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CASOS CONCRETOS

Questão discursiva: O Ministério Público Federal ajuizou Ação Civil Pública em face do INSS, visando obrigar a
autarquia a emitir aos segurados certidão parcial de tempo de serviço, com base nos direitos constitucionalmente
assegurados de petição e de obtenção de certidão em repartições públicas (CF, art. 5º, XXXIV, b). O INSS alega, por
sua vez, que o Decreto 3048/99, em seu art. 130, justifica a recusa. Sustenta, ainda, que a Ação Civil Pública não
seria a via adequada para a defesa de um direito individual homogêneo, além de sua utilização consubstanciar
usurpação da competência do STF para conhecer, em abstrato, da constitucionalidade dos atos normativos
brasileiros. Como deverá ser decidida a ação?

R: O ministério Público Federal tem legitimidade para ajuizar ação civil pública em defesa de direitos individuais
homogêneos, desde que seja configurado interesse social relevante. A Constituição Federal, em seu art. 5º, X XXIV,
b, garante ao segurado a obtenção de certidões perante as repartições públicas, com a finalidade precípua de
defesa de seus direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal. Não é lícito ao INSS a restrição ao
cidadão de obtenção de certidão parcial de tempo de serviço, baseada em norma regulamentas que importa óbice
ao exercício de um direito constitucionalmente assegurado. Ademais, não existe no ordenamento pátrio lei em
sentido estrito que impeça o segurado de obter mencionada certidão.

Questão discursiva: O servidor público aposentado “A” ingressou com uma ação requerendo a extensão de um
benefício sob a alegação que o seu preterimento (a não extensão) implica em inconstitucionalidade. O juízo julgou
procedente o pedido de “A”. O servidor “B” ingressa com a mesma ação se utilizando dos mesmos fundamentos da
ação de “A”, no entanto o juízo competente julgou o seu pedido improcedente. Insatisfeito, “B” apela da decisão
requerendo que a sentença de “A” seja utilizada de forma vinculante para ele. Poderia o tribunal competente
acolher o pedido de “B”? Justifique sua resposta.

R: Não, o argumento não irá prosperar, visto que a sentença que julgou a ação do servidor “A” não tem força
vinculante, ou seja, trata-se de controle de inconstitucionalidade difuso, subjetivo, incidental, que gera efeitos inter
partes.

Questão discursiva 1: (OAB – XXI Exame Unificado) O prefeito do Município Sigma envia projeto de lei ao Poder
Legislativo municipal, que fixa o valor do subsídio do chefe do Poder Executivo em idêntico valor ao subsídio mensal
dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Tal projeto é aprovado pela Câmara de Vereadores e sancionado pelo
Chefe do Poder Executivo. No dia seguinte ao da publicação da referida norma municipal, o vereador José, do
município Sigma, ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade, perante o Supremo Tribunal Federal, a fim de que
fosse tal lei declarada inconstitucional. Diante do exposto, responda aos itens a seguir. a) Há vício de
inconstitucionalidade na norma municipal? Justifique. b) A medida judicial adotada pelo Vereador está correta?
Justifique.

R: A) A norma é formalmente inconstitucional, pois deveria ter sido iniciada pela Câmara Municipal, conforme
determina o Art. 29, inciso V, da CRFB/88. Além disso, também há inconstitucionalidade material na lei municipal,
pois o vício de iniciativa ofende, em consequência, o princípio da separação dos poderes, previsto no Art. 2º da
CRFB/88. Por outro lado, em relação ao valor fixado, não há vício de inconstitucionalidade, pois está de acordo com
o Art. 37, inciso XI, da CRFB/88, que limita o subsídio dos prefeitos ao teto constitucional.
B) Não está correta. A norma municipal não pode ser objeto de ADI perante o STF, conforme estabelece o Art. 102,
inciso I, alínea a, da CRFB/88.
Questão discursiva 2: A Constituição de determinado estado da federação, promulgada em 1989, ao dispor sobre a
administração pública estadual, estabelece que a investi dura em cargo ou emprego público é assegurada aos
cidadãos naturais daquele estado e depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e
títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, ressalvadas as nomeações para cargo em
comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração. Em 2009 foi promulgada pela Assembleia Legislativa
daquele estado (após a derrubada de veto do Governador), uma lei que permite o ingresso em determinada
carreira por meio de livre nomeação, assegurada a estabilidade do servidor nomeado após 3 (três) anos de efetivo
exercício. Considerando-se que a Constituição estadual arrola o Governador como um dos legitimados para a
propositura da ação direta de inconstitucionalidade em âmbito estadual (art. 125, §2° da CRFB), e considerando-se
que o Governador pretende obter a declaração de inconstitucionalidade da referida lei estadual, responda: a) O que
ocorreria se logo após o ajuizamento da ação direta de inconstitucionalidade de âmbito estadual, ajuizada pelo
Governador do Estado junto ao Tribunal de Justiça (nos termos do art. 125, §2° da CRFB) e antes do julgamento,
fosse ajuizada pelo Conselho Federal da OAB uma ação direta de inconstitucionalidade junto ao STF, tendo por
objeto esta mesma lei? Explique. b) Poderia o Presidente da República ajuizar ação direta de inconstitucionalidade
junto ao STF contra o dispositivo da Constituição estadual? Explique

R: a) Propositura simultânea de ação direta de inconstitucionalidade contra lei estadual perante o STF e o TJ.
Suspensão do processo no âmbito da justiça estadual, até a deliberação definitiva desta corte. Observância de
precedentes. Declaração de inconstitucionalidade, por esta Corte, de artigos da lei estadual. Arguição pertinente à
mesma norma referida perante a Corte estadual. Perda de objeto.
b) Sim, pois o Presidente é legitimado universal para o ajuizamento de ADI e os dispositivos de constituições
estaduais são objeto passíveis de impugnação por ADI em caso de conflito com a Constituição Federal.

Questão discursiva 1: (OAB ? XIX Exame Unificado) Durante a tramitação de determinado projeto de lei de iniciativa
do Poder Executivo, importantes juristas questionaram a constitucionalidade de diversos dispositivos nele inseridos.
Apesar dessa controvérsia doutrinária, o projeto encaminhado ao Congresso Nacional foi aprovado, seguindo-se a
sanção, a promulgação e a publicação. Sabendo que a lei seria alvo de ataques perante o Poder Judiciário em sede
de controle difuso de constitucionalidade, o Presidente da República resolveu ajuizar, logo no primeiro dia de
vigência, uma Ação Declaratória de Constitucionalidade. Diante da narrativa acima, responda aos itens a seguir. a) É
cabível a propositura da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nesse caso? b) Em sede de Ação
Declaratória de Constitucionalidade (ADC), é cabível a propositura de medida cautelar perante o Supremo Tribunal
Federal? Quais seriam os efeitos da decisão do STF no âmbito dessa medida cautelar?

R: a) Não caberia a ADC, pois não há relevante controvérsia judicial, tendo em vista o pouco tempo de vigência do
ato normativo conforme exigido pelo Art 14, III, da Lei N° 9.868/99
b) Sim, buscando a suspensão do julgamento dos processos que envolvam a aplicação da lei ou do ato normativo
objeto da ação até o julgamento final de mérito da ADC, com fundamento no ART 21 caput da Lei 9.868/99

Questão discursiva 2: O Governador de um Estado-membro da Federação vem externando sua indignação à mídia,
em relação ao conteúdo da Lei Estadual nº 1234/15. Este diploma normativo, que está em vigor e resultou de
projeto de lei de iniciativa de determinado deputado estadual, criou uma Secretaria de Estado especializada no
combate à desigualdade racial. Diante de tal quadro, o Governador resolveu ajuizar, perante o Supremo Tribunal
Federal, uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) impugnando a Lei Estadual nº
1234/15. Com base no fragmento acima, responda, justificadamente, aos itens a seguir. a) A Lei Estadual nº
1234/15 apresenta algum vício de inconstitucionalidade? b) É cabível a medida judicial proposta pelo Governador?

R: A) A referida lei estadual apresenta vício de inconstitucionalidade formal, já que somente lei de iniciativa
privativa do Chefe do Poder Executivo pode criar órgão de apoio a essa estrutura de poder. É o que dispõe o Art. 61,
§ 1º, inciso II, da CRFB/88, aplicável por simetria aos Estados, tal qual determina o Art. 25, caput.
B) Não. A resposta deve ser no sentido de negar o cabimento da ADPF diante da ausência das condições especiais
para a propositura daquela ação constitucional, ou seja, a observância do princípio da subsidiariedade, previsto no
Art. 4º, § 1º, da Lei nº 9882/99. A jurisprudência do STF é firme no sentido de que o princípio da subsidiariedade
rege a instauração do processo objetivo de ADPF, condicionando o ajuizamento dessa ação de índole constitucional
à ausência de qualquer outro meio processual apto a sanar, de modo eficaz, a situação de lesividade indicada pelo
autor.
Questão discursiva: O Procurador Geral da República ajuizou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade em face da
Lei distrital n. 3.669/2005, que cria a carreira de atividades penitenciárias e respectivos cargos no quadro de pessoal
do Distrito Federal. Alega, em síntese, que o DF teria usurpado competência da União (arts. 21, XIV c/c 32, § 4°,
CRFB/88), que atribui a responsabilidade pelas funções exercidas por tal carreira aos agentes penitenciários
integrantes da carreira da polícia civil. Citado na forma do art. 103, § 3°, CRFB/88, o Advogado Geral da União
manifestou-se pela procedência da ação, pedindo, consequentemente, a declaração de inconstitucionalidade da
referida lei distrital. Diante de tal situação, responda, justificadamente: Poderia o AGU ter deixado de proceder à
defesa do ato normativo impugnado?

R: Sim. Eventualmente poderia, Existem dois entendimentos quanto a essa questão, no entendimento mais
restrito a AGU funciona como curador de defesa e segundo o entendimento mais recente a AGU poderia deixar de
proceder defesa opinando pela procedência da ADIN desde que seja mais favorável a União, ou seja a AGU está ali
para defender a União e não o ato normativo.