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Teoria Geral do Processo 1

1. Primeiras Noções

1.1- Necessidade Humanas. Bens de Vida. Interesses. Classificações.

 Bens de Vida: se destina a sua utilização pelo ser humano de modo a suprir-lhe
suas necessidades.
 Interesse: posição favorável do ser humano em relação a um determinado bem
da vida.
 Objeto do Interesse: Bem da Vida
 Sujeito do Interesse: Ser Humano
 O interesse é variável conforme as necessidade humanas pelos bens da
vida em determinado contexto histórico.
 Classificações:
 Quanto a posição favorável do ser humano:
 Positivo: Quando o ser humano adota uma posição favorável em
relação ao bem da vida. Ser humano atraído pelo bem da vida.
 Negativo: quando o ser humano não tem uma posição favorável
em relação ao bem da vida, chegando a repelir esse bem.
 Neutro (Indiferente): embora o ser humano não tenha uma
posição a princípio favorável sobre o bem da vida, também não o
repele.
 Quanto a Amplitude (alcance) do interesse:
 Individual: quando o interesse é aferido a partir de um único
indivíduo. Aferido a partir da posição favorável de um único
indivíduo em relação ao bem da vida.
 Coletivo: quando a posição favorável do ser humano é aferida a
partir de um grupo determinado de pessoas.
 Difuso: quando a posição favorável do ser humano em relação a
determinado bem da vida é aferida a partir de um número
indeterminado (indefinido) de pessoas.

1.2- Conflitos intersubjetivos de interesses e formas espontâneas de


composição.

 Conflito intersubjetivo de interesses: Dá-se um conflito intersubjetivo de


interesses quando duas ou mais pessoas tem interesse por um único bem que só
pode atender a uma única pessoa
 Origem: Enquanto existe uma limitação dos bens, os interesses são
ilimitados.
 Os conflitos começam a surgir quando os bens da vida se tornam mais
escassos.
 Requisitos para um conflito de interesses: Um bem da vida e pelo menos Formatted: Font: Bold
dois indivíduos com interesse pelo mesmo bem da vida.
 Direito e o Processo são BILATERAIS: o que interessa para o direito são
os conflitos INTERSUBJETIVOS de direitos.
 Conflito Subjetivo de direitos: não interessa para o direito conflito de uma
por um bem da vida.
 Em geral, os conflitos são resolvidos de forma espontânea.

 Formas espontâneas de composição:

 Violência: conflito resolvido pelo uso da força. Uma forma espontânea de Formatted: Justified
composição de conflitos em que se há a aplicação do uso da força.

 Não violência:
 Solução Moral: repousa no equilíbrio do espírito dos conflitantes.
O conflito é resolvido de acordo dos conflitantes acerca do que está
certo e do que está errado
 Solução contratual: Reside na seguinte circunstância: os dois
conflitantes se temem de forma mutua.
Chega-se a um consenso. Há um ajuste entre os interesses dos
conflitantes.
 Solução Arbitral: Temor reciproco entre os conflitantes. Faz com
que ambos os conflitantes escolham um terceiro para arbitrar o
conflito.
 Nenhuma delas resolve definitivamente o conflito.

1.3- Agravação do conflito: pretensão e lide. Auto composição.

 Os conflitos são resolvidos pela incidência da norma ao caso em concreto.


 Uma agravação do conflito:
- O comando contido na lei não foi suficiente para tornar insubexistente o
conflito. A incidência da norma não foi o suficiente. Nem sempre a
existência da norma pode evitar o conflito. Às vezes até se sabe que existe
uma norma, mas entende-se que aquele caso concreto não é contemplado
pela norma, daí que há o agravamento do conflito.
 Agravamento do conflito
- Um dos sujeito conflitantes entende que aquela norma não se aplica ao
conflito.
 Eu deduzo uma Pretensão
- A exigência de subordinação de um interesse alheio ao próprio
interesse.
-Exemplo de sala de aula: O direito real(bem da vida),embora contra todos
e só extinguido por força de lei, pode-se por determinação do juiz também
o ser extinguido.

 Quando há a resistência LIDE (Litígio)


- Nós temos uma pretensão de um lado e uma resistência oposta a esse
pretensão de outro lado.
 LIDE: “O conflito de interesses, qualificado (agravado)por uma
pretensão resistida.” (CARNELUCCI)
-Pretensão Bem da Vida Resistência à Pretensão
-Ideia de se resolver uma lide pela mediação, daí sua existência antes
mesmo da judicialização do processo.
-Nem toda pretensão é fundamentada na lei Todo conflito pode se
tornar um litígio.
 Escala de Agravamento: Necessidade Humana - Bem da Vida – Interesse –
Conflito de Interesse – Pretensão.

 Formas de resolução da lides (litígios) em sociedade: Formatted: Font: Bold

 Por ato(s) de um ou de ambos os litigante: Formatted: Font: Bold

 Autotutela (autodefesa): Formatted: Font: Bold


- Por ato de um dos litigante.
-Nós temos um dos litigantes impondo pelo uso da força o seu Formatted: Font: Bold
interesse em detrimento do interesse do outro.
-O litigio é resolvido pelo uso da força, astucia ou ousadia. De Formatted: Font: Bold
forma que o mais forte, astuto ou ousado leva vantagem. A própria
lei admite essa possiblidade.
Ex: Atirar em alguém que invadiu sua casa.

 Auto composição: sem o emprego da violência. Formatted: Font: Bold


 Desistência:
-Renúncia a pretensão. Aquele que deduziu a pretensão
renuncia a pretensão.
 Submissão: Formatted: Font: Bold
-Renuncia a resistência oposta a pretensão. Se não há
resistência não há litigio.
- Em caso de desistência ou em caso de submissão o litigio
deixa de existir.
 Transferência: Concessões mutuas de ambos os litigantes Formatted: Font: Bold
para resolver o conflito (ambos os sujeitos em litigio
concordam em abrir mão de parte do seu interesse)
OBS:
POUCO IMPORTA A DIFERENCIAÇÃO ENTRE CAPACIDADE
DE FATO OU EXPECTATIVA DE DIREITO PARA A DEFINIÇÃO
DA LIDE PERANTE UM CONFLITO DE INTESSES EM UMA
PRETENSÃO E UMA RESISTÊNCIA A MESMA.

 Por ato(s) de terceiros: Formatted: Font: Bold


- Um ou mais terceiros ao litigio resolvendo esse mesmo litigio.
- Um terceiro encarregado de resolver essa lide.

 Mediação: Formatted: Font: Bold


- Atividade de terceiro que busca aproximar os litigantes. Busca
trazer os litigantes para negociar sobre os litígios. Na mediação Formatted: Font: Bold
há um mediador que possibilita a conversa entre os litigantes.
- Observação de que o mediador não pode fazer interferência Formatted: Justified
e sugestões.
 Conciliação:
- Atuacão do conciliador mais positiva (atuação mais efetiva do Formatted: Font: Bold
que a mediação), afim de uma resolução, podendo ele fazer parte
da própria discussão em si.
-O conciliador pode oferecer uma proposta de acordo, além de Formatted: Font: Bold
aproximar os litigantes.
 Arbitragem:
-Terceiro indicado pelos próprios litigantes com uma atuação Formatted: Font: Bold
destinada a compor(resolver) o litigio. Indicado de comum
acordo entre as partes.
- Ato de convenção arbitral.
- Ele vai dar uma solução ao conflito, dizer quem tem razão no
conflito. O arbitro possui uma função mais significativa. Formatted: Font: Bold
-Somente se não há acordo entre as partes. Engloba a mediação e Formatted: Font: Bold
a conciliação
 Processo(Jurisdição):
-Mecanismo de resolução do litigio dado por um agente estatal
chamado juiz. Litigio resolvido por um juiz funcionário do Estado.
- Uma forma de atuação do próprio estado por intermédio da Formatted: Font: Bold
jurisdição, dando a última palavra para a resolução do
conflito.

1.4- Lide e Processo

- Essa lide (conflito de interesse) deve ser resolvida em prol do apaziguamento


social
- Resolução: atuação da vontade da lei (incidência da norma).
-Lide resolvida mediante aplicação da lei ao caso concreto. Dá concretude a Formatted: Font: Bold
letra da lei.
- Jurisdição (“O Estado Jurisdição”)
- Aplicação da lei ao caso concreto para a resolução de conflito.
- Necessidade de um instrumento: o processo. Formatted: Font: Bold
- Por meio do processo que vamos ter um agente do Estado, o juiz,
fazendo a observância da lei ao caso concreto.

PROCESSO

- “É o meio (instrumento) de que se vale o Estado para, no Formatted: Font: 14 pt

exercício de sua função jurisdicional, compor as lides.”

2. A Evolução Histórica do Processo

2.1- A antiguidade do processo


 O processo, assim como o direito, é uma atividade eminentemente política. Um
conteúdo histórico, firmado nos valores prevalecentes.
 A atividade de julgar sempre foi uma atividade na qual se contém um poder
político.
 A existência de conflitos e de litígios é inerente a convivencia humana. Pessoas
não são obrigadas a ter a mesma opinião
 Para se resolver os litígios é necessário encontrar mecanismos
 O mecanismo de resolução de litígios é uma atividade política;
 A atividade de julgar é uma atividade eminentemente política
 Reconhece a autoridade e poder político para decidir e solucionar os litígios.
 A atividade de julgar pressupõe legitimidade – Pressupõe o exercícios de um
poder político.
 Aquele que julga se legitima perante os seus súditos.
 Aspecto político pode derivar: Formatted: Font: Bold
 1) Politico terreno temporal: das coisas do dia a dia
 2)Espiritual religioso

 Egito Antigo: Todo o poder estava com o Faraó. Era ao mesmo tempo Formatted: Font: Bold
Deus e ao mesmo tempo exercia o poder político terreno temporal. A
palavra dele não se questionava.
- Farao não se limitava a julgar litígios e começa a delegar essa atividade
para sacerdotes, e depois para escribas.
- No processo penal egípcio ???
- Suprema Corte Egípcia: (30 membros) Tebas. Corte escolhida pela Formatted: Font: Bold
cidade de Menphis, Tebas e Heliopólis.
Atividade Política.

Julgar Aspectos Subjetivos


Atividade Divina.

- Os processos já eram escritos Formatted: Font: Bold


- Eram poucas as leis escritas Formatted: Font: Bold
- Quando haviam as leis eram aplicadas
- Quando não existia lei – Prevalência do elemento subjetivo e religioso
- Não quer dizer prevalecia de aspectos arbitrários, caso contrário se perde a legitimidade.
Deve existir uma coerência: julgar casos iguais de forma parecida.

 Assírio: abarca mesopotâmia antiga, babilônia (atualmente Iraque), rios tigres e


Eufrates.
- Influencia religiosa, mas muito menor que no antigo Egito pois os reis da assíria
não eram reputados como Deuses.
- O rei não tinha um poder espiritual.
- A influência de julgar era uma influência que era vista como uma atividade
eminentemente política, não havia cunho divino.
- Em que o rei da Babilônia usava a atividade de julgar como uma atividade de se
legitimar no poder.
- Para o rei que exercia o poder político era muito cômodo ele dar a uma palavra
em tudo.
- Leis escritas- código de Hamurabi- código com escrita que preconizava normas
de conduta e formas de julgar os conflitos.

 Israel: (sobretudo após a saída do povo judeu escravizado do Egito liderados por Formatted: Font: Bold
Moises)
- Convive no terreno da resolução de conflitos o poder terreno e o espiritual.
- Regresso ao entendimento de que a atividade de julgar era uma atividade Formatted: Justified
tanto política, quanto divina.
- Conflitos resolvidos de acordo com a vontade de Deus. Formatted: Font: Bold
- Consequências:
1) Surgimento de regras de cunho espiritual e ao mesmo tempo terreno para
regular o cotidiano das pessoas.
2) Juízes são sacerdotes. Juízes que vão resolver os conflitos com um pé no
divino e outro no terreno.
- Moises- foi criado no Egito e conviveu com o sistema egípcio.
Tinha o monopólio de conversar com Deus- Estava apto a exercer o poder divino
e o terreno.
Traz sua experiência burocrática administrativa egípcia.
-Cria uma espécie de Tribunal- Conselho dos 70 ou Sinedrio/ Sun redrin
“A atividade de julgar não deve ficar nos braços de uma única pessoa.”
- Mensagem passada no Livro dos Números.
Ou seja, já existia excesso de conflito e o Conselho retirava um pouco do líder
religioso e terreno o peso de julgar.
- 10 mandamentos.

 Fenício: (atual Líbano)


- A atividade de julgar era muito mais uma atividade política, e
frequentemente utilizada para a resolução de conflitos comerciais que
caracterizava o povo fenício.
-Se constitui em um povo que tinha como principal atividade econômica o
comercio. Não havia espaço para processo de cunho religioso. Buscava
resolver os litígios das atividades mercantis e pressupunha a criação de
regras escritas ou costumeiras.

 Pércia;(atual Irã)
-Primeiramente o processo tinha cunho eminentemente terreno.
Posteriormente inflencia do zoroastrismo e o processo sofre interferência de
Zoroastro e sacerdotes designados pelo rei julgam.
-Ciro apaixonado por Sther liberta o povo israelita e se converte ao Deus de israel.
-Processo passa a sofre influência religiosa. A atividade de julgar como uma
atividade política e divina.

