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14/08/2019 Documento:40000864437

Poder Judiciário
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO
Otávio Francisco Caruso da Rocha, 300, 6º andar - Bairro: Praia de Belas - CEP: 90010-395 - Fone: (51)3213-3161 - Email:
gluciane@trf4.gov.br

APELAÇÃO CÍVEL Nº 5000605-71.2018.4.04.7115/RS


RELATOR: JUIZ FEDERAL ANDREI PITTEN VELLOSO
APELANTE: UNIÃO - FAZENDA NACIONAL (RÉU)
APELADO: CLINICA INTEGRADA DA SAUDE OSTACLIN LTDA (AUTOR)

RELATÓRIO

Trata-se de procedimento comum ajuizado por Clínica Integrada da Saúde Ostaclin


Ltda. em face da União (Fazenda Nacional), objetivando o reconhecimento do direito à apuração da base
de cálculo do IRPJ e da CSLL pelas alíquotas de 8% e 12%, respectivamente. Alega que se enquadra no
conceito de "serviços hospitalares", uma vez que presta serviços de fisioterapia e condicionamento físico.
Requer a restituição dos pagamentos efetuados a maior, entre o segundo trimestre de 2013 e o quarto
trimestre de 2014.

Atribuído à causa o valor de R$ 8.879,62.

A sentença tem o seguinte dispositivo:

Ante o exposto, julgo parcialmente procedente o pedido, resolvendo o mérito, nos termos do art. 487, inciso
I, do Código de Processo Civil, para os fins de:

a) reconhecer a condição de empresa prestadora de serviços hospitalares, fazendo jus, em relação a tais
serviços, ao recolhimento da CSLL à alíquota de 12% e IRPJ à alíquota de 8%, nos termos das Leis nº(s)
9.249/95 e 10.684/2003 c/c Lei nº 11.727/2008, conforme fundamentação retrolançada;

b) condenar a UNIÃO a restituir à parte autora os valores indevidamente recolhidos a título de IRPJ e CSLL,
de 16/12/2014 a 31/12/2014, corrigidos monetariamente na forma da fundamentação.

Em face da sucumbência recíproca, mas não equivalente, condeno a parte autora a arcar com 2/3 (dois
terços) das custas processuais e dos honorários advocatícios em favor da parte contrária,calculados, no
percentual mínimo previsto nos respectivos incisos do parágrafo 3º do art. 85 do CPC, de acordo com o valor
apurado quando da liquidação do julgado, e a parte ré a arcar com 1/3 (um terço) das referidas verbas.

A União, em suas razões recursais, alega que a autora não preenche os requisitos para
enquadramento como entidade hospitalar, uma vez que é mera prestadora de serviços de fisioterapia, não
se vinculando às atividades desenvolvidas pelos hospitais. Sustenta que, ainda que se enquadrasse na
categoria de prestadora de serviços hospitalares, deveria atender às normas da ANVISA.

Com contrarrazões, vieram os autos a esta Corte.

É o relatório.

VOTO

Prestadora de Serviços Hospitalares

A Lei nº 9.249/95, em seus artigos 15 e 20, estabelece que, para as empresas que prestem
serviços hospitalares, a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ e da Contribuição
Social sobre o Lucro Líquido - CSLL será calculada com a aplicação dos percentuais de 8% (oito por
cento) e 12% (doze por cento) respectivamente, incidentes sobre a receita bruta mensal.

A autora alega que tem como objeto social a prestação de serviços hospitalares, pelo que
teria direito ao recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e a Contribuição Social Sobre o Lucro
tendo como base de cálculo, respectivamente, os percentuais de 8% e 12% de sua receita bruta, nos termos
do art. 15, § 1º, III, letra "a", e 20 da Lei nº 9.249/1995.
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O conflito gira em torno de se determinar a abrangência da expressão "serviços


hospitalares".

O artigo 15, § 1°, "a", da Lei n.° 9.249/1995 teve sua redação alterada pela Lei n°
11.727/2008, in verbis:

Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de
oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº
8.981, de 20 de janeiro de 1995.

