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GRUPO I – COMPREENSÃO DO ORAL

A realizar apenas no dia da ficha.

GRUPO II – LEITURA/ EDUCAÇÃO LITERÁRIA


Lê com atenção o texto que se segue:
Texto A
1
Todas as portas se abriram, e os homens da floresta reconheceram o Cavaleiro que rodearam
com grandes saudações.
Este penetrou na cabana maior e sentou-se ao pé do lume enquanto os moradores lhe
55 serviram pão com mel e leite quente.
– Já pensávamos que não voltasses mais – disse um velho de grandes barbas –.
– Demorei mais do que queria – respondeu o peregrino –. Mas graças a Deus cheguei a
tempo. Hoje antes da meia-noite estarei em minha casa.
– É tarde - disse o velho – o dia já escureceu, vai nevar e de noite não poderás caminhar.
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– Nasci na floresta – respondeu o peregrino – conheço bem todos os seus atalhos. Seguindo
ao longo do rio não me posso perder.
– A floresta é grande e na escuridão ninguém a conhece. Fica connosco e dorme esta noite na
minha cabana. Amanhã, ao romper do dia, seguirás o teu caminho. Terás tempo para chegar a
15 tua casa.
– Não posso – tornou o Cavaleiro – prometi que estaria hoje em minha casa.
– A floresta está cheia de lobos esfomeados. Que farás tu, se uma matilha te assaltar?
Mas o Cavaleiro sorriu e respondeu:
20/ – Não sabes que na noite de Natal as feras não atacam o homem?
E tendo dito isto levantou-se, despediu-se dos lenhadores, montou a cavalo e seguiu o seu
caminho. Dirigiu-se para a esquerda procurando o curso gelado do rio. Mas mal se afastou um
pouco da aldeia a neve começou a cair tão espessa e tão cerrada que o Cavaleiro mal via.
– Depressa – pensava ele –, tenho de chegar depressa ao pé do rio.
25
[…]
Mas o rio não aparecia, a noite começou a avançar.
O homem parou e escutou.
– Era mais prudente voltar para trás – pensou ele –. Mas se eu não chegar hoje, a minha
30 mulher, os meus filhos e os meus criados pensarão que morri ou me perdi nas terras estrangeiras.
Passarão um Natal de tristeza e aflição. É preciso que eu chegue hoje.
E continuou para a frente. Cavalgava, mas insuficientemente. Parecia que não saía do lugar.
Agora nenhum ramo estalava e não se ouvia o menor rumor. Os esquilos, as raposas e os
35 veados já estavam recolhidos nas suas tocas. O cair da neve parecia multiplicar o silêncio.
E o rio parecia ter-se sumido.
– Talvez me tenha enganado no caminho – pensou o Cavaleiro –, vou mudar de direção. […]
Por mais que se enrolasse no seu capote, o ar arrefecia-o até aos ossos e as suas mãos
começavam a gelar. Já não sabia há quanto tempo caminhava, e a floresta era como um labirinto
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sem fim onde os caminhos andavam à roda e se cruzavam e desapareciam.

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– Estou perdido – murmurou ele baixinho –.
Então a treva encheu-se de pequenos pontos brilhantes, avermelhados e vivos.

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Eram os olhos dos lobos.
O Cavaleiro ouvia-os moverem-se em leves passos sobre a neve, sentia a sua respiração
ardente e ansiosa, adivinhava o branco cruel dos seus dentes agudos.
Em voz altíssima disse:
– Hoje é noite de trégua, noite de Natal. E ao som destas primeiras palavras os olhos recuaram
e desapareceram.
Mais adiante ouviu-se o ronco dum urso. O Cavaleiro estacou a sua montada e a fera
aproximou-se. Vinha de pé e pousou as patas de frente no pescoço do cavalo.
O homem ouviu-o respirar, sentiu o seu pelo tocar-lhe a mão e viu a um palmo de si o brilho
dos pequenos olhos ferozes.
E em voz alta disse:
– Hoje é noite de trégua, noite de Natal.
Então o bicho recuou pesadamente e grunhindo desapareceu.
E o Cavaleiro entre silêncio e treva continuou a caminhar para a frente.