 Grego:
- A Grécia contemplava sobretudo estudos pertinentes ao direito público, dava
pouco valor aos direitos individuais, mesmo na democracia ateniense.
- As pessoas eram vistas como um instrumentos em prol do Estado e para o
Estado.
- Maior relevância para o direito público. (se presume pelas obras de Aristóteles
e Platão)
- não se conhece o direito grego como o romano- incendi em Alexandria
- Na Grécia antiga nós identificamos a existência e criação de tribunais. O mais
importante deles: O tribunal dos Eliastas ou Assembleia do Povo.
- Se comprometiam a cumprir a Constituição e leis, nção decretar a abolição
das dívidas e a reforma agrária.
-Estrutura e julgamento ??/

Para o Ítalo:
Sempre você vai ter uma religião admitida como a do Estado (religião oficial), por
que é ela quem legitima a própria atividade política.

2.2- O Processo Romano no Período Clássico e suas principais


características.
O processo romano passa fundamentalmente por três fazes:
a) Período da Legis Actiones (Período das Ações da Lei).
- Período que vai da fundação de Romana (por volta do ano 774 a.C) até a edição
da chamada Lei Aebutia (por volta do ano 149 a.C).

b) Período Per Fomulas (Formulário)


- Período clássico em stricto sensu.

c) Período da Cognitio Estraordinaria.

Periodo do Ordo Judiciarium Privatorium; Período da Legis Actiones e


Período Per Fomulas – A solução definitiva do litigio ocorre pelo particular.

 Período da Legis Actiones (Período das Ações da Lei).

- Período que vai da fundação de Romana (por volta do ano 774 a.C) até a edição
da chamada Lei Aebutia (por volta do ano 149 a.C).
- Tudo deveria estar embasado na lei.
- A ação deveria encontrar previsão na lei.
- Ação  Lei (Legis Actiones)
- Procedimento inteiramente oral e extremamente formalista com solenidades
rigorosas que deveriam ser observadas.
- Obrigatório o comparecimento das partes perante o pretor.
- Autor estava autorizado a usar da força para levar o réu perante o pretor.
- As partes deveriam preferencialmente estar acompanhados de parente e amigos
perante o magistrado pois o procedimento era inteiramente oral então precisava
de testemunhas. (não obrigatório)

 Procedimento

 In iure (in jure):


- Se dava perante o magistrado romano(pretor)
- As partes não podeiam ser assistidas por juristas ou
procuradores
- As partes deveriam comparecer
- O pretor ouvia a pretensão do autor e o que ele estava a
postular.
- Diante disto, o pretor ouvia as razões do réu.
- Posteriormente, o pretor iria resolver se o autor havia a actio.
- O autor possuía a actio quando a sua pretensão estava
amparada pela lei.
- Caso a pretensão não estivesse acobertada pela lei? O processo
termina aí mesmo.
- Caso o autor tivesse a actio, o processo teria andamento e teria
a Litiscontestatio.
- LITESCONTESTATIO: Fenômeno jurídico que consistia no
estabelecimento de um vínculo entre autor e réu por força do
qual delimitava-se o objeto do litigio que não poderia ser
modificado e que obrigava as partes a comparecerem a todos
os atos do processo e dar cumprimento do processo.
- -Lide a ser resolvido era aquele que não poderia mais ser
contestado.
- Havia ainda a nomeação ou designação do iudex ou arbitrer
(particulares que iriam julgar o litigio). Deveriam ser nomeado
de comum acordo entre o autor e o réu.
- Com a nomeação do Iudex ou Arbiter tem fim a primeira fase.
- In iure – magistrado (pretor) – actio (ação) -
litesconstestatio – nomeação do iudex

 In iudicium

- In indicium - index ou arbiter - colheita da prova - debates -


sentença.
- Se dava perante o iudex ou arbitrer. Fim da participação do pretor.
Quem iria julgar séria o iudex escolhidos em comum acordo pelo
autor e réu.
- Produção de provas: toda prova seria produzida perante o iudex
ou arbitrer.
- Debates orais: ambas as partes debatem seu direito.
- Sentença: quem decidia definitivamente o litigio era o iudex ou
arbitrer.

Características do processo romano no período da legis actiones

- Primeira: Procedimento inteiramente oral;

- Segunda: Procedimento extremamente formalista, com solenidades


que deveriam ser rigorosamente observadas;

- Terceira: Comparecimento obrigatório das partes e não podiam se


fazer representar no processo. Não poderiam ser assistidas por
advogados ou procuradores.

- Quarta: Procedimento que se dividia em duas fases (em dois


períodos). A fase em Iuri perante o pretor, na qual se resolvia acerca
da actio. Na fase in judicium perante o iudex ou arbiter, fase essa na
qual se dava a prolação da sentença.
- Quinta: Existia o fenômeno da Litiscontestatio como reconhecimento
da presença da Actio. Litiscontestatio estabelecendo um vínculo entre
as partes do processo.

- Litiscontestatio como um direito obrigacional?

 Período Per Fomulas (Formulário)

- Período clássico em stricto sensu.


- Com o passar do tempo Roma se transforma em uma potência econômica,
política e militar.
- Processo migratório? Atração de um fluxo migratório que vão para Roma
para enriquecer, crescer.
- Procedimento da Legis Actio sé se aplicava para romanos. Pretores
começam a criar um novo sistema que pudesse eventualmente beneficiar que
muitas vezes nem falavam latim.
- Criação de um sistema afim de resolver os litígios entre romanos e
estrangeiros ou somente entre estrangeiros.
- Ano 149 a.C – Lei Aebutia – até fins do séc III d.C- Regulamenta esse
sistema Formulário. Dá Base legal para os pretores usarem a fórmula.
Processo para resolver lides entre estrangeiros ou entre romanos e
estrangeiros.
Formulário  Surge por conta de um documento escrito que era entregue
pelo pretor aos interessados na composição dos litígios.

- Com o passar do tempo a legis actiones deixou de ser válido. Romanos


começaram a desejar o sistema Per Formulas por acharem melhor que o Legis
Actio.

Lex julia:
-Amplia o procedimento Per Formulas para todas as demandas no
interior do território romano
-Extinguiram o procedimento da Legis Actiones para aplicar somente as per
formulas. Independentemente da nacionalidade, seria portanto o mesmo
processo.

- Procedimento preponderantemente oral. Introdução da escrita no


procedimento romano. Ainda que incipiente, pois somente a formula era
escrita. Demais atos, todos, eram orais.
- Passa a ter menos formalidades pois era para estrangeiros.
-Ainda se apresentava como obrigatório o comparecimento das partes,
embora já pudessem ser assistidas por juristas e representadas por avocattos
ou procuradores.
- Processo no período formulário mantinha a divisão do processo em duas
fases.
- In Iuri: Perante o pretor (como servidor do Império Romano).
- Ouvia a pretensão e a pretensão resistida e resolveria acerca da actio.
- O pretor no momento de verificação da actio iria verificar se havia uma
formula para aquela actio.
- Livro de formulas - Edito
- Inúmeras formulas.
- Diante do autor e do réu, o preto iria verificar se para aquela pretensão havia
uma formula correspondente.
- Se houvesse a formula o pretor iria dizer que havia a actio. Se não houvesse
a formula não havia a actio.

- Lei x Formula
- Formulas agiam como precedentes.
- Eram constantemente adaptadas.
- Caso não houvesse uma formula correspondente, mas que houvesse uma
formula semelhante que poderia ser editado.
-As primeiras formulas foram criadas a partir da legis actiones.

Formula (Moacyr Amaral santos)


“Consistia a formula em um pequeno documento, fundado em
modelo já publicado pelo pretor em seu edito, e que, na
ocasião, elaborada perante este magistrado com a colaboração
das partes e do próprio magistrado, destinava a concretizar
por escrito as pretensões das partes e afixar a missão do
juiz, no mesmo documento indicado para decidir a causa.”
(Moacyr Amaral Santos)

- Eterna construção do direito é o que levou vários doutrinadores a


considerarem essa fase o período mais rico do processo romano.
- Edição das formulas.

- Importância do jurista: ajudar na elaboração da fórmula. Nesse


momento nasce a figura do profissional do direito.
- In iure  Pretor  Actio (Ação – Fórmula)  **Litiscontestatio 
nomeação do iudex ou arbiter.
**Se havia a actio, o pretor entregava a formula as partes e se vinculava a
litiscontestatio.

- iudex e arbiter deveriam ser nomeados de comum acordo pelas partes


no período da legis actiones, agora no período formulário, se não
houvesse comum acordo, o pretor poderia escolher o arbiter ou iudex.
- Pretor possuía um livro próprio em que constava quem poderia ser
iudex ou arbiter e desta existência escolheria um.
- arbiter ou iudex eram como agentes jurídicos.

- in indicium:
- Formula era entregue ao Iudex ou Arbiter que julgava a partir da formula. A
formula limitava a atuação do Iudex ou Arbitrer.
- A fórmula servia de base para que houvesse a produção de prova, debates orais
e sentenças
- A presença do Estado Romano estava na figura do Pretor.
- in indicium  iudex ou arbiter  Prova, debates orais e Sentença.

Características do processo romano ou formulário

- Primeira característica:
Procedimento permanentemente oral, pois somente a formula era escrita.
- Segunda característica:
Procedimento se dividia em duas partes. In iure, seria para comprovar a actio
(ação), que quando reconhecida a presença da formula estabelecia a
litiscontestatio e constava a nomeação do iudex ou arbiter que iria exercer a
jurisdição na fase seguinte in indicium. Na fase indicium o iudex ou arbiter
haveria de colher a prova, presidir os debates orais e proferir a sentença.
- Terceira Característica:
In iure, seria para comprovar a actio (ação), que quando reconhecida a presença
da formula estabelecia a litiscontestatio e constava a nomeação do iudex ou arbiter
que iria exercer a jurisdição na fase seguinte in indicium. Na fase indicium o iudex
ou arbiter haveria de colher a prova, presidir os debates orais e proferir a sentença
- Quarta Característica:
Reconhecida a presença da Actio, estabelecia-se a listiscontestatio com o mesmo
significado do período anterior
- Quinta Característica:
Comparecimento obrigatório das partes, que todavia podiam ser orientadas por
juristas e assistidas por procuradores.
Cooperação juristas e procuradores na produção das fórmulas.
- Sexta Característica:
Os atos processuais transcorriam com audiência e contrariedade reciproca entre
as partes.
- Origem do princípio do contraditório.
- Sétima característica:
O ônus da prova é daquele que alega o fato. Quem alega um determinado fato é
quem deve provar um determinado fato.
- Oitava característica:
O juiz apreciava livremente a prova produzida e com base nela formava a sua
convicção.
- Princípio da livre convicção do juiz.
- Nona característica:
O juiz ao proferir a sentença condenava o réu ao pagamento de uma soma em
dinheiro, ainda que o objeto da ação fosse a entrega de uma coisa.

 Período da cognitio extraordinário

 No século III- 294 D.C- Diocleciano- percebe que o procedimento Per Formulas
não era bom quando o império era parte.
 Cria um novo processo: Período da Cognitio Extraordinário. (vai até a codificação
de Justiniano)
 Recebe esse nome para distingui-lo do ordinário
 Se aplicava a alguns casos em específicos, em relação a qual não se aplicava a
aquelas causas que sujeitavam ao procedimento formulário.
 Causas de interesse do Império ou do Estado Romano. Naquelas causas em que
houvesse interesse do Estado não haveria mais a aplicação das per formulas.
 Criação do juiz oficial  juiz servidor do Estado.
- Que vai dirigir o processo desde o início, passando pela fase da colheita de
provas, pelos debates orais, pela prolação da sentença e pela própria execução da
sentença.
- Servidor do Estado Romano que vai dirigir o processo desde o início até a
execução da sentença.
 O procedimento dividido em duas fases perde a sua razão de ser. Passamos a
ter um único procedimento e um único momento que era seguido pelo juiz. O
processo transcorre todo em frente ao juiz.
 Litiscontestatio, com o sentido da legis actiones e do per fórmulas perde a sua
razão de ser.
 Como o processo todo é de função do juiz, passamos a ter um forte emprego da
linguagem escrita.

- PROCEDIMENTO:

- 1) Petição inicial: Libellus Conventionis;

O autor interessado dirigia uma petição inicial ao juiz. Era uma petição escrita.

- 2) Citação do réu: Litis Demuntiatio;

Juiz determinava a citação do réu. Réu convocado a se defender. Era escrita.

-3) Contestação do réu: Libellus Contradictionis ou Libellus Respontionis;

Réu apresentava sua defesa. Era escrita.

- 4) Prova: Probatio;

Produção da Prova. Podia ser escrita ou não.

- 5) Prolação da sentença: Sententia;


- 6) Recurso: Appellatio;

- 7) Execução do Julgado:Executio.

 No processo conduzido pelo iudex ou arbiter (formulário e da legis actiones) não havia
a possibilidade de recurso em processos civis, já no Período da Cognitio Extraordinária
havia.
 Juiz escolhido pelo Imperador.

