Você está na página 1de 8

XXIV Encontro Nac. de Eng.

de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de nov de 2004

Capital Intelectual: Porque e como medir este ativo intangível

Clarissa Gracioli (UFSM) clarissagracioli@hotmail.com


Paulo Sergio Ceretta (UFSM) ceretta@smail.ufsm.br

Resumo
Atualmente, muitas empresas resistem em considerar apenas os ativos tangíveis como os
únicos fatores de produção importantes na análise dos sistemas contábeis, porém a literatura
especializada não deixa duvidas, empresas que almejem sucesso devem buscar mais
informações sobre os seus ativos intangíveis. Neste contexto, o presente artigo tem por
objetivo destacar os principais métodos existentes na literatura atual de mensurar o capital
intelectual e ainda evidenciar as suas vantagens para as empresas. A pesquisa se caracteriza
por ser do tipo exploratória. Inicialmente, após esta breve introdução, serão apresentadas
algumas definições do capital intelectual, em seguida será explicitada a vantagem da
avaliação do capital intelectual sob o ponto de vista de alguns autores especializados no
tema e, na seqüência são apresentados os principais modelos de estimação do capital
intelectual.
Palavras chave: Capital Intelectual, Modelos, Conhecimento.

1. Introdução
Verifica-se que, nas últimas décadas, vieram ocorrendo mudanças significativas, como o
rápido processo de globalização, que por um lado fez com que as economias por todo o
mundo passassem a manter interdependência global, mas por outro, aumentou ainda mais o
nível de concorrência mundial; a informatização, a conscientização do real valor do saber
humano e o aumento da valorização dos ativos intangíveis por parte das organizações. Essas
mudanças segundo Castells (2001) sugerem novas formas de percepção e interpretação da
sociedade como um todo, pois novos valores, decorrentes dessas mudanças, impõem tais
condições.
Esse período de gradativas mudanças na economia mundial, vem sendo apontado por muitos
estudiosos do assunto como um período de transição de uma Era Industrial para a Era do
Conhecimento, em que o capital intelectual apresenta-se com um novo conceito de
administração de empresas. Em relação a essa nova era, Crawford (1994) salienta que a
informação e o conhecimento juntos substituem capitais físicos e financeiros da empresa e,
conseqüentemente, tornam-se as novas fontes de riqueza ou ainda uma das maiores vantagens
competitivas nos negócios.
Admitir o conhecimento como recurso econômico impõe novos paradigmas na forma de
valorizar o ser humano e na forma de valorizar uma organização, pois gera benefícios
intangíveis que alteram seu patrimônio. Desta forma, a gestão do conhecimento afeta, sobre
maneira, o valor das organizações, pois estas competem crescentemente com base em seus
ativos intelectuais. Em um ambiente em que inovações são duplicadas rapidamente pelos
concorrentes, Klein (1998) ressalta que é o capital intelectual das empresas, isto é, seu
conhecimento, experiência, especialização e diversos ativos intangíveis, ao invés de seu
capital tangível físico e financeiro, que cada vez mais determina suas posições competitivas.
Com relação à contabilidade empresarial, os autores Edvinsson e Malone (1998) afirmam que,
o modelo tradicional de contabilidade não tem conseguido acompanhar a evolução que esta
ocorrendo no mundo dos negócios e, além disso, os demonstrativos financeiros das grandes

ENEGEP 2004 ABEPRO 4492


XXIV Encontro Nac. de Eng. de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de nov de 2004

