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Projeto Pela Primeira Infância

Temas do Desenvolvimento Infantil

Conhecendo
as funções
do cérebro e o
comportamento:
atenção e o
comportamento
executivo
Organizadores Sumário
Mônica C. Miranda
Carolina Toledo Piza
Juliana C. N. Ferreira
Daniele Pereira de Souza
Pompeia Villachan-Lyra
Carolina Nikaedo
Orlando F. A. Bueno

Colaboradores
André Luiz De Sousa
Emmanuelle Chaves
4 A atenção

Maria Cristina A. C. R. Oliveira


Nelma Assis
Silvia Maciel
Tatiana Góes Freitas

Projeto Gráfico
Priscilla Ballarin

O comportamento
12
Diagramação
Flávio Della Torre
executivo
Ilustrações
Eliza Freire

Agradecimentos
Um especial agradecimento à direção, coordenação e professores das escolas: Centro de Educa-
ção Infantil - CEI Arrastão, EMEI do Lar Sírio, EMEI São Paulo, CEI Nova Sant’ana, que se pronti-
ficaram a receber a equipe de pesquisadores, auxiliando na primeira fase deste projeto, em que
foi possível levantar as necessidades formativas do professor da educação infantil.
A atenção

JOÃO,
PRESTE
ATENÇÃO!

Numa festa ruidosa, com grande diversidade Imagine o João na sala de aula. Se a atenção
de estímulos sensoriais, conseguimos manter dele não for dirigida para o lugar certo, ele
uma conversa específica, ao mesmo tempo em perde informações importantes, como a ins-
que os demais estímulos presentes nesse am- trução dada pelo professor. A atenção inter-
biente são, pelo menos em parte, ignorados. fere na forma como a criança (e todos nós)
responde ao meio, e está diretamente rela-
Isto é atenção! Sem a habilidade para pres- cionada à capacidade de selecionar as infor-
tar atenção, o mundo à nossa volta seria um mações que o nosso cérebro irá processar, o
amontoado confuso de imagens, sons, odo- que exige uma boa capacidade para ignorar
res, etc. Assim, uma pessoa é capaz de sele- os outros estímulos. Por exemplo, quando a
cionar um pequeno subconjunto de estímulos professora diz que o João deve ignorar os
para processamento preferencial, pelo dire- seus colegas e prestar atenção ao estímu-
cionamento da atenção para estes estímulos. lo principal, que neste caso é a professora.
Este é um conceito importante, chamado de
João, preste atenção! Esta é uma forma colo- inibição, o qual abordaremos adiante.
Até aqui, já estudamos alguns aspectos do Neste e nos próximos temas abordaremos o quial na qual usamos o termo atenção, que nos
desenvolvimento infantil, vimos como ocorre comportamento infantil, relacionando-o a di- dá dicas importantes do que esta habilidade Os mecanismos da atenção têm sido apon-
o processo da gestação e os cuidados impor- ferentes processos cognitivos e emocionais. complexa exige: temos que direcionar a nossa tados como componentes essenciais para as
tantes nesta fase. Vimos também como se
percepção para uma fonte específica de infor- diversas tarefas (perceptivas, motoras, cogni-
dá o crescimento e desenvolvimento infantil Iniciaremos falando sobre a atenção e, de-
mação e, consequentemente, devemos selecio- tivas), sendo determinantes na seleção da in-
nos diferentes aspectos, desde os primeiros pois, abordaremos o comportamento exe-
nar a informação que será processada durante formação que será processada. Sendo assim,
passos até à linguagem. Agora abordaremos cutivo. Descreveremos cada um, como se
um tempo determinado. O “prestar atenção” os processos atencionais desempenham um
o que estamos chamando “das diferentes desenvolvem e a relevância para a vida co-
também exige esforço cognitivo, portanto, tra- importante papel no dia-a-dia da pessoa, pois
funções do cérebro e do comportamento”. tidiana da criança.
ta-se de um processo multifacetado. estão relacionados aos processos de apren-

{ 4 | Conhecendo as funções do cérebro e o comportamento: a atenção e o comportamento executivo e a impulsividade | 2016 Conhecendo as funções do cérebro e o comportamento: a atenção e o comportamento executivo e a impulsividade | 2016 | 5 }
dizagem e à memória, bem como aos outros dentre o que parecem ser vários objetos 1. A atenção seletiva (ou focalizada) é a orientação para um determinado
estímulo, portanto, a capacidade para direcionar a atenção para um estímulo e
simultaneamente ignorar os outros. A atenção seletiva é uma capacidade limitada de
aspectos da cognição. possíveis simultâneos ou linha de pensa-
processar informações e nos “força” a selecionar as mais relevantes. Assim os nossos
mento. A focalização, a concentração da
recursos atencionais nos dão as condições para processar um canal de informação por
Em 1890, William James, um importante consciência são sua essência.”
vez. Vamos voltar ao exemplo da festa, para conseguirmos prestar atenção na conversa
estudioso da área, escreveu sobre a aten-
temos que ignorar o que acontece ao nosso redor.
ção: “Milhões de itens (...) são apresen- Por isto é que cada experiência é única para
tados aos meus sentidos e nunca entram cada indivíduo. Podemos estar hoje aqui Outro conceito estreitamente relacionado à atenção seletiva é a distração ou o desvio
propriamente na minha consciência. Por todos juntos na mesma sala, expostos aos da atenção. A nossa atenção pode ser desviada por uma série de estímulos irrelevan-
quê? Porque não têm interesse para mim. mesmos estímulos sensoriais, mas cada um tes para o desempenho da tarefa que estamos executando. Este desvio da atenção, que
pode ser momentâneo, se dá por basicamente três fatores: a saturação, as estimulações
Minha experiência é aquilo que eu concor- orienta e mantém a sua atenção para aspec-
externas, (como alguma coisa que provoca uma resposta automática, por exemplo, se
do em prestar atenção (...) todos sabem tos distintos desses estímulos, o que, con-
durante a conversa na festa alguém chama pelo meu nome, eu, automaticamente, vou
o que é a atenção. É a tomada de posse sequentemente, influencia a formação da
olhar na direção de quem me chamou), e também por alterações internas como a fome, o
pela mente, de forma clara e vívida, de um nossa memória no momento. frio intenso, etc. A atenção não é regida apenas por estímulos externos ambientais, mas
também por fatores internos como a motivação e a emoção.

