
-. Creación Atención Publica
no preventivas de red de -. El candidato en Salud
ver i
del AUGE
con facultades
excepcionales
consultorios
-. Construc-
ción nuevos
propone cinco -. Programa
-. Plan AUGE -. Ficha principios: Más Médicos
en casos de hospitales
para Adultos Medica Única -. Nueva política para Chile
urgencias -. Avanzar hacia
Mayores Electrónica -. Cambiar el de fármacos -. Nueva
sã tor
-. Priorizar el la Atención Pri-
op
-. Ley General -. Sistema de desarrollo del -. Fortalecer la política de
sistema público maria Universal
de Control licitación abierta sistema de sa- atención primaria medicamentos
de salud -. Fortalecer
de Cáncer de resolución de lud, retornándolo -. Fortalecer -. Creación -. Implementar
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5

-. Disminuir al FONASA
ara
Salud -. Creación de listas de espera a lo publico la APS, para de una nueva una Estrategia
20% el gasto -. Ley de
un arancel de -. Creación de -. Creación de un reducir las listas institucionalidad Nacional de
aC
publico neto en Salud Dental
medicamentos Servicio Nacio- seguro único de de esperas Comunicación
salud traspasado -. Reformar los
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:

-. Fortalecer nal de Urgencia salud universal -. Nueva Política para la promoci-


rev
al sector privado actuales seguros
un Modelo de -. Revitalización y solidario de Hospitales ón de la salud
Atención Integral
-. Disminuir
del Programa
i
de salud
R -. Obligatoriedad -. Creación del
lista de espera -. Creación de un
de Salud con Elige Vivir Sano de rendir y apro- Ministerio del
en hospitales Sistema de Far-
são
enfoque Familiar -. Reducción del ar el examen Adulto Mayor
-. Reactivar macias Públicas
y Comunitario
-. Plan Garanti-
concesiones
-. Plan de sexua-
precio de los
medicamentos
do V EUNACOM -. Instaurar
una Agencia
zado Universal Nacional de
lidad respon-
de Salud
sable, métodos
a Acreditación de
Profesionales
naturales para
de la Salud
uto
el control de r
la natalidad
continua ...
137
138

... continuação
Candidatos/ José Anto- Marco Enríquez- Alejandro
Carolina Goic Sebastián Piñera Alejandro Guillier Beatriz Sánchez Eduardo Artés
Temas nio Kast -Ominami Navarro
-. Fortalecer la
escuela pública
-. Acceso -. Gratuidad
-. Implementar
E universal a la
educación prees-
en educación
-. Sustitución del superior
programas enfo-
cados en la inte-
colar y primaria actual sistema -. Creación de
-. Desmunicipali- gración de niños
-. Plan Nacional de financiación nuevos tipos de
-. La candidata -. Eliminación zar la educación con necesidades
de Excelen- por un sistema acreditaciones
levanta siete de la reforma -. Plan nacional especiales
cia Escolar de financiamien- -. Fortalecer
ver dit
pilares entorno educacional de cobertura a -. Robustecer
-. Perfeccionar to a la oferta, la formación
a regulacio- -. Derogación nivel parvulario las instituciones
Ley de Inclusión con aporte basal docente
nes, avances Ley de Inclusión -. Revisión malla fiscalizadoras
são or
-. Fortalecer -. Recuperar -. Generar
en gratuidad, -. Nuevo tipo de curricular -. Pago de la
el Sistema de la educación facilidades para
financiamiento subvención para -. Creación de -. Creación deuda histórica
Aseguramiento publica la formación
Educación para la igualdad colegios públicos una Red Estatal de una nueva de los docentes
par a
de la Calidad -. Repensar continua
de oportunida- y privados de Educaci- institucionalidad -. Creación
-. Modernización el concepto -. Establecer
des, mejorar -. No más ón Técnica del Servicios
de contenidos de calidad un acuerdo
la calidad, gratuidad
autorregulación y -. Dar más
y metodologías
a re
de enseñanza
CProfesional
-. Financiamiento
-. Terminar con el de marco
CAE y el cobro regulatorio para
Regionales de
Educación
transparencia en facultades a basal a las insti- -. Fin de los
-. Creación de un de aranceles los profesores
todos los actores los municipios tuciones públicas copagos
Nuevo Ministerio -. Financiamien- -. Mejorar las
visã R
del sistema y directores -. Evaluar termi- -. Gratuidad
de Educación to de carácter condiciones del
nar con el CAE universal en la
-. Nuevo Sistema global a las insti- trabajo docente
educación supe-
od V
Solidario de tuciones publicas -. Nuevo tipo
rior para el 2020
Acceso a la Edu- de financia-
-. Eliminar la
cación Superior miento público
oa
prueba de selec-
ción universitaria
uto
Fuente: Elaboración propia a partir de los respectivos programas presidenciales de los candidatos, 2017. r
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POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 139

