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Transtornos do Humor

Histórico

 Hipócrates, 460- 357 aC


 Mania-> loucura alegre, agitada e pitoresca
 Areteo, 50- 10 dC (descrição do quadro de melancolia...que lembra os quadros
depressivos que conhecemos na atualidade...)
 Melancolia-> animi angor in uma cogitatione defixus
 Baillarger, 1854 (descreveu uma loucura, num quadro que a pessoa tinha crises de
mania e melancolia)
 Folie e double forme
 Falret, 1854 (descreveu em que a pessoa que tinha crises de mania, depressão, mania,
depressão)
 De la folie circulaire.
 Kraepelin, 1899 (propõe uma doença única, com episódios de mania e depressão, não
necessariamente nessa sequência. Pode ser um quadro de Depressão, e depois um
quadro de mania)
 Loucura maníaco depressiva
 Lenhard (propõe que a psicose mania depressiva poderia ser de dois tipos: Unipolar:
para depressão e bipolar, não são doenças diferentes, mas sim formas diferentes da
mesma coisa)
 Forma unipolar x Forma bipolar
 Angst- Perris, 1966 (linhagem familiar diferente...a forma – unipolar e bipolar- também
é diferente)
 Hereditariedade diferencia formas unipolar e bipolar
 DSM III, 1980
 Transtornos Afetivos
 DSM III-R, 1987
 Transtornos do Humor.

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Conceito (de transtorno de humor)

 Episódios depressivos e maníacos; (ora episódios maníacos, ora depressivos, não


necessariamente nessa sequência)
 Evolução recorrente;
 Plena recuperação nas Inter crises.

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Episódio Maníaco (conjunto de sintomas abaixo, não é necessário estar presente todos)

1. Auto estima inflada ou grandiosidade


2. Insônia (a pessoa não vê a necessidade do sono, mas sente toda a energia do mundo)
3. Mais falador que o habitual ou pressão por falar
4. Pensamentos acelerados ou fuga de ideias
5. Distraibilidade
6. Agitação psicomotora ou aumento das atividades
7. Excesso de atividades prazerosas, com potencial para consequências dolorosas.
 Episódio: > 7 dias; (para que ele se caracterize, tem que ter a duração no mínimo
de uma semana continuamente)
 Evolução Natural: 6 a 8 meses (de 6 a 8 meses para a pessoa voltar ao normal).

Intensidade:

 Hipomania: mania leve


 Mania “fraca”: mania moderada à intenso
 Sintomas psicóticos: sinal de gravidade: sinais de gravidade...episódio intenso

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Episódio Depressivo

1. Humor deprimido na maior parte do dia


2. Perda do interesse ou prazer
3. Perda ou ganho de peso significativo (5%)
4. Insônia ou hipersonia quase todos os dias
5. Agitação ou retardo psicomotor
6. Fadiga ou perda de energia quase todos os dias
7. Sentimento de inutilidade ou culpa excessiva
8. Diminuição da capacidade para pensar e concentrar
9. Pensamentos recorrentes de morte

O contra ponto da mania é ALEGRIA, que não é disfuncional, e o contra ponto da depressão
é a TRISTEZA ou REAÇÃO DEPRESSIVA, que é clinicamente relevante. O quadro tem que
durar no mínimo 15 dias, a evolução natural é que a depressão dure 12 meses sem
tratamento, se passar de 8 a 24 meses, deve se pensar em outra coisa.

Características Definidoras:

1. Insônia Terminal
2. Piora matutina
3. Perda do apetite e do interesse sexual
4. Culpa excessiva
5. Anedonia
6. Perda da reatividade ao ambiente
DEPRESSÃO X TRISTEZA
VITAL ANIMICA

1. Insônia terminal: a pessoa deita e dorme, porem acorda no meio da noite e não consegue
mais dormir. Na tristeza é o contrário, a insônia é inicial, a pessoa demora à dormir, mas
quando pega no sono dorme bem até o dia amanhecer.

2. Piora matutina: a pessoa acorda mal (questões de ordem neuroquímicas) e vai


melhorando no decorrer do dia. Mais uma vez na tristeza é o contrário, ou seja, a pessoa
acorda melhor e vai se desiludindo e piorando no decorrer do dia.

3. Perda do apetite e do interesse sexual (Isso não ocorre na tristeza)

4. Culpa excessiva (na tristeza não há a culpa, normalmente a pessoa se sente vitimizada
pelas circunstancias).

5. Anedonia: incapacidade de experimentar prazer (na pessoa triste não ocorre, se alguma
coisa boa acontece ela pode até melhorar)

6. Perda da reatividade ao ambiente (a pessoa triste reage ao ambiente)

Essas características devem ser lembradas quando se está em dúvidas


sobre a natureza vital ou anímica da alteração, podem, portanto, contribuir para
o diagnostico diferencial, mas claro que o que dá mais segurança é encontrar
ou não motivo psicológico.

