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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA METALÚRGICA E MATERIAIS

IZABELA AMORIM
CAIO
ARTHUR PORTO
RAQUEL RODRIGUES DA SILVA MACHADO

MATERIAIS REFRATÁRIOS: aplicação em carros torpedos

Belo Horizonte – Minas Gerais


2019
IZABELA AMORIM
CAIO
ARTHUR PORTO
RAQUEL RODRIGUES DA SILVA MACHADO

MATERIAIS REFRATÁRIOS: aplicação em carros torpedos

Trabalho apresentado como parte da disciplina de


Materiais Refratários ministrada pelo professor Wander
Luiz Vasconcelos.

Belo Horizonte – Minas Gerais


2019
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO

Os materiais refratários constituem um dos principais grupos de materiais utilizados na


Engenharia. A grande importância e aplicabilidade desses materiais está diretamente
relacionada pela capacidade que eles possuem de suportarem altas temperaturas. Materiais
refratários são utilizados em revestimentos de equipamentos industriais cujo ambiente de
operação inclui condições extremas em altas temperaturas, severas solicitações
termomecânicas e constantes ataques químicos (SAKO, 2014).
Dos cenários industriais, o setor que mais se destaca pela utilização de materiais
refratários e a metalurgia, mais especificamente o ramo da Siderurgia, uma vez que, quase
todos os processos siderúrgicos envolvem, nas etapas de produção, ambientes com altas
temperaturas, sendo necessário o uso de materiais refratários em vários equipamentos
utilizados.
As especificações técnicas e a vida útil dos refratários dependem das condições de uso,
da posição do equipamento a serem aplicados, da interação entre matérias-primas e escória, de
choques mecânicos e térmicos da operação. Por serem submetidos a condições extremas, os
materiais refratários são trocados frequentemente (COTTA, 2014). Os materiais refratários
são amplamente utilizados em reatores e nos fornos metalúrgicos, como materiais de
revestimentos, sendo empregados desde o tratamento de matérias primas (nos fornos de
coqueria) até os estágios finais de solidificação. Dessa forma, devido ao vasto campo de
aplicações, diversos tipos de materiais são utilizados. O nosso trabalho tem como foco
apresentar características, propriedades, processos de fabricação, vantagens e problemas dos
materiais refratários que são utilizados em carros torpedos, outras possíveis aplicações desses
materiais, tendências e consumo.
2 OBJETIVOS

2.1 Objetivo Geral

Identificação dos Materiais Refratários Utilizados nos Carros Torpedos

2.2 Objetivos Específicos

a) Caracterizar os materiais refratários que são utilizados.

b) Identificação das microestruturas empregadas nesse tipo de refratário.

c) Apresentação dos mecanismos de desgaste.

d) Citar as tendências.

e) Apresentar informações relacionadas ao volume consumido e vida útil do material.


3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

3.1 Materiais Refratários

Segundo a Associação Brasileira de Cerâmica (ABCERAM), materiais refratários são


materiais cerâmicos cuja principal característica é a resistência a temperaturas elevadas sem
se decomporem ou entrarem em fusão, além de serem capazes de permanecer não-reativos em
ambientes severos. Também são resistentes à corrosão e erosão por metais líquidos, escórias e
gases quentes. Devido a essas propriedades, são essenciais para a proteção em revestimentos
internos de equipamentos industriais que operam em temperaturas superiores a 1200 °C,
como fornos, panelas e chaminés de indústrias siderúrgicas, de fundição, de cimento e vidro.
(SAKO, 2014).
As principais matérias-primas dos refratários, que possuem ponto de fusão acima de
1800°C, são: magnesita, dolomita e alumina. Também podem ser utilizadas em sua
fabricação, mas em menor proporção: grafita, cromita, zircônia, dentre outros (RAAD, 2008).
Os materiais refratários podem ser separados em duas categorias:

Primeira Categoria: leva em consideração a classificação física.


a) Moldados: tijolos e pelas especiais
b) Monolíticos: concretos, argamassas, massas de projeção, massas de injeção, massas
de socar, etc.
Segunda Categoria: leva em consideração a composição química.
a) Ácidos: Produtos com predominância de SiO2. Podemos citar como exemplos a Sílica
e a Alumína
b) Básicos: produtos constituídos essencialmente por óxidos como MgO, CaO e a
Cromita
c) Neutros: são fabricados com matérias-primas ricas em (Al2O3 e ZrO2 ). Carbeto de
Silício, Zircônia.

A fabricação de um material refratário tem início com o beneficiamento das matérias


primas, através dos processos de britagem, moagem e classificação. Após esta etapa, as
matérias-primas podem ficar estocadas, para então serem pesadas, dosadas e misturadas nas
proporções específicas de cada produto. Para os refratários monolíticos, após a mistura, são
embalados para serem comercializados. Já os refratários moldados, passam ainda pelas etapas
de conformação (prensagem ou moldagem), secagem, sinterização (queima) e finalmente
embalados (Figuras 1 e 2).