La primera vuelta: frustración en la centro-derecha y optimismo


en la centroizquierda

Los resultados de las elecciones del 19 de noviembre de 2017 tuvieron


una alta carga de intensidad y expectación. Según Avendaño (2017) esta inu-

V
r
sual intensidad no se veía desde 2010, o una década antes entre la disputa

uto
Lagos-Lavín. En parte, esto se explica por el alto número de candidatos pre-
sidenciales, el cambio del sistema electoral y la inclusión de la ley de cuotas
de género y modificaciones legales a los partidos políticos respecto a su

R
financiamiento y su modo de hacer campaña. Adicionalmente, los resultados

a
obtenidos no fueron los pronosticados por las encuestas, ni por los analistas
y politólogos del medio nacional.

do
Todas las encuestas daban una gran ventaja para Piñera. La encuesta
aC
Cadem posicionaba al candidato con 45% de los votos, seguido por Guillier
con un 23% y más atrás se posicionaba Sánchez con un 14%, Goic y Kast con
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são
6% y Enríquez-Ominami, Navarro y Artés con 0,5%. La encuesta del Centro de
Estudios Públicos (CEP) ubicaba a Piñera con 2.750.000 votos, cerca del 44,4%.
Por otro lado, la encuesta Criteria posicionaba al candidato de Chile Vamos con
39%, Guillier con no más de 24% y Sánchez con 15%. Como se puede ver en la
i
rev

tabla 2 estas predicciones distan de los resultados obtenidos.


sã tor

Cuadro 3 – Total votación presidencial Chile y exterior

Candidatos Porcentaje votos


ara

Sebastián Piñera 36,64%


Alejandro Guillier 22,70%
Beatriz Sánchez 20,27%
José Antonio Kast 7,93%
i

Carolina Goic 5,88%


op

Marco Enríquez-Ominami 5,71%


d

Eduardo Artés 0,51%


Alejandro Navarro 0,36%
E

Fuente: Elaboración propia a partir de los datos de <www.servel.cl>.

El ambiente de triunfalismo del equipo de Piñera que anticipaba 45%


ver

de los votos -incluso los más optimistas hablaban de la victoria del candidato
en primera vuelta-, estuvo por debajo a lo proyectado obteniendo cerca de
2,4 millones de votos (36,64%). El candidato de la Fuerza de Mayoría obtu-
vo el 22,7% mientras que Sánchez consiguió el tercer lugar con el 20,27% de
las preferencias contradiciendo los pronósticos de las encuestas. La misma
candidata consideró esto como un “hecho histórico” y criticó a los centros
140

de estudio y señalo “si las encuestas hubiesen dicho la verdad, a lo mejor si


estaríamos en segunda vuelta” (Labraña, 2017).
Piñera obtuvo la mayoría en todas las regiones del país y en el extran-
jero. Por su parte, Guillier triunfó en algunas comunas del país, al igual que
Beatriz Sánchez. El candidato de Fuerza de Mayoría obtuvo mayoría relativa
en las comunas de; Tocopilla, Mejillones, Taltal, Diego de Almagro, Freirina,
Monte Patria, Punitaque, Combarbalá, Canela, Los Vilos, Punitaqui, Illapel,

od V
r
Salamanca, Petorca, Cabildo, Putaendo, San Antonio, Renca, Cerro Navia,

uto
La Pintana, La Granja, San Joaquín, Lota, Coronel, Lebu, Sagrada Familia,
Corral, San Juan de la Costa, Puqueldon, Llanquihue, Chile Chico, Natales
y Porvenir. Sánchez venció en Valparaíso y Puente Alto y, la candidata de-

visã R
mócrata cristiana Goic triunfo en Primavera, comuna de la XII Región de

oa
Magallanes y Antártica Chilena. Los otros candidatos no obtuvieron mayo-
ría relativa en ninguna comuna del país.
En cuanto al voto en el extranjero hubo una participación del 59% del

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patrón electoral. Como se puede ver en el siguiente gráfico, Piñera obtuvo la
C
primera mayoría, seguido de Guillier y Sánchez:

Voto en el extranjero
A. Navarro
par a

E. Artés
M. Enriquez-O
a re

J.A. Kast
são or

C. Goic
B. Sánchez
A. Guillier
S. Piñera
0,00% 10,00% 20,00% 30,00% 40,00%
ver dit

M.
A. B. A.
S. Piñera C. Goic J.A. Kast Enriquez E. Artés
Guillier Sánchez Navarro
-O
Voto en el extranjero 31,30% 28,50% 24,20% 6% 5,30% 3,10% 1% 0,60%

Fuente: Elaboración propia a partir de los datos de <www.servel.cl>.


E

Piñera obtuvo mayoría en Bolivia, Brasil, Colombia, Ecuador, El Salvador, Egipto, El Líbano,
Emiratos Árabes, Estados Unidos, Filipinas, Grecia, Guatemala, Honduras, India, Indonesia,
Israel, Italia, Jordania, Kenia, México, Nicaragua, Panamá, Perú, Paraguay, Polonia, República
Dominicana, República Popular China, Singapur, Sudáfrica, Turquía, Uruguay y Venezuela.