§ 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de:

(...)

III - trinta e dois por cento, para as atividades de:

a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia,


patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e
patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade
empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa; (Redação dada pela
Lei nº 11.727, de 2008)

Como se vê, houve uma extensão significativa do benefício aos prestadores de serviços de
auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia,
medicina nuclear e análises e patologias clínicas.

O julgamento do REsp n.° 951.251 sedimentou o entendimento do Superior Tribunal de


Justiça em relação à controvérsia dos autos. O referido julgado consagrou a tese de que "a mens legis da
norma em debate busca, através de um objetivo extrafiscal, minorar os custos tributários de serviços que
são essenciais à população, não vinculando a prestação desses a determinada qualidade do prestador -
capacidade de realizar internação de pacientes -, mas, sim, à natureza da atividade desempenhada. (...)
Ainda que faça ressalva à amplitude da conclusão adotada, não há dúvida de que a norma legal em
exame não teve em mira os custos do contribuinte, mas a natureza do serviço - essencial à população -,
considerado direito fundamental, que é a saúde, previsto na Carta Magna (...)". E conclui com maestria o
Rel. Ministro CASTRO MEIRA, verbis:

"(...) Com esta exegese, não está excluído por completo o aspecto referente aos custos dos contribuintes, uma
vez que, para que esses efetivamente prestem serviços hospitalares, necessitam possuir um suporte material e
humano específico - instrumentos necessários à elaboração de diagnósticos e intervenções cirúrgicas, bem
como profissionais especializados para sua utilização, sendo tal aparato diverso e mais oneroso do que
aquele relacionado com a simples prestação de consultas médicas.

Dessa forma, duas situações convergem para a concessão do benefício: a prestação de serviços
hospitalares e que esta seja realizada por contribuinte que no desenvolvimento de sua atividade possua
custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, sem, contudo, decorrerem esses custos
necessariamente da internação de pacientes. (...)" (Grifei.)

(STJ, REsp nº 951.251/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, 1ª Seção, julgado em 22-09-2009, DJ 02-06-2009)

Período posterior à vigência da Lei nº 11.727/2008

Com relação ao período posterior à Lei nº 11.727/2008, que entrou em vigor em 01-01-
2009, passou-se a exigir, para a aplicação do percentual reduzido, que "a prestadora destes serviços seja
organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária - Anvisa".

Quanto ao atendimento às normas da ANVISA, a lei revela-se bastante genérica e não


estabelece, especificamente, as quais normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária o contribuinte
deve obedecer.

Cumpre ressaltar que a Resolução - RDC n° 50, de 21/02/2002, que dispõe sobre o
Regulamento Técnico para Planejamento, Programação, Elaboração e Avaliação de Projetos Físicos de
Estabelecimentos Assistenciais de Saúde, não tem aplicação no caso em tela, vez que tais normas gerais
de funcionamento de estabelecimentos de saúde não podem restringir a norma legal.

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Tal resolução extrapola o limite estabelecido pela norma tributária, a qual permite
interpretações mais benéficas para o contribuinte, pois se encontram dissociados do objetivo que norteou
todo o processo legislativo que era exatamente desonerar, no âmbito tributário, o prestador de serviços de
saúde nos casos em que se exige qualificação dos trabalhadores, espaço físico adequado e materiais e
equipamentos de alto custo, visando, evidentemente, ao barateamento do serviço, com o consequente
aumento do acesso da população a tais serviços."

Assim, após a edição de tal lei, somente as sociedades organizadas sob a forma de sociedade
empresária estão abrangidas pela base minorada.

Veja-se que o Novo Código Civil dividiu as sociedades em duas categorias, as sociedades
empresárias e as sociedades simples (não empresárias). A sociedade empresária é a que exerce atividade
econômica organizada e habitual, para a produção ou a circulação de bens ou serviços. Já a sociedade
simples é a que exerce atividade econômica de natureza intelectual, científica, literária ou artística (arts.
966 e 982 do CC).