Importante:
A orientação é a habilidade que
2. A atenção dividida é a capacidade que o indivíduo tem para realizar mais de uma
tarefa simultaneamente, portanto, de atender concomitantemente a duas ou mais
fontes de estimulação. Pense por exemplo em uma pessoa dirigindo um carro e conversando
ao mesmo tempo. Para realizar estas duas atividades, pelo menos uma delas deve ser au-
temos para selecionar informações tomatizada. O processamento automatizado envolve tarefas sobre as quais temos um certo
específicas entre uma variedade de domínio e, exatamente por este motivo, requer menos atenção. Geralmente são atividades
estímulos sensoriais, a qual também rotineiras como dirigir ou tomar banho. Já a outra atividade deste exemplo, o conversar, é
um processamento controlado, pois trata-se de uma atividade não rotineira que exige maior
é conhecida como seleção. atenção (apesar de conversarmos com frequência, cada conversa é única).

3. A atenção sustentada é a habilidade de manter pelo tempo necessário o foco


da atenção em estímulos específicos. A distração (desencadeada por um estímulo
externo ou interno como nossos pensamentos) pode interromper e, consequentemente,
impedir a sustentação da atenção.
A atenção não se refere a uma capacidade A qualidade da atenção é suscetível a diversas interferências e declina com o tempo,
única, pois é uma habilidade que envolve processo este que é chamado de decremento. Assim, o decremento da atenção é definido
diferentes aspectos. Esta ideia é muito im- como um declínio no desempenho da atenção durante um período de tempo. Quando
portante quando pensamos que uma das realizamos tarefas monótonas, pouco motivadoras por um período prolongado, conse-
principais queixas na sala de aula é: ele não guimos manter a atenção por um determinado tempo, o qual é geralmente curto. O de-
presta atenção! Assim, vamos apresentar três cremento da atenção tem um impacto importante na qualidade do que estamos fazendo,
formas básicas, propostas por inúmeros teó- podendo acarretar prejuízos.
ricos, para que você tenha mais ferramentas Estes conceitos se referem à atenção voluntária. Já a chamada atenção involuntária
para observar os seus alunos. São estas: a consiste na mudança não programada do foco da atenção por um estímulo externo, a
atenção seletiva, a dividida e a sustentada, as qual pode ser desencadeada quando a informação sensorial é intensa, surpreendente,
quais serão definidas a seguir incongruente ou inédita. Por exemplo, você está lendo um livro quando algo cai no chão
e produz um som intenso.

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O desenvolvimento atividades podem contribuir para o desen-
volvimento de outras habilidades cognitivas
criança de quatro aos seis anos. De qual-
quer forma, mesmo aos 6 anos de idade, o

da atenção como a memória, a imaginação, a percepção,


o raciocínio e a linguagem.
tempo de duração da atenção da criança
em uma determinada atividade ainda será
fortemente influenciada pelo interesse da
Desde os primeiros meses de vida é possí- um ato social no desenvolvimento da crian- Por exemplo, crianças de três anos tendem criança pela atividade realizada. Assim, para
vel observar características involuntárias da ça. Trata-se de formas de atividades criadas a conseguir se manter atentas e engajadas garantir o engajamento da criança na ativi-
atenção, pois a criança é atraída por estímu- a partir das relações que ela estabelece com em atividades dirigidas, que demandam a dade pedagógica, é de grande relevância a
los mais significativos (como o móbile do ber- os adultos e outras pessoas com quem inte- manutenção da atenção por um período de, diversificação das atividades, pois tudo que
ço que toca música). Tais sinais são percebi- rage. Por exemplo, quando a mãe nomeia um aproximadamente, 20 minutos. Esse tempo é monótono tende a, rapidamente, levar à
dos por meio do olhar e do direcionamento objeto no ambiente e o aponta com o dedo, a tende a se expandir para uma hora ou mais dispersão, bem como o despertar do inte-
da cabeça do bebê em direção ao estímulo, atenção da criança é atraída para esse objeto, por volta dos 6 anos de idade, a depender resse e envolvimento emocional da criança
demonstrando assim uma busca por um ob- o qual começa a se sobressair do resto. da maneira como o professor realiza a me- com a atividade.
jeto ou um som apresentado ou disponível diação da atividade. Assim, a distrabilida-
no ambiente. É possível observar os reflexos Alguns autores defendem que a atenção é um de de uma criança de dois aos quatro anos Na tabela abaixo destacamos três importantes
orientados, como a fixação do olhar no objeto ato social pois, desde cedo, a criança apren- pode ser até três vezes maior do que uma períodos para o desenvolvimento da atenção:
ou quando o bebê interrompe os movimentos de pelo contato com os pais e os cuidadores,
de sucção à primeira vista deste. quais são os objetos mais relevantes, à me-
dida que o adulto os nomeia e os aponta, di-
Segundo um importante autor, Alexander Lu- recionado a atenção dela. Esta interação per- 1 - 2 anos A instrução verbal ainda não se sobrepõe à atenção
involuntária (distrai-se com o novo, o colorido).
ria, esses sinais são a base do comportamento mite à criança conhecer, identificar e nomear
organizado. A atenção voluntária, ao contrário o objeto, sendo, posteriormente, capaz de
da reação de orientação, não teria apenas uma distingui-lo do resto do ambiente e de dirigir 4 - 5 anos Começa a conseguir eliminar a influência
dos fatores irrelevantes/distratores.
origem biológica, constituindo-se mais como a sua atenção para ele.

