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RUIZ, João Álvaro. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. – 4. Ed.

– São Paulo: Atlas, 1996.

INTRODUÇÃO

Assuma a responsabilidade de seu curso, adote uma forma correta de conduta em


sua vida de estudo, discipline sua mente à luz de diretrizes já fartamente confirmadas,
pela experiência, firme hábitos adequados a seu propósito de crescimento cultural,
desenvolva seu espírito crítico e de discernimento, aprenda a raciocinar segundo
padrões de correção lógica, e pode estar certo de que chegará a grandes alturas na
subida para as honras e responsabilidades da cultura em nível superior. (p. 15)

Aprender é aumentar o cabedal de recursos de que dispomos para


enfrentar os problemas que nos apresenta a vida cultural. (MIRA Y
LOPES, p. 30.)

1 MÉTODO, ECONOMIA E EFICIÊNCIA NOS ESTUDOS


1.1 APRENDER A APRENDER

Há uma generalizada curiosidade entre jovens a respeito de discussões teóricas sobre


o método mais perfeito para estudar e para aprender; para estudar e aprender muito.
Não se verifica o mesmo interesse em adotar e pôr em prática, com empenho e
perseverança, nem o método mais perfeito, nem outro método qualquer, porque, na
verdade, nenhum método é perfeito a ponto de dispensar o trabalho que não se quer
ter. (p. 21)

1.2 TEMPO PARA ESTUDAR

O primeiro passo para quem quer estudar consiste em reorganizar a vida de maneira
a abrir espaços para o estudo e planejar o melhor aproveitamento possível. (p. 22)

[...] Como pretende estudar quem não pode estudar? É um ser curioso o aluno que
pretende conciliar o estudo com a impossibilidade de estudar. (p. 22)

1.6 HORÁRIO DAS REVISÕES DAS AULAS

Às vezes nos iludimos pensando que entendemos tudo muito bem, mas, ao procurar
formular questões precisas sobre o assunto da aula e ao respondê-las por escrito,
percebemos que não conseguimos. E não vale a desculpa de que entendemos mas
temos dificuldade de expressão. Temos vocabulário e recursos suficientes para
exprimir tudo o que entendemos, embora nos faltem recursos para traduzir tudo o que
sentimos. Ninguém pode ter dificuldade de exprimir idéias claras e distintas; a
presença da dificuldade, pois, atesta que nossas idéias não estão tão claras e
distintas. Quando o aluno se prepara para aula e, por isso mesmo, aproveita-a ao
máximo, o trabalho de revisão torna-se fácil e não toma muito tempo. (pp. 25-26)

1.7 HORÁRIO DAS REVISÕES PARA PROVAS E EXAMES

A natureza não dá saltos; as árvores crescem lentamente, e dão fruto no tempo


devido; planta que cresce muito depressa não tem cerne forte. O estudo deve ser
também um processo de desenvolvimento lento e constante para que possa dar bons
frutos em tempo oportuno. (pp. 26-27)

1.8 O GRANDE TEMPO DE TODO ESTUDANTE

Sabemos que a causa principal da aprendizagem é o aluno, é o próprio aprendiz. De


fato, a aprendizagem, concebida como resultado do processo da educação formal
institucionalizada na escola, tem por agente principal o próprio aluno. O mestre não
reparte sua ciência entre os alunos, nem fica mais pobre de conhecimentos depois de
cada aula, porque o aluno adquire por si, mesmo a ciência sob ajuda externa do
mestre. Quem causa os frutos é principalmente a árvore, embora o faça sob ação do
agricultor; quem sara é principalmente o organismo do enfermo, embora sob ação do
médico e dos medicamentos; quem aprende é principalmente o aluno, embora sob a
ação do mestre. Deve haver na planta, no enfermo e no aluno um princípio intrínseco,
ativo, operante, capaz de produzir os efeitos da frutificação, da cura, da
aprendizagem. A ação do agricultor, do médico e do mestre tem caráter de causa
eficiente auxiliar, coadjuvante apenas. Quem dá frutos ou não é a árvore; quem sara
ou não é o próprio organismo; quem aprende ou não é o aluno. (pp. 27-28)

1.9 COMO APROVEITAR O TEMPO DAS AULAS

É muito importante guardar silêncio exterior para não distrair os outros e silêncio
interior para não distrair a si próprio. O silêncio interior consiste em deixar fora da sala
todo problema que nada tem a ver com a aula. (p. 29)

O silêncio exterior e o interior não devem ser entendidos como imposição externa,
mas como autodisciplina de alunos conscientes de sua necessidade. (p. 30)

Quando reina silêncio exterior e interior, quando a fantasia repousa e a boca se fecha,
o espírito se abre e a inteligência atua em melhores condições. (p. 30)

2 ESTUDO PELA LEITURA TRABALHADA


2.1 IMPORTÂNCIA DA LEITURA

A leitura amplia e integra os conhecimentos, desonerando a memória, abrindo cada


vez mais os horizontes do saber, enriquecendo o vocabulário e a facilidade de
comunicação, disciplinando a mente e alargando a consciência pelo contato com
formas e ângulos diferentes sob os quais o mesmo problema pode ser considerado.
Quem lê constrói sua própria ciência; quem não lê memoriza elementos de um todo
que não se atingiu. E, ao terminar um curso superior, deveríamos não só estar
capacitados a repetir o que foi aprendido na faculdade, como também estar habilitados
a desenvolver, através de pesquisas, temas nunca abordados em aula. Deveríamos
ser uma pequena fonte, não um pequeno depósito de conhecimentos, ou mero
encanamento por onde as coisas apenas passam. (p. 35)

2.6 A IDEIA MESTRA EM SUA CONSTELAÇÃO

um argumento que a justifique, um exemplo que a elucide, uma analogia que a torne
verossímil e um fato ao qual ela se aplique são elementos de sustentação da ideia
principal. (p. 38)

2.10 USAR MELHOR A VISTA

O bom leitor não lê palavra por palavra, muito menos sílaba por sílaba; sua vista incide
sobre grupos de palavras; a pausa de reconhecimento deste grupo de palavras é
curta. Mas, esta habilidade é fruto de exercícios e da prática da leitura. (p. 42)

2.11.1 Natureza, função e regras do esquema

A elaboração ou levantamento do esquema obedece a algumas regras:


a) Seja fiel ao texto. Não se pode trabalhar com esquemas fixos ou
preconcebidos e forçar o texto lido a entrar neles.
b) Apanhe o tema do autor, destaque títulos, subtítulos que guiaram a
introdução, o desenvolvimento e as conclusões do texto.
c) Seja simples, claro e distribuído organicamente, de maneira a apresentar
límpida imagem concentrada do todo.
d) Subordine idéias e fatos, não os reúna apenas.
e) Mantenha sistema uniforme de informações, gráficos e símbolos para as
divisões e subordinações que caracterizam a estrutura do texto. (p. 43)

2.11.2 Natureza, função e regras do resumo

“Numerosas pesquisas, a propósito, provaram que recordamos muito melhor as


coisas que fazemos...” O trabalho de resumir ajuda a capacitação, a análise, o
relacionamento, a fixação e a integração daquilo que estamos estudando, assim como
facilita sua evocação e reduz o tempo destinado à preparação de provas, aumentando
o aproveitamento geral. (p. 44)

2.12 COM O TEXTO DIANTE DOS OLHOS


[...] é necessário pôr em prática aquilo que se aceitou como importante e eficaz na
vida de estudos. Podem haver dificuldades numa primeira tentativa de leitura
trabalhada, mas é necessário iniciar perseverar nesta prática. Em breve, sentiremos
concretamente seus efeitos benéficos. E todo nosso curso e todas as nossas leituras
beneficiar-se-ão dessa maneira correta de trabalhar sobre um texto. (p. 46)

Crescimento cultural é processo vital de captação, análise, reconstituição ou síntese,


assimilação ou integração unificada e unificante das partes ou elementos em todo
maior. (p. 46)

Não basta ler uma, duas, ou até três vezes o mesmo texto. É preciso parar para
analisá-lo, criticá-lo, discuti-lo, questioná-lo, anotá-lo, sublinhá-lo, retê-lo, refraseá-lo
mentalmente e, quando necessário, em resumos escritos; é preciso captar com
discernimento, analisar, associar, assimilar e reter com tenacidade, crescer através
do desenvolvimento interno e não por agregação ou amontoamento desordenado de
informações superficiais e assistemáticas. A leitura cultural é um trabalho de
garimpeiro; é um trabalho, não um passatempo ocioso. (p. 47)

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