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Boletim Trabalhista nº 21- Novembro/2014 - 1ª Quinzena

Matéria elaborada conforme a legislação vigente à época de sua publicação, sujeita a mudanças em decorrência das
alterações legais.

DIREITO DO TRABALHO

RESCISÃO POR FALECIMENTO DO EMPREGADO


Dependentes, Verbas Rescisórias, Seguro-Desemprego, PIS/PASEP/Abono, FGTS

ROTEIRO

1. RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO


2. EXTINÇÃO OU CESSAÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO POR FALECIMENTO
DO EMPREGADO
3. DEPENDENTES
3.1. Declaração ou Inexistência de Dependentes
3.1.1. Dependente não Habilitado na Previdência Social
3.2. Perda da Qualidade de Dependente
4. INEXISTÊNCIA DE DEPENDENTES OU SUCESSORES
5. RESCISÃO - PARCELAS DEVIDAS
6. HOMOLOGAÇÃO/ASSISTÊNCIA DA DRT/MTE OU SINDICATO
7. DIREITO AOS VALORES RESCISÓRIOS
7.1. Prazo para Pagamentos Rescisórios
8. SEGURO-DESEMPREGO
9. FGTS
9.1. Valor do Saque
10. PIS/PASEP - ABONO ANUAL
11. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO - PENSÃO POR MORTE

1. RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO

A rescisão é a extinção contratual terminada a relação de trabalho, que pode ser por iniciativa do empregador, do
empregado ou mesmo por força maior.

O falecimento do empregado constitui um dos meios de extinção do contrato individual de trabalho, extinguindo-o de
forma automática e involuntária.

O Decreto 85.845/81 regulamenta a Lei nº 6.858/80, dispõe sobre o pagamento de valores não recebidos em vida
pelos respectivos titulares.

No caso de falecimento do empregado será considerado como um pedido de demissão sem o pagamento do aviso
prévio em razão de que o empregado já falecido não poderá manifestar sua vontade ou não de cumpri-lo.

2. EXTINÇÃO OU CESSAÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO POR FALECIMENTO DO EMPREGADO

Com a morte do empregado, extingue-se automaticamente o contrato de trabalho. Assim, cabe ao empregador
efetuar diretamente aos dependentes ou sucessores do falecido, o pagamento das parcelas devidas.

Assim, quando do falecimento do empregado, as verbas rescisórias serão consideradas uma rescisão do contrato de
trabalho a pedido, porém, sem aviso prévio, conforme já mencionado acima.

3. DEPENDENTES

O artigo 16 de Decreto n° 3.048/1999 prevê quem são beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na
condição de dependentes do segurado:

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I - o cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não emancipado de qualquer condição, menor de vinte
e um anos ou inválido;
II - os pais; ou
III - o irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de vinte e um anos ou inválido.

Temos ainda que os dependentes de uma mesma classe concorrem em igualdade de condições.

A existência de dependente de qualquer das classes dos itens I a III exclui do direito às prestações os das classes
seguintes.

Equiparam-se aos filhos, nas condições do item I, mediante declaração escrita do segurado, comprovada a
dependência econômica na forma estabelecida no § 3º do artigo 22 do Decreto 3.048/99, o enteado e o menor que
esteja sob sua tutela e desde que não possua bens suficientes para o próprio sustento e educação.

O menor sob tutela somente poderá ser equiparado aos filhos do segurado mediante apresentação de termo de
tutela.

Considera-se companheira ou companheiro a pessoa que mantenha união estável com o segurado ou segurada.

Considera-se união estável aquela configurada na convivência pública, contínua e duradoura entre o homem e a
mulher, estabelecida com intenção de constituição de família, observado o § 1° do artigo 1.723 do Código Civil,
instituído pela Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002.

A dependência econômica das pessoas de que trata o item I é presumida e a das demais deve ser comprovada.

Na hipótese de inexistência de dependentes, devem ser pagos aos sucessores do titular, previstos na Lei Civil,
indicados em Alvará Judicial, independentemente de inventário ou arrolamento (Lei nº 6.858/80).

3.1. Declaração ou Inexistência de Dependentes

Conforme o artigo 2º do Decreto n° 85.845/81, a condição de dependente habilitado será declarada em documento
fornecido pela instituição de Previdência ou se for o caso, pelo órgão encarregado, na forma da legislação própria, do
processamento do benefício por morte.