A partir dos 6 anos Comportamento seletivo, organizado


com a participação da linguagem
Atenção e a criança
na Educação Infantil
Como sabemos, a organização das atividades que não conseguem manter a sua atenção “Para um organismo aprender, ele deve ser
escolares se constitui como um importante de modo intencional e durante muito tempo. capaz de perceber os estímulos ambientais,
aspecto no engajamento, ou não, das crian- Nessa faixa etária, aulas expositivas são mui- realizar associações entre estes estímulos e
ças nessas atividades propostas. Durante os to pouco produtivas. Para o desenvolvimento arquivar informações relevantes. No entanto,
primeiros anos de vida, as crianças podem se da atenção e promoção da aprendizagem em O desenvolvimento da atenção para associar estímulos, o organismo deve
engajar atentamente em uma determinada crianças pequenas é imprescindível o uso de é importante para os processos antes discriminar as diferenças entre esses
atividade, e por um curto período de tem- atividades lúdicas e motivadoras. O jogo, as
de aprendizagem. Segundo estímulos e, para arquivar informações,
po, em atividades prazerosas como jogos e brincadeiras, o desenho infantil e todo esse
Nahas e Xavier (2006, p 50): o organismo necessita primeiramente
brincadeiras que a cativam e são capazes de universo lúdico podem se constituir como
escutar com atenção histórias contadas pe- ferramentas poderosas com o objetivo de
decodificar e alocar a informação em uma
los adultos. No entanto, na primeira infância favorecer a aprendizagem da criança e con-
ou mais das muitas localizações neuronais.
as crianças se distraem com facilidade por tribuir com o desenvolvimento da sua capaci- A eficiência do aprendizado depende de
ruídos e movimentos de objetos, de modo dade de concentração. Além da atenção, tais fatores como motivação, atenção, memória e
experiência prévia”.

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vel em cadeiras
O desenvolvimento da atenção tem relação • A criança deve sentar-se de maneira confortá
específicas para o seu tamanho;
com a maturação do cérebro • As cadeiras (e quando houver carteiras) deve
m estar voltadas na direção da fonte de
contando uma história ou ensinando
informação. Por exemplo, se a professora estiver
adas na sua direção, para, entre
Os diferentes tipos de atenção estão associa- incluindo o trauma cerebral, a anóxia/ uma música, todas a crianças devem estar posicion
tos labiais e a expressão corporal;
dos às diferentes áreas do cérebro. Porém, as hipóxia, a exposição pré-natal às toxinas outras coisas, observar a gesticulação, os movimen
áreas frontais cerebrais estão implicadas tan- (como as drogas e o álcool) e os distúrbios sentadas no chão, em círculo,
to nas formas superiores da atenção (atenção de aprendizagem. A maioria das crianças • A criança também pode realizar atividades
ra e dos colegas;
voluntária), quanto na preservação do com- com déficit de atenção é diagnosticada com para, assim, poder observar a interação da professo
m ser escolhidas com o objetivo claro
portamento dirigido a metas e na inibição o Transtorno do Déficit de Atenção e Hipe- • As atividades como os filmes e as histórias deve
ir para o seu aprendizado e ter um
aos estímulos irrelevantes. Como essas dife- ratividade (TDA/H). de despertar o interesse das crianças e contribu
que consegue se manter engajada na
rentes áreas se desenvolvem em diferentes tempo de duração compatível com o tempo em
períodos da nossa vida, daí a importância de É importante ressaltar que nem toda criança atividade, como pontuado anteriormente;
não esperarmos que a criança preste atenção desatenta tem o TDA/H, pois fatores am-
ulos, lembre-se que a
quando ela ainda não o consegue. bientais e emocionais podem interferir de • Evitar que as salas de aula tenham muitos estím
essante para ela;
forma importante na atenção dela, além do criança é atraída pelo que é novo e colorido e inter
Quanto aos déficits de atenção, estes estão fato de que a criança pequena tem uma ca- o momento lúdico, desenvolvem a
• Os jogos, as brincadeiras, o desenho infantil,
ça, promovendo o desenvolvimento de
concentração e a constância da atenção na crian
associados a uma variedade de condições, pacidade limitada de atenção.
cínio, o pensamento e a linguagem;
outras funções cognitivas como a percepção, o racio
rega a capacidade
• Evitar as instruções muito longas, pois sobrecar
com que ela não consiga
da memória de curta duração da criança, fazendo
armazenar a informação principal;
rtante, a mesma atividade
• A diversidade das atividades é outro fator impo
a capacidade de
Como estimular apresentada sempre da mesma maneira, diminui
atenção e a criança se dispersa mais facilmente;
a capacidade • A prática educativa envolve o planejamento
das atividades,
tém a atenção
o qual deve considerar o tempo que a criança man
de atenção? em uma determinada atividade.