Sophia de Mello Breyner Andresen, O Cavaleiro da Dinamarca, Figueirinhas, (texto com supressões)

Nota: Lê atentamente as questões antes de responderes.

Sublinha a única resposta correta:

1.

A – O Cavaleiro entrou na cabana menor e sentou-se ao pé do lume enquanto os moradores lhe


serviram pão com mel e leite quente.

B - O Cavaleiro entrou na cabana menor e sentou-se ao pé do lume enquanto os moradores lhe


serviram pão com manteiga e leite quente.

C - O Cavaleiro entrou na cabana maior e sentou-se ao pé do lume enquanto os moradores lhe


serviram pão com mel e leite quente.

D - O Cavaleiro entrou na cabana maior e sentou-se ao pé do lume enquanto os moradores lhe


serviram pão com mel e chá quente.

2.

A – O Cavaleiro, em resposta ao velho, disse-lhe que conhecia bem todos os atalhos da floresta e
que seguindo ao longo do rio não se podia perder.

B - O Cavaleiro, em resposta ao velho, disse-lhe que conhecia bem todos os rios da floresta e que
seguindo ao longo do atalho não se podia perder.

C - O Cavaleiro, em resposta ao velho, disse-lhe que conhecia bem todas as florestas e que
seguindo ao longo dos atalhos do rio não se podia perder.

D - O Cavaleiro, em resposta ao velho, disse-lhe que conhecia bem todos os atalhos para o rio e
que seguindo ao longo da floresta não se podia perder.

3.

2
A – O Cavaleiro dirigiu-se para a esquerda procurando o curso gelado do rio. Mas mal se afastou
um pouco da neve que caía tão leve e tão cerrada que o Cavaleiro mal via.

B – O Cavaleiro dirigiu-se para a direita procurando o curso gelado do rio. Mas mal se afastou um
pouco da aldeia a neve começou a cair tão espessa e tão cerrada que o Cavaleiro mal via.

C – O Cavaleiro dirigiu-se para a direita procurando o curso gelado do rio. Mas mal se afastou
muito da aldeia a neve começou a cair tão espessa e tão cerrada que o Cavaleiro mal via.

D – O Cavaleiro dirigiu-se para a esquerda procurando o curso gelado do rio. Mas mal se afastou
um pouco da aldeia a neve começou a cair tão espessa e tão cerrada que o Cavaleiro mal via.

4.

A – Segundo o Cavaleiro, no seu percurso pela floresta, nenhum ramo estalava e não se ouvia o
menor rumor. Os esquilos, as raposas e os veados já estavam recolhidos nas suas tocas. O cair da
neve parecia multiplicar o silêncio e o rio parecia ter-se sumido.

B - Para o Cavaleiro, no seu percurso pela floresta, alguns ramos estalavam e não se ouvia o menor
rumor. Os esquilos, as raposas e os pássaros já estavam recolhidos nas suas tocas. O cair da neve
parecia triplicar o silêncio e o rio parecia ter-se sumido.

C - Para o Cavaleiro, no seu percurso pelo rio, nenhum ramo estalava e não se ouvia o menor
rumor. Os esquilos, as raposas e os pássaros já estavam recolhidos nas suas tocas. O cair da neve
parecia multiplicar o silêncio e o rio parecia ter-se sumido.

D - Para o Cavaleiro, no seu percurso pela floresta, nenhum ramo estalava e ouvia-se um leve
rumor. Os esquilos, as raposas e os veados já estavam recolhidos nas suas tocas. O cair da neve
parecia multiplicar o silêncio e o rio parecia ter-se sumido.

5.

A - Mais adiante no seu percurso, o Cavaleiro ouviu o ronco dum urso. Este estacou a sua
montada e a fera aproximou-se lhe. Vinha de pé e pousou as patas da frente no pescoço do Cavaleiro.

B - Mais adiante no seu percurso, o Cavaleiro ouviu o ronco dum urso. Este estacou a sua
montada e a fera aproximou-se lhe. Vinha de pé e pousou as patas da frente no pescoço do cavalo.

C - Mais adiante fora do seu percurso, o Cavaleiro ouviu o ronco dum cavalo. Este estacou a sua
montada e a fera aproximou-se lhe. Vinha de pé e pousou as patas da frente no pescoço do urso.

D - Mais adiante no seu percurso, o Cavaleiro ouviu o ronco dum urso. Este estacou a sua
montada e a fera aproximou-se lhe. Vinha de pé e pousou as patas de trás no pescoço do cavalo.

6. Responde corretamente à seguinte pergunta:

- Que argumentos apresentou o velho para que o Cavaleiro ficasse com os homens da floresta naquela
noite?
____________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________

- Que contra-argumentos apresentou o Cavaleiro para não ficar com o velho naquela noite?

3
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________

GRUPO III – GRAMÁTICA

1 - Indica, da frase seguinte, qual é o verbo sublinhado e respetivo tempo e modo.


“Terás tempo para chegar a tua casa”.

1.1 Reescreve a frase com o tempo e o modo indicados e completa o quadro:


Pretérito Imperfeito do
indicativo
Pretérito perfeito simples do
indicativo
Presente do Indicativo

2. Lê atentamente o excerto apresentado e observa as palavras destacadas. Coloca-as nos locais


adequados na tabela:

“O Cavaleiro ouvia-os moverem-se em leves passos sobre a neve, sentia a sua respiração
ardente e ansiosa, adivinhava o branco cruel dos seus dentes agudos. Em voz altíssima disse:
– Hoje é noite de trégua, noite de Natal. E ao primeiro som destas palavras os olhos recuaram e
desapareceram... “

verbo Adjetivo Nome Adjetivo Nome


qualificativo próprio numeral comum
leves
neve
Cavaleiro
primeiras
é

2.1 – Diz em que grau se encontra o adjetivo e o nome sublinhados no excerto:


adjetivo - ________________________________
nome comum - ________________________________

3. Atenta nas seguintes colunas A e B, tendo em mente a formação de palavras, faz a respetiva
relação entre ambas corretamente:

Coluna A Coluna B

1 - desapareceu. a) – Derivação por prefixação


2 – lenhadores. b) – Derivação por sufixação

4
3 – insuficientemente c) – Derivação por parassíntese
4 – esfomeados d) – Derivação por prefixação e sufixação

1 - _______; 2 - _______; 3 - ______; 4 - ______

4. Faz o plural dos seguintes palavras compostas:

a – pão-de-ló _________________________________________
b – beija-flor ___________________________________________
c – amor-perfeito _______________________________________
d – porco-espinho _______________________________________

5. Tendo em conta o artigo de dicionário que se segue para a entrada “trégua”, classifica cada
afirmação como verdadeira ou falsa.

trégua, n. f. (lat. tranga) 1 Suspensão temporária de armas e hostilidades (usa-se mais no plural). // 2
Descanso; interrupção. // 3 Intervalo, cessação transitória. // 4 Guerra sem tréguas, guerra contínua,
sem interrupção, guerra impiedosa. // 5 Não dar tréguas, não conceder descanso. // 6 Não ter paz
nem tréguas, não ter um momento de descanso. // 7 Pôr tréguas a, interromper. // 8 Sem tréguas,
constantemente, sem intervalo, sem cessar. // 9 (Hist). Trégua de Deus, lei religiosa, aprovada em
1041, a qual proibia qualquer ato de violência, desde segunda-feira à tarde até quarta-feira de manhã.

a) ___ A palavra trégua é um nome feminino de origem latina.


b) ___ A palavra trégua pode ser sinónima de intervalo.
c) ___ A palavra trégua usa-se minoritariamente no plural.
d) ___ A palavra trégua possui um significado específico na área da História.

Fim