3.1.1. Dependente não Habilitado na Previdência Social

Caso na Previdência Social não conste a inscrição dos dependentes, a habilitação compete ao próprio dependente
requerer junto ao órgão, observando os critérios abaixo:

a) companheiro ou companheira - pela comprovação do vínculo;

b) pais - pela comprovação de dependência econômica;

c) irmãos - pela comprovação de dependência econômica e declaração de não emancipação;

d) equiparado a filho - pela comprovação de dependência econômica, prova da equiparação e declaração de que não
tenha sido emancipado.

3.2. Perda da Qualidade de Dependente

A perda da qualidade do dependente ocorre (Decreto n° 3.048/99, artigo 17):

a) para o cônjuge, pela separação judicial ou divórcio, enquanto não lhe for assegurada a prestação de alimentos,
pela anulação do casamento, pelo óbito ou por sentença judicial transitada em julgado;

b) para a companheira ou companheiro, pela cessação da união estável com o segurado ou segurada, enquanto não
lhe for garantida a prestação de alimentos;

c) para o filho e o irmão, de qualquer condição, ao completarem 21 (vinte e um) anos de idade ou pela emancipação,
salvo se inválidos.

4. INEXISTÊNCIA DE DEPENDENTES OU SUCESSORES

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Conforme artigo 1º, § 2°, da Lei n° 6.858/1980, inexistindo dependentes ou sucessores, os valores da rescisão em
razão do falecimento, reverterão em favor, respectivamente, do Fundo de Previdência e Assistência Social, do Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço ou do Fundo de Participação PIS-PASEP, conforme se tratar de quantias devidas
pelo empregador ou de contas de FGTS e do Fundo PIS PASEP.

5. RESCISÃO - PARCELAS DEVIDAS

Os dependentes ou sucessores deverão receber do empregador do falecido as seguintes verbas rescisórias:

Empregado com menos de 01 ano Empregado com 01 ano ou mais


- saldo de salário - saldo de salário
- 13º salário - 13º salário
- férias proporcionais e seu respectivo terço constitucional
- férias vencidas e seu respectivo terço
(Súmula 261 do TST) constitucional
- férias proporcionais e seu respectivo terço
- salário-família constitucional
- salário-família
O FGTS sobre as verbas rescisórias deverá ser recolhido normalmente na GFIP do mês da rescisão. Não
recolhe em GRRF.
Informar em GFIP a movimentação pelo falecimento do empregado.
Informar o desligamento no CAGED.
Informar o desligamento na RAIS.

Com a extinção do contrato de trabalho por ocasião do óbito do empregado, as verbas rescisórias são as mesmas
como no pedido de demissão.

A data da rescisão será a data do falecimento do empregado.

Salienta-se que devido às condições da rescisão não existirá aviso prévio e não será devida a multa rescisória do
FGTS conforme artigo 9º do Decreto n° 99.684/90.

6. HOMOLOGAÇÃO/ASSISTÊNCIA DA DRT/MTE OU SINDICATO

Prevê o artigo 477, § 1º, CLT, o pedido de demissão ou recibo de quitação de rescisão, do contrato de trabalho,
firmado por empregado com mais de 1 (um) ano de serviço, só será válido quando feito com a assistência do
respectivo Sindicato ou perante a autoridade do Ministério do Trabalho e Previdência Social.

Conforme artigo 14 da IN SIT n° 15/2010, no caso de morte do empregado, a assistência na rescisão contratual será
prestada aos beneficiários habilitados perante o órgão previdenciário, reconhecidos judicialmente ou previstos em
escritura pública lavrada nos termos do art. 982 do Código de Processo Civil, desde que dela constem os dados
necessários à identificação do beneficiário e à comprovação do direito, conforme o art. 21 da Resolução n° 035,
de 24 de abril de 2007, do Conselho Nacional de Justiça, e o art. 2º do Decreto n° 85.845, de 26 de março de 1981.

São competentes para prestar a assistência:

- o sindicato profissional da categoria;

- a autoridade local do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE);

Em caso de categoria não organizada em sindicato, a assistência será prestada pela federação respectiva.