As pesquisas mostram que a criança apresenta


maior envolvimento quando há uma história re-
lacionada à atividade, portanto, quando esta é
contextualizada. Outro importante recurso é o
Uma dica importante dada por Luiza Duarte e Alguns jogos, ou atividades, podem também
uso de reforçadores para incentivar os acertos
Andréia Bondezan (2008, p. 7): contribuir para o desenvolvimento da capaci-
ou para tentar realizar uma tarefa.
dade atentiva da criança como, por exemplo,
“Para as crianças de 3 anos, como ativida- jogos de quebra-cabela, de busca de uma de-
A organização do espaço escolar também con-
de orientada, os jogos devem durar entre terminada imagem em meio a outras, como
tribui para favorecer o foco atencional da crian-
vinte e vinte e cinco minutos (...) já as crian- o jodo do Lince, jogos de 7 erros (que pode
ça. Veja a seguir algumas dicas importantes:
ças de 6 anos fixam sua atenção em jogos ser construído pela professora relacionando a
durante uma hora ou até mais, conforme a um determinado tema trabalhado com a tur-
mediação do professor”. ma), caça palavras, dentre outros.

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O comportamento executivo
O que é o comportamento executivo? Por que é Diversos estudos apontam para a relação
entre as funções executivas, o sucesso aca-

importante que dêmico e o sucesso na vida. Os déficits nes-


tas funções estão associados a uma gama de
O comportamento executivo está relaciona-
do ao termo “funções executivas”, que com-
portamento, responsáveis por orientarem e
gerenciarem funções cognitivas, comporta- o profissional da problemas comportamentais e sociais, como
o abandono escolar, o abuso de drogas e o

educação saiba
preende os processos cognitivos relacionados mentais e emocionais. envolvimento com o crime. Como foi dito an-
ao comportamento direcionado a uma meta e teriormente, a base para o desenvolvimento

sobre o que são


ao controle dos pensamentos e emoções. Para entender melhor! Imagine a rotina de das funções executivas ocorre principalmen-
um coordenador ou gerente, a pessoa que te na primeira infância e é importante o pro-

as funções
Segundo Carvalho e Abreu (2014), as Fun- deve supervisionar o trabalho de uma equi- fissional da educação conhecer as fases de
ções Executivas (FE) são um conjunto de ha- pe, planejar as ações dentro de um cronogra- modo a contribuir com o desenvolvimento de
bilidades complexas que nos permitem dire- ma, antecipar os possíveis problemas e lidar tais competências.
cionar o nosso comportamento para metas e
objetivos, flexibilizar estratégias e pensamen-
com os imprevistos. Para realizar todas estas
atividades de modo satisfatório é necessário
executivas? O termo funções executivas é um conceito
tos, assim como autorregular-se, controlar os um bom funcionamento executivo. Claro que “guarda-chuva”, pois envolve uma série de
impulsos, tomar decisões, realizar planos e não vamos exigir que uma criança faça tudo funções mais sofisticadas do cérebro. As
solucionar problemas, sempre monitorando isto, mas o conhecimento das neurociências três habilidades básicas fundamentais na
nosso progresso. É um conjunto de processos cognitivas já nos mostrou que a base desses primeira infância, que iremos destacar, são
cognitivos e metacognitivos que estão envol- comportamentos tão complexos são “cons- a inibição do comportamento, a memória
vidas no controle e direcionamento do com- truídos” na infância. operacional e a flexibilidade cognitiva.