Figura 1: Fluxograma de Fabricação de um Material Refratário Moldado.

Figura 2: Fluxograma de Fabricação de um Material Refratário Monolítico (não


moldado)

3.2 Carros Torpedos


O transporte e o manuseio de ferro gusa incluem os carros torpedos e panelas de gusa, embora
algumas poucas usinas ainda utilizem misturadores como entreposto entre os altos fornos e
aciarias, a maior parte de gusa vai direto dos carros torpedos e panelas para os
convertedores. Os projetos refratários para carros torpedos devem considerar as condições
operacionais, os tratamentos executados nestes equipamentos, além das solicitações
químicas, mecânicas e termomecânicas, a figura 3 mostra um carro torpedo utilizado no
transporte de gusa.

Figura 3: Carro Torpedo

O carro torpedo é considerado como um equipamento de transporte de gusa,


entretanto, algumas usinas utilizam-no como reatores para tratamento prévio do ferro gusa,
principalmente para os processos de dessulfuração e dessiliciação, motivos pelos quais o
revestimento refratário deve suportar condições severas provenientes das práticas
operacionais.
Os carros torpedos apresentam como vantagem em relação às panelas a capacidade de
transporte de um volume maior, uma vez que a sua geometria reduz a perda térmica e
oxidação do gusa em relação às panelas, pois o contato do banho com o ar atmosférico é
menor, de forma que, este meio de transporte tenha se popularizado bastante no mundo.

3.3 Materiais utilizados no revestimento dos Carros Torpedos.


Até o inicio da década de 1970, os carros torpedos eram revestidos com tradicionais
sílico aluminosos. Em seguida passou para os aluminosos impregnados a piche. No final dos
anos 80 migrou para os produtos a base de Al 2O3SiC+C, além de continuar usando a
impregnação com piche, uma vez que este elemento fornece carbono, contribuindo para a
redução da porosidade dos tijolos.
Estes produtos continuam sendo utilizados até os dias atuais, entretanto, passaram por
modificações e inovações de forma a atender as demandas exigidas por cada fornecedor.
A adição do carbono e do carbeto de silício a estes produtos proporcionou melhoria nas
propriedades ao choque térmico, resistência ao ataque químico e à resistência mecânica
quando submetidos aos ambientes de altas temperaturas. Estes produtos são ligados à base de
resinas fenólicas e tratados a temperaturas aproximadas de 200ºC.
De maneira geral os refratários utilizados nos carros torpedos são tijolos da família
Al2O3-SiC-C, podendo ter adições de MgO e/ou espinélio (MgO *Al2O3), ou tijolos
aluminosos e sílico aluminosos impregnados com piche. Na boca dos carros torpedos,
usualmente, aplicam-se concretos refratário de alta alumina/SiC com adições de fibras
metálicas.
4 MECANISMOS DE DESGASTE DOS REFRATÁRIOS

Os principais mecanismos de desgaste dos refratários usados nos carros torpedos podem
ser visto na figura 4. Este mecanismo está intimamente ligado às interações que ocorrem entre
o metal líquido, a escória e a condição térmica dos carros torpedos. Em especial, na
manutenção do calor e na realização de pré-tratamentos do gusa dentro dos carros torpedos.

Figura 4: Mecanismos de desgaste presentes no revestimento refratário dos carros


torpedos

(continuar)
5 CONCLUSÃO
6 BIBLIOGRAFIA CITADA

SAKO, E. Y., PANDOLFELLI, V. C. Artigo revisão - A relação entre a corrosão e a


microestrutura: a chave para o desenvolvimento de concretos refratários espinelizados de alto
desempenho. Cerâmica 60. [São Carlos], Universidade Federal de São Carlos, 2014. p. 127-
143. Disponível em:<http://www.scielo.br/pdf/ce/v60n353/18.pdf>. Acesso em: 04 nov. 2019.

COTTA, Luiza Santos; RODRIGUES, Christianne Garcia. Avaliação de Revestimento


Refratário no Processo Siderúrgico. Revista E-xacta, Belo Horizonte: Editora UniBH , v. 7, n.
1, p.185-203, 2014. Disponível em: < https://revistas.unibh.br/dcet/article/view/1178. Acesso
em: 10 mai. 2016.

RAAD, Henrique Jardim. Influência das Condições de Mistura e Moldagem na


Permeabilidade de concretos refratários aluminosos. 2008. 151 p., Dissertação (Mestrado em
Construção Civil) - Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Minas Gerais.
Disponível em: http://hdl.handle.net/1843/ISMS-7NHKUG . Acesso em: 4 nov. 2019.

QUINTELA, M. A.; PESSOA, C. A.; RODRIGUES, J. A.; PANDOLFELLI, V. C. A novel


methodology for evaluating the oxidation resistance of carbon-containing refractories.
Refractories Applications and News, Rolla, v. 7 n. 1, p. 16-19, 2002

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