Caso dos autos

De acordo com o contrato social (CONTRATOSOCIAL3 - evento 1), trazido com a inicial
da ação, vê-se que seu objeto social é "....Clínica de Fisioterapia, Pilates, Reeducação Postural Global".

Nos termos da fundamentação ora exposta, deve ser aplicado o entendimento sedimentado
pelo Superior Tribunal de Justiça e por este Tribunal Regional Federal, segundo o qual a caracterização de
determinado serviço médico como sendo ou não serviço hospitalar, para fins de incidência do imposto de
renda e da contribuição social sobre o lucro, depende da própria natureza do serviço prestado, e não da
instituição que presta o referido serviço.

Com efeito, trata-se de atividades que demandam a existência de profissionais habilitados e


instalações e equipamentos específicos, com a finalidade de realização de procedimentos voltados à
promoção da saúde.

Assim, a impetrante, enquanto prestadora de serviços de fisioterapia e reeducação postural


global - RPG, enquadra-se no conceito de prestadora de serviços hospitalares para os fins dos arts. 15, §
1º, III, a, e 20 da Lei nº 9.249/95.

Nesse sentido, já deliberou o e. STJ, verbis:

TRIBUTÁRIO - IRPJ E CSLL - ALÍQUOTA REDUZIDA - ART. 15, § 1º, III, 'A', DA LEI N. 9.249/95 -
CLÍNICA DE FISIOTERAPIA E HIDROTERAPIA - PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS HOSPITALARES -
NOVEL ENTENDIMENTO DA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. Concluiu a Primeira Seção que, 'por serviços
hospitalares compreendem-se aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos hospitais,
ligados diretamente à promoção da saúde, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar,
mas não havendo esta obrigatoriedade. Deve-se, por certo, excluir do benefício simples prestações de
serviços realizadas por profissionais liberais consubstanciadas em consultas médicas, já que essa atividade
não se identifica com as atividades prestadas no âmbito hospitalar, mas, sim, nos consultórios médicos.'
(REsp 951251/PR, Rel. Min. Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 22.4.2009, DJe 3.6.2009). 2. Para
fazer jus à concessão do benefício fiscal previsto nos artigos 15, § 1º, III, 'a' e 20 da Lei n. 9.249/95, é
necessário que a prestação de serviços hospitalares seja realizada por contribuinte que, no desenvolvimento
de sua atividade, possua custos diferenciados da simples prestação de atendimento médico, e não apenas a
capacidade de internação de pacientes. 3. Merece reforma o entendimento firmado pelo Tribunal de origem,
para reconhecer a incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por
cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços de
fisioterapia hidroterápica. Agravo regimental provido para conhecer do recurso especial e dar-lhe
provimento. (grifos) (STJ, AgRg no REsp nº 1026411/PB, Relator Ministro HUMBERTO MARTINS, 2ª Turma,
j. 23-06-2009)

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O


LUCRO LÍQUIDO. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. ART. 15, § 1º, III, 'A', e 20 DA LEI Nº
9.249/95. SERVIÇOS DE FISIOTERAPIA E REABILITAÇÃO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE SERVIÇO
HOSPITALAR. PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. 1. Acórdão proferido antes do advento das
alterações introduzidas pela Lei nº 11.727, de 2008. Os arts. 15, § 1º, III, 'a', e 20 da Lei nº 9.249/95
explicitamente concedem o benefício fiscal de forma objetiva, com foco nos serviços que são prestados, e não
no contribuinte que os executa. 2. Independentemente da forma de interpretação aplicada, ao intérprete não é
dado alterar a mens legis. Assim, a pretexto de adotar uma interpretação restritiva do dispositivo legal, não
se pode alterar sua natureza para transmudar o incentivo fiscal de objetivo para subjetivo. 3. A redução do
tributo, nos termos da lei, não teve em conta os custos arcados pelo contribuinte, mas, sim, a natureza do
serviço, essencial à população por estar ligado à garantia do direito fundamental à saúde, nos termos do art.
6º da Constituição Federal. 4. Qualquer imposto, direto ou indireto, pode, em maior ou menor grau, ser
utilizado para atingir fim que não se resuma à arrecadação de recursos para o cofre do Estado. Ainda que o
Imposto de Renda se caracterize como um tributo direto, com objetivo preponderantemente fiscal, pode o