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Vamos ● As funções executivas co
nstituem-se como uma base
fundamental
para o desenvolvimento de div
entender melhor ● Mesmo que de forma rudim
ersas capacidades cognitivas
e sociais.
entar, desde o nascimento os
bebês já iniciam o desenvolv
A INIBIÇÃO DE COMPORTAMENTO é uma informação concomitante ao processa- imento das funções executiva
s.
a capacidade de inibir uma resposta do- mento de outras informações. Por exemplo,
● O período de 3 a 5 anos é
minante ou automática em detrimento às tente realizar mentalmente a conta 37 x 69. considerado uma “janela de
para o crescimento das funç oportunidade”
outras demandas do meio. Por exemplo, Para desempenhar esta tarefa é necessário ões executivas.
controlar-se para não tomar o brinquedo armazenar alguns resultados parciais (9x7),
do amigo. A inibição também nos permite enquanto novas informações são processa- ● As FE continuam se dese
nvolvendo ao longo
manter atenção em uma tarefa, como num das e adicionadas. A memória operacional é da adolescência até a início
filme, não permitindo que os estímulos ex- importante nas atividades rotineiras, como
da fase adulta.
ternos “roubem” nossa concentração. En- quando articulamos as informações já arma-
tão a inibição está relacionada diretamente zenadas na nossa memória de longa duração
com a atenção. a algo novo que foi aprendido. A compreen-
são de um texto também exige essa habili-
Quando há falha neste processo, ocorre a
IMPULSIVIDADE, portanto, esta está liga-
dade, uma vez que se deve armazenar o iní-
cio do parágrafo para associá-lo com o final.
O comportamento executivo
da ao não controle do indivíduo sobre o seu
pensamento e o seu comportamento. As- A FLEXIBILIDADE COGNITIVA é a capaci-
e a sala de aula
sim, as atitudes impulsivas ocorrem quando dade de alternar as perspectivas ou o foco
não se leva em consideração as implicações de atenção, ajustando-se de modo flexível
Os estudos indicam que um bom funciona- das sensoriais e o conhecimento já adquirido.
e as possíveis consequências de um deter- às novas exigências ou às novas priorida-
mento executivo contribui para o desenvol- Na sala de aula, a criança necessita armaze-
minado comportamento. des. É o raciocinar de maneira não conven-
vimento da leitura. Além disto, contribui para nar as informações na mente enquanto está
cional, de ver quais são as outras formas de
uma melhor interação social, diminuindo a envolvida em outras atividades. Muitas vezes
A MEMÓRIA OPERACIONAL é a capa- encarar, resolver uma mesma situação ou
ocorrência dos comportamentos agressivos. ela recebe instruções verbais complexas ou
cidade de armazenamento temporário de um problema.
longas, que sobrecarregam a memória ope-
Vários estudos mostram que as funções exe- racional, e que podem causar desistência da
cutivas emergem durante os primeiros anos tarefa ou falhas na realização desta. Por isto
de vida, continuando a ter um incremento é tão importante não apresentar tarefas que
Desenvolvimento das significativo ao longo da infância e da ado- sobrecarreguem a memória operacional.

funções executivas
lescência, embora alguns componentes va-
riem nas suas trajetórias de desenvolvimento, Outro aspecto importante é a relação entre
como é o caso da inibição do comportamen- memória operacional e a leitura. Esta relação
to, que apresenta melhora entre os 3 e os 6 já está bem estabelecida na literatura inter-
Diversos estudos vem destacando a impor- tivas na infância tem maior efeito preditor no anos de idade, estabilizando-se somente nos nacional, sendo esta a capacidade preditora
tância das experiências na primeira infância sucesso e qualidade de vida do adulto do que primeiros anos escolares. do desempenho nas tarefas de leitura, escrita
para a construção das bases dos comporta- as habilidades intelectivas. e matemática (portanto, quanto melhor o de-
mentos adaptativos, relacionando a qualida- A memória operacional e o desempenho sempenho da criança nas tarefas que exigem
de de tais experiências ao desenvolvimento Os estudos realizados pelo Centro de De- escolar estão relacionados porque, quanto memória operacional, mais fácil será o pro-
das funções executivas e ao sucesso na vida. senvolvimento da Criança da Universidade maiores os recursos da memória operacional, cesso de aquisição da leitura). Por quê? Devi-
Tais estudos estão, inclusive, afirmando que de Harvard CDCUH (2011) a esse respeito mais fácil é a manutenção ativa da informa- do à grande exigência de processamento e do
o bom desenvolvimento das funções execu- destacam: ção e a integração desta com as novas entra- armazenamento simultâneo de muitas infor-

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Memória Inibição de
Operacional Flexibilidade
comportamento cognitiva
7-9 meses: desenvolve a
habilidade de se lembrar que
os
objetos não visíveis ainda estã
o lá
(brinquedo escondido embai
xo da
roupa); aprende a fazer dua
s ações
juntas em sequência (remove
r um
pano e segurar um brinquedo)
.

9-10 meses: consegue executar 9-11 meses: capaz de inibir o


tarefas simples e planos com alcance por um objeto visível,
mas 9-11 meses: desenvolve a
duas etapas, também conseg inacessível, como um brinque
ue do do habilidade de procurar métod
integrar olhar para um lugar outro lado da janela, ao invé os
e s de alternativos para recuperar
agir (alcançar) outro local. demorar em reconhecer a bar
reira e objetos além do alcance dos
desviar dela. olhos.

4-5 anos: redução no


comportamento de persevera
r
(manter uma regra, mesmo sab
3 anos: consegue manter na endo 2-5 anos: obtém sucesso
que esta mudou). Pode demora
me nte dua s regras , por exe r alternando ações de acordo
mp lo, a comer um doce; também pod com a
ver me lho vai aqu i e azu l vai e mudança das regras (por exe
lá, e começar a manter uma regra mplo,
agi r com base nas regras . tira os sapatos em casa, os ma
arbitrária na mente e segui-la ntém
para na escola e coloca as botas
produzir uma resposta que dife quando
re do está chovendo).
seu instinto natural (ordenar
cartões
coloridos por formato em vez
de cor).
Eli: uma criança perdida entre infor-
mações... algo relacionado a défcit nas 4-5 anos: compreende que a
7 anos: aprendem a ignorar 10-12 anos: adapta-se com
aparência nem sempre é igu
funções executivas... a perda de foco... realidade (por exemplo qua
al à estímulos irrelevantes e perifér
icos
sucesso à mudança das regras
,
ndo (como um ponto do lado de um mesmo por meio de múltiplas
recebe uma esponja que é par a tela)
ecida e focar no estimulo central (com dimensões (é cer to gritar no
com uma pedra). o parque,
uma figura no meio da tela). mas não na sala de aula, e às
vezes,
em um ensaio de teatro).