 Episódio: > 15 dias


 Evolução Natural: 8 a 24 meses
 Intensidade:
 Leve
 Moderado
 Grave
 Sintomas psicóticos: sinais de gravidade

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Classificação

 Transtornos recorrentes
 Depressão recorrente
 Transtorno bipolar I (quadros maníacos quando aparecem são muitos leves)
 Transtorno bipolar II
 Transtornos persistentes
 Distimia
 Ciclotimia
DSM 5

Só existem duas linhagens para o transtorno do humor


- A depressão e a Bipolar

Depressão recorrente
- A depressão pode aparecer como episódio único
- O transtorno bipolar é sempre recorrente

Transtorno bipolar I
- Quando faz mania faz pelo menos uma mania fraca

Transtorno bipolar II
- Sempre faz mania leve: Hipomania

Relevância disso?
- Evitar tratamento inadequado

TRANSTORNOS PERSISTENTES
Conceitualmente os transtornos de humor são recorrentes, mas as vezes eles podem se
tornar persistentes, quando duram mais de 2 anos. Habitualmente o que se vê nos
transtornos de humor persistentes são quadros leves.

Distimia: Depressão leve e crônica


- Uma depressão moderada ou grave que se cronificou, é raríssima e se chama de
“Depressão crônica”

Ciclotimia:
- Períodos de mania leve, períodos de depressão leve, sempre lembrando que para
caracterizar mania tem que durar no mínimo uma semana, e para se caracterizar como
depressão, tem que durar no mínimo 15 dias, e esses quadros ficam se alternando por
mais de 2 anos.

EXISTE
- Sintoma depressivo: humor vital rebaixado
- Episódio depressivo: sintoma depressivo por no mínimo 15 dias
- Transtorno depressivo: quando não é bipolar
o Da mesma forma, na mania temos o episódio MANÍACO, mas não tem o
transtorno maníaco, porque se for TRANSTORNO, então, trata-se de um caso
de BIPOLAR

No DSM-5
- Por questões conceituais separou-se os transtornos depressivos dos transtornos
bipolares. Eles colocaram esses transtornos em classes separadas devido à uma
tendência de buscar diagnósticos espectrais.

CLASSES BIPOLAR
Bipolar tipo I: pelo menos uma mania fraca

Bipolar tipo II: sempre Hipomania, quando o quadro é de mania, mas é claro que neles todos
tem depressão
No transtorno Ciclotímico o mesmo conceito da CID

E nos transtornos depressivos foram incluídos então aqueles que segundo a associação
americana seria do mesmo espectro.
- Transtorno disruptivo da desregulação do humor: criança birrenta
- Transtorno depressivo maior: mesmo transtorno que na CID é chamado de transtorno
depressivo recorrente
E o DSM V chama de transtorno depressivo persistente, uma consolidação da Distimia
com a depressão crônica, ou seja, Distimia e depressão crônica seriam a mesma coisa com
intensidades diferentes.
- Transtorno disfórico pré menstrual: tensão pré menstrual (estaria dentro do espectro
da depressão)

 Transtorno bipolar relacionados


 Transtorno bipolar Tipo I
 Transtorno bipolar Tipo II
 Transtorno bipolar ciclotímico
 Transtorno Depressivos
 Transtorno disruptivo da desregulação do humor
 Transtorno depressivo maior
 Transtorno depressivo persistente
 Transtorno disfórico pré menstrual

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Etiopatogenia (determinantes)

 Vulnerabilidade Genética (fator genético essencial no bipolar, mas claro no bipolar do


que na depressão)
 Provável herança multifatorial poligênica
 Mais evidente em bipolar que em unipolar
 Neuroquímica
 Hipótese catecolaminérgica
 Hipótese Indolaminérgica
 Outras hipóteses

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Genética

 Estudos Familiares
 50 % de bipolares-> ao menos 1 dos pais
 1 pai bipolar-> 27% de risco para o filho
 2 pais bipolares-> 50 a 70% de risco para o filho

 Estudos de Gêmeos
 Monozigóticos- 65 a 75%
 Dizigóticos- 14 a 19%
 Estudos de Adoção – paciente com transtorno de humor, adotado
 Pais adotivos= população geral
 Pais biológicos= pais de não adotados

Ambas tornam o diagnostico um pouco mais complicado porque as vezes se


confundem com traços de personalidade, e não são traços, são sintomas

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Epidemiologia

 Prevalência
 Transtorno bipolar----1 (1,2) % homem e mulher a incidência é a mesma durante a maior
parte do tempo, os episódios começam a ficar mais recorrente na mulher a partir dos
50 anos.
 Depressão Recorrente—6 (4) %
 Distimia------------------- 3%
 Ciclotimia --------------1%
 Início
 Bipolar-----acima dos 20 anos
 Depressão---acima dos 25 anos (27,2 a 28,9)
 Distimia----adolescência
 Ciclotimia---adolescência

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Epidemiologia

 Sexo
 Bipolar--- H = M > 50 anos: M> H
 Depressão--- 2 a 5x mais em mulheres
 Distimia----- > em mulheres
 Correlação sócio- econômica
 Bipolar--- classes médias altas
 Depressão---classes menos favorecidas e urbanas

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Diagnóstico

 Curva Vital: mostra episódios recorrentes, o que significa que existe episódios
anteriores e entre eles a completa normalidade
 História Clínica: deixa evidente que o episódio atual, não tem motivação psicológica
suficiente e necessária
 Psicopatologia: deixa claro como é o episódio maníaco e o episódio depressivo.

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Evolução

 Evolução natural
 Episódio maníaco----6 a 8 meses
 Episódio depressivo---8 a 24 meses
 Depressão
 40 % episódio único
 40% episódio recorrente
 20% curso crônico
 55 % que tiveram o 1º. terão o 2º
 70% que tiveram o 2º terão o 3º
 90% que tiveram o 3º terão o 4º.
 Bipolar
 Doença recorrente

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Diagnóstico diferencial

 Transtornos Orgânicos: (se não há motivação psicológica do quadro, deve-se perguntar


se há um acometimento cerebral provocando alteração no humor, seja de exaltação
ou depressão do humor, ou seja, tem que haver um acometimento cerebral que
justifique o quadro)
 Uso de Substâncias: (agressão tóxica no cérebro)
 Esquizofrenia: (Pode ser um diagnóstico diferencial do humor, mas não se enquadra.
Somente se faz diagnóstico diferencial de esquizofrenia para humor, quando a
sintomatologia e o quadro não está claro. Um quadro de exaltação do humor, pode se
confundir com a sintomatologia negativa da esquizofrenia, ainda mais quando a
evolução não fica clara)
 Transtorno de Ansiedade: os sintomas depressivos e ansiosos costumam ter
(co)ocorrência, por isso o transtorno de ansiedade pode ser utilizado como
diagnóstico diferencial do transtorno de humor.

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Condições não psiquiátricas acompanhadas de depressão (são condições médicas que


cursam com o sintoma depressivo, daí se tem o sintoma depressivo ou exaltação do humor,
já não se faz diagnóstico de transtorno do humor)

 Transtorno endócrinos (transtorno orgânico, é feito diagnóstico de transtorno


endócrinos com sintoma depressivo)
 Da pituitária, adrenais e tireoide
 Deficiências e excessos de vitaminas e minerais
 Pelagra, hipervitaminose A, beribéri
 Infecções
 Encefalite, hepatite, tuberculose
 Doenças Neurológicas
 Esclerose múltipla, doença de Wilson
 Perturbações do colágeno
 Lúpus eritematoso sistemático
 Doença cardiovascular
 Isquemia cerebral, infarto do miocárdio
 Neoplasias

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Drogas que provocam depressão (medicamentos costumam cursar com sintomas


depressivos)

 Anti Hipertensivos
 Reserpina, Metildopa, Propranolol, Clonidina
 Antiparkinsonianas
 Levodopa, Amantadina
 Hormônios
 Estrógeno, Progesterona
 Corticosteróides
 Cortisona
 Antituberculinas
 Cicloserina
 Antineoplásicas
 Vincristina, vimblastina

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Tipos de depressão

1. Depressão sintoma:
- Rebaixamento vital do humor (ex.: medicamentos e doenças mencionados
acima que cursam com sintoma depressivo)
2. Episódio depressivo único:
- 15 dias de duração, evolução crônica, não há eventual alternância com
quadros maníacos, e nesse caso o episódio depressivo único
3. Episódio depressivo da depressão recorrente:
- Aqui outros episódios vão acontecer, pelo menos mais um. A diferença do
único para o recorrente é somente a evolução. O único ocorre uma “única” vez,
e o Recorrente, ocorre mais de uma vez.
4. Episódio depressivo do transtorno bipolar:
- Tem todas as características de um episódio depressivo e exclui episódios de
humor.
5. Distimia: depressão leve e crônica
6. Depressão orgânica:
- Quando utiliza a expressão o termo depressão orgânica, estou enfatizando que
a natureza sintomática do quadro, ou seja uma depressão por acometimento
cerebral.
7. Depressão dupla:
- A partir de um quadro de Distimia, a pessoa faz um quadro de episódio
depressivo.
8. Depressão resistente: quando responde mal ao tratamento antidepressivo
9. Depressão refratária: quando não responde ao tratamento
10. Depressão sazonal: quadro depressivo que ocorre em regiões temperadas do planeta
(c/ baixa incidência solar)

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Tratamento (não é interesse da psicopatologia)

 Fase Aguda (NÃO TEM TERAPIA. AQUI É MEDICAÇÃO)


 Internação?
 Eletroconvulsoterapia
 Tratamento farmacológico
 Manutenção (AQUI ALÉM DA MEDICAÇÃO JÁ PODE ENTRAR A TERAPIA)
 Manter medicação na mesma dose
 Período presumido do episódio
 Psicoterapia
 Profilaxia
 Sais de lítio
 Certos anticonvulsivantes

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