Guillier obtuvo 6.569 votos (28,5%), alcanzó mayoría en Argentina,


Australia, Bélgica, Canadá, Costa Rica, Cuba, Federación Rusa, Haití,
Hungría, Japón, Noruega y Suecia. Por su parte, la candidata del Frente
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 141

Amplio triunfó en Alemania, Austria, Corea, Dinamarca, España, Finlandia,


Francia, Irlanda, Nueva Zelanda, Países Bajos, Portugal, Reino Unido,
República Checa, Rumania, Suiza y Tailandia. Al ser esta la primera vez en
que chilenos residentes en el extranjero pueden participar es difícil hacer un
análisis de los resultados, o identificar patrones de comportamiento electoral.

V
r
El resultado de la primera vuelta representó un punto de inflexión para

uto
la candidatura de Piñera. El no haber llegado al 40% fue una señal de alerta
en el equipo de campaña que movilizó a sus adherentes ahora con el respaldo
de los diputados y senadores recientemente electos. También significó, como

R
veremos más adelante, la introducción de nuevos contenidos y en el ámbito

a
comunicacional, el levantamiento de ciertos temores relevantes en ciertos
sectores del electorado de centro.

do
Para la candidatura de Guillier, el resultado de la primera vuelta aportó
aC
un aire de optimismo. Si bien se reconoció que el 14% de mayor votación
obtenida por Piñera era difícil de remontar, el contar con un 55% de electores
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são
que habían votado por representantes de la centroizquierda respaldaba cierto
optimismo de que una victoria era posible.

Segunda vuelta presidencial: nuevas propuestas


i
rev

Como se mencionó anteriormente, en las elecciones presidenciales re-


sã tor

alizadas el domingo 19 de noviembre ningún candidato obtuvo más de la


mitad de los sufragios. En el régimen político chileno está establecida el
ara

recurso de la segunda vuelta (balotaje) en donde compiten los dos candidatos


que obtuvieron más votos; Piñera y Guillier.
Al conocer los resultados electorales de la primera vuelta Piñera man-
tuvo una reunión con Kast, en la cual el entonces ex candidato dio su apoyo:
i
op

“nosotros no vamos a exigir nada ni a condicionar nuestro apoyo. Solo plan-


d

teamos de manera directa y clara lo que se juega en las próximas elecciones.


Chile no resiste otro Gobierno de izquierda” (Romero, 2017). Así Kast con-
E

firmó su respaldo y la de su equipo para la segunda vuelta.


Días más tarde el coordinador del programa del ex presidente anuncio
ver

que se incorporaron otras propuestas de cara a la segunda vuelta. Gonzalo


Blumel señaló: “hoy se incorporaron al programa de Sebastián Piñera pro-
puestas de otras candidaturas presidenciales, como Auge Mayor (Lagos),
Ley del Cáncer (Goic), Niños Primero (FK), Gratuidad CFT e IP (MJO) y
Seguridad (JAK). Buenas ideas deben impulsarse, vengan de donde vengan”
(El Dínamo, 2017).
142

Las propuestas incluidas pertenecen a diversos sectores políticos como


es el caso del ex presidente Lagos relacionada a incrementar las prestacio-
nes del Plan de Acceso Universal a Garantías Explicitas en Salud (conocido
como AUGE) para adultos mayores. Además, la Ley de Cáncer de la sena-
dora Goic, las propuestas de seguridad de José Antonio Kast y las propo-
siciones de dos ex candidatos de primaria Ossandón sobre aumento en la
gratuidad y la iniciativa de Kast “Niños primero”.

od V
r
Respecto al compromiso que realizó con el ex precandidato Ossandón

uto
de aumentar la gratuidad, esto representa un giro radical en su postura sobre
educación. Piñera ha sido un asiduo opositor de la ley de gratuidad universal

visã R
durante todo el gobierno de la Presidenta Bachelet y sus propuestas iban de

oa
la mano de un sistema de becas y préstamos. Además, había indicado que no
se avanzaría en el tema. Durante el Debate Presidencial realizado por Anatel,
a solo seis días de las elecciones, Piñera por primera vez dio un plazo para

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C
llegar al 90% de gratuidad técnico-profesional, mencionando ocho años para
ese meta (Caro, Catena, & Labra, 2017).
El candidato de Fuerza de Mayoría recibió el apoyo de Navarro y
Enríquez-Ominami. Después de anunciar que en su eventual gobierno
“condonaría el CAE al 40% de los deudores más vulnerables” (Jara, 2017),
Navarro aseguró su compromiso con el candidato. Posteriormente Enríquez-
par a

Ominami oficializó su respaldo e hizo un llamado a la ex candidata Sánchez


a re

para que llamara a votar por el senador.


são or

Cabe consignar que en el punto de prensa después del debate presiden-


cial Anatel, el candidato confirmó que hubo un giro respecto al CAE y señaló
que la condonación de la deuda estaría entre un 35% y 40% de los deudores
más vulnerables, lo que implica aumentar la cobertura que inicialmente ha-
ver dit

bía propuesto.
A una semana de la segunda vuelta presidencial Guillier y Goic tuvie-
ron una reunión en la cual la senadora ratificó y explicitó su apoyo. En esta
instancia, el candidato se comprometió a sumar a su Programa de Gobierno
los temas de probidad, transparencia, Ley de Cáncer y fortalecimiento a la
E

Educación Técnica. Además señaló: “hemos conversado todos los temas que
tienen que ver con descentralización, regionalización, ambos somos senado-
res de regiones extremas y por tanto tenemos un mapa político de las media-
das y reformas que se requieren” (Vera & Guzmán, 2017).
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 143

Por otro lado, Sánchez y el Frente Amplio, tras conocer los resulta-
dos electorales, aseguraron que definirán su eventual apoyo a Guillier me-
diante consultas internas. Finalmente, “ocho de los 14 partidos entregaron
libertad de acción a sus militantes, dos se oponen a apoyar al periodista y
otros cuatro apuntan a seguir intentando interpelarlo para lograr un acuerdo”

V
r
(Cooperativa, 2017).

uto
A pesar de la posición que tomaron los partidos del conglomerado,
Sánchez materializó su apoyo a Guillier tras conocer las acusaciones reali-

R
zadas por Piñera en las que denunciaba la existencia “votos marcados” en la

a
primera vuelta favorables a Guillier. El tomar distancia con lo resuelto por
instancias formales del Frente Amplio le costó una serie de críticas no solo

do
de Chile Vamos sino también cuestionamientos internos de “varios dirigen-
aC
tes del Partido Humanista, Izquierda Libertaria, Partido Ecologista Verde
(PEV) y de Partido Igualdad no compartieron la decisión de Sánchez de
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são
adelantar su respaldo a Guillier, a menos de una semana de la propia puesta
en escena del bloque” (Aninat, 2017).
Cabe destacar que el ex candidato Eduardo Artés rechazó apoyar a uno
i
de los candidatos. Afirmó que ninguno se adhiere a su programa de transfor-
rev

maciones sociales, “estas transformaciones no están en Piñera, ni en Guillier,


nosotros no vamos a apoyar a ninguna de esas candidaturas” (Vera, 2017).
sã tor

Los resultados de la primera vuelta tuvieron dos lecturas diferentes.


Desde la perspectiva de la coalición de centroderecha Chile Avanza, el
ara

resultado fue un balde de agua fría. Las encuestas -sobre las cuales se
ha levantado un importante debate cuestionando no solo su capacidad
de predecir resultados sino su transparencia dado el nexo ente algunas
i
op

empresas con el mundo político- auguraban que esta colación obtendría


d

al menos un 40% de las preferencias e incluso personeros de este sector


auguraban en privado un eventual triunfo en primera vuelta. En contra-
posición, desde la coalición de centroizquierda, el resultado de la centro-
E

derecha inyectó un aire de optimismo.


El resultado de la primera vuelta fue un balón de oxígeno para quienes,
ver

desde el mundo de la centro izquierda, veían con preocupación los pronós-


ticos de las encuestas que situaban a Piñera por encima del 40%, incluso sin
descartar de plano un posible triunfo en la primera vuelta. Ahora sabemos
que el candidato de la centro derecha estuvo lejos de ese resultado (obtuvo
36,6%) pero sacándole casi 14 puntos a Guillier que obtuvo 22,7%.
144

Mirado en el eje de derecha izquierda, el resultado de la primera vuelta


muestra más votos a la izquierda que a la derecha. Piñera salió a conquistar
los votos de un sorprendente Kast (7,99%), representante de la derecha más
identificada con el pinochetismo (que en su campaña prometió derogar el
aborto en tres causales, no cerrar la prisión de Punta Peuco para condenados
por violación a los derechos humanos, desmontar parte de la reforma edu-
cacional). Sumando los votos de Kast, Piñera podría obtener casi el 45%.

od V
r
Por lo tanto, necesitaba conquistar otros apoyos: nuevos votantes, votantes

uto
de centro que en primera vuelta habían votado por la Democracia Cristiana
y electores del Frente Amplio que habían votado por Beatriz Sanchez más

visã R
como un voto de protesta contra la desgastada elite de la Concertación/

oa
Nueva Mayoría que como resultado de su convicción ideológica.
Piñera logró dos respaldos muy significativos: la misma noche de la
primera vuelta, el de José Antonio Kast y el del líder de Evopoli, Felipe

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C
Kast. Más complejo fue obtener el respaldo de José Manuel Ossandón, ac-
tual senador y ex alcalde de la comuna de Puente Alto -la más populosa y
una de las más pobres de la Región Metropolitana- y representante de lo que
se ha denominado la derecha social. Estos dos últimos habían participado
en las primarias del sector y habían sido derrotados por Piñera. El aporte de
Ossandón será significativo en el triunfo de Piñera.
par a

El desafío de la candidatura de Guillier era mucho mayor pese a que des-


a re

de el centro a la izquierda se ubicó más del 55% del electorado. Rápidamente,


são or

en la misma noche de la primera vuelta, este recibió el respaldo de Enriquez-


Ominami; el día siguiente, el de Goic, presidenta democratacristiana. Por
su parte, el Frente Amplio entró en un proceso de reflexión respecto de su
comportamiento de cara a la segunda vuelta. Se le planteó al candidato la
ver dit

necesidad de señales claras en relación a incluir propuestas relevantes para


el Frente Amplio en su futuro Programa de Gobierno. Especialmente, la eli-
minación de las Administradoras de Fondos de Pensiones (AFP), pilar fun-
damental del sistema previsional chileno fuertemente privatizado.
La candidatura de Guillier optó por una estrategia de no negociación
E

con el Frente Amplio y elaboró un mensaje dirigido a los votantes de ese


sector pero sin asumir compromisos explícitos salvo el de revisar el siste-
ma de pensiones y modificar la reforma de Bachelet si es que esta no es
aprobada en el Congreso antes del 11 de marzo: en lugar de destinar 2% del
aporte patronal al pilar solidario, transferir el 3%. Su compromiso respecto
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 145

de condonar la deuda del Crédito con Aval del Estado al 40% más pobre fue
confusa y ambigua con contradicciones entre lo dicho por el encargado pro-
gramático de su candidatura y el propio candidato.
Por otro lado, algunas declaraciones del candidato de la centro izquier-
da generaron polémica: la referencia que “le vamos a meter la mano a los

V
r
bolsillos de los empresarios” así como la cita del Che Guevara en un acto de

uto
cierre de campaña no hicieron más que reforzar los temores de polarización
presentes en una parte del electorado, alimentada por ciertos medios que

R
sostenían que si ganaba Guillier, Chile se transformaría en “Chilezuela”.

a
El apoyo del Frente Amplio llegó con cuentagotas. Su lidereza Beatriz
Sanchez lo expresó de la siguiente manera: llamaron a votar en segunda

do
vuelta y a no hacerlo por Piñera. Pero el Frente Amplio nunca llamó a votar
aC
explícitamente por Guillier pese a que Sanchez -al igual que Mayor, Boric y
Jackson- declararon que votarían por el candidato de la Fuerza de la Mayoría.
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são
Por su parte, la candidatura de Piñera logró, como ya se señaló el res-
paldo de sus contrincantes del sector. El apoyo de Ossandón estuvo con-
dicionado a la inclusión de algunos contenidos: derogación de la Ley de
i
Pesca (aprobada en el Congreso con sospechas de cohecho), continuidad de
rev

la gratuidad en educación superior, evaluar la extensión de la red de Metro a


comunas periféricas de la capital, la elección democrática de gobernadores
sã tor

regionales en las próximas elecciones municipales y el rechazo al matrimo-


nio igualitario. Piñera, además, se comprometió a evaluar la creación de una
ara

AFP estatal como manera de regular el mercado de pensiones y así bajar los
costos de administración.
No bien concluida la primera vuelta, todos los análisis coincidían en
i
op

que el ballotage tendría un resultado estrecho: no más de 100 mil votos. Otra
d

incógnita era el porcentaje de participación. En la primera vuelta se emitie-


ron más de seis millones y medio de votos, equivalentes al 46% del padrón
de más de 14 millones. No obstante, todos coincidían en que mientras más
E

personas votaran, más chances tenía Guillier de triunfar.


De allí la sorpresa del resultado de la segunda vuelta. Votaron 300 mil
ver

ciudadanos más que en la primera vuelta, Piñera obtuvo más del 54% de los
votos y triunfó en 13 de las quince regiones del país.
Si bien es necesario analizar más detenidamente los resultados de la
segunda vuelta, es preliminarmente claro que el mayor caudal electoral fa-
voreció al candidato de centro derecha.
146

Pongamos el foco en dos sectores. Por un lado, en las comunas de


más altos ingresos (Providencia, Las Condes y Vitacura) en donde la cen-
tro derecha es muy fuerte. Del análisis de los resultados, se desprenden
tres conclusiones:
El total de votos válidamente emitidos pasó de 300.411 a 316.356, y en
la votación nacional pasó de 6,6 millones a 6,9 millones de votos válidamen-
te emitidos. Como se puede observar, el crecimiento de votos válidamente

od V
r
emitidos en las tres comunas fue de 5,3% mientras que a nivel nacional solo

uto
llegó al 4,5%.
La candidatura de Piñera no solo sumo los votos de José Antonio Kast

visã R
sino que superó la suma de los dos caudales electorales de la primera vuelta:

oa
pasaron de sumar 208 mil votos a casi 246 mil votos.
En contrapartida, la candidatura de Guillier no logró capturar el respal-
do de las candidaturas de centro izquierda. Si en la primera vuelta, la sume

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C
de Guiller, Goic, Marco Enriques-Ominami, Beatriz Sanchez y Navarro re-
sultaba 90.650 votos, en segunda vuelta sólo obtuvo 70.500 votos.
Revisemos ahora el caso de Puente Alto. En los comicios de noviembre
ganó la representante del Frente Amplio, Beatriz Sánchez con 50.583 votos
(31,43%), seguido de Sebastián Piñera con 42.696 (26,53%) y en tercer lu-
gar Alejandro Guillier con 33.905. En esta segunda vuelta, el abanderado
par a

de Fuerza de la Mayoría obtuvo 87.855 votos (53,16%) mientras que el de


a re

Chile Vamos 77.420 (46,84%).


são or

Si se suman los votos obtenidos por Piñera y Kast en primera vuelta,


suman 54.131. Dicho de otra manera: Piñera obtiene más de 35 mil votos
adicionales respecto de su propia votación y más de 23 mil en contraste con
la votación conjunta de ambos candidatos en la primera vuelta. Además, fue
ver dit

la segunda comuna del país donde más creció en cantidad de sufragios res-
pecto a la primera vuelta: de 160.943 votos válidamente emitidos pasamos
a 165.275.55
Esto resultados vienen a confirmar que era más probable que los vo-
tantes de Kast se inclinaran por apoyar a Piñera que los votantes del Frente
E

Amplio hagan lo mismo con Guillier. Al interior de esta nueva coalición


conviven grupos, algunos de los cuales tienen no solo diferencias de fondo
con él y el denominado “partido del orden”, sino que promueven un modelo

55 Fuente: Emol.com – <http://www.emol.com/noticias/Nacional/2017/12/17/887711/Resultados-en-Puente-Alto-de-la-segunda-


vuelta-presidencial.html>.
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 147

de sociedad cuyos elementos difícilmente sean asimilables por el candidato


de la Fuerza de la Mayoría.
Por otro lado, el resultado evidencia el desgaste de la coalición de cen-
tro izquierda. ¿Por qué los mismos partidos que han tenido desencuentros
importantes, que han tomado caminos distintos en temas que son centrales

V
r
para nuestro país y que se han movido demasiado tiempo en un espacio de

uto
confort político iban a poder construir, en menos de cuatro semanas, una
propuesta que interprete a esa gran mayoría que demanda cambios importan-

R
tes en nuestro modelo de desarrollo? Esas tensiones siguieron estando allí y

a
difícilmente se podían desmontar por el solo incentivo de evitar el eventual
triunfo de Piñera.

do
aC
Nuevo Congreso: negociaciones y quórums
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são
El presidente electo tendrá que encarar una renovada Cámara de
Diputados que, gracias a la reforma del sistema electoral, aumentó en el
número de legisladores de 120 a 155 y, en la Cámara Alta, se renovaron 25
escaños, quienes sumados a los 20 en ejercicio conforman 43 miembros (7
i
miembros adicionales resultarán de las próximas elecciones parlamentarias
rev

cuando el Senado renueve la segunda mitad, quedando entonces en régimen


sã tor

la aplicación del nuevo sistema electoral). Además, la Ley de Cuotas produjo


un incremento en 6,8 puntos porcentuales la representación de las mujeres
en el Congreso (Comunidad Mujer, 2017).
ara

A continuación, se puede ver la conformación del Senado:


i
op
E
ver d

Fuente: DecideChile.cl
148

La Fuerza de la Mayoría, que será opositora al nuevo gobierno, logró


siete senadores electos, cuatro de ellos del Partido por la Democracia, de
los cuales se encuentra Ricardo Lagos Weber que seguirá por su segundo
periodo y Jaime Quintana, que continuará por un tercer periodo (24 años). El
Partido Socialista se impuso con 3 escaños, dos de ellos nuevos en la Cámara
Alta; José Miguel Insunza, ex ministro y ex Secretario General de la orga-
nización de los Estados Americanos (OEA) y Álvaro Elizalde, ex ministro

od V
r
Secretario General del Gobierno de la Presidenta Michelle Bachelet. Este

uto
conglomerado representa el 32,5% en la cámara.
Convergencia Democrática, del Partido Demócrata Cristiano, también
oposición al gobierno de Piñera, presentó una lista por separado de la Nueva

visã R
Mayoría, lo que provocó que sacaran menos escaños de los esperados.

oa
Asimismo, algunos candidatos incumbentes al Senado perdieron su cupo
como Ignacio Walker y Andrés Zaldívar, rostros emblemáticos del partido.
A pesar de este desfavorable resultado lograron retener el escaño de Ximena

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Rincón y fueron electos dos candidatos nuevos, Yazna Provoste que logró
C
saltar de la Cámara de Diputados al Senado –y que se levanta como un nue-
vo liderazgo fuerte dentro de la colectividad-, y Francisco Huenchumilla ex
Intendente de la Araucanía.
Como se puede ver en la imagen, Chile Vamos, coalición del nuevo go-
bierno, conformado por Evolución Política (Evópoli), Renovación Nacional
par a

(RN) y Unión Demócrata Independiente (UDI), obtuvo 12 senadores, más


los siete en ejercicio, le otorga un total de 19 senadores, que representa
a re

una mayoría relativa de 44,1%. En comparación con la elección de 2013


são or

el conglomerado sumó escaños y se destaca la llegada a la Cámara Alta de


Evópoli con el ex precandidato presidencial Felipe Kast y su compañera de
lista Carmen Gloria Aravena. Quedaron fuera algunos candidatos incumben-
tes como la actual senadora por Amplitud, Lily Pérez, la diputada Andrea
ver dit

Molina, Gustavo Hasbún y Rojo Edwards.


Respecto del Frente Amplio, destaca el único escaño logrado por Juan
Ignacio Latorre, electo por la Región de Valparaíso. Académico y militante
de Revolución Democrática es el primer senador del bloque.
En cuanto a la Cámara de Diputados, esta se renovó por completo, como
E

se puede ver en la siguiente imagen. La Fuerza de la Mayoría logró 43 es-


caños, el PS es el partido del conglomerado con más diputados y el segundo
partido con más escaños, representan el 12,3% en la cámara, a pesar de bajar
su votación respecto 2013. De igual modo, el Partido por la Democracia
(PPD) bajó considerablemente sus escaños, en 2013 obtuvo 15 diputados y
actualmente solo logró ocho.
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 149

Como se mencionó anteriormente, la Democracia Cristiana al no ir en


el pacto de la Nueva Mayoría disminuyó considerablemente sus escaños
respecto otras votaciones. Por otra parte, en un sentido contrario, el Frente
Amplio, que por primera vez se presentaba como coalición, alcanzó 21 es-
caños. Destacan entre sus resultados, la reelección de Giorgio Jackson y

V
r
Gabriel Boric, que habían sido electos anteriormente sin el respaldo de un

uto
bloque político.
Chile Vamos es el conglomerado con más diputados de la Cámara -lo que
entrega un buen respaldo al inicio del nuevo gobierno-, obtuvo 2,3 millones de

R
votos. A pesar de esto, algunos partidos como la UDI perdieron la hegemonía

a
que mantuvieron en la Cámara durante casi dos décadas. Este partido “espe-
raba elegir 35 diputados, pero obtuvo 30, disminuyendo su representación en

do
la Cámara Baja de un 24,1% a 19,3% [...] reconocen que el liderazgo de Van
aC
Rysselberghe quedó debilitado” (Ahumada & Artaza, 2017).
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são i
rev
sã tor
ara
i
op
E
ver d

Fuente: DecideChile.cl

A pesar de los buenos resultados de la coalición de Piñera, ningún


conglomerado tiene mayorías, por lo tanto, el candidato electo tendrá que
negociar y llegar a acuerdos en el Congreso para aprobar sus iniciativas.
Temas prioritarios en sus agendas requieren mayoría absoluta, como la re-
forma al sistema de pensiones. Como se puede ver en la cuadro 4 aprobar,
150

modificar o derogar leyes requieren de altos quorum, sobre todo modificar


Leyes Orgánicas Constitucionales como la reforma al sistema de justicia o
modernización del Estado.
Este nuevo escenario complica las reformas y cambios propuestos en
el Programa de Gobierno de Sebastián Piñera, por lo que será esencial el rol
de articulación, primero dentro de la propia coalición gobernante (disciplina
partidaria) para asegurar así el respaldo ante las iniciativas del Ejecutivo,

od V
r
asegurar un funcionamiento político apropiado del Ministerio Secretaría

uto
General de la Presidencia (encargado de llevar adelante las relaciones con el
Poder Legislativo), resultando clave entonces el perfil de quien encabezará
tal repartición.

visã R
oa
Cuadro 4 – Tipos de leyes y necesidad de quorum para su aprobación

Tipo de ley Descripción Quórum

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Estas leyes explican y dan Para su aprobación, modifica-
Leyes interpretativas sentido y alcance de un ción o derogación se requiere
C
de la Constitución precepto o una expresi- e 3/5 de los Diputados y
ón de la Constitución. Senadores en ejercicio.
Son normas complementa- Para su aprobación, modifica-
Leyes Orgánicas rias de la Constitución. Son ción o derogación se requiere
Constitucionales objeto de un control preven- de 4/7 de los Diputados y
tivo de constitucionalidad. Senadores en ejercicio.
Para su aprobación, mo-
par a

Leyes que tratan so- dificación o derogación


Leyes de Quórum Calificado bre materias señaladas se requiere de la mayoría
en la Constitución. absoluta de los Diputados
a re

y Senadores en ejercicio.
são or

Para su aprobación, mo-


Normas que regulan as- dificación o derogación se
pectos de la visa social requiere de la concurrencia
Leyes Ordinarias o Comunes
que la Constitución define de la mayoría (50%+1) de
como materia de leyes. los Diputados y Senadores
asistentes a la sesión.
ver dit

Fuente: Elaboración propia según información obtenida de la Biblioteca del


Congreso Nacional véase: <https://www.bcn.cl/ecivica_restringido/tnormas>.

Conclusiones
E

Uno de los asuntos que se tomó la agenda politicoelectoral inmedia-


tamente terminada la primera vuelta fue el rol de las empresas de opinión
pública y encuestadoras. Por un lado, cuestionando la capacidad predictiva
de estos sondeos y, por otro, apuntando a una dimensión más relevante, la
posibilidad de que los resultados publicados manipulen deliberadamente los
POLÍTICA, CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA LATINA:
estudos interdisciplinares e comparativos | Volume 5 151

resultados para influir en la opinión pública desmotivando a los votantes de


algunos sectores, particularmente, del Frente Amplio.
Otros de los aspectos a destacar en este proceso electoral es la capaci-
dad de la centro derecha de procesar sus diferencias realizando primarias y
logrando rápidamente alinear a los distintos referentes tras la candidatura de

V
r
Piñera. Esta capacidad de poder articular las diferentes posiciones había sido

uto
característica de la Concertación y se había ido perdiendo con la conforma-
ción de la Nueva Mayoría y quedó absolutamente en evidencia cuando el
sector no pudo realizar elecciones primarias para seleccionar a su candidato,

R
ni lograr un acuerdo para conformar una lista única para competir en las

a
elecciones parlamentarias.
Guilllier contribuyó al resultado cometiendo errores que fueron muy

do
bien utilizados por la centroderecha. Por un lado, no logró incorporar conte-
aC
nidos que le hubieran permitido movilizar al electorado del Frente Amplio
-por ejemplo, con un compromiso explícito de eliminar el sistema de AFP-;
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são
por otro lado, en el último tramo de la campaña planteó que “le iba a meter la
mano al bolsillo a los empresarios” para que contribuyeran al desarrollo del
país y cerró un acto de campaña citando al Che Guevara. Si bien estas decla-
raciones pueden ser entendidas como propias de un acto de campaña, fueron
i
hábilmente utilizadas por la candidatura de Piñera para agitar el fantasma
rev

de cambios radicales para instalar la idea de que Chile se transformaría en


sã tor

Venezuela, que generan temor en los sectores de centro.


Punto fundamental de la segunda vuelta fue la capacidad de la candi-
datura de Piñera de sumar parcialmente contenidos de las otras candidaturas
ara

tanto de su propio sector como de otros referentes y partidos de la Nueva


Mayoría. Desde este punto de vista, es claro que su triunfo tuvo un pilar
fundamental en reconocer la importancia de las reformas impulsadas por
i

Bachelet no tanto para profundizarlas pero al menos para mantenerlas. Un


op
d

claro ejemplo de ello es la adhesión a la política de gratuidad o la de crear


una AFP estatal, idea inicialmente promovida por el Gobierno de Bachelet.
Habrá que esperar para saber cómo se comporta el futuro gobierno y que tan
E

sólidas son estas convicciones.


Aunque es muy pronto para tener una conclusión definitiva, el resulta-
ver

do de la primera vuelta parece haber generado un error de diagnóstico en la


centroizquierda: que el 55% del electorado que votó por candidatos de estos
referentes daban cuenta de un electorado de centroizquierda que podía ser
alineado tras la candidatura de Guillier. El 54% de electores que votaron por
Piñera cuestiona esta lectura. Los datos todavía preliminares parecen indicar
que parte del electorado de la DC y el PPD, pero también del Frente Amplio,
terminaron votando por el candidato de Chile Avanza.
152

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op

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Tercera.
E

Vera, D. (19 de Noviembre de 2017). Eduardo Artés valora su votación y


rechaza apoyar en segunda vuelta a Guillier o Piñera. Bio-Bio Chile.
ver
154

Anexo 1: Reseña biográfica candidatos presidenciales 2017

Carolina Goic Boroevic, nacida en 1972 es asistente social y Magíster en


Economía de la Pontificia Universidad Católica de Chile. La actual senadora por
la Circunscripción N°19, Región de Magallanes milita en el Partido Demócrata
Cristiano (PDC) del cual fue presidenta entre 2016 y 2017. La senadora ha te-
nido una importante carrera como funcionaria pública, se ha desempañado en

od V
r
el Servicio Nacional de la Mujer (SERNAM), en la Secretaria de Planificación

uto
(SERPLAC), entre otros. Fue electa en dos ocasiones, diputada por la XII Región
de Magallanes (Bibloteca del Congreso Nacional, 2017).
José Antonio Kast Rist, abogado de la Pontificia Universidad Católica,

visã R
nació en 1966 en el seno de una familia alemana. Entre 1997 y 2000 fue

oa
Concejal de la comuna de Buin, en el año 2001 fue electo Diputado por el
distrito 30, San Bernardo, Calera de Tango, Buin y Paine, ejerció el cargo
en esta zona durante tres periodos. Milito en el Partido Unión Demócrata

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Independiente (UDI) durante veinte años, en los cuales fue jefe de bancada
C
de los diputados e integró la mesa directiva del partido. Sin embargo, en
mayo de 2016 presentó su renuncia al partido (Kast, 2017).
Sebastián Piñera Echeñique, empresario y ex presidente de Chile (2010-
2014) nació en 1949, es Ingeniero Comercial de la Pontificia Universidad
Católica y Master y Doctorado en Economía de la Universidad de Harvard.
par a

En el ámbito financiero es dueño de diversas compañías y es considerado


como dueño de una de las mayores fortunas del país. Militante de Renovación
a re

Nacional (RN) ha sido Senador y candidato presidencial en dos ocasiones,


são or

la primera vez fue derrotado por la actual Presidenta Michelle Bachelet en


2005 y en 2009 fue electo Presidente de la Republica (Piñera, 2017).
Alejandro Guillier Álvarez, nacido en La Serena en 1953 es periodista
y sociólogo de la Universidad Católica del Norte y Magister en Cienci