5-16 anos: desenvolve habilidade 10-18 anos: continua a desenvolve


r
para encontrar localizações vari o autocontrole, a flexibilidade,
áveis,
mações, como a decodificação dos grafemas, inibir os seus comportamentos impulsivos. A recorda o local em que algo foi alternando um foco central (com
o 13-18 anos: continua
o significado das palavras, o enredo do pará- escola fica menos divertida. Já a criança com encontrado e então explora out andar de bicicleta ou dirigir um
ras carro) e melhorando na precisão, qua
grafo e a compreensão mais ampla do texto. as funções executivas bem desenvolvidas, localizações (por exemplo, um estímulos periféricos que pod ndo
jogo de em muda o foco, adapta- se par
geralmente é mais elogiada pelo seu desem- concentração ou esconder um
a moeda ou não necessitar de atenção, a
mudar as regras.
Assim, a criança que não dá conta das exigên- penho, gosta mais da escola e recebe mais re- embaixo de um entre três cop
os). sinais de transito e pedestres
x
cias de armazenamento e do processamento forços positivos. cartazes e casas ao redor).
da informação perde, como consequência, o
foco atencional ou, então, desiste da tarefa As funções executivas se desenvolvem ao Adulto: consegue recordar Adulto: autocontrole consistent
e,
tarefas múltiplas, regras e respostas apropriadas para
e passa a se engajar em uma outra atividade. longo da vida e estão interligadas como parte as Adulto: capaz de revisar ações e
estratégias que podem variar situações (por exemplo, res
de um sistema complexo. No quadro a seguir de iste planos em resposta à mudan
acordo com a situação. em dizer algo socialmente ça das
Os déficits nas funções executivas levam a apresentam-se algumas situações para exem- circunstancias.
inapropriado).
criança a ter dificuldades em prestar atenção plificar a aquisição e o amadurecimento des-
na sala de aula, a realizar as suas tarefas e a sas habilidades ao longo dos anos.
Fonte: Center on the De
veloping Child, Harvard
University, 2011.

{ 16 | Conhecendo as funções do cérebro e o comportamento: a atenção e o comportamento executivo e a impulsividade | 2016 Conhecendo as funções do cérebro e o comportamento: a atenção e o comportamento executivo e a impulsividade | 2016 | 17 }
O desenvolvimento das Funções Executivas
depende do Córtex Frontal e das outras regiões As estratégias de desenvolvimento das
funções executivas nas crianças
neurais com as quais este está interligado.

Eli: cérebro já utilizado em outra apos- Eli: criança em brincadeira de faz de


tila, mas com as infos descritas nessa. conta.

Vygotsky propôs que o desenvolvimento antes do jantar, pois depois poderá comer
cognitivo ocorre quando a criança está en- mais doces. Vale ressaltar que ter idade com-

Mas afinal, qual a importância do córtex frontal gajada em interações interpessoais, media-
das por signos e instrumentos, o que inclui
patível com o desenvolvimento dessas com-
petências não significa, automaticamente, o

para o comportamento humano? ensiná-la a utilizar subsídios externos para


facilitar a atenção e a memória, encorajá-la
seu desenvolvimento. A experiência da crian-
ça será fundamental para isso. Assim, é de
a utilizar a instrução verbal para a autorre- grande importância o professor da educação
gulação e promover os jogos de dramatiza- infantil promover atividades que demandem
O córtex frontal, também chamado de “órgão
da civilidade” é de grande relevância para o E como eu posso ção. Na criança muito jovem, a participação
em brincadeiras de faz-de-conta e a inte-
da criança adiar gratificações em nome de al-
guma outra conquista, aguardar a sua vez de
ser humano pois permite ao sujeito atuar no
mundo de modo intencional e voluntário. Está
contribuir para o ração social é essencial para o desenvolvi- falar, adequar seu comportamentos a regras

relacionado a uma serie de comportamen- desenvolvimento das mento das suas funções executivas. simples do cotidiano, etc.