Appellatio:

- Hierarquia estatal;

- Se o juiz é um servidor público e eu quero recorrer eu vou recorrer ao imperador;


Imperador era o único superior

- Posteriormente: criação dos tribunais com servidores de mais absoluta


confiança para resolver a appellatio.

-Origem do Tribunal recursal no processo romano – surge para julgar recursos.

Execução:

A Executio passa a ser feita por força de medidas coercitivas a coagir o vencido a
cumprir a execução pois quem proferiu a sentença era um funcionário do Estado.

 Com a Appelatio o Imperador sabia de tudo o que acontecia nas fronteiras. Podia saber
se o juiz era confiável. Controlova a lealdade e fidelidade do juiz. Muito Importante para
o Imperador.
 Pena de morte para o juiz que não remetesse a Appelatio a Roma.
 Propiciar ao estado o controle do que está sendo decidido.
 Conhecer do detentor político o que se passa pelo Estado.

Duas conclusões relacionadas as coincidências da Cognitio Extraordinaria com os tempos


atuais.

Primeira: - Na ótica do prof. Italo: O período mais avançado da Pax Romana;

- Processo romano na época da Cognitio Extraordinária é um processo


extremamente avançado, tanto que, até hoje, no séc XXI, continuamos
utilizando.

Segunda: - Processo romano na época do império romano que era


extremamente avançada para a época ou o foi o nosso processo do sec. XXI
que não evoluiu?

- Tendo em vista o avanço do meio tecnológico;

- Internet, diminuição das distancias e afins.

- Processo como resolução da lide já não está agradando mais ninguém?

- Necessidade de alguma mudança?


- Trabalho do juiz como um trabalho que naturalmente tem
limites.

- A crise de eficácia do processo;

- Crise da eficácia do processo como meio de resolução


de lides.

 Características do período da Cognitio Extraordinária

- Primeira: Criação do juiz oficial, servidor oficial, que se encarrega de prestar a jurisdição desde
o seu inicio ate a entrega definitiva da tutela jurisdicional

- Segunda: Forte emprego da linguagem escrita (libellus conventionis, littis denunciactio, libellus
contradictionis ou libellus responsonis, sentencia e appellactio)

- Terceira: Citação do réu (littis denunciactio) efetivada por servidor auxiliar do juiz (origem do
oficial de justiça).

- Quarta: Possibilidade da instauração e procedimento do processo a revelia do réu.

- Quinta: Divisão do processo em duas fazes (in Iuri e indicium) que caracterizava os dois
períodos anteriores que perde a sua razão de ser.

- Sexta: Littis contestactio como sentido que possuía nos períodos anteriores da legis actiones e
per formulas que igualmente perde a sua razão de ser.

- Sétima: Sentença proferida por um agente do Estado, fazendo com que a resolução do litigio,
fosse dada em uma análise, pelo próprio Estado.

- A sentença tinha uma força autoritária por se originar do próprio Estado.

- Oitava: Possibilidade de interposição de recurso (appellactio) destinado a impugnar o que


fosse decidido pela sentença.

- Nona: Execução da sentença por forca de medidas coativas originadas pelo próprio Estado.
Nos períodos anteriores, a Litiscontestatio que garantia o cumprimento da sentença.

2.3. Os Processos Germânico, Canônico e Comum Medieval


476 d.c - Queda do Império Romano do Ocidente

 Roma derrotada militarmente. Sempre que tem preponderância de um povo sobre


outro pelo uso da força – Assimilação de cultura.
 Encontro entre o Processo do Cognitivo Extraordinário com o processo Germânico.
 Se por um lado tivemos um processo muito avançado, no processo germânico tivemos
um processo muito rudimentar, muito pouco ou nada evoluído.
 Processo Germânico:
- O titular da Jurisdição era a chamada Assembleia Popular dos Homens Livres (Ding). O
Juiz era o próprio povo.
- Ding era presidida pelo chefe da tribo, que posteriormente se tornou o senhor feudal.
Ding era presidida pelo Senhor Feudal.
- Para lides de menor importância, as vezes acontecia de um senhor feudal delegar,
convocar dings menores presida por um de seus homens.
- Na Assembleias Populares participava todo aquele que fosse considerado um homem
livre.
- Procedimento, era um procedimento que se estabelecia perante a ding e que era um
processo inteiramente oral, logo a reclamação era oral.
- Papel do senhor feudal:
- Presidia os trabalhos da ding;
- Orientava com relação ao procedimento;
- Relembrava casos anteriores parecidos;
- Determinar produção de provar
- Produção de provas era rudimentar. Sistema probatório: Sistema muito rudimentar
em que prevalecia o juramento.
- Ordalias (juízos de Deus): Caso sobre um eventual conflito;
- Sentença era oral
- Não cabia recurso pois não existia autoridade superior
- Decisão da assembleia vinculava a toda a comunidade.

- Semelhança da ding com o Júri- No Júri, o papel do Juiz é parecido com o do presidente
da Ding. Quem dá a palavra final é o Júri.
- Alemanha não adota esse processo por causa do sacro Império Romano Germânico:
Utilizam o Processo Romano.
- Normandos levam o processo germânico para a Grã Bretanha.

 Este Processo Germânico que se encontrou com o Processo Romano da Cognitio


Extraordinária.
 Com o passar do tempo: Crescimento da influência do processo romano: Iniciativa de
um processo misto (junção dos processos romano e germânico).

 Processo Romano Barbárico: Processo que resulta do encontro das instituições do


processo da Cognitio Extraordinário com as instituições procedimentais do Processo
Germânico após a queda do Império Romano e passou a resolver os litígios.

O Papel e o Poder que assume a Igreja Catolica

 Igreja Católica muito forte politicamente falando. Fiel guardiã do processo romano e
direito romano
 Constantino se converte ao cristianismo. Religião oficial do Império Romano. Passa a
chefiar ao mesmo tempo os negócios da fé católica e do Império Romano. Essa mescla
foi fundamental para o processo romano. Com, Constantino não se sabia o que era
negócio do Estado e negocio católico.
 Concilio de Niceia: síntese do conteúdo da fé católica.
 Textos do Império levados para mosteiros católicos. Textos do direito romano
preservados pela igreja católica. Foi essa mistura que possibilitou que os textos não se
perdessem
 DIREITO CANONICO E PROCESSO CANONICO:
 Poder político da Igreja nasce com Constantino Traz a Igreja para o centro da política.
 A Igreja necessitava de regras que regulavam as suas relações internas e as suas
relações externas. Surgimento do Direito Canônico.
 Fundado essencialmente no Direito Romano; Era um processo fundado quase que
integralmente no processo romano da Cognitivo Extraordinária.
 Além da preservação dos textos romanos, temos a grande força política da igreja que
levou os textos a serem estudados.

Preservação do processo romano

 Fundação da Universidade de Bolonha em 1088. Marco de da retomada do processo


romano.
 Um dos fundadores: Irmerius. O archote do direito.O farol, a tocha, a luz do direito.
Assume a cátedra de direito romano. Monge e professor catedrático do direito.
 Começa a estudar com seus alunos a partir daí os textos romanos que estavam nos
mosteiros.
 Fundador da escola dos glosadores. Através das chamadas glosas. Escritas a mão
entre as linhas e entre as margens dos textos romanos. Comparavam os textos com a
realidade da época
 Principais Discípulos: Buggaro, Piasentino, Giovanni
 Acursio também estudava o direito romano através das glosas.
 Porem estudava o direito romano com os textos forenses.
 Comparava os textos romanos com a praxe (practica) forense.
 Funda a escola dos pós-glosadores
 Principais discípulos: Paulo, Ferrari e Bartolo de Celso Ferrado.
 Bartolo de Celso Ferrado: Considerado até mesmo como fonte do direito, Elevada
importância, Direito Ibérico.

Os Processos Germânico, Canônico e Comum Medieval

Evolução Histórica do Direito Processual

 Disputa de predominância em termos de estudo do processo canônico e daquele


processo que renasce das cinzas a partir das UNIVERSIDADES; o romano.
 Processo Canônico se origina de uma grande força política: A Igreja.
 Contexto posterior a criação das universidade, pós-glosadores.
 O que se tinha em termos de processo? Processo Romano Barbárico, Processo
Canônico, Glosadores e Pós-Glosadores.
 Na academia havia uma disputa entre Processo Canônico e Processo
Romano.
 Processo Romano Canônico surge nesse período: A essa mescla toda dá-se o
nome de Processo Romano Canônico. Processo que resultava da mescla, da
fissura da fusão de institutos processuais, germânicos, romanos, canônicos com a
influencia da ainda incipiente doutrina que surgia a época (os glosadores, os pós
glosadores).
Roa Romano
Moacyr Amaral Santos

Romano Barbárico Germanico

“A esse processo, em que se adaptaram as regras costumeiras do


tempo ao direito construído pelos glosadores, pós glosadores,
comentaristas e práticos com a cooperação sobre modo influente dos
canonistas, costuma-se chamar romano canônico”. (Moacyr Amaral
Santos).

Canônico
 Porque prescindia/dispensava uma legislação? Elaboração de legislação
dependia da centralização do poder político e na idade média isso não existia. Não
havia autoridade com poder político suficiente. Não havia legislação.

 Europa começa a desenvolver atividade econômica e comercial. O comercio


precisa de segurança jurídica.
 Começam a surgir casas bancarias que forneciam credito, ou seja, contratos.
 Garantias tem que estar em documento; Lei.
 Sistema Feudal não deixava surgir as leis então tinha que Centralizar o poder
politico.
 A partir de então as leis são elaboradas pois o sistema financeiro quer. Direito não
é puro. Surgimento de reinos financiados pelas casas bancarias para financiar as
próprias casas.
 Começa a criação de normas: ESTATUTOS.
 Surgimento de alguns fenômenos: Surgimento de algumas leis. Estatutos
(estatutos comunais). Nascem sobretudo em dois contextos:
 Centralização do poder; Retomando o poder que estava descentralizado em
vários senhores feudais. O poder do rei começa a retomar a sua influencia
centralizadora, para que o rei não apenas reine mas também governe.
 Comércio; Atividade que necessita dessa centralização.
 Mercantilismo; Explica a centralização do poder político e como consequência
disso a elaboração de normas, dos estatutos. Necessidade de garantias;
 No âmbito do processo romano canônico nós começamos a ter a influência do
processo legislativo.
 - Acrescentar a toda aquela mescla definida como o processo canônico a
legislação – as leis –. Surge o chamado Processo Comum Medieval.

Processo comum medieval

 Processo romano canônico acrescido das legislações.


 “Derivou-se daí um processo misto, a que se chamou de comum porque se
aplicava a todos ao causas que não fossem derrogadas por leis locais e
especificas”
 - Características:
- Inteiramente escrito;
- Formalista a extremos;
- Moroso;
- Com um número infindável de recursos.
 Que se levou a procurar um novo tipo de processo, quando o papa Clemente V,
cria o chamado Processo Sumário.
 Cria o Processo Sumário como uma tentativa de reduzir a excessiva
formalidade que possua o processo comum medieval. Tentativa de fazer
processos terem ritmo mais célere. Deixar o processo mais rápido e prático.
 O Processo Comum medieval perdura no tempo até o próximo

Evolução Histórica do Direito Processual

 Doutrina é consensual em dizer que o processo após a queda do império romano


do ocidente, passou por três fases:

1) Praxismo;
2) Procedimentalismo;
3) Reconstrução cientifica do processo (reconstrução cientifica e a autonomia do saber do
processo).

1) Praxismo (até 1807)


 Fase evolutiva do processo que vai do séc. V da era cristã até o ano de 1807;
Começa logo após queda do Império Romano
- Vem do grego práxis que se opõe ao grego theores.
 No praxismo, a ênfase no direito processual era a pratica.
 Quase total ausência de leis. Pouquíssima produção legislativa e pouquíssimos
estudos doutrinários.
 O que prevalecia era uma análise do processo a partir de modelos práticos.
 Modelos; Ou estavam nas Universidades, ou estavam com profissionais do direito.
Modelos passados de pai para filho. Mesmo após o surgimento da legislação, pois
a lei não dispunha sobre isso.
 O conhecimento do processo: Se limitava a construção de modelos; Como se fazer
uma petição inicial, contestação, alegações finais e etc. Não havia conhecimento
teórico do processo
 Características do Praxismo:
1) Como regra geral a ausência de leis o que levava a um estudo do processo
de modo eminentemente prático mediante a análise de modelos
procedimentais.
2) Atitude meramente descritivista de modelos. Trabalho do processualista era
descrever modelos.
3) Conhecimento superficial do processo em decorrência do procedimento
empírico; Conhecimento empírico e superficial do processo.

- Resquícios do Praxismo: Modelos de petição. Manuais (de como propor uma ação,
petições).

Procedimentalismo (1807-1868)

 Napoleão: Símbolo da ascensão da burguesia francesa. Burguesia francesa:


Liberdade, Igualdade e Fraternidade;
 Em que essa visão burguesa liberal refletia no Praxismo para levar ao
Procedimentalismo?
 Os modelos confrontavam o princípio da igualdade.
 Portanto, vamos deixar os modelos na lei de forma a universaliza-los. Em um
contexto de liberdade, igualdade e fraternidade não faz sentido manter os modelos
nas mãos de uns poucos o modelo agora passa a se encontrar na lei.
 Democratização do acesso ao modelo: codificar e publicizar . Modelos passam a
ser parte do código.