empresas estão de mostrando cada vez mais estáticos e obsoletos para acompanhar a
organização moderna, já que não retratam o real valor de uma empresa. Entende-se que a
contabilidade, para atingir eficazmente seu objetivo, de considerar tais mudanças.
No desenvolvimento deste artigo, foi utilizada uma pesquisa exploratória, que segundo Gil
(1997), consiste na descoberta de idéias, de forma flexível possibilitando a consideração dos
mais variados aspectos relativos ao estudo a fim de realizar uma avaliação comparativa dos
modelos de estimação do capital intelectual. Ainda, segundo Gil (1997) a pesquisa
bibliográfica é um tipo de pesquisa exploratória desenvolvida a partir de material já
elaborado, como livros e artigos científicos. Neste caso, para a realização do artigo, foi
realizada uma pesquisa bibliográfica em publicações periódicas, como jornais e, também, por
meio de livros, já que este tipo de pesquisa exige uma ampla cobertura de informações.
O presente artigo busca destacar os principais métodos existentes na literatura atual de
mensurar o capital intelectual e ainda evidenciar as suas vantagens para as empresas. Após
esta breve introdução, serão apresentadas algumas definições do capital intelectual, em
seguida será explicitada a vantagem da avaliação do capital intelectual sob o ponto de vista de
alguns autores especializados no tema, na seqüência são apresentados os modelos de
estimação do capital intelectual e, por fim, são apresentadas as considerações finais.
2. Definições de Capital Intelectual
No momento presente, os conceitos de Capital Intelectual diferem em alguns aspectos, mas na
essência, apresentam o mesmo conteúdo. Portanto, avaliar e mensurar o capital intelectual tem
sido alvo de diversos autores. Para Stewart (1998), o capital intelectual é a soma do
conhecimento de todos numa empresa, o que lhe proporciona vantagem competitiva. Constitui
o conhecimento, a informação e a experiência que pode ser utilizada para gerar riqueza.
Segundo o autor, o capital intelectual pode ser encontrado em três lugares: nas pessoas, nas
estruturas e nos clientes.
O capital humano é a capacidade necessária para que os indivíduos ofereçam soluções aos
clientes. No entanto, para compartilhar, transmitir e alavancar o conhecimento é necessário de
ativos estruturais como laboratórios, sistemas de informações, conhecimento dos canais de
distribuição que transformam o saber individual em beneficio de toda a empresa, ou seja, em
capital estrutural. Já o capital de clientes é o valor dos relacionamentos de uma entidade com
as pessoas com as quais realiza operações.
Para Low e Kalafut (2003) o capital intelectual refere-se ao valor das idéias da empresa, pois
os principais ativos das empresas não são mais os recursos naturais, máquinas ou mesmo
capital financeiro, e sim, os intangíveis, como pesquisa e desenvolvimento e técnicas
confidenciais, propriedade intelectual, habilidade da força de trabalho, redes de fornecimento
e marcas de classe mundial.
Os autores Edvinsson e Malone (1998) dividem o capital intelectual em três grupos, a saber:
capital humano, capital estrutural e capital de cliente. O capital humano é composto pelo
conhecimento, expertise, poder de inovação e habilidade dos empregados mais os valores, a
cultura e a filosofia da empresa. O capital estrutural é formado pelos equipamentos de
informática, softwares, banco de dados, marcas registradas, relacionamento com os clientes e
tudo o mais da capacidade organizacional que apóia a produtividade dos empregados. E o
capital de clientes envolve o relacionamento com clientes e tudo o mais que agregue valor
para os clientes da organização.
Sveiby (1998) ressalta que a peça chave da gerência é transformar capital humano em capital
estrutural, pois o capital humano não se pode possuir e o capital estrutural é propriedade da

ENEGEP 2004 ABEPRO 4493


XXIV Encontro Nac. de Eng. de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de nov de 2004