tos complexos que permitem a resolução de


problemas como, por exemplo, planejamento,
Funções Executivas Durante as brincadeiras de faz de conta, a
criança deve se concentrar no seu próprio
As atividades que contemplam a resolução
de problemas, o completar tarefas, a organi-
sequenciamento hierárquico e o automoni- dos meus alunos? papel e no das outras crianças (memória ope- zação, o fazer e o revisar planos e a interação
toramento de tarefas de acordo com o plano racional), inibir o faz-de-conta fora do perso- com os seus pares, também contribuem para
inicial. Além disso, está também relacionado à nagem (inibição do comportamento), além de o desenvolvimento das funções executivas.
habilidades que contribuem para uma melhor ajustar-se de forma flexível à trama desenvol-
convivência social, como a capacidade de inibir vida (flexibilidade cognitiva). Um programa de atividades para crianças,
alguns comportamentos socialmente inade- chamado Tools of Mind (Ferramentas da
quados, de inferir o pensamento de uma outra Por volta dos 3 anos, a criança já é capaz de mente), utiliza atividades como as que são
pessoa e, a partir de então, entender e inferir completar tarefas que exigem regras simples, descritas a seguir e que podem ser adapta-
o seu comportamento (a essa habilidade cha- como separar os objetos por cores e guar- das para uso em sala de aula, com o objetivo
mamos de “teoria da mente”), compreender as dá-los em locais diferentes. Já com 5 anos, de promover o desenvolvimento das funções
regras sociais, dentre outras. consegue adiar a vontade de comer um doce executivas das crianças pré-escolares.

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a um livro com imagens
• A leitura em grupos, em que cada criança peg
a o seu colega, pas-
e, depois, em pares, devem contar a história par Módulos de Heróis da Mente
ente, todos querem
sando as páginas e apontando as figuras. Inicialm
falar e ninguém quer ouvir. O professor, então,
pla uma orelha e uma boca de papel, explicando
entrega para cada du-
que as orelhas não
bolo gráfico concreto,
Estratégias, Atividades e Jogos
2 Atenção, Controle Inibitório
e Flexibilidade Cognitiva
podem falar, mas somente ouvir. Com este sím
a criança aprende a inibir a fala, a ouvir e a esp
buindo para a aprendizagem das normas sociais
erar a sua vez, contri-
. O auxílio concreto
o quê e quando é o seu
1 Organização e Planejamento • Atividades e jogos lúdicos que exigem
controle inibitório.
ajuda a criança a perceber quem está fazendo • Uso de rotina em sala de aula.
• Tarefas de flexibilidade cognitiva que
ha” passa a não ser
momento de falar. Após alguns meses, a “orelhin • Uso de calendário mensal da turma.
exigem trocar entre uma regra e outra,
endo ele fazer per-
mais necessária. O papel de “ouvinte” é ativo, dev trabalhar com ambiguidades, classificação.
• Atividades que envolvam estimar • Jogos de soletrar e jogos de operações
guntas sobre o livro. e controlar o tempo.
nça deve organizar os matemáticas.
• A organização dos brinquedos, em que a cria • Organização física dos materiais pessoais.
e, tarefa esta que • Jogos para selecionar informações
brinquedos rapidamente, para mudar a atividad • Organização e categorização das ideias.
música é tocada, relevantes como mímica, “quem sou eu?”.
exige autodisciplina. Para auxiliar a criança, uma ).
terminar. • Planejamento compartilhado (parte e todo • Resolução de problemas - pensar em mais
devendo esta terminar a arrumação até a música
• Dividindo uma tarefa grande em de uma forma de responder, propor novas
criança deve saber onde
• O envolvimento com o ambiente, em que a pequenos passos. ações para os problemas listados.
s e nas gavetas, man-
estão as coisas, guardar os objetos nos armário • Discutir a agenda diária, o que traz
tendo a arrumação. sentimento de segurança para a criança
uturada pode ajudar a
• O manter a sala de aula organizada e bem estr e maior manejo e engajamento nas

criança a se organizar internamente e no ambient


ponder melhor ao processo de aprendizagem, con
e e, assim, corres-
trolando a atenção
atividades.
• Apresentar representações visuais e
verbais para a compreensão do tempo.
4 Emoção e Autorregulação

e a impulsividade.
• Dramatização em formato de mímica de
as que, além de ajudar
• O incentivar as brincadeiras com jogos de regr uma situação-problema.
a desenvolver a atenção, permite que a criança
de regras e de limites, aprendendo a participar,
ou empate.
se organize por meio
quer ela ganhe, perca 3 Memória Operacional
e Prospectiva
• Atividades para identificar, reconhecer e
expressar as emoções.
• Gerar reflexões sobre as emoções geradas
é esperado dela, em • Exemplo: Atividade 1 - Le
• Orientar a criança previamente sobre o que mbrando de uma e como cada um percebe.
para que ela se possa atividade (calendário mensa
termos de comportamento e de aprendizagem, l coletivo). • Criação de Metas - comportamento a ser
• Estimular a checagem de modificado - Painel Coletivo.
sentir mais segura. atividades e
material solicitados e lembra
r sobre prazos • Selecionar comportamento alvo: - Como
e cumprimento de atividad
es futuras estou? - Como quero ficar?
através do calendário mensa
l e coletivo,
além do uso de lista de autoc • Revisar periodicamente.
Outro programa construído com o objetivo 4 módulos para a promoção de diferentes hecagem.
de contribuir com o desenvolvimento das aspectos das Funções Executivas. A seguir • Estimular a criança a organ • Prestar atenção em seus próprios
izar os
funções executivas foi o “Heróis da Mente”, será apresentado um resumo das principais procedimentos para realiza comportamentos.
r tarefas e
sendo este planejado para ser utilizado por atividades de cada módulo que, de forma refletir sobre o que foi plane
jado. • Usar brincaderias e interações apropriadas.
professores no contexto escolar, de modo adaptada, podem ser utilizadas nas rotinas • Adicionar regras e brincad
eiras conhecidas • Participar da rotina da classe.
lúdico e relacionado à narrativa de uma his- pedagógicas com as crianças na educação - manipular e manter a inform
toria em quadrinhos. Além da história em infantil. Também disponível em Carvalho e ação. • Se engajar em atividades instrumentais.
• Jogos para memorizar inf
quadrinhos, foram também desenvolvidos Abreu (2014, p. 43 e 44). ormações • A criança saber o que se espera dela.
e recuperar informações de
pois de
distrações. • Controlar suas próprias ações.