Na falta das entidades sindicais ou da autoridade do MTE, são competentes:

- o representante do Ministério Público ou, onde houver, o Defensor Público;

- o Juiz de Paz;

A assistência será prestada, preferencialmente, pela entidade sindical, reservando-se aos órgãos locais do Ministério
do Trabalho e Emprego o atendimento nos seguintes casos:

- categoria que não tenha representação sindical na localidade:

- recusa do sindicato na prestação da assistência;

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- cobrança indevida pelo sindicato para a prestação da assistência;

Conforme o artigo 22 da IN SIT n° 15/2010, para a assistência, é obrigatória a apresentação dos seguintes
documentos:

I - Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho - TRCT, em quatro vias;

II - Carteira de Trabalho e Previdência Social - CTPS, com as anotações atualizadas;

III - Livro ou Ficha de Registro de Empregados;

IV - notificação de demissão, comprovante de aviso prévio ou pedido de demissão;

V - extrato para fins rescisórios da conta vinculada do empregado no FGTS, devidamente atualizado, e guias de
recolhimento das competências indicadas como não localizadas na conta vinculada;

VI - guia de recolhimento rescisório do FGTS e da Contribuição Social;

VII - Comunicação da Dispensa - CD e Requerimento do Seguro Desemprego, nas rescisões sem justa causa;

VIII - Atestado de Saúde Ocupacional Demissional, ou Periódico, durante o prazo de validade;

IX - documento que comprove a legitimidade do representante da empresa;

X - carta de preposto e instrumentos de mandato;

XI - prova bancária de quitação quando o pagamento for efetuado antes da assistência;

XII - o número de registro ou cópia do instrumento coletivo de trabalho aplicável; e

XIII - outros documentos necessários para dirimir dúvidas referentes à rescisão ou ao contrato de trabalho.

7. DIREITO AOS VALORES RESCISÓRIOS

Os valores rescisórios deverão ser pagos aos dependentes ou sucessores do falecido, devendo apresentar à
empresa os documentos comprobatórios, tais como o Alvará Judicial ou a Declaração de dependentes habilitados
pela Previdência.

Caso a empresa pague à pessoa errada, poderá ter que pagar novamente, em virtude do erro cometido e
inexistência de cautela.

Dessa forma, se houver dúvida quanto ao pagamento das verbas rescisórias, deverá a empresa efetuar o pagamento
através de depósito judicial. Para tanto deverá ingressar com uma ação de consignação em pagamento perante a
Justiça do Trabalho.

7.1. Prazo para os Pagamentos Rescisórios

Sendo a rescisão motivada pelo falecimento do empregado, o pagamento se dará até o décimo dia contados da data
do óbito, conforme artigo 477, § 6º, “b” da CLT e artigo 20 da Instrução Normativa SRT/MTE nº 15/2010.

Quando os familiares não conseguirem a referida certidão ou alvará judicial em tempo hábil para pagamento das
verbas rescisórias, a empresa deverá providenciar consignação em juízo em nome do espólio junto à Justiça
Trabalhista. Para isso, deverá constituir advogado.

Há também o entendimento que se dentro do prazo de 10 (dez) dias, conforme o artigo 477 da CLT, se os
documentos necessários para efetuar o pagamento das verbas rescisórias (Declaração de dependente habilitado
pela Previdência Social ou Alvará judicial) não estiverem disponíveis ao empregador que não seria devida a multa
pelo atraso no pagamento, visto que não foi o empregador que deu causa ao atraso, devendo ser consultada a
respectiva entidade sindical que homologará a rescisão sobre o assunto (artigo 7°, inciso XXVI, da Constituição
Federal de 1988).

8. SEGURO-DESEMPREGO

O seguro-desemprego é um direito pessoal e intransferível do trabalhador, dessa forma, os dependentes não terão

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direito ao seguro-desemprego, conforme o artigo 6º; e 8°, inciso IV da Lei n° 7.998/90.

9. FGTS

De acordo com o Decreto nº 99.684/90, artigo 35, IV, a conta vinculada do trabalhador no FGTS poderá ser
movimentada no caso do falecimento do trabalhador.