empresa. Segundo o autor a propriedade intelectual do lado dos ativos é possível graças ao
capital intelectual, isto é, a parte que sai todos os dias da empresa após o expediente.
Verifica-se que são várias as definições a respeito do conceito de capital intelectual e que não
há divergências em relação aos elementos que formam o capital intelectual, segundo os
autores citados, apenas utilizam maneiras diferentes quando se referem ao conceito de Capital
Intelectual, alguns o tratam como recursos ou capital, se vistos pela Economia, e ativos ou
bens e direitos, se vistos pela Contabilidade.
Logo, admite-se o Capital Intelectual, como o conjunto de valores ocultos que agregam valor
às entidade, permitindo sua continuidade. Levando em conta tais conceitos, pode-se dizer que
o Capital Intelectual é conjunto de valores, seja de capital, um ativo ou um recurso, que
ambos se acham ocultos e todos tendem a agregar valores reais a organização.
3. Vantagens da Mensuração do Capital Intelectual
Num mercado cada vez mais competitivo, o sucesso nos negócios, nos anos 90, depende
basicamente da qualidade do conhecimento que cada organização aplica nos seus processos
coorporativos/empresariais. Nesse contexto, o desafio de se utilizar do conhecimento
residente na empresa, com o objetivo de criar vantagens competitivas, torna-se mais crucial.
Em relação às vantagens na mensuração do capital intelectual, Martin (2004) aponta as
vantagens da mensuração do capital intelectual, entre elas destaca-se: aumento no potencial
informativo da Contabilidade; redimensionamento patrimonial da entidade (clareza e
adequação); canalização correta dos recursos para investimentos em capital humano e capital
estrutural; facilitar a escolha do investidor; determinar de que maneira uma melhor gestão do
conhecimento ajudará à empresa a ganhar ou a economizar dinheiro e ainda, evitar danos e
injustiças que uma avaliação patrimonial incorreta traz, gerando lucros ou prejuízos
indevidos.
Marr, Gray e Neely (2003) também identificam as razões pelas quais as organizações estão
buscando mensurar o seu capital intelectual, entre elas, a avaliação do capital intelectual
permite as empresas a formularem suas estratégias, pois a mensuração do capital intelectual
ajuda a organização identificar suas competências corporativas e os melhores recursos para
aproveitar as oportunidades; a avaliação dos indicadores de performance do capital intelectual
contribuem para as empresas avaliarem suas estratégias, ao mesmo tempo em que as
executam; os indicadores do capital intelectual ajudam as organizações nas decisões de
desenvolver, diversificar e expandir seus recursos, como no caso de alianças estratégicas,
aquisições; possibilita o uso de medidas financeiras juntamente com as medidas não
financeiras e permite a comunicação aos acionistas sobre os maiores concorrentes,
crescimento do mercado, volatilidade e perigos inerentes nas avaliações incorretas das
empresas e aumento do custo de capital.
Assim sendo, pode-se concluir que as informações contidas em um relatório de capital
intelectual, obtidas por meio de métodos de mensuração são relevantes para a organização,
bem como para os seus acionistas, pois o capital intelectual permite a identificação dos
componentes fundamentais e valiosos que contribuem no desenvolvimento potencial da
organização.
4. Mensurando o Capital Intelectual
Para que as empresas possam gerir eficazmente o capital intelectual da empresa e maximizar
o seu potencial de criação de valor torna-se fundamental, não somente sua identificação e
avaliação, mas também sua mensuração, que pode ser realizada por uma parcela de valor

ENEGEP 2004 ABEPRO 4494


XXIV Encontro Nac. de Eng. de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de nov de 2004

gerada pelo capital intelectual dentro da empresa, ou ainda, por meio das relações entre
variáveis da empresa que conduzam a uma determinada quantia de capital intelectual.
Objetivamente, Kaplan e Norton (1997) afirmam que o que não pode ser medido, não pode
ser gerenciado, mostrando a relevância de se identificar e mensurar os ativos intangíveis. Se
não for avaliado, mensurado, através de indicadores um elemento, não será possível a
identificação adequada de sua presença e nem será possível controlar sua evolução. A seguir,
são apresentados os principais métodos encontrados na literatura para a mensuração do capital
intelectual de uma empresa.
Navegador da Skandia
O primeiro modelo de evidenciação e mensuração do Capital Intelectual foi elaborado pelo
grupo Skandia. De acordo com Edvinsson e Malone (1998), o navegador Skandia foi
desenvolvido, na Skandia, uma companhia de Seguros e Serviços financeiros na
Escandinávia, em 1991, por Edvinsson e uma equipe de especialistas contábeis e financeiros
quando começaram a desenvolver, para a divisão de seguros e serviços financeiros da
Skandia, a primeira estrutura organizacional a ser criada para apresentar capital intelectual e
que se sustenta nos valores de sucesso que devem ser maximizados e incorporados à
estratégia organizacional e, que estão focados em cinco áreas distintas, como pode ser vista na
Figura 1, foco financeiro, foco de clientes, foco de processo, foco de renovação e
desenvolvimento e foco humano.

Foco Financeiro

Foco no Foco Foco no


Cliente Humano Processo

Ambiente Operacional

Fonte: Edvinsson e Malone (1998).