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legislador dele se utilizar para a obtenção de uma finalidade extrafiscal. 5. Deve-se entender como 'serviços
hospitalares' aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à
promoção da saúde. Em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento
hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no
âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos. Precedente da Primeira Seção. 6. No caso, trata-se de
entidade que presta serviços de fisioterapia e reabilitação. Não se está diante de simples consulta médica,
mas de atividade que se insere, indubitavelmente, no conceito de 'serviços hospitalares, já que demanda
maquinário específico. 7. A redução da base de cálculo somente deve favorecer a atividade tipicamente
hospitalar desempenhada pela recorrente, excluídas as simples consultas e atividades de cunho
administrativo. 8. Embargos de divergência providos em parte. (grifos) (STJ, EREsp nº 931.004/SC, Relator
Ministro JOSÉ DELGADO, 1ª Seção, 26-08-2009)

Não diverge disto a jurisprudência desta Corte, verbis:

TRIBUTÁRIO. PIS, IRPJ E CSLL. ARTS. 20 E 15, § 1º, III, 'A' DA LEI 9.249/95. NATUREZA DAS
ATIVIDADES. ENQUADRAMENTO. RECEITA BRUTA. REDUÇÃO DE PERCENTUAL. (...) EMPRESAS
PRESTADORAS DE SERVIÇOS HOSPITALARES. 1. A atividade desenvolvida pela autora, prestação de
serviços de reabilitação por meio de fisioterapia, se enquadra no conceito de serviço hospitalar, para o fim de
incidência do IRPJ e a CSLL com percentuais de 8% e 12%, respectivamente, sobre a renda bruta, previstos
no art. 15, § 1º, III, 'a', da Lei nº 9249/95, para a formação da base de cálculo destes tributos. Precedentes do
STJ. (...) (grifos) (AC nº 2005.72.01.005080-6/SC, Rel. Des. Fed. ÁLVARO EDUARDO JUNQUEIRA, 1ª T., j.
16-12-09)

E o julgado de minha relatoria, verbis:

TRIBUTÁRIO - CSLL - IRPJ - PRESCRIÇÃO - BASE DE CÁLCULO - SERVIÇOS HOSPITALARES -


ABRANGÊNCIA - ART. 15, § 1º, III, 'A', E ARTIGO 20 DA LEI Nº 9.249/95 - LEI N° 11.727/08. (...) 2.
Entende-se por serviços hospitalares aqueles que estão relacionados às atividades desenvolvidas nos
hospitais, ligados diretamente à promoção da saúde, essencial à população, nos termos do art. 6º da
Constituição Federal, podendo ser prestados no interior do estabelecimento hospitalar, mas não havendo esta
obrigatoriedade. Precedentes da Primeira Seção do STJ. 3. As empresas que prestam serviços de fisioterapia
têm direito de recolher o IRPJ e a CSLL, respectivamente, no percentual de 8% e 12% sobre a receita bruta
auferida na atividade específica de prestação de serviços de tratamento. 4. Hipótese em que a autora não
comprovou se inserir na categoria das sociedades empresárias, descumprido, pois, um dos pressupostos
legais para o acolhimento do pedido no ponto. 5. Honorários advocatícios compensados. (grifos) (AC nº
5009756-87.2010.404.7100/RS, Rel. Dês. Federal LUCIANE AMARAL CORRÊA MÜNCH, 2ª T., un., j. 26-
06-2012)

Dessa forma, deve ser mantida a sentença ora apelada.

Restituição/ Compensação

A compensação dos valores recolhidos a maior deverá ocorrer (a) após o trânsito em julgado
da decisão, (b) por iniciativa do contribuinte, (c) entre quaisquer tributos administrados pela Secretaria da
Receita Federal, e (d) mediante entrega de declaração contendo as informações sobre os créditos e débitos
utilizados, cujo efeito é o de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior
homologação, nos termos do disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96 e alterações posteriores, e limitada à
data em que a impetrante comprovou ser sociedade empresária (evento 1 - CONTRSOCIAL3).

A atualização monetária do indébito incide desde a data do pagamento indevido do tributo


(Súmula n.º 162 do STJ), até a sua efetiva restituição ou compensação, mediante a aplicação da taxa
SELIC, nos termos do art. 39, § 4º, da Lei n.º 9.250/95.

Conclusão

Desse modo, deve ser mantida a sentença que reconheceu o direito da parte autora de
recolher o IRPJ e a CSLL com os percentuais de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento),
respectivamente, sobre a receita bruta auferida na atividade específica de prestação de serviços de
hospitalares, compreendidos como aqueles de fisioterapia e RPG, nos termos do art. 15, § 1º, III, alínea 'a',
com a compensação dos valores pagos somente a partir da comprovação como sociedade empresária,
conforme a Lei nº 11.727/08.

Honorários e Custas

Mantida a sentença, restam mantidos também os honorários advocatícios na forma como


estabelecido pelo Juiz de Primeiro Grau, com a condenação da parte autora a arcar com 2/3 (dois terços)
das custas processuais e dos honorários advocatícios em favor da parte contrária, calculados, no percentual
mínimo previsto nos respectivos incisos do parágrafo 3º do art. 85 do CPC, de acordo com o valor apurado
quando da liquidação do julgado, e a parte ré a arcar com 1/3 (um terço) das referidas verbas.

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14/08/2019 Documento:40000864437

Considerando o trabalho desenvolvido pelo advogado neste grau de jurisdição, majoro em


10% o montante dos honorários advocatícios fixados em favor da parte autora.

Dispositivo

Ante o exposto, voto por negar provimento à apelação.

Documento eletrônico assinado por ANDREI PITTEN VELLOSO, Juiz Federal Convocado, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei
11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº 17, de 26 de março de 2010. A conferência da autenticidade do
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Poder Judiciário
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO
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RELATOR: JUIZ FEDERAL ANDREI PITTEN VELLOSO
APELANTE: UNIÃO - FAZENDA NACIONAL (RÉU)
APELADO: CLINICA INTEGRADA DA SAUDE OSTACLIN LTDA (AUTOR)
ADVOGADO: RICARDO JOSUE PUNTEL
ADVOGADO: GILSON PIRES CAVALHEIRO

VOTO-VISTA

A pretexto de que suas atividades são consideradas "serviços hospitalares", a empresa


demandante busca o reconhecimento do direito à redução das alíquotas de Imposto de Renda Pessoa
Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), prevista na Lei nº 11.727, de 2008, e
a restituição dos valores recolhidos a mais em relação ao período em que optou pela tributação com base
no lucro presumido, ou seja, entre o segundo trimestre de 2013 e o quarto trimestre de 2014 (pedido da
inicial - evento 1).

O juiz da causa julgou procedente em parte a demanda para reconhecer o direito somente no
período de 16-12-2004 a 31-12-2004, baseado no fato de que a demandante apenas adquiriu a forma de
sociedade empresária, exigida pela Lei nº 11.727, de 2008, com o efetivo registro na Junta Comercial do
Estado do Rio Grande do Sul, condenando a parte autora e a União, respectivamente, ao pagamento de 2/3
e de 1/3 dos honorários advocatícios a serem apurados em liquidação do julgado.

Ocorre que, além da limitação temporal reconhecida na sentença, e não impugnada, o direito
deve ser limitado quanto ao tipo de serviço prestado, considerada a diversidade de atividades da
demandante indicadas no contrato social e nas notas fiscais apresentadas (evento 1 - CONTRSOCIAL3 e
NFISCAL7 a 12): fisioterapia, reeducação postural global e aulas de pilates.

É bem verdade que os serviços de fisioterapia devem ser enquadrados como serviços
hospitalares, por constituírem atividades diretamente relacionadas com o tratamento e recuperação de
pacientes. O próprio Superior Tribunal de Justiça já considerou que a tese firmada no REsp nº 951.251,
julgado pela sistemática dos recursos repetitivos, é aplicável à prestadora de serviços médicos na
especialidade de fisioterapia (AgRg np Resp nº 1.059.430/RJ, 1ª Turma, Rel. Ministro Luiz Fux, DJe 10-
02-2010).

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No entanto, a mesma conclusão não pode ser aplicada aos serviços de reeducação postural
global e de aulas de pilates, porque constituem atividades de condicionamento físico. Embora possam ser
relevantes para eventual prevenção de doenças, não guardam nenhuma relação com as atividades
"normalmente desempenhadas em hospital", não podendo, a pretexto de interpretação teleológica, estender
de forma indiscriminada o benefício fiscal a qualquer atividade que possa contribuir indiretamente com a
saúde física e mental.

Portanto, divergindo em parte do relator, é de ser dado parcial provimento à apelação da


União, a fim de que o direito à redução das alíquotas do IRPJ e CSLL incida exclusivamente sobre os
serviços de fisioterapia, excluídos os de reeducação postural e de aulas de pilates.

Daí se segue que a sucumbência da União é mínima, devendo a parte autora suportar os
honorários advocatícios, a serem fixados em 15% do valor da causa (R$ 8.879,62 em 23-02-2018), nos
termos do art. 85, § 3º, I, e § 4º, III, do Código de Processo Civil, aí já considerado o trabalho a título
recursal realizado pela procuradora da Fazenda Nacional, nos termos do § 11 do mesmo dispositivo.

Ante o exposto, voto por dar parcial provimento à apelação.

Documento eletrônico assinado por RÔMULO PIZZOLATTI, Desembargador Federal, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419,
de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº 17, de 26 de março de 2010. A conferência da autenticidade do documento
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Poder Judiciário
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO
APELAÇÃO CÍVEL Nº 5000605-71.2018.4.04.7115/RS
RELATOR: JUIZ FEDERAL ANDREI PITTEN VELLOSO
APELANTE: UNIÃO - FAZENDA NACIONAL (RÉU)
APELADO: CLINICA INTEGRADA DA SAUDE OSTACLIN LTDA (AUTOR)
ADVOGADO: RICARDO JOSUE PUNTEL (OAB RS031956)
ADVOGADO: GILSON PIRES CAVALHEIRO (OAB RS094465)

EMENTA

IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA (IRPJ). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL


SOBRE O LUCRO LIQUIDO (CSLL). ALÍQUOTAS. SOCIEDADE EMPRESÁRIA.
FISIOTERAPIA. ENQUADRAMENTEO COMO SERVIÇO MÉDICO-HOSPITALAR.
PILATES E REEDUCAÇÃO POSTURAL. BENEFÍCIO INDEVIDO.

A sociedade empresária que comprova o atendimento aos requisitos da Lei nº 11.727, de


2008 fica sujeita à alíquota de 8% de IRPJ e 12% de CSLL, e não à de 32%, em relação aos
serviços que se vinculam às atividades desenvolvidas normalmente nos hospitais
(ressalvadas as consultas médicas), assim entendidos apenas os serviços de fisioterapia, mas
não os de pilates e reeducação postural global.

ACÓRDÃO

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14/08/2019 Documento:40000864437

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Egrégia 2ª Turma do
Tribunal Regional Federal da 4ª Região decidiu, por maioria, vencido o relator, dar parcial provimento à
apelação, nos termos do relatório, votos e notas de julgamento que ficam fazendo parte integrante do
presente julgado.

Porto Alegre, 06 de junho de 2019.

Documento eletrônico assinado por RÔMULO PIZZOLATTI, Relator do Acórdão, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de
19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 4ª Região nº 17, de 26 de março de 2010. A conferência da autenticidade do documento está
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Informações adicionais da assinatura:


Signatário (a): RÔMULO PIZZOLATTI
Data e Hora: 7/6/2019, às 13:37:55

5000605-71.2018.4.04.7115 40001144556 .V4

Conferência de autenticidade emitida em 14/08/2019 10:35:17.

Poder Judiciário
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO

EXTRATO DE ATA DA SESSÃO DE 09/04/2019

APELAÇÃO CÍVEL Nº 5000605-71.2018.4.04.7115/RS


RELATOR: JUIZ FEDERAL ANDREI PITTEN VELLOSO
PRESIDENTE: DESEMBARGADOR FEDERAL SEBASTIÃO OGÊ MUNIZ
PROCURADOR(A): MAURICIO PESSUTTO
APELANTE: UNIÃO - FAZENDA NACIONAL (RÉU)
APELADO: CLINICA INTEGRADA DA SAUDE OSTACLIN LTDA (AUTOR)
ADVOGADO: RICARDO JOSUE PUNTEL
ADVOGADO: GILSON PIRES CAVALHEIRO

Certifico que este processo foi incluído na Pauta do dia 09/04/2019, na sequência 720, disponibilizada no DE de
28/03/2019.

Certifico que a 2ª Turma , ao apreciar os autos do processo em epígrafe, em sessão realizada nesta data, proferiu a
seguinte decisão:
APÓS O VOTO DO JUIZ FEDERAL ANDREI PITTEN VELLOSO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO
À APELAÇÃO, PEDIU VISTA O DESEMBARGADOR FEDERAL RÔMULO PIZZOLATTI. AGUARDA O
DESEMBARGADOR FEDERAL SEBASTIÃO OGÊ MUNIZ.

VOTANTE: JUIZ FEDERAL ANDREI PITTEN VELLOSO


PEDIDO VISTA: DESEMBARGADOR FEDERAL RÔMULO PIZZOLATTI
MARIA CECÍLIA DRESCH DA SILVEIRA
Secretária

Conferência de autenticidade emitida em 14/08/2019 10:35:17.

vv

https://jurisprudencia.trf4.jus.br/pesquisa/inteiro_teor.php?orgao=1&numero_gproc=40001144556&versao_gproc=4&crc_gproc=c45197d7&termo… 7/9
14/08/2019 Documento:40000864437

Poder Judiciário
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO

EXTRATO DE ATA DA SESSÃO DE 30/04/2019

APELAÇÃO CÍVEL Nº 5000605-71.2018.4.04.7115/RS


RELATOR: JUIZ FEDERAL ANDREI PITTEN VELLOSO
PRESIDENTE: DESEMBARGADOR FEDERAL SEBASTIÃO OGÊ MUNIZ
PROCURADOR(A): CAROLINA DA SILVEIRA MEDEIROS
APELANTE: UNIÃO - FAZENDA NACIONAL (RÉU)
APELADO: CLINICA INTEGRADA DA SAUDE OSTACLIN LTDA (AUTOR)
ADVOGADO: RICARDO JOSUE PUNTEL (OAB RS031956)
ADVOGADO: GILSON PIRES CAVALHEIRO (OAB RS094465)

Certifico que a 2ª Turma , ao apreciar os autos do processo em epígrafe, em sessão realizada nesta data, proferiu a
seguinte decisão:
PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, APÓS O VOTO DO RELATOR NO SENTIDO DE NEGAR
PROVIMENTO À APELAÇÃO, E DO VOTO DIVERGENTE DO DESEMBARGADOR FEDERAL RÔMULO
PIZZOLATTI NO SENTIDO DE DAR PARCIAL PROVIMENTO, NO QUE FOI ACOMPANHADO PELO
VOTO DO DESEMBARGADOR FEDERAL SEBASTIÃO OGÊ MUNIZ, O JULGAMENTO FOI
SOBRESTADO NOS TERMOS DO ART. 942 DO CPC PARA SESSÃO A SER DESIGNADA, COM O
QUÓRUM LEGAL.

VOTANTE: DESEMBARGADOR FEDERAL RÔMULO PIZZOLATTI


VOTANTE: DESEMBARGADOR FEDERAL SEBASTIÃO OGÊ MUNIZ
MARIA CECÍLIA DRESCH DA SILVEIRA
Secretária

Conferência de autenticidade emitida em 14/08/2019 10:35:17.

vv

Poder Judiciário
TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO

EXTRATO DE ATA DA SESSÃO DE 06/06/2019

APELAÇÃO CÍVEL Nº 5000605-71.2018.4.04.7115/RS


RELATOR: JUIZ FEDERAL ANDREI PITTEN VELLOSO
PRESIDENTE: DESEMBARGADOR FEDERAL RÔMULO PIZZOLATTI
PROCURADOR(A): CARLOS EDUARDO COPETTI LEITE
APELANTE: UNIÃO - FAZENDA NACIONAL (RÉU)
APELADO: CLINICA INTEGRADA DA SAUDE OSTACLIN LTDA (AUTOR)
ADVOGADO: RICARDO JOSUE PUNTEL (OAB RS031956)
ADVOGADO: GILSON PIRES CAVALHEIRO (OAB RS094465)

Certifico que este processo foi incluído na Pauta do dia 06/06/2019, na sequência 1, disponibilizada no DE de
21/05/2019.

Certifico que a 2ª Turma , ao apreciar os autos do processo em epígrafe, em sessão realizada nesta data, proferiu a
seguinte decisão:
PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A 2ª TURMA DECIDIU, POR MAIORIA, VENCIDO O RELATOR,
DAR PARCIAL PROVIMENTO À APELAÇÃO. LAVRARÁ O ACÓRDÃO O DES. FEDERAL RÔMULO
PIZZOLATTI.

RELATOR DO ACÓRDÃO: DESEMBARGADOR FEDERAL RÔMULO PIZZOLATTI


VOTANTE: DESEMBARGADOR FEDERAL ROGER RAUPP RIOS

https://jurisprudencia.trf4.jus.br/pesquisa/inteiro_teor.php?orgao=1&numero_gproc=40001144556&versao_gproc=4&crc_gproc=c45197d7&termo… 8/9
14/08/2019 Documento:40000864437
VOTANTE: JUIZ FEDERAL ALEXANDRE ROSSATO DA SILVA ÁVILA
MARIA CECÍLIA DRESCH DA SILVEIRA
Secretária

MANIFESTAÇÕES DOS MAGISTRADOS VOTANTES

Acompanha a Divergência em 05/06/2019 11:45:49 - GAB. 11 (Des. Federal ROGER RAUPP RIOS) -
Desembargador Federal ROGER RAUPP RIOS.

Acompanho o voto divergente, em face do precedente citado, quanto à vigência de regime


mais favorável quando da prestação de serviços de fisioterapia. Ressalvo ponto de vista, de ordem teórico-
metodológica, quanto à natureza e à potencialidade da interpretação teleológica, que pode conduzir ao
reconhecimento de determinado regime jurídico favorável, desde que coerente com os demais métodos de
interpretação, o que se reforça pela distinção entre interpretação extensiva e extensão de regime jurídico
por analogia.

Com a vênia do voto divergente, acompanho o relator.

Registro que o faço, inclusive, revendo entendimento anterior, quando, na 1 turma, vinha
acompanhando a diretriz segundo a qual, não se tratando de serviço prestado em estabelecimento
hospitalar, não estariam presentes os requisitos que conduzem à alíquota minorada. Como apontou o
relator, o precedente do STJ inicialmente firmado, e posteriormente referido em novo recurso
representativo, não afastou o direito na hipótese de a prestação de serviço ocorrer fora do ambiente
hospitalar, podendo caracterizar-se como "serviço hospitalar" de modo objetivo, diante da finalidade da
prestação de saúde.

https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?
src=1.1.2&aplicacao=processos.ea&tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&num_registro=2009000648
10

Conferência de autenticidade emitida em 14/08/2019 10:35:17.

https://jurisprudencia.trf4.jus.br/pesquisa/inteiro_teor.php?orgao=1&numero_gproc=40001144556&versao_gproc=4&crc_gproc=c45197d7&termo… 9/9

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