“Decreto nº 99.684/90:

Artigo 36: O saque poderá ser efetuado mediante:


I - apresentação do recibo de quitação das verbas rescisórias, nos casos dos incisos I e II do artigo
precedente;
II - apresentação de documento expedido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que:
a) declare a condição de inativo, no caso de aposentadoria; ou
b) contenha a identificação e a data de nascimento de cada dependente, no caso de falecimento do
trabalhador”.

“Decreto nº 99.684/90:

Artigo 38: O saldo da conta vinculada do trabalhador que vier a falecer será pago a seu dependente, para
esse fim habilitado perante a Previdência Social, independentemente de autorização judicial.
§ 1°: Havendo mais de um dependente habilitado, o pagamento será feito de acordo com os critérios
adotados pela Previdência Social para a concessão de pensão por morte.
§ 2°: As quotas atribuídas a menores ficarão depositadas em caderneta de poupança e, salvo autorização
judicial, só serão disponíveis após o menor completar dezoito anos.
§ 3°: Na falta de dependentes, farão “jus” ao recebimento do saldo da conta vinculada os sucessores do
trabalhador, na forma prevista no Código Civil, indicados em alvará judicial, expedido a requerimento do
interessado, independentemente de inventário ou arrolamento.

Documentos necessários para o saque:

a) Documento de identificação do sacador;

b) Cartão do Cidadão ou Cartão de inscrição PIS/PASEP ou número de inscrição PIS/PASEP;

c) Inscrição de Contribuinte Individual junto ao INSS para o doméstico não cadastrado no PIS/PASEP;

d) Carteira de Trabalho do titular falecido;

e) Certidão de Óbito do titular falecido;

f) Declaração de dependentes firmada por instituto oficial de Previdência Social, de âmbito federal, estadual ou
municipal ou Declaração de dependentes habilitados à pensão, fornecida pelo Órgão pagador da pensão, custeada
pelo Regime Jurídico Único; assinada pela autoridade competente, contendo, dentre outros dados, a
logomarca/timbre do órgão emissor; a data do óbito e o nome completo, a inscrição PIS/PASEP e o número da CTPS
ou do Registro Geral da Carteira de Identidade do trabalhador que legou o benefício e discriminando, com o nome
completo, vínculo de dependência e data de nascimento os dependentes habilitados ao recebimento da pensão;

g) Na falta de dependentes, farão jus ao recebimento do saldo da conta vinculada os seus sucessores previstos na
lei civil, indicados em alvará judicial, expedido a requerimento do interessado, independente de inventário ou
arrolamento;

h) Certidão de Nascimento e CPF dos dependentes menores, para abertura de caderneta de poupança.

DOCUMENTOS COMPLEMENTARES

- documento de identificação do solicitante; e

- Certidão de óbito;

- TRCT (para as rescisões de contrato de trabalho efetuadas até 31/01/2013), ou THRCT ou TQRCT homologado

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quando legalmente exigível, para o contrato de trabalho extinto pelo óbito, se apresentado; e/ou

- CTPS ou declaração das empresas comprovando o vínculo laboral; e

- Cartão do Cidadão ou Cartão de inscrição PIS/PASEP do titular; ou

- inscrição de Contribuinte Individual junto ao INSS para o titular doméstico não cadastrado no PIS/PASEP.

9.1. Valor do Saque

O saldo total das contas vinculadas pertencentes ao segurado falecido é dividido em quotas iguais entre os
dependentes informados na Certidão de Dependentes do INSS ou entre indicados em alvará previstos na lei civil.

10. PIS/PASEP - ABONO ANUAL

Para o saque do Abono do PIS, os dependentes deverão apresentar à Caixa Econômica Federal a habilitação
fornecida pela Previdência Social ou o Alvará Judicial, para que seja processada a retirada.

11. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO - PENSÃO POR MORTE

Pensão por morte é um benefício previdenciário pago aos dependentes do segurado falecido.

Para concessão desse benefício não existe um tempo mínimo de contribuição, bastando que o falecido esteja na
qualidade de segurado.

Para maiores esclarecimentos sobre o assunto, orientamos verificar o boletim PENSÃO POR MORTE - Boletim Nº
05/2014.

Fundamento Legal: Citadas no texto.

ECONET EDITORA EMPRESARIAL LTDA.


Autor: Claudio Artur Biazetto Prehs

TODOS OS DIREITOS RESERVADOS


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