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No que se refere, especificamente, à IM- Os ambientes estressantes, imprevisíveis e funções executivas. Os estudos mostram que e Abreu (2014, p. 41), “os estudos tem de-
PULSIVIDADE, esta está relacionada ao violentos podem contribuir para uma pobre a criança que viveu uma situação de negli- monstrado que crianças que participaram de
autocontrole e não é uma habilidade inata, autorregularão do comportamento e de con- gência, de abuso, de abandono, de prematu- intervenções com foco no desenvolvimento
sendo importante ensinar a criança a con- trole do impulso. Os estudos mostram que a ridade, que teve complicações no nascimento das Funções Executivas tem melhor desem-
trolar os seus impulsos. Isto pode ser feito exposição a esse tipo de ambiente está as- e exposição pré-natal ao álcool, apresenta penho em tarefas de funções executivas, as-
estabelecendo regras e limites, orientando-a sociada aos déficits no desenvolvimento das alto nível de impulsividade e desorganização. sim como benefício nas habilidades iniciais de
para ela se organizar em fila, esperar a sua funções executivas. O medo e o estresse, por alfabetização e matemática quando compa-
vez para comer, brincar, ir ao banheiro, guar- exemplo, são mecanismos que afetam nega- Assim, é importante lembrar que tais habi- radas com crianças que seguiram o currículo
dar um brinquedo antes de pegar o outro, tivamente a química dos circuitos cerebrais. lidades não se desenvolvem de maneira es- convencional” sendo fundamental, portanto,
comer o almoço antes da sobremesa, etc. pontânea/automática, sendo necessário que que tais habilidades possam ser promovidas
Estas pequenas atitudes contribuem para Para a criança que vive em ambientes com se favorecem oportunidades que promovam já nas atividades pedagógicas realizadas du-
que a criança aprenda a esperar e adiar. constante ameaça, é difícil essa “ativação” das tal desenvolvimento. Como destaca Carvalho rante a educação infantil.
Referências bibliográficas Vídeos
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vimento: Conceitos e Abordagens. São Paulo: Memnon Edições Científicas, 2006.
p. 46-76.
Sobre nós
Este material é resultado do projeto “Desenvolvimento de um Programa de Forma-
ção em Desenvolvimento Cognitivo para Profissionais da Educação Infantil: o mode-
lo de Resposta à Intervenção”, iniciado em 2013, com financiamento da Fundação
de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), da Fundação Maria Cecília
Souto Vidigal (FMCSV) e da Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa, e desenvol-
vido na Universidade Federal de São Paulo, sob responsabilidade dos pesquisadores
Prof. Dra. Mônica C. Miranda, Prof. Dr. Orlando F. A. Bueno e equipe.

Em 2015, a equipe do Instituto ABCD – sob coordenação de Carolina ToledoPiza


(MSc.) – e do NINAPI (Núcleo de Investigação em Neuropsicologia, Afetividade,
Aprendizagem e Primeira Infância, da Universidade Federal Rural de Pernambuco)
– sob coordenação da Prof. Dra. Pompéia Villachan-Lyra e participação das pesqui-
sadoras Ana Cleide Jucá (MSc.), Emmanuelle Chaves (Dra.) e Sílvia Maciel (Dra.), com
o apoio da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia de Pernambuco (FACEPE) –
integraram o projeto, visando aprimorar seu conteúdo e ampliar as perspectivas de
atuação para outros Estados do país.

O projeto, agora denominado Projeto Pela Primeira Infância, é um conjunto de ações


de pesquisa e de formação de profissionais da Educação Infantil. Ele foi criado tendo
por base o fato, já apontado por diversas pesquisas, de que as principais demandas
formativas dos profissionais da educação infantil se referem à sua necessidade de
uma compreensão, mais adequada e abrangente, das teorias e das bases do desen-
volvimento cognitivo, socioafetivo e comportamental da criança.

Além disso, também é consenso na comunidade científica, o reconhecimento da im-


portância de uma intervenção adequada na primeira infância (inclusive no ambiente
escolar) para um desenvolvimento infantil pleno e saudável.

Assim, faz parte do Projeto Pela Primeira Infância, um ciclo de debates teóricos in-
titulado: “Formação continuada em Desenvolvimento Infantil, com base nas neuro-
ciências, para profissionais da Educação Infantil” – constituído por 10 encontros,
nos quais há a disponibilização de material apostilado. Após a participação em todo
o ciclo de debates, são desenvolvidas discussões práticas para a implementação de
estratégias de estimulação do desenvolvimento da criança na primeira infância.

Nós acreditamos que um programa desta natureza deve incluir material estruturado
e formação continuada, com intenso diálogo com aqueles envolvidos com a criança
(famílias, comunidades, profissionais da educação e da saúde).
Apoio:

Realização: