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Quem somos?

Em algum momento da vida, praticamente todo ser humano


pergunta a si mesmo: “Quem sou eu?”. Tanto a mitologia
quanto a religião se preocuparam em buscar respostas para
essa inquietação. A partir do século XIX, um ramo da ciência
também se voltou para o tema, assim como a filosofia.

Corpo e Alma
A investigação da natureza ocupava o centro das atenções
dos primeiros filósofos (os Pré Socráticos). A partir do século
V a.C., Sócrates (469 a.C.-399 a.C.) põe o ser humano sob
o foco do pensamento filosófico grego.
Ele adotou como lema de sua prática filosófica a inscrição
que ficava no portal do famoso Oráculo de Delfos, templo
dedicado ao deus Apolo: “Conhece-te a ti mesmo e
conhecerás os homens, o mundo e os deuses”. Essa
inscrição considera o ser humano como a fonte de todo o
conhecimento e o meio pelo qual é possível conhecer os
outros, o mundo e até mesmo os deuses. Uma vez que
aquela exigência única fosse cumprida por meio da prática
da filosofia – para Sócrates, uma forma de autoconhecimento
–, a vida, examinada e investigada, tornaria-se mais digna de
ser vivida.
Ainda na Antiguidade, dois filósofos deram importantes
contribuições para o pensamento em torno do ser humano:
Platão (427 a.C.-347 a.C.) e Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.).
Platão afirmava que o ser humano é composto de um corpo
físico, material, imperfeito e mortal, e de uma alma,
imaterial, perfeita e imortal. Não se pode pensar no ser
humano apenas como um corpo nem apenas como alma; ele
é a ligação indissolúvel entre os dois. Precisa, no entanto,
ser conduzido pela alma, sede da razão e do pensamento,
para que sua vida não se perca nas imperfeições. Platão
adverte que a ideia de sermos guiados pela alma não
significa uma negação do corpo: o bom uso da alma
depende da saúde do corpo, por isso deve-se cuidar dele.
É a ginástica do corpo que possibilita a ginástica da alma, a
filosofia. Além disso, uma vez controlados os instintos e as
paixões do corpo, a alma pode dedicar-se às ideias. Essa
teoria foi a base daquilo que seria chamado depois s
“dualismo psicofísico”.
Sem se afastar do dualismo corpo-alma exposto por Platão,
Aristóteles avançou bastante nos estudos filosóficos sobre o
ser humano. Desenvolveu uma teoria na qual distingue os
vários atributos da alma, sendo a razão o mais importante
deles, por ser encontrada apenas nos seres humanos.
Definiu o ser humano como um “animal racional” e um
“animal político”.
Ao afirmar isso, Aristóteles quer dizer que o homem é dotado
de pensamento e de linguagem.
Para designar tal característica, ele usa a palavra grega
logos, que tanto significa ‘razão’, ‘pensamento’, quanto
‘palavra’, ‘linguagem’. Isso porque os gregos antigos
afirmavam que o ser humano só pensa por meio da
linguagem, que pensamento e linguagem estão
entrelaçados. Dessa primeira definição decorre a segunda:
se somos seres de linguagem, se nos comunicamos com
aqueles que são iguais a nós, então com eles
compartilhamos a vida. Por isso, somos seres sociais,
políticos, que não apenas vivem em comunidade, mas que
só realizam plenamente sua humanidade na vida política.