 Características do Procedimentalismo:
1) Existência de Produção legislativa;
2) Democratiza-se o acesso aos modelos, porque os modelos estão previstos na
própria lei;
3) Continuava a se ter uma atitude meramente descritiva de direitos.
4) Continuava o estudo superficial do processo pela via dos modelos.

 Mudança foi pouco, uma vez que a diferença agora é que os modelos se
encontravam na lei e não mais passados de pai para filho. Continuação de uma
atitude descritivista de modelos.

Notícia sobre a polêmica Muthes x Windscheid


1955: Muther
- Procedimentalista Alemão escreve um artigo questionando a natureza jurídica da actio
romana. Muther lança um artigo. Muther questiona essa concepção actio que vinha
desde Celso, para suscitar uma dúvida para saber se a actio estava no direito material,
sobretudo no direito civil.
- Diante do artigo publicado por Muther, Windscheid publica outro artigo: Alegando
que as ideias publicadas por Muther não faziam sentido, uma vez que, e como alegado
por Savigny, a ação não possuía vida própria. A actio era aquilo que os romanos
preconizavam desde o período Per Formulas.
- Diante do artigo de Windscheid, Muther escreve outro artigoTraz novos argumentos
e novamente levanta o questionamento se a actio estava dentro do direito matéria e do
direito civil.
- Diante do artigo de Muther, Windscheid escreve outro artigo Alegando que as
duvidas de Muther não possuíam espaço no direito da época e que ele estava subvertendo
a ordem jurídica e criticando Savigny.

Importância:

- Marco em trazer discussão teórica sobre o processo. Vai além do mero estudo de
modelos procedimentais. Pergunta sobre a natureza jurídica da actio. Pela primeira vez,
após muitos séculos, nós começamos a pensar no processo. Pensar no sentido teórico do
processo.

Reconstrução cientifica do Processo (1868 ... )

 1868: Surge uma obra (para o Italo a obra mais importante do direito processual):
 OSKAR VON BULOW (Alemanha): “Dos pressupostos processuais e das
exceções dilatórias.”. Dois aspectos:
1) Nessa obra, lança bases do processo como relçao jurídica processual.
2) Marco para o início da reconstrução cientifica do processo.
 O processo estava atrasado em relação aos demais campos do direito. Já existia o
conhecimento sobre a Teoria da relação jurídica. Da forma que verbalizada por
Savigny (Sujeito Ativo-Sujeito Passivo- Relação jurídica de Direito Material).
Essa relação não se aplica ao processo.
 Os processualistas devem partir da Relação Jurídica de Direito Processual.
Juiz
Juiz: sujeito imparcial para resolver as lides.

Autor(S.A) Réu(S.P)

 Reconstrução cientifica do processo: A luz de suas construções teóricas. Não mais


preocupações com modelos.

Adolf Wach (Alemanha): “Da pretensão da mera declaração.”: Lança as bases da


Teoria do Direito concreto à Tutela.
 A actio romana não servia apenas para se obter a condenação de alguém, mas a
ação também servia para se alcançar certeza jurídica.
 Tanto é que ação poderia ser obtida e usada para se ter uma declaração da
pretensão jurídica no caso concreto.
 Instituto usado contra o Estado, representado pelo juiz, para que o juiz proferisse
uma sentença.

Dagenkolb e Plotz (Alemanha e Hungria): Teoria abstracionista da ação (Teoria da


ação em abstrato). Aplicada até hoje.

Chiovenda (Itália): Processualista italiano.


- Formulou uma teoria da ação de grande influência no brasil no fim do séc XIX e inicio
do séc. XX: Teoria da ação como direito potestativo.

Ramiro Podetti (Itália): Trilogia estrutural do processo


 Processo se assenta em um tripé.
Ação  Jurisdição  Processo.
 A ação provoca a jurisdição que irá se concretizar mediante o processo.
 -O processo é o instrumento utilizado pela jurisdição para dar uma resposta a
quem efetuou a ação.
 Ação traz embutido pedido do autor.
 Conceito de processo parecido com o visto na aula 2

Carnellutti (Itália): Aluno de Chiovenda e teve o grande mérito de não se limitar as


análises puras do processo. Um processo extremamente criativo e que buscava sempre
formas de melhorar o processo.
Para o Itálo: Carnellutti é o pai do processo moderno.

Enrico Redente (Itália); Processualista de grande importância e repercussão no Brasil.

Emilio Betti (Itália): Processualista civil. Obra clássica sobre o processo civil italiano
em que examinava todos os conceitos processuais civis da época.

Calamandrei; Discípulo de Carnellutti.

Mauro Cappelleti (Itália)


-Sai da Itália, sendo um grande processualista italiano e que não se preocupava com
polemicas, para dar aula em Harvard. Sai de um sistema da Civil Law para dar aulas em
um país que adota o sistema da Common Law. Uma tentativa de mescla dos dois sistemas.
Traidor do Processo Romano? Pelo contrário: Abertura do sistema da common law para
o sistema romanístico. Fusão de institutos do sistema de civil law e da common law.
- Para o Itálo: Cappelleti foi o maior processualista do séc. XX.
- Considerado um dos fundadores da instrumentalidade do poder

Enrico Tulio Liebman (Itália): Aluno de Chiovenda, professor na universidade de


Bolonha e posteriormente na universidade de Roma, até que Mussollini assumiu o
governo na Itália.
Liebman deixa a Itália para dar aulas em outro local. Vem para o Brasil. Aproveitando a
construção da USP, no séc. XX. Vai dar aula de direito no Largo São Francisco.
Fundamental para o processo brasileiro. A tal ponto que podemos dividir o processo
brasileiro em antes e depois de Liebman. Vários cientistas que passam a vir para o Brasil.

Unificação Alemanha e Italiana como um dos marcos para a mudança no processo


dos países. E um dos processos de legitimidade será sempre o mecanismo de resolução
de lides, isto é o processo. Ocorre em um contexto de centralização do poder político.
Esse alguém só vai radiar para o povo que ele tem poder que o mecanismo de resolução
de litígios está na sua mão. Reunificação e centralização do poder político. Direito e
processo não podem ser desvinculados da política.

OSKAR VON BULOW: Teorias acerca da ação? Por que todos se preocupam com a
ação?
A ação é a porta de entrada para o Estado, Quem julga, assim o faz pois tem legitimidade.
Ação-Legitimidade. Estado forte e legitimo para julgar litígios.
Preocupação com a provocação
O Direito Processual no Brasil

 Essa evolução no processo brasileiro se dá de forma lenta.


 Mesmo após a independência política as ordenações Filipinas continuaram sendo
importantes
 No início da nossa história: as ordenações Afonsinas, Manuelinas, Joaninas e as
ordenações Filipinas. Aplicadas no Brasil mesmo após a independência formal do
Brasil em 1822. Nessa ausência de normas aplica-se as normas que já estão em
vigor.
 Com a proclamação da República, a Constituição de 1891 traz regras de processo
e procura copiar o modelo americano de federalismo. Começa a existir código
estadual por causa dos EUA.
 Constituição forjada nos moldes do federalismo norte-americano, e no
federalismo norte-americano os código de processo são estaduais, de modo que
no Brasil foi a mesma coisa.
 De tal maneira que cada Estado portanto possuía o seu código de processo civil.
 Em 1939: unificação dos códigos de Processo Civil.
 Em um período autoritário. XX década de 20 na Itália- ascensão de Mussolini na
Itália com o fascismo.
 Criação da USP – Verba da oligarquia paulista. Humanistas europeus vieram ao
Brasil para dar aula por não concordarem com o fascismo (Lieberman). Isso foi
fundamental para o processo Brasileiro
 Liebman lança a base daquilo que chamamos de a Escola Paulista do
Processo.
 Código de 1939 como a primeira manifestação da Escola Paulista do Processo.
 Processo interessante, pois começamos a ter código de processo com técnica
jurídica.
 Expoentes da Escola Paulista do Processo: Arruda Alvinho, Moacyr Amaral
Santos, Alfredo B, José Frederico Marx
 Escola Paulista do Processo se lança como base quando lança o Código de
Processo Civil de 1973
 Buzaid - Ministro da justiça em 1973
 Para o Itálo: O melhor de todos os códigos que já tivemos.
 Código técnico, extremamente lógico, encadeado. Estava em vigor até março de
2016.
 Escola paulista, sulista e do nordeste – Influencia de Lieberman.

Perspectivas Evolutivas do Processo:


 A preocupação atual é o modo como o processo se da como meio de solução de
litigio com a sociedade.
 Instrumentalidade do processo como nova fase.
 Mauro Cappelleti – principal processualista

3. Da Jurisdição

3.1. Teoria da Jurisdição

3.1.1. A palavra e suas Acepções

 Jurisdição vem do latim Jurisdicione. Se origina de dois radicais; Juris e Discere

Juris = Direito Jurisdição consiste na atividade de dizer o direito


Discere= Dizer

 Jurisdição: atividade que consiste em dizer o direito para a composição dos


litígios. Atividade do Estado, Atividade Estatal.
 Remotamente, é uma atividade humana. Atividade estatal, mas o estado é um ente.
 Jurisdição: Atividade Estatal que consistem em dizer o direito com a finalidade
de ter a composição dos litígios.
 Pressupostos da Jurisdição

1) JUS -O direito a ser dito- Direito que será dito para resolver o conflito.
As normas.
O ius, o conjunto de normas, é pressuposto da jurisdição, pois é
exatamente esse conjunto de normas que sera utilizado pela jurisdição
para resolver o litigio no caso concreto.

2) Existência de um litigio a ser composto.O litígio – conflito –.


Pois em cima desse conflito, que nós teremos o direito sendo dito.

3) Agente/ Autoridade com poder suficiente para dizer o direito.


Autoridade com poder político suficiente ao exercitar a jurisdição.
Poder legítimo, o qual a essa lhe confere essa própria atividade
jurisdicional, por isso é que tem se entendido que a jurisdição para que
ela possa ser exercida com uma necessária legitimidade ela pressupõe
uma origem estatal.
- Origem estatal.
Obs: o consenso gera legitimidade. Legitimidade por si só não dá a
resposta
 Para que se exerça Jurisdição é necessário SOBERANIA que dá legitimidade
para dizer o direito.
 Um juiz aplica pena em nome de um Estado Soberano.
 A soberania pressupõe legitimidade, legitimidade não pressupõe soberania.
 Jurisdição é uma atividade eminentemente interna. Regulada pelo princípio
da Territoriedade.
 Poder Estatal Soberano.
 Estado Moderno tem três funções:

Legislativa
Como a Jurisdição se insere
nesse contexto de três funções?

Administrativa Jurisdição

 Em um contexto de Estado democrático de direito nós podemos dizer que a


jurisdição é um das funções do Estado Moderno.
 Primeira e mais importante das relações da jurisdição é com a Legislação.
 A Jurisdição é um prolongamento da legislação e a pressupõe.Legislativo
elabora o ius e a jurisdição aplica o ius no caso concreto.
 A legislação cuida de elaborar regras gerais e abstratas e a quando há um litigio a
Jurisdição concretiza a regra geral e abstrata para resolver o litígio. A jurisdição
particulariza, traz para o caso concreto estas regras.
 Não existe Jurisdição desvinculada do Poder Estatal Soberano.

 Esse vocábulo jurisdição pode ser utilizado em várias acepções, inclusive em


acepção que foge ao direito processual:
- Primeira: Sinônimo de autoridade estatal sobre uma determinada área ou bem
estatal. Não tem a ver com processo
- Pode até mesmo não ser uma autoridade do poder judiciário.
- Segunda: Utilizado querendo significar órgão jurisdicional (sinônimo de
justiça). Exemplo: Ação de fulano contra a empresa que a empregava está sob a jurisdição
do Trabalho.
- Terceiro: Querendo identificar/sinônimo de competência.
- Identificação da autoridade legitima. Exemplo: ação de beltrano
contra a pessoa que o vendeu está sob a competência do juiz da 3ºVara Civil.

3.1.2. A jurisdição como atividade e como função: Subsunção e


Diferentes formas de sua realização
 Na Jurisdição se tem a composição do litigio através da aplicação do Jus ao caso
concreto. A jurisdição particulariza, concretiza, as regras gerais e abstratas
realizadas pelo Estado para a partir daí compor os litígios.
 Chiovenda: o exercício de atividade jurisdicional é uma forma de atuação da
vontade da lei ao caso concreto.
 A jurisdição é ao mesmo tempo: poder, função e atividade do Estado.
 Poder: A jurisdição é manifestação do poder estatal soberano,
consubstanciado este no poder de decidir imperativamente e impor suas
decisões. Exprime o poder que tem o Estado na figura do juiz de decidir
imperativamente e impor suas decisões. Uma exteriorização do poder
estatal soberano.
A litiscontestatio é explicado no processo romano por causa da jurisdição
como poder do Estado

 Função: Expressa o encargo/dever que tem o estando (órgãos


jurisdicionais) de promover a pacificação dos litígios mediante a
aplicação do direito justo para dar a cada um aquilo que lhe é devido
sem que haja preponderância do mais forte ou mais fraco A jurisdição
expressão o encargo que tem os órgãos jurisdicionais de compor os litígios
mediante a aplicação das normas (ius) de forma a trazer o ideal de justiça
vigente na sociedade.
- Portanto, a jurisdição não é só um poder, implica também o exercício de
uma função.