Figura 1: Navegador da Skandia

Bontis (2001) afirma que o modelo já incorpora cerca de 91 indicadores relacionados ao


capital e 73 indicadores relacionados ao desempenho financeiro. A partir da análise destes
indicadores pertencentes a cada área focada no modelo, as empresas podem analisar tanto o
desempenho financeiro da empresa quanto seu desempenho nas áreas não financeiras, ou seja,
nos componentes do capital intelectual. Esta analise possibilita que o administrador tome
decisões que maximizem o resultado financeiro da empresa.
Monitor de Ativos Intangíveis
Sveiby (1998), considerado um dos pais do movimento do capital humano, desenvolveu um
monitor de ativos intangíveis para a Celemi, uma empresa sueca de consultoria. A proposta do
modelo, segundo Sveiby (1998) é a estruturação de um painel onde são apresentados
indicadores relacionados com os ativos intangíveis da empresa. Para Sveiby (1998), o valor de
mercado total de uma empresa consiste em seu valor contábil mais os três grupo de ativos
intangíveis. Conforme o autor, os ativos intangíveis são categorizados, como estrutura externa

ENEGEP 2004 ABEPRO 4495


XXIV Encontro Nac. de Eng. de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de nov de 2004

(marcas, cliente e distribuidores), estrutura interna (organização: administração, estrutura


legal, sistemas manuais, atitudes, software) e competência individual (educação, experiência).
O monitor de ativos intangíveis, segundo Sveiby (1998), consiste num documento que faz a
reportagem de várias medidas financeiras e não financeiras da empresa. Essas medidas
relacionam a habilidade de uma empresa em relação ao crescimento, a eficiência e a
estabilidade aplicadas as três formas de ativos intangíveis da empresa: competência, estrutura
interna e estrutura externa, Figura 2.
Avaliação da
Indicadores Estrutura Interna Estrutura Externa
competência
-investimento na estrutura
-tempo de profissão
interna
Crescimento/ -nível de -lucratividade por
-investimento em sistemas
Renovação escolaridade cliente
de informações
-contribuição dos clientes
-proporção de
-proporção do pessoal de
profissionais -índice de clientes
suporte
Eficiência -efeito alavancagem satisfeitos
-vendas por funcionário de
-valor agregado por -vendas por cliente
suporte
profissional
-proporção de clientes
-média etária -idade da organização
-estrutura etária dos
Estabilidade -tempo de serviço -rotatividade de suporte
clientes
-rotatividade -taxa de novatos
-repetição de pedidos
Fonte: Sveiby (1998).
Figura 2: Ativos Intangíveis.

Assim, conforme Sveiby (1998), o objetivo de medir os indicadores de crescimento, eficiência


e de estabilidade é proporcionar um maior controle à administração. Neste contexto, por
exemplo, na análise da estrutura externa deve-se identificar que resultados serão interessantes
em uma apresentação externa, isto é, as empresas precisam se descrever com tanta precisão
quanto possível, de forma que estes agentes externos, como clientes, concorrentes e parceiros,
possam avaliar a qualidade de sua administração.
Balanced Scorecard
Os estudos sobre o Balanced Scorecard tiveram seu início em 1990, com os estudiosos
Kaplan e Norton, e foram motivados diante do reconhecimento da insuficiência dos
indicadores contábeis e financeiros para avaliar o desempenho empresarial. Isso decorre,
principalmente, devido a não inclusão dos ativos intangíveis e intelectuais corporativos no
tradicional modelo de contabilidade financeira.
De acordo com Kaplan e Norton (1997), o Balanced Scorecard (BSC) objetiva a implantação
de novos sistemas de medidas de desempenho aliados às estratégias organizacionais. Estas no
contexto atual de elevada competitividade, recursos escassos e exigências crescentes por parte
dos clientes, tornam-se imprescindíveis para a sobrevivência e crescimento empresarial.
A metodologia proposta pelo BSC vem a auxiliar uma gestão estratégica à medida que busca
facilitar a compreensão da missão e das estratégias organizacionais e a construção de uma
sistema de medição integrado com a estratégia. O desempenho organizacional, na visão do

ENEGEP 2004 ABEPRO 4496


XXIV Encontro Nac. de Eng. de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de nov de 2004

scorecard, é avaliado sob quatro perspectivas equilibradas: financeira, do cliente, dos


processos internos da empresa, do aprendizado e crescimento (Figura 3).

Clientes Financeira
O que fazer para atender O que fazer para atender
os clientes? os acionistas?
Visão e
Processos Internos Aprendendo e Crescendo
Quais os processos de Estratégia Como continuar
negócios que devem ser crescendo e aprimorando
melhorados? processos?

Fonte: Kaplan e Norton (1997).


Figura 3: Perspectivas do Balanced Scorecard
Technology Broker

Brooking (1996) desenvolveu o modelo de capital intelectual centrado na auditoria do capital


intelectual. De acordo com Brooking (1996), o capital intelectual se divide em quatro
categorias ativos de mercado, ativos humanos, ativos de propriedade intelectual e os ativos de
infra-estrutura (Figura 4). Os ativo de mercado, se referem ao potencial que a empresa possui
em decorrência dos intangíveis que estão relacionados com o mercado, como marcas, lealdade
de clientes, canais de distribuição, franquias, entre outros. Ativos humanos compreendem os
benefícios que os indivíduos podem proporcionar a organização, como criatividade,
conhecimento, habilidade para resolver problemas, vistos de forma coletiva e dinâmica.

Capital Intelectual

Ativos de Mercado Ativos Humanos Ativos de Propriedade Ativos de


Intelectual Infraestrutura

Fonte: Van de Berg (2003).


Figura 4: Componentes do capital intelectual

Os ativos de propriedade intelectual são aqueles que necessitam de proteção legal para
proporcionar benefícios futuros para a organização, como Know-how, segredos industriais,
copyright, patentes, design, etc. E os ativos de infraestrutura compreendem as tecnologias, as
metodologias e processos empregados, como a cultura, sistema de informação, métodos
gerenciais, banco de dados de clientes, etc.
O modelo de avaliação do capital intelectual, de Annie Brooking, de acordo com Van de Berg
(2003), funciona como um diagnóstico, incitando os gerentes a desenvolver indicadores de
capital intelectual em forma de pesquisa. A metodologia para a avaliação do capital
intelectual identifica e mede atributos de uma empresa que não aparece nas demonstrações
contábeis.
Valor Econômico Agregado e Valor de Mercado Agregado
O Valor Econômico Agregado (EVA), segundo Bontis (2001) é um modelo de avaliação da
empresa baseado no lucro econômico. Sendo assim, o EVA é igual ao lucro operacional após
o pagamento de impostos menos os custos de capital (Figura 5).

ENEGEP 2004 ABEPRO 4497


XXIV Encontro Nac. de Eng. de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de nov de 2004

NOPAT
Valor criado para
Lucro EVA
o acionista
operacional
Lucro líquido
efetivo depois dos Custo de Capital total
impostos capital vezes o seu custo

Fonte: Adaptado de Bastos (1999).


Figura 5: Geração de valor econômico.

Observa-se na figura de Bastos (1999) que o EVA representa o lucro residual, como já foi
comentado, isto é, a quantia que sobra depois do pagamento dos impostos e depois de
descontada a parcela correspondente ao custo de capital. Desta forma, calcula-se o valor
presente dos EVA projetados e adiciona o capital inicial empregado, determinando-se assim,
o valor da empresa. Assim, ao somar o valor presente dos EVA projetados para os períodos
futuros da empresa, obtém-se o MVA (Market Value Added). Assim, uma empresa capaz de
gerar EVA futuros positivos provavelmente verá o seu MVA aumentar, enquanto que uma
empresa que possua o EVA negativo verá o seu MVA diminuir.
Assim, de acordo com Van de Berg (2003), o Valor de Mercado Agregado (MVA)
corresponde a diferença entre o valor de mercado da empresa e o capital investido subtraído
os passivos exigíveis, representa o seu patrimônio líquido. O MVA busca indicar qual é a
percepção do mercado com relação ao desempenho da empresa, e, portanto com relação ao
valor de suas ações (Figura 6).

MVA Valor adicionado


Valor para o acionista
Valor de
para o
Mercado
acionista
Capital Investimento do
investido acionista
Fonte: Adaptado de Bastos (1999).
Figura 6: valor adicionado pelo mercado (MVA).
Pode-se observar que o MVA corresponde à parcela de valor paga pelo mercado além do
capital investido na empresa. Conforme Rodgers (2003), a principal dificuldade em aplicar
estas medidas como ferramentas de auxílio à gestão está em saber com exatidão a quantia de
capital investido, bem como encontrar medidas para calcular índices onde muitos dos ativos
são intangíveis, tais como nomes de marcas. Haverá sempre a necessidade de se fazer
estimativas aleatórias sobre o valor ou então recorrer à contabilidade tradicional para fornecê-
lo.
Considerações Finais
Com a realização desse estudo, foi possível analisar os modelos que permitem avaliar o
capital intelectual e verificar, conseqüentemente, que o Capital Intelectual esta diretamente
ligado aos ativos físicos de uma empresa. Logo, tais ativos são intangíveis e a empresa
somente alcançara seus objetivos e aumentara sua riqueza com a presença de pessoas
capacitadas, as quais dão vida aos ativos tangíveis.
Pode-se verificar que, os ativos intelectuais tornaram-se os elementos mais importantes no
mundo dos negócios. Cada vez mais as empresas falam do conhecimento como o principal

ENEGEP 2004 ABEPRO 4498


XXIV Encontro Nac. de Eng. de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de nov de 2004

ativo das organizações e como a chave da vantagem competitiva. Essa competitividade das
organizações passou a ser determinada pelo capital intelectual.
A partir dos modelos de estimação do capital intelectual, pode-se perceber que muitas
empresas já estão mensurando a verdadeira importância dos seus recursos intelectuais, vitais e
de grande relevância para a contabilidade, pois minimizam a quantidade de intangíveis não
identificados, constituindo assim, modelos complementares as decisões referentes aos seus
sistemas financeiros.
Por fim, a partir deste artigo, pode-se afirmar que, através de pesquisas de diversos estudiosos
sobre o capital intelectual e sua mensuração, está se criando uma enorme contribuição para
que muitas organizações descubram quais são os seus verdadeiros recursos e,
conseqüentemente, qual o seu valor fundamental e, também, de como utilizá-los de maneira
que agreguem algum valor. Além disso, pode-se esperar que a partir deste estudo, sobre o
capital intelectual e seus modelos de estimação, desperte o interesse nas empresas que ainda
se baseiam apenas em dados financeiros e incluam em suas análises alguns destes modelos de
avaliação do capital intelectual, procurando contribuir para um melhor entendimento de
modelos e métodos que possibilitem as empresas avaliar seus ativos intelectuais.
Referências
Antunes, Maria Thereza Pompa. Capital Intelectual. São Paulo: Atlas, 2000.
Bastos, Norton T. A avaliação de desempenho de bancos brasileiros baseada em criação de valor econômico.
Revista de Administração, São Paulo, v.34, n.3, p. 68-73, jul/set. 1999.
Bontis, Nick. Assessing Knowledge assets: a review of the models used to measure intellectual capital.
International Journal of Management Reviews, v. 3, n.1, p. 41-60, 2001.
Brooking, Annie. Intellectual capital: core asset for the third millennium enterprise. International Thomson
Business Press, New York, 1996.
Castells, Manuel. A Sociedade em Rede. São Paulo: Paz e Terra, 2001.
Crawford, Richard. Na Era do Capital Humano. São Paulo: Atlas, 1994.
Edvinsson, Leif. Malone, Michael S. Capital intelectual-descobrindo o valor real de sua empresa pela
identificação de seus valores internos. São Paulo: Makron Books do Brasil, 1998.
Gil, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 1997.
Kaplan, S. Robert. Norton, David P. A Estratégia em Ação-Balanced Scorecard. Rio de Janeiro: Campus, 1997.
Klein, David A. A Gestão Estratégica do Capital Intelectual. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1998.
Low, Jonathan. Kalafut, Pam Cohen. Vantagem Invisível. Porto Alegre: Bookman, 2003.
Leliaert, Philippe. Rodov, Irena. FiMiam: financial method of intangible assets measurement. Journal of
Intellectual Capital, v.3, n.3, 2002.
Marr, Bernard. Gray, Dina. Neely, Andy. Why do firms measure their intellectual capital? Journal of Intellectual
Capital, v.4, n.4, p. 441-464, 2003.
Martin, Willian Jhon. Demonstrating Knowledge value: a broader perspective on metricis. Journal of Intellectual
Capital, v.5, n.1, 2004.
Nonaka, Ikujiro. Takeuchi, Irotaka. Criação de conhecimento na empresa: como as empresas japonesas geram a
dinâmica de inovação. Rio de Janeiro: Campus, 1997.
Rodgers, Waymond. Measurement and reporting of knowledge-based assets. Journal of Intellectual Capital, v.4,
n.2, p. 181-190, 2003.
Stewart, Thomas A. Capital Intelectual - a nova vantagem competitiva das empresas. Rio de Janeiro: Campus
Ltda., 1997.
Sveiby, K. E. A nova riqueza das organizações. Rio de Janeiro: Campus, 1998.
Van de Berg, Herman A. Models of Intellectual Capital Valuation: A comparative Evaluation, 2003.

ENEGEP 2004 ABEPRO 4499