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O QUE É SUS O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE O SUS?

O Sistema Único de Saúde o SUS, é o maior e mais complexo sistema de


saúde pública do mundo, abrangendo desde um simples atendimento para
avaliação de pressão arterial, até o mais delicado procedimento de transplante
de órgãos, garantindo acesso integral, universal e gratuito para toda a
população do país, constituindo-se um direito de todos os brasileiros, desde a
gestação e por toda a vida assegurada na Constituição Federal no artigo 196
que dispõe:

“A saúde é direito de todos e dever do


Estado, garantido mediante políticas sociais e
econômicas que visem à redução do risco de
doença e de outros agravos e ao acesso
universal e igualitário às ações e serviços
para a promoção, proteção e recuperação”.

Todo brasileiro é usuário do SUS desde o nascimento tem direito a serviços de


saúde gratuitos, como vacinação, transplantes, medicamentos de alto custo,
entre outros que visam a saúde da população.

Contudo, como era o acesso a saúde antes de sua


criação?
Os anos a parti de 1970, marca o ápice e o fim do chamado ‘milagre
econômico’.

O Milagre Brasileiro e os Anos de Chumbo foram simultâneos. Ambos reais,


coexistiam negando-se. Passados mais de trinta anos, continuam negando-se.
Quem acha que houve um, não acredita (ou não gosta de admitir) que houve o
outro. E a denominação dada à época de crescimento econômico elevado
durante a ditadura militar brasileira, entre 1969 e 1973, também conhecido
como "anos de chumbo (Elio Gaspari, em sua obra A Ditadura Escancarada).

Mas com o primeiro choque do petróleo começa a crise , e com o fim do ciclo
de crescimento, os indicadores de saúde foram piorando cada vez mais.

Conforme expôs o doutor Luiz Eduardo Soares pesquisador do Instituto


Brasileiro de Desenvolvimento (IBRADES), no município de São Paulo em
1973 , noventas crianças morriam a cada mil nascidas vivas. Em 1961
ocorreram sessenta óbitos de crianças a cada mil nascidas vivas. Por sua vez,
em 2017, conforme o IBGE, essa taxa e de um pouco mais de onze crianças
por mil nascida vivas, 87% a menos se compararmos com os dias atuais.

Essas crianças morriam de causas evitáveis, associada a desnutrição, e falta


de saneamento, e doenças como:difteria, coqueluche, sarampo, tétano,
poliomielite e diarréia.
"Diante do quadro em se tratando do chamado milagre econômico, lembro-me
da frase emblemática do atual Ministro da Economia na época, o Sr. Delfin
Neto que dizia:É preciso espera que o bolo cresça, para depois reparti-lo, não
sabia ele, que alguém à noite roubava-lhe um pedaço, desta forma, o bolo
nunca foi dividido".

A Política de Saúde era de responsabilidade do Ministério da Previdência


Social, que no período militar no qual, teve duas instituições que gerenciava a
saúde, o Instituto Nacional da Previdência Social (INPS), criado em 1966 e
substituído em 1974 pelo o Instituto da Assistência Médica da Previdência
Social (INAMPS).

Nesse sistema, as pessoas que não possuíam carteira assinada, não


dispunham de acesso a consultas, exames, cirurgias, conseqüentemente, a
população sem registro de trabalho, só poderia ser atendida ao rede particular,
caso pudesse pagar. Do contrário, tinha que recorrer a filantropia (como
indigentes), ou as unidades públicas que atendiam a todos, nesse sentido os
Hospitais Universitários.

A Constituição de 1969, tinha como lema que, "A iniciativa Estatal na área
econômica, era de caráter complementar a iniciativa privada".

O Estado liberal que se apresenta perfeito na teoria, é totalmente irrealizável e


inadequada para tratar dos problemas reais da sociedade. Converte-se no
reino de ficção, com cidadões teoricamente livres e materialmente
escravizados.

Desse modo, o INPS operava basicamente através de convênios com a rede


privada, ao invés de investir na ampliação e qualidade de sua rede própria de
serviços.

O número de internações em hospitais próprios do INPS em 1970, era de 4,2%


- em 1976 passou a 2,6%. - Os 41 hospitais do INAMPS fizeram 253 mil
internações, frente aos 6.28 milhões do setor conveniado em 1978.

"Virou um grande negócio mexer com saúde".

Os militares criaram um Fundo de Apoio a Assistência Social o FAS, e com


esse dinheiro financiou a construção de hospitais particulares. O dinheiro
público do AS, financiava a construção de hospitais particulares, e o dinheiro
público pagava os serviços prestados para a Previdência.

Uma grande parte dos recursos do Governo Federal estavam na Previdência, e


fluíram para o setor privado. A ponto do Presidente da Federação Brasileira dos
Hospitais, o Pe. Niversindo Antonio Cherubin declarar:
"O Estado não tem que se meter com assistência. Deve se ocupar com
epidemias e problemas que não é de interesse do mercado".

E A SAÚDE MENTAL?

Os Hospitais psiquiatrícos privados, tinham plena liberdade de internar quem


quisesse, e nas condições que bem entendessem. Bastava internar, para
receber. Gerando problemas para a Previdência, porque a população começou
a perceber a facilidade de internação utilizando-se dos hospitais psiquiatrícos,
como forma de justificar à aposentadoria por invalidez. A doença mental na
época virou um dos primeiros itens de pedidos de aposentadoria do país.

Diante da omissão perante as Políticas Públicas de Saúde, os municípios


começaram a arregaçar as mangas. - Os sanitarista passaram a se dirigir aos
Prefeitos, e a oferecer projetos para trabalhar nas periferias.

Os primeiros postos de saúde foram o embrião do que hoje conhecemos como


atenção básica no Brasil.

Geralmente as Prefeituras alugavam casas na periferias, no início, médicos,


enfermeiros e demais profissionais atendiam alguns dias da semana. Mas fazia
uma grande diferença ter um serviço próximo de casa. Além do mais, não se
fazia distinção se a pessoa tinha ou não a CARTEIRA ASSINADA, se atendia a
todos.

Aos poucos os previdenciários (os que tinha carteira assinada), que moravam
na redondezas, foram cada vez mais procurando o atendimento nesses postos.

Com o crescente aumento no número de atendidos nesses postos, foi quando,


a Previdência em 1983, iniciou os convênios junto as prefeituras, denominados
de Ação Integrada de Saúde (AIS).

Constatou-se que era muito mais vantajoso para a Previdência, por uma razão
muito simples. Destinando uma parte do dinheiro para as Prefeituras, todo o
mundo ganhou. - O Governo Federal economizando, as Prefeituras que
detinham um orçamento reduzido, com o repasse, quase que dobraram. E a
população, já que não havia diferenciação, todos passaram a ter o benefício.

Além da União, o Governo Estadual também destinava recursos para as


prefeituras, somando-se como fonte de recursos designado à saúde.

Todos esses fatos, deram início ao conceito de universalização do atendimento


à saúde. De modo a conceber, que país, poderia organizar o atendimento a
saúde de modo que a Previdência se tornar um sistema único. Desta forma,
mesmo que informalmente, foi sendo concebido, antes da Constituição de
1988, O Sistema Único de Saúde o SUS.
REFERÊNCIAS:

IDEC - SUS: Conheça os seus direitos https://idec.org.br/consultas/dicas-e-direitos/sus-


conheca-os-seus-direitos

Centro de Estudos Estratégicos Fiocruz Antes do SUS: Como se (des)organizava a saúde no


Brasil sob a ditadura - https://cee.fiocruz.br/?q=antes-do-sus

(*) A atenção básica ou atenção primária em saúde é conhecida como a "porta de entrada" dos
usuários nos sistemas de saúde. Ou seja, é o atendimento inicial. Seu objetivo é orientar sobre
a prevenção de doenças, solucionar os possíveis casos de agravos e direcionar os mais
graves para níveis de atendimento superiores em complexidade. A atenção básica funciona,
portanto, como um filtro capaz de organizar o fluxo dos serviços nas redes de saúde, dos mais
simples aos mais complexos.