 Atividade: A jurisdição como atividade exprime, expressa, exterioriza, o


conjunto, o complexo de atos do juiz no processo exercendo o poder e
cumprindo a função que a lei em sentido amplo lhe atribui.
- Lei no sentido amplo: Infraconstitucionais e leis
ordinárias.

 Quando podemos dizer que um processo exerceu fielmente espremeu o


poder, a função e a atividade?
- Quando o processo segue estritamente o devido processo legal.
- Quando aquele processo segue do início ao fim o devido processo legal, nós
teremos a fiel observância da norma pelo exercício do poder estatal.

 Subsunção: é a própria incidência da lei ao caso concreto. Através dela tem-se a


aplicação da regra geral e abstrata ao caso concreto.
 A jurisdição realiza-se através da subsunção.
 A jurisdição tutela a ordem jurídica.
- Por que no momento em que ela é exercida, e exercida de acordo
com o devido processo legal, ela reestabelece a paz e a ordem que foram violadas
ou ameaçadas pelo litigio.
- Reestabelecer a paz e a ordem que foram ameaçadas pelo litigio, para
mediante a incidência da lei ao caso concreto reestabelecer a justiça e os valores
sociais – os valores da sociedade vigente em um determinado contexto histórico
–.

Aspectos(Elementos) da Jurisdição

 Tema muito bem desenvolvido pro Frederico Marx;


 Na Jurisdição se contem três aspectos/elementos:

Material Poder de Julgar e Executar os Julgados


Formal Processo e Coisa Julgada
Orgânico (Subjetivo). Poder Judiciário

 MATERIAL: Consiste na essência, conteúdo, na própria razão de ser da


jurisdição. Substância da Jurisdição. A Jurisdição tem como elementos
materiais: Poder de Julgar e Executar os Julgados.

 FORMAL: Consiste naquilo que formalmente dá ensejo a jurisdição. A


jurisdição tem como elementos formais: Processo e a Coisa Julgada
Porque formalmente a Jurisdição se concretiza com o processo? Pois o processo
possibilita que a jurisdição de uma resposta ao autor pela via da ação.
O processo – um elemento formal da jurisdição, o instrumento formal que
possibilita a jurisdição de resolução dos conflitos
A resposta da Jurisdição só vem definitivamente com a coisa julgada.
Formalmente o conflito deixou de existir: coisa julgada.

 ORGÂNICO(SUBJETIVO): Poder Judiciário – É o órgão que se encarrega da


tutela jurisdicional.

Poderes da Jurisdição:
 Poderes da jurisdição são poderes atribuídos aos órgão jurisdicionais no momento
em que exercem a jurisdição. O exercício da atividade jurisdicional, pressupõe o
exercício concomitante de alguns poderes.

 PODER DE DECISÃO: Poder que tem o órgão jurisdicional de conhecer, prover,


recolher elementos e provas e decidir o litigio com ou sem o exame do mérito.
Poder de Conhecer: poder do juiz de conhecer do litígio. Conhecer qual a pretensão
do autor e a resistência oposta a pretensão pelo réu.
Poder de prover: poder do juiz de decidir questões processuais que vão surgindo ao
longo do processo. Sempre objetivando a melhor tramitação.
Poder de recolher elementos de prova: poder de instruir o processo.
Poder de decidir o litigio definitivamente com ou sem apreciação do mérito; Poder
do juiz de conduzir o processo desde o início até o final.

 PODER DE COERÇÃO: Poder que possui o juiz de compelir partes e


interessados a cumprir a decisão judicial.

 PODER DE DOCUMENTAÇÃO: Consiste no poder que tem o juiz de


documentar por escrito nos autos do processo todos os atos processuais que foram
praticados. Todos os eventos do processo tem que estar registrado nos autos pois
eventualmente quem quiser consultar os autos vai saber todos os detalhes do
processo.

 Esses três primeiros poderes são Poderes de Natureza processual pois dizem
respeito ao próprio processo.

 PODER DE POLICIA: Poder de natureza mais administrativa. Não apenas de


cunho jurisdicional, mas também de cunho administrativo. É o poder que assegura
ao juiz exercer com autoridade a condução/presidência do processo a fim de
que esse mesmo processo possa ter termo. Exemplos: juiz pedir que todos se
silenciem, que pessoas sejam retiradas, voz de prisão.
Sempre em prol do bom andamento do processo. Autoridade não se confunde com
autoritarismo.

Poderes Inerentes à Jurisdição

 Os princípios jurisdicionais são enunciados de natureza processual que deveram


ser observados pela jurisdição no momento da resolução dos litígios.

1) Princípio da Investidura:
-Segundo esse princípio, só está na condição de juiz aquele regularmente
invertido nessa posição de acordo com as normas constitucionais e
infraconstitucionais aplicáveis à hipótese.
-Arbitro não é juiz pois não decide em nome do Estado- resolve o conflito por
uma delegação do Estado. Arbitragem é uma permissão estatal.
Art. 13° § 1º e
Art. 16º do CPC 2015

2) Princípio da Indelegabilidade da Jurisdição:

- É vedado ao juiz delegar a quem quer que seja o exercício da função


jurisdicional. Juiz exerce uma parcela do poder estatal soberano por
delegação do próprio Estado e -nessa condição não lhe é permitido delegar
essa sua atividade a quem quer que o seja, devendo exercê-la pessoalmente.
-Papel do assessor viola esse princípio? Não, pois quem revisa e assina esse
processo é o juiz A partir do momento em que o juiz assina ele se
responsabiliza pelo ato.

3) Princípio da Aderência da Jurisdição à um Território (Principio da


Territorialidade ou Princípio da Adesão)

- Segundo esse princípio a jurisdição adere a um território, onde ela deverá


de ser exercida. Por força deste princípio que se tem o estabelecimento que
temos limitações ao exercício da atividade jurisdicional pelos juízes.
- Todo juiz regularmente investido tem um território em que exerce a
atividade jurisdicional.
-Os limites do poder estatal soberano faz com que a jurisdição se restrinja ao
espaço territorial do país
- Art. 42º do CPC Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas
pelo juiz nos limites de sua competência, ressalvado às partes o direito de
instituir juízo arbitral, na forma da lei.

4) Princípio da Inevitabilidade

-A jurisdição é uma emanação do próprio poder estatal soberano e nessa


condição independe para sua eficácia de prévia aceitação das partes ou de
eventual ajuste no sentido de cumprimento de suas decisões. Em outras
palavras, a jurisdição é inevitável, pois é a exteriorização de um poder de um
Estado Soberano e nesse sentido a Jurisdição produzirá os seus efeitos se as
partes combinarem/aceitarem ou não o que foi decidido.
- Formalmente não se reconhece jurisdição aos Tribunais Internacionais.
Cada país escolhe se vai abrir mão da sua soberania em prol do Tribunal
Internacional.
- Art. 21º Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações
em que:
1. o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil;
2. no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação;
3. o fundamento seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil.
Parágrafo único. Para o fim do disposto no inciso I, considera-se
domiciliada no Brasil a pessoa jurídica estrangeira que nele tiver
agência, filial ou sucursal.

e Art. 22º Compete, ainda, à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as


ações:
I. de alimentos, quando:
a. o credor tiver domicílio ou residência no Brasil;
b. o réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de
bens, recebimento de renda ou obtenção de benefícios econômicos;
II. decorrentes de relações de consumo, quando o consumidor tiver domicílio ou
residência no Brasil;
III. em que as partes, expressa ou tacitamente, se submeterem à jurisdição
nacional.

Competência do juiz Brasileiro


-Art. 23º Competência exclusiva da autoridade judiciaria brasileira
Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer
outra:
I. conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil;
II. em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento
particular e ao inventário e à partilha de bens situados no Brasil, ainda que
o autor da herança seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora
do território nacional;
III. Iem divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à
partilha de bens situados no Brasil, ainda que o titular seja de nacionalidade
estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional.

5) Princípio da Inafastabilidade

-Todo cidadão tem assegurado o direito de receber do Estado a tutela


Jurisdicional.
- Ao poder judiciário é vedado recusar-se a prestar a jurisdição a quem venha
em juízo deduzir uma pretensão fundada na lei e pedir uma solução.
- O Autor pede ao Estado Juiz uma Tutela Jurisdicional em relação ao Réu,
nesse sentido o Estado se obriga a prestar a jurisdição por força do princípio
da inafastabilidade.
-Art. 13º Caput do CPC A jurisdição civil será regida pelas normas
processuais brasileiras, ressalvadas as disposições específicas previstas
em tratados, convenções ou acordos internacionais de que o Brasil seja
parte.
-Art. 5º, XXXV-CF a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão
ou ameaça a direito;
J

A R

6) Princípio do Juiz ou Juízo Natural

- Segundo esse princípio a todos é garantido o acesso a atividade jurisdicional


do Estado a ser exercida por um juiz independente e imparcial regularmente
investido e indicado segundo as normas constitucionais e legais aplicáveis a
hipótese. Em outras palavras, todo aquele que bate às portas do Estado para a
solução do conflito deve ter um juiz natural aplicado em concreto segundo as
normas especificas para aquela hipótese.
- Esse princípio tem duas vertentes:
1) Veda/Proíbe criação do juiz ou tribunal de exceção (criado pela autoridade
para um processo ou determinado grupo de processos específicos) Art. 5º,
XXXVII-CF não haverá juízo ou tribunal de exceção;

2) Assegura o direito de ser julgado por um juiz competente. Art. 5º, LIII-CF
ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente;
Art. 42º do CPC. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz
nos limites de sua competência, ressalvado às partes o direito de instituir
juízo arbitral, na forma da lei.

7) Princípio da Inércia

- Os órgãos jurisdicionais são por sua própria natureza inertes, somente


agindo a pedido da parte interessada. Portanto só age quando lhe é provocado,
pois só age quando há um pedido de tutela jurisdicional, sem que haja está o
Estado não se manifesta.
Trilogia de Podete: Ação provoca a jurisdição: Ação-Jurisdição-Processo.

8) Princípio Dispositivo

- Muito próximo do princípio da Inercia e as vezes são confundidos.


Diferença: ?? Não consegui anotar
- A propositura da ação é ato inerente à parte e o Estado não pode tomar a
iniciativa. O processo tem início com o pedido da parte para que o Estado
Juiz outorgue a tutela jurisdicional, para que o Estado juiz defira – confira –
a tutela jurisdicional.
- Incube a parte autora dispor a propositura da ação.
- Razão de ser do princípio: Parte do pressuposto de que ninguém pode ser
obrigado a demandar.
- Justificativa para o principio Dispositivo: Autonomia das partes.

9) Princípio do Impulso Oficial

- Uma vez pedida a tutela jurisdicional pela parte autora incumbe ao próprio
Estado Juiz dar andamento ao processo adotando as providencias necessárias
e cabíveis para que o processo chegue a termo, ao final.
- Art. 2º, CPC. O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por
impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei.
- Justificativa para o princípio do Impulso Oficial: O Estado não pode permitir
o prolongamento do litigio. Para o Estado não convém que o conflito se
prolongue no tempo. Impulso que diz respeito ao andamento do processo e
não ao seu início.

10) Princípio do Devido Processo Legal.

- O processo é o meio público/ estatal de resolução de litígios e, nesse sentido,


o processo deve encontrar previsão na lei e, em consequência, os mecanismos
de resolução da lide deve ter previsão na lei. Esse princípio é importante para
garantir objetividade.
- A lei é o critério objetivo assegurado por esse princípio na tramitação do
processo.
- A atuação do juiz em um determinado processo deve estar pautada pelos
limites constituídos na norma, seja na norma constitucional ou na norma
legal.
- Art. 5º, LIV-CF. ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o
devido processo legal;
-Principio muito caro/importante pois assegura que o jurisdicionado seja
tratado do mesmo modo.
- Também é um problema- as vezes um processo demora pois existe um prazo
para tudo. Tem que seguir todas as formalidades previstas na lei.

11) Princípio do Contraditório;

- Surge no Período Per Formulas.


- As partes durante todo o processo tem o direito de se contradizem
reciprocamente e dessa contradição surge a verdade que estará na sentença.
- Segundo esse princípio no curso do processo, as partes devem se contradizer
reciprocamente de modo a se evitar a “surpresa” processual – jurídica –.
- Dialética Processual
- Art. 5º, LV-CF aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos
acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os
meios e recursos a ela inerentes;
-Art. 9º Caput CPC Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que
ela seja previamente ouvida.
- Art. 10º Caput CPC O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição,
com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes
oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva
decidir de ofício.
- Juiz não pode decidir sem ouvia as partes.
- Esse exacerbado individualismo contraria o Princípio do Impulso oficial
pois o processo acaba se prolongando no tempo.

12) Princípio da Ampla Defesa


- A todos é assegurado no processo o emprego dos mecanismos processuais se
apresentarem como necessário a juridicidade da pretensão ou da resistência a
pretensão pelo réu.
-Art. 5º, inciso LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos
acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios
e recursos a ela inerentes;
- Assegurada a ambas as partes. Princípio da Ampla Defesa não beneficia apenas
o réu, se aplica a ambos os litigantes.
13) Princípio da Publicidade

- Processo é o meio público/estatal de resolução de litígios e, portanto, a


transparência é essencial.
- Como regra geral, o processo e os autos processuais são públicos.
- Limites: processos que tramitam em segredo de justiça. Em geral , protege
a vida intima das pessoas. Nos processos sigilosos só pode ter acesso aos
autos as partes, os advogados, a defensoria....
Ex: Processos com quebra de sigilo telefônico, processos de família,
processos que dizem respeito a crianças.
- art. 93º, inciso IX. todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário
serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade,
podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a
seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do
direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse
público à informação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de
2004)

14) Princípios da Motivação das Decisões Judiciais (Princípio da


Fundamentação)

- Todas as decisões judiciais devem ser fundamentais, devem ser motivadas.


- Pois o processo é um meio estatal de resolução de lides e o Estado deve
fundamentar por que tomou uma decisão.
- Despacho não precisa de motivação. Decisão interlocutória e ... precisa.
- O ato Judicial sem motivação é um ato passível de nulidade.
- Art. 93, inciso IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão
públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo
a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus
advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à
intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à
informação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
- CPC Art. 11° Nos casos de segredo de justiça, pode ser autorizada a presença
somente das partes, de seus advogados, de defensores públicos ou do
Ministério Público

15) Princípio da Imparcialidade do Juiz

- Juiz decide em nome do Estado e em nome de sua própria legitimidade deve


ser imparcial. Autor e réu são sujeitos parciais no processo. Juiz é o sujeito
imparcial na relação processual.
- Alegações de Impedimento e Suspeição do Juiz: as próprias partes podem
afastar o juiz em situações em que há dúvida sobre a imparcialidade do juiz.

16) Princípio da Igualdade da Partes

- Juiz é imparcial e deve assegurar idêntico tratamento as partes no processo.


Não é permitido tratamento anti- isonômico
- Princípio da Igualdade das Partes e o princípio da Imparcialidade estão
intimamente conectados.
- Possuem a sua origem mais remota no Princípio da Isonomia entre as partes.
- Art. 5°: Todos são iguais perante a lei.
- Art. 7° CPC É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao
exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus,
aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar
pelo efetivo contraditório.

17) Princípio da Economia Processual

- O processo e todos os atos processuais devem se dar com o mínimo


dispêndio de tempo e de valores econômicos a fim de que dentro do possível
o processo não seja a lgo custoso.

18) Principio da Finalidade(Fim) Social do Processo.

- O processo não apenas é um mecanismo para resolução de litígios mas


também tem um fim social
- Art. 8° CPC: “Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins
sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a
dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a
razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência.”

19) Princípio da Lealdade e Boa Fé Processual


- Os sujeitos da relação processual deveram se portar no processo com
lealdade e boa-fé. Processo não pode ser utilizado como instrumento de
divulgação da má-fé.
- Pois se parte do pressuposto de que ambas as partes querem a resolução
definitiva e rápida do processo.
- Art 5° CPC Aquele que de qualquer forma participa do processo deve
comportar-se de acordo com a boa-fé

20) Princípio da Razoável Duração do Processo

- As partes tem direito de terem um processo que dure um período de tempo


razoável. O caso concreto vai dizer o que é razoável pois existem processos
que são complexos e outros simples. Não se sabe por critério objetivo o lapso
temporal. O caso concreto vai indicar o que é razoável e o que não é.
- Art. 5° inciso 78 a todos, no âmbito judicial e administrativo, são
assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a
celeridade de sua tramitação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de
2004)
CPC Art. 4° As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução
integral do mérito, incluída a atividade satisfativa.

A Tutela Jurisdicional

 A Tutela Jurisdicional consiste no encargo que tem o Estado por solicitação da


parte autora restabelecer a paz e a ordem jurídica violada pelo litígio.
 O estado na pessoa do juiz aplica a norma ao caso concreto entre autor e reú. Quando
o estado Juiz exercita essa ação, ele está tutelado a ordem jurídica, reestabelecndo as
coisas onde deveriam estar.
 A Solicitação da parte autora decorre do Princípio da Inércia. O estado juiz age pelo
princípio da inercia quando é provocado pela parte autora.
 Estado é obrigado a tutelar a ordem jurídica por causa do Princípio da Inafastabilidade.
O autor provoca o Estado juiz e o tira da inércia, obrigando-o a tutelar sobre a lide.
 O Estado fica vinculado
 A tutela jurisdicional tem sempre o escopo de resolver o litígio
 O Estado Juiz deve se pautar de modo estrito nos limites da tutela que lhe foi
pedido pela parte.
 Estado está limitado/ungido ao que foi pedido pela parte autora. Se
eventualmente não for cabível a tutela, o processo acaba. Não pode mudar a
vontade do autor, não pode mudar a tutela pedida pela parte autora.
 O que define o tipo de tutela é o desejo da parte autora. Toda a composição do
litigio por parte do estado Juiz vai implicar na outorga de alguma dessas tutelas.

 Decisão (Sentença)
 Tutela jurisdicional de conhecimento

Tutela jurisdicional que resulta de pedido da parte ao Estado Juiz (ou Estado
Jurisdição) a prolação de uma decisão (sentença) que componha o litigio,
sendo que para isso o Estado Juiz deverá tomar amplo conhecimento do litigio.
Examinando a pretensão do autor e a resistência oposta a pretensão pelo réu.
A Tutela Jurisdicional de Conhecimento pode ser:

 Meramente Declaratória: Tutela jurisdicional de conhecimento na qual


a parte autora pede ao Estado Juiz que profira uma decisão (sentença) que
componha a lide declarando acerca da existência, inexistência ou modo de
ser de uma relação jurídica, ou ainda que declare acerca da autenticidade
ou falsidade de um documento.
Autor não quer condenar ninguém a nada
Autor quer ter uma segurança jurídica
O principal objetivo da Tutela Jurisdicional de conhecimento
meramente declaratória é a obtenção de certeza jurídica.
CPC, Art. 19. O interesse do autor pode limitar-se à declaração; I-
Da existência, inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica; II-
da autenticidade ou falsidade de um documento.
Exemplo: Senhora idosa que caiu em supermercado e o mercado quer uma
certeza jurídica para saber de quem é a culpa, do mercado ou da
seguradora.

 Condenatória: Tutela jurisdicional de conhecimento que resulta de


pedido da parte autora ao Estado Juiz para que este profira uma decisão
(sentença) que componha a lide com a condenação do réu a uma prestação
de dar, fazer ou não fazer.
Na tutela jurisdicional de conhecimento condenatória, claramente está
presente a tutela jurisdicional de conhecimento meramente
declaratória pois o juiz só vai condenar o réu se existir uma relação entre
o autor e o réu que justifique a condenação. Presença de um vínculo
jurídico.
Exemplo: senhora idosa quer uma sentença condenatória que condene o
mercado a lhe pagar a indenização

 Constitutiva: Tutela jurisdicional na qual a parte autora pede ao Estado


Juiz para que este profira uma decisão (sentença) que componha o litigio
mediante a modificação de uma situação jurídica em andamento venha a
criar (constituir) uma nova situação jurídica.
A parte deseja que o Estado Juiz profira uma sentença – decisão – e que
deverá modificar uma situação jurídica que está em andamento, para a
partir daí criar uma nova situação jurídica.
Exemplo: ação em que parte autora quer anulação de casamento.

 Atos de Execução

 Tutela Jurisdicional de Execução ou Executiva

Tutela jurisdicional na qual a parte autora (exequente) pede ao Estado Juiz a prática, a
adoção de atos de execução, destinados a concretizar um comando contido em uma
sentença (execução por título judicial) e ou em um documento ao qual a lei atribua
eficácia executiva (execução por título extrajudicial). Exemplo: cheque, nota promissória.
O réu executado será chamado para pagar a dívida em 24 horas, por exemplo. Atualmente
fala- se apenas no cumprimento da sentença, a diferença é quase nenhuma.
- Execução por Titulo Judicial (Sentença executiva exercida por via judicial).
- Execução por Titulo Extrajudicial (Possuem efeitos executivos, são efetuados de
forma direta). Tem por vase um documento que somente a lei pode dar eficácia jurídica.

 Medidas cautelares ou Preventivas:

 Tutela Jurisdicional Cautelar


- Tutela jurisdicional que resulta de pedido da parte autora (requerente) no sentido de que
o Estado Juiz adote medidas cautelares ou preventivas destinas a resguardá-la de eventual
demora no processo de conhecimento ou no processo de execução.
- O juiz só emitira a tutela jurisdicional cautelar se o juiz encontrar dois requisitos:
- Ambos os requisitos devem estar presente, basta que um destes esteja ausente para que
não o seja deferida.
- Fumus boni iuris
- Verificar se a parte que lhe traz a cautelar tem o direito, se é possível que o direito irá
ser reconhecido.
- Periculum in Mora
- Se eventualmente houver uma demora no processo se parte requerida possuirá um dano.

Exemplo: pai passa os bens aos filhos para evitar que eles sejam penhorados, então a
medida cautelar serve para impedir essa ação.

 Ordem à autoridade pública

 Tutela Jurisdicional Mandamental (Pontes de Miranda)


- Tutela Jurisdicional na qual a parte autora(impetrante) pede ao Estado Juiz a
expedição/emissão de uma ordem dirigida a uma autoridade pública para defender um
direito líquido e certo.
Exemplo: mandato de segurança, Habeas Corpus
Exemplo: juiz decreta a prisão preventiva de um indivíduo e esse indivíduo impetrou um
habeas corpus pedindo que eventualmente o tribunal expeça uma ordem ao juiz para que
o coloque em liberdade
Exemplo tutela ao mesmo tempo mandamental e cautelar. É possível ter mais de um tipo
de tutela ao mesmo tempo: Medida liminar
3.2. Jurisdição no Estado Constitucional.

3.2.1. Fundamento, características e finalidades comuns às diversas funções


do Estado Constitucional: Legislação, Administração Pública e Jurisdição.

A) Noções Introdutórias.
 O Estado Moderno no desempenho de suas atividades exerce três funções que se
destinam a preservar, conservar e desenvolver as condições de vida dos seus
cidadãos.
 Três funções: de legislar, administrar e de julgar (os três poderes);

 Função Legislativa/ Estado Legislação

No exercício da função Legislativa, o Estado trata de elaborar


regras de conduta que se pensam devam ser seguidas em
sociedade.
Regular os conflitos em sociedade e ainda controlar os
mecanismos de regulação de seus conflitos.
O Estado por meio da legislação estrutura toda ordem jurídica da
sociedade.
Estabelecer as bases institucionais de um país, elabora regras
gerais e abstratas que se destinam a regular a vida em sociedade e
a criar mecanismos de resolução dos seus conflitos.

 Função Administrativa/ Estado Administração;

O Estado aplica as normas elaboradas pelo legislativo para


administrar os interesses do estado em prol do bem comum.
O Estado tomando por parâmetro as normas da função legislativa
irá, gerir, gerenciar, administrar os interesses do estado para o
proveito de todos.
Atua a partir dos limites legais estabelecidos na lei. Não pode fazer
nada que não esteja previsto na lei.

 Função Jurisdicional/ estado Jurisdição

O estado aplica norma elaborada pela função legislativa para


resolver os litígios
 Jurisdicional: única que pode desfazer os atos das demais. A jurisdição só pode
fazer isso pois a legislação permite
 Legislativa: estabelece parâmetros para as outras. Mais Importante
 Administração pública só pode fazer o que a lei permite.

B) Jurisdição e Legislação
 A Legislação antecede a jurisdição pois o Jus é o pressuposto da Jurisdição.
 A Jurisdição é mais ampla que a legislação.
 O Judiciários as vezes é chamado a resolver questões que não tem lei. Princípio
da Inafastabilidade: Não pode deixar de dar uma resposta a partir do momento em
que for provocado. Mesmo não havendo lei. Surgimento do conflito entre o
legislativo e o judiciário.
 O Judiciário tem que dar uma resposta ainda que não haja lei.
 As vezes a resolução do litigio pela jurisdição não depende da legislação.
 Jurisdição aplica regra geral e abstrata ao caso concreto por meio da
SUBSUNÇÃO.
 Países do Ocidente: Crise de Representatividade: Valores da sociedade não são
respondidos a contento pela produção das normas e isso gera crise de
representatividade que gera crise de legitimidade. Papel do Legislador: ouvir
valores da sociedade em contexto histórico e elaborar normas.
 Com a crise representatividade legislativa tem-se o agigantamento das outras
funções.
 Ativismo Judicial: Judicialização da política. Poder Judiciário entrando em ceara
que seria de atribuição do legislativo. Medida provisória: agigantamento do
Executivo.
 Déficit de legitimidade do Poder legislativo: Dificuldade cada vez maior do poder
legislativo para legislar.

C) Jurisdição e Administração
 As duas estão sujeitas à lei. Ambas aplicam as normas elaboradas pela função
legislativa e isso torna mais difícil diferenciar uma da outra.

 Critério Orgânico Subjetivo; Não é suficiente pois é possível ter a


Administração julgando e a Jurisdição administrando

 Critério da Iniciativa: 1 diferença;


A Jurisdição só age quando provocada pois observa o princípio da
inércia.
A administração é dotada da iniciativa, toma iniciativa para
concretizar a lei sem precisar se provocada.

 Critério do Modo como é aplicada a lei: 2 diferença;


Para a jurisdição, a lei é aplicada como própria razão de ser do juiz.
A lei é a essência do ato do litígio, a sentença é respaldada na lei.
Na administração, o administrado busca seus limites na lei para sua
atuação.
3 diferença;
Jurisdição aplica a lei com o princípio da imparcialidade.
Administrador aplica a lei em benefício próprio para saber o que
pode ou não fazer

3.2.2. Jurisdição Contenciosa e Voluntária.


A) Espécie de Jurisdição
 A Jurisdição é uma e indivisível, pois tem que haver uma relação com a Soberania
Estatal e a Soberania Estatal é Una.
 Estranheza: Se concebermos “espécies” de jurisdição estaríamos concebendo uma
pluralidade de soberanias.
 Espécies de Jurisdição  Apenas para fins didáticos. Não quer dizer que tenha
mais de uma Jurisdição em um único território.

 Quanto à Matéria (Material): pode ser Penal ou Civil(Não


Penal).

 Penal:
-Jurisdição que versa sobre conflitos/lides nos quais se verifica uma pretensão de
natureza sancionatório, punitiva ao réu.
-Jurisdição que versa sobre matéria penal, tendo como principal norma o Código Penal
e tendo por instrumento o direito processual penal.
Instrumento: Código penal, Código processual penal, e código processual penal militar.

 Civil (não penal):


-Jurisdição que verso sobre litígios nos quais se identifica uma pretensão de natureza
não punitiva, não sancionatória em relação ao réu. Não aplicação de pena ao réu.
-Exemplos; ação de indenização por perdas e danos, Ação de Falência, Reclamação
trabalhista.
- A Jurisdição Civil vai além do Direito Civil, por isso é também chamada de não penal.

- Moacyr Amaral: Divide Jurisdição civil


- Em sentido amplo: Jurisdição que verso sobre litígios nos quais
se identifica uma pretensão de natureza não punitiva, não sancionatória
em relação ao réu.
- Em sentido estrito: excluída as causas que por vontade do
constituinte fazem parte de uma jurisdição especializada.
-Ítalo: Não concorda pois teria que fazer essa distinção também na jurisdição Penal e
Moacyr não faz.
- Em sentido Amplo: mesmo dado anteriormente
- Em sentido Estrito: excluídas as causas sujeitas a jurisdição
militar.

Jurisdição Eleitoral; Tem jurisdição penal e não penal. Julga


crimes eleitorais. Também tem competência penal. Isso complica a divisão
de Moacyr.

 Quanto aos órgãos/organismos judiciários que a exercem:


Especial ou Comum.
 Especial
- Jurisdição que versa sobre litígios, sobre lides, em relação as quais o legislador, por uma
questão de conveniência, reconheceu o caráter de especialidade e por isso passaram a
constituir objeto de jurisdições especiais.
- O legislador constituinte pela sua natureza ou pelos litigantes entendeu-se fazer parte de
uma jurisdição especializada. Mera vontade do legislador define.
Exs: Jurisdições militar, eleitoral e trabalhista.
 Comum;
-Jurisdição que cuida/trata de litígios, de lides, em relação aos quais o legislador não
visualizou nenhum componente de especialidade e por isso seguem as regras processuais
comuns. Não vislumbrou nenhum aspecto que justificasse criação de órgãos
especializados.
- Quem é que a exerce? A Justiça comum estadual, Justiça do DF e a justiça comum
federal.
 Quanto à posição hierárquica dos órgão judiciários que a
exercem:
 Inferior (ou Originária)
A jurisdição exercida pelos órgão jurisdicionais que conhecem do litígio originariamente,
isto é, em primeiro lugar.
- Ex: Uma empresa que ajuíza em Brasilia na Primeira Vara Cível, uma ação de cobrança
de um serviço que ela prestou a uma outra empresa e que não lhe foi paga e que foi
destribuido a um juiz da nona vara cível. Este juiz exerce a jurisdição originário, pois é
ele que exerce conhecimento da ação ajuizada primeiramente.
 Superior (ou Recursal)
-Jurisdição exercida pelos órgão jurisdicionais que julgam as causam em grau de recurso.
-Ex: O STJ quando julga um Acordão proferido pelo TJ do Acre, ele está exercendo uma
ação jurisdicional Superior ou Recursal, pois o recurso lhe é dirigido.
- Importante notar que a Jurisdição Inferior e a Superior não podem ser confundidas com
juízes de primeiro grau e juízes de segundo grau.
- Às vezes um órgão tipicamente recursal, para algumas lides especificas, será um
órgão inferior (original). Exemplos: STJ em mandato de segurança contra Ministro.
- Supremo Tribunal Federal: Será sempre um órgão Superior mesmo julgando
originariamente pois não existe órgão acima dele. Mesmo quando um processo tenha
início nele.
 Quanto a fonte do direito com base na qual é proferida o
julgamento:

 De direito (Legal):
- Jurisdição exercida pelos juízes que julgam de acordo com uma precisa regulação ou
regulamentação legal.
 Equidade:
Jurisdição exercida pelos juízes que julgam sem ter a necessidade de observar uma precisa
regulamentação legal.
- Ex: um juiz americano, ou um juiz inglês, quando vai estabelecer uma fiança, não
precisa explicar por que estabeleceu o valor daquela fiança.
 Quanto ao objeto: Contenciosa e Voluntária

B) Jurisdição contenciosa e voluntária


 Jurisdição Contenciosa
- A jurisdição contenciosa é a verdadeira e autêntica jurisdição. Jurisdição que é exercida
com a finalidade de compor os conflitos de interesses. Se entende que esses conflitos
podem ou não ser litigiosos.
- Objetiva a composição dos conflitos de interesses, que podem ou não ser litigiosos, entre
autor e réu.
- Nesse contexto, tem se o autor pedindo uma tutela jurídica contra ou em relação ao réu.
- Características:
- Primeira: Possui partes no processo: autor e réu.
- Jurisdição que busca a composição dos conflitos.
- Segunda: Possibilidade do contraditório. O réu tem a oportunidade de se manifestar em
todas as fases.
- Terceira: O Juiz em nome do estado devera compor o litigio com IMPARCIALIDADE.
- O Estado deve seguir o devido processo legal para a composição do conflito.
- Aplica a SUBSUNÇÃO, pouco importa quem tem razão(autor ou réu).
- Quarta: Instauração da coisa julgada (conflito deixou de existir). Conflito
definitivamente resolvido.
 Jurisdição Voluntária
- A jurisdição voluntária versa sobre interesses não em conflito, ou seja, sobre interesses
que não estar em conflito em princípio.
- Ambas as jurisdições são exercidas por órgãos jurisdicionais(juízes).
- Determinados interesses que na sua essência são privados, por sua repercussão social, o
Estado intervém. Categoria de interesses que em princípios são privados mas que
demandam uma intervenção estatal.
- Exemplos: O nascimento de uma pessoa – registro. A certidão de óbito. Criação de uma
empresa jurídica.
- Não há autor, não há um réu, portanto não há conflitos.

- Duas formas:

Ou por órgãos do Estado fora do aparato jurisdicional.

Ou por órgão do Estado Jurisdicional.

- Interesses privados que o Estado percebeu uma


gravidade ainda maior e que necessitam da intervenção
estatal.

- Exemplo: nomeação de tutor, autorização para menor


adquirir imóvel.

- Para administrar interesses que não estão em conflito.

- O que define atuação doo judiciário em interesse privado é a mera vontade do legislador.

- Características:
- Primeira: Na jurisdição voluntária não há partes no processo pois não há conflito, há
interessados. Formatted: Font: Bold

- Segunda: Como não há conflito, não há a possibilidade de contraditório.


Desnecessidade de contraditório.
- Terceira: O juiz age para proteger o interessado, logo não age com imparcialidade. Juiz
administra interesses, então protege o interessado.
- Quarta: Como não há conflito, não há também coisa julgada. Decisão do juiz que
beneficia o interessado poderá ser revista.
Uma jurisdição que começa como voluntária pode no curso dela se tornar contenciosa.
- Um divórcio que no seu curso torna-se conflituoso.
Ambas jurisdições são exercidas por juízes, regularmente investidos na profissão.
Jurisdição e Organização Judiciaria
Noções Introdutórias:
 O nosso sistema judiciário se baseou no sistema federativo. O constituinte de 1891
se baseou na constituição norte americana e ele trouxe para o modelo brasileiro o
mesmo modelo previsto no federalismo norte americano.
 No Brasil nós temos a Justiça da União e a Justiça Estadual, não temos a Justiça
Municipal.
 Os órgão jurisdicionais, ou seja, os órgão do poder judiciário que formam o
elemento orgânico é formado por juízes, no sentido mais amplo da palavra.
 A magistratura forma uma carreira que começa em primeiro grau e vai subindo os
graus. O STJ e o supremo não integram a carreira da magistratura.
 O congresso nessa carreira em primeiro grau se dá por meio de concurso público
de prova de título, no qual se exige a OAB e pelo menos 3 anos de experiência
jurídica. Previsto na constituição no art 93, inciso 1º. Regra geral.
 Há determinados ramos judiciários em que não há uma carreira estruturada(
justiça eleitoral, justiça militar).
 No contexto de carreira, pressupõe progressão/promoção de carreia que obedecem
dois critérios: Antiguidade e merecimento, alternadamente ( abre-se uma vaga
que será preenchida através de uma promoção, aí se verifica se ela será por
antiguidade, e a próxima será por merecimento e a outra por antiguidade...)
 Antiguidade:
Nessa promoção por antiguidade, havendo uma vaga, o próprio tribunal vai
verificar se aquela vaga deverá ser preenchida por antiguidade ou merecimento.
Ai ele encaminha um ofício para todos os juízes dizendo que a vaga será
preenchida por tal critério. O juiz mais antigo deverá ser apreciado ao órgão
colegiado e só poderá ser recusado por deliberação do tribunal tomada por
2/3 dos votos, justificadamente. Assegurando-se a esse juiz direito à ampla
defesa.

 Merecimento:
Forma-se uma lista, com isso, aquele juiz que por 3 vezes consecutivas tiver o seu
nome constando a lista tríplice, terá que ser necessariamente promovido. Ou
aquele juiz que tiver o nome por 5 vezes alternadas também terá que ser
promovido. Em se tratando disso, esse juiz só poderá ser promovido novamente
por merecimento depois de 2 anos no cargo e deve integrar a quinta parte, os 20
por cento, dos juízes mais antigos. A não ser que haja alguém que não aceitou a
promoção. Em caso de empate, qualquer um pode ser escolhido.

 CF Art.93,“II - promoção de entrância para entrância, alternadamente, por antiguidade e


merecimento, atendidas as seguintes normas:
a) é obrigatória a promoção do juiz que figure por três vezes consecutivas ou cinco alternadas em
lista de merecimento;
b) a promoção por merecimento pressupõe dois anos de exercício na respectiva entrância e
integrar o juiz a primeira quinta parte da lista de antiguidade desta, salvo se não houver
com tais requisitos quem aceite o lugar vago;
d) na apuração de antiguidade, o tribunal somente poderá recusar o juiz mais antigo pelo
voto fundamentado de dois terços de seus membros, conforme procedimento próprio, e
assegurada ampla defesa, repetindo-se a votação até fixar-se a indicação; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 45, de 2004)”

 Critério para o merecimento:


1) Presteza no exercício da atividade jurisdicional: embutida a produtividade
2) Frequência a curso de aperfeiçoamento para magistratura

b) aferição do merecimento conforme o desempenho e pelos critérios objetivos de


produtividade e presteza no exercício da jurisdição e pela freqüência e
aproveitamento em cursos oficiais ou reconhecidos de aperfeiçoamento;
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

 Promoção do juiz de 1 º grau para o juiz de 2º grau será observado o grau mais
elevado. Para que o juiz seja promovido a desembargador ele deve estar em seu
último nível.
III o acesso aos tribunais de segundo grau far-se-á por antigüidade e merecimento,
alternadamente, apurados na última ou única entrância; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 45, de 2004)

 Os juízes prestam a tutela jurisdicional, ou seja, resolvem os conflitos da


sociedade, e agem em nome do Estado.
 As partes desejam que o juiz seja independente, imparcial, honesto, correto.
Legislador Constituinte criou as garantias da magistratura para garantir isso:
 O legislador criou as garantias da magistratura:

 Vitaliciedade:
-Em primeiro grau de jurisdição, após 2 anos de exercido o cargo, o juiz é
considerado vitalício, de modo que só poderá ser demitido do cargo por sentença
judicial transitado em julgado.
-Os dois primeiros anos formam o chamado estágio probatório. Juiz pode ser demitido do
cargo ao qual exerce, no período de estágio probatório por decisão tomada pela maioria
absoluta dos seus membros.
- Juiz tem direito a ampla defesa.
-Aposentadoria compulsória – recebe proporcional ao tempo de trabalho. Punição
administrativa mais alta. CNJ não é órgão jurisdicional.
- Vitaliciedade x Estabilidade: Servidor estável pode ser demitido por decisão
administrativa, enquanto que o vitalício só pode ser demitido por decisão judicial
transitada em julgado.

 Inamovibilidade (Intransferibilidade)
- O juiz só poderá ser transferido ou removido a pedido ou por motivo de interesse público
que deverá ser reconhecido por maioria absoluta do tribunal ao qual o juiz está
vinculado.
- O interesse público quebra essa garantia de Inamovibilidade. Art. 92 da CF
- Assegura ao juiz que ele pode agir com independência e imparcialidade, tranquilidade
para decidir o conflito sem medo de ser punido.
-Surge na CF de 46, logo após o estado novo de Vargas.

 Irredutibilidade de subsídios (vencimentos)


- Os subsídios do juiz sofrem a mesma tributação.
- O juiz não deve ter reduzido os seus subsídios. STF entende de que é assegurado o valor
nominal e não o valor real. Ex: não ter reajuste não ofende a irredutibilidade.

 Essas garantias visam assegurar ao juiz exercer com imparcialidade o encargo de


julgar, mas existem as vedações também.
 Art. 95. Os juízes gozam das seguintes garantias: (EC no 19/98 e EC no 45/2004)
I – vitaliciedade, que, no primeiro grau, só será adquirida após dois anos de exercício, dependendo
a perda do cargo, nesse período, de deliberação do tribunal a que o juiz estiver vinculado e, nos
demais casos, de sentença judicial transitada em julgado;
II – inamovibilidade, salvo por motivo de interesse público, na forma do art. 93, VIII;
III – irredutibilidade de subsídio, ressalvado o disposto nos arts. 37, X e XI, 39, § 4o, 150, II, 153,
III, e 153, § 2o, I..

 VEDAÇÕES A MAGISTRATURA
 1) Ao juiz é vedado exercer qualquer cargo ou função, salvo
uma de magistério(professor)

 2) Ao juiz é vedado receber a qualquer título ou pretexto custas


ou participação em processo.
Pois até a Constituição de 1946 as custas eram pagas ao juiz.
- Art. 95, Parágrafo Único, II.
 3) Ao juiz é vedado exercer atividade político partidária.
Não pode ser filiado a partido político. Não é ser apolítico. Se
quiser ser candidato deverá pedir exoneração do cargo de juiz.
Para tomar posse teria que pedir desfiliação.

 4) Ao juiz é vedado receber a qualquer título ou pretexto patrocínio


a congressos.
Ao juiz é vedado receber qualquer auxilio, qualquer contribuição
ao exercício de sua atividade.
- Art. 95, Parágrafo Único, IV.

 6) O juiz que se exonerar ou aposentar do cargo só poderá exercer


a advocacia no órgão em que trabalhou após 3 anos da data em que
se aposentou ou se exonerou : Quarentena.

 “Aos juízes é vedado: I - exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou


função, salvo uma de magistério; II - receber, a qualquer título ou pretexto,
custas ou participação em processo; III - dedicar-se a atividade político-
partidária; IV - receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições
de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções
previstas em lei; V - exercer a advocacia no juízo ou tribunal do qual se afastou,
antes de decorridos três anos do afastamento do cargo por aposentadoria ou
exoneração.”

Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário:


I - o Supremo Tribunal Federal;
I-A - o Conselho Nacional de Justiça;
II - o Superior Tribunal de Justiça;
III - os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais;
IV - os Tribunais e Juízes do Trabalho;
V - os Tribunais e Juízes Eleitorais;
VI - os Tribunais e Juízes Militares;
VII - os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios.
§ 1º O Supremo Tribunal Federal, o Conselho Nacional de Justiça e os Tribunais Superiores têm sede na
Capital Federal.
§ 2º O Supremo Tribunal Federal e os Tribunais Superiores têm jurisdição em todo o território nacional

Organização judiciária Nacional.

- No Brasil: Duas esferas: Poder judiciário:


- Dos Estados Membros;
- Da União;

Estadual: mantido e custeado pelo estado membro da federação


Df: mantido e custeado pela União

Estadual (No Brasil):

- Observa-se o sistema federativo, portanto o quanto possível quem vai regular a estrutura
e o funcionamento são as normas do poder estadual. Ou seja as normas e regras
reguladoras;
- Duas regras essenciais para o poder judiciário estadual:
- Constituição estadual: que regula as competências do judiciários e que
- Lei de organização judiciária do Estado.
- Cada estado da federação possui a sua própria lei de organização.
- Disciplina a estrutura e o poder de funcionamento do poder judiciário no âmbito dos
Estados perante a União.
Art. 125. Os Estados organizarão sua Justiça, observados os princípios estabelecidos
nesta Constituição. (EC no 45/2004)
§ 1o A competência dos tribunais será definida na Constituição do Estado, sendo a lei de
organização judiciária de iniciativa do Tribunal de Justiça.
- Busca de uma estrutura média – regra geral – realizada pela justiça estadual:

Em primeiro grau de jurisdição:


Juizes de Direito:
- Localizados em uma circunscrição territorial que no âmbito do poder judiciário estadual
recebe o nome de Comarca.
- Sede da Comarca: Realiza a sua função de juiz e ali na Comarca está delimitada a sua
competência.
Juiz de Direito: Estadual ou do DF
Juiz de Direito da Comarca x: somente do Estado. DF não tem comarca.
-Juiz estadual: recebe o nome de Juiz de Direito;Ingresso da carreira no primeiro grau
de jurisdição: Juiz Substituto
- Ocorre por intermédio de concurso público de Provas e Titulos;
- Exige-se:
- 3 anos de experiência jurídica;
- Art. 93 da CF.
- Em geral quando o juiz insere-se na carreira ele vai exercer a atividade em uma comarca
de Primeira entrância.
- Essa Juiz de direito, quando aprovado no concurso, como regra gerak, entra em uma
comarca de primeira entrância.
- Entrância: grau que tem a comarca e garante proteção ao juiz.

- Primeira entrância; Comarca situada em cidades menores em que o juiz tem competência
para tudo, cível e penal. Normalmente somente um juiz naquela comarca.
- Posteriormente pode ser promovido para uma Comarca de Segunda entrância.
- Promovido por: Atividade e Merecimento por alternância. Vai para uma Comarca
maior, de entrância maior, acompanhado de outros juízes. Em geral: Separação de
matérias;
- Posteriormente pode ser promovido para uma Comarca de Terceira entrância.
Promovido por: Atividade e Merecimento por alternância. Comarca maior, em geral
com uma população maior. Especialização maior dos juízes
- Passado mais alguns anos; Atividade e merecimento;
-Entrância Especial: Em geral nas capitais do Estados. Especialização maior dos juízes.
 Não existe hierarquia entre as diversas entrâncias

 Em primeiro grau de jurisdição, a entrância especial é o termino da carreira.

 Princípio da Inamovibilidade: juiz pode ficar na comarca o tempo que quiser,


não é obrigado a subir de comarca.

 Depois do estágio probatório se torna juiz titular.

 Competência territorial do juiz de direito: competência de sua comarca,


competência territorial onde exerce jurisdição.

 Princípio da aderência do juiz a um território: por isso, em regra geral, não pode
exercer em outra comarca.

Em segundo grau/instancia de jurisdição;

Tribunal de Justiça do Estado (T.J)


- Apelação (principal recurso)
Juízes Estaduais (Entrância Especial)

Tribunais de justiça: todo estado tem um sediado na capital


TJ’s são formados por desembargadores;
Principal objetivo de processar e julgar em grau de recurso a apelação interposta conta a
sentença proferida pelo juiz de direito de primeiro grau.
- Principal recurso que o T.J julga é a chamada Apelação.
- Ao contrário do juiz estadual que possui a sua competência limitada pela comarca, tem
a sua competência para julgar em todo o referido Estado.
- Jurisdição do T.J é Estadual.
- Desembargador: competência definida pelo Estado e não pela comarca.

Composição do TJ:
- 4/5 do Tribunal de Justiça são de Juízes de Direito.
- 1/5 advogados e membros do MPE – Ministério Público Estadual – (Quinto
Constitucional)

Art. 94 da CF:

Provimento dessas vagas:

4/5 do Tribunal de Justiça são de Juízes de Direito.

1) Aqueles que estão na última entrância. Feita pelos juízes da Entrância Especial.
2) Estar entre os 20% mais antigos

- Feita de forma alternada entre atividade e merecimento.


- Antiguidade: aqueles mais antigos são colocados em editais (quinto mais antigo) caso
se interessem devem anunciar o interesse e então serão levados ao plenário do T.J para
aprovação ou não.
Ato de promoção do desembargador é baixado pelo próprio presidente do tribunal.
- Merecimento: são candidatos aqueles que estão na chamada quinta parte dos juízes de
direito mais antigos.
- Lista tríplice elaborada pelo T.J, e encaminhada ao presidente do tribunal, o nome mais
votado é nomeado. Exceção:
- O juiz que figurar por três vezes consecutivas na lista ou por cinco vezes de forma
alternada deverá ser obrigatoriamente nomeado.
1/5 advogados e membros do MPE – Ministério Público Estadual – (Quinto
Constitucional)
- Quando o quinto constitucional é da advocacia:
- Encaminhamento de um oficio para a OAB da seccional local e solicitando que a OAB
daquele ordem elabore uma lista sêxtupla com quem pretende ocupar a vaga.
- Fica por conta da OAB;
- Algumas estabelecem eleições;
- Outras deixam por conta com conselho da seccional para votar esses nomes;
- OAB prepara a lista sêxtupla e a encaminha para o tribunal respectivo.
- No momento em que o tribunal recebe a lista, marca um sessão plenária e o pleno do
Tribunal vai escolher destes seis, três nomes que irão compor uma lista tríplice.
- Esta lista tríplice será encaminhada ao Governador do Estado, que irá nomear um dos
três, para o respectivo cargo.
- Quando a vaga for de Ministério Público Estadual:
- O presidente do tribunal respectivo, encaminha um oficio informando da aposentadoria
do Desembargador “fulano de tal” e solicitando ao procurador geral de justiça que elabore
uma lista sêxtupla, portanto com seis membros do Ministério Público, que aceitam ser
eleitos.
- O procurador geral promove uma eleição com todos os representantes do MP –
promotores – para a votação dos seis nomes em todas as comarcas do MP.
- Os seis nomes mais votados irão integrar a lista sêxtupla que será enviada ao Tribunal
de Justiça.
- O T.J irá receber a lista sêxtupla, transforma-a em uma lista tríplice.
- Esta lista tríplice será enviada ao governador do Estado e que irá nomear um dos três
para o respectivo cargo.

Justiça Militar Estadual

No âmbito da Justiça Estadual:


- Questão importante que envolvam forças da polícia militar e do corpo de bombeiros
militar.

- Cada Estado tem também a competência para estruturar a sua própria justiça
militar.

- A justiça militar no caso julga apenas as forças da polícia penal militar.

- Existência de varas com competência penal militar ou auditorias militares.

- Sendo permitido nos Estado, onde haja um efetivo de mais de 20 mil, policiais
militares e corpo de bombeiros militar a criação de um tribunal de justiça militar
que é vinculado ao Tribunal de Justiça do Estado (que é o órgão de cúpula do
poder judiciário estadual).

Art. 125 - § 3o (C.F) A lei estadual poderá criar, mediante proposta do


Tribunal de Justiça, a Justiça Militar estadual, constituída, em primeiro
grau, pelos juízes de direito e pelos Conselhos de Justiça e, em segundo
grau, pelo próprio Tribunal de Justiça, ou por Tribunal de Justiça Militar
nos Estados em que o efetivo militar seja superior a vinte mil
integrantes.

§ 4o Compete à Justiça Militar estadual processar e julgar os militares


dos Estados, nos crimes militares definidos em lei e as ações judiciais
contra atos disciplinares militares, ressalvada a competência do júri
quando a vítima for civil, cabendo ao tribunal competente decidir sobre
a perda do posto e da patente dos oficiais e da graduação das praças.

- Nos EUA:
- No âmbito municipal;
- Quando há eleições, aproveita-se para a realização de concursos;
- No âmbito estadual:
- Não há concurso;
- Juízes nomeados pelo governador;
- Não necessita ser uma comarca de um Juiz Estadual para a entrada nos
Tribunais de Justiça.

O STF, O CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA, OS TRF’S, Os juízes federais, Os tribunais do


trabalho TST, TRT e os juízes do trabalho, Os tribunais TSE, TER e juízes eleitorais, os tribunais
militares e seus juízes, o TJDFT e ainda os juízes de direito do DFT.

Art. 92. São órgãos do Poder Judiciário: (EC no 45/2004)


I – o Supremo Tribunal Federal;
I-A – o Conselho Nacional de Justiça;
II – o Superior Tribunal de Justiça;
III – os Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais;
IV – os Tribunais e Juízes do Trabalho;
V – os Tribunais e Juízes Eleitorais;
VI – os Tribunais e Juízes Militares;
VII – os Tribunais e Juízes dos Estados e do Distrito Federal e Territórios.
§ 1o O Supremo Tribunal Federal, o Conselho Nacional de Justiça e os
Tribunais
Superiores têm sede na Capital Federal.
§ 2o O Supremo Tribunal Federal e os Tribunais Superiores têm jurisdição em
todo
o território nacional